From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 1 16:11:08 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 May 2010 15:11:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__3_POEMAS=3A_Neste_1=BA=2E_deMaio?= =?iso-8859-1?q?=2C=28nas_reminic=EAncias_do_25_de_abril=29_a_sauda?= =?iso-8859-1?q?de_de_sempre_=2C_=22Saudade_do_Alvorecer=22_-_de_Jo?= =?iso-8859-1?q?s=E9-Augusto_de_Carvalho_/_e_SIMPATIA__-_Primeiro_d?= =?iso-8859-1?q?e_Maio_de__Virginia_Fulber?= Message-ID: <3EEE7720E39B40F2AD6D5EABB67DFF94@vcaixe> Carta O Berro..............................................repassem Poema em homenagem ao dia dos trabalhadores, (nas reminicências do 25 de abril), pelo nosso valoroso companheiro português, JOSÉ-AUGUSTO DE CARVALHO Saudade do alvorecer José-Augusto de Carvalho Da memória do tempo levanto a magia daquela alvorada. Foram armas e cravos de espanto perfumando uma terra de nada. A palavra, a doer, clandestina, finalmente a mordaça arrancava! Era o verbo, que tudo ilumina, que, qual raio, na terra se crava. E na terra de nada, a sangrar, florescendo, as papoilas estendem o seu manto a pulsar o querer da manhã que, sorrindo, a chegar, traz os astros que nunca se rendem aos tentáculos do anoitecer. Viana * Évora * Portugal ================================================================================== SIMPATIA - Primeiro de Maio * virgínia além mar Na luta irmão na palavra expressão de sentimento na organização fermento Trabalhadores são a riqueza da nação Compadeço-me diante àqueles que direitos não vêem de lançar mão de regime escravo que, sendo os mais humildes o suficiente não tem Quem os livra de jornada e imposto pesado ? Ergo uma bandeira, a de liberdade que só pode haver com justiça e igualdade No mais íntimo me comovo diante o desprezo à grande parte deste povo Alinhavo minha fibras aos que esperam Abraço o pensamento dos que perseveram busco tecer atitude que acolhe o trabalho como suprema virtude Aos aristocratas, burgues e burocratas falta convicção nada lhes falta, desconhecem empatia e dos diferentes não enxergam a valentia Aos esquecidos e ou ilustres trabalhadores minhas saudações Em 23 de Abril de 1919 o senado francês ratifica o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio desse ano dia feriado. Em 1920 a Rússia adota o 1º de Maio como feriado nacional, e este exemplo é seguido por muitos outros países. Apesar de até hoje os estadunidenses se negarem a reconhecer essa data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores estadunidenses conseguiu que o Congresso aprovasse que a jornada de trabalho fosse reduzida de 16 para 8 horas diárias.... ============================================================================== En el Primero de Mayo Hoy es primer de Mayo, y no hay mas alegria que estrecharte la mano, abrazar y unir mis manos a los milliones que movemos el mundo, que sin ellas no habra ni patrón, ni burgues, ni explotación. Todos los dias me pregunto, y hoy mas todavia : ¿Quien levanta las torres? Ellos no, nosotros los obreros si, ¿Quien echa a andar las maquillas? Ellos no, nosotros los sin-sindicatos si, ¿Quien construye los puentes, los rascacielos? Ellos no, nosotros los albañiles, armadores, carpinteros si, ¿Quien se entierra en las entrañas de la tierra? Ellos no, nosotros los mineros-wirizeros si, ¿Quien abre las escuelas? Ellos no, nosotros los maestros-as si, ¿Quien se mete adentro y al fondo de los mares? Ellos no, nosotros los pescadores y marineros si, ¿Quien carga esos gigantes barcos? Ellos no, nosotros los jornaleros si, ¿Quien atiende en los hospitales? Ellos no, nosotras las enfermeras si, ¿Quien hace la tortilla, el pan? Ellos no, nosotras las tortilleras, los panaderos si, ¿Quien provee sus residencias de agua? Ellos no, nosotros los operadores de la aguadora si, ¿Quien mueve a la gente? Ellos no, nosotros los transportistas si, ¿Quien trabaja y hace producir la tierra? Ellos no, nosotros los campesinos-as si, ¿Quien rellena los ingenios? Ellos no, nosotros los cañeros si, ¿Acaso pueden darte la luz? Ellos no, nosotros los electricistas si, ¿Quien administra los bancos? Ellos no, nosotros los burocratas si, ¿Quien defiende las fronteras? Ellos no, nosotros los soldados si, Ellos son dueños de las torres, las maquillas, los puentes, los rascacielos, las minas, los barcos, las escuelas, el oro, los hospitales, las tierras, las fabricas, los aperos, los ingenios, los bancos, ellos tienen todo, de abolero, todito lo robado. ¿Nosotros? Nada! nada mas que las cadenas de sus dueños, los ricos, los ladrones, los del capital, del engaño y la verguenza. Pero hermano, compañero, camarada, tu mano, mi mano, nuestras manos, sufridas, sudadas, rajadas, heridas, erguidas, estas manos que levanten, que rompen, que construyen, estas manos que producen, que hacen y deshacen, que atienden, que amen y luchen, estas manos que mueven montañas, los cerros y todos los poderes. Estas manos, unidas en la sangre y el dolor, unidas en la razón y la decisión, unidas de verdad en el acero del crisol, ya sabes hermano-a, este poder esta en vos, en mi, en nosotros, en todos los explotados y humiliados, los marginados y condenados, este poder esta en nuestras manos. Decretamos, por las 124 veces en ese dia : Organización, Disciplina, Decisión, ponga tu mano, quita tu mano, apaga la maquina, pare el torno, deja el martillo, vota la pala, el pico, pare la grua, el tractor, el bus, la mescla, el motor, la zafra, el tejido, la papelera, la cosecha, la tuberia, el flujo, el aire, la nube. ...Que la tierra se pare. ¡Temblad tiranos! los amos y todos los imperios, la hora viene, vendra, viene la consciencia de clase, palabra de la sangre y el sudor proletario, los obreros, campesinos y todos los explotados, clase contra clase, sin medianos ni intermedios, mucho menos los falsos y mentirosos, hipocritas, traidores y todos los metidos. Allí vamos, ¡¡ los trabajadores-as al poder !! Con Marx, Lenin, Sandino, Carlos, los barbudos y todos los santos. A la libertad vamos, a la justicia vamos, a la dignidad vamos, al socialismo vamos. ¡Viva el primero de Mayo! ¡Viva la solidaridad internacional de los trabajadores-as! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100501/1712d35c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10215 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100501/1712d35c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 1 16:11:22 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 May 2010 15:11:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_P=C3=81GINA_VIRADA=3F_ONDE=3F____=22A_?= =?utf-8?q?decis=C3=A3o_do_STF_=28Supremo_Tribunal_Federal=29_prese?= =?utf-8?q?rvando_intoc=C3=A1veis_os_torturadores_da_ditadura_milit?= =?utf-8?b?YXIuLi4uLi4uLi4vIHBvciBMYWVydGUgQnJhZ2E=?= Message-ID: <69EB68EC237A4A0A95C70BA99DDB10C0@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem PÁGINA VIRADA? ONDE? Laerte Braga A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) preservando intocáveis os torturadores da ditadura militar que resultou do golpe de estado em 1964 não muda o caráter criminoso dessas figuras, à luz dos direitos fundamentais do homem, e nem transforma ?valentes patriotas? como Brilhante Ulstra (coronel e ex-chefe do DOI CODI de São Paulo) em inocentes cumpridores do dever diante de ?ameaças internacionais?. O golpe de 1964 foi um movimento planejado, coordenado e executado a partir dos interesses norte-americanos na América Latina e especialmente no Brasil, país chave dessa parte do mundo. A maioria das forças armadas brasileiras apenas se submeteu (continua submissa) àqueles interesses e executou fielmente o que lhe fora determinado. Dan Mitrione foi um agente da CIA. Veio ao Brasil com a tarefa de treinar militares e policiais da ditadura para reprimir reações à barbárie que tomou conta do País desde o 1º de abril de 1964. Foi um dos articuladores da Operação Condor, que juntou a repressão em todas as ditaduras latino-americanas, com ênfase no Brasil, Argentina e Uruguai para a eliminação sumária de opositores. Essas ações iam desde a tortura, sequestro, ao assassinato, passando pelo estupro. A cumplicidade das elites brasileiras com esses crimes hediondos era plena e absoluta. Financiaram a boçalidade da ditadura (que lhe era servil). A chamada OBAN (OPERAÇÃO BANDEIRANTES) comandada pelo famigerado delegado Sérgio Fleury foi montada sob a coordenação de um empresário dinamarquês, com participação de empresas como a Mercedes, Supergasbras e os caminhões do jornal FOLHA DE SÃO PAULO (emprestava os caminhões para a desova de opositores assassinados. O documentários ?CIDADÃO BOILESEN? conta essa história de vilania pura. Os corpos eram entregues às famílias, os que foram, em caixões lacrados, com a expressa proibição de serem abertos e um laudo de ?vítima de atropelamento?. Militares argentinos e uruguaios, chilenos, que sufocaram seus países, como os brasileiros, boa parte deles está na cadeia cumprindo pena por esse tipo de crime. Aqui decidiram que vão ficar impunes. Militares e civis torturadores. Dan Mitrione, que durante anos foi nome de rua em Belo Horizonte, na covardia e subserviência de um político sem caráter, morreu em em Montevidéu. Há suspeitas que o atual ministro das Comunicações Hélio Costa, sabidamente ligado a USAID (UNITED STATES AGENCY INTERNATIONAL DEVELOPEMENT) tenha sido seu intérprete no período que lecionou ?tortura? aos militares brasileiros. O ministro Eros Grau precisou de três horas para expor seu voto, foi o relator, tentando justificar o injustificável. O ministro Levandowsky demoliu-o ítem por ítem num voto coragem, dignidade e não importa que se diga que a decisão do STF teve o propósito de evitar uma crise política aguda envolvendo as forças armadas e o Estado. O que são forças armadas? Estão à margem da lei, da Constituição? São intocáveis? O que é uma sessão de tortura por exemplo. Um ?patriota? tenha ele o nome de general Bandeira, ou coronel Ulstra, ou general Torres de Mello praticando violências físicas, morais e de toda a sorte contra pessoas indefesas que tiveram a coragem de se opor a uma ação militar que depôs um governo legítimo, o de João Goulart. Quantos torturados, quantos desaparecidos, quantas mulheres estupradas, quantos inocentes,mera suspeita de contrariar a ordem vigente pela força, sofreram em mãos de criminosos travestidos de defensores da democracia e pior, da liberdade? Uma recente entrevista do general Newton Cruz, ex-comandante militar do Planalto à época do ditador Figureiredo, há uma clara admissão que o atentado do Riocentro foi planejado para forjar uma ação ?terrorista? e servir de pretexto para a continuidade do golpe um golpe dentro do golpe. É digno de ser estar nas forças armadas um oficial que tenha participado de semelhante ação? Que espécie de patriotismo é esse? De coragem, de bravura? Isso tem outro nome, covardia e covardia das inomináveis, se é que covardia possa ser nominável; E se o for, nesse caso o nome é crime, é boçalidade. A ditadura militar no Brasil e na América Latina foi um momento em que interesses norte-americanos (os EUA não são uma nação, mas um conglomerado de empresas escoradas num arsenal capaz de destruir o mundo duzentas vezes ou mais) vieram para garantir seus privilégios aqui em conluio com as elites econômicas do País, podres, sempre podres e erguidas no fausto FIESP/DASLU, ou em figuras repulsivas como hoje a senadora Kátia Abreu. O Brasil é o mais importante país latino-americano e a possibilidade real e concreta de escapar do controle dos ?donos?, foi isso, movimentou os ?patriotas? das nossas forças armadas, a maioria deles, sob o comando de um general com o nome de Vernon Walthers, que falava o português para se fazer entendido e bem entendido quando gritava ?de quatro?. Ficaram. Permanecem em sua grande maioria. A decisão do STF não apaga a História e nem impede que os crimes cometidos por torturadores sejam mantidos em sigilo. O repúdio do brasileiro há que se dar pelo conhecimento do inteiro teor da estupidez dessa gente. Nem se pode exigir muito do STF. Faltam figuras como Ribeiro da Costa, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal, Adauto Lúcio Cardoso e outros tantos que não se intimidariam, nunca, com forças armadas que se colocam à margem da lei, dos interesses nacionais e acoitam, é a palavra exata, procedimentos criminosos. E não eram só militares. Conheci um promotor, Joaquim Simeão de Faria Filho, que presenciava sessões de tortura em sua área de atuação e depois ?cantava? mulheres de presos políticos com promessas de ?atenuar? as penas. O Brasil é maior que o medo dessa gente, os ministros que votaram pela impunidade dos torturadores. E essa não é uma página virada História. Ela há que ficar aberta para que se saiba que por trás dessa ?canalhice patriótica? existem os que são capazes de sonhar e lutar por um ideal ainda que ele tenha custado a vida de muitos e muitos nos anos da barbárie militar. É vergonhoso que torturadores se escondam atrás desse tipo de decisão. São fortes com os fracos, os que estavam presos, algemados, submissos nos cárceres, são fracos com os generais dos EUA que os mandam calar, ficar de quatro, garantir que o Brasil seja apenas um braço do império mais perverso e cruel de todos os tempos. Ou com os empresários, os banqueiros, os latifundiários, cúmplices de uma época que não pode ser esquecida para que nunca mais se repita. A ditadura apenas se transformou num arremedo de democracia. Tivemos Collor tentando entregar o País. FHC, o Collor II, entregando o País e agora temos a ameaça José Collor Arruda Serra. Mais ou menos o que o general Golbery, um dos arquitetos do movimento de 64 dizia. ?Sístole e diástole?. Ora de abertura, ora de fechamento, mas sempre a mesma coisa. Ou o povo varre essa corja, ou então William Bonner, membro da corja, terá tido razão. Um bando de Homer Simpson, prontos a aceitar a coleira. Não é o caso de muitos, de milhões e certamente seremos capazes de manifestar por todas as formas possíveis a repugnância por esse vômito chamado decisão do STF. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100501/3bd6c8a3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 1 16:11:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 1 May 2010 15:11:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Reportagem_2_e_3_sobre_o_Vietn=C3=A3_?= =?utf-8?b?KGNvbnRpbnVhw6fDo28pIG5vIE9wZXJhbXVuZGk=?= Message-ID: <4D17D85C5A714FAD8F6FFBA85DFC3278@vcaixe> Carta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Breno Altman Caros Vejam a 2 e a 3 da série sobre o Vietnã. Tenta explicar como é o modelo econômico desse valoroso povo vietnamita. Quem quiser ver mais imagens ou os artigos anteriores, é so acessar www.operamundi.com.br. Saudações B. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100501/85f3fd4d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 2 13:52:14 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 2 May 2010 12:52:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__M=DASICAS_!_lyrics_and_video_on_?= =?iso-8859-1?q?Youtube____________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: Carta O Berro........................................................repassem Recebi da amiga Neide Pessoa este site com milhares de músicas em DVD. Cantantes nacionais e internacionais.Cada qual com dezenas de músicas para escolher. Um bom Domingo para vocês. clique http://www.lyricstube.net/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100502/8653e4ae/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100502/8653e4ae/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 2 13:53:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 2 May 2010 12:53:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?____________1=BA_de_Maio=3A_60_ano?= =?iso-8859-1?q?s_do_massacre_de_Rio_Grande?= Message-ID: <16332EDB1886406CB3E2AC6386FBEA40@vcaixe> A cidade estava em clima de festaCarta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore 1º de Maio: 60 anos do massacre de Rio Grande Por Augusto C. Buonicore À Angelina Gonçalves e Lila Ripoll Primeiro de Maio de 1950. Era domingo. As organizações operárias, dirigidas pelos comunistas, ocuparam um antigo parque da cidade gaúcha de Rio Grande, e realizaram uma grande festa popular. Havia barraquinhas e bandas de música. No ato, é claro, não poderiam faltar os discursos inflamados. Os oradores se revezavam, lembrando a importância daquela data, denunciando o arrocho salarial e os sucessivos ataques promovidos contra os direitos e à liberdade de organização dos trabalhadores. Protestavam, também, contra os planos de guerra do imperialismo norte-americano. Conquistar a paz e o desarmamento nuclear eram as principais bandeiras dos comunistas naqueles anos sombrios nos quais o mundo parecia diante de uma nova guerra mundial. A humanidade corria perigo. Crianças, homens, mulheres, o povo unido cantava. O povo simples da rua, comovido se abraçava. O mês das flores nascia e o vento lembrava as flores no perfume que trazia. Foi num primeiro de maio, de pensamento profundo. "Uni-vos, ó proletários, ó povos de todo o mundo". Alguns se queixavam dizendo que aquele Primeiro de Maio classista poderia ter sido bem maior, caso as autoridades locais não tivessem organizado, no mesmo dia e hora, um jogo entre o Esporte Clube Rio Grande e um renomado time carioca, o Vasco da Gama. Muitos comanheiros, menos conscientes, haviam preferido acompanhar a partida futebolística. Mesmo assim, poderiam ser contadas cerca de mil pessoas naquela combativa manifestação político-cultural, autenticamente proletária. Acabado os discursos, os participantes resolveram sair em passeata pelo centro da cidade. Pretendiam terminar o seu grande ato na sede da tradicional União Operária, que havia sido fechada pelo governo Dutra no ano anterior. Era lá que os operários mais combativos se reuniam e organizavam suas lutas. As intervenções ministeriais nos sindicatos, visando eliminar a presença dos "vermelhos", levaram que os comunistas propusessem a criação ou o fortalecimento das organizações operárias autônomas - fora da estrutura sindical oficial. Acreditavam que essa era a única maneira de manter os trabalhadores minimamente organizados para a luta. A União Operária de Rio Grande era uma dessas muitas entidades livres que foram retomadas e reativadas pelos operários comunistas. Foi quando a voz calma e séria, no velho parque vibrou, e um convite alvissareiro o povo unido escutou: "Amigos, a rua é larga. Unidos vamos partir. A nossa 'União Operária' nós hoje vamos abrir." No peito de cada homem Um clarão aparecia. Em qualquer parte do mundo, uma estrela respondia. "A casa de nossa classe, fechada por que razão? Amigos, vamos à rua, e as portas se abrirão." A frente do cortejo destacava-se a figura da jovem tecelã Angelina Gonçalves. Suas mãos carregavam uma majestosa bandeira do Brasil. Ao seu lado caminhava sua filhinha Shirley de apenas 10 anos de idade. Eram seus dois grandes orgulhos. Decididos, os passos ritmados marcaram os primeiros movimentos. Punhos fechados, lenços agitados, e o vento acompanha o movimento da marcha triunfante. "A Bandeira na frente, companheiros", e Angelina surgia, erguida e fina, tocada pela luz da tarde mansa, como um vivo estandarte a caminhar. No entanto, antes que pudessem chegar ao seu destino, um delegado do DOPS exigiu que se dispersassem. Os trabalhadores não se intimidaram, insistiram em manter a manifestação. Iniciou-se, então, um conflito violento entre eles e os soldados da Brigada Militar gaúcha. Angelina lutou bravamente tentando impedir tirassem a bandeira de suas mãos. De repente, ouviram-se tiros. Seguiram-se gritos, gemidos e correria. O sangue escorreu pelas ruas de Rio Grande. "A nossa Bandeira, nas mãos da polícia?" E à luta regressa, com febre no olhar. E às mãos vitoriosas, num breve momento, retorna a Bandeira batida de vento. Um frio estampido correu pelo espaço, na rua vibrou. Vacila a Bandeira, vacila Angelina, e a flor de seu corpo na rua tombou. No chão, ficaram os corpos sem vida de quatro valentes operários comunistas. Eram eles Euclides Pinto, pedreiro; Honório Alves de Couto, portuário; Osvaldino Correa, ferroviário e Angelina Gonçalves, tecelã. O vereador do povo Antonio Recchia, baleado na espinha, nunca mais voltaria a andar. Do lado da repressão, um soldado ficou ferido e logo morreria. Inúmeros manifestantes foram conduzidos aos hospitais e mantidos sob severa vigilância policial. Muitos preferiam ser tratados em casa. Não queriam correr o risco de serem presos ou mortos. Os quartéis da Marinha e do Exército entraram em prontidão. A cidade de Rio Grande, que amanheceu em festa, agora, parecia uma praça de guerra. No dia seguinte, a burguesia e o governo já sabiam a quem culpar por aquela tragédia: os comunistas. Um jornal local, cobrindo o enterro do soldado da Brigada Militar, estampou: "Compareceram ao sepultamento as principais autoridades e grande quantidade de povo, todos irmanados no mesmo sentimento de profunda dor, pelo golpe que os comunistas desferiram na cidade rio grandense, manchando-a do sangue rubro de suas ambições contra os interesses da nossa pátria e da democracia". Invertiam-se os fatos, assassinava-se a razão. Vivíamos, então, um período de agravamento da guerra fria. Morreram? Quem disse, se vivos estão! Não morre a semente lançada na terra. Os frutos virão. Morreram? Quem disse, se vivos estão! As flores de hoje, darão novos frutos. Meus olhos verão. Dois anos depois, o jornal comunista Voz Operária destacaria a figura de Angelina: "ninguém melhor que ela, operária, para proteger a nossa bandeira das mãos dos inimigos, mãos de Dutra, mãos americanas (...) Humilde e brava Angelina, a bandeira te enxugou o suor e o sangue e sentiu quando parou teu coração". A poetisa comunista Lila Ripoll dedicou aos mártires de Rio Grande o belíssimo poema Primeiro de Maio, que ilustraram esse singelo artigo. Veja abaixo o poema Primeiro de Maio de Lila Ripoll, publicado em 1954. "Se heróis valentes como estes. Em prol da pátria morrerem Da terra, contra os tiranos, Veremos outros nascerem". Do Cancioneiro Gaúcho FESTEJO Foi num primeiro de maio, na cidade de Rio Grande. O céu estava sem nuvens. O mês das flores nascia. O vento lembrava as flores no perfume que trazia. O povo reuniu-se em festa pois a festa era do povo. Crianças, homens, mulheres, o povo unido cantava. O povo simples da rua, comovido se abraçava. O mês das flores nascia e o vento lembrava as flores no perfume que trazia. Foi num primeiro de maio, de pensamento profundo. "Uni-vos, ó proletários, ó povos de todo o mundo". Unido estava em Rio Grande, o povo simples cantando. No peito de cada homem uma esperança se abria. Em qualquer parte do mundo uma estrela respondia. Era primeiro de maio dia da festa do mundo. O velho parque esquecido tinha um ar claro e risonho. Germinava no seu peito o calor de um novo sonho. Misturavam-se cantigas, frases, risos, alegrias. No peito de cada homem, um clarão aparecia. Surgiam jogos e prendas, hinos subiam ao ar. Em cada grupo uma história alguém queria contar. A tecelã Angelina, vivaz e alegre cantava, Recchia - o líder operário ria e confraternizava. Era primeiro de maio, dia de festa do mundo. Foi quando a voz calma e séria, no velho parque vibrou, e um convite alvissareiro o povo unido escutou: "Amigos, a rua é larga. Unidos vamos partir. A nossa 'União Operária' nós hoje vamos abrir." No peito de cada homem Um clarão aparecia. Em qualquer parte do mundo, uma estrela respondia. "A casa de nossa classe, fechada por que razão? Amigos, vamos à rua, e as portas se abrirão." A onda humana agitou-se, Cresceu em intensidade. Em coro as vozes subiram clamando por liberdade. "Á rua,à rua, sem medo, unidos, vamos marchar." Foi como se uma rajada De vento encrespasse o mar. PASSEATA Sem demora, a passeata organizou-se. Rompeu-se a indecisão. Um sopro audaz passava em cada rosto, onde os olhos falavam com estrelas, na densa escuridão. Espontâneas as filas se formaram e ergueram-se a cantar. Nas mãos erguidas, lenços tremularam, impacientes também para avançar. - Quem vai na frente? Quem? disseram vozes. E três vultos surgiram, decididos. Eram pedreiros uns. Outros portuários. - Recchia, Osvaldino, Honório, Euclides Pinto - e também Angelina, a tecelã. E a passeata iniciou-se: "Adiante, amigos Avancemos sem medo. A rua é nossa." Ouviu-se a voz sonoramente clara, indicando o caminho a percorrer. Decididos, os passos ritmados marcaram os primeiros movimentos. Punhos fechados, lenços agitados, e o vento acompanha o movimento da marcha triunfante. "A Bandeira na frente, companheiros", e Angelina surgia, erguida e fina, tocada pela luz da tarde mansa, como um vivo estandarte a caminhar. Os passos ritmados, batiam sem cessar. "Viva a classe operária. Salve. Viva!" Era o coro das vozes a clamar. Como um pássaro verde, muito verde, a Bandeira voava, revoava, por sobre o mar humano a se espraiar. Flutuavam lenços, mãos gesticulavam. Vozes subiam animando a marcha. E as filas andavam sem parar. A "União" já estava quase a aparecer e os punhos se fechavam. Um sopro audaz passava em cada rosto., onde os olhos brilhavam. "Viva a 'União', companheiros, viva o povo". E a voz interrompeu seu entusiasmo e um silêncio caiu, inesperado. E logo uma palavra subiu clara, atravessando homens e mulheres, como um fino punhal. "A polícia, a polícia, companheiros". E houve um leve arquejar. E alguém falou: "Avançar, companheiros, avançar." Era Recchia investindo desarmado E a onda contida transbordou. ANGELINA A massa resiste, rebelde, indomável, erguendo muralhas, de peitos e braços, às frias espadas, aos altos fuzis. A rua tranqüila, tão cheia de cantos, encheu-se de cinza, de sangue e de pó. O povo resiste e os tiros aumentam. Protestam as vozes Num vivo clamor. Respondem espadas, fuzis apontados, fuzis metralhando. A massa recua, retorna e avança com novo vigor. Na rua estendidos, Euclides e Honório, e mais Osvaldino, fecharam seus olhos, seus lábios calaram. As vagas aumentam de ódio incontido. E há novos protestos do povo ferido. Alguém arrebata das mãos de Angelina a verde Bandeira que ondula no ar. Os tiros procuram o peito de Recchia. E os tiros ficaram no peito a morar. Os olhos dos homens refletem angústia, revelam paixão. Ferido está Recchia, e há sangue no chão. Ninguém junto ao leme, ninguém no comando. Vermelhas papoulas matizam o chão. O rosto em tormento, cabelos ao vento, retorna Angelina, mais alta e mais fina. "A nossa Bandeira, nas mãos da polícia?" E à luta regressa, com febre no olhar. Os braços erguidos, subiam, caiam, em meio a outros braços, o mastro a arrastar. E às mãos vitoriosas, num breve momento, retorna a Bandeira batida de vento. Um frio estampido correu pelo espaço, na rua vibrou. Vacila a Bandeira, vacila Angelina, e a flor de seu corpo na rua tombou. AMANHÃ Morreram? Quem disse, se vivos estão! Não morre a semente lançada na terra. Os frutos virão. Morreram? Quem disse, se vivos estão! As flores de hoje, darão novos frutos. Meus olhos verão. Num dia, tão certo, tão claro, tão perto, Verei pelas ruas o povo ondulando, marchando a cantar. Nas mãos estandartes, a febre nos olhos, nos lábios palavras de claro sentido: "Poder popular!" Figuras do povo nos grandes cartazes - Euclides e Recchia, Honório, Angelina - que grande emoção! As flores caindo das altas janelas, floridas também. E as palmas ecoando no meu coração! O nome de Prestes, num ritmo exato, por todos cantado, sonoro, sem manchas, na tarde a vibrar. As flâmulas altas, de cores variadas, nos mastros subindo, descendo, ondulando, e o vento a girar. Mistura de vozes - de velhos, crianças, De homens,mulheres, do povo nas ruas, do povo a cantar. A grande alegria caindo dos olhos, Das vozes, das flores, do dia sem nuvens: "Poder Popular!" Num dia, tão perto, tão claro, tão certo, Meus olhos verão. Não morre a semente lançada na terra. Os frutos virão! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100502/95f03d3c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 3 21:11:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 May 2010 20:11:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_m=EDdia_alternativa_e_o_Bar=E3?= =?iso-8859-1?q?o_de_Itarar=E9_-?= Message-ID: <2C0BA9D86CFD42BF91379F4E85CED3C5@vcaixe> Carta O Berro............................................................repassem Prezadas (os) amigas (os) No dia 14 de maio será lançado o Centro de Estudos da Mídia Alternativa "Barão de Itararé". Envio texto sobre os objetivos da entidade, a homenagem ao Barão - um dos criadores da imprensa alternativa no país e "pai do humorismo brasileiro" - e a programação do seminário "A mídia e as eleições de 2010". O texto está disponível no endereço: http://altamiroborges.blogspot.com/ Por favor, ajude a divulgar o nascimento do Barão de Itararé. Participe do evento. Publique a notícia no seu sítio ou blog. Reenvie esta mensagem para sua lista de endereços eletrônicos. Obrigadão e um grande abraço, Altamiro Borges (Miro) A mídia alternativa e o Barão de Itararé No dia 14 de maio, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Rua Genebra, 25, próximo à Câmara Municipal de São Paulo), ocorrerá o lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa "Barão de Itararé". A nova entidade, que reúne em seu conselho jornalistas progressistas e lutadores sociais, tem como objetivos principais contribuir na luta pela democratização da comunicação, fortalecer a mídia alternativa e comunitária, promover estudos sobre a estratégica frente midiática e investir na formação dos novos comunicadores. Uma justa homenagem O nome "Barão de Itararé" é uma justa homenagem ao jornalista Aparício Torelli (1895-1971), considerado um dos criadores da imprensa alternativa no país e o "pai do humorismo brasileiro", segundo a biografia elaborada pelo filósofo Leandro Konder. Criador dos jornais "A Manha" e "Almanhaque", ele ironizou as elites, criticou a exploração e enfrentou os governos autoritários. Preso várias vezes, nunca perdeu o seu humor. Itararé é o nome da batalha que não houve entre a oligarquia cafeeira e as forças vitoriosas da Revolução de 1930. Frasista genial, ele cunhou várias pérolas. Cansado de apanhar da polícia secreta do Estado Novo, colocou na porta do seu escritório uma placa com a hoje famosa frase "entre sem bater". Político sagaz, ele percebeu a guinada nacionalista de Getúlio Vargas e respondeu aos críticos udenistas: "Não é triste mudar de idéias; triste é não ter idéias para mudar". Militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), Apparício foi eleito vereador pelo Rio de Janeiro em 1946 com o lema "mais leite, mais água e menos água no leite" - denunciando fraudes da indústria leiteira. Crítico ácido dos jornais golpistas Seu mandato foi combativo e irreverente. Segundo o então senador Luiz Carlos Prestes, "o Barão não só fez a Câmara rir, como as lavadeiras e os trabalhadores. As favelas suspendiam as novelas para ouvir as sessões que eram transmitidas pela rádio". Teve o seu mandato cassado juntamente com a cassação do registro do PCB, em 1947, e declarou solenemente: "Saio da vida pública para entrar na privada". Seu jornal, A Manha, foi novamente empastelado e, com dificuldades financeiras, ele escreveu: "Devo tanto que, se eu chamar alguém de 'meu bem', o banco toma". Passou a colaborar com o jornal getulista A Última Hora e lançou ainda mais dois Almanhaque. Diante da grave crise política que resultou no suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, afirmou: "Há qualquer coisa no ar, além dos aviões de carreira". Barão de Itararé denunciou as manipulações da imprensa, foi um crítico ácido dos jornais golpistas de Assis Chateaubriand e Carlos Lacerda e um entusiasta do jornalismo alternativo. Após o golpe militar de 1964, ele passou por inúmeras privações. Faleceu em 27 de novembro de 1971. Em sua lápide poderia estar inscrita uma de suas frases prediletas. "Nunca desista de seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra". Entidade ampla e plural A criação da nova entidade, que atuará em parceria com várias outras que já priorizam a luta pela democratização da comunicação, empolgou jornalistas e lutadores sociais. Entre outros, integram seu conselho os jornalistas Luis Nassif, Leandro Fortes, Luiz Carlos Azenha, Maria Inês Nassif, Rodrigo Vianna, Beto Almeida, Gilberto Maringoni; os professores Venício A. de Lima, Marcos Dantas, Dênis de Moraes, Laurindo Lalo Leal Filho, Gilson Caroni, Igor Fuser, Sérgio Amadeu. Visando fortalecer a mídia alternativa já existente, também participam os responsáveis de vários veículos progressistas - Breno Altman (Opera Mundi), Carlos Lopes (Hora do Povo), Ermanno Allegri (Adital), Wagner Nabuco (Caros Amigos), Joaquim Palhares (Carta Maior), Eduardo Guimarães (Cidadania), Renato Rovai (Fórum), Nilton Viana (Brasil de Fato), Paulo Salvador (Revista do Brasil), Oswaldo Colibri (Rádio Brasil Atual), José Reinaldo Carvalho (Vermelho). O conselho reúne ainda lideranças dos movimentos sociais, dirigentes de entidades vinculadas à comunicação pública e comunitária - Edivaldo Farias (Abccom), Regina Lima (Abepec), José Sóter (Abraço), Orlando Guilhon (Arpub) - e integrantes de instituições engajadas na luta pela democratização da mídia - João Brant (Intervozes), João Franzin (Agência Sindical), Sérgio Gomes (Oboré), Vito Giannotti (NPC), Rita Freire (Ciranda). Seminário "A mídia e as eleições de 2010" O lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa "Barão de Itararé" se dará durante a realização do seminário nacional "A mídia e as eleições de 2010". As inscrições para o evento se encerram em 12 de maio e custam R$ 20,00. As vagas são limitadas. Os interessados devem entrar em contato com Danielli Penha pelo telefone (11) 3054-1829 ou pelo endereço eletrônico britarare at gmail.com. Abaixo a programação: Dia 14 de maio, sexta-feira, às 18h30 A cobertura jornalística da sucessão presidencial - Maria Inês Nassif - Jornal Valor Econômico; - Leandro Fortes - Revista CartaCapital; - Paulo Henrique Amorim - Sítio Conserva Afiada; - Altamiro Borges - Portal Vermelho; Dia 14 de maio, sexta-feira, às 21 horas. Coquetel de lançamento do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Local: Auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo (Rua Genebra, 25) Dia 15 de maio, sábado, 9 horas: -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100503/d08e23ef/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14255 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100503/d08e23ef/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 3 21:11:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 3 May 2010 20:11:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Reportagem_4_e_5_sobre_o_Vietn?= =?iso-8859-1?q?=E3_no_operamundi_por_Breno_Altman?= Message-ID: <164CB0E87B744095A7F16D933F540D6D@vcaixe> Carta O Berro......................................................repassem Leiam a 4º e 5º reportagem sobre o Vietnã no operamundi clique aqui www.operamundi.com.br 03/05/2010 | Breno Altman | Hanói Agente laranja causou doenças e mutações genéticas em vietnamitas e norte-americanos As fotos que você verá no final desse texto são aterrorizantes. Durante a Guerra do Vietnã (1964-1975), Washington e seus aliados despejaram 83 milhões de litros de herbicidas altamente tóxicos sobre centenas de milhares de hectares do Sudeste Asiático, a maioria no Vietnã, mas também no Laos e no Camboja. Os aviões norte-americanos arrasaram até 25% das florestas do país com um desfolhante herbicida conhecido como agente laranja. Este produto, que contém grandes quantidades de dioxina, uma substância cancerígena, causou doenças e incapacidades tanto em soldados quanto em civis. Hoje, dois milhões de vietnamitas e dezenas de milhares de norte-americanos veteranos da guerra do Vietnã sofrem seus efeitos no organismo. Leia também: Ho Chi Minh quer ser a locomotiva da Ásia My Lai, o massacre que marcou a guerra My Lai em imagens, ontem e hoje Filhos e netos das vítimas diretas do bombardeio químico estão afetados por mutações genéticas. Além dos danos causados aos seres humanos, o agente laranja devastou o meio ambiente vietnamita. Os mangues desapareceram totalmente. O solo e as colheitas sofreram envenenamento a longo prazo. O Vietnã insistentemente cobra dos Estados Unidos uma reparação de guerra. A Casa Branca nega responsabilidade no caso e atribui eventuais malefícios aos fabricantes do produto. Associações de vítimas vietnamitas e norte-americanas entraram, em 2004, com um processo na Justiça Federal de Nova York contra 36 empresas que forneceram o desfolhante. A petição foi negada, em primeira instância, pelo juiz Jack Weinstein. Leia também: Vietnã celebra os 35 anos do fim da guerra Comemorações dos 35 anos da vitória em Ho Chi Minh -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100503/a7425fb0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 18561 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100503/a7425fb0/attachment-0001.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 4 16:43:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 May 2010 15:43:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Minha_Opini=E3o_Sobre_os_5_Her=F3?= =?iso-8859-1?q?is_Cubanos?= Message-ID: <5BD14D9EDB4E44D299E587E0E20C1AB5@vcaixe> Carta O Berro....................................................................repassem Estimado Vanderley: A Associação de Cubanos Residentes em Brasil acordou este 05/05 fazer atividades em favor da liberação de nossos 5 Héroes injustamente condenados nos Estados Unidos a gigantescas penas de prisão. Este artigo foi escrito pelo nosso Secretário Executivo como parte de essas atividades. Poderia esse artigo ser enviado por você amanhã? Claro dependendo das suas possibilidades. ass.Tirso Minha Opinião Sobre os 5 Heróis Cubanos Alexis Gonzalo Hierrezuelo Secretário Executivo de La ANCREB-JM Capítulo de Braslia Era-se uma vez 5 cubanos, daqueles que encontramos por acaso em qualquer esquina de Havana, Villa Clara, Camagüey ou Santiago de Cuba. Jovens com ilusões, ambições e projetos de vida, jovens que tinham um ponto em comum... os ideais. Antonio, Fernando, Gerardo, Ramón e René, esses são seus nomes, nome comuns, bem cubanos... daqueles que encontramos freqüentemente. Esses jovens hoje cumprem penas absurdas em prisões federais americanas, penas que chegam a 2 condenações perpétuas... mas qual foi o delito cometido por eles? Para ele um pouco de história Nosso país tem sido vítima real do terrorismo durante 50 anos e têm realizado centenas de ações terroristas que deixaram colossais saldos de mostos, feridos e quase incontáveis perdas materiais. Todas as ações terroristas sofridas no país foram concebidas, realizadas, financiadas e dirigidas por distintas agências do governo dos Estados Unidos, muitas vezes atuando através, ou disfarçadas em organizações contra-revolucionárias anticuba. Frente a esta situação irregular Cuba teve que se defender; vimos-nos obrigados a nos proteger contra tais propósitos de destruição e morte. Precisamente, chegamos a cinco jovens, eles consagraram os melhores anos de suas vidas para conhecer e evitar as ações terroristas de uma série de organizações contra-revolucionárias radicadas nos Estados Unidos, e nesse momento eles cumprem as condenações desmedidas e injustas, sendo vítimas das mais diversas violações dos Direitos Humanos. O Bureau Federal de Investigações (FBI), sua sigla em inglês, escolheu a data de 12 de setembro de 1998, como dia da deflagração da operação que teve por objetivo a detenção desses jovens, cujo único objetivo era, e seguirá sendo, impedir com sua heróica atuação, que cubanos em Miami, pagos pelo governo americano, cheguem às vias de fato suas idéias malévolas de destruição contra tudo o que nossa Revolução construiu ao longo desses anos de luta. Após dois anos de espera, em 27 de novembro de 2000 começaram a desenrolar o processo no Tribunal Federal do Distrito Sul da Flórida, cheio de uma série de irregularidades e violações das regras do processo e o Direito Penal dos Estados Unidos, as quais foras as seguintes: - Falta de um jurado imparcial; - Falta do devido processo; - Condições de reclusões cruéis e inadequadas; - Falta de relação entre as instruções do juízo e o veredito do jurado; - Condenação por conspiração por cometer assassinato e espionagem sem evidências. Depois de todo esse tempo e tendo a solidariedade de Governos, Organizações, pessoas de todo o mundo e sabendo que a ilegalidade na prisão desses jovens continua, eles seguem presos, Ramón está condenado à prisão perpétua mais 18 anos... absurdo René, condenado a 15 anos... absurdo Geraldo, condenado a 2 penas perpétuas mais 15 anos... absurdo Fernando, condenado a 19 anos de reclusão... absurdo Antonio, condenado à prisão perpétua mais 10 anos... absurdo Digo, em todos os casos é um absurdo, pois os delitos pelos quais os acusam são de conspirar contra o Estado norte-americano. Tamanha é a mentira, pois momento algum eles conspiraram contra os Estados Unidos e se chegaram a alertar que os cidadãos norte-americanos poderiam ser também vítimas dos próprios grupos anticuba, que em seus pretendidos atentados não escolheriam quem morreria. Os 5 como também são chamados, receberam, em conjunto, quatro condenações perpétuas e mais 77 anos. Eles não trabalhavam na Casa Branca, nem no Pentágono e nem no Departamento de Estado. Nunca tiveram nem trataram de ter acesso a informações secretas algumas. Mas fizeram algo imperdoável para os Estados Unidos e a Máfia Cubana Americana, lutaram contra o terrorismo anticuba e o fizeram em Miami. Miami... toca de víboras, lugar cheio de ódio e receios contra nosso governo e nosso país, e que ao mesmo tempo abriga muitos e os mais tristemente célebres e conotados, terroristas, que mesmo sendo cubanos, respondem a interesses de uma potência estrangeira; esses sim, deveriam responder a justiça por todos os Atos e tentativas de atentados e assassinatos contra nossos dirigentes e contra o nosso povo, mencionar nomes seria dar-lhes valor a quem realmente não os tem. Voltando aos 5, o clamor mundial exige sua imediata libertação, restabelecê-los ao seu país de origem e a sua convivência familiar, continuar presos seria mais uma mostra de injustiça no mundo, nos unamos a esses chamados e da nossa humilde trincheira. Clamemos por eles que cometeram um único delito... Serem Dignos e Patriotas!!! Unamo-nos todos, o mundo necessita de justiça, façamos nossa parte, divulguemos a verdade, que somente com ela conseguiremos nossos verdadeiros objetivos. Brasília, 05 deMaio de 2010 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100504/f9af5dbf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3716 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100504/f9af5dbf/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 4 16:43:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 May 2010 15:43:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tortura=2C_por_que_n=E3o=3F_por_M?= =?iso-8859-1?q?aria_Rita_Kehl?= Message-ID: NewsLetterCarta O Berro..............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Leopoldo Paulino Tortura, por que não? Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo O motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos nasceu um ano depois da promulgação da lei da Anistia no Brasil, de 1979. Aos 30 anos, talvez sem conhecer o fato de que aqui, a redemocratização custou à sociedade o preço do perdão aos agentes do Estado que torturaram, assassinaram e fizeram desaparecer os corpos de opositores da ditadura, Pinheiro foi espancado seguidas vezes, até a morte, por um grupo de 12 policiais militares com os quais teve o azar de se desentender a respeito do singelo furto de uma bicicleta. Treze dias depois do crime, a mãe do rapaz recebeu um pedido de desculpas assinado pelo comandante-geral da PM. Disse então aos jornais que perdoa os assassinos de seu filho. Perdoa antes do julgamento. Perdoa porque tem bom coração. O assassinato de Pinheiro é mais uma prova trágica de que os crimes silenciados ao longo da história de um país tendem a se repetir. Em infeliz conluio com a passividade, perdão, bondade, geral. Encararemos os fatos: a sociedade brasileira não está nem aí para a tortura cometida no País, tanto faz se no passado ou no presente. Pouca gente se manifestou a favor da iniciativa das famílias Teles e Merlino, que tentam condenar o coronel Ustra, reconhecido torturador de seus familiares e de outros opositores do regime militar. Em 2008, quando o ministro da Justiça Tarso Genro e o secretário de Direitos Humanos Paulo Vannuchi propuseram que se reabrisse no Brasil o debate a respeito da (não) punição aos agentes da repressão que torturaram prisioneiros durante a ditadura, as cartas de leitores nos principais jornais do País foram, na maioria, assustadoras: os que queriam apurar os crimes foram acusados de ressentidos, vingativos, passadistas. A culpa pela ferocidade da repressão recaiu sobre as vítimas. A retórica autoritária ressurgiu com a força do retorno do recalcado: quem não deve não teme; quem tomou, mereceu, etc. A depender de alguns compatriotas, estaria instaur ada a punição preventiva no País. Julgamento sumário e pena de morte para quem, no futuro, faria do Brasil um país comunista. Faltou completar a apologia dos crimes de Estado dizendo que os torturadores eram bravos agentes da Lei em defesa da - democracia. Replico os argumentos de civis, leitores de jornais. A reação militar, é claro, foi ainda pior. "Que medo vocês (eles) têm de nós." No dia em que escrevo, o ministro Eros Graus votou contra a proposta da OAB, de revisão da Lei da Anistia no que toca à impunidade dos torturadores. Para o relator do STF, a lei não deve ser revista. Os torturadores não serão julgados. O argumento de que a nossa anistia foi "bilateral" omite a grotesca desproporção entre as forças que lutavam contra a ditadura (inclusive os que escolheram a via da luta armada) e o aparato repressivo dos governos militares. Os prisioneiros torturados não foram mortos em combate. O ministro, assim como a Advocacia Geral da União e os principais candidatos à Presidência da República sabem que a tortura é crime contra a humanidade, não anistiável pela nossa lei de 1979. Mas somos um povo tão bom. Não levamos as coisas a ferro e fogo como nossos vizinhos argentinos, chilenos, uruguaios. Fomos o único país, entre as ferozes ditaduras latino-americanas dos anos 60 e 70, que não julgou seus generais nem seus torturadores. Aqui morrem todos de pija mas em apartamentos de frente para o mar, com a consciência do dever cumprido. A pesquisadora norte-americana Kathrin Sikking revelou que no Brasil, à diferença de outros países da América latina, a polícia mata mais hoje, em plena democracia, do que no período militar. Mata porque pode matar. Mata porque nós continuamos a dizer tudo bem. Pouca gente se dá conta de que a tortura consentida, por baixo do pano, durante a ditadura militar é a mesma a que assistimos hoje, passivos e horrorizados. Doença grave, doença crônica contra a qual a democracia só conseguiu imunizar os filhos da classe média e alta, nunca os filhos dos pobres. Um traço muito persistente de nossa cultura, dizem os conformados. Preço a pagar pelas vantagens da cordialidade brasileira. "Sabe, no fundo eu sou um sentimental (...). Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar/ Meu coração fecha os olhos e sinceramente, chora." (Chico Buarque e Ruy Guerra). Pouca gente parece perceber que a violência policial prosseguiu e cresceu no País porque nós consentimos - desde que só vitime os sem-cidadania, digo: os pobres. O Brasil é passadista, sim. Não por culpa dos poucos que ainda lutam para terminar de vez com as mazelas herdadas de 21 anos de ditadura militar. É passadista porque teme romper com seu passado. A complacência e o descaso com a política nos impedem de seguir frente. Em frente. Livres das irregularidades, dos abusos e da conivência silenciosa com a parcela ilegal e criminosa que ainda toleramos, dentro do nosso Estado frouxamente democratizado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100504/27a81bc4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 4 16:43:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 4 May 2010 15:43:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Leia_em_Carta_Maior_nesta_ter=E7a?= =?iso-8859-1?q?=2C_04/05/2010?= Message-ID: <595CA1CA29E14D56992D73B24F642399@vcaixe> Carta O Berro........................................repassem Serra contra o Mercosul: o auge das direitas loucas na América Latina Vamos divulgar para que possamos escolher em quem votar. Retrocesso,não! Obrigada Caso não visualize esse email adequadamente acesse este link Boletim Carta Maior - 4 de Maio de 2010 Ir para o site -------------------------------------------------------------------------- Serra contra o Mercosul: o auge das direitas loucas na América Latina Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças regionais por tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista. No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e cul turais, o Brasil teria só um caminho em sua política comercial: o da competição selvagem apoiada por salários e impostos reduzidos, na miséria crescente do grosso de sua população, no apequenamento do Estado e na expansão das estruturas repressivas para manter a ordem social e política. A análise é de Jorge Beinstein. > LEIA MAIS | Internacional | 03/05/2010 . El auge de las derechas locas en América Latina A Eurolândia arde: futuro da Grécia na mãos dos mercados No caso grego figuram no banco dos réus não os bancos freneticamente especulativos, mas os Estados sociais perdulários de aspecto europeu. Oficialmente, a ajuda a Grécia tem a ver com a manutenção da estabilidade do euro. É a única coisa que se pode obter, caso a especulação internacional seja bloqueada nos países da zona do euro. Uma quebradeira do estado grego, uma expuls&at ilde;o da eurolândia, daria precisamente um sinal equivocado. Então, inexoravelmente, Portugal, Espanha e Irlanda seriam os próximos. O artigo é de Michael Kratke. > LEIA MAIS | Economia | 03/05/2010 . Michael Krätke: Arde Eurolandia Ho Chi Minh quer ser a locomotiva da Ásia Um quinto do produto interno bruto do Vietnã sai da cidade. Um terço do orçamento federal por aqui é arrecadado. Quase 8 milhões de pessoas trabalham ou vivem em Ho Chi Minh, uma espetacular densidade demográfica de 3,4 mil habitantes por quilômetro quadrado. As bicicletas foram praticamente substituídas por vespas e pequenas motocicletas. Cinco milhões desses veículos com duas rodas transitam todos os dias. O porto fluvial de Ho Chi Minh tornou-se um atrativo para a instalação de grandes empresas importadoras e exportadoras. O artigo é de Breno Altman. > LEIA MAIS | Internacional | 03/05/2010 . Vietnã cresce em ritmo de guerra . Vietnã celebra 35 anos da vitória contra os EUA No plano estratégico, a fraqueza dos Estado s Unidos emerge de alguns dados elementares: com 5% da população mundial e 20% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, eles representam 50% das despesas militares do planeta! A longo prazo esta situação é insustentável, sobretudo se se leva em conta que o percentual estadunidense do PIB mundial tende a diminuir, enquanto continua a crescer a dívida pública. A avaliação é do filósofo italiano Domenico Losurdo que, em entrevista exclusiva à Carta Maior, analisa a situação da maior potência do planeta e a possibilidade do surgimento de uma alternativa à atual hegemonia norte-americana. > LEIA MAIS | Internacional | 02/05/2010 . Domenico Losurdo e a linguagem do Império: a agenda no Brasil -------------------------------------------------------------- Presidente popular elege seu sucessor? No Uruguai, Tabaré elegeu Mujica, assim como no Brasil, Lula pode eleger Dilma. Depende do tipo de governo que foi feito. FHC não elegeu Serra, pelo governo que fez e pelo candidato que escolheu - 04/05/2010 -------------------------------------------------------------- Colunistas Flávio Aguiar O anacrônico Serra A declaração de Serra sobre o Mercosul é um sintoma de que o arcebispado tucano está vivendo numa espécie peculiar de alienação delirante, que pode tornar-se delituosa, pois, com a vitória, vai certamente trazer vários danos ao país. - 04/05/2010 Francisco Carlos Teixeira Lula, as elites e o vira-latas É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio! - 03/05/2010 Antonio Lassance O Distrito Federal em perspectiva institucional Brasília, assim como no passado foi o Rio, tende a ter seus processos políticos levados às últimas consequências. Todavia, o que está na berlinda, neste momento, é a capacidade de o Estado brasileiro superar crises políticas fazendo bom uso das instituições republicanas. - 03/05/2010 Larissa Ramina Autodeterminação iraniana Os EUA querem mudar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de 1968, com o objetivo de tolher o direito dos Estados de desenvolver a energia nuclear também para fins pacíficos, ampliando a atribuição da Agência Internacional de Energia Atômica para inspecionar instalações nucleares a qualquer hora. - 02/05/2010 -------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100504/c74fb3a6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 5 21:04:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 May 2010 20:04:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__PETICAO_POR_BATTISTI_PRAZO_FIN?= =?windows-1252?q?AL_AT=C9__30_DE_MAIO=2E__ASSINEM_E_REPASSEM?= Message-ID: Carta O Berro.......................................................assinem e repassem Caros Amigos Desde que lançamos nossa petição ao Presidente Lula pela liberdade de Cesare Battisti, há alguns meses, recebemos vários milhares de assinaturas.(vide) Entretanto, sabemos que há muitas outras pessoas que assinariam se tivessem sido informadas. De fato, uma grande parte da opinião pública brasileira repudia o ódio e a vingança, quer autêntica justiça, e sabe que o caso de Battisti é uma fraude sob a qual os inimigos dos DH querem atingir outros objetivos, como desmoralizar ações contra os torturadores, obstruir o PNDH-3, combater as leis de direitos sexuais e étnicos, e outras similares. Pessoalmente, me penitencio por não ter colhido todos os e-mails úteis e por falta de velocidade na informação de nosso site. Agora, quando se aproxima o momento de liberar Battisti, estamos fazendo um esforço para chegar a todas as pessoas possíveis, pois queremos que a decisão do Presidente se sinta respaldada pelos assinantes. Dentro de alguns dias, ENTREGAREMOS NO GABINETE DO PRESIDENTE LULA A LISTA DE ASSINATURAS DE NOSSA PETIÇÃO para o asilo definitivo de Cesare Battisti, sob mandato presidencial, e direito a permanência definitiva no país para ele e sua família. De acordo com o informado pelo Ministro da Defesa aos correspondentes europeus, Lula deverá tornar pública sua decisão entre os dias 20 e 30 de maio, em harmonia com o parecer que receba da AGU. Esta notícia não foi confirmada, mas preferimos enviar nossa lista o mais breve possível. É um fato bem conhecido de que todos os esforços miram na direção de liberar Cesare. Portanto, pode-se pensar que insistir na petição não é necessário. Entretanto, quando esta petição foi escrita, pensamos não numa pressão sobre o presidente, mas num apóio para que se sinta respaldado não apenas juridicamente, como também popularmente. Temos recebido muitas assinaturas, a cujos autores agradecemos, mas sabemos que há vários milhares de outras pessoas amigáveis, que ainda não tiveram oportunidade de assinar. Por isso, quero pedir um esforço aos amigos que ainda não assinaram, para que assinem, APENAS UMA VEZ, POR FAVOR. E também que façam conhecer nosso site aos amigos, colegas, membros de suas redes, contatos, etc., e toda pessoa que possa assinar. Estou acrescentando um roteiro para os que não são familiares com o sistema. Muito obrigado a todos Cordialmente, Carlos Alberto Lungarzo RNE V033174-J carlos.lungarzo at gmail.com Telefone: 11-9939-1501 Identidade em Anistia Internacional: 2152711 ============================================= http://www.petitiononline.com/btstlng/petition.html PARA OS QUE PRECISEM DE UMA ORIENTAÇÃO AQUI VAI UM ROTEIRO PASSO-A-PASSO BEM DETALHADO. MUITO OBRIGADO ===================== ORIENTAÇÃO PASSO A PASSO PRIMEIRO PASSO CLIQUE NESSE ENDEREÇO http://www.petitiononline.com/btstlng/petition.html VOCÊ ESTÁ VENDO Acima, tem uma faixa cinza onde está escrito, com letras brancas: Asilo Presidencial para Battisti Abaixo há dois links juntos, que dizem: View Current Signatures - Sign the Petition Veja as assinaturas atuais ? Assine a Petição Abaixo, ainda, está o texto de nossa petição, que você pode ler. SEGUNDO PASSO CLIQUE não link que diz: Sign the Petition Assine a Petição VOCÊ ESTÁ VENDO Três retângulos com espaços para preencher: Name: ___________________ E-mail Address:____________ Comments:_______________ TERCEIRO PASSO No primeiro espaço escreva seu nome (NAME) completo. No segundo espaço (E-mail Address) escreva seu endereço de e-mail. Seu endereço de e-mail não será revelado, ficará armazenado conosco. O comentário não é obrigatório QUARTO PASSO Clique no retângulo abaixo que diz Approve Signature Pronto QUINTO PASSO ATENÇÃO: VOCÊ RECEBERÁ UM E-MAIL NOSSO PEDINDO A CONFIRMAÇÃO DA SUA ASSINATURA. ASSIM SABEMOS QUE SEU E-MAIL É VERDADEIRO É SÓ CLICAR NO LINK INDICADO NESSE E-MAIL. NÃO É VÍRUS!!! Cuidado: Seu provedor pode ter pensado que essa mensagem era SPAM. VEJA SE O SEU PROVEDOR NÃO JOGOU A MENSAGEM NA CAIXA SPAM -- Você está recebendo este e-mail, porque consta em nossa lista de contatos. Se você entender que foi incluído nessa lista por engano, por favor, enviar um reply com a palavra RETIRAR. Seu nome será imediatamente retirado da lista. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100505/b8f11800/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 5 21:04:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 5 May 2010 20:04:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_PRIMOS_-_hist=F3rias_da_heran=E7a?= =?iso-8859-1?q?_=E1rabe_e_judaica_=2E__Lan=E7amento_no_Rio_de_Jane?= =?iso-8859-1?q?iro_e_S=E3o_Paulo=2E?= Message-ID: <1119A2D6392E41A697F3FA39E27AEBF9@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem blog do bourdoukan -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100505/e94a9a3a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 53675 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100505/e94a9a3a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 6 20:31:36 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 6 May 2010 19:31:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Document=E1rio_=3A_=22S=E9rgio_R?= =?iso-8859-1?q?icardo_fala_de_pol=EDtica_e_da_cultura_brasileira_?= =?iso-8859-1?q?=2E=2ENarra_o_processo_de_engajamento_dos_artistas_?= =?iso-8859-1?q?e_seu_papel_ativo_na_resist=EAncia_=E0_ditadura_mil?= =?iso-8859-1?q?itar=2E=22?= Message-ID: <2782C9285D2744A5A99A3726AE9DFA01@vcaixe> Carta O Berro...................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Camaradas Sérgio Ricardo fala de política e da cultura brasileira nesse documentário de Marcos Fialho. O compositor e diretor traça um emocionante e amplo painel de sua obra e da cultura brasileira desde os anos JK. Narra o processo de engajamento dos artistas e seu papel ativo na resistência à ditadura militar. Esse filme ganhou o prêmio Júri Popular no CineSul 2004 e de melhor vídeo na mostra universitária de 2005. http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/ clique http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=12&id_noticia=997 Ele foi um dos que abriram uma nova vertente no interior do movimento bossanovista, mais ligada à temática social e popular. "O que caracterizou a minha dissidência com a bossa nova, afirmou ele, foi justamente a música Zelão. Era o caminho de uma pesquisa mais popular, com o abandono dos valores pequeno-burgueses de Ipanema (...) aquele negócio de muito sorriso, amor e flor". É dele a trilha sonora de Deus e o Diabo na Terra do Sol e de Terra em Transe, filmes de Glauber Rocha. Sérgio Ricardo dirigiu e fez as músicas de Esse mundo é meu, O menino da calça branca e Noite do Espantalho, premiado em vários festivais. Em 10 de maio será lançado Canto Vadio, uma biografia do artista, e no dia 15 ele se apresentará na Virada Cultural paulista. Os eventos ocorrerão às 19 horas na Casa das Rosas, Avenida Paulista nº37. Para conhecer mais sobre a vida e a obra desse importante artista leia o artigo "A volta de Sérgio Ricardo": clique http://www.contee.org.br/noticias/artigos/art168.asp -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100506/9185195b/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100506/9185195b/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 6 20:31:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 6 May 2010 19:31:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Um_acordo_em_que_a_ditadura_reso?= =?iso-8859-1?q?lveu_tudo__por_Maria_In=EAs_Nassif?= Message-ID: <1F11C86D40FC4A6EB42D4FAC1C58526A@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Carlos Lichtsztejn Um acordo em que a ditadura resolveu tudo Maria Inês Nassif Jornal Valor Economico 06/05/2010 Era o dia 22 de agosto de 1979. No plenário da Câmara, onde o Congresso se reuniria mais tarde para examinar a proposta de anistia do governo do general João Figueiredo - famoso por ter pedido para ser esquecido, depois de ter deixado o governo, e ter sido obedecido - 800 soldados à paisana ocuparam quase todos os 1200 lugares das galerias. Os manifestantes que ainda tentavam mudanças no projeto de anistia do governo - que perdoou só os crimes de sangue cometidos pelos próprios militares - ganharam os lugares de volta quase aos gritos. Às 14 horas, os soldados bateram em retirada. As cadeiras no plenário para assistir ao espetáculo de imposição militar dos termos da anistia - que era mais auto-anistia do que qualquer outra coisa - talvez tenha sido a única conquista efetiva dos movimentos que se mobilizavam para restituir os direitos políticos dos adversários da ditadura. Desde o envio do projeto ao Congresso, em 27 de junho, até sua aprovação, 56 dias depois, imperou o ato de vontade dos militares, acatado pelos civis que formavam, no parlamento, uma maioria destituída de coragem e vontade. Em tese de doutorado defendida em 2003 no Departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), intitulada "Dimensões Fundacionais da Luta pela Anistia", Heloísa Amélia Greco reconstitui, passo a passo, a aprovação da lei. O texto do projeto do governo foi enviado ao Congresso sem que ninguém da oposição consentida, o MDB, pelo menos oficialmente, tenha sido consultado. Na cerimônia convocada por Figueiredo, no Palácio do Planalto, para oficializar o envio do projeto, estavam presentes todos os ministros e toda a bancada de deputados e senadores do partido do governo, a Arena. O MDB boicotou a cerimônia para marcar uma posição contra um projeto que excluía setores importantes da oposição à ditadura de seus benefícios. A Comissão Mista do Congresso Nacional que analisou a proposta foi escolhida a dedo. Dos 23 integrantes, 13 eram incondicionalmente fiéis ao governo. O presidente da Comissão, o arenista Teotônio Vilela, dissidente e partidário de uma anistia ampla, somente exerceria o seu voto no caso de empate, o que jamais aconteceu. O relator, Ernâni Satyro, seguiu à risca o roteiro traçado para ele. As emendas aceitas em seu substitutivo foram definidas no Ministério da Justiça, em reuniões com o ministro Petrônio Portela, o líder da maioria no Senado, Jarbas Passarinho, o líder da maioria na Câmara, Nelson Marchezan e o presidente do partido, José Sarney. Todas as votações da comissão cravavam um inevitável placar de 13 a 9. Por maioria governista, entenda-se um Congresso plenamente constituído pelo Pacote de Abril do governo anterior, do presidente-general Ernesto Geisel. O pacote, baixado por força do AI-5, em 1974, criou os senadores biônicos (o terço do Senado escolhido indiretamente por colegiados estaduais) e redefiniu a composição da Câmara de forma a dar mais peso ao eleitorado do Norte e do Nordeste, regiões onde a Arena mantinha prestígio por meio de lideranças tradicionais de caráter patrimonialista. Produziu seus resultados na eleição de 1978. Em 1979, a Arena tinha 231 deputados, contra 189 do MDB; no Senado, eram 41 senadores arenistas - destes, 22 eram biônicos - e 26 pemedebistas. O projeto do governo, aprovado pelo Congresso em 22 de agosto, foi uma obra solitária do governo militar, referendada por uma maioria parlamentar bovina, totalmente submissa ao poder. Mesmo o voto final do MDB ao substitutivo de Satyro não pode ser colocado na conta da concordância, ou da negociação - foi apenas o voto naquilo que sobrou. O substitutivo do MDB foi rejeitado no plenário, mesmo com a ajuda de 12 parlamentares arenistas; a emenda do deputado Djalma Matinho (Arena-RN), vista como uma opção menos pior que o projeto do governo, também foi rejeitada, mesmo com a ajuda de 14 dissidentes. O MDB entendeu que antes o substitutivo de Satyro do que nada - ainda assim, com a abstenção de 12 de seus 26 senadores e o voto contrário de 29 dos 189 deputados, que preferiram marcar posição contra a anistia limitada dos militares. A anistia de agosto, aprovada pelo Congresso, perdoou torturadores. Beneficiou também os adversários do regime que pegaram em armas mas não tiveram sentença transitada em julgado. Os presos políticos condenados por luta armada, no entanto, cumpriram penas - depois reduzidas -, mas não foram anistiados. A ditadura designava os adversários que optaram pela luta armada como "criminosos de sangue". Não consta que tenham considerado da mesma forma os que torturaram e mataram a mando do Estado. A anistia foi essa. Na última hora, na promulgação da lei, o general Figueiredo vetou a expressão "e outros diplomas legais" - passaram a ser anistiados só os punidos por atos institucionais. O veto a quatro palavras excluiu do benefício os militares, os sindicalistas e os estudantes punidos por sanções administrativas, pelo decreto 477 e por outras determinações legais impostas pela ditadura. Este é, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF) em decisão proferida na semana passada, o "acordo histórico" feito pela sociedade brasileira: de um lado, a sociedade civil mobilizada em comitês que pleiteavam anistia ampla, derrotada; de outro, baionetas e maiorias forjadas por atos institucionais e Pacote de Abril. A autora da tese de doutorado cita, a propósito, uma frase do jornalista Aparício Torelly, o Barão de Itararé: "Anistia é um ato pelo qual os governos resolvem perdoar generosamente as injustiças e os crimes que eles mesmos cometeram". Foi isso. O Brasil vai sentar no banco dos réus da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos por conta dos crimes cometidos pela ditadura. A OEA pode condenar o país a anular a sua lei de anistia, a exemplo do que já fez com o Chile e o Peru, para punir os que torturaram e mataram. O STF que explique direitinho para a OEA esse complicado pacto em que a ditadura resolveu tudo sozinha. Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100506/8a05ac31/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 7 20:09:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 May 2010 19:09:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___Reportagem_10_sobre_Vietn=E3_?= =?iso-8859-1?q?=28a_=FAltima!=29_e_veja_todas_as_reportagens=2E?= Message-ID: <48BE988E90BC4B43829F799B0CA43B69@vcaixe> Carta O Berro....................................................repassem Caros Abaixo, a última reportagem da série. Desculpem-me por importunar tanto com o tema, mas achei que se tratava de um assunto relevante, sobre um país crucial na história do século XX. No mais, críticas e opiniões são sempre bem-vindas e agradeço os vários emails que recebi, além dos comentários Edição com fotos e série completa de reportagens: www.operamundi.com.br Clique no site acima operamundi e após clique no item"reportagens especiais". Lá estarão todas publicada. Até esta última. Vietnã defende sistema de partido único -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100507/9321f90e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 7 20:09:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 May 2010 19:09:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Memorial_Convida_-_Programa=E7=E3?= =?iso-8859-1?q?o_m=EAs_de_maio?= Message-ID: <8F39B432F1594E93BE59A6C1E93E6607@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Memorial da Resistência Prezado(a) Senhor(a), O Memorial da Resistência de São Paulo vem convidá-lo para as seguintes atividades do mês de maio: SÁBADO RESISTENTE A LUTA DOS NEGROS, RESISTÊNCIA E DEMOCRACIA Dia 08, das 14h às 17h30, no Auditório Vitae - 5º andar. A luta anti-racismo, de resistência cultural e por direitos plenos são grandes marcas da população pobre e negra do Brasil. As classes dominantes oprimem e não permitem que se conte a verdade histórica. Os anos de luta contra a ditadura civil-militar não foram diferentes e vários homens e mulheres de ascendência africana se destacaram por sua bravura, determinação política e coerência ideológica. Debatedores: Dojival Vieira e Luiz Carlos dos Santos DITADURA, RESISTÊNCIA E SOLIDARIEDADE INTERNACIONAL Dia 15, das 14h às 17h30, no Auditório Vitae - 5º andar. Durante a Ditadura Civil-Militar Brasileira (1964-1985), a resistência contou não somente com a solidariedade de grupos de cidadão comprometidos com a liberdade, mas também com a solidariedade internacional de movimentos sociais e de países mais democráticos. Diversos países, embaixadas, setores ligados à Igreja, organizações, movimentos sociais e mesmo indivíduos sensibilizados atuaram solidariamente de modo a garantir espaços de denúncia das atrocidades que aqui ocorriam; propiciar refúgio e asilo político a muitos companheiros e companheiras que foram obrigados, sob várias circunstâncias, a deixar o país, e avançar na articulação social e política para superação definitiva da ditadura. Debatedores: Mário Moutinho, José Luiz Del Roio e Carlos Eduardo Fayal. VIRADA CULTURAL Apresentação da peça "O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado", da Cia. São Jorge de Variedades Dia 16 às 11h30, no estacionamento da Estação Pinacoteca. O Memorial da Resistência de São Paulo convida para a apresentação da peça "O Santo Guerreiro e o Herói Desajustado", primeiro espetáculo de rua da Cia. São Jorge de Variedades, apresenta o encontro de dois grandes personagens: um da tradição popular brasileira e outro da literatura universal: São Jorge Guerreiro e Dom Quixote de La Mancha. O grupo propõe uma reflexão sobre o sentido do herói na grande metrópole nos dias de hoje e a importância do coletivo em uma sociedade cada vez mais individualista. EXPOSIÇÃO Inauguração da Exposição "Elifas Andreato - As cores da Resistência" Dia 22, das 11 às 14h - 11h: conversa com Elifas Andreato, Audálio Dantas e Fernando Morais (Auditório Vitae - 5º andar) O Memorial da Resistência de São Paulo apresenta a exposição "Elifas Andreato. As cores da resistência", com cerca de 100 trabalhos, entre capas de discos, cartazes de peças teatrais, fotos de cenários, e semanários. A mostra evidência a importância da arte de Elifas Andreato (Rolândia, PR, 1946) como instrumento de resistência política durante a ditadura militar. Com um caráter marcadamente visual, com farta iconografia, a exposição mostra aspectos da vida e obra de Elifas Andreato, com foco na resistência à ditadura militar. Entre os trabalhos realizados nesse período estão: o cartaz para a peça de teatro Mortos sem sepultura, de Jean Paul-Sartre, e a capa do disco Nervos de Aço, de Paulinho da Viola, além de edições de jornais e revistas conhecidos pela oposição ao regime militar, como: Jornal Momento, Opinião, Movimento Ex e Argumento. Será uma satisfação contar com a sua presença. Atenciosamente, Memorial da Resistência Pinacoteca do Estado de São Paulo www.pinacoteca.org.br Largo General Osório, 66 - Luz CEP 01213-010 - São Paulo, SP Telefone: 55 11 3335 4996 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100507/b53239b7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 7 20:09:49 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 7 May 2010 19:09:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Lan=E7amento_do_livro_Ditadura_e_?= =?iso-8859-1?q?repress=E3o_de_Anthony_W=2E_Pereira?= Message-ID: <7A73DE32B02746639A6F7A35BB7F8EDA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................................repassem Lançamento do livro Ditadura e repressão de Anthony W. Pereira O debate e o lançamento do livro Ditadura e repressão, de Anthony W. Pereira, pela editora Paz e Terra, está marcado para o dia 10 de maio com início às 19h na Casa do Saber, rua Mário Ferraz, 414 em São Paulo. Uma das principais características destacadas pelo autor é a sobrevivência ou adaptação do sistema judiciário já existente nos três países do cone sul: Brasil (1964-1985), Chile (1973-1990) e Argentina (1976-1983). Anthony Pereira apresenta as consequências da interação judicial-militar na transição do regime militar para a democracia e conclui que, quanto maior for este consenso, maior será a presença do ranço do autoritarismo dentro do regime democrático. Na última seção do livro, o autor amplia sua análise para outros territórios: Portugal de Salazar, Alemanha de Hitler, Espanha de Franco e os Estados Unidos pós-11 de setembro. Para mais informações: Editora Paz e Terra 11 3337-8399 www.pazeterra.c -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100507/cbd2d5c2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 61005 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100507/cbd2d5c2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 8 17:37:14 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 8 May 2010 16:37:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Filmes_da_nossa_hist=F3ria=2E_Ent?= =?iso-8859-1?q?re_eles=3A_a_luta_de_Jos=E9_Porf=EDrio_e_dos_campon?= =?iso-8859-1?q?=EAses_de_Formoso=2E_=28_do_Armaz=E9m_da_Mem=F3ria?= =?iso-8859-1?q?=29?= Message-ID: <5C6F2EC5B7F740FB8C0ED532449A4D70@vcaixe> Carta O Berro.....................................................repassem Filmes da nossa história. Entre eles veja a luta de José Porfírio e dos camponêses de Formoso. Para acessar os filmes : http://videotecavirtualbnm.blip.tv/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100508/7aa6f190/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 9 13:39:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 May 2010 12:39:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Cesare_Battisti_na_Trilha_de_Bo?= =?windows-1252?q?b_Dylan__e_um_site_de_bel=EDssimas_M=DASICAS_cons?= =?windows-1252?q?agradas=2C_progressistas_e_revolucion=E1rias=2E__?= =?windows-1252?q?_________________HOJE_=C9_DOMINGO!__________Se_n?= =?windows-1252?q?=E3o_assinou=2C_aproveite=3Aassine=2E?= Message-ID: Carta O Berro...............................................................repassem Cesare Battisti na Trilha de Bob Dylan Carlos Alberto Lungarzo Anistia Internacional (USA) ? 2152711 A música é a forma mais instintiva e espontânea de expressão em muitos seres vivos, desde os pássaros até os humanos. Quando (por causa daquilo que alguns cientistas chamaram ?erro evolutivo?) a humanidade começou a instrumentar a violência e a crueldade, apareceram também, junto com as canções que louvavam o amor e a vida mansa, as marchas militares e os hinos que, atribuindo-se caráter sagrado, louvavam tiranos e guerreiros. Esse processo fez parte do aspecto negativo da existência humana, e aconteceu em todas as ordens da vida. Ao mesmo tempo em que a descoberta do ferro permitiu fabricar arados, os artesãos militares começaram a construir novas espadas, mais poderosas que as de bronze. Mas, o papel da música ao serviço do amor e a solidariedade acabou brilhando e, apesar de ser combatido com sanha, também ganhou grandes espaços. É verdade que grande parte da música da Idade Média esteve ao serviço do ódio. Os troubadours e trouvères na França cantaram as glórias dos cavalheiros e os massacres de cátaros. Mas, também eles louvaram algo que entendiam como amor (o ?amor? platônico). Na Alemanha, que ainda conservava traços fortes de seu passado pagão, os Minnesänge eram também canções de amor platônico, cujos autores já não cultuavam o belicismo. A música progressista e revolucionária é mais velha do que parece. Ela começa a tornar-se conhecida quando as classes não dominantes ganham um pequeno espaço na vida ocidental, depois da Revolução Francesa. Mas, já o mesmo Mozart foi um ?alternativo? em algum sentido, ao compor músicas alegres e misteriosas, que contrastavam com o misticismo estático e desumanizado da polifonia renascentista e do próprio Bach. Com Beethoven já a música entra plenamente em sua fase humana, tanto em sua veneração da felicidade (e, portanto, em sua oposição à morte) como em sua exaltação das figuras altruístas e generosas. O opus 84 de 1809, a maravilhosa abertura dedicada ao Conde Egmont, é realmente a homenagem a um rebelde antiimperialista que se torna prisioneiro dos espanhóis e paga com a sua vida a luta pela liberdade do povo flamengo. Nos séculos 19 e 20, os escravos, os mais brutalmente oprimidos da sociedade, aliviam suas dores e cantam seus pesares através de gêneros africanos. É verdade que alguns desses estilos são conformistas, como os negro spirituals, mas servem também para a comunicação universal entre as diversas tribos arrancadas da África. A amálgama de tudo isso vai criando os blues, o jazz e influi de maneira indireta na bossa nova. Aliás, a alegria também e revolucionária. O século 20 é rico em música progressista. Desde os ritmos guerrilheiros dos bolchevistas, passando pelas canções revolucionárias mexicanas e espanholas e pela incitação à luta dos camponeses colombianos, chegamos ao louvor da revolta dos mineiros do Chile, e aos versos cheios de paixão e indignação de Violeta Parra, que marcaram de maneira indelével várias gerações. Não podemos olvidar, já que falamos de nosso preso político italiano, o comovente Bella Ciao dos combatentes antifascistas, cujo triunfo, lamentavelmente, no foi completo, e as canções dos Partidos Comunistas que viviam tempos melhores que os da Guerra Fria. Por sinal, para lembrar que Itália produziu seres bem diferentes de d?Alema, de Fassino e de Napolitano, escutemos uma versão desta deliciosa composição: clique www.chambre-claire.com/PAROLES/Bella-Ciao.htm Una mattina mi son svegliata O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao Una mattina mi son svegliata Eo ho trovato l'invasor O partigiano porta mi via O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao O partigiano porta mi via Che mi sento di morir E se io muoio da partigiano O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao E se io muoio da partigiano Tu mi devi seppellir Mi seppellirai lassu in montagna O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao Mi seppellirai lassu in montagna Sotto l'ombra di un bel fior Cosi le genti che passeranno O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao Cosi le genti che passeranno Mi diranno che bel fior E questo é il fiore del partigiano O bella ciao, o bella ciao, o bella ciao ciao ciao E questo é il fiore del partigiano Morto per la libertà Do lado desenvolvido do planeta, ninguém poderá esquecer Let it Be e, sobre tudo, Imagine, a mais emocionante epopéia humanista contra a credulidade e o militarismo: ?nada pelo qual morrer ou matar?. A Guerra de Vietnam nos aproxima aos dias de hoje, com Joan Baez e Bob Dylan. Foi justamente Dylan que compôs uma ode a Joe Hill, o revolucionário sueco que mais se parece a Cesare Battisti, mais que os outros casos com os quais é comparado (Olga Benário, Sacco, Vanzetti, Dreyfus). Agora, é a vez de uma música em homenagem às vítimas da persecução internacional e da extradição. Antonello Parisi, um exilado italiano do qual conheço apenas algumas linhas de e-mail e duas músicas, é amigo de Cesare Battisti, e juntos compuseram algumas baladas: Escute as duas que Antonello colocou no Facebook. www.facebook.com/pages/LExtraditando/123944414285359 -- Se não assinou, aproveite:assine. http://www.petitiononline.com/btstlng/petition.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100509/9c5dfa7a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100509/9c5dfa7a/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 9 13:39:16 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 9 May 2010 12:39:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Contrarrevolu=E7=E3o_jur=EDdica_e?= =?iso-8859-1?q?_quilombos?= Message-ID: <422C9C2F173540C7ACEEC8F651B770FD@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem Contrarrevolução jurídica e quilombos Publicado 07/05/2010 Em dezembro do ano passado, Boaventura de Sousa Santos salientava que estava em curso, em vários países latino-americanos, um processo que denominou "contrarrevolução jurídica", ou seja, uma forma de ativismo judiciário conservador "que consiste em neutralizar, por via judicial, muito dos avanços democráticos que foram conquistados ao longo das duas últimas décadas pela via política"1 Não como um movimento concertado, nem como conspiração, mas como entendimento tácito entre elites, criado a partir de decisões judiciais concretas. Dava como sinais de tal situação alguns temas tratados pelo judiciário brasileiro: a) ações afirmativas no acesso à educação de negros e índios; b) terras indígenas e quilombolas; c) criminalização do MST; anistia para torturadores na ditadura. O leque de temas tinha em comum o fato de "referirem-se a conflitos individuais diretamente vinculados a conflitos coletivos sobre distribuição de poder e de recursos na sociedade, sobre concepções de democracia e visões de país e de identidade nacional". Recentemente, por 7 a 2, o STF entendeu que "crimes conexos" aos "crimes políticos" e, pois, abrangidos também pela anistia, eram todos os tipos de crime, em ação ajuizada pela OAB e que foi sempre denominada, pelos meios de comunicação, de "revisão" da lei de anistia e não de "interpretação conforme a Constituição" de uma lei que, tal como a de imprensa, também fora fruto da ditadura e com evidente intento de "auto anistia". Na ocasião anterior, o "ranço ditatorial" era suficiente para macular, "in totum", a lei; aqui, a sociedade- ainda em plena ditadura- tinha optado pela "concórdia" e pelo não-uso das "mesmas armas" dos inimigos. Em ocasião anterior, o mesmo STF já estabelecera 19 "condicionantes"- e a expressão não foi sequer atenuada, mas sempre destacada- para o exercício dos direitos indígenas em conformidade com a Constituição. Em ação "inter partes" e sem qualquer caráter vinculante, fixaram-se condições a serem seguidas para todas as demarcações indígenas em curso. Em dezembro do ano passado, o Min. Gilmar Mendes suspendeu inúmeras demarcações, inclusive envolvendo territórios guarani-kaiowá, com os argumentos naquela ação utilizados. Tomando como parâmetro para julgamento a realidade amazônica que entendia ser nacional, ignorou as condições específicas de índios do Nordeste ( os índios "misturados" ou falsos índios, da revista Veja), os próprios guarani ( que sempre foram tidos como nômades, sendo desnecessárias as demarcações) e mesmo os índios das cidades, que ficariam num "limbo jurídico". Agora, encontra-se em andamento um terceiro "round": o julgamento da ADIN 3239, envolvendo a constitucionalidade do Decreto nº 4.887/2003, de relatoria do Ministro Cezar Peluso que, apesar de ser Presidente, permaneceu no processo porque lançou relatório no último dia 16 de abril, antes de sua posse. Neste caso, inúmeras questões estão postas em discussão. 1. Como, tradicionalmente, as outras minorias étnico-culturais utilizam, em parte, o estatuto indígena como parâmetro para viabilizar suas lutas, estaria o STF também para este caso, as mesmas condicionantes que já o fez em Raposa Serra do Sol? Desconheceria, mais uma vez, a própria diversidade de situações, tanto históricas, quanto regionais, de que são exemplos as terras herdadas por testamento, as "terras de índios", "terras de santa", "terras de preto"? 2. A regulamentação, pelo referido decreto, tem sido defendida, pelo INCRA, com suporte na Convenção nº 169-OIT. O Decreto nº 4.887, contudo, não a menciona, embora seja explícito que os conceitos de auto-definição, de territorialidade, de reconhecimento dos direitos advenham tanto do tratado internacional, como do art. 68 do ADCT. Reconhecer-se-ia, neste caso, como já o fez o STF para a prisão do depositário fiel, o caráter supra-legal da referida convenção, de forma que a regulamentação adviria diretamente dela, paralisando qualquer efeito legislativo em sentido contrário? Em realidade, a discussão do caráter supra-legal ou constitucional dos tratados internacionais, até o presente momento, somente envolveu direitos individuais, nunca direitos econômicos, sociais e culturais. Continuaria o Judiciário a defender a indivisibilidade dos direitos fundamentais e a máxima eficácia dos direitos fundamentais? 3. Tanto em Raposa Serra do Sol, quanto em outros julgamentos, o STF tem sido acusado de "ativismo judicial", muitas vezes disciplinando relações jurídicas, à falta de normatização do legislador. Uma eventual inconstitucionalidade implicaria o não-reconhecimento das situações já consolidadas pelo tempo? Implicaria uma revisão, em caso de parcial procedência, de toda a política pública realizada pelos governos federal e estaduais, ainda que em passos visivelmente lentos, para todo o tempo que existem as regulamentações? O STF se arvoraria, novamente, a estabelecer parâmetros que entenda pertinentes para o caso, fixando políticas públicas ou mesmo impedindo sua realização? 4. Parte dos meios de comunicação tem fixado pautas em que se acusam os antropólogos de "oportunistas" e as comunidades de "falsas" - ou seja, não seriam verdadeiros quilombolas: tratar-se-ia de um grupo de "pretensos"- supostos quilombolas descendentes de supostos escravos. Supõe, em realidade, que terras "fora do comércio", ou seja, quilombolas, indígenas, reservas extrativistas, de populações tradicionais seriam "improdutivas", ou seja, típica terra "não é nem nunca será explorada". O julgamento reconhecerá a diversidade de formas de propriedade, conforme a própria Corte Interamericana já o fez, em especial no caso Saramaka vs. Surinam, com apoio na Convenção Americana de Direitos Humanos, aliás, o mesmo "Pacto de San Jose", que o STF utilizou para a questão do depositário infiel? O STF passaria a utilizar os julgamentos das cortes internacionais, que, inclusive, já salientaria que a responsabilidade internacional dos países pode advir da ação ou omissão de qualquer de seus Poderes?2 Reconheceria que o Poder Judiciário deve ter em conta não somente o tratado, mas também a interpretação que dele tem feito a Corte Interamericana? 3 5. No julgamento Raposa Serra do Sol, o etnocentrismo ficou evidente: alguns votos se referiram a "silvícolas", em necessidade de "aculturação" e mesmo de não serem condenados os indígenas a não terem direito a "entrarem na civilização". Apesar do reconhecimento, pela Constituição de 1988, da diversidade étnico-racial e dos diversos grupos formadores da cultura nacional, o STF continua a utilizar uma visão estática de "cultura" e de "tradição", de forma a querer entender, tal como alguns meios de comunicação, que "legítimas" somente seriam as comunidades que permanecerem "idênticas" e "inalteradas" desde 1888? Permaneceria a visão eurocentrada e redutora da diversidade epistêmica do mundo, de forma a que somente os "civilizados" seriam passíveis de mudança, transformada, ficando os "remanescentes" ( aqui, das comunidades quilombolas) condenados ao processo de "frigorificação", "ossificação"? Até que ponto serão incorporadas, em julgamento, as visões constitucionais de "patrimônio cultural", em sentido material e imaterial? Até que momento boa parte das conquistas jurídicas constitucionais vão continuar a ser lidas pela lente da legislação e do ordenamento jurídico anterior e não a partir das novas questões postas pelo constituinte de 1988? Não são poucas as questões que estão em jogo. Os sinais, contudo, da "contrarrevolução jurídica" que Boaventura Santos destacou, são, por enquanto, muito preocupantes para as nossas lutas por demo-diversidade, sócio-diversidade, biodiversidade e por justiça cognitiva e social. César Augusto Baldi http://etnico.wordpress.com/2010/05/07/contrarrevolucao-juridica-e-quilombos/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100509/bee2f636/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 10 21:01:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 May 2010 20:01:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Mesa_Redonda_e_Lan=E7amento_do_l?= =?iso-8859-1?q?ivro__=22Luta=2C_substantivo_feminino=22_-com_a_par?= =?iso-8859-1?q?ticipa=E7=E3o_do_Ministro_Paulo_Vannuchi_-_dia_13_d?= =?iso-8859-1?q?e_maio_-_18=2C30_h_-_na_Universidade_Federal_do_Rio?= =?iso-8859-1?q?_de_Janeiro?= Message-ID: <0BDFE8CCD3D74C03AE3F565506A35CFF@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100510/20da1524/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 60753 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100510/20da1524/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 10 21:01:20 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 10 May 2010 20:01:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__VAMOS_CONSTRUIR_UM_BRASIL_SEM_TO?= =?iso-8859-1?q?RTURA=2E_dia_18_de_maio_=E0s_14=2C30__no_p=E1teo_do?= =?iso-8859-1?q?_col=E9gio_-_SP?= Message-ID: Carta O Berro............................................................................repassem ATO PÚBLICO CONTRA A ANISTIA AOS TORTURADORES NOS DIAS 20 E 21 DE MAIO A OEA REALIZARÁ AUDIÊNCIA PARA JULGAR O CASO DOS DESAPARECIDOS DA GUERRILHA DO ARAGUAIA E IRÁ SE POSICIONAR TAMBÉM SOBRE A IMPUNIDADE DOS AGENTES PÚBLICOS QUE SEQUESTRARAM, TORTURARAM, ESTUPRARAM, ASSASSINARAM E DESAPARECERAM COM OS OPOSITORES DO REGIME MILITAR, HOJE BENEFICIADOS PELA LEI DE AUTO-ANISTIA. O STF DEIXOU IMPUNES OS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR 1964-1985. PATEO DO COLÉGIO DIA 18/05/2010 ÀS 14:30 HORAS PRÓXIMO À ESTAÇÃO SÉ DO METRO O Comite Contra a Anistia aos Torturadores convida as entidades a manifestar-se no ATO PÚBLICO que ocorrerá dia 18/05/2010 às 14:30hs no Pateo do Colégio, próximo à estação Sé do Metro. (Veja abaixo) Solicitamos que: 1- Confirme presença de sua entidade e convide outras a aderirem ao ATO PÚBLICO. Para organizarmos as falas do ato público, indique a pessoa que fará uso da palavra através do email: comiteadpf153 at gmail.com 2- Participe da divulgação do Ato Público imprimindo, multiplicando e colocando o cartaz anexo em locais de acesso público, nas entidades, escolas, faculdades, sindicatos, ongs e etc... 3- No dia do Ato Público envie para a imprensa uma nota pública de sua entidade sobre a posição do STF e a necessidade do Brasil respeitar os tratados internacionais de direitos humanos, promovendo a responsabilização dos torturadores (com cópia para o email acima). 