From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 2 18:30:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Dec 2010 18:30:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Associa=E7=F5es_de_ju=EDzes_criti?= =?iso-8859-1?q?ca_a=E7=F5es_policiais_no_Rio?= Message-ID: <5A6BBB8E9605452CB395812760F61687@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Nota: Associações de juízes critica ações policiais no Rio Da Redação - 02/12/2010 - 15h35 Leia a seguir a íntegra da nota divulgada pela Associação Juízes para a Democracia sobre as ações policiais no Rio de Janeiro: À MARGEM DA LEI SÃO TODOS MARGINAIS A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA - AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, fundada em 1991, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, em consideração às operações policiais e militares em curso no Rio de Janeiro, vem manifestar preocupação com a escalada da violência, tanto estatal quanto privada, em prejuízo da população que suporta intenso sofrimento. Leia mais: Imprensa omite violência policial em operações no Rio, diz associação de juízes TJ-RJ garante transferência de autores de atentados para penitenciárias federais Justiça manda prender advogados de traficantes que ordenaram ataques no Rio ARTIGO: O Rio em "guerra": discurso bélico da mídia legitima uso excessivo da força ARTIGO: Rio, cento e tantos graus, "o bicho vai pegar"! Para além da constatação do fracasso da política criminal relativamente às drogas ilícitas no país, bem como da violência gerada em razão da opção estatal pelo paradigma bélico no trato de diversas questões sociais que acabam criminalizadas, o Estado ao violar a ordem constitucional, com a defesa pública de execuções sumárias por membros das forças de segurança, a invasão de domicílios e a prisão para averiguação de cidadãos pobres perde a superioridade ética que o distingue do criminoso. A AJD repudia a naturalização da violência ilegítima como forma de contenção ou extermínio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional. O monopólio da força do Estado, através de seu aparato policial, não pode se degenerar num Estado Policial que produz repressão sobre parcela da população, estimula a prestação de segurança privada, regular e irregularmente, e dá margem à constituição de grupos variados descomprometidos com a vida, que se denominam esquadrões da morte, mãos brancas, grupos de extermínio, matadores ou milícias. Por fim, a AJD reafirma que só há atuação legítima do Estado, reserva da razão, quando fiel à Constituição da República. =================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101202/6ef14fcd/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 2 18:30:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Dec 2010 18:30:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__O_=22GENERAL=22_N=C3=89LSON_JOBIM_BAT?= =?utf-8?q?E_CONTIN=C3=8ANCIA_PARA_WASHINGTON_e_+_QUEM_=C3=89_NELSO?= =?utf-8?q?N_JOBIM?= Message-ID: <3FEF95BEA15B4DE0AD6B542B7EB31F34@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem O ?GENERAL? NÉLSON JOBIM BATE CONTINÊNCIA PARA WASHINGTON Laerte Braga Nelson Jobim é um trêfego. No dicionário está a definição ? astuto, dissimulado ?. As revelações feitas pelo site WIKILEAKS sobre suas ligações com o embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel e os comentários desfechados sobre os ministros Samuel Pinheiro Guimarães (Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos) e Celso Amorim (Relações Exteriores) são suficientes para que, num assomo de dignidade, se ainda restar alguma a ele, pedir demissão e recusar o convite da presidente eleita Dilma Roussef para continuar à frente do Ministério da Defesa. Se não o fizer, cabe ao presidente Lula demiti-lo por ato de, no mínimo, deslealdade com o governo a que serve e a presidente eleita comunicar que o convite está anulado. Nelson Jobim foi ministro da Justiça de FHC e um dos principais responsáveis pelo plano nacional de privatizações, não tem nada a ver com as propostas defendidas por Dilma Roussef em sua campanha eleitoral. Nos primeiros entraves ao processo de privatização da CIA VALE DO RIO DOCE ? hoje VALE ?, FHC decidiu indicá-lo para o STF (Supremo Tribunal Federal) com a tarefa de remover obstáculos à entrega da empresa. Ao tomar posse Nelson Jobim pronunciou um dos mais lamentáveis discursos da história da chamada Corte Suprema. Afirmou-se ?líder do governo? junto a seus pares. Foi um momento de pequenez do Poder Judiciário. À época o fato causou estranheza a alguns juristas e indignação a outros. Uma das primeiras providências que Jobim tomou foi retirar das mãos da juíza Salete Macalóes as decisões (estavam afetas a ela pelo instituto jurídico do Prevento) sobre a privatização da VALE. Salete Macalóes havia concedido liminares contra a decisão do governo apontando inúmeras irregularidades na privatização da VALE, na forma como estava sendo conduzida e levantado a ponta de um iceberg de corrupção. Jobim transferiu o processo para um juiz maleável, digamos assim, capaz de engolir sapos e engordar conta bancária. Cumprida a missão saiu do STF, voltou à Câmara dos Deputados e numa dessas derrapadas de Lula virou ministro da Defesa. Vestiu a farda de ?general de carreirinha? e desceu assim no aeroporto de Porto Príncipe, Haiti, logo após o terremoto que varreu o país. Como norte-americanos estavam ignorando a presença de tropas brasileiras (que tinham o comando nominal das operações por ali) e chamaram a si o comando de fato, Jobim foi comunicar aos generais brasileiros que iam ter que engolir o sapo ianque e dizer à imprensa que nada mudou, o comando era ?nosso?. Contou com o apoio decisivo de uma das agências norte-americanas no Brasil, a GLOBO. Balela. Jogo de cena. Ridículo no uniforme de campanha. Patético. Os documentos revelados na última semana pelo site WIKILEAKS mostram que Jobim mantinha estreitos contatos com o embaixador dos EUA no Brasil e identificava nos ministros Samuel Pinheiro Guimarães e Celso Amorim os ?inimigos? dos patrões, no caso os EUA. No último dia de seu governo o presidente Lula deve dirigir-se aos dois ministros, Samuel e Celso Amorim e agradecer o fardo carregado ao longo desses oito anos construindo o respeito que o Brasil nunca teve mundo afora. É Jobim, ?general de carreirinha? que bate continência para Washington, quem tenta impedir a continuidade de Celso Amorim no Ministério das Relações Exteriores. Quer um ministro padrão Celso Láfer, aquele que quando chegou ao aeroporto de New York tirou os sapatos para submeter-se a uma vergonhosa e ultrajante revista pela polícia antiterrorista. E de preferência, se for o caso, tire os sapatos, a roupa, tudo e na ONU caia de quatro. A responsabilidade de Dilma Roussef diante desses fatos é grande e qualquer concessão pode custar caro à presidente eleita. Não há sentido, mas um profundo desrespeito ao Brasil e aos brasileiros manter uma figura repulsiva como Nelson Jobim num Ministério estratégico como o da Defesa. Será, se acontecer, um retrocesso sem tamanho, até no conceito de ?capitalismo a brasileira?, modelo criado pelo presidente Lula para driblar as bombas de efeito retardado deixadas por FHC. Um País como o Brasil, num momento como esse, não pode submeter-se ao terrorismo norte-americano, claro e explícito nos documentos tornados públicos pelo WIKILEAKS, que envolvem desde ingerência em governos outros, a prática sistemática de violações de direitos humanos, incluindo estupros de prisioneiros e eventuais ?inimigos?. O pânico mostrado pela secretária de Estado Hilary Clinton com a divulgação dos documentos, que coloca a nu toda a ?preocupação com a paz e a democracia? dos norte-americanos atesta a gravidade dos fatos. A acusação feita pelo governo do protetorado norte-americano na Europa, a Suécia, de ?crime sexual? contra o fundador do site WIKILEAKS é prática corriqueira entre esse tipo de gente. Acuados, transferem as responsabilidades para outros inventando histórias e buscando desacreditar já que não podem desmentir ou negar toda a barbárie praticada nos últimos anos, toda a sorte de trapaças contra governos legítimos em várias partes do mundo. E Nelson Jobim é um dos homens dos EUA nesse emaranhado todo. Um ?general? de fancaria, um trêfego travestido de patriota, que aliás, é sempre bom lembrar, ?é o último refúgio dos canalhas?. Ao contrário, o ministro Celso Amorim foi eleito pela revista norte-americana FOREIGN POLICY como o 6º ?pensador global mais importante do ano?, com o mérito de ?transformar o Brasil em ator global?. Segundo a revista, ?nem se opondo reflexivamente aos EUA no estilo da velha esquerda latino-americana nem servilmente seguindo sua liderança, Amorim marcou um curso independente?. Amorim está, no ranking da revista, à frente de Hilary Clinton secretária de Estado dos EUA. O presidente (pensa que é presidente) Barack Obama é o terceiro na lista. O brasileiro está à frente também da chanceler do protetorado norte-americano Alemanha, Angela Merkel. Por trás de tudo isso existe um outro e importante aspecto a ser considerado. Foi com Nelson Jobim ministro da Justiça de FHC que foi intensificada a participação do FBI e da CIA junto a órgãos do governo brasileiro no pretexto do combate ao tráfico de drogas e na prática, no controle do próprio governo de Fernando Henrique. Um dos objetivos primeiros dos norte-americanos é encher o Brasil de bases militares para controle total do País e suas riquezas, criar a chamada OTAN do Atlântico Sul, transformar o Brasil em base de operações contra países latino-americanos que se oponham às políticas imperialistas de Washington. Jobim está de volta e com ele as mesmas práticas golpistas e colonialistas. O futuro governo Dilma tem esse desafio. Ou mantém a diplomacia montada na competência e na conseqüência de ministros como Celso Amorim, ou cai de quatro também. Se os episódios da guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro mostraram um governo presente no combate ao crime organizado, por baixo dos panos, negociações para maior participação de agentes dos EUA nessa luta ocorreram tranquilamente com Nelson Jobim à frente. Lula está dormindo de touca nessa história e Dilma pode herdar essa touca. Jobim é agente de potência estrangeira, como nocivo ao Brasil, em todos os sentidos, é o acordo militar com os EUA. E vale até registrar que foi rompido no governo do general Geisel. O que significa que até na ditadura se percebeu em dado momento os propósitos colonialistas dos EUA. Com Jobim corremos o risco de no cesto do Ministério estar uma cobra cujo veneno não tem soro antiofídico. É preciso levar em conta que a tênue democracia brasileira implica num processo maior de reconstrução democrática que, por sua vez, significa também a reconstrução das forças armadas como segmento de toda essa caminhada. O golpe de 1964 gerou um corpo militar comprometido com interesses não nacionais, os norte-americanos e as mudanças e percepções dos reais interesses dos EUA aqui são lentas. Boa parte dos militares brasileiros também bate continência para Washington, como bateu para Vernon Walthers em 1964. Jobim não é só trêfego, é também um cancro no governo. Uma doença caracterizada por uma população de células que crescem e se dividem sem respeitar limites normais, invadem e destroem tecidos adjacentes, podem se espalhar para lugares distantes no corpo através de algo que se conhece como metástase. =================================================================================================== quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 QUEM É NELSON JOBIM? Laerte Braga Um dos desafios que a presidenta Dilma Roussef vai enfrentar de cara diz respeito ao processo de integração latino-americana. E já começa antes da posse a dar sinais que pode cair de quatro com a decisão de manter o ministro Nelson Jobim na Defesa. Jobim é oriundo do governo FHC e não tem nada a ver com o Brasil, é agente estrangeiro. O site WikiLeaks revela nos milhares de documentos secretos divulgados na última semana que são estreitas as ligações entre o ministro e o governo dos EUA. Como próxima demais para um ministro da Defesa sua ?amizade? com o embaixador norte-americano no Brasil, Clifford Sobel. Acostumados a ministros do padrão Celso Láfer, que tiram sapatos no aeroporto de New York quando chegam e submetem-se a revistas, os norte-americanos estão fazendo de tudo para que o novo governo não confirme o ministro Celso Amorim nas Relações Exteriores e afaste o secretário de Assuntos Estratégicos Samuel Pinheiro Guimarães, considerados hostis às pretensões dos EUA na América do Sul. Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães são pontos positivos do governo Lula e conferiram ao Brasil respeito na comunidade internacional. Se Jobim e chefes militares querem bater continência para Washington que o façam, mas lá. Os documentos secretos revelados pelo site mostram que os EUA consideram o Brasil como país amigo, mas negam amizade estreita, enxergando obstáculos a interesses políticos que têm na região. O acordo militar assinado entre o Brasil e os EUA é um escárnio, foi assinado com a oposição de Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães; e Jobim é só uma ponte entre norte-americanos, militares pró EUA (a maioria) e por essa razão várias decisões dos norte-americanos, muitas delas intervencionistas, passam pelo ministro da Defesa. Um contínuo, office boy com patente de ?general de carreirinha?. Não há sentido em manter Jobim no Ministério, como nunca houve em designá-lo. Ou Dilma percebe o processo em seu momento, ou sucumbe ao ?capitalismo a brasileira? e promove um retrocesso sem tamanho. Essa característica volúvel de Jobim vem desde os tempos em que foi ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Ao assumir a toga de ministro caiu de quatro e se declarou líder do governo de FHC (por quem foi indicado) no STF, para assegurar o processo de privatização. Uma das suas primeiras atitudes foi afastar do processo de privatização da VALE a juíza Salete Macalóes (que vinha anulando ilegalidades e imoralidades na privatização) e colocar no caso um juiz, digamos, maleável. Não há sentido e nem razão para a permanência de Jobim no Ministério do futuro governo e está aí o motivo da campanha contra Celso Amorim. Os norte-americanos o querem fora do Ministério das Relações Exteriores. Não é comprável, não é manobrável, ou seja, tem dignidade. É Amorim, não é Jobim. Jobim tem interesses. Quem pensa que a mala branca é privilégio do futebol está visceralmente enganado. A confirmação de Jobim é um rompimento dos compromissos assumidos em campanha, de políticas independentes e voltadas para a integração da América Latina. Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim foi indicado como um dos mais influentes chanceleres dentre todos os países do mundo como formulador de políticas. A escolha de Dilma, manter Jobim, significa tirar os sapatos ao chegar ao aeroporto de New York e as declarações do ministro contidas nos documentos revelados pelo site WikiLeaks confirmam isso. Nos citados documentos consta a expressão ?inclinação antiamericana? com relação ao Itamaraty e Jobim, ao contrário, se estende na cama e chama, venham, em relação às políticas relacionadas a América do Sul, particularmente à Venezuela. Jobim num almoço com o embaixador norte-americano, passando informações, referiu-se ao ministro Samuel Pinheiro Guimarães como ?alguém que odeia os Estados Unidos? e o embaixador pede sua ajuda para derrubar o ministro. Sem caráter nenhum, já que os documentos divulgados são oficiais, mas cara de pau ao extremo, o ministro da Defesa telefonou a Samuel Pinheiro Guimarães para dizer que falou o que falou. É típico de políticos corruptos e a serviço de potência estrangeira como ele. Falo de Jobim. Só por esse episódio desmoraliza qualquer governo. Como não tem dignidade e não vai pedir demissão, tem tarefas a cumprir para Washington, cabe à presidente eleita afastá-lo. Os avanços obtidos no governo Lula, mesmo em meio a muitas concessões, correm o risco de ruir com a permanência de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. É preciso estar atento a ação de Jobim quanto a sua influência junto à futura presidente, levando em conta que foi um dos principais condutores, como ministro da Justiça e depois no STF do processo de venda do Brasil durante o governo FHC. Não faz sentido estar no governo Lula e muito menos permanecer no governo Dilma. Ou é imposição de militares comprometidos com Washington, ou é outra concessão sem tamanho, tipo uma no cravo, outra na ferradura. Dilma Rousseff corre o risco de assumir sem condições de cumprir uma plataforma mínima de governo no campo de políticas estratégicas para o Brasil. Pode estar indo dormir na cama do inimigo. Jobim, entre outras, defende uma estreita colaboração com os EUA, inclusive com a instalação de bases militares norte-americanas em nosso País. Para quem não se lembra, há um episódio ridículo em sua ?carreira? de general de mentirinha, além do discurso que fez quando tomou posse no STF (imoral). Vestindo uniforme de campanha desceu no aeroporto de Porto Príncipe no Haiti, anunciando que o Brasil iria assumir o controle e o comando das forças internacionais naquele país (tem nominalmente), quando do terremoto que destruiu parte do território haitiano. Os militares brasileiros foram sumariamente afastados do centro de decisões pelos militares norte-americanos. Jobim foi apenas sacramentar a rendição. E explicar aos militares brasileiros que naquele momento general brasileiro passava a ser sargento do exército dos EUA. ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101202/a5683cca/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 2 18:30:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 2 Dec 2010 18:30:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Por dentro do Wikileaks Message-ID: <36FBB143BEF34AA9875FAD71B0651C25@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Por dentro do Wikileaks Opera Mundi 1 de dezembro de 2010 às 16:59h "A democracia passa pela transparência radical": Natália Viana, jornalista brasileira convidada para trabalhar com os comunicados secretos entre embaixadas americanas, escreve sobre a experiência; site foi derrubado do ar após vários ataques Por Natália Viana* Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português, com matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil. Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral. Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo. Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas ? no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem ? leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: ?São a coisa mais importante que eu já vi?, disse ele. Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo. Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta. Documentos sobre Brasil No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo. Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo. O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo ? espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical ? também no jornalismo. Impressões A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial ? e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas. Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo ? da Austrália ao Irã ? vai conseguir reduzir o choque. Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram ?como o mundo funciona?. O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo. Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos. O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela ?pode gerar insegurança? ou ?atrapalhar o andamento das coisas?. A imprensa simplesmente não tem esse direito. É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de ?irresponsável?, ?ativista?, ?antiamericano? e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo ? objetivo, equilibrado, responsável e imparcial. Uma ironia e tanto. *Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/por-dentro-do-wikileaks ========================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 22488 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101202/83176d94/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 3 19:56:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Dec 2010 19:56:32 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Dia_7_de_dezembro=2C_=E0s_19_hor?= =?iso-8859-1?q?as=2C_na_C=E2mara_dos_Vereadores_de_S=E3o_Paulo=2C_?= =?iso-8859-1?q?Eduardo_Leite=2C_o_Bacuri=2C_receber=E1=2C_in_memor?= =?iso-8859-1?q?iam=2C_o_t=EDtulo_de_Cidad=E3o_Paulistano?= Message-ID: <3AD7F86FB5B04C7F912A9B4F5C626D89@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Morte de Bacuri e a cumplicidade da Folha Reproduzo matéria publicada no blog "Limpinho e cheiroso": (leia também, ao final, "Cem dias no Inferno") Na próxima terça-feira, dia 7 de dezembro, às 19 horas, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Eduardo Leite, o Bacuri, receberá, in memoriam, o título de Cidadão Paulistano por iniciativa dos vereadores Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso. Para quem não o conheceu, trata-se de mais um dos casos de absoluta crueldade da repressão. Na madrugada da véspera de ser retirado do Dops para ser assassinado, a repressão lhe entregou - na cela onde estava sozinho - um exemplar da Folha da Tarde que noticiava sua "fuga". Para que jamais esqueçamos a história, a Folha da Tarde era aquele pasquim que o senhor Otávio Frias - pai do senhor Otávio Frias Filho - cedeu graciosamente ao esquadrão da morte durante os dois anos finais dos 1960 e que assim continuou até o final dos anos de 1970. Bacuri tem uma das histórias mais bonitas de nossa resistência. Quando foi preso, sua companheira - a camarada Denize - estava grávida. Meses depois, nasceu a Maria Eduarda. Quem não puder comparecer ao evento, envie uma mensagem dirigida a essas duas mulheres para o endereço da Denize Crispim Perez: zdenize at gmail.com Leia a seguir, o texto sobre Bacuri que está no sítio Tortura Nunca Mais: Cumplicidade entre a mídia e a repressão O relato abaixo serve para demonstrar a ação combinada e orgânica entre a repressão da ditadura militar de 64 e os órgãos da mídia oligárquica no Brasil. O assassinato de Eduardo Collen Leite, o "Bacuri", é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo Cenimar/RJ e DOI-Codi/RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover. Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatar de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas. Após ser torturado na sede do Cenimar, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury. Novamente transferido para o Cenimar/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI-Codi. Em outubro, foi removido para o Dops paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado "fundão" (celas totalmente isoladas). Em 25 de outubro, todos os jornais do País divulgaram a nota oficial do Dops/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Bacuri havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do Dops a transcrição de uma mensagem recebida do Dops/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo "que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado". O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz "Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (...) Aproveitando-se da confusão, Bacuri (...) logrou fugir (...)". Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo Collen Leite O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do Dops paulista (entre eles, o gaúcho Ubiratan de Souza, da VPR) neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após dois meses de torturas diárias. O comandante da tropa de choque do Dops/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo e a inúmeros outros presos políticos, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga. Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do Dops percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do Dops àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram lubrificadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção. Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros. Segundo testemunho de Ubiratan, todos os presos chegaram junto às grades e estendiam braços e mãos para cumprimentar ou simplesmente tocar em Bacuri, ao mesmo tempo que vibravam talheres e copos metálicos no ferro das grades numa demonstração de protesto pela iminente morte de um companheiro. Todos sabiam que Bacuri seria executado. Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do Dops, frequentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos. Em 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu sequestro do Dops, os grandes jornais do País publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em "um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião", no litoral paulista. Era evidente o conluio entre a repressão e a mídia, nesta farsa montada para eliminar Eduardo Leite. A notícia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido sequestrado em 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente, estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura. As informações são do grupo Tortura Nunca Mais e de Ubiratan de Souza. ============================================================================================= 109 Dias no Inferno " nenhum tormento conseguiu arrancar qualquer informação do BACURI " Jacob Gorender por Ciro Campelo Oliveira - É difícil para mim falar de Eduardo Collen Leite. Devido a vários fatores, mesmo sendo muito difícil, é extremamente necessário falar desse homem. Eduardo nasceu em Minas Gerais no ano de 1945, era técnico em telefonia, começou a militar muito cedo no POLOP ( Política Operária ) e no ano de 1967 serviu as forças armadas na 7ª Companhia de Guarda e depois no Hospital do Exército no bairro do Cambuci. Em 1968 Eduardo entra para a VPR ( Vanguarda Popular Revolucionária ), onde milita até o ano de 1969 e no mês de abril desse ano se desliga da VPR para fundar a REDE ( Resistência Democrática ) e posteriormente ele e alguns militantes da REDE vão para a ALN (Ação Libertadora Nacional ). A vida de Eduardo é marcada pelas ações armadas que ele participa. A sua coragem, inteligência e disciplina são características na vida desse guerrilheiro, que os companheiros dele fizeram questão de frisar. Para o ex-guerrilheiro Carlos Eugenio Paz, Eduardo era um homem de uma inteligência acima da média. Já a ex-guerrilheira Rosa Paz afirma que Eduardo passava muita segurança e confiança aos seus parceiros. O também ex-guerrilheiro Alfredo Sirkis o chama de "herói" no livro de sua autoria livro chamado Os Carbonários. Por mais elogios que possam ser feitos a Eduardo é fácil falar de suas ações na luta contra a ditadura. Podemos começar falando de dezenas de expropriações a bancos e carros fortes na cidade de São Paulo, juntamente com Devanir José de Carvalho e o MRT ( Movimento Revolucionário Tiradentes ) Eduardo e seus companheiros faziam várias dessas expropriações a fim de levantar dinheiro para as organizações estarem lutando contra a ditadura. Porém as ações que mais "pesaram" em seu vasto repertório foram o seqüestro do cônsul do Japão em março de 1970 e o seqüestro do embaixador Alemão em julho do mesmo ano. O seqüestro do cônsul foi comandado por Ladislas Dowbor, e juntaram-se a ele vários guerrilheiros dentre os quais Eduardo, que participou ativamente deste seqüestro que resultou na libertação de 5 presos políticos. Já no seqüestro do embaixador Alemão a coisa foi diferente, porque esse seqüestro foi comandado pelo próprio Eduardo, que numa ação incrível conseguiu realizar o seqüestro com a ajuda de outros valentes revolucionários. E o resultado dessa ação não foi diferente. Em uma ação quase perfeita a VPR e a ALN libertam de uma só vez 40 presos políticos que sofriam barbaridades nos porões da ditadura. Dentre esses 40 presos que foram libertados estão hoje o deputado federal Fernando Gabeira, o jornalista Cid Benjamin e o ex-deputado estadual do PT do Rio de Janeiro Liszt Benjamin. A vida de Eduardo era como a de qualquer outro guerrilheiro urbano brasileiro daquela época, eles viviam sobre uma pressão enorme, podendo ser capturado a qualquer momento e a captura significava uma execução sumária ou a tortura. E devido as prisões estarem lotadas de militantes uma frente formada pela VRP, ALN, Mr8 ( Movimento Revolucionário 8 de Outubro ) e PCBR ( Partido Comunista Brasileiro Revolucionário ) estavam armando um triplo seqüestro que teria grande repercussão e soltaria de uma só vez 200 militantes das prisões e dos porões da ditadura. Eduardo foi ao Rio de Janeiro fazer o levantamento da vida do embaixador inglês ( que seria um dos seqüestrados ), e lá ele foi preso pela equipe do delegado Fleury. Eduardo era um homem esperto e inteligente, só poderia ter sido capturado mesmo pela traição, e foi o que realmente aconteceu. Eduardo Collen Leite, codinome BACURI, temido por muitos militares e admirado por seus companheiros foi capturado porque o seu parceiro o "aconselhou" a fazer o levantamento da vida do embaixador desarmado, pois poderia "chamar a atenção", e assim ele foi capturado por Sérgio Paranhos Fleury e sua equipe. Começa ai meus amigos, os 109 dias infernais vividos por Eduardo Collen Leite. A sua prisão se deu no dia 21 de agosto de 1970 no Rio de Janeiro. Depois de dominado por Fleury e seus homens ele foi levado para o CENIMAR/RJ, após ser torturado no CENIMAR/RJ, Eduardo é levado para o 41º Distrito policial em São Paulo, onde o delegado titular é o próprio Fleury. Passados alguns dias Eduardo volta para o CENIMAR/RJ, onde é torturado até meados de setembro. Depois ele volta novamente para São Paulo, agora indo para a sede do DOI-CODI, depois ele foi transferido para o DEOPS paulista, onde foi encarcerado na cela 4 chamada de fundão ( celas totalmente isoladas ). No dia 20 de outubro Joaquim Câmara Ferreira é preso, e no dia 23 ele é morto, pois já de idade avançada sobrevive apenas há 3 dias com as torturas que lhe são impostas. No dia 25 de outubro a imprensa divulga a nota oficial do DEOPS/SP divulgando a morte de Joaquim e dizendo que Eduardo estava preso e que a policia manteve a sua prisão em segredo. Eles disseram que Eduardo foi junto na diligencia para prender Joaquim Câmara Ferreira mais acabou fugindo. Como o que o publicaram era a mais deslavada mentira, estava praticamente assinada a sentença de morte de Eduardo, que se encontrava ainda nas mãos da repressão. O comandante do DEOPS/SP onde Eduardo se encontrava nessa data, mostra pra ele os jornais divulgando a sua fuga. Mais de 50 presos testemunharam que Eduardo jamais saiu de sua cela enquanto esteve no DEOPS/SP, há não ser quando era carregado para as seções diárias de tortura, que eram feitas pelos militares ( aqueles mesmo que juraram proteger e servir). Os presos que se encontravam no DEOPS/SP aquela época tentaram salvar a vida de Eduardo, montando um sistema de vigilância 24 horas. Não deu certo. A presa política Cecília Coimbra viu Eduardo que não podia nem andar, mais ela afirma que ele estava com plena consciência do que fazia e falava. E aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970 Eduardo é levado pelos torturadores e nunca mais volta para o DEOPS/SP, na verdade ele nunca mais foi visto por ninguém, exceto pelos seus torturadores. O policial de codinome Carlinhos Metralha afirma que Eduardo ficou no sitio particular de Fleury, onde ficou vivo até o dia 07 de dezembro de 1970. Mesmo dia em que Carlos Lamarca e a VPR seqüestraram o embaixador suíço. A VPR sabendo que Eduardo estava preso, colocou seu nome em primeiro lugar na lista de militantes a serem libertados em troca do embaixador. O seqüestro foi o motivo maior para ser consumada a morte de Eduardo, que acreditem vocês ou não queridos leitores, ficou 109 dias num inferno, sendo levado de lá para cá, sem ver seus entes queridos e sendo torturado todo santo dia. E saibam vocês que Eduardo não delatou ninguém, não falou nada sobre os esquemas que sabia e nenhuma queda ocorreu pela boca de Eduardo. A sua morte foi sem sombra de duvidas uma das mais cruéis já registradas nos anais da história. O corpo de Eduardo foi entregue para sua família num caixão lacrado. A família ao abrir o caixão comprovou na hora a crueldade que fizeram com Eduardo, pois ele estava com dezenas de queimaduras pelo corpo, orelhas decepadas, dentes arrancados, escoriações, hematomas e cortes por todo o corpo. Assim termina a história, meus caros leitores, desse jovem mineiro de 25 anos. Eu gostaria muito de estar escrevendo outra coisa agora, eu gostaria de estar lhes dizendo que Eduardo lutou o bom combate, que venceu seus inimigos, ou que os mesmos tiveram misericórdia dele. Mais infelizmente não estamos aqui falando de um filme ou uma novela, nós estamos falando de ditadura militar, um sistema político em que pessoas e famílias foram destroçadas aqui em nosso país. Pensem bem meus amigos o sofrimento enfrentado por esse rapaz. A angustia, a dor, a humilhação que ele sofreu. Agora eu deixo aqui uma pergunta: Alguém estudou sobre Eduardo Collen Leite na 5ª ou na 6ª série? Aposto que não, pois eles preferem falar de Duque de Caxias. Fica aqui meus amigos esse texto para nossa reflexão dos que o conhecem e o admiram e para o conhecimento daqueles que ainda não ouviram falar de Eduardo Collen Leite, ou simplesmente BACURI. Ciro Campelo Oliveira - 24 anos Contato: ciro_campelo at hotmail.com Vitória - ES ======================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101203/19f7e31d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5050 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101203/19f7e31d/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 3 19:56:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 3 Dec 2010 19:56:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_mem=F3ria_hist=F3rica_como_cam?= =?iso-8859-1?q?po_da_luta_de_classes_=28I=29_e_=28II=29_por_August?= =?iso-8859-1?q?o_Buonicore?= Message-ID: <81C4AA702EEB4E759E74C533C43575F0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem A memória histórica como campo da luta de classes (I) Se perguntássemos para qualquer pessoa comum o que é história, elarapidamente nos diria: É algo que trata de fatos e personagens que existiram num passado mais ou menos distante. Estes três elementos (fatos, personagens e passado), sem dúvida, entrariam em duas de cada três definições do que seria História. E, ao referir-se ao passado, pensavam-na como uma coisa morta, que nada poderia nos dizer e, muito menos, nos ensinar sobre o presente. O artigo é de Augusto Buonicore. Augusto Buonicore Publicado originalmente no site da Fundação Maurício Grabois Não é sem razão que no interior das salas de aula a história muitas vezes foi tida como uma disciplina chata. Isto se deu especialmente devido a pouca relação estabelecida entre o que era ministrado e os problemas concretos vividos pelos alunos. Não existia qualquer convicção de que o aprendizado da história pudesse ajudá-los desvendar e, principalmente, transformar o mundo em que viviam. O problema é que o passado do historiador não deveria ser - e não é - algo morto, como o fóssil de um dinossauro encravado numa rocha ou exposto num museu. Os fatos, como uma espécie de matéria-prima da história, não são coisas mortas que apenas devem ser coletados e colocados numa seqüência rigorosamente cronológica. Repito, não é possível estudar uma comunidade humana e seu desenvolvimento histórico como se fosse uma colméia ou um conglomerado de rochas. Estranhamente, este passado continua vivendo e produzindo seus efeitos sobre nós e é, justamente, por isso que deve ser estudado e melhor compreendido. No caso das ciências humanas - ao contrário das ciências naturais e exatas - não há uma muralha da China separando o objeto a ser estudado (as sociedades) e o sujeito que o estuda (o historiador, o sociólogo etc.), mesmo tratando-se do estudo de agrupamentos que viveram há milhares de anos. Para os antigos historiadores, de tendência positivista, os fatos eram como coisas brutas. Eles estavam permanentemente atrás dos fatos puros, duros e irretorquíveis. Contra os fatos não há argumentos, gostavam de dizer. Contudo, os fatos não falam por si mesmos, como afirma o senso comum positivista. Segundo o historiador inglês Edward Carr, "os fatos falam apenas quando o historiador os aborda: é ele quem decide quais os fatos que vem à cena e em que ordem e em que contexto". E conclui: "A convicção num núcleo sólido de fatos históricos que existem objetiva e independentemente da interpretação do historiador é uma falácia absurda, mas que é muito difícil de ser erradicada". No entanto, o historiador que se propõe fazer perguntas ao passado não é um ser desencarnado, separado do mundo. Ele é membro de uma determinada sociedade, de uma determinada época, de uma determinada classe social. Ele se encaixa no interior de determinadas ideologias e perspectivas teórico-metodológicas, que, na maioria das vezes, têm um forte sentido classista. Portanto, o historiador não é neutro diante dos conflitos e dos problemas que aparecem à sua frente durante a pesquisa que realiza. É sua situação no mundo que determina as perguntas e as escolhas cotidianas que faz. Isto, é claro, vai direcionar as respostas que ele procura encontrar. Um historiador liberal-burguês, por exemplo, jamais colocaria a questão: De onde vem a exploração do trabalho? Para ele, o conceito exploração nada teria de científico, não passaria de uma excrescência ideológica - invenção de alguns socialistas inconformados. A história não é a simples catalogação neutra de fatos ocorridos no passado. A missão dos historiadores é relacioná-los numa totalidade concreta (processo histórico) e, principalmente, interpretá-los. E a interpretação sempre tem por base determinada teoria ou ideologia. A partir dos mesmos fatos podemos construir várias e contraditórias interpretações. O historiador marxista tem como objetivo fornecer uma explicação coerente das origens e desenvolvimento das sociedades humanas em suas diversas dimensões. Compreender as inúmeras transformações por que elas passaram. As mudanças sociais devem ser, em última instância, os verdadeiros objetos da história. As sociedades humanas - como tudo no universo - estão num constante movimento. Elas nascem, desenvolvem-se - conhecem várias fases - e depois fenecessem. Estas transformações podem se dar lentamente - quase imperceptíveis - ou de maneira abrupta, como ocorre nas guerras e nas explosões revolucionárias. Mas, qual é o motor dessas permanentes mudanças? São as contradições existentes no seio de cada sociedade, que se traduzem naquilo que os marxistas chamaram de lutas de classes. Por que os trabalhadores devem conhecer a história? Em todas as comunidades humanas existe um combate surdo pela memória. Este combate faz parte de uma luta ainda maior que é a travada pela conquista da hegemonia. Em outras palavras, a história é um espaço no qual grupos sociais se enfrentam para decidir qual deles dirigirá os rumos da nação e mesmo do planeta. Por isso, as classes dominantes sempre procuraram reconstruir o passado para, no presente, justificar sua própria dominação. Os líderes das nações imperialistas também buscaram se utilizar da chamada história universal para justificar a dominação e a exploração que exerciam sobre outros povos, considerados inferiores. Vejamos alguns exemplos extremos destas tentativas: os faraós do Egito foram transformados em filhos diletos do Deus Rá, alguns governantes gregos e romanos também foram transformados em descendentes de deuses e heróis olímpicos. Para justificar a escravidão africana, os negros foram considerados descendentes de Cam, o filho amaldiçoado de Noé. Deveriam pagar, através da servidão, pelos pecados de seus antepassados. Estes são apenas exemplos mais descarados da reconstrução mítica da história feita pelos membros das classes proprietárias no poder e seus escribas. Existem outros exemplos mais sutis, menos perceptíveis, mas, nem por isso, menos perversos. Os deserdados da terra, os povos explorados, escravizados - ou mesmo eliminados - deixaram poucos rastros na história. Os escravos do Egito, Roma e Grécia não nos deixaram nenhuma obra escrita, apresentando seu ponto de vista sobre a situação na qual viviam. Quem escreveu a história dessas sociedades antigas foram homens livres e, na sua quase totalidade, proprietários de terras e de escravos. Alguns imperadores, também, aventuraram-se no oficio de escrever história. É claro que para enaltecer os seus próprios feitos e dos seus antepassados. No Brasil, as coisas não podiam ser diferentes. Aqui, também, não foram os índios e negros escravizados que escreveram a história do país. Afinal, a quase totalidade deles não sabia ler e escrever - era lhes proibido freqüentar escolas. O que sabemos deles, num primeiro momento, nos foram contados por viajantes estrangeiros e jesuítas. Relatos que muitas vezes descreviam o martírio desses povos, mas, em geral, vinham carregados de inúmeros preconceitos e graves incompreensões. Somente na segunda metade do século XIX, ao começar ser questionada a escravidão, surgiu pela pena dos abolicionistas uma outra história, mais crítica ao passado escravista. Mesmo assim, apesar de sua boa vontade, os abolicionistas não poderiam expressar adequadamente as opiniões dos explorados. E aqui não vai nenhum demérito a eles. Pois, foi através dos óculos desses escritores que começamos conhecer um pouco mais da evolução e vicissitudes de nossa sociedade. Não quero dizer com isto que se os índios e os negros escravizados soubessem ler e escrever produziriam uma interpretação exata da sociedade na qual viviam. Eles ainda não tinham o instrumental teórico necessários para isso. Mas, com certeza, seus depoimentos nos permitiram ver a realidade por outros ângulos e acabar de montar o quebra-cabeça do que foi a nossa sociedade colonial e escravista. O olhar da senzala jamais será o mesmo da Casa Grande, mesmo que por ela pudesse ser fortemente influenciado. Este, inclusive, o erro daqueles que pretendem generalizar as conclusões de Gilberto Freyre na sua obra magna. Podemos dizer que somente com o advento do capitalismo e a formação de uma classe operária moderna, que sabia ler e escrever - podendo, assim, produzir seus próprios intelectuais orgânicos -, é que foi possível construir uma história mais coerente das classes exploradas. Apesar disso, por um bom tempo, esta nova história (socialista) tendeu a ser marginal, fora dos grandes circuitos, como as academias e o mercado editorial. Afinal, as idéias dominantes são sempre - ou quase sempre - as idéias das classes dominantes. Somente tendo a consciência que a história é um espaço de luta de classes, os trabalhadores poderão se dedicar com mais afinco ao seu estudo e elaboração. O domínio da história e da dinâmica das sociedades em que vivem - como das experiências de resistência desenvolvidas por seus antepassados - os ajudará travar, de maneira mais conseqüente, as lutas do presente, avançando rumo ao socialismo. Saber que as sociedades se transformam - que nada é imutável -, e que o principal instrumento dessas mudanças é a ação consciente dos homens, tem um efeito decisivo no processo de constituição da classe dos trabalhadores, como agente ativo de sua própria história. Bibliografia BORGES, Vavy Pacheco, O que é história, Ed. Brasiliense, SP, 1980 CARR, E. H., Que é História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1978 CHESNEAUX, Jean, Hacemos tabla rasa del pasado? Ed. Siglo Veintiuno, México, 1991 HOBSBAWM, Eric, Sobre História, Ed. Companhia das Letras, SP, 1998 MICELI, Paulo, O Mito do Herói Nacional, Ed. Contexto, SP, 1988 PINSKY, Jaime (org), O Ensino de História e a Criação do Fato, Ed. Contexto, SP, 1988 PLEKHANOV, A Concepção Materialista da História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1980 RODRIGUES, José Honório, Filosofia e História, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1981 SCHAFF, Adam, História e Verdade, Martins Fontes, SP, 1983 (*) Esta é a primeira parte do texto que foi apresentado na mesa "A importância da história na formação do ser social" que compôs a programação do XX Encontro Nacional de Educadores, promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Paulínia (SP)entre 26 e 28 de julho de 2010. ================================================================================ A memória histórica como campo da luta de classes (II) Mesmo os grandes personagens somente são grandes porque expressaram, em algum momento, determinados movimentos mais amplos da própria história - não são propriamente eles que fazem a história e sim são produzidos por ela. O que seria do imperador Napoleão Bonaparte sem a revolução francesa, que convulsionou o solo nacional? Sem ela, ele possivelmente não ultrapassaria a modesta condição de pequeno oficial em alguma província distante de Paris. O artigo é de Augusto Buonicore. Augusto Buonicore D. Pedro I: um grito parado no ar Vejamos agora como se constroem socialmente os fatos e personagens históricos, tendo como referência a história Brasil. Comecemos pelo processo de nossa independência política, que teve como um de seus momentos mais comemorados a proclamação ocorrida em 7 de setembro de 1822. É incontestável que esta data se constitui um típico fato histórico. Acredito que ninguém, atualmente, negaria isto ou proporia eliminá-lo do calendário cívico nacional. É claro, as coisas não ocorreram como estão descritas na clássica pintura de Pedro Américo, que se encontra num lugar de honra no Museu do Ipiranga. A referida tela foi produzida muitas décadas depois do famoso grito de Dom Pedro. Seu objetivo, não declarado, era enaltecer os feitos do membro fundador da família real brasileira. Os Bragança, naquele momento, passavam por graves dificuldade. Estávamos em 1888, às vésperas da proclamação da República. O jovem príncipe não estava montado num garboso cavalo e sim numa simples mula, ainda que real. A sua comitiva e os soldados não trajavam vistosas roupas de gala, mas vestes surradas e empoeiradas da longa viagem pelo interior do país. Contudo, foi aquela cena deixada pelo pintor paraibano que prevaleceu no imaginário da Nação. Para que isso ocorresse, foi preciso reproduzi-la nos livros didáticos, nos selos comemorativos e nos filmes apologéticos, como "Independência ou morte". Na época, o trabalho de Pedro Américo custou uma pequena fortuna aos cofres públicos - cerca de 30 contos de réis. Isto pouco importa, pois sabemos que a Independência do Brasil não se reduziu ao grito de D. Pedro dado às margens plácidas do Ipiranga. Ela foi um processo longo, que conheceu vários episódios desde a revolta de Bequimão (1684), a revolta de Felipe dos Santos (1720), a Inconfidência Mineira (1789), a Conjuração Baiana (1799) e a Insurreição Pernambucana (1817). No 7 de setembro de 1822, proclamou-se a Independência, preservando a monarquia, a supremacia da Casa de Bragança e os interesses econômicos e sociais fundamentais das classes dominantes brasileiras: a escravidão, o latifúndio e o predomínio da agroexportação do açúcar e do café. O Brasil ficou sendo o único Estado monárquico da América Latina. Mesmo assim, não se pode chamar o final do processo de independência de incruento. Isto significaria ficar apenas nas aparências e nos curvarmos perante uma visão liberal-conservadora da nossa história. A independência incruenta (ou moderadamente cruenta) se deu no eixo Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, no qual a corte brasileira tinha influência e maior controle. Nas regiões Norte e Nordeste havia uma situação bem diferente. Historicamente, suas relações econômicas e políticas se davam mais com a Metrópole portuguesa do que com o Rio de Janeiro. Ali eram maiores as influências metropolitanas e existiam fortes laços de fidelidade das tropas e do comércio, em geral compostos de portugueses, em relação às cortes do além mar. Em fevereiro de 1822, eclodiu a Guerra da Independência na Bahia. Ela se iniciou quando os baianos se recusaram a aceitar a indicação do novo governador de armas, o coronel lusitano Madeira de Melo. As tropas portuguesas atacaram os patriotas brasileiros e os derrotaram. A guerra somente foi vencida no dia 2 de julho de 1823. No Maranhão, a junta lusitana só seria derrotada mais de um ano após a Independência. Mais de oito mil brasileiros combateram o domínio português naquele estado. A mesma coisa aconteceu no Piauí. As mobilizações de tropas nesses episódios não ficaram aquém das ocorridas na guerra de independência da América espanhola. Mesmo assim, a nossa independência não estava plenamente assegurada. Vários perigos pairavam sobre ela. A maioria deles vinculados à permanência de um príncipe português no trono brasileiro. Um monarca que vez ou outra exprimia sua fidelidade mais ao pai e a Portugal do que ao Brasil. Em 1831, depois de acirrados conflitos políticos e choques de ruas, D. Pedro renunciou ao trono. Para alguns historiadores, somente a partir deste momento a nossa independência política estaria concluída. Como podemos ver, nosso processo de independência conheceu inúmeras datas e personagens. Contudo, poucos deles foram selecionados para compor a história oficial. Por longos anos, o título de herói da Independência acabou recaindo na polêmica figura de D. Pedro I. E o fato histórico determinante, o grito dado às margens do riacho do Ipiranga. Estas escolhas, decerto, nada tiveram de casual. Elas se enquadravam perfeitamente dentro dos interesses das classes dominantes brasileiras, que procuravam símbolos que melhor expressassem e servissem à sua dominação. Os historiadores socialistas sabem que a nossa independência não foi obra de D. Pedro, nem aconteceu num único dia. Ela foi o resultado de inúmeras contradições, que se acumularam por séculos, entre os interesses da colônia e da metrópole. Ela não teria sido possível sem as inconfidências mineira e baiana; sem as guerras de libertação na Bahia, Maranhão e Piauí; sem os levantes populares em várias cidades, como os ocorridos no Rio de Janeiro, em 1831. Não se realizaria sem o pensamento e ação dos setores populares e radicais do movimento de independência, representados nas figuras de Frei Caneca e Cipriano Barata. Tiradentes e a Inconfidência Mineira: obras republicanas Vejamos um outro herói e outro fato histórico incontestáveis. Refiro-me ao Tiradentes e à Inconfidência Mineira. Neste caso, ao contrário do exemplo anterior, ninguém tem dúvidas sobre o heroísmo de Joaquim José da Silva Xavier. Ele é, incontestavelmente, o principal herói brasileiro. É o seu rosto, por exemplo, que consta da exposição do bi-centenário da independência da Argentina, na Casa Rosada - ao lado de Bolívar e San Martin. Mas nem sempre foi assim e, talvez, nunca tivesse sido se não fosse pela decisão de alguns homens. Digo homens, pois as mulheres apitavam pouco naquele momento. O próprio termo inconfidência, literalmente, significa "ato de deslealdade, traição". Portanto, era uma palavra com forte sentido pejorativo e que hoje soa quase como um elogio à rebelião. Pelo menos até 1889 - ou seja, 100 anos depois da sua morte - o nome de Tiradentes não era digno de nenhuma menção governamental especial e muito menos objeto de comemorações cívicas. Era considerado mais louco do que herói. Afinal, eram os filhos e netos da rainha "Maria Louca" - que o mandou enforcá-lo e esquartejá-lo - que se encontravam no poder. Somente após a Proclamação da República Tiradentes passou a compor o panteão dos heróis nacionais e a data de sua morte - o 21 de abril - virou feriado nacional. Mas por qual razão foi escolhida a Inconfidência Mineira e a figura de Tiradentes como símbolos da luta pela liberdade da Pátria? Em primeiro lugar, por este movimento ter sido liderado por uma elite ilustrada - poetas, oficiais do exército, padres, funcionários públicos, empresários etc. Todos senhores brancos e respeitáveis membros da sociedade colonial. A favor de Tiradentes, o mais pobres deles, pesava o fato de ser republicano e, principalmente, alferes (equivalente ao posto de segundo-tenente). Sabemos que a República foi, em parte, obra de militares - como Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamim Constant. Assim, eles puderam traçar um fio de continuidade entre suas idéias (e posição social) e as de Tiradentes. A escolha, contudo, poderia ter recaído sobre outros movimentos, outros mártires. Dez anos depois da Inconfidência Mineira eclodiu uma tentativa de conjuração na Bahia - também chamada de Revolta dos Alfaiates. Como o próprio nome já indica, ela foi mais popular que a primeira. Por isso mesmo, causou maior impacto na colônia - colocando em alerta a própria metrópole. As bandeiras dos conjurados baianos eram: independência, República e Abolição da Escravidão. Ao contrário do que aconteceu em Minas Gerais, da Conjuração Baiana participaram muitos escravos e ex-escravos. Se a Inconfidência Mineira foi muito influenciada pela Revolução Americana, a Conjuração Baiana o foi pela Revolução Francesa, muito mais radical. Quatro de seus líderes foram enforcados no dia 8 de novembro de 1799. Como Tiradentes, todos tiveram seus corpos esquartejados e seus membros decepados colocados em praça pública para que a população visse e não tentasse seguir o seu exemplo. Dos mortos, dois eram soldados rasos e dois alfaiates. Seus nomes: Lucas Dantas, Manuel Faustino, Luiz Gonzaga das Virgens e João de Deus Nascimento. Nomes que quase desapareceram da história. Zumbi e Palmares: arrombando a festa oficial Por fim, vejamos um último herói e uma última data histórica. Refiro-me à Zumbi de Palmares e ao 20 de novembro, data provável de sua morte. Se hoje fizéssemos uma pesquisa sobre qual seria o principal herói brasileiro, sem dúvida o nome deste líder negro estaria disputando palmo a palmo os primeiros lugares com o alferes Tiradentes e com o imperador D. Pedro I. Nada mais justo. Não precisamos dizer que este é um fenômeno novo. Era inconcebível que isto pudesse ocorrer durante o Império escravista (1822-1889) ou mesmo durante os primeiros anos da chamada República Oligárquica (1889-1930), quando ainda predominavam ideologias assentadas no "racismo científico". Onde o ideal para o Brasil era de uma sociedade composta por uma população exclusivamente branca, sem mestiços ou negros. Numa sociedade elitista e racista, decerto não haveria lugar para heróis negros desta natureza. Zumbi começou aparecer na história durante a campanha abolicionista - incorporado pelo seu setor mais radicalizado. Era uma das referências de um determinado movimento cívico, ao lado de outros personagens, como legendário líder dos escravos de Roma, Spartacus. Seria preciso transcorrer quase cem anos da abolição da escravidão para que o nosso herói negro começasse a galgar os íngremes degraus do panteão da pátria. Coisa que só foi possível devido à crise da ditadura militar e a democratização do país, fortemente impulsionados pelos movimentos de contestação popular, no qual se incluía as organizações negras. A data provável da morte de Zumbi, atualmente, é feriado em vários estados e caminha para se tornar feriado nacional. É claro que o racismo difuso, ainda existente entre nós, buscará criar algumas dificuldades para que isso aconteça. O "caso Zumbi" demonstra que a história continua aberta para a criação de novos heróis e fatos. Conforme novas forças sociais entram em cena, a história vai se ampliando, se democratizando. Operários, camponeses, negros, mulheres, homossexuais e idosos, corretamente, continuam tentando emplacar os seus heróis. Hoje são apenas deles, amanhã poderão ser de todos - ou, pelo menos, de quase todos. Heróis regionais, de movimentos específicos, podem, em determinadas conjunturas, se tornarem heróis nacionais. Por outro lado, heróis nacionais podem decair na escala de prestígio social e entrar em recesso - ou mesmo se aposentarem definitivamente. Cito apenas os casos dos bandeirantes paulistas, da Princesa Isabel (a "redentora dos escravos") e do Duque de Caxias - este último foi atingido em cheio pelo desgaste sofrido pelas Forças Armadas durante a Ditadura Militar, que imperou no país por 20 anos. Diga-se, de passagem, que o nosso bom Duque só atingiu o status de grande herói durante outra ditadura, a do Estado Novo. Vargas estava em luta acirrada para reforçar os aspectos unitários da Nação contra o federalismo das elites regionais. O ato solene da queima das bandeiras estaduais e a ascensão do Duque fazem parte de um único e mesmo processo, e serviam aos mesmos interesses econômicos e sociais. Quem e como se faz a história Não são indiferentes para a sociedade os personagens e acontecimentos que escolhemos para compor a história. Estas escolhas não são neutras. São carregadas de significados e produzem efeitos na consciência do povo. Podem reforçar visões e práticas conservadoras ou progressistas. Nada mais falso que encarar a história como coleção de fatos puros (objetivos), distribuídos cronologicamente. Por fim - e isso é o mais importante - devemos acentuar que mesmo os grandes personagens somente são grandes porque expressaram, em algum momento, determinados movimentos mais amplos da própria história - não são propriamente eles que fazem a história e sim são produzidos por ela. O que seria do imperador Napoleão Bonaparte sem a revolução francesa, que convulsionou o solo nacional? Sem ela, ele possivelmente não ultrapassaria a modesta condição de pequeno oficial em alguma província distante de Paris. As mesmas questões servem para o Brasil. Será que sem Tiradentes ou D. Pedro I não teríamos conquistado a Independência? Sem Isabel, ou mesmo Zumbi, não haveríamos tido a Abolição? Sem Deodoro não existiria a República? É claro que mesmo sem estes personagens o Brasil ainda seria uma República independente e sem escravidão. No máximo, os ritmos e as formas das mudanças teriam sido diferentes, mas não seu sentido geral. Portanto, mais importante do que escolhermos nossos fatos e heróis é definirmos como encaramos o próprio fazer histórico. A história pode ser vista como obra de "grandes personagens" - indivíduos sobre-humanos - ou como construção coletiva. Pode ser encarada como o resultado de dádivas - e acordos por cima - das elites (econômicas e políticas) ou como o fruto de lutas sociais abrangentes, que têm por base interesses materiais concretos. A história pode ser vista como grandes momentos - únicos e irrepetíveis - ou como processos contraditórios de variadas durações, que conhecem momentos de rupturas revolucionárias. Bibliografia[/b} BORGES, Vavy Pacheco, O que é história, Ed. Brasiliense, SP, 1980. BUONICORE, Augusto, Marxismo, história e revolução brasileira, Ed. Anita Garibaldi, SP, 2009 CARR, E. H., Que é História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1978. CHESNEAUX, Jean, Hacemos tabla rasa del pasado? Ed. Siglo Veintiuno, México, 1991. HOBSBAWM, Eric, Sobre História, Ed. Companhia das Letras, SP, 1998. MICELI, Paulo, O Mito do Herói Nacional, Ed. Contexto, SP, 1988. PINSKY, Jaime (org), O Ensino de História e a Criação do Fato, Ed. Contexto, SP, 1988. PLEKHANOV, A Concepção Materialista da História, Ed. Paz e Terra, RJ, 1980. RODRIGUES, José Honório, Filosofia e História, Ed. Nova Fronteira, RJ, 1981. SCHAFF, Adam, História e Verdade, Martins Fontes, SP, 1983. * Este texto foi apresentado na mesa "A importância da história na formação do ser social" que compôs a programação do XX Encontro Nacional de Educadores, promovido pela Secretaria Municipal de Educação de Paulínia (SP) ) entre 26 e 28 de julho de 2010. ===================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101203/5d6c0ce1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 4 14:40:38 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Dec 2010 14:40:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Leon_Tolstoi_=2E_Dois_textos_pub?= =?iso-8859-1?q?licados_no_Vermelho=2E_100_anos_de_Perman=EAncia_e_?= =?iso-8859-1?q?O_g=EAnio_maior_da_literatura_russa=2E?= Message-ID: <6BC1CC2EC1BC42FFB844DBA80AD67AA6@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Tolstoi: O gênio maior da literatura russa No dia 20 de novembro, transcorreu o centenário da morte de Leon Tolstoi, uma das mais destacadas figuras da literatura russa cuja obra ocupa os lugares mais importantes na literatura mundial. Por José Reinaldo Carvalho e Urariano Mota* A obra de Tolstoi pertence a um período histórico marcado pelo desenvolvimento de uma intelectualidade fecunda formada por democratas revolucionários Nessa obra encontram-se os mais marcantes traços da literatura russa da segunda metade do século 19. O reflexo multilateral da realidade, a crítica impiedosa à ordem social, a maestria na descoberta do mundo interior das pessoas e um elevado padrão estético. A mais perfeita fusão entre fundo e forma. A beleza artística em sua mais elevada expressão. Sobre ele disse Máximo Gorki que ao longo de 60 anos fez ouvir sua voz severa e justa, mostrando com maestria a amplidão da vida na Rússia. E Lênin: "Leon Tolstoi apresentou tantas questões fundamentais em seus escritos, alcançou em sua arte tão grande força, que suas obras figuram entre as melhores da literatura mundial". Também Tchernichevski escreveu sobre as duas características essenciais de seu talento: o conhecimento da dialética do espírito e a pureza cristalina dos sentimentos morais. Na época em que viveu, a Rússia concentrava as contradições do imperialismo e se tornou seu elo débil. O império russo era também, por esta razão, o centro do movimento revolucionário mundial. Ao escrever, enquanto narrava a miséria moral das classes dominantes, Tolstoi fez crescer a grandeza do camponês explorado, refletindo seus sofrimentos, dores e cólera. A obra de Tolstoi pertence a um período histórico marcado pelo desenvolvimento de uma intelectualidade fecunda formada por democratas revolucionários, destacadamente Tchernichevski e Dobroliubov, época em que a questão política central era a luta contra o czarismo e no plano econômico-social, a luta pela libertação do campesinato do regime de servidão. Os democratas revolucionários compreendiam que a terra pertencia inteiramente aos camponeses e faziam chamamentos pela liquidação da autocracia e da propriedade latifundiária. Sem ter pertencido ao movimento dos democratas revolucionários, pacifista e avesso à violência revolucionária, Tolstoi, contudo, refletiu em muitas das suas obras, o drama dos camponeses russos. Homem de fé cristã, cuja ética, não tanto o dogma do cristianismo, está presente em sua criação artística, não deixou de ver e apreender a realidade pela ótica do realismo, capacidade com a qual pôde desvendar as mazelas sociais e as misérias e grandezas da alma humana. Isto se observa com a evolução da mundivisão do gênio maior da literatura russa. Pela origem e educação que recebeu, Tolstoi pertencia à nobreza proprietária de terras, mas a vida mesma lhe fez compreender o parasitismo de sua classe de origem e as injustiças da ordem social em que se assentava seu domínio, até chegar à conclusão de que se tornava necessário mudar as relações entre a nobreza e o campesinato. Tolstoi nasceu em 9 de setembro de 1828 em Iasnaia Poliana, nos arredores de Moscou, onde viveu quase toda a sua vida. Estudou na Faculdade de Kazan línguas orientais e direito, sem atribuir grande importância a essa atividade. Em 1851 serviu como oficial do exército czarista no Cáucaso. O contato com os montanheses, gente simples, forte e orgulhosa, aumentou em Tolstoi o sentimento de respeito para com o povo e a fé na sua força, conhecimento e sentimentos que lhe deram a matéria-prima para o romance Os Cossacos, que escreveria mais tarde. Sua primeira obra foi Infância, parte de uma trilogia autobiográfica que escreveu entre 1852 e 1857, ano em que viajou à Europa Ocidental e conheceu de perto a civilização burguesa. Em Paris presenciou uma execução pública de sentença de morte, ao passo que em Lucerna, na Suíça, testemunhou uma repugnante cena: toda noite um cantor pobre se apresentava para uma malta de burgueses, sem nada receber em troca. Em três dias, o gênio russo escreveu o conto Lucerna, no qual desmascara a falsa moral burguesa, a indiferença dos ricos para com as pessoas simples, sua ignorância e seu desprezo pela arte. Entre os anos de 1863 e 1869, Tolstoi escreveu a grande epopeia popular da nação russa, Guerra e Paz, obra que se refere a um grande período histórico, de 1805, quando ocorreu a primeira guerra entre a Rússia czarista e a França bonapartista, a 1820, quando começavam a tornar-se perceptíveis os sinais da insurreição dos dezembristas. São 15 anos da história da Rússia, repletos de acontecimentos decisivos. O ambiente histórico impetuoso é o cenário em que vivem os personagens do romance. Tolstoi conduz o leitor através de cenários variados, da vida pacífica às batalhas militares, numa teia de acontecimentos multifacéticos incidindo sobre a vida do povo, herói coletivo da epopeia, e dos personagens individuais da vida privada e familiar. Guerra e Paz é uma obra-prima da literatura russa e da literatura mundial de todos os tempos. "É como a Ilíada", diria o escritor, com a consciência do que havia realizado. A extraordinária criatividade de Tolstoi, seu conhecimento da psicologia humana, sua percepção da história e da vida social se manifestam com genialidade tanto na descrição de grandes acontecimentos como na criação de personagens, entre os quais avultam Pedro Bezukhov e um ser tão elevado, nobre e belo como Natasha. A outra grande obra que levou Leon Tolstoi ao panteão da literatura universal foi Ana Karenina. O que o burguês hipócrita de hoje, tal como o aristocrata da época, considera a "história de uma mulher infiel", de uma mulher "bem casada" dos círculos sociais elevados que "se perde", é verdadeiramente a história de uma bela e forte mulher que luta pelo mais elementar direito do ser humano: a felicidade. Por amor e em busca desse direito, ainda que enganada em sua busca, Ana decide romper com o estado de solidão espiritual em que se encontrava, mercê de um matrimônio infeliz contraído segundo cânones reacionários de uma época reacionária em uma sociedade reacionária. Em Ana Karenina, o autor agiganta-se como um artista que conhece profundamente a alma humana, atingindo um nível raro de interpretação psicológica e de perfeição artística. Tolstoi retrata, através do amor e da tragédia de Ana Karenina, a decadência moral da aristocracia e a falsidade das suas concepções. Também ocupa lugar especial na obra de Tolstoi A Morte de Ivan Ilitch. Segundo Paulo Rónai, tradutor da Comédia Humana, de Balzac, muitos críticos consideram-na como "a novela mais perfeita da literatura mundial; a agonia de um burocrata insignificante serve de pretexto ao autor para nos contar uma história que diz respeito ao destino de cada um de nós e que é impossível ler sem um frêmito de angústia e de purificação". Boris Schnaiderman diz sobre A morte de Ivan Ilitch: "É justamente no período mais intenso destas suas preocupações, na maturidade e na velhice, que atinge o máximo de perfeição num gênero que vinha praticando desde moço - a novela -, e que escreve alguns dos seus contos mais extraordinários. É como se o passar dos anos lhe desse maior capacidade de síntese, como se a reflexão se cristalizasse mais e se decantasse. A Morte de Ivan Ilitch (1884-86), celebrada geralmente como o ápice do gênero novela em toda a literatura mundial, é na realidade o inicio de uma série de trabalhos neste sentido, alguns dos quais podem ser colocados praticamente no mesmo nível". Ao homenagear o grande gênio da literatura russa, Prosa, Poesia e Arte não pode deixar sem referência outra das suas grandes obras: Ressurreição. Escrito no apagar das luzes do século 19, último dos seus grandes romances, é a expressão mais clara da cólera tolstoiana contra as bases sobre as quais se soerguia o regime czarista, contra a moral e a cultura da sociedade aristocrática. * José Reinaldo Carvalho é editor do Vermelho. Urariano Mota é jornalista e escritor pernambucano e colunista do Vermelho ================================================================================================== Urariano Mota: Tolstoi, 100 anos de permanência Ao receber a sugestão de escrever sobre os 100 anos da morte de Leon Tolstoi, a primeira reação foi a de me esconder atrás de uma larga árvore, um baobá imenso. Ali, bem oculto, tentaria responder com palavras que brotassem na terra como plantinhas rasteiras, miúdas: "Não sou digno dessa honra". Por Urariano Mota* Para corrigir, mais adiante: "Ele está muito acima do que podem sonhar minhas forças". Mas depois, como um condenado pela natureza, que vence ao fim e derruba a sensatez, concedi: sim, posso tentar alguma coisa. a.. Horas mais tarde, preocupado pelo desastre que viria, e contente pela oportunidade desse desastre, eu me dizia, como um preso que suaviza a própria e futura execução: vivi 60 anos, e não é possível que, em pleno vigor abalado dessa idade, não consiga fazer uma apreciação, qualquer uma, sobre um gênio essencial de nossas vidas. Bom, concluí, se assim é, assim vou. E por isso começo. Deveria dizer, se me permitem usar uma palavra fresca, mais conhecida por circunlóquio, deveria antes dizer: Assim como é preciso perder a vista, recuperá-la, para saber o sentido insubstituível das coisas, assim como é preciso estar à beira da última hora, do último instante, e pular por sorte ou misericórdia ou azar esse instante, e abrir os olhos para o mundo que todos os nossos sentidos não viam, e só então percebemos e saudamos e salvamos o sol, o azul, o cheiro do mar, do sexo, das algas, do sal, o sabor adormecido como se morto estivesse, assim também às vezes precisamos ler outros livros, conhecer a pequena ou média literatura, e, maldição, até mesmo a ruim literatura, para voltar à revelação, ao bem antigo e renovado, fundamental, para redescobrir : como é bom ler Tolstoi! Ele é um autor que nos enche as medidas, que nos alimenta e nutre numa carência insatisfeita satisfeita contínua. Ler esse gênio da humanidade é como aprender o mundo num salto de conhecimento, e por alcançar esse ponto mais alto querermos outros saltos. Tolstoi, para o artista que está dentro de todo homem, em todos os tempos, é um autor imprescindível, sem o qual seremos todos menores, menos homens humanos. Não quero, pelo menos como projeto, falar sobre Ana Karenina, Guerra e Paz, A morte de Ivan Ilitch, A sonata a Kreutzer, e de contos de Tolstoi, relatos magníficos, perturbadores, que marcam o espírito do leitor como uma experiência de choque e estremecimento, inesquecíveis. "Magníficos, perturbadores, inesquecíveis" tudo não passa de adjetivos, que nada dizem para quem não conhece Tolstoi, e muito menos dizem para quem o conhece, se não se colam como carne e músculo no esqueleto da citação do escritor. Tentarei chegar a esse ponto. Adjetivos ou são apropriados ou nada são. Esclareço agora mais precisamente o ponto. De todas as leituras que fiz sobre Tolstoi para entendê-lo, para ter respostas a "quem é esse louco? de que natureza é feita essa percepção?", de tudo com que pretendi pegá-lo, naquela vã vontade de tomá-lo como se pega em bola de sabão, nada mais concreto e complexo se compara ao que sobre ele escreveu Máximo Gorki no livro Três Russos. Atenção, escritores de todas as tendências, atenção, leitores ávidos de conhecimento, atenção, amantes de todas as literaturas, vocês não verão nenhum livrinho, de análise viva e aguda, tão precioso quanto esse livro. De Thomas Mann a André Maurois, das vanguardas russas às europeias, das modas de todo mundo universitário às escolas mais rebeldes, todos reconhecem o valor de Três Russos, de Máximo Gorki. Os três russos do livro são, apenas: Tolstoi, Tchékhov e Andreiev. Entendam a razão. Cito com prazer, digito com paciência frases referentes a Tolstoi: "Uma tarde, ao crepúsculo, ele lia, piscando os olhos e remexendo as sobrancelhas, uma variante da cena do Padre Sérgio, em que uma mulher se dirige à casa do eremita para seduzi-lo. Quando acabou de ler, levantou a cabeça e, fechando os olhos, pronunciou distintamente: - Escreve bem isto, o velho! Muito bem! Tolstoi descreveu o drama dos camponeses russos Isso nele foi de tão admirável simplicidade, sua admiração pela beleza era tão sincera, que não esquecerei jamais a alegria que senti nesse momento, uma alegria que eu não podia nem sabia exprimir, mas que tive também grande pesar em reprimir. Por um instante meu coração cessou de bater, mas depois tudo, em volta de mim, se tinha tornado novo e de um vivificante frescor". No Padre Sérgio, o relato a que Gorki se refere, há uma intensa e tantalizante cena de sedução do padre, um eremita, que no vigor dos 49 anos quer se entregar de corpo e alma a seu Deus, recolhido em retiro. No entanto, uma bela e rica mulher, por diversão, aposta e leviandade quer testar em um só golpe a própria beleza e a dedicação do eremita. Traduzo um breve trecho de El Padre Sergio, que está online em http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/rus/tolstoi/padre.htm, site de língua espanhola: "- Você não entrará aqui? - perguntou a mulher, rindo-se. - Vou tirar a roupa pra secar. O padre Sérgio não respondeu e continuou rezando suas orações do outro lado do tabique, com a mesma voz tranquila. 'Este, sim, é um verdadeiro homem', pensou ela tirando com dificuldade a bota molhada. Mas por mais que tentasse, não podia tirá-la bem, e isso lhe pareceu engraçado. Riu baixinho, mas sabia que ele ouvia o seu riso, e que esse riso influía nele do modo que ela desejava. Então riu mais alto, e aquele riso alegre, natural e bondoso influiu realmente sobre o padre Sérgio tal como ela queria. 'A um homem como este se pode amar. Que olhos ele tem! E que rosto mais aberto, mais nobre e mais apaixonado, mesmo que reze muitas orações - pensou ela. As mulheres não nos enganamos. Tão logo ele aproximou o rosto no vidro da janela e me viu, eu o entendi e soube. Eu li no brilho dos seus olhos. Ele me amou, me desejou. Sim, ele me desejou', dizia, tirando por fim a bota e depois as meias. Mas para tirar aquelas compridas meias, presas em ligas, tinha que levantar a saia...". E mais não falo do Padre e do castigo violento que ele se impôs, como uma confissão de derrota ante a força do sexo. O ato do padre, na violência que se faz, é de aparente desobediência ao impulso irreprimível da carne, como uma lava de vulcão contra a própria incapacidade de abafar o sexo como ele queria. Isso chama a atenção para o criador complexo em Tolstoi. Ele realiza uma narração impiedosa e captadora do movimento do real, ao mesmo tempo que narra ao lado, ou nas entranhas, por sugestão ou arte do diabo, suas convicções moralistas, aqui e ali se confundindo com um pregador de uma nova igreja. Notem como ele critica uma personagem de Gorki, num primeiro e franco contato: "Tolstoi me fez sentar à sua frente e se pôs a falar de Varenka Olessova e de Vinte e seis e uma. Fiquei atordoado pela voz dele, de tal modo falava crua e brutalmente demonstrando que o pudor não era próprio da natureza de uma jovem sadia: - Uma moça que passou dos quinze anos, que tem um bom físico, deseja que a beijem, que mexam com ela. A razão dela teme ainda o desconhecido, o que ela não compreende, e é o que se chama de castidade, pudor. Mas a carne já sabe que o incompreensível é inevitável, legítimo, e exige que a lei se cumpra, a despeito da razão. No entanto, em casa essa Varenka, que você descreve como boa e forte, tem sensações de anêmica. Isso é falso! " Dir-se-ia, nessa crítica forte, que ele era um realista sem freio, ou, pior, um naturalista, ou mesmo, numa miserável caricatura, um criador devasso. Mas o que dizer, para ficar no mais simples, do seu conto Os três Anciãos, que em algumas editoras chamam de Os três Eremitas? É um conto breve e cortante como quicé, a nos derrubar pela graça, ainda que pregue o valor de um milagre gerado pelo amor absoluto a Deus. Só lendo para sentir como a mão do mestre põe três velhinhos a caminhar sobre as águas na maior naturalidade. É comovente a ideia que a narração nos deixa, ao opor a ingenuidade de três velhinhos simples, ignorantes dos rituais e das exterioridades da Igreja, e que, por isso mesmo, conseguem maravilhas. Nesse conto, Tolstoi nos põe naquele reino do maravilhoso que é, apesar da maravilha, terreno e cruel, à semelhança do conto de A pequena vendedora de fósforos, de Andersen, onde uma criança, faminta, sobe e vira estrela na noite de Natal. A lembrança da narrativa curta 'Os três Eremitas' nos faz chegar a um conto que é uma revelação. Fala-se tanto no imenso romancista, que até parece não existir um prosador magnífico em narrações breves. É natural que o Tolstoi romancista receba com frequência um merecido destaque. Afinal, Guerra e Paz, Ana Karenina são livros que estão em um dos pontos máximos do romance. Mas aqui, ao mesmo tempo em que se destaca, comete-se uma severa injustiça. A mesma daquela que realça o mais proeminente em um homem, para daí se esquecer o valioso que não tem a mesma presença, de império avassalador. Não só de tronco, pernas e cabeça se faz uma pessoa. Às vezes há uma infinita e complexa delicadeza no traço das mãos. Quero me referir ao conto Depois do baile. Penso que um escritor, depois de escrevê-lo, poderia dizer-se, "cumpri o meu dever, todos os meus pecados foram pagos". Para quem não o tem na estante, ele pode ser lido online, em espanhol, aqui http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/rus/tolstoi/despues.htm (É impressionante, observo de passagem, o quanto o mundo em língua espanhola é mais civilizado.) Falo desse conto sem o ver, somente com a impressão que me ficou e me acompanha até hoje. Nele se ressalta uma imensa vergonha por um ato desonroso, que é mais sensível em pessoas que acabam de se acovardar, por egoísmo ou medo. O leitor acaba o conto e em vez de jogá-lo a um canto, pergunta-se a si mesmo, como eu me perguntei e me pergunto até hoje: "quantas vezes isso já não ocorreu a mim nos meus dias?" Então a imensa desonra do personagem passa a ser do leitor também, porque, afinal, todos cometemos pequenas ou grandes indignidades. E que disfarçamos com discursos enganadores. A segunda impressão, mas dessa vez feliz, que me deixou Depois do Baile foi a idade do autor quando o escreveu: 75 anos. Que coisa bonita e que esperança ele plantou em nossos corações, porque se um homem é capaz de um conto tão magnífico nessa idade, isso quer dizer que poderemos esperar uma criadora atividade por muitos e muitos anos. Em "Tolstoi - antiarte e rebeldia", Boris Schnaiderman ressalta com muita propriedade: "Realmente, é injusto falar em decréscimo da capacidade criativa de Tolstoi por causa da velhice, como se faz muitas vezes. Ele continuava um vulcão, sempre escrevendo, com mil planos fervilhando. O conto 'Depois do Baile' data de 1903, quer dizer, escrito aos setenta e cinco anos, mas é certamente uma das obras mais perfeitas que produziu. Poucas vezes, em literatura, o fato da alienação, do alheamento do homem em relação aos seus semelhantes, que permite suportar com a maior tranqüilidade o sofrimento do próximo, vê-lo com indiferença e até participar de atos iníquos, foi descrito com esta mestria. E o indivíduo sensível, que se revolta interiormente contra a injustiça, torna-se um marginal, um ser inferior na sociedade (embora no início do relato se diga que ele era 'respeitado por todos')". Haveria ainda que falar dos conflitos conjugais de Tolstoi, que trazia para dentro do seu casamento os imperativos e dilemas dos personagens de seus contos, ensaios e romances. Ainda que de passagem, não posso privar os leitores destas linhas, que copio de Boris Schnaiderman, o fecundo intelectual ucraniano que tanta alegria trouxe à civilização brasileira. São de Boris Schnaiderman: "Evidentemente, isto (os diários de Tolstoi, onde ele expunha sem reservas o que via e sabia da própria mulher) atormentava Sofia Andrêievna. E esta mulher extraordinária vingou-se do marido do modo mais terrível: escreveu também os seus diários, onde contava os detalhes mais íntimos de sua vida com ele, inclusive pormenores de vida sexual, embora ao mesmo tempo tivesse pudores de colegial, chegando a referir-se ao cicio menstrual como 'as minhas circunstâncias femininas'. Eis uma anotação sua de 1863, portanto um ano após o casamento: 'Ele é velho e demasiadamente absorto. E eu sinto hoje tão forte a minha mocidade, tenho tanta necessidade de um pouco de loucura! Em vez de dormir, eu gostaria tanto de dar cambalhotas. Mas com quem?' E ainda no mesmo ano: 'Eu sou a satisfação, a criada, o móvel com o qual se está acostumado, a mulher.' Enfim, era uma digna companheira de Tolstoi, com extremos de lucidez e oscilação entre a paixão mais ardente e o moralismo mais violento. A tragédia final teve como desencadeante os malfadados diários. Tolstoi anotaria que na noite de 27 para 28 de outubro despertou com a luz intensa que vinha de seu escritório: era Sofia Andrêievna que procurava algo e provavelmente lia (às escondidas os diários do escritor). Revoltado, decidiu abandonar tudo. E realmente, partiu por volta das cinco da manhã, deixando uma carta de despedida para a mulher, onde lamentava o desgosto que lhe estava causando, mas afirmando que não podia proceder de modo diferente". Com esse rompimento, Tolstoi fugiu do casamento e de Sofia, mas rumou para a sua última caminhada, que terminou numa distante estação ferroviária. Ali expirou. Os seus pecados haviam sido perdoados, por força de sua angústia, criação e verdade. Aqui também encerramos. Reconheço, ao fim, que escrevi muito aquém do que pretendia escrever. Tudo que rascunhei até este ponto era só pretexto para copiar uma lição fundamental de literatura, que Máximo Gorki gravou para todos nós. Pois lhe disse um dia Tolstoi, e Máximo Gorki assim nos transmitiu: Guerra e Paz reflete a epopeia popular da nação russa: ilustração da retirada do exército de Napoleão da Rússia (1812) "- Em Moscou, perto da Torre Sukharev, num beco, vi no outono uma mulher embriagada. Estava deitada, bem junto ao passeio. Do pátio de uma casa vinha se escoando um enxurro de água imunda, que escorria mesmo por sua nuca e suas costas. A mulher deitada nesse molho frio resmungava, agitava-se. Seu corpo recaía, agitando na imundície. Ela, porém, não conseguia se levantar. Tolstoi estremeceu, fechou os olhos, balançou a cabeça e propôs afavelmente: - Sentemo-nos aqui.... Uma mulher embriagada é a coisa mais horrível e ignóbil que há. Eu quis ajudá-la a se levantar, mas não pude me decidir a isso. Tive um excessivo desgosto: ela estava tão pegajosa, tão molhada; quem a tocasse não teria sido bastante um mês para limpar as mãos. Que horror! E durante esse tempo estava sentado no meio- fio da calçada um rapazinho louro, de olhos pardos, as lágrimas corriam ao longo de suas faces, fungava e repetia numa voz desesperada: "Ma-mãe... então, levante-se". Ela mexia os braços, dava um grunhido, erguia a cabeça e recaía de novo, flac! com a cabeça na lama. Calou-se, depois olhando bem em volta de si, repetiu ansiosamente, quase num murmúrio: - Sim, sim, é horrível! Você tem visto muitas mulheres embriagadas? Muitas, sim, ah, meu Deus! Não descreva isto, não é preciso! - Por quê? Olhou-me nos olhos e repetiu sorrindo: - Por quê? Depois disse lentamente com um ar pensativo: - Não sei. Eu disse isso assim... tem-se vergonha de escrever porcarias. E, no entanto, por que não? É preciso escrever sobre tudo... Lágrimas vieram-lhe aos olhos. Enxugou-as e, sempre sorrindo, olhou o lenço, enquanto as lágrimas continuavam a correr ao longo de suas faces. - Eu choro. Sou velho e me aperta o coração quando evoco uma lembrança horrorosa. E me empurrando ligeiramente com o cotovelo: "Você também quando tiver vivido sua vida, ao passo que tudo permanecerá como dantes, você chorará, e ainda mais do que eu, 'aos baldes', como dizem as mulheres do povo. Mas é preciso escrever tudo, sobre tudo. De outra forma o rapazinho louro nos quereria mal, nos censuraria. 'Não é a verdade, não é toda a verdade', dirá ele. E ele é severo no que se refere à verdade". Urariano Mota é jornalista e escritor pernambucano, e colunista do Vermelho ============================================================================================ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 37647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101204/6916aecb/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 4 14:40:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Dec 2010 14:40:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?___Convite_Stuart_Angel__quinta-fe?= =?iso-8859-1?q?ira_dia_9_as_11_horas_da_manh=E3_no_Clube_de_Regata?= =?iso-8859-1?q?s_Flamengo_=28Rio_de_Janeiro=29=2C_no_setor_do_Remo?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: <835720DD1FC948349AF57463A8D01A99@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Convidamos a todos/ todas a comparecer e ajudar na divulgação da inauguração por parte da Secretaria de Direitos Humanos de mais um Memorial (o vigésimo quinto desde 2008 ) em homenagem ao companheiro STUART ANGEL JONES. O evento, com a presença do ministro Paulo Vannuchi , se realizará na proxima quinta-feira dia 9 as 11 horas da manhã no Clube de Regatas Flamengo (Rio de Janeiro), no setor do Remo. Abraço, Maurice Politi Coordenador geral programa direito á Verdade e à Memória Secretaria de Direitos Humanos- Presidencia da República -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101204/47a649db/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: convite stuart angel.jpg Type: image/jpeg Size: 112008 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101204/47a649db/attachment-0001.jpg From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 4 14:40:58 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 4 Dec 2010 14:40:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Narcotraficantes_-_s=F3cios_ga?= =?windows-1252?q?rantidores_dos_Bancos?= Message-ID: <776AEE726B6C44F2953BCF8483E59148@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br From: Ana Santanna Narcotraficantes - sócios garantidores dos Bancos Internacionais O tráfico no Rio e o crime organizado transnacional Os verdadeiros chefes do narcotráfico no Rio de Janeiro são ligados à rede do crime organizado transnacional que movimenta no sistema bancário internacional cerca de 400 bilhões de dólares por ano. A situação que vemos no hoje no Rio, diz o jurista Wálter Maierovitch, reflete um quadro internacional, onde as polícias só conseguem apreender entre 3 e 5% das drogas ofertadas no mercado. "É preciso ter em mente essa dimensão global do crime organizado na hora de buscar soluções para enfrentar o problema em nossas cidades", defende. Marco Aurélio Weissheimer Os verdadeiros chefes do narcotráfico no Rio de Janeiro são ligados à rede do crime organizado transnacional que movimenta no sistema bancário internacional cerca de 400 bilhões de dólares por ano. Esses são os grandes responsáveis pela violência e pelo tráfico de drogas e armas em todo o mundo. A situação que vemos no hoje no Rio reflete um quadro internacional, onde as polícias só conseguem apreender entre 3 e 5% das drogas ofertadas no mercado. É preciso ter em mente essa dimensão global do crime organizado na hora de buscar soluções para enfrentar o problema em nossas cidades. A avaliação é do jurista Wálter Maeirovitch, colunista da revista Carta Capital e ex-secretário nacional antidrogas da Presidência da República. Compreender essa dimensão global é condição necessária para evitar discursos e propostas de soluções simplistas para o problema. Maierovitch dá um exemplo: ?Os produtos principais do tráfico de drogas são a maconha e a cocaína. Tomemos o caso da cocaína. Sua matéria prima, a filha de coca, é cultivada nos Andes, especialmente no Peru, Bolívia, Colômbia e Equador. No entanto, a produção da cocaína exige uma série de insumos químicos e nenhum destes países tem uma indústria química desenvolvida. O Brasil, por sua vez, possui a maior indústria química da América Latina?. Ou seja, nenhum dos países citados pode ser apontado, isoladamente, pela produção da cocaína. Essa ?indústria? tem um caráter essencialmente transnacional. Novas tendências das máfias transnacionais Presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Wálter Maierovitch é um estudioso do assunto há muito tempo. O livro ?Novas Tendências da Criminalidade Transnacional Mafiosa? (Editora Unesp), organizado por ele e por Alessandra Dino, professora da Universidade Estadual de Palermo, trata dessas ramificações internacionais do crime organizado. A primeira Convenção Mundial sobre Crime Organizado Transnacional, organizada pela ONU, em 2000, em Palermo, destacou o alto preço pago ao crime organizado internacional em termos de vidas humanas e também seus efeitos sobre as economias nacionais e sobre o sistema financeiro mundial, onde US$ 400 bilhões são movimentados anualmente. Em 2009, diante da crise econômico-financeira mundial, o czar antidrogas da ONU, o italiano Antonio Costa, chamou a atenção para o fato de que foi o dinheiro sujo das drogas funcionou como uma salvaguarda do sistema interbancário internacional. ?Os bancos não conseguem evitar que esse dinheiro circule, se é que querem isso?, observa Maierovitch. A questão da droga, acrescenta, é muito usada hoje para esconder interesses geopolíticos. Muitos países são fortemente dependentes da economia das drogas, como é o caso, por exemplo, de Myanmar (antiga Birmânia), apontado pela ONU como o segundo maior produtor de ópio do mundo (460 toneladas), e de Marrocos, maior produtor mundial de haxixe. Tráfico de armas sem controle Uma grave dificuldade adicional que os governos enfrentam para combater o narcotráfico é que ele anda de mãos dadas com o tráfico de armas. O Brasil é um dos maiores produtores de armas leves do mundo. Em 2009, a indústria bélica nacional atingiu o recorde do período, com a fabricação de 1,05 milhões de revólveres, pistolas e fuzis, segundo dados da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército. A falta de controle sobre a circulação de armas, observa Maierovitch, é um problema grave. Quando um carregamento com armas sai de um porto brasileiro, explica, exige-se um certificado de destinação. Mas, depois que o navio sai do porto, perde-se o controle. O certificado diz, por exemplo, que as armas vão para Angola. Mas quem garante que, de fato, foram para lá? Esse certificado serve para que, então? ? indaga o jurista. O quadro que vemos hoje no Rio, insiste Maierovitch, precisa ser amplificado para que possamos ver todas essas conexões com o crime organizado transnacional, que atua em rede com nós funcionando como pontos de abastecimento e distribuição. Essas redes são flexíveis e estão espalhadas pelo mundo, acessíveis a quem assim o desejar. Há várias portas de entrada para ela e identificar suas ramificações não é tarefa simples. O jurista cita o caso da cocaína. Cerca de 90% da cocaína consumida hoje nos Estados Unidos vem da Colômbia e entra no país pelo México. E 90% das armas utilizadas pelos cartéis mexicanos vêm dos Estados Unidos. Ou seja, há duas vias de tráfico na fronteira entre EUA e México: por uma circulam drogas e pela outra, armas. Pacificação x Militarização Neste cenário global de expansão e ramificação do crime organizado, Maierovitch considerou surpreendente e muito importante a recente ação policial no Rio de Janeiro, na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Essa ação, destaca, traz elementos importantes que devem marcar a ofensiva contra o crime: reconquista de território, retomada do controle social nas comunidades, garantir cidadania e liberdades públicas à população que vive nestas áreas. A política que vem sendo implementada pelo governo do Rio, acrescenta, está baseada num conceito de pacificação e não de militarização como ocorreu, por exemplo, no México, onde o governo de Felipe Calderón colocou o Exército na linha de frente da guerra contra o narcotráfico e está perdendo essa batalha, com um grande número de vítimas civis. No Rio, prossegue, o que houve foi uma reação a ataques espetaculares cometidos pelo tráfico, mas a política é pacificadora. ?No início do governo de Sérgio Cabral fui um crítico à política que ele estava implementada e que seguia essa linha adotada no México. Mas agora a política é outra e merece apoio. Maierovitch critica o que chama de ?ataques diversionistas? contra o governo estadual, que o acusam de favorecer as milícias ao focar sua ofensiva no Comando Vermelho e no Amigos dos Amigos. ?Esse diversionismo só favorece o crime organizado. Há territórios que estão sendo retomados e rotas de tráfico interrompidas. É possível e fundamental reestabelecer a cidadania no Rio de Janeiro?, defende. Trata-se, em resumo, de uma luta permanente, global e em várias frentes, onde cada metro de terreno conquistado deve ser valorizado e cada derrota imposta ao crime organizado servir como aprendizado para maiores vitórias no futuro. Maierovitch conclui: ?A Itália é a terra da máfia, é verdade, mas também se tornou a terra da luta contra a máfia. Precisamos aprender com essas experiências.? Fotos: Polícia mostra drogas, armas e munições apreendidas no Complexo do Alemão (Marcello Casal Jr./ABr) Extraído do sítio Carta Maior ================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101204/883358d1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 5 12:58:52 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Dec 2010 12:58:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_***_ANOS_DOURADOS_***_MENU_DO_SIT?= =?iso-8859-1?q?E_***______________________________________________?= =?iso-8859-1?q?___________________HOJE_=C9_DOMINGO!__M=DASICAS!?= Message-ID: <5D8C549A2B5F4E549B1C3278270ABCCA@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Um site totalmente de músicas dos anos 50 e 60 + (em vídeos) Festival Música Popular Brasileira 1965 1966 1967 1968 1969 Festival Nacional da Música Popular Brasileira 1966 Festival Internacional da Canção 1966 1967 1968 1969 Festival de Woodstock 1969 clique http://www.anosdourados.net.br/menu/menu.htm ================================================================================================================ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101205/4a8243ae/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 5 12:59:01 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Dec 2010 12:59:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Cartas para a Palestina Message-ID: <6FB843EE08BF45D5A93C266313EE6CBB@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger From: Comitê da Palestina Camaradas Ultimamente muitas cartas estão sendo escritas, escreva a sua também! Para nós sua opinião é muito importante! Segue abaixo: 1) Carta da Autoridade Nacional da Palestina para o presidente Lula no Brasil - 24/11/2010 2) Carta do Presidente Lula para a Autoridade Nacional Palestina -01/12/2010 3) Carta do governo de Israel criticando o presidente Lula ? 3/12/2010 4) Carta do governo americano criticando o presidente Lula ? 4/12/2010 5) Escreva sua carta de apoio a Palestina Livre e envie para a Delegação Especial da Palestina no Brasil palestine at uol.com.br . Envie também para nosso Embaixador da Palestina no Brasil, Sr. Ibrahim Al Zeben ialzeben at yahoo.com e para a Federação Palestina no Brasil ? FEPAL fepal at globo.com. Envie uma cópia para comitepalestinasc at yahoo.com.br para colocarmos na Rede Palestina! 1) Carta da Autoridade Nacional da Palestina para Lula Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva Presidente da República Federativa do Brasil Brasília 24/11/2010 Saudações, Inicialmente, gostaríamos de estender a Vossa Excelência nossas felicitações pelo sucesso das eleições gerais no Brasil, louváveis por sua elevada transparência e pelo alto nível do processo democrático, que levaram à vitória a candidata de seu partido como nova Presidente da República Federativa do Brasil. É com satisfação que também saudamos entusiasticamente o seu Governo, testemunha de um período de prosperidade econômica e mudança política qualitativa, que inscreve Vossa Excelência na história política moderna do Brasil. Senhor Presidente, A atual situação nos territórios palestinos evidencia uma grande escalada das ações israelenses. O Governo de Israel recusa-se a interromper suas atividades em assentamentos. Isso paralisou o lançamento de negociações diretas, apesar das posições e dos pedidos de países de todo o mundo para que Israel ponha fim aos assentamentos, e, dessa forma, não apenas torne possíveis as negociações, como também dê uma chance à paz. No entanto, Israel ainda desafia o mundo inteiro e insiste em suas atividades colonizadoras. Tal posição dificulta qualquer possibilidade de se alcançar um acordo por meio de negociações e cria também uma nova realidade no terreno, que inviabiliza a solução de dois Estados. Enquanto expressamos a Vossa Excelência o nosso orgulho das valorosas e históricas relações brasileiro-palestinas, que refletem suas posições firmes em relação ao nosso povo ao longo dos anos e em nossos recentes encontros, esperamos, nosso caro amigo, que Vossa Excelência decida tomar a iniciativa de reconhecer o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967. Essa será uma decisão importante e histórica, porque encorajará outros países em seu continente e em outras regiões do mundo a seguir a sua posição de reconhecer o Estado palestino. Essa decisão levará também ao avanço do processo de paz e à promoção da posição palestina, que busca o reconhecimento internacional do Estado da Palestina. Esperamos que o nosso pedido possa receber sua bondosa aceitação e esperamos também que essa iniciativa possa ser tomada antes do fim de seu mandato presidencial. Queira aceitar os protestos de nossa mais alta estima e consideração. Mahmoud Abbas Presidente do Estado da Palestina Presidente do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina Presidente da Autoridade Nacional 2) Carta do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva À Sua Excelência Mahmoud Abbas Presidente da Autoridade Nacional Palestina Senhor Presidente, Li com atenção a carta de 24 de novembro, por meio da qual Vossa Excelência solicita que o Brasil reconheça o Estado palestino nas fronteiras de 1967. Como sabe Vossa Excelência, o Brasil tem defendido historicamente, e em particular durante meu Governo, a concretização da legítima aspiração do povo palestino a um Estado coeso, seguro, democrático e economicamente viável, coexistindo em paz com Israel. Temos nos empenhado em favorecer as negociações de paz, buscar a estabilidade na região e aliviar a crise humanitária por que passa boa parte do povo palestino. Condenamos quaisquer atos terroristas, praticados sob qualquer pretexto. Nos últimos anos, o Brasil intensificou suas relações diplomáticas com todos os países da região, seja pela abertura de novos postos, inclusive um Escritório de Representação em Ramalá; por uma maior freqüência de visitas de alto nível, de que é exemplo minha visita a Israel, Palestina e Jordânia em março último; ou pelo aprofundamento das relações comerciais, como mostra a série de acordos de livre comércio assinados ou em negociação. Nos contatos bilaterais, o Governo brasileiro notou os esforços bem sucedidos da Autoridade Nacional Palestina para dinamizar a economia da Cisjordânia, prestar serviços à sua população e melhorar as condições de segurança nos Territórios Ocupados. Por considerar que a solicitação apresentada por Vossa Excelência é justa e coerente com os princípios defendidos pelo Brasil para a Questão Palestina, o Brasil, por meio desta carta, reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967. Ao fazê-lo, quero reiterar o entendimento do Governo brasileiro de que somente o diálogo e a convivência pacífica com os vizinhos farão avançar verdadeiramente a causa palestina. Estou seguro de que este é também o pensamento de Vossa Excelência O reconhecimento do Estado palestino é parte da convicção brasileira de que um processo negociador que resulte em dois Estados convivendo pacificamente e em segurança é o melhor caminho para a paz no Oriente Médio, objetivo que interessa a toda a humanidade. O Brasil estará sempre pronto a ajudar no que for necessário. Desejo a Vossa Excelência e à Autoridade Nacional Palestina êxito na condução de um processo que leve à construção do Estado palestino democrático, próspero e pacífico a que todos aspiramos. Aproveito a ocasião para reiterar a Vossa Excelência a minha mais alta estima e consideração. *Documentos fornecidos pelo Itamaraty 3) Carta do governo de Israel criticando o presidente Lula 03/12/2010 - 20h28 folha de São Paulo Israel se diz "desapontado" com apoio brasileiro a Estado palestino O governo de Israel manifestou "seu pesar e desapontamento" com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manifestar apoio brasileiro a um Estado palestino com fronteiras anteriores a 1967. O apoio foi reafirmado em carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em carta a Mahmoud Abbas, presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), nesta quarta-feira (1º), informou mais cedo nesta sexta o Itamaraty. O apoio não é uma novidade. O governo brasileiro já declarara apoio à formação de um Estado palestino nos territórios pré-1967 em uma votação da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) em 1988. Mais recentemente, em fevereiro de 2006, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu em comunicado que Israel se retirasse dos territórios ocupados. Em teoria, a afirmação corresponde à posição tradicional do Itamaraty, segundo a qual Israel tem o direito à segurança e à existência "dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas", expressão que equivale às fronteiras existentes antes de 1967. Paralelamente, a diplomacia brasileira também reconhece o direito palestino de exercer sua soberania sobre Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. ISRAEL REJEITA Em comunicado, o governo israelense alegou que "o reconhecimento do Estado palestino constitui uma violação do acordo interino assinado entre Israel e a ANP em 1995, o qual determinou que o status da Cisjordânia e da faixa de Gaza será discutido e solucionado por meio de negociações". Israel afirma ainda que o apoio brasileiro contradiz também o 'Mapa do Caminho', que foi adotado pelo Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, ONU, Rússia, e União Europeia). "Tal documento estabeleceu que o Estado palestino poderá surgir somente por meio de um processo de negociação entre Israel e os palestinos, e não como um ato unilateral." "Toda tentativa de contornar este processo e decidir antecipada e unilateralmente os temas importantes que estão sob controvérsia apenas causará danos à confiança dos lados e em seu comprometimento no processo de negociação de paz", finaliza o comunicado israelense. MEDIDA O novo reconhecimento foi mais um gesto político de aproximação, feito por Lula em resposta a carta enviada por Abbas, no último dia 24 de novembro, com solicitação nesse sentido. "A iniciativa é coerente com a disposição histórica do Brasil de contribuir para o processo de paz entre Israel e Palestina, cujas negociações diretas estão neste momento interrompidas, e está em consonância com as resoluções da ONU, que exigem o fim da ocupação dos territórios palestinos e a construção de um Estado independente dentro das fronteiras de 4 de junho de 1967", disse o texto. O Itamaraty ressalta, contudo, "a decisão não implica abandonar a convicção de que são imprescindíveis negociações entre Israel e Palestina, a fim de que se alcancem concessões mútuas sobre as questões centrais do conflito". Há tempos, o Brasil pleiteia uma voz na mediação de paz no Oriente Médio. Israelenses e palestinos entraram em uma nova rodada de negociações diretas este ano, sob mediação dos Estados Unidos. O esforço, contudo, foi por água abaixo em 26 de setembro, quando Israel anunciou o fim da moratória sobre as construções de mais casas nos assentamentos judaicos em territórios palestinos. O congelamento é tido como pré-requisito essencial para os palestinos participarem das negociações de paz. Muitos países da comunidade internacional concordam que a criação de um potencial Estado para os palestinos --como parte da chamada "solução dos dois Estados" para o conflito no Oriente Médio-- deve ocorrer de acordo com as fronteiras existentes antes da Guerra de 1967, quando Israel deu início à anexação de territórios palestinos. HISTÓRICO O Itamaraty lembra que mais de cem países reconhecem o Estado palestino. "Entre esses, todos os árabes, a grande maioria dos africanos, asiáticos e leste-europeus. Países que mantêm relações fluidas com Israel - como Rússia, China, África do Sul e Índia, entre outros - reconhecem o Estado palestino. Todos os parceiros do Brasil no IBAS e no BRICS já reconheceram a Palestina". A maior parte dos reconhecimentos veio após à Declaração de Independência adotada pelo Conselho Nacional Palestino, em novembro de 1988, em Argel. A declaração foi aprovada, no mesmo ano, pela Assembleia Geral da ONU --com o voto favorável do Brasil. O Brasil reconhece ainda, desde 1975, a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) como legítima representante do povo palestino --dotada de personalidade de direito internacional público. Em 1993, lista ainda o Itamaraty, o Brasil autorizou a abertura de Delegação Especial Palestina, com "status" diplomático semelhante às representações das organizações internacionais. Em 1998, o tratamento concedido à Delegação foi equiparado ao de uma Embaixada, para todos os efeitos. Em 2004, foi aberto Escritório de Representação em Ramallah, na Cisjordânia. O Itamaraty destaca ainda que o Brasil apoia financeiramente a campanha palestina com doações de cerca de US$ 20 milhões à ANP, aplicados em projetos em segurança alimentar, saúde, educação e desenvolvimento rural, e mais US$ 2 milhões para projetos em benefício do povo palestino coordenados por fundos e agências internacionais como o PNUD, o Banco Mundial e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA). Outros US$ 3 milhões foram investidos, por meio do Fundo IBAS, mantido com Índia e África do Sul, para construção de um centro poliesportivo em Ramallah e na recuperação de um hospital em Gaza. CAUTELA O mesmo comunicado do Itamaraty ressalta ainda as relações bilaterais com Israel, que "nunca foram tão robustas", em um claro esforço para amenizar os efeitos da declaração em Tel Aviv. "Os laços entre os dois países têm-se fortalecido ao longo dos anos, em paralelo e sem prejuízo das iniciativas de aproximação com o mundo árabe e muçulmano", continua o texto. O ministério lista ainda os "recordes históricos" da "corrente de comércio e o fluxo de investimentos bilaterais com Israel" e a primeira visita de um Chefe de Estado brasileiro ao Estado de Israel, em março deste ano. 4) Carta dos legisladores dos EUA criticam o presidente Lula 04/12/2010 - 07h35 Legisladores dos EUA criticam Brasil por reconhecer Estado palestino Publicidade DA FRANCE PRESSE Legisladores americanos criticaram a decisão do Brasil de reconhecer o Estado palestino com as fronteiras de 1967, afirmando que é "extremamente imprudente" e "lamentável". A decisão brasileira, anunciada na sexta-feira (3) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "é lamentável e só vai prejudicar um pouco mais a paz e a segurança no Oriente Médio", afirmou Ileana Ros-Lehtinen, que lidera os republicanos na comissão de Assuntos Externos da Câmara de Representantes. Ros-Lehtinen afirmou que "as nações responsáveis" devem esperar para dar esse passo até o retorno de palestinos às negociações diretas com Israel. O presidente Lula anunciou a decisão na sexta-feira em uma carta pública dirigida ao líder palestino Mahmud Abbas e publicada no site do ministério das Relações Exteriores do Brasil. A comunidade internacional apoia as demandas palestinas por um Estado em praticamente toda a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém oriental, todos os territórios ocupados por Israel em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Mas os Estados Unidos e a maioria dos governos ocidentais são reticentes em reconhecer um Estado palestino, afirmando que isso deve ser alcançado através de uma negociação de paz com Israel. A postura do Brasil também gerou a ira do legislador democrata Eliot Engel, que a classificou de "extremamente imprudente", acrescentando que significava "o último suspiro de uma política externa [brasileira] que se isolou muito sob o governo de Lula". Engel também citou as atitudes de Lula de "mimar" o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e advertiu que o Brasil "quer se estabelecer como uma voz no mundo, mas está fazendo as escolhas erradas". "Só podemos esperar que a nova liderança que vem para o Brasil mude o curso e entenda que este não é o caminho para ganhar a preferência como uma potência emergente, ou para se tornar um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas"'. "O Brasil está enviando uma mensagem aos palestinos de que eles não precisam fazer a paz para obter o reconhecimento como um Estado soberano", disse Engel. Ele acrescentou que deu "um forte apoio ao Brasil como uma democracia dinâmica e diversificada, que um dia terá seu lugar ao lado as principais nações do mundo". 5) Faça a sua carta também! Juntos, sempre, na construção da Palestina Livre! Palestina livre! Viva a Intifada! Resitência até a vitória! Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino "Um beduíno sozinho não vence a imensidão do deserto, é preciso ir em caravana" www.vivapalestina.com.br www.palestinalivre.org ========================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101205/74b4f945/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1335 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101205/74b4f945/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 5 12:59:09 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 5 Dec 2010 12:59:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_=93reconquista_do_territ=F3ri?= =?windows-1252?q?o=94=2C_ou=3A_Um_novo_cap=EDtulo_na_militariza=E7?= =?windows-1252?q?=E3o_da_quest=E3o_urbana?= Message-ID: <26EB287F9B8642FE8DEF4658CF98370A@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alipio Freire From: Danilo C. César A ?reconquista do território?, ou: Um novo capítulo na militarização da questão urbana 3 de dezembro de 2010 Categoria: Destaques http://passapalavra.info/?p=32598 Qual seria o significado das UPPs, no contexto da geopolítica urbana em curso, e que envolve diferentes aspectos ? Marcelo Lopes de Souza [*] A geopolítica urbana da ?guerra ao tráfico? A partir da desterritorialização dos traficantes de drogas de varejo [venda a retalho] da favela da Vila Cruzeiro (25 de novembro de 2010) e do Complexo de Favelas do Alemão (três dias depois), na Zona Norte do Rio de Janeiro, a expressão ?reconquista do território? e outras equivalentes passou a ser fartamente utilizada por diferentes agentes do Estado. Nos dias imediatamente subsequentes àquele que o jornal O Globo denominou de ?O Dia D da guerra ao tráfico?, a grande imprensa escrita, falada e televisionada ficou saturada de alusões à ?estratégia territorial? adotada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, à importância da retomada do ?controle territorial? por parte do aparelho de Estado e ao revés sofrido pelos traficantes ao terem perdido alguns de seus mais importantes (pela importância logística) territórios. Muito embora mapas tenham sido já publicados muitas outras vezes em circunstâncias parecidas - por exemplo, mapas com informações, não raro de fidedignidade mais que duvidosa, sobre o número de traficantes armados em cada grande favela da cidade -, jamais se viu antes, nos grandes jornais (em especial n?O Globo e naFolha de São Paulo), tamanha profusão de mapas: alguns apenas com a localização dos ?territórios a serem reconquistados? pelo Estado, outros com um acompanhamento da geografia do avanço das ?forças da ordem?, e assim segue. As metáforas bélicas, também, passaram a ser ainda mais abundantemente empregadas. ?A Guerra do Rio? é uma expressão consolidada já há anos no jornal O Globo, e a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e vários outros grandes jornais não ficam muito atrás. ?Guerra?, ?batalha?, ?soldados do tráfico? e outras expressões, hoje já até corriqueiras, passaram a conviver com outras, mais desabridas, entre as quais se destaca o ?Dia D?. Ironia das ironias: o complexo de favelas que, a partir do ?Dia D?, se buscava ?reconquistar?, se chama, precisamente, Complexo do Alemão. À diferença da Normandia ocupada pelas tropas do Terceiro Reich, contudo, os ?inimigos?, agora, são pessoas nascidas no mesmo país que os ?libertadores? (?libertação?, aliás, tem sido outra expressão muito empregada); na sua esmagadora maioria, esses ?inimigos? são jovens negros e mulatos, muitas vezes franzinos, armados com enormes fuzis mas calçados com chinelos de borracha. A juventude pobre dos espaços segregados é, em última análise, o grande ?inimigo? a se temer, real ou potencialmente, no imaginário das elites e da classe média. O uso das metáforas bélicas, que já vem dos anos 80 e se intensificou na década seguinte - em especial depois da ?Operação Rio (I)?, em 1994, a segunda e um dos hoje já numerosos episódios de emprego das Forças Armadas no combate à criminalidade quotidiana -, foi, agora, ainda mais estimulado pelo emprego mais decidido (e mais coordenado com o uso das forças policiais) das tropas federais, em ocasiões anteriores: blindados de diversos tipos dos fuzileiros navais, blindados do Exército, oitocentos homens da Brigada Paraquedista, helicópteros blindados da Força Aérea? Como se pode ver pelos jornais publicados nos últimos dias de novembro, o uso das metáforas guerreiras foi, também, complementado pela divulgação de ilustrações vistosas dos blindados e dos helicópteros utilizados. As comparações, constantemente feitas, entre o ?arsenal? dos criminosos e o armamento das Forças Armadas, assim como entre o número estimado de ?soldados do tráfico? e o efetivo das forças conjuntas a serviço do Estado, tinham um subtexto que, na boca de alguns comandantes militares (como o Comandante do Batalhão de Operações Especiais, o famigerado BOPE da polícia fluminense, celebrizado pelos filmes ?Tropa de Elite? e ?Tropa de Elite 2?), às vezes foi explicitado: os traficantes não têm nenhuma chance, que se rendam enquanto é tempo. Uma pergunta que praticamente não se fez: o fato de, durante décadas, eles terem ?desafiado? o Estado, como gosta de se expressar a grande imprensa, não teve algo a ver com a corrupção e, para além disso, com a própria lógica do Estado (e do capitalismo)?? Mais uma vez, deixou-se na sombra o tema das viscerais articulações entre o legal e o ilegal, a ?ordem? e a ?desordem?. ?A comunidade hoje pertence ao Estado?? A frase acima foi empregada, no dia seguinte à ?reconquista? da Vila Cruzeiro, pelo subchefe operacional da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rodrigo Oliveira, e variantes dela foram utilizadas também pelo governador Sérgio Cabral Filho e por outras ?autoridades?. Que seja do meu conhecimento, nenhum dos especialistas (com ou sem aspas) em segurança pública que desfilaram, em sucessão frenética, naqueles dias de fins de novembro, pelas telas de televisão ou pelas páginas dos jornais, lembrou-se de observar o profundo significado simbólico dessas palavras. De fato, a ?comunidade? nunca se ?pertenceu?. Embora largamente desassistida e, obviamente, bastante estigmatizada pela classe média e pelo próprio Estado e pela grande imprensa, a tutela estatal, exercida de modo que em geral mesclava (ou alternava) a brutalidade (arbitrariedades da polícia) e o clientelismo mais rasteiro, não deixou de se fazer presente. Apesar de serem as favelas largamente desassistidas em matéria de provimento de serviços básicos e infraestrutura técnica e social, uma frase como ?o Estado sempre esteve ausente [das favelas]? é retórica e politicamente compreensível, mas, em última instância, pouco rigorosa: seja pelas incursões da polícia, seja por meio das malhas do clientelismo, o Estado sempre lançou os seus tentáculos sobre os espaços segregados. Por outro lado, cada vez mais, ao longo dos anos 80, mas mais ainda a partir da década de 90, essa tutela passou a ser disputada e teve de se arranjar com a tutela exercida pelos chefetes microlocais do tráfico de varejo - representantes miúdos do capitalismo criminal-informal. No decorrer das décadas, os traficantes de varejo, regularmente extorquidos por policiais, passaram a se arranjar com os agentes do Estado também de várias outras maneiras, em uma promiscuidade que se tornou regra geral: intermediação entre políticos (ou candidatos) e as ?comunidades?, em época de eleição ou não; interferências menos ou mais ?toleradas?, ?negociadas? quotidianamente, junto a programas governamentais, como o Favela-Bairro (urbanização), com a finalidade de evitar intervenções que pudessem causar estorvos à segurança ou aos negócios dos traficantes; e por aí vai. Não chegaram, contudo, ao ponto de se organizarem para eleger seus próprios representantes junto às câmaras de vereadores ou à Assembleia Legislativa. Isso ficou para as ?milícias?, esquadrões da morte formados por (ex-)policiais e (ex-)bombeiros. Nos últimos anos, as ?milícias? que operam no Grande Rio intensificaram a expulsão de traficantes de várias grandes favelas e a venda de ?proteção? à população pobre, estabelecendo padrões de intimidação e extorsão que já chegaram, inclusive, a alguns bairros da cidade formal. Ao que tudo indica, as ?milícias? representam um outro patamar do capitalismo criminal-informal no Rio de Janeiro, no que se refere ao comércio de drogas de varejo e a outras atividades econômicas: em vez de apenas extorquir traficantes, policiais e ex-policiais passaram a desterritorializar os ?criminosos sem uniforme? (?criminosos de uniforme? é como a população pobre do Rio de Janeiro, obviamente não sem razão, muitas vezes se refere à polícia) e a operar, eles mesmos, diferentes tipos de negócios ilícitos. Ironicamente, entre esses negócios ilícitos (e ao lado da venda de ?proteção? contra os traficantes) está, ao menos em alguns casos, o próprio tráfico de drogas. Também do ângulo (sócio)político a ascensão das ?milícias? vem representando um novo e grave momento na história do Rio: diferentemente dos ?esquadrões da morte? de épocas passadas, os ?milicianos? de hoje largamente se autonomizaram, não se contentando em prestar serviços para comerciantes de periferia ameaçados por pequenos bandidos e assustados; passaram, eles mesmos, a operar sistematicamente negócios, com base na territorialização (controle espacial) exercido sobre certas áreas e suas populações. E, como já se disse, já começaram a eleger seus próprios homens de confiança para exercer mandatos legislativos. No Rio de Janeiro, há muito tempo que a população, descrente de uma polícia reconhecidamente corrupta e (e, em parte, porque) deficientemente remunerada, equipada e treinada, faz brincadeiras do tipo: ?Socorro! Chama o ladrão, que a polícia vem aí!? (Notadamente para a população das favelas, espremida entre a cruz e a caldeirinha, os traficantes de varejo, às vezes, realmente representam quase que um mal menor - coisa, aliás, além da compreensão da classe média, que, por conta disso, acostumou-se a acusar os favelados, entre outras coisas, de ?coniventes? com os traficantes, como se fosse uma questão de escolha.) Em face das ?milícias?, é de se perguntar: no caso de espaços controlados não por criminosos em sentido mais corriqueiro, mas sim por (ex-)policiais corruptos e criminosos, o que resta, aos olhos da população pobre, de credibilidade do Estado, a começar por sua face repressora? E mais: o que se poderá esperar, no longo prazo, caso a ?instabilidade? do varejão [venda a retalho] do tráfico semiorganizado (constantes e sangrentas disputas territoriais, na verdade disputas por mercado e pontos logisticamente estratégicos) seja substituída por uma razoável ?estabilidade? de uma ?paz miliciana?, flanqueada por diversos arranjos e acumpliciamentos com a face formal do Estado capitalista?? São questões como essa que eu, preocupado sobretudo com as consequências em matéria de margem de manobra para os movimentos sociais emancipatórios, levantei em meu livro Fobópole [1]. ?Pertencentes? ao Estado (em sua face formal), aos chefetes microlocais do tráfico de drogas ou a ?milicianos?, as ?comunidades?, de fato, nunca se pertenceram plenamente. O papel da mídia O papel da grande imprensa tem se revelado crucial e, pode-se dizer, estratégico, ao longo deste mais recente capítulo da militarização da questão urbana. A (re)produção ampliada dos sentimentos de medo e insegurança da população é indescolável, como procurei enfatizar em Fobópole, do tripé constituído pelo mercado da segurança (que fabrica armas, vende carros com blindagem especial e oferece uma legião de vigilantes particulares, mas também constrói ?condomínios fechados?, shopping centers e outros símbolos da autossegregação da elite e da classe média alta), pelo sistema político-eleitoral (que cada vez mais explora o medo do eleitorado, seja em relação ao terrorismo - como nos Estados Unidos -, seja em relação à criminalidade violenta ordinária - como no Brasil) e pelo mercado da informação. No momento, observa-se, no Rio de Janeiro, uma interessante mudança de tom por parte da mídia, em especial por parte da TV Globo (e da Globonews, de TV a cabo) e do jornal O Globo: em vez de, fundamentalmente, explorar os fatos relativos à criminalidade violenta, conferindo ao Rio de Janeiro um destaque parcialmente desproporcional (uma vez que, no que se refere a vários tipos de crimes violentos, a começar pelos homicídios, desde a década de 80 que se pode facilmente constatar como outras capitais, por exemplo Recife, geralmente apresentaram índices mais elevados que o Rio), a mídia ?global? passou a investir maciçamente no que poderia ser chamado de a construção de um ?épico? fortemente ideológico: as Forças do Bem contra as Forças do Mal, o ?Dia D?, a colaboração e o apoio da população (por meio do ?Disque Denúncia? e, também, constatável mediante pesquisas de opinião)? Corações e mentes (os corações muito mais que as mentes) vêm sendo inusitadamente mobilizados para dar suporte de massas às ?operações de guerra? empreendidas pelo Estado. A Rede Globo, muito embora tenha, timidamente, começado a noticiar, a partir de 30 de novembro, relatos de abusos das forças policiais contra moradores da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão, não deixou de produzir um estilo de cobertura jornalística que, muito mais do que ser acriticamente simpático às ações de ?reconquista? em curso, tem se revelado até operacionalmente simbiótico com o Estado e quase indissociável de sua dinâmica. O estilo de outras empresas jornalísticas não tem sido muito diferente, se bem que a Folha de São Paulo(ou um ou outro articulista da Folha, mas não todos) venha se mostrando, a esse respeito, um pouco mais comedida e um pouco menos sensacionalista. Uma pequena matéria de um dos articulistas da Folha(Nelson de Sá), publicada em um cantinho da página C5 da edição de 29/11/2010, traz, porém, o que pode ser reputado como uma das chaves para o nosso entendimento da construção do ?épico? acima mencionado: Ameaçada pela Record no Rio, a Globo derrubou parte da programação regular a partir de quinta, repetindo a cobertura da enchente que em 1966, em cinco dias, com Walter Clark, a estabeleceu como a TV da cidade. Assim foi até ontem, com a tomada do Complexo do Alemão [?] - e sua transmissão ao vivo bateu a REcord por grande margem. E prossegue assim o articulista: A cobertura global [?] se fundiu ao próprio Estado, em engajamento semelhante ao da Fox News no Iraque. Sua repórter chegou ao Alemão ao lado da polícia. [?] O discurso de refundação do Estado nas áreas retomadas foi único, da cobertura como das autoridades na transmissão. [?] No dizer do relações públicas da Polícia Militar, ?um novo tipo de guerra, também é uma guerra midiática?. Poderíamos dizer: é, essencialmente, e em vários sentidos, uma ?guerra midiática?? A dimensão ?biopolítica? das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) Em excelente artigo publicado neste Passa Palavra, Eduardo Tomazine Teixeira examinou, meses atrás, algumas características das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implementadas já em pouco mais de dez favelas do Rio de Janeiro [2]. Eduardo Tomazine contribui, entre outras coisas, para chamar a atenção para a geograficidade da estratégia das UPPs, como a sua localização preferencial (favelas encravadas em meio a áreas turísticas e de residência dos mais privilegiados, na Zona Sul da cidade). Ao que tudo indica, as UPPs representam, ao menos em parte, uma espécie de eficaz asfixia do tráfico de varejo, pontualmente, ao se lograr a desterritorialização dos traficantes de varejo em relação a algumas favelas. É preciso salientar, contudo, para além disso, não apenas o que já vem sendo comentado (geralmente de modo superficial, por parte da grande imprensa) na cidade, no que diz respeito ao temor da classe média de uma ?migração? cada vez maior da violência para a ?cidade formal?, devido ao desespero de traficantes que se veriam sem grande parte de sua fonte de renda habitual; é preciso grifar [sublinhar] que a estratégia das UPPs, independentemente de suas outras limitações (e possíveis ?perversidades?), é fundamentalmenteirreprodutível em larga escala. Já em 26 de novembro, jornalistas da Folha de São Paulo, repercutindo declarações da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, informaram que ?não haverá instalação imediata de uma UPP na comunidade [da Vila Cruzeiro] - para isso seria necessário um efetivo de 2.000 a 3.000 novos policiais, hoje indisponível? (pág. C3). Como, em uma escala global, os Estados Unidos bem sabem (e como os antigos romanos, Napoleão e Hitler, em parte dolorosamente, aprenderam muito bem), mais cedo do que tarde qualquer potência militar percebe os limites para se multiplicar contingentes de ocupação em ?territórios inimigos?. A geopolítica urbana em curso de aplicação no Rio de Janeiro, tão exitosa midiaticamente - do apoio entusiasmado que a classe média e mesmo osexperts em segurança pública (e até muitos pobres) vêm dando às UPPs ao sucesso de operações pontuais de ?reconquista territorial? como a do assim apelidado ?Dia D? -, não é, contudo, exceção. As UPPs não poderão ser instaladas em mais que uma pequena fração das cerca de mil favelas do Rio de Janeiro, e não haveria como ser diferente. Existem, no entanto, outras consequências das UPPs. Se os traficantes, fisicamente, migrarem para favelas mais distantes e lá se reinstalarem, desalojando outros traficantes ou territorializando novos espaços segregados, isso não contrariará frontalmente o atingimento do objetivo prioritário que é, afinal de contas, garantir maior tranquilidade para a classe média e os turistas, já pensando na Copa do Mundo em 2014 e nas Olimpíadas em 2016. Mas há mais: conforme o deputado estadual Marcelo Freixo já chegou, com preocupação, a reconhecer, em artigos de jornal e declarações públicas, existe um risco de que, com a valorização imobiliária que se vem observando no entorno formal de favelas já ?pacificadas? e mesmo no que concerne ao mercado informal de certas favelas, a própria dinâmica de valorização do espaço vá, aos poucos, empurrando para fora das favelas da Zona Sul os moradores mais pobres, que seriam substituídos por camadas de poder aquisitivo um pouco maior - ou até bem maior, dependendo da localização. É o que se conhece, há muitos anos, como ?expulsão branca?, e que, segundo algumas evidências, já teve início, acanhadamente, com o próprio Programa Favela-Bairro, anos atrás. As UPPs, portanto, a serviço, no médio e longo prazos, do capital imobiliário? Eis um cenário altamente provável, e surgem os indícios de que, especialmente em uma parte da cidade, isso já começa, devagar, a se tornar realidade. Qual seria, enfim, o significado das UPPs, no contexto da geopolítica urbana em curso, e que envolve diferentes aspectos? O filme ?Tropa de Elite? pareceu induzir o espectador a desdenhar preocupações críticas em torno do papel do Estado e do desrespeito aos direitos humanos, usando, como uma de suas ?ilustrações? mais emblemáticas, uma turma de estudantes da PUC que discutia ideias do filósofo Michel Foucault [3]. À luz da evidente importância estratégica do controle territorial nos marcos da atual linha da Secretaria de Segurança Pública do Rio, conforme tem sublinhado insistentemente o secretário Mariano Beltrame, vale a pena, justamente, retornar a Foucault, inclusive para complementá-lo (e, em parte, retificá-lo) em dois pontos: 1) Muito embora ele tenha colaborado de maneira destacada e quase ímpar para a compreensão da ?microfísica do poder? e da importância de se enxergar o poder (e a ideia de poder) para muito além do Estado, o termo ?território? foi por ele empregado, via de regra, para se referir ao aparelho de Estado e à sua ?soberania?. No entanto, todo e cada poder que se exerce, inclusive nas escalas mais acanhadas, ?microfísicas?, possui uma dimensão espacial, vale dizer, propriamente territorial [4]. Como outros autores também já reconheceram - seja explícita ou implicitamente [5] -, o uso que Foucault faz do termo ?território? é bastante restrito. O que está em curso, no Rio de Janeiro, é um complexo conflito de territorialidades, com interesses econômicos e políticos divergentes por trás (sendo que ainda falta incorporar um agente à análise, as ?milícias?, o que será feito na próxima seção). E, por parte do Estado, claramente se vê o desenho, cada vez mais nítido, de uma geopolítica urbana - ainda tateante, capenga (basta pensar na ineficiência e no elevado grau de corrupção que assolam as polícias fluminenses), mas nem por isso negligenciável. 2) Durante seus últimos cursos no Collège de France, Foucault testou e explorou o assunto da?biopolítica?, que seria uma ?tecnologia de poder? distinta da ?soberania? (que um Estado exerceria territorialmente) e da ?disciplina? (que seria exercida com o auxílio de estruturas espaciais como a prisão, o manicômio, etc.). A ?biopolítica?, como o nome sugere, seria a tentativa de enquadramento de populações não por meio da repressão, mas sim mediante um conhecimento de características populacionais (através de recenseamentos e similares) e uma tentativa de interferir, com base nisso, para fazer face a situações contigentes e largamente inevitáveis (mas de algum modo a serem enfrentadas), como epidemias [6]. As preocupações com a ?segurança pública? igualmente devem, e com destaque, ser articuladas com as atuações estatais no campo ?biopolítico?, não menos que os esforços de enquadramento especificamente soft e vinculados às políticas e legislações de ?bem-estar? (legislação trabalhista e previdenciária, etc.), como foi o caso, historicamente, principalmente em certos países europeus - coisas que podem ser entendidas como as versões modernas do ?poder pastoral?, para utilizar uma outra expressão foucauldiana [7]. Todavia, Foucault equivocou-se um pouco ao sugerir que o ?poder pastoral?, mais que ao ?território? (como é o caso do Estado em sua busca de preservação da soberania), visaria as populações, em sua multiplicidade [8]. Ora, Foucault sabia que, também no que diz respeito à ?segurança?, populações e espaço são, sempre, indissociáveis - e, como se pode ver, as UPPs, ao mesclarem uma promessa de políticas públicas ?sociais? (compensatórias?) com uma ocupação armada, apresentam, cristalinamente, uma dimensão ?biopolítica?, para além das tradicionais ações meramente repressivas. Dessa combinação deriva, aliás, em grande parte, a sua ampla aceitação, inclusive por uma classe média ?arejada?. Mas não se trata somente do ?espaço?, em geral (na sua materialidade, ou como um ?meio? em que operam redes e fluxos). Trata-se, muito propriamente, também de territórios e processos de territorialização (e desterritorialização). Territórios controlados por agentes diversos; territórios em escala microlocal (favela, bairro, conjunto habitacional?), que em parte se superpõem relativamente a outros territórios referenciados a outras escalas, em parte se justapõem uns aos outros; territórios que atritam uns com os outros e se sucedem, ao longo das fricções e alterações em matéria de relações de poder. A territorialidade conta, portanto, e muito; em todas as escalas, e em conexão com as políticas estatais de controle para além da ?soberania? e da ?disciplina?, da repressão, do ?vigiar e punir?. O Haiti como ?laboratório?: o significado mais amplo da reconquista do(s) território(s)? Para quem conhece e gosta de História, a palavra ?reconquista? se associa a um processo associado a uma espiral de fervor patriótico e fanatismo religioso: la reconquista da Península Ibérica, com a expulsão definitiva dos mouros pelos espanhóis. Reconquista que, como se sabe, foi a antessala da conquista da América e a escravização e o genocídio das populações ameríndias. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, já havia, em 2007, após inspecionar tropas brasileiras estacionadas no Haiti, em ?missão de paz? sob mandato da ONU, dado a entender que aquela experiência serviria de base para futuras operações das Forças Armadas em solo brasileiro, desempenhando missões de preservação da ?ordem pública? (ou seja, de polícia). E, com efeito, os homens da Brigada Paraquedista que apoiaram a ?reconquista? do Complexo do Alemão serviram, precisamente, no Haiti. De Cité Soleil (maior favela de Porto Príncipe) para o Complexo do Alemão: realiza-se, gradualmente, um plano tecido de longa data. Vale a pena registrar, de passagem, que, em 1988, o então comandante e diretor de estudos da Escola Superior de Guerra (ESG), Gal. Muniz Oliva, já fazia notar, ainda que acanhadamente, em um artigo intitulado ?ESG: Opções político-estratégicas para o Brasil?, a importância crescente de preocupações envolvendo a criminalidade comum como fator de tensionamento social [9]. Antes mesmo do fim ?declarado? da Guerra Fria, por conseguinte, já havia, nas fileiras militares brasileiras, quem entrevisse e sugerisse, nas entrelinhas, o gradual deslocamento do foco a propósito do ?inimigo interno?: em vez dos ?comunistas?, os ?bandidos? e outros representantes de comportamentos contrários à ?ordem?. Curiosamente, os novos ?subversivos? ofereceriam alguns elementos de conexão aparentes com as típicas obsessões do imaginário militar brasileiro: simbólico-terminologicamente e, em parte, organizacionalmente (?Comando Vermelho?, ?Primeiro Comando da Capital??). Não têm faltado, por isso ? entre militares e policiais, mas também no meio jornalístico e até na academia ?, aqueles que, nos últimos anos, e novamente em fins de novembro de 2010, tecem paralelos (às vezes parcialmente pertinentes, mas comummente exagerados e sem rigor) entre as ações e padrões de atuação dos criminosos, de um lado, e práticas guerrilheiras e terroristas, de outro. Em 2 de dezembro, portanto menos de uma semana depois da ?reconquista? do Complexo do Alemão com o auxílio dos paraquedistas, as emissoras de televisão noticiavam a decisão de, em um futuro próximo, ou em uma ?segunda fase? da operação policial-militar, o Exército estabelecer um contingente permanente no referido Complexo, em missão um tanto análoga à que ele vem desempenhando no Haiti. (No mesmo dia, emissoras de TV divulgaram pesquisa de opinião realizada pelo Ibope, conforme a qual 88% da população do Rio estão apoiando as medidas tomadas contra o tráfico de drogas, e nada menos que 93% aprovam a participação das Forças Armadas.) Eis, coerentemente, o título da manchete principal do jornal Estado de Minas do dia 3 de dezembro, estampada em letras garrafais: ?O Haiti é aqui?. Conforme demonstrou Jorge Zaverucha [10], e como eu também indiquei [11], a utilização das Forças Armadas para finalidades de controle social (sócio-espacial) interno ao país é algo que vem sendo preparado e ensaiado há muito tempo, desde o início da década de 90. Os riscos disso não são poucos, em um país marcado pela alternância de regimes autoritários explícitos (como em 1964-1985) e momentos de ?democracia? representativa um tanto caricatural, na qual os direitos humanos de grande parcela da população são sistematicamente desrespeitados. Mas, como o medo é mau conselheiro, amplos setores da sociedade civil (a começar pela grande imprensa) se mostram crescentemente favoráveis a apoiar, e com cada vez menos ressalvas, a militarização explícita da questão urbana. Se antes esta era amiúde reduzida a um ?caso de polícia?, agora avança-se, a passos largos, para torná-la, de maneira plenamente institucionalizada, uma questão militar. Os efeitos que isso pode, no longo prazo, acarretar, são em parte previsíveis: aumento da corrupção e dos ?desvios de conduta? nas fileiras do próprio Exército; possibilidade incrementada de sistemática utilização futura das tropas para reprimir movimentos sociais emancipatórios e todo protesto que for criminalizado e julgado como uma ameaça à ?ordem pública?, em uma reedição atualizada dos temores paranoides referentes à ?segurança nacional?; novo momento histórico de afastamento dos militares em relação ao papel precípuo que lhes consagra a Constituição, a defesa externa, com prováveis consequências políticas internas nefastas. Porém, quem liga para tudo isso, nas atuais circunstâncias?? Seja lá como for, é de se perguntar: para além dos efeitos de chauvinismo local (ou, em menor grau, também propriamente nacional), com os sentimentos de ?estamos vencendo? insuflados em grande parte da população em meio à ?guerra midiática?, o que é que, afinal de contas, podem mesmo os mais crédulos esperar já no médio prazo (próximos meses, próximo ano) no que tange ao combate à criminalidade? As imagens das tropas do Exército desfilando por ruelas do Complexo do Alemão, inclusive com banda de música, em 2008, parecem ter caído no esquecimento. Interessantemente, pareceu a alguns (ou a muitos), naquela ocasião, que as ?forças da ordem? se haviam apossado, definitivamente, daquele ?território inimigo?. Não se passou muito tempo para que, atropelado pelos fatos, o efeito do espalhafato midiático fosse reduzido a nada. O que teria mudado que justificaria, agora, maior otimismo? De certa forma, é certo que algo mudou: parece haver um grau de concertação e uma ?inteligência sistêmica? maiores agora, e a entrada em cena das UPPs é apenas um aspecto (embora muito importante) do novo cenário. Quanto a isso justificar ?otimismo?, entretanto, é, sem dúvida, uma questão de perspectiva. Ou de interesse(s). Na esteira das UPPs, e apesar da onda de incêndios atribuídos aos traficantes de varejo em fins de novembro (e que foi, aliás, o que deflagrou o novo capítulo da militarização), a classe média, está, após o ?Dia D?, mais aliviada. Resta saber por quanto tempo. Quanto aos pobres, que são a grande maioria da população da cidade e do país (a despeito dos esforços de celebração midiática de uma ?nova classe média? na qual, forçadamente, são enfiadas as camadas de assalariados suburbanos, periféricos e até favelados capazes de adquirir certos eletrodomésticos ou um automóvel), seguramente continuam e continuarão sendo estigmatizados e segregados, ainda que, às vezes, em lugares mais distantes - ou, também, separados internamente e classificados, político-ideologicamente, entre ?bons pobres? (a ?classe média baixa? ?ordeira? e ?bem-comportada?, residente em loteamentos irregulares ou em favelas ?pacificadas?) e ?maus pobres? (os moradores de ocupações de sem-teto, os ambulantes que insistem em sua estratégia de sobrevivência, os moradores de favelas ?não pacificadas??). Admirável mundo novo! Notas [*] Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. [1] Marcelo Lopes de Souza, Fobópole: O medo generalizado e a militarização da questão urbana. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2008. [2] Eduardo Tomazine Teixeira, ?Unidades de Polícia Pacificadora: O que são, a que anseios respondem e quais desafios colocam aos ativismos urbanos?? 1.ª Parte aqui, 2.ª Parte: aqui, 25 de junho de 2010. [3] Refiro-me ao primeiro dos dois filmes. ?Tropa de Elite 2?, de 2010, representa uma nítida mudança de tom, talvez buscada pelo diretor (José Padilha) para se redimir da pecha de patrocinador de um ?filme fascista?, acusação sofrida em função do primeiro filme. [4] O território não deve ser entendido, como ainda hoje muitas vezes o é, como sinônimo de ?espaço geográfico? em geral. Um território é um espaço social qualificado, em primeiro lugar e acima de tudo, pela dimensão do poder. Ele constitui uma espécie de ?campo de força?, que corresponde às relações de poder (exercício do poder: estatal ou não, duradouro ou efêmero, heterônomo ou autônomo) referidas a um espaço material (e a identidades e ideologias sócio-espaciais) específico (vide, sobre isso, por exemplo, o texto ?O território: Sobre espaço e poder, autonomia e desenvolvimento?, contido na coletânea Geografia: Conceitos e temas, organizada por Iná de Castro et al. (Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1995). [5] Ver, por exemplo, de Rogério Haesbaert, o texto ?Sociedades biopolíticas de in-segurança e des-controle dos territórios? (in: M. P. de Oliveira et al. [orgs.], O Brasil, a América Latina e o mundo: Espacialidades contemporâneas [II]. Rio de Janeiro, Lamparina, 2008). [6] Segundo Foucault, a ?biopolítica? ou o ?biopoder? consistiria na ?maneira como se procurou, desde o século XVIII, racionalizar os problemas postos à prática governamental pelos fenômenos próprios de um conjunto de viventes constituídos em população: saúde, higiene, natalidade, longevidade, raças?? (Michel Foucault, O nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes, 2008, pág. 431). [7] ?[?] [A] história do pastorado como modelo, como matriz de procedimentos de governo dos homens, essa história do pastorado no mundo ocidental só começa com o cristianismo.? (Michel Foucault,Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, pág. 196) Porém, como Foucault esclarece, ?[i]sso não quer dizer que o poder pastoral tenha permanecido uma estrutura invariante e fixa ao longo do quinze, dezoito ou vinte séculos da história cristã. Pode-se até mesmo dizer que esse poder pastoral, sua importância, seu vigor, a própria profundidade da sua implantação se medem pela intensidade e pela multiplicidade das agitações, revoltas, descontentamentos, lutas, batalhas, guerras sangrentas travadas em torno dele, por ele e contra ele.? (Michel Foucault, Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, pág. 197) [8] Conforme Foucault, ?[?] a ideia de um poder pastoral é a ideia de um poder que se exerce mais sobre uma multiplicidade do que sobre um território.? (Michel Foucault, Segurança, território, população. São Paulo: Martins Fontes, pág.173). [9] Consulte-se, de Oswaldo Muniz Oliva, ?ESG: Opções político-estratégicas para o Brasil?. Revista da Escola Superior de Guerra, IV(9), 1988, pp. 9-15. [10] Jorge Zaverucha, FHC, Forças armadas e polícia: Entre o autoritarismo e a democracia (1999-2002). Rio de Janeiro, Record, 2005. [11] Fobópole, op. cit. ================================================================================================ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101205/ee0ab44c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 6 19:43:14 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Dec 2010 19:43:14 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Esta_mulher_vai_dar_a_volta_ao_mu?= =?iso-8859-1?q?ndo_alertando_sobre_o_c=E2ncer=2E?= Message-ID: <91FD39D830FF4B48A7B4FF12E8626E5C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Não deixem esta mulher parar! Não pare esta mulher!!! Esta mulher vai dar a volta ao mundo alertando sobre o câncer. Por favor, reencaminhe-a para que ela chegue ao seu destino, e ore por todas aquelas que no momento enfrentam essa doença terrível. Ela está dando a volta ao mundo via e-mail!!! Reencaminhe este mail para que ela chegue a todos os lugares Ela acabou de sair da minha casa . Está caminhando pela luta contra o câncer ovariano. Passe essa mensagem adiante, assim ela poderá atingir seu objetivo: andar pelo mundo todo - via e-mail -, divulgando a informação abaixo, tão importante para todas as mulheres. O câncer ovariano é silencioso - portanto, leia com atenção: Atente para qualquer dor ou desconforto pélvico ou abdominal, vagos mas persistentes problemas gastrointestinais como gases, náuseas e indigestões; Vontade de urinar frequente e/ou urgente, sem que tenha alguma infecção; Perda ou ganho de peso inexplicável; Pelve ou abdomen inchados, entumescidos e/ou com sensação de cheio, cansaço anormal, ou mudanças inexplicáveis dos seus hábitos intestinais. Se esses sintomas persistirem por mais de duas semanas, peça a seu médico uma combinação de exames pélvico/retal , exame de sangue CA-125 e ultrassom transvaginal. O exame de Papanicolau NÃO detecta câncer ovariano. Por favor, repasse... é muito importante para todas nós. Clique no botão encaminhar para que esta mulher continue animada... Ah! Aproveite para pedir a Deus pelas mulheres que estão com essa terrível doença. Por favor, mantenha esta mulher andando !!! Passem aos homens, todos tem ou tiveram uma ou mais mulheres em suas vidas... ============================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER = __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (2) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo VideoChat Online. Converse com pretendentes em tempo real! -------------------------------------------------------------------------------- Mais de 200 mil Vagas de EMPREGO, em 1.600 cidades brasileiras. -------------------------------------------------------------------------------- Perfumes pela metade do preço! Corre e aproveite! Trocar para: Só Texto, Resenha Diária . Sair do grupo . Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101206/d59095e7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3540 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101206/d59095e7/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 19369 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101206/d59095e7/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5069 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101206/d59095e7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 6 19:43:22 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 6 Dec 2010 19:43:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Dia_7_de_dezembro=2C_=E0s_19_hor?= =?iso-8859-1?q?as=2C_na_C=E2mara_dos_Vereadores_de_S=E3o_Paulo=2C_?= =?iso-8859-1?q?Eduardo_Leite=2C_o_Bacuri=2C_receber=E1=2C_in_memor?= =?iso-8859-1?q?iam=2C_o_t=EDtulo_de_Cidad=E3o_Paulistano?= Message-ID: <11B0A834D2CA4D14BA30768ADB18A085@vcaixe> Amanhã, dia 7 de dezembro (terça-feira), às 19,00hs na Câmara dos Vereadores de São Paulo Eduardo Leite, o Bacuri, receberá, in memoriam, o título de Cidadão Paulistano . Importante a presença de todos para esta homenagem do valoroso herói da resistência a ditadura. Vanderley Caixe Carta O Berro..........................................................repassem Morte de Bacuri e a cumplicidade da Folha Na próxima terça-feira, dia 7 de dezembro, às 19 horas, na Câmara dos Vereadores de São Paulo, Eduardo Leite, o Bacuri, receberá, in memoriam, o título de Cidadão Paulistano por iniciativa dos vereadores Juliana Cardoso e Ítalo Cardoso. Para quem não o conheceu, trata-se de mais um dos casos de absoluta crueldade da repressão. Na madrugada da véspera de ser retirado do Dops para ser assassinado, a repressão lhe entregou - na cela onde estava sozinho - um exemplar da Folha da Tarde que noticiava sua "fuga". Para que jamais esqueçamos a história, a Folha da Tarde era aquele pasquim que o senhor Otávio Frias - pai do senhor Otávio Frias Filho - cedeu graciosamente ao esquadrão da morte durante os dois anos finais dos 1960 e que assim continuou até o final dos anos de 1970. Bacuri tem uma das histórias mais bonitas de nossa resistência. Quando foi preso, sua companheira - a camarada Denize - estava grávida. Meses depois, nasceu a Maria Eduarda. Quem não puder comparecer ao evento, envie uma mensagem dirigida a essas duas mulheres para o endereço da Denize Crispim Perez: zdenize at gmail.com Leia a seguir, o texto sobre Bacuri que está no sítio Tortura Nunca Mais: Cumplicidade entre a mídia e a repressão O relato abaixo serve para demonstrar a ação combinada e orgânica entre a repressão da ditadura militar de 64 e os órgãos da mídia oligárquica no Brasil. O assassinato de Eduardo Collen Leite, o "Bacuri", é um dos mais terríveis dos que se tem notícia, já que as torturas a ele infligidas duraram 109 dias consecutivos, deixando-o completamente mutilado. Quando o corpo foi entregue aos familiares estava sem orelhas, com olhos vazados e com mutilações e cortes profundos em toda a sua extensão. Foi preso no dia 21 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro, pelo delegado Sérgio Fleury e sua equipe, quando chegava em sua casa. Passou pelo Cenimar/RJ e DOI-Codi/RJ, onde foi visto pela ex-presa política Cecília Coimbra, já quase sem poder se locomover. Do local da prisão, Eduardo foi levado a uma residência particular onde foi torturado. Seus gritos e de seus torturadores chamaram a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Ao constatar de que se tratava da equipe do delegado Fleury, pediram apenas para que mudassem o local das torturas. Após ser torturado na sede do Cenimar, no Rio de Janeiro, Eduardo foi transferido para o 41° Distrito Policial, São Paulo, cujo delegado titular era o próprio Fleury. Novamente transferido para o Cenimar/RJ, Eduardo permaneceu sendo torturado até meados de setembro, quando voltou novamente para São Paulo, sendo levado para a sede do DOI-Codi. Em outubro, foi removido para o Dops paulista, sendo encarcerado na cela 4 do chamado "fundão" (celas totalmente isoladas). Em 25 de outubro, todos os jornais do País divulgaram a nota oficial do Dops/SP relatando a morte de Joaquim Câmara Ferreira (comandante da ALN), ocorrida em 23 de outubro. Nesta nota, foi inserida a informação de que Bacuri havia conseguido fugir, sendo ignorado seu destino. Foi encontrado nos arquivos do Dops a transcrição de uma mensagem recebida do Dops/SP pela 2ª seção do IV Exército, assinada pelo coronel Erar de Campos Vasconcelos, chefe da 2ª Seção do II Exército, dizendo "que foi dado a conhecer a repórteres da imprensa falada e escrita o seguinte roteiro para ser explorado dentro do esquema montado". O tal roteiro falava da morte súbita de Câmara Ferreira após ferir a dentadas e pontapés vários investigadores. E mais adiante diz "Eduardo Leite, o Bacuri, cuja prisão vinha sendo mantida em sigilo pelas autoridades, havia sido levado ao local para apontar Joaquim Câmara Ferreira (...) Aproveitando-se da confusão, Bacuri (...) logrou fugir (...)". Estava evidenciado o plano para assassinar Eduardo Collen Leite O testemunho de cerca de 50 presos políticos recolhidos às celas do Dops paulista (entre eles, o gaúcho Ubiratan de Souza, da VPR) neste período prova que Eduardo jamais saíra de sua cela naqueles dias, a não ser quando era carregado para as sessões diárias de tortura. Eduardo era carregado porque não tinha mais condições de manter-se em pé, muito menos de caminhar ou fugir, após dois meses de torturas diárias. O comandante da tropa de choque do Dops/SP, tenente Chiari da PM paulista, mostrou a Eduardo e a inúmeros outros presos políticos, no dia 25, os jornais que noticiavam sua fuga. Para facilitar a retirada de Eduardo de sua cela, sem que os demais prisioneiros do Dops percebessem, o delegado Luiz Gonzaga dos Santos Barbosa, responsável pela carceragem do Dops àquela época, exigiu o remanejamento total dos presos, e a remoção de Eduardo para a cela n° 1, que ficava defronte à carceragem e longe da observação dos demais presos. Seu nome foi retirado da relação de presos, as dobradiças e fechaduras de sua cela foram lubrificadas de forma a evitar ruídos que chamassem a atenção. Os prisioneiros políticos, na tentativa de salvar a vida de seu companheiro, montaram um sistema de vigília permanente. Aos 50 minutos do dia 27 de outubro de 1970, Eduardo foi retirado de sua cela, arrastado pelos braços, pela falta total de condições de pôr-se em pé, com o corpo repleto de hematomas, cortes e queimaduras, sob os protestos desesperados de seus companheiros. Segundo testemunho de Ubiratan, todos os presos chegaram junto às grades e estendiam braços e mãos para cumprimentar ou simplesmente tocar em Bacuri, ao mesmo tempo que vibravam talheres e copos metálicos no ferro das grades numa demonstração de protesto pela iminente morte de um companheiro. Todos sabiam que Bacuri seria executado. Eduardo não foi mais visto. Os carcereiros do Dops, frequentemente questionados sobre o destino de Bacuri, só respondiam que ele havia sido levado para interrogatórios em um andar superior. Os policiais da equipe do delegado Fleury respondiam apenas que não sabiam; apenas o policial conhecido pelo nome de Carlinhos Metralha é que afirmou que Eduardo estava no sítio particular do delegado Fleury. Tal sítio era usado pelo delegado e sua equipe para torturar os presos considerados especiais ou os que seriam certamente assassinados e, por isso, deveriam permanecer escondidos. Em 8 de dezembro, 109 dias após sua prisão, e 42 dias após seu sequestro do Dops, os grandes jornais do País publicavam nota oficial informando a morte de Eduardo em "um tiroteio nas imediações da cidade de São Sebastião", no litoral paulista. Era evidente o conluio entre a repressão e a mídia, nesta farsa montada para eliminar Eduardo Leite. A notícia oficial da morte de Eduardo teve um objetivo claro: tirar as condições da inclusão de seu nome na lista das pessoas a serem trocadas pela vida do embaixador da Suíça no Brasil, que havia sido sequestrado em 7 de dezembro. Seu nome seria incluído nessa lista e seria impossível soltar o preso Eduardo que, oficialmente, estava foragido e, além do mais, completamente desfigurado e mutilado pela tortura. As informações são do grupo Tortura Nunca Mais e de Ubiratan de Souza. ======================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101206/7ae68bea/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 7 19:31:11 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Dec 2010 19:31:11 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Reportagem_da_TV_Record_sobre_=22?= =?iso-8859-1?q?os_por=F5es_da_tortura=22_ganha_pr=EAmio_dos_direit?= =?iso-8859-1?q?os_humanos=2E_Assista!?= Message-ID: <6CAC952ED2184883B7EBAB6BCCF789F4@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Blog do Miro Reportagem da TV Record sobre "os porões da tortura" ganha prêmio dos direitos humanos. Veja os quatro vídeos - http://migre.me/2GDm5 __._,_.___ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101207/11ad4f2a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 7 19:31:18 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 7 Dec 2010 19:31:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Boletim_n=BA__331=3A_Assange=3A_?= =?iso-8859-1?q?=E9_fascinante_ver_os_tent=E1culos_da_elite_corrupt?= =?iso-8859-1?q?a?= Message-ID: OperamundiCarta O Berro..........................................................repassem Boletim nº331 , 07 de Dezembro de 2010 Assange: é fascinante ver os tentáculos da elite corrupta Em entrevista exclusiva ao , o fundador do site Wikileaks, Julian Assange, não escondeu a irritação com o congelamento de sua conta bancária, com ações tomadas contra a organização e nega as acusações de crime sexual. leia na íntegra Por dentro do Wikileaks 2: muito além do furo Fundador do Wikileaks se entrega à polícia britânica Assange tem pedido de fiança recusado e permanecerá detido até audiência Governo da Venezuela assume 20% das ações da Globovisión EUA dizem que Honduras será reintegrada à OEA quando Zelaya voltar ao país Trinta corpos são encontrados durante resgate na Colômbia Dezenove países boicotam entrega do Prêmio Nobel da Paz a dissidente chinês Reunião sobre programa nuclear do Irã termina sem acordos em Genebra Irã pede fim das sanções e reconhecimento de direitos ANÁLISE: Wikileaks, Direitos Fundamentais e Terrorismo Siga o Opera Mundi no Twitter - Clique aqui Não deseja mais receber nossas mensagens? 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101207/f27c78c4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 8 19:42:24 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 8 Dec 2010 19:42:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__WikiLeaks=3A_parem_a_persegui=C3=A7?= =?utf-8?b?w6NvLiBBU1NJTkUh?= Message-ID: <8D9A7B3F737945349A6F737FF9BDB6BB@vcaixe> Avaaz.org - The World in ActionCarta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Ricken Patel - Avaaz.org Caros amigos, A campanha de intimidação agressiva de governos e empresas sobre o WikiLeaks (que provavelmente não violou nenhuma lei) é um ataque à liberdade de imprensa e democracia. Nós precisamos de uma manifestação pública massiva para acabar com os ataques -- vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira nos principais jornais dos EUA esta semana! A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo. Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam. A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo ? vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana! http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl O WikiLeaks não age sozinho ? eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa. O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las. Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição: http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl Você já se perguntou porque a mídia raramente publica as histórias completas do que acontece nos bastidores? Por que quando o fazem, governos reagem de forma agressiva, Nestas horas, depende do público defender os direitos democráticos de liberdade de imprensa e de expressão. Nunca houve um momento tão necessário de agirmos como agora. Com esperança, Ricken, Emma, Alex, Alice, Maria Paz e toda a equipe da Avaaz Fontes: Fundador do site WikiLeaks é preso em Londres: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/fundador+do+site+wikileaks+e+preso+em+londres/n1237852973735.html Visa e MasterCard se unem ao boicote contra WikiLeaks: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/visa-e-mastercard-se-unem-ao-boicote-contra-wikileaks Hackers lançam ataques em resposta a bloqueio de dinheiro do Wikileaks: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5g5_1RyqwzqqSdcdkuXSkRwc3OCbA?docId=CNG.3ee5f70f5e1bc38f749f897810be5a31.6a1 Conheça o homem por trás do site que revelou documentos secretos americanos: http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/conheca-a-historia-do-site-que-revelou-documentos-secretos-americanos/ O criador do WikiLeaks, entre a sombra e a busca pela verdade: http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hRW1-BWMeIXP6Spyr_UdQJbqu5_g?docId=CNG.24a480c86aa11494311806f554755ceb.701 Saiba mais sobre os telegramas diplomáticos: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/saiba+mais+sobre+os+telegramas+diplomaticos/n1237852399276.html Apoie a comunidade da Avaaz! 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Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101208/07bfe23b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 9 18:23:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 9 Dec 2010 18:23:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Economia desnacionalizada (I) e (II) por Adriano Benayon * Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Publicado em A Nova Democracia, nºs 71 e 72 Economia desnacionalizada (I) Adriano Benayon * 1De janeiro a setembro deste ano, o déficit de transações correntes com o exterior acumula US$ 35 bilhões, e seu crescimento prossegue acelerado. Esse montante equivale a três vezes o do mesmo período em 2009. 2 Isso significa que o saldo negativo líquido nas contas de "rendas e serviços" - formadas principalmente pelas rendas do capital estrangeiro (lucros e dividendos, além de juros) - foi de cerca de US$ 51 bilhões, pois a balança comercial teve saldo positivo de US$ 14 bilhões, e as transferências unilaterais (remessas de trabalhadores brasileiros), cerca de US$ 2 bilhões. Resumindo: 51 bi menos 16 bi = 35 bi. 3Mantido até o fim do ano o atual ritmo, esse déficit nas rendas de capital chegará a US$ 68 bilhões. Mais provavelmente, US$ 70 bilhões, já que, em dezembro, as remessas aumentam. 4 O Brasil exporta grandes quantidades, mal pagas, de seus excelentes recursos naturais e, além disso, muito valor de trabalho agregado por sua mão-de-obra nos produtos industrializados. Entretanto, não mais consegue grandes superávits na balança comercial, agora em queda, devido à depressão em mercados importadores. 5Mesmo com essa retração na demanda, o Brasil ainda exporta demais. Porém, tem que pagar por importações cujo valor unitário é muitíssimo mais alto que o das suas exportações. Em consequência, o saldo comercial é, de longe, insuficiente para equilibrar a conta corrente com o exterior, devido ao crescente e enorme dispêndio com as remessas de ganhos do capital estrangeiro. 6O que os economistas do sistema apontam como remédio para compensar o déficit nas transações correntes com o exterior é a entrada de mais capital estrangeiro, "equilibrando" assim o balanço de pagamentos. Ou seja: pretendem - ou fingem pretender - afastar a doença, fazendo o paciente ingerir quantidades cada vez maiores das toxinas que o fizeram ficar doente. 7 Ora, o investimento direto estrangeiro instalou-se no País exatamente para transferir riqueza deste para fora, através das "rendas de capital e 'serviços'". E não só por essas contas, mas também manipulando os preços no comércio de mercadorias. A balança comercial teria saldos positivos muito mais altos do que tem, se os preços de exportações e de importações não fossem usados para transferir renda para o estrangeiro. 8 Na realidade, os investimentos diretos estrangeiros são a plataforma e os vetores de lançamento, para o exterior, da riqueza e do produto do trabalho dos brasileiros. O capital estrangeiro acumula-se, cada vez mais, através da capitalização de lucros obtidos no mercado interno e, além disso, seu estoque cresce no País com ingressos em moeda estrangeira, principalmente dólares, facilmente fabricada nos países de origem. 9 Os investimentos diretos estrangeiros são aplicados nas subsidiárias "brasileiras" das transnacionais (também chamadas multinacionais), para: a) aportes de capital nessas subsidiárias; b) fusões com empresas de capital nacional ou com subsidiárias de outras transnacionais; c) aquisição dessas empresas; d) privatizações. 10 Nos casos a), b) e c), as transnacionais prevalecem-se de seu acesso a capital barato (lucros no exterior, lucros no Brasil aqui reinvestidos, empréstimos tomados no exterior a juros hoje em torno de zero e até juros a taxas especiais no Brasil. No caso d), o das privatizações, o qual supera todos em matéria de escândalo, o ingresso de dinheiro externo é só "para inglês ver". De fato, as transnacionais passam a controlar empresas estatais donas de altíssimos patrimônios e elevada rentabilidade, e, em vez de pagar por elas, recebem incríveis subsídios da União federal brasileira (!!!). 11 As modalidades a), b) e c) permitem às transnacionais desalojar do mercado as empresas de capital nacional, pois, ademais das vantagens de obter capital barato, e o das empresas nacionais tem alto custo, a política econômica governamental (!!!) favorece as transnacionais em detrimento destas. A primeira modalidade abre o caminho para as duas outras: a empresa nacional, em dificuldades, vê-se acuada a aceitar a fusão com a transnacional ou, desde logo, ser adquirida por esta. 12 Deve ser dito que o processo de desnacionalização da economia brasileira é muito antigo e se intensifica desde 1954, a partir da conspiração e do golpe regido por serviços secretos de potências imperiais, que derrubou o presidente Vargas naquele ano. 13 Isso explica as crises recorrentes no Balanço de Pagamentos do País, sempre causadas pela transferência de nossos recursos, via contas de serviços e rendas e manipulação dos preços das mercadorias na balança comercial. Elas surgem em razão do crescimento da dívida externa, resultante do acúmulo de déficits sucessivos. 14 O real ou falso ingresso de capital estrangeiro, em parte sob a forma de empréstimos, equilibra o Balanço de Pagamentos por um tempo. É assim que a dívida se avoluma, dando mais pretextos para a elevação das de juros. Os juros vão se capitalizando e acrescendo à dívida. Isso tudo culmina nos pacotes do FMI, Banco Mundial e dos bancos "credores", em benefício dos quais essas instituições intervêm. 15 Cada crise nas contas externas - como as de 1961, 1964, 1982, 1987, 1991, 1998, 2002 - foi explorada para tornar a economia brasileira ainda mais subordinada às determinações da política imperial, no sentido de elevar a dependência do País em relação ao capital estrangeiro e de sufocar seu desenvolvimento, através de políticas de falsa austeridade, cujo objetivo sempre foi elevar a mortandade das empresas brasileiras, fazendo-as falir ou se entregar ao controle de transnacionais. 16 Com efeito, a cada uma dessas crises - e a próxima parece não estar distante - a prioridade da política econômica deixa de ser os investimentos públicos na infraestrutura e prover recursos financeiros, a juros favorecidos, em benefício das grandes empresas e especialmente das estrangeiras, através dos bancos públicos. 17 A prioridade passa a ser o encolhimento do mercado, fazendo baixar o nível de consumo da população (exceto a super-rica), arrecadando dinheiro para os pagamentos do serviço da dívida pública, inclusive a externa. Contando só a partir do estelionato inserido na Constituição de 1988, para tal fim, os juros e encargos da dessa dívida acumulam despesa superior a 6 trilhões de reais, até 2010. 18 Em vez de sucumbir desse modo humilhante, inclusive com as vergonhosas privatizações, dever-se-ia ter reestruturado a economia em bases saudáveis, assentadas sobre capitais nacionais, públicos e privados. Ao contrário do que diz a enganação reinante, não há dificuldade alguma para formar esses capitais no País, sem qualquer recurso a capital estrangeiro. Basta, para isso, ter governo autônomo. 19As copiosas privatizações, de 1996 a 2000, constituíram o auge da colocação do País de joelhos, fazendo-o entregar - e pagar para entregar - a nata do patrimônio nacional, a pretexto de que os falsos recursos gerados para a União e Estados nos leilões de venda de estatais seriam usados na redução da dívida externa e de seu serviço. Ao contrário, ambos cresceram enormemente, junto com a alienação criminosa do patrimônio público. 20 Apesar de ter sido, de longe, o País mais saqueado do Século XX - alguns o comparam somente ao caso da Rússia de Yeltsin -, o Brasil conseguiu ampliar um tanto seu mercado, graças: 1) à pujança dos recursos naturais; 2) ao imenso território aproveitável, sem paralelo no Mundo: 3) à população em expansão (mesmo reprimida); 4) ao razoável progresso da indústria e da tecnologia nacionais, anterior à ocupação pelo capital estrangeiro. 21 Mas o resultado obtido não passa de pequena fração do correspondente àquele estupendo potencial, que deixa de ser realizado por causa da inimaginável sugação a que o País é submetido. 22 O pior é que se torna cada vez mais volumosa a plataforma, e se tornam mais numerosos os mísseis de lançamento, que transferem os recursos do Brasil para o exterior, assegurando seu endividamento, seu empobrecimento e seu subdesenvolvimento. 23 Para dar um flash do próximo artigo, nos anos 70 do Século XX, a grande maioria dos setores mais importantes da indústria de transformação já estava oligopolizada sob o predomínio das transnacionais. Isso se intensificou nos decênios seguintes, e estendeu-se aos serviços públicos, como eletricidade, saneamento, água, telecomunicações etc., privatizados nos anos 90. Arrebatou-se então, ainda, aos brasileiros o controle do maior banco estadual do mundo. 24 O capital estrangeiro passou, com subsídios de bilhões do governo FHC, a abocanhar também importantes bancos comerciais privados. Controla as consultorias e financiadoras de fusões e aquisições de empresas e outros segmentos do mercado de capitais. Controla, ademais, as maiores redes de supermercados, grande parte da hotelaria, penetra na construção civil e nos empreendimentos imobiliários. Mais notável, apossa-se rapidamente de grande parte das usinas de etanol e plantações do agronegócio, sem falar na mineração em que sua presença dominante, de há muito, não é novidade. 25 Em todos os setores da economia, as transnacionais vêm ampliando e aprofundando seus domínios. Em 2001, 59,6% de seus investimentos foram no setor de serviços, 33% na indústria, e 7,1% em agropecuária e mineração. Em 2008, esses percentuais passaram a 38%, 32% e 30%. 26 Em 2001, o principal da indústria já estava ocupado, mas, ainda assim 33% dos investimentos estrangeiros ainda iam para esse setor, percentual quase mantido em 2008 (32%). Em 2001 a ênfase já estava nos serviços (59,6%): consolidava-se a vertiginosa ocupação dos serviços públicos através da privatização, entrava-se fundo nos bancos etc. Em 2008, o principal foco ainda eram os serviços, mas o setor primário ascendia a 30%. _______________________ * Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras. abenayon at brturbo.com.br ========================================================================================================== Publicado em A Nova Democracia, nº 72, dezembro de 2010 A DESNACIONALIZAÇÃO DA ECONOMIA - II Adriano Benayon * - 18.11.2010 1. QUADRO GERAL Os investimentos diretos estrangeiros (IDEs) [1] registrados no Brasil de 1947 até 2008 totalizaram U$ 222,6 bilhões de dólares. Entretanto, as rendas remetidas do Brasil para o exterior, apenas entre 1995 e 2008, somaram US$ 292,2 bilhões. 2. As rendas incluem a remessa oficial de juros e de lucros, e estes, que corresponderam a mais de 3/5 dessas remessas, são somente a ponta do iceberg das reais transferências de ganhos para o exterior. De fato, o grosso delas se realiza através das contas de serviços e da fixação de preços superfaturada nas importações e subfaturada nas exportações de mercadorias. 3. Com cinismo e/ou com a mesma ignorância de sempre, os enganadores a serviço do saqueio do Brasil continuam recitando a antiga lenda de que os investimentos diretos estrangeiros (IDEs) capitalizam a economia brasileira e geram grandes investimentos na produção. 4. A lenda é falsa. A maior parte dos investimentos diretos estrangeiros não é empregada em nova produção. Eles são usados pelas transnacionais principalmente para assumirem, por meio de aquisições e fusões, o controle de atividades produtivas pré-existentes, quase sempre criadas com capitais de empresas brasileiras. 5. As fusões e aquisições seguem crescendo assustadoramente. Calcula-se que o total delas em 2010 superará o de 2007, quando atingiram R$ 136,5 bilhões, o equivalente a US$ 80 bilhões, sendo certamente mais de 80% disso, i.e., US$ 64 bilhões, por parte de transnacionais. 6. Essa quantia é muito superior à da entrada anual de IDEs. Isso significa que, além de o grosso desses ingressos ter servido para as fusões e aquisições, estas atingem tal volume, que outra parte substancial delas é custeada com lucros obtidos no Brasil, reinvestidos naquelas operações. 7. Prossegue, pois, em ritmo acelerado, a apropriação de capacidade produtiva brasileira por transnacionais estrangeiras, o que eleva ainda mais o percentual, já da ordem de 75%, do capital total das grandes e médias empresas em atividade no Brasil sob controle de subsidiárias, registradas no Brasil, de transnacionais com matrizes sediadas no exterior, ou diretamente por empresas estrangeiras. 8. O percentual ascende a, no mínimo, 90% se considerarmos o número dessas empresas, e não, o somatório do capital estrangeiro, porquanto, no cômputo anterior, não se contam as empresas em que a transnacional adquiriu parte substancial do capital, mas não detém a maioria dele, como, por exemplo, a estatal PETROBRÁS, cuja maior parte dos lucros é auferida por acionistas estrangeiros, e a imensa Vale Rio Doce privatizada. 9. Isso nos recorda a mega-fraude das privatizações, o maior assalto havido na História Mundial, praticado, principalmente entre 1996 e 2000, por isso mesmo, o período em que o aumento do grau de desnacionalização da economia brasileira bateu, de longe, todos os recordes. 10. Os dados oficiais dizem que o fluxo de IDEs para as privatizações, entre 1996 e 2000 (US$ 29,6 bilhões), correspondeu a um quarto (1/4) do total líquido deles (US$ 112,6 bilhões). 11. Escabroso e ridículo: não entrou nos cofres públicos nem essa mísera fração das dezenas de trilhões de dólares em que teriam de ser avaliadas as estatais privatizadas - se fosse para atribuir-lhes um preço - porquanto a União e os Estados propiciaram às empresas beneficiárias do esquema vantagens e subsídios em montante muito superior àqueles supostos ingressos, além de aceitar moedas (títulos) podres no "pagamento". 12. Assim foram surrupiados da propriedade brasileira patrimônios no valor de dezenas de trilhões de dólares. Isso considerando o que se podia estimar na época, porque, hoje, na realidade, os dólares estão fadados a não valer coisa alguma. Ademais, não há, nem havia, em 1997, quando da privatização da Vale, como avaliar em moeda alguma, forte ou não, jazidas de metais preciosos e de metais e outros minérios estratégicos exploráveis por centenas de anos. 13. Ao entrar na presidência, em 1991, Collor fez o Congresso aprovar, de imediato, carradas de projetos de lei, todos ao gosto de Washington. Entre esses projetos, o da famigerada "lei de desestatização", com a qual se instituiu a entrega das estatais por meio de doações 'sui generis', ou seja, de tal natureza que nelas o doador se obriga a, além de dar o patrimônio, pagar, e muito, para fazê-lo. FHC executou a "obra", num processo em que, e entre outras fraudes, os avaliadores estavam a serviço dos "adquirentes". 14. Os dólares são emitidos à vontade, e, nos últimos anos, em montantes absurdos, na casa dos trilhões, pelo FEDERAL RESERVE BOARD (FED), o banco central privado e predador a serviço dos grandes bancos norte-americanos, que é para onde vão esses trilhões. 15. Amiúde, os dólares passam pelos paraísos fiscais antes de ingressar no Brasil. Levantamento fidedigno reporta que cerca de 26% (US$ 9 bilhões) dos IDEs, em 2007, foram dessa proveniência. O percentual é, por certo, maior, porquanto praças financeiras, como Londres e Zurique, funcionam também como paraísos fiscais, ademais do Estado de Delaware, nos EUA, onde os capitais estão a salvo de qualquer fiscalização.[2] 16. Os inflacionados dólares e euros servem para comprar bens e empresas por todo o mundo, inclusive por empresas e aplicadores de terceiros países, como a China, Japão etc. 17. Além das grandes transnacionais, entram no jogo os fundos financeiros, formados por vários aplicadores e destinados a investimentos em carteira no Brasil, i.e., à aquisição de ações. 18. Assim, 140 gestoras captaram, em 2009, US$ 4,6 bilhões para investimentos no Brasil, mesmo montante de 2008, conforme pesquisa do Centro de Estudos em Private Equity da Fundação Getúlio Vargas, publicada em 15.04.2010 pelo jornal VALOR. 2. BANCOS 19. Havia no Brasil, até 1990, mais de 300 bancos comerciais e múltiplos, quase todos de capital nacional. O número caiu para menos de 100, havendo agora apenas 10 grandes bancos privados, dos quais sete são estrangeiros: Santander, HSBC, Citibank, UBS Pactual, ABN Amro, Deutsche Bank e Safra. As leis foram mudadas para estes poderem atuar em áreas antes vedadas e ter várias agências em uma mesma cidade. 20. Numerosos grandes bancos privados brasileiros sumiram do mapa: Nacional; Econômico; Real e Bamerindus, entre outros. Vale notar que, em geral, seus donos apoiaram a política antibrasileira de FHC, o que não lhes poupou de serem decapitados de seus reinados financeiros. 21. Eles não se deram conta de que o império não admite reinozinhos nas áreas por ele conquistadas. Foi isso que aconteceu também com os Villares e outros grandes industriais paulistas tragados pelas transnacionais, depois de se terem associado a elas e de terem prestado colaboração a governos que subsidiaram a penetração das multinacionais, inclusive na repressão política. 22. Com efeito, o poder mundial faz questão de quebrar o poder dos que se arvoram em elite local, seja como grandes empresários, seja como políticos ou em ambas capacidades, como Maluf e outros. A oligarquia mundial prefere usar agentes burocratas, do tipo de FHC, que não pretende passar de "intelectual" artificialmente fabricado, ou do de Lula, ex-sindicalista, como Palocci e outros tantos. 23. Pesa também, na desnacionalização dos bancos, a venda a estrangeiros de elevada quantidade de ações do semi-estatal Banco do Brasil e dos mega-bancos privados Itaú e Bradesco. 24. Muito antes da razzia em cima dos bancos comerciais, os bancos estrangeiros já haviam ocupado os bancos de investimento, sob a proteção do decano dos entreguistas, Roberto Campos, czar da economia no governo de 1964-1966. Além disso, empresas estrangeiras de auditoria e consultoria financeira também dominam, há muito tempo, os respectivos mercados. 25. Nos bancos de investimento e financeiras, acumulam-se sobre a ocupação antiga, novos casos, em que são absorvidos associados locais, como agora a Gávea Investimentos, que opera em fundos de hedge, gestão de patrimônio e compra de participações em empresas, além de administrar ativos de R$ 10,2 bilhões. Adquiriu, incusive, há pouco, 14,5% do capital social da Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR). 26. O controlador da Gávea é Armínio Fraga, presidente do BACEN na época de FHC. O JP Morgan está comprando 55% dessa financeira para integrá-la à Highbridge, sua subsidiária. 27. O JP Morgan, um dos bancos gigantes de Wall Street, foi um dos socorridos pelo FED com centenas de bilhões de dólares, em 2007/2008, após se terem revelado sem valor seus derivativos mal embasados em hipotecas e outros títulos de crédito. 3. TRANSPORTE AÉREO 28. O setor aeroviário é um dos mais recentes a ser ocupado pelo capital estrangeiro. Como no caso dos bancos, isso foi facilitado pelos "governos brasileiros", através de modificação de leis e de regulamentos, além de total desinteresse, para não dizer hostilidade, em relação à posição competitiva delas frente a empresas do exterior. 29. O processo de destruição das grandes empresas nacionais do setor iniciou-se com a da PANAIR, por meio de um golpe governamental, aplicado em 1965, sob Castello Branco, um dos presidentes mais pró-EUA de toda a história do País. 30. No decênio iniciado em 2001, deu-se cabo da VARIG, outra grande empresa nacional de transportes aéreos, fundada em 1929. O deputado Paulo Ramos (PDT), que presidiu CPI na AL do Rio de Janeiro, apurou que a venda a venda da VARIG constituiu crime de lesa pátria, montado através de decisões do governo federal, pelo processo de recuperação judicial e pela utilização de "laranjas" na compra. 31. O grupo adquirente, liderado pelo chinês Lap Chan, pagou cerca de US$ 20 milhões e, oito meses depois, vendeu a empresa por US$ 320 milhões". Tão grave, ou ainda mais que isso, foi que os "governos brasileiros" prejudicaram a companhia nacional com a política de tarifas. Depois, abandonaram-na à sua sorte, desprovida de suporte de capital e de financiamento, ao contrário do que fazem outros países em favor das companhias locais. 32. Da liquidação da VARIG resultou o apagão aéreo, com a saída de 60 aeronaves do Brasil e a ocupação das rotas voadas pelas concorrentes estrangeiras. De imediato, o país perdeu linhas internacionais e, com elas, aumentou em mais de US$ 1, 5 bilhão o déficit da balança de serviços, o qual só faz crescer de lá para cá. Além disso, os trabalhadores da VARIG, lesados pelos "adquirentes" ou, antes, liquidantes, e pelo governo, permanecem até hoje sem satisfação a seus direitos. 33. Antes da VARIG, virou pó a VASP, outrora importante companhia aérea do Estado de São Paulo, com grande rede nacional e apreciável atuação também no exterior. Foi, primeiro, privatizada pelo notório devastador do patrimônio público paulista, o então governador Mário Covas, membro da trupe de FHC, Serra e quejandos. Depois, foi gradualmente afundada, como as demais empresas privadas nacionais. Destino semelhante ocorreu com a TRANSBRASIL, também de razoável porte, igualmente atropelada. 34. Assim, tal como fizeram com outros setores vitais para a segurança nacional, como as telecomunicações, os minérios estratégicos etc., os governos aprofundadores da submissão do País entregaram os transportes aéreos de carga e de passageiros ao controle estrangeiro. 35. O vexame chega a ponto de que, embora eu seja cidadão de um país que, no início dos anos 60, contava com grandes companhias com atuação internacional - a VARIG e a PANAIR, além da VASP - quando viajo a Portugal, tenho de ir com a TAP, empresa de um país atrasado economicamente, de população correspondente a 5% da nossa e território com dimensão igual a 1% do espaço brasileiro. 36. Está, ademais, sendo completado o arrasamento do capital nacional nas linhas aéreas, uma vez que: a GOL se tornou subsidiária de uma norte-americana, SOUTHWEST; a WEBJET está vendida para a RYANAIR; a AZUL pertence a David Neeleman, da JET BLUE; e a TAM passou ao controle da LAN CHILE. 37. Outro "investidor" norte-americano, Alliance Bernstein, elevou sua participação na GOL, adquirindo ações preferenciais desta, no montante de mais de 8,7 milhões, iguais a 6,57%. 38. Como observou o atuário Clóvis Marcolin: "Agora vamos modernizar, ampliar, construir com dinheiros públicos estações operacionais para empresas estrangeiras atuarem, lucrarem, por aqui, subsidiadas, um favorecimento que o Governo brasileiro não se dispôs a fazer para a viação aérea, enquanto era nacional." 39. Aduz ele que a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil, órgão de regulação de serviços públicos, servirá a empresas estrangeiras. A propósito, pergunta: "Quanto a ANAC teve de participação nesse processo de entrega da aviação civil brasileira ao controle de estrangeiros?" 40. Acaba, ademais, de acontecer a estranhíssima aquisição da TAM (29 mil funcionários e 141 aviões) pela diminuta LAN, do Chile (11 mil funcionários e 70 aviões). Os limites legais, ainda em vigor no Brasil, para a participação estrangeira no setor, estão sendo contornados com a formação da LATAM AIRLINES, na qual o controle pertence à família Cueto, que designará o executivo-chefe, pois tem 70,6% das ações votantes. Apenas 29,4% dessas ações ficam com o presidente da TAM, Maurício Amaro. 41. Paira, ainda, no horizonte, a provável aprovação pelo Congresso da elevação de 20% para 40% da participação estrangeira no setor. PRÓXIMO ARTIGO 42. Como se vê, qualquer tentativa de descrever a profunda desnacionalização do País envolve copiosos dados e detalhes, que não se devem omitir ao apresentar a questão de maneira concreta. Assim, ainda não é desta vez que se pode concluir a revista setorial da desapropriação dos brasileiros em favor de grandes bancos e empresas transnacionais. · - Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de "Globalização versus Desenvolvimento", editora Escrituras. abenayon at brturbo.com.br -------------------------------------------------------------------------------- [1] Os dados aqui veiculados sobre os investimentos diretos estrangeiros (IDEs) incluem os empréstimos intercompanhias, feitos pela matriz da multinacional para a subsidiária brasileira, e deles são deduzidas as remessas de capital ao exterior (não as de lucros, juros e outros ganhos). [2] - O Investimento Estrangeiro Direto no Brasil e o Risco de Lavagem de Dinheiro, Bruno Ribeiro Castro, Delegado de Polícia Federal, Divisão de Repressão a Crimes Financeiros - 2009-08-27. ============================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101209/449f33da/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 10 18:58:17 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 10 Dec 2010 18:58:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Entrevista_com_Brigadeiro_Rui_Moreira?= =?utf-8?q?_Lima/P=C3=A1gina_64?= Message-ID: <7E32DBF84850494A99AE6BBF579EB57E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Sergio Caldieri Acompanhe-nos: Newsletter Nº 28 Sexta-feira, 10 de dezembro de 2010. www.pagina64.com.br Edição especial Presidente João Goulart "Página 64" AS ÚLTIMAS HORAS DO GOVERNO JANGO NA ÁREA MILITAR Mário Augusto Jakobskind entrevista com o Brigadeiro Rui Moreira Lima. Um militar nacionalista e legalista que comandou a Base Aérea de Santa Cruz em 1964. O herói brasileiro da II Guerra Mundial, Brigadeiro Rui Moreira Lima, um militar nacionalista e legalista, comandava a Base Aérea de Santa Cruz quando do golpe militar que derrubou o Presidente Joao Goulart. Em entrevista exclusiva ao Página 64, Rui Moreira Lima conta como foram as últimas horas do governo Jango na área militar, conta fatos relevantes na área militar e explica o motivo pelo qual decidiu ingressar com uma ação na Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos responsabilizando o Estado brasileiro por uma série de violações dos direitos humanos ocorridas durante o regime exceção que se instalou no país a partir de abril de 1964. (páginas 4 e 5) O Brigadeiro Rui Moreira Lima, hoje com 91 anos, um dos oficiais que combateu as tropas alemãs na Itália, nesta entrevista exclusiva ao Página 64 conta histórias daquela época e como na condição de Comandante da Base Aérea de Santa Cruz vivenciou o golpe que derrubou o Presidente constitucional João Goulart. O militar lembra com detalhes pouco conhecidos as últimas horas do governo Jango e esclarece como se deu a despedida do então Ministro da Aeronáutica, Anísio Botelho, dos seus comandados a 31 de março de 1964 e os momentos posteriores que culminaram com o triunfo do golpe. Para o nacionalista Rui Moreira Lima, os militares hoje estão voltados para o Brasil e ?não estão indo nesse negócio de esquadra e dos americanos?. Rui Moreira Lima aguarda o resultado de uma ação, por ele impetrada na Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, responsabilizando o Estado brasileiro por uma série de violações dos direitos humanos até hoje não apuradas? ? (Mário Augusto Jakobskind) Clique no título abaixo. Últimas Notícias Entrevistas » Jakoskind: AS ÚLTIMAS HORAS DO GOVERNO JANGO Olho: A força deve ser usada sempre em defesa do direito. Um povo desarmado merece o respeito das forcas armadas.... Leia mais ? Vídeos João Goulart Filho - Algumas verdades - Jango - Partes 1, 2, 3 e 4. assista ? Contato com a redação: Fone (61) 3323-4547 redacao at pagina64.com.br redacao64 at hotmail.com SRTVS - Quadra 701 / BL O / Sala 819 Centro Multiempresarial - Brasília/DF CEP 70340-454 www.pagina64.com.br Para realização desta newsletter Página 64 conta com o apoio de: Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Temos cópia do documentário sobre os Camponeses do Araguaia a venda na sede do Partido. http://www.grabois.org.br/portal/ ========================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Haak, que faz plantão na GLOBO no estilo sério ? não sabe o que é isso ? fez uma análise pré-eleitoral onde afirmava que Serra iria vencer. O comunicado aos patrões, os donos, foi feito via embaixada dos EUA no Brasil. Deu tudo errado. Um dos grandes problemas da mídia norte-americana é evitar que venham a público as brigas do casal Obama. Michele não agüenta mais, dizem uns poucos jornais e assim mesmo de periferia, as escapadas do marido com atrizes. Tentativa de imitar John Kennedy, pena que falte Marilyn Monroe. Seguram as pontas também no que diz respeito aos documentos secretos revelados pelo site WIKILEAKS. No Brasil então nem é preciso recomendar à mídia privada que faça isso. É só estalar o chicote que William Haak sai pressuroso a fazer essas análises perfeitas onde tudo acontece ao contrário. A mesada deve diminuir, só essa conseqüência. Haak cumpre um papel importante em mentir diariamente através dos telejornais da GLOBO e iludir uma parcela ponderável da opinião pública com aquele jeito de jornalista. Não é. Mande ele recitar o código de ética da profissão. É agente estrangeiro numa empresa que funciona como laranja do governo dos EUA. E assim vai a FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, ESTADO DE SÃO PAULO, ESTADO DE MINAS (o controle acionário não sei de quem é, mas da vergonha dos caras é de Aécio e sua turma, cortam até vírgula). As últimas revelações do site WIKILEAKS falam em pedido de um general Padilha, colombiano, traficante, no governo do narcotráfico, o de Álvaro Uribe, para que o presidente da Venezuela seja espionado, o do Equador idem e as informações coletadas repartidas com a Colômbia. Em troca o general dava a mãe, a mulher, os filhos, as forças armadas colombianas e a própria Colômbia. Os EUA, lógico, não aceitam de primeira para regatear, tomam conta na segunda. São os tentáculos da elite como disse Julian Assange. Silêncio total da mídia privada/vagabunda que vive pedindo e clamando por liberdade de expressão. Quem é que vai dizer que os norte-americanos, está nos documentos, consideram que militares latino-americanos são susceptíveis de serem cooptados (comprados com brinquedinhos que soltam fogo) e golpistas. Todo mundo sabe disso. A imensa e esmagadora maioria das forças armadas de países latino-americanos bate continência para Washington e se a turma exigir cai de quatro. E cooptados é um termo leve, imagine quanto o tal brigadeiro comandante da Força Aérea ?Brasileira? não ganhou de mimos para defender a compra de aviões fabricados pela BOEING. Que nem o general Heleno, comandante da VALE, quando permitiu ataques a reservas indígenas. A mídia privada no Brasil é podre, fétida e sabe disso, não liga à mínima. Importante é prestar serviços aos donos, mentir, defender de mentirinha a liberdade de expressão, a canalhice diária de jornais, rádios e tevês, semanal ou mensal de revistas. E colocar Julian Assange contra a parede agora da tal ?segurança internacional.? A não ser que façam a coisa manu militari, ou seja, percam a vergonha total, neste momento, americanos e os povos da Europa colonizada já pensam duas vezes que entraram numa fria na armação contra o fundador do site. O curso do processo vai custar caro e muitos outros documentos. Vai ser longo. Rápido, só se passarem por cima das leis da antiga Grã Bretanha, hoje base militar norte-americana. Os caras ainda gostam de fingir que aquilo lá é uma nação. Pelo menos para constar ao resto do mundo que o império onde o sol não se punha virou adereço da antiga colônia da América do Norte. Grã Bretanha hoje só em filme antigo e aqueles negócios de rainha Vitória e piratas. Imagino general colombiano negociando com embaixador dos EUA a troca de informações sobre Hugo Chávez e a cessão de uma base militar ao irmão do norte, rico e poderoso em brinquedinhos que cospem fogo. General colombiano é que nem viciado longe da droga quanto encontra uma graminha ali. Cai e pasta. Quando vê F-18 voando então, aí tem orgasmo e começa a gritar que é patriota. Lá pelas tantas não percebe que é borboleta com várias cores e matizes, tudo terminando em malas de dólares. Os bancos? Suíços ainda são os mais seguros. O país onde Hitler guardava o seu dinheirinho não perdeu o velho cinismo. Lula deu uma traulitada nessa dita mídia independente. Os caras nem reagiram, iriam ter que discutir o assunto e isso não interessa a eles. O que interessa é o show e está chegando a edição de 2011 do Big Brother Brasil. Felicidade geral e alienação idem. O prostíbulo em sua casa. Tem diferença de general colombiano e de embaixador dos EUA? Ou de William Haak fazendo análise para o Departamento de Estado? Queria ver como o cara, ou O Wiliam Bonner, nos documentos que constam torturas, estupros, seqüestros, assassinatos, etc, todo o repertório, como os caras iriam falar. ?Fadas da liberdade?, ou terroristas? Eles escondem, sentam em cima e ganham uma nota para fazer o leitor, telespectador, ouvinte, que distinto seja, de bobo. É a ?liberdade de expressão deles?. A expressão dos que pagam, logo, compram. Vai um Moreira Franco aí? Tá baratinho, saiu do túmulo, está meio decomposto, muito formol, coisa de dez por cento, se quiser levar inteiro, tá soltando pedaço, faço por oito por cento. ============================================================================================ O LITLLE CLUB E BENTO XVI ? MUÇULMANOS NEVER ? ARIANOS FOREVER Laerte Braga Bento XVI é daqueles que prega a paz em público e nos bastidores fulmina os ?inimigos?. O WIKILEAKS mostra que o papa não queria a Turquia na Comunidade Européia. Um país de população esmagadoramente muçulmana não interessa a ?sua santidade? (epa!) e fere as ?raízes cristãs da Europa?. O perigo é uma nova cruzada, aí dana tudo. O papa é acusado diretamente de não permitir a punição de sacerdotes e freiras irlandeses envolvidos em crime de pedofilia. A ?santa sé? pressionou até obter imunidades para os envolvidos nos escândalos, de proporções imensas para a Irlanda e todo o mundo. Ou seja, garantir que não seriam punidos. Todo esse arsenal de ?papices? está revelado em documentos do site WIKILEAKS. Troca de telegramas entre diplomatas do Vaticano, norte-americanos, autoridades européias (a maior colônia dos EUA fora das Américas. Quase toda a Europa Ocidental). A mídia brasileira, a grande, a privada, não mostra os protestos em Londres contra a prisão de Julian Assange, fundador do WIKILEAKS e nem mostra as reações no resto do mundo contra o atentado à liberdade de expressão. É cúmplice da política de mordaça. Verdade só aquela dita por William Bonner ou William Haak. São os agentes norte-americanos autorizados a falar por Washington. Os documentos envolvendo o Vaticano possivelmente levarão o papa a excomungar Julian Assange. Tenho a impressão, num sei porque, que o quarto do ?sumo pontífice? é decorado com suásticas, recordações do período da Inquisição, um quadro de Hitler falando ao povo alemão, isso ao lado do crucifixo que é para não pegar mal. Pode juntar com Edir Macedo, farinha do mesmo saco. Numa sociedade democrática, falo de democracia e não de farsa, Bento XVI poderia sofrer uma condenação leve, mas capaz de pelo menos tentar fazer com que possa se recuperar e voltar à convivência dos seres normais. Isso pelos crimes de cumplicidade e omissão diante da pedofilia. Um ano ouvindo Jimi Hendrix, Dizzie Gillesppie e Ray Charles. Iria ter a oportunidade de entender a Deus de um jeito bem mais humano, mais íntegro. Se não conseguisse, caso perdido, não tem jeito e particularmente acho que não tem. Como diz um amigo meu tem ?lugar reservado ao lado esquerdo de Lúcifer?. O preconceito do ?sacerdote de Roma? contra o povo muçulmano está explícito na posição do papa contrária à Turquia. Basta um preconceito para que todos os outros sejam percebidos como implícitos no caráter a na natureza de Bento XVI. Contra os excluídos, por exemplo. Cristãos puros e aptos ao paraíso passam pelos palácios de Berlusconi, é sua visão mais imediata, aquela ao alcance de sua janela. Onde já viu aceitar um país de maioria muçulmana na Comunidade Européia (colônia européia)? Esse pessoal não tem noção do que seja ?harpic?, que limpa os vasos matando os germes mais insistentes. E muito menos usa ?Omo? para lavar mais branco, agora então com o perfume da natureza aprisionado em frascos para levar felicidade à família é que Bento XVI vai ficar impossível. No antigo Little Club, na Duvivier, em Copacabana, onde Rogéria praticamente começou sua carreira ? e cantando ? a tarefa das meninas era levar os clientes a consumir, de preferência uísque ? até um determinado momento, década de 60, foi honesto ?. Uma delas, 1968, se opunha tenazmente ? vale o termo ? à guerra do Vietnã. Como os caras que lá estavam não estavam nem aí para a guerra do Vietnã, pelo menos naquele momento, acabou demitida. Não cumpria a cota mínima estabelecida pela casa. Ao invés de pedir uísque ou induzir os clientes a tal, recomendava que não se pedisse coca cola por conta dos vínculos terroristas da empresa. Defendia o antigo e extinto guaraná Brahma e se recusava a fumar Kingston, o primeiro cigarro brasileiro com filtro (o filtro segundo ela era tecnologia norte-americana, tudo bem que o cigarro fosse da British Tobbaco, mas aí era outra coisa, exigir demais, quase que santidade, isso hoje tem outros sinônimos assim como hipocrisia, perversão). Bento XVI não tem a menor noção da importância do Little Club (e outros por ali), na vida de uma ou duas gerações na cidade do Rio de Janeiro. Nem pode, só conhece aquele negócio de parada militar, tudo certinho, passo sincronizado e de ganso. Quando passam pelo palanque todos erguem as mãos (direita evidente) e saúdam ?Heil Hitler?. E alguns, ainda hoje, para disfarçar, continuam saudando, só que com anauê. Ganham direito a uma prece de Marcelo Rossi em culto ecumênico com Macedo, Malafaia, etc, etc, chegada em ?cadillac? da década de 50, tudo original, placa preta e blindado, óbvio. O bispo de Guarujá abençoa e a OPUS DEI proclama a ordem soberana. Muçulmanos não. Brancos arianos sim. Vai daí que se Julian Assange escapar da ?justiça? da base militar Grã Bretanha, corre o risco de ter que enfrentar Bento XVI e sua fúria ?cristã?. No fim vai tudo terminar em ?exorcismo?. Haja demônio a ser expulso. Bendito seja o WIKILEAKS (bem que poderia, sugestão apropriada de Sílvio Tendler, pegar os documentos da ditadura, a turma da tortura, os mortos do Araguaia e esse mundão da Operação Condor afora). O troféu, no entanto, vai para o senador Eduardo Azeredo, parceiro de Aécio Neves na ?reconstrução? do PSDB. Segundo o dito cujo Azeredo, Assange é um ?hacker?. E dizem que o cara tem diploma de qualquer coisa de informática. É o pastel pronto e acabado da política brasileira. Vai virar deputado, não tinha votos para se reeleger senador, vai continuar a luta para censurar a rede mundial de computadores. Deve ter pego uma grana do Departamento de Estado e ganho uma bênção única de Bento XVI. Em si e por si não anda e fala ao mesmo tempo, tropeça, cai, enrola a língua e fica. E se dizia que o Little Club era lugar de pecado. ========================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101212/c4c33969/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6356 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101212/c4c33969/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101212/c4c33969/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 12 12:45:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 12 Dec 2010 12:45:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?Todos_os_livros_da_Biblioteca_Particula?= =?utf-8?q?r_de_Fernando_Pessoa_est=C3=A3o_dispon=C3=ADveis_gratuit?= =?utf-8?q?amente_online?= Message-ID: <05C8815DEE834632B932C44B56C6E37E@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem From: Maria Luiza Tonelli ----- Mensagem encaminhada ---- De: Marta Guerra Os livros da Biblioteca Particular de Fernando Pessoa estão disponíveis gratuitamente online desde ontem à tarde no site da Casa Fernando Pessoa. Até agora, só uma visita à Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, permitia consultar este acervo que é "riquíssimo", mas com o site, bilingue (português e inglês, e disponível em ( http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt ) em qualquer lugar do mundo, com uma ligação à Internet é possível consultar, página a página, os cerca de 1140 volumes da biblioteca, mais as anotações - incluindo poemas - que Fernando Pessoa foi fazendo nas páginas dos livros. clique http://casafernandopessoa.cm-lisboa.pt Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: a.. Novos usuários 4 Visite seu Grupo Yahoo Encontros! Converse com milhares de pretendentes! -------------------------------------------------------------------------------- Procurando Um Novo EMPREGO Em 2010? Faça Já Uma Busca de Vagas Aqui! -------------------------------------------------------------------------------- Hotels.com - Reveillon em Buenos Aires a partir de R$ 99 Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,__ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101212/8ce8f3a8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101212/8ce8f3a8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 13 20:05:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Dec 2010 20:05:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__7_mitos_sobre_o_diabetes=2E_Saiba_mai?= =?utf-8?q?s=2E____________________________________________________?= =?utf-8?q?___________________HOJE_=C3=89_2=C2=BA_FEIRA!___MEDICINA?= =?utf-8?b?LCBTQcOaREUgRSBBTElNRU5UQcOHw4NPIQ==?= Message-ID: <12D9D9F06E0E493CBF11790C4D004189@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ================ Utilize este link, caso não consiga visualizar a newsletter. Não deixe de receber nossa revista eletrônica, adicione o email minhavida at minhavida.com.br à sua lista de contatos. Especial para você Combata o envelhecimento precoce agora! Confira nossas dicas e saiba como mudanças simples no seu dia a dia podem barrar o envelhecimento precoce da pele. Leia mais Perigos do tabagismo para a pele Por que o ele é um dos principais causadores do envelhecimento precoce? Leia mais Alimentação combate envelhecimento precoce Como a alimentação pode combatê-lo. Leia mais Bronzeamento artificial Verdades e mentiras sobre as câmaras de bronzeamento. Confira! Leia mais Cuidado com bronzeadores caseiros! Conheça os perigos dos bronzeadores caseiros para sua saúde. Leia mais Tenho diabetes, e agora? Confira dicas de alimentação para controlar o diabetes. Leia mais 7 mitos e 5 verdades sobre o diabetes Especialistas esclarecem todas as suas dúvidas sobre a doença. Leia mais Navegue no Minha Vida: Alimentação | Fitness | Beleza | Saúde | Família | Bem-estar | Dieta O site mais acessado no Brasil na categoria Saúde, Fitness e Nutrição ?As informações e sugestões contidas nesse site têm caráter meramente informativo, e não substituem o aconselhamento e o acompanhamento de médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais de educação física.? ======================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101213/1e77d731/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 13 20:05:43 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 13 Dec 2010 20:05:43 -0200 Subject: [Carta O BERRO] O JUDEU E OS JUDEUS Message-ID: <58E7DE119A6C445EA03D397342501ABF@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger O JUDEU E OS JUDEUS Raul Longo Oceanógrafo, socialista e judeu, meu hóspede comenta como foi difícil sua formação ao longo da vida, pelo estigma da religião que confundem com etnia: - Judeu não é etnia. O antissemitismo aplicado aos judeus é uma estupidez enorme. Não existe o judeu-alemão, o judeu-polonês o judeu-russo. O que existe é o alemão de ascendência semita que professa o judaísmo, o italiano de ascendência semita que professa o judaísmo, o brasileiro de ascendência semita que professa o judaísmo. Assim como existem semitas cristãos e semitas mulçumanos. Pergunto se sofre muita discriminação. Confirma, mas revela: - Muito mais entre os judeus do que entre cristãos. No Brasil, cristãos e não judeus em geral não sabem reconhecer nomes de judeus. Mas judeus sem dúvida, claro que te reconhecem no primeiro declinar do nome de família. E com muito maior acuidade distinguem logo se você é um judeu rico ou pobre. Todo judeu pobre é discriminado. Questiono sua situação social: professor universitário não é exatamente um pobre: - A distinção é diferente. Não se julga a condição de vida, mas os meios pelos quais foi alcançada e é mantida. Eu poderia ter uma condição financeira ainda inferior e seria auxiliado se minhas convicções de obtenção de fortuna corresponde-se às dos judeus de famílias que se tornaram ricos ao longo da história. Não foi o caso de meus ancestrais e para que futuramente o nome de minha família venha a ser integrado sem discriminação entre os judeus, seria preciso que me tornasse rico através dos meios que consideram como indicadores de proficiência. Se ganhasse na loteria e por isso me tornasse milionário, talvez deixasse de ser tão discriminado, mas eu e meus filhos sempre seríamos olhados com desconfianças pelos demais judeus. Cogito pela possibilidade de se dar por não professar a religião: - Isso pode agravar ainda mais, mas não é o determinante. Rabinos pobres são igualmente discriminados. Reporto ao que disse antes e retomo a questão religião x etnia, considerando que, como ateu, deixou de ser judeu: - Não é tão simples. Assim como veladamente se imputa à Marx o ?crime? de ser judeu para justificar a razão de seu ateísmo e estruturação sócio/política do comunismo, os judeus também imputam à Marx o ?crime? de ser pobre para justificar seus ideais. E Marx é tão execrado entre judeus capitalistas quanto entre capitalistas não judeus. Menciono que no cristianismo e outras religiões coincidem princípios de igualdade e união entre os humanos, similares aos pretendidos por Karl Marx: - O judaísmo é tão hipócrita quanto qualquer outra religião. Como em todas, também no judaísmo há os que de fato se pautam pelos princípios básicos originais de Buda, Cristo ou Maomé. Mas as elites do sacerdócio os utilizam para conduzir, condicionar e induzir à maioria dos crentes a acreditar no que praticam ao inverso. Quero concluir que ao menos não seja tão discriminado entre cristãos: - Não é verdade. Apenas enquanto não distinguem minha ascendência e a confundem com a dos árabes. Somos todos semitas e as semelhanças físicas só se diluem quando os ancestrais de nossas famílias se miscigenaram com etnias dos povos europeus. Concluo que afirme maior identificação semita entre os povos árabes e que no Brasil o preconceito contra o islamismo seja menor do que contra o judaísmo: - Evidente. E não apenas no Brasil. Apesar de disseminado pela Igreja Católica a partir da expulsão dos mouros da Península Ibérica, três fatores inviabiliram os mitos criados contra os muçulmanos. Primeiro porque poucos árabes se mantiveram na Europa e seus descendentes já eram fruto de 8 séculos de miscigenação, o que não ocorreu entre hebreus por determinações do próprio judaísmo para manutenção de uma identidade que hoje se busca através no sionismo, estreitamente identificado ao nazismo exatamente na concepção da pureza e superioridade racial. Esse fator que contribuiu para a evolução dos tantos mitos criados pela Igreja Católica contra os judeus, hoje é utilizado contra os árabes pela mídia internacional, manipulada pelos judeus. Mas é difícil personificar uma identidade árabe, pois mesmo religiosamente, ainda que todos maometanos, são bem mais diversificados. O segundo fato é que por mais que a Igreja tenha insistido no ódio dos mulçumanos aos infiéis, a verdade é que judeus e cristãos nunca foram tão respeitados em suas tradições religiosas como durante os séculos da ocupação moura que protegeram a ambos contra a violência e ganância de nobres e clérigos cristãos, permitindo completa liberdade religiosa. Por último, por toda a Península Ibérica ainda sobrevivem documentos arquitetônicos e literários documentando as contribuições cientificas, técnicas, artísticas e culturais numa Europa obscurantista e inculta onde qualquer evolução ou descoberta era compreendida como diabólica e condenada à morte. Concordo, lamentando a crença de que procedemos exclusivamente da cultura greco-romana e considerando que a maior parte dos saberes da civilização ocidental provêm da cultura árabe. Aproveito para perguntar sobre a contribuição dos semitas judeus à formação da cultura europeia: - Além das finanças e ciências econômicas, estivemos presente em todas as demais das mais profundas evoluções alcançadas sobretudo nos séculos XIX e XX. Mas essas contribuições já vêm muito antes, viabilizando aos ocidentais conhecimentos desenvolvidos em conjunto, por semitas árabes e judeus. As cortes cristãs não tinham pessoal qualificado para isso. E se meses depois da expulsão dos últimos árabes, Colombo pôde chegar à América através da navegação desenvolvida através dos conhecimentos dos beduínos dos desertos e dos fenícios, todos árabes, foi porque os judeus ajudaram a organizar e levar a cabo empreendimento então tão temerário e detalhista quanto, hoje, uma excursão intergaláctica. Quero saber se lhe parece impossível derrubar o mito de que árabes e judeus estejam envolvidos numa milenar e eterna guerra fratricida: - Depois do fracasso de Napoleão e da falência do Império Britânico ficou claro que é preciso uma justificativa para os interesses de domínio mundial através do poder das armas. Os nazistas aventaram o mito da superioridade racial exatamente entre um povo de múltiplas origens. Alemães não são apenas germânicos, mas também bávaros, suevos, hunos, etc. Para alimentar esse mito de identidade racial, precisaram criar um contraponto. Não se cria o mito da superioridade masculina, se não houver um contraponto de inferioridade, por mais falso que seja. Todo mito precisa de seu inverso, por mais insólitos. O antagônico é tão essencial à mentira quanto sua repetição por mil vezes. Entendo que o antagonismo ao povo palestino trata-se de um planejamento com fins específicos e perdurará até a ocupação total da Palestina, e explica: - Nos anos 50/60 muitos judeus, mesmo antissionistas, se indignaram contra os árabes, pois nos era claro ser plenamente possível convivermos na Palestina sem prejuízo para nenhum dos lados e até com muitas contribuições àquele povo já tão massacrado pelo Império Britânico e também por alguns dos vizinhos árabes. Além de que, mesmo em maioria islâmicos, há palestinos judeus e muitos são semitas de origem judaica que no decorrer dos séculos assimilaram outras influências religiosas, mas preservaram diversos costumes que nos judeus se diluíram pelas influências adquiridas por onde se dispersaram. Hoje, na distância do tempo, podemos perceber as razões da reação árabe contra a criação do Estado de Israel. Não há como mentir que o modelo sionista é o nazismo. Adotou-se o mito de superioridade racial para unificação dos tantos povos que formaram a Alemanha, para dessa vez unificar a dispersão da cultura judaica. E, repetindo-se o método do modelo, o povo palestino tonou-se o mito antagônico. É só nos perguntarmos se o objetivo único e final de Hitler era apenas o de que o povo alemão se acreditasse superior a todos os demais? Apenas exterminar os judeus e depois disso não promoveria novos genocídios? Se limitaria às fronteiras da Alemanha, anexando apenas a Eslováquia? Ou apenas a Polônia? Talvez somente a França? Muitos militares de alta patente do exército de Israel, que naquelas décadas de formação do Estado lutaram contra árabes entendendo-os incapazes de ceder um espaço de que não tiravam proveito, adquirido por um parente escorraçado e profundamente maltratado em outras terras. Hoje, esses mesmos militares compreendem e dão razão aqueles árabes, pois é inegável que os sionistas não pretendem apenas estabelecer europeus que ainda professavam a religião judaica. É muito claro que se tratou de um planejamento geoestratégico de ingleses e norte-americanos, para atender seus interesses na região de maior produção petrolífera do mundo. E para isso reproduziram o modelo nazista no Oriente Médio a troco do financiamento da recuperação da então combalida economia mundial. A II Guerra foi provocada exatamente pela fragilidade da economia mundial que ensejou aos nazistas a possibilidade de ressurgirem da derrota na guerra anterior como donos do mundo. Após a quebra financeira que tão profundamente afetou a economia norte-americana na década de 30 e dos enormes gastos com a maior guerra da história, como em tão curto espaço de tempo os Estados Unidos se torna a maior economia do planeta? Todos os países envolvidos, dos dois lados, enriqueceram. Com que milagre se deu a espetacular recuperação do devastado Japão e da própria Alemanha? Despojos de guerra não justificariam tão pronto crescimento dessas economias. Uma guerra daquela magnitude dependia de um efetivo financiamento tanto no seu transcorrer quanto após o conflito com o qual alguns grupos arrecadaram enormes quantias. Nenhum integrante desses grupos se transferiram para Israel, mas foram os que negociaram o território. Se apenas para alojar os sobreviventes de guerra e seus parentes e quem se interessasse em emigrar da Europa, se gastaria muito menos em ações que conscientizasse o povo palestino das vantagens da nova vizinhança. Assim como hoje a maioria do povo basco se indispõem com os separatistas do ETA, os próprios palestinos poderiam conter seus radicais e fundamentalistas religiosos. Mas o que se fez foi o inverso. O Estado de Israel perseguiu e persegue todo judeu que proponha o convívio pacífico. De ambos os lados já se matou muitos líderes pacifistas como Rabin. O assassinato de Itazak Rabin é a demonstração clara de que a paz é possível, mas a paz jamais seria possível no mundo sem a erradicação do nazismo. A morte de Rabin é a evidência de que quando erradicarem o sionismo, judeus e palestinos poderão conviver pacificamente, pois não haverá o antagônico para justificar fundamentalismos de ambos os lados. No entanto, para isso é preciso eliminar primeiro os mantenedores do sionismo e esses não são judeus ou de religião alguma, não estão preocupados com qualquer povo ou cultura. Como Hitler, esses somente se interessam em ampliar domínios além de quaisquer fronteiras e para isso apenas despendem esforços em criar mitos e antagonismos. E o povo de Israel é tão usado quanto o povo palestino, pois o dia em que árabes impedirem que continuem manipulando-os e se unirem... Ou a Turquia, onde crescem os fundamentalistas islâmicos, pender para o lado contrário ao dos manipuladores da Europa, os judeus sofrerão um segundo holocausto com a diferença de que dessa vez será justificado pelos sionistas. Tampouco os palestinos serão beneficiados por isso, mas aos judeus se lamentará tanto quanto hoje se lamenta os carrascos nazistas. Não foram exatamente estas as palavras do hóspede, mas foi tudo o que conclui de nossa conversa momentos antes de receber o link abaixo pelo meu correio eletrônico. Vejam só que coincidência: A notícia que o resto do mundo não viu (?) http://www.youtube.com/watch?v=Jv8TW2Pts_w -------------------------------------------------------------------------- Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101213/f2f5f5f0/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 14 19:22:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Dec 2010 19:22:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Totalmente_sensacional_entrevista_com_?= =?utf-8?q?Assange_=28WikiLeaks=29=2C=28H=C3=A1_comando_para_legend?= =?utf-8?q?as_em_portugu=C3=AAs=29_e_/__Iza=C3=ADas_Almada=3A_A_dem?= =?utf-8?q?ocracia_fugiu_do_controle=3F?