From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 1 13:46:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 1 Aug 2010 12:46:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__v=EDdeos_e_clipes_musicais_nacio?= =?iso-8859-1?q?nais_e_internacionais_=28de_filmes=2C_cl=E1ssicas_e?= =?iso-8859-1?q?_romanticas=29_____________________________________?= =?iso-8859-1?q?______________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: Carta O Berro....................................................................repassem Vídeos musicais internacionais Vídeos clips de músicas clássicas Clipes musicais de filmes e trilhas sonoras Vídeos de músicas românticas internacionais e nacionais clique http://www.almacarioca.com.br/arte.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100801/b3b8e000/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100801/b3b8e000/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 1 13:46:50 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 1 Aug 2010 12:46:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Congresso absolve MST - Frei Betto - Message-ID: <42BC968914D040D48049A57F1CC8A903@vcaixe> Carta O Berro..................................................................repassem Correio Braziliense, julho de 2010 OPINIÃO Congresso absolve MST Frei Betto O MST jamais desviou dinheiro público para realizar ocupações de terra - eis a conclusão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito(CPMI), integrada por deputados federais e senadores, instaurada para apurar se havia fundamento nas acusações, orquestradas pelos senhores do latifúndio, de que os movimentos comprometidos com a reforma agrária se apoderaram de recursos oficiais. Em oito meses, foram convocadas 13 audiências públicas. As contas de dezenas de cooperativas de agricultores e associações de apoio à reforma agrária foram exaustivamente vasculhadas. Nada foi apurado. Segundo o relator, o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), "foi uma CPMI desnecessária". Não tão desnecessária assim, pois provou, oficialmente, que as denúncias da bancada ruralista no Congresso são infundadas. E constatou-se que entidades e movimentos voltados à reforma fundiária desenvolvem sério trabalho de aperfeiçoamento da agricultura familiar e qualificação técnica dos agricultores. O que os denunciantes buscavam era reaquecer a velha política - descartada pelo governo Lula - de criminalizar os movimentos sociais brasileiros. Esse tipo de terrorismo tupiniquim a história de nosso país conhece bem: Monteiro Lobato foi preso por propagar que havia petróleo no Brasil (o que prejudicou os interesses norte-americanos); foram chamados de comunistas os que defendiam a criação da Petrobras; e, de terroristas, os que lutavam contra a ditadura e pela redemocratização do país. A comissão parlamentar significou, para quem insistiu em instaurá-la, um tiro saído pela culatra. Ficou claro para deputados e senadores bem intencionados que é preciso votar, o quanto antes, o projeto de lei que prevê a desapropriação de propriedades rurais que utilizam trabalho escravo em suas terras. E resolver, o quanto antes, a questão dos índices de produtividade da terra. A investigação trouxe à luz não a suposta bandidagem do MST e congêneres, como acusavam os senhores do latifúndio, e sim a importância desses movimentos no atendimento à população sem terra. Eles cuidam da organização de acampamentos e assentamentos e, assim, evitam a migração que reforça, nas cidades, o cinturão de favelas e o contingente de famílias e pessoas desamparadas, sujeitas ao trabalho informal, ao alcoolismo, às drogas, à criminalidade. Segundo Jilmar Tatto, os inimigos da reforma agrária "fizeram toda uma carga, um discurso muito raivoso, colocaram dúvidas em relação ao desvio de recursos públicos e perceberam que a montanha tinha parido um rato. Porque não havia desvio nenhum. As entidades e o governo abriram todas as suas contas. Foram transparentes e, em nenhum momento, conseguiu-se identificar um centavo de desvio de recurso público. Foram desmoralizados (os denunciantes), e resolveram se ausentar dos trabalhos da CPMI. (...) Foi um trabalho produtivo, no sentido de deixar claro que não houve desvio de recurso público para fazer ocupação de terras no Brasil. O que houve foi a oposição fazendo uma carga muito grande contra o governo e o MST". Os parlamentares sensíveis à questão social no Brasil se convenceram, graças ao trabalho da comissão, de que é preciso aumentar os recursos para a agricultura familiar; garantir que a legislação trabalhista seja aplicada na zona rural; e incentivar sempre mais os plantios alternativos e os alimentos orgânicos, sobre cuja qualidade nutricional não paira a desconfiança que pesa sobre os transgênicos. E, sobretudo, intensificar a reforma agrária no país, desapropriando, como exige a Constituição, as terras improdutivas. Dados recentes mostram que, no Brasil, se ocupam 3 milhões de hectares com a lavoura de arroz e 4,3 milhões com feijão. Segundo o geógrafo Ricardo Alvarez, se compararmos com os 851 milhões de hectares que formam este colosso chamado Brasil veremos que as cifras são raquíticas. Apenas 0,85% do território nacional está ocupado com o cereal e a leguminosa. Um aumento de apenas 20% na área plantada significaria passar de 7,3 para 8,7 milhões de hectares, com forte impacto na alimentação do povo brasileiro. Para Alvarez, o aumento da produção levaria à queda de preços, ruim para o produtor, bom para os consumidores. Caberia, então, ao governo implantar uma política de ampliação da produção de alimentos, garantir preços mínimos, forçar a ocupação da terra, combater o latifúndio, gerar empregos no campo e atacar a fome. Ação muito mais eficiente, graças aos 20% de acréscimo na área plantada, do que o assistencialismo alimentar. O latifúndio ocupa, hoje, mais de 20 milhões de hectares com soja. No início dos anos 1990, o número beirava os 11,5 milhões. A cana-de-açúcar foi de 4,2 para 6,5 milhões de hectares no mesmo período. Arroz e feijão sofreram redução da área plantada. Hoje o brasileiro consome mais massas do que a tradicional combinação de arroz e feijão, de grande valor nutritivo. Alvarez conclui: "Não faltam terras no Brasil, faltam políticas de distribuição delas. Não faltam empregos, falta vontade de enfrentar a terra improdutiva. Não falta comida, falta direcionar a produção para atender as necessidades básicas de nossa população". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100801/743db0c0/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 2 20:12:31 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 2 Aug 2010 19:12:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__100_Sucos_com_Poderes_Medicinais?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?____HOJE_=C9_2=BA_FEIRA_-=22MEDICINA=2C_SA=DADE_E_A?= =?iso-8859-1?q?LIMENTA=C7=C3O=22=2E?= Message-ID: <62E24932EF4C4A25BC2CD0918EAA16D2@vcaixe> Carta O Berro......................................................repassem "100 sucos com poderes medicinais" do Professor Lelingron Lobo Franco. Pode acessá-lo através link abaixo. (incluso as propriedades de cada alimento e a quantidade necessária) clique 100 Sucos com Poderes Medicinais -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100802/bb2a6681/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100802/bb2a6681/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 2 20:12:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 2 Aug 2010 19:12:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?ICBBIHRlbmTDqm5jaWEgw6AgYmFyYsOhcmll?= =?utf-8?q?_e_as_perspectivas_do_socialismo__por__James_Petras?= Message-ID: Carta O Berro.................................................................................repassem A TENDÊNCIA À BARBÁRIE E AS PERSPECTIVAS DO SOCIALISMO Por James Petras / julho de 2010 As sociedades ocidentais e os Estados estão se deslocando inexoravelmente para condições semelhantes à barbárie; mudanças estruturais estão revertendo décadas de bem?estar social e sujeitando o trabalho, os recursos naturais e as riquezas das nações à exploração bruta, à pilhagem e ao saque, rebaixando os padrões de vida e causando descontentamento num nível sem precedentes. Inicialmente, descreveremos os processos econômicos, políticos e militares que vêm abrindo este caminho à decadência e à decomposição social, e a seguir mostraremos a reação das massas populares à deterioração de suas condições de vida. As profundas mudanças estruturais que acompanham a ascensão da barbárie constituirão a base para considerar as perspectivas para o socialismo no século XXI. A crescente onda de barbárie Nas sociedades antigas, a ?barbárie? e os seus portadores ? os ?bárbaros? invasores ? foram vistos como uma ameaça vinda das regiões periféricas de Roma ou Atenas. Nas sociedades ocidentais contemporâneas, os bárbaros vêm de dentro, da elite, com a intenção de impor uma nova ordem que corrói o tecido social e a base produtiva da sociedade, convertendo meios de subsistência estáveis em condições deterioradas e inseguras da vida cotidiana. A chave para a barbárie contemporânea encontra-se nas estruturas internas do Estado imperial e da economia. Estas incluem: 1. A ascensão de uma elite financeira e especulativa, que tem saqueado trilhões de dólares dos poupadores, investidores, mutuários, consumidores e do Estado, subtraindo enormes recursos da economia produtiva e colocando-os nas mãos da camada parasitária aninhada no Estado e nos mercados financeiros. 2. A elite política militarista, que vem supervisionando um estado de guerra permanente desde meados do século passado. Terror de Estado, guerras intermináveis, assassinatos em zonas fronteiriças e a suspensão das garantias constitucionais tradicionais levaram à concentração de poderes ditatoriais, prisões arbitrárias, torturas e à negação do habeas corpus. 3. Em meio a uma profunda recessão econômica e estagnação, os altos gastos do Estado na construção de um império econômico e militar, a expensas da economia nacional e dos padrões de vida, refletem a subordinação da economia local às atividades do Estado imperial. 4. A corrupção desde o topo, visível em todos os aspectos da atividade do Estado - desde as aquisições de bens e serviços até a privatização e os subsídios para os super-ricos ? incentiva o crescimento do crime internacional de cima para baixo, a lumpenização da classe capitalista e um Estado onde a lei e a ordem se encontram em descrédito. 5. Resultantes dos elevados custos de construção do império e da pilhagem da oligarquia financeira, os encargos sócio-econômicos recaem diretamente sobre os ombros dos trabalhadores assalariados, aposentados e trabalhadores por conta própria, determinando uma grande mobilidade descendente na escala social ao longo do tempo. Com a perda de empregos e o desaparecimento das posições mais bem remuneradas, as retomadas de casas pelos bancos crescem exponencialmente e as classes médias, antes estáveis, encolhem, e os trabalhadores são forçados a alongar suas jornadas de trabalho diárias e a trabalhar durante um maior número de anos. 6. As guerras imperiais, que se espalham pelo mundo e são direcionadas a populações inteiras, que sofrem com os bombardeios e as operações clandestinas de terror, geram, em oposição, redes terroristas, que também atingem alvos civis nos mercados, transportes e espaços públicos. O mundo vai se parecendo ao pesadelo hobbesiano de ?todos contra todos?. 7. Um crescente extremismo etnorreligioso ligado ao militarismo é encontrado entre os cristãos, judeus, muçulmanos e hindus, que substitui a solidariedade de classe internacional por doutrinas de supremacia racial e penetra as estruturas profundas dos Estados e das sociedades. 8. O desaparecimento dos Estados europeus e asiáticos de bem-estar social coletivo ? nomeadamente, a ex-URSS e a China ? levantou as pressões competitivas sobre o capitalismo ocidental e o encorajou à revogação de todas as concessões de bem-estar social obtidas pela classe trabalhadora no período pós-II Guerra Mundial. 9. O fim do ?comunismo? e a integração da social-democracia ao sistema capitalista levaram a um enfraquecimento severo da esquerda, que os protestos esporádicos dos movimentos sociais não conseguiram substituir. 10. Diante do atual assalto às condições de vida dos trabalhadores e da classe média, só se vêem protestos esporádicos, no melhor dos casos, e impotência política, no pior. 11. A exploração maciça do trabalho nas sociedades capitalistas pós-revolucionárias, como a China e o Vietnã, compreende a exclusão de centenas de milhões de trabalhadores migrantes dos serviços públicos elementares de educação e saúde. A pilhagem sem precedentes e a captura, por oligarquias nacionais e multinacionais estrangeiras, de milhares de lucrativas empresas públicas estratégicas da Rússia, das repúblicas da ex-União Soviética, dos países da Europa Oriental, dos Bálcãs e dos países bálticos, foi a maior transferência de riqueza pública para mãos privadas, em curto espaço de tempo, em toda a História. Em resumo, a barbárie surgiu como uma realidade definida, produto da ascensão de uma classe dominante financeira parasitária e militarista. Os bárbaros encontram-se aqui e agora, presentes dentro das fronteiras das sociedades ocidentais e seus Estados. Eles governam e perseguem agressivamente uma agenda que está continuamente a reduzir os padrões de vida, a transferir a riqueza pública para os seus cofres privados, a pilhar recursos públicos, a violar direitos constitucionais no exercício de suas guerras imperiais, a segregar e perseguir milhões de trabalhadores imigrantes e a promover a desintegração e o desaparecimento do trabalho estável e de classe média. Mais do que em qualquer outro momento na história recente, o 1% mais rico da população controla uma parcela crescente das riquezas e das rendas nacionais Mitos e realidades do capitalismo histórico A retirada, em grande escala e de forma sustentada, dos direitos sociais e previdenciários, da segurança no emprego, e as reduções de salários e aposentadorias, demonstram a falsidade da idéia do progresso linear do capitalismo. Essa reversão, produto do poder ampliado da classe capitalista, demonstra a validade da proposição marxista de que a luta de classes é o motor da História ? na medida em que, pelo menos, a própria condição humana é considerada como sua peça central. A segunda premissa falsa ? a de que os estados organizados em ?economias de mercado? têm como pré-requisito a paz, tendo como corolário a ascendência dos ?mercados? sobre o militarismo ? é refutada pelo fato de que a principal economia de mercado ? os Estados Unidos ? tem permanecido em constante estado de guerra desde o início da década de 1940, estando ativamente engajada em guerras em quatro continentes, até os dias de hoje, e com perspectiva de novas, maiores e mais sangrentas guerras no horizonte. A causa e conseqüência da guerra permanente é o crescimento de um monstruoso ?Estado de segurança nacional? que não reconhece fronteiras nacionais e absorve a maior parte do Orçamento do país. O terceiro mito do ?capitalismo avançado maduro? é o de que este sempre revoluciona a produção através da inovação e da tecnologia. Com a ascensão da elite financeira especulativa e militarista, as forças produtivas foram saqueadas e a "inovação" é em grande parte direcionada à elaboração de instrumentos financeiros que exploram os investidores, reduzem os ativos e acabam com o trabalho produtivo. Enquanto o império cresce, a economia local se contrai, o poder está centralizado no Executivo, o poder legislativo é reduzido e aos cidadãos é negada uma representação efetiva, ou mesmo o poder de veto através de processos eleitorais. A resposta das massas ao aumento da barbárie A ascensão da barbárie em nosso meio tem provocado revolta pública contra seus principais executores. As pesquisas de opinião têm reiteradamente encontrado: (1) Profunda aversão e revolta contra todos os partidos políticos. (2) Grande desconfiança, nutrida pela maioria da população, contra a elite empresarial e política. (3) Rejeição, também pela maioria, da concentração de poder corporativo e do seu abuso, principalmente por parte dos banqueiros e financistas. (4) Questionamento amplo das credenciais democráticas dos líderes políticos que agem a mando da elite empresarial e promovem as políticas repressivas do Estado de segurança nacional. (5) Rejeição, pela grande maioria da população, da pilhagem do Tesouro nacional para salvação dos bancos e da elite financeira, com a imposição de programas de austeridade regressivos sobre a classe média trabalhadora. Perspectivas para o socialismo A ofensiva capitalista teve certamente um grande impacto sobre as condições objetivas e subjetivas da classe média trabalhadora, empobrecendo- a e provocando uma onda crescente de descontentamento pessoal, que ainda não se traduziu numa movimentação anticapitalista massiva, ou mesmo numa resistência dinâmica e organizada. As grandes mudanças estruturais requerem um melhor entendimento das atuais circunstâncias adversas e a identificação de novas instâncias e meios onde se desenvolvem a luta de classes e de transformação social. Um problema-chave é a necessidade de se recriar uma economia produtiva e reconstruir uma classe trabalhadora industrial após anos de pilhagem financeira e desindustrialização, não necessariamente para as poluidoras indústrias do passado, mas certamente para novas indústrias que criem e utilizem fontes de energia limpa. Em segundo lugar, as sociedades capitalistas altamente endividadas necessitam, fundamentalmente, sair do modelo de construção imperial militarista de alto custo em direção a um modelo de austeridade financeira baseado na classe e que imponha os sacrifícios e as reformas estruturais aos setores bancário, financeiro e comercial de grande varejo, que substitui a produção local pela importação de artigos de consumo de baixo custo. Em terceiro lugar, o enxugamento do setor financeiro e do comércio retalhista exige a melhoria das qualificações dos trabalhadores que serão deslocados ou desempregados, bem como mudanças no setor de TI, de forma a acomodar as próprias mudanças econômicas. Exige, também, a mudança de um paradigma ? da renda monetária para o rendimento social ? em que a educação pública e gratuita de alto nível, o acesso universal à saúde e as aposentadorias abrangentes substituirão o consumismo global financiado por dívidas. Isso pode se tornar a base para o fortalecimento da consciência de classe contra o consumismo individual. Esta é a questão: como passar de uma posição em que a classe trabalhadora se encontra fragmentada e enfraquecida e os movimentos sociais em recuo ou na defensiva, a uma posição em que seja possível lançar uma ofensiva anticapitalista? Vários fatores subjetivos e objetivos já permitem o trabalho nesse sentido. Primeiro, há uma negatividade crescente contra a grande maioria dos atuais operadores políticos e, em particular, contra as elites econômicas e financeiras que estão claramente identificadas como responsáveis pelo declínio nos padrões de vida. Em segundo lugar, há o ponto de vista popular, compartilhado por milhões de pessoas, que os atuais programas de austeridade são claramente injustos - com os trabalhadores a pagar pela crise que a classe capitalista produziu. Até o momento, no entanto, estas maiorias são mais ?anti?-status quo do que ?pró?-transformação. A transição do descontentamento privado para a ação coletiva é uma questão em aberto quanto a quem a desencadeará e como o fará, mas a oportunidade está presente. Existem vários fatores objetivos que podem deflagrar uma mudança qualitativa do descontentamento, deslocando-o da raiva passiva rumo a um maciço movimento anticapitalista. Um ?duplo mergulho? na recessão, o fim da atual recuperação anêmica e o início de uma recessão mais profunda e prolongada ou de uma depressão, poderia desacreditar ainda mais os governantes atuais e seus aliados econômicos. Em segundo lugar, o aprofundamento interminável da austeridade poderá desacreditar a noção atual, difundida pela classe dominante, de que os sacrifícios atuais são necessários para se obter ganhos futuros, abrindo as mentes e encorajando os corpos a se moverem à procura de soluções políticas, de forma a alcançar ganhos no presente e infligir dor às elites econômicas. As inesgotáveis e ?invencíveis? guerras imperiais que sangram a economia e a classe trabalhadora podem, em última análise, criar uma consciência de que a classe dominante oferece ?sacrifícios? à nação sem nenhuma finalidade ?útil?. Provavelmente, o efeito combinado de uma nova etapa da recessão, a austeridade perpétua e as estúpidas guerras imperiais acabarão por transformar o mal-estar atual e a difusa hostilidade das massas contra a elite econômica e política em favor dos movimentos socialistas, partidos e sindicatos. +++++++++++++++++++++++++++++++++++++ Acessem os endereços abaixo e vejam vídeos recentes de Cuba, a ilha paradisíaca do Caribe. http://www.youtube.com/watch?v=7W6u2ZwiWS4 1/7 - La Habana Vieja ; http://www.youtube.com/watch?v=SIgIjoIuoVM 2/7 - Capitólio de La Habana; http://www.youtube.com/watch?v=PiIWySE7LuE 3/7 - Moderna cidade de La Habana ; http://www.youtube.com/watch?v=n9SNzVaD_68 4/7 - Transporte público de Cuba; http://www.youtube.com/watch?v=CP8I3cDu3Es 5/7 - Fortaleza San Carlos de La Cabaña; http://www.youtube.com/watch?v=5Xf1W5M9xk0 6/7 - Acuário Nacional de Cuba; http://www.youtube.com/watch?v=FpRgA7cWKtI 7/7 - Varadero -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100802/0b1a132f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 3 20:33:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 3 Aug 2010 19:33:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Desaparecidos=3A_=E0_margem_do_r?