4- Informe os membros de sua entidade e parceiros, enviando por email ao seu mailing esta carta e o cartaz anexo , solicitando que ajudem na divulgação e se façam presentes. 5- Colabore na divulgação do Ato Público junto à imprensa. A decisão do STF a favor da impunidade foi muito ruim para o Brasil, representando um enorme retrocesso na política de direitos humanos. É uma sinalização para o aprofundamento e banalização da tortura hoje e vai na contramão do caminho adotado pelos países que sofreram as mesmas brutalidades e hoje estão punindo seus torturadores. Assim nos manifestarmos antes da audiência da OEA que ocorrerá nos dias 20 e 21/05 é fundamental para que fique explicitada o descontentamento da sociedade frente a decisão equivocada realizada pelo STF no julgamento da ADPF-153. Este ato público faz parte de um conjunto de ações que ocorrerá entre os dias 18 e 21/05 em vários estados do Brasil e esperamos um posiciosamento firme da OEA, para que o Brasil mude sua posição, promovendo a responsabilização dos torturadores, a abertura dos arquivos militares, a localização dos corpos dos desaparecidos políticos e uma mudança na forma de pensar e agir das forças de segurança que hoje atuam nos estados e municípios, buscando uma maior sintonia com as praticas de direitos humanos, o respeito à cidadania e pelo fim da tortura no Brasil. A realização da justiça depende de um posicionamento público de todos e todas. No aguardo de um posicionamento de sua entidade sobre os pontos acima. Atenciosamente; Marcelo Zelic Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Coordenador do Projeto Armazém Memória (11) 3052-2141 (11) 9206-9284 www.armazemmemoria.com.br mzelic at uol.com.br MANIFESTE-SE CONTRA A IMPUNIDADE DE ONTEM E DE HOJE a.. PELA APURAÇÃO DAS TORTURAS E ASSASSINATOS DO PERÍODO DA DITADURA MILITAR. b.. PELO CUMPRIMENTO DOS TRATADOS INTERNACIONAIS SOBRE DIREITOS HUMANOS. c.. PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DOS CENTROS DE INTELIGÊNCIA MILITARES. d.. PELO DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE COM JUSTIÇA. e.. PELA MUDANÇA DE CONDUTA DAS FORÇAS DE SEGURANÇA PÚBLICA DE HOJE E O FIM DA VIOLÊNCIA, PERSEGUIÇÃO E TORTURA CONTRA A POPULAÇÃO POBRE BRASILEIRA. f.. PELA DESCRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS. C O M P A R E Ç A TRAGA SUA VELA PELOS MORTOS E DESAPARECIDOS COMITE CONTRA A ANISTIA AOS TORTURADORES -------------------------------------------------------------------------------- ATITUDES PELA AFIRMAÇÃO DA CIDADANIA: REPASSE AO SEU MAILING: UTILIZANDO O BOTÃO ENCAMINHAR PARA. IMPRIMA ESTE EMAIL E DIVULGUE O ATO EM ESCOLAS, FACULDADES, SINDICATOS, ONGS E ETC... RESERVE O DIA 18/05 À TARDE, COMPAREÇA AO PATEO DO COLÉGIO E ACENDA SUA VELA CONTRA A IMPUNIDADE. CONTAMOS COM A PRESENÇA E COLABORAÇÃO DE TODOS E TODAS. VAMOS CONSTRUIR UM BRASIL SEM TORTURA. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100510/da74ef6f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 11 11:30:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 May 2010 10:30:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_III_SEMIN=C1RIO=2C_da_RA=C7A_NEGR?= =?iso-8859-1?q?A-_no_dia_12_DE_MAIO_DE_2010=2C_no_Anfiteatro_exter?= =?iso-8859-1?q?no_=22A=22_da_UFTM_=E0_Rua_Frei_Paulino_S/N=2C_Bair?= =?iso-8859-1?q?ro_Abadia_-_Uberaba_-MG?= Message-ID: <553E44A6E9E84F4B883588C911D535D3@vcaixe> Carta O Berro...................................................repassem O SINTE-MED (Sindicato dos trabalhadores técnico-Administrativo em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Município de Uberaba), através da coordenação Racismo, Preconceito e Gênero, convida V.Sª para o III SEMINÁRIO, da RAÇA NEGRA com o tema "COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS COMO REPARAÇÃO AOS DANOS CAUSADOS AOS AFRODECENDENTES ESCRAVISADOS NO BRASIL". O evento acontecerá no dia 12 DE MAIO DE 2010, no Anfiteatro externo "A" da UFTM à Rua Frei Paulino S/N, Bairro Abadia - Uberaba -MG PROGRAMAÇÃO 18H30' - CREDENCIAMENTO 19H00' - ABERTURA 19H15'- MOMENTO CULTURAL 19H30' - AÇÕES AFIRMATIVAS E COTAS PALESTRANTE: Profª Luciene Lacerda Mestra em saúde coletiva do ISC/UFRJ Doutoranda em Saúde Coletiva da UFRJ Psicóloga da UFRJ 20h30' - DEBATE 21h30' - ENCERRAMENTO 22h00' - CONFRATERNIZAÇÃO Sua presença será muito importante! Atenciosamente, MARIA ANTONIA DA SILVA SIMEIA APARECIDA FREITAS COORDENAÇÃO RACISMO, PRECONCEITO E GÊNERO -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100511/d7909b1f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 11 20:34:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 May 2010 19:34:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Torturadores_da_ditadura_milita?= =?windows-1252?q?r_est=E3o_impunes=2E_O__monitoramento_de_organiza?= =?windows-1252?q?=E7=F5es_e_ativistas_sociais_continua_e_v=E1rios_?= =?windows-1252?q?torturadores_est=E3o_na_ativa=2C_desempenhando_fu?= =?windows-1252?q?n=E7=F5es_na_administra=E7=E3o_=2E?= Message-ID: <6144F6628969481AA027ACD1A8BD2EAD@vcaixe> Carta O Berro.................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Lucia Rodrigues Torturadores da ditadura estão impunes Vários integrantes dos órgãos de repressão da ditadura militar (1964-1985) ocupam cargos públicos atualmente Por Lúcia Rodrigues O aparato repressivo dos tempos da ditadura militar continua praticamente intacto no Brasil. Nenhum torturador foi punido, os arquivos dos porões do regime não foram abertos, o monitoramento de organizações e ativistas sociais continua e vários torturadores estão na ativa, desempenhando funções na administração pública ligadas à área da segurança pública. No Ceará, o ex-delegado da Polícia Federal, José Armando da Costa, é o corregedor dos Órgãos de Segurança Pública do Estado. Ele é acusado de torturar presos políticos durante os anos de chumbo. Entre as atribuições do cargo que exerce atualmente está, por exemplo, a responsabilidade pela fiscalização dos casos de tortura praticados pelos policiais cearenses. Procurado pela reportagem da Caros Amigos, Costa não quis comentar a acusação. Por intermédio de seu chefe de gabinete, o major Juarez, disse que só se manifestaria se a reportagem comparecesse pessoalmente à Corregedoria no Ceará. O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abraão, revela que o órgão denunciou Costa na Assembleia Legislativa do Ceará, ano passado, quando a Caravana da Anistia esteve no Estado. ?Fizemos uma solicitação à Segurança Pública para que houvesse o seu desligamento do cargo.? A Associação 64-68 de Anistia, entidade de defesa dos direitos humanos, também denunciou o ex-delegado da Polícia Federal pelo crime de tortura, mas ele continua no cargo. Mário Albuquerque, presidente da associação, conta que reencontrou Costa, em 2007, durante um evento na Federação das Indústrias do Ceará. ?Tomei um susto, mas quando a atividade terminou fui conversar com ele. Perguntei se ele tinha trabalhado na Polícia Federal do Ceará e ele desconversou: ?Isso é coisa do passado?. Eu disse que fora preso político e ele empalideceu.? Em 1977, Albuquerque ficou pendurado em uma grade nas dependências da Polícia Federal do Ceará, das 9h às 16h, na posição de Cristo Redentor. ?Me tiraram dali e me levaram para ser interrogado por ele. O José Armando disse que se eu não falasse me mandava para a tortura novamente. Na época, o atual corregedor era delegado da Polícia Federal. Vários presos políticos ainda têm receio de conversar sobre o assunto. ?Levei 20 anos para conseguir falar sobre isso?, revela o engenheiro Júlio Lima, uma das vítimas de Costa. Preso em 1973, quando trabalhava no Banco do Nordeste, o ativista do PC do B foi torturado pessoalmente pelo atual corregedor dos Órgãos de Segurança Pública do Ceará. ?Eu estava de capuz, mas ouvia a voz dele. Até hoje, eu tenho essa voz na cabeça. O José Armando comandava a tortura. Era o comandante?, enfatiza. ?Ele era tão brutal, que às vezes estava dando porrada na gente, parava o interrogatório e ligava para a esposa para dizer que estava fazendo um extra e que ia comer uma pizza.? Em 2000, Lima reencontrou seu torturador em um restaurante. ?Me senti mal, mas mais tranquilo?, recorda. As denúncias de ex-presos políticos, da associação de direitos humanos e da própria Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, contra Costa não sensibilizaram o Secretário da Segurança Pública do Ceará, Roberto Monteiro, que decidiu mantê-lo no cargo. ?Pediram a sua exoneração, mas eu não exonerei. Não há nenhuma evidência de que seja um torturador da ditadura?, frisa. O secretário elenca algumas razões para embasar sua decisão. ?Nessa época ainda não existia a Lei da Tortura. Não existia o crime de tortura. Se eu colocasse alguém no pau de arara, responderia por lesão corporal.? Ele destaca também que a Lei de Anistia vigente indultou os ex-torturadores. ?A anistia atingiu os dois lados, quem praticou sequestros, roubos, mortes e quem perseguiu esses esquerdistas.? Para Monteiro, como a Lei de Tortura é de 1995, não dá para retroagir no tempo e condenar o ex-delegado pela prática do crime. ?Não posso me valer dessa lei para um fato que ocorreu nos anos 70.? Além disso, ele destaca que ?toda a pessoa tem direito ao devido processo legal, onde haja a devida defesa, direito ao contraditório e advogado?. ?A senhora já pensou em dar ao doutor Armando o benefício da dúvida?, questiona Monteiro à reportagem da Caros Amigos. ?Eu não digo que o doutor Armando foi um torturador, no máximo foi conivente com os fatos?, conclui o secretário de Segurança Pública. Impunidade A não punição dos torturadores é inaceitável para o presidente Paulo Abraão. ?Nós lidamos na Comissão de Anistia com os relatos dos crimes que foram cometidos. O sentimento é de um acúmulo de injustiça histórica.? Desde 2001, a Comissão já apreciou 55 mil pedidos de reparação às vítimas da ditadura militar, 30 mil foram deferidos. A sensação de impunidade e desdém em relação aos direitos humanos também pode ser identificada no Estado de São Paulo, onde ex-torturadores também atuam diretamente na área da segurança pública. O torturador da Operação Bandeirantes (Oban) e do Destacamento de Operações de Informações ? Centro de Operações de Defesa Interna (DOICodi) Aparecido Laertes Calandra, acaba de ter a aposentadoria publicada no Diário Oficial do dia 13 de março. Antes disso, em 1 de janeiro de 2010, foi promovido a delegado de 1ª classe. O capitão Ubirajara, como era conhecido nos porões do regime, ganhou projeção quando o governador tucano Geraldo Alckmin o nomeou, em 2003, para a chefia do Departamento de Inteligência da Polícia Civil paulista, órgão responsável, por exemplo, pelo serviço de escutas telefônicas. A contragosto Alckmin teve de recuar na decisão por pressão das entidades de direitos humanos e de ex-presos políticos torturados pelo policial. Antes de revogar a nomeação, Alckmin chegou a declarar, no entanto, que não via nada que desabonasse a permanência de Calandra no cargo. O ex-torturador do DOI-Codi se aposentou na Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Administração e Planejamento da Polícia Civil de São Paulo. O deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) é uma de suas vítimas. Ele ficou preso por 90 dias no DOI-Codi paulista. ?O Calandra era um dos torturadores mais ativos. Me colocou no pau de arara, deu choques elétricos, chutes... Era um cara super-agressivo, terrível, terrível. Era chefe de equipe.? Diogo afirma ter receio da permanência de ex-torturadores em órgãos de segurança pública. ?Vejo com muito medo. Esses caras são perigosos. Minha tese é de que o aparato repressivo não foi desmontado, está intacto. A tortura continua sendo um método consagrado para a obtenção de informações.? Ele também passou por um constrangimento na Assembleia Legislativa de São Paulo, em 2007, quando exibiu o filme do cineasta Sérgio Rezende, Lamarca, que retrata a trajetória do comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e ex-capitão do exército Carlos Lamarca. Segundo o deputado, vários militares da ?velha guarda? compareceram ao evento e fizeram provocações. ?Tinha um grupo de coronéis que nos ameaçou, foi barra pesada. Perguntavam por que estávamos exibindo o filme ?sobre aquele canalha traidor?. Criticaram as pessoas do PT que tinham sido presas, chamaram de terroristas...? Ariston Lucena, filho do ativista da VPR, Antônio Raymundo de Lucena, estava na mesa de debates do evento e também sofreu provocações da plateia. ?Fiquei espantado com o tom provocativo. Era gente ligada ao esquema da repressão. Me senti intimidado.? Ariston ficou preso por nove anos. Assim como o pai, ele também pertencia ao grupo político de Lamarca. ?A ação de Quitaúna (expropriação das armas do Exército feita pelo capitão) foi planejada na casa dos meus pais?, revela. Repressão Carlos Alberto Augusto, o Carlinhos Metralha, é delegado plantonista do Departamento de Investigações do Crime Organizado do Deic. Nos anos 70, integrou a equipe do delegado-torturador Sérgio Paranhos Fleury, no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Hoje, é um dos protetores do Cabo Anselmo, militar que agia infiltrado em organizações de esquerda durante a ditadura. Anselmo entregou a própria companheira, Soledad Barret, para a morte. A paraguaia estava grávida dele quando foi assassinada junto com vários militantes da VPR, em Recife, pelas forças da repressão, após terem sidos delatados por Anselmo. Foi de Metralha também o convite espalhado pela internet, em maio do ano passado, para o comparecimento à missa de 30 anos da morte de Fleury, que aconteceu na zona oeste da capital paulista. Mais discreto, mas não menos truculento, Dirceu Gravina ou JC, como era conhecido nos porões em alusão a Jesus Cristo (usava cabelos compridos na época), acabou descoberto depois de ter aparecido na mídia em função de um caso que sua delegacia estava investigando. Hoje, está lotado na sede do Departamento de Polícia do interior 8, em Presidente Prudente, região oeste do Estado. O delegado também foi promovido em 01 de janeiro de 2010. Calandra, Gravina e Augusto foram procurados pela reportagem da Caros Amigos, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Os dois primeiros não quiseram se pronunciar, Augusto não foi localizado, porque estava de férias. O Secretário da Segurança de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, também não se pronunciou sobre os três casos. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que ele não falaria porque os policiais não ocupam cargos de chefia e a Lei de Anistia permite que eles permaneçam nas funções. A Delegacia Geral de Polícia de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que nenhum procedimento administrativo disciplinar culminou na aplicação para a pena de demissão dos delegados. Para o jurista Hélio Bicudo, a Lei de Anistia tem sido interpretada de maneira oportunista para abranger vítimas e algozes. ?Basta uma leitura com alguma atenção para perceber que não é uma lei de duas mãos. A lei abrange apenas os adversários do regime, que foram punidos, cumpriram penas de vários anos. Agora é a vez dos torturadores.? Segundo Bicudo, a tortura é crime contra a humanidade e, portanto, imprescritível. ?Infelizmente, nossos tribunais têm falhado, os torturadores não cometeram crimes políticos. Dizem que a lei buscou a paz. Mas a paz sem justiça não existe. Enquanto não se fizer justiça, esse clamor vai continuar. Esse clamor passa pela punição dos torturadores?, frisa o jurista. O procurador da República, Marlon Weichert, também considera inadmissível que torturadores exerçam funções públicas. O Ministério Público Federal de São Paulo move ação contra os agentes envolvidos na morte do operário Manoel Fiel Filho, assassinado sob tortura, em 1976, no DOI-Codi paulista. Infiltração O serviço de infiltração de agentes policiais em movimentos sociais continua a todo vapor. A prática é reconhecida, inclusive, pelo chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Wilson Roberto Trezza. Ele afirmou em outubro do ano passado, que o MST é monitorado por agentes do órgão. A Abin é a herdeira do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de monitoramento da ditadura militar. Os arapongas que espionavam as lideranças consideradas subversivas pelo regime verde-oliva continuam abrigados na estrutura da nova agência de inteligência. Recentemente a polícia prendeu três ativistas do MST em Santa Catarina em função desse tipo de infiltração. A ação militar foi preventiva, nenhuma propriedade havia sido ocupada, mas com base nos dados repassados pelos agentes prenderam esses militantes. ?O aparato de inteligência ainda é da época da ditadura militar, treinado pelos americanos que vêem os movimentos sociais como inimigos internos?, critica o dirigente nacional do MST, João Pedro Stedile. Não é só o MST que é vigiado. A prática da espionagem política permeia as forças policiais, apesar de a ditadura militar ter terminado há mais de um quarto de século. O serviço reservado das polícias continua atuando para identificar as lideranças de movimentos sociais. Os P2, como são conhecidos os infiltrados da PM, acompanham até manifestações acadêmicas, que reivindicam a queda de reitor. Foi o que aconteceu na Fundação Santo André, faculdade do ABC paulista, em outubro de 2007. ?Além da infiltração de dois espiões no nosso movimento que queria derrubar o reitor Odair Bermelho, também sofremos a invasão da Tropa de Choque da PM duas vezes em um mês. Isso configura que o aparato repressivo herdado da ditadura militar está preservado?, afirma a professora e coordenadora do curso de Ciências Sociais da Fundação, Lívia Cotrim. O sindicato dos Bancários de São Paulo também conhece de perto a prática de infiltração. Segundo o presidente da entidade, Luiz Cláudio Marcolino, os infiltrados são vistos em períodos de greve. ?Geralmente andam em dupla, ficam na rua próximos às agências. Na Quadra não entram, porque controlamos o acesso exigindo apresentação do crachá.? O Sindicato também teve acesso a uma informação inédita. O texto de um e-mail enviado pela Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) para seus dirigentes, convidava para uma reunião com a PM no dia 11 de setembro de 2009, na sede do Comando do Policiamento da Capital, localizado na rua Ribeiro de Lima, 140, na Luz. Na pauta, o planejamento de ações conjuntas diante dos movimentos grevistas em andamento no mês. Detalhe: o Sindicato dos Bancários ainda não havia deflagrado greve e estava na mesa de negociação com os dirigentes da Fenaban, o braço da Febraban para a negociação de acordos. A assessoria de imprensa da PM confirmou que a reunião ocorreu. ?Foi recebida da mesma forma que são recebidos diversos segmentos da sociedade?. A PM também confirmou que a Febraban solicitou um canal de comunicação especial, mas que a instituição negou. Perito do laudo falso de Fiel Filho está na ativa Ação do Ministério Público Federal quer que agentes envolvidos no assassinato do operário sejam declarados judicialmente responsáveis por violações de direitos humanos Por Lúcia Rodrigues Não são só os torturadores do passado que continuam na ativa. Ernesto Eleutério, perito criminal que lavrou o falso laudo da morte do operário Manoel Fiel Filho declarando que o trabalhador cometera suicídio, também está na ativa. Eleutério é assistente técnico da Diretoria do Instituto de Criminalística de São Paulo, comandada por Carlos do Vale Fontinhas. Desde 2005, o perito cobre férias e licenças dos funcionários do órgão. A reportagem da Caros Amigos entrou em contato com Eleutério, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, mas ele não quis se pronunciar sobre o caso. Fiel Filho foi assassinado sob tortura nas dependências do Departamento de Operações de Informações ? Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no dia 17 de janeiro de 1976, um dia após ter sido preso na fábrica onde trabalhava. O operário pertencia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o mesmo partido do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, também assassinado sob tortura no DOICodi paulista, em 25 de outubro de 1975. O assassinato de Fiel Filho foi a última morte praticada contra presos políticos na sede do DOI-Codi paulista, localizado na rua Tomás Carvalhal, 1.030, nos fundos da 36ª Delegacia de Polícia. O centro de tortura mais temido pelos ativistas políticos da época funcionava ironicamente no bairro do Paraíso. Mas os agentes do DOI-Codi ainda fariam mais três vítimas fatais fora dos porões do regime. Em 16 dezembro de 1976, 11 meses após a morte de Fiel Filho, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Baptista Franco Drummond, membros do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PC do B) seriam assassinados pelos militares do II Exército, quando participavam de uma reunião do partido em uma casa na Lapa, zona oeste da capital. O episódio ficou conhecido como o Massacre da Lapa devido às características de execução no crime praticado pelos militares. A residência onde estavam reunidos os dirigentes comunistas foi metralhada, Pomar foi alvejado por aproximadamente 50 disparos. Reparação Uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, em 2009, responsabiliza os agentes envolvidos no assassinato e na ocultação da morte do operário. Eleutério se enquadra no segundo caso. O MPF paulista também quer que os envolvidos sejam condenados a ressarcir aos cofres públicos o valor pago pela União à família do trabalhador assassinado sob tortura. O Ministério Público Federal também pode estar bem perto de elucidar a morte do primeiro desaparecido político da ditadura militar, o comandante da Ação de Liberação Nacional (ALN), Virgílio Gomes da Silva. A procuradora da República, Eugênia Fávero, conseguiu identificar a quadra onde Virgílio foi enterrado no Cemitério de Vila Formosa, na zona leste de São Paulo. ?Estou otimista?, comemora. Por ser o primeiro desaparecido político do regime, Virgílio não foi enterrado na quadra destinada aos chamados ?terroristas?, explica a procuradora. ?Essa quadra foi desfigurada em 1975, as sepulturas foram destruídas, os ossos mexidos. Mas ele não está lá.? Consultando os livros da administração do cemitério, Eugênia conseguiu cruzar os dados que podem levar à identificação de Virgílio. ?Fizemos várias diligências ao cemitério e descobrimos que o número da ficha de encaminhamento do IML batia com o número da ficha que os movimentos de direitos humanos tinham levantado como sendo do Virgílio.? O comandante da ALN foi enterrado como desconhecido, mas o número da ficha de encaminhamento está lá. ?O problema é que as quadras de Vila Formosa têm quase duas mil sepulturas. O local é inequívoco, mas se o cadáver ainda está lá, não sabemos. Fizeram muitas exumações irregulares?, afirma. Ela já notificou a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria Especial de Direitos Humanos para que sejam contratados arqueólogos, geólogos, antropólogos forenses para fazer o estudo da área onde podem estar os restos mortais do ativista político. Lúcia Rodrigues é jornalista luciarodrigues at carosamigos.com.br www.carosamigos.com.br (Especial Direita Brasileira) -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100511/738dda1b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 11 20:35:03 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 11 May 2010 19:35:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Pagina 64, primeira newsletter Message-ID: Carta O Berro.................................................................repassem Companheiro Vanderley, faça o favor de recomendar este jornal que lançamos no último dia 5, na Biblioteca do Congresso Nacional, em Brasília. Abs do Sergio Caldieri ----- Mensagem encaminhada ---- De: Instituto Joao Goulart ... : : -------------------------------------------------------------------------- Acompanhe-nos: Newsletter Nº 1 Quinta-feira, 6 de maio de 2010 www.pagina64.com.br O que é a Página 64? Página 64 é um veículo de comunicação do Instituto Presidente João Goulart com o objetivo de proporcionar aos seus leitores uma maior abrangência intelectual através de notícias, entrevistas e artigos que possibilitem uma profunda reflexão no processo político nacional e Internacional. Trata-se, portanto, de um importante instrumento norteador e formador de opinião, ao alcance dos parlamentares do Brasil e do povo. + Leia mais Cultura: Participação dos leitores na Redação Página 64 O jornal Página 64 entende que este espaço deve também ser dos leitores. Sugerimos que enviem suas reflexões sobre os mais diversos temas relativos à política, economia, cultura, meio ambiente e política desportiva. Clique aqui e saiba como participar A escola que queremos e precisamos Educar para quem e para quê? Qual e a escola que queremos? Qual é o nosso projeto de nação? Longe de tentar resolver aqui questões de tamanha relevância para a sociedade brasileira, vamos tentar fazer algumas reflexões importantes. + Leia mais Mais artigos - Bem vindo ao lar, São Francisco de Borja. - O Brasil Perdeu a Guerra Fria em 1964. - O rosnar golpista do Instituto Millenium. - Brasília pede socorro. - Sarney fala sobre Tancedro e sua luta pela transição democrática. Vídeos Monitoramento feito ao Presidente João Goulart Entrevista com Christopher Goulart realizada pela RBS TV, sobre o monitoramento feito ao presidente João Goulart (Jango). Americanos tramam apoio ao Golpe de 64 A conversa entre George Ball e o presidente Lyndon Johnson sobre o apoio dos Estados Unidos ao golpe de 64, no Brasil. Pentágono defende tropas no caso de vídeo de ataque no Iraque vazado na Web O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, defendeu neste domingo (11) a atuação das tropas americanas em um incidente que terminou na morte de pelo menos 11 civis no Iraque -dois deles funcionários da agência de notícias Reuters. O vídeo do ataque de helicópteros foi vazado na Internet, provocando repercussão. - Seminário discute 10 anos da Lei de Responsabilidade Fiscal. O projeto é considerado um divisor de aguas no controle das contas no governo e no país. - Irã aceita mediação brasileira em impasse com Ocidente. - Durval Barbosa diz que mensalão desviou R$ 160 milhões. Delator afirma que José Roberto Arruda controlava suposto esquema. Entrevista com João Pedro Stédile Projeto de reforma agrária mais avançada apresentada até hoje continua sendo a do governo João Goulart. Uma reforma republicana e democrática necessária para o Brasil. Leia a entrevista completa aqui Ivan Hasslocher, o publicitário golpísta Cerca de 250 candidatos a deputado federal, 600 deputados estaduais, 8 candidatos a governadores e inúmeros candidatos ao senado receberam dinheiro do IBAD para defender interesses dos EUA. + Leia mais Barbosa Lima Sobrinho, um nacionalista que fez história Barbosa Lima Sobrinho tinha duas paixões explícitas: o Brasil e Maria José. Não necessariamente nessa ordem. Mas isso nunca foi esclarecido. D. Maria José, mulher sábia, a companheira por 68 anos do Dr.Barbosa, jamais gastou tempo discutindo essa relação. Em lugar disso, tratou de ajudar o pai dos seus quatro filhos na luta em defesa do nacionalismo, entendida como a preocupação com o povo brasileiro, a soberania sobre as nossas riquezas materiais e a independência no modo de como dispor desse patrimônio. + Leia mais Notícias - Simon lança suspeita sobre uso dos fundos de pensão em Belo Monte. - Cristovam defende auditoria nas licitações do GDF. - Tuma Jr. diz que suposto elo com máfia chinesa é "problema político". - "Onde estiver um brasileiro, vai ter um recenseador", diz Bernardo. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100511/14478a86/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 12 19:54:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 May 2010 18:54:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22A_luta_pela_aboli=E7=E3o_da_es?= =?iso-8859-1?q?cravid=E3o=22__por_Augusto_Buonicore_*?= Message-ID: <98B3F52252AA4679BB27EFE74F0FD867@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................................repassem O 13 de maio e a luta pela abolição da escravidão Augusto Buonicore * À Jacob Gorender e Clóvis Moura Desde a o início do século 19 existia uma forte pressão internacional pela abolição da escravidão nas Américas. A Grã-Bretanha, principal potência capitalista da época, passou a exigir que países como o Brasil abolissem o tráfico intercontinental de escravos. Menos por razões humanitárias e mais por razões econômicas. Nos séculos anteriores a burguesia inglesa foi a que mais se beneficiou do tráfico para a América espanhola. Este, inclusive, foi uma das bases para seu rápido processo de acumulação de capital. Mas, em 1807 a Inglaterra aboliu o tráfico nas suas colônias. Os tempos, agora, eram outros.Em 1831, por pressão inglesa, foi assinado um acordo proibindo o comércio intercontinental de escravos com o Brasil. No entanto, maior que a pressão do "imperialismo" britânico foi a pressão dos grandes comerciantes e latifundiários escravistas brasileiros, que eram forças hegemônicas no Estado Nacional nascido em 1822. A lei jamais foi aplicada e, por isto mesmo, foi ironicamente intitulada de uma lei "para inglês ver". Após a aprovação da lei cresceu o número de escravos negros introduzidos no Brasil. Isto enfureceu a principal avalista internacional de nossa independência. As coisas tenderam a se agravar após a abolição completa da escravidão nas colônias inglesas. Em 1845 o parlamento britânico aprovou uma lei, a Aberdeen, que dava à sua marinha poder para apreender navios negreiros e julgar os traficantes. Cresceu, então, um nacionalismo de conteúdo escravista. As elites conservadoras, sempre subservientes aos interesses externos, passaram a radicalizar seu discurso contra a intervenção estrangeira nos negócios internos do país. Um patriotismo bastante suspeito. As mesmas classes não se envergonhavam da contratação de mercenários estrangeiros para reprimir os movimentos insurrecionais no nordeste e nem em relação aos volumosos empréstimos externos feitos pelo governo brasileiro para pagar a nossa independência. A repressão inglesa se tornou cada vez mais violenta. Todos os navios suspeitos de tráfico eram interceptados e alguns afundados. O mar territorial passou a não ser mais respeitado. Até navios que faziam comércio de escravos interprovíncias foram atacados. Chegou-se mesmo à beira de uma guerra entre o Brasil e a Grã-Bretanha. O governo imperial e os escravistas tiveram que ceder. Chegaram à conclusão de que era preciso ceder os anéis (do tráfico) para não perder os dedos (a escravidão). Em 1850 foi aprovada a Lei Euzébio de Queirós que pôs um fim definitivo ao comércio infame. Já em meados do século 19 a abolição do tráfico era anseio de amplos setores da sociedade brasileira, especialmente das camadas médias urbanas. Antônio Carlos de Andrade defendeu a ação da marinha de guerra britânica. Mais tarde o abolicionista e estadista Joaquim Nabuco aplaudiu a coragem de Antônio Carlos, somente criticou que a ação da marinha inglesa fosse voltada apenas contra países mais fracos e não contra os Estados Unidos. Em resposta ao nacionalismo espúrio das elites escravistas se levantaria a voz de um dos maiores poetas brasileiros que, nas estrofes revolucionárias de seu poema épico O Navio Negreiro, cantou: "Existe um povo que a bandeira empresta/ Para cobrir tanta infâmia e cobardia! / E deixa-a transformar nessa festa/ Em manto impuro de bacante fria! / Meu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta, / Que impudente na gávea tripudia?! / Silêncio! (...) Musa! chora, chora tanto/ Que o pavilhão se lave no seu pranto!/ (...) Auriverde pendão de minha terra,/ Que a brisa do Brasil beija e balança,/ Estandarte que a luz do sol encerra,/ E as promessas divinas da esperança/ Tu, que da liberdade após a guerra/ Foste hasteado dos heróis na lança,/ Antes te houvesse roto na batalha,/ Que servires a um povo de mortalha!" O fim do tráfico negreiro permitiu que parte dos capitais investidos no tráfico se desviasse para outros setores da economia, especialmente para a incipiente indústria nacional. Entre os que comemoraram a medida estava o Barão de Mauá, o pai (ou avô) da burguesia industrial brasileira. Mas, esta medida era ainda insuficiente para expansão de relações de produção capitalista. Isto exigia a formação de um amplo mercado de mão-de-obra formalmente livre, que era incompatível com a predominância de relações de produção escravistas. Trinta e três anos depois da primeira lei que proibiu a entrada de escravos negros, em 1864, um decreto emancipou os africanos que aqui haviam entrado ilegalmente desde 1831. Calculava-se que ainda existissem cerca de 500 mil negros nesta situação. Os fazendeiros tudo fizeram para que essa lei também ficasse no papel. Afinal, era muito difícil para os pobres negros escravizados ilegalmente comprovarem a sua situação. Em torno destes casos se travou uma acirrada luta jurídica e política entre abolicionistas e escravistas, na qual se destacou o eminente advogado abolicionista negro Luís Gama. O movimento abolicionista adquiriu maior amplitude e ganhou amplas parcelas da população. Em relação a ele se manteve afastada a quase totalidade dos grandes fazendeiros. A luta dos abolicionistas recebeu apoio internacional. Várias mensagens e manifestos de intelectuais progressistas europeus e americanos foram endereçados ao governo e ao parlamento brasileiro. Assim, a luta adquiriu um caráter internacionalista. Acuado, o parlamento imperial aprovou, em 1871, a Lei do Ventre Livre que deu liberdade a todos os filhos de escravos nascidos a partir daquela data. O escravismo entrava na defensiva e procurava manobrar, adotando medidas protelatórias. Sabiam que a abolição era inevitável e que seria necessário adiá-la o quanto fosse possível. O próprio projeto dava aos proprietários escravistas o direito de manter o "liberto" sob sua guarda até os 21 anos de idade - ou seja, até 1891. A lei serviu para desorganizar momentaneamente o movimento abolicionista, afastando dele os elementos mais conciliadores. Apenas a ala radical do abolicionismo se manteve ativa. No início da década de 1880 a campanha ganhou novamente as ruas. Ela adquiriu maior dimensão e mudou de qualidade. O escravismo, ainda mais acuado, buscou deter a avalanche abolicionista com novas medidas protelatórias. Em 1885 o parlamento imperial aprovou a Lei do Sexagenário. Esta, libertava os escravos com mais de 60 anos, mas os obrigava a trabalhar compulsoriamente por mais três longos anos, ou seja - até o fatídico ano de 1888. Obrigava também o liberto a ficar no município em que foi libertado por cinco anos, sob ameaça de prisão. De um lado, o Estado escravista tentou manobrar com uma legislação de fundo reformista-conservador; de outro, endureceu a legislação contra os abolicionistas radicais. Ampliou a pena de prisão para os que organizassem fugas de escravos e estabeleceu uma multa entre 500 e 1.000 mil-réis aos que dessem cobertura para os escravos fugitivos. O próprio D. Pedro 2º, considerado por muitos como simpatizante da abolição, não titubeou em destituir os presidentes das províncias do Ceará e do Amazonas por terem permitido a abolição nos seus estados. Puniu também militares abolicionistas, como Sena Madureira. Os fazendeiros escravistas resistiram quanto puderam, se organizaram nos Clubes de Lavoura e passaram a formar milícias armadas para combater os abolicionistas. Jornais foram empastelados e militantes foram agredidos e mortos. A Lei do Sexagenário, considerada infame, não conteve o ímpeto dos abolicionistas. Ninguém aceitava mais as medidas protelatórias do império. A estratégia reformista parecia derrotada em 1886. Diante da ineficácia dos métodos moderados - exclusivamente jurídicos e parlamentares -, uma parte de seus membros aderiu às posições mais radicais e passou a organizar fugas de escravos. Na década de 1880 se compôs uma ampla frente abolicionista - envolvendo escravos, a pequena-burguesia urbana, a jovem burguesia industrial, o proletariado e setores da burocracia de Estado. Aumentou o número dos casos de fugas em massa de escravos, apoiados pelos abolicionistas. Estima-se que 1/3 dos 173 mil escravos tenha escapado das fazendas paulistas nos últimos anos da escravidão. A cidade de Rio Claro chegou a ficar sem nenhum escravo nas suas fazendas de café. A luta de classes, especialmente dos escravos, teve um papel fundamental para desagregação desse modo de produção arcaico. Em outubro de 1887 o escravismo sofreu um duro golpe quando o Marechal Deodoro da Fonseca, presidente do Clube Militar, solicitou que não se utilizasse o Exército na caçada de escravos fugitivos. Aumentou, assim, a cisão no aparato repressivo do Estado escravista e os senhores de escravos não podiam mais contar com o braço armado do Estado imperial. Portanto, a libertação dos escravos não ocorreu por decisão voluntária dos fazendeiros paulistas e, muito menos, foi uma dádiva da família imperial. Ela foi fruto de uma grande luta popular, que envolveu diretamente os próprios escravos. O decreto que aboliu definitivamente a escravidão foi assinado em 13 de maio de 1888. Mesmo assim, no projeto inicial, enviado pelo ministério da princesa Isabel, a abolição era acompanhada por alguns condicionantes: ressarcimento monetário aos proprietários, obrigação dos libertos de prestarem serviços compulsórios até o final da safra e de permanecerem no município por seis anos. Esta foi a última tentativa dos escravistas para adiar o inadiável. A pressão popular e a recusa dos setores liberais em aprovar o projeto daquela forma, levaram-no a ser alterado. Expressiva foi a declaração de voto do deputado escravista Lourenço de Albuquerque: "Voto pela abolição porque perdi a esperança de qualquer solução contrária; seriam baldados os esforços que empregasse; sendo assim, homenagem ao inevitável, à fatalidade dos acontecimentos." Neste sentido discordamos da opinião do eminente sociólogo Octávio Ianni que defende que a abolição teria sido uma "coisa de branco" e não teria sido "a casta dos escravos que destruiu o trabalho escravizado". Para ele a escravidão foi extinta "devido a controvérsias e antagonismo entre os brancos ou grupos e facções dominantes". Esta tese é amplamente hegemônica na historiografia e na sociologia brasileira, excluindo-se Clóvis Moura, Robert Conrad, Jacob Gorender e Décio Saes. Reformistas e radicais No interior do movimento abolicionista se chocaram duas correntes distintas: uma reformista e outra radical-revolucionária. Esta última tinha como base social as classes médias urbanas (advogados, jornalistas, médicos e pequenos funcionários públicos) e os trabalhadores livres (ferroviários, cocheiros, jangadeiros, tipógrafos, operários fabris). Articulavam uma ativa propaganda, através da imprensa, e métodos ilegais, como patrocínio de fugas de escravos. Dois expoentes deste abolicionismo radical eram Luís Carlos de Lacerda, no Rio de Janeiro, e Antônio Bento em São Paulo. Este último organizou e dirigiu o movimento dos caifazes, que ficou famoso pelas espetaculares fugas de escravos que organizou no interior paulista. O abolicionista paulista Raul Pompéia escreveu: "A humanidade só tem a felicitar-se quando um pensamento de revolta passa pelo cérebro oprimido dos rebanhos das fazendas. A idéia de insurreição indica que a natureza humana vive. Todas as violências em prol da liberdade violentamente acabrunhada devem ser saudadas como vendetas santas. A maior tristeza dos abolicionistas é que estas violências não sejam freqüentes e a conflagração não seja geral". Na mesma linha afirmou José do Patrocínio: "Contra a escravidão todos os meios são legítimos e bons. O escravo que se submete, atenta contra Deus e contra a civilização; o seu modelo, o seu mestre, o seu apóstolo deve ser Spartaco". Em geral, os radicais eram antimonarquistas e defendiam a reforma agrária. Eles estiveram à frente de várias manifestações violentas contra capitães de mato e capatazes. Por outro lado, os reformistas abominavam todas as ações que buscavam envolver o povo e particularmente ousassem mobilizar a massa escrava. Um expoente deste tipo de abolicionismo era Joaquim Nabuco. Ele afirmava: "é no parlamento, e não em fazendas ou quilombos do interior, nem nas ruas e praças das cidades, que se há de ganhar, ou perder, a causa da liberdade". O abolicionismo reformista tinha como base social os dissidentes das oligarquias rurais e altos escalões da burocracia estatal. Em geral, não articulavam a libertação da escravidão e o fim da monarquia. Joaquim Nabuco, por exemplo, sempre foi um monarquista fiel. Este setor seria fortemente reforçado pela adesão, de última hora (diria, mesmo, último minuto), dos fazendeiros paulistas à causa abolicionista. No primeiro semestre de 1887 ocorreu o auge do movimento de fugas de escravos - que atingiu o seu ápice no mês de junho -, colocando a lavoura paulista em crise. As autoridades provinciais pediram reforço militar ao governo imperial. O Barão de Cotegipe enviou um navio de guerra e um batalhão de infantaria. Não foi à toa que em dois de junho de 1887 Campos Salles iniciou o processo de emancipação "voluntária" dos escravos - com cláusulas de serviço por vários anos - entre os fazendeiros paulistas. Entre os novos convertidos à tese abolicionista estava o paulista Antônio Prado, ex-ministro da agricultura do ministério conservador e escravista do próprio Cotegipe. Prado havia sido um dos principais alvos dos abolicionistas um ano antes ao regulamentar a legislação emancipacionista imperial de maneira conservadora. Foram políticos como este, ligados à elite agrária paulista, que assumiram o comando do movimento nos derradeiros momentos da abolição. E assim este acontecimento ficou marcado na historiografia brasileira, quer na sua vertente conservadora quer na sua vertente progressista. Justamente temendo que isso pudesse acontecer, em 29 de abril de 1888, o editorial do jornal abolicionista A redenção, ligado à Antônio Bento, afirmou: "Quando se escrever a história da escravidão no Brasil, não faltará algum escrito venal que venha por esses escravocratas como grandes cooperadores na redenção dos escravos". A abolição da escravidão foi um grande passo na construção da nacionalidade. Não deve ser subestimada. Ela permitiu que o país desse mais um passo no sentido do desenvolvimento capitalista - condição da revolução socialista. Corretamente, afirmou o documento 500 anos de Luta: "A abolição resultou de um vasto movimento de massas, que incluiu os escravos rebelados, os setores médios das cidades, a intelectualidade avançada e os primeiros da classe operária (...) foi uma conquista que eliminou o escravismo, criando condições propícias à transição para o modo de produção capitalista no Brasil". No entanto, como ela não foi acompanhada de uma reforma agrária e de leis protetoras do trabalhador emancipado, acabou mantendo a população negra liberta numa situação de miséria e longe de poder integrar-se à sociedade brasileira enquanto cidadãos. Alguns abolicionistas, reformistas e radicais, compreenderam estes limites. Por isto apresentaram a proposta de uma reforma agrária, como complemento necessário da reforma servil. Assim pensavam Nabuco, Patrocínio e Rebouças. Mas, a reforma agrária seria uma das tarefas que não poderiam ser realizadas por aquele Estado oligárquico e pelas classes dominantes brasileiras - quer na sua versão monárquica ou republicana. Bibliografia Cardoso, Ciro Flamarion (org.) - Escravidão e abolição no Brasil: Novas perspectivas, Jorge Zahar Editora. Conrad, Robert - Os últimos anos da escravatura no Brasil Gorender, Jacob - A escravidão reabilitada, Ed. Ática. ------------------- - Brasil em preto & branco, Ed, Senac. -------------------- - O escravismo colonial, Ed. Ática. Moura, Clóvis - Rebeliões da Senzala, Ed. Ciências Humanas. PCdoB - 500 anos de luta na construção de um povo, de uma cultura e uma nação, 2000 Santos, Ronaldo Marcos dos - Resistência e superação do escravismo na Província de São Paulo (1885-1888), IPE/USP. Viotti da Costa, Emília - Da senzala à colônia, ed. Ciências Humanas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100512/0ddc4f47/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27306 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100512/0ddc4f47/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 12 19:54:45 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 12 May 2010 18:54:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Projeto_Memorial_das_Pessoas_Imp?= =?iso-8859-1?q?rescind=EDveis__-_Evento_que_ser=E1_realizado_no_di?= =?iso-8859-1?q?a_14_=2C_proxima_sexta_feira_=2C_na_Pra=E7a_28_de_m?= =?iso-8859-1?q?aio_em_Apucarana_=28PR=29?