From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 1 20:27:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 1 Feb 2010 20:27:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Desafio da Comissao da Verdade - da Agencia Brasil Message-ID: <20169B14841A488787680D7FA76BBDA7@vcaixe> Carta O Berro....................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Desafio da Comissão da Verdade deverá ter acesso a arquivos das Forças Armadas Gilberto Costa Repórter da Agência Brasil Brasília - A Comissão Nacional da Verdade deverá ter um grande acervo de documentos sobre a perseguição a dissidentes políticos durante a ditadura militar (1964-1985). O Arquivo Nacional dispõe dos papéis e registros dos setores de informação e monitoramento do Ministério da Justiça, do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério das Comunicações e de universidades públicas. Além desses, há informações de investigações da Polícia Federal à época do regime. Há também dados mais recentes, como os produzidos após a redemocratização. Três incursões ao Pará e Tocantins renderam mais de 300 depoimentos sobre a Guerrilha do Araguaia (ocorrida no começo dos anos 1970); os oito anos de trabalho da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça acumularam 60 mil processos sobre perseguições, demissões arbitrárias, tortura e exílio nos 21 anos de regime militar. Ainda há acervos como os do Brasil, Nunca Mais e de particulares como do Major Curió sobre o Araguaia, revelado no ano passado, e que o Ministério Público tenta obter. "A Comissão da Verdade não realizará seu trabalho partindo do zero", diz Paulo Abrão, presidente da Comissão da Anistia. Ele espera, no entanto, que a comissão tenha acesso aos arquivos da inteligência do Exército, Marinha e Aeronáutica. "O desafio da Comissão estará em chegar a esses documentos e verificar sua veracidade", disse à Agência Brasil. Desde a redemocratização na década de 80, os militares afirmam, no entanto, que os documentos desses centros de informação foram destruídos. Paulo Abrão é um dos seis membros do grupo de trabalho (GT) nomeado na última quarta-feira (27) pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para elaborar até abril o anteprojeto de lei que institui a Comissão Nacional da Verdade. Os outros participantes são Erenice Guerra (secretária executiva da Casa Civil), ministro Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), Vilson Marcelo Vedana (consultor jurídico do Ministério da Defesa), Marco Antônio Barbosa (presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos) e Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de Direitos Humanos, representante da sociedade civil no GT). A Casa Civil coordena os trabalhos. Para o presidente do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo, "à primeira vista, a formação do grupo parece completamente desequilibrada. Parece difícil pensar em isenção". Em sua opinião, o GT poderia ter um representante do Ministério da Defesa, um da Secretaria dos Direitos Humanos e os demais seriam historiadores e cientistas políticos que "examinem os fatos, sem a carga de paixão". O general disse não ver problemas na instalação de uma comissão da verdade, "para verificar o que realmente ocorreu". Na avaliação do cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, "essa coisa de dois lados é conversa fiada. Só há um lado para se apurar: o da responsabilidade dos agentes do Estado". O ex-secretário pontua que o GT e a Comissão Nacional da Verdade deverão trabalhar com base no diálogo e no que já está previsto em lei; como a Lei nº 9140/95, que reconheceu como mortas as pessoas desaparecidas durante o regime militar. O presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, reforça a necessidade de diálogo e também descarta que haja dois lados para serem apurados. "Não podemos raciocinar nesses termos. O pressuposto primeiro é que todas as partes têm intrínseca vontade em apurar a verdade" 30 de Janeiro de 2010 - 10h08 - Última modificação em 30 de Janeiro de 2010 - 14h28 Há um esforço de setores da sociedade em apagar a ditadura da história do país, diz filósofo Gilberto Costa Repórter da Agência Brasil Brasília - Após a Segunda Guerra Mundial, os judeus sobreviventes revelaram que seus carrascos asseguravam que ninguém acreditaria no que havia ocorrido nos campos de concentração. A história, no entanto, não cumpriu o destino previsto pelos nazistas, muitos foram condenados e o episódio marca a pior lembrança da humanidade. Crimes cometidos em outros momentos de exceção também levaram violadores de direitos humanos a serem interrogados em comissões da verdade e punidos por tribunais, como na África do Sul, em Ruanda, na Argentina, no Uruguai e Paraguai. Para filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um lugar que resiste à memória do horror e a fazer justiça às vítimas: o Brasil. Nenhum agente do Estado ditatorial (1964-1985), envolvido em crimes como sequestro, tortura, estupro e assassinato de dissidentes políticos, foi a julgamento e preso. Em março, será lançado o livro O Que Resta da Ditadura (editora Boitemço), organizado por Safatle e Edson Teles. A obra tenta entender como a impunidade se forma e se alimenta no Brasil. Para Safatle,o Brasil continua uma democracia imperfeita por resistir a uma reavaliação do período da ditadura militar (1964-1985) e por manter uma relação complicada entre os Três Poderes. Agência Brasil: O Brasil tem alguma dificuldade com o seu passado? Vladimir Safatle: Existe um esforço de vários setores da sociedade em apagar a ditadura, quase como se ela não tivesse existido. Há leituras que tentam reduzir o período à vigência do AI-5 [Ato Institucional nº 5], de 1968 a 1979. E o resto seria uma espécie de democracia imperfeita, que não se poderia tecnicamente chamar de ditadura. Ou seja, existe mesmo no Brasil um esforço muito diferente de outros países da América Latina, que passaram por situações semelhantes, que era a confrontação com os crimes do passado. É a ideia de anular simplesmente o caráter criminoso de um certo passado da nossa história. ABr: Há quem diga que o Brasil não teve de fato uma ditadura clássica depois de 1964, mas sim uma "ditabranda" se comparada à da Argentina e a do Uruguai, por exemplo. Safatle: Essa leitura é do mais clássico cinismo. É inadmissível para qualquer pessoa que respeite um pouco a história nacional. Afirmar que uma ditadura se conta pela quantidade de mortes que consegue empilhar numa montanha é desconhecer de uma maneira fundamental o que significa uma ditadura para a vida nacional. A princípio, a quantidade de mortes no Brasil é muito menor do que na Argentina. Mas é preciso notar como a ditadura brasileira se perpetuou. O Brasil é o único país da América Latina onde os casos de tortura aumentaram após o regime militar. Tortura-se mais hoje do que durante aquele regime. Isso demostra uma perenidade dos hábitos herdados da ditadura militar, que é muito mais nociva do que a simples contagem de mortes. ABr: Qual o reflexo disso? Safatle: Significa um bloqueio fundamental do desenvolvimento social e político do país. Por outro lado, existe um dado relevante: a ditadura de certa maneira é uma exceção. Ela inaugurou um regime extremamente perverso que consiste em utilizar a aparência da legalidade para encobrir o mais claro arbítrio. Tudo era feito de forma a dar a aparência de legalidade. Quando o regime queria de fato assassinar alguém, suspender a lei, embaralhava a distinção entre estar dentro e fora da lei. Fazia isso sem o menor problema. Todos viviam sob um arbítrio implacável que minava e corroía completamente a ideia de legalidade. É um dos defeitos mais perversos e nocivos que uma ditadura pode ter. Isso, de uma maneira muito peculiar, continua. ABr: Então, a semente da violência atual do aparato policial foi plantada na ditadura? Safatle: Não é difícil fazer essa associação, pois nunca houve uma depuração da estrutura policial brasileira. É muito fácil encontrar delegados que tiveram participação ativa na ditadura militar, ainda em atividade. No estado de São Paulo, o ex-governador Geraldo Alckmin indicou um delegado que era alguém que fez parte do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna]. Teve toda uma discussão, mas esse debate não serviu sequer para ele voltasse atrás na nomeação. Se você levar em conta esse tipo de perenidade dos próprios agentes que atuaram no processo repressivo, não é difícil entender por que as práticas não mudaram. ABr: Estamos atrás de outros países, como Argentina e África do Sul, na investigação e julgamento de crimes cometidos pelo Estado? Safatle: Estamos aquém de todos os países da América Latina. Nosso problema não é só não ter constituído uma comissão de verdade e justiça, mas é o de que ninguém do regime militar foi preso. Não há nenhum processo. O único processo aceito foi o da família Teles contra o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, que foi uma declaração simplesmente de crime. Ninguém está pedindo um julgamento e sim uma declaração de que houve um crime. Legalmente, sequer existiram casos de tortura, já que não há nenhum processo legal. E levando em conta o fato de que o Brasil tinha assinado na mesma época tratados internacionais, condenando a tortura, nossa situação é uma aberração não só em relação à Argentina e à África do Sul, mas em relação ao Chile, ao Paraguai e ao Uruguai. ABr: Que expectativa o senhor tem quanto ao funcionamento da Comissão Nacional da Verdade, prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), para apurar crimes da ditadura? Safatle: Uma atitude como essa é a mais louvável que poderia ter acontecido e merece ser defendida custe o que custar. O trabalho feito pelo ministro Paulo Vannuchi [secretário dos Direitos Humanos, da Presidência da República] e pela Comissão de Direitos Humanos é da mais alta relevância nacional. Acho que é muito difícil falar o que vai acontecer. A gente está entrando numa dimensão onde a memória nacional, a política atual e o destino do nosso futuro se entrelaçam. Existe uma frase no livro 1984, de George Orwell, que diz: "Quem controla o passado controla o futuro". Mexer com esse tipo de coisa é algo que não diz respeito só à maneira que o dever de memória vai ser institucionalizado na vida nacional, mas à maneira com que o nosso futuro vai ser decidido. ABr: Mas, antes mesmo da criação da Comissão da Verdade, os debates já estão muito acalorados. Safatle: O melhor que poderia acontecer é que se acirrassem de fato as posições e cada um dissesse muito claramente de que lado está. O país está dividido desde o início. Veja a questão da Lei da Anistia. O programa do governo [PNDH 3] em momento algum sugeriu uma forma de revisão ou suspensão da lei. O que ele sugeriu foi que se abrisse espaço para a discussão sobre a interpretação da letra da lei. Porque a anistia não vale para crimes de sequestro e atentados pessoais. A confusão que se criou demonstra muito claramente como a sociedade brasileira precisa de um debate dessa natureza, o mais rápido possível. Não dá para suportar que certos segmentos da sociedade chamem pessoas foram ligadas a esses tipos de atividades de "terroristas". É sempre bom lembrar que no interior da noção liberal de democracia, desde John Locke [filósofo inglês do século 17], se aceita que o cidadão tem um direito a se contrapor de forma violenta contra um Estado ilegal. Alguns estados nos Estados Unidos também preveem essa situação. ABr: O termo "terrorista" é usado por historiadores que não têm qualquer ligação com os militares e até mesmo por pessoas que participaram da luta armada. Usar a palavra é errado? Safatle: Completamente. É inaceitável esse uso que visa a criminalizar profundamente esse tipo de atividade que aconteceu na época. A ditadura foi um estado ilegal que se impôs através da institucionalização de uma situação ilegal. Foi resultado de um golpe que suspendeu eleições, criou eleições de fachada com múltiplos casuísmos. Podemos contar as vezes que o Congresso Nacional foi fechado porque o Executivo não admitia certas leis. O fato de ter aparência de democracia porque tinham algumas eleições pontuais, marcadas por milhões de casuísmos, não significa nada. No Leste Europeu também existiam eleições que eram marcadas desta mesma maneira.Um Estado que entra numa posição ilegal não tem direito, em hipótese alguma, de criminalizar aqueles que lutam contra a ilegalidade. Por trás dessa discussão, existe a tentativa de desqualificar a distinção clara entre direito e Justiça. Em certas situações, as exigências de Justiça não encontram lugar nas estruturas do Direito tal como ele aparecia na ditadura militar. Agora, existem certos setores que tentam aproximar o que aconteceu no Brasil do que houve na mesma época na Europa, com os grupos armados na Itália e na Alemanha. As situações são totalmente diferentes porque nenhum desses países era um Estado ilegal. E não há casos no Brasil de atentado contra a população civil. Todos os alvos foram ligados ao governo. ABr: Os assaltos a banco não seriam atentados às pessoas comuns que estavam nas agências? Safatle: Todos os que participaram a atentados a bancos não foram contemplados pela Lei da Anistia e continuaram presos depois de 1979. Pagaram pelo crime. Isso não pode ser utilizado para bloquear a discussão. Dentro de um processo de legalidade, de maneira alguma o Estado pode tentar esconder aquilo que foi feito por cidadãos contra eles, como se fossem todos crimes ordinários. Se um assalto a banco é um crime ordinário, eu diria que a luta armada, a luta contra o aparato do Estado ilegal, não é. Isso faz parte da nossa noção liberal de democracia. ABr: Que democracia é a nossa que tem dificuldades de olhar o passado? Safatle: É uma democracia imperfeita ou, se quisermos, uma semidemocracia. O Brasil não pode ser considerado um país de democracia plena. Existe uma certa teoria política que consiste em pensar de maneira binária, como se existissem só duas categorias: ditadura ou democracia. É uma análise incorreta. Seria necessário acrescentar pelo menos uma terceira categoria: as democracias imperfeitas. ABr: O que isso significa? Safatle: Consiste em dizer basicamente o seguinte: não há uma situação totalitária de estrutura, mas há bloqueios no processo de aperfeiçoamento democrático, bloqueios brutais e muito visíveis. Existe uma versão relativamente difundida de que a Nova República é um período de consolidação da democracia brasileira. Diria que não é verdade. É um período muito evidente que demonstra como a democracia brasileira repete os seus impasses a todo momento. O primeiro presidente eleito recebeu um impeachment, o segundo subornou o Congresso para poder passar um emenda de reeleição e seu procurador-geral da República era conhecido por todos como "engavetador-geral", que levou a uma série de casos de corrupção que nunca foram relativizados. O terceiro presidente eleito muito provavelmente continuou processos de negociação com o Legislativo mais ou menos nas mesmas bases. Chamar isso de consolidação da estrutura democrática nacional é um absurdo. Os poderes mantêm uma relação problemática, uma interferência do poder econômico privado nas decisões de governo. Um sistema de financiamento de campanhas eleitorais que todos sabem que é totalmente ilegal e é utilizado por todos os partidos sem exceção. Edição: Enio Vieira 26 de Janeiro de 2010 - 18h37 - Última modificação em 26 de Janeiro de 2010 - 19h22 Indicados seis nomes do GT da Comissão da Verdade Gilberto Costa Repórter da Agência Brasil Brasília - O Diário Oficial da União deve publicar amanhã (27) os nomes dos seis componentes do grupo de trabalho que deverá elaborar até abril o projeto de lei para criar a Comissão Nacional da Verdade. Esta comissão vai apurar crimes comuns praticados por agentes do Estado desde 1946 até 1988, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985). De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, os nomes do governo são: o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (Sedh); Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia; Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil; Vilson Marcelo Vedana, consultor jurídico do Ministério da Defesa. Além desses nomes, já estavam indicados cientista político Paulo Sérgio Pinheiro (ex-secretário de Direitos Humanos) e do advogado Marco Antônio Rodrigues Barbosa (presidente da Comissão de Mortos e Desparecidos Políticos). A criação do GT foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em decreto de 13 de janeiro. Segundo o documento, o grupo deverá formular anteprojeto de lei que defina como a Comissão da Verdade funcionará. A portaria com os nomes da Comissão da verdade sairá com três dias de atraso em relação ao previsto no decreto presidencial. Outros países que passaram por regimes não democráticos como a Argentina, Uruguai, Chile, Paraguai, Peru e até a África do Sul (pós-Apartheid) já criaram comissões da verdade para verificar abusos cometidos durante o período de ditadura. "A Comissão da Verdade não processa e não prende ninguém", esclarece o advogado Belisário dos Santos Júnior, da Comissão de Mortos e Desparecidos políticos. Caberá a comissão apurar eventuais crimes como tortura, sequestro, estupro e assassinatos e encaminhar processos relativos à Justiça. "A Comissão da Verdade é fundamental para que as cicatrizes sejam fechadas", disse Barbosa, ao anunciar o nome de Paulo Sérgio Pinheiro. O presidente da Comissão de Mortos e desaparecidos tem expectativa que o Congresso Nacional elabore este ano a lei da Comissão da Verdade e que a Justiça faça os julgamentos. "Eu espero que os agentes do estado cumpram seus deveres", disse Barbosa. Ele comentou a demora do julgamento sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF nº 153), que questiona a extensão da anistia da ditadura militar (Lei 6.6683, de 28/8/1979) a crimes comuns cometidos contra presos políticos. No próximo dia 3 de fevereiro, completará um ano que o Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda parecer da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre a arguição. A ação foi iniciada em outubro de 2008 pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Edição: Enio Vieira -- Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no Grupo "CASC" em Grupos do Google, criado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, uma vez que você está inserido entre os membros do Comitê de Acompanhamento da Sociedade Civil. ***** Para postar neste grupo, envie um e-mail para casc_ca-mj at googlegroups.com Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para casc_ca-mj+unsubscribe at googlegroups.com Para ver mais opções, visite este grupo em http://groups.google.com.br/group/casc_ca-mj?hl=pt-BR -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100201/e6c692ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado. Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado. Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown. Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo? Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime. Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação? Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti. Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época. Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista? Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas. Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia... Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi. Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil. Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador. Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes. A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País. Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais. Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia. Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto. Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno. Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco. Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada. Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito. Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças." Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura. Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100201/c4df47ed/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 2 19:09:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 2 Feb 2010 19:09:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Hist=F3rias_da_manipula=E7=E3o_da_?= =?iso-8859-1?q?m=EDdia______por___Altamiro_Borges?= Message-ID: <97D8D5C3099F412BAEDD5A8F6A1D7C33@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................................repassem Histórias da manipulação da mídia Altamiro Borges * http://www.adital.com.br "O Sr. Getúlio Vargas, Senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito, não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar". Carlos Lacerda, dono do jornal golpista Tribuna da Imprensa (01/05/1950). "Sim, eu uso o poder [da Rede Globo], mas eu sempre faço isso patrioticamente". Roberto Marinho, proprietário do maior conglomerado midiático do Brasil. Desde a sua origem, a chamada grande imprensa se aliou às forças mais reacionárias da política brasileira. Ela nunca escondeu o seu ódio aos movimentos sociais, seja aos camponeses em luta por um pedaço de terra ou aos operários em greve por melhores salários e condições de trabalho. Diante dos governos progressistas, mesmo os mais tímidos, ela conspirou e pregou golpes. Com raras exceções, ela deu apoio às ditaduras mais arbitrárias e sanguinárias. Através de expedientes sujos, como o denuncismo vazio, chantageou o poder público para obter concessões e subsídios. O discurso da "liberdade de imprensa" sempre serviu aos propósitos ilícitos dos barões da mídia. Como sintetiza o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, um dos primeiros a alertar para o perigo do golpe militar de 1964, a mídia hegemônica protagonizou todas as iniciativas de desestabilização política dos governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart. "A grande imprensa levou Getúlio ao suicídio, com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, com base em nada; levou Jânio Quadros à renúncia, aproveitando-se da maluquice dele, com base em nada; tentou impedir a posse de Goulart, com base em nada. A grande imprensa, em países em desenvolvimento, é a grande porca das instituições" [1]. Elitista e golpista já na origem Os poucos jornais burgueses que se consolidaram, tornando-se porta-vozes da elite nativa, nunca esconderam sua opção de classe. O Jornal do Brasil, fundado em abril de 1891, dois meses após a promulgação da primeira Constituição republicana, publicou vários artigos pregando o retorno à monarquia. Devido ao seu conservadorismo, a sede do jornal foi atacada por grupos armados e os redatores abandonaram seus postos. Já O Estado de S. Paulo, criado em 1875, até defendeu algumas idéias progressistas na sua origem, como a abolição da escravatura, com a "indenização aos proprietários". Desde o início, porém, o jornal foi um ardoroso inimigo das lutas sociais. Na revolta de Canudos (1893-1897), o Estadão publicou artigo de Olavo Bilac saudando o cruel massacre dos camponeses. "Enfim, arrasada a cidadela maldita! Enfim, dominado o antro negro, cavado no centro do adusto sertão, onde o profeta das longas barbas sujas concentrava sua força diabólica" [2]. Não poupou papel no ataque às primeiras greves operárias, satanizando os líderes anarquistas. Em 1932, ele insuflou a oligarquia cafeeira paulista num fracassado levante militar. Sob o comando de Júlio Mesquita, o jornal foi participante ativo das conspirações que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e ao golpe militar que derrubou João Goulart em 1964. A Folha de S. Paulo nasceu em 1962 da fusão de três jornais - as Folhas da Manhã, da Tarde e da Noite. A Folha da Manhã, fundada em 1921, fez oposição cerrada à chamada revolução de 1930. Tanto que em 24 de outubro daquele ano, a multidão que festejava a deposição de Washington Luís destruiu as máquinas de escrever e os móveis da redação deste jornal. O grupo, dominado pela oligarquia paulista, não deu tréguas para Getúlio Vargas e, já como Folha de S. Paulo, sob o comando de Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira, clamou pelo golpe. Na sequência, deu apoio à "linha dura" dos generais e cedeu suas peruas para levar presos políticos à tortura [3]. A trajetória do primeiro império midiático do Brasil, os Diários Associados, foi mais pragmática. Assis Chateaubriand apoiou "a revolução de 1930, mas apenas no que ela tinha de conservadora - um nacionalismo com cores fascistas... Logo depois da rápida aproximação, ele aderiu ao bloco conservador. Primeiro, ligou-se aos interesses britânicos; depois, aos norte-americanos. Fez campanha contra a criação da Petrobras. Dizia que 'a exploração dos recursos naturais do país por estatais brasileiras era coisa de comunista' e que o lema 'O petróleo é nosso' era um 'chavão soviético'" [4]. Chatô apoiou o golpe de 1964 e lançou a campanha "ouro para o bem do Brasil" para legitimar a ditadura e, de forma oportunista, para salvar seu império que afundava na crise. Os Diários Associados, através de dezenas de jornais e rádios e da primeira emissora de televisão do país, a TV Tupi, criada em 1950, adotaram o estilo do "jornalismo marrom", criado nos EUA no final do século 19 por Handolph Hearst e Joseph Pulitzer. Através de artigos sensacionalistas, Chatô pressionou governos e empresários, arrancando benesses públicas e anúncios publicitários [5]. Seu império midiático foi erguido com base na corrupção ativa. "Chatô fez tudo isso usando estritamente o dinheiro dos outros e os favores do Estado. Ele foi amigo de todos os presidentes: sentia-se dono do Brasil, ou o 'rei', como prefere Fernando Morais em sua biografia de Chatô, talvez para enfatizar as arbitrariedades e o absolutismo desse barão da imprensa tupiniquim" [6]. Anarquistas, comunistas e Última Hora No conturbado período histórico que antecedeu o golpe de 1964, a imprensa ainda não havia se consolidado como poderosa indústria monopolista. Na tardia formação do capitalismo nacional, o jovem movimento operário e sindical investiu na luta de idéias e construiu veículos próprios. Os anarquistas, hegemônicos nesta fase, editaram jornais com expressiva tiragem, concorrendo com os veículos burgueses. Estudos apontam a existência de mais de 500 jornais operários desde o surgimento das primeiras oficinas até a revolução de 1930. O primeiro deles foi o Jornal dos Tipógrafos, criado no Rio de Janeiro, em 1858, como decorrência da primeira greve no país. Com a crise do anarquismo e a fundação do Partido Comunista, em 1922, "a imprensa anarquista perde espaço e o seu lugar é assumido pela imprensa comunista. Esta será a principal ferramenta de disputa ideológica e política com a nova burguesia industrial e as velhas oligarquias", explica Vito Giannotti. "Em 1946, os comunistas tinham, em quase todos os estados, vários jornais. Oito eram diários: Tribuna Popular (RJ), Jornal do Povo (PE), Hoje (SP), Momento (BA), Democrata (CE), Folha do Povo (PE), Tribuna Gaúcha e Folha Capixaba... Nos subúrbios da capital, no Rio de Janeiro, era comum encontrar brigadas de comunistas vendendo a Tribuna Popular. Entre eles estavam comunistas ilustres, como Oscar Niemeyer, Gregório Bezerra e Graciliano Ramos" [7]. Foi a segunda maior rede de jornais diários do país, superada apenas pelos Diários Associados. A imprensa anarquista e comunista, porém, foi sempre barbaramente perseguida. Jornalistas e gráficos de esquerda foram presos e assassinados e seus jornais foram empastelados. Para conter o avanço das idéias socialistas, o governo autoritário do general Eurico Gaspar Dutra cassou, em 7 de maio de 1947, o registro legal do Partido Comunista do Brasil - que teve curtos suspiros de vida legal neste período da história. Em 10 de maio de 1948, também cassou o mandato de todos os parlamentares comunistas - um senador, 14 deputados federais e 46 deputados estaduais. Seus jornais foram fechados e 15% dos sindicatos reconhecidos oficialmente sofreram intervenção. Além destes veículos anticapitalistas, um jornal disputou a hegemonia neste período com as suas idéias nacionalistas - a Última Hora. Criado em 1951 por Samuel Wainer, um judeu nascido na Bessarábia (região situada entre a Romênia e a Ucrânia), o jornal inovou com reportagens vivas, diagramação criativa e um time qualificado de jornalistas. Ele cresceu rapidamente e montou sua rede nacional, com edições em várias capitais. Getúlio Vargas, acossado pela imprensa golpista, investiu pesado neste veículo, reunindo o apoio de empresários nacionalistas, como o banqueiro Walter Moreira Sales e os industriais Francisco Matarazzo e Ricardo Jafet. Instituições estatais, como o Banco do Brasil, também participaram do consórcio que financiou a Última Hora. A "oligarquia da grande imprensa", como atacava Wainer, não deu trégua ao concorrente. Chatô, Roberto Marinho e Carlos Lacerda, dono da golpista Tribuna de Imprensa, usaram o artigo 160 da Constituição, que proibia estrangeiros de serem donos de jornais, para exigir o fechamento da Última Hora. Em 1953, eles arrancaram a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a origem e o financiamento do jornal. Wainer se defendeu num documento intitulado "O livro branco da imprensa amarela", mas chegou a ser preso. O suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954, levou multidões às ruas e fez a Última Hora vender 700 mil exemplares. Na seqüência, o jornal deu irrestrito apoio a João Goulart até sua deposição em 1964. Uma das primeiras ações dos generais golpistas foi cassar os direitos políticos de Samuel Wainer, que se exilou na Europa. Outros veículos nacionalistas e de esquerda, como A Classe Operária, fundado em 1925, também foram fechados. O regime militar uniformizou a imprensa brasileira. Somente a mídia conservadora, de direita, pôde prosperar. Nos primeiros anos da brutal ditadura, prevaleceu o clima da "paz dos cemitérios". A liberdade de expressão, e não a falsa "liberdade de imprensa" dos empresários do setor, foi suprimida com truculência. Aos poucos, organizações e jornalistas progressistas reuniram força e coragem para erguer a heróica imprensa alternativa, com jornais como O Pasquim, Opinião e Movimento [8]. NOTAS 1- "Wanderley Guilherme dos Santos analisa a crise". Entrevista para Maurício Dias. Revista Carta Capital, 17/06/05. 2- Maria de Lourdes Eleutério. "A imprensa a serviço do progresso". História da imprensa no Brasil. Editora Contexto, SP, 2008. 3- Ler o artigo "A morte do 'democrata' Octavio Frias", na página??? deste livro. 4- "Meias verdades". Retrato do Brasil. Editora Manifesto, MG, 2006. 5- Ana Maria de Abreu Laurenza. "Batalhas em letra de fôrma: Chatô, Wainer e Lacerda. História da imprensa no Brasil. Editora Contexto, SP, 2008. 6- Bernardo Kucinski. "Chatô: o poder da chantagem". Revista Teoria&Debate, março/abril de 1995. 7- Vito Giannotti. História das lutas dos trabalhadores no Brasil. Editora Mauad, RJ, 2007. 8- José Carlos Ruy. "Alternativos: imprensa de resistência". Revista Princípios, agosto de 2007. [Extraído do quarto capítulo do livro "A ditadura da mídia", publicado pela Associação Vermelho e Editora Anita Garibaldi. Quem desejar adquirir o livro, entrar em contato com Eliana Ada no endereço eletrônico - livro at vermelho.org.br] * Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100202/feec92b1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 2 20:01:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 2 Feb 2010 20:01:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Carta_de_Ribeir=E3o_Preto_e_Regi?= =?iso-8859-1?q?=E3o__Em_Defesa_di_C=F3digo_Florestal__-_Final=2Edo?= =?iso-8859-1?q?c?= Message-ID: <44B51223A16B46EC89280A74F13E06EC@vcaixe> Carta de Ribeirão Preto e RegiãoCarta O Berro.....................................................................................................repassem CARTA DE RIBEIRÃO PRETO E REGIÃO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL Por Justiça Ambiental, Social e Agrária Nós, representantes de movimentos ambientalistas, sociais, sindicais e estudantis, de partidos políticos, da comunidade científica, de instituições públicas e de outras entidades da sociedade civil organizada, participantes do ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL, realizado no dia 29 de janeiro de 2010, na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, I - Considerando: a) a tentativa de desmonte da legislação ambiental brasileira, patrocinada pela bancada ruralista do Congresso Nacional, que, em prejuízo dos interesses do povo brasileiro, apresentou diversos projetos de lei que visam revogar ou modificar o Código Florestal (Lei nº 4.771/65), a Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81), a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (Lei nº 9.985/2000); b) a prevalência dos interesses corporativos de grandes grupos econômicos ligados ao agronegócio nas propostas de alteração das leis ambientais, contrariando as medidas necessárias à proteção dos recursos naturais; c) a restrita divulgação das audiências públicas promovidas pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, capitaneada pelos ruralistas, para o debate desses projetos de lei; d) a magnitude dos desastres ambientais causados pela perversa combinação entre mudanças climáticas, pobreza, expansão devastadora do agronegócio, pressão da especulação imobiliária e descumprimento da legislação protetiva; e) a redução, a ocupação e a exploração das áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas nas propostas de alteração do Código Florestal, e os prejuízos que poderão causar: · à biodiversidade, porque reduz o número de espécies da flora e da fauna; reduz o fluxo gênico; provoca a erosão genética e a perda de habitat de espécies da fauna; · ao equilíbrio climático, porque diminui a umidade relativa do ar; eleva as temperaturas médias; modifica o regime de chuvas que ficam cada vez mais concentradas num período do ano; · ao ciclo hidrológico, porque reduz a vazão dos corpos d'água e favorece a sua contaminação; · aos solos, porque diminui sua atividade microbiana; aumenta a exposição do solo aos efeitos negativos da radiação solar; · à saúde pública, porque aumenta os índices de doenças devido ao desconforto climático, à baixa umidade relativa do ar e à invasão de vetores de microorganismos patogênicos; f) a impunidade gerada pelo adiamento da aplicação das sanções relacionadas a infrações ambientais praticadas no Brasil; g) o caráter perverso do padrão de produção agrícola adotado pelo agronegócio, baseado na concentração fundiária, na monocultura de exportação, no uso intensivo de agroquímicos, na exploração do trabalhador e na expulsão do homem do campo; h) a superioridade do modelo da agricultura familiar para a geração de postos de trabalho e para a produção de alimentos; i) o descaso do Poder Público em exigir, com base na Constituição da República, o cumprimento da função social da terra; j) a inércia do Poder Público em desapropriar os imóveis rurais que descumprem a função ambiental, independentemente dos índices de produtividade, como autoriza a Constituição da República; k) a inércia do Poder Público em desapropriar os imóveis rurais onde ocorrem violações às normas de proteção das relações de trabalho, independentemente dos índices de produtividade, como autoriza a Constituição da República. II - Reivindicamos: a) a manutenção da legislação ambiental vigente e a ampliação dos mecanismos legais de proteção aos ambientes naturais e à biodiversidade; b) a plena e imediata recuperação ambiental das áreas de preservação permanente e de reserva legal; c) a criação de programa nacional de adequação socioambiental das pequenas unidades de produtores rurais e dos assentamentos da reforma agrária, que contemple: · estímulo à policultura, à produção agrícola sustentável, à geração de postos de trabalho no campo, à agricultura orgânica, à implantação de agroflorestas; · programa de assistência técnica contínua e com qualificação para o manejo ambiental; · fomento para recuperação de áreas de preservação permanente e de reserva legal; · política de comercialização da produção familiar, para evitar que a agricultura convencional exerça pressão sobre a área preservada; d) a abertura de amplo processo de debate com a sociedade a respeito dos temas acima elencados; e) a ampla e prévia divulgação das audiências públicas promovidas pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, para que todos os segmentos da sociedade civil possam efetivamente delas participar. III - Não aceitaremos: a) a submissão da dignidade humana e do bem comum aos desígnios do mercado; b) a subversão do princípio democrático, consagrado nas Constituições contemporâneas, que determina a supremacia do interesse socioambiental sobre o privado; Nessa quadra da História, o retrocesso na proteção ambiental é inadmissível. Ribeirão Preto, 29 de janeiro de 2010 Atualização em 01.2.2010 - 12h10 ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CÓDIGO FLORESTAL LISTA ATUALIZADA DE PARTICIPANTES/APOIADORES (por ordem alfabética) 1. ABEEF - Associação de Estudantes de Engenharia Florestal 2. ABEF - Associação Brasileira dos Estudantes de Filosofia 3. Acampamento Independente - Guaiçara/SP 4. ADA - Agência de Desenvolvimento de Araraquara /SP 5. ADUSP - Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo 6. Agenda Ambiental - Núcleo de Política e Ciência Ambiental - Depto. Biologia - FFCLRP - USP 7. AMAR - Associação de Mães e Amigos de Adolescentes em Risco 8. ANATEC - Associação Nacional de Assistência Técnica da Reforma Agrária 9. ANEL - Assembléia Nacional dos Estudantes Livres 10. ANPG - Associação Nacional de Pós-Graduandos 11. ANPRA - Associação Nacional de Apoio a Reforma Agrária 12. ANVB - Associação Nacional dos Violeiros do Brasil 13. APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo - Subsede de Ribeirão Preto 14. Assentamento Índio Galdino - Fazenda da Barra - RP 15. Associação Ambientalista de Marília ORIGEM 16. Associação Amigos do Arquivo Público Municipal de Ribeirão Preto 17. Associação Amigos do Memorial da Classe Operária 18. Associação Cultural e Ecológica Pau-Brasil 19. Associação Cultural Humanística 20. Associação Olhos D'Água 21. Associação Pró-Fitoterapia de Ribeirão Preto 22. AVA - Associação Vida Animal 23. CACB - Centro Acadêmico de Ciências Biológicas - ESALQ-USP 24. CAER - Centro Acadêmico Emílio Ribas - Nutrição - USP 25. CAFI - Centro Acadêmico da Filosofia USP - RP 26. CAHIS - Centro Acadêmico de História - UNIFESP 27. CALC - Centro Acadêmico Lupe Cotrim - ECA-USP 28. CATO - Centro Acadêmico de Terapia Ocupacional - USP 29. CEB - Centro Estudantil da Biologia "Maria Madalena da Costa Teles" - USP- RP 30. CEBES - Centro Brasileiro de Estudos de Saúde 31. CEDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular - Ribeirão Preto 32. CEEFLORUSP - Centro de Estudos e Extensão Florestal da USP-Ribeirão Preto 33. Cedro-Mulher - Centro de Defesa dos Direitos da Mulher 34. CELACC - Centro de Estudos Latino-americanos de Comunicação e Cultura - ECA - USP 35. Centro Acadêmico Biologia - UFSCar - São Carlos 36. Centro Acadêmico Professor Paulo Freire - USP -SP 37. Centro Acadêmico Rui Barbosa da Escola de Educação Física e Esporte da USP 38. Centro Acadêmico de Tecnologia da Unicamp - Limeira - SP 39. Centro Cultural Orùnmilá - Ribeirão Preto 40. Centro de Formação Dom Hélder Câmara 41. CES - Centro dos Estudantes de Santos 42. CEUNSP - Itu-SP 43. Ciranda em Defesa da Educação Infantil Pública, Gratuita e de Qualidade 44. Círculo de Ação Popular José Rosa Melo - CAP-Quintino 45. Coletivo Educador Ipê Roxo 46. Coletivo Universidade Popular da Unicamp - Campinas -SP 47. Comitê em Defesa da Reserva Legal - Ribeirão Preto 48. CONLUTAS - Coordenação Nacional de Lutas 49. COOPERECOS - Cooperativa de Manejo da Agrobiodiversidade do Assentamento Sepé Tiarajú 50. CUT - Central Única dos Trabalhadores - Estadual São Paulo e Subsede de Ribeirão Preto 51. DAMAC - Diretório Acadêmico Mackenzie - SP 52. DC AGRO - Diretório do Curso de Agronomia - ESALQ-USP 53. DCE -USP - Diretório Central dos Estudantes Livre Alexandre Vanucchi - Leme -SP 54. Diretório Acadêmico da Biologia - Barão de Mauá - Ribeirão Preto 55. ECOSURFI - Entidade Ecológica dos Surfistas - Itanhaém-SP 56. EIV-SP - Estágio Interdisciplinar de Vivência-São Paulo 57. ENEBIO - Entidade Nacional de Estudantes de Biologia 58. ENESSO - Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social 59. Entidade Ambientalista Ibiré 60. Estação Luz Espaço Experimental de Tecnologias Sociais 61. EXNEEF - Executiva Nacional de Educação Física 62. Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia de São Paulo 63. FEAB - Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil 64. FEPARDO - Federação Pardo Grande de Entidades Ecológicas e Ambientalistas 65. FERAESP - Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo 66. Fórum dos Cursinhos Populares de Ribeirão Preto e Região 67. Fórum dos Movimentos Sociais BR 163/PA - Campo Verde - Itaituba-PA 68. Frente Popular Dario Santillan - Argentina 69. FREPOP - Fórum de Educação Popular - Lins - SP 70. GEA - Grupo de Estudos Ambientais da USP - SP 71. Grupo de Pesquisa Educação e Direito na Sociedade Brasileira Contemporânea - Departamento de Educação UFSCar - São Carlos/SP 72. GREENPEACE 73. Grupo de Pesquisa Educação e Direito na Sociedade Brasileira Contemporânea - UFSCar 74. GP - DARAF - Grupo Pesquisas para o Desenvolvimento dos Assentamentos Rurais e da Agricultura Familiar - ESALQ-USP 75. Grupo de Pesquisa Trabalho, Organização Social e Comunitária - Depto. Psicologia - UFSCar 76. Instituto Ambiente em Foco - Piracicaba - SP 77. Instituto Cultural Lindolpho Silva 78. Instituto de Educação e Pesquisa Ambiental Planeta Verde - Taquaritinga 79. MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens 80. Movimento Estudantil A Hora é Essa Ousar Lutar, Ousar Vencer 81. MEGaia - Movimento Estudantil Gaia - Barão de Mauá - Ribeirão Preto 82. MLST - Movimento de Libertação dos Sem Terra 83. Movimento das Artes - Ribeirão Preto 84. Movimento do Ministério Público Democrático 85. Movimento da Não Violência - Franca 86. MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra 87. MULECA - Movimento Universitário Livre de Educação Cultura e Arte 88. NATRA - Núcleo Agrário "Terra e Raiz" - UNESP - Franca 89. NEPA - Núcleo de Pesquisa em Política Ambiental - EESC-USP 90. NEPED - Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres - Depto. Sociologia - UFSCar 91. NEPA - Núcleo de Pesquisa em Política Ambiental -Programa de Pós-Graduação em Ciências da Engenharia Ambiental - da Escola de Engenharia USP -São Carlos/SP 92. OCA - Laboratório de Educação e Política Ambiental - ESALQ - USP 93. ONG Ribeirão Em Cena 94. Organizacion Nacional "La Minga" - Colombia 95. Pastorais Sociais da Arquidiocese de Ribeirão Preto 96. Pastoral da Terra e dos Trabalhadores Migrantes - Lins - SP 97. PCB - Partido Comunista Brasileiro - Secretaria Estadual 98. PCdoB - Partido Comunista do Brasil - Comitê Municipal 99. PDT - Partido Democrático Trabalhista 100. PRÁXIS - Instituto de Políticas Públicas 101. PRODEMA - Proteção e Defesa do Meio Ambiente - Jandira-SP 102. PSOL - Partido Socialismo e Liberdade 103. PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados 104. PT - Partido dos Trabalhadores - Diretório Municipal de Ribeirão Preto 105. PV - Partido Verde - Araraquara 106. PV - Partido Verde - Nordeste Paulista 107. PV - Partido Verde - Franca 108. Rede de ONGs da Mata Atlântica 109. SAJU - Serviço de Assessoria Jurídica Universitária - Direito -SP 110. SARA - Serviço de Aprendizagem Rural ao Adolescente - Cravinhos-SP 111. SASP - Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo 112. Secretaria Acadêmica Pró-Ambiental - Engenharia Ambiental - USP - São Carlos 113. Seminário Gramsci 114. Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto 115. Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos - Ribeirão Preto 116. Sindicato dos Trabalhadores Rurais União e Luta - Paraguaçu Paulista - SP 117. SINSPREV - Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência - Ribeirão Preto 118. Sociedade Ecológica Boca da Mata - Cajuru 119. S.O.S. Mata Atlântica 120. Teia da Vida - Vivências Ambientais 121. UBES - União Brasileira dos Estudantes Secundaristas 122. UEE - União Estadual dos Estudantes - São Paulo 123. UJS - União da Juventude Socialista 124. UNE - União Nacional dos Estudantes 125. UPES - União Paulista dos Estudantes Secundaristas 126. Via Campesina -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2662 - Data de Lançamento: 02/01/10 12:37:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.432 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2662 - Data de Lançamento: 02/01/10 12:37:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100202/df07f057/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 3 18:55:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 3 Feb 2010 18:55:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22_=C9_preciso_olhar_para_a_fren?= =?iso-8859-1?q?te=22_-___por_Wadih_Damous_-__presidente_da_seccion?= =?iso-8859-1?q?al_do_Rio_de_Janeiro?= Message-ID: <43A5669FC33E4C279995E0E09758A6CB@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................................................repassem FSP 03/fevereiro/2010 TENDÊNCIAS/DEBATES É preciso olhar para a frente WADIH DAMOUS -------------------------------------------------------------------------- A OAB do Rio vai lançar a Campanha pela Memória e pela Verdade, o que inclui a defesa da abertura dos arquivos da ditadura militar -------------------------------------------------------------------------- A SECCIONAL da OAB no Estado do Rio vai lançar nos próximos dias a Campanha pela Memória e pela Verdade, o que inclui a defesa da abertura dos arquivos da repressão política na ditadura militar. As razões que justificam a campanha são muitas. Há, em primeiro lugar, razões humanitárias. A mais evidente delas diz respeito ao elementar direito das famílias de desaparecidos políticos de dar-lhes uma sepultura. Aliás, esse direito é recorrente na história da humanidade. Provavelmente, a primeira menção a ele se dá na "Ilíada", de Homero (século 8 a.C.), que nos fala de interrupções nos combates na Guerra de Troia para que os exércitos homenageassem seus mortos e enterrassem seus corpos. Séculos depois, Sófocles tratou do tema em sua peça "Antígona", encenada na Grécia em 422 a.C., como bem lembrou Marcello Cerqueira em recente artigo na edição de dezembro de 2009 da "Folha do IAB" (Instituto dos Advogados Brasileiros). Assim, desde que a humanidade se reconhece como tal, é respeitado o direito das famílias de enterrar seus mortos. É o que faz, aliás, Antígona, na citada peça de Sófocles. Ela cavou com as próprias mãos a sepultura do irmão Polinices e pagou com a vida o desafio às ordens de Creonte, rei de Tebas. Polinices fora condenado à morte e a não ter direito a uma sepultura, para que seu corpo ficasse à disposição de cães e aves de rapina. Ele -a exemplo do que se repetiria com outros personagens até nossos tempos- desafiara o déspota de então. No Brasil, conhecem-se casos de mães que, durante décadas, recusaram-se a mudar de endereço ou a trocar a fechadura da porta de casa, na esperança de que um filho preso um dia reaparecesse. Sabe-se de muitos natais em que famílias prepararam a ceia deixando uma cadeira vaga na mesa, enquanto esperavam, em vão, o retorno de um ente querido para festejar a data com os seus. Conhecer o destino dos desaparecidos políticos, saber em que circunstâncias morreram, quem os assassinou e a mando de quem é um direito das famílias. Tanto quanto dar-lhes uma sepultura digna. Tal como quis Antígona para seu irmão Polinices. Mas não só razões humanitárias exigem a abertura dos arquivos da repressão política. Os que se opõem a ela e propugnam que se ponha uma pedra sobre o assunto lembram a necessidade de olhar para o futuro, e não para o passado. É argumento de peso. Afinal, o ressentimento é, sempre, mau conselheiro. Na vida pessoal e na política. Mas justamente a necessidade de construir um futuro democrático é que torna necessário o conhecimento dos horrores acontecidos durante a ditadura. Mesmo que isso signifique submeter a sociedade a um verdadeiro choque e desagradar aos militares. Arrastar o lixo para baixo do tapete só fará com que ele possa ressurgir mais tarde. Já a luz do Sol sobre o acontecido fará com que se criem anticorpos, impedindo a repetição da barbárie. O golpe de 1964 é, até hoje, cultuado nos quartéis. Chegou-se ao ponto de, no primeiro governo Lula, um ministro da Defesa demitir-se por não obter apoio do presidente ao questionar uma ordem do dia, lida nos quartéis, de exaltação à ditadura. Ora, não é assunto exclusivo das Forças Armadas o tipo de formação ministrada aos nossos jovens que se dedicam à carreira militar. Ao contrário, essa questão é de interesse da sociedade. Não é aceitável que novas gerações de militares sejam formadas com mentalidade antidemocrática. As Forças Armadas devem ser doutrinadas e preparadas para defender a Constituição e o Estado de Direito. Também para isso é importante a abertura dos arquivos. Ela trará para o centro da reflexão o papel desempenhado pelas Forças Armadas na ditadura e sua herança até hoje. É mais fácil defender o direito à memória e a abertura dos arquivos da repressão esquivando-se do conflito com as Forças Armadas e afirmando que elas não participaram, como instituição, de torturas e assassinatos. Mas isso é falso. Ainda que torturadores e assassinos tenham sido ínfima minoria dentre os militares, eles não agiram à revelia do comando. Suas ações tiveram o aval dos chefes das Forças Armadas e da ditadura. É por isso que, hoje, o espírito de corpo se faz presente quando se fala em trazer luz sobre o que aconteceu ou em punir executores diretos dos crimes. Vivemos, então, uma situação "sui generis". Quase 25 anos depois de passarmos a um regime civil, os militares ainda se arvoram no direito de determinar os limites até onde podem ir a democracia e o conhecimento de nossa história recente. Por isso também, abrir os arquivos é essencial para quem quer construir um Brasil melhor. Isso é o que se recomenda para quem olha para a frente. Daí a Campanha pela Memória e pela Verdade. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100203/ec30992c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 3 18:55:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 3 Feb 2010 18:55:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Patrice Lumumba Message-ID: <343602680D5746AB9CF6F714B757752B@vcaixe> Carta O Berro........................................................................................................repassem Original Message ----- From: aarouge at terra.com.br Internal Revenue Service Patrice Lumumba, o genocídio FORGOTTEN Black Face 03 de fevereiro de 2010 06:13:00 Por: Carlos Ml. Vega Bolaños O mês de Janeiro de cada ano, embora o poder da mídia global que permite apagar a memória histórica da existência do genocídio de negros na África, liderados pelas potências ocidentais no seu desejo de estar na grande riqueza de seus povos, Vale a pena recordar o grande líder negro e Patrice Lumumba. O mês de Janeiro de cada ano, embora o poder da mídia global que permite apagar a memória histórica da existência do genocídio de negros na África, liderados pelas potências ocidentais no seu desejo de estar na grande riqueza de seus povos, Vale a pena recordar o grande líder negro e Patrice Lumumba. 49 anos atrás, Patrice Lumumba, chefe do governo da República do Congo, foi assassinado por uma conspiração organizada pelo governo belga, com a cumplicidade dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e as Nações Unidas. Seu corpo ordenou o Congo para a ditadura de Mobutu voraz e uma sucessão de guerras sangrentas. Por mais de quarenta anos tem mantido silêncio sobre esse crime, onde há rumores de que seu corpo e dos outros parceiros, foram dissolvidos em ácido sulfúrico para não deixar vestígios. O pensamento de Lumumba, era um perigo para os operadores dos povos Oeste Africano, foi ministro, líder, inimigo do colonialismo e pioneiro para a unidade dos povos Africano e sua libertação. Ele procurou a descolonização do Congo e destruir completamente o presente potências coloniais europeias em África, erradicar a indignação e espoliação que durante séculos tinha sido o continente, essa pessoa não merece continuar a viver e, portanto, foi forjada ela assassinou poucos meses tomada do poder na República do Congo. A 49 anos desde o assassinato do líder Africano Patrice Lumumba, em sua terra natal, a República Democrática do Congo, a guerra é um genocídio escondidos que já produziu mais de 5 milhões de mortes nos últimos anos, este genocídio pode ser interrompido, mas a comunidade internacional, as democracias do Norte não querem parar, fazendo o Congo, em pessoas ativas crucificado. A ironia: ter grande natural como tendo a República Democrática do Congo, tornou-se uma tragédia. Nas montanhas do leste do Congo são os minerais valiosos, tais como coltan e nióbio, bem como ouro, diamantes, cobre e estanho. Coltan, abreviação de Columbo-tantalita, é uma idade de solo de três bilhões de anos. Ele é usado para produzir condensadores de nióbio para lidar com o fluxo de energia a partir de telefones celulares. Cobalto e urânio são essenciais para a indústria nuclear, químico, aeroespacial e armamentos militares. Cerca de 80% das reservas mundiais de coltan estão no Congo. Ao verificar esses minerais escassos é uma guerra tremenda. As companhias de energia quer controlar a mineração da região. Conclusão: "Por que essas empresas procuram minerais genocídio" e também estão destruindo o segundo verde do planeta depois da Amazônia também ameaçado. Quando se trata de agir em África, existe uma discriminação inerente. Ele disse que o ex-coordenador da ONU operações humanitárias, Jan Egeland, que, juntamente com 15 outros líderes do mundo de grande valor, assinou uma carta aos chefes de Estado dos países da União Européia para chamar a atenção para a falta de ação internacional no leste da RDC. Jan Egeland, que durante seu mandato na ONU, sempre teve uma reputação de dizer as coisas diretamente, sem rodeios, disse: "Nunca houve essa hesitação quando tentou intervir nos Balcãs, no Iraque ou no Oriente Médio. Certamente não havia nenhum, mas quando se trata de intervir em crises Africano parece como se a vida humana não tem o mesmo valor em toda parte. "Esta é a dupla moral praticado pelos defensores dos direitos humanos no mundo. Zenit, a agência de notícias do Vaticano, disse recentemente que "a crise humanitária mais negligenciadas no nosso planeta é o Congo". De tempos em tempos nos meios de comunicação desde a tragédia teares não há como esconder isso. Mas o que é dito, ainda é ridícula e insultuosa em relação à magnitude da barbárie e do genocídio. E sem lágrimas, sem desculpas, sem propósito de emenda. Basicamente, não só África discriminar quando há guerras que estão predando os inocentes cavar alguma coisa, mas vale mais a pena e descobrir que por trás desta guerra está escondendo como o poder de interesses E.U.A., Inglaterra, Holanda e Bélgica, que apóiam o regime de Kagame no Ruanda, cujos aeroportos ir para esses países o coltan premiado (essencial para o fabrico de armas, telefones celulares e laptops de última geração, etc) que os soldados extrato com o trabalho forçado de crianças e jovens em Kivu, leste e transportado em caminhões e helicópteros para Kigali. É triste notar que, em muitos casos, estas hesitações "para os problemas Africano poderia ser uma forma disfarçada de permitir que os eventos se desdobram rentável para os mais poderosos, embora à custa de milhões de inocentes morrem. Hoje, mais do que nunca, compreender as razões pelas quais uma janeiro de 1961 foi cruelmente assassinado Patrice E. Africano patriota Lumumba, um ser humano, por isso era impossível continuar com a vida, cometeu o pecado capital da África Outro sonho que era possível, uma África unida em desenvolvimento para combater a injustiça social ea cooperação entre os países para a educação. Retorno a riqueza do continente, o African people era o seu mais profundo sono. Pensamento Lumumba assentava em três pilares: a justiça, independência e liberdade. Hoje há 49 anos, morreu como um mártir da luta do povo contra as injustiças, desapropriação, as humilhações impostas por potências europeias aos quatro ventos que se dizem democráticos. É um mártir popular para a causa de uma sociedade mais justa e mais humana, de fraternidade humana. Lumumba foi assassinado, mas viverá para sempre em nossos corações. Ele faz parte do genocídio esquecido de milhões de outros africanos que têm caído na estrada para o mundo dos brancos, desfrutar de alguns confortos e acumular grandes fortunas encharcados de sangue inocente. Sinto-me orgulhoso, como dezenas de milhares de licenciados que habitam os cinco continentes, tendo estudado na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, o centro do mundo de universitários de classe fundada em sua memória e gira 50 fevereiro próximo anos de vida na preparação de pessoal técnico para os países em desenvolvimento. * Membro da Peoples 'Friendship Universidade Patrice Lumumba "No abuso ou tortura brutalidade mudou porque eu prefiro morrer com a minha cabeça erguida, com uma fé profunda e duradoura e de confiança no futuro do meu país, a viver sob pisoteio e princípios sagrados. Um dia a história vai nos julgar, mas não será a história como Bruxelas, Paris, Washington ou a ONU, mas os países emancipados do colonialismo e seus fantoches ". (Carta escrita para sua esposa e filhos por Patrice Lumumba poucos dias antes de sua morte). Por: Carlos Ml. Vega Bolaños Santiago do Chile, fevereiro 3, 2010 Crónica Digital / TELESUR -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100203/462d24be/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 7406 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100203/462d24be/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 4 19:23:39 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 4 Feb 2010 19:23:39 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___80_anos_do_PC_do_Vietn=E3__e/O_?= =?iso-8859-1?q?PCdoB_e_a_Embaixada_do_Vietn=E3_apresentam_=3A__=22?= =?iso-8859-1?q?N=C3O_QUEIME_O_DI=C1RIO=22_-Dia_8/2/2010=2C_segunda?= =?iso-8859-1?q?-feira=2C_=E0s_19h30?