From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 1 19:18:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Nov 2010 19:18:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Roda_Viva_hoje_22=3A00_hs_-_Z?= =?windows-1252?q?=E9_Dirceu__TV_CULTURA?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem José Dirceu, Ex-Ministro-Chefe da Casa Civil Segunda-feira, 1 de Novembro às 22h00. Apresentação Marília Gabriela http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/ __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101101/3c8de281/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 1 19:18:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Nov 2010 19:18:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Raz=F5es_para_dormir_e_despertar_?= =?iso-8859-1?q?cedo_e_+=2E=2E=2E=2E_______________________________?= =?iso-8859-1?q?______________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!_______ME?= =?iso-8859-1?q?DICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Razões para dormir e despertar cedo Das 21- 23:00: É o horário em que o corpo realiza atividades de eliminação, químicos desnecessários e tóxicos (desintoxicação) mediante o sistema linfático do nosso corpo. Neste horário do dia devemos estar num estado de relaxamento, escutando música, por exemplo. Das 23 - 01:00: o corpo realiza o processo de desintoxicação da vesícula biliar,e idealmente deve ser processado num estado de sono profundo. Durante as primeiras horas da manhã 01:00- 03:00: processo de desintoxicação do fígado, idealmente deve suceder também num estado de sono profundo. De madrugada 03:00- 05:00: desintoxicação dos pulmões. É por isso que por vezes neste horário se produzem fortes acessos de tosse. Quando o processo de desintoxicação atinge o trato respiratório é melhor não tomar medicamentos para a tosse já que interferem no processo de eliminação de toxinas. Manhã 05:00- 07:00: desintoxicação do cólon. É o horário de ir à casa-de-banho para esvaziar o intestino. Durante a Manhã de 07:00- 09:00: absorção de nutrientes no intestino delgado. É o horário perfeito para tomar o Café da manhã. Se estiver doente o Café da manhã deve ser tomado mais cedo: antes das 6:30 . O Café da manhã antes das 7:30 é benéfico para aqueles que querem manter-se em forma. Os que não têm por hábito tomar o Café da manhã devem tentar mudar o hábito, sendo menos prejudicial realizá-lo entre as 9:00 e as 10:00 em vez de ficar a manhã completa sem comer. Dormir tarde e despertar tarde interromperá o processo de desintoxicação de químicos desnecessários ao teu organismo. Além disso deves ter em conta que das 00:00 às 4:00 é o horário em que a medula óssea está produzindo sangue. Então, procura dormir bem e não te deites tarde. ______________________________________________________________________ Os alimentos "Top-five" causadores de câncer: 1. Cachorros quentes Porque têm alto teor em nitratos. A "Cancer Prevention Coalition" adverte que as crianças não devem comer mais de 2 salsichas por mês. 2. Carnes processadas e toucinho Também contêm altos níveis de nitrato de sódio como as salsichas, assim como também no toucinho e outras carnes processadas aumentam o risco de doenças do coração. A gordura saturada do toucinho também é um grande colaborador na geração de câncer. 3. Donés (Donutts) Os donés são duplamente causadores de câncer . Primeiro porque são elaboradas com flúor, açúcar refinado e óleo hidrogenado, depois são FRITOS a altas temperaturas. Os donés são o primeiro "alimento" de todos os que podes comer que elevará altamente o teu risco de gerar câncer. 4. Batatas fritas Assim como os donutts, as batatas fritas são elaboradas com óleos hidrogenados e cozinhadas depois a altas temperaturas. Também contêm acrylamidas que se geram durante o processo de cozedura a altas temperaturas. Deveriam chamar-se batatas de câncer em vez de batatas fritas. 5. Biscoitos e bolachas São geralmente elaboradas com flúor e açúcar. Até as que em suas etiquetas são orgulhosamente apresentadas como livres de gorduras transgénicas geralmente contêm ainda, só que em quantidades menores. HÁBITOS QUE PREJUDICAM O CÉREBRO (matam neurônios) 1. Não tomar o café da manhã A pessoa que não toma o pequeno-almoço tem baixo nível de açúcar no sangue. Isto gera uma quantidade insuficiente de nutrientes ao cérebro causando a sua degeneração paulatinamente. 2. Comer demais Isto causa o endurecimento das artérias do cérebro, causando também baixa capacidade mental. 3. Fumar Causa a diminuição do tamanho cerebral e promove também a doença de Alzheimer. 4. Consumir altas quantidades de açúcar O alto consumo de açúcar interrompe a absorção de proteínas e outros nutrientes causando má nutrição e pode interferir no desenvolvimento do cérebro. 5. Contaminação do ar O cérebro é o maior consumidor de oxigénio do corpo. Inalar ar contaminado diminui a sua oxigenação provocando uma diminuição da eficiência cerebral. 6. Dormir pouco O dormir permite ao cérebro descansar. A falta de sono por períodos prolongados acelera a perda de células do cérebro. 7. Dormir com a cabeça coberta Dormir com a cabeça coberta aumenta a concentração de dióxido de carbono e diminui o oxigénio causando efeitos adversos ao nosso cérebro. 8. Fazer o cérebro trabalhar quando estamos doentes Trabalhar e estudar quando estás doente, além da dificuldade do cérebro para responder nesse estado, prejudica-o. 9. Falta de estimulação Pensar é a melhor maneira de estimular o nosso cérebro e não fazê-lo provoca que o cérebro diminua o seu tamanho e portanto a sua capacidade. 10. Pratica a conversação inteligente Conversas profundas ou intelectuais promovem a eficiência cerebral ------------------------------------------------------------------------------------------- Causas principais que prejudicam o fígado 1. Dormir tarde e despertar tarde 2. Não urinar pela manhã 3. Comer demasiado 4. Pular o café da manhã 5. Consumir muitos medicamentos 6. Consumir conservantes, colorantes, adoçantes artificiais 7. Consumir óleos de cozinha não saudáveis. Reduz o mais possível o consumo de alimentos fritos mesmo quando utilizes azeites benéficos. Não consumas alimentos fritos quando estiveres cansado ou doente a menos que sejas muito magro, mas se puderes, evita-o. 8. Consumir alimentos demasiado cozidos sobrecarregam o fígado. Os vegetais devem ser comidos crus ou pouco cozidos. Se consomes vegetais fritos deves fazê-lo de uma só vez, ou seja, não deves guardá-los para consumo posterior. Devemos seguir estes conselhos sem que signifique maior gasto. Só temos que adotar um estilo de vida mais saudável e melhorar os nossos hábitos alimentares. Manter bons hábitos de alimentação e exercício é muito positivo para que o nosso organismo absorva o que necessita e elimine os químicos no seu "horário". LEVA MAIS À SÉRIO A TUA SAÚDE.... E PARTILHA ESTA INFORMAÇÃO COM TODOS OS TEUS AMIGOS !!! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101101/b20c4577/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 1 19:18:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Nov 2010 19:18:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Dos_por=F5es_do_Dops_para_a_Pre?= =?windows-1252?q?sid=EAncia?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, segue um texto (o primeiro artigo que me chegou sobre a vitória da nossa candidata Dilma Rousseff) apaixonado e apaixonante, do nosso camarada jornalista Rui Martins, que vive na Suíça e luta na defesa dos trabalhadores emigrantes, que o fascismo nascente no Velho Continente (e também nos EUA) tenta esmagar. Putabraço a todos, E VIVA A NOSSA VITÓRIA COM DILMA, Alipio Freire. De: Rui Martins Amigo e companheiro de lutas, falo em voce no meu texto sobre a visita ao Dops, e viva essa grande vitória do povo, Rui. tb no www.diretodaredacao.com Dos porões do Dops para a Presidência Por Rui Martins 31/10/2010 20:14, Editar esta entrada Dilma Rousseff foi resistente contra a ditadura militar e foi uma das jovens presas no Dops. Extraordinária revanche que, ao mesmo tempo, reforça o conceito de ser preciso lutar, mesmo quando se é minoria e parece ser perdida a causa. Qual dos carrascos e dos militares do Golpe de 64 poderia imaginar, naqueles passados fim dos anos 60, que uma das jovens recolhidas a uma das celas do Dops seria eleita, mais de 40 anos depois, presidenta do Brasil ? Diante de situações como essa, se fortalece a convição da necessidade de se lutar mesmo quando tudo parece ser contra nós e quando se é uma reduzida minoria. Graças ao meu amigo e colega Alípio Freire, imponente e carismática figura, visitei, durante minha viagem a São Paulo, dois lugares que me religaram à época da luta contra a ditadura militar ? os arquivos onde estão guardados os documentos relacionados com os perseguidos, presos, torturados e mesmo assassinados no Dops, depois chamado de Deops, mas sempre um instrumento cruel da repressão. E a seguir, na praça General Osório, junto à antiga Estação da Luz, os lugares onde funcionavam parte dos mecanismos da repressão, hoje transformados no Memorial da Resistência. Cubículos onde se acumulavam os jovens resistentes à ditadura, onde eram torturados, recebiam verdadeiras lavagens de porcos como refeições e apodreciam sem direito à luz solar, coisa permitida reduzidas vezes e apenas por restritos minutos. Coincidentemente, ali estavam no começo de outubro, data de minha visita, numerosos cinegrafistas dos diversos canais da televisão brasileira. E por que ? Para mandarem ao ar, logo após confirmada a vitória de Dilma Rousseff, documentos filmados da cela onde esteve presa, quando militante contra a ditadura militar brasileira. A vitória não saiu, como se esperava, no primeiro turno, e tudo vai ser levado à televisão brasileira neste domingo do segundo turno. Não faltarão, sem dúvida, as informações truncadas, pelas quais ouvi um jovem me dizer, ter sido Dilma assaltante de bancos, mas tinha recebido informação incompleta, pois não lhe tinham explicado ser essa a maneira, na época, de se atacar o sistema militar e obter fundos para manter a resistência aos ditadores. Estranho país esse meu Brasil, onde por guerrinhas políticas se procura denegrir a imagem de seus heróis do passado. Os covardes de ontem, que compuseram, colaboraram ou se aproveitaram da ditadura tentam agora minimizar o valor de todos quantos expuseram suas vidas em luta pela liberdade e pela democracia dos dias de hoje. Dilma Rousseff não é apenas a primeira mulher brasileira eleita presidenta (e isso já é estraordinário num país tido como de machistas), é mais que isso, é uma das lutadoras naqueles escuros anos de chumbo. Anos em que, militares teleguiados pelos EUA destruíram a cultura construída nas nossas universidades, a pretexto de evitar o marxismo, mas na verdade para manter a desigualdade social e a semi-escravidão de grande parte da população, da qual só agora vamos saindo. Dilma foi uma resistente, vinda das hostes de um outro herói, Leonel Brizola. Sua eleição é o coroamento do longo caminho das batalhas sociais em favor do povo e da liberdade, que são por uma melhor repartição do pão e por uma melhor remuneração do trabalho da maioria da população. Depois de quase quinhentos anos de um Brasil governado sempre pelas mesmas famílias, pelas mesmas oligarquias, houve a ascenção de um filho do povo. A Casa Grande perdeu para os habitantes da Senzala e um Brasil mais justo vai surgindo, mesmo diante de numerosas tentativas para se devolver o poder aos seus antigos detentores. Oito anos, tantas vezes conturbados pelas dificuldades de se governar com um Parlamento viciado na corrupção, é um tempo curto demais para se contrapor aos quase 500 da elite branca e rica brasileira, disposta tantas vezes a vender e a ceder nossas riquezas em troca de vantagens pessoais. Dilma Rousseff, a corajosa mulher dos anos 60, que viveu três anos nas escuras celas do Dops, por afrontar os militares ? nisso sobrepujando tantos homens, dispostos por covardia a se submeter aos fardados ? é hoje a garantia de um novo governo em favor do povo e não em favor dos ricos e suas oligarquias. O Brasil é exemplo de democracia na América Latina, mostra um enorme avanço tecnológico ao ser capaz de apurar rapidamente as eleições que, nos EUA, demoram um mês em meio a trapaças de toda espécie. A derrota de Serra sela o fim de um época. Por um bom tempo, poderemos ter a certeza da manutenção dos verdadeiros representantes do povo no poder, mesmo sob a pressão do cartel da imprensa da direita, que confunde liberdade de expressão com manipulação e engôdo do povo com seus telejornais supérfluos, suas telenovelas modificadoras da nossa cultura e com sua máquina de informação implantada por todo o país sem contrapartida, numa verdadeira ditadura latente e invisível mas eficaz. Dilma, a resistente de ontem é a nossa presidenta de hoje, numa extraordinária revanche aos golpistas, torturadores e assassinos do passado, ainda saudosos dos anos em que enterraram aqueles anos ricos em cultura e manifestação popular. Os tempos mudaram, graças aos resistentes, o Brasil se transformou, graças aos anos Lula numa potência mundial, que Dilma, representante das mulheres brasileiras, tantas vezes oprimidas e obrigadas a ficar na cozinha, vai continuar. PS. Graças aos arquivos do tempo da ditadura, pude também me reencontrar, naqueles idos de 1967-68, ao lado de Mario Martins, no Teatro Paramout, secretariando o Encontro com a Liberdade, ao lado dos resistentes da época. A história de um país não se faz num dia, ela é o resultado de anos de lutas e, no caso do Brasil, a satisfação dos dias de hoje é saber que a Casa Grande está sendo transformada em Casa do Povo. PS-2. A partir de amanhã e até o dia 9, os emigrantes poderão eleger seus representantes num Conselho junto ao Itamaraty, apenas figurativo, mas que poderá ser um trampolim a uma Secretaria de Estado dos Emigrantes. Na América do Norte, são candidatos apoiados pelos Estado do Emigrante, Josivaldo Rodrigues e Veronique Ballot; na América do Sul, Fernanda Balli; na Ásia/África Alberto Ésper e, na Europa, Rui Martins. Para votar ir ao site www.brasileirosnomundo.mre.gov.br , onde estão todas as informações. Rui Martins, correspondente em Genebra, líder emigrante, jornalista e escritor. Rui Martins, pour des classes bilingues Français-Allemand au primaire et secondaire, à Berne, capitale fédérale suisse. www.francophones-de-berne.ch Depois da vitória dos Brasileirinhos Apátridas, nosso projeto Estado do Emigrante quer uma Secretaria de Estado ou Ministério das Migrações, englobando migração, imigração e emigração. www.brasileirinhosapatridas.org e www.estadodoemigrante.org -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101101/eeb25f87/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 1 19:19:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 1 Nov 2010 19:19:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Tem_Dilma_Rousseff_no_Ch=E1=2Ec?= =?windows-1252?q?om_Letras?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Belo texto da nossa amiga Leila Brito, no seu blog (clique abaixo) Caro(a) Leitor(a)? Com especial alegria, convido-o(a) a ler meu ensaio de Boas Vindas à nova Presidenta do Brasil (uso a palavra no feminino para enfatizar o gênero): www.chacomletras.com.br O que desejo ressaltar na pessoa da nossa querida Presidenta, a despeito do meu orgulho por ela ser MULHER e MINEIRA como eu, é a sua COMPETÊNCIA POLÍTICA para governar o país. Enganam-se aqueles que a consideram (e eu ouvi isto, hoje, dos comentaristas da Globo ao projetarem sua atuação na presidência) um mero ?produto? lançado pelo Presidente Lula para continuar sua obra político-social. Enganam-se, porque é a própria história da Dilma Rousseff que atesta, enfaticamente, sua EXPERIÊNCIA POLÍTICA. Da mesma forma que Lula, de fato, Dilma nunca exerceu função eletiva, pois nunca foi vereadora, nem prefeita, nem deputada estadual ou federal, nem senadora. No entanto, ?nunca na história deste país?, um presidente exerceu a POLÍTICA (nacional e internacional) de forma tão competente como o Presidente Lula, fato que atribuo à sua experiência no sindicalismo. Da mesma forma, Dilma traz do campo (e que campo!) para a cadeira presidencial, a experiência da MILITÂNCIA POLÍTICA contra a Ditadura Militar. Experiência desafiante no plano da vocação, da ousadia, da coragem, da doação, da abnegação e da dor. Escola POLÍTICA mais rica de conteúdo e de desafios que esta, realmente, não existe. Daí o seu inegável preparo para o EXERCÍCIO DA POLÍTICA em toda a sua plenitude. Daí a sua COMPETÊNCIA POLÍTICA para governar o Brasil. Por isso, é sobre esta experiência da luta contra a Ditadura Militar e as consequências POLÍTICAS dela advindas (sentidas na perseguição sofrida pela candidata na campanha eleitoral) que eu falo no meu ensaio dedicado à Presidenta eleita. Será uma honra ter sua presença no Chá.com Letras para dividir comigo essas reflexões. Até lá! Leila Brito -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101101/aa7c67a8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 2 14:45:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 2 Nov 2010 14:45:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Entrevista_com_F=E1bio_Konder_Co?= =?iso-8859-1?q?mparato-_____Revista_Caros_Amigos=2C____outubro_de_?= =?iso-8859-1?q?2010?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Revista CAROS AMIGOS nº 163 - outubro de 2010 Entrevista FABIO KONDER COMPARATO "Nós nunca tivemos democracia até hoje" Participaram: Cecília Luedemann, Hamilton Octavio de Souza e Tatiana Merlino. Fotos: Jesus Carlos. Professor da Faculdade de Direito da USP, o jurista Fabio Konder Comparato é conhecido por sua longa e firme militância na luta pelos direitos humanos e democráticos no Brasil. Tem contribuído com inúmeras entidades e movimentos sociais na formulação de propostas para a transformação do povo brasileiro no sujeito de sua própria soberania. Nesta entrevista exclusiva para Caros Amigos, ele analisa a questão do poder no Brasil, as várias formas dissimuladas de se adiar a democracia, os instrumentos para aperfeiçoar a participação popular nos destinos do país e outros aspectos da maior relevância para a compreensão da nossa realidade. Os argumentos lúcidos e pedagógicos do professor Fabio Konder Comparato são imperdíveis. Tatiana Merlino - O senhor nasceu em Santos? Fabio Konder Comparato - Não me perguntem se eu sou santista... (risos) Hamilton Octavio de Souza - É santista? Eu não torço mais para nenhum clube. Futebol é o ópio do povo (risos). Tatiana Merlino - Mas, o senhor nasceu em Santos, em que ano? Em 1936, de modo que daqui alguns dias eu farei, com a graça de Deus, 74 anos. Fiquei quatro anos morando no Guarujá, meu pai tinha um hotel lá. Depois, eu vim para São Paulo com a família. Tive uma formação de escola primária excelente. Até hoje tenho uma grande saudade das minhas professoras primárias, que eram professoras daquele tempo antigo, formadas no Elvira Brandão, muito sérias. Depois, eu cursei o Colégio São Luís; de modo que eu fui formado e deformado por jesuítas. Entrei na Faculdade de Direito em 1955, e terminei o curso em 1959. Depois, até 1963 eu fiquei na França, fazendo meu doutorado em Direito. Voltei para o Brasil e fui trabalhar em Brasília, com Evandro Lins e Silva, que era Ministro do Supremo Tribunal Federal. Lá trabalhei como secretário jurídico dele. Saí de Brasília com uma hepatite atroz, provocada pelo golpe de Estado de 1964. Em seguida advoguei, tornei-me livre-docente da Faculdade de Direito da USP e depois professor titular. Comecei lecionando Direito Comercial, mas depois me converti e passei a lecionar Direitos Humanos. Tatiana Merlino - Na faculdade o senhor teve algum professor que o tenha influenciado? O professor que mais me impressionou foi exatamente um professor de Direito Comercial. Acho que foi por ele que eu fiz isso... Hamilton de Souza - Tinha a ver com Direitos Humanos? Não. Mas, eu não lamento o longo período em que lecionei Direito Comercial, porque me permitiu entrar nos arcanos do capitalismo, desmontar toda a estrutura capitalista que enquadra a nossa vida social. Tatiana Merlino - Como se deu sua conversão para os Direitos Humanos, por qual influência? Foi, sem dúvida, por causa da Ditadura Militar. E sobretudo, porque fui convidado por Dom Paulo Evaristo Arns para fazer parte da Comissão de Justiça e Paz, da Arquidiocese de São Paulo. E lá foi, realmente, um aprendizado. Dom Paulo foi um dos baluartes da luta pela defesa da dignidade humana. Lembro, apenas para dar uma ilustração, de como ele era, na época, procurado por aqueles que sofriam com os sofrimentos e a morte de seus familiares. O pai do Bernardo Kucinski, por exemplo, nunca se recuperou da morte da filha, Ana Rosa Kucinski. Até hoje não se sabe do paradeiro do cadáver dela. Ele ia procurar Dom Paulo todos os dias. Dom Paulo o recebia nem que fosse por 5 minutos. O objetivo que Dom Paulo deu para a Comissão de Justiça e Paz foi justamente o de divulgar todos os crimes do regime militar que nós soubéssemos. Então, vinham dezenas de pessoas, dizendo: "Meu filho desapareceu, estava na rua e foi preso. Nós anotávamos tudo isso, entregávamos para Dom Paulo, que ia regularmente ao quartel-general II Exército e entregava a lista dos desaparecidos ao General Comandante. Para que eles soubessem que nós sabíamos, e não inventassem mentiras, como fizeram quando mataram sob tortura o Luiz Eduardo Merlino, por exemplo: "Ele tentou fugir quando era conduzido numa viatura militar, foi atropelado e morreu." A ditadura militar temia, sobretudo, as manifestações no exterior. É por isso que, hoje, nós temos que denunciar sistematicamente, no exterior, o acobertamento dos assassinos e torturadores do regime militar pelo Poder Judiciário. O Estado brasileiro tem receio disso. Quando meus filhos eram bebês, e viajávamos, minha mulher e eu para a França (íamos todos os anos, porque minha mulher é francesa), eu levava documentos nos cueiros deles. Eram relatos de atrocidades e listas de pessoas presas, mortas, desaparecidas. E, naquela época, nós entregávamos isso a um padre francês que morou cinco anos aqui no Brasil. E ele divulgava isso na Igreja Católica. Mas, a Igreja Católica, no Brasil, salvo algumas figuras exemplares, como Dom Paulo e Dom Helder Câmara, continuava firmemente conservadora. Hamilton Octavio de Souza - Nesse período da Comissão de Justiça e Paz, o senhor já tinha participação em eventos, atos, com relação à Anistia, à luta pela redemocratização do país? Como o senhor atuava, o senhor tinha militância nesse tempo? Eu não tinha uma participação muito ativa fora da Comissão de Justiça e Paz. Mas participava de alguns eventos públicos. Por exemplo, eu estive na Catedral de São Paulo, quando da celebração ecumênica da morte de Alexandre Vannuchi Leme. Eu lembro que, ao sair da Catedral, havia todo um aparato da polícia militar, com câmeras fotográficas, e ostensivamente abri o guarda-chuva e avancei em direção a eles para que eles não me fotografassem. Mas eles estavam fartos de saber da minha posição política. Eu não fui molestado, porque nunca me aproximei de nenhum partido ou movimento da esquerda. Mas, eles me acompanhavam. Numa certa época, eu comecei a trabalhar em banco, cheguei a diretor adjunto de um banco. Tatiana Merlino - Simultâneo à Comissão Justiça e Paz? Exatamente. E uma vez o diretor presidente do banco me chamou e indagou: "O que o senhor acha do terrorismo?" Saquei logo de onde vinha a pergunta. Respondi com outra pergunta: "Mas, qual deles: o oficial ou o outro?" Aí ele riu um pouco.... Tatiana Merlino - Como o senhor avalia o período da redemocratização e a justiça de transição, ou a inexistência de justiça de transição que houve no Brasil? Esse é apenas um pormenor da manutenção íntegra e até hoje inabalada da oligarquia. Se há uma constante na História do Brasil, é o regime oligárquico. É sempre uma minoria de ricos e poderosos que comanda, mas com uma diferença grande em relação a outros países. Nós, aqui, sempre nos apresentamos como não oligarcas. A nossa política é sempre de duas faces: uma face externa, civilizada, respeitadora dos direitos, e uma face interna, cruel, sem eira nem beira. A meu ver, isto é uma conseqüência do regime escravista que marcou profundamente a nossa mentalidade coletiva. O senhor de engenho, o senhor de escravos, por exemplo, quando vinha à cidade, estava sempre elegantemente trajado, era afável, sorridente e polido com todo mundo. Bastava, no entanto, voltar ao seu domicílio rural, para que ele logo revelasse a sua natureza grosseira e egoísta. Nós mantivemos essa duplicidade de caráter em toda a nossa vida política. Quando foi feita a Independência, estava em pleno vigor, no Ocidente, a ideologia liberal, e, devido ao nosso complexo colonial, nós não podíamos deixar de ser liberais. Então, iniciou-se o trabalho de elaboração da Constituição, logo em 1823. E os constituintes resolveram instituir no Brasil um regime liberal, com a instituição de freios contra o abuso de poder. Evidentemente, isso foi contado ao Imperador, que imediatamente mandou fechar a Assembléia Constituinte. Mas, qual foi a declaração dele? "Darei ao povo brasileiro uma Constituição duplicadamente mais liberal." Eles não perceberam a aberrante contradição: uma Constituição outorgada pelo poder que era duplicadamente mais liberal do que aquela que estava sendo feita pelos representantes do povo. Bom, essa Constituição não continha a menor alusão à escravidão e dispunha: "São abolidas as penas cruéis, a tortura, o ferro quente." Porque todo escravo tinha o corpo marcado por ferro em brasa. Essa marca era dada desde o porto de embarque na África. Pois bem, apesar dessa proibição da Constituição de 1824, durante todo o Império nós continuamos a marcar com ferro em brasa os escravos. A Constituição proibia os açoites, mas seis anos depois foi promulgado o Código Criminal do Império que estabeleceu a pena de açoites no máximo de 50 por dia. E é sabido que essa pena só se aplicava aos escravos e, geralmente, eles recebiam 200 açoites por dia. Houve vários casos de escravos que morreram em razão das chibatadas recebidas. E, aliás, a pena de açoite só foi eliminada no Brasil em 1886, ou seja, às vésperas da abolição da escravatura. Em 1870, para continuar essa duplicidade típica da nossa política, como vocês sabem, foi lançado o Manifesto Republicano, aqui no estado de São Paulo. Esse manifesto usa da palavra democracia e expressões cognatas - como liberdades democráticas, princípios democráticos - nada menos do que 28 vezes. Não diz uma palavra sobre a escravidão. E, aliás, o partido republicano votou contra a lei do ventre livre no ano seguinte ao manifesto, em 1871, e votou até contra a Lei Áurea. Em 1878, votou a favor da abolição do voto dos analfabetos. A Proclamação da República, todo mundo sabe, foi um "lamentável mal entendido", para usar a expressão famosa de Sérgio Buarque de Hollanda. E, efetivamente, o Marechal Deodoro não queria a abolição da monarquia, queria derrubar o ministério do Visconde de Ouro Preto. Mas aí, no embalo, os seus amigos positivistas o convenceram que era melhor derrubar a monarquia. Pois bem, até 1930, nós tivemos a República Velha, que, como dizia meu avô, foi substituída pela República Velhaca. E, por que foi feita a Revolução de 1930? Todo mundo sabe. As fraudes eleitorais. Hamilton Octavio de Souza - São Paulo e Minas que comandavam as fraudes. Sim, pois é. Foi feita a revolução para isso. Sete anos depois o regime desembocou num golpe de Estado, que suprimiu as eleições. A autoproclamada "Revolução" de 1964 foi feita em nome de quê? Leiam os documentos: a ordem democrática. Hoje, é preciso dizer que não é só no Brasil, mas no mundo todo que a palavra democracia tem um sentido contraditório com o conceito original de democracia. O grande partido da direita na Suécia, que agora chegou ao parlamento sueco, pela primeira vez, um partido xenófobo e racista, chama-se Suécia Democrática. E, num certo país da América Latina, como todo mundo sabe, o partido mais à direita do espectro político chama-se como mesmo? Hamilton Octavio de Souza - Se chama Democratas. Então, esta é a nossa realidade. É dentro desse quadro que se pode e se deve analisar o processo eleitoral. Ou seja, nunca dar o poder ao povo, dar-lhe apenas uma aparência de poder. E, se possível, uma aparência festiva, alegre. Essa disputa eleitoral, que nós estamos assistindo, ela só interessa, rigorosamente, ao meio político. O povo não está, absolutamente, acompanhando a campanha eleitoral. Vai votar, maciçamente, na candidata de Lula, mas para ele não tem muito interesse essa campanha eleitoral. Então, as eleições, o que são? São um teatro. Oficialmente, os eleitos representam o povo. É o que está na Constituição. Na realidade, eles representam perante o povo, são atores teatrais. Mas, com um detalhe: eles não se interessam pelas vaias ou pelos aplausos do povo. Eles ficam de olhos postos nos bastidores, onde estão os donos do poder. É isso que é importante. De modo que, para nós, hoje, é preciso deixar de lado o superficial e encarar o essencial. O que é o essencial? Como está composta, hoje, a oligarquia brasileira. E como eliminá-la. Como está composta a oligarquia brasileira? Obviamente, há um elemento que permanece o mesmo desde 1500: os homens da riqueza. Só que hoje eles são variados: os grandes proprietários rurais, os banqueiros, os empresários comerciais, os grandes comerciantes. Mas o elemento politicamente mais importante da oligarquia atual é o dos donos dos grandes veículos de comunicação de massa: a imprensa, o rádio e a televisão. O povo está excluído desse espaço de comunicação, que é fundamental em uma sociedade de massas. Ora, esse espaço é público, isto é, pertence ao povo. Ele foi apropriado por grandes empresários, que fizeram da sua exploração um formidável instrumento de poder, político e econômico. Hoje, os oligarcas brasileiros já montaram em esquema que torna as eleições um simples teatro político. É claro que eles não podem, em todas as ocasiões, fazer um presidente da República, por exemplo. Mas eles podem - e já o fizeram - esvaziar o processo eleitoral, tirando do povo todo o poder decisório em última instância e transferindo-o aos eleitos pelo povo; eleitos esses cuja personalidade, na grande maioria dos casos, é inteiramente fabricada pelos marqueteiros através dos meios de comunicação de massa. O único risco para a oligarquia brasileira (e latino-americana, de modo geral) é a presidência da República, porque a tradição latino-americana é de hegemonia do chefe do Estado em relação aos demais Poderes do Estado. Se o presidente decidir desencadear um processo de transformação das estruturas sócio-econômicas do país, por exemplo, ele porá em perigo a continuidade do poder oligárquico. Ora, Luiz Inácio Lula da Silva já demonstrou que não encarna esse personagem perigoso para a oligarquia. Ele é o maior talento populista da história política do Brasil, muito superior a Getúlio Vargas. Mas um populista francamente conservador, ao contrário de Getúlio ou de Hugo Chávez, por exemplo. Mas o que significa ser um político populista? Populista é um político que tem a adesão muitas vezes fanática do povo, que tem um extraordinário carisma popular, mas que mantém o povo perpetuamente longe do poder. O populista conservador pode até, se isso agradar ao povo, fazer críticas aos oligarcas, mas mantém com eles um acordo tácito de permanência do velho esquema de poder. Ora, isto representa a manutenção do povo brasileiro na condição de menor impúbere, ou seja, de pessoa absolutamente incapaz de tomar decisões válidas. O populista é uma espécie de pai ou tutor, que trata os filhos com o maior carinho, enche-os de presentes, brinquedos, etc, mas nunca lhes dá o essencial: a verdadeira educação para que eles possam, no futuro, tomar sozinhos as suas decisões. É um falso pai. O verdadeiro pai existe para desaparecer. Se o pai não desaparecer, enquanto pai, alguma coisa falhou, uma coisa essencial, que é a educação dos filhos para a maturidade. O fundamental do líder populista é que ele mantém o povo muito satisfeito, mas num estado de perpétua menoridade. Tatiana Merlino - Por que o senhor acha que ele supera o Getúlio Vargas? Porque Getúlio Vargas tinha, teve, até o fim, uma oposição ferrenha, raivosa, não de partidos políticos, eles não existiam, mas dos grandes fazendeiros de São Paulo. Aliás, fizeram até uma revolução em 1932. Além disso, ele era autoritário, por convicção positivista: a chamada "ditadura republicana". Lula não, ao contrário do que se afirmou em um desatinado manifesto recente. Ele tem horror à coação, à violência. Ou seja, ele é o avesso de Getúlio. Basta ler Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, para se perceber que o regime militar de 64 não inventou nada. Foi uma reedição desse aspecto tenebroso de Getúlio. Hamilton Octavio de Souza - Esse controle que o Lula exerce, como isso tem sido possível num país carente, com demandas seculares, desigualdade? A mentalidade do Lula não é de raciocínio frio, ela é quase que toda dominada pela sensibilidade e a intuição. É por isso que ele tem lances geniais no desmonte da oposição. É um talento por assim dizer inato. E é por isso que todo esse pessoal do PT foi atrás dele, porque senão eles não subiriam, jamais. Não preciso dar nomes, mas nenhum deles tem o milésimo do talento político do Lula. Eles foram atrás e chegaram lá. Mas são todos infantis em política. Ao chegarem ao poder, procederam como a criança que nunca comeu mel: foram comer e se lambuzaram todos. Mas, enfim, esse é o homem. Isso não significa que ele seja totalmente negativo. As boas coisas do governo Lula são mantidas por influência dos seus bons companheiros. E ele sabe ouvi-los, graças a Deus. Em matéria de direitos humanos, nós temos que reconhecer o trabalho admirável do Paulo de Tarso Vannuchi. Em matéria de educação, eu entendo que o Fernando Haddad fez um bom trabalho. Mas isso não compensa o lado extremamente negativo dos maus elementos que pressionam Lula. Sinto, por exemplo, que cede a tudo aquilo que o Nelson Jobim pede. Será preciso relembrar que, na véspera do julgamento da ação movida pelo Conselho Federal da OAB no Supremo Tribunal Federal sobre a abrangência da Lei de Anistia, Lula convidou todos os ministros do Supremo para jantar no Palácio do Planalto? Não é difícil imaginar o assunto que foi objeto de debate durante essa simpática refeição. Aliás, um ministro do Supremo Tribunal Federal me disse: "Comparato, você não imagina as pressões que nós recebemos..." Tatiana Merlino - Do presidente? Obviamente que do governo. Digamos que o Lula não tenha feito pessoalmente isso. Mas, ele também não pode ignorar que isto está sendo feito diante dele. Por acaso ele ignorava o esquema do mensalão? Hamilton Octavio de Souza - A pressão é no sentido de se ... Dar anistia aos torturadores, assassinos e estupradores do regime militar, porque todos eles se declaravam defensores da ordem democrática. Logo após o golpe, em 64, eles se declaravam também defensores da civilização cristã. Nesse ponto eu sigo o grande método da antiga Ação Católica: "ver, julgar e agir". Que é, aliás, o método que nós procuramos seguir com os nossos alunos na Escola de Governo, aqui em São Paulo. Justamente, eu me esqueci de dizer que há 20 anos, juntamente com os amigos Maria Victoria Benevides e Claudineu de Melo, e também o saudoso professor Goffredo da Silva Telles Jr., nós criamos uma escola de formação de líderes políticos. No começo, procurávamos formar governantes. Hoje, nós tentamos formar educadores políticos. Pois bem, esse "ver, julgar e agir", nós temos que utilizar para a situação política atual. Nós só podemos compreender a situação política atual, se tivermos a capacidade de enxergar por dentro as ações políticas, tanto do PT quanto do PSDB e dos demais partidos. E vamos perceber que há, como eu disse, um elemento que permanece incólume na vida política brasileira: é a oligarquia. Nós sempre vivemos sob regime oligárquico, pois o poder soberano sempre pertenceu à minoria dos ricos. Tatiana Merlino - O senhor disse que as eleições não mudam nada a configuração da oligarquia. O senhor está se referindo às eleições de agora, ou de um modo geral? De modo geral. Tatiana Merlino - Como é possível mudar essa configuração? Nós temos que saber como mudar e quais são os pontos fracos da oligarquia. Porque ela não existe no vácuo. Se ela se mantém, é porque o povo aceita esse estado de coisas. E por que o povo aceita? Em grande parte, porque ele acha que tem participação política através das eleições. Foi por isso, aliás, que o regime militar não as eliminou. Era preciso que o povo se sentisse participante e não mero espectador do teatro político. Pois bem. Como é que nós podemos mudar isso? Nós temos que seguir dois caminhos convergentes. É preciso, ao mesmo tempo, transformar a mentalidade coletiva e mudar as instituições políticas. O que significa mudar a mentalidade política? Ainda aí é preciso ver, julgar e agir. Nós temos uma herança de séculos, nas camadas mais pobres do povo, de servilismo e de dificuldade de ação comunitária. Nós sempre somos dispersos, disseminados, não sabemos agir por nós mesmo, e atuar em conjunto. Nós sempre aceitamos uma situação de dependência em relação aos que detêm o poder, esperando que esse senhor todo-poderoso seja benévolo e compreenda as dificuldades de povo. Durante séculos, mais de 80% da população brasileira vivendo no campo, este senhor foi o grande proprietário rural, senhor de escravos. Agora, com a urbanização, 80% da população brasileira é urbana, é uma inversão completa. Com a criação da sociedade de massas, foi preciso que esse poder se transformasse. Ele não é mais local e pessoal. É um poder geral e impessoal, de certa maneira invisível. Os "donos do poder" nunca entram em diálogo pessoal com o povo. Eles se servem do instrumental fantástico dos meios de comunicação de massa, para distração geral; para que o povo não pense em si mesmo e não enxergue o buraco em que está metido. Daí a intoxicação futebolística. Daí o fato de que a novela das oito na Globo ser protegida como um programa sagrado. Mas, concomitantemente, é preciso que exista uma liderança pessoal, e aí vem o populismo. Eu fico pensando que o advento do Lula em nossa vida política atual representou para os nossos oligarcas algo como ganhar o maior prêmio da megasena. Cecília Luedemann - Depois do processo de redemocratização, com a entrada do PT no jogo político, e a transformação do Lula em alguém que poderia ser um Getúlio Vargas mais moderno, poderia ser um populista, foi feito um pacto capital e trabalho? É isso que nós estamos vendo hoje? Hoje não existe mais organização do trabalho, o poder dos sindicatos é cada vez menor. Por outro lado, como disse, persiste nas camadas mais pobres do povo a mentalidade servil e a ausência de espírito comunitário. Eu contesto essa palavra: redemocratização. Nós nunca tivemos democracia até hoje, porque democracia significa soberania popular, e soberania popular significa que o povo tem o poder supremo de designar os governantes, de fiscalizar a sua atuação, de responsabilizá-los, de demiti-los e de fixar as grandes diretrizes da ação estatal para o futuro. É preciso ter instituições políticas para isso. Quais são? São várias. Qual é a lei maior? É a Constituição. A quem compete aprovar uma Constituição? Obviamente, a quem tem o poder supremo. Ora, o povo brasileiro nunca aprovou Constituição alguma. A Constituição atualmente em vigor já foi emendada, ou melhor, remendada até hoje 70 vezes. Em nenhuma dessas ocasiões o povo brasileiro foi chamado para dizer se concordava ou não com a emenda a ser introduzida na Constituição. É preciso começar, portanto, por dar ao povo o direito elementar de manifestar a sua vontade, através de referendos e plebiscitos. Ora, o que fizeram os nossos oligarcas? Puseram na Constituição, para americano ver, que referendos e plebiscitos são manifestações da soberania popular. Mas acrescentaram, em um dispositivo um tanto escondido que o Congresso Nacional tem competência exclusiva para "autorizar referendo e convocar plebiscito" (Constituição Federal, art. 49, inciso XV). Como vocês veem, a nossa inventividade jurídica é extraordinária. Os deputados e senadores, eleitos pelo povo, são ditos seus representantes ou mandatários. Em lugar algum do mundo, em momento algum da História, o mandante deve obedecer ao mandatário. Bem ao contrário, este tem o dever de cumprir fielmente as instruções recebidas do mandante. Aqui, instituímos exatamente o contrário. O povo, dito soberano, só tem o direito de manifestar a sua vontade, quando autorizado pelos mandatários que escolheu... Outro instrumento de verdadeira democracia, isto é, de soberania popular autêntica e não retórica, como a que sempre existiu no Brasil, é o recall, isto é, o referendo revocatório de mandatos eletivos. O povo que elege tem o direito de revogar o mandato do eleito, quando bem entender. Por exemplo, alguém se elege Prefeito e, antes de tomar posse, vai a cartório e lavra uma escritura pública pela qual se compromete a não renunciar ao cargo no curso do mandato. Dois anos depois, porém, renuncia ao cargo de Prefeito para se candidatar ao governo do Estado. Pois bem, se existisse entre nós o recall, tal como ocorre em nada menos do que 18 Estados da federação norte-americana, o povo daquele Município teria o direito de destituir o Prefeito que fez aquela falsa promessa. Hamilton Octavio de Souza - Isso deveria entrar na reforma política que está sendo ensaiada há anos? Pois, então, essa reforma política não se faz enquanto não se muda o centro de poder. Eu trabalhei seis anos no Conselho Federal da OAB. Isso que eu estou dizendo a vocês: desbloqueio de Plebiscito e de Referendos, facilitação de iniciativa popular, o recall, ou seja, o povo elege, o povo também institui... "Como é, senhor fulano, o senhor quando foi, se candidatou a prefeito e o senhor foi ao tabelião e fez uma declaração de que cumpriria o mandato até o último dia, depois o senhor, no meio do seu mandato de prefeito, o senhor se candidatou a governador do Estado. Pois bem, o senhor não merece a nossa confiança, vamos fazer um abaixo assinado para a realização de nova Consulta Popular. O senhor fulano de tal deve continuar exercendo cargo de prefeito? Não". Ele é destituído. Isso se chama recall e existe em 18 estados da Federação Americana. Portanto, não se trata de uma manobra, de um instrumento revolucionário. E, aliás, Cuba não tem recall, como todo mundo sabe. Hamilton Octavio de Souza - O senhor falou do povo ver reconhecidos os seus direitos. Como está esta situação dos direitos no Brasil? O que o senhor acha que funciona e o que não funciona? Houve, sem dúvida, uma mudança nos últimos 30 anos, a partir do fim do regime militar. Mas, esse progresso é sempre lento, porque se faz sem organização. A função verdadeira dos partidos políticos deveria ser a formação do povo para que ele, povo, exercesse a soberania. É preciso, portanto, começar a criar outra espécie de partido político, que não persiga o poder para si, mas ajude o povo a chegar ao poder. Nós temos no Brasil duas constituições. Pela Constituição oficial, "todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente" (art. 1º, parágrafo único). Mas a Constituição real, a efetivamente aplicada, tem uma formulação diferente: "Todo poder emana dos grupos oligárquicos, que o exercem sempre em nome do povo, por meio dos representantes, por este eleitos". Segundo ambas as fórmulas, o que conta é a impressão geral de que quem manda é o povo. Hamilton Octavio de Souza - O senhor fala em formar novos partidos? Exatamente. Hoje, no mundo inteiro, os partidos perderam a confiança popular. Li recentemente os resultados de uma pesquisa de opinião pública sobre confiança do povo em partidos políticos. Segundo essa pesquisa, no Brasil apenas 11% dos cidadãos confiam nos partidos. No mundo inteiro, ou seja, em 19 países onde foi feita a pesquisa, os partidos tinham a confiança de não mais do que 14% do povo. O que decorre, portanto, dessa pesquisa de opinião pública é que o povo passou a reconhecer que os partidos políticos agem em proveito deles próprios e não do povo. É indispensável e urgente, portanto, suscitar a criação de novos partidos políticos, com características verdadeiramente democráticas. Mas, isto é muito difícil, porque pressupõe uma mudança de mentalidade, o propósito de atuar politicamente em proveito do povo e não em benefício próprio. Hamilton Octavio de Souza - O senhor falou em oligarquia, que nesse processo a oligarquia controla. O senhor chegou a dizer que a oligarquia é composta por empresários... De militares também... Hamilton Octavio de Souza - Militares, banqueiros e tal... E do oligopólio empresarial dos meios de comunicação de massa. Ela conta, episodicamente, com o apoio episódico de algumas instituições, como por exemplo a Igreja Católica. Hamilton Octávio de Souza - Essa oligarquia, aqui, vem conseguindo se manter com o poder, no Brasil, apesar das mudanças, mas é ela que continua ainda sendo... quer dizer, ela tem um comando, ela tem uma orientação, ela está ligada ao que se chama capital internacional? Ela tem, evidentemente, uma orientação muito firme. Veja, por exemplo, os meios de comunicação de massa. Quando eu era jovem, alguns professores diziam: "Meninos, vocês têm que ler todos os jornais do dia." Os jornais eram muito diferentes uns dos outros. Hoje, os grandes jornais dizem exatamente a mesma coisa, têm todos a mesma orientação. Só muda o estilo e muda cada vez menos. O estilo dos grandes jornais tende a ser o mesmo. As revistas: há revistas mais sensacionalistas, há revistas nojentas no que diz respeito à defesa de privilégios, todos nós conhecemos, não é? Mas, todas elas são fundamentalmente defensoras do sistema capitalista e da ausência de democracia autêntica. É óbvio. A rede televisiva controlada pela Igreja Universal do Reino de Deus, por exemplo, entrou recentemente em conflito com um grande jornal de São Paulo. Mas na defesa do sistema capitalista e do regime oligárquico, eles estão unidinhos. Tatiana Merlino - Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre a diferença entre os brasileiros e os outros países da América Latina que estão punindo os torturadores da ditadura. Por que o Brasil não consegue julgar esses torturadores da ditadura? Porque nós somos dissimulados. Os hispânicos, em geral, são abertos e francos. A crueldade deles é aberta. A nossa é sempre dissimulada, sempre oculta, porque nós temos que dar uma aparência de civilização, de democracia... Nos países hispano-americanos, a repressão militar nunca foi escondida e eles tiveram o cuidado de pôr a justiça fora disso. Nós, não. Não só o Poder Judiciário continuou a funcionar normalmente, como a Justiça Militar, que em si mesma é hoje uma aberração, teve a sua competência ampliada. Então, quando houve a reviravolta no Chile, na Argentina, no Uruguai, todos os chefes de Estado do regime repressivo foram processados, julgados e condenados, além de dezenas de outros oficiais militares. No Brasil, em primeiro lugar, nem se sabe exatamente qual é a identidade de 90% dos torturadores, e, em segundo lugar, quanto aos grandes chefes militares é como se eles não soubessem nada disso, nunca ouviram falar de torturas. Vou mais além. No Brasil, os banqueiros e grandes empresários colaboraram claramente com o regime militar. Os banqueiros de São Paulo, como se sabe, fizeram uma reunião em São Paulo para angariar fundos para criar a Operação Bandeirante, que está na origem dos famigerados DOIs CODIs. Não passa pela cabeça de ninguém, hoje, infelizmente, que esses banqueiros são co-autores dos assassinatos, torturas e abusos sexuais de presos políticos, praticados no quadro da Operação Bandeirante e as operações policiais e militares que a sucederam. Tatiana Merlino - O senhor disse que os casos no Brasil tem que ser denunciados, enfim, nas instituições internacionais. O STF interpretou que a Lei da Anistia anistiou os torturados. Esse caso pode ser levado para a Corte Interamericana de Direitos Humanos? Ele já está sendo julgado. Tatiana Merlino - Sim, mas com o caso da Guerrilha do Araguaia. Sim, mas o caso do Araguaia é um aspecto do total. A Corte Interamericana de Direitos Humanos adiou o julgamento para novembro por causa das eleições no Brasil, para não dar a impressão de interferência nas eleições. Hamilton Octavio de Souza - Pode haver uma condenação do Brasil nesta corte? Sim. Aliás, o Estado brasileiro, os nossos dirigentes em geral, temem as acusações no exterior, porque isto porá a nu a nossa dissimulação no plano internacional. O Brasil quer sempre aparecer, na cena mundial, como um defensor intrépido das liberdades democráticas, da dignidade da pessoa humana, e até está aspirando a ser um dos membros permanentes do conselho de segurança da ONU. Tatiana Merlino - Se o Brasil for condenado na Corte Interamericana de Direitos Humanos, quais as sanções que o Brasil vai sofrer? Se a Corte Interamericana condenar o Brasil, ela vai exigir que seja revogada a Lei de Anistia de 1979, com a interpretação dada pelo Supremo Tribunal Federal. Mas o Brasil pode não cumprir essa exigência. E ficará, então, fora da lei no plano internacional. As consequências disso são indiretas, ou seja, isso vai ser levado em conta se o Brasil vier a pleitear, por exemplo, um cargo nas Nações Unidas, no Conselho de Segurança. Mas, não há um efeito direto. De qualquer forma, isso certamente vai ser uma derrota política para a oligarquia brasileira. Há um projeto de lei da deputada Luciana Genro, interpretando a lei 6.683 de 1979, que é a Lei de Anistia. Então, é possível que eles digam: "Vamos aproveitar isso e dar uma nova interpretação, agora legislativa (ou seja, a chamada interpretação autêntica) para a Lei de Anistia." Isso, na melhor das hipóteses. Agora, se após essa reinterpretação da Lei de Anistia os criminosos do regime militar vão ser condenados, é outra história. A probabilidade de condenação antes de todos eles passarem desta vida para a melhor é praticamente nula. ***** Entrevista publicada na revista CAROS AMIGOS número 163, de outubro de 2010. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101102/65380cac/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 2 14:45:18 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 2 Nov 2010 14:45:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Carta_Maior_=B4artigo_de_Iza=EDa?= =?iso-8859-1?q?s_Almada__=22_Bem-vinda=2C_presidente_Dilma_Roussef?= =?iso-8859-1?q?f=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Terça-Feira, 02 de Novembro de 2010 Bem-vinda, presidente Dilma Rousseff Os miasmas da intolerância e de um fascismo travestido de faniquitos democráticos não muito bem explicados em manifestos e editoriais jornalísticos, em telejornais e revistas de final de semana, em violência e profanação religiosa, em tentativa de manipulação da opinião do eleitor, nos últimos três meses, ou se quisermos, nos últimos oito anos, não foram suficientes para desviar milhões de eleitores brasileiros da rota de um desejo sincero de ver o Brasil mais justo, mais independente e de olhos postos no futuro e não no passado. O artigo é de Izaías Almada. Izaías Almada Bem que o Brasil do atraso tentou, o Brasil da calúnia, da infâmia, da subserviência, o Brasil que perdeu a noção da História e da realidade em que vive e da realidade que o cerca. Não adiantou o cidadão e candidato José Serra e a oposição que representa construírem uma estratégia eleitoral torpe, baseada no ódio, na intolerância e no preconceito, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que parte de sua acertada estratégia política está cumprida ao eleger sua candidata e sucessora. Vitória da perspicácia, da sensibilidade no trato das coisas políticas, da coragem pessoal em confrontar, à sua maneira, a oligarquia que deixou o governo em 2002. E o fez com paciência e tentativas de diálogo e - sobretudo - com o conhecimento do seu povo. É preciso reconhecer: haja sociologia para explicar 83% de aprovação popular a um governo no Brasil. Já disse alguém que a política é a arte do possível. Para muitos, infelizmente, ainda é difícil entender isso. À direita e à esquerda. Ontem, 31 de outubro de 2010, venceu o Brasil que quer continuar mudando, que busca alternativas para se tornar um país mais soberano e menos injusto. Venceu o povo brasileiro mais sofrido e humilde. Venceu novamente a esperança. Ou, para os menos otimistas, a possibilidade de se continuar tendo esperança. E ouso dizer também que, mais do que o Brasil, venceu a nova América Latina de Chávez, Morales, Correa, Lugo, Cristina e Nestor, Castro, Funes, Mujica e Ortega. Os miasmas da intolerância e de um fascismo travestido de faniquitos democráticos não muito bem explicados em manifestos e editoriais jornalísticos, em telejornais e revistas de final de semana, em violência e profanação religiosa, em tentativa de manipulação da opinião do eleitor, nos últimos três meses, ou se quisermos, nos últimos oito anos, não foram suficientes para desviar milhões de eleitores brasileiros da rota de um desejo sincero de ver o Brasil mais justo, mais independente e de olhos postos no futuro e não no passado. Retomando a História interrompida com a morte de Getúlio Vargas e traumatizada pelo golpe civil/militar de 1964, que derrubou um governo eleito democraticamente, a vitória de Dilma Roussef faz uma ponte com nosso passado ainda recente e relança as bases de um protagonismo popular para o futuro, fazendo o país voltar ao leito democrático de onde foi retirado pela força de tanques e baionetas apoiados pelo Departamento de Estado norte americano, esse mesmo Estado que continua a insistir com sua política de desestabilizar governos eleitos democraticamente, como a Venezuela de Chávez, a Bolívia de Evo Morales, a Honduras de Manuel Zelaya ou o Equador de Rafael Correa. E que, com certeza, não dará tréguas ao governo de Dilma Roussef. É bom que não nos esqueçamos disto no calor e na alegria da vitória. No vácuo da repressão policial/militar da ditadura, com a sua falta de garantias democráticas plenas, instalou-se também no Brasil, em anos mais recentes, a ditadura do poder econômico, impondo-se entre nós o pensamento e a prática hegemônica neoliberal, assumida por uma social democracia encantada com a possibilidade de chegar ao poder político, como de fato chegou, com a chamada redemocratização do país na metade dos anos oitenta. E com o sonho de lá permanecer por pelo menos 20 anos, no dizer de alguns de seus caciques, começando com a imoral compra de votos para a reeleição do seu até então maior ideólogo, Fernando Henrique Cardoso, o presidente das privatarias e traidor do povo brasileiro. Essa prática política encantou àqueles que olharam o país e a História com o binóculo posto ao contrário. Nesses últimos cinquenta anos de História, tanto uma, a ditadura, quanto o outro, o poder econômico imposto pelo Consenso de Washington, tiveram a seu lado aquele que pode ser considerado o mais forte aliado do mundo contemporâneo: a força do quarto poder, a mídia. Jornais, rádios, televisões, revistas, em grande parte subsidiados ideologicamente por pensadores e acadêmicos de dentro e de fora do país, fizeram de seus editoriais e matérias jornalísticas a apologia diária do paraíso para o capital transnacional, com seus deslumbrados e submissos defensores internos, ao mesmo tempo em que combatiam e dilapidavam as garantias e a defesa dos direitos dos trabalhadores através do arrocho salarial, da terceirização de serviços, do aumento do desemprego, do desestí mulo às reivindicações de inúmeras categorias profissionais, da privatização de empresas nacionais estratégicas, agindo contra os interesses nacionais, da criminalização dos movimentos sociais, mantendo intacto - de certa maneira - o arcabouço repressivo ditatorial com um inquestionável conservadorismo na sua prática política. Tudo isso sustentado por uma democracia e uma Constituição, aquela que melhor se pode arranjar em 1988, a tal Constituição Cidadã, um imenso tratado com quase quinhentos artigos, tamanho o número de interesses a serem contemplados e acomodados, e que ainda assim, na prática, vem sendo solapada e substituída no dia a dia por um mecanismo anacrônico denominado Medida Provisória, que sempre poderá agradar ou desagradar a gregos e troianos, conforme os interesses de momento e o grupo que estiver no poder político. Em verdade, passamos a viver a partir da segunda metade dos anos 80 um arremedo de democracia. Dá para o gasto, é claro, pois sempre podemos encher a boca e dizer que vivemos num país democrático, e sob vários aspectos isso é verdade, muito embora os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com as honrosas exceções de sempre, se deixaram ou ainda se deixam escorregar tentadoramente por caminhos tortuosos, para dizer o menos, quando fica bastante evidente a verdadeira luta de classes no país. A recente campanha eleitoral deixou à mostra como muitos brasileiros entendem a democracia: um regime de privilégios que é preciso manter a ferro e fogo, sempre e quando para isso se use tais "privilégios" para arrasar o adversário, assassinar sua reputação, atribuindo-lhe as piores qualidades morais e profissionais. São os democratas de fins de semana, dos almoços dominicais com a família. Hipocrisia que a campanha do candidato José Serra mostrou à perfeição. Nesse quadro político e institucional, os homens que queriam governar "por 20 anos" descuidaram-se e o sentimento de mudanças que permeava partidos de esquerda e movimentos sociais desde o período ditatorial, soube se movimentar, mesmo com suas divergências, contradições e até defecções, criando condições para que o país buscasse alternativas para o sufoco neoliberal. Incrédulos com a vitória do metalúrgico semi-analfabeto em 2002, os serviçais e bajuladores da "Casa Grande", fiéis leitores da cartilha econômica do neoliberalismo, apostaram suas fichas no fracasso e na incompetência do operário, sem jamais esconder o seu preconceito de classe e seu espírito impatriótico. À medida que o tempo avançou e o fracasso esperado do governo Lula não vinha, os órgãos de comunicação social foram mais uma vez acionados com bastante virulência no ano de 2005, pois nova derrota eleitoral seria o início do desastre. De nada adiantou a campanha moralista naquela altura, curiosamente liderada por alguns dos políticos mais imorais e corruptos do país, alguns deles felizmente defenestrados nas recentes eleições, ou as CPIs policialescas instaladas nas duas casas do Congresso Nacional, onde a pregação intolerante contra o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de um modo geral chegou a ser defendida com o chamamento à eliminação "dessa gente" da política brasileira. Bravatas, arrogância e intolerância substituíam os discursos políticos daquilo que se poderia esperar de uma oposição minimamente civilizada, se é que se pode chamar de civilizados um grande número de dilapidadores do patrimônio nacional em beneficio próprio. Acuado, o governo soube esperar a hora do contra ataque. E o fez no seu segundo mandato, aprofundando as suas políticas sociais e de infraestrutura econômica. Lula se reelegeu em 2006 e chega a 2010, no final do seu governo, com um índice de popularidade "nunca visto antes na história desse país". E mais: sai o operário e entra uma mulher. Impensável no Brasil de dez anos atrás. O desafio que tem pela frente a presidente Dilma Roussef é enorme, a começar pela guerra diária que lhe imporá a vetusta oligarquia brasileira e sua velha mídia incompetente, desonesta e oportunista. Mas, guerra é guerra e o povo, atento e organizado, sempre que chamado, irá se manifestar através de sindicatos, dos movimentos sociais, das entidades estudantis e dos partidos políticos comprometidos com a soberania do país e das suas conquistas sociais, fazendo avançar essas conquistas. E também através de uma nova mídia que se forma pela internet ou - o que espera o país - ver alguns jornais, revistas e televisões tendo que se ajustar a um novo marco regulatório para a comunicação social, tornando-a verdadeiramente democrática. De hoje em diante toda atenção é pouca, porque o conservadorismo, agora efetivamente de mãos dadas com o emergente fascismo tupiniquim não irá descansar. E essa é uma união mais do que perigosa. Alguém já disse que para onde pender o Brasil, deverá pender a América Latina. Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte e continuará sua insidiosa luta no dia a dia das calúnias, das mentiras, dos factóides, tentando minar a confiança do povo no seu novo governo. Felicidades, presidente Dilma Roussef! Seja bem-vinda. (*) Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor - entre outros - do livro "Teatro de Arena: uma estética de resistência" (Boitempo) e "Venezuela povo e Forças Armadas" (Caros Amigos). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101102/c746b8e0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101102/c746b8e0/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 2 15:31:52 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 2 Nov 2010 15:31:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_TV_Cultura_=7C_Roda_Viva____Jos?= =?iso-8859-1?q?=E9_Dirceu=2E____ASSISTA!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Quem não assistiu , ontem, a entrevista de José Dirceu, na TV CULTURA, pode assistir clicando no link abaixo. http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/programa/1228 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101102/cf2322ea/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 3 19:55:06 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 3 Nov 2010 19:55:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Dilma Especial Message-ID: <767EA50085644E8994872447D5C11B0B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem EspecialA trajetória de DilmaMultimídia conta a história da presidente eleita. Entre e veja -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/a518b997/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2809 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/a518b997/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 3 19:55:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 3 Nov 2010 19:55:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Feira_de_Livros_da_Resist=EAncia?= =?iso-8859-1?q?_-_6_e_7_de_novembro?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem SÁBADO RESISTENTE Memorial da Resistência de São Paulo Largo General Osório, 66 - Luz Cafeteria 6 e 7 de novembro de 2010, das 11h às 17h FEIRA DE LIVROS DA RESISTÊNCIA Dia 6 de novembro: Lançamento de livros, conversa com os autores e autógrafos 11h - Lançamento do livro Por um triz, de Ricardo de Azevedo 14h - Lançamento do livro Che, um poema revolucionário, de Carlos Pronzatto 16h - Lançamento do livro A Grande Partida: anos de chumbo, de Francisco Soriano Dia 7 de novembro: Venda de livros Os Sábados Resistentes, promovidos pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pelo Memorial da Resistência de São Paulo, são um espaço de discussão entre militantes das causas libertárias, de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e todos os interessados no debate sobre as lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime civil-militar implantado com o golpe de Estado de 1964. Os Sábados Resistentes têm como objetivo maior o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/6164e3a3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1699 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/6164e3a3/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2870 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/6164e3a3/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 3 20:25:36 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 3 Nov 2010 20:25:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Solidariedade aos vencidos Message-ID: <0C81CBEE4D4D4EF59E2DEA6A136540E5@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Direto da Redação a.. Publicado em 03/11/2010 Solidariedade aos vencidos Nunca é ético tripudiar sobre o vencido. Nas vitórias, recomenda-se uma certa condescendência com quem perdeu. Por isso, para aqueles de coração aberto, ofereço aqui algumas sugestões de votos de solidariedade para com os derrotados, neste momento em que estão lambendo suas feridas. Em primeiro lugar , pode-se escolher a solidariedade com o tucano vencido , porque é fácil imaginar a dor de cabeça que o forte impacto de uma bolinha de papel lhe deve ter causado, moral e fisicamente; ou o arrependimento que deve estar sentindo por não ter deixado a outro (um mineiro, talvez) a ingrata missão de opor-se a um projeto de aprovação popular. A solidaridade ao candidato pode e deve estender-se a muita gente próxima a ele, que deve ter passado noites insones , ao longo do período eleitoral, imaginando a candidata vencedora a executar criancinhas em praça pública, em cerimônias de aborto coletivo... Igualmente humanitária seria a posição de solidariedade que se dirigisse para os políticos vencidos na derrota dos tucanos. Ela poderia destinar-se, por exemplo, a uma série de ex-senadores (tucanos ou agregados) , a maioria deles do Norte ou Nordeste, caciques que, de repente, se descobriram sem tribos, e que, até agora, não devem estar entendendo como conseguiram perder as eleições depois de tentar destruir, sem tréguas, a figura de um presidente com 82% de aplauso do povo. Um voto especial, nesse âmbito, pode ir, seguramente, para o Sr. César Maia, que, na voz das urnas, encontrou ressonância equivalente às vozes que vemos diuturnamente ecoar na "Cidade da Música", elefante branco que marcou a sua gestão na Prefeitura carioca... Outra que merece essa mão estendida é a mídia corporativa desse país, esse poderosíssimo poder de fazer cabeças, mas injustamente não levada em consideração no pleito presidencial pela maioria dos eleitores, apesar dos esforços éticos e aéticos , factuais ou ficcionais, que levou a efeito para tentar eleger o candidato que perdeu. E, nesse caso específico, a solidariedade deve abranger os valentes profissionais que compõem essa mídia, entre eles alguns comentaristas políticos e economistas de nomeada,"especialistas" que devem até agora estar se interrogando sobre como, onde e por quê erraram, já que fizeram certinho o dever de casa (ou melhor, o dever "da casa" onde trabalham)... Deve ser horrível fazer jornalismo em um país em que as pessoas se atrevem a ter juízo próprio... Por falar nisso, não se deve esquecer uma possível solidariedade aos leitores que escrevem cartas nessas publicações midiáticas - em sua esmagadora maioria, legitimos representantes de uma elite que, raivosa, a julgar pela forma como se manifesta, tem imensa dificuldade em conviver bem com a melhor repartição do pão que sobra em fartas mesas, com o maior movimento de gente nos aeroportos, com a maior presença de "estranhos" nas universidades, enfim, com a felicidade melhor distribuída...Imagino como estejam tristes pelo fato de não ter sido ainda desta vez que se reinstaurou entre nós o nirvana dos privilegiados... Também há a possibilidade de se ser solidário a algumas entidades religiosas (instituições ou seitas, não importa) que, não se pode negar, cumpriram direitinho - embora sem êxito, no final das contas (que pena!) - o seu papel de aterrorizar os eleitores com assuntos que não deveriam ter composto o cardápio eleitoral. Um destaque especial pode ser conferido ao Papa, que fez todo o esforço possível para que o obscurantismo prevalecesse , mas que não encontrou, entre os seus fiéis, tanta devoção à causa quanto julgava, apesar das recomendadas lavagens cerebrais eclesiásticas. Há ainda a solidariedade aos verdes - cuja "onda", afinal de contas, acabou por não gerar mais que uns gatos pingados no Congresso - e aos de outras colorações que, por não terem uma posição firmada sobre coisa alguma, encontraram grande dificuldade para se manterem em cima de muros, em posição desconfortável que, quem sabe, ainda lhes poderá trazer, no futuro, outros problemas de desvio na coluna ideológica. Aqui excluo, em nome da verdade, o Sr Fernando Gabeira, que, embora verde, jamais se omitiu e deixou claríssima sua posição de aproximação retrógrada com a turma da direita Pode ser que, tocados por essa onda de solidariedade, alguns desses derrotados venham a experimentar uma crise de consciência ou uma correção de rumos. Não sou muito otimista quanto a isso. A julgar pelo tom da "saudação" do candidato derrotado no discurso que se seguiu à proclamação dos resultados, penso que Dilma e as forças vitoriosas não devem desprezar as potencialidades venenosamente vingativas desse pessoal. E devem, desde já, prevenir-se com o antídoto infalível - porque já testado e comprovado - da continuidade dos projetos de redenção social como tônica do Govern -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/6b02ae8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 55559 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101103/6b02ae8f/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 4 19:07:00 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 4 Nov 2010 19:07:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_Revolucion=E1rio_Carlos_Marighe?= =?iso-8859-1?q?lla_=3A_41_anos_do_seu_assassinato=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem No dia 4 de novembro de 1969, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974. veja mais clicando no link http://www.carlos.marighella.nom.br/ CARLOS MARIGHELLA Sua vida Carlos Marighella nasceu em Salvador, Bahia, em 5 de dezembro de 1911. Era filho de imigrante italiano com uma negra descendente dos haussás, conhecidos pela combatividade nas sublevações contra a escravidão. De origem humilde, ainda adolescente despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo. Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, prosseguiria na militância política, interrompendo os estudos universitários no 3o ano, em 1932, quando deslocou-se para o Rio de Janeiro. Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia de Filinto Müller. Permaneceu encarcerado por um ano e, quando solto pela "macedada" - nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação -- deixou o exemplo de uma tenacidade impressionante. Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas. Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Na CPI que investigaria os crimes do Estado Novo o médico Dr. Nilo Rodrigues deporia que, com referência a Marighella, nunca vira tamanha resistência a maus tratos nem tanta bravura. Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia. Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Deposto o ditador Vargas e convocadas eleições gerais, foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Seria apontado como um dos mais aguerridos parlamentares de todas as bancadas, proferindo, em menos de dois anos, cerca de duzentos discursos em que tomou, invariavelmente, a defesa das aspirações operárias, denunciando as péssimas condições de vida do povo brasileiro e a crescente penetração imperialista no país. Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato. Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio "Alguns aspectos da renda da terra no Brasil", o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Nesta fase visitaria a China Popular e a União Soviética, e anos depois, conheceria Cuba. Em suas viagens pôde examinar de perto as experiências revolucionárias vitoriosas daqueles países. Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de "Abaixo a ditadura militar fascista" e "Viva a democracia", recebendo um tiro a queima-roupa no peito. Descrevendo o episódio no livro "Por que resisti à prisão", ele afirmaria: "Minha força vinha mesmo era da convicção política, da certeza (...) de que a liberdade não se defende senão resistindo". Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1o de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Mas, mantendo o país sob terror policial, o governo sufocou os sindicatos e suspendeu as garantias constitucionais dos cidadãos, enquanto estrangulava o parlamento. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo. Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN - Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura. O endurecimento do regime militar, a partir do final de 1968, culminou numa repressão sem precedentes. Marighella passou a ser apontado como Inimigo Público Número Um, transformando-se em alvo de uma caçada que envolveu, a nível nacional, toda a estrutura da polícia política. Na noite de 4 de novembro de 1969 - há exatos 30 anos -- surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes do DOPS sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury. Resumo biográfico 1911 - No dia 5 de dezembro, Carlos Marighella nasce na Rua do Desterro número 9, na cidade de São Salvador, Estado da Bahia. Seus pais são o casal Maria Rita do Nascimento, negra e filha de escravos, e o imigrante italiano, o operário Augusto Marighella. Carlos teve sete irmãos e irmãs. 1929 - Marighella começa a cursar engenharia civil na antiga Escola Politécnica da Bahia, depois de haver estudado no Ginásio da Bahia, hoje Colégio Central. Numa e noutra escola, destaca-se como aluno, pela alegria e criatividade. São famosas suas diversas provas em versos. 1932 - Ingressa na Juventude Comunista. O Partido Comunista havia sido criado em 1922. Com a revolução de 30 uma grande efervescência política varria o Brasil. Marighella participa de manifestações contra o regime autoritário e o interventor Juracy Magalhães. Inconformado com versos de Marighella que o ridicularizavam, Juracy manda prendê-lo e espancá-lo. 1936 - Abandona o curso de engenharia e vai para São Paulo a mando da direção, reorganizar o Partido Comunista, que havia sido gravemente reprimido após o levange de 1935. É, porém, novamente preso e torturado durante 23 dias pela Polícia Especial de Felinto Muller. 1937 - Marighella é libertado pela anistia assinada pelo ministro Macedo Soares e, quatro meses depois, Getúlio dá o golpe e instaura o Estado Novo. Na clandestinidade, Marighella é encarregado da difícil tarefa de combater as tendências internas dissidentes da linha oficial do PCB em São Paulo. 1939 - Preso pela terceira vez, é confinado em Fernando de Noronha. Na cadeia, os revolucionários presos organizam uma universidade popular e Marighella dá aulas de matemática e filosofia. 1942 - Os presos políticos vão para a Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, porque Fernando de Noronha passa a ser usada como base de apoio das operações militares dos aliados no Atlântico Sul. 1943 - Na Conferência da Mantiqueira, Marighella, mesmo preso, é eleito para o Comitê Central. O Partido Comunista adota linha de apoio ao governo Vargas em razão da entrada do Brasil na guerra, posição de que ele discorda, embora a cumpra, por dever de militância. 1945 - Anistia, em abril, devolve à liberdade os presos políticos. Com a vitória das forças antifascistas, o PCB vai à legalidade e participa da eleição para a Constituinte. Marighella é eleito como um dos deputados constituintes mais votados da bancada.. 1946 - Apesar do apoio de Prestes, o general Dutra, eleito Presidente da República, desencadeia repressão aos comunistas. Marighella participa ativamente da Constituinte com um dos redatores do organismo parlamentar. Conhece Clara Charf. 1947 -Ainda no primeiro semestre é fechada a União da Juventude Comunista. Depois, é o próprio Partido que é posto na ilegalidade. Marighela coordena a edição da revista teórica do PCB, Problemas e vive um relacionamento com dona Elza Sento Sé, que resulta no nascimento, em maio de 1948, de seu filho Carlos. 1948 - No início do ano são cassados os mandatos dos parlamentares comunistas. Marighella volta à clandestinidade. Data desse ano seu romance com Clara Charf, sua companheira até o fim da vida. 1949/1954 - Em São Paulo, Marighella cuida da ação sindical do PCB. Sob sua direção o PC se vincula aos operários, participa da campanha "O Petróleo é nosso" e organiza a greve geral conhecida como "dos cem mil" em 1953. Considerado esquerdista pela direção do Partido, é mandado em viagem à China. Lá é internado em razão de uma pneumonia. Depois, vai à União Soviética e volta ao Brasil em 1954. 1955 - A morte de Getúlio Vargas e o início do governo de Juscelino Kubistchek permitem que os comunistas, embora na ilegalidade, atuem de modo mais visível. 1956/1959 - O XX Congresso do PC da União Soviética inicia a desestalinização. O PCB adota a linha da "coexistência pacífica" pregada pela União Soviética. A vitória da Revolução Cubana, porém, contraria frontalmente as posições do movimento comunista internacional. 1960/1964 - A renúncia de Jânio gera uma crise política. Jango toma posse e Marighella passa a divergir da linha oficial do PC, principalmente de sua política de moderação e subordinação à burguesia. Em 1962, divisão do PC dá origem ao Partido Comunista do Brasil - PC do B. 1964 - Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto. 1965 - Escreve e publica o livro "Por que resisti à prisão", em que aponta sua opção por organizar a resistência dos trabalhadores brasileiros contra a ditadura e pela libertação nacional e o socialismo. 1966 - Publica "A Crise Brasileira", onde aprofunda suas posições críticas à linha do PCB, prega a adoção da luta armada contra a ditadura, fundada na aliança dos operários com os camponeses. 1967 - Na Conferência Estadual de São Paulo as idéias de Marighella saem vitoriosas por ampla maioria - 33 a 3 -, apesar da participação pessoal e contrária de Luiz Carlos Prestes. Vendo que a derrota no VI Congresso era iminente, Prestes inicia um processo de intervenções nos Estados, para impedir a participação de delegados ligados à corrente de esquerda. Marighella viaja a Cuba para participar da conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade-OLAS. O PCB envia telegrama desautorizando sua participação e ameaçando-o de expulsão. Disso resulta uma carta dele rompendo com o Comitê Central do PCB e afirmando que ninguém precisa pedir licença para praticar atos revolucionários. Como represália, é expulso do Partido Comunista. Retorna ao Brasil e funda a Ação Libertadora Nacional-ALN e dá início à luta armada contra a ditadura militar. 1968 - Marighella participa diretamente de diversas ações armadas recuperando fundos para a construção da ALN. No primeiro de maio, em São Paulo, os operários tomam o palanque de assalto, expulsam o governador Sodrée realizam comemorações combativas do dia internacional dos trabalhadores. O Movimento estudantil toma conta das ruas em manifestações contra a ditadura que chegaram a mobilizar cem mil pessoas. Em outubro, porém, o Congresso da UNE é descoberto pela polícia e os estudantes sofrem grave derrota. Também no final do ano, torna-se conhecido o fato de que Marighella comandava parte das ações guerrilheiras. 1969 - No início do ano, a descoberta de planos da Vanguarda Popular Revolucionária - VPR pela polícia antecipa a saída do capitão Carlos Lamarca de um quartel do exército em Osasco, levando um caminhão carregado com armamento para a guerrilha. Em setembro o embaixador norte-americano é feito prisioneiro por um destacamento unificado com integrantes da ALN e do MR-8 e trocado por quinze presos políticos. No dia 4 de novembro, às oito horas da noite, Carlos Marighella caiu numa emboscada armada pelos inimigos do povo brasileiro em frente ao número 800 da alameda Casa Branca, em São Paulo, e foi assassinado. Sua organização, a ALN sobreviveu até 1974. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101104/8568086b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101104/8568086b/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14145 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101104/8568086b/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 4 19:07:07 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 4 Nov 2010 19:07:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_T=FApac_Amaru=2C_o_filho_do_sol?= =?iso-8859-1?q?=2E_Naquele_4_de_novembro_de_1780=2C_foi_o_in=EDcio?= =?iso-8859-1?q?_de_uma_rebeli=E3o_que_se_espalharia_pelos_Andes_e_?= =?iso-8859-1?q?chegaria_at=E9_os_altiplanos_bolivianos=22=2C_e_CAN?= =?iso-8859-1?q?TO_CORAL_A_TUPAC_AMARU?= Message-ID: <88F0DBC605334E9594E56C8374F7939C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Naquele 4 de novembro de 1780, com o corpo de Arriaga balançando atrás de si, Túpac Amaru, descendente da linhagem imperial dos incas, declarou que não existiam mais impostos e que os escravos estavam livres. "Foi o início de uma rebelião que se espalharia pelos Andes e chegaria até os altiplanos bolivianos", Túpac Amaru, o filho do sol No fim do século 18, Túpac Amaru liderou a maior rebelião indígena da América, que incendiou o coração dos Andes e inspirou revolucionários como Bolívar e Che Guevara por Alessandro Meiguins O mundo amanheceu ao contrário naquele dia em Tinta, um pequeno povoado no sul do vice-reino do Peru. Acostumada a ser explorada e maltratada pelas tropas do mandachuva local, o espanhol Antonio Arriaga, a população mal conseguia acreditar que era ele quem dava seus últimos suspiros, pendurado pelo pescoço na ponta de uma corda, em plena praça central do vilarejo. Ao seu lado, comandando a execução, estava José Gabriel Túpac Amaru. Vestido para a guerra, com o tradicional ornamento inca em forma de um sol dourado no peito, convocava aos berros índios, mestiços e negros para lutar contra a dominação espanhola. Naquele 4 de novembro de 1780, com o corpo de Arriaga balançando atrás de si, Túpac Amaru, descendente da linhagem imperial dos incas, declarou que não existiam mais impostos e que os escravos estavam livres. "Foi o início de uma rebelião que se espalharia pelos Andes e chegaria até os altiplanos bolivianos", diz Julio Vera del Carpio, historiador da Casa da Cultura Peruana, em São Paulo. Quase 300 anos depois de os espanhóis desembarcarem na América, o filho do sol estava de volta. Os espanhóis desembarcaram na América em 1492 ávidos por encontrar riquezas que financiassem seus navios, suas armas e sua nobreza. Quando chegaram ao Peru, em 1527, e descobriram as minas de prata da região, não perderam tempo. Reuniram um exército sob o comando de Francisco Pizarro e trataram de eliminar todo aquele que pudesse afastá-los de seu objetivo. Por "todo aquele" entenda-se os incas, que habitavam desde as cordilheiras no Peru até os altiplanos bolivianos. Em 1532, os espanhóis iniciaram uma conquista rápida e implacável. Com a vantagem das armas de fogo e do duro aço espanhol, submeteram os guerreiros indígenas e suas lanças de cobre. Pizarro conquistou Cusco, a capital inca, e capturou e executou Atahualpa, seu imperador. Em seguida nomeou um novo ocupante para o trono: Manco Inca Yupanqui. Pouco tempo depois, no entanto, Manco Inca percebeu que estava sendo usado pelos espanhóis e fugiu de Cusco, iniciando uma revolta. A aventura durou pouco: os espanhóis mataram Manco Inca e seus sucessores. O último foco de resistência foi derrotado em 1572, com o enforcamento do derradeiro imperador inca, o primeiro Túpac Amaru (foram vários "Túpacs"). Foi o ponto final na civilização inca na América do Sul, "que ocupou um território maior que o do Império Romano", diz Antonio Núnez Jiménez, no livro Nuestra América. A partir desse momento, seus mais de 3 milhões de habitantes tinham um novo senhor. A primeira coisa que os novos donos do pedaço fizeram foi estabelecer a "mita" - o trabalho forçado nas minas de prata e mercúrio. "Os índios eram convocados pelos espanhóis, arrastados a pé através dos vales montanhosos e muitos morriam exauridos no caminho", diz Carpio. "Quando chegavam, tinham um breve descanso e, um ou dois dias depois, entravam nos estreitos buracos na terra em busca dos metais. Poucos sobreviviam por muito tempo às longas jornadas de trabalho, que chegavam a uma semana inteira dentro das minas, sem direito a alimentos ou descanso." A Igreja teve papel especial nessa história. Extremamente religiosos, os incas foram levados a crer que o rei da Espanha substituíra seu imperador no lugar reservado ao representante divino na Terra. Servir ao rei era como trabalhar para o próprio Deus-sol e ao morrer nas minas de prata estavam salvando suas almas do inferno. Segundo Carpio, nas províncias os corregedores (espécie de prefeitos) tinham toda a liberdade para matar quantos índios fossem necessários para que a extração de prata continuasse a todo vapor. No entanto, em 200 anos de dominação, os espanhóis não eliminaram completamente as lideranças indígenas. Pelo contrário, parte do controle sobre a população era feita com o consentimento e apoio desses líderes - chamados de curacas, descendentes da nobreza inca. Convertidos ao catolicismo, muitos, inclusive, recrutavam membros das tribos para o trabalho forçado nas minas. Descendente do primeiro Túpac, José Gabriel Túpac Amaru era um dos líderes que discordavam dessa prática. Curaca de Pampamarca, Tungasuca e Surimana, morava na província de Tinta, a 100 quilômetros de Cusco. Túpac herdou de sua família 70 pares de mulas, com as quais transportava mercadorias através dos Andes. No meio daquela região montanhosa, ter um par de mulas era como ter um caminhão. Túpac era próspero, respeitado e bem relacionado. Insatisfeito com o que via na região, defendia junto às autoridades espanholas uma reforma no sistema colonial. Aos tribunais de Lima encaminhara um pedido oficial em que pediu a eliminação do cargo do corregedor, substituindo-o por prefeitos eleitos nas províncias e povoados, e o fim da mita. Nada conseguiu. Aos poucos, passou a espalhar a idéia de rebelião. Em uma carta aberta à população, dizia que os corregedores faziam do sangue dos peruanos "sustento para sua vaidade". Conseguiu a simpatia e apoio de alguns curacas, que se dispuseram a lutar. Tinta foi apenas o primeiro alvo da revolta. Após matar Arriaga, Túpac e seus homens percorreram povoados e vilas da região, prendendo e enforcando as autoridades espanholas que encontravam. Ficavam com seu dinheiro e armas e distribuíam seus bens entre a população. Túpac nomeou chefes locais e conseguiu que milhares de pessoas aderissem à sua tropa. Aterrorizado com a rapidez com que a revolta se espalhava, o bispo de Cusco, Juan Manuel de Moscoso y Peralta, enviou 1 500 soldados para eliminar o rebelde. Em 18 de novembro, no povoado de Sangarara, entre Cusco e Tinta, Túpac enfrentou o exército do rei com 6 mil homens sob seu comando. Em menos de um dia o inca cercou os soldados do bispo. Depois de intensos combates, o último grupo de espanhóis se refugiou na igreja do povoado, esperando que o indígena poupasse o local sagrado. Túpac não quis saber: invadiu a igreja e matou todos. Em represália, Moscoso y Peralta excomungou Túpac Amaru e seus seguidores. Essa era a maior desonra que alguém poderia sofrer na época. Tanto para católicos quanto para indígenas, a excomunhão significava que a pessoa estava distante de Deus. O efeito da punição logo se fez sentir. "Por conta disso, numerosos adeptos da causa tupamarista abandonaram suas fileiras ou deixaram de nelas ingressar", afirma Kátia Baggio, historiadora da Universidade Federal de Minas Gerais. Túpac se preparou para invadir Cusco. A estratégia era tomar Puno, que ficava entre Cusco e Potosí, para depois avançar sobre a capital. No entanto, após os eventos em Sangarara, o vice-rei do Peru, Agustín de Jáuregui, resolveu pedir auxílio à Espanha. Se as tropas do rei Carlos III chegassem ao Peru, a rebelião não teria chance, por isso o inca adiantou seus planos. Cusco era uma verdadeira fortaleza. Cercada de grandes muralhas de pedra, a antiga capital do império inca tinha uma rígida planificação urbana em forma quadriculada, cujo desenho lembrava a forma de um puma. As tropas da cidade partiram em direção aos rebeldes, para conter sua chegada, enquanto mais soldados preparavam a defesa. Muitos curacas católicos, junto com suas tribos, se mostraram fiéis à Igreja e ao rei da Espanha, e ajudaram os europeus a montar uma estratégia para conter os rebeldes. O clima de agitação e expectativa diante da iminente invasão levou a cidade ao caos. Em 28 de dezembro de 1780, Túpac chegou ao limite norte de Cusco, uma região chamada Cerro Picchu. Seguiam com ele mais de 40 mil homens, embora poucos estivessem armados e preparados para a luta. Seus planos contavam com um ataque vindo do nordeste, por Diego Cristóbal, irmão de Túpac, e com a adesão da população indígena local. Em 2 de janeiro de 1781 os combates começaram. Por dias as tropas do vice-rei, cerca de 12 mil homens, conseguiram manter os invasores afastados da cidade, tempo suficiente para receberem um reforço de 8 mil homens, seis canhões e 3 mil fuzis vindos de Lima. Os rebeldes, ao contrário, viram seus planos falharem. Diego Cristóbal não conseguiu ultrapassar as defesas espanholas do rio Urubamba e recuou. O policiamento ostensivo nas ruas de Cusco reprimiu qualquer tentativa local de sublevação. Em 8 de janeiro, Túpac fez uma tentativa desesperada e atacou a cidade com força total. A violenta batalha durou cerca de sete horas, mas as defesas se mantiveram praticamente intactas e os realistas tiveram poucas baixas. Túpac desistiu do cerco e se aquartelou em Tinta. Em março, com o reforço de 17 mil soldados espanhóis, as tropas do vice-rei resolveram sufocar de vez a rebelião. Em 5 de abril, os espanhóis infligiram uma gigantesca derrota às tropas tupamaristas. Depois de um dia de combates, ofereceram perdão àqueles que abandonassem Túpac e se unissem a eles. No dia seguinte, cercaram o exército rebelde e conseguiram outra grande vitória, graças a informações entregues por traidores do exército inca. Os rebeldes se dispersaram e fugiram da cidade, mas Túpac e seus colaboradores mais próximos foram presos em um emboscada preparada por seus próprios partidários. Apenas uma pequena parte do exército rebelde conseguiu se refugiar nas montanhas. Na mesma semana, para comemorar sua vitória, os espanhóis enforcaram 70 curacas rebeldes na mesma praça onde o corregedor Arriaga perecera. Túpac e sua família foram levados a Cusco, onde foram torturados para que dessem informações sobre os demais líderes rebeldes, como Diego Cristóbal, que conseguira fugir. "Diz a tradição que, sem ter como se comunicar com seus companheiros, Túpac escreveu uma carta com seu próprio sangue, em um pedaço de suas vestes, convocando todos para a luta, mas a mensagem acabou interceptada pelos espanhóis", diz o antropólogo Rodrigo Montoya, da Universidade San Marcos, em Lima. Após 35 dias de torturas, em 18 de maio de 1871 Tupac foi levado para receber sua sentença em praça pública, no centro de Cusco: esquartejamento. Antes que a pena fosse aplicada, no entanto, Túpac assistiu ao enforcamento de seus homens rebeldes. Depois, dois filhos seus, Hipólito e Fernando, junto com Micaela, sua mulher, tiveram suas línguas cortadas, antes de serem executados. Enfim chegou sua vez. "Seus braços e pernas foram atados a quatro cavalos, que foram incitados a correrem cada um para uma direção", diz Carpio. "Depois do insucesso de várias tentativas, os espanhóis desistiram do esquartejamento e cortaram a cabeça do inca." A rebelião no Alto Peru, no entanto, não acabou aí. Prosseguiu em duas frentes. Sob a liderança de Túpac Catari, cujo verdadeiro nome era Julián Apasa, e que adotou o apelido em alusão a Túpac Amaru e Tomás Catari, outro líder revolucionário morto pelos espanhóis na Bolívia, a revolta chegou a La Paz. Catari cercou a cidade em março de 1781, com mais de 10 mil homens, e fez um violento ataque em que mais de 10 mil morreram - sendo 8 mil indígenas. Após 109 dias de sítio as tropas realistas furaram o cerco. Catari voltou a atacar em agosto, mas foi derrotado e preso. Em 31 de novembro de 1781 foi executado. A segunda onda de resistência se deu na região montanhosa em torno de Cusco, onde Diego Cristóbal continuou comandando o então reduzido exército de Túpac. Em maio de 1781, ele chegou a sitiar Puno, mas não a invadiu. Focos de conflito continuaram até 1782, quando Diego Cristóbal assinou um tratado de paz com os espanhóis. Apesar disso, depois de uma ameaça de levante em 1783, Diego e 120 supostos envolvidos acabaram executados. Nos anos que se seguiram, os colonizadores exerceram uma forte repressão à cultura incaica e qualquer ornamento da nobreza inca foi proibido. "Falar o nome de Túpac Amaru em público virou um insulto aos espanhóis, um ato de rebeldia. A perseguição, no entanto, só aumentou o mito que se criou em torno dele e fez com que seus lendários feitos influenciassem gerações de revolucionários americanos, de Bolívar a Che Guevara", diz Montoya. O poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), em um verso de 1970, recordou Túpac "Como um sol vencido/ uma luz desaparecida.../ Túpac germina na terra americana". O cerco a cusco As forças de Túpac Amaruenfrentaram os espanhóis no localchamado de "cabeça do puma" 1. Chegada Em 28 de dezembro,Túpac acampa com 40 mil homens ao nordeste de Cerro Picchu 2. Cerco As tropas de Túpac se posicionam ao norte. É dia 2 de janeiro de 1781 3. 1º ataque Túpac ataca pela Quebrada de Cayra, mas 12 mil soldados o detêm 4. 2º ataque A segunda tentativa de conquista da cidade foi elo Cerro Pukin, ao sul 5. 3º ataque Túpac luta durante sete horas contra os próprios índios e retira seu exército Todos os Túpacs O ideal de uma Américaunida contra os invasores inspirou até cantores de rap O PRIMEIRO TÚPAC Após a queda de Atahualpa e de Cusco, outros líderes incas se fizeram imperadores e resistiram por 40 anos à dominação espanhola. Túpac Amaru foi o último deles. Em 1572, após um massacre de mensageiros do vice-rei do Peru, mortos por homens de Túpac, os espanhóis iniciaram uma caçada ao imperador. Uma força de 250 homens partiu em direção a Vilcabamba, cidade de Túpac, destruindo altares e fortalezas incas que encontraram no caminho. Em Vilcabamba, incendiaram a cidade e prenderam seu líder, para depois executá-lo em Cusco, no mesmo local onde seu descendente, José Gabriel Túpac Amaru, seria executado mais de 200 anos depois. MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO TÚPAC AMARU - MRTA Fundado em 1984, a organização peruana começou suas atividades de guerrilha em 1986. Contra o governo de Alan García, o MRTA promoveu seqüestros, assassinatos e atentados a bomba nas regiões de San Martín e Juanji. Em dezembro de 1996, 14 membros invadiram a residência do embaixador japonês em Lima, fazendo centenas de reféns por quase quatro meses. Em abril do ano seguinte, tropas militares tomaram a residência, libertaram os reféns e mataram todos os terroristas. OS TUPAMAROS O grupo surgiu em 1968 e atuou com bastante impacto na cena política uruguaia até 1972, quando inúmeras ações do governo ditatorial militar exterminaram muitos de seus integrantes. O grupo Inspirou inúmeras guerrilhas na Europa. No filme Estado de Sítio (1972), o cineasta grego Costa-Gavras mostrou a ação mais famosa dos tupamaros, o seqüestro e morte do agente da CIA Dan Mitrione, que treinou torturadores durante a ditadura no Uruguai. OS TUPAMAROS O grupo surgiu em 1968 e atuou com bastante impacto na cena política uruguaia até 1972, quando inúmeras ações do governo ditatorial militar exterminaram muitos de seus integrantes. O grupo Inspirou inúmeras guerrilhas na Europa. No filme Estado de Sítio (1972), o cineasta grego Costa-Gavras mostrou a ação mais famosa dos tupamaros, o seqüestro e morte do agente da CIA Dan Mitrione, que treinou torturadores durante a ditadura no Uruguai. TUPAC AMARU SHAKUR ("2PAC") Rapper americano nascido no Bronx, bairro de Nova York, nos Estados Unidos, em junho de 1971. Tupac Amaru Shakur teve uma infância difícil morando em abrigos e cortiços. Seu pai, com quem nunca teve contato, era ligado aos Panteras Negras - grupo político de afirmação dos negros americanos. Aos 15 anos, vivendo em Baltimore, começou a compor. Aos 20 anos, participava de guangues e já havia passado oito meses na prisão. Em 1990 lançou seu primeiro disco e em 1992 estreou em carreira solo com o álbum 2Pacalypse Now. Suas letras tinham um tom político desafiador. Como em "Panther Power", do álbum The Lost Tapes, em que diz: "O sonho americano não foi feito para mim/ Lady Liberty é uma hipócrita, ela mentiu para mim/Me prometeu liberdade, educação, igualdade/ Não me deu nada além de escravidão/ Tempo de mudar o governo, agora é o poder da Pantera". Shakur foi assassinado em 1997, baleado diversas vezes no peito depois de uma discussão. Saiba mais Livros La Rebelión de Túpac Amaru, Boleslao Lewin, Instituto Cubano del Libro, 1972 - Maior análise sobre Túpac Amaru, o livro esmiúça o papel dos participantes dos eventos revolucionários Túpac Amaru y sus Compañeros, Juan Jose Vega, Municipalidad del Qosqo, 1995 - Mostra o cenário da vida de Túpac e como era o dia-a-dia na cidade de Cusco A Rebelião de Tupac Amaru, Kátia Gerab e Maria Angélica Campos Resende, Brasiliense, 1987 - Um panorama detalhado da revolução inca Nuestra América, Antonio Núñez Jiménez, Editorial Pueblo Y Educación, 1990 - Conta, com riqueza de detalhes, a história geral da América Latina ===================================================================== CANTO CORAL A TUPAC AMARU La Rebelión de Tupac Amaru y Micaela Bastidas Capitán Eloy Villacrez Primer grito de Independencia en América del Sur, 04 de noviembre de 1780. Homenaje a los combatientes que se sacrificaron para que el Imperio Incaico renaciera. Al ser aplastada la rebelión, quedó el INKARI como símbolo de que pensamiento solidario y gregario del incanato está vigente en nuestro país. CANTO CORAL A TUPAC AMARU Lo harán volar con dinamita. En masa, lo cargarán, lo arrastrarán. A golpes le llenarán de pólvora la boca, lo volarán: ¡Y no podrán matarlo! - Le pondrán de cabeza. Arrancarán sus deseos, sus dientes y sus gritos. Lo patearán a toda furia. Luego lo sangrarán. Y no podrán matarlo! - Coronarán con sangre su cabeza; sus pómulos, con golpes. Y con clavos, sus costillas. Le harán morder el polvo. Lo golpearán: ¡Y no podrán matarlo! -Le sacarán los sueños y los ojos. Querrán descuartizarlo grito a grito. Lo escupirán. Y a golpe de matanza lo clavarán: ¡y no podrán matarlo! - Lo pondrán en el centro de la plaza, boca arriba, mirando al infinito. Le amarrarán los miembros. A la mala tirarán:¡Y no podrán matarlo! - Querrán volarlo y no podrán volarlo. Querrán romperlo y no podrán romperlo. Querrán matarlo y no podrán matarlo. -Querrán descuartizarlo, triturarlo, mancharlo, pisotearlo, desalmarlo. Querrán volarlo y no podrán volarlo. -Querrán romperlo y no podrán romperlo. Querrán matarlo y no podrán matarlo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101104/598ef661/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 5 19:51:22 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 5 Nov 2010 19:51:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=22Sitios_de_Memoria_en_Am=C3=A9rica_?= =?utf-8?q?Latina=22_portal?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger De: marcos dada ¿Las imágenes no se muestran correctamente? Puede ver la versión en línea aquí. ENGLISH VERSION | VERSÃO EM PORTUGUÊS Lanzamiento portal "Sitios de Memoria en América Latina" Las instituciones de América Latina que integramos la Coalición Internacional de Sitios de Conciencia anunciamos el lanzamiento del portal Sitios de Memoria en América Latina un nuevo espacio de diálogo y difusión de nuestra historia continental. Este portal, al cual se accede desde http://www.memoriaabierta.org.ar/redlatinoamericana/, reúne la información sobre el trabajo que realizamos las 27 instituciones que conformamos la Red Latinoamericana de Sitios de Conciencia. Incluye un Catálogo de materiales, muestras y publicaciones desarrolladas por los miembros de la red y una Agenda colectiva que difunde actividades vinculadas al trabajo por la memoria en la región. Éste calendario puede ser incluido en cualquier página web o blog, contribuyendo a ampliar la visibilidad de nuestro trabajo a nivel regional. Creemos que este portal es un interesante recurso para: · dar a conocer las consecuencias que han tenido y siguen teniendo los crímenes de lesa humanidad cometidos contra nuestras comunidades por diferentes administraciones gubernamentales, · como plataforma privilegiada desde la cual será posible difundir las innumerables propuestas y esfuerzos desplegados por organizaciones de derechos humanos, sobrevivientes y familiares de las víctimas del terrorismo de Estado en pos de hacer realidad los ideales de memoria, verdad y justicia. El portal es llevado adelante por las siguientes instituciones: * Agrupación de Familiares de Detenidos Desaparecidos de Paine (Santiago de Chile - Chile) * Archivo Histórico de la Policía Nacional (Ciudad de Guatemala -Guatemala) * Archivo Provincial de la Memoria (Provincia de Córdoba - Argentina) * Asociación Caminos de la Memoria (Lima ? Perú) * Asociación Paz y Esperanza (Ayacucho - Perú) * Casa por la Memoria y la Cultura Popular (Mendoza - Argentina) * Centro Cultural por la Memoria (Trelew- Argentina) * Centro Cultural y Museo de la Memoria - MUME (Montevideo - Uruguay) * Centro de Derecho Humanos Fray Bartolomé de las Casas (Chiapas- México) * Centro de Investigaciones Regionales de MesoAmérica (Guatemala) * Comisión de homenaje a las víctimas de los CCD El Vesubio y Protobanco (Provincia de Buenos Aires ? Argentina) * Corporación Parque por la Paz Villa Grimaldi (Santiago de Chile - Chile) * Dirección de Derechos Humanos de la Municipalidad de Morón (Provincia de Buenos Aires ? Argentina) * Dirección de Verdad, Justicia y Reparación - Defensoría del Pueblo (Asunción - Paraguay) * Estadio Nacional (Santiago de Chile - Chile) * FLASCO (Quito- Ecuador) * Instituto de Diálogo y Propuestas (Lima ? Perú) * Memoria Abierta (Ciudad de Buenos Aires - Argentina) * Memorial Da Resistencia (San Pablo ? Brasil) * Movimiento Ciudadano Para que no se Repita (Perú) * Museo de la Memoria de Rosario (Provincia de Santa Fe - Argentina) * Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (Santiago de Chile -Chile) * Museo de la Palabra y la Imagen (San Salvador ? El Salvador) * Museo de las Memorias: Dictaduras y Derechos Humanos (Asunción - Paraguay) * Museo Memorial de la Resistencia Dominicana (Santo Domingo ? República Dominicana) * Nucleo da preservacao da memoria politica (San Pablo ? Brasil) * Sociedad Civil Las Abejas (Chiapas- México -- ******************************** "Los pueblos no tienen los gobiernos que se merecen; tienen el gobierno que se les parece". André Malraux ____________________________________________________________ Dr. Antonio Escobar Ohmstede CIESAS-D.F. (México) Juárez 87, Col. Tlalpan, Del. Tlalpan, México, D.F., cp. 14000 Tel. (55) 54873600 _____________________________________________________________ __._,_ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101105/b453b7df/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13719 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101105/b453b7df/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 5 19:51:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 5 Nov 2010 19:51:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22A_Classe_Oper=E1ria=22_na_clan?= =?iso-8859-1?q?destinidade_=281966-1983=29?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore A Classe Operária na clandestinidade (1966-1983) Por Augusto C. Buonicore A Carlos Danielli e Pedro Pomar O Portal da Fundação Maurício Grabois, através do seu Centro de Documentação e Memória (CDM), está disponibilizando aos pesquisadores e militantes interessados na história do comunismo no Brasil um precioso acervo documental. Trata-se da coleção do jornal A Classe Operária que abarca o período que vai de 1967 até 1983, anos de ditadura militar. No total foram 155 edições que o público poderá ter acesso. A Classe Operária, relançada em 1962, jogou um importante papel no processo de reorganização do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Era, fundamentalmente, através dela que o partido expressava suas opiniões e buscava organizar sua militância dispersa em diversos estados. Durante o governo Jango existia no país uma situação de relativa liberdade política. Por isso, ela podia ser vendida livremente nas bancas de jornais, livrarias e em "comandos" de militantes nas portas de fábricas, escolas e bairros populares. Existia certa aceitação do jornal pelos trabalhadores. O aumento constante de sua tiragem e periodicidade nos dão mostras disso. Suas sucursais funcionavam como sedes informais do PCdoB. Ali se realizavam reuniões e debates com sua militância. A Classe Operária e a ditadura militar Esta situação foi radicalmente alterada com o golpe militar de primeiro de abril de 1964. As suas sedes foram ocupadas e fechadas pela polícia, seus principais responsáveis - Maurício Grabois, Pedro Pomar e João Amazonas - tiveram que passar para clandestinidade. Começava, então, uma das mais difíceis fases de existência deste jornal. No dia primeiro de maio de 1965 - em homenagem aos 40 anos de seu surgimento - voltou circular o jornal dos comunistas. No seu editorial, intitulado "Trincheira de Luta", estava escrito: "pouco mais de um ano era arbitrariamente suspensa A Classe Operária, combativo e valoroso órgão do proletariado revolucionário". Ela, continuava o artigo, "foi um dos primeiros alvos da reação militar-policial que varreu furiosamente o país. Sua redação foi invadida, depredada, e, até o presente, se encontra interditada". A data escolhida não deixava de ser uma provocação aos novos donos do poder que achavam que tinham eliminado o pequeno e aguerrido PC do Brasil. A responsabilidade de editar a nova "Classe" coube ao dirigente comunista Carlos Danielli, que também era responsável pela Comissão Nacional de Organização. Nestes anos de arbítrio, ela era elaborada e circulava na mais dura clandestinidade. Esses primeiros números, produzidos quase artesanalmente num mimeografo, saíram com o título Boletim d'A Classe Operária. Aqueles que a produziam corriam riscos de serem assassinados. Uma pessoa que fosse apanhada com um simples exemplar do jornal poderia ser presa e torturada. Centenas de comunistas e simpatizantes passaram por esta dolorosa experiência. Desde 1966, o militante César Telles era o responsável por rodar A Classe. Recebia os textos, geralmente em stencil, e os mimeografava. A "gráfica" ficava na sua própria casa, que funcionava como aparelho do Partido. Era localizada em Nova Iguaçu na baixada fluminense. Depois de imprimir os boletins entregava, numa sacola de feira, ao Carlos Danielli que distribuía para os comitês estaduais. No segundo semestre de 1968, a "gráfica" clandestina mudou-se para São Paulo. Nesta mesma ocasião, a direção do Partido decidiu que deveria ser melhorada a apresentação visual do seu órgão oficial e, por isso, comprou uma máquina impressora mais moderna, uma off-set. Uma "Classe", com nova cara, sairia no início de 1969. Sua tiragem era de, aproximadamente, 400 exemplares e circulava de mão em mão. No início dos anos 1970, devido ao aumento da repressão política, foi definido que o jornal passaria ser impresso, da maneira que fosse possível, nos próprios estados. Isso fez com que aumentasse a variedade de suas formas - eram feitas em papel carbono, mimeografada ou mesmo reproduzida em xerox. Um documento de 1975 afirmava: "sua feição gráfica aparece bastante diversificada, uma vez que é impressa em vários estados de acordo com as condições locais". Isto pode ser constatado nos exemplares que se encontram na pagina da Fundação Grabois/ CDM. Em dezembro de 1972 as forças de repressão invadiram a gráfica do Partido, onde era impressa parte d'A Classe Operária e outros documentos sob a responsabilidade do Comitê Central. Seu maquinário foi confiscado e os responsáveis presos e barbaramente torturados. Nesta mesma ocasião foi assassinado Carlos Danielli,. Mesmo assim, o jornal continuou sendo produzido. Desde o inicio da Guerrilha do Araguaia havia aumentado a repressão em cima do Partido. Vários importantes dirigentes nacionais haviam sido mortos. Além de Danielli, foram presos e assassinados Lincoln Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. Eles eram do núcleo da Comissão Nacional de Organização. A responsabilidade pela Comissão de Organização e pela edição d'A Classe Operária passou para Pedro Pomar. Neste período, possivelmente, o jornal tenha deixado, definitivamente, de ser publicada de maneira centralizada. Os textos eram enviados aos estados, muitas vezes sob a forma de estencil, e, depois, mimeografados e distribuídos para os militantes da maneira mais segura possível. Alguns anos mais tarde, outra tragédia se abateria sobre os comunistas brasileiros. Em dezembro de 1976, os órgãos de segurança descobriram onde e quando se realizaria uma reunião do Comitê Central. No ataque, promovido pelo II Exército, três dirigentes foram assassinados, entre eles Pedro Pomar. Isto representou um novo e terrível golpe contra a organização do Partido Comunista do Brasil Mas, para surpresa geral, no mês seguinte, já circulava um novo número d'A Classe Operária, denunciando a Chacina da Lapa. O Partido Comunista e seu jornal pareciam indestrutíveis. Como a Fênix teimavam em renascer das cinzas. Com parte de sua direção presa e outra parte dispersa pelo país, a principal responsabilidade passou para as mãos dos camaradas que se encontravam no exterior: João Amazonas, Renato Rabelo, Diógenes Arruda e Dyneas Aguiar. Eles estavam em missão na China quando ocorreu a tragédia. João Amazonas assumiu a direção do jornal e foi responsável pela elaboração das principais matérias, que chegavam ao país de duas maneiras. A primeira era através das emissões feitas pela rádio Tirana, localizada na Albânia socialista. Os locutores brasileiros daquela rádio liam as matérias e seus camaradas no Brasil as reproduziam em boletins. O segundo meio era através de finas folhas de papel de arroz que eram trazidas clandestinamente para dentro do país. Esta situação durou até a anistia em 1979. Entre 1979 e 1983 entramos na fase de semi-clandestinidade. A luta popular havia ampliado os espaços democráticos. A Classe Operária, novamente, teria um grande papel no processo de reorganização que o Partido começaria viver. Com a volta dos exilados, especialmente de João Amazonas, ela passou ser escrita, editada e rodada no próprio país. Embora ainda fossem mantidos certos métodos clandestinos. Afinal, o regime militar ainda dominava e o Partido Comunista do Brasil continuava vivendo na ilegalidade. A Classe Operária não é apenas um jornal de uma organização clandestina. Ela é um patrimônio dos brasileiros. Ao preservá-la e divulgá-la ao público em geral, a Fundação Maurício Grabóis e o seu Centro de Documentação e Memória (CDM) estão dando uma importante contribuição para resgatar uma pequena parte da história de luta do nosso povo contra a ditadura militar e pela conquistas da democracia, da soberania nacional e do socialismo no Brasil. http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/cdm/revistas.capa.php?id_sessao=51 Como vocês poderão notar, faltam ainda alguns números, especialmente anteriores a 1968. O projeto do CDM é, até o ano que vem, através de parcerias com outros centros de documentação, disponibilizar todos os números publicados durante a ditadura militar. Neste esforço, os antigos militantes partidário também poderão contribuir, avisando se possuem os números que faltam e documentos do período da clandestinidade, especialmente de antes de 1979. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101105/63b1277e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24859 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101105/63b1277e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 6 15:33:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 6 Nov 2010 15:33:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__TERRA_SEM_MALES_-_Yvy_mar=C3=A3_?= =?iso-8859-1?q?ei_-_Barbet?= Message-ID: <576203F5DFCD4A5C9EB3CC8E52858353@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Um Blog com sensibilidade social e cultural, com Barbet. Não deixem de ver. clique http://terrasemales.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/c7204ebb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7530 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/c7204ebb/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/c7204ebb/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 6 15:33:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 6 Nov 2010 15:33:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Mais_de_1=2E500_pessoas_ser=C3=A3o_inv?= =?utf-8?q?estigadas_por_racismo?= Message-ID: <1EB6DA94A93445F79B9888929A4A555F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: ~¨KID¨~ Mais de 1.500 pessoas serão investigadas por racismo Denuncie todo caso de racismo e intolerância Polícia de SP abre inquérito para investigar suposto crime de racismo no Twitter. Um inquérito foi instaurado hoje pela delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. A Delegada pede que se denuncie todo caso de intolerância, racismo e preconceito, enviando fotos e nomes de perfis da rede social. A Polícia Civil de São Paulo vai investigar a estudante Mayara Petruso e outras 1.500 pessoas suspeitas de praticar racismo contra nordestinos no Twitter. Um inquérito foi instaurado hoje pela delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância para apurar o suposto crime cometido pela garota e a responsabilidade por um manifesto virtual intitulado ?São Paulo para os paulistas?, que, dentre outras coisas, diz reivindicar ?o fim da repressão ao paulista sobre o tema da migração em sua própria terra?. O manifesto já foi assinado por quase 1.500 pessoas, que também podem vir a responder, como a estudante de direito, pelo crime de incitação ao racismo. A garota poderá ser indiciada também por incitação ao crime por ter pedido no Twitter que seus seguidores ?matassem um nordestino afogado?. Se condenada por incitação ao racismo, poderia pegar de dois a cinco anos de prisão. No caso da incitação ao crime, a pena é de três a seis meses de prisão ou multa. É a primeira vez que a delegacia de crimes raciais de São Paulo vai investigar um caso de preconceito no Twitter. Segundo a delegada Margarette Barreto, a apuração de autoria de crimes é mais difícil no mundo virtual porque os usuários costumam apagar seus perfis nas redes sociais quando casos polêmicos ganham notoriedade. ?Vamos fazer um trabalho sério dentro das possibilidades de prova?, diz. A delegada espera concluir a investigação em até três meses e afirma que os usuários das redes sociais podem contribuir com a polícia imprimindo imagens de frases de outros usuários que incitem o preconceito ou o crime e encaminhando-as à polícia. Telefones: Estado de São Paulo 0800-15-63-15 São Paulo e região metropolitana: 181 Pela Internet: http://www.ssp.sp.gov.br/servicos/denuncias/denuncias_outras.aspx Denuncie por este link Este serviço centralizado permite que qualquer pessoa forneça à polícia informações sobre delitos e formas de violência, com absoluta garantia de anonimato. Fernando Gallo da Folha OnLine " A verdade venceu a mentira" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/8085cb3e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 6 15:33:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 6 Nov 2010 15:33:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?____Anau=EA=2C_Jos=E9_Serra!__po?= =?windows-1252?q?r_Al=EDpio_Freire?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas e Amig at s, segue o artigo que publiquei, na edição desta semana do Brasil de Fato que começa a circular hoje (quarta-feira). Putabraço, Alipio Freire Artigo Anauê, José Serra! Brasil de Fato Edição 401 1º.11.2010 ALIPIO FREIRE Ser derrotado nas urnas numa eleição, não é tudo. O mais grave é passar para a História como um fascista. Sim, lamentamos, mas é exatamente isto o que ocorrerá com o candidato derrotado José Serra. Se os rumos que pretendeu imprimir à disputa eleitoral não são suficientes para que nos mantenhamos d/espertos, a eloqüência das alianças forjadas para além dos partidos institucionais (DEM e PPS) e da grande mídia comercial falam por si. Como é público, o candidato derrotado esteve reunido com representantes e militantes do grupo paramilitar fascista Comando de Caça aos Comunistas ? o CCC, e da organização ultradireitista Tradição Família e Propriedade ? TFP. Ambos participaram da conspiração e do golpe de 1964, e foram dos mais ferozes defensores da ditadura, opondo-se até o final, a qualquer abertura. Na documentação da gráfica do Cambuci (S. Paulo), onde foram descobertos milhões de panfletos que tentavam desmoralizar e criminalizar a então ainda candidata Dilma Rousseff, está clara toda a ligação do candidato derrotado com membros do Partido Integralista, Monarquista e a ultradireita católica. Pesquisa realizada pelo jornalista Tony Chastinet e publicada por Rodrigo Vianna com o título de ?Dilma é alvo de grupos de extrema-direita e neonazistas? em seu blog, deixa clara a promiscuidade entre o candidato derrotado e os neonazistas. Quando tudo isto tem, ainda, como pano de fundo, os discursos dirigidos pelo candidato derrotado ao Clube Militar e ao Clube do Pijama, aludindo a uma ?república sindical?, e outros jargões que antecederam ao golpe de 1964; as manifestações dos membros desses dois clubes; e as declarações feitas nos EUA pelo doutor Nelson Jobim de que poderia ser ministro da Defesa de qualquer dos dois candidatos... é como se houvesse algo de podre na Dinamarca. De quem já fraudou uma Constituição; derrubou um avião matando cerca de 200 pessoas para se tornar ministro da Defesa; que já tentou um golpe contra o Terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, esperamos tudo, menos que tenha viajado para os EUA para praticar esportes de outono... De um candidato que se alia a toda essa escória, podemos esperar sempre o pior. Fiquemos atentos: o candidato derrotado pode estar ?cavando? um ?terceiro turno?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/74c31d79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 81117 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101106/74c31d79/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 7 12:51:54 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 7 Nov 2010 12:51:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?As_mais_belas_M=FAsicas_de_Edith_P?= =?iso-8859-1?q?iaff=2E_Para_ouvir_e_baixar=2E_____________________?= =?iso-8859-1?q?________________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICA?= =?iso-8859-1?q?S!?= Message-ID: <18005F669F1D409098F155D4A0E47B25@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Colaboração da amiga Neide Pessoa As mais belas Músicas de Edith Piaff. Para ouvir e baixar. clique http://www.bibi-piaf.com/piaf_e.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101107/db21a366/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101107/db21a366/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 7 12:52:06 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 7 Nov 2010 12:52:06 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Alguns_s=EDtios_para_o_conhecimen?= =?iso-8859-1?q?to_sobre_a_Am=E9rica_Latina=2E?= Message-ID: <4ACA3E15878747FA95792C87E46BD9BE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Núcleo Piratininga de Comunicação. http://www.piratininga.org.br/ Latinoamericano:jornalismo, comunicação na América Latina. http://www.latinoamericano.jor.br/ Resistir. http://www.resistir.info/ América Latina em Movimento. http://www.alainet.org/ ADITAL. http://www.adital.com.br/site/index.asp?lang=PT TELESUR. http://www.telesurtv.net/ PRENSA LATINA. http://www.prensa-latina.cu/index.php?lang=PT CASA DA AMÉRICA LATINA. http://www.casadaamericalatina.org.br/ Jornal Granma de CUBA. http://www.granma.cu/index.html MemóriaAbierta/Redlatinoamericana. http://www.memoriaabierta.org.ar/redlatinoamericana/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101107/4b6d1657/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 8 20:16:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 8 Nov 2010 20:16:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Tudo_o_que_voc=C3=AA_precisa_saber_so?= =?utf-8?q?bre_a_ins=C3=B4nia______________________________________?= =?utf-8?q?_______HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=C3=9AD?= =?utf-8?b?RSBFIEFMSU1FTlRBw4fDg08h?= Message-ID: <138AEF4B06744AFBB39F17E6762835D0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Tudo o que você precisa saber sobre a insônia Vejas as causas da doença que castiga milhares de brasileiros Quem nunca passou uma noite em claro tentando dormir porque o sono desapareceu? Embora muito comum,,a insônia é considerada um distúrbio do sono que pode acarretar doenças graves se não tratada a tempo. O que é insônia? É a dificuldade de dormir ou de permacer dormindo durante a noite. Pode significar ter um sono breve com impossibilidade de voltar a dormir, dormir poucas horas (sono breve) ou acordar muito cedo pela manhã, porém o termo insônia não é definido pelo número de horas dormidas, pois as pessoas diferem em suas necessidades de sono. A insônia pode ser classificada como crônica (permanente), transitória/transiennte (curto-prazo), intermitente (vem e vai). Insônia que dura desde uma noite até algumas semanas é classificada como transiente. Caso os episódios de insônia transiente ocorram de tempos em tempos, classifica-se como intermitente. A insônia é considerada crônica se ocorre na maioria das noites e dura mais de um mês. O que causa insônia? É um problema sério? Muitas coisas podem causar insônia, como estresse, muita cafeína, depressão, ansiedade, mudança de hábitos e dores. A insônia não é considerada um problema sério de saúde, mas pode causar consequências importantes ao passo que pode desencadear cansaço, depressão, dificuldade de concentração, falta de energia, irritabilidade e sonolência durante o dia. Quantas horas de sono são realmente necessárias? A maioria dos adultos necesita de cerca de 6-8 horas de sono durante cada noite, mas considera-se normal que o indivíduo durma menos de 6 horas caaso não sinta-se cansado pela manhã (ou seja, esteja obtendo um sono dito restaurador). O padrão de sono pode variar bastante no decorrer da vida, porém as pessoas com mais idade tendem a dormir menos horas durante a noite, mas tiram cochilos no decorrer do dia com maior frequência. O que o meu médico pode fazer para descobrir porquê eu não tenho dormido bem? O seu médico irá fazer perguntas a você ou ao seu parceiro sobre os seus hábitos de sono. Conte a seu médico os remédios que tem tomado, a quantidade de cafeína e álcool que ingere, se fuma e faz atividade física, se tem o hábito de roncar e se tem passado por momentos particularmente difíceis ou estressantes. Se a causa da insônia não for evidente, seu médico poderá pedir para você fazer um diário do seu sono, para ajudá-lo a entender melhor as possíveis causas de sua insônia. Como se trata a insônia? Depois de identificado e tratado o problema causador da insônia, em geral ela melhora. Em muitos casos apenas a higiene do sono pode ser a chave para o sucesso do tratamento. Pode ser também necessário mudar hábitos alimentares, alterar ou suspender certas medicações e evitar cochilos durante o dia. Estresse, cafeína, depressão, ansiedade, mudança de hábitos e dores podem causar insônia. O que eu posso fazer para dormir melhor? - Vá para a cama e acorde sempre nos mesmo horários, todos os dias (mesmo nos finais de semana). Isso ajudará a treinar o seu corpo a dormir melhor a noite. Adquira uma rotina antes do sono, como por exemplo, tomar um banho morno e ler durante 10 minutos. Em pouco tempo esta rotina o ajudará a pegar no sono. -Use o quarto apenas para dormir e fazer sexo. Não faça o hábito de comer, falar ao telephone e ver televisão enquanto estiver em sua cama. - Mantenha o quarto escuro e silencioso na hora de dormir. Se o barulho for um problema, tente usar um ventilador ou ar-condicionado para mascarar o som ou até mesmo usar um tapa-ouvidos. Se houver necessidade de dormir durante o dia, use uma máscara nos olhos. -Se você continuar acordada após 30 minutos em sua cama, levante-se e vá para outro ambiente da casa. Sente-se quietamente por cerca de 20 minutos, e volte a sua cama. Faça isso quantas vezes forem necessárias até conseguir cair no sono. - Evite ou reduza a quantidade de cafeína ( café, chás, refrigerantes e chocolate), remédios para resfriado, álcool e fumo. - Exercite-se com mais frequência (mas não menos que 3 horas antes de dormir). -Aprenda técnicas para reduzir o estresse do seu dia-a-dia (ioga, meditação). Remédios para dormir podem ajudar? Remédios para dormir podem ajudar algumas pessoas, mas não são uma "cura" , devem ser usados apenas por alguns dias e o seu uso prolongado pode fazer a insônia retornar. O uso de remédios para dormir pode ser perigoso para pessoas com certos problemas no coração e particularmente para idosos. Fale com o seu médico antes de tomar qualquer remédio para ajudá-lo a dormir. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101108/3dec9659/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 8 20:17:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 8 Nov 2010 20:17:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_Revolu=E7=E3o_Russa_e_a_m=EDdi?= =?iso-8859-1?q?a_brasileira?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A Revolução Russa e a imprensa brasileira Por Augusto Buonicore À Astrojildo Pereira As notícias da queda do tzarismo na Rússia foram recebidas com festa no Brasil. Nas comemorações que se seguiram, congraçaram-se burgueses e proletários, liberal-conservadores e anarquistas. Tal qual o fevereiro de 1848 na França, o fevereiro russo de 1917 foi a "revolução bela, a revolução da simpatia universal". Nos dois casos o povo havia se unido à burguesia para derrubar uma monarquia indesejável. Alguns meses depois a concórdia universal foi quebrada com a radicalização da luta de classes e a explosão de rebeliões operárias. No caso francês os operários foram derrotados - e a rebelião afogada em sangue -; no russo, a luta de classes terminou com a vitória dos operários sobre os seus oponentes, burgueses e latifundiários. No Brasil, entre fevereiro e outubro de 1917, os primeiros sinais das graves desavenças futuras podiam ser observados nas interpretações dadas em relação aos fatos e principais personagens da revolução ainda em curso. Kerenski - o chefe social-revolucionário de direita que participou desde o primeiro governo provisório -, pouco a pouco, foi se tornando o ídolo dos nossos republicanos burgueses. Estes o chamavam de Danton russo e herói da Nova Rússia democrática. A burguesia e os setores oligárquicos nada entenderam dos reais motivos que levaram àquele grande movimento revolucionário. Chegaram mesmo a afirmar que se tratava de uma rebelião contra as vacilações do tzarismo em relação a continuidade de sua participação na guerra imperialista. Ela teria sido a afirmação do espírito patriótico do povo russo, interessado em levar a guerra até o final sem nenhum acordo com a Alemanha. Assim, segundo eles, a queda do Tzar havia liberado energias para que o país continuasse no conflito mundial ao lado dos seus aliados da Entente, capitaneada pela Inglaterra, França e Estados Unidos. O liberal-conservador Rui Barbosa emprestou seu prestígio a essa tese infundada. Num discurso afirmou: "O Kaiser tem colaboradores no seio da nobreza russa, da dinastia russa, do exército russo. Generais, ministros, príncipes, trabalham envolvidos nessa teia, pela paz em separado e pelo abandono da aliança (com a Entente). A ação militar claudica, atravessam-se as operações, desastres inexplicáveis anulam o poder gigantesco das massas moscovitas (...) Até que um dia a sensibilidade nacional, advertida pelos rumores subterrâneos da traição, acorda a súbitos, uma força imprevista ergue da gleba o titão esmagado, o trono imperial desaparece e as prisões do Estado se fecham sobre os administradores, os magnatas, os generais amigos dos inimigos". Ele, como toda a imprensa burguesa e oligárquica, apenas tagarelava o que era reproduzido pelas agências noticiosas estrangeiras. O Evening Standart, por exemplo, estampou: "Essa revolução não foi nem anti-dinástica, nem anti-aristocrática. Foi puramente anti-alemã". O italiano Corriere della Sera por sua vez disse: "Os aliados, portanto, só tem a se alegrar com esse golpe desferido contra a Alemanha, o mais forte depois de Marne". Na mesma linha ia O Clarion do social-democrata inglês Hyndman: "A despeito das intrigas alemãs, não houve nenhuma tentativa de contra-revolução. A despeito de ofertas financeiras (...) nenhuma greve eclodiu nas fábricas de munição (...) os soldados não estão, como esperavam os inimigos da Rússia, amotinados contra seus oficiais. Os tolstoianos (entendidos com pacifistas) fracassaram completamente em sua tentativa de levar a Revolução a uma capitulação sem resistência ao inimigo". Num primeiro momento, homens como Rui Barbosa e Hyndman pareciam estar certos, pois o governo provisório dirigido pela burguesia liberal - e com participação minoritária dos socialistas reformistas - manteve todos os compromissos militares assumidos pelo tzarismo. Mas isto estava longe de representar os verdadeiros interesses das massas populares que haviam posto abaixo a dinastia dos Romanov. Os trabalhadores queriam que a Rússia saísse o quanto antes daquela guerra desastrosa. Uma das principais palavras de ordem dos revoltosos de fevereiro era, justamente, Paz! Os porta-vozes da guerra imperialista desconheciam - ou fingia desconhecer - este fato. Em abril, poucas semanas após a eclosão da revolução, uma nota do ministro de relações exteriores, afirmando o desejo governamental de manter a Rússia na guerra, levou a realização de grandes mobilizações populares. O resultado da crise de abril foi a renúncia do ministro e a constituição de um governo composto por uma maioria socialista reformista, dirigido pelo próprio Kerenski. Ele, apesar da crise, continuou conduzindo uma guerra cada dia mais impopular. Em julho o governo provisório resolveu realizar uma grande ofensiva militar, buscando insuflar o espírito patriótico e calar a oposição bolchevique. O tiro saiu pela culatra e os exércitos russos sofreram uma fragorosa derrota. Logo em seguida ocorreram grandes manifestações de rua e choques armados com as forças governistas. Os operários foram derrotados e se iniciou um breve período de recuo da revolução. Os líderes bolcheviques se exilaram ou foram presos. Lênin, um agente alemão? O nome de Lênin começou a aparecer na imprensa mundial - e brasileira - apenas depois da divulgação de suas Teses de Abril. Nelas ele conclamava o não-apoio ao governo provisório e defendia que o todo poder fosse entregue aos sovietes, um embrião do poder operário e popular formado na revolução de fevereiro. O Partido Bolchevique, chefiado por Lênin, era o principal defensor da idéia de que a Rússia deveria se retirar imediatamente da guerra. Tal proposta irritava profundamente os governos e as classes dominantes dos países aliados, entre os quais se incluía o Brasil. Em maio de 1917 já se podia se ler nos jornais brasileiros matérias como essas: "Em certos pontos trabalhadores dirigidos por agentes alemães, quiseram fazer demonstrações contra a guerra, os demais operários protestaram, travando-se conflitos de certa importância que exigiram a intervenção da polícia (...) O correspondente de um jornal norueguês (...) anunciou também que foi assassinado em Petrogrado, ontem de manhã, o socialista Lênin, apontado como agente alemão". (A Noite. 02/05/1017). Alguns dias depois o mesmo jornal reafirmaria a morte de Lênin "durante uma rusga entre operários e soldados". Possivelmente os jornais se referissem, de maneira distorcida, às grandes manifestações de massas contra o ministro de relações exteriores e à manutenção da guerra. A imprensa invertia os fatos. Depois dos acontecimentos de julho, um jornal brasileiro dava esta interessante descrição do líder dos bolcheviques: "dizem (...) que o verdadeiro nome de Lênin é Leão Ulianov e que ele pode ser considerado como chefe da espionagem alemã na Rússia, tendo gasto nos últimos meses vários milhões de rubros". (O combate - 25/07/1917) Os bolcheviques eram chamados pela imprensa brasileira e latino-americana, inclusive anarquista, de maximalistas. Alguns diziam que era porque defendiam o programa máximo, outros porque era maioria (bolchevique) no Partido Social-Democrata. Existiam ainda aqueles que - mal informados - acreditavam que o termo se devia ao fato de serem discípulos do famoso escritor russo Maximo Gorki. Jornais importantes, como o Correio da Manhã, não se furtavam de publicar coisas hilariantes como essa: "O célebre agitador Lênin faleceu em 1916 na Suíça e o falso Lênin que ultimamente tem agitado a Rússia não é outro senão um certo Zaberlun, antigo amigo de Lênin". Era comum referência a Lênin como sendo judeu - uma clara tentativa de relacionar a revolução russa com um suposto complô judaico internacional para conquistar o mundo. Em primeiro de outubro o jornal Época anunciou solenemente que Lênin finalmente havia sido preso pelo governo provisório. O mesmo artigo chamava o partido bolchevique de "partido anarquista". Sobre Lênin também podia se ler: "seu modo de vestir é dos mais descuidados (...) o que não impede de por, desde a revolução, diamantes nos botões de punho das camisas". A imprensa liberal lastimou profundamente a vitória dos bolcheviques, mas foi obrigada a anunciá-la. Nos primeiros dias que se seguiram a queda do governo provisório, as notícias começaram novamente a serem distorcidas. No dia 11 de novembro o jornal A noite anunciava prazeroso: "os cossacos, ajudados pelos minimalistas, estão prestes a dominarem os leninistas, com os quais têm travado batalhas nas ruas da capital". No dia seguinte afirmava o mesmo jornal: "Kerenski, à frente de 200 mil homens dedicados e apoiados pela grande maioria da população, como também pelo Exército e pelas organizações conservadoras, luta a estas horas contra os maximalistas nos arrabaldes de Petrogrado ou, talvez, dentro da própria capital russa. De Lênin e seus comparsas não há notícias, acreditando-se mesmo que já tenham procurado asilo em lugar seguro (...) Esperemos, com otimismo, o resultado da luta que se está travando, porque dela deve sair triunfante a boa causa que é a que defende Kerenski". Um dos principais jornais brasileiros, O País, afirmou: "O governo chefiado pelo Sr. Lênin reconheceu-se incapaz de deter as forças consideráveis de Kerenski". O Imparcial, por sua vez, estampou: "já não há dúvidas sobre a situação da Rússia: o sr. Kerenski dominará integralmente a desordem leninista". Continua ele: "Comunicações de fontes autorizadas aqui recebidas anunciam que o Sr. Kerenski, à frente de importantíssimas tropas, marcha sobre Petrogrado". No dia 13 de novembro A Noite deu detalhes dos combates: "o Sr. Kerenski sai uma vez mais triunfante dos seus inimigos. Nos arrabaldes e dentro da própria capital (...) travou-se uma batalha que terminou (...) com a derrota dos maximalistas. Estes já reconhecem, aliás, a sua perdição e procuram agora chegar a um acordo, que Kerenski repele integralmente, declarando que maximalistas depuseram as armas, dominando a cidade um outro comitê, formado pelo ex-presidente da Duma". O jornal anunciaria exultante que Kerenki havia entrado em Petrogrado e Lênin tinha sido preso. "É preciso que esta aventura seja exemplarmente castigada para que os comparsas de Lênin ou outros agitadores anarquistas, a serviço da Alemanha, não tenham vontade de repeti-la", pregava. Esses devaneios tomavam conta de toda imprensa oligárquico-burguesa. Em março de 1919, referindo-se as revoluções russa e alemã que ainda se desencadeava, declarou Rui Barbosa: "uma comoção tal, por mais horrenda que haja sido a guerra, vem a ser ainda cem vezes mais sinistra. Porque não é a fraternidade: é a inversão do ódio entre as classes. Não é o reconhecimento dos homens: é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho: bane Deus da alma e das reivindicações do povo. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanizaria a humanidade. Inverteria, subverteria a obra do Criador". Naquele mesmo momento a Rússia revolucionária estava resistindo bravamente aos ataques das potências imperialistas e dos exércitos brancos (contra-revolucionários). Estes seriam derrotados definitivamente em 1921. Mesmo depois de consolidado o poder soviético, a imprensa liberal continuou a caluniar a Rússia levantando contra ela todo tipo de acusações. Quando da grande fome que se abateu sobre aquele país no início da década de 1920 - fruto da seca e da guerra civil imposta pelas potências capitalistas - um jornal escreveu: "Ali os famintos desenterravam cadáveres para comer. Os adultos, famintos, invejavam as crianças alimentadas pela American Relief Administration, provocando casos freqüentes de canibalismo. Ainda, em Sâmara, a polícia fechou um restaurante que servia aos fregueses carne de crianças". Surgia assim a lenda, repetidas por décadas a fio, que os comunistas comiam criancinhas. Lima Barreto e Astrojildo Pereira contra a hipocrisia burguesa No Brasil também existiam aqueles, que ao contrário do conservador Rui Barbosa, admiravam a revolução russa e a obra dos bolcheviques. Um deles era o grande escritor negro Lima Barreto. Em novembro de 1918, ainda preso a um leito hospitalar, escreveu: "O que os jornais disseram (...) sobre o maximalismo e anarquismo, fez-me lembrar como os romanos resumiam, nos primeiros séculos da nossa era, o cristianismo nascente. Os cristãos, afirmavam eles categoricamente, devoram crianças e adoram um jumento. Mais ou menos isto, julgavam os senhores do mundo de uma religião que iria dominar todo aquele mundo por eles conhecidos e mais uma parte muito maior cuja existência nem suspeitavam (...) A teimosia dos burgueses só fará adiar a convulsão que será então pior: e que eles se lembrem, quando mandam cavilosamente atribuir propósitos iníquos aos seus inimigos, pelos jornais irresponsáveis; lembrem-se que, se dominam até hoje a sociedade, é às custas de muito sangue da nobreza que escorreu na guilhotina, em 1793, na Praça da Grève, em Paris. Atirem a primeira pedra" Entre nós, seriam os dirigentes do movimento operário que melhor entenderiam os acontecimentos russos daqueles anos turbulentos. O instinto de classe lhe dizia de qual lado deveria combater. Escolheram o lado dos conselhos de operários, soldados e camponeses contra o governo provisório de Kerenski. Naquele momento destacou-se a atuação do jornalista e, então, líder anarquista Astrojildo Pereira. Ele assumiu decididamente a defesa da revolução russa, enviando uma série de artigos para os principais jornais cariocas, assinando com o pseudônimo de Alex Pavel. A grande parte deles, é claro, não foi publicada e possivelmente acabou indo para o cesto de lixo de algum editor. Um pouco mais tarde, em 1918, estes artigos foram organizados e publicados sob o título "A Revolução Russa e a Imprensa". Este livreto cumpriu um papel importante no esclarecimento do movimento operário brasileiro. Logo no seu primeiro artigo escreveu: "Jamais se viu na imprensa do Rio tão comovedora unanimidade de vistas e de palavras, como, neste instante, a respeito da revolução russa. Infelizmente, tão comovedora quanto deplorável, essa unanimidade, toda afinada pelas mesmíssimas cordas da ignorância, da mentira e da calúnia. Saudada quando rebentou (...) a revolução russa é hoje objeto das maldições da nossa imprensa, que nela só vê fantasmas de espionagem alemã, bicho perigoso de não sei quantos milhões de cabeças e garras. Provavelmente os nossos jornais desejariam que se constituísse, na Rússia, sobre as ruínas do Império, uma flamante democracia de bacharéis e de negociantes, (...) como esta nossa, presidida pela sabedoria inconfundível do Sr. Venceslau". O anarquista Astrojildo Pereira defendeu o comunista Lênin das acusações que lhe eram feitas pela imprensa mundial. "Lênin, disse ele, é um velho socialista militante de mais de 20 anos, e como tal, ferozmente perseguido pela autocracia moscovita, mas sempre o mesmo homem de caráter indomável e intransigente (...) Como pode, pois entrar nos cascos de alguém que um homem destes, precisamente quando vê seus caros ideais em marcha, a concretizar-se, numa soberba floração de energia vital, vá vender-se a um governo estrangeiro? Lênin se quisesse vender-se algum dia, bastava esboçar o mais leve sinal e o governo de São Petersburgo rechear-lhe-ia os bolsos fartamente, vencendo pelo dinheiro o inimigo implacável (...) Os cascos do mais espesso jumento repelirão, por demasia, tais sandices". Em outra carta afirmou ele: "Os maximalistas que formam uma fração dos socialistas russos são, por sua natureza, especificamente inimigos de todos os governos monárquicos e plutocráticos, da Rússia e de fora da Rússia, portanto inimigos naturais dos governos de Berlim e de Viena (...) Ora, se isso é verdade (...) como conceber que os maximalistas sejam agentes alemães, agindo por influxo do marco prussiano, traidores da pátria e outras coisas não menos feias?". Alguns meses depois, comprovando estas opiniões, os "maximalistas" alemães ajudariam a derrubar os impérios, prussiano e autro-húngaro. Astrojildo conseguiu, apesar das poucas informações que dispunha, descrever com precisão o que ocorria na longínqua Rússia em julho de 1917: "Os dois núcleos orientadores do movimento, a Duma e o Comitê de Operários e Soldados, este surgido da própria revolução, logo tomaram posições antagônicas, terminado o primeiro golpe demolidor. A Duma vinda do antigo regime, pode dizer-se representa, em maioria, a burguesia moderada e democrática, ao passo que o Comitê de Operários e Soldados, composto de operários, representa o proletariado avançado, democrata, socialista e anarquista. A Duma deu o governo provisório e o primeiro ministério; o Comitê de Operários e Soldados derrubou o primeiro ministério, influiu poderosamente na formação do segundo e tem anulado quase por completo, senão de todo, a ação da Duma (...) A qual das duas forças está destinada a preponderância na reorganização da vida russa? O que se pode afirmar com certeza é que essa preponderância tem cabido, até agora, ao proletariado. E como o proletariado, cuja capacidade política já anulou o papel da Duma burguesa, está também com as armas na mão, não encontrando, pois, resistência séria aos seus desígnios, não muito longe da certeza andará que prever a sua contínua preponderância, até completa absorção de todos os ramos da vida nacional, extinguindo-se, de tal modo, num prazo mais ou menos largo, a divisão do povo russo em castas diversas e inimigas. E inútil é insistir na influência que tais acontecimentos exercerão no resto do mundo, na obra de reconstrução dos povos, cujos alicerces estão sendo abalados pelo fragor inaudito dos grandes canhões destruidores" Neste trecho magistral, ele demonstrou uma grande capacidade de análise política - virtude que o conduziria a ser um dos principais responsáveis pela fundação do Partido Comunista do Brasil em março de 1922. Por esse motivo, o nome de Astrojildo Pereira estará sempre entrelaçado com o da Revolução Russa em nosso país. Bibliografia Bandeira, Moniz e outros - O Ano Vermelho, Ed. Civilização Brasileira, RJ, 1967. Buonicore, Augusto - "Astrojildo e a gênese do comunismo no Brasil", In Vermelho. Ferro, Marc - O Ocidente diante da Revolução Soviética, ed. Brasiliense, SP, 1984 Koval, Boris - A grande revolução de outubro e a América Latina, Ed. Alfa-Omega, SP, 1980. Oliveira, J. R. Guedes de - Viva, Astrojildo Pereira, Fundação Astrojildo Pereira/Abaré, 2005 Pereira, Astrojildo - A formação do PCB (1922/1928) - Ed Prelo, Lisboa, 1976. Augusto Buonicore é historiador e mestre em ciência política pela Unicamp -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101108/e7a53e6e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25660 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101108/e7a53e6e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 8 20:20:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 8 Nov 2010 20:20:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Sete_de_novembro_vermelho=2E__L?= =?iso-8859-1?q?=EAnin_e_os_dilemas_da_Revolu=E7=E3o_Russa_de_1917_?= =?iso-8859-1?q?*?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Lênin e os dilemas da Revolução Russa de 1917 * Por Augusto César Buonicore** A essência da obra de Lênin, líder da Revolução Russa, precisa ser melhor conhecida. Isso porque seu pensamento dialético e avesso ao dogmatismo, muitas vezes, foi reduzido a fórmulas esquemáticas. Este artigo aborda a contribuição teórica de Lênin ao processo revolucionário russo entre fevereiro e outubro de 1917 e recupera aspectos menos conhecidos de sua elaboração política. A particularidade da revolução democrática na Rússia: o duplo poder Em fevereiro de 1917 o povo russo pôs abaixo a odiada autocracia czarista. Em seu lugar surgiu um governo provisório composto por setores da oposição liberal-burguesa e por correntes socialistas reformistas. Ao lado deste surgiu um outro poder, criado pela ação revolucionária das massas populares: os sovietes. Estava assim estabelecido um duplo poder. Desde o seu nascedouro o governo provisório deu sinais de que não poderia corresponder aos grandes acontecimentos que estavam sacudindo a Rússia. Por um lado, não se mostrava disposto a atender às principais reivindicações dos trabalhadores, que haviam sido a força decisiva na derrocada do czarismo. Não se comprometia com a decretação da paz, com a reforma agrária e nem mesmo com as bandeiras democráticas, como a convocação de uma assembléia nacional constituinte. E, por outro, os Sovietes dirigidos pelos social-revolucionários e mencheviques não estavam determinados a arrancar dele essas conquistas. A própria direção bolchevique vacilava em relação a que atitude tomar frente ao governo. Lênin, que estava exilado, mostrava muita preocupação com o desenvolvimento do processo revolucionário. Assim, escreveu cinco cartas analisando a situação política aberta após a revolução e expondo suas opiniões sobre qual devia ser uma tática justa naquela nova, e imprevista, situação. Estas seriam denominadas Cartas de Longe. Ele iniciou sua correspondência vaticinando: "Seguramente, esta primeira etapa não será a última de nossa revolução". "Ao lado deste governo (provisório), continuou ele, apareceu um governo operário (...) ainda, relativamente débil, que expressa os interesses do proletariado e de todos os elementos pobres da população da cidade e do campo. Este governo é dos Sovietes (...) Quem pretende que os operários devem apoiar ao novo governo em nome da luta contra a reação czarista (...) trai os operários, trai a causa do proletariado, a causa da paz e da liberdade. Porque, de fato, este novo governo já está atado de mãos e pés ao capital imperialismo, à política imperialista belicista, de rapina e já iniciou as transações (sem consultar ao povo) com a dinastia". E, concluiu, que aquele governo não podia dar ao povo "nem a paz, nem o pão, nem a liberdade". Em abril, Lênin chegou a uma Rússia ainda convulsionada e apresentou, pela primeira vez, a palavra de ordem revolucionária: "Todo o Poder aos Sovietes!". Nesse período também elaborou dois importantes documentos: Teses de Abril e As tarefas do proletariado na presente revolução. "Na Rússia", escreveu, "o poder de Estado passou para as mãos de uma nova classe, a saber, da burguesia e dos latifundiários que se tornaram burgueses. Desta forma a revolução democrático-burguesa está consumada (...) A característica principal de nossa revolução (...) é a duplicidade de poderes (...) Esta circunstância excepcionalmente original, sem precedente na história da humanidade, levou ao entrelaçamento de duas ditaduras: a ditadura da burguesia (...) e a ditadura do proletariado e dos camponeses (o Soviete de deputados operário e soldados)". Ele tinha plena consciência da instabilidade dessa situação e dos perigos, e possibilidades, que ela colocava diante do proletariado. "Não há sombra de dúvida", afirmou, "de que esse 'entrelaçamento' não está em condições de se sustentar por muito tempo. Não podem subsistir dois poderes num mesmo Estado. Um deles precisa desaparecer". No entanto, deixou claro não acreditar na possibilidade de implantação imediata do socialismo e haver a necessidade de um período de transição mais ou menos longo, dependendo de uma série de fatores objetivos e subjetivos. "Nossa tarefa imediata não é a 'introdução' do socialismo (...) O partido do proletariado não pode propor-se, de forma alguma, 'estabelecer' o socialismo num país de pequenos camponeses enquanto a grande maioria da população não tiver tomado consciência da necessidade da revolução socialista", escreveu. Ainda em abril escreveu o artigo Sobre a Dualidade de Poderes, no qual contestava aqueles que pretendiam derrubar imediatamente o governo provisório. O governo devia ser derrubado por ser oligárquico e burguês, mas isso não poderia ser realizado em curto prazo, pois ele ainda tinha apoio dos Sovietes e de parte significativa da população trabalhadora. O Comitê Central bolchevique de Petrogrado rejeitou as teses de Lênin. Na maioria dos comitês, a nova tática proposta foi recebida com desconfiança. A respeito das sucessivas derrotas sofridas, Sukhanov escreveu: "a massa do partido eleva-se contra Lênin para defender os princípios elementares do socialismo científico tradicional". Bogdanov comentou: "É um delírio, o delírio de um louco". Goldenberg afirmou irônico: "Durante muitos anos, o lugar de Bakhunin na revolução russa tinha estado vazio; agora, foi ocupado por Lênin". Kamenev, importante líder bolchevique, resistiu em publicar os artigos de Lênin. O primeiro deles acabou saindo em 7 de abril com o título Sobre os objetivos do proletariado na revolução atual. Alguns velhos bolcheviques estavam presos a esquemas enrijecidos. Ao contrário do que pensavam, não aplicavam as teses presentes em Duas táticas da social democracia na revolução democrática - escrita por Lênin em 1905 -, mas sim recuavam para a posição esquemática predominante na II Internacional, que encarava a revolução como uma sucessão de etapas rígidas, estanques, sem comunicação entre si. Segundo essa concepção, seria preciso um longo período de desenvolvimento capitalista, sob o domínio político burguês, para que se pudesse avançar a uma segunda etapa socialista. Tese rejeitada por Lênin desde 1905. Lênin, buscando novamente esclarecer suas reais posições, escreveu uma série de cartas. A primeira intitula-se Análise da situação atual. Nela, defendeu a justeza da estratégia e da tática bolcheviques aplicadas até a revolução de fevereiro. "Desde a revolução", escreveu, "o poder está nas mãos de uma classe diferente, uma classe nova, isto é, a burguesia (...). A este nível, a revolução burguesa, ou democrático-burguesa, está concluída (...). As palavras de ordem e idéias bolchevistas, no seu todo, têm sido confirmadas pela história; mas, concretamente, as coisas resultaram de forma diferente; são mais originais, mais peculiares, mais variadas do que se podia ter esperado (...) 'A ditadura revolucionária e democrática do proletariado e campesinato' já se tornou uma realidade". No entanto, "temos lado a lado, coexistindo simultaneamente, a regra burguesa (...) e uma ditadura revolucionária e democrática do proletariado e campesinato que vai cedendo voluntariamente poder à burguesia, tornando-se voluntariamente um apêndice da burguesia". E concluiu: "Este fato não se enquadra nos velhos esquemas". Novamente se defendeu da acusação de querer saltar etapas na revolução: "não estamos correndo o risco de cair no subjetivismo, de querer chegar à revolução socialista 'saltando' sobre a revolução democrático-burguesa - que ainda não está concluída (...)? Eu poderia incorrer neste erro se dissesse: 'Não ao czar, sim a um governo operário'. Mas, eu não disse isso (...). Afirmei que não pode haver outro governo (exceto um governo burguês) na Rússia que não seja o dos Sovietes de Deputados operários, trabalhadores rurais, soldados e camponeses (...). E nestes Sovietes (...) são os camponeses, os soldados, isto é, a pequena-burguesia, que tem preponderância, para usar um termo científico, marxista, uma caracterização classista (...). Nas minhas teses, precavi-me seguramente a fim de não saltar sobre o movimento camponês (...) ou sobre o movimento pequeno burguês em geral, precavi-me contra qualquer brincadeira de 'tomada do poder' por um governo operário, contra qualquer tipo de aventureirismo blanquista (...). O controle sobre a banca, a fusão de todos os bancos num só, não é ainda socialismo, mas passos rumo ao socialismo". O "desenvolvimento pacífico da revolução" e o problema da transição ao socialismo Lênin passou os meses seguintes, pacientemente, esclarecendo suas posições para o conjunto da militância partidária. A crise político-revolucionária recrudesceu com as sucessivas derrotas militares russas e Lênin conseguiu enfim impor sua posição ao conjunto do Partido. No dia 18 de abril o ministro de negócios estrangeiros do governo provisório lançou uma nota acintosa afirmando que "o povo desejava continuar a guerra até à vitória total". Dois dias depois mais de 100 mil manifestantes saíram às ruas contra essa declaração. Um grupo de bolcheviques chegou a levantar a palavra-de-ordem "abaixo o governo provisório!". Isto contrariava frontalmente a tática apregoada por Lênin. Escreveu ele: "Dissemos que a palavra de ordem 'Abaixo o governo provisório!' era aventureira, que agora não se podia derrubar o governo e, por isso, lançamos a palavra de ordem de manifestação pacífica. Só queríamos fazer um reconhecimento pacífico das forças do inimigo, sem lhe dar combate, mas o Comitê de Petersburgo virou um pouco mais para a esquerda, o que neste caso é, naturalmente, um gravíssimo crime (...) No momento da ação era despropositado ir 'um pouco mais para esquerda'". Imediatamente o governo e as forças conservadoras acusaram os bolcheviques de serem agentes do governo alemão. A onda reacionária foi tão forte que levou à efetuação de um amplo acordo no interior dos Sovietes: os bolcheviques lançariam uma nota desmentindo as acusações e a direção dos Sovietes exigiria a retirada da nota do ministro. O incidente acarretou sua demissão do ministério. Esta foi a primeira grave crise do governo provisório. Lênin criticou a vacilação da direção dos Sovietes que poderia ter se aproveitado da crise para exigir que todo o poder fosse transferido para ela e assim conduzir a revolução por um caminho menos traumático, através da constituição de um governo efetivamente operário e popular ainda que sob hegemonia dos mencheviques e social-revolucionários. Na 7ª Conferência dos bolcheviques, iniciada em 24 de abril, as posições de Lênin foram vitoriosas. Ratificou-se a tática de "desenvolvimento pacífico da revolução", expressa na palavra-de-ordem "Todo poder aos Sovietes!". Rejeitou-se também a consigna "Abaixo o governo provisório!". Outro ponto de divergência era quanto à existência ou não de uma fase de transição na revolução russa, que conduziria ao socialismo. Neste ponto Lênin condenou, novamente, a tese que afirmava ser preciso passar diretamente para o socialismo, sem etapas intermediárias - sem nenhum processo de transição.Lênin criticou também a vacilação da direção dos Sovietes que poderia ter se aproveitado da crise para exigir que todo o poder fosse transferido para ela e assim conduzir a revolução por um caminho menos traumático, através da constituição de um governo efetivamente operário e popular A resolução aprovada afirmava: "o proletariado da Rússia que atua num dos países mais atrasados da Europa, no meio de uma imensa população de pequenos camponeses, não pode propor-se como fim a realização imediata de transformações socialistas". E, em seguida, apresentou o programa desta "transição ao socialismo" na Rússia pós-fevereiro: nacionalização da terra, o controle do Estado sobre os bancos - e a sua fusão num banco central único -, controle sobre os maiores consórcios capitalistas, sistema mais justo de impostos progressivos sobre rendimentos e bens. Mesmo na aplicação dess medidas, ainda não socialistas, seria necessário "uma extraordinária prudência e precaução", pois seria preciso "conquistar uma sólida maioria da população e conseguir a sua convicção consciente na preparação prática desta ou daquela medida". A ofensiva reacionária e o fim do desenvolvimento pacífico No final de junho a situação se tornou desesperadora após sucessivas derrotas do exército russo. A mortandade nos campos de batalha e a fome adubaram o solo da revolução. Finalmente alguns regimentos decidiram pôr abaixo o governo provisório. Os bolcheviques desaconselharam a rebelião, afirmando que as condições ainda não estavam maduras. No entanto, a situação havia fugido do controle. Os operários também estavam agitados e aderiram ao movimento. Não podendo impedi-lo, sob pena de se isolar das massas avançadas, decidiram participar transformando-o numa manifestação pacífica - evitando assim provocações desnecessárias. Entre 3 e 4 de julho ocorreram manifestações de caráter revolucionário que reuniram cerca de 500 mil pessoas. O movimento foi reprimido à bala pelo governo de Kerensky. Nos choques morreram centenas de pessoas. As forças conservadoras não perderam tempo e passaram à ofensiva contra os bolcheviques. Lênin foi obrigado a se refugiar na Finlândia. Os jornais bolcheviques foram fechados e o Partido passou para a clandestinidade. Temerosa, a direção dos Sovietes capitulou. O duplo poder se esvaiu. O único poder passou a ser o governo provisório e este rapidamente se transmutou num regime assentado nas forças militares reacionárias. A revolução passava, segundo Lênin, por mais uma "viragem histórica" que exigia uma nova tática. Lênin escreveu: "Todas as esperanças de um desenvolvimento pacífico da revolução russa se desvaneceram definitivamente. A situação é esta: ou a vitória da ditadura militar ou a vitória da insurreição armada dos operários (...). A palavra de ordem da passagem de todo o poder aos Sovietes foi a palavra de ordem do desenvolvimento pacífico da revolução possível em abril, em maio, em junho e até 5-9 de julho, isto é, até o poder passar de fato para as mãos da ditadura militar". No artigo A propósito das palavras de ordem, escrito poucos dias depois da vitória da contra-revolução, Lênin voltou ao tema: "A palavra de ordem de passagem de todo poder aos sovietes foi justa durante o período passado de nossa revolução" no qual "reinava a chamada 'dualidade de poder' (...). Eis o que garantia a via pacífica de desenvolvimento (...). E isto teria sido o mais fácil, o mais vantajoso para o povo. Tal caminho seria o mais indolor e por isso mesmo era preciso lutar por ele com toda energia (...). A via pacífica do desenvolvimento da revolução foi tornada impossível. Começou a via não-pacífica, a mais dolorosa". Assim, os bolcheviques abandonaram a consigna "todo poder aos sovietes!" e a insurreição entrou na ordem do dia. Aqui cabe uma advertência: o denominado "desenvolvimento pacífico da revolução", apregoado por Lênin, não tinha nenhuma relação com a tese de "via pacífica para o socialismo", defendida pelas correntes reformistas. Não se confundia com a gradual conquista do poder através da institucionalidade democrático-burguesa. O pressuposto de Lênin era a existência de um duplo poder, no qual o poder operário e popular possuía força política, moral e militar reais. Era preciso construir e fortalecer uma outra institucionalidade mais avançada e mais democrática de caráter operário e popular. Derrotados os bolcheviques, a reação burguesa voltou-se contra os Sovietes e o governo provisório. O general Kornilov, comandante-em-chefe do exército, exigiu a dissolução imediata dos Sovietes. Não conseguindo seu intento, em 25 de agosto, lançou seu exército contra Petrogrado. Constituiu-se então um vigoroso movimento de resistência dirigido pelos bolcheviques. Kornilov foi rapidamente derrotado e preso. O governo de Kerensky se enfraqueceu e os bolcheviques adquiriram grande autoridade moral e política. O crescimento do Partido bolchevique foi assustador e ele passou a dirigir os Sovietes de Petrogrado e de Moscou. Lênin constatou uma nova "viragem histórica" no processo revolucionário e propôs uma alteração na tática - retomando a linha do "desenvolvimento pacífico". Os compromissos e as novas perspectivas do "desenvolvimento pacífico" Em primeiro de setembro Lênin escreveu o artigo Sobre os compromissos. Nele afirmou: "A idéia corrente que o homem de rua tem dos bolcheviques, encorajada por uma imprensa que os calunia, é de que os bolcheviques nunca concordarão com um compromisso com ninguém (...). Contudo, devemos afirmar que esta é uma idéia errada (...). A Revolução Russa está a experimentar uma viragem tão abrupta e original que nós, como partido, podemos conceder um compromisso voluntário (...) com os nossos adversários mais próximos, os partidos pequeno-burgueses 'dominantes', os socialistas revolucionários e os mencheviques". Continuou ele: "O compromisso da nossa parte é o nosso regresso à exigência de antes de julho de todo poder aos Sovietes e um governo de social-revolucionários e mencheviques responsável perante ele (...), tal governo poderia ser instalado e consolidado de um modo perfeitamente pacífico (...) e proporcionar fortes possibilidades para grandes progressos nos movimentos mundiais pela a paz e vitória do socialismo (...) uma oportunidade extremamente rara na história e extremamente valiosa (...). O compromisso equivaleria ao seguinte: os bolcheviques, sem fazerem qualquer exigência de participação no governo (...) abster-se-iam de exigir a transferência imediata do poder para o proletariado e camponeses pobres e de empregar métodos revolucionários de luta por essa exigência. Uma condição evidente (...) consistiria na liberdade completa para propaganda e convocação da Assembléia Constituinte sem mais demora". Mas concluiu: "Talvez isto já seja impossível? Talvez. Mas se ainda houver uma probabilidade em cem, o esforço para concretização desta oportunidade ainda valerá a pena". A hora da insurreição armada Infelizmente, poucos dias depois essa situação propícia para uma transição pacífica ao socialismo já havia passado. Os mencheviques e os social-revolucionários não acataram a proposta dos bolcheviques, criando novamente um impasse no processo revolucionário. Lênin chegou a conclusão de que a insurreição armada estava novamente na ordem do dia. Esta posição sofreu uma dura oposição. Numa reunião do Comitê Central, em 15 de setembro, a proposta de Lênin não conseguiu ser aprovada e ele resolveu abandonar o exílio. Em outubro já estava em solo russo e em outra reunião do Comitê Central bolchevique, ocorrida no dia 10 de outubro, suas posições saíram vitoriosas. Abriu-se, então, a polêmica sobre a data da insurreição e quem a dirigiria. Para Trotsky ela deveria ser comandada pela direção do congresso dos Sovietes. Lênin defendeu que não se devia esperar, mas sim colocar a tomada do poder como fato consumado ao congresso e entregar-lhe o poder. O impasse continuou até o dia 16 de outubro, quando uma nova reunião decidiu pelas posições de Lênin. Em sete de novembro, coincidindo com a abertura do II Congresso dos Sovietes, os bolcheviques tomaram o poder em nome do proletariado revolucionário. Mais tarde ele diria que havia sido mais fácil tomar o poder na Rússia do que dar os primeiros passos na construção da nova sociedade socialista. Bibliografia Bambirra, Vânia e Santos, Theotonio dos. La estrategia y la táctica socialistas de Marx y Engels a Lenin, Ediciones Era, México, 1981. Cruz, Humberto M. da. Lenine e o Partido Bolchevique, Seara Nova, Lisboa, 1976. Harnecker, Marta. Estratégia e Tática, Expressão Popular, São Paulo, 2004. Instituto de Marxismo-Leninismo/PCUS, Lenine: Biografia, Lisboa-Moscou, 1984. Gruppi, Luciano. O pensamento de Lênin, Graal, Rio de Janeiro, 1979. Lênin, V. I. Obras escolhidas. Volume 2, Alfa-Omega, São Paulo, 1980. ________. Cartas sobre táctica. Editorial Estampa, Lisboa, 1978. ________. Cartas desde lejos. Editorial Progresso, Moscou, 1980. ________. Teses de abril, Acadêmica, São Paulo, 1987. * Artigo publicado na revista Princípios 92, OUT/NOV, 2007 **Augusto Buonicore é historiador e membro da Comissão Editorial de Princípios. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101108/a0263641/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 56701 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101108/a0263641/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 9 20:14:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 9 Nov 2010 20:14:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Peti=E7=E3o_por_Jo=E3o_C=E2ndido?= =?iso-8859-1?q?=2C_l=EDder_da_Revolta_da_Chibata_de_1910=2C?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Petição por João Cândido, líder da Revolta da Chibata de 1910, Por favor ajude a divulgar o abaixo-assinado «Manifesto de apoio à Indenização reparatória, "POST MORTEM", POR PARTE DO GOVENO BRASILEIRO AO MARINHEIRO DE 1ª CLASSE JOÃO CÂNDIDO FELISBERTO, ( O ALMIRANTE NEGRO )». A melhor maneira de o fazer é informar seus amigos que ele existe. http://www.peticaopublica.com.br/?pi=JCF2010 Eu concordo com este abaixo-assinado e acho que você também pode concordar. Assine o abaixo-assinado e divulgue para seus contatos. Vamos juntos fazer democracia! Obrigado, Araken Vaz Galvão Vanderley Caixe ------------------------------------------------------------------------------------- Uma nota sua no email que envia a seus amigos pode fazer a diferença para um abaixo-assinado de sucesso. Todos devemos ajudar a promover o abaixo-assinado, e agora é sua vez. O poder da Internet está em suas mãos! Cumprimentos, PeticaoPublica.com.br -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101109/f4272e0c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 9 20:15:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 9 Nov 2010 20:15:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite=3A_F=F3rum_de_Debates_com?= =?iso-8859-1?q?_Frei_Betto_no_Sindicato_dos_Jornalistas_Profission?= =?iso-8859-1?q?ais_de_Minas_Gerais?= References: Message-ID: <60345AAEFBEC4EED8DE82417293F4A2A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem _________________________________________________________________________________________________________ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101109/5926975b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 10 18:47:25 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 10 Nov 2010 18:47:25 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__convite_lan=E7amento_document=E1?= =?iso-8859-1?q?rios_-_participem_e_divulguem!__DIA_13_DE_NOVEMBRO_?= =?iso-8859-1?q?=C0S_16HS_NO_mUSEU_DA_iMAGEM_E_DO_SOM_-_MIS_-_CAMPI?= =?iso-8859-1?q?NAS_-_SP?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Camaradas Compareçam, divulguem e tragam os amigos! A atividade é no MIS-Campinas. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101110/433bfb75/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 56269 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101110/433bfb75/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 64910 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101110/433bfb75/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 11 19:39:59 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 11 Nov 2010 19:39:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pauta_m=EDnima_desafiante?= Message-ID: <0F3E0A033D714117A7D6BC8947545F8D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Correio da Cidadania Pauta mínima desafiante Escrito por Wladimir Pomar As eleições de 2010 não tiveram o debate político como seu forte. No entanto, as discussões políticas sobre o futuro se avolumam e apresentam uma pauta desafiante a ser enfrentada pelo governo Dilma, pelo PT e, em geral, pela esquerda. O governo Dilma terá que ser diferente do governo Lula. Ser uma simples continuidade do governo que sucede significaria prostrar-se diante dos limites que adversários e alguns aliados pretendem impor a governos democráticos e populares. O que seria um desastre para o desenvolvimento dessas experiências inusitadas da história brasileira. O governo Dilma só pode ter sucesso se for muito além dos avanços do governo Lula. Pode e deve tomá-los como suporte, mas terá de considerar diferentes tanto os problemas herdados quanto os emergentes. Queira ou não, sua pauta terá que partir dessa constatação, porque a realidade é sempre mais forte do que os desejos. Entre tais problemas, ganhou destaque, legitimidade e prioridade ainda maiores a questão social. O populismo praticado por Serra foi o reconhecimento do peso político que essa questão tem hoje no país. A derrota do candidato da direita foi, em grande parte, resultado da consciência do eleitorado quanto à falsidade de seu populismo, ao comparar os governos FHC e Lula. Assim, mais do que o governo Lula, o governo Dilma terá que operar medidas que avancem na solução das questões sociais. Não pode limitar-se à educação e à saúde. Precisará avançar na solução do saneamento, transportes públicos e moradias, aproveitando os eventos internacionais a serem realizados no Brasil. Precisará alcançar o pleno emprego, seja através do desenvolvimento industrial, seja através das demandas de aumento substancial da produção agrícola, para assentar os milhares de trabalhadores que não têm terra para trabalhar. O mesmo é verdade para o combate à corrupção. Se esta já era uma questão constrangedora da sociedade brasileira, ela se tornou ainda mais virulenta com o processo de globalização e um perigo constante para um governo que pretende avançar na ampliação democrática e no benefício das grandes camadas populares. Será necessário avançar ainda mais na legislação que pune corruptos e corruptores e não vacilar em afastar aqueles que, mesmo estando no governo, no PT ou na esquerda, cometem atos dessa natureza. O governo Dilma também se verá compelido a combinar, de forma ainda mais consciente, os processos aparentemente antagônicos de desenvolvimento econômico e social e de proteção ambiental, através da solução das questões fundiária, do zoneamento agrícola e do zoneamento florestal. O que demandará uma revisão mais profunda do Código Florestal, em tramitação no Congresso. A questão nacional e as relações internacionais multipolares continuarão sendo um tema estratégico de primeira grandeza para o governo Dilma. Diante de um quadro cada vez mais complexo, em virtude da crise mundial do capitalismo, precisará reafirmar a soberania e a independência, ao mesmo tempo em que deverá se esforçar para manter relações pacíficas com todas as nações, independentemente de seu regime político, tendo os interesses nacionais do Brasil em primeiro lugar. A ampliação da democracia, abrindo cada vez mais espaços para as grandes camadas sociais da população brasileira, e tendo em conta sua opção de solucionar seus problemas através do voto, continuará sendo crucial para o sucesso do novo governo. O que demanda enfrentar a realização da reforma política, sem deixar de levar em conta que os projetos alternativos de sociedade e a disputa entre classes continuam presentes na sociedade brasileira. Cada setor social tem seu próprio projeto classista, independentemente da forma como o apresenta. Portanto, detectar como a disputa entre os diferentes projetos se expressa será fundamental para a estratégia de desenvolver as forças produtivas, gerar riqueza e recompor a força social da classe dos trabalhadores assalariados. O governo Dilma, da mesma forma que o governo Lula, terá que administrar as contradições do processo em que coexistem diferentes formas de propriedade, e em que a redistribuição de renda passou a ser um componente essencial, tanto de unidade, quanto das disputas entre classes. E é nesse contexto que terá que ser enfrentada a reforma tributária. Além disso, essas questões estratégicas deverão ser influenciadas por problemas emergenciais de diferentes tipos, a exemplo do câmbio e da reforma da previdência. O problema cambial é imediato e carrega grande perigo para o crescimento econômico e o desenvolvimento social. Os Estados Unidos ingressaram numa política de desvalorização cambial comandada pelo Estado, no rumo contrário do câmbio flutuante que exigem para os demais países, enquanto o governo brasileiro continua engajado nesse tipo de câmbio. Em algum momento, para evitar a necessidade de uma maxidesvalorização, o governo brasileiro terá que adotar mudanças que garantam a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. O problema cambial, assim como os demais problemas emergentes, se refletirá no comportamento dos partidos, inclusive dos aliados do governo. Nesse sentido, o governo Dilma terá sempre de trabalhar para obter maioria em seus projetos no Congresso, em especial aqueles que podem beneficiar as camadas populares e a nação, em detrimento de alguns interesses econômicos e sociais da burguesia. Terá que praticar constantemente o método de unidade e de luta no seio da coalizão governamental, tendo sempre as questões sociais e nacionais como parâmetros principais. Supor que contará eternamente com os votos de todos os parlamentares da chamada base aliada não passa de um sonho. A pauta mínima, tanto para o governo Dilma quanto para o PT e a esquerda em geral, exige que as lições das eleições de 2010 sejam tomadas na devida conta, partindo da constatação de que a direita no Brasil, mesmo travestida de social-democrata, se tornou ainda mais conservadora e reacionária. A ação dessa direita sobre cada um dos itens dessa pauta será no sentido de abrir brechas na coalizão governamental, paralisar o governo diante de reais ou fictícios deslizes, desacreditá-lo frente às grandes massas da população e, mesmo, impor saídas extra-constitucionais para liquidar uma experiência que, apesar de lenta, aponta na direção de as camadas populares se transformarem em reais participantes na história. O que se torna cada vez mais inconcebível para uma burguesia que reinava sozinha. Wladimir Pomar é escritor e analista político. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101111/8c0eefad/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 12 19:24:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Nov 2010 19:24:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Saiba_como_as_Elites_fabricam_seus_pr?= =?utf-8?b?w7NwcmlvcyAib3BvbmVudGVzIiAuIC4gLg==?= Message-ID: .Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: izaias almada . .----- Original Message ----- From: ARTHUR GONCALVES FILHO . . . A fabricação da dissidência por Michel Chossudovsky [*] "Tudo aquilo que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de "tornar o mundo seguro para o capitalismo, diminuindo as tensões sociais ao ajudar a socorrer os angustiados, a proporcionar válvulas de segurança aos raivosos e a melhorar o funcionamento do governo" (McGeorge Bundy, conselheiro de Segurança Nacional dos Presidentes John F. Kennedy e Lyndon Johnson (1961-1966) e Presidente da Fundação Ford (1966-1979). "Ao pôr os fundos e o enquadramento político à disposição de muita gente preocupada e dedicada que trabalha no sector não lucrativo, a classe dirigente pode ir buscar líderes às comunidades de base,? e pode tornar o financiamento, a contabilidade e os componentes de avaliação do trabalho tão demorado e oneroso que o trabalho de justiça social é praticamente impossível nessas condições" (Paul Kivel, You Call this Democracy, Who Benefits, Who Pays and Who Really Decides, 2004, p. 122 ) "Na Nova Ordem Mundial, o ritual de convidar líderes da "sociedade civil" para os círculos interiores do poder ? enquanto simultaneamente reprime os cidadãos comuns ? satisfaz diversas funções importantes. Primeiro, diz ao Mundo que os críticos da globalização "têm que fazer concessões" para ganharem o direito de se misturar. Segundo, transmite a ilusão de que, embora as elites globais devam ? no que eufemísticamente se chama democracia - estar sujeitas à crítica, governam legitimamente. E terceiro, diz "não há alternativa" à globalização: não é possível uma mudança radical e o mais que podemos esperar é negociar com esses governantes um ineficaz "dar e receber". Mesmo que os "Globalizadores" possam adoptar algumas frases progressistas para demonstrar que têm boas intenções, os seus objectivos fundamentais não são contestados. E o que esta "miscelânea da sociedade civil" faz é reforçar o coio da instituição empresarial, ao mesmo tempo que enfraquece e divide o movimento de protesto. A compreensão deste processo de cooptação é importante, porque dezenas de milhares dos jovens mais íntegros em Seattle, Praga e Quebec [1999-2001] estão envolvidos nos protestos anti-globalização porque rejeitam a noção de que o dinheiro é tudo, porque rejeitam o empobrecimento de milhões e a destruição da Terra frágil para que alguns fiquem mais ricos. Esta arraia-miúda e também alguns dos seus líderes merecem ser aplaudidos. Mas é preciso ir mais longe. É preciso contestar o direito dos "Globalizadores" a governar. Para isso é necessário repensar a estratégia do protesto. Poderemos mudar para um nível superior, desencadeando movimentos de massas nos nossos respectivos países, movimentos que transmitam a mensagem do que a globalização está a fazer às populações? Porque são eles a força que tem que ser mobilizada para contestar aqueles que pilham o Globo". (Michel Chossudovsky, The Quebec Wall, Abril 2001) A expressão "fabrico do consenso" foi inicialmente cunhada por Edward S Herman and Noam Chomsky. O "fabrico do consenso" descreve um modelo de propaganda usado pelos meios de comunicação corporativos para manipular a opinião pública e "inculcar valores e crenças nos indivíduos?" Os meios de comunicação de massas servem como um sistema de comunicação de mensagens e símbolos à arraia-miúda. É sua função divertir, entreter e informar, e inculcar nos indivíduos valores, crenças e códigos de comportamento que os integrarão nas estruturas institucionais da sociedade mais ampla. Para cumprir este papel num mundo de riqueza concentrada e de importantes conflitos de interesses de classe, é necessário uma propaganda sistemática. (Manufacturing Consent por Edward S. Herman e Noam Chomsky) O "fabrico do consenso" implica a manipulação e a modelação da opinião pública. Institui a conformidade e a aceitação à autoridade e à hierarquia social. Procura a obediência a uma ordem social instituída. O "fabrico do consenso" descreve a submissão da opinião pública à narrativa dos meios de comunicação predominantes, às suas mentiras e maquinações. "O fabrico da dissidência" Neste artigo, concentramo-nos num conceito relacionado, ou seja, o processo de "fabrico da dissidência" (em vez do "consenso") que desempenha um papel decisivo ao serviço dos interesses da classe dirigente. No capitalismo contemporâneo, tem que se manter a ilusão da democracia. É do interesse das elites corporativas aceitar a dissidência e o protesto como uma característica do sistema tanto mais que não ameaçam a ordem social instituída. O objectivo não é reprimir os dissidentes mas, pelo contrário, modelar e moldar o movimento de protesto, estabelecer os limites exteriores da dissidência. Para manter a sua legitimidade, as elites económicas favorecem formas de oposição limitadas e controladas, com vista a impedir o desenvolvimento de formas radicais de protesto, que podiam abalar as fundações e as instituições do capitalismo global. Por outras palavras, o "fabrico da dissidência" funciona como uma "válvula de segurança" que protege e sustenta a Nova Ordem Mundial. Mas, para ser eficaz, o processo do "fabrico da dissidência" tem que ser cuidadosamente regulado e monitorizado por aqueles que são o alvo do movimento de protesto. "Financiar a dissidência" Como é que se consegue fabricar a dissidência? Essencialmente, "financiando a dissidência", nomeadamente canalizando recursos financeiros daqueles que são o objecto do movimento de protesto para aqueles que estão envolvidos na organização do movimento de protesto. A cooptação não se limita a comprar os favores de políticos. As elites económicas ? que controlam importantes fundações ? também fiscalizam o financiamento de inúmeras Organizações Não Governamentais (ONGs) e organizações da sociedade civil, que historicamente têm estado envolvidas no movimento de protesto contra a ordem económica e social instituída. Os programas de muitas ONGs e movimentos populares dependem fortemente de financiamentos de organismos públicos ou privados, incluindo as fundações Ford, Rockefeller, McCarthy, entre outras. O movimento anti-globalização opõe-se a Wall Street e aos gigantes petrolíferos do Texas controlados por Rockefeller e outros. Mas as fundações e os organismos caritativos de Rockefeller e outros financiam generosamente redes progressistas anti-capitalistas assim como os ambientalistas (que se opõem ao Grande Petróleo) com vista a vir a fiscalizar e a modelar as suas diversas actividades. Os mecanismos do "fabrico da dissidência" exigem um ambiente manipulador, um processo de braço de ferro e uma subtil cooptação de indivíduos do interior de organizações progressistas, incluindo coligações anti-guerra, ambientalistas e o movimento anti-globalização. Enquanto que os meios de comunicação "fabricam o consenso", as elites corporativas utilizam a complexa rede de ONGs (incluindo segmentos dos meios de comunicação alternativos) para moldar e manipular o movimento de protesto. Na sequência da desregulamentação do sistema financeiro global nos anos 90 e do rápido enriquecimento da instituição financeira, o financiamento através de fundações e instituições caritativas disparou. Ironicamente, parte dos ganhos financeiros fraudulentos de Wall Street nos últimos anos foram reciclados para fundações e instituições caritativas livres de impostos das elites. Estes ganhos financeiros inesperados não só foram usados para comprar políticos, como também foram canalizados para ONGs, institutos de investigação, centros comunitários, igrejas, ambientalistas, meios de comunicação alternativos, grupos de direitos humanos, etc. O "fabrico da dissidência" também se aplica à "esquerda corporativa" e aos "meios de comunicação progressistas" financiados por ONGs ou directamente pelas fundações. O objectivo encoberto é "fabricar a dissidência" e estabelecer as fronteiras duma oposição "politicamente correcta". Por sua vez, muitas ONGs são infiltradas por informadores que actuam frequentemente por conta dos organismos de informações ocidentais. Além disso, um segmento cada vez maior dos meios noticiosos progressistas alternativos na internet passou a ficar dependente do financiamento de fundações corporativas e de organizações caritativas. Activismo fragmentado O objectivo das elites corporativas tem sido fragmentar o movimento popular num enorme mosaico "faça você mesmo". A guerra e a globalização já não estão na linha da frente do activismo da sociedade civil. O activismo tem tendência para se fragmentar. Não há um movimento anti-guerra e anti-globalização integrado. A crise económica não está a ser vista como tendo uma relação com a guerra liderada pelos EU. A dissidência foi compartimentalizada. São encorajados e generosamente financiados movimentos de protesto separados "orientados por assuntos" (por ex. ambiente, antiglobalização, paz, direitos das mulheres, alteração climática), em oposição a um movimento de massas coeso. Este mosaico já era prevalecente na manifestação contra as cimeiras G7 e nas Cimeiras Populares dos anos 90. O movimento anti-globalização A contra cimeira Seattle 1999 é invariavelmente considerada como um triunfo para o movimento anti-globalização: "uma coligação histórica de activistas fez encerrar a cimeira da Organização Mundial do Comércio em Seattle, a faísca que incendiou um movimento global anti-empresas". (Ver Naomi Klein, Copenhagen: Seattle Grows Up, The Nation, 13 de Novembro, 2009). Seattle foi de facto um marco importante na história do movimento de massas. Mais de 50 000 pessoas de diversas origens, organizações da sociedade civil, dos direitos humanos, sindicatos de trabalhadores, ambientalistas juntaram-se com um objectivo comum. O seu objectivo era desmantelar à força a agenda neoliberal incluindo a sua base institucional. Mas Seattle é também um marco de uma viragem importante. Com a escalada da dissidência por parte de todos os sectores da sociedade, a Cimeira oficial da Organização Mundial do Comércio (OMC) precisava desesperadamente da participação simbólica dos líderes da sociedade civil "por dentro", para dar exteriormente o aspecto de ser "democrática". Embora tenham convergido milhares de pessoas a Seattle, o que se passou nos bastidores foi na verdade uma vitória para o neoliberalismo. Um punhado de organizações da sociedade civil, formalmente opostas à OMC contribuiu para legitimar a arquitectura comercial global da OMC. Em vez de contestar a OMC como um órgão intergovernamental ilegal, aceitaram um diálogo pré-cimeira com a OMC e os governos ocidentais. "Participantes acreditados das ONG foram convidados a participar num ambiente amistoso com embaixadores, ministros do comércio e magnatas de Wall Street em vários dos eventos oficiais, incluindo os numerosos cocktails e recepções". (Michel Chossudovsky, Seattle and Beyond: Disarming the New World Order , Covert Action Quarterly, Novembro 1999, Ver Ten Years Ago: "Manufacturing Dissent" in Seattle). A agenda oculta era enfraquecer e dividir os movimentos de protesto e orientar o movimento anti-globalização para áreas que não ameaçassem directamente os interesses da instituição dos negócios. Financiado por fundações privadas (incluindo a Ford, a Rockefeller, a Rockefeller Brothers, a Charles Stewart Mott, The Foundation for Deep Ecology), estas organizações "acreditadas" da sociedade civil passaram a funcionar como grupos de pressão, agindo formalmente em nome do movimento popular. Lideradas por activistas conhecidos e empenhados, tinham as mãos atadas. Acabaram por contribuir (involuntariamente) para enfraquecer o movimento anti-globalização ao aceitarem a legitimidade do que era essencialmente uma organização ilegal, (o acordo da Cimeira de Marraquexe de 1994 que levou à criação da OMC em 1 de Janeiro de 1995). (ibid). Os líderes das Organizações Não Governamentais (ONGs) tinham plena consciência de onde é que vinha o dinheiro. No entanto, na comunidade das ONGs americanas e europeias, as fundações e as organizações caritativas são consideradas como órgãos filantrópicos independentes, separados das corporações; nomeadamente a Fundação Rockefeller Brothers, por exemplo, é considerada como separada e distinta do império de bancos e empresas petrolíferas da família Rockefeller. Com os salários e as despesas operacionais dependentes de fundações privadas, isso tornou-se uma rotina aceite: numa lógica distorcida, a batalha contra o capitalismo corporativo iria ser travada usando os fundos das fundações isentas de impostos, propriedade do capitalismo corporativo. As ONGs foram metidas numa camisa-de-forças; a sua própria existência dependia das fundações. As suas actividades eram monitorizadas de perto. Numa lógica distorcida, a própria natureza do activismo anti-capitalista era controlada indirectamente pelos capitalistas através das suas fundações independentes. "Cães de guarda progressistas" Nesta saga em evolução, as elites corporativas, cujos interesses são defendidos inexoravelmente pelo FMI, pelo Banco Mundial e pela OMC, financiam de boa vontade (através das suas diversas fundações e obras caritativas) organizações que estão na vanguarda do movimento de protesto contra a OMC e as instituições financeiras internacionais com sede em Washington. Sustentados pelo dinheiro das fundações, foram colocados diversos "cães de guarda" nas ONGs para fiscalizar a implementação de políticas neoliberais, sem no entanto colocar a questão mais ampla de como é que os gémeos Bretton Woods e a OMC, através das suas políticas, tinham contribuído para o empobrecimento de milhões de pessoas. A SAPRIN, Structural Adjustment Participatory Review Network, foi fundada pelo Development Gap, uma USAID (Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional) e o Banco Mundial financiou a ONG com sede em Washington DC. Amplamente documentada, a imposição do Programa de Ajustamento Estrutural FMI-Banco Mundial (SAP) aos países em desenvolvimento constitui uma forma escandalosa de interferência nos assuntos internos de estados soberanos em nome de instituições credoras. Em vez de contestar a legitimidade da "medicina económica letal" do FMI-Banco Mundial, a organização central da SAPRIN procurou estabelecer um papel participativo para as ONGs, de braço dado com a USAID e o Banco Mundial. O objectivo era dar um "rosto humano" à agenda política neoliberal, em vez de rejeitar liminarmente o enquadramento político do FMI-Banco Mundial: "A SAPRIN é a rede global da sociedade civil que foi buscar o seu nome à Structural Adjustment Participatory Review Initiative (SAPRI), que foi lançada com o Banco Mundial e o seu presidente, Jim Wolfensohn, em 1997. A SAPRI destina-se a um exercício tripartido para reunir organizações da sociedade civil, os seus governos e o Banco Mundial numa análise conjunta de programas de ajustamento estrutural (SAPs) e na exploração de novas opções políticas. Está a legitimar um papel activo para a sociedade civil na tomada de decisões económicas, já que lhe compete indicar áreas em que são necessárias mudanças na política económica e no processo de implementar políticas económicas. (http://www.saprin.org/overview.htm website da SAPRIN). Do mesmo modo, o Observatório do Comércio (anteriormente WTO Watch), que opera a partir de Genebra, é um projecto do Instituto para a Política de Agricultura e Comércio (IATP), com base em Minneapolis, que é generosamente financiado pela Ford, Rockefeller, Charles Stewart Mott, entre outros (ver Quadro 1 abaixo). O Observatório do Comércio tem por função fiscalizar a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Acordo de Comércio Livre Norte-americano (NAFTA) e a proposta Área de Comércio Livre das Américas (FTAA). (IATP, About Trade Observatory, Setembro 2010). O Observatório do Comércio também pretende melhorar dados e informações assim como estimular a "governação" e a "responsabilidade". Responsabilidade em relação às vítimas das políticas da OMC ou responsabilidade para com os protagonistas das reformas neoliberais? As funções de cão de guarda do Observatório do Comércio não ameaçam de modo algum a OMC. Muito pelo contrário: a legitimidade das organizações e dos acordos comerciais nunca são postas em causa. Quadro 1 ? Principais doadores ao Instituto para a Política Agrícola e Comercial Minneapolis (IATP) O Fórum Económico Mundial. "Todos os caminhos vão dar a Davos" O movimento popular foi assaltado. Intelectuais escolhidos, executivos sindicais, e líderes das organizações da sociedade civil (incluindo a Oxfam, a Amnistia Internacional, o Greenpeace) são sistematicamente convidados para o Fórum Mundial Económico FME de Davos, onde se misturam com os actores económicos e políticos mais poderosos do Mundo. Esta mistura de elites corporativas do mundo com "progressistas" escolhidos a dedo faz parte do ritual subjacente ao processo de "fabrico da dissidência". A táctica é escolher a dedo selectivamente líderes da sociedade civil "em quem podemos confiar" e integrá-los num "diálogo", isolá-los das suas bases, fazer com que eles se sintam "cidadãos globais" a agir no interesse dos trabalhadores seus colegas mas fazer com que eles ajam de modo a servir os interesses da instituição corporativa: "A participação de ONGs no Encontro Anual em Davos é uma prova de que procuramos intencionalmente integrar um largo espectro dos principais participantes na sociedade para? definir e impulsionar a agenda global? Acreditamos que o Fórum Mundial Económico [de Davos] proporciona à comunidade dos negócios o enquadramento ideal para se empenhar num esforço colaborativo com os outros participantes principais [as ONGs] da economia global para "melhorar o estado do mundo", que é a missão do Fórum. (Fórum Mundial Económico, Comunicado à Imprensa 5 Janeiro 2001) O FME não representa a comunidade de negócios mais ampla. É um grupo elitista: Os seus membros são gigantescas corporações globais (com um mínimo de 5 mil milhões de dólares de volume de negócios anual). As organizações não governamentais (ONGs) seleccionadas são consideradas como "participantes" parceiros assim como um conveniente "porta-voz para os que não têm expressão que ficam quase sempre fora dos processos de tomada de decisões". (World Economic Forum - Non-Governmental Organizations, 2010) "[As ONGs] desempenham uma série de papéis na parceria com o Fórum para melhorar o estado do mundo, incluindo servir de ponte entre os negócios, o governo e a sociedade civil, ligando os políticos às bases, pondo soluções práticas em cima da mesa?" (ibid). Uma "parceria" da sociedade civil com corporações globais em nome dos "que não têm voz", que são "deixados de fora"? Também são cooptados executivos sindicais com prejuízo para os direitos dos trabalhadores. Os líderes da Federação Internacional dos Sindicatos (IFTU), da AFL-CIO, da Confederação dos Sindicatos Europeus, do Congresso do Trabalho Canadiano (CLC), entre outros, são sistematicamente convidados para assistir tanto às reuniões anuais do FME em Davos, na Suíça, como às cimeiras regionais. Também participam na Comunidade de Líderes Trabalhistas do FME que se concentra em padrões mutuamente aceitáveis de comportamento para o movimento dos trabalhadores. O FME "acredita que a voz do Trabalho é importante para um diálogo dinâmico sobre as questões da globalização, da justiça económica, da transparência e responsabilidade, e garante um sistema financeiro global saudável". "Garante um sistema financeiro global saudável" eivado de fraudes e corrupção? A questão dos direitos dos trabalhadores nem sequer é referida. (World Economic Forum - Labour Leaders, 2010). O Fórum Social Mundial: "É possível outro mundo" Em muitos aspectos a contra cimeira de Seattle 1999 estabeleceu os alicerces para o desenvolvimento do Fórum Social Mundial. A primeira reunião do Fórum Social Mundial (FSM) realizou-se em Janeiro de 2001, em Porto Alegre, Brasil. Esta reunião internacional envolveu a participação de dezenas de milhares de activistas de organizações de bases de e de ONGs. A reunião do FSM de ONGs e organizações progressistas realiza-se em simultâneo com o Fórum Económico Mundial (FEM) de Davos. Destinava-se a dar voz à oposição e à dissidência em relação ao Fórum Económico Mundial de líderes corporativos e de ministros das finanças. No início, o FSM foi uma iniciativa da ATTAC de França e de várias ONGs brasileiras: "? Em Fevereiro de 2000, Bernard Cassen, chefe duma ONG francesa, a plataforma ATTAC, Oded Grajew, chefe duma organização de empregadores brasileiros, e Francisco Whitaker, chefe duma associação de ONGs brasileiras, reuniram-se para discutir uma proposta para um "evento mundial da sociedade civil"; em Março de 2000, asseguraram formalmente o apoio do governo municipal de Porto Alegre e do governo estatal de Rio Grande do Sul, ambos controlados na época pelo Partido dos Trabalhadores Brasileiros (PT)? Um grupo de ONGs francesas, incluindo a ATTAC, os Amigos do L'Humanité e os Amigos do Le Monde Diplomatique, patrocinaram um Fórum Social Alternativo em Paris intitulado "Um Ano Após Seattle", a fim de preparar uma agenda para os protestos a ser encenados na cimeira da União Europeia em Nice, que se aproximava. Os oradores apelaram à "reorientação de certas instituições internacionais tais como o FMI, o Banco Mundial, a OMC? a fim de criar uma globalização a partir de baixo" e à "implementação de um movimento internacional de cidadãos, não para destruir o FMI, mas para reorientar as suas missões". (Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de Janeiro, 2004) Desde o início em 2001, o FSM foi sustentado por um financiamento substancial da Fundação Ford, que, como se sabe, tem ligações com a CIA que remontam aos anos 50: "A CIA usa fundações filantrópicas como a via mais eficaz para canalizar grandes somas de dinheiro para projectos da Agência sem avisar os recebedores quanto à sua origem". (James Petras, The Ford Foundation and the CIA, Global Research, 18 de Setembro, 2002) O mesmo procedimento de contra-cimeiras ou cimeiras populares com fundos doados, que caracterizou as Cimeiras Populares dos anos 90, foi utilizado no Fórum Social Mundial: "? outros fundadores do FSM (ou 'parceiros', conforme são designados na terminologia do FSM) incluíam a Fundação Ford ? basta dizer aqui que esta sempre funcionou na mais estreita colaboração com a CIA e com os interesses estratégicos em geral dos EU; a Fundação Heinrich Boll Foundation, que é controlada pelo partido alemão Os Verdes, um parceiro no actual [2003] governo alemão e apoiante das guerras na Jugoslávia e no Afeganistão (o seu líder Joschka Fischer é o [antigo] ministro alemão dos negócios estrangeiros); e importantes organismos financiadores como o Oxfam (Reino Unido), o Novib (Holanda), o ActionAid (EU), etc. Curiosamente, um membro do Conselho Internacional do FSM relata que os "fundos consideráveis" recebidos desses organismos não tivera "até agora motivado quaisquer debates significativos [nos órgãos do FSM] sobre as possíveis relações de dependência que poderiam gerar". Mas reconhece que "para receber fundos da Fundação Ford, os organizadores tiveram que convencer a fundação de que o Partido dos Trabalhadores não estava envolvido no processo". Há aqui dois pontos dignos de registo. Primeiro, isto demonstra que os financiadores puderam medir as forças e determinar o papel das diferentes forças no FSM ? tiveram que ser "convencidos" das credenciais daqueles que estariam envolvidos. Segundo, se os financiadores objectaram à participação do cuidadosamente domesticado Partido dos Trabalhadores, teriam objectado ainda com mais determinação se fosse dado relevo a forças genuinamente anti-imperialistas. Que eles fizeram essas objecções tornar-se-á claro quando descrevermos quem foi incluído e quem foi excluído da segunda e da terceira reuniões do FSM? ? A questão do financiamento [do FSM] nem sequer figura na carta de princípios do FSM, aprovada em Junho de 2001. Os marxistas, que são materialistas, fariam notar que se deve analisar a base material do fórum para apanhar a sua natureza. (Claro que não é preciso ser-se marxista para compreender que "quem paga a despesa é quem manda"). Mas o FSM não está de acordo. Pode aceitar fundos de instituições imperialistas como a Fundação Ford, e ao mesmo tempo lutar contra o "domínio do mundo pelo capital e qualquer outra forma de imperialismo". (Research Unit For Political Economy, The Economics and Politics of the World Social Forum, Global Research, 20 de Janeiro, 2004) A Fundação Ford forneceu apoio fundamental ao FSM, com contribuições indirectas para participar em "organizações parceiras" da Fundação McArthur, da Fundação Charles Stewart Mott, de The Friedrich Ebert Stiftung, da Fundação W. Alton Jones, da Comissão Europeia, de diversos governos europeus (incluindo o governo trabalhista de Tony Blair), do governo canadiano, assim como de uma série de órgãos da ONU (incluindo a UNESCO, a UNICEF, a UNDP, a OIT e a FAO). (Iibid.) Para além do apoio fundamental inicial da Fundação Ford, muitas das organizações da sociedade civil participantes recebem fundos de importantes fundações e organizações caritativas. Por seu lado, as ONGs com sede nos EUA e na Europa operam frequentemente como organismos de financiamento secundário, canalizando dinheiro Ford e Rockefeller para organizações parceiras em países em desenvolvimento, incluindo movimentos de base de camponeses e de direitos humanos. O Conselho Internacional (CI) do FSM é composto por representantes das ONGs, sindicatos, organizações de meios de comunicação alternativos, institutos de investigação, muitos dos quais são fortemente financiados por fundações assim como por governos. (Ver Fórum Social Mundial). Os mesmos sindicatos, que são rotineiramente convidados para se misturarem com directores de Wall Street no Fórum Económico Mundial de Davos, incluindo a AFL-CIO, a Confederação Europeia de Sindicatos e o Congresso do Trabalho Canadiano também se sentam no Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. Entre as ONGs financiadas pelas principais fundações que têm assento no Conselho Internacional do FSM encontra-se o Instituto para a Politica de Agricultura e Comércio (ver a nossa análise mais acima) que fiscaliza o Observatório do Comércio com sede em Genebra. A Rede de Financiadores para o Comércio e Globalização (FTNG), que tem o estatuto de observador no Conselho Internacional do FSM desempenha um papel chave. Enquanto canaliza apoio financeiro para o FSM, actua como uma câmara de compensação para importantes fundações. A FTNG descreve-se a si mesma como "uma aliança de doadores empenhados na construção de comunidades justas e sustentadas em todo o mundo". Alguns membros desta aliança são a Fundação Ford, a Rockefeller Brothers, Heinrich Boell, C. S. Mott, a Fundação da Família Merck, Open Society Institute, Tides, entre outros. (Para uma lista completa dos organismos financiadores da FTNG ver FNTG: Funders). A FTNG actua como uma entidade angariadora de fundos por conta do FSM. Governos ocidentais financiam as contra-cimeiras e reprimem o movimento de protesto Ironicamente, governos que fazem parte da União Europeia atribuem dinheiro para financiar grupos progressistas (incluindo o Fórum Social Mundial) envolvidos na organização de protestos contra esses mesmos governos que financiam as suas actividades: "Também os governos têm sido financiadores significativos de grupos de protesto. A Comissão Europeia, por exemplo, financiou dois grupos que mobilizaram grande número de pessoas para protestar nas cimeiras da UE em Gotenburgo e Nice. A lotaria nacional da Grã-Bretanha, que é fiscalizada pelo governo, ajudou a financiar um grupo no centro do contingente britânico em ambos os protestos". (James Harding, Counter-capitalism, FT.com, 15 de Outubro 2001) Trata-se de um processo diabólico: O governo anfitrião financia a cimeira oficial assim como as ONGs activamente envolvidas na Contra-Cimeira. Também financia a operação policial anti-motins que tem como missão reprimir os participantes de base da Contra-Cimeira, incluindo membros de ONGs financiadas directamente pelo governo. O objectivo destas operações combinadas, incluindo acções violentas de vandalismo perpetradas por polícias à paisana (Toronto G20, 2010) disfarçados em activistas, é desacreditar o movimento de protesto e intimidar os seus participantes. O objectivo mais amplo é transformar a contra-cimeira num ritual de dissidência, que serve para patrocinar os interesses da cimeira oficial e o governo anfitrião. Esta lógica tem funcionado em numerosas contra cimeiras desde os anos 90. Na Cimeira da América em Quebeque em 2001, o governo federal canadiano concedeu financiamentos a ONGs e a sindicatos mais importantes mediante certas condições. Um grande segmento do movimento de protesto acabou por ficar excluído da Cimeira Popular. Isso deu origem a uma segunda reunião paralela, que alguns observadores descreveram como "contra a Cimeira Popular". As autoridades provinciais e federais exigiram que a marcha de protesto seguisse para um local a uma distância de 10 km da cidade, em vez de seguirem na direcção da área do centro histórico onde se estava a realizar a cimeira FTAA por detrás dum "perímetro de segurança" fortemente guardado". "Em vez de avançar para a vedação do perímetro e para o local das reuniões da Cimeira das Américas, os organizadores do desfile escolheram um percurso que se afastava da Cimeira Popular, passando por áreas residenciais quase vazias até ao parque de estacionamento de um estádio numa área isolada a alguns quilómetros de distância. Henri Masse, o presidente da Federação dos trabalhadores e trabalhadoras de Quebeque (FTQ) explicou, "Lamento estarmos tão longe do centro da cidade? Mas foi por uma questão de segurança". Um milhar de seguranças da FTQ mantiveram um controlo muito apertado sobre o desfile. Quando o desfile chegou ao ponto em que alguns activistas pretenderam dividir-se e subir a colina até à vedação, os seguranças da FTQ fizeram sinal ao contingente dos Trabalhadores Canadianos de Automóveis (CAW) que caminhavam atrás do CUPE para se sentarem e fazerem parar o desfile, a fim de os seguranças da FTQ poderem formar um cordão e impedir que houvesse quem saísse do percurso oficial do desfile". (Katherine Dwyer, Lessons of Quebec City, International Socialist Review, Junho/Julho 2001) A Cimeira das Américas efectuou-se no interior de um "bunker" de quatro quilómetros, feito com uma vedação de betão e de aço galvanizado. A parte cercada do centro histórico da cidade, o "Muro de Quebeque" de 3 metros de altura, incluía o complexo parlamentar da Assembleia Nacional, hoteis e áreas comerciais. Líderes de ONGs versus suas bases A instituição do Fórum Social Mundial em 2001 foi sem dúvida um marco histórico, reunindo dezenas de milhares de activistas empenhados. Foi um acontecimento importante que permitiu a troca de ideias e o estabelecimento de laços de solidariedade. O que está em causa é o papel ambivalente dos líderes das organizações progressistas. A sua relação estreita e bem-educada com os círculos internos do poder, com os financiamentos corporativos e governamentais, organismos de apoio, Banco Mundial, etc. corrói a sua relação e responsabilidades com as suas bases. O objectivo da dissidência fabricada é precisamente esse: distanciar os líderes das suas bases como um meio de silenciar e enfraquecer eficazmente as acções das bases. Financiar a dissidência é também uma forma de infiltração nas ONGs, assim como de adquirir informações por dentro sobre estratégias de protesto e resistência dos movimentos de base. A maior parte das organizações de base que participam no Fórum Social Mundial, incluindo organizações camponesas, de trabalhadores e de estudantes, firmemente empenhadas em combater o neoliberalismo não tinham conhecimento da relação do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial com o financiamento corporativo, negociado nas suas costas por um punhado de líderes de ONGs com ligações a organismos de financiamento oficiais e privados. O financiamento a organizações progressistas não se faz sem condições. O seu objectivo é "pacificar" e manipular o movimento de protesto. Os organismos financiadores estabelecem condicionalismos minuciosos. Se não forem cumpridos, cessam os pagamentos e a ONG recebedora vai à falência por falta de fundos. O Fórum Social Mundial define-se como "um local de encontro aberto para pensamento reflectivo, debate de ideias democrático, formulação de propostas, livre troca de experiências e inter-ligação para acção eficaz, de grupos e movimentos da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e qualquer forma de imperialismo e estão empenhados na construção de uma sociedade centrada na pessoa humana". (Ver Fórum Social Mundial, 2010). O Fórum Social Mundial é um mosaico de iniciativas individuais que não ameaça directamente nem contesta a legitimidade do capitalismo global e das suas instituições. Reúne-se anualmente. Caracteriza-se por uma imensidade de sessões e de grupos de trabalho. Quanto a este aspecto, uma das características do Fórum Social Mundial era manter o enquadramento "faça você mesmo", característico Esta estrutura aparentemente desorganizada é propositada. Embora favoreça o debate sobre uma série de tópicos individuais, a moldura do FSM não conduz a uma articulação duma plataforma comum coesiva e dum plano de acção dirigido contra o capitalismo global. Além disso, a guerra liderada pelos EUA no Médio Oriente e na Ásia Central, que rebentou poucos meses depois da reunião inaugural do FSM em Porto Alegre em Janeiro de 2001, nunca foi uma questão central nas discussões do fórum. O que prevalece é uma vasta e intrincada rede de organizações. As organizações de base recebedoras dos países em desenvolvimento estão normalmente inconscientes de que as suas ONGs parceiras nos Estados Unidos ou na União Europeia, que lhes estão a fornecer o apoio financeiro, estão elas próprias a ser financiadas por importantes fundações. O dinheiro escorre, impondo constrangimentos às acções das bases. Muitos destes líderes de ONGs estão empenhados e são indivíduos bem intencionados que agem num enquadramento que estabelece os limites da dissidência. Os líderes destes movimentos são frequentemente cooptados, sem sequer perceber que, em consequência do financiamento corporativo, ficam com as mãos atadas. O capitalismo global financia o anti-capitalismo: uma relação absurda e contraditória "É Possível um Outro Mundo", mas este não pode ser alcançado de forma significativa com a actual situação. É preciso um abanão no Fórum Social Mundial, na sua estrutura organizativa, nos seus financiamentos e na sua liderança. Não pode haver um movimento de massas significativo quando a dissidência é tão generosamente financiada pelos mesmos interesses corporativos que são o alvo desse movimento de protesto. Nas palavras de McGeorge Bundy, presidente da Fundação Ford (1966-1979),"Tudo o que a Fundação [Ford] fez pode ser considerado no âmbito de 'tornar o mundo seguro para o capitalismo". [*] Comunicação enviada ao III Encontro Civilização ou Barbárie, realizado em Serpa, 30/Outubro - 1/Novembro/2010 O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=1794 Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 04/Nov/10 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101112/874a46b1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 12 19:24:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Nov 2010 19:24:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Respirar_=E9_poss=EDvel__por_Boa?= =?iso-8859-1?q?ventura_de_Souza_Santos?= Message-ID: <8FBAB07266E443BB8A76C96177518D00@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Maria da Luz Miranda TENDÊNCIAS/DEBATES Respirar é possível BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS -------------------------------------------------------------------------- Para governos "desalinhados" do continente e para as classes sociais que os levaram ao poder, as eleições no Brasil foram um sinal de esperança -------------------------------------------------------------------------- As eleições no Brasil tiveram uma importância internacional inusitada. As razões diferem consoante a perspectiva geopolítica que se adote. Vistas da Europa, as eleições tiveram significado especial para os partidos de esquerda. A Europa vive uma grave crise, que ameaça liquidar o núcleo duro da sua identidade: o modelo social europeu e a social-democracia. Apesar de estarmos diante de realidades sociológicas distintas, o Brasil ergueu nos últimos oito anos a bandeira da social-democracia e reduziu significativamente a pobreza. Fê-lo reivindicando a especificidade do seu modelo, mas fundando-o na mesma ideia básica de combinar aumentos de produtividade econômica com aumentos de proteção social. Para os partidos que, na Europa, lutam pela reforma do modelo social, mas não por seu abandono, as eleições no Brasil vieram trazer um pouco mais de ar para respirar. No continente americano, as eleições no Brasil tiveram uma relevância sem precedentes. Duas perspectivas opostas se confrontaram. Para o governo dos EUA, o Brasil de Lula foi um parceiro relutante, desconcertante e, em última análise, não fiável. Combinou uma política econômica aceitável (ainda que criticável por não ter continuado o processo das privatizações) com uma política externa hostil. Para os EUA, é hostil toda política externa que não se alinhe integralmente com as decisões de Washington. Tudo começou logo no início do primeiro mandato de Lula, quando este decidiu fornecer meio milhão de barris de petróleo à Venezuela de Hugo Chávez, que nesse momento enfrentava uma greve do setor petroleiro, depois de ter sobrevivido a um golpe em que os EUA estiveram envolvidos. Tal ato significou um tropeço enorme na política americana de isolar o governo Chávez. Os anos seguintes vieram confirmar a pulsão autonomista do governo Lula. O Brasil manifestou-se veementemente contra o bloqueio a Cuba; criou relações de confiança com governos eleitos, mas considerados hostis -Bolívia e Equador-, e defendeu-os de tentativas de golpes da direita, em 2008 e em 2010. O país também promoveu formas de integração regional, tanto no plano econômico como no político e militar, à revelia dos EUA, e, ousadia das ousadias, procurou relacionamento independente com o governo "terrorista" do Irã. Na década passada, a guerra no Oriente Médio fez com que os EUA "abandonassem" a América Latina. Estão hoje de volta, e as formas de intervenção são mais diversificadas do que antes. Dão mais importância ao financiamento de organizações sociais, ambientais e religiosas com agendas que as afastem dos governos hostis a derrotar, como acaba de ser documentado nos casos da Bolívia e do Equador. O objetivo é sempre o mesmo: promover governos totalmente alinhados. E as recompensas pelo alinhamento total são hoje maiores que antes. A obsessão de Serra com o narcotráfico na Bolívia (um ator secundaríssimo) era o sinal do desejo de alinhamento. A visita de Hillary Clinton e a confirmação, pouco antes das eleições, de um embaixador duro ("falcão"), Thomas Shannon, são sinais evidentes da estratégia americana: um Brasil alinhado com Washington provocaria, como efeito dominó, a queda dos outros governos não alinhados do subcontinente. O projeto se mantém, mas, por agora, ficou adiado. A outra perspectiva sobre as eleições foi o reverso da anterior. Para os governos "desalinhados" do continente e para as classes e movimentos sociais que os levaram democraticamente ao poder, as eleições brasileiras foram um sinal de esperança: há espaço para política regional com algum grau de autonomia e para um novo tipo de nacionalismo, que aposta em mais redistribuição da riqueza coletiva. -------------------------------------------------------------------------------- BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS, 69, sociólogo português, é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). É autor, entre outros livros, de "Para uma Revolução Democrática da Justiça" (Cortez, 2007). -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101112/3bdcdc2f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 12 19:25:00 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 12 Nov 2010 19:25:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Opera_Mundi=3A_Boletim_n=BA_309?= =?iso-8859-1?q?=3A_PERFIL=3A_MORRE_MASSERA_=2C_TORURADOR_ARGENTINO?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: <6B15DD9C16B24725B6D4A04547B3F2C2@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Problemas para visualizar a mensagem? Acesse este link. Boletim nº308 , 11 de Novembro de 2010 PERFIL: Morre Massera, o almirante do terror Emilio Eduardo Massera, ex-almirante e repressor argentino morreu esta semana. Acusado de matar três Mães da Praça de Maio e roubar bebês durante a ditadura militar é considerado o maior assassino da história argentina pelo historiador Osvaldo Bayer. leia na íntegra Dólar fraco joga ajuste dos EUA na conta de outros países, afirma Dilma Futuro governo deve incrementar comércio exterior, sugere Lula Cerca de 40 mil crianças mexicanas são repatriadas dos EUA a cada ano Morre aos 91 anos o produtor italiano Dino de Laurentiis Estudantes britânicos defendem protestos e Cameron critica violência Palestinos lembram seis anos da morte de Yasser Arafat No aniversário da independência, Angola celebra a paz e enfrenta novos desafios Cólera já matou 643 pessoas no Haiti e quase 10 mil foram infectadas Hoje na História: 1975 - MPLA proclama a independência de Angola Siga o Opera Mundi no Twitter - Clique aqui OPINIÃO: Expansão de Térmicas a Energia Solar -------------------------------------------------------------------------- [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -- [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 41.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 28 operadores/repetidores e 232 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Ele aborda, de maneira viva, o monopólio exercido pela da grande mídia e os limites do direito à comunicação no Brasil. Levante sua voz - primeira parte http://www.youtube.com/watch?v=gf3Votr52QQ&feature=player_embedded Levante sua voz - segunda parte http://www.youtube.com/watch?v=gr6qFODxkAA&feature=related Um grande abraço Augusto Buonicore -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101113/f06b7726/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 13 15:37:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 13 Nov 2010 15:37:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] V Congresso do Museu - 19 e 20 de novembro de 2010 Message-ID: <97E89F6CFAB44A40A949B310F33B9B67@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem V CONGRESSO DO MUSEU ABRAHÃO BRICKMANN 19 e 20 de novembro de 2010 Local: Hotel Nacional Duque de Caxias, 1313 em Ribeirão Preto - SP Comemoração dos 25 anos do Museu e do centenário de nascimento de Abrahão Brickmann 19 de Novembro - sexta feira 19h Abertura: 25 anos do Museu (exposição dos trabalhos) Apresentação musical: homenagem a Alberto Ribeiro, médico e compositor Músicas: Onde o céu azul é mais azul, Sous le ciel le Paris, Edelweiss por Izao C. Soares acompanhado por Luciano Duarte (ao violão) Coquetel 20 de Novembro - sábado coordenadora: Silvana Mantovani 8.30h - Temas livres 9 às 12h - Mesa redonda - Contribuição de Chico Xavier para a Medicina brasileira - participantes: Saulo Gomes, Renan Marino 14 às 16h - Relatório Flexner, Homeopatia e a Evolução da Transdisciplinaridade - Diniz da Gama 17 às 18h - Arte e Medicina 18h - Visita às novas instalações do Museu Informações: (16) 3636 50655 - museuab at lamasson.com.br www.museuab.com.br EVENTO ABERTO A QUALQUER PESSOA INTERESSADA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101113/081389a8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 6972 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101113/081389a8/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 14 13:02:14 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 14 Nov 2010 13:02:14 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__COLE=C3=87=C3=83O_INTEIRA_DOS_BEATLES?= =?utf-8?q?_=2E_INCLUSIVE_OS_ALBUNS=2E_____________________________?= =?utf-8?q?__________________________HOJE_=C3=89_DOMINGO!__M=C3=9AS?= =?utf-8?q?ICAS!?= Message-ID: <4C0B34B02D014B6DB8A6BB8C87634125@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Só clicar e ouvir... Coleção inteira dos Beatles. Videos organizados dos Beatles, todas as musicas com as respectivas letras. A Day in the Life A Hard Day's Night A Taste of Honey Across The Universe Act Naturally All I've got to Do All My Loving All Together Now All You Need Is Love And I Love Her And Your Bird Can Sing Anna (Go To Him) Another Girl Any Time At All Ask Me Why Baby It's You Baby You're A Rich Man Baby's in Black Back In The USSR Bad Boy Because Being for the Benefit of Mr. Kite! Birthday Blackbird Blue Jay Way Boys Can't Buy Me Love Carry That Weight Chains Come Together Cry Baby Cry Day Tripper Dear Prudence Devil In Her Heart Dig A Pony Dig It Dizzy Miss Lizzie Do You Want to Know a Secret Doctor Robert Don't Bother Me Don't Let Me Down Don't Pass Me By Drive My Car Eight Days a Week Eleanor Rigby Every Little Thing Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey Everybody's Trying to be My Baby Fixing a Hole Flying (instrumental) For No One For You Blue Free As A Bird >From Me To You Get Back Getting Better Girl Glass Onion Golden Slumbers Good Day Sunshine Good Morning, Good Morning Good Night Got To Get You Into My Life Happiness is a Warm Gun Hello, Goodbye Help Helter Skelter Her Majesty Here Comes The Sun Here, There And Everywhere Hey Bulldog Hey Jude Hold Me Tight Honey Don't Honey Pie I Am the Walrus I Call Your Name I Don't Want to Spoil the Party I Feel Fine I Me Mine I Need You I Saw Her Standing There I Should Have Known Better I Wanna Be Your Man I Want To Hold Your Hand I Want To Tell You I Want You (She's So Heavy) I Will I'll Be Back I'll Cry Instead I'll Follow the Sun I'll Get You I'm a Loser I'm Down I'm Just Happy to Dance with You I'm Looking Through You I'm Only Sleeping I'm so tired I've Got A Feeling I've Just Seen a Face If I Fell If I Needed Someone In My Life It Won't Be Long It's All Too Much It's Only Love Julia Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey Komm Gib Mir Deine Hand Lady Madonna Let it Be Little Child Long Tall Sally Long, Long, Long Love Me Do Love You To Lovely Rita Lucy in the Sky with Diamonds Maggie Mae Magical Mystery Tour Martha My Dear Matchbox Maxwell's Silver Hammer Mean Mr. Mustard Michelle Misery Money (That's What I Want) Mother Nature's Son Mr. Moonlight No Reply Norwegian Wood Not a Second Time Nowhere Man Ob-La-Di, Ob-La-Da Octopus's Garden Oh! 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Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise) She Came In Through The Bathroom Window She Loves You She Said, She Said She's A Woman She's Leaving Home Sie Liebt Dich Slow Down Something Strawberry Fields Forever Sun King Taxman Tell Me What You See Tell Me Why Thank You Girl The Ballad of John And Yoko The Continuing Story of Bungalow Bill The End The Fool On The Hill The Inner Light The Long And Winding Road The Night Before The Word There's A Place Things We Said Today Think For Yourself This Boy Ticket to Ride Till There was You Tomorrow Never Knows Twist and Shout Two of Us Wait We Can Work It Out What Goes On What You're Doing When I Get Home When I'm Sixty-Four While My Guitar Gently Weeps Why don't we do it in the road Wild Honey Pie With a Little Help From My Friends Within You Without You Words of Love Yellow Submarine Yer Blues Yes It Is Yesterday You Can't Do That You Know My Name You Like Me Too Much You Never Give Me Your Money You Really Got a Hold on Me You Won't See Me You're Going to Lose That Girl You've Got to Hide Your Love Away Your Mother Should Know The Beatles video from Albums: Please Please Me With The Beatles A Hard Day's Night Beatles For Sale Help! Rubber Soul Revolver Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band Magical Mystery Tour The Beatles - White Album Yellow Submarine Abbey Road Let It Be Past Masters Volume 1 Past Masters Volume 2 -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101114/00c7704b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 14 13:02:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 14 Nov 2010 13:02:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Livro_=22QUERO_ME_APOSENTAR_-_O_?= =?iso-8859-1?q?caminho_certo_para_sua_aposentadoria=22_por_Hil=E1r?= =?iso-8859-1?q?io_Bocchi_-_dia_25/11=2C_=E0s_19=3A30_hs_na_LIVRARI?= =?iso-8859-1?q?A_PARALER_do_Ribeir=E3o_Shopping?= Message-ID: <3037F3C91A4249D2ABB7916139D6BF8D@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem APRESENTAÇÃO O livro "QUERO ME APOSENTAR - O caminho certo para sua aposentadoria" desvenda todos seus direitos sociais. Trata com linguagem simples, objetiva e sem termos técnicos problemas recorrentes do dia a dia. O leitor saberá quanto, quando e como deve contribuir para o INSS. Isso evita que jogue dinheiro no lixo ao contribuir com valores altos e obter benefícios baixos. A leitura permitirá ao leitor conhecer os caminhos para obter as mais variadas espécies de aposentadorias e pensões; como calcular o tempo de serviço e o valor destas aposentadorias. Para quem já é aposentado ou pensionista o livro QUERO ME APOSENTAR explica como recuperar as perdas que defasaram o valor do benefício ao longo do tempo. O QUERO ME APOSENTAR é o primeiro livro previdenciário brasileiro que se atualiza automaticamente. Durante sua leitura, quando se tratar de conteúdo mutável, o leitor será conduzido a um arquivo virtual no site www.queromeaposentar.com.br para saber, por exemplo, o reajuste anual da aposentadoria; se o valor que o segurado recebe está correto; qual o valor máximo e mínimo da contribuição, dentre outras situações que sistematicamente são alteradas. O objetivo desta obra é ajudar o trabalhador, os aposentados e os pensionistas a resolver pessoalmente, sem a necessidade de con­tratação de serviços profissionais e de forma totalmente gratuita, os problemas mais comuns rumo à obtenção dos benefícios do INSS. Autor: Hilário Bocchi Junior Ano: 2010 Editora: Coruja Páginas: 116 Onde comprar: pelo site www.queromeaposentar.com.br, telefone (16) 36325222 ou Livrarias Paraler Capa: -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101114/69b29876/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 873 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101114/69b29876/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13581 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101114/69b29876/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 14 13:02:47 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 14 Nov 2010 13:02:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Via Sacra da Africa- Tocante! [1 Anexo] Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Não deixem de abrir e assistir o anexo Via Sacra. É a Via Sacra do mundo real que vivemos. A sua sensibilidade , é o Cristo hoje. Vanderley __._,_.___ Anexo(s) de Vanderley - Revista 1 de 1 arquivo(s) Via-Sacra_da_frica_.pps -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101114/ae885430/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 15 14:41:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Nov 2010 14:41:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Limpe_seus_rins_com_a_natureza=3A?= =?iso-8859-1?q?_salsa=2E__________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMEN?= =?iso-8859-1?q?TA=C7=C3O=2E?= Message-ID: <4C8B4CBCD3504E26912CDFAC28AA687C@vcaixe> Carta O Berro................................repassem Limpe seus rins com a natureza: salsa. Os anos passam e nossos rins vão filtrando nosso sangue para remover o sal e outros intoxicantes que entram no organismo. Com o tempo, o sal se acumula e precisamos de uma limpeza. Como fazer isso? De um modo simples e barato: Pegue um maço de salsa e lave bem. Corte bem picadinho e ponha em uma vasilha com água limpa. Ferva por 10 minutos e deixe esfriar. Coe, ponha em uma jarra com tampa e guarde na geladeira. Beba um copo todos os dias, e você vai perceber que o sal e outros venenos acumulados nos rins saem na urina. Você vai notar a diferença! Há muitos anos a salsa é reconhecida como o melhor tratamento de limpeza dos rins. E é um remédio natural! A salsa é uma das ervas com propriedades terapêuticas menos reconhecidas. Ela contém mais vitamina C do que qualquer outro vegetal da nossa culinária (166mg por 100g). Isso é três vezes mais que a laranja. A salsa contém também ferro (5.5mg /100g), manganésio (2.7mg / 100g), cálcio (245mg / 100g) e potássio (1mg / 100g) .. Sendo recomendada para pedra nos rins, reumatismo e cólica menstrual. Sua alta concentração de vitamina C ajuda na absorção de ferro. O suco de salsa, sendo uma bebida natural, pode ser tomado misturado com outros sucos, 3 vezes ao dia. As folhas podem ser mantidas no congelador, e seu uso é recomendo na culinária diária, pois além de saudáveis, dão ótimo sabor a qualquer receita. MUITO BOM PARA HIPERTENSOS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/cacb67b0/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 15 14:42:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Nov 2010 14:42:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Abertura da Mostra "Os Anos de Chumbo"-Cineclube Cultura /Novembro 2010 [1 Anexo] Message-ID: <50E8AA7BF55743B1A0EB9DCE604B0202@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem [Anexos de Afonso Lana Leite incluídos abaixo] Na próxima semana haverá em Uberlândia uma semana de discussão sobre os anos da ditadura militar. Na sexta-feira, haverá uma mesa redonda com a minha presença e a de Evandro do Nascimento. Como Evandro foi um dos antigos companheiros que agora apóia ostensivamente o Governo de FHC vou preveni-lo para que ele evite qualquer abordagem ostensiva a respeito da política atual, caso ele não queira um confronto direto entre nós dois. Afonso Cineclube Cultura - novembro 2010 Os anos de chumbo A Mostra tem como objetivo estampar para o público um recorte do Brasil, durante o Regime Militar ? os anos de chumbo ? a partir da ótica de alguns documentários e um debate com personagens que viveram de fato aqueles tempos...?página infeliz da nossa história?. Dia 13 - sábado Jango (Brasil, 1984) Direção de Sílvio Tendler O filme narra a trajetória de João Goulart que, deposto pelo golpe militar de 1964, se tornou o único presidente morto no exílio. Cor e p/b, 117 min. Dia 14 ? domingo Ato de fé (Brasil, 2004) Direção de Alexandre Rampazzo No auge do Regime Militar, um grupo de religiosos rompe as barreiras do convento e assume uma atitude revolucionária, lutando pela volta das liberdades democráticas no Brasil. Cor, 52 min. Dia 20 ? sábado Chico Buarque ? Vai passar (Brasil, 2005) Direção de Roberto de Oliveira O filme aborda o papel do compositor Chico Buarque como cronista das esperanças políticas do seu tempo. No documentário, Chico relembra os momentos difíceis durante o Regime Militar no Brasil, da promulgação do AI-5, do arbítrio, do exílio na Itália, da censura. Cor, 100 min. Dia 21 ? domingo Tempo de resistência (Brasil, 2003) Direção de André Ristum A partir do depoimento de mais de 30 pessoas diretamente envolvidas na resistência ao Regime Militar e raras imagens de arquivos, Tempo de Resistência revela todo o processo do golpe militar, desde o comício do Presidente João Goulart até o dia da anistia e aborda os reflexos deste período no interior do estado de São Paulo, principalmente em Ribeirão Preto e no interior do Brasil. Cor, 115 min. Dia 26 ? sexta-feira Anos de chumbo ? Memórias reveladas Depoimentos e debate com os professores Afonso Celso Lana Leite (Curso de Artes Visuais - UFU) e Evandro Afonso do Nascimento (Instituto de Química - UFU) Mediação do professor Alexandre Sá Avelar (Instituto de História - UFU) Dia 27 ? sábado Filmes da Programadora Brasil Vala comum (Brasil, 1994) Direção de João Godoy A partir de uma vala comum clandestina, encontrada no Cemitério de Perus, em São Paulo, um passado mantido oculto emerge para exumar uma parte da história recente do país. Cor, 30 min. Vlado, trinta anos depois (Brasil, 2005) Direção de João Batista de Andrade No dia 25 de outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog acorda de manhã e se despede da mulher, Clarice. Ele deve se apresentar ao DOI-CODI, órgão da repressão política do Regime Militar, para prestar depoimento. Clarice questiona se ele deve se apresentar. Vários amigos estão presos e sabe-se que são torturados. Mas Vlado se recusa a fugir; pondera que é um homem transparente, alheio à clandestinidade. No fim da tarde do mesmo dia, sua família e amigos recebem a terrível notícia: o jornalista está morto e, segundo fonte oficial, suicidou-se na prisão. O filme revela a trajetória de Herzog, desde a infância na Iugoslávia até sua posse como diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo. A reação de Clarice, dos amigos e da sociedade, recusando a farsa montada para justificar a morte do jornalista, tornou o fato um marco na luta pela redemocratização do país. Cor, 86 min. Dia 28 ? domingo Cidadão Boilesen (Brasil, 2009) Direção de Chaim Litewski Um capítulo sempre subterrâneo dos anos de chumbo no Brasil, o financiamento da repressão violenta à luta armada por grandes empresários, ganha contornos mais precisos neste perfil daquele que foi considerado o mais notório deles. As ligações de Henning Albert Boilesen (1916-1971), presidente do grupo Ultra, com a ditadura militar, sua participação na criação da temível Oban ? Operação Bandeirantes ? e acusações de que assistiria voluntariamente a sessões de tortura emergem de diversos depoimentos de personagens daquela época. Cor, 92 min. Horário das exibições e debate: 20 horas Local: Oficina Cultural de Uberlândia - Sala Roberto Rezende Pça. Clarimundo Carneiro, 204 - Bairro Fundinho Entrada Franca Cineclube Cultura é um projeto de caráter cultural, sem fins lucrativos. __._,_.___ Anexo(s) de Afonso Lana Leite 1 de 1 foto(s) UNKNOWN_PARAMETER_VALUE -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/4bb2b40b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 15 14:42:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Nov 2010 14:42:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Exposi=E7=E3o_individual_de_Dante?= =?iso-8859-1?q?_Velloni_-_Museu_de_Arte_Contempor=E2nea_de_Ribeir?= =?iso-8859-1?q?=E3o_Preto?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Convido-os para minha exposição individual que acontecerá no MARP - Museu de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto dia 19 de novembro (sexta-feira), com coquetel às 20:30 h. Nesta mostra, que tem como nome Sobre a Natureza da Natureza, apresento obras recentes resultantes de novas experiências pictóricas que venho desenvolvendo, nas quais exploro materiais tão diversos como betume, aquarela, seda, óleo, pigmentos, gliter, óxido de ferro... como meio para reforçar a temática sobre a origem das coisas. Melhor que minhas palavras, é ler no catálogo a apresentação do crítico Ricardo Resende, diretor do Centro Cultural São Paulo-SP. Como sei que vocês gostam de arte, espero contar com suas presenças. Abraço do Dante Velloni -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/7cfa2272/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: Exposicao Dante Velloni - convite.jpg Type: image/jpeg Size: 28153 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/7cfa2272/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 15 15:09:55 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 15 Nov 2010 15:09:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Ah! esses pobres que elegeram a Dilma Message-ID: Carta O Berro................................repassem clique e entenda o pensamento das zelites http://www.youtube.com/watch?v=jrUVle5wdPY&feature=share -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/93b64c09/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101115/93b64c09/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 16 19:10:55 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Nov 2010 19:10:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_proclama=E7=E3o_da_Rep=FAblica?= Message-ID: <652079F4895E45ED910DB6A7E7DFBE6F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA * Por Augusto Buonicore ** Na luta pela substituição da monarquia pela República também se chocaram duas estratégias distintas. Uma defendia que essa mudança deveria se dar dentro da ordem, sem grande mobilização popular, outra advogava a derrubada revolucionária da monarquia. Essas duas correntes do republicanismo estavam ligadas a distintas bases sociais. A reformista era composta, fundamentalmente, por elementos vinculados à aristocracia agrária. Os radicais às parcelas urbanas, especialmente às classes médias. O republicanismo moderado - ou conservador - tinha maior força em São Paulo e o radical no Rio de Janeiro. Embora os reformistas fossem hegemônicos nos dois estados. Entre os republicanos mais exaltados se encontravam Silva Jardim e Lopes Trovão. Acreditavam que a República precisava "ser feita nas ruas e em torno dos palácios do imperante e de seus ministros" e que não se poderia "dispensar um movimento francamente revolucionário". Por outro lado, ainda em 1881, o principal líder nacional dos republicanos, Quintino Bocaiúva, condenava os que "procuravam encaminhar a causa republicana para uma solução violenta e inoportuna", os que almejavam desviar o movimento "do campo da discussão e da propaganda pacífica, para o campo da revolução armada, fazendo-o abandonar as armas da persuasão e da influência moral para substituí-la pelo facho incendiário da discórdia civil e da guerra fratricida". No mesmo sentido, em 1885, afirmou o republicano e grande fazendeiro paulista Prudente de Moraes: "não aceitamos a revolução como meio (...) é nosso dever representar as funções públicas como cooperadores de reformas, que operam, por partes, essa eliminação. Portanto (...) os deputados republicanos não pertencem à maioria nem à oposição governamental, não apoiam nem combatem governos, não disputam o poder no atual regime". No decorrer da década de 1880 estabeleceu-se uma aliança entre os "republicanos históricos" paulistas, os reformistas e positivistas do Rio de Janeiro, que isolou a ala radical do Partido Republicano Nacional. Silva Jardim, como Lopes Trovão, acabaram sendo postos à margem do movimento quando ele estava prestes a tornar-se vitorioso. 1. O surgimento do movimento republicano Em 1868, desrespeitando as regras do jogo parlamentar, D. Pedro II indicou um membro do Partido Conservador para formar o novo governo. Caiu, assim, o ministério chefiado pelos liberais. As novas eleições, controladas pelos conservadores, deram maioria absoluta a estes. Antes de deixar a cena política a Câmara dos Deputados aprovou, por 85 votos a 10, uma moção de desconfiança em relação ao governo. O Partido Liberal (monarquista) se dividiu. O setor radical formou o Centro Liberal pretendendo organizar "as forças democráticas contra a ditadura". Dentro do Centro uma ala ainda mais radicalizada passou a defender a República. Em 1870 trinta liberais radicais se reuniram para formar o Clube Republicano e lançaram um Manifesto, que seria a base do novo partido político: o Partido Republicano. O documento foi assinado por 58 pessoas - a grande maioria composta de profissionais liberais e apenas um fazendeiro. O partido nasceu com pouca expressão política e nenhuma sustentação popular. Mas, a semente estava lançada. Em 1873 realizou-se uma convenção republicana em São Paulo, que lançou os alicerces do Partido Republicano Paulista (PRP). Diferente do que ocorreu no Rio de Janeiro, dos seus 133 convencionais 79 eram proprietários de terra. Dois anos depois vários clubes republicanos provinciais se reuniram para formar o Clube Republicano Federal. O seu principal dirigente foi Saldanha Marinho. As figuras mais expressivas, Quintino Bocaiúva - presidente do partido na capital imperial - e Aristides Lobo, chefe de sua ala radical. A secção mais forte do movimento republicano foi a de São Paulo, graças à adesão de inúmeros fazendeiros do Oeste paulista - vanguarda econômica do país. Em 1877 o PRP elegeu três deputados provinciais. E em 1884, os dois primeiros deputados republicanos para Câmara Federal: Prudente de Moraes e Campos Salles. No ano da Proclamação da República o PRP representava 25% dos eleitores paulistas. Mesmo assim continuava atrás de dois partidos monarquistas: o Liberal e o Conservador. Devemos, no entanto, relativizar esses índices como referenciais seguros sobre a opinião pública no final do império, porque apenas 1,5% da população podia votar. Somavam-se a isso as fraudes que eram regra nessas eleições. Mas, por que os grandes fazendeiros escravistas paulistas aderiram prontamente ao republicanismo? O que os levou ao campo de oposição ao segundo reinado? Os fazendeiros do café do Vale do Paraíba e os senhores de engenho do nordeste representavam a principal força econômica e social durante os primeiros cinquenta anos do Império. Por isso tinham forte representação política no interior do Estado monárquico brasileiro - no parlamento e nos ministérios. Com a crise da economia nordestina e das lavouras do Vale do Paraíba começou a se operar uma defasagem entre o poder econômico e o poder político. O centro mais dinâmico da economia agroexportadora se transferiu para o Oeste paulista e o Estado brasileiro não refletiu essa mudança. Nas décadas de 1870 e 1880 essa defasagem se tornou gritante. No ano da Proclamação da República (1889) dos 59 senadores apenas 3 eram paulistas. Um número igual ao da província do Pará. Bahia e Pernambuco tinham 6 senadores cada, Rio de Janeiro 12, e Minas Gerais 20. O quadro era ainda mais grave na Câmara dos Deputados onde São Paulo possuía apenas 9 deputados, Pernambuco 13, Bahia 14, Rio de Janeiro 12, e Minas Gerais 20. No ministério do império, raros foram os representantes dos fazendeiros do Oeste paulista. Ali também predominavam os representantes das oligarquias de Vale do Paraíba, Bahia, Pernambuco e Minas. Tudo isso era agravado pelo fato de o presidente da província não ter sido eleito pelos paulistas, e sim indicado pelo imperador, e, geralmente, não representava os setores mais dinâmicos - e poderosos - das classes dominantes locais - e, às vezes, nem mesmo era paulista. Aos olhos dessas oligarquias, tão grave quanto a subrrepresentação política seria a forma de arrecadação e distribuição das rendas públicas. Dois meses de arrecadação da alfândega de Santos, diziam, equivalia a todo o gasto do governo imperial com a província. Para cada 20 mil réis nela arrecadados apenas 3 voltavam para ela. Isso provocava um grande descontentamento na nova e poderosa elite econômica paulista, e a República passava a ser encarada como o melhor meio para galgar o poder no Estado brasileiro e desalojar as outras frações das classes dominantes - adequando o poder político ao poder econômico. A grande bandeira foi o federalismo e alguns chegaram mesmo a fazer propaganda ativa pela separação de São Paulo. No Rio de Janeiro o movimento republicano teve uma base social diferente: as camadas médias urbanas. Na capital do império se destacavam as figuras de Saldanha Marinho, Aristides Lobo, Lopes Trovão, Quintino Bocaiúva e Silva Jardim. Os fazendeiros do Vale do Paraíba não tiveram qualquer relação com o Partido Republicano e permaneceram fiéis à monarquia até a Abolição, e mesmo depois. Esse partido, no entanto, tinha menos expressão eleitoral que em São Paulo. Ainda em 1889 conseguiu apenas 1/7 da votação. No ano anterior o principal chefe do Partido Republicano, Quintino Bocaiúva, foi derrotado pelo conservador e abolicionista Ferreira Viana - por 108 votos contra 1.347. A fragilidade do novo partido e a falta de convicções sólidas fizeram com que muitos abandonassem suas fileiras quando, em 1878, D. Pedro II chama o Partido Liberal para compor um novo governo. Entre os que o abandonaram, Cristiano Otoni e Lafaiete Rodrigues Pereira tiveram um papel importante na formação do Clube Republicano do Rio de Janeiro e na elaboração do seu Manifesto. 2. Republicanos e abolicionistas A existência de várias classes e frações de classe no interior do movimento republicano o levou a se dividir em torno de uma série de questões importantes, entre elas a solução a ser dada ao problema da escravidão. O partido acabou assumindo uma postura de neutralidade diante da vigorosa campanha abolicionista. Apenas em 1887 o Congresso Republicano conclamou que seus aderentes libertassem os seus escravos... até 14 de julho de 1889, quando do centenário da Revolução Francesa. A maioria dos republicanos passou a aceitar a Abolição, desde que vinculada a uma indenização aos proprietários. O Clube Republicano do Rio de janeiro apresentou, ainda em 1871, três propostas para solucionar o problema da escravidão: 1º) Deixar o problema da Abolição para as províncias; 2º) decretar a emancipação geral com indenização; e 3º) emancipar os escravos gradualmente num período de 10 a 15 anos, sem indenização. Sobre a indenização afirmava: "há muita gente que se assusta com o algarismo enorme da indenização, mas entre esse algarismo e o que se tiver de gastar com uma guerra civil, escolha que for capaz". Os republicanos paulistas, num documento de 1873, também deixaram clara a sua posição. Defendiam que a Abolição fosse realizada "mais ou menos lentamente, conforme maior ou menor facilidade na substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre", e que "em respeito aos direitos adquiridos e para conciliar a propriedade de fato com o princípio da liberdade, a reforma se fará tendo por base a indenização e o resgate". O abolicionista negro Luís da Gama recusou-se a assinar tal documento e rompeu com a direção do Partido Republicano. Não sem razão o intelectual comunista Leôncio Basbaum chegou a afirmar: "O movimento republicano no Brasil não era de modo algum um movimento de caráter burguês, como querem alguns autores, e muito menos popular (...). E no que se refere particularmente ao PRP (...) nem mesmo se pode dizer que tenha sido progressista". Não o foi porque estavam ausentes do seu programa a Abolição da escravidão e a reforma agrária. Júlio Ribeiro, ainda em 1885, afirmou: "os republicanos paulistas hão de ser o que são e são o que sempre foram - escravocratas ferrenhos". Havia, no entanto, republicanos defensores da Abolição imediata e sem indenização. Silva Jardim, ironicamente, apresentou aquela que seria a sua proposta de lei para pôr fim à escravidão. Declarou ele: "essa lei teria apenas dois artigos". O primeiro seria "Fica abolida a escravidão no Brasil", e o segundo: "Pedimos perdão ao mundo por não tê-la feito há mais tempo". O peso dos fazendeiros no movimento levou certos republicanos abolicionistas menos consequentes a fazerem concessões aos escravistas. Quintino Bocaiúva chegou a criticar José do Patrocínio por este ser antes de tudo um abolicionista e somente depois um republicano. 3. O golpe militar Apesar da resistência dos seus setores mais conservadores, a ala radical buscou se integrar ao povo e mobilizá-lo contra a monarquia. Um exemplo desse movimento foi a Revolta do Vintém, ocorrida na capital imperial em 1880. Ela começou quando o governo criou um imposto que onerou as passagens de bonde em 20 réis. Setores de oposição, encabeçados pelos republicanos Lopes Trovão e José do Patrocínio, realizaram várias manifestações de repúdio. No dia 1º de janeiro um comício foi atacado pela polícia. A população reagiu e começou um quebra-quebra de bondes. Os distúrbios continuaram por vários dias e o exército foi convocado para reprimir os protestos. Como resultado dos conflitos, três manifestantes foram mortos e 28 feridos. Isto acarretou a queda do gabinete e a abolição do imposto. O Partido Republicano se absteve de apoiar o movimento. Em outubro de 1881 um comício de Lopes Trovão foi interrompido por policiais e no conflito que seguiu o tribuno republicano quase foi assassinado. Esses comícios foram condenados por Quintino Bocaiúva, mas este teve de se solidarizar com os companheiros agredidos. Em 1887 começou a crescer no interior do republicanismo a ideia de utilizar o exército para pôr fim à monarquia. Mesmo para os evolucionistas esta parecia uma opção mais adequada à mobilização popular. Rangel Pestana propôs à comissão permanente do partido uma aliança com os militares para pôr abaixo o imperador. Inicialmente ela rejeitou a ideia. Mais tarde o paulista Francisco Glicério foi ganho para a tese e chegou a sugerir a Bocaiúva que se colocasse à frente de uma revolta cívico-militar. A intensa propaganda republicana já havia solapado as débeis bases sociais da monarquia, o que levaria a uma rápida aceitação do novo regime. Depois da Abolição, sem indenização, aumentou o tom da oposição ao PRP. No seu manifesto de 24 de maio de 1888 afirmou: "O Partido Republicano, pelos seus representantes reunidos em congresso, para tornar eficaz esse trabalho de integração das forças revolucionárias resolveu: I. Combater o 3º reinado em todos os terrenos em que a circunstâncias o coloquem". A radicalização tinha duas razões: 1ª) o ingresso de fazendeiros escravistas descontentes com a monarquia; e 2ª) a necessidade de marcar posição em relação à monarquia que poderia angariar apoio popular graças à Abolição. Este movimento contraditório levou o renomado republicano e abolicionista José do Patrocínio, entre outros, a abandonar o movimento e aderir à monarquia moribunda. O último ministério do Império, empossado em julho de 1889, tentou jogar a última cartada - avançando o sinal e propondo uma reforma política e social bastante ousada para a época. Isto isolou completamente o governo imperial junto aos setores conservadores e selou o seu fim. Os escravocratas descontentes já haviam se desinteressados pelo destino da coroa, agora passavam a temer a própria existência de uma monarquia simpática à anarquia. O grande temor passava ser a reforma agrária. O novo ministro dirigindo-se a D. Pedro II afirmou: "Vossa Majestade terá seguramente notado que em algumas províncias agita-se uma propaganda ativa cujos intuitos são a mudança de Governo (...). No meu humilde conceito é mister não desprezar essa torrente de ideias falsas e imprudentes cumprindo enfraquecê-la, inutilizá-la, não deixando que se avolume (...). Chegaremos a este resultado, senhor, empreendendo com ousadia e firmeza largas reformas na ordem política social e econômica, inspiradas na escola democrática. Reformas que não devem ser adiadas para não se tornarem improfícuas, O que hoje bastará, amanhã talvez seja pouco". No dia 11 de julho foi apresentada a proposta de reforma: Ampliação do colégio eleitoral, exigindo que o eleitor soubesse ler e escrever e tivesse profissão reconhecida - mantida a exclusão das mulheres -, maior autonomia das províncias e municípios, liberdade de culto, fim da senatoria vitalícia, eleições diretas dos intendentes municipais e a indicação dos presidentes das províncias a partir de lista tríplice formada através de eleições, reforma das leis de terras que facilitassem a sua aquisição. O objetivo do governo era roubar algumas das bandeiras da oposição republicana e assim ampliar sua base social. Em alguns casos a plataforma imperial era mais avançada, pois apresentava concretamente uma proposta de reforma agrária. Diante de uma proposição, considerada carbonária, a Câmara dos Deputados aprovou por 79 votos a 20 uma moção de desconfiança ao governo e foi dissolvida. Aproveitando-se da crise política os republicanos aumentaram a sua propaganda junto ao Exército. No dia 11 de novembro Rui Barbosa, Benjamim Constant, Aristides Lobo, Quintino Bocaiúva e Francisco Glicério se reuniram na casa do marechal Deodoro da Fonseca para convencê-lo a comandar um golpe de Estado contra o imperador. Ele ainda não havia se decidido, pois era contra o governo e não contra o regime. Apenas se decidiu às vésperas e, em 15 de novembro, liderou o golpe que pôs fim à monarquia. 4. A Proclamação da República e a formação do Estado burguês A Proclamação da República foi um dos marcos da revolução burguesa no Brasil - um momento de nossa ruptura incompleta. Houve um deslocamento das frações mais arcaicas da classe dos grandes proprietários rurais, passando o poder político para a sua fração mais dinâmica: a dos produtores e exportadores de café de São Paulo. Isto explica a manutenção de uma estrutura econômica assentada no latifúndio, no trabalho semisservil e na agroexportação. Como já afirmou o professor Décio Saes, no seu clássico A formação do Estado burguês no Brasil, a Proclamação da República foi um marco na adoção de um novo sistema jurídico-político. Transformou o Estado brasileiro num Estado burguês. Embora não tivesse o dom de imediatamente impor o predomínio de relações de produção tipicamente capitalistas, assentadas no trabalho assalariado, o novo Estado criou as melhores condições para a expansão de formas capitalistas de exploração do trabalho. Como já afirmei em capítulo anterior "o Brasil conheceu no final da década de 1880 e início de 1890 transformações políticas importantíssimas. Este período representou um marco no processo de revolução política burguesa. Abriu caminho para que a revolução continuasse o seu caminho e as relações de produção capitalistas pudessem se impor sobre o conjunto da economia - o que só ocorreria muitas décadas depois". As transformações políticas do Estado antecederam as transformações econômicas e a própria hegemonia política do setor industrial sobre o Estado. Existiu uma natural defasagem entre o ritmo da transformação política e o da transformação econômica. A primeira abriu caminho para que a segunda pudesse se desenvolver mais rapidamente. Mais do que exceção essa parece ter sido a regra das revoluções políticas burguesas. * Capítulo do livro "Marxismo, história e revolução burguesa: encontros e desencontros" da editora Anita Garibaldi. ** historiador, mestre em ciência política pela Unicamp e secretário-geral da Fundação Maurício Grabois. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101116/a0bddb2d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24954 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101116/a0bddb2d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 16 19:11:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Nov 2010 19:11:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Veja link sobre o Poder Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: chicovan THE OBAMA ? THE MASK COMES OFF Favorite clique http://www.viddler.com/explore/Bootlead/videos/20/2.366/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101116/51d5b6f2/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101116/51d5b6f2/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 16 19:45:18 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 16 Nov 2010 19:45:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] OAB promove ato em defesa do advogado Herber Reis Message-ID: <1CF298E93AFD49A4B4962D27F72C28DE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem http://www.oparaguacu.com.br/novembro/oabpromoveatoemdefesa.htm (clique no link e veja com as fotos) OAB promove ato em defesa do advogado Herber Reis Os advogados Etienne Magalhães, Gilmar Araújo, Pablo Picasso e Ilson Azevedo protocolam recurso no Fórum em Iaçu. Indignados com o que consideraram atitude injusta, autoritária e corporativista da magistratura contra o exercício da advocacia, um grupo de advogados da subseção da OAB de Itaberaba e da seccional OAB da Bahia, protocolou na segunda-feira 8, o Recurso de Apelação contra a sentença que condenou o advogado itaberabense Herber da Silva Reis. Dirigentes da OAB informam que o advogado tem sofrido fortes represálias, a começar por sua prisão arbitrária determinada pelo juiz Carlos de Oliveira Símaro, titular da Vara Crime da Comarca de Iaçu, no dia 5 de outubro de 2009, quando Herber reclamou verbalmente das atitudes e posturas do magistrado. Apesar da presença ordeira e silenciosa, os advogados promoveram um ato de desagravo ao acompanharem em delegação, o protocolamento do recurso, "para que a Justiça reveja a sentença, e restaure-se a harmonia nas relações entre os operadores do direito", salientou o presidente da Ordem, Etienne Costa Magalhães. "Manifestamos nossa solidariedade ao colega Herber Reis, que foi vilipendiado no direito ao exercício de sua profissão - afirmou o jurista Ilson Azevedo em frente ao Fórum Dr. Geraldo Mota - pois estamos confiantes que o Tribunal saberá corrigir o equívoco cometido pelo Ilustre Magistrado de 1º Grau". O ato foi acompanhado por 12 advogados, dentre eles o conselheiro seccional da OAB-Bahia, Gilmar Araújo Ribeiro, além de juristas dos municípios vizinhos. O episódio Tudo começou com um telefonema de Herber para o juiz Símaro, pedindo informações sobre um determinado processo, ao que o magistrado negou informar via fone, "interrompendo a ligação bruscamente". Informou o advogado, acrescentando que em seguida se dirigiu para o fórum em Iaçu, onde foi recebido pelo Juiz, estabelecendo-se a interpelação. "A atitude de V. Exa. é arbitrária e prepotente" - disse Herber, ao que o juiz reagiu dando voz de prisão - "por desacato à autoridade" - determinando aos policiais em plantão no Fórum o cumprimento da ordem. Testemunhando o incidente forense, o jurista Ivan Santos acompanhou seu colega detido, levando-o à delegacia em seu carro sob a escolta policial. Meia hora depois chega à delegacia o presidente da OAB, Etienne acompanhado pelos colegas dirigentes da ordem Jurandy Oliveira Ferreira, Archibaldo Nunes Santos e Pablo Dias, que juntos ao delegado de polícia Renato, presenciaram a lavratura do Termo Circunstanciado - TC, ficando o advogado em liberdade. Do TC elaborado na Delegacia de Iaçú gerou um processo criminal contra Herber Reis, que passou a tramitar na Vara Crime da Comarca de Iaçú. A delegação da OAB com os juristas: Carlos Cincurá, Archibaldo, Pablo, Gilmar, Jurandy, José Guedes, Danielle Mascarenhas, Tânia Fraga, Gabriel Pinheiro, Janeide Alves, Leonardo Moscoso, Etienne Filho, Etienne Magalhães e Ilson Azevedo. Condenação sem defesa Nas 16 páginas do Recurso de Apelação protocolado em Iaçu pelos dirigentes da OAB, o jurista Luis Augusto Coutinho levanta a tese em que, o processo que condenou Herber cerceou seu direito de defesa. O julgamento do processo coube ao juiz substituto, Raimundo Dórea Costa, titular da Vara Crime da Comarca de Itaberaba, 3º Substituto da Comarca de Iaçú. A audiência preliminar realizou-se no dia 3 de dezembro de 2009, em Itaberaba, com a presença do acusado que rejeitou a proposta de transação penal, apresentada pelo Ministério Público, que consistia no pagamento de 10 salários mínimos. Na Instrução Processual, quando da audiência ocorrida no dia 20 de outubro passado, Herbert justificou sua ausência por meio de atestado médico, solicitando a designação de nova assentada. Na terceira audiência em 27 do mesmo mês, pediu novo adiamento por motivos de saúde, na condição de hipertenso, vítima de AVC, em risco de crises imprevisíveis aos 62 anos. Interpretando que os atestados de saúde do acusado tinham fins procrastinatórios, o magistrado indeferiu o pedido de adiamento, instruiu o feito e prolatou a sentença, condenando o advogado à pena de um ano de detenção em regime aberto, convertida em multa de 10 salários mínimos. "O indeferimento da última audiência feriu a norma processual penal e maculou a Constituição Federal" - reclamou o presidente da OAB - "nada justifica a decisão do Juiz que manteve a audiência, designou advogado ad-hoc para a defesa sem conhecer o feito, instruiu o processo e proferiu a sentença no mesmo dia"! O presidente da OAB levanta a suspeita de que a celeridade do processo atendeu a interesses estranhos à técnica jurídica, lembrando que "o processo contra Herber recebeu tramitação acelerada, atentando-se contra o princípio constitucional que assegura a qualquer cidadão a ampla defesa e o contraditório". Instaurado em dezembro passado, o processo ficou concluso em apenas 10 meses, com a sentença baixada em 27 de outubro último! Sentença com caráter intimidatório O conselheiro da OAB, Gilmar Araújo, denuncia intimidação. Citando normas constitucionais e princípios do estatuto da advocacia, o jurista Gilmar Araújo Ribeiro, conselheiro seccional da OAB Bahia, revela que o processo movido contra seu colega Herber Reis "não é um fato isolado", devido ao que considera "um certo clima de distanciamento que vem se intensificando ao longo dos anos, entre a posição dos juízes e a dos advogados". Ele argumenta que o processo "teve como objetivo principal deixar claro um recado intimidatório aos advogados jurisdicionados da subseção da Ordem, no exercício da profissão. Infelizmente, alguns juízes querem se posicionar hierarquicamente, com superioridade em relação aos advogados". Denuncia Gilmar Araújo. Lembrando o Artigo 31 § 2º. do Estatuto da Advocacia, Gilmar cita que o advogado não deve ter "nenhum receio de desagradar a magistrado ou a qualquer autoridade, nem de incorrer em impopularidade no exercício da profissão". O advogado é um profissional indispensável à administração da justiça com competência para reclamar verbalmente ou por escrito, perante qualquer juízo, tribunal ou autoridade, contra a inobservância de preceito de lei, regulamento ou regimento. Ao reclamar perante o juiz, Herber estava exercendo seus plenos direitos no exercício da advocacia. Ao concluir, o conselheiro da OAB e o Presidente ponderam que "não existe nenhuma predisposição dos advogados em provocar embates com os magistrados ou promotores, mesmo porque a justiça só sobrevive e alcança seus objetivos na célere prestação jurisdicional, quando é assegurada a independência e autonomia dos advogados, suas prerrogativas no exercício da advocacia e o respeito recíproco à igualdade na base do tripé do judiciário, constituído pelos advogados, promotores e Juízes". Imprimir http://www.oparaguacu.com.br/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101116/54168106/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 17 19:22:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 17 Nov 2010 19:22:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_FUNDA=C7=C3O_MAURICIO_GRABOIS=2E_?= =?iso-8859-1?q?Um_portal_completo=2E?= Message-ID: <6F7A5674B3C14A9AA3217ACBA98338FA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem FUNDAÇÃO MAURICIO GRABOIS. Um portal completo de documentação e história. clique http://grabois.org.br/portal/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101117/a8986197/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101117/a8986197/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 17 19:22:16 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 17 Nov 2010 19:22:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_Ex=E9rcito_boliviano_se_declara?= =?iso-8859-1?q?_socialista=2C_antiimperialista_e_anticapitalista?= Message-ID: <05318265EF294EFF8652EF2104C9FDCE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Max Altman Passadas as eleições presidenciais brasileiras quando todas as atenções estavam para elas voltadas, voltamos a levar as notícias de Nossa América - notícias que não aparecem em nossa grande mídia - aos amigos e amigas. _________________________________________ O Exército boliviano se declara socialista, antiimperialista e anticapitalista Por EFE - Agência Espanhola de Notícias La Paz - O Exército Boliviano, que celebrou domingo, 14, seus 200 anos de criação, se declarou "socialista'', "antiimperialista'' e "anticapitalista''. O comandante nacional do Exército, general Antonio Cueto, afirmou que a Constituição promulgada em 2009 "dá lugar a que o Exército surja como uma instituição socialista, comunitária''. "Nos declaramos antiimperialistas, porque na Bolívia não deve existir nenhum poder externo que se imponha, queremos e devemos atuar com soberania e viver com dignidade. Também nos declaramos anticapitalistas porque este sistema está destruindo a mão terra'', afirmou durante um ato pelo bicentenário do Exército. Essa instituição assume como ano de criação 1810, quando começaram as revoluções independentistas no atual território boliviano contra a coroa espanhola. Cueto criticou os "governos neoliberais'' bolivianos que "fizeram um pacto com o sistema capitalista, buscando a destruição das Forças Armadas'' do país, "com planos que diminuíam progressivamente sua capacidade operativa''. Ratificou que o Estado boliviano "é pacifista'', mas também se reserva "o legítimo direito à defensa'' de seu território e agregou que os militares ''não irão permitir sob nenhuma circunstância a instalação de bases estrangeiras'' em seu território. Por sua vez, o presidente Evo Morales pediu aos militares que estejam preparados' para defender a soberania da Bolívia, ante a possibilidade de que "qualquer império'' tente ''intervir militarmente''em seu país, como o fizeram há 200 anos para "combater o domínio espanhol''. "A história demonstra que o Exército nasce com uma posição antiimperialista porque combateu o império europeu desde 1810'', afirmou Morales, ao destacar que o ''nacionalismo militar'' das Forças Armadas não foi "importado nem imposto'', mas que nasceu em seguida à luta da Guerra do Chaco travada contra o Paraguai entre 1932 e 1935. Ao ato assistiram os comandantes dos Exércitos do Chile, Juan Miguel Fuente-Alba e do Equador, Patrício Cáceres, além de delegações militares da Argentina, Brasil, Chile e Peru. O Exército boliviano ratificou seu compromisso com o ''processo de mudança'' levado adiante pelo governo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101117/9ad1baba/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 18 19:29:59 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 18 Nov 2010 19:29:59 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_5a=2E_Mostra_Cinema_e_Direitos_Hu?= =?iso-8859-1?q?manos=2C_a_Secretaria_de_Direitos_Humanos_s=E1bado_?= =?iso-8859-1?q?dia_20_=E0s_18_horas_-_SP?= Message-ID: ----- Original Message ----- From: Vanderley - Revista To: Vanderley - Revista Sent: Thursday, November 18, 2010 7:14 PM Subject: 5a. Mostra Cinema e Direitos Humanos, a Secretaria de Direitos Humanos sábado dia 20 às 18 horas - SP Carta O Berro..........................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- Companheir at s, Por ocasião da 5a. Mostra Cinema e Direitos Humanos, a Secretaria de Direitos Humanos , em cooperação com a Cinemateca, estará trazendo a São Paulo , mais uma vez, a Exposição Fotográfca de caráter educativo-pedagógica chamada " A Ditadura no Brasil 1964-1985- que faz parte do Programa "Direito à Memória e à Verdade " da SDH. O Ministro Paulo Vannuchi estará presente na abertura da exposição no sábado dia 20 às 18 horas e na sequencia participará de uma mesa de debates com a presença do ator argentino, Ricardo Darin. Cinemateca . Largo Senador Raul Cardoso 207 - Vila Clementina - SP Esperamos o comparecimento de tod at s, Abraço M.Politi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101118/5ef7e231/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: convite cinemateca.jpg Type: image/jpeg Size: 65178 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101118/5ef7e231/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 18 19:30:03 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 18 Nov 2010 19:30:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_75_ANOS_DA_INSURREI=C3=87=C3=83O_NACIO?= =?utf-8?q?NAL_LIBERTADORA?= Message-ID: <532EA184630049F19D06B5DAC0F440B8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 75 ANOS DO LEVANTE DA ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA Em 1935 nasceu a Aliança Nacional Libertadora (ANL), um dos mais importantes movimentos de caráter antiimperialista e antifascista em nosso continente. Com forte influência do Partido Comunista do Brasil (PCB), seu lema era Pão, Terra e Liberdade. Perseguida e fechada pelo governo Vargas, ela acabou se orientando para insurreição armada. Em novembro eclodiram violentos e heróicos combates nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro. A sua derrota levou a uma das mais violentas repressões aos democratas e comunistas brasileiros. Milhares de pessoas foram presas e torturadas. Apesar de suas limitações e erros, os levantes de 1935 fazem parte das memoráveis lutas travadas pelo povo brasileiro. Participe e venha comemorar esse acontecimento fundamental na história do Partido Comunista em nosso país. Palestrante: Profº Drª Marly Vianna autora dos livros ?Revolucionários de 35? e ?Pão, Terra e Liberdade: Memória do Movimento Comunista de 1935?. Comentarista: Augusto Buonicore historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabois Dia 25/11 às 19h Na Rua Rego Freitas, 192 São Paulo Ao final da palestra serão distribuídos certificados de participação -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101118/ea299a86/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 19 19:01:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 19 Nov 2010 19:01:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__20_de_novembro=3A_Dia_da_Consci?= =?iso-8859-1?q?=EAncia_Negra?= Message-ID: <2700A6A4243443BD9B337496E907E1C3@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 20 de novembro: Dia da Consciência Negra Ricardo Riso * Adital - Conceição Evaristo - Poemas da recordação e outros movimentos Hoje não é nenhum absurdo nem exagero afirmar que Conceição Evaristo é a principal voz feminina da nossa literatura afro-brasileira. Por isso, devemos celebrar o lançamento de "Poemas de recordação e outros movimentos", pela editora Nandyala, em 2008, antologia poética que reúne poemas do passado e inéditos dessa mineira de Belo Horizonte, nascida em 29 de novembro de 1946. Desde os anos 1970 radicada no Rio de Janeiro, formada em Letras, Mestre em Literatura Brasileira pela PUC/RJ e Doutora em Literatura Comparada pela UFF/RJ, Evaristo teve sua estreia literária em 1990, na série Cadernos Negros, publicação anual editada pelo Grupo Quilombhoje com o intuito de lançar escritores afro-brasileiros, projeto iniciado em 1978. A partir daí, a poeta começou a ter seus textos, que navegam entre a poesia, o conto e o romance, em diversas antologias nacionais e estrangeiras. Individualmente, publicou os seguintes romances: "Ponciá Vicêncio" (2003 e já na segunda edição) e "Becos da Memória" (2006). A obra de Conceição Evaristo conduz-nos a um profundo mergulho na memória que navega entre as recordações individual e coletiva, "a memória bravia lança o leme:/ Recordar é preciso". Logo somos banhados pelas "águas-lembranças" de Evaristo que se posiciona como mulher negra e da comunidade negra em geral para transformar em poesia as suas "escrevivências". Estas são motivadas pelas lembranças familiares, formadoras do binômio vida-poesia, destacando-se a convivência com a mãe, "mulher de pôr reparo nas coisas,/ e de assuntar a vida", e que "me ensinou,/ insisto, foi ela,/ a fazer da palavra/ artifício/ arte e ofício/ do meu canto/ da minha fala", o aprendizado oral pelos provérbios, "quando se anda descalço/ cada dedo olha a estrada", e também do contato frutífero com a Tia Lia que "temperando os meus dias/ misturava o real e os sonhos/ inventando alquimias./ (...) Houve um tempo/ em que a velha/ me buscava/ e eu menina/ com os olhos/ que ela me emprestava,/ via por inteiro/ o coração da vida". O cruel desenvolvimento das adversidades pelas quais passam as mulheres negras através dos tempos, configurando a dor e as experiências de injustiças sociais, são demonstrados no poema "Vozes-Mulheres", no qual o sujeito lírico retoma as dores sofridas pela bisavó no passado de violenta escravidão, como ecos na memória de "lamentos/ de uma infância perdida". Relembra a submissão sofrida pela avó ainda escrava diante da "obediência/ aos brancos-donos de tudo", recorda os ecos das dores de sua mãe "no fundo das cozinhas alheias/ debaixo de trouxas/ roupagens sujas dos brancos". Até chegar no tempo presente, na sua voz que ainda "ecoa versos perplexos/ com rimas de sangue/ e/ fome", para atingir a consciência madura de sua filha, voz que "recorre todas as nossas vozes" e que se quer livre: "Na voz de minha filha/ se fará ouvir a ressonância/ o eco da vida-liberdade". A condição feminina aparece com frequência em seus poemas. Em "Do fogo que em mim arde" a coisificação da mulher é combatida: "Sim, eu trago o fogo,/ o outro/ não aquele que te apraz"; conduzindo à metapoesia e à afirmação de um sujeito feminino pleno: "Sim, eu trago o fogo,/ o outro/ aquele que me faz,/ e que molda a dura pena/ de minha escrita./ É este o fogo/ o meu,/ o que me arde/ e cunha a minha face/ na letra-desenho/ do auto-retrato meu". Portanto, verifica-se a rigidez de um sujeito lírico que possui a força de dar a vida, por fim, dar movimento ao mundo e que diz: "Eu fêmea-matriz/ Eu força-motriz/ Eu-mulher". Ao posicionar-se como negra e ao fazer literatura com cariz afro-brasileiro, torna-se inevitável apresentar temas que não integram o cânone e são excluídos por ele, tal como a denúncia do racismo presente em nossa sociedade que a ordem estabelecida insiste em negar e persiste com a mentira de que vivemos em uma democracia racial. Os poemas de Evaristo invocam este e outros assuntos referentes ao nosso cotidiano de cidadão negro e o poema "Meu Rosário" é um excelente exemplo por tratar da religiosidade híbrida brasileira - "Nas contas de meu rosário eu canto Mamãe Oxum e falo/ padres-nossos, ave-marias" -, a discriminação permanente que o negro é submetido em uma cerimônia cristã - "As coroações da Senhora, em que as meninas negras,/ apesar do desejo de coroar a Rainha,/ tinham de se contentar em ficar ao pé do altar/ lançando flores" -, escancara o subemprego dos nossos pares - "As contas do meu rosário fizeram calos/ nas minhas mãos/ pois são contas do trabalho na terra, nas fábricas,/ nas casas, nas escolas, nas ruas, no mundo". Entretanto, permanecem os "sonhos de esperanças" e a transformação do verbo em poesia - "E neste andar de contas-pedras,/ o meu rosário se transmuta em tinta,/ me guia o dedo,/ me insinua a poesia". Intertextualizando com Carlos Drummond de Andrade, para nós negros há sempre incontáveis "pedras no meio do caminho". Para suportar e superar "a áspera intempérie/ dos dias", necessita-se assumir "a ousada esperança/ de quem marcha cordilheiras/ triturando todas as pedras/ da primeira à derradeira", "moldando fortalezas-esperanças" para sobreviver diante de tantas desigualdades e perseguições ao nosso povo, principalmente aos jovens, vítimas constantes da violência policial e demonstrada com sutileza pelo sujeito lírico: "E pedimos/ que as balas perdidas/ percam o rumo/ e não façam do corpo nosso,/ os nossos filhos,/ o alvo". Fatos recorrentes que revoltam, o incômodo por séculos de opressão não segura mais a língua metamorfoseando a conjungação dos verbos: "E não há mais/ quem morda a nossa língua/ o nosso verbo solto/ conjugou antes/ o tempo de todas as dores". Sendo assim, o sujeito lírico atua como agente de mudança da História e propõe o seu grito de liberdade: "E o silêncio escapou/ ferindo a ordenança/ e hoje o anverso/ da mudez é a nudez/ do nosso gritante verso/ que se quer livre". Devemos frisar que o poeta afro-brasileiro é um partícipe ativo - e por sinal, incômodo - da presença negra na literatura brasileira, assim como possui plena consciência da necessidade de uma revisão crítica da História oficial que minimiza o passado de séculos de escravidão e a exclusão social que se perpetua para a maioria de nossos pares na contemporaneidade. Só resta ao sujeito lírico cumprir seu papel e assumir essa condição, ou seja, denunciar "o que os livros escondem,/ as palavras ditas libertam. E não há quem ponha/ um ponto final na história". Com isso, os poemas de Conceição Evaristo possuem o predomínio temático das diversas e urgentes questões afro-brasileiras e também da mulher, todavia, sua poesia navega com desenvoltura pela metapoética, demonstrando reverência ao verbo poético, transbordando lirismo e emocionando as retinas: "Quando eu morder/ a palavra,/ por favor/ não me apressem,/ quero mascar,/ rasgar entre os dentes,/ a pele, os ossos, o tutano/ do verbo,/ para assim versejar/ o âmago das coisas". E é assim "crivando buscas/ cavando sonhos/ aquilombando esperanças/ na escuridão da noite" e cosendo "a rede/ de nossa milenar resistência" que a poesia de Conceição Evaristo insiste na defesa inquestionável dos negros, persiste com as denúncias às condições discriminatórias sofridas por nós e amadurece em sua estrutura estético-formal. "Poemas da recordação e outros movimentos" mostram um verbo depurado de uma autêntica artífice da linguagem, marcando a sua posição destacada na construção de uma literatura afro-brasileira autônoma, para além de configurar a inclusão do nome de Conceição Evaristo entre o que vem sendo produzido de melhor qualidade na literatura brasileira contemporânea. * http://literaciaracismoecrime.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101119/ab22f559/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 69646 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101119/ab22f559/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 19 19:01:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 19 Nov 2010 19:01:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Campanha_pelo_fechamento_da_Es?= =?windows-1252?q?cola_das_Am=E9ricas_=28Fabrica_de_Assassinos_e_To?= =?windows-1252?q?rturadores=29?= Message-ID: <795CD90234494461908AC964091C7E27@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Sergio Caldieri Prezados Estou encaminhando a proposta de encamparmos e divulgarmos, essa importante campanha, encabeçado pelos nossos irmãos salvadorenhos. Abraços Valmiria Guida Fora Escola das Américas. Campanha pelo fechamento da Escola das Américas Tatiana Félix * Adital - Desde o último dia 16, milhares de militantes latinoamericanos fazem manifestações pedindo o fechamento da Escola das Américas, também chamada pelos defensores de direitos humanos de 'Escola de Assassinos'. "A Escola das Américas do Exército dos Estados Unidos é uma escola que produziu mais ditadores que qualquer outra escola na história do mundo", declarou certa vez o congressista estadunidense, Joseph Kennedy. Em El Salvador, o Serviço Internacional Cristão de Solidariedade com os povos da América Latina (SICSAL) está coletando assinaturas para campanha mundial pelo fechamento da Escola das Américas. As pessoas interessadas em aderir à causa e assinar a petição devem acessar: http://www.sicsal.net/denuncias/SOAW/index.php. As assinaturas estão sendo coletadas até domingo (21) e serão enviadas aos presidentes de El Salvador, Chile e Colômbia, com cópia para a embaixada dos Estados Unidos no Chile, Colômbia e Espanha. Na mensagem aos chefes de Estado, os ativistas pedem que os países não enviem mais nenhum soldado para ser treinado nesta Escola. Os militantes salvadorenhos e salvadorenhas têm um forte motivo para lutar com tanto empenho pelo fechamento da Escola das Américas. Há 21 anos, no dia 16 de novembro de 1989, acontecia uma das maiores ofensivas militares no país. Na ocasião, efetivos do exército assassinaram os sacerdotes jesuítas Ignacio Ellacuría, Ignacio Martín-Baróm Armando López, Juan Ramón Moreno e Joaquín López. Além deles, uma mulher, Elba Ramos, e sua filha de 15 anos, Celina, também foram mortas. "Por amor à vida, caíram os mártires da UCA e centenas de milhares de irmãos de toda América Latina. Por eles e elas, afirmamos a memória para que nunca mais tenha tortura, assassinatos, nem desaparecidos, a mãos dos exércitos de nossos países", reforça o SICSAL. Os crimes da UCA e centenas de outros cometidos pelos militares da Escola das Américas incentivaram a criação do movimento SOAW, nos Estados Unidos, contra a tortura, em defesa dos direitos humanos. Na América Latina o movimento é chamado de Observatório da Escola das Américas. Para o SICSAL, "é intolerante que ainda tenha países de nosso continente que enviam efetivos para ?se capacitarem? na Escola; entre os quais estão a Colômbia, Nicarágua, El Salvador, Panamá, México, Costa Rica, República Dominicana, Peru, Honduras, Haiti, Equador, Guatemala e Chile". A Escola das Américas, atual Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica, está localizada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. A Instituição existe desde a década de 40 e antes estava localizada no Panamá. Mais informações, acesse: www.soaw.org. Salvadorenhos fazem campanha pelo fechamento da Escola das Américas Letra A- A+ Tatiana Félix * Adital - Desde o último dia 16, milhares de militantes latinoamericanos fazem manifestações pedindo o fechamento da Escola das Américas, também chamada pelos defensores de direitos humanos de 'Escola de Assassinos'. "A Escola das Américas do Exército dos Estados Unidos é uma escola que produziu mais ditadores que qualquer outra escola na história do mundo", declarou certa vez o congressista estadunidense, Joseph Kennedy. Em El Salvador, o Serviço Internacional Cristão de Solidariedade com os povos da América Latina (SICSAL) está coletando assinaturas para campanha mundial pelo fechamento da Escola das Américas. As pessoas interessadas em aderir à causa e assinar a petição devem acessar: http://www.sicsal.net/denuncias/SOAW/index.php. As assinaturas estão sendo coletadas até domingo (21) e serão enviadas aos presidentes de El Salvador, Chile e Colômbia, com cópia para a embaixada dos Estados Unidos no Chile, Colômbia e Espanha. Na mensagem aos chefes de Estado, os ativistas pedem que os países não enviem mais nenhum soldado para ser treinado nesta Escola. Os militantes salvadorenhos e salvadorenhas têm um forte motivo para lutar com tanto empenho pelo fechamento da Escola das Américas. Há 21 anos, no dia 16 de novembro de 1989, acontecia uma das maiores ofensivas militares no país. Na ocasião, efetivos do exército assassinaram os sacerdotes jesuítas Ignacio Ellacuría, Ignacio Martín-Baróm Armando López, Juan Ramón Moreno e Joaquín López. Além deles, uma mulher, Elba Ramos, e sua filha de 15 anos, Celina, também foram mortas. "Por amor à vida, caíram os mártires da UCA e centenas de milhares de irmãos de toda América Latina. Por eles e elas, afirmamos a memória para que nunca mais tenha tortura, assassinatos, nem desaparecidos, a mãos dos exércitos de nossos países", reforça o SICSAL. Os crimes da UCA e centenas de outros cometidos pelos militares da Escola das Américas incentivaram a criação do movimento SOAW, nos Estados Unidos, contra a tortura, em defesa dos direitos humanos. Na América Latina o movimento é chamado de Observatório da Escola das Américas. Para o SICSAL, "é intolerante que ainda tenha países de nosso continente que enviam efetivos para ?se capacitarem? na Escola; entre os quais estão a Colômbia, Nicarágua, El Salvador, Panamá, México, Costa Rica, República Dominicana, Peru, Honduras, Haiti, Equador, Guatemala e Chile". A Escola das Américas, atual Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica, está localizada no estado da Geórgia, nos Estados Unidos. A Instituição existe desde a década de 40 e antes estava localizada no Panamá. Mais informações, acesse: www.soaw.org. Salvadorenhos fazem campanha pelo fechamento da Escola das Américas Letra A- A+ Tatiana Félix * -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101119/522c1de6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10660 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101119/522c1de6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 20 16:06:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 20 Nov 2010 16:06:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Filmes de 18 a 27 de novembro de 2010 Message-ID: <1CF4A3B5B001431EA5A976339CE6CDB4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Filmes da TV Brasil de 18 a 27 de novembro de 2010 Destaque Quinta-feira, dia 18 de novembro DOCTV América Latina - 23h O último soldado Filme trata da retirada das tropas militares norte-americanas do Panamá O documentário produzido no Panamá, O último soldado, é a próxima atração do DOCTV América Latina que a TV Brasil exibe na quinta (18), às 23h. O filme trata da retirada das tropas militares, da transferência das terras e da administração do Canal do Panamá por meio de muitas lutas ao longo de quase cem anos de presença norte-americana no país até o dia em que saiu ?o último soldado?. Os cem anos desta convivência estão marcadas na história registrada nos livros, mas há outra história que revela acontecimentos que nunca foram contados. O propósito do projeto é mostrar os acertos e desacertos das ações panamenhas e mostrar um povo em busca de sua identidade depois de retomar o controle de seu território. Ano: 2010. Gênero: Documentário. Duração: 52 min. País: Panamá. Direção: Luis Romero. O DOCTV América Latina é uma iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação/TV Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, e da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. Os documentários estão sendo exibidos semanalmente nas 18 emissoras de televisão pública participantes da Rede DOCTV Ibero- América. Ano: 2010 Gênero: Documentário. Duração: 52 min País: Cuba. Direção: Marilyn Solaya. Horário: Quintas, às 23h; reapresentação aos domingos, 1h45 Sexta-feira, dia 19 de novembro DocTV CPLP ? 22h O Rio da Verdade A ameaça de desertificação no noroeste de Guiné-Bissau As mudanças climáticas que ocorrem no planeta constituem uma ameaça à humanidade. O Parque Natural de Cachéu, situado na fronteira da Guiné-Bissau com o Senegal, sofre alterações que ameaçam seriamente o seu equilíbrio ecológico. O avanço progressivo do deserto do Saara e o uso não sustentável de suas matas pelas populações locais são as principais causas da desertificação e motivo de preocupação das autoridades e da direção do Parque. Numa narrativa dramática de várias vozes, o Rio da Verdade vai ao encontro das ações a curto e a longo prazo que estão sendo praticadas no país, com o objetivo de encontrar uma melhor solução para o problema. Ano: 2010 Gênero: Documentário. Duração: 52 min. País: Guiné-Bissau. Direção: Domingos Sanca . Co-produção: Domingos Sanca/ Telecine Bissau Produções/ Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ? CPLP O DOCTV- CPLP é uma iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação/TV Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. A série leva ao público nove documentários inéditos produzidos nos países da CPLP e em Macau, que serão veiculados simultaneamente na grade de programação das TVs que integram a Rede DOCTV-CPLP. A iniciativa integra uma operação de fomento e teledifusão do audiovisual em TVs públicas nos nove países da Rede, que são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau. Horário: Sextas, às 22h Programa de Cinema ? 23h Ôri Documentário aborda a construção da identidade negra no Brasil Lançado em 1989 pela cineasta e socióloga Raquel Gerber, Ôrí documenta os movimentos negros brasileiros entre 1977 e 1988, buscando a relação entre Brasil e África, cujo fio condutor é a história pessoal de Beatriz Nascimento, historiadora e militante, falecida trágica e prematuramente no Rio de Janeiro, em 1995. O filme foi concebido em época de grande impacto sócio político e cultural no Brasil. Busca a consciência do homem em relação à História e à reconstrução da identidade. A palavra Ôrí, significa cabeça, consciência negra, e é um termo de origem Yoruba (ref. à África Ocidental). Ôrí recupera junto aos movimentos negros a imagem do ?herói civilizador? Zumbi de Palmares para uma identificação positiva do homem negro na modernidade. A comunidade negra aparece em sua relação com o tempo, o espaço e a ancestralidade, através da concepção do projeto de Beatriz que vê o ?quilombo? como correção da nacionalidade brasileira. A fotografia é de Hermano Penna, Pedro Farkas, Jorge Bodanzky e outros. Música original do percussionista Naná Vasconcelos, arranjos de Teese Gohl; montagem de Renato Neiva Moreira e Cristina Amaral e texto de Beatriz Nascimento. Documentário. De Raquel Gerber. 1989 / Restauração digital 2008. 91min. Fotografia adicional Adrian Cooper, Jorge Bodanzky e Pedro Farkas. Trilha sonora Naná Vasconcelos. Horário: Sextas, às 23h ------------------------ DOC Especial - 0h45 Quilombo ? Do Campo Grande aos Martins Curta resgata parte da história do negro brasileiro Com direção de Flávio Frederico, o mesmo do longa premiado Caparaó, o Curta-Metragem Quilombo ? Do Campo Grande aos Martins retrata parte da história do povo negro brasileiro, que foi apagada com violência da história oficial. O documentário intercala o passado e o presente. De um lado, a tradição persistente de uma comunidade negra remanescente no interior de Minas Gerais. De outro, os fatos até então escondidos sobre a grandiosa Confederação Quilombola do Campo Grande, dizimada em meados do século XVIII. O filme foi premiado no Festival Guarnicê de Cinema do Maranhão; na Mostra Etnográfica do Rio de Janeiro; no Festival Internacional de Cinema de Arquivo, Recine; e no Festival Reel Sisters (EUA). Horário: 0h45 Sábado, dia 20 de novembro Programa de Cinema ? 23h30 Cruz e Sousa ? o Poeta do desterro A vida do poeta catarinense pelo olhar do cineasta Sylvio Back Filho de escravos, João da Cruz e Sousa (1861-1898) recebe educação europeia e se torna poeta. Mas o reconhecimento de sua obra vem somente após sua morte. O filme Cruz e Sousa ? o Poeta do desterro trata da reinvenção da vida, obra e morte do poeta catarinense, fundador do Simbolismo no Brasil e considerado o maior poeta negro da língua portuguesa. Através de 34 "estrofes visuais", o filme de Sylvio Back rastreia desde as arrebatadoras paixões do poeta em Florianópolis até seu emparedamento social, racial, intelectual e trágico no Rio de Janeiro. No ano do seu lançamento, o filme recebeu o Prêmio Glauber Rocha de Melhor Filme dos três continentes (Ásia, África e América Latina), e Menção Honrosa, pela pesquisa de linguagem, no Festival Internacional de Cinema de Portugal. E recebeu uma indicação ao Grande Prêmio Cinema Brasil, na categoria de Melhor Fotografia. Ano: 2000. Gênero: Drama. Direção de Sylvio Back, com Kadu Carneiro, Marcelo Perna, Maria Ceiça, Jacques Basseti, Léa Garcia. Domingo, 21 de novembro Cine Ibermedia ? 23h El Bola Filme retrata o drama de um adolescente do subúrbio de Madri e sua complicada situação familiar El Bola, de Achero Mañas, retrata a história de uma triste família marcada pela morte de um filho, no subúrbio de Madri. A chegada de uma outra família no bairro mostrará que há uma outra realidade, mudando a complicada situação. Pablo El Bola é um garoto de 12 anos que sofre de maus tratos por parte de seu pai. Sua situação familiar, que ele tem vergonha de expor, o faz evitar relações de amizade com outras crianças. A chegada de um novo companheiro de escola, com quem ele faz amizade, e o conhecimento de uma família onde existe comunicação e carinho, lhe dará forças para aceitar e, finalmente, enfrentar o seu problema. O filme conquistou o «Prémio Goya» de Melhor Filme na Academia de Cinema Espanhola, quando não era um dos principais favoritos. Título Original: El Bola. Espanha, 2000. Gênero: Drama. Direção de Achero Mañas, com Juan José Ballesta, Pablo Galán, Alberto Jiménez, Manuel Morón . 18 anos. Horário: Domingos, às 23h. Quinta-feira, dia 25 de novembro DOCTV América Latina - 23h Para vestir santos Documentário faz uma viagem visual através de retratos de personagens emblemáticas O filme inédito da Venezuela Para vestir santos é a próxima atração da série DOCTV América Latina II a ser exibida nesta quinta (25), às 23h. Trata-se de uma viagem visual através de retratos de personagens emblemáticas: os que ficaram a vestir santos, os solteirões. São histórias de vida de venezuelanos, que mostram a forma como eles interpretam o mundo, como lidam com o amor, com o sucesso, os costumes, suas histórias existenciais. Como é ser solteiro, como se estende o conceito de amor a outras possibilidades de amar que está além de um modelo de vida. Título Original: Para vestir santos. Venezuela, 2010. Gênero: Documentário. Direção de Rosana Matecki. 18 anos. O DOCTV América Latina é uma iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação/TV Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, e da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. Os documentários estão sendo exibidos semanalmente nas 18 emissoras de televisão pública participantes da Rede DOCTV Ibero- América. Horário: Quintas, às 23h; reapresentação aos domingos, 1h45 Sexta-feira, dia 26 de novembro DocTV CPLP ? 22h Eugênio Tavares - Coração Crioulo O filme mostra o legado que o poeta deixou à cultura cabo-verdiana Eugénio Tavares , o poeta que melhor soube expressar os sentimentos da alma cabo-verdiana, é a figura central do documentário Eugénio Tavares ? Coração Crioulo, de Júlio Silvão, e que a TV Brasil exibe nesta sexta (26), às 22h. O filme foi rodado na Ilha Brava, terra natal do poeta, escritor, músico e jornalista , na Praia, e em Lisboa. É um elogio à maestria com que Eugênio Tavares explorou na música e na poesia a trilogia Ilha, Mar, Amor, três objetos inseparáveis do seu pensamento poético-literário. Uma trilogia muito bem explorada. ?Ninguém até hoje entrosou melhor do que Eugénio Tavares esses três objetos, e de um modo tão íntimo, quase vivo, servindo ao mesmo tempo de palco para venerar o amor, através da mulher cabo-verdiana, na sua musica ?Ô mal de Amor ca bu matan, Ô mal de Amor ca bo dexam?, afirmou o diretor Julio Silvão. E continuou: ?Nunca a alma de um povo encontrou, tão perfeitamente, a sua expressão, numa única manifestação de arte. Através dos poemas e das músicas de Tavares e do cruzamento dessa trilogia com o pensamento dos diferentes escritores de gerações procedente, dos testemunhos dos velhos da ilha, dos músicos e declamadores, pode-se compreender a verdadeira dimensão desta trilogia e a sua manifestação na alma crioula, a maneira de ser, sentir e agir das gentes das ilhas, as histórias de amor, irreverência, emigração, saudades e liberdade". Ano: 2010 Gênero: Documentário. Duração: 52 min. País: Cabo Verde. Direção: Júlio Silvão . Co-produção: Júlio Silvão/Silvão?Produção, Filmes/ Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ? CPLP. O DOCTV- CPLP é uma iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação/TV Brasil, da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e da Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. A série leva ao público nove documentários inéditos produzidos nos países da CPLP e em Macau, que serão veiculados simultaneamente na grade de programação das TVs que integram a Rede DOCTV-CPLP. A iniciativa integra uma operação de fomento e teledifusão do audiovisual em TVs públicas nos nove países da Rede, que são: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Macau. Horário: Sextas, às 22h --------------------------- Programa de Cinema ? 23h A Hora da Estrela Filme retrata a tragédia social de uma retirante nordestina protagonizada por Marcélia Cartaxo A Hora da Estrela é baseado no romance homônimo de Clarice Lispector. É o primeiro longa-metragem de Suzana Amaral, e narra a tragédia social do retirante nordestino a partir do percurso de Macabéa, uma imigrante alagoana que abandona o Nordeste para viver na metrópole. O filme alcançou expressiva repercussão e conquistou alguns dos principais prêmios nos festivais de Brasília e Berlim. Macabéa é uma imigrante nordestina semianalfabeta que trabalha como datilógrafa numa pequena firma e que vive numa pensão. Lá ela conhece o também nordestino e operário Olímpico, e os dois começam a namorar. Glória, uma colega de trabalho de Macabéa, rouba-lhe o namorado, seguindo o conselho de uma cartomante. Macabéa também consulta a mesma cartomante, que prevê seu encontro com um homem rico, bonito e carinhoso. Macabéa sai feliz, sem saber o destino trágico que a espera. Marcélia Cartaxo recebeu o Urso de Prata em Berlim, em 1986, por sua interpretação de Macabéa. 1985. Gênero: Drama. Direção de Suzana Amaral, com Marcélia Cartaxo, José Dumont, Tamara Taxman, Fernanda Montenegro, Denoy de Oliveira, Lizete Negreiros, Umberto Magnani, Claudia Rezende e Maria do Carmo Soares. 14 anos Livre Horário: Sextas, às 23h Sábado, dia 27 de novembro Programa de Cinema ? 22h A ostra e o vento Filme do diretor Walter Lima Jr. marca a estreia de Leandra Leal no cinema Dirigido por Walter Lima Jr., A ostra e o vento é baseado no livro de Moacir C. Lopes e marca a estreia da atriz Leandra Leal, que tinha 13 anos na época, e foi muito elogiada pela crítica. O filme tem direção de fotografia de Pedro Farkas, trilha sonora de Wagner Tiso e canção-tema de Chico Buarque de Holanda. Trata-se da vida da jovem Marcela, que vive com o seu pai em uma ilha distante do litoral. Ele é o responsável pela manutenção do farol da ilha e a sufoca com um amor possessivo e autoritário. Em função da grande solidão imposta aos dois pelo lugar, ela se revolta contra o pai e desenvolve uma paixão pelo vento que açoita a ilha e que acaba se tornando um dos personagens da história. A ostra e o vento recebeu o prêmio de Melhor Atriz (Leandra Leal), no Festival de Cinema Brasileiro de Miami (EUA); o Prêmio Especial do Júri para Fernando Torres e os prêmios de Melhor Fotografia, Melhor Direção, Melhor Montagem e Melhor Filme, no Festival do Recife; troféu APCA nas categorias de Melhor Fotografia, Melhor Filme e Melhor Atriz Revelação (Leandra Leal), da Associação Paulista de Críticos de Arte; prêmio CinemAvvenire, no Festival de Veneza (Itália); e troféu Don Quixote, no Festival International de Films de Fribourg (Suíça). 1997. Gênero:Drama. Dirigido por Walter Lima Jr., com Lima Duarte, Leandra Leal, Fernando Torres e Débora Bloch, entre outros. 14 anos. Horário: sábado, 22h -------------------------------------------------------------------------------- Como Sintonizar Clique aqui para saber -------------------------------------------------------------------------------- EBC Brasília Departamento de Comunicação e Marketing SCRN 702 / 3 Bloco B - Brasília/DF - 70720-620 Telefone: (55 61) 3799.5200 / 3799.5234 Rio de Janeiro Rua da Relação, 18, 5º andar ? Lapa ? Rio de Janeiro/RJ ? 20231-110 Telefones: (55 21) 2117.6230 / 2117.6243 / 2117.6208 / 2117.6200 Ramais: 6212 e 6225 comunicacao at tvbrasil.org.br São Paulo Av. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101120/7ec97cc7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 20 16:06:31 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 20 Nov 2010 16:06:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Filme=2E_Lan=E7amento=3A_=22DEVER_?= =?iso-8859-1?q?CUMPRIDO=22_=2E_Baseado_em_fatos_reais_ocorridos_du?= =?iso-8859-1?q?rante_a_ditadura_militar_no_Brasil?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101120/6d72b918/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 57031 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101120/6d72b918/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 20 16:06:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 20 Nov 2010 16:06:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_V=CDDEOS_MST=3A_1=BA_Encontro_de_?= =?iso-8859-1?q?Assentados_em_S=E3o_Paulo?= Message-ID: <470C82DC3AE74AA297931351FBBCB03F@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem VÍDEOS MST: 1º Encontro de Assentados em São Paulo O MST organizou o 1º Encontro dos Assentados de São Paulo, entre 14 e 17 de novembro, para fazer um balanço da situação da áreas de Reforma Agrária, discutir as perspectivas da pequena agricultura e construir uma pauta de reivindições para o próximo governo. Participaram do encontro mais de 600 trabalhadores e trabalhadoras assentados, das 10 regionais do MST no estado de São Paulo. Assista ao vídeo: http://www.mst.org.br/Primeiro-Encontro-de-Assentados-em-Sao-Paulo Produzir óleo de girassol em assentamentos da reforma agrária é soberania alimentar e energética! Veja em: http://www.mst.org.br/Nossa-Producao-oleo-de-Girassol-SP Veja também a declaração de apoio ao MST da historiadora Anita Prestes, filha dos lutadores do povo Olga Benário e Luiz Carlos Prestes. http://www.mst.org.br/Eu-apoio-o-MST-Anita-Prestes Divulgue! -- Brigada de Audiovisual da Via Campesina -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101120/3d363650/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8267 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101120/3d363650/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 21 13:06:25 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Nov 2010 13:06:25 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__M=FAsicas_Inesquec=EDveis_-_GUAR?= =?iso-8859-1?q?DAR_A_7_CHAVES_-_para_ouvir=2C_copiar_e_guardar=2E_?= =?iso-8859-1?q?_______________________HOJE_=C9_DOMINGO!___M=DASICA?= =?iso-8859-1?q?S!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Enviado pela amiga Malvina, para a Carta O Berro e para você. Músicas Inesquecíveis GUARDAR A 7 CHAVES ESTE E-MAIL VALE A PENA SIMPLESMENTE ESPETACULAR !!!.... O INTERESSANTE DE TUDO É QUE DÁ PARA SALVAR AS MÚSICAS MÚSICAS INESQUECÍVEIS só clicar no tema que abrirá a página com a lista de músicas... Nacionais Elas Nacionais Eles Gospel & Gregoriana Comemorativas Latinas Novelas Francesas Instrumentais Internacionais A - B Internacionais C - E Internacionais F - W Internacionais Variadas Internacionais Variadas 1 Internacionais Variadas 2 Infantil Especial Elvis Presley Ave Maria Recordando Michael Jackson Italianas Filmes The Beatles Roberto Carlos Sertanejas Il Divo Links Simplesmente Beija Flor -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101121/412f3bed/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 21 13:06:39 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Nov 2010 13:06:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_CARTA_ABERTA_AO_MINISTRO_DA_JUSTI?= =?iso-8859-1?q?=C7A_DR=2ELU=CDS_PAULO_BARRETO?= Message-ID: <0FDD7386180C410692D383910033CB71@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Caros companheiros (as), a situação dos anistiados políticos brasileiros neste momento é crítica. Esta carta aberta é uma pequena contribuição à luta que eles desenvolvem em defesa de sua dignidade e pela restauração da verdade e da justiça. Peço passarem adiante, para que o maior número possível de interessados possam tomar conhecimento dos assuntos nela expostos. O abraço e a gratidão do, Paulo Martins CARTA ABERTA AO MINISTRO DA JUSTIÇA DR.LUÍS PAULO BARRETO Sr. Ministro: No dia 8/9/2010 V. Exciª publicou no jornal O Globo um artigo intitulado Anistia, reparação e confiança, no qual discorda da decisão do Tribunal de Contas da União de equiparar as reparações dos anistiados políticos a pagamentos previdenciários, atribuindo-se competência para proceder a revisão dos valores concedidos pela Comissão Nacional de Anistia (CNA). E promete que o Ministério da Justiça vai recorrer da decisão do TCU por meio da Advocacia Geral da União, no que vem reforçar a posição já assumida publicamente pela CNA. O artigo de V. Excia. é uma peça exemplar, não só na defesa da Lei 10559/02, que instituiu regime próprio para os processos de concessão de anistia política e de reparação de natureza explicitamente indenizatória, como no fortalecimento dos atos da CNA, criada por esta Lei, com amplos poderes para instalar os processos e julgá-los, ad referendum do Ministro da Justiça. Os milhares de anistiados do país só podem se congratular com V. Exciª. Mas, Sr. Ministro, uma pergunta se impõe, a exigir nossa reflexão: por que será que o TCU tomou esta decisão agora? Não parece suspeito que, de repente, ele se arvore o direito de interferir numa matéria que nunca foi de sua competência? Não é coincidência que esta decisão tenha sido tomada exatamente depois dos ataques cerrados que a CNA vem sofrendo por parte da grande imprensa, tentando desqualificá-la, em detrimento das vítimas da repressão política? Não é coincidência, também, que ela se dê concomitantemente a um recuo por parte do governo, no exercício do cumprimento da Lei 10559? O que nos parece claro é que tais coincidências não são frutos do acaso, mas provocadas pelas circunstâncias que geraram o grande descontentamento existente hoje entre os anistiados políticos com relação ao andamento de seus processos. É sobre isto que gostaríamos de nos referir. O cerco da grande imprensa .Os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e O Globo, e revistas como Veja são as verdadeiras cabeças da campanha desencadeada contra os atos da CNA, ora "denunciando" os valores "exorbitantes" atribuídos a esta ou aquela vítima da ditadura, ora o deferimento de processos de pessoas que, na visão deles, não deveriam receber coisa alguma. Estes órgãos de imprensa ficariam muito satisfeitos se o governo suspendesse os julgamentos ou criasse uma nova Comissão, dirigida, de preferência, por alguém da linhagem militar. Nessa campanha, foram até criados alguns termos tendenciosos, que, por contágio, tornaram-se uso comum em toda a mídia. Um deles é o nefasto ditabranda, que insinua que a nossa ditadura foi a mais branda da América Latina, ou melhor, nem foi uma ditadura, mas apenas um endurecimento passageiro do regime militar. Estes órgãos às vezes renegam o próprio passado, quando eram obrigados a circular com páginas inteiras em branco por força da rígida censura ditatorial. Outro termo, ainda mais nefasto, é o bolsa-ditadura. Com ele procura-se induzir a opinião pública a acreditar que os perseguidos do passado não passam de aproveitadores e oportunistas do presente, de meros beneficiários das graças do poder público. No fundo, é como se as perseguições não justificassem nenhuma indenização por parte do Estado, é como se as cassações, as demissões, os exílios, as prisões, as condenações, as torturas, as mutilações, as mortes e os prejuízos nos direitos fundamentais dos cidadãos fossem legítimos. O Estado não teria nenhuma responsabilidade. Não haveria justiça a ser feita, não haveria nada a reparar. As próprias palavras de V. Excia, ao se referir ao "processo de reconstrução da confiança pública dos cidadãos em relação ao Estado que, em tempos de arbítrio, os violou em sua integridade física e psicológica" só serviriam para encobrir as supostas ilegalidades e favorecimentos que eles denunciam. Não é de estranhar, portanto, que o contágio tenha chegado às portas do TCU. Estes órgãos de imprensa fingem desconhecer que tais indenizações foram ordenadas pela Constituição de 1988, da qual a Lei 10559 é um mero instrumento regulador. O que eles deveriam questionar, na verdade, é se a Constituição está ou não sendo cumprida, é se o governo está aplicando ou não a Lei 10559. Porque este, em princípio, é que é o papel que a imprensa costuma se atribuir: fiscalizar os atos do poder público. Mas o que eles estão fazendo é exatamente o contrário: criticam o cumprimento da Lei e desprezam o seu descumprimento. Fica, assim, unicamente para o cidadão, a tarefa de verificar se a lei está ou não sendo cumprida. E onde está a verdade? O recuo do governo A verdade é que, embora tenha havido um esforço inicial dos últimos governos para cumprir a Constituição e a Lei 10559, estas, de fato, têm sido deliberada e rotineiramente desrespeitadas, contrariando o que diz a imprensa. Não pretendemos nem pedimos que o Ministro da Justiça concorde com tal afirmação. Seria incoerente. Já basta lembrar que, se o TCU se decidisse pela revisão deste ou daquele processo, tanto ele como os ex-ministros Tarso Genro, Márcio Thomaz Bastos e outros é que se transformariam em réus, e não os anistiados por eles julgados. E não podemos aceitar que os ministros da justiça sejam julgados por estes atos. (Nesse aspecto, aliás, o artigo de V. Exciª não deixa de ser em causa própria, isto é, em defesa de si mesmo e de seus antecessores, o que, evidentemente, não invalida a sua justeza). Além do mais, a questão do descumprimento da Lei a que nos referimos não é técnica e sim política. E aqui é que seria de se esperar que o atual Ministro da Justiça fizesse um gesto generoso e digno do aplauso público que marcaria para sempre sua passagem pelo Ministério da Justiça, dando mais um passo à frente e indo ao âmago da questão. No fundo, é isso o que todos os anistiados gostariam que ele fizesse. Em setembro de 2009 o ex-Ministro Tarso Genro, pressionado de todos os lados pelas entidades de defesa dos interesses dos perseguidos políticos, resolveu convocar um Seminário sobre o Sistema de Reparação dos Anistiados Políticos, no salão nobre do Ministério da Justiça, para ouvir suas queixas e críticas aos processos da CNA. Prometeu comparecer, mas lá não foi. O Ministério do Planejamento ficou de enviar um representante, que também não apareceu. O da Defesa, também convidado, nem sequer se deu ao trabalho de confirmar o recebimento do convite. O seminário quase foi cancelado, com mais de 300 pessoas completamente à deriva. Não fosse a cúpula da CNA, à frente o Dr. Paulo Abrão, que lá estava, seria menos que um fracasso. O Dr. Paulo ouviu a todos, anistiados dos mais diversos setores da sociedade e numerosos advogados especializados nos processos da CNA. Mas não pôde responder à altura as numerosas queixas e críticas, até porque não tinha como. E não tinha porque o governo foi ali responsabilizado de forma fundamentada e inquestionável, pela situação caótica dos processos de anistia, e até acusado de perseguição aos anistiados e decisões injustas. Por isso, preferiu limitar-se a reafirmar a defesa dos anistiados, a fidelidade à sua causa etc, mas deixando claro que as dificuldades de sua função eram muitas. Todos puderam entender que a aquela situação calamitosa decorria de ordens superiores. Seria de se esperar que, depois deste seminário, as coisas melhorassem. Mas o que se deu, em alguns aspectos, foi um novo retrocesso. Por que isto está acontecendo, Sr. Ministro? Uma história triste e vergonhosa Para que se tenha uma idéia do quadro geral dos processos de anistia, somos obrigados a montar uma pequena história. É uma síntese de várias histórias individuais, que começamos a tomar conhecimento nesse Seminário sobre Reparação, e que nunca mais paramos de ouvir. É a história de um perseguido político típico, com inúmeras prisões, torturas, mutilação, condenação, clandestinidade forçada, cerceamento do exercício do trabalho profissional e do estudo etc. Ele só vai entrar com seu pedido de reparação no início de 2004, optando, por desconhecimento mais profundo da Lei, pela parcela única. À petição anexa provas exaustivas e contundentes, inclusive certidões fornecidas pelos arquivos públicos dos estados onde esteve preso, e pela ABIN. Mas só dois anos depois ? imagine Sr. Ministro ?, só em 2006, é que a CNA vai enviar um ofício ao STM pedido informações sobre o seu caso, pedido desnecessário, diga-se de passagem, porque provas irrefutáveis já estão no processo, inclusive certidões de condenação, inquéritos policiais e ordens de captura. Por sua vez, o STM só responde o ofício da Comissão, decorridos mais dois anos, isto é, em 2008. Depois disso, o processo entra como que em estado de hibernação, e só neste pequeno trâmite já se passaram quatro anos! Em começos de 2009, nosso herói contrata um advogado e tomam um avião para Brasília. A situação parece absurda. O que falta para o julgamento de seu processo? Sua decepção é ainda mais completa quando consegue ler os autos. Parece que não deu um só passo, senão aquele descrito acima. Pensa até em desistir, mas mesmo este gesto é uma perda de tempo. Vê que não tem nada a fazer, e volta para casa. Mas eis que, em novembro de 2009, seis anos depois de haver entregue a sua petição, dá uma olhada no site da CNA e toma um susto: como que milagrosamente, o processo dele consta da pauta dos que irão a julgamento na próxima sessão. Em poucos dias, já pode ler o resultado: deferido. Pela primeira vez suspira aliviado. Envia então um e-mail à CNA, pedindo informações de quando irá receber o que lhe cabe, que ainda não sabe quanto é. Para tanto, utiliza-se do canal "fale conosco", oferecido pelo site. Passam-se semanas, e nenhuma resposta. Resolve telefonar, mas o telefone da Comissão nunca responde. Se não desse sinal de ocupado algumas vezes, pareceria que não é para uso, mas só para decoração. Ele insiste quase duas semanas e um belo dia é como se ganhasse na loteria: uma voz lhe socorre e lhe tranqüiliza: deve esperar a comunicação oficial por carta, com a ata do julgamento, pela qual ficará sabendo quanto vai receber. Um mês depois, nosso herói volta à carga, com o mesmo sacrifício da longa espera. Não ganhou? Pois então quer receber. Mas pedem-lhe um pouco mais de paciência, além dos seis anos e três meses já decorridos. E só no começo de abril de 2010, é que ele vai receber uma carta da Comissão. Lá está a ata do julgamento, a sentença e o valor que receberá. Fica comovido: o Estado lhe pede desculpas pelas perseguições de que foi vítima e ele é declarado oficialmente um anistiado político. Pelos anos de perseguição teria direito a receber o equivalente a 600 salários mínimos, aproximadamente, ou mais de R$300.000,00, o que daria para reconstruir sua vida miserável. Mas logo vê que não é bem assim, que isto é apenas o cálculo. Pela Lei, o valor real a receber não pode ultrapassar R$100.000,00. E se estiver de acordo, terá ainda que assinar um termo de desistência de recurso. Coincidentemente, ele já está com um recurso pronto, pois descobriu que tem direito a receber uma prestação continuada. No entanto, depois de muito refletir sobre aqueles longos seis anos de espera, resolve assinar o termo e remeter, junto à ficha cadastral e à comprovação de conta bancária para o depósito. Amigos com experiência anterior lhe informam que ainda levará de 20 a 30 dias para o recebimento. Findo este prazo, ele irá diariamente ao Banco verificar seu saldo. E desde então começa o fenômeno comum a todos os que têm seus processos deferidos: por desconhecimento, desinformação ou ingenuidade, começam a gastar o dinheiro antes do tempo, premidos por emergências e situações pessoais desastrosas, inclusive de saúde. Nosso herói tem duas particularidades: sua saúde, em decorrência das seqüelas das torturas sofridas nas prisões, é muito precária, e para conseguir uma aposentadoria de R$750,00 mensais, o máximo que seu tempo de recolhimento permite, terá que pagar um atrasado elevado. Ele depende de sua indenização para isso. Um dos pedidos de sua petição foi a contagem do tempo em que esteve perseguido, incapaz de exercer um trabalho legal, para efeito de aposentadoria. Teria direito, de acordo com o Parágrafo III do Art. 1º da Lei 10559. Mas não lhe concedem o benefício, simplesmente desprezam o pedido, sem nenhuma explicação. Pelo que se viu no seminário, o INSS não cumpre decisões com base nesse artigo, mandando o processo para as calendas gregas. Depois de 60 dias de desespero, nosso herói resolve mais uma vez ligar para a CNA, e só então fica sabendo que ainda precisa esperar a confecção da portaria. E o fato é que sua portaria só vai chegar ao gabinete do Ministro da Justiça seis meses depois de sua sentença! E pior ainda: o Dr. Luiz Paulo Barreto só vai assiná-la 90 dias depois de tê-la recebido! Nesse momento, sua situação financeira já é irremediável. Bem, mas quem já sofreu tanto, suporta sofrer mais um pouquinho. Afinal o Ministro já assinou a sua Portaria, e esta já foi publicada no Diário Oficial. O assunto está liquidado. Finalmente ele vai receber o que tem direito. Um mês após a publicação no DOU, o dinheiro ainda não saiu. Nosso herói está confuso. Por que não lhe pagam? Por que lhe perseguem? Tudo agora depende do Ministério do Planejamento, do Dr. Paulo Bernardo. Telefona para lá e uma funcionária anuncia: "Foi bom o senhor ligar, precisamos conferir os seus dados. Seu nome completo...?" Ele não se impacienta e responde com estoicismo a tudo o que lhe perguntam. Por último, pedem-lhe que envie cópia autenticada de todos os seus documentos, além de comprovantes de endereço e de conta bancária. "Novamente?", indigna-se. E se enfurece: "Minha senhora, eu não tenho mais processo. Ele já foi para o setor de arquivo e memória há mais de um mês. É coisa do passado. Por que estão retendo o meu dinheiro? Este é um direito constitucional." "Bem, o senhor é quem sabe. Se não enviar os documentos, vai ficar tudo parado." "Eu tenho pressa, preciso fazer uma cirurgia, já três vezes adiada", insiste ele. "Então mande um laudo médico", lhe responde a gentil funcionária. "Laudo médico? No meu processo já anexei mais de 10, e ainda querem mais um? Isto é humilhante!" Diretores de diversas associações de anistiados ficam pasmos com aquele procedimento. É a primeira vez que o Ministério do Planejamento pede estes documentos a um anistiado. Em todo caso, é bom obedecer. Eles são poderosos. Parece que criaram uma nova rotina, isto é, um novo processo, só para o pagamento. Imediatamente, nosso herói tira cópias de seus documentos e contas, e atende à solicitação da gentil senhora, gastando mais um dinheirinho com Sedex. Passa-se mais um mês, e nada. Aproxima-se de um ano que seu processo foi julgado. Lembra que os fatos que lhe deram direito àquela reparação começaram a acontecer há 45, 50 anos atrás. E só para aprovarem uma lei regulamentando a Constituição levaram 13 anos! Não seria melhor esquecer tudo? Já está muito velho para esperar mais. Assim o país faz economia. Este, afinal, é um governo que ele ajudou a eleger. E que precisa ajudar um pouco mais, com sua compreensão e sua renúncia. Apesar desses pensamentos, resolve telefonar uma última vez ao Ministério do Planejamento. Quer confirmar se seus documentos realmente chegaram. Sim, já estão lá, anexados ao processo. E o pagamento, existe alguma previsão? "Não, nenhuma." Não será este mês? "Não acredito." "No próximo?" "Não podemos dizer nada. Tudo é uma questão de verba. Quando houver verba, o senhor irá receber." Claro, como poderia receber se não houvesse dinheiro? O difícil, muito difícil mesmo, é acreditar que não haja dinheiro. O próprio governo propala sua formidável disponibilidade. E assim a história se encerra, no seu próprio e irracional prolongamento. Desumana e cruel. De prazos e cálculos Aqueles que tiveram a sorte de entrar com suas petições no início da vigência da Lei 10559 foram atendidos de forma mais ou menos rápida. Analisei muitos processos, alguns julgados em tempo recorde: um ano, dois, três no máximo. E depois dos julgamentos todos receberam suas indenizações num prazo razoável. Os menos afortunados, com 90 dias. Outros com 60. E houve quem recebesse com apenas 30 dias. Os Ministros da Justiça sempre confiaram na CNA e assinavam as portarias tão logo os processos deferidos chegavam às suas mãos. Oito, dez, quinze dias, no máximo. Depois, todos estes prazos foram se dilatando. Finalmente, em meados de 2009, chegaram ordens superiores para que tudo fosse protelado. Os processos se acumularam. De centenas, passaram a milhares. E tudo ficou ainda mais difícil. Mas, com protelações ou não, sejamos honestos Sr. Ministro: não há nada que justifique que os julgamentos demorem cinco, seis, sete ou mais anos. Isto é um absurdo. No mais, se houve julgamento, tem que haver pagamento. Os Ministros têm o poder de negar. Que o façam, então. Mas adiarem indeterminadamente uma simples assinatura é um gesto inaceitável. Um abuso de poder. Estes prazos inaceitáveis parecem justificados pelo volume de processos ou pela lentidão com que as informações necessárias são prestadas pelos órgãos públicos, em particular os ligados às forças armadas. Mas não são. Como diz o Dr. Luiz Paulo Barreto em seu artigo, a Lei 10559 "criou uma dinâmica probatória simplificada, na qual o ato de anistia e reparação torna-se completo e acabado com a decisão do Ministro da Justiça." Num regime assim, ao abrigo da lenta burocracia processual dos nossos tribunais, justifica-se que um processo leve tanto tempo para ser julgado? Justifica-se que, após o julgamento, o governo leve ainda um ano inteiro para pagar a indenização a que se tem direito? Se houvesse vontade política nada disso aconteceria. Se houvesse firmeza do governo nem o TCU meteria o dedo onde não é chamado. Pior ainda está acontecendo com os processos de "prestação continuada". Os não deferidos se tornaram ainda mais lentos e os deferidos estariam praticamente parados no Gabinete do Ministro da Justiça. Pelo que se sabe, antes que o TCU o faça, o próprio Ministro teria determinado uma triagem minuciosa e uma revisão dos julgamentos, antes de assinar qualquer portaria. Parece que a CNA, pela primeira vez, perdeu a relativa autonomia que possuía. Em 2009 ela já tinha recebido instruções para calcular a menor o valor das prestações continuadas. O cálculo passou a ser feito de acordo com a cotação do mercado de trabalho, embora a Constituição diga claramente que aos anistiados ficam asseguradas todas as vantagens "a que teriam direito se estivessem em serviço ativo". Se a grande imprensa não quer isso, que se mude a Constituição. E a Constituição só pode ser mudada pelo Poder Legislativo. Por último, é preciso falar da própria Lei 10559. Boa, no geral, ela falha num aspecto fundamental. O parágrafo 2º do Art. 5º é uma verdadeira aberração jurídica. A Lei limita as reparações em prestação única a 30 salários mínimos por ano de perseguição, para, em seguida, instituir, no § 2º, um novo limite, agora em valor monetário: "em nenhuma hipótese o valor da reparação econômica em prestação única será superior a R$100.000,00". Ora, quem recebeu 100 mil no ano em que a Lei passou a vigorar (31 de maio de 2001, como medida provisória, e novembro de 2002, já como Lei promulgada), quase não pôde sentir contradição entre os dois limites: 100 mil reais representavam mais de 555 salários mínimos, ou 19 anos de perseguição política, isto é, quase todo o período "anistiável". Hoje representa apenas 196 salários mínimos, capaz de indenizar apenas 6,5 anos de perseguição. Concluindo: a ninguém é dado mais o direito de reivindicar perseguição superior a 6,5 anos, mesmo que tenha sido perseguido por 20 anos. Por justiça, este valor deveria ser ao menos corrigido pela inflação oficial, já que não pode ser pelo salário mínimo. A Lei precisa ser igual para todos, e não está sendo. Para casos iguais estão correspondendo valores muito diferentes e para casos diferentes valores praticamente iguais. Daqui a dez anos, muitos ainda terão que pagar para fazer jus a um benefício de 100 mil. De fato, as despesas com advogados, reunião de provas, viagens e outras, poderiam reduzir este dinheiro a um valor insignificante ou até negativo. Isto para não falar da ameaça de uma inflação galopante. Ou na humilhação dos longos anos de espera, que dinheiro nenhum pode pagar. Eis uma nova versão da anistia punitiva, que Ruy Barbosa descreveu magistralmente em sua obra Anistia Inversa. Não seria o caso Sr. Ministro, do governo enviar um projeto ao Congresso revendo os critérios desse teto? Mas a questão do valor da indenização não é o aspecto mais importante do problema. Porque não existe nada, absolutamente nada no mundo que possa compensar um único dia passado sob as garras da repressão política. A tortura é um crime de lesa-humanidade, que não tem como ser reparado. A não ser simbolicamente. Então, que assim seja. Mas, pelo menos, com o devido respeito. Uma história de covardia Por que chegamos a este ponto? É necessário dizer que o desrespeito à Lei, principalmente nos casos dos beneficiários de prestação continuada, provocou uma avalanche de recursos (atualmente mais de 10 mil), criando novas dificuldades para a CNA. Ao mesmo tempo, sabe-se que o governo não tem dado o apoio material e humano necessário para seu pleno funcionamento. Comenta-se que, recentemente, 100 funcionários que prestavam serviço a ela teriam sido transferidos para outros órgãos, o que não temos como comprovar, mas, pelos antecedentes, acreditamos. Além disso, o governo tem feito vista grossa às resistências ou à morosidade de diversos órgãos em prestar informações à Comissão, como o INSS e os subordinados ao Ministério da Defesa. No seminário aqui aludido, ficou patente que os órgãos das Forças Armadas sabotam quase sempre os pedidos de informação da CNA, assim como não cumprem as suas decisões. Isto é, resistem ao próprio Ministério da Justiça, ou seja, ao governo. E o que faz o governo? O presidente Lula já teria dito que não vai se atritar com os militares por causa dos casos de tortura e perseguição política do passado, postura esta que justificaria também a nefasta posição assumida pelo governo na votação da ADPF-153 no STF, recentemente. Este é um lado do problema. O outro é a protelação pura e simples dos pagamentos. O sujeito ganha, mas não recebe. Como o dinheiro não é corrigido, tanto faz pagarem hoje como daqui a um ano. Assim, o governo economiza. E o anistiado que se dane. Ironicamente, o atual governo nem existiria se não fossem os anistiados políticos. Pois foi a aguerrida militância de esquerda, originária dos grupos saídos das lutas de resistência à ditadura, que deram o suporte indispensável para a ascensão das forças que estão no poder. E estes velhos militantes são agora tratados como marginais suplicando as esmolas da lei. E o pior é que o governo manda protelar não por uma questão de economia. Dá a nítida impressão de que o faz com medo da grande imprensa, e para contemporizar com a extrema direita, sempre alerta. Usa a protelação para dizer que não está gastando tanto assim, como se alega. É como se estivesse a pedir desculpas a seus opositores. Não é difícil, também, sentir nisso tudo o cheiro forte e intragável do processo eleitoral. Eis o que se pode chamar de uma política covarde, de desrespeito e menosprezo pelo passado e pela verdade. Aquilo que parece mera coincidência, na verdade não passa de uma conjunção de interesses. No fundo, o governo só pode ver com bons olhos a decisão do TCU. Tira uma carga de sua cabeça e com isso pode protelar ainda mais as decisões e os pagamentos. Mesmo que, oficialmente, o ministro da justiça não concorde. É o que está acontecendo. Os indeferimentos Resta-nos apenas falar dos casos de indeferimento. Muitos são justos. Sabemos que os oportunistas de plantão estão à espreita, tentando arrancar o seu pedaço. Mas existem muitos processos indeferidos injustamente. Um exemplo são aqueles em que a vítima possui poucas provas materiais das perseguições sofridas, já que foi presa e torturada de forma clandestina, sem nenhum registro oficial, tendo enfrentado graves conseqüências na sua saúde, além de um completo descompasso na sua vida profissional, com perda de emprego ou demissão forçada ou fraudada. É urgente reexaminar esses processos e instituir a oitiva de testemunhas idôneas, para não se cometer injustiças. E se o julgamento dos recursos tem que se dar basicamente pela ordem de entrada, não se pode deixar de levar em conta as prioridades. Pessoas idosas, acima de 70 anos, deveriam ter prioridade. Se um processo normal já é lento, um recurso, tido como secundário, quando será julgado? Muitos dos recorrentes certamente morrerão na fila, se não tiverem prioridade. Por falar nisso, é bom ressaltar que já não são poucos os casos de morte na fila. E até de suicídio, provocado pela desilusão e pela perda da esperança na promessa de uma recompensa que está se tornando cada vez mais maldita. 28 de outubro de 2010 Paulo Ribeiro Martins - Anistiado político -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101121/17a2979d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 21 13:06:47 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 21 Nov 2010 13:06:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] "O TENENTISMO E A COLUNA PRESTES" - palestra com a professora doutora pela UFRJ, ANITA PRESTES Message-ID: <6D944DF792E44DDF8DC038C788985437@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101121/7df65ebd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 86127 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101121/7df65ebd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 22 18:38:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 22 Nov 2010 18:38:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Refrigerante=3A_um_veneno_para?= =?windows-1252?q?_a_sua_sa=FAde=2E?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fidelis Estefan Filho O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ACABA DE BEBER UMA LATA DE REFRIGERANTE Primeiros 10 minutos: 10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo , 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto. 20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito para este momento em particular.) 40 minutos: A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras. 45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona como a heroína) 50 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina. 60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. Agora é garantido que irá por para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam. Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo. Pense nisso antes de beber refrigerantes. Se não puder evitá-los (por causarem dependência química), modere sua ingestão! Prefira sucos naturais. Seu corpo agradece! QUEM INVENTOU? O REFRIGERANTE SURGIU EM PARÍS EM 1676, NUMA EMPRESA QUE MISTUROU ÁGUA, SUMO DE LIMÃO E AÇUCAR. EM 1772, ACRESCENTOU GÁS NO LÍQUIDO, MAS SOMENTE FOI COMERCIALIZADO EM 1830. QUAL A COMPOSIÇÃO? O refrigerante é uma bebida rica em: -corantes; -conservantes; -grandes quantidades de açucar; -nas versões light, diet, zero (adoçantes artificiais); -cafeina; -um acidulante, o ácido fosfórico; POR QUE DEVO EVITAR REFRIGERANTES? -CÁRIES; -AUMENTO DE PESO; -FLATULÊNCIA; -AGRAVAR QUADROS DE GASTRITES; -DIABETES; -NÍVEIS ELEVADOS DE TRIGLICERIDES SANGUINEOS; -OSTEOPOROSE; -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101122/2c07cf5e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 642 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101122/2c07cf5e/attachment-0006.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 44641 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101122/2c07cf5e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 22 18:38:34 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 22 Nov 2010 18:38:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_Judici=E1rio_vai_mal_e_sem_Ju?= =?windows-1252?q?sti=E7a_n=E3o_se_constr=F3i_Democracia=2E?= Message-ID: <63322AAE1B9C4805BFCB06FAF8593638@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O Judiciário vai mal e sem Justiça não se constrói Democracia Caio Teixeira Inédita e recente pesquisa do IPEA resolveu descobrir como o povo percebe o Judiciário. Como era de se esperar, o resultado não foi animador para os administradores do sistema judiciário brasileiro. Pode-se confirmar que a morosidade é apenas um dos problemas identificados pelos cidadãos. Não é o único como pregam os técnicos da FGV, contratada pelos tribunais com exclusividade há anos, para resolver os problemas desse Poder. Contraditoriamente à Fundação, o estudo do IPEA conclui que "as reflexões sobre a organização e o funcionamento da justiça estatal não podem ficar adstritas aos tradicionais elementos da eficácia, eficiência e efetividade, mas devem também incorporar a necessária preocupação com a legitimidade de suas instituições e práticas". Quem procura o Judiciário quer Justiça, ou seja, decisões rápidas mas principalmente justas. Apenas rapidez não faz Justiça. Mesmo assim, a única preocupação dos órgãos de administração da Justiça encabeçados pelo CNJ, é com metas que tratam exclusivamente da celeridade. Em última instância, estão satisfeitos com o resultado ultraconservador de suas decisões. A pesquisa evidencia que o povo começa a perceber o caráter de classe das decisões judiciais numa sociedade capitalista, ainda que não tenha propriamente uma consciência do que isto significa do ponto de vista de uma análise política e ideológica acadêmica. Quando se fala em Justiça do Trabalho, a constatação fica ainda mais clara. O tipo de organização social em que vivemos, como o nome indica, é montado para atender os interesses do capital - de quem paga salários e deles acumula riqueza e não dos que o recebem após a expropriação da mais valia. A nota média atribuída ao Judiciário pelos cidadãos ficou em 4,55 numa escala de zero a dez. O Judiciário brasileiro foi reprovado pela população! Os administradores da Justiça ? capitalista ? brasileira, como seria de se esperar, administram os tribunais como bons capitalistas dirigem suas empresas: explorando assalariados (servidores e juízes) com metas e assédio moral. Não é de se admirar que quando precisam de algum aporte científico para melhorar a obtenção de resultados, procurem uma instituição como a FGV, especializada em buscar eficiência e eficácia na expropriação de mais valia em empresas capitalistas. Getúlio Vargas, que criou a CLT, deve se revirar no túmulo a cada novo projeto de aplicação prática dos princípios neoliberais gestado na fundação que leva seu nome. A avaliação piora quando a pesquisa pede uma nota de zero a quatro para alguns quesitos específicos, como ?Decisões boas, que ajudem a resolver os casos de forma justa?: média 1,60, o equivalente a uma nota 4 numa escala de 1 a dez. E como poderia ser diferente se os tribunais estão mais preocupados na aplicação fria de regras processuais para escapar da responsabilidade de efetivamente produzir decisões justas? Ora, decisões justas vão invariavelmente contrariar a lógica de um sistema injusto como o capitalismo e os tribunais num sistema como este têm a responsabilidade de fazer valer esta lógica e nunca se opor a ela. Uma vez escrevi que, a cada instância que sobe, elimina-se um pouco da Justiça que às vezes se faz na primeira instância. Hoje, até a pouca Justiça que se fazia na primeira instância ficou menor. As últimas gerações de juízes são formadas em geral por jovens de classe média, que nunca trabalharam para se sustentar e passaram alguns anos de suas vidas de recém-formados fazendo concursos pelo país até conseguirem ser nomeados para um cargo público com bom salário. Como a conquista de um lugar ao sol capital era seu principal objetivo pessoal - e não fazer Justiça ? dão-se por realizados definitivamente com a nomeação e tratam de ser bons empregados em troca do salário. Os dirigentes dos tribunais são vistos como os patrões e as metas de produtividade por eles impostas são buscadas sem crítica, como uma tarefa em troca do salário acima da média de mercado para trabalhadores em geral. A maioria assina Veja e assiste os telejornais das redes de comunicação privadas com o que se julgam bem informados quando na verdade são bem manipulados. Por ingenuidade ou má formação, ou ambas, ignoram que as empresas de comunicação são fábricas de notícias pertencentes cada uma a uma família, pois assim prevê a Constituição. É vedada por exemplo a constituição de empresas de comunicação na modalidade de sociedades anônimas de acordo com dispositivo legal criado pela ditadura militar e que perdura até hoje, protegendo os interesses de algumas famílias da elite brasileira e, consequentemente, a ideologia por elas defendida, enquanto classe dominante. A promiscuidade entre a classe dominante e a magistratura brasileira vai além da simples cooptação ideológica produzida por instrumentos de cunho psicológico como a mídia. A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), recentemente realizou um congresso nacional com a participação de 600 juízes para o qual recebeu cerca de 1 milhão de reais de patrocínio de empresas dentre os quais 100 mil da Confederação Nacional da Agricultura presidida pela senadora Katia Abreu, expoente da extrema direita xenófoba brasileira, que palestrou no evento. Voltemos à pesquisa, sem sair do tema. Quando o ítem avaliado foi "Imparcialidade, tratando ricos e pobres, pretos e brancos, homens e mulheres, enfim, todos de maneira igual?, o resultado foi trágico. De 1 a 4 a avaliação ficou em 1,18, o equivalente a uma nota de 2,9 numa escala de zero a dez - a mais baixa avaliação da pesquisa, igual à nota sobre a ?rapidez na decisão dos casos? - mostrando que o povo identifica a quem serve nosso Poder Judiciário. Enquanto experimentamos poucos mas relativos avanços sociais nas ações dos poderes Executivo e Legislativo nos últimos anos, salta aos olhos que o Judiciário brasileiro parece andar para trás. Os ataques aos trabalhadores com a flexibilização de direitos trabalhistas praticada pelas empresas e endossada por decisões judiciais certamente é responsável pela nota baixa no quesito ?imparcialidade?. O cerceamento e a limitação do direito de greve ainda que a lei não o faça, são exemplo evidente da cumplicidade dos tribunais com a classe empresarial. O quadro só não é mais chocante pois poucas pesquisas sérias são realizadas sobre o Judiciário. Neste sentido, deve-se reconhecer o brilhante trabalho do IPEA, desde que passou a ser dirigido por Márcio Pochmann. Há muitos juízes bons e comprometidos com o fazer Justiça na primeira instância. Muito poucos nas demais e quanto mais alto pior, tanto pelo compromisso com a classe dominante quanto pela decrescente qualidade jurídica das decisões. Os humanos somos seres políticos por natureza. Talvez esteja faltando um pouco mais de atitude transformadora, de rebeldia, por parte dos bons juízes que, no mais das vezes se contenta em ser um bom juiz quando poderia se juntar aos outros bons e assumir como meta a transformação do Judiciário brasileiro em um poder realmente capaz de fazer a Justiça almejada pela população. Mas a rebeldia deve vir também e principalmente dos demais cidadãos a quem cumpre, em última instância, exercer o Poder num regime que hipocritamente se autodenomina ?Democracia?. A desobediência civil muitas vezes já mostrou ser uma boa caneta para escrever a História. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101122/f61a9b77/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 23 19:05:31 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 23 Nov 2010 19:05:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Hil=E1rio_Bocchi_Junior_-_Convite?= =?iso-8859-1?q?_-_Livro=3A_Quero_Me_Aposentar_=2EDia_25/11=2C_=E0s?= =?iso-8859-1?q?_19=3A00_hs_a_LIVRARIA_PARALER_do_RIBEIR=C3O_SHOPPI?= =?iso-8859-1?q?NG?