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Totalmente sensacional entrevista com Assange (WikiLeaks),(Há comando para legendas em português) , clique http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/entrevista-com-julian-assange.html ================================================================== Izaías Almada: A democracia fugiu do controle? Ainda é cedo para maiores projeções nessa ou naquela direção sobre os te-legramas wikis ou sobre o papel repre-sentado por Julian Assange. Uma coi-sa é certa. A pergunta que se configu-ra aos poucos e que o confronto entre a força avassaladora da nova informa-ção eletrônica e a da velha mídia mundial a serviço do poder hege-mônico do capitalismo nos coloca é a seguinte: a democracia representa-tiva burguesa está fugindo ao controle de quem a tutela? Izaías Almada Um curioso artigo do jornalista espanhol Pascual Serrano publicado em El Periódico de Catalunya e reproduzido no sítio www.rebelion.org levanta uma questão interessante provocada pelos milhares de telegramas vazados pelo sítio WikiLeaks na internet, mas que ? de algum modo até intrigante ? ultrapassa a polêmica criada na imprensa mundial diante do volume e do conteúdo ali exibidos. Diz Serrano na introdução de seu texto que o fenômeno WikiLeaks tem monopolizado numerosas análises e reflexões sobre o futuro da informação, da internet e da própria difusão de notícias. É natural. Como o direito à informação e à liberdade de imprensa se constitui em pilares, dentre outros, da democracia tal qual a conhecemos e é praticada em boa parte do mundo ocidental, chama a atenção o fato de que parece se configurar com maior nitidez uma verdade que a hipocrisia de muitos ?democratas? procura esconder e maquiar há algum tempo: afinal existem informações e... informações. Como também existem concepções diferentes sobre a liberdade de imprensa. Quando um país, como os Estados Unidos da América, apoia um golpe de Estado contra um governo democraticamente eleito, o último exemplo é a deposição do presidente Manuel Zelaya em Honduras (mas a lista é imensa só nos últimos 50 anos), é justo encobrir ou negar essa informação? Em nome de que? De quem? E a liberdade de imprensa onde é que fica? Os chamados segredos de estado só pesam em um dos pratos da balança? Não é por acaso que o pensador e linguista Noam Chomsky declara, a propósito dos recentes vazamentos no WikiLeaks, que os governantes norte-americanos tem profundo desprezo pela democracia, essa mesma da qual se orgulham e querem impor ao mundo através da força. Muito a propósito, vejamos as recentes declarações do atual embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, em artigo escrito para o jornal Folha de S.Paulo no dia 2 de dezembro passado: ?O presidente Obama e a secretária de Estado Hillary Clinton decidiram dar prioridade à revigoração das relações dos EUA no mundo. Ambos têm trabalhado com afinco para fortalecer as parcerias existentes e construir novas parcerias no enfrentamento de desafios comuns, das mudanças climáticas e da eliminação da ameaça das armas nucleares até a luta contra doenças e contra a pobreza.? Obedecendo à orientação de Washington para minimizar os telegramas wikis, o blablablá retórico de Thomas Shannon é vazio de significado prático e recheado de conteúdo cínico. No contexto da América Latina, quais seriam esses desafios, senhor embaixador? O combate ao narcotráfico, por exemplo? Mas qual é o maior país consumidor de drogas pesadas no mundo e, portanto, grande sustentáculo do narcotráfico internacional, segundo relatórios da ONU? Os Estados Unidos da América. Qual o volume de dinheiro do narcotráfico branqueado em bancos norte-americanos (e europeus)? Em termos mundiais, já ultrapassa a casa dos US$400 bilhões por ano. Quanto às mudanças climáticas, é sabido que até a presente data o país do senhor Shannon ainda não assinou o Protocolo de Kyoto, criado em 1997 com o objetivo de reduzir a produção de gases poluentes, sendo os EUA o país que mais polui o meio ambiente mundial. Dispenso-me de comentar sobre o cinismo da ?eliminação da ameaça de armas nucleares?. Repito aqui apenas a velha e surrada pergunta: por que os EUA não dão o exemplo e começam a destruir seu próprio arsenal nuclear? Sobre a luta contra a doença e a pobreza, o senhor Shannon deveria olhar para dentro de seu próprio país e ver os estragos causados no sistema de saúde privatizado, tão bem avaliado pelo cineasta Michael Moore; ou avaliar o atual nível de desemprego e pensar nos imensos guetos de miséria espalhados pelo país, sobretudo entre afrodescendentes e hispânicos. O ainda referido artigo publicado na Folha de S.Paulo é uma catilinária de parvoíces, eivada de frases vazias, mas sempre com aquela pontinha de arrogância com a qual ?nossos irmãos do Norte? se acostumaram a tratar o mundo. Prestem atenção nessa simples e emblemática frase do embaixador norte-americano no Brasil sobre os telegramas do WikiLeaks, eivada de arrogância e ?espírito democrático?: ?Uma ação cuja intenção é provocar os poderosos pode, em vez disso, pôr em risco aqueles que não têm poder.? Ou seja: nós, os poderosos (leia-se EUA), se provocados, podemos pôr em risco os que não tem poder (o resto do mundo). Mas é exatamente isso o que seu país já faz, senhor embaixador, com ou sem o WikiLeaks. Como é que ficam os assassinatos de civis no Afeganistão e no Iraque? Quantos idosos, mulheres e crianças já morreram para receber (custa-me mais uma vez engolir o cinismo) a velha e empoeirada democracia de Abraham Lincoln? O que significa enviar 10 mil soldados armados até os dentes para uma ajuda humanitária ao Haiti? Volto agora ao jornalista Pascual Serrano. Sobre o debate entre defensores e críticos para saber se o sítio de Julian Assange comete uma irresponsabilidade com a e circulação de informação secreta, o jornalista espanhol considera que há uma simplificação do tema e que o modus operandi do próprio WikiLeaks vem demonstrando que o assunto é mais complexo. Serrano, sem mostrar duvidas quanto à veracidade dos tais telegramas, levanta a enigmática hipótese de se saber a razão pela qual, de início, o WikiLeaks ofereceu de forma privilegiada e com exclusividade 250 mil documentos a cinco grandes meios de comunicação mundial: The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País. Tais órgãos de informação divulgaram em seguida que tinham ?autonomia para decidir sobre a seleção, valoração e publicação das informações que afetassem a seus países [EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Espanha]?. Portanto, e ainda segundo Serrano, a conivência entre o WikiLeaks e o cartel criado entre esses cinco órgãos de comunicação, é absoluta. E conclui: ?Não sei se a origem do sítio WikiLeaks era limpa e honesta. O que parece claro, contudo, é que está se convertendo num objeto domesticado, a ponto de o primeiro-ministro de Israel Benjamim Netanyahu afirmar que os documentos dão razão a seu governo ao valorizar a ameaça iraniana.? Os vazamentos WikiLeaks significariam o simples desnudamento da diplomacia de intimidação e espionagem colocadas em prática por Washington, tornando explícito para o mundo aquilo que muitos já sabiam ou desconfiavam? Criam constrangimentos para o complexo industrial/militar e as grandes corporações capitalistas ou, ao contrário, significam uma nova e sofisticadíssima forma de contra-informação digna de um filme de Hollywood? O atual líder republicano no senado norte-americano, Mitch McConnell, declarou em entrevista para a rede de televisão NBC que Assange é ?um terrorista de alta tecnologia?. O dano causado aos EUA é enorme e, segundo o senador, Assange deve ser julgado com todo o peso da lei. Se por acaso isso causar problemas legais, ?muda-se a lei?, completou McConnell. Parece que desde a eleição de Bush filho, quando se fraudou a lei no estado da Flórida para sua eleição, ou mesmo bem antes, quando John Kennedy foi assassinado, a democracia norte-americana vem mudando algumas de suas leis a fim de se manter como sendo a democracia exemplar para o resto do mundo. Ainda é cedo para maiores projeções nessa ou naquela direção sobre os telegramas wikis ou sobre o papel representado por Julian Assange. Uma coisa é certa. A pergunta que se configura aos poucos e que o confronto entre a força avassaladora da nova informação eletrônica e a da velha mídia mundial a serviço do poder hegemônico do capitalismo nos coloca é a seguinte: a democracia representativa burguesa está fugindo ao controle de quem a tutela? ================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101214/8589d158/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101214/8589d158/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 14 19:22:15 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 14 Dec 2010 19:22:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?Trechos_do_document=C3=A1rio_=22O_Velho?= =?utf-8?q?=22_=28A_Hist=C3=B3ria_de_Luis_Carlos_Prstes=29?= Message-ID: <727651F42CAF4CC1BAC378A7484860CE@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alfredo Lopes ? Luis Carlos Prestes Trechos selecionados do documentário ?O Velho? (A História de Luis Carlos Prestes) Vídeo 1: http://www.youtube.com/watch?v=b0f1_CY1NYg Vídeo 2: http://www.youtube.com/watch?v=FOstj1HMu9o Vídeo 3: http://www.youtube.com/watch?v=GER0AqIWfjo =================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101214/2a174a24/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 15 18:46:44 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Dec 2010 18:46:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Stalin=2C_Hist=F3ria_e_cr=EDtica?= =?iso-8859-1?q?_de_uma_lenda_negra_-_Um_livro_de_Domenico_Losurdo_?= =?iso-8859-1?q?*?= Message-ID: <667A5390A539454897A1E740C0EA6F71@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Comprem e leiam o livro que desconstroi a farsa da demonização de Stalin. E, leiam o comentário de Miguel Urbano Rodrigues. Abraço. Vanderley Caixe Miguel Urbano Rodrigues comenta Stalin de Domenico Losurdo Consagrado jornalista e cientista político português, que esteve exilado no Brasil durante a ditadura de Salazar, Miguel Urbano Rodrigues dedica um criterioso comentário a Stalin - História crítica de uma lenda negra, de Domenico Losurdo, que a Revan acaba de lançar no Brasil. "Domenico Losurdo aborda no seu Stalin aspectos muito polêmicos da intervenção na História do homem que na prática dirigiu a União Soviética durante quase três décadas. Não conheço obra comparável pela ausência de paixão e pela densidade e profundidade da reflexão sobre o tema", diz ele. Leia a íntegra da resenha. Ver detalhes da obra em www.revan.com.br Stalin, História e crítica de uma lenda negra - Um livro de Domenico Losurdo * Há meses que me sento diante do computador para escrever este artigo. Mas o projecto foi adiado dia após dia. Quando Domenico Losurdo me ofereceu Stalin -Storia e critica de una leggenda nera (1), já lera criticas sobre a obra. Mas não a imaginava. Qualquer texto sobre pessoas que deixaram marcas profundas na história, quando escrito sem o suficiente distanciamento temporal, cria sempre grandes problemas ao autor. Vivi essa situação este ano ao publicar um desambicioso artigo -Sobre Trotsky - Do Mito à Realidade (odiario.info). Em Portugal, alguns camaradas que admiro acusaram-me de trotskista; no Brasil, onde o artigo, mais divulgado, desencadeou polémicas, professores das Universidades de Campinas e do Rio Grande do Sul dedicaram-me trabalhos académicos, definindo-me como estalinista ortodoxo. Domenico Losurdo aborda no seu Stalin aspectos muito polémicos da intervenção na História do homem que na prática dirigiu a União Soviética durante quase três décadas. Não conheço obra comparável pela ausência de paixão e pela densidade e profundidade da reflexão sobre o tema. Stalin foi um revolucionário que liderou a luta épica da União Soviética contra a barbárie nazi. Por si só esse combate em defesa do seu povo e da humanidade garante-lhe um lugar importante na História. Sinto, contudo, a necessidade de acrescentar que nunca senti atracção por Stalin. Não admiro o homem. A sua personalidade aparece-me inseparável de actos e comportamentos sociais que reprovo e repudio. A contradição não me impede de escrever este artigo, estimula-me a assumir o desafio. A DEMONIZAÇÃO DE STALIN A demonização de Stalin principiou nos anos 20, adquiriu proporções mundiais com o XX Congresso do PCUS, foi retomada durante a Perestroika e prosseguiu após o desaparecimento da União Soviética, embora com características diferentes. Ao proclamar "o fim do comunismo", a intelligentsia burguesa, empenhada em demonstrar a inviabilidade do socialismo, diversificou a ofensiva, atribuindo a Marx, Engels e Lenine grandes responsabilidades pelo "fracasso inevitável da utopia socialista". Stalin foi sobretudo visado como criador e executor de uma técnica de governação ditatorial, para muitos monstruosa. A palavra estalinismo entrou no léxico político como sinónimo de um sistema de poder absoluto que teria negado o marxismo ao impor «o socialismo real» mediante métodos criminosos. Não são apenas académicos anticomunistas que satanizam Stalin. Dirigentes de partidos comunistas e historiadores marxistas, alguns de prestígio mundial, emprestaram credibilidade à condenação sem apelo de Stalin. Eric Hobsbawm, o grande historiador britânico que foi, na juventude, membro do Partido Comunista inglês, esboça no seu livro A Era dos Extremos - Breve História do Século XX um retrato totalmente negativo do estadista que anos antes fora por ele elogiado como revolucionário merecedor da admiração da humanidade. O peso do anátema é tão forte que a Fundação Rosa Luxemburgo atribuiu em Janeiro passado um prémio ao historiador alemão Christoph Junke pelo seu livro Der lange Schatten den Stalinismus, uma catilinária impiedosa sobre um «fenómeno histórico» que é também «uma teoria e uma prática política» que exorciza. DA ESPERANÇA À REALIDADE Sobre Stalin e a sua época foram escritos centenas de livros. Dos que li nenhum me impressionou tanto como este. A esmagadora maioria condena o homem e a obra; uma minoria de incondicionais faz a apologia do dirigente comunista e defende sem restrições a sua intervenção na história. Um abismo separa os críticos como o polaco Isaac Deutscher (trotskista) dos epígonos como o belga Ludo Martens (maoista), dois autores cujos livros foram publicados em português, no Brasil. Losurdo, filósofo e historiador, ao iluminar uma época e o homem que foi o timoneiro da URSS durante quase trinta anos encaminha o leitor para uma reflexão complexa, inesperada e difícil. Não assume o papel de juiz. O conhecimento profundo da história da Revolução Russa e das lutas que lhe marcaram o rumo após a morte de Lenine permitiram-lhe situar Stalin nesse vendaval sob uma perspectiva inovadora. Procura, como filósofo, compreender. Não absolve nem condena. Acompanhando a trajectória de Stalin pela mão de Losurdo, o leitor é levado a conclusões incompatíveis com a lenda negra criada em torno da personagem. Mas Losurdo não reescreve a história, não tenta interpretá-la. Como investigador, fixa a atenção em períodos decisivos, procede a uma selecção de factos e acontecimentos e situa Stalin nos cenários em que actuou. Quase todas as revoluções devoram os seus filhos. A que se impôs em Outubro de 1917 não foi excepção à regra. Mas quando ela triunfou eram inimagináveis as crises e conflitos que desembocaram na execução da maioria das personagens mais brilhantes da grande geração de bolcheviques que se propunha a construir o socialismo na Rússia atrasada e famélica. O tempo era de esperança. Ao encerrar o I Congresso da Internacional Comunista, Lenine, sintetizou a sua confiança no futuro numa frase: "A vitória da revolução comunista em todo o mundo está assegurada. Aproxima-se a fundação da Republica soviética internacional". A previsão foi rapidamente desmentida pela História. O dissipar das ilusões e a sua superação quase coincidiram com a doença e a morte de Lenine. Após a derrota da revolução alemã, o autor de "O Estado e a Revolução" teve a percepção de que o capitalismo iria sobreviver por muito tempo e que era necessário defender a todo o custo a jovem revolução russa. Trotsky não acreditava na viabilidade do "socialismo num só pais" e, desaparecido Lenine, acusou de cobardia e oportunismo quantos tinham renunciado à ideia da revolução mundial. Losurdo lembra que Stalin foi o primeiro dirigente soviético a afirmar que por um longo período histórico a humanidade continuaria dividida não somente em diferentes sistemas sociais, mas também em diferentes identidades linguísticas, culturais e nacionais. Enquanto Trotsky dirigia ainda apelos à insurreição ao proletariado da Finlândia, da Polónia, das repúblicas bálticas, e das grandes potencias capitalistas, Stalin criticava as teses sobre a exportação da revolução. Na sua opinião, a correlação de forças na Europa justificava a defesa do princípio da coexistência pacífica entre países com diferentes sistemas sociais. Numa época em que muitos comunistas continuavam a sonhar com "o ascetismo universal", Stalin lembrava que o marxismo é inimigo do igualitarismo e insistia num ponto central: "seria estúpido pensar que o socialismo pode ser construído com base na miséria e em privações, com base na redução das necessidades pessoais e na queda do padrão de vida dos homens ao nível dos pobres." Nos capítulos em que estuda as divergências de fundo que opuseram Trotsky e Stalin, Domenico Losurdo abstém-se mais uma vez de críticas e elogios. Situa o choque no grande painel da URSS post Lenine, e resume as posições de ambos, recorrendo a múltiplas citações. São particularmente interessantes as páginas em que são confrontadas as posições de Trotsky e Stalin sobre os temas da organização jurídica da sociedade, da família, da propriedade e sobretudo do Estado. A questão central da extinção do Estado, prevista por Marx, e exaustivamente analisada por Lenine, antes e depois da tomada do poder, merece-lhe uma atenção especial. Às críticas de Trotsky - então no exílio - à Constituição Soviética de 36, Stalin responde que as lições de Marx e Engels não devem ser transformadas em dogma e numa nova escolástica. O Estado Soviético, ao invés de caminhar para a extinção, fortalece-se cada vez mais. Segundo ele, o papel fundamental do Estado na URSS "consiste num trabalho pacífico de organização económica e no trabalho cultural e educativo". A antiga função repressiva fora "substituída pela função de salvaguarda da propriedade socialista da acção dos ladrões e dos esbanjadores do património do povo". Losurdo sublinha que, na prática, o Estado soviético se desviou dessa função e lembra que em 1938 "imperava o terror e se ampliava monstruosamente o Gulag". Mas a permanência do Estado repressivo não responde à pergunta: até que ponto é valida a tese de Marx sobre o definhamento e a extinção do Estado? Deve ou não manter-se o Estado numa sociedade comunista? Losurdo recorda que na posição assumida por Stalin são identificáveis muitas contradições, mas sublinha que, ao contrariar uma tese clássica de Marx, o secretário-geral do PCUS actuava num terreno minado o que o expunha à acusação de «traidor» lançada por Trotsky. A partir do início dos anos 30, Stalin, na sua luta contra a oposição, acusa os seus membros, globalmente, de "agentes do inimigo". Exagerava. Mas Trotsky, principalmente, oferecia-lhe argumentos que contribuíam para a credibilidade das acusações que lhe eram dirigidas. Quando rádios da Prússia Oriental começaram a transmitir para a URSS textos trotskistas, Stalin tirou benefícios dessa iniciativa. E quando Trotsky, nas vésperas da II Guerra Mundial, em 22 de Abril de 1939, deu o seu apoio aos que pretendiam "libertar a Ucrânia soviética do jugo staliniano", intensificou-se a perseguição a quadros suspeitos de ideias trotskistas. A OUTRA "GUERRA CIVIL" Ao contrário do que se afirma na História oficial da Revolução Russa editada pelo PCUS, o grupo dirigente que assumiu o poder em Outubro de 17 estava já dividido no tocante a problemas fundamentais da política interna e internacional. Os debates sobre os sindicatos, o papel do campesinato, a economia, as relações com as potências capitalistas, a questão das nacionalidades foram sempre polémicos no Politburo e no Comité Central. Somente o carisma e o imenso prestígio de Lenine retardaram os conflitos sobre a orientação do Partido que se produziram após a sua morte. Losurdo conclui que o Relatório Secreto de Khruchov ao XX Congresso apresenta desse período histórico uma visão distorcida e fantasista. A tese de Khruchov, segundo a qual cabe a Stalin a responsabilidade pelo assassínio em 1934 de Serguei Kirov, porque o jovem dirigente estaria implicado numa vasta conspiração contra ele, é rebatida por Losurdo com o apoio de documentação recentemente divulgada. Na realidade Kirov tinha uma grande admiração por Stalin que depositava nele uma confiança total. As conspirações para afastar Stalin do Poder foram muito reais, mas as versões delas apresentadas no Ocidente por sovietólogos anticomunistas contribuem na opinião do filósofo marxista italiano para falsificar a história. E atingiram esse objectivo. Domenico Losurdo está consciente de pisar um terreno perigoso na sua tentativa de iluminar um Stalin diferente do ditador cruel, megalómano e vingativo cujo perfil aparece esboçado no Relatório Secreto ao XX Congresso. Essa imagem, com o aval de Khruchov, foi exportada para todo o mundo e acabou por ser aceite no Ocidente como verdadeira até por muitos dirigentes de Partidos Comunistas. Os capítulos do livro de Losurdo que suscitaram mais polémica em Itália e noutros países são por isso mesmo os dedicados às lutas no Partido que precederam os Processos de Moscovo. De alguma maneira, a carta de Lenine ao Congresso do PCUS - lida por Krupskaia mas somente publicada anos depois - estimulou em dirigentes do Partido a tendência para lutar contra Stalin. Trotsky começou a conspirar com Kamenev e Zinoviev logo após a morte de Lenine. Losurdo define o conflito ideológico da época como uma "guerra civil" que foi permanente no Partido até aos últimos processos do ano 38. Na primeira fase da luta pelo poder, Stalin conseguiu isolar Trotsky dos velhos bolcheviques, desencadeando contra ele uma campanha em que foi recordado o seu passado menchevique e as polémicas mantidas com Lenine. O escritor italiano Curzio Malaparte, num livro que foi best seller - Técnica do Golpe de Estado - publicado em França em 1931, foi um dos primeiros intelectuais europeus a escrever no ocidente sobre os acontecimentos mal conhecidos que, no ano 27, precederam a prisão de Trotsky, a sua expulsão do Partido e o confinamento em Alma Ata, no Casaquistão. Uma documentação importante confirma que Kamenev e Zinoviev, que se opunham à política de Stalin mas sem o enfrentarem no Politburo, participaram pessoalmente dessa primeira conspiração. O objectivo era o afastamento de Stalin, mas o projecto fracassou e o secretário-geral recuperou mais uma vez Kamenev e Zinoviev, isolando Trotsky. Bukharin, sempre imprevisível, fora até então - segundo Losurdo - como director do Izvestia, um aliado firme de Stalin, mas, a partir da extinção da NEP e do ínicio da colectivização das terras, empreendida em ritmo acelerado e com recurso a métodos cruéis, chegou à conclusão de que a estratégia adoptada pelo PCUS conduziria o país a um desastre. O dirigente que após Brest Litovsk tinha liderado no Partido a ala esquerdista deslocou-se para a direita numa brusca guinada, convicto de que a revolução somente poderia sobreviver se mudasse de rumo, adoptando uma orientação democratico - burguesa, o que significaria uma regressão histórica. Rogowin, um historiador trotskista citado por Losurdo, afirma que Stalin tomou então a iniciativa de desencadear "uma guerra civil preventiva" contra aqueles que pretendiam derrubá-lo. Nesse período de conspirações labirínticas, o envolvimento de destacados dirigentes em manobras de bastidores foi permanente, delas participando alguns membros da velha guarda bolchevique. A abertura dos arquivos soviéticos veio esclarecer que alguns mudaram com frequência de campo. Rogowin, polemizando muito mais tarde com Solzhenytsin, afirma que, longe de ser a expressão de "um acesso de violência irracional e insensata", o sanguinário terror desencadeado por Stalin foi na realidade a única maneira pela qual ele conseguiu quebrar a resistência daquilo a que chama "as verdadeiras forças comunistas". Nos processos de Moscovo os ex-dirigentes bolcheviques aparecem todos como traidores. Mas a palavra é brutal e a generalização deforma a história. Antonov Ovsenko, Preobrajensky, Karl Radek, Rakovsky, Bukharin, Kamenev, Zinoviev, entre outros, dedicaram as suas vidas a um projecto radical de transformação da sociedade cuja meta era o socialismo, rumo ao comunismo. Domenico Losurdo, escorado por fontes credíveis, procura compreendê-los descendo às raízes de comportamentos contraditórios que expressavam simultaneamente as dúvidas, as opções ideológicas e a fidelidade ao ideal comunista desses revolucionários. Nas páginas dedicadas ao vespeiro de lutas internas dos anos 20 e 30, a chamada conspiração dos militares merece atenção especial. Losurdo não deixa para o leitor as conclusões; neste caso não se limita a colocar os dados sobre a mesa. Na torrencial bibliografia ocidental sobre o assunto, o marechal Tukachevsky, herói da guerra civil, é sempre apresentado como vítima inocente do terror stalinista, arquétipo do revolucionário puro, triturado por uma engrenagem perversa. Losurdo afirma que já em 1920,durante a guerra na Polónia, Tukachevsky tinha deixado transparecer uma ambição militarista preocupante ao impor a marcha sobre Varsóvia que teve um desfecho desastroso. Mas Stalin confiava nele e promoveu-o a marechal após as vitórias alcançadas em 36 contra o Japão na Mongólia. Transcorridos 70 anos, continua a ser polémica a questão dos contactos secretos que Tukachevsky teria mantido com potências estrangeiras. Mas historiadores que lhe atribuem a aspiração de se transformar no "Bonaparte da Revolução Bolchevique" acumularam provas que o comprometem. O checoslovaco Benés, em 1937, informou os franceses desses contactos e Churchill, após a II Guerra Mundial, admitiu que a grande depuração no corpo de oficiais da URSS atingiu elementos filo alemães e, citando o nome de Tukachevsky, afirmou que Stalin tinha uma divida de gratidão para com o presidente Bénes. O embaixador dos EUA em Moscovo, Joseph Davies, alude também a uma "conspiração dos militares". O próprio Trotsky, não obstante o seu ódio a Stalin, afirma evasivamente, num comentário à execução de Tukachevsky e outros oficiais, que "tudo depende daquilo que se entenda por conspiração". Na sua reflexão sobre a prolongada luta travada na direcção do PCUS após a morte de Lenine, Losurdo emprega repetidamente a expressão "as três guerras civis" para caracterizar a amplitude que assumiram. A última findou com a execução de Bukharin. O filósofo italiano lembra no seu livro que Bukharin, após a extinção da NEP, decisão a que se opôs, começou, em reuniões privadas, a chamar a Stalin "o representante do neotrotskismo" e "intrigante sem princípios". Foi o começo da viragem que, paradoxalmente, mais uma vez o aproximou de Trotsky que lhe inspirava temor e admiração. AS ORIGENS DO STALINISMO A deformação da história real da Rússia começou no Ocidente logo após o derrubamento da autocracia czarista. A tese segundo a qual a Revolução de Fevereiro teria sido uma revolução quase sem violência e a de Outubro uma sangrenta tragédia é um mito forjado nos países capitalistas. Na realidade morreu muito mais gente na primeira do que nas jornadas que precederam o assalto ao Palácio de Inverno e nos dias posteriores. Losurdo, no capítulo em que estuda as "origens do stalinismo", recorda que Stalin, contrariamente a Trotsky, defendia a compatibilidade de um "nacionalismo sadio", do "sentimento nacional e da ideia de pátria" com a fidelidade ao internacionalismo proletário. Quando o Reich nazi invadiu a URSS afirmou insistentemente que o caminho para o universal passava através da luta dos povos que não aceitavam a condição de escravos ao serviço do povo de senhores imaginado por Hitler. Stalin é acusado de defender um conceito de estado e uma politica de nacionalidades cuja aplicação reflectiu contradições antagónicas. Mas vivia-se uma época em que contradições simultaneamente transparentes e incompatíveis eram comuns na formulação da teoria revolucionária. Rosa Luxemburgo criticou duramente o partido bolchevique por ter liquidado a democracia tal como a concebia, mas simultaneamente exortava-o a reprimir com punho de ferro qualquer tendência separatista de "povos sem história", incluindo o da sua Polónia natal. Stalin, pelo contrario, defendia a necessidade de um respeito enorme pelas mais de cinquenta nacionalidades da Rússia e considerava que a preservação das suas línguas e culturas lhe aparecia como indissociável do progresso da Rússia revolucionária. Essas ideias, condensadas num livro elogiado por Lenine, não encontraram porém tradução na praxis, sobretudo a partir dos anos em que exerceu como secretário-geral do PCUS um poder pessoal quase absoluto. Mas, paradoxalmente, nos últimos anos da vida, Stalin reassume a defesa das nacionalidades ao combater como utópica a ideia de "uma língua única para a humanidade» «quando o socialismo triunfar a nível mundial". Sublinhando que a língua não é uma superestrutura, afirma que os idiomas não foram criados por uma classe social, mas "por todas as classes da sociedade graças aos esforços de centenas de gerações". No seu denso ensaio, cuja riqueza conceptual e documental é incompatível com sínteses breves, Losurdo fixa as origens daquilo a que se chamou o estalinismo, numa época marcada por tensões, conspirações e fome, do inicio da colectivização das terras. Citando a Fenomenologia do Espírito, de Hegel, e o que o filósofo alemão pensava da «liberdade absoluta» e do «terror», sustenta que o estalinismo não é o resultado " nem da sede de poder de um individuo, nem de uma ideologia, mas do estado de excepção permanente que se implanta na Rússia a partir de 1914". A maioria dos historiadores ocidentais sérios, lembra, coincidem em que no início dos anos 30, Stalin não era ainda um autocrata. Segundo Werth não existia nesse tempo o culto da personalidade e persistia a tradição da ditadura do proletariado. Em 1925, em plena NEP, Stalin expressava opiniões como esta: "hoje não é mais possível dirigir com métodos militares"; "agora não se exerce a máxima pressão, mas a máxima flexibilidade, seja na política seja na organização". Então considerava um erro "identificar o Partido com o Estado" e repetia que "o socialismo é a passagem (da fase) em que existe a ditadura do proletariado à sociedade sem estado". Foi a decisão de industrializar o país rapidamente que provocou a viragem estratégica que desencadeou a repressão sobre os camponeses. Cercada por potências hostis, sem acesso ao capital internacional, a URSS, para financiar a industrialização, recorreu aos excedentes gerados por uma agricultura atrasada. O projecto da colectivização da terra, pela maneira violenta como foi concretizado, produziu rasgões não apenas no tecido social como na direcção do Partido. Atingiu o objectivo, mas o preço político e social foi altíssimo. Mas terá sido somente a partir de 37, com o Grande Terror - expressão utilizada por Losurdo - que a ditadura do proletariado cedeu o lugar à autocracia. Nas Obras Completas de Stalin são, porém numerosas as páginas em que ele repete que a ditadura do proletariado teria assumido um carácter muito diferente se a Guerra Mundial, anunciada com antecedência, não o tivesse encaminhado para uma politica de concentração do poder. Seria sincero ao escrever que a concebeu como transitória? Nunca o saberemos. O que está comprovado por uma abundante documentação é a convicção que Stalin tinha de que após a derrota do III Reich hitleriano se abriria à Aliança com os EUA e a Inglaterra um grande futuro. Acreditou numa era de boas relações com o Ocidente capitalista. Não previa então para a Europa Oriental o tipo de regimes que ali instalou com mão de ferro. Entendia que a Polónia não deveria optar pela via da ditadura do proletariado. "Não é obrigada a isso, não é necessário". E, falando com dirigentes comunistas búlgaros, surpreendeu-os ao afirmar: "é possível realizar o socialismo de um modo novo, sem a ditadura do proletariado". E, quando mantinha ainda uma relação cordial com Tito, disse-lhe: "Nos nossos dias o socialismo é possível inclusive sob a monarquia inglesa". O americano Robert Conquest, o historiador de ultra direita a que Losurdo atribui essas palavras, sublinha que elas demonstram que "Stalin estava repensando activamente a validez universal do modelo soviético de revolução e socialismo". O que não suscita duvidas é que a Guerra Fria fez ruir eventuais planos sobre uma mudança de estratégia e pôs termo à meditação ideológica sobre os modelos de socialismo. O degelo tornou-se uma impossibilidade. SOBRE A POPULARIDADE DE STALIN E OS GULAG Losurdo dedica muitas páginas ao tema da popularidade de Stalin. Baseado em fontes de múltiplas tendências, chama a atenção para uma realidade desconhecida no Ocidente. Mesmo durante o biénio do Grande Terror 37-38, a base social de apoio à política de Stalin amplia-se. Verifica-se, escreve Losurdo, "uma interacção paradoxal e trágica". Em consequência, por um lado, do forte desenvolvimento económico e cultural e por outro do medo suscitado pela repressão, "dezenas de milhares de stakanovistas tornaram-se directores de fábricas e uma análoga e rapidíssima mobilidade social ocorreu nas forças armadas". Nas vésperas da guerra, o chefe dos tradutores do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reich, de visita a Moscovo, ao passar pela Praça Vermelha resumiu nestas palavras a atmosfera de tranquilidade existente na capital: "Quem esteve em Moscovo e não viu Lenine, disse-me um membro da Embaixada, não vale nada para a população rural russa». Nas campanhas anticomunistas, os textos sobre os Gulag siberianos criados por Stalin e os relatos sobre o sofrimento dos deportados funcionam como artilharia pesada. Muitos livros têm sido dedicados ao tema, desde o romance que valeu o Nobel a Solzhenytsin. Losurdo aborda a questão de frente, situando-se numa perspectiva pouco habitual. Estudou a fundo a documentação soviética existente nos arquivos. Como ser humano e revolucionário inspiram-lhe sentimentos de repulsa e indignação os campos de trabalhos forçados, em qualquer país e quaisquer que sejam os seus objectivos. Essa posição não o impede de denunciar a falsificação das estatísticas ocidentais que inflacionam desmesuradamente a população dos Gulag, multiplicando o número de pessoas que passaram por eles e os que ali morreram. Simultaneamente rejeita os paralelos estabelecidos entre os campos de extermínio nazi e os campos de trabalho soviéticos. O universo concentracionário siberiano era um mundo de contradições. Na URSS - salienta Losurdo - a lei punia com rigor as violações rotineiras dos regulamentos. O próprio Vichinsky, quando Procurador-Geral da União, denunciou publicamente as condições intoleráveis de alguns Gulag onde os homens eram tratados como "animais selvagens". Losurdo recorda que nos campos soviéticos havia bibliotecas para os deportados, e a direcção promovia espectáculos, concertos e conferencias e que os prisioneiros em muitos Gulag estavam autorizados a publicar jornais murais. A partir do início da agressão alemã, as condições de vida suavizaram-se em quase todos os campos de trabalho soviéticos. Milhares de prisioneiros foram beneficiados por uma série de amnistias e reintegrados na sociedade ou nas forças armadas. Losurdo, numa critica frontal à hipocrisia dos intelectuais anticomunistas que reescrevem a história, falsificando-a, procede a um breve inventário dos horrores de campos de concentração criados por potencias ocidentais cujos dirigentes se apresentam como campeões dos direitos humanos, horrores ocultados por um manto de silencio. A Austrália, por exemplo, ao longo de quase todo o século XIX, foi a Sibéria oficial da Inglaterra imperial. Os textos que reproduz esboçam dos campos de concentração australianos um panorama só comparável ao dos criados pelas SS de Himler. Os aborígenes, alias, ainda eram caçados no país no início do século passado como animais. E que pensar dos campos de internamento instalados por Roosevelt para cidadãos de origem japonesa - incluindo crianças - cujo único crime era a origem étnica? Durante a guerra, muitos prisioneiros alemães foram submetidos nos EUA a torturas medievais, como a destruição dos testículos. É do domínio público que na primeira metade do século XX os linchamentos de negros eram ainda rotineiros em Estados do Sul do país. Ho Chi Min descreve esses espectáculos macabros, tolerados pelas autoridades. Assistiu, angustiado, a um deles. Nas obras históricas publicadas em Inglaterra não há praticamente referências aos campos de trabalho militarizados instalados na Índia durante o Império. Mas eles existiram e foram cenário de crimes repugnantes. O apagamento da memória histórica dos horrores dos campos de concentração criados pela França na Argélia é igualmente uma realidade na pátria de Victor Hugo. Na Alemanha ignora-se o genocídio planejado dos Herreros e dos Hotentotes na Namíbia quando aquele país era uma colónia do Império dos Hohenzollern. Foram chacinados como animais em campos especiais pelo exército colonial do Kaiser Guilherme II. Do genocídio dos indígenas também pouco se fala no Canadá; mas esse silêncio não apaga o facto de que o objectivo dos campos da morte do país foi o extermínio deliberado de tribos inteiras de índios num autêntico holocausto. A evocação desses crimes esquecidos pelos defensores ocidentais dos direitos humanos ocupa muitas páginas no livro de Losurdo. Poderia ter acrescentado uma referência ao campo do Tarrafal em Cabo Verde e aos campos de concentração, como o de São Nicolau, que Salazar instalou em Angola. STALIN E OS JUDEUS A satanização de Stalin no Ocidente não é somente uma constante nas campanhas anticomunistas. Historiadores europeus e estadounidenses de prestígio identificados com a ideologia neoliberal cultivaram nas últimas décadas uma modalidade de irracionalismo no esforço para diabolizar Stalin. A receita é primária: Stalin e Hitler seriam " monstros gémeos". Losurdo, na desmontagem do paralelo e das imaginárias afinidades entre o dirigente soviético e o führer nazi, analisa textos de autores como a destacada escritora sionista estadunidense Ana Arendt para ridicularizar a argumentação inspirada por um anticomunismo cavernícola. Arendt, entre outras inverdades, apresenta Stalin como um anti-semita fanático. Atribui-lhe uma "política canibalesca"contra os judeus, baseada num ódio racial feroz. O historiador Robert Conquest, porta-voz da extrema direita norte-americana, comentando a repressão na Ucrânia durante a colectivização , afirma que Stalin transformou aquela Republica soviética num "imenso Bergen Belsen" (um campo de extermínio alemão). Losurdo lembra que Conquest, num dos seus livros, editado no âmbito de uma operação politico cultural anticomunista, responsabiliza a URSS por "infâmias iguais em tudo às cometidas pelo Terceiro Reich". Cabe recordar que sucessivos presidentes dos EUA manifestaram grande apreço por Conquest como historiador e perfilharam a tese do Golodomor (o chamado holocausto ucraniano), transformando-a numa poderosa arma na Guerra-Fria. Reagan utilizou-a como instrumento ideológico no período que precedeu o desmembramento da URSS. Losurdo, ao refutar as acusações de anti-semitismo feitas a Stalin, recorda que após o final da guerra, antes da partilha da Palestina, o dirigente soviético adoptou "uma politica fundamentalmente filo hebraica". A URSS foi aliás o primeiro país a reconhecer o Estado de Israel. Numa mensagem dirigida de Paris a Ben Gurion, o seu ministro dos Estrangeiros salienta que os delegados soviéticos actuaram como "advogados de Israel" na Conferencia da ONU sobre a questão palestiniana. Os arquivos do Foreign Office e do Departamento de Estado acumulam aliás documentação que confirma uma realidade hoje incómoda por muitos motivos: "a União Soviética contribuiu de maneira essencial - como escreve Losurdo - para a criação e fortalecimento do Estado hebraico." Losurdo, recorrendo a citações de autores insuspeitos, lembra que Stalin fustigava o anti-semitismo com expressões como "chauvinismo racial" e "canibalismo". Muitos dos bolcheviques mais destacados da velha guarda eram judeus. Zhdanov, um dirigente no qual Stalin depositou uma confiança irrestrita, também era judeu. E durante décadas milhares de elementos de origem hebraica ocuparam funções da maior responsabilidade no Estado Soviético. Hitler nas suas catilinárias anti-semitas atribuía aos judeus um papel decisivo na preparação da Revolução de Outubro. Utilizando uma linguagem desbragada, aludia a uma "horda terrorista hebraica" de "asiáticos circuncisados" e afirmava que sangue judeu corria nas veias de Lenine. E dizia que Stalin era um judeu, não pelo sangue, mas pelo espírito. A politica pró Israel de Stalin somente deu uma guinada de 180 graus, assumindo uma orientação anti-sionista, quando os diplomatas de Tel Aviv, após a visita de Golda Meier a Moscovo, iniciaram contactos secretos com a comunidade hebraica da URSS com o objectivo de estimular a emigração para Israel dos judeus soviéticos. "Cada hebreu - teria dito então Stalin, segundo Roy Medvedev - é um nacionalista, é um agente da espionagem americana". Losurdo aborda com cautela o tema da alegada "conspiração" dos médicos judeus de Stalin à qual escritores e jornalistas ocidentais dedicaram milhares de páginas. Transcorrido mais de meio século, o fuzilamento de alguns desses médicos continua a suscitar polémicas apaixonadas dentro e fora da Rússia. O filósofo italiano, comentando versões contraditórias, evita uma conclusão, sublinhando que não foram somente dirigentes soviéticos a emprestar credibilidade à teoria do complot. O diplomata britânico Sir Joe Gascoigne admitiu na época que os médicos do Kremlin eram "culpados de traição". COMUNISMO ANTÍTESE DO FASCISMO A intensidade, as proporções e a sofisticação da campanha anticomunista na qual um dos objectivos era a destruição da imagem positiva projectada no mundo pela União Soviética produziram no Ocidente efeitos prolongados e complexos que se manifestam ainda, transcorridas quase duas décadas desde a reimplantação do capitalismo na pátria de Lenine. A ofensiva prosseguiu. Os teóricos do capitalismo, criadores de slogans como "O império do mal" e outros similares, compreenderam que o esforço para desacreditar a URSS era insuficiente se não concentrassem as suas críticas na ideologia do sistema. Marx, Engels e Lenine tornaram-se então alvos preferências dos intelectuais e de políticos empenhados em apresentar o socialismo como um projecto fracassado não apenas utópico, mas monstruoso. Qualquer cientista político minimamente estudioso sabe que não existiu até hoje um único regime comunista. Mas simulando ignorar a evidencia - o comunismo é uma fase superior do socialismo - os ideólogos da burguesia insistem em chamar comunistas aos países que desenvolveram experiências socialistas, entre os quais a URSS. A maioria dos Partidos Comunistas - o Português, o da Grécia e o Akel cipriota são na Europa excepções ao revisionismo - não soube reagir positivamente a essa ofensiva ideológica. Muitos dirigentes, por ela contaminados, não somente participaram das campanhas de satanização da URSS como renegaram os valores da Revolução de Outubro, levando a capitulação ao extremo de aderir a calúnias anticomunistas. Registo que não faltam militantes de partidos revolucionários que, por temor, não ousam hoje assumir-se publicamente como marxistas e comunistas. Foi no âmbito dessa ofensiva ideológica que académicos de grandes universidades europeias e norte-americanas forjaram a tese segundo a qual fascismo e comunismo seriam, afinal, variantes de uma mesma concepção monstruosa da política. Entre os muitos livros publicado sobre o tema, alguns, como Origens do Totalitarismo, de Ana Arendt, foram best-seller mundiais que disseminaram a mentira e a calúnia com verniz de verdade. Domenico Losurdo nos capítulos dedicados á psicopatologia e à moral das leituras ocidentais da era de Stalin e à aberração das comparações entre este e Hitler desce às origens e motivações da estratégia anticomunista. Relembra que esse trabalho tem raízes antigas. O Presidente Wilson, por exemplo, era um fanático anticomunista. Na sua opinião, a Revolução de Outubro foi fundamentalmente um Complot alemão e Lenine e outros dirigentes bolcheviques teriam estado durante anos ao serviço da Alemanha imperial. Losurdo, que emprega a expressão Grande Terror com maiúsculas para designar o biénio 37-38 dos Processos de Moscovo, esboça com frontalidade o quadro sombrio da repressão na URSS em diferentes fases da era de Stalin. Alerta, porém, para a hipocrisia de famosos historiadores ocidentais que branqueiam ou omitem crimes contra a humanidade praticados pelos governos e forças armadas de países capitalistas enquanto se esforçam para mobilizar as consciências contra os cometidos pelos "monstros comunistas". Recorda - apenas um exemplo - que o fuzilamento de oficiais polacos pelos soviéticos em Katyn foi um crime indesculpável. Sublinha, porem, que esse massacre abjecto tem sido utilizado exaustivamente pela propaganda ocidental no cinema, na televisão, na imprensa, em livros - como prova do carácter bárbaro, desumano do regime soviético. Num brevíssimo inventário de alguns crimes ocidentais que não figuram ou são suavizados nos manuais de História, Losurdo cita entre outros: - A morte por fome e maus-tratos de dois dos três milhões de prisioneiros soviéticos capturados pelos Alemães na Frente Leste. - A chacina pelos britânicos de milhares de mulheres e crianças no campo de concentração de Kamiti, no Quénia, após a rebelião dos Mau Mau. - O bombardeamento genocida de Dresden pelos ingleses quando a guerra estava no final e o apoio de Churchill, Roosevelt e Truman aos bombardeamentos terroristas de cidades alemãs sem objectivos militares com o objectivo de aterrorizar as populações. - A execução na Sicília por ordem do general Patton de soldados italianos que se tinham rendido ao exercito americano. - O genocídio nas Filipinas no começo do século XX durante a revolta contra a ocupação norte-americana. - O extermínio total da população aborígene da Tasmânia. - A recusa de fazer prisioneiros muçulmanos durante a campanha do Sudão, no final do século XIX, na qual Churchill participou como oficial de cavalaria. - A execução em Taejon em Julho de 1950 de 1700 coreanos que antes do fuzilamento foram obrigados a escavar a fossa onde foram sepultados. - O extermínio pelo exercito dos EUA do total dos moradores de dezenas de aldeias no Vietnam e no Laos. - A ordem de Nixon no inicio dos anos 70 para que fossem lançadas nas áreas rurais do Camboja mais bombas de quantas haviam explodido nas cidades japonesas durante toda a II Guerra Mundial. - E o mais trágico e abjecto dos crimes contra a humanidade: o lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima e Nagasaki em Agosto de 1945. O ÓDIO NÃO FAZ HISTÓRIA Para os ingleses, é muito constrangedor hoje reconhecer que os seus líderes derramaram elogios sobre Mussolini e Hitler antes da Guerra Mundial. Churchill declarou em 1933 que via "o génio romano personalizado em Mussolini, o maior legislador vivo, que mostrou a muitas nações como se pode resistir a chegar ao socialismo". Quatro anos depois, em 1937, escreveu que Hitler era um político "extremamente competente", com um "sorriso que desarmava"e um "subtil magnetismo pessoal". Lloyd George, o ex Primeiro-ministro liberal, foi ainda mais apologético ao definir o führer como "um grande homem". Paradoxalmente, os mesmos dirigentes das grandes potências ocidentais cujos anátemas contra a URSS e Stalin continuam a ser peças de fundo nas campanhas anticomunistas reconheceram publicamente a decisiva importância da contribuição soviética para a derrota do Reich nazi e manifestaram grande apreço pela pessoa do secretário-geral do PCUS. Roosevelt, já muito doente, não escondeu a impressão positiva que na Conferencia de Teerão lhe causara a personalidade de Stalin, definindo-o como um estadista de grande talento e cultura. Na correspondência de Churchill hoje publicada são numerosas as referencias altamente elogiosas a Stalin. Identificou nele um dos mais dotados estadistas do século XX. Isso não o impediu de dar o dito por não dito e de se orgulhar de ser o pai da Guerra Fria ao esboçar no famoso discurso de Fulton os perigos daquilo a que chamou a "Cortina de Ferro". Obviamente, o Relatório Secreto de Khruchov trouxe um poderoso estímulo à campanha de demonização de Stalin. A abertura dos Arquivos soviéticos e as memórias de marechais que desempenharam um grande papel na derrota militar do III Reich constituem o mais eficaz dos desmentidos a afirmações caricaturais desse Relatório que apresenta de Stalin a imagem de um dirigente que caíra em depressão com a invasão alemã e sem influência directa na condução da guerra patriótica. A tese provocatória dos "monstros gémeos", difundida por Ana Arendt e outros escritores anticomunistas, não passa de uma grotesca operação de marketing político. Mas continua a ser tempero utilizado nas campanhas de satanização de Stalin. Losurdo chama a atenção para o protagonismo que Arendt mais uma vez assumiu nessa ofensiva, na tentativa de forçar um paralelo entre a Alemanha nazi e a URSS Staliniana. A escritora sionista pretende iluminar "a origem do totalitarismo", mas na realidade o seu ensaio agride a História, configurando aquilo a que Lukacs chama o assalto à razão. A obsessão dos ideólogos do neoliberalismo em lançar pontes entre Hitler e Stalin é tão irracional que assume facetas de paranóia. Losurdo pulveriza a tese e lembra com fundamento que pelo pensamento e pela sua intervenção na Historia foram precisamente duas personalidades antagónicas. Enquanto Hitler fez do racismo um cimento do estado nazi, Stalin condenou-o como forma de canibalismo social e ameaça à paz. Stalin investiu sempre contra o mito da superioridade dos arianos puros, sobretudo os alemães, sobre os demais povos. Sob a sua direcção, a União Soviética assumiu um papel decisivo na descolonização e foi graças à solidariedade do Partido sob a sua direcção, apoio ideológico e ajuda material, que as lutas de libertação nacional se desenvolveram vitoriosamente na Africa, na Ásia e na América Latina. Até Friedrich Hayek, o economista austríaco que é considerado o pai do neoliberalismo ortodoxo, reconhece que sem a Revolução russa o chamado estado social não teria sido possível na Europa. 1.Editado em Itália por Carocci Editore, S.p.A, Roma, 2008 * Publicado por odiario.info, em 4 de Agosto de 2009 ===================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101215/ed524397/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28493 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101215/ed524397/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 15 18:46:54 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 15 Dec 2010 18:46:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_desconstruindo_a_mentira_sionista?= =?iso-8859-1?q?_e_a_velha_m=EDdia=2E?= Message-ID: <07D39FACAF8548EF857B084FEF5E254B@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem From: izaias almada Salve Vanderley, seria interessante reproduzir o vídeo abaixo. Ele desconstroi a mentira sionista e a velha mídia. Abs., Izaías. http://www.youtube.com/watch?v=Jv8TW2Pts_w Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101215/d2d0fc8d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 16 19:28:56 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Dec 2010 19:28:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Corre=E7=E3o_dos_v=EDdeos_sobre_o?= =?iso-8859-1?q?_filme_=22O_Velho=22=2C_no_artigo_da_companheira_An?= =?iso-8859-1?q?ita_Leoc=E1dia_Prestes=2E?= Message-ID: <02E7793C8B134DFBAAB3C960F026A4A0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Divulgamos na Carta O Berro de ontem (15-12-2010), trechos do filme "O Velho", o qual, inadivertidamente, sem examiná-lo detidamente. Por sorte a companheira Anita Leocádia Prestes, ao recebê-lo, nos alertou (vj abaixo) e, hoje estamos fazendo a correção com o seu texto, que segue: Prezado Vanderley Caixe. Lamento que esteja divulgando trechos do filme "O Velho", pois se o assistirmos com atenção, veremos que é uma obra que detrata a figura do meu pai. Além dos inúmeros erros factuais, ao fim e ao cabo, ele aparece como um pobre velho fracassado, além de ser agente de Moscou, assim como a minha mãe. Na ocasião do lançamento do filme escrevi artigo a respeito, que está reproduzido no sítio do ILCP. Por favor, leia e espero que se convença de que está prestando um desserviço à memória de Prestes e à luta revolucionária no Brasil ao divulgar semelhante pastiche. Abraço, Anita Prestes Texto da companheira Anita Leocádia Prestes. UMA ESTRATÉGIA DA DIREITA: ACABAR COM OS "MITOS" DA ESQUERDA ( A propósito do filme documentário "O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes") * Anita Leocadia Prestes** __________________________ * Os conceitos de "direita" e "esquerda" são empregados conforme BOBBIO, Norberto. Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política. S.P., EDUSP, 1995. ** Anita Leocadia Prestes é doutora em Economia e História Social, professora de História do Brasil na UFRJ e autora dos livros A Coluna Prestes (Ed. Brasiliense,1991, 3ª ed.) e Os Militares e a Reação Republicana (As Origens do Tenentismo) (Ed. Vozes, 1994). Com as modificações ocorridas, a partir de 1991, na situação internacional, a direita tem adotado novos métodos para combater as forças de esquerda. A autora analisa a nova estratégia da direita - de acabar com os "mitos" de esquerda -, principalmente, no exemplo do filme documentário "O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes". Se concordamos com Norberto Bobbio, quando ele afirma que "esquerda" e "direita" constituem a "grande divisão", hoje "mais viva do que nunca" na "história da luta política na Europa do último século" [1] , temos um ponto de partida para tentar explicar as novas estratégias da direita atual. Visando defender de maneira mais eficaz os interesses dos setores sociais que representa - principalmente o grande capital internacionalizado -, a direita dos anos noventa apela para novos expedientes, mais adequados aos tempos de hoje, ou seja, ao período histórico caracterizado por Eric Hobsbawm como o fim de uma era e o início de outra.[2] Vivemos um momento histórico, em que, dada a derrota sofrida pelo "socialismo real", em particular no Leste europeu, os interesses do grande capital internacionalizado passaram a dominar o mundo de maneira indivisível, sem ter quem lhe possa oferecer uma resistência eficaz. Como é assinalado por James Petras, "o Ocidente está fazendo anexações e ocupações político-militares de longo prazo de uma forma nunca vista desde a era colonial".[3] Haja vista a Guerra do Golfo, em 1991, levada adiante contra o Iraque pelas grandes potências imperialistas. A direita mundial sente-se com as mãos livres, em condições de impor, em grande medida, sua hegemonia ideológica, através de meios de comunicação extremamente poderosos, eficientes e sofisticados, como a humanidade jamais, antes, conhecera. Seus "intelectuais orgânicos" - para usar o conceito proposto e teorizado por Antônio Gramsci - trabalham de maneira intensa, consciente ou inconscientemente, com o objetivo, em geral habilmente encoberto, de justificar os interesses do grande capital internacionalizado, ou seja das corporações multinacionais. A tão propalada "globalização", sob a égide desse grande capital, é apresentada como o ápice do desenvolvimento humano, como a única alternativa possível para o século XXI. Nesse mundo "pós-moderno", para que a ordem dita néoliberal possa ser mantida, evitando as sempre temidas convulsões sociais, é necessário, entre as muitas medidas a serem adotadas, visando a sua permanência e reprodução, sepultar os chamados "mitos" da esquerda. Trata-se, na verdade, de apagar, na memória de grande parte das pessoas, não só a crença num futuro de justiça social, no qual venham a imperar valores como a igualdade e a liberdade para milhões e milhões de homens e mulheres em nosso planeta, como também a admiração e o respeito cultivados por muitas dessas pessoas em relação àqueles que deram suas vidas ou contribuíram de maneira decisiva para que tais ideais se tornassem realidade. Torna-se imperativo, pois, acabar com os heróis e com a exaltação de seus feitos e de suas vidas. O heroismo dos revolucionários, dos comunistas e dos antifascistas é batizado de "mito" para melhor poder ser destruído. O exemplo daqueles que lutaram por um mundo melhor e mais justo é desqualificado com uma simples penada: afirma-se que seus propósitos foram derrotados e, portanto, sua luta teria sido inglória.[4] Às gerações atuais restaria conformar-se com a "globalização" e seus valores marcadamente "consumistas". Podemos, hoje, observar duas táticas distintas de uma mesma estratégia desenvolvida pela direita, visando combater e destruir os supostos "mitos" da esquerda. Em contraposição aos velhos e desgastados expedientes dos tempos da "guerra fria", quando se acusava abertamente os comunistas de comerem criancinhas assadas na brasa e o regime soviético de "socializar" ou "coletivizar" as mulheres e acabar com a instituição da família, no momento atual, adota-se o silêncio a respeito de fatos, acontecimentos e pessoas, que se tornaram incômodos aos interesses dominantes, ou, quando isso não é possível, recorre-se à descaracterização, ou melhor dito, à deturpação da história, visando torná-la aceitável a esses mesmos interesses dos grupos dominantes. O que, entretanto, não quer dizer que, em alguns momentos, os "intelectuais orgânicos" a serviço da direita não possam apelar aos velhos e surrados expedientes, sempre na tentativa desesperadora de sepultar "mitos" inconvenientes. Neste último sentido, citarei apenas dois exemplos. Em 1991, ano marcado pelo simbolismo da "queda do muro de Berlim", o conhecido jurista Saulo Ramos veio a público para lançar contra Luiz Carlos Prestes, já falecido e sem possiblidade, portanto, de defender-se, acusação inusitada e surpreendente: Prestes teria, em 1964, denunciado à polícia os nomes de inúmeros de seus companheiros e amigos.