= Message-ID: <09FB06125EEA4761916E5074DC748895@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore PC do Vietnã comemora 80 anos de lutas contra o imperialismo Nesta quarta-feira, 3, o Partido Comunista do Vietnã comemora seus 80 anos de existência. Para saudar a data, o PCdoB enviou mensagem à direção do PCV em que coloca sua admiração pela "intensa atividade internacionalista do Partido Comunista do Vietnã. Os revolucionários do mundo sempre tiveram no PCV um entusiasta das lutas de libertação e pelo socialismo". O líder comunista, Ho Chi Minh A nota - assinada pelo presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e pelo secretário de Relações Internacionais, José Reinaldo Carvalho - destaca ainda a luta daquela nação por sua independência e autodeterminação. "Os povos do mundo recordam com enorme admiração o heróico feito do povo vietnamita, que liderado pelo PCV e pelo inesquecível camarada Ho Chi Minh, foi vitorioso na sua luta por libertação nacional, derrotando o imperialismo norte-americano e abrindo caminho à independência nacional, ao progresso e ao socialismo". Mais recentemente, o 6º Congresso do PCV, em 1986 , decidiu por uma política de renovação do socialismo. Como resultado dessa atualização, o PCdoB destaca mudanças importantes especialmente nos campos social e econômico que criaram bases para o desenvolvimento do país. Atualmente, "a despeito da grave crise internacional, o Vietnã registrou um crescimento de 5,3% no ano 2009, e no último trimestre de 2009, registrou um crescimento de 6,9%, com a inflação sob controle", enfatiza a nota. Para o PCdoB, "esses níveis de crescimento apontam para a justeza da orientação geral do Partido Comunista do Vietnã, que mantém seu país como um dos países de mais elevado crescimento no mundo". Relação entre países e partidos Os dirigentes comunistas brasileiros destacam ainda as "frutíferas e amistosas relações bilaterais". Tal ligação se intensificou a partir de 2007, quando o secretário-geral do PCV, Nông Duc Manh, visitou o país e a sede nacional do PCdoB. Em seguida, no ano de 2008, comitiva do Comitê Central do PCdoB, liderada pelo presidente Renato Rabelo, esteve em visita oficial ao Vietnã. Por fim, o PCV enviou uma delegação de alto nível ao 12º Congresso do PCdoB. O PCdoB apoia também a intensificação das relações entre Brasil e Vietnã, que ganharam novo impulso com a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho de 2008, a primeira de um chefe de Estado brasileiro ao país oriental. "Ilustra o desenvolvimento destas relações bilaterais o fato de que entre 2002 e 2007, a corrente de comércio entre os dois países passou de US$ 43 milhões para US$ 323 milhões, o que representa um crescimento superior a 650%. Em 2010, foi proposta a meta de essa corrente de comércio atingir 1 bilhão de dólares", diz a nota que conclui chamando atenção para "as visões coincidentes" entre as duas nações como a "aspiração de uma ordem internacional mais democrática e menos assimétrica". O PCdoB finaliza o documento fazendo votos de que "o povo vietnamita alcance plenos êxitos na sua luta pelo desenvolvimento e pela construção do socialismo no Vietnã". História A história do Partido Comunista do Vietnã se confunde com a história moderna de seu país. O PCV foi criado em 3 de fevereiro de 1930 por Ho Chi Min e outros exilados que viviam na China. Seu primeiro congresso nacional aconteceu em 1935, de maneira clandestina, em Macau. Os comunistas foram responsáveis, em 1939, pelo fim da ocupação secular exercida pelos franceses sobre o território vietnamita e, mais tarde, também lutaram contra os japoneses. Após a Segunda Guerra Mundial, os vietnamitas tiveram, mais uma vez, de lutar contra a tentativa dos franceses de retomar o comando do país através da Guerra da Indochina, vencida pelos comunistas com a Batalha de Dien Bien Phu, em maio de 1954. Porém, o país saía mais dividido entre Norte - comunista - e Sul - anticomunista, apoiado pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria. Em 1957, começavam os confrontos entre os dois lados. Mais tarde, em 1965, temendo a formação de uma república comunista, os EUA passaram a enviar tropas para o país, resultando na Guerra do Vietnã, uma das mais sangrentas da história. Os Estados Unidos usaram todo seu poder bélico. Estima-se que mais de 3 milhões de vietnamitas foram mortos. Ainda assim, os estadunidenses saíram derrotados. O Acordo de Paris, assinado em 1973, encerraria a guerra, mas os conflitos continuaram até 1976. Ao fim, Norte e Sul se unificaram, originando a República Socialista do Vietnã. Começava ali uma nova fase de recuperação das incalculáveis perdas humanas e econômicas e de implantação do socialismo. Em dezembro de 2009, Brasil e Vietnã comemoraram 20 anos de relações. Apesar disso, apenas em julho de 2008 um presidente brasileiro foi ao país. Lula fechou acordos comerciais e científicos e, na ocasião, declarou que "com a mesma perseverança com que conseguiu sua independência, o Vietnã se distingue por seus bons resultados e as elevadas taxas de crescimento de sua economia". Disse ainda que "ambos os países compartilham da visão de que "os problemas mundiais não podem ser resolvidos apenas pelos países altamente industrializados". Baixe a seguir a íntegra da nota do PCdoB. Nota do PCdoB pelos 80 anos do Partido Comunista do Vietnã -------------------------------------------------------------------------------- O PCdoB e a Embaixada do Vietnã apresentam: NÃO QUEIME O DIÁRIO Um filme sobre a mártir vietnamita Dang Thuy Tram e as anotações de seu diário. Dang era uma jovem médica de Hanói, responsável pelo hospital militar da comuna de Duc Pho - que suportava dia e noite ataques e bombardeios do exército americano. Após o ataque à Duc Pho, Fred, um soldado norte-americano, encontra o diário de Dang Thuy Tram. Após manter o diário consigo durante 35 anos Fred encontra-se com a mãe e as irmãs dela. Ele compreende que Tram não escrevera o diário para o mundo, mas a fé e a aspiração pela paz, em circunstâncias tão difíceis de guerra, abalaram os corações das pessoas. Produções Hodafilm 2009 / 105 minutos Direção de Dang Nhat Minh Dia 8/2/2010, segunda-feira, às 19h30 Rua Rego Freitas, 192, República - SP Contato: 3054-1800 / internacional at pcdob.org.br www.pcdob.org.br -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100204/4add6509/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/gif Size: 14353 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100204/4add6509/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 4 19:23:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 4 Feb 2010 19:23:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=2210_ANOS_DO_FSM_-_OUTRO_MUNDO?= =?windows-1252?q?_=C9_POSS=CDVEL_E_NECESS=C1RIO=22_-____Assembl=E9?= =?windows-1252?q?ia_dos_Movimentos_Sociais_-_Salvador_-_Bahia?= Message-ID: Grupos.com.brCarta O Berro..................................................................................................repassem 10 ANOS DO FSM - OUTRO MUNDO É POSSÍVEL E NECESSÁRIO ASSEMBLÉIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS Salvador, 31 de janeiro de 2010. Nós, militantes de diversas organizações dos movimentos sociais reunidos no FSMT de Salvador, realizamos a Assembleia dos Movimentos Sociais com o intuito de consolidar uma plataforma de bandeiras unitárias e calendário de lutas. O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao capital financeiro. Ao longo desses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia e Quênia, e outros países, levando a esperança de um mundo novo. Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a ideia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para a construção de uma nova conjuntura que valorize a integração e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011. Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo os valores representados por esse sistema passam a ser questionados pela sociedade. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, que explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura é agora visto com ressalvas. A crise financeira mundial é uma crise do sistema capitalista. Ela expôs as contradições intrínsecas a esse modelo e quebrou as certezas e a hegemonia do mercado como um deus regulador das relações comercias e sociais. Essa crise abriu a possibilidade de se rediscutir o ordenamento mundial, os rumos da sociedade, o papel do Estado e um novo modelo de desenvolvimento. Porém, sabemos que esse momento pelo qual passamos é de profundas adversidades para a classe trabalhadora de todo o mundo em função das crises financeira e climática em curso. A consequência das crises é o aumento da desigualdade e por esse motivo reafirmamos o nosso desafio com as lutas e com a solidariedade de classe . Nosso continente, a América Latina, atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora. Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe contra Chávez em 2002, em Honduras em 2009, a tentativa de golpe contra Lula em 2005 ou mesmo a desestabilização de Fernando Lugo que está em curso no Paraguai. Ao mesmo tempo, as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os monopólios de comunicação. Esses organismos funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Por isso ganham força os movimentos de cultura livre e as rádios e jornais comunitários que conseguem driblar o monopólio midiático. O povo estadunidense elegeu Barack Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças de superar a era Bush. Entretanto, mesmo com Obama o imperialismo continua sendo imperialismo. Os EUA crescem seu olho diante das grandes riquezas naturais do nosso continente, como a recente descoberta do Pré-sal. No mesmo momento em que os EUA reativam a quarta frota marítima também instalam mais bases militares na Colômbia e no Panamá, além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba. Atentos a esses movimentos do imperialismo, os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial Temático em Salvador reafirmam seu compromisso com a luta por justiça social, democracia, soberania, pela integração solidária da América Latina e de todos os povos do mundo, pelo fortalecimento da integração dos povos, pela autodeterminação dos povos e contra todas as formas de opressão. No Brasil, muitos avanços foram conquistados pelo povo durante os 7 anos do Governo Lula. O Estado foi fortalecido alcançando maior ritmo de desenvolvimento, a distribuição de renda e o progresso social avançaram com a valorização do salário mínimo e políticas sociais como o Bolsa Família, a integração solidária do continente foi estimulada. Porém, muito mais há para ser feito. As Reformas estruturais capazes de enraizar as conquistas democráticas não foram realizadas e a grave desigualdade social perpetrada por mais de 5 séculos em nosso pais está longe de ser resolvida. Por isso, devemos lutar pelo aprofundamento das conquistas nesse período de embate político que se aproxima. Reafirmamos a luta contra os monocultivos predatórios, os desmatamentos, o uso de agrotóxicos que gera a poluição dos rios e do ar. Seguiremos na luta contra o latifúndio e em defesa da biodiversidade e dos recursos naturais como forma de preservação do meio ambiente, dos ecossistemas, da fauna e flora integradas com o homem. Nos unimos no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia. Lutamos por uma sociedade justa e igualitária, livre de qualquer forma de opressão, onde as mulheres tenham seus direitos respeitados e não sofram abusos e violências, os negros não sofram preconceito e saiam da condição histórica de pobreza que lhes é reservada desde os tempos da escravidão, os homossexuais tenham acesso a direitos civis e não sofram discriminação. Sabemos que essas conquistas virão da luta do povo organizado. Por isso, convocamos todos os militantes a fazer um grande mutirão de debates envolvendo estados, municípios e segmentos sociais no intuito de construir um projeto de desenvolvimento soberano, democrático e com distribuição de renda para o Brasil. Só assim seremos capazes de aprofundar as mudanças que estamos construindo e derrotar a direita conservadora e reacionária do nosso país nas eleições que se avizinham. Esse grito que expressa nosso anseio liberdade e mais direitos não poderia ser dado em lugar melhor. Estamos na Bahia, terra de todos os santos e de bravos lutadores, valorosos intelectuais e líricos poetas e artistas como a banda tambores das raças que abriu a Assembleia entoando versos que afirmam que: Zumbi não morreu, está presente entre nós. Palmares referência que sustenta nossa voz.Liberdade, igualdade, revolta dos buzios, levante malês, herança ancestral que alimenta a união é a força pra vencer! De Salvador conclamamos o povo brasileiro a lutar por um Brasil livre, independente, democrático e justo socialmente. Para isso, o conjunto dos movimentos sociais brasileiros convoca a Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta: SOBERANIA NACIONAL - Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro; - Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe; - Defesa da autodeterminação dos povos; - Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque; - Pela criação do Estado Palestino; - Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras; - Contra a presença da 4ª Frota na América Latina; - Pela integração solidária da América Latina; - Contra a volta do neoliberalismo - Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA; - Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas; - Pela defesa da Amazônia e da nossa biodiversidade como patrimônio nacional. DESENVOLVIMENTO - Por uma política nacional de desenvolvimento ambientalmente sustentável, que preserve o meio ambiente e a biodiversidade, e que resguarde a soberania sobre a Amazônia brasileira. - Por um Projeto popular de Desenvolvimento nacional com distribuição de renda e valorização do trabalho; - Pelo fortalecimento da indústria nacional; - Contra o latifúndio e os monocultivos que depredam o meio ambiente - Em defesa da Reforma Agrária. - Redução da jornada de trabalho sem redução de salários; - Por políticas Públicas para a Juventude; - Defesa de formas de organização econômica baseadas na cooperação, autogestão e culturas locais; - Pela alteração da Lei Geral do Cooperativismo e da conquista de um Sistema de Finanças Solidárias e Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária (PRONADES), do Direito ao Trabalho Associado e Autogestionário, e de um Sistema de Comércio Justo e Solidário; - Por um desenvolvimento local sustentável. - Por Políticas Públicas de Igualdade Racial; DEMOCRACIA - Contra os monopólios midiáticos e pela democratização dos meios de comunicação. - Contra a criminalização dos movimentos sociais; - Em defesa da Cultura livre - Pela ampliação da participação do povo nas decisões através de plebiscitos e referendum; - Contra o golpe em Honduras; - Contra a desestabilização dos governos democráticos e populares da América Latina; - Pelo fim das patentes de remédios - Contra a intolerância religiosa, em defesa do Estado laico. MAIS DIREITOS AO POVO - Educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, com a universalização do acesso, promoção da qualidade e incentivo à permanência, seja na educação infantil, no ensino fundamental, médio e superior. Por uma campanha efetiva de erradicação do analfabetismo. Adoção de medidas que democratizem o acesso ao ensino superior público; - Defesa da saúde pública garantindo acesso da população a atendimento de qualidade. Tratamento preventivo às doenças, atendimento digno às pessoas nas instituições públicas; - Pela garantia e ampliação dos direitos sexuais reprodutivos; - Contra a exploração sexual das mulheres; - Pelo fim do fator previdenciário e por reajuste digno para os aposentados. SOLIDARIEDADE - Solidariedade ao povo haitiano diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma seqüência de terremotos. - Solidariedade ao povo cubano ? pela liberdade dos 5 prisioneiros políticos do Império. - Solidariedade aos povos oprimidos do mundo. - Solidariedade aos presos políticos do MST CALENDÁRIO 08-18 MARÇO ? Jornada de comemoração dos 100 anos do Dia Internacional da Mulher MARÇO ? Jornada de lutas em defesa da Educação, da UNE e UBES ABRIL ? Jornada de mobilizações em defesa da Reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais. 01 MAIO ? Dia do Trabalhador 31 MAIO ? Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais 1 DE JUNHO ? Conferência Nacional da Classe Trabalhadora SETEMBRO -- Plebiscito pelo limite máximo da propriedade da terra -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2667 - Data de Lançamento: 02/04/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100204/577a5646/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 5 19:05:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Feb 2010 19:05:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__ISTO=C9_30/01/2010__-_____=22A_d?= =?iso-8859-1?q?itadura_n=E3o_acabou=22?= Message-ID: <502E544EE61E49D7B00BCD335148706B@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: MArco Antonio da Silva ----- Original Message ----- From: Paulo Abrão Pires Junior 30/01/2010 "A ditadura não acabou" Filho de militantes de esquerda, Carlos Alexandre foi preso e torturado quando era bebê. Cresceu agressivo e isolado. Aos 37 anos, ele ainda sente os efeitos dos anos de chumbo: vive recluso, sem trabalho nem amigos - sofre de fobia social Solange Azevedo Carlos Alexandre Azevedo, 37 anos, torturado quando era bebê. Ele tem olhos de aflição e feições de dor. Suas palavras saem cadenciadas, são quase sussurros. "Minha família nunca conseguiu se recuperar totalmente dos abusos sofridos durante a ditadura", diz. "Os meus pais foram presos e eu fui usado para pressioná-los." Carlos Alexandre Azevedo tinha 1 ano e 8 meses quando policiais invadiram a casa da família, na zona sul de São Paulo, e o levaram para a sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops). Era 15 de janeiro de 1974. Bem armados e truculentos, os agentes da repressão o encontraram na companhia da babá - uma moça de origem nordestina conhecida como Joana. Chegaram dando ordens. Exigiram que os dois permanecessem imóveis no sofá. Apenas Joana obedeceu. Como castigo pelo choro persistente, Carlos Alexandre levou uma bofetada tão forte que acabou com os lábios cortados. Foram mais de 15 horas de agonia. O drama de Carlos Alexandre - um dos mais surpreendentes dos anos de chumbo - veio à tona no momento em que o governo brasileiro discute a criação da Comissão Nacional da Verdade para apurar casos de tortura, sequestros, desaparecimentos e violações de direitos humanos durante a ditadura militar (1964-1985). Carlos Alexandre decidiu revelar sua história, com exclusividade, à ISTOÉ depois que o seu processo de anistia foi julgado pelo Ministério da Justiça. No dia 13 de janeiro, ele foi declarado "anistiado político". Deve receber uma indenização de R$ 100 mil por ter sido vítima dos militares. "Muita gente ainda acha que não houve ditadura nem tortura no Brasil. No julgamento, em Brasília, me senti compreendido. Carlos aos 3 anos, com os pais As pessoas sabiam que o que eu vivi foi verdade", alega. "A indenização não vai apagar nada do que aconteceu na minha vida. Mas a anistia é o reconhecimento oficial de que o Estado falhou comigo. Para mim, a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social." Fragmentos da vida de Carlos Alexandre, hoje com 37 anos, estão guardados na memória do pai, o jornalistae cientista político Dermi Azevedo. Outros ficaram entre as lembranças da mãe, a pedagoga Darcy Andozia. "Minha família sempre foi muito retraída, sem diálogo. Não costumávamos falar sobre tortura. Esse assunto sempre foi tabu entre nós", conta Carlos Alexandre. Ele descobriu o próprio passado ao remexer em gavetas, aos 10 ou 11 anos de idade. Misturado a fotografias antigas e a uma porção de papéis, encontrou o desenho de uma vaquinha, conhecida na época por simbolizar a "esperança", com o seguinte recado: "Deops 1974: Quando você ficar mais velho, seus pais vão te contar a sua história." Parte do sofrimento da infância lhe foi revelada pela mãe. "Cacá apanhou porque estava chorando de fome. Os policiais falavam que, naquela idade, ele já era doutrinado e perigoso", lamenta Darcy. Presas políticas disseram ao pai que o menino fora torturado no Deops. "Meses depois de sair da prisão, soube que o meu filho tinha sido vítima de choques elétricos e outras sevícias. Ele foi jogado no chão e bateu a cabeça", afirma Dermi. "Maltratar um bebê é o suprassumo da crueldade." Quando os agentes levaram Carlos Alexandre e a babá, Darcy não estava em casa - seria trancafiada no Deops horas depois. "Até hoje sofro os efeitos da ditadura. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social" Ela havia saído cedo em busca de ajuda para o marido preso. Aquela era a segunda invasão à residência dos Azevedo. Na noite anterior, policiais vasculharam todos os cômodos em busca de "material subversivo". Encontraram um livro intitulado "Educação Moral e Cívica & Escalada Fascista no Brasil" e o consideraram uma injúria às autoridades. Dermi, Darcy e a educadora Maria Nilde Mascellani foram processados - e absolvidos - sob a acusação de tentar difamar o Estado brasileiro. Dermi e Darcy eram ligados aos padres dominicanos e a uma das principais vozes que lutavam contra a ditadura, o então cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Faziam parte da retaguarda do movimento de resistência - abrigavam militantes que se preparavam para embarcar para o Exterior. O período de cárcere foi tenso e doloroso. Darcy permaneceu mais de 40 dias na cadeia. Foi pressionada psicologicamente, mas não sofreu violência física. Dermi ficou cerca de quatro meses no xadrez. Apanhou muito. Quando já não suportava mais a dor, invocava o nome d'Ele: "Ai, meu Deus. Meu Deus." Enquanto Darcy esteve atrás das grades, Carlos Alexandre foi cuidado pelos avós - e continuou a sofrer as consequências de escolhas que não foram suas. "Em certos momentos, tive raiva porque meus pais expuseram os filhos. Mas depois senti orgulho porque eles lutaram contra os abusos dos militares e fazem parte da história do Brasil", diz. Carlos Alexandre padece de um transtorno chamado pela ciência de fobia social: um medo excessivo e persistente de se expor à avaliação alheia. Quem tem esse distúrbio se esquiva sistematicamente de contatos interpessoais - principalmente com pessoas do sexo oposto, desconhecidas ou autoridades - porque teme ser humilhado ou rejeitado. Dermi Azevedo, jornalista, pai de Carlos Alexandre, em frente ao prédio onde funcionava o Deops O diagnóstico foi mencionado pela psicóloga Ana Maria Falvino, que tratou de Carlos Alexandre, num documento encaminhado à Comissão de Anistia. No texto, a psicóloga detalha a evolução do transtorno no paciente e situações relatadas pela família Azevedo. Mas não afirma categoricamente que o problema dele é consequência direta de tortura. As situações vividas por CarlosAlexandre, no entanto, o inserem no grupo de risco descrito pela medicina. De acordo com o médico Márcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Transtornos de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, cerca de 30% dos casos de fobia social têm origem genética. Os outros 70% se devem a vivências complexas.Os pais são o primeiro modelo para a criança. Observar como eles lidam com as adversidades, se enxergam o ambiente social como fonte de prazer e alegria ou como algo desconfortável e ameaçador, se são tímidos ou têm muitos amigos, é de extrema importância para o bom desenvolvimento infantil. Bernik afirma que crianças provocadas e maltratadas por colegas e que vivem experiências marcantes de rejeição e de sofrimento são mais suscetíveis à fobia social na vida adulta. Logo que Dermi deixou a prisão, em maio de 1974, a família toda se mudou para a sua terra natal, o Rio Grande do Norte. Primeiro foi para Currais Novos, no interior do Estado. Em seguida para a capital, Natal. A violência psicológica e as agressões físicas - como as intermináveis sessões no pau de arara e os repetidos golpes na cabeça, chamados nos porões da ditadura de "telefone" - derrubaram Dermi. Durante um bom período, ele não foi capaz sequer de sair da cama. Passava o tempo todo coberto. Teve crises de paranoia e medo de tudo. Não podia trabalhar. O aperto financeiro desestabilizava ainda mais a família. Ele foi recuperando devagar a coragem de se levantar, ir à esquina, andar sozinho. "Meses depois de sair da prisão, soube que o meu filho tinha sido vÍtima de choques elétricos e outras sevÍcias. ele foi jogado no chão e bateu a cabeça. maltratar um bebê é o suprassumo da crueldade" "Dermi não se destruiu. Transformou o trauma numa batalha pela vida e continua lutando pela dignidade humana", avalia a psicanalista Miriam Schnaiderman, codiretora do documentário "Sobreviventes", que narra experiências de pessoas que passaram por situações-limite. Enquanto Dermi tentava se recuperar, Darcy tinha de se desdobrar para dar conta da casa e dos filhos - do primogênito e de dois meninos que vieram depois. Carlos Alexandre demonstrou os primeiros sinais de isolamento já em Currais Novos. Não interagia comoutras crianças, tornou-se agressivo e andava sempre triste. Às vezes, acordava agitado procurando pela mãe: "Mamãe, onde é o barulho do trem?" A sede do Deops, onde ele esteve detido durante algumas horas, era na região da Estação da Luz. De lá, dava para ouvir o som do vai e vem das composições. Apesar de a família estar longe de São Paulo, onde a perseguição seria mais severa, os Azevedo eram constantemente vigiados pelos militares locais e discriminados pela vizinhança. Viviam sendo apontados como "bandidos", "terroristas" e tratados como se tivessem alguma doença contagiosa. Carlos Alexandre cresceu sob intensa pressão, testemunhando as crises do pai e a inquietude da mãe. Chorava para não ir à escola. Não suportava ficar distante dos pais. A instabilidade e a dinâmica familiar contribuíram para aumentar o afastamento de Carlos Alexandre. "A perseguição afetou os outros filhos, mas não de maneira tão intensa quanto ele", relata Dermi. As mudanças de casa e de cidade eram constantes a ponto de os meninos não serem capazes de criar laços de amizade ou se adaptar completamente à escola. Darcy Andozia, pedagoga aposentada, mãe de Carlos Alexandre O único período de relativa calmaria e imobilidade durou cerca de quatro anos - entre 1981 e o início de 1985, quando os Azevedo moraram em Piracicaba, no interior paulista. A filha mais nova nasceu lá. Todos eram respeitados. Darcy e Dermi tinham vínculo com uma universidade do município - já não eram encarados como "bandidos" ou "terroristas", mas como intelectuais. E a ditadura militar caminhava para o fim. A saída de Piracicaba foi traumática para Carlos Alexandre. "Era o único lugar em que eu tinha amigos. Foi aí que me isolei de vez. Parei de estudar e me tranquei em casa", lembra. Carlos Alexandre tinha acabado de entrar na adolescência. No interior paulista, costumava brincar na rua, jogar bola e frequentar festinhas vestindo short e camiseta. Não se importava muito com o figurino. Os novos desafios da cidade grande o fizeram submergir no medo. Ele já não era mais convidado para festas, se sentia incapaz de dançar com as meninas e apanhava dos garotos cotidianamente. Quando tentava revidar, era pior. Apanhava mais. "Por ser introvertido, não ser muito bonito nem me vestir como eles, eu era humilhado e vivia sendo alvo de chacotas", afirma. Carlos Alexandre sucumbiu à crueldade adolescente e se enterrou nas próprias fragilidades. Afirma ter passado cerca de sete anos (dos 13 aos 20) praticamente sem sair de casa. Tentou frequentar a escola. Não conseguiu. Nos momentos de nervosismo intenso, quebrava tudo o que encontrasse pela frente. Engordou 40 quilos em seis meses. Tentou o suicídio "algumas vezes". Quando decidiu enfrentar o medo da rua, trabalhou como auxiliar de escritório. "O meu filho apanhou dos policiais do deops porque estava chorando de fome. levou um tapa tão forte que cortou os lábios" Ficou um ano no emprego - seu recorde com carteira assinada. Depois atuou como operador de microcomputador e diagramador. Interagir era tão penoso que Carlos Alexandre pediu demissão e foi demitido diversas vezes porque não suportava conviver com os colegas de trabalho. "As pessoas começavam a perguntar da minha vida: o que eu fazia, se tinha estudado, se tinha namorada, quem eu era, aonde eu ia. Acabava ficando um clima ruim", conta. "Estar no meio de muitas pessoas é muito cansativo para mim. Falar também. Sair de casa e sentar num bar é um incômodo muito grande. Mas hoje já não entro em pânico porque estou em tratamento." Um ou dois amigos visitam Carlos Alexandre esporadicamente. Vão ao apartamento que ele divide com a mãe na região central de São Paulo. Seus outros - raros - amigos são todos virtuais. Ao optar pela rede, ele se protege da sociedade. "Quando rompo o ciclo vicioso, consigo até ter uma vida. Mas tenho muito medo de recaídas", diz. Atualmente, ele costuma sair três vezes por semana para ir à academia. De vez em quando, vai à banca comprar gibis japoneses. Sua rotina é singela. Mas Carlos Alexandre quer mais. "Não sou feliz. Sinto vergonha de não trabalhar. Também gostaria de ter uma família minha, com mulher e filhos. Mas tenho consciência de que devo dar um passo de cada vez. Talvez, com um pouco de sorte, eu consiga recomeçar. Mesmo estando com 37 anos." -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/ffdccae4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/ffdccae4/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3036 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/ffdccae4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/ffdccae4/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 93380 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/ffdccae4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 5 19:05:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Feb 2010 19:05:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O sequestrador mostra a cara Message-ID: Carta O Berro.................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marucia cabral Celiberti, à juiza: "Sim! É ele mesmo!" Atualizado em 05 de fevereiro de 2010 às 00:08 | Publicado em 04 de fevereiro de 2010 às 23:55 A audiência aconteceu em Porto Alegre. Lílian Celiberti ficou diante do sequestrador, que identificou a pedido da juíza: "Sim! É ele mesmo!", nos conta o blog Alma da Geral. O Coletivo Catarse também promete cobertura (a foto acima, feita antes do encontro, é do Sérgio Valentin, que pertence ao coletivo). Abro parênteses para registrar que alguns dos melhores blogs do Brasil são gaúchos -- há dezenas de altíssima qualidade --, como o Dialógico, da Cláudia Cardoso e do Eugênio, que ajuda a espalhar essa imagem impagável: Fiquem agora com o artigo do Leandro Fortes, que explica a história para quem está chegando agora: O sequestrador mostra a cara Por Leandro Fortes no Brasília eu Vi Um evento extraordinário se dará, hoje, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Sequestrada por agentes das ditaduras do Brasil e do Uruguai, a uruguaia Lílian Celiberti irá se encontrar, frente a frente, pela primeira vez, com seu seqüestrador, o ex-policial do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) gaúcho João Augusto da Rosa. Conhecido pela alcunha de ?Irno?, o agente foi denunciado, há mais de 30 anos, pelo jornalista Luiz Cláudio Cunha, então chefe da sucursal da revista ?Veja? em Porto Alegre. Guiado pela intuição, Luiz Cláudio flagrou Irno e um comparsa dentro do apartamento onde Lílian morava e estava cativa, em 1978. Uma série de reportagens depois iria lhe dar o Prêmio Esso de Reportagem, em 1979, e garantir a vida não só de Lílian, mas também de seu companheiro de então, Universindo Diaz, ambos brutalizados pela tortura cometida, de um lado e de outro da fronteira, por lacaios da clandestina ?Operação Condor? ? a sinistra aliança de troca de prisioneiros levada a cabo pelas ditaduras do Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina, nos anos 1970. Lílian Celiberti, moradora de Montevidéu, decidiu atravessar a fronteira para, justamente, retribuir a imensa generosidade do jornalista que, um dia, salvou-lhe a vida, a do companheiro e, por extensão, de seus dois filhos. Os garotos, então crianças, foram seqüestrados junto com a mãe e mantidos numa sala do Dops gaúcho enquanto a mãe era esfolada num pau-de-arara pela turma do delegado Pedro Seeling, da qual Irno fazia parte. Desmascarado por Luiz Cláudio no livro ?Operação Condor: sequestro dos uruguaios?, lançado no ano passado pela editora L&PM, Irno decidiu processá-lo por danos morais. Eis aí uma boa metáfora sobre a relação do Brasil com a memória da ditadura militar e sua última cidadela, a Lei de Anistia. É uma forma de entender a reação dessa turma à proposta de uma Comissão da Verdade, inserida no texto do terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos, para responsabilizar torturadores da época do regime militar. Irno foi o inspetor do Dops que colocou uma pistola na testa de Luiz Cláudio Cunha, este confundido, ao entrar no apartamento de Lílian Celiberti, com um membro da organização de esquerda à qual pertencia a uruguaia. O repórter estava acompanhado do fotógrafo J.B. Scalco, que em seguida iria ajudar a decifrar a trama ao reconhecer o comparsa de Irno, o escrivão Orandir Portassi Lucas, mais conhecido por ?Didi Pedalada?, ex-jogador do Internacional. Ambos os agentes foram condenados pela Justiça, em 1980. Agora, Irno pede indenização por dano moral, alegando que Cunha não menciona sua absolvição por ?falta de provas? no recurso que apresentou, em 1983, em segunda instância. O policial, lembra o jornalista, esqueceu-se de dizer que as ?provas? do sequestro ? Lílian e Universindo ? estavam, então, submetidas à prisão sem processo legal e a todo tipo de torturas pela ditadura do Uruguai, que acabou apenas em 1985. Na verdade, o que incomoda o inspetor Irno não é a omissão de Luiz Cláudio sobre o recurso na Justiça. Irno morre de vergonha é do papelão que ele protagonizou, obrigado pelos chefes a forjar uma nova identidade, com ajuda de fraude cartorária, para se contrapor ao depoimento do jornalista. Para tal, cortou os longos cabelos, moldou uma calva à navalha no alto da cabeça e cravou uma barba sem bigode na cara. Transfo rmou-se, assim, em uma patética caricatura de Abraham Lincoln eternizada no anedotário político do Rio Grande do Sul. Flagrado na farsa por Luiz Cláudio e outros repórteres gaúchos, Irno submergiu no lixo da História até reaparecer, agora, à caça de uns caraminguás a mais para a aposentadoria. Do outro lado, ?Operação Condor: o sequestro dos Uruguaios? recebeu, em 2009, o troféu Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e a Menção Honrosa do prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A obra também recebeu menção honrosa em Havana, Cuba, no prestigiado Prêmio Casa de Las Américas, de 2010, que reuniu 436 obras de 22 países. O encontro histórico de Lílian com Irno será às 15h, na 18º Vara Cível, no Foro Central de Porto Alegre. Quem estiver na capital gaúcha e for jornalista de verdade, não pode perder esse encontro. Todo apoio e solidariedade a Luiz Cláudio Cunha e Lílian Celiberti, portanto. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100205/4d2d686f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 6 14:38:01 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 6 Feb 2010 14:38:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=93=C9_preciso_descolonizar_a_g?= =?windows-1252?q?lobaliza=E7=E3o=94?= Message-ID: <5F923971D8E24D00A4BC1F97E0796BE2@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Quarta-Feira, 03 de Fevereiro de 2010 ?É preciso descolonizar a globalização? Em debate realizado sábado (30) em Salvador, durante do Fórum Social Mundial Temático da Bahia, pesquisadores e ativistas do movimento social afirmaram a urgência de se descolonizar o pensamento e o conhecimento na África e América Latina. Para o africano Samba Buri MBoup, é preciso descolonizar a globalização, recuperando o patrimônio intelectual deixado pelos africanos e a contribuição do continente no desenvolvimento da história e da economia o mundo. Bia Barbosa Um dos principais desafios para construção de um outro mundo possível, na busca pela igualdade entre os seres humanos, é fazer aquilo que está simbolizado na própria logomarca do Fórum Social Mundial: tratar os continentes de forma igualitária. E um dos primeiros e mais estratégicos passos neste sentido é o desafio da descolonização do pensamento e do conhecimento produzido e distribuído nas duas regiões mais pobres do planeta: a África e a América Latina. Este foi um dos temas debatidos neste sábado (30), em Salvador, durante do Fórum Social Mundial Temático da Bahia, onde professores, pesquisadores e militantes do movimento social chegaram à conclusão de que a própria globalização também precisa ser descolonizada. ?Descolonizar o pensamento é enfrentar os desafios colocados pelo eurocentrismo e pelo etnocentrismo como modos de pensar dominantes. No quadro histórico marcado pelo colonialismo europeu, quando essa visão, centrada na Europa, é utilizada como grade de leitura e interpretação da realidade de todo o mundo, constrói-se uma visão distorcida dos padrões e da natureza dos povos?, explica o senegalês Sampa Buri Mboup, professor da Universidade da África do Sul. Essência do pensamento colonial, o eurocentrismo foi, durante séculos, a base do projeto predatório e opressivo aplicado pelas elites e povos do continente Europeu, garantindo a manutenção de seus interesses. No Brasil, o colonialismo e o pensamento produzido no período estão diretamente relacionados à construção da sociedade brasileira. Era preciso construir um discurso que justificasse a escravidão e a opressão contra os povos indígenas e negros. ?Os dominadores se utilizaram de um discurso religioso, que dizia que os negros precisavam ser purificados através do batismo. Todos os que aqui chegavam eram batizados e catequizados. O discurso ideológico, aliado à força, foi um instrumento usado para manter o poder e construir a estabilidade para a classe dominante?, conta Edson França, coordenador da Unegro. Com a crise provocada pela Reforma e a ascensão do Iluminismo, foi preciso encontrar uma justificativa racional para a supremacia do eurocentrismo e a conseqüente manutenção da escravidão no Brasil. Chega então ao país o discurso chamado de racismo científico, cuja base é a classificação racial, onde o branco está no alto da pirâmide, do ponto vista da sua superioridade biológica, e o negro abaixo de qualquer etnia. ?Esse discurso permitiu animalizar e fazer dele o uso necessário dele. Durante todo o processo de dominação ele não foi contestado na academia e acabou assimilado pelo senso comum. Quando o papa disse que negro não tinha alma, ninguém se contrapôs. Era preciso não apenas justificar a escravidão para as classes dominantes, mas fazer com que o próprio dominado também absorvesse o discurso. A baixa auto-estima da população negra permitiu, então, a intensificação na fragmentação, em vez da unidade para fazer o combate ao pensamento e à estrutura social vigente?, explica Edson França. Quando o racismo deixou de servir aos interesses do capitalismo moderno ? e veio a idéia de que era preciso libertar os escravos para aumentar a massa de consumidores ?, o discurso colonizado apostou na miscigenação como forma de ?branquear o Brasil?. E até hoje os efeitos provocados pelo pensamento colonial são estruturantes para a desigualdade entre brancos e não brancos em nosso país. Descolonizar a globalização Para os movimentos que se organizam em torno do Fórum Social Mundial, há um número de desafios e apostas estratégicas que se colocam pela frente na construção deste outro mundo possível no que diz respeito à descolonização do pensamento. Para o professor Samba Buri MBoup, é preciso começar descolonizando a compreensão do próprio conceito de globalização, já que o mundo global também tem sustentado essa desigualdade. São tarefas que vão da desconstrução do mito da África como um continente sem história ao combate à idéia da marginalidade do continente no comércio e na economia. ?Apesar do discurso dominante, há muitas provas de que a África foi palco de uma história e ciência tão antigas quanto os primórdios do mundo e central em todos os momentos da economia mundial: na fase de acumulação primitiva, na colonização, na revolução industrial, na era pós-colonial e até hoje. A realidade é apresentada de cabeça pra baixo, para que olhemos para nós mesmos como se fôssemos menores, enquanto nosso continente é o berço da civilização humana. É preciso reavaliar o potencial da herança africana?, cobra MBoup. No continente mais esquecido do planeta, a alternativa ao discurso colonial da África é chamada de Renascimento Africano, um projeto global de sociedade e civilização construído na resposta coletiva e organizada da África aos desafios da globalização. O projeto, já encampado por 20 países, propõe o domínio do conhecimento científico e da tecnologia; a autonomia e rejuvenescimento da consciência política africana ? como resposta à crise de lideranças no continente ?; e a conscientização baseada na unidade dos povos africanos. ?Há estudos que demonstram de forma clara e irrefutável a profunda unidade cultural dos povos africanos. Hoje interceptam o potencial de desenvolvimento africano, a serviço de uma causa que não é nossa, ao imporem uma situação de monolitismo e intolerância religiosa, quando a historia africana é de pluralismo. Esta é uma tarefa que também temos que ensinar nas escolas?, conclui Samba Buri MBoup. Fotos: Bia Barbosa -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100206/645cc07b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 6 14:41:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 6 Feb 2010 14:41:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] http://www.trabalhoescravo.org..br/abaixo-assinado/ Message-ID: <48877BA6CA024E30820A9FCCC87500B0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Companheiros O FSM10, em Porto Alegre, apresentou um seminário sobre trabalho escravo, assunto que o brasileiro médio desconhece. Baseada nesse seminário, elaborei o texto em anexo, embora conheça o assunto há muito mais tempo, já tendo entrevistado ex-escravos do Pará nos anos 80. No entanto, é oportuno trazer à baila o assunto, num momento em que o setor empresarial deita e rola sobre os direitos trabalhistas, e o movimento sindical só vive de mídia. Para quem não lembra, em Porto Alegre, tivemos a Intersindical de Porto Alegre, que buscava a experiência prática de um futuro Sindicato Único (lembram o Solidarnesc? antes que o Walesa o traísse?), sem imposto sindical, sem divisão entre categorias, a não ser as de ordem prática, com uma única data-base, sem qualquer dependência ou atrelamento ao poder público. A briga de belezas que depois se estabeleceu entre os sindicalistas profissionais levou à situação patética que hoje vivemos - os trabalhadores regrediram a tempos anteriores à CLT, a automação e o auto-serviço se fazem sem ônus tributários e pecuniários a seus promotores, e tudo fica por isso mesmo, indicando a restauração gradual do trabalho escravo ou do "trabalho análogo ao escravo". Espero que vocês se inspirem para redigir suas mensagens, ou repassar aquela que estão recebendo, em anexo, com seu endereço para abaixo-assinado: http://www.trabalhoescravo.org..br/abaixo-assinado/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100206/1429aaff/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 7 11:57:36 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 7 Feb 2010 11:57:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Som_e_m=FAsicas_de_boa_qualidade?= =?iso-8859-1?q?=2C_para_ouvir_e_baixar_=2E=2E=2E=2E_______________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <6D416DDE0B7E4223B7BE747C4AB7E0DB@vcaixe> Carta O Berro............................................................................................................repassem Muitas músicas. Som e músicas de boa qualidade, para ouvir e baixar : Internacionais (francesas, italianas,etc), Clássicas, Trilhas sonoras de filmes, Música Popular Brasileira e muitas outras. (clique) http://www.portaldoscantinhos.com/cantinho_midis/index.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100207/29583527/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100207/29583527/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 7 11:58:07 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 7 Feb 2010 11:58:07 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__sabado_dia_20_de_fevereirodas_11?= =?iso-8859-1?q?_h=2E_=E0s_14_h____A_pe=E7a_teatral__=22Filha_da_An?= =?iso-8859-1?q?istia=22?= Message-ID: <8AAF91C0D4B44A4787B0FBAAA04CCDA6@vcaixe> Carta O Berro....................................................................................................................................................repassem Companheir at s Os Sabados Resistentes de 2010 começam a sua programação no sábado dia 20 de fevereiro com um evento as 11 horas no Memorial da Resistência , conforme convite anexo. Compareçam e Divulguem!! M.Politi Núcleo de Preservação da Memória Política Visite o nosso site : www.nucleomemoria.org.br Sábado Resistente Data: 20 de Fevereiro de 2010, 11h às 14 horas Local: Auditório Vitae - Largo General Osório, 66 - 5º Andar Memorial da Resistência de São Paulo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo Núcleo de Preservação da Memória Política Caros Amigos Cia de Teatro da Cooperativa Paulista de Teatro convidam para a apresentação de cenas do espetáculo FILHA DA ANISTIA* A apresentação será seguida de debate com o elenco e integrantes do Núcleo de Preservação da Memória Política. Sinopse da apresentação: Após a morte da avó, Clara parte em busca do pai que nunca conhecera. Esse encontro irá revelar um passado de mentiras e omissões, forjado durante os anos de chumbo no Brasil. Duração: 30 minutos. 14 anos. Direção: Hélio Cícero. Com: Alexandre Piccini, Carolina Rodrigues e Hélio Cícero. Após a apresentação e debate, será rendida homenagem à família de ANTONIO RAYMUNDO DE LUCENA, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que foi assassinado no dia 20 de fevereiro de 1970, há exatamente 40 anos, por elementos da Força Pública do Estado. A família de Antônio Raymundo de Lucena (também conhecido como "Doutor") foi presa por integrantes da Policia do Exército e submetida as mais variadas torturas. Ariston Lucena, o filho mais velho, foi preso aos 18 anos de idade, após cerco empreendido aos militantes da VPR na área do Vale do Ribeira, e passou quase 10 anos preso, uma vez que foi condenado à pena de morte após a mudança da Lei de Segurança Nacional, em 1969. A companheira de Doutor, Damaris Lucena, depois de presenciar ao assassinato do marido na frente dos filhos, amargar a tortura e a separação das crianças quando de sua prisão, foi libertada após ser trocada com os filhos Ângela Telma, de 3 anos, e Denise e Adílson, os gêmeos de 9 anos, no sequestro do cônsul japonês, Nobuo Okuchi. Exilou-se primeiramente no México e, posteriormente, em Cuba, onde reconstruiu a vida. A família retornou ao Brasil após a Anistia e, desde então, busca incessantemente pelos restos mortais de Antônio Raymundo de Lucena que, embora figure na lista oficial de "mortos", permanece desaparecido, tendo sido enterrado, provavelmente, numa vala clandestina do Cemitério de Vila Formosa. O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência de São Paulo. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados para o debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. * obra teatral premiada pela Secretaria de Estado da Cultura com o incentivo do ProAC - Programa de Ação Cultural, para montagem inédita durante o ano. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100207/0a6c5d2f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 8 19:09:00 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 8 Feb 2010 19:09:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Promo=E7=E3o_Liter=E1ria_Nota_de?= =?iso-8859-1?q?_Rodap=E9_e_Iza=EDas_Almada__-_=22O_livro_Teatro_de?= =?iso-8859-1?q?_Arena_-_Uma_est=E9tica_da_resist=EAncia=22?= Message-ID: <3DFFFCC272C04CE6997B6E03E67414C5@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................................................................repassem Segunda-feira Promoção Literária Nota de Rodapé e Izaías Almada Os leitores cadastrados no "Boletim Rodapé" ou os que deixarem nome, cidade e e-mail nos comentários da postagem concorrem no dia 21 de março a três exemplares autografados do livro Teatro de Arena - uma estética de resistência, do escritor e colaborador do Nota de Rodapé, Izaías Almada, que mandou o seguinte recado. "Foi um duplo prazer escrever sobre o Teatro de Arena, onde trabalhei por cinco anos. Primeiro por poder falar de um dos grupos mais representativos do teatro paulista e brasileiro no século 20 e depois por ser o livro integrante de uma coletânea de textos sobre São Paulo de inegável relevância histórica e sociológica: a coleção PAULICEIA , da Boitempo Editorial". Cadastre-se AQUI. O livro Teatro de Arena - Uma estética da resistência "Um dos momentos mais criativos da cultura brasileira, o final dos anos 1950 e início dos 60 deixou na memória coletiva muito mais a Bossa Nova e o Cinema Novo do que o teatro. Mas naqueles anos em que emergiam para a vida política e cultural novas gerações de estudantes e de trabalhadores, o teatro desempenhou um papel tão importante quanto a música e o cinema. Até o surgimento do Arena, a tendência dominante no teatro brasileiro era o rigor formal, quase solene, da mesma forma que a política era coisa de adultos. Foi através de Glauber, Tom, Guarnieri, José Renato e Boal, entre tantos outros que faziam teatro com o vigor de quem busca transformar o mundo, que esse círculo estreito foi rompido e novas dimensões do Brasil foram reveladas pela arte aberta aos sentimentos populares. Rompendo o fosso entre atores e espectadores, na arena do teatro da rua Teodoro Baima aprendia-se concretamente o que dizia Brecht sobre a relação entre arte e revolução, entre política e cultura, entre música e teatro. De Eles não usam black-tie a Arena conta Zumbi, de Chapetuba Futebol Clube a Arena conta Tiradentes, o público era convidado a compreender e a protagonizar a história brasileira. Esses vínculos essenciais só foram rompidos, à força de baionetas, pela ditadura militar. Neste livro, Izaías Almada - ele mesmo personagem dessa aventura de liberdade e de criação - recolhe a história e o sentido daquele período, cinquenta anos depois, por meio de relatos e análises que ajudam a inserir definitivamente o Teatro de Arena no imaginário de São Paulo e do Brasil do século 21. Izaías reúne testemunhos de Décio de Almeida Prado (uma das últimas entrevistas concedidas em vida), Guarnieri, Boal, Vera Gertel, Marilia Medalha, Chico de Assis, Antonio Fagundes e outros para falar de um teatro que deu voz ao autor brasileiro, introduziu a luta de classes como temática, inovou não apenas na encenação e na dramaturgia, mas fundou um jeito brasileiro de representar, como nação independente, como povo a organizar o seu futuro." ??Sobre o autor ?Izaías Almada, mineiro de Belo Horizonte, escritor, dramaturgo, roteirista é colunista do Nota de Rodapé e autor dos romances A metade arrancada de mim, O medo por trás das janelas , Florão da América e Venezuela, Povo e Forças Armadas. Publicou ainda dois livros de contos, Memórias emotivas e O vidente da Rua 46. Como ator, trabalhou no Teatro de Arena entre 1965 e 1968 -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100208/40c29d4d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7349 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100208/40c29d4d/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5484 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100208/40c29d4d/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 8 19:09:16 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 8 Feb 2010 19:09:16 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Carta_Aberta=2Eda_cpmi___-_copie?= =?iso-8859-1?q?=2C_cole_no_email_e_envie_para_os_endere=E7os_indic?= =?iso-8859-1?q?ados=2E?= Message-ID: <4AA47F8B05514B4081CF6FC9805978E5@vcaixe> CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CPMICarta O Berro.........................................................................................................................................repassem Estimados amigos e amigas, Vejam anexo campanha de carta a ser dirigida ao presidente da CPMI e ao relator deputado Jilmar Tatto. Voce podera subscrever a carta e enviar diretamente aos correios eletronicos dos dois parlamentares. Com cópia para sgeral at mst.org.br (A carta assinada pode ser enviada por correio eletrônico para:Deputado Jilmar Tatto relator - dep.jilmartatto at camara.gov.br E Senador Almeida Lima presidente da cpmi - almeida.lima at senador.gov.br CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CPMI Aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e ao Poder judiciario Fevereiro de 2010. Prezados senhores, O Parlamento Brasileiro instalou novamente mais uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito - CPMI (com a participação de Deputados e Senadores) para investigar os convênios firmados entre o Governo Federal e entidades e movimentos de trabalhadores rurais. Apesar da Bancada Ruralista e da grande imprensa insistir que é uma "CPMI do MST", o requerimento que criou a Comissão estabelece objetivos mais amplos, como explicitados na ementa: "apurar as causas, condições e responsabilidades relacionadas a desvios e irregularidades verificados em convênios e contratos firmados entre a União e organizações ou entidades de reforma e desenvolvimento agrários, investigar o financiamento clandestino, evasão de recursos para invasão de terras, analisar e diagnosticar a estrutura fundiária agrária brasileira e, em especial, a promoção e execução da reforma agrária". Diferente do divulgado pela grande imprensa, os reais objetivos dos autores do requerimento - Bancada Ruralista no Congresso - ao centrar as investigações apenas em convênios assinados entre o Poder Executivo e entidades populares, é criminalizar os movimentos sociais, especialmente o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Esta é a terceira Comissão Parlamentar de Inquérito com o mesmo objetivo nos últimos sete anos. Em 2003, foi criada a "CPMI da Terra", que funcionou até novembro de 2005, e nada provou contra o MST ou qualquer outra entidade agrária. Naquela CPMI, a Bancada Ruralista conseguiu rejeitar o relatório apresentado pelo Dep. João Alfredo (PSOL/CE), então relator da CPMI, e aprovou o relatório do Dep. Lupion (DEM/PR), que propôs classificar as ocupações de terra como crime hediondo. Em junho de 2007, o Senado aprovou a criação da CPI das ONGs, destinada a investigar a utilização de recursos públicos por entidades da sociedade civil organizada. Novamente, valendo-se de tese semelhante - ou seja, que as entidades populares e movimentos sociais desviam recursos públicos -, os inimigos da reforma agrária voltaram a atacar, pedindo a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de entidades parceiras do MST. A CPI ainda está funcionando, e o seu encerramento está previsto para fevereiro de 2010. Além de analisar a aplicação legal dos recursos, seria importante analisar os resultados dos convênios, e se os objetivos propostos foram realizados. Agora, a Bancada Ruralista voltou a atacar os movimentos sociais rurais, especialmente o MST, com a criação de mais uma CPMI, buscando dar resposta às pressões de sua base social, e utilizando-a como um meio de barrar a atualização dos índices de produtividade. Os argumentos e a tese são sempre os mesmos: movimentos sociais e entidades populares não têm direito a acessar recursos públicos. Por outro lado, a instalação desta CMPI, tendo como objeto de investigação a atuação de entidades no meio rural, é uma excelente oportunidade para investigar, por exemplo, a destinação dos recursos recebidos pelo Sistema S. Essa investigação é oportuna, não só pela quantidade de recursos públicos envolvidos (entre 2000 e 2009, o SENAR e o SESCOOP, entidades dominadas pelas entidades dos fazendeiros, receberam, só em recursos da contribuição obrigatória, mais de R$ 2 bilhões), mas também por fartas evidências de má versação dos mesmos. Em reiteradas decisões do Tribunal de Contas da União, por exemplo, estes recursos estariam sendo utilizados não para educar e treinar o povo do campo, mas para manter, de forma irregular, as estruturas administrativas e mordomias das Federações patronais. Além disso, seguindo o que está proposto na ementa do requerimento aprovado, é uma excelente oportunidade para investigar a grilagem de terras publicas nos mais diversos Estados da Federação, que a imprensa denunciou e que envolve inclusive parlamentares como a senadora Katia Abreu, no estado de Tocantins, ou banqueiros sob suspeita, como é o caso da compra de 36 fazendas em apenas tres anos no sul do Pará pelo Banco Oportunity, o que foi denunciado em inquerito da Policia federal. Ou ainda, como a compra de terras por empresas estrangeiras em faixa de fronteira. Como acontece com a empresa Stora Enso, no RS, e a seita Monn, no MS. Além da notória desnacionalização dos recursos naturais e da agricultura brasileira, que passa a ser controlada cada vez mais por empresas transnnacionais, que impõem sua lógica de lucro e afeta a soberania alimentar de nosso país. A violência no campo (e suas causas) é outra realidade a ser investigada. Nos últimos anos, foram mortos diversas lideranças do MST e de outros movimentos agrários. Desde a redemocratizaçao, em 1985, até os dias atuais, foram assassinados mais de 1.600 lideranças de trabalhadores rurais, incluindo agentes de pastoral, advogados etc. Destes apenas 80 chegaram aos tribunais e menos de 20 foram julgados. A CPMI precisa investigar os seus responsaveis e por que o poder judiciário é tao conivente com os latifundiarios mandantes desses crimes. Recomendamos que o parlamento brasileiro investigue porque um verdadeiro oligopolio de empresas estrangerias domina a produçao de agrotóxicos, e transformou o Brasil no maior consumidor mundial de venenos agricolas, afetando a qualidade dos alimentos e a saúde da população, sem nenhuma responsabilidade. Entendemos que estes seriam alguns temas que esta CMPI deveria investigar, contribuindo para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, apoiando as iniciativas populares, inclusive das organizações e movimentos que, na conquista de um pedaço de chão, produzem alimentos para a população brasileira. A restrição dos trabalhos dessa CMPI à investigação apenas de convênios de entidades parceiras do MST representará, unicamente, mais uma iniciativa parlamentar de criminalização dos movimentos sociais e não uma contribuição ao desenvolvimento e democratização do campo brasileiro. Queremos manifestar aos senhores nossa total solidariedade ao MST e a todos os movimetnos sociais e entidades que colocam seus esforços na luta por uma reforma agraria justa e necessária. O Brasil nunca será uma sociedade democratica, nem justa, se não resolver essa vergonhosa concentração da propriedade da terra, em que apenas 15 mil fazendeiros sao donos de 98 milhões de hectares, como denunicou o ultimo censo, e que menos de 2% do total dos estabelecimetnso controlam mais de 45% de todas as terras. E quem luta pela democratização da propriedade, nao poder ser criminalizado justamente por aqueles que querem manter o monopolio da propriedade da terra. Atenciosamente, -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2675 - Data de Lançamento: 02/08/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100208/83363e2b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 9 18:34:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 9 Feb 2010 18:34:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Da_mis=E9ria_ideol=F3gica_=E0_cri?= =?iso-8859-1?q?se_do_capital?