= Message-ID: <8FEE7233CEE84F7CBA8700DE8FA9D2A9@vcaixe> Carta O Berro........................................................repassem Companheir at s Envio o convite da Secretaria de Direitos Humanos e do Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná, para a inaguração do Memorial em homenagem aos companheiros José Idézio Brianesi Antonio Tres Reis de Oliveira Evento que será realizado no dia 14 , proxima sexta feira , na Praça 28 de maio em Apucarana (PR) A partir das 14:30 , haverá um debate no teatro da cidade com Paulo Vannuchi e com a presença das autoridades e familiares dos companheiros que tombaram . Quem puder comparecer , que o faça ! Abraço, Maurice Politi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100512/82322129/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 50869 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100512/82322129/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 13 19:58:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 May 2010 18:58:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Decis=E3o_do_STF_equivale_tortur?= =?iso-8859-1?q?adores_e_torturados=2C_regride_no_tempo_e_legitima_?= =?iso-8859-1?q?ditadura_militar_-_Paulo_Abr=E3o?= Message-ID: <3FC1DBB94BB34E59A4168AE5BE13D4A1@vcaixe> Carta O Berro...................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eli Suprema impunidade Decisão do STF equivale torturadores e torturados, regride no tempo e legitima ditadura militar. Paulo Abrão* As relações entre a Política e o Direito são íntimas. No ato de criação das leis a relação entre eles é insuprimível e no momento da sua interpretação-aplicação pelos tribunais uma separação é institucionalmente possível. Por isso, são recorrentes algumas tensões e o debate sobre a lei de anistia é um exemplo privilegiado para compreendê-las. O STF declarou válida a interpretação de que há uma anistia bilateral na lei de 1979, reeditada na EC 26/85, denominada convocatória da constituinte. Afirmou que se trata de um acordo político fundante da Constituição Democrática de 1988 e que somente o Poder Legislativo pode revê-lo. Em primeira análise, parece que o efeito prático é o de que o Supremo "apenas" negou o direito à proteção judicial para as vítimas da ditadura. A decisão, no entanto, incorre em outros efeitos para a democracia e que merecem ser debatidos: 1. Afirmou que a atribuição do Congresso em matéria de anistia é ilimitada e não fica submetida a qualquer outro poder, sequer ao crivo da Justiça. Lesionou-se o princípio fundamental da independência do juiz no Estado de Direito. 2. Autorizou que possíveis acordos políticos tenham o condão de afastar o império da lei e as garantias às liberdades individuais. Regredindo ao medievo, entendeu que a soberania não está limitada pelo direito e que a democracia pode ser forjada sem um compromisso com os direitos humanos. Dissociou-se democracia e direitos humanos no Brasil. 3. Promoveu uma equivalência descabida entre os atos dos torturadores e dos torturados, compreendendo que a anistia deve ser necessariamente mútua. Conectou a tortura com o crime político, admitindo seu uso legítimo para os fins de repressão política, sem cogitar nenhum juízo de valor ou de correspondência entre meio e fins. Apregoou-se uma ética utilitarista e desvalorizou-se o direito de resistência aos regimes autoritários. 4. Desconheceu o conceito de crimes de lesa-humanidade, um rol delimitado de atos contrários aos direitos humanos inadmissíveis em nenhuma hipótese e, por isso, impassíveis de anistia e imprescritíveis. Ignorou-se o direito internacional como fonte do direito e absteve-se de impor um limite ético mínimo para as relações humanas, desalinhando o Brasil da melhor tradição ética ocidental, desde Nuremberg. 5. Compreendeu o movimento social histórico de reivindicação pela anistia ampla, geral e irrestrita nas ruas, como um apelo ao esquecimento e ao perdão aos torturadores. Fez-se uso político da memória e incorreu em perigoso revisionismo histórico. 6. Defendeu que um acordo político teria sido amplamente negociado entre as partes legítimas para fazê-lo: militares e civis. Reconheceu os militares golpistas como sujeitos legítimos para celebrar "acordo" com a sociedade civil reprimida. Tratou-os como se o ambiente político e jurídico da época fosse idêntico ao de um Estado de Direito. Legitimou-se a ditadura militar. 7. Declarou que a "anistia bilateral" da EC/26 é o sustentáculo histórico e constitutivo da Constituição democrática. Inesperadamente, concebeu a democracia brasileira como possível e originária não de um poder constituinte soberano, mas da impunidade e da injustiça. A tortura e a negação da justiça para parcela da sociedade tornaram-se os fundamentos de nossa ordem democrática. 8. Formalizou uma regra de ouro para o autoritarismo: "Ditadores do futuro, não se esqueçam: antes de abandonarem seus regimes despóticos, aprovem uma lei de auto-anistia e tudo estará bem". Preocupou-se em afirmar a ditadura ao invés da democracia. No julgamento da lei de anistia brasileira, o direito não teve uma força civilizatória suficiente para promover o que há de melhor na política: a garantia das liberdades democráticas públicas, contra todas as formas de autoritarismos, seja de esquerda ou de direita, para o presente e para o futuro. O STF tomou uma decisão política. Desde então, não se pode mais dizer que se vive sob uma impunidade histórica imposta pelos ditadores militares. O cenário se alterou. Na Lei de anistia, parte dos ministros do Supremo, em plena democracia, agregou a suas assinaturas logo abaixo a assinatura dos generais ditadores. É a suprema impunidade. * Paulo Abrão é doutor em Direito, advogado, professor universitário e presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=6646 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100513/2b051adb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 13 19:58:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 13 May 2010 18:58:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Destaques da Carta Maior nesta quinta e CADASTRE-SE Message-ID: <02826AC75BFA42939806877D61658309@vcaixe> Carta O Berro....................................repassem (e CADASTRE-SE) Boletim Carta Maior - 13 de Maio de 2010 Ir para o site -------------------------------------------------------------------------- Editorial: Serra, a taxa de juros e a História A questão verdadeiramente estrutural que distingue Serra e Dilma é de natureza histórica, não retórica. Grosso modo, poder-se-ia condensá-la numa pergunta: desenvolvimento para quem? A resposta opõe, de um lado, os interesses mais retrógrados e reacionários da sociedade brasileira, que tem, objetivamente, em Serra seu estuário neste pleito, e, de outro, Dilma Rousseff, referênc ia de continuidade do amplo espectro de forças aglutinadas em torno do atual governo. É isso que está em jogo nesta campanha presidencial. > LEIA MAIS | Economia | 13/05/2010 "O consumo dos pobres ajudou o país a enfrentar crise dos ricos", diz Lula Em discurso proferido na abertura do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a contribuição das políticas sociais do governo brasileiro no enfrentamento da crise econômica internacional. "O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada u ma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos", disse Lula. > LEIA MAIS | Economia | 11/05/2010 A Constituição e a função social da propriedade O artigo 186 e seus incisos da Constituição Federal estabelecem que a propriedade privada só tem seu direito resguardado quando, junto com os padrões de produtividade, seja cumprida a legislação ambiental e trabalhista e sua posse não gere conflitos e atenda às demandas da coletividade. A negativa raivosa desses valores traduz o perfil atrasado, arrogante e reacionário do setor ruralista e remonta a comportamentos daqueles que, ao longo dos séculos, exploraram e expropriaram direitos dos trabalhadores rurais e da natureza. O artigo é de Alberto Broch e de Willian Clementino. > LEIA MAIS | Economia | 12/05/2010 Feira celebra força do Brasil Rural Contemporâneo Feira Nacional da Agricultura Familiar começa nesta quinta-feira (13), em Porto Alegre, devendo reunir 350 empreendimentos familiares de todo o país e com previsão de comercialização de mais de 200 toneladas de produtos. O Rio Grande do Sul é um dos Estados que têm a agricultura familiar mais forte do país. O setor corresponde a cerca de 86% dos estabelecimentos rurais produtivos no Estado, sendo responsável por 54% do valor bruto da produção gaúcha e 81% das pessoas ocupadas no meio rural. > LEIA MAIS | Economia | 13/05/2010 Eleições cubanas têm participação de opositores Oposição faz campanha livremente, mas a mídia dominante ignora as eleições municipais cubanas, que acabam de ser realizadas. Ao lado da participação exercida diretamente pela população, elas são parte da atual democracia cubana. O povo cubano está satisfeito? O tema da participação popular e da eficácia do sistema de representação tem sido di scutido nas assembleias populares. Muitos dizem que o parlamento é eleitoralmente democrático, mas os deputados têm pouca autonomia para decidir. O artigo é de Hideyo Saito. > LEIA MAIS | Internacional | 12/05/2010 Bicentenário, analfabetismo e potência social O Plano Brasil 2022 estabelece metas e define os instrumentos para que o País se torne uma potência social quando comemorar o bicentenário de sua independência. Um país sem analfabetos e miseráveis, com água encanada, tratada e esgoto alcançando a todos. E , sobretudo, reduzindo as dramáticas vulnerabilidades externas de que o Brasil ainda padece. Essa sim é uma forma de comemorar uma data importante. Seria paradoxal falar em independência quando ainda somos dependentes de medicamentos e fertilizantes estrangeiros, só para citar dois exemplos que demonstram o quão perigosa é esta dependência. O artigo é de Beto Almeida. > LEIA MAIS | Política | 11/05/2010 . João Cândido, petróleo, racismo e emprego A social-democracia neoliberal: de Miterrand a Zapatero, passando por FHC O caminho adotado por Miterrand foi seguido por Felipe Gonzalez, na Espanha , e foi se generalizando na própria América Latina, onde os socialistas chilenos e a Ação Democrática na Venezuela, entre outros, seguiram o mesmo caminho. FHC também se somou à lista. - 13/05/2010 -------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------- Colunistas Flávio Aguiar Serra: vários pregos, sempre a mesma ferradura Fica evidente que o teor programático das intervenções do candidato tucano é não ter teor algum. Serra não pode expor o "verdadeiro" programa que se trama no seu bastidor. - 11/05/2010 -------------------------------------------------------------- Análise & Opinião Roberto Efrem Filho A relevância da Cultura: sobre o vigilante e Portinari A figura daquele homem fardado, em posição de vigilância, de arma na cintura, entre as telas de Portinari no Museu Nacional de Belas Artes constitui uma dessas imagens insistentes, que nos arrastam às dúvidas. - 12/05/2010 Breno Altman O Brasil deve produzir a bomba atômica? O Brasil e seus aliados têm o direito de declarar um ultimato pela eliminação de todas as ogivas nucleares em prazo determinado - 5 e 10 anos, por exemplo. Caso esse objetivo não fosse alcançado, estariam extintas as obrigações das nações signatárias do Tratado de Não-Proliferação. - 11/05/2010 Cândido Grzybowski Os "Ficha Suja" e a Política Para valer, uma pressão legítima e democrática como a da "ficha limpa" deve virar lei. Como virar lei com um Parlamento cheio de gente que tem ficha corrida maior do que currículo? O jeito é trazer a campanha para a rua novamente nesta conjuntura eleitoral. - 11/05/2010 -------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------- Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição aqui -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100513/1b8c0a4d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 14 20:13:45 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 May 2010 19:13:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Convite_-_Imperd=EDvel_-_CineGra?= =?iso-8859-1?q?msci_-_Machuca_-_15=2E5=2E2010_-_17h00__em_Ribeir?= =?iso-8859-1?q?=E3o_Preto_-_SP?= Message-ID: Carta O Berro............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marcelo Pedroso Goulart -------------------------------------------------------------------------------- CineGramsci -------------------------------------------------------------------------------- Sábado, 15 de Maio de 2010 17 horas -------------------------------------------------------------------------------- Dando continuidade às atividades culturais do Seminário Gramsci, que esse ano privilegia a discussão sobre as ditaduras latino-americanas, o CineGramsci promoverá a exibição do filme Machuca, do diretor Andrés Wood (Chile/Espanha, 2004, 120 min.). A exibição ocorrerá nas dependências do Memorial da Classe Operária-UGT, rua José Bonifácio, nº 59, às 17h00, seguida de debate com Fernando Gelfuso, professor de História, e Ana Paula Soares da Silva, docente da FFCLRP-USP. A entrada é franca. Divulgue o evento e venha participar conosco. Leia abaixo a ficha técnica e a sinopse do filme. Veja o trailer, clicando o endereço eletrônico http://www.youtube.com/watch?v=l_p3QAPtdEY -------------------------------------------------------------------------------- Ficha Técnica Machuca Título Original: Machuca País/Ano de produção: Chile/Espanha, 2004 Duração/Gênero: 120 min., Drama Direção de Andrés Wood Roteiro de Andrés Wood e Mamoum Hassan Elenco: Matias Quer, Ariel Mateluna, Manuela Martelli, Aline Küppenheim, Ernesto Malbran, Tamara Acosta, Francisco Reyes, Alejandro Trejo, Tiago Correa. -------------------------------------------------------------------------------- Sinopse Chile, 1973. Machuca é o sobrenome do menino Pedro (Ariel Mateluna), recém chegado a uma escola elitizada. O problema é que Pedro é pobre e vive numa favela de Santiago do Chile, o que lhe traz inúmeros problemas de relacionamento nessa escola particular. A rejeição e as gozações quanto a ele e seus colegas são freqüentes e isso provoca reações diversas que vão desde a indiferença até a agressão. Nem tudo é, porém, adverso nesse novo mundo ao qual foi introduzido o garoto pobre das favelas chilenas. A entrada nessa escola faz com que ele conheça Gonzalo Infante (Matias Quer), membro de família abastada (abalada por relacionamentos em decomposição), alienado das questões políticas que fazem seu país ferver, mas fundamentalmente uma boa alma. O encontro dos dois meninos representa muito mais do que simplesmente uma nova amizade que está se consolidando. Trata-se de um retrato do próprio Chile daquela época, cindido entre socialistas e capitalistas que querem fazer com que a nação se renda a seus ideais nem que seja nos brados emanados pelas turbas que fazem constantes marchas e passeatas pelas principais avenidas da capital do país. Ao se conhecerem, Pedro e Gonzalo passam a perambular por universos que até aquele momento eram desconhecidos para eles. Machuca é levado a casa de seu novo amigo e percebe a comodidade e os prazeres de uma vida burguesa, apesar das restrições que o regime impõe aos membros da elite chilena. Gonzalo, por sua vez, vai com sua bicicleta aos bairros paupérrimos da periferia de Santiago e descobre a esperança ao lado de casas sem água encanada, eletricidade ou rede de esgotos. Se não bastasse esse choque de realidades, os dois ainda acabam indo às ruas da capital para ajudar a jovem Silvana (Mariana Martelli), que os leva as passeatas políticas para vender bandeirinhas do país ou das facções ali representadas. Esses momentos de suas histórias de vida são essenciais para que todos esses adolescentes se percebam como membros de uma nação e de seus dilemas e que percebam quais são as possibilidades e alternativas que a sociedade lhes reserva. Para tornar o filme ainda mais interessante surgem as paixões prematuras e toda a candura dos primeiros beijos. Interessante do princípio ao fim, "Machuca" é mais um dos grandes filmes latino-americanos que nos ensina a rever princípios, reavaliar a vida, pensar nas origens e analisar com seriedade a história de nossos povos. Assistam! -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 9482 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100514/fa5a7082/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 14 20:13:52 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 14 May 2010 19:13:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Sacco e Vanzetti: Trailer do Caso Battisti Message-ID: <98D0858068274A1FA4213EE86EB3776F@vcaixe> Carta O Berro..............................................................repassem Sacco e Vanzetti: Trailer do Caso Battisti Carlos Alberto Lungarzo Anistia Internacional (USA) ? 2152711 Vários observadores sociais e comunicadores compararam o processo sofrido por Cesare Battisti, especialmente durante 2009, quando foi oficialmente julgado, com o caso dos anarquistas italianos Sacco e Vanzetti, que, durante a década de 1920 foram acusados pelo assassinato, sem provas concretas e com testemunhas duvidosas. Hoje, todos aceitam que ambos foram vítimas de uma vingança da justiça e das elites norte-americanas, que queriam destruir o anarquismo e o comunismo, e propagar o terror entre os trabalhadores. O processo, condenação e morte dos dois amigos durou de 1920 até 1927. Nesse período, em quase todo o mundo se realizaram atos de protesto, se organizaram passeatas de milhares de pessoas, e se proferiram denúncias públicas de meios de comunicação e dos mais famosos e míticos intelectuais da época, como G. Wells, Bernard Shaw e B. Russell. Meu intuito neste artigo é mostrar que, apesar da certeza unânime de que os militantes italianos eram inocentes, e de que seu julgamento foi uma grande farsa, o grau de distorção e mentira não foi o máximo. No caso de Cesare Battisti, houve um nível de falsidade, fraude e manobras tortuosas, bastante (ou talvez muito) maiores que naquele caso. Este assunto pode ser visto, então, como um trailer do que seria, 90 anos após, o filme de Battisti: uma amostra grande, truculenta, assustadora, mas ainda assim menos nojenta que a grande tramóia de 2009. Os Crimes e as Acusações Nos Estados Unidos da década de 20, as elites capitalistas se sentiam acuadas pela ação do movimento operário, que, apesar dos ataques brutais recebidos desde décadas anteriores (cujo ápice foi o massacre de Chicago, no 1º de maio de 1886), tinha incrementado sua capacidade de luta. Os anos entre 1917 e 1920 formam o período de mais intensa repressão política na história dos Estados Unidos, conhecido como Red Scare (Ameaça Vermelha), inaugurado no mesmo momento em que se preparava a Revolução russa de Outubro de 1917. Apesar da distância, o país reagiu ao surgimento do poder soviético com igual velocidade que os mais reacionários estados da Europa. Durante esses quatro anos, a propaganda contra os comunistas e os anarquistas, a agitação da mídia, e a brutalidade policial e jurídica, que continuariam por muitas décadas, atingiram seu pico mais exasperado. Foi nessa época que trabalhadores de esquerda foram submetidos a julgamentos fraudados e coroados por punições desproporcionais. O caso dos anarquistas Nicola Sacco (1891) e Bartolomeu Vanzetti (1888) foi um imenso circo para converter pessoas inocentes em grandes bodes expiatórios, numa luta não apenas contra a praxe, mas até contras as idéias da esquerda. Se o militante sueco Joe Hill foi tornado símbolo de uma vendetta burguesa ?provinciana? (pois seu julgamento e sua execução foram rápidas e sua repercussão foi pequena fora do estado norte-americano de Utah), estes dois imigrantes italianos foram usados para transformar essa vendetta num grande espetáculo de terror. Era uma advertência contra toda a esquerda que defendesse os direitos dos trabalhadores. Em abril de 1920, dois pagadores de uma fábrica de sapatos, situada numa pequena cidade perto de Boston (no estado de Massachusetts) foram assassinados por desconhecidos, que roubaram todo seu dinheiro. A polícia sabia que Sacco, artesão sapateiro, e Vanzetti, vendedor ambulante de peixe, eram militantes anarquistas e os deteve como suspeitos um mês depois, apesar de não ter nenhuma prova nem testemunha contra eles, e de que nenhum deles tinha sido preso antes. Ambos foram acusados do assassinato dos pagadores, mas puderam apresentar fortes álibis, fornecidos por testemunhas de boa reputação para o critério dos conservadores que dominavam o estado. Uma das testemunhas era um funcionário do consulado de Itália, que lembrava ter estado com Sacco no momento do crime, e descreveu todos os detalhes do trâmite de obtenção do passaporte do imigrante, que tinha ido até a delegação de seu país para obter esse documento. Apesar da clareza dos depoimentos, o juiz e o promotor os desprezaram, e aduziram que as testemunhas eram arranjadas. Contudo, de maneira diferente ao que aconteceria com Battisti na década de 1980 1981 (mais de 60 anos após), Sacco e Vanzetti tiveram direito à defesa, e contaram com os melhores advogados socialistas e libertários que havia no país. Outra diferença é que, enquanto Battisti foi acusado de ser o dono da arma dos crimes sem prova nenhuma, e sem que arma nenhuma fosse jamais mostrada, os anarquistas italianos tiveram direito a um teste balístico de disparos. Isso, porém, não adiantou, porque o promotor Frederick Katzmann (muito menos tortuoso que o magistrado Armando Spadaro do caso Battisti, mas, mesmo assim, um fanático inimigo da esquerda), aceitou uma perícia forjada que indicava que uma das balas do crime era do revólver de Sacco. A perícia de revólver de Vanzetti foi mais escandalosa que a de Sacco, pois o projétil e a arma não coincidiam nem mesmo no calibre (a bala era de calibre 32 e o revólver de Vanzetti era um Colt 38). Além disso, Battisti foi acusado de quatro homicídios, sem que os juízes se importaram com a impossibilidade física de ter atuado nos quatro crimes. No período do julgamento de Sacco e Vanzetti, em que a repressão foi a mais violenta de história urbana dos Estados Unidos, houve outros delitos políticos, mas os juízes não tentaram colocá-los também na conta dos italianos. Montagens e Tramóias O chefe da defesa era o esforçado e corajoso advogado socialista californiano Fred H. Moore, incansável lutador em prol das causas políticas e sindicais dos trabalhadores. Durante o julgamento, foi insultado várias vezes pelo juiz Webster Thyler, um membro da corte suprema estadual, conhecido por sua mediocridade, por ter obtido um diploma em troca de favores, e por mudar de partido político segundo a conveniência. (Alguma coincidência?) Thyler se gabou de que acabaria condenado ambos de qualquer jeito, e injuriou a Moore, desprezando sua origem californiana. As testemunhas de acusação eram ?menos? forjadas que as de Battisti, pois, pelo menos, tinham nome e profissão e seus dados eram conhecidos. Entre elas estava a bibliotecária Mary Splaine, a enfermeira Lola Andrews, o capitão de polícia William Proctor e um desempregado chamado Lewis Pelser. Tempo depois de seus depoimentos, estes quatro denunciaram que suas declarações tinham sido distorcidas ou obtidas por coação, mas foram ameaçados e impedidos de pedir a retificação ao tribunal. Splaine reconheceu que esteve, durante poucos segundos, a uma distância de quase 100 metros de distância do lugar do crime, e que realmente não tinha reconhecido os atiradores. Andrews denunciou ter sido coagida sob ameaça, e Pelser declarou ter sido obrigado a assinar enquanto estava bêbado. O capitão Proctor foi mais enfático: afirmou que tinha advertido o promotor que as balas do crime nada tinham a ver com as armas dos réus; também revelou que seu depoimento foi alterado pelo ministério público, mesmo depois de redigido. O júri, montado da maneira habitual nos Estados Unidos, com base em critérios subjetivos e parciais, gastou em sua deliberação menos de três horas, uma proporção ínfima do que consume uma deliberação média em casos bem mais simples que aquele. Depois, entregou um veredicto unânime de culpabilidade, o que condenou os acusados à pena de morte. Entretanto, como acontece até hoje em muitos julgamentos, a ameaça da morte ficou pendendo sobre os réus até muito tempo depois. Só seriam eletrocutados em agosto de 1927, passados sete anos de calvário e terror. Em 1924, a polêmica ainda continuava, focada agora na adulteração de provas pelos magistrados (por exemplo, a mudança do cano do revólver de Sacco), a falsidade de algumas perícias, as declarações prévias ao julgamentos de alguns membros do júri, e a permanente atitude de ódio e ofensa do juiz contra os defensores. De maneira exatamente oposta ao que aconteceu no Brasil, uma parte da imprensa convencional denunciou a parcialidade do juiz e o acusou de baixo nível moral e de procura de notoriedade. Em 1925, Sacco conheceu na prisão o imigrante português Celestino Madeiros, membro de uma gangue muito temida, que fora preso por outro crime e foi executado na mesma época que os dois italianos. Naquele momento, Celestino confessou ser o responsável da morte dos pagadores, e negou que tivesse qualquer colaboração de Sacco ou de Vanzetti, aos quais nem mesmo conhecia antes do crime. O juiz se recusou a reabrir o caso e ter em conta a confissão do verdadeiro assassino. Isto tem duas analogias com o caso Battisti: (1) O verdadeiro autor da morte da primeira vítima, chamado Pietro Mutti, confessou seu crime. A diferença é que ele não manteve sua confissão, como Medeiros, mas mudou depois de versão, acusando a Battisti, em troca de benefícios concedidos pela justiça. (2) Os juízes se recusaram a aceitar a confissão de Medeiros como prova. Da mesma maneira, o Supremo Tribunal Federal que condenou Battisti à extradição, se recusou a aceitar provas em favor do réu, que seus amigos tinham obtido depois de cuidadosas e irretocáveis investigações. O relator chegou ao extremo de incomodar-se porque pessoas amantes da verdadeira justiça ousavam questionar a tramóia. Antes da execução, Sacco e Vanzetti foram brevemente interrogados no mesmo presídio pelo reacionário semifascista governador Alvin T. Fuller, que entrou nas celas separadas dos dois amigos, protegido por uma poderosa guarda. No momento de seu interrogatório, Vanzetti deu uma mostra de desafio muito parecida às que deu Battisti no confronto com seus juízes de Milão, durante o processo de 1981. Apesar de estar enfraquecido por uma greve de fome de vários dias, Vanzetti improvisou um forte discurso, reivindicando seus ideais libertários, e acusando o governador e os juízes de ter fraudado esse processo. Num último esforço, tentou avançar sobre a comitiva, mas, segundo boatos espalhados pela imprensa, teria sido controlado com requintes de violências. Durante os sete anos de martírio e especialmente quando se aproximava sua execução, os amigos italianos receberam milhares de manifestações de solidariedade, incluídas às dos mais famosos intelectuais da época, entre eles algumas figuras lendárias: John Dos Passos, Alice Hamilton, Paul Kellog, Jane Addams, Heywood Broun, William Patterson, Upton Sinclair, Dorothy Parker, Ben Shahn, Edna St. Vincent Millay, Felix Frankfurter, John Howard Lawson, Freda Kirchway, Floyd Dell, Bertrand Russell, George Bernard Shaw e H. G. Wells. A Reação da Sociedade Temos um sentimento muito claro de que o mundo tem progredido. O fascismo, que então começava, foi derrotado na guerra, embora ainda não foi eliminado e sua força é muito grande em vários países. O racismo também é menor, inclusive nos Estados Unidos. Ninguém sonhava em 1920 nem em 1970 com um presidente mulato. A pena de morte foi eliminada da Europa, e a tortura, apesar de assomar sua horrível cabeça em muitos países, é hoje menos tolerada que há 90, 80 ou 40 anos. Entretanto, o caso de Sacco e Vanzetti chacoalhou quase todo o Ocidente, e até alguns lugares do Oriente. Houve manifestações nas principais cidades de Europa, nas Américas e até na Índia. Algumas das passeatas atingiram a quantidade de 250 mil pessoas, um número que impressiona se pensamos no tamanho das cidades há 80 ou 90 anos. Quando eu era criança, os mais velhos me contavam a história de Sacco e Vanzetti, acontecida 40 anos antes. Minha família não tinha nada de esquerda, e nossa cidade estava a milhares de quilômetros dos Estados Unidos. Mas, quando pensamos no caso Battisti, parece que esse progresso da humanidade não atingiu alguns países e algumas instituições. Com efeito, o julgamento de Battisti foi mais falso, tortuoso e bufonesco que o de Sacco e Vanzetti. Não houve prova nenhuma, nem testemunhas reais, e até os documentos mais simples, como procurações, foram falsificados pela justiça italiana. Já no Brasil, o Supremo Tribunal não se deu ao trabalho de ler as provas. Não houve o mínimo pudor de fingir interesse, mesmo que a sentença posterior fosse aquela que convinha aos condottieri. O relator do caso simplesmente desprezou qualquer oportunidade de esclarecimento, e até ofendeu os amigos de Battisti que reclamavam a verdade. Uma explicação para a diferença entre ambos os casos é que, apesar de seu caráter arbitrário e sua aplicação exorbitada da pena de morte, a justiça norte-americana (nas comarcas fora do Sul do país) sempre foi menos imoral e mais garantista que a Italiana e que a dos países da América Latina. A comparação entre o caso Battisti e o de Sacco e Vanzetti mostra que a máfia stalino-fascista do judiciário de Milão era mais corrupta e sádica que a dos estados ianques, mesmo em tempos de grande perseguição. Embora na França e parcialmente no Brasil, se tenha sentido a reação de um setor esclarecido e corajoso da sociedade, os atos concretos de protesta foram muito menos intensos que os da época dos anarquistas italianos. Será que nosso progresso moral e social é apenas uma ilusão? Talvez não. Os quase 16 mil dólares roubados no assassinato dos pagadores da fábrica de sapatos nunca foram encontrados. Nenhuma parte desse dinheiro apareceu na casa de Sacco nem na de Vanzetti nem das de seus amigos. Por sua vez, o português Celestino morreu na cadeira elétrica bradando que os italianos eram inocentes. -- Você está recebendo este e-mail, porque consta em nossa lista de contatos. Se você entender que foi incluído nessa lista por engano, por favor, enviar um reply com a palavra RETIRAR. Seu nome será imediatamente retirado da lista. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100514/775d130c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 58268 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100514/775d130c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 15 15:34:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 May 2010 14:34:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Ato_P=C3=BAblico_-_dia_18_de_maio=2C_?= =?utf-8?q?=C3=A0s_14h30=2C_Pateo_do_Col=C3=A9gio/SP_e_/__Resumo_cr?= =?utf-8?q?onol=C3=B3gico_no_processo_no_Sistema_Interamericano_de_?= =?utf-8?q?Direitos_Humanos_em_julgamento_nos_dias_20_e_21_de_maio?= Message-ID: <2BF943D50C834D1AB7285BD721C45C1A@vcaixe> Carta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Anuar Ide From: AJD Ato Público - dia 18 de maio, às 14h30, Pateo do Colégio/SP Olá Subscritores(as) do Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores! Cada um dos 21 mil subscritores deu a sua contribuição para o fortalecimento da democracia e o manifesto foi juntado ao processo com todas as assinaturas, mas, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal negou punição para os torturadores da ditadura. Os ministros Carlos Ayres Britto e Ricardo Lewandowski votaram favoravelmente à punição e disseram que os crimes comuns não podem ser beneficiados pela anistia. A decisão do STF foi na contramão do fortalecimento do sistema democrático, de respeito aos direitos humanos, ao contrário das ações dos outros países da América Latina e em choque com as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos/OEA, do qual o Brasil faz parte e que tem audiência marcada para os próximos dias 20 e 21 de maio, no primeiro caso da ditadura militar brasileira. Convidamos todos e todas a estarem presentes no ATO PÚBLICO para manifestarmos pelo fim da impunidade dos torturadores Dia: 18/05/2010 às 14h30 Local: Pateo do Colégio (estação Sé ou São Bento do Metrô), em São Paulo Temos à frente o julgamento a ser realizado pela Corte e o Estado brasileiro, que assumiu compromissos internacionais, poderá construir um país, em que a dignidade humana seja efetivamente um valor. A impunidade da tortura de ontem fomenta a tortura de hoje. Contamos com sua presença! Convide seus amigos e familiares! Avise no seu twitter, blog, etc. Comitê Contra a Anistia aos Torturadores ============================================================================ Caso Guerrilha do Araguaia x Brasil: Resumo cronológico no processo no Sistema Interamericano de Direitos Humanos A Corte Interamericana de Direitos Humanos se reúne em São José da Costa Rica, nos dias 20 e 21 de maio próximo, para julgar o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 70 pessoas, pela impunidade dos crimes e pelo não esclarecimento da verdade sobre os fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) Sobre o Caso: Entre os anos de 1972 e 1975, sob o comando do governo do regime militar brasileiro, as Forças Armadas realizaram uma série de operações militares da região sul do estado do Pará, na divisa com os estados do Maranhão e Tocantins, com o objetivo de erradicar a denominada Guerrilha do Araguaia. Durante as operações, os agentes públicos e privados foram autores de graves violações de direitos humanos - como detenções ilegais e arbitrárias, torturas, execuções sumárias e desaparecimentos forçados - as quais estavam inseridas em um padrão sistemático e generalizado de repressão política contra opositores políticos, membros do Partido Comunista do Brasil, e a população local de camponeses. Por muitos anos o Estado brasileiro manteve o segredo sobre as operações realizadas na região. Nunca foi iniciada qualquer investigação a fim de identificar as responsabilidades individuais, processar e sancionar os perpetradores dos crimes cometidos. Passados mais de 35 anos desde que os fatos ocorreram, todos os responsáveis permanecem impunes. Assim mesmo, a cultura de segredo do Estado aliada à ausência de legislação adequada à garantia do pleno exercício do direito de acesso à informação impedem o esclarecimento dos fatos e o conhecimento da verdade pela sociedade e familiares das vítimas. Face à omissão do Estado e à falta de informação sobre o paradeiro de seus entes queridos, 22 familiares representando 25 desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia interpuseram, em 1982, uma ação ordinária perante a Justiça Federal brasileira. Nesta ação cobravam a localização e o traslado dos restos mortais de seus entes queridos, bem como a entrega de informação oficial sobre as circunstâncias de seus desaparecimentos. Passados 13 anos após o início da ação no Judiciário brasileiro, em 1995, diante da demora injustificada no andamento do processo e pela falta de diligência, os familiares dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia -representados pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional, pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo - enviaram denúncia internacional contra o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). No mesmo ano, foi aprovada a Lei 9.140/95 ? que reconheceu como mortos, os desaparecidos políticos e concedeu reparação de 100 a 150 mil reais para familiares das vítimas. Em 1996 a Comissão sugeriu a realização de solução amistosa entre as partes. A solução amistosa pressupõe um acordo que contemplasse as necessidades dos familiares e da sociedade como um todo pela verdade histórica. O Estado brasileiro se recusou a negociar. Em 1997 e 2001 foram realizadas audiências em Washington, onde representantes e familiares das vítimas subsidiaram a Comissão com informações e documentos, até que o caso foi admitido em 2001. Cinco anos depois o CEJIL, O GTNM-RJ e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de SP encaminharam as Alegações Finais solicitando que a CIDH analisasse o mérito do caso e emitisse seu Relatório Final. Após a realização de audiência em 2007, a CIDH aprovou, em 31 de outubro de 2008, esse relatório, no qual determinou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de membros do PCdoB e camponeses na Guerrilha do Araguaia. Neste relatório a CIDH afirmou que a interpretação prevalecente da Lei 6.683/79 (Lei de Anistia), segundo a qual os agentes públicos que cometeram crimes comuns durante o regime militar seriam beneficiados pela extinção da punibilidade, viola a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) porque tem impedido a investigação dos fatos e eventual julgamento dos responsáveis pelos desaparecimentos forçados. A CIDH concluiu que os recursos de natureza civil que visavam obter informações sobre os fatos não foram efetivos para garantir aos familiares dos desaparecidos o acesso à informação sobre a Guerrilha do Araguaia. Também considerou que as medidas administrativas e legislativas adotadas pelo Brasil restringiram de forma indevida o direito ao acesso à informação de tais familiares. Finalmente, a CIDH determinou que o Estado brasileiro violou a integridade física e psicológica dos familiares das vítimas pelos desaparecimentos forçados, a impunidade dos agentes responsáveis, e pela falta de justiça, informação e verdade. Ao final do documento a CIDH teceu recomendações ao Estado, o qual dispunha de dois meses para cumpri-las. Segundo o relatório, o Estado Brasileiro deveria providenciar a abertura de todos os arquivos das Forças Armadas, o estabelecimento do Dia do Desaparecido Político, realizar um ato formal de reconhecimento da responsabilidade pelos fatos, a entrega dos restos mortais aos familiares para a realização de um enterro digno, a construção da memória política (obra ou monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos do Araguaia), o pagamento de reparação econômica pelos lucros cessantes, danos morais e gastos nestes 30 anos de buscas e a punição dos responsáveis pelos assassinatos. Em 25 de março de 2009, a CIDH analisou as informações apresentadas pelo Estado e, diante da falta de implementação satisfatória das recomendações, decidiu enviar o caso para ser processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em 18 de julho de 2009 as organizações representantes dos familiares dos desaparecidos políticos, apresentaram sua petição, demonstrando todas as dimensões da responsabilidade do Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado das vítimas do caso, ao precisar a importância da análise do padrão de repressão política dentro do qual este se perpetrou, o alcance das violações aos direitos consagrados na Convenção Americana contra as vítimas e seus familiares e os efeitos destas violações para seus familiares e toda a sociedade brasileira. Na conclusão, as representantes das vítimas solicitaram que a Corte determinasse algumas medidas de reparação, dentre as quais, que o Estado brasileiro investigue e processe, perante a jurisdição penal comum, os perpetradores das violações, determinando responsabilidades. Que, para tanto, deixe de utilizar a lei de anistia e outros dispositivos legais, como a prescrição e outras excludentes de responsabilidade, que visem impedir a investigação dos fatos e a sanção dos responsáveis pelas graves violações aos direitos humanos. Assim mesmo, solicitam que a Corte determine que o Estado brasileiro exija a devolução de todos os documentos oficiais que estejam ilegalmente em posse de particulares; proceda, de imediato, a busca e a localização das vítimas deste caso, assegurando que sejam respeitadas as garantias de devida diligência essenciais na investigação de casos desta magnitude e instale uma Comissão da Verdade, cujo planejamento e constituição deverão seguir parâmetros internacionais e contar com a participação ativa das vítimas. Após a apresentação de contestação pelo Estado brasileiro, nos dias 20 e 21 de maio de 2010 será realizada a audiência pública sobre o caso, com a participação de peritos e testemunhas das partes. Comparecerão à audiência como testemunhas das representantes das vítimas Belisário dos Santos Júnior, Marlon Weichert, Elizabeth Silveira e Silva e Criméia Alice Schmdit de Almeida e, em conjunto com a Comissão Interamericana, Laura Petit da Silva e Marlon Weichert como testemunhas. Rodrigo Uprimny será o perito das representantes das vítimas e da CIDH como perito. Pelo Estado brasileiro estarão presentes José Gregori e Paulo Sepúlveda Pertence como testemunhas e, como perito, Gilson Dipp. A decisão da Corte Interamericana deverá ser apresentada de 3 a 7 meses, aproximadamente, após a audiência. Pela Justiça, Pela Verdade A única luta que se perde é a que se abandona -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100515/b0d5ac1c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 15 15:34:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 15 May 2010 14:34:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Apesar_de_Voc=EA_-_os_caminhos_da?= =?iso-8859-1?q?_justi=E7a_-_Lan=E7amento_Document=E1rio?= Message-ID: <763465EDF5AA4C0CA19426B0C65B1FC1@vcaixe> Carta O Berro.....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eli Eliete Oi. Este documentário, realizado pelo Marcelo Zelic, do GTNM/SP, é fundamental para compreensão da luta que travamos contra a impunidade dos torturadores do regime militar desde 1964. Queremos justiça. Queremos a verdade! A luta continua. Eli. Venho através desta informar aos parceiros que assinaram o documentário Apesar de Você - os caminhos da justiça, que será lançado no sitio do Paulo Henrique Amorim. Assinaram o documentário a Ordem dos Advogados do Brasil, Associação Juízes para a Democracia, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Grupo Tortura Nunca Mais -SP, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Associação dos Magistrados do Brasil, União Nacional dos Estudantes e o Projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional. Para acessar o filme: http://videotecavirtualbnm.blip.tv/ Para colocá-lo em seu sitio ou blog: Atnciosamente; Marcelo Zelic Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo Coordenador do Projeto Armazém Memória (11) 3052-2141 (11) 9206-9284 www.armazemmemoria.com.br mzelic at uol.com.br -- Esquecer NUNCA! __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100515/dce01141/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 74323 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100515/dce01141/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 16 13:57:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 May 2010 12:57:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=DASICA_=3A_CLARA_NUNES_E_SEUS_M?