From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 5 11:22:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 5 Jan 2010 11:22:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Comunicado as(os)amigas(os) e leitoras(es) . Message-ID: <25CFE0524BBE404A8C44A81E06A44843@vcaixe> Carta O Berrro Caras (os) Amigas (os), leitoras (os), da Carta O Berro. Desde o dia 1º de janeiro até este momento (5/1/2010), estivemos com o nosso Outlook fora do ar em virtude das mudanças das portas de entrada e saida da UOL e, por conseqüência nas alterações do nosso domínio (revistaoberro). Isto posto, solicitamos a todos que nos enviaram email nesse período e solicitem resposta, favor reenviarem. Ainda, aos que solicitaram o livro "Hitler ganhou a guerra.", e não receberam resposta, favor reiterarem o pedido para vanderleycaixe at revistaoberro.com.br , que será enviado. Ao mais, um bom ano 2010 para todos. Abraço. Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100105/3c375e1a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 5 19:46:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 5 Jan 2010 19:46:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?OS_TORTURADORES_-_O_GOLPE_MILITAR_DE_19?= =?utf-8?q?64_-_CRIME_HEDIONDO_N=C3=83O_TEM_ANISTIA?= Message-ID: Carta O BERRO...............................................................repassem *OS TORTURADORES ? O GOLPE MILITAR DE 1964 ? CRIME HEDIONDO NÃO TEM ANISTIA* Laerte Braga Há uma forma bem simples de encarar o golpe militar de 1964 e que depôs o governo constitucional do presidente João Goulart instaurando um período de violência, barbárie e entrega do País a interesses de uma nação, os Estados Unidos e grupos econômicos internacionais. As redes de tevê hoje gostam de exibir cenas de assaltos fracassados em que os assaltantes, na iminência de virem a ser presos, mantêm uma ou duas famílias como reféns. O que os militares fizeram em 1964 foi isso. Seqüestraram a nação inteira e nos mantiveram reféns debaixo de um imenso tacão nazista, transformando o Brasil num mero acessório no jogo das grandes potências e em boa parte desse período transformando seus ?comandantes? (o verdadeiro comando era externo, vinha de fora) em novos milionários (a corrupção é companheira inseparável da violência), tudo isso sustentado em câmaras de tortura, estupros, assassinatos, a absoluta falta de respeito e princípios de dignidade dos que se sustentam na barbárie e na boçalidade que é a regra geral, ainda hoje, da maioria dos nossos chefes militares. As vítimas somos todos os brasileiros, uns em maior, outros em menor escala, mas as vítimas somos todos os brasileiros. E não se constrói uma nação livre e soberana sem que sua História seja contada sem pontos e vírgulas ocultos ou omitidos e que sirvam para esconder mentiras e farsas travestidas de substantivos ou adjetivos pomposos, como democracia, liberdade, patriotismo, dever cumprido, etc. Os que mantêm famílias como reféns nesses assaltos corriqueiros de nossos dias (as forças de segurança estão mais preocupadas com a segurança dos donos do País e estigmatização da luta popular, a criminalização de movimentos como o MST) justificam a ação como conseqüência da miséria, da necessidade de sobrevivência, da falta de perspectivas. Os que seqüestraram o Brasil em 1964 buscaram justificar o ódio à liberdade, à democracia, escondidos num ?patriotismo? canalha, mal disfarçado ou por outra, que nem preocuparam-se em disfarçar. A história das forças armadas brasileiras revela militares de grandeza ímpar, caso do marechal Teixeira Lott, do marechal Luís Carlos Prestes, do major Cerveira, do sargento Gregório Bezerra, do capitão Carlos Lamarca, e certamente, e alguns anônimos sacrificados na absoluta falta de escrúpulos dos seqüestradores do Brasil. No Fórum Social Mundial de 2003, em Porto Alegre, uma freira iraquiana, irmã Sherine, disse a milhares de pessoas que lotavam o Gigantinho, ginásio do Internacional, que a grande tragédia do seu país, o Iraque, era o petróleo. O que deveria ser a riqueza de seu povo, permitir o progresso comum a todos, a existência, a coexistência e a convivência em bases dignas e humanas, se transformava em tragédia, pela cobiça dos seqüestradores, no caso os norte-americanos, os britânicos, os países subalternos que os seguiram e as grandes empresas que vieram atrás. Somos o maior País da América Latina. Do ponto de vista territorial, político, econômico, chave para os interesses dos EUA nessa parte do mundo. O golpe de 1964 começou com a deposição do ditador Vargas em 1945 e o que se prenunciava democracia manteve-se no governo do condestável do Estado Novo, o marechal Eurico Gaspar Dutra. Derrotou o projeto militar de eleger o brigadeiro Eduardo Gomes, fundador da Aeronáutica brasileira e projeto da direita para o Brasil (era um homem digno, de caráter, diferente de Médice, Castello, Costa e Silva, Figueiredo, esse tipo de gente). O projeto tornou a fracassar em 1950 quando Getúlio Vargas voltou ao poder pela maioria absoluta dos votos dos brasileiros derrotando o mesmo Eduardo Gomes. A guinada do novo Getúlio (se é que podemos dizer assim) que resultou, por exemplo, na criação da PETROBRAS (a imensa e esmagadora maioria dos militares era contra embora fossem muitos os militares que lutavam a favor na campanha ?o petróleo é nosso?), essa guinada, o ranço do anti-getulismo e de conquistas da classe trabalhadora ao longo do período que vai da revolução de 1930 até a morte de Getúlio, em agosto de 1954, deu força à indústria do golpe, com largo alcance num primeiro momento na Marinha e na Aeronáutica e em seguida se alastrando pelo Exército, onde os chefes militares identificados com o País iam sendo afastados ou literalmente peitados pelos nazi/fascistas. Foram os que subscreveram o manifesto dos coronéis em 1954, pedindo o afastamento do então ministro do Trabalho João Goulart que havia aumentado o salário mínimo em 100%. Entre os signatários desse manifesto, golpistas a serviço da empresa privada e interesses estrangeiros como Golbery do Couto e Silva, Cordeiro de Faria e outros que viriam a ser proeminentes figuras dez anos mais tarde na boçalidade tramada e comandada por Washington, o seqüestro do Brasil por bandidos fardados. *UM BREVE, MAS SUFICIENTE DEPOIMENTO DE UM CORONEL/TORTURADOR* A tradição histórica das forças armadas brasileiras é na sua maior parte golpista e de direita, ou seja, fascista. Seu alinhamento e submissão a Washington tem sido quase total. Ainda agora, no golpe que derrubou o presidente constitucional de Honduras, um coronel brasileiro, aluno da escola de golpes para a América Latina, situada na base militar dos EUA em Tegucigalpa, emitiu parecer favorável ao golpe, rotulando-o de democrático. Somo ainda, mesmo em um suposto processo democrático, os seqüestrados e ameaçados pela barbárie dessa gente. Estamos confinados aos limites da mentalidade tacanha e podre desses militares. O depoimento prestado pelo coronel Brilhante Ulstra, comandante do DOI/CODI (Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna), à Procuradora da Justiça Militar em São Paulo, Hevelize Jourdan Covas (esteve em Brasília para ouvir um dos principais assassinos do período militar) é um primor de desfaçatez e amoralidade. O fato aconteceu em 15 de outubro na Corregedoria da Justiça Militar. E serve como um dos fios dos vários novelos enrolados pela ditadura militar e seu caráter de subordinação a governo de outro país, violência e crueldade. Brilhante Ulstra, responsável por um dos mais cruéis centros de tortura, estupros e assassinatos da ditadura militar, declarou que chegou a São Paulo na primeira quinzena de 1970 e que ?o terrorismo aumentava cada vez mais, principalmente no estado de São Paulo e no Rio de Janeiro?. A definição de ?terrorismo? do carrasco Ultra refere-se aos resistentes ao seqüestro do Brasil por militares subordinados a um governo estrangeiro e a empresas e interesses que não os de nosso País. Segundo o coronel, preparado inclusive por organismos internacionais preocupados com a repulsa popular ao golpe, os ?órgãos policiais? foram surpreendidos pela ação dos ?terroristas?. Estudantes, trabalhadores, camponeses, donas de casa. Para ele esse tipo de resistência pegou de surpresa operações especiais como a OBAN (OPERAÇÃO BANDEIRANTES), subordinada ao II Exército, com sede na capital paulista e montada por militares, polícia estadual e empresas. O filme CIDADÃO BOILESEN, exibido já em vários pontos do Brasil mostra a participação do empresário Boilesen, de origem dinamarquesa na repressão aos que lutavam contra a ditadura. Mercedes Benz, Supergasbrás, FOLHA DE SÃO PAULO, FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo) etc. Diante desse quadro o próprio presidente da República (ditador) elaborou uma diretriz de ?segurança interna? que deu poderes aos generais de Exército (são três as patentes de general no Brasil, de Brigada, de Divisão e de Exército), então comandantes militares de suas respectivas áreas, para combater o ?terrorismo?. Em cada área foi criado um Conselho de Defesa Interna (CONDI), um centro de operações ? CODI - e um destacamento para operações (DOI). A atuação do coronel Brilhante Ulstra abrangeu, segundo suas próprias declarações, o período de vinte e nove de setembro de 1970 a vinte e três de janeiro de 1974. O período Médice, semelhante à ditadura Pinochet no Chile? Segundo Brilhante Ulstra o comandante do II Exército, general José Canavarro Pereira, lhe deu plenos poderes para combater o ?terrorismo?. Ulstra era major à época e a frase/ordem de Canavarro foi a seguinte ? ?major, amanhã o senhor assumirá o comando do DOI/CODI. Estamos numa guerra. Vá assuma e comande com dignidade?. Comandar, Brilhante Ulstra comandou. Dignidade não me consta que assassinos, torturadores, sobretudo de presos por crime de opinião, indefesos, não me consta que tenha. Cínico, amoral, chegou a dizer em seu depoimento que a partir deste momento sua família corria perigo com constantes ameaças às suas vidas e que as funções foram exercidas com ?sacrifícios e privações?. É típico de canalhas esse tipo de defesa para o inconfessável. Relatou os ?atos de terrorismo? em linhas gerais, falou de ?crimes de resistentes?, negou a tortura, admitiu que, eventualmente, pode ter havido algum excesso, que muitos presos arrependidos acabavam por ajudar na apuração dos ?crimes?, dá para imaginar as ?pregações pelo arrependimento?. Negou qualquer participação no crime contra Wladimir Herzog e beirando os limites da hipocrisia absoluta falava que os ?suicídios? eram ?suicídios mesmo?. Repugnante. Repulsiva a figura. Trecho de seu depoimento ? ?que afirma que trinta e sete pessoas foram mortas no DOI/CODI durante seu comando, apresentando relação com dados completos das pessoas citadas. Que estes trinta e sete militantes morreram nas ruas em combate com os seus subordinados, ou então, quando reagiam ou tentavam fugas em pontos normais, pontos de polícia ou e pontos frios. Que quando morriam em uma destas situações não era possível solicitar perícia local, pois os terroristas agiam com cobertura armada, havendo risco de ataque aos agentes que preservavam o local; que o corpo era levado ao DOI, sendo feito contato com o DOPS, para o encaminhamento ao IML, para autópsia e abertura de inquérito?. As autópsias foram executadas pelo médico Harry Shibata proibido de exercer a medicina e banido da profissão por assinar laudos falsos sobre mortos por tortura nas dependências do DOI/CODI sob o comando do coronel Brilhante Ulstra. Brilhante Ulstra fala em ter orgulho das funções que exerceu e seu depoimento é público. As instituições da classe médica não carregaram a vergonha de ter em seus quadros Harry Shibata. *A DITADURA VEIO DE FORA ? A DOUTRINA DA SEGURANÇA NACIONAL* * * A renúncia de um tiranete corrupto, alcoólatra e irresponsável em agosto de 1961, Jânio da Silva Quadros, fazia parte de uma tentativa de golpe. Só que Jânio não combinou nada com ninguém, a não ser os copos que tomava, enfrentou a oposição de Carlos Lacerda (então governador do antigo estado da Guanabara, hoje cidade do Rio de Janeiro), um dos seus principais aliados ao negar-lhe favores pessoais (entendia ser Lacerda um risco para seus projetos), acabou trazendo de volta à cena os militares que desde a deposição de Getúlio em 1945 vinham tentando impor ao Brasil o modelo cristão, ocidental e fascista desenhado em Washington. Foi assim em 1954, em 1955 quando tentaram criar obstáculos à posse do presidente eleito, Juscelino Kubistchek e após a renúncia de Jânio. O vice João Goulart estava em missão oficial na China e os três ministros militares resolveram negar-lhe o direito constitucional de assumir a presidência da República. O marechal Odílio Denys (que traiu seus principais companheiros, dentre o marechal legalista Teixeira Lott), o brigadeiro Grum Moss e o almirante Sílvio Heck. Foi a resistência popular e a ação do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola que, num primeiro momento, conseguiu assegurar a posse de Jango num regime parlamentarista votado às pressas ( Brizola recebeu apoio do general Machado Lopes, comandante do III Exercito, no Rio Grande do Sul) e num presidencialismo obtido pelo voto popular em janeiro de 1963, quando Jango, definitivamente, assumiu o governo. A revolução cubana e a explosão de movimentos populares em toda a América Latina por governos livres dos interesses e do tacão fascista de Washington levaram empresas e governo dos EUA a criarem uma comissão específica para situações semelhantes em todo o mundo a chamada Comissão Tri-lateral AAA ? AMÉRICA, ÁSIA e ÁFRICA ? e foi essa comissão que desenvolveu a chamada doutrina de segurança nacional, minuciosamente descrita pelo padre Joseph Comblin num livro com o mesmo nome ?a doutrina da segurança nacional?, aqui editado pela Editora Civilização Brasileira. Se no A de América Latina surgiram ditaduras além das já existentes na América Central principalmente, surgiram também conflitos na Ásia e na África. No Vietnã, onde os franceses foram derrotados, em países africanos que lutavam por sua independência do colonialismo europeu (britânico, francês, belga, holandês e português). Os outros dois As da comissão. No caso latino-americano um governo de centro esquerda como o de João Goulart, com propósitos de reforma agrária, nacionalização plena do petróleo, dos setores básicos da economia, não interessava e nem interessa aos EUA. Quem imagina que os Estados Unidos seja uma União de estados equivoca-se. Pode até ter sido, mas é apenas uma união de quadrilhas de banqueiros sionistas, empresários, o complexo militar/empresarial a que se referiu o general Eisenhower, hoje sob a batuta de um cervejeiro, Barack Obama. Branco de pele negra eleito presidente da República. A derrubada do governo Goulart foi tomada montada em Washington com ação direta do embaixador dos EUA no Brasil (documentos oficiais revelam isso e estão à disposição no arquivo público daquele país, no Congresso norte-americano), Lincoln Gordon, do general Vernon Walthers, designado para comandar as forças armadas brasileiras pelo fato de falar português e ser amigo do ditador Castello Branco. As lições de 1961, quando não conseguiram evitar a posse de Goulart, foram aprendidas e farsas de defesa da democracia como a ?marcha da família com Deus pela liberdade?, pregações histéricas e abertamente golpistas de Carlos Lacerda, o controle da maior parte da mídia, a descarada intervenção norte-americana nas eleições de 1962 através de um instituto laranja para o golpe (IBAD ? INSTITUTO BRASILEIRO DE AÇÃO DEMOCRÁTICA), todo um cenário, para se chegar ao golpe. 1964 representou um grande expurgo de militares legalistas, nacionalistas, socialistas, ou comunistas, mais de dois mil, uma tomada de poder por delegados de Washington e um briga de vaidades entre generais repletos de medalhas por bom comportamento, ou torturadores como Brilhante Ulstra, por assassinatos, estupros, tortura, etc. E já um ano depois foi rejeitado nas urnas quando Negrão de Lima e Israel Pinheiro foram eleitos respectivamente governadores da Guanabara e de Minas Gerais, mesmo sendo homens de centro. Toda uma ação planejada, bem pensada, dentro do contexto e dos limites traçados pela Comissão Tri-lateral AAA, foram seguidos à risca e a repressão brutal, sangrenta, assassina, cruel dos militares brasileiros começou desordenada, organizou-se precariamente (do ponto de vista deles) na OPERAÇÃO BANDEIRANTES, mas atingiu a limites de perfeição e requintes de barbárie na criação dos DOI/CODI, por todas as áreas militares e a associação com ditaduras de países como a Argentina, o Uruguai, o Chile e o Paraguai, na Operação Condor (objeto de mestrado da doutora Neuza Cerveira e com documentos oficiais), a partir dos centros do verdadeiro terrorismo, o de Washington. Instrutores norte-americanos passaram a assessorar militares e policiais brasileiros, caso de Dan Mitrione o mais conhecido deles. Terminou executado em combate em Montevidéu no Uruguai. Não só o treinamento, como a presença de agentes estrangeiros, a conivência e a submissão de militares brasileiros aos norte-americanos, como tecnologia de ponta na tortura transformaram o País num grande campo de concentração, onde quem não estava preso, silenciava com medo do terror oficial, ou então era cúmplice. Brihante Ulstra é o exemplo claro, pronto e acabado de militar indigno em qualquer força armada digna se é que esse tipo de força armada existe. Ou se levarmos em conta o que chamam de honra militar. É só uma ponta do processo que gerou monstros fardados e travestidos de democratas, patriotas, Brasil afora. A ditadura veio de fora e dentro do contexto da guerra-fria, escorada na doutrina de segurança nacional. Barbárie, violência e entreguismo puro, em essência. Essa característica estúpida e boçal dos ditadores e seus sicários e não poderia ser outra, é genética, logo mostrou-se insuficiente para seduzir os brasileiros. Em 1970 o protesto da população foi silencioso. O número de votos nulos e brancos foi maior que o de válidos, mas os esquemas para que vencessem prevaleceram. Em 1974, derrotados de forma explícita nas urnas, tentaram manter as aparências, editaram o pacote de abril (governo Geisel), alterando as regras como a criação do senador biônico, eleito indiretamente, para evitar a perda da maioria nas eleições de 1978, até que, em 1982 começaram a ruir definitivamente, mas logo os donos inventaram a democracia como a que temos, com figuras como Collor, FHC e agora tentam impingir José Collor Serra, assustados com as poucas, mas significativas e expressivas conquistas do governo Lula, sobretudo a perspectiva de um Brasil soberano, numa América Latina que começa a se levantar contra o império nazi/sionista dos EUA. Nas eleições de 1982, já sem o bi-partidarismo imposto de cima para baixo e sem o AI-5, a ditadura valeu-se de um penúltimo casuísmo. Ao perceber que seria derrotada nos grandes centros do País, em estados como Minas, São Paulo, Rio, Pernambuco, Rio Grande do Sul e outros, o ministro da Justiça Leitão de Abreu vinculou os votos de ponta a ponta, ou seja, ao votar num candidato de determinado partido, todos os demais candidatos teriam que ser do mesmo partido. Seriam eleitos desde os governadores, dois terços do Senado, a totalidade da Câmara dos Deputados, assembléias legislativas, prefeitos e câmaras de vereadores e estava em jogo a eleição do presidente da República em 1984, ainda pela via indireta, como previa a carta imposta desde o governo de Castello e golpeada em 1968 pelo AI-5. Isso implicou na necessidade de reações imediatas da oposição para sua sobrevivência e estados como Rio Grande do Sul e Pernambuco foram perdidos na manobra, além, lógico, da maioria do Congresso Nacional. A ditadura não controlava os chamados grandes centros urbanos, mas os ?coronéis? (esses com aspas) e os sem aspas controlavam o interior do Brasil, o que Tancredo chamava de ?burgos podres?. *OS APETITES PRESIDENCIAIS E DITATORIAIS* * * * * O golpe militar de 1964, para além de interesses internacionais sobre e no Brasil, a cumplicidade das elites econômicas do País, revelou também apetites ditatoriais para além das forças armadas. Castello Branco foi uma imposição de Washington a partir do general Vernon Walthers, seu amigo pessoal (era o oficial de ligação entre as tropas da FEB e dos EUA na IIª Grande Guerra) e dos governadores Magalhães Pinto, Carlos Lacerda e Ademar de Barros, respectivamente de Minas Gerais, Guanabara e São Paulo. Os três apostavam numa rápida transição de um governo militar para um governo civil eleito pelo voto direto, tanto quanto na eliminação de eventuais adversários à esquerda (ou presa, ou exilada, cassada) ou de Juscelino, a princípio, o grande favorito para as eleições de 1965. O acordo que permitiu a eleição de Castello Branco, então chefe do Estado Maior do Exército e ligado à extinta UDN (foi cogitado para ser o vice de Jânio Quadros em 1960), todo ele conduzido sob a inspiração de Vernon Walthers e a batuta dos três principais governadores brasileiros, incluiu o antigo PSD e, lógico, JK, que era senador pelo estado de Goiás. O PSD era maioria no Congresso, setores do partido estavam levantando a candidatura do marechal Eurico Gaspar Dutra, ex-presidente e fora do campo de interesses e disputas dos golpistas. Dutra foi o condestável do estado novo em 1937 e quem comandou (diante do fato consumado) a deposição de Getúlio em 1945. Magalhães Pinto, governador de Minas, ainda tem sua biografia não escrita com todas as letras reais. Um dos políticos mais corruptos e pusilânimes de nossa história. Sem caráter algum, sem princípios, o tipo do sujeito asqueroso, pois fala mansa, cheio de armadilhas e por aí afora. Ao perceber o inevitável, que dentro das forças armadas havia dois grupos distintos, os duros (Costa e Silva) e os moderados (Castello) e vários subgrupos em torno dos dois, assentou-se numa moita e ficou esperando para ver quem levaria a taça. Seria esse, como foi, o seu caminho. Lacerda apostava nos seus vínculos com militares principalmente na Marinha e na Aeronáutica. Estivera no palco principal dos acontecimentos políticos desde o suicídio de Vargas, a renúncia de Jânio (bancou a candidatura do maluco dentro da UDN) e o golpe. Eram seus trunfos para ser ungido presidente em 1965, contando inclusive com eleições indiretas num primeiro momento. Ademar sabia que estava na corda bamba, era visto como corrupto pelos militares e contava apenas terminar seu governo em São Paulo e num golpe de sorte virar uma espécie de presidente de conciliação. Magalhães pulou no colo de Costa e Silva, virou ministro das Relações Exteriores. Lacerda num acesso de raiva ao saber que não seria o presidente em seguida a Castello acabou cassado e Ademar nem o governo terminou em São Paulo. Foi cassado e substituído por Laudo Natel. JK saiu de cena mais cedo ainda. Pressionado pela linha dura Castello não cumpriu o que fora acordado quando de sua eleição. No meio do seu governo foi emparedado por Costa e Silva, seu ministro do Exército e a tentativa de indicar um civil, Bilac Pinto para sucedê-lo, morreu na frase de Costa e Silva ao viajar para o exterior e sabendo das manobras para demiti-lo ? ?viajo ministro e volto ministro? ?. Estava definido ali o futuro presidente. A linha dura vencera essa disputa e figuras como Jarbas Passarinho (major que traiu Lott, traiu Castello e quem se lhe opusesse) começam a aparecer e a dominar o cenário. O fato de ser major não o impedia de ser o principal, ou um dos principais articuladores da linha dura. Virou inclusive o preferido dos falcões norte-americanos para o desmonte do ensino público no País, entidades estudantis e dos sindicatos. Um célebre convênio MEC/USAID (Ministério da Educação e Cultura e Agência Internacional dos EUA para o Desenvolvimento ? braço da CIA). Sobre Magalhães Pinto um episódio que ilustra a grandeza de João Goulart. JK e Lacerda reconciliam-se e promovem a criação da FRENTE AMPLA, em 1968. Levam a idéia a Goulart (Brizola e Jânio rejeitam) e a tentativa era a de uma grande mobilização popular pela retomada do processo democrático. Na viagem para Montevidéu onde foram encontrar-se com Jango, Lacerda confessou a Juscelino seu constrangimento diante das muitas críticas que fizeram ao ex-presidente e do seu papel no golpe de 1964. Ao entrar na casa de Jango encontrou o ex-presidente de braços abertos para um abraço e ouviu as seguintes palavras ??venha cá governador, me dê um abraço, nunca lhe votei ódio, rancor ou mágoa, pois o senhor sempre foi oposição ao meu governo e a mim. Tenho asco do governador Magalhães Pinto que na manhã do golpe telefonou-me jurando lealdade. Não gosto de traidores?. Lacerda abraçou-o com lágrimas nos olhos e certamente um profundo remorso dentro de si. O que não estava no programa foi o derrame sofrido por Costa e Silva. Fraco, ridículo, jogador contumaz, dominado pela corrupção familiar (sua mulher e filho), criou um problema para os golpistas. O vice era Pedro Aleixo, antigo deputado da UDN e de formação liberal. Israel Pinheiro, governador de Minas, em meio aos acontecimentos, convocara Aleixo a BH para tentarem uma frente de resistência. Aleixo abriu mão. Sai o segundo golpe dentro do golpe. Os ministros militares sob o comando do general Aurélio Lyra Tavares afastam o presidente, formam uma junta militar (o AI-5 já era uma realidade) e promovem uma eleição dentro dos quartéis para evitar um racha de grandes proporções entre os militares. Sendo a força maior o Exército votou (oficiais) para escolher entre Garrastazu Medice e Afonso Albuquerque Lima. Medice levou amparado por Orlando Geisel e o terror desorganizado ganhou contornos de horror e boçalidade milimetricamente planejados e executados. A eleição de Medice atende à doutrina de segurança nacional e o Brasil passa a ser o centro dos golpes na América Latina. Da tortura, da barbárie, da violência e da estupidez características de tiranos. O que antes era uma operação financiada por empresários, a OBAN, vira Operação Condor envolvendo todo o chamado Cone Sul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile e estende-se a América Latina como um todo). Era literalmente um esquadrão da morte. Mataram Orlando Letelier, Carlos Pratts, Juan José Torres, centenas de resistentes, Juscelino Kubistchek, uma história ainda não contada em sua totalidade. Os militares se viram obrigados a esse jogo de cena de troca de generais entre outras coisas por conta de uma decisão do governo Castello Branco. Castello extinguiu o posto de marechal da reserva e limitou o tempo de generalato a quatro anos. Antes um general poderia permanecer na ativa até a chamada expulsória (70 ou 75 anos, não me recordo bem). O desgaste internacional a que o Brasil se viu exposto com o governo Medice, a condenação por crimes sistemáticos contra os direitos humanos, a reação popular a cada eleição, acabou permitindo a Golbery do Couto e Silva, principal articulador dos chamados militares moderados, ressuscitar o general Ernesto Geisel, irmão de Orlando e que no início do golpe fora designado para o STM (Superior Tribunal Militar), uma espécie de túmulo para oficiais generais das três armas). Se não era afinado com o irmão Ernesto, o ministro Orlando Geisel não se apôs e sendo ele a figura principal do governo Medice. Uma espécie de rodízio ficou acertado, o que permitiu a Ernesto Geisel ser eleito presidente da República, já consciente que era preciso começar a bater em retirada no velho estilo não tão depressa que pudesse parecer covardia, nem tão devagar que pudesse significar provocação. O ministério do Exército nessa composição de caserna foi para o general Sílvio Frota que sequer falava, apenas grunhia e vociferava, bisonho e tacanho, mas com forte apetite para ditador. Quando percebeu que o indicado de Geisel seria o general João Batista Figueiredo, então chefe do SNI, tentou um golpe, abortado por um rápido contragolpe de Geisel com apoio do chefe do Gabinete Militar, general Hugo Abreu, de grande prestígio na tropa. A posição de Hugo Abreu soou estranha à linha dura, já que um dos seus integrantes. Sem o AI-5, com a anistia decretada por Geisel, a volta dos exilados, a linha dura tenta articular-se em torno de Walter Pires, ministro do Exército, mas figura medíocre, sem liderança e escolhido exatamente por isso. Figuras como Jarbas Passarinho, Mário Andreazza e outros pretendentes à presidência acabam atropelados por Tancredo Neves, em 1984, em seguida ao maior movimento popular do País, a campanha pelas diretas. Custaram a perceber que a candidatura de Tancredo fora costurada desde sua eleição em 1982 para o governo de Minas e entre os costureiros, o general e ex-presidente Ernesto Geisel. Geisel foi chefe do Gabinete Militar de Tancredo no período do parlamentarismo, no governo do presidente João Goulart. Octávio de Aguiar Medeiros, general e a mais importante figura do governo Figueiredo (na área militar, na econômica Delfim Neto já havia engolido Mário Henrique Simonsen), foi o último general do período de 1964 a alimentar a pretensão de virar ditador. Não conseguiu sequer ensaiar um segundo passo, ele e Figueiredo não mais que relinchavam. *A ANISTIA* * * * * O acordo costurado pelo ditador Ernesto Geisel para suspender a vigência do AI-5 e decretar a Anistia começou pelas mãos de Petrônio Portela (ex-udenista, janguista, traiu no dia quando percebeu a vitória dos golpistas. Soltou um manifestou de apoio a Jango pela manhã, era governador do Piauí e outro de apoio ao golpe à tarde). Candidato a presidente morreu ministro da Justiça do governo Figueiredo. Foi designado ministro da Justiça no governo do ditador João Batista Figueiredo exatamente para conduzir o processo que permitisse ao partido oficial eleger o primeiro presidente civil e acreditava que seria ele o indicado. A essa altura do campeonato, nos Estados Unidos, matriz e condutor do golpe (houve arranhões durante o governo Geisel) a passagem de Jimmy Carter pela presidência desarticulou algumas forças pré-históricas, o bastante para que ditadura latino-americanas se sentissem ameaçadas. É um detalhe significativo, mesmo Carter não tendo sido reeleito (nos anos que se seguiram ao término da IIª Grande Guerra, apenas quatro presidente não foram reeleitos nos EUA. John Kennedy que morreu assassinado em 1963. Seu sucessor Lyndon Johnson que desistiu em 1968 de pleitear a reeleição. Jimmy Carter que foi derrotado por Ronald Reagan e George Bush pai que perdeu para Bil Clinton). O grande temor dos militares é que na eventualidade de um presidente civil com amplo apoio popular pudesse, com a anistia, adotar medidas de punição para torturadores como Brilhante Ulstra, Torres de Mello, Erasmo Dias, Romeu Tuma e outros tantos. Revanchismo era a palavra chave dos contrários à medida. Geisel estendeu a anistia a todos segundo ele ?vencedores e vencidos?. Ao mesmo tempo que permitia a volta dos exilados, garantia a impunidade para o esquadrão da morte golpista. E um grande obstáculo. A maioria dos militares se mostrou contra a anistia a Leonel Brizola em quem enxergavam o maior risco de volta das esquerdas ao poder. Carter, ironias à parte, foi o grande trunfo de Brizola. Militares ligados à Operação Condor haviam decidido assassinar o ex-governador no exílio no Uruguai, assim limpavam o terreno e Carter retirou Brizola às pressas de Montevidéu, evitando que o fato se consumasse. Em 1979 voltavam os exilados e estavam cobertos pela garantia da impunidade os assassinos fardados do golpe de 1964. Os civis também. Romeu Tuma hoje é senador. Brizola foi eleito governador do estado do Rio de Janeiro a despeito da tentativa de fraude num esquema conhecido como PROCONSULT, com participação de escroques, militares da linha dura e da REDE GLOBO. A empresa totalizadora de votos contava parte dos votos em branco para Wellington Moreira Franco, de um jeito que ao final da totalização Brizola fosse derrotado. O esquema falhou por conta de uma armadilha montada para o presidente da PROCONSULT, testa de ferro dos verdadeiros interessados, onde a confissão foi explícita e o Tribunal Regional Eleitoral não teve alternativa outra que não totalizar os votos de forma correta e a REDE GLOBO engolir o resultado, inclusive com uma entrevista de Brizola. O diretor de jornalismo da REDE, Armando Nogueira, acabou demitido ao admitir publicamente o erro da GLOBO. A anistia no Brasil foi conseqüência de um processo de rejeição e repugnância pela ditadura militar, de necessidade de respirar ar puro, que acabou se transformando por força de ajustes aqui e ali, num grande acordo imposto goela abaixo e que manteve intactos os porões da ditadura. Se os vampiros de 1964 hoje estão envelhecidos, surgiram figuras como Nelson Jobim, sinistro em todos os sentidos e permanece intocada na base militar, em sua maioria, a visão tacanha, bisonha e golpista que gerou 1964. O tal profissionalismo, ou a consciência da realidade nacional, postura democrática, percepção que o papel de forças armadas é o de garantir a integridade do território nacional, a soberania do Brasil, de qualquer força armada em seu próprio País, em boa parte da América Latina e dos países que ensejaram a chamada COMISSÃO TRI-LATERAL ? AAA (AMÉRICA, ÁSIA E ÁFRICA), nada disso existe. Está viva, embora momentaneamente enfraquecida ? não tanto quanto se supõe ? sobrevive o espírito golpista. E começa numa reserva de direito inaceitável consagrado pela constituição de 1988, imposto, de zelar pela ordem interna no Brasil. Os militares brasileiros, basicamente, permanecem subordinados a interesses das elites econômicas nacionais e internacionais. E na realidade da globalização (ou ?globalitarização? como afirmou Milton Santos), adereço das grandes potências, particularmente os EUA. *O GOVERNO LULA ? SÍSTOLE E DIÁSTOLE ? A REAÇÃO DE JOBIM E DOS MILITARES* * * * * Certa feita perguntaram a Golbery do Couto e Silva, um dos principais ideólogos do golpe de 1964, a razão de ser de uma ditadura militar num País de dimensões continentais como o nosso, implicitamente o que significava abrir mão de um Brasil livre e soberano e o porquê de períodos que alternavam uma relativa democracia, como agora, a momentos de violência como 1964, fazendo do Brasil uma espécie de república de bananas, epíteto aos países da América Central sob o controle da norte-americana United Fruit. A resposta de Golbery foi simples. O Brasil seria como que um coração que em seu processo de funcionamento, ora bombeia sangue para fora do músculo cardíaco, a sístole e ora relaxa e se enche de sangue ? antes de cada batida -, a diástole. Ou seja, qualquer que fosse a situação, democracia ou ditadura o modelo seria sempre o mesmo. Abrir ou fechar era conseqüência das exigências do modelo político e econômico num determinado contexto de tempo. Mais ou menos como a democracia pode ir até determinado ponto e ponto final. Se dali passasse, era hora de fechar. Endurecer. A morte de Tancredo não gerou nos militares maiores preocupações, exceto no grupo do general Ernesto Geisel que tinha em torno do ex-presidente um projeto mais amplo. Uma travessia mais segura, ou pelo menos com riscos menores. Sarney não oferecia perigo algum, é um político menor, um ?coronel? da ditadura, uma das muitas figuras asquerosas da política nacional. A constituição de 1988, a despeito de muitas conquistas, mas todas sem pisar fora da linha do modelo (ou se uma ou outra o fizesse, o caso da emenda Gasparian que limitava os juros seriam ignoradas) consagrou as forças armadas como guardiãs da democracia. Ninguém pode guardar, tendo que avaliar, o que não conhece, ou o que não tem como princípio. E pior, se não tem autonomia para isso. As forças armadas brasileiras, isso não tem nada a ver com o sucateamento da instituição, é outra história, outra discussão, noutro plano, são subordinadas ao modelo econômico vigente e isso passa por subordinação aos EUA. O nacionalismo de determinados setores termina no primeiro grito de ordinário marche, em sua maioria e a despeito de grandes líderes militares, mas todos via de regra colocados à margem. O que molda a democracia brasileira é o esquema FIESP/DASLU, uma combinação de banqueiros, empresários, latifundiários escorados numa classe política podre (a maioria). Esse tipo de gente, elite, é apátrida. Gravita em torno de Wall Street. Collor foi um acidente de percurso, um erro na linha de montagem da REDE GLOBO (parte viva do processo e um desafio a ser vencido, o da comunicação) e Itamar um breve período de transição para um ?Collor? mais seguro e confiável, Fernando Henrique Cardoso, sem favor algum o político mais sórdido da história contemporânea do Brasil. Um ?general? Anselmo. Amoral, não hesitou em ajustar o País aos interesses econômicos de um mundo sem alternativas que o capitalismo ofereceu e impôs após a derrocada da União Soviética (por conta de erros de governos soviéticos, como muito mais pelas virtudes que pelos defeitos). A eleição de Lula revela o verdadeiro caráter dessas elites e dos militares. Um presidente operário, com propostas reformistas, que esbarra na necessidade de alianças políticas espúrias para sobreviver e conseguir avanços maiores ou menores, minimamente, preservar alguma coisa da soberania nacional. E que recebeu um País falido, em vias de viver o mesmo processo vivido pela Argentina após a saída de Menem e a eleição de De La Rúa. Era a aposta da extrema-direita, já definida no campo político de PSDB e quejandos. Lula escora-se numa invenção muito bem definida por Ivan Pinheiro ?capitalismo a brasileira?. É atropelado por escândalos montados, orquestrados e dirigidos pela mídia. Cai em armadilhas, mas consegue através de políticas compensatórias aqui e ali, além de alianças com setores ponderáveis do empresariado, superar os escândalos, sair de armadilhas, alcançar níveis de melhoria social até então desconhecidos da grande maioria dos brasileiros das classes mais baixas e por conta disso, montado numa política externa competente (Celso Amorim), somando ainda o seu carisma pessoal, aos trancos e barrancos transformar-se num presidente que a despeito de qualquer crítica e dentro do modelo, pode, tranquilamente, ser citado como um dos três maiores. Getulio, Juscelino e ele. Jango fica fora por não ter completado seu governo, certamente teria alcançado resultados excelentes com as chamadas reformas de base. O que Tancredo chamava de ?burgos podres?, os territórios controlados eleitoralmente pelos ?coronéis? políticos, é hoje a grande força de Lula, mas paradoxalmente, acrescentado de ponderáveis setores da intelectualidade, de forças de esquerda. Os grandes contingentes eleitorais urbanos são exatamente os que se deixam manipular pelo maior desafio à tarefa de formação e conscientização cidadã (palavra extremamente desgastada). A mágica de uma política econômica ortodoxa, da busca de ruptura do monopólio norte-americano em setores da economia, uma ou outra peitada nos grandes interesses internacionais (que permitiram o avanço do empresariado nacional, mesmo associados ao estrangeiro, daí a ?concessão?) e uma inegável melhoria na qualidade de vida de brasileiros em regiões onde a fome era a plantação principal, são esses, em linhas gerais, os traçados da popularidade do presidente, do seu carisma, de seu prestígio internacional, levando em conta também a crise que até hoje afeta os EUA, a China surgindo e se consolidando como grande economia e o capitalismo percebendo e sentindo o fim do neoliberalismo. E, de repente, um grito de independência em vários países latino-americanos. Venezuela, Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Nicarágua, El Salvador, a própria Argentina, em maior ou menor escala, mas uma escalada que impediu, por exemplo, a ALCA ? ALIANÇA DE LIVRE COMÉRCIO DAS AMÉRICAS ? algo como uma recolonização de toda a América Latina. A ?mexicanização? dessa parte do mundo. O México hoje é um mero adereço dos EUA. Essa política que muitas vezes é executada como pêndulo, ou seja, tropas brasileiras exercendo seus instintos assassinos no Haiti, ou na condenação de Uribe (traficante que governa a Colômbia com apoio dos EUA) quando do bombardeio contra território equatoriano (com cumplicidade criminosa de militares daquele país), trouxe a sensação que somo um gigante desperto, caminhando para caminhos de democracia plena, popular, quando, na verdade, não conseguimos nada mais que alargar a camisa de força do capitalismo. E um dilema. Jogar o jogo enquanto se luta por algo maior, ou virar as costas e sair de campo? Entregar o País a figuras como José Collor Serra, ou Aécio Pirlimpimpim Neves, ou qualquer outro nessa linha? Marchar ao lado de Dilma Roussef na perspectiva de alargar um pouco mais a camisa de força e tentar rompê-la? No Congresso do Partido Comunista Brasileiro o secretário geral Ivan Pinheiro deixou claro que a despeito das criticas a Lula e ao seu governo, o PCB não será o responsável por nenhum retrocesso, pois tem consciência da etapa que vivemos no processo histórico, mas nem por isso será cúmplice de equívocos ou recuos comprometedores de possibilidades de avanços efetivos na construção da democracia popular. Cabe como luva em qualquer análise sobre jogar o jogo e como jogar para qualquer movimento ou partido de esquerda, socialista, ou comunista, democrático que seja lato senso. Transcende aos limites do PCB para inserir-se num espectro bem mais amplo, no mínimo o do bom senso e da consciência da etapa que vivemos. É um delírio de Lula imaginar que possa resgatar a história sombria da ditadura militar e seus porões, mas é um dever, à medida que um delírio fundamental para o reencontro do Brasil consigo próprio, recuperar e cicatrizar o corte brutal que foi a ditadura no curso de nossa caminhada. E é um delírio quando se imagina que militares e elites chegaram a um ponto de compromisso democrático, ou maturidade (putz) que aceitarão sem reagir esse tipo de atitude. O projeto do secretário de Direitos Humanos Paulo Vanuchi é mais ou menos como você estar preso num tubo imenso, fétido, escuro e sem bem entender nada do que acontece e de repente encontrar a saída, a porta para respirar ar puro. A reação de Nelson Jobim (ministro da Defesa) e dos chefes militares foi uma peitada no presidente e não surpreende ninguém, ou se surpreender, surpreende aos ingênuos. Jobim foi ministro da Justiça de FHC e quando o processo de privatizações passou a enfrentar obstáculos no Judiciário, eivado de irregularidades, ilegalidades, corrupção, foi mandado para o STF onde ao tomar posse se declarou ?líder do governo nesta corte?, iniciando a desmoralização da tal corte, que corre até hoje com Gilmar Mendes. Cumpriu seu papel e voltou à sua origem. Foi para o governo Lula na esteira de alianças espúrias que pode tornar Hélio Costa, homem da GLOBO, vice de Dilma Roussef (assim como José Roberto Arruda seria o de Serra). Os mais de oitenta por cento de popularidade de Lula não passam por ter levado aos brasileiros a necessidade de resgatar sua história e mostrar a barbárie que se viveu com o golpe de 1964. Muito menos exibir figuras trágicas como Brilhante Ulstra, coronel, cheio de medalhas de bom comportamento e cumprimento do dever, se levarmos em conta que dever se cumpria nas câmaras de tortura, estupros, assassinatos de adversários do golpe. Essa popularidade começa e termina dentro dos limites do jogo eleitoral, do sistema, do modelo. Se pisar fora da linha chega a hora da sístole. O coração patriótico dos militares e das elites se contrai e se fecha para expulsar o sangue e curiosamente, para encher de sangue as veias do Brasil, para usar a imagem de Galeano noutro plano, noutra dimensão. A hipótese de golpe, suave, brando, o que for, não pode ser excluída e nem deixada de lado. A criminalização de movimentos populares, principalmente o MST (MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA), a forma como a mídia age na construção de zumbis alienados na mentalidade de consumir em shoppings, vai exigir muito mais que popularidade de oitenta por cento que resulta de duas ou três refeições diárias. Vai exigir que se enfrente o modelo e isso só com organização popular. Se, como disse Ivan Pinheiro, o partido que dirige não vai ser responsável pelo retrocesso, a bola, nesse momento, está com Lula. E pelo jeito o presidente chegou atrasado, tomou um ?xambão como dizia Waldir Amaral narrando jogos de futebol. Vai ter que jogar, se quiser, nas regras do modelo, do contrário, vai ter que vir para as ruas e buscar o que lhe cabia fazer desde o primeiro momento, forças para romper esse dique de impunidade, corrupção e instituições falidas, num faz de conta que vivemos numa democracia. Os caminhos do Brasil passam pela unidade latino-americana. Não passam por Washington. Nem pelo esquema FIESP/DASLU. E braços tucanos, DEMocratas, ou de ?socialistas? comprados a doze mil por mês, assim padrão Roberto Freire. Os generais são só paus mandados dessa gente e a reação a abertura dos baús da ditadura é o exercício de esconder suas vergonhas. O lado tétrico das forças armadas. Não é o lado de Lott, nem de Prestes, nem de Lamarca, nem de Cerveira e dos muitos militares silenciosos diante dessas vergonhas (a minoria), ou dos tantos que tombaram nos expurgos sangrentos e dolorosos de 1964. Esse tumor tem que ser extirpado e essa história mostrada aos brasileiros. Do contrário seremos sempre meia democracia, isso não existe. Não é possível a convivência num mesmo corpo e esse corpo se manter sadio, de Paulo Vanuchi e Celso Amorim, com vírus letais como Jobim, Hélio Costa e outros. O significado real de Honduras é esse. O de alerta. E por isso Honduras é toda a América Latina. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100105/2d7102bb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 5 19:46:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 5 Jan 2010 19:46:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_QUE_A_=22CRISE_MILITAR=22_NOS_D?= =?iso-8859-1?q?IZ_SOBRE_OS_JORNAL=D5ES=2E_E_SOBRE_O_BRASIL?= Message-ID: ----- Original Message ----- From: beatrice elo O QUE A "CRISE MILITAR" NOS DIZ SOBRE OS JORNALÕES. E SOBRE O BRASIL Carta O Berro..........................................repassem por Luiz Carlos Azenha A "crise militar" anunciada pelos jornalões deveria ser utilizada, de forma didática, como um exemplo do uso da desinformação com objetivos políticos. Diz mais sobre a falta de qualidade dos jornais brasileiros e do uso deles para objetivos políticos do que sobre os assuntos que teriam "gerado" a crise. Comecemos pelo começo. O Programa Nacional de Direitos Humanos foi criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso quando -- ironia das ironias -- o ministro da Justiça era Nelson Jobim. Veja aqui. Desde então aconteceram 11 conferências nacionais de Direitos Humanos. A décima primeira aconteceu em 2008. As conferencias nacionais de Direitos Humanos reúnem militantes da sociedade civil e representantes das diferentes esferas do governo. As conferências produzem resoluções aprovadas em votações. Essas resoluções podemOU NÃO resultar em projetos de lei patrocinados pelo Executivo. Projetos que tramitam como quaisquer outros no Congresso Nacional. Podem OU NÃO ser aprovados. Aqui você pode saber quais foram as resoluções da mais recente conferência. Como mostrou o Paulo Henrique Amorim, com a exposição de um vídeo, durante a conferência mais recente foi aprovada, por 29 votos a 2, a proposta de se formar uma Comissão Nacional de Verdade e Justiça. Trata-se, portanto, apenas de uma proposta. Que poderá ou não ser adotada pelo Executivo brasileiro. Uma proposta aprovada por 29 votos da sociedade civil: Contra dois votos de representantes do Ministério da Defesa: Feito isso, o presidente da República e a ministra Dilma Rousseff participaram do lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos, em sua terceira versão (lembrem-se, a primeira versão é do governo FHC). Como constatou o colunista Janio de Freitas, da Folha de S. Paulo, a reação de desconforto dos chefes militares se deu depois do evento. Eles foram acompanhados pelo ministro Nelson Jobim. Estamos falando, até agora, de meras propostas aprovadas pela sociedade civil. Mas, estranhamente, os jornais brasileiros descobrem o assunto AO MESMO TEMPO, na semana seguinte à crise, como notou Janio de Freitas. Todos noticiaram o assunto com destaque, NO MESMO DIA: Estadão, primeira página O Globo, primeira página Folha, página 3 Os textos dos três jornais estão repletos de informações falsas, deturpadas, incompletas ou que dão pernas a opiniões desinformadas. Exemplos: Na Folha, a reportagem assinada pela musa do alerta amarelo, aquela que sugeriu a todos os brasileiros, indiscriminadamente, que zarpassem para o posto de saúde mais próximo para tomar vacina contra a febre amarela, quando a vacina tem contra-indicações e NÃO PODE SER TOMADA POR TODOS -- a Eliane Cantanhêde -- diz que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o contrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora". Ora, a Folha não explica ao leitores o que é o Programa Nacional de Direitos Humanos, nem o que é a Conferência Nacional de Direitos Humanos, nem que as propostas da conferência são meramente propositivas. Dá pernas à teoria da "depredação" de instalações militares, completamente absurda. O Globo, por sua vez, cita apenas um parlamentar: Raul Jungmann, do PPS-PE, aliado de Nelson Jobim e de José Serra: "Ele chamou para si a crise e fez prevalecer sua autoridade -- disse Jungmann", diz o jornal carioca, atribuindo a crise ao ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, que segundo o jornal "se confirmada a decisão de Lula de rever o decreto", "sai enfraquecido". É importante registrar que o decreto de Lula institui o Programa Nacional de Direitos Humanos SEM DEFINIR quais serão as propostas efetivamente apoiadas pelo Executivo. Portanto, não se pode falar em "recuo" de Lula: o presidente da República ainda não definiu os projetos que apresentará com base nos resultados da décima primeira Conferência Nacional dos Direitos Humanos. Finalmente, chegamos ao Estadão: "Projeto muda Lei de Anistia e Jobim ameaça se demitir", diz a manchete de primeira página, factualmente errada. Não existe projeto mudando a lei de Anistia. O alcance da Lei de Anistia, de 1979, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Leia aqui para entender. O texto de primeira página do Estadão é falso: O Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê a criação de uma comissão especial para revogar a Lei de Anistia de 1979, provocou uma crise militar. Não é verdade que o PNDH-3 proponha a revogação da Lei de Anistia. O PNDH-3 contém uma proposta para a criação de uma Comissão da Verdade que, dependendo dos poderes atribuídos a ela, em tese poderia sugerir à Justiça a investigação e indiciamento de agentes públicos acusados de tortura, por exemplo. Mas ANTES seria preciso esperar a decisão do STF sobre o alcance da Lei de Anistia de 1979 e a decisão do Congresso EFETIVAMENTE criando a comissão da verdade e dando a elaPODERES REAIS de investigação. Notaram as nuances simplesmente desprezadas pelo Estadão? No dia seguinte, tentando dar pernas à crise, o Estadão publica um editorial em que repete a mesma lógica de 1964, dizendo que o Programa Nacional de Direitos Humanos ameaça promover "uma nova e mais perniciosa divisão política e ideológica da família brasileira". Patético, para dizer o mínimo. Disso tudo, concluo: 1. Que os jornalões brasileiros, como denunciamos faz tempo, cumprem funções propagandísticas: foram incapazes de "perceber" a crise militar, de "investigar" a crise militar e noticiaram a "crise militar" com alguns dias de atraso, AO MESMO TEMPO, alimentados sabe-se-lá por quem. 2. Que os jornalões brasileiros, no mínimo, são incapazes de lidar com os fatos; no máximo, servem a uma campanha de desinfomação. 