= Message-ID: <0A54586E2004456DAA9F44F4BEB93616@vcaixe> Carta O Berro..........................................................................................................repassem Da miséria ideológica à crise do capital O livro da cientista social Maria Orlanda Pinassi emerge, em tempos de ilusões pós-modernas, na oposição da apologética acadêmica niilista. Pinassi reflete sobre a incidência do conceito de decadência ideológica na atualidade, principalmente diante das ideologias que pregam o "fim da história", o "fim da ideologia", o "fim do trabalho". O grande mérito da autora foi resgatar a categoria decadência ideológica como um dos mais férteis instrumentos da crítica marxiana-lukacsiana. A resenha é de Ricardo Lara, professor da Universidade Federal de Santa Catarina. Ricardo Lara (*) RESENHA PINASSI, M. O. Da miséria ideológica à crise do capital: uma reconciliação histórica. São Paulo, Boitempo, 2009, 140p. (Coleção Mundo do Trabalho) O livro da cientista social Maria Orlanda Pinassi emerge, em tempos de ilusões pós-modernas, na oposição da apologética acadêmica niilista. A teoria social articulada em seus ensaios alimenta-se na tradição ontológica materialista e dialética que se agarra a práxis revolucionária. Aliada ao conceito de decadência ideológica - "um dos mais férteis instrumentos da ciência marxiana da história" (PINASSI, 2009, p. 16) -, a autora oferece contundente arsenal de críticas as ideologias irracionais que se instauraram no pensamento social após a consolidação da hegemonia burguesa. O conceito de decadência ideológica, elaborado por Georg Lukács (1885 - 1971) designa a crise espiritual da burguesia após 1848. Para Lukács (1968, p. 52) o que temos, com a evolução do pensamento social burguês, é a: liquidação de todas as tentativas anteriormente realizadas pelos mais notáveis ideólogos burgueses, no sentido de compreender as verdadeiras forças motrizes da sociedade, sem temor das contradições que pudessem ser esclarecidas; essa fuga numa pseudo-história construída a bel prazer, interpretada superficialmente, deformada em sentido subjetivista e místico, é a tendência geral da decadência ideológica. Pinassi reflete sobre a incidência do conceito de decadência ideológica na atualidade, principalmente diante das ideologias que pregam o "fim da história", o "fim da ideologia", o "fim do trabalho". O pensamento burguês contemporâneo, na maioria dos casos, apresenta tendências que não se preocupam em construir conhecimentos que levam em consideração a materialidade social. O pensamento social faz das ciências sociais e humanas um mecanismo irracional que nega o desenvolvimento sócio-histórico e evita produzir conhecimentos que têm como pressuposto o mundo da atividade concreta e sensível do homem. Nos tempos presentes a irracionalidade burguesa avança a passos vastos, as concepções científicas de todas as áreas do saber mostram-se capacitadas para responder as ânsias de um modo de vida que sobrevive entre a plena realização da coisa (fetiche do capital) e a barbárie social. As possíveis respostas para os fenômenos sociais e naturais que afligem a humanidade estão presentes em todas as ciências, mas os abismos entre a realidade social e suas percepções científicas geram concepções caóticas. Os "paradigmas" científicos explicam o homem tentando buscar sua essência, mas não compreendem que a essência humana deve ser encontrada no conjunto das relações sociais, pois "a essência humana não é uma abstração intrínseca ao indivíduo isolado. Em sua realidade, ela é o conjunto das relações sociais". (MARX; ENGELS, 2007, p. 534). A trajetória DA MISÉRIA IDEOLÓGICA À CRISE DO CAPITAL delongou aproximadamente 130 anos para sua RECONCILIAÇÃO HISTÓRICA, composta pelo ponto de partida, as "origens do processo da consolidação da hegemonia burguesa, momento pós-revolucionário que impõe uma enorme transfiguração das ideologias clássicas do século XVIII em ideologias apologéticas" (PINASSI, 2009, p. 11), e o ponto de chegada, a crise estrutural do capital iniciada nos anos de 1970, com seus limites absolutos, crônicos e implacáveis. O livro é uma denúncia imprescindível, um chamado para a consciência crítica e revolucionária, uma arma em potencial para combater as delirantes abstrações e aberrações ideológicas da atualidade. O grande mérito de Pinassi foi de resgatar a categoria decadência ideológica como um dos mais férteis instrumentos da crítica marxiana-lukacsiana. A autora indica com radicalidade teórica o vínculo e a coexistência da ideologia apologética com a eficiência da produção material capitalista. A decadência ideológica desvenda o "racionalismo burguês", justificador do desenvolvimento capitalista do final da segunda metade do século XIX, que se ancora no período imperialista, e concretiza-se nas crises cíclicas do século XX. Nessa processualidade social surgem os causídicos do sistema, com suas teorizações do "pleno emprego", do "estado de bem estar social", sustentadores da inconsciência burguesa. Pinassi expõe o poder da ideologia, revestida de apologética, que oferece sustentação para a acumulação capitalista. O conceito de decadência ideológica revela a crítica da totalidade social, revela a conexão entre força material e construção ideológica do sistema do capital, oferece a possibilidade da crítica, genuína e fecunda, que resgata a perspectiva ontológica. Os ensaios que compõem o livro depositam confiança na alternativa socialista como a única opção para a sobrevivência da humanidade. Aborda questões fundamentais da transição socialista. Desmistifica a irracionalidade burguesa e abre o caminho para a teorização da revolução socialista, pois a história da humanidade não é algo dado e acabado como ampara o pensamento burguês apologético. A luta de classes e a constituição da classe revolucionária é o principal tema perquirido ao longo das páginas. Os textos abordam as principais polêmicas do projeto verdadeiramente socialista, Pinassi não teme em deixar evidente sua postura radical contra as ilusões irracionais acadêmicas pós-modernas. Para isso ela inquieta-se com a universalização do capital e suas absurdas e cruéis formas de irracionalismo. Para levar a êxito tal posicionamento, nota-se, no livro, a atenta interlocução com as obras de Marx, Lukács e Mészáros, ganhando evidência a percepção audaz de extrair os debates nodais da crítica ontológica expirada na ciência da história marxiana. As interlocuções com os clássicos do pensamento marxiano rejuvenesce as críticas impenitentes ao capitalismo. Sem rodeios apologéticos, a autora vai a questão essencial: só é possível liberdade e democracia numa sociedade para além do irracionalismo burguês, da propriedade privada e da alienação. O principal fundamento da crítica marxiana foi a descoberta de quê a produção e reprodução da vida social burguesa se estabelece pela dialética da propriedade privada e do trabalho estranhado. Nos onze ensaios do livro, observamos a crítica ontológica que orienta a humanidade na suprassunção da propriedade privada em busca da emancipação humana. Temas e categorias teóricas - transição socialista, emancipação humana, revolução, propriedade privada, luta de classes, criminalidade, ecletismo, reforma agrária, consciência de classe, movimentos sociais - hesitados pelos cientistas sociais contemporâneos, ou criminalizados pelo irracionalismo burguês, ressurgem com autenticidade e necessidade histórica nos textos da autora. Esses assuntos são colocados na história e ganham significados ontológicos e transitórios. Observe a seguinte afirmação em relação a luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST): o que poderia constituir uma debilidade - ou seja, a particularidade histórica da luta pela reforma agrária - pode ser um dos seus maiores triunfos. Ou seja, da bandeira que evoca velhas contradições nacionais não resolvidas pode aflorar a consciência para as mais atuais formas assumidas pela exploração de classe e pela dominação imperialista. (PINASSI, 2009, p. 71). Pinassi destaca a importância de analisar o MST como um movimento que luta pela transitoriedade, pela superação do sistema de funcionamento do capital. O MST é considerado uma base fundamental para compreender a práxis das atuais organizações alternativas constituídas no mundo do trabalho latino-americano. A autora, ao abordar as temáticas polêmicas, questiona o medo dos homens contemporâneos, o temor que vem transvestido de mais alienação. A teoria social tem medo de questionar a realidade e colocar em xeque o metabolismo social do capital. Perante isso, evidencia-se a generosa crítica aos anticapitalistas românticos que não questionam a exploração da mais-valia e a propriedade privada, e aos que levantam a bandeira visionária dos "direitos das minorias". A racionalidade pseudo-crítica não questiona as raízes das contradições da sociedade burguesa, ignora a luta de classes e não resgata a crítica a barbárie social imposta pela ordem do capital. Depois de ler o livro, percebemos o quanto e o porquê as ciências sociais e humanas estão tão distantes da realidade social. Enfim, na contemporaneidade, muito se escreve e muito se lê sobre a sociedade humana e suas relações sociais submetidas à lógica do capital, mesmo aqueles que se pautam na crítica da sociabilidade burguesa acabam, em alguns casos, reproduzindo estilos acadêmicos oriundos da decadência ideológica. Pinassi diverge da maioria da intelectualidade atual, afronta o "tema" da emancipação humana como prioridade no debate das ciências sociais e humanas. O destemido livro representa a imprescindível crítica radical às ideologias apologéticas e, por conseguinte, irracionais. A leitura é uma interlocução, segura, com Marx, Lukács e Mészáros, na melhor maneira da aspiração ontológica, as análises são sobre determinadas condições de existência reais, históricas e transitórias, as críticas teóricas são sobre as relações de produção e reprodução da vida humana sob as contradições inconciliáveis do sistema do capital. Referências bibliográficas LUKÁCS, G. Marxismo e teoria da literatura. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1968, 288p. MARX; ENGELS, F. A ideologia alemã. São Paulo, Boitempo, 2009, 614p. (Coleção Marx e Engels) PINASSI, M. O. Da miséria ideológica à crise do capital: uma reconciliação histórica. São Paulo, Boitempo, 2009, 140p. (Coleção Mundo do Trabalho) (*) Professor Adjunto do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina - -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100209/da191413/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100209/da191413/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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E-mail: cecac at terra.com.br -------------------------------------------------------------------------------- Caso não queira receber mensagens do CeCAC, responda com: cancelar -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100209/a933517a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 58233 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100209/a933517a/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Jacques Távora Alfonsin*. O vice-presidente da Farsul, em artigo publicado na ZH do dia 30 de janeiro, comparou o MST com Dr. Jekyll e Mr. Hide, para sustentar a tese de que esse Movimento popular é um monstro. Isso estaria provado por três fatos principais, entre outros: uma iniciativa de procurador do Incra para apurar práticas criminosas que teriam ocorrido em um assentamento; tais assentamentos se constituiriam em fracassos econômicos, favelas rurais, segundo pesquisa do Ibope; ?fome se acaba é com agricultura forte, e não com invasões, roubos e terrorismo rural.? O pouco que não passou de opinião preconceituosa do articulista, preocupado que estava em criticar João Pedro Stedile, uma liderança nacional do MST, ficou em meia verdade. No dia seguinte, o vice da Farsul já teve oportunidade de constatar como é perigosa a generalização precipitada. A mesma ZH publicou matéria extensa sobre o quanto é antiga a presença de infiltrados dentro do Movimento, seja para alcaguetar, seja para se aproveitar de uma organização popular honesta com o fim de praticar atos desonestos. Por outro lado, mais de uma vez, em vários assentamentos, o próprio Movimento tomou a iniciativa de denunciar ao Incra irregularidades ocorridas nesses agrupamentos de pessoas, pois, como Paulo Freire já comprovara, o opressor, não raro, mora dentro do oprimido, e as/os assentadas/os não pretendem ter em seu meio, gente que pensa, individual, egoística e anti-socialmente, como a maioria da classe a qual pertence o vice da Farsul. Assentamento não é lugar de abigeatário nem de traficante de droga, como entidade rural patronal e latifundiária não deveria ser abrigo de denúncia generalista e leviana. Faltou-lhe dizer também que, mal publicada a tal pesquisa do IBOPE, o IBGE veio em cima do fato (?), demonstrando que quem alimenta o povo brasileiro não são os grandes proprietários de terra, por eles tratada como simples mercadoria, escravizada e explorada em benefício exclusivo das suas exportações. É por isso, talvez, que não se observa indignação do mesmo artigo contrária a crimes como o de corromper o Poder Público, escondendo quem corrompe, explorar trabalho escravo, impedindo que projetos de lei contrários à tal ignomínia prosperem; protocolada em 2001, a proposta de emenda constitucional 438, contra o trabalho escravo, está parada no Congresso desde 2004... Contratar jagunços assassinos, impor redação às leis, trocar o destino alimentar da terra por celulose, criar e dominar CPIS, manipular estatísticas (como aquela que o tal artigo do vice invoca, feita a mando da CNA), sonegar impostos e depois reclamar anistia para dívidas públicas e privadas, aconselhar a adição de raticida às águas que servem os acampamentos do MST, nada disso é crime para a opinião que criminaliza o Movimento. Celebrar a perseguição cruel e desumana que parte do Ministério Público do Rio Grande move contra as/os sem-terra, festejar o fechamento das escolas itinerantes que o MST mantém, minimizar até o assassinato de um sem-terra como o de Elton Brum da Silva, perpetrado covardemente na própria terra (São Gabriel), onde o vice não é vice e sim presidente do sindicato rural, igualmente, faz parte da poderosa e sórdida campanha de descrédito que domina grande parte da mídia contra as/os sem-terra. Pelo menos para esse tipo de ?agricultura forte?, assim considerada pelo vice da Farsul, baseada nesse autêntico terrorismo, o MST não é cúmplice, nem pode ser acusado de impune. Para o sustento perverso dessa relação ecológica com a terra, humana e social com o povo, não figura no seu passivo ter ajudado com bois ou com dinheiro. Nem ele nem os pequenos proprietários rurais (MPA), os atingidos por barragens (MAB) e as mulheres camponesas sob a bandeira do MMC. Como qualquer outra organização de povo, o MST não se julga isento de defeitos, como o vice parece considerar o modelo de atividade econômica que ele defende; o Movimento sabe muito bem disso, sem precisar das acusações, da ativa perseguição e criminalização que lhe são movidas, tanto pela classe rural a qual o articulista pertence, como por boa parte do Poder Público. É verdade que ocupa terras e o faz para fugir do desespero da pobreza e da miséria que ameaçam a vida das/os sem-terra. Quem o criminaliza e condena, entretanto, não tem que matar um leão por dia para saciar a fome das crianças suas filhas. Não fosse o programa bolsa família e as farmácias caseiras das/os próprios acampadas/os o descumprimento da função social da propriedade privada dos latifúndios já as teria eliminado. O patrocínio em dinheiro, bois e poder que inspiram mente, coração e armas dos novos capitães de mato que andam vigiando, tentando controlar e se preciso for, matar essa organização de povo - como parte do Ministério Público do Estado já decidiu outrora - deve estar colecionando perplexidades. Como é possível que uma gente tão pobre, vítima secular de campanhas tão antigas quanto mentirosas, com um passado tão doloroso de pessoas feridas e mortas, agredida diariamente no corpo e na moral, ainda resiste? A resposta, salvo melhor juízo, parece simples. Os seus detratores são fiéis guardiães de um modelo secular de dominação econômica, política e jurídica, que, de ?moderno? só têm a violência das mesmas armas que a sua ascendência colonialista e escravocrata lhes passou disfarçada depois como ?liberdade de iniciativa?. As/os integrantes, agricultoras/ es trabalhadoras/ es pobres do MST, e outros movimentos populares, bem ao contrário, estão ao lado de uma nova sociedade e de um novo mundo possível, de uma liberdade de fato e não só de direito, de uma economia solidária, na qual o bem-estar de todas/os não seja sonegado apenas em favor de alguns. Assim, pelo menos numa coisa o artigo do referido vice tem razão. O MST integra aquela fração de povo que não é boba. Enxerga o mal que esse modelo econômico do chamado agronegócio capitalista e neoliberal, com raras exceções, causa ao povo e ao seu país. Injusto, inconstitucional, ilegal, a intolerabilidade dos efeitos que ele causa explica e justifica a defesa da dignidade e da cidadania que o mesmo quer matar, como matou o Elton. Este mostrou que, em vez de dinheiro, tão ao gosto do raciocínio limitado do artigo publicado dia 30, essa defesa vale até o sacrifício da própria vida. Linguagens e ações desse tipo, porém, são incompreensíveis para quem entende só de dinheiro, lucro, pecúnia. Pecúnia vem do latim (pecus), de onde derivou pecuária, criação de bois. Isso não nos obriga a pensar e agir como essa vítima preferida dos matadouros e frigoríficos. *Advogado do MST. Acesso at via-rs. net -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100210/165ab7cf/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 10 19:17:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 10 Feb 2010 19:17:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O Brasil ou a ditadura . Message-ID: Carta O Berro...........................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Mario Miranda de Albuquerque -------------------------------------------------------------------------------- O Brasil ou a ditadura O episódio da contestação ao conteúdo do 3º PNDH (Programa Nacional dos Direitos Humanos) tem suas raízes profundas. Há nele um recado no qual os comandantes militares são meros instrumentos de uma ordem há muito consagrada. Da filiação original ao exército colonial português à reverente subserviência ao moderno intervencionismo dos EUA, o Exército brasileiro afirmou uma relação simbiótica com o poder político ? do qual se julga fiscal e guardião ?, com o imperialismo e com o sistema da grande propriedade territorial, o velho e truculento latifúndio. Daí a insuportável e malcheirosa ocorrência deste prolongado funeral do regime militar, que já se estende por um quarto de século desde o seu epílogo oficial, em 1985. E que, não resolvido, poderá enterrar o próprio Brasil. Luiz Carlos Antero* Este pensamento faz o contraponto mais contraditório às suas raízes patrióticas ? da Batalha de Guararapes à campanha da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na II Grande Guerra. E explica também seu desaforado desacato às determinações do presidente da República ?constitucional comandante supremo das Forças Armadas. O exame da História do Exército Brasileiro[1] (HEB) é pródigo em elementos úteis à compreensão do posicionamento dos comandantes militares?pateticamente secundados pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que os acompanhou na recente ?ameaça de renúncia?. Armado árbitro da democracia A HEB foi publicada pela primeira vez em 1972, durante o governo Médici, que ficou conhecido como período emblemático dos ?anos de chumbo?. Antes disso não havia nenhuma obra com esse sentido historiográfico produzida no meio castrense. O Exército publicou uma segunda versão em 1998, sempre sem autoria definida, com o patrocínio da Organização Odebrecht, quando há 13 anos os militares já não controlavam o Poder Executivo. No livro, o Exército se interpreta como elo fundamental de união entre o colonizador das caravelas, os povos indígenas nativos e os africanos. Nesse rumo, entrelaça as origens da nacionalidade brasileira e do próprio Exército no momento de sua fundação, considerando indissociáveis as duas histórias. Essa união na defesa do território daria origem ao ?povo em armas?, com início oficializado em Guararapes. Assim, ao expor a concepção de seu papel na sociedade, o Exército se estabelece como ?guardião da nacionalidade?. É o nascedouro do espírito chauvinista que o levou a se considerar acima da Constituição e a se imiscuir na vida do País como se fosse o soberano magistrado capaz de interromper, a seu juízo, o processo democrático. Em busca das ?Novas Ameaças? A cientista social Amanda Pinheiro Mancuso, que examinou numa tese de mestrado a relação castrense com a FEB e com a Guerrilha do Araguaia, observou que ?esse caráter civilizador do Exército como uma espécie de ?professor da nação? era uma visão típica da época da ditadura militar que foi transmitida na sua produção historiográfica?. E acrescentou que, em 1998, a publicação se deu nas circunstâncias de uma crise de identidade, em busca de um conflito sucedâneo aos padrões da Guerra Fria: ?Neste quadro, desenvolvia-se, à época, um panorama de discussão sobre ?Novas Ameaças?, que tinha como componente principal a pressão exercida pelos EUA sobre os países da América Latina no sentido de um envolvimento mais efetivo de suas Forças Armadas em operações de combate aos chamados ilícitos transnacionais, com destaque para o problema do narcotráfico?[2]. União do ?povo em armas? contra o invasor Na versão castrense, até a nossa efetiva independência, ?o exército brasileiro será esse entremeado de brasileiros e portugueses, os últimos, ensinando aos primeiros a difícil arte das armas, e estes aos lusitanos, dando demonstrações de amor pela terra dadivosa, talhada pela Providência para crisol de raças e dos ideais democráticos?. Nesta versão, o Exército incorpora a plena influência da estrutura militar instalada pelo colonizador português, na qual foram relevantes as invasões estrangeiras no litoral brasileiro. A consciência do espaço territorial e da importância de sua integração e unidade decorreu de uma pré-condição: lutar primeiro contra o invasor estrangeiro antes de lidar com as questões internas. Assim, a construção do Exército se deu pela união ?patriótica? com o ?povo em armas? ? inadmitida nas circunstâncias da resistência à sua indevida intervenção na vida do País com o golpe militar de 1964. Berço nas capitanias Entretanto, esse fator positivo foi neutralizado, num aspecto de fundo, quanto ao advento do sistema de capitanias ? que ainda hoje remanesce o bastião latifundiário no País. Ao tempo que valorizava a organização política colonial atrelada à sua organização militar como elemento de defesa do território conquistado, o sistema de capitanias, instituído 32 anos após o descobrimento, é descrito como a primeira organização militar terrestre. As capitanias constituíam porções do território doadas em usufruto aos ?capazes? de povoar, explorar e defender as terras com recursos próprios, ?e os proveitos eram divididos com a fazenda real como meio de solucionar os problemas de invasões e pilhagens?. Nessa ?divisão de responsabilidades?, as autoridades coloniais forneciam armas, munições e oficiais, aos quais cabia armar, instruir e comandar as forças que organizassem, cabendo aos donatários empregá-las para a manutenção da ordem e para a defesa. É o berço do Exército. Nasce aí, nas raízes mais remotas desta umbilical gestação, o contemporâneo, visceral e congênito ódio compulsivo ao MST ? que, mais de cinco séculos depois, seria em seu imaginário o fulcro da rebeldia a ameaçar o leito nascituro: o velho sistema sesmarial remanescente. Vence a Escola das Américas Modernamente, no desfecho da polêmica que envolveu o 3º PNDH (Programa Nacional dos Direitos Humanos), saíram vitoriosos o regime militar e seus torturadores treinados na Escola das Américas [3] ? e oficialmente qualificados pela impunidade: com o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, lograram apagar de um documento oficial a referência à ?repressão política? ocorrida naquele período, novamente anistiando-se ao arrepio da lei. Saem derrotadas, pagando um elevado preço consentido, as Forças Armadas, agora forçadas a assumir perante a sociedade brasileira, a ampla, geral e irrestrita solidariedade dos seus comandantes aos violadores de todos os códigos e convenções castrenses e internacionais, além da ruptura da ordem constitucional que qualifica como seu comandante supremo o presidente da República. Admitem agora publicamente que o banditismo promovido pela ditadura, que ainda hoje mantém 140 ?desaparecidos?, não foi um episódio isolado: até que o nosso povo determine que seus filhos militares mudem o rumo da prosa, torna-se o vandalismo traço essencial do seu perfil e de toda a sua história. Medo dos filhos e do espelho Tudo isso em contraponto à tendência de sua fração patriótica que empolgou a FEB (Força Expedicionária Brasileira) como força aliada na Campanha da Itália, em 1944-45; além disso, valorizando os genocídios promovidos na Guerra do Paraguai, em Canudos, no Caldeirão, no Contestado e em todos os episódios de participação militar pródiga em massacres, torturas, sevícias e degolas. Entre todas as questões que pipocaram neste início de 2010, algumas sangraram Brasil afora. Uma delas veio de Hildegard Angel, irmã do jovem Stuart Angel, trucidado pelo CISA (Centro de Informações da Aeronáutica) na Base Aérea do Galeão: ?Que medo é esse de se revelar a Verdade? Medo de não poder mais olhar para seus próprios filhos? Ou medo de não poder mais se olhar no espelho?? Tal justa contundência apenas verifica a determinação da elite brasileira ? de seus latifundiários, grandes empresários que financiaram o aparelho repressivo e militares ? de manter a ferro e a fogo em nossa tradição política a ocultação da verdade, bem mais que a prática da tortura e da degola de prisioneiros indefesos. Ocultação da vergonha É o rito (ausente de seus manuais) que consiste em apagar suas ações vergonhosas até o extremo de inundá-las, como aconteceu com as terras de Canudos, onde hoje está o açude Cocorobó; como quase aconteceu na região da Guerrilha do Araguaia, onde se construiria uma represa da Usina Santa Isabel, destinada à produção de minérios para exportação. Numa torrencial onda de relatos, tratou-se de reunir cadáveres de prisioneiros executados e dispersos na mata e, segundo o coronel Pedro Correia Cabral, que participou da macabra operação pilotando um helicóptero, levá-los à incineração com pneus e gasolina na Serra das Andorinhas após o encerramento oficial da mesma Guerrilha. Ou, ainda, no estilo da denúncia contida no livro de Taís Morais[4], um agente secreto descreve, minucioso, como se eclipsava com as vítimas das chacinas, retalhando-as nas juntas e pendurando-as em ganchos de açougue até o completo sumiço ? a exemplo de David Capistrano. Proteção dos verdugos Nesta tradição, um dos ícones da ocultação histórica da barbárie foi o pioneiro Rui Barbosa: pediu que fossem queimados os arquivos da escravidão. A truculência antipopular promovida nos anos 1920 pelo governo de Arthur Bernardes contra o povo e seus filhos militares de berço tenentista e revolucionário ? infinitamente mais dignos que tais padrinhos de bestas humanas ? foi igualmente obscurecida[5]. Os arquivos da ditadura estadonovista (1937-1945) não emplacaram a longevidade do nazista tupiniquim Felinto Muller ? o mesmo que remeteu Olga Benário às cremalheiras de Hitler. E lembremos que, após essa ditadura, até um deputado e general chamado Euclydes Figueiredo, da UDN antivarguista empenhada em se vingar dos maus tratos desse passado, propôs a criação na Constituinte de 1946 de uma frustrada Comissão que julgaria os seus atos, inclusive a situação dos presos políticos de 1934 a 1945. Na ordem contemporânea, as nossas forças armadas contrariam a experiência de Portugal, Espanha, Grécia, Chile, Argentina ou Uruguai, onde os militares abandonaram à própria sorte os verdugos das ditaduras extintas. Na vigência da ilegalidade ? e apenas de 1964 e 1979 ? milhares de civis foram condenados nos tribunais militares pelo crime de se opor ao arbítrio. Mas, após cinco eleições diretas, sete presidentes empossados e 25 anos após o fim do golpe de 1964, ratificando a vigência da ditadura, o velho arcabouço golpista veda a abertura dos arquivos secretos e esteriliza os crimes de uma horda que ceifou inúmeras vidas nos porões de um regime sanguinário. Escola das Américas: velha campana golpista Mas o especial perigo da insurgência militar reside na sua reconhecida relação com a agressiva política belicista dos EUA, que fortalece as posições dos setores mais entreguistas das Forças Armadas ? animados pelos rígidos dogmas da Doutrina da Segurança Nacional, berço intocado das ameaças antidemocráticas. Barack Obama, sem objeções de fundo, atua submisso ao aparelho conservador dos falcões, que dá rumo à ofensiva da direita no continente instalando bases militares na Colômbia, apoiando o golpe hondurenho, as investidas internas contra Evo Morales na Bolívia, Fernando Lugo no Paraguai, Cristina Kirchner na Argentina; alimentando o terror biliardário nas eleições chilenas. É essa instabilidade que anima o seleto clube dos descendentes da Escola das Américas, onde se abrigam especialistas (e seus solidários comandantes) nada indignados com a atual ofensiva. Arrebentar os grilhões Entretanto, não obstante os novos arreganhos da velha ordem, emergimos do episódio mais convictos de que o atual desafio, que enquadra o tema Direitos Humanos, requer, sem ilusões ou contemplações, a atualização da luta contra a ditadura. E sob a convicção de que uma política de Estado libertária passa hoje pela determinação política do Presidente mais popular da História ? o único que não brotou do berço da elite mais corrosiva do planeta. Ou ele, ainda na vigência do atual mandato, encerra de modo esclarecedor esse capítulo das trevas, com o amplo apoio da população, da sociedade organizada e de seus militares dignos ? que nada tem a perder além dos grilhões que os acorrentam a um passado sujo e pervertido ?, ou sua vigência se perpetuará como uma permanente ameaça aos filhos e netos do Brasil. Boa parte sobrevivente da nossa geração gastou sua mocidade enfrentando ? alguns tentando compreender ? o terror emergente das casernas e das cavernas. Agora se vê na contingência de confrontá-lo para que nem os que tombaram possam se envergonhar do Brasil. *Sociólogo, jornalista, escritor ------------------------------------------------------------------------------ [1] Historia do Exercito Brasileiro; perfil militar de um povo. Edição do Estado Maior do Exército. Brasília, 1972 [2] Entre terra e mar: história e política na narrativa oficial das forças armadas brasileiras - os casos do Exército e da Marinha. Mancuso, Amanda Pinheiro. https://www.defesa.gov.br/espaco_academico/biblioteca_virtual/teses/ciencias_humanas/amanda_pinheiro_mancuso_entre_terra_mar_historia.pdf [3] Centro de especialização de técnicas de tortura dos EUA, onde foram amestrados mais de 62 mil oficiais militares latino-americanos, entre os quais torturadores que violaram direitos humanos em países como Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Criado no Panamá, em 1946, foi transferido em 1977 para o Fort Benning, na Geórgia, denominando-se Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica. [4] Sem Vestígios ? Revelações de um agente Secreto da ditadura militar brasileira. São Paulo : Geração Editorial, 2008 [5] Leitura imprescindível para quem quer conhecer o Brasil em sua formação: o livro ?As Noites das Grandes Fogueiras?, de Domingos Meirelles (Rio de Janeiro: Editora Record, 1995), que percorre minuciosamente este período da República marcado pela Revolta do Forte de Copacabana, pela Rebelião de 1924 e pela Coluna Prestes ------------------------------------------------------------------------------ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100210/8c8faf00/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 11 18:55:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 11 Feb 2010 18:55:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Entrevista com Jean-Bertrand Aristide Message-ID: <94C36AD85ECB41BD8C27F65E25115D3E@vcaixe> Carta O Berro......................................................................................................................repassem ADITAL fevereiro 2010- HAITI Entrevista com Jean-Bertrand Aristide Peter Hallward * Em meados dos anos 80, Jean-Bertrand Aristide era um jovem padre paroquial que trabalhava em um bairro pobre e conflituoso de Porto Príncipe. Corajoso defensor dos direitos e dignidade dos pobres, logo se tornou o mais amplamente respeitado porta-voz de um crescente movimento popular contra a série de regimes militares que controlaram o Haiti depois do colapso da ditadura pró-americana dos Duvalier, em 1986. Em 1990, venceu a primeira eleição presidencial democrática, com 67% dos votos. Sentido como uma perigosa ameaça pela elite minoritária dominante do Haiti, foi derrubado por um golpe militar em setembro de 1991. Conflitos com essa mesma elite e suas legiões, apoiada por seus poderosos aliados nos EUA e França, tem marcado toda a trajetória política de Aristide: depois de conquistar uma esmagadora vitória nas eleições de 2000, seus inimigos lançaram uma campanha de propaganda massiva para caracterizá-lo como violento e corrupto. A resistência estrangeira e da elite local por fim culminaria em um segundo golpe contra ele, na noite de 28 de fevereiro de 2004. Amigo e politicamente aliado de Thabo Mbeki, da ANC, Aristide foi para um relutante exílio na África do Sul, onde permanece até os dias de hoje. Apelos para o retorno imediato e incondicional de Aristide continuam a polarizar a política haitiana. Muitos analistas, assim como alguns importantes membros do governo atual reconhecem que, se a constituição permitisse a Aristide candidatar-se novamente a uma reeleição, ele venceria facilmente. Recluso, o ex-presidente do Haiti veio à tona recentemente com o terremoto que abalou o seu país. Na oportunidade se disse pronto a voltar para o país e ajudar a sua reconstrução. Analistas acreditam que uma eventual volta do ex-presidente poderia provocar uma reviravolta na conturbada política local. Mesmo vivendo em um quase anonimato, Aristide conseguiu conservar uma forte base de simpatizantes na capital e em diversas áreas rurais do Haiti - o que poderia ser interpretado como uma ameaça ou mesmo uma afronta ao seu velho aliado e atual presidente, René Préval. Um pouco da história e do pensamento de Jean-Bertrand Aristide podem ser conhecidos através da longa entrevista que o ex-presidente concedeu a Peter Hallward filósofo e professor de filosofia na Universidade de Middlesex (Inglaterra). A entrevista, em francês, foi realizada em Pretória (África do Sul) no dia 20 de julho de 2006. O texto completo da entrevista foi publicado em apêndice do livro de Hallward Damming de Flood: Haiti, Aristide and the Politics of Containment (Paperback, 2008). -Peter Hallward: O Haiti é um país profundamente dividido e você tem sido sempre um personagem profundamente conflituoso. Para a maioria dos numerosos observadores simpatizantes dos anos 90 era fácil entender essa divisão mais ou menos em função de critérios de classe: você foi demonizado pelos ricos e idolatrado pelos pobres. Então, as coisas começaram a ficar mais complicadas. Certos ou errados, ao final da década, muitos dos que originalmente o apoiavam passaram a ficar mais céticos e seu segundo governo (2001 - 2004), do início ao fim, foi implacavelmente perseguido por acusações de violência e corrupção. Apesar de, em todas as medidas possíveis, você permanecer folgadamente como o político mais confiável e popular entre o eleitorado haitiano, parece que você tem perdido muito do apoio que gozava entre partes da classe política, dos trabalhadores, ativistas, intelectuais e outras, tanto no país como no exterior. Muitas de minhas questões referem-se a essas acusações, especialmente a de que, com o passar do tempo, você fez concessões ou abandonou muitos de seus ideais originais. Para começar, gostaria de retornarmos brevemente a um território familiar e perguntar sobre o processo que o conduziu ao poder em 1990. O final dos anos 80 foi um período muito reacionário na política mundial, especialmente na América Latina. Como você explica a considerável força e resistência do movimento popular contra a ditadura no Haiti, movimento que passou a ser conhecido como "Lavalas" - palavra que em creóle significa "inundação", ou "avalanche", assim como "multidão", ou "todos juntos"? Como você explica que, apesar das circunstâncias, e certamente contra os interesses dos EUA, dos militares e de todo o poder que dominava o Haiti, você conseguiu vencer as eleições de 1990? -Jean-Bertrand Aristide: Grande parte do trabalho já tinha sido feito por pessoas antes de mim. Refiro-me a pessoas como Padre Antonio Adrien e seus companheiros, e Padre Jean Marie Vincent, que foi assassinado em 1994. Eles haviam desenvolvido uma visão teológica progressista que refletia as esperanças e expectativas do povo haitiano. Já em 1979, eu estava trabalhando no contexto da Teologia da Libertação. Há uma frase em particular que ficou marcada em minha mente e que pode ajudar a resumir meu entendimento da situação naquela época. Você deve lembrar-se de que a Conferencia de Puebla aconteceu no México, em 1979, e naquele tempo muitos teólogos da libertação estavam trabalhando sob severas restrições, ameaçados e impedidos de participar. O slogan que ao qual estou me referindo dizia algo como "si el pueblo no va a Puebla, Puebla se quedara sin pueblo" - se o povo não vai a Puebla, Puebla ficará sem povo. Em outras palavras, o povo é para mim o próprio centro de nossa luta. Não se trata de lutar pelo povo, em nome do povo, à distância do povo; é o povo, ele mesmo, que está lutando. Trata-se de lutar com o povo e no meio do povo. Isso leva a um segundo princípio teológico, que Sobrinho, Boff e outros entenderam muito bem. A teologia da libertação somente pode ser uma etapa de um processo mais abrangente. Esta etapa, na qual nós temos que começar falando em nome dos pobres e oprimidos, tem fim assim que eles comecem a falar com sua própria voz e com suas próprias palavras. O povo começa a assumir seu próprio lugar na cena pública. A teologia da libertação dá lugar, então, à libertação da teologia. O processo completo leva-nos longe do paternalismo, de toda noção de um "saber" que poderia vir a conduzir o povo e resolver seus problemas. Os padres que eram inspirados pela teologia da libertação naquele tempo entendiam que nosso papel era acompanhar o povo, e não tomar o lugar dele. No Haiti, a emergência do povo como força pública organizada, como consciência coletiva já tinha começado nos anos oitenta, e, por volta de 1986, essa força era forte o suficiente para afastar a ditadura Duvalier do poder. Foi um movimento da base popular, e não um projeto piramidal, dirigido por um único líder ou uma só organização. Também não foi apenas um movimento político. Ele tomou forma, sobretudo através da construção de numerosas pequenas comunidades eclesiais de base, ou "ti legliz", por todo o país. Foram essas comunidades que desempenharam um papel histórico decisivo. Quando fui eleito presidente, não se tratava somente de um cargo estritamente político, da eleição de um político, de um partido político convencional. Não! Tratava-se da expressão de um grande movimento popular, da mobilização do povo como um todo. Pela primeira vez o Palácio Nacional tornou-se um lugar não só de políticos profissionais, mas para o povo, ele mesmo. O simples fato de permitir-se a pessoas comuns entrarem no palácio, o simples fato de serem bem vindas pessoas das camadas mais pobres da sociedade haitiana no coração central do poder tradicional - isto já foi um gesto profundamente transformador. - PH: Você hesitou por algum tempo antes de aceitar colocar-se como candidato naquelas eleições de 1990. Você estava perfeitamente consciente de como, considerando-se as relações das forças existentes, a participação nas eleições poderia enfraquecer ou dividir o movimento. Olhando para trás agora, você ainda pensa que foi a coisa certa a fazer? Haveria alguma alternativa viável àquela de seguir a via parlamentar? - JBA: Eu sou inclinado a pensar a história como um processo de cristalização de diferentes tipos de variáveis. Algumas delas são conhecidas, outras não. As variáveis que nós conhecíamos e entendíamos naquele tempo eram bastante claras. Nós tínhamos uma idéia do que éramos capazes e também sabíamos que aqueles que buscavam manter o status quo tinham inúmeros meios à disposição. Eles tinham toda sorte de estratégias e mecanismos - militares, econômicos, políticos... - para desorganizar qualquer movimento que desafiasse sua continuidade no poder. Mas nós não podíamos saber exatamente como eles se serviriam destes meios. Eles mesmos não poderiam saber. Estavam acompanhando atentamente a forma como o povo lutava para inventar modos de organizar a si mesmo, modos de promover efetivamente este desafio. Isso é o que eu penso acerca de variáveis desconhecidas: o movimento popular estava em processo de ser inventado e desenvolvido, sob pressão, no campo de batalha, e não havia meios de saber de antemão que contra-ataque eles iriam provocar. Agora, dado o equilíbrio desses dois tipos de variáveis, eu não podia voltar atrás. Não recuei em nada. Em 1990, fui convocado por outros no movimento a aceitar a cruz que tinha caído sobre mim. Foi nesses termos que o Padre Adrien descreveu isso e foi assim que eu entendi: eu deveria aceitar o fardo daquela cruz. "Você está no caminho do Calvário", ele disse, e eu sabia que ele estava certo. Quando recusei isso, no início, Monsenhor Willy Romélus, em quem eu depositava muita confiança, como elder e conselheiro, insistiu que eu não tinha escolha. "Sua vida não pertence mais a você", ele disse, "Você a ofereceu em sacrifício ao povo. E agora que uma missão concreta se apresenta a você, agora que você se encontra frente a essa convocação especial, de seguir Jesus e carregar sua cruz, reflita cuidadosamente antes de voltar atrás." Isto era o que eu sabia, e sabia muito bem, então. Foi uma espécie de caminho do Calvário. E assim que decidi, aceitei este caminho tal como ele seria, sem ilusões, sem enganar-me a mim mesmo. Nós sabíamos perfeitamente bem que não seríamos capazes de mudar tudo, que não seríamos capazes de corrigir cada injustiça, que iríamos trabalhar sob severas restrições, e assim por diante. Suponha que eu dissesse não, que não aceitasse ser candidato, como as pessoas iriam reagir? Entendo agora o eco de certas vozes que perguntavam: "Vamos ver agora se você tem a coragem de tomar essa decisão. Vamos ver agora se você não passa de um covarde para aceitar essa tarefa. Você, que tem proferido os mais belos sermões, o que vai fazer agora? Vai abandonar- nos, ou vai assumir essa responsabilidade de modo que juntos possamos seguir em frente?" E eu pensei sobre isso. Qual a melhor maneira de colocar em prática a mensagem do evangelho? O que eu deveria fazer? Eu lembro como respondi a essa questão, quando, alguns dias antes da eleição de 1990, fui a uma manifestação pelas vítimas do massacre da Viela de Vaillant, no qual vinte pessoas foram mortas pelos Macoutes, no dia das eleições canceladas de 1987. Um estudante perguntou-me: "Padre, o senhor pensa que poderá mudar sozinho essa situação tão corrupta e injusta?" E eu, em resposta, disse-lhe: "Para chover, é necessária uma, ou muitas gotas de chuva? Para uma inundação, basta um fiozinho de água, ou a torrente de um rio?" E eu agradeci a ele por dar-me a chance de apresentar nossa missão coletiva na forma dessa metáfora: não será sozinhos, como gotas de chuva, que você e eu conseguiremos mudar essa situação, mas juntos, como uma inundação ou uma torrente, "lavalassement", que iremos transformá-la, saná-la, sem ilusão de que isso será fácil ou rápido. Então, haveria alternativas? Acho que não. No entanto, estou seguro de que havia uma oportunidade histórica, e de que nós demos uma resposta histórica, uma resposta que transformou a situação, um passo na direção certa. Naturalmente, fazendo isso, provocamos uma reação. Nossos oponentes responderam com um golpe de estado. Primeiro, a tentativa de golpe de estado de Roger Lafontant, em janeiro de 1991, e, como ele falhou, o golpe de 30 de setembro de 1991. Nossos oponentes tinham sempre meios desproporcionalmente poderosos de reprimir o movimento popular. Nenhuma simples ação ou decisão poderia mudar isso. O que importa é que nós tínhamos dado um passo adiante, um passo na direção certa, seguido de outros passos. O processo que começou naquele época ainda é forte, apesar de tudo, ainda é forte, e eu estou convencido de que ele virá somente a se fortalecer ,e que, no fim, ele irá prevalecer. - PH: O golpe de setembro de 1991 aconteceu apesar do fato de as políticas concretas que você aplicou, quando estava no poder, terem sido muito moderadas, muito prudentes. Teria sido um golpe inevitável, então? Apesar do que você fez ou não fez, bastaria que a simples presença de alguém como você no Palácio Presidencial fosse inaceitável para a elite haitiana? E, neste caso, o que mais poderia ser possível fazer para prever e resistir aos violentos contra-ataques? - JBA: Bom, essa é uma boa questão. Eu entendo a situação do seguinte modo: o que aconteceu em setembro de 1991 aconteceu também em fevereiro de 2004 e poderia facilmente ocorrer novamente no futuro, sempre que a oligarquia que controla os meios de repressão venha a empregá-los para manter uma versão oca de democracia. Essa é sua obsessão: manter uma situação que poderia ser chamada de democrática, mas que, de fato, consiste em uma democracia importada e superficial, controlada de cima para baixo. Eles têm sido capazes de manter essa situação por um longo tempo. O Haiti é independente há 200 anos, mas nós agora vivemos num país onde um por cento da população controla mais que a metade da riqueza. Para a elite, trata-se de estarmos nós contra eles, de procurar um modo de preservar as desigualdades massivas que afetam cada faceta da sociedade haitiana. Nós estamos submetidos a uma espécie de apartheid. Mesmo depois de 1804, a elite tem feito o possível para manter as massas à margem, no outro lado dos muros que protegem seus privilégios. É a isso que nós somos contra. É a isso que qualquer democracia genuína é contra. A elite fará tudo que puder para certificar-se de que controla um presidente fantoche, que controla um parlamento fantoche. Ela fará o que for preciso para proteger o sistema de exploração do qual seu poder depende. A sua questão deve ser colocada em relação a esse contexto histórico, em relação a essa profunda e considerável permanência. - PH: De fato, mas nesse caso, o que fazer para confrontar o poder dessa elite? Qual a melhor maneira de enfrentar essa violência se, afinal, ela é preparada para usar violência a fim de conter qualquer verdadeira ameaça a sua hegemonia? Apesar da força do movimento popular que o conduziu ao poder, ele não teve força suficiente para conseguir mantê-lo lá, em face à violência que isso desencadeou. As pessoas às vezes comparam-no a Toussaint L`Ouverture, que conduziu seu povo à liberdade e obteve vitórias extraordinárias, conquistadas sob condições extraordinariamente difíceis. Mas Toussaint é também freqüentemente criticado por não ter ido muito longe, por não ter conseguido romper com a França, por não ter conseguido fazer o bastante para manter o apoio do povo. Foi Dessalines quem conduziu a batalha final pela independência e quem pagou o preço daquela batalha. O que você tem a responder aos que dizem (como Patrick Elie, por exemplo, ou Bem Dupuy) que você foi muito moderado, que você agiu como Toussaint numa situação que, de fato, exigia um Dessalines? O que você tem a dizer aos que afirmam que você depositou muita confiança aos EUA e a seus aliados domésticos? - JBA: Bom... [risos]. "Muita confiança nos EUA", isso me faz rir... Em minha humilde opinião, Toussant L`Overture, como homem, tinha suas limitações. Mas ele deu o melhor de si e, na verdade, não fracassou. A dignidade que ele defendeu, os princípios que ele defendeu, continuam a inspirar-nos até hoje. Ele foi capturado, fisicamente foi preso e morto, sim, mas Toussaint ainda está vivo. Seu exemplo e seu espírito nos guia sempre. Hoje, a luta do povo haitiano é uma extensão de sua campanha pela dignidade e liberdade. Nesses dois últimos anos, de 2004 a 2006, o povo continua a lutar por sua dignidade e recusa-se a ajoelhar-se, recusa-se a se render. Em 6 de julho de 2005, Cité Soleil foi atacada e bombardeada, mas esse ataque, assim como muitos outros similares, não desencoraja o povo em insistir para que suas vozes sejam ouvidas. Eles denunciam a injustiça. Eles votaram para a presidência em fevereiro, e isso também foi uma demonstração de sua dignidade; eles não aceitam mais a indicação de outro presidente de cima para baixo. Esta simples insistência na dignidade é, ela mesma, um mecanismo de mudanças históricas. O povo quer ser o sujeito de sua história, não seu objeto. Assim como Toussaint foi o sujeito de sua história, assim também o povo haitiano tomou e estendeu sua luta, como sujeito de sua história. Mais uma vez, isso não significa que a vitória é inevitável ou fácil. Isso não significa que nós podemos resolver cada problema, ou ainda, que, depois de tratarmos de um problema, aqueles poderosos interesses particulares não irão levar a que se tente todo o possível para desfazer os avanços. No entanto, alguma coisa irreversível aconteceu. Alguma coisa que fez seu caminho através da consciência coletiva. Esse é precisamente o significado real da famosa afirmação de Toussaint, assim que ele foi capturado pelos franceses, que eles tinham cortado o tronco da árvore da liberdade, mas suas raízes permaneciam profundas. Nossa luta pela liberdade encontrará muitos obstáculos, mas ela não perderá suas raízes. Ela está firmemente enraizada na mente do povo. O povo é pobre, certamente, mas nossas mentes são livres. Nós continuamos a existir como povo, com base nessa tomada de consciência inicial, dessa consciência fundamental do que nós somos. Não é por acaso que quando vieram a escolher um líder, esse povo, essas pessoas que foram mantidas tão pobres e tão marginalizadas pelos poderosos, tenham escolhido, não um político, e sim, um padre. Os políticos deixaram-nos sucumbir. O povo estava procurando por alguém com princípios, alguém que falasse a verdade. De certo modo, isso seria mais importante que sucesso material ou uma pronta vitória sobre nossos adversários. Esse é o legado de Toussaint. Quanto a Dessalines, a luta que ele conduziu foi a luta armada, foi uma luta militar, e necessária, pois ele tinha que romper as correntes da escravidão de uma vez por todas. Ele conseguiu. Mas será que ainda precisamos levar essa mesma luta, da mesma forma? Penso que não. Dessalines estava errado em lutar daquele modo? Não. Mas nossa luta é diferente. É Toussaint e não Dessalines quem pode ainda acompanhar o movimento popular nos dias de hoje. Sua inspiração conduziu à vitória nas eleições de fevereiro de 2006, que permitiu ao povo manobrar seus adversários para escolher seu próprio líder, contra a vontade do poder constituído. Para mim isso abre para um ponto mais geral. Nós depositamos muita confiança nos norte-americanos? Fomos muito dependentes de forças externas? Não. Nós simplesmente tentamos permanecer lúcidos e evitar a demagogia fácil. Seria mera demagogia por parte de um presidente haitiano pretender ser mais forte que os americanos, ou de engajar-se numa guerra interminável de palavras, ou opor-se a eles por puro prazer. A única maneira racional de seguir é refletir bem sobre o equilíbrio relativo entre os interesses, compreender o que os americanos querem, lembrarmos do que queremos e avançarmos o possível sobre os pontos de convergência existentes. Vejamos um exemplo concreto: em 1994, Clinton precisava de uma vitória na política externa, e o retorno da democracia no Haiti apresentou-se a ele como uma oportunidade. Nós precisávamos de um instrumento para vencer a resistência do exército haitiano assassino, e Clinton ofereceu-nos esse instrumento. Isso é o que quero dizer por atuar pelo espírito de Toussaint L'Ouverture. Nós nunca tivemos nenhuma ilusão de que os americanos partilhavam de nossos objetivos fundamentais, sabíamos que eles não queriam caminhar na mesma direção, mas sem os americanos nós não poderíamos ter restaurado a democracia. - PH: Não havia nenhuma outra opção, nenhuma alternativa a não ser recorrer às tropas americanas? - JBA: Não. O povo haitiano não está armado. É claro que há alguns criminosos e malandros, alguns traficantes de drogas, algumas gangues que têm armas, mas o povo não tem armas. Você está enganando a si mesmo se pensa que o povo pode partir para uma luta armada. Nós temos que olhar a situação nos olhos: o povo está desarmado e nunca terá tanto armamento como seus inimigos. É inútil meter-se numa luta na área dos seus inimigos ou jogar o jogo deles. Você perderia. - PH: Você não teria pagado um preço muito alto pelo apoio americano? Eles o forçaram a fazer todo tipo de acordo, a aceitar muitas das coisas que você sempre se opôs: um rígido plano de ajustamento estrutural, de políticas econômicas neoliberais, a privatização das empresas públicas, etc. O povo haitiano sofreu muito sob essas restrições. Deve ter sido muito difícil engolir estas coisas durante as negociações de 1993. - JBA: Certamente, mas você tem que fazer a distinção entre a luta, por um lado, como princípio, a luta para persistir na opção preferencial pelos pobres, que para mim foi inspirada na teologia e é uma questão de justiça e verdade e, por outro, sua luta política, que se conduz por regras diferentes. Conforme sua versão de política você pode mentir e trapacear se isso permitir que consiga seus objetivos estratégicos. A acusação de que havia armas de destruição em massa no Iraque, por exemplo, foi uma flagrante mentira. Mas a partir do momento em que foi um útil caminho para atingir seus objetivos, Colin Powell e companhia tomaram esse rumo. Quanto ao Haiti, voltando a 1993, os americanos aceitaram com prazer um plano econômico negociado. Quando eles insistiram, através do FMI e de outras instituições financeiras internacionais, na privatização das estatais, eu estava preparado para concordar, a princípio, se necessário - mas recusei-me em simplesmente vendê-las, incondicionalmente, a investidores privados. A corrupção no setor estatal era inegável, mas havia muitas diferentes formas de abordar essa corrupção. Ao invés de privatização sem limites, eu estava pronto para concordar com uma democratização dessas empresas. O que isso significa? Significa uma ênfase na transparência. Significa que alguns dos benefícios de uma fábrica ou uma empresa deveriam ser partilhados entre as pessoas que trabalham para ela. Significa que alguns desses benefícios deveriam ser investidos em coisas como, escolas locais, clínicas de saúde, de modo que os filhos dos trabalhadores possam receber algum benefício proveniente de seu trabalho. Significa criar condições em nível micro que são coerentes com os princípios que queremos guiar o desenvolvimento em nível macro. Os americanos disseram "tudo bem, sem problemas". Nós assinamos aqueles tratados, e estou em paz com minha decisão até hoje. Eu disse a verdade, ao passo que eles o assinaram em um espírito diferente. Eles o assinaram porque com isso poderiam facilitar meu retorno ao Haiti e assim arranjar a vitória na política externa, mas, assim que eu voltei ao governo, eles já haviam deixado planejada a renegociação dos termos da privatização. E foi exatamente isso que aconteceu. Eles começaram a insistir na privatização sem limites e, novamente, eu disse não. Quiseram então desfazer nosso acordo, e então, lançaram uma campanha de desinformação para fazer parecer que eu não cumpri com a palavra. Isso não é verdade. Os acordos que nós criamos estão lá. As pessoas podem julgar por elas mesmas. Infelizmente nós não tínhamos os meios para vencer a guerra de relações públicas. Eles ganharam a batalha das comunicações, espalhando mentiras e distorcendo a verdade, mas eu ainda sinto que nós ganhamos a batalha real, pois a verdade está conosco. - PH: E quanto à sua batalha com o exército do Haiti, o mesmo que o derrubou em 1991? Os americanos refizeram esse exército de acordo com suas próprias prioridades de 1915 e desde então ele tem atuado como uma força para a proteção daquelas prioridades. Você foi capaz de desmobilizá-lo a poucos meses de seu retorno, em 1994, mas o modo como isso foi feito permanece controvertido, e você não foi capaz de desmobilizar e desarmar completamente os próprios soldados. Parte deles voltou a persegui-lo vingativamente, durante seu segundo mandato. - JBA: Novamente, não tenho nenhum arrependimento em relação a isso. Foi absolutamente necessário dissolver o exército. Nós tínhamos um exército de aproximadamente 7.000 soldados, e isso absorvia 40% do orçamento nacional. Desde 1915 ele tinha servido como exército de ocupação interna. Ele nunca enfrentou um inimigo externo. Por que necessitaríamos de um exército como esse, ao invés de uma força policial adequadamente treinada? Nós fizemos o que deveria ser feito. De fato, nós organizamos um programa social para a reintegração de militares desmobilizados, já que eles também são membros da comunidade nacional. Eles também tinham o direito de trabalhar e o estado tinha a responsabilidade de respeitar esse direito. Ainda mais que, você sabe, se eles não encontrassem trabalho, seriam mais facilmente tentados a recorrer à violência ou ao crime, como foram os Tontons Macoutes antes deles. Nós fizemos o melhor que pudemos. O problema não vinha do nosso programa de integração e desmobilização, veio com o descontentamento daqueles que estavam determinados a preservar o status quo. Eles estavam cheios de dinheiro e armas e trabalhavam mão a mão com a máquina militar mais poderosa do planeta. Era fácil para os americanos cooptar quaisquer antigos soldados, treiná-los e equipá-los na República Dominicana e usá-los para desestabilizar o país. Foi exatamente isso o que eles fizeram, mas, eu insisto, não foi um erro desmobilizar o exército. A situação não foi assim, como se nós pudéssemos ter evitado o segundo golpe, o golpe de 2004 se tivéssemos mantido o exército. Ao contrário, se o exército tivesse permanecido intocável, então René Préval nunca teria terminado seu primeiro mandato (1996- 2001), e eu certamente não teria sido capaz de resistir por três anos, de 2001 a 2004. Agindo desse modo, trouxemos luz sobre o verdadeiro conflito que estava em jogo aqui. Como você sabe, a história do Haiti é pontuada de uma longa série de golpes de estado. Mas, ao contrário dos golpes precedentes, o golpe de 2004 não foi uma ação do "exército" haitiano agindo sob as ordens de nossa pequena oligarquia, em acordo com os interesses estrangeiros, como aconteceu muitas vezes, tal como no golpe de 1991. Não. Desta vez esses poderosos interesses tiveram que fazer o trabalho, eles mesmos, com suas próprias tropas e em seu próprio nome. - PH: Uma vez que Chambleim e seu pequeno bando de rebeldes foram barrados na periferia de Porto Príncipe e não conseguiam avançar mais, os "marines" americanos entraram em ação e expulsando-o do país. - JBA: Exatamente. A verdade concreta da situação, a real contradição que orienta essa situação, finalmente vem à tona e aparece inteiramente à opinião pública. - PH: Voltemos a meados da década de 90. Por um momento, a criação do Partido Fanmi Lavalas em 1996 serviu a função similar, ajudando a revelar as linhas "de fato" do conflito interno que tinha já fraturado a pouco estruturada coalizão das forças que o levaram ao poder em 1990? Por que existiam essas grandes divisões entre você e alguns de seus antigos aliados, pessoas como Chavannes Jean-Batiste e Gérard Pierre-Charles? Quase todo o primeiro mandato de Préval, de 1996 a 200 foi assolado por ataques e oposição de Pierre-Charles e o OPL. Você passou, então, a construir um partido unificado, disciplinado, que pudesse propor e encaminhar um programa político coerente? - JBA: Não, não foi assim que as coisas aconteceram. Em primeiro lugar, por experiência e por inclinação, eu era um professor, não um político. Eu não tinha experiência em partidos políticos, e estava contente de deixar a outros a tarefa de desenvolver uma organização partidária, de treinar quadros do partido, e assim por diante. De volta a 1991, eu estava contente em deixar tudo isso a políticos de carreira, a pessoas como Gérard Pierre-Charles, e, junto com outras pessoas ele passou a trabalhar nesse sentido assim que a democracia foi restabelecida. Ele nos ajudou a fundar a "Organização Política Lavalas" - OPL, e eu estimulei que algumas pessoas se juntassem a ela. Esse partido venceu as eleições de 1995 e, no final de meu mandato, em fevereiro de 1996, ele tinha a maioria no Parlamento. Mas então, ao invés de continuar a ouvir o povo, depois das eleições, a OPL começou a dar menos atenção a ele. Começou a cair nos padrões e práticas tradicionais dos políticos do Haiti. Ele começou a ficar mais fechado em si mesmo, mais distante do povo, mais inclinado a fazer promessas vazias, e assim por diante. Eu já estava fora do poder e permaneci à distância. Mas um grupo de padres envolvidos com o movimento Lavalas sentia-se frustrado e queria restaurar uma ligação mais significativa com o povo. Eles queriam permanecer em comunhão com o povo. A partir desse momento (1996), o grupo de pessoas que se sentiam dessa maneira, que estavam insatisfeitas com o OPL, formava um grupo conhecido como "a nebulosa" - eles tinham uma posição incerta e confusa. Com o tempo, mais e mais pessoas tornavam-se descontentes com a situação. Nós nos engajamos em longas discussões sobre o que deveríamos fazer, e Fanmi Lavalas nasceu dessas discussões. Ele surgiu do próprio povo. E mesmo quando veio a constituir-se como uma organização política, ele nunca se concebeu a si mesmo como um partido político tradicional. Se você for ver a constituição da organização vai notar que a palavra "partido" nunca é mencionada. Ele descreve a si mesmo como organização, não como partido. Por quê? Porque no Haiti nós não temos nenhuma experiência política positiva de partidos políticos. Partidos têm sempre sido instrumentos de manipulação e traição. Por outro lado, nós temos uma longa e positiva experiência de organização, de organizações populares - as "ti legliz", por exemplo. Então, não, não fui eu que "fundei" Fanmi Lavalas como um partido político. Eu apenas dei minha contribuição à formação dessa organização, que oferecia uma plataforma aos que estavam frustrados com o partido OPL, que estavam ainda ativos no movimento mas se sentiam excluídos dele (O OPL rapidamente renomeou a si mesmo como "Organização Neoliberal do Povo em Luta"). Agora, para se efetivar, Fanmi Lavalas necessitava canalizar a experiência de pessoas que conheciam um pouco de política, pessoas que poderiam atuar como líderes políticos sem perder o compromisso com a verdade. Este é o problema mais difícil, claro. Fanmi Lavalas não tem a rígida disciplina e coordenação de um partido político. Alguns de seus membros não têm a experiência necessária para preservar ambos: o compromisso com a verdade e uma efetiva participação política. Para nós, política está profundamente relacionada à ética, esse é o ponto crucial da questão. Fanmi Lavalas não é uma organização exclusivamente política. Por isso políticos não conseguem apropriar-se e utilizar Fanmi Lavalas como trampolim para o poder. Isso nunca será fácil. Os membros do Fanmi Lavalas exigem a fidelidade de seus líderes. - PH: Essa é uma lição que Marc Bazin, Louis-Gerald Gilles e outros tiveram que aprender durante a campanha eleitoral de 2006. - JBA: Exatamente. - PH: Até que ponto Fanmi Lavalas tornou-se uma vítima de seu próprio sucesso? Como a ANC aqui na África do Sul, estava claro desde o início que Fanmi Lavalas seria mais ou menos imbatível nas eleições. Mas isso pode ter vantagens e desvantagens. Como você propõe lidar com os muitos oportunistas que imediatamente procuram se imiscuir na sua organização, gente como Dany Toussant e seus associados? - JBA: Eu deixei o poder em 1996. Em 1997, Fanmi Lavalas havia emergido como uma organização funcional, com um claro estatuto. Isso foi já um grande passo à frente em relação a 1990. Em 1990, o movimento político era demasiado espontâneo; em 1997, as coisas já eram mais coordenadas. Além da constituição, no primeiro congresso do Fanmi Lavalas nós votamos e aprovamos o programa escrito em nosso "Livre Blanc": "Investir no Humano", que, eu sei, você já conhece. Esse programa não surgiu do nada. Por aproximadamente dois anos nós promovemos encontros com engenheiros, com agrônomos, com médicos, professores, e assim por diante. Nós ouvimos e discutimos os méritos de diferentes propostas. Foi um processo coletivo. O "Livre Blanc" não é um programa baseado em minhas prioridades pessoais ou ideologia. É o resultado de um longo processo de consulta com profissionais em todos esses domínios, e foi compilado como um verdadeiro documento colaborativo. Como o próprio Banco Mundial veio a reconhecer, ele foi um programa genuíno, um plano coerente para a transformação do país. Ele não foi um pacote de promessas vazias. Agora, no meio dessas discussões, no meio dessa organização emergente, é verdade que você irá encontrar oportunistas, você irá encontrar futuros criminosos e futuros traficantes de drogas. Mas não era fácil identificá-los. Não era fácil descobri-los em tempo e afastá-los em tempo, antes que fosse muito tarde. Muitas dessas pessoas, antes de ganhar um assento no parlamento, comportavam-se perfeitamente bem. Mas, você sabe, para algumas pessoas o poder pode ser como o álcool: depois de um copo, dois copos, uma garrafa inteira... Você já não está lidando com a mesma pessoa. Ele deixa algumas pessoas inconscientes. Essas coisas são difíceis de prever. No entanto, eu penso que, se não houvesse intervenção das potências estrangeiras, nós seríamos capazes de fazer um avanço concreto. Nós tínhamos estabelecido métodos viáveis para a discussão colaborativa e para preservar ligações diretas com o povo. Eu penso que nós teríamos feito um avanço real, dando passos pequenos, lentos, mas seguros. Mesmo com o embargo sobre a ajuda, nós conseguimos realizar algumas coisas. Nós fomos capazes de investir em educação, por exemplo. Como você sabe, em 1090 havia somente 34 escolas secundárias no Haiti; já em 2001 havia 138. O pouco que nós tínhamos para investir, nós investimos no rumo que indicava o programa "Investir no Humano". [Tradutor não identificado no material recebido por Adital. Peter é autor de Damming the Flood: Haiti, Aristide, and the Politcs of Containment (2007), onde expõe o esforço do movimento popular Lavalas e de Jean-Bertrand Aristide para libertar o Haiti de uma ditadura apoiada pelos Estados Unidos]. * Filósofo canadense, especialista em filosofia francesa contemporânea -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100211/12e78cae/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 11 18:56:08 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 11 Feb 2010 18:56:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Grileiros_da_cutrale_e_laranjas?= =?windows-1252?q?_da_midia=2E__altamiro_borges=2E__fev_2010_______?= =?windows-1252?q?___________/_=C0_espera_de_um_esc=E2ndalo___por_C?= =?windows-1252?q?arlos_Bandeira?= Message-ID: <1192954FB82743418E31BC40B0248C9C@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................repassem Grileiro da Cutrale e laranjas da mídia Altamiro Borges, Sao paulo, fevereiro de 2010 Preparando o clima para o início das investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST, que será um dos principais palanques da oposição demo-tucana em 2010, a TV Globo voltou à carga com as fortes cenas da destruição dos pés de laranja da empresa Cutrale, no interior paulista, em setembro passado. Com base num outro vídeo bastante suspeito da Policia Civil de São Paulo, nove ativistas dos sem-terra foram presos na semana passada, inclusive três dirigentes petistas, acusados de participarem de ?furtos, depredações e atos de vandalismo?. O bombardeio midiático é violento. Quando da destruição dos laranjais, até Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro nos governos Sarney e FHC, estranhou a virulência dos ataques. ?Não vou defender o MST pela ação, embora esteja claro para mim que ele é uma das únicas organizações a, de fato, defender os pobres no Brasil. Mas não vou também condená-lo ao fogo do inferno. Não aceito a transformação das laranjeiras em novos cordeiros imolados pela ?fúria de militantes irracionais??. Indignado com a cobertura da mídia, ele criticou duramente ?o noticiário televisivo que omitiu que a fazenda [da Cutrale] é fruto de grilagem contestada pelo Incra?. Respostas do MST são ofuscadas Agora, com a prisão espalhafatosa e arbitrária das lideranças rurais, a mídia hegemônica volta à ofensiva. A crítica é implacável, apesar do próprio MST já ter reconhecido publicamente o equívoco daquela iniciativa. Numa entrevista à revista CartaCapital, no final do ano passado, João Pedro Stedile, da coordenação nacional do movimento, foi taxativo. ?A destruição dos pés de laranja foi um erro. Deu margem para que o serviço de inteligência da PM, articulado com a TV Globo, desmoralizasse o MST?. Para ele, o equívoco decorreu do desespero das famílias de sem-terra acampadas na região, que vivem em condições desumanas e sem qualquer infra-estrutura. Já com relação às imagens de depredação e furtos na fazenda, usadas para justificar a prisão das lideranças, o dirigente do MST rejeitou as acusações da polícia. ?Isto é mentira. As famílias não fizeram nada daquilo. Foi uma armação entre a polícia e a Cutrale. Depois da saída das famílias, chamaram a imprensa. Desafiamos a organizarem uma comissão independente para investigar quem desmontou os tratores e entrou nas casas dos empregados?. Ele lembra que os sem-terra foram retirados à força do local em dois caminhões da Cutrale, sendo filmados e revistados. Revista Veja arquiva reportagem Em todo este estranho episódio, a mídia venal revela que tem lado nos conflitos de classe ? que defende abertamente os interesses dos barões do agronegócio. Com as cenas exibidas à exaustão para jogar a sociedade contra o MST, as redes ?privadas? de televisão e os jornalões oligárquicos demonizam os sem-terra e endeusam a poderosa Cutrale. Neste esforço, eles deixam, inclusive, de repercutir denúncias antigas contra a empresa. Em maio de 2003, por razões desconhecidas ? talvez em mais uma ação mercenária ?, a insuspeita revista Veja publicou elucidativa reportagem sobre a Cutrale. Agora, ela simplesmente arquivou a bombástica matéria. Na ocasião, ela revelou que a empresa é uma das mais ricas e poderosas do mundo. ?O brasileiro José Luís Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, quase a mesma participação da Opep no negócio de petróleo?. A produção mundial de laranjas e de derivados se reduzia a duas regiões do planeta ? no interior de São Paulo e na Flórida, nos EUA. ?A Cutrale vende suco concentrado para mais de vinte países, entre os quais os Estados Unidos, todos os da Europa e a China. Seus clientes são grandes companhias do padrão da Parmalat, da Nestlé e da Coca Cola, dona de uma das empresas de suco de laranja mais populares dos Estados Unidos?. ?A agressividade gerencial da Cutrale? Segundo a revista, este poderoso império foi erguido de forma suspeita. ?O principal segredo do negócio consiste em adquirir a fruta a preço baixo ? preço de banana, brincam os fornecedores ?, esmagá-lo pelo menor custo possível e vender o suco a um valor elevado?. Em 2001, o governo FHC chegou a investigar a altíssima lucratividade da Cutrale (nos anos 1980, ela teve taxas de retorno na ordem de 70%, um fenômeno raro). ?Uma autoridade da Receita Federal relatou a Veja que a estratégica para elevar a lucratividade do grupo passa por contabilizar parte dos resultados por intermédio de uma empresa sediada no paraíso fiscal das Ilhas Cayman. Com isso, informa a autoridade da Receita, a Cutrale conseguiria pagar menos impostos no Brasil?. A revista também criticava a ?agressividade gerencial da família Cutrale?, que já virou ?lenda no interior paulista. Os plantadores de laranja no Brasil têm poucas opções para escoar a produção. Há apenas cinco grandes compradores da fruta e Cutrale é o maior deles. Por essa razão, acabam mantendo com o rei da laranja uma relação que mistura temor e dependência. Por um lado, eles precisam que ele compre a produção. Por outro, assustam-se com alguns métodos adotados pela Cutrale para convencê-los a negociar as laranjas por um preço mais baixo?. Vários produtores relataram à revista a brutal pressão para baixar preços ou mesmo para adquirir suas fazendas, inclusive com sobrevôos ameaçadores de helicóptero e outros métodos terroristas. Uma coleção de processos na Justiça Um fato gravíssimo ocultado pela mídia nos dias atuais de ódio ao MST é que Cutrale coleciona processos na Justiça por desrespeito aos direitos trabalhistas, crimes ambientais, pressão contra os lavradores e porte ilegal de armas. Na reportagem de maio de 2003, a revista citava que ?essa linha dura já rendeu à Cutrale discussões legais sobre formação de cartel. De 1994 para cá, ela já foi alvo de cinco processos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia encarregada de preservar a concorrência... Jamais sofreu uma punição?. A revista Veja e o grosso da mídia hegemônica simplesmente esqueceram estas irregularidades. Para satanizar o MST, a imprensa endeusa a Cutrale. Os sem-terra são os bandidos e o poderoso empresário, um santo. As emissoras ?privadas? de televisão e os jornalões sequer explicam aos ingênuos que as terras no interior paulista não pertencem legalmente à empresa. Elas fazem parte do lote chamado Núcleo Monções, que possui cerca de 30 mil hectares pertencentes à União. Ou seja, elas foram griladas ? roubadas ? pela Cutrale. Em 2007, a Justiça Federal cedeu a totalidade do imóvel ao Incra. Mas a empresa permanece na área com base em ações judiciais protelatórias. A mídia faz escândalo com a destruição de dois hectares de laranjas em setembro, numa área que seria usada no plantio de alimentos para os acampados, mas não informa que desde que a Cutrale começou a monopolizar o produto, milhares de pequenos e médios agricultores já abandonaram, de 1999 a 2006, cerca de 280 mil hectares de pés de laranja em São Paulo. ?Mas a TV Globo e o helicóptero da PM nunca se importaram?, ironiza Stedile. Diante da riquíssima família Cutrale, que tem uma fortuna avaliada em US$ 5 bilhões, os colunistas da mídia são realmente laranjas! -------------------------------------------------------------------------------- À espera de um escândalo Por Carlos Bandeira,(De Brasília ,11 de fevereiro de 2010) A terceira reunião da CPMI contra a Reforma Agrária já tinha terminado. Aí começou a guerra. Jornalistas com sede de sangue cercaram os parlamentares para fazer cobranças. Cadê o embate entre ruralistas e defensores da reforma agrária? E a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico das entidades dos trabalhadores assentados? A comissão não está muito morna? E a polêmica? Em resumo: esperavam um espetáculo de mau-gosto, que não aconteceu. Mesmo assim, quem ler os jornais terá um relato mais próximo do que aconteceu depois do encerramento da comissão. Durante a sessão, o clima era outro. O relator Jilmar Tatto (PT-SP) apresentou uma proposta de aprovação de um bloco de 67 requerimentos, entre os 167 que foram apresentados pelos deputados e senadores. A proposta focava os requerimentos sobre questões administrativas, como a solicitação de documentos e de servidores públicos para compor a equipe do relator, e a convocação de pesquisadores da questão agrária, integrantes do governo e representantes das entidades de assentamentos. Do lado dos ruralistas, houve pedidos para dar celeridade à investigação dos convênios e deixar de lado o debate sobre a questão fundiária. Do lado da reforma agrária, a defesa da discussão dos problemas estruturais do campo e da serenidade na investigação das entidades sociais. Apesar desses registros, não houve resistência dos parlamentares da CPMI, tanto que a proposta foi aprovada por unanimidade. Não houve bate-boca nem exaltação. E os parlamentares elogiaram a proposta do relator. Onyx Lorenzoni (DEM-RS), vice-presidente da CPMI, segurou a turma dos ruralistas, mas não conseguiu impedir que aparecessem as suas diferenças. Durante a apresentação da proposta pelo relator, Lorenzoni saiu da mesa de condução dos trabalhos e foi até a terceira fileira passar orientações ao deputado Moreira Mendes (PPS-RO), que está entre os mais truculentos. No momento do debate, o deputado gaúcho fez sinal, com a mão espalmada, pedindo calma a Abelardo Lupion (DEM-PR), que simplesmente desistiu de se pronunciar... No entanto, ninguém conseguiu acalmar os jornalistas que acompanharam a reunião. Eles demonstraram mais impaciência que os parlamentares ruralistas mais truculentos. Suas perguntas pareciam sair da boca de Lupion, que entrou mudo e saiu calado da sessão. Parece que CPI boa é aquela que gera manchetes e notícias de impacto - mesmo que não tenha nenhum resultado. Não importa o objeto em si, mas o impacto que pode criar na opinião pública. A repercussão é mais importante que os fatos. Por isso, as reportagens denunciam que a CPMI está morna, com cheiro de pizza. Cobram a quebra de sigilo das entidades dos assentados. Assim, buscam criar um clima de impunidade na sociedade, incentivando cobranças de cabeças e escândalos, mesmo antes de começarem as investigações. Querem sangue, e quanto antes melhor. Até os ruralistas estão mais pacientes. No entanto, a imprensa não faz menção aos requerimentos que pedem a investigação dos desvios da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar), diagnosticados pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Nada também sobre os requerimentos para investigar as terras tomadas de pequenos agricultores, em Tocantins, que foram para nas mãos da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) ? que mais uma vez estava ausente e deixou a CPMI órfã de mãe. Podemos ficar bem tranqüilos. Se o Congresso Nacional conseguir manter o nível na execução das suas atividades, a imprensa vai pressionar como justiceiros e tomar uma posição mais conservadora que os parlamentares mais conservadores. Vamos esperar para ver nas próximas sessões dessa CPMI. Carlos Bandeira é jornalista (carlos.sbandeira at gmail.com) -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100211/fb81de2c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 12 18:51:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 12 Feb 2010 18:51:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Voc=EA_est=E1_preparado_para_a_ch?= =?iso-8859-1?q?egada_do_colapso_econ=F4mico_e_da_nova_Grande_Depre?= =?iso-8859-1?q?ss=E3o=3F?= Message-ID: Carta O Berro...........................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: HSLiberal Você está preparado para a chegada do colapso econômico e da nova Grande Depressão? "Já é matematicamente impossível liquidar a dívida nacional dos EUA". Quem argumenta é o site The Economic Collapse*, especializado em economia: "Se o governo dos EUA tomasse todos os dólares, centavo a centavo, de todos os bancos, negócios e contribuintes, ainda assim não seria capaz de liquidar a dívida nacional. E se assim fizesse, obviamente a sociedade estadunidense cessaria de funcionar porque ninguém teria mais dinheiro para comprar ou vender fosse o que fosse". (1) O site também revela que não é o governo dos EUA quem emite a divisa (quem imprime seu dinheiro), "quem o faz é o Federal Reserve". E explica que o Federal Reserve é um banco privado, portanto com o objetivo de lucro, instituído e operado por um grupo muito poderoso da elite dos banqueiros internacionais ("homens brancos de olhos azuis", diríamos em boa alegoria). Basta darmos uma olhadela numa nota de dólar para vermos que se trata de uma "Federal Reserve Note", pertence, portanto, aos donos do Federal Reserve. Mais: se os EUA precisarem tomar mais dinheiro emprestado pedem ao Federal Reserve que imprimam mais pedaços de papel verde, chamados "US dollars", a serem trocados por papéis de cor rosa, chamados de "Títulos do Tesouro dos EUA", que aumentam o capital dos banqueiros. Assim, o governo coloca mais dólares em circulação ao tempo em que amplia sua dívida e os respectivos juros. E a dívida nacional já atinge hoje os US$ 12 trilhões, diante de um "patrimônio" - todo o dinheiro existente nos Estados Unidos - de US$ 14 trilhões. Grande parte é dinheiro fantasma: O "patrimônio" leva em consideração o total de notas fiscais, o dinheiro dos cofres dos bancos e seus depósitos nos bancos de reserva, ordens bancárias, travelers checks, outras contas de poupança, contas do mercado monetário, dos fundos mútuos, depósitos a prazo de pequenos valores, e outros. "Dinheiro" que "nem sempre existe", segundo os economistas do The Economic Collapse, culpa de uma tal "reserva fracionária da banca". Ou seja, os bancos "multiplicam" as quantias neles depositadas e o dinheiro assim "multiplicado" é apenas papel. Não existe. Assim, se todo o dinheiro possuído por todos os bancos, pelos negócios e pelos indivíduos dos Estados Unidos fosse totalmente reunido e enviado ao governo, não seria suficiente para liquidar sua dívida nacional. O único meio de fazer mais dinheiro é fazer ainda mais dívida, o que torna o problema ainda pior. É que, segundo a análise do The Economic Collapse, "todo o Sistema Federal de Reserva foi concebido para (...) vagarosamente drenar a riqueza maciça do povo e transferi-la para a elite dos banqueiros internacionais". E nós, brasileiros, que temos a ver com isso? Primeiro: uma recessão nos EUA arrasta outros países, como o nosso, que depende em grande parte do poder de compra e das boas condições de venda, enfim, da saúde da economia daquele país. Segundo: há uma tendência política muito forte das nossas instituições de se espelhar nos modelos institucionais dos EUA. Quem não sabe que querem nosso Banco Central independente do governo e dependente do "mercado", portanto atrelado aos interesses dos grandes banqueiros internacionais. Para The Economic Collapse, nada mais atual que a profecia de Thomas Jefferson, um dos fundadores da nação estadunidense: "Se o povo alguma vez permitir aos bancos privados que controlem a emissão do seu dinheiro, primeiro pela inflação e depois pela deflação, os bancos e corporações que crescerão em tornos deles (dos bancos) privarão o povo da sua propriedade até que os seus filhos acordem sem lar...". Um retrato da atual crise. Não é sem razão que o Brasil tem diversificado suas relações mundo afora, contrariando nossos para sempre colonizados oposicionistas. Não é sem razão que nossa pátria desponta com diretores de fundos internacionais preferindo "títulos do Brasil e moeda da China" (2), pela "expectativa de que vão sobrepujar as economias desenvolvidas em riqueza" e pela postura de "falcão" do Banco Central. Tampouco falta razão à London School of Economics em saudar a criação do G20, porque países como China, Índia e Brasil "agora formam uma parte imensamente importante da economia global" (3). (*) Artigo original está em: theeconomiccollapseblog.com (1) http://resistir.info/eua/divida_eua.html (2) http://www.bloomberg.com/apps/news?pid=20603037&sid=aCOeVAK9L1EE (3) http://www.chinadaily.com.cn/bizchina/2010-02/05/content_9437111.htm ( * ) Em Boletim H S Liberal você terá acesso às fontes desta postagem e poderá comentá-la. Estas informações/opiniões não apareceram - ou não mereceram o devido destaque - nos "jornalões", revistas semanais e blogs mais difundidos. O objetivo é fornecer, ou destacar, contrapontos à tendência ideológica da grande mídia. Assim, estimular o debate democrático do que acontece no mundo e no Brasil. (Favor manifestar-se caso não queira receber as próximas informações). -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100212/f9a6861d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 13 13:03:12 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 13 Feb 2010 13:03:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_DO_GOLPE_=C0_REDEMOCRATIZA=C7=C3O?= =?iso-8859-1?q?_-__Ventos_da_m=EDdia_na_tormenta_de_1964___por_Lui?= =?iso-8859-1?q?z_Cl=E1udio_Cunha_________________________=28um_pou?= =?iso-8859-1?q?co_da_hist=F3ria_da_m=EDdia_e_o_golpe=29___Imprima_?= =?iso-8859-1?q?e_leia=2E=2E=2E=2Eum_doc=2E_importante?= Message-ID: <85B6BED03C29492CAD856BB7AE4FAEFA@vcaixe> Carta O Berro..................................................................................................... Armazém Literário ] ] DO GOLPE À REDEMOCRATIZAÇÃO Ventos da mídia na tormenta de 1964 Por Luiz Cláudio Cunha Capítulo de A Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985): História e Memória, 4 volumes, 40 autores, co-edição Escola do Legislativo "Deputado Romildo Bolzan" e Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, 2010; título original "Máximas e mínimas: os ventos errantes da mídia na tormenta de 1964", intertítulos do OI Rio 40 graus. O mundo inteiro sabe que o verão carioca é tórrido. Assim, o leitor mais atento da primeira página do Jornal do Brasil daquele sábado, 14 de dezembro de 1968, estranhou o quadro da previsão do tempo, publicado no canto superior esquerdo, ao lado do logotipo do mais influente jornal do país naqueles idos tão estranhos: "Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º, em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras." No canto superior direito, outra informação inusitada: "Ontem foi o Dia dos Cegos". A explicação para tal cegueira estava abaixo, na manchete sobre o fato do dia: "Governo baixa Ato Institucional e coloca Congresso em recesso por tempo ilimitado". Acontecera na véspera o golpe dentro do golpe de 1964, com a edição do AI-5, que escancarou a ditadura no Brasil. O locutor Alberto Curi, sentado ao lado do ministro da Justiça, Gama e Silva, no Palácio das Laranjeiras, no Rio, leu o texto do ato em cadeia nacional de rádio. A fala do locutor ainda ecoava no ar quando cinco oficiais uniformizados do Exército - um major e quatro capitães - invadiram a redação do JB no Rio de Janeiro para censurar o noticiário. Diante da ocupação, o editor-chefe Alberto Dines começou a trabalhar com o chefe de redação Carlos Lemos para encontrar maneiras de driblar o controle militar. O editorial censurado da página 10 foi substituído por uma foto vertical de arquivo em que um enorme campeão mundial de judô, numa brincadeira familiar, se deixava derrubar pelo filho pequeno e franzino. Uma fina alegoria que enganou a tesoura do censor. Mas Dines queria mais, para contornar o bloqueio da primeira página. Chamou o copidesque Roberto Quintaes e lhe pediu que recriasse a previsão do tempo com dois números cabalísticos: o 38, número do Ato Complementar que fechou o Congresso, e o 5, marca do ato que enterrou a liberdade. E assim nasceu, para a história do jornalismo brasileiro, a curiosa previsão de tempos em que o Brasil daquele verão esquisito oscilava dos 38º em Brasília para os 5º das Laranjeiras, sede do palácio carioca onde foi anunciado o AI-5. A nova versão do clima turbulento foi enxertada nas oficinas, quando o jornal já tinha sido censurado e a nota cifrada escapou da revisão dos militares para ganhar um espaço eterno na memória da luta contra a ditadura. No dia seguinte, domingo, 15 de dezembro, Dines nem precisou se ocupar da edição. O Jornal do Brasil não foi impresso, como protesto pela ordem de prisão contra um de seus diretores, embaixador José Sette Câmara, ex-governador da Guanabara e aliado de Juscelino Kubitscheck. Era uma edição gorda de Natal, cheia de anúncios, que nem saiu da gráfica. Solidários, os anunciantes transferiram toda a propaganda para as edições seguintes [DINES, Alberto. AI-5, quarenta anos. Uma história para não esquecer. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 15 dez. 2008]. Fim da censura? A meteorologia política do país piorou muito. O AI-5 durou 10 anos e, do olho do furacão autoritário, ventaram mais 12 atos institucionais, 59 atos complementares e oito emendas constitucionais. "Salvamos a democracia, voltando às origens do poder revolucionário", discursou o general Arthur da Costa e Silva, falando ao país em cadeia no réveillon de 1968. Duas semanas mais tarde, em 13 de janeiro de 1969, o então coronel João Batista Figueiredo, mais tarde também presidente da República, foi bem mais sincero e preciso. Escrevendo ao capitão Heitor Ferreira, anos depois secretário particular dos generais Geisel e Golbery no Palácio do Planalto, Figueiredo chegou a antecipar o julgamento da história: "Os erros da Revolução [de 64] foram se acumulando e agora só restou ao governo partir para a ignorância" [Portal Folha de S.Paulo - Especial 40 anos do AI-5. Site produzido pelos integrantes da 46ª. turma do Programa de Treinamento em Jornalismo Diário da Folha . Dezembro, 2008]. O peso maior da ignorância militar golpeou a classe política. O Congresso ficou fechado até outubro de 1969, quando reabriu para chancelar a escolha pelo Alto Comando das Forças Armadas do general Garrastazú Médici como sucessor do general Costa e Silva, vítima de um derrame. Cassou para isso quase três centenas de mandatos (111 deputados federais, cinco senadores, 162 deputados estaduais, 22 prefeitos, 23 vereadores), além de 28 funcionários do Poder Judiciário. Antes de completar um mês, o AI-5 decapitou três ministros do Supremo - Hermes Lima, Vítor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva - e aposentou até um dos conspiradores de 64, o general Pery Constant Bevilacqua, ministro do Superior Tribunal Militar: "Dava habeas-corpus demais", justificou uma fonte do Palácio do Planalto. Sessenta e seis professores foram expulsos das universidades, entre eles Caio Prado Jr., Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. A primeira vítima da área cultural, sempre visada nos surtos autoritários, apareceu no dia seguinte à edição do AI-5. Na noite de sábado, 14 de dezembro, o comediante Ary Toledo fez uma piadinha no final do seu espetáculo, o show A criação do mundo segundo Ary Toledo, que estreava no Teatro de Arena, em São Paulo. - Pessoal, este é um espetáculo subdesenvolvido. Não tem garotas de bunda de fora. No palco, somos eu e meu violãozinho, e só. Como diz o ditado popular: "Quem não tem cão, caça com gato. Quem não tem gato, cassa com o ato..." Todo mundo riu, menos dois homens da platéia, que foram até o camarim pedir explicações. Eram agentes do DOPS, o Departamento de Ordem Política e Social, que levaram Toledo para a delegacia, na Praça da Luz. Ali ficou detido durante cinco horas, até ser liberado por um delegado que era seu fã, mas que antes lhe passou uma descompostura pela gracinha. Ditadura, como se sabe, é coisa séria. A censura desembarcou com mais força nos jornais e revistas de Rio e São Paulo, centro político e econômico do país. No lugar de notícias, comentários e editoriais, começaram a proliferar versões de Camões n´O Estado de S.Paulo, receitas de bolo no Jornal da Tarde e imagens de diabos e da árvore símbolo da Editora Abril nas páginas da revista Veja. Era proibido deixar espaços em branco, a censura censurava a revelação sobre a censura. Preferia versos, receitas e imagens diabólicas nas páginas esquartejadas. O semanário Opinião sentiu a violência antes mesmo de estrear nas bancas. Em novembro de 1972, quando preparava seu número zero, a edição experimental, bastou a notícia do lançamento para alertar o governo. O decreto-lei 1.077, de 26 de janeiro de 1970, estabelecia a censura prévia para matérias ofensivas "à moral e aos bons costumes". Não reconhecia a censura política, que era inconstitucional. Ela existia apenas nos telefonemas discretos ou nos bilhetinhos sem assinatura enviados pelos funcionários quase anônimos do Sigab, o Serviço de Informação do Gabinete do Ministro da Justiça, um órgão secreto que fazia a ligação direta entre o ministro e a Polícia Federal. Um telefonema do Sigab convocou o editor do Opinião, Fernando Gasparian, à sede da Polícia Federal no Rio. O major Braga tentou despistar: - Eu quero avisar ao Sr. que aqui no Brasil não existe censura prévia, a não ser por problemas morais. O Sr. pode publicar o que quiser. E tirou da gaveta uma lista com 210 assuntos que a imprensa não podia publicar - por censura prévia ou autocensura. Gasparian pediu uma cópia para avaliar, o major negou. - Ela é secreta. [PINHEIRO MACHADO, José Antônio. Opinião x Censura. Momentos da luta de um jornal pela liberdade. Porto Alegre: L&PM, 1978. p. 23] Assim, secretamente, o regime asfixiou o semanário a partir do oitavo número. Primeiro, mandando recados. Depois, com o censor dentro da redação. Por fim, exigindo a remessa do jornal impresso para Brasília, antes de liberar a venda nas bancas. Em quatro anos e meio, Opinião sofreu ameaças, prisões, apreensões de edições inteiras, processos judiciais, o lançamento de uma bomba na redação e um decreto presidencial, baseado no AI-5, ratificando a censura prévia que o jornal tinha derrubado, como ilegal, no Tribunal Federal de Recursos. Foram publicadas 5.796 páginas, mas quase o dobro - 10.548 páginas - precisou ser produzido para suprir a falta do material vetado. Gasparian cansou da censura e, em 1° de abril de 1977, mandou para as bancas uma edição diferente da que enviara a Brasília para revisão. Corajosamente, incluía um editorial avisando ao regime que aquele seria o último número sob censura. Na semana seguinte, na edição nº 231, com uma ilustração do presidente e a manchete "Geisel, o AI-5 de novo" na primeira página, o jornal trazia um carimbo abaixo do título de Opinião: "Livre". A primeira edição sem censura foi apreendida. O jornal nunca mais voltou às bancas. Telefones grampeados Estes são alguns dos momentos dignos de reação da imprensa brasileira à violência da ditadura, exacerbada a partir do AI-5. Mas o passado condena, na remissão das origens da conspiração que levou ao golpe de Estado de 1964. Nele está a digital da mídia que ajudou, por atos, fatos e versões, na criação do clima político que aguçou posições e lançou o país num abismo autoritário de 21 anos. A revisão da imprensa, a partir da radicalização do AI-5, que a fez engolir versos e receitas de bolo, não apaga seu envolvimento original no golpe militar. Ninguém dissecou isso melhor do que o professor uruguaio René Armand Dreifuss (1945-2003), doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Glasgow, Reino Unido. Em 1981, aos 36 anos, ele publicou no Brasil sua tese de doutorado produzida nos cinco anos anteriores na Escócia. O livro 1964: A conquista do Estado. Ação política, poder e golpe de classe (Ed. Vozes) é um trabalho literalmente de peso. Em suas 814 páginas, Dreifuss produziu um clássico de pesquisa histórica que confirma uma tese dos golpistas: 1964 não foi uma simples quartelada, muito menos um movimento improvisado de um general impulsivo que de repente botou os tanques nas ruas de Juiz de Fora, na madrugada de 31 de março. Como na loucura de Hamlet, havia método na ditadura. E muita organização, preparo, cálculo, frieza, tática, estratégia - e dinheiro, muito dinheiro. A história do golpe remonta ao fracasso do golpe anterior, o de 1961, quando os ministros militares tentaram vetar a posse constitucional do vice-presidente João Goulart, alçado ao poder pela renúncia de Jânio Quadros. A reação popular e a firme resistência do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, quebrando a unidade militar, fizeram vitoriosa a "Campanha da Legalidade". Jango tomou posse e os generais compreenderam que, sem o apoio da opinião pública, o golpe não passaria. Três anos antes dos tanques rolarem sobre Juiz de Fora, os militares começaram a tramar com os recursos e a organização do empresariado brasileiro o golpe final que os levaria ao poder por duas décadas. E a grande imprensa estava lá, na trincheira da conspiração. A releitura de Dreifuss, mais do que revelar, permite relembrar fatos decisivos que o tempo e a memória vão apagando. Em novembro de 1961, três meses após a renúncia de Jânio, nasceu no Rio o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais. Reunia a nata do empresariado, nacional e multinacional, com todos os nomes, sobrenomes e siglas que ainda hoje enfeitam as listas das maiores empresas do país. Um empresário de origem americana no Rio, Gilbert Huber Jr., dono das Listas Telefônicas, articulou-se com um empresário de uma multinacional em São Paulo, João Batista Leopoldo Figueiredo, ex-presidente do Banco do Brasil no Governo Jânio e tio do futuro presidente Figueiredo. Acabaram recrutando militares da reserva, um deles o general Golbery do Couto e Silva. Parecia um inocente clube de homens de negócios. Mas, na sua face oculta, sob siglas e codinomes, o IPES concentrava a execução metódica de um pensado plano da burguesia nacional para combater, de forma clandestina, os seus três principais inimigos: o Governo Jango, a aliança nacionalista do PTB e o comunismo, que aparentemente resumia tudo aquilo. O braço político ostensivo do IPES era o IBAD, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que apesar do nome tinha ligações com o MAC, Movimento Anticomunista, e com a organização da direita católica Opus Dei. O fundador do IBAD em 1959 foi o integralista Ivan Hasslocher, dono da Promotion, uma agência de publicidade que promovia o lobby do IBAD e seu braço parlamentar, a ADP - Ação Democrática Popular, um núcleo conservador de 160 parlamentares da centro-direita no Congresso reunido em torno da UDN, PSD e PSP. A ADP fazia contraponto à Frente Parlamentar Nacional, que orbitava no universo do PTB e dos aliados da esquerda. Segundo Dreifuss, a ADP tinha sua ação política patrocinada pela estação no Rio de Janeiro da CIA, a agência de inteligência americana focada em campanhas políticas e grupos de pressão [DREIFUSS, René Armand. 1964: a conquista do Estado: ação política, poder e golpe de classe. 3. ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1981, p.103]. Homens da mesma linha de pensamento e com igual propósito juntaram, a partir de 1962, as duas entidades: nascia o complexo IPES/IBAD, matriz ideológica e operacional da conspiração que daria o golpe e, depois, forneceria os quadros e dirigentes do aparato estatal que sustentou o regime militar. O IPES operava como centro estratégico, e o IBAD, como uma unidade tática. O gaúcho Raul Pilla, líder do Partido Libertador que integrava a ADP, definiu o complexo: "Duas instituições muito úteis foram organizadas... levando-as a cumprir seus deveres patrióticos" [PILLA, Raul. A influência do dinheiro. O Globo, Rio de Janeiro, 24 ago. 1963]. O monstro crescia junto com a conspiração. Em 1963, os 80 membros originais do IPES pularam para 500. Eram sócios 26 dos 36 líderes da FIESP, a maior federação industrial do país. A entidade se espalhava pelas capitais do país. Em Porto Alegre, a versão local tinha o nome de IPESUL e sobrenomes ilustres como o lojista Fábio Araújo Santos, da rede JH Santos, José Zamprogna e Ary Burger, diretor do Grupo Gerdau. A articulação dos empresários com os militares era feita pelo Grupo de Levantamento da Conjuntura (GLC) do IPES, comandado pelo general Golbery, que atuava sobre o I (Rio) e III (Porto Alegre) Exércitos. A "ordem de serviço com calendário" do GLC, que definia a estratégia de ação, tinha uma edição limitada de 12 exemplares, que não eram registrados nas atas do IPES. A equipe de Golbery distribuía nos quartéis uma circular bimestral mimeografada, sem citação da fonte, avaliando a atividade "comunista" no país, apontando o dedo para subversivos infiltrados no governo e mapeando suas ações. Só no Rio de Janeiro o GLC de Golbery tinha três mil telefones grampeados [DREIFUSS, op. cit., p. 188]. O grupo do general ocupava quatro das 13 salas que o IPES havia alugado no 27° andar do Ed. Avenida Central, na av. Rio Branco, no centro da cidade. A conta do telefone era faturada em nome do general da reserva Henrique Geisel, irmão de Ernesto. Em Porto Alegre, o IPESUL operava no quarto andar do Ed. Palácio do Comércio, na Praça da Alfândega. Três frentes O GLC escrutinava a produção diária da imprensa do país, um total de 14 mil edições no ano, e produzia mensalmente cerca de 500 artigos, disseminados pelos jornais ou divulgados em forma de palestras. O Grupo de Atuação Parlamentar (GAP) do IPES tinha vergonha do que fazia. Proibia qualquer menção à sigla, que era camuflada como "Escritório de Brasília". Ele coordenava a campanha anti-Jango na capital, mas quem aparecia publicamente era o IBAD e o fazendeiro baiano João Mendes, deputado udenista e líder ostensivo da Ação Democrática Parlamentar. O plano era simples e mortal: o IPES, através do IBAD e da ADP, emparedava o governo no Congresso, criando um beco sem saída parlamentar e um ponto morto do Executivo. A inércia legislativa levaria ao clamor popular pelo poder "moderador" das Forças Armadas, única instituição capaz de tirar o país daquele atoleiro fabricado pela conspiração no Parlamento. Neste trabalho era fundamental manipular a expressão da sociedade. O objetivo central do Grupo de Opinião Pública (GOP) do IPES era disseminar seus objetivos na imprensa falada e escrita. Dissimulado, o grupo evitava o nome "opinião pública", preferindo as expressões "divulgação" e "promoção". O GOP era "a base de toda a engrenagem", definia o general Heitor Herrera, um dos líderes do IPES. José Luís Moreira de Souza, dono da Denison Propaganda, dizia que "conquistar a opinião pública" era a essência da ação política do grupo. O principal articulador do GOP era um ex-comissário de polícia, José Fonseca, que estreara como "tira" no 16° Distrito Policial de São Cristóvão, um subúrbio operário da zona norte do Rio, no réveillon de 1952. Ele tomava um copo de leite em Copacabana na noite de 5 de agosto de 1954 quando ouviu a cerca de 100 metros o som de tiros. Por pouco não viu o tiroteio da rua Toneleros, o atentado que deu um tiro no pé de Carlos Lacerda, matou o major Rubens Vaz e 19 dias depois disparou a bala fatal do suicídio de Getúlio Vargas. Quatro anos depois trocou a delegacia por um cargo de relações públicas da Light, a empresa americana de energia que se tornaria uma das líderes do IPES e da conspiração. Em 1963, um ano antes do golpe, o ex-comissário José Rubem Fonseca deu aos 38 anos seu primeiro tiro certeiro na literatura: lançou o livro de contos Os prisioneiros com o nome literário de Rubem Fonseca. O festejado autor de Feliz Ano Novo, A grande arte e Bufo & Spallanzani tornou-se nas décadas seguintes o maior contista vivo do país, ganhador em 2003 do Prêmio Camões, uma espécie de Nobel para escritores da língua portuguesa. Outros destaques do GOP no Rio eram os jornalistas Glauco Carneiro e Wilson Figueiredo, este do corpo editorial do Jornal do Brasil. Em São Paulo, o GOP atuava com Geraldo Alonso, dono da Norton Propaganda, e nomes ilustres de O Estado de S.Paulo, como Ênio Pesce e Flávio Galvão. Contava ainda com Jorge Sampaio e Alves de Castro, os dois nomes centrais do Repórter Esso da TV Tupi, o equivalente ao Jornal Nacional de hoje, patrocinado pela Esso do Brasil, membro importante do IPES. Em tempos sem e-mail ou twitter, o GOP se valia da tecnologia da época: enviava milhares de cartas e telegramas e fazia chamadas telefônicas, antecipando em décadas o advento do infame telemarketing. Em novembro de 1962 chegava a três mil nomes a lista de organizações de rádio e TV mobilizadas pelo GOP. Aliado a ele funcionava o GPE, Grupo de Publicações/Editorial, que disseminava material impresso pelo país. Esta campanha de guerra psicológica era tarefa do ex-comissário e contista Rubem Fonseca, que incluía intelectuais respeitados como Augusto Frederico Schmidt, Odylo Costa Filho e Rachel de Queiroz, prima do general Castello Branco, líder do golpe que derrubou Jango. Dez anos antes de Fonseca, a cearense Rachel foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Camões, reconhecimento a uma obra consistente que começou em 1930, aos 20 anos, com O Quinze, romance realista que mostra a luta do povo do sertão nordestino contra a miséria e a fome. Dois anos antes, antecipando seu viés literário, ela formava o primeiro núcleo do Partido Comunista em Fortaleza. Rachel de Queiroz foi presa no golpe do Estado Novo, em 1937, acusada de subversiva, e teve seus livros queimados. Um quarto de século depois, a comunista de Fortaleza era uma intelectual engajada na equipe de propaganda de direita de Rubem Fonseca no IPES. O primo Castello Branco, já ex-presidente, morreu num acidente aéreo em 1967 quando retornava de um passeio à fazenda da prima Rachel. Os propagandistas do GOP atuavam em três frentes: artigos para jornais e revistas, panfletos para circular entre estudantes, militares e operários, e livros que comparavam a democracia com a empresa privada. Em comum, eram todos anticomunistas, antitrabalhistas e antipopulistas. Nomes fortes do mercado editorial, como Saraiva, Cia. Editora Nacional e GRD Editora, colaboravam na publicação da chamada "literatura democrática". Sinal verde Em janeiro de 1963 a demanda por recursos era tão grande que o comando do IPES decidiu aprovar uma contribuição anual padrão de meio por cento do capital de cada sócio. O caixa 2 ou "contabilidade paralela" da entidade já somava US$ 4 milhões. O orçamento oficial do ano anterior estabelecia despesas mensais de 10 milhões de cruzeiros (US$ 300 mil na época, cerca de R$ 580 mil hoje) só no IPES carioca. A projeção do novo ano previa o dobro das despesas. Nesse total não estava incluído o gasto com atividades encobertas e sigilosas. Os valores eram bem mais respeitáveis. A CPI que investigou a ligação do IPES com o IBAD apurou que, nas eleições gerais de outubro de 1962, a ADP do complexo IPES/IBAD injetou algo entre 5 bilhões e 20 bilhões de cruzeiros (em termos atuais, uma fornida soma que varia de 260 milhões a 1 bilhão de reais) para financiar 250 candidatos. Foram eleitos 110. [O embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, bem mais modesto, disse que o valor investido não superara US$ 5 milhões (cerca de 10 milhões de reais hoje). DREIFUSS, op. cit., p. 330.] No Rio Grande do Sul, a aliança de centro-direita da ADP era integrada por PSD, UDN, PL, PDC e PRP. O vitorioso Ildo Meneghetti, um dos oito governadores apoiados pelo IPES/IBAD no país, enfatizou que a indústria e o comércio locais - "sob a égide do IPESUL" - garantiram o resultado das urnas. Dois dos deputados eleitos pelo IPESUL eram Peracchi Barcellos (PSD) e Euclides Triches (PDC), mais tarde nomeados governadores do Rio Grande na safra de eleições indiretas da ditadura. A escolha dos agraciados com o apoio financeiro obedecia a uma regra rígida, quase um contrato de compra e venda. Quem se habilitava a integrar a lista de "democratas convictos e anticomunistas de primeira ordem" passava pelo crivo dos analistas do complexo IPES/IBAD. Mais importante do que a filiação partidária era a orientação das ideias. Cada candidato era compelido a assinar um "ato de compromisso ideológico", pelo qual prometiam lealdade ao IBAD acima da fidelidade ao seu partido, comprometendo-se ainda a lutar contra o comunismo e a defender o investimento estrangeiro. E eram compulsoriamente alistados na ADP liderada por João Mendes [DREIFUSS, op. cit., p. 324]. Mas a mercadoria custava caro. O chefe do GAP (Grupo de Ação Parlamentar) do IPES, o banqueiro Jorge Oscar de Mello Flores, avaliava os candidatos pelo coeficiente eleitoral. De início, ele calculava que cada deputado "custaria" cerca de 6 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 317 mil), mas percebeu que esta seria a conta de nomes da Paraíba e outros Estados menores. O preço aumentava no Ceará e ainda mais na Bahia. "Os candidatos de Rio e São Paulo eram muito mais caros", explicou Mello Flores a Glycon de Paiva, ao avaliar a conta per capita dos deputados no balcão do IPES: 15 milhões de cruzeiros (cotação atual: R$ 792 mil). Paiva recomendava a escolha de "indivíduos de caráter, bons anticomunistas", enquanto Mello Flores imaginava um pacote inicial de 50 deputados [Ibid., p. 328]. O orçamento de um candidato "apagado", isto é, pouco conhecido e de limitada agressividade eleitoral, incluía despesas com equipamento de som, 40 mil cartazes, 600 faixas, fotografias, espaço em jornais, mensagens no rádio e TV, discos de jingle, gasolina, correspondência e pessoal de apoio... Tudo isso ao custo de uns 10 milhões de cruzeiros, o que não era pouca coisa. Dez milhões, que hoje valem R$ 528 mil, equivaliam então à renda diária de 20 mil trabalhadores de salário mínimo [Ibid., nota 243, p. 356]. Outras empresas ligadas ao IPES colaboravam com seus serviços, como no caso das passagens aéreas gratuitas liberadas pela Panair, Cruzeiro do Sul e Varig, que faziam a conspiração voar alto pelo país. Uma única empresa estrangeira, a Deltec, do americano David Beaty III, sócio do IPES, abriu uma "caixinha" de US$ 7 milhões de um fundo originário das ilhas Nassau. O IPES recebeu apoio financeiro de 297 corporações americanas. Passavam o chapéu entre empresas britânicas, suecas, alemãs. A Fundação Konrad Adenauer, órgão do Partido Democrata Cristão alemão, canalizava recursos pelo sólido complexo siderúrgico Mannesmann e pela gigante Mercedes Benz. O general Golbery encarregou-se pessoalmente do contato com o presidente da Mercedes. A presença americana se faria sentir no momento dramático da troca de poder. Na noite de 2 de abril de 1964 em que o senador Auro de Moura Andrade declarou vaga a presidência da República, quando Jango ainda estava em Porto Alegre aguardando a evolução dos acontecimentos, alguns parlamentares golpistas foram ao Planalto. O palácio estava na escuridão, causada por um corte de energia. Eles acompanhavam o ato que reconheceria Ranieri Mazzili, presidente da Câmara, como sucessor de Jango. Quando acenderam os fósforos naquele ambiente, o deputado baiano Luiz Viana Filho (UDN) viu ao seu lado Robert Bentley, o jovem secretário da Embaixada americana em Brasília [VIANA FILHO, Luiz. O governo Castello Branco. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. p. 46]. Dois anos antes, os chefes supremos de Bentley já mostravam intimidade com o tema brasileiro em Washington. O presidente John Kennedy entrou no Salão Oval na segunda-feira, 30 de julho de 1962, e ligou pela primeira vez seu novo brinquedinho, instalado no fim de semana: o sistema secreto de gravação de voz da Casa Branca. A estréia prometia: era uma conversa cabeluda de Kennedy com o seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, pavimentando o caminho para o golpe militar que derrubaria João Goulart dois anos depois. Começava pelo gasto não contabilizado de US$ 8 milhões nas eleições de 1962, adubando secretamente candidatos apoiados pela CIA e simpáticos aos EUA. A conexão do mundo político com os militares golpistas era feita pelo discreto adido militar da embaixada, coronel Vernon Walters, que chegaria a vice-diretor da CIA no auge do Caso Watergate, que derrubou Nixon. A transcrição das fitas mostra, numa frase de Gordon para Kennedy, que o alvo central da conspiração era o próprio Jango: - Para expulsá-lo, se necessário - disse o embaixador, esclarecendo: - O posto da CIA no Brasil deixará claro, discretamente, que não somos necessariamente hostis a qualquer tipo de ação militar, em absoluto, se ficar claro que o motivo da ação militar é... - ... Contra a esquerda - completou o presidente Kennedy, dando o sinal verde para o golpe que aconteceria vinte meses depois. [WEINER, TIM. Legado de Cinzas. Uma história da CIA. Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 219] Rezas e cânticos Na véspera da eleição de 1962, a Promotion de Ivan Hasslocher, líder do IBAD, arrendou o jornal carioca A Noite por 90 dias, ao custo mensal de 2 milhões de cruzeiros (cerca de R$ 100 mil no câmbio atual) para propaganda direta. A revista Repórter Sindical também era operada pela entidade. O órgão oficial do IBAD, Ação Democrática, circulava mensalmente com 250 mil exemplares e textos de gente como o economista Eugênio Gudin e o líder udenista Aliomar Baleeiro. Era gratuita e, ainda assim, não tinha um único anúncio. No início de 1963, um manifesto de 500 profissionais de prestígio, organizados pelo Centro Democrático de Engenheiros, ligado ao IPES, foi publicado no Jornal do Brasil e em O Estado de S.Paulo. Manifestos variados, todos "democráticos", proliferavam na imprensa e eram retransmitidos pela dupla IPES/IBAD. Eles tinham uma agência de notícias, a Planalto, que redistribuía o material a 800 emissoras de rádio e jornais do país. Tudo gratuito, tudo pela pátria, tudo pela democracia. Um milhão de cópias da Cartilha para o Progresso, feita pelo IPES, exaltando os benefícios da Aliança para o Progresso do governo americano, foi encartada como suplemento da Fatos&Fotos, revista de grande circulação da Editora Bloch. Em janeiro de 1963, na Faculdade de Direito de São Paulo, 22 mil pessoas se reuniram durante uma semana para o I Congresso Brasileiro para Reformas de Base, uma resposta da elite econômica ao que se discutia no governo de Jango. Dali nasceram 80 propostas de diretrizes que redefiniam o país no plano político, social e econômico. Mais do que uma proposta para chegar ao poder, era um autêntico programa de governo organizado pelos grupos de estudo do IPES de Rio e São Paulo. Oficialmente promovido pelos jornais Correio da Manhã e Folha de S.Paulo, o congresso teve seus 23 documentos finais publicados pelo Jornal do Brasil. Num país de elevado analfabetismo, os golpistas perceberam a importância do rádio e da nascente televisão. O IPES gastou 10 milhões de cruzeiros para produzir 15 programas de TV para três canais diferentes. Eram entrevistas de questionários preparados pela entidade, com jornalistas de confiança e gente selecionada para responder sobre reforma agrária, custo de vida, democracia. Estavam escaladas neste time algumas personalidades gaúchas como o senador Mem de Sá, os deputados Daniel Faraco, Egydio Michaelsen e Raul Pilla, o prefeito Loureiro da Silva e o arcebispo dom Vicente Scherer. Em 1962, o IBAD operava diariamente mais de 300 programas de rádio no horário nobre das principais cidades do país. A rede de mais de 100 estações ligadas a ele formava a "Cadeia da Democracia", sob o comando do senador João Calmon, dos Diários Associados, que tinha o cuidado de ir ao ar no mesmo horário das transmissões do líder trabalhista Leonel Brizola, que os derrotara um ano antes com a "Cadeia da Legalidade". O maior produtor de filmes comerciais do país, Jean Manzon, foi contratado pelo IPES para produzir filmes como Que é a democracia, Deixem o estudante estudar, Uma economia estrangulada, Criando homens livres. Eram filmetes de 10 minutos, projetados antes do vibrante faroeste exibido nas matinês do interior do país, onde se espalhavam três mil salas de cinema. As cópias ficavam sob guarda de Luiz Severiano Ribeiro, o maior distribuidor e proprietário de salas do Brasil. Quando a platéia não aparecia, o cinema ia até o público. O IPES montou o projeto do "cinema ambulante" em caminhões abertos e ônibus com chassis especiais, que percorriam favelas, bairros populares e cidades distantes. Era um mutirão democrático: a Mesbla fornecia os projetores, a Mercedes Benz emprestava os caminhões e a CAIO montava a carroceria dos ônibus. O IPES jogava seu charme também sobre as mulheres. Custeava, organizava e orientava politicamente as duas organizações femininas mais importantes do país: a Camde, Campanha da Mulher pela Democracia, no Rio de Janeiro, e a UCF, União Cívica Feminina, de São Paulo. O MAF, Movimento de Arregimentação Feminina, na capital paulista, tinha 6 mil filiadas em São Paulo e era presidido por Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, dono de O Estado de S.Paulo e um dos principais patronos do IPES. Com um rosário nas mãos e um afiado discurso anticomunista na língua, as donas de casa foram à luta para mobilizar as esposas de militares, sindicalistas e funcionários públicos. Mais de 50 mil cartas atulharam o correio dos parlamentares no Congresso, em Brasília. A primeira reunião da Camde no Rio realizou-se no auditório de O Globo, que garantia espaço no jornal e na rádio para a agitação das mulheres. E, apesar dos colares de pérolas, dos penteados elegantes e do ar de velhinhas recatadas, elas sabiam agitar. Em janeiro de 1964, ao saber de um iminente congresso da CUT da América Latina em Belo Horizonte, a Limde, Liga da Mulher Democrata, ameaçou invadir o aeroporto da Pampulha e deitar as militantes na pista para impedir a reunião subversiva. O encontro foi transferido para Brasília. Em fevereiro, quando Leonel Brizola passou por lá para defender as reformas, o auditório da Secretaria da Saúde na capital mineira foi invadido por um pelotão de mulheres, com o terço nas mãos, slogans contra o belzebu vermelho e orações para exorcizar o anticristo do PTB. Brizola teve que se calar, diante do tumulto e dos objetos voando pelo salão, num episódio conhecido como a "Noite das Cadeiradas". No comício da Central do Brasil no Rio de Janeiro, em 13 de março, duas semanas antes do golpe, Jango mirou nas mulheres: "Não podem ser levantados os rosários da fé contra o povo, que tem fé numa justiça social mais humana e na dignidade das suas esperanças", discursou, ao lado da mulher, Maria Tereza. O IPES traduziu calculadamente o ato como uma bofetada nas mulheres e em Nossa Senhora. Uma semana depois, 19 de março, a UCF paulista reagiu no dia de São José, santo protetor da família, com uma marcha na Praça da Sé com cerca de 500 mil pessoas, uma multidão cinco vezes maior do que o comício da Central. Eram puxadas pela reza fervorosa do padre americano Patrick Peyton, financiado pelo IPES, e bradavam sua graciosa palavra de ordem: "Vermelho bom, só batom". O sucesso da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", que originalmente deveria se chamar "Desagravo ao Santo Rosário", inflamou o movimento. Marcaram outra, maior ainda, para o Rio de Janeiro em 2 de abril. Mas o general Olympio Mourão Filho sacou primeiro em Juiz de Fora, 48 horas antes da marcha do Rio. E o ato de protesto virou a "Marcha da Vitória": quase um milhão de pessoas, lideradas pelo Camde e pelo IPES, tomaram a av. Rio Branco em transe cívico, pontuado por rezas e cânticos, para saudar a nova ordem vitoriosa e a queda de Jango. "Infame líder" Na medida em que avançava a conspiração, crescia a presença militar sobre a base parlamentar. Era hora de sair do discurso para a prática. O IBAD cede seu lugar de destaque para outra sigla - a ESG, da Escola Superior de Guerra, de onde provinha o núcleo fardado do golpe. O novo complexo IPES/ESG alinhava 330 oficiais, de majores a generais de Exército, fazendo a ligação do mundo empresarial com os quartéis. Sempre sob a liderança de Golbery, lá estavam nomes que, mais tarde, fariam parte do poder revolucionário, como ministros ou até presidentes. Orlando Geisel, Mário Andreazza e Walter Pires formulavam planos com Castello Branco, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Um grupo que Dreifuss nomeia como "Extremistas de Direita" tem como destaque o coronel (depois brigadeiro) João Paulo Moreira Burnier, veterano da fracassada revolta de Aragarças no Governo JK. São definidos como fanáticos anticomunistas e a favor da modernização industrial conservadora. Curiosamente, o grupo era mais ligado ao jornalista Júlio de Mesquita Neto, expoente da "linha dura" paulista que pregava uma forte mensagem anticorrupção e contra a esquerda. Com Mesquita estavam seu irmão Ruy e os deputados Roberto Abreu Sodré e Paulo Egydio Martins, depois governadores indicados pelos quartéis em São Paulo. Foi Burnier quem montou o plano de proteção ao Palácio Guanabara do governador Carlos Lacerda, no dia do golpe, onde se refugiaram figuras como o homem de TV Flávio Cavalcanti e o jornalista Hélio Fernandes, diretor do jornal lacerdista Tribuna da Imprensa. No início de 1962 oficiais das Forças Armadas, falando em nome de um trio histórico de conspiradores - o marechal Denys, o almirante Heck e o brigadeiro Grun Moss -, foram a São Paulo para um encontro com Júlio Mesquita Filho, a quem entregaram um documento sobre as normas que iriam orientar o governo militar após a queda de Jango. O grupo, integrado pelos generais Cordeiro de Farias e Orlando Geisel, foi mais explícito com o dono do Estadão: o regime discricionário teria de ficar no poder por pelo menos cinco anos. Animado com a conversa, Mesquita chegou ao ponto de sugerir oito nomes para o futuro ministério revolucionário, incluindo entre eles Mem de Sá, Roberto Campos, Dario de Almeida Magalhães e Milton Campos. Todos os quatro chegaram lá. Com o jurista Vicente Rao, advogado da mineradora americana Hanna, Mesquita chegou a fazer o rascunho de um Ato Institucional para fechar Senado, Câmara e Assembléias e cassar mandatos - o mesmo instrumento de força que a ditadura anos depois faria seu jornal engolir com o AI-5, na forma de versos e receita de bolo [STACCHINI, José. Março 64: a mobilização da audácia. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1965]. "Até ali [o AI-5], nós vínhamos divergindo em caso e número, mas não em gênero, porque sabíamos que o processo tinha que ser aquele, achávamos que devia ser aquele", reconheceria anos depois Ruy Mesquita, irmão de Júlio e também diretor de O Estado de S. Paulo [VENTURA, Zuenir, 1968: o ano que não terminou. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988]. A velocidade da conspiração dava maior desenvoltura e ousadia aos golpistas. Em abril de 1963 o comando do complexo IPES/IBAD enviou um convite aberto para uma reunião pública no estádio do Pacaembu. Cerca de 400 figuras importantes do movimento anti-Jango estavam lá. Uma outra reunião, mais reduzida, aconteceu horas depois no apartamento de Júlio Mesquita Filho, encarregado de coordenar o apoio aos ativistas através da mídia. No final de junho, o encontro no estádio evoluiu para um comício, conhecido como "Convenção do Pacaembu". Levaram sindicalistas e estudantes de onze Estados, com uma platéia de quase 4 mil pessoas, todos conspiradores. Entre os líderes maiores, lá estavam os governadores Carlos Lacerda (Rio) e Adhemar de Barros (SP). A festa acabou produzindo um efeito decisivo sobre os militares, que se viram abertamente apoiados pelo que imaginavam ser um bloco de trabalhadores, estudantes e classe média. Era o povo, enfim, que lhes faltara no fiasco golpista de 1961. No Rio Grande do Sul, quartel-general da maior concentração de tropas do Exército brasileiro e foco principal da resistência de Brizola na "Campanha da Legalidade", dois terços da oficialidade já estavam engajados na rebelião. O deputado Peracchi Barcelos (PSD), coronel da Brigada Militar eleito pela lista do IPESUL, tratava de sublevar a força pública do Estado. O general da reserva Armando Cattani organizava grandes fazendeiros no interior em unidades paramilitares que seriam acionadas na hora precisa. Tudo sob as bênçãos do governador Ildo Meneghetti, membro ilustre da lista vitoriosa do complexo IPES/IBAD. Na dura expressão de René Dreifuss, "o IPES conseguiu estabelecer um sincronizado assalto à opinião pública" pela relação especial com os principais veículos da mídia nacional. Um de seus alvos centrais era Assis Chateaubriand - o dono dos Diários Associados, então a maior cadeia de imprensa do país, era mais poderoso que o Roberto Marinho do Sistema Globo que floresceu depois do golpe. No início da década de 50, Chateaubriand foi citado pelo The New York Times como o Cidadão Kane brasileiro, versão tupiniquim do magnata americano William Randolph Hearst, que inspirou o filme clássico de Orson Welles e carimbou na primeira metade do século 20 a chamada "imprensa marrom", formada por veículos sensacionalistas e de baixo padrão ético. O americano não era páreo para o brasileiro. Diante dos 28 jornais e 18 revistas de Hearst, Chateubriand ostentava um rosário midiático de 34 jornais, 36 emissoras de rádio e 18 de TV integrantes da rede Tupi, a revista O Cruzeiro (a maior tiragem do país, 700 mil exemplares no auge dos anos 50, a mesma do lançamento de Veja duas décadas depois, em 1968), uma revista mensal (A Cigarra), uma agência de notícias e várias revistas infantis. [Veja penou até se consolidar. A tiragem caiu para 500 mil na segunda semana, 300 mil na terceira, 150 mil na quarta, 100 mil na quinta. Durante 20 semanas, a revista não vendeu mais que 16 mil exemplares. Em 1972, a redação de São Paulo, sede da revista, tinha definhado de 46 para 10 repórteres. Apesar da censura prévia, Veja encontrou o tom para revelar os bastidores do regime militar. Acabou o ano superando a marca dos 100 mil exemplares, uma escalada de vendas que nunca mais parou. ALMEIDA, Maria Fernanda Lopes. Veja sob censura: 1968-1976. São Paulo: Jaboticaba, 2009. p. 39-51.] Esperto e inimigo mortal de comunistas, Chateaubriand cravou seu diretor-geral, Edmundo Monteiro, num dos postos de comando do IPES carioca. Outro prócer da mídia, Octávio Frias, dono da Folha de S.Paulo, ingressou no IPES paulista. O empresário Herbert Levy, que mantinha os filhos operando dentro da conspiração, lançou o jornal Notícias Populares para conquistar o público de baixa renda. A coluna política "Seção Livre", assinada por Pedro Dantas (pseudônimo de Prudente de Morais Neto), era publicada em O Estado de S.Paulo seguindo a cartilha ideológica do IPES. A escritora Nélida Piñon, secretária do IPES do Rio, ajudava também nos esforços de propaganda contra o governo. A derrocada de Jango explodiu, com euforia, nos editoriais da grande imprensa: ** "Multidões em júbilo na Praça da Liberdade. Ovacionados o governador do Estado e os chefes militares. O ponto culminante das comemorações que ontem fizeram em Belo Horizonte, pela vitória do movimento pela paz e pela democracia, foi, sem dúvida, a concentração popular defronte ao Palácio da Liberdade", comemorou o Estado de Minas. ** "Desde ontem se instalou no país a verdadeira legalidade... A legalidade está conosco e não com o caudilho aliado dos comunistas... Aqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida, na desordem social e na corrupção generalizada", atacou o Jornal do Brasil. ** "Vive a nação dias gloriosos. Porque souberam se unir todos os patriotas [...] para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, o Brasil livrou-se do governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para os rumos contrários à sua vocação e tradições... Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegem de seus inimigos", agradeceu O Globo. ** "Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr. João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comunos-carreiristas-negocistas-sindicalistas. Um dos maiores gatunos que a história brasileira já registrou, o Sr. João Goulart passa outra vez à história, agora também como um dos grandes covardes que ela já conheceu", tripudiou a Tribuna da Imprensa. Sem autocrítica O apoio da mídia a 1964 foi quase unânime no país, até por suas ligações ideológicas e operacionais com os mentores do complexo IPES/IBAD. Com exceção da Última Hora de Samuel Wainer, fiel até o fim a Jango e ao PTB que financiou seu jornal, todos os grandes veículos foram ostensivamente partidários do golpe, antes e depois. Pelo menos até a ruptura violenta do AI-5, que transformou velhos companheiros da conspiração em vítimas da truculência da ditadura. Em alguns casos, mais do que apoio da mídia, houve adesão ao novo regime, chegando ao extremo da colaboração. Essa tese explosiva, que remete ao abjeto colaboracionismo do governo títere de Vichy com as tropas de ocupação de Hitler na França, é levantada pela pesquisadora Beatriz Kushnir, autora de um trabalho inquietante, pouco comentado na mídia, publicado pela Boitempo Editorial em 2004: Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988. Trabalhando em cima do arquivo do Departamento de Censura e Diversões Públicas do regime e do material da Academia Nacional de Polícia, que treinava os censores, Kushnir avançou uma grave conclusão: "A maioria da grande imprensa colaborou com o regime. Quando digo "colaborou", quero dizer que foi mais que um pacto. Eles se engajaram mesmo". [KUSHNIR, Beatriz. A estreita união entre imprensa e ditadura. Portal Vermelho, entrevista a André Cintra, em 22 abr. 2009. Disponível aqui. Acesso em: 10 jul. 2009] Ela explica melhor o título de seu livro: "Os jornalistas e donos de jornal, ao apoiar os governos militares naquele momento, optaram por estar ao lado do poder, se tornaram tanto agentes como vítimas dessa autocensura. Permanecer no palco das decisões era mais importante que a busca e a publicação da verdade. Por isso, esses jornalistas colaboracionistas são aqui vistos como cães de guarda" [KUSHNIR, Beatriz. Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988. São Paulo: Boitempo, 2004, p. 48]. Dos anos 50 até a Constituição de 1988, ela apurou, o Brasil teve 220 censores, com a missão de percorrer todo o país para checar jornais, revistas, as artes e a propaganda. Havia jornais, diz Kushnir, que declaradamente optaram por uma posição cínica, defendendo nos anos 70 uma "censura inteligente", feita por profissionais política e intelectualmente mais bem preparados. Era o tempo da censura transmitida por telefones e bilhetinhos, apócrifos, já que nenhuma lei autorizava a violência. A origem dos recados, o Serviço de Informação do Gabinete (Sigab) do Ministro da Justiça, bastava para impor a ordem. Sem a autocensura, a alternativa era a censura prévia. Assustados com a zoeira anticomunista, setores da sociedade cobravam do governo mais rigor no controle da mídia. Em 1972, um certo "Movimento de Recuperação da Juventude Brasileira" enviou ao Ministério da Educação um apelo para endurecer a censura. A divisão de segurança do MEC repassou a proposta à Polícia Federal. Para demonstrar sua tese da colaboração, a pesquisadora usa o exemplo da Folha de S.Paulo. O jornal de 1962 que tinha o editor Octávio Frias de Oliveira como membro militante do IPES e da conspiração é o mesmo jornal de 2009 que tem o editor Octávio Frias Filho pilotando um editorial onde a ditadura de 64 ganhava o honroso neologismo de "ditabranda". O objeto de estudo de Kushnir é um diário do Grupo Frias, a Folha da Tarde, que mudou de lado dramaticamente com a edição do AI-5. Até 1968 era um jornal de esquerda, mais inquieto, que concorria diretamente com o irmão mais novo do Estadão, o Jornal da Tarde. No comando da redação estava um jornalista egresso da Última Hora janguista, Jorge Miranda Jordão, que tinha sob seu comando alguns jornalistas ligados à Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo da luta armada liderada por Carlos Marighella. O advento do AI-5 deixou o ar irrespirável, como advertia a previsão do JB. Houve uma limpeza na redação e, a partir de julho de 1969, a Folha da Tarde converteu-se num diário que o jornalista Cláudio Abramo resumiu numa palavra: "Sórdido". Os antigos militantes de esquerda foram substituídos por policiais que escreviam, mantendo até o duplo emprego entre redação e repressão. Frias botou no lugar de Jordão um jornalista especializado em cobertura policial, Antônio Aggio Jr. "Ele veio de Santos e trouxe dois companheiros, um deles com forte influência nas forças de repressão", diz Kushnir. Um redator da editoria de "Mundo" cumpria dupla jornada: trabalhava à tarde no jornal e, de manhã, no DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), comandado pelo delegado Sérgio Fleury, o mais ilustre nome da máquina de tortura brasileira. "Muitos jornalistas andavam armados na redação. O Aggio mesmo circulava com uma maleta em forma de violino. Era uma carabina turca", acusa Kushnir. (Ela está sendo processada na Justiça por estas denúncias, que Aggio rebate.) Por tudo isso, a Folha da Tarde paulista era conhecida como "o jornal de maior tiragem" - uma piada lúgubre sobre a taxa de "tiras" (policiais) que infestavam sua redação, também conhecida como "delegacia". Com acesso privilegiado ao poder, o jornal sabia antes dos outros sobre o que acontecia nos porões da ditadura. Kushnir lembra que os militantes da esquerda presos pela ditadura morriam antes nas páginas do jornal: em 17 de abril de 1971, a Folha da Tarde anunciou em primeira mão o fim do matador do industrial dinamarquês Henning Albert Boilesen, 55 anos, naturalizado brasileiro e alto executivo do Grupo Ultra. "Morto o assassino do industrial Boilesen", dizia a manchete, horas antes do metalúrgico Joaquim Alencar de Seixas, codinome Roque, aparecer morto nas celas do DOI-CODI do II Exército. Como a maioria da grande imprensa, diz Kushnir, o jornal de Frias engolia a versão policial de que Roque morrera vítima de uma troca de tiros na rua. Na ótica da guerrilha, Boilesen fora "justiçado", como financiador do aparato repressivo reunido em torno da OBAN (Operação Bandeirante) que integrava militares e o DOPS no combate à guerrilha. Ele foi morto em 15 de abril em seu Ford Galaxie, numa rua de São Paulo, por guerrilheiros de dois grupos de esquerda - a Aliança Libertadora Nacional (ALN) de Carlos Marighella e o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Era um ilustre membro do IPES que construiu o golpe, nos dez anos anteriores. Além disso, era alto dirigente do Ultra, um dos maiores grupos petroquímicos do país (faturamento em 2006 de R$ 5 bilhões e lucro de R$ 230 milhões), com destaque para a Ultragas, líder na distribuição de gás de cozinha e presidida por Boilesen. No início da década de 60, Pery, o filho do fundador do Grupo Ultra, Ernesto Igel, aproximou-se de duas figuras fundamentais para seus negócios petroquímicos: Hélio Beltrão e Ernesto Geisel, nomes influentes do IPES e da conspiração. "Pery Igel era intuitivo, arrojado", lembrava o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, presidente do grupo Monteiro Aranha, que testemunhou seu entusiasmo pela nova ordem militar. Igel deu todo o gás ao golpe. Uma de suas empresas, a Supergel, abastecia os órgãos da repressão com marmitas de comida congelada, e a Ultragas de Boilesen, suspeita-se, teria emprestado caminhões de sua frota a órgãos de segurança [CASTANHEIRA, Joaquim. A química de Paulo Cunha. Istoé Dinheiro, São Paulo, 8 nov. 2006]. Por pouco Igel não teve a mesma sorte de seu executivo Boilesen, que segundo a lenda tinha como distração visitar os porões da OBAN para ver os torturadores em ação. Em abril de 2009, Carlos Eugênio Paz, o chefe do GTA (Grupo Tático Armado) da ALN, a temida ala militar da organização de Marighella, confirmou: "A ALN tinha conhecimento de vários financiadores da OBAN. Entre eles estavam o sr. Frias, presidente do Grupo Folha, o presidente da Ultragas, Henning Albert Boilesen, o presidente do Grupo Ultra, Pery Igel, o presidente do Bradesco, Amador Aguiar, e o presidente da FIESP, Theobaldo de Nigris, que cedia a sede da Federação das Indústrias de São Paulo para reuniões de arrecadação de fundos. Havia provas cabais e contundentes". [PAZ, Carlos Eugênio. Entrevista a Rodrigo Vianna. O Escrevinhador. 17 abr. 2009. Disponível aqui. Acesso em: 19 set. 2009] Era comum, também, a versão sobre a colaboração material que o Grupo Folha dava à repressão naqueles tempos irrespiráveis. As peruas Chevrolet C-14, da frota que transportava jornais para as bancas, muitas vezes foram usadas para levar ou trazer gente torturada na OBAN. Paz, o chefe do GTA, reforça: "A ALN queimou vários carros da Folha como represália à participação do Grupo Folha no financiamento da repressão e ao uso de seus carros na repressão direta. Ao fazer isso, atuando na guerra, o Grupo Folha era passível de sofrer as sanções e as represálias da guerra. O Grupo Folha apoiou o golpe de estado, financiou, participou diretamente da repressão e jamais fez autocrítica disso" [Ibid. Acesso em: 7 abr. 2009]. Hostilidade previsível Em 18 de abril de 2009, Beatriz Kushnir lembrava alguns desses detalhes constrangedores no Memorial da Resistência em São Paulo, num auditório com 150 pessoas ali reunidas para debater o papel da mídia na democracia e na ditadura. Dez presentes da platéia pediram a palavra, três reafirmaram ter sido conduzidas aos centros de tortura em peruas do Grupo Folha. Rui Veiga, jornalista e ex-preso político, fez uma acusação ainda mais grave: "Um repórter da Folha acompanhou meu transporte da OBAN até o DOPS e me aconselhou a não esconder nada, a colaborar com o regime", denunciou. No Rio Grande do Sul, nunca se soube de tal envolvimento material. Mas sobraram conivência e complacência da imprensa gaúcha com o golpe, antes e depois de 1964. A razão é simples. O alinhamento dos jornais com a conspiração e com o regime militar era natural. O Diário de Notícias, de Chateaubriand, tinha orientação do dono para bater no governo e apoiar a oposição empresarial e militar. Zero Hora já nasceu depurada e lavada ideologicamente em 4 de maio de 1964, um mês e quatro dias depois do levantamento militar do general Olympio Mourão. Herdou as máquinas e a antiga sede na rua Sete de Setembro, no centro de Porto Alegre, do jornal Última Hora, mas livrou-se rapidamente do logotipo, da cara e da comprometedora fidelidade ideológica de seu antecessor nas bancas e de seu dono no expediente, Samuel Wainer. Amigo pessoal de Getúlio Vargas e ex-repórter do conspirador Chateaubriand, Wainer arrumou dinheiro do Banco do Brasil, na volta do getulismo ao poder, e fundou em 1955 a edição da Última Hora no Rio de Janeiro. Tinha um nobre propósito, segundo seu fundador: "Romper com a formação oligárquica da imprensa brasileira e dar início a um tipo de imprensa popular e independente". O jornal conquistou novos leitores na área trabalhista e sindical e cresceu. Em 1961, quando Jango chegava ao poder e o IPES nascia para derrubá-lo, a UH de Wainer era uma vibrante, crescente e ágil rede nacional diária que, além de Rio e São Paulo, já publicava edições simultâneas em outros nove centros importantes do país - Belo Horizonte, Recife, Niterói, Curitiba, Campinas, Santos, Bauru, a emergente região sindical do ABC paulista (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano) e, finalmente, Porto Alegre. Na capital do Rio Grande do Sul, berço de Getúlio, Jango e Brizola e centro da resistência mais forte ao golpe, circulava a edição mais jacobina da rede de jornais de Samuel Wainer [BARROS, Jefferson. Golpe mata jornal. Desafios de um tablóide popular numa sociedade conservadora. Porto Alegre: JÁ, 1999. p. 156]. Era natural, portanto, que herdasse também todos os inimigos e a santa ira da nova ordem militar. A UH de Porto Alegre sentiu o golpe, literalmente. Tentou manter a linha editorial e o sonho de uma resistência de Jango ao levante militar até o dia 5 de abril. Resfolegou numa impossível neutralidade por mais três semanas e, afinal, sucumbiu em 25 de abril do ano da graça de 1964. O diretor da edição gaúcha, Ary de Carvalho, ainda procurou manter a equipe, a marca e a estrutura do velho jornal. Viajou ao Rio, para uma conversa de negócios com Wainer, então exilado na Embaixada do México. Carvalho fez a proposta, e Wainer topou vender as máquinas de escrever, as oito máquinas fotográficas, as quatro lambretas, os dois carros e o arquivo de fotos - mas não aceitou vender o título do jornal [Morre o jornalista e empresário Ary de Carvalho. O Dia, Rio de Janeiro, 4 jul. 2003]. Wainer mandou fechar o jornal. Com outros três empresários, Carvalho comprou máquinas e equipamentos da redação, segurou alguns membros da equipe e tratou de fundar um novo diário em maio de 1964. Pediu ao chefe da diagramação, o argentino de nascimento Aníbal Bendatti, uma logomarca para o novo jornal - "parecida, mas diferente da Última Hora" [BARROS, op. cit., p. 158]. Bendatti datilografou a palavra Zero Hora, ampliou os tipos da máquina de escrever, livrou o título antigo do retângulo e cravou a nova marca num quadrado comportado. Preservou apenas o azul dos velhos tempos na cara do diário que já nascia simpático ao regime de 1964. A simpatia dos conspiradores foi ainda maior. Ary de Carvalho trazia ligações de família decisivas desde Birigui, cidade do interior paulista onde se iniciou em 1926 a carreira de sucesso de um antigo office-boy de uma agência local do Banco Noroeste chamado Amador Aguiar. Décadas depois, Aguiar tinha um emprego novo e o seu próprio banco, o Bradesco, ambos engajados de corpo e alma no projeto golpista do IPES. Nada mais natural, assim, do que ajudar o velho amigo de um jornal que já nascia amigo dos vitoriosos de abril de 64. Com o dinheiro do Bradesco, Carvalho livrou-se dos antigos sócios e cresceu. Ganhou anos depois um novo parceiro, o radialista Maurício Sirotski, que em 1962 criara a TV Gaúcha, então filiada à Rede Excelsior. Juntos compraram em Chicago, EUA, a moderna máquina de impressão em off set que tornou a Zero Hora o segundo jornal do país a adotar a novidade (o primeiro tinha sido a Folha de S.Paulo de Frias). O esforço fez o jornal cambalear financeiramente, e, em abril de 1970, seis anos após o golpe, Carvalho vendeu as ações que tinha ao sócio e retirou-se para o Rio de Janeiro. Sirotski, agora o único dono de Zero Hora, fizera em 1965 um movimento tático decisivo: trocou a Excelsior pela Globo de Roberto Marinho, a organização jornalística que mais cresceria sob a ditadura. No vácuo deste sucesso nasceu, cresceu e apareceu a RBS, a Rede Brasil-Sul de Sirotski, hoje o grupo de mídia mais poderoso do sul do país, nascido dos escombros da Última Hora esmagada pelos tanques de 64. Até aparecer a RBS, a empresa jornalística mais influente e rica do Rio Grande do Sul era a Caldas Júnior, que editava o jornal mais importante do Estado, o Correio do Povo, operava a rádio mais ouvida, a Guaíba, e mantinha um vespertino de larga penetração, a Folha da Tarde. Atravessou sem sobressaltos a turbulência de 1964 porque era uma empresa conservadora, mantida sob o rígido controle de seu dono, Breno Caldas. Tinha apenas 25 anos quando assumiu o jornal, em 1935. O pai, fundador do Correio do Povo meio século antes, morrera prematuramente aos 45 anos, em 1913, mergulhando a empresa numa crise financeira que durou até a chegada de Breno Caldas. Breno Caldas cultivava uma previsível hostilidade contra as reformas de base de João Goulart e antipatia ainda maior contra o cunhado do presidente, Leonel Brizola - que na crise de 1961 requisitou a sua rádio Guaíba para montar em torno dela a "Rede da Legalidade" que brecou o golpe militar e garantiu a posse de Jango. Nota discreta Nos idos de 1962, o líder do IPES carioca José Luiz Moreira de Souza, dono da Denison Propaganda, viajou a Porto Alegre para botar a Caldas Júnior no balaio da conspiração. Ganhou as graças de Arlindo Pasqualini, irmão de Alberto, ideólogo do trabalhismo que o IPES combatia. Arlindo, diretor da Folha da Tarde e o sucessor natural do dono da empresa, Breno Caldas, recebeu a missão de produzir uma série de artigos contra Leonel Brizola, que já não tinha a simpatia da casa desde a Campanha da Legalidade do ano anterior [DREIFUSS, op.cit., p. 233]. A animosidade cresceu no governo Jango. Brizola pegou gosto pelo microfone e batia regularmente em Breno Caldas às sextas-feiras, no seu programa noturno na rádio Farroupilha, que curiosamente fazia parte da rede dos Diários Associados do golpista Chateaubriand. O ex-governador adotava um tom coloquial e direto ao falar na rádio: "Dr. Breno, eu sei que o senhor está me ouvindo aí no seu iate ancorado no Guaíba...". A chicotada vinha em seguida: "O Correio do Povo, que já foi jornal do povo, hoje não é. Agora é um órgão da oligarquia, dos monopólios, dos trustes internacionais...", batia Brizola [PINHEIRO MACHADO, José Antônio. Breno Caldas. Meio século de Correio do Povo. Glória e agonia de um grande jornal. Porto Alegre: L&PM, 1987, p. 72]. A resposta vinha na primeira página da Folha da Tarde, nos artigos assinados por seu diretor, Arlindo Pasqualini, o homem do IPES dentro da Caldas Júnior. Como bom fazendeiro e criador de cavalos, Breno tinha afinidades campeiras com Jango, a quem chamava por "tu", expressão de intimidade entre gaúchos. (Para manter a distância, Breno sempre tratava Brizola pelo cerimonioso "doutor"). Quando o golpe aconteceu, acabaram as cerimônias. No editorial da primeira edição do jornal, no longínquo 1° de outubro de 1895, Caldas Jr. tinha definido um lema e uma linha para o jornal que se tornaria centenário: "Independente, nobre e forte - procurará sempre sê-lo o Correio do Povo, que não é órgão de nenhuma facção partidária, que não se escraviza a cogitações de ordem subalterna." Nos primeiros editoriais após o golpe de 1964, o jornal abandonou sua histórica divisa, aderiu à facção vitoriosa e adotou uma postura subalterna à nova ordem militar. E escancarou seu apoio em editoriais didáticos para explicar por que os revolucionários de 31 de março estavam certos: "Aquele era o único caminho para salvar o Brasil", dizia o jornal que se anunciava independente, nobre e forte, fazendo coro com a grande imprensa golpista do centro do país [GALVANI, Walter. Um século de poder: os bastidores da Caldas Júnior. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1995, p. 411]. Falando, Breno Caldas tentava matizar o que era mais explícito nos editoriais. Em 1987, dois anos antes de morrer, em entrevista ao jornalista José Antônio Pinheiro Machado, ele reconhecia: "A Revolução de 1964, de certo modo, contou com a nossa participação, ou pelo menos com a nossa simpatia. O pessoal que foi ao poder em 1964... não é que fosse ligado a nós - não tínhamos ligações políticas com ninguém -, mas eram pessoas afinadas conosco, estávamos no mesmo caminho. Quando houve a tal conspiração do Castello Branco, eu não sabia de nada oficialmente. Até que o general Adalberto Pereira dos Santos, que comandou o movimento por aqui, fez um contato comigo, me disse que a situação era crítica, que iria acontecer alguma coisa. "Fique atento a uma manifestação do general Castello Branco", me disse ele" [PINHEIRO MACHADO, op.cit., p.78]. A intimidade de Breno Caldas com o regime militar tinha uma explicação cavalar. Dono do Haras do Arado, um dos mais qualificados do Estado, nas redondezas de Porto Alegre, Breno ganhou fama como renomado criador de cavalos puro-sangue inglês de corrida, entre eles Estensoro, o maior campeão da história do turfe gaúcho. O general Costa e Silva, primeiro ministro do Exército da ditadura e sucessor de Castello Branco na presidência, adorava corridas de cavalo - e sempre conversava com Breno sobre o assunto. Quando o filho de Breno, Francisco Antônio, prestou o serviço militar, foi requisitado por Costa e Silva, então comandante da III Região Militar de Porto Alegre, para ser seu motorista particular. "A idéia do Costa e Silva não era se aproximar do Correio do Povo, mas sim ter por perto alguém ligado ao turfe!...", desconfiava Breno, orgulhoso porque o filho era um soldado raso que almoçava na mesa generosa do poderoso general e de sua mulher, dona Yolanda Costa e Silva. O chefe do Estado-Maior do III Exército, na época, era outro amante de cavalos: o general Emílio Garrastazú Médici, futuro comandante da tropa no sul e sucessor de Costa e Silva no Planalto. Estas eqüinas relações de amizade não ajudaram Breno Caldas a evitar os arreios da censura. Em 1972, quatro anos após a edição do AI-5, O Estado de S.Paulo que ajudara a montar o golpe vivia sob forte censura, que o obrigava a cobrir os espaços em branco com versos de Camões. O regime não permitia a exposição da censura e disparava cortes por telefones ou bilhetinhos, sem assinatura, ordens atribuídas ao ministro Alfredo Buzaid, da Justiça. Em 19 de setembro de 1972, a redação do Estadão recebeu outro papelucho proibindo "a publicação de notícias, comentários, entrevistas ou críticas de qualquer natureza sobre a abertura política ou democratização, ou assuntos correlatos, anistia a cassados ou revisão parcial dos seus processos, críticas ou comentários ou editorais desfavoráveis sobre a situação econômico-financeira ou problema sucessório e suas implicações". Apenas isso, nada além disso. O diretor do Estadão, Ruy Mesquita, perdeu a paciência com os velhos companheiros de conspiração de 1964 e disparou um telegrama violento para Buzaid: "Sr. Ministro, ao tomar conhecimento dessas ordens emanadas de V.Excia., o meu sentimento foi de profunda humilhação e vergonha. Senti vergonha pelo Brasil, degradado à condição de uma república de Uganda qualquer por um governo que acaba, de forma incrível, de decretar o ostracismo dos próprios companheiros de Revolução, que ocuparam ontem os cargos em que se encontram hoje, e não cogitam cinco minutos do julgamento da História. O senhor, Ministro, deixará de sê-lo um dia. Todos os que estão hoje, no poder, dele baixarão um dia, e, então, Sr. Ministro, como aconteceu na Alemanha, na Itália ou na Rússia, o Brasil ficará sabendo a verdadeira história deste período, em que abandonaram os rumos traçados pelo seu maior líder, marechal Castello Branco". O petardo de Mesquita foi lido da tribuna do Senado pelo líder da oposição, o senador Franco Montoro, do MDB paulista. Foi contestado pelo líder governista, o senador Filinto Müller, ex-chefe de polícia da ditadura do Estado Novo getulista: "Não há nenhum ato ou documento do Ministério da Justiça disciplinando as matérias publicáveis nos jornais do país", mentiu o líder da ARENA, alegando que notícias de censura eram "campanha organizada para perturbar a vida pública brasileira". O Correio do Povo queria publicar esta notícia, com a denúncia da oposição e a mentira do governo, numa nota discreta na página 8, em duas colunas enxutas na edição festiva de 20 de setembro, data de mais um aniversário da Revolução Farroupilha. A Revolução de 64 sacou primeira. Cautela exagerada Na véspera do feriado dos farrapos, na tarde de terça-feira, 19 de setembro, adentrou a redação do Correio do Povo um jovem de cabelos compridos e encaracolados, grossas costeletas emoldurando um par de óculos grande e de armação pesada, que contrastava com o sorriso simpático. Poderia ser um freqüentador retardatário do festival hippie de Woodstock, não fosse o traje de sempre, terno escuro e gravata, e a mensagem habitual da censura. Roque Gilberto Chedid desviou-se ao final do curso de Direito para a rotina torta da Delegacia de Censura da Polícia Federal no sul. Ele só se materializava pessoalmente em graves ocasiões. Preferia sempre se manifestar pelo telefone, mais discreto e imperceptível. Sua voz, educada e um tanto constrangida, atingia a Zero Hora pelo ouvido sensível de Lauro Schirmer, diretor de redação entre 1970 e 1990, a quem cabia ouvir as ordens inoportunas e castradoras da ditadura. O jornalista Elmar Bones da Costa, gaúcho de Santana do Livramento, lembra bem de Chedid. De volta a Porto Alegre em 1972 após uma passagem por Veja em São Paulo, ele acabava de assumir a chefia de redação da Folha da Manhã, o jornal mais novo e rebelde da pacata Caldas Júnior. O ex-motorista de Costa e Silva, Francisco Antônio, filho de Breno, tentava uma última cartada para salvar o jornal, que agonizava com uma rala redação de duas dezenas de jornalistas e uma tiragem minguada de sete mil jornais. Junto com Elmar vinha da capital paulista um respeitado repórter da revista Realidade, José Antônio Severo, gaúcho de Caçapava do Sul, que assumiria a direção da Folha da Manhã em sua fase mais brilhante. Conta Elmar [depoimento ao autor em 3 set. 2009]: Havíamos decidido também não aceitar censura por telefone. Nos primeiros meses não houve problema, não tivemos notícia do censor. No final de 1972, talvez por causa do embate pela sucessão do general Médici, a censura recrudesceu. Um dia fui comunicado pela direção que um agente da Polícia Federal viria à redação com orientação sobre assuntos que não deveriam ser noticiados. Apresentou-se, então, um jovem estudante de Direito, simpático, compreensivo, um tanto sem jeito. Chamava-se Roque Chedid. Disse que cumpria ordens e revelou total inexperiência no assunto. Expliquei que, por princípio profissional, eu era contra qualquer censura, mas que era empregado e a orientação da empresa era acatar as determinações. Falei da nossa orientação de não aceitar censura por telefone, até para evitar trotes, e ele concordou. Ele disse que não iria interferir na redação, nem ler matérias, nem nada. Viria apenas quando houvesse algum assunto proibido. E passou a comparecer periodicamente. Uma ou duas vezes por semana ele aparecia. Não trazia ordens escritas, nem determinações detalhadas. Puxava um papelzinho do bolso e lia o que estava anotado, geralmente apenas o tema a ser suprimido. Por exemplo: "Protestos e manifestações de rua no Rio e em São Paulo". "Movimento de guerrilha no Araguaia". Muitas vezes, era ele que nos trazia a notícia, uma vez que a censura exercida na origem junto às agências de notícias que nos abasteciam com o noticiário nacional já suprimia os tais assuntos proibidos. Ele também não sabia direito do que se tratava. Lia o que estava anotado no papel. Um dia, ele apareceu para proibir qualquer notícia sobre o incidente daquela manhã no Rio de Janeiro. Ninguém sabia do que se tratava. Chedid contou que eram os protestos pela presença na cidade do secretário de Estado de Nixon, William Rogers. Chedid nem sabia ao certo quem era. "É a visita do Rogers, Rogers..." Não conseguia lembrar do primeiro nome do visitante. Alguém da redação ajudou: "Ah, o Roy Rogers?". Ele agradeceu: "É, isso mesmo, o Roy Rogers", respondeu, sem atentar para a diferença entre o secretário americano e o velho herói dos filmes de faroeste. Assim era a nossa censura. Como a minha mesa ficava no fundo, ele tinha que atravessar toda a redação e muitas vezes, quando o pessoal estava de bom humor, era saudado com uma salva de palmas quando se retirava. Ele saía ruborizado, constrangido. De repente, assim como veio, Roque Chedid desapareceu. Nunca mais o vi. Há uns dois anos li uma notícia na Zero Hora sobre sua aposentadoria como desembargador ou algo assim. A nota de poucas linhas não mencionava a sua experiência como censor. Naquela terça-feira de setembro de 1972, a grave missão de Chedid exigia sua presença na redação do Correio do Povo. Exasperado como Ruy Mesquita, Breno Caldas reagiu à proibição para publicar o telegrama do diretor do Estadão. Ele engrossou a voz e pediu a ordem de censura por escrito. Chedid insistiu com o recado verbal, mas não adiantou. Breno saiu do jornal à noite, deixando uma determinação clara ao chefe de redação, Adail Borges Fortes: - Se não vier a ordem escrita, vamos publicar! O impensável iria acontecer. O provecto e conservador Correio do Povo batendo de frente com o regime militar. Chedid alertou o comando gaúcho da Polícia Federal, que repassou a notícia espantosa a Brasília. E o governo do general Médici, que tinha o gaúcho Carlos Fehlberg como seu secretário de imprensa, deu a ordem final: - Apreendam! A tropa de choque do Exército cercou o jornal, na rua Caldas Júnior, esperando o jornal sair da boca das rotativas, a partir das 4h da madrugada. O comandante da operação queria que a edição apreendida fosse transportada nos caminhões do próprio jornal até a sede da Polícia Federal, na avenida Paraná. Breno Caldas vetou a proposta indigna, e os militares tiveram que requisitar caçambas que trabalhavam no cais do porto, a três quadras de distância, para cumprir a missão da censura. Para não perder a viagem, os militares levaram, junto com o Correio do Povo, a edição da quarta-feira, 20 de setembro, da Folha da Manhã de Severo e Elmar, que também publicava o telegrama maldito de Ruy Mesquita. A rara trombada com o regime e a brava reação de Breno Caldas é uma exceção que confirma a regra de plácida convivência da imprensa gaúcha com a censura e a conseqüente autocensura, que nivelava tudo por baixo. Seis anos depois já se falava em abertura, em anistia, e não havia mais censura prévia - mas o fantasma da autocensura ainda sobrevoava gabinetes ilustres da imprensa gaúcha em 1978. Uma norma não escrita da mídia do Rio Grande diz que, onde há gaúcho, tudo fica mais importante e prioritário. Um terremoto no Cazaquistão ganha a primeira página, por exemplo, se existe gaúcho entre as vítimas. Este dogma foi atropelado impiedosamente no caso do sequestro dos uruguaios Universindo Díaz, Lílian Celiberti e seus dois filhos, Camilo e Francesca, em novembro de 1978 em Porto Alegre. Era uma incursão binacional do Brasil e Uruguai no âmbito da Operação Condor, o "Mercosul do Terror" engendrado pelas ditaduras que infestavam o Cone Sul na década de 70. O jurista francês Jean Louis Weil passou uma semana na capital gaúcha investigando o caso e, pouco antes do deixar o país, deu uma contundente entrevista coletiva no Rio dando nomes aos bois - os militares uruguaios e os policiais brasileiros envolvidos no sequestro. O delegado gaúcho Pedro Seelig, apontado por Weil, era a mais reluzente estrela da repressão no sul. Merecia, portanto, todas as manchetes que sua condição de filho da terra lhe garantia. O que aconteceu acabou sendo uma página vergonhosa de submissão da imprensa gaúcha ao aparato repressivo da ditadura, um caso explícito de autocensura que eu retrato no livro Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios [CUNHA, op. cit., p. 143-152]. No aeroporto do Galeão, Jean Louis Weil falou à imprensa na segunda-feira, 11 de dezembro. O francês identificou os autores do sequestro nos dois lados da fronteira. A sigla de lá que ninguém ainda conhecia aqui era o OCOA, Organismo Coordinador de Operaciones Antisubversivas. A de cá era o velho DOPS de guerra. Weil denunciou o nome do militar uruguaio a quem estava subordinado o OCOA, o general Amaury Prantl. E apontou o chefe brasileiro do sequestro: o notório delegado Pedro Seelig, um gaúcho famoso o bastante para garantir qualquer manchete na imprensa local. No dia seguinte, terça-feira, 12 de dezembro, os jornais da província reagiram com exagerada cautela à acusação contra o temido Seelig. Inexplicavelmente suprimiram do texto da matéria o nome do delegado gaúcho denunciado pelo jurista francês. Precavidos, os jornais de Porto Alegre se eximiram de responsabilidade, identificando a Agência Jornal do Brasil (AJB) como a fonte da notícia em que os nomes pareciam mais constrangedores do que os fatos. Lembrar e contar Na Caldas Júnior, nenhum de seus três jornais publicou a grave acusação de Weil. O principal jornal do trio, o Correio do Povo, publicou uma nota envergonhada no meio do noticiário de polícia, na página 5, com uma manchete que escondia mais do que revelava: "Advogado francês denunciou as autoridades responsáveis". Teve o cuidado de não dar no texto nenhum nome brasileiro. Disse que o sequestro tinha sido realizado por um comando do OCOA uruguaio, "comandado pelo general Amaury Prantl, com a participação de policiais brasileiros do DOPS de Porto Alegre". O mesmo embuste foi cometido pelos outros dois jornais da casa, a Folha da Manhã e a Folha da Tarde. Só 48 horas depois, na quarta-feira, 13, o vespertino atreveu-se a escrever o nome do delegado, em uma notícia sob outra manchete camuflada na página interna: "Sequestro. Advogado faz novas acusações contra os integrantes da polícia gaúcha". No texto acovardado da Folha da Tarde, o nome de Seelig só aparece no sexto parágrafo. Ainda assim dedica quatro linhas à acusação e quinze à defesa do delegado, em que ele mesmo desdenha da denúncia. O jornal Zero Hora teve um tropeço ainda mais visível na edição de terça-feira, 12. Estampou sua falta de coragem na primeira página, com uma manchete igualmente medrosa: "Advogado francês acusa general uruguaio pelo sequestro". O surdo e cego editor do jornal não ouviu nem leu o nome de Seelig na denúncia. O tal general "teria contado com o auxílio de policiais brasileiros", desinformava o vago subtítulo do jornal. Lá dentro, em matéria secundária da página central, Zero Hora continuava escondendo a informação essencial sobre o nome do primeiro agente brasileiro denunciado. A coragem que sobrou para identificar o general Prantl faltou vergonhosamente na hora de nomear Seelig. Era a segunda vez que Zero Hora tropeçava clamorosamente diante do sequestro. Treze dias antes, na noite de quarta-feira, 29 de novembro, o jornal tinha nas mãos um material explosivo: o depoimento de Camilo, o garoto de oito anos, filho de Lílian Celiberti, apontando o prédio do DOPS gaúcho como seu local de cativeiro na capital. Era um material exclusivo enviado de Montevidéu pelos repórteres da Agência CooJornal, da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre. A reportagem havia sido comprada também por outros dois jornais, um paulista e outro brasiliense. O editor-chefe do jornal, Carlos Fehlberg, secretário de Imprensa do Palácio do Planalto no governo Médici (1969-1974) - o período mais truculento e repressivo da ditadura -, só baixou a reportagem para a oficina com uma insólita ressalva na abertura do texto: Esta matéria, redigida pelo repórter Tomás Pereira, da CooJornal, está sendo publicada hoje simultaneamente nos jornais Folha de S.Paulo e Jornal de Brasília. Não adiantou nada. Durante a madrugada a reportagem desapareceu misteriosamente na boca da rotativa. Foi substituída na manhã seguinte, quinta-feira, 30, por explicações pouco convincentes do editor-chefe aos irritados editores da redação. O leitor gaúcho, ao contrário dos outros brasileiros que leram jornal naquele dia, não ficou sabendo que sua própria polícia estava envolvida no sequestro binacional. A notícia só saiu na Zero Hora do dia seguinte, sexta-feira, 1° de dezembro, assim mesmo reverberando cautelosamente a reação no Legislativo gaúcho. "Debate na Assembléia sobre o envolvimento do DOPS no seqüestro", dizia a cuidadosa chamada na primeira página do jornal. Jogava a denúncia na boca do deputado Waldir Walter, do MDB, "baseando-se em matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo" - esclarecia o diário gaúcho, lavando as mãos com a própria incompetência jornalística. Afinal, o jornal paulista tinha publicado sem ressalvas e sem medo a mesma reportagem da Agência CooJornal que a Zero Hora tinha comprado com exclusividade e esquecido na gaveta. Mais estranho ainda: Carlos Fehlberg era um jornalista experiente e um calejado editor político. Deixou a assessoria de imprensa do Planalto no final do governo Médici, em 1974, para assumir por 17 anos o comando do jornal que, sob sua chefia, tornou-se o mais importante do estado. Diante do sequestro, porém, ele parecia um iniciante. Fehlberg voltou a tropicar feio em janeiro de 1979, quando a missão da OAB rastreava corajosamente o sequestro lá mesmo em Montevidéu. Dessa vez, a hesitação do editor-chefe foi denunciada por um subordinado direto, João Aveline, seu secretário de redação, que 20 anos depois revelou toda sua frustração num texto carregado de melancolia a partir do título: "A notícia não saiu. Velório na redação" [AVELINE, João. Macaco preso para interrogatório: retrato de uma época. Porto Alegre: AGE, 1999. p. 64-65]. Aveline lembrava que, após um doloroso período de censura, os jornais se atiravam em cima do caso do sequestro como se quisessem "recuperar o tempo perdido e ganhar a credibilidade dos leitores". Até o velho Correio do Povo disputava notícias, tanto que publicou um "furo de reportagem" com as andanças da comissão da OAB gaúcha na capital uruguaia. Outra vez, graças à ousadia do CooJornal, que tinha um repórter ao lado dos advogados para repassar suas reportagens aos jornais brasileiros. Fehlberg resolveu combater o concorrente da Caldas Júnior com suas próprias armas: mandou comprar, com exclusividade, o material do repórter Tomás Irineu Pereira. Era uma nova denúncia do CooJornal, a partir da identificação de outros policiais do DOPS pelos filhos de Lílian Celiberti. O texto e as três fotos foram comprados por Zero Hora, com exclusividade para o Rio Grande do Sul (o mesmo material seria publicado também no Rio e em São Paulo). Conta Aveline: A edição estava quase fechando quando o estafeta da cooperativa chegou com a preciosíssima encomenda, que foi logo encaminhada à oficina pelas mãos do diretor do jornal, jornalista Lauro Schirmer. Como eram momentos de grande expectativa vividos nas redações dos jornais, todos sabiam que no outro dia Zero Hora tinha novidades exclusivas sobre o sequestro dos uruguaios. Mas nesse mesmo "outro dia" a redação parecia um velório. Na face de cada um, a máscara da tristeza. Em cada gesto, um total desânimo. A tal matéria-bomba não saíra. Folha de S.Paulo e O Globo publicaram. E com chamada de capa. Parece até que nós havíamos comprado a matéria para garantir sua ausência nos jornais do Rio Grande do Sul. Zero Hora deu no dia seguinte ao dia seguinte. Provavelmente porque a responsabilidade, na ótica de quem vetou, seria de quem divulgou primeiro. Não parece, mas a história narrada pela imprensa é uma lenta, articulada sucessão de dias que se sucedem, um dia seguinte ao outro. O fio caprichoso que une fatos, cenas, pessoas e motivações variadas acaba tecendo o relato que define tempos, homens e biografias. Mais cedo ou mais tarde, apesar dos atos de força, dos surtos de violência, das vacilações de caráter e das razões subjacentes e subalternas de uns e outros, a verdade acaba aflorando e prevalecendo. A mesma imprensa que hesita, vacila e tropeça pode, no dia seguinte, reparar erros, remediar falhas, recontar momentos e resgatar a ética de sua função essencial - contar o que é, por que é, como é. A crônica de máximas e mínimas da imprensa brasileira - antes, durante e depois do golpe de 1964 - mostra que sempre há o dia seguinte. Contra todas as previsões, nossa obrigação é lembrar e contar. Não importa o tamanho da treva, o sufoco do tempo, o chumbo do ar, a força da ventania. Sempre haverá o dia seguinte. O dia para lembrar. E contar -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100213/664a3a79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100213/664a3a79/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 14 12:01:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 14 Feb 2010 11:01:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_M=C3=BAsicas_de_Carnaval__+/-_Marchinh?= =?utf-8?q?as_de_Carnaval_=28Emilinha_Borba=29_+_/_FOTOS_ANTIGAS_DE?= =?utf-8?q?_CARNAVAL__________________________________________HOJE_?= =?utf-8?q?=C3=89_DOMINGO!__=C3=89_CARNAVAL!?= Message-ID: CARTA O BERRO..................................................................................REPASSEM (clique) http://www.kboing.com.br/script/radioonline/busca_artista.php?artista=carnaval&cat=music (clique) E + http://sonora.terra.com.br/#/Mix?idRadioCategory=4&nameRadioCategory=festa_mix&idRadio=541&nameRadio=carnaval_no_rio_de_janeiro_escolas_de_samba&menu=Mix ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ----- Original Message ----- From: sueli coe vieira Date: Sat, 13 Feb 2010 02:51:12 -0800 spam compartilhou um vídeo com você no YouTube: Ritmos Brasileiros VIII - Marchinhas de Carnaval (Emilinha Borba) PROGRAMA: a) Chiquita Bacana (João de Barro & Alberto Ribeiro) b) Água lava tudo (Paquito & Romeu Gentil) c) Vai com jeito (João de Barro) d) Pó de mico (Nilo Viana, Dora Lopes & Renato Araújo) e) Tomara que chova (Paquito & Romeu Gentil) f) Marcha do Remador (Antonio Almeida &¨Oldemar Magalhães) ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Assunto: FOTOS ANTIGAS DE CARNAVAL Praça Floriano ? Corso, 1919 ?.. Uma das fotos mais divertidas do Rio antigo . Foliões em cima de um Renault (segundo o Jason) brincam o corso na Cinelândia, que na época,1919, era um exercício de futurologia, pois o convento da Ajuda tinha acabado de ser demolido . No meio do cenário um cidadão, que certamente estava sassaricando em lugar indevido, tenta se esconder do fotógrafo, se esconde ou do patrão ou da patroa, ou talvez dos dois ?? Hoje com a grande popularização da foto todo mundo sabe que não basta só esconder o rosto para não ser reconhecido.. mas o que vai ter de sassaricador fugindo dos flashes, não vai estar no ?gibi?. Notem o banco de praça patrocindado pelo Park Royal . Foto de malta tirada em 1919, escaneada do livro sobre a Cinelândia do João Máximo Carnava há sententa anos há atrás Carnaval nos anos 40 Corso na av.Rio Branco em 1911 -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100214/af9f3479/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4723 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100214/af9f3479/attachment-0004.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 2706 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100214/af9f3479/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 14 12:01:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 14 Feb 2010 11:01:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] *Aldo Rebelo entra de vez para a Bancada Ruralista* (ou seria o Roberto Freire do PCdoB?) Message-ID: Carta O Berro........................................................................................................................................................REPASSEM *Aldo Rebelo entra de vez para a Bancada Ruralista* A agenda de Aldo o consagra como um dos grandes aliados dos ruralistas e seu modelo de desenvolvimento fevereiro/2010 Leonardo Sakamoto www.blogdosakamoto.com.br O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) encontrou um nicho a ser explorado, a do nacionalismo cego que passa por cima de direitos humanos para alimentar a paranóia do risco do inimigo externo. Que pode vir travestido de inescrupulosos indígenas aliados dos yankees, que tramam a independência de suas terras nas regiões de fronteira, ou de perversos militantes do desenvolvimento sustentável, que impedem o Brasil de atingir seu ideal de nação previsto por Pero Vaz de Caminha e reafirmado por Celso Furtado. E, ontem, seguindo a toada, afirmou, em audiência pública realizada em Ribeirão Preto para debater o Código Florestal, que membros do Ministério Público agem como "braços jurídicos das ONGs" ambientalistas - o que certamente provocou orgasmos em ruralistas presentes. Aldo é o relator da comissão especial da Câmara dos Deputados que dará parecer ao projeto de lei nº 1.876, de 1999, propondo alterações na lei de proteção às florestas. Defende mudanças para beneficiar o agronegócio, a economia e o país que vai pra frente. Com isso, os instrumentos para criação de unidades de conservação e a manutenção de reservas florestais legais (aquele tanto de mata que deve ser mantido em cada fazenda) e de áreas de preservação permanente estão em risco. O Congresso também projeta o afrouxamento do licenciamento ambiental e o enfraquecimento do Conselho Nacional de Meio Ambiente, o que seria a farra de quem quer por tudo abaixo sem se preocupar com processos e embargos. Relembrar é preciso. Quando o Supremo Tribunal Federal decidiu manter a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, Aldo Rebelo divulgou uma nota repudiando a decisão, dizendo que ela agridia o interesse nacional e projetava incertezas quanto à unidade da nação. É notória a boa relação do ex-presidente da Câmara com os militares. E sabe-se que há muita gente nas forças armadas cuja mentalidade não avançou desde a Guerra Fria, mantendo-se enclausurados em um bunker de paranóia. Como se a experiência da reserva Ianomâmi, bem maior e fronteiriça, não tivesse mostrado o contrário. E como se as forças armadas não tivessem livre acesso a qualquer parte do território nacional. Para entender como pensa o deputado, seguem alguns trechos daquela nota: "O Supremo abre um precedente para que sejam implantados no Brasil um Estado multinacional e uma nação balcanizada, pois confere a tribos indígenas que fazem parte do povo brasileiro o esdrúxulo status de minorias apartadas do todo nacional, com prerrogativas negadas a outros estratos que há cinco séculos amalgamam a formação social do país." "O respeito aos direitos dos indígenas não pode implicar o esbulho dos não índios que há muito tempo fincaram a bandeira do Brasil naquela região". "Os índios beneficiados foram isolados da nação. Os índios e não índios prejudicados podem recorrer à resistência não violenta na defesa de seus direitos históricos. E o Congresso Nacional, última instância da soberania popular, tem o dever de reparar este erro calamitoso do Executivo e do Judiciário." Claro! É notório por todos que a espécie dos Homo Arrozeirus já habitavam Roraima antes da chegada das tribos! Garantir mínimos direitos aos povos indígenas, que amargaram séculos de genocídio, não os isola do resto da nação. Pelo contrário, decisões como essa, por mais que não sejam perfeitas, ajudam a torná-los, de fato, brasileiros. O que mais entristece não é exatamente a posição do deputado, uma vez que ele tem o direito de falar o que quiser. Mas os argumentos que usa, para justificar o corte seco nos direitos desses povos ou para liberar a pilhagem ambiental, são de lascar. Aldo fala de interesses externos de olho no solo e no subsolo da Amazônia, culpa as ONGs estrangeiras que atuam aqui por isso. É claro que existem ONGs canalhas, mas da mesma forma que empresas e governos. Contudo, ele não fala sobre a verdadeira degradação ambiental, social, trabalhista causada por multinacionais estrangeiras que têm interesse no tipo de "progresso" pregado pelo deputado. A agenda de Aldo o consagra como um dos grandes aliados dos ruralistas e seu modelo de desenvolvimento. E não dos movimentos sociais, entidades progressistas e dos trabalhadores brasileiros - que seriam próximos de seu partido, de acordo com seu próprio partido. A Amazônia já está internacionalizada, deputado. E não é de agora. Parece que o senhor não se lembra o que aconteceu durante o último período ditatorial e após a redemocratização, em que a pilhagem do capital internacional correu solta pela Amazônia, Cerrado e Pantanal, passando por cima de populações tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais. Não acredito que Aldo Rebelo, caso resolva tentar mais um mandato neste ano, perca sua base em São Paulo. O PC do B vota com o partido e, por aqui, ele é o partido. Contudo, conheço gente na estrutura partidária que não está feliz com esse movimento tático que resultou em noivado com o agronegócio. Hoje, o deputado já poderia ser considerado um membro da bancada ruralista - o que deve lhe trazer algum dividendo eleitoral com grandes produtores rurais. Mas me pergunto qual será o comportamento de quem sempre votou nele, mas se sentiu traído, no momento em que chegar a solidão da urna. Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em Ciência Política. É coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100214/be8c5cfc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 15 20:01:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 15 Feb 2010 19:01:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Los_ej=E9rcitos_secretos_de_la_OT?= =?iso-8859-1?q?AN=3A_los_cr=EDmenes_de_Estado=2E_La_Operaci=F3n_Gl?= =?iso-8859-1?q?adio_al_descubierto=3A_militares_y_paramilitares_de?= =?iso-8859-1?q?_extrema_derecha_italiana=2C_con_la_anuencia_de_la_?= =?iso-8859-1?q?OTAN=2C_asesinaron_=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: <0286DD3ADFEC40CCA90061B6504BF3CD@vcaixe> Carta O Berro........................................................repassem (I) Los ejércitos secretos de la OTAN: los crímenes de Estado Red Voltaire Sección: Línea Global La Operación Gladio al descubierto: militares y paramilitares de extrema derecha italiana, con la anuencia de la OTAN, asesinaron a disidentes políticos de izquierda y emprendieron acciones terroristas para justificar la embestida militar contra la oposición. También se aliaron con la mafia para asesinar periodistas y políticos Daniele Ganser* / Red Voltaire / Vincenzo Vinciguerra, miembro de Ordine Nuovo, contó como él mismo y sus camaradas de extrema derecha habían sido reclutados para ejecutar las acciones más sangrientas con el ejército secreto Gladio: "Avanguardia Nazionale, al igual que Ordine Nuovo, eran movilizados en el marco de una estrategia anticomunista, que no emanaban de grupúsculos que gravitaban en las esferas del poder, sino del poder mismo y que formaba parte de las relaciones de Italia con la alianza atlántica". El juez italiano Felice Casson, investigador del caso, se alarmó ante aquellas revelaciones. Para erradicar la gangrena que carcomía el Estado, siguió la pista del misterioso ejército clandestino Gladio que había manipulado la clase política durante la Guerra Fría y, en enero de 1990, pidió permiso a las más altas autoridades del país para extender sus investigaciones a los archivos de los servicios secretos militares, el Servizio Informazioni Sicurezza Militare (SISMI), nuevo nombre del SID (Servizio Informazioni Difusa) desde 1978. En julio de aquel mismo año, el primer ministro Giulio Andreotti lo autorizó a consultar los archivos del Palazzo Braschi, sede del SISMI en Roma. El magistrado descubrió allí, por vez primera, documentos que demostraban la existencia en Italia de un ejército secreto cuyo nombre de código era Gladio, que estaba a las órdenes de los servicios secretos militares y cuyo objetivo era la realización de operaciones de guerra clandestina. Casson encontró también documentos que demostraban la implicación de la alianza militar más grande del mundo, la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN), y de la última superpotencia existente, Estados Unidos, en los actos de subversión así como sus vínculos con la red Gladio y con grupúsculos terroristas de extrema derecha en Italia y en toda Europa occidental. Para el juez Casson, el hecho de disponer de tales informaciones representaba un peligro, cosa de la cual él estaba enteramente consciente ya que en el pasado otros magistrados italianos que sabían demasiado habían sido asesinados en plena calle: "Desde julio hasta octubre de 1990, yo fui el único que sabía (de la Operación Gladio), lo cual podía acarrearme una desgracia". Pero la temida desgracia no tuvo lugar y Casson logró resolver el misterio. Basándose en los datos que había descubierto se puso en contacto con la comisión parlamentaria que presidía el senador Libero Gualteri, encargada de investigar sobre los atentados terroristas. Gualteri y sus pares se inquietaron ante los descubrimientos que les comunicó el magistrado y reconocieron que había que agregarlos al trabajo de la comisión ya que explicaban el origen de los atentados y las razones por las cuales se habían mantenido impunes durante tantos años. El 2 de agosto de 1990, los senadores ordenaron al jefe del ejecutivo italiano, el primer ministro Giulio Andreotti, "informar en 60 días al parlamento sobre la existencia, la naturaleza y el objetivo de una estructura clandestina y paralela sospechosa de haber operado en el seno de los servicios secretos militares con el fin de influir en la vida política del país". Al día siguiente, el 3 de agosto, el primer ministro Andreotti se presentó ante la comisión parlamentaria y, por primera vez desde 1945, confirmó, como miembro en funciones del gobierno italiano, que una organización de seguridad que actuaba bajo las órdenes de la OTAN había existido en Italia. Andreotti se comprometió ante los senadores a entregarles un informe escrito sobre aquella organización en un plazo de 60 días: "Presentaré a esta comisión un informe muy detallado que he pedido al ministerio de Defensa. (El informe) tiene que ver con las operaciones preparadas por iniciativa de la OTAN ante la hipótesis de una ofensiva contra Italia y la ocupación de la totalidad del territorio italiano o de una parte del mismo. Según lo que me han indicado los servicios secretos, esas operaciones se desarrollaron hasta 1972. Se decidió entonces que ya no eran indispensables. Proporcionaré a la comisión toda la documentación necesaria, tanto sobre el tema en general como sobre los descubrimientos del juez Casson en el marco de las investigaciones sobre el atentado de Peteano." Giulio Andreotti, que tenía 71 años en el momento de la audiencia, no era un testigo cualquiera. Su comparencia ante la comisión le dio la oportunidad de sumergirse nuevamente en su larguísima carrera política, probablemente sin equivalente en Europa occidental. A la cabeza del partido demócrata cristiano (Democrazia Cristiana Italiana o DCI), que actuó durante toda la Guerra Fría como baluarte contra el PCI (Partito Communisto Italiano), Andreotti gozaba del apoyo de Estados Unidos. Conoció personalmente a todos los presidentes estadunidenses y, a los ojos de muchos observadores italianos y extranjeros, fue el político más influyente de la Primera República Italiana (1945-1993). A pesar de la poca duración que caracterizó a los gobiernos de la frágil Primera República Italiana, la habilidad de Andreotti le permitió mantenerse en el poder gracias a numerosas coaliciones convirtiéndose así en un personaje inevitable en el Palazzo Chigi, la sede del gobierno italiano. Nacido en Roma en 1919, Andreotti se convirtió en ministro del Interior a los 35 años, antes de imponer un verdadero récord al ocupar siete veces el sillón de primer ministro y obtener sucesivamente no menos de 21 carteras ministeriales, entre ellas la de ministro de Relaciones Exteriores, que le fue confiada siete veces. Sus partidarios lo comparaban con Julio César y lo llamaban el Divino Giulio mientras que sus detractores lo veían como el arquetipo del tramposo y lo llamaban el Tío. Se cuenta que su película de gángsters preferida era Goodfellas, por la frase de Robert De Niro: "No delates nunca a tus socios y evita hablar de más". La mayoría de los observadores está de acuerdo en que fue su talento como estratega lo que permitió que el Divino Giulio lograra sobrevivir a las numerosas fechorías e intrigas del poder en las que muy a menudo estuvo directamente implicado. Al revelar la existencia de la Operación Gladio y de los ejércitos secretos de la OTAN, el Tío había decidido finalmente romper la ley del silencio. Al derrumbarse la Primera República, al final de la Guerra Fría, el poderoso Andreotti, que no era ya más que un anciano, fue arrastrado ante numerosos tribunales acusado de haber manipulado las instituciones políticas, de haber colaborado con la mafia y de haber ordenado en secreto el asesinato de opositores políticos. "La justicia italiana se ha vuelto loca", exclamó en noviembre de 2002 el primer ministro Silvio Berlusconi cuando la Corte de Apelación de Perugia condenó a Andreotti a 24 años de cárcel. Mientras que los jueces recibían amenazas de muerte y había que ponerlos bajo protección policial, los canales de televisión interrumpían la transmisión del futbol para anunciar que Andreotti había sido encontrado culpable de haber encargado al padrino de la mafia Gaetano Badalamenti el asesinato, en 1979, del periodista de investigación Mino Pirelli, para evitar que se supiera la verdad sobre el asesinato del presidente de la República Italiana, el demócrata cristiano Aldo Moro. La iglesia católica trató de salvar la reputación del Divino Giulio. Ante la gravedad de los hechos, el cardenal Fiorenzo Angelini declaró: "Jesucristo también fue crucificado antes de resucitar". A pesar de todo, Andreotti no acabó sus días tras las rejas. Los veredictos en su contra fueron anulados en octubre de 2003 y el Tío fue puesto nuevamente en libertad. Durante sus primeras revelaciones sobre la Operación Gladio ante los senadores italianos, el 3 de agosto de 1990, Andreotti puso especial énfasis en precisar que "esas operaciones prosiguieron hasta 1972" para protegerse a sí mismo de posibles repercusiones. En efecto, en 1974, cuando era ministro de Defensa, el propio Andreotti había declarado oficialmente en el marco de una investigación sobre varios atentados cometidos por la extrema derecha: "Yo afirmo que el jefe de los servicios secretos descartó varias veces de forma explícita la existencia de una organización secreta de cualquier naturaleza o envergadura". En 1978, Andreotti también había prestado testimonio en el mismo sentido ante los jueces que investigaban el atentado perpetrado en Milán por la extrema derecha. Cuando la prensa italiana reveló que el ejército secreto Gladio, lejos de haber sido disuelto en 1972, seguía estando activo, la mentira de Andreotti no pudo seguir sosteniéndose. Durante las semanas siguientes, en agosto y septiembre de 1990, contrariamente a lo que acostumbraba a hacer, el primer ministro se comunicó profusamente con el extranjero, trató de ponerse en contacto con numerosos embajadores y se entrevistó con ellos. Como el apoyo internacional tardaba en llegar, Andreotti, que temía por su cargo, pasó a la ofensiva y trató de subrayar la importancia del papel de la Casa Blanca y de otros muchos gobiernos de Europa occidental que no sólo habían conspirado en la guerra secreta contra los comunistas, sino que habían participado en ella activamente. Al tratar de dirigir la atención hacia la implicación de otros países, Andreotti recurrió a una estrategia eficaz, aunque bastante arriesgada. El 18 de octubre de 1990, Andreotti envió urgentemente un mensajero del Palazzo Chigi a la Piazza San Macuto, donde sesionaba la comisión parlamentaria. El mensajero entregó al secretario de recepción del Palazzo Chigi el informe titulado Un SID paralelo- el caso Gladio. Un miembro de la comisión parlamentaria, el senador Roberto Ciciomessere, supo por casualidad que el informe de Andreotti había sido entregado y que estaba en manos del secretario del Palazzo Chigi. Al echar un vistazo al texto, el senador quedó grandemente sorprendido al comprobar que Andreotti no se limitaba a proporcionar una descripción de la Operación Gladio, sino que, en contradicción con su propia declaración del 3 de agosto, reconocía que la organización seguía estando activa. El senador Ciciomessere pidió una fotocopia del informe, que le fue denegada con el pretexto que, según el procedimiento en vigor, el presidente de la comisión, el senador Gualtieri, tenía que ser el primero en conocer el contenido del informe. Pero el senador Gualtieri nunca llegó a leer aquella primera versión del informe de Andreotti sobre la red Gladio. Tres días después, cuando iba a guardarlo en su portadocumentos para llevarlo a su casa y leerlo allí durante el fin de semana, Gualtieri recibió una llamada del primer ministro informándole que éste necesitaba inmediatamente el informe "para volver a trabajar algunos pasajes". Gualtieri sintió cierta incomodidad, pero finalmente aceptó de mala gana devolver el documento al Palazzo Chigi, luego de hacer varias fotocopias del mismo. Los métodos poco habituales a los que recurrió Andreotti provocaron un escándalo en toda Italia y no hicieron más que agravar las sospechas. Los periódicos publicaron titulares como "Operación Giulio", en referencia a la Operación Gladio, y entre 50 mil y 400 mil ciudadanos indignados, inquietos y furiosos participaron, respondiendo al llamado del Partido Comunista (Partito Communisto Italiano, PCI), en una marcha por el centro de Roma, una de las manifestaciones más importantes de aquel periodo, bajo la consigna: "Queremos la verdad". Algunos desfilaron disfrazados de gladiadores. En la Piazza del Popolo, el líder del PCI, Achille Occhetto, anunció a la multitud que aquella marcha obligaría al gobierno a revelar las tenebrosas verdades que había mantenido en secreto durante tantos años: "Estamos aquí para obtener la verdad y transparencia". El 24 de octubre, el senador Gualteri tuvo de nuevo en su poder el informe de Andreotti sobre el "SID paralelo". Dos páginas habían desaparecido y esta versión final ya no tenía más que 10. El parlamentario la comparó con las fotocopias de la primera versión y notó inmediatamente que varios fragmentos sensibles sobre las conexiones internacionales y la existencia de organizaciones similares en el extranjero habían sido suprimidos. Además, todas las menciones relativas a la organización secreta, que anteriormente aparecían en presente, lo cual sugería que seguían existiendo, aparecían ahora en pasado. Estaba claro que la estrategia de Andreotti consistente en enviar un documento y recuperarlo después para modificarlo antes de reenviarlo de nuevo no podía engañar a nadie. Los observadores coincidieron en que aquella maniobra atraería obligatoriamente la atención hacia los fragmentos eliminados, es decir, sobre la dimensión internacional del caso, lo cual tendría como resultado que se disminuyera la culpabilidad del primer ministro. Sin embargo, la ayuda del extranjero no llegó. En la versión final de su informe, Andreotti explicaba que Gladio había sido concebido en los países miembros de la OTAN como una red clandestina de resistencia destinada a luchar contra una posible invasión soviética. Al terminar la guerra, los servicios secretos del ejército italiano, el Servizio di Informazioni delle Forze Armate, predecesor del SID, había firmado con la CIA "un acuerdo sobre la organización de la actividad de una red clandestina postinvasión", acuerdo designado con el nombre de stay-behind, en el que se renovaban todos los compromisos anteriores que implicaban a Italia y Estados Unidos. La cooperación entre la CIA y los servicios secretos militares italianos, como precisaba Andreotti en su informe, se encontraba bajo la supervisión y la coordinación de los centros encargados de las operaciones de guerra clandestina de la OTAN: "Una vez que se constituyó esa organización secreta de resistencia, Italia estaba llamada a participar (.) en las tareas del CPC (Clandestine Planning Committee), fundado en 1959, que operaba en el seno del Supreme Headquarters Allied Powers Europe, el cuartel general de las potencias europeas de la OTAN (.) En 1964, los servicios secretos italianos se integraron también al ACC (Allied Clandestine Committee)". El ejército secreto Gladio, como reveló Andreotti, disponía de considerable armamento. El equipamiento proporcionado por la CIA había sido enterrado en 139 escondites distribuidos en bosques, campos e incluso en iglesias y cementerios. Según las explicaciones del primer ministro italiano, esos arsenales contenían "armas portátiles, municiones, explosivos, granadas de mano, cuchillos, dagas, morteros de 60 milímetros, fusiles sin retroceso calibre .57, fusiles con mirillas telescópicas, transmisores de radio, prismáticos y otros tipos de equipamiento diverso". Además de las protestas de la prensa y de la población contra las acciones de la CIA y la corrupción del gobierno, las escandalosas revelaciones de Andreotti también dieron lugar a una verdadera fiebre en la búsqueda de escondites de armas. El padre Giuciano recuerda el día en que los periodistas invadieron su iglesia en busca de los secretos enterrados del Gladio, movidos por intenciones ambiguas: "Me avisaron después del mediodía cuando dos periodistas de Il Gazzettino vinieron a preguntarme si yo sabía algo sobre depósitos de municiones aquí, en la iglesia. Empezaron a cavar en este lugar y rápidamente encontraron dos cajas. Pero el texto indicaba buscar también a unos 30 centímetros de la ventana. Así que retomaron sus excavaciones por allí. Apartaron una de las cajas ya que contenía una bomba de fósforo. Los carabineros salieron mientras que dos expertos abrían la caja. Todavía había otra más, que contenía dos metralletas. Todas las armas estaban nuevas, en perfecto estado. Nunca habían sido utilizadas". En contradicción con lo que el terrorista Vinciguerra había indicado en la década de 1980, Andreotti afirmaba insistentemente que los servicios secretos militares italianos y los miembros de Gladio no tenían absolutamente nada que ver con la ola de atentados que se había producido en Italia. Según Andreotti, antes de ser reclutado, cada miembro de Gladio era sometido a exámenes intensivos y tenía que "ajustarse rigurosamente" a la ley que regía el funcionamiento de los servicios secretos con el fin de probar su "fidelidad absoluta a los valores de la Constitución republicana antifascista". El procedimiento tenía también como objetivo garantizar la exclusión de todo aquel que ocupara alguna función administrativa o política. Además, según afirmaba Andreotti, la ley estipulaba que "los elementos preseleccionados no tuviesen antecedentes penales, no tuviesen ningún compromiso de tipo político y no participaran en ningún tipo de movimiento extremista". Al mismo tiempo, Andreotti señalaba que los miembros de la red no podían declarar ante la justicia y que sus identidades así como otros detalles sobre el ejército secreto eran secreto militar. "La Operación, debido a sus modalidades concretas de organización y de acción -tal y como estaban previstas por las directivas de la OTAN e integradas en su estructura específica-, debe prepararse y ejecutarse en el más absoluto secreto". Las revelaciones de Andreotti sobre el "SID paralelo" sacudieron Italia. A muchos les costaba aceptar la idea de un ejército secreto dirigido por la CIA y la OTAN en Italia y en el extranjero. ¿Podía ser legal una estructura de ese tipo? El diario italiano La Stampa fue particularmente duro: "Ninguna razón de Estado puede justificar que se mantenga, que se cubra o se defienda una estructura militar secreta compuesta de elementos reclutados con base en criterios ideológicos -dependiente o, como mínimo, bajo la influencia de una potencia extranjera- y que sirva de instrumento para un combate político. No existen, para calificar eso, palabras que no sean alta traición o crimen contra la Constitución". En el Senado italiano, representantes del Partido Verde, del Partido Comunista y del Partido de los Independientes de Izquierda acusaron al gobierno de haber utilizado las unidades de Gladio para practicar una vigilancia territorial y perpetrar atentados terroristas con el objetivo de condicionar el clima político. Pero el PCI estaba sobre todo convencido de que, desde el comienzo de la Guerra Fría, el verdadero blanco de la red Gladio no había sido un ejército extranjero, sino los propios comunistas italianos. Los observadores subrayaban que "con ese misterioso SID paralelo, fomentado para contrarrestar un imposible golpe de Estado de la izquierda, estuvimos corriendo sobre todo el peligro de vernos expuestos a un golpe de Estado de la derecha (.) No podemos creer eso (.) que ese super SID haya sido aceptado como una herramienta militar destinada a operar "en caso de una ocupación enemiga". El único verdadero enemigo fue y ha sido siempre el partido comunista italiano, es decir, un enemigo interno". Decidido a no asumir solo aquella responsabilidad, el primer ministro Andreotti se presentó ante el parlamento italiano, el mismo día que entregó su informe final sobre Gladio, y declaró: "A cada jefe de gobierno se le informaba la existencia de Gladio". Sumamente embarazosa, esa declaración comprometió entre otros a los exprimeros ministros, como el socialista Bettino Craxi (1983-1987), Giovanni Spadolini, del Partido Republicano (1981-1982), entonces presidente del senado; Arnaldo Forlani (1980-1981), quien era en 1990 secretario de la DCI, y Francesco Cossiga (1978-1979), en aquel entonces presidente de la república. Al verse de pronto en el ojo de la tormenta, debido a las revelaciones de Andreotti, las reacciones de estos altos dignatarios fueron confusas. Craxi afirmaba que nunca se le había informado la existencia de Gladio, hasta que le pusieron delante un documento sobre Gladio firmado de su puño y letra en la época en que él era primer ministro. Spadolini y Forlani sufrieron similares ataques de amnesia, pero también tuvieron que retractarse de sus declaraciones iniciales. Spadolini provocó la hilaridad de todo el mundo al precisar que había que distinguir entre lo que él sabía como ministro de Defensa y lo que le informaban como primer ministro. Francesco Cossiga, presidente de la república desde 1985, fue el único que reconoció plenamente su papel en la conspiración. Durante una visita oficial en Escocia, anunció que estaba incluso "feliz y orgulloso" de haber contribuido a la creación del ejército secreto como encargado de asuntos de Defensa en el seno de la DCI, en la década de 1950. Declaró que todos los miembros de Gladio eran buenos patriotas y se expresó en los siguientes términos: "Yo considero como un gran privilegio y una prueba de confianza (.) el haber sido escogido para esa delicada tarea (.) Tengo que decir que estoy orgulloso de que hayamos podido guardar ese secreto durante 45 años". Al abrazar así la causa de la organización implicada en actos de terrorismo, el presidente tuvo que enfrentar, a su regreso a Italia, una tempestad política y exigencias de renuncia y de destitución por alta traición provenientes de todos los partidos. El juez Casson tuvo la audacia de llamarlo a comparecer como testigo ante la comisión investigadora del Senado. Pero el presidente, que visiblemente ya no estaba tan "feliz", se negó de forma colérica y amenazó con cerrar toda la investigación parlamentaria sobre Gladio: "Reenviaré al parlamento el acta que extiende sus poderes y, si (el parlamento) la aprueba de nuevo, reexaminaré el texto para determinar si reúne las condiciones para presentar un rechazo (presidencial) definitivo de su promulgación". Como aquella amenaza no tenía ninguna justificación constitucional, los críticos empezaron a cuestionar la salud mental del presidente. Cossiga renunció a la Presidencia en abril de 1992, tres meses antes del término legal de su mandato. En una alocución pública pronunciada ante el Senado italiano el 9 de noviembre de 1990, Andreotti subrayó nuevamente que la OTAN, Estados Unidos y numerosos países de Europa occidental, como Alemania, Grecia, Dinamarca y Bélgica, estaban implicados en la conspiración stay-behind. Como prueba de sus alegaciones, reveladores datos confidenciales fueron entregados a la prensa. La publicación política italiana Panorama divulgó íntegramente el documento El SID paralelo- el caso Gladio, que Andreotti había entregado a la comisión parlamentaria. Cuando las autoridades francesas trataron de negar su propia implicación en la red internacional Gladio, Andreotti contestó implacablemente que Francia también había participado secretamente en la última reunión del comité director de Gladio, el ACC, que se había desarrollado en Bruselas sólo unas pocas semanas antes, los días 23 y 24 de octubre de 1990, ante lo cual, un poco incómoda, Francia tuvo que reconocer su participación en la operación. A partir de entonces, se hacía imposible desmentir la dimensión internacional de la guerra secreta. El escándalo no tardó en extenderse por toda Europa occidental. Después, siguiendo las fronteras de los Estados miembros de la OTAN, se propagó rápidamente por Estados Unidos. La comisión del parlamento italiano encargada de investigar sobre Gladio y sobre los atentados perpetrados en su país concluyó: "Aquellas matanzas, aquellas bombas, aquellas operaciones militares fueron organizadas, instigadas o apoyadas por personas que trabajan para las instituciones italianas y, como se descubrió más recientemente, por individuos vinculados a las estructuras de la inteligencia estadunidense". *Historiador suizo, especialista en relaciones internacionales contemporáneas; catedrático en la universidad de Basilea -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100215/b0b6f240/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7893 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100215/b0b6f240/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 16 13:58:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 16 Feb 2010 12:58:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Memorial_da_Resist=EAncia_de_S=E3?= =?iso-8859-1?q?o_Paulo_e_outros_grupos_Convidam_para_a_apresenta?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o_de_cenas_do_espet=E1culo_=22FILHA_DA_ANISTI?= =?iso-8859-1?q?A=22_-__20_de_Fevereiro_de_2010=2C_11h_=E0s_14_hora?= =?iso-8859-1?q?s?= Message-ID: <52ED8210378B47AD8A379BE3DED7529E@vcaixe> Carta O Berro....................................................................................repassem Sábado Resistente Data: 20 de Fevereiro de 2010, 11h às 14 horas Local: Auditório Vitae - Largo General Osório, 66 - 5º Andar Memorial da Resistência de São Paulo Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo Núcleo de Preservação da Memória Política Caros Amigos Cia de Teatro da Cooperativa Paulista de Teatro convidam para a apresentação de cenas do espetáculo FILHA DA ANISTIA* A apresentação será seguida de debate com o elenco e integrantes do Núcleo de Preservação da Memória Política. Sinopse da apresentação: Após a morte da avó, Clara parte em busca do pai que nunca conhecera. Esse encontro irá revelar um passado de mentiras e omissões, forjado durante os anos de chumbo no Brasil. Duração: 30 minutos. 14 anos. Direção: Hélio Cícero. Com: Alexandre Piccini, Carolina Rodrigues e Hélio Cícero. Após a apresentação e debate, será rendida homenagem à família de ANTONIO RAYMUNDO DE LUCENA, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) que foi assassinado no dia 20 de fevereiro de 1970, há exatamente 40 anos, por elementos da Força Pública do Estado. A família de Antônio Raymundo de Lucena (também conhecido como "Doutor") foi presa por integrantes da Policia do Exército e submetida as mais variadas torturas. Ariston Lucena, o filho mais velho, foi preso aos 18 anos de idade, após cerco empreendido aos militantes da VPR na área do Vale do Ribeira, e passou quase 10 anos preso, uma vez que foi condenado à pena de morte após a mudança da Lei de Segurança Nacional, em 1969. A companheira de Doutor, Damaris Lucena, depois de presenciar ao assassinato do marido na frente dos filhos, amargar a tortura e a separação das crianças quando de sua prisão, foi libertada após ser trocada com os filhos Ângela Telma, de 3 anos, e Denise e Adílson, os gêmeos de 9 anos, no sequestro do cônsul japonês, Nobuo Okuchi. Exilou-se primeiramente no México e, posteriormente, em Cuba, onde reconstruiu a vida. A família retornou ao Brasil após a Anistia e, desde então, busca incessantemente pelos restos mortais de Antônio Raymundo de Lucena que, embora figure na lista oficial de "mortos", permanece desaparecido, tendo sido enterrado, provavelmente, numa vala clandestina do Cemitério de Vila Formosa. O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência de São Paulo. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados para o debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. * obra teatral premiada pela Secretaria de Estado da Cultura com o incentivo do ProAC - Programa de Ação Cultural, para montagem inédita durante o ano. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1563 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100216/5a929341/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 16 13:59:06 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 16 Feb 2010 12:59:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=28II=29___Los_ej=E9rcitos_secret?= =?iso-8859-1?q?os_de_la_OTAN?= Message-ID: <933159FA0357431FB81157B5AC1FA9E6@vcaixe> Carta O Berro............................................................................repassem Los ejércitos secretos de la OTAN Autor: Red Voltaire Sección: Línea Global (II) En la lucha contra el comunismo, la OTAN cometió actos terroristas en el propio Reino Unido (atentados bajo bandera falsa y asesinatos de republicanos irlandeses), en Europa continental (principalmente en Francia, en los países del Benelux, en los países nórdicos y hasta en la neutral Suiza), así como en África y Asia (por ejemplo, para dirigir la masacre de las poblaciones francófonas que cometieron los Khmers rojos en Cambodia). Los gobernantes siempre supieron de las operaciones clandestinas Daniele Ganser* / Red Voltaire / Séptima parte La verdad definitiva sobre la Guerra Fría no se escribirá nunca porque la historia evoluciona constantemente en función de las sociedades que la hacen y la estudian. Los historiadores de numerosos países están de acuerdo, sin embargo, en que el hecho más importante de aquel periodo fue, desde el punto de vista de los occidentales, la lucha contra el comunismo a escala planetaria. En ese combate, que marcó la historia del siglo XX como pocos sucesos lo han hecho, la antigua superpotencia colonial británica tuvo que renunciar a su hegemonía en beneficio de Estados Unidos. Este último país utilizó la lucha contra el comunismo para acrecentar su propia influencia década tras década. Después del derrumbe de la Unión Soviética, acontecimiento que puso fin a la Guerra Fría en 1991, el imperio estadunidense garantizó para sí mismo un predominio jamás visto anteriormente en toda la historia. En Gran Bretaña, el establishment conservador experimentó una profunda conmoción en 1917 cuando, por primera vez en la historia de la humanidad, se produjo la aparición de un régimen comunista en un lejano pero extenso país agrícola. Después de la Revolución Rusa, los comunistas asumieron el control de las fábricas y anunciaron que los medios de producción serían en adelante propiedad del pueblo. En la mayoría de los casos, los inversionistas lo perdieron todo. En su obra Los orígenes de la Guerra Fría, el historiador Denna Frank Fleming observó que muchos de los cambios sociales que aportó la Revolución de Octubre, como la abolición de los cultos y de la nobleza campesina, "hubiesen podido ser aceptados por los conservadores, en el extranjero, con el paso del tiempo, pero nunca la nacionalización de la industria, del comercio y de la tierra". El ejemplo de la Revolución Rusa no fue seguido en ninguna parte. "J.B. Priestly dijo un día que la mentalidad de los conservadores ingleses se había cerrado en el momento de la Revolución Rusa y no ha vuelto a abrirse desde entonces". Ampliamente ignorada en el oeste, la guerra secreta contra el terrorismo comenzó por lo tanto inmediatamente después de la Revolución Rusa, cuando Gran Bretaña y Estados Unidos instauraron ejércitos secretos contra los nuevos países satélites de la Unión Soviética. Entre 1918 y 1920, Londres y Washington se aliaron a la derecha rusa y financiaron una decena de intervenciones militares en suelo soviético. Ninguna de ellas logró derrocar a los nuevos dirigentes. Pero sí dieron lugar a que las elites comunistas y el dictador Stalin albergaran profundas sospechas en cuanto a las intenciones del occidente capitalista. Durante los años subsiguientes, la Unión Soviética reforzó su aparato de seguridad hasta convertirse en un Estado totalitario que no vacilaba en arrestar en su suelo a los extranjeros sospechosos de ser agentes del oeste. Al hacerse evidente que derrocar el régimen comunista en Rusia no era tarea fácil, Gran Bretaña y sus aliados dedicaron sus esfuerzos a impedir que el comunismo se extendiera a otros países. En julio de 1936, el dictador fascista Francisco Franco intentó un golpe de Estado contra el gobierno de la izquierda española y, en el transcurso de la subsiguiente Guerra Civil, eliminó a la oposición y a los comunistas españoles. Gozó para ello del silencioso apoyo de los gobiernos de Londres, Washington y París. Si no hubo lucha contra el ascenso de Adolfo Hitler al poder, fue en gran parte porque Hitler apuntaba contra el enemigo correcto: el comunismo soviético. Durante la Guerra Civil Española se permitió que los ejércitos de Hitler y de Mussolini bombardearan libremente a la oposición republicana. Después de haber desencadenado la Segunda Guerra Mundial, Hitler lanzó contra Rusia tres grandes ofensivas, en 1941, 1942 y 1943, que estuvieron a punto de asestar al bolchevismo un golpe fatal. Entre todas las partes beligerantes, fue la Unión Soviética la que pagó el más alto tributo: 15 millones de muertos entre la población civil, 7 millones de muertos entre los soldados y 14 millones de heridos. Según los historiadores rusos, haciendo caso omiso a los urgentes pedidos de Moscú, Estados Unidos -país que perdió 300 mil hombres en la liberación de Europa y Asia- se puso de acuerdo con Gran Bretaña para no abrir un segundo frente en el oeste, lo cual hubiese obligado a Alemania a movilizar tropas en esa dirección y, por consiguiente, a disminuir el número de efectivos alemanes en el frente ruso. La correlación de fuerzas no se invirtió sino después de Stalingrado, donde el Ejército Rojo finalmente se impuso a los alemanes y comenzó su avance hacia el oeste. Esto explica, también según los historiadores rusos, que los Aliados, temerosos de perder terreno, abrieran entonces rápidamente un segundo frente y, después de desembarcar en Normandía, salieran al encuentro de los soviéticos en Berlín. Los historiadores británicos atestiguan la existencia de toda una serie de intrigas sucesivas que han influido en la conformación de los demás países y del suyo propio. "La Inglaterra moderna siempre ha sido un centro de subversión -a los ojos de los demás, pero no a los suyos propios", observó Mackenzie después de la Segunda Guerra Mundial-. "Lo que determina la existencia de ese espejo con dos caras: de un lado encontramos la percepción que existe en el extranjero de una Inglaterra intrigante, sutil y totalmente secreta, y del otro, una imagen de honestidad, de simplicidad y de indulgencia que comparte la mayoría de los súbditos". Para Mackenzie, la legendaria guerra secreta que practican los británicos tiene su origen "en la historia de las 'pequeñas guerras' que conformaron la historia del imperio británico". Antes de la Segunda Guerra Mundial, los estrategas del Ministerio de Defensa británico llegaron a la conclusión de que sus operaciones secretas debían "inspirarse de la experiencia adquirida en la India, en Irak, en Irlanda y en Rusia, es decir, desarrollar una guerrilla con técnicas de combate similares a las del Ejército Republicano Irlandés (IRA, por sus siglas en inglés)". En marzo de 1938, poco después de la anexión de Austria por parte de Hitler, se creó en el seno del MI6 (Servicio de Inteligencia Secreto de Gran Bretaña) un nuevo departamento, llamado Sección D y encargado de desarrollar operaciones de subversión en Europa. La Sección D comenzó a formar comandos de sabotaje stay-behind en los países que se encontraban bajo la amenaza de agresión alemana. En 1940, cuando parecía inminente la invasión del sur de Inglaterra, la "Sección D se dio a la tarea de diseminar reservas de armas y agentes reclutadores a través de toda Gran Bretaña, sin informarlo a nadie". El reclutamiento y la dirección de los agentes stay-behind por parte de los miembros de la Sección D parecían desarrollarse en el mayor secreto: "La apariencia de aquellos desconocidos [los agentes de la Sección D] con sus trajes y sus autos negros, y la misteriosa impresión que dejaban no tardaron en inquietar a la población", recuerda Peter Wilkinson, un exagente del Special Operations Executive (SOE). Los agentes secretos enfurecían también a "los responsables militares al negarse sistemáticamente a explicar las razones de su presencia o a hablar del contenido de sus misiones y al afirmar únicamente que todo aquello era altamente confidencial". Medio siglo más tarde, la exposición del Imperial War Museum de Londres, dedicada a las "guerras secretas", reveló al público cómo "la Sección D del MI6, conforme a la doctrina stay-behind, también había creado en Inglaterra ejércitos de resistencia bautizados 'Unidades Auxiliares', equipados con armas y explosivos". Esas primeras unidades Gladio de Gran Bretaña "recibieron un entrenamiento especial y aprendieron a operar detrás de las líneas enemigas según la hipótesis de que los alemanes invadiesen la isla. Gracias a una red de escondites secretos y de alijos de armas, debían realizar acciones de sabotaje y de guerrilla contra el ocupante alemán". Como nunca se produjo la invasión, no se sabe si aquel plan hubiese funcionado. Pero en agosto de 1940, "un ejército bastante heteróclito" pudo desplegarse a lo largo de los litorales ingleses y escoceses del Mar del Norte, en los lugares más vulnerables a una posible invasión. La zona de acción de la Sección D del MI6 se limitaba inicialmente al territorio británico. Así fue hasta julio de 1940, cuando el primer ministro británico Winston Churchill ordenó la creación de un ejército secreto bautizado con la denominación de SOE y destinado a "incendiar Europa, apoyando a los movimientos de resistencia y realizando operaciones de subversión en territorio enemigo". Un memorando del Ministerio de Guerra, fechado el 19 de julio de 1940, indica que: "El primer ministro ha decido también, después de consultar a los ministerios interesados, que una nueva organización debe crearse inmediatamente con la misión de coordinar todas las acciones de subversión y de sabotaje dirigidas contra el enemigo fuera del territorio nacional". El SOE se puso bajo el mando de Hugh Dalton, ministro de la Economía de Guerra. Cuando los alemanes, después de la invasión de Francia, parecían haberse instalado allí por largo tiempo, el ministro Dalton señaló la necesidad de emprender una guerra secreta contra las fuerzas alemanas en los territorios ocupados: "Debemos organizar, en el interior de los territorios ocupados, movimientos comparables al Sinn Fein en Irlanda, a la guerrilla china que lucha actualmente contra Japón, a los irregulares españoles que desempeñaron un papel nada despreciable en la campaña de Wellington o, por qué no reconocerlo, movimientos comparables a las organizaciones que tan notablemente han desarrollado los propios nazis en casi todos los países del mundo". Parecía evidente que los británicos no podían darse el lujo de no prestar atención a la vía de la guerra clandestina. Dalton agregó: "Esta 'internacional democrática' debe emplear diferentes métodos, incluyendo el sabotaje contra las instalaciones industriales y militares, la agitación sindical y la huelga, la propaganda constante, los atentados terroristas contra los traidores y los dirigentes alemanes, el boicot y los motines". Era necesario, por lo tanto, establecer, en el mayor secreto, una red de resistencia, recurriendo a los elementos más aventureros del ejército y de la inteligencia británicos: "Lo que necesitamos es una nueva organización que coordine, inspire, supervise y asista a las redes de los países ocupados que tendrán que ser los actores directos. Para ello tendremos que poder contar con la más absoluta discreción, con una buena dosis de entusiasmo fanático, con la voluntad de cooperar con personas de diferentes nacionalidades y con el apoyo incondicional del poder político". Bajo la protección del ministro Dalton, el comando operacional del SOE fue puesto en manos del general de división Sir Colin Gubbins, un hombrecito seco y flaco y con bigote, originario de los Highlands, que desempeñaría en adelante un papel determinante en la creación del Gladio británico. "El problema y su solución consistían en estimular y permitir que los pueblos de los países ocupados perjudicaran en la mayor medida posible el esfuerzo de guerra alemán a través del sabotaje, la subversión, negándose a trabajar, realizando operaciones relámpago, etcétera", describió Gubbins, "y, al mismo tiempo, preparar en territorio enemigo fuerzas secretas organizadas, armadas y entrenadas que solamente debían intervenir en el momento del asalto final". El SOE era en realidad el precursor de la Operación Gladio, puesto en marcha en medio de la Segunda Guerra Mundial. Gubbins resume este ambicioso proyecto en los siguientes términos: "A fin de cuentas, aquel plan consistía en hacer llegar a las zonas ocupadas un gran número de hombres e importantes cantidades de armas y explosivos". El SOE empleaba gran parte de los efectivos de la Sección D y acabó convirtiéndose en una organización de gran envergadura, que contaba en sus filas con más de 13 mil hombres y mujeres y operaba en el mundo entero en estrecha colaboración con el MI6. Aunque realizó varias misiones en el Extremo Oriente, desde bases de retaguardia situadas en la India y en Australia, el principal teatro de operaciones del SOE seguía siendo el oeste de Europa, donde se dedicaba casi exclusivamente a la creación de ejércitos secretos nacionales. El SOE estimulaba el sabotaje y la subversión en los territorios ocupados y establecía núcleos de hombres entrenados capaces de prestar asistencia a los grupos de resistencia en la reconquista de sus respectivos países. "El SOE fue durante cinco años el principal instrumento de intervención de Gran Bretaña en las cuestiones políticas internas de Europa", precisa el informe del British Cabinet Office, "un instrumento extremadamente poderoso" ya que era capaz de ejecutar gran cantidad de tareas. "Mientras el SOE estuviese en acción, ningún político europeo podía creer en la renuncia o la derrota de los británicos". Oficialmente, el SOE fue disuelto y su dirección dimitió en enero de 1846, es decir, poco después del fin de la Segunda Guerra Mundial. Pero Sir Steward Menzies, quien dirigió el MI6 desde 1939 hasta 1952, no tenía intenciones de renunciar a un instrumento tan interesante como el ejército secreto, sobre todo teniendo en cuenta que el director del Departamento de Operaciones Especiales del MI6 aseguraba que las acciones clandestinas de Gran Bretaña iban a proseguir durante la Guerra Fría. El informe del gobierno sobre el SOE, documento que se mantuvo en secreto durante un tiempo, concluyó que: "Es casi seguro que, bajo una u otra forma, habrá que reinstaurar el SOE en una guerra futura". Los objetivos a largo plazo del SOE y de su sucesora, la Special Operations Branch (SOB) del MI6, aprobados de forma provisional por el Consejo del Estado Mayor británico el 4 de octubre de 1945, preveían en primer lugar la creación del esqueleto que debía sustentar una red capaz de extenderse rápidamente en caso de guerra y, en una segunda fase, la reevaluación de las necesidades del gobierno británico para sus operaciones clandestinas en el extranjero. "Se decidió preparar esas acciones prioritariamente en los países con posibilidades de ser invadidos durante las primeras fases de un conflicto con la Unión Soviética, aunque no [estuviesen] sometidos aún a la dominación de Moscú." Después de la Segunda Guerra Mundial, el oeste de Europa siguió siendo por lo tanto el principal teatro de operaciones de la guerra secreta británica. Tras la disolución del SOE, el 30 de junio de 1956, una nueva sección designada como "Special Operations" se creó dentro del MI6 y se puso bajo las órdenes del general de división Colin Gubbins. Según el especialista holandés en servicios secretos Frans Kluiters, el MI6 promovía la formación de ejércitos anticomunistas secretos, "mientras que los Special Operations comenzaban a construir redes en Alemania occidental, en Italia y en Austria. Esas redes (organizaciones stay-behind) podían ser activadas en caso de una posible invasión soviética, para recoger información y realizar actos de sabotaje ofensivo". Gubbins puso especial cuidado en lograr que los efectivos se mantuvieran en Alemania, Austria, Italia, Grecia y Turquía después de 1945. En efecto, el SOE y sus sucesores "tenían otras preocupaciones políticas, aparte de la derrota de Alemania". La directiva de 1945, particularmente explícita, "establecía claramente que los principales enemigos del SOE eran el comunismo y la Unión Soviética", ya que se consideraba que los intereses británicos se hallaban "bajo la amenaza de la Unión Soviética y del comunismo europeo". Varios años más tarde, con la esperanza de obtener el apoyo de la representación nacional para continuar las operaciones clandestinas, Ernest Bevin, ministro británico de Relaciones Exteriores, se dirigió al Parlamento el 22 de enero de 1948 para pedir con insistencia la creación de unidades armadas especializadas destinadas a luchar contra la subversión y las "quintas columnas" soviéticas. En aquel entonces, sólo unos pocos parlamentarios sabían que en realidad aquella proposición ya se estaba aplicando. Washington compartía la hostilidad de Londres hacia los soviéticos. Las dos potencias trabajaban en estrecha colaboración en materia de cuestiones militares y de inteligencia. La Casa Blanca puso en manos de Frank Wisner, director de la Office of Policy Coordination (OPC, el Buró de Coordinación Política de las operaciones especiales de la CIA), la tarea de crear ejércitos secretos stay-behind a través de todo el oeste de Europa, con la ayuda de la SOB del MI6, que dirigía el coronel Gubbins. Roger Faligot y Remi Kauffer, dos historiadores franceses especializados en servicios secretos, explican que la Agencia Central de Inteligencia (CIA) y el MI6 se encargaron primeramente de "neutralizar las últimas unidades clandestinas de las potencias del Eje en Alemania, en Austria y en el norte de Italia", y reclutaron después a ciertos miembros de las vencidas facciones fascistas, incluyéndolos en sus nuevos ejércitos secretos anticomunistas. "Y fue así, a través del OPC de la CIA y de la SOB del SIS, como los servicios secretos de las grandes democracias que acababan de ganar la guerra trataron después de "reutilizar" algunos de sus comandos contra su antiguo aliado soviético". Paralelamente a la del MI6 y la CIA y sus respectivos departamentos de operaciones especiales, la SOB y la OPC, se estableció también una cooperación entre las Fuerzas Especiales de los ejércitos de Gran Bretaña y Estados Unidos. Las fuerzas especiales (Special Air Service, SAS) británicas y los Boinas Verdes estadunidenses, entrenados especialmente para la realización de misiones secretas en territorio enemigo, realizaron de forma conjunta un gran número de operaciones durante la Guerra Fría, entre ellas la formación de los ejércitos secretos stay-behind. Los exoficiales de la Marina Real Giles y Preston, que habían creado el Gladio austriaco, contaron que los reclutas eran enviados a Fort Monckton, un edificio construido durante las guerras napoleónicas y situado frente al mar en Portsmouth (Inglaterra), donde se entrenaban junto a los miembros del SAS bajo la dirección del MI6. Giles y Preston participaron personalmente en aquellos ejercicios del Gladio y se entrenaron en uso de códigos secretos, manejo de armas y operaciones clandestinas. Decimo Garau fue uno de aquellos reclutas entrenados por el SAS británico antes de convertirse en instructor del Centro Addestramento Guastatori, una base del Gladio italiano situada en Capo Marragiu, en Cerdeña. "Me invitaron a pasar una semana en Poole, Inglaterra, para entrenarme con las Fuerzas Especiales", confirmó el instructor Garau después de las revelaciones sobre la existencia del Gladio en 1990. "Hice un salto en paracaídas sobre [el canal de] la Mancha. Participé en el entrenamiento de ellos; todo se desarrolló muy bien entre nosotros. Después me mandaron a Hereford para preparar y realizar ejercicios con los [miembros del] SAS". En aquella época, los británicos eran los más experimentados en materia de operaciones secretas y guerra no convencional. Sus fuerzas especiales (SAS) habían sido creadas en el norte de África, en 1942, con la misión de golpear en profundidad detrás de las líneas enemigas. Los más peligrosos adversarios del SAS británico eran sin duda las SS alemanas, fundadas desde antes de la Segunda Guerra Mundial y dirigidas por Heinrich Himmler. Como todas las fuerzas especiales, las SS eran una unidad combatiente de elite, con sus propias insignias -portaban un uniforme negro bien ajustado, una gorra con un cráneo de plata y una daga plateada- y convencidas de su superioridad sobre todos los demás cuerpos del ejército regular. Sus miembros adquirieron además rápidamente la reputación de ser "asesinos fanáticos". Después de la derrota de la Alemania nazi, las fuerzas especiales de las SS fueron consideradas como una organización criminal y el tribunal de Nuremberg las disolvió en 1946. Después de la victoria, el SAS también fue desmantelado en octubre de 1945. Sin embargo, como la necesidad de asestar golpes bajos y de realizar operaciones peligrosas iba en aumento a medida que disminuía la influencia de Gran Bretaña en el mundo, el SAS fue restablecido y enviado a luchar tras las líneas enemigas, específicamente en Malasia, en 1947. Desde su cuartel general de Hereford, conocido como "la Nursery", el SAS preparó en el mayor secreto numerosas misiones como, por ejemplo, la efectuada en 1958 a pedido del sultán de Omán, operación durante la cual los miembros del SAS contribuyeron a reprimir una guerrilla marxista que se había revelado contra la dictadura del régimen. Aquella operación garantizaría el financiamiento del SAS en el futuro ya que, como pudo comprenderlo un oficial del SAS, los miembros de este servicio británico probaron entonces que "podían ser aerotransportados rápida y discretamente hacia una zona agitada y operar de forma totalmente confidencial en un lugar apartado, una carta muy apreciada por el gobierno conservador de la época". Aunque su acción armada más célebre sigue siendo el asalto a la embajada de Irán, en 1980, el SAS también participó activamente en la guerra de las Islas Malvinas, en 1982. El despliegue más masivo del SAS desde la Segunda Guerra Mundial tuvo lugar durante la guerra del Golfo de 1991. En 1996 colaboraron nuevamente con los Boinas Verdes estadunidenses para entrenar y equipar al Ejército de Liberación de Kosovo antes y después de los bombardeos de la Organización del Tratado del Atlántico Norte sobre el territorio de aquella provincia, que se encontraba entonces bajo control serbio. El diputado conservador Nigel West subrayó, con toda razón, que, al igual que los Boinas Verdes estadunidenses: "El SAS británico habría desempeñado un papel estratégico en la Operación Gladio si los soviéticos hubiesen invadido Europa occidental", dando así por sentada la implicación de las SAS junto a los ejércitos stay-behind creados en Europa. Tanto el SAS británico como los Boinas Verdes estadunidenses colaboraron estrechamente. Fue como prueba de aquella colaboración que los miembros de las Fuerzas Especiales estadunidenses comenzaron a portar, a partir de 1953, la famosa boina verde, proveniente del uniforme de sus modelos británicos. El uso de la boina verde, considerada "extranjera", molestó a muchos altos oficiales del ejército estadunidense. Fue sólo cuando el presidente Kennedy, gran partidario de las operaciones secretas y de las Fuerzas Especiales, lo aprobó durante una visita a Fort Bragg, el cuartel general de dichas fuerzas, que la boina vino a ser oficialmente adoptada en Estados Unidos para convertirse rápidamente en el emblema del más prestigioso cuerpo de comandos del país. La admiración de los estadunidenses por el ilustre y glorioso SAS perduró por muchos años. Los boinas verdes acostumbraban incluso a referirse al cuartel general de Hereford como "la casa matriz", y los oficiales formados en Gran Bretaña gozaban de cierto prestigio a su regreso a Estados Unidos. Por su parte, los británicos se esmeraron en mantener esa alianza, al extremo que en 1962 nombraron al comandante de los Boinas Verdes, el general de división William Yarborough, miembro honorario del SAS. Lady Thatcher envió el SOE a Cambodia donde este servicio secreto británico entrenó y dirigió a los Khmers Rojos. Éstos masacraron entonces a 1 millón y medio de personas, prioritariamente a los intelectuales que hablaban francés. *Historiador suizo, especialista en relaciones internacionales contemporáneas. Se dedica a la enseñanza en la universidad de Basilea, Suiza -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100216/6e774b26/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7893 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100216/6e774b26/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 16 13:59:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 16 Feb 2010 12:59:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_papel_do_Pent=E1gono_na_cat=E1s?= =?iso-8859-1?q?trofe_global?= Message-ID: <9867699439354C9998DEA5408322AF60@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................................................................................repassem O papel do Pentágono na catástrofe global Como o Pentágono conseguiu a isenção de todos os acordos climáticos? Durante as negociações para o Acordo de Kyoto, os EUA exigiram, como condição para a sua assinatura, que todas as suas operações militares no mundo, bem como as operações em que participa com a ONU e com a OTAN, ficassem totalmente isentas das medidas restritivas de redução da emissão de gases. Depois de obter essa gigantesca concessão, o governo Bush se negou a assinar os acordos. A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. O artigo é de Sara Flounders. Sara Flounders (*) Ao avaliar a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas em Copenhagen - onde estiveram presentes mais de 15 mil participantes de 192 países, além de 100 chefes de Estado e ao redor de 100 mil manifestantes nas ruas - é importante perguntar: como é possível que o maior contaminador de dióxido de carbono e de outras emissões tóxicas do planeta não tenha sido objeto de nenhuma discussão na conferência ou alvo de propostas restritivas à sua ação? Pois é o Pentágono o maior utilizador institucional de produtos de petróleo e energia. E, não obstante, tem isenção geral em todos os acordos climáticos internacionais. As guerras do Pentágono no Iraque e no Afeganistão; suas operações secretas no Paquistão; seu equipamento operacional em mais de 1000 bases estadunidenses em todo o mundo; suas 6000 instalações somente nos EUA; todas as operações da OTAN; seus porta-aviões, jatos, testes, treinamento e vendas de armas, não serão levados em conta com respeito aos limites dos efeitos dos gases estufa dos EUA ou incluídos em qualquer estudo? Em 17 de fevereiro de 2007, o Energy Bulletin publicou, com pormenores, o consumo de petróleo dos EUA só para aviões, barcos, veículos terrestres e instalações militares, o que converte o país no maior consumidor de petróleo do mundo. Naquela data, a Marinha dos EUA possuía 195 barcos de combate e apoio e 4.000 aviões em condições operacionais. O Exército possuía 28.000 veículos blindados, 140.000 veículos de alta mobilidade e uso múltiplo, mais de 4.000 helicópteros de combate, centenas de aviões de asa fixa e um parque móvil de 187.493 veículos. Sem contar os 80 submarinos e porta-aviões nucleares, que propagam contaminação nuclear, todos os outros veículos utilizam petróleo. Segundo dados do World Factbook, 2006 (publicação da CIA), somente 35 países no mundo, num total de 210, consomem mais petróleo por dia do que o Pentágono. As Forças Armadas do EUA consomem oficialmente 320.000 barris de petróleo por dia. Contudo, esse total não inclui o combustível consumido por empreiteiras ou o combustível consumido em instalações alugadas ou privatizadas. E também não inclui a grande quantidade de energia e de recursos utilizados para produzir e manter seu equipamento letal de bombas, granadas ou mísseis que emprega. Steve Kretzmann, diretor da Oil Change International, informa que 'a guerra do Iraque produziu, pelo menos, 141 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono (MMTCO2E) desde março de 2003 até dezembro de 2007... Essa guerra emite mais de 60% do dióxido de carbono de todos os outros países... Essa informação não é facilmente acessível porque as emissões militares no estrangeiro estão isentas dos requerimentos nacionais de informação exigidos pela lei dos EUA e a Convenção Marco da ONU sobre Mudanças Climáticas' (www.naomiklein.org,) A maioria dos cientistas culpam as emissões de dióxido de carbono pelos efeitos do gás estufa e das mudanças climáticas. ISENÇÃO CRIMINOSA Como conseguiu o Pentágono a isenção de todos os acordos climáticos? Durante as negociações para o Acordo de Kyoto, os EUA exigiram, como condição para a sua assinatura, que todas as suas operações militares no mundo, bem como as operações em que participa com a ONU e com a OTAN, ficassem totalmente isentas das medidas restritivas de redução da emissão de gases. Depois de obter essa gigantesca concessão, o governo Bush se negou a assinar os acordos. Em artigo de 18 de maio de 1998, intitulado "Temas de Segurança Nacional e de Política Militar contidos no Tratado de Kioto", o doutor Jeffrey Salmon descreveu a posição do Pentágono. Cita o informe anual de 1997 ao Congresso, do então Secretário de Defesa William Cohen: "O Departamento de Defesa recomenda energicamente que os EUA insistam em uma cláusula de segurança nacional no protocolo de mudança climática que se está negociando". (www.marshall.org) Segundo Salmon, essa cláusula de segurança nacional foi proposta em um rascunho que especificava "uma isenção militar total para os limites de emissão de gases que provocam o efeito estufa. O rascunho inclui operações multilaterais como, por exemplo, atividades aprovadas pela OTAN e a ONU, mas também inclui ações amplamente relacionadas com a segurança nacional, o que parece incluir todas as formas de ações militares unilaterais e de exercícios e treinamentos para tais ações". O doutor Salmon cita também o subsecretário de Estado, Stuart Eizenstat, que chefiou a delegação dos EUA a Kioto. Eizenstat informou que "o departamento de defesa e os militares de uniforme que estiveram comigo em Kioto obtiveram todos os requerimentos que queriam, ou seja, autodefesa, manutenção da paz e ajuda humanitária". Mesmo tendo recebido todas essas garantias nas negociações, o Congresso norte americano aprovou uma cláusula explícita garantindo a isenção militar para o país. A agência Inter Press Service informou em 21 de maio de 1998: "Os legisladores dos EUA, em seu mais recente golpe contra os esforços internacionais para conter o aquecimento global, eximiram hoje as operações militares dos EUA do acordo de Kioto que especifica claramente compromissos vinculantes para reduzir a emissão de gases provocadores do efeito estufa. A Câmara de Representantes aprovou uma emenda à lei de autorização militar do próximo ano (1999) "que proíbe restrições às forças armadas a partir do Protocolo de Kioto". Em Copenhagen, continuaram valendo os mesmos acordos e diretivas sobre a emissão de gases "estufa". Contudo, não há a menor referência a esta manifesta omissão. Segundo a jornalista e ecologista Johanna Peace, as atividades militares continuarão sendo eximidas de uma ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama e que prevê que as agências federais reduzam suas emissões de gases poluentes até o ano de 2020. Peace assinala que: "As forças armadas representam 80% das necessidades de energia do governo federal". (solveclimate.com). A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. E apesar disso, mesmo sem contar com o Pentágono, os EUA têm as maiores emissões de dióxido de carbono do mundo. MAIS DO QUE EMISSÕES Além da emissão de dióxido de carbono, as operações militares dos EUA liberam outros materiais altamente tóxicos e radioativos no ar, na água e no solo. Armas estadunidenses feitas com urânio empobrecido já descarregaram milhares de quilos de micro partículas de dejetos radioativos e altamente tóxicos em todo o Oriente Próximo, Ásia Central e Bálcãs. Os EUA vendem minas terrestres e bombas de racimo (bombas que ao explodir liberam outras bombas, também chamadas de bombas cluster) que são a maior causa de explosões retardadas, de mutilação e incapacitação, especialmente em camponeses e outros moradores do interior na África, Ásia e América Latina. Israel, por exemplo, lançou mais de um milhão de bombas racimo sobre o Líbano em sua invasão de 2006, fornecidas pelos EUA. Durante a guerra do Vietnã, os EUA deixaram grandes áreas contaminadas com o herbicida 'Agente Laranja'. Atualmente, mais de 35 anos depois, a contaminação com dioxina ainda está entre 300 e 400 vezes maior do que os níveis "seguros" de contaminação. Uma terceira geração pós-guerra está sofrendo defeitos no nascimento e com altas taxas de câncer resultantes desta contaminação. A guerra de 1991 no Iraque, seguida por 13 anos de cruéis sanções, bem como a invasão de 2003 e a conseqüente ocupação do país, transformou a região - que tem uma história de 5000 anos de ser o celeiro do Oriente Próximo - é hoje uma catástrofe ecológica. A terra arável e fértil do Iraque se converteu em um pântano desértico, no qual o menor vento provoca uma tempestade de areia. O Iraque, que era exportador de alimentos, agora importa 80% de suas necessidades nesse setor. O ministro da agricultura iraquiano estima que 90% da terra sofre uma severa desertificação. A GUERRA ECOLÓGICA NO INTERIOR DOS EE.UU. Além disso, o departamento de defesa tem se oposto rotineiramente às ordens da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA em inglês) para limpar as bases estadunidenses contaminadas (Washington Post, 30 de junho de 2008). As bases militares do Pentágono lideram as listas dos lugares mais contaminados do Superfund (programa de defesa do meio ambiente que exige a localização e limpeza de áreas poluídas), sendo os contaminantes absorvidos por aqüíferos de água potável e pelo solo. O Pentágono tem se oposto também aos esforços da Agência de Proteção Ambiental em estabelecer novos níveis de contaminação para os produtos químicos que se encontram em grande quantidade nas instalações militares: o perclorato, encontrado no propulsor de foguetes e mísseis; e o tricloroetileno, um desengordurante para partes de metal. O tricloroetileno é o contaminador de água mais generalizado no país e é absorvido por aqüíferos da Califórnia, Nova Iorque, Texas, Florida e outros lugares. Mais de 1000 instalações militares dos EUA estão contaminadas com o produto. As comunidades mais pobres, especialmente comunidades negras, são as mais severamente castigadas por esse envenenamento. As provas estadunidenses de armas nucleares no sudoeste e nas ilhas ao sul do Pacífico já contaminaram com radiação milhões de hectares de terra e água. Montanhas de dejetos radioativos e tóxicos de urânio são abandonadas em terras indígenas do sudoeste do país. Mais de 1000 minas de urânio têm sido abandonadas em reservas de índios navajos no Arizona e no Novo México. Em todo o mundo, como nas bases antigas e ativas em Porto Rico, Filipinas, Coréia do Sul, Vietnã, Laos, Camboja, Japão Nicarágua, Panamá e na antiga Iugoslávia, encontram-se barris corroídos com produtos químicos e solventes, além de milhões de projéteis, criminalmente abandonados pelo Pentágono. A melhor e mais dramática maneira de limpar o meio ambiente é fechar o Pentágono. O que se necessita de fato para combater as mudanças climáticas é uma completa mudança de sistema. Fonte: http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=16609 Sara Flounders é co-diretora do International Action Center (www.iacenter.org/) para a Global Research. Texto publicado no site www.rebelion.org/ Tradução do espanhol de Izaías Almada. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2691 - Data de Lançamento: 02/16/10 07:35:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100216/3574612e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 17 19:36:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 17 Feb 2010 18:36:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?O_Aperigeu_do_Imp=E9rio_da_ilus=E3?= =?iso-8859-1?q?o_-_USA_=28v=EDdeo=29__/_e_o_Discurso_de_un_veteran?= =?iso-8859-1?q?o_de_guerra_norteamericano=2C_Mike_Prysner=2C_y_sus?= =?iso-8859-1?q?_sentimientos_acerca_de_la_guerra=2E__=28=C9_precis?= =?iso-8859-1?q?o_conhecer=2EImperd=EDvel=29?= Message-ID: <828DB71C767E4E39B1C3878CE6DF37D1@vcaixe> Carta O Berro....................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: izaias almada Assista a entrevista abaixo produzida por Milenio (entrevistador Jorge Pontual e o entrevistado Chris Hedges, autor do livro "O Aperigeu do Império da Ilusão") Conheça a sociedade norte-americano , a cultura e a manipulação do poder pelos grupos econômicos) (clique) http://especiais.globonews.globo.com/milenio/2010/01/26/o-perigeu-do-imperio-da-ilusao/ e ----- Original Message ----- From: Feliciano Mejia Discurso de un veterano de guerra norteamericano, Mike Prysner, y sus sentimientos acerca de la guerra. (clique) http://www.youtube.com/watch?v=9kWU-JHetMM&feature=player_embedded -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100217/c2831193/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100217/c2831193/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 18 19:53:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 18 Feb 2010 18:53:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_Doutrina_do_Choque/_O_projeto_d?= =?iso-8859-1?q?e_controle_mental_/tecnicas_de_controle_mental_/TV_?= =?iso-8859-1?q?=E9_usada_para_lavagem_cerebral_/saiba_o_que_eles_n?= =?iso-8859-1?q?=E3o_querem_que_voc=EA_saiba_sobre_a_Nova_Ordem_Mun?