= =?iso-8859-1?q?io_dos_Mortos?= Message-ID: Carta O Berro..................................................................repassem Desaparecidos: à margem do rio dos Mortos Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos da ditadura civil-militar. Corpos à espera do sepultamento. Familiares à espera de concretizar o luto, de acabar com a incerteza. Almas à espera da travessia do Aqueronte. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". A reportagem especial é de Paula Sacchetta, publicada originalmente no Brasil de Fato. Paula Sacchetta - Brasil de Fato Queres tu, realmente, sepultá-lo, embora isso tenha sido vedado a toda a cidade? Fala de Ismênia na tragédia Antígona Cena 1: o começo ou sepultamento inusitado Segunda-feira, 18 de maio de 1992. Em Jales, a 600 quilômetros de São Paulo, um caixão fechado é velado na Câmara Municipal. Foi decretado feriado, a cidade inteira está parada. A Câmara está lotada. Presentes crianças e adolescentes, gente de todas as idades. É um dia de sol muito quente, daqueles que nem ferro de marcar. Após o velório, um cortejo segue a pé até o cemitério. Depois de anos de busca do filho desaparecido, Ruy Thales consegue enterrá-lo. O caixão é finalmente depositado no jazigo da família Berbert. Dentro dele, porém, não havia um corpo. Nem restos mortais. Apenas um terno completo e os sapatos de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Objetos que haviam permanecido até então intocados em seu quarto, para "caso ele voltasse". Antes do início das cerimônias, Ruy Thales, o pai, chamou Amélia Teles em casa para tomar um café. Ela estava em Jales representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. "Ele havia me chamado para o enterro, mas eu sabia que os restos mortais não haviam sido encontrados. Aceitei o convite e não perguntei nada. Ele também não me disse nada". Depois do café, o conteúdo do caixão foi revelado. Naquele dia, Amélia foi cúmplice de Ruy Thales. Ninguém, além dos dois, sabia que o ataúde estava praticamente vazio. O pai já estava bastante idoso, e, prevendo que morreria logo, quis enterrar o filho. Mesmo sem ter um corpo. No fim do dia, depois do ato na Câmara e do enterro, deu um jantar para 80 pessoas. "Era uma mesa enorme, parecia um banquete", conta Amélia. O pai de Berbert morreu pouco tempo depois. Mas conseguiu enterrar seu filho. Cena 2: Ruy Carlos Vieira Berbert, presente! O ritual foi a forma encontrada pela família Berbert para acabar com a espera. A maneira de encerrar o luto que já durava 20 anos. Estavam se libertando de um fantasma que, até hoje, assombra a vida de famílias inteiras: filhos, pais, mães e irmãos. Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos. "Não pode haver aceitação da ideia de que ainda existem mais de 140 brasileiros que muitos vivos sabem onde estão seus corpos ou como seus corpos deixaram de existir", afirma Paulo Vannuchi, à frente da Secretaria Especial de Direitos Humanos desde o final de 2005. O caso de Ruy Carlos Vieira Berbert é emblemático. Nascido em Regente Feijó, no interior paulista, em 1947, veio para São Paulo tentar o vestibular da USP. Passou em letras, começou o curso e se tornou militante no movimento estudantil. Mais tarde, passou à luta armada. Em 1969, viajou, pela ALN - Ação Libertadora Nacional, organização de maior expressão no cenário da guerrilha urbana, nascida como dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e que teve Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira como dirigentes -, para Cuba, de onde retornou como militante do Molipo - Movimento de Libertação Popular, surgido a partir de um racha da própria ALN. A maioria dos que voltavam do treinamento na ilha socialista já chegava ao Brasil "queimada" e procuradíssima pela repressão. Quando os serviços de informação da ditadura souberam que os integrantes do Molipo estavam se espalhando de forma clandestina para dentro do país, o governo baixou uma ordem exigindo a prisão de todo e qualquer estranho recém-chegado às cidades do interior. O turista relâmpago Na virada de 1971 para 1972, Berbert instalou-se em Natividade (na época, em Goiás, hoje, no Tocantins), em uma pequena pensão. No dia seguinte, foi preso enquanto conversava tranquilamente na calçada com a filha do dono do estabelecimento. A delegacia da cidade era bem antiga. Suas celas possuíam amplas janelas gradeadas que davam para a praça principal. Da janela, o preso conversava com as pessoas que por ali passavam. Em algumas horas, o militante tornou-se celebridade, quase uma atração turística. Ficou conhecido. Dois ou três dias após sua prisão, baixou em Natividade "o pessoal de São Paulo", como eram chamados os agentes do DOI-Codi. Nesse mesmo dia, Berbert apareceu enforcado em sua cela. A versão oficial: suicídio. No dia seguinte, um grande proprietário de terras da região, não muito querido pela população local, também morreu. Os dois corpos partiram em cortejo rumo ao cemitério, seguidos por boa parte dos habitantes daquela cidade. Os agentes da repressão acreditavam que era por conta da morte do latifundiário, mas as pessoas estavam seguindo Berbert, o turista relâmpago, que, embora tivesse ficado tão pouco tempo na cidade, angariou simpatia e admiração, e que, do mesmo jeito que chegou, foi-se embora num piscar de olhos. Enterraram o latifundiário na ala "dos ricos" do cemitério, e o militante, numa vala comum, junto aos indigentes. A família Berbert passou a ter informações sobre o filho somente através de notícias de jornal. Em 1979, um general ligado ao aparelho repressivo admitiu sua morte em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. Na ocasião, dona Ottília, mãe de Ruy Carlos, disse ao grupo Tortura Nunca Mais que gostaria de mostrar a luta constante pela qual passaram, na busca incerta da solução de um passado certo: "Apesar dos fatos comprovarem a quase certeza de sua morte, nós vivemos mais de uma década com a esperança e o sonho de vê-lo novamente". Corpo que não era corpo Apenas em 1991 começaram a obter dados mais concretos. Um atestado de óbito com o nome de João Silvino Lopes foi entregue à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no mandato da prefeita Luiza Erundina, para acompanhar a identificação das 1.049 ossadas encontradas na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus. Segundo a versão oficial, Lopes havia se suicidado em 2 de janeiro de 1972, em Natividade. Embora pudesse ser um militante político, seu nome não constava na lista de desaparecidos. Só um ano mais tarde, em 1992, quando os familiares dos mortos e desaparecidos tiveram acesso aos arquivos do Dops, foi encontrada uma relação elaborada a pedido de Romeu Tuma, diretor da unidade paulista do órgão entre 1977 e 1982. Nela, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 2 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome com que fora enterrado Ruy Carlos Vieira Berbert. Tendo-se como base esse mesmo documento, foi possível saber que seu corpo estava no cemitério de Natividade, mas não em qual local exatamente. Para exumá-lo e fazer a posterior identificação, seria preciso escavar o cemitério inteiro. Membros da Comissão 261/90 explicaram a situação à família Berbert, que, resignada, se contentou com um atestado de óbito, concordando em não fazer a exumação praticamente impossível. O corpo permaneceu no local, mas um enterro simbólico foi realizado na cidade onde seus pais moravam. Naquele dia, quem passou pela Câmara Municipal de Jales prestou homenagens frente ao caixão vazio de corpo, mas repleto de símbolos. Velaram um corpo que não era corpo, que não sabiam que não era corpo, mas que reverenciavam e o fariam ainda que o soubessem. No cemitério, colocaram a bandeira a meio-pau e cantaram o hino nacional. Tudo isso para o homem que não estava lá. Cena 3: dona Gertrudes ou "é ele, é ele!" Quando o filho de dona Gertrudes morreu, ela começou a se interessar em saber mais sobre a sua luta. Já senhora, foi estudar direito e leu todos os livros que pôde sobre a esquerda brasileira. Saiu atrás das pessoas que conheceram seu filho e que com ele militaram. Soube da participação de Frederico Eduardo Mayr na ALN, descobriu que ele foi treinar guerrilha em Cuba e que voltou como militante do Molipo. Dona Gertrudes participou ativamente da luta dos familiares de mortos e desaparecidos. Conseguiu localizar os restos mortais de Frederico (na vala comum do cemitério Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus), pois haviam documentos que atestavam sua morte e o local onde ele havia sido enterrado. "Dona Gertrudes era capaz de dizer quando seu filho havia sido preso, onde e quem o prendeu, sabia de tudo, mas dizia que, até o dia de enterrá-lo, toda vez que chovia à noite e uma porta ou janela batia, pulava da cama e corria para a porta dizendo 'é ele, é ele!'". Quem conta a história é o ministro Paulo Vannuchi. Mayr foi morto sob tortura no DOI-Codi em 1972. Foi enterrado, no Rio de Janeiro, somente 20 anos depois. "Esse é o tema da espera que gosto de colocar em todas as conversas que tenho, posso ter e terei ainda com o [ministro da Defesa Nelson] Jobim e com chefes militares". Vannuchi afirma que não entra na discussão da punição dos torturadores. Não diz que não, nem que sim, mas, se o pressionam muito, acaba confessando ser a favor de punir, sim. "Não que punir seja necessariamente enfiar na cadeia, porque significaria enfiar na cadeia octogenários". Mas defende que essa discussão é tema do Judiciário. O presidente Lula já avisou: o Executivo não entra no debate sobre punição. "Lula insiste em que eu coordene o trabalho de apoio às famílias, para localizar todas as informações, arquivos e, sobretudo, os corpos. Porque os corpos constituem um problema limiar de uma ideia de barbárie. Essa espera eterna se constitui numa manutenção da violação dos direitos humanos, numa manutenção do crime. A ocultação de cadáveres não está protegida por nenhuma lei de anistia", diz Vannuchi, que acrescenta: "Às vezes, as famílias se irritam e dizem: 'temos de obrigá-los a falar onde estão os corpos'.Vamos obrigar com 110 ou 220 volts? Não tem pau de arara, não tem cadeira elétrica. Não tem como obrigar ninguém, o esforço agora é de convencimento. E, nesse sentido, o convencimento é muito difícil quando a imprensa e setores conservadores não ajudam a reforçar esse consenso necessário e nacional de que não queremos discutir quem ganhou ou quem perdeu. Vamos dizer que o Brasil perdeu". Narrativa e reconstrução O regime ditatorial sufocou a cultura, a manifestação, o pensamento, a juventude. Matou e torturou. "Eles vão dizer que, se não houvesse isso, haveria uma ditadura comunista pior ainda". Para Vannuchi, esse não é o ponto. "Continuemos pensando diferente, vamos debater isso no voto, na universidade. O problema é que não dá pra dizer que o assunto terminou, que está encerrado". Segundo ele, não adianta colocar uma pedra em cima. "É preciso acabar com a ocultação de cadáveres e, se não houver cadáver, é preciso construir uma narrativa oficial, formal, com um pedido oficial de desculpas feito pelo presidente da República e pelo ministro da Defesa, ou os chefes das três armas". Vannuchi cita o caso de Ulysses Guimarães. Até hoje, não encontraram seu corpo. Porém, há uma reconstituição do acidente. Ele estava em um helicóptero, sobrevoando o mar de Angra dos Reis no dia 12 de outubro de 1992. A aeronave caiu no oceano - a hora exata do acidente pode ser informada -, foram detectados os problemas que a fizeram cair e foram encontrados os corpos de todos os outros passageiros à bordo: sua mulher, o senador Severo Gomes e esposa, e o piloto. A narrativa e a reconstrução do momento permitem afirmar que, mesmo sem terem achado o corpo, ele está morto. Sem o corpo e, pior, sem a narrativa e a certeza da morte, resta a dúvida: "e se fulano foi torturado até perder a consciência, teve uma amnésia e está encostado em um asilo ou abrigo?", indaga o ministro. "A narrativa é importante para encerrar esse processo de espera que se caracteriza como crime continuado e violação de direitos continuada. Essa incerteza, essa angústia, produz situações como a de dona Gertrudes. Tem que haver uma narrativa. Sem ela, não existe nenhuma certeza. E sem a certeza, os familiares não podem processar o luto. Isso tem que acabar, os familiares de desaparecidos não podem legar aos seus filhos essa espera". Cena 4: o ritual necessário ou a travessia de Caronte O ministro sabe o que está dizendo. Segundo Carl Gustav Jung, um dos "pais" da psicologia analítica, para lidar com o imponderável, de nada adianta ao homem seu pensamento lógico e sistematizado que explica o mundo. Em situações em que o desconhecido, o incompreensível e o inexprimível estão envolvidos (no caso, o desaparecimento de familiares), a instância simbólica se compõe como a única solução. Apenas os rituais permitem ao homem, de alguma forma, participar do fenômeno e vivenciá-lo de fato. A busca incansável dos familiares pelos corpos dos desaparecidos está ligada à instância simbólica. Racionalmente, há muito pouca diferença entre ter ou não o corpo, a prova concreta dessas perdas. Simbolicamente, no entanto, isso representa muito mais do que uma prova; o corpo sem vida é a passagem para o que Jung chamou de participação mística, que permite à pessoa enlutada transformar o momento de dor e melancolia em verbo, significá-lo, fazê-lo acontecer. Por isso, a situação dos familiares de desaparecidos políticos, de nutrir uma esperança sobre a morte, é pior do que o luto, "uma tristeza inteira". Aquilo que não pode ser definido e não pode ser falado, não se concretiza. Somente a simbolização poderia fazer essa ponte, o que, nesse caso, só poderia ocorrer com um enterro dos corpos ou restos mortais dos desaparecidos. Os familiares se certificariam de sua perda e concretizariam a morte, pondo fim à eterna angústia da incerteza. A necessidade de rituais fúnebres está tão arraigada no imaginário da humanidade que já existia na mitologia grega. O barqueiro Caronte tinha a função de atravessar as almas para a outra margem do Aqueronte, o rio dos Mortos. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados. Segundo essa lenda, as almas dos que não haviam sido sepultados não podiam atravessar o rio, e estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante 100 anos. Cena 5: sobre Penélope e Antígona Laura Petit tem 63 anos. Viu seus irmãos, pela última vez, em 1970. Viveu e vive a melancolia até hoje. Espera até hoje. Assim como Antígona, quer enterrar seus irmãos, para que eles não sejam obrigados a vagar durante um século às margens do rio dos Mortos. Como Penélope, que aguardava seu Ulisses, Laura espera a abertura dos arquivos da ditadura, espera respostas, e a punição dos responsáveis. Eram em quatro: Lúcio, o mais velho, Jaime, ela e Maria Lúcia, a mais nova. O pai deles morreu antes de Maria Lúcia nascer. Era administrador de uma fazenda de café perto de Jaú, no interior de São Paulo, quando um de seus capatazes o assassinou. A mãe, de então 28 anos, ficou viúva cedo e com quatro filhos pequenos. Permaneceram por um tempo onde viviam, na fazenda que pertencera aos parentes da escritora Hilda Hilst, numa cidade hoje chamada Itapuí. A família do pai das crianças ofereceu à mãe uma casa que havia sido do avô delas, em Amparo. E para lá se foram, os cinco. Lúcio e Jaime, os mais velhos, fizeram o primário na cidade e Laura começou a estudar por lá. Moraram ali durante quatro ou cinco anos. Era uma casa enorme, com um quintal muito grande também. Clóvis, o quinto irmão, nasceu do segundo casamento da mãe. "As lembranças são boas. Crescemos juntos, todos tínhamos quase a mesma idade. Lúcio sempre se destacava, porque era muito inteligente, e a professora lá de Amparo ficava admirada. Ele surpreendia", conta Laura. De Amparo, mudaram-se de novo, dessa vez, para Bauru, onde o avô materno administrava uma fazenda. Ali, Lúcio começou a fazer o ginásio e a mãe, sozinha e sem apoio da família do pai, começou a ter dificuldade para manter os quatro filhos estudando. Decidiu: "os meninos vão continuar estudando e as meninas vão parar". Mais tarde, escreveu para um tio das crianças que morava em São Paulo, que aceitou receber Laura e custear seus estudos. Que nem a Emília "Nas férias, eu reencontrava meus irmãos. Eu sentia falta, porque éramos muito unidos. Nessa fase que minha mãe passou dificuldade para comprar material escolar para quatro filhos, o Lúcio a ajudava. Tinha um esquema de escolher café em casa. Era trabalho doméstico infantil". Laura ri quando conta que a mãe punha todo mundo numa mesa grande para tirar graveto e escolher o café. E recorda: "Uma coisa que foi o traço mais forte de Lúcio era o de sentir e perceber as diferenças. Um dia, estávamos na casa do meu avô em Amparo com relativo conforto, depois, estávamos passando necessidade. Ele teve que trabalhar ainda criança, ajudar a mãe a criar os irmãos. Com certeza, sentiu isso". Em Bauru, a família Petit morava perto da estação de trem, por onde passavam a pé na volta da escola. Lá, havia um armazém de cargas coberto, sob o qual paravam ciganos e "um pessoal que rodava o mundo". Um dia, Lúcio viu um homem negro e muito, muito pobre, que levou para casa. Lá chegando, deu a ele um prato de comida, mesmo diante das dificuldades da família. Depois, buscou uma caixa de ferramentas e pegou um alicate para tirar, do sapato do homem, um prego que estava machucando seu pé. "Eu era bem pequena na época, mas aquilo ficou muito marcado em mim. O Lúcio era assim, solidário e fraterno com o sofrimento alheio. Em termos de caráter, tinha essa coisa de partilhar, de ser solidário, e, por isso, dá para entender porque mais tarde lutou contra uma ditadura opressora e por um mundo melhor onde todos fossem iguais". Laura estudava em São Paulo, Lúcio em Minas Gerais e Jaime no Rio, cada um na casa de um tio ou parente que aceitara custear seus estudos. Maria Lúcia e Clóvis, os mais novos, ficaram com a mãe em Duartina, cidade para a qual haviam se mudado recentemente. Nas férias, os três primeiros se encontravam em São Paulo, na estação da Luz, e tomavam o trem até lá, onde se reuniam com os irmãos menores e a mãe durante o mês inteiro, até a volta das aulas. "Nessa época, na escola, as professoras falavam que a Maria Lúcia era muito crítica. Ela lia e discutia muito. Meus irmãos, que vinham de fora, traziam as discussões para dentro de casa. Ela leu a coleção do Monteiro Lobato inteira e era 'perguntadeira' que nem a Emília". Pela última vez Mais tarde, com Lúcio e Jaime formados em engenharia, Laura cursando ciências sociais e Maria Lúcia tendo acabado a escola, os quatro juntaram-se outra vez em São Paulo. Mas não por muito tempo. Lúcio e Jaime tornaram-se militantes do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) em 1967. Maria Lúcia entrou para o partido ainda como estudante secundarista. Em 1968, Jaime, que havia sido preso por alguns dias por conta do 30º Congresso da UNE e fichado pelo Dops, foi chamado para depor. "Já havia muita repressão. Ele ficou com medo de ser interrogado e preso, então, a partir daí, entrou na clandestinidade. Ele não veio para nossa casa, porque podia ser procurado". Mais tarde, Laura ficaria sabendo que ele se hospedara na casa de uma tia-avó, na zona Norte paulistana. As filhas dessa tia-avó contaram que haviam sido recomendadas a não comentar com ninguém que ele estava lá. "Ele só saía à noite, para reuniões. Foi aí que o partido o mandou para o interior, mas não podia nos dizer onde por questões de segurança". Quando Jaime ia a São Paulo para reuniões, visitava a irmã. Não podiam trocar cartas, mas, mais tarde, Laura soube que ele morou em Goiás. Os três Petit foram para o Araguaia, para a região onde seria instalada a guerrilha, em princípios de 1971. Laura os viu pela última vez, em datas distintas, em fins de 1970. Maria Lúcia ainda não estava clandestina quando foi para o Araguaia. Trabalhava com Laura em uma escola municipal. "Prestamos os primeiros concursos da Prefeitura para o cargo de professora. Ela tinha acabado de sair da escola e passou. Foi efetivada e escolhemos o mesmo lugar para trabalhar. Ela queria ainda estudar medicina, tinha muitos planos, mas, depois, a vida a levou para outro lado. As coisas mudaram", conta. Cena 6: a ditadura que não era branda Maria Lúcia deixou São Paulo no começo de 1970, e Lúcio, no final do mesmo ano. Ele tampouco estava clandestino: trabalhou como engenheiro até partir. No período de preparação da guerrilha, Maria Lúcia, frequentemente doente de amidalite, fez uma operação e se preparou como pôde. "Eu sabia que ela ia para algum lugar, mas não sabia para onde", conta Laura. Sua irmã se despediu no começo de 1970, mas voltou em dezembro, para as festas de fim de ano. "Ela ficou alguns dias na minha casa e, depois, visitou nossa mãe em Bauru. Veio para reuniões do partido. Na noite do reveillón, as irmãs se juntaram "ao pessoal da USP" e foram para o samba no Camisa Verde e Branco, na Barra Funda. "Nessa época, eu estava grávida, meu filho nasceria em fevereiro. Na hora de se despedir, Maria Lúcia disse: 'ainda bem que eu não vou conhecer meu sobrinho, seria uma pessoa a mais para sentir saudades lá'". E se foi mais uma vez. E, mais uma vez, Laura não sabia exatamente para onde. Só sabia que era um lugar quente e com muitos insetos: "quando ela veio, estava muito morena de sol e tinha picadas de pernilongo pelo corpo inteiro". A partir de então, Laura não tinha mais contato direto com os irmãos. "Um mensageiro trazia as cartas, eu respondia, e ele as levava de volta. Eu não sabia onde estavam, não tinha nenhuma dica. Esse mensageiro era da direção do partido. Eu o conhecia como Antônio". O Exército chegou ao Araguaia em abril de 1972. "Ele nos trouxe a notícia. Não era o momento exato, mas a guerrilha havia começado". Ainda estava em fase de