3. Que quem semeia a crise no mínimo acredita em uma solução "por cima" da sociedade civil brasileira; que quem semeia a crise ou está no comando dos quartéis e não dispõe de apoio na sociedade civil ou vai bater às portas dos quartéis por falta de eleitores, no mínimo para derrubar ou enfraquecer os ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi e no máximo para atingir a "terrorista" Dilma como "dano colateral". Mas o episódio nos diz mais. Revela a contínua incapacidade dos chefes militares de lidar com decisões tomadas publicamente, com participação de representantes da sociedade civil, pelo placar acachapante de 29 a 2, ainda que essa propostas sejam meramente indicativas, sem poder legal. É a democracia sem povo. Revela também, pelo conteúdo dos comentários que o Viomundo aprovou nas últimas horas, a existência de um grupo de comentaristas conservadores que está disposto a defender a tortura como ferramenta oficial do Estado brasileiro, ainda que a tortura fosse ilegal PELA LEGISLAÇÃO ARBITRÁRIA dos regimes militares brasileiros. Prefiro atribuir isso ao desespero da direita brasileira com a simples possibilidade de perder mais uma eleição no ano que vem. Feliz 2010 a todos! http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-que-a-crise-militar-nos-diz-sobre-os-jornaloes-e-sobre-o-brasil/ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 28905 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100105/e56775dd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 6 19:21:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 6 Jan 2010 19:21:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Lan=E7amento_do_edital_do_Pr=EAmi?= =?iso-8859-1?q?o_de_Pesquisa_Mem=F3rias_Reveladas_-_Edi=E7=E3o_201?= =?iso-8859-1?q?0__=5B3_Anexos=5D=2E?= Message-ID: <7C6352D2FCD148CDA82DCA6733D530C6@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: MArco Antonio da Silva Som: "memorias" -----Mensagem original----- De: Memórias Reveladas [mailto:memoriasreveladas at arquivonacional.gov.br] Para: Paulo Abrão Pires Junior; Simone Steigleder Botelho; Assunto: Lançamento do edital do Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas - Edição 2010 Prezados Parceiros, O Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas - Edição 2010 é um concurso de monografias com base em fontes documentais referentes ao período do regime militar no Brasil (1964-1985), de periodicidade bienal, instituído pela Portaria nº 95, de 19 de novembro de 2009, do Diretor-Geral do Arquivo Nacional. Qualquer pessoa pode participar, individualmente ou em grupo, até o limite de 1 (uma) monografia por candidato. Serão classificadas como vencedoras até 3 (três) monografias. O prêmio devido é a editoração e publicação da obra sob responsabilidade do Arquivo Nacional. Os direitos patrimoniais sobre a primeira edição são reservados ao Arquivo Nacional, preservados os direitos morais do autor e consistirá em 1.000 (um mil) exemplares, cabendo ao(s) vencedor(es) o percentual de 5% (cinco por cento) dos exemplares editados. A monografia deverá ser redigida em Língua Portuguesa, atendendo à formatação indicada pelo edital do Prêmio. A monografia deverá ser enviada pelo autor em 8 (oito) vias para o endereço: Arquivo Nacional/Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas, Praça da República, 173 - Centro - Rio de Janeiro, CEP: 20211-350. O autor deverá utilizar um pseudônimo para assinar a monografia, identificando-se apenas na ficha de inscrição, a qual deverá ser enviada em envelope separado. O julgamento das monografias competirá à Comissão Especial de Licitação, especialmente designada pelo Diretor-Geral do Arquivo Nacional e Coordenador-Geral do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985):Memórias Reveladas. O envio das monografias e dos documentos de inscrição deverá ser realizado até o dia 30 de julho de 2010. Para esse fim, será considerado o dia do registro postal ou de entrega da documentação na Divisão de Protocolo do Arquivo Nacional. Os ganhadores serão identificados no dia 26 de novembro de 2010, em cerimônia pública. As regras do concurso de monografias estão dispostas no Edital nº 001, de 19 de novembro de 2009, e seus anexos. Mais informações, acesse: www.memoriasreveladas.gov.br ou www.arquivonacional.gov.br Atenciosamente, Equipe Memórias Reveladas __._,_.___ Anexo(s) de =?iso-8859-1?Q?Paulo_Abr=E3o_Pires_Junior?= 1 de 1 foto(s) cartazres.gif 2 de 2 arquivo(s) Ficha de inscrição Prêmio Memórias Reveladas.doc Prêmio de Pesquisa Memórias Reveladas Edição 2010.pdf __,_._,___ -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.127/2603 - Data de Lançamento: 01/06/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100106/b9becf8d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: audio/mid Size: 54616 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100106/b9becf8d/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 6 19:21:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 6 Jan 2010 19:21:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Presidente argentina ordena abertura de arquivos da ditadura Message-ID: <81378209E9F8413DBBD8004AFA4FB0C5@vcaixe> Carta O Berro..................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa 06/01/2010 - Presidente argentina ordena abertura de arquivos da ditadura BUENOS AIRES, 6 JAN (ANSA) - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, assinou um decreto no qual se ordena a abertura dos arquivos relacionados à atuação das Forças Armadas durante a ditadura militar que governou o país entre 1973 e 1986. O dispositivo, que leva o número 4/2010 e também as firmas dos ministros da Justiça, Julio Alak, e da Defesa, Nilda Garré, foi publicado no Diário Oficial da nação nesta quarta-feira. Por meio dele, o governo argentino retirou a classificação "de segurança" das informações que dizem respeito ao período. Desta forma, o decreto determina a abertura de "toda aquela informação e documentação vinculada à atuação das Forças Armadas" entre 1976 e 1983, salvo aquela relacionada ao "conflito bélico do Atlântico Sul [Guerra das Malvinas] e a qualquer outro conflito de caráter interestatal". A assinatura e publicação da medida respondem a solicitações do Tribunal Federal número 1 quanto a uma causa sobre o centro de detenção clandestino "La Cacha", em La Plata. A iniciativa, prossegue o texto, também se vincula à retomada de processos por violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura, o que se tornou possível após a anulação das chamadas leis de impunidade -- Obediência Devida e Ponto Final --, ocorrida durante a gestão do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). Segundo o decreto, a reabertura destes casos requer "uma grande quantidade de informação e documentação relacionada à atuação das Forças Armadas". Ainda de acordo com o texto, a não divulgação dos documentos contraria a "política de Memória, Verdade e Justiça que o Estado argentino vem adotando desde 2003". A ditadura argentina foi uma das mais violentas da região. Em apenas sete anos de regime, estima-se que cerca de 30 mil pessoas tenham desaparecido nas mãos de agentes da repressão, segundo entidades defensoras dos direitos humanos. Nos últimos anos, comandantes das Forças Armadas, autoridades e agentes da repressão foram ao banco dos réus para responder por crimes de violações dos direitos humanos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100106/86ad2bb3/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 7 19:52:28 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 7 Jan 2010 19:52:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_OS_DESAPARECIDOS_DA_AM=C9RICA?= Message-ID: <3841CB2B2F6942E7B66D452B29E1909B@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Miscelânea Café História OS DESAPARECIDOS DA AMÉRICA Durante os anos 60, 70 e 80, diversas ditaduras militares instalaram-se na América Latina. Sua força autoritária significou endividamento externo, nacionalismo, censura, tortura e violência generalizada. Em países como Chile, Brasil, Argentina e Uruguai, famílias e amigos estão à procura de respostas sobre pessoas desaparecidas. Mas a lista de países que sofrerem é bem mais longa. O "Projeto Desaparecidos - Por La Memoria, la Verdad y la Justicia" é um esforço para que essas vítimas não caiam no esquecimento. Segundo o site, o projeto é resultado do trabalho de "várias agências e ativistas dos direitos humanos para manter a memória e alcançar a justiça. É um lugar para aprender e lembrar as vítimas do terrorismo de Estado na América Latina e do mundo. E é também um lugar para saber quem eram e quem são os seqüestradores, torturadores, assassinos e seus cúmplices responsáveis pelo desaparecimento de milhares de pessoas. Finalmente, é um lugar para reconstruir, compreender e analisar o terrorismo de Estado, o fenômeno do desaparecimento, e aprender a evitar que isso aconteça novamente." Para ter acesso a textos, fotos, documentos e mesmo para contribuir com o projeto, acesse: http://www.desaparecidos.org. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100107/9126d0c0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 19350 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100107/9126d0c0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 7 19:52:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 7 Jan 2010 19:52:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] LULA, UM FILHO DO BRASIL - por Urariano Mota Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem Publicada em:06/01/2010 LULA, UM FILHO DO BRASIL Recife (PE) - Há menos de 48 horas, assisti ao filme ?Lula, o filho do Brasil?. Essa é uma obra que a gente vê com algumas idéias prévias, porque nunca, na história, se falou tão mal de um filme. Nos jornais, na tevê, nas revistas, antes da estréia o filme que não conhecíamos era propaganda eleitoral, vigarice, com uso desonesto da máquina pública. Hoje, nos jornais, o filme mudou para a categoria de obra medíocre, indigna de ser vista. Nos textos e chamadas vem agora a mensagem que não é mais subliminar: ?Grande público, corra desse filme?. Sabemos todos quanto os meios de comunicação prezam a inteligência e sensibilidade humana. Então o colunista, que faz parte desse grande público, concluiu: se falam tão mal, e com tamanha insistência, a obra tem valor. E por isso fui, e vi. Já no começo, há um choque no peito, que toma conta da gente, enquanto vê as cenas: terra seca, brasileiros partindo de pau-de-arara rumo a uma tentativa de vida melhor. Como tantos e muitos outros até hoje, poderia ser dito, é certo, mas com a diferença, e aí é que vem o maior choque, o saber que um desses brasileiros partiu da carência de tudo para chegar a ser o presidente mais popular do mundo. É como se fosse uma fábula real. Melhor: é uma fábula verdadeira, é um Andersen de final feliz, o patinho menos que feio se transformar em muito mais que um cisne. Mas então a gente pigarreia, espanta a emoção, e cai em outras imagens comoventes. Em conceitos moventes, que movem toda a gente. Por exemplo, as ideias dos pobres na crença do valor do trabalho. Em um tempo de tanta sacanagem, como são bem-vindas essas lições/ideias. Há uma cena irresistível, quando o Lula adolescente suja com óleo o macacão limpo, para se exibir à vizinhança e à mãe. Eu sou um trabalhador, mãe. Eu agora sou gente. Ela sorri. E vem crescendo com ele, a partir daí, até ser ultrapassada pela vida do rebento, a pessoa dessa mãe. Ela, ali como aqui, ali como em todo lugar, é uma fundadora de personalidade. No entanto, não existe apelação, apelo sentimental, sentimentalismo em ?Lula, o filho do Brasil?. Os olhos mais críticos já fizeram a justa observação de que o filme é desprovido de ritmo ou tensão dramática. Ou seja, nele não há um conflito básico, ou conflitos cruciais desenvolvidos à emoção veloz ou com paciência multiplicados. Nem mesmo, o que seria propaganda pura, mas dentro da ?gloriosa? tradição de Hollywood, o herói sozinho contra o resto do mundo, o self-made-man típico, que se faz só. É inesquecível a cena do discurso no estádio, quando um alto-falante coletivo é construído pela multidão de sindicalistas, que gritam em sucessivas ondas um discurso. No filme não há tampouco o cara de moral incorruptível. Pelo contrário, em mais de uma oportunidade, vemos a sobrevivência esperta a favor do humano. Assim, um filho mente para o pai analfabeto, e escreve o contrário da vontade do pai, quando escreve à mãe que venha para São Paulo. (?Venha para não morrer?, sabemos.) Ou quando Lula, um secretário do sindicato, usa de toda a argúcia para ganhar o coração da mulher por quem está apaixonado. É verdade que em mais de uma ocasião a gente vê o personagem Lula transbordar das imagens, porque sabemos algo de sua história e importância. Então sentimos, percebemos o personagem ir além das margens extremas da tela. Isso não se dá só pela duração do filme, pela quantidade de anos de vida selecionados ? isso se faz pelos momentos essenciais que ficam ocultos. As coisas mais cruas e duras são omitidas. Por exemplo, quando o Lula menino pegou da boca de um colega o chiclete mascado. Por exemplo, quando bebeu da água que até os animais rejeitam. Ou a intensidade da dor de ver a mulher falecer de parto, como tantos pobres do Brasil já viram, e jamais tiveram a sua dor expressa. É horrível o esquemático ? o corte de qualquer filme na construção de um personagem gera insatisfação. Os recursos com que a literatura conta não sobrevivem na cirurgia da montagem. Pior, a escolha nem sempre é a mais sensível, onde cortar, onde avultar, onde crescer. Lula, o personagem, sabemos todos, é maior que o PT, é bem maior que o sindicalismo, porque ele vem com a força da história, como uma encarnação da força que o povo tem. Dos muitos severinos, joões, marias e lindus. No fim do filme, na imagem imóvel da posse presidencial, ouvimos Luiz Gonzaga. Então nos levantamos, muito contra a vontade, com uma certeza: toda a luta, a luta toda valeu a pena. ?Só trazia a coragem e a cara, viajando num pau-de-arara?, ouvimos. E concluímos, em silêncio: eu penei, mas aqui cheguei. Leia outras postagens do autor em: Sapoti da Japaranduba __._,_.___. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100107/70053580/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 8 20:01:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 8 Jan 2010 20:01:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] EXCLUSIVO: BORIS CASOY E O COMANDO DO TERROR, SEGUNDO A REVISTA "O CRUZEIRO" Message-ID: Carta O Berro......................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice elo EXCLUSIVO: BORIS CASOY E O COMANDO DO TERROR, SEGUNDO A REVISTA "O CRUZEIRO" Recordar é viver. Reproduzimos, na íntegra, a reportagem da finada revista O Cruzeiro, de 9 de novembro de 1968. O texto é de Pedro Medeiros e as fotos de Manoel Motta. ( clique nas imagens para ampliá-las) http://cloacanews.blogspot.com/2010/01/exclusivo-boris-casoy-e-o-comando-do.html -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 43928 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100108/24319db6/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 8 20:01:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 8 Jan 2010 20:01:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Cidad=E3o_Boilesen_-_Filme_no_MODE?= =?iso-8859-1?q?CON_-RJ_-_18-01-10_e_debate_com_Carlos_Eug=EAnio_Pa?= =?iso-8859-1?q?z__ex_dirigente_da_ALN?= Message-ID: <8D5214C62D8D41038925BD0B5F0C600A@vcaixe> Carta O Berro...............................................repassem ----- Original Message ----- From: Carlos Henrique Tibiriçá Miranda Prezados, O Modecon vai passar o filme Cidadão Boilesen no dia 18/01/2010 com debate com Carlos Eugênio Paz, ex dirigente da ALN, hoje no PSB e protagonista de ação narrada no filme. Não percam, Já vi e recomendo, Abraços, Caique MODECON CONVIDA PALESTRANTE (S) Apresentação e debate por CARLOS EUGENIO DA PAZ, então dirigente da ALN e protagonista de ação narrada no filme. TEMA DOCUMENTÁRIO "CIDADÃO BOILESEN", DE CHAIM LITEWSKI, SOBRE EMPRESÁRIO EMPENHADO NA REPRESSÃO E TORTURAS DURANTE O REGIME MILITAR BRASILEIRO. NO FILME, PRONUNCIAMENTOS DE PERSONAGENS DE DIVERSAS TENDÊNCIAS. DATA 18/01/2010 - segunda-feira HORA 17h30min. LOCAL 7º andar do prédio da ABI - Rua Araújo Porto Alegre, 71 Centro, Rio de Janeiro. Solicitamos e agradecemos PONTUALIDADE aos participantes. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.130/2607 - Data de Lançamento: 01/08/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100108/678b1199/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 8 20:01:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 8 Jan 2010 20:01:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Carta do cineasta Silvio Tendler ao Ministro Nelson Jobim Message-ID: Carta O Berro...........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maria Claudia Badan Ribeiro Ao Ministro da Defesa Exmo. Dr. Nelson Jobim Invado sua caixa de mensagem pedindo atenção para um tema que trata do futuro, não do passado. O Sr. me conhece pessoalmente e lembra-se de que quando fui Secretário de Cultura de Brasília, no ano de 1996, o Sr. era Ministro da Justiça e instituiu e deu no Festival de Cinema Brasília um prêmio para o filme que melhor abordasse a questão dos Direitos Humanos. Era uma preocupação comum a nossa. Por que me dirijo agora ao senhor? Um punhado de cidadãos -? hoje somos mais de dez mil -? assinamos um manifesto afirmando que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado Brasileiro devem ser julgados e punidos por seus atos, contrários aos mais elementares sentimentos da nacionalidade. Agimos em nome da intransigente defesa dos direitos humanos. O Sr., Ministro da Defesa, homem comprometido com a ordem democrática, eminente advogado constitucionalista, um dos redatores e subscritores da Constituição de 1988, hoje em ação concertada com os comandantes das forças armadas, condena a iniciativa de punir torturadores pelos crimes que cometeram. Este gesto, na prática, resulta em dar proteção a bandidos que desonraram a farda que vestiam ao torturar, estuprar, roubar, enriquecer ilicitamente sempre agindo em nome das instituições que juraram defender. É incompreensível que o nosso futuro democrático seja posto em risco para acobertar crimes praticados por bandidos o que reforça a sensação de impunidade. Ao contrário do que afirmam os defensores da impunidade dos torturadores. O que está em juízo não é o julgamento das forças armadas, como afirmam os que as querem arrastar para o lodo moral que mergulharam. Agora pretendem proteger sua impunidade, camuflados corporativamente em nome da honra da instituição. Um pouco de história não faz mal a ninguém. Não está em questão que para consumar o golpe de 64, os chefes militares de então tiveram que expurgar das forças armadas milhares de homens entre oficiais, sub-oficiais e praças cujo único crime foi defender o regime constitucional do país. Afastaram da vida política brasileira expressivas lideranças, cassando direitos políticos e mandatos parlamentares ou sindicais. Empurraram milhares de cidadãos, na imensa maioria jovens, para a ação clandestina que desembocou na luta armada. De qualquer maneira os golpistas de 64 protegidos pela lei de anistia não serão anistiados pela história. Fecharam e cercaram o Congresso Nacional. Inventaram a excrescência chamada de Senador Biônico para não perder, pelo voto, o controle do Senado em plena ditadura militar. Os chefes militares podem ficar tranqüilos que seus antecessores não irão para a cadeia pelos crimes que cometeram contra um país, contra uma geração inteira, a minha, que desaprendeu a falar e pensar em liberdade. Nada disso está em juízo. Vinte e cinco anos depois de iniciada a transição democrática, o que está em juízo não é o processo de anistia política. Tranqüilize seus colegas militares, ministro. O regime militar não está sendo julgado pela quebra do sistema público de saúde ou pela quebra do sistema educacional. Estamos pedindo a punição contra criminosos comuns por crimes de lesa humanidade. Queremos o julgamento e condenação da prática de crimes hediondos. Só isso. Assusta a quem? Em nome do quê o Brasil será eternamente refém de bandidos? O que justifica acobertar crimes condenados por todos os códigos, normas e tribunais internacionais em matéria de direitos humanos? O Sr. deve estar se perguntando o porquê do meu empenho nesta causa. Vou lhe contar. Despontei pra a vida adulta baixo a ditadura militar. Em 1964, tinha 14 anos e cresci sob o signo do medo. Sou de uma família de judeus liberais, meu pai advogado e minha mãe médica. Invoco as raízes judaicas porque meus pais eram muito marcados pelo holocausto, pelos crimes nazistas cometidos contra a humanidade. Tínhamos muito medo das soluções autoritárias. Eu queria viver num país livre e tinha sentimentos de profunda repugnância a ditaduras. Meus amigos também eram assim. Participei de passeatas, diretórios estudantis e cineclubes. Queria derrubar a ditadura fazendo filmes. Acreditava que era possível. Em 1969, um companheiro de Cineclubismo seqüestrou um avião para Cuba. Não tive nada a ver com isso. Desconhecia as intenções e a organização do seqüestro. Meu crime foi ser amigo ? sim, meu crime foi o de ser amigo de um seqüestrador. Quase fui preso e morreria na tortura sem falar, não por ato de bravura, mas por absoluto desconhecimento de causa. Não pertencia a nenhuma organização revolucionária. Não sabia nada sobre o seqüestro. Escapei dessa situação pela coragem pessoal de minha mãe que driblou os imbecis fardados que foram me prender e consegui fugir de casa nas barbas da turma do Ministério da Aeronáutica que, naquele momento, ao invés de dedicar-se a cumprir sua missão constitucional de proteger nossas fronteiras, prendiam, torturavam e matavam estudantes. Tive também a ajuda do Coronel Aviador Afrânio Aguiar que empenhou-se até a medula para que não fosse preso e massacrado na Aeronáutica. A ele dedico meu filme mais recente "Utopia e Barbárie". Sem ele, dificilmente estaria contando essa história hoje aqui. Outras pessoas também me ajudaram a sair vivo dessa história mas como não tenho autorização para citá-los e estão vivos, guardo nomes e lembranças no coração. Em 1970 fui viver no Chile por livre e espontânea vontade. Saí do Brasil legalmente com passaporte, ainda que tenha ido ao DOPS explicar por que saía do Brasil. Eles sabiam as razões pelas quais saía (como é cantado na música, "Não queria morrer de susto, bala ou vício"). Em Janeiro de 1971,do Chile, mandei uma carta para minha mãe, trazida por uma portadora, senhora de boa cepa, que fora visitar o filho no exílio em um gesto humanitário se ofereceu, ingenuamente, para trazer correspondência para os familiares dos exilados. O gesto lhe custou prisão e "maus tratos" nas dependências da aeronáutica. Na carta pedia a minha mãe que me enviasse livros e minha máquina de escrever. A carta foi entregue em Copacabana por militares do Doi-Codi que arrombaram minha casa, arrombaram móveis a procura de metralhadora (Assim entenderam "máquina de escrever"). Minha mãe foi levada para o quartel da PE na Barão de Mesquita, onde foi humilhada e um dos "patriotas"que a conduziu assumiu de forma permanente a guarda do relógio que entrou com ela na PE e não voltou para casa. Amigos ocultos numa rede de gente decente ajudaram a tirar minha mãe daquela filial verde oliva do inferno. Sim ministro, havia muita gente decente nas forças armadas ou que gravitavam em torno dela e que faziam o que podiam para ajudar pessoas. A maioria, prefere, até hoje, não revelar seus gestos por medo dos que praticando atos dignos dos piores momentos da máfia intimidam e atemorizam pessoas de bem. Pior do que o relógio foi o destino do ex-deputado Rubens Paiva que foi preso no mesmo dia e nunca mais encontrado. Os senhores fazem muita questão mesmo de proteger os canalhas que seqüestraram e assassinaram o ex-deputado pelo crime de ter recebido correspondência pessoal de exilados no Chile? A quem interessa essa ?Omertá"? Ministro, para esses crimes não há justificativa e menos O que leva a chefes militares e o Ministro da Defesa a se pronunciarem contra a apuração de crimes? Tortura, estupro, morte, muitas vezes seguido de roubo, são atos políticos passíveis de anistia? Desculpe a franqueza, mas não consigo entender. Em nome do futuro democrático do Brasil , espero que a banda podre, montada no Dragão da Maldade, não saia vitoriosa. Os chefes militares pronunciam-se a favor do pagamento de reparações às vitimas do arbítrio como um ato indenizatório. Pagamento este feito com recursos públicos desviado de finalidades mais nobres para ressarcir prejuízos causados por canalhas que deveriam ter seus bens confiscados e pagarem com recursos próprios os crimes que cometeram. Muitas empresas que se locupletaram durante a ditadura e inclusive financiaram o aparato repressivo poderiam participar dessas indenizações. No meu caso, ministro, posso lhe dizer que não há dinheiro que feche essa conta. Não pedi anistia nem indenização porque acho que não sou merecedor (nunca fui exilado, nunca me apresentei assim). E vivo bem com meu trabalho de cineasta há quarenta anos e professor universitário há 31. Se fosse pago com recursos dos bandidos, aceitaria de bom grado. Recursos públicos não. Cada centavo que aceitasse, me sentiria roubando de uma criança ou de um homem ou uma mulher humildes que precisam mais desse dinheiro numa escola pública, num posto médico, do que eu. Não recrimino quem, por necessidade ou sentimento de justiça, o faça. A reparação que peço é a punição exemplar dos torturadores da minha mãe. O senhor há de concordar que não estou pedindo muito nem nada despropositado. E quando digo que penso no futuro e não no passado é porque a punição exemplar de criminosos desestimulará semelhantes práticas no futuro e terá uma função pedagógica para os que caiam em tentação de uso indevido dos poderes do Estado, que entendam que não vivemos no país da impunidade.Justiça, peço apenas justiça. Bom 2010 para o sr. Atenciosamente, Silvio Tendler P.S. Falamos de tanta coisa mas esquecemos de comentar dois crimes cometidos depois de 1979 que já não estariam cobertos pela lei de anistia: O assassinato de D. Lyda Monteiro da Silva, secretaria do Presidente da OAB, a mutilação do jornalista José Ribamar em 1980 e, em 1981, a bomba que explodiu no Riocentro que causou a morte de um sargento e graves ferimento no Capitão. Imagino que enquanto advogado, o quanto lhe repugna o assassinato da secretária do Presidente da OAB e a mutilação de um jornalista. Tantos anos decorridos, talvez ainda seja possível descobrir "os comunistas" responsáveis pela bomba do Riocentro, como concluiu o vexaminoso IPM instaurado na ocasião. Por falar em comunistas, movimento que condenava a luta armada, o que dizer do assassinato do jornalista Wladimir Herzog, do operário Manoel Fiel Filho e do desaparecimento do dirigente Davi Capistrano? Seus assassinos terão imagem, nome e sobrenome ou continuarão protegidos por este exército das sombras? Silvio Tendler -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100108/106c41a6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23051 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100108/106c41a6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 9 15:09:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 9 Jan 2010 15:09:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Tributo_M=E1rio_Alves_no_Sindi?= =?windows-1252?q?petro-RJ=2C___________dia_15/1=2C_sexta=2C_=E0s_1?= =?windows-1252?q?7h30?= Message-ID: <008A3C553E6D4982BE657EAF10FE4DDA@vcaixe> Carta O Berro.........................................................................................repassem Tributo Mário Alves no Sindipetro-RJ , dia 15/1, sexta, às 17h30 Os 40 anos do assassinato do jornalista Mário Alves serão lembrados em cerimônia realizada no auditório do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), em parceria com o Instituto Mário Alves, na próxima sexta-feira, 15 de janeiro, às 17h30. O sindicato fica na Avenida Passos, 34, no centro do Rio. Todos estão convidados. Depois da homenagem ao jornalista, através de seus familiares, haverá um breve debate, com a participação do petroleiro e ex-preso político, diretor do Sindipetro-RJ, Francisco Soriano, e do representante do Instituto Mário Alves, Antonio Lúcio Soares, além do advogado Modesto da Silveira. Aguardamos a confirmação da presença de um representante da Comissão dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça. ?Quando a gente quebra o esquecimento, a gente está afirmando que valeu a pena? (Cecília Coimbra) Parte da sociedade brasileira ainda prefere o esquecimento. Sente-se ameaçada quando se cobra a punição dos torturadores. Mas, não será esse silêncio uma forma de cumplicidade com o crime? Calar diante de tais brutalidades não será uma forma de permitir que elas se repitam? Por isso há uma parte da sociedade que faz questão de lembrar. A barbárie da tortura deve ser denunciada e lembrada sempre, para que a humanidade enterre essa cultura. Mas também fazemos questão de lembrar para reverenciar nossos heróis assassinados. Esse o motivo principal do tributo ao revolucionário Mário Alves. A classe trabalhadora saúda a sua luta e a sua história. Homenagem ao ?Vila? Eis o depoimento do camarada do PCBR, Antonio Lúcio Soares, sobre o ?Vila?: Dotado de uma imensa capacidade de articular o processo político ao organizativo, Mário (Vila, como o chamávamos) conseguiu reunir várias tendências internas do PCB que militavam na, então, Corrente Revolucionária do PCB e que desaguaria, em seguida, no Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Alguns tentaram menosprezar sua liderança ao incluírem o Mário como ?influenciado por setores mais radicalizados que mergulharam o PCBR num viés militarista" (sic). Grave erro de avaliação. Mário foi quem melhor soube unificar a concepção marxista - leninista à prática da resistência revolucionária, quando muitos grupos não sabiam ao certo que caminho seguir: se o da negação da construção do partido marxista - leninista para não incorrer na burocratização que envolvera o PCB à época ou de ser apenas mais um grupo resistente à ditadura sem uma orientação clara sobre tática e estratégia. Conseguiu ele viajar todo o país a fim de não deixar que os militantes da base rebelde do PCB se desgarrassem e caíssem no empirismo da militância sem estudo ou no academicismo do estudo sem militância. Até hoje, as sementes por ele semeadas dão seus frutos nos estudos feitos sobre o PCBR e na luta dos que buscam estudar mais profundamente os documentos políticos de fundação do PCBR e aplicá - los na luta diuturna pelo Socialismo: Camarada Mário Alves? Presente! Quem foi Mário Alves Mário Alves foi fundador e principal dirigente do PCBR, uma dissidência do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que defendia a luta armada, na época da ditadura empresarial e militar. Segundo testemunhas, o jornalista foi barbaramente torturado e morreu no cárcere, em 17 de janeiro de 1970, um dia depois de ter sido preso pelo Dói-Codi. Mas o crime nunca foi apurado e até hoje Mário é dado como desaparecido. A história de vida de Mário Alves de Souza Vieira (1923-1970) é um capítulo da luta e da resistência da classe trabalhadora e das camadas populares durante a ditadura no Brasil. Em depoimento extraído do livro ?Desaparecidos Políticos?, o advogado Raimundo Teixeira Mendes relata que ele teve papel fundamental na formação do movimento revolucionário brasileiro: ?Militante e ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, posteriormente, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Mário Alves esteve sempre ligado a base do partido e incentivou a organização e a formação política com o apoio permanente ao fortalecimento das organizações ligadas aos trabalhadores. Opondo-se à orientação da direção do PCB que naquele momento defendia uma possível aliança com a burguesia nacional, ele seria expulso do Partido em 1967?. Torturado até a morte Mário Alves tinha 46 anos quando, conforme o relato de sua companheira Dilma Borges, foi preso pelo DOI-CODI e "barbaramente espancado, submetido à suplício, com o uso de um cassetete dentado e o corpo todo esfolado por escova de arame". Mantendo-se fiel a sua postura política que marca sua trajetória de vida, ele se recusou a prestar as informações exigidas pelos torturadores. Segundo informações do Grupo Tortura Nunca Mais, "a companheira de Mário Alves e sua filha Lúcia conseguiram, em 1987, que a União reconhecesse a responsabilidade civil por sua prisão, morte e danos morais. Foi, assim, o primeiro caso em que a União reconheceu sua responsabilidade por um desaparecimento político". O Instituto Mário Alves Sediado em Pelotas, no Rio Grande do Sul, o Instituto Mário Alves (IMA) procura manter viva a trajetória política e os princípios que impulsionaram a caminhada deste importante militante comunista. O IMA promove cursos e palestras nas mais diversas áreas de interesse dos movimentos sociais, colaborando para a formação política da classe trabalhadora e estudantil. Além de buscar desenvolver estudos e pesquisas políticas, econômicas e sociais. Seu acervo conta com uma biblioteca com mais de três mil volumes e uma videoteca com mais de 800 filmes em VHS e DVD. Todo esse material é de conteúdo político e filosófico e trata dos diversos temas que envolvem a questão da luta de classes e as experiências políticas que buscam o processo de liberdade humana. Por se tratar de uma Organização Não Governamental, sem fins lucrativos e não partidária, esta importante entidade se mantém com a colaboração dos associados e, também, de algumas entidades sindicais. Saiba mais em imapelotas.blogspot.com Fonte: Agência Petroleira de Noticias, 7-01-10 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100109/2fbe0a9e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 9 15:09:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 9 Jan 2010 15:09:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__A_gente_n=E3o_se_despede_de_M?= =?windows-1252?q?=E1rio_Benedetti_-_S=E1b_09/01/10_09=3A58?= Message-ID: <76E2BBA8EEFC432682DA9181C6D6149B@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Fernando Soares Campos Assaz Atroz Sábado, 9 de janeiro de 2010 A gente não se despede de Mário Benedetti Urda Alice Klueger Ele já estava com mais de trinta anos quando eu nasci, mas só fui conhecê-lo em idade adulta. Um ser como ele, único na sua espécie, decerto já andava a espargir o seu pó de pirlimpimpim por sobre sangues, lutas e esperanças lá na altura em que eu nasci, mas muito tempo passou para eu tomar contato com a sua magia ? fui criança, fui adolescente, fui jovem, tornei-me madura (será que algum dia a gente, realmente, amadurece?) sem me dar conta que ali, do outro lado da fronteira (fronteiras, pois também viveu como exilado. Como alguém com a espantosa grandeza d?alma que ele tinha não andar exilado em plena Operação Condor, quando os que nos dirigiam eram títeres formatados por algo nefando como a Escola das Américas[1]?) havia aquele homem que era pura luz, e que como nenhum outro até então soube contar e cantar esta nossa América na limpidez lúcida e corajosa dos seus versos ímpares. Mário Benedetti entrou na minha vida através de um poema de amor que era cheio de erotirmo, e fiquei curiosa com aquele poeta que me chegava do Uruguai (embora os tantos exílios), e tão curiosa fiquei que quis saber mais, e fui mergulhando na sua produção, na sua longa obra de tão longos anos, até o dia em que me deparei com aquele poema único dos únicos: ?Te quiero?: ?(...) Tus ojos son mi conjuro contra la mala jornada; te quiero por tu mirada que mira y siembra futuro. Tu boca que es tuya e mia tu boca no se equivoca te quiero por que tu boca sabe gritar rebeldia. Se te quiero es porque sos mi amor mi cómplice y todo. Y en la calle codo a codo somos muchos más que dos. (...)? [2] Céus, aquilo era o meu sonho de vida! ?...Em la calle codo a codo somos muchos más que dos.? Calou-me tão fundo à alma que fiquei a pensar se haveria para mim este parceiro que me completaria tão completamente, tão completamente... Sonha-se; assim é a vida, e ninguém como Mário Benedetti para nos atirar para dentro do mundo diáfano, colorido e real dos sonhos ? depois de se ler um poema assim, a gente passa a ver que tudo é possível. Tomei-me de tal carinho por ?Te quiero? que como que o afivelei com toda a força ao meu coração sempre tão solitário, e ele era como um arrimo para a minha solidão, enquanto descobria mais e mais pérolas desse uruguaio único que era capaz de desestabilizar ditadura cruéis com a força da sua palavra, a ponto de estar tendo sempre que ir trocando de país por onde o Condor voava... A gente querendo ou não, a vida vai passando e muitas coisas vão acontecendo. Em maio de 2009 eu estava convidada para um evento cultural no Mestrado em Letras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai ? URI -na cidade de Frederico Westphalen/RS, grande evento internacional, que reunia gente da área de Letras de mais de um país. Lá estavam três uruguaios convidados: o escritor Ignacio Martinez, Mariel Cardozo e Graciela Veiga. Foram dias e noites maravilhosas, onde desfrutamos de inúmeras atividades culturais naquele cursos de Letras que me pareceu, também, único ? nunca vi outro com tal qualidade e garra pelos lugares onde até hoje andei ? e onde professores e convidados fazíamos as refeições juntos em lindos restaurantes, refeições que acabavam se transformando em tertúlias, e numa dessas noites, à hora da sobremesa, os uruguaios passaram a declamar poemas de sua terra, notadamente de Mário Benedetti, e eu pedi: ?Ah, por favor, por favor, declamem Te quiero, aquele que diz: Y en la calle codo a codo somos muchos más que dos!". Muito vã a minha ênfase! Se eu cá de outro país, de outra língua, sabia tanto do poema para dizer seu nome e aquele pedacinho fascinante, o que esperar de legítimos uruguaios? Então houve o momento mágico: nuestros hermanos passaram imediatamente para o poema, mas não se limitaram a declamá-lo: no Uruguai, ele é música! Ignácio Martinez tomou de um violão, e pela primeira vez na vida eu ouvia, transformados em canção, aqueles versos únicos: ?(...)Te quiero em mi paraíso; es decir, que em mi país la gente vive feliz aunque no tenga permisso (...)? [3] Aquele foi um dos momentos pelos quais vale a pena viver! Emocionadíssima, coração aos saltos, lágrimas nos olhos, eu esperei o final daquela canção fascinante e então assegurei aos irmãos uruguaios: ?Se Mário Benedetti morrer antes que eu, não importa se daqui a um ou a vinte anos, eu vou fazer uma crônica de despedida a ele relembrando este momento ímpar aqui em Frederico Westphalen, na companhia de vocês!?. Um dia ou dois depois voltei para minha casa ? e no terceiro dia depois daquela noite, Mário Benedetti morreu, aos 89 anos. Gastara até o fim a sua vida usando a palavra como carícia e como arma contundente, e deixou para a humanidade um legado que dificilmente poderá ser suplantado. Eu fiquei com aquilo engolido na minha alma como se tivesse um espinho a atravessá-la, e só agora, mais de sete meses depois, é que me sento para fazer a despedida prometida lá em Frederico Westphalen. Só que não é despedida, porém. Lá do outro lado da vida, Mário Benedetti não nos abandona. Faz um dia ou dois que ele, de repente, reaparece na telinha do meu computador, trazendo toda a esperança e a inquietação que sempre causou ao longo da sua vida: ?Que passaria se un dia Despertarmos dandonos Cuenta de que somos mayoría? (...) Que passaria??[4] Ah! Mestre, Mestre, não há como despedir-me de ti! És como nosso alter ego, nossa consciência mais profunda, nossa esperança mais certa, nossa sensibilidade mais aflorada! Que acontecerá quando na rua, lado a lado, formos muito mais que dois? Ai, Mestre, como me atinges profundamente o coração! Blumenau, 06 de janeiro de 2010 ? Dia de Reis Urda Alice Klueger Escritora. Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz _________________________________________________ Notas: [1] A Escola das Américas, instituição estadunidense que funcionou desde 1946 no Panamá, formando torturadores e outros sádicos para dominarem a América dita Latina, atualmente está funcionando no Fort Benning, estado da Geórgia/EUA, com o nome de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica. [2] ?(...) Teus olhos são meu conjuro/ contra a má jornada/ te quero por teu olhar/ que olha e semeia o futuro// Tua boca é tua e minha/ tua boca não se equivoca/ te quero porque tua boca/ sabe gritar rebeldia.// Se te quero é porque sois/ meu amor, minha cúmplice e tudo. E nas ruas lado a lado/ somos muito mais que dois.( ...) [3] ?Te quero em meu paraíso/ e dizer que em meu país/ as pessoas vivem felizes/ embora não tenham permissão.(...)? [4] Que aconteceria se um dia/ despertarmos dando-nos/ conta de que somos mayoria? (...) Que aconteceria? _________________________________________________ PressAA http://assazatroz.blogspot.com/ http://santanadoipanema.blogspot.com/ http://pressaa.blogspot.com/ . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100109/a32c7092/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 10 12:48:47 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 10 Jan 2010 12:48:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Canciones_populares_e_revolucion?= =?iso-8859-1?q?=E1rias_em_v=EDdeo_=28de_Espanha=2C_Turquia=2C_Cuba?= =?iso-8859-1?q?=2CGr=E9cia=2C_Fran=E7a=2CNicaragua=2CAfrica_do_Sul?= =?iso-8859-1?q?=2CURSS=2C_=2E=2E=2E=29______HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <56E7AAF0A21545468DA3AB5CF1EA3EF6@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Canciones populares e revolucionárias em vídeo (click sobre cada link) León Gieco (Argentina) Para la vida (4'44") Chico Buarque (Brasil) Homenaje a las madres de la Plaza de Mayo (3'27") Apesar de você - A sociedade não pode parar (4'21") Leonard Cohen (Canadá) The partisan (5'51") Inti Illimani (Chile) Canto de las estrellas (5'22") Los Prisioneros (Chile) Muevan las industrias (2'59") Canción Final de la Cantata Santa Maria (3'52") Malembe (4'18") Por Vietnam (4'22") Banda metal Dinastía Tang (República Popular China) La Internacional (4'18") Ricardo Semilla (3Z07") Furibundo (Colombia) Yo sí acuso a Mancuso (3'03") Garzón y Collazos (Colombia) El toro barcino (2'36") Julián Conrado (Colombia) Arando la paz (1'24") Chicos Nuevos (Cuba) Che Guevara (4'42") Orishas (Cuba) 537 Cuba (4'34") Silvio Rodríguez (Cuba) La maza (4'10") Playa Girón (4'02") Ana Belén, Víctor Manuel, Joan Manuel Serrat (España) La Puerta de Alcalá (5'53") Pablo Milanés - Víctor Manuel (Cuba-España) Yo pisaré las calles nuevamente (3'42") Ana Belén (España) Pasionaria (3' 07") Ejército Republicano (España) Ay Carmela (2'35") Joan Manuel Serrat (España) Para la libertad (2'54") Ska (España) El niño soldado (3' 43") Mano negra (Francia) Señor Matanza (3'40") Mikis Theodorakis (Grecia) Neruda America Insurecta 1974 (6'44") John Lennon (Inglaterra) Give peace a chance (5'09") Carlos Mejía Godoy (Nicaragüa) Himno del Frente Sandinista de Liberación Nacional (2'54") Miriam Makeba (Sur África) La lucha continúa / Pata Pata (8'12") Soweto Blues (5'23") Zülfü Livaneli (Turquía) Nazim Hikmet Anisina (4'44") Coro del ejército rojo (URSS) Himno de la URSS (3' 47") Alí Primera (Venezuela) Inolvidable Ho Chi Minh (4' 09") Sombrero Azul (7' 42 ") La Internacional (3' 27") -- _____________________________________ Compañero-a, Usted es parte del ejercito defensor de la verdad contra el terrorismo mediático de los aparatos masivos de desinformación, sos un-a combatiente de esta batalla ideologica, tu acción forja consciencias, reenvia toda la informacion que consideres de interes (para nosotros-as todo) "La lucha debemos llevarla en forma de Frente Unico, se necesita en ella de todos los elementos sociales que declaran y hagan efectiva esa declaración contra el imperialismo yankee" A.C. SANDINO Nicaragua_Socialista-subscribe at yahoogroups.com Puede consultar todos los mensajes y materiales publicados iniciando en : http://es.groups.yahoo.com/group/Nicaragua_Socialista/messages -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.132/2611 - Data de Lançamento: 01/10/10 07:35:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.132/2611 - Data de Lançamento: 01/10/10 07:35:00 -------------------------------------------------------------------------------- CARTA O BERRO. ..........repassem. Canciones populares e revolucionárias em vídeo (click sobre cada link) León Gieco (Argentina) Para la vida (4'44") Chico Buarque (Brasil) Homenaje a las madres de la Plaza de Mayo (3'27") Apesar de você - A sociedade não pode parar (4'21") Leonard Cohen (Canadá) The partisan (5'51") Inti Illimani (Chile) Canto de las estrellas (5'22") Los Prisioneros (Chile) Muevan las industrias (2'59") Canción Final de la Cantata Santa Maria (3'52") Malembe (4'18") Por Vietnam (4'22") Banda metal Dinastía Tang (República Popular China) La Internacional (4'18") Ricardo Semilla (3Z07") Furibundo (Colombia) Yo sí acuso a Mancuso (3'03") Garzón y Collazos (Colombia) El toro barcino (2'36") Julián Conrado (Colombia) Arando la paz (1'24") Chicos Nuevos (Cuba) Che Guevara (4'42") Orishas (Cuba) 537 Cuba (4'34") Silvio Rodríguez (Cuba) La maza (4'10") Playa Girón (4'02") Ana Belén, Víctor Manuel, Joan Manuel Serrat (España) La Puerta de Alcalá (5'53") Pablo Milanés - Víctor Manuel (Cuba-España) Yo pisaré las calles nuevamente (3'42") Ana Belén (España) Pasionaria (3' 07") Ejército Republicano (España) Ay Carmela (2'35") Joan Manuel Serrat (España) Para la libertad (2'54") Ska (España) El niño soldado (3' 43") Mano negra (Francia) Señor Matanza (3'40") Mikis Theodorakis (Grecia) Neruda America Insurecta 1974 (6'44") John Lennon (Inglaterra) Give peace a chance (5'09") Carlos Mejía Godoy (Nicaragüa) Himno del Frente Sandinista de Liberación Nacional (2'54") Miriam Makeba (Sur África) La lucha continúa / Pata Pata (8'12") Soweto Blues (5'23") Zülfü Livaneli (Turquía) Nazim Hikmet Anisina (4'44") Coro del ejército rojo (URSS) Himno de la URSS (3' 47") Alí Primera (Venezuela) Inolvidable Ho Chi Minh (4' 09") Sombrero Azul (7' 42 ") La Internacional (3' 27") -- _____________________________________ Compañero-a, Usted es parte del ejercito defensor de la verdad contra el terrorismo mediático de los aparatos masivos de desinformación, sos un-a combatiente de esta batalla ideologica, tu acción forja consciencias, reenvia toda la informacion que consideres de interes (para nosotros-as todo) "La lucha debemos llevarla en forma de Frente Unico, se necesita en ella de todos los elementos sociales que declaran y hagan efectiva esa declaración contra el imperialismo yankee" A.C. SANDINO Nicaragua_Socialista-subscribe at yahoogroups.com Puede consultar todos los mensajes y materiales publicados iniciando en : http://es.groups.yahoo.com/group/Nicaragua_Socialista/messages -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100110/395f5dd7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 10 12:48:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 10 Jan 2010 12:48:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Militar_uruguaio_envolvido_na_op?= =?iso-8859-1?q?era=E7=E3o_Condor_contesta_extradi=E7=E3o_no_STF___?= =?iso-8859-1?q?_/_e_Fl=E1via_Piovesan_=3A=22Discuss=E3o_sobre_tort?= =?iso-8859-1?q?ura_n=E3o_se_restringe_ao_passado=22=2E?