= =?iso-8859-1?q?ELHORES_MOMENTOS=2E________________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <78A69DCBFADB49B1864AA4B8D8DEE859@vcaixe> Carta O Berro.............................................................repassem 85 acessos BRASILWIKI -> Clara Nunes - Foto: WEB Clara Nunes nasceu em Paraopeba, MG, em 12 de agosto de 1943. Em 1952, ainda menina, Clara venceu seu primeiro concurso de canto organizado em sua cidade, interpretando "Recuerdos de Ypacaraí". Após ir morar em Belo Horizonte, ainda adolescente, passou a cantar em vários programas nas rádios da capital mineira, até que um dia venceu a etapa mineira do concurso "A Voz de Ouro ABC", com a música "Serenata do Adeus". Na final nacional do concurso, realizada em São Paulo, Clara Nunes obteve o terceiro com a canção "Só Adeus". A partir daí, já contratada pela Rádio Inconfidência de Belo Horizonte, começou a se apresentar como crooner em clubes e boates na capital mineira, sendo considerada, por três anos seguidos, a melhor cantora de Minas Gerais, inclusive passando a ter um programa exclusivo na TV Itacolomi. Em 1965 foi para o Rio de Janeiro e passou a apresentar-se na TV Continental, no programa de José Messias. Ainda nesse ano, após teste, foi contratada pela Odeon, que, em 1966, lançou seu primeiro LP, A voz adorável de Clara Nunes, em que interpreta boleros e sambas-canções. Em 1968, gravou Você passa e eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial), que foi seu primeiro sucesso e marcou sua definição pelo samba, ritmo com o qual consagrou-se como uma das mais admiradas interpretes brasileiras. Em abril de 1983, no auge da carreira, Clara sofreu um choque anafilático, durante uma cirurgia de varizes, e veio a falecer após 28 dias de agonia. Clique no título da música e reviva o talento e força de interpretação da "guerreira" Clara Nunes: Abrigo de Vagabundos / Adeus a Noite / A Deusa dos Orixás / Adeus Rio / A Favorita / A Flor da Pele / Afoxé pra Logun / Ai de Quem / Ai quem me dera / Alvorada no Morro / Alvorecer / Alvoroço no Sertão / Amei Tanto / Amor Desfeito / Amor Perfeito / Amor quando é Amor / Anjo Moreno / A Noite / Apenas um Adeus / Apesar de Você / Arlequim de Bronze / Aruandê Aruanda / As Forças da Natureza / As vezes faz bem chorar / Bafo de Boca / Baianada / Banho de Manjerico / Basta um Dia / Bela cigana (com João Nogueira) / Brasileiro Profissão Esperança 1 / Brasileiro Profissão Esperança 2 / Canaviá / Canção de Sorrir e Chorar / Candongueiro / Canseira / Canto das Três Raças / Casinha Pequenina / Castigo / Cheguei a Conclusão / Cinto Cruzado / Clarice / Coisa da Antiga / Coisa da antiga (com Roberto Ribeiro) / Como é grande e bonita a natureza / Congada / Contentamento / Conto de Areia / Convite / Coração Leviano / Coração Valente / Coroa de Areia / Corpo e Alma / De Esquina em Esquina / De Vez em Quando / Deixa Clarear / Derramando Lágrimas / Desencontro / Deusas dos Orixás / É Baiana / É doce morrer no Mar / É Favela / Encontro / Enredo / Esperança Perdida (dueto) / Espuma Congelada / Esse meu Cantar / Estranho Amor / Fado Tropical / Fala Viola / Feira de Mangaio / Feitio de Oração / Foi Ele / Fuzuê / Gente Boa / Graças a Deus / Grande Amor / Guerreira / Guerreiro de Oxalá / Homenagem a Olinda / Homenagem a Velha Guarda / Ijexa / Ilu Aye / Iracema / Jardim da Solidão / Jogo de Angola / Juízo Final / Lama / Macunaima / Mãe África / Magoada / Mandinga / Menino Velho / Meninos Deus / Mente / Meu Cariri / Meu Lema / Meu Sapato já furou / Meu Sofrer / Meus Tempos de Criança / Minha Festa / Minha Gente do Morro / Minha Missão / Minha Partida / Misticismo da África ao Brasil / Moeda / Morena da Angola (com Chico Buarque) / Morena do Mar / Morrendo Verso em Verso / Mulata do Balaio / Na Linha do Mar / Nação / Nanae Nana Naiana / Ninguém / Ninguém tem que achar ruim / Novamente / Novo Amor / Obcessão / O Bem e o Mal / O Mais que Perfeito / O Mar Serenou / O que é que a Baiana tem / O Último Bloco / Opção / Oricuri / Outro Recado / Palhaço / Participação / Partido - com Clementina de Jesus / Pau de Arara / Perdão / Poema do Desencontro / Porta Aberta / Portela na Avenida / Prá Esquecer / Punhal / Puxada da Rede do Xaréu 1 / Puxada da Rede do Xaréu 2 / Quando eu vim de Minas / Que é que eu faço / Que seja bem feliz / Quem me ouvir cantar / Rancho da Primavera / Regresso / Retrato Falado / Risos e Lágrimas / Rolou / Rosa 25 / Rua da Aurora / Sabiá / Sagarana / Samba da Volta / Seca no Nordeste / Sem companhia / Sempre Mangueira / Senhora das Candeias / Serrinha / Sindorerê / Sofrimento de quem ama / Sonata de quem é feliz / Sucedeu assim / Tempo a Bessa / Tempo Perdido / Tenha Paciência / Ternura Antiga / Tributo aos Orixás / Tristeza Pé no Chão / Tu que me deste teu cuidado / Tudo é Ilusão / Último Pau de Arara / Umas e Outras / Vai Amor / Valeu pelo Amor / Valsa de Realejo / Vapô de São Francisco / Você não é como as flores / Você Passa e eu Acho Graça / Vontade de Chorar / Zambelê Versão para impressão Enviar por e-mail -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100516/bbef09ea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12319 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100516/bbef09ea/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 46 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100516/bbef09ea/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 16 13:57:23 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 16 May 2010 12:57:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Barb=E1rie_e_modernidade_no_s=E9c?= =?iso-8859-1?q?ulo_20_por_Michael_L=F6wy?= Message-ID: Carta O Berro.....................................................................repassem Barbárie e modernidade no século 20 A palavra "bárbaro" é de origem grega. Ela designava, na Antigüidade, as nações não-gregas, consideradas primitivas, incultas, atrasadas e brutais. Michael Löwy Barbárie civilizadaA oposição entre civilização e barbárie é então antiga. Ela encontra uma nova legitimidade na filosofia dos iluministas, e será herdada pela esquerda. O termo "barbárie" tem, segundo o dicionário, dois significados distintos, mas ligados: "falta de civilização" e "crueldade de bárbaro". A história do século 20 nos obriga a dissociar essas duas acepções e a refletir sobre o conceito - aparentemente contraditório, mas de fato perfeitamente coerente - de "barbárie civilizada". Em que consiste o "processo civilizador"? Como bem demonstrou Norbert Elias, um de seus aspectos mais importantes é que a violência não é mais exercida de maneira espontânea, irracional e emocional pelos indivíduos, mas é monopolizada e centralizada pelo Estado, mais precisamente, pelas forças armadas e pela polícia. Graças ao processo civilizador, as emoções são controladas, o caminho da sociedade é pacificado e a coerção física fica concentrada nas mãos do poder político1. O que Elias não parece ter percebido é o reverso dessa brilhante medalha: o formidável potencial de violência acumulado pelo Estado... Inspirado por uma filosofia otimista do progresso, ele podia escrever, ainda em 1939: "Comparada ao furor do combate abissínio (...) ou daquelas tribos da época das grandes migrações, a agressividade das nações mais belicosas do mundo civilizado parece moderada (...); ela só se manifesta em sua força brutal e sem limites em sonho e em alguns fenômenos que nós qualificamos de 'patológicos'".2 Alguns meses depois dessas linhas terem sido escritas, começava uma guerra entre nações "civilizadas" cuja "força brutal e sem limites" é simplesmente impossível de comparar com o pobre "furor" dos combatentes etíopes, tamanha é a desproporção. O lado sinistro do "processo civilizador" e da monopolização estatal da violência se manifestou em toda sua terrível potência. Se nós nos referimos ao segundo sentido da palavra "bárbaro" - atos cruéis, desumanos, a produção deliberada de sofrimento e a morte deliberada de não-combatentes (em particular, crianças) - nenhum século na história conheceu manifestações de barbárie tão extensas, tão massivas e tão sistemáticas quanto o século XX. Certamente, a história humana é rica em atos bárbaros, cometidos tanto pelas nações "civilizadas" quanto pelas tribos "selvagens". A história moderna, depois da conquista das Américas, parece uma sucessão de atos desse gênero: o massacre de indígenas das Américas, o tráfico negreiro, as guerras coloniais. Trata-se de uma barbárie "civilizada", isto é, conduzida pelos impérios coloniais economicamente mais avançados. Karl Marx era um dos críticos mais ferozes desses tipos de práticas maléficas e destruidoras da modernidade, que para ele estão associadas às necessidades de acumulação do capital. Em O Capital, especialmente no capítulo sobre a acumulação primitiva, encontra-se uma crítica radical dos horrores da expansão colonial: a escravização ou o extermínio dos indígenas, as guerras de conquista, o tráfico de negros. Essas "barbáries e atrocidades execráveis" - que segundo Marx (citando de modo favorável M.W. Howitt) "não têm paralelo em qualquer outra era da história universal, em nenhuma raça por mais selvagem, grosseira, impiedosa e sem pudor que ela tenha sido" - não foram simplesmente passadas aos lucros e perdas do progresso histórico, mas devidamente denunciadas como uma "infâmia"3. Considerando algumas das manifestações mais sinistras do capitalismo, como as leis dos pobres ou os workhouses - estas "bastilhas de operários" -, Marx escreveu em 1847 esta passagem surpreendente e profética, que parece anunciar a Escola de Frankfurt: "A barbárie reapareceu, mas desta vez ela é engendrada no próprio seio da civilização e é parte integrante dela. É a barbárie leprosa, a barbárie como lepra da civilização"4 Mas com o século XX, um limite é transgredido, passa-se a um nível superior; a diferença é qualitativa. Trata-se de uma barbárie especificamente moderna, do ponto de vista de seu etos, de sua ideologia, de seus meios, de sua estrutura. Nós voltaremos a esse ponto. A Primeira Guerra Mundial inaugurou esse novo estágio da barbárie civilizada. Dois autores, os primeiros, soaram o sinal de alarme, em 1914-15: Roxa Luxemburgo e Franz Kafka. Apesar de suas evidentes diferenças, eles têm em comum o fato de terem tido a intuição - cada um à sua maneira - de alguma coisa sem precedente que estava para se constituir no curso daquela guerra. Ao usar a palavra de ordem "socialismo ou barbárie", Rosa Luxemburgo em A crise da social-democracia, de 1915 (assinada com o pseudônimo "Junius"), rompeu com a concepção - de origem burguesa, mas adotada pela Segunda Internacional - da história como progresso irresistível, inevitável, "garantido" pelas leis "objetivas" do desenvolvimento econômico ou da evolução social. Essa palavra de ordem é sugerida por certos textos de Marx ou de Engels, mas é Rosa Luxemburgo que dá a ela essa formulação explícita e elaborada. Ela implica uma percepção da história como processo aberto, como série de "bifurcações", onde o "fator subjetivo" - consciência, organização, iniciativa - dos oprimidos tornam-se decisivos. Não se trata mais de esperar que o fruto "amadureça", segundo as "leis naturais" da economia ou da história, mas de agir antes que seja tarde demais. Porque o outro lado da alternativa é um sinistro perigo: a barbárie. Em um primeiro momento ela parece considerar a "recaída na barbárie" como "a aniquilação da civilização", uma decadência análoga àquela da Roma antiga5. Mas logo ela se dá conta que não se trata de uma impossível "regressão" a um passado tribal, primitivo ou "selvagem", mas antes, de uma barbárie eminentemente moderna, da qual a Primeira Guerra Mundial dá um exemplo surpreendente, bem pior em sua desumanidade assassina que as práticas guerreiras dos conquistadores "bárbaros" do fim do Império Romano. Jamais no passado tecnologias tão modernas - os tanques, o gás, a aviação militar - tinham sido colocadas ao serviço de uma política imperialista de massacre e de agressão em uma escala tão imensa. As intuições de Kafka são de uma natureza totalmente diferente. É sob a forma literária e imaginária que ele descreve a nova barbárie. Trata-se de uma novela intitulada A colônia penal: em uma colônia francesa, um soldado "indígena" é condenado à morte por oficiais cuja doutrina jurídica resume em poucas palavras a quintessência do arbitrário: "a culpabilidade não deve jamais ser colocada em dúvida!". Sua execução deve ser cumprida por uma máquina de tortura que escreve lentamente sobre seu corpo com agulhas que o atravessam a frase "Honra teus superiores". O personagem central da novela não é nem o viajante que observa os acontecimentos com uma hostilidade muda, nem o prisioneiro, que não reage de modo nenhum, nem o oficial que preside a execução, nem o comandante da colônia. É a máquina mesma. Toda a narrativa gira em torno desse sinistro aparelho (Apparat), que parece mais e mais, no curso da explicação detalhada que o oficial dá ao viajante, como um fim em si mesmo. O Aparelho não está lá para executar o homem, é sobretudo este que está lá pelo Aparelho, para fornecer um corpo sobre o qual ele possa escrever sua obra-prima estética, sua inscrição sangrenta ilustrada de "muitos florilégios e ornamentos". O oficial mesmo é apenas um servidor da Máquina e, finalmente, ele mesmo se sacrifica à esse insaciável Moloch6. Em que "máquina de poder" bárbara, em que "aparelho da autoridade" sacrificador de vidas humanas, pensava Kafka? A colônia penal foi escrita em outubro de 1914, três meses após a eclosão da grande guerra. Há poucos textos na literatura universal que apresentam de maneira tão penetrante a lógica mortífera da barbárie moderna como mecanismo impessoal. Esses pressentimentos parecem se perder nos anos do pós-guerra. Walter Benjamin é um dos raros pensadores marxistas a compreender que o progresso técnico e industrial pode ser portador de catástrofes sem precedentes. Daí seu pessimismo - não fatalista, mas ativo e revolucionário. Em um artigo de 1929 ele definia a política revolucionária como "a organização do pessimismo" - um pessimismo em todas as linhas: desconfiança quanto ao destino da liberdade, desconfiança quanto ao destino do povo europeu. E acrescenta ironicamente: "confiança ilimitada somente no IG Farben e no aperfeiçoamento pacífico da Luftwaffe"7. Ora, mesmo Benjamin, o mais pessimista de todos, não podia adivinhar a que ponto essas duas instituições iriam mostrar, alguns anos mais tarde, a capacidade maléfica e destrutiva da modernidade8. Pode-se definir como propriamente moderna a barbárie que apresenta as seguintes características: - Utilização de meios técnicos modernos. Industrialização do homicídio. Exterminação em massa graças às tecnologias científicas de ponta. - Impessoalidade do massacre. Populações inteiras - homens e mulheres, crianças e idosos - são "eliminados", com o menor contato pessoal possível entre quem toma a decisão e as vítimas. - Gestão burocrática, administrativa, eficaz, planificada, "racional" (em termos instrumentais) dos atos bárbaros. - Ideologia legitimadora do tipo moderno: "biológica", "higiênica", "científica" (e não religiosa ou tradicionalista) - Todos os crimes contra a humanidade, genocídios e massacres do século XX não são modernos no mesmo grau: o genocídio dos armênios em 1915, o genocídio levado a cabo pelo Pol Pot no Camboja, aquele dos tutsis em Ruanda etc. associam, cada um de maneira específica, traços modernos e traços arcaicos. Os quatro massacres que encarnam de maneira mais acabada a modernidade da barbárie são o genocídio nazista contra os judeus e os ciganos, a bomba atômica em Hiroshima, o Goulag estalinista e a guerra norte-americana no Vietnã. Os dois primeiros são provavelmente os mais integralmente modernos: as câmaras de gás nazistas e a morte atômica norte-americana contêm praticamente todos os ingredientes da barbárie tecno-burocrata moderna. Auschwitz representa a modernidade não somente pela sua estrutura de fábrica de morte, cientificamente organizada e que utiliza as técnicas mais eficazes. O genocídio dos judeus e dos ciganos é também, como observa o sociólogo Zygmunt Bauman, um produto típico da cultura racional burocrática, que elimina da gestão administrativa toda interferência moral. Ele é, deste ponto de vista, um dos possíveis resultados do processo civilizador como racionalização e centralização da violência e como produção social da indiferença moral. "Como toda outra ação conduzida de maneira moderna - racional, planificada, cientificamente informada, gerida de forma eficaz e coordenada - o Holocausto deixou para trás todos seus pretensos equivalentes pré-modernos, revelando-os em comparação como primitivos, esbanjadores e ineficazes. (...) Ele se eleva muito acima dos episódios de genocídio do passado, da mesma forma que a fábrica industrial moderna está bem acima da oficina artesanal...."9 A ideologia legitimadora do genocídio é ela também de tipo moderno, pseudo-científico, biológico, antropométrico, eugenista. A utilização obsessiva de fórmulas pseudo-medicinais é característica do discurso anti-semita dos dirigentes nazistas, o que pode ser notado nas conversações privadas deles. Numa carta a Himmler em 1942, Adolf Hitler insistia: "A batalha na qual nós estamos engajados hoje é do mesmo tipo que a batalha liderada, no século passado, por Pasteur e Koch. Quantas doenças não tiveram sua origem no vírus judeu... Nós não encontraremos nossa saúde sem eliminar os judeus".10 Em seu notável ensaio sobre Auschwitz11, Enzo Traverso destaca, com palavras sóbrias, precisas e lúcidas, o contexto do genocídio. Não se trata nem de uma simples "resistência irracional à modernização", nem de um resíduo de barbárie antiga, mas de uma manifestação patológica da modernidade, do rosto escondido, infernal, da civilização ocidental, de uma barbárie industrial, tecnológica, "racional" (do ponto de vista instrumental). Tanto a motivação decisiva do genocídio - a biologia racial - quanto suas formas de realização - as câmaras de gás - eram perfeitamente modernas. Se a racionalidade instrumental não basta para explicar Auschwitz, ela é sua condição necessária e indispensável. Encontra-se nos meios de exterminação nazistas uma combinação de diferentes instituições típicas da modernidade: ao mesmo tempo, a prisão descrita por Foucault, a fábrica capitalista da qual falava Marx, "a organização científica do trabalho" de Taylor, a administração racional/burocrática segundo Max Weber. Este último tinha intuído, como sublinha Marcuse, a transformação da razão ocidental em força destrutiva. Sua análise da burocracia como máquina "desumanizada", impessoal, sem amor nem paixão, indiferente a tudo aquilo que não é sua tarefa hierárquica, é essencial para compreender a lógica reificada dos campos da morte. Isso vale também para a fábrica capitalista, que estava presente em Auschwitz, ao mesmo tempo nas oficinas de trabalho escravo da empresa IG Farben e nas câmaras à gás, lugares de produção "em cadeia" de mortos. Mas a "solução final" é irredutível à toda lógica econômica: a morte não é nem uma mercadoria, nem uma fonte de lucro. Traverso critica, de maneira muito convincente, as interpretações - inspiradas, em um grau ou outro, pela ideologia do progresso - do nazismo e do genocídio como produto da história do irracionalismo alemão (Georges Lukács), de uma "saída" da Alemanha para fora do berço ocidental (Jürgen Habermas) ou de um movimento de "descivilização" (Entzivilisierung) inspirado por uma ideologia "pré-industrial" (Norbert Elias). Se o processo civilizador significa, antes de tudo, a monopolização pelo estado da violência - como o mostram, depois de Hobbes, tanto Weber quanto Elias - é necessário reconhecer que a violência do Estado está na origem de todos os genocídios do século XX. Auschwitz não representa uma "regressão" em direção ao passado, em direção a uma idade bárbara primordial, mas é realmente um dos rostos possíveis da civilização industrial ocidental. Ele constitui ao mesmo tempo uma ruptura com a herança humanista e universalista dos Iluministas e um exemplo terrível das potencialidades negativas e destrutivas de nossa civilização. Se o extermínio dos judeus pelo Terceiro Reich é comparável a outros atos bárbaros, nem por isso ele deixa de ser um evento singular. É necessário recusar as interpretações que eliminam as diferenças entre Auschwitz e os campos soviéticos, ou os massacres coloniais, os pogroms etc.12 O crime de guerra que tem mais afinidades com Auschwitz é Hiroshima, como compreenderam tão bem Günther Anders e Dwight MacDonald: nos dois casos delega-se a tarefa a uma máquina de morte formidavelmente moderna, tecnológica e "racional". Mas as diferenças são fundamentais. Inicialmente, as autoridades americanas não tiveram jamais como objetivo - como aquelas do Terceiro Reich - realizar o genocídio de toda uma população: no caso das cidades japonesas, o massacre não era, como nos campos nazistas, um fim em si mesmo, mas um simples "meio" para atingir objetivos políticos. O objetivo da bomba atômica não era o extermínio da população japonesa como fim autônomo. Tratava-se sobretudo de acelerar o fim da guerra e demonstrar a supremacia militar americana face à União Soviética. Em um relatório secreto de maio de 1945 ao presidente Truman, o Target Committee - o "Comitê de Alvo", composto pelos generais Groves, Norstadt e do matemático Von Neumann - observa friamente: "A morte e a destruição irão não somente intimidar os japoneses sobreviventes a fazer pressão pela capitulação mas também (a bônus) assustar a União Soviética. Em síntese, a América poderia terminar mais rapidamente a guerra e, ao mesmo tempo, ajudar à moldar o mundo do pós-guerra"13. Para obter esses objetivos políticos, a ciência e a tecnologia mais avançadas foram utilizadas e centenas de milhares de civis inocentes, homens, mulheres e crianças foram massacrados - sem falar da contaminação pela irradiação nuclear das gerações futuras. Uma outra diferença com Auschwitz é, sem dúvida, o número bem inferior de vítimas. Mas a comparação das duas formas de barbárie burocrático-militar é muito pertinente. Os próprios dirigentes americanos estavam conscientes do paralelo com os crimes nazistas: em uma conversa com Truman no dia 6 de junho de 1945, o secretário de Estado, Stimson, relatava seus sentimentos: "Eu disse a ele que estava inquieto com esse aspecto da guerra... porque eu não queria que os americanos ganhassem a reputação de ultrapassar Hitler em atrocidade"14. Em muitos aspectos, Hiroshima representa um nível superior de modernidade, tanto pela novidade científica e tecnológica representada pela arma atômica, quanto pelo caráter ainda mais distante, impessoal, puramente "técnico" do ato exterminador: pressionar um botão, abrir a escotilha que liberta a carga nuclear. No contexto próprio e asséptico da morte atômica entregue pela via aérea, deixou-se para trás certas formas manifestamente arcaicas do Terceiro Reich, como as explosões de crueldade, o sadismo e a fúria assassina dos oficiais da SS. Essa modernidade se encontra na cúpula norte-americana que toma - após ter cuidadosa e "racionalmente" pesado os prós e os contras - a decisão de exterminar a população de Hiroshima e Nagasaki: um organograma burocrático complexo composto por cientistas, generais, técnicos, funcionários e políticos tão cinzentos quanto Harry Truman, em contraste com os acessos de ódio irracional de Adolf Hitler e seus fanáticos. No curso dos debates que precederam a decisão de lançar a bomba, certos oficiais, como o general Marshall, declararam suas reservas, à medida em que eles defendiam o antigo código militar, a concepção tradicional da guerra, que não admitia o massacre intencional de civis. Eles foram vencidos por um ponto de vista novo, mais "moderno", fascinado pela novidade científica e técnica da arma atômica, um ponto de vista que não tinha nada a ver com códigos militares arcaicos e que não se interessava senão pelo cálculo de lucros e perdas, isto é, em critérios de eficácia político-militar15. Seria necessário acrescentar que um certo número de cientistas que tinham participado, por convicção antifascista, nos trabalhos de preparação da arma atômica, protestaram contra a utilização de suas descobertas contra a população civil das cidades japonesas. Uma palavra sobre o Goulag estalinista: se há muito em comum com Auschwitz - sistema concentracionário, regime totalitário, milhões de vítimas - ele se distingue pelo fato que o objetivo dos campos soviéticos não era o extermínio dos prisioneiros mas sua exploração brutal como força de trabalho escrava. Em outras palavras: pode-se comparar Kolyma e Buchenwald, mas não o Goulag e Treblinka. Nenhuma contabilidade macabra - como aquela fabricada por Stéphane Courtois e outros anticomunistas profissionais - pode apagar essa diferença. O Goulag era uma forma de barbárie moderna na medida em que era burocraticamente administrado por um Estado totalitário e colocado ao serviço de projetos estalinistas faraônicos de "modernização" econômica da União Soviética. Mas ele se caracteriza também por traços mais "primitivos": corrupção, ineficácia, arbitrariedade, "irracionalidade". Ele se situa por essa razão em um degrau de modernidade inferior ao sistema concentracionário do Terceiro Reich. Enfim, a guerra americana no Vietnã, atroz pelo número de vítimas civis exterminadas pelos bombardeios, o napalm ou as execuções coletivas, constitui, em vários aspectos, uma intervenção extremamente moderna: fundada sobre uma planificação "racional" - com a utilização de computadores, e de um exército de especialistas - ela mobiliza um armamento muito sofisticado, na ponta do progresso técnico dos anos 60 e 70: B-52, napalm, herbicidas, bombas à fragmentação etc.16 Essa guerra não foi um conflito colonial como os outros: bastava lembrar que a quantidade de bombas e explosivos lançados sobre o Vietnã foi superior àquela utilizada por todos os beligerantes durante a Segunda Guerra Mundial! Como no caso de Hiroshima, o massacre não era um objetivo em si, mas um meio político; e se a cifra de mortos é bem superior àquela das duas cidades japonesas, não se encontra no Vietnã aquela perfeição da modernidade técnica e impessoal, aquela abstração científica da morte que caracteriza a morte atômica"17. A natureza contraditória do "progresso" e da "civilização" moderna se encontra no coração das reflexões da Escola de Frankfurt. Em Dialética do Iluminismo (1944), Adorno e Horkheimer constatam a tendência da racionalidade instrumental de se transformar em loucura assassina: a "luminosidade gelada" da razão calculista "carrega a semente da barbárie". Em uma nota redigida em 1945 para Minima Moralia, Adorno utiliza a expressão "progresso regressivo" tentando de dar conta da natureza paradoxal da civilização moderna.18 Entretanto, essas expressões ainda são tributárias, apesar de tudo, da filosofia do progresso. Na verdade, Auschwitz e Hiroshima não são em nada uma "regressão à barbárie" - ou mesmo uma "regressão": não há nada no passado que seja comparável à produção industrial, científica, anônima e racionalmente administrada da morte em nossa época. Basta comparar Auschwitz e Hiroshima com as práticas guerreiras das tribos bárbaras do século IV para se dar conta que eles não têm nada em comum: a diferença não é somente na escala, mas na natureza. É possível comparar as práticas mais "ferozes" dos "selvagens" - morte ritual do prisioneiro de guerra, canibalismo, redução das cabeças etc. - com uma câmara de gás ou uma bomba atômica? São fenômenos inteiramente novos, que não seriam possíveis a não ser no século XX. As atrocidades de massa, tecnologicamente aperfeiçoadas e burocraticamente organizadas, pertencem unicamente à nossa civilização industrial avançada. Auschwitz e Hiroshima não são mais "regressões": são crimes irremediavelmente e exclusivamente modernos. Existe entretanto um domínio específico da "barbárie civilizada" em que se pode efetivamente falar de regressão: a tortura. Como destaca Eric Hobsbawn em seu admirável ensaio de 1994, "Barbárie: um guia para o usuário": "A partir de 1782 a tortura foi formalmente eliminada do procedimento judiciário dos países civilizados. Em teoria, ela não era mais tolerada nos aparelhos coercitivos do Estado. O preconceito contra essa prática era tão forte que ela não pôde retornar após a derrota da Revolução Francesa que a havia seguramente abolido (...) Pode-se suspeitar que nos redutos da barbárie tradicional, que resistem ao progresso moral - por exemplo as prisões militares ou outras instituições análogas - ela de fato não desapareceu..." Ora, no século XX, sob o fascismo e o estalinismo, nas guerras coloniais - Argélia, Irlanda etc. - e nas ditaduras latino-americanas, a tortura é de novo empregada em grande escala.19 Os métodos são diferentes - a eletricidade substitui o fogo e os torniquetes - mas a tortura de prisioneiros políticos tornou-se, no curso do século XX, uma prática rotineira - mesmo se não-oficial - de regimes totalitários, ditatoriais, e mesmo, em certos casos (as guerras coloniais), "democráticos". Nesse caso, o termo "regressão" é pertinente, na medida em que a tortura era praticada em inúmeras sociedades pré-modernas, e também na Europa, da Idade Média até o século XVIII. Um uso bárbaro que o processo civilizador parecia ter suprimido no curso do século XIX voltou no século XX, sob uma forma mais "moderna" - do ponto de vista das técnicas - mas não menos desumana. Levar em conta a barbárie moderna do século XX exige o abandono da ideologia do progresso linear. Isso não quer dizer que o progresso técnico e científico é intrinsecamente portador de malefício - nem tampouco o inverso. Simplesmente, a barbárie é uma das manifestações possíveis da civilização industrial/capitalista moderna - ou de sua cópia "socialista" burocrática. Não se trata também de reduzir a história do século XX a seus momentos bárbaros: essa história conheceu também a esperança, as sublevações dos oprimidos, as solidariedades internacionais, os combates revolucionários: México, 1914; Petrogrado, 1917; Budapeste, 1919; Barcelona, 1936; Paris, 1944; Budapeste, 1956; Havana, 1961; Paris, 1968; Lisboa, 1974; Manágua, 1979; Chiapas, 1994; foram alguns dos momentos fortes - mesmo se efêmeros - dessa dimensão emancipadora do século. Eles constituem pontos de apoio preciosos à luta das gerações futuras por uma sociedade humana e solidária. Notas: 1 Norbert Elias, La Dynamique de l'Occident, Paris, Calmann-Lévy, 1975, pp.181-190. A referência ao combate abissínio soa estranha no momento em que a Etiópia combatia pela sua liberdade contra a invasão colonial do fascismo italiano, portador de uma pretensa missão "civilizadora". 2 Norbert Elias, La civilisation des moeurs, Paris, Calmann-Lévy, 1973, p.280. 3 Marx, Le Capital, vol. I, p.557-558, 563. 4 K. Marx, "Arbeitslohn", 1847, Kleine Ökonomische Schriften, Berlin, Dietz Verlag, 1955, p.245. 5 R. Luxemburgo, A crise da social-democracia, 1915. 6 Kafka, "In der Strafkolonie", Erzählung und kleine Prosa, N. York, Schocken Books, 1946, pp.181-113. 7 W. Benjamin, "O surrealismo. O último instante de inteligência européia", 1929. Mythe et violence, Paris, Letras Novas, 1971, p.312 8 Lembremos que o grande truste químico IG Farben não somente utilizou massivamente a mão-de-obra escrava em Auschwitz mas também produziu o gás Zyklotron B, que servia para exterminar as vítimas do sistema concentracionário. 9 Zygmut Bauman, Modernity and the Holocaust, London, Polity Press, 1989, p.15, 28. 10 Citado por Zygmunt Bauman, op.cit, p.71 11 Enzo Traverso, L'Histoire déchirée. Essai sur Auschwitz et les intellectuels, Paris, Cerf, 1997 12 Sobre esse assunto, remeto à excelente colocação de Enzo Traverso, "A singularidade de Auschwitz. Hipóteses, problemas e derivações da pesquisa histórica". Pour une critique de la barbarie moderne. Ecrits sur l'histoire des Juifs e de l'antisémitisme, Lausanne, Ed. Page deux, 1997. 13 Citado dos arquivos históricos recentemente abertos ao público em Barton J. Bernstein, "The Atomic Bombings Reconsidered", Foreign Affairs, fevereiro 1995, p. 143. 14 Ibid, p.146. 15 Sobre as reservas de Marshall, cf. Barton J. Bernstein, Op.cit, p.143. 16 De fato, é inteiramente racional se a "razão" significa racionalidade instrumental, aplicar a força militar norte-americana, os B-52, o napalm e todo o resto no Vietnã "sob dominação comunista" (claramente um "objeto indesejável"), como o "operador" para o transformar em "objeto desejável". Joseph Weizenbaum, "Computer Power and Human Reason". From Judgmente to Calculation, S. Francisco, W.H. Freeman, 1976, p.252 17 Outras guerras coloniais tiveram lugar no século XX - na Indochina, na Argélia, na África colonial portuguesa etc., mas nenhuma atingiu o grau de modernidade como aquela do Vietnã. Em comparação, elas parecem arcaicas, primitivas. 18 T.W.Adorno, M. Horkheimer, La Dialectique de la raison, Paris, Gallimard, 1974, p.48 e T.W. Adorno, Minima Moralia, Paris, Payot, 1983, p.134 19 E. Hobsbawn, Barbarism: An User's Guide. On History, London, Weidenfelds and Nicholson, 1997, pp.259-263. Tradução: Alessandra Ceregatti Michael Löwy, brasileiro, é sociólogo, pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da Franç -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100516/aa69fc7d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 41535 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100516/aa69fc7d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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O meu objectivo é tocar nos temas que se têm vindo a formar na minha cabeça há muito tempo e que acredito que a nossa sociedade precisa de ver abordados. - Michael Moore No 20º aniversário da marcante obra-prima de Michael Moore, Capitalismo: Uma História de Amor regressa ao tema que o realizador tem vindo a examinar ao longo da sua carreira: o desastroso impacto do domínio das grandes corporações no dia-a-dia dos americanos e, por defeito, das pessoas de todo o mundo. Mas desta vez o culpado é muito maior que a General Motors e o local do crime bem mais vasto do que Flint, no Michigan. Da América interior ao centro do poder de Washington, passando pelo epicentro financeiro de Manhattan, Michael Moore transporta de novo o espectador para territórios nunca percorridos. Ao mesmo tempo com humor e coragem, Capitalismo: Uma História de Amor explora uma pergunta tabu: Qual o preço que a América tem de pagar pelo seu amor pelo capitalismo? Anos atrás, esse amor parecia inocente. Hoje, no entanto, o Sonho Americano parece mais um pesadelo, quando as pessoas têm de pagar com os seus empregos, a suas casas e as suas poupanças. Moore leva-nos até às casas de gente normal, cujas vidas ficaram viradas do avesso, e vai à procura de explicações em Washington e outros locais. O que descobrimos tem os sintomas tão familiares de uma história de amor que deu para o torto: mentiras, abuso, traiçãoe 14,000 empregos perdidos todos os dias. Capitalismo: Uma História de Amor é não só o culminar do trabalho anterior de Michael Moore e um olhar sobre como poderia ser um futuro mais esperançoso. É a derradeira tentativa de Michael Moore para responder à pergunta que tem andado a fazer ao longo da sua tão ilustre como controversa carreira: Quem somos nós e porque razão nos comportamos assim? Distribuição: Ecofilmes Link para baixar o documentário AQUI. http://profdiafonso.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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CORRENTE COMUNISTA INTERNACIONAL Debate sobre as raízes da crise e da situação histórica atual Existe um acordo profundo entre a Corrente Comunista Internacional (CCI) e a Oposição Operária (OPOP) [1] quanto à existência de uma crise irreversível que abre a perspectiva de um desenvolvimento dos combates de classes em escala mundial e coloca a alternativa Socialismo ou barbárie. Entretanto existe também uma série de questões, relativas a essa crise e essa perspectiva, que merecem ser discutidas e esclarecidas: Qual é o significado de Outubro de 17 no que se refere precisamente à perspectiva revolucionaria atual? Será que a destruição revolucionária do capitalismo pelo proletariado já estava naquela época na ordem do dia da história? Será que realmente a contradição central que se manifesta hoje na crise do capitalismo é a queda da taxa de lucro, a superprodução sendo somente uma conseqüência desta? Será que tal analise corresponde realmente ao que salienta na obra de Marx?E com esta finalidade de esclarecimento através do debate que publicamos nossas objeções (a certos aspetos da visão desenvolvida por OPOP, apoiadas por numerosos elementos relativos ao período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial e àquela que lhe sucedeu, muitas vezes desconhecidos, para evidenciar a ruptura que este evento constituiu em todos os aspetos da vida social. É obvio que a participação, além da OPOP e da CCI é desejada, notadamente sob a forma de contribuições escritas que publicaremos. As rupturas em reação à degeneração do Trotskismo Publicamos a seguir um conjunto de documentos ilustrando este fenômeno do surgimento de correntes proletárias saindo do seio do trotskismo em reação à traição deste (ler nossa série Será que o trotskismo pertence ao campo do proletariado? [1]): · Prefácio ao Segundo Manifesto Comunista (1965) escrito por G. Munis (e B. Péret) que saiu da organização trotskista espanhola e fundou o Fomiento obrero revolucionário; · Em memória de Munis, militante da classe operária, escrito por nossa corrente quando da morte do revolucionário; · Carta de ruptura de Natalia Sedova Trotsky com a IV Internacional datada de 9 de maio 1951. Apesar de manter-se totalmente fiel à lógica do próprio Trotsky responsável pelo curso oportunista do trotskismo nos anos trinta, este documento constitui entretanto uma reação saudável à passagem da organização trotskista para o campo da burguesia. Leia também as nossas páginas em outros idiomas english| français| deutsch| italiano| svenska| español| | nederlands| português| ???????| | | | | filipino| | türkçe| magyar| suomi| -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100517/caa8c481/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 18 20:10:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 May 2010 19:10:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_VIT=C3=93RIA_DA_DIPLOMACIA_BRASILEIR?= =?utf-8?q?A_SOBRE_A_BO=C3=87ALIDADE_DA_EMPRESA_EUA/ISRAEL_TERRORIS?= =?utf-8?q?MO_S/A_por_Laerte_Braga?= Message-ID: <0B43665CBC274775A5CADBD2254F9311@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem A VITÓRIA DA DIPLOMACIA BRASILEIRA SOBRE A BOÇALIDADE DA EMPRESA EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A Laerte Braga O acordo firmado entre os governos do Brasil, do Irã e da Turquia sobre o uso de energia nuclear pelos iranianos joga por terra toda a esperança do conglomerado empresarial EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A de mais uma guerra, onde possam usar armas químicas, biológicas, matar crianças, idosos, mulheres, tudo em nome da democracia, da paz, da liberdade, etc e principalmente, mostra ao mundo que a paz em seu sentido não pleno passa, necessariamente, por aquele conglomerado de empresas, bancos e boçais fardados. As declarações da secretária de Estado da empresa (EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A) que tem dúvidas sobre se o Irã pretende cumprir o acordo ou se o acordo atende à ?comunidade internacional?, tem o tamanho da frustração. O mesmo quando o ministro do exterior da mesma empresa na filial de Israel diz que o Irã ?manipula o Brasil?. Eu não sei a essa altura do campeonato se o prêmio Nobel da Paz tem o significado que chegou a ter em determinados momentos de sua história. O laurel, como dizem, encerra algumas contradições e uma delas foi a concessão a Barack Obama, ano passado de tal honraria. Não sei até hoje o que Obama fez pela paz. Em 2003 inspetores da Agência Internacional de Energia Nuclear das Nações Unidas declararam em documento oficial que não havia provas da existência de armas químicas e biológicas no Iraque e tampouco de atividades voltadas para o desenvolvimento de armas nucleares. Em 2002, um ano antes da invasão norte-americana àquele país, o presidente da AIEN das Nações Unidas era o embaixador brasileiro José Maurício Bustani, hoje embaixador do Brasil em Londres. Bustani reforçou já àquela época, os primeiros relatórios sobre as tais armas químicas e biológicas (foram fornecidas pelos EUA para a guerra contra o Irã) e isso desagradou a empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Uma farsa com a concordância do governo do Brasil, FHC, resultou numa convocação geral da Assembléia dos países membros da Agência. Muitos deles sem direito a voto, pois em atraso com suas contribuições. Bustani era o primeiro adversário a ser afastado diante de uma decisão já tomada. Invadir o Iraque. O brasileiro foi afastado e, milagrosamente os países devedores pagaram suas dívidas momentos antes do início da Assembléia Geral. A subordinação de FHC foi vergonhosa, covarde. E essa é uma diferença fundamental entre o Brasil de ontem e o de hoje. Mas, ainda assim, os inspetores mantiveram seus relatórios afirmando não existirem provas de armas químicas e biológicas no Iraque, muito menos programa nuclear para produção desse tipo de armas. Em 20 de março de 2003, à revelia de uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A convocou suas filiais européias, asiáticas e a Austrália, para invadir o Iraque, Invadiu, ocupou e tomou conta do alvo principal, o petróleo iraquiano. ?O Iraque continua a ostentar a sua hostilidade em direção a América e seu apoio ao terror. O regime iraquiano tem desenvolvido antrax, gazes que afetam o sistema nervoso e armas nucleares por mais de uma década... Este é o regime que concordou com inspeções internacionais, depois expulsou os inspetores. Este é um regime que tem algo a esconder do mundo civilizado... Procurando armas de destruição em massa, estes regimes ? Irã, Iraque e Coréia do Norte ? representam um crescente perigo. Eles poderiam fornecer estas armas aos terroristas, prestando-lhes os meios para corresponder ao seu ódio?. Discurso feito por Bush para justificar a invasão do Iraque e que cabe em Obama ou sua secretária Hilary Clinton, para criar as mentiras que justifiquem uma ação militar contra o Irã. Não mudaram nada. São os mesmos. O acordo Brasil, Irã e Turquia frustra essa escalada de violência e barbárie do terrorismo internacional, na verdade sediado m Washington. Tira da empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A o monopólio de ditar as regras da política internacional para todo o mundo, mesmo porque vários governos europeus inclusive o da Espanha, atolados em crises imensas por conta entre outras coisas dos desvarios terroristas e belicosos de norte-americanos ? gostam de repartir os custos chamando as operações terroristas de ?ações de aliados? ? colônias ?. O exército terrorista da empresa retirou-se de uma base no Vale Korengal, no Afeganistão, depois de quatro anos tentando conquistar o controle interno da região. Para sair, derrotados, os norte-americanos pagaram pela fuga (indenização pelos danos causados, mortes), deixaram sua base intacta, inclusive edifícios, geradores de energia, combustível e equipamento militar, tudo para fugir tranquilamente. Ao longo desses quatro anos mataram civis, estupraram mulheres afegãs, cultivaram papoula para a fabricação de ópio e na retirada, com a mídia dócil comprada, o Pentágono através de seus generais afirmou que o que estava acontecendo era uma simples mudança de estratégia. Repete o general Westmoreland quando esse disse que a guerra no Vietnã estava ganha e os vietcongs, no dia seguinte, ocuparam a embaixada dos EUA na antiga Saigon. Westmoreland saiu de lá na hora, com o rabo entre as pernas e calado para não complicar mais ainda a vexaminosa situação de derrota militar. Um dos últimos soldados da empresa morto no Vale Korengal suicidou-se incapaz de suportar a situação a que estava sendo submetido. Vários soldados foram usados como isca para atrair forças rebeldes de um país ocupado violentamente pelos EUA. Ou seja, foram escalados para morrer atraindo os afegãos a uma armadilha. O NEW YORK TIMES, com o restinho de independência que lhe resta, lhe sobra, reproduziu palavras de Robert Soto, da Companhia B, 1º Batalhão, 26ª Infantaria e que lá estava ? ?dói a um ponto que três unidades do exército, todos nós fizemos o que fizemos lá. E todos nós perdemos homens. Todos fizemos sacrifícios. Eu tinha dezoito anos quando fui parar lá. E eu nunca poderia imaginar que iria passar por aquilo que passamos naquela idade?. O major Ukiah Senti, oficial executivo do 2º Batalhão, 12º Regimento de Infantaria, da Task Force Lethal, disse ?na realidade ninguém precisava de estar ali, nós, na verdade, não estávamos com atenção a outra coisa que não à nossa própria proteção?. O mesmo que aconteceu com o posto militar em Wanat, devastado em 2008, com 75% da tropa morta ?não havia nenhum objetivo a não ser esperar ser atacado, servir de isca humana?. Se tratam aos seus ?rapazes? assim, que dirá ao resto do mundo? Os generais norte-americanos sabem que estão perdendo a guerra, como perderam o Vietnã, a Coréia, mas insistem nos ?negócios?, a guerra é só um ?negócio? da máfia empresarial EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. A denúncia é de um veterano da guerra do Iraque e co-fundador da MARCH FORWARD, que desertou no Afeganistão, recusando-se a cumprir ordens de assassinato em massa de afegãos, de tortura, de barbárie e de servir de isca. James Circello, o autor das denúncias, que começam a encontrar eco entre os norte-americanos, percebendo que assim como a GENERAL MOTORS, ou muitos bancos, a empresa maior, EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A está indo a falência. A reação dos executivos da empresa ao acordo firmado entre o Brasil, o Irã e a Turquia, passa por isso, pelos ?negócios?. As dúvidas que lançam sobre a ?validade? e a ?exeqüibilidade? do acordo são apenas vagidos de quem tinha decidido pelas sanções como passo que antecede a ação militar. As forças terroristas em Israel já estavam prontas um ataque inicial. Perceberam agora que, para além dos seus umbigos, existem países e governantes como o presidente Lula, que não aceitam a barbárie e o terrorismo real como práticas e são capazes de fora desse eixo boçal (EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A) encontrar caminhos de paz. E principalmente que Lula não é FHC. O ministro das relações exteriores de Lula é Celso Amorim. Não tira os sapatos quando chega a New York para ser submetido a uma revista, como o fez o chanceler Celso Láfer, um trêfego sem caráter ou dignidade, que tirou os sapatos e tudo, para mostrar que era subserviente em caráter total. A ação da diplomacia brasileira transcende ao acordo em si. Mostra uma nova realidade que se constrói no mundo. É necessário estar atento, pois o terrorismo norte-americano e sionista não encontra limites, não se impõe limites, não respeita limites, além do que, estão armados até os dentes de armas nucleares, químicas e biológicas. Isso significa também, em termos de Brasil, que vão intensificar todos os meios para eleger o agente José Arruda Serra, tanto quanto mobilizar o exército de agentes abrigados num trem chamado PSDB, noutro DEM, noutro PPS e vai por aí afora, além da mídia venal, que começa na GLOBO, passa por VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO e deita ramas por vários setores do País. Eu se fosse Lula, no duro mesmo, se aquinhoado com o Nobel da Paz faria como Marlon Brando à época que ganhou o Oscar. O ator mandou uma índia sua companheira receber o prêmio e ler um manifesto contra a violência e barbárie da sociedade norte-americana. O que o presidente brasileiro fez foi colocar o Brasil num eixo de gigante desperto e capaz. Ao contrário de FHC e seu amontoado de diplomas, saberes e títulos. Neste momento a boçalidade terrorista da empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A tem um problema sério. Não sei se o maquiador (Bush antes de anunciar a invasão do Iraque apareceu na tevê sendo maquiado para parecer humano) da Casa Branca vai conseguir maquiar Obama e seu jeito de parecer negro e representar a ideologia ariana do nazi/fascismo de garfo e faca com guardanapo ao colo. E agora, no Brasil, com as bênçãos da CNBB (CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL), sob a batuta de Bento XVI o ?papa papão?. Vai render CD de Marcelo Rossi, vai aumentar os dízimos de Edir Macedo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100518/0c5e6f01/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 18 20:10:44 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 May 2010 19:10:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Convite_Maur=EDcio_Grab=F3is?