preparação, mas fora descoberta. Antônio explicou que era difícil circular pela região. Laura ficou sem notícias dos irmãos, mas, agora, sabia onde eles estavam. "Em 73, vi em um jornal pendurado em uma banca com uma foto imensa estampada na capa: Antônio estava morto. Eram aquelas versões inventadas: tentativa de fuga, morto em confronto com a polícia ou outras alegações do gênero. Já sabíamos que não teríamos mais sequer as notícias dele. A partir daí, ficamos sabendo que Antônio era Carlos Nicolau Danielli, dirigente do PCdoB". Ele havia sido morto sob tortura, no DOI-Codi. Sofrer em silêncio "Pegamos todos os documentos do partido, fotos dos meus irmãos, o jornal A Classe Operária e meu marido levou numa ponte do Tietê e jogou tudo rio abaixo. Como o Antônio vinha em casa, a qualquer hora poderiam aparecer. Foram livros do Marx, do Lênin e tudo que era considerado 'subversivo'". Laura ficava preocupada com a falta de notícias. "Em fins de 1968, depois de decretado o Ato Institucional número 5, o AI-5, a ditadura nunca foi 'ditabranda'. A situação estava feia. Pode ter sido branda para quem ficou assistindo televisão, que veiculava as propagandas do governo do tipo 'este país vai pra frente' ou 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. Para quem sentiu na pele a repressão, sabe que de branda a ditadura não teve nada". Em 1973, Laura foi visitar a mãe em Bauru. Quando voltou, seu marido disse que tinha uma notícia muito ruim. Contou que havia encontrado Regilena de Aquino. Ela, que também havia participado da guerrilha, mas que estava de volta, pois havia se entregado ao Exército, fora casada com Jaime, seu irmão. Regilena havia contado com detalhes que Maria Lúcia estava morta. Ela fora à casa de um camponês do Araguaia, seu "compadre", João Coioió, que lhe havia comprado mantimentos. Maria Lúcia se tornaria madrinha de seu filho. Combinou de ir à casa logo cedo, com mais dois companheiros, Miguel Pereira dos Santos, conhecido como Cazuza, e Rosalindo de Souza, vulgo Mundico, que a ajudariam a carregar os mantimentos. Quando estava chegando, recebeu um tiro na altura da bacia e outro na cabeça. Os militares estavam na casa e a executaram assim que ela se aproximou. Seus companheiros conseguiram escapar. Laura conta que, no momento em que soube da morte da irmã, teve que ficar calada. Sofria em silêncio e chorava às escondidas. Não podia compartilhar seu luto nem contar da morte da irmã aos amigos mais próximos. Cena 7: será Maria Lúcia? Quase 20 anos depois, em 1991, acharam ossadas do Araguaia. A irmã de João Carlos Haas, militante do PCdoB que também esteve na guerrilha, obteve indicações de moradores da região de que seu irmão estava enterrado no cemitério de Xambioá, no Tocantins. A Comissão de Justiça e Paz da Prefeitura de São Paulo foi até a região, acompanhada de uma equipe de legistas da Unicamp. No lugar da escavação em busca de restos mortais de João Hass, foi encontrada, envolta em um paraquedas, uma ossada de uma mulher que teria entre 20 e 24 anos. Junto, estavam os projéteis de uma metralhadora de uso militar. Na ocasião, Fortunato Badan Palhares, à frente da equipe de legistas, afirmou, em entrevista à TV Manchete, que certamente era uma guerrilheira, principalmente porque tinha uma coroa de dente tratada. Se fosse uma moradora da região, não teria tratamento dentário nem tipo algum de prótese. A informação chegou à Laura Petit. Os restos mortais encontrados talvez pudessem ser de sua irmã. A ossada foi levada à Unicamp. "Na volta do cemitério de Xambioá para São Paulo, Badan Palhares parou em Brasília e conversou com Romeu Tuma. Consta que, nessa época, Tuma teria recomendado a Palhares que não identificasse ossadas de nenhum guerrilheiro do Araguaia. Assim, a atitude dele mudou completamente depois daquela primeira entrevista para a TV Manchete", conta Laura. Nessa época, Luiza Erundina, prefeita de São Paulo, deu muito apoio à comissão de familiares. Selou um convênio para que o Departamento de Medicina Legal da Unicamp fizesse identificações de ossadas. História da carochinha "Fui umas três vezes até a Unicamp levar fotos e outras coisas que pudessem ajudar na identificação da ossada. Mostrei fotos da Maria Lúcia e o depoimento da Regilena dizendo como ela estava vestida no dia em que foi morta: com uma calça de brim e um cinto de couro com fivela de metal. Portava uma cartucheira de 20mm e uma espingarda de caça. Como estavam no meio da mata, tinham que caçar para comer", lembra. "Cheguei à Unicamp um dia cedo, e o Palhares não estava. Fiquei esperando até às dez horas da noite. Ele tinha ido a Vinhedo ver uma santa que chorava para fazer a perícia. Chegou tarde e me atendeu muito rapidamente. Já chegou falando: 'não, não é sua irmã, o cabelo que tem aí é claro. Na foto que você me trouxe, ela tem cabelo escuro. Essa mulher que está aí dentro tem cabelo encaracolado, o que não era o caso da sua irmã!'. Ele tentou me contar uma história da carochinha: 'você ainda vai encontrar sua irmã, não se preocupe'. Como se eu não tivesse certeza absoluta de que ela tinha sido executada. E ainda gritou comigo: 'o cabelo que está aí é claro, você quer ir lá dentro ver?'. Imagine se eu, sendo irmã, às dez horas da noite, cansada e impactada pela expectativa, diria 'sim, eu quero que você me mostre'. Recuei: 'não, agora, não'. Como é que, sem preparo algum, eu poderia entrar naquela sala e olhar? Não sou uma técnica de Instituto Médico Legal!". Laura conta que Palhares nunca deu a possibilidade de se fazer um exame de DNA. "Eu era a irmã dela e nossa mãe ainda estava viva quando a ossada foi encontrada". Badan deixou o caso de lado por um tempo, e, além disso, Laura estava passando por um período muito difícil. Em 1990, perdeu a filha caçula, de então quatro anos de idade. Em 1991, quando houve a exumação e a possibilidade de identificar a irmã, ainda estava muito impactada pela perda da menina. Foi algumas vezes até a Unicamp e não teve retorno algum. "Ainda disse a Palhares que conhecia o dentista que havia tratado o dente da Maria Lúcia. Eu poderia procurá-lo. E ele falou: 'procure e me traga as radiografias'. Fui até Bauru atrás do Dr. Tanaka e pedi as radiografias. Ele disse que, depois de mais de 20 anos, não tinha mais nada de Maria Lúcia, mas que, apesar disso, lembrava direitinho do trabalho feito. Nossa mãe não tinha muito dinheiro para uma coroa de ouro, então ele fizera de outro metal. Afirmou ser capaz de reconhecer o dente, porque o trabalho de prótese é quase artesanal. Quando contei ao Badan Palhares, ele afirmou que só aceitava receber o dentista com as radiografias em mãos". Estado que ainda mata Em abril de 1996, o jornal O Globo publicou uma grande reportagem, durante uma semana, sobre a Guerrilha do Araguaia. Um militar entregara todas as suas anotações com fotos e fatos sobre os enfrentamentos entre as forças da ditadura e os militantes do PCdoB. Uma das autoras da reportagem foi a São Paulo à procura de Laura. Queria que ela reconhecesse Maria Lúcia. "Era uma foto da Maria Lúcia deitada em um paraquedas com um saco plástico cobrindo seu rosto. Eu reconheci, claro que era a Maria Lúcia. E aparecia a calça de brim e o cinto com fivela de metal que estavam com a ossada na Unicamp. Além disso, aqueles restos mortais haviam sido achados envoltos em um paraquedas". Depois de ver as fotos, Laura voltou para casa. Estava atordoada, desolada. Viu a irmã morta, lembrou-se da filha que havia perdido e ficou, então, comparando o que as duas tinham de parecido. "A Maria Lúcia era ligeiramente estrábica, usava óculos desde pequena e minha filha também precisou usar, desde bebê". Quando chegou em casa e ligou a televisão, o noticiário anunciava: 17 de abril de 1996, no sul do Pará, 19 sem-terra foram mortos pela polícia. Era o massacre de Eldorado dos Carajás. "Pra mim, aquilo foi muito, muito forte. Ligo a televisão e vejo PMs armados, praticamente na mesma região, matando camponeses. Dezenove deles. Lembro que, na ocasião, pensei: 'puxa vida, este país está como anos atrás'. Tinha acabado a ditadura e o Estado continuava matando". Cena 8: é ela, é ela! Depois de publicada a matéria, a jornalista d'O Globo mandou à Laura as fotos de Maria Lúcia ampliadas. "Fomos com a comissão de familiares até a Unicamp. Chegamos com as fotos e, a nós, se juntou uma comissão grande de estudantes da Unicamp, para colocar o Badan contra a parede. Tinha imprensa e tudo mais. Quando ele chegou e viu aquela movimentação toda, acuado, falou, naquele tom professoral típico dele, que só receberia a mim e a meu marido". Badan viu as fotos e, finalmente, falou que faria a identificação, "pois, agora sim, tinha indícios. Eu deveria até trazer o dentista de Bauru", conta Laura. Sua ida à Unicamp foi perto do dia 2 de maio de 1996. Em 15 de maio, o legista convocou uma entrevista coletiva para anunciar à imprensa e à sociedade a identificação de Maria Lúcia. "Ele fez, em 15 dias, o que havia demorado cinco anos para fazer". Depois do caso PC Farias e das ossadas de Perus, o Departamento de Medicina Legal da Unicamp foi fechado por processos administrativos. "No caso PC Farias, ficou muito claro o caráter desse homem", diz Laura. A família Petit esperou até 16 de junho para fazer o traslado dos restos mortais da Unicamp ao cemitério. Maria Lúcia havia sido morta em 16 de junho de 1972. Foram 24 anos para ser encontrada, identificada e enterrada. Mais tempo do que ela viveu. Foi morta aos 22 anos. "Nessa época, minha mãe disse que passaria, então, a esperar para poder sepultar seus outros dois filhos, mas, infelizmente, faleceu antes de fazer isso. Ela viveu uma espera eterna. Não conseguiu sepultar os outros dois filhos, não conseguiu que os arquivos fossem abertos nem que o governo devolvesse às famílias os restos mortais", conta. Vida suspensa "Durante todo esse tempo, eu pensava, diariamente, se era ou não era minha irmã e o que poderia ser feito. É uma angústia constante, que não te deixa nunca. Depois de todas as negativas do Badan, ficamos esperando ver se alguma coisa nova acontecia. Por isso, é cada vez mais necessária a abertura dos arquivos da ditadura. O simples fato de esse militar que não se identificou entregar seus arquivos possibilitou a identificação da Maria Lúcia", diz Laura, que indaga: "Quantos outros desaparecidos não poderiam ser localizados e identificados para que as famílias pudessem encerrar esse luto eterno? O luto é uma tristeza muito grande, mas que podemos compartir socialmente. Choramos e depois começamos a tocar a vida de novo. No nosso caso, não conseguimos concretizar a morte, porque não temos um corpo para chorar. Não encerramos esse período de luto. Não é uma tristeza, é uma melancolia que passa a nos acompanhar a vida toda. Ficamos com a vida truncada. Suspensa". Até a Lei de Anistia, Laura acreditava que Jaime e Lúcio poderiam estar vivos. "Eu tinha a esperança, sobretudo, que o Lúcio voltaria. Diziam que ele era um mateiro muito experiente. Durante a infância toda, tinha pescado nos rios perto de onde morávamos. Eu pensava que ele poderia ter caminhado, caminhado, até chegar à fronteira com algum país. Eu tinha um primo muito companheiro da gente na juventude. Um dia ele foi à Salvador e voltou dizendo que havia visto o Lúcio por lá e que ele tinha passado reto e fingido que não o conhecia. As pessoas ficam nessa coisa, nesse sebastianismo: eu vi em tal lugar, eu sei que vai voltar". Cena final: 30 anos depois ou procura-se Segundo relatos de um camponês da região na época da guerrilha, Jaime foi morto pelos militares. Estava sozinho em uma cabana, magro, com feridas de leishmaniose e sem munição. Abriram fogo contra a cabana, uma fumaça se levantou com a poeira do chão e, quando foram ver, o corpo de Jaime estava "esbagaçado" pelos tiros. Depois de morto, ainda teve a cabeça cortada para identificação e o corpo foi enterrado no local. A cabeça foi colocada em um saco e entregue ao chefe da operação na região, o doutor Augusto. Já Lúcio foi preso, interrogado durante três dias e "foi feito" no dia de Tiradentes, 21 de abril. Na última foto em que se acredita que Lúcio aparece, ele está dentro de um helicóptero, provavelmente sendo levado para o "voo da morte". Os prisioneiros eram levados para longe e executados. Até hoje, nenhuma notícia deles. Nenhuma certeza. E Laura é apenas uma das pessoas que seguem esperando. Hoje, no Brasil, são 144 os desaparecidos políticos. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". Quem é essa mulher Que canta sempre o mesmo arranjo? Só queria agasalhar meu anjo E deixar seu corpo descansar Trecho da letra da música "Angélica", de Chico Buarque. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100803/7cd5df23/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Pra quem se interessa em estudar esse período, é uma boa dica. Saudações históricas, -- "A História é o passado ressignificado" -- Fabrício Augusto Souza Gomes E-mail: fabricio.gomes at gmail.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100803/ca5710dc/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100803/ca5710dc/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 4 21:33:58 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 4 Aug 2010 20:33:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Rescaldo_do_Estado_m=EDnimo=3AA_?= =?iso-8859-1?q?crise_da_classe_m=E9dia_americana=2E?= Message-ID: Carta O Berro..................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marco Aurelio A agonia da classe média americana Edward Luce, Financial Times, de Washington 04/08/2010 Tecnicamente falando, Mark Freeman deveria considerar-se entre as pessoas mais sortudas do planeta. Aos 52 anos, ele vive com sua família em casa própria, numa rua arborizada e no coração do país mais rico do mundo. Quando está com fome, ele come. Quando esquenta, ele liga o ar-condicionado. Quando quer buscar alguma coisa, ele navega na internet. No entanto, de alguma forma, as coisas não vão mais tão bem. No ano passado, o banco tentou retomar a casa dos Freeman, apesar de eles estarem com seu pagamento atrasado apenas três meses. Seu filho, Andy, foi recentemente excluído da cobertura do seguro saúde de sua mãe e só penosamente readmitido mediante um grande pagamento. E, assim como as casas tapadas com tábuas - que sinalizam a epidemia de retomadas judiciais de imóveis nos EUA -, o tráfico de drogas e os tiroteios, que antes eram distantes de seu bairro, estão chegando cada vez mais perto, quarteirão por quarteirão. que é mais perturbador, no caso dos Freeman, é como eles são típicos. Nem Mark nem Connie - sua incansável mulher, tão gordinha quanto ele é magro - têm doenças crônicas. Ambos trabalham no Hospital Metodista local - ele trabalha no almoxarifado, e ela é técnica em suprimentos de anestesia. A US$ 70 mil por ano, a renda bruta do casal é mais de um terço superior à mediana do núcleo familiar americano. No passado, isso era o "sonho americano". Nos dias atuais, poderia ser chamado de "devaneio incerto americano". Na prática, Mark gasta muito dinheiro todo mês com o aluguel de uma máquina para tratar sua apneia, que lhe dá insônia. "Se perdemos nossos empregos, depois de umas três semanas teremos zerado nossa poupança", diz ele, sentado em seu quintal, de olho na rua e uma garrafa de cerveja na mão. "Nós trabalhamos dia e noite para tentar poupar para nossas aposentadorias. Mas nunca estamos a mais de um ou dois cheques de distância do olho da rua." Quando se fala de classe média americana, a maioria dos estrangeiros imagina algo mais atemporal e confortável, como nas séries de TV, na qual os adolescentes vão à escola dirigindo carros esportivos e as meninas são sempre animadoras de torcidas. Isso pode representar como vivem uns 10% do topo da classe média. O resto vive como os Freeman. Ou pior. Uma visita completa à casa de 65 m2, pertencente a Mark, no noroeste de Mineápolis, leva apenas uns 30 segundos. A casa foi comprada mediante um financiamento de US$ 50 mil em 1989. Agora, ela vale US$ 73 mil. "Houve um momento em que ela valia US$ 105 mil dólares - e pensamos que tínhamos entrado no paraíso", diz Mark. "Os bancos continuaram telefonando - às vezes quatro ou cinco vezes numa mesma noite -, oferecendo linhas de crédito e empréstimos. Insistiam como traficantes de drogas." O lento estrangulamento econômico dos Freeman, e de milhões de outros americanos de classe média, começou muito antes da Grande Recessão, que apenas agravou a "recessão pessoal" que os americanos comuns vinham sofrendo havia anos. Denominada pelos economistas como "estagnação do salário mediano", a renda anual dos 90% de famílias menos bem de vida nos EUA permaneceu essencialmente inalterada desde 1973 - tendo crescido apenas 10% em termos reais nos últimos 37 anos. Isso significa que a maioria das famílias americanas está no sufoco há mais de uma geração. No mesmo período, a renda do 1% de famílias mais ricas triplicou. Em 1973, executivos-chefes de grandes companhias recebiam, em média, remuneração igual a 26 vezes a renda mediana. Hoje, é mais de 300 vezes superior. A tendência só tem se intensificado. A maioria dos economistas vê a grande estagnação como um problema estrutural - ou seja, imune ao ciclo econômico. Na última expansão, que começou em janeiro de 2002 e terminou em dezembro de 2007, a renda familiar mediana americana ficou US$ 2 mil menor - a primeira vez em que a maioria dos americanos esteve pior no fim de um ciclo do que no início. O mais grave é que a longa era de renda estagnada tem sido acompanhada por algo profundamente antiamericano - um declínio na mobilidade da renda. Alexis de Tocqueville, grande cronista francês dos primórdios da nação americana, já foi erroneamente citado como tendo dito: "Os EUA são o melhor país do mundo para os pobres". Isso deixou de ser verdade. Hoje, nos EUA, é menor a chance de passar de um estrato de renda mais baixa para outro mais elevado do que em qualquer outra economia desenvolvida. Para inverter as clássicas histórias de Horatio Alger, nos EUA de hoje, se você nasceu esfarrapado, tem maior probabilidade permanecer nesse estado do que em praticamente qualquer país da velha Europa. Combinadas a essas duas tendências profundamente enraizadas, há uma terceira - forte crescimento da desigualdade. O resultado é a crise em fogo lento do capitalismo americano. Uma coisa é sofrer as agruras de uma estagnação da renda. Outra é perceber que você tem uma probabilidade decrescente de escapar dessa estagnação - especialmente quando poucos afortunados que vivem nos proverbiais "condomínios fechados" parecem mais mimados cada vez que você os vislumbra. "Quem matou o sonho americano?", dizem os cartazes em passeatas de esquerda. "Resgatemos a América", gritam os manifestantes de direita do movimento Tea Party. As estatísticas capturam somente uma fatia do problema. Mas é Larry Katz, renomado economista de Harvard, quem oferece a analogia mais atraente. "Imagine a economia americana como um grande prédio de apartamentos", diz o professor. "Um século atrás - até mesmo 30 anos atrás -, era um objeto de inveja. Mas, na última geração, sua feição mudou. Os apartamentos de cobertura estão cada vez maiores. Os apartamentos nos andares intermediários estão cada vez mais espremidos e o térreo foi inundado. Para completar, o elevador não está funcionando. Esse elevador quebrado é o que mais deprime as pessoas." Não surpreende que uma maioria crescente de americanos tem dito, em pesquisas de opinião, acreditar que seus filhos terão um padrão de vida pior do que o deles próprios. Durante as três décadas do pós-guerra, que muitos hoje relembram como a era de ouro da classe média americana, a maré alta erguia a maioria dos barcos, nas palavras de John F. Kennedy. A renda cresceu em termos reais quase 2% ao ano, quase dobrando a cada geração. E, embora os anos dourados tenham sido puxados pelo crescimento do ensino superior de massa, não era preciso ter diploma de ensino médio para dar conta das despesas. Como seu marido, Connie Freeman foi criada num lar de "classe trabalhadora" no chamado Cinturão do Ferro, no norte de Minnesota, perto da fronteira canadense. Seu pai, que deixou a escola aos 14 anos, após a Grande Depressão dos anos 1930, trabalhou nas minas de ferro a sua vida inteira. No fim de sua vida profissional, ele ganhava US$ 15 por hora - mais de US$ 40 em valores atuais. Trinta anos depois, Connie, que é muito mais qualificada do que seu pai, após ter completado o ensino médio e concluído um ano adicional de estudos, ganha apenas US$ 17 por hora. O pai de Connie, com sua escolaridade mínima, ganhava o suficiente para permitir que sua esposa continuasse a ser dona de casa em tempo integral e ainda bancou a educação de dois filhos até a faculdade. Connie e Mark, por seu turno, têm dificuldades para pagar o fluxo de contas num lar de dupla renda familiar. O Estado de Minnesota custeia um curso de teatro para Andy, o filho de 20 anos do casal que sofre de autismo agudo. A rigor, Connie vive num lar de quatro rendas. "Quando Andy tinha dois anos, disseram-me para comprar um aparelho de karaokê, porque as crianças autistas às vezes reagem bem a isso", disse Mark, apontando para o que só pode ser descrito como um antigo aparelho pós-moderno. "Foi assim que iniciei meus negócios com karaokê. Eu ganho cerca de US$ 100 toda quarta-feira, promovendo karaokês pagos em casa. E, aos sábados sou gerente na loja de bebidas do bairro. Precisamos de todos os quatro empregos para manter a cabeça fora d ' água." Do ponto de vista da maioria dos economistas, a história até o momento é inquestionável. A maioria concorda sobre o diagnóstico, mas diverge sobre as causas. Muitos na esquerda atribuem a culpa à Grande Estagnação da globalização. A ascensão de China, Índia, Brasil e outros países solapou os salários no Ocidente e eliminou postos de trabalho