= Message-ID: Carta O Berro...................................................................................................repassem Militar uruguaio envolvido na operação Condor contesta extradição no STF Da Redação - 08/01/2010 - 16h35 O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá mais uma vez analisar o caso do major uruguaio Manuel Cordeiro Piacentini, acusado de envolvimento em diversos crimes durante a operação Condor -cooperação entre regimes militares sul-americanos para a perseguição de opositores na década de 1970. Leia mais: STF extradita militar uruguaio e abre precedente sobre desaparecidos na ditadura Brasil não pune repressores porque teve transição elitizada, dizem analistas Dessa vez, o STF deve analisar dois pedidos de habeas corpus ajuizados pela defesa do militar. Um deles contesta a extradição, autorizada pelo Supremo em agosto do ano passado. No outro, pede autorização para viajar a Porto Alegre, com o objetivo de realizar exames cardíacos. A extradição do militar em 2009 abriu precedente que pode provocar uma reviravolta no caso de desaparecidos políticos no Brasil durante a Ditadura Militar (1964-1985). Os ministros entenderam que o sequestro de pessoas até hoje não encontradas -vivas ou mortas- é um crime em andamento, e, portanto, não está sujeito à prescrição ou anistia. Aos 71 anos, o militar da reserva está sob prisão domiciliar na cidade de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, por determinação do Supremo, enquanto aguarda extradição para a Argentina. O militar responde naquele país pelo sequestro e desaparecimento em 1976 de Adalberto Valdemar Soba Fernandes, cidadão argentino que à época tinha dez anos de idade. O Uruguai, país natural do major, também pediu ao Supremo a extradição pelas mesmas razões existentes no processo apresentado pelo governo da Argentina. Mas essa extradição requerida pelo Uruguai não chegou a ser julgada, pois prevaleceu o pedido da Argentina, onde o crime atribuído ao militar ocorreu. Segundo o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6.815/80), quando dois países pedem a extradição de alguém pelos mesmos fatos, deve prevalecer o pedido do país onde o crime foi cometido. Os pedidos Segundo a defesa, Piacentini sofre de graves problemas cardíacos e necessita de uma cirurgia com urgência. No primeiro habeas corpus impetrado no STF o major pede autorização para que possa viajar de Santa do Livramento, região de fronteira do Brasil com o Uruguai, para a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, para se submeter a um exame no Instituto de Cardiologia da capital gaúcha. Ao fazer a solicitação de viagem junto à Polícia Federal, a defesa foi informada que o pedido deveria ser encaminhado ao STF. Os advogados pedem então a concessão de liminar para a emissão de salvo-conduto. Caso reste alguma dúvida com relação a gravidade do estado de saúde do militar, a defesa se coloca à disposição para exames periciais a serem realizados por médico designado pelo STF. Já no segundo habeas corpus, segundo informações da assessoria de imprensa do Supremo, a defesa do militar da reserva contesta o processo de extradição. Alega que o militar sequer foi indiciado na Argentina. Sustenta ainda que houve "omissão e violação de teses relevantes da defesa" e que a decisão relativa à extradição "não se manifestou sobre diversos aspectos e provas, que constam dos autos, sendo que da própria documentação que instruiu o pedido resulta a manifesta inviabilidade de extradição". A defesa alega também que houve omissão em relação ao fato de o militar ter sido anistiado no Brasil e em relação ao fato de a Argentina não ter especificado em seu pedido de extradição a não aplicação da pena de prisão perpétua, o que segundo a defesa, descumpre os tratados firmados entre os países. Assim, a defesa pede a concessão do habeas corpus de ofício para aplicar a redução dos prazos de prescrição para os crimes atribuídos ao militar, "já que atualmente conta com 71 anos de idade, completos no mês de setembro de 2009", e assegurar a ele o direito de não ser extraditado do Brasil. -------------------------------------------------------------------------------- Discussão sobre tortura não se restringe ao passado, diz Flávia Piovesan Camilo Toscano - 01/11/2008 - 13h20 Flávia Piovesan, prestes a completar 40 anos, é considerada um dos maiores expoentes da nova geração do Direito, sobretudo aquele trata dos direitos humanos. Por trás de um currículo de promotora e integrante do Comitê Latino-Americano e do Caribe para a defesa dos Direitos da Mulher e que hoje carrega obras como o recém-lançado Código de Direito Internacional de Direitos Humanos Anotado, da DPJ Editora, está a mulher com uma filha de pouco mais de um ano, que adora praia, cinema, música clássica e viagens e cujos livros de Sofia de Melo, Manoel de Barros, José Saramago e Clarice Lispector não saem da cabeceira. Nesta entrevista concedida para o primeiro número da revista "Última Instância Livraria", ela comenta sobre direito internacional, direitos humanos, Lei de Anistia, Constituição e tortura, questões atemporais que, segundo ela, não devem ser separadas em passado, presente e futuro. Leia a entrevista Última Instância - Por que um Código de Direito Internacional de Direitos Humanos? Flávia Piovesan - Porque, na realidade, o que se observa é que há uma multiplicação, uma proliferação de normas, decisões, recomendações que afetam os direitos humanos. Das mais diversas ordens. Da esfera local, regional e global. E não havia, até então, uma obra que pudesse compilar, sistematizar e organizar esse repertório normativo e jurisprudencial. O Código de Direito Internacional de Direitos Humanos tem esta vocação. De um lado, identificar os principais parâmetros protetivos de Direitos Humanos, seja da ONU, da OEA, sistema de Direito Americano, sistema Africano e Europeu. Mas também o Código trabalha com uma visão holística, incluindo a dimensão trabalhista e ambiental. Sejam os parâmetros da OIT, sejam os parâmetros ambientais, penais, do Tribunal Penal Internacional, e também ligados aos refugiados. Cada vez mais, na ordem contemporânea a marca é a do diálogo horizontal ou vertical. Ou seja, que as decisões do nosso Poder Judiciário possam levar em consideração decisões, por exemplo, da Corte Européia, da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Possam levar em consideração recomendações do comitê da ONU sobre a discriminação à mulher. Última Instância - Isso cria um, ou muitos, conflitos dentro dos países. Essa matriz é única? É a mesma matriz de direitos humanos para todos os povos? Flávia Piovesan - Os documentos internacionais de direitos humanos costumo dizer que fixam parâmetros protetivos mínimos. Admitem um piso mínimo, e não um teto máximo de proteção. Ou seja, se a legislação doméstica for além daqueles parâmetros, excelente. O que não pode é estar aquém. Eles irradiam essa consciência ética contemporânea sobre o mínimo ético irredutível. Qual o impacto dessa normatividade no Brasil? Temos diversas situações. A primeira, quando há coincidência. Cada vez mais, ao estudar os parâmetros internacionais, observamos a incorporação deles no âmbito brasileiro. Basta notar o artigo 5° da Constituição e a Declaração Universal de Direitos Humanos. Há uma coincidência. Quer dizer, a bagagem da declaração, o seu legado, se mostra esculpido aqui. Quer dizer, uma sintonia entre a ordem interna e a internacional. Há casos em que a ordem internacional preenche lacunas. Por exemplo, no Brasil não há nenhuma regra definindo o que é discriminação racial, mas aderimos a um convênio, a uma convenção, que prevê o que é isso. Quanto à tipificação da tortura, houve um julgado do Supremo que disse que temos a definição internacional decorrente deste tratado e, quando houver conflitos, aplica-se sempre a norma mais protetiva, a mais favorável ao ser humano. Última Instância - Há juízes no Brasil que não adotam essa compreensão, que dizem "temos uma questão de soberania e não posso usar como parâmetro o internacional". Como se consegue resolver? É só com uma palavra final do Supremo que vai sanar essas diferentes interpretações? Flávia Piovesan - Sem dúvida o Judiciário ainda se mostra refratário, resistente a esses parâmetros. Mas fico feliz de poder responder isso hoje, porque o Supremo passa por um momento muito estratégico, em que revisita a sua jurisprudência sobre essa matéria. A decisão anterior do Supremo era: a Constituição está acima. E os tratados, versem eles sobre a exportação de abacaxis, versem sobre a abolição de pena de morte, têm paridade com a lei federal. Hoje, o Supremo revisita esse tema, na voz de seu presidente Gilmar [Mendes]. É urgente que o Supremo reassuma uma nova posição e que rompa com essa jurisprudência do passado. E, à luz de uma leitura dinâmica e evolutiva da Constituição, permita avançar e celebrar esse processo de internacionalização dos direitos humanos. Em voto recente de março deste ano, o ministro Celso de Melo tem a hombridade de confessar que está reavaliando a sua posição inicial, para defender a hierarquia constitucional dos Tratados de Direitos Humanos. Ou seja, é como se o nosso código completasse, em boa parte, a Constituição original de 1988. Teria status constitucional e viria a ampliar o que a gente chama de bloco de constitucionalidade. Última Instância - Em que tempo isso poderia se dar? Flávia Piovesan - Veja, nesse campo há uma divergência grande na doutrina e na jurisprudência. Mas o que creio é que uma posição do Supremo afirmativa, por exemplo, do status privilegiado desse tratado, o que posso dizer é que há dois consensos. Um: a leitura passada merece ser revisitada criticamente; dois: não podemos, diz o Supremo, emprestar-se aos tratados de direitos humanos o mesmo regime jurídico dos tratados tradicionais. Estes são os dois pontos consensuais. O ponto de dissenso é: qual é o status desses tratados? Para alguns ministros, seria de norma constitucional. Para outros, seria de norma intra-constitucional, mas supralegal. Já é um avanço. Estive recentemente, em junho, em um debate até com um ministro da Suprema Corte argentina, Raul Zafaroni, na Câmara dos Deputados, discutindo esse assunto. E o professor Zafaroni disse muito bem. A reforma que passou a Carta argentina em 1994, quando foi emendada e nela passou a constar que os Tratados de Direitos Humanos têm hierarquia constitucional, teve impacto extraordinário, porque a partir de então o Judiciário não mais discutia o assunto, passou a incorporar como norma constitucional e ponto final. Acabaram as dúvidas, as controvérsias. E aqui [no Brasil] nós ainda vivemos um celeuma que é compreender a Emenda 45/04, no que pertine a inclusão no Parágrafo 3° do Artigo 5°, que prevê que os tratados sobre os direitos humanos, aprovados em cada Casa do Congresso em dois turnos, três quintos dos votos dos membros, serão equivalentes às emendas à Constituição. Todo o celeuma se atém ao alcance interpretativo desse dispositivo. Mas penso que já houve um grande avanço o Supremo entender que há de ser repudiada a visão anterior. Última Instância - Dá para esperar algum tempo para se classificar isso? Flávia Piovesan - Esse é um tema que eu tenho trabalhado muito, até porque o meu doutorado em 1996 foi sobre ele, então há pelo menos 13 anos acompanho pari passo. O que aconteceu? Um tema sensível, que tem a ver com essa questão: a prisão civil do depositário infiel. Há um tratado, que o Brasil ratificou, que é a Convenção Americana, que proíbe a prisão civil por dívidas e a Constituição também proíbe a prisão civil por dívidas, salvo alimentos e depósito infiel. Há um conflito. Esse conflito chegou ao Supremo. Em 1995, o que o Supremo diz? Que a Convenção Americana era incorporada em grau inferior à Constituição. Prevalecia, portanto, a Constituição e negado era o habeas corpus e mantinha a prisão civil do depositário infiel. Placar: 8 a 3 favoráveis à prisão e em outros julgados 11 a 0, porque por vezes a minoria se rende à maioria. Saltemos da história 13 anos, 2008. O placar até agora com relação ao mesmo tema é 8 versus 0 até agora, pois faltam três votos a serem definidos, contrários à prisão civil por dívida. Então, podemos ter um placar oposto ao que tínhamos em 1995. É muito alentador e percebemos que, se há uma constante do mundo, é que o mundo se transforma. Ainda bem. Última Instância - Neste ano a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos. De lá para cá, a gente presenciou no Brasil um regime militar e suas práticas e hoje um debate sobre a existência ou não de um estado policial no Brasil. No campo internacional, apenas para citar um caso, temos os horrores frescos na memória de Abu Ghraibe. Olhando à primeira vista, a impressão que dá é que avançamos no tempo, mas recrudescemos nos desrespeitos aos direitos humanos. É isso mesmo? Flávia Piovesan - Penso que há dois referenciais jurídicos fundamentais para este debate. Um deles é a Declaração Universal, que completa 60 anos, o outro é a nossa Constituição de 1988, que completa seus 20 anos no dia 25 de outubro. Costumo dizer que há o direito brasileiro pré e pós 1988, ao menos no campo dos direitos humanos. Porque a Constituição permitiu reinventar o marco normativo afeito a esses direitos. Por exemplo, a mais vasta legislação aprovada para o efetivo dos direitos humanos veio no pós-1988, em sua decorrência e sob sua inspiração. A lei que tipifica a tortura como crime é de 1997; a lei que pune o racismo é de 1989; o Estatuto da Criança e do Adolescente é de 1990; o Código de Defesa do Consumidor está completando a sua maioridade. Em suma, temos um repertório normativo. Qual é o impasse? Tivemos séculos e séculos, por exemplo, em que a tortura e o racismo eram permitidos. E agora nós temos o quê? Vinte anos, às vezes 15 anos. A violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha é de agosto de 2006. Ou seja, pavimentamos eticamente a ordem jurídica, esse é o primeiro passo, mas o passo mais dificultoso é a introjeção de mudanças culturais, é transformar cabeças e mentes para a abertura à causa dos direitos humanos. Porque por vezes temos o referencial jurídico, mas temos a prática, o costume, de violar direitos humanos. Última Instância - Por que a gente ainda ouve muito a crítica à defesa dos direitos humanos e a classificação dessa defesa como sendo a defesa dos direitos dos bandidos? Flávia Piovesan - É uma pena. Começo a minha aula do curso de direitos humanos na pós e na graduação com essa pergunta. O conceito e o pré-conceito sobre direitos humanos. De fato, uma visão pré-conceituosa é essa distorcida de que a defesa dos direitos humanos é a defesa dos criminosos. E para nós não. Penso que é importante reforçar a idéia de quem defende os direitos humanos defende o direito de todos. E de todos os direitos. À saúde, à educação, ao trabalho, ao lazer, à alimentação, à proibição da tortura, à vida, à liberdade e assim por diante. Creio que é fundamental, e o Código Internacional de Direitos Humanos reforça esse propósito, contribui extraordinariamente para esse propósito, reforçar essa visão de que os direitos humanos envolvem essa visão holística. Direito ao meio ambiente. Quem defende o meio ambiente defende os direitos humanos; quem defende uma educação de qualidade defende os direitos humanos. Isso é fundamental. Última Instância - Em certo sentido, dá para dizer que os organismos internacionais parecem ter perdido força diante da atuação de grandes nações, mais especificamente dos Estados Unidos, com relação à defesa dos direitos humanos. Um grande exemplo disso é o papel da ONU relegado a segundo plano durante o conflito no Iraque, que ainda persiste. Como mudar essa situação? É difícil de falar hoje de uma humanidade una? Flávia Piovesan - Creio que as Nações Unidas mereçam uma profunda reforma. A ONU ainda reflete a geopolítica de seu tempo, de 1945, vide a formação do Conselho de Segurança, quem são os membros permanentes, e assim por diante. A ONU foi criada em um cenário em que o mundo era habitado, em média, por 70 Estados. E hoje nós temos 200. Última Instância - Você acha que tem que acabar o Conselho de Segurança? Flávia Piovesan - Não. Temos que redefinir a ONU. Sou do time que defende uma ONU melhor. É melhor um mundo com ela do que sem ela. Mas ela vive uma crise de identidade ao longo desses anos. O que eu penso que é necessário? A ONU se inspira em três propósitos básicos: manter a paz e a segurança internacional; promover a integração internacional no campo social e econômico; e promover os direitos humanos. Só que não há a paridade desses três propósitos. O orçamento da ONU está muito mais na repressão às guerras, no tema da guerra e segurança, do que dos direitos humanos. Lembro de ter participado de uma seção da ONU quando Sérgio Vieira de Melo estava presente e dizia que o orçamento da ONU para direitos humanos era de 2,8%. E não há melhor política preventiva a conflitos do que apostar nos direitos humanos. Então, esse é o primeiro ponto, balancear melhor os seus três propósitos. Segundo, a ONU teria que se tornar um órgão mais democrático e mais um reflexo da geopolítica de 2008. Como? Revitalizando a Assembléia Geral, que é o nosso Senado mundial, que é o nosso mosaico em que todos os Estados têm representatividade. Fortalecendo sua justiça, a Corte Internacional de Justiça até hoje só tem acesso Estados e penso que teria que ser aberto a outros campos, como as organizações governamentais. E revisando o Conselho de Segurança, porque a estrutura é absolutamente não-democrática. Por aí já seria um ótimo caminho para uma agenda de fortalecimento da credibilidade das Nações Unidas. Também tem outro aspecto muito debatido aos direitos humanos. Como eu dizia, há um mundo pré e pós-1988 no Brasil; no mundo ocidental, um mundo pré e pós-1945. Por exemplo, no campo internacional, o direito aos direitos humanos veio no pós-1945, em resposta às barbáries totalitárias da era Hitler. Isso acaba envolvendo a necessidade de refletir sobre a soberania estatal, porque os direitos humanos se projetam na arena global, como tema de legítimo interesse da comunidade internacional, isso demanda uma releitura de soberania. Até porque [Jürgen] Habermas [filósofo alemão] menciona: quem é soberano? É o Estado, é o povo? A soberania deve respeito também aos direitos humanos? Há esses debates. Mas saímos de uma época em que havia o princípio da não-intervenção dos Estados, em nome da soberania absoluta, passamos para uma segunda fase em que há o direito de ingerência e hoje há uma terceira fase em que se questiona muito as omissões da ONU em que se fala na international responsibility to protect [literalmente, responsabilidade internacional de proteger]. Ou seja, não mais em um direito de ingerência, mas quase um dever de ingerência quando há graves violações de direitos humanos. Gravíssimas violações de direitos humanos, como genocídios, não hão de merecer a indiferença internacional. Última Instância - Isso se junta também com um debate recente, que impera no Brasil, que é a questão da Lei da Anistia. A sra. tem defendido o argumento de que tortura é um crime contra a humanidade e que, por isso, é imprescritível. Por quê? Flávia Piovesan - A tortura, pela sua gravidade, aponta a uma perversidade, no prisma internacional. O Estado que garante direitos e passa a ser assassino e delinqüente, porque, no âmbito internacional, o crime de tortura é um crime próprio, que demanda que o sujeito ativo seja alguém ligado direta ou indiretamente ao Estado. Veja bem: no Estado Democrático de Direito, quem tem o monopólio da força é o Estado. Nós nos desarmamos e entregamos as armas ao Estado. Pagamos impostos, tributos. E esse mesmo Estado se vale dessas armas para nos torturar. Então, penso que é um crime de extrema gravidade, que viola a ordem internacional, que afronta a humanidade e, por isso, é um crime imprescritível, insuscetível de anistia. É a visão que tenho. Isso corroborado em convenções internacionais, no costume internacional, na jurisprudência internacional. E também entendo que o Brasil tem um débito. O que se chama de transitional justice [da justiça de transição]. A pergunta é: como é que saio de um regime autoritário e percorro esse ritual de passagem para uma ordem democrática? Trago o trabalho da Katherine Seeking, que aponta em uma pesquisa extremamente consistente, à luz de todo o Cone Sul, que os países que fizeram essa transição e que trabalharam com os mecanismos da transitional justice permitiram fortalecer o regime de direitos humanos, o Estado de Direito e o Regime Democrático. O que seria a justiça de transição? Envolveria, de um lado, o direito à verdade, o acesso aos arquivos em nome de um bem coletivo e de um bem individual. Permitiria o direito à justiça, que é investigar, processar e punir aqueles algozes daquele regime. Em uma notinha de rodapé, em duas semanas, a Justiça argentina condenou à prisão perpétua militares que torturaram. Sou contra a prisão perpétua, mas lá esse é o debate. Enquanto que aqui eles continuam sendo nome de praças, de ruas e assim por diante. Além do direito à verdade e à justiça, um terceiro aspecto seria o direito à reparação. Indenizações. Nisso o Brasil têm feito algo, com as comissões de anistia. E um quarto aspecto, que me parece bastante importante, é o das reformas institucionais, porque na ordem democrática herdamos instituições como Forças Armadas, Polícia Civil e Polícia Militar. Incólumes, como se nada houvesse se passado. Penso que reformas de instituições são fundamentais para uma solidez democrática. E aquele perigo que muitos assinalam: "Ah! Mexer com isso é mexer com o passado! Isso vai causar instabilidade, golpe etc". O que essa pesquisadora comprova, neste consistente estudo, é que não. Mostra o oposto, mostra que a população crê na lei, no Estado de Direito porque vê que a lei alcança não só os ordinários cidadãos comuns, mas as autoridades, que não são mais blindadas. Isso reforça a ética republicana. Também aquele que vai ingressar na instituição, por exemplo, Forças Armadas ou polícia, vai saber que torturar é algo do passado. No Brasil, temos ainda um continuísmo autoritário na ótica democrática. Por que a tortura persiste? Como diz o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, essa não é uma discussão que tem a ver só com pagar contas do passado, é uma discussão do presente e do futuro. Qual é o presente que queremos e o futuro que queremos? Para isso, temos que olhar para trás. Última Instância - E os críticos que dizem que essa visão é, em certo sentido, uma visão revanchista? Flávia Piovesan - Entendo que não haveria qualquer revanche, até porque boa parte daqueles que reagiram ao regime ditatorial foram torturados. De alguma maneira, foram sancionados de forma arbitrária no sistema. O que nós queremos? Revelar essa verdade. Isso permite um amadurecimento no que tange a construção da nossa identidade coletiva. Pelo menos os arquivos. E digo mais: se não fizermos, alguém o fará. Exemplo: a Justiça italiana, no final do ano passado, determinou a prisão de três militares brasileiros. Por terem participado ativamente da operação Condor, entregando três ítalo-argentinos à Argentina e lá eles desapareceram forçosamente. Já está aberto o caso no âmbito internacional com base na convenção contra a tortura. Uma outra saída é, ora, os crimes de desaparecimentos forçados são crimes continuados, permanentes, enquanto não houver informação precisa dos corpos, das circunstâncias desses crimes etc. Se não há a abertura dos arquivos, se há, pasme, uma lei, a 11.111/05, que cria a categoria dos documentos ultra-secretos, que podem permanecer em sigilo eterno, esses crimes se tornam crimes abertos, uma injustiça continuada e permanente. E, praticados que foram de forma geral e sistemática na ditadura, são crimes contra a humanidade, que são da competência material do Tribunal Penal Internacional. Então, é sustentável esta tese. De que os militares poderiam até responder perante o Tribunal Penal Internacional, caso nada seja feito. Última Instância - Por esta legislação, o que classifica o que é ultra-secreto? É o próprio Estado? Flávia Piovesan - É o próprio Estado. Em nome da soberania nacional. Última Instância - O Brasil tem cumprido os tratados internacionais de defesa dos Direitos Humanos dos quais é signatário? Flávia Piovesan - Creio que há hoje avanços, porque direitos humanos na ditadura era uma agenda contra o Estado e hoje temos a visão de que direitos humanos são elemento crucial, o ingrediente fundamental para a democracia do Estado de Direito. E temos uma pasta, temos um Ministério de Direitos Humanos. Então, passou a ser tema de política pública, o que é um avanço. Mas prosseguimos com as violações sistemáticas, somos o quarto país mais desigual e o quarto mais violento do planeta. Não por mera coincidência. Mas termino como comecei, com Hannah Arendt, quando ela lembra que é possível modificar, pacientemente, o deserto com as faculdades da paixão e do agir. E ela lembra que, se todos temos o mesmo destino, que é a morte, passemos a começar porque o ser humano é, ao mesmo tempo, o início e o iniciador. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100110/35164f8d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6452 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100110/35164f8d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 11 19:02:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 11 Jan 2010 19:02:40 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Lan=C3=A7amento_do_edital_do_Pr=C3=AAm?= =?utf-8?q?io_de_Pesquisa_Mem=C3=B3rias_Reveladas_-_no_Audit=C3=B3r?= =?utf-8?q?io_411_do_CCHLA_-_UFPB_-_CAMPUS_I=2C_ser=C3=A1_realizada?= =?utf-8?q?_a_primeira_sess=C3=A3o_do_ciclo_de_debates_=22Compartil?= =?utf-8?q?hando_Mem=C3=B3rias=3A?= Message-ID: CARTA O BERRO............................................................................repassem Universidade Federal da Paraíba - campus de João Pessoa Na próxima Quinta-Feira, dia 14/01/2010, às 19:00h, no Auditório 411 do CCHLA - UFPB - CAMPUS I, será realizada a primeira sessão do ciclo de debates "Compartilhando Memórias: As que não serão esquecidas", realização do Projeto Acervo e Memória da Repressão na Paraíba, sob a coordenação dos Profs. Giuseppe Tosi e Lúcia Guerra. Este projeto tem por objetivo organizar o acervo documental da extinta DOPS-PB, sob custódia do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, e promover debates sobre a Memória da Repressão na Paraíba. O projeto é vinculado ao Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos (NCDH/CCHLA/UFPB) e foi aprovado no Edital do Programa de Apoio à Extensão Universitária (PROEXT) do MEC/SESU. O ciclo de debates conta com o apoio do Pólo Multimidia/LDMI, que realizará a gravação das sessões. O evento contará com a participação do artista plástico Flávio Tavares e do jornalista Carlos Antônio Aranha. Ambos discorrerão sobre suas experiências enquanto fichados da DOPS-PB. Atenciosamente, Lúcia Guerra UFPB/PRAC/NCDH -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100111/e1c43861/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 11 19:02:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 11 Jan 2010 19:02:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__NOTA_P=DABLICA_-__Programa_Nacio?= =?iso-8859-1?q?nal_de_Direitos_Humano_=28PNDH_3=29__=C9_AVAN=C7O_N?= =?iso-8859-1?q?A_LUTA_POR_DIREITOS_HUMANOS?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. NOTA PÚBLICA PNDH 3 É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil manifesta publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao Programa Nacional de Direitos Humano (PNDH 3) e seu APOIO ao PNDH 3 lançado pelo governo federal no dia 21 de dezembro de 2009. O MNDH entende que o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3) dá um passo à frente no sentido de o Estado brasileiro assumir direitos humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos e resultou de amplo debate na sociedade e no governo. As reações ao PNDH estão cheias de motivações conservadoras e mostram que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa. É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de se constituir no que é básico para uma democracia moderna e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária são objetivos de nossa Carta Política. Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que desde há muito, ao menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, direitos humanos é muito mais do que direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o direito internacional dos direitos humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro, entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta ampliação, visto que o Programa Nacional de Direitos Humanos 2 (PNDH II, 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados e a primeira versão do PNDH (1996) foi criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige. Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente à sociedade. Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas há claro desconhecimento do que significa falar de direitos humanos. Talvez por isso é que entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3 e que poderia merecer mais especial atenção. O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008 foram realizadas 27 conferências estaduais que foram coroadas pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro. Durante o ano de 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente deste processo. Outros seis meses, desde julho, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião. Internamente no governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos Ministérios - inclusive o Ministério da Agricultura - é expressão inequívoca do debate e da construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja, que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação, nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. Aliás, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido é uma postura que ignora o processo realizado. É diferente dizer que se têm divergências em relação a um ou outro ponto do texto do que dizer que o texto não foi discutido ou que não esteve disponível para conhecimento público. O MNDH entende que as reações publicadas pela imprensa, vindas, em sua maioria de setores conservadores da sociedade, devem ser tomadas como expressão de que o PNDH 3 tocou em temas fundamentais e substantivos que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas e que se manifestam no racismo que discrimina negros, ciganos, indígenas e outros grupos sociais, no machismo que mantém a violência contra a mulher, no patriarcalismo que violenta crianças e adolescentes, no patrimonialismo que quer o Estado a serviço de interesses e setores privados, no revanchismo de setores militares que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo, na permanência da tortura mesmo que condenada pela lei, na impunidade que livra "colarinhos brancos" e condena "ladrões de margarina", no apego à propriedade privada sem que seja cumprida a exigência constitucional de cumpra a função social, na falta de abertura para a liberdade e a diversidade religiosa que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado, no elitismo que se traduz na persistência da desigualdade como uma das piores do mundo, enfim, na criminalização da juventude e da pobreza e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos. O MNDH também repudia a tentativa de politização eleitoral do PNDH 3. O Programa pretende ser uma política pública de Estado e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueístas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de efetivamente ser o centro dos compromisso de qualquer candidato e de qualquer governo. Assim, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reitera sua manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual disse que "cobra uma posição do governo brasileiro que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os compromissos internacionais com a promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o país avance para uma institucionalidade democrática que efetivamente reconheça e torne os direitos humanos conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras". Manifesta seu APOIO ao PNDH 3. Entende que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. REJEITA posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda que quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das brasileiras e dos brasileiros. O MNDH também manifesta seu apoio ao ministro Paulo Vannuchi e entende que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar que o PNDH 3 veio para valer. Entende também que se alguém tem que sair do governo são aqueles ministros - entre eles Jobim e Stephanes - ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está proposto no PNDH 3, inclusive contribuindo para enfraquecer a posição do governo e do presidente Lula que, corajosamente e sabedor do conteúdo, assinou o PNDH 3 e o lançou com tão amplo apoio e adesão de vários ministérios do governo federal, manifestação inequívoca de que o PNDH 3 tem apoio da maioria do governo e que não serão uns poucos ministros que o derrubarão. Em suma, como organização da sociedade civil, o MNDH está atento e envidará todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás. Brasília, 11 de janeiro de 2010. Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- CARTA O BERRO. ..........repassem. NOTA PÚBLICA PNDH 3 É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS O Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil manifesta publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao Programa Nacional de Direitos Humano (PNDH 3) e seu APOIO ao PNDH 3 lançado pelo governo federal no dia 21 de dezembro de 2009. O MNDH entende que o Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH 3) dá um passo à frente no sentido de o Estado brasileiro assumir direitos humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos e resultou de amplo debate na sociedade e no governo. As reações ao PNDH estão cheias de motivações conservadoras e mostram que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa. É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de se constituir no que é básico para uma democracia moderna e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária são objetivos de nossa Carta Política. Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que desde há muito, ao menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, direitos humanos é muito mais do que direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o direito internacional dos direitos humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro, entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta ampliação, visto que o Programa Nacional de Direitos Humanos 2 (PNDH II, 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados e a primeira versão do PNDH (1996) foi criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige. Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente à sociedade. Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas há claro desconhecimento do que significa falar de direitos humanos. Talvez por isso é que entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3 e que poderia merecer mais especial atenção. O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008 foram realizadas 27 conferências estaduais que foram coroadas pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro. Durante o ano de 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente deste processo. Outros seis meses, desde julho, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião. Internamente no governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos Ministérios - inclusive o Ministério da Agricultura - é expressão inequívoca do debate e da construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja, que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação, nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. Aliás, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido é uma postura que ignora o processo realizado. É diferente dizer que se têm divergências em relação a um ou outro ponto do texto do que dizer que o texto não foi discutido ou que não esteve disponível para conhecimento público. O MNDH entende que as reações publicadas pela imprensa, vindas, em sua maioria de setores conservadores da sociedade, devem ser tomadas como expressão de que o PNDH 3 tocou em temas fundamentais e substantivos que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas e que se manifestam no racismo que discrimina negros, ciganos, indígenas e outros grupos sociais, no machismo que mantém a violência contra a mulher, no patriarcalismo que violenta crianças e adolescentes, no patrimonialismo que quer o Estado a serviço de interesses e setores privados, no revanchismo de setores militares que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo, na permanência da tortura mesmo que condenada pela lei, na impunidade que livra "colarinhos brancos" e condena "ladrões de margarina", no apego à propriedade privada sem que seja cumprida a exigência constitucional de cumpra a função social, na falta de abertura para a liberdade e a diversidade religiosa que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado, no elitismo que se traduz na persistência da desigualdade como uma das piores do mundo, enfim, na criminalização da juventude e da pobreza e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos. O MNDH também repudia a tentativa de politização eleitoral do PNDH 3. O Programa pretende ser uma política pública de Estado e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueístas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de efetivamente ser o centro dos compromisso de qualquer candidato e de qualquer governo. Assim, o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reitera sua manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual disse que "cobra uma posição do governo brasileiro que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os compromissos internacionais com a promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o país avance para uma institucionalidade democrática que efetivamente reconheça e torne os direitos humanos conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras". Manifesta seu APOIO ao PNDH 3. Entende que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. REJEITA posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda que quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das brasileiras e dos brasileiros. O MNDH também manifesta seu apoio ao ministro Paulo Vannuchi e entende que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar que o PNDH 3 veio para valer. Entende também que se alguém tem que sair do governo são aqueles ministros - entre eles Jobim e Stephanes - ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está proposto no PNDH 3, inclusive contribuindo para enfraquecer a posição do governo e do presidente Lula que, corajosamente e sabedor do conteúdo, assinou o PNDH 3 e o lançou com tão amplo apoio e adesão de vários ministérios do governo federal, manifestação inequívoca de que o PNDH 3 tem apoio da maioria do governo e que não serão uns poucos ministros que o derrubarão. Em suma, como organização da sociedade civil, o MNDH está atento e envidará todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás. Brasília, 11 de janeiro de 2010. Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.134/2614 - Data de Lançamento: 01/11/10 13:29:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100111/eb8b1578/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 12 17:57:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 12 Jan 2010 17:57:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_PA=C7OQUINHA_DA_DONA_MARIA___po?= =?iso-8859-1?q?r___Jos=E9_Ribamar_Bessa_Freire________________=28p?= =?iso-8859-1?q?ara__voc=EA__ler__e__entender_que_n=E3o_vamos_esque?= =?iso-8859-1?q?cer_a_Verdade=29?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. "Um país que tem medo de sua história, não pode ser considerado um país sério". ( presidente nacional da OAB, Cezar Britto) Recebemos do companheiro José Ribamar Bessa Freire, esse belo e triste texto, que merece toda a nossa reflexão, do que estamos vivendo até hoje. Vanderley Caixe A PAÇOQUINHA DA DONA MARIA José Ribamar Bessa Freire 10/01/2010 - Diário do Amazonas Se fores jovem, leitor (a), grava no bronze da tua memória este nome: Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto. Desafia, dessa forma, o ministro da Defesa Nelson Jobim e os comandantes militares, que não querem o funcionamento da Comissão da Verdade prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos. Diz pra eles que a gente quer saber, entre outras coisas, o que aconteceu com o único amazonense incluído na lista oficial dos desaparecidos na ditadura militar. - Eles tiraram duas vidas: a minha e a do meu filho. Eu não vivo mais. Hoje só estou vegetando. Eu não esqueço do meu filho nem um minuto. Meu filho era muito inteligente. Era educado. Um príncipe. Todos gostavam dele. Não quero indenização. O que quero é a verdade, nada mais, só quero saber onde está o meu filho - disse dona Maria Meirelles, em entrevista a Jocilene Chagas, em 1995. Cadê o Thomazinho? Nascido em 1º de julho de 1937, em Parintins (AM), ele, já órfão de pai, mudou para Manaus, em 1950, onde estudou no Colégio Estadual do Amazonas. Viajou em 1958 para o Rio de Janeiro, e ali se destacou no movimento estudantil. Eleito secretário geral da UBES - União de Estudantes Secundaristas, em 1961, atuou no Centro Popular de Cultura (CPC) da UNE. Em 1963, ganhou bolsa de estudos para estudar na Universidade Lomonosov, em Moscou. Lá, encontrou uma menina de Manaus, do bairro de Aparecida, Miriam Marreiro, que estudava Direito na Universidade Patrice Lumumba. Com ela teve dois filhos: Larissa, nascida na Rússia, em 1963, e Togo, em 1967, no Brasil, para onde o casal voltou. O pai sequer acalentou o filho nos braços, pois foi logo preso e torturado. Larissa, que falava russo, ficou escondida na casa do ator Carlos Vereza, que conta: - Uma vez fui à padaria comprar pão e ela começou a pedir doce em russo. Fiquei apavorado porque estávamos no auge da ditadura, e comecei a fingir que era pesquisa de som o que ela estava fazendo... ". Uma dor Thomaz, libertado em 1973, entrou na clandestinidade. Foi aí que dona Maria viajou ao Rio. Queria ver o filho, fazer-lhe carinho, aliviar-lhe a dor. Acontece que, perseguido pela polícia, ele estava sempre mudando de esconderijo. O encontro aconteceu tarde da noite, num "ponto" de Copacabana, em fevereiro de 1973: - Meu filho estava bastante machucado. Tinha muitas marcas no corpo. A gente cria um filho com tanto carinho para que sofra tanto. Ele deitou, colocou a cabeça no meu colo. Conversamos sobre as coisas de Parintins. Ele gostava de paçoca. Até uma paçoquinha levei para ele, feita por mim, no pilão. Essa foi a última vez que dona Maria viu o filho. Alguns meses depois, em julho, a policia invadiu a casa de Miriam, levando-a para o DOI-CODI na Rua Barão de Mesquita, onde durante dois meses foi submetida à tortura. Quebraram-lhe a boca, os dentes e as pernas. Saiu da prisão amparada por um par de muletas. Mas não disse onde Thomaz estava. Thomazinho, então dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), continuou clandestino, até que caiu preso no dia 7 de maio de 1974, e nunca mais foi visto. O Arquivo do DOPS/SP guarda um documento que registra a data da prisão, efetuada "quando viajava do Rio para São Paulo", o que foi confirmado por Relatório do Ministério da Marinha. Anos depois, o 'Correio da Manhã' (03/08/79) noticiou que Thomaz estava numa lista de 14 mortos. Mas somente em 1995, a Lei 9.140/95 o considerou oficialmente desaparecido. Seu corpo até hoje não foi localizado. Os criminosos que torturaram e mataram presos políticos - como Thomaz Meirelles - permanecem impunes, protegidos por uma cortina de silêncio. Mas a discussão acaba de ser reaberta, com o decreto assinado pelo presidente Lula, no último 21 de dezembro, instituindo a terceira etapa do Programa Nacional de Direitos Humanos, que prevê a criação até abril de 2010 da Comissão Nacional da Verdade, encarregada de investigar torturas durante a ditadura militar, o que já deu certo em outros países. Uma flor O Lula assinou o decreto? Ah, Margarida, pra quê? O ministro da Defesa, Nelson Jobim, fantasiado com aquele uniforme verde-oliva de combate com o qual aparece nos telejornais e, apoiando os comandantes militares, decidiu peitar o Lula. Se fosse há 40 anos, dariam um golpe. Agora, ameaçam pedir demissão. Acham impertinência e revanchismo a gente perguntar o que aconteceu com o Thomazinho e exigir que seus torturadores sejam processados. Outro "general" disfarçado de verde, Alfredo Sirkis, vereador do PV do Rio de Janeiro, concordou com Jobim e com os militares. Parece que a senadora Marina Silva está muito mal acompanhada. A Comissão da Verdade - escreve Sirkis - pode "reviver uma guerra que terminou há 30 anos, criar um elemento de discórdia na relação com as Forças Armadas, trazendo polarizações do passado para complicarem o presente". Será? Ou seja, o país não deve discutir seu passado para "não complicar o presente". Alegam que a Lei de Anistia, de 1979, perdoou todos os crimes políticos, inclusive os cometidos por torturadores. Colocam ambos no mesmo saco. De um lado, os torturados, presos, condenados, perseguidos, mortos, que combatiam um governo militar, ilegítimo, cujos componentes ocuparam o poder à força, rasgando a Constituição e depondo o presidente eleito pelo voto popular. De outro, os torturadores, que sem nada sofrer e pagos pelo Estado tomado de assalto, cometeram crimes imprescritíveis contra a Humanidade. Querem que a gente finja que não houve nada, que os assassinos de Thomaz já foram perdoados. Mas, perdoar a quem, se estão protegidos pelo sigilo da documentação? Dona Maria não sabe a quem perdoar. Os arquivos dos três centros de informações militares - CIE, CENIMAR e CISA - até hoje uma 'caixa preta', não foram recolhidos ao Arquivo Nacional, como manda a lei. Como anistiar quem nunca foi condenado, sequer identificado? - Não é possível construir uma nação, se não formos capaz de perdoar - escreveu em 1882 o pensador francês Ernest Renan. É verdade. Mas perdoar não é apagar a memória. Ao contrário, só pode haver perdão, se houver a consciência da ofensa. Nessa disputa pela atualização da memória, grava, leitor (a), no teu bronze, o nome de Thomaz Meirelles. Compartilha a dor de suas mulheres: Maria, Miriam, suas irmãs Lea, Leny, Leda e Lygia, a filha Larissa, além de Togo. É uma forma de resistir, de dizer que não vamos esquecer a paçoquinha da dona Maria, que morreu há dois anos, sem saber onde colocar uma flor ou acender uma vela para o filho. Quando a Comissão da Verdade localizar o túmulo, nós faremos isso por ela. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100112/da20f8be/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 117361 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100112/da20f8be/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 12 17:57:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 12 Jan 2010 17:57:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Quem tem medo da verdade? por Hildegard Angel Message-ID: <5D29DDCA32D045D1AC57C0E970D0F7BC@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. "Um país que tem medo de sua história, não pode ser considerado um país sério". ( presidente nacional da OAB, Cezar Britto) Quem tem medo da verdade? por Hildegard Angel, no Jornal do Brasil, viaConversa Afiada e no vi o mundo CHEGA UMA hora em que não aguento, tenho que falar. Já que quem deveria falar não fala, ou porque se cansou do combate ou porque acomodou-se em seus novos empregos... POIS BEM: é impressionante o tiroteio de emails de gente da direita truculenta, aqueles que se pensava haviam arquivado os coturnos, que despertam como se fossem zumbis ressuscitados e vêm assombrar nosso cotidiano com elogios à ação sanguinária dos ditadores, os quais torturaram e mataram nos mais sórdidos porões deste país, com instrumentos de tortura terríveis, barbaridades medievais, e trucidaram nossos jovens idealistas, na grande maioria universitários da classe média, que se viram impedidos, pelos algozes, de prosseguir seus estudos nas escolas, onde a liberdade de pensamento não era permitida, que dirá a de expressão!... E AGORA, com o fato distante, essas múmias do passado tentam distorcer os cenários e os personagens daquela época, repetindo a mesma ladainha de demonização dos jovens de esquerda, classificando-os de "terroristas", quando na verdade eram eles que aterrorizavam, torturavam, detinham o canhão, o poder, e podiam nos calar, proibir, censurar, matar, esquartejar e jogar nossos corpos, de nossos filhos, pais, irmãos, no mar... E MENTIAM, mentiam, mentiam, não revelando às mães sofredoras o paradeiro de seus filhos ou ao menos de seus corpos. Que história triste! Eles podiam tudo, e quem quisesse reclamar que fosse se queixar ao bispo... ELES TINHAM para eles as melhores diretorias, nas empresas públicas e privadas, eram praticamente uma imposição ao empresariado - coitado de quem não contratasse um apadrinhado - e data daquela época esse comportamento distorcido e desonesto, de desvios e privilégios, que levou nosso país ao grau de corrupção que, só agora, com liberdade da imprensa, para denunciar, da Polícia Federal, para apurar, do MP, para agir, nos é revelado... DE MODO cínico, querem comparar a luta democrática com a repressão, em que liberdade era nenhuma, e tentam impedir a instalação da Comissão da Verdade e Justiça, com a conivência dos aliados de sempre... QUEREM COMPARAR aqueles que perderam tudo - os entes que mais amavam, a saúde, os empregos, a liberdade e, alguns, até o país - com aqueles que massacraram e jamais responderam por isso. Um país com impunidade gera impunidade. A história estará sempre fadada a se repetir, num país permissivo, que não exerce sua indignação, não separa o trigo do joio... TODOS OS países no mundo onde houve ditadura constituíram comissões da Verdade e Justiça. De Portugal à Espanha, passando por Chile, Grécia, Uruguai, Bolívia e Argentina, que agora abre seus arquivos daqueles tempos, o que a gente, aqui, até hoje não conseguiu fazer... QUE MEDO é esse de se revelar a Verdade? Medo de não poderem mais olhar para seus próprios filhos? Ou medo de não poderem mais se olhar no espelho?... -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.136/2616 - Data de Lançamento: 01/12/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100112/8924a9c5/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 13 19:52:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 13 Jan 2010 19:52:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_COMPLETE_SEU_=C1LBUM___=28coleg?= =?windows-1252?q?as_do_Boris_Casoy_no_CCC=29?= Message-ID: <89F194E3FE9E404DAC2894BA34CA0483@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Le gauchetopathe COMPLETE SEU ÁLBUM - NOVAS FIGURINHAS DO COMANDO DO TERROR Cassio Scatena, ?conhecido por Blanco?. Segundo a reportagem de O Cruzeiro, foi um dos ?quatro alunos ou ex -alunos de Direito do Largo São Francisco que tomaram parte no massacre aos artistas de Roda Viva?. Há registros de que, no dia 11 de outubro de 1978, um certo ?industrial? e advogado Cássio Scatena, ex-CCC , assassinou o operário Nélson Pereira de Jesus, na porta da Metalúrgica Alfa, em São Paulo, por reclamação salarial. Pode ser encontrado na FIUTCAB - Confederação Nacional de Integração e União das Tradições da Cultura e Culto Afro Brasileiro (sic), entidade da qual é diretor jurídico, e onde é tratado como ?Olòóssoiyn Dr Cassio Scatena?. . Lionel Zaclis reside na rua Zèquinha de Abreu. É violento também, mas seus colegas o têm como covarde, porque atua apenas em grupo e se recusa a qualquer missão para executá-la sòzinho. Estêve no ataque à USP. Advogado, é também articulista colaborador da Folha de S.Paulo. Recentemente, ganhou generosos espaços na mídia bandidadefendendo a tese de que ?