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100518/d842cc9c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 18 20:10:55 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 18 May 2010 19:10:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Eduardo Galeano en VIDEO Message-ID: Carta O Berro..................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Eduardo Galeano http://www.youtube.com/watch?v=9I0WZFi99jw -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100518/80e88cb3/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100519/6d3612a9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100519/6d3612a9/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 19 20:25:17 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 19 May 2010 19:25:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] artigo de Frei betto e joao pedro stedile, sobre acordos com iran. Jornal do brasil, 19 de maio 2010 Message-ID: Do betto SEGUE O ARTIGO ME AVISE QUANDO SAICarta O Berro........................................................repassem O IMPÉRIO MANDA, AS COLÔNIAS OBEDECEM Frei Betto e João Pedro Stédile Após a Segunda Guerra Mundial, quando as forças aliadas saíram vitoriosas, o governo dos EUA tentou tirar o máximo proveito de sua vitória militar. Articulou a Assembléia das Nações Unidas dirigida por um Conselho de Segurança integrado pelos sete países mais poderosos, com poder de veto sobre as decisões dos demais. Impôs o dólar como moeda internacional, submeteu a Europa ao Marshall, de subordinação econômica, e instalou mais de 300 bases militares na Europa e na Ásia, cujos governos e mídia jamais levantam a voz contra essa intervenção branca. O mundo inteiro só não se curvou à Casa Branca porque existia a União Soviética para equilibrar a correlação de forças. Contra ela, os EUA travaram uma guerra sem limites, até derrotá-la política, militar e ideologicamente. A partir da década de 90, o mundo ficou sob hegemonia total do governo e do capital estadunidenses, que passaram a impor suas decisões a todos os governos e povos, tratados como vassalos coloniais. Quando tudo parecia calmo no império global, dominado pelo Tio Sam, eis que surgem resistências. Na América Latina, além de Cuba, outros povos elegem governos antiimperialistas. No Oriente Médio, os EUA tiveram que apelar para invasões militares a fim de manter o controle sobre o petróleo, sacrificando milhares de vidas de afegãos, iraquianos, palestinos e paquistaneses. Nesse contexto surge no Irã um governo decidido a não se submeter aos interesses dos EUA. Dentro de sua política de desenvolvimento nacional, instala usinas nucleares e isso é intolerável para o Império. A Casa Branca não aceita democracia entre os povos. Que significa todos os países terem direitos iguais. Não aceita a soberania nacional de outros povos. Não admite que cada povo e respectivo governo controlem seus recursos naturais. Os EUA transferiram tecnologia nuclear para o Paquistão e Israel, que hoje possuem bomba atômica. Mas não toleram o acesso do Irã à tecnologia nuclear, mesmo para fins pacíficos. Por quê? De onde derivam tais poderes imperiais? De alguma convenção internacional? Não, apenas de sua prepotência militar. Em Israel, há mais de vinte anos, Moshai Vanunu, que trabalhava na usina atômica, preocupado com a insegurança que isso representa para toda a região, denunciou que o governo já tinha a bomba. Resultado: foi sequestrado e condenado à prisão perpetua, comutada para 20 anos, depois de grande pressão internacional. Até hoje vive em prisão domiciliar, proibido de contato com qualquer estrangeiro. Todos somos contra o armamento militar e bases militares estrangeiras em nossos países. Somos contrários ao uso da energia nuclear, devido aos altos riscos, e ao uso abusivo de tantos recursos econômicos em gastos militares. O governo do Irã ousa defender sua soberania. O governo usamericano só não invadiu militarmente o Irã porque este tem 60 milhões de habitantes, é uma potência petrolífera e possui um governo nacionalista. As condições são muito diferentes do atoleiro chamado Iraque. Felizmente, a diplomacia brasileira e de outros governos se envolveu na contenda. Esperamos que sejam respeitados os direitos do Irã, como de qualquer outro país, sem ameaças militares. Resta-nos torcer para que aumentem as campanhas, em todo mundo, pelo desarmamento militar e nuclear. Oxalá o quanto antes se destinem os recursos de gastos militares para solucionar problemas como a fome, que atinge mais de um bilhão de pessoas. Os movimentos sociais, ambientalistas, igrejas e entidades internacionais se reuniram recentemente em Cochabamba, numa conferência ecológica mundial, convocada pelo presidente Evo Morales. Decidiu-se preparar um plebiscito mundial, em abril de 2011. As pessoas serão convocadas a refletir e votar se concordam com a existência de bases militares estrangeiras em seus países; com os excessivos gastos militares e que os países do Hemisfério Sul continuem pagando a conta das agressões ao meio ambiente praticadas pelas indústrias poluidoras do Norte. A luta será longa, mas nessa semana podemos comemorar uma pequena vitória antiimperialista. Frei Betto é escritor João Pedro Stédile integra a direção da Via Campesina -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100519/1ff5eb06/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 20 20:38:07 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 May 2010 19:38:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] LUGAR COMUM - REVISTA DE CULTURA, MIDIA E DEMOCRACIA] baixe gratuitamente Message-ID: Carta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: max carlos LUGAR COMUM - REVISTA DE CULTURA, MIDIA E DEMOCRACIA (revista da UNIVERSIDADE NOMADES) está na rede! Os números 17, 18, 19-20, 21-22, 23-24, 25-26, 27 e 28 podem ser baixados gratuitamente (cada texto a partir do seu link individual) pelo site da UNIVERSIDADE NOMADE: http://www.universidadenomade.org.br/?q=node/62 Divulguem! -------------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Newsletternomade mailing list Newsletternomade at listas2.rits.org.br http://listas2.rits.org.br/mailman/listinfo/newsletternomade -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100520/f1f45217/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100520/f1f45217/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 20 20:38:15 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 20 May 2010 19:38:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_Corte_Interamericana_de_Direit?= =?iso-8859-1?q?os_Humanos_se_re=FAne_em_S=E3o_Jos=E9_da_Costa_Rica?= =?iso-8859-1?q?=2C_nos_dias_20_e_21_de_maio_pr=F3ximo=2C_para_julg?= =?iso-8859-1?q?ar_o_Estado_brasileiro_pelo_desaparecimento_for=E7a?= =?iso-8859-1?q?do_de_70_pessoas?= Message-ID: Carta O Berro...........................................................repassem Caso Guerrilha do Araguaia x Brasil: Resumo cronológico no processo no Sistema Interamericano de Direitos Humanos A Corte Interamericana de Direitos Humanos se reúne em São José da Costa Rica, nos dias 20 e 21 de maio próximo, para julgar o Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de 70 pessoas, pela impunidade dos crimes e pelo não esclarecimento da verdade sobre os fatos ocorridos na Guerrilha do Araguaia durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) Sobre o Caso: Entre os anos de 1972 e 1975, sob o comando do governo do regime militar brasileiro, as Forças Armadas realizaram uma série de operações militares da região sul do estado do Pará, na divisa com os estados do Maranhão e Tocantins, com o objetivo de erradicar a denominada Guerrilha do Araguaia. Durante as operações, os agentes públicos e privados foram autores de graves violações de direitos humanos - como detenções ilegais e arbitrárias, torturas, execuções sumárias e desaparecimentos forçados - as quais estavam inseridas em um padrão sistemático e generalizado de repressão política contra opositores políticos, membros do Partido Comunista do Brasil, e a população local de camponeses. Por muitos anos o Estado brasileiro manteve o segredo sobre as operações realizadas na região. Nunca foi iniciada qualquer investigação a fim de identificar as responsabilidades individuais, processar e sancionar os perpetradores dos crimes cometidos. Passados mais de 35 anos desde que os fatos ocorreram, todos os responsáveis permanecem impunes. Assim mesmo, a cultura de segredo do Estado aliada à ausência de legislação adequada à garantia do pleno exercício do direito de acesso à informação impedem o esclarecimento dos fatos e o conhecimento da verdade pela sociedade e familiares das vítimas. Face à omissão do Estado e à falta de informação sobre o paradeiro de seus entes queridos, 22 familiares representando 25 desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia interpuseram, em 1982, uma ação ordinária perante a Justiça Federal brasileira. Nesta ação cobravam a localização e o traslado dos restos mortais de seus entes queridos, bem como a entrega de informação oficial sobre as circunstâncias de seus desaparecimentos. Passados 13 anos após o início da ação no Judiciário brasileiro, em 1995, diante da demora injustificada no andamento do processo e pela falta de diligência, os familiares dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia -representados pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional, pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro e pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos de São Paulo - enviaram denúncia internacional contra o Estado brasileiro perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). No mesmo ano, foi aprovada a Lei 9.140/95 - que reconheceu como mortos, os desaparecidos políticos e concedeu reparação de 100 a 150 mil reais para familiares das vítimas. Em 1996 a Comissão sugeriu a realização de solução amistosa entre as partes. A solução amistosa pressupõe um acordo que contemplasse as necessidades dos familiares e da sociedade como um todo pela verdade histórica. O Estado brasileiro se recusou a negociar. Em 1997 e 2001 foram realizadas audiências em Washington, onde representantes e familiares das vítimas subsidiaram a Comissão com informações e documentos, até que o caso foi admitido em 2001. Cinco anos depois o CEJIL, O GTNM-RJ e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de SP encaminharam as Alegações Finais solicitando que a CIDH analisasse o mérito do caso e emitisse seu Relatório Final. Após a realização de audiência em 2007, a CIDH aprovou, em 31 de outubro de 2008, esse relatório, no qual determinou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de membros do PCdoB e camponeses na Guerrilha do Araguaia. Neste relatório a CIDH afirmou que a interpretação prevalecente da Lei 6.683/79 (Lei de Anistia), segundo a qual os agentes públicos que cometeram crimes comuns durante o regime militar seriam beneficiados pela extinção da punibilidade, viola a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica) porque tem impedido a investigação dos fatos e eventual julgamento dos responsáveis pelos desaparecimentos forçados. A CIDH concluiu que os recursos de natureza civil que visavam obter informações sobre os fatos não foram efetivos para garantir aos familiares dos desaparecidos o acesso à informação sobre a Guerrilha do Araguaia. Também considerou que as medidas administrativas e legislativas adotadas pelo Brasil restringiram de forma indevida o direito ao acesso à informação de tais familiares. Finalmente, a CIDH determinou que o Estado brasileiro violou a integridade física e psicológica dos familiares das vítimas pelos desaparecimentos forçados, a impunidade dos agentes responsáveis, e pela falta de justiça, informação e verdade. Ao final do documento a CIDH teceu recomendações ao Estado, o qual dispunha de dois meses para cumpri-las. Segundo o relatório, o Estado Brasileiro deveria providenciar a abertura de todos os arquivos das Forças Armadas, o estabelecimento do Dia do Desaparecido Político, realizar um ato formal de reconhecimento da responsabilidade pelos fatos, a entrega dos restos mortais aos familiares para a realização de um enterro digno, a construção da memória política (obra ou monumento em homenagem aos mortos e desaparecidos do Araguaia), o pagamento de reparação econômica pelos lucros cessantes, danos morais e gastos nestes 30 anos de buscas e a punição dos responsáveis pelos assassinatos. Em 25 de março de 2009, a CIDH analisou as informações apresentadas pelo Estado e, diante da falta de implementação satisfatória das recomendações, decidiu enviar o caso para ser processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em 18 de julho de 2009 as organizações representantes dos familiares dos desaparecidos políticos, apresentaram sua petição, demonstrando todas as dimensões da responsabilidade do Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado das vítimas do caso, ao precisar a importância da análise do padrão de repressão política dentro do qual este se perpetrou, o alcance das violações aos direitos consagrados na Convenção Americana contra as vítimas e seus familiares e os efeitos destas violações para seus familiares e toda a sociedade brasileira. Na conclusão, as representantes das vítimas solicitaram que a Corte determinasse algumas medidas de reparação, dentre as quais, que o Estado brasileiro investigue e processe, perante a jurisdição penal comum, os perpetradores das violações, determinando responsabilidades. Que, para tanto, deixe de utilizar a lei de anistia e outros dispositivos legais, como a prescrição e outras excludentes de responsabilidade, que visem impedir a investigação dos fatos e a sanção dos responsáveis pelas graves violações aos direitos humanos. Assim mesmo, solicitam que a Corte determine que o Estado brasileiro exija a devolução de todos os documentos oficiais que estejam ilegalmente em posse de particulares; proceda, de imediato, a busca e a localização das vítimas deste caso, assegurando que sejam respeitadas as garantias de devida diligência essenciais na investigação de casos desta magnitude e instale uma Comissão da Verdade, cujo planejamento e constituição deverão seguir parâmetros internacionais e contar com a participação ativa das vítimas. Após a apresentação de contestação pelo Estado brasileiro, nos dias 20 e 21 de maio de 2010 será realizada a audiência pública sobre o caso, com a participação de peritos e testemunhas das partes. Comparecerão à audiência como testemunhas das representantes das vítimas Belisário dos Santos Júnior, Marlon Weichert, Elizabeth Silveira e Silva e Criméia Alice Schmdit de Almeida e, em conjunto com a Comissão Interamericana, Laura Petit da Silva e Marlon Weichert como testemunhas. Rodrigo Uprimny será o perito das representantes das vítimas e da CIDH como perito. Pelo Estado brasileiro estarão presentes José Gregori e Paulo Sepúlveda Pertence como testemunhas e, como perito, Gilson Dipp. A decisão da Corte Interamericana deverá ser apresentada de 3 a 7 meses, aproximadamente, após a audiência. Pela Justiça, Pela Verdade A única luta que se perde é a que se abandona -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100520/3594c56b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 21 19:59:51 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 May 2010 18:59:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Os_interesses_do_Imp=C3=A9rio_e_os_no?= =?utf-8?q?ssos_-_Mino_Carta?= Message-ID: <404F3B0B4C4B447CAF5AF19A074F2EB2@vcaixe> Carta O Berro................................................................repassem ----- Original Message ----- From: valerio SANTIAGO Data: Sexta-feira, 21 de Maio de 2010, 18:23 Os interesses do Império e os nossos 21/05/2010 13:55:31 Mino Carta Ao ler os jornalões na manhã de segunda 17, dos editoriais aos textos ditos jornalísticos, sem omitir as colunas, sobretudo as de O Globo, me atrevi a perguntar aos meus perplexos botões se Lula não seria um agente, ocidental e duplo, a serviço do Irã. Limitaram-se a responder soturnamente com uma frase de Raymundo Faoro: ?A elite brasileira é entreguista?. Entendi a mensagem. A elite brasileira aceita com impávida resignação o papel reservado ao País há quase um século, de súdito do Império. Antes, foi de outros. Súdito por séculos, embora graúdo por causa de suas dimensões e infindas potencialidades, destacado dentro do quintal latino-americano. Mas subordinado, sempre e sempre, às vontades do mais forte. Para citar eventos recentíssimos, me vem à mente a foto de Fernando Henrique Cardoso, postado dois degraus abaixo de Bill Clinton, que lhe apoia as mãos enormes sobre os ombros, em sinal de tolerante proteção e imponência inescapável. O americano sorri, condescendente. O brasileiro gargalha. O presidente que atrelou o Brasil ao mando neoliberal e o quebrou três vezes revela um misto de lisonja e encantamento servil. A alegria de ser notado. Admitido no clube dos senhores, por um escasso instante. Não pretendo aqui celebrar o êxito da missão de Lula e Erdogan. Sei apenas que em país nenhum do mundo democrático um presidente disposto a buscar o caminho da paz não contaria, ao menos, com o respeito da mídia. Aqui não. Em perfeita sintonia, o jornalismo pátrio enxerga no presidente da República, um ex-metalúrgico que ousou demais, o surfista do exibicionismo, o devoto da autopromoção a beirar o ridículo. Falamos, porém, é do chefe do Estado e do governo do Brasil. Do nosso país. E a esperança da mídia é que se enrede em equívocos e desatinos. Não há entidade, instituição, setor, capaz de representar de forma mais eficaz a elite brasileira do que a nossa mídia. Desta nata, creme do creme, ela é, de resto, o rosto explícito. E a elite brasileira fica a cada dia mais anacrônica, como a Igreja do papa Ratzinger. Recusa-se a entender que o tempo passa, ou melhor, galopa. Tudo muda, ainda que nem sempre a galope. No entanto, o partido da mídia nativa insiste nos vezos de antanho, e se arma, compacto, diante daquilo que considera risco comum. Agora, contra a continuidade de Lula por meio de Dilma. Imaginemos o que teriam estampado os jornalões se na manhã da segunda 17, em lugar de Lula, o presidente FHC tivesse passado por Teerã? Ele, ou, se quiserem, uma neoudenista qualquer? Verifiquem os leitores as reações midiáticas à fala de Marta Suplicy a respeito de Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador dos Estados Unidos em 1969. Disse a ex-prefeita de São Paulo: por que só falam da ?ex-guerrilheira? Dilma, e não dele, o sequestrador? A pergunta é cabível, conquanto Gabeira tenha se bandeado para o outro lado enquanto Dilma está longe de se envergonhar do seu passado de resistência à ditadura, disposta a aderir a uma luta armada da qual, de fato, nunca participou ao vivo. Nada disso impede que a chamem de guerrilheira, quando não terrorista. Quanto a Gabeira, Marta não teria lhe atribuído o papel exato que de fato desempenhou, mas no sequestro esteve tão envolvido a ponto de alugar o apartamento onde o sequestrado ficaria aprisionado. E com os demais implicados foi desterrado pela ditadura. Por que não catalogá-lo, como se faz com Dilma? Ocorre que o candidato ao governo do Rio de Janeiro perpetrou outra adesão. Ficou na oposição a Lula, primeiro alvo antes de sua candidata. Cabe outro pensamento: em qual país do mundo democrático a mídia se afinaria em torno de uma posição única ao atirar contra um único alvo? Só no Brasil, onde os profissionais do jornalismo chamam os patrões de colegas. Até que ponto o fenômeno atual repete outros tantos do passado, ou, quem sabe, acrescenta uma pedra à construção do monumento? A verificar, no decorrer do período. Vale, contudo, anotar o comportamento dos jornalões em relação às pesquisas eleitorais. Os números do Vox Populi e da Sensus, a exibirem, na melhor das hipóteses para os neoudenistas, um empate técnico entre candidatos, somem das manchetes para ganhar algum modesto recanto das páginas internas. Recôndito espaço. Ao mesmo tempo Lula, pela enésima vez, é condenado sem apelação ao praticar uma política exterior independente em relação aos interesses do Império. Recomenda-se cuidado: a apelação vitoriosa ameaça vir das urnas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100521/4a476f42/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 21 20:00:02 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 21 May 2010 19:00:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22=C9_hora_da_esquerda_voltar_a_?= =?iso-8859-1?q?pensar_estrategicamente=22_entrevista_com_Emir_Sade?= =?iso-8859-1?q?r_-_no_Blog_do_Z=E9_Dirceu?= Message-ID: <8ACC523096C34A89866C5E81C717C1A9@vcaixe> Carta O Berro..................................................................repassem Emir Sader Publicado em 18-Mai-2010 O importante alerta-conselho é dado pelo cientista político Emir Sader. "É hora da esquerda voltar a pensar estrategicamente" O alerta, também uma advertência, é dado pelo cientista político Emir Sader em sua análise sobre a atual conjuntura brasileira face às eleições de outubro e sobre os oito anos de um governo de esquerda no país. Professor de Política na UNICAMP e de sociologia na UERJ - onde coordena o Laboratório de Políticas Públicas - Emir é um dos principais colaboradores do portal Carta Maior, referência do pensamento de esquerda no país e uma das iniciativas do primeiro Fórum Social Mundial ocorrido em Porto Alegre (2001). Autor de vasta bibliografia sobre o Brasil e a conjuntura internacional, Emir coordenou recentemente, junto com o assessor de Relações Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, o livro "Brasil entre o passado e o futuro", no qual numa coletânea de vários artigos são analisadas as transformações vividas pelo país nos oito anos de governo Lula. Nesta entrevista, além de compartilhar com os leitores deste blog essas considerações, o sociológo também faz uma abrangente análise da política externa brasileira, apontando sua importância para o futuro. Emir também traça um panorama da atual situação política brasileira, considerando os avanços e retrocessos da esquerda e da direita, além de uma análise sobre o papel do Estado e da dimensão pública na vida em sociedade. Como bom sociólogo, atento às eleições de outubro e às possibilidades de continuidade da esquerda no poder, Emir também aponta os entraves que ainda temos a enfrentar na construção de uma sociedade mais cidadã, plural e democrática. [ Zé Dirceu ] Emir, para começarmos nossa entrevista na ordem do dia, como você analisa o acordo conseguido pelo presidente Lula nesta semana com o Irã? [ Emir Sader ] Uma extraordinária conquista que confirma a tese de que um país como os EUA, que possuem o maior arsenal nuclear, não tem força moral para tentar impor limitações às pesquisas nucleares de outro país. Uma conquista digna de um Prêmio Nobel da Paz, que só é subestimada mesmo pelo governo norteamericano e pelos corvos da imprensa brasileira, para os quais não importa a paz no mundo, contanto que possam tentar impedir a vitória da candidata de Lula, Dilma Rousseff, à presidência do Brasil. [ Zé Dirceu ] O presidente Lula conseguiu um acordo com base em proposta da AIEA e mesmo antes de fechá-lo, os EUA já diziam que era vago e que as garantias do Irã eram insuficientes. Agora, fechado o acordo, mesmo assim, anunciaram que levarão em frente o plano de aplicação de sanções contra o Irã. Por que os EUA não respeitam nada acordado desde que não seja o que eles querem? [ Emir Sader ] É uma atitude de absoluta má fé, a mesma que os EUA e a Grã Bretanha tiveram há poucos anos, na questão do Iraque. Revela sua disposição de impor sanções à força, independente do cumprimento das exigências da Agência da ONU. Com o Iraque se deu algo muito similar: conforme as exigências eram cumpridas, desqualificava-se a palavra de quem as dava, em nome da suposta existência de armamentos de destruição em massa que posteriormente se revelaram realmente inexistentes. Éramos um país totalmente subserviente e hoje não somos mais [ Zé Dirceu ] Em quais aspectos podemos afirmar que a política internacional do governo Lula mudou e quais as conseqüências disso para nosso país? [ Emir Sader ] A mudança na orientação da política internacional não foi só na política externa, mas ela significou a soberania internacional e possibilitou a política econômica que a gente tem. Trata-se da autosuficiência. Criamos uma margem de jogo [manobra] significativa para o governo. Antes, o tema central era a aliança com o centro do sistema capitalista no mundo. Isso mudou. Frente à crise econômica internacional, o centro capitalista não se recupera, mas o Sul sim. Antes, nós chorávamos quando estávamos em crise, não porque queríamos que eles estivessem bem, mas porque sabíamos que a demanda deles nos era essencial. Hoje vivemos um tal multilateralismo econômico que é possível o Sul do mundo ter uma política própria. Infelizmente, após a crise, não saímos com propostas próprias para ela. Acho ruim o fato de que no G-20, Brasil, Argentina, México, China e outros tenham saído separados. Nós vamos tentar democratizar as propostas deles. Na realidade, o que precisávamos era forjar a força política do Sul. Temos dificuldades porque os países do Sul não são exatamente iguais, mas de qualquer maneira, essa questão é o que mudaria mais significativamente a cara do mundo. Requer um esforço para fortalecer o multilateralismo econômico com as políticas que temos. Em relação ao Brasil, estamos vivendo as conseqüências de termos mudado o nosso perfil internacional. A mudança é óbvia: éramos um país totalmente subserviente e hoje não. Nossa imagem internacional nova é oposta a isso. [ Zé Dirceu ] Em relação à integração latinoamericana, como você analisa a iniciativa da Unasul e o MERCOSUL com seus impasses e oportunidades? [ Emir Sader ] O MERCOSUL está um pouco embananado pela dificuldade da Venezuela consolidar sua entrada, mas dessas iniciativas todas, eu gostaria de destacar uma outra que acredito ser chave: o Banco do Sul. Nós precisamos partir para a moeda única - as moedas nacionais vão naufragar, porque o dólar está enfraquecido. Temos que avançar nessa articulação em torno de uma moeda única que tenderia para um Banco Central único, mas isso é mais complicado. É um ponto importante - não digo de não retorno - para consolidar os avanços todos, com a expressão que tem a questão monetária, o que ela mede. O alcance do Banco do Sul seria significativo e poderia ser um passo econômico seguinte da integração regional para nós. [ Zé Dirceu ] Para fecharmos essas questões sobre política internacional, qual sua opinião sobre Cuba hoje? [ Emir Sader ] Cuba está numa dificuldade séria porque o socialismo chegou na periferia. Então é fácil dizer de boca "precisamos saltar etapas", mas é preciso a base material para saltá-las. O que a Rússia fez? Desapropriou os camponeses na marra, deu um salto na industrialização fantástico. Portanto, Cuba precisa dar o salto econômico e achar a acumulação socialista primitiva, ter as bases materiais e criar uma sociedade avançada. Trata-se de um problema estrutural. Capital financeiro, agronegócio e grande mídia [ Zé Dirceu ] Voce acaba de lançar "Brasil entre o passado e o futuro". Quais aspectos o Brasil se aproxima do futuro e em quais ainda se mantém no atraso? [ Emir Sader ] O livro foi organizado junto com o Marco Aurélio Garcia e publicado pela Fundação Perseu Abramo. Eu digo que o Brasil se aproxima do futuro por uma política internacional que aponta para um mundo multipolar e uma aliança dos países do Sul. Já o atraso é representado pela hegemonia do capital financeiro, o modelo do agronegócio e a ditadura da mídia privada. São estes os três obstáculos que nosso país precisa romper para sairmos definitivamente do atraso. [ Zé Dirceu ] Quais as questões fundamentais a enfrentar no próximo governo? [ Emir Sader ] Essas três primeiras que citei. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a nova política econômica do governo Lula, de alguma maneira, deslocaram o peso do capital financeiro. Mas ele ainda é hegemônico no país. Uma expressão disso é a própria independência do Banco Central (BC). O Brasil tem a taxa de juros mais alta do mundo, inclusive acabou de subi-la. Objetivamente, precisamos criar e fortalecer as condições de investimento do capital produtivo para evitar essa regra do jogo que é absolutamente cruel. Em segundo lugar, tenho clareza que não dá para eliminar o agronegócio, os transgênicos - até porque eles chegam às pequenas e médias propriedades do campo. Mas é preciso fortalecer enormemente a economia familiar e tudo o que signifique a autosufiência alimentar. Não tem sentido o Brasil continuar gastando alimento com a maior quantidade de terras agricultáveis no mundo. Ao mesmo tempo, temos a questão da democratização e do acesso à terra, aumentar o peso de quem produz no mercado interno e gera emprego. Isso é importante. Terceiro, quebrar essa hegemonia de quatro ou cinco famílias que forjam a opinião pública no Brasil controlando a imprensa. Último e quarto tema é promover uma reforma política que possibilite a representação transparente da cidadania nas instituições políticas do país. Uma oportunidade única para esquerda [ Zé Dirceu ] Como você avalia a situação da esquerda nesse fim do segundo mandato de governo Lula? O que aprendemos nesses oito anos? [ Emir Sader ] A esquerda tem uma oportunidade extraordinária de ganhando [as eleições de outubro] derrotar uma geração da direita e abrir um espaço de crescimento formidável. Desde a crise de 2005, nós sobrevivemos pragmaticamente. Não tivemos forças para abrir caminhos, mas avançamos porque eles (direita) são frágeis. A OMC é muito frágil em relação à integração regional. O ajuste fiscal é muito frágil em relação às políticas sociais. Então, agora, temos que fazer uma reflexão mais objetiva: que Estado a gente quer? Que sociedade a gente quer? Que modelo econômico a gente quer? Com isso, enfrentaremos obstáculos maiores. A vantagem é que esperamos uma grande vitória nossa e uma grande derrota da direita. É hora da esquerda voltar a pensar estrategicamente. Não deixamos de pensar, mas avançamos nas margens do possível. Temos que considerar que o cenário internacional não será tão positivo quanto foi antes. Teremos enfraquecimento dos aliados regionais e possivelmente metade do mundo continuará conservador. Então, temos que fazer uma reflexão mais forte. Mesmo aliados nossos, como a Venezuela, terão dificuldades razoáveis. Precisamos de uma reflexão no sentido estratégico para fazermos um grande avanço, mesmo porque a direita estará muito golpeada, desmoralizada. Temos que pensar como articulamos essa saída do neoliberalismo. Que Estado é esse? Quais transformações desse Estado e da esfera pública são necessários? O socialismo é uma grande universalização dos direitos, é a grande esfera pública. Então é por aí que deveríamos pensar o futuro. Hoje, o Estado tem mais estruturas de controle do que de execução. Isso desbloqueia a coisa. Na realidade, a direita coloca o debate sempre entre agente estatal versus privado. Isso é uma sacanagem. Nosso modelo não é estatal é público [ Zé Dirceu ] Como eles não têm propostas, nem alternativas... [ Emir Sader ] Eles colocaram para a sociedade um dilema completamente equivocado que é a idéia do estatal versus privado. Isso é falso. O nosso modelo não é estatal, é esfera pública. Não vamos defender um Estado que pode estar financiado e privatizado. A polarização é esfera mercantil versus esfera pública. Nós queremos tirar do mercado, universalizar direitos e reorganizar o Estado em torno da esfera pública. Criar o espírito do servidor público, algo anti-mercantil que é justamente a fraqueza deles [da direita]. Então, essa reforma do Estado tem que servir para reorganizar o Estado em torno dos direitos, da cidadania, da esfera pública. [ Zé Dirceu ] Qual a sua análise sobre a direita brasileira hoje? [ Emir Sader ] Eles têm o poder econômico e o poder da mídia. Há uma margem de gente que vota no Serra e outra no Lula. Precisamos nos atentar para outro fato: em São Paulo e rumo ao Sul do país existe um antipetismo que precisamos entender e desarticular. E antipetismo é voto para tucano. Há, evidentemente, outros votos que não deciframos. Por exemplo, uma margem de pessoas que não sabem a diferença entre votar em um candidato do Lula e em um candidato tucano. Simplesmente, não sabem. Portanto, a derrota será um desespero para a direita. Posso até pensar que caso isso aconteça, a imprensa começará a avaliar algumas coisas, mas até agora isso não aconteceu. De qualquer forma, eles estão em uma situação limite. [ Zé Dirceu ] Faltam cinco meses para as eleições, é cedo para conclusões, mas pelo quadro que temos hoje Dilma vence a eleição de outubro. Nunca houve condições tão favoráveis para um candidato do governo vencer e ela já ultrapassa Serra nas pesquisas. [ Emir Sader ] Conforme as pesquisas avançam, diminui o grau de indecisos e aumentam em proporções crescentes os que expressam desejo de votar no candidato do Lula. Mas ainda manifestam voto pelo Serra, vão mudando sua definição, vai se desenhando um quadro muito favorável à vitória da Dilma. Pode-se esperar atitudes ainda mais desesperadas da direita, diante da iminência de uma vantagem da Dilma que se torne insuperável. A massa precisa ser sujeito político [ Zé Dirceu ] Como você avalia nossa imprensa e as tentativas de democratização da mídia, toda essa movimentação e debate sobre a comunicação no país? [ Emir Sader ] Os modelos de esquerda de imprensa alternativa até agora não funcionaram. O modelo do Peru foi simbólico, significativo e deu errado. Estatizou tudo e entregou para o sindicato. Nos não temos um modelo ainda. Ao nos referirmos à TV Brasil (a TV pública do país), nós dizemos o que ela não é. Estou pensando mais em uma rede pública de TVs alternativas, rádios comunitárias, blogs e outros elementos. Nós sabemos o que não deve ser, mas não sabemos ainda como é, como queremos, como formamos a mídia representativa. A (mídia) estatal deve existir. O presidente Lula, por exemplo, tem o direito e a obrigação de falar e prestar contas e discutir com a sociedade brasileira. Agora, temos que ter a rede pública também. Elas são elementos essenciais para organizar a massa crítica. A massa pobre que hoje é sujeito econômico precisa ser sujeito político também. Ela precisa de meios de comunicação para se informar e produzir. Ela nem sabe que é preciso se expressar. Hoje, para você se organizar, não tem meios. A imprensa atual é desorganizadora. Então, a resolução da democratização dos meios de comunicação tem a ver com a organização da base social. Temos que encontrar as formas não só de disputar a opinião pública, mas também a popular, das bases. [ Zé Dirceu ] E usar, por exemplo, o poder que os sindicatos têm de comunicação. [ Emir Sader ] E o das igrejas... [ Zé Dirceu ] Qual sua avaliação da Confecom - 1ª Conferência Nacional de Comunicação? Ela foi importante? [ Emir Sader ] Foi mais importante do que imaginávamos supondo o boicote deles [dos donos dos meios de comunicação que se recusaram a participar do evento e se retiraram de sua organização ainda antes da elaboração da pauta do encontro]. Eles achavam que iam desarticular, mas criou-se uma opinião pública e mobilização contra eles, de tal maneira que o governo federal agiu melhor do que a gente imaginava. [ Zé Dirceu ] Os barões da mídia não esperavam que o evento fosse se realizar. Formou-se uma corrente forte de opinião a favor, o que acumulou mais gente. [ Emir Sader ] Exatamente. [ Zé Dirceu ] O Forum Social Mundial completou 10 anos. Como você o vê um década depois? [ Emir Sader ] Foi muito importante na fase de luta e resistência, mas perdeu o bonde na fase de disputa de hegemonia. A supremacia das ONGs fez com que o Fórum se tornasse um lugar de intercâmbio de experiências e não de propostas. Mas o lugar para discutir relação do movimento indígena equatoriano com o Rafael Correa (presidente do Equador) seria lá. O MST e o Lula seria lá. Então, não sai nada. Os presidentes têm que se reunir paralelamente. E essa ausência de Estado, de política e de poder no FSM faz com que ele gire em falso. Claro que lá está a sociedade disputando hegemonia, mas o grande evento do FSM é aquele dos cinco presidentes. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100521/41dbcd4a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1268 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100521/41dbcd4a/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100522/365fcd27/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 22 16:58:52 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 22 May 2010 15:58:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_artigo_de_frei_beto=2C__sobre_a?= =?windows-1252?q?s_manipula=E7oes_da_imprensa_=2E_=22Or=E1culos_da?= =?windows-1252?q?_verdade_=22?= Message-ID: <26C7367FEB144C9CBAA40234DD3F9D89@vcaixe> Carta O Berro.........................................................................repassem Correio Braziliense Correio, 21.05.2010. Opinião Oráculos da verdade Frei Betto Escritor, é autor de Um homem chamado Jesus (Rocco), entre outros livros www.freibetto.org O filósofo alemão Emmanuel Kant não anda muito em moda. Sobretudo por ter adotado em suas obras uma linguagem hermética. Porém, num de seus brilhantes textos O que é o Iluminismo? sublinha um fenômeno que, na cultura televisual que hoje impera, se torna cada vez mais generalizado: as pessoas renunciam a pensar por si mesmas. Preferem se colocar sob proteção dos oráculos da verdade: a revista semanal, o telejornal, o patrão, o chefe, o pároco ou o pastor. Esses, os guardiões da verdade que, bondosamente, velam para não nos permitir incorrer em equívocos. Graças a seus alertas sabemos que as mortes de terroristas nas prisões made in USA de Bagdá e Guantánamo são apenas acidentes de percurso comparadas à morte de um preso comum, disfarçado de político, num hospital de Cuba, em decorrência de prolongada greve de fome. São eles que nos tornam palatáveis os bombardeios dos EUA no Iraque e no Afeganistão, dizimando aldeias com crianças e mulheres, e nos fazem encarar com horror a pretensão de o Irã fazer uso pacífico da energia nuclear, enquanto seu vizinho, Israel, ostenta a bomba atômica. São eles que nos induzem a repudiar o MST em sua luta por reforma agrária, enquanto o latifúndio, em nome do agronegócio, invade a Amazônia, desmata a floresta e utiliza mão de obra escrava. É isso que, na opinião de Kant, faz do público Hausvieh, gado doméstico, arrebanhamento, de modo que todos aceitem, resignadamente, permanecer confinados no curral, cientes do risco de caminhar sozinho. Kant aponta uma lista de oráculos da verdade: o mau governante, o militar, o professor, o sacerdote etc. Todos clamam: Não pensem! Obedeçam! Paguem! Creiam! O filósofo francês Dany-Robert Dufour sugere incluir o publicitário que, hoje, ordena ao rebanho de consumidores: Não pensem! Gastem! Tocqueville, autor de Da democracia na América (1840), opina em seu famoso livro que o tipo de despotismo que as nações democráticas deveriam temer é exatamente sua redução a um rebanho de animais tímidos e industriosos, livres da preocupação de pensar. O velho Marx, que anda em moda por ter previsto as crises cíclicas do capitalismo, assinalou que elas decorreriam da superprodução, o que de fato ocorreu em 1929. Mas não foi o que vimos em 2008, cujos reflexos perduram. A crise atual não derivou da maximização da exploração do trabalhador, e sim da maximização da exploração dos consumidores. Consumo, logo existo, eis o princípio da lógica pós-moderna. Para transformar o mundo num grande mercado, as técnicas do marketing contaram com a valiosa contribuição de Edward Bernays, duplo sobrinho estadunidense de Freud. Anna, irmã do criador da psicanálise e mãe de Bernays, era casada com o irmão de Martha, mulher de Freud. Os livros deste foram publicados pelo sobrinho nos EUA. Já em 1923, em Crystallizing Public Opinion, Bernays argumenta que governos e anunciantes são capazes de arregimentar a mente (do público) como os militares o fazem com o corpo. Como gado, o consumidor busca sua segurança na identificação com o rebanho, capaz de homogeneizar seu comportamento, criando padrões universais de hábitos de consumo por meio de uma propaganda libidinal que nele imprime a sensação de ter o desejo correspondido pela mercadoria adquirida. E quanto mais cedo se inicia esse adestramento ao consumismo, tanto maior a maximização do lucro. O ideal é cada criança com um televisor no próprio quarto. Para se atingir esse objetivo é preciso incrementar uma cultura do egoísmo como regra de vida. Não é por acaso que quase todas as peças publicitárias se baseiam na exacerbação de um dos sete pecados capitais. Todos eles, sem exceção, são tidos como virtudes nessa sociedade neoliberal corroída pelo afã consumista. A inveja é estimulada no anúncio da família que possui um carro melhor que o do vizinho. A avareza é o mote das cadernetas de poupança. A cobiça inspira as peças publicitárias, do último modelo de telefone celular ao tênis de grife. O orgulho é sinal de sucesso dos executivos assegurado por planos de saúde eterna. A preguiça fica por conta das confortáveis sandálias que nos fazem relaxar ao sol. A luxúria é marca registrada dos jovens esbeltos e das garotas esculturais que desfrutam vida saudável e feliz ao consumirem bebidas, cigarros, roupas e cosméticos. Enfim, a gula envenena a alimentação infantil na forma de chocolates, refrigerantes e biscoitos, induzindo a crer que sabores são prenúncios de amores. Na sociedade neoliberal, a liberdade se restringe à variedade de escolhas consumistas; a democracia, em votar nos que dispõem de recursos milionários para bancar a campanha eleitoral; a virtude, em pensar primeiro em si mesmo e encarar o semelhante como concorrente. Essa, a verdade proclamada pelos oráculos do sistema. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100522/52cb20d0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 23 13:36:03 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 May 2010 12:36:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=DASICA_LUZ_-_SISTEMA_DE_MEDITA?= =?iso-8859-1?q?=C7=C3O_E_TERAPIA_MUSICAL_ON_LINE__________________?= =?iso-8859-1?q?________________________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <883D4800A4A5400EA39648F12EBE7B7F@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem MÚSICA LUZ - SISTEMA DE MEDITAÇÃO E TERAPIA MUSICAL ON LINE (centenas de músicas de meditação e terapia, dos clássicos aos devaneios e de Enya) http://www.musicaluz.com.br/index.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100523/1a64ca2c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 23 13:36:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 23 May 2010 12:36:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=22O_CAVALEIRO_DA_ESPERAN=C7A=22?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Anuar Ide Querendo, pesquise nos sites de buscas brasileiros e estrangeiros. O Brasil tem uma História muito bonita. Não pode ser mantida em segredo.Que se abram os arquivos ! Luiz Carlos Prestes no julgamento pelo Tribunal de Segurança Nacional A homenagem de Montevidéu a Luiz Carlos Prestes A Câmara Municipal de Montevidéu dá o nome do revolucionário brasileiro a uma praça no centro da cidade Por José Carlos Ruy A Câmara Municipal de Montevidéu decidiu, dia 29 de abril de 2010, homenagear o revolucionário brasileiro Luiz Carlos Prestes e aprovou, por 20 votos a dois, dar seu nome a uma praça na capital uruguaia: "é vontade da Câmara", diz o documento aprovado, "que o espaço contíguo à Praça República Argentina, voltado para o sul, leve o nome do notável militar e político brasileiro Luiz Carlos Prestes". É uma decisão plena de simbolismos. A decisão foi aprovada numa época de avanço da esquerda uruguaia, revelada pela eleição do presidente José "Pepe" Mujica, um político de esquerda, e agora da dirigente comunista Ana Olivera, candidata da Frente Ampla, para a prefeitura de Montevidéu. A lembrança de dar seu nome a um espaço público junto à praça República Argentina remete também ao país sul americano onde o então líder tenentista aderiu ao comunismo, e à sua amizade com o dirigente Rodolfo Ghioldi, do Partido Comunista da Argentina. Além de relembrar também o caráter brasileiro e latino americano do heroísmo popular de Prestes. A notícia, publicada na imprensa uruguaia, foi assinada pelo próprio presidente da Câmara Municipal, Dari Mendiondo Bidart. Lembrando a trajetória da Coluna Prestes, a notícia destacou a trajetória política e militar daquele que chamou de "personagem mítico". Lembrou a luta intensa por ideais democráticos, o apoio popular que engrossou as fileiras da Coluna Prestes, a adesão ao comunismo, o levante revolucionário de 1935, a prisão, o enfrentamento da ditadura Vargas, e a infâmia de seu governo que entregou sua mulher, a comunista, judia e alemã Olga Benário - que estava grávida - para a morte certa nos campos de concentração da Alemanha nazista. E justifica a homenagem dizendo que "a vida de Prestes, cheia de vicissitudes e adversidades, nos mostra, para além dos avatares ideológicos, um grande exemplo de retidão, de entrega à causa da liberdade". E conclui: Por isso,uma personalidade de "tamanha transcendência" merece a homenagem da cidade de Montevidéu. Mendiondo Bidart tem razão: a homenagem é justa. Desde pelo menos 1924 até sua despedida da vida, em 1990, Luiz Carlos Prestes jamais declinou de suas responsabilidades de dirigente revolucionário. Foram 66 anos dedicados às causas em que acreditou e em torno das quais organizou o povo e a vanguarda revolucionária. Sua trajetória faz parte da história dos comunistas brasileiros e do movimento comunista internacional, e seu nome está agora eternizado em uma praça em Montevidéu. PS.: GENERAL DE BRIGADA LUIZ CARLOS PRESTES.. -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- O MAESTRO E COMPOSITOR GREGO, MIKIS THEODORAKIS(autor, também, de "Zorba, o Grego") , AUTOR DE "AMÉRICA INSURRETA", QUE DEU VIDA MUSICAL AO POEMA DE PABLO NERUDA: CANTO GERAL(inspirados na luta de Prestes ): http://www.youtube.com/watch?v=Jbv7ljo9TAc Luís Carlos Prestes Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Ir para: navegação, pesquisa Foto de Luís Carlos Prestes, tirada durante a sua visita à Alemanha, em dezembro de 1959. Luís Carlos Prestes (Porto Alegre, 3 de janeiro de 1898 - Rio de Janeiro, 7 de março de 1990) foi um militar e político comunista brasileiro. Foi secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro e foi companheiro de Olga Benário, morta na Alemanha, na câmara de gás, pelos nazistas. Índice [ a.. 1 Formação e início de carreira b.. 2 O início do movimento rebelde c.. 3 Os estudos na Bolívia e na União Soviética d.. 4 O comando da ANL e a deportação de Olga e.. 5 O fim do Estado Novo, anistia, e a volta à clandestinidade f.. 6 Regime militar g.. 7 Representações na cultura h.. 8 Referências i.. 9 Bibliografia j.. Formação e início de carreira Prestes formou-se pela Escola Militar do Realengo no Rio de Janeiro, em 1919, atual Academia Militar das Agulhas Negras, na Arma de Engenharia. Foi engenheiro ferroviário na Companhia Ferroviária de Deodoro, como tenente, até ser transferido para o Rio Grande do Sul. O início do movimento rebelde Comunismo História do Comunismo Escolas[Expandir] Marxismo Leninismo Stalinismo Trotskismo Maoísmo Titoísmo Castrismo Brejnevismo Sandinismo Eurocomunismo Luxemburguismo Comunismo libertário Comunismo de conselhos Juche Partidos[Expandir] Primeira Internacional Internacional Socialista Internacional Comunista Quarta Internacional Conceitos[Expandir] Mais-valia Classe social Proletariado Estado Operário Meios de produção Luta de classes Dialética Materialismo científico Materialismo dialético Materialismo histórico Democracia operária Socialismo Países Socialistas[Expandir] União Soviética China Cuba Vietnã Laos Coreia do Norte Leste Europeu Relacionados[Expandir] Bolchevique Foice e martelo Ba'ath Burocratização Economia planificada Capitalismo de Estado Realismo socialista Cortina de Ferro Muro de Berlim Nomenklatura Simbologia comunista Terminologia soviética Restauração do capitalismo Comunistas[Expandir] Karl Marx Friedrich Engels Vladimir Lênin Leon Trotsky Rosa Luxemburgo Karl Kautsky Fidel Castro Che Guevara Ho Chi Minh Antonio Gramsci Georg Lukács Álvaro Cunhal Luís Carlos Prestes Amílcar Cabral Olga Benário Leonid Brejnev Josef Stálin Em outubro de 1924, já capitão, Luís Carlos Prestes liderou um grupo de rebeldes na região missioneira Rio Grande do Sul, saiu de Santo Ângelo, e se dirigiu para São Luiz Gonzaga onde permaneceu por dois meses aguardando munições do Paraná, que não vieram. Aos poucos foi formando o seu grupo de comandados que vieram de várias partes da região. Rompendo o famoso "Anel de ferro" propagado pelos governistas, rumou com sua recém-formada coluna para o norte até Foz do Iguaçu. Na região sudoeste do estado do Paraná, o grupo se encontrou e juntou-se aos paulistas, formando o contingente rebelde chamado de Coluna Miguel Costa-Prestes, com 1500 homens, que percorreu por dois anos e cinco meses 25.000 km. Em toda esta volta, as baixas foram em torno de 750 homens devido à cólera, à impossibilidade de prosseguir por causa do cansaço e dos poucos cavalos que tinham, e ainda poucos homens que morreram em combate. Os estudos na Bolívia e na União Soviética Prestes, apelidado de "Cavaleiro da Esperança", passa a estudar marxismo na Bolívia, para onde havia se transferido no final de 1928,quando a maioria da Coluna Miguel Costa-Preste haviam se exilados. Lá travava contato com os comunistas argentinos Rodolfo Ghioldi e Abraham Guralski, este último dirigente da Internacional Comunista (IC). Em 1930 retorna clandestinamente a Porto Alegre onde chega a ter dois encontros com Getúlio Vargas. Convidado a comandar militarmente a Revolução de 30, recusa-se a apoiar ao movimento, colocando-se contra a aliança entre os tenentistas e as oligarquias dissidentes. A convite da União Soviética, em 1931 passa a morar naquele país, trabalhando como engenheiro e dedicando-se aos estudos marxistas-leninistas. Por pressão do Partido Comunista da União Soviética, é - em agosto de 1934 - finalmente aceito pelo PCB em seus quadros. Sendo eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista, volta como clandestino ao Brasil em dezembro de 1934, acompanhado pela alemã Olga Benário, também membro da IC. Seu objetivo era liderar uma revolução armada no Brasil, decidido em Moscou. O comando da ANL e a deportação de Olga No Brasil, Prestes encontra o recém constituído movimento Aliança Nacional Libertadora (ANL), de cunho antifascista e anti-imperialista, que congregava tenentes, socialistas e comunistas descontentes com o Governo Vargas. Mesmo clandestino, o Cavaleiro da Esperança é calorosamente aclamado presidente de honra da ANL em sua sessão inaugural no Rio de Janeiro. Prestes procura então aliar o enorme crescimento da ANL, com a retomada de antigos contatos no meio militar para criar as bases que julgava capazes de deflagrar a tomada do poder no Brasil. Em julho de 1935 divulga um manifesto exigindo "todo o poder" à ANL e a derrubada do governo Vargas. Vargas aproveita a oportunidade e declara a ANL ilegal, o que não impede Prestes de continuar a organizar o que acabou por ficar conhecido como a Intentona Comunista. Em novembro eclode a insurreição nas guarnições do exército de Natal, Recife e Rio de Janeiro (então Distrito Federal), mas é debelada por Vargas, que desencadeia um violento processo de repressão e prisões. Suspeitou-se que uma moça chamada Elvira Cupelo Colônio. Mais conhecida como "Elza Fernandes", a jovem, que namorava o então Secretário-Geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Antônio Maciel Bonfim, o "Miranda", estaria delatando os companheiros à polícia. Considerada uma ameaça naquela circunstância, uma vez que, sob tortura, poderia entregar diversos companheiros à prisão e à tortura, a jovem foi condenada à morte pelo "tribunal vermelho". Como um dos membros do tribunal opôs-se à condenação, Prestes escreveu uma carta célebre aos correligionários: Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilação de vocês. Assim não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe revolucionária." ... "Por que modificar a decisão a respeito da "garota"? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima ao Partido...?" ... "Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar..." ... "Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião." Alguns dias depois Elvira Colônio foi estrangulada com uma corda, em uma casa da Rua Mauá Bastos, Nº 48-A, na Estrada do Camboatá. O corpo foi enterrado no quintal da casa. Em março de 1936, Prestes é preso, perde a patente de capitão e inicia uma pena de prisão que durará nove anos. Sua companheira Olga Benário, grávida, é deportada e morre na câmara de gás no campo de concentração nazista Ravensbrück. A criança, Anita Leocádia Prestes, nasceu em uma prisão na Alemanha, mas foi resgatada pela mãe de Prestes, após intensa campanha internacional.[1] O fim do Estado Novo, anistia, e a volta à clandestinidade Com o fim do Estado Novo, Prestes foi anistiado, elegendo-se Senador. Assumiu a secretaria geral do PCB. O registro do partido foi cassado, e novamente Prestes foi perseguido e voltou à clandestinidade. Na Assembleia Constituinte de 1946, Prestes liderava a bancada comunista de 14 deputados composta por, entre outros, Jorge Amado, eleito pelos paulistas, Carlos Marighella, pelos baianos, João Amazonas, o mais votado do país, escolha de 18.379 eleitores do Rio, e o sindicalista Claudino Silva, único constituinte negro, também eleito pelo Rio. Durante a Constituinte, Prestes fechou questão, a favor da emenda nº 3.165, de autoria do deputado carioca Miguel Couto Filho, tal emenda dizia: "É proibida a entrada no país de imigrantes japoneses de qualquer idade e de qualquer procedência".[2] Em 1951, conheceu sua segunda companheira, a pernambucana Maria, que passa a se chamar Maria Prestes. Maria era mãe de dois meninos, Pedro e Paulo. Da união com Prestes nasceram outros sete filhos: João, Rosa, Ermelinda, Luiz Carlos, Zoia, Mariana e Yuri. Prestes e Maria viveram juntos por 40 anos, até a morte de Prestes. Em 1958, Prestes teve sua prisão decretada, porém foi revogada por mandato judicial. ... Regime militar Após o movimento de 1964, com o AI-1, teve seus direitos de cidadão novamente revogados por dez anos. Perseguido pela polícia, conseguiu fugir, mas esta encontrou em sua casa uma série de cadernetas suas, que deram base a inquéritos e processos, como o que condenou Giocondo Dias. Exilou-se na União Soviética no final dos anos 60, regressando ao Brasil devido à Anistia de 1979. "Apesar dos êxitos alcançados pelo movimento operário e democrático, no início dos anos de 1960, sua mobilização foi insuficiente para impedir o golpe militar de 1964. Prestes é o primeiro da lista de cassações dos direitos políticos decretada pelo Ato Institucional Nº 1, vendo-se obrigado novamente a viver na clandestinidade ..." "São anos difíceis, que se seguiram a uma séria derrota de todas as forças progressistas no Brasil. Prestes enfrenta não apenas as perseguições movidas pelo regime ditatorial, mas também graves problemas internos no PCB, quando vários dirigentes do partido e numerosos militantes abandonam as fileiras partidárias e aderem à luta armada contra a ditadura. Prestes, à frente do Comitê Central do PCB, defende a necessidade de formar uma frente única democrática contra o regime ditatorial, condenando o apelo ao caminho armado, proposta que, naquele período, não correspondia à real correlação de forças políticas existentes no país". "A perseguição movida pela ditadura contra todas as forças de "esquerda" e democráticas seria cada vez maior. Em 1971, por decisão do Comitê Central do PCB, Prestes parte para o exílio." (Anita Prestes, 2006) Prestes, com base em trabalhos produzidos por estudiosos da economia e da sociedade brasileira dos anos de 1970, compreendera que não havia mais lugar para a conquista de um capitalismo autônomo no país, conforme a linha estratégica do PCB, aprovada em seus 5º e 6º Congressos. Neste último Congresso, realizado em 1967, na clandestinidade, as divergências de Prestes com a maioria do Comitê Central haviam começado a se explicitar. Ao perceber que a maioria da direção do PCB não aceitava rever sua linha estratégica e, ao mesmo tempo, estava presa à defesa de interesses corporativos menores, enveredando pelo caminho da acomodação e do abandono da luta pelo socialismo no país, Prestes decide romper com o Comitê Central". "A posterior descaracterização do PCB como partido revolucionário e sua conhecida desagregação no início dos anos de 1990 mostrariam que Prestes tinha razão ao combater as ilusões então existentes quanto às possibilidades de regeneração daquela direção do PCB". (Anita Prestes, 2006) A anistia e o regresso à pátria. Os últimos anos "Em outubro de 1979, com a conquista da anistia, Prestes, após 8 anos de exílio forçado, regressa à Pátria. No aeroporto internacional do Rio de Janeiro é recebido com grande entusiasmo por mais de 10 mil pessoas." "Em março de 1980, o veterano combatente comunista torna pública sua "Carta aos Comunistas", em que oficializa seu rompimento com a política "oportunista de direita" imposta pela direção do PCB, denunciando a postura, adotada pelo Comitê Central, de abandono da luta pelos objetivos revolucionários e socialistas que deveriam nortear o Partido Comunista. A partir de então, Prestes desenvolve intensa atividade de esclarecimento e propaganda de seus ideais revolucionários." (Anita Prestes, 2006) Na sua "Carta aos Comunistas", Prestes lança as bases de uma estratégia revolucionária que já seria socialista, ao propor uma Frente anti-imperialista, antimonopolista e antilatifundiária. Após o rompimento com o Comitê Central do PCB, Prestes desenvolve intensa atividade política. Incansável, encontrou sempre tempo e energia para falar a jovens e a trabalhadores em todos os cantos do país. Emprestou seu nome e prestígio para eleger vários candidatos a cargos legislativos, mas nem todos retribuíram com dignidade revolucionária o apoio recebido. Nos anos 80 Prestes foi insistentemente assediado por grupos e personalidades de esquerda para que liderasse um novo partido revolucionário. Paciente, explicava que esse partido surgiria das lutas de nosso povo, dos quadros que daí se forjariam. Dizia também que a melhor contribuição que um comunista poderia dar para o surgimento desse partido era o estudo do marxismo, aliado à organização do povo e à luta de massas. Em 7 de março de 1990, Luiz Carlos Prestes faleceu no Rio de Janeiro. Seu enterro foi acompanhado por uma expressiva multidão. Prestes, que segundo Romain Rolland "entrou vivo no Panteon da História", agora entrava definitivamente para a História da Humanidade como um de seus mais destacados personagens. Deixou um legado de coerência, dedicação à causa, abnegação e humanidade. Ao formular a essência da estratégia revolucionaria, deixou também um legado de esperança: "Eu sou otimista quanto ao futuro do socialismo no Brasil. Já temos uma classe operária numerosa, com um nível de consciência elevado. O que falta é organizá-la. Organizada, a classe operária será uma força invencível, que poderá levar o país ao socialismo. Não posso calcular um prazo que isto aconteça. Depende do surgimento de um partido revolucionário, que tenha uma concepção justa da revolução brasileira, com base na realidade nacional e não na abstração" (Luiz Carlos Prestes - Lutas e Autocríticas, 1982, p. 216) Representações na cultura Luís Carlos Prestes já foi retratado como personagem no cinema e na televisão. No cinema, o filme "O País dos Tenentes" (João Batista de Andrade/1987)onde LCP é interpretado por Cassiano Ricardo, que depois o representou também na novela Kananga do Japão (1989) e Caco Ciocler no filme Olga (2004). Em 1997, foi lançado o documentário Prestes, o cavaleiro da esperança e em 1998, no ano do centenário de seu nascimento, a escola de samba Acadêmicos do Grande Rio o homenageou em seu desfile no grupo especial do carnaval do Rio de janeiro com enredo Cavaleiro da Esperança, obtendo o 8° posto. O cantor e compositor Taiguara, que foi um grande amigo e seguidor de Prestes, fez a canção Cavaleiro da Esperança em sua homenagem, assim como a banda pernambucana Subversivos também fez uma canção em sua homenagem com o mesmo nome. Jorge Amado em prosa e verso retrata a saga da coluna Prestes em seu livro O Cavaleiro da Esperança, publicado em 1944. O poeta comunista chileno Pablo Neruda em seu livro mais aclamado, Canto Geral (obra que remonta a história da América Latina do ponto de vista dos "povos explorados"), dedicou um poema a Luís Carlos Prestes. Nele, Prestes é chamado por Neruda de "claro capitão". O poema foi lido diante de 130 mil pessoas, em visita ao Brasil do poeta comunista no ano de 1945, no estádio do Pacaembu: "Quantas coisas quisera hoje dizer, brasileiros...". Referências 1.. ? Morais, Fernando. Olga, São Paulo: Companhia das Letras, 1994 2.. ? MORAIS, Fernando. Corações Sujos. Companhia das Letras, 2000. ISBN 9788535900743. Bibliografia O Wikiquote tem uma coleção de citações de ou sobre: Luís Carlos Prestes.O Wikimedia Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Luís Carlos Prestesa.. GARCIA, Marco Aurélio. "Prestes (1898-1990): um cavaleiro na esperança" In.: Teoria & Debate, São Paulo, no.10, abr/mai/jun. 1990. b.. MENEZES, Marcos Vinícius Bandeira de. Estratégias e táticas da revolução brasileira: Prestes versus o Comitê Central do PCB. Campinas, 2002, Dissertação (Mestrado em Ciência Política) --- Universidade de Campinas. c.. NERUDA, Pablo. "Canto Geral": Trad. de Paulo Mendes campos. 6. ed. São Paulo: DIFEL, 1984 d.. MORAES, Denis de (org.) Prestes com a palavra: uma seleção das principais entrevistas do líder comunista. Campo Grande, Letra Livre, 1997. e.. PRESTES, Anita Leocádia. Anos tormentosos - Luís Carlos Prestes: correspondência da prisão (1936-1945). Petrópolis, Vozes. f.. PRESTES, Maria. Prestes, meu companheiro: 40 anos ao lado de Prestes. Rio de Janeiro, Rocco, 1992. Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Carlos_Prestes" Categorias: Comunistas do Brasil | Políticos do Rio Grande do Sul | Senadores do Distrito Federal (Rio de Janeiro) | Ditadura militar no Brasil (1964-1985) | Gaúchos de Porto Alegre | Ateus do Brasil | Heróis da União Soviética Esta página foi modificada pela última vez às 23h18min de 13 de abril de 2010. a.. Este texto é disponibilizado nos termos da licença Atribuição-Compartilhamento pela mesma Licença 3.0 Unported (CC-BY-SA); pode estar sujeito a condições adicionais. Consulte as Condições de Uso para mais detalhes. b.. Política de privacidade c.. Sobre a Wikipédia d.. Avisos gerais e.. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100523/46709f8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27193 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100523/46709f8f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7644 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100523/46709f8f/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Foi aluno dos jesuítas e militante da Juventude Estudantil Católica. Em 1966, entrou no noviciado dominicano, em Belo Horizonte. Dali, transferiu-se para a capital paulista. Como não separasse a fé do compromisso social, envolveu-se na luta revolucionária. Frei Tito foi preso em 1969, quando a polícia invadiu seu convento. Em sua dor gravou-se o que de mais hediondo produziu o militarismo brasileiro e, nele, reflete-se a venerável indignação de quantos acreditam na política como expressão coletiva de princípios éticos. Para resgatar a memória deste mártir da luta contra a ditadura militar e reafirmar a importância da abertura dos arquivos sobre a ação de repressão aos opositores do regime, o Mandato Marcelo Freixo realizará na próxima terça-feira (25/5), às 19h, no plenário do Palácio Tiradentes, homenagem solene a Frei Tito, preso e torturado durante a ditadura militar na chamada Operação Bandeirante (Oban), organização comandada pelo Exército que perseguia grupos de resistência ao regime ditatorial. Na ocasião será conferida a Madalha Tiradentes Post-Mortem ao homenageado, falecido em Paris, em 1974. Para lembrar a importância histórica deste intelectual, duplamente comprometido, religiosamente e politicamente, estarão à mesa de palestras os freis Betto e Oswaldo Rezende, o deputado federal Chico Alencar, o presidente da OAB/RJ, Wadih Damous, a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, a coordenadora do MST Marina dos Santos e o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi. A entrada é aberta ao público. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100524/22123d75/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 55439 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100524/22123d75/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 24 20:17:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 24 May 2010 19:17:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__C=E2mara_edita_livro_sobre_Sep?= =?iso-8859-1?q?=E9_Tiaraju=2C_her=F3i_nacional/livro_pode_ser_aces?= =?iso-8859-1?q?sado_publicamente_atrav=E9s_do_atalho_no_final_dest?= =?iso-8859-1?q?a_mat=E9ria=2E?= Message-ID: <7864F410C77E4945B963A4E3F2FC2679@vcaixe> Carta O Berro......................................................repassem ----- Original Message ----- From: denilson_lopes Olá, amigos! Vale a pena ler esta notícia a respeito deste herói nacional, que ainda não tem espaço nos nossos livros de história do Brasil: o índio Sepé Tiaraju. E também a história das missões jesuíticas dos Sete Povos, cujo livro pode ser acessado publicamente através do atalho no final desta matéria. Visitem também meu endereço na internet: "denilsoncontador.blogspot.com". Um abraço. Denilson Câmara edita livro sobre o herói nacional Sepé Tiaraju Organizado pela 1ª Vice-Presidência e publicado pela Edições Câmara, o livro "Sepé Tiaraju: herói guarani, missioneiro, rio-grandense e, agora, herói brasileiro" resgata a história do índio missioneiro que liderou a resistência dos guarani contra a implantação do Tratado de Madri, em 1750. A Câmara lança nesta quarta-feira (19) o livro "Sepé Tiaraju: herói guarani, missioneiro, rio-grandense e, agora, herói brasileiro", organizado pela 1ª Vice-Presidência e publicado pela Edições Câmara. O lançamento será às 9h30, no Salão Nobre. Em setembro do ano passado, o vice-presidente da República, José Alencar, sancionou a Lei 12.032, que inscreveu o nome de Sepé Tiaraju no Livro dos Heróis da Pátria. A Lei teve origem no projeto de lei 5516/05, de autoria do 1º vice-presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS). O deputado defendeu que Sepé Tiaraju foi um herói ao liderar a resistência dos índios guaranis contra a implementação do Tratado de Madri, em 1750. O deputado ressaltou que o tratado era altamente prejudicial aos índios por obrigá-los a abandonar suas casas e bens. Sepé Tiaraju Nascido em um dos aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, foi batizado com o nome de Joseph. Por ser um bom combatente e estrategista, ficou conhecido como Sepé, "facho de luz", em tupi-guarani. Tornou-se líder das milícias indígenas que atuaram contra as tropas luso-brasileiras e espanholas na chamada Guerra Guaranítica. Sepé Tiaraju era corregedor da Redução Jesuítica de São Miguel, eleito pelos índios guaranis, quando da assinatura do Tratado de Madri, em 1750, pelo qual os reis de Portugal e Espanha trocavam os Sete Povos das Missões pela Colônia do Sacramento. O Tratado obrigava cerca de 50 mil índios cristãos a abandonarem a terra de seus ancestrais, onde haviam construídos igrejas e fazendas e exerciam a agricultura e a pecuária. Insurgindo-se contra a medida, Sepé liderou a resistência dos índios guarani. Morreu em 7 de fevereiro de 1756, enfrentando tropas portuguesas e espanholas no local chamado Batovi, hoje cidade de São Gabriel. Três dias depois, 1.500 índios foram trucidados na batalha do Caiboaté. Livro dos Heróis Nacionais O nome de Sepé Tiaraju é a 11ª inscrição no Livro dos Heróis Nacionais. A inscrição marcou a passagem dos 250 anos da morte do índio missioneiro. Desde novembro de 2005, Sepé Tiaraju já constava como herói guarani declarado pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Para baixar gratuitamente o livro, acesse através do endereço abaixo a Biblioteca Digital da Câmara: -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100524/b4dd18fa/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 25 20:16:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 May 2010 19:16:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Camponeses do Araguaia Message-ID: <05F55B25B3A24887A31CCB0974F5D3D9@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro Trailer do documentário "Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro", dirigido por Vandré Fernandes Barros e produzido pela Fundação Maurício Grabois e Oka Comunicações, lançado dia 21 de maio de 2010. No filme, camponeses contam a amizade com os "Paulistas" (militantes do PCdoB), que participaram da Guerrilha do Araguaia. Eles revelam as atrocidades cometidas pela repressão na região, no período da ditadura militar. http://www.fmauriciograbois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=12&id_noticia=2298 Trailer do documentário "Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro", produzido pela Fundação Maurício Grabois e Oka Comunicações, lançado dia 21 de maio de 2010. No filme, camponeses contam a amizade com os "Paulistas" (militantes do PCdoB), que participaram da Guerrilha do Araguaia. Eles revelam as atrocidades cometidas pela repressão na região, no período da ditadura militar. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100525/d3ac98e6/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100525/d3ac98e6/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 25 20:16:51 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 25 May 2010 19:16:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_M=E9todo_em_Marx_=28mp3=29/_Sen?= =?iso-8859-1?q?te-se_confortavelmente_e_ou=E7a_uma_aula_clara_e_di?= =?iso-8859-1?q?d=E1tica_do_professor_Jos=E9_Paulo_Netto/_N=E3o_pre?= =?iso-8859-1?q?cisa_baixar_nada=2E_E_so_clicar=2C_ouvir_e_aprender?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: Carta O Berro......................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maria Luiza Tonelli )De: Tetê Bezerra José Paulo Netto - O Método em Marx (mp3) Dando prosseguimento à divulgação de materiais básicos para o movimento de rediscussão da obra marxiana em tempos de crise do capital, disponibilizo aqui os arquivos de áudio (mp3) de um curso ministrado pelo prof. José Paulo Netto sobre o método em Marx. Aqui ele apresenta o percurso intelectual de Marx no contexto histórico de crise social alemã e européia do século XIX, que contou com a constituição do proletariado enquanto classe-para-si, especialmente a partir de 1848. Apresenta a especificidade da obra marxiana e suas diferenças essenciais - do ponto de vista teórico-metodológico e político - aos principais pensadores das ciências sociais, como Weber e Durkheim. O curso está dividido em 10 arquivos. Enjoy it! Aula 1 - parte 1 Aula 1 - parte 2 Aula 2 - parte 1 Aula 2 - parte 2 Aula 3 - parte 1 Aula 3 - parte 2 Aula 4 - parte 1 Aula 4 - parte 2 Aula 5 - parte 1 Aula 5 - parte 2 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100525/60c371dc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 26 20:40:39 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 May 2010 19:40:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_BUDRUS=2C_durante_o_Forum_Alian?= =?iso-8859-1?q?=E7a_das_Civiliza=E7=F5es_neste_quinta=2C_27_de_Mai?= =?iso-8859-1?q?o=2C_=E0s_14h30_-_Museu_de_Arte_Moderna=2C_no_Rio_d?= =?iso-8859-1?q?e_Janeiro=2E?= Message-ID: Carta O Berro........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Andrea Gouvea Vieira e Julia Bacha "Estou no Rio para exibir meu filme, BUDRUS, durante o Forum Aliança das Civilizações neste quinta, 27 de Maio, às 14h30 no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. Estarei lá para uma conversa após o filme. Divulguem também para amigos que se interessem pelo tema. Detalhes sobre o filme abaixo. Para acesso ao local é exigido o credenciamento no site: http://inscricoes.aliancadecivilizacoes.mre.gov.br/f1b Abraços, Julia Bacha" --------------------------------------------- Documentário Budrus Vencedor do Prêmio do Público no Festival Internacional de San Francisco, da Prêmio Especial do Júri no Festival Internacional de Tribeca e no Documenta Madrid, e segundo lugar do Prêmio do Público no Festival Internacional de Berlim, o documentário BUDRUS volta ao Rio para participar do Fórum Aliança das Civilizações, uma iniciativa da ONU. Para assistir ao trailer e ler mais sobre o filme, visite www.budrusthemovie.com Da site do festival É Tudo Verdade: Vilarejo na fronteira entre a Cisjordânia e Israel, Budrus ocupou as manchetes em 2003, quando foi palco de um inusitado protesto não-violento. O motivo foi o anúncio da construção de um muro pelo Governo Israelense que destruiria oliveiras histórica e economicamente importantes. A frente do movimento estava Ayed Morrar, cuja liderança comunitária e pacifista uniu em torno da causa facções palestinas rivais, como a Fatah e o Hamas, e judeus progressistas. Também importante para a mobilização foi Iltezam, a filha de Morrar, que conseguiu uma adesão maciça de mulheres. Ouvindo todos os lados envolvidos, a diretora brasileira de origem libanesa, Julia Bacha, monta um amplo painel de uma situação explosiva no Oriente Médio que encontrou solução por via pacífica. _________________________ Julia Bacha Director & Producer, BUDRUS Media Director, JUST VISION www.justvision.org -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100526/54e32ebc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 26 20:40:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 26 May 2010 19:40:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Pedro_e_os_LOBOS_-_Quem_quiser_c?= =?iso-8859-1?q?onferir_=E9_s=F3_me_mandar_seu_e-mail_pra_receber_e?= =?iso-8859-1?q?m_PDF_as_primeiras_60_p=E1ginas_-_mais_toda_a_estru?= =?iso-8859-1?q?tura_da_obra_e_alguns_cap=EDtulos_selecionados_-_ou?= =?iso-8859-1?q?_entrar_no_site_www=2Epedroeoslobos=2Ecom=2E?= Message-ID: <8D87BBC79F4A40118C9EDBD8CB693520@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fernanda Tardin Roberto Laque autor do Livro Pedro e os Lobos Sou jornalista formado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, universidade onde também estudei História. Durante sete anos estive mergulhado numa tarefa árdua, mas muito interessante: escrever a biografia de uma das pessoas mais fascinantes que já conheci - Pedro Lobo de Oliveira - e ainda fazer uma viagem pela luta armada durante os Anos de Chumbo. E espero que o livro tenha ficado bom. Quem quiser conferir é só me mandar seu e-mail pra receber em PDF as primeiras 60 páginas - mais toda a estrutura da obra e alguns capítulos selecionados - ou entrar no site www.pedroeoslobos.com. Fascínio Meu interesse pelas ações da guerrilha começou em outubro de 1971, quando eu tinha ainda 11 anos e vi, aqui na Vila Ema - extrema periferia de São Paulo a época - um ônibus ser queimado por um comando da ALN sob a chefia do estudante de Medicina Gerson Reicher. Nunca mais esqueci o depoimento que ouvi do cobrador: "Eram dois moços e uma moça. Eles pediram pra eu tirar a marmita e o dinheiro da féria do dia porque não queriam prejudicar ninguém do povo, só protestar contra o aumento do preço das passagens". Numa parede próxima ficou a primeira pichação que vi na vida: BRASIL PARA OS BRASILEIROS - COMANDO MARIGHELLA. Na adolescência, a leitura de uma matéria na Folha de S. Paulo narrando a fuga de Lamarca no Vale do Ribeira aumentou meu fascínio pelo tema num período em que era proibidíssimo se tocar no assunto. Conheci Pedro Lobo em 1982, e muito de passagem, no escritório do Airton Soares (então deputado pelo PT) e ele me disse que pertencera a organização do Capitão da Guerrilha. Aí vi a chance de mergulhar de cabeça neste período fascinante da nossa história escrevendo um livro sobre o assunto. Mas foi sé em 2003 que consegui localizar o Pedro de novo e iniciar as entrevistas que desaguaram na obra. E ela foi crescendo com a inclusão de todas as ações armadas que consegui apurar, com os fatos decorrentes da renúncia de Jânio, da posse de Jango, do golpe e o perfil de todos os governos militares. Procurei fazer capítulos curtos e usar uma abordagem jornalística, pois pretendo que o livro seja lido e entendido por todo mundo. Agora que ,meu trabalho está prestes a chegar às livrarias - já está a venda no site em primeiríssima mão - espero que tanto empenho tenha dado resultado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100526/5782e9a3/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 27 20:20:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 May 2010 19:20:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Para entender o Golpe de 1964 Message-ID: <8B4D3485A39446C78A2E7B5735686A70@vcaixe> Carta O Berro..............................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa Para entender o Golpe de 1964 E-livros Sexta-Feira, 13 Os últimos dias do governo João Goulart de Abelardo Jurema Clique aqui e faça o download do livro. Quem dará o golpe no Brasil? de Wanderley Guilherme Clique aqui e faça o download do livro. *Agradecimento especial para Abelardo Jurema Filho e Wanderley Guilherme que nos autorizaram a reproduzir as obras "Sexta-feira, 13" e "Quem dará o golpe no Brasil?", respectivamente. Bibliografia BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. A renúncia de Jânio Quadros e a crise pré-64. São Paulo: Brasiliense, 1979. ___________. O caminho da revolução brasileira. Rio de Janeiro: Melso, 1962. BORGES, Mauro. O golpe em Goiás - história de uma grande traição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Coleção Retratos do Brasil, 1965. BRANCO, Carlos Castelo. Os militares no poder. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, vol. 1, 1976. CAMARGO, Aspásia; GOES, Walder de. Meio século de combate: diálogo com Cordeiro de Farias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981. CONY, Carlos Heitor. O ato e o fato. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964. CASTELLO BRANCO, Humberto de Alencar. A Revolução de 31 de março. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército,1966. COUTINHO, Lourival. O General Góes depõe. 2ª ed., Rio de Janeiro: Livraria Editora Coelho Branco. D'ARAUJO, Maria Celina; SOARES, Gláucio Ary Dillon, & CASTRO, Celso. Visões do golpe: A memória militar sobre 1964. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. DINES, Alberto, et alii. Os idos de março e a queda em abril. Rio de Janeiro: José Alvaro, Editor, 1964. DREIFUSS, Renè Armand. 1964: a conquista do Estado - Ação política, poder e golpe de classe. Petrópolis: Vozes, 1981. DULLES, John W. F. Castello Branco. O caminho para a presidência. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979. FERREIRA, Oliveiros S. As Forças Armadas e o desafio da revolução. Rio de Janeiro: Edições GRD, 1964. FIGUEIREDO, Argelina C. Democracias ou Reformas? Alternativas democráticas à crise política: 1961-1964. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993. GASPARI, Elio. A Ditadura Envergonhada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. GOES, Walder de. O Brasil do General Geisel. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978. GORENDER, Jacob. O Combate nas trevas. 5ª ed. São Paulo: Ática, 1998. GUEDES, Carlos Luis. Tinha que ser Minas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1979. MELLO, Jaime Portella. A Revolução e o Governo Costa e Silva. Rio de Janeiro: Editora Guairra Editores. 1979. MOURÃO FILHO, Olympio. 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Quarup. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967. ___________. Bar Don Juan. 8ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. CONY, Carlos Heitor. Pessach: a travessia. 3ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 1999. CONY, Carlos Heitor; VENTURA, Zuenir; VERÍSSIMO, Luis Fernando. Vozes do Golpe. São Paulo: Companhia das Letras, 2004 ( 4 vol.) GUIMARÃES, Josué. Camilo Mortágua. 7ª ed., Porto Alegre: L&PM, 2000. VERÏSSIMO, Erico. Incidente em Antares. Rio de Janeiro: Globo, 2002. Poesia* MELLO, Thiago de. Faz escuro mas eu canto. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965. 14ª edição, 1993. ___________. A canção do amor armado: 7ª ed., Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966, 1993. GULLAR, Ferreira. História de um valente (cordel). (Cordel feito sob encomenda para o Partido Comunista, a fim de ajudar na campanha de libertação de Gregório Bezerra. O livro foi publicado na clandestinidade e Gullar usou o pseudônimo de José Salgueiro, numa referência à sua escola de samba. Na época, foi divulgado que José Salgueiro era um poeta popular, e só muitos anos depois Gullar assumiu a autoria do cordel). Filmografia* A derrota, Mário Fiorani. (1966) Ação entre Amigos, Beto Brant (1998) Alma Corsária, Carlos Reichenbach (1994) Anos Rebeldes, Denis Carvalho (1992) As armas, Astolfo Araújo. (1969). As Meninas, Emiliano Ribeiro (1995) Barra 68 - Sem Perder a Ternura, Vladimir Carvalho (2000) Brasilianas 16 - Anistia no Cinema (1978/79) Cabra Marcado Para Morrer, Eduardo Coutinho (1964-1984) Dois Córregos, Carlos Reichenbach. (1999) Feliz Ano Velho, Robert Gervitz (1988) História do Brasil Vol. VII (1993) Jango, Silvio Tendler (1984) Jânio a 24 Quadros, Luiz Alberto Pereira (1981) Jardim de guerra, Neville d'Almeida. (1968). Kuarup, Ruy Guerra (1988) Lamarca, Sergio Rezende (1994) Leila Diniz (1987) Muda Brasil, Oswaldo Caldeira (1985) O Bandido da Luz Vermelha, Rogério Sganzerla (1968) O bravo guerreiro, Gustavo Dahl. (1968). O Desafio, Paulo Cezar Saraceni (1965) O Evangelho Segundo Teotônio, Vladimir Carvalho (1984) O País dos Tenentes, João Batista de Andrade (1987) O Que É Isso Companheiro?, Bruno Barreto (1997) O Velho, Toni Venturi (1997) Opinião pública, Arnaldo Jabor. (1967). Os Anos JK - Uma Trajetória, Silvio Tendler (1980) Os fuzis, Ruy Guerra. (1965). Pra frente Brasil, Ronaldo Farias. (1981). Que Bom Te Ver Viva, Lúcia Murat (1989) Terra em transe, Glauber Rocha. (1967). Testemunha da História, Boris Casoy (2000). Ulysses Cidadão, Eduardo Escorel (1993) Vida de Artista, Haroldo Marinho Barbosa (1972) *Agradecimento especial à professora Walnice Nogueira Galvão e ao Centro Sérgio Buarque de Holanda pelas indicações aqui apresentadas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/67e9d79a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/67e9d79a/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 27 20:20:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 May 2010 19:20:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_para_o_IV_Compartilhando_?= =?iso-8859-1?q?Mem=F3rias=2E_Projeto_Acervo_e_Mem=F3ria_da_Repress?= =?iso-8859-1?q?=E3o_na_Para=EDba=2E/_dia_31_de_maio_-_na_UFPB?= Message-ID: <684627E682ED42D38A0C7116CF1E5CBF@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Wilma Martins de Mendonça Caros amigos, Segue em anexo convite para o IV Compartilhando Memórias: As que não serão esquecidas. Uma realização do Projeto Acervo e Memória da Repressão na Paraíba, sob a coordenação dos professores Lúcia Guerra e Giusepe Tosi da UFPB*. O evento contará com a presença do professor aposentado da UFRN José Aldeildo Ramos e do funcionário público aposentado da UFPB Samuel Firmino como debatedores. Terá ainda a presença do Professor José Jonas Duarte do Departamento de História da UFPB, como mediador da mesa. Contamos com a sua participação e divulgação do evento. Atenciosamente, Equipe do acervo DOPS-PB * O projeto é vinculado ao Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos (NCDH/CCHLA/UFPB) e foi aprovado no edital do Programa de Apoio à Extensão Universitária (Proext) do MEC/SESU. O ciclo de debates conta com o apoio do Polo Multimídia/Ldmi, que realizará a gravação das sessões. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/a7da7de6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: paraiba itadura.jpg Type: image/jpeg Size: 46144 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/a7da7de6/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 27 20:48:23 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 27 May 2010 19:48:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Para entender o Golpe de 1964 Message-ID: ----- Original Message ----- From: neide_pessoa Vanderley, boa tarde. Para quem esteja querendo ler sobre 64. Meu abraço. Neide Anexado: Para entender o Golpe de 1964 Mensagem de pessoa36 at gmail.com: Para entender o golpe de 64,espero que seja útil, é só fazer downloads dos livroso.. NeideO Google Docs facilita a criação, o armazenamento e o compartilhamento on-line de documentos, planilhas e apresentações. -------------------------------------------------------------------------------- E-mail verificado pelo Terra Anti-Spam. Para classificar esta mensagem como spam ou não spam, clique aqui. Verifique periodicamente a pasta Spam para garantir que apenas mensagens indesejadas sejam classificadas como Spam. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/063ece39/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: Para entender o Golpe de 1964.pdf Type: application/pdf Size: 85580 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100527/063ece39/attachment-0001.pdf From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 29 16:22:03 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 May 2010 15:22:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Carta_do_filho_de_Plinio_Marcos__?= =?iso-8859-1?q?_-_Emocionante=2C_=E9_longa_mas_vale_conferir=2E?= Message-ID: Carta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Sergio Caldieri Emocionante, é longa mas vale conferir Carta do filho de Plinio Marcos Meu pai morreu Dia 19 de novembro é aniversário da morte do meu pai, escrevi este texto no dia em que ele morreu: 19 de novembro de 99. Meu pai morreu. Todo pai morre. Agora estou aqui pensando: o que foi que meu pai me deixou? Apartamento? Não. Carro?Nem uma bicicleta. Dinheiro? Ele não conseguia pagar nem as próprias contas. Mas pagava a dos filhos. Roupas? Só um chinelo velho, mas meu pé é maior. Sem testamento, sem herança, sem nada? As peças. As peças de teatro? De quem são as peças de teatro? Meu pai era escritor. Escritor de teatro. Teatro? Teatro dá dinheiro. Tem gente que escreve peça pra ganhar dinheiro. Não, meu pai não. Não ganhou muito dinheiro com teatro. O que ganhou, gastou. Deu dinheiro pra muita gente. Meu pai não era um bom administrador. Era um "maldito", diziam, um "marginal", mas não era bandido. Por que ele era maldito, afinal? Será que não pensava nos filhos? Por que não escreveu peça pra ganhar dinheiro? "Ninguém tem direito de pedir a um artista que não seja subversivo.". Meu pai escrevia sobre puta e cigano sem dente. Puta, cigano sem dente e cafetão. Puta, cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. Puta e cigano sem dente? Puta, cigano sem dente e cafetão é chato, porra! Puta, cigano sem dente e presidiários não dava dinheiro. Puta, cigano sem dente e desempregados não tinha "patrocínio". Mas eu queria tênis americano, eu queria camisa Lacoste, camisa Hang Ten. Meu pai tinha que ganhar dinheiro. Por que ele insistia em escrever peças sobre puta, cigano sem dente, cafetão e presidiários? Ele insistia. Puta, cigano sem dente, cafetão, presidiários, desempregados e fudidos. E o ator e Jesus Cristo e nada de "comédia comercial". Mas eu queria o meu "All Star", eu queria ter todos os discos dos Beatles. "Pai, me dá dinheiro pra comprar uma guitarra!" E eu tive, eu tive a tal guitarra, eu comprei todos os discos dos Beatles com o dinheiro dele (depois tive que comprar tudo de novo em CD com o meu dinheiro e agora dá pra baixar de graça na internet). Calça boca fina, camisa Hang Ten. Onde ele arrumava dinheiro? Onde ele arrumava dinheiro pra me comprar tênis "All Star"? Ele achava que isso era "lixo americano". Ele achava que essa merda importada só servia pra aumentar a nossa alienação. Meu pai era generoso. Ele não ia deixar de me dar uma coisa que eu queria, só porque ele achava que o que eu queria era imposto pela sociedade de consumo. Ele tentava me orientar, mas respeitava minha opinião de adolescente alienado. Onde ele arrumava dinheiro? Era época de ditadura. Escrever sobre puta, cigano sem dente, cafetão e presidiários, incomodava os "poderosos". Porra, ainda mais essa! Já escreve sobre coisa que não dá dinheiro, mas além de não dar dinheiro, ainda é proibido? "Pai, me dá dinheiro pra comprar disco do Bob Dylan!". Meu pai fez novela, fez Beto Rockfeller. Mas Beto Rockfeller não conta, Beto Rockfeller era A novela, tinha a cara dele, era revolucionária. Ele fazia o Vitório, o melhor amigo do Beto. Ele ganhou um dinheiro, me comprou um tênis, uma guitarra, um... Mas A novela era na Tupi. A Tupi faliu. Meu pai foi fazer novela na Rede Globo: "Bandeira 2". Mas a Globo é no Rio, o Rio tem praia, ele cabulava as gravações e ia pra praia: "Novela é chato pra caralho, porra! O direito da gente coçar o saco é sagrado.", ele dizia. Ele ia pra praia e lá ficava indignado porque naquela época a Globo não punha negros nas novelas e quando punha era nos papéis de escravo ou mordomo. Meu pai escreveu no jornal "A Última Hora" do Samuel Wainer, onde ele trabalhava, que a Globo botou a Sônia Braga dois meses tomando sol pra ficar escura, em vez de chamar uma mulata pra fazer "Gabriela". A Globo não gostou. Os "poderosos" da Rede Globo não gostaram. Fizeram ameaças, juraram de morte. Em fim, a Globo não dava mais. Quando ele tava por lá, ele bem que quis escrever novela. Afinal, eu queria dinheiro pra comprar tênis, disco, guitarra. Mas novela de puta, cafetão e cigano sem dente? Não, novela de puta, cafetão e cigano sem dente não dá. Se fosse cigano com dente, musculoso e mau ator, aí dava. Agora, cigano sem dente, pobre e fudido, não dá. Então não dá. "Na televisão brasileira, artista estrangeiro morto trabalha mais do que artista brasileiro vivo." Tudo bem, não podia fazer peça de puta porque a ditadura não gostava, não podia novela de cigano pobre, fudido e sem dente porque a T.V. não queria. Então o que que podia? Não podia nem chamar a Rede Globo de racista, nem nada. A sinopse que ele fez pra uma novela quando finalmente a Globo chamou ele, era de uma tribo de ciganos que estupravam as filhas dos empresários e...bem, não aprovaram. E as portas iam se fechando. E a ditadura ali, descendo o cassete. E eu queria o meu tênis "All Star"! "Pai, porra, pai, eu quero dinheiro pra comprar time de botão!" Mas enquanto os "poderosos" iam dizendo: Não! Não! Não! Ele ia ganhando o respeito dos humildes de coração, um "povo que berra da geral sem nunca influir no resultado", um povo fudido, os marginais, as putas, os ciganos sem dente, os presidiários, um povo que não aparecia na T.V. "Pobre na Rede Globo almoça e janta todo dia". Pobre na Rede Globo tem dente, favela na Rede Globo não tem rato. Esse povo não era o povo dele. O povo dele era entre outros, os sambistas, não esses de agora, de terno Armani, cercados de loiras recauchutadas, mas, os sambistas das escolas de samba de São Paulo. Os sambistas marginalizados, os que nunca gravaram CD. O Zeca da Casa Verde, o Talismã, o Jangada, o Toniquinho Batuqueiro, o Geraldo Filme, enfim, os que morrem na merda. "Silêncio, o sambista está dormindo, ele foi, mas foi sorrindo, a notícia chegou quando anoiteceu...". Então a solução era fazer show com os sambistas. Meu pai contava histórias e os sambistas cantavam suas músicas. Mas os sambistas eram crioulos. Negros? Negro não podia. Em plena ditadura, Plino Marcos e "a negrada"? Que papo é esse? Poder, podia, mas ninguém queria ver. "A burguesia não me quer", ele dizia. Não podia peça de puta e novela de cigano sem dente pobre e fudido, não podia dizer que a Globo era racista e ninguém queria ver show com "a negrada". Então o que que podia? "Pai, me dá dinheiro pra comprar figurinha do álbum Brasil Novo!" A ditadura quando eu tinha 7 anos tava em todo lugar, em cada esquina, no meio de cada casal que fazia "amor com medo", nos porões do Doicodi e nas torturas atrozes que muitos sofriam e eu lá: "Pai, me leva na Expoex, pai, me leva na Expoex! A Expoex é a exposição do exército! Eu quero ver os soldados, pai! Eu quero ver os tanques!" E ele me levava. Senão eu chorava. Eu chorava se eu fosse censurado e não pudesse ver a Expoex. Quando eu tinha uns 12, 13 anos, lá estava o ônibus da escola pronto pra partir pra Porto Seguro com todos os meus amiguinhos dentro e os pais, do lado de fora, dando tchauzinho. E um amiguinho meu perguntou: "Quem é seu pai?" Eu não tive dúvida: "Meu pai é aquele!" E o meu amiguinho: "Aquele de terno e gravata? Aquele que tá conversando com o meu pai?" E eu: "É, aquele." O meu amiguinho gritou: "Pai, esse aí é o pai do Leo!" E a professora ouviu. Não, meu pai não era aquele de terno e gravata. Meu pai era outro. Era o que todo mundo tava chamando de mendigo. Meu pai era aquele de macacão e chinelo! Gordo de macacão e chinelo! "O pai do Leo é mendigo, o pai do Leo é mendigo!" Afinal, quem trabalha tem que usar terno e gravata. Naquela época, um moleque de 12, 13 anos, era um tapado. Ou isso era característica minha? "Pai, por que você não trabalha? Pai, por que você dorme até meio dia? Pai, por que o pai do Paulinho tem carro e você não? Por que você chega de madrugada em casa? Pai, por que você anda de macacão e chinelo? Pai, me dá dinheiro pra comprar..." E o meu pai me dava dinheiro. Eu estudava em escola de "burguês". Eu estudei nas "melhores escolas". E olha que o meu pai odiava escola. "A cultura nas mãos dos poderosos constrange mais do que as armas; por isso, a arte e o ensino oficiais são sempre sufocantes", ele dizia. Ele saiu da escola na 4ª série do primário. Ele era canhoto. Na escola, as professoras o obrigavam a escrever com a mão direita. Ele fugiu da escola, ele sempre foi da esquerda. Era chamado de analfabeto. Com 21 anos escreveu "Barrela!". "Me chamavam de analfabeto, como se isso fosse privilégio meu, neste país." Meu avô queria que ele trabalhasse no Banco do Brasil, mas ele queria é subir num banco no meio da praça e fazer números de palhaço. A família chegou até a pensar que ele era débil mental. Meu pai foi pro circo. Ele amava o circo. Foi ser palhaço de circo. Era o palhaço Frajola. A escola dele era o circo, a minha era escola de "burguês". Mas como ele pagava a minha escola? Foi preso, foi solto, ameaçado, escrevia em jornais e revistas, quase todos que existiam. Foi despedido de todos. A censura não queria meu pai escrevendo em lugar nenhum. O que fazer? Sair do país? Ele não falava direito nem o português. O que fazer? "Pai, me dá dinheiro pra comprar uma calça Soft Machine!". Uma vez o meu pai tava com uma dívida muito grande, tava com dificuldade de pagar as prestações de um apartamento que ele comprou pra gente. Daí um belo dia a Ford ligou pra ele, convidando pra fazer um comercial. Era uma puta grana, dava pra pagar as dívidas e ficar bem tranqüilo por uns tempos. Meu pai não fazia comercial. Foi vender livro na rua. Nas portas dos teatros, nas portas das faculdades, nos bares. Foi vender livro na porta de teatros aonde se apresentavam artistas piores do que ele. Ele mesmo editava os livros, ele mesmo ia vender. E podia? Não. Não podia. Várias vezes ele foi expulso pelo "rapa" como um camelô comum. E ele chorava? "Perseguido, o caralho! Eu não sou nenhum mosca-morta. Eu fiz por merecer. Fui uma pessoa que aproveitou bem a fama. Eu apedrejei carro de governador, quebrei vidraça de Banco. Foi uma farra. Não teve mau tempo." Tinha. Tinha mau tempo, mas ele não reclamava, eu nunca ouvi o meu pai reclamando da vida. Eu nunca ouvi o cara dizer que a vida tava difícil, ou que era "foda". Não. Ele só reclamava das injustiças. Ele berrava contra as injustiças, os preconceitos, a apatia. Meu pai é o Plínio Marcos, porra! Bela merda, tem gente que nunca ouviu falar. Pra muitos era só um fudido que não deu certo na vida, andando feito mendigo pelo centro da cidade. Já morreu. Não era melhor do que ninguém. (Não?) "Tudo se consegue com esforço; não se chega a lugar nenhum sem caminhar." Com 15 anos eu quis sair da escola. Ele disse: "Sai logo dessa merda, eu te sustento até você encontrar sua vocação!" Eu saí, eu saí daquela merda na metade do 1º colegial. Acho que qualquer ser humano com o mínimo de sensibilidade, sabe: o ensino do jeito que é, faz mal pra saúde. Eu devia ter uns 17 anos, era de madrugada. Eu morava com ele. Eu tava na mesa da sala com o violão, triste, querendo encontrar a minha vocação, sem saber o que dizer, inibido, pensando em todos os artistas que eram muito melhores do que eu. Meu pai levantou pra tomar água, me viu ali, não disse nada. Foi até o escritório, voltou com um livro e leu um poema pra mim. "O corvo" do Edgar Allan Poe. Não disse nada, só leu a poesia. Não foi o conteúdo, foi o tom da voz dele, aquela voz doce que ele tinha. Ele declamava e eu ouvia como se ele me pegasse no colo. Foi dormir e me deixou ali, ouvindo o corvo dizer: "para sempre!". Eu virei escritor, com 21 anos escrevi "Dores de Amores". Meu pai era um incentivador, idolatrava os filhos. Queria ser mergulhador só porque o Kiko, meu irmão, é. A Aninha, minha irmã, era tudo pra ele. Eu fiz vários shows com ele, pelas faculdades, pelos teatros, pelos bares. Ele contava histórias e eu tocava violão. Meu pai era generoso, violento, essencial, amava, amava tanto as pessoas que chegava mesmo a odiá-las. Lutava, berrava e me acordava. Meu pai não me deixou apartamento, carro, dinheiro, bicicleta. Nem o chinelo dele me serve. Eu tive e tenho que ganhar o meu próprio dinheiro. Até hoje, muito pouca gente quer montar as suas peças e muito pouca gente quer assistir. Meu pai já não precisa mais vender livro na rua, pra quem não quer comprar, ou pra quem compra só pra "ajudar". O que eu mais queria é que ele me ouvisse agora: "Pai, você não me deixou nada que se possa enxergar. Nem carro, nem apartamento, nem bicicleta, nem chinelo. Me deixou a sua indignação, um pouco do seu temperamento, a lembrança de ver você acordando todo dia com uma puta força de vontade, com uma puta vontade de viver, sempre alegre, sempre fazendo piada das próprias desgraças, sempre dando tudo que ganhava pros filhos, sem nunca acumular porra nenhuma." E se ele me escutasse ele diria, com um sorriso malandro sem dentes, segurando as lágrimas: "Ê, Leo Lama!" Meu pai não sabia receber elogios. Mas se ele me ouvisse agora, eu diria: Pai, eu preciso te contar, no seu velório foi muita gente, pai. No seu velório, estiveram os maiores artistas do país. Médicos, políticos, advogados, empresários, fãs, gente do povo, crianças e os sambistas. Os sambistas cantaram sambas em sua homenagem, pai. Suas mulheres, seus amigos, seus inimigos, todos nós, todos nós te aplaudimos quando o seu caixão foi colocado em cima do carro de bombeiro. Eu tava segurando uma aba, o Kiko outra. Você foi cremado, pai. Seus amigos fizeram discursos emocionados, disseram: "Plínio Marcos, um grito de liberdade!" Nós jogamos suas cinzas no mar de Santos. Na ponta da praia, onde você passou sua infância. O Jabaquara, seu time, ficou na porta do pequeno estádio, uniformizado, com a mão no coração, vendo o cortejo passar. O povo na areia batia no surdo e entoava um canto mudo no crepúsculo santista e nós no barco deixávamos você escorrer pelos nossos dedos como se você nem tivesse existido. Eu ainda quis te achar no meio do mar, mas de repente já era só o mar. E você foi, como todo mundo vai. É isso aí, pai: tanta gente te amava. Você sabia? Acho que ninguém te amou tanto como a minha mãe. O amor dela ecoa em mim. Mas, e eu, pai? E eu? Será que eu vou ter a mesma fibra que você? Eu não gosto de viver como você gostava. Eu não tenho a sua coragem. "A poesia, a magia, a arte, as grandes sabedorias não podem habitar corações medrosos." Eu acho que eu vou me vender, pai, eu acho que eu já sou um vendido. Eu só queria ser essencial, essencial como você. É difícil. Eu reclamo. A vida tá uma bosta! Tá difícil de encontrar pessoas essenciais, pai. As pessoas só falam e pensam no que é supérfluo. Eu não tenho assunto. Eu me sinto sozinho. Eu não sei sobre o que escrever. O mundo tá se destruindo, tem muita gente fudida, tem muitas festas e muita fome. Que indecência, pai, que vergonha que eu sinto desse tempo que eu vivo. Eu sei que você não tem saco pra choramingo, pai, mas me deixa desabafar, pai, só hoje, me deixa te falar sobre o sonho dessa gente, você sabe, essa gente, os "homens-pregos", fixos no mesmo lugar. Essa gente quer ter carro, pai, casa com piscina, essa gente quer ser rica e famosa, essa gente quer ser musculosa e quer ter bunda, essa gente diz que acredita em Deus e fode ele, essa gente não quer ser essencial, pai, essa gente... essa é a minha gente, pai, às vezes eu me olho no espelho e me acho parecido com essa gente. Me perdoa. Um beijo do seu filho, Nado, que ainda usa o nome artístico que a gente inventou juntos: Leo Lama -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100529/d9edb03d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 29 16:22:12 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 May 2010 15:22:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Filme sobre os anos de chumbo "Em teu nome" Message-ID: Carta O Berro...........................................repassem ----- Original Message ----- From: Wilma Tortura e luta pela anistia são foco de novo filme sobre os anos de chumbo LUIZ VITA Especial para o UOL, do Cineweb LEIA MAIS a.. VEJA FOTOS DO FILME b.. LEIA MAIS SOBRE AS GRAVAÇÕES O diretor gaúcho Paulo Nascimento se prepara para lançar seu quarto longa metragem, ?Em teu nome?, num momento especialmente propício para o debate: o da polêmica suscitada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em não revogar a anistia política para acusados de terem torturado presos políticos. O filme, rodado no Rio Grande do Sul, França e Marrocos, aborda de forma romanceada a vida do ex-preso político João Carlos Bona Garcia, exilado durante a década de 1970 no Chile, Argélia e França. O filme, exibido no ano passado no festival de Gramado e vencedor de quatro Kikitos (diretor, ator para Leonardo Machado, trilha sonora e prêmio especial do júri), estreia no próximo dia 28 em São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio, Salvador e Brasília. A empresa Espaço Filmes, responsável pela distribuição, fará promoção destinada a professores com ingressos a R$ 3 em alguns cinemas, em sessões durante a semana. ?Temos uma flexibilidade muito grande de buscar caminhos alternativos para fazer o filme chegar ao público?, afirma Paulo Nascimento em entrevista ao UOL Cinema. O filme conta a história de um grupo de militantes políticos que passa para a luta armada com o recrudescimento da ditadura no Brasil após a edição do AI-5. O papel de Bona, na época estudante de engenharia, é interpretado por Leonardo Machado, que acaba se aprofundando nas ações do grupo, mesmo com muitas restrições aos métodos utilizados. As divisões internas da esquerda brasileira são mostradas de forma didática, pensando principalmente no público mais jovem, que não viveu aquele período. ?Ao começar a mexer nesse assunto, me impressionou a total falta de memória, de informação ou até de descrença sobre a realidade dos fatos, que a nova geração tem. Já os mais velhos, em muitos casos, situam o assunto na mesma linha de tempo da Guerra do Paraguai?, explica o diretor. Por esse motivo, o filme situa o espectador com informações históricas sobre cada momento enfrentado por Bona e militantes de seu grupo, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), autora de assaltos e do seqüestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, liderado pelo capitão do Exército Carlos Lamarca. Bona, na prisão, estava no grupo de 70 guerrilheiros presos trocados pelo diplomata. O estudante partiu para o exílio no Chile, depois Argentina, Argélia e França e só retornou ao Brasil em 1979, com a promulgação da lei da Anistia. Nascimento revela que tinha intenção de contar a história desse período de forma ficcional e chegou a Bona e sua mulher, Célia, por indicação de um amigo. ?Ao ouvir os dois contarem o que viveram, percebi que jamais conseguiria criar algo melhor. A história tinha todos os componentes que eu queria: emoção, determinação, amor, superação, tudo o que se busca para um roteiro e raramente se consegue?, lembra. O diretor ainda aprofundou suas pesquisas em conversas com outros ex-presos políticos, como Índio Vargas, autor do livro ?Guerra é Guerra, dizia o Torturador?. ?Digamos que 70% da história é baseada em um só pessoa, mas ela carrega traços de várias outras, até porque há uma similaridade bastante forte entre os que sucumbiram?. Mesmo tratando de fatos tão horripilantes, como a tortura, o filme passa uma serenidade explicada pelo próprio personagem principal que, com o passar do tempo, entende que o passado precisa ser superado. ?Não manter o ódio, até como forma de sobrevivência, mas não fazer de conta que nada aconteceu. Os fatos foram graves, os erros foram graves, os tempos mudaram, mas existiram?, resume o diretor. Uma figura emblemática da história é a personagem interpretada por Sílvia Buarque que, no exílio, não consegue se encaixar na nova vida, mais segura em outro país. As sequelas do período em que foi torturada nunca foram superadas e só aprofundaram seu alheamento da realidade e desistência da vida. ?Quando se resolve retratar a realidade sem retoques, o público pode até duvidar, mas a verdade é mais forte?. Nascimento já tem um novo projeto que deverá ser filmado a partir de fevereiro do próximo ano. O filme vai se chamar ?A Oeste do Fim Do Mundo? e será uma coprodução entre Brasil, Argentina e Inglaterra. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100529/598c2170/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 29 16:22:20 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 29 May 2010 15:22:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_V=CDDEO_DITADURA=2C_NUNCA_MAIS_-_?= =?iso-8859-1?q?_Divulgue!?= Message-ID: <3065738854B4442E9867E5B672503BD5@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa DIVULGUE - passe adiante Endereço eletrônico do vídeo DITADURA, NUNCA MAIS http://www.youtube.com/watch?v=RUTOXN8Ho4c Letra, música, interpretação e roteiro - NARCISO PIRES Arranjo - Ederson Renaud Direção de vídeo - Luiz Gaparovic PANFLETÃO ELETRÔNICO O vídeo DITADURA, NUNCA MAIS é um panfletão eletrônico de 5 minutos. A sua construção observou três eixos: 1- A memória da Ditadura Militar no Brasil 2- A necessidade de se manter uma constante vigilância para se garantir a liberdade e a democracia 3- Mostrar que a luta continua: PELA CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA: - Abertura de todos os arquivos da repressão - Responsabilização dos torturadores e assassinos da ditadura - Instalação de uma Comissão da Verdade e da Justiça - Pela descriminalização dos movimentos sociais CONTRA A EXCLUSÃO SOCIAL: - Por Justiça e pelo pão - Pela Reforma Agrária - Por saúde e educação Por favor, divulgue o nosso vídeo. Mande-o para a sua lista de e-mail. Tem gente que ainda acha que a ditadura foi uma "ditabranda". Tem gente que nem sabe que vivemos uma dura época de ditadura militar. Para conseguirmos o pouco de democracia que temos hoje foi necessário muito suor, lágrima e sangue de inúmeros brasileiros. Narciso Pires Presidente do Grupo Tortura Nunca mais - Paraná ------------------------ Ana Miranda -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100529/1337eb82/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 30 14:43:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 May 2010 13:43:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___Ray_Connif_-_toda_discografia_p?= =?iso-8859-1?q?ara_baixar_________________________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________HOJE_=C9_DOMINGO!!?= Message-ID: Carta O Berro..............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Zuca Ribeiro Visitem, excelente discografia http://viagemusicalinstrumentais.wordpress.com/2008/06/20/ray-conniff-anos-50/#googtrans/en/pt -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100530/ddce6c50/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1768 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100530/ddce6c50/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 30 14:44:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 30 May 2010 13:44:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] "A saudade do servo na velha diplomacia brasileira", por Leonardo Boff Message-ID: Carta O Berro............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Paulo Roberto Franco Andrade "A saudade do servo na velha diplomacia brasileira", por Leonardo Boff Portal do Meio Ambiente O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre. Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em "suicídio diplomático"(24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais:"Sucursal do Império" pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação. As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento. O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições . O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula. A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula. -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100530/98a3a61c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 31 20:39:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 31 May 2010 19:39:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_A_BARB=C3=81RIE_DE_ISRAEL_CONTRA_PACIF?= =?utf-8?q?ISTAS_-_ONDE_ENTRA_O_BRASIL_NISSO_por_Laerte_Braga_/_e_O?= =?utf-8?q?NU_condena_=E2=80=9Ccomportamento_ilegal_e_assassino?= =?utf-8?q?=E2=80=9D_de_Israel?= Message-ID: <64982E6DC6E941E598CA1479A6BEAE75@vcaixe> Carta O Berro......................................................repassem A BARBÁRIE DE ISRAEL CONTRA PACIFISTAS ? ONDE ENTRA O BRASIL NISSO Laerte Braga Uma das mais covardes ações terroristas do governo sionista de Israel foi o ataque a uma flotilha de nove navios, com 800 passageiros de diversas partes do mundo, todos pacifistas, que levavam alimentos, medicamentos e toda a sorte de auxílio a palestinos da Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio que revela o caráter terrorista do governo de Tel Aviv, tanto quanto, as pretensões bélicas ao contrário do discurso de negociações que Israel faz de público ao mundo. São terroristas covardes, desumanos e repulsivos. Cerca de quinze pessoas morreram nos ataques, feitos em águas internacionais e o governo turco, um dos aliados de Israel ameaça romper relações com o governo nazista de Tel Aviv. As manifestações de repúdio a esse ato de boçalidade do governo sionista ocorrem em todo o mundo e nem Obama pode dizer neste momento que Israel agiu em legítima defesa, como costumam fazer os presidentes norte-americanos. O ataque vem em seguida a uma decisão do governo de Israel de não discutir a questão das armas nucleares, já que é um dos países que detém esse tipo de arma. Em todo o Oriente Médio, mesmo em governos favoráveis a negociações de paz, há temores de um conflito de maior proporção e grandes manifestações, como no Egito e na Jordânia ? que têm tratado de paz com Israel ? de protesto contra a boçalidade das SS navais de Israel. O presidente do Irã, freqüentemente acusado de terrorista, na sórdida política de mentiras da organização ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A disse que ?essa violência apressará o fim do regime sionista, regime sinistro e de simulacro?. Notem que ao contrário do que costuma dizer a GLOBO por aqui, Ahmadinejad não disse que o ataque terrorista significa o fim de Israel, mas do regime sionista. É completamente diferente. O secretário geral da Liga Árabe, que busca formas de paz através de negociações, disse que o ato do governo terrorista de Israel mostra que ?Israel não está preparada para a paz?. Amr Moussa convocou uma reunião de emergência para discutir o ato de terrorismo sionista em Qatar e a reação dos países árabes deve ser a de exigir que os EUA, parceiro e sócios de Israel em ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A, tomem atitudes que ponham fim a violência deliberada e genocida imposta ao povo palestino pelos sionistas. A estupidez e a boçalidade do governo de Israel podem ser vistos em http://gazafreedommarch.org/cms/en/home.aspx O número de mortos pode aumentar já existem cinqüenta feridos, das mais diversas nacionalidades e todos integrantes de grupos pacifistas. Pretendiam levar ajuda humanitária aos habitantes da Faixa de Gaza. Em mensagem no twitter, um dos mais importantes canais de comunicação da rede mundial de computadores, há um alerta ? ?se Israel faz isso de público diante do mundo, o que não faz por trás do muro que construiu em terras palestinas?? O cerco a Gaza começou depois que um fanático sionista assassinou o primeiro-ministro israelense Itzak Rabin, logo após a assinatura de um tratado de paz com Yasser Arafat, que previa o fim da guerra e a fundação do Estado Palestino como determinam resoluções da ONU. O grupo nazi de Israel assumiu o poder com a vitória do Hamas nas eleições em Gaza e rompeu todos os acordos. De Ariel Sharon para o governo atual a escalada do terrorismo sionista aumentou em todos os sentidos e a política de extermínio de palestinos é prática do governo israelense. Homens são assassinados, mulheres são estupradas, crianças são mortas, isso diariamente, tudo com o aval de Washington. Não há uma única decisão da ONU que censure Israel que tenha sido cumprida, ou que tenha gerado sanções e tampouco os EUA falam nas armas nucleares de Israel (chegou a oferecê-las ao governo branco da África do Sul para eliminar populações negras). O mundo odeia Israel foi a conclusão a que chegou uma pesquisa sobre a forma como aquele estado terrorista conduz suas ações contra os palestinos. Não há diferenças entre o holocausto contra o povo judeu nos campos de concentração nazistas, e o que fazem a palestinos, pois Hitler vive em Israel e governa Israel. O acordo firmado pelo Brasil, Turquia e Irã para controle e inspeção do programa nuclear iraniano frustrou planos de ações militares de Israel e dos EUA contra aquele país, já que não desejam a paz, mas vivem da guerra e das atrocidades que cometem contra palestinos. Sustentam interesses econômicos de empresas petrolíferas na região, governos ditatoriais no Egito, na Arábia Saudita, na Jordânia, com amplo respaldo do governo dos EUA e dos grupos sionistas, principais acionistas de ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A. Osama Bin Laden é fichinha perto dessa gente. O anúncio que o Brasil dominou o chamado ciclo do urânio aumentou o apetite bélico da empresa terrorista ? ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A ?. A perspectiva de novos atores no cenário internacional e em posições contrárias ao terrorismo desses grupos reforça a posição genocida no Oriente Médio e se volta para ofensiva contra o Brasil através da candidatura de José Arruda Serra, funcionário brasileiro da ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A. É um jogo complexo, brutal, estúpido e é praticado por essa junção de duas nações dominadas por terroristas, sejam eles Bush, Obama, ou qualquer SS de Tel Aviv. Há cerca de um mês agentes da GESTAPO de Israel assassinaram um líder do Hamas em Dubai com passaportes originais ingleses e nomes falsos. É visível a cumplicidade dos britânicos com isso. O que está em disputa é a hegemonia do terrorismo capitalista no mundo e os grupos sionistas, aliados a grupos norte-americanos formam hoje a mais estúpida e perversa organização terrorista do mundo, ESTADOS UNIDOS/ISRAEL TERRORISMO S/A, sucessora de SPECTRE. Não há palavras que possam descrever a covardia nazi-fascista do governo de Israel contra a flotilha de navios que levava ajuda humanitária para palestinos. O silêncio e a falta de atitudes de outros países significarão cumplicidade, omissão e isso é inaceitável, pois descaracteriza o ser humano como tal. São monstros, monstros em todos os sentidos. Repugnantes, sórdidos. Abjetos. =================================================================================================== ONU condena ?comportamento ilegal e assassino? de Israel Secretário-Geral Ban Ki-moon O Secretário-Geral Ban Ki-moon expressou hoje (31) seu choque com o ataque mortal feito por Israel a barcos carregados com suprimentos de emergência que se dirigiam a Gaza, e pediu a Israel que explicasse integralmente suas ações. Segundo a imprensa, esta manhã, em águas internacionais, as forças israelenses atacaram de surpresa o comboio de seis navios contendo ajuda humanitária, que também transportava centenas de ativistas, com mais de dez pessoas sendo mortas. ?Condeno este tipo de violência?, declarou Ban Ki-moon em Kampala, Uganda, onde presidiu a Primeira Conferência de Revisão do Tribunal Penal Internacional (ICC). ?É vital que haja uma investigação completa para determinar exatamente como ocorreu este derramamento de sangue. Acredito que Israel deve fornecer urgentemente uma explicação completa?. O Conselho de Segurança se reunirá esta tarde para discutir o incidente. Ban Ki-moon afirmou que a Liga dos Estados Árabes também poderá realizar uma sessão emergencial sobre o assunto. Na semana passada, o escritório do Porta-Voz do Secretário-Geral instou veementemente que ?todos os envolvidos ajam com um senso de cautela e responsabilidade e trabalhem para uma solução satisfatória? sobre a questão do comboio de ajuda. As Nações Unidas tem repetidamente se manifestado contra o bloqueio de Gaza e sobre sua preocupação sobre o fluxo insuficiente de material para a área para atender as necessidades básicas e estimular a reconstrução. Ban advertiu em um recente encontro que o bloqueio ?cria um sofrimento inaceitável, fere as forças de moderação e fortalece extremistas?. Também se manifestou contra o ataque de hoje a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay. Ela salientou que ?nada pode justificar o resultado terrível dessa operação?. Apelando para uma investigação sobre o incidente, ela ressaltou a necessidade da responsabilização. ?Inequivocamente condeno o que parece ser o uso desproporcionado de força, resultando na morte e ferimento de tantas pessoas tentando levar a ajuda tão necessária ao povo de Gaza, que já vem enfrentando um bloqueio por mais de três anos?, declarou Pillay. Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou que ?nada pode justificar o resultado terrível dessa operação?. Foto: UN/Eskinder Debebe Ela apelou ao governo israelense que atenda à ?visão quase unânime em nível internacional de que o contínuo bloqueio da Faixa de Gaza é desumano e ilegal?. O bloqueio, afirmou a Alta Comissária, ?está no cerne de muitos dos problemas que afligem a situação entre Israel e a Palestina, assim como a impressão de que o governo israelense trata do direito internacional com perpétuo desprezo?. Sem o bloqueio, ela observou, ?não haveria necessidade de frotas como esta?. Relator Especial sobre a situação dos Direitos Humanos no território ocupado da Palestina, Richard Falk. Foto: UN/Paulo Filgueiras Já o Relator Especial sobre a situação dos Direitos Humanos no território ocupado da Palestina, Richard Falk, declarou que ?Israel é culpado por um comportamento chocante, usando armas letais contra civis desarmados a bordo de navios que se encontravam em alto mar, onde existe liberdade de navegação, de acordo com a lei dos mares?. Ele repetiu os pedidos feitos pelo Secretário-Geral e pela Alta Comissária para uma investigação sobre o incidente de hoje, sublinhando que ?é essencial que os israelenses responsáveis por este comportamento ilegal e assassino, incluindo líderes políticos que deram as ordens, sejam penalmente responsabilizados pelo seus atos equivocados?. Falk caracterizou o bloqueio de Gaza como uma ?forma maciça de punição coletiva?, que equivale a um crime contra a humanidade. ?A menos que uma ação rápida e decisiva seja tomada para contestar a abordagem israelense de Gaza, todos nós seremos cúmplices das políticas criminosas que estão desafiando a sobrevivência de toda uma comunidade sitiada?, concluiu. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/2e27b0d7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2032 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/2e27b0d7/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3702 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/2e27b0d7/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 40892 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/2e27b0d7/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22680 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/2e27b0d7/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 31 21:31:45 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 31 May 2010 20:31:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Entenda_como_funciona_o_bloqueio_?= =?iso-8859-1?q?=E0_Faixa_de_Gaza?= Message-ID: ----- Original Message ----- From: Delta - Jc Macluf Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 31/5/2010 14:01 Entenda como funciona o bloqueio à Faixa de Gaza "" A Faixa de Gaza vive sob bloqueio imposto por Israel desde que o grupo extremista islâmico Hamas assumiu o controle da região, em junho de 2007. Israel quer enfraquecer o Hamas, pôr fim a seus ataques com foguetes contra cidades israelenses e resgatar o soldado Gilad Shalit. Mas muitas agências de ajuda humanitária dizem que a política serve apenas para punir civis. A Anistia Internacional chamou o bloqueio de "punição coletiva" que resulta em uma "crise humanitária"; funcionários da ONU descreveram a situação como "preocupante" e como "sítio medieval", mas Israel diz que não há desabastecimento em Gaza, justificando que permite, sim, a entrada de ajuda no território. O que entra e sai de Gaza, e que impacto isso tem? O que entra Na maior parte dos três anos desde que o Hamas assumiu o controle de Gaza, os 1,5 milhão de pessoas da região contam com menos de um quarto do volume de importações que recebiam em dezembro de 2005. Em algumas semanas, muito menos do que isso chega à região, apesar de as importações em 2010 terem atingido entre 40% e 45% dos níveis pré-bloqueio. Na esteira da chegada do Hamas ao poder, Israel afirmou que permitiria apenas a entrada de suprimentos humanitários na Faixa de Gaza. O país tem uma lista de itens que poderiam ser usados para fabricar armas, como canos de metal e fertilizantes. Esses itens não podem entrar, à exceção de em "casos especiais humanitários". Não foi publicada, entretanto, qualquer lista do que pode ou não pode entrar em Gaza, e os itens variam de tempos em tempos. A lista da agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos, a UNRWA, tem itens de uso doméstico que tiveram entrada proibida várias vezes, como lâmpadas, velas, fósforos, livros, instrumentos musicais, giz de cera, roupas, sapatos, colchões, lençóis, cobertores, massa para cozinhar, chá, café, chocolate, nozes, xampu e condicionador. Muitos outros artigos - que vão de carros e frigideiras a computadores - quase sempre têm entrada recusada. Materiais de construção como cimento, concreto e madeira tiveram entrada quase sempre proibida até o começo de 2010, quando uma pequena quantidade de vidro, madeira e alumínio foi autorizada. Durante os seis meses de trégua entre Israel e Hamas que começaram em junho de 2008, e no começo de 2010, o volume e a gama de bens que entram em Gaza aumentou um pouco, com a chegada de caminhões de sapatos e roupas. Israel diz que o Hamas desviou ajuda no passado, e que poderia se apropriar de materiais de construção para seu próprio uso. Agências de ajuda respondem afirmando que têm sistemas de monitoramento rígidos em vigor. Alimentos "AP" Agências de ajuda humanitária que operam em Gaza dizem que conseguem, em grande parte, transportar suprimentos básicos como farinha e óleo de cozinha para o território. Mas a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês), diz que 61% dos moradores de Gaza vivem em uma situação de "insegurança alimentar". Metade dos 1,5 milhão de moradores de Gaza depende da UNRWA e de seus suprimentos de comida. A distribuição de comida pela UNRWA foi suspensa várias vezes desde junho de 2007, como resultado do fechamento das fronteiras ou de racionamento de comida. Israel costuma dizer que as fronteiras são fechadas por motivo de segurança, usando como exemplo ocasiões em que palestinos atacaram os postos fronteiriços ou lançaram foguetes contra Israel. Os pacotes de ajuda da UNRWA respondem por cerca de dois terços das necessidades alimentares dos palestinos em Gaza, e precisam ser complementadas por laticínios, carne, peixe, frutas frescas e legumes. Alguns desses itens são cultivados localmente, outros têm entrada permitida, vindos de Israel, e outros são contrabandeados por túneis na fronteira de Gaza com o Egito. Mas com o desemprego em 40%, segundo estima a ONU, alguns moradores de Gaza não podem comprar o básico, mesmo se eles estiverem disponíveis. A UNRWA afirma que o número de moradores de Gaza incapazes de comprar itens como sabão e água potável triplicou desde 2007. Uma pesquisa realizada pela ONU em 2008 revelou que mais da metade dos domicílios de Gaza vendeu o que tinha e depende de crédito para comprar comida. Três quartos dos habitantes da região compram menos comida do que no passado, e quase todos estão comendo menos frutas, legumes e verduras frescos e proteínas, para economizar. A operação militar de Israel em dezembro e janeiro de 2009 prejudicou significativamente a transferência de alimentos e sua distribuição, além de ter causado prejuízos à agricultura que a FAO estima estar na ordem dos US$ 180 milhões. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), um terço das crianças com menos de 5 anos e de mulheres em idade fértil em Gaza estão anêmicos. Combustível e energia "" Em setembro de 2007, o governo de Israel declarou a Faixa de Gaza uma "entidade hostil", em resposta a ataques contínuos com foguetes contra o sul de Israel, e disse que começaria a cortar o nível de combustível importado pela região. Falta de gasolina e diesel causaram grandes problemas. Carroças puxadas por burros são uma visão comum em Gaza. O combustível para carros entra por túneis, através do Egito. De acordo com informação compilada pela Ong Oxfan, não entrou qualquer quantidade de gasolina ou diesel para veículos vindo de Israel desde de novembro de 2008 - à exceção de combustível usado por carros da ONU e de outros cinco outros carregamentos por navio, em três anos. A quantidade de gás de cozinha com entrada autorizada geralmente varia entre um terço e metade da necessidade, segundo a Oxfam. Eletricidade O fornecimento de eletricidade a Gaza é composto por 144 Megawatts vindos de Israel, 17 Megawatts do Egito e o restante de uma usina controlada pela União Européia em Gaza, que pode gerar até 80 Megawatts. O combustível para a usina é geralmente levado através do posto fronteiriço de Nahal Oz. A usina fechou por completo várias vezes por falta de combustível, porque o posto estava fechado. A usina ficou sem energia durante a maior parte da operação de Israel em janeiro de 2009, deixando dois terços dos moradores de Gaza sem energia, no pico da crise. Desde o começo de 2008, a usina recebeu combustível suficiente para operar com apenas dois terços da sua capacidade - obedecendo a uma determinação da Suprema Corte de Israel, que estabelece a entrada de uma quantidade mínima de combustível em Gaza. Números monitorados por agências internacionais mostram que a chegada de combustível caiu para seus níveis mínimos várias vezes na primeira metade de 2008. No fim de 2009, a responsabilidade por custear o combustível foi transferida da União Européia para a Autoridade Nacional Palestina, baseada em Ramallah, na Cisjordânia. Em abril e maio de 2010, o fornecimento de combustível oscilou, e a usina conseguiu operar entre 20% e 50% de sua capacidade. Os cortes de energia continuam frequentes. Uma pesquisa da Oxfam de abril de 2010 mostrou que havia casas em Gaza sem energia por 35 ou 60 horas por semana. Esgoto e água "" O bloqueio teve um enorme impacto na rede de esgoto e de abastecimento de água. A falta de componentes torna difícil a reforma da rede. O fornecimento de energia intermitente fez com que bombas elétricas precisassem de geradores, que, por sua vez, não tinham peças reserva. A OMS diz que a Operação Chumbo Fundido piorou o que já era uma situação crítica. Antes da operação, segundo a organização, os moradores de Gaza tinham menos de metade da água que necessitam de acordo com padrões internacionais. Além disso, 80% da água que chegava ao território não tinha qualidade compatível com os padrões da OMS. No auge dos combates em janeiro, metade da população de Gaza não tinha acesso a àgua encanada. O organismo responsável pelo tratamento de esgoto em Gaza estima que ao menos 50 milhões de litros de esgoto mal ou não tratado seja despejado no mar diariamente. Parte do esgoto de Gaza é armazenado em lagoas. Uma delas tranbordou em 2007, causando ao menos cinco mortes. Negócios De maneira geral, a ONU diz que o bloqueio causou "danos irreparáveis" à economia de Gaza. O desemprego aumentou de 30% em 2007 para 40% em 2008, de acordo com o Banco Mundial. A ONU afirma que se a ajuda fosse descontada, 80% dos moradores de Gaza viveriam na pobreza. O bloqueio devastou o setor privado. Antes de 2007, cerca de 750 caminhões de móveis, produtos alimentícios, têxteis e agrícolas deixavam Gaza a cada mês, no valor de meio milhão de dólares por dia. Sob o embargo, as únicas exportações permitidas foram as contidas em poucos camihões de morangos e flores - apesar de a situação ter melhorado levemente no começo de 2010, com a saída de 118 camihões entre dezembro de 2009 e abril de 2010. Até a produção para necessidades locais foi praticamente paralisada, porque matérias primas raramente conseguem entrar. De acordo com a organização de defesa dos direitos humanos Gisha, pequenos conteineres de margarina têm entrada permitida para consumo doméstico. Baldes de manteiga, entretanto, não podem entrar - esses poderiam ser usados para manufatura industrial de alimentos. Algumas empresas retomaram suas atividades usando produtos contrabandeados através dos túneis. Antes do bloqueio, 3.900 empresas operavam, empregando 35 mil pessoas - em junho de 2008, apenas 90 funcionavem, empregando apenas 860, de acordo com o Centro de Comércio Palestino. A situação melhorou ligeiramente durante a trégua. Os negócios de Gaza sofreram prejuízo estimado em US$ 140 milhões durante as operações militares de dezembro e janeiro, de acordo com o Conselho Coordenador do Setor Privado Palestino. Agricultura A agricultura também é um empregador importante, mas com as exportações em praticamente zero, milhares de toneladas de flores, frutas, legumes e verduras foram destruídos ou vendidos com prejuízo em mercados locais. Outras áreas da indústria alimentícia também foram afetadas - por exemplo, o aumento dos custos de produção para pescadores aumentou o preço das sardinhas, e um avicultor teve que matar 165 mil pintos, porque não tinha combustível para as incubadoras que os manteriam vivos. A FAO afirma que árvores, campos, gado e estufas - no valor de US$ 180 milhões - foram destruídas na Operação Chumbo Fundido. A Autoridade Nacional Palestina estima que 15% das terras para cultivo na região tenham sido destruídas. A FAO afirma ainda que as fronteiras fechadas são um enorme obstáculo para a reconstrução, com a falta de fertilizante, gado, sementes e equipamento agrícola. Israel diz que em 2010 permitiu a entrada em Gaza de sementes de batata, ovos para reprodução, abelhas e fertilizantes que não poderiam ser usados em bombas. "" Construção Restrições a material de construção, em particular cimento, e componentes para máquinas, tiveram enorme impacto sobre projetos que vão de tratamento de água à abertura de sepulturas. A reconstrução de prédios e infraestrutura destruida nas operações de Israel de 2009 se tornou praticamente impossível. A ONU diz que as restrições ao cimento tornaram impossível a reconstrução de 12 mil casas palestinas danificadas ou destruídas durante as operações israelenses. A organização diz que não pôde construir escolas para abrigar 15 mil novos alunos - necessárias porque a população aumentou desde que o bloqueio começou. Mesmo antes da operação Chumbo Fundido, todas as fábricas de material de construção tinham fechado (13 que fabricavam azulejos, 30 de concreto, 145 de corte de mármore e 250 de tijolos), e a construção de estradas, de redes de abastecimento de água e saneamento, de instalações médicas e casas foi paralisada. Durante a trégua, alguns caminhões de cimento começaram a entrar em Gaza, mas o volume estava muito abaixo do necessário - e o fluxo parou, assim que a trégua ruiu. Em março de 2010, Israel aprovou a entrada de material de construção para alguns projetos da ONU que estavam paralisados, mas o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que aquela era "uma gota em um balde" em comparação às necessidades. Saúde A OMS diz que o bloqueio levou a uma "piora das condições de saúde da população" e "à degeneração acelerada" do sistema de saúde. Israel geralmente permite a entrada de remédios em Gaza. A OMS afirma que a falta de remédios é um problema, com 15% ou 30% dos medicamentos essenciais em falta ao longo de 2009. O sistema de saúde também luta para obter componentes para suas máquinas e também com a falta de combustível para geradores. Antes da operação Chumbo Derretido, Gaza tinha apenas 133 leitos hospitalares por 100 mil pessoas, comparados com 583 em Israel, e perdeu parte de sua capacidade durante os combates. Seis hospitais sofreram danos, incluindo um prédio novo que foi totalmente destruído, e outro que perdeu dois andares inteiros. Gaza simplesmente não está equipada para tratar casos graves de saúde. De acordo com dados israelenses, 10.554 pacientes e seus acompanhantes deixaram Gaza para obter tratamento médico em Israel desde 2009. Mas a OMS afirma que em dezembro de 2009, foi negada ou atrasada permissão para entrada de 21% dos pacientes, e 27 morreram durante o ano, à espera de autorizações de Israel. A fronteira de Rafah com o Egito está fechada desde junho de 2007, apesar de alguns casos médicos considerados especiais poderem cruzar o local. Israel diz que é necessário uma inspeção cuidadosa, alegando que três pessoas com autorização médica para deixar o território planejavam, na verdade, atacar o país. O governo israelense diz ainda que se ofereceu para facilitar a passagem de Israel para a Jordânia para palestinos que tiveram sua autorização recusada por motivos de segurança. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100531/f50d8743/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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