de americanos sem qualificação, semiqualificados e até mesmo qualificados. A indústria agora representa somente 12% dos postos de trabalho nos EUA. Pense no trabalhador típico da indústria automobilística em Detroit, 30 anos atrás, que tinha um estilo de vida de classe média seguro, bom plano de saúde e perspectiva de gorda aposentadoria. Hoje, ele vive na China. Outro grupo de economistas define como causa principal o surgimento explosivo de novas tecnologias, que facilitaram a automação computadorizada de rotinas repetitivas e de trabalhos mais simples. Pense na auxiliar de escritório, que anotava ditados e fazia o café. Ela agora é um BlackBerry que passa metade de sua vida no Starbucks. Ou o pessoal de retaguarda de escritórios que, como aqueles sapateiros em conto de fadas, agora "costura a contabilidade" das empresas americanas em Bangalore, na Índia, enquanto as pessoas dormem nos EUA. Há também aqueles, como Paul Krugman, colunista do "The New York Times" e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, que atribuem a culpa ao mundo político, especialmente à reação conservadora iniciada quando Ronald Reagan chegou ao poder, em 1980, o que acelerou o declínio dos sindicatos e reverteu os traços mais progressistas do sistema fiscal americano. Menos de um décimo dos trabalhadores do setor privado americano pertence a um sindicato. As pessoas na Europa e no Canadá estão sujeitas às mesmas forças globalizantes e tecnológicas, mas fazem parte em maior número de sindicatos, e seu atendimento médico é coberto por verbas públicas. Mais de metade das falências de famílias nos EUA são causadas por doença ou acidente graves. Essas são as teorias concorrentes (porém não contraditórias) sobre a causa da deterioração. A "experiência vivida", como diriam os sociólogos, é outra coisa. De forma muito semelhante aos Freeman, os Miller poderiam estar vivendo em qualquer lugar dos EUA. Somente o calor abafado denuncia que estão na Virgínia, no sul do país. Falls Church, na Virgínia, é na verdade um subúrbio da capital do país, Washington. A implacável expansão do governo fomentou um setor privado "verde", do outro lado do rio Potomac, dedicado principalmente a atividades relacionadas com segurança, defesa, serviços governamentais e lobbying. O lugar de honra na casa de Shareen Miller abriga uma fotografia granulada de sua conversa com Barack Obama numa cerimônia na Casa Branca, no ano passado, para a assinatura de uma nova lei que impõe igualdade de remuneração para as mulheres. Como organizadora, na Virgínia, de 8 mil assistentes de cuidados pessoais - profissionais que cuidam de idosos e de deficientes nas próprias casas dessas pessoas - Shareen, de 42 anos, foi convidada, com outras dezenas, a participar da cerimônia. Mas isso foi tudo o que ela ganhou de sua fugaz proximidade com o presidente. Desde então, sua remuneração e suas horas de trabalho não pararam de cair. No ano passado, ela ganhava US$ 1,5 mil por mês. Agora, recebe US$ 900. Assim como outros governadores de Estado, Bob McDonnell, governador da Virgínia, vem cortando impiedosamente o gasto público desde que a recessão começou. Embora com área de aproximadamente o dobro do lar dos Freeman, na casa de Shareen a sensação é de aperto ainda maior. Junto com dois filhos, uma nora, uma neta e seu marido, Shareen tem um verdadeiro zoológico de animais de estimação. Sua paciente Marissa, 26, com paralisia cerebral, muitas vezes pernoita na casa deles. Shareen exibe a vigorosa boa vontade que encontramos em muitos americanos. Apesar de seu pouco tempo livre, ela pratica uma atividade voluntária, aos sábados, dedicada a animais de estimação perdidos. Para ir a qualquer lugar, os Freeman precisam de um carro. A uns 250 metros de sua casa, fica o trevo local, onde estão as emblemáticas Taco Bells, 7-Eleven e lojas de um dólar que pontilham os EUA. É a geografia física que diferencia os lugares; a geografia humana, simplesmente se repete. Dona de um sorriso permanente, Shareen traça sua complexa árvore genealógica: um pai aposentado, que trabalhou numa penitenciária do Estado de Oregon, e vários meio-irmãos e meio-irmãs, nenhum dos quais parece estar chegando com dinheiro ao fim do mês. "Adivinhe de qual estou mais próxima", pergunta ela com um sorriso travesso. "De nenhum." De novo, tecnicamente falando, Shareen vive em relativo conforto. Como seu marido trabalha para uma companhia de segurança contra incêndios e ganha US$ 70 mil por ano, os Miller estão, sem dúvida, sobrevivendo. Mas eles temem o que poderá acontecer se um deles tiver um problema de saúde. Alguns anos atrás, Shareen teve um tumor removido de seu diafragma, que gerou US$ 17 mil em dívidas. E o marido sofre de uma hérnia de disco. Surpreendentemente, tendo em vista que sua renda bruta conjunta é o dobro da mediana nos EUA, Shareen teve de adiar uma operação dentária por seis meses, a fim de saldar o empréstimo para a compra de seu carro. E não tem tempo para estudar e se requalificar. "Uma coisa comum nas pessoas que cuidam de gente com deficiências é que elas nunca têm tempo", diz ela. Tanto quanto discordam sobre o que causou a grande estagnação, os economistas também divergem sobre as soluções. A maioria concorda que níveis educacionais mais altos melhoram o rendimento potencial das pessoas, mesmo que isso não resolva o problema subjacente. Outros salientam que nem todo mundo pode ser um corretor de ações, empresário de software ou professor de Harvard. Muitos dos empregos do futuro serão funções "interpessoais" que não podem ser facilmente substituídos por computadores (ou imigrantes): zeladores, cabelereiros e manicures, para os quais uma faculdade é algo frequentemente supérfluo. Além disso, grande parte dos americanos atingidos pela estagnação nos últimos dez anos tem curso universitário. Mesmo eles não estão a salvo. Porém, mais educação, no mínimo, melhorará as chances das pessoas. Como pagar isso são outros quinhentos. Apesar de a renda nos EUA estar estagnada, o custo das escolas não cessa de crescer. Desde 1990, quase dobrou a proporção de americanos que estão pagando mais de US$ 20 mil em empréstimos educacionais uma década após terem se formado. Lawrence Summers, principal assessor econômico de Obama, que há muito tempo preocupa-se com o crescimento do que ele denomina "nervosa classe média" americana, salienta que, entre as principais economias, os EUA têm o maior percentual de diplomados no mercado de trabalho. Mas, na faixa etária de 25 a 34 anos, os EUA não estão nem nos "dez mais". Mais e mais americanos jovens são dissuadidos pela perspectiva de assumir uma dívida de longo prazo. "Não é só o medo do endividamento - são os quatro anos de lucros cessantes", diz Ruth Miller. O impacto sobre as pessoas, como os Miller e os Freeman, tem sido agudo. Primeiro, houve estagnação. Depois veio a recessão. Qual é, então, o futuro do sonho americano? Michael Spence, economista ganhador do Prêmio Nobel, a quem o Banco Mundial encarregou de realizar um estudo sobre o futuro do crescimento mundial, admite um mau presságio. Como um número crescente de economistas, Spence disse ver a grande estagnação como uma profunda crise de identidade. Durante anos, o problema foi amenizado e parcialmente oculto pela disponibilidade de crédito barato. Americanos de classe média foram ativamente incentivados a se endividar continuamente, oferecendo suas casas em garantia, ou a canibalizar seus fundos de aposentadoria, confiando em que os preços dos imóveis e as bolsas de valores desafiariam permanentemente a gravidade (uma atitude estimulada, entre outros, pela metade ganhadores do Nobel de Economia em todo o mundo). Essa reserva de valor, agora, não existe mais. O dinheiro fácil transformou-se em pesado endividamento. "Baby boomers" - os nascidos na explosão da natalidade após a Segunda Guerra Mundial - adiaram sua aposentadoria. Filhos com curso superior estão voltando para a casa dos pais. O barômetro é econômico. Mas a raiva é humana e cada vez mais política. "Tenho esse desgastante sentimento sobre o futuro dos EUA", diz Spence. "Quando as pessoas perdem o senso de otimismo, as coisas tendem a ficar mais voláteis. O futuro que mais temo para os EUA é latino-americano: uma sociedade muito desigual, propensa a fortes oscilações entre populismo e ortodoxia. Veja o Tea Party [movimento conservador]. As pessoas acham que surgiu do nada. Embora eu não concorde com suas soluções, a maioria dos membros do Tea Party são americanos de classe média que vêm sofrendo em silêncio há anos." Spence admite estar pensando em voz alta e "extrapolando em muito os dados". E ele admite que os EUA provavelmente ainda conservam sua força mais vibrante em sua capacidade de liderança mundial em inovação tecnológica. A maioria dos economistas não é tão pessimista como Spence. Mas é entre os americanos comuns que seu pessimismo repercute mais intensamente. "Ser pessimista sobre o futuro é algo tão novo para os americanos", diz Spence. "Mas a maioria das pessoas compreende sua própria situação melhor do que qualquer economista." (Tradução de Sergio Blum) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100804/a8810d56/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 5 10:44:40 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 5 Aug 2010 09:44:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Desaparecidos=3A_=E0_margem_do_ri?= =?iso-8859-1?q?o_dos_Mortos?= Message-ID: <8E13AAEBB81D4DC4AEC5B1BB029F4597@vcaixe> Carta O Berro...................................................repassem Carta Maior Desaparecidos: à margem do rio dos Mortos Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos da ditadura civil-militar. Corpos à espera do sepultamento. Familiares à espera de concretizar o luto, de acabar com a incerteza. Almas à espera da travessia do Aqueronte. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". A reportagem especial é de Paula Sacchetta, publicada originalmente no Brasil de Fato. Paula Sacchetta - Brasil de Fato Queres tu, realmente, sepultá-lo, embora isso tenha sido vedado a toda a cidade? Fala de Ismênia na tragédia Antígona Cena 1: o começo ou sepultamento inusitado Segunda-feira, 18 de maio de 1992. Em Jales, a 600 quilômetros de São Paulo, um caixão fechado é velado na Câmara Municipal. Foi decretado feriado, a cidade inteira está parada. A Câmara está lotada. Presentes crianças e adolescentes, gente de todas as idades. É um dia de sol muito quente, daqueles que nem ferro de marcar. Após o velório, um cortejo segue a pé até o cemitério. Depois de anos de busca do filho desaparecido, Ruy Thales consegue enterrá-lo. O caixão é finalmente depositado no jazigo da família Berbert. Dentro dele, porém, não havia um corpo. Nem restos mortais. Apenas um terno completo e os sapatos de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Objetos que haviam permanecido até então intocados em seu quarto, para "caso ele voltasse". Antes do início das cerimônias, Ruy Thales, o pai, chamou Amélia Teles em casa para tomar um café. Ela estava em Jales representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. "Ele havia me chamado para o enterro, mas eu sabia que os restos mortais não haviam sido encontrados. Aceitei o convite e não perguntei nada. Ele também não me disse nada". Depois do café, o conteúdo do caixão foi revelado. Naquele dia, Amélia foi cúmplice de Ruy Thales. Ninguém, além dos dois, sabia que o ataúde estava praticamente vazio. O pai já estava bastante idoso, e, prevendo que morreria logo, quis enterrar o filho. Mesmo sem ter um corpo. No fim do dia, depois do ato na Câmara e do enterro, deu um jantar para 80 pessoas. "Era uma mesa enorme, parecia um banquete", conta Amélia. O pai de Berbert morreu pouco tempo depois. Mas conseguiu enterrar seu filho. Cena 2: Ruy Carlos Vieira Berbert, presente! O ritual foi a forma encontrada pela família Berbert para acabar com a espera. A maneira de encerrar o luto que já durava 20 anos. Estavam se libertando de um fantasma que, até hoje, assombra a vida de famílias inteiras: filhos, pais, mães e irmãos. Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos. "Não pode haver aceitação da ideia de que ainda existem mais de 140 brasileiros que muitos vivos sabem onde estão seus corpos ou como seus corpos deixaram de existir", afirma Paulo Vannuchi, à frente da Secretaria Especial de Direitos Humanos desde o final de 2005. O caso de Ruy Carlos Vieira Berbert é emblemático. Nascido em Regente Feijó, no interior paulista, em 1947, veio para São Paulo tentar o vestibular da USP. Passou em letras, começou o curso e se tornou militante no movimento estudantil. Mais tarde, passou à luta armada. Em 1969, viajou, pela ALN - Ação Libertadora Nacional, organização de maior expressão no cenário da guerrilha urbana, nascida como dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e que teve Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira como dirigentes -, para Cuba, de onde retornou como militante do Molipo - Movimento de Libertação Popular, surgido a partir de um racha da própria ALN. A maioria dos que voltavam do treinamento na ilha socialista já chegava ao Brasil "queimada" e procuradíssima pela repressão. Quando os serviços de informação da ditadura souberam que os integrantes do Molipo estavam se espalhando de forma clandestina para dentro do país, o governo baixou uma ordem exigindo a prisão de todo e qualquer estranho recém-chegado às cidades do interior. O turista relâmpago Na virada de 1971 para 1972, Berbert instalou-se em Natividade (na época, em Goiás, hoje, no Tocantins), em uma pequena pensão. No dia seguinte, foi preso enquanto conversava tranquilamente na calçada com a filha do dono do estabelecimento. A delegacia da cidade era bem antiga. Suas celas possuíam amplas janelas gradeadas que davam para a praça principal. Da janela, o preso conversava com as pessoas que por ali passavam. Em algumas horas, o militante tornou-se celebridade, quase uma atração turística. Ficou conhecido. Dois ou três dias após sua prisão, baixou em Natividade "o pessoal de São Paulo", como eram chamados os agentes do DOI-Codi. Nesse mesmo dia, Berbert apareceu enforcado em sua cela. A versão oficial: suicídio. No dia seguinte, um grande proprietário de terras da região, não muito querido pela população local, também morreu. Os dois corpos partiram em cortejo rumo ao cemitério, seguidos por boa parte dos habitantes daquela cidade. Os agentes da repressão acreditavam que era por conta da morte do latifundiário, mas as pessoas estavam seguindo Berbert, o turista relâmpago, que, embora tivesse ficado tão pouco tempo na cidade, angariou simpatia e admiração, e que, do mesmo jeito que chegou, foi-se embora num piscar de olhos. Enterraram o latifundiário na ala "dos ricos" do cemitério, e o militante, numa vala comum, junto aos indigentes. A família Berbert passou a ter informações sobre o filho somente através de notícias de jornal. Em 1979, um general ligado ao aparelho repressivo admitiu sua morte em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. Na ocasião, dona Ottília, mãe de Ruy Carlos, disse ao grupo Tortura Nunca Mais que gostaria de mostrar a luta constante pela qual passaram, na busca incerta da solução de um passado certo: "Apesar dos fatos comprovarem a quase certeza de sua morte, nós vivemos mais de uma década com a esperança e o sonho de vê-lo novamente". Corpo que não era corpo Apenas em 1991 começaram a obter dados mais concretos. Um atestado de óbito com o nome de João Silvino Lopes foi entregue à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no mandato da prefeita Luiza Erundina, para acompanhar a identificação das 1.049 ossadas encontradas na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus. Segundo a versão oficial, Lopes havia se suicidado em 2 de janeiro de 1972, em Natividade. Embora pudesse ser um militante político, seu nome não constava na lista de desaparecidos. Só um ano mais tarde, em 1992, quando os familiares dos mortos e desaparecidos tiveram acesso aos arquivos do Dops, foi encontrada uma relação elaborada a pedido de Romeu Tuma, diretor da unidade paulista do órgão entre 1977 e 1982. Nela, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 2 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome com que fora enterrado Ruy Carlos Vieira Berbert. Tendo-se como base esse mesmo documento, foi possível saber que seu corpo estava no cemitério de Natividade, mas não em qual local exatamente. Para exumá-lo e fazer a posterior identificação, seria preciso escavar o cemitério inteiro. Membros da Comissão 261/90 explicaram a situação à família Berbert, que, resignada, se contentou com um atestado de óbito, concordando em não fazer a exumação praticamente impossível. O corpo permaneceu no local, mas um enterro simbólico foi realizado na cidade onde seus pais moravam. Naquele dia, quem passou pela Câmara Municipal de Jales prestou homenagens frente ao caixão vazio de corpo, mas repleto de símbolos. Velaram um corpo que não era corpo, que não sabiam que não era corpo, mas que reverenciavam e o fariam ainda que o soubessem. No cemitério, colocaram a bandeira a meio-pau e cantaram o hino nacional. Tudo isso para o homem que não estava lá. Cena 3: dona Gertrudes ou "é ele, é ele!" Quando o filho de dona Gertrudes morreu, ela começou a se interessar em saber mais sobre a sua luta. Já senhora, foi estudar direito e leu todos os livros que pôde sobre a esquerda brasileira. Saiu atrás das pessoas que conheceram seu filho e que com ele militaram. Soube da participação de Frederico Eduardo Mayr na ALN, descobriu que ele foi treinar guerrilha em Cuba e que voltou como militante do Molipo. Dona Gertrudes participou ativamente da luta dos familiares de mortos e desaparecidos. Conseguiu localizar os restos mortais de Frederico (na vala comum do cemitério Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus), pois haviam documentos que atestavam sua morte e o local onde ele havia sido enterrado. "Dona Gertrudes era capaz de dizer quando seu filho havia sido preso, onde e quem o prendeu, sabia de tudo, mas dizia que, até o dia de enterrá-lo, toda vez que chovia à noite e uma porta ou janela batia, pulava da cama e corria para a porta dizendo 'é ele, é ele!'". Quem conta a história é o ministro Paulo Vannuchi. Mayr foi morto sob tortura no DOI-Codi em 1972. Foi enterrado, no Rio de Janeiro, somente 20 anos depois. "Esse é o tema da espera que gosto de colocar em todas as conversas que tenho, posso ter e terei ainda com o [ministro da Defesa Nelson] Jobim e com chefes militares". Vannuchi afirma que não entra na discussão da punição dos torturadores. Não diz que não, nem que sim, mas, se o pressionam muito, acaba confessando ser a favor de punir, sim. "Não que punir seja necessariamente enfiar na cadeia, porque significaria enfiar na cadeia octogenários". Mas defende que essa discussão é tema do Judiciário. O presidente Lula já avisou: o Executivo não entra no debate sobre punição. "Lula insiste em que eu coordene o trabalho de apoio às famílias, para localizar todas as informações, arquivos e, sobretudo, os corpos. Porque os corpos constituem um problema limiar de uma ideia de barbárie. Essa espera eterna se constitui numa manutenção da violação dos direitos humanos, numa manutenção do crime. A ocultação de cadáveres não está protegida por nenhuma lei de anistia", diz Vannuchi, que acrescenta: "Às vezes, as famílias se irritam e dizem: 'temos de obrigá-los a falar onde estão os corpos'.Vamos obrigar com 110 ou 220 volts? Não tem pau de arara, não tem cadeira elétrica. Não tem como obrigar ninguém, o esforço agora é de convencimento. E, nesse sentido, o convencimento é muito difícil quando a imprensa e setores conservadores não ajudam a reforçar esse consenso necessário e nacional de que não queremos discutir quem ganhou ou quem perdeu. Vamos dizer que o Brasil perdeu". Narrativa e reconstrução O regime ditatorial sufocou a cultura, a manifestação, o pensamento, a juventude. Matou e torturou. "Eles vão dizer que, se não houvesse isso, haveria uma ditadura comunista pior ainda". Para Vannuchi, esse não é o ponto. "Continuemos pensando diferente, vamos debater isso no voto, na universidade. O problema é que não dá pra dizer que o assunto terminou, que está encerrado". Segundo ele, não adianta colocar uma pedra em cima. "É preciso acabar com a ocultação de cadáveres e, se não houver cadáver, é preciso construir uma narrativa oficial, formal, com um pedido oficial de desculpas feito pelo presidente da República e pelo ministro da Defesa, ou os chefes das três armas". Vannuchi cita o caso de Ulysses Guimarães. Até hoje, não encontraram seu corpo. Porém, há uma reconstituição do acidente. Ele estava em um helicóptero, sobrevoando o mar de Angra dos Reis no dia 12 de outubro de 1992. A aeronave caiu no oceano - a hora exata do acidente pode ser informada -, foram detectados os problemas que a fizeram cair e foram encontrados os corpos de todos os outros passageiros à bordo: sua mulher, o senador Severo Gomes e esposa, e o piloto. A narrativa e a reconstrução do momento permitem afirmar que, mesmo sem terem achado o corpo, ele está morto. Sem o corpo e, pior, sem a narrativa e a certeza da morte, resta a dúvida: "e se fulano foi torturado até perder a consciência, teve uma amnésia e está encostado em um asilo ou abrigo?", indaga o ministro. "A narrativa é importante para encerrar esse processo de espera que se caracteriza como crime continuado e violação de direitos continuada. Essa incerteza, essa angústia, produz situações como a de dona Gertrudes. Tem que haver uma narrativa. Sem ela, não existe nenhuma certeza. E sem a certeza, os familiares não podem processar o luto. Isso tem que acabar, os familiares de desaparecidos não podem legar aos seus filhos essa espera". Cena 4: o ritual necessário ou a travessia de Caronte O ministro sabe o que está dizendo. Segundo Carl Gustav Jung, um dos "pais" da psicologia analítica, para lidar com o imponderável, de nada adianta ao homem seu pensamento lógico e sistematizado que explica o mundo. Em situações em que o desconhecido, o incompreensível e o inexprimível estão envolvidos (no caso, o desaparecimento de familiares), a instância simbólica se compõe como a única solução. Apenas os rituais permitem ao homem, de alguma forma, participar do fenômeno e vivenciá-lo de fato. A busca incansável dos familiares pelos corpos dos desaparecidos está ligada à instância simbólica. Racionalmente, há muito pouca diferença entre ter ou não o corpo, a prova concreta dessas perdas. Simbolicamente, no entanto, isso representa muito mais do que uma prova; o corpo sem vida é a passagem para o que Jung chamou de participação mística, que permite à pessoa enlutada transformar o momento de dor e melancolia em verbo, significá-lo, fazê-lo acontecer. Por isso, a situação dos familiares de desaparecidos políticos, de nutrir uma esperança sobre a morte, é pior do que o luto, "uma tristeza inteira". Aquilo que não pode ser definido e não pode ser falado, não se concretiza. Somente a simbolização poderia fazer essa ponte, o que, nesse caso, só poderia ocorrer com um enterro dos corpos ou restos mortais dos desaparecidos. Os familiares se certificariam de sua perda e concretizariam a morte, pondo fim à eterna angústia da incerteza. A necessidade de rituais fúnebres está tão arraigada no imaginário da humanidade que já existia na mitologia grega. O barqueiro Caronte tinha a função de atravessar as almas para a outra margem do Aqueronte, o rio dos Mortos. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados. Segundo essa lenda, as almas dos que não haviam sido sepultados não podiam atravessar o rio, e estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante 100 anos. Cena 5: sobre Penélope e Antígona Laura Petit tem 63 anos. Viu seus irmãos, pela última vez, em 1970. Viveu e vive a melancolia até hoje. Espera até hoje. Assim como Antígona, quer enterrar seus irmãos, para que eles não sejam obrigados a vagar durante um século às margens do rio dos Mortos. Como Penélope, que aguardava seu Ulisses, Laura espera a abertura dos arquivos da ditadura, espera respostas, e a punição dos responsáveis. Eram em quatro: Lúcio, o mais velho, Jaime, ela e Maria Lúcia, a mais nova. O pai deles morreu antes de Maria Lúcia nascer. Era administrador de uma fazenda de café perto de Jaú, no interior de São Paulo, quando um de seus capatazes o assassinou. A mãe, de então 28 anos, ficou viúva cedo e com quatro filhos pequenos. Permaneceram por um tempo onde viviam, na fazenda que pertencera aos parentes da escritora Hilda Hilst, numa cidade hoje chamada Itapuí. A família do pai das crianças ofereceu à mãe uma casa que havia sido do avô delas, em Amparo. E para lá se foram, os cinco. Lúcio e Jaime, os mais velhos, fizeram o primário na cidade e Laura começou a estudar por lá. Moraram ali durante quatro ou cinco anos. Era uma casa enorme, com um quintal muito grande também. Clóvis, o quinto irmão, nasceu do segundo casamento da mãe. "As lembranças são boas. Crescemos juntos, todos tínhamos quase a mesma idade. Lúcio sempre se destacava, porque era muito inteligente, e a professora lá de Amparo ficava admirada. Ele surpreendia", conta Laura. De Amparo, mudaram-se de novo, dessa vez, para Bauru, onde o avô materno administrava uma fazenda. Ali, Lúcio começou a fazer o ginásio e a mãe, sozinha e sem apoio da família do pai, começou a ter dificuldade para manter os quatro filhos estudando. Decidiu: "os meninos vão continuar estudando e as meninas vão parar". Mais tarde, escreveu para um tio das crianças que morava em São Paulo, que aceitou receber Laura e custear seus estudos. Que nem a Emília "Nas férias, eu reencontrava meus irmãos. Eu sentia falta, porque éramos muito unidos. Nessa fase que minha mãe passou dificuldade para comprar material escolar para quatro filhos, o Lúcio a ajudava. Tinha um esquema de escolher café em casa. Era trabalho doméstico infantil". Laura ri quando conta que a mãe punha todo mundo numa mesa grande para tirar graveto e escolher o café. E recorda: "Uma coisa que foi o traço mais forte de Lúcio era o de sentir e perceber as diferenças. Um dia, estávamos na casa do meu avô em Amparo com relativo conforto, depois, estávamos passando necessidade. Ele teve que trabalhar ainda criança, ajudar a mãe a criar os irmãos. Com certeza, sentiu isso". Em Bauru, a família Petit morava perto da estação de trem, por onde passavam a pé na volta da escola. Lá, havia um armazém de cargas coberto, sob o qual paravam ciganos e "um pessoal que rodava o mundo". Um dia, Lúcio viu um homem negro e muito, muito pobre, que levou para casa. Lá chegando, deu a ele um prato de comida, mesmo diante das dificuldades da família. Depois, buscou uma caixa de ferramentas e pegou um alicate para tirar, do sapato do homem, um prego que estava machucando seu pé. "Eu era bem pequena na época, mas aquilo ficou muito marcado em mim. O Lúcio era assim, solidário e fraterno com o sofrimento alheio. Em termos de caráter, tinha essa coisa de partilhar, de ser solidário, e, por isso, dá para entender porque mais tarde lutou contra uma ditadura opressora e por um mundo melhor onde todos fossem iguais". Laura estudava em São Paulo, Lúcio em Minas Gerais e Jaime no Rio, cada um na casa de um tio ou parente que aceitara custear seus estudos. Maria Lúcia e Clóvis, os mais novos, ficaram com a mãe em Duartina, cidade para a qual haviam se mudado recentemente. Nas férias, os três primeiros se encontravam em São Paulo, na estação da Luz, e tomavam o trem até lá, onde se reuniam com os irmãos menores e a mãe durante o mês inteiro, até a volta das aulas. "Nessa época, na escola, as professoras falavam que a Maria Lúcia era muito crítica. Ela lia e discutia muito. Meus irmãos, que vinham de fora, traziam as discussões para dentro de casa. Ela leu a coleção do Monteiro Lobato inteira e era 'perguntadeira' que nem a Emília". Pela última vez Mais tarde, com Lúcio e Jaime formados em engenharia, Laura cursando ciências sociais e Maria Lúcia tendo acabado a escola, os quatro juntaram-se outra vez em São Paulo. Mas não por muito tempo. Lúcio e Jaime tornaram-se militantes do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) em 1967. Maria Lúcia entrou para o partido ainda como estudante secundarista. Em 1968, Jaime, que havia sido preso por alguns dias por conta do 30º Congresso da UNE e fichado pelo Dops, foi chamado para depor. "Já havia muita repressão. Ele ficou com medo de ser interrogado e preso, então, a partir daí, entrou na clandestinidade. Ele não veio para nossa casa, porque podia ser procurado". Mais tarde, Laura ficaria sabendo que ele se hospedara na casa de uma tia-avó, na zona Norte paulistana. As filhas dessa tia-avó contaram que haviam sido recomendadas a não comentar com ninguém que ele estava lá. "Ele só saía à noite, para reuniões. Foi aí que o partido o mandou para o interior, mas não podia nos dizer onde por questões de segurança". Quando Jaime ia a São Paulo para reuniões, visitava a irmã. Não podiam trocar cartas, mas, mais tarde, Laura soube que ele morou em Goiás. Os três Petit foram para o Araguaia, para a região onde seria instalada a guerrilha, em princípios de 1971. Laura os viu pela última vez, em datas distintas, em fins de 1970. Maria Lúcia ainda não estava clandestina quando foi para o Araguaia. Trabalhava com Laura em uma escola municipal. "Prestamos os primeiros concursos da Prefeitura para o cargo de professora. Ela tinha acabado de sair da escola e passou. Foi efetivada e escolhemos o mesmo lugar para trabalhar. Ela queria ainda estudar medicina, tinha muitos planos, mas, depois, a vida a levou para outro lado. As coisas mudaram", conta. Cena 6: a ditadura que não era branda Maria Lúcia deixou São Paulo no começo de 1970, e Lúcio, no final do mesmo ano. Ele tampouco estava clandestino: trabalhou como engenheiro até partir. No período de preparação da guerrilha, Maria Lúcia, frequentemente doente de amidalite, fez uma operação e se preparou como pôde. "Eu sabia que ela ia para algum lugar, mas não sabia para onde", conta Laura. Sua irmã se despediu no começo de 1970, mas voltou em dezembro, para as festas de fim de ano. "Ela ficou alguns dias na minha casa e, depois, visitou nossa mãe em Bauru. Veio para reuniões do partido. Na noite do reveillón, as irmãs se juntaram "ao pessoal da USP" e foram para o samba no Camisa Verde e Branco, na Barra Funda. "Nessa época, eu estava grávida, meu filho nasceria em fevereiro. Na hora de se despedir, Maria Lúcia disse: 'ainda bem que eu não vou conhecer meu sobrinho, seria uma pessoa a mais para sentir saudades lá'". E se foi mais uma vez. E, mais uma vez, Laura não sabia exatamente para onde. Só sabia que era um lugar quente e com muitos insetos: "quando ela veio, estava muito morena de sol e tinha picadas de pernilongo pelo corpo inteiro". A partir de então, Laura não tinha mais contato direto com os irmãos. "Um mensageiro trazia as cartas, eu respondia, e ele as levava de volta. Eu não sabia onde estavam, não tinha nenhuma dica. Esse mensageiro era da direção do partido. Eu o conhecia como Antônio". O Exército chegou ao Araguaia em abril de 1972. "Ele nos trouxe a notícia. Não era o momento exato, mas a guerrilha havia começado". Ainda estava em fase de preparação, mas fora descoberta. Antônio explicou que era difícil circular pela região. Laura ficou sem notícias dos irmãos, mas, agora, sabia onde eles estavam. "Em 73, vi em um jornal pendurado em uma banca com uma foto imensa estampada na capa: Antônio estava morto. Eram aquelas versões inventadas: tentativa de fuga, morto em confronto com a polícia ou outras alegações do gênero. Já sabíamos que não teríamos mais sequer as notícias dele. A partir daí, ficamos sabendo que Antônio era Carlos Nicolau Danielli, dirigente do PCdoB". Ele havia sido morto sob tortura, no DOI-Codi. Sofrer em silêncio "Pegamos todos os documentos do partido, fotos dos meus irmãos, o jornal A Classe Operária e meu marido levou numa ponte do Tietê e jogou tudo rio abaixo. Como o Antônio vinha em casa, a qualquer hora poderiam aparecer. Foram livros do Marx, do Lênin e tudo que era considerado 'subversivo'". Laura ficava preocupada com a falta de notícias. "Em fins de 1968, depois de decretado o Ato Institucional número 5, o AI-5, a ditadura nunca foi 'ditabranda'. A situação estava feia. Pode ter sido branda para quem ficou assistindo televisão, que veiculava as propagandas do governo do tipo 'este país vai pra frente' ou 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. Para quem sentiu na pele a repressão, sabe que de branda a ditadura não teve nada". Em 1973, Laura foi visitar a mãe em Bauru. Quando voltou, seu marido disse que tinha uma notícia muito ruim. Contou que havia encontrado Regilena de Aquino. Ela, que também havia participado da guerrilha, mas que estava de volta, pois havia se entregado ao Exército, fora casada com Jaime, seu irmão. Regilena havia contado com detalhes que Maria Lúcia estava morta. Ela fora à casa de um camponês do Araguaia, seu "compadre", João Coioió, que lhe havia comprado mantimentos. Maria Lúcia se tornaria madrinha de seu filho. Combinou de ir à casa logo cedo, com mais dois companheiros, Miguel Pereira dos Santos, conhecido como Cazuza, e Rosalindo de Souza, vulgo Mundico, que a ajudariam a carregar os mantimentos. Quando estava chegando, recebeu um tiro na altura da bacia e outro na cabeça. Os militares estavam na casa e a executaram assim que ela se aproximou. Seus companheiros conseguiram escapar. Laura conta que, no momento em que soube da morte da irmã, teve que ficar calada. Sofria em silêncio e chorava às escondidas. Não podia compartilhar seu luto nem contar da morte da irmã aos amigos mais próximos. Cena 7: será Maria Lúcia? Quase 20 anos depois, em 1991, acharam ossadas do Araguaia. A irmã de João Carlos Haas, militante do PCdoB que também esteve na guerrilha, obteve indicações de moradores da região de que seu irmão estava enterrado no cemitério de Xambioá, no Tocantins. A Comissão de Justiça e Paz da Prefeitura de São Paulo foi até a região, acompanhada de uma equipe de legistas da Unicamp. No lugar da escavação em busca de restos mortais de João Hass, foi encontrada, envolta em um paraquedas, uma ossada de uma mulher que teria entre 20 e 24 anos. Junto, estavam os projéteis de uma metralhadora de uso militar. Na ocasião, Fortunato Badan Palhares, à frente da equipe de legistas, afirmou, em entrevista à TV Manchete, que certamente era uma guerrilheira, principalmente porque tinha uma coroa de dente tratada. Se fosse uma moradora da região, não teria tratamento dentário nem tipo algum de prótese. A informação chegou à Laura Petit. Os restos mortais encontrados talvez pudessem ser de sua irmã. A ossada foi levada à Unicamp. "Na volta do cemitério de Xambioá para São Paulo, Badan Palhares parou em Brasília e conversou com Romeu Tuma. Consta que, nessa época, Tuma teria recomendado a Palhares que não identificasse ossadas de nenhum guerrilheiro do Araguaia. Assim, a atitude dele mudou completamente depois daquela primeira entrevista para a TV Manchete", conta Laura. Nessa época, Luiza Erundina, prefeita de São Paulo, deu muito apoio à comissão de familiares. Selou um convênio para que o Departamento de Medicina Legal da Unicamp fizesse identificações de ossadas. História da carochinha "Fui umas três vezes até a Unicamp levar fotos e outras coisas que pudessem ajudar na identificação da ossada. Mostrei fotos da Maria Lúcia e o depoimento da Regilena dizendo como ela estava vestida no dia em que foi morta: com uma calça de brim e um cinto de couro com fivela de metal. Portava uma cartucheira de 20mm e uma espingarda de caça. Como estavam no meio da mata, tinham que caçar para comer", lembra. "Cheguei à Unicamp um dia cedo, e o Palhares não estava. Fiquei esperando até às dez horas da noite. Ele tinha ido a Vinhedo ver uma santa que chorava para fazer a perícia. Chegou tarde e me atendeu muito rapidamente. Já chegou falando: 'não, não é sua irmã, o cabelo que tem aí é claro. Na foto que você me trouxe, ela tem cabelo escuro. Essa mulher que está aí dentro tem cabelo encaracolado, o que não era o caso da sua irmã!'. Ele tentou me contar uma história da carochinha: 'você ainda vai encontrar sua irmã, não se preocupe'. Como se eu não tivesse certeza absoluta de que ela tinha sido executada. E ainda gritou comigo: 'o cabelo que está aí é claro, você quer ir lá dentro ver?'. Imagine se eu, sendo irmã, às dez horas da noite, cansada e impactada pela expectativa, diria 'sim, eu quero que você me mostre'. Recuei: 'não, agora, não'. Como é que, sem preparo algum, eu poderia entrar naquela sala e olhar? Não sou uma técnica de Instituto Médico Legal!". Laura conta que Palhares nunca deu a possibilidade de se fazer um exame de DNA. "Eu era a irmã dela e nossa mãe ainda estava viva quando a ossada foi encontrada". Badan deixou o caso de lado por um tempo, e, além disso, Laura estava passando por um período muito difícil. Em 1990, perdeu a filha caçula, de então quatro anos de idade. Em 1991, quando houve a exumação e a possibilidade de identificar a irmã, ainda estava muito impactada pela perda da menina. Foi algumas vezes até a Unicamp e não teve retorno algum. "Ainda disse a Palhares que conhecia o dentista que havia tratado o dente da Maria Lúcia. Eu poderia procurá-lo. E ele falou: 'procure e me traga as radiografias'. Fui até Bauru atrás do Dr. Tanaka e pedi as radiografias. Ele disse que, depois de mais de 20 anos, não tinha mais nada de Maria Lúcia, mas que, apesar disso, lembrava direitinho do trabalho feito. Nossa mãe não tinha muito dinheiro para uma coroa de ouro, então ele fizera de outro metal. Afirmou ser capaz de reconhecer o dente, porque o trabalho de prótese é quase artesanal. Quando contei ao Badan Palhares, ele afirmou que só aceitava receber o dentista com as radiografias em mãos". Estado que ainda mata Em abril de 1996, o jornal O Globo publicou uma grande reportagem, durante uma semana, sobre a Guerrilha do Araguaia. Um militar entregara todas as suas anotações com fotos e fatos sobre os enfrentamentos entre as forças da ditadura e os militantes do PCdoB. Uma das autoras da reportagem foi a São Paulo à procura de Laura. Queria que ela reconhecesse Maria Lúcia. "Era uma foto da Maria Lúcia deitada em um paraquedas com um saco plástico cobrindo seu rosto. Eu reconheci, claro que era a Maria Lúcia. E aparecia a calça de brim e o cinto com fivela de metal que estavam com a ossada na Unicamp. Além disso, aqueles restos mortais haviam sido achados envoltos em um paraquedas". Depois de ver as fotos, Laura voltou para casa. Estava atordoada, desolada. Viu a irmã morta, lembrou-se da filha que havia perdido e ficou, então, comparando o que as duas tinham de parecido. "A Maria Lúcia era ligeiramente estrábica, usava óculos desde pequena e minha filha também precisou usar, desde bebê". Quando chegou em casa e ligou a televisão, o noticiário anunciava: 17 de abril de 1996, no sul do Pará, 19 sem-terra foram mortos pela polícia. Era o massacre de Eldorado dos Carajás. "Pra mim, aquilo foi muito, muito forte. Ligo a televisão e vejo PMs armados, praticamente na mesma região, matando camponeses. Dezenove deles. Lembro que, na ocasião, pensei: 'puxa vida, este país está como anos atrás'. Tinha acabado a ditadura e o Estado continuava matando". Cena 8: é ela, é ela! Depois de publicada a matéria, a jornalista d'O Globo mandou à Laura as fotos de Maria Lúcia ampliadas. "Fomos com a comissão de familiares até a Unicamp. Chegamos com as fotos e, a nós, se juntou uma comissão grande de estudantes da Unicamp, para colocar o Badan contra a parede. Tinha imprensa e tudo mais. Quando ele chegou e viu aquela movimentação toda, acuado, falou, naquele tom professoral típico dele, que só receberia a mim e a meu marido". Badan viu as fotos e, finalmente, falou que faria a identificação, "pois, agora sim, tinha indícios. Eu deveria até trazer o dentista de Bauru", conta Laura. Sua ida à Unicamp foi perto do dia 2 de maio de 1996. Em 15 de maio, o legista convocou uma entrevista coletiva para anunciar à imprensa e à sociedade a identificação de Maria Lúcia. "Ele fez, em 15 dias, o que havia demorado cinco anos para fazer". Depois do caso PC Farias e das ossadas de Perus, o Departamento de Medicina Legal da Unicamp foi fechado por processos administrativos. "No caso PC Farias, ficou muito claro o caráter desse homem", diz Laura. A família Petit esperou até 16 de junho para fazer o traslado dos restos mortais da Unicamp ao cemitério. Maria Lúcia havia sido morta em 16 de junho de 1972. Foram 24 anos para ser encontrada, identificada e enterrada. Mais tempo do que ela viveu. Foi morta aos 22 anos. "Nessa época, minha mãe disse que passaria, então, a esperar para poder sepultar seus outros dois filhos, mas, infelizmente, faleceu antes de fazer isso. Ela viveu uma espera eterna. Não conseguiu sepultar os outros dois filhos, não conseguiu que os arquivos fossem abertos nem que o governo devolvesse às famílias os restos mortais", conta. Vida suspensa "Durante todo esse tempo, eu pensava, diariamente, se era ou não era minha irmã e o que poderia ser feito. É uma angústia constante, que não te deixa nunca. Depois de todas as negativas do Badan, ficamos esperando ver se alguma coisa nova acontecia. Por isso, é cada vez mais necessária a abertura dos arquivos da ditadura. O simples fato de esse militar que não se identificou entregar seus arquivos possibilitou a identificação da Maria Lúcia", diz Laura, que indaga: "Quantos outros desaparecidos não poderiam ser localizados e identificados para que as famílias pudessem encerrar esse luto eterno? O luto é uma tristeza muito grande, mas que podemos compartir socialmente. Choramos e depois começamos a tocar a vida de novo. No nosso caso, não conseguimos concretizar a morte, porque não temos um corpo para chorar. Não encerramos esse período de luto. Não é uma tristeza, é uma melancolia que passa a nos acompanhar a vida toda. Ficamos com a vida truncada. Suspensa". Até a Lei de Anistia, Laura acreditava que Jaime e Lúcio poderiam estar vivos. "Eu tinha a esperança, sobretudo, que o Lúcio voltaria. Diziam que ele era um mateiro muito experiente. Durante a infância toda, tinha pescado nos rios perto de onde morávamos. Eu pensava que ele poderia ter caminhado, caminhado, até chegar à fronteira com algum país. Eu tinha um primo muito companheiro da gente na juventude. Um dia ele foi à Salvador e voltou dizendo que havia visto o Lúcio por lá e que ele tinha passado reto e fingido que não o conhecia. As pessoas ficam nessa coisa, nesse sebastianismo: eu vi em tal lugar, eu sei que vai voltar". Cena final: 30 anos depois ou procura-se Segundo relatos de um camponês da região na época da guerrilha, Jaime foi morto pelos militares. Estava sozinho em uma cabana, magro, com feridas de leishmaniose e sem munição. Abriram fogo contra a cabana, uma fumaça se levantou com a poeira do chão e, quando foram ver, o corpo de Jaime estava "esbagaçado" pelos tiros. Depois de morto, ainda teve a cabeça cortada para identificação e o corpo foi enterrado no local. A cabeça foi colocada em um saco e entregue ao chefe da operação na região, o doutor Augusto. Já Lúcio foi preso, interrogado durante três dias e "foi feito" no dia de Tiradentes, 21 de abril. Na última foto em que se acredita que Lúcio aparece, ele está dentro de um helicóptero, provavelmente sendo levado para o "voo da morte". Os prisioneiros eram levados para longe e executados. Até hoje, nenhuma notícia deles. Nenhuma certeza. E Laura é apenas uma das pessoas que seguem esperando. Hoje, no Brasil, são 144 os desaparecidos políticos. Como definiu Ivan Seixas, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, "são os fantasmas que voltam sempre. São os fantasmas que querem lembrar que não podem ser esquecidos". Quem é essa mulher Que canta sempre o mesmo arranjo? Só queria agasalhar meu anjo E deixar seu corpo descansar Trecho da letra da música "Angélica", de Chico Buarque. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100805/d9042605/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 6 20:53:25 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 6 Aug 2010 19:53:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__A_rosa_de_Hiroshima=2E_de_Vinici?= =?iso-8859-1?q?us_de_Morais_*_Poeta_quero_ser!=2C_de_Jos=E9-August?= =?iso-8859-1?q?o_de_Carvalho_-_60_anos_deHiroshima_e_Nagasaki=2E?= Message-ID: Carta O Berro.......................................................repassem Subject: A rosa de Hiroshima. de Vinicius de Morais * Poeta quero ser!, de José-Augusto de Carvalho Há 60 anos os EEUU produziram a morte atômica de milhões de pessoas em Nagasaki e Hiroshima. Vinicius de Moraes e José-Augusto de Carvalho poemizaram esse horror para não esquecermos jamais. Somente os imperialistas norte-americanos nos fazem lembrar por todos os massacres que cometem no mundo, no Iraque e Afagnistão. A rosa de Hiroxima Vinicius de Morais Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas oh não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada 6 de agosto de 1945, nunca mais! Poeta quero ser! José-Augusto de Carvalho Poeta quero ser da melodia à rima, do grito de revolta ao grito da recusa... Que importa se morrer nos braços da Medusa, se há muito eu já morri, nas ruas de Hiroshima? Aqui, recuso ter a paz dos cemitéros. Aqui, recuso ser um cúmplice comparsa que aplauda ou represente a náusea desta farsa que, sobre escombros, ergue os circos dos impérios. Vermelho é o meu sangue e vivo se derrama em versos de emoção, no grito da recusa, sem nunca se render à fúria que o vitima. Do tempo que passou ao tempo que me chama, que importa o meu morrer nos braços da Medusa se há muito eu já morri nas ruas de Hiroshima? 7 de Agosto de 2004. Este soneto foi incluído na colectânea «Da humana condição», editada pela EdiumEditores em Março de 2008. o -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100806/f719fb85/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20341 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100806/f719fb85/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 54684 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100806/f719fb85/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 7 17:10:26 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 7 Aug 2010 16:10:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Pent=E1gono_exige_que_site_entre?= =?iso-8859-1?q?gue_documentos_secreto_/e_Governos_v=E3o_ter_que_ex?= =?iso-8859-1?q?plicar_a_carnificina_no_Afeganist=E3o?= Message-ID: <5437A82695F345DFA4A423FD77B80352@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br Pentágono exige que site entregue documentos secretos que não divulgou Nubia Silveira O Pentágono exigiu, hoje (5), que o site Wikileaks "devolva imediatamente" cerca de 15 mil arquivos sobre a ocupação do Afeganistão, que ainda não foram publicados e que retire de sua página na Inernet os mais de 77 mil já divulgados. Em entrevista coletiva, o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, reiterou que a publicação dos documentos sobre a guerra no Afeganistão ameaça a segurança das tropas norte-americanas, dos seus aliados e "dos cidadãos afegãos que estão nos ajudando a levar a paz e a estabilidade a essa região do mundo". Morrell disse que o Pentágono tem "alguma ideia" do conteúdo dos arquivos não publicados pelo Wikileaks, por decisão de seu criador, Julian Assange. "Estamos pedindo a eles que façam a coisa certa", disse o porta-voz. "Esperamos que eles honrem nossas demandas". Na semana passada, o chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, almirante Mike Mullen, disse que Assange pode "ter suas mãos manchadas de sangue" dos soldados norte-americanos e de afegãos. O principal suspeito de vazar as informações é o analista de inteligência do Exército dos EUA Bradley Manning, de 22 anos. Ele foi transferido do Kuwait, onde estava detido em uma base militar, para uma prisão no estado de Virgína, no Estados Unidos. extraído de sul 21 http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/08/pentagono-exige-que-site-entregue.html ================================================================================================================= Governos vão ter que explicar a carnificina no Afeganistão Documentos agora conhecidos revelam actos passíveis de ser considerados "crimes de guerra", afirma Julien Assange, editor do Wikileaks. "Os cidadãos devem reclamar, ainda com maior veemência, explicações sobre o que as tropas estrangeiras estão a fazer no Afeganistão", propõe Miguel Portas Artigo | 3 Agosto, 2010 - 23:57 Julian Assange, do site WikiLeaks. Foto Esthr/Flickr A leitura atenta de muitas das informações contidas nos documentos secretos sobre a guerra do Afeganistão tornados públicos pelo site Wikileaks (http://wikileaks.org/) revela bastante mais do que pormenores operacionais: transmite a certeza de que estamos perante uma sangrenta agressão colonial sem princípios, onde é possível desde já detectar actos passíveis de ser considerados como "crimes de guerra", segundo Julien Assange, fundador e editor do site. "Apesar de conhecermos, desde o início, o carácter injusto, expansionista e mistificador desta invasão em que estão envolvidos os países da União Europeia, a divulgação destes documentos - um exercício de direito à informação - impõe que os cidadãos reclamem dos seus governos, ainda com maior veemência, explicações claras e sem rodeios sobre o que as tropas dos nossos países estão a fazer em terras afegãs", comentou Miguel Portas, eurodeputado da Esquerda Unitária GUE/NGL eleito pelo Bloco de Esquerda. A consulta cuidadosa de dezenas de milhar de informações contidas nos cerca de 92 mil ficheiros divulgados pelo Wikileaks leva muito tempo, de tal modo que nem os mais altos responsáveis norte-americanos ainda se puseram de acordo quando às possíveis consequências da gigantesca fuga de informação. O presidente e alguns dos seus mais directos colaboradores afirmam que os documentos não trazem nada de novo e, como tal, não interferem no curso considerado normal das operações militares. Os militares, designadamente os generais no terreno, procuram responsabilizar os autores da fuga por actos passíveis de serem considerados "traição" porque, em seu entender, divulgaram informações qie podem ser perigosas para os militares nos teatros de operações. Julien Assange e também responsáveis por publicações que estão a divulgar os documentos de forma organizada, designadamente o "The Guardian" e o "The New York Times", afirmam que essa acusação não é procedente uma vez que os ficheiros tornados públicos foram expurgados dos que poderiam fazer perigar a vida de soldados. O presidente Barack Obama tem razão, mesmo que seja parcial, quando afirma que os documentos em causa não trazem nada de novo. Apesar disso, muitos dos ficheiros traduzem o reconhecimento por parte dos serviços de informações e outros sectores operacionais do carácter perverso que tem assumido a política norte-americana em relação ao Afeganistão durante as últimas três décadas. Alguns documentos revelam como tropas norte-americanas e aliadas têm sido alvos de armas letais, como por exemplo os mísseis Stinger, fabricadas nos Estados Unidos e em tempos oferecidas aos grupos radicais islâmicos que combateram os soviéticos, surgindo agora nas mãos dos talibãs. Embora acontecimentos deste tipo não estejam enquadrados na deifinição de "friendly fire" ou "fogo amigável", é um facto que se trata de soldados norte-americanos vítimas de armas norte-americanas oferecidas - e não vendidas - ao fundamentalismo islâmico nos tempos em que os mercenários deste movimento eram coordenados por Ussama Bin Ladem a partir do Paquistão. Sabe-se que a CIA tentou comprar os mísseis Stinger aos radicais islâmicos quando os soviéticos foram derrotados mas os documentos agora divulgados revelam que as diligências da agência não tiveram sucesso pleno. Os ficheiros desvendados confirmam o jogo duplo que tem sido realizado no Paquistão através dos serviços secretos do país (ISI), organização que desde sempre colaborou com a CIA, tanto actualmente como na ocasião em que Bin Laden centralizava as questões de recrutamento e financiamento dos mercenários islâmicos com apoio norte-americano e britânico. Alguns dos ficheiros revelam operações realizadas pelos talibãs em colaboração com sectores do ISI. Cerca de centena e meia de ficheiros enquadrados sob a classificação "Blue and White", branco e azul, são dedicados a operações ditas de "escalada de força" e que ilustram a dimensão trágica do massacre de civis afegãos pelas tropas estrangeiras. Muitos desses acontecimentos começaram por ser explicados como "propaganda talibã". Os ficheiros em causa pormenorizam, por exemplo, episódios como o de Kunduz (Setembro de 2009), que chegou a ameaçar o governo alemão; o de Agosto de 2008 do qual foi intérprete o esquadrão "Scorpian 26" de forças especiais norte-americanas; o massacre cometido por um esquadrão polaco numa festa de casamento em Agosto de 2007; os disparos de tropas francesas e norte-americanas, em 2008, respectivamente contra um autocarro escolar e um autocarro de passageiros. Segundo os autores, todas as informações contidas nos cerca de 150 ficheiros "Blue and White" revelam que as operações foram efectuadas de acordo com as normas operacionais. Os casos em que os "tiros de aviso" provocaram imediatamente mortos ou feridos são justificados através da ocorrência de "ricochetes". A realidade destes incidentes em situações de "escalada de força" é mais completa. Em Kunduz, em Setembro de 2009, um general alemão pediu a intervenção de caças norte-americanos F-16 para bombardear dois auto-tanques de combustíveis que se aproximavam de um comboio da NATO uma vez que "não havia civis nas imediações". Os serviços de imprensa da NATO revelaram que a intervenção permitiu liquidar 56 "insurgentes talibãs". No entanto, morreram dezenas de civis, entre 30 e 70, facto agora confirmado e sobre o qual o ministro alemão da Defesa mentiu sem que, na prática, fossem pedidas contas ao governo da senhora Merkel. Em Agosto de 2008, o esquadrão "Scorpion" de forças especiais norte-americanas lançou uma chuva de rockets alegadamente sobre uma bolsa de talibãs na cidade de Helmand, acção em que teve o apoio de bombardeamentos aéreos. O resultado oficial foi a morte de 24 insurgentes. Ainda hoje, porém, não foi estabelecido o balanço total do número de civos mortos e feridos. Em Agosto de 2007, um esquadrão das forças de intervenção polacas lançou uma chuva de morteiros sobre uma festa de casamento na aldeia de Nangar Khel, alegadamente para vingar a explosão de um chamado IED, artefacto artesanal. Não está ainda feito o apuramento do número total de mortos e feridos, todos civis, nesta operação susceptível de ser considerada "crime de guerra". O esquadrão polaco regressou ao seu país e, por pressão das hierarquias militares, o julgamento entretanto efectuado não teve quaisquer consequências até ao momento. Em 2 de Outubro de 2008, tropas francesas suspeitaram de um autocarro que se aproximava de um comboio da NATO e fizeram fogo. Era um autocarro escolar: oito crianças ficaram feridas. Dois meses depois, o esquadrão norte-americano "Red Currahee", do Kentucky, suspeitou também de um autocarro que considerou ameaçador para um comboio da NATO e varreu-o a rajada de metralhadora. Morreram quatro ocupantes e 11 ficaram feridos, todos civis porque se tratava de um autocarro de passageiros. Os ficheiros "Blue and White" representam, segundo a interpretação do jornal britânico "The Guardian", "um catálogo dos massacres" de civis cometidos pelas tropas estrangeiras através do recurso à "escalada de força" contra "veículos ameçadores" em postos de controlo, junto a bases militares ou nas imediações de comboios da NATO. Também há registos de vítimas civi isoladas, como é o caso de um mecânico de automóveis que fazia um teste a uma viatura e "demorou a sair da estrada" ou de uma aldeã idosa que participava numa manifestação contra o modo como são tratados os civis na giuerra. A frequência de episódios deste tipo chegou a abrir uma crise entre o governo norte-americano e o presidente afegão por ele apoiado, Hamid Kharzai, quando este se insurgiu contra o elevado número de incidentes com civis, um facto que torna difícil sustentar a tese oficial segundo a qual as tropas estrangeiras estão no país para garantir a segurança das populações. Responsáveis militares norte-americanos consideram, face à divulgação de documentos secretos feita pelo Wikileaks, que este site "tem sangue nas mãos", uma interpretação que, nota o "The Guardian", pretende inverter o sentido do massacre que está a ser realizado no Afeganistão. A polémica regista-se num dos momentos mais críticos da situação criada com a invasão iniciada em Outubro de 2001, alegadamente para derrubar os talibãs e prender ou liquidar Bin Laden. Na recente conferência internacional de doadores, o presidente afegão prometeu, com acordo das potências que tutelam o seu regime, que as forças policiais e militares do país assumirão o controlo de todo o território a partir de 2014. A declaração foi feita em Julho, o mês mais sangrento para as tropas invasoras em quase nove anos de operações e durante o qual foi batido o recorde de vítimas - que por sua vez fora estabelecido no mês imediatamente anterior. É difícil conjugar esta promessa com a realidade no terreno, explicada agora de maneira ainda bastante mais nítida pelos documentos divulgados através do Wikileaks. -------------------------------------------------------------------------------- Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu Artigos relacionados: Fundador do Wikileaks aconselhado a não ir aos EUA Afeganistão: Gigantesca fuga de informação do exército dos EUA extraído de esquerda.net http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/08/governos-vao-ter-que-explicar.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100807/5aeab995/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 52130 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100807/5aeab995/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 8 14:13:25 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 8 Aug 2010 13:13:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Can=E7=F5es_para_momentos_felizes?= =?iso-8859-1?q?=2C_tristes=2C_para_dias_de_chuva_ou_=2E=2E=2E=2E?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E___HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: Carta O Berro......................................................repassem Um site chamado Stereo Mood sugere ao internauta uma lista de músicas de acordo com seu estado de espírito. Basta entrar na página, clicar em um dos adjetivos (em inglês) que melhor representa o que você está sentindo e pronto. Uma lista de músicas aparece na tela. E se reproduzem em seqüência. Tem canções para momentos felizes, tristes, para dias de chuva ou quando se pratica determinadas atividades como correr, ler e trabalhar. clique http://www.stereomood.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100808/d458b952/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100808/d458b952/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 8 14:13:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 8 Aug 2010 13:13:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_LULA_EXALTA_MARIGHELLA_E_BEZERRA?= =?iso-8859-1?q?=2C_HER=D3IS_DA_LUTA_CONTRA_DUAS_DITADURAS?= Message-ID: Carta O Berro.................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alfredo LULA EXALTA MARIGHELLA E BEZERRA, HERÓIS DA LUTA CONTRA DUAS DITADURAS . Dois dos vultos mais emblemáticos da resistência tanto à ditadura dos generais quanto à getulista, Carlos Marighella e Gregório Bezerra, foram reverenciados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os colocou no mesmo patamar de Tiradentes, Joana Angélica, Gregório de Matos, Maria Quitéria e Zumbi dos Palmares, como heróis brasileiros que ajudaram o País a conquistar sua independência. Discursando nesta 5ª feira (22) em Salvador, onde recebeu a Grã-Cruz da Ordem dos Libertadores da Bahia, Lula disse que muitos heróis nacionais foram esquecidos ou apresentados como bandidos: "Isso é um equívoco histórico que foi incutido na nossa cabeça pela doutrina da elite dominante". Daí a necessidade, frisou Lula, de resgatar suas histórias e lutas, reconhecendo o que fizeram pelo País e o povo. E acrescentou: "Nós ficamos às vezes martelando muito mais no castigo a quem matou do que em enaltecer a imagem das pessoas que morreram acreditando numa coisa. "Vamos pegar por exemplo o Gregório Bezerra que foi arrastado pelas ruas de Recife. Ao invés de nós ficarmos querendo saber quem arrastou Gregório Bezerra, nós precisamos valorizar o significado do sacrifício a que ele foi submetido. "Poderíamos pegar Marighella que é aqui desta terra. Ao invés da gente ficar querendo condenar eternamente o [seu assassino, delegado Sérgio] Fleury, vamos valorizar as razões pelas quais Marighella fez o que fez. "E assim a gente iria construindo mais heróis neste País. Iríamos construindo mais gente que pudesse servir de exemplo". MARIGHELLA: "COMPROMISSO INABALÁVEL COM AS LUTAS DO NOSSO POVO" Filho de imigrante italiano e de uma negra baiana, Carlos Marighella ((1911-1969)) ingressou jovem no PCB e já em 1932 era detido por protestar contra o interventor da ditadura getulista na Bahia, Juracy Magalhães. Foi atuar como organizador do partido no RJ e novamente preso em 1936, quando a polícia política de Filinto Muller o torturou bestialmente. Incluído na anistia de 1945, elegeu-se deputado em 1946, foi cassado em 1948 e se tornou, na clandestinidade, um dos principais dirigentes do PCB. Preso novamente em 1964, conseguiu reconquistar a liberdade por decisão judicial, em 1965. Convertido às teses guerrilheiras, organizou a ALN e participou de ações armadas como o sequestro do embaixador dos EUA, Charles Elbrick, que resultou na libertação de 15 presos políticos. Para evocar Carlos Marighella, nada melhor do que os parágrafos iniciais do manifesto divulgado quando do 40º aniversário de sua morte, sete meses atrás: "Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social. "Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo". GREGÓRIO BEZERRA: EXIBIDO COMO TROFÉU E TORTURADO EM PRAÇA PÚBLICA Gregório Bezerra (1900-1983) foi uma lenda viva no seu tempo. Nascido no Agreste pernambucano, começou a trabalhar na lavoura de cana com a idade de quatro anos, perdeu os pais antes dos dez, migrou para o Recife, trabalhou como carregador de bagagens e ajudante de obras, paupérrimo a ponto de dormir nas catacumbas de um cemitério. Já em 1917, como jornaleiro, participou de manifestações de apoio à Revolução Bolchevique e de greves por direitos trabalhistas, sendo condenado a cinco anos de prisão. Depois ingressou no Exército, alfabetizou-se e, já como militante comunista, liderou em Recife a chamada Intentona de 1935, que lhe acarretou uma sentença de 28 anos de prisão. Anistiado ao final da ditadura getulista, elegeu-se como o deputado constituinte de maior votação em Pernambuco. Teve seu mandato cassado em 1948 e passou nove anos na clandestinidade, organizando núcleos sindicais. Preso imediatamente após o golpe de 1964, foi não só torturado em Recife, como arrastado em praça pública com uma corda no pescoço; além disto, colocaram seus pés em solução de bateria de carro, deixando-os em carne viva. Tal espetáculo, exibido pelas televisões locais, provocou protestos em escala mundial. Permaneceu prisioneiro até 1969, quando foi resgatado no sequestro do embaixador estadunidense. Voltou ao Brasil em 1979, com a anistia. É frequentemente comparado a Nelson Mandella, pelo longo tempo de prisão por motivos políticos: 22 anos, cinco a menos do que o grande líder africano. -------------------------------------------------------------------------------- * Jornalista e escritor. -- __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100808/bde5de2a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16405 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100808/bde5de2a/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22876 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100808/bde5de2a/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 9 20:39:54 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 9 Aug 2010 19:39:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Vitamina_D=3A_solu=E7=E3o_para_?= =?windows-1252?q?doen=E7as_autoimunit=E1rias_e_neurodegenerativas/?= =?windows-1252?q?_veja=2C_ainda=2C_outros_destaques_de_sa=FAde=2E_?= =?windows-1252?q?___________________HOJE_=C9_2=BA_FEIRA_-MEDICINA?= =?windows-1252?q?=2C_SA=DADE_E_ALIMENTA=C7=C3O=2E?