à luz da Constituição, não houve golpe em Honduras?. . Sílvio Salvo Venosa mora na Rua Cristiano Viana. Não esquece a arma em casa e gosta de atirar até por motivos gratuitos no meio da rua. Pratica tiro ao alvo em anúncios luminosos. Todos são unânimes numa coisa: Sílvio é muito inteligente. Estêve no ataque ao espetáculo de Chico Buarque de Holanda. Integrante da Academia Paulista de Magistrados, aposentou-se como membro do Primeiro Tribunal de Alçada Civil, em São Paulo. Autor de vários livros sobre Direito Civil. . Henri Penchas estuda engenharia e destacou-se por sua agressividade no ataque à Roda Viva. Na operação contra a USP sua atuação não foi das mais apagadas. Atualmente, é membro do Conselho de Administração do Banco Itaú. . Paulo Roberto Chaves de Lara reside na Rua Peixoto Gomede, num apartamento. É violento, julga-se também com veia poética e gosta de aparecer como orador. Estêve no ataque à Roda Viva. Advogado (OAB-SP 52348), recentemente, integrou a Chapa Fala Pinheiros, do Movimen -------------------------------------------------------------------------------- ----- Original Message ----- From: beatrice elo E Mais...... janeiro de 2010 Cloaca News COLEGA DE BORIS CASOY EM BANDO TERRORISTA O advogado dois-correguense José Roberto Batochio, de 65 anos, é apontado em reportagem da finada revista O Cruzeiro, publicada em 1968, como um dos que participaram de um ataque ao campus da Universidade de São Paulo naquele mesmo ano, como integrante do grupo neonazista autodenominado CCC - Comando de Caça aos Comunistas, mesma organização a que, supostamente, pertencia o jornalista Boris Casoy, atual âncora da Rede Bandalha de TV. Atualmente, Batochio é membro honorário e vitalício da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, tendo sido presidente do Conselho Federal da entidade entre 1993 e 1995. Em 1998, o chicaneiro elegeu-se deputado federal, pelo PDT. Em 1995, por discordar das opiniões do jornalista Luis Nassif a respeito do novo Estatuto do Advogado, José Roberto Batochio ingressou com nada menos que 21 ações judiciais, em 7 cidades, invocando a Lei de Imprensa. O caso - e seu desfecho - foi narrado assim por Nassif, no dia 9 de setembro de 2009, em seu blog: Em fevereiro do ano que passou, o suposto ex-membro do CCC foi homenageado pela OAB paulista, por iniciativa de seu presidente Luiz Flávio Borges D´Urso, aquele mesmo que liderou o "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros", patetada da direita mais conhecida como "Cansei". . -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100113/173d1ec6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 31936 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100113/173d1ec6/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 13 19:52:09 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 13 Jan 2010 19:52:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_-_TV_pela_internet__-__Um?= =?iso-8859-1?q?a_conversa_sobre_o_Programa_de_Direitos_Humanos_com?= =?iso-8859-1?q?_o_ativista_e_jornalista__AL=CDPIO_FREIRE_-_sexta-f?= =?iso-8859-1?q?eira=2C_dia_15/01/2010?= Message-ID: Carta O Berro.......................................................................................repassem ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA Rua Maria Paula, 36 - 11º andar - conj. 11-B - tel./ FAX (11) 3105-3611 - tel. (11) 3242-8018 CEP 01319-904 - São Paulo-SP - Brasil www.ajd.org.br - juizes at ajd.org.br A ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA CONVIDA VOCÊ TV JUSTIÇA E DEMOCRACIA Uma conversa sobre o Programa de Direitos Humanos com o ativista e jornalista ALÍPIO FREIRE SEXTA-FEIRA, DIA 15/01/2010, DAS 11:00 ÀS 12:00 HORAS ACESSE a TV pela internet em http://www.alltv.com.br -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100113/85eddd64/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2077 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100113/85eddd64/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 14 18:37:20 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 14 Jan 2010 18:37:20 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Manifesto_em_Defesa_do_PNDH-3_-?= =?windows-1252?q?__assine_a_peti=E7=E3o__e__divulgue?= Message-ID: Carta O Berro.............................................................................................repassem Como organizações da sociedade civil, o MNDH e nós, que vivemos e militamos em São Paulo, estamos atentos e envidaremos todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás. (clique) Faça a sua adesão em http://www.petitiononline.com/pndh31/petition.html III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3) É AVANÇO NA LUTA POR DIREITOS HUMANOS EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DOS DIREITOS HUMANOS E DA VERDADE As entidades e militantes dos Direitos Humanos e da Democracia de São Paulo-SP juntam-se ao Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), rede que reúne cerca de 400 organizações de direitos humanos de todo o Brasil, para manifestar publicamente seu REPÚDIO às muitas inverdades e posições contrárias ao III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), e seu APOIO INTEGRAL a este Programa lançado pelo Governo Federal no dia 21 de dezembro de 2009. Como o MNDH, entendemos que o PNDH 3, aprovado durante a 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos (2008), é um importante passo no sentido de o Estado brasileiro assumir a bandeira dos Direitos Humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade como política pública; expressa avanços na efetivação dos compromissos constitucionais e internacionais com direitos humanos; e resultou de amplo debate na sociedade e no Governo. Por isto, nenhuma instância do Governo Federal pode alegar ter conhecido esse Programa somente depois do ato do seu lançamento público no dia 21 de dezembro e, menos ainda, afirmar que o assinou sem haver lido, sob pena de mentir no primeiro caso e, no segundo, de acrescentar à mentira um atestado de irresponsabilidade. As reações contra o PNDH 3 estão cheias de conhecidas motivações conservadoras, além de outras que, pela sua própria natureza, são inconfessáveis em público pelos seus defensores. Estas resistências, claramente explicitadas ou não ao PNDH 3, provam que vários setores da sociedade brasileira ainda se recusam a tomar os direitos humanos como compromissos efetivos tanto do Estado, quanto da sociedade e de cada pessoa. É falso o antagonismo que se tenta propor ao dizer que o Programa atenta contra direitos fundamentais, visto que o que propõe tem guarida constitucional, além de assentar seus alicerces no que é básico para uma democracia, e que quer a vida como um valor social e político para todas as pessoas, até porque, a dignidade da pessoa humana é um dos princípios fundamentais de nossa Constituição e a promoção de uma sociedade livre, justa e solidária é o objetivo de nossa Carta Política. Há setores que estranham que o Programa seja tão abrangente, trate de temas tão diversos. Ignoram que, desde há muito, pelo menos desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, direitos humanos são muito mais do que direitos civis e políticos. Vários Tratados, Pactos e Convenções internacionais articulam o que é hoje conhecido como o Direito Internacional dos Direitos Humanos, que protege direitos de várias dimensões: civis, políticos, econômicos, sociais, culturais, ambientais, de solidariedade, dos povos, entre outras. Desconhecem também que o Brasil, por ter ratificado a maior parte destes instrumentos, é obrigado a cumpri-los, inclusive por força constitucional, e que está sob avaliação dos organismos internacionais da ONU e da OEA que, por reiteradas vezes, através de seus órgãos especializados, emitem recomendações para o Estado brasileiro - entre as quais, as mais recentes são de maio de 2009 e foram emitidas pelo Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU. Aliás, não é novidade esta ampliação, visto que o II Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 2, de 2002) já previa inclusive vários dos temas que agora são reeditados, e a primeira versão do PNDH (1996) fora criticada e revisada exatamente por não contemplar a amplitude e complexidade que o tema dos direitos humanos exige. Por isso, além de conhecimento, um pouco de memória histórica é necessária a quem pretende informar de forma consistente a sociedade. Em várias das manifestações e inclusive das abordagens publicadas, há claro desconhecimento (além dos que apenas fingem desconhecer) do que significa falar de direitos humanos. Talvez seja por isso que, entre as recomendações dos organismos internacionais está a necessidade de o Brasil investir em programas de educação em direitos humanos, para que o conhecimento sobre eles seja ampliado pelos vários agentes sociais. Um dos temas que é abordado no PNDH 3, e que poderia merecer mais atenção dos críticos e demais cidadãos. O PNDH 3 resulta de amplo debate na sociedade brasileira e no Governo. Fatos atestam isso! Durante o ano de 2008, foram realizadas 27 conferências estaduais que constituíram amplo processo coletivo e democrático, coroado pela realização da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos, em dezembro daquele ano. Durante 2009, um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) procurou traduzir as propostas aprovadas pela Conferência no texto do PNDH 3. O MNDH e suas entidades filiadas, além de outras centenas de organizações, participaram ativamente de todo o processo. Há outros seis meses, desde julho do ano passado, o texto preliminar está disponível na internet para consulta e opinião. Internamente no Governo, o fato de ter sido assinado pela maioria dos Ministérios ? inclusive o Ministério da Agricultura ? é expressão inequívoca da amplitude do debate e da participação coletiva que presidiu sua construção. É claro que, salvas as consultas, o texto publicado expressa a posição que foi pactuada pelo Governo. Nem tudo o que está no PNDH 3 é o que as exigências mais avançadas da agenda popular de luta por direitos humanos esperam. Contém, sim, propostas polêmicas e, em alguns casos, não bem formuladas. Todavia, considerando que é um documento programático, ou seja, que expressa a vontade de realizar ações em várias dimensões, tem força de orientação da atuação nos limites constitucionais e da lei, mesmo quando propõe a necessidade de revisão ou de alterações de algumas legislações. A título de esclarecimento, é prerrogativa da sociedade e do poder público propor ações e modificações, tanto de ordem programática quanto legal. Por isso, não deveria ser estranho que contenha propostas de modificação de algumas legislações. Assim que, alegar desconhecimento do texto ou mesmo que não foi discutido, é uma postura que ignora ou finge ignorar o processo realizado. É diferente dizer que se tem divergências em relação a um ou outro ponto do texto, de se dizer que o texto não foi discutido, ou que não esteve disponível para conhecimento público. Juntamente o ao MNDH, ainda que explicitando alguns outros detalhes que envolvem a integralidade do PNDH 3, nós, organizações, movimentos e militantes de São Paulo, entendemos que as reações veiculadas pela grande mídia comercial, com origem, em sua maioria, nos mesmos setores conservadores de sempre, devem ser tomadas como expressão de que o Programa tocou em temas fundamentais e substantivos, que fazem com que caia a máscara anti-democrática destes setores. Estas posições põem em evidência para toda a sociedade as posturas refratárias aos direitos humanos, ainda lamentavelmente tão disseminadas, e que se manifestam no patrimonialismo ? que quer o Estado exclusivamente a serviço de interesses dos setores privados; no apego à propriedade privada ? sem que seja cumprida a exigência constitucional de que ela cumpra sua função social; no revanchismo de setores civis e militares ? que insistem em ocultar a verdade sobre o período da ditadura militar e em inviabilizar a memória como bem público e direito individual e coletivo; na permanência da tortura ? mesmo que condenada pela lei; na impunidade ? que livra ?colarinhos brancos? e condena ?ladrões de margarina?; no patriarcalismo ? que violenta crianças e adolescentes, e serve de alicerce para o machismo ? que mantém a violência contra a mulher e sua submissão a uma ordem que lhes subtrai o direito de decisão sobre seu próprio corpo (como o direito ao aborto), lhes impõe salários sempre menores que os dos homens, ou a situações de violência em sua própria casa; no racismo ? que discrimina negros, indígenas, ciganos e outros grupos sociais; nas discriminações contra outras orientações sexuais que não sejam apenas a heterossexualidade (considerada o único padrão de ?normalidade? em termos sexuais) ? estigmatizando a homossexualidade (masculina ou feminina), a bissexualidade, os travestis ou transexuais, e todas as demais manifestações de homoafetividade ? o que impede o reconhecimento dos casamentos, ligações e constituição de famílias fora das ?normas? (atualizadas ou não) do velho patriarcado supostamente sempre heterossexual, monogâmico e monândrico; na falta de abertura para a liberdade e diversidade religiosa ? que impede o cumprimento do preceito constitucional da laicidade do Estado; no elitismo ? que se traduz na persistência da desigualdade em nosso País como uma das piores do mundo e, enfim, na criminalização da juventude e da pobreza, e na desmoralização e criminalização de movimentos sociais e de defensores de direitos humanos. Como o MNDH, repudiamos também a tentativa de partidarização e eleitoralização do PNDH 3. O Programa pretende ser uma política pública (e pelo público foi gerado) de Estado, e não de candidato; não pertence a um partido, mas à sociedade brasileira e, portanto, não cabe torná-lo instrumento de posicionamentos maniqueistas. Não faz qualquer sentido pretender que o PNDH 3 tenha pretensões eleitorais ou mesmo que pretenda orientar o próximo Governo. Quem dera que direitos humanos tivessem chegado a tamanha importância política e fossem capazes de, efetivamente, ser o centro dos compromissos de qualquer candidato e de qualquer Governo. Mas compromisso para valer, e não apenas um amontoado de frases demagogicamente esgrimidas nos palanques eleitorais. Assim, nós ? de São Paulo, do mesmo modo que o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), reiteramos a manifestação, publicada em nota no último 31/12/2009, na qual se afirma que cobramos ?uma posição do Governo brasileiro, que seja coerente com os compromissos constitucionais e com os compromissos internacionais de promoção e proteção dos direitos humanos. O momento é decisivo para que o País avance em direção de uma institucionalidade democrática mais profunda, que reconheça e torne os direitos humanos, de fato, conteúdo substantivo da vida cotidiana de cada um/a dos/as brasileiros e brasileiras?. Manifestamos nosso APOIO INTEGRAL ao PNDH 3, pois entendemos que o debate democrático é sempre o melhor remédio para que a sociedade possa produzir posicionamentos que sejam sempre mais coerentes e consistentes com os direitos humanos. Ao mesmo tempo, REJEITAMOS posições e atitudes oportunistas que, desde seu descompromisso histórico com os direitos humanos, tentam inviabilizar avanços concretos na agenda, que. quer a realização dos direitos humanos na vida de todas e de cada uma das brasileiras e dos brasileiros. Juntamente com o MNDH, também manifestamos nosso apoio integral ao ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e entendemos que sua permanência à frente da SEDH neste momento só contribui para reforçar o entendimento de que o PNDH 3 veio para valer. Entendemos ainda que, se alguém tem que sair do Governo, são aqueles ministros ? entre os quais o da Defesa, senhor Jobim, e o da Agricultura, senhor Stephanes Agricultura) ? ou quaisquer outros prepostos que, de forma oportunista e anti-democrática, vêm contribuindo para gerar as reações negativas e conservadoras ao que está proposto no PNDH 3. Em suma, como organizações da sociedade civil, o MNDH e nós, que vivemos e militamos em São Paulo, estamos atentos e envidaremos todos os esforços para que as conquistas democráticas avancem sem qualquer passo atrás. São Paulo, 14 de janeiro de 2010. Movimentos, Organizações e Militantes pelos Direitos Humanos de São Paulo LISTA DE ENTIDADES QUE SUBSCREVEM ESTA NOTA PÚBLICA AÇÃO SOLIDÁRIA MADRE CRISTINA AETD - ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA TECER DIREITOS ABGLBT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GAYS, LÉSBICAS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS AJD - ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA ANAPI ? ASSOCIAÇÃO DOS ANISTIADOS POLÍTICOS APOSENTADOS PENSIONISTAS E IDOSOS NO ESTADO DE SÃO PAULO ASSOCIAÇÃO DE FAVELAS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS ASSOCIAÇÃO DE MULHERES DA ZONA LESTE ASSOCIAÇÃO ESPÍRITA LUZ E VERDADE ASSOCIAÇÃO UMBANDISTA E ESPIRITUALISTA DO ESTADO DE SP ATELIÊ DE MULHER CASA DA VIDA, DO AMOR E DA JUSTIÇA CENTRO ACADÊMICO ?22 DE AGOSTO' ? DIREITO PUC-SP CENARAB ? CENTRO NACIONAL DE AFRICANIDADE E RESISTÊNCIA AFRO BRASILEIRA CCML - CENTRO CULTURAL MANOEL LISBOA CIM ? CENTRO DE INFORMAÇÃO DA MULHER CINEMULHER COLETIVO DE FEMINISTAS LÉSBICAS COMISSÃO DE FAMILIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS. CONGRESSO NACIONAL AFRO BRASILEIRO CSD-DH - CENTRO SANTO DIAS CUT ? CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES FRENTE NACIONAL PELO FIM DA CRIMINALIZAÇÃO DA MULHER E PELA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO FÓRUM DOS EX-PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO FLO - FRIENDS OF LIFE ORGANIZATION GTNM-SP GRUPO TORTURA NUNCA MAIS ? SÃO PAULO ICIB - INSTITUTO CULTURAL ISRAELITA BRASILEIRO - SÃO PAULO/SP ILÊ ASÉ ORISÁ OSUN DEWI ILÊ ASE OJU OMI IYA OGUNTE ? SP ILÊ IYALASE IYALODE OSUN APARA OROMILADE ? PRAIA GRANDE INSTITUTO LUIZ GAMA INSTITUTO OROMILADE - INSTITUTO DE PESQUISAS COMUNITÁRIAS, AÇÕES SOLIDÁRIAS E ESTUDOS DE PROBLEMAS ÉTICOS E SOCIAIS INTERCAMBIO INFORMAÇÕES ESTUDOS E PESQUISA INTERVOZES - COLETIVO BRASIL DE COMUNICAÇÃO SOCIAL LBL - LIGA BRASILEIRA DE LÉSBICAS LS-21 LIGA SOCIALISTA 21 MÃES DE MAIO MAL-AMADAS CIA DE TEATRO FEMINISTA MMM - MARCHA MUNDIAL DE MULHERES MNP.RUA ? MOVIMENTO NACIONAL DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA MST - MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA MOVIMENTO BRASIL AFIRMATIVO NEV/USP-CEPID - NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO NÚCLEO DE MEMÓRIA POLÍTICA NÚCLEO CABOCLO FLECHA DOURADA NÚCLEO PENA BRANCA E PAI XANGÔ NÚCLEO UMBANDISTA CASA DA FÉ NÚCLEO DE UMBANDA SAGRADA DIVINA LUZ DO ORIENTE NÚCLEO DE ORAÇÃO UNIÃO E FÉ NÚCLEO CAMINHOS DA VIDA NÚCLEO DE UMBANDA MAMÃE OXUM NÚCLEO SAGRADA FLECHA DOURADA NÚCLEO YEMANJÁ E SÃO BENEDITO NÚCLEO OFICINA DA VIDA NÚCLEO CASA DE OXUM NÚCLEO GENTIL DA GUINÉ NÚCLEO OTOCUNARÉ OBSERVATÓRIO CLÍNICA OBSERVATÓRIO-SP ? OBSERVATÓRIO DAS VIOLÊNCIA POLICIAIS-SP OUSAS ? ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PRIMADO DO BRASIL - ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA DE UMBANDA E CANDOMBLÉ DO BRASIL PROJETO MEMÓRIA DA OPOSIÇÃO SINDICAL METALÚRGICA PROMOTORES LEGAIS E POPULARES REDE FEMINISTA DE SAÚDE, DIREITOS SEXUAIS E DIREITOS REPRODUTIVOS SECRETARIA MUNICIPAL DE MULHERES DO PARTIDO DOS TRABALHADORES SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO SINDICATO DOS QUÍMICOS DO ESTADO DE SÃO PAULO SOF - SEMPREVIVA ORGANIZAÇÃO FEMINISTA TEMPLO DE UMBANDA ANJO DIVINO SALVADOR TEMPLO DE UMBANDA PAI JOAQUIM TEMPLO FORÇA DIVINA TENDA DE CARIDADE PAI OXALÁ TENDA DE UMBANDA CAMINHOS DE OXALÁ TENDA DE UMBANDA CABOCLO PEDRA VERDE TUPà OCA DO CABOCLO ARRANCA TOCO UBES - UNIÃO BRASILEIRA DE ESTUDANTES SECUNDARISTAS UMSP ? UNIÃO DE MULHERES DE SÃO PAULO UNE ? UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES UJR - UNIÃO DA JUVENTUDE REBELIÃO UPES ? UNIÃO PAULISTA DOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100114/8529f253/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100114/8529f253/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 14 18:37:31 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 14 Jan 2010 18:37:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_DIA_15_DE_JANEIRO=2C_SEXTA-FEIRA_?= =?iso-8859-1?q?PARTICIPE_DA_PROGRAMA=C7=C3O_EM_HOMENAGEM_AOS_=27CO?= =?iso-8859-1?q?MBATENTES_TOMBADOS_=27DURANTE_A_DITADURA_INICIADA_C?= =?iso-8859-1?q?OM_O_GOLPE_MILITAR_DE_1964=2E?= Message-ID: <881BC1574A514B80AC1EF3BD01A8E8D0@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................repassem Grupo Tortura Nunca Mais-RJ Convite DIA 15 DE JANEIRO, SEXTA-FEIRA PARTICIPE DA PROGRAMAÇÃO EM HOMENAGEM AOS 'COMBATENTES TOMBADOS 'DURANTE A DITADURA INICIADA COM O GOLPE MILITAR DE 1964. 18:00 Exibição do filme 'Marighella o Retrato Falado do Guerrilheiro' 18:50 Debate da platéia com militantes da resistência e o diretor do filme Sylvio Tendler 20:15 Homenagem aos Heróis da Resistência através de seus familiares 20:45 Explanação da Secretaria Especial dos Direitos Humanos sobre a 'Comissão da Verdade' 21:15 Visitação à exposição MARIGHELLA Endereço: Caixa Cultural do Rio de Janeiro - Av. Almirante Barroso, 25 - Centro GTNM/RJ MarighellaViVeRJ exposiçãoMARIGHELLA -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100114/f3330b09/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 15 18:59:15 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 15 Jan 2010 18:59:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_X_F=C3=B3rum_Social_Mundial_-_Porto_Al?= =?utf-8?q?egre/RS?= Message-ID: X FÓRUM SOCIAL MUNDIAL Carta O Berro.............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: OAB / RS DIA 26 DE JANEIRO 09h às 10h30 1º PANEL ABERTURA: A crise econômica mundial e os ?problemas? atuais do Direito do Trabalho Tarso Genro ? MJ ? Cezar Brito ? OAB ? Ophir Cavalcante Junior ? OAB ? Márcio Pochmann ? IPEA ? Luiz Salvador ? ALAL ? ABRAT ? Paulo de Andrade Baltar ? CESIT/IE ? Beinusz Smukler ? AAJ ? Márthius Sávio ? JUTRA ?Antônio Castro ? AGETRA 10h45 às 12h15 2º PAINEL: Propostas para a regulação material e processual do trabalho: Comissão de Alto Nível do Ministério da Justiça Rogério Favreto e Roger Lorenzoni? MJ ? Comissão de direitos individuais ? representante ? Comissão de direito processual do trabalho ? representante ? Comissão de Direito Coletivo ? representante 14h às 15h45 1º PAINEL: O mercado de trabalho brasileiro e suas implicações para pensar a regulação social do trabalho ? CESIT/IE Prof. Dr. Anselmo L. Santos ou Prof. Dr. Paulo Eduardo Baltar; a crise e seus impactos na estruturação do mercado de trabalho ? Prof. Dr. José Dari Krein: a crise e seus nas relações capital/trabalho ? Prof. Dra. Magda Biavaschi: as transformações na economia e seus reflexos sobre o direito do trabalho, com foco na terceirização 16h às 17h45 2º PAINEL : Precarização do Trabalho x trabalho decente e dignidade do trabalhador: saúde, acidente, condições de trabalho ? RET/IPEA. Palestrantes: Prof. Dr. Giovanni Alves ? Dr. Daniel Pestana Mota ? Dr. Luiz Salvador ? Prof. José Celso ? IPEA 18h DEPOIMENTOS ? Os avanços na Legislação Social na Argentina: a questão da despedida imotivada: Dr. Luís Ramires (Lucho); e, Perspectivas para uma legislação supra nacional inclusiva e libertária ? Lídia Guevara [Cuba]. DIA 27 DE JANEIRO Pela Manhã ? Painel organizado pelo Conselho Federal da OAB 9h às 10h30 1º PAINEL: Direitos Individuais ? Presidente: Claudio Lamachia ? Relator: Maria Cristina Carrion Vidal de Oliveira ? Palestrantes: O Judiciário e as Mudanças do Direito e do Estado ? Raimar Machado: Terceirizar, uma Polêmica Permanente ? Luiz Carlos Moro ? Direito a Jurisdição e Jus Postulandi ? Nilton Correia 10h45 às 12h15 2º PAINEL: Questões Sindicais ? Presidente: Clea Carpi da Rocha? Relator: Regina Adylles Guimarães ? Palestrantes: Liberdade e custeio sindical no Direito Internacional dos Direitos Humanos ? A proteção pelo Sistema Interamericano de Direitos Humanos e pela Organização Internacional do Trabalho ? Roberto Caldas ? Antonio Castro: Autonomia Negocial, Valores e Limites ? Márthius Sávio: Interditos Proibitórios e Direito de Greve. 14h às 15h45 1º PAINEL: Painel organizado pela AAJ e pela União Nacional dos Juristas Cubanos Responsáveis ? as respectivas entidades ? Tema ? escolhido pelas respectivas entidades ?Palestrantes ? indicados e custeados pelas respectivas entidades 16h às 17h45 2º PAINEL: Painel organizado pela JUTRA e OPINIO IURIS Responsáveis ? as respectivas entidades ? Tema ? definido pelas respectivas entidades ? Palestrantes ? indicados e custeados pelas respectivas entidades 18h DEPOIMENTOS ? dois depoimentos de convidados definidos pelas respectivas entidades OBJETIVOS: ? Promover a reflexão sobre a estruturação do mercado de trabalho e os impactos sofridos pela crise econômica internacional nas relações de trabalho, na qualidade dos empregos e nos ambientes de trabalho; ? Denunciar o aprofundamento das assimetrias e das desigualdades no campo das relações sociais e do trabalho diante da crise econômica e da perspectiva de ampliação das inseguranças e de agudização das desigualdades e da precarização no mundo do trabalho; ? Contribuir na elaboração de propostas que apontem para a construção de uma sociedade mais justa e menos desigual, em que os direitos sociais e previdenciários sejam concretizados, na perspectiva de uma legislação supra-nacional inclusiva, tal como a proposta que vem defendendo a ABRAT e a ALAL, reafirmada na Carta do México. JUSTIFICATIVA: A presente Oficina Mundos do Trabalho se dá num momento marcado pela crise do ?suprime? originada na ?overdose? de um capitalismo sem diques, em tempos de globalização hegemonizada pelo pensamento liberal. Seu objetivo é o de oferecer um espaço de discussão e de reflexão para que se possa pensar teórica e estratégicamente a construção de uma sociedade menos desigual e mais justa e de um mercado de trabalho mais bem estruturado e inclusivo. É exatamente no âmbito do Fórum Social Mundial, lócus de expressão de uma resistência organizada aos efeitos deletérios do capitalismo globalizado, que essa discussão se pode dar com profundidade e amplitude, resgatando-se sua palavra de ordem ?Um outro mundo é possível?. Assim, a realização da Oficina Mundos do Trabalho nesta décima edição do Fórum Social Mundial representa uma tentativa de se contribuir e aprofundar a discussão sobre os efeitos da crise econômica mundial no mercado e nas relações de trabalho, denunciar as situações degradantes da condição humana aprofundadas nesse momento e buscar construir respostas e alternativas aptas a integrarem uma agenda para ?Um outro mundo possível? no âmbito das relações de trabalho. Essa reflexão, porém, não se faz apenas em abstrato, sendo imprescindível a análise objetiva e concreta das condições estruturais do capitalismo em uma perspectiva superadora, sem se perder de vista as especificidades regionais para que se apreendam as lições decorrentes do embate histórico em cada conjuntura específica. Daí a relevância de a oficina propiciar o debate interdisciplinar envolvendo juristas, economistas, sociólogos, estudiosos do mundo do trabalho e a troca de experiências entre Países, em especial os do Continente Americano, no qual o Brasil está inserido. A presença de nomes do cenário internacional como o Dr. Luiz Ramires (Lucho), da Argentina e a Dra. Lídia Guevara, de Cuba, são importantes para que o debate ofereça condições para uma reflexão supra-nacional, como é a proposta do Fórum Social Mundial. Os atores sociais presentes no Fórum Social Mundial, em especial aqueles reunidos para refletir as relações de trabalho na Oficina Mundos do Trabalho, terão um espaço aberto e democrático para discutir e analisar as situações estruturais e conjunturais dos países participantes, buscando saídas que apontem para a superação dos graves problemas sócio econômicos em que se encontram, tendo como suposto que a questão do desenvolvimento e do crescimento econômico é pressuposta, mas que, no entanto, não exclui a tese de que por meio de uma regulação social efetiva e que cumpra se pode constituir um mercado de trabalho mais bem estruturado, em que o direito ao emprego e a eficácia dos direitos sociais fundamentais concretizem a dignidade humana e o valor social do trabalho, viabilizando um patamar civilizatório indispensável. A Oficina Mundos do Trabalho propõe-se a ser espaço de análise sócio-econômica ampla e profunda, com mesas que propiciem discussões interdisciplinares que busquem caminhos para a superação dos problemas econômicos e sociais vivenciados e que se afirmem e se articulem os direitos sociais e previdenciários assegurados por uma regulação social supra supra-nacional alicerçada nos princípios da igualdade substantiva, da dignidade humana e do valor social do trabalho, tal como a proposta que vem defendendo a ABRAT e a ALAL, reafirmada na recente Carta do México. BENEFICIÁRIOS: A oficina Mundos do Trabalho pretende atingir a comunidade nacional e internacional presente no Fórum Social Mundial envolvida com a temática das relações de trabalho, em especial os gestores de políticas públicas, sindicalistas, pesquisadores, estudantes, operadores do direito [juristas, advogados, procuradores, magistrados, professores, membros do ministério público, servidores] -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100115/72bba2f3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 15 18:59:20 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 15 Jan 2010 18:59:20 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Boletim_Carta_Maior_-_15/01/2010_?= =?iso-8859-1?q?__=2E_Leiam_=3A!=22A_democracia_n=E3o_comporta_a_ma?= =?iso-8859-1?q?nipula=E7=E3o_=2E=2El=27__/_=22Ecos_do_por=E3o=3A_n?= =?iso-8859-1?q?=E3o_houve_ditadura_militar_no_Brasil=3F_/_e_mais?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: <93714C9A2D0645379E71617547B4E6FC@vcaixe> Carta O Berro................................................................................repassem Boletim Carta Maior - 15 de Janeiro de 2010 Ir para o site -------------------------------------------------------------------------- "A democracia não comporta a manipulação da História", diz Nilmário Miranda Em entrevista para o Portal da Fundação Perseu Abramo, o presidente da fundação e ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, fala sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e as intensas reações causadas pela iniciativa em alguns setores da sociedade. Para ele, há uma grande manipulação política nas reações ao programa. "Há uma disputa eleitoral em 2010. No caso do PNDH 3, boa parte do que li, é assim: "não li e não gostei". Estão opinando a partir do ?ouvir dizer?. Não houve boa vontade nem mesmo para ler o conteúdo do Programa". > LEIA MAIS | Política | 15/01/2010 PNDH 3: Por que mudar? O que está posto como desafio não é mudar o PNDH. O que está posto como desafio é tomar o PNDH como instrumento para mudar a sociedade, para aguçar ainda mais os compromissos democráticos com a participação, com a justiça, com a liberdade ? com a realização dos direitos humanos. Por isso, o que está previsto no PNDH 3 precisa, com urgência, se tornar efetividade, a fim de que os direitos humanos sejam conteúdo substantivo na vida cotidiana de cada pessoa. O artigo é de Paulo César Carbonari. > LEIA MAIS | Política | 15/01/2010 . Entidades de direitos humanos divulgam nota de apoio ao PNDH 3 Ecos do porão: não houve ditadura militar no Brasil? Quem desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história, certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças, religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury. O artigo é de Emiliano José. > LEIA MAIS | Política | 12/01/2010 . Jacques Alfonsin: Sobre a anistia e a Comissão da Verdade . Carta aberta de Alipio Freire a Paulo Vannuchi . Dona do Clarin pode ter adotado filha de desaparecidos Estética da Tortura: sobre "A História Oficial" ?A História Oficial? não é um grande filme apenas porque aborda um assunto difícil. Mas porque evidencia a profunda solidão da tortura. Esta solidão é possível, porque existe uma estética, ainda atual, orientada à tortura. Um mundo privado. A idéia, todavia, é indagar sobre a possibilidade de uma outra estética, mais pública. Por certo, ela não será instituída pelo segredo político. Apenas conhecendo a crueldade, podemos pensar em evitá-la. O artigo é de Cesar Kiraly. > LEIA MAIS | Política | 13/01/2010 . Dona do Clarín pode ter adotado filha de desaparecidos políticos Quem tem medo da verdade? De modo cínico, querem comparar a luta democrática com a repressão, em que liberdade era nenhuma, e tentam impedir a instalação da Comissão da Verdade e Justiça, com a conivência dos aliados de sempre? querem comparar aqueles que perderam tudo ? os entes que mais amavam, a saúde, os empregos, a liberdade e, alguns, até o país ? com aqueles que massacraram e jamais responderam por isso. O artigo é de Hildegard Angel. > LEIA MAIS | Política | 13/01/2010 . Quem tem medo da verdade e da justiça? . Carta do cineasta Silvio Tendler ao ministro Nelson Jobim . Justiça suspende anistia a camponeses do Araguaia . Leandro Fortes: A longa despedida da ditadura Daniel Bensaid: a atualidade de um comunismo radical A crise, social, econômica, ecológica e moral de um capitalismo que não retrocede diante de seus próprios limites e cuja desmedida e irracionalidade crescentes ameaçam ao mesmo tempo a espécie humana e o planeta, volta a colocar na ordem do dia ?a atualidade de um comunismo radical?, invocado por Benjamin diante do aumento dos perigos do período entre guerras. Em seu último artigo, Daniel Bensaïd, falecido terça-feira, em Paris, analisa a atualidade do Manfiesto Comunista. > LEIA MAIS | Internacional | 13/01/2010 . Democracia Socialista homenageia Daniel Bensaïd . O que pode ser preservado no marxismo hoje? Questionário para o Serra Começamos colocando questões para os pré-candidatos à presidência. Dirijam vocês outras mais. - 14/01/2010 -------------------------------------------------------------- Colunistas Washington Araújo Uma voz sem coral Lamentavelmente vemos a quase totalidade dos tais ?meios midiáticos? unidos como muitas vozes em uma só voz. São as vozes dos seus donos juntas, emitindo a mesma nota inciente de que assim consegue tão somente ser uma voz, sem coral. - 14/01/2010 Francisco Carlos Teixeira As grandes crises de 2010: o caso coreano A insistência da Coréia do Norte em avançar com seu programa de rearmamento, inclusive nuclear, tornou-se um dos principais focos de crise na Ásia Oriental e um dos elementos de pressão na política externa de Obama. - 13/01/2010 Uri Avnery O americano tranquilo Durante a campanha eleitoral, Obama prometeu, com entusiasmo febril de candidato, que aprofundaria a guerra no Afeganistão, como uma espécie de ?compensação? pela retirada do Iraque. Hoje, está atolado no Iraque e no Afeganistão. Pior: está prestes a atolar-se numa terceira guerra. - 11/01/2010 Gilson Caroni Filho Comissão da Verdade: não é hora de transigir É fundamental que o capuz que protegeu o arbítrio seja rasgado pela democracia. Há um espaço social que se abre. Deixar de ocupá-lo, sob qualquer pretexto, não é apenas um erro tático, mas uma injustificável apologia da inércia. - 11/01/2010 Marco Aurélio Weissheimer Por uma Comissão da Mentira! Já que a verdade causa tanto desconforto no Brasil, que se crie logo a Comissão da Mentira, o instrumento definitivo para "enterrar" (um termo muito adequado ao caso) qualquer revanchismo, a palavra mais repetida na imprensa brasileira nos últimos dias. - 10/01/2010 -------------------------------------------------------------- Análise & Opinião Roberto Efrem Filho Os Direitos Humanos sob conflito O que temem os setores conversadores de nossa sociedade - de Jobim aos seus militares, do DEM à CNA munida de seus proclamados demônios ? não é efetivamente a legalização do aborto ou a Comissão de Verdade e Justiça. - 13/01/2010 Luís Carlos Lopes Verdades e responsabilidades A política do terror e o Estado policial existiram na maioria dos países da América Latina. Em alguns poucos, ainda existem elementos deste passado lamentável e a impunidade corre solta. Em outros, os responsáveis vêm sendo punidos exemplarmente. Por aqui, ainda há muito que caminhar. - 11/01/2010 Eduardo Mancuso Fórum Social Mundial 10 Anos Grande Porto Alegre O Fórum Social Mundial fez história. Esta rica trajetória exige agora uma reflexão mais sistemática, capaz não só de avaliar o que fomos capazes de realizar nesses 10 anos, mas também projetar possíveis caminhos futuros. - 09/01/2010 Marcelo Salles As ideias demoníacas dos direitos humanos Poucas vezes na história desse país uma iniciativa de um governo foi tão bombardeada pela mídia, tanto em intensidade quanto na sua duração. Há pelo menos 15 dias rádios, jornais e tvs de todo o país partem para o ataque escancarado contra a criação da Comissão da Verdade. - 08/01/2010 -------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.142/2623 - Data de Lançamento: 01/15/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100115/03fd959a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 16 15:31:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 16 Jan 2010 15:31:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_Revolta__-_O_document=E1rio_fa?= =?iso-8859-1?q?z_uma_revis=E3o_hist=F3rica_da_=22Revolta_dos_Posse?= =?iso-8859-1?q?iros=22=2C_conflito_ocorrido_no_Paran=E1_em_1957=2E?= Message-ID: <32316598A4104AC09D13CA25B7BA0179@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Carlos R. S. Moreira ( Beto ) http://www.tvbrasil.org.br/doctv4/ A Revolta O documentário faz uma revisão histórica da "Revolta dos Posseiros", conflito agrário ocorrido no Paraná em 1957. Na época, o sudeste paranaense possuía violentas disputas por terras, que geravam inúmeros conflitos entre os jagunços, os colonos e posseiros da região. Depois de tantas disputas, a população se revoltou e tomou as principais cidades, destituiu as autoridades locais e assumiu o governo da região. O levante ficou conhecido como Revolta dos Posseiros. O filme foi inspirado em duas obras literárias: Os dias do Demônio, romance sobre o período, e 1957: A revolta dos posseiros, que traça uma abordagem histórico-sociológica do levante. Documentário. 52 min. De João Marcelo Gomes e Aly Murtiba. Co-produção: João Marcelo Zanoni Gomes | Maurício Vianna Baggio Produções | Paraná Educativa | ABEPEC - Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais __._,_.___ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100116/d14a15d9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24442 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100116/d14a15d9/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 16 15:31:49 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 16 Jan 2010 15:31:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Hitler Ganhou a Guerra - segunda chamada para receber o livro Message-ID: <5FCE92F85E47484C893A14444111C4F4@vcaixe> Caras (os) Companheiras (os), hoje enviamos o total de 1.352 livros (por e-mail) "Hitler ganhou a guerra." As (os) que ainda não solicitaram podem fazer pelo email abaixo até o final do mês. Quem já recebeu, repassem para que outros possam tomar conhecimento como se originam, atuam e mascaram os atos criminosos dos donos do poder mundial. O que eles fazem e o que nos "vendem" através dos milhares de recursos que possuem e se entrelaçam em toda parte do mundo. Saudações. Vanderley Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Pedro Castilho Caros colegas, Este livro é muito bom e conta quem manda no mundo e como o faz. Mostra como Hitler foi financiado por capitalistas norte-americanos para subir ao poder em 1932, segundo o autor. Os lucros com a guerra é que contavam!!!!! Agora recebí este livro pela internet onde pode ser lido ou impresso para posterior leitura. Recomendo a impressão para ter melhor leitura e peço também a redistribuição para seus conhecidos. Um abraço, Castilho. NOTA; Tendo em vista o "peso" do texto do livro (885kb), não suportado pela Carta O Berro. Solicitamos que as pessoas que queiram recebê-lo por email, solicitem para vanderleycaixe at revistaoberro.com.br .Que será enviado. ________________________________________________ Subject: sugestao de leitura - Hitler ganhou a guerra To: (preparado para impressão no formato livreto, tipo de tamanho grande) Hitler ganhou a guerra Walter Graziano Quem acha que muitos dos enormes problemas do mundo começariam a ser solucionados se se substituísse o presidente dos Estados Unidos se equivoca grave­mente. O presidente atual não é nada mais do que a "ponta do iceberg" de uma complicada estrutura de poder, urdida cuidadosamente e durante muito tempo por uma reduzida elite de clãs familiares muito ricos, os verdadeiros proprietários à sombra do petróleo, dos bancos, dos laboratórios, das empresas de armas, das universidades e dos meios de comunicação do mundo, entre outros setores. Trata-se nada menos daqueles que, antes que se iniciasse e durante a Segunda Guerra Mundial, financiaram Hitler para que este tomasse o poder e se armasse, daqueles que forneceram as matérias básicas ao Terceiro Reich, fomentaram o ideário racista do Fuhrer e levantaram o aparato nazista na Alemanha. Neste livro, o leitor poderá com­preender como essa poderosa elite, em cujo núcleo se escondem antigas sociedades secretas, faz, há muitíssimos anos, verdadeiras marionetes dos presidentes dos Estados Unidos e cor­rompe, até os alicerces, a própria base do partido republicano e do partido democrata. Também verá como manipu­la as democracias do mundo, utiliza as principais universidades norte-americanas e seus intelectuais, gerando a ilusão de progresso científico através de pura ideologia falsa, e manipula os meios de comunicação para que as massas e as classes médias não se dêem conta do que realmente está acontecendo. Sob esta nova luz, inclu­sive os atentados de 11 de setembro de 2001 adquirem uma leitura diferente. Walter Graziano nasceu em 1960 na Argentina. Graduou-se em Economia na Universidade de Buenos Aires. Até 1988 foi fun­cionário do Banco Central do seu país e recebeu bolsas de estudo do governo italiano e do Fundo Monetário Internacional para estudar em Nápoles e em Washington DC. Desde 1988 colaborou com meios impressos e audiovisuais argentinos de forma simultânea à sua profissão de consultor económico. Em 1990, publicou a História de duas hiperinflações e, em 2001, As sete pragas da Argentina, livro que prenunciou a derrocada econômica e política do seu país. Desde 2001, Graziano tem-se dedicado em tempo integral aos assuntos desta obra, aos seus antecedentes históricos e às suas questões colaterais. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100116/b305d89f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 57825 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100116/b305d89f/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 17 13:40:03 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 17 Jan 2010 13:40:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Massacre_de_Santa_Maria_de_Iquiqu?= =?iso-8859-1?q?e_completa_cem_anos_de_solid=E3o/___Vejam_as_m=FAsi?= =?iso-8859-1?q?cas_mais_lindas_sobre_esse_acontecimento_pelo_grupo?= =?iso-8859-1?q?_Quillapay=FAn______________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <008599F56B444C749AAE2D9DD9FF34C6@vcaixe> HOJE É DOMINGO! Carta O Berro..........................................................................................repassem Massacre de Santa Maria de Iquique completa cem anos de solidão Por Alexandre Barbosa Cem anos de solidão do massacre O que foi o Massacre de Santa Maria de Iquique O silêncio da grande mídia brasileira Conheça a cantata Santa Maria de Iquique (veja abaixo a Cantata pelo grupo Quillapayún) Cem anos de solidão do massacre Indústrias salitreiras: condições desumanas de trabalho. No cancioneiro do grupo chileno Quillapayún há um disco, de 1970, chamado Cantata Popular de Santa Maria de Iquique. São 18 músicas que contam a história do massacre da Escola Domingo Santa Maria, em 1907, em que 3.600 operários salitreiros chilenos foram assassinados como resposta dos "negociadores" diante da greve de uma das atividades mais importantes do país e na época já controlada por estrangeiros, principalmente ingleses. Triste coincidência, na obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, há o relato de um acontecimento parecido. Na fictícia Macondo de Cem Anos de Solidão, acontece o massacre de mais de três mil trabalhadores (3.600 de acordo com a Cantata) que negociavam o fim da greve na Companhia Bananeira, também controlada por norte-americanos. No romance, o episódio foi escondido de todos. Os corpos foram jogados nos vagões de um trem e nunca mais apareceram. Ninguém acreditou no depoimento do único sobrevivente e foi como se o massacre não tivesse acontecido. Da mesma forma, o assassinato dos grevistas chilenos não consta dos principais conteúdos escolares, apesar de sua importância e relevância, e muito menos nas páginas dos periódicos brasileiros. Em suas memórias, García Márquez diz que o episódio do massacre dos trabalhadores bananeiros foi inspirado numa história que ele ouvia quando era criança e que, da mesma forma, era só comentado pelos mais velhos, mas não havia outro registro. Mais uma vez comprovando o universalismo de Cem Anos de Solidão, a realidade latino-americana é espelhada nas páginas do livro. O sociólogo Emir Sader aponta o massacre de Iquique como o primeiro de uma série de acontecimentos que fizeram o mundo conhecer a América Latina. Na seqüência vieram a Revolução Mexicana, a Reforma Universitária de Córdoba, a Revolução Cubana, além do reconhecimento internacional da literatura com os prêmios Nobel de Gabriela Mistral, Miguel Angel Astúrias, Pablo Neruda e Gabriel García Márquez. Destes importantes fatos, muitos continuam "empoeirados", esquecidos pela Academia e, sobretudo, pela mídia, abandonados nos baús históricos. Felizmente, há focos de resistência na América Latina: em 1970, o grupo Quilapayún grava a Cantata Santa Maria de Iquique, cuja primeira canção se inicia com o verso: "Señoras y Señores venimos a contar aquello que la historia no quiere recordar". Os registros do assassinato dos trabalhadores salitreiros estão somente nas páginas da imprensa proletária, na linha do tempo construídas por partidos de esquerda (os que ainda existem) e nos textos de intelectuais e militantes ligados à América Latina. No dia 21 de dezembro de 2007, o massacre completou 100 anos. No Chile foram organizados uma série de atos que tiveram repercussão até na Europa, menos aqui no Brasil. A indústria jornalística não deu uma só linha sobre os atos, muito menos trouxe a memória os tristes episódios. Apenas a imprensa alternativa, com destaque para a Revista Fórum, n° 57, publicou material sobre o tema. O site latinoamericano reproduz trecho da reportagem de Maurício Ayer, da Revista Fórum, mostra fotos do ato celebrado no Chile e traz a versão original da Cantata Santa Maria de Iquique. topo O que foi o massacre de 1907 (reprodução e adaptação da reportagem "Aos mortos do Iquique" de Maurício Ayer, revista Fórum, n° 57, dezembro de 2007. Clique aqui para ver o site da Fórum) "Senhoras e senhores, viemos contar aquilo que a história não quer recordar" Foi em dezembro de 1907, em Iquique, cidade portuária do Norte chileno, responsável naquele tempo pelo escoamento da produção de salitre das minas da região. As empresas salitreiras, basicamente inglesas, manejavam todo o sistema, inclusive comercial. Os trabalhadores não recebiam dinheiro, apenas fichas, que só eram aceitas em lojas, chamadas de pulperías, pertencentes aos patrões, onde eram obrigados a comprar aquilo que necessitavam. Com o tempo, o poder de compra das fichas foi baixando, mas o valor do soldo se mantinha o mesmo. Os operários decidiram se organizar, pedir o fim do sistema das fichas e que o soldo subisse para 18 peniques (os pennies, "centavos" da libra esterlina). Além de melhores condições de segurança no trabalho. "Falamos de uma atividade de extração de salitre em pleno deserto do Atacama, com temperaturas de 30oC durante o dia e -5oC à noite. Falamos de condições de trabalho do princípio do século XX, quer dizer, mínimas condições de segurança e de higiene, moradias precárias. E um trato econômico muito deficiente", explica o sociólogo e historiador Bernardo Guerrero, professor na Universidade Arturo Prat de Iquique. Como os patrões viviam na Inglaterra, não havia quem os ouvisse. Decidiram então ir a Iquique, onde estavam a aristocracia salitreira, o porto, os bancos e a intendência do governo central de Santiago. Na Cantata, é emocionante ouvir o que seria o relato de um trabalhador dizendo para sua mulher, que carrega o filho no colo, para que confie e vá com ele, pois serão ouvidos em Iquique. "Descem caminhando ou de trem - homens, mulheres e crianças -, por 80, 90, 100 quilômetros. E praticamente invadem a cidade. São entre dez e 20 mil operários, numa cidade onde vivem 20 mil habitantes", retrata Guerrero. "Os senhores de Iquique tinham pavor; era pedir demais ver tanto trabalhador. Na gente dos pampas não se podia confiar, podiam ser ladrões ou assassinar. Enquanto isso as casas eram fechadas, olhavam somente pelas janelas. O comércio fechou também suas portas havia que tomar cuidado com tantas bestas. Melhor juntar todos em algum abrigo, andando pelas ruas eram um perigo." O pânico tomou conta da aristocracia salitreira, e a administração local resolveu concentrar a massa em uma escola, chamada Domingo Santa María, vazia por ser período de férias. Organizou-se um comitê de greve, e líderes como José Brigg e Luis Olea foram negociar com o intendente Carlos Eastman e os salitreiros. Eastman disse então que iria a Santiago buscar a solução para os conflitos. Era 16 de dezembro. No dia 20, retornou em um navio de guerra, com um destacamento da Marinha e o general Roberto Silva Renard. Os grevistas os receberam no porto com grande festa e aclamações, esperando pela resposta que trariam. Mas naquela noite declara-se estado de sítio, suspendendo-se os direitos civis. No dia 21 de dezembro, a escola amanhece cercada por canhões e metralhadoras. Os operários se negam a aceitar a exigência de voltarem ao trabalho e esperam por uma resposta das autoridades. Às 15h, o genral Silva Renard ordena o bombardeio da escola e que os operários que sobrassem fossem mortos a golpes de baioneta. Não há como precisar o número exato de assassinados pois não houve registros e os mortos foram enterrados em valas comuns. Tal qual o relato de José Arcadio Segundo, em Cem Anos de Solidão, ao dizer para sua mãe, Santa Sofía de la Piedad, sobre os mortos que ele viu nos vagões de trem "Eram mais de três mil - foi tudo o que disse José Arcadio Segundo. Agora estou certo que eram todos o que estavam na estação". No site www.centenariosantamaria.cl é possível ver como o Chile relembrou o massacre. O trajeto dos trabalhadores das minas até o porto de Iquique foi recriado numa passeata. Às 15h e 45, na Escola houve um ato solene com o toque de sirenes que lembrou o momento do assassinato em assa. Na noite de 21 de dezembro, o grupo Quilapayún apresentou a Cantata. -------------------------------------------------------------------------------- cantata santa maria de iquique 1 Quilapayun: Cantata... ilichtorres 9:51 2 Quilapayun: Cantata... ilichtorres 9:56 3 Quilapayun: Cantata... ilichtorres 9:50 4 Quilapayun: Cantata... ilichtorres -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33964 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2783 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3588 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0007.