[5] Semelhante calúnia - desprovida de qualquer possibilidade de comprovação - não havia sido, até então, levantada sequer pelos mais ferrenhos inimigos de Prestes. Dois anos depois, em 1993, o jornalista W. Waack afirmava, em seu livro Camaradas, que Prestes teria comprado seu ingresso na Internacional Comunista com o dinheiro recebido de Getúlio Vargas para realizar a Revolução de 30.[6] Outra calúnia, lançada sem nenhuma prova, a respeito de episódio que o próprio Prestes tornara público, durante seu julgamento no Superior Tribunal Militar, em setembro de 1937. Naquela oportunidade, ele demonstrara com documentos[7] que o dinheiro utilizado na preparação dos levantes de novembro de 35 não viera de Moscou, mas lhe fora entregue, em 1930, por Vargas, que o obtivera como resultado da venda à Light, pelo governador mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, de uma usina elétrica de Belo Horizonte. Prestes, ao romper com os "tenentes", em maio de 30, e ao denunciar o caráter oligárquico e antipopular do movimento liderado por Vargas, decidira destinar esses recursos à realização do que ele considerava a verdadeira revolução brasileira - a "revolução agrária e antiimperialista", defendida pelo Partido Comunista. A afirmação difamante de W. Waack, além de mentirosa, constitui uma deturpação grosseira das práticas vigentes na Internacional Comunista, pois é amplamente sabido que a escolha dos dirigentes dessa organização era feita de acordo com critérios de mérito revolucionário e jamais a partir de uma suposta "compra" de ingresso. Tais exemplos de ataques diretos aos "mitos" da esquerda tendem, contudo, a tornarem-se menos frequentes. A tática do silêncio revela-se aparentemente mais eficaz. Na Alemanha atual, pós queda do muro de Berlim, atinge proporções preocupantes a tendência, insistentemente promovida pela direita, de apagar a memória dos comunistas e antifascistas, a memória de todos aqueles que lutaram contra o fascismo, pela democracia e pelo socialismo. Semelhante processo é particularmente visível no território da antiga República Democrática Alemã, onde os heróis da luta revolucionária pelo socialismo e da resistência antinazista eram lembrados e cultuados. Hoje procura-se retirar seus nomes de ruas, praças, escolas e demais lugares publicos e instituições; fecham-se museus - antigos campos de concentração -, para dar lugar aos modernos templos da sociedade de consumo - os supermercados e shopping centers. Na Alemanha, certamente, há forças sociais e políticas que resistem aos propósitos da direita de silenciar não só a respeito do passado nazista do país como também da luta dos homens e mulheres que resistiram ao fascismo, inclusive dentro dos próprios campos de concentração. A Galeria Olga Benario, em Berlim, com sede no tradicional bairro operário de Neukölln, pode ser citada como exemplo desse tipo de resistência. Seus jovens organizadores desenvolvem há anos um esforço gigantesco para, entre outras atividades sociais, políticas e culturais, resgatar a memória dos revolucionários que dedicaram suas vidas à luta pelo progresso social, pela democracia e pelo socialismo.[8] A tendência dominante nos meios de comunicação ideologicamente controlados pelos donos do poder é, contudo, a de silenciar o passado de luta desses revolucionários e antifascistas. O Chile, hoje, pode ser considerado um outro exemplo da tática do silêncio, adotada pela direita atual. O cineasta chileno Patrício Guzman rodou há alguns meses, em seu país, o documentário A memória obstinada, em que revela o quase total desconhecimento, pelos jovens de hoje, da história recente de sua pátria, ou seja, dos acontecimentos relacionados com o governo democrático da Unidade Popular, dirigido por Salvador Allende, e a sua trágica deposição pelo golpe militar comandado por Augusto Pinochet. Relata Guzman que muitos jovens lhe disseram: "Eu não sabia que as coisas haviam acontecido desta maneira...", quando lhes foi exibido um documentário anterior do mesmo cineasta - A batalha do Chile (1973-1979) -, sobre o governo Allende e o golpe militar.[9] Desta forma, a direita no Chile tenta apagar da memória das novas gerações desse país o seu passado recente de grandes lutas e conquistas democráticas e os nomes de heróis, como Salvador Allende, que deram suas vidas por um futuro melhor para o seu povo. No Brasil, a direita, durante os vinte anos da ditadura militar inaugurada em 1964, adotou a tática do silêncio, particularmente em relação a Luiz Carlos Prestes, embora em períodos anteriores também houvesse recorrido a semelhante expediente. Nas condições atuais do país, de existência de uma relativa liberdade de imprensa - ainda que aliada a uma crescente manipulação da opinião pública -, não sendo mais possível manter silêncio absoluto a respeito de Prestes, procura-se hoje desenvolver formas sutis de, sem recorrer ao ataque direto, descaracterizar a sua figura. Na virada para o século XXI, é necessário apelar para a criatividade dos "intelectuais orgânicos" a serviço da burguesia para encontrar meios mais eficazes de convencimento das pessoas e de construção de um consenso social, capaz de assegurar sua hegemonia política. Em junho de 1991, decorrido apenas um ano do falecimento de Prestes, o Ministério do Exército declarava anistiado o antigo general da Coluna Invicta, promovendo-o ao posto de coronel e concedendo à sua família o direito de receber pensão militar[10], por considerá-lo na reserva, desde que atingira a idade-limite para permanecer na ativa. O aparente reconhecimento dos méritos de Prestes não passava, contudo, de uma hábil tentativa de enquadrá-lo no sistema dominante, de descaracterizar sua figura de revolucionário e comunista, de torná-lo inofensivo perante as novas gerações. Certamente, não foi casual o fato de essa medida ter sido adotada após o desaparecimento de Prestes: enquanto viveu, ele jamais admitiu voltar às fileiras da corporação da qual, na juventude, se demitira duas vezes e fora posteriormente expulso. Contando com a lamentável colaboração de uma parte da família de Prestes[11], os atuais donos do poder tentaram, desta forma, apropriar-se do legado de uma vida dedicada inteiramente à revolução social e à contestação da ordem vigente, cuja manutenção é garantida por esse mesmo Exército, que o promoveu a coronel. Temos aí um exemplo das formas sutis empregadas atualmente pela direita para acabar com os supostos "mitos" da esquerda. Outros exemplos poderiam ser citados: todos corroborando a utilização de uma imagem "fabricada" de Prestes, útil aos intentos dos políticos necessitados de conquistar alguma simpatia popular. Sem abandonar a repetição de conhecidas e surradas calúnias contra os comunistas e, em particular, contra Prestes, procura-se difundir uma nova imagem do Cavaleiro da Esperança - a de um homem "puro e ingênuo",[12] indiscutivelmente honesto (é difícil duvidar de sua honestidade), um bom pai de família, até mesmo um amante das flores e cultivador de roseiras, mas um militar rígido (evita-se lembrar seu reconhecido talento como estrategista, revelado durante a Marcha da Coluna Prestes), incapaz de compreender as nuanças da política. Sua vida política, portanto, não teria passado de uma lamentável sucessão de erros e fracassos - um exemplo desastroso, que não merece ser seguido pelos jovens de hoje, uma vez que se trata de lhes incutir a visão de que só devem ser adotados os "modelos" vitoriosos. Desta forma, é "fabricada" uma imagem "domesticada" ou "pasteurizada" de Luiz Carlos Prestes - a de uma personalidade que merece muito mais compaixão pelos sofrimentos por que passou do que admiração pelo seu heroismo, pela dedicação sem limites à causa da libertação do seu povo de todo tipo de dominação e exploração, pela firmeza na defesa das convicções revolucionárias assumidas. O herói, o revolucionário, o patriota, o comunista convicto são silenciados, para criar-se uma imagem de um Prestes inofensivo para os dominadores e exploradores de hoje. Este é o tipo de tratamento da imagem de Prestes apresentado no filme documentário "O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes", de autoria de Toni Venturi. Embora o diretor do filme tenha afirmado que não pretendia fazer História, mas somente cinema[13], ao produzir um documentário sobre um personagem histórico como Luiz Carlos Prestes está, na realidade, fazendo História e levando aos espectadores uma determinada versão da história. Como disse o cineasta chileno Patrício Guzman, "o documentarista é um testemunho que toma partido, que se envolve plenamente com o que conta e isto é bom", acrescentando: "O documentário não é um olho ou uma janela, sim uma representação da realidade. O único documentário objetivo está nas imagens das câmeras de vídeo dos bancos ou de controle do trânsito."[14] O filme "O Velho" não só está repleto de erros factuais grosseiros, revelando de parte de seus autores um desconhecimento total da história da época e, em particular, da vida de Prestes, como incorre em graves deturpações e distorções em relação ao período histórico supostamente retratado com imparcialidade. Na verdade, o que se percebe no filme é a repetição - embora de forma mais sofisticada - de conhecidas calúnias e inverdades, que a direita sempre lançou contra os comunistas e, em especial, contra Luiz Carlos Prestes. Como seria possível concordar com a opinião do júri do festival intitulado "É tudo verdade", que premiou "O Velho", quando afirma que o documentário retratou com fidelidade a história do Cavaleiro da Esperança, se a cada passo do filme nos deparamos com erros escandalosos e imperdoáveis? O célebre Manifesto de Maio de 1930, lançado por Prestes em Buenos Aires, foi parar no mês de julho. A foto de Clotilde Prestes é mostrada como sendo de sua mãe, Leocadia Prestes. O filme mostra cenas da mãe de Prestes recebendo cartas supostamente por ele enviadas durante a Marcha da Coluna, algo totalmente impossível de ter acontecido, pois os rebeldes, ao marcharem pelo interior do Brasil, careciam de qualquer meio de comunicação com as grande cidades e a capital do país. Da mesma forma, os acontecimentos de 1930, quando Prestes rompeu com os "tenentes" (e não com Vargas, como se diz no filme), estão invertidos em sua ordem cronológica, tornando-os incompreensíveis. O general Miguel Costa é citado como chefe da Revolta tenentista de 1924 em S.Paulo e como presidente da Aliança Nacional Libertadora em 1935, o que, em ambos os casos, não corresponde à realidade. Afirma-se que Prestes não teria sabido, na prisão, do falecimento da mãe, o que também não é verdade. Omite-se inteiramente a intensa atividade desenvolvida por Prestes na Europa, durante os anos 70, em solidariedade aos presos e perseguidos políticos no Brasil, criando uma imagem deturpada de sua vida política nesse período. Etc. etc. Trata-se, pois, de uma sucessão de erros, imprecisões e deturpações grosseiras da vida do personagem supostamente retratato, assim como do período histórico em que ele atuou. Mais uma vez, são repetidos os estereótipos criados pela direita e consagrados pela História Oficial sobre a suposta "Intentona Comunista" - na realidade, um movimento de caráter antifascista, antiimperialista e antilatifundista, que jamais pretendeu implantar o comunismo no Brasil, conforme a versão difundida pelos donos do poder. Mais uma vez, repetem-se as calúnias contra os comunistas e, em particular, contra Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, de que seriam meros "agentes de Moscou", empenhados em deflagrar uma revolução comunista no Brasil, falsificação grosseira da história e total deturpação do efetivo caráter das relações que imperavam entre os partidos comunistas, no seio da Internacional Comunista. Embora os autores de "O Velho" tenham adotado uma postura de aparente imparcialidade, na medida em que entrevistaram as mais variadas pessoas, seja de direita seja de esquerda, na realidade, o filme revela uma linha político-ideológica definida e apresenta uma mensagem de caráter anticomunista bastante evidente. O principal analista dos acontecimentos de 1935, sintomaticamente, é o jornalista W. Waack, cuja "interpretação" da história não passa de uma grotesca e caricata manipulação dos documentos por ele consultados nos arquivos de Moscou.[15] Da mesma forma, a análise da Coluna Prestes é feita por Eliane Brum, jornalista que se distinguiu pela maneira irresponsável e tendenciosa como tratou a memória desse importante episódio da nossa história, numa série de reportagens de péssima qualidade, surpreendemente publicadas posteriormente em livro.[16] Segundo E. Brum, a Coluna não teria passado de um grupo de bandidos e estupradores, que percorreram o Brasil cometendo todo tipo de desatinos contra as populações do interior do país - tese que não consegue sustentar-se diante da evidência dos fatos hoje amplamente conhecidos.[17] Em contrapartida, o papel destinado, no filme de T. Venturi, aos entrevistados de esquerda é claramente subalterno. Os historiadores Nelson Werneck Sodré e Marly Vianna ficaram com os seus depoimentos prejudicados pelos cortes frequentes e abruptos, que não permitem ao espectador acompanhar devidamente a exposição de suas idéias e os argumentos por eles apresentados. As entrevistas de intelectuais como Oscar Niemeyer e Ferreira Gullart, em que são externadas opiniões favoráveis a Prestes e aos comunistas, aparecem ligeiramente e sem o destaque dado aos depoimentos de seus inimigos ou adversários. Tanto os autores do documentário quanto os membros do júri que o premiaram revelaram, no mínimo, um total desprezo pela verdade, que o referido festival pretendia retratar. Ao incluir o documentário citado na mostra "É tudo verdade", e, mais ainda, ao premiá-lo, os organizadores do festival e o seu júri, da mesma forma como aqueles órgãos de divulgação que se mostraram empenhados em sua propaganda, estão, na prática, contribuindo para a desinformação do público e para que os estereótipos fartamente propalados pelo anticomunismo dos tempos da "guerra fria" continuem presentes, influindo na formação das novas gerações que, dessa forma, ficarão ainda mais distantes do conhecimento de nossa história contemporânea. Com o filme "O Velho", temos mais um exemplo edificante de como se fabrica e se difunde a HISTÓRIA OFICIAL - aquela que contribui para assegurar a hegemonia dos donos do poder -, num período histórico de avanço da chamada "globalização", ou seja, de derrota, no cenário internacional, das forças alinhadas com a perspectiva socialista e de progresso e justiça social. Para quem se interessa seja pela história do Brasil seja pela vida de Luiz Carlos Prestes, parece oportuno lembrar estas questões. Com o filme "O Velho", assistimos a mais uma tentativa empreendida pelos "intelectuais orgânicos" comprometidos, consciente ou inconscientemente, com a direita de acabar com os "mitos" da esquerda. Neste caso, trata-se, principalmente, de desmoralizar, desgastar, banalizar e tornar inofensiva, para os donos do poder, a figura de Luiz Carlos Prestes. Da mesma forma, procura-se acabar com outro "mito", que na última década conquistou os corações e as mentes de milhões de pessoas, tanto no Brasil quanto no exterior, através do livro Olga de Fernado Morais[18] - a figura da revolucionária e comunista Olga Benário Prestes, tragicamente assassinada numa câmera de gás de um campo de concentração da Alemanha nazista, para onde fora ilegalmente deportada pelo governo de Getúlio Vargas. A tática da deturpação histórica vem se tornando cada vez mais generalizada, utilizando-se os seus mentores dos atuais meios de comunicação de massa, extremamente poderosos e sofisticados. Dentre eles, o cinema adquire uma importância capital, na medida em que, através da imagem, torna-se possível exercer uma influência muito maior junto ao grande público. Parece sintomático que, no mesmo momento em que é lançado o documentário "O Velho", também se dê a estréia do filme de longa metragem "O que é isso companheiro?" de Bruno Barreto. Temos um novo exemplo de manipulação da história recente do país, quando os episódios relacionados com o sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, em 1969, são apresentados de maneira a condenar a violência dos jovens sequestradores - que lutavam contra a ditadura militar, embora se possa discordar dos métodos por eles utilizados, - e a sutilmente desculpar a violência da ditadura; chega-se ao extremo de procurar "amenizar" o horror da tortura institucionalizada durante os "anos de chumbo". Desta forma, adota-se uma postura conciliatória com a ditadura militar que dominou o país por mais de vinte anos, na tentativa de afastar os jovens de hoje de qualquer simpatia por atitudes de rebeldia ou contestação à ordem vigente. Procura-se, assim, acabar com o "mito" das esquerdas no Brasil. A manipulação da memória histórica pelos donos do poder não é nova. Já no caso do tenentismo, tivemos um exemplo de como, a partir da vitória do movimento de 30, os "intelectuais orgânicos" ligados ao poder, procuraram utilizar-se do prestígio dos jovens "tenentes" da década de vinte para justificar as políticas implementadas pelos setores dominantes.[19] A novidade atual reside na intenção declarada de alcançar, através de expedientes cada vez mais elaborados e sutis - quando a tecnologia avançada dos dias de hoje é colocada a serviço dos desígnios das forças de direita -, a "desmitificação" seja dos acontecimentos seja dos personagens que ainda provocam admiração e respeito junto a setores significativos da sociedade. Este é o caso, no Brasil, de Luiz Carlos Prestes - personalidade respeitada e admirada até mesmo por seus adversários políticos, personagem símbolo da luta revolucionária no país, da luta pelo socialismo no Brasil. Este é o caso, também, de Olga Benario Prestes - personagem heróica das esquerdas tanto no Brasil quanto no cenário mundial, imortalizada nas páginas comoventes do livro Olga. Este é o caso dos jovens revolucionários que lutaram e tombaram tragicamente na luta contra a ditadura implantada no país em 1964. Este será o caso de muitos outros acontecimentos e personagens de esquerda, enquanto essa estratégia "desmitificadora" da direita não for neutralizada e derrotada. x x x Artigo publicado na revista Cultura Vozes, n° 4, volume 91, Petrópolis (RJ), julho-agosto de 1997, p.51- 62. -------------------------------------------------------------------------------- [1] BOBBIO, Norberto. Op. cit., p. 24. [2] HOBSBAWM. Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. S.P., Comp. das Letras,1995, p. 15. [3] PETRAS, James. Ensaios contra a Ordem.S.P., Ed. Scritta, 1995, p. 55. [4] Cf., por exemplo, WAACK, William. Camaradas: nos arquivos de Moscou: a história secreta da revolução brasileira de 1935. S.P., Comp. das Letras, 1993, p. 11. [5] Cf. RAMOS, Saulo. "Entrevista", EXAME VIP, Nº 9, 2/10/91, P. 24-31. [6] Cf. WAACK, W. Op. cit., capítulo 2. [7] Documentos que se encontram no processo movido contra L.C. Prestes pelo Tribunal de Segurança Nacional, hoje depositados no Arquivo do STM, sediado em Brasília. [8] Sobre a Galeria Olga Benario, cf. EHRENFORT, Petra, "A Galeria Olga Benario em Berlim 'Queremos fazer um trabalho do qual Olga se orgulhasse!'", in STRAUSS, Dieter (org.) Não Olhe nos Olhos do Inimigo: Olga Benario e Anne Frank. R.J., Paz e Terra, 1995, p. ll5- 118. [9] Cf. SANTOS, Elza Fernandez, "Chile revê o seu passado", Jornal do Brasil, R.J., "Caderno B", 6/5/97, p.2. [10] A autora deste artigo, filha de L.C. Prestes, recusou a pensão de coronel do Exército do seu pai, assinando termo de renúncia, encaminhado oficialmente ao Ministério do Exército, datado de 10/08/92. [11] A víuva de Prestes, contrariando a vontade por ele expressa em vida, solicitou ao Ministério do Exército a reintegração de Prestes no Exército e a pensão militar, que foi concedida às suas filhas mulheres. [12] Cf., por exemplo, CONY, Carlos Heitor, "Prestes teve o ímpeto dos puros e ingênuos", Folha de S. Paulo, "Folha Ilustrada", S.P., 11/04/97, p. 19. [13] Cf. Folha de S.Paulo, "Folha ilustrada", 23/04/97. [14] Cf. SANTOS, Elza Fernandes. Op. cit. [15] Cf. WAACK, W. Op. cit. [16] Cf. BRUM, Eliane. Coluna Prestes: o Avesso da Lenda. Porto Alegre, Artes e Ofícios, 1994. [17] Cf. PRESTES, Anita Leocadia. A Coluna Prestes. 3ª ed. S.P., Brasiliense, 1991. [18] MORAIS, Fernando. Olga. S.P., Ed. Alga-Omega, 1985. [19] Cf. PRESTES, Anita Leocadia. "70 anos da Coluna Prestes: a história oficial ontem e hoje", Cultura Vozes, nº 5, setembro-outubro/1994, p. 67-76. ============================================================================================================= Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101216/e9dc31f7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 16 19:29:17 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 16 Dec 2010 19:29:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Reformismo_revolucion=E1rio=3A_a?= =?iso-8859-1?q?_estrat=E9gia_da_esquerda_latino-_americana_america?= =?iso-8859-1?q?na_Am=E9rica_Latina_-?= Message-ID: <315AD1A9A4664C588B585E44D281D9FC@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: "Vanderley Caixe Filho" Reformismo revolucionário: a estratégia da esquerda latino- americana americana América Latina - Carta Maior - [Luiz Marques] "Estado", "política","história", "revolução" são as ferramentas da esquerda latino-americana para atacar as consequências e também as causas do capitalismo, promovendo ao mesmo tempo a integração do Continente em termos políticos, ser condensada na fórmula do pensador judaico- romeno Lucien Goldmann: "reformismo revolucionário". Algumas palavras pareciam condenadas à lata de lixo, sob a pressão dounária das últimas décadas. "Estado" é uma delas. Acusado de perdulário, mastodôntico e ineficiente em contraposição à livre iniciativa, apresentada como paradigma, o aparelho estatal foi execrado para justificar as desregulamentações e o desmonte que vitimaram os serviços públicos. Embalados pelo canto de sereia do fenômeno divulgado na condição de uma tendência inexorável, que converteria o planeta em uma aldeia global, muitos inclusive iam ao cúmulo de classificar de inútil a escolha de presidente para os Estados nacionais. As eleições teriam perdido o sentido frente a uma realidade na qual as linhas principais da política econômica seriam ditadas pelo FMI e o Banco Mundial. Das "Diretas já" às "Indiretas sempre", um passo à frente, dois atrás. Considerando que, quem fala Estado fala política, esta sob a hegemonia do neoliberalismo foi também minimizada e criminalizada. Basta lembrar o argumento de Fernando Henrique Cardoso para reprimir a greve dos petroleiros no primeiro mandato: "Trata-se de um movimento... político". Pior, contrário à intenção tucana de privatização da Petrobrás. Dê-lhe tanques Analiticamente, para o príncipe do Consenso de Washington, os petroleiros cometiam então três delitos: a) intervinham como um corpo coletivo organizado, quando apenas a desobediência civil de indivíduos que moderno significava entreguismo. A repressão manu militari sobre os trabalhadores mobilizados marcou o início de um retrocesso civilizacional de resultados perversos para o povo brasileiro. FHC, no caso, agiu de acordo com uma antiga aspiração das elites, eliminar a política das ruas e, no limite, esconjurá-la para longe do próprio Estado. Não à toa, Platão propunha para os postos hierárquicos de mando na sociedade os "filósofos". Saint-Simon, os "industriais". John Galbraith, os "tecnocratas". Hoje fala- subjetiva dos governantes. No fundo, essa visão gerencial sobre o exercício do poder central reflete a ao conteúdo de cada projeto político-ideológico. Como se as políticas públicas não tivessem governo conforme a tabela de celebridades do Financial Times, tenha descrito Dilma Rousseff como "uma gestora pública, tecnocrata de boa formação, de bom senso e experiente, o que será muito bom para o Brasil"(Zero Hora, 12/12/2010). A completa assepsia política da descrição traduz o desejo atávico das classes dominantes, desde a remota Antiguidade. Do triunfalismo à surpresa Francis Fukuyama, em 1989, com anunciou o fim da história e fixou um programa máximo (sic) para o Ocidente: a economia de mercado a democracia representativa. Inaugurava a ideologia imperialista da Nova Ordem Mundial. A senha para um padrão implacável de relações econômicas, que não aceitavam discussão e cobravam obediência imediata sob ameaça de denunciou o geógrafo Milton Santos com o neologismo "globalitarismo", para realçar o viés totalitário da globalização neoliberal. cidadania ativa. O capital, triunfante, decretava a paz perene. Como no verso de T. S. Eliot, "sonhando com no emblemático dia em que entrava em vigor a North American Free Trade Agreement (Nafta), o tratado de livre comércio dos Estados Unidos com o Canadá e o México, em 1° de janeiro de 1994, mostrou que a recusa à exploração e à opressão mantinha-se acesa sob as cinzas. Em paralelo, a experiência do Orçamento Participativo nos anos 90 revelou quea socialização da política é o melhor antídoto à apatia das camadas empobrecidas, à corrupção e às demasias burocráticas da administração pública. Em uma conjuntura nacional e internacional repleta de adversidades, a criatividade e a irresignação cidadãos. A dominação capitalista não afigurava-se como uma fatalidade ou um destino, "surpreendendo história", enfatizou a socióloga Laura Tavares Soares (Os custos sociais do ajuste neoliberal na América Latina, SP, Ed. Cortez, 2000). A dialética corcoveava, rejuvenescida na linguagem sem esquematismos do subcomandante Marcos e nas assembléias comunitárias do prefeito Olívio Dutra. Preparava-se o terreno para o I Fórum Social Mundial Movimentos tradicionais (com vetor no trabalho) somavam-se aos contemporâneos (feministas, ecológicos, contra a fome, etc) para questionar a gramática da exclusão, reatualizar o valor da solidariedade e devolver esfumavam-se. As bandeiras vermelhas regressavam às praças. Mas havia pedras no caminho. E a"imprensalão" tencionou à procura de desvios, fabricando uns tantos com sensacionalismo e ódio de classe. Assustados e incapazes de uma leitura correta sobre os acontecimentos, os setores médios afastaram-se da estrela guia. A militância petista não se intimidou, porém, e a caravana popular seguiu avante comunicando-se em reassumia, aos poucos, suas funções clássicas para atender as demandas da população, e um papel e regionais. "Estado", "política", "história" foram palavras recontextualizadas graças à ascensão das forças anti-neoliberais na AL. Céu com nuvens carregadas Vislumbram-se outras batalhas no horizonte. A direita articulada em torno do Tea Party, o nó górgio do redobra a disposição conservadora de organizar o conjunto das relações sociais pela premissa da condição natural hobbesiana que faz do homem lobo do homem. A barbárie continua pedindo passagem para romper o contrato social de proteção aos direitos e espalhar a miséria e o sofrimento. Fuck you! soberanas, buscam superar o status quo. Sem que se possa esperar um freio à sede de sangue da ultra direita (vide post de Emir Sader: Obama e Lula, 09/12/2010) e nem consideração com o princípio elementar dilemas rondam o futuro. O Norte direitiza-se com extremismo; o Sul esquerdiza-se, embora com moderação e respeito à institucionalidade. É possível antecipar tensões e retaliações, com o alargamento da crise, do desemprego e da anomia social no território estadunidense. O Irã que se cuide Enquanto isso, o Brasil avança, reduz a pobreza, projeta um Estado de bem-estar social. Diante das inusitadas conquistas, referendadas com a vitória de Dilma, Lula utiliza o bordão "como nunca antes..." para chamar a atenção sobre o que está em curso no país. Tem nome, "Revolução Democrática". Rafael à "Revolução Bolivariana", em homenagem ao lendário libertador Simon Bolívar. Evo Morales, o presidente da Bolivia, à "Revolução Democrática e Cultural" como uma ponte para o "Neo-socialismo". O denominador comum é a idéia de "revolução", mais um mote maldito esquecido no porão que sacode a poeira e dá a volta por cima. Nenhuma alusão à luta armada, mas sim à elevação do nível de consciência das maiorias, ao empoderamento dos movimentos sociais, aos vínculos orgânicos desses com os partidos políticos comprometidos com as mudanças e aos progressos institucionais para aprofundar a democracia e a justiça social. "Não façam o que eu fiz", aconselhou Fidel Castro em reunião com um grupo de líderes reformadores sobre a questão do método (Che Guevara, 80Th Anniversary, Trilogy Collection, DVD) consequências e as causas do capitalismo, promovendo ao mesmo tempo a integração do Continente em pensador judaico-romeno Lucien Goldmann: "reformismo revolucionário". Paradoxal, só na aparência, como o realismo mágico de nossa literatura. La nave va. Luiz Marques é professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRG) ==================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101216/be3ce69c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 17 19:45:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Dec 2010 19:45:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_NOTA_DE_MANIFESTA=C7=C3O_DA_COMIS?= =?iso-8859-1?q?SAO_DE_ANISTIA_SOBRE_A_DECIS=C3O_DA_OEA=2E_por_Paul?= =?iso-8859-1?q?o_Abr=E3o_/_e=22_E_AGORA=2C_BRASIL=3F=22__por_F=E1b?= =?iso-8859-1?q?io_Konder_Comparato?= Message-ID: <45BCE5FEE18C4069AD12AD065E8001E7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem NOTA DE MANIFESTAÇÃO DA COMISSAO DE ANISTIA SOBRE A DECISÃO DA OEA A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vem, por intermédio desta nota pública, e a propósito da Sentença prolatada no dia 14.12.10 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) no Caso 11.552 Julia Gomes Lund e Outros VS Brasil (Guerrilha do Araguaia), manifestar o que se segue: 1. A Comissão de Anistia reconhece a sentença prolatada pela Corte IDH no caso Araguaia como um importante e decisivo marco para a promoção e a proteção dos Direitos Humanos no país. Esta decisão sinaliza de maneira inquestionável para a repulsa à prática de crimes contra a humanidade, especialmente quando cometidos pelo Estado contra os seus próprios cidadãos, afastando com veemência qualquer obstáculo que se interponha para a persecução e o julgamento dos responsáveis. 2. A Corte Interamericana determinou a responsabilidade internacional do Estado brasileiro pelo desaparecimento forçado de camponeses e militantes da Guerrilha do Araguaia e declarou que a Lei de Anistia de 1979 não pode seguir representando um obstáculo para a investigação, identificação e punição dos responsáveis pelos crimes de tortura, desaparecimento forçado e assassinato das vítimas da Guerrilha do Araguaia e tampouco pode ser aplicável a outros casos de graves violações de direitos humanos consagrados na Convenção Americana, ocorridos no Brasil. 3. Essa decisão demarca a superioridade da jurisdição internacional dos direitos humanos sobre as decisões judiciais do país que afrontem as suas determinações. Aguarda-se agora que o STF na ADPF 153 corrija sua decisão anterior ajustando aos preceitos internacionais de justiça como assim o fora exigido pela OAB. Afastar a aplicação da lei de anistia para torturadores no Brasil é tarefa para todas as instituições do Estado democrático. Em um momento histórico no qual o Brasil desponta com forte protagonismo no cenário internacional é indispensável que o país seja um exemplo nas suas políticas públicas e entendimentos judiciais quanto ao tema dos Direitos Humanos e no respeito às jurisdições internacionais às quais o país se submete por sua própria e soberana vontade. É indispensável, portanto, que a decisão da Corte IDH no caso Araguaia seja integralmente cumprida pelo Estado brasileiro. 4. O Poder Judiciário e o Ministério Público brasileiros têm papel fundamental para que a sentença seja plenamente cumprida, uma vez que deverão promover a investigação e a responsabilização daqueles agentes que durante a Ditadura Militar cometeram crimes de lesa humanidade. A Lei n. 6683, de 1979, conforme expôs o tribunal interamericano, não pode ser aplicada em benefício dos autores destes crimes, e as ações penais contra os supostos responsáveis deverão ser examinadas pela jurisdição comum e não pelo foro militar. A Comissão de Anistia coloca-se à disposição de juízes, promotores e procurados para colaborar com o pleno cumprimento da decisão apresentando todos os relatos e documentos disponibilizados em seu amplo acervo de reparação às vítimas. 5. Com esta decisão, a Comissão de Anistia espera que a Justiça Federal do Rio de Janeiro desbloqueie o pagamento das justas indenizações aos 45 camponeses atingidos pela repressão à Guerrilha do Araguaia. 6. A Comissão de Anistia reconhece e parabeniza a incansável luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia bem como o Centro pela Justiça e o Direito Internacional- CEJIL, que representou os brasileiros perante à Corte e todas as pessoas e organizações que concorreram para a ação como amicus curiae. E felicita a Corte Interamericana e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos pelas coerentes decisões que hoje fortalecem a democracia brasileira. Sessão Plenária da Comissão de Anistia, de 15 de dezembro de 2010. Paulo Abrão Presidente ==================================================================================== E AGORA, BRASIL? Fábio Konder Comparato A Corte Interamericana de Direitos Humanos acaba de decidir que o Brasil descumpriu duas vezes a Convenção Americana de Direitos Humanos. Em primeiro lugar, por não haver processado e julgado os autores dos crimes de homicídio e ocultação de cadáver de mais 60 pessoas, na chamada Guerrilha do Araguaia. Em segundo lugar, pelo fato de o nosso Supremo Tribunal Federal haver interpretado a lei de anistia de 1979 como tendo apagado os crimes de homicídio, tortura e estupro de oponentes políticos, a maior parte deles quando já presos pelas autoridades policiais e militares. O Estado brasileiro foi, em conseqüência, condenado a indenizar os familiares dos mortos e desaparecidos. Além dessa condenação jurídica explícita, porém, o acórdão da Corte Interamericana de Direitos Humanos contém uma condenação moral implícita. Com efeito, responsáveis morais por essa condenação judicial, ignominiosa para o país, foram os grupos oligárquicos que dominam a vida nacional, notadamente os empresários que apoiaram o golpe de Estado de 1964 e financiaram a articulação do sistema repressivo durante duas décadas. Foram também eles que, controlando os grandes veículos de imprensa, rádio e televisão do país, manifestaram-se a favor da anistia aos assassinos, torturadores e estupradores do regime militar. O próprio autor destas linhas, quando ousou criticar um editorial da Folha de S.Paulo, por haver afirmado que a nossa ditadura fora uma "ditabranda", foi impunemente qualificado de "cínico e mentiroso" pelo diretor de redação do jornal. Mas a condenação moral do veredicto pronunciado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos atingiu também, e lamentavelmente, o atual governo federal, a começar pelo seu chefe, o presidente da República. Explico-me. A Lei Complementar nº 73, de 1993, que regulamenta a Advocacia-Geral da União, determina, em seu art. 3º, § 1º, que o Advogado-Geral da União é "submetido à direta, pessoal e imediata supervisão" do presidente da República. Pois bem, o presidente Lula deu instruções diretas, pessoais e imediatas ao então Advogado-Geral da União, hoje Ministro do Supremo Tribunal Federal, para se pronunciar contra a demanda ajuizada pela OAB junto ao Supremo Tribunal Federal (argüição de descumprimento de preceito fundamental nº 153), no sentido de interpretar a lei de anistia de 1979, como não abrangente dos crimes comuns cometidos pelos agentes públicos, policiais e militares, contra os oponentes políticos ao regime militar. Mas a condenação moral vai ainda mais além. Ela atinge, em cheio, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República, que se pronunciaram claramente contra o sistema internacional de direitos humanos, ao qual o Brasil deve submeter-se. E agora, Brasil? Bem, antes de mais nada, é preciso dizer que se o nosso país não acatar a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, ele ficará como um Estado fora-da-lei no plano internacional. E como acatar essa decisão condenatória? Não basta pagar as indenizações determinadas pelo acórdão. É indispensável dar cumprimento ao art. 37, § 6º da Constituição Federal, que obriga o Estado, quando condenado a indenizar alguém por culpa de agente público, a promover de imediato uma ação regressiva contra o causador do dano. E isto, pela boa e simples razão de que toda indenização paga pelo Estado provém de recursos públicos, vale dizer, é feita com dinheiro do povo. É preciso, também, tal como fizeram todos os países do Cone Sul da América Latina, resolver o problema da anistia mal concedida. Nesse particular, o futuro governo federal poderia utilizar-se do projeto de lei apresentado pela Deputada Luciana Genro à Câmara dos Deputados, dando à Lei nº 6.683 a interpretação que o Supremo Tribunal Federal recusou-se a dar: ou seja, excluindo da anistia os assassinos e torturadores de presos políticos. Tradicionalmente, a interpretação autêntica de uma lei é dada pelo próprio Poder Legislativo. Mas, sobretudo, o que falta e sempre faltou neste país, é abrir de par em par, às novas gerações, as portas do nosso porão histórico, onde escondemos todos os horrores cometidos impunemente pelas nossas classes dirigentes; a começar pela escravidão, durante mais de três séculos, de milhões de africanos e afrodescendentes. Viva o Povo Brasileiro! ==================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101217/92b2be59/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 17 19:45:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 17 Dec 2010 19:45:13 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Chacina_da_Lapa=3A_Para_n=E3o_mai?= =?iso-8859-1?q?s_esquecer!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Chacina da Lapa: para não mais esquecer* (escrito por ocasião dos 30 anos da Chacina da Lapa em 2006) Por Augusto Buonicore "Apesar de sua importância para a história brasileira, este acontecimento é ainda pouco conhecido. Tornou-se quase um senso comum a idéia de que o último assassinato político cometido pelo regime militar foi o que vitimou o jornalista Wladimir Herzog, em 23 de outubro de 1975", escreve o historiador Augusto Buonicore, neste artigo. Vejam abaixo o link para o livreto produzido pelo Instituto Maurício Grabois para relembrar os 30 anos da Chacina da Lapa. No Brasil de Geisel ainda se tortura e se mata "Comunico-lhe que o seu PCdoB acabou". Esta frase dita por um policial-torturador ao dirigente comunista Haroldo Lima um dia após a sua prisão mostra bem o nível de arrogância dos agentes da ditadura militar. Os fatos, porém, pareciam confirmar aquele trágico anúncio. Um jornal do dia 17 de dezembro, ecoando a opinião do regime discricionário, também estampava: "O PCdoB foi destruído". Esta não seria a primeira vez que frases como estas seriam pronunciadas e impressas com destaque na grande imprensa. No dia anterior, 16 de dezembro, numa verdadeira operação de guerra, os órgãos de segurança haviam invadido uma casa modesta - localizada na Rua Pio XI, nº. 767 no bairro da Lapa em São Paulo - e assassinado friamente dois dos mais importantes dirigentes comunistas brasileiros: Pedro Pomar e Ângelo Arroyo. Poucas horas antes outro dirigente, João Batista Drummond, havia sido morto durante uma sessão de tortura no DOI-CODI paulista. A versão mentirosa da ditadura foi que Ângelo e Pedro haviam resistido à prisão e que João Batista havia sido atropelado ao tentar fugir da polícia. Este foi o último massacre de militantes de organizações da esquerda que combatiam a ditadura. Apesar de sua importância para a história brasileira, este acontecimento é ainda pouco conhecido. Tornou-se quase um senso comum a idéia de que o último assassinato político cometido pelo regime militar foi o que vitimou o jornalista Wladimir Herzog, em 23 de outubro de 1975, ou o que atingiu o operário Manoel Fiel Filho, morte ocorrida nas mesmas condições menos de três meses depois. Os assassinatos destes dois militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ocorridos cerca de um ano antes do trágico acontecimento da Lapa, tiveram grande repercussão e desencadearam protestos de amplos setores da sociedade brasileira e no exterior. O escândalo levou a demissão do comandante do II Exército, General Ednardo Mello. Este representava o setor mais truculento do regime e se opunha à "abertura lenta, gradual e segura" apregoada pelo general-presidente Ernesto Geisel. Ednardo foi substituído pelo general Dilermando Monteiro, considerado um membro da ala liberal do regime. Para muitos, esta mudança de comando teria consolidado a transição para a democracia e posto um fim ao terrorismo de Estado, iniciado em abril de 1964 e radicalizado com a promulgação do AI-5 em dezembro de 1968. No entanto, a Chacina da Lapa seria um duro desmentido a esta tese. No Brasil de Geisel e Dilermando ainda se torturava e se matava aqueles que ousavam a desafiar o poder militar. Foi durante este governo, por exemplo, que foram assassinados os últimos guerrilheiros do Araguaia e iniciou-se a operação de extermínio da direção do PCB. Entre nós um traidor A casa onde se reunia a direção nacional do Partido Comunista do Brasil, somente pode ser descoberta graças à colaboração de um traidor chamado Jover Telles. Este era membro do Comitê Central e havia sido preso pouco tempo antes e concordou em colaborar com os órgãos de repressão na captura dos seus camaradas de partido. Um agente da repressão confirmou que Jover foi preso no Rio de Janeiro três meses antes e havia decidido colaborar no desmonte da direção partidária "em troca de bom tratamento e emprego para ele e sua filha na fábrica de armas Amadeo Rossi, no Rio Grande do Sul". Em 1996, Jover foi candidato a vereador pelo PPB de Paulo Maluf na pequena cidade que, ironicamente, chamava-se Arroyo dos Ratos. Conforme foi revelado no livro "Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha" de Taís Morais e Eumano Silva, no dia 8 de dezembro Jover Telles deu um depoimento cordial aos órgãos de repressão e no dia 11 se apresentou tranquilamente no ponto onde seria pego para ser transportado ao local no qual ocorreria a reunião da Comissão Executiva do PCdoB. Esta se realizou entre os dias 12 e 13 de dezembro e no dia seguinte teve início a reunião do Comitê Central. Mesmo sabendo que a casa estava cercada e que os membros da direção comunista poderiam ser presos e até mortos, ele calmamente participou de toda a reunião e durante os debates ainda se colocou entre aqueles que mais duramente criticaram a experiência armada ocorrida na região do Araguaia, considerando-a foquista. Em 15 de dezembro, quando os participantes da reunião começaram a abandonar o local, sempre conduzidos pela dirigente Elza Monnerat e o motorista Joaquim Celso de Lima, o cerco policial se fechou e tiveram início as prisões, torturas e o frio extermínio dos líderes comunistas. Foram aprisionados, e depois barbaramente torturados, cinco membros do Comitê Central, Elza Monnerat, Aldo Arantes, Haroldo Lima, Wladimir Pomar, João Batista Drummond, além de dois militantes: Joaquim Celso de Lima e Maria Trindade. José Novaes, que teve a sorte de sair junto com Jover Telles, foi o único participante da reunião, além do traidor, que não foi preso. Se apenas Jover escapasse ileso atrairia a atenção sobre ele. Na manhã do dia 16 de dezembro iniciou-se o derradeiro ataque contra a casa na qual ainda se encontravam dois membros do Comitê Central: Ângelo Arroyo e Pedro Pomar. Segundo testemunhas, eles estavam desarmados e não foi lhes dado nenhuma chance de defesa. A repressão chegou atirando. O corpo de Pomar tinha cerca de 50 perfurações de bala. A polícia política remontou a cena do massacre, colocando armas ao lado dos corpos inermes, e divulgou a falsa versão de que eles haviam sido mortos durante um intenso tiroteio. Já em plena abertura política, a maioria dos órgãos da grande imprensa vendeu a versão oficial, sem grande contestação. Cerco e aniquilamento Nesta operação policial-militar, a repressão também pretendia assassinar João Amazonas, como se depreende da entrevista de Dilermando Monteiro, publicada em 13/12/1978 na revista ISTO É. Nela o general afirmava: "Nós descobrimos que naquele dia iria haver uma reunião em tal lugar, com a presença de tais e tais elementos, e aí fomos um pouco embromados, porque constava para nós que o João Amazonas estaria presente e o mesmo estava na Albânia, mas para nós ele estaria presente naquela reunião". Pedro Pomar deveria ser o membro da direção que viajaria para China e Albânia para informar da derrota da guerrilha e participar do congresso do PTA. Mas, a doença de sua esposa o fez trocar de lugar com João Amazonas. A viagem não planejada, e nem desejada, salvou Amazonas de uma morte certa. Estes dois dirigentes comunistas iniciaram sua amizade e militância em Belém do Pará, ainda na década de 1930. Foram deputados federais e responsáveis pela reorganização do Partido no final do Estado Novo e no início da década de 1960, quando houve a grande cisão do movimento comunista brasileiro. Em 1976 o PCdoB era a única organização revolucionária clandestina que ainda se mantinha minimamente organizada, com uma direção nacional que conseguia se reunir periodicamente e um jornal, A Classe Operária, que circulava com certa regularidade. Para os generais era preciso primeiro limpar o terreno político da presença indesejável das organizações de esquerda, especialmente comunistas, para depois implantar o seu modelo de democracia, restrita e elitista. A repressão, depois de destroçar as organizações que promoveram a guerrilha urbana, partia para desmantelar o Partido que realizara o principal movimento guerrilheiro contra a ditadura militar: a Guerrilha do Araguaia. Entre dezembro de 1972 e março de 1973 foram assassinados os dirigentes comunistas Carlos Danielli, Lincoln Cordeiro Oest, Luiz Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. Nos anos seguintes, entre 1974 e 1975, tombaram Ruy Frazão e Armando Frutuoso. Todos morreram na tortura. O ódio dos generais reacionários contra o Partido que havia dirigido a experiência guerrilheira no Araguaia era enorme. Destruir o PCdoB era o sonho obstinado desses senhores, um sonho que parecia ter se realizado naquela manhã de 16 de dezembro de 1976. A notícia do crime correu o mundo e ocorreram várias manifestações de protestos em vários países. Destaca-se a moção do PC da China e do Partido do Trabalho da Albânia. Em Portugal ocorreu um grande ato que reuniu milhares de pessoas em repúdio ao massacre da Lapa e exigindo a liberdade dos presos políticos. Um manifesto com 40 mil assinaturas também foi entregue ao embaixador brasileiro em Lisboa. A mais bela homenagem foi a música Sangue em Flor, composta em homenagem aos mártires da Lapa. Na sua última estrofe dizia: "Onze vidas na prisão/Com planos de justiça e pão/ Nas mãos sangrentas da tortura/ Não há sol na ditadura/ Nem sangue que vença a razão". Tal qual a Fenix Passados 30 anos o sonho das elites conservadoras se transformou num pesadelo. O Partido Comunista do Brasil não só sobreviveu como se fortaleceu. Menos de dois anos depois do massacre, em 1978, o Partido já estava reorganizado e realizava a sua VII Conferência Nacional. Ela armaria, teórica e politicamente, o PCdoB para participar e influir nas grandes lutas populares e democráticas que eclodiriam no país nos últimos anos da década de 70 e início da década de 80. O Partido teve participação destacada na luta contra a ditadura militar, pela Anistia, contra a carestia, em defesa dos direitos sociais dos trabalhadores, pelas Diretas já! e pela vitória do candidato único da oposição no Colégio Eleitoral. Em 1985, com o fim da ditadura militar, conquistou sua legalidade. Milhares e milhares de trabalhadores e estudantes viriam engrossar as fileiras do Partido dos mártires do Araguaia e da Lapa. Hoje, os militantes do PCdoB estão à frente das duas maiores entidades estudantis do país - a UNE e a UBES - e dirigem a Confederação Nacional de Associações de Moradores (CONAM). Dirigem importantes sindicatos e têm ampliado o seu espaço na Central Única dos Trabalhadores, na qual tem a vice-presidência. Mas, o PCdoB não tem apenas uma significativa influência no movimento social, ele progressivamente ganha espaço no parlamento e nas várias instâncias do poder executivo. Exerce importantes responsabilidades nas instituições da República, a exemplo da presidência da Câmara dos Deputados, com o deputado Aldo Rebelo, e do Ministério do Esporte, com Orlando Silva Junior. Nas eleições de 2006 para o Congresso nacional, o PCdoB elegeu uma bancada de 13 deputados federais e um senador da República, o cearense Inácio Arruda - acontecimento que só foi observado em 1945, quando da eleição de Luís Carlos Prestes. O PCdoB tem ainda vários prefeitos, inclusive o de Aracajú, secretários estaduais e municipais, parlamentares nas Assembléias Legislativas e cerca de três centenas de vereadores espalhados por todos os estados brasileiros. O X congresso do PCdoB, realizado em outubro de 2005, afirmou em alto e bom som que o PCdoB vive, floresce e se capacita cada dia mais para ser uma das forças dirigentes do processo de transformação social que o Brasil tanto necessita. Ele reuniu mais de mil delegados representando 70 mil militantes. Nele, estiveram presentes 45 organizações comunistas e progressistas de todas as partes do mundo. Isto mostra o prestígio internacional angariado pelo Partido nestas últimas décadas. Este Congresso foi uma prova viva de que os homens e mulheres que pertenceram a esta organização e morreram defendendo a democracia, a soberania nacional, os direitos sociais dos trabalhadores e o socialismo continuam vivos no coração de cada militante da causa social e são motivos de orgulho do nosso povo. Quanto àqueles que os prenderam, os torturaram e os assassinaram estão "mais mortos que os próprios mortos" e são obrigados a viver nas sombras. Seus nomes não podem nem mesmo serem pronunciados. Pelo contrário, ao chamado de cada nome dos heróis da Lapa e do Araguaia, responderemos sempre e em uma só voz: Presente! Augusto César Buonicore é historiador, secretário-geral da Fundação Maurício Grabois e membro do Comitê Central do PCdoB *Artigo escrito por ocasião dos 30 anos da Chacina da Lapa e publicado em livreto do então Instituto Maurício Grabois (para baixar o livreto, clique aqui) =================================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101217/b056ca6f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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O evento contará com a presença do ministro Vannuchi assim como como os familiares de Rubens e será realizado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro na próxima terça-feira , dia 21 a partir das 10 da manhã Agradecemos a divulgação por meio das redes sociais, blogs, twitters etc.. Abraço, Maurice Politi Coordenador Projeto de Promoção de Direito à Memória e à Verdade Secretaria de Direitos Humanos/Presidência da República -------------------------------------------------------------------------------- Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Bradley Manning?s life behind bars Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu Bradley Manning, que supostamente vazou centenas de milhares de documentos secretos do governo para Julian Assange, do WikiLeaks, completa 23 anos de idade nesta sexta-feira, na prisão. Denver Nicks, de The Daily Beast, fez entrevista exclusiva com o advogado de Manning, que fala de seu confinamento solitário, do que ele lê (de George W. Bush a Howard Zinn) e da estratégia jurídica que pretende seguir. Da última vez em que Bradley Manning viu o mundo do lado de fora de uma prisão, a maioria dos americanos nunca tinha ouvido falar do WikiLeaks. Nesta sexta-feira, Manning, o homem que alegadamente vazou documentos sigilosos, colocando no mapa o site e seu polêmico líder, Julian Assange, completa 23 anos de idade atrás das grades. Desde sua prisão, em maio, Manning passou a maior parte desses mais de 200 dias em confinamento solitário. Fora receber um cartão e alguns livros da família, seu aniversário não será diferente. O advogado David Coombs revela detalhes importantes sobre Manning, a prisão e os gestos delicados de sua família que lhe trazem um pouco de conforto nessas duras condições carcerárias. "Eles escrevem que pensam nele e em seu aniversário, que o amam e apoiam", disse Coombs sobre a família Manning. A tia, em nome dos pais e da irmã, enviou cartão na quarta-feira pelo advogado, e Manning respondeu que também a ama e gostaria de estar com ela no aniversário. "Mas as visitas são permitidas apenas aos sábados e domingos; um deles vai vê-lo no sábado". Manning pediu uma lista de livros que sua família comprou e entregará nas próximas semanas, para coincidir com o aniversário e o Natal. Na lista? Decision Points, de George W. Bush; Crítica da Razão Prática e Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant,Propaganda, de Edward Bernayse, O gene egoísta, de Richard Dawkins, A People?s History of the United States, de Howard Zinn, A arte da guerra, de Sun Tzu, The Good Soldiers, de David Finkel, Da guerra, de Carl von Clausewitz. Manning está preso na base dos Fuzileiros Navais em Quântico, na Virgínia. Passa 23 horas por dia sozinho numa cela de tamanho padrão, com pia, vaso sanitário e cama. Não lhe são permitidos lençóis ou travesseiro, embora o primeiro-tenente Brian Villiard, oficial em Quântico, elogie o material "não-rasgável" permitido. "Eu segurei, senti, é macio, eu dormiria com ele", disse a The Daily Beast. Ele não está autorizado a fazer exercícios (funcionários de Quântico desmentem isso), mas começou a praticar ioga e alongamento. Durante uma hora por dia, uma TV sobre rodas é colocada em frente a sua cela e ele pode assistir a telejornais, geralmente locais, disse Coombs. Tem permissão para ler notícias também. Numa cortesia de Coombs, Manning tem agora assinatura de sua revista favorita, a Scientific American. A edição de novembro, "Hidden Worlds of Dark Matter", foi a primeira que recebeu. As condições em que Bradley Manning está sendo mantido poderiam traumatizar qualquer um (ver artigo de Glenn Greenwald na Salon - traduzido - para um resumo das questões jurídicas e psicológicas associadas ao confinamento solitário prolongado). Ele vive sozinho numa cela pequena, sem contato humano. É forçado a usar algemas quando está fora da cela e quando encontra as poucas pessoas autorizadas a visitá-lo uma divisória de vidro o separa delas. A não ser os funcionários da prisão e uma psicóloga, a única pessoa que