= =?iso-8859-1?q?dial_/?= Message-ID: Carta O Berro........................................................................................................................repassem A Doutrina do Choque /O projeto de controle mental /tecnicas de controle mental /TV é usada para lavagem cerebral /saiba o que eles não querem que você saiba sobre a Nova Ordem Mundial / São cinco vídeos que revelam o âmago da dominação pelo império. São poucos minutos. Não deixem de assistir. Abraço. Vanderley (clique) http://www.youtube.com/watch?v=jKU3jm4sjZE http://www.youtube.com/watch?v=NTQjTokmVFE http://www.youtube.com/watch?v=Ee0xS1OSGLg http://www.youtube.com/watch?v=vZwvw8b9J4k http://www.youtube.com/watch?v=x75Y_rwD1No -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100218/cf484701/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 18 19:53:18 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 18 Feb 2010 18:53:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Gildo_Mar=E7al_Brand=E3o?= Message-ID: <53B93DEE703547738241EC6BF57CA75D@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Gildo Marçal Brandão Marco Antônio Coelho - Fevereiro 2010 Amigos e companheiros, Simone, Joana, Carolina e Lucas, Dona Eva, dr. Brandão e demais parentes de Gildo Aqui estamos para prantear o desaparecimento de um personagem singular. É interessante assinalar que Gildo antes de tudo era um sobrevivente na batalha pela sua existência. Segundo o relato de sua mãe, dona Eva, na infância os médicos não acreditavam que o primogênito daquela família, nascido no inóspito sertão de Mata Grande, iria sobreviver. Os diagnósticos eram irrefutáveis. O garoto padecia com a chamada tetralogia di Fallot que afetava de forma total seu sistema cardíaco. Todavia, dona Eva, com o apoio total de seu esposo, não se curvou diante desse prognóstico. Recorreu a tudo que a medicina naquela época poderia fazer para salvar seu filho. Assim, teve início uma batalha que durou quase sessenta anos, porque exatamente hoje Gildo completaria 61 anos de idade. Mas essas seis décadas foram sobretudo uma sequência de sofrimentos e sacrifícios inauditos desse alagoano fisicamente fraco, mas com fibra de aço. Volta e meia era internado em hospitais e sempre estava preso a dietas intoleráveis. Duas vezes seu músculo cardíaco teve de ser aberto e na primeira delas sua vida dependeu da perícia do doutor Zerbini. Recentemente, recorreram à implantação de um marca-passo, que, afinal, não impediu o enfarte que o derrotou anteontem. Sua grande amiga, cardiologista do Incor, a doutora Ana Maria Braga, sempre nos advertiu: "Fiquem preparados para o que pode acontecer com Gildo". Então, na verdade, o sucedido anteontem foi um fato absurdo, mas anunciado, pois a falência de seu sistema cardíaco fora adiada durante seis décadas. Em primeiro lugar pelo extremo cuidado recebido na infância e na mocidade, graças ao carinho de seus familiares. Outros fatores básicos foram essenciais na formação dessa figura excepcional como teórico e militante político em nosso país. Em segundo lugar contribuiu decisivamente seu profundo amor à vida, ao trabalho que realizava como cientista político, sua convicção de que suas pesquisas seriam de enorme importância para o futuro do país. Note-se que fugiu de São Paulo para uma praia a fim de poder terminar a aula que deveria prestar na segunda semana de março. Todos sentiam como seus deveres como professor o consumiam, embora sempre apreciasse as coisas boas da vida. Não por acaso seu último de vida foi um passeio maravilhoso numa praia. O outro fator básico que permitiu essa atividade espantosa foi o apoio absoluto, total e vigilante de Simone, sua companheira que tudo fazia para que Gildo pudesse viajar, tomar parte na vida social e manter em sua residência um afetuoso e acolhedor clima de amizade com inúmeros amigos, com estudantes estrangeiros que ali se hospedavam, e auxiliando os pós-graduandos orientados por Gildo. A contribuição de Simone também foi essencial para garantir um melhor padrão de vida da família. Pois bem, esse alagoano travou essa batalha sem se submeter às normas impostas a uma pessoa fisicamente frágil. Sua vida é um exemplo de um envolvimento permanente com toda a sorte de dificuldades financeiras, políticas, policiais, e de extremo amor a diversas instituições de pesquisa, particularmente a Universidade de São Paulo. Agora a fatalidade o derruba quando dentro de um mês iria disputar o mais alto posto na academia, a função de professor titular da USP. O ponto de partida de Gildo na universidade foi o estudo sistemático de filosofia, o que lhe deu uma base teórica que sempre lhe permitiu fazer análises profundas na ciência política e na sociologia. Daí suas posições ao lado dos que no movimento comunista assumem uma atitude firme na defesa do valor universal da democracia e da firme disposição de aprofundar a correção dos erros cometidos pelos que se engajam na luta por uma sociedade mais justa. Com orgulho Gildo Marçal Brandão relatava sua qualidade de militante comunista. Relembro sua disposição de participar ativamente da rearticulação da direção comunista em São Paulo, quando a repressão policial assassinou diversos dirigentes comunistas em 1974 e 1975. Naquele ambiente de absoluto terror, Gildo cuidou de reorganizar a direção estadual dos comunistas e participou do lançamento do semanário Voz da Unidade, que circulou durante vários meses. Essa atuação criou um problema para ele, porque o afastou durante vários meses da vida acadêmica. Assumiu o compromisso de uma participação teórica mais intensa no lançamento da revista Temas de Ciências Humanas, abordando aspectos essenciais da atividade comunista no Brasil e no mundo. Para sobreviver viu-se forçado a trabalhar em várias publicações, na qualidade de free-lancer, inclusive na Folha de S. Paulo, quando foi acolhido por Cláudio Abramo. Retornando à atuação na academia, Gildo jamais deixou de lado sua atuação destacada como um dos teóricos que dedica parte de seu tempo à elaboração programática do ideário comunista no Brasil e no mundo. Comecei meus contatos com Gildo depois da minha saída da prisão, em 1979. De início era um relacionamento distante, mas que foi se estreitando cada vez mais. Com o passar dos anos diariamente debatíamos problemas e desafios. Tudo o que eu fazia submetia a ele. E ele sempre exigia minhas opiniões. Raramente discordávamos. Agora fico meio perdido sem saber como vou trabalhar sem antes ouvir suas observações. Assim minha sensação é de perplexidade e de insegurança. Mas tenho clareza em relação a um ponto. A contribuição de Gildo foi poderosa e profunda, deixando dois importantes legados. De um lado, foi sua colaboração intensa para a criação na USP - principalmente nos Departamentos de Ciência Política e de Sociologia - de um clima de renovação entre os professores, visando o aggiornamento do ensino superior no Brasil nas ciências humanas. De outro lado, pode-se medir a repercussão de seu trabalho na USP através da formação de um grupo de doutores e mestres que leva em conta suas análises críticas. Encerro minhas palavras fazendo um apelo para que esforços sejam feitos a fim de ser publicado o memorial preparado por ele para o concurso de professor titular da USP. Documento que, no dizer dele, é um resumo de suas opiniões. Assim, a divulgação dessa derradeira reflexão será a maior homenagem a um mestre cujo exemplo é um orgulho para a comunidade acadêmica brasileira. Fala de Marco Antônio Coelho, crematório da Vila Alpina em São Paulo, 17 de fevereiro de 2010. Uma das últimas intervenções públicas de Gildo Marçal Brandão, uma das figuras centrais deste sítio, é a entrevista sobre Gramsci e a esquerda brasileira, hoje. Gramsci e a esquerda brasileira, hoje Gildo Marçal Brandão - Julho 2009 De acordo com Gildo Marçal Brandão, professor do Departamento de Ciência Política da USP e pesquisador do Cedec, a partir dos anos 1980 e 1990 Gramsci passou a ser uma referência importante no Brasil, propagado por autores ligados ao velho Partido Comunista Brasileiro. O pesquisador ressalta que Gramsci teve influência na construção da esquerda em nosso país, porque justificava, delineava e trazia elementos de reflexão para uma esquerda que tentava fazer uma política de frente democrática contra o regime militar. Entretanto, Brandão ressalta que a análise das classes como motor das mudanças sociais, critério chave do marxismo e do próprio Gramsci, "é ultrapassada". A entrevista foi realizada por telefone. Brandão é graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP). É pós-doutor pela University of Pittsburgh. De sua obra bibliográfica, destacamos A esquerda positiva: as duas almas do Partido Comunista, 1920-1964 (São Paulo: Hucitec, 1997) e Linhagens do pensamento político (São Paulo: Hucitec, 2007). Qual é a importância de Gramsci na construção da esquerda brasileira? Gramsci foi influente no Brasil a partir dos anos 1970. O Brasil foi um dos primeiros países que traduziu sua obra. Num determinado momento, ele passou em "brancas nuvens". Depois, a partir dos anos 1980 e 1990, se tornou um autor importante, propagado no Brasil, em geral, por autores ligados ao velho Partido Comunista Brasileiro: Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Luiz Werneck Vianna, Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques. Alguns liberais e pessoas de extrema-esquerda também interpretaram as obras de Gramsci, de maneira diferente. Gramsci foi importante na construção da esquerda, porque justificava, delineava e trazia elementos de reflexão para uma esquerda que tentava fazer uma política de frente democrática contra o regime militar. Várias categorias de Gramsci e do eurocomunismo foram usadas no Brasil por uma parte da esquerda que estava se reconciliando com a democracia e que achava que não se devia lutar pela derrubada da ditadura, mas sim pela derrota da ditadura. A ideia era fazer uma política de frente para isolar o regime militar. Então, categorias de Gramsci, como a guerra de posição e a ideia de que o País já era ocidentalizado e não oriental, comportavam a luta política institucional, luta de massa, reivindicação da democracia. Esse foi o Gramsci importante para a reconstrução da esquerda brasileira. Isso influenciou no começo o velho comunismo e depois se propagou pelo petismo, que tinha muitos elementos em contradição com a velha esquerda comunista. Mas Gramsci foi particularmente influente nos dois casos, porque, em ambos, a atenção à luta democrática, institucional e eleitoral, era importante. Hoje, que reflexos de sua obra sobrevivem nos partidos de esquerda do Brasil? Eu não conheço bem os partidos de esquerda que sobrevivem no Brasil. Mas eu tenho impressão de que a obra de Gramsci deixou algum resquício intelectual. Por exemplo, existe um site chamado Gramsci e o Brasil, que reúne intelectuais que ainda são ligados a uma posição de esquerda democrática, de esquerda gramsciana, no Brasil. Mas Gramsci como elemento de direção política, de definidor de estratégias, não existe mais. A influência dele na esquerda brasileira é muito pequena. É claro que ficou a marca de um certo setor da esquerda democrática, da esquerda que considera a democracia um valor universal. É aí que Gramsci sobrevive como influência intelectual. Por que os ensinamentos de Gramsci se perderam nos partidos de hoje? Primeiro porque o marxismo saiu do cenário, ou seja, ele foi fortemente abandonado e superado. O desprestígio das ideias marxistas afetou muito os teóricos latinos. Gramsci, deles todos, talvez seja um dos que melhor resista, justamente porque tem o marxismo muito voltado para a análise de situações e processos políticos. Nesse ponto, Gramsci tem muito o que dizer. Boa parte do pensamento marxista, hoje, não é nem muito considerada. Por exemplo, um critério-chave do marxismo e do próprio Gramsci é a análise das classes como motor das mudanças sociais. Ora, se observarmos a sociologia moderna, dos últimos 20 anos, se percebe que há um abandono quase generalizado da teoria das classes para explicar as mudanças sociais. Muitos sociólogos tomavam a teoria das classes como o principal vetor que explicava a mudança social. Hoje, não se tem mais nenhuma teoria nesse estilo. Não se tem mais, nas ciências sociais, teorias que explicam o conjunto. Existem, sim, teorias que explicam partes, de alcance médio, mas não globais. Há um desprestígio que afetou o marxismo, o funcionalismo, o estruturalismo. Toda essa influência recente do pós-modernismo jogou teóricos como Gramsci em segundo plano. Isso não quer dizer que não sobrevivam ou existam intelectuais marxistas de primeira categoria, com posições divergentes. Carlo Rosselli referiu-se a Gramsci como um gênio. Quais são suas principais contribuições à ciência política atual? Gramsci sempre se recusou a separar a política da sociologia, da economia, da cultura. Ele sempre pensou globalmente. Hoje, as ciências sociais são muito fragmentadas e segmentadas. Então, ele batia de frente com isso. Apesar de ser um marxista, e ser contra qualquer tipo de elitismo, ele sempre achou que as ciências sociais tinham que estudar e abarcar o conjunto de atividades pelas quais as classes dirigentes não só mantêm como justificam seu domínio e tentam obter o consentimento passivo dos governados. Para ele, o problema político central era superar a divisão entre governantes e governados, isto é, transformar os governados, que constituem a classe subalterna, em capazes de serem governantes. Por isso, ele acreditava que não bastava vencer; era necessário convencer. Era possível que um grupo político, mesmo sem estar no poder, se transformasse numa classe dirigente da sociedade, desde que soubesse transformar os seus interesses em interesses universais desta sociedade. Por esse caminho, Gramsci cunhou a razão da hegemonia, que é fundamental para as ciências políticas. Essa ideia de hegemonia, ao meu ver, é a principal contribuição que ele deu às ciências sociais. Como Gramsci pode contribuir para fortalecer a democracia brasileira? Do jeito que entendo, Gramsci nos ajuda a pensar em como construir democraticamente a democracia, e construir o socialismo, no qual ele acreditava. Gramsci aposta nesse caminho democrático e tende a ver essas duas coisas como um mesmo processo. Nesse sentido, ele é bastante coerente e reforça a capacidade que se tem de refletir e atuar no sentido de construir uma direção política que não apenas vença o adversário, mas convença. Fonte: IHU On Line, 296, 8 jun. 2009 & Gramsci e o Brasil Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100218/8e8fc058/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 19 16:41:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 19 Feb 2010 15:41:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_=22EU_TENHO_MUITO_MEDO=22____por__LAER?= =?utf-8?q?TE_BRAGA________________________________________________?= =?utf-8?q?___=28nem_=C3=A9_pizza_calabreza=2E_Nem_dele_=C3=A9_cert?= =?utf-8?q?eza=2E_Passou_a_vida_querendo_ser_Regina_e_virou_essa_tr?= =?utf-8?b?aXN0ZXphOiBWYWNhLi4ucmV6YSk=?= Message-ID: <207A65779C7F49898E706A3E6D3B7258@vcaixe> ?EU TENHO MUITO MEDO? Laerte Braga O texto atribuído ao ator Carlos Vereza não faz justiça ao seu talento como tal. Soa como tendo sido produzido nos porões do PROJAC, por especialistas em criar fantasmas e medos, lembra a patética afirmação da atriz Regina Duarte em 2002, quando Lula foi eleito presidente. Uns dias antes das eleições a moça, amiga de FHC, disse que ?eu tenho muito medo?. Medo de que? As eleições presidenciais no Brasil transcendem ao nosso País, inserem-se na luta dos povos latino-americanos num primeiro plano e nações em desenvolvimento num numa perspectiva maior, na reação ao que Samuel Pinheiro Guimarães chamou de ?Quinhentos anos de Periferia? (Contraponto, 2001). ?O fortalecimento desse super-Estado norte-americano se exerce por meio de sua crescente capacidade de projeção de força política, econômica e militar, direta ou indiretamente através de organismos internacionais, tais como a ONU, a OTAN, a OMC, o FMI e o Banco Mundial. Um aspecto revelador do crescente poder nacional do Estado americano é a sua capacidade de, mesmo diante da evidência de aumento de seu poder, promover e difundir ideologias que advogam a inevitabilidade ? ou a necessidade ? do desaparecimento dos outros Estados (e, portanto, a naturabilidade e a desejabilidade de seu enfraquecimento) e de fazer com que as sociedades e as lideranças de outros Estados disso se convençam e para tal fim colaborem?. Vereza em ?sua? carta alerta fala em uso dos fundos de pensão de estatais. Esquece-se que as privatizações foram comandadas por Fernando Henrique Cardoso usando os referidos fundos de forma ilegal, imoral e José Serra era um dos ministros. Primeiro do Planejamento (convenceu os resistentes que a privatização da VALE era boa para o Brasil) e depois da Saúde, onde se apropriou da lei de Jamil Haddad como se sua fosse, a dos genéricos. Mau caratismo puro. O fato de ser ator não transforma ninguém, necessariamente, em profeta de um apocalipse que não existe, exceto na cabeça daqueles que quando recebem propinas se juntam em orações. Ou que reagem à prisão de um político corrupto como José Roberto Arruda com ?patriótica indignação?, afirmando que ?isso aqui não é a Venezuela?. Por que? Pilantras como Serra (?vote num careca e leve dois?), FHC e Arruda ficam presos na Venezuela? O ator fala em fascismo. Onde? A não ser que esteja ensaiando para uma peça ou uma novela de nonsense, não tem a menor idéia do que seja fascismo. Para cada eleição uma ?regina duarte?. Vereza faz dupla com Arnaldo Jabor, são as ?reginas? da vez. Criam e alimentam em linguagem recheada de uma falsa indignação um temor injustificado, mas com objetivos claros e definidos para vender determinadas candidaturas em função dos interesses das empresas das quais são empregados muito bem remunerados. Vendem a ideologia dos donos. Não pensam com a cabeça, pensam com o contracheque. O desse tipo de gente vem impresso em inglês, assim como o projeto de lei de patentes que FHC recebeu, nos primeiros momentos de seu governo, e enviou no original para o Congresso. De quatro, a maioria aprovou. Ou na concorrência fraudulenta do SIVAM (SISTEMA DE VIGILÂNCIA AÉREA DA AMAZÕNIA), parte do processo de entrega do Brasil. Valeu-lhe uma chantagem e engoliu durante quatro anos, pagou o preço cobrado, um superintendente na Polícia Federal. A mesma que não prendia ninguém e hoje prende governadores corruptos. Será que o ator acha que isso é liberdade de expressão? A não ser que liberdade de expressão seja a opinião de quem paga, tudo bem. Por trás da carta de Carlos Vereza está uma parte do processo político de avanço sobre a jóia da coroa na América Latina, o Brasil. Querem porque querem que sejamos BRAZIL. Deve ser intolerável para esse tipo de gente que acha que ?gari é a mais baixa escala da categoria de trabalho? (frase de Boris Casoy) supor que um trabalhador possa ascender ao governo e governar com índices de popularidade superiores a notáveis como FHC. Notáveis bandidos. Vazia, mas recheada de pomposidade patriótica, cujo único objetivo é garantir o leite das crianças (e que leite!), o ator lembra, até pela sua forma de atuar, sua voz, aqueles vampiros anunciando que vão morder a vítima e sugar-lhe o sangue. São dois vampiros. Ele e Serra. Quantos teremos até o dia das eleições? Perto de 500 mil crianças morreram de fome no Iraque, antes da invasão e ocupação por tropas do império norte-americano, por conta do embargo econômico contra aquele país. Madeleine Albright, secretária de Estado do governo de Clinton, quando perguntada sobre o fato respondeu ?que é um preço que pagamos pela democracia?. Que democracia? Dos coturnos nazi/fascistas que sufocam o Afeganistão em sangue matando civis todos os dias? Que envia dez mil soldados para o Haiti com o objetivo de garantir o petróleo dos haitianos para suas empresas? O modelo de sociedade concebido por quem escreveu a carta para o ator Carlos Vereza, jogada de marketing, repeteco da patética Regina Duarte, é doentio. Se você olhar as caras que transitam pelas ruas do império verá que são iguais. Exceto quando invadem escolas e matam seus próprios colegas. Ou escritórios e assassinam seus companheiros de trabalho. Ou países e se tornam senhores do mundo numa ordem bárbara e boçal. E Vereza vem falar em Estado fascista? Em ?fascismo galopante?. Sou mais o gari que puxou a ministra Dilma Roussef para dançar no carnaval carioca. Um brasileiro que pensa como brasileiro e sonha um Brasil brasileiro. É bem diferente do BRAZIL de Vereza, ou dos patrões de Vereza. Está mais para filme de terror, daqueles antigos. Você os vê e não consegue nada além de dar boas risadas. Quem tem medo são eles. Medo de perder os privilégios que o poder corrupto financiado pelo império dos EUA lhes confere. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100219/6b306981/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 19 16:43:17 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 19 Feb 2010 15:43:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Lan=C3=A7amento=3A_O_FILHO_DA_DITADURA?= Message-ID: <79ADA53D73E7410C99A1265A00D7879E@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eduardo Almeida ? O Filho da Ditadura de Juvenal Teodoro Payayá. É um romance de 178 paginas repletas de amarguras. A apresentação é do cientista político Jorge Almeida. Tudo começa em primeiro de abril. Uma das inovações marcantes no texto é a relação contraditória do indígena com a ditadura militar. O personagem é forte e foge dos padrões habituais, não se submete e não se deixa tutelar. Os episódios que destacam torturas a mulheres chamam a atenção para o estupro e o sadismo do torturador. O ato vil é identificado como prática comum nas prisões das ditaduras da Latino América. As consequências são Os Filhos da Ditadura. É um texto forte onde através dos personagens discutem-se Ligas Camponesas, Indústria bélica, Pedra do Cavalo, Ciltura indigena, Riocentro, Previdência privada, exilio, vinhos finos e muito mais. Vale a pena sua leitura. Mais informações em: www.juvenal.teodoro.blog.uol.com.br e http://mais.uol.com.br/juvenalpayaya -------------------------------------------------------------------------------- Faça compras on-line com mais segurança. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100219/6cdc6465/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 19 16:43:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 19 Feb 2010 15:43:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_Fal=EAncia_dos_Estados_Unidos_a?= =?iso-8859-1?q?gora_=E9_Certa?= Message-ID: <99B1552ED3394BA2B8BBF7D9DBFAB39C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Angélica Teresa Almstadter A Falência dos Estados Unidos agora é Certa Porter Stansberry Silverbearcafe Tradução: Revelatti É um daqueles números inacreditáveis e enormes nos quais você realmente terá que pensar neles por enquanto ... Dentro dos próximos 12 meses, o Tesouro Americano terá de refinanciar US$ 2 trilhões em dívida de curto prazo. E isso sem contar as despesas adicionais do défice, que são estimadas em cerca de US$ 1,5 trilhões. Coloque os dois números juntos. Então pergunte a si mesmo, como no mundo pode tomar emprestado do Tesouro 3,5 trilhões de dólares em apenas um ano? Isso é um montante equivalente a quase 30% do nosso PIB inteiro. E nós somos a maior economia do mundo. De onde virá o dinheiro? Como é que vamos acabar com tanta dívida de curto prazo? Como a maioria das entidades que têm uma dívida muito grande - os devedores do subprime, GM, Fannie, ou GE - O Tesouro Americano tentou minimizar sua carga de juros em empréstimos para curtos períodos de tempo e então "capota" os empréstimos quando eles vencem. Como dizem em Wall Street, "uma dívida rolando não recolhe nenhum musgo." O que eles querem dizer é, contanto que você possa estender a dívida, você não tem nenhum problema. Infelizmente, isso leva pessoas a tomar quantidades cada vez maiores de dívida ... e os prazos são cada vez mais curtos ... em vez menores taxas de juros. Mais cedo ou mais tarde, os credores irão acordar e se perguntar: Quais são as chances que eu tenho de ser realmente restituído? E é aí que começa o problema. As taxas de juros sobem drasticamente. Custos de financiamento sobem. A festa acabou. Falência é o próximo resultado. Quando os governos vão à falência é chamado de "o padrão". Especuladores de moeda corrente descobriram como prever exatamente quando um país estaria padrão. Dois economistas conhecidos - Alan Greenspan e Pablo Guidotti - publicaram a fórmula secreta em um trabalho acadêmico em 1999. É por isso que a fórmula é chamada regra Guidotti-Greenspan. A regra estabelece: Para evitar um padrão, os países devem manter reservas em divisas pelo menos igual a 100% dos seus vencimentos a curto prazo da dívida externa. A empresa mundial de gestão de dinheiro, PIMCO, explica a regra da seguinte forma: "O valor de referência mínimo de reserva equivalente a pelo menos 100% da dívida externa de curto prazo é conhecida como regra Guidotti-Greenspan. Greenspan-Guidotti é talvez o único conceito de adequação de reserva que tem a maioria dos adeptos e suporte empírico. O princípio subjacente a esta regra é simples. Se você não consegue saldar todas as suas dívidas externas nos próximos 12 meses, você está em risco terrível de crédito. Os especuladores estão indo segmentar os seus títulos e sua moeda, o que torna impossível refinanciar suas dívidas. "O padrão" é garantido. Assim qual é a posição da América na escala Guidotti-Greenspan? É um padrão garantido. Os EUA detém ouro, petróleo e moeda estrangeira na reserva. Os EUA tem 8.133,5 toneladas de ouro (é o maior detentor do mundo). Isto é 16.267.000 em libras. Em valores correntes de dólares, vale cerca de US$ 300 bilhões.A reserva estratégica de petróleo dos EUA mostra uma posição de total atual de 725 milhões de barris. Dólar a preço corrente, que é aproximadamente US$ 58 bilhões de dólares no valor do petróleo. E de acordo com o FMI, os EUA têm US$ 136 bilhões em reservas de moeda estrangeira. Então, somando tudo ... têm-se cerca de US$ 500 bilhões de reservas. Nossas dívidas estrangeiras de curto prazo são muito maiores. De acordo com o Tesouro dos EUA, o valor é de US$ 2 trilhões em dívida com vencimento nos próximos 12 meses. Então, olhando apenas a dívida de curto prazo, sabemos que o Tesouro terá de financiar pelo menos US$ 2 trilhões em dívida com vencimento nos próximos 12 meses. Isso não pode causar uma crise se ainda estivéssemos financiamento nossa dívida pública interna. Mas, desde 1985, somos um devedor líquido para o mundo. Hoje, estrangeiros são donos de 44% de todas as nossas dívidas, o que significa que devemos para credores estrangeiros, pelo menos, US$ 880 bilhões de dólares nos próximos 12 meses - uma quantidade muito maior que nossas reservas. Tenha em mente, este só cobre as nossas dívidas existentes. O Escritório de Administração e Orçamento está prevendo um déficit orçamentário de US$ 1,5 trilhões durante o próximo ano. Isso coloca as nossas necessidades de financiamento total da ordem de US$ 3,5 trilhão nos próximos 12 meses. Então ... de onde virá o dinheiro? O total de poupança doméstica dos EUA são de apenas cerca de US$ 600 bilhões anualmente. Mesmo se todos nós colocarmos cada centavo das nossas economias na dívida do Tesouro Americano, ainda estaremos devendo quase US$ 3 trilhões à curto prazo. Isso é um requisito de financiamento anual equivalente a cerca de 40% do PIB. Onde está o dinheiro? De nossos credores estrangeiros? Não de acordo com Guidotti-Greenspan. E não de acordo com o bancos centrais da India e da Russia, que pararam de comprar títulos do Tesouro e começaram a comprar grandes quantidades de ouro. A India comprou 200 toneladas neste mês. Fontes dizem que na Rússia, o Banco Central não vai dobrar suas reservas de ouro. Então, de onde virá o dinheiro? Da imprensa (casa da moeda). O Federal Reserve já monetizou quase US$ 2 trilhões em dívida do Tesouro e dívida hipotecária. Isto enfraquece o valor do dólar e desvaloriza os nossos laços existentes do Tesouro. Mais cedo ou mais tarde, os nossos credores terão de enfrentar uma escolha difícil: manter os nossos laços e continuar a ver o valor diminui lentamente, ou tentar escapar ao ouro e ver o valor de suas ligações com os EUA despencar. Uma coisa que eles não vão fazer é comprar mais da nossa dívida. Quais serão os próximos bancos centrais que irão abandonar o dólar? Brasil, Coréia e Chile. Estes são os três maiores bancos centrais que possuem a menor quantidade de ouro. Não chegam à 1% do total de suas reservas em ouro. Eu examinei essas questões com muito mais detalhes na edição mais recente do meu boletim, Investimento Porter Stansberry Assessor, que publicou sexta-feira passada. Coincidentemente, o New York Times repetiu nossos avisos - quase palavra por palavra - no seu jornal hoje. (Eles não mencionaram Guidotti-Greenspan, entretanto ... Porque é um verdadeiro segredo dos especuladores internacionais.) Fonte: Prisonplanet - The Bankruptcy of the United States is Now Certain __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100219/85a07972/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 48186 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100219/85a07972/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 20 15:47:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 20 Feb 2010 14:47:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Ministro Paulo Vannuchi debate PNDH na Casa da Cidade - Data: 22 de fevereiro, segunda-feira - SP Message-ID: Grupos.com.brCarta O Berro...........................................repassem ----- Original Message ----- From: Marcelo Zelic Repassamos a todos o convite para participarem no 22/02 à noite de um debate com Paulo Vannuchi, é um bom momento para que as entidades do Fórum de Defesa do Programa nacional de Direitos Humanos nos fazermos presente e apresentarmos questões que esclareçam dos pontos polêmicos, a posição do governo frente a eles. Abraços Marcelo Problemas para visualizar a mensagem? Acesse este link. São Paulo, 18 de Fevereiro de 2010 Boletim nº 103 Paulo Vannuchi debate Programa Nacional de Direitos Humanos na Casa da Cidade Para começar as atividades de 2010, a Casa da Cidade receberá o ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi no debate sobre o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). O programa vem causando discussões nos diferentes setores da sociedade, entre os itens polêmicos estão: - A proposta de criação da ?Comissão da Verdade?, com o objetivo de examinar as violações de direitos humanos praticadas no contexto de repressão política; - Apoio à aprovação de projeto de lei que descriminaliza o aborto; - Criar mecanismos que impedem a ostentação de símbolos religiosos; - Instauração de algumas regras que, segundo o setor agrícola, dificultaria a desocupação de terras invadidas. Conforme a tradição da Casa, convidamos você a vir refletir e discutir a importância do novo programa, suas diretrizes, as pressões que ele vem sofrendo e as alterações já ocorridas. Leia o decretodo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aprova o programa Nacional de Direitos Humanos: http://www.casadacidade.org.br/aconteceu_ver.php?idConteudo=25 Debate sobre PNDH-3 com Paulo Vannuchi Data: 22 de fevereiro, segunda-feira Horário: 19h30 Local: Casa da Cidade Endereço: Rua Rodésia, 398 - Vila Madalena Visite e divulgue: www.casadacidade.org.br Associação Casa da Cidade Rua Rodésia, 398 - V. Madalena CEP 05435-020 - São Paulo - SP (11) 3814-3372 Quero encaminhar essa mensagem para meus contatos Não deseja mais receber nossas mensagens? Cancele o recebimento aqui. PELA VIDA, PELA PAZ TORTURA NUNCA MAIS -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100220/0c5959ff/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 20 15:47:49 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 20 Feb 2010 14:47:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Camilo Torres: El Sacerdote guerrillero [Archivos adjuntos 2] Message-ID: <355EC4C4E6A44D9E8EC6C90D9B8AEBED@vcaixe> Carta O Berro...........................................repassem [Más abajo se incluyen archivos adjuntos de Pueblo Pobre Organizado] PUEBLO POBRE ORGANIZADO http://pobresorganizados.blogspot.com www.pueblopobreorganizado.blogspot.com pueblopobreorganizado at yahoo.es Camilo Torres: El Sacerdote guerrillero Por Revista Insurrección www.eln-voces.com "No depondré las armas mientras el poder no esté totalmente en las manos del pueblo". Camilo Torres "Donde cayó Camilo nació una cruz, pero no de madera sino de luz. Lo mataron cuando iba por su fusil, Camilo Torres muere para vivir" Se graduó como bachiller en el Liceo Cervantes en 1946. Luego de estudiar un semestre de derecho en la Universidad Nacional de Colombia, ingresó al Seminario Conciliar de Bogotá, donde permaneció siete años, tiempo durante el cual Camilo se comenzó a interesar por la realidad social, creando un círculo estudios sociales, junto con su compañero Gustavo Pérez. Como cristiano, se sintió atraído por el tema de la pobreza y la justicia social. Camilo se ordenó como sacerdote en 1954, y luego viajó a Bélgica a estudiar sociología en la Universidad de Lovaina. Durante su estadía en Europa, hizo contacto con la Democracia Cristiana , el movimiento sindical cristiano, y con los grupos de resistencia argelina en París, factores que lo llevaron a acercarse a la causa de los oprimidos. Fundó con un grupo de estudiantes colombianos de la universidad el ECISE (Equipo colombiano de investigación socioeconómica) En 1958 se graduó como sociólogo con el trabajo ?Una aproximación estadística a la realidad socioeconómica de Bogotá? (publicado en 1987 como ?La proletarización de Bogotá?), que fue uno de los pioneros en sociología urbana del país. En 1959 regresó a Bogotá y fue nombrado capellán de la Universidad Nacional. Allí, junto con Orlando Fals Borda, fundó la Facultad de Sociología en 1960, a la que estuvo vinculado como profesor. Colaboró con la investigación dirigida por Germán Guzmán, publicada como ?La violencia en Colombia? (1962, segundo tomo 1964). En 1963 presentó el ensayo ?La violencia y los cambios socioculturales en las áreas rurales colombianas?, en el primer Congreso Nacional de Sociología. Hizo parte del Instituto Colombiano para la Reforma Agraria (INCORA) y la Escuela Superior de Administración Pública (ESAP). Presionado por el alto clero, en 1965 renunció al sacerdocio. Ese año, planteó una plataforma para un movimiento de unidad popular, gestando así a la fuerza política ?Frente Unido del pueblo?. Desarrolló numerosas manifestaciones y actos públicos, y publicó el semanario ?Frente Unido?. Igualmente hizo contacto con el Ejército de Liberación Nacional, conformado en 1964, con el que acordó la continuación de la agitación política en las ciudades, y su posterior ingreso a la organización cuando se considerase necesario. Pensamiento político Camilo formó parte de una iglesia contestataria internacional que se desarrolla en la década de 1960, convirtiéndose en una de sus figuras principales. El cristo suponía, para Camilo, la creación de una sociedad justa e igualitaria. Esto lo tradujo como la obligación de hacer una profunda revolución, que despojara del poder a los ricos y explotadores (la oligarquía), para darle paso a una sociedad socialista. Los principales planteamientos de Camilo Torres pueden sintetizarse en las siguientes ideas en torno a la situación nacional: para transformar el país y lograr el bienestar de la clase popular es necesario liberar al país del imperialismo norteamericano y de la oligarquía que sirve a sus intereses; es necesaria la fusión, la movilización y la vinculación de los sectores pobres de la población a la lucha por la construcción de un nuevo Estado. Por esto, debe generarse la unidad del movimiento revolucionario y opositor, aglutinando a las masas oprimidas del país; debe tenerse la convicción de llevar la lucha hasta el final afrontando todas las consecuencias; y por último, los cristianos no solamente tienen la posibilidad de participar en la revolución, sino que tienen la obligación de hacerlo (?el deber de todo cristiano es ser revolucionario, y el deber de todo revolucionario es hacer la revolución?). Otro elemento fundamental en el pensamiento de Camilo lo constituyó su esfuerzo por conciliar el cristianismo con el marxismo, impulsando un nuevo tipo de sociedad de carácter socialista y cristiano, basado en la justa distribución de la riqueza. ?Los marxistas luchan por la nueva sociedad, y nosotros, los cristianos, deberíamos estar luchando a su lado?. La incapacidad de lograr cambios auténticos y profundos por medios pacíficos y legales, llevó a Camilo a plantearse la necesidad de la lucha armada como medio para el establecimiento de un nuevo estado y una nueva sociedad, de carácter socialista. Por ello se vinculó al ELN, donde esperaba alcanzar la realización de la revolución en Colombia, hasta que cayó muerto en su primer combate.* Su ejemplo inspiró a movimientos de sectores cristianos como el grupo ?Golconda?, o el caso chileno de ?Sacerdotes para el socialismo?, impulsor del ascenso de Salvador Allende, y a personalidades como el padre Ernesto Cardenal, participante de la rebelión sandinista en Nicaragua, y en general, a las comunidades eclesiales de base, que conformaron una nueva iglesia latinoamericana comprometida con el cambio revolucionario, originándose la corriente conocida como la ?teología de la liberación?. Igualmente, el ejemplo de Camilo fue retomado por sacerdotes comprometidos que se vincularon a la lucha armada, como los casos de los españoles Domingo Laín y Manuel Pérez, que morirían combatiendo con el ELN. (Pérez llegó a ser comandante político de la organización, hasta que murió por una enfermedad en 1998). Hoy en día, su ejemplo se mantiene en la lucha revolucionaria que mantiene el Ejército de Liberación Nacional desde hace 42 años, y su pensamiento perdura en estudiantes, obreros y campesinos de toda Colombia y América Latina. Las circunstancias de su muerte. El 15 de Febrero se cumplen 44 años de la caída en combate de nuestro Comandante en Jefe Camilo Torres Restrepo. Igualmente, el 14 de Febrero recordamos con inmenso dolor y fuerza, la desaparición física, doce años atrás, del sacerdote camilista y entrañable Comandante en Jefe del ELN de Colombia, Manuel Pérez Martínez. Es inevitable que en estas históricas fechas nos atropellen los recuerdos y la memoria nos evoque con más fuerza que nunca las emblemáticas figuras de Camilo y Manuel, entrañables combatientes y dirigentes irremplazables de la revolución colombiana y latinoamericana. La coherencia de sus vidas se iluminan y sostienen mutuamente. Camilo como símbolo y líder que abrió el camino teológico y revolucionario para una nueva generación de luchadores latinoamericanos, a pesar de su prematura muerte, y Manuel como jefe indiscutible de un período político, a consideración propia, el más rico y profundo en toda la historia del ELN. Camilo y Manuel fueron testigos de su tiempo, dirigentes nacionales y universales, de esos que superan los impactos del coyunturalismo y se erigen en visionarios de la historia y del futuro. El camilismo es un pensamiento que no solo se refiere a la práctica sino que es elaborado por alguien inserto en ella. Los mensajes camilistas iluminan una práctica política que sabe penetrar la conciencia social de los sectores a los que va dirigidos. En estos tiempos de revolución bien vale la pena releerlos para entender su enorme vigencia y la combinación dialéctica de la historia con la realidad concreta del momento político de aquellos años 65. Aún hoy hay muchas interpretaciones y discusiones sobre lo que representa el pensamiento camilista, esto mismo revela su significado histórico y su importancia política. Lo que nada ni nadie pueden negar es su clara postura humanista, unitaria, visionaria, su profunda fe, devoción por los pobres, su condena al imperialismo, su dimensión teológica que se hace cercana y constante como ejemplo en la construcción de la Iglesia de los pobres, desafiando y cuestionando las altas jerarquías, a fin de contribuir desde el evangelio liberador con el testimonio revolucionario. Las primeras vertientes liberadoras desde la teología de la liberación fueron sembradas en Colombia y en nuestra América por Camilo Torres Restrepo, y con ellas ya jamás la Iglesia y el evangelio de Jesús podrán ser reducidas a la arrogancia, al poder y al desprecio de las jerarquías eclesiales. Camilo se adelantó a su época y con sus proféticas demandas de justicia social sembró para siempre un mensaje bíblico que se hace vivo hoy en la presencia de las comunidades eclesiales en apoyo y defensa de la Revolución Bolivariana en Venezuela, con la participación masiva de la Iglesia Brasilera a través de la pastoral social y la pastoral de tierras en apoyo al MST y a algunas medidas de carácter popular emprendidas por el gobierno de Lula. El evangelio de Jesús Liberador está activo en la resistencia indígena en Chiapas (México), en el levantamiento soberano del pueblo Boliviano, en las prédicas sociales de un sector de la Iglesia colombiana que se expresa con mayor fuerza en las diócesis de Barranca y Quibdo. Camilo expresa la necesidad y la posibilidad histórica del 'diálogo y la colaboración entre marxistas y cristianos', pensamiento que en su desarrollo práctico crearía situaciones nuevas en el terreno de la Iglesia y el cristianismo en los ámbitos nacional y mundial. Su compromiso político realza una obligada síntesis entre el investigador, el científico, el sacerdote, el revolucionario, no como una dicotomía, sino como el resultado de una visión múltiple y plural de la sociedad colombiana y de su dimensión profundamente humana y social. Podríamos afirmar que después de Camilo, el mensaje liberador ha sido imposible domesticarlo a pesar de los esfuerzos y las mentiras de los poderosos burócratas de la Iglesia. Su vinculación al ELN Estaba decidido. Asumió el compromiso revolucionario guerrillerismo foquista. Para no pocos, Camilo se vinculó a la lucha armada por hechos casuísticos como las caídas de cartas y caletas que lo comprometían ante los militares de manera directa con el ELN. Para nosotros, las viejas y nuevas generaciones elenas, esta polémica es clara y cerrada con contundencia por la historia: Camilo se hizo guerrillero como sociólogo, porque como científico comprendió que no bastaba diagnosticar sobre los males que aquejan a las sociedades capitalistas en sus siempre presentes síntomas de insalubridad, hambre, miserias, injusticias, exclusión; sino que era necesario soluciones radicales y violentas que extirparan de raíz y para siempre todas estas ausencias juntas. Camilo concluyó que sin un cambio profundo de estructuras de Estado, resultaría imposible la verdadera justicia social. Como sacerdote y cristiano, Camilo se hizo guerrillero por serle fiel a sus convicciones y creencias en cuanto a que 'el deber de todo cristiano es hacer la revolución'. Se comprometió hasta las últimas consecuencias, renunciando a las posibilidades sociales y económicas que su extracción de clase le permitía. Fue seguidor de Cristo y precursor de cientos de hombres y mujeres que al igual que él y en unión del evangelio se alzaron en armas contra los tiranos en la patria americana. Como colombiano porque en su dimensión humana, de pueblo, de patria, y por sus conocimientos de la historia nacional, ve atónito cómo la alternancia en el poder de las nuevas y viejas momias oligárquicas, se suceden en cadena como en los tronos imperiales o en las llamadas monarquías constitucionales, y todo en nombre de la democracia, de la libertad, de la justicia, de la constitución y de la ley. ¡¿Cómo violentar este ciclo monótono, infame e injusto?! y se unió a aquellas masas llenas de desamparo y de hambre física e intelectual. Luchó de cara al país, como suele decirse hoy, contra las oligarquías, los altos mandos militares, las jerarquías eclesiales, los partidos petrificados que ya sabemos, y esa izquierda caótica y criticista que encerrada en sus propios altares, hacía apología a sus propias desdichas. Cerrados J todos los caminos para la acción de masas, ¿cuál era el camino para un hombre como Camilo?, ¿El exilio?, Descartado para alguien de su temple. ¿La renuncia? No, porque éste es el camino de los cobardes, de los timoratos, de los amigos de las corbatas y las buenas chequeras; jamás será considerada siquiera como una opción para la gente digna, y dignidad le sobraba a Camilo. Abril 7 2007 Proclama a los colombianos. Por Camilo Torres Restrepo Durante muchos años los pobres de nuestra patria han esperado la voz de combate para lanzarse a la lucha final contra la oligarquía. En aquellos momentos en los que la desesperación del pueblo ha llegado al extremo, la clase dirigente siempre ha encontrado una forma de engañar al pueblo, distraerlo, apaciguarlo con nuevas formulas que siempre paran en lo mismo: el sufrimiento para el pueblo y el bienestar para la casta privilegiada. Cuando el pueblo pedía un jefe y lo encontró en Jorge Eliécer Gaitán, la oligarquía lo mato. Cuando el pueblo pedía paz la oligarquía sembró el país de violencia. Cuando el pueblo ya no resistía mas violencia y organizo las guerrillas para tomarse el poder, la oligarquía invento el golpe militar para que las guerrillas engañadas, se entregaran. Cuando el pueblo pedía democracia, se le volvió a engañar con un plebiscito y un Frente Nacional que le imponía la dictadura de la oligarquía. Ahora el pueblo ya no creerá nunca más. El pueblo no cree en las elecciones. El pueblo sabe que las vías legales están agotadas. El pueblo sabe que no queda sino la vía armada. El pueblo esta desesperado y resuelto a jugarse la vida para que la próxima generación de colombianos no sea de esclavos. Para que los hijos de los que ahora quieren dar su vida tengan educación, techo, comida, vestido y sobre todo DIGNIDAD. Para que los futuros colombianos puedan tener una patria propia, independiente del poderío norteamericano. Todo revolucionario sincero tiene que reconocer la vía armada como la única que queda. Sin embargo. El pueblo espera que los jefes con su ejemplo y con su presencia den la voz de combate. Yo quiero decirle al pueblo colombiano que este es el momento. Que no lo he traicionado. Que he recorrido las plazas de los pueblos y ciudades clamando por la unidad y la organizaci6n de la clase popular para la toma del poder. Que he pedido que nos entreguemos por estos objetivos hasta la muerte. Ya esta todo preparado. La oligarquía quiere organizar otra comedia en las elecciones; con candidatos que renuncian y vuelven a aceptar; con comités bipartidistas; con movimiento de renovación a base de ideas y de personas que no solo son viejas sino que han traicionado al pueblo. ¿Qué más esperamos colombianos? Yo me he incorporado a la lucha armada. Desde las montanas colombianas pienso seguir la lucha con las armas en la mano, hasta conquistar el poder para el pueblo. Me he incorporado al Ejercito de Liberación Nacional porque en él encontré' los mismos ideales del Frente Unido. Encontré' el deseo y la realización de una unidad por la base, de base campesina, sin diferencias religiosas ni de partidos tradicionales. Sin ningún ánimo de combatir a los elementos revolucionarios de cualquier sector, movimiento o partido. Sin caudillismos. Qué busca liberar al pueblo de la explotación de las oligarquías y del imperialismo. Que no depondrá las armas mientras el poder no este' totalmente en manos del pueblo. Que en sus objetivos acepta la plataforma del Frente Unido. Todos los colombianos patriotas debemos ponernos en pie de guerra. Poco a poco irán surgiendo jefes guerrilleros experimentados en todos los rincones del país. Mientras tanto debemos estar alerta. Debemos recoger armas y municiones. Buscar entrenamiento guerrillero. Conversar con los más íntimos. Reunir ropa, drogas y provisiones, y prepararnos para una lucha prolongada. Hagamos pequeños trabajos contra el enemigo en los que la victoria sea segura. Probemos a los que se dicen revolucionarios. Descartemos a los traidores. No dejemos de actuar pero no nos impacientemos. En una guerra prolongada todos deberán actuar en algún momento Lo que importa es que en ese preciso momento la revolución nos encuentre listos y prevenidos. No se necesita que todos hagamos todo. Debemos repartir el trabajo. Los militantes del Frente Unido deben estar a la vanguardia de la iniciativa y de la acci6n. Tengamos paciencia en la espera y confianza en la victoria final. La lucha del pueblo se debe volver una lucha nacional. Ya hemos comenzado porque la jornada es larga. Colombianos: No dejemos de responder al llamado del pueblo y de la revolución. Militantes del Frente Unido: Hagamos una realidad nuestras consignas: ! Por la unidad de la clase popular hasta la muerte! ! Por la organización de la clase popular hasta la muerte! !Por la toma del poder para la clase popular hasta la muerte! Hasta la muerte porque estamos decididos a ir hasta el final. Hasta la victoria porque un pueblo que se entrega hasta la muerte siempre logra la victoria. Hasta la victoria final con las consignas del Ejército de Liberación Nacional: !NI UN PASO ATRÁS! ! LIBERACIÓN 0 MUERTE! -- !De la Resistencia al Poder Popular! Frente Internacional Sistema Patria Libre ELN de Colombia __._,_.___ Archivos adjuntos de Pueblo Pobre Organizado Archivo 2 de 2 discurso001.mp3 AManuel2_comuneros . __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Paralamas do Sucesso u.. Raul Seixas v.. Renato Russo w.. Sem Categoria x.. Tim Maia y.. Tom Jobim z.. Vinícius de Moraes a.. Arquivo a.. outubro 2009 b.. setembro 2009 c.. agosto 2009 d.. julho 2009 e.. junho 2009 f.. maio 2009 g.. abril 2009 h.. dezembro 2008 i.. novembro 2008 j.. outubro 2008 k.. setembro 2008 l.. julho 2008 m.. junho 2008 n.. maio 2008 o.. abril 2008 p.. janeiro 2008 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2677 - Data de Lançamento: 02/09/10 07:35:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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"Queridas companheiras, Queridos companheiros Para quem teve a vida sempre marcada pelo sonho e pela esperança de mudar o Brasil, este é para mim um dia extraordinário. Meu partido -- o Partido dos Trabalhadores -- me confere a honrosa tarefa de dar continuidade à magnífica obra de um grande brasileiro. A obra de um líder -- meu líder -- de quem muito eu tenho orgulho: o presidente Lula, o Lula. Jamais pensei que a vida me reservasse tamanho desafio. Mas me sinto absolutamente preparada para enfrentá-lo - com humildade, com serenidade e com confiança. Neste momento, ouço a voz da minha Minas Gerais, terra de minha infância e de minha juventude. Dessa Minas que me deu o sentimento de que vale a pena lutar, sim, pela liberdade e contra a injustiça. Ouço os versos de Drummond: "Teus ombros suportam o mundo E ele não pesa mais do que a mão de uma criança" Até hoje eu sinto o peso suave da mão de minha filha, quando nasceu. Que força naquele momento ela me deu. Quanta vida ela me transmitiu. Quanta fé na humanidade me passou. Eram, naquela época, tempos difíceis. Ferida no corpo e na alma, fui acolhida e adotada pelos gaúchos --- pelos gaúchos generosos, solidários, insubmissos, como são os gaúchos. Naqueles anos de chumbo, onde a tirania parecia eterna, encontrei nos versos de outro poeta -- Mário Quintana -- a força necessária para seguir em frente. Mário Quintana disse: "Todos estes que aí estão Atravancando o meu caminho, Eles passarão. Eu passarinho." Eles passaram e nós hoje voamos livremente. Voamos porque nascemos para ser livres. Sem ódio, sem revanchismo e com serena convicção afirmo que nunca mais viveremos numa gaiola, numa jaula ou numa prisão. Hoje estamos construindo um novo país na democracia. Um país que se reencontrou consigo mesmo. Onde todos, todos, mas todos mesmo, expressam livremente suas opiniões e suas idéias. Mas um país que não tolera mais a injustiça social. Que descobriu que só será grande e forte se for de todos. Vejo nesta manhã -- já quase tarde -- nos jovens que nos acompanham e nos mais velhos que aqui estão -- um extraordinário encontro de gerações. De gerações que, como a minha, levaram nosso compromisso do país e com o país às últimas consequências. Amadureci. Amadurecemos nós todos. Amadureci na vida. No estudo. No trabalho duro. Nas responsabilidades de governo no Rio Grande do Sul e, sobretudo, aqui no governo do Brasil. Mas esse amadurecimento não se confunde com perda de convicções. Não perdemos a indignação frente à desigualdade social, à privação de liberdade, às tentativas de submeter nosso país. Não sucumbimos aos modismos ideológicos. Persistimos em nossas convicções, buscando, a partir delas, construir alternativas concretas e realistas. Continuamos movidos a sonhos. Acreditando na força do povo brasileiro, em sua capacidade de construir um mundo melhor. A história recente mostrou que estávamos certos. Tivemos um grande mestre -- o Presidente Lula nos ensinou o caminho. Em um país, com a complexidade e as desigualdades do Brasil, ele foi capaz de nos conduzir pelo caminho de profundas transformações sociais em um clima de paz, de respeito e fortalecimento da democracia. Não admitimos, portanto, que alguém queira nos dar lições de liberdade. Menos ainda aqueles que não tiveram e não têm compromisso com ela. Companheiras, Companheiros Recebo com humildade a missão que vocês estão me conferindo. Com humildade, mas com coragem e determinação. Coragem e determinação que vêm do apoio que recebo de meu partido e de seu primeiro militante mais ilustre -- o Presidente Lula. Do apoio que espero ter dos partidos aliados que, com lealdade e competência, também são responsáveis pelos êxitos do nosso Governo. Com eles quero continuar nossa caminhada. Participo de um governo de coalizão. Quero formar um Governo de coalizão. Estou consciente da extraordinária força que conduziu Lula à Presidência e que deu a nosso Governo o maior respaldo da história de nosso país --a força do povo brasileiro. Esta é a força que nos conduziu até aqui e que nos mantém. A missão que me confiam não é só de um partido ou de um grupo de partidos. Recebo-a como um mandato dos trabalhadores e de seus sindicatos. Dos movimentos sociais. Dos que labutam em nossos campos. Dos profissionais liberais. Dos intelectuais. Dos servidores públicos. Dos empresários comprometidos com o desenvolvimento econômico e social do país. Dos negros. Dos índios. Dos jovens. De todos aqueles que sofrem ainda distintas formas de discriminação. Enfim, das mulheres. Para muitos, elas são "metade do céu". Mas queremos mesmo é metade da terra também. Com igualdade de direitos, salários e oportunidades. E como disse o presidente Lula, não há limite para nós mulheres. É esse, inclusive, um dos preceitos da primeira vez nós termos uma candidata mulher. Quero com vocês -- mulheres do meu país -- abrir novos espaços na vida nacional. É com este Brasil que quero caminhar. É com ele que vamos discutir e seguir, avançando com segurança, mas com a rapidez que nossa realidade social exige sistematicamente de nós. Nessa caminhada encontraremos milhões de brasileiros que passaram a ter comida em suas mesas e hoje fazem três refeições por dia. Milhões que mostrarão suas carteiras de trabalho, pois têm agora emprego e melhor renda. Milhões de homens e mulheres com seus arados e tratores cultivando a terra que lhes pertence e de onde nunca mais serão expulsos. Milhões que nos mostrarão suas casas dignas e os refrigeradores, fogões, televisores ou computadores que puderam comprar. Outros milhões acenderão as luzes de suas modestas casas, onde reinava a escuridão ou predominavam os candeeiros. E estes milhões de pontos luminosos pelo Brasil afora serão como uma trilha incandescente que mostra um novo caminho. Nessa caminhada, veremos milhões de jovens mostrando seus diplomas de universidades ou de escolas técnicas com a convicção de quem abriu uma porta para o futuro, para o seu futuro. Milhões -- mas muitos milhões mesmo -- expressarão seu orgulho de viver em um país livre, justo e, sobretudo, respeitado em todo o mundo. Muitos me perguntam por que o Brasil avançou tanto nos últimos anos. Digo que foi porque soubemos construir novos caminhos, e ter a vontade política de um grande líder, como o presidente Lula com a sua vontade de fazer trilhar, derrubando velhos dogmas que funcionavam como barreiras nos caminhos do Brasil. O primeiro caminho é o do crescimento com distribuição de renda -- o verdadeiro desenvolvimento. Provamos que distribuindo renda é que se cresce. E se cresce de forma mais rápida e sustentável. Essa distribuição de renda permitiu construir um grande mercado de bens de consumo de massa, de consumo popular. Ele nos protegeu dos efeitos da crise mundial. O nosso consumo, o consumo do povo brasileiro sustentou o país diante do medo que se abateu sobre o sistema financeiro internacional e privado nacional. Criamos 12 milhões de empregos formais. A renda dos trabalhadores aumentou. O salário mínimo real cresceu como nunca. Expandimos o crédito para o conjunto da sociedade. Estamos construindo um Brasil para todos. Não o Brasil para uma minoria, como fizemos sistematicamente desde os tempos da escravidão. O segundo caminho foi o do equilíbrio macro-econômico e da redução da vulnerabilidade externa. Eliminamos as ameaças de volta da inflação. Reduzimos a dívida em relação ao Produto Interno Bruto. Aumentamos nossas reservas de 38 bilhões de dólares para mais de 241 bilhões. Multiplicamos por três nosso comércio exterior, praticando uma política externa soberana, que buscou diversificar mercados. Deixamos de ser devedores internacionais e passamos à condição de credores. Hoje não pedimos dinheiro emprestado ao FMI. É o Fundo que pede dinheiro a nós. Grande ironia é essa: os mesmos 14 bilhões de dólares que foram sacados do empréstimo, que antes o FMI nos emprestava, agora somos nós que emprestamos ao FMI. E isso faz a diferença no que se refere à nossa postura soberana. O terceiro caminho foi o da redução das desigualdades regionais. Invertemos nos últimos anos o que parecia uma maldição insuperável. Quando o país crescia, concentrava riqueza nos estados e regiões mais prósperos. Quando estagnava, eram os estados e regiões mais pobres que pagavam a conta. Governantes e setores das elites viam o Norte e o Nordeste como regiões irremediavelmente condenadas ao atraso. A vastos setores da população não restavam outras alternativas que a de afundar na miséria ou migrar para o sul em busca de oportunidades. É o que explica o inchaço das nossas grandes cidades e das médias também. Essa situação está mudando por decisão do governo do presidente Lula que focou nessas questões, num grande conjunto de sua política de desenvolvimento. O Governo Federal começou um processo consistente de combate às desigualdades regionais. Passou a ter confiança na capacidade do povo das regiões mais pobres. O Norte e o Nordeste receberam investimentos públicos e privados. O crescimento dessas duas regiões passou a ser sensivelmente superior ao do Brasil como um todo no período da crise. Nós vamos aprofundar esse caminho e esse compromisso de acabar com esse desequilíbrio. O Brasil não mais será visto como um trem em que uma única locomotiva puxa todos vagões, como nos tempos da "Maria Fumaça". O Brasil de hoje é como alguns dos modernos trens de alta velocidade, onde vários vagões são como locomotivas e contribuem para que o comboio avance, se desenvolva e cresça. Nós queremos 27 locomotivas puxando o trem do Brasil. O quarto caminho que trilhamos e continuaremos a trilhar é o da reorganização do Estado. Alguns ideólogos chegavam a dizer que quase tudo seria resolvido pelo mercado. O resultado foi desastroso para muitos países. Aqui, no Brasil, o desastre só não foi maior -- como em outros países -- porque os brasileiros resistiram a esse desmonte e conseguiram impedir a privatização parcial e integral da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica ou de FURNAS. Alguns falam todos os dias de "inchaço da máquina estatal". Omitem, no entanto, que estamos contratando basicamente médicos e profissionais de saúde, professores e pessoal na área da educação, diplomatas, policiais federais e servidores para as áreas de segurança, controle e fiscalização. Escondem, também, que a recomposição do corpo de servidores do Estado está se fazendo por meio de concursos públicos. Vamos continuar valorizando o servidor e o serviço público. Reconstituindo o Estado. Recompondo sua capacidade de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento do país. É muito bom lembrar que diante da crise, quando o crédito secou, não sacrificamos os investimentos públicos e privados. Ao contrário, utilizamos nossos bancos para impulsionar o desenvolvimento e a garantia de emprego no País. Por isso, quando em muitos países, o emprego caia, em 2009, aqui, nós conseguimos criar quase um milhão de empregos. Na verdade, quando a crise mundial apenas começava, Lula disse em seu discurso na ONU em 2008: É chegada a hora da política! Nada mais apropriado do que essa frase. A maior prova nós demos ao mundo: o Brasil só pôde enfrentar com sucesso a crise porque tivemos políticas públicas adequadas. Soubemos articular corretamente Estado e mercado, porque colocamos o interesse público no centro de nossas preocupações. O quinto caminho foi o de nossa presença soberana no mundo. O Brasil não mais se curva diante dos poderosos. Sem bravatas e sem submissão, o país hoje defende seus interesses e, como diz minha mãe, se dá ao respeito. É solidário com as nações pobres e em desenvolvimento. Tem uma especial relação com a América do Sul, com a América Latina e com a África. Estreita os laços Sul-Sul, sem abandonar suas relações com os países desenvolvidos. Busca mudar instituições multilaterais obsoletas, que impedem a democratização econômica e política do mundo. Essa presença global, e o corajoso enfrentamento de nossos problemas domésticos em um marco democrático, explicam o respeito internacional que hoje gozamos. O sexto caminho para onde convergem todos os demais foi o do aperfeiçoamento democrático. No passado, tivemos momentos de grande crescimento econômico. Mas faltou democracia. E nós sabemos como faltou! Em outros momentos tivemos democracia política, mas faltou democracia econômica e social. E sabemos muito bem que quando falta democracia econômica e social, é a democracia como um todo que começa a ficar ameaçada. O país fica à mercê das soluções de força ou de aventureiros. Hoje nós estamos crescendo e distribuindo renda, com equilíbrio macro-econômico, com expansão da democracia, com forte participação social na definição das políticas públicas e com respeito aos Direitos Humanos. Quem duvidar do vigor da nossa democracia que leia, que escute ou que veja o que dizem os jornais livremente, o que dizem nos jornais livremente as vozes oposicionistas. Mas isso não nos perturba. Preferimos as vozes dessas oposições -- ainda quando mentirosas, injustas e caluniosas -- ao silêncio das ditaduras. Como disse o Presidente Lula, a democracia não é a consolidação do silêncio, mas a manifestação de múltiplas vozes defendendo seus direitos e interesses. Nela, vai desaparecendo o espaço para que velhos coronéis e os velhos senhores tutelem o povo. Este passa a pensar com sua cabeça e a se constituir uma nova e verdadeira opinião pública. As instituições funcionam no país. Os poderes são independentes. A Federação é respeitada. Diferentemente de outros períodos de nossa história, o Presidente relacionou-se de forma republicana com governadores e prefeitos, não fazendo qualquer tipo de discriminação em função de suas filiações partidárias. Não praticamos nenhum casuísmo. Basta ver a reação firme e categórica do Presidente Lula ao frustrar as tentativas de mudar a Constituição para que pudesse disputar um terceiro mandato. Não mudamos -- como se fez no passado -- as regras do jogo no meio da partida. Como todos podem ver, temos um extraordinário alicerce e uma herança bendita sobre a qual construir o terceiro Governo Democrático e Popular. Temos rumo, experiência e impulso para seguir o caminho iniciado por Lula. Não haverá retrocesso, nem aventuras. Mas podemos avançar muito mais. E muito mais rapidamente. Queridas companheiras, queridos companheiros. Não é meu propósito apresentar aqui um Programa de Governo. Este Congresso aprovou as Diretrizes para um programa que será submetido ao debate com os partidos aliados e com a sociedade. Hoje quero assumir alguns compromissos como pré-candidata, para estimular nossa reflexão e indicar como pretendemos continuar este processo iniciado há sete anos. Vamos manter e aprofundar aquilo que é marca do Governo Lula -- seu olhar social, seu compromisso social. Queremos um Brasil para todos. Nos aspectos econômicos e em suas projeções sociais, mas também um Brasil sem discriminações, sem constrangimentos. Ampliaremos e aperfeiçoaremos os programas sociais do Governo Lula, como o Bolsa Família, e implantaremos novos programas com o propósito de erradicar a miséria na década que se inicia. Vamos dar prioridade à qualidade da educação, essencial para construir o grande país que almejamos, fundado no conhecimento e na justiça social. Mas a educação será, sobretudo, um meio de emancipação política e cultural do nosso povo. Uma forma de pleno acesso à cidadania. Daremos seguimento à transformação educacional em curso -- da creche ao pós-graduação. Os jovens serão os primeiros beneficiários da era de prosperidade que começamos a construir no primeiro governo do presidente Lula, que continuamos no segundo e que continuaremos. Nosso objetivo estratégico é oferecer a eles a oportunidade de começar a vida com segurança, liberdade, trabalho e realização pessoal. No Brasil temos hoje 50 milhões de jovens, entre os 15 e os 29 anos de idade. Mais de um quarto da nossa população. É para eles que estamos construindo um Brasil melhor. Eles têm direito a um futuro melhor. O Brasil precisa muito da juventude. De profissionais qualificados. De mulheres e homens bem formados. Isto se faz com escolas que propiciem boa formação teórica e técnica, com professores contratados, concursados, bem treinados e bem remunerados. Isso não é inchaço da máquina, é imprescindível para todos. Com bolsas de estudo e apoio para que os alunos não sejam obrigados a abandonar a escola. Com banda larga gratuita para todos, computadores para os professores, salas de aula informatizadas para os estudantes. Com acesso a estágios, cursos de especialização e ajuda para entrar no mercado de trabalho. Serão esses jovens bem formados e preparados que vão nos conduzir à sociedade do conhecimento nas próximas décadas. Protegeremos as crianças e os mais jovens da violência, do assédio das drogas, da imposição do trabalho em detrimento da formação escolar e acadêmica. As crianças e os mais jovens devem ser, sim, protegidos pelo Estado, desde a infância, para que possam se realizar, em sua plenitude, como brasileiros. Companheiros e companheiras, Um País se mede pelo grau de proteção que dá a suas crianças. São elas a essência do nosso futuro. E é na infância que a desigualdade social cobra seu preço mais alto. Crianças desassistidas do nascimento aos cinco anos serão jovens e adultos prejudicados nas suas aptidões e oportunidades. Cuidar delas adequadamente é combater a desigualdade social na raiz. Vamos ampliar e disseminar por todo o Brasil a rede de creches, pré-escolas e escolas infantis. Um tipo de creche onde a criança tem acesso à socialização pedagógica, aos bens culturais e aos cuidados de nutrição e saúde indispensáveis ao seu pleno desenvolvimento. E o governo federal vem fazendo isso. E é isso é o que está previsto no PAC 2. Vamos resolver os problemas da saúde, pois temos um incomparável modelo institucional -- o SUS. Com mais recursos e melhor gestão vamos aprimorar a eficácia do sistema. Vamos reforçar as redes de atenção à saúde e unificar as ações entre os níveis de governo. Darei importância às Unidades de Pronto Atendimento, as UPAs --pretendemos chegar até 2010, até o fim do governo do presidente Lula, a 500 UPAs. Daremos prioridade também ao SAMU, aos hospitais públicos e conveniados, aos programas Saúde da Família, Brasil Sorridente, que o presidente Lula tanto se empenha para implantar, e Farmácia Popular. Vamos cuidar das cidades brasileiras. Colocar todo o empenho do Governo Federal, junto com estados e municípios, para promover uma profunda reforma urbana, que beneficie prioritariamente as camadas mais desprotegidas. Vamos melhorar a habitação e vamos perseguir a universalização do saneamento. Implantar transporte seguro, barato e eficiente. Tudo isso está previsto no chamado PAC 2. Vamos reforçar, também, os programas de segurança pública. A conclusão do PAC 1 e a implementação do PAC 2, junto com a continuidade do programa Minha Casa, Minha Vida serão decisivos para realizar esse compromisso. Serão decisivos para melhorar as condições de vida dos brasileiros. Naquilo que é talvez uma das maiores chagas da história do Brasil, que é o fato de uma parte da população ter sido obrigada a morar em favelas, em áreas de riscos, como beiras de córregos e, quando caem as grandes chuvas, são eles os mais afetados e os que mais sofrem conseqüências dramáticas, incluindo a morte. Vamos fortalecer a proteção de nosso meio ambiente. Continuaremos reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo. Vamos manter a vanguarda na produção de biocombustíveis e desenvolver nosso potencial hidrelétrico. Desenvolver sem agredir o meio ambiente, com usinas a fio d'água e utilizando o modelo de usinas-plataforma. Aprofundaremos nosso zoneamento agro-ecológico. Nossas iniciativas explicam a liderança que alcançamos na Conferência sobre a Mudança do Clima, em Copenhague. As metas voluntárias de Copenhague, assumidas pelo Brasil, serão cumpridas, haja ou não acordo internacional. Este é o nosso compromisso haja, ou não, acordo internacional. Esse é o compromisso do presidente Lula e o meu compromisso. Vamos aprofundar os avanços já alcançados em nossa política industrial e agrícola, com ênfase na inovação, no aperfeiçoamento dos mecanismos de crédito, aumentando nossa produtividade. Agregar valor a nossas riquezas naturais é fundamental numa política de geração de empregos no País. Tudo que puder ser produzido no Brasil deve ser -- e será -- produzido no Brasil. Sondas, plataformas, navios e equipamentos aqui produzidos, para a exploração soberana do Pré-sal. Essa decisão vai gerar emprego e renda para os brasileiros. Emprego e renda que virão também da produção em indústrias brasileiras de fertilizantes, combustíveis e petroquímicos derivados do óleo bruto. Assim, com este modelo soberano e nacional, a exploração do Pré-sal dará diversidade e sofisticação à nossa indústria. Os recursos do Pré-sal, aplicados no Fundo Social, sustentarão um grande avanço em nossa educação e na pesquisa científica e tecnológica. Recursos que também serão destinados para o combate à pobreza, para a defesa do meio ambiente e para a nossa cultura. Vamos continuar mostrando ao mundo que é possível compatibilizar o desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio. Assegurar crédito, assistência técnica e mercado aos pequenos produtores e, ao mesmo tempo, apoiar os grandes produtores, que contribuem decisivamente para o superávit comercial brasileiro. Todas as nossas ações de governo têm, sem sombra de dúvida, uma premissa: a preservação da estabilidade macro-econômica. Vamos manter o equilíbrio fiscal, o controle da inflação e a política de câmbio flutuante. Vamos seguir dando transparência aos gastos públicos e aperfeiçoando seus mecanismos de controle. Vamos combater a corrupção, utilizando todos os mecanismos institucionais, como fizemos até agora. Vamos concretizar, junto com o Congresso, as reformas institucionais que não puderam ser completadas ou foram apenas parcialmente implantadas, como a reforma política e a tributária. Uma coisa é estratégica. Vamos aprofundar nossa postura soberana no complexo mundo de hoje. É como diz o presidente Lula: "Quem não se respeita, não pode ser respeitado". Seremos intransigentes na defesa da paz mundial e de uma ordem econômica e política mais justa. Enfim, vamos governar para todos. Com diálogo, tolerância e combatendo as desigualdades sociais e regionais. Companheiras e companheiros, Faremos na nossa campanha um debate de idéias, com civilidade e respeito à inteligência política dos brasileiros e das brasileiras. Um debate voltado para o futuro. Nós somos aqueles que temos o que apresentar. Recebo essa missão especialmente como um mandato das mulheres brasileiras, como mais uma etapa no avanço de nossa participação política e como mais uma vitória contra a discriminação secular que nos foi imposta. Gostaria de repetir: quero com vocês, mulheres do meu País, abrir novos espaços na vida nacional. Queridas amigas e amigos No limiar de uma nova etapa de minha vida, quando sou chamada a tamanha responsabilidade, penso em todos aqueles que fizeram e fazem parte de minha trajetória pessoal. Em meus queridos pais. Em minha filha, meu genro e em meu futuro neto ou neta. Nos tantos amigos que fiz. Nos companheiros com quem dividi minha vida. Mas não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história. Mais que isso: eles são parte da história do Brasil. Quero recordar três companheiros que se foram na flor da idade. Carlos Alberto Soares de Freitas. Beto, você ia adorar estar aqui conosco. Maria Auxiliadora Lara Barcelos Dodora, você está aqui no meu coração. Mas também aqui com cada um de nós. Iara Yavelberg. Iara, que falta fazem guerreiras como você. O exemplo deles me dá força para assumir esse imenso compromisso. A mesma força que vem de meus companheiros de partido, sobretudo daquele que é nosso primeiro companheiro -- o presidente Lula. Este ato de proclamação de minha candidatura tem uma significação que transcende seu aspecto eleitoral. Estamos hoje concluindo o Quarto Congresso do Partido dos Trabalhadores. Mais do que isso: estamos celebrando os Trinta Anos do PT. Trinta anos desta nova estrela que veio ocupar lugar fundamental no céu da política brasileira. Em um período histórico relativamente curto mudamos a cara de nosso sofrido e querido Brasil. O PT cumpriu essa tarefa porque não se afastou de seus compromissos originais. Soube evoluir. Mudou, quando foi preciso. Mas não mudou de lado. Até chegar à Presidência do país, o PT dirigiu cidades e estados, gerando práticas inovadoras políticas, econômicas e sociais que o mundo observa, admira e muitas vezes reproduz. Fizemos isso, preservando e fortalecendo a democracia. Mas, a principal inovação que o PT trouxe para a política brasileira foi colocar o povo -- seus interesses, aspirações e esperanças -- no centro de suas ações. Olhando para este magnífico plenário o que vejo é a cara negra, branca, índia e mestiça do povo brasileiro. Esta é a cara do meu partido. O rosto daqueles e daquelas que acrescentam à sua jornada de trabalho, uma segunda jornada -- ou terceira, no caso das mulheres: a jornada da militância. Quero dizer a todos vocês que tenho um enorme orgulho de ser petista. De militar no mesmo partido de vocês. De compartilhar com Lula essa militância. Companheiros e companheiras, Estou aceitando a honrosa missão que vocês me delegam com tranquilidade e determinação. Sei que não estou sozinha. A tarefa de continuar mudando o Brasil é uma tarefa de milhões. Somos milhões. Vamos todos juntos, até a vitória. Viva o povo brasileiro!" Postado por RIZOMA BEATRICE http://www.grupobeatrice.blogspot.com/ ------------------------------------------------------------------------------ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2700 - Data de Lançamento: 02/20/10 19:34:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100221/5ad19b66/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 22 20:51:00 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 22 Feb 2010 19:51:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Revista Marxista: Mouro 2 Message-ID: Carta O Berro...................................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Divulgo mensagem abaixo Olá! O Núcleo de Estudos d'O Capital (fundado em 1991) apresenta ao público o segundo número de "Mouro", sua revista marxista. Mouro, como todos sabem, era o apelido do velho Marx, devido à sua tez escura. (clique) www.mouro.com.br Nesta edição apresentamos o grande líder africano Gungunhana, ao lado de análises das revoluções cubana e chinesa e de uma crítica da primeira parte do Filme "Che", vivido nas telas pelo impressionante ator Benicio del Toro. A nossa permanente seção de marxismo apresenta estudos sobre Sartre e o jovem Marx, feitos por dois jovens historiadores. Em tempo: nossa revista é cientificamente rigorosa, mas não acredita que o rigor advenha de títulos acadêmicos, da falta de humor ou da ausência de arte. Por isso, publicamos jovens estudantes, acadêmicos estabelecidos, velhos militantes eautodidatas de todas as épocas que não precisaram comprar comdiplomas o direito de pensar, como dizia o velho Engels. Os artigos são sempre encomendados de acordo com os dossiês, por isso a revista não aceita propostas de publicação. Nosso homenageado nesta edição é o companheiro Edgard Carone, comunista e professor de várias gerações de historiadores da USP. Dono da obra mais importante sobre a República Velha e o movimento operário no Brasil e de invejável biblioteca marxista. Invejável mesmo! Os Editores SUMÁRIO Editorial ...........................................................5 Clássicos Tradução do Marxismo no Brasil: Caio Prado Junior...............................07 Lincoln Secco Marxismo Sartre e Marx - liberdade, trabalho e luta de classes .................................37 Fermando Sarti Ferreira Karl Marx -da crítica da Filosofia do Direito à crítica da Economia Política ..................55 Joana Salém Vasconcelos Dossiê 60 anos da Revolução Chinesa e 50 anos da Revolução Cubana: Revolução e Libertação Nacional ......................97 José Rodrigues Máo Júnior Che: entre a revolução e a auto-ajuda ..............113 Sérgio Domingues Resenha: A Revolução Cubana e a questão nacional......................................119 Marisa de Oliveira Gungunhana em dois tempos...........................125 Helena Wakim Moreno Universidade Por uma sociologização do microcosmo universitário (anti)grevista ................................139 Lidiane Soares Rodrigues Memória A História da República - Escritos autobiográficos Edgard Carone ............................................. 155 Cem anos de Fúlvio Abramo .......................... 165 Paula Abramo narrativa gráfica Introdução a um Manual - História em quadrinhos e a revolução ................ 171 Alexandre Linares Manual do Exército de Libertação Chinês .......... 174 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100222/9ed91a8e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100222/9ed91a8e/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Feb 23 20:43:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 23 Feb 2010 19:43:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_que_resta_da_ditadura=3A_a_exce?= =?iso-8859-1?q?=E7=E3o_brasileira__=28apresenta=E7=E3o=29?= Message-ID: Carta O Berro..............................................................................................................repassem Livro avalia o triste legado da ditadura militar em diversas esferas da vida social brasileira hoje em dia A obra O que resta da ditadura: a exceção brasileira, organizada por Edson Teles e Vladimir Safatle, reúne uma série de ensaios que esquadrinham o legado deixado pelo regime militar na estrutura jurídica, nas práticas políticas, na literatura, na violência institucionalizada e em outras esferas da vida social brasileira Apresentação "Vivemos atualmente dias de inquietude e incerteza. [...] Tenho a convicção de que o nosso Exército saberá, como sempre, contornar tão graves inquietações e continuará,a despeito de qualquer decisão,protegendo a nação do estrangeiro e de si mesma." Gal. Luiz Cesário da Silveira Filho, 11/3/2009 "Quem controla o passado, controla o futuro". A frase de 1984, que serve de epígrafe a este livro, indica claramente o tamanho do que está em jogo quando a questão é elaborar o passado. Todos conhecemos a temática clássica das sociedades destinadas a repetir o que são incapazes de elaborar; sociedades que já definem de antemão seu futuro a partir do momento que fazem de tudo para agir como se nada soubessem a respeito do que se acumulou às suas costas. A história é implacável na quantidade de exemplos de estruturas sociais que se desagregam exatamente por lutar compulsivamente para esquecer as raízes dos fracassos que atormentam o presente. No caso da realidade nacional, esse esquecimento mostra-se particularmente astuto em suas múltiplas estratégias. Ele pode ir desde o simples silêncio até um peculiar dispositivo que mereceria o nome de "hiper-historicismo". Maneira de remeter as raízes dos impasses do presente a um passado longínquo (a realidade escravocrata, o clientelismo português etc.), isto para, sistematicamente, não ver o que o passado recente produziu. Como se fôssemos vítimas de um certo "astigmatismo histórico". O que propomos neste livro é, pois, falar do passado recente e da sua incrível capacidade de não passar. Mas, para tanto, faz-se necessário mostrar, àqueles que preferem não ver, a maneira insidiosa que a ditadura militar brasileira encontrou de não passar, de permanecer em nossa estrutura jurídica, em nossas práticas políticas, em nossa violência cotidiana, em nossos traumas sociais que se fazem sentir mesmo depois de reconciliações extorquidas. Daí a pergunta que deu origem ao seminário realizado na Universidade de São Paulo em 2008, cujos resultados aparecem agora em livro: "O que resta da ditadura". Pergunta ainda mais urgente se lembrarmos a incrível capacidade que a ditadura brasileira tem de desaparecer. Ela vai aos poucos não sendo mais chamada pelo seu nome, ou sendo chamada apenas entre aspas, como se nunca houvesse realmente existido. Na melhor das hipóteses, como se houvesse existido apenas em um curto espasmo de tempo no qual vigorou o AI-5. Talvez o que chamamos de ditadura tenha sido apenas uma reação um pouco demasiada às ameaças de radicalização que espreitavam nossa democracia. Quem sabe, daqui a algumas décadas, conseguiremos realizar o feito notável de fazer uma ditadura simplesmente desaparecer? No interior desta lógica perversa de negação há, ao menos, um ponto verdadeiro. A saber, a ditadura brasileira deve ser analisada em sua especificidade. Ela não foi uma ditadura como as outras. De fato, como gostaríamos de salientar, há uma "exceção brasileira". No entanto, ela não está lá onde alguns gostariam que ela estivesse. Pois acreditamos que uma ditadura se mede (por que não?, tenhamos coragem de dizer que medir uma ditadura é uma boa ideia). Ela se mede não por meio da contagem de mortos deixados para trás, mas através das marcas que ela deixa no presente, ou seja, através daquilo que ela deixará para frente. Neste sentido, podemos dizer com toda a segurança: a ditadura brasileira foi a ditadura mais violenta que o ciclo negro latino-americano conheceu. Quando estudos demonstram que, ao contrário do que aconteceu em outros países da América Latina, as práticas de tortura em prisões brasileiras aumentaram em relacao aos casos de tortura na ditadura militar1; quando vemos o Brasil como o único país sul-americano onde torturadores nunca foram julgados, onde não houve justiça de transição, onde o Exército não fez um mea culpa de seus pendores golpistas; quando ouvimos sistematicamente oficiais na ativa e na reserva fazerem elogios inacreditáveis à ditadura militar; quando lembramos que 25 anos depois do fim da ditadura convivemos com o ocultamento de cadáveres daqueles que morreram nas mãos das Forças Armadas; então começamos a ver, de maneira um pouco mais clara, o que significa exatamente "violência". Pois nenhuma palavra melhor do que "violência" descreve esta maneira que tem o passado ditatorial de permanecer como um fantasma a assombrar e contaminar o presente. "Contaminar" porque devemos nos perguntar como a incapacidade de reconhecer e julgar os crimes de Estado cometidos no passado transforma-se em uma espécie de referência inconsciente para ações criminosas perpetradas por nossa polícia, pelo aparato judiciário, por setores do Estado. Neste ponto, vale a pena lembrar como falar de "exceção brasileira" também tem outro sentido. Pois uma das características mais decisivas da ditadura brasileira era sua legalidade aparente ou, para ser mais preciso, a sua capacidade de reduzir a legalidade a dimensao da aparencia. Tínhamos eleições com direito a partido de oposição, editoras que publicavam livros de Marx, Lenin, Celso Furtado, músicas de protesto, governo que assinava tratados internacionais contra a tortura, mas, no fundo, sabíamos que tudo isto estava submetido à decisão arbitrária de um poder soberano que se colocava fora do ordenamento jurídico. Quando era conveniente, as regras eleitorais eram modificadas, os livros apreendidos, as músicas censuradas, alguém desaparecia. Em suma, a lei era suspensa. Uma ditadura que se servia da legalidade para transformar seu poder soberano de suspender a lei, de designar terroristas, de assassinar opositores em um arbítrio absolutamente traumático. Pois neste tipo de situação nunca se sabe quando se está fora da lei, já que o próprio poder faz questão de mostrar que pode embaralhar, a qualquer momento, direito e ausência de direito. O que nos deixa com uma pergunta que não quer calar: diante de uma situação sociopolítica, como a nossa atual situação, em que campanhas eleitorais são feitas sempre com fundos ilegais; em que a Constituição federal, desde sua aprovação, foi objeto de um reformismo infinito (mais de sessenta emendas constitucionais, sem contar artigos que, passados vinte anos, ainda não vigoram por falta de lei complementar) - como se fosse questão de flexibilizar a aplicação da lei constitucional de acordo com a conveniência -; em que banqueiros corruptos têm reconhecidas "facilidades" nos tribunais; em que nem sempre é evidente distinguir policiais de bandidos, quem pode falar hoje com toda a segurança que este modo de conjugar lei e anomia próprio à ditadura militarrealmente passou? Isto não significa em absoluto cometer o erro primário de confundir nossa semidemocracia com uma ditadura, mas trata-se delembrar de onde vem o que impede nossa experiência democrática avançar. Levando em conta questões desta natureza, apresentamos aqui um conjunto de artigos que procuram avaliar múltiplos aspectos deste legado da ditadura. A perenidade institucional e jurídica dos aparatos econômicos e securitários criados na ditadura militar são analisados. Da mesma forma, a aberração brasileira em relação ao direito internacional sobre crimes contra a humanidade é aqui discutida, juntamente com o trauma social resultante da anulação do direito de memória. Há ainda artigos que visam analisar o legado político da ditadura, assim como as tentativas de deslegitimar o direito à violência contra um Estado ditatorial ilegal. Avaliações históricas sobre a maneira como as Forças Armadas relacionaram-se com o problema da anistia e reflexões sobre a literatura diante do dever de memória completam o quadro. Por fim, resta dizer que, normalmente, organizar ou escrever livros é motivo de um estranho sentimento, no interior do qual algo que um dia foi chamado de felicidade se faz sentir. No entanto, organizar este livro é, como dizia Bartleby, algo que "Eu preferia não..." [I would prefer not to]. Quando a ditadura acabou, os organizadores deste livro nunca imaginaram precisar colocar, 25 anos depois, questões sobre porque o legado da ditadura teima em não terminar, porque os corpos de seus mortos ainda não foram acolhidos pela memória. A história, no entanto, tem maneiras cruéis de ensinar o verdadeiro tamanho das batalhas. Edson Teles e Vladimir Safatle -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100223/cb3b36b5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10583 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100223/cb3b36b5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 24 19:35:23 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 24 Feb 2010 18:35:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Av=F3s_recuperam_101=B0_neto_sequ?= =?iso-8859-1?q?estrado_pela_ditadura?= Message-ID: <9E5BA17448424CA7808CB1438B11F7A5@vcaixe> Carta O Berro..............................................................................................................................................................repassem Avós recuperam 101° neto sequestrado pela ditadura Sequestrada por militares argentinos, Silvia Mónica Quintela deu à luz no cativeiro e acabou assassinada no centro clandestino de detenção Campo de Maio. Seu marido, Abel Pedro Madariaga, conseguiu sobreviver à ditadura militar e, ao voltar do exílio, incorporou-se ao movimento das Avós da Praça de Maio para procurar seu filho. Encontrou-o há poucos dias. O 101° neto encontrado chama-se Francisco Madariaga Quintela. O responsável pela "adoção" da criança sequestrada, o capitão aposentado e ex-carapintada Victor Alejandro Gallo, foi preso sexta-feira. Página 12 (com Redação Carta Maior) A Associação das Avós da Praça de Maio apresentou nesta terça-feira (23) numa coletiva de imprensa, todos os detalhes que permitiram recuperar o neto 101, que durante mais de trinta anos foi privado de sua identidade por seus apropriadores. Francisco Madariaga Quintela é filho de Silvia Mónica Quintela, sequestrada e assassinada no centro clandestino de detenção Campo de Maio. Seu pai, Abel Pedro Madariaga, conseguiu sobreviver e, depois de voltar do exílio, uniu-se à Associação das Avós para iniciar pessoalmente a busca de seu filho, no que constitui um caso inédito neste tipo de investigação. Enquanto isso, o responsável pela "adoção", o capitão aposentado e ex carapintada Victor Alejandro Gallo foi detido na última sexta-feira. Silvia Quintela foi sequestrada pela ditadura militar na manhã de 17 de janeiro de 1977, em Florida, província de Buenos Aires, quando estava grávida de 4 meses. Às 9 e meia da manhã, enquanto caminhava pela rua Hipólito Yrigoyen em direção à estação de trem para encontrar-se com uma amiga, foi rodeada por três veículos. Um grupo à paisana que pertencia ao Primeiro Corpo do Exército jogou-a-a num dos Ford Falcon e levou-a para um local desconhecido. Silvia era médica e tinha nesse momento 28 anos; dedicava parte de seu tempo à militância na Juventude Peronista e a cuidar de pessoas carentes numa clínica em Beccar, em Buenos Aires. Seu companheiro, Abel Madariaga, secretário de imprensa e difusão da organização Montoneros, foi testemunha, mas conseguiu escapar. Nessa mesma tarde, outro grupo invadiu a casa da mãe de Silvia e lá a comunicaram que ela tinha sido detida. Exilado primeiro na Suécia, em 1980, e depois no México, Madariaga regressou temporariamente a Argentina em 1983, onde entrevistou vários sobreviventes do centro clandestino de detenção Campo de Mayo. Quando regressou permanentemente, uniu-se às Avós, ocupando o cargo de secretário, para encabeçar pessoalmente a busca pelo local de detenção de sua companheira. Testemunhas forneceram informações sobre esse local e sobre a data de nascimento de seu filho, que depois foi "adotado". Beatriz Castiglione, sobrevivente do El Campito e companheira de detenção de Silvia, junto a outras grávidas, ratificou que a viu presa no Campo de Maio e lembrou que seu pseudônimo no centro clandestino era "Maria". Então ela já estava no seu sétimo mês de gestação. Outro testemunho chave foi o de Juan Carlos Scapati, com quem Quintela esteve detida. Na sua declaração, Scarpati afirmou que foi atendido pela médica numa lugar chamado Las Casitas - dentro do CCD Campo de Maio -, em virtude das feridas que lhe haviam causado quando o detiveram. O mesmo testemunho assegurou que Quintela deu à luz fora da sala de partos do El Campito, quando os partos começaram a se realizar com cesárias programadas no Hospital Militar do Campo de Maio. "Pude ficar algumas horas com ele", comentou Silvia, ao reincorporar-se no dia seguinte, já sem seu bebê e com a promessa de seus raptores de entregá-lo a sua família. O capitão do exército aposentado e ex-carapintada Victor Alejandro Gallo foi preso na sexta-feira passada, quando tomava conhecimento do resultado dos exames de DNA. Gallo é acusado agora de apropriação ilegal de um menor de idade; ele também tinha sido condenado a dez anos de prisão, em 1997, pela Câmara Penal de San Martin. Neste caso, foi julgado culpado dos delitos de roubo qualificado, porte de arma de guerra, privação ilegal da liberdade e coação, junto a outras duas pessoas que a Justiça condenou pelo chamado Massacre de Benavidez, ocorrido em 6 de setembro de 1994. A coletiva de imprensa em que pai e filho se apresentaram juntos pela primeira vez ocorreu nesta terça. As Avós revelaram de que modo conseguiram recuperar a identidade do neto número 101, e a rede de cumplicidades que permitiu sua apropriação. Leia abaixo o informe das Avós sobre o encontro de Francisco: "Buenos Aires, 23 de fevereiro de 2010 Encontramos outro neto, o filho do Secretário das Avós da Praça de Maio As Avós da Praça de Maio queremos comunicar que encontramos outro neto que durante mais de 32 ano viveu privado de sua identidade. Francisco Madariaga Quintela é filho de Silvia Mónica Quintela e Abel Pedro Madariaga, ambos militantes da organização Montoneros. Silvia foi sequestrada em 17 de janeiro de 1977 em Florida, Província de Buenos Aires, grávida de quatro meses. Seu companheiro Abel sobreviveu e partiu para o exílio. Em 1983, de volta a Argentina, empreendeu pessoalmente a busca de seu filho e se incorporou à Associação. Silvia nasceu em 27 de novembro de 1948, na localidade de Punta Chica, comarca de San Fernando. Estudou medicina na Universidade de Buenos Aires (UBA) e, no momento de seu sequestro, estava terminando sua residência como cirurgiã no Hospital Municipal de Tigre. Foi detida em Florida, zona norte da Grande Buenos Aires, na interseção das ruas Hipólito Yrigoyen e as vias do Ferrocarril Mitre. Militava na Montoneros. Seus companheiros a conheciam como "Maria". Segundo testemunhos de sobreviventes, Silvia permaneceu no Centro Clandestino de Detenção "El Campito", no Campo de Maio, e em julho de 1977 passou por uma cesária no Hospital Militar da dita guarnição. Silvia, de 28 anos, deu a luz a um menino, a quem - como desejava com seu companheiro - chamou de Francisco. O caso de Silvia Quintela se soma aos de Norma Tato de Casariego e Beatriz Recchia de Garcia, desaparecidas grávidas do CCD "El Campito", que também deram a luz no Hospital Militar e cujos filhos foram apropriados por repressores. Felizmente, os três casos foram resolvidos pelas Avós e a Justiça determinou a restituição da identidade dos jovens. Abel nasceu em 7 de fevereiro de 1951, na cidade de Panamá, província de Entre Rios. Cursou agronomia na UBA até que foi expulso, com a intervenção do exército na Universidade. E, assim como Silvia, militava na coluna norte de Montoneros. Pouco depois do sequestro de sua companheira, exilou-se na Suécia, mais tarde no México, até que regressou ao país, em 1983. Desde então, integrou-se às Avós e com os anos se tornou coordenador das equipes técnicas, sendo atualmente secretário da instituição. A busca familiar As avós Sara Elena de Madariaga e Ernestina "Tina" Dallasta de Quintela se dedicaram à busca de Francisco durante a ditadura. As avós, junto a suas companheiras, escreveram e se aproximaram do Ministério Público o quanto puderam, mas, como em todos os casos, lhes fecharam as portas. Em 1983, de volta do exílio, Abel empreendeu a busca pessoalmente, então se incorporou ativamente às avós e foi encarregado de desenvolver grande parte das estratégicas de difusão das Avós para convocar os jovens que, como seu filho, tivessem dúvidas sobre sua identidade. A Busca de Francisco Francisco se aproximou das avós em 3 de fevereiro último, com o nome de Alejandro Ramiro Gallo, dizendo que acreditava ser filho de desaparecidos. Desde há muito tempo tinha dúvidas sobre sua identidade, e por isso decidiu perguntar à mulher que dizia ser "sua mãe" se tinha informações sobre sua origem. Foi então que a senhora Inés Susana Colombo confessou que o tinham trazido do Campo de Maio e que havia a possibilidade de ele ser filho de desaparecidos. Com essa informação, Francisco decidiu aproximar-se das Avós para começar a sua busca. O jovem se apresentou acompanhado por Colombo, que disse que seu ex-marido, chamado Victor Alejandro Gallo, era oficial da inteligência do Exército argentino e que, no ano de 1977, lhe disse que havia um bebê abandonado no Hospital Militar do Campo de Maio, ao que ela teria respondido: "como ia deixar um bebê abandonado, que o tragam "(sic). Colombo relatou que finalmente Gallo levou o bebê para a sua casa em 10 de julho de 1977, e acrescentou que o bebê ainda tinha o cordão umbilical, o que indicava que tinha nascido havia muito poucos dias. Tanto Francisco como Colombo indicaram que Victor Gallo dispensava um trato violento a ambos, relatando minuciosamente diversas agressões físicas e psicológicas. Gallo, que trabalhava como oficial do exército durante a última ditadura, também conta na sua história ter sido membro do batalhão 601. Já na democracia participou do roubo de uma empresa financeira, na década de 80, e de um ato criminoso, no qual assassinou a uma família, que ficou conhecido como "O Massacre de Benavidez", pelos quais foi condenado e esteve preso. A ficha corrida desse homem traz também sua participação nos "levantes carapintadas" ocorridos nos anos 80, entre outras coisas. Atualmente, até a sua detenção na última sexta-feira, trabalhava como empresário de uma empresa de segurança privada, sendo "dono" da empresa Lince Seguridad". Na entrevista, Colombo assinalou que, apesar de estar divorciada e de não guardar vínculo com Gallo, antes de ir às Avós da Praça de Maio ela o chamou para que lhe dizer que "Ramiro" estava duvidando de sua identidade. Casualmente, depois disso Francisco sofreu dois incidentes que vinculou às circunstâncias de que Gallo tinha se inteirado da busca iniciada. O relato de Francisco e de Colombo fazia com que se suspeitasse de que se tratava de um filho de desaparecidos, pelo que, de imediato solicitaram à Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (CONADI) que lhes concedessem uma agenda para a realização do exame de DNA. No dia seguinte, 4 de fevereiro, Francisco foi ao Banco Nacional de Dados Genéticos para deixar as primeiras mostras que lhe devolveram sua verdadeira identidade. O Encontro Na quarta-feira, 17 de fevereiro, a juíza Sandra Arroyo, do Juizado Federal N° 1 de San Isidro, chamou a Associação para que comunicasse ao secretário da instituição que tinham encontrado seu filho. Abel não se encontrava na capital, de modo que fomos atrás dele para contar-lhe; neste mesmo dia companheiros e pessoas queridas o esperavam na sede das Avós para abraçá-lo e acompanhá-lo neste momento que ele esperou por mais de 30 anos. Enquanto isso, Francisco se encontrava com integrantes das Avós, com quem desde que se aproximou da organização esteve em contato, para contê-lo e acompanhá-lo. Nesse momento, comunicaram-lhes o resultado e Francisco quis conhecer seu pai nas Avós. Desde então, pai e ilho não deixam de estar juntos, compensando os anos roubados de vida e emocionando a todos os que participaram dessa luta. "Não podiam", disse Francisco quando abraçou seu pai pela primeira vez. Esse é o ensinamento que nos traz cada restituição e nos enche de energia e esperanças para encontrar a todos os que faltam". Tradução: Katarina Peixoto -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100224/79b5990d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100224/79b5990d/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24477 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100224/79b5990d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 25 18:23:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 25 Feb 2010 17:23:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_LAN=C7AMENTO_do__LIVRO_3_de_Marco?= =?iso-8859-1?q?s_Arruda_dia_4_de_mar=E7o_=E0s_19_horas__na_ARGUMEN?= =?iso-8859-1?q?TO-LEBLON_-_RJ?= Message-ID: <7CFB79222F1B4C2A975070999DBAE5C5@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................................................repassem Amigxs, Ficarei feliz de abraçá-los neste lançamento! Espero contar com a presença do amigo Gaudêncio Frigotto, que fez o prefácio! Este livro pretende semear uma visão holística e dialética da Pessoa, nos seus contextos social, histórico e ambiental. Aventuro-me a inovar, combinando Educação a partir da Práxis com Economia in-formada pelo Amor. Que Ser Humano queremos construir? Esta é a questão central. E junto vêm outras perguntas, sendo a principal: Como educar o Ser Humano para se tornar o protagonista do seu desenvolvimento, como pessoa, como ser social, como cidadão, como Ser ao mesmo tempo individual e social, material e espiritual? A cultura dominante nos ensina que o sentido da nossa vida é competir para ter um emprego, renda, riqueza material, poder e prestígio. A educação está quase sempre voltada para formar este ser competitivo, e para convencê-lo de que depende só dele ter sucesso na vida. O livro pergunta, Que é ter sucesso na vida? Sua convicção é que sucesso não é ter mais, mas sim ter o suficiente para ser mais. Ser com os outros para ser feliz. E aponta um caminho bem diferente para a educação, voltada para uma economia que serve ao desenvolvimento do ser humano, pessoa e coletividade, à construção de um Ser crítico, altruista, compassivo, amoroso e feliz! A mensagem é ao mesmo tempo simples e complexa: * Mudando o sentido da economia e os seus protagonistas, mudamos a educação. * Mudando a forma, o conteúdo e os protagonistas da educação, mudamos a economia. A ação transformadora, objetiva e subjetiva, cotidiana e histórica, política e espiritual ao mesmo tempo, dá sentido a toda a reflexão e partilha das experiências aqui contidas. O livro também relata aventuras como o trabalho na Guiné Bissau com Paulo Freire e o Idac, os anos de apoio aos sindicalistas de Ipatinga, MG, meu trabalho como operário na Sofunge, SP... Convidamos você, leitora e leitor, a ler o livro e a dialogar com seu autor, que, como educador da Práxis, se dispõe a aprender com você também. Abraços e esperança, Prof. Marcos Arruda - marcosarruda at pacs.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100225/b9976a16/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 107608 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100225/b9976a16/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 26 20:35:24 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 26 Feb 2010 19:35:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Assista_em_v=EDdeo_a_palestra_do?= =?iso-8859-1?q?_Ministro_Paulo_Vannuchi_=28_veja_no_link_abaixo=29?= =?iso-8859-1?q?_e_no_dia_9_de_mar=E7o__Andr=E9_Singer_debate_sobre?= =?iso-8859-1?q?_o_Lulismo_na_Casa_da_Cidade?= Message-ID: <2C55E509E9D7453BB1ADAC5E572A5F49@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................................................repassem Problemas para visualizar a mensagem? Acesse este link. São Paulo, 26 de Fevereiro de 2010 Boletim nº 105 André Singer discute "Raízes sociais e ideológicas do Lulismo" No próximo dia 9, terça-feira, a Casa da Cidade receberá o jornalista e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, André Singer, para debater sobre seu artigo publicado na revista Novos Estudos em dezembro de 2009: "Raízes sociais e ideológicas do Lulismo". Nele, Singer discorre sobre o realinhamento eleitoral que teria ocorrido em 2006, quando um estrato da sociedade, distante de Lula, aproximou-se após o término do primeiro mandato. Para o autor, a mudança está relacionada a uma nova posição ideológica. A Casa da Cidade convida a todos para debater e refletir sobre essas mudanças e as questões que surgem a partir disso. Conversa com André Singer sobre as "Raízes sociais e ideológicas do Lulismo" Data: 9 de março, terça-feira Horário: 20h Local: Casa da Cidade Endereço: Rua Rodésia, 398 Leia o artigo: Raízes sociais e ideológicas do Lulismo (1183.88kb) Conversa com ministro Paulo Vannuchi já está na internet! Atendendo aos vários pedidos feitos, a Casa da Cidade e a ViaTv estão disponibilizando os principais trechos da primeira parte da palestra com o ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. A conversa ocorreu na última segunda-feira, dia 22, na cede da Casa, lotando nosso salão e nosso espaço aberto Para aqueles que não puderam comparecer, agora podem assistir no site: http://www.youtube.com/viatv1 O Fale conosco espera por você! A Casa da Cidade tem a tradição de ouvir todos e está sempre de portas abertas. Por isso nós gostaríamos de saber o que você quer que aconteça em 2010 na Casa. Sugira eventos, debates, cursos e atividades que você goste e ache interesse para os outros associados. O Fale conosco está esperando a sua proposta! Link: http://www.casadacidade.org.br/contato.php Venha praticar Yoga na Casa da Cidade! Neste início de ano, a Casa da Cidade amplia suas atividades e passa a oferecer aulas de Dahn Yoga. Afinal, uma cidade em equilíbrio precisa de cidadãos em equilíbrio! Durante o mês de fevereiro, convidamos novos alunos a fazer uma aula experimental para conhecer o Dahn Yoga. Venha! Dias da semana: 3as e 5as feiras Horário: das 19:00h às 20:15h Local: Casa da Cidade - Rua Rodésia, 398 - Vila Madalena Telefone: 3814-3372 Instrutor: Ricardo Vaz O que é o Dahn Yoga Dahn Yoga é uma filosofia milenar oriental que busca a integração e harmonia do ser humano consigo mesmo, com o outro e com o meio onde vive. Através de práticas voltadas para a sensibilização, absorção e controle do Ki (energia vital), a saúde física, mental e espiritual pode ser restaurada, elevando o nível de consciência do praticante. Para conhecer um pouco mais sobre o Dahn Yoga, clique aqui. Ou visite: http://www.dahnyoga.com/ (inglês) Um pouco mais sobre o Dahn Yoga Método de treinamento integrado corpo-mente, Dahn Yoga combina exercícios de alongamento profundo, técnicas de meditação e treinamento da percepção da energia vital, conhecida no oriente como Ki, Chi ou Prana. Seu objetivo é ajudar os praticantes a obterem o máximo nível de potencial pessoal. O nome original do Dahn Yoga é "Dahn Hak", que significa, literalmente, o estudo da energia. "Dahn" refere-se a energia primordial, que é essencial a todas as formas de vida, e "Hak" refere-se ao estudo de uma teoria em particular, ou filosofia. Portanto, o praticante de Dahn Yoga é aquele que estuda e experimenta os sistemas de energia com o objetivo de auto-desenvolvimento. Durante a prática do Dahn Yoga, os praticantes aprendem a se comunicar com seus corpos através da energia. À medida que a circulação de energia é estimulada, o poder inato de auto-cura do corpo é ativado. Visite e divulgue: www.casadacidade.org.br Associação Casa da Cidade Rua Rodésia, 398 - V. Madalena CEP 05435-020 - São Paulo - SP (11) 3814-3372 Quero encaminhar essa mensagem para meus contatos Não deseja mais receber nossas mensagens? Cancele o recebimento aqui. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.435 / Banco de dados de vírus: 271.1.1/2711 - Data de Lançamento: 02/26/10 07:34:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100226/aae99fce/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 26 20:35:29 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 26 Feb 2010 19:35:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__LEIAM_E_VEJAM_COMO_AVAN=C7A_A_PR?= =?iso-8859-1?q?=C1TICA_DA_CRIMINALIZA=C7=C3O_DOS_MOVIMENTOS_SOCIAI?= =?iso-8859-1?q?S!/_e_a_CORRUP=C7=C3O_INSTITUCIONAL_por_Dalmo_Dalar?= =?iso-8859-1?q?i?= Message-ID: <1C7E64938A7D47B0AC7586DFD0F522DB@vcaixe> Carta O Berro.......................................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alfredo Lopes LEIAM E VEJAM COMO AVANÇA A PRÁTICA DA CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS! Parceria entre CNJ e CNA: um mau sinal Por Jacques Távora Alfonsin Jurista e procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado. A independência, a autonomia, a imparcialidade, o tratamento igualitário devido a quem comparece em Juízo, conhecido como isonomia no tratamento das partes litigantes, são direitos-deveres dos mais lembrados pelo Poder Judiciário, como garantia do respeito que lhe é devido. No dia 9 deste fevereiro, um acordo foi assinado pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ministro Gilmar Mendes (o mesmo que preside o Supremo Tribunal Federal), com a Confederação Nacional de Agricultura (CNA), que desrespeita, flagrantemente, as obrigações públicas derivadas daqueles direitos-deveres. Segundo se pode ler nos sites de entidades ligadas à CNA, o tal acordo compreende, entre outras coisas, o seguinte: O Observatório das Inseguranças Jurídicas no Campo faz parte do Núcleo de Pesquisas Estratégicas do Instituto CNA e será responsável pelo mapeamento das chamadas "ameaças ao direito de propriedade". As informações, que serão fornecidas pelas federações da Agricultura nos estados e pelos sindicatos do segmento nos municípios, serão consolidadas pela CNA e estarão disponíveis aos órgãos do Judiciário e do Executivo. A idéia é que, a partir dessa rede de informações, o governo e a sociedade tomem conhecimento das iniciativas que coloquem em risco o desenvolvimento econômico e social do país, como as invasões de propriedades públicas e particulares. Os dados compilados pelo Observatório serão divulgados na página da CNA na internet: www.canaldoprodutor.com.br A partir de agora, então, ao poder de polícia do Estado, ao Ministério Público, e ao próprio Poder Judiciário como um todo, soma-se um outro poder, delegado a uma entidade privada - o de dedurar quantas pessoas ela julga suspeitas de provocar insegurança. Estabeleceu-se uma espécie de "disque denúncia" à disposição de quem quiser preservar a injustiça social que uma entidade patronal, historicamente inimiga das/os agricultoras/es sem terra e da reforma agrária, poder fornecer-lhe os dados capazes de montar um novo panóptico privado que, a seu juízo, criminalize quantas/os a sua idéia estreita, interesseira e preconceituosa de direito e justiça entenda de criminalizar. Se tudo parasse por aí, o escândalo já seria muito grave, pelo menos para quem respeite de forma efetiva (e não apenas formal e aparentemente) os princípios constitucionais próprios das obrigações públicas acima lembradas. A situação criada pelo tal acordo, entretanto, é muito pior. A CNA é parte litigante, diretamente interessada em ações judiciais atualmente tramitando no Supremo Tribunal Federal, envolvendo interesses públicos relevantes, relacionados, por exemplo, ao Direito do Trabalho e sindical, ao Direito Tributário, ao meio-ambiente e a terras indígenas. Quem acessa o site do Supremo se surpreende com o número de tais ações, que sobe a centenas, envolvendo interesses difusos, direitos humanos fundamentais de populações inteiras, valores econômicos significativos. Será que, mesmo sob tal circunstância, o Presidente do Supremo, simultaneamente o mesmo do CNJ, poderia assinar o tal acordo com uma parte que litiga sob sua própria jurisdição? Ficam preservados, depois disso, a independência, a autonomia, a imparcialidade, o tratamento isonômico das partes, o próprio dever de moralidade que a Constituição impõe ao Poder Público, no seu artigo 37? Sem necessidade de se lembrar o que a Constituição Federal prevê, sobre o CNJ (art. 103-B, parágrafo 4º, inciso I de modo particular), e a lei Orgânica da Magistratura, sobre a conduta das/os juizas/es, basta a leitura do Código de Ética dessas autoridades para que as/os nossas/os próprias/os leitoras/es dêm resposta a tais perguntas. Já no primeiro artigo desse Código, prevê-se o seguinte: O exercício da magistratura exige conduta compatível com os preceitos deste Código e do Estatuto da Magistratura, norteando-se pelos princípios da independência, da imparcialidade, do conhecimento e capacitação, da cortesia, da transparência, do segredo profissional, da prudência, da diligência, da integridade profissional e pessoal, da dignidade, da honra e do decoro. Sobre independência, o art. 5º prevê: Impõe-se ao magistrado pautar-se no desempenho de suas atividades sem receber indevidas influências externas e estranhas à justa convicção que deve formar para a solução dos casos que lhe sejam submetidos. Sobre imparcialidade, o art. 8º determina: O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes, e evita todo o tipo de comportamento que possa refletir favoritismo, predisposição ou preconceito. À luz do nosso ordenamento jurídico-ético, assim, é impossível afastar-se a conclusão de que o tal acordo escandaliza de maneira profunda a consciência de qualquer brasileira/o, especialmente pelo fato de ter sido assinado pela mesma pessoa que preside o Supremo Tribunal do país. Reconhece ele numa das partes litigantes perante aquele Tribunal, a portadora de um critério idôneo sobre o que se possa entender por segurança jurídica, ainda mais envolvendo um direito como o de propriedade da terra que, por um capítulo inteiro da Constituição Federal (o que trata da reforma agrária, por exemplo) está sob suspeita de ele mesmo ser o gerador da maior insegurança e infelicidade do povo pobre do país.. De que segurança, mesmo, o STF vai tratar a partir de agora, quando a CNA estiver litigando perante esse Tribunal? Não a pública, aquela que é de todas/os, é bom que se suspeite e frise, mas sim a das/os suas/seus associadas/os, já que ela ganhou status de juíza do que seja segurança. Quando as/s pobres do Brasil reclamam das sentenças judiciais que já partem do preconceito de elas/es serem criminosas/os não faltam vozes estridentes de contestação. O acordo do CNJ com a CNA, porém, é uma prova eloqüente da verdade que embasa aquela queixa. A própria época em que o tal compromisso foi assinado chama a atenção para o fato. Há um Plano Nacional de Direitos Humanos recentemente lançado que questiona, justamente, as repetidas violências das execuções judiciais infligidas contra multidões de sem-terra e de sem-teto, que sofrem, não raro, a perda da própria vida nesses embates. O Plano, inspirado em modernas teorias processuais, oferece alternativa que, se for transformada em lei, certamente vai diminuir, talvez eliminar essa mortandade vergonhosa, sem ferir o direito de quem quer que seja. O compromisso assinado entre os dois Conselhos, então, é sinal de que há uma clara opção de classe público-privada contrária ao tal Plano, visando empoderar, exatamente, as forças políticas contrárias à sua implementação. É um acordo, portanto, manifestamente inconstitucional. Não obstante, foi assinado pelo presidente do Tribunal brasileiro encarregado, justamente, de dizer o que seja ou não constitucional... O país tem suportado uma injustiça social incompatível com um Estado que, em sua Constituição pelo menos, proclama-se democrático de direito. O CNJ e a CNA ignoram esse caráter, desprezam o poder soberano e constituinte do povo, preservam o que há de pior na cultura jurídica classista que predomina na interpretação das leis, e, em nome da segurança das/os latifundiárias/os, mantém a nossa terra escrava delas/es. -- Secretaria Geral Escritório Nacional do MST/RJ Rua Pedro I, Sl 803, Centro, Rio de Janeiro/RJ Fone: (21) 2240.8496 ============================================================================================================================== __._,_.___ ----- Original Message ----- From: Fidelis Estefan Filho Corrupção institucional No mês de fevereiro, época em que a vigilância da opinião pública é reduzida e as lideranças políticas estão praticamente inativas, foi divulgada a celebração de um acordo que apresenta todas as características do que pode ser denominado corrupção institucional. Um dos signatários do acordo foi o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), representado por seu presidente, ministro Gilmar Mendes, e o outro participante foi a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), representada por sua presidenta, a senadora Kátia Abreu. Segundo a divulgação feita no site do CNJ, essas instituições "assinaram acordos para evitar inseguranças jurídicas no campo". Em primeiro lugar, é importante assinalar que vem ocorrendo patente e lamentável desvirtuamento dos objetivos do CNJ, com absoluto e evidente desrespeito das disposições constitucionais que, definindo o seu âmbito de atuação, o situam no capítulo intitulado Do Poder Judiciário e ali estabelecem expressa e claramente suas competências. A criação do Conselho Nacional de Justiça, como órgão constitucional de controle do Poder Judiciário e de colaboração com os tribunais, foi saudada com entusiasmo pelos que acompanham de perto o desempenho do Judiciário. Esperavase que o CNJ, com independência e com a autoridade decorrente de sua natureza de órgão constitucional, forçasse as corregedorias dos tribunais a desempenharem com eficiência e firmeza suas atribuições, impedindo o prosseguimento de vícios como o favoritismo e a grande lentidão nos julgamentos, a malversação de recursos e o nepotismo, assegurando o estrito respeito aos princípios e às normas constitucionais. Mas o que se tem visto ultimamente é o CNJ atuando como verdadeiro tribunal de inquisição, interferindo em áreas que não lhe competem e atuando com deplorável e negativo exibicionismo, incompatível com a prudência e a sobriedade que devem ser observadas nas atividades de qualquer âmbito do Judiciário. Quanto às competências do CNJ, elas estão enumeradas no artigo 103-B, parágrafo 4°, da Constituição, em diversos incisos que se referem a alguma forma de ação do CNJ dentro do Poder Judiciário. A única exceção está no inciso IV, segundo o qual compete ao CNJ "representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou de abuso de autoridade". Nenhum daqueles dispositivos, que enumeram exaustivamente as competências do CNJ, lhe dá a atribuição de agir como órgão da segurança pública, que deve ser sempre segurança jurídica e para cuja consecução a Constituição prevê órgãos próprios. A par desse evidente desvirtuamento dos objetivos constitucionais do CNJ, é evidentemente antiética e ilegal a atuação de uma senadora da República, em pleno exercício do mandato, participando ativamente de atividades goverrnamentais como representante de uma instituição privada que tem por objetivo a promoção e defesa dos interesses econômicos de seus associados. Na realidade, a senadora Kátia Abreu é lobista notória, usando as prerrogativas do mandato de senadora para a proteção e o benefício do agronegócio, o que ficou bem evidenciado quando, em companhia de três senadores, ela saiu de Brasília e foi ao estado do Pará com o objetivo exclusivo de impedir a continuação dos trabalhos do Grupo Móvel de Fiscalização do Trabalho Escravo que apurava denúncias da prática da escravidão em unidades do agronegócio situadas naquele estado. Assim, também, tem sido noticiada com grande ênfase sua intensa atividade visando impedir a imposição legal de índices razoáveis de produtividade para as unidades rurais, bem como a proibição do desmatamento irracional em prejuízo do meio ambiente. E jamais se teve notícia de qualquer palavra ou iniciativa da nobre senadora condenando o uso do trabalho escravo ou o desmatamento criminoso. Essa é a personagem que, junto com o ministro Gilmar Mendes, vai cuidar da segurança jurídica no campo. Coincidentemente, nos Estados Unidos acaba de ser feita uma grave denúncia de corrupção, noticiando-se que um membro da Câmara de Re