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2564 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0008.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2469 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100117/d9e41e7f/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 18 18:56:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 18 Jan 2010 18:56:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?INVESTIGA=C7=C3O_APURA_TORTURA_EM_?= =?iso-8859-1?q?RIBEIR=C3O_PRETO_-_SP_DURANTE_A_DITADURA_MILITAR?= Message-ID: <5F9E714947AB498AADDE44839365AEF3@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................................................repassem PROCURADOR ABRE INVESTIGAÇÃO PARA APURAR TORTURA EM RIBEIRÃO PRETO - SP DURANTE A DITADURA MILITAR PORTARIA PRM/RP/TC/CD No - 29, DE 2 DE DEZEMBRO DE 2009 O Procurador da República em Ribeirão Preto ao final assinado, usando das atribuições que lhes são conferidas pelo artigo 129, incisos II e III, da Constituição Federal, e pelo artigo 7°, inciso I, da Lei Complementar n° 75/93, regulamentado pela Resolução 87/06 do Conselho Superior do Ministério Público Federal, e também pela Resolução nº 23 do Conselho Nacional do Ministério Público e, ainda, Considerando que é função institucional do Ministério Público Federal a defesa do patrimônio público e social, da ordem jurídica e dos interesses difusos e coletivos, na forma do disposto nos artigos 127 e 129, da Constituição Federal, e artigo 5º, incisos I e III, alínea "b", da Lei Complementar n.º 75/93; Considerando que o Ministério Público Federal tem legitimidade, portanto, para promover o Inquérito Civil e a Ação Civil Pública para a proteção do patrimônio público e social e outros interesses difusos, entre eles, o respeito aos princípios constitucionais que regem a administração pública (artigo 129, inciso III, da Constituição Federal, e artigo 5º, inciso I, alínea "h", da Lei Complementar nº 75/93); Considerando que as Peças Informativas nº 1.34.010.000386/2009-43, oriundas de representação feita pelo cidadão Leopoldo Paulino, foram instauradas com o escopo de apurar eventual responsabilidade em ações repressivas no período da ditadura em Ribeirão Preto/SP; Considerando, por fim, que diligências foram feitas e que há imperiosa necessidade de continuação da averiguação das irregularidades e conveniência de que a instrução se dê no bojo de inquérito civil; resolve: (I) Instaurar, nos termos dos artigos 2º, caput, inciso I, e 4º, caput, inciso II, da Resolução nº 87/2006 do Conselho Superior do Ministério Público Federal e do art. 4º da Resolução nº 23 do Conselho Nacional do Ministério Público, o presente INQUÉRITO CIVIL, a fim de se colherem maiores informações sobre eventual responsabilidade em ações repressivas no período da ditadura em Ribeirão Preto/SP; (II) Comunique-se a instauração deste inquérito à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (art. 6º da Resolução nº 87/2006 do CSMPF), remetendo-lhe cópia da respectiva Portaria e solicitando a sua publicação na Imprensa Oficial; (III) Determinar a realização das seguintes diligências preliminares: -diante da urgência que o caso requer e em caráter excepcional, que essa Assessoria promova as alterações necessárias no Sistema ARP, bem como a substituição da etiqueta fixada à capa do feito, convertendo-o em Inquérito Civil; -após, verificar eventuais pendências e se já vieram as respostas a todos os expedientes remetidos; -realizar análise minuciosa dos documentos amealhados, juntando-se posterior relatório e abrindo-se conclusão; (IV) Determinar o prazo inicial de um ano, a contar da presente data, para a finalização do presente inquérito civil. Ribeirão Preto, 02 de dezembro de 2009. CARLOS ROBERTO DIOGO GARCIA Procurador da República LEIA TODA A DOCUMENTAÇÃO: http://leopoldopaulino.wordpress.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100118/8dc3fcdb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100118/8dc3fcdb/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 18 18:56:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 18 Jan 2010 18:56:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=C1RIO_=26_AD=C9LIA_no_DIA_25_de?= =?iso-8859-1?q?_JANEIRO_=28segunda-feira=29=2C_no_TEATRO_O_TABLADO?= =?iso-8859-1?q?=2CR=2EJ=2E=2C_em_DUAS_SESS=D5ES_GRATUITAS=3A_=E1s_?= =?iso-8859-1?q?19h_ou_21h?= Message-ID: <1AFD621AFDFF43FC855492D899846017@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................................repassem Amigos, Eu os convido para mais uma peça, que atuo ao lado de talentosos atores. A peça "Mário & Adélia" é o resultado de conclusão do curso de teatro da turma do grande Professor Bernardo Jablonski. Conto com a presença de vocês, no DIA 25 de JANEIRO (segunda-feira), no TEATRO O TABLADO, em DUAS SESSÕES GRATUITAS: ás 19h ou 21h. UM grande beijo, Maria Ana Caixe. -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.149/2630 - Data de Lançamento: 01/18/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100118/b7c6318c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20092 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100118/b7c6318c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 19 19:18:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 19 Jan 2010 19:18:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Texto_de_Eduardo_Galeano_=22Os_?= =?windows-1252?q?pecados_do_Haiti_=22_/_Texto_de_Urda_Alice_Kluege?= =?windows-1252?q?r_=22_O_REI_E_O_MENINO_=96_HAITI=22__/?= Message-ID: <1BB73AD5843C451EA0C94403AFF2F7E7@vcaixe> ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger ----- Original Message ----- From: Ana Santanna Os pecados do Haiti por Eduardo Galeano A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto. O voto e o veto Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto. Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe: ? Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido. O álibi demográfico Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema: ? Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode. E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilómetro quadrado. Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas. Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro. A tradição racista Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses". O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro". Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras". A humilhação imperdoável Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores. A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia. O delito da dignidade Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano havia-lhe entregue sete nave e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra. Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um génio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis. Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perdã por haver cometido o delito da dignidade. A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental. 18/Janeiro/2010 O original encontra-se em www.resumenlatinoamericano.org , Nº 2146 Este artigo encontra-se em http://resistir.info/galeano/haiti_18jan10.html . =========================================================================================================================== O REI E O MENINO ? HAITI (Para Didier Dominique e o povo do Haiti) (e para meu pai, Roland Klueger, que faria 88 anos hoje.) Era uma vez um rei e um menino. Fico pensando se há alguma palavra que signifique, ao mesmo tempo, exaustão, terror, desespero e desesperança, tudo isto somado e elevado a décima potência, mas não encontro tal palavra. Só que era bem assim que estava o menino: tinha dois anos, encolhia-se de olhos catatônicos no vazio de uma calçada logo depois do terremoto do Haiti, e apareceu na televisão. Eram tantos em desespero em torno dele, eram tantos... Eram tantos os mortos em torno dele, eram tantos... Quem conseguiria prestar atenção em mais aquele menino dentro de tanta desgraça, a não ser aquele olho malicioso de uma televisão, que pegou o menino e o jogou no meu colo, sem que eu soubesse o que fazer com ele? Era uma vez um rei e um menino. O rei era pura saúde, garbo e fidalguia: vestido com trajes tribais, tinha no rosto e no corpo os mesmo desenhos em branco, preto e vermelho que também estavam no escudo de couro que segurava na mão esquerda, pois na direita segurava a lança segura e certeira que o tornara rei tamanha a sua perícia ao caçar o leão. Ele era grande e espadaúdo, mas maior ainda era a sua fama, pois não só ao leão enfrentava: quando seu povo tinha fome, ele afrontava até os grandes elefantes, e todos viviam felizes no seu reino, bem alimentados e saudáveis, e o rei era feliz também. Certo do poder da sua felicidade e da sua lança, o rei nunca entendeu como lhe caíra em cima aquela rede que o despojara do seu escudo, da sua lança, da sua força e da sua liberdade ? como tantos outros da sua terra, teve que se curvar à chibata do traficante, aceitar a gargantilha e as algemas de ferro, resistir à longa caminhada da coleante corrente feita de gente e de ferros, viver a aviltância do navio negreiro. A saúde antiga deu-lhe forças para chegar vivo àquela terra de degredo, de escravidão, e cruéis homens brancos de outra fala, à força de chicote, subjugaram-no e ele teve que se curvar, sem lança, sem pintura, sem escudo, e cultivar a cana que produzia o açúcar, o rum e a riqueza daqueles usurpadores da sua liberdade. Nunca mais ele foi feliz; nunca mais soube do seu povo e seu povo nunca mais soube dele, e só o que havia de belo era o mar daquela terra, todo verde, azul e transparente. Houve, também, uma mulher que reconheceu nele a fidalguia conspurcada, e antes de morrer prematuramente, o rei teve um filho, negro e lindo como ele, e que na verdade era um príncipe ? mas foi um príncipe que nunca teve uma lança e que não conheceu os desenhos e as cores tribais ? ao invés de leões, só houve para ele o látego do algoz. Outros príncipes foram gerados na descendência do rei, naquela terra que parecia incrustada num mar de turmalinas, e todos tiveram a vida miserável de escravo, enquanto seus senhores tinham as vidas nababescas dos poderosos. Um dia, já não dava mais de suportar. Eles eram mais de 500.000 negros, e os senhores eram 32.000, certos que a força do látego manteria aquela situação indefinidamente. E junto com os demais escravos os descendentes do rei lutaram e lutaram e venceram ? desde 1791 a 1803 ? nesse último ano venceram até o exército que Napoleão Bonaparte mandara da França. E conquistaram a liberdade! O Haiti foi o primeiro país da América dita Latina a ser livre, a fazer a independência, isto lá em 1804, antes de todos os demais. É de se imaginar o frio que correu na espinha de tantos outros colonizadores brancos: uma república, e de negros? E se a coisa pega? Olha que escravo está tudo cheio por esta América de meu Deus! Que se faz, ai ai ai? De modo geral, o que se podia fazer eram independências rápidas, feitas por brancos (e elas aconteceram uma depois da outra) e muita matança de negros, para evitar que a coisa trágica se repetisse e sujasse o bom nome da dita civilização européia! Sei bem como foi tal matança no Brasil: foi na guerra do Paraguai, foi na revolução Farroupilha... ? não estou inteirada de como foi nos outros países, mas que a matança foi grande, lá isso foi. E a ?civilização? branca quase pode respirar, aliviada ? só que havia aquele pequeno país, aquele maldito pequeno país lá incrustado naquele mar de ametista, o tal do Haiti, que era um país de negros ? e nunca que a tal ?civilização? branca poderia deixar aquilo lá florescer de verdade ? era afronta demasiada. E nos dois últimos séculos o Haiti sofreu tudo o que é possível sofrer-se para que sua crista se quebrasse: invasões, ditaduras, golpes de Estado, o bedelho dos brancos sempre indo lá e tentando botar tudo a perder, mas a valentia daquele povo parecia indomável, e o Haiti, mesmo não conseguindo florescer como deveria, era exportador de café, de arroz, era o maior produtor de açúcar do mundo, era um país que tinha seus filhos bem alimentados a arroz, a banana, os porcos abundavam e produziam pratos deliciosos, acompanhados de banana frita, iguaria tão caribenha... Foi agora, agorinha, no tempo da violência do neoliberalismo, o que nos leva a 1980, que o complô dos brancos resolveu que já não dava mais, que era muito absurdo em plena América ver um país de negros sobrevivendo e sobrevivendo impunemente... Então foi programada a tomada definitiva do Haiti. Foi daquelas coisas mais malévolas que as mentes doentias podem programar visando lucro: aos poucos, introduziram-se as pragas necessárias na ilha incrustada num mar de safira, e morreram todos os porcos, e depois todo o arroz, e depois toda a banana, e depois veio a praga do café.. . Aqueles negros corajosos não sobreviveriam, ah! La isso não poderia acontecer! Viveriam apenas para voltar à condição de escravos, e igualzinho como os europeus, em 1885, no Tratado de Berlim, dividiram o mapa da África à régua, causando as milhares de desgraças que estão acontecendo até hoje, os brancos do neoliberalismo pegaram o território do Haiti e o dividiram em 18 futuras zonas francas onde não haveria lei, onde o Capital imperaria, e onde, as pessoas tão famintas que estavam assando biscoitos de argila para poderem ter algo no estômago trabalhariam, de novo, em regime de escravidão. Pode parecer que tal coisa é distante de nós, mas não é. O próprio vice-presidente do Brasil, José Alencar, é alguém tão interessado no assunto que até mandou seu filho para lá para cuidar dos seus futuros interesses imperialistas. E o execrável outro dia ainda saiu do hospital, depois de mais algumas cirurgias, sorrindo para as câmaras das televisões e declarando que poderia perder tudo na vida, menos a honra. Que honra pode ter um homem assim? (Não consigo me furtar de contar de que forma a nefanda honra do vice-presidente atingiu diretamente minha família, recentemente. Numa só tarde, uma das empresas dele, aqui na minha cidade de Blumenau/SC/Brasil, a Coteminas, demitiu 600 empregados, assim sem mais nem menos. Três primos meus, lutadores pais de famílias, perderam o emprego sem entenderem muito bem por quê ? o porquê é fácil: nas novas fábricas que o ?honrado? vice-presidente anda montando lá nas zonas francas do Haiti, os novos empregados trabalharão pela décima parte do salário que os meus primos ganhavam ? e o salário dos meus primos já não era grande coisa.) Bem, então tínhamos um Haiti em petição de miséria, e daí veio o terremoto. Que poderia ter acontecido de melhor para o Capitalismo e o Imperialismo dos EUA? Até o palácio presidencial do governo títere ruiu ? daqui para a frente é apenas tomar posse ? já não há barreiras. Ao invés de ajuda humanitária (que eles não deram nem aos flagelados do furacão Katrina, em seu próprio território) os Estados Unidos estão, descaradamente, diante de todo o mundo, fazendo a ocupação militar do Haiti com o seu exército, e tudo parece bonitinho, com a Hilary indo lá para ver como é que estão ajudando... ajudando uma ova! Alguém já viu os Estados Unidos ajudar alguém de verdade? Não deixo de louvar as tantas e tantas equipes de tantos e tantos países que lá estão, realmente levando ajuda humanitária para aquele povo quase que nas vascas da agonia ? mas a semvergonhice do Capital está lá, também, sorrindo de felicidade com sua cara de caveira. E então o olho de uma televisão espia lá aquele menino de dois anos arrasado pela exaustão, pelo terror e pelo desespero, encolhido num vazio de uma calçada, e o joga brutalmente no meu colo ? e quando tento acalmá-lo acolhendo-o junto do meu coração, ele me conta do rei, seu antepassado ? aquele menino moído pelo Capital e pelo terremoto é nada mais nada menos que um príncipe, e seu antepassado que foi rei e livre caçava leões e elefantes e alimentava um povo ? o menino sabia, a família sempre contara adiante o seu segredo. Céus, céus, o que fizeram com as gentes livres da África, que quiseram apenas continuar vivendo com dignidade naquela ilha de onde já não podiam sair? Quem vai cuidar daquele menino antes que ele retorne à condição de escravo de onde seus antepassados tanto tentaram sair? Eu choro, Haiti, choro por ti, e por teu menino, e por aquele rei. Não sei fazer outra coisa além de chorar. Blumenau, 17 de janeiro de 2010. Urda Alice Klueger Escritora e historiadora -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 270.14.150/2632 - Data de Lançamento: 01/19/10 07:34:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100119/6d72bbb6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 19 19:18:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 19 Jan 2010 19:18:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__convite_do_Memorial_da_Resistenc?= =?iso-8859-1?q?ia_para_o_proximo_sabado_dia_23_=2C_quando_se_comem?= =?iso-8859-1?q?orar=E1_1_ano_de_sua_inaugura=E7=E3o=2E?= Message-ID: <1A48C389BE22495F9595599170B84B29@vcaixe> Carta O Berro...............................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Companheir at s, Passo a voces o convite do Memorial da Resistencia para o proximo sabado dia 23 , quando se comemorará 1 ano de sua inauguração, com o lançamento de um livro sobre o mesmo e o seu video institucional . Divulguem e compareçam!!! M.Politi Nucleo de Preservação da Memória Política Av. Brigadeiro Luiz Antonio 2344 conj 45 Visite o nosso site www.nucleomemoria.org,br -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100119/b48be509/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 84295 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100119/b48be509/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 20 19:30:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 20 Jan 2010 19:30:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Hitler_ganhou_a_guerra___de_Walt?= =?iso-8859-1?q?er_Graziano__-_=22orelhas=22__e_Pr=F3logo?= Message-ID: Carta O Berro.....................................................................................................repassem Caras (os) Companheiras (os), tendo em vista a enorme procura e pedidos por este livro "Hitler ganhou a guerra.", a Carta O Berro decidiu dividi-lo em 7 capítulos (conforme o livro) + as considerações finais, além dessas"orelhas" e o prólogo, deste e-mail. Assim, todas as quartas e sextas-feiras, vocês estarão recebendo um capitulo, sucessivamente. Os que preferirem recebê-lo em um único envio devem solicitar para o e-mail de vanderleycaixe at revistaoberro.com.br . Um abraço. Vanderley Caixe Orelha Esquerda do livro Quem acha que muitos dos enormes problemas do mundo começariam a ser solucionados se se substituísse o presidente dos Estados Unidos se equivoca grave­mente. O presidente atual não é nada mais do que a "ponta do iceberg" de uma complicada estrutura de poder, urdida cuidadosamente e durante muito tempo por uma reduzida elite de clãs familiares muito ricos, os verdadeiros proprietários à sombra do petróleo, dos bancos, dos laboratórios, das empresas de armas, das universidades e dos meios de comunicação do mundo, entre outros setores. Trata-se nada menos daqueles que, antes que se iniciasse e durante a Segunda Guerra Mundial, financiaram Hitler para que este tomasse o poder e se armasse, daqueles que forneceram as matérias básicas ao Terceiro Reich, fomentaram o ideário racista do Fuhrer e levantaram o aparato nazista na Alemanha. Neste livro, o leitor poderá com­preender como essa poderosa elite, em cujo núcleo se escondem antigas sociedades secretas, faz, há muitíssimos anos, verdadeiras marionetes dos presidentes dos Estados Unidos e cor­rompe, até os alicerces, a própria base do partido republicano e do partido democrata. Também verá como manipu­la as democracias do mundo, utiliza as principais universidades norte-americanas e seus intelectuais, gerando a ilusão de progresso científico através de pura ideologia falsa, e manipula os meios de comunicação para que as massas e as classes médias não se dêem conta do que realmente está acontecendo. Sob esta nova luz, inclu­sive os atentados de 11 de setembro de 2001 adquirem uma leitura diferente. Orelha Direita do livro Walter Graziano nasceu em 1960 na Argentina. Graduou-se em Economia na Universidade de Buenos Aires. Até 1988 foi fun­cionário do Banco Central do seu país e recebeu bolsas de estudo do governo italiano e do Fundo Monetário Internacional para estudar em Nápoles e em Washington DC. Desde 1988 colaborou com meios impressos e audiovisuais argentinos de forma simultânea à sua profissão de consultor económico. Em 1990, publicou a História de duas hiperinflações e, em 2001, As sete pragas da Argentina, livro que prenunciou a derrocada econômica e política do seu país. Desde 2001, Graziano tem-se dedicado em tempo integral aos assuntos desta obra, aos seus antecedentes históricos e às suas questões colaterais. ============================================================================================================================================================ Hitler ganhou a guerra Walter Graziano Tradução: Eduardo Fava Rubio São Paulo - 2005 51a edição Hitler ganó la guerra Walter Graziano ©WALTER GRAZIANO, 2004 ©EDITORIAL SUD AMERICANA S.A., 2004 Preparação: Carlos Donato Petrolini Júnior Revisão: Maria Renata de Seixas Brito Capa: Victory Design - victory at victorydesign.com.brFicha Catalográfica Graziano, Walter G785h Hitler ganhou a guerra. / Walter Graziano; tradução de Eduardo Fava Rubio. -- São Paulo: Editora Palíndromo, 2005 Tradução de: Hitler ganó la guerra. ISBN: 85-98817-05-8 1. Estados Unidos: Relações exteriores: Século XX 2. Estados Unidos: Política externa: Século XX 1. Título. II. Rubio, Eduardo Fava. CDD 973.09 Índices para catálogo sistemático 1. Estados Unidos : Relações exteriores : Século XX 973.09 2. Estados Unidos : Política externa : Século XX 973.09 3. Estados Unidos : Política externa : Ciência política 327.973 4. Estados Unidos : Relações exteriores : Ciência política 327.973 5.Estados Unidos : Relações internacionais : Ciência política : 327.973 Aos que acordarem Não importa que nos odeiem, desde que na mesma medida nos temam. CALÍGULA ====================================================================================================================================================== PRÓLOGO Nem bem comecei a realizar as pesquisas preliminares para escrever este livro, já me dei conta de que a vastidão do tema me impunha a necessidade de encontrar colaboradores. Portanto, decidi contratar estudantes e graduados da área de humanidades. Uma das primeiras pessoas que apareceram para as entrevis­tas de trabalho era uma bacharela em História, recém-graduada, com excelentes qualificações. Através do diálogo inicial, pude entrever a sólida formação acadêmica e cultural que possuía para o trabalho. Tratava-se, além disso, de uma pessoa com outras qualidades: inteli­gência e sagacidade. Resolvi, então, fazer com ela a verdadeira prova de fogo: dei-lhe uma informação das muitas que o leitor vai encontrar neste livro. A recém-graduada começou a lê-la em silêncio. Enquanto isso, eu a observava e via como ia ficando vermelha e como seus olhos iam se revirando, não sei se de fúria ou de incredulidade. Quando terminou a leitura do texto, ela olhou para mim. Com a voz entrecortada, um pouco enjoada, defendeu o que até aquele momento considerava um saber pouco menos do que inexpugnável: "A história não deve ser escrita senão muito tempo depois de que tenham ocorrido os fatos", disse com o tom de uma lição aprendida de memória. Optei, então, por dar-lhe mais informação, mais abundante em dados. Dessa vez, ela ficou pálida. Ensaiou uma resposta menos es­truturada, mas ainda se defendia do que bem podia considerar tão horroroso como incongruente com respeito ao que lhe haviam ensina­do por anos e anos. Diante de tal defesa frágil, decidi apresentar-lhe mais material. Rendeu-se e só disse: "Se isso é verdade, já não sei o que pensar". Expliquei-lhe, então, que o conceito de que era necessário dei­xar passar bastante tempo antes de escrever a História era aplicável à época em que a tecnologia tornava impossível escrevê-la com uma boa dose de rapidez e exatidão. Obviamente, Heródoto teve que levar muito tempo para juntar o material para a sua obra. E não é de se esperar que Suetônio tivesse ao alcance da mão as informações para escrever a vida de doze césares. Mas, já em nossos dias, algo tinha começado a mudar: Arnold Toynbee e Paul Johnson estavam escre­vendo História (possivelmente muito enviesada, mas uma versão da História, em todo o caso) de forma quase simultânea aos aconteci­mentos. É compreensível: os meios de comunicação e o rápido acesso ao tipo de informação que eles fornecem tornam isso possível. Com o rápido desenvolvimento da rede global, talvez em pou­co tempo mais surjam os primeiros historiadores que possam escrever a História de forma simultânea à própria sucessão dos fatos conside­rados como históricos. E é até mesmo provável que apareçam os pri­meiros futurólogos realmente sérios. Através da rede, pode-se acessar com baixo custo e sem demora qualquer tipo de informação - de toda índole - que qualquer indivíduo do mundo tenha desejado conseguir. Seja verdadeira ou falsa, trata-se de informação sem nenhum tipo de censura direta ou indireta. Esta última é pior ainda que a primeira, já que passa despercebida e é exercida pelas linhas editoriais e estraté­gicas dos mega-meios de comunicação. A rede não só possibilitou o livre acesso à informação. Tam­bém permite comprar à distância qualquer livro editado em qualquer lugar do mundo, novo ou usado, e tê-lo em casa em menos de uma semana, sem desnecessárias demoras em perguntas por edições esgo­tadas em livrarias fisicamente distantes entre si. Também permite o acesso a variados resumos de textos, de todas as tendências, e inclu­sive a comentários de leitores anteriores, que em boa medida podem ajudar a ganhar tempo. Como gosto sempre de repetir: o tempo é um bem ainda muito mais escasso que o dinheiro. O dinheiro pode ir e vir. O tempo, por outro lado, só vai... Graças à rede, já estão aparecendo os primeiros historiadores on-line. Ainda que muito da informação que surge possa ser falsa ou inexata, com freqüência é menos assim que a que se publicou em muitíssimos livros, ou que a que aparece diariamente nos mega-meios de comunicação. A vantagem que nos oferece a rede - seja porque nos provê informação diretamente, seja porque nos permite um rápido acesso para localizar e comprar em poucos segundos livros que nos poderiam custar anos para conseguir - é a possibilidade de escrever sobre o presente e conhecê-lo, com incontáveis elementos adicionais de informação. É possível que isso provoque efeitos muito benéficos dentro de pouco tempo mais. É provável ainda que as populações de muitos países se dêem conta muito antes, enquanto estão em condições de fazer algo a respeito, de farsas de enganação coletiva, de psicopatas nos mais altos cargos do poder, de ambiciosos planos de domínio global etc. Este livro não poderia ter sido realizado há cinqüenta anos. Nem sequer há dez anos. A garota graduada em História mencionada acima teria tido, nesse caso, razão. Mas hoje as coisas mudaram. Te­mos acesso a infinitos elementos adicionais de informação. Se não os usássemos por preconceitos ou devido a frases feitas do tipo "a histó­ria necessita de muito tempo para ser escrita", estaríamos fazendo o jogo dos personagens mais obscuros: os que desejam que a realidade seja escrita da maneira que mais lhes convém. Muitas vezes, trata-se dos personagens com mais recursos para tentar "apagar" da memória coletiva as informações que possam chegar a comprometê-los. Esse é um velho costume utilizado por tiranos de todas as épocas. Conta-se que os mais sanguinários imperadores romanos tinham historiadores oficiais. Estes escreviam loas a atrozes imperadores e à sua ação de governo. Só muitas décadas mais tarde, quando todos os protagonis­tas já estavam mortos, Tácito e Suetônio puderam pôr as coisas em seu lugar e colocar personagens como Tibério, Calígula e Nero na posição que mereciam: no panteão dos mais sinistros e perversos im­peradores de todos os tempos. No entanto, muitos dos cidadãos roma­nos contemporâneos ao período morreram sem saber quanto de seus males, de suas misérias e até mesmo de suas próprias mortes diárias era devido aos próprios imperadores e ao seu sistema de censura e de manipulação da imprensa e da História. No próprio Império Romano, tardou-se mais de sessenta anos para que se conhecesse cabalmente quem esses três imperadores tinham sido. Que o mesmo não aconteça conosco. Graças à rede, isso agora é possível. Mas, para que nos livremos do problema, depende de nós, de uma participação ativa. Nas próximas páginas, começará a ficar claro por quê. ==================================================================================================================================================== -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2634 - Data de Lançamento: 01/20/10 09:12:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100120/526285f1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. O artigo é de Eduardo Galeano. > LEIA MAIS | Internacional | 19/01/2010 . Argemiro Ferreira: O Haiti antes e depois da tragédia Chile à direita: alerta no continente Além do peso estratégico do Chile, o que há de emblemático na vitória de Piñera é o caráter da coligação triunfante, ironicamente chamada de Coalizão pela Mudança. Pela primeira vez retornam ao poder forças políticas que deram sustentação direta às ditaduras militares da América do Sul. Não é pouca coisa, definitivamente. Tampouco trata-se de fato isolado. Se analisarmos a cadeia de acontecimentos que marcou o ano passado, encontraremos pistas evidentes de uma contra-ofensiva da direita latino-americana. O artigo é de Breno Altman. > LEIA MAIS | Internacional | 19/01/2010 PNDH 3 é fiel à Constituição, diz Sepúlveda Pertence Em entrevista à Carta Maior, o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, defende o 3° Plano Nacional de Direitos Humanos e critica a ignorância de quem não leu o plano e o "propósito, mal dissimulado, de fazer da objeção global ao plano uma bandeira da campanha eleitoral que se avizinha". Para Pertence, "o Plano é fiel à Constituição. Não apenas ao que dela já se implementou, mas principalmente, ao arrojado projeto de um Brasil futuro, que nela se delineou, e que falta muito para realizar". > LEIA MAIS | Política | 18/01/2010 . José Gregori: "Plano aflorou divisionismos que pensei superados" "Nunca se discutiu tanto direitos humanos no Brasil" "A maioria da mídia brasileira demorou 18 dias para descobrir a importância do PNDH3 por absoluta falta de aptidão para temas que saiam da área econômica, onde seus interesses estão, geralmente, concentrados". A avaliação é de Rogério Sottili, ministro em exercício da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, que, em entrevista à Carta Maior, analisa a polêmcia criada em torno do programa. Essa polêmica, observa, tem como lado positivo a visibilidade inédita que o tema ganhou no país > LEIA MAIS | Política | 19/01/2010 Madalena, o teatro das oprimidas O Centro de Teatro do Oprimido realiza no Brasil, Guiné-Bissau e Moçambique, países da África lusófona, de janeiro a maio de 2010, o Laboratório Madalena. Trata-se de uma experiência cênica voltada exclusivamente para mulheres empenhadas em investigar as especificidades das opressões enfrentadas pelas mulheres e em atuar para a criação de medidas efetivas que contribuam para a superação dessas opressões e para a igualdade dos gêneros. > LEIA MAIS | Arte & Cultura | 17/01/2010 O Berlusconi chileno A esquerda não soube construir, nas duas décadas de democratização, uma alternativa antineoliberal no Chile. O povo chileno pagará caro esse erro da esquerda, que agora tem, pelo menos, a possibilidade de colocar em questão o modelo herdado do pinochetismo. - 20/01/2010 -------------------------------------------------------------- Colunistas Antonio Lassance O legado dos amaldiçoados: uma breve história do Haiti A tragédia que fez o Haiti desabar é mais um golpe sobre um povo com o qual toda a América Latina tem uma dívida histórica. O Haiti foi promotor dos ideais da Revolução Francesa, da luta contra a escravidão, do anti-colonialismo e do americanismo bolivariano. - 18/01/2010 Washington Araújo Aos 50, Brasília espera ser resgatada O melhor presente que Brasília poderia receber em seu 50º aniversário seria nada menos que a punição de todos os envolvidos nos escândalos de corrupção flagrados pelo dublê de Secretário de Estado, delegado de polícia e cineasta Durval Barbosa. - 19/01/2010 Olgária Mattos Democracia e neurose obsessiva Alimentado pela ideologia do consumo, o espectador político é acalentado pela promessa de bem-estar permanente difundida por um ?tirano racional?, que promove a beleza e o sucesso. Diante disso, a angústia do perdedor só aumenta e eclode na agressão ao rosto do Presidente italiano. - 19/01/2010 Francisco Carlos Teixeira As grandes crises de 2010: o caso coreano A insistência da Coréia do Norte em avançar com seu programa de rearmamento, inclusive nuclear, tornou-se um dos principais focos de crise na Ásia Oriental e um dos elementos de pressão na política externa de Obama. - 13/01/2010 Roberto Efrem Filho Os Direitos Humanos sob conflito O que temem os setores conversadores de nossa sociedade - de Jobim aos seus militares, do DEM à CNA munida de seus proclamados demônios ? não é efetivamente a legalização do aborto ou a Comissão de Verdade e Justiça. - 13/01/2010 -------------------------------------------------------------------------- Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição aqui -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100120/216931d1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 21 20:56:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 21 Jan 2010 20:56:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] EM NOME DE DEUS Message-ID: <002838F051C24703AD75FFF1974A8D43@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................................................repassem EM NOME DE DEUS Laerte Braga Samuel L. Jackson em PULP FICTION, filme do diretor Quentin Tarantino (1994), cita versículos bíblicos, salmos, antes de matar ?devedores? do seu chefe, um traficante de drogas, um gangster a moda norte-americana. Mas dos tempos atuais. Sem aquela arrogância e pretensão de Al Capone. A de ser um cidadão benquisto pela sociedade cristã, democrática e capitalista. O Reino Unido, como ainda teimam em chamar a Grã Bretanha, ex-potência imperial onde o sol nunca se punha, tem dez mil soldados no Afeganistão. O mesmo número que Barack Obama pensa mandar para o Haiti em missão de ?ajuda?. Os soldados do Reino Unido receberão fuzis com miras telescópicas que terão referências bíblicas. O cara pega o fuzil, mira e antes de atirar lerá um salmo para reforçar sua convicção cristã, democrática e capitalista. Segundo o Ministério da Defesa da Grã Bretanha, 400 visores com mensagens bíblicas foram encomendados à empresa norte-americana Trijicon. Quando mirar no adepto do Islã alvo da ?ajuda? cristã, democrática e capitalista, o soldado ira encontrar na mira a sigla JN8:12, em referência ao capítulo 8, versículo 12, do livro de João. O versículo é o seguinte ? ?então Jesus lhes falou outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas e sim terá a luz da vida?. Para a oposição ao governo de Gordon Brown isso reforçará o Talibã. Não vai deixar dúvidas que se trata de uma guerra santa. A diferença na boçalidade entre Saddam, por exemplo, ou Mubarak, ou qualquer governo de Israel, é só de estilo e lado, cada um tem o seu ?deus?. O grande ?deus? dos EUA começa a funcionar a hora que o sino da bolsa de Wall Street bate, é a catedral sendo aberta. Jorra ?ajuda? pelo mundo inteiro. A empresa norte-americana declarou que usa esse expediente há mais de vinte anos e os resultados têm sido satisfatórios. A tecnologia da morte, o aperfeiçoamento da boçalidade em nome de Deus. A ?polícia? de Honduras, departamento norte-americano naquele país e que por lá chamam de forças armadas, quando derrubou o presidente constitucional Manuel Zelaya, recebendo ordens do comandante militar norte-americano na base de Tegucigalpa, entrou no palácio do governo para empossar o golpista Roberto Michelleti carregando um grande crucifixo. No Brasil foi a mesma coisa em 1964. O comandante era um general quatro estrelas dos EUA, Vernon Walthers. E todos receberam a comunhão das mãos do cardeal do país. Continuam matando opositores, torturando presos por crime de opinião, estuprando mulheres em aldeias, vilas e cidades pequenas, tudo em nome da democracia, do cristianismo e do capitalismo. A propriedade privada. João XXIII, um dos últimos papas (João Paulo II foi empregado de Washington, garoto da ?propaganda santa?, cruel e vingativo com seus adversários e Bento XVI é integrante decidido do IV Reich), numa de suas encíclicas, afirma que a luta armada pela garantia dos direitos básicos e fundamentais do homem é válida quando todos os outros recursos estiverem esgotados. Por trás da afirmação existe o reconhecimento da condição básica do ser humano, do outro, da dignidade desse ser e do outro. Guantánamo é um campo de concentração e o mundo, logo após a guerra e a ocupação do Iraque, viu em imagens que nem a grande mídia (venal) pode esconder, como eram tratados os prisioneiros nas prisões daquele país. Tratados pelos norte-americanos. Um ?louco? matou dez pessoas numa cidade do estado de Virgínia, terça ou quarta-feira dessa semana. Isso é corriqueiro nos EUA. Alerta divino, via de regra todos por lá recebem, por isso Edir, o Macedo, conseguiu ser incorporado. Os Estados Unidos são uma sociedade doente e exportam essa doença para o resto o mundo na ponta de suas baionetas (que nem usam mais). Agora manda miras telescópicas com salmos bíblicos. Quando vejo jornalistas como Lúcia Hipólito ou Miriam Leitão tentando explicar porque é preciso aceitar o poderio dos EUA para que os haitianos sejam ajudados, não tenho a menor dúvida que a honra foi deixada do lado de fora. Ou como diz um amigo cínico, ?coisa do tipo você me ajuda e aí pode fazer o que quiser?. Bêbada, Lúcia Hipólito não conseguiu articular coisa alguma. Se a bebida destrava a língua de uns, trava a consciência de outros. Pode ser. Deve ser. Sexta-feira, na cidade de São Paulo, as vacas da Cow Parade vão para as ruas homenagear os 456 anos da capital. Isso deve ser em honra ao governador José Collor Serra que em 2002 afirmou que estava vendo uma vaca pela primeira vez, ao vivo, já com mais de cinqüenta, quase sessenta. Uma das ?vacas? é de fibra de vidro e interage com celulares e as chamadas redes sociais. Cerca de 57% da população de São Paulo, se pudesse, sairia da cidade. É o resultado de uma pesquisa divulgada no início dessa semana. E ainda querem, o esquema FIESP/DASLU, impor esse modelo ao Brasil via tucanos e DEMocratas. Contam com as bênçãos do ?deus? GLOBO e do profeta William Bonner, sua corte de Alexandres Garcias, a água é espargida pela sacerdotisa Xuxa e o culto começa à hora que se inicia o BBB. Quem quiser pode comprar no sistema de tevê fechado e ficar o dia inteiro adorando os bezerros e bezerras confinados no ?templo? em nome do cristianismo, da democracia e do capitalismo. E durma tranqüilo, Barack Obama vela por todos nós. Se necessário for, manda ?ajuda? em tempo recorde. E depois é só relaxar. Breve nos intervalos comerciais do JORNAL NACIONAL, das novelas e do BBB, mensagens bíblicas para o gáudio e satisfação do Homer Simpson. Pastor William Bonner, tem diferença nenhuma do outro, o Edir, falo do Macedo. Nem do cara que matou dez em Virgínia, ou da empresa que produz miras telescópicas com mensagens bíblicas. Pode se matar de várias formas. São doenças cristãs, ocidentais, democráticas e que garantem a propriedade privada. O resto é resto. Vieram do império. Vírus que nem o da gripe suína, mas muito pior. Deixa a turma apatetada, discando o celular para falar com o BBB ou com a vaca interativa. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2636 - Data de Lançamento: 01/21/10 07:34:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100121/ea02c725/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 22 18:56:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 22 Jan 2010 18:56:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=22Hitler_ganhou_a_guerra=22____?= =?iso-8859-1?q?de_Walter_Graziano_______-_________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________Cap=EDtulo__1=2E_NASH_=3A_A_PONTA_DO?= =?iso-8859-1?q?_NOVELO?= Message-ID: <86AA38ACE8ED4D3A978B862FAB366F52@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................................................repassem 1. NASH: A PONTA DO NOVELO A guerra é a paz. A liberdade é a escravidão. A ignorância é a força. George Orwell. Teoria e prática do coletivismo oligárquico. Capítulo 9. Parte 2. 1984. Quem não acredita, sem quase nenhum questionamento, no velho ditado que afirma que "a História é escrita pelos vencedores"? Mais ainda, costuma-se repetir essa frase o tempo todo. No entanto, em poucas ocasiões se tem uma exata idéia de até que níveis de pro­fundidade isso pode chegar a ser verdade. Existe outra frase famosa, que também faz parte do repertório popular. Vale a pena colocar am­bas em jogo dialético. Trata-se daquele velho ditado que assegura que "a realidade supera a ficção". Se estamos de acordo que ambas as frases geralmente estão corretas, não nos resta alternativa além de pensar que a História - por mais doloroso que isso possa ser - é somente o que desejaríamos que tivesse acontecido. Ou seja, algo distante do que realmente aconteceu. E, mais ainda, é somente o que aqueles que a escreveram, ou a escrevem, desejariam que tives­se acontecido, mediante a distorção de fatos ocorridos na realidade. Muitas vezes, para os vencedores é necessário interpretar de forma modificada os fatos, silenciar sobre as espinhosas questões ocorridas ou, inclusive, gerar a História a partir do nada. Precisamente por isso, é bem possível pensar, seguindo até as últimas conseqüências o jogo dialético dessas duas verdades populares, que, se algo não está escrito nos meios de comunicação de massa ou em abundante bibliografia e não faz parte do "saber majoritário", então não ocorreu, não aconteceu, não é verdade. A versão de um fato divulgada pelos meios de comunicação de massa é precisamente o que se conhece como História. Comecei a ter uma idéia cabal de tudo isso por causa de um acon­tecimento trivial, casual, cotidiano, que foi ter ido ao cinema para ver um filme. O filme em questão era nada menos que Uma mente bri­lhante, a obra protagonizada por Russell Crowe, que ganhou o Oscar de melhor filme de 2001, em março de 2002. Na realidade, trata-se de um duplo prêmio, porque a história narra a vida do matemático John Nash, que em 1994 obteve o Prêmio Nobel de Economia por suas descobertas a respeito da denominada "Teoria dos Jogos". Apesar de o filme ter características altamente emotivas, de­vido à mescla de realidade e fantasia que o roteiro mostrava sobre a vida de Nash, um detalhe do mesmo não podia passar inadvertido por nós que exercemos a profissão de economistas. Trata-se somente de um detalhe, de um instante, de apenas um momento do filme em que o protagonista afirma que descobriu, literalmente, que Adam Smith - o pai da Economia - não tinha razão quando, em 1776, na sua obra A riqueza das nações, esboçou a sua tese principal - e base de toda a teoria econômica moderna - de que o máximo nível de bem-estar social é gerado quando cada indivíduo, de forma egoísta, persegue o seu bem-estar individual e nada mais do que isso. Na cena seguinte do filme, o decano da Universidade de Princeton, Mr. Herlinger, obser­va atônito os desenvolvimentos matemáticos mediante os quais Nash expõe esse raciocínio acerca de Adam Smith e declara que, com ele, mais de um século e meio de teoria econômica se desvanecia. Como economista, devia fazer-me uma pergunta: tratava-se de uma verdade ou de uma idéia maluca do roteirista do filme? Comecei a investigar, e o melhor é que se tratava... de uma verdade. Pois bem, o que chama muito poderosamente a atenção é que essas expressões vertidas no filme tenham passado despercebidas para milhares e mi­lhares de economistas. Para o público comum, que não passou anos inteiros estudando Economia, pode não chamar a atenção e até mes­mo parecer natural escutar que alguém descobriu que Adam Smith não tinha razão na sua tese quanto à panacéia que significava o indi­víduo para qualquer tipo de sociedade. Contudo, para um economista, não pode escapar, se este tem uma posição realmente científica, a real dimensão do que significaria a demolição do individualismo e da li­vre concorrência como base central da teoria econômica. É necessário reforçar que Nash descobre que uma sociedade ma­ximiza seu nível de bem-estar quando cada um de seus indivíduos age em favor do seu próprio bem-estar, mas sem perder de vista também o dos demais integrantes do grupo. Ele demonstra como um compor­tamento puramente individualista pode produzir em uma sociedade uma espécie de "lei da selva" na qual todos os membros acabam por obter menor bem-estar do que poderiam. Com essas premissas, Nash aprofunda as descobertas da Teoria dos Jogos, descoberta na década de 1930 por Von Neumann e Morgestern, gerando a possibilidade de mercados com múltiplos níveis de equilíbrio segundo a atitude que tenham os diferentes jogadores, segundo haja ou não uma autoridade externa ao jogo, segundo haja ou não cooperação entre os diferentes jogadores. Dessa maneira, Nash ajuda a gerar todo um aparato teó­rico que descreve a realidade de forma mais acertada do que a teoria econômica clássica e que tem usos múltiplos em economia, política, diplomacia e geopolítica, a tal ponto que pode explicar e incluir o mais sangrento de todos os jogos: a guerra. Tudo isso pode parecer difícil de entender. Mas não é. No fun­do, se pensarmos bem, as descobertas de Nash implicam uma verdade indiscutível. Por exemplo, tomemos o caso do futebol. Suponhamos uma equipe em que todos os seus jogadores tentem brilhar com luz própria, jogar como atacantes e fazer o gol. Mais do que companhei­ros, serão rivais entre si. Uma equipe com essas características será presa fácil para qualquer outra que aplique uma mínima estratégia lógica: que os onze integrantes se ajudem entre si para vencer o rival. Qual o leitor acha que vai ser a equipe ganhadora? Mesmo que a pri­meira equipe tenha os melhores jogadores, é provável que naufrague e que, inclusive, até os membros da segunda equipe joguem, ou pa­reçam jogar, melhor individualmente. É isso, nem mais nem menos, o que Nash descobre, em contraposição a Adam Smith, que sugeriria que cada jogador "fizesse só o seu melhor". Apesar de tratar-se de um conceito muito básico, em geral pra­ticamente nada da Teoria dos Jogos é ensinado aos economistas, quase nada há escrito em outro idioma que não seja o inglês e, obviamente, o pouco que se ensina nos cursos de graduação e pós-graduação o é feito sem que se formule o esclarecimento prévio de que, ao se traba­lhar com a Teoria dos Jogos, se usa um instrumental mais sofisticado e mais próximo da realidade do que com a teoria econômica clássica. A tal ponto chega essa distorção (cheguei a duvidar já no início se não se tratava de uma manipulação), que se silencia que a grande teoria de Smith fica, na realidade, anulada pela falsidade de sua hipótese básica, coisa demonstrada por Nash. No curso de Economia, na Argentina e em uma vasta quantida­de de países, tanto nas universidades privadas como nas públicas, con­tinua-se ensinando desde o primeiro dia até o último que Adam Smith não só é o pai da Economia, mas que, além disso, estava certo quanto à sua hipótese acerca do individualismo. Os argumentos que são uti­lizados para explicar que ele supostamente tinha razão baseiam-se geralmente em desenvolvimentos teóricos anteriores às descobertas de Nash e em certas evidências empíricas percebidas não sem uma alta dose de arbitrariedade. O resultado disso é que se contamina a teoria econômica - que deveria constituir uma ciência - com uma visão ideológica, o que institui nela exatamente o contrário do que de­veria ser uma ciência. Muitos dos professores que dia a dia ensinam Economia aos seus alunos nem sequer foram informados de que faz mais de meio século alguém descobriu que o individualismo, longe de conduzir ao melhor bem-estar de uma sociedade, pode produzir um grau menor, e muitas vezes sensivelmente menor, de bem-estar geral e individual do que aquele que se poderia conseguir através de outros métodos de ajuda mútua. Como isso pode ser explicado então? Como é que viemos a sa­ber, através de um filme, que o pressuposto básico, fundamental, da ciência econômica é uma hipótese incorreta? Pior ainda, as descobertas de Nash foram efetuadas no princípio da década de 1950, há mais de meio século já, e foram feitas nada menos do que em Princeton, não em algum lugar isolado do planeta, sem conexões acadêmicas com o resto dos economistas, dos professores e dos profissionais da economia e das finanças, fatores que devem aumentar o grau de surpresa. Qual é o papel que poderíamos esperar das mentes mais bri­lhantes de uma ciência, se, de repente, alguém descobre matematica­mente que o próprio embasamento fundamental dessa ciência é in­correto? Seria possível supor que, em tal caso, todos teriam que frear os desenvolvimentos das teorias que vêm sustentando ou gerando e das idéias sobre as quais estão trabalhando, para começar a repen­sar as bases fundamentais da teoria, admitindo que, na realidade, se sabe muito menos do que se acreditava saber até o aparecimento da descoberta. Assim, teria início um trabalho para dotar de novas bases e novos fundamentos a ciência cuja premissa fundamental acaba de ruir. Essa seria a lógica, sobretudo se levarmos em conta que, no que diz respeito à Economia, a riqueza, o trabalho e a vida diária de mi­lhões e milhões de pessoas são de fato alterados em função das con­clusões de uma teoria, dos conselhos que a partir dela os economistas podem dar e das medidas que finalmente são tomadas por governos e empresas. Os efeitos sobre a humanidade podem ser maiores do que no caso de outras ciências. Quando são feitas recomendações econômicas, atinge-se direta ou indiretamente o destino de milhões de pessoas, o que deveria impor o cuidado e a prudência, não só naqueles que elaboram as políticas econômicas, mas também naqueles que opinam e aconselham. Portanto, a descoberta de Nash sobre a falsidade da teoria de Adam Smith deveria ter colocado a comunidade dos economistas no planeta inteiro em estado de alerta e emergência. Isso, é claro, não ocorreu, em boa medida devido ao fato de que só um reduzido número de profissionais da Economia se inteirou no início dos anos 50 da verdadeira profundidade das descobertas de Nash. Pode-se pensar, então, que um saudável revisionismo seria uma verdadeira atitude científica diante do acontecido. Entretanto, nada disso ocorreu nem ocorre na Economia. Os economistas, não só nos cursos de graduação, mas também nos de pós-graduação, tanto na Ar­gentina como no exterior, não recebem informação nenhuma sobre o fato de que a base fundamental da Economia é uma hipótese demons­trada como incorreta, nada menos que a partir da própria matemática. Além de carecer de qualquer informação nesse sentido, são transmi­tidas enormes doses de teorias e modelos econômicos desenvolvidos desde a década de 1950, precisamente quando essa incorreção já era conhecida em pequenos e influentes núcleos acadêmicos, os quais não só entronizam a premissa básica do individualismo smithsoniano, como também tentam universalizar para todo período do tempo e do espaço os desenvolvimentos econômicos clássicos e neoclássicos iniciados pelo próprio Smith. Quem acredita que isso não tem conseqüências se engana gra­vemente. Teríamos que perguntar, por exemplo, se a própria globa­lização teria sido possível, na sua atual dimensão, se as descobertas de Nash tivessem tido a repercussão que mereciam, se os meios de comunicação as tivessem difundido e se muitos dos economistas con­siderados os de maior prestígio em todo o mundo, muitas vezes fi­nanciados por universidades norte-americanas que devem a sua exis­tência a grandes empresas do setor privado, não as tivessem deixado esquecidas no armário. Se tivesse ocorrido em seu devido momento um revisionismo profundo a partir das descobertas de Nash, talvez tivésse­mos hoje estados nacionais muito mais fortes, reguladores e poderosos do que os que temos, depois de uma década de globalização. Um ponto central que deve ser levado em conta - e que iden­tifiquei pouco depois de começar a pesquisar o tema - é o de que, de forma praticamente simultânea às descobertas de Nash, dois econo­mistas, Lipsey e Lancaster, descobriram o denominado "Teorema do Segundo Melhor". Essa descoberta enuncia que, se uma economia, devido às restrições próprias que ocorrem no mundo real, não pode funcionar no ponto máximo de plena liberdade e concorrência perfei­ta para todos os seus atores, então não se sabe a priori o nível de re­gulação e intervenções estatais de que o país necessitará para funcio­nar da melhor maneira possível. Em outras palavras, o que Lipsey e Lancaster descobriram é que é possível que um país funcione melhor com uma maior quantidade de restrições e interferências estatais do que sem elas. Ou seja, que bem poderia ser necessária uma atividade estatal muito intensa na economia para que tudo funcione melhor. O que se pensava até o momento era que, se o máximo era inalcançável porque o "mundo real" não é igual ao frio mundo da teoria, então o ponto imediatamente melhor para um país era o da menor quantidade de restrições possíveis para o funcionamento da plena liberdade eco­nômica. Pois bem, Lipsey e Lancaster derrubaram há mais de meio sé­culo esse preconceito. Como conseqüência direta disso, reaparecem no centro da cena temas como tarifas para a importação de bens, subsídios à exportação e a determinados setores sociais, impostos diferenciados, restrições ao movimento de capitais, regulamentações financeiras, etc. Como a Teoria dos Jogos, o Teorema do Segundo Melhor qua­se não é explicado aos economistas em universidades públicas e pri­vadas. Mesmo quando suas implicações são enormes, geralmente o tema já é dado como aprendido em somente uma aula - em apenas uma meia hora - e passa-se a outro assunto. Fica parecendo quase uma "esquisitice" exótica inserida nos programas de ensino, uma curiosidade para a qual não se costuma dar muita importância. Erro crasso. Um caso típico é o da ex-União Soviética. Gorbachov, em seu momento, decidiu desregular, privatizar e abrir a economia, eliminan­do rapidamente a maior quantidade possível de barreiras à livre con­corrência. Não deu certo. Longe de progredir rapidamente, a econo­mia russa caiu em uma das piores crises de sua história. Se tivessem sido aplicados os postulados de Lipsey e Lancaster, teria havido mais cautela e, muito provavelmente, as coisas não teriam saído tão mal. Se combinássemos as descobertas de Nash, Lipsey e Lancas­ter, o que obteríamos é que não se pode estabelecer a certa distância, e de antemão, o que é melhor para um determinado país, mas sim que isso dependerá de uma grande quantidade de variáveis. Portanto, toda universalização de recomendações econômicas é incorreta. Não se pode dar o mesmo conselho econômico (por exemplo, privatizar, desregular ou eliminar o déficit fiscal) para todo país e em todo mo­mento. No entanto, isso é precisamente o que se vem fazendo cada vez com mais intensidade, sobretudo desde a década de 1990, quan­do, ao ritmo da globalização, foram encontradas receitas que têm sido ensinadas como universais, como verdades reveladas, que todo país deve sempre aplicar. Pode parecer estranho, mas provavelmente não o seja: uma descoberta fundamental e que teria mudado a história da teoria eco­nômica e até teria dificultado a aparição da globalização não teve pra­ticamente nenhuma difusão fora de um muito reduzido núcleo de eco­nomistas acadêmicos residentes nos Estados Unidos, fato pelo qual se impôs a ideologia falsa com que muitos governos, em muitos casos sem sabê-lo, tomam decisões econômicas. Enquanto essas teorias não recebiam o grau de atenção adequado por parte dos economistas, dos arquitetos de políticas governamentais e da população em geral, as teorias desenvolvidas na Universidade de Chicago começaram a ob­ter, naquele mesmo momento, a partir das décadas de 1950 e 1960, uma grande difusão nos meios de comunicação. Nada menos que a mesma instituição que tinha acolhido em sua sede o italiano Enrico Fermi, com o fim de que desenvolvesse a bomba atômica, financiou em matéria econômica Milton Friedman, também Prêmio Nobel de Economia, que começou a desenvolver nos mesmos anos 1950 a de­nominada "Escola Monetarista". Depois de mais de uma década de estudos, Friedman e seus seguidores chegam à conclusão de que a atividade do Estado na economia deve ser reduzida a só uma premis­sa básica: emitir dinheiro no mesmo ritmo em que a economia está crescendo. Ou seja, se um determinado país cresce naturalmente a uma taxa de 5% ao ano, para Friedman, seu Banco Central deve emitir moeda nesse mesmo ritmo. Se, ao contrário, cresce naturalmente 1% ao ano, deve emitir moeda só no ritmo de 1% ao ano. A lógica intrínseca desse raciocínio é a de que o dinheiro serve como lubrificante da eco­nomia real. Portanto, se de forma natural uma economia cresce muito rapidamente, ela necessita que o Banco Central do referido país gere mais meios de pagamento do que se estivesse estancada. No fundo, a recomendação de Milton Friedman é a de que cada país mantenha uma relação constante entre quantidade de dinheiro e o PIB. Qualquer outra política econômica estatal é desaconselhada por Friedman. A Escola Monetarista teve um enorme grau de difusão em todo o mundo, mesmo que os bancos centrais dos principais países desen­volvidos jamais tenham aplicado os conselhos de Friedman, com a única exceção de Margaret Thatcher. A primeira-ministra britânica, depois de um breve período de alguns meses empregando as polí­ticas monetaristas na Inglaterra, precisou ganhar uma guerra (a das Malvinas) para recuperar a popularidade perdida pelos desastrosos resultados de tais políticas, que tinham elevado o desemprego na In­glaterra a níveis poucas vezes vistos - nada menos que 14% -, sem ao menos acabar com a inflação. Foi o único e muito breve caso de aplicação das receitas desta escola em países desenvolvidos. No en­tanto, as pressões para que nações em vias de desenvolvimento, como a Argentina, apliquem estas políticas sempre têm sido muito fortes. Cabe esclarecer que há geralmente dois tipos de pessoas para as quais as fórmulas de Friedman têm sido de uma atração pouco me­nos do que irresistível: trata-se de teóricos da economia em primeiro lugar e, em segundo, de grandes empresários. Mas ambos por motivos diferentes. Para muitos economistas teóricos, a atração que as teorias de Friedman produziam provinha da simplicidade de sua recomenda­ção: "Emita moeda no ritmo em que você cresce". Além disso, o ca­ráter universal dessa premissa básica aproximava, na mente um tanto "distorcida" de muitos profissionais na matéria, a economia das ciên­cias exatas: a Física e a Química, objetivo que muitos dos economis­tas mais renomados do século XX têm perseguido, na crença de que uma ciência é mais séria se consegue encontrar fórmulas de aplicação universal ao estilo do que a lei da gravidade é na Física. Milton Friedman parecia proporcionar precisamente isso: uma lei de aplicação universal ao campo econômico. Até poderíamos discu­tir se essa miragem perseguida por muitos economistas não é no fun­do nada mais do que um perigoso reducionismo, dado que as ciências sociais não se movem segundo os mesmos parâmetros que as ciências exatas. Mas nem todos os que foram atraídos pelas teorias de Friedman o faziam por esse motivo: uma boa parte do establishment via na geração e na aplicação desse tipo de teorias a possibilidade de derrubar um grande número de travas e regulamentações estatais em muitos paí­ses, podendo assim alargar a sua base de negócios a zonas do planeta que permaneciam alheias à sua atividade. Isso explica o alto perfil que alcançaram as teorias monetaristas - apesar de estarem fundadas nos incorretos pressupostos de Adam Smith antes mencionados - e a sua presença constante nos meios de comunicação, muitas vezes propriedade desse mesmo establishment. O fato de que o establishment dos países desenvolvidos louvasse enormemente essas teorias, ao mesmo tempo em que os governos desses mesmos países desenvolvidos não aplicassem para si as teorias monetaristas, não foi um obstáculo para que muitos dos mais poderosos empresários pressionassem os gover­nantes de países periféricos para que aplicassem as teorias de Milton Friedman. Um caso típico foi o da Argentina da época de Martínez de Hoz, cujo governo aceitou as pressões de boa parte do empresariado financeiro internacional para produzir a política econômica da era militar de Videla-Martínez de Hoz[1]. Enquanto as descobertas de Nash, Lipsey e Lancaster perma­neciam ocultas para o grande público e quase não disseminadas entre os próprios profissionais da Economia, teorias integralmente basea­das nos pressupostos básicos de Adam Smith, e que Nash demonstrou incorretas, como a monetarista de Milton Friedman, não só recebiam uma enorme difusão nos meios de comunicação, como também con­tavam com o beneplácito do establishment e começavam a fazer es­tragos em países tomados como laboratórios, tudo isso apesar de que, ao se basearem integralmente nos pressupostos de Smith, de antemão os principais acadêmicos dos Estados Unidos não podiam desconhecer que se tratava de teorias econômicas fundadas em pressupostos incorretos, fato pelo qual as suas chances iniciais de sucesso eram quase nulas. Desde os anos 1960 até hoje, a Escola Monetarista e sua fi­lha direta, a Escola de Expectativas Racionais, de Robert Lucas, têm ocupado o centro da cena nas universidades, nos centros de estudos e nos meios de comunicação. A Escola de Expectativas Racionais reduz ainda mais o papel do Estado do que já tinha feito a Escola Mone­tarista. Um país, segundo Lucas, não deve fazer nada mais além de fechar o seu orçamento sem déficit. Se o desemprego é de dois dígi­tos, não deve fazer nada. Se o povo literalmente morre de fome, não deve fazer nada. Um bom ministro - para essa escola - deve deixar no "piloto automático" a economia de um país e só deve se preocupar com que o gasto público esteja integralmente financiado com a arre­cadação de impostos. Robert Lucas, engenheiro de profissão, também da Universida­de de Chicago, depois de uma década de abstrusos cálculos matemáti­cos, baseados integralmente na hipótese fundamental de Adam Smith, chega à conclusão de que qualquer país, em qualquer momento, nem sequer deve emitir dinheiro ao ritmo que cresce. Desse modo, até a regra de ouro de Milton Friedman é abolida por essa escola cujo auge intelectual se localizou na década de 1980. A hipótese fundamental de Robert Lucas é a de que o ser humano possui perfeita racionali­dade e toma suas decisões econômicas com base nela. Essa hipóte­se psicológica foi duramente criticada, mas Lucas e seus seguidores escudaram-se no raciocínio de que não era necessário que cada um dos operadores econômicos fosse perfeitamente racional, mas apenas que a média dos operadores econômicos se comportasse com perfeita racionalidade para que as suas teorias fossem válidas. Isso implica transformar a hipótese psicológica da perfeita ra­cionalidade em uma hipótese sociológica: supõe-se que os desvios na racionalidade humana, em uma sociedade, se compensam entre si. Trata-se, como se vê, de um pressuposto exótico, estranhíssimo, mas, ao mesmo tempo, tão central na teoria de Lucas que, se for derrubado, nada nela permanece de pé. É estranho que isso tenha ocorrido, sobre­tudo à luz das descobertas de outro economista, Gary Becker (Nobel cm 1992), que descobriu matematicamente que as preferências indi­viduais não são agregáveis (ou seja, não se pode obter uma função de preferências sociais a partir da adição das individuais, dado que estas últimas não podem ser somadas). Com essa descoberta, Becker lan­çou um verdadeiro míssil a toda a denominada "teoria da utilidade", que é a base subjacente nas teorias econômicas de Chicago, e termina de derrubar todo o aparato teórico de Chicago e muito mais. Apesar disso, e como com Nash e Lipsey, os "cientistas" que estavam criando as escolas de Chicago não parecem ter acusado re­cibo nenhum. Para Lucas, todas as sociedades do mundo, a qualquer momento, tomam as suas decisões econômicas com perfeita raciona­lidade. As decisões de consumo, poupança e investimentos são feitas, segundo Lucas, sabendo-se perfeitamente bem o que é que o governo está fazendo em matéria econômica. Portanto, para Lucas e os seus seguidores, qualquer iniciativa estatal para mudar o rumo natural com o qual uma economia se move não só é inútil, mas também contrapro­ducente. É assim que Lucas e os seus seguidores chegaram à conclu­são de que o melhor que pode fazer qualquer governo do mundo em qualquer momento, em matéria econômica, é não realizar nada que não seja manter o equilíbrio fiscal. É difícil entender como é que essas idéias, estranhas certamen­te, monopolizaram a atenção de economistas e dos meios de comuni­cação da maneira como aconteceu. No caso específico da Argentina, pertencer à corrente da Escola de Expectativas Racionais durante os anos 1980 e 90 transformou-se, diretamente, em uma moda inesca­pável para muitos economistas. Qualquer economista que não per­tencesse a essa corrente e que a renegasse era visto pouco menos que como um dinossauro. Ninguém se perguntava, e é muito estranho que tenha acontecido assim, como a teoria econômica de todo o planeta podia estar nas mãos de um engenheiro que se pôs a esboçar teorias psicológicas (disciplina muito distante da engenharia), embora fosse extremamente especializado em matemática. Mas aconteceu assim. Ninguém sabe muito bem, tampouco, de onde saiu o argumento de que a média de qualquer sociedade se comporta de maneira perfei­tamente racional. Se nos detivéssemos para pensar um minuto sobre tudo isso, poderíamos chegar facilmente à conclusão de que, se essas teorias eram levadas a sério por muitos daqueles que eram conside­rados os mais idôneos profissionais em economia, foi exclusivamen­te porque tinham sido elaboradas em uma universidade considerada de muito prestígio. Sem o selo de Chicago, as teorias de Lucas provavelmente haveriam causado hilaridade e teriam mandado o engenheiro construir pontes ou edifícios, em vez de tentar expli­car como funciona a economia mundial e a psique média de toda uma sociedade. Para Lucas, então, se os governos não se meterem com a economia, esta atingirá muito facilmente o pleno emprego: é tudo uma questão de os governantes suspenderem todo tipo de restrições à concorrência perfeita e cuidarem para que não haja déficit fiscal. Nada mais do que isso, e, de forma mágica, chega-se ao pleno emprego. E não só ao pleno emprego, mas também aos melhores salários possíveis para a massa trabalhadora, de qualquer país do mundo, em qualquer momento. As implicações disso são, no fundo, grotescas: Lucas quer-nos fazer acreditar que a taxa de crescimento demográfico em qualquer país iguala, em pouco tempo, a taxa de geração de em­prego. O que é o mesmo que dizer que as pessoas optam por se repro­duzir no mesmo ritmo em que são publicados anúncios de emprego em busca de operários e empregados nos jornais. Como se vê, trata-se de uma verdadeira aberração, de imenso porte, se levarmos em conta que, além disso, essa crença é transformada em postulado universal. Não é difícil entender por que, com base em Robert Lucas, chegamos a uma conclusão tão disparatada se considerarmos que o engenheiro parte de hipóteses equivocadas ao fundamentar-se tanto no individualismo de Adam Smith, como em hipóteses psicológicas sui generis. Entretanto, haveria uma forma de pensar que Lucas podia ter algo de razão. Isso se dá se consideramos a existência humana com um critério malthusiano: Thomas Robert Malthus, ensaísta inglês da primeira metade do século XIX, pensava que, enquanto as populações humanas se multiplicavam em uma proporção geométrica, os meios de subsistência só o faziam em uma proporção aritmética. Portanto, a superpopulação era, para Malthus, o pior perigo que ameaçava o pla­neta. Dessa maneira, as guerras, a fome ou as epidemias eram méto­dos "saudáveis" para corrigir o problema da superpopulação. Apesar disso, o tempo não deu razão a Malthus e a população mundial tem crescido incrivelmente nos últimos séculos. Mesmo assim, o esta­blishment norte-americano acredita com fervor nas idéias malthusianas. Basta apontar que o presente dado pelo presidente George Bush ao presidente argentino Kirchner, na visita deste a Washington DC, não foi outro senão a principal obra de Malthus, chamada Um ensaio sobre o princípio da população, do ano de 1798. O corolário da obra de Lucas é, então, a afirmação de que, de forma universal, a taxa de crescimento demográfico iguala a taxa de geração de emprego. Portanto, dado que a taxa de crescimento demo­gráfico não é outra coisa além da taxa de natalidade menos a taxa de mortalidade, que esta última é rapidamente variável e que as pessoas morrem à medida que desaparece o emprego, ou vivem mais se lhes é oferecido trabalho, poderíamos nos localizar quase sempre em uma espécie de "pleno emprego", segundo Lucas. Se temos uma filosofia malthusiana, é obviamente muito mais fácil acreditar na Escola das Expectativas Racionais. Por que o establishment, a elite norte-americana, crê em Malthus, mesmo quando a realidade demonstrou que ele não es­tava certo? Porque calculam que é só uma questão de tempo até que Malthus se mostre correto. Como a energia do planeta está baseada em recursos não renováveis, o que boa parte do establishment anglo-americano pensa é que, à medida que o petróleo se esgote, Malthus começará a ter razão. Se não há energia disponível para transportar os alimentos ou para produzi-los, uma boa parte da população poderia estar destinada a desaparecer. Tudo seria questão de determinar que parte. E, para isso, a elite de negócios norte-americana usa a teo­ria de outro inglês famoso: Charles Darwin. Darwin foi o criador da Teoria da Seleção Natural. Essa teoria predica que as espécies mais aptas, que melhor se adaptam ao meio, sobrevivem e se reproduzem, enquanto que as menos aptas perecem e se extinguem. Aplicar uma combinação das principais teses de Malthus e Darwin às sociedades implica adotar uma posição racista de forma sistemática. No que diz respeito ao petróleo, elemento central nessa linha de pensamento, muito pouca informação sobre suas quantidades e sua distribuição geográfica e acerca de outros recursos que possam substituí-lo costuma ser divulgada de forma massiva nos meios de comunicação. Pensar em substituir a tecnologia do petróleo por outra, do ponto de vista econômico, apresenta mais de um risco que será necessário correr. Requer pensar com muita antecipação sobre o pa­norama que pode ser ocasionado nos mercados financeiros, dado que um eventual substituto barato do petróleo poderia pôr em um risco elevado a saúde financeira dos enormes conglomerados petroleiros e, portanto, dos mercados financeiros em seu conjunto. Por outro lado, um substituto muito barato e abundante poderia tirar, de forma ime­diata, milhões de pessoas da pobreza. Voltando à Escola das Expectativas Racionais, apesar de por motivos óbvios nenhum país desenvolvido ter aplicado ou aplicar hoje em dia as teses de Robert Lucas, a Argentina, sim, as aplicou. O chamado "piloto automático", com o qual operavam os ministros Cavallo, Fernández e Machinea, não era nada mais do que a confissão de que o Estado ia lavar as mãos sobre a crise de emprego que a Argentina vivia na década de 1990, e a mensagem que os argentinos recebiam de forma massiva através dos meios de comunicação era a de que, segundo as autoridades e os economistas supostamente in­dependentes, não se devia fazer nada, porque a situação do emprego poderia solucionar-se por si só. Não é por acaso que Robert Lucas vi­sitou a Argentina em 1996 - convidado de forma especial pela princi­pal usina da Escola de Expectativas Racionais da Argentina: o CEMA (Centro de Estudos Macroeconômicos da Argentina) - e até conheceu o então presidente Menem na residência presidencial de Olivos, o que mostra até que ponto essa verdadeira seita da Economia atingiu profundamente a Argentina. Quem se perguntar por que na Argentina essas idéias tiveram muito mais aplicação do que em outros países, pode encontrar uma resposta ao alcance da mão: desde a década de 1960, a Argentina pa­deceu cronicamente de altas taxas de inflação e até chegou ao excesso de sofrer duas curtas hiperinflações em 1989. Dado que as teorias de­senvolvidas na Universidade de Chicago, tanto a de Friedman como a de Lucas, vinham etiquetadas como o mais poderoso antídoto contra a inflação, os economistas argentinos adotaram um corte muito mais pronunciado que seus pares de outros países do mundo a favor das teorias de Chicago, sem exercer o pensamento crítico simplesmente porque essas idéias vinham de Chicago. Muitos dos mais conhecidos de nossos economistas inclusive estudaram ali e depois disseminaram na Argentina essas idéias. Não é por acaso, então, que já há vários anos este país ostenta o estranho recorde mundial de desemprego e subemprego, os quais, somados, sustentaram durante longos anos al­garismos superiores a 30%. O curioso nesse caso é que geralmente se ensina nas universidades de todo o mundo que a Escola Monetarista surgiu como uma resposta às altas taxas de inflação que os elevados déficits orçamentários causavam em várias partes do planeta. No en­tanto, se revisarmos a História, observaremos que nos anos 1950 e 60 nos Estados Unidos praticamente não havia inflação e, na maior parte dos países desenvolvidos, as taxas de inflação eram relativamente baixas, de só um dígito anual. Seria necessário questionar, então, a suposta origem antiinflacionária das teorias de Chicago, dado que a inflação não era um problema dos países desenvolvidos no momen­to em que essas teorias começaram a surgir. Assim, permanece por enquanto nebulosa a verdadeira causa dessas teorias, precursoras, na verdade, da globalização. Quando foram concebidas, a inflação só era um problema grave em países em vias de desenvolvimento. Terá sido por acaso um gesto de filantropia do establishment norte-americano para com os países pobres dedicar tantos recursos à geração das "es­colas de Chicago"? Em resumo, desde pelo menos a década de 1950, a teoria eco­nômica vem sendo conduzida de uma maneira não só muito pouco profissional, como, além disso, anticientífica, quase como se se tra­tasse da astrologia ou de alguma outra disciplina cujas bases fun­damentais não podem ser explicadas racionalmente. Descobertas científicas de grande envergadura, cuja difusão poderia ter mudado a história da globalização e detido suas piores conseqüências, foram cuidadosamente ocultadas até dos próprios economistas, enquanto que teorias baseadas de antemão em hipóteses provadas matemati­camente como falsas foram disseminadas não somente entre os pro­fissionais em Economia, mas também nos meios de comunicação, e até foram aplicadas nos lugares do mundo em que isso tenha sido possível, como na América Latina. Ensinaram-nos que o sistema de universidades norte-america­no era o mais desenvolvido do mundo, que a sua atitude diante do conhecimento científico era fria e imparcial, que a ciência progredia nessas universidades independentemente de pressões políticas e de conveniências econômicas e empresariais. Como isso pode ter ocor­rido, então? Um detalhe não tão pequeno que se deve levar em conta é o fato de que as duas escolas mencionadas se originaram, se de­senvolveram e se expandiram a partir da Universidade de Chicago, recebendo fortes doses de financiamento dessa instituição. O finan­ciamento não se restringiu somente a pagar os elevados salários dos pesquisadores que desenvolviam as teorias monetaristas e a fomentar expectativas racionais nesse recinto acadêmico, mas também bancou a custosa campanha de difusão dessas idéias nos meios de comunica­ção. É necessário levar em conta que, ainda que alguém possa chegar a uma descoberta do tipo "a pólvora econômica", sem o dinheiro su­ficiente para disseminar essa idéia nos meios de comunicação, não há nenhuma maneira de que o saber em questão se torne de conheci­mento público. É evidente, então, que houve poderosos interesses por trás das teorias da denominada Escola de Chicago, teorias que, por sua vez, constituíram o embasamento para o que hoje é a globalização, mes­mo que se tratasse, nada mais, nada menos, de um saber falso. Que interesses estão por trás da Universidade de Chicago? Pois bem, ela foi fundada pelo magnata do petróleo John D. Rockefeller, criador, além disso, do maior monopólio petrolífero do mundo: a Standard Oil. Essa instituição de estudos superiores tem sido desde sempre um baluarte da indústria petroleira. Mas o controle de uma alta casa de estudos como a Universidade de Chicago por si só não teria bastado, no meio de um contexto intelectual muito independente, para impor as idéias de Milton Friedman e Robert Lucas da maneira como foi feito. Se tivesse havido um contexto intelectual realmente indepen­dente, teriam aparecido fortes críticas aos pressupostos psicológicos e sociológicos que o engenheiro Lucas introduzia em suas teorias. Por que, então, o nível de críticas que recebeu a Escola de Expectativas Racionais não chegou a ser muito importante? Pois bem, a indústria petroleira não só fundou a Universidade de Chicago, como também controla, de forma direta ou indireta, pelo menos as universidades de Harvard, Nova York, Columbia e Stanford e está presente em muitas outras universidades. É comum que muitos dos diretores desses cen­tros de estudos superiores alternem tarefas em empresas petrolíferas ou em instituições financeiras muito relacionadas com tal setor. Precisamente por isso, não nos deve chamar tanto a atenção que as teorias clássicas da Economia e as suas derivadas (Friedman, Lucas, etc.) dêem praticamente um tratamento uniforme a todos os mercados, de todos os bens, em todos os países e em todos os mo­mentos, sem fazer distinção entre eles. Por quê? Há bens que podem ser produzidos e outros cuja capacidade de produção é limitada: há recursos renováveis e outros não renováveis. O petróleo é, especifi­camente, um recurso não renovável, fato pelo qual seu mercado tem características especiais. Apesar disso, é uma questão que escapa ao tratamento que lhe é dado usualmente na teoria econômica. A quan­tidade de petróleo que há na Terra é finita e limitada. Mais ainda quando se leva em conta que, em se tratando da principal fonte de energia utilizada hoje no planeta, uma eventual escassez brusca não poderia ser contornada mediante o uso de outras fontes de energia, pelo menos de forma rápida. Portanto, os efeitos do que ocorre no mercado petroleiro podem transferir-se com fenomenal rapidez aos outros mercados. Mas os defeitos da Escola de Chicago não se resu­mem a desconhecer esse fato e a negar as descobertas de Nash, Lipsey e Lancaster. Chama a atenção o fato de que o próprio produto, de características particulares e cuja exploração permitiu a fundação da própria universidade e o controle de outras tantas, é um bem que não foi tratado na teoria de uma maneira especial - já que é um recurso não renovável - por Friedman e Lucas, que tampouco levam em conta que precisamente o petróleo é o bem cujo mercado ostenta o maior nível de cartelização do mundo. Paradoxalmente, então, aqueles que tentaram exercer um verdadeiro oligopólio no estratégico mercado da energia fomentaram a criação e a difusão de teorias econômicas baseadas na livre concorrência, na ausência de regulamentações estatais, no paraíso do consumidor e na concorrência constante entre si de uma enorme gama de produtores que só têm em teoria um lucro exíguo a ganhar. Agora começava a ficar mais claro para mim por que, e devido a quem, a principal descoberta de Nash tinha permanecido oculta e, ao mesmo tempo, aparecia como um enigma a verdadeira situação do mer­cado petroleiro, sobretudo à luz das guerras ocorridas no século XXI. BIBLIOGRAFIA LIVROS: Teoria econômica geral: BLANCHARD, Olivier; PÉREZ ENRRI, Daniel: Macroeconomi. Teoria y política económica con aplicaciones a América Latina. Prentice Hall, 2000. DORNBUSCH, Rudiger; FISCHER, Stanley: Macroeconomia. McGraw Hill, 1994. ROLL, Eric: Historia de Ias doctrinas econômicas. Fondo de Cultura Eco­nômica, 1942. 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Trata-se do mesmo personagem que parabenizou o ex-presidente De Ia Rúa pela nomeação de Domingo Cavallo para o Ministério da Economia em 2001, expressando à imprensa o seu beneplácito com a frase: "Cavallo sabe que se deve apertar o cinto". -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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A entrevista em que Jimmy Massey relata sua experiência como soldado do exército norte-americano no Iraque é um exemplo de denúncia que deve ser difundida para todo o mundo. (CF) Foi publicada no jornal Hora do Povo de 21-01-2010. Relato de um marine que esteve no Iraque "Tenho sido um assassino psicopata" Durante quase 12 anos o sargento Jimmy Massey foi um marine de coração duro. Em março de 2003, chegou ao Iraque com as tropas invasoras e dirigiu 45 homens que não duvidaram em matar civis inocentes. Em 2004, Jimmy Massey escreveu o livro Cowboys do Inferno, um testamento aterrador do genocídio que os EUA cometem dia a dia contra o povo iraquiano. Hoje um dos principais ativistas contra a guerra do Iraque, Jimmy responde às perguntas da jornalista cubana Miriam Elizalde, do Cubadebate ROSA MIRIAM ELIZALDE "Tenho 32 anos e sou um assassino psicopata treinado. As únicas coisas que sei fazer é vender aos jovens a idéia de se juntarem aos marines e matar. Sou incapaz de conservar um trabalho. Para mim os civis são depreciáveis, atrasados mentais, uns débeis, uma manada de ovelhas. Eu sou seu cão pastor. Sou um predador. Nas Forcas Armadas me chamam 'Jimmy o Terrível'". Este é o segundo parágrafo do livro escrito há três anos por Jimmy Massey, com a ajuda da jornalista Natasha Saulnier, que foi apresentado na Feira do Livro de Caracas. Cowboys do Inferno é o relato mais violento já escrito sobre a experiência de um ex-membro do Corpo de Marines, um dos primeiros a chegar ao Iraque durante a invasão de 2003 e que decidiu contar todas as vezes que seja necessário o que significa ter sido por 12 anos um desapiedado marine e como a guerra o transformou. Jimmy participou do painel principal da Feira, que teve um título polêmico: "Estados Unidos, a Revolução é possível", e seu testemunho foi, sem dúvida, o de maior impacto na audiência. Vestido com roupa militar, óculos escuros, caminha com ares marciais e seus braços estão completamente tatuados. Parece exatamente o que era: um marine. Quando fala é outra coisa: alguém profundamente marcado por uma aterradora experiência que tenta evitar a outros jovens incautos. Como assegura em seu livro, não foi o único que matou no Iraque: esta foi uma prática constante entre seus companheiros. Quatro anos depois de deixar a guerra, todavia, vive perseguido pelos pesadelos. Rosa Miriam Elizalde: Que significam todas essas tatuagens? Jimmy Massey: Tenho muitas. Fiz no exército. Na mão (entre os dedos polegar e anular), o símbolo da Blackwater, o exército mercenário que foi fundado onde nasci, na Carolina do Norte. Fiz num ato de resistência, porque os marines são proibidos de tatuarem-se entre os punhos e as mãos. Um dia eu e os integrantes do meu pelotão nos embebedamos e todos fizemos a mesma tatuagem: um cowboy com olhos injetados de sangue sobre várias asas, que representam a morte. No braço direito, o símbolo dos marines, com a bandeira norteamericana e do Texas, onde me alistei. No peito, do lado esquerdo, um dragão chinês que solta a pele e significa que a dor é a debilidade escapando do corpo. O que não nos mata nos deixa mais fortes. R. M. E.: Por que disse que no Corpo de Marines encontrou as piores pessoas que já conheceu em sua vida? J. M.: Os Estados Unidos só têm duas maneiras de usar os marines: para tarefas humanitárias e para assassinar. Nos 12 anos que passei no Corpo de Marines dos EUA jamais participei de missões humanitárias. R. M. E.: Antes de ir para o Iraque você recrutava jovens para ingressarem nas Forças Armadas? O que significa ser um recrutador nos Estados Unidos? J. M.: Ser um mentiroso. A administração Bush forçou a juventude para que entrasse para as Forças Armadas e o que basicamente fez - e eu fiz também - foi tratar de ganhar pessoas com incentivos econômicos. Durante três anos recrutei 74 pessoas, que nunca me disseram que queriam entrar para o exército para defender o país, nem se manifestavam sobre nenhuma razão patriótica. Queriam receber dinheiro para irem para uma universidade ou obterem seguro de saúde. Eu lhes descrevia primeiro todas essas vantagens e só no final lhes falava que iam servir à pátria. Jamais recrutei o filho de um rico. Para manterem o trabalho os recrutadores não podiam ter escrúpulos. R. M. E.: Agora o Pentágono tem relaxado mais nos requisitos para a entrada nas Forças Armadas. O que significa isso? J. M.: Os padrões para o recrutamento têm baixado enormemente, porque quase ninguém quer alistar-se. Já não é impedimento ter problemas mentais, nem antecedentes criminais. Podem ingressar pessoas que tenham cometido crimes de traição, se disserem que foram sentenciados a mais de um ano de prisão, o que se considera um delito sério. Podem ingressar jovens que não tenham terminado os estudos secundários. Se passam na prova mental, ingressam. R. M. E.: Você mudou depois da guerra, mas que sentimentos tinha antes? J. M.: Eu era como outro soldado qualquer, que acreditava no que diziam. Contudo, quando estava recrutando, comecei a me sentir mal: como recrutador tinha que mentir o tempo todo. R. M. E.: Porém acreditava que seu país entrava numa guerra justa contra o Iraque. J. M.: Sim. Os informes de inteligência que recebíamos diziam que Saddan tinha armas de destruição em massa. Depois descobrimos que era tudo mentira. R. M. E.: Quando percebeu que o haviam enganado? J. M.: No Iraque, onde cheguei em março de 2003. Meu pelotão foi enviado aos lugares que haviam sido do Exército iraquiano e vimos milhares e milhares de munições em caixas que tinham a etiqueta norteamericana e estavam ali desde que os Estados Unidos ajudaram o governo de Saddan na guerra contra o Iran. Vi caixas com a bandeira norteamericana e tanques dos EUA. Meus marines - eu era sargento de categoria E6, uma categoria superior a sargento, e dirigia 45 marines - me perguntaram porque haviam munições de nosso país no Iraque. Não entendiam. Os informes da CIA afirmavam que Salmon Pac era um campo de terroristas e que íamos encontrar armas químicas e biológicas. Não encontramos nada. Nesse momento comecei a pensar que nossa missão realmente era o petróleo. R. M. E.: As linhas mais perturbadoras de seu livro são as que você se reconhece como assassino psicopata. Pode explicar porque disse isso? J. M.: Fui um assassino psicopata porque me treinaram para matar. Não nasci com essa mentalidade. Foi o Destacamento de Infantaria da Marinha que me educou para que fosse um gangster das corporações estadunidenses, um delinquente. Me treinaram para cumprir cegamente a ordem do presidente dos Estados Unidos e trazer para casa o que ele pedia, sem pensar em nenhuma consideração moral. Eu era um psicopata porque nos ensinaram a disparar primeiro e perguntar depois, como faria um doente e não um soldado profissional, que só deve enfrentar outro soldado. Se tínhamos que matar mulheres e crianças, nós fazíamos. Portanto, não éramos soldados, mas mercenários. R. M. E.: Que experiência exatamente fez você chegar a esta conclusão? J. M.: Aconteceram várias. Nosso trabalho era ir a determinadas áreas das cidades e fazermos a segurança das estradas. Houve um incidente em particular - e muitos mais - que realmente me levou a beira do precipício. Foi com carros que levavam civis iraquianos. Todos os informes da inteligência que nos chegavam diziam que os carros estavam carregados com bombas e explosivos. Essa era a informação que recebíamos da inteligência. Os carros chegavam a nosso controle e fazíamos alguns disparos de advertência; quando não diminuíam a velocidade, disparávamos sem contemplação. R. M. E.: Com metralhadoras? J. M.: Sim. Esperávamos que haveriam explosões ao metralhar cada veículo. Mas não ouvíamos nada. Logo abríamos o carro e, o que encontrávamos? Mortos ou feridos, e nem uma só arma, nenhuma propaganda da Al Qaeda, nada. Salvo civis em um lugar equivocado num momento equivocado. R. M. E.: Você também relata como seu pelotão metralhou uma manifestação pacífica. Foi isso? J. M.: Sim. Nos arredores do Complexo Militar de Rashees, ao sul de Bagdá, perto do rio Tigre. Haviam manifestantes ao final da rua. Eram jovens e tinham armas. Quando avançamos havia um tanque que estava estacionado de um lado da rua. O motorista do tanque nos disse que eram manifestantes pacíficos. Se os iraquianos quisessem fazer algo podiam ter feito apontando o tanque. Mas não fizeram. Só estavam se manifestando. Isso nós sentimos bem porque pensamos: "Se fossem disparar, teriam feito naquele momento". Eles estavam a cerca de 200 metros de nossa tropa. R. M. E.: Quem deu a ordem de metralhar os manifestantes? J. M.: O Alto Comando nos disse que não perdêssemos de vista os civis porque muitos combatentes da Guarda Republicana haviam tirado os uniformes, vestiam-se com roupas civis e estavam desencadeando ataques terroristas contra os soldados americanos. Os informes da inteligência que nos davam eram conhecidos basicamente por cada membro da cadeia de comando. Todos os marines tinham muito claro a estrutura da cadeia de comando que se organizou no Iraque. Creio que a ordem de disparar nos manifestantes veio de altos funcionários da Administração, isso incluía tanto os centros de inteligência militar como governamental. R. M. E.: Você, o que fez? J. M.: Regressei ao meu veículo, um jipe altamente equipado, e escutei um tiro por cima de minha cabeça. Meus marines começaram a atirar e eu também. Não nos devolveram nenhum disparo, mesmo eu tendo disparado 12 vezes. Quis assegurar-me de que havíamos matado segundo as normas de combate, da Convenção de Genebra e dos procedimentos operacionais regulamentares. Tentei evitar seus rostos e procurei pelas armas, mas não havia nenhuma. R. M. E.: E seus superiores, como reagiram? J. M.: Me disseram que "a merda acontece". R. M. E.: Quando seus companheiros perceberam que tinham sido enganados, como reagiram? J. M.: Eu era o segundo comandante. Meus marines me perguntavam por que estávamos matando tantos civis. "Você pode falar com o tenente?", me perguntavam. "Dizer que tem que ter barreiras adequadas, preparadas pelos engenheiros de combate". A resposta foi: "Não". No momento que os marines descobriram que era uma grande mentira, enlouqueceram mais. Nossa primeira missão no Iraque não foi para dar apoio humanitário, como diziam os jornais, mas para assegurar os campos petrolíferos de Bassora. Na cidade de Karbala usamos a artilharia por 24 horas. Foi a primeira cidade que atacamos. Pensei que íamos dar ajuda médica e alimentar à população. Não. Seguimos direto aos campos de petróleo. Antes de chegar ao Iraque, estivemos no Kuwait. Chegamos em janeiro de 2003 e nossos veículos estavam cheios de comida e remédios. Perguntei ao tenente o que íamos fazer com os suprimentos, pois apenas cabíamos nós com tantas coisas dentro. Ele respondeu que seu capitão havia ordenado deixar tudo no Kuwait. Pouco depois nos deram a ordem de queimar tudo: alimentos e provisões médicas e humanitárias. R. M. E.: Você também denunciou o uso de urânio empobrecido. J. M.: Tenho 35 anos e só conservo 80% de minha capacidade pulmonar. Fui diagnosticado com uma doença degenerativa da coluna vertebral, fadiga crônica e dor nos tendões. Antes, todos os dias corria 10 Km por puro prazer, e agora só poso caminhar entre 5 e 6 Km todos os dias. Tenho medo de ter filhos por isso. Minha cara está inflamada. Veja esta foto (mostra-me a imagem da credencial da Feira do Livro), foi tirada pouco depois que regressei do Iraque. Pareço um Frankenstein. Tudo isso se deve ao urânio empobrecido, agora imagina o que estará acontecendo com o povo no Iraque. R. M. E.: O que aconteceu quando regressou aos EUA? J. M.: Me trataram como um louco, um covarde, um traidor. R. M. E.: Seus superiores disseram que é mentira tudo que contou. J. M.: A evidência contra eles é incômoda. O Exército norteamericano está esgotado. Quanto mais tempo durar esta guerra, mais possibilidade haverá de que minha verdade apareça. R. M. E.: O livro que você apresentou na Venezuela está editado em espanhol e em francês. Porque não foi publicado nos Estados Unidos? J. M.: As editoras exigiram que eu eliminasse os nomes reais das pessoas envolvidas e que eu apresentasse a guerra no Iraque envolta em uma neblina, menos cruamente. Não estou disposto a fazer isso. Editoras como New Press, supostamente de esquerda, se negaram a publicá-lo porque temiam se verem envolvidas em ações apresentadas por pessoas apresentadas no livro. R. M. E.: Por que jornais como o The New York Times e o The Washington Post jamais reproduziram seu testemunho? J. M.: Eu não repetia o credo oficial, de que as tropas estavam no Iraque para ajudar o povo, nem repetia que os civis morriam por acidente. Me nego a dizer isso. Não havia nenhum disparo acidental contra os iraquianos e me nego a mentir. R. M. E.: Tem mudado essa atitude? J. M.: Não. O que tenho feito é incorporar opiniões e obras de pessoas com objeções de consciência: que são contra a guerra em geral ou que participaram da guerra, mas não tiveram este tipo de experiência. E resistem, no entanto, a olhar de frente a realidade. R. M. E.: Tem fotografias ou documentos que provem o que você está nos contando? J. M.: Não. Me tiraram todos os pertences quando me ordenaram regressar aos Estados Unidos. Voltei do Iraque só com duas armas: minha mente e uma faca. R. M. E.: Haverá alguma saída a curto prazo para a guerra? J. M.: Não. O que vejo é a mesma política entre democratas e republicanos. São a mesma coisa. A guerra é um negócio para ambos os partidos, que dependem do Complexo Militar Industrial. Necessitamos de um terceiro partido. R. M. E.: Qual? J. M.: O do socialismo. R. M. E.: Você participou em um debate cujo título é "Estados Unidos: A Revolução é possível". Acredita que realmente haverá revolução nos EUA? J. M.: Já começou. No sul, onde nasci. R. M. E: Mas essa tem sido tradicionalmente a região mais conservadora do país. J. M.: Depois do Katrina isso mudou. Nova Orleans parece Bagdá. As pessoas do sul estão indignadas e se perguntam todos os dias como é possível que se atrevam a investir em uma guerra inútil e em Bagdá, quando nada é feito em Nova Orleans. Lembre-se também que no Sul iniciou-se a primeira grande rebelião do país. R. M. E.: Você iria a Cuba? J. M.: Admiro Fidel e o povo de Cuba, portanto, se me convidarem, irei à Ilha. Não me importa o que diga o meu governo. Ninguém controla onde vou. R. M. E.: Você sabe que o símbolo do desprezo imperial com a nossa nação é uma fotografia de marines urinando sobre a estátua de José Martí, o Herói de nossa Independência? (Três marines americanos subiram até a cabeça de mármore da estátua do Herói Nacional cubano José Martí, em Havana, em 11 de março de 1949, e ali urinaram. As fotos foram publicadas pelo jornal Hoy, de Havana, no dia seguinte). J. M.: Sim, eu sei. No Corpo de Marines nos falavam de Cuba como uma colônia dos Estados Unidos e nos ensinaram algo de História. Parte da formação de um marine é aprender algumas coisas dos países que pensamos invadir, como diz a canção. R. M. E.: A canção dos marines? J. M.: (Canta) "From the halls of Montezuma, to the shores of Tripoli." (Desde as salas de Montezuma até as praias de Trípoli.) R. M. E.: Quer dizer, os marines querem estar em todo o mundo. J. M.: O sonho é dominar o mundo., ainda que pelo caminho nos transformem todos em assassinos. Se você quiser assistir um vídeo com o próprio Jimmy Massey falando, em inglês sem tradução ou legenda, vá: http://www.youtube.com/watch?v=ia_003j9nZg -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100123/b1d3a062/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 71968 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100123/b1d3a062/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 12346 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100123/b1d3a062/attachment-0003.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 24 13:52:21 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 Jan 2010 13:52:21 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Esta=E7=E3o_Jazz_=26_Tal_________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <436A24391E6344B58D23F4EC7DC9DC11@vcaixe> Estação Jazz & Tal Carta O Berro......................