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Hilário Bocchi Junior CONVITE Dia 25/11, às 19:00 hs a LIVRARIA PARALER do RIBEIRÃO SHOPPING oferecerá um coquetel para lançamento do meu livro QUERO ME APOSENTAR - O caminho certo para sua aposentadoria. Gostaria de contar com a presença de vocês. Por se tratar de um livro de fácil leitura, sem termos técnicos e que desvenda os direitos sociais do cidadão, solicito o empenho para divulgá-lo aos seus contatos. Obrigado. CONHEÇA O LIVRO (Release) APRESENTAÇÃO O livro "QUERO ME APOSENTAR - O caminho certo para sua aposentadoria" desvenda todos seus direitos sociais. Trata com linguagem simples, objetiva e sem termos técnicos problemas recorrentes do dia a dia. O leitor saberá quanto, quando e como deve contribuir para o INSS. Isso evita que jogue dinheiro no lixo ao contribuir com valores altos e obter benefícios baixos. A leitura permitirá ao leitor conhecer os caminhos para obter as mais variadas espécies de aposentadorias e pensões; como calcular o tempo de serviço e o valor destas aposentadorias. Para quem já é aposentado ou pensionista o livro QUERO ME APOSENTAR explica como recuperar as perdas que defasaram o valor do benefício ao longo do tempo. O QUERO ME APOSENTAR é o primeiro livro previdenciário brasileiro que se atualiza automaticamente. Durante sua leitura, quando se tratar de conteúdo mutável, o leitor será conduzido a um arquivo virtual no site www.queromeaposentar.com.br para saber, por exemplo, o reajuste anual da aposentadoria; se o valor que o segurado recebe está correto; qual o valor máximo e mínimo da contribuição, dentre outras situações que sistematicamente são alteradas. O objetivo desta obra é ajudar o trabalhador, os aposentados e os pensionistas a resolver pessoalmente, sem a necessidade de con­tratação de serviços profissionais e de forma totalmente gratuita, os problemas mais comuns rumo à obtenção dos benefícios do INSS. Autor: Hilário Bocchi Junior Ano: 2010 Editora: Coruja Páginas: 116 Onde comprar: pelo site www.queromeaposentar.com.br, telefone (16) 36325222 ou Livrarias Paraler Capa: -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Salvo uma "leitura mais acurada", dessas feitas para achar pelo em ovo e inventar uma divergência a mais (visando sempre disputas pessoais e carreiras) considero que as questões colocadas e os pontos de vista que as informam o melhor roteiro e o melhor parâmetro para o que necessitamos discutir e aprofundar neste momento: petistas, não petistas, a nossa esquerda em geral. Putabraço, boa leitura e melhores reflexões, Alipio Freire Comemorar muito, mas de sandálias Nossa avaliação das eleições presidenciais de 2010 deve começar sempre com uma tripla comemoração e com um forte agradecimento. Comemoração pela continuidade do processo de mudanças iniciado em janeiro de 2003, pela eleição da primeira mulher presidente da República e por termos derrotado mais uma vez a direita demotucana. Valter Pomar* Agradecimento ao povo de esquerda, especialmente ao povo petista, milhões de brasileiros e brasileiras, alguns anônimos, outros nem tanto, que perceberam o perigo e foram à luta, sem pedir licença, sem pedir ordem, sem pedir autorização e sem precisar de orientação. Foi principalmente este povo que ganhou a eleição presidencial, e não governantes, candidatos, dirigentes, coordenadores ou marqueteiros. Devemos agradecer e comemorar, mas sem descuidar de um balanço crítico e autocrítico do processo. Este balanço deve começar lembrando que vencemos com uma bandeira: dar continuidade à mudança. Como lembrou a própria Dilma, como recebemos uma "herança bendita", nossa única alternativa é aprofundar as transformações. Ocorre que para vencer, enfatizamos a continuidade e debatemos pouco as mudanças. O tratamento dado ao programa do Partido e ao programa do coligação é apenas mais um sintoma disto. Debatemos pouco as mudanças, mas o cenário do governo Dilma será muito diferente do que prevaleceu entre 2003 e 2010. Noutras palavras: a mudança na realidade já está acontecendo, embora não tenhamos debatido em profundidade as mudanças que teremos que fazer na nossa política, para enfrentar esta nova realidade. As mudanças já se deram e continuarão ocorrendo em três níveis principais. Internacionalmente, o cenário será dominado não apenas pela crise e instabilidade econômica, mas também por cada vez maior instabilidade política e militar. Nacionalmente, a direita vai dar continuidade ao tom radical assumido na campanha eleitoral. Ao contrário do que alguns pensavam, o PSDB é o partido de direita e da direita. Demonstrando uma vez mais a periculosidade da proposta da "aliança estratégica" com o PSDB, feita entre outros por Fernando Pimentel, com os resultados já conhecidos em Minas Gerais. A terceira mudança é a seguinte: nos marcos da atual estrutura tributária e macroeconômica, não será mais possível ampliar significativamente os investimentos econômicos e sociais. Ou reduzimos substancialmente os juros, ou fazemos algum tipo de reforma tributária, ou interrompemos o crescimento dos investimentos, ou.... Em qualquer caso, tudo aponta para a agudização do conflito redistributivo no país, seja tributário, salarial, seja pela alta nos preços, pela alta dos juros etc. Para dar conta destas mudanças, que conformam um novo cenário, teremos que enfrentar e superar três impasses estratégicos. Primeiro: a política de melhorar a vida dos pobres, sem tocar na riqueza dos milionários, reforça o preconceito de uma parcela dos setores médios contra nós. Pois na prática estes setores perdem, em relação aos pobres, especialmente em termos de status. Segundo: melhorar a vida material dos pobres, sem melhorar em grau equivalente a sua cultura política, deixa uma parcela dos que melhoraram de vida sujeitos à influência das igrejas conservadoras e do Vaticano, dos meios de comunicação monopolistas e da educação tradicional. Aqui vale ressaltar que a disputa de valores faz parte da disputa política. Não percebe isto quem acha que fazer política é "administrar", esquecendo que a "percepção das obras" é mediada pela ideologia, pela visão de mundo, pela luta política. Terceiro: o PT ganhou sua terceira eleição presidencial, mas ao mesmo tempo enfrenta cada vez mais dificuldades para hegemonizar o processo. Estas dificuldades ficam claras quando analisamos o papel do PT na campanha, na composição do novo governo, na relação com aliados, na relação direta e cotidiana com o povo etc. Quais são as principais dificuldades do PT? Primeiro, a terceirização de parte de suas atividades dirigentes, seja para a bancada, seja para o governo, seja para o Lula. Há uma crescente distância entre a influência moral e eleitoral do PT, vis a vis a capacidade efetiva de direção de nossas instâncias. Segundo, o empobrecimento de nossa elaboração ideológica, programática e estratégica. É preocupante o descompasso cada vez maior, entre a complexidade das questões postas diante de nós, no mundo, na América Latina e no Brasil, vis a vis nossa capacide de refletir coletivamente sobre estes assuntos. Terceiro, há um processo de "normalização" do PT, de integração ao establishment. Durante muitos anos, o PT cumpriu um papel civilizatório na política brasileira. Pouco a pouco, por diversos motivos, entre os quais o financiamento privado das campanhas eleitorais, fomos nos adaptando a certos hábitos e costumes da política brasileira, dos mais ridículos aos mais graves, entre os quais tratar a eleição como mercado de votos. Ou reagimos a isto e voltamos a cumprir --como Partido-- um papel civilizatório, reformador e em alguma medida revolucionário nas práticas e costumes da política, ou estaremos fazendo o jogo da direita e da mídia que dia e noite nos calunia. O que falamos antes ajuda a explicar alguns dos motivos pelos quais uma parcela importante da juventude não se identifica mais conosco. Grandes parcelas da juventude podem ser ganhas por nós, se adotarmos práticas distintas, combinadas com projeto de futuro, ideologia, visão de mundo, programa transformador. Se não fizermos isto, teremos inclusive problemas eleitorais, pois na próxima eleição e na outra, não adiantará comparar nosso governo com o passado, pois para os mais jovens, nós também fazemos parte do passado. Aqui vale destacar que nossa integração ao establishment não se dá como decorrência automática de nossa conversão em partido de governo. Aliás, ironicamente, as vezes nossos governos são o que há de mais inovador e atraente; enquanto nossas instâncias partidárias vão se transformando em "agências reguladoras" de nossa participação nos processos eleitorais, burocratizadas, sem vida, controladas por esquemas cada vez mais tradicionais. A quarta dificuldade que enfrentamos está em nossa relação com os aliados. Precisamos de aliados para vencer eleições e para governar. Mas, nas atuais regras do jogo, a mesma política de alianças que parece cumprir um papel positivo na nossa vitória nacional, não parece contribuir para um salto no tamanho de nossas bancadas parlamentares e no número de nossos governos estaduais. Isto, mantidas as atuais regras do jogo, nos condena a um teto, a um limite de crescimento. E, sem maioria de esquerda no Congresso, qualquer discussão sobre reformas profundas pela via institucional será apenas isso: discussão. A este problema, cabe agregar um detalhe: apesar de nossa política de alianças, o antipetismo cresce entre os aliados, assim como cresce na sociedade. Em decorrência das mudanças, impasses e dificuldades que citamos antes, entendemos que a direção nacional deve priorizar o debate sobre a estratégia e a tática do Partido, da qual decorre a política que defendemos para o conjunto do governo, da qual podemos deduzir os espaços que achamos devam ser dirigidos pelo PT. E não, como parecem pretender alguns, começar e terminar o debate pelos tais "espaços". Na nossa opinião, o Partido deve priorizar quatro temas em 2011: a reforma política, a democratização da comunicação, a reforma tributária e a reorganização do PT. Em resumo: com a eleição e posse de Dilma, a mudança continua, mas a disputa também. Continua a nossa disputa contra o neoliberalismo, que não está morto, como se depreende do lobby do setor financeiro em favor de Meirelles, de Palocci, do ajuste fiscal e da alta de juros, para não falar do que ocorre no G20, na Europa e nos EUA. Continua a nossa disputa contra o desenvolvimentismo conservador, aquele no qual as empresas capitalistas crescem, sem que haja mudanças estruturais na distribuição de poder, renda e riqueza. E continua a disputa deles contra o PT. Disputa que vamos vencer, se abandonarmos as ilusões no inimigo, a defensividade absoluta e certo medo de sustentar nossas posições históricas e corretas, por exemplo em favor da democratização da comunicação. A disputa contra o PT é uma disputa em torno do conteúdo da mudança que está em curso no Brasil. É uma disputa de hegemonia. E disputar hegemonia não é igual a fazer concessão, não é igual a ceder ou a recuar sempre. Disputar hegemonia é o contrário disto. Disputar hegemonia é travar uma luta cotidiana e permanente em defesa dos nossos valores, da nossa visão, do nosso projeto de mundo e de Brasil. *Valter Pomar é membro do Diretório Nacional do PT Texto baseado na intervenção feita na reunião do Diretório Nacional do PT, dia 19 de novembro de 2010 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101123/df2f1975/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 24 19:38:27 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 24 Nov 2010 19:38:27 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_convite_macei=F3=2E_MEMORIAL_=22P?= =?iso-8859-1?q?ESSOAS_IMPRESCIND=CDVEIS=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101124/226dfaea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: convite maceió.jpg Type: image/jpeg Size: 66635 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101124/226dfaea/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 24 19:38:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 24 Nov 2010 19:38:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_CONVITE_SESS=C3O_SOLENE_DE_ENTREG?= =?iso-8859-1?q?A_DO_T=CDTULO_DE_CIDAD=C3O_PAULISTANO_=C0_EDUARDO_L?= =?iso-8859-1?q?EITE_BACURI=2C_in_memoriam_-_dia_7_de_dezembro_na_C?= =?iso-8859-1?q?=2EMunicipal_de_S=E3o_Paulo?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: CONVITE BACURI.jpg Type: image/jpeg Size: 58604 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101124/328b0145/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 24 19:38:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 24 Nov 2010 19:38:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Veja_documentos=2C_artigos=2C_r?= =?windows-1252?q?esenhas=2C_entrevista_e_bibliografia_sobre_a_Insu?= =?windows-1252?q?rrei=E7=E3o_Nacional_Libertadora_de_1935=3A?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Centro de Documentação e Memória Veja documentos, artigos, resenhas, entrevista e bibliografia sobre a Insurreição Nacional Libertadora de 1935: http://grabois.org.br/portal/cdm/revista.int.php?id_sessao=33&id_publicacao=415&id_indice=2308 75 ANOS DO LEVANTE DA ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA Em 1935 nasceu a Aliança Nacional Libertadora (ANL), um dos mais importantes movimentos de caráter antiimperialista e antifascista em nosso continente. Com forte influência do Partido Comunista do Brasil (PCB), seu lema era Pão, Terra e Liberdade. Perseguida e fechada pelo governo Vargas, ela acabou se orientando para insurreição armada. Em novembro eclodiram violentos e heróicos combates nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro. A sua derrota levou a uma das mais violentas repressões aos democratas e comunistas brasileiros. Milhares de pessoas foram presas e torturadas. Apesar de suas limitações e erros, os levantes de 1935 fazem parte das memoráveis lutas travadas pelo povo brasileiro. Participe e venha comemorar esse acontecimento fundamental na história do Partido Comunista em nosso país. Palestrante: Profº Drª Marly Vianna autora dos livros ?Revolucionários de 35? e ?Pão, Terra e Liberdade: Memória do Movimento Comunista de 1935?. Comentarista: Augusto Buonicore historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabois Dia 25/11 às 19h Na Rua Rego Freitas, 192 Centro (Próximo a estação República do Metrô) - São Paulo - SP Ao final da palestra serão distribuídos certificados de participação Realização: Fundação Maurício Grabois Centro de Documentação e Memória (CDM) Apoio: União da Juventude Socialista (UJS) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101124/66d1353f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 25 20:08:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 25 Nov 2010 20:08:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__EUA_aumentam_opera=C3=A7=C3=B5es_clan?= =?utf-8?q?destinas_contra_a_Venezuela?= Message-ID: <0B4D0A20408A41B5A422736B8953C1FB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Da mesma maneira como alguns países da América do Sul, Central e Caribe que contestam a hegemonia estadunidense sofrem interferências, manipulações e financiamentos golpistas de diversos graus de intensidade por parte da grande potência do norte, o Brasil também poderá ser enquadrado no chamado eixo do mal e sofrer represálias, desde que aprofunde sua política exterior independente que se relaciona com a possibilidade da existência de um mundo multipolar anti-hegemônico. Devemos ficar alertas e acompanhar quais serão os próximos passos do governo a ser empossado no próximo primeiro de janeiro e observar com atenção quais reações terá a grande mídia em relação a essas medidas. Lá na Venezuela é grande o financiamento estadunidense para apoio à entidades oposicionistas ao governo legitimamente eleito e aqui como anda essa questão? O artigo de Eva Golinger, abaixo transcrito, desenvolve mais esse tema. Jacob David Blinder EUA AUMENTAM OPERAÇÕES CLANDESTINAS CONTRA VENEZUELA O mecanismo de ajuda financeira a grupos de oposição aos governos,democráticos latino-americanos que não lêem pela cartilha de Washington, sendo o caso mais emblemático o da Venezuela de Hugo Chávez, pode nos dar uma idéia de como a recente vitória eleitoral da presidente Dilma Roussef no Brasil poderá sofrer contestações nos seus quatro anos de mandato, indicando também algumas pistas do que pode ter ocorrido na recente campanha eleitoral por parte da estratégia oposicionista apoiada pela velha mídia. O artigo é de Eva Golinger. Eva Golinger Data: 19/11/2010 Segundo o informe anual de 2010 do Escritório de Iniciativas para uma Transição (OTI) da Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) sobre suas operações na Venezuela, 9,29 milhões de dólares foram investidos esse ano em esforços para apoiar os objetivos da política exterior norte-americana e promover a democracia neste país sul americano. Esta cifra representa um aumento de quase dois milhões de dólares em relação ao ano passado, quando esse mesmo escritório de transição financiou atividades políticas contra o governo de Hugo Chávez com 7,45 milhões de dólares. A OTI é uma divisão da USAID dedicada a apoiar objetivos da política exterior dos EUA através da promoção da democracia (segundo sua avaliação) em países que se encontram em crise. A OTI fornece assistência rápida, flexível e de curto prazo para transições políticas e de estabilização. Ainda que a OTI seja, tradicionalmente, um mecanismo de curto prazo para injetar milhões de dólares em fundos líquidos que influem sobre a situação política de países estrategicamente importantes para Washington, o caso da Venezuela é diferente. A OTI abriu sua sede nesse país em 2002 e a mantém até hoje, apesar de não contar com a devida autorização do governo da Venezuela. Na verdade, é o único escritório que a USAID mantém durante tanto tempo em algum país. AS OPERAÇÕES CLANDESTINAS DA OTI Em nota oficial com a data de 22 de janeiro de 2002, o presidente da OTI, Russel Porter, revela como e por que a USAID chegou à Venezuela. Dias antes, em 04 de janeiro, o escritório de Assuntos Andinos do Departamento de Estado pediu a OTI para estabelecer um programa para a Venezuela. Estava claro que havia uma preocupação crescente sobre a saúde política do país. Solicitaram à OTI que oferecesse programas e assistência para fortalecer os elementos democráticos (sic) que estavam sob a mira do governo de Chávez. Porter visitou a Venezuela em 18 de janeiro de 2002 e logo comentou: "Para preservar a democracia, é necessário um apoio imediato para a mídia independente e para a sociedade civil. Uma das grandes debilidades da Venezuela é a falta de uma sociedade civil vibrante". A National Endowment for Democracy (NED) tem um programa de 900 mil dólares na Venezuela que apóia o Instituto Democrata (NDI), o Instituto Republicano Internacional (IRI) e o Centro de Solidariedade Laboral (três institutos quase governamentais norte americanos) para fortalecer os partidos políticos e os sindicatos (a CTV). Este programa é útil, porém não é suficiente. Alem do que não é flexível e nem trabalha com novos grupos ou grupos não tradicionais. E também lhe falta um componente de meios de comunicação. Desde então, a OTI marca a sua presença na Venezuela enviando milhões de dólares por ano para manter vivo o conflito no país. Segundo o último informe anual de 2010, a OTI atua a partir da Embaixada dos Estados Unidos e é parte de um esforço maior para promover a democracia naquele país. O principal investimento dos 9 milhões de dólares em 2010 foi durante a campanha eleitoral da oposição para as eleições legislativas de 26 de setembro passado. A USAID trabalha com vários associados da sociedade civil oferecendo assistência técnica para os partidos políticos, apoio técnico para os trabalhadores em direitos humanos e apoiando esforços para fortalecer a sociedade civil. Na Venezuela, sabe-se que `sociedade civil' é o outro nome com que se identifica a oposição ao governo de Hugo Chávez. Os partidos políticos e as organizações financiadas pela USAID têm sido documentados através de uma grande investigação realizada por esta escritora e incluem grupos como Súmate, Ciudadania Activa, Radar de Los Barrios, Primero Justicia, Um Nuevo Tiempo, Acción Democrática, Copei, Futuro Presente, Voluntad Popular, Universidad Católica Andros Bello, Universidad Metropolitana, Sinergia, Cedice, CTV, Fedecamaras, Espacio Publico, Instituto Prensa y Sociedad, Voto Joven entre tantos que têm se dedicado à desestabilização do país. UM FLUXO SECRETO DE DINHEIRO Não obstante, o atual abastecimento de dinheiro da USAID/OTI a grupos e partidos políticos venezuelanos é mantido em segredo. Quando abriu suas operações em 2002, a OTI contratou a empresa estadunidense Development Alternatives Inc. (DAÍ) um dos maiores prestadores de serviços ao Departamento de Estado, da USAID e do Pentágono em nível mundial. Essa empresa, a DAÍ, operava uma empresa no El Rosal ? o Wall Street de Caracas ? de onde distribuía fundos milionários a organizações venezuelanas através de pequenos convênios não superiores a 100 mil dólares cada um. De 2002 a 2010 mais de 600 desses pequenos convênios foram entregues por esse escritório a grupos da oposição venezuelana para seguirem alimentando o conflito no país e apoiando os esforços para provocar a saída do poder do presidente Hugo Chávez. Em finais de 2009, a empresa DAÍ começou a ter graves problemas com suas operações no Afeganistão, quando foram assassinados cinco de seus empregados por supostos militantes do Talibã durante um ataque com explosivos na cidade de Gardez em 15 de novembro. Alguns dias antes, um de seus empregados havia sido detido em Cuba e acusado de espionagem e subversão pela distribuição ilegal de componentes de satélite a grupos contra-revolucionários. Quando escrevi um artigo publicado em 30 de dezembro de 2009, e agentes da CIA mortos no Afeganistão trabalhavam para uma empresa de fachada ativa na Venezuela e em Cuba, evidenciava-se o vínculo operacional da DAÍ no Afeganistão, em Cuba e na Venezuela e sua natureza suspeita, o próprio presidente e chefe executivo da empresa, Jim Boomgard, me contatou e alertou-me (melhor dizer ameaçou-me) que se continuasse a escrever o que escrevia, eu seria responsabilizada por qualquer coisa que se passasse com seus empregados em nível mundial. Contudo, o senhor Boomgard, que disse não saber muito sobre as operações de sua empresa na Venezuela, conseguiu entender que o que faziam na Venezuela não valia tanto como o que faziam no Afeganistão. Semanas depois de sua entrevista comigo, o DAÍ, misteriosamente, fechou seu escritório em Caracas. Entrementes, a OTI continua suas operações na Venezuela e mesmo tendo outros sócios norte americanos que manejam uma parte de seus fundos multimilionários, como IRI, NDI, Freedon House e a Fundación Panamericana Del Desarrollo (Fupad), não existe transparência sobre o fluxo de dinheiro de suas contrapartidas venezuelanas. Um informe da Fundação para as Relações Internacionais e Diálogo Exterior (FRIDE) sobre a promoção da democracia na Venezuela, com data de maio de 2010, explica que grande parte do dinheiro vindo do exterior, mais de 50 milhões de dólares esse ano, segundo eles e que financia a grupos políticos de oposição na Venezuela, entra no país de forma ilícita em dólares ou euros e se transforma em dinheiro venezuelano no mercado negro (Assim que denunciei essas atividades ilegais baseadas no informe mencionado, o FRIDE desapareceu com o texto original e publicou um novo em que abandonava qualquer referência ao mecanismo de entrega de dinheiro externo a grupos venezuelanos). Se o DAÍ já não atua na Venezuela realizando pequenos convênios com organizações opositoras com dinheiro estadunidense, o que cabe indagar é como chegam esses milhões de dólares a tais grupos e através de qual mecanismo? Segundo a USAID, suas operações estariam agora se realizando através da Embaixada dos Estados Unidos? Esta embaixada está entregando dinheiro diretamente a grupos de oposição venezuelanos? O informe anual USAID/OTI de 2010 diz, especificamente, que seus esforços já estão dirigidos a um evento próximo: as eleições presidenciais de 2012 na Venezuela. Seguirão aumentando os milhões de dólares para a subversão e a desestabilização do país, incrementando a clandestinidade de suas operações na Venezuela, se o governo não tomar medidas concretas para impedir tal fato. OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS Washington usa vários mecanismos de ingerência para tingir seus objetivos. As operações psicológicas são operações planificadas para transmitir informação seletiva e indicadores para públicos estrangeiros e com isso influir sobre suas emoções, motivos, racionalidade objetiva e ? ultimamente ? sobre o comportamento de governos, organizações, grupos e indivíduos, segundo o Pentágono. No orçamento do Departamento de Defesa para 2011, há uma solicitação nova para operações psicológicas para o Comando Sul, que é quem coordena todas as missões militares dos Estados Unidos na América Latina. Em particular, tal solicitação fala de um programa de voz de operações psicológicas, o que se entende como rádio ou alguma outra transmissão de áudio que apóie esse objetivo. Segundo a explicação contida no orçamento, a execução de operações psicológicas (PSYOP) inclui a investigação sobre audiências estrangeiras, desenvolvendo, produzindo e disseminando produtos (programas) para influir sobre essas audiências, bem como a condução de avaliações para determinar a eficácia das atividades de operações psicológicas. Essas atividades podem incluir a manutenção de várias páginas da web e o monitoramento de meios técnicos e eletrônicos. O orçamento completo para as operações psicológicas durante o ano de 2011 é de 384.8 (trezentos e oitenta e quatro milhões e oitocentos mil) dólares, que inclui 201.8 (duzentos e um milhões e oitocentos mil) dólares para a divisão de operações psicológicas e o estabelecimento, pela primeira vez, de um programa de operações psicológicas com o uso da voz para o Comando Sul. Este programa de operações psicológicas é totalmente distinto de iniciativas como A Voz da América, por exemplo, que é um programa do Departamento de Estado e da agência estatal Board Broadcasting Governors (BBG) que manejam a propaganda dos EUA em nível mundial. Na verdade, o orçamento da BBG para o ano de 2011 é de 768.8 milhões de dólares e inclui um programa de cinco dias a cada semana, em espanhol, para a televisão venezuelana. O aumento das operações psicológicas dirigidos à Venezuela e a América Latina evidencia uma ampliação da agressão norte americana para com essa região. É preciso lembrar que, desde o ano de 2006, a Direção Nacional de Inteligência dos EUA desempenha uma missão especial de inteligência para a Venezuela e Cuba. Somente quatro dessas missões especiais existem no mundo: uma para o Irã, outra para a Coréia do Norte, uma terceira para o Afeganistão e o Paquistão e a quarta para Venezuela e Cuba. Essa missão recebe uma parte importante do orçamento de mais de 80 bilhões de dólares que emprega a Direção Nacional de Inteligência, entidade que coordena as 16 agências de inteligência em Washington. (*) EVA GOLINGER é advogada e especialista em analisar documentos desclassificados pelo Departamento de Estado dos EUA, relativos a atividades na América Latina, em especial na Venezuela. __________________________________ Traduzido do espanhol por Izaías Almada. Fonte: http://aporrea.org.tiburon/n169169.html +++++++++++++++++++++++++++++++++++++ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101125/04260968/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101125/04260968/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 26 18:49:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 26 Nov 2010 18:49:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dois_textos_para_refletir_sobre_a?= =?iso-8859-1?q?_economia=3A=22_Muito_longe_do_equil=EDbrio=22_de_J?= =?iso-8859-1?q?os=E9_Lu=EDs_Fiori_e=3B_=22Brasil_precisa_se_proteg?= =?iso-8859-1?q?er_e_cuidar_das_contas_externas=22_=2C_Katarina_Pei?= =?iso-8859-1?q?xoto_comentando_M=2EC=2ETavares?= Message-ID: <574832AAA9F3400AA5DC29B0E77F770B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Carta Maior DEBATE ABERTO Muito longe do equilíbrio Não é fácil de prever o futuro das novas iniciativas estratégicas dos EUA, mas com certeza não é necessário que os países latino-americanos repitam os mesmos erros que conduziram à sua estagnação econômica e ao retrocesso neoliberal dos anos 80 e 90, do século passado. José Luís Fiori "Toda situação hegemônica é transitória, e mais do que isto, é auto-destrutiva, porque o próprio hegemon acaba se desfazendo das regras e instituições que criou, para poder seguir se expandindo e acumulando mais poder do que seus liderados". J.L.F. "O Poder Global e a Nova Geopolítica das Nações", Ed.Boitempo, 2007, p:31 A recente decisão norte-americana de desvalorizar sua moeda nacional não é nova nem surpreendente. Como tampouco, a transferência dos seus custos para o resto da economia mundial, e de forma particular, para a periferia monetário-financeira do sistema. Os EUA já fizeram a mesma coisa, em 1973, quando abandonaram o sistema de Bretton Woods, provocando a primeira grande recessão mundial, depois da II Guerra. As analogias históricas são perigosas e devem ser utilizadas com cautela, mas não há dúvida que a situação e o comportamento atual dos EUA se parecem muito com o que ocorreu na década de 1970. Como naquele momento, uma vez mais, os EUA estão envolvidos numa guerra sem solução e enfrentam uma grave crise econômica. E ao mesmo tempo, seu establishment está rachado e sua sociedade está atravessando uma luta política que deve se prolongar por muito tempo. E uma vez mais, os EUA optaram por uma resposta estratégia que combina a manipulação do valor do dólar com uma "escalada" da sua presença militar ao redor do mundo. E não é impossível que ainda façam um acordo estratégico com a Rússia e um acordo de paz como Irã, envolvendo toda a Ásia Central. E que adotem, novamente, a estratégia do "dólar forte", do final dos anos 70. Mas é óbvio que existem algumas diferenças fundamentais: por exemplo, a relação econômica dos EUA com a China é totalmente diferente da relação que os EUA tiveram com a URSS, e no século passado não havia nenhum país - nem a Comunidade Européia - com força para contestar ou resistir às decisões da política monetária norte-americana. Por isto, não é fácil de prever o futuro das novas iniciativas estratégicas dos EUA, mas com certeza, não é necessário que os países latino-americanos repitam os mesmos erros que conduziram à sua estagnação econômica e ao retrocesso neoliberal dos anos 80 e 90, do século passado. O futuro está aberto e existem múltiplas alternativas sobre a mesa, mas neste momento é necessário que os governantes tenham uma visão estratégica que transcenda o debate puramente econômico, cujos argumentos e alternativas fundamentais se repetem há cerca de duzentos anos. A falta desta visão mais ampla é que explica a repetição - como na década de 70 - de algumas propostas absolutamente ingênuas ou inviáveis, dentro do sistema político-econômico mundial em que vivemos. Como é o caso, por exemplo, da decretar o fim da hegemonia do dólar; ou de criar uma nova moeda supranacional; ou ainda, de estabelecer uma meta fixa e consensual para os desequilíbrios das contas correntes nacionais; ou ainda pior, de voltar ao padrão-ouro ou delegar ao FMI a função de governo monetário do mundo. Sem falar, nos que acreditam que os EUA e a China possam mudar suas políticas econômicas nacionais, por conta da "pressão amiga". Propostas e expectativas que pecam pelo desconhecimento ou negação ideológica, de alguns aspectos centrais da economia política da moeda dentro do sistema inter-estatal e capitalista. Assim, por exemplo: i. Com o desconhecimento ou negação de que as moedas soberanas não são apenas um "bem público". Envolvem relações sociais e de poder entre seus emissores e os seus dententores, entre credores e devedores, entre poupadores e investidores, e assim por diante. E por trás de toda moeda e de todo sistema monetário esconde-se e se reflete sempre uma determinada equação e correlação de poder, nacional ou internacional. ii. Com o desconhecimento ou negação de que as moedas de referência internacional não são apenas uma escolha dos mercados. São produto de uma longa luta de conquista e dominação de territórios supra-nacionais, e um instrumento estratégico de poder dos seus estados emissores e dos seus capitais financeiros. iii. Com o desconhecimento ou negação de que neste sistema inter-estatal, a contradição implícita no uso de moedas nacionais como referencia internacional, é uma contradição co-constitutiva e inseparável do próprio sistema. A moeda pode até mudar, mas a regra seguirá sendo a mesma, com o Yuan, o Yen,o Euro, ou o Real, dá no mesmo. iv. Por fim, com o desconhecimento ou a negação de que faz parte do poder do emissor da "moeda internacional", transferir os custos de seus ajustes internos, para o resto da economia mundial, e, em particular para sua periferia monetário-financeira. Cabendo aos seus governantes a escolha de suas respostas soberanas. Não é fácil de pensar um sistema onde não existe nenhuma possibilidade de equilíbrio estável. Mas um estadista não pode desconhecer que dentro do "sistema inter-estatal capitalista", jamais haverá equilíbrio econômico estável, ou coordenação política permanente. José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. =============================================================================================== "Brasil precisa se proteger e cuidar das contas externas" A economista Maria da Conceição Tavares defendeu nesta sexta-feira, durante a Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo IPEA, em Brasília, que o Brasil deve proteger sua economia, reverter o processo de sobrevalorização do real e adotar mecanismos de controle de capital para evitar um ataque especulativo. Em sua fala, ela deixou algumas sugestões para o futuro governo Dilma: "Eu diria que a primeira preocupação agora é, sem dúvida nenhuma, com o setor externo. Se ele continuar assim vai haver degradação da indústria, déficit crescente da balança de pagamentos e uma fragilidade externa que na crise de 2008 nós não tivemos". O artigo é de Katarina Peixoto. Katarina Peixoto O sexto painel da Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em Brasília, apresentou um tema abrangente e desafiador: Macroeconomia e Desenvolvimento. Um tema à altura da homenagem feita pelo IPEA aos 80 anos da professora Maria da Conceição Tavares, formadora de mais de uma geração de economistas brasileiros. Bem humorada, ela brincou com a relação entre a homenagem e o tema escolhido para a conferência: "Esta homenagem está gloriosa, porque o clima é Woodstock, não é. Vamos ver se sou capaz de tocar guitarra elétrica. O tema proposto para mim, só tocando guitarra elétrica. Macroeconomia e desenvolvimento não são temas pensados conjuntamente, geralmente". O propósito da política macroeconômica, lembrou, é evitar os desequilíbrios. E agora mais do que nunca em função da crise econômica mundial. Maria da Conceição Tavares fez um rápido resumo do quadro atual. "Neste ano que passou foram os países ditos emergentes que cresceram. O primeiro mundo não cresceu nada. A crise de 2008, agora em 2010, veio repicada com a crise na Europa. A política macroeconômica na Europa deve estar fazendo Keynes se remover na tumba. Um desemprego cavalar e eles vêm com ajuste fiscal. Além de tudo há uma pletora de dólares. O Banco Central europeu está sustentando os países mais pobres da UE, mas o problema não é de liquidez, mas de insolvência". Frente a essa situação, alertou, o Brasil precisa ficar atento: "Nossa taxa de juros é historicamente cavalar. Não é uma maluquice do presidente do Banco Central. Desde a década de 70 que a taxa de juros primária é muito alta. E as taxas ativas dos bancos também são muito altas. Então estamos numa situação braba: que tipo de investimentos essa taxa de juros elevada atrai? O investimento direto não tem nenhum problema, desde que sejam estertores importantes do desenvolvimento. Mas nossas taxas de juros fazem com que sejamos atrativos para o capital especulativo. Resultado: estamos com uma grande sobrevalorização do real". Diante deste quadro, acrescentou, a economia brasileira precisa se proteger, não apenas dos Estados Unidos, mas também da China. Neste ponto, ela fez algumas advertências importantes ao governo Lula e, principalmente, ao futuro governo Dilma: "Temos aumentado desvairadamente as importações. Está um festival de importação. Nós estamos diminuindo o conteúdo de valor agregado de nossa indústria, até com coeficiente em importação em aço, no qual temos competitividade internacional, temos 15% da importação em aço. Há sobra de aço na Europa, que está fazendo dumping para cima da gente e nós deixamos. Eu diria que a primeira preocupação agora é, sem dúvida nenhuma, com o setor externo. Se ele continuar assim vai haver degradação da indústria, déficit crescente da balança de pagamentos e uma fragilidade externa que na crise de 2008 nós não tivemos. Foi a primeira vez que o Brasil passou por uma crise sem se arrebentar. Ao contrário, somos credores líquidos internacionais. Passar dessa situação, outra vez, para devedor líquido é péssimo. Só não passamos a tanto porque o governo é credor líquido. Mas as grandes empresas, o capital privado já está devendo. O que significa que qualquer repique da crise internacional pode nos trazer problemas". O governo tem de estar atento, enfatizou a economista, para não agravar o déficit fiscal. "A inflação é de custos, não de demanda. Então, não é o caso elevar taxa de juros, para não agravar o déficit fiscal, aumentando o serviço da dívida. Isso tira a possibilidade de desenvolvimento. Como se faz desenvolvimento com uma taxa de juros dessas?" - indagou. A economista garantiu que não discutir pessoalmente esses temas com ninguém do governo. E reafirmou a defesa da adoção do controle de capitais para proteger o país de um ataque especulativo. "Já disse publicamente e repito, penso que numa situação como essa tem de ter controle de capitais. Todos os controles quantitativos. Aumenta o compulsório. Controla a taxa de crédito. Mas não com essa taxa de juros. Mesmo que o FMI tenha dito que controle de capitais pode ser recomendado, na atual conjuntura, o "mercado" e "os do mercado" aqui no Brasil não suportam ouvir isso. Mas temos no Banco Central gente discreta, não vedetes. Eu acho que a mudança do presidente do BC se prende a isso". O Brasil, recomendou ainda a economista, precisa fazer uma política fina e ir diminuindo lentamente a taxa de juros e a taxa de câmbio. "Devagar com o andor que o santo é de barro. Tem de andar devagar", enfatizou. E criticou aqueles que defendem o corte de gastos para promover um duro ajuste fiscal. "O eixo deste governo é a política econômica com eixo social. Esse é o nosso custeio. Cortar para investir, para agradar a imprensa? Eu acho que não há sentido nenhum. No desenvolvimento econômico, o eixo social está correto. Mas se não cuidarmos da parte cambial, não conseguiremos fazer política industrial e tecnológica e, no longo prazo, não há desenvolvimento econômico regredindo nessas coisas". Maria da Conceição Tavares manifestou confiança na capacidade da presidente eleita Dilma Rousseff enfrentar esses problemas: "Graças a deus a nossa presidente é uma mulher de coragem, de discernimento e economista competente. Este primeiro ano dela é complicado, em todos os sentidos. Enfim, que deus a proteja. Não adianta pedir que deus proteja individualmente nestas questões. Nestas questões é melhor proteger o coletivo". "Tenho muita fé na presidente, mas uma coisa é saber, outra é operar - não sei se a proporção de forças dos industriais pesam tanto quanto a dos banqueiros. Para sair dessa encrenca, agora mais do que nunca, não dá para deixar para o mercado ou a divina providência. A solução é humana e de todo o governo. Até o fim dessa década vamos erradicar a miséria, para que isso ocorra não podemos fazer coisas que abortem essas intenções." O Brasil tem um caminho duro pela frente, concluiu, e "deve agir com a autonomia de um país independente e soberano". "Precisamos fazer uma defesa soberana da política industrial, cambial e de balança de pagamentos. Não quero que me impinjam política macroeconômica que me atrapalhe o desenvolvimento. E que não se espere que o G7, G20, o G 400 resolvam alguma coisa, porque a ordem mundial está uma bagunça e o mundo hoje é multipolar. Acho melhor cumprir o nosso papel". ================================================================================================= A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101126/046c69f7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4058 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101126/046c69f7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 27 15:18:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 27 Nov 2010 15:18:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Alipio_Freire=3A_Raps=F3dia_de_or?= =?iso-8859-1?q?dem_Pol=EDtica_e_Social?= Message-ID: <32EA3852A0AC4F82916E40A663846571@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Alipio Freire: Rapsódia de ordem Política e Social Na edição deste final de semana do suplemento Prosa, Poesia e Arte, o Vermelho publica uma série de poemas do escritor e jornalista baiano Alipio Freire. Os sete poemas que compõem esta edição fazem parte de um livro que será lançado no próximo ano: "Rapsódia - De Ordem Política e Social". Alipio Freire nasceu em Salvador-BA, em 1945, e vive em São Paulo desde 1961. É jornalista, escritor, artista plástico, roteirista e diretor de cinema e vídeo. Graduou-se na Escola de Jornalismo Cásper Líbero (1964-1966), onde participou de diretorias do Centro Acadêmico daquela Faculdade, do qual foi presidente durante o ano de 1966. Militou na organização clandestina Ala Vermelha (1967-1983), ficando preso de 31 de agosto de 1969 a 2 de outubro de 1974. Colabora com a imprensa popular, sindical e de esquerda e participou da fundação, dirigiu e editou diversas publicações nessa área. Pertence aos conselhos editoriais das revistas "Fórum", "Teoria & Debate" e "Revista Sem Terra"; dos jornais "Correio da Cidadania" e "Brasil de Fato", e da Editora Expressão Popular. Colabora com diversas publicações - jornais, boletins, revistas, sites etc. - sindicais, de movimentos populares e da esquerda. Coordenou - juntamente com Izaías Almada e J. A. de Granville Ponce, o livro "Tiradentes - um presídio da ditadura" (Scipione Cultural - 1997), e tem textos publicados em diversos livros e coletâneas. Em dezembro de 2007 lançou o livro de poemas "Estação Paraíso", pela Editora Expressão Popular - SP. Poemas encadeados Da luta armada ou Da violência justa Em memória de Luiz Gama e Luiza Mahin No Brasil o ordenamento jurídico do escravismo considerava: Todo senhor que matar seu escravo em qualquer circunstância o fará sempre em legítima defesa. O abolicionista Luiz Gama retrucou: Todo escravo que matar o seu senhor em qualquer circunstância o fará sempre em legítima defesa. NB* Assim reza o mais legítimo proceder contra todo tirano. Em qualquer circunstância. De poetas e de pedras As pedras não falam mas quebram vidraças nos ensina o poeta Sérgio Vaz - colecionador de pedras. Para os melhores poetas do povo resistir é fundamental. Ainda que nem sempre palavras sejam suficientes. As pedras e os caminhos Dos diálogos com Bob Dylan e Sérgio Vaz As pedras do caminho nunca as deixem para trás. Recolham uma a uma e guardem com todo cuidado de modo a preservar cada aresta cada reentrância cada saliência de modo a preservar peso e volume. Ajam como zelosos colecionadores de preciosidades. Mais adiante teremos muitas vidraças a enfrentar. Vidraças blindados mísseis metralhadoras e fuzis não se vergarão às nossas simples palavras. Daí então as pedras falarão por nós. Dos poemas de pedra Dos diálogos com a poeta Lara de Lemos Cantarei versos de pedras. Não quero palavras débeis para falar do combate. Assim escreveu a poeta Lara de Lemos que conheceu como poucos o caminho das pedras. Lara sempre teve consciência de que somente enquanto pedras seus versos atingiriam seus objetivos. Das pedras e do seu momento exato Não atiremos pedras precipitadamente. Avaliemos o alvo preciso para evitar fogo amigo; Avaliemos a dimensão do nosso exército e a dimensão do exército inimigo; Avaliemos o momento correto e preparemos cuidadosamente a hora adequada Façamos enfim todo um estudo balístico para o arremesso de modo a garantir que nossas pedras jamais tenham efeito bumerangue. NB Mas se mesmo com todos esses cuidados errarmos nosso gesto terá sido legítimo. Romance sonâmbulo Dos diálogos com Federico García Lorca e Fernando Pessoa A metafísica dos ideais abstratos me indica como caminho a negociação e a paz entre as classes na disputa dos seus interesses e poder. Mas nesta vida em que sou meu dono (e não sou meu sono) a crua objetividade dos fatos e o seu desenrolar em História prontamente me fazem acordar dos meus sonhos de sonâmbulo. NB - Camaradas quero morrer com decência (com os bolsos cheios de pedras). Ad astra per aspera Dos diálogos com Armando Cavalcanti e Klecius Caldas Não pode alcançar os astros quem leva a vida de rastros quem é poeira do chão. - Afirma nosso cancioneiro popular O poeta concorda E subscreve NB ... por fim traduz o título um tanto pedante: Rumo às estrelas mesmo com dificuldade. (Apenas um provérbio latino popular em sua época). * NB ou "Nota Bene" é uma expressão latina que deu em português ao Note Bem (NB) ============================================================================================ A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101127/bd679d4e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101127/bd679d4e/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26239 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101127/bd679d4e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 27 15:19:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 27 Nov 2010 15:19:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Apropria=E7=E3o_ind=E9bita=3A_?= =?windows-1252?q?como_os_ricos_est=E3o_tomando_nossa_heran=E7a_com?= =?windows-1252?q?um?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Apropriação indébita: como os ricos estão tomando nossa herança comum Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética. O livre acesso às composições de Heitor Villalobos será a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas proibem os países afetados de produzir o coquetel. Há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações. O artigo é de Ladislau Dowbor. Ladislau Dowbor Data: 04/11/2010 Gar Alperovitz and Lew Daly ? Apropriação Indébita: como os ricos estão tomando a nossa herança comum ? Editora Senac, São Paulo 2010, 242 p. A concentração de renda e a destruição ambiental constinuam sendo os nosso grandes desafios. São facetas diferentes da mesma dinâmica: na prática, estamos destruindo o planeta para a satisfação consumista de uma minoria, e deixando de atender os problemas realmente centrais. Como explicar que, com tantas tecnologias, produtividade e modernidade, estejamos reproduzindo o atraso? Em particular, como a sociedade do conhecimento pode se transformar em vetor de desigualdade? O prêmio Nobel Kenneth Arrow considera que os autores de ?Apropriação indébita: como os ricos etão tomando a nossa herança comum?, Gar Alperovitz e Lew Daly, ?se baseiam em fontes impecáveis e as usam com maestria. Todo mundo irá aprender ao ler este livro?. Eu, que não sou nenhum prêmio Nobel, venho aqui contribuir com a minha modesta recomendação, transformando o meu prefácio em instrumento de divulgação. Mania de professor, querer comunicar o entusiasmo de boas leituras. E recomendação a não economistas: os autores deste livro têm suficiente inteligência para não precisar se esconder atrás de equações. A leitura flui. A quem vai o fruto do nosso trabalho, e em que proporções? É a eterna questão do controle dos nossos processos produtivos. Na era da economia rural, os ricos se apropriavam do fruto do trabalho social, por serem donos da terra. Na era industrial, por serem donos da fábrica. E na era da economia do conhecimento, a propriedade intelectual se apresenta como a grande avenida de acesso a uma posição privilegiada na sociedade. Mas para isso, é preciso restringir o acesso generalizado ao conhecimento, pois se todos tiverem acesso, como se cobrará o pedágio, como se assegurará a vantagem de minorias? Um argumento chave desta discussão, é naturalmente a legitimidade da posse. De quem é a terra, que permitia as fortunas e o lazer agradável dos senhores feudais? Apropriação na base da força, sem dúvida, legitimada em seguida por uma estrutura de heranças familiares. Uma vez aceito, o sistema funciona, pois na parte de cima da sociedade forma-se uma aliança natural ditada por interesses comuns. Na fase industrial, um empresário pega um empréstimo no banco ? e para isso ele já deve pertencer a um grupo social privilegiado ? e monta uma empresa. Da venda dos produtos, e pagando baixos salários, tanto auferirá lucros pessoal como restituirá o empréstimo ao banco. De onde o banco tirou o dinheiro? Da poupança social, sob forma de depósitos, poupança esta que será transformada na fábrica do empresário. Aqui também, vale a solidariedade dos proprietários de meios de produção, e o resultado de um esforço que é social será em boa parte apropriado por uma minoria. Mudam os sistemas, evoluem as tecnologias, mas não muda o esquema. Na fase atual, da economia do conhecimento, coloca-se o espinhoso problema da legitimidade da posse do conhecimento. A mudança é radical, relativamente aos sistemas anteriores: a terra pertence a um ou a outro, as máquinas têm proprietário, são bens ?rivais?. No caso do conhecimento, trata-se de um bem cujo consumo não reduz o estoque. Se transmitimos o conhecimento a alguém, continuamos com ele, não perdemos nada, e como o conhecimento transmitido gera novos conhecimentos, todos ganham. A tendência para a livre circulação do conhecimento para o bem de todos torna-se portanto poderosa. A apropriação privada de um produto social deve ser justificada. O aporte principal de Alperovitz e de Daly, neste pequeno estudo, é de deixar claro o mecanismo de uma apropriação injusta ? Unjust Deserts ? que poderíamos explicitar com a expressão mais corrente de apropriação indébita. Ao tornar transparentes estes mecanismos, os autores na realidade estão elaborando uma teoria do valor da economia do conhecimento. A força explicativa do que acontece na sociedade moderna, com isto, torna-se poderosa. Para dar um exemplo trazido pelo autor, quando a Monsanto adquire controle exclusivo sobre determinada semente, como se a inovação tecnológica fosse um aporte apenas dela, esquece o processo que sustentou estes avanços. ?O que eles nunca levam em consideração, é o imenso investimento coletivo que carregou a ciência genética dos seus primeiros passos até o momento em que a empresa toma a sua decisão. Todo o conhecimento biológico, estatístico e de outras áreas sem o qual nenhuma das sementes altamente produtivas e resistentes a denças poderia ter sido desenvolvida ? todas as publicações, pesquisas, educação, treinamento e ferramentas técnicas relacionadas sem os quais a aprendizagem e o conhecimento não poderiam ter sido comunicados e fomentados em cada estágio particular de desenvolvimento, e então passados adiante e incorporados, também, por uma força de trabalho de técnicos e cientistas ? tudo isto chega à empresa sem custo, um presente do passado? (55). Ao apropriar-se do direito sobre o produto final, e ao travar desenvolvimentos paralelos, a empresa canaliza para si gigantescos lucros da totalidade do esforço social, que ela não teve de financiar. Trata-se de um pedágio sobre o esforço dos outros. Unjust Deserts. Se não é legítimo, pelo menos funciona? A compreensão do caráter particular do conhecimento como fator de produção já é antiga. Uma jóia a este respeito é um texto 1813 de Thomas Jefferson: ?Se há uma coisa que a natureza fez que é menos suscetível que todas as outras de propriedade exclusiva, esta coisa é a ação do poder de pensamento que chamamos de idéia....Que as idéias devam se expandir livremente de uma pessoa para outra, por todo o globo, para a instrução moral e mútua do homem, e o avanço de sua condição, parece ter sido particularmente e benevolmente desenhado pela natureza, quando ela as tornou, como o fogo, passíveis de expansão por todo o espaço, sem reduzir a sua densidade em nenhum ponto, e como o ar no qual respiramos, nos movemos e existimos fisicamente, incapazes de confinamento, ou de apropriação exclusiva. Invenções não podem, por natureza, ser objeto de propriedade.? (1) O conhecimento não constitui uma propriedade no mesmo sentido que a de um bem físico. A caneta é minha, faço dela o que quiser. O conhecimento, na medida em que resulta de um esforço social muito amplo, e constitui um bem não rival, obedece a outra lógica, e por isto não é assegurado em permanência, e sim por vinte anos, por exemplo, no caso das patentes, ou quase um século no caso dos copyrights, mas sempre por tempo limitado: a propriedade é assegurada por sua função social ? estimular as pessoas a inventarem ou a escreverem ? e não por ser um direito natural. O merecimento é para todos nós um argumento central. Segundo as palavras dos autores, ?nada é mais profundamente ancorado em pessoas comuns do que a idéia de que uma pessoa tem direito ao que criou ou ao que os seus esforços produziram?.(96) Mas na realidade, não são propriamente os criadores que são remunerados, e sim os intermediários jurídicos, financeiros e de comunicação comercial que se apropriam do resultado da criatividade, trancando-o em contratos de exclusividade, e fazem fortunas de merecimento duvidoso. Não é a criatividade que é remunerada, e sim a apropriação dos resultados: ?Se muito do que temos nos chegou como um presente gratuito de muitas gerações de contribuiçoes históricas, há uma questão profunda relativamente a quanto uma pessoa possa dizer que ?ganhou merecidamente? no processo, agora ou no futuro.?(97) As pessoas em geral não se dão conta das limitações. Hoje 95% do milho plantado nos EUA é de uma única variedade, com desaparecimento da diversidade genética, e as ameaças para o futuro são imensas. Teremos livre acesso às obras de Paulo Freire apenas a partir de 2050, 90 anos depois da morte do autor. O livre acesso às composições de Heitor Villalobos será a partir de 2034. Isto está ajudando a criatividade de quem? Patentes de 20 anos há meio século atrás podiam parecer razoáveis, mas com o ritmo de inovação atual, que sentido fazem? Já são 25 milhões de pessoas que morreram de Aids, e as empresas farmacêuticas (o Big Pharma) proibem os países afetados de produzir o coquetel, são donas de intermináveis patentes. Ou seja, há um imenso enriquecimento no topo da pirâmide, baseado não no que estas pessoas aportaram, mas no fato de se apropriarem de um acúmulo historicamente construído durante sucessivas gerações. Nesta era em que a concentração planetária da riqueza social em poucas mãos está se tornando nsustentável, entender o mecanismo de geração e de apropriação desta riqueza é fundamental. Os autores não são nada extermistas, mas defendem que o acesso aos resultados dos esforços produtivos devam ser minimamente proporcionais aos aportes. ?A fonte de longe a mais importante da prosperidade moderna é a riqueza social sob forma de conhecimento acumulado e de tecnologia herdada?, o que significa que ?uma porção substantiva da presente riqueza e renda deveria ser realocada para todos os membros da sociedade de forma igualitária, ou no mínimo, no sentido de promover maior igualdade?.(153) Um livro curto, muito bem escrito, e sobretudo uma preciosidade teórica, explicitando de maneira clara a deformação generalizada do mecanismo de remuneração, ou de recompensas, que o nosso sistema econômico gerou. Trata-se aqui de um dos melhores livros de economia que já passaram por minhas mãos. Bem documentado mas sempre claro na exposição, fortemente apoiado em termos teóricos, na realidade o livro abre a porta para o que podemos qualificar de teoria do valor, mas não da produção industrial, e sim da economia do conhecimento, o que Daniel Bell qualificou de ?knowledge theory of value?. A Editora Senac tomou uma excelente iniciativa ao traduzir e publicar este livro. Vale a pena. (www.editorasenacsp.com.br) (1) Citado por Lawrence Lessig, The Future of Ideas: the Fate of the Commons in an Connected World ? Random House, New York, 2001, p. 94 (*) Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, é autor de Democracia Econômica e de Da propriedade Intelectual à Sociedade do Conhecimento, disponíveis em http://dowbor.org =============================================================================================== A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101127/4d9c74d7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101127/4d9c74d7/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 28 12:32:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Nov 2010 12:32:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_713_v=C3=ADdeos_hist=C3=B3ricos_-_Prec?= =?utf-8?q?iosidade!_______________________________________HOJE_?= =?utf-8?q?=C3=89_DOMINGO!___M=C3=9ASICAS!?= Message-ID: <9FFE967E5D2D45669BFD9FD1CDEA1C16@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Tem vídeo para todos os gostos. Desde o tango dançado por Al Pacino no filme Perfume de Mulher (no papel de cego) e a exibição de dois excepcionais instrumentistas brasileiros (Yamandu Costa e Armandinho) tocando "Apanhei-te Cavaquinho", até uma seleção de eclética André Rieu, James Last, Pavarotti e muitos outros. Corra o mouse na lista e escolha os seus preferidos. 713 Videos Históricos (de A a Z ) Pra guardar bem guardado e assistir sempre que quiser. Preciosidade ! A Adoniran Barbosa e Elis Regina, em 1978, no Bexiga Adriana Calcanhoto - "Seu Pensamento" Adriana Calcanhoto - "Devolva-me" Adriana Calcanhoto - "Mais Feliz" Al Pacino - "Scent of woman" Al Pacino - "Scent of woman" - Woman Al Pacino - "Scent of woman" - Ending Speech Al Pacino - "Scent of woman" - Ferrari Andre Rieu - "Manhã de Carnaval" Andre Rieu - "Air on the G String" - Bach Andre Rieu - "Plaisir D'Amour" Andre Rieu - "Hava Nagila" Andre Rieu and Bond Girls - "Victory" Andrea Bocelli - "O sole mio" Andrea Bocelli e soprano Ana Maria Martinez - "La Traviata - Brindisi - Libiamo ne' lieti calici" Andrea Bocelli e Anna Netrebko - "Brindisi - La Traviata" Andrea Bocelli - "Somos novios" Andrea Bocelli - "Les Feuilles Mortes" Andrea Bocelli - "Torna a Surriento" Andrea Bocelli e Christina Aguilera - "Somos Novios" Andrea Bocelli - "Caruso" Andrea Bocelli - "La Donna e Mobile" Andy Williams and Henry Mancini - "Moon River" Ângela Maria - "Tango pra Tereza" Anne-Sophie Mutter/Hebert von Karajan -"Spring" B Banda Eva e Ivete Sangalo - "Eva" , "Alo Paixão" , "Beleza Rara" Banda Eva e Ivete Sangalo - "Eva" Barbra Streisand - "What are you doing the rest of your life?" Barbra Streisand - "The way we were" Barry White - "Just the way you are" Benkó Dixieland Band & Myrtill Micheller - "Misty" Benkó Dixieland Band - "Yours Is My Heart Alone" Bert Kaempfert - "The way we were" Bert Kaempfert - "Medley - " - live on German TV - 26th August 1967 Beth Carvalho - "As rosas não falam" Beto Guedes e Flávio Venturini - "Espanhola" Beto Guedes - "Sol de Primavera" Beto Guedes - "Quando te vi (Till there was you)" Bill Medley e Jeniffer Warnes - "The time of my life" - Dirty Dancing Bing Crosby & Grace Kelly - "True Love" Bill Evans - "My foolish heart" Bill Evans - "Summertime" Bill Evans - "The days of wine and roses" Billie Holiday - "The Blues Are Brewin" Bolshoi Ballet - "The Nutcracker - Snowflakes" . C Caetano Veloso - "Eu sei que vou te amar" Caetano Veloso e Chico Buarque - "Anos Dourados" Caetano Veloso - "Mimar Você" Caetano Veloso - "Chega de Saudade" Caetano Veloso e Lulu Santos - "Como uma onda" Caetano Veloso e João Gilberto - "Garota de Ipanema" Carlos Barbosa Lima - "Odeon" Carlos Barbosa Lima - "Sons de Carrilhões" Carlos Gardel - "Mi Buenos Aires querido" Carlos Gardel - "Volver" Carlos Gardel - "Mano a mano" Carlos Gardel - "Yira Yira" Carlos Kleiber - Johann Strauss Jr. "Fledermaus Overture" Carmen Miranda - "O que é que a baiana tem?" 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D Danilo Caymmi e Tom Jobim - "A Felicidade" David Oistrakh - "Clair de Lune" - Debussy Dean Martin & Tony Bennett Dinah Washington - "All of me" Newport Jazz Festival Diana Krall - "Fly me to the moon" Dick Farney - "Copacabana" Dick Farney - "Alguém como tu" Djavan e Barbara Mendes - "Meu bem querer" Domenico Modugno - "Nel blu di pinto di blu" - Volare Domenico Modugno - "La Lontananza" Dominguinhos e Luiz Gonzaga - "Sete Meninas" Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Elba Ramalho - "Sanfoninha Choradeira" Dóris Monteiro - "Mudando de Conversa" Dorival Caymmi - "O vento" Dorival Caymmi - "É doce morrer no mar" Dorival Caymmi e Chico Buarque - "A vizinha do lado" Dorival Caymmi e Chico Buarque - "Maricotinha" Dulce Pontes - "Canção do mar" Dulce Pontes - "Fado português" Durval Ferreira e Leny Andrade "Batida Diferente" E Ed Motta - "Colombina" Ed Motta - "Caso Sério" Ed Motta - "Solução" Ed Motta - "Manuel" Edith Piaf & Charles Dumont - "Non, je ne regrette rien" Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Dominguinhos - "Sanfoninha Choradeira" Elis Regina - "Ilusão à toa" Elis Regina - "O Bêbado e a Equilibrista" Elis Regina e Adoniran Barbosa, em 1978, no Bexiga Elis Regina e Tom Jobim - "Céu e Mar" Elis Regina e Tom Jobim - "Na Batucada da Vida" Elis Regina - "É com esse que eu vou" Ella Fitzgerald - "The man I Love" Enya - "Watermark" Ennio Morricone - "Gabriel's Oboe - The Mission" Ennio Morricone - "Deborah's Theme" Enrico Caruso - "Torna Surriento" Erroll Garner - "Spring is here - It might as well be spring - Lover" Erroll Garner - "Medley" Erroll Garner - "One note samba" F Fafá de Belém - "Só Nós Dois" Fafá de Belém - "Fado Tropical" Francoise Hardy - "Mon ami la rose" Frank Sinatra - "New York, New York" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Jair Rodrigues - "Disparada" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Chico Buarque e Nara Leão - "A banda" II Festival da MPB - TV Record 1966 - Chico Buarque e Nara Leão - "A banda" - Comentários de ambos II Festival da MPB - TV Record 1966 - Elza Soares - "De amor e paz" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Chico Buarque e MPB4 - "Roda Viva" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Caetano Veloso - "Sem lenço e sem documento" III Festival da MPB - TV Record 1967 - MPB4 - "Gabriela" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Gilberto Gil - "Domingo no parque" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Gilberto Gil - "Domingo no parque" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Roberto Carlos - "Maria, carnaval e cinzas" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Roberto Carlos - "Maria, carnaval e cinzas" III Festival da MPB - TV Record 1967 - Edu Lobo e Marília Medalha - "Ponteio" V Festival da MPB - TV Record 1969 - Paulinho da Viola - "Sinal Fechado" (o polêmico 1° lugar) Fred Astaire & Ginger Rogers - "Carioca" from the movie "Flying down to Rio" Fred Astaire & Ginger Rogers - "Cheek to Cheek" Fred Astaire & Ginger Rogers - "Smoke Gets in Your Eyes" Fred Astaire e Eleonor Powel - "Beguin the beguine" G Gal Costa - "Eu vim da Bahia" Gal Costa - "Brigas nunca mais / Discussão" Gali Atari - "Shemesh Aduma" Gali Atari and Milk & Honey - "Hallelujah" Gene Kelly & Cyd Charisse from "Singin' in the rain" Gene Kelly - Making of from "An American in Paris" Gheoghe Zamfir - "Doda,doda" and "M-am suit in dealul Clujului" ("I was climbing the Cluj hill") Gheorghe Zamfir - "Lonely Sheferd" Gheorghe Zamfir - "Lonely Sheferd" Gheorghe Zamfir - "Einsamer Hirte" Gilbert Becaud - "L'important c'est la rose" Gilbert Becaud - "Et maintenant" Gino Paoli - "Sapore di sale" 2006 Gino Paoli - "Canzoni da Ricordare" Glenn Miller - "In the Mood" Gigliola Cinquetti - "Anema e Core" Gonzaguinha - "E vamos à luta" Gonzaguinha - "É" - "O que é, o que é" Gonzaguinha - "Ponto de Interrogação" Gonzaguinha e Maria Bethânia - "Explode Coração" Guilherme Arantes - "Cheia de Charme" Gustavo Naveira y Giselle Anne - "La Cumparsita" H Henry Mancini and Andy Williams - "Moon River" Herbert von Karajan - "The Blue Danube Waltz" Hildegard Knef - "Eins und Eins das macht Zwei" Hildegard Knef - "Für mich solls rote Rosen regnen" Hildegard Knef - "Von nun an gings bergab" Hildegard Knef - Last tour 1 - "In dieser Stadt" Hildegard Knef - Last tour 2 - "Die Welt war jung" Hildegard Knef - Last tour 3 - "Ich brauch´Tapetenwechsel" Hildegard Knef - Last tour 4 - "Berlin, dein Gesicht hat Sommersprossen" Hildegard Knef - Last tour 5 - "Eins und Eins das macht Zwei" Hildegard Knef - 6 Minutes About Her Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 1 Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 2 I Ivan Lins - "Lembra de mim" Ivan Lins - "Bilhete" Ivan Lins e Toquinho - "Amor em Paz" Ivete Sangalo - "Eva" , "Alo Paixão" , "Beleza Rara" Ivete Sangalo - "Eva" Ivon Curi - "Delicadeza" J Jacques Brel - "Ne me quitte pas" James Last - "Medley I James Last - "Medley II (Romance in F - Beethoven...) James Last live in Berlin 1982 - "Medley III" James Taylor - "Carolina in My Mind" James Taylor - "Help From My Friends" James Taylor - "Long Ago And Far Away" Janine Jansen - "Thais Meditation" - Massenet João Bosco - "Memória da Pele" João Bosco - "Jade" João Bosco & Yamandu Costa - "Benzetacil" João Bosco - "Caminhos Cruzados" João Bosco - "Papel Machê" João Donato - "Minha saudade" João Gilberto - "Chega de Saudade" João Gilberto - "Morena Boca de Ouro" João Gilberto - "Canta Brasil" João Gilberto e Caetano Veloso - "Garota de Ipanema" João Gilberto e Tom Jobim - "Garota de Ipanema" João Gilberto e Tom Jobim - "Desafinado" John Lennon - "Woman is the nigger of the world" Johnny Alf - "Rapaz de bem" Johnny Alf - "The girl from Ipanema" Johnny Mathis - "I will wait for you" Jorge Aragão e Jorge Vercilo - "Encontro das Águas" Jorge Aragão e Fundo de Quintal - "Lucidez" José Carreras - "Core 'ngrato" Joyce - "Feminina" Julio Jaramillo - "Nuestro Juramento" Julio Jaramillo - "Iluminas mi alma" K Kaoma - "Dançando Lambada " L Laura Pausini - Inolvidable" Laura Pausini - La Soledad" Laura Pausini - Se fue" Lara Fabian - "Africa / Rio" Lara Fabian - "Je t'aime" Lara Fabian - "Tango" Leila Pinheiro e Rui Veloso - "Eu não existo sem você" Leny Andrade e Durval Ferreira - "Batida Diferente" Leny Andrade e Pery Ribeiro - "Gemini V" Liza Minelly & Joel Grey - "Money" from "Cabaret" Liza Minelly - "Life is a Cabaret" from "Cabaret" Liza Minelly - "Mein Herr" from "Cabaret" Lorin Maazel - Wiener Philharmoniker - Blue Danube Waltz Louis Armstrong - "What a Wonderful World" Luciano Pavarotti - "Torna a Surriento" Luciano Pavarotti - "Caruso" Luciano Pavarotti - "Ave Maria" de Schubert Luciano Pavarotti - "Nessun Dorma" Luciano Pavarotti e Roberto Carlos - "Ave Maria" de Schubert Luciano Pavarotti e Liza Minelli - "New York, New York" Luis Miguel - "Sabor a mi" Luis Miguel - "Palavra de Honor" Luis Miguel - "Sueña" Luiz Gonzaga e Dominguinhos - "Sete Meninas" Luiz Gonzaga - "Boiadeiro" Luiz Gonzaga, Elba Ramalho e Dominguinhos - "Sanfoninha Choradeira" Lulu Santos - "Como uma onda" Lulu Santos e Caetano Veloso - "Como uma onda" Lulu Santos - "Sereia - De repente, Califórnia" Lulu Santos - "Tão bem - Tudo bem" M Maria Bethânia e Gonzaguinha - "Explode Coração" Maria Bethânia - "Um jeito estúpido de te amar" Maria Bethânia - "O doce mistério da vida" Mariza - "Oh Gente da Minha Terra" Marisa Monte e Paulinho da Viola - "Carinhoso" Martinho da Vila - "Mulheres" Martinho da Vila e Roberto Carlos - "Aquarela do Brasil" Maurice Jarre - "Doctor Zhivago" Maysa - "O Barquinho" Maysa - "Nós e o mar" Maysa - "Eu sei que vou te amar" Maysa - "Ouça" Maysa - "Tema de Simone" Maysa - "Chuvas de Verão" Maysa e Rildo Hora - "Último Desejo" Mercedes Sosa - "Gracias a la vida" N Nana Caymmi e Erasmo Carlos - "Não se esqueça de mim" Nana Caymmi - "Sábado em Copacabana" Nana Caymmi - "Você não sabe amar" Nana Caymmi e Cesar Camargo Mariano - "Se queres saber" Nara Leão - "Camisa Amarela" Nara Leão e Chico Buarque - "Com Açúcar, Com Afeto" Nara Leão e Chico Buarque - "A Banda" - Festival 1966 Nat King Cole - "Stardust" Nat King Cole - "Mona Lisa" Nat King Cole - "Let there be love" Nat King Cole - "Love" Neil Sedaka - "Oh! Carol" Nelson Gonçalves - "A Volta do Boêmio" Norah Jones - "Come away with me" Norah Jones - "Are you lonesome tonight?" Norah Jones - "Cold cold heart" Norah Jones - "Drown in my own tears" Norah Jones - "Feeling the same way" O Ofra Haza - "Ha'Shana InshaAlla-h" Ofra Haza - "Tzur Menti" Ofra Haza - "Im Nin'Alu" - 1978 Orquestra Filarmônica de Berlim - "Bolero" - Ravel P Paco de Lucia - "Concierto de Aranjuez" Paul Mauriat - "Love is blue" Paul Mauriat - "Toccata" Paul Mauriat - "My hearth will go on" Paulinho da Viola e Maria Bethânia - "Rosa Maria" Paulinho da Viola e Marisa Monte - "Carinhoso" Paulinho da Viola - "Foi um Rio que passou em minha vida" Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela - Documentário - 1ª parte Paulinho da Viola e Velha Guarda da Portela - Documentário - 2ª parte Paulinho da Viola e Clara Nunes - "O Mar Serenou" e outros grandes sucessos Paulinho da Viola - "Nervos de Aço" Peppino di Capri - "Roberta" Pery Ribeiro - "Garota de Ipanema" - 2005 Pery Ribeiro e Leny Andrade - "Gemini V" Pery Ribeiro - "Samba do Avião / Barquinho / Garota de Ipanema" R Ray Charles - "Georgia on my mind" Ray Conniff - "Besame Mucho" Renato Russo - "Strani Amore" Renato Russo - "Quando eu estiver cantando / Endless love" Rildo Hora e Maysa - "Último Desejo" Rita Hayworth as "Gilda" Rita Lee & Milton Nascimento - "Mania de Você" Rita Pavone - "Sapore di Sale" Rita Pavone - "Datemi un martello" Roberto Carlos e Martinho da Vila - "Aquarela do Brasil" Roberto Carlos e Wanderléa - "Agora você vem dizendo adeus" Roberto Carlos e Wanderléa - "Ternura" Roberto Carlos - "Que sera de ti" Roberto Carlos - "Emoções" Roberto Carlos - "Volver" Roberto Carlos - "Piel Canela" Roberto Carlos - "Detalhes" Roberto Carlos - "O Cadillac" Roberto Carlos - "O calhambeque" Roberto Carlos - "Pra sempre" Roberto Carlos - "Ilegal, imoral ou engorda" Roberto Carlos - "Um milhão de amigos" Roberto Carlos - "Jesus Cristo" Roberto Carlos - "Amada Amante" Roberto Carlos - "Desahogo" Roberto Carlos - "Café da manhã" Roberto Carlos - "Detalhes" Roberto Menescal e Wanda Sá - "Nós e o mar" Rocio Durcal - "Granada - Maria Bonita - Solamente una vez" Roger Williams - "Impossible Dream" Rostropovich - "Haydn Cello Concerto 1981" Rostropovich - "Allemande from Bach's Cello Suite No.1" Rostropovich - "Prelude from Bach's Cello Suite No.5" Rui Veloso e Leila Pinheiro - "Eu não existo sem você" S Sarah Brightman & Antonio Banderas - "The Phantom Of The Opera" Sarah Chang - "Cantabile" (Paganini) Sarah Chang - "Air on the G String" (J.S.Bach) Sarah Chang - "Meditation (from Thais)" (Massenet) Sarah Chang - "Mendelssohn Violin Concerto Mov 1" Sarah Chang - "Mendelssohn Violin Concerto Mov 2" Sarah Vaughan - "Don't blame me" Sarah Vaughan - "You're not the kind" Sarah Vaughan - "These things I offer you" Sara Vaughan e Wilson Simonal Simon & Garfunkel - "The Sound of Silence" Stanley Jordan - "Autumn Leaves" Stanley Jordan - "Stairway to Heaven" Stevie Wonder - "For once in my life" Stevie Wonder - "Yester me Yester You Yesterday" Stevie Wonder - "I just called to say I love you" Stevie Wonder - "You are the sunshine of my life" Stevie Ray Vaughan & Double Trouble - "Texas Flood" Silvio Caldas - "Chão de Estrelas" Sinead O'Connor - "Sacrifice" Sivuca - "Céu e Mar" T Tango Show from Buenos Aires, Argentina The Beatles - "Till there was you" The Beatles - "Help" The Beatles - "Day Tripper" The Beatles - "She loves you" The Beatles - "I Wanna Hold You Hand" The Beatles - "Please Mr. Postman" The Beatles - "Let it be" The Beatles - "Yesterday" (Tokio - 1966) The Platters - "Smoke gets in your eyes" The Platters - "Only You" The Platters - "Twilight time" Three Tenors singing "La donna e mobile" Three Tenors singing "Solamente una vez" Three Tenors singing "Te voglio tanto bene" Three Tenors singing "O Sole Mio" Tim Maia - "Gostava tanto de você" Tim Maia - "Me dê motivo" Tim Maia - "Não quero dinheiro" Tim Maia - "Dia de Domingo" Tom Jobim e Elis Regina - "Céu e Mar" Tom Jobim e Elis Regina - "Na Batucada da Vida" Tom Jobim e João Gilberto - "Garota de Ipanema" Tom Jobim e João Gilberto - "Desafinado" Tom Jobim e Leila Pinheiro - "Falando de Amor" Tom Jobim - "Eu sei que vou te amar" Tom Jobim - "Wave" Tom Jobim - "Você e eu" Tom Jobim - "Luiza" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba de uma nota só" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba de Orly" Tom Jobim, Vinícius, Miucha e Toquinho - "Samba pra Vinícius" Toquinho - "O bem do Mar, Saudade da Bahia, O mar" Toquinho - "Este seu olhar - Se todos fossem iguais a você" Toquinho - "Regra Três" Toquinho - "Escravo da Alegria" Toquinho - "Aquarela" Toquinho e Ivan Lins - "Amor em Paz" Tony Bennett & Stevie Wonder - "For once in my life" Tony Bennett - "I left my heart in San Francisco" Tony Bennett - "I left my heart in San Francisco (dance)" Toquinho e Vanda Breder - "Tristeza / A Felicidade" Tátrai Tibor & Sz?cs Antal Gábor - "Vidám part" < ==================================================================================================================== A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -- -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101128/8bdca092/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 28 12:32:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Nov 2010 12:32:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Nos_75_anos_do_Levante_de_35=2C_v?= =?iso-8859-1?q?=EDdeo_polemiza_com_=22intentona=22?= Message-ID: <77B7313FA02C4D0E804A659EC4CA9228@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CLIQUE Nos 75 anos do Levante de 35, vídeo polemiza com "intentona" A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101128/186b4cd7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101128/186b4cd7/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 28 12:32:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 28 Nov 2010 12:32:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O conflito colombiano - forma violenta de capitalismo. Message-ID: <9C4DF2F8F6694307AE4BFBE8E9C0CEF6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Uma expressão da barbárie: O conflito colombiano: Forma violenta do capitalismo Por Carlos A. Lozano Guillén (É advogado e jornalista colombiano. Director do jornal VOZ. Dirigente do Partido Comunista Colombiano e do Pólo Democrático Alternativo. Autor de sete livros e de numerosos ensaios em jornais e revistas.) A história política da Colômbia é a história dos grandes conflitos sociais e económicos. Faz apenas quarenta anos, mais ou menos, que se publicou o texto ?Os grandes conflitos sociais e económicos da nossa história?, primeira tentativa de escrever a ?nova história da Colômbia?, diferente da tradicional e confessional que se transmite de geração em geração até aos nossos dias. O autor foi Indalécio Liévano Aguirre. No inicio, o texto afirma o seguinte: ?A conquista e a colonização da América serão objecto de infindas controvérsias enquanto se insistir em as descrever como um processo homogéneo e rectilíneo e não como um conflito dinâmico, dentro o qual as chamadas Lenda Negra e Lenda Rosa representam, apenas, as duas tendências que ao longo dos séculos coloniais inspiraram a grande controvérsia entre o Estado espanhol e os poderes senhoriais da riqueza. No relato que vamos fazer dos episódios principais da nossa história desde a conquista, se poderão perceber as origens dessa grande controvérsia e a maneira decisiva como ela ancorou no centro de gravidade da nossa sociedade o grande debate entre a justiça que defende os humildes e todas as formas de opressão que favorecem os poderosos?.(1) Essa espécie de confrontação é constante, porque as classes dominantes desde ?A Conquista?, acostumaram-se a exercer o poder mediante o exercício da violência. Nem sequer a época republicana se livrou desta perversa tendência oligárquica, depois de Simón Bolívar, a história colombiana desde finais do século XVIII até aos nossos dias, manteve essa constante. O pequeno, mas poderoso círculo governante, impôs a ?lei e a ordem? sob métodos repressivos e terroristas de Estado. Mediante o extermínio do contraditor e os estatutos de segurança, como a lei heróica, a lei dos cavalos, o estatuto de segurança, a segurança democrática, entre outros. Todos orientados para impor a ordem e neutralizar a subversão em defesa dos interesses imperialistas e da oligarquia dominante. Esta é a causa de tantos conflitos e de guerras civis ao longo da história. ?Para entender o conflito político, social e armado que afecta o país no momento actual, basta seguir a trajectória da história da violência na Colômbia nos últimos cinquenta anos, que é apenas uma das tantas violências que a classe dominante impôs ao povo, porque ao fim e ao cabo não conheceu outra forma de governar para fixar o regímen antidemocrático e despótico que garante gordos benefícios á oligarquia, que lucra com o poder em cada etapa do processo de acumulação capitalista. Primeiro foram os latifundiários, depois a burguesia detentora dos meios de produção e na actualidade o capital financeiro, proporcionado pelo modelo neoliberal do capitalismo selvagem e os poderosos grupos económicos que concentram cada vez mais a riqueza, naturalmente amarrados como usufrutuários do poder dominante, ligado aos interesses imperialistas?.(2) O conflito político, social e armado da actualidade, o último de tantas violências dos 500 anos de existência e 200 da primeira independência, teve a sua origem em meados do século passado nas lutas camponesas pela reforma agrária e da contradição com os latifundiários, protegidos pelo governo de então (Mariano Ospina Pérez, conservador) a ferro e fogo. Foi a época em que se consolidaram as formas terroristas do Estado colombiano, que ainda perduram. A Colômbia era na época um país agrário, de economia agrária e com a maior concentração da riqueza e população no campo. Apenas 3 por cento dos proprietários controlava 95 por cento da terra fértil. Sessenta anos depois, apesar da Colômbia ser um país urbano, com forte economia agro-industrial e com ritmos altos na produção industrial, nunca se fez uma reforma agrária. Antes pelo contrário, nos últimos vinte anos, o emaranhado de políticos regionais tradicionais, as máfias do narcotráfico e o para-militarismo, avançaram com uma contra-reforma agrária para despojar da terra os médios e pequenos camponeses. Despejo imposto com a protecção dos governantes, mesmo em formas descaradas de assistência a latifundiários e outros sectores da oligarquia, como o Programa de Agro Ingresso Seguro no anterior Governo, que entregou milhões e milhões de pesos em subsídios e ajudas aos ricos, em aberto desafio às comunidades empobrecidas da agricultura colombiana. São estas as razões do conflito, que se retroalimentou nos últimos trinta anos com a configuração excludente de um sistema bipartidarista de formas repressivas e da liquidação das liberdades públicas, que afastam a possibilidade de um Estado social de direito, como consagra a Constituição Política de 1991 na sua letra morta. Precisamente, por a oligarquia dominante, em cada momento, se negar a alterar esta situação, é que fracassaram todos as tentativas nos últimos 30 anos de encontrar a paz mediante o diálogo com as guerrilhas. Não há uma vontade política de mudança na classe dominante, preferem a paz dos cemitérios á paz romana. A causa do fracasso dos processos de paz ou de diálogo foi a resistência do governo de turno, pressionado pela classe dominante e pelo imperialismo ianque, a aceitar alterações políticas, sociais e económicas que erradiquem as causas do conflito. Cada governo prefere a linha da guerra, com a velha ambição de levar a guerrilha derrotada á mesa de diálogo para assinar a desmobilização e a rendição. É a causa de tantos fracassos e de tantas frustrações do povo colombiano, que anseia pela paz. O conflito prolongou-se de maneira indefinida, conhecendo altos níveis de degradação e barbárie. Por esta razão, um diálogo de paz deve começar por acordos humanitários bilaterais, que comprometam as partes na aplicação e respeito pelo direito internacional humanitário. Contudo, o fracasso da via militar é evidente, e mais ainda depois dos oito anos de guerra sustentada na chamada ?segurança democrática? nos dois governos de Álvaro Uribe Vélez, incluindo a entrega de parte do território nacional para a instalação de bases militares norte-americanas. É a linha em que persiste o governo actual de Juan Manuel Santos, que chegou ao desaforo de qualificar Uribe Vélez como o segundo libertador da Colômbia. Enquanto insiste nas operações militares e bombardeamentos aéreos indiscriminados e calculados, sempre com o apoio do governo dos Estados Unidos, que lhe permitiu assestar duros golpes na guerrilha das FARC, embora sem acabar com ela como é a pretensão e a propaganda. Não chegou o ?sonho dourado? da madre de todas as batalhas que permita ao governo da Colômbia arrasar a totalidade da força guerrilheira. Depois do sete de Agosto passado, quando Juan Manuel Santos assumiu a presidência, as FARC fizeram pelo menos três tentativas de abrir um cenário de diálogo, com uma agenda concreta que incluía cinco pontos como o direito internacional humanitário, a reforma agrária, o modelo económico, as mudanças políticas e as bases militares e a soberania nacional. Santos, por seu lado, assegura que tem na sua mão a chave do diálogo, condicionado a gestos de vontade de paz da guerrilha, ainda que a ênfase seja colocada nos meios operativos militares e de guerra. Tudo num clima de confrontação e perseguição aos opositores como é o caso da senadora Piedad Córdoba e de tantos colombianos e colombianas que trabalham para construir um novo país em condições de paz com democracia e justiça social. A via militar é inviável. A solução política negociada do conflito, a via pacífica e democrática, apoiada nas massas populares, é a única que pode tirar o país da crise. Neste sentido é importante fortalecer os processos de unidade em redor do Pólo Democrático Alternativo e de outros sectores políticos e sociais, que se pronunciam pela paz e o fortalecimento da democracia. É a contradição entre a barbárie e a civilização, Entre as forças progressistas e o fascismo; entre os que queremos uma Colômbia democrática virada para os processos latino-americanos e os que insistem em estar atados á tirania imperialista que impõe o atraso e a guerra. (1) LIEVANO, Aguirre Indalecio Os grandes conflitos sociais e económicos da nossa história. Intermedio Editores 2002. Pág. 19 (2) ANO, Guillén Carlos A. Guerra ou Paz na Colômbia? Cinquenta anos de um conflito sem solução. Edições Izquierda Viva y Ocean Sur. 2006. Pág. 37 Tradução para português: Guilherme Coelho =========================================================================== A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101128/41c06237/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 29 19:10:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 29 Nov 2010 19:10:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sua_consulta_privativa_e_gratuita?= =?iso-8859-1?q?_com_o_Dr=2E_Hewdy_Lobo_Ribeiro=2E_________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!?= =?iso-8859-1?q?__MEDICINA=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: <970667E34EAC449EA1F34F0BB73F1A89@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Prezadas(os) leitoras (es) da Carta O Berro. Nesta 2º Feira, estamos apresentando para vocês o DR. HEWDY LOBO RIBEIRO que gentilmente se dispôs a colaborar conosco na pauta da segunda-feira "Medicina, Saúde e Alimentação". Com longo histórico na área da saúde mental e inclusive com diversas áreas de consultoria pública, oferece, agora, seu email (veja abaixo), para que os leitores da Carta O Berro possam solicitar consultas privadas, isto é: vocês farão o oferecimento dos problemas e ele fará o diagnóstico e a orientação gratuitamente. Diretamente, sem passar por qualquer outra pessoa. Assegurando-se a sua privacidade. um grande abraço para todos. Vanderley Caixe Prezado Sr. Vanderley. Para uma experiência inicial gostaria de divulgar apenas que sou Psiquiatra e que sou Médico Psiquiatra Colaborador no Projeto de Saúde Mental da Mulher no Instituto de Psiquiatria da USP. Contatos: hewdyvivasaude at yahoo.com.br Hewdy Lobo Ribeiro Psiquiatra Colaborador ProMulher - IPq - USP Psicogeriatra e Psiquiatra Forense pela ABP Médico Nutrólogo pela ABRAN ======================================================================================================== A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101129/61b6ac30/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 29 19:11:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 29 Nov 2010 19:11:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_tempo_da_=C1frica_=E9_agora?= Message-ID: <3999CCD33AFC4813BA7F5E5D3BE51B9A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem 26/11/2010 - 11h11 O tempo da África é agora Por Sanhay Suri, da IPS Madri, Espanha, 26/11/2010 - É inquestionável que a África está cheia de pobreza e doenças, mas esta imagem esconde outra realidade: o continente cresce mais de 5% ao ano, em média, afirmaram ativistas africanos na capital espanhola. Este segundo rosto é pouco conhecido e menos admitido, enfatizaram em um seminário organizado pela Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e a agência de notícias Inter Press Service (IPS). Malaui doa atualmente milho aos países mais pobres, e vende seu excedente nos mercados mundiais, disse em um discurso o arcebispo Njongonkulu Ndungane, presidente da African Monitor, uma organização não governamental com sede na Cidade do Cabo, durante o encontro. "Este êxito ocorre depois que o governo de Malaui ignorou as recomendações de algumas agências de financiamento quanto a não subsidiar os fertilizantes e outros insumos agrícolas", acrescentou. Trata-se de um êxito entre muitos. As próprias histórias de fracasso estão se convertendo em histórias de sucesso, disse Njongonkulu. A África ainda tem a menor expectativa de vida e a maior pobreza estendida, mas "a boa notícia é que estamos revertendo muitas destas tendências, e é por isto que nos atrevemos a afirmar que o tempo da África chegou", prosseguiu. Njongonkulu destacou vários fatos positivos. A pobreza extrema chegou ao seu ponto máximo no final dos anos 1990, com mais de 58%, mas em 2005 havia caído para menos de 50%. O Banco Africano de Desenvolvimento colocará no próximo ano US$ 10 bilhões em projetos de infraestrutura, apesar de o Banco Mundial dizer que a África precisa de US$ 93 bilhões anuais em estradas, água e eletricidade. Onde recebe US$ 40 bilhões anuais a título de assistência, arrecada US$ 400 bilhões mediante bônus, remessas e outros mecanismos financeiros. Isto é o melhor, mas não é tudo. Njongonkulu admite aquela imagem dominante da África e os fatos que a sustentam. A corrupção poderia ser a maior. "Em 2008, a fuga de capitais ilícitos da África subsaariana foi de US$ 96 bilhões. É escandaloso", afirmou. Por um lado, as nações africanas se comprometeram a gastar 20% de seu orçamento em agricultura, mas apenas 10% está sendo aplicado. Não ajuda o fato de os doadores terem entregue menos de 60% do prometido. "É necessária uma mudança de modelo nos meios de comunicação, porque o progresso da África não está sendo informado", disse na reunião Themba James Maseko, presidente do Sistema Governamental de Comunicação e Informação da África do Sul. Muitos países europeus têm poucos imigrantes procedentes da África, e a única imagem que têm as crianças que crescem nesses países é a de um continente afetado pela pobreza e pelo conflito, acrescentou. Por outro lado, a África tem de fazer a sua parte, e criar liderança e indústrias, em lugar de exportar matéria-prima, avaliar a fuga de cérebros, garantir a sustentabilidade ambiental e combater a corrupção. Inevitavelmente, em uma reunião sobre a África realizada na Espanha surge a questão dos imigrantes africanos na Europa. "Ao longo da história sempre houve imigração ilegal. As pessoas sempre emigraram em busca de uma vida mais feliz. E também há migrações dentro da África", disse Cherif Sy, presidente do Africa Editors Forum. "Não falemos destas pessoas como se fossem gado", acrescentou. Em lugar de depender da mídia, evitá-los pode ajudar, sugeriu Javier Bauluz, repórter fotográfico ganhador do Prêmio Pulitzer. Os povos não se conhecem entre si e, em lugar de dependerem dos meios de comunicação, deveriam participar de programas de intercâmbio entre África e Europa, afirmou. Medidas deste tipo em nível escolar podem levar a um melhor entendimento ressaltou. Transmitir essas ideias foi o objetivo da reunião, destacou o diretor-geral da IPS, Mario Lubetkin, em seu discurso de encerramento. Tratou-se "de ouvir a nova realidade africana, que pode ser ouvida de um modo novo, com dignidade, sem medo, inclusive sem temor de estar equivocado ou de cometer erros", acrescentou. Agora há "uma África emergente em um Sul emergente, que não está somente no futuro, mas também no presente", disse. O continente africano "está se unindo ao dinamismo de Brasil, China e Índia", ressaltou. A capacidade da África, e particularmente da África do Sul, ficou clara na Copa do Mundo da Fifa deste ano. "Muitos disseram que seria um fracasso, mas os fatos demonstraram o contrário. Os meios de comunicação, centrados no futebol, não conseguiram transmitir as dimensões do que a África do Sul e a África conseguiram ao organizar o campeonato. Foi um marco", disse Mario Lubetkin. O diretor-geral da IPS afirmou que às vezes os meios de comunicação ajudam a aprofundar o "afropessimismo". A reunião abriu as mentes para um novo "afro-otimismo", não como um exercício de relações públicas, mas como uma perspectiva para compreender a África, acrescentou. Na reunião de Madri também foi apresentado o novo site africano da IPS. Envolverde/IPS ====================================================================================================== A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101129/ba937a02/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3574 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101129/ba937a02/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10004 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101129/ba937a02/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 30 20:09:01 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 30 Nov 2010 20:09:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tres_textos_para_reflex=E3o_sobre?= =?iso-8859-1?q?_a_invas=E3o_das_favelas=3A_=22A_Guerra_do_Rio=2E_A?= =?iso-8859-1?q?_farsa_e_a_geopol=EDtica_do_crime=22/_=22Gera_o_mon?= =?iso-8859-1?q?stro=2C_mata_o_monstro=22_/=22A_reorganiza=E7=E3o_d?= =?iso-8859-1?q?a_estrutura_do_crime=2E=22?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A Guerra do Rio. A farsa e a geopolítica do crime José Cláudio Souza Alves * Adital - "Deixamos de fazer as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e áreas pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos faz esquecer que ela tem outra finalidade e não a hegemonia no controle do mercado do crime no Rio de Janeiro?" Nós que sabemos que o "inimigo é outro", na expressão pandilhesca, não podemos acreditar na farsa que a mídia e a estrutura de poder dominante no Rio querem nos empurrar. Achar que as várias operações criminosas que vem se abatendo sobre a Região Metropolitana nos últimos dias, fazem parte de uma guerra entre o bem, representado pelas forças públicas de segurança, e o mal, personificado pelos traficantes, é ignorar que nem mesmo a ficção do Tropa de Elite 2 consegue sustentar tal versão. O processo de reconfiguração da geopolítica do crime no Rio de Janeiro vem ocorrendo nos últimos 5 anos. De um lado Milícias, aliadas a uma das facções criminosas, do outro a facção criminosa que agora reage à perda da hegemonia. Exemplifico. Em Vigário Geral a polícia sempre atuou matando membros de uma facção criminosa e, assim, favorecendo a invasão da facção rival de Parada de Lucas. Há 4 anos, o mesmo processo se deu. Unificadas, as duas favelas se pacificaram pela ausência de disputas. Posteriormente, o líder da facção hegemônica foi assassinado pela Milícia. Hoje, a Milícia aluga as duas favelas para a facção criminosa hegemônica. Processos semelhantes a estes foram ocorrendo em várias favelas. Sabemos que as milícias não interromperam o tráfico de drogas, apenas o incluíram nas listas dos seus negócios juntamente com gato net, transporte clandestino, distribuição de terras, venda de bujões de gás, venda de voto e venda de "segurança". Sabemos igualmente que as UPPs não terminaram com o tráfico e sim com os conflitos. O tráfico passa a ser operado por outros grupos: milicianos, facção hegemônica ou mesmo a facção que agora tenta impedir sua derrocada, dependendo dos acordos. Estes acordos passam por miríades de variáveis: grupos políticos hegemônicos na comunidade, acordos com associações de moradores, voto, montante de dinheiro destinado ao aparado que ocupa militarmente, etc.. Assim, ao invés de imitarmos a população estadunidense que deu apoio às tropas que invadiram o Iraque contra o inimigo Sadam Hussein, e depois, viu a farsa da inexistência de nenhum dos motivos que levaram Bush a fazer tal atrocidade, devemos nos perguntar: qual é a verdadeira guerra que está ocorrendo? Ela é simplesmente uma guerra pela hegemonia no cenário geopolítico do crime na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As ações ocorrem no eixo ferroviário Central do Brasil e Leopoldina, expressão da compressão de uma das facções criminosas para fora da Zona Sul, que vem sendo saneada, ao menos na imagem, para as Olimpíadas. Justificar massacres, como o de 2007, nas vésperas dos Jogos Pan Americanos, no complexo do Alemão, no qual ficou comprovada, pelo laudo da equipe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, a existência de várias execuções sumárias é apenas uma cortina de fumaça que nos faz sustentar uma guerra ao terror em nome de um terror maior ainda, porque oculto e hegemônico. Ônibus e carros queimados, com pouquíssimas vítimas, são expressões simbólicas do desagrado da facção que perde sua hegemonia buscando um novo acordo, que permita sua sobrevivência, afinal, eles não querem destruir a relação com o mercado que o sustenta. A farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros. Deixamos de fazer assim as velhas e relevantes perguntas: qual é a atual política de segurança do Rio de Janeiro que convive com milicianos, facções criminosas hegemônicas e área pacificadas que permanecem operando o crime? Quem são os nomes por trás de toda esta cortina de fumaça, que faturam alto com bilhões gerados pelo tráfico, roubo, outras formas de crime, controles milicianos de áreas, venda de votos e pacificações para as Olimpíadas? Quem está por trás da produção midiática, suportando as tropas da execução sumária de pobres em favelas distantes da Zona Sul? Até quando seremos tratados como estadunidenses suportando a tropa do bem na farsa de uma guerra, na qual já estamos há tanto tempo, que nos esquecemos que sua única finalidade é a hegemonia do mercado do crime no Rio de Janeiro? Mas não se preocupem, quando restar o Iraque arrasado sempre surgirá o mercado financeiro, as empreiteiras e os grupos imobiliários a vender condomínios seguros nos Portos Maravilha da cidade. Sempre sobrará a massa arrebanhada pela lógica da guerra ao terror, reduzida a baixos níveis de escolaridade e de renda que, somadas à classe média em desespero, elegerão seus algozes e o aplaudirão no desfile de 7 de setembro, quando o caveirão e o Bope passarem. [Publicado no Ibase]. * Sociólogo, com doutorado na USP, professor da Universidade Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, autor do livro "Dos Barões ao Extermínio - Uma História da Violência na Baixada Fluminense" e membro do ISER Assessoria ============================================================================ ----- Original Message ----- From: sermuy at terra.com.br Gera o monstro, mata o monstro Olá, sinto o orgulho e apresento orgulhosamente um texto cujos méritos incontestáveis permitem nossa reflexão urgente, atenta, permanente. Parabéns, ao combatente Ivan, com o abraço do Sérgio Caros Companheiros, A esquerda está silenciosa diante da invasão do Complexo do Alemão. Em parte, porque muitos de nós vivemos experiências semelhantes aos meliantes que vivem lá e, em parte, porque parece adequado tomar território do Tráfego e impedir que exista um poder paralelo administrando a nossa cidade. Eu mesmo fiquei chocado, quando o gerente do tráfico do morro dos Macacos proibiu que nós do Centro de Suporte Terapêutico Oncológico do INCA oferecêssemos gratuitamente remédios anticancerígenos para mulheres moradoras naquela comunidade. Portanto, a idéia de retomar o território das mãos dos bandidos e reestabelecer a ordem do Estado parece, à primeira vista, uma atitude válida. Porém, só será realmente justificável se vier acompanhada de ações sociais permanentes que garantam a segurança e o desenvolvimento econômico da comunidade depois que as tropas forem embora. Enquanto isto não acontecer, a proteção dos moradores dependerá de um pequeno quartel da PM com um número relativamente pequeno de soldados. Será virtualmente impossível manter os territórios "conquistados" nestas bases. O entre aspas é porque a palavra conquista implica uma contradição óbvia: como conquistar um território que já faz parte do território nacional? Ademais, o Rio, possuindo mais de 1000 favelas, nem com a construção destes precários quarteis da PM poderia "pacificar" todas as favelas existentes e, a longo prazo, manter a segurança da população que vive nos morros. E o que é pior: a atual política de segurança pública volta a trabalhar com os antigos conceitos de segurança interna, inimigo interno, segurança nacional, etc. Na realidade, pacificar seria retirar o território do tráfico e reocupá-lo com iniciativas sociais patrocinadas pelo Estado. Ou seja, creches, trabalho profissionalizante, escolas, atividades artísticas e outras atividades não relacionadas ao tráfico de drogas. É importante, porém, investigar como foi gerado este poder paralelo incrustado nos morros. Países europeus, como EUA, Itália, Alemanha e Dinamarca traficam drogas, mas, ao contrário de México e Brasil, o tráfico não está associado a grupos armados na periferia das grandes cidades. De outro lado, existe no Haiti grupos armados na periferia das grandes cidades disputam o poder, sem a existência do narcotráfico. Portanto, nem sempre o tráfico se articula com grupos armados rivais que lutam entre sí. A origem do tráfico enquanto poder paralelo armado é a mesma de várias outras revoltas que foram criadas pelo Estado e, depois, aniquiladas pelo Estado. Canudos, no sertão da Bahia, foi um bom exemplo. As tropas de Moreira Cesar destruíram toda uma comunidade de pessoas carentes sob a liderança do religioso Antônio Conselheiro. Outros movimentos rebeldes foram o Contestado, a Sabinada, Balaiada e a Revolução Farroupilha, todos eles, de alguma forma gerados pelo Poder Central, tolerados durante um certo período e depois exterminados pelas forças governamentais. Não há exemplo no Brasil de uma insurreição contra o Governo que tenha dado certo. O que se viu em quase toda a nossa história foi a implementação de políticas repressivas sem que, depois, as medidas sociais necessárias fossem implantadas. Daí porque, surgem ciclos históricos de rebeldia popular, violência, mais repressão, calma aparente e nova rebeldia popular. A dominância do tráfico nas favelas cariocas iniciou-se nos anos 70. Nesta época as FFAA estavam preocupadas em aniquilar por meio de desaparecimentos, tortura e morte. as organizações de esquerda que propunham reformas sociais. Estas organizações foram aniquiladas uma a uma pelo poder militar sem que a Ditadura aceitasse qualquer proposta para implementar o bem estar social da população. Na tentativa de desqualificar os estudantes idealistas que lutaram por um Brasil melhor, a Ditadura, espertamente, procurou associá-los aos marginais. Por isto, misturou presos políticos com presos comuns. Foi pior para o regime. Alguns dos presos comuns, adotaram táticas de luta características dos "revolucionários" e criaram facções dissidentes nos morros cariocas. Desde seu início, as favelas viveram e se proliferaram na periferia e seus habitantes, até hoje, vivem totalmente abandonados pelo Estado. Eles vivem sem casa, sem esgoto, sem segurança, sem advogados, sem respeito, sem suas necessidades básicas e são permanente humilhados pelo poder público. É a miséria em que vivem que aproxima esta população do Tráfico. O povo miserável das favelas busca um mínimo de dignidade. Alguns de seus habitantes, revoltam-se e procuram conseguir algum grau de poder e respeito recebendo incumbências que o Trafico "graciosamente" lhes incumbe. É este grupo que irá se organizar e se opor ao Governo. Situação similar aconteceu com Khmer Rouge quando o Vietnam ganhou a guerra que travou com os EUA e lá instaurou um Governo Socialista. No Camboja, os narcotraficantes do Khmer vermelho, impuseram um regime de terror verdadeiro para quase toda a população através dos "campos de morte". A liderança do tráfico nada mais é do a liderança da miséria, politicamente não organizada. É ser rico onde todo mundo é pobre. É ser poderoso, onde ninguém tem poder. É poder dar onde todos querem receber e esse é um apelo muito forte. Agora, o que vemos é quase uma reprise do passado. Forças de segurança mais uma vez optam por táticas repressivas. A classe média, mais uma vez pede "Mata, tem que matar, não tem mais jeito!". De novo escutamos frases que já ouvíramos antes; "Estamos numa guerra", "temos que desbaratar os líderes", "o importante é o setor de inteligência". Também não poderia faltar a bandeira nacional tremulando no alto do morro depois de conquistar o território do inimigo. Só faltou o clichê "Favela: ame-a ou deixe-a". Isto sem falar no antigo no lema da Ditadura: "inimigo aniquilado, buraco fechado". Ou seja, não há necessidade de fazer mais nada (em termos sociais) uma vez conquistado o território do "inimigo". Houve alguma medida social importante tomada depois da "vitória" de Canudos? Não. Houve alguma medida social importante tomada depois da "vitória" sobre os Farrapos? Não. Houve, por parte da Ditadura, alguma medida social importante adotada depois da "vitória" sobre as organizações de esquerda? Não. Portanto, não podemos fazer apologia de estratégias estritamente repressivas. Lembram do Iraque? A conquista de Bagdá foi um "passeio" das tropas americanas. Houve euforia com a vitória. O resultado aí está. Sem programas de recuperação social, como o plano Marshall e ajuda financeira que foi dada ao Japão no passado, o Iraque é hoje uma imensa favela, com grupos criminosos matando uns aos outros. O Iraque é hoje, depois da vitória dos americanos, o que o Complexo do Alemão era antes da vitória das FFAA. Ademais, a onda repressiva que se abateu sobre as favelas (com apenas 800 militares do exército) serviu para redimir as FFAAs. Aos olhos do público Exército, Marinha e Aeronáutica (que nada fez) vieram para "salvar a pátria". Como se nas FFAAs não continuassem existindo, assassinos e torturadores que foram promovidos e vivem as custas do dinheiro público. Seriam estes criminosos os nossos salvadores? Em vez de utilizar seus tanques para combater o inimigo externo que é a "desculpa" usual para a compra de equipamentos militares, mais uma vez vemos o dinheiro público sendo redirecionado através de veículos militares contra a população pobre e com o intuito de matar sua parcela ligada ao Tráfico. Uma vez mais, as FFAA colocam-se a serviço dos representantes da oligarquia, do empresariado e do capital financeiro, tanto nacional como internacional. Embora concorde que não possa haver um poder paralelo ao Estado Democrático, não posso concordar com um apoio incondicional às políticas repressivas utilizadas, atualmente, pelas diferentes esferas de Governo. Ao contrário, sou a favor de que a nossa companheira Dilma possa ajudar o Governo Estadual na criação de políticas sociais que garantam não apenas a sobrevivência da população carente, mas também seu bem estar e, em especial, que as medidas adotadas possam manter a população permanentemente afastada do Tráfico. Não há razão para celebrações grandiloqüentes e nem sentimentos eufóricos de vitória enquanto persistir a miséria que grassa em nosso país e continua abastecendo o Tráfico. Em outras palavras, enquanto a miséria não for realmente derrotada, não há motivo para celebrar. Não é hora de comemorar, é hora de estar de luto por vivermos num país tão desigual e injusto como o nosso. Um país onde os miseráveis não tem outra alternativa senão se aliar ao trafico de drogas para serem respeitados como cidadãos. Pobre do país que trata seus opositores políticos e seus miseráveis "criminalizando-os" e os eliminando fisicamente. Pobre do país que não desenvolve programas sociais para as suas crianças, seus velhos e seus pobres. Eu tenho vergonha de morar neste país. ====================================================================================================================== A reorganização da estrutura do crime José Cláudio Alves: Uma guerra pela regeografização do Rio de Janeiro. Entrevista especial com José Cláudio Alves do site do Instituto Humanitas Unisinos "O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade". Assim descreve o sociólogo José Cláudio Souza Alves a motivação principal dos conflitos que estão se dando entre traficantes e a polícia do Rio de Janeiro. Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone, o professor analisa a composição geográfica do conflito e reflete as estratégias de reorganização das facções e milícias durante esses embates. "A mídia nos faz crer - sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso - que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime", explica. José Cláudio Souza Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do Iser Assessoria. Confira a entrevista. IHU On-Line - O que está por trás desses conflitos atuais no Rio de Janeiro? José Cláudio Alves - O que está por trás desses conflitos urbanos é uma reconfiguração da geopolítica do crime na cidade. Isso já vem se dando há algum tempo e culminou na situação que estamos vivendo atualmente. Há elementos presentes nesse conflito que vêm de períodos maiores da história do Rio de Janeiro, um deles é o surgimento das milícias que nada mais são do que estruturas de violência construídas a partir do aparato policial de forma mais explícita. Elas, portanto, controlarão várias favelas do RJ e serão inseridas no processo de expulsão do Comando Vermelho e pelo fortalecimento de uma outra facção chamada Terceiro Comando. Há uma terceira facção chamada Ada, que é um desdobramento do Comando Vermelho e que opera nos confrontos que vão ocorrer junto a essa primeira facção em determinadas áreas. Na verdade, o Comando Vermelho foi se transformando num segmento que está perdendo sua hegemonia sobre a organização do crime no Rio de Janeiro. Quem está avançando, ao longo do tempo, são as milícias em articulação com o Terceiro Comando. Um elemento determinante nessa reconfiguração foi o surgimento das UPPs a partir de uma política de ocupação de determinadas favelas, sobretudo da zona sul do RJ. Seus interesses estão voltados para a questão do capital do turismo, industrial, comercial, terceiro setor, ou seja, o capital que estará envolvido nas Olimpíadas. Então, a expulsão das favelas cariocas feita pelas UPPs ocorre em cima do segmento do Comando Vermelho. Por isso, o que está acontecendo agora é um rearranjo dessa estrutura. O Comando Vermelho está indo agora para um confronto que aterroriza a população para que um novo acordo se estabeleça em relação a áreas e espaços para que esse segmento se estabeleça e sobreviva. IHU On-Line - Mas, então, o que está em jogo? José Cláudio Alves - Não está em jogo a destruição da estrutura do crime, ela está se rearranjando apenas. Nesse rearranjo quem vai se sobressair são, sobretudo, as milícias, o Terceiro Comando - que vem crescendo junto e operando com as milícias - e a política de segurança do Estado calcada nas UPPs - que não alteraram a relação com o tráfico de drogas. A mídia nos faz crer - sobretudo a Rede Globo está empenhada nisso - que há uma luta entre o bem e o mal. O bem é a segurança pública e a polícia do Rio de Janeiro e o mal são os traficantes que estão sendo combatidos. Na verdade, isso é uma falácia. Não existe essa realidade. O que existe é essa reorganização da estrutura do crime. A realidade do RJ exige hoje uma análise muito profunda e complexa e não essa espetacularização midiática, que tem um objetivo: escorraçar um segmento do crime organizado e favorecer a constelação de outra composição hegemônica do crime no RJ. IHU On-Line - Por que esse confronto nasceu na Vila Cruzeiro? José Cláudio Alves - Porque a partir dessa reconfiguração que foi sendo feita das milícias e das UPPs (Unidades de Policiamento Pacificadoras), o Comando Vermelho começou a estabelecer uma base operacional muito forte no Complexo do Alemão. Este lugar envolve um conjunto de favelas com um conjunto de entradas e saídas. O centro desse complexo é constituído de áreas abertas que são remanescentes de matas. Essa estruturação geográfica e paisagística daquela região favoreceu muito a presença do Comando Vermelho lá. Mas se observarmos todas as operações, veremos que elas estão seguindo o eixo da Central do Brasil e Leopoldina, que são dois eixos ferroviários que conectam o centro do RJ ao subúrbio e à Baixada Fluminense. Todos os confrontos estão ocorrendo nesse eixo. IHU On-Line - Por que nesse eixo, em específico? José Cláudio Alves - Porque, ao longo desse eixo, há várias comunidades que ainda pertencem ao Comando Vermelho. Não tão fortemente estruturadas, não de forma organizada como no Complexo do Alemão, mas são comunidades que permanecem como núcleos que são facilmente articulados. Por exemplo: a favela de Vigário Geral foi tomada pelo Terceiro Comando porque hoje as milícias controlam essa favela e a de Parada de Lucas a alugam para o Terceiro Comando. Mas ao lado, cerca de dois quilômetros de distância dessa favela, existe uma menor que é a favela de Furquim Mendes, controlada pelo Comando Vermelho. Logo, as operações que estão ocorrendo agora em Vigário Geral, Jardim América e em Duque de Caxias estão tendo um núcleo de operação a partir de Furquim Mendes. O objetivo maior é, portanto, desmobilizar e rearranjar essa configuração favorecendo novamente o Comando Vermelho. Então, o combate no Complexo do Alemão é meramente simbólico nessa disputa. Por isso, invadir o Complexo do Alemão não vai acabar com o tráfico no Rio de Janeiro. Há vários pontos onde as milícias e as diferentes facções estão instaladas. O mais drástico é que quem vai morrer nesse confronto é a população civil e inocente, que não tem acesso à comunicação, saúde, luz. Há todo um drama social que essa população vai ser submetida de forma injusta, arbitrária, ignorante, estúpida, meramente voltada aos interesses midiáticos, de venda de imagens e para os interesses de um projeto de política de segurança pública que ressalta a execução sumária. No Rio de Janeiro a execução sumária foi elevada à categoria de política pública pelo atual governo. IHU On-Line - Em que contexto geográfico está localizado a Vila Cruzeiro? José Cláudio Alves - A Vila Cruzeiro está localizada no que nós chamamos de zona da Leopoldina. Ela está ao pé do Complexo do Alemão, só que na face que esse complexo tem voltada para a Penha. A Penha é um bairro da Leopoldina. Essa região da Leopoldina se constituiu no eixo da estrada de ferro Leopoldina, que começa na Central do Brasil, passa por São Cristóvão e dali vai seguir por Bom Sucesso, Penha, Olaria, Vigário Geral - que é onde eu moro e que é a última parada da Leopoldina e aí se entra na Baixada Fluminense com a estação de Duque de Caxias. Esse "corredor" foi um dos maiores eixos de favelização da cidade do Rio de Janeiro. A favelização que, inicialmente, ocorre na zona sul não encontra a possibilidade de adensamento maior. Ela fica restrita a algumas favelas. Tirando a da Rocinha, que é a maior do Rio de Janeiro, os outros complexos todos - como o da Maré e do Alemão - estão localizados no eixo da zona da Leopoldina até Avenida Brasil. A Leopoldina é de 1887-1888, já a Avenida Brasil é de 1946. É nesse prazo de tempo que esse eixo se tornou o mais favelizado do RJ. Logo, a Vila Cruzeiro é apenas uma das faces do Complexo do Alemão e é a de maior facilidade para a entrada da polícia, onde se pode fazer operações de grande porte como foi feita na quinta-feira, dia 25-11. No entanto, isso não expressa o Complexo do Alemão em si. A Maré fica do outro lado da Avenida Brasil. Ela tem quase 200 mil habitantes. Uma parte dela pertence ao Comando Vermelho, a outra parte é do Terceiro Comando. Por que não se faz nenhuma operação num complexo tão grande ou maior do que o do Alemão? Ninguém cita isso! Por que não se entra nas favelas onde o Terceiro Comando está operando? Porque o Terceiro Comando já tem acordo com as milícias e com a política de segurança. Por isso, as atuações se dão em cima de uma das faces mais frágeis do Complexo do Alemão, como se isso fosse alguma coisa significativa. IHU On-Line - Estando a Vila Cruzeiro numa das faces do Complexo, por que o Alemão se tornou o reduto de fuga dos traficantes? José Cláudio Alves - A estrutura dele é muito mais complexa para que se faça qualquer tipo de operação lá. Há facilidade de fuga, porque há várias faces de saída. Não é uma favela que a polícia consegue cercar. Mesmo juntando a polícia do RJ inteiro e o Exército Nacional jamais se conseguiria cercar o complexo. O Alemão é muito maior do que se possa imaginar. Então, é uma área que permite a reorganização e reestruturação do Comando Vermelho. Mas existem várias outras bases do Comando Vermelho pulverizadas em toda a área da Leopoldina e Central do Brasil que estão também operando. Mesmo que se consiga ocupar todo o Complexo do Alemão, o Comando Vermelho ainda tem possibilidades de reestruturação em outras pequenas áreas. Ninguém fala, por exemplo, da Baixada Fluminense, mas Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo são áreas que hoje estão sendo reconfiguradas em termos de tráfico de drogas a partir da ida do Comando Vermelho para lá. Por exemplo, um bairro de Duque de Caxias chamado Olavo Bilac é próximo de uma comunidade chamada Mangueirinha, que é um morro. Essa comunidade já é controlada pelo Comando Vermelho que está adensando a elevação da Mangueirinha e Olavo Bilac já está sentindo os efeitos diretos dessa reocupação. Mas ninguém está falando nada sobre isso. A realidade do Rio de Janeiro é muito mais complexa do que se possa imaginar. O Comando Vermelho, assim como outras facções e milícias, estabelece relação direta com o aparato de segurança pública do Rio de Janeiro. Em todas essas áreas há tráfico de armas feito pela polícia, em todas essas áreas o tráfico de drogas permanece em função de acordos com o aparato policial. IHU On-Line - Podemos comparar esses traficantes que estão coordenando os conflitos no RJ com o PCC, de São Paulo? José Cláudio Alves - Só podemos analisar a história do Rio de Janeiro, fazendo um retrospecto da história e da geografia. O PCC, em São Paulo, tem uma trajetória muito diferente das facções do Rio de Janeiro, tanto que a estrutura do PCC se dá dentro dos presídios. Quando a mídia noticia que os traficantes no Rio de Janeiro presos estão operando os conflitos, leia-se, por trás disso, que a estrutura penitenciária do Estado se transformou na estrutura organizacional do crime. Não estou dizendo que o Estado foi corrompido. Estou dizendo que o próprio estado em si é o crime. O mercado e o Estado são os grandes problemas da sociedade brasileira. O mercado de drogas, articulado com o mercado de segurança pública, com o mercado de tráfico de drogas, de roubo, com o próprio sistema financeiro brasileiro, é quem tem interesse em perpetuar tudo isso. A articulação entre economia formal, economia criminosa e aparato estatal se dá em São Paulo de uma forma diferente em relação ao Rio de Janeiro. Expulsar o Comando Vermelho dessas áreas interessa à manutenção econômica do capital. O que há de semelhança são as operações de terror, operações de confronto aberto dentro da cidade para reestruturar o crime e reorganizá-lo em patamares mais favoráveis ao segmento que está ganhando ou perdendo. IHU On-Line - Como o senhor avalia essa política de instalação das UPPs - Unidades de Policiamento Pacificadoras nas favelas do Rio de Janeiro? José Cláudio Alves - É uma política midiática de visibilidade de segurança no Rio de Janeiro e Brasil. A presidente eleita quase transformou as UPPs na política de segurança pública do país e quer reproduzir as UPPs em todo o Brasil. A UPP é uma grande farsa. Nas favelas ocupadas pelas UPSs podem ser encontrados ex-traficantes que continuam operando, mas com menos intensidade. A desigualdade social permanece, assim como o não acesso à saúde, educação, propriedade da terra, transporte. A polícia está lá para garantir o não tiroteio, mas isso não garante a não existência de crimes. A meu ver, até agora, as UPPs são apenas formas de fachada de uma política de segurança e econômica de grupos de capitais dominantes na cidade para estabelecer um novo projeto e reconfiguração dessa estrutura. IHU On-Line - A tensão no Rio de Janeiro, neste momento, é diferente de outros momentos de conflito entre polícia e traficantes? José Cláudio Alves - Sim, porque a dimensão é mais ampla, mais aberta. Dizer que eles estão operando de forma desarticulada, desesperada, desorganizada é uma mentira. A estrutura que o Comando Vermelho organiza vem sendo elaborada há mais de cinco anos e ela tem sido, agora, colocada em prática de uma forma muito mais intensa do que jamais foi visto. A grande questão é saber o que se opera no fundo imaginário e simbólico que está sendo construído de quem são, de fato, os inimigos da sociedade fluminense e brasileira. Essa questão vai ter efeitos muito mais venenosos para a sociedade empobrecida e favelizada. É isso que está em jogo agora. ======================================================================================================= A Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101130/39e96eda/attachment-0001.html