fala com Manning cara a cara é seu advogado, que diz que o isolamento prolongado está pesando sobre a psique do cliente. Ao ser preso, Manning foi colocado sob "vigilância de suicídio", mas essa condição foi rapidamente alterada para "Vigilância de Prevenção de Lesões", sendo forçado a essa vida de tédio entorpecente. O tratamento é duro, punitivo e cobra seu preço, diz Coombs. Não há indício de que ele represente ameaça para si mesmo, e não deveria estar detido em condições tão severas a pretexto de sua própria proteção. "O comando baseia esse tratamento apenas na natureza das acusações pendentes e num incidente em que um funcionário da base cometeu suicídio", disse Coombs, referindo-se a um capitão de Quântico que se matou em fevereiro. Coombs disse acreditar que os funcionários mantêm Manning sob vigilância estreita por excesso de cautela. Ambos, Coombs e o psicólogo que atende Manning, têm certeza de que ele é mentalmente saudável. Manning, de Potomac, Maryland, enfrentará corte marcial pelas acusações de vazamento de informações secretas ao WikiLeaks, em violação do Código Uniforme de Justiça Militar. Ele planeja se declarar inocente no julgamento. Seu futuro é incerto. John Conyers, representante democrata de Michigan, em sessão do Congresso na quinta-feira (16/12) sobre o WikiLeaks, pediu calma e resposta equilibrada aos novos desafios que o site representa para o futuro da governança. "Quando todos nesta cidade se unem pedindo a cabeça de alguém é sinal de que precisamos desacelerar e olhar melhor". Ted Poe, republicano do Texas, pediu punição. "Não tenho simpatia alguma pelo suposto ladrão nessa situação", disse, insistindo em que a origem do vazamento seja responsabilizada. "Ele não é melhor do que o dono de loja de penhores do Texas que recebe mercadoria roubada e vende a quem pagar mais". O destino de Manning será determinado nos próximos meses. O que está claro hoje é que ele está preso sob extraordinariamente duras condições, mais duras do que as de Bryan Minkyu Martin, o especialista em inteligência naval que, alegadamente, tentou vender segredos militares a um agente disfarçado do FBI: ele está preso aguardando julgamento, mas não em confinamento solitário. Manning, que não foi julgado, passou a maior parte do ano incomunicável, como um condenado por crime hediondo. Coombs contesta a legalidade do que chama de ?punição preventiva? e trabalha para suspender as restrições. Denver Nicks é editor-assistente em The Daily Beast ================================================================================================= ----- Original Message ----- From: Vila Vudu Torturar Manning, para pegar Assange 16/12/2010, Glenn Greenwald, Salon http://www.salon.com/news/opinion/glenn_greenwald/2010/12/16/wikileaks No The New York Times de hoje, Charlie Savage explica o projeto do Departamento de Defesa para conseguir processar criminalmente WikiLeaks e Julian Assange. Os investigadores federais ?estão à procura de provas de que WikiLeaks e Bradley Manning conspiraram e planejaram os vazamentos ? tentando descobrir se Assange estimulou ou ajudou o soldado a vazar os documentos. ? Em seguida, poderão acusar Assange por conspiração. Assange deixará de ser visto como mero destinatário dos documentos vazados. Para conseguir isso, é indispensável persuadir o soldado Manning a depor contra Assange.? Há pelo menos dois comentários a fazer sobre tudo isso. Primeiro, o governo Obama enfrenta um grave dilema: ?está sob intensa pressão para que use Assange como exemplo, para deter uma torrente de vazamentos presentes e futuros?, como escreveu Savage. De outro lado, a evidência de que nem Assange nem WikiLeaks cometeram qualquer crime. Como vários professores da Columbia Journalism School explicam, opondo-se a qualquer tipo de condenação, é impossível inventar teorias que condenem Assange e Manning, sem, ao mesmo tempo, condenar todo o bom jornalismo investigativo. Pretender que WikiLeaks não recebeu e publicou material secreto, mas procurou o material secreto e ajudou os vazadores, é o modo que o Departamento de Justiça tenta inventar para distinguir o trabalho de Assange e WikiLeaks, e o jornalismo ?tradicional? [1]. Como Savage explica, essa teoria implicará que ?o governo evitará questões sobre por que não processa e condena, além de Assange e WikiLeaks, também todas as organizações tradicionais de mídia e todos os jornalistas investigativos que também publicam notícias que os governos decidam que não devam ser publicadas ? inclusive, claro, o New York Times." Toda essa argumentação é fictícia, porque essa distinção é totalmente ilusória. Só muito raramente acontece de jornalistas investigativos limitarem-se a esperar que lhes sejam enviadas informações secretas; todos eles trabalham muito para obter seus materiais; não é verdade que só se publiquem informações consideradas secretas quando acontece de haver vazamentos, e tudo amanhecer, de repente, na caixa de e-mails de jornalista perfeitamente passivo e inativo. Praticamente todos os jornalistas vivem em ativa procura de material secreto. Por isso, quando podem, estimulam vazadores potenciais para que entreguem os documentos que tenham, para que seja possível confirmar um ou outro boato, uma ou outra história; jornalistas também trabalham muito para obter que vazadores em potencial concordem com a publicação do material secreto que tenham em seu poder. Consultam outras fontes, para confirmar uma ou outra informação vazada, buscam fontes alternativas de vazamentos, que sirvam, uns, como comprovação de outros. Jim Risen e Eric Lichtblau contam como asseguraram absoluto anonimato a ?quase uma dúzia de militares, da ativa e da reserva?, para conseguir que revelassem o que sabiam sobre os programas de escuta clandestina da Agência Nacional de Segurança de Bush [2]. Dana Priest diz que falou com vários ?militares norte-americanos e estrangeiros?, para conseguir saber o que era o programa ?black site? da CIA [3]. Esses dois trabalhos renderam a esses jornalistas Prêmios Pulitzer ? e serviram como poderoso estímulo para que mais fontes procurassem mais jornalistas, todos desejosos de revelar, para que fossem publicados, os segredos aos quais tinham acesso. Em resumo, é trabalho rotineiro de jornalistas investigativos ? de fato, é a definição do trabalho dos jornalistas investigativos ? fazer exatamente o que o Departamento de Estado do governo Obama decidiu provar que WikiLeaks fez ou faz. Para conseguir acusar alguém do crime de ?conspiração?, porque vazou documentos secretos ou estimulou que alguém lhe entregasse documentos secretos, o Departamento de Estado prepara-se para criminalizar todo o jornalismo investigativo. Depois, então, o Departamento de Estado do governo Obama tratará de acusar o mesmo jornalismo investigativo também pelo crime de ?espionagem?, em todos os casos em que algum jornal publicou informação considerada secreta. Segundo, a história de Savage parece lançar substancial luz sobre o assunto de minha coluna de ontem, sobre as condições em que Manning continua detido [4]. A necessidade de forçar Manning a fazer declarações que incriminem Assange ? obrigá-lo a dizer que Assange, ativamente, antes dos vazamentos, ajudou Manning a ter acesso e a vazar aqueles documentos ? seria motivo óbvio para submeter Manning àquelas condições desumanas: se você quiser melhor tratamento, basta incriminar Assange. No Huffington Post ontem, Marcus Baram citou Jeff Paterson, que administra um fundo que financia o pagamento dos advogados que defendem Manning, e que teriam dito que Manning está extremamente abatido pelas condições em que está detido, mas que nada ainda se tornara público, para não prejudicar o trabalho dos advogados que tentam negociar melhores condições e tratamento ao preso. Seja verdade ou não, o Departamento de Justiça parece estar decidido a pressionar Manning para que incrimine Assange. É bizarro, de fato, que o Estado norte-americano considere fazer um acordo com funcionário do próprio Estado para tentar incriminar alguém que nada tem a ver com o Estado, e que publicou informação secreta que qualquer jornalista publicaria. Mas isso explica, pelo menos em parte (embora nem de longe justifique) o motivo pelo qual o governo mantém Manning em condições de tão violenta repressão: para ?amolecê-lo?, para ?induzi-lo? a dizer o que o mandem dizer e que pareça necessário para poder acusar formalmente WikiLeaks e Assange (...). Bob Woodward, por exemplo, não faz outra coisa na vida além de tentar seduzir, pressionar e até manipular funcionários do governo para que lhe entreguem informação secreta, material do qual produz seus livros. Bob Woodward será também ?conspirador? criminoso? Pela teoria do Departamento de Justiça dos EUA, sim. Tudo isso reforça uma evidência inescapável: não há meio legal pelo qual seja possível processar Assange e WikiLeaks sem, simultaneamente, criminalizar todo o jornalismo, porque o trabalho de WikiLeaks é absoluto e puro trabalho jornalístico, feito de atos jornalísticos: descobrir e divulgar o comportamento secreto das facções mais poderosas do mundo. É essa conduta ? não algum suposto crime ? que explica por que o Departamento de Justiça tanto precisa, tão urgentemente, processar alguém. -------------------------------------------------------------------------------- [1] 15/12/2010, http://news.firedoglake.com/2010/12/15/columbia-school-of-journalism-comes-out-against-prosecution-of-julian-assange/ [2] NYT, 16/12/2005, em http://www.nytimes.com/2005/12/16/politics/16program.html?_r=1 [3] Washington Post, 1/11/2005, em http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2005/11/01/AR2005110101644.html [4] ?As condições desumanas da prisão de Bradley Manning?, em português, em http://www.advivo.com.br/categoria/autor/glenn-greenwald. ============================================================================ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101218/b84323dc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 19 13:07:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Dec 2010 13:07:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_M=DASICAS_DAS_FARCS_-_EP_-_=28DES?= =?iso-8859-1?q?CARGA_DE_MP3s=29_S=E3o_v=E1rios_discos_para_baixar_?= =?iso-8859-1?q?e_ouvir=2E_________________________________________?= =?iso-8859-1?q?__________M=DASICAS!_HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Miguel Angel Las músicas de las FARC-EP ****Músicos rebeldes del mundo :: Para bajar la música de las FARC-EP puedes ir a las siguientes direcciones de TARINGA: DISCOS: *Canto a Manuel* http://www.megaupload.com/?d=GA551KBP *Son Valientes * http://www.megaupload.com/?d=ST8RX4IC *No hay patria sin libertad * http://www.megaupload.com/?d=TXOVV3JV *El retorno de Bolivar * http://www.megaupload.com/?d=EK2R1VJC *Las calles del futuro* http://www.megaupload.com/?d=VN7TV32S *Venceremos * http://www.megaupload.com/?d=23POUVIA ------------------------------ http://www.rosa-blindada.info -------------------- - "Solo los obreros y los campesinos iran hasta el fin, solo su fuerza organizada lograra el triunfo" Augusto C. Sandino - "de todas las clases que hoy se enfrentan con la burguesia, solo el proletariado es una clase verdaderamente revolucionaria" Carlos Marx y F. Engels, Manifiesto del Partido Comunista - "Sin Teoria Revolucionaria no hay Movimiento Revolucionario" Vladimir Ilich Ulianov - Lenin - "... Esta es la Revolución socialista y democrática de los humildes, con los humildes y para los humildes. Y por esta Revolución de los humildes, por los humildes y para los humildes, estamos dispuestos a dar la vida... " Fidel Castro R. -16-04-1961 - "Después de Nerón Somoza, la Revolución Popular Sandinista. Tal es la aspiración del movimiento guerrillero nicaragüense inspirado por el ideal justiciero de Carlos Marx, Augusto César Sandino y Ernesto Che Guevara, ideal de liberación nacional y socialismo, ideal de soberanía, tierra y trabajo, ideal de justicia y libertad" Carlos Fonseca A. - 15-08-1969 - "los terminos medios son la antesala de la traición" Ernesto Che Guevara - "Tenemos que hacer una lucha revolucionaria, y eso pasa, por forjar conciencia de clase, lo decía Marx... Se necesita ¡la conciencia de clase! para ser revolucionario; para no convertirse en un instrumento de la contrarrevolución" Daniel Ortega S. - 30-04-2008 - "Aqui en Venezuela, nuestra batalla es una expresión de la lucha de clases : El pueblo, las clases populares y los pobres contra los ricos y los ricos contra los pobres y los sectores populares" Hugo Chavez F. - 30-11-2008 - "que no se reblandezcan con los cantos de sirena del enemigo y tengan conciencia de que por su esencia, nunca dejará de ser agresivo, dominante y traicionero; que no se aparten jamás de nuestros obreros, campesinos y el resto del pueblo; que la militancia impida que destruyan al Partido" Raoúl Castro R. ============================================================================================ Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 7008 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101219/3bb22b23/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 19 13:07:36 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 19 Dec 2010 13:07:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_An=E1lise_=3A_Para_onde_vai_a_E?= =?windows-1252?q?uropa=3F?= Message-ID: <49D07350AF3D400BB49199F68B90726C@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Análise Para onde vai a Europa? A resposta à crise proposta pelos mercados (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) é cada vez mais voraz. A União Europeia necessita de outra estratégia. Estamos assistindo a uma verdadeira guerra dos mercados contra os Estados. O que estamos vendo é uma contrarrevolução social ?thatchero-reaganiana?. A questão é saber se as sociedades europeias vão aceitar isso. A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. O artigo é de Sami Nair. Sami Nair Depois da Grécia, a Irlanda. E depois, provavelmente, Portugal. Na sequência, não sabemos. O que é certo é que vários países estão ameaçados pelos mercados. A Espanha já está sob a alça da mira. Mas com o devido respeito pelos demais, o caso da Espanha é diferente. Trata-se da quarta economia da Europa (12% do PIB europeu) e é um peso pesado da política europeia. A dívida espanhola é três vezes superior à grega, seu déficit está, há dois anos, em torno de 10% do PIB, e o desemprego, que atinge todas as faixas de idade, está acima dos 20%. Se a Espanha recorrer ao fundo de resgate europeu, isso abriria também, de maneira inevitável, o caminho para ações especulativas contra Itália e França, o que significaria um giro decisivo para a Europa. O paradoxo é que a estratégia europeia de saída da crise mundial (desregulamentação do mercado de trabalho, deflação salarial, desemprego estrutural, cortes orçamentários e privatizações) mostra os mercados cada vez mais vorazes. Daqui em diante, eles querem tudo. Essa estratégia, fundamentalmente recessiva, provoca um aumento legítimo das reivindicações sociais e políticas e dá lugar a perguntas que começam a ser formuladas espontaneamente pelas opiniões públicas. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, expressa assim esse estado de ânimo: ?Para Atenas, Madri ou Lisboa, se colocará seriamente a questão de saber se interessa continuar o plano de austeridade imposto pelo FMI e por Bruxelas, ou se, ao contrário, é melhor a voltar a serem donos de suas políticas monetárias? (Le Monde, 23-24 de maio de 2010). Ainda não chegamos a esse ponto, mas se não mudarmos as regras do jogo, a divisão da zona euro se tornará uma hipótese séria. Pois está claro que não poderemos resolver esta crise somente com medidas restritivas que atingem as populações mais expostas (classes médias e populares), e menos ainda com medidas técnicas vinculantes como as apoiadas por Alemanha e França para ativar o fundo de resgate. O presidente do Banco Central alemão, Axel Weber, deu a entender, durante uma visita recente a Paris, que os 750 bilhões de euros deveriam ser de todo modo aumentados se a Espanha recorresse ao fundo. Isso não deve ter agradado muito ao ministro alemão de Finanças, Wolfgang Schäuble, que, em uma entrevista ao Der Spiegel (08/11/2010), informou: durante a fase crítica, prolongação da vida dos créditos; se isso não bastar, os investidores privados deverão aceitar uma depreciação de seus empréstimos em troca de garantias para o restante. Isso é o mesmo que agitar a capa vermelha diante dos investidores privados. Estes reagiram imediatamente, colocando a Irlanda de joelhos e cercando Portugal antes de assinalar os alvos na Bélgica e na Espanha. Quanto falta para que passem ao ataque? A margem de confiança que concedem aos diferentes países da zona euro já é insustentável: a Alemanha encontra compradores de seus bônus a uma média de 2,7%, enquanto que a Espanha os negocia no melhor dos casos em torno de 5% e Portugal a 6,7%. Os países endividados emprestam, pois, a taxas cada vez mais proibitivas e, se às vezes conseguem ganhar uns pontos, é só porque o Banco Central compra alguns bônus, coisa que não poderá durar muito tempo. Na verdade, estamos assistindo a uma verdadeira guerra dos mercados contra os Estados. Quando a crise começou, apontei (?A vitória dos mercados financeiros?, El País, 08/05/2010) que os mercados iam submeter à prova a capacidade de resistência dos Estados e dos movimentos sociais, e quem em caso de uma debilidade comprovada dos europeus para definir uma estratégia progressista comum frente à crise, os investidores iam incrementar sua vantagem atacando frontalmente os Estados mais fracos. Objetivos: desregulamentar ainda mais os mercados internos e exigir mais privatizações. É exatamente o que está ocorrendo hoje. O que estamos vendo é uma contrarrevolução social ?thatchero-reaganiana?. A questão é saber se as sociedades europeias vão aceitar isso. Neste contexto, o estatuto do euro é um teste definitivo: será, finalmente, posto a serviço da promoção de um modelo social sustentável ou se tornará o vetor da destruição dos restos do Estado de bem estar europeu? A partir de agora, o problema para a Europa já não é econômico, mas sim político. Se as medidas técnicas adotadas não conseguirem resolver as dificuldades dos países europeus, veremos a divisão da zona do euro anunciada por Stiglitz? E qual será a forma dessa divisão? Uma zona reduzida a seis, sem a Espanha? Uma zona baseada no desacoplamento entre uma moeda única para o casal franco-alemão e alguns outros países, e uma moeda comum para o resto? Um retorno às moedas nacionais? E, neste caso, o que será do mercado único? Ouvimos todos os dias dirigentes políticos afirmarem que estas hipóteses são impensáveis: mas estamos seguros de que controlam os fluxos monetários? Não estão submetidos ao uníssono da Bolsa? Tudo pode ocorrer? Na verdade, está em jogo o futuro do projeto europeu. As regras de funcionamento do euro previstas pelo Tratado de Lisboa entram cada vez mais em contradição flagrante com as divergências de desenvolvimento dos diversos países da zona. Nenhum governo se atreve, aparentemente, a colocar em dúvida os dogmas que sustentam o Pacto de Estabilidade, ainda que, na prática, ninguém os respeite. Mas, se queremos salvar o euro, é preciso flexibilizar essas regras. E talvez mudá-las. É vital estabelecer, daqui em diante, uma coordenação forte das políticas econômicas europeias, ainda que a Alemanha, tutora do Banco Central, não queira ouvir falar de um ?governo econômico?. Aqui está o coração da batalha para a sobrevivência da zona euro e não nas medidas coercitivas previstas pelo acordo adotado em 28 de outubro, em Bruxelas. Para relançar a Europa, essa coordenação deverá enfrentar pelo menos quatro grandes tarefas; 1) Uma proteção do espaço monetário europeu, regulando efetivamente, como foi previsto na reunião da UE de 18/05/10, os fundos de investimento alternativos e sobretudo os instrumentos ultraespeculativos (hedge funds, private equity, CDS). Isso supõe que se pode pedir explicações ao Reino Unido para que ponha fim à política desestabilizadora da City, principal praça especulativa mundial. 2) Uma mutualização das dívidas públicas europeias com a criação de ?bônus europeus? para os países endividados que recorrerem ao fundo de resgate. Para evitar que aumente a desconfiança dos mercados, a Alemanha deve aceitar que a ativação do mecanismo de resgate seja, sob condições precisas, mecânico e não negociável a cada caso, como ocorre agora. 3) A realização de um empréstimo para financiar uma grande política pública europeia de crescimento, de criação de emprego e de pesquisa-inovação, o que supõe uma reforma dos estatutos do Banco Central. 4) Uma harmonização fiscal comum da zona do euro apoiada por um reforço dos fundos de coesão para os países em dificuldades. Estas medidas teriam um efeito de arrasto prodigioso. Elas fariam os investidores refletir e criariam um impacto psicológico salvador para mobilizar os povos europeus. Na verdade, a escolha é simples: ou bem a Europa sairá desta crise reforçada e capaz de enfrentar a nova geopolítica da economia mundial opondo aos mercados um interesse geral europeu, baseado em estratégias cooperativas entre as nações europeias, ou bem, atolada em seus egoísmos nacionais, terminará ardendo em cinzas moribundas. (*) Sami Nair é professor convidado da Universidade Pablo de Olavide, Sevilha. Publicado originalmente no jornal El País (16/12/2010) Tradução: Katarina Peixoto/Carta Maior Foto: "Não cabe aos trabalhadores pagar a crise dos especuladores": manifestação em França, Maio de 2010. Foto de Philippe BIDET, Phototèque du Mouvement Social Texto: / Postado em 18/12/2010 ás 09:13 -------------------------------------------------------------------------- [ Imprimir ] Veja Também » Para onde vai a Europa? » Europa: mais consumidores pobres, desempregados e desconfiados » 75 anos dos levantes antifacistas » Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101219/d913f829/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10569 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101219/d913f829/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 20 19:05:10 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Dec 2010 19:05:10 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_NOSSA_JABUTICABA=2C_HEIN=3F_QU?= =?iso-8859-1?q?EM_DIRIA=2E=2E=2E__________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA!?= =?iso-8859-1?q?___MEDICINA=2C_SA=DADE=2C_ALIMENTA=C7=C3O!?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem A NOSSA JABUTICABA, HEIN? QUEM DIRIA... Olha aí que interessante! A jabuticaba, nossa pequena notável! Fruta 100% brasileira. É dela que vamos falar. Discreta no quintal de nossa casa, ela contém teores espantosos de substâncias protetoras do peito. Ganha até da uva, e provavelmente do vinho que é festejado no mundo inteiro por evitar infartos. Você vai conhecer agora uma revelação científica, e das boas, que acaba de cair do pé. Por Regina Pereira A química Daniela Brotto Terci nem estava preocupada com as coisas que se passam com o coração. Tudo o que ela queria, em um laboratório da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, era encontrar na natureza pigmentos capazes de substituir os corantes artificiais usados na indústria alimentícia. E, claro, quando se fala em cores a jabuticaba chama a atenção. Roxa? Azulada? Cá entre nós, jabuticaba tem cor de... jabuticaba. Mas o que tingiria a sua casca? A cientista quase deu um pulo para trás ao conferir: "enormes porções de antocianinas", foi a resposta. Desculpe o palavrão, mas é como são chamadas aquelas substâncias que, sim, são pigmentos presentes nas uvas escuras e, conseqüentemente, no vinho tinto, apontados como grandes benfeitores das artérias. Daniela jamais tinha suspeitado de que havia tanta antocianina ali, na jabuticaba, aliás, nem ela nem ninguém. "Os trabalhos a respeito dessa fruta são muito escassos", tenta justificar a pesquisadora, que também mediu a dosagem de antocianinas da amora. Ironia, o fruto da videira saiu perdendo no ranking, enquanto o da jabuticabeira... Dê só uma olhada (o número representa a quantidade de miligramas das benditas antocianinas por grama da fruta): *jabuticaba: 314* *amora: 290* *uva: 227* As antocianinas dão o tom. 'Se um fruto tem cor arroxeada é porque elas estão ali', entrega a nutricionista Karla Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense, no Rio de Janeiro. No reino vegetal, esse tingimento serve para atrair os pássaros. E isso é importante para espalhar as sementes e garantir a perpetuação da espécie', explica Daniela Terci, da Unicamp. Para a Medicina, o interesse nas antocianinas é outro. "Elas têm uma potente ação antioxidante", completa a pesquisadora de Campinas. Ou seja, uma vez em circulação, ajudam a varrer as moléculas instáveis de radicais livres. Esse efeito, observado em tubos de ensaio, dá uma pista para a gente compreender por que a incidência de tumores e problemas cardíacos é menor entre consumidores de alimentos ricos no pigmento. Ultimamente surgem estudos apontando uma nova ligação: as tais substâncias antioxidantes também auxiliariam a estabilizar o açúcar no sangue dos diabéticos. Se a maior concentração de antocianinas está na casca, não dá para você simplesmente cuspi-la. Tudo bem, engolir a capa preta também é difícil. A saída, sugerida pelos especialistas, é batê-la no preparo de sucos ou usá-la em geléias. A boa notícia é que altas temperaturas não degradam suas substâncias benéficas. Os sucos, particularmente, rendem experiências bem coloridas. A nutricionista Solange Brazaca, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, interior paulista, dá lições que parecem saídas da alquimia. "Misturar a jabuticaba com o abacaxi resulta numa bebida azulada", ensina. "Já algumas gotas de limão deixam o suco avermelhado". As variações ocorrem devido a diferenças de pH e pela união de pigmentos ácidos. Mas vale lembrar a velha máxima saudável: bateu, tomou. "Luz e oxigênio reagem com as moléculas protetoras", diz a professora. Não é só a saúde que sai perdendo: o líquido fica com cor e sabor alterados. Aliás, no caso da jabuticaba, há outro complicador. Delicada, a fruta se modifica assim que é arrancada da árvore. "Como tem muito açúcar, a fermentação acontece no mesmo dia da colheita", conta a engenheira agrônoma Sarita Leonel, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu. A dica é guardá-la em saco plástico e na geladeira. Agora, para quem tem uma jabuticabeira, que privilégio! A professora repete o que já diziam os nossos avós: "Jabuticaba se chupa no pé". O branco tem seu valor. A bioquímica Edna Amante, do laboratório de frutas e hortaliças da Universidade Federal de Santa Catarina, destaca alguns nutrientes da parte branca e mais consumida da jabuticaba. "É na polpa que a gente encontra ferro, fósforo, vitamina C e boas doses de niacina, uma vitamina do complexo B que facilita a digestão e ainda nos ajuda a eliminar toxinas". Ufa! E não só nessa polpa, mas também na casca escura, você tem excelentes teores de pectina. "Essa fibra tem sido muito indicada para derrubar os níveis de colesterol, entre outras coisas", conta a nutricionista Karla Silva. A pectina, portanto, faz uma excelente dobradinha com as antocianinas no fruto da jabuticabeira. Daí o discurso inflamado dessa especialista, fã de carteirinha: "A jabuticaba deveria ser mais valorizada, consumida e explorada". Nós concordamos, e você? A jabuticabeira Nativa do Brasil, ela costuma medir entre 6 e 9 metros e é conhecida desde o período do descobrimento. "A espécie é encontrada de norte a sul, desde o Pará até o Rio Grande do Sul", diz o engenheiro agrônomo João Alexio Scarpare Filho, da ESALQ. Segundo ele, a palavra jabuticaba é tupi e quer dizer "fruto em botão". A invenção é esta: vinho de jabuticaba. O nome não deixa de ser uma espécie de licença poética, já que só pode ser denominado vinho pra valer o que deriva das uvas. Mas, sim, existe um fermentado feito de jabuticaba que, aliás, já está sendo exportado. "O concentrado da fruta passa um ano inteiro em barris de carvalho", conta o farmacêutico-bioquímico Marcos Antônio Cândido, da Vinícola Jabuticabal, em Hidrolândia, Goiás. A jabuticaba é a matéria-prima de delícias já conhecidas, como a geléia e o licor, e também de uma espécie de vinho. Quem provou a bebida garante: é uma delícia. Em 100 gramas ou 1 copo: *Calorias 51* *Vitamina C 12 mg* *Niacina 2,50 mg * *Ferro 1,90 mg * *Fósforo 14 g* Tire proveito da jabuticaba Atributos, para essa fruta tipicamente brasileira, são o que não faltam. Vitaminas, fibras e sais minerais aparecem nela ao montes. Agora, para melhorar ainda mais esse perfil nutritivo, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas descobriram que ela está cheia de antocianinas, substâncias que protegem o coração. Mais uma razão para que a jabuticaba esteja sempre em seu cardápio. -------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------- Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101220/0655803b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12154 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101220/0655803b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 20 19:05:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 20 Dec 2010 19:05:19 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Presidente_do_tribunal_diz_que_ju?= =?utf-8?q?=C3=ADzes_brasileiros_t=C3=AAm_de_acatar_condena=C3=A7?= =?utf-8?b?w6NvIGFvIFBhw61zIHBvciB2aW9sYcOnw7VlcyBkZSBkaXJlaXRvcyBo?= =?utf-8?q?umanos?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Leila Brito Atendimento à corte da OEA requer revogação da Anistia Presidente do tribunal diz que juízes brasileiros têm de acatar condenação ao País por violações de direitos humanos 19 de dezembro de 2010 | 0h 00 - O Estado de S.Paulo Os juízes brasileiros têm obrigação de acatar e cumprir a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que nesta semana condenou o Brasil por violações de direitos humanos no episódio da guerrilha do Araguaia, 40 anos atrás. Essa é a opinião do chileno Felipe González, presidente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos - a instituição que inicialmente recebeu a denúncia dos familiares dos mortos e desaparecidos na guerrilha e depois a encaminhou à corte. Em entrevista ao Estado, González, que é professor de direito constitucional, observou que a principal tarefa do Brasil no momento é remover todos os obstáculos que impeçam o cumprimento da sentença, com a determinação para que os fatos sejam apurados e os responsáveis pelos crimes, punidos. O passo inicial, acredita o professor, seria a revogação da Lei da Anistia, de 1979, que impede o julgamento de agentes do Estado acusados de violações de direitos humanos. Pela interpretação jurídica em vigor no País, esses agentes teriam sido beneficiados pela lei, originalmente destinada apenas aos opositores do regime que viviam no exílio, estavam presos ou impedidos de exercer seus direitos políticos. Mas, segundo González, a lei não tem nenhuma validade porque viola princípios da Convenção Americana de Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário. "Quando uma lei de anistia beneficia autores de crimes contra a humanidade, como a tortura e o desaparecimento forçado, entra em confronto com a Convenção Americana", diz ele. "O Brasil sabe disso, porque há uma jurisprudência bem fundamentada no sistema interamericano em relação a crimes contra a humanidade. As leis de anistia na Argentina e no Uruguai foram suspensas pela Corte Interamericana porque contrariavam o pacto internacional de San José, na Costa Rica." Soberania. Em relação ao argumento apresentado por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a sentença viola o sistema jurídico e a soberania do País, González observa: "Não é invasão de soberania porque foi o Brasil que, voluntariamente, assumiu obrigações em nível internacional ao ratificar a Convenção Americana e ao reconhecer a jurisdição da corte em matéria contenciosa. Foi o Brasil que entregou essa faculdade à Corte Interamericana." O presidente da Comissão de Direitos Humanos também observa que as reações iniciais às decisões da corte são frequentemente de recusa e contestação. Em quase todos os casos, porém, as resistências acabam vencidas. "O sistema internacional não emprega elementos de coação, mas vai manter o caso aberto até que o Brasil cumpra a sentença", explica. "Periodicamente serão solicitados informes e relatórios e o processo pode demorar anos. Por outro lado, a assembleia da OEA também recebe comunicados anuais sobre os países que não cumprem as sentenças. Com o correr do tempo, as decisões acabam sendo cumpridas. As Cortes Supremas da Argentina, do Chile e da Colômbia mudaram suas jurisprudências." Para González, a reação do Brasil é observada com atenção, em decorrência de sua crescente projeção internacional. "O Brasil daria um magnífico exemplo e fortaleceria sua imagem se acatasse as determinações", diz ele. "Do ponto de vista interno, não se trata apenas de um confronto com o passado. O cumprimento da sentença fortaleceria a democracia, mostrando que não existem cidadãos de primeira e de segunda categoria e que todos os crimes, não importa quem pratique, são investigados e os culpados, punidos." / R.A. ? Tópicos: , Brasil, Versão impressa =========================================================================================== Carta O Berro é uma rede de distribuição independente, tem perto de 750.000 leitores e centenas de repassadores no Brasil e no exterior. Respeitamos seu direito de privacidade na internet, caso não queira continuar recebendo nossas mensagens, basta responder este e-mail com o assunto: REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101220/ea31c72e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 21 18:51:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Dec 2010 18:51:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_NINGU=C9M_PARA_A_COR=C9IA___livro?= =?iso-8859-1?q?_de_Cl=E1udio_Guerra=2E?= Message-ID: <4B349F1FAF7D42D68D9A35EE3AD66764@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Além do dom de brilhante escritor, Cláudio Guerra é ideologicamente um autentico comunista. E quando digo isso, falo - e o que ele narra neste livro -, dos comunistas de antigamente. Uma vez ouvi dizer e concordei plenamente,"não se faz mais comunistas como antigamente." Cláudio Guerra descreve a luta desses comunistas numa cidade do Rio Grande do Norte, após a guerra, a cassação de Luiz Carlos Prestes e seus companheiros, deputado e vereadores eleitos. Conta das reuniões, da rigorosa clandestinidade e ainda das tarefas a realizar, entre todas a luta pela paz (não iremos para a Coréia), pelo petróleo, no aniversário de Prestes, na luta pela legalidade. Tudo isso num confronto com a elite empresarial, o Juiz, o papel da igreja anti comunista, o delegado de polícia e os milicos e as torturas e os assassinatos. E mais, você vai conhecer o Partido e os militantes: o companheirismo: a solidariedade: a disciplina: a honra de não falar na tortura: a estrutura precária , mas eficiente para realizar as tarefas: as pichações, a panfletagem clandestina e as passeatas de surpresa e os confrontos. Uma história real contada pelas mãos hábeis de Cláudio Guerra. Sem exagero, na visão micro numa cidade de Natal, faz um paralelo aos Subterrâneos da Liberdade de Jorge Amado . É a minha opinião. Vanderley Caixe email de Cláudio Guerra : clanguerra at ig.com.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101221/7cb7f620/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26652 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101221/7cb7f620/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 21 18:51:58 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 21 Dec 2010 18:51:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Argentina julga ex-ditador Jorge Rafael Videla por crimes cometidos na ditadura Message-ID: <5ADD485E1C3C4761B110FFF637455BF9@vcaixe> Operamundi Carta O Berro..........................................................repassem Boletim nº341 , 21 de Dezembro de 2010 Argentina julga ex-ditador Jorge Rafael Videla por crimes cometidos na ditadura Após seis meses de audiências e décadas de espera, a Argentina deverá conhecer o veredicto do julgamento oral e público de Jorge Rafael Videla, primeiro presidente da ditadura militar do país, que deixou um saldo estimado de 30 mil desaparecidos. leia na íntegra Após ameaças a testemunhas, polícia arma operação especial para julgamento de Videla Para Videla, sociedade argentina foi a principal protagonista da violência na ditadura Estados Unidos ameaçam Venezuela após veto a embaixador Wikileaks: Fatah pediu ajuda de Israel para conter influência do Hamas Assange exalta apoio de Lula e critica vice-presidente dos EUA Bombardeios israelenses ferem dois palestinos na Faixa de Gaza Bolívia anuncia que também reconhecerá a Palestina como Estado independente Vivos e mortos compartilham espaço em cemitério nas Filipinas Meninas chimpanzés tratam gravetos como bebês, revela estudo ANÁLISE: México em guerra HOJE NA HISTÓRIA: 1975 - Carlos, o Chacal ataca a sede da Opep em Viena Siga o Opera Mundi no Twitter - Clique aqui Não deseja mais receber nossas mensagens? 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101221/3da4dc6f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 22 19:52:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Dec 2010 19:52:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_*Em_document=E1rio_de_1971=2C_a?= =?windows-1252?q?tivistas_nacionais_mostram_como_era_a_repress=E3o?= =?windows-1252?q?_na_ditadura*?= Message-ID: <4BEEEE3DFAA34EFFBA09ED0C89351A06@vcaixe> OperamundiCarta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Antonio Morales *Em documentário de 1971, ativistas nacionais mostram como era a repressão na ditadura* (Trechos de "Brazil: a report on torture":* * (clique no link) http://www.youtube.com/watch?v=ukKtMCLkc7Y* *) *Evandro Éboli* Quarenta anos depois, contundentes imagens de como se dava a tortura aplicada pela ditadura e desconhecidas no Brasil chegam timidamente ao país. No documentário "Brazil, a report on torture" ("Brasil, o relato de uma tortura"), parte do grupo de 70 ativistas da luta armada que foram trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, em 1971, relata e encena práticas como pau de arara, choque elétrico, espancamento e afogamento. O objetivo era denunciar no exterior o que ocorria nos porões da ditadura brasileira. O filme foi realizado em 1971, em Santiago, no Chile, para onde os brasileiros foram banidos. O documentário foi uma iniciativa dos cineastas americanos Haskel Wexler e Saul Landau, que estavam no Chile para produzir material sobre o presidente Salvador Allende e souberam da presença dos brasileiros. Quase todos os guerrilheiros que deram depoimentos não assistiram ao filme até hoje. Dois deles se suicidaram alguns anos depois: Frei Tito e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, uma das mais próximas amigas da presidente eleita, Dilma Rousseff, no período da Var-Palmares, no início da década de 70. Nas imagens, os ativistas simulam vários tipos de tortura, como uma pessoa tendo seu corpo esticado, com pés e mãos amarrados entre dois carros. Simulam a "mesa de operação": sem roupa, ou só de cueca, o torturado deita na mesa, tem os braços e pernas amarrados nas extremidades e sofre pressão na espinha. Uma barra de ferro, no alto, tem um barbante amarrado aos testículos. A pessoa era obrigada a ficar por duas ou três horas na posição, suportando o peso do corpo com as mãos e braços. O GLOBO enviou cópia a alguns dos protagonistas, que somente agora tiveram acesso ao documentário e relembraram o depoimento. Jean Marc Van der Weid, hoje diretor de uma ONG de agricultura alternativa, defendeu a luta armada no filme como única maneira de o povo chegar ao poder no Brasil ditatorial: ? Nunca tinha visto. Era um filme de denúncia contra a ditadura e produto de um momento inteiramente diferente de hoje. Não me lembrava nem do que falei. A ideia da luta armada era generalizada em quase todas as organizações de esquerda ? disse Jean Marc, que era presidente da UNE quando foi preso e atuou na Ação Popular (AP). OBS: *Brazil, a Report on Torture* é um documentário que foi produzido em 1971 com a colaboração do cineasta norte-americano Haskell Wexler, contando com depoimentos de brasileiros torturados e que se exilaram no Chile. O filme foi rodado com a colaboração de Saul Landau e Haskell Wexler. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101222/b2368f9e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 22 19:52:12 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 22 Dec 2010 19:52:12 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Bispo de Limoeiro do Norte recusa homenagem do Senado Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Bispo de Limoeiro do Norte recusa homenagem do Senado Dom Edmilson disse que a comenda hoje não representa a pessoa do cearense que foi Dom Helder Câmara FOTO: AG. SENADO 22/12/2010 Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores, o bispo não quis receber comenda Brasília - Uma solenidade de entrega de comenda no Senado terminou em constrangimento para os parlamentares que estavam em plenário. Em protesto contra o reajuste de 61,8% concedido a deputados e senadores na semana passada, o bispo de Limoeiro do Norte (CE), dom Manuel Edmilson Cruz, recusou-se a receber a Comenda dos Direitos Humanos Dom Hélder Câmara. Em discurso, ele destacou a realidade da população mais carente, obrigada a enfrentar as filas dos hospitais da rede pública. "Não são raros os casos de pacientes que morreram de tanto esperar o tratamento de doença grave, por exemplo, de câncer, marcado para um e até para dois anos após a consulta". Dom Manuel da Cruz lamentou que o Congresso tenha aprovado reajuste para seus próprios salários, da ordem de 61,8%, com efeito cascata nos vencimentos de outras autoridades, "enquanto os trabalhadores do transporte coletivo de Fortaleza mal conseguiram 6% de aumento em recente luta por elevação salarial", disse. O bispo mencionou também as aposentadorias reduzidas, o salário mínimo que cresce em "ritmo de lesmas". Comenda Ao recusar a comenda, o bispo foi taxativo: "A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi dom Hélder Câmara. Desfigura-a, porém. De seguro, sem ressentimentos e agindo por amor e com respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la". Nesse momento, quando a sessão era presidida por Inácio Arruda (PCdoB-CE), autor da homenagem, o público aplaudiu a decisão. Após a recusa formal, o bispo cearense acrescentou que "ela é um atentado, uma afronta ao povo brasileiro, ao cidadão contribuinte para o bem de todos com o suor de seu rosto e a dignidade de seu trabalho". Ele acrescentou que o reajuste dos parlamentares deve guardar sempre "a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e o da aposentadoria". Dom Edmilson Cruz afirmou que assumia a postura com humildade, sem a pretensão de dar lições a pessoas tão competentes e tão boas". Diante da situação criada, o senador José Nery (Psol-PA) cumprimentou o bispo pela atitude considerada "coerente" com o que pensa. "Entendemos o gesto, o grito e a exigência de dom Edmilson Cruz que, em sua fala, diz que veio aqui, mas recusará a comenda Dom Helder Câmara. Também exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares", acrescentou o senador paraense. Protesto O protesto contra o reajuste dos parlamentares não se resumiu, no entanto, à manifestação do bispo. Cerca de 130 estudantes secundaristas e universitários de Brasília foram barrados na entrada principal do Congresso quando preparavam-se para protestar contra a decisão tomada na semana passada pelos parlamentares. A intenção do grupo era circular pelas instalações das duas Casas empunhando cartazes com críticas ao aumento. No entanto, por decisão das polícias legislativas, eles não foram autorizados a entrar. Fique por dentro Discurso "O aumento de 61,6% dos parlamentares a ser ajustado deveria guardar sempre a mesma proporção que o aumento do salário mínimo e da aposentadoria. Isso não acontece. O que acontece, é um atentado contra os direitos humanos do nosso povo... A comenda hoje outorgada não representa a pessoa do cearense maior que foi Dom Helder Câmara. Não representa. Desfigura-a, porém. Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos só me resta uma atitude: recusá-la". ================================================================================================ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101222/5ad5d2b0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 89794 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101222/5ad5d2b0/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 23 19:09:30 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Dec 2010 19:09:30 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_MILITARES_BRASILEIROS_E_A_=93AJ?= =?windows-1252?q?UDA=94_DOS_EUA?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem MILITARES BRASILEIROS E A ?AJUDA? DOS EUA Laerte Braga A maioria esmagadora dos militares brasileiros se abespinha quando se fala em direitos humanos e ainda mais em trazer a público os arquivos da barbárie que governou o País desde o golpe de 1964 e até a posse de José Sarney. Vinte e cinco anos após o fim da ditadura militar os golpistas, torturadores e assassinos da ditadura continuam impunes blindados por uma lei de anistia que, na prática, só garante a eles. E vinte e cinco anos após o golpe conduzido pelo general norte-americano Vernon Walters e o embaixador Lincoln Gordon, armado e orquestrado por Washington, nos quartéis se lê uma ordem do dia em que se glorifica o que chamam de ?revolução?, a todo primeiro de abril, data bem apropriada, aliás. Mais uma fornada de documentos secretos vazados pelo site WikiLeaks mostra que militares brasileiros recebiam uma ?ajuda de custo? para treinar junto com militares norte-americanos. Patriotismo é isso. O governo dos EUA, mostram os novos documentos do WikiLeaks, reagiu junto ao Ministério das Relações Exteriores às exigências negadas de impunidade para todos os cidadãos norte-americanos que cometessem crimes durante exercícios militares feitos em comum com o Brasil e no Brasil. Excluí-los, eventuais criminosos, das sanções do Tribunal Penal Internacional de Haia, o objetivo principal. A tradição diplomática determina que um crime cometido por um militar estrangeiro num próprio do seu país será processado em seu país após um processo rápido de extradição, às vezes sem necessidade desse tipo de procedimento, só registro. Os EUA queriam imunidade para qualquer tipo de crime em qualquer lugar. Admitindo que um militar norte-americano numa manobra, num exercício conjunto, numa hora de lazer, assaltasse ou matasse alguém, fora de serviço, estaria também imune à lei brasileira. Ou seja, o direito de fazer o que bem entender. Isso colocou em rota de colisão o Ministério da Defesa (controlado por Washington, os comandantes militares (batem continência para Washington) e o Ministério das Relações Exteriores que não aceitava essa anistia prévia para criminosos norte-americanos, claro, na hipótese de um crime. Anos de pressão sobre o governo brasileiro para garantir esse tipo de impunidade. O governo dos EUA não reconhece o tribunal e a então senadora Hillary Clinton, atual secretária de Estado, discursando na Casa disse que os militares de seu país não poderiam ser julgados em outros países por crimes que viessem a cometer, pelo simples fato que os Estados Unidos têm responsabilidades no mundo inteiro. Por responsabilidades entenda-se o direito de invadir, saquear, prender, torturar, matar, criar campos de concentração, coisas do gênero. ?Os Estados Unidos têm responsabilidades globais que criam circunstâncias únicas?, foi o que disse Hillary. Países que não aceitaram as pressões norte-americanas perderam a ajuda e a tal ?assistência econômica? norte-americana. No caso do Brasil diante da recusa do Ministério das Relações Exteriores o Ministério da Defesa (braço do Pentágono) teve que tratar de buscar outras plagas para treinamento. E embora setores do Itamaraty tentassem uma solução negociada para atender ao ?patriotismo? dos nossos militares, em 28 de abril de 2005 o embaixador Antônio Guerreiro disse ao secretário assistente para Não Proliferação de Armas, Stephen G. Radmaker que o Brasil não aceitava os termos norte-americanos. Segundo o embaixador dos EUA aqui, presidente de honra do esquema FIESP/DASLU, John Danilovich, ?Guerreiro, educadamente, mas inequivocamente falou que o Brasil não assinaria um acordo sobre o artigo 98 com os EUA?. Bandido norte-americano responderia perante as leis brasileiras por crime cometido no Brasil. Foi o que Guerreiro disse em linguagem diplomática. O Ministério da Defesa que dizem ser do Brasil, prometeu aos norte-americanos que iria fazer apelos ao Ministério das Relações Exteriores, o ministro é Celso Amorim, para ceder. Ao final, segundo relato do embaixador dos EUA, ?os militares brasileiros (brasileiros?) perderam a parada. O Brasil reconhece o princípio da extraterritorialidade de embarcações e aviões militares, explica um documento do Itamaraty, mas fora disso os crimes cometidos por militares estrangeiros no Brasil serão processados segundo a lei brasileira. O governo do Brasil, através do Ministério das Relações Exteriores afirmou à época que ?as cortes brasileiras têm jurisdição sobre crimes cometidos fora do exercício militar determinado. Neste último caso, as cortes brasileiras agirão independentemente de quaisquer consultas entre os dois governos baseando-se nos princípios constitucionais que estabelecem a independência de poderes. E manifesta a irritação do Ministério com as pressões dos EUA e do tal Ministério da Defesa que dizem ser do Brasil. ?Finalmente o Ministério expressa à embaixada que as comunicações sobre esse assunto, para que sejam consideradas oficiais, devem ser direcionadas ao Itamaraty, a autoridade com responsabilidades apropriadas e o órgão que gerencia privilégios e imunidades a oficiais estrangeiros que visitam o País?. Está explicada a permanência do agente norte-americano Nelson Jobim no Ministério da Defesa dito do Brasil e a saída de Celso Amorim do Ministério das Relações Exteriores. O governo Dilma antes de começar dá sinais que vai tirar os sapatos para a revista no aeroporto de New York. Os militares brasileiros, em sua imensa maioria, ficaram decepcionados por não terem mais os brinquedinhos de guerra, diferentes daquele negócio de medalha por bom comportamento. http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/militares-brasileiros-e-ajuda-dos-eua.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101223/c464c07d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 23 19:09:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 23 Dec 2010 19:09:37 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_General_argentino_pega_pris=C3=A3o_per?= =?utf-8?q?p=C3=A9tua=2E_No_Brasil=2C_Videla_estaria_no_shopping_pa?= =?utf-8?q?ra_as_compras_de_Natal=2E?= Message-ID: <471848075A70456C98925A4EF1153BB8@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br General argentino pega prisão perpétua. Viva o Brasil ! Publicado em 22/12/2010 No Brasil, Videla estaria no shopping para as compras de Natal Saiu no G1: Ex-ditador argentino Jorge Videla é condenado à prisão perpétua Um dia antes do veredicto, ex-ditador havia assumido culpa por seus atos. Ex-general foi julgado com colegas pela execução de 31 presos políticos. Da France Presse O ex-ditador argentino Jorge Videla (1976-81) foi condenado nesta quarta-feira (22) à prisão perpétua, considerado culpado pelo homicídio de opositores e outros crimes contra a humanidade, em um julgamento contra 30 líderes do regime civil-militar. O ex-general, de 85 anos, já havia sido condenado à prisão perpétua em 1985 durante um processo histórico da junta militar por crimes cometidos durante a ditadura (1976-1983), que fez 30.000 desaparecidos, segundo as organizações de defesa dos direitos do homem. A partir daí, vários processos foram abertos contra Jorge Videla, católico fervoroso que fazia-se de moderado, até liderar o golpe de 24 de março de 1976 e de dirigir o país até 1981. Estes anos foram os mais duros do regime militar. Em Córdoba (centro), o ex-general estava sendo julgado desde o início de julho junto com outros 29 repressores pela execução de 31 presos políticos. Entre os julgados está o ex-general Luciano Menendez, já condenado à prisão perpétua por três vezes, em processos por violação aos direitos do homem. Segundo o magistrado Maximiliano Hairabedian, há provas suficientes reunidas ?para afirmar que (Jorge Videla) era o mais alto responsável pela elaboração de um plano de eliminação dos oponentes, aplicado pela ditadura militar?. Roubo de bebês Processado por roubos de bebês de presos políticos, um crime não acobertado pelo perdão de 1990, Videla foi colocado em prisão domiciliar de 1998 a 2008, até ser transferido para uma unidade prisional em detenção preventiva, enquanto aguardava os múltimos julgamentos. A partir de 2001, foi também processado por sua participação no Plano Condor, coordenado pelas ditaduras de Argentina, Chile, Paraguai, Brasil, Bolívia e Uruguai para eliminar opositores. ?Assumo plenamente minhas responsabilidades. Meus subordinados limitaram-se a cumprir ordens?, destacou Videla no tribunal de Córdoba, um dia antes da divulgação do veredicto. No depoimento final de 49 minutos que leu pausadamente, o ex-ditador, de 85 anos, disse que assumirá ?sob protesto a injusta condenação que possam me dar?. ?Reclamo a honra da vitória e lamento as sequelas. Valorizo os que, com dor autêntica, choram seus seres queridos, lamento que os direitos humanos sejam utilizados com fins políticos?, disse Videla. Depois apontou para o governo da presidente Cristina Kirchner, assinalando que as organizações armadas dissolvidas ?não mais precisam da violência para chegar ao poder, porque já estão no poder e, daí, tentam a instauração de um regime marxista à maneira de (Antonio) Gramsci? (téorico marxista italiano). Videla, como comandante da ditadura (1976-81), e Luciano Menéndez, 83 anos, como ex-chefe militar com jurisdição em 11 províncias, são os dois militares de mais alta patente acusados pelo assassinato de 31 presos políticos numa prisão de Córdoba. Até o momento, 131 repressores foram sentenciados por crimes de lesa-Humanidade durante a ditadura argentina (1976/83). http://www.conversaafiada.com.br/mundo/2010/12/22/general-argentino-pega-prisao-perpetua-viva-o-brasil/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+pha+(Conversa+Afiada) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101223/6d4f4297/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25304 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101223/6d4f4297/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 24 17:43:18 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 24 Dec 2010 17:43:18 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__NATAL_=E9_o_simb=F3lico=2C_no_na?= =?iso-8859-1?q?scimento=2C_um_tempo_de_renovar?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem NATAL é o simbólico, no nascimento, um tempo de renovar. É a esperança, na certeza e luta por um mundo novo. Ele nos mostra a cada ano que é o novo de novo. É o renascimento das convicções que não foram alcançadas. E pede, no seu simbolismo, sem desesperança, o caminho a seguir, de novo. Portanto, você que sonhou um sonho de solidariedade e extrapolou esse sonho; que acreditou que é preciso mais que acreditar; que soube dar a mão e caminhar junto; que soube ser mais que amigo e irmão. Mais, ainda, ser cúmplice e companheiro; que teve olhos para olhar os oprimidos sem a piedade. Mas sendo capáz de reuní-los como companheiros de jornada; que sabe enxergar os opressores da humanidade. Confronta-los e denunciá-los; que almeja e luta por um mundo melhor, justo, fraterno e de oportunidades iguais; que elege as estrelas como objetivo; que constroi um sendeiro de beleza onde todos possam caminhar dando as mãos; que acredita que todos os Natais trazem a mensagem de um renascimento em busca de lúz e esperança; À você que nos recebe à cada dia,; que nos lê; que nos repassa; (ou não) que amplia os espaços e o tempo da consciência do caminho; desejando, agradecendo e retribuindo. Um FELIZ NATAL! CARTA O BERRO Vanderley Caixe -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101224/17cac650/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3781 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101224/17cac650/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Dec 25 13:17:52 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 25 Dec 2010 13:17:52 -0200 Subject: [Carta O BERRO] AUTO DE NATAL por Pedro Osmar Message-ID: <686DA0E223C7447090833DB410B12AB7@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Estou encaminhando o Auto de Natal de lavra do nosso companheiro Pedro Osmar, músico, poeta, escritor, teatrólogo, pessoa a qual aprendemos admirar pelo seu talento e sensibilidade, e que conhecemos quando morávamos e advogávamos na Paraíba, João Pessoa. O Auto de Natal foi enviado por Eudes Hermano, outro companheiro de lutas nas terras paraibanas. Leiam e guardem esse auto verdadeiro do Cristo real. Novamente Feiz Natal! Vanderley AUTO DE NATAL (Pedro Osmar). 25.12.2010. Vocês conhecem Jesus cristo Aquele que nasceu na manjedoura De um acampamento palestino De um assentamento do MST Conviveu com os pobres, Os fracos, desesperados e suicidas E viveu toda a sua vida Correndo sério risco? Pois ele está aqui, agora, entre nós Para mais uma vivencia sobre sua palavra e luz Humanista, humanitária, humanizadora Com seu olhar atento, atencioso, acalentador Na construção de tantos bairros libertos E suas populações libertas da miséria. Ali, olhem ele alí, agora, no meio do povo Povo de cristo em armas Orando e lutando Por este mundo melhor. Cristo Che Guevara Cristo Fidel, Camilo Cienfuegos Cristo Manoel Fiel Filho Cristo Lamarca, Marighela, Gregório Bezerra E Prestes Cristo Heleniras, Violetas, Marias da Penha Cristo filho do povo Em armas, pela justiça e cidadania Um cristo em armas Pela paz de um socialismo democrático. Cristo filho das multidões em passeata Esperançosas Cristo filho do povo do Brasil Que se organiza para a liberdade E a democracia Cristo que prega pela paz Nos desertos do capitalismo Mas uma paz sem miséria Uma paz sem lixo político Em baixo do tapete. E nunca esqueçam: O cristo que somos O cristo do povo O cristo que mora nas ruas Que pede esmolas e mendiga nosso amor O cristo das comunidades em festa O cristo das comunidades em guerra Contra suas misérias e calamidades É o mesmo cristo que habita Em cada um de nós Nossa consciência e sentimentos De mundo sadio. Cristo de vida livre Vida que olha para o horizonte e vê E constrói o seu futuro Pelas armas da inteligência Contra as ditaduras da impunidade E da burrice. Um cristo do futuro Para o presente E não um cristo do passado Pregado numa cruz De ignorâncias E brutalidades. Um cristo dos direitos humanos Cristo de um povo atento Mesmo errante Povo que se achou no meio de suas lutas Um povo de luta Contra suas misérias, vaidades, hipocrisias E calamidades sociais. Venham, venham ver O cristo que voltou! O cristo resistente que, em verdade Nunca saiu daquí Nunca nos abandonou Nunca morreu Nunca se evaporou. O cristo que somos É o mesmo cristo luminoso Que nos orienta nas preces de socialismo Preces de democracia socialista Democracia humanista Para uma melhor compreensão de ser Ser uma sociedade em mudança Em grandes transformações humanistas Para uma melhor condição de vida Em comum. É este o cristo que se apresenta É o cristo que estamos aprendendo A cada dia O mesmo cristo solidário Que nos ama e abraça Naquelas horas em que nos perdemos E nos achamos, em nossas lutas Pela dignidade de nossa sobrevivência. Um cristo das lutas! Um cristo soldado na guerra Contra todas as nossas misérias Um cristo em vida Provocando as belezas do bem Nas pessoas que pensam e agem Pelo bem. Este é o seu reino: Um cristo sem igrejas Sem templos, seitas, bolsa de valores Do livre comércio da fé Um cristo das ruas Amigo das Marias Nuas Sem propriedade de ninguém. Cristo homem Cristo mulher Cristo criança Cristo idoso. O mesmo cristo que deu a luz À nossa consciência E que junto com seu povo Busca a luz perdida da fé na luta No túnel das misérias fabricadas. É este o cristo que se apresenta. É o cristo que estamos aprendendo. Cristo somos todos nós! Negros e brancos Índios e ciganos Palestinos e judeus Comunistas e socialistas De povos em fé Na sua busca pela liberdade Na construção das democracias Necessárias. Cristo pobre Cristo miserável Morando, vivendo e morrendo Nas favelas do mundo Faminto, subnutrido Desempregado e sem teto Indignado com as balas perdidas Que recebe como presente de aniversário Todo santo dia. Este é o cristo que sobrou Dos monturos da fé Nossa fé do que resta De um amor que está enjaulado Entregue aos cães raivosos do capitalismo Cães dos donos do planeta Cães da brutalidade cruel Dos que não amam mais O seu semelhante. É este o Jesus Cristo Que nós conquistamos para voar E que assumimos E que somos ele todo dia, Em luta pela liberdade. Um cristo em revolta Um cristo revoltado Um cristo palestino Um pobre cristo menino Sem pão, sem terra E sem liberdade. É este o Cristo que nos ensinaram E que levamos com o nosso coração aberto Para nossas vidas famintas Nossas famílias aflitas Nossa esperança em luta Contra todas as injustiças Deste mundo de meu deus. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101225/e18b4e85/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 26 12:43:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Dec 2010 12:43:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Qual_ser=E1_a_magia_destas_m=FAsi?= =?iso-8859-1?q?cas_russas_que=2C_sem_entender_nada_das_letras=2C_n?= =?iso-8859-1?q?os_comove=2E_________________________________HOJE_?= =?iso-8859-1?q?=C9_DOMINGO!_M=DASICAS!?= Message-ID: <530C3D86C8FB4FE09B890C04CE26FA68@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Qual será a magia destas músicas russas que, sem entender nada das letras, nos comovem. Desfrutem . A cantora é Elena Vaenga http://www.youtube.com/watch?v=iPBFC700X6E&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=3ZQNyCJYbk8&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=JeblR-aVGHE&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=vypJjWkc5uo&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=OPVJh_iBHc0 http://www.youtube.com/watch?v=Fs_PKZFsan0 http://www.youtube.com/watch?v=4oW9yrbUZIw&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=ZE6Pj-UGy-o&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=bcIvlVh4Vyw http://www.youtube.com/watch?v=8Y4_2Qa0QQs (Himno contra el fascismo durante la 2da Guerra) http://www.youtube.com/watch?v=Rg1Q7Bs3VGQ&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=1t1cJ7C2SFU&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=b6dlVZXjj1s&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=5J5ku2PurMg&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=9iLex3AA4mw&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=ZO77n7XGF1c&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=M-wx-wlrzrk&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=91K-9ScxqKs&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=8i8xeHIwoV4&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=1oz4Phk-9uM&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=bJkYBd74ywg&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=bJkYBd74ywg&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=8L8JNQSqqAw&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=mEQwL91RtHE&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=FaTk689tuQ0&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=Ta0uRKGM1jU&NR=1 http://www.youtube.com/watch?v=S7tYf2zUNqc&NR=1 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101226/c9d0019a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Dec 26 12:44:01 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 26 Dec 2010 12:44:01 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Crise atual e sofrimento humano , de Leonardo Boff Message-ID: <918756FC15DD421D97B6147D5B6365E3@vcaixe> Lboff/ crise atual e sofrimento humanoCarta O Berro..........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Estou enviando artigo de final de ano: um balanço sombrio do sofrimento humano causado pela atual crise. Esperançoso 2011. Lboff Leonardo Boff Teólogo Crise neoliberal e sofrimento humano O balanço que faço de 2010 vai ser diferente. Enfatizo um dado pouco referido nas análises: o imenso sofrimento humano, a desestruturação subjetiva especialmente dos assalariados, devido à reorganização econômico-financeira mundial. Há muito que se operou a "grande transformação"(Polaniy), colocando a economia como o eixo articulador de toda a vida social, subordinando a política e anulando a ética. Quando a economia entra em crise, como sucede atualmente, tudo é sacrificado para salvá-la. Penalisa-se toda a sociedade como na Grécia, na Irlanda, em Portugal, na Espanha e mesmo dos USA em nome do saneamento da economia. O que deveria ser meio, transforma-se num fim em si mesmo. Colocado em situação de crise, o sistema neoliberal tende a radicalizar sua lógica e a explorar mais ainda a força de trabalho. Ao invés de mudar de rumo, faz mais do mesmo, colocando pesada cruz sobre as costas dos trabalhadores. Não se trata daquilo relativamente já estudado do "assédio moral", vale dizer, das humilhações persistentes e prolongadas de trabalhadores e trabalhadoras para subordiná-los, amedrontá-los e, por fim, levá-los a deixar o trabalho. O sofrimento agora é mais generalizado e difuso afetando, ora mais ora menos, o conjunto dos países centrais. Trata-se de uma espécie de "mal-estar da globalização" em processo de erosão humanística. Ele se expressa por grave depressão coletiva, destruição do horizonte da esperança, perda da alegria de viver, vontade de sumir do mapa e até, em muitos, de tirar a própria vida. Por causa da crise, as empresas e seus gestores levam a competitividade até a um limite extremo, estipulam metas quase inalcançáveis, infundindo nos trabalhadores, angústias, medo e, não raro, síndrome de pânico. Cobra-se tudo deles: entrega incondicional e plena disponibilidade, dilacerando sua subjetividade e destruindo as relações familiares. Estima-se que no Brasil cerca de 15 milhões de pessoas sofram este tipo de depressão, ligada às sobrecargas do trabalho. A pesquisadora Margarida Barreto, médica especialista em saúde do trabalho, observou que no ano passado, numa pequisa ouvindo 400 pessoas, que cerca de um quarto delas teve idéias suicidas por causa da excessiva cobrança no trabalho. Continua ela: "é preciso ver a tentativa de tirar a própria vida como uma grande denúncia às condições de trabalho impostas pelo neoliberalismo nas últimas décadas". Especialmente são afetados os bancários do setor financeiro, altamente especulativo e orientado para a maximalização dos lucros. Uma pesquisa de 2009 feita pelo professor Marcelo Augusto Finazzi Santos, da Universidade de Brasília, apurou que entre 1996 a 2005, a cada 20 dias, um bancário se suicidava, por causa das pressões por metas, excesso de tarefas e pavor do desemprego. Os gestores atuais mostram-se insensíveis ao sofrimento de seus funcionários, acrescentando-lhes ainda mais sofrimento. A Organização Mundial de Saúde estima que cerca de três mil pessoas se suicidam diariamente, muitas delas por causa da abusiva pressão do trabalho. O Le Monde Diplomatique de novembro do corrente ano, denunciou que entre os motivos das greves de outubro na França, se achava também o protesto contra o acelerado ritmo de trabalho imposto pelas fábricas causando nervosismo, irritabilidade e ansiedade. Relançou-se a frase de 1968 que rezava:"metrô, trabalho, cama", atualizando-a agora como "metrô, trabalho, túmulo". Quer dizer, doenças letais ou o suicídio como efeito da superexploração capitalista. Nas análises que se fazem da atual crise, importa incorporar este dado perverso que é o oceano de sofrimento que está sendo imposto à população, sobretudo, aos pobres, no propósito de salvar o sistema econômico, controlado por poucas forças, extremamente fortes, mas desumanas e sem piedade. Uma razão a mais para superá-lo historicamente, além de condená-lo moralmente. Nessa direção caminha a consciência ética da humanidade, bem representada nas várias realizações do Forum Social Mundial entre outras. Leonardo Boff é autor de Proteger a Terra-Cuidar da vida:como evitar o fim do mundo, Record 2010. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101226/19984167/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 27 20:05:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Dec 2010 20:05:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Nutricionista guarda Mc Lanche Feliz por um ano. Message-ID: <8DDB1AE826BC4E82BEEC0E8470E58483@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Oi, Sugestão de nome : Mc Múmia Campanha de marketing infalível diante da passividade dos consumidores: Mc Múmias Felizes! http://www.dailymail.co.uk/news/worldnews/article-1258913/Happy-1st-birthday-Mother-keeps-McDonalds-Happy-Meal-year--gone-off.html Nutricionista guarda Mc Lanche Feliz por um ano. Veja o poder dos conservantes... Uma reportagem publicada no final de março deste ano pelo jornal britânico Daily Mail deixou seus leitores de boca aberta. Uma nutricionista americana resolveu fazer um teste para constatar se a comida do McDonald's possui conservantes em excesso. O resultado foi assustador. Durante um ano, Joann Bruso guardou um "Mc Lanche Feliz", um kit composto por sanduíche, refrigerante e batata frita, que acompanham um brinquedo e é vendido para as crianças. "A comida normal tem que se decompor, cheirar mal... Entretanto, o lanche e as batatas não estragaram e isso mostra que as crianças não estão comendo de forma saudável", declarou. De acordo com a reportagem, Joann deixou o lanche e as batatas descobertos, em cima de uma prateleira em sua casa, no estado americano de Colorado, para checar o que aconteceria. Durante um ano, nenhuma mosca sequer chegou perto do sanduíche. "Eu deixava a janela aberta mas as moscas e outros insetos simplesmente ignoravam o 'Mc Lanche Feliz'". "A comida é decomposta dentro do nosso organismo, que se aproveita dos nutrientes dela para transformá-los em combustível", explica Joann. "Nossas crianças crescem de forma saudável quando comem comida de verdade". A nutricionista ainda explica que se o "Mc Lanche Feliz" foi ignorado por bactérias e micróbios que não fizeram a decomposição, isso significa que o corpo da criança também não consegue digerir esse tipo de comida de forma adequada. Segundo dados apresentados pelo Daily Mail, pesquisas recentes afirmam que o pão da McDonald's possui uma série de conservantes como propionato de sódio. Já o pickles utilizado pela rede de fast-food leva benzoato de sódio. As batatas fritas, que Joann descreveu como estando "douradas mesmo um ano depois", contém conservantes como ácido cítrico e pirofosfato de ácido de sódio, que mantém sua coloração. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101227/62f0eaa1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30126 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101227/62f0eaa1/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37249 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101227/62f0eaa1/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Dec 27 20:05:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 27 Dec 2010 20:05:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Lan=E7amentos_de_3_livros_e_1_Revi?= =?iso-8859-1?q?sta_na_SDH_-_Quinta_feira_dia_30_dezembro?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Secretaria de Direitos Humanos lança quatro publicações na 5ª feira (30), em Brasília (DF) O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), lança na próxima quinta-feira (30), em Brasília (DF), quatro publicações: os livros "Tortura", "Retrato da Repressão Política no Campo: Brasil 1962-1985" e "Direitos Humanos: a atuação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 2003 - 2010", e a sétima edição da Revista Direitos Humanos. O livro "Retrato da Repressão Política no Campo" é uma parceria da SDH com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e faz parte do projeto Direito à Memória e à Verdade. O objetivo é fazer um relato da violência no campo entre 1962 e 1985. "Ele trata de conflitos de terra, perseguição de movimentos sociais que lutavam a favor dos camponeses e da repressão política aos movimentos organizados desde as Ligas Camponesas", explica o coordenador-geral do projeto Direito à Memória e à Verdade, Maurice Politi. O livro é composto por textos de pesquisadores e professores estudiosos do assunto de universidades de todo o país. O livro "Tortura", organizado pela coordenação-geral de Combate à Tortura da SDH, é composto por textos de autores que participaram do Seminário Nacional sobre Tortura, realizado em maio deste ano na Universidade de Brasília (UnB). Para a coordenadora geral de Combate à Tortura, Maria Auxiliadora Arantes, a obra reúne um material com o intuito de ampliar a compreensão sobre o fenômeno. "Este livro traduz uma mobilização de distintos atores, como pesquisadores, estudiosos e militantes de instituições parceiras no enfrentamento da tortura", explica. "Urge qualificar o tema a partir de um diálogo multidisciplinar e intersetorial, a fim de melhor potencializar a construção de estratégias que catalisem sua urgente erradicação no país", avalia Maria Auxiliadora. O terceiro livro a ser lançado faz um balanço da SDH desde sua criação. "Direitos Humanos: a atuação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 2003 - 2010" é composto por oito capítulos, subdivididos em diversas temáticas. Os avanços históricos e institucionais da SDH são retratados no primeiro capítulo. Criada em 1997, no governo Fernando Henrique Cardoso, como Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o órgão passou a Secretaria de Estado em 1999, pertencendo à estrutura do Ministério da Justiça. No início do Governo Lula, em 2003, tornou-se Secretaria Especial dos Direitos Humanos, vinculada à Presidência da República, juntamente com a Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Essa tríade de proteção aos Direitos Humanos tem como principal tarefa articular diferentes áreas do governo em ações, campanhas e programas voltados à valorização da dignidade humana como eixo de todas as políticas públicas. Assim, a Secretaria de Direitos Humanos foi crescendo ano a ano. Incorporou novos temas de atuação, reestruturou áreas, fortaleceu a articulação federativa e as parcerias com organismos internacionais e democratizou sua gestão interna. A quarta publicação é a Revista Direitos Humanos, que chega a sua sétima edição com ensaios, fotos, notícias e entrevistas para uma reflexão sobre os caminhos que estamos trilhando para efetivação dos Direitos Humanos no Brasil e no mundo. Nesta edição, a entrevista foi realizada com as atrizes Dira Paes, Camila Pitanga, Letícia Sabatella, Cristina Pereira e Priscila Camargo, todas integrantes do Movimento Humanos Direitos. Lançamento de publicações da Secretaria de Direitos Humanos Data: 30 de dezembro de 2010 Horário: 11 horas Endereço: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Setor Comercial Sul - B, Quadra 9, Lote C, Edificio Parque ulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), lança na próxima quinta-feira (30), em Brasília (DF), quatro publicações: os livros "Tortura", "Retrato da Repressão Política no Campo: Brasil 1962-1985" e "Direitos Humanos: a atuação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 2003 - 2010", e a sétima edição da Revista Direitos Humanos. C, Edificio Parque -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101227/5a7b285a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 28 19:44:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 28 Dec 2010 19:44:26 -0200 Subject: [Carta O BERRO] DECRETOS DE NATAL por FREI BETTO. Message-ID: <13186041C40A49638A96824D73393E75@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem DECRETOS DE NATAL Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, faremo-nos presentes junto aos famintos, carentes e excluídos. Papai Noel será malhado como Judas e, lacradas as chaminés, abriremos corações e portas à chegada salvífica do menino Jesus. Por trazer a muitos mais constrangimentos que alegrias, fica decretado que o Natal não mais nos travestirá no que não somos: neste verão escaldante, arrancaremos da árvore de Natal todos os algodões de falsas neves, trocaremos nozes e castanhas por frutas tropicais, renas e trenós por carroças repletas de alimentos não-perecíveis e, se algum Papai Noel sobrar por aí, que apareça de bermuda e chinelas. Fica decretado que cartas de crianças, só as endereçadas ao menino Jesus, como a do Lucas, que escreveu convencido de que Caim e Abel não teriam brigado se dormissem em quartos separados; propôs ao Criador ninguém mais nascer nem morrer e todos nós vivermos para sempre; e, ao ver o presépio, prometeu enviar seu agasalho ao filho desnudo de Maria e José. Fica decretado que as crianças, em vez de brinquedos e bolas, pedirão bênçãos e graças, abrindo seus corações para destinar aos pobres todo o supérfluo que entulha armários e gavetas. A sobra de um é a necessidade de outro, e quem reparte bens partilha Deus. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone, e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor. Fica decretado que, despidas de pudores, as famílias farão ao menos um momento de oração, lerão um texto bíblico, agradecendo ao Pai de Amor o dom da vida, as alegrias do ano que finda, e até dores que exacerbam a emoção sem que se possa entender com a razão. Finita, a vida é um rio que sabe ter o mar como destino, mas jamais quantas curvas, cachoeiras e pedras haverá de encontrar em seu percurso. Fica decretado que arrancaremos a espada das mãos de Herodes e nenhuma criança será mais condenada ao trabalho precoce, violentada, surrada ou humilhada. Todas terão direito à ternura e à alegria, à saúde e à escola, ao pão e à paz, ao sonho e à beleza. Fica decretado que, nos locais de trabalho, as festas de fim de ano terão o dobro de seu custo convertido em cestas básicas a famílias carentes. E será considerado grave pecado abrir uma bebida de valor superior ao salário mensal do empregado que a serve. Como Deus não tem religião, fica decretado que nenhum fiel considerará a sua mais perfeita que a do outro, nem fará rastejar a sua língua, qual serpente venenosa, nas trilhas da injúria e da perfídia. O Menino do presépio veio para todos, indistintamente, e não há como professar o pai-nosso se o pão também não for nosso, mas privilégio da minoria abastada. Fica decretado que toda dieta se reverterá em benefício do prato vazio de quem tem fome, e que ninguém dará ao outro um presente embrulhado em bajulação ou escusas intenções. O tempo gasto em fazer laços seja muito inferior ao dedicado a dar abraços. Fica decretado que as mesas de Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que o nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém. Fica decretado que, como os Reis Magos, todos daremos um voto de confiança à estrela, para que ela conduza este país a dias melhores. Não buscaremos o nosso próprio interesse, mas o da maioria, sobretudo dos que, à semelhança de José e Maria, foram excluídos da cidade e, como uma família sem terra, obrigados a ocupar um pasto, onde brilhou a esperança. Frei Betto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101228/83cc8a7b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Dec 28 19:44:33 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 28 Dec 2010 19:44:33 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Dyneas_Aguiar_-_60_anos_de_milit?= =?iso-8859-1?q?=E2ncia?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem Camaradas Este ano Dynéas Aguiar completou 60 anos de militância comunista ininterrupta. Uma coisa que não acontece todos os dias em nossa organização. Ele ingressou no PC do Brasil em 1950. Foi presidente da UPES e UBES, participou ativamente das campanhas contra o envio de tropas brasileiras para Coréia e "O Petróleo é Nosso!". Esteve entre aqueles que reorganizaram o PCdoB em 1962, quando ingressou no Comitê Central. Participou do levante dos sargentos em 1963. No ano seguinte, chefiou a primeira turma de comunistas que esteve na China para um curso teórico e militar. Foi membro da Comissão de Organização, ao lado de Danielli, no período da VI Conferência. Entre 1968 e 1972, na clandestinidade, dirigiu o PCdoB em São Paulo. Após a eclosão da Guerrilha do Araguaia foi enviado para o exterior. Sua missão era divulgar o movimento guerrilheiro e ajudar a construir um amplo movimento de solidariedade à luta do povo brasileiro contra a ditadura militar. Viveu no Chile e na Argentina - onde presenciou dois golpes militares. Em 1979, às véspera da anistia, voltou ao Brasil para ajudar a reorganizar o partido atingido por uma dura repressão. Indicado para secretaria nacional de organização, esteve à frente do grande esforço pela legalização do PCdoB, conquistada em 1985. Para comemorar esta data, o Centro de Documentação e Memória da Fundação Maurício Grabois (CDM) produziu um especial sobre a vida deste importante militante e dirigente comunista. Cliquem no link abaixo para acessar ao especial: http://grabois.org.br/portal/cdm/revista.int.php?id_sessao=33&id_publicacao=417&id_indice=2314 "Há aqueles que lutam um dia e por isso são bons. Há aqueles que lutam por muitos dias e por isso são muito bons. Há aqueles que lutam anos e são melhores ainda. Porém, há aqueles que lutam toda vida esses são imprescindíveis". Brecht Um grande abraço Augusto Buonicore -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101228/85a7f60a/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5864 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101228/85a7f60a/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 29 20:02:46 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Dec 2010 20:02:46 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Carta_aberta_vinda_da_Gaza_sitia?= =?iso-8859-1?q?da=3A_Dois_anos_ap=F3s_o_massacre=2C_uma_exig=EAnci?= =?iso-8859-1?q?a_de_justi=E7a?= Message-ID: <775AC7F4BEED493DB661D6666C7B1343@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem Carta aberta vinda da Gaza sitiada: Dois anos após o massacre, uma exigência de justiça Gaza sitiada, Palestina - Nós os palestinos da Faixa Sitiada de Gaza, neste dia, dois anos após o ataque genocida de Israel às nossas famílias, nossas casas, estradas, fábricas e escolas, estamos a dizer: basta de inacção, chega de discussão, chega de esperar - este é o momento para responsabilizar Israel pelos seus crimes permanentes contra nós. Em 27 de Dezembro de 2008, Israel principiou um bombardeamento indiscriminado da Faixa de Gaza. O assalto perdurou durante 22 dias, matando 1417 palestinos, 352 dos quais crianças, segundo importantes Organizações de Direitos Humanos. Durante estarrecedoras 528 horas, as forças de ocupação de Israel lançaram a partir dos seus F15s e F16 fornecidos pelos EUA e dos seus tanques Merkava, munições internacionalmente proibidas de fósforo branco, além de bombardear e invadir o pequeno enclave costeiro palestino que é o lar de 1,5 milhão de pessoas, das quais 800 mil são crianças e mais de 80 por cento refugiados registados pela ONU. Cerca de 5300 estão permanentemente lesionados. Esta devastação excedeu em selvajaria todos os massacres sofridos anteriormente por Gaza, tais como as 21 crianças mortas em Jabalia em Março de 2008 ou os 19 civis mortos quando abrigados nas suas casas no Massacre de Bei Hanoun de 2006. A carnificina excedeu mesmo os ataques de Novembro de 1956 nos quais tropas israelenses agruparam e mataram 275 palestinos na cidade sulista de Khan Younis e mais 111 em Rafah. Desde o massacre de Gaza de 2009, cidadãos do mundo tomaram a responsabilidade de pressionar Israel a cumprir com o direito internacional, através de uma estratégia de boicote, desinvestimento e sanções (BDS). Tal como no movimento BDS global que foi tão efectivo para terminar o regime do apartheid sul-africano, instamos as pessoas com consciência a aderirem ao apelo ao BDS feito em 2005 por mais de 170 organizações palestinas. Tal como na África do Sul, o desequilíbrio de poder e representação nesta luta pode ser contra-balançado por um poderoso movimento internacional de solidariedade com o BDS, obrigando decisores políticos israelenses a prestar contas, algo que a comunidade governante internacional tem reiteradamente fracassado em fazer. Analogamente, esforços civis criativos tais como os navios Free Gaza que romperam o sítio cinco vezes, a Marcha pela Libertação de Gaza, a Frota pela Liberdade Gaza e muitos comboios por terra nunca devem cessar a sua ruptura do cerca, destacando a desumanidade de manter 1,5 milhão de habitantes de Gaza numa prisão ao ar livre. Já se passaram dois anos desde os mais graves actos genocidas de Israel, que deveriam ter desfeito quaisquer dúvidas sobre a dimensão brutal dos planos de Israel para os palestinos. O assalto naval assassino a activistas internacionais a bordo da Frota da Libertação de Gaza, no Mar Mediterrâneo, mostrou ao mundo o pouco valor que Israel atribui desde há muito à vida palestina. O mundo agora sabe, mas dois anos depois nada mudou para os palestinos. O Relatório Goldstone veio e foi: apesar de listar uma por uma as contravenções do direito internacional, apesar dos "crimes de guerra" israelenses e dos "possíveis crimes contra a humanidade", de a União Europeia, as Nações Unidas, Cruz Vermelha e todas as principais Organizações de Direitos Humanos apelaram a uma finalização do sítio medieval, ele continua sem pausa. Em 11 de Novembro de 2010 o responsável da UNRWA [Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos], John Ging, disse: "Não tem havido mudança material para o povo aqui no terreno em termos do seu status, da dependência da ajuda, da ausência de qualquer recuperação ou reconstrução, nenhuma economia... O alívio, como foi descrito, tem sido nada mais do que um alívio político da pressão sobre Israel e o Egipto". Em 2 de Dezembro, 22 organizações internacionais incluindo a Amnistia, Oxfam, Save the Children, Christian Aid e Medical Aid for Palestinians produziu o relatório "Esperanças frustradas, continuação do bloqueio de Gaza" ("Dashed Hopes, Continuation of the Gaza Blockade") apelando à acção internacional para forçar Israel e levantar incondicionalmente o bloqueio, afirmando que os palestinos de Gaza sob o sítio israelense continuam a viver nas mesmas condições devastadoras. A apenas uma semana o Human Rights Watch publicou um relatório amplo, "Separados e desiguais" ("Separate and Unequal) que denunciou as políticas israelenses como apartheid, reflectindo sentimentos semelhantes de activista anti-apartheid sul-africanos. Nós palestinos de Gaza queremos viver em liberdade para encontrar amigos ou familiares palestinos de Tulkarem, Jerusalém ou Nazaré, queremos ter o direito de viajar e nos movimentarmos livremente. Queremos viver sem o medo de outra campanha de bombardeamento que deixe centenas dos nossos filhos mortos e muitos mais feridos ou com cancros devidos à contaminação do fósforo branco e da guerra química de Israel. Queremos viver sem as humilhações nos postos de controle israelenses ou a indignidade de não prover as nossas famílias devido ao desemprego provocado pelo controle económico e o sítio ilegal. Estamos a apelar a um fim ao racismo em que se apoia toda esta opressão. Perguntamos: quando os países do mundo actuarão de acordo com a premissa básica de que os povos deveriam ser tratados igualmente, sem importar a sua origem, etnicidade ou cor - será tão absurdo pretender que uma criança palestina mereça os mesmos direitos humanos tal como qualquer outro ser humanos? Será você capaz de olhar em retrospectiva e dizer que esteve do lado certo da história ou terá alinhado com o opressor? Nós, portanto, apelamos à comunidade internacional para assumir a sua responsabilidade de proteger o povo palestino da odiosa agressão israelense, terminando imediatamente o sítio com plena compensação pela destruição das nossas vidas e infraestruturas por esta política explícita de punição colectiva. Não há nada que justifique as políticas intencionais de selvajaria, incluindo o corte de acesso ao abastecimento de água e electricidade a 1,5 milhão de pessoas. A conspiração internacional de silêncio quanto à guerra genocida que está a ter lugar contra mais de 1,5 milhão de civis em Gaza indica cumplicidade nestes crimes de guerra. Também apelamos a todos os grupos de solidariedade com a Palestina e todas as organizações internacionais da sociedade civil a exigirem: a.. Fim ao sítio que tem sido imposto ao povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza em resultado do seu exercício de escolha democrática. b.. A protecção de vivas e propriedade civis, como estipulado no Direito Humanitário Internacional e na Lei Internacional dos Direitos Humanos, assim como na Quarta Convenção de Genebra. c.. A imediata libertação de todos os prisioneiros políticos. d.. Que aos refugiados palestinos na Faixa de Gaza seja imediatamente providenciado apoio financeiro e material para enfrentar as imensas adversidades que estão a experimentar. e.. Fim à ocupação, ao apartheid e a outros crimes de guerra. f.. Reparações imediatas e compensação por toda a destruição executada pelas forças de ocupação de Israel na Faixa de Gaza. Boicote, Desinvestimento e Sanção, adira aos muitos sindicatos, universidades, super-mercados, artistas e escritores internacionais que se recusam a ter relações com a Israel do Apartheid. Falar alto e claro pela Palestina, por Gaza e, crucialmente, ACTUAR. O momento é este. Gasa Sitiada, Palestina 27 de Dezembro de 2010 Lista de signatários: General Union for Public Services Workers General Union for Health Services Workers University Teachers' Association Palestinian Congregation for Lawyers General Union for Petrochemical and Gas Workers General Union for Agricultural Workers Union of Women's Work Committees Union of Synergies-Women Unit The One Democratic State Group Arab Cultural Forum Palestinian Students' Campaign for the Academic Boycott of Israel Association of Al-Quds Bank for Culture and Info Palestine Sailing Federation Palestinian Association for Fishing and Maritime Palestinian Network of Non-Governmental Organizations Palestinian Women Committees Progressive Students' Union Medical Relief Society The General Society for Rehabilitation General Union of Palestinian Women Afaq Jadeeda Cultural Centre for Women and Children Deir Al-Balah Cultural Centre for Women and Children Maghazi Cultural Centre for Children Al-Sahel Centre for Women and Youth Ghassan Kanfani Kindergartens Rachel Corrie Centre, Rafah Rafah Olympia City Sisters Al Awda Centre, Rafah Al Awda Hospital, Jabaliya Camp Ajyal Association, Gaza General Union of Palestinian Syndicates Al Karmel Centre, Nuseirat Local Initiative, Beit Hanoun Union of Health Work Committees Red Crescent Society Gaza Strip Beit Lahiya Cultural Centre Al Awda Centre, Rafah O original encontra-se em http://www.uruknet.de/?s1=1&p=73324&s2=27 e em http://www.countercurrents.org/0l271210.htm Este abaixo assinado encontra-se em http://resistir.info/ . 29/Dez/10 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101229/2a9eb9a3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5813 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101229/2a9eb9a3/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 162 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101229/2a9eb9a3/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Dec 29 20:02:54 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 29 Dec 2010 20:02:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Lula_diz_que_j=E1_se_decidiu_sobr?= =?iso-8859-1?q?e_extradi=E7=E3o_de_Battisti=2C_mas_adia_o_an=FAnci?= =?iso-8859-1?q?o_para_quinta-feira?= Message-ID: <74D443E9C2F44A0195038288AE195057@vcaixe> OperamundiCarta O Berro..........................................................repassem Boletim nº350 , 29 de Dezembro de 2010 Lula diz que já se decidiu sobre extradição de Battisti, mas adia o anúncio para quinta-feira Em meio às expectativas da decisão que deve definir a situação do italiano Cesare Battisti, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai adiar o anúncio, embora já tenha se decido. leia na íntegra Cuba comuta pena de último condenado à morte Calor diminui em Buenos Aires, mas estado de alerta é mantido Concurso do Itamaraty para carreira diplomática terá cota para negros Abbas colocará a primeira pedra da Embaixada dos territórios palestinos no Brasil Palestinos pedirão reconhecimento do Conselho de Segurança da ONU Uruguai iniciará escavações para encontrar corpos de desaparecidos na ditadura ANÁLISE: O que ensina a guerrilha de Roma HOJE NA HISTÓRIA - 1890: Exército norte-americano massacra os índios Sioux em Wounded Knee Conheça o Operaleaks, blog da cobertura especial do Wikileaks Siga o Opera Mundi no Twitter - Clique aqui Não deseja mais receber nossas mensagens? 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O narcotraficante Álvaro Uribe, ex-presidente da Colômbia, em plena campanha para a sua reeleição, visitou os heróis encarcerados no prostíbulo versão colombiana. Acredito que o diretor da versão brasileira, a décima primeira, Boninho, deve convocar entrevista coletiva e rede nacional de rádio e tevê para anunciar os participantes dessa edição. Boninho é aquele que junto com alguns amigos e de um apartamento em Copacabana, decidia quem era ou não vadia. As ?vadias? eram aquinhoadas com água suja e outras coisas semelhantes. Os gritos ?que loucura meu Deus?, vinham da senhora Narcisa Tamborindeguy, figura acima do bem e do mal e que, a despeito de alguns acharem que é ficção, existe de fato. Faz par com Luciana Jimenez. Mostram que é possível viver sem cérebro. Bob Woodward Bob Woodward, um dos que trouxe a público o chamado escândalo de Watergate, custou a presidência de Richard Nixon, disse neste início de semana que Barack Obama não ?manda nada?. Que quem governa são as grandes empresas associadas ao Pentágono e que o sonho dos militares quando passam para a reserva e integrarem quadros de executivos dessas empresas. Lembra a ditadura de 1964 no Brasil. Milico torturador ia para a reserva e virava diretor de multinacional. Woodward disse o óbvio, o que qualquer ?paralelepípedo? (dos tempos de Nelson Rodrigues) sabia. As chances de reeleição de Obama estão inclusive aí. A de convencer o conglomerado terrorista norte-americano, EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A que não vai atrapalhar nenhum negócio. De guerras a tráfico de drogas. Obama, o cervejeiro Vai continuar servindo cerveja na Casa Branca e tentar, por mais quatro anos, cantar Angelina Jolie. Nas primeiras investidas recebeu sonoras negativas. A revista ELLE, em sua edição de dezembro, traz na capa a atriz indiana Aishwarya Rai Bachchan. Com um detalhe. Para merecer semelhante ?honraria? sua pele foi branqueada para se tornar palatável aos leitores europeus. De tão pálida que ficou, ariana, corre o risco de não ser reconhecida por seus fãs. Chocada, a moça, que também é ex-miss mundo, estuda a possibilidade de processar a revista por racismo. Aishwarya Rai Bachchan Essa prática nas colônias norte-americanas da Europa Ocidental é comum. A mesma revista já clareou a pele de Gabourey Sidbe, indicada ao Oscar de melhor atriz por seu desempenho no filme PRECIOUS. Todos bebem esses ensinamentos no Manual de Goebells. Acredito que, sensibilizada com esse problema e na tentativa de encontrar uma solução para a não presença de mulheres não brancas nas principais publicações femininas européias (nas colônias norte-americanas, imensas bases militares, cheias de ogivas nucleares, Freud explicaria, ou explica), a norte-americana Jerramy Fine, com 33 anos de idade, criou uma escola para formar princesas. Peter Phillips O sonho da moça era conhecer o príncipe Peter Phillips, filho mais velho da princesa Anne, por sua vez filha mais nova da rainha Elizabeth II (da principal colônia norte-americana naquela parte do mundo, a Grã Bretanha), dar um nó no rapaz e virar princesa. Chegou a conhecer o dito cujo, não conseguiu atingir seu intento e resolveu ao custo de sete mil dólares preparar jovens de todo o mundo para se formar princesas. O público preferido da ?educadora? tem entre oito e onze anos de idade. A procura é grande. No Brasil ela tirava isso de letra. Rainha da bateria, rainha da laje, rainha da melancia, do melão, princesa da pizza, sem falar no pessoal FIESP/DASLU, metade comendador de coisa nenhuma e outra metade em eterna curvatura aos donos na esperança de um diploma de barão. Pelo menos de barão. Hillary Clinton Uma das preocupações da secretária de Estado Hillary Clinton era orientar seus embaixadores no Brasil e em outros países a traçarem perfis de funcionários, ministros e eventuais pessoas influentes junto ao governo Lula para efeito de negociações. Identificar amigos (Jobim, Gilmar Mendes, FHC, Serra, etc), tanto quanto inimigos (Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães) e assim descobrir como chegar ao deputado Cláudio Vacarezza, líder do PT e transformá-lo em homem da MONSANTO, ou a Aldo Rebelo e vestir-lhe a faixa de príncipe do desmatamento, ao lado da rainha da moto serra, a senadora Kátia Abreu. São os documentos do WikiLeaks, não deixam pedra sobre pedra. Mostram que por baixo do diploma de barão escondem-se marginais, lixos fétidos da política, ou figuras de extraordinário valor (caso de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães). A Polícia Federal revelou que não houve escuta durante a Operação Satiagraha no gabinete de Gilmar Mendes como denunciou o próprio ministro e fez coro a revista VEJA, porta-voz da imundície no País. E agora, como é que fica? Gilmar Mendes Pura armação de um bando de desqualificados (que ainda empregam jornalistas da GLOBO) para manter em liberdade o assaltante Daniel Dantas e condenar o delegado Protógenes Queiroz. A imprensa não aceita críticas, mesmo quando mente (e mente sempre), como disse o presidente Lula. Fez menção ao acidente com o avião da TAM. William Bonner teve um ataque histérico durante a edição do JORNAL NACIONAL para denunciar a falta de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas. Chegou a ir lá naquela palhaçada de mostrar a pista. Aí, de repente, descobrem que um monte de grandes aeroportos no mundo também não têm ranhuras em suas pistas e que a empresa (anunciante da GLOBO) não tinha, ela sim, manutenção devida e obrigatória. Criminosos. No fim, a culpa foi do piloto. Chacrinha Chacrinha era bem mais engraçado, até porque original. - ?Quem quer bacalhau?? - E pronto arremessava um pedaço de bacalhau para a platéia. Engraçado é que o BIG BROTHER no Brasil começou com Sílvio Santos. Aí a GLOBO foi lá, comprou os direitos e pronto. Milhões comparecem ao Coliseu contemporâneo, televisão, trocam o polegar pelo celular e decidem a execução de um dos heróis ou heroínas. Imagino que o esquema de segurança vá ser reforçado nesta edição para evitar que Susana Vieira apareça na ?casa? e tome conta do pedaço. Já imaginaram a dupla Susana e Hebe no BIG BROTHER? Hebe Camargo Esse dói menos que aquele de Jerry Lewis que resolveu ficar livre da mulher e acabou perpassado por um peixe espada, numa mesa de cirurgia, mas feliz da vida. O que dói de verdade é que enquanto Obama, que não manda nada, canta Angelina Jolie, centenas morrem nas guerras estúpidas do conglomerado terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. E o culpado é Julian Assange. ?Crimes sexuais?. O conglomerado anunciou que tão cedo não vai poder fechar o campo de concentração de Guantánamo. Não tem vazão para os presos ?y otras cositas más?. Já é possível adquirir bacalhau produzido na China e em criadouros, depois de competentemente roubados no litoral da Noruega. É mais barato, bem mais barato e o gosto se assemelha, de fato, ao original. Para norte-americanos não deve fazer a menor diferença. Num país onde executam condenados a morte com injeção de remédios destinados a sacrificar animais tudo é possível, desde o povo quase que absolutamente acreditando que na hora agá o Superman aparece e salva a pátria amada, os valores da ?liberdade? e ainda por cima usa catchup em sanduíche e consegue dizer que o dito é de frango, ou peixe, ou de carne bovina. Marlene Dietrich Marlene Dietrich, espécie de mulher em extinção, costumava dizer que ?catchup é coisa de americano. Se você coloca na comida não come nada, come apenas catchup?. Ou como Fellini. ?Pizza com requeijão e frango é coisa de americano, é tudo menos pizza?. Descobriram, finalmente, que Obama não manda nada. A afirmação está no livro Obama?s War ? A Guerra de Obama, edição Simon & Shuster, New York, 2010. Valeu o seguinte comentário de Michael Moore. ?O título de comandante-em-chefe que o presidente Obama ostenta é tão cerimonioso como o de empregado-do-mês do Burger King aqui do bairro?. Artigo do Diário da Liberdade http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/12/big-brother-o-empregado-do-mes-por.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101230/17ee1e0f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Dec 30 20:02:49 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 30 Dec 2010 20:02:49 -0200 Subject: [Carta O BERRO] CESARE BATTISTI Message-ID: <125CE2617E2B4E2E9AFECEB19C32AA73@vcaixe> Carta O Berro..........................................................repassem CESARE BATTISTI Laerte Braga A decisão do presidente Lula de conceder refúgio político ao escrito italiano Cesare Battisti é correta sob todos os aspectos. O governo italiano não conseguiu provar junto à Justiça brasileira que Battisti é culpado dos crimes dos quais é acusado e tampouco oferecer garantias de um julgamento justo, no caso da extradição, até em observância ao que determina o tratado sobre o assunto entre Brasil e Itália. Foi desastrada a ação do governo de Berlusconi (como desastrado é o seu governo) na condução do processo. Vergonhosa a atitude do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) quando recebeu o embaixador da Itália pela porta dos fundos do seu gabinete e suas atitudes após essa visita. Tratou o Brasil, os brasileiros, o governo, como se fossem lacaios de um governante irresponsável ? Berlusconi. A expressão ?terrorista? usada pela mídia privada brasileira para rotular Battisti perdeu o sentido depois do WIKILEAKS e do terrorismo (sem aspas) praticado por norte-americanos e seus aliados (colônias) em todo o mundo. Não cabe julgar politicamente a participação de Battisti no processo de resistência em determinada época a governos italianos. François Mitterand, socialista e presidente da França por 14 anos não hesitou um só instante em conceder asilo a Battisti. O que está no centro do palco é outro tipo de jogo. Um jogo sórdido do primeiro-ministro Berlusconi, contestado por manifestações em toda a Itália e que queria exibir a cabeça de Battisti como troféu para tentar um novo mandato. E, ademais, é da tradição brasileira abrigar, refugiar, asilar perseguidos políticos. Foi assim com George Bidault, líder fascista francês. Com Marcelo Caetano herdeiro do salazarismo depois da Revolução dos Cravos em Portugal. Não poderia ser diferente com Battisti. A decisão final, segundo a Constituição, é do presidente da República. Todas as medidas protelatórias foram tentadas por Gilmar Mendes. À época presidente do STF E notoriamente ligado a grupos de extrema-direita e empresários envolvidos em corrupção (Daniel Dantas). Sequer se preocupa em disfarçar, mesmo porque lhe falta o tal ?notável saber jurídico?. Tanto quanto a ?reputação ilibada? para integrar a mais alta corte de justiça do País. É invenção de FHC para garantir a impunidade da turma. A decisão de Lula foi coerente com sua história, respaldada no Direito e reforça a tradição brasileira de braços abertos aos perseguidos políticos em outros países (exceção vivida apenas no período da ditadura militar, ela própria perseguidora). Não se pode excluir a possibilidade de setores de extrema-direita tentarem reverter a decisão através de manobras comuns e típicas a esses foras da lei. A mídia privada, com toda a certeza, vai incentivar. No apagar das luzes de seu governo o presidente da República assume a atitude de estadista num caso como este. O que pouca gente sabe ? é lógico, a mídia privada está no bolso e esconde ? é que Berlusconi tem grandes negócios no Brasil e seus tentáculos chegam a setores do mundo institucional, com a prodigalidade típica dos corruptos. Não há cabimento no argumento que temos nossos problemas e não devemos nos ocupar dos problemas dos outros. Battisti está preso no Brasil, buscou o nosso País para refugiar-se de ações ilegais do governo de seu país, logo é um problema nosso. Conceder ou não o status de refugiado político não muda as condições da saúde pública ou da educação por aqui. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas conceder o refúgio a Battisti reforça a grandeza da política externa brasileira e das tradições de paz e liberdade de nosso País. São coisas distintas, portanto. Esse é o típico argumento de quem não enxerga um palmo adiante do nariz, ou se enxerga, enxerga apenas o nariz e não o todo. Não se tem notícia de nariz que caminhe por si próprio. Battisti foi partícipe de um processo de lutas que permeava toda a Europa na década de 60 e se estendia a todo o mundo de um modo geral. Um processo decisivo na construção de estradas passíveis de se começar a abrir picadas em meio a um estado autoritário no seu todo, mesmo em supostas democracias como a italiana. Lula fecha com chave de ouro seu governo ? ao qual cabem críticas, evidente ? ao conceder refúgio político a Cesare Battisti sem se intimidar com a cara feia de um governo que preside uma colônia norte-americana na Europa, o italiano e a Itália e é antes de mais nada uma reedição trágica dos momentos pornográficos dos césares, ou histriônicos do Duce. E não poderia ser diferente, Berlusconi é banqueiro. Mostra um Brasil diferente daquele de FHC. Um Brasil que a despeito dos problemas, das críticas que possam ser feitas, caminhando ereto, de pé, que se espera, aliás, continue a ser assim com Dilma Roussef. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101230/b9d83df0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Dec 31 13:14:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 31 Dec 2010 13:14:50 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Feliz Ano Novo! da Carta O Berro; de Vanderley Caixe; aos companheiros, amigos e colaboradores Message-ID: <4A0A240BBFCF45DCA824044C7E5CB3A6@vcaixe> Carta O Berro. Já que o ano foi fatiado, como disse Carlos Drummond de Andrade "............ Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver. ................................................... Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente." Feliz Ano Novo! Eu desejo para todos vocês a Paz que desejo ao sofrido povo palestino, hoje, neste novo ano, esmagado, destroçado pelos nazi-sionista-israelenses que ocupam o poder no estado norte-americano-israelita; Eu desejo para todos vocês a fartura e a saciedade de comida e de viver , que desejo ao povo africano do Quênia, Zimbawe, Etiópia e outros, hoje, neste ano novo, novamente esmagado pela cobiça dos EEUU. França Alemanha e Inglaterra, no roubo de suas riquezas naturais; Eu desejo a vocês a liberdade e a segurança de vida em uma pátria livre, que desejo ao povo do Afeganistão e Iraque, hoje, neste ano novo, mais uma vez , destruído e encarcerado pelas tropas norte-americanas, inglesas e dos seus aliados; Eu tenho a certeza de que ninguém pode viver feliz enquanto outros seres humanos sofrem. Por isso, neste novo ano, eu lhes desejo a renovação da esperança de dias melhores para todos os povos; de janelas abertas para a luz do sol para todos;a alegria de poder ajudar, solidarizar, amar o outro, desde que você se ame; Faça do ano novo o novo. Faça da utopia os votos de realidade; do egoísmo a doação; do acanhado a generosidade; da escuridão a claridade para os olhos, hoje, cegos (a cegueira da nossa alienação); do preconceito apenas o conceito; abrace a vida que está em você e no outro. Não se envergonhe de demonstrar carinho; não tema sonhar. Construa caminhos neste Novo Ano. São os votos da Carta O Berro para todas (os) amigas (os), listeiras (os), companheiras (os), nessa literatura diferencial que os grandes "jornalões" não publicam. Quisemos ser uma oportuna espectativa para a reflexão do contraditório, seja na política, na poesia, na prosa, na informação, na reprodução de dados e fatos, para que você tenha sempre um parâmetro , evitando os comuns da repetição dos jornais nacionais, abrindo espaço para que a verdade seja a sua consciência; que estejamos unidos pela justiça, pela igualdade de oportunidades, pelo respeito ao próximo, na solidariedade, na luta pela páz, soberânia, no Brasil, na América Latina e no Mundo.. Feliz Ano Novo, De Novo. Vanderley Caixe. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20101231/8e091979/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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