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100124/1ab623d8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 24 13:52:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 Jan 2010 13:52:35 -0200 Subject: [Carta O BERRO] A VOLTA DOS MORTOS VIVOS Message-ID: <8FB5FA7E10874A89A6B44B6FD0F4C396@vcaixe> Carta O Berro.................................................................repassem A VOLTA DOS MORTOS VIVOS Laerte Braga O presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera, criticou a decisão do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, de estatizar uma rede de supermercados francesa. Chávez tomou a atitude diante da política de remarcação sistemática e abusiva de preços. É uma pequena amostra do que vai ser o governo do novo Uribe, o chileno. Pinochet saindo da tumba e assombrando o país. Piñera tem um papel a cumprir no jogo político da América Latina. É a reação das forças de direita e com amplo apoio do governo dos Estados Unidos. O cerco a governos populares como o da Venezuela, do Equador, da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai na América do Sul e de Daniel Ortega e Raul Castro, Nicarágua e Cuba, na América Central. Cerco político e militar. São treze as bases militares dos EUA ao redor da Venezuela. Há um raciocínio em Washington que é implícito aos norte-americanos desde George Washington. O da escolha do aliado naquele que se submete, pouco importa que seja ligado ao tráfico de drogas, caso de Álvaro Uribe na Colômbia, ou um empresário trapaceiro, caso de Sebastián Piñera no Chile. Quando o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, no governo do ditador Garrastazu Medice disse a Nixon que as violações de direitos humanos eram sistemáticas nos cárceres da ditadura, Nixon respondeu que era uma pena, mas ?Medice é um bom aliado?. A tortura como prática rotineira da ditadura, toda a sorte de barbárie perpetrada pelos militares e seus acólitos, isso pouco importava aos EUA. E continua não importando, acontece desde julho em Honduras. Importa que os interesses norte-americanos sejam preservados e os governos sejam submissos. Caso contrário são inimigos, rotulados de ?terroristas? e daí para pior. A jóia da coroa é o Brasil. Lula não é um inimigo dos EUA, mas é um obstáculo em muitas situações e por essa razão Barack Obama, ou qualquer outro que lá estivesse, vai investir fundo na eleição de 2010, como sempre fizeram. O preferido de onze entre dez norte-americanos é o governador de São Paulo, José Collor Serra. Não vai hesitar em acabar de privatizar o que resta para ser privatizado, PETROBRAS inclusive, como vai passar a escritura e um nova reforma ortográfica, essa para mudar a grafia da palavra Brasil. Vai virar BRAZIL. O sonho dos governos norte-americanos são bases militares em território brasileiro. Uma próxima a Amazônia, ou na própria Amazônia, para facilitar o processo de ocupação e outra no sul, abrindo caminho para o controle total do País. Qualquer especialista em meio-ambiente pode explicar os efeitos imediatos e as conseqüências dos testes nucleares feitos pela França no atol de Mururoa. Foram quarenta e seis testes atmosféricos e cento e cinqüenta subterrâneos. Entre 1966 e 1974. Em 1995 a França tentou retomar os testes. Os protestos em todo o mundo acabaram por levar o governo francês a recuar em sua intenção. Cada uma das guerras que os norte-americanos travam em função de seus interesses implica em testes com armamentos novos. Armas químicas (agente laranja no Vietnã, por exemplo), biológicas, armas de efeito e padrão ainda desconhecidos e lógico, tecnologia de armas nucleares bem mais avançada o que permite que esses artefatos imensos no passado, caibam hoje dentro de uma mala de porte médio. Não há preocupação nem com seus próprios soldados. Usam balas de urânio empobrecido (Iraque, Afeganistão). A GLOBO não noticia, está preocupada com a declaração da sister Cláudia ? ?não queria dormir com o Eliéser? ?, mas é assustador o número de veteranos de guerra dos EUA padecendo de doenças provocadas pelos armamentos e balas de urânio empobrecido. Distúrbios de toda a ordem, inclusive psíquicos. A idéia que o terremoto que abalou e destruiu o Haiti possa ter sido conseqüência de testes com armas nucleares na região não é nem despropositada ou descabida. É possível. Ou armas que chamam de última geração, as tais que o sangue do inimigo aparece verde na telinha. Uma dessas partículas dos testes franceses, qualquer que seja, no Atol de Mururoa, trazida pelo vento, leva, pelo menos 200 anos para se decompor. O efeito é letal. O alerta partiu do governo chinês, foi feito publicamente pelo presidente da Venezuela Hugo Chávez e Washington sequer cogitou de desmentir, resolveu não levar em consideração, a velha tática de desqualificar o adversário, rotular e assim evitar a discussão do assunto. Na guerra Irã versus Iraque, quando os EUA financiaram o governo do então ?aliado? Saddam Hussein para tentar acabar com a revolução islâmica e popular iraniana, o uso de armas químicas e biológicas fornecidas a Saddam foi denunciado em todos os cantos do mundo. Como na guerra do Brasil com o Paraguai, apresentada como página de heroísmo de nossa história. Conflito montado, dirigido e produzido por Londres, à época, com a recomendação que aquele país fosse varrido do mapa. Genocídio puro e simples. O Paraguai era o principal competidor do chamado Reino Unido, onde o sol não se punha (colônias em todos os cantos do mundo), na exportação de mate e tecidos. É corriqueira essa história. Sebastián Piñera foi colaborador do regime do ditador Pinochet. É empresário desses em que a iniciativa privada é financiada e paga pelo dinheiro público. Tipo Ermírio de Moraes que quando quebra vende as ações, não o controle acionário, mas parte das ações do ?negócio? para o governo via BNDES e depois se arrosta gerador de ?progresso?, ?empregos?, etc. São mortos vivos saindo das catacumbas. No Brasil reagem ao Plano Nacional de Direitos Humanos e hoje o jurista (putz é o fim da picada, o cara é mestre em ensinar a sonegar) Ives Gandra Martins, no jornal (venal) FOLHA DE SÃO PAULO, o tal que chamou a ditadura de ditabranda e emprestava seus caminhões para que corpos de presos políticos mortos na tortura fossem desovados e dados como atropelados, mas hoje o jurista desancou ?guerrilheiros pretéritos?. Múmia. Guerrilha transcende à compreensão de gente como o ?jurista? Ives Gandra. A reação dos franceses à ocupação de seu país pela Alemanha se deu pela guerrilha, por operações típicas de guerrilha. O comandante da resistência era o general Charles De Gaulle. Na visão do ?jurista?, ?guerrilheiro pretérito?. O fenômeno não se atém apenas à América Latina. Sílvio Berlusconi é um caso europeu. Fascismo explícito, diferente do de Sebastián Piñera, o chileno. Com suas declarações criticando Chávez começa a mostrar a que veio, antes mesmo da posse. É fechar a janela, colocar tranca nas portas, arrumar dentes de alho e uma cruz para espantar esse tipo de gente. E depois dizem que Drácula é imaginação. E nem é bem Drácula. É Frankenstein, gerado em laboratório. Produzido em série com a inscrição ?made in USA?. São mortos vivos voltando a assombrar a América Latina especificamente. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100124/bf029566/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 24 14:34:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 Jan 2010 14:34:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Esta=E7=E3o_Jazz_=26_Tal___=28corr?= =?iso-8859-1?q?igindo__=29________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <9A9B463032CE4908BB02548D16B27861@vcaixe> Carta O Berro......................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa Um jornalista "vendido" do sistema. Vale pelo link de música http://blognoblat.com.br/oglobo_globo_com_pais_noblat_index.html -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100124/844de57b/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100124/844de57b/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jan 25 19:43:14 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 25 Jan 2010 19:43:14 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_que_n=E3o_estamos_a_ouvir_ace?= =?windows-1252?q?rca_do_Haiti=3A_PETR=D3LEO?= Message-ID: <3A1710DAF3DF4A65837972B90477B484@vcaixe> Carta O Berro.......................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Flavio Abelha -----Mensagem Original----- De: Ana Santanna O que não estamos a ouvir acerca do Haiti: petróleo por Pakalert [*] "Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. Isto é pormenorizado pelo dr. Georges Michel num artigo datado de 27/Março/2004 em que esboça a história das explorações e das reservas de petróleo no Haiti, bem como na investigação do dr. Ginette e Daniel Mathurin. Também há boa evidência de que estas mesmas grandes companhias de petróleo estado-unidenses e seus monopólios inter-relacionados de engenharia e empreiteiros da defesa fez planos, décadas atrás, para utilizar portos de águas profundas do Haiti tanto para refinarias de petróleo como para desenvolver parques de tancagem ou reservatórios onde o petróleo bruto pudesse ser armazenado e posteriormente transferido para pequenos petroleiros a fim de atender portos dos EUA e do Caribe. Isto é pormenorizado num documento acerca da Dunn Plantation em Fort Liberté , no Haiti. A HLLN de Ezili [1] sublinha este documentos sobre recursos petrolíferos do Haiti e os trabalhos do dr. Ginette e Daniel Mathurin a fim de proporcionar uma visão não encontrável nos media "de referência" nem tão pouco se encontra em qualquer outro lugar as razões económicas e estratégicas porque os EUA construíram a sua quinta maior embaixada do mundo ? a quinta, após a embaixada dos EUA na China, no Iraque, no Irão e na Alemanha ? no minúsculo Haiti, após a mudança do regime haitiano pelo governo Bush. Os factos esboçados na Dunn Plantation e nos documentos de Georges Michel, considerados em conjunto, desvelam razoavelmente parte das razões ocultas porque os Enviado Especial da ONU ao Haiti, Bill Clinton , está à ocupação da ONU o aspecto de que as suas tropas permanecerão no Haiti por longo período. A HLLN de Ezili tem afirmado reiteradamente, desde o princípio da mudança de regime do Haiti em 2004 pelo regime Bush, que a invasão do país pelos EUA em 2004 utilizou tropas da ONU como suas procuradoras militares para esvaziar a acusação de imperialismo e racismo. Também temos afirmado reiteradamente que a invasão e ocupação do Haiti pela ONU/EUA não se refere à protecção dos direitos haitianos, a sua segurança, estabilidade e desenvolvimento interno a longo prazo mas sim acerca do retorno dos Washington Chimeres [gangters] ? os tradicionais oligarcas haitianos ? ao poder, o estabelecimento de comércio livre injusto, o plano mortal dos Chicago boys, políticas neoliberais, manutenção do salário mínimo a níveis de trabalho escravo , pilhagem dos recursos naturais e riquezas do Haiti , para não mencionar o benefício da localização pois o Haiti está entre Cuba e a Venezuela. Dois países em que, sem êxito, os EUA têm orquestrado mudanças de regime mas continuam a tentar. Na Dunn Plantation e nos documentos Georges Michel, descobrimos e novos pormenores como a razão porque os EUA estão no Haiti com esta tentativa de Bill Clinton para que as ocupações da ONU continuem. Não importam os disfarces ou a desinformação dos media, trata-se também das reservas de petróleo do Haiti e de assegurar portos de águas profundas no Haiti como local de transbordo (transshipment) para petróleo ou para armazenagem de petróleo bruto sem a interferência de um governo democrático obrigado para com o bem-estar da sua população. (Ver Reynold's deep water port in Miragoane / NIPDEVCO property .) No Haiti, entre 1994 e 2004, quando o povo tinha voz no governo, havia um intenso movimento das bases para conceber como explorar os recursos do país. Havia um plano, explicitado no livro "Investir no povo: Livro Branco de Lavalas sob a direcção de Jean-Bertrand Aristide" (Investir dans l'humain), onde a maioria dos haitianos "foi não só informada onde estavam os recursos, mas que não tinham as qualificações e tecnologia para realmente extrair o ouro, extrair o petróleo". O plano Aristide/Lavalas, como articulei na entrevista Riquezas do Haiti , era "empenhar-se em alguma espécie de parceria privada/pública. Nesta, seria considerado tanto o interesse do povo haitiano como naturalmente o dos privados que receberiam os seus lucros. Mas penso que isto foi naquele momento em que tínhamos St. Gevevieve a dizer que não gostavam do governo haitiano. Obviamente, eles não gostavam deste plano. Eles não gostam que o povo haitiano saiba onde estão os recursos. Mas este livro ? pela primeira vez na história do Haiti ? foi escrito em crioulo e em francês. E houve uma discussão nacional em todas as rádios do Haiti acerca de todos estes vários recursos do Haiti, onde estavam localizados e como o governo haitiano tencionava tentar construir desenvolvimento sustentável através daqueles recursos. Era o que acontecia antes de em 2004 Bush mudar o regime do Haiti através de golpe de estado. Agora, após o golpe de estado, embora o povo saiba onde estão estes recursos porque o livro existe, ele não sabe quem são estas companhias estrangeiras. Nem quais são as suas margens de lucros. Nem quais as regras de protecção ambiental e regulamentações irão protegê-los. Muitos, no Norte por exemplo, falam acerca da perda das suas propriedades, tendo vindo pessoas com armas e tomado a sua propriedade. É assim que estamos" ( Riquezas do Haiti: entrevista com Ezili Dantò sobre mineração no Haiti ). Os media "de referência", possuídos pelas companhias multinacionais que espoliam o Haiti, certamente não exibem para consumo público o facto de que a invasão e ocupação do Haiti pela ONU/EUA é para assegurar o petróleo do país, posição estratégica, trabalho barato , portos de águas profundas, recursos minerais (irídio, ouro, cobre, urânio, diamantes, reservas de gás), terras, zonas costeiras, recursos offshore para privatização ou a utilização exclusiva de oligarcas ricos do mundo e de grandes monopólios petrolíferos dos EUA. (Ver mapa mostrando algumas das riquezas mineiras e minerais, inclusive cinco sítios de petróleo no Haiti; Oil in Haiti pelo dr. Georges Michel ; Excerto do documento Dunn Plantation ; o Haiti está cheio de petróleo , afirma Ginette e Daniel Mathurin. Há uma conspiração multinacional para tomar ilegalmente os recursos minerais do povo haitiano : Espaillat Nanita revelou que no Haiti há enormes recursos de ouro e outros minerais, Is UN proxy occupation of Haiti masking US securing oil/gas reserves from Haiti ). De facto, a actual autoridade-haitiana-sob-a-ocupação-EUA/ONU que encarregada de conceder licenças de exploração e mineração no Haiti não explica, de qualquer maneira relevante ou sistemática, à maioria haitiana acerca das companhias a comprarem, após 2004, portos de águas profundas no Haiti, que lucros partilham com o povo do Haiti, não explicam os efeitos ambientais das escavações maciças nas montanhas do Haiti e sobre as águas neste momento. Ao invés disso, o director de Mineração do Haiti alegremente sustenta que "novas investigações serão necessárias para confirmar a existência de petróleo no Haiti" . Num trecho retirado do artigo postado em 09/Outubro/200 por Bob Perdue, intitulado "Lonnie Dunn, third owner of the Dauphin plantation" , ficamos a saber que: "Em 8 de Novembro de 1973, Martha C. Carbone, da Embaixada Americana em Port-au-Prince, enviou uma carta ao Office of Fuels and Energy, Departamento de Estado, na qual declarava que o Governo do Haiti "... tem diante de si propostas de oito grupos diferentes para estabelecer um porto de transbordo para petróleo em um ou mais portos de águas profundas haitianos. Alguns dos projectos incluem a construção de uma refinaria..." Ela a seguir comentava que a Embaixada conhecia três firmas: Ingram Corporation de Nova Orleans, Southern California Gas Company e Williams Chemical Corporation da Florida.. (Segundo John Moseley, a companhia de Nova Orleans provavelmente chama-se "Ingraham", não Ingram.) No número de 6 de Novembro de 1972 da revista Oil and Gas Journal, Leo B. Aalund comentava no seu artigo "Vast Flight of Refining Capacity from U.S. Looms",.: "Finalmente, o Haiti de 'Baby Doc' Duvalier está a participar com um grupo que quer construir um terminal de transbordo junto a Fort Liberté, no Haiti". Uma das propostas mencionadas por Carbone estava sem dúvida submetida aos interesses Dunn. Além disso, ficamos a saber por este artigo que "a Lonnie Dunn que possuía a plantação Dauphin "planeou rectificar e ampliar a entrada da baía [Fort Liberté] de modo a que super-petroleiros pudessem nela entrar e a carga ser distribuída para petroleiros mais pequenos para transferência a portos dos EUA e Caribe que não pudessem acomodar navios grandes..." ( Foto de Fort Liberté, Haiti). Inserimos no sítio web HLLN as outras partes relevantes deste documento que se referem ao interesse que corporações dos EUA têm tido, durante décadas, em Fort Liberté como porto de águas profundas ideal para multinacionais instalarem uma refinaria de petróleo. Nas décadas de 50 e 60 havia pouca necessidade dos portos ou do petróleo do Haiti pois do Médio Oriente jorravam dólares em abundância. Para os monopólios que ali actuavam não havia necessidade de enfraquecerem-se a si próprios colocando mais petróleo no mercado e cortarem os seus lucros. Escassez manipulada, teu nome é lucro! Ou, o que equivale dizer, capitalismo. Mas o embargo petrolífero da década de 70, o advento da OPEP, a ascensão do factor venezuelano, a Crise do Golfo seguida pela guerra pelo petróleo do Iraque, tudo isso tornou o Haiti uma aposta melhor para o fato de três peças e os mercenários militares chamados "governos ocidentais", sim, um meio mais fácil de colocar a pilhagem e o saqueio sob a cobertura pública do "levar a democracia" ou da "ajuda humanitária". Por acaso, após a mudança de regime de 2004 promovida por Bush filho, a seguir ao golpe militar de 1991 de Bush pai, descobrimos torrentes de "discussões" no Congresso acerca de perfurações off-shore em preparação, com a "revelação" final, tal como escrito há anos no documento Dunn, de que "é necessário para os super-petroleiros que precisam portos de águas profundas os quais não estão prontamente disponíveis ao longo da Costa Leste dos EUA ? assim como por considerações ambientais e outras que não permitem a construção de refinarias internas na escala em que serão necessárias". Enfatizamos que o Haiti é um local de despejo ideal para os EUA/Canadá/França e agora o Brasil , pois questões ambientais, de direitos humanos, de saúde e outras nos EU e nestes outros países provavelmente não permitiriam a construção de capacidade de refinação interna na escala em que as novas explorações de petróleo neste hemisfério exigirão. Assim, por que não escolher o país mais militarmente indefeso do Hemisfério Ocidental e salpicá-lo com iniciativas de desestabilização por trás da máscara "humanitária" da ONU e os paternais cabelos brancos de Bill Clinton com uma cara sorridente? É relevante notar aqui que a maior parte dos principais portos de águas profundas do Haiti foram privatizados a partir da mudança de regime promovida por Bush em 2004. Também é relevante notar que no ano passado escrevi um artigo intitulado Is the UN military proxy occupation of Haiti masking US securing oil/gas reserves from Haiti : "Se há reservas significativas de petróleo e gás no Haiti, o genocídio e os crimes dos EUA/Europa contra a população haitiana ainda não começaram. Ayisyen leve zye nou anwo, kenbe red. Nou fèk komanse goumen. (Reler Is there oil in Haiti , de John Maxwell.) As revelações do dr. Georges Michel e dos documentos Dunn Plantation parecem responder afirmativamente à questão de que há reservas substanciais de petróleo no Haiti. E a nossa informação no Ezili Dantò Witness Project é que na verdade está a ser aproveitada, mas não para o benefício dos haitianos ou do desenvolvimento autêntico do Haiti. Eis porque havia a necessidade de marginalizar as massas haitianas através do derrube do governo democraticamente elite de Aristide e de colocar as armas e a ocupação da ONU que hoje mascaram os EUA/europeus (com uma peça para o novo poder que é o Brasil) assegurando as reservas de petróleo e gás do Haiti e outras riquezas minerais tais como ouro, cobre, diamantes e tesouros submarinos. ( Majescor and SACG Discover a New Copper-Gold in Haiti , Oct. 6, 2009; Ver Haiti's Riches e There is a multinational conspiracy to illegally take the mineral resources of the Haitian people : Espaillat Nanita revelou que no Haiti há enormes recursos de ouro e outros minerais.) Hoje, os EUA e os europeus dizem estar felizes com os "ganhos de segurança" do Haiti e com o seu governo "estável". Quer dizer: as últimas eleições presididas pelos EUA/ONU no Haiti excluíram o partido maioritário de qualquer participação. As prisões do Haiti estão cheias, desde 2004, com milhares de organizadores comunitários, civis pobres e dissidentes políticos que os EUA/ONU etiqueta como "gangsters", detidos indefinidamente sem julgamento ou audiências. A Cité Soleil foi "pacificada". Desde 2004 há mais ONGs e organizações caritativas no Haiti ? cerca de 10 mil ? do que em qualquer outro lugar do mundo e o povo haitiano está muitíssimo pior do que antes desta civilização EUA/ONU (também conhecida como "Comunidade Internacional") e seus bandidos, ladrões e esquadrões da morte corporativos que cassam os direitos de nove milhões de negros. Os preços dos alimentos estão demasiado altos, alguns recorrem ao pão que o diabo amassou na forma de biscoitos Clorox para aliviar a fome. Lovinsky Pierre Antoine , o dirigente da maior organização de direitos humanos do Haiti, foi desaparecido em 2007 no Haiti ocupado pela ONU sem que qualquer investigação fosse efectuada. Entre 2004 e 2006, sob a ocupação ocidental, primeiro pelos Marines dos EUA e a seguir pelas tropas multinacionais encabeçadas pelo Brasil, de 14 mil a 20 mil haitianos, principalmente quem se opunha à ocupação e à mudança de regime, foram chacinados com impunidade total. Mais crianças haitianas estão fora da escola hoje em 2009 do que antes de vir a "civilização" EUA/ONG após 2004. Sob o regime imposto pelos EUA em Boca Raton, o Supremo Tribunal do Haiti foi despedido e outro completamente novo, sem qualquer autoridade constitucional emanada de mandato do povo do Haiti, substituiu os juízes legítimos e os funcionários judiciais sob a tutela da ocupação da ONU e da comunidade internacional. ...................................................................................................................................................................................................................................................... [1] Ezili: Marguerite Laurent/Ezili Dantò é dramaturga, poeta, comentadora política e social, escritora e promotora de direitos humanos. Nasceu em Port-au-Prince e foi educada nos EUA. Para mais informação ver http://www.ezilidanto.com O original encontra-se em http://pakalert.wordpress.com/ Este artigo encontra-se em http://resistir.info/a_central/haiti_oil.html . [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 33.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 20 operadores/repetidores e 170 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100125/d3514aa4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 26 19:23:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 26 Jan 2010 19:23:42 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Os_Illuminatis__=28document=C3=A1rio?= =?utf-8?q?=29__filme_para_baixar=2E_Para_os_que_leram_=22Hitler_ga?= =?utf-8?q?nhou_a_guerra=22_=28ou_mesmo_os_que_n=C3=A3o_leram=29=2C?= Message-ID: <5357341E0360408D879FF31E4799A0B8@vcaixe> Carta O Berro........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: ? Spit ? ? Para os que leram "Hitler ganhou a guerra" (ou mesmo os que não leram), baixar esse filme permitirá completar a visão das sociedades secretas,os Illuminatis, as maçonarias e as familias que se sucedem e controlam o poder e as mentes , assim como as fontes de energia do paneta. Façam um download , salvem e assistam no arquivo ou passem para um DVD. Ou , então , tentem nas locadoras. ? Os Illuminatis Sinopse: Nesse importante documentário com participações de David Icke, Chris Everard (produtor, diretor e expert em Illuminatis). Baseado em livros como os do Alemão Jan Udo Holey(Vulgo Jan Van Helsing), Robert Anton Wilson, Jordam Maxwell, René Chandelle, Alex Jones, dentre outros? Nós temos as revelações bombásticas sobre o que vem a ser os Illuminati. A organização Illuminati não é apenas uma nebulosa e fracassada sociedade secreta Alemã do século 17, mas sim uma poderosa organização que controla as outras Sociedades Secretas á partir de dentro. Por tanto os Illuminati são uma sociedade REALMENTE SECRETA! Segundo pesquisas de David Icke e Jan Udo Holey, a Maçonaria seria a testa de ferro principal dos Illuminatis, acima do grau 33 de iniciação maçônica, segundo eles averiguaram, tem mais 13 graus REALMENTE SECRETOS que seriam então chamados de graus illuminati. Esses são os tais mestres ocultos que até os maços mais elevados desconhecem o paradeiro, mas obedecem as ordens! (??) Os Illuminatis por tanto seriam os chefões aqueles que estão na ponta da Pirâmide de poder, e por tanto tem a visão total e livre de todo o panorama em seus quatro lados, nessa posição privilegiada eles manipulam e conduzem a maioria que desconhece as conspirações. O símbolos deles é o Olho que tudo vê, e a Coruja (pode ver no escuro, é carnívora,pode voar, ataca até mesmo as serpentes venenosas). Segundo pesquisas desses sérios homens, os Illuminatis principais são os Banqueiros e grandes empresários da industria, principalmente da industria petrolífera e automotiva. Servidor: Deposite files Formato: rmvb Tamanho: 346 mb Idioma: Ingles Legenda: Portugues Opção1 -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100126/6ea20d2a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jan 26 19:23:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 26 Jan 2010 19:23:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Meneghetti o gato dos telhados de Mouzar Benedito - dia 28 de janeiro Message-ID: Carta O Berro.....................................................repassem Meneghetti o gato dos telhados de Mouzar Benedito Noite de autógrafos com o autor, os pesquisadores e o cartunista dia 28 de janeiro, quinta-feira, das 19h às 22h Livraria da Vila - Rua Fradique Coutinho, 915 - São Paulo Minha primeira visão do mundo foi a cidade de Pisa, com sua torre inclinada. Tal como a torre, também o meu destino estaria sempre inclinado, cai-não-cai. (Gino Amleto Meneghetti) Na Pauliceia de meados do século XX, Gino Meneghetti era um artista. Um artista na arte de roubar. Chegou em São Paulo pela onda de migração dos muitos italianos que vieram ao Brasil em busca de trabalho. Mas logo ficou claro que sua trajetória teria pouco de comum com a de maior parte de seus conterrâneos. Esta obra apresenta o perfil desse anti-herói italiano que ganhou notoriedade por seus roubos e fugas espetaculares. Com uma linguagem irreverente, o jornalista Mouzar Benedito resgata a lendária "carreira" de Meneghetti, que foi avidamente acompanhada pela sociedade da época e gerou muitas histórias transmitidas até hoje na capital. Conhecido por roubar somente dos ricos e por sua politização contestadora, Meneghetti fez sua fama por empreender assaltos, fugas da polícia, por suas passagens pela prisão e por protagonizar muitos "causos" na cidade no início do século XX. A pesquisa biográfica de Marcel Gomes e Antonio Biondi complementa o retrato de um dos maiores larápios que São Paulo já conheceu. A obra traz ainda a história em quadrinhos, criada em 1976 por Luiz Gê para o jornal Versus, que inspirou o curta metragem de Beto Brant sobre a história do italiano. Trecho da obra Meneghetti era isso: uma lenda, até então viva. Seu nome virou sinônimo de ladrão em boa parte do Brasil. Na minha infância no sul de Minas, por exemplo, eu me lembro que, para xingar alguém de ladrão, chamava-se a pessoa de Meneghetti ou de Sete Dedos. Eram os ladrões mais famosos da história de São Paulo. Os dois chegaram a conviver na prisão, numa das passagens de Meneghetti. Sete Dedos era um mulato bem falante, que tinha mesmo apenas sete dedos. Era famoso também. Mas aqui na Pauliceia, embora Meneghetti e Sete Dedos fossem sinônimos de ladrão, os dois xingamentos tinham sentidos diferentes. Chamar alguém de Sete Dedos equivalia a xingá-lo de ladrão. Mas de Meneghetti era diferente. Era ladrão, mas não um ladrão ruim. Era esperto, humano, adepto da não violência, anarquista, contestador da sociedade capitalista, da burguesia e da aristocracia... Enfim, um herói popular. Um sujeito que fazia com a burguesia o que muita gente tinha vontade de fazer: roubá-la e gozá-la. O mesmo em relação à polícia, que ele provocava pelos jornais. Era uma polícia violenta e extremamente preconceituosa contra imigrantes pobres, como a maioria dos italianos. Meneghetti, enfim, "era isso", "era aquilo"... Parecia uma figura da literatura, resultado da imaginação de um escritor policial e incorporado ao imaginário popular. Trecho da orelha, por Heródoto Barbeiro Por causa do "gato dos telhados" levei muitos tapas da minha mãe. Não me lembro se a primeira vez que o vi foi antes ou depois do IV Centenário de São Paulo, mas nenhum menino que ouvia suas histórias era capaz de esquecer ou deixar de admirar o velhinho baixinho, com forte sotaque italiano e uma boina de aba. Meus olhos brilhavam quando Gino Meneghetti vinha ao bar do meu pai, na baixada do Glicério. Ficava no balcão e contava como pulava muros, saltava telhados, enganava a polícia e descobria onde os ricos guardavam suas joias. Era como um personagem que tinha saído do gibi e ali estava em carne e osso. Sobre o autor Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros - MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo . É autor de muitos livros, dentre os quais destacamos O anuário do Saci (2009, Publisher Brasil), Ousar Lutar (2000, Boitempo), em co-autoria com José Roberto Rezende, e Pequena enciclopédia sanitária (1996, Boitempo). Sobre a Coleção Pauliceia Coordenação Emir Sader A imagem de São Paulo se modifica conforme as lentes que utilizamos. O sonhado e o real, o desejado e o rejeitado, o vivido e o simbolizado, o cantado e o pintado, o desvairado e o cotidiano - múltiplas facetas de uma cidade-país - são retratados nesta coleção. São quatro séries, que buscam montar um painel das infinitas visões paulistas: Retratos (perfi s de personalidades que nasceram, viveram ou eternizaram suas obras em São Paulo ), Memória (eventos políticos, sociais e culturais que tiveram importância no estado ou na capital), Letras (resgate de obras - sobretudo de fi cção - de te má tica paulista, há muito esgotadas ou nunca publicadas em livro) e Trilhas (histórias dos bairros da capital ou de regiões do estado). Para tanto, foram selecionados autores, fenômenos e espaços que permitam a nosso olhar atravessar o extenso caleidoscópio humano desta terra e tentar compreender, em sua rica diversidade e em toda sua teia de contradições, os mil tons e subtons da Pauliceia. Ficha Técnica Título: Meneghetti Subtítulo: o gato dos telhados Autor: Mouzar Benedito Orelha: Heródoto Barbeiro Pesquisa: Marcel Gomes e Antonio Biondi Com história em quadrinhos de Luiz Gê Páginas: 136 ISBN: 978-85-7559-157-4 Coleção Paulicéia - Boitempo Editorial -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100126/c27b9379/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jan 27 19:00:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 27 Jan 2010 19:00:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_OPUS_DEI_-____OS_TENT=C3=81CULOS_DA_SE?= =?utf-8?q?ITA_NO_BRASIL?= Message-ID: <1708B3708A184FC7A5B46143E3AA45F7@vcaixe> Grupos.com.brCarta O Berro............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: vilemarfc at gmail.com OPUS DEI - OS TENTÁCULOS DA SEITA NO BRASIL Altamiro Borges (Miro), jornalista e escritor O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. O jovem sacerdote de 26 anos diz ter recebido a ?iluminação divina? durante a sua clausura num mosteiro de Madri. Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um ?fanático e doente mental?, decidiu montar uma organização ultra-secreta para interferir nos rumos da Espanha. Segundo as suas palavras, ela seria ?uma injeção intravenosa na corrente sanguínea da sociedade?, infiltrando-se em todos os poros de poder. Deveria reunir bispos e padres, mas, principalmente, membros laicos, que não usassem hábitos monásticos ou qualquer tipo de identificação. Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das idéias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros ?perigosos? e proibia sua leitura pelos fiéis. ?Este concílio, minhas filhas, é o concílio do diabo?, garantiu Escrivá para alguns seguidores, segundo relato do jornalista Emílio Corbiere no livro ?Opus Dei: El totalitarismo católico?. O poder no Vaticano Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II. Para o teólogo espanhol Juan Acosta, ?a relação entre Karol Wojtyla e o Opus Dei atingiu o seu êxito nos anos 80-90, com a irresistível acessão da Obra à cúpula do Vaticano, a partir de onde interveio ativamente no processo de reestruturação da Igreja Católica sob o protagonismo do papa e a orientação do cardeal alemão Ratzinger?. Em 1982, a seita foi declarada ?prelazia pessoal? ? a única existente até hoje ?, o que no Direito Canônico significa que ela só presta contas ao papa, que só obedece ao prelado (cargo vitalício hoje ocupado por dom Javier Echevarría) e que seus adeptos não se submetem aos bispos e dioceses, gozando de total autonomia. O ápice do Opus Dei ocorreu em outubro de 2002, quando o seu fundador foi canonizado pelo papa numa cerimônia que reuniu 350 mil simpatizantes na Praça São Pedro, no Vaticano. A meteórica canonização de Josemaría Escrivá, que durou apenas dez anos, quando geralmente este processo demora décadas e até séculos, gerou fortes críticas de diferentes setores católicos. Muitos advertiram que o Opus Dei estava se tornando uma ?igreja dentro da Igreja?. Lembraram um alerta do líder jesuíta Vladimir Ledochowshy que, num memorando ao papa, denunciou a seita pelo ?desejo secreto de dominar o mundo?. Apesar da reação, o papa João Paulo II e seu principal teólogo, Joseph Ratzinger , ex-chefe da repressora Congregação para Doutrina da Fé e atual papa Bento 16, não vacilaram em dar maiores poderes ao Opus Dei. Vários estudos garantem que esta relação privilegiada decorreu de razões políticas e econômicas. No livro ?O mundo secreto do Opus Dei?, o jornalista canadense Robert Hutchinson afirma que esta organização acumula uma fortuna de 400 bilhões de dólares e que financiou o sindicato Solidariedade, na Polônia, que teve papel central na débâcle do bloco soviético nos anos 90. O complô explicaria a sólida amizade com o papa, que era polonês e um visceral anticomunista. Já Henrique Magalhães, numa excelente pesquisa na revista A Nova Democracia, confirma o anticomunismo de Wojtyla e relata que ?fontes da Igreja Católica atribuem o poder da Obra a quitação da dívida do Banco Ambrosiano, fraudulentamente falido em 1982?. O vínculo com os fascistas Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras, depois se internou num manicômio, ?fingindo-se de louco?, antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas. Desde então, firmou sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco. ?O Opus Dei praticamente se fundiu ao Estado espanhol, ao qual forneceu inúmeros ministros e dirigentes de órgãos governamentais?, afirma Henrique Magalhães. Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as idéias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis ?são belos e inteligentes? e devem olhar aos demais como ?inferiores e animais?. Na máxima 643, ensina que a meta ?é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial?. Na máxima 311, ele escancara: ?A guerra tem uma finalidade sobrenatural... Mas temos, ao final, de amá-la, como o religioso deve amar suas disciplinas?. Em 1992, um ex-membro do Opus Dei revelou o que este havia lhe dito: ?Hitler foi maltratado pela opinião pública. Jamais teria matado 6 milhões de judeus. No máximo, foram 4 milhões?. Outra numerária, Diane DiNicola, garantiu: ?Escrivá, com toda certeza, era fascista?. Escrivá até tentou negar estas relações. Mas, no seu processo de ascensão no Vaticano, ele contou com a ajuda de notórios nazistas. Como descreve a jornalista Maria Amaral, num artigo à revista Caros Amigos, ?ao se mudar para Roma, ele estimulou ainda mais as acusações de ser simpático aos regimes autoritários, já que as suas primeiras vitórias no sentido de estabelecer o Opus Dei com estrutura eclesiástica capaz de abrigar leigos e ordenar sacerdotes se deram durante o pontificado do papa Pio XII, por meio do cardeal Eugenio Pacelli, responsável por controverso acordo da Igreja com Hitler?. Outro texto, assinado por um grupo de católicas peruanas, garante que a seita ?recrutou adeptos para a organização fascista ?Jovem Europa?, dirigida por militantes nazistas e com vínculos com o fascismo italiano e espanhol?. Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma ?peregrinação? pela América Latina. Ele sempre considerou o continente fundamental para sua seita e para os negócios espanhóis. Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras. No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita, assim como centenas de quadros civis e militares. Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica. Infiltração na mídia Para semear as suas idéias religiosas e políticas de forma camuflada, Escrivá logo percebeu a importância estratégica dos meios de comunicação. Ele mesmo gostava de dizer que ?temos de embrulhar o mundo em papel-jornal?. Para isso, contou com a ajuda da ditadura franquista para a construção da Universidade de Navarra, que possuí um orçamento anual de 240 milhões de euros. Jornalistas do mundo inteiro são formados nos cursos de pós-graduação desta instituição. O Opus Dei exerce hoje forte influência sobre a mídia. Um relatório confidencial entregue ao Vaticano em 1979 pelo sucessor de Escrivá revelou que a influência da seita se estendia por ?479 universidades e escolas secundárias, 604 revistas ou jornais, 52 estações de rádio ou televisões, 38 agências de publicidade e 12 produtores e distribuidoras de filmes?. Na América Latina, a seita controla o jornal El Observador (Uruguai) e tem peso nos jornais El Mercúrio (Chile), La Nación (Argentina) e O Estado de S.Paulo. Segundo várias denúncias, ela dirige a Sociedade Interamericana de Imprensa, braço da direita na mídia hemisférica. No Brasil, a Universidade de Navarra é comandada por Carlos Alberto di Franco, numerário e articulista do Estadão, responsável pela lavagem cerebral semanal de Geraldo Alckmin nas famosas ?palestras do Morumbi?. Segundo a revista Época, seu ?programa de capacitação de editores já formou mais de 200 cargos de chefia dos principais jornais do país?. O mesmo artigo confirma que ?o jornalista Carlos Alberto Di Franco circula com desenvoltura nas esferas de poder, especialmente na imprensa e no círculo íntimo do Geraldo Alckmin?. O veterano jornalista Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, há muito denuncia a sinistra relação do Opus Dei com a mídia nacional. Num artigo intitulado ?Estranha conversão da Folha?, critica seu ?visível crescimento na imprensa brasileira. A Folha de S.Paulo parecia resistir à dominação, mas capitulou?. No mesmo artigo, garante que a seita ?já tomou conta da Associação Nacional de Jornais (ANJ)?, que reúne os principais monopólios da mídia do país. Para ele, a seita não visa a ?salvação das almas desgarradas. É um projeto de poder, de dominação dos meios de comunicação. E um projeto desta natureza não é nem poderia ser democrático. A conversão da Folha é uma opção estratégica, política e ideológica?. A ?santa máfia? Durante seus longos anos de atuação nos bastidores do poder, o Opus Dei constituiu uma enorme fortuna, usada para bancar seus projetos reacionários ? inclusive seus planos eleitorais. Os recursos foram obtidos com a ajuda de ditadores e o uso de máquinas públicas. ?O Opus Dei se infiltrou e parasitou no aparato burocrático do Estado espanhol, ocupando postos-chaves. Constituiu um império econômico graças aos favores nas largas décadas da ditadura franquista, onde vários gabinetes ministeriáveis foram ocupados integralmente por seus membros, que ditaram leis para favorecer os interesses da seita e se envolveram em vários casos de corrupção, malversação e práticas imorais?, acusa um documento de católico do Peru. A seita também acumulou riquezas através da doação obrigatória de heranças dos numerários e do dizimo dos supernumerários e simpatizantes infiltrados em governos e corporações empresariais. Com a ofensiva neoliberal dos anos 90, a privatização das estatais virou outra fonte de receitas. Poderosas multinacionais espanholas beneficiadas por este processo, como os bancos Santander e Bilbao Biscaia, a Telefônica e empresa de petróleo Repsol, tem no seu corpo gerencial adeptos do Opus. Para católicos mais críticos, que rotulam a seita de ?santa máfia?, esta fortuna também deriva de negócios ilícitos. Conforme denuncia Henrique Magalhães, ?além da dimensão religiosa e política, o Opus Dei tem uma terceira face: da sociedade secreta de cunho mafioso. Em seus estatutos secretos, redigidos em 1950 e expostos em 1986, a Obra determina que ?os membros numerários e supernumerários saibam que devem observar sempre um prudente silêncio sobre os nomes dos outros associados e que não deverão revelar nunca a ninguém que eles próprios pertencem ao Opus Dei?. Inimiga jurada da Maçonaria, ela copia sua estrutura fechada, o que frequentemente serve para encobrir atos criminosos?. O jornalista Emílio Corbiere cita os casos de fraude e remessa ilegal de divisas das empresas espanholas Matesa e Rumasa, em 1969, que financiaram a Universidade de Navarra. Há também a suspeita do uso de bancos espanhóis na lavagem de dinheiro do narcotráfico e da máfia russa. O Opus Dei esteve envolvido na falência fraudulenta do banco Comercial (pertencente ao jornal El Observador) e do Crédito Provincial (Argentina). Neste país, os responsáveis pela privatização da petrolífera YPF e das Aerolineas Argentinas, compradas por grupos espanhóis, foram denunciados por escândalos de corrupção, mas foram absolvidos pela Suprema Corte, dirigida por Antonio Boggiano, outro membro da Opus Dei. No ano retrasado, outro numerário do Opus Dei, o banqueiro Gianmario Roveraro, esteve envolvido na quebra da Parlamat. ?A Internacional Conservadora? O escritor estadunidense Dan Brown, autor do best seller ?O Código da Vinci?, não vacila em acusar esta seita de ser um partido de fanáticos religiosos com ramificações pelo mundo. O Opus Dei teria cerca de 80 milhões de fiéis, muitos deles em cargos-chaves em governos, na mídia e em multinacionais. Henrique Magalhães garante que a ?Obra é vanguarda das tendências mais conservadoras da Igreja Católica?. Num livro feito sob encomenda pelo Opus Dei, o vaticanista John Allen confessa este poderio. Ele admite que a seita possui um patrimônio de US$ 2,8 bilhões ? incluindo uma luxuosa sede de US$ 60 milhões em Manhattan ? e que esta fortuna serve para manter as suas instituições de fachada, como a Heights School, em Washington, onde estudam os filhos dos congressistas do Partido Republicano de George W.Bush. Numa reportagem que tenta limpar a barra do Opus Dei, a própria revista Superinteressante, da suspeita Editora Abril, reconhece o enorme influência política desta seita. E conclui: ?No Brasil, um dos políticos mais ligados à Obra é o candidato a presidente Geraldo Alckmin, que em seus tempos de governador de São Paulo costumava assistir a palestras sobre doutrina cristã ministradas por numerários e a se confessar com um padre do Opus Dei. Alckmin, porém, nega fazer parte da ordem?. Como se observa, o candidato segue à risca um dos principais ensinamentos do fascista Josemaría Escrivá: ?Acostuma-se a dizer não?. Os tentáculos da seita no Brasil O Opus Dei fincou a sua primeira raiz em 1957, na cidade de Marília, no interior paulista, com a fundação de dois centros. Em 1961, dada à importância da filial, a seita deslocou o numerário espanhol Xavier Ayala, segundo na hierarquia. ?Doutor Xavier, como gostava de ser chamado, embora fosse padre, pisou em solo brasileiro com a missão de fortalecer a ala conservadora da Igreja. Às vésperas do Concílio Vaticano II, o clero progressista da América Latina clamava pelo retorno às origens revolucionárias do cristianismo e à ?opção pelos pobres?, fundamentos da Teologia da Libertação?, explica Marina Amaral na revista Caros Amigos. Ainda segundo seu relato, ?aos poucos, o Opus Dei foi encontrando seus aliados na direita universitária... Entre os primeiros estavam dois jovens promissores: Ives Gandra Martins e Carlos Alberto Di Franco, o primeiro simpático ao monarquismo e candidato derrotado a deputado; o segundo, um secundarista do Colégio Rio Branco, dos rotarianos do Brasil. Ives começou a freqüentar as reuniões do Opus Dei em 1963; Di Franco ?apitou? (pediu para entrar) em 1965. Hoje, a organização diz ter no país pouco mais de três mil membros e cerca de quarenta centros, onde moram aproximadamente seiscentos numerários?. Crescimento na ditadura Durante a ditadura, a seita também concentrou sua atuação no meio jurídico, o que rende frutos até hoje. O promotor aposentado e ex-deputado Hélio Bicudo revela ter sido assediado duas vezes por juízes fiéis à organização. O expoente nesta fase foi José Geraldo Rodrigues Alckmin, nomeado ministro do STF pelo ditador Garrastazu Médici em 1972, e tio do atual presidenciável. Até os anos 70, porém, o poder do Opus Dei era embrionário. Tinha quadros em posições importantes, mas sem atuação coordenada. Além disso, dividia com a Tradição, Família e Propriedade (TFP) as simpatias dos católicos de extrema direita. Seu crescimento dependeu da benção dos generais golpistas e dos vínculos com poderosas empresas. Ives Gandra e Di Franco viraram os seus ?embaixadores?, relacionando-se com donos da mídia, políticos de direita, bispos e empresários. É desta fase a construção da sua estrutura de fachada ? Colégio Catamarã (SP), Casa do Moinho (Cotia) e Editora Quadrante. Ela também criou uma ONG para arrecadar fundos: OSUC (Obras Sociais, Universitárias e Culturais). Esta recebe até hoje doações do Itaú, Bradesco, GM e Citigroup. Confrontado com esta denúncia, Lizandro Carmona, da OSUC, implorou à jornalista Marina Amaral: ?Pelo amor de Deus, não vá escrever que empresas como o Itaú doam dinheiro ao Opus Dei?. Ofensiva recente na região Na fase recente, o Opus Dei está excitado, com planos ousados para conquistar maior poder político na América Latina. Em abril de 2002, a seita participou ativamente do frustrado golpe contra o presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Um dos seus seguidores, José Rodrigues Iturbe, foi nomeado ministro das Relações Exteriores do fugaz governo golpista. A embaixada da Espanha, governada na época pelo neo-franquista Partido Popular (PP), de José Maria Aznar ? cuja esposa é do Opus Dei ?, deu guarita aos seus fiéis. Outro golpista ligado à seita, Gustavo Cisneiros, é megaempresário das telecomunicações no país. Em dezembro do ano passado, o Opus Dei assistiu a derrota do seu candidato, Joaquim Laví, ex-assessor do ditador Augusto Pinochet, à presidência do Chile. Já em maio deste ano, colheu uma nova derrota com a candidatura de Lourdes Flores, declarada numerária do partido Unidade Nacional. Em compensação, a seita comemorou a vitória do narco-terrorista Álvaro Uribe na Colômbia, que também dispôs de milhões de dólares do governo George Bush. Já no México, outro conhecido simpatizante do Opus Dei, Felipe Calderon, ex-executivo da Coca-Cola, venceu uma das eleições mais fraudulentas da história deste país. Altamiro Borges (Miro), jornalista e escritor http://jenipaponews.blogspot.com/ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100127/31388d04/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jan 28 19:53:24 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 28 Jan 2010 19:53:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__SUGEST=C3O_DE_PAUTA_-_ATO_P=DABL?= =?iso-8859-1?q?ICO_EM_DEFESA_DO_C=D3DIGO_FLORESTAL_-_dia_29_de_jan?= =?iso-8859-1?q?eiro=2C_sexta-feira=2C_=E0s_9h00=2C_na_C=E2mara_Mun?= =?iso-8859-1?q?icipal_de_Ribeir=E3o_Preto=2C?= Message-ID: <92A58CEF85D547628EA602DC8419C8BE@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- SUGESTÃO DE PAUTA -------------------------------------------------------------------------------- ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL Diversas entidades, instituições, organizações e movimentos sociais que compõem o campo democrático da sociedade brasileira promoverão no próximo dia 29 de janeiro, sexta-feira, às 9h00, na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL. Tal iniciativa tem como objetivo mostrar à população de nossa cidade, de nosso Estado e de nosso país a necessidade da implementação de todas as medidas de preservação e recuperação ambiental previstas hoje no Código Florestal, dentre elas, a averbação e reflorestamento das reservas legais e a recomposição arbórea das áreas de preservação permanente, medidas essas essenciais ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade, ao conforto climático, à prevenção de tragédias ambientais e ao combate à erosão genética. O evento servirá como contraponto às iniciativas dos setores mais atrasados do ruralismo brasileiro que, capitaneados pela CNA-Confederação Nacional da Agricultura e pelos deputados federais e senadores da chamada "bancada ruralista", tentam promover mudanças no Código Florestal, que, se aprovadas, tornariam inócuas para o meio ambiente e para a qualidade de vida as medidas nele previstas. Na contramão da História, as propostas dos ruralistas atendem tão somente a interesses corporativos ilegítimos e estão desconectadas da realidade social brasileira e das necessidades ambientais do planeta. Dada a importância desse evento, estarão presentes representações de entidades internacionais e nacionais do porte do Greenpeace (Márcio Astrini - (11) 8245-2259 (11) 3035-1155 (11) 8361.0169 - marcio.astrini at greenpeace.org) e S.O.S Mata Atlântica (Mário Mantovani - (11) 8425.2122 - mario at sosma.org.br) (ver lista abaixo). -------------------------------------------------------------------------------- PRESENÇAS DE PARTICIPANTES/APOIADORES CONFIRMADOS (por ordem alfabética) -------------------------------------------------------------------------------- · ADUSP - Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo · ANVB - Associação Nacional dos Violeiros do Brasil · APEOESP - Subsede de Ribeirão Preto · Associação Amigos do Memorial da Classe Operária · Associação Cultural e Ecológica Pau-Brasil · Associação Cultural Humanística · CEBES - Centro Brasileiro de Estudos em Saúde · CEDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular - Ribeirão Preto · Centro Acadêmico Rui Barbosa da Escola de Educação Física e Esporte da USP · Centro Cultural Orumilá - Ribeirão Preto · Centro de Formação Dom Hélder Câmara · Ciranda em Defesa da Educação Infantil Pública, Gratuita e de Qualidade · Círculo de Ação Popular José Rosa Melo - CAP-Quintino · Coletivo Educador Ipê Roxo · Comitê em Defesa da Reserva Legal - Ribeirão Preto · CONLUTAS · Diretório Acadêmico da Biologia - Barão de Mauá - Ribeirão Preto · EIV - Estágio Interdisciplinar de Vivência · Entidade Ambientalista Ibiré · Estação Luz Espaço Experimental de Tecnologias Sociais · EXNEEF - Executiva Nacional de Educação Física · FEPARDO - Federação das Entidades Ambientalistas da Bacia do Rio Pardo · FERAESP - Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo · GREENPEACE · Grupo de Pesquisa Educação e Direito na Sociedade Brasileira Contemporânea - UFSCar · Instituto Cultural Lindolpho Silva · Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental Planeta Verde - Taquaritinga · MEGaia - Movimento Estudantil Gaia - Barão de Mauá - Ribeirão Preto · Movimento das Artes - Ribeirão Preto · Movimento do Ministério Público Democrático · MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra · NEPA - Núcleo de Pesquisa em Política Ambiental - EESC-USP · ONG Ribeirão Em Cena · Pastorais Sociais da Arquidiocese de Ribeirão Preto · PCB - Partido Comunista Brasileiro - Secretaria Estadual · PCdoB - Partido Comunista do Brasil - Comitê Municipal · PDT - Partido Democrático Trabalhista · PRÁXIS - Instituto de Políticas Públicas · PRODEMA - Proteção e Defesa do Meio Ambiente - Jandira-SP · PSOL - Partido Socialismo e Liberdade · PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados · PT - Partido dos Trabalhadores - Diretório Municipal de Ribeirão Preto · PV - Partido Verde - Araraquara · SASP - Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo · Seminário Gramsci · Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto · Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos - Ribeirão Preto · Sociedade Ecológica Boca da Mata - Cajuru · S.O.S. Mata Atlântica · UEE - União Estadual dos Estudantes - São Paulo · UJS - União da Juventude Socialista -------------------------------------------------------------------------------- CONTATOS: · Cláudia Perencin - cláudiaperencin at hotmail.com · Edna Costa - ednacosta at gmail.com · Edna Martins - ednas.martins at gmail.com · Kelli Mafort - kmafort at yahoo.com.br · Manoel Eduardo Tavares Ferreira - metferreira at uol.com.br · Marcelo Pedroso Goulart - marcelogoulart at uol.com.br · Mauro Freitas - freimauro at yahoo.com.br · Paulo Piu Merli Franco - pmerlifranco at yahoo.com.br · Simone Kandratavicius - simonekandra at hotmail.com -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100128/951d5cac/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 29 20:03:34 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 Jan 2010 20:03:34 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Comiss=E3o_de_Anistia_convida_pa?= =?iso-8859-1?q?ra_33=AA_Caravana_da_Anistia_em_S=E3o_Paulo__-__dia?= =?iso-8859-1?q?_4_de_fevereiro_=2E__9=2C30_h=2E?= Message-ID: Carta O Berro...................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2654 - Data de Lançamento: 01/28/10 19:36:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100129/209a35d3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 54850 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100129/209a35d3/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 29 20:03:55 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 Jan 2010 20:03:55 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_LULA_=3A__GOVERNANTES_TRATAVAM_2/?= =?iso-8859-1?q?3_DO_POVO_COMO_=22PESO=2C_ESTORVO=2C_CARGA=22__O_di?= =?iso-8859-1?q?scurso_que_o_presidente_Lula_n=E3o_leu_em_Davos_=28?= =?iso-8859-1?q?mas_que_foi_lido_pelo_chanceler_Celso_Amorim=29=2C?= Message-ID: <5B7CD3D583694A4AA6B7E36FAFA411FB@vcaixe> Carta O Berro............................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice elo LULA: GOVERNANTES TRATAVAM 2/3 DO POVO COMO "PESO, ESTORVO, CARGA" Atualizado em 29 de janeiro de 2010 às 18:08 | Publicado em 29 de janeiro de 2010 às 14:31 O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do Vermelho: "Minhas senhoras e meus senhores, Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos. Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado. O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional - mesmo para os que não gostam de mudanças. Meus senhores e minhas senhoras, O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar. No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política. Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês - e, mais que isso, nos olhos do meu povo - e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI. Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou. O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização? Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer. Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos - e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças. Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo. Minhas senhoras e meus senhores, O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu - e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza? Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo. Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar. Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos. Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta? Meus senhores e minhas senhoras, Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos. Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas? Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial? O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo. Meus senhores e minhas senhoras, Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania. Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas - ou políticas - equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos. O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo. Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional. Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões. Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia. Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos. As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia. Minhas senhoras e meus senhores, Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente. Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos. Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade. Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade. Muito obrigado." http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/lula-governantes-tratavam-23-do-povo-como-peso-estorvo-carga/ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100129/847ac2a4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jan 29 20:04:07 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 Jan 2010 20:04:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_FALA_DE_LULA_NO_F=D3RUM_SOCIAL_?= =?iso-8859-1?q?MUNDIAL?= Message-ID: <4A93B975F2B74979A43E391759534B22@vcaixe> Carta O Berro.........................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice elo A FALA DE LULA NO FÓRUM SOCIAL MUNDIAL Atualizado e Publicado em 29 de janeiro de 2010 às 17:28 Íntegra do discurso do presidente Lula nos dez anos do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre: "Será que seria pedir demais para que os nossos companheiros enrolassem as suas bandeiras, Paulo, Sérgio e Lucio, para que a gente possa ver as pessoas de trás e as de trás possam ver a gente. Vocês sabem que uma das coisas que eu mais admiro é um militante de qualquer organização que vai para a rua com a sua bandeira. Eu acho uma coisa fantástica e inusitada. Eu só estou pedindo... Faz tempo que eu não vejo vocês, faz tempo que não me vêem, e eu acho que enrolar a bandeira cinco minutos não pesa nada para nenhum companheiro. Eu quero em primeiro lugar dizer para vocês que é uma alegria maior do que acho que o meu coração comporta de estar outra vez participando do maior evento multinacional que a sociedade civil mundial organiza que é esse Fórum Social Mundial. Eu da outra vez que participei aqui fui fazer um debate onde o tema destinado para eu falar era "Um outro Brasil é possível", e eu lembro que naquele instante eu não tinha nem certeza de que seria candidato a presidente da República. E hoje ao participar desse fórum eu participo na posição de funcionário público número um do meu país. Eu quero agradecer à direção desse evento. Eu sei que não é fácil. Eu sei do sacrifício que vocês estão fazendo para fazer essa organização. Eu sei do cuidado que vocês tem com a segurança. Eu agora mesmo, Hadad, estou falando em português e deve ter companheiro aí, francês, inglês, deve ter gente da China, da Índia, que não estão entendendo nada do que eu estou falando. Entretanto aqueles que não entenderem as minhas palavras, e são pessoas que acreditem no Fórum Social Mundial, olhem nos meus olhos que vocês vão entender cada palavra que eu falo. Quero agradecer aqui aos companheiros dirigentes do Fórum, os ministros, mas sobretudo quero agradecer ao povo do mundo inteiro que sem medir sacrifício vem aqui, às vezes sem ter o direito de falar, às vezes sem ter oportunidade de falar, mas vem aqui só para dizer: eu existo como ser humano e eu quero ser respeitado como tal. Eu sempre disse que o maior desejo que eu tinha de ser eleito presidente da República era pra ver se eu conseguia atender às minhas própria reivindicações. Eu sou um homem que fiz muitas reivindicações no Brasil, eu exigi muito de cada governo que passou aqui antes de mim como muitos de vocês exigem nos seus países. E o meu desejo de ser presidente da República era o de saber se eleito presidente da República eu serei capaz de atender às minhas própria reivindicações. Portanto, eu tenho que me preocupar com aquilo que possíveis adversários falarem. Eu tenho que saber que ao longo da história o movimento social brasileiro, o movimento sindical brasileiro, os partidos políticos do Brasil, as Igrejas do Brasil, as ONGs no Brasil, acumularam muita experiência e junto com essa experiência acumulada tem propostas, tem reivindicações, tem coisas extraordinárias apresentadas. E eu agora tenho quatro anos para que muita, e com muita tranquilidade a gente possa atender, senão todas, aquelas que nós tivermos capacidade e condições de atender. Eu continuo com o meu sonho de fazer a reforma agrária neste país. Eu continuo com o meu sonho de garantir uma escola pública de qualidade para o meu povo. E que a universidade não seja um privilégio de apenas 8% da sociedade, mas que a universidade seja um direito ao alcance de todos. Eu continuo sonhando na possibilidade de fazer uma política de saúde onde nenhum pobre morra mais na porta do hospital por falta de atendimento médico ou por falta de assistência. Eu continuo sonhando em construir uma sociedade justa, solidária, fraterna, onde o resultado da riqueza produzida no país seja distribuída de forma mais equânime para todos os filhos deste país. Entretanto também aprendi ao longo da minha trajetória política, e aprendi com vocês, de que um técnico importante para um time não é aquele que começa ganhando, mas aquele que termina ganhando o jogo a que nos propusemos a jogar. E eu tenho quatro anos, quatro anos, para de forma tranquila, cautelosa... Eu tenho quatro anos de governo pra de forma tranquila e serena ir fazendo as coisas que tem que ser feitas nesse país, quero fazer talvez o governo mais honesto que já houve na história desse país. Um governo que tenha a mais perfeita relação com a sociedade. Quero tratar cada um de vocês como trato o meu caçula de 17 anos. Na hora que eu puder fazer nós faremos, mas na hora que não der para fazer, com a mesma serenidade e com o mesmo carinho, eu quero dizer: companheiro, não dá para fazer. E eu tenho certeza que essa relação de honestidade e de companheirismo será a razão do sucesso do nosso governo aqui no país. E por que é que vou agir assim? Vou agir assim porque eu tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram e que está nas costas dos meus ministros e que está sobretudo nas minhas costas. Embora eu tenho sido eleito presidente do Brasil eu tenho uma nítida noção do que a nossa vitória representa de esperança, não apenas aqui dentro, mas para a esquerda em todo o mundo e sobretudo para a esquerda na América Latina. Eu levanto todo dia pela manhã... Se a Marisa continuar com essa popularidade vai ser candidata a alguma coisa na próxima eleição. Eu levanto todo dia de manhã e falo para a Marisa que nós temos que fazer as coisas muito bem pensadas porque qualquer governo em qualquer país do mundo pode errar que não acontecerá nada porque é muito normal que os governantes errem. Mas eu não posso errar. E não posso errar porque eu não fui eleito pelo apoio de um canal de televisão, eu não fui eleito pelo apoio do sistema financeiro, eu não fui eleito por interesses dos grandes grupos econômicos e eu não fui eleito por obra da minha capacidade ou da minha inteligência. Eu fui eleito pelo alto grau de consciência política da sociedade brasileira no dia 27 de outubro de 2002. Eu sei a expectativa que eu estou gerando nas mulheres, nos homens e nas crianças. Eu nunca vi na história do Brasil tanta expectativa, tanta esperança e tanta gente pedindo a Deus para gente acertar, e tanta gente pedindo não um emprego, mas dizendo para mim: Lula como é que eu faço para ajudar o nosso governo a dar certo. É essa a força da sociedade e é exatamente esse capital político que fez com que a gente pudesse terminar a eleição e gritar bem alto: a esperança finalmente venceu o medo. Eu já estive na Argentina, eu já estive no Chile, eu já estive no Equador e eu sei a expectativa que a América do Sul tem no governo brasileiro. Eu sei a esperança que os socialistas do mundo inteiro têm no sucesso do nosso governo. É por isso que aumenta a nossa responsabilidade. E eu volto a afirmar, nós esperamos tanto para ganhar, nós perdemos tanto, nós sofremos tanto, tanta gente morreu antes de nós tentando chegar lá, que por esse acúmulo de compromisso, eu quero olhar na cara de cada um de vocês e dizer: eu não vou errar e vou fazer um governo voltado para os pobres deste país. Eu sempre disse aos companheiros que organizam o Fórum Social Mundial que era preciso transformar o Fórum num instrumento... primeiro que não fosse dependente de nenhum partido político, segundo que não fosse utilizado por ninguém. Quando eu fui convidado para vir aqui eu ainda disse para os companheiros: é preciso que vocês pensem se eu devo ir ao Fórum Social Mundial porque eu serei o primeiro presidente. E me disseram: Lula você pode ir porque você é um anfitrião do Terceiro Fórum Social Mundial. Mas hoje eu já me comprometi publicamente porque um companheiro da Índia, aonde vai ser o próximo fórum social mundial, perguntou a mim numa reunião que eu fiz com a direção mundial do Fórum se eu iria o ano que na Índia e eu disse pra ele eu vou na Índia, se for necessário eu vou na China, e se for necessário eu vou aonde me convidarem porque eu sou obra e resultado do trabalho que vocês fizeram ao longo de todos esses anos e portanto eu acho que não apenas eu, acho que outros governantes deveriam ir ao Fórum Social para ver o que pensa o povo, o que deseja o povo e como o povo quer que as coisas aconteçam. Qual é a novidade? Qual é a novidade deste ano? É que este ano por causa de vocês e por causa do Fórum Social Mundial eu fui convidado para ir a Davos. Se não fossem vocês eu não seria convidado. E aí eu lembrei de uma coisa, quando eu comecei a minha vida sindical, os meus amigos mais inteligentes e mais espertos diziam assim pra mim: Lula não entra no movimento sindical porque a estrutura sindical brasileira é a cópia fiel da carta de "lavoro" de Mussolini e se tu entrares no sindicato, tu vai um pelego e não vai conseguir fazer nada. Eu entrei no sindicato e em três anos nós mudamos a história do movimento sindical brasileiro que hoje é um dos mais importantes do mundo. Em 1979 nós estávamos lutando neste país pela reconquista das liberdades políticas e eu inventei de criar um partido, aí aqueles que queriam liberdades políticas começaram a ficar contra porque na liberdade política deles não pressupunha a criação de um partido político. E havia quem dissesse para mim: olha, no Brasil não cabe um partido como o PT, esse negócio de dizer que partido de trabalhadores pode ser criado, que metalúrgico vai dirigir partido, isso é coisa do passado, não tem na sociologia brasileira exemplos disso ou mundial. Nós fomos teimosos e criamos um partido que hoje é o partido mais importante da esquerda em toda a América Latina. Agora eu lembro de uma coisa que eu vou contar para vocês. Em 1978 nós entramos em greve ABC e o presidente da Federação das Indústrias correu no Segundo Exército para dizer ao general Guilhermando que era preciso acabar com uma greve que os metalúrgicos estavam fazendo. Possivelmente se eu pertencesse a uma organização política mais tradicional eu teria arrumado a mala e teria ido para um outro lugar ficar uma semana até a poeira baixar. Como eu era mais inocente politicamente eu peguei o telefone e liguei para o comandante do Segundo Exército e falei: general Guilhermando, eu estou vendo nos jornais que o senhor convidou o presidente da Fiesp para atender o presidente da Fiesp, eu sou o presidente dos trabalhadores e quero ir falar com o senhor, e ele me atendeu durante três horas. Agora quando surgiu o convite para Davos, a princípio eu falei o que é que eu vou fazer em Davos? E aí eu tomei a seguinte decisão, eu sou o presidente de um país que é a oitava economia mundial, eu sou o presidente de um país que tem 45 milhões de pessoas que não comem as calorias e as proteínas necessárias, eu sou o presidente de um país que tem história e que tem um povo e não é qualquer dia e qualquer mês e qualquer século que um torneiro mecânico ganha a Presidência da República deste país. Portanto eu tomei a decisão, muita gente que está em Davos não gosta sem me conhecer. Eu quero fazer questão de ir a Davos e dizer em Davos exatamente o que eu diria para um companheiro qualquer que está aqui neste palanque, dizer em Davos de que não é possível continuar uma ordem econômica onde poucos podem comer cinco vezes ao dia e muitos passam cinco dias sem comer no planeta terra, dizer a eles de que é preciso uma nova ordem econômica mundial e que o resultado da riqueza seja distribuída de forma mais justa para que os países pobres tenham a oportunidade se serem menos pobres. Dizer a eles que as crianças negras da África tem tanto direito de comer quanto as crianças de olhos azuis que nascem nos países nórdicos. Dizer a eles que as crianças pobres da América Latina tem tanto direito de comer como qualquer outra criança que nasça em qualquer parte do mundo. Dizer a eles que o mundo não está precisando de guerra, o mundo está precisando de paz, o mundo está precisando de compreensão. Eu acho que nós temos que fazer o mundo. O que a gente não pode é ficar preso dentro do nosso mundo achando que todo o mal que nos rodeio é por causa de quem está fora. Eu dizia hoje isso é mais ou menos como numa família, e que de repente aparece um filho metido em drogas e ao invés do pai e a mãe discutir e saber aonde é que está o defeito começa a culpa a escola, começa a culpar o vizinho, começa a culpar o namorado, ao invés de sentar e olhar pra dentro do pai e da mãe e perguntarem a si mesmos o que é que nós deixamos de fazer para que o nosso filho não fosse drogado. Nós somos pobres, uma parte pode ser culpa dos países ricos, mas uma parte pode ser culpa de uma parte da elite ou do continente sul-americano que governou de forma subserviente, que governou de forma subalterna este país praticando os casos mais absurdos de corrupção. Só na América Latina nos últimos quatro anos, quatro governantes, Collor, no Brasil, Fujimori, no Peru, Menem, na Argentina, Salinas, no México, saíram por ter praticado verdadeira roubalheira em seus países. E isso não pode continuar acontecendo. Não pode os países ricos querer ajudar os países pobres aceitando depósito ou lavagem de dinheiro de quem rouba dos países pobres. Eu lembro que uma vez tinha um presidente do Zaire, chamado Moputu, e eu lembro que na época a denúncia é que ele tinha US$ 8 bilhões depositado num país da Europa, e o seu povo estava passando fome. Se os países ricos querem contribuir que eles não aceitem dinheiro do narcotráfico, do crime organizado, e que não aceitem dinheiro dos países em que os governantes praticaram verdadeiros roubos. Que devolva esse dinheiro para ajudar o seu povo. Eu quero, meu querido Hadad, terminar isso aqui dizendo para vocês... Terminar isso aqui dizendo para vocês uma coisa, deixa eu dizer uma coisa para vocês, eu quero dizer para vocês que o único e mais importante compromisso que eu tenho com vocês é de que vocês podem ter a certeza, como a certeza e a fé que vocês têm em Deus para quem é cristão, é que eu possa cometer algum erro, mas que jamais eu negarei uma vírgula dos ideais que me fizeram chegar à Presidência da República do nosso país. Eu quero poder a cada mês, a cada ano, olhar na cara de cada criança, de cada mulher, de cada homem, e dizer nós estamos construindo uma nova nação, nós estamos construindo um novo país. E eu teimo em dizer todo o santo dia: eu ei de realizar um sonho que não é meu, mas um sonho que é de todos vocês, que haverá um dia que nesse país nenhuma criança irá dormir sem um prato de comida e nenhuma criança acordará sem um café da manhã, haverá um dia em que neste país as pessoas poderão morrer, porque nascemos para morrer, mas ninguém morrerá de desnutrição como morre hoje nesse país. Haverá um dia em que a gente tem que ter a consciência de que este país que eu sonho e que vocês sonham ele pode ser construído, depende da nossa disposição de fazê-lo, depende da nossa coragem, depende da nossa disposição. E eu estou aqui para dizer para vocês, meus companheiros e minhas companheiras do Terceiro Fórum Social Mundial, haja o que houver, aconteça o que acontecer, eu tentarei cumprir cada palavra que está contida no programa de governo que me elegeu para presidente da República deste país. Governar é como uma maratona, você não pode começar a 80 por hora porque o teu fôlego pode acabar na primeira esquina, você tem que dar uns passos sólidos, concretos, para que você possa terminar o governo com a certeza de um dever cumprido. E eu quero poder dizer ao mundo, como seria bom, como seria maravilhoso se ao invés dos países ricos produzirem e gastarem dinheiro com tantas armas, se a gente gastasse dinheiro com pão, com feijão, com arroz para a gente matar a fome do povo. Eu fico imaginando quantos bilhões e bilhões e bilhões de dólares se gasta com uma guerra, soldado matando soldado, soldado matando inocente, e próximo de nós crianças levantando os olhos e mendigando um prato de comida que muitas vezes se joga fora e não dá pra essa criança. Meus companheiros e companheiras do Fórum Social Mundial, eu quero que vocês que são brasileiros e vocês que não são brasileiros, mas que estão aqui, quero que vocês tenham a certeza mais absoluta da vida de vocês, não faltarei com vocês, não deixarei de fazer as coisas que nós temos que fazer e eu espero dar a minha contribuição para que outros companheiros ganhem as eleições em outros países do mundo para que a gente possa de uma vez por todas começar a eleger pessoas que tenham mais sensibilidade, pessoas que tenham mais compromisso, pessoas que acreditem que é possível mudar a história da humanidade. O nosso país durante 500 anos ficou olhando para a Europa, está na hora de olhar para a África e para a América do Sul, está na hora de estabelecer novas parcerias para que a gente possa ser mais independente, fortalecer o Mercosul e estabelecer uma força política para negociar. Nós não podemos aceitar o que está acontecendo durante 40 anos, bloqueio em Cuba, não podemos aceitar que países sejam marginalizados durante séculos e séculos, e nós não podemos aceitar que o Brasil do tamanho que é, continue a cada ano que passa sendo um país que apresente maior índice de pobreza e miserabilidade. Por isso eu não poderia deixar de vir aqui, não poderia deixar de vir aqui e dizer para vocês: valeu a pena gente, e vai valer muito mais a pena quando a gente tiver no último dia do governo e poder provar com dados sobre dados de que nós fizemos em quatro anos o que os outros não fizeram em algumas dezenas de anos neste país. Gente, eu quero me despedir de vocês dizendo... Eu quero terminar dizendo aos companheiros coordenadores e coordenadoras do Fórum Social Mundial pelo amor de Deus não desistam porque vocês conseguiram em três anos construir uma das coisa mais extraordinárias que a sociedade civil mundial conheceu. Embora estejamos a tantos mil quilômetros de Davos, a verdade é que depois do Fórum de Porto Alegre, Davos já não tem mais a força que tinha antes de existir o Fórum Social Mundial. A verdade é que os problemas sociais do mundo nunca tinham sido discutidos em Davos e agora todos vão saber que tem que discutir os problemas sociais. Vocês conseguiram um espaço na história, a imprensa que começou no primeiro fórum a dizer que era um encontro de esquerdistas, a dizer que era um encontro dos malucos do mundo, hoje reconhecem em todos as primeiras páginas dos jornais, o Fórum Social Mundial é o maior evento político realizado na história contemporânea, e eu não tenho dúvida nenhuma que ele vai contribuir de forma decisiva para que a gente mude a história da humanidade. Muito obrigado, e até a vitória se Deus quiser companheiros." http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/a-fala-de-lula-no-forum-social-mundial/ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100129/48c2c7cb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jan 30 15:57:58 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 30 Jan 2010 15:57:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] As marcas da ditadura Message-ID: Carta O Berro..............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: urarianoms No site da Carta Maior, http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16366 As marcas das ditaduras e a revelação dos sobreviventes O Projeto Direito à Memória e à Verdade organizou, em Porto Alegre, o Seminário "Sobreviventes: Marcas das Ditaduras nos Direitos Humanos?, como atividade paralela ao FSM. Os sobreviventes convidados foram o jornalista Bernardo Kucinski e a atual secretária de Direitos Humanos da cidade do Recife e fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais, Amparo Araújo. Não se trata propriamente de saber quem são os torturadores; o sobrevivente e os sobreviventes o sabem. Trata-se de responsabilizar, apoderar-se do sentido, desvelar o que está, ainda, nas trevas. Katarina Peixoto "Só assim brilha a Revelação Numa época que Te rejeitou Teu nada é a única experiência Que de Ti é permitida? Gershom Scholem, em ?Com um exemplar do Processo de Kafka? ?Uma sociedade com futuro é uma sociedade com memória. Não por conta do nunca mais, não, que eu não acredito nisso. Mas para que a vida em comunidade faça sentido?, disse Lilian Celiberti, na terça-feira (26), em Porto Alegre, pouco antes de Lula pegar o microfone. Lilian Celiberti, militante feminista uruguaia e uma das poucas sobreviventes da Operação Condor, sabe o que essas palavras significam. Mas o que elas querem dizer? O que organiza a exigência da memória na vida política de um povo? Por que essas palavras fazem sentido e como se pode traduzir a clareza na face de Lilian Celiberti, quando as pronunciou, para milhares de participantes do FSM? O Projeto Direito à Memó ria e à Verdade ? Aos que morreram na luta por um Brasil livre ? organizou o Seminário ?Sobreviventes: Marcas das Ditaduras nos Direitos Humanos?, na tarde do dia 27, como atividade paralela ao FSM. Os sobreviventes convidados foram o jornalista Bernardo Kucinski e a atual secretária de Direitos Humanos da da cidade do Recife e fundadora do Movimento Tortura Nunca Mais, Amparo Araújo. Quando Bernardo começou a ler o texto que preparou para a ocasião ficou dolorosamente evidente o quanto essas interrogações acima não são triviais. E exatamente por isso resplandeceram duas exigências, de natureza moral, anti-jornalísticas: não usar um gravador e não tecer anotações num caderno. A melancolia do sobrevivente é, observou Bernardo, incontornavelmente individual e em certa medida irredutível à linguagem. Agostinho de Hipona disse que ?a morte era um embaraço para a linguagem?. E o desaparecimento, o extermínio, a tortura, a t ransmissão perversa da culpa e a perpetuação da suspensão do luto são embaraços para o quê ou para quem? Do que se faz essa impossibilidade de consumar o luto e qual a relação desse luto em suspenso com o silêncio que não se pode traduzir? Qual, enfim, é e qual deve ser o destino da culpa? Bernardo Kucinski é um dos sobreviventes da ditadura militar brasileira que contabiliza, dentre os seus desaparecidos, sua irmã Ana Rosa Kucinski e seu cunhado, Wilson Silva. Ambos, desaparecidos desde abril de 1974, compõem parte do ?nada? de Bernardo de que o poema de Gershom Scholem nos fala, a respeito do texto de Kafka. Compõem uma parte que talvez se pudesse chamar de continuidade, de um luto sem termo inicial claro. Ele falou do silêncio de seu pai, o imigrante judeu polonês Majer Kucinski, a respeito de irmãs mortas, uma, num campo de extermínio e outra, pelas forças de ocupação nazista na França. Desta tia descobriu o nome há pouco, disse, s em saber se era casada e como vivia. A sobrevivência parece se confundir, nas palavras que Bernardo vai lendo no microfone, com uma posição histórica. A sua mãe, Ester, também silenciara aos filhos que tinha tido toda a família exterminada pelas tropas nazistas na invasão da Polônia. E que seu tio era, junto a ela, o único sobrevivente daquele núcleo familiar desfeito para sempre. Bernardo conta que Ester morreu aos 50, de câncer, mas que tinha morrido mesmo naquele dia em que todos foram exterminados. Aquele dia em que o embaraço da linguagem se tornou um silêncio de décadas. Sobre essas coisas não se falava na sua casa. O desaparecimento de sua irmã e de seu cunhado foi um episódio inimaginavelmente doloroso para a sua família. E parece ter sido por ocasião deste evento que Bernardo tenha explicitado o fio condutor da memória silenciada, que não aleatoriamente é o mesmo que liga as ditaduras. A culpa que guarda a pretensão da função de um predicado atemporal e intransitivo do sobrevivente foi exemplarmente apresentada, lembrou Berrnardo, em A Escolha de Sofia (William Styron, 1979). Por que o soldado alemão não matou as duas crianças, em vez de pedir à mãe que ela escolhesse, entre o filho e a filha, qual iria morrer? A despeito de quem seja esse sujeito, há um dispositivo que o ultrapassa e que opera, nessa ordem macabra, a perversidade da transmissão da culpa. A transferência da culpa para a vítima e, assim, a perpetuação do sofrimento. O destino da culpa de Sofia é o suicídio, como se sabe. O livro de Styron é obra de ficção; seu argumento, não. O que está moralmente em jogo na exigência da verdade a respeito dos desaparecidos é o destino que essa culpa deve ter. Porque a exigência da verdade, da punição e da reparação, ao contrário da melancolia, habitam uma dimensão pública, política jurídica, estatal e histórica. Amparo Araúj o é irmã do militante, desaparecido em 1971, Luiz Araújo. Ela demonstrou como se passa da melancolia confinada e irremediavelmente confinada, ao seu contrário: a ação pública, inegociável, juridicamente consistente, politicamente honrosa, de lembrar e exigir a reparação do Estado. Amparo poderia falar durante horas e dias sobre a sua trajetória e talvez não demonstrasse com a mesma clareza como se dá essa passagem, como quando disse que tinha voltado a ter pesadelos, por ocasião da reação lacaia à criação da Comissão da Verdade. Amparo pôs a mão no peito e disse mais ou menos: ?Eu sempre tive uma dor só minha, aqui no meu colo, sabe??, disse, com a mão repousando sobre o colo. ?Pois agora voltou a doer, assim, fisicamente, de novo?. Essa dor deve ser retribuída, como justiça. Uma das lições mais elementares do direito penal é a de que a conduta criminosa é singularmente imputável. O fundamento dessa exigência de imputabilida de é o pressuposto de que todo criminoso é, antecedentemente, uma pessoa de direitos. Toda punição no âmbito estritamente penal repousa na imputação legítima de uma culpa, feita pela lei e executada pelo Estado de direito. Essa estrutura da operação punitiva não se estende aos crimes do estado, e menos ainda aos crimes contra a humanidade. A humanidade, diferentemente da vítima a, b, c, não deixa de sê-lo, não desaparece enquanto tal da mesma maneira que os indivíduos, não é singularizável. Essas considerações rudimentares de direito talvez possam ser traduzidas com a afirmação já aceita no nosso STJ, por exemplo, de que direitos inalienáveis não prescrevem, a título de combate à indigente tese de aparência jurídica de que os crimes da ditadura teriam prescrito. Bernardo deixou claro que sabe quem são os torturadores, e é muito provável que também Amparo e demais vítimas das atrocidades da ditadura brasileira o saibam. A invers? ?o do destino da culpa e a reparação não se situam no âmbito de uma relação comutativa, trivialmente retributiva, entre torturador e torturado, entre carrasco e cadáver desconhecido. O que faz com que, até hoje, pessoas procurem a família de Bernardo para dar pistas falsas da sua irmã, dizendo que ela está viva, morando no Canadá, por exemplo? Por que há o cuidado de reiterar a dor da perda, de cristalizar a angústia, de insistir em semear a hipótese da fraqueza, da frustração, da derrota? Se é a perversidade que explica essa conduta, e certamente o é, ela não é um traço singular, psicológico, qualquer, mas uma ação política. E histórica. ?Articular o passado historicamente não significa conhecê-lo 'tal como ele propriamente foi'. Significa apoderar-se de uma lembrança tal como ela lampeja num instante de perigo. (...)...também os mortos não estarão seguros diante do inimigo, se ele for vitorioso. E esse inimigo não tem ces sado de vencer?. (1) Não se trata de saber; o sobrevivente e os sobreviventes o sabem. Trata-se de responsabilizar, apoderar-se do sentido, desvelar o que está, ainda, nas trevas. Para que a tortura e a corrupção deixem de ser condição ordinária nos procedimentos investigatórios e no interior das penitenciárias. Para que a vida em sociedade faça sentido. Não é, como disse Lilian, para que nunca mais aconteça, exatamente; mas porque as repetições de tragédias e da barbárie nunca careceram de fiadores entusiasmados e eles seguem insistindo na transmissão e perpetuação do sofrimento. É para que aquilo que aconteceu faça sentido hoje, na nossa democracia, na nossa memória, no nosso cotidiano irrefletido. O paradoxo de dissolver a culpa e a responsabilidade no pântano das defesas delirantes ?anti-revanchistas? se torna: ninguém tem culpa, porque todos são culpados, como lembrou Bernardo, no fim de seu d epoimento. Os que tombaram na luta pela democracia só estarão seguros, enquanto mortos, se a democracia for uma experiência permitida. (1) Trechos da Tese VI, das Teses sobre o Conceito de História, de Walter Benjamin. In: Aviso de Incêndio ? Uma leitura das Teses ?Sobre o Conceito de História?, Michel Löwy. Tradução das Teses: Jeanne Marie Gagnebin e Marcos Lutz Müller, São Paulo, SP, Boitempo Editorial, 2005. __._,_.___ | através de email Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo Adicionar um novo tópico Divirta-se Conheça mulheres lindas e solteiras agora. -------------------------------------------------------------------------------- Descubra os melhores bairros para morar em São Paulo Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? 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A perversão farmacêutica Os vários negócios de uma indústria poderosa e lucrativa que se alimenta na reprodução de uma sociedade hipermedicada. ___ Por Ari de Oliveira Zenha A toda poderosa indústria farmacêutica adquiriu ao longo do desenvolvimento do capitalismo uma força e importância incalculável para a sociedade mundial. Seu poder tanto político e econômico é avassalador, pois sua atividade está ligada a uma das necessidades básicas dos seres humanos, a saúde, ou seja, a superação das doenças e dos males que afetam as pessoas. Os laboratórios farmacêuticos cujas sedes estão localizadas nos Estados Unidos e na Europa tentam garantir, a todo custo, e, ai vale qualquer artifício, seus lucros, que são gigantescos, de qualquer forma. A indústria farmacêutica atua no mundo de forma desumana e cruel. Ela tem pautado suas atuações como um setor de produção qualquer, ou seja, a procura de todas as formas de lucro, de acumulação, se inserindo, assim como um dos setores produtivos ? entre milhares ? que compõe a estrutura do modo de produção capitalista. A produção de medicamentos se tornou um negocio como outro qualquer, como produzir sapatos, automóveis e outros bens de consumo, o que prevalece é a busca de lucros cada vez maiores, não importando que para isso ela tenha que subornar colocar centenas de lobistas no Congresso dos países, de deixar de fabricar determinados medicamentos que não são rentáveis, não investirem quase nada em Pesquisa e Desenvolvimento de novos remédios, pois isto requer anos de pesquisa e muitas vezes levam ao fracasso, ou seja, os investimentos numa nova droga ? medicamento ? podem levar a nada. Isto faz com que essas empresas aleguem que tenham altos custos para a produção de medicamentos que salvam vidas, e ai, mora uma grande jogada destas indústrias, elas recebem elevados subsídios dos governos e, além disso, usam para justificar os altos preços dos seus medicamentos alegando que atuam na Pesquisa e Desenvolvimento de novos remédios. Mas na verdade elas aplicam enormes recursos financeiros em marketing e em maquiar os antigos medicamentos, em patrocinar congressos e conferências médicas, em ?visitas? aos consultórios médicos e na distribuição de amostras grátis. Quem já não viu os representantes dos laboratórios, muito bem vestidos, muito bem treinados, que constantemente estão às portas dos consultórios médicos e clínicas médicas passando ?informação? sobre algum ?novo? medicamento? A médica norte-americana Márcia Angell esclarece as artimanhas e as atividades que este setor ? farmacêutico ? realiza notadamente nos Estados Unidos e que se alastra para todo o planeta. Segundo Angell ?... Tornamos-nos uma sociedade hipermedicada. Os médicos infelizmente foram muito bem treinados pela indústria farmacêutica, e o que aprenderam foi a pegar o bloco de receituário. Acrescente-se a isso o fato de que a maioria dos médicos está muito pressionada em termos de tempo, em decorrência das exigências das administradoras de planos de saúde, e podem pegar aquele bloco com grande rapidez. Os pacientes também aprenderam muito com os anúncios da indústria farmacêutica. Eles aprenderam que, a não ser que saiam do consultório médico com uma prescrição, o médico não está fazendo um bom trabalho. O resultado é que gente demais acaba por tomar medicamentos quando pode haver modos melhores de lidar com seus problemas. Mais serio é o fato de que muitos de nós estamos tomando muitos medicamentos ao mesmo tempo ? freqüentemente cinco, talvez dez, ou até mais. Essa prática é denominada ?polimedicação? e traz consigo riscos reais. O problema é que muito poucos medicamentos têm apenas um efeito. Além do efeito desejado, há outros. Alguns são efeitos colaterais que os médicos conhecem, mas pode haver outros dos quais não tenham conhecimento. Quando vários medicamentos são tomados de uma vez, esses outros efeitos se somam. Pode haver também a interação medicamentosa, na qual um medicamento bloqueia a ação de outro ou retarda seu metabolismo, de modo que sua ação e seus efeitos colaterais são aumentados.? Forma de atuação Não que não haja bons medicamentos para a nossa saúde, para que tenhamos uma vida mais longa e de melhor qualidade. Que os medicamentos sejam receitados com cuidado e que os médicos quando os prescrevem estejam fundamentados em pesquisas e informações verdadeiras e que seja de acesso a todos estes profissionais, pois as indústrias farmacêuticas, quase sempre não passam todas as informações aos médicos, omitindo propositadamente informações essenciais para que estes realizem seus procedimentos médicos com segurança e qualidade para seus pacientes. A máquina de fazer dinheiro dos laboratórios farmacêuticos esta baseada nas informações falsas, em subornos e propinas que se alastram em todos os setores médicos. Muitas vezes apenas com dietas e exercícios se obtém melhores resultados que os medicamentos. Outro fato abominável é que a indústria farmacêutica utiliza, para manter seus enormes lucros, as patentes. Ou seja, patentear um medicamento mesmo que maquiado, apenas modificando a dosagem e mudando a cor das pílulas é garantia para que esses tenham a patente prorrogada e mesmo aumentada em vários anos a mais. Os medicamentos maquiados, ou melhor, medicamentos de imitação, vem sendo uma grande ?jogada? no intuito de manter as patentes e seus elevados lucros. Outra frente de luta pelos lucros mantida pelos grandes laboratórios é a produção dos genéricos. Esses são mais um potencial e efetivo problema para eles, pois são mais baratos e tem o mesmo efeito dos medicamentos de marca. Os grandes centros de Pesquisa e Desenvolvimento de novos medicamentos estão nas Universidades nos grandes centros médicos acadêmicos sendo realizada por seus cientistas que tem contribuído para o aparecimento da grande maioria dos novos medicamentos. Estas instituições recebem recursos financeiros do Estado, o que significa dizer que são financiados pela população de seus países. A indústria farmacêutica tem procurado, sistematicamente, se relacionar e se associar com estas instituições patrocinando com generosos recursos financeiros as pesquisas realizadas por estes cientistas. Os medicamentos comercializados quase sempre provêm de pesquisas financiadas com recursos públicos e executadas por Universidades, como disse, e pelas pequenas empresas de biotecnologia. Estes grandes laboratórios agem a nível global, ou seja, sem nenhum constrangimento eles procuram adquirir de terceiros, incluindo os pequenos laboratórios espalhados pelo mundo, qualquer pesquisa que exista e que segundo suas avaliações, tem indícios de serem promissores. Uma, dentre várias, necessidades da indústria farmacêutica é desenvolver medicamentos para clientes que podem pagar os preços estabelecidos por eles. Os laboratórios estavam, há tempos, voltados para pesquisar, para desenvolver medicamentos para tratar doenças, hoje estes anunciam ?doenças? que se encaixam nos medicamentos que produzem. Isto pode parecer paradoxal e mesmo perverso, mas é até onde tem chegado essa indústria. Quem já se deu ao ?trabalho? de ler uma bula de remédio já notou que na sua grande maioria determinado medicamento é indicado para vários tipos de doenças, isto também é uma forma dos grandes laboratórios burlarem a lei de patentes e ao mesmo tempo aumentar seus lucros, pois o tal remédio serve para inúmeros males, isso tudo com o olhar complacente das autoridades e órgãos públicos. Especulação Quando um grande laboratório anuncia a criação de um novo medicamento, com grande potencial de consumo, logo suas ações na bolsa de valores sobem vertiginosamente, pois os lucros presumidos nesse novo medicamento são muito grandes e é lucro garantido não só para os laboratórios como para seus investidores/acionistas. A indústria farmacêutica manipula resultados de pesquisas científicas, não realiza todos os procedimentos necessários para colocá-lo no mercado com segurança para a população, ou seja, a necessidade de auferir lucros, o mais rápido possível, é o que importa! Nos dias de hoje pode-se patentear bem dizer qualquer coisa e as indústrias farmacêuticas aproveitam e incluem novos usos, formas de dosagem e combinações de medicamentos antigos chegando ao cúmulo de mudar, como já foi dito, até a cor das pílulas. A indústria farmacêutica não tem interesse em desenvolver medicamentos para tratar doenças tropicais, tais como: malária, a doença do sono ou a esquistossomose, doenças comuns nos países em desenvolvimento e do terceiro mundo, pois nesses países a população é muito pobre e não poderiam comprar seus medicamentos. Por outro lado ela investe, com abundância, em medicamentos para reduzir o colesterol, tratar transtornos emocionais, febre do feno ou azia. Precisamos, com urgência, tomar providencias contra estas gigantes da indústria farmacêutica que insistem em distorcer pesquisas, em aumentar seus lucros custe o que custar, em manter através das patentes o monopólio de produção e comercialização dos seus medicamentos e de aumentar seus preços a níveis estratosféricos. Sem que as autoridades e a população mundial não tomarem medidas duras contra a ganância dos laboratórios farmacêuticos e seus comportamentos, o que nos espera, além do que já estamos vivendo, é o mundo da saúde se transformar num imenso inferno dantesco. Ari de Oliveira Zenha é economista -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100130/ecba7e4a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 31 12:11:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 31 Jan 2010 12:11:35 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__M=FAsicas_Cl=E1ssicas_=3A_Chopin?= =?iso-8859-1?q?=3B_Borodin=3B_Vivaldi=3B_Mozart=3B_Dvorak=3B_Smeta?= =?iso-8859-1?q?na=3B_Debussy=3BPuccini_e_muitos_outros_e_grandes_r?= =?iso-8859-1?q?egentes=2E______________________________HOJE_=C9_DO?= =?iso-8859-1?q?MINGO!?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. From: aleteias From: Andres Friedman Hola: Puedes pasar horas con éste sitio de intenet escuchando buena música. Que lo disfrutes !!! Andrés. São dezenas de clássicos que se desdobram em várias de sua músicas: Chopin; Borodin; Vivaldi; Mozart; Dvorak; Smetana; Debussy;Puccini e muitos outros. clique http://dosostenidomenor.wordpress.com/category/directores-de-orquesta/ __._,_.___ -------------------------------------------------------------------------------- CARTA O BERRO. ..........repassem. From: aleteias From: Andres Friedman Hola: Puedes pasar horas con éste sitio de intenet escuchando buena música. Que lo disfrutes !!! Andrés. São dezenas de clássicos que se desdobram em várias de sua músicas: Chopin; Borodin; Vivaldi; Mozart; Dvorak; Smetana; Debussy;Puccini e muitos outros. clique http://dosostenidomenor.wordpress.com/category/directores-de-orquesta/ __._,_.___ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2659 - Data de Lançamento: 01/31/10 06:39:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100131/7d0ffb67/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100131/7d0ffb67/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jan 31 12:11:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 31 Jan 2010 12:11:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O Haiti existe? por Frei Betto Message-ID: <84B11CE6B9FB4561B3849B6077725868@vcaixe> Carta O Berro.................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: neide_pessoa "Quem abraçará o exemplo da dra. Zilda Arns, ] de ensinar o povo a ser sujeito multiplicador e emancipador de sua própria história"?--Frei Betto O Haiti existe? Frei Betto Interessados em exibir na Europa uma coleção de animais exóticos, no início do século XIX, dois franceses, os irmãos Edouard e Jules Verreaux, viajaram à África do Sul. A fotografia ainda não havia sido inventada, e a única maneira de saciar a curiosidade do público era, além do desenho e da pintura, a taxidermia, empalhar animais mortos, ou levá-los vivos aos zoológicos. No museu da família Verreaux os visitantes apreciavam girafas, elefantes, macacos e rinocerontes. Para ela, não poderia faltar um negro. Os irmãos aplicaram a taxidermia ao cadáver de um e o expuseram, de pé, numa vitrine de Paris; tinha uma lança numa das mãos e um escudo na outra. Ao falir o museu, os Verreaux venderam a coleção. Francesc Darder, veterinário catalão, primeiro diretor do zoológico de Barcelona, arrematou parte do acervo, incluído o africano. Em 1916, abriu seu próprio museu em Banyoles, na Espanha. Em 1991, o médico haitiano Alphonse Arcelin visitou o Museu Darder. O negro reconheceu o negro. Pela primeira vez, aquele morto mereceu compaixão. Indignado, Arcelin pôs a boca no mundo, às vésperas da abertura dos Jogos Olímpicos de Barcelona. Conclamou os países africanos a sabotarem o evento. O próprio Comitê Olímpico interveio para que o cadáver fosse retirado do museu. Terminadas as Olimpíadas, a população de Banyoles voltou ao tema. Muitos insistiam que a cidade não deveria abrir mão de uma tradicional peça de seu patrimônio cultural. Arcelin mobilizou governos de países africanos, a Organização para a Unidade Africana, e até Kofi Annam, então secretário-geral da ONU. Vendo-se em palpos de aranha, o governo Aznar decidiu devolver o morto à sua terra de origem. O negro foi descatalogado como peça de museu e, enfim, reconhecido em sua condição humana. Mereceu enterro condigno em Botswana. Em meus tempos de revista "Realidade", nos anos 60, escandalizou o Brasil a reportagem de capa que trazia, como título, "O Piauí existe." Foi uma forma de chamar a atenção dos brasileiros para o mais pobre estado do Brasil, ignorado pelo poder e pela opinião públicos. O terremoto que arruinou o Haiti nos induz à pergunta: o Haiti existe? Hoje, sim. Mas, e antes de ser arruinado pelo terremoto? Quem se importava com a miséria daquele país? Quem se perguntava por que o Brasil enviou para lá tropas a pedido da ONU? E agora, será que a catástrofe - a mais terrível que presencio ao longo da vida - é mera culpa dos desarranjos da natureza? Ou de Deus, que se mantém silencioso frente ao drama de milhares de mortos, feridos e desamparados? Colonizado por espanhóis e franceses, o Haiti conquistou sua independência em 1804, o que lhe custou um duro castigo: os escravagistas europeus e estadunidenses o mantiveram sob bloqueio comercial durante 60 anos. Na segunda metade do século XIX e início do XX, o Haiti teve 20 governantes, dos quais 16 foram depostos ou assassinados. De 1915 a 1934 os EUA ocuparam o Haiti. Em 1957, o médico François Duvalier, conhecido como Papa Doc, elegeu-se presidente, instalou uma cruel ditadura apoiada pelos tonton macoutes (bichos-papões) e pelos EUA. A partir de 1964, tornou-se presidente vitalício... Ao morrer em 1971, foi sucedido por seu filho Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc, que governou até 1986, quando se refugiou na França. O Haiti foi invadido pela França em 1869; pela Espanha em 1871; pela Inglaterra em 1877; pelos EUA em 1914 e em 1915, permanecendo até 1934; pelos EUA, de novo, em 1969. As primeiras eleições democráticas ocorreram em 1990; elegeu-se o padre Jean-Bertrand Aristide, cujo governo foi decepcionante. Deposto em 1991 pelos militares, refugiou-se nos EUA. Retornou ao poder em 1994 e, em 2004, acusado de corrupção e conivência com Washington, exilou-se na África do Sul. Embora presidido hoje por René Préval, o Haiti é mantido sob intervenção da ONU e agora ocupado, de fato, por tropas usamericanas. Para o Ocidente "civilizado e cristão", o Haiti sempre foi um negro inerte na vitrine, empalhado em sua própria miséria. Por isso, a mídia do branco exibe, pela primeira vez, os corpos destroçados pelo terremoto. Ninguém viu, por TV ou fotos, algo semelhante na Nova Orleans destruída pelo furacão ou no Iraque atingido pelas bombas. Nem mesmo após a passagem do tsunami na Indonésia. Agora, o Haiti pesa em nossa consciência, fere nossa sensibilidade, arranca-nos lágrimas de compaixão, desafia a nossa impotência. Porque sabemos que se arruinou, não apenas por causa do terremoto, mas sobretudo pelo descaso de nossa dessolidariedade. Outros países sofrem abalos sísmicos e nem por isso destroços e vítimas são tantos. Ao Haiti enviamos "missões de paz", tropas de intervenção, ajudas humanitárias; jamais projetos de desenvolvimento sustentável. Findas as ações emergenciais, quem haverá de reconhecer o Haiti como nação soberana, independente, com direito à sua autodeterminação? Quem abraçará o exemplo da dra. Zilda Arns, de ensinar o povo a ser sujeito multiplicador e emancipador de sua própria história? -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100131/dadd4e6b/attachment-0001.html