= Message-ID: Carta O Berro................................................................repassem Vitamina D: solução para doenças autoimunitárias e neurodegenerativas Estudos revelam e casos clínicos comprovam que nutriente é fundamental para prevenção e controle eficaz de moléstias graves 16/07/2010 16:50 Elizângela Isaque Da equipe Medicando A sabedoria popular nos ensina que é sempre melhor prevenir do que remediar. Felizmente, em algumas circunstâncias, especificamente nas ligadas à saúde, a forma de prevenção é a mesma que proporciona a cura ou, no mínimo, um controle eficaz de determinados problemas. Esse é o caso da vitamina D, substância que tem sido fonte de constantes estudos e de importantes descobertas, no que se refere às doenças autoimunitárias e neuro degene -rativas, como esclerose múltipla, depressão, artrite reumatóide, Parkinson, mal de Alzheimer, lúpus e vitiligo, entre outras. De acordo com a literatura médica clássica, a vitamina D exerce um papel fundamental para a manutenção do equilíbrio de determinadas funções do organismo humano, como a inibição de problemas como o raquitismo em crianças e a osteoporose em adultos. Entretanto, de acordo com as novas descobertas, as doses diárias recomendadas até hoje, de 400 UI (Unidades Internacionais), que equivale a um micrograma, estão longe do ideal necessário para prevenir, estabilizar ou mesmo anular sintomas relacionados à carência dessa substância. Embora alguns alimentos sejam fonte de vitamina D, a forma natural mais eficiente de obtê-la é por meio da exposição diária ao sol. ?Cerca de 10 minutos, todos os dias, com 90% do corpo exposto ao sol matinal, é suficiente para que maioria das pessoas obtenha a quantidade aproximada de 20.000 UI?, explica o neurologista e professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESPI) Dr. Cícero Galli Coimbra. No entanto, Dr. Cícero lembra que algumas pessoas apresentam maior dificuldade de transformar em ativa a forma da vitamina D produzida pela exposição solar, devido às particularidades de cada organismo. Devido a essas características, alguns indivíduos, mesmo com hábitos que os exponham diariamente ao sol, podem apresentar deficiência desta substância e, consequentemente, desenvolverem algum problema proveniente dessa carência. Por isso, o médico recomenda a ingestão diária da vitamina D em forma de cápsula ou gotas, em pessoas portadoras dessa característica genética, ou que tenham uma rotina diária caracterizada por baixa exposição solar. O engenheiro ambiental Marcelo Palma está entre as pessoas que, embora sempre levasse uma rotina de práticas esportivas ao ar livre, como o surfe, começou a apresentar sintomas como paralisia facial, formigamento de membros e alteração da sensibilidade do abdômen. Após alguns diagnósticos equivocados e tratamentos que não impediam o surgimento de outros sintomas que eram de fato decorrentes da esclerose múltipla, o jovem que também dava aulas de capoeira tomou conhecimento do tratamento proposto por Dr. Cícero. Iniciado o tratamento, Marcelo confiou sua saúde ao Dr. Cícero que o convenceu de que não só poderia utilizar apenas a vitamina D em seu tratamento, como a doença diagnosticada como esclerose múltipla (EM) viraria passado em sua vida. Hoje, o jovem afirma levar uma vida normal, sob acompanhamento médico, feito de uma a duas vezes por ano. ?Estou com a vida totalmente ativa, trabalhando, surfando muito, dentre outras atividades físicas. Posso dizer que minha vida hoje é até melhor do que antes de tudo isso acontecer, pois despertei para simples valores que não enxergava, e minha disposição é maravilhosa. Sinto-me privilegiado por ter acesso a um tratamento tão eficiente e recomendo a todos que possuem essa enfermidade?, relata Marcelo Palma. Maior autoridade brasileira sobre os benefícios da vitamina D, o nome de Dr. Cícero Coimbra é relacionado ao crescente número de pacientes que, a exemplo de Marcelo Palma, uma vez submetidos ao seu tratamento, têm apresentado quadros de regressão de sintomas, bem como a estabilidade em doenças como a esclerose múltipla. Em todos os casos, a vitamina D sintetizada, ministrada em doses que variam de acordo com a necessidade de cada paciente, é a protagonista que atua de forma decisiva no combate aos graves sintomas apresentados pela doença. Na internet, há centenas de artigos científicos acerca dos benefícios da ?vitamina D?, relacionados às doenças neurodegenerativas como Alzheimer, e às autoimunitárias, como a esclerose múltipla, miastenia gravis, lúpus, artrite reumatóide, psoríase e diabetes do tipo 1. No entanto, segundo Dr. Cícero, a utilização deste nutriente nos tratamentos destas moléstias ainda não chegou aos consultórios do país. ?Cerca de 70% das pessoas que sofrem de esclerose múltipla apresentam níveis muito baixos de vitamina D, o que se correlaciona com uma frequência maior de exacerbações (surtos) e com a sustentação de sequelas neurológicas mais acentuadas após cada surto. A simples percepção disso remete qualquer profissional que se depare com esse quadro à obrigação ética de administrar essa substância como parte fundamental do tratamento?, explica Dr. Cícero. Conforme expõe o neurologista, a falta de informação sobre o assunto começa pelo ambiente acadêmico e culmina na pressão mercadológica que a indústria farmacêutica exerce sobre a sociedade. Hoje, cada ampola de Tysabri (natalizumab), medicação vendida em mais de 45 países para o tratamento de esclerose múltipla, custa, em média, cerca de R$ 9.000,00. Só em 2009, o Tysabri proporcionou ao seu fabricante a receita de um bilhão de dólares em vendas, fazendo com que, em janeiro deste ano, a empresa viesse a público declarar que busca, em 2010, como estratégia de marketing, maximizar o valor de suas ações por meio do crescimento do consumo desse remédio. De acordo com dados da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF, na sigla em inglês), cerca de 2,5 milhões de pessoas sofrem de EM, em todo o mundo. No Brasil, a estimativa da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) é de que existam mais de 35 mil portadores no país. Além disso, a entidade alerta para as constantes faltas da medicação disponibilizada pelo governo, nos postos de saúde do Brasil. As medicações comumente prescritas em terapias (interferons), geralmente, expõem os pacientes a efeitos colaterais tão comuns quanto desagradáveis. Esses remédios podem desencadear reações ? observadas em mais de um, em cada 10 doentes ? como dores de cabeça, sintomas do tipo gripal e febre. O que remete às vantagens da utilização da vitamina D nos tratamentos de doenças neurodegenerativas e autoimunitárias. Além da ausência de efeitos colaterais, desde que as doses sejam ajustadas conforme as necessidades individuais, bem como de acordo com os exames laboratoriais, a utilização da vitamina D possibilidade a regressão de sequelas recentes e a prevenção da progressão da doença. O que torna esse nutriente mais eficaz que a medicação tradicional e uma alternativa, no mínimo, considerável, se comparada à medicação até hoje ministrada. O ajuste das doses, realizados por meio de exames laboratoriais, tem por objetivo evitar a hipervitaminose por vitamina D, já que o excesso deste nutriente no organismo pode provocar problemas graves como danos permanentes nos rins, retardo do crescimento, calcificação de tecidos moles e até mesmo a morte. Entre os sintomas leves de intoxicação estão: sede excessiva e eliminação de grande volume de urina, náuseas, fraqueza, prisão de ventre e irritabilidade. Entretanto, para alcançar essas reações, seria necessário o consumo muito superior aos recomendados pelas recentes pesquisas. De acordo com os estudos mais recentes, para que uma pessoa adulta, com níveis normais de tolerância à vitamina D, apresente um quadro de super dosagem deste nutriente é necessária a ingestão diária, por um período de um a dois meses, de 2,5 mg (100.000 IU), aproximadamente. Já para as crianças, a quantidade considerada tóxica varia de 0,5 mg (20.000 IU) a 1,0 mg (40.000 IU), números superiores às doses mais altas indicadas para prevenção e tratamento de doenças. ?No entanto, esses limites tóxicos podem variar conforme a quantidade de alimentos ricos em cálcio, especialmente os laticínios, presentes na dieta, conforme o peso e características genéticas do indivíduo?, esclarece Dr. Cícero. Conforme explica o neurologista, os riscos de uma hiperdosagem são praticamente nulos, se o tratamento é feito com acompanhamento médico, em âmbito clínico e laboratorial. ?A quantidade de vitamina D que cada paciente necessita em seu tratamento varia de acordo com o estágio da doença e com os níveis de carência deste nutriente em cada organismo, por isso é muito importante a avaliação do profissional?, explica. Divulgação Como a eficácia da vitamina D, em relação aos medicamentos tradicionais, ainda não é um consenso entre a comunidade científica, a difusão desta nova alternativa tem ocorrido por meio do famoso ?boca a boca?. Nesse contexto, a internet tem sido a principal ferramenta utilizada pelos pacientes do Dr. Cícero, que utilizam a web para discutirem seus casos clínicos entre si e, ao mesmo tempo, propagarem resultados como a estabilização e o controle de suas enfermidades. Com cerca de 300 membros a comunidade ?Esclerose Múltipla Tem Solução? funciona em um dos mais famosos sítios de relacionamentos da web e reúne tanto pacientes sob o tratamento do Dr. Cícero, quanto pessoas que sofrem de EM e estão em busca de tratamentos com resultados mais eficazes e menos agressivos que os tradicionais. ?Após descobrir a existência do Dr. Cícero e obter resultados fantásticos com minha sobrinha achei que seria importante difundir esse protocolo de tratamento?, explica Sergio Vinagre, fundador da comunidade. Na página inicial da comunidade, criada há dois anos, Vinagre conta que sua sobrinha iniciou o tratamento com Dr. Cícero em 2006, cinco anos após receber diagnóstico de esclerose múltipla. Na época da primeira consulta a moça já se encontrava em cadeira de rodas, devido o estágio no qual se encontrava a doença. ?Dois meses após o início do novo tratamento, baseado na reposição dessa vitamina, ela estava dirigindo. Hoje leva uma vida normal, sem surtos, e sem o uso da medicação convencional, que é bastante agressiva. E continua apresentando melhoras?, relata. Fatores psicológicos Para quem o organismo apresenta dificuldade de sintetizar a vitamina D, estresses emocionais, ou fortes traumas podem contribuir para que se desencadeiem algumas doenças. Dr. Cícero destaca que, cerca de 85% dos surtos de esclerose múltipla, por exemplo, surgem após estresses emocionais. ?Imagine quantos surtos seriam evitados se fosse possível retirar ou diminuir o nível de estresse dessas pessoas?. Foi após vivenciar um forte trauma emocional que Marcelo Palma começou a apresentar os primeiros sintomas de esclerose múltipla. Sintomas que, posteriormente, voltaram mais fortes e frequentes após uma segunda experiência que lhe acarretou novo trauma. ?Na primeira consulta, que durou cerca de quatro horas, ele me explicou como seria a utilização da vitamina D, aliada à B e a óleos de peixe (ômega 3) DHA, para ?desativar? a auto agressão do sistema imunológico no meu próprio organismo?, relembra. Hoje, o maior empenho do neurologista é tornar a utilização da vitamina D comum nos tratamentos das doenças neurodegenerativas e autoimunitárias. ?Meu objetivo é fazer com que os demais profissionais conheçam os benefícios dessa substância e passem a ministrá-la aos pacientes em tratamento?, diz o neurologista, que acredita que, no futuro, as informações acerca da importância desse nutriente estarão ao alcance de todos. ?Não há como impedir que esse conhecimento se torne comum. Pode ser que demorem mais dois, três ou vinte anos. O fato é que, cedo ou tarde, todos vão saber dos benefícios da vitamina D?. Neurologia Cícero Galli Coimbra é médico graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1979), possui título de especialista em medicina interna (1981) e neurologia (1983) pela mesma instituição, e em neurologia pediátrica (1985) pelo Jackson Memorial Hospital da Universidade de Miami, EUA. Obteve o título de mestre (1988) e doutor (1991) em Neurologia pela Universidade Federal de São Paulo e pós-doutorado (1993) pela Universidade de Lund, Suécia. Atualmente é Professor Livre Docente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo, onde dirige o Laboratório de Fisiopatologia Clínica e Experimental. Atua na área de Medicina (Neurologia e Clínica Médica), com ênfase em doenças neurodegenerativas e autoimunitárias. Outros destaques: 16/07/2010 16:50 Vitamina D: solução para doenças autoimunitárias e neurodegenerativas 20/05/2010 11:32 O Amor também vai para o divã 17/03/2010 11:34 Conheça a importância de realizar os exames ginecológicos 02/03/2010 15:58 Os benefícios do laser na odontologia 03/02/2010 10:57 Gagueira pode afetar vida social e econômica das pessoas 02/02/2010 18:33 A importância de seguir à risca as orientações do cirurgião plástico 26/01/2010 18:03 Prática de bronzeamento artificial pode fazer mal à saúde 26/01/2010 17:49 Tudo o que você precisa saber sobre a gripe " A" 26/01/2010 16:17 Conheça os 7 sinais de alerta para problemas cardíacos 26/01/2010 16:08 Endometriose: um inimigo das mulheres, muitas vezes oculto 26/01/2010 15:33 Acupuntura, uma importante aliada contra a infertilidade 25/01/2010 20:23 Alimentação vegan: dieta em defesa dos animais 25/01/2010 20:05 Osteoartrite x Qualidade de vida: doença pouco conhecida que atinge milhões 25/01/2010 19:37 Nova técnica promete acabar com o sofrimento causado pela sinusite 25/01/2010 19:27 A importância de saber identificar possíveis transtornos psicológicos em crianças 25/01/2010 19:19 Novas descobertas sobre as doenças autoimunes 25/01/2010 19:03 Especialista defende terapias complementares como forma de minimizar dores 25/01/2010 18:54 O novo supernutriente das frutas 25/01/2010 18:41 Saiba porque a depressão chegou ao ambiente de trabalho 25/01/2010 15:10 A crise do primeiro mês: "As dificuldades enfrentadas pelas mães nos primeiros dias de nascimento do primeiro filho" 21/01/2010 10:39 Os benefícios da Fonouadiologia na estética facial 21/01/2010 10:24 Nutrição Esportiva: conheça o caminho para o sucesso 20/01/2010 14:13 Enxaqueca: existe um especialista para esse mal 20/01/2010 14:12 Prostatite, a doença masculina que os homens desconhecem 20/01/2010 14:10 Conheça as novas técnicas para garantir um belo sorriso 20/01/2010 14:04 A importância dos antioxidantes na dieta dos esportistas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100809/3799c89d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 9 20:40:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 9 Aug 2010 19:40:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=22O_Brasil_privatizado=3A_um_ba?= =?iso-8859-1?q?lan=E7o_do_desmonte_do_Estado=22=2E?= Message-ID: <0265422A14734C6A988446456400C105@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem Segunda-Feira, 09 de Agosto de 2010 DEBATE ABERTO O sorriso de Biondi A Telebrás está de volta. Até hoje, a melhor forma de contar a história de estatais como a Telebrás e de travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, "O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado". Antonio Lassance A Telebrás está de volta. Desde o dia 3 de agosto, ela retornou às operações. Seus antigos funcionários foram reconvocados e têm pela frente o desafio de reerguer a empresa, demonstrar a excelência do serviço público e, mais especificamente, implementar o Plano Nacional de Banda Larga. Quando se informou que a Telebrás seria reativada, houve uma grita de algumas empresas de telefonia e um ataque feroz da mídia tradicional. Ressuscitar a estatal foi tratado como verdadeira heresia. Na crítica mais amena, um disparate. A volta da Telebrás não apenas provocou a ira do liberalismo como representou uma derrota amarga, pois incidiu no setor que até hoje é apresentado como modelo do processo de privatização e das benesses dele decorrentes. O tratamento dado ao tema mais uma vez foi acometido de uma patologia crônica, apontada por diversos estudiosos da mídia: a falta de contextualização ou mesmo a descontextualização de um assunto. Uma falta de contextualização primária esteve na ausência de um diagnóstico sobre o setor, que sabidamente oferece serviços caros e de péssima qualidade. Suas empresas são campeãs de reclamações de usuários e de ações junto aos órgãos de defesa do consumidor. Outra falta de contextualização, ainda mais importante, está em que poucos se deram ao trabalho de trazer à tona a história da Telebrás e de seu processo de privatização. Lacuna curiosa, pois, afinal, a quem interessaria relembrar tal passado? Resposta: interessaria à maioria das pessoas, aos que têm e aos que não têm acesso aos serviços de telecomunicação. Até hoje, a melhor forma de contar essa história e travar a batalha da memória contra o esquecimento é revisitar o livro de Aloysio Biondi, "O Brasil privatizado: um balanço do desmonte do Estado". O livro teve sua primeira edição em 1999. Sua 11ª edição se encontra disponível, gentil e gratuitamente, no site da Editora Fundação Perseu Abramo: http://www2.fpa.org.br/uploads/Brasil_Privatizado.pdf Biondi, como se sabe, foi um monstro sagrado do jornalismo brasileiro, grande mestre do jornalismo econômico. Faleceu há 10 anos (em julho de 2000). "O Brasil privatizado" abria seu capítulo "As estatais: sacos sem fundo?" justamente falando da Telebrás. Biondi relembrava que, entre 1996 e 1997, a empresa teve um salto de 250% em seu lucro, desmentindo categoricamente a mensagem fabricada de que as estatais só davam prejuízo. No livro que tornou-se um clássico para a compreensão sobre o que fizeram com o Brasil nos anos 90, Biondi contextualizava que tanto os prejuízos quanto os lucros das estatais tinham sido fabricados para atender a interesses muito bem identificados. Dizia ele: "Os prejuízos que o achatamento de tarifas e preços trouxe para as estatais teve efeitos que o consumidor conhece bem: nesses períodos, elas ficaram sem dinheiro para investir e ampliar serviços. Explicam-se, assim, as filas de espera para os telefones, ou as constantes ameaças de "apagões" no sistema de eletricidade. Ou, dito de outra forma: não é verdade que os serviços das estatais tenham se deteriorado por "incompetência". Como também é mentira que "o Estado perdeu sua capacidade de investir", como diz a campanha dos privatizantes. O que houve foi uma política econômica absurda, que sacrificou as estatais." (pág. 30). Lembrava ainda de uma decisão incrível: em 1989, um decreto do presidente da República proibia o BNDE (hoje BNDES) de realizar empréstimos a empresas estatais. Biondi era um "antifukuyama". Só para lembrar, Fukuyama foi um dos garotos propaganda do neoliberalismo, muito badalado durante o Governo Reagan, autor de uma tese espalhafatosa sobre o "fim da história" e da vitória do capitalismo sobre tudo e sobre todos. Hoje, se alguém fizer um Google sobre os "francis" existentes na face da Terra, Fukuyama sequer aparece nas sugestões do motor de busca. Fica atrás de Francis Bacon, Francis Ford Copola, Francisco Cuoco e Francisco Alves. Indício de que quem corre o risco de desaparecer é o próprio Fukuyama. Enfim, Biondi desmentia a tese do fim da história, mostrando que a moda era tentar "cancelar" a história. Contextualizava a esdrúxula decisão que proibia o BNDES de financiar empresas estatais lembrando ter sido ele criado "exatamente com o objetivo de fornecer recursos para a execução de projetos de infra-estrutura, que exigem desembolso de bilhões e bilhões - e precisam de alguns anos para sua execução" (pág. 30). A memória do texto de Biondi é mais uma vez útil a um momento em que o BNDES também se tornou alvo de ataques violentos e virulentos à gestão de Luciano Coutinho, veja só, por fazer exatamente aquilo para o qual o banco existe: levantar investimentos e fazer financiamentos. Biondi também usou o exemplo da Telebrás para relembrar uma diferença básica do setor público em relação ao privado: além de prestar serviços, as estatais deveriam ser utilizadas com o objetivo de justiça social. Tais empresas não têm como objetivo fundamental o lucro, nem têm como sina acumular prejuízos. Seu objetivo fundamental é garantir o atendimento à população em serviços essenciais. O fato de que muitas vezes acumularam prejuízos, além das malversações que acompanharam algumas de suas gestões, decorria das condições de desigualdade do país. A pobreza criava um obstáculo sério ao modelo de negócio de muitas estatais. Milhões de brasileiros excluídos do mercado interno de massas por um modelo de desenvolvimento excludente não tinham como contratar serviços em níveis que garantissem a rentabilidade de certas empresas estatais. Por isso, na atual situação do país, de expansão acelerada do mercado interno de massas, de ascensão de um contingente expressivo de pessoas à classe média e da tendência de crescimento da economia, do emprego e da renda dos brasileiros, o discurso contra as estatais está obsoleto. É como o relógio quebrado que homenageia a nostalgia e a ostentação, mas é incapaz de fornecer uma informação correta. As estatais, diante do novo quadro econômico, já podem se dar ao luxo de serem extremamente lucrativas. Mas estão longe de constituir uma ameaça ao setor privado. Elas podem atuar em atividades nas quais empresas privadas têm demonstrado dificuldades crônicas em dar conta do recado ou, como no caso da Petrobrás, podem funcionar como grandes alavancas do crescimento econômico, responsáveis por irrigar inúmeras cadeias produtivas que sequer existiam, ou que tinham sido desativadas. Passados dez anos desde que perdemos Aloysio Biondi, tem-se a exata dimensão da importância daquilo que ele nos mostrou e de sua contribuição para reverter a cegueira que tomava conta do País. Me arrisco a dizer que, se vivo estivesse, o autor daquele texto célebre e indignado estaria tomado por um sorriso satisfeito com a volta dos elefantes. Até porque, "três elefantes incomodam, incomodam.. incomodam muito mais". Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100809/305c406f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100809/305c406f/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 10 19:01:04 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 10 Aug 2010 18:01:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22Crise=2C_luta_e_esperan=E7a=22?= =?iso-8859-1?q?__por_Miguel_Urbano_Rodrigues?= Message-ID: Carta O Berro...................................................repassem Crise, luta e esperança Por Miguel Urbano Rodrigues O fim da actual crise de civilização é imprevisível. Inevitável, conduzirá ao desmoronar do capitalismo ou a uma era de barbárie. Prever datas para o desfecho seria, porém, um exercício de futurologia. Mas uma certeza se esboça já no horizonte: a derrota espera o imperialismo nas guerras criminosas que os EUA desencadearam para manter e ampliar o sistema de dominação mundial do capital. OS EUA estão atolados em guerras perdidas no Afeganistão e no Iraque e a sua aliança com o Estado neofascista de Israel é um factor de tensão permanente no Médio Oriente. As estratégias agressivas que desenvolvem na América Latina, na África e na Ásia Oriental são também incompatíveis com as aspirações dos povos ameaçados, contribuindo para o subir da maré anti-americana Nesta fase, iniciada com as agressões no Médio Oriente e Ásia Central, o imperialismo estadounidense encontrou situações históricas muito diferentes da que precedeu o seu envolvimento no Vietname e a humilhante derrota que ali sofreu. Nos EUA somente uma minoria percebeu que a guerra estava perdida quando Giap desfechou a ofensiva do Tet. A resposta de Johnson e Kissinger, cedendo aos generais do Pentágono, foi a ampliação da escalada. A agressão alastrou para o Laos e Washington e enviou mais tropas para a fornalha vietnamita, semeando a morte a devastação no Sudeste Asiático. Transcorreram anos até à retirada dos EUA. Os povos foram lentos a compreender que o desfecho da trágica agressão ao Vietname era o prólogo de uma crise que significou a perda da hegemonia que Washington exercia sobre a economia do Ocidente desde o final da II Guerra. Nada foi igual desde então. Mas o establishment norte-americano não extraiu as lições implícitas no fracasso das guerras da Coreia e do Vietname. A estratégia foi reformulada, mas a ambição imperial permaneceu, assumindo novas formas. O cenário das agressões adquiriu proporções planetárias a partir do desaparecimento da União Soviética. A primeira guerra do Golfo foi decidida no final da presidência de George Bush pai perante a passividade da URSS, prestes a desintegrar-se. Washington proclamou então que a humanidade havia entrado numa era de paz permanente, sob a égide dos EUA, garantes da Nova Ordem Mundial. Um obscuro epígono do capitalismo, Francis Fukuyama, saudou a morte do comunismo e anunciou o «Fim da História», apontando o neoliberalismo como a ideologia para a eternidade. O desmentido aos profetas imperiais não tardou. Quando as torres do Word Trade Center desabaram, o mundo entrou numa fase de turbulências anunciatórias de uma profunda crise de civilização. Após o 11 de Setembro de 2001, Bush filho, alegando necessidade de uma «cruzada contra o terrorismo», e afirmando que Deus estava com os EUA, invadiu o Afeganistão, semeando a morte a destruição naquele remoto pais da Ásia Central. Depois chegou a segunda guerra iraquiana, iniciada à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A terra milenária da Mesopotâmia foi ocupada, os seus museus saqueados, o seu petróleo e gás entregues às petrolíferas dos EUA, dezenas de milhares de iraquianos chacinados. Autoproclamando-se nação predestinada, com vocação para redimir a humanidade dos seus pecados, os EUA, sob a batuta da extrema-direita republicana, passaram a actuar como um Estado terrorista, disseminando o terrorismo pelo planeta. Essa trágica situação somente foi possível pela cumplicidade da União Europeia, do Japão e do Canadá, estados ditos civilizados. Com o seu aval ao establishment bushiano abriram as portas à barbárie. A eleição de um negro para a Presidência dos EUA gerou a ilusão de que o pesadelo iria findar. Mas Barack Obama, que chegou à Casa Branca com o apoio entusiástico do grande capital, mudou o discurso, mas manteve a politica imperialista. Pior, agravou-a. O pântano afegão Admiradores do Presidente norte-americano afirmam que ele é um humanista, vítima de uma engrenagem que o instrumentaliza. Mas a defesa que dele fazem não convence. O Prémio Nobel da Paz tomou decisões que contribuíram para aprofundar a crise mundial. No plano interno a sua política tem sido, no fundamental, de capitulação perante as exigências do grande capital. Significativamente, o seu secretário do Tesouro, Geithner é um político que goza da confiança total de Wall Street. No terreno internacional, o Presidente aumentou muito o orçamento do Pentágono, pediu ao Congresso verbas colossais para as guerras asiáticas, enviou mais 30 000 militares para o Afeganistão, e faz da vitória nessa guerra uma prioridade da sua politica exterior. Entretanto, acumula derrotas no teatro afegão. A ofensiva no Helmand foi um fracasso; a de Kandahar foi sucessivamente adiada. A divulgação dos documentos secretos oferecidos pela WikiLeaks ao NY Times, ao Guardian e ao Der Spiegel instalou o pânico na Casa Branca, e o inquérito do sobre a fuga de informações classificadas abalou fortemente a confiança dos americanos no sistema de segurança do Pentágono. Em declarações recentes, Julian Assange, o australiano que criou o WikiLeaks, afirmou que crimes cometidos pelo exército dos EUA excedem em horror os massacres do Vietname. A chamada Força Tarefa Conjunta 373 tem por missão abater secretamente chefes talibãs e elementos suspeitos de pertencer à Al Qaeda. Grupos de matadores especiais intitulados Kia são responsáveis pelo assassínio de centenas de civis em ataques cujas vítimas são designadas nos relatórios como «mortos em acções». O rol dos crimes das tropas de ocupação da NATO também ocuparia muitas páginas. A chacina de Kunduz, da responsabilidade do contingente alemão, abalou o governo da chanceler Merkel, mas foi apenas uma das muitas matanças de civis cometidas pelas tropas de ocupação. Julian Assange cita como exemplo das atrocidades dos aliados o bombardeamento de uma aldeia por uma força polaca. Dezenas de pessoas ali reunidas para festejar um casamento morreram num acto de retaliação concebido com crueldade. Rotineiramente, o alto comando norte-americano promove inquéritos nesses casos para «apurar responsabilidades». Mas ninguém é punido. Hamid Karzai, o presidente fantoche, protesta e pede providências, mas a indignação é simulada. Milhares de civis nas aldeias da fronteira paquistanesa foram mortos pelos bombardeamentos realizados pelos drones- os aviões sem piloto. O actual comandante Supremo, o general Petraeus, define essas «missões» assassinas como indispensáveis ao êxito da nova estratégia de luta «contra o terrorismo» Farsa dramática Hillary Clinton, o vice-presidente Joe Binden e James Baker, o secretário da Defesa, têm visitado frequentemente o Afeganistão. A encenação pouco varia. Deslocam-se para levantar o moral das tropas, dizer lhes que estão a lutar pela pátria, pela liberdade e a democracia contra o terrorismo, que a luta exige grandes sacrifícios, mas que a vitória na guerra afegã é uma certeza. Todos aproveitam para pedir ao Presidente Karzai que «governe democraticamente», afaste colaboradores que não merecem a confiança dos EUA, e ponha termo à corrupção implantada no país. Karzai faz promessas, reune assembleias tribais que lhe aprovam a política e repete que é fundamental negociar com os «talibãs recuperáveis». É ele, chefe da mafia, o primeiro responsável pelo sumiço de milhares de milhões de dólares doados em conferências internacionais para o desenvolvimento e reconstrução do país, destruído pela invasão americana. A realidade não alterou o método. Em Kabul, a última dessas conferências acaba de aprovar mais uns milhares de milhões para «ajudar» o Afeganistão. Entretanto, a produção de ópio, insignificante à data da invasão, aumentou 90% na última década. É do domínio público que familiares do presidente mantêm íntimas ligações com o negócio da droga. Nas suas periódicas visitas ao Paquistão, Hillary Clinton admoesta o presidente Asif Zardari pela insuficiência do esforço de guerra nas áreas tribais do Waziristão na fronteira do Afeganistão. Joe Binden repete-lhe o discurso. Ambos insinuam cumplicidade do Exército com as chefias talibãs. O Primeiro-ministro britânico Cameron ao visitar o país foi tão longe nas suas críticas que o governo de Islamabad cancelou uma visita a Londres do chefe dos serviços de inteligência paquistaneses convidado pelo Intelligence Service. Crónicas de correspondente europeus em Kabul e declarações de soldados dos EUA regressados da guerra afegã esclarecem que a moral das tropas de combate caiu para um nível muito baixo. A demissão do general Stanley McChrystal, que criticara numa entrevista o presidente Obama, contribuiu para acentuar o mal-estar no Alto Comando. O general tem um currículo de criminoso, mas as suas opiniões sobre a condução da guerra são partilhadas por muitos oficiais. Assim vão as coisas na guerra podre do Afeganistão. No Iraque, a «pacificação» é um mito como demonstra o aumento de mortos em atentados bombistas em Bagdad e na região Norte, controlada pelos kurdos. O discurso de Obama aos veteranos deficientes, no dia 1 de Agosto, sobre a retirada das tropas foi um exercício de hipocrisia, semeado de mentiras e estatísticas falsas. Na Palestina, Israel continua a bloquear Gaza, bombardeada com frequência, e amplia a construção de casas na Jerusalém árabe e em colonatos na Cisjordânia. O Irão é atingido por novas sanções, aprovadas pelo Conselho de Segurança, e a CIA promove atentados terroristas no Kuzistao, fronteiro do Iraque, e na província baluche, vizinha do Paquistão. Na América Latina, Uribe, nas vésperas de ceder a presidência a Juan Manuel Santos, seu filhote político, criou uma crise com a Venezuela bolivariana ao forjar acusações sobre a presença das FARC em território daquele país. Os EUA, que vão instalar 7 novas bases militares na Colômbia, aprovaram imediatamente a provocação. XXX Neste contexto de escalada militar em múltiplas frentes, a crise interna prossegue. O magro crescimento do PIB esconde a realidade. O número de casas vendidas é o mais baixo dos últimos anos. Milhares de empresas fecham todos os meses. Em cidades outrora famosas pela riqueza, como Detroit e Pittsburg, bairros inteiros estão hoje desabitados. O desemprego alastra. Nas universidades aumenta o ensino elitista. A tão elogiada reforma dos «cuidados de saúde» dificultou mais o acesso de milhões de imigrantes ilegais aos hospitais (v.Fred Goldstein, odiario.info, 22.04.2010). A Finança, essa prospera. Os gestores dos grandes bancos continuam a receber reformas e prémios fabulosos. Um desses gigantes, o Wells Fargo, acumulou lucros de milhares de milhões de dólares com a lavagem do dinheiro da droga (v.Cadima, «avante!», 29.07.2010). O controlo hegemónico do sistema mediático pelo grande capital impede, porem, a humanidade de tomar consciência da profundidade da crise. Nos EUA, pólo do sistema, o discurso do Presidente transmite um panorama optimista da situação, anunciando melhores tempos e vitórias imaginárias. Somente uma minoria de cidadãos, nos EUA, na Europa, e nos demais continentes estão em condições de descodificar o discurso da mentira irradiado pelo grande capital. Para as forças progressistas ajudar os povos a compreender a complexidade e a extrema gravidade da crise do sistema é, por isso mesmo, uma tarefa revolucionária. Porque essa compreensão é fundamental para o incremento e dinamização da luta dos trabalhadores em cada país contra o projecto de dominação imposto pelo sistema que ameaça mergulhar a humanidade na barbárie. Vila Nova de Gaia, 2 de Agosto de 2010 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100810/e78c2401/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 11 20:17:28 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 11 Aug 2010 19:17:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Tri=E2ngulo_Amoroso_no_Inferno_de?= =?iso-8859-1?q?_Dante=2C_conto_de_Leia_Brito=2E___LEIAM!_Um_conto_?= =?iso-8859-1?q?de_arte_e_real=2E?= Message-ID: <489B445E87464C7185F2F17152C9662A@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................repassem Triângulo Amoroso no Inferno de Dante Eugène Delacroix-Dante e Virgílio no Inferno (1822) ARACRUZ Leila Brito http://www.chacomletras.com.br No Chá.com Letras, blog autoral dedicado à Literatura, Filosofia e Música, a escritora e poeta Leila Brito disponibiliza ao leitor-internauta o conto Aracruz (postado em seis capítulos), com narrativa centrada no mais famoso poema épico-teológico de todos os tempos - Divina Comédia de Dante Alighieri - tendo o elemento poético "inferno" como apoio da composição cenográfica descritiva do caos humano. Na Divina Comédia, a força narrativa reside na firmeza de caráter do personagem Dante ao lidar com questões fundamentais da condição humana, encontrando nos símbolos um valioso instrumento de expressão. É o que Leila Brito tenta fazer em Aracruz, pois buscando apoio criativo na riqueza de alegorias que conformam o grandioso poema. Dona de um estilo marcado pelo erotismo de delirantes imagens poéticas e obra literária focada no Amor-Eros, nas nuances de seus efeitos existenciais, a escritora denuncia em Aracruz o trágico aprisionamento pessoal em relações conjugais sustentadas no poder de dominação material e/ou psico-emocional doentia, impeditivo do exercício de Eros em seu sentido amoroso pleno. LEILA BRITO Belo Horizonte, 12 AGO 2010. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100811/ec2d2d2e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11497 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100811/ec2d2d2e/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 12 21:33:05 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 12 Aug 2010 20:33:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Especial: Brasil de Fato na Palestina Message-ID: <2F41415935A94BD88C8E69920189778F@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................repassem clique -> Especial: Brasil de Fato na Palestina -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3100 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100812/f1f1445c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 12 21:33:13 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 12 Aug 2010 20:33:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Nunca_=E9_demais_repetir=3A_O_?= =?windows-1252?q?povo_judeu_=E9_uma_inven=E7=E3o=2E_Segundo_histor?= =?windows-1252?q?iador_israelense_Shlomo_Sand=2C_autor_do_best_sel?= =?windows-1252?q?ler_=93Quando_e_como_se_inventou_o_povo_judeu=94?= Message-ID: <42C0206CB1C147599F5DCB5531131209@vcaixe> Carta O Berro....................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br TERÇA-FEIRA, 10 DE AGOSTO DE 2010 Nunca é demais repetir O povo judeu é uma invenção O historiador israelense Shlomo Sand, autor do best seller ?Quando e como se inventou o povo judeu?está irritando profundamente os hebreus espalhados pelo mundo. É que a tese principal de seu livro assegura que ?o povo judeu é uma invenção?. Shlomo Sand é professor de História da Universidade de Tel Aviv. O seu livro se mantém há dois anos em primeiro lugar na lista dos mais vendidos. Ele acusa os protestantes e os atuais ?judeus?de deturpar a Bíblia ao querer transformar ?um livro de teologia em livro de história?. Shlomo afirma também, através de documentos, que nunca existiu um exílio judaico durante o Império Romano. Por uma simples razão: os romanos nunca exilaram povos. E que mesmo os assírios e babilônios, ao contrário dos mitos inventados, o máximo que fizeram foi exilar algumas elites. Em sua obra o historiador afirma que os atuais judeus são antigos pagãos de regiões distantes que se converteram ao judaísmo e, portanto, não descendem dos antigos judeus; e que os palestinos árabes são os únicos descendentes dos antigos judeus. Shlomo Sand tem recebido inúmeras ameaças de morte,mas continua dando aulas na Universidade de Tel Aviv. No Blog do Bourdoukan http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/08/nunca-e-demais-repetir-o-povo-judeu-e.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100812/3a8458c1/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 12 21:33:24 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 12 Aug 2010 20:33:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Homenagem_a_LU=CDS_CARLOS_PRESTES?= =?iso-8859-1?q?_-_O_Cavaleiro_da_Esperan=E7a_-_DIA_23_DE_AGOSTO_-_?= =?iso-8859-1?q?=C0S_19=2C30_-_NO_SAL=C3O_NOBRE_DA_C=C2MARA_MUNICIP?= =?iso-8859-1?q?AL_DE_S=C3O_PAULO_=2E?= Message-ID: <214BD1458EDC4E97871F45263CE14600@vcaixe> Carta O Berro....................................................repassem Este é um convite especial para você. Um abraço Vereador Eliseu Gabriel - PSB HOMENAGEM A LUÍS CARLOS PRESTES - DIA 23 DE AGOSTO - ÀS 19,30 - NO SALÃO NOBRE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO . Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição neste link -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100812/ed4dae9a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 13 20:32:31 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 13 Aug 2010 19:32:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Objetivo_Ir=E3=3A_os_riscos_de_um?= =?iso-8859-1?q?a_Terceira_Guerra_Mundial?= Message-ID: <28639ED1612A40898F6258DCCCED817E@vcaixe> Carta O Berro...................................................................repassem Carta Capital Objetivo Irã: os riscos de uma Terceira Guerra Mundial As consequências de um ataque mais amplo por parte dos EUA, da OTAN e de Israel contra o Irã são de grande alcance. A guerra e a crise econômica estão intimamente relacionadas. A economia de guerra é financiada por Wall Street que, por sua vez, se ergue como credor da administração dos EUA. Por sua vez, "a luta pelo petróleo" no Oriente Médio e Ásia Central serve diretamente aos interesses dos gigantes do petróleo anglo-estadunidense. Os EUA e seus aliados estão "batendo os tambores da guerra" na altura de uma depressão econômica mundial, para não mencionar a catástrofe ambiental mais grave na história da humanidade. O artigo é de Michel Chossudovsky, diretor do Centro para Investigação sobre a Globalização. Michel Chossudovsky - Global Research Centro para a Investigação da Globalização (Global Research on Globalization) A humanidade está numa encruzilhada perigosa. Os preparativos de guerra para atacar o Irã estão em estágio avançado. Sistemas de alta tecnologia, incluindo armas nucleares, estão totalmente desenvolvidos. Esta aventura militar está colocada sobre o tabuleiro de xadrez do Pentágono desde meados da década de 1990. Primeiro o Iraque, depois o Irã, segundo documentos desclassificados de 1995, do Comando Central dos EUA. A escalada é parte da agenda militar. Além do Irã, próximo objetivo junto com a Síria e o Líbano, esse desdobramento estratégico ameaça também a Coréia do Norte, a China e a Rússia. Desde 2005, os EUA e seus aliados, incluídos aqui os Estados Unidos da OTAN e Israel, estão envolvidos numa ampla atividade e no armazenamento de sistemas de armas avançados. Os sistemas de defesa aéreos dos EUA, os países membros da OTAN e Israel estão totalmente integrados. Trata-se de uma tarefa coordenada pelo Pentágono, pela OTAN e pela Força de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), com a participação ativa de militares de vários países da OTAN e não só, incluindo os estados árabes de primeira linha (os membros da OTAN do Mediterrâneo e a Iniciativa de Cooperação de Istambul), Arábia Saudita, Japão, Coréia do Sul, Índia, Indonésia, Singapura, Austrália, entre outros. A OTAN se compõe de 28 estados membros. Outros 21 países são membros do Conselho da Aliança Euro-Atlântica (EAPC); o Diálogo Mediterrânico e a Iniciativa de Cooperação de Istambul contam com dez países árabes e Israel. O papel do Egito, dos Estados do Golfo e da Arábia Saudita (dentro de uma aliança militar ampliada) é de particular relevância. O Egito controla o trânsito de barcos de guerra e de barcos petroleiros pelo Canal de Suez. Arábia Saudita e os Estados do Golfo ocupam a costa ocidental do sul do Golfo Pérsico, o estreito de Ormuz e o Golfo de Omã. Em princípios de junho deste ano o Egito informou que permitiu a onze barcos dos EUA e de Israel passar pelo Canal de Suez, numa aparente sinalização ao Irã. Em 12 de junho, vozes da imprensa regional informaram que os sauditas haviam dado a Israel autorização para sobrevoar seu espaço aéreo (Mirak Weissbach Muriel, Israel Insane War on Iran Must Be Prevented, Global Research, 31 de julho de 2010). Na doutrina militar consagrada após o 11 de setembro, o estabelecimento massivo de armamento militar se definiu como parte da chamada Guerra Global contra o terrorismo, dirigido para organizações terroristas não estatais, como a Al Qaeda e os chamados Estados patrocinadores do terrorismo, entre eles o Irã, Síria, Líbano e Sudão. A criação de novas bases militares dos EUA, o armazenamento de armas avançadas, incluindo as armas nucleares táticas, etc. foram levadas a cabo como parte da preventiva doutrina militar defensiva debaixo do guarda chuva da "Guerra Global contra o Terrorismo". Guerra e crise econômica As consequências de um ataque mais amplo por parte dos EUA, da OTAN e de Israel contra o Irã são de grande alcance. A guerra e a crise econômica estão intimamente relacionadas. A economia de guerra é financiada por Wall Street que, por sua vez, se ergue como credor da administração dos EUA. Os produtores de armas dos EUA são os destinatários de bilhões de dólares do Departamento de Defesa do país, pelos contratos de aquisição de sistemas de armas avançadas. Por sua vez, "a luta pelo petróleo" no Oriente Médio e Ásia Central serve diretamente aos interesses dos gigantes do petróleo anglo-estadunidense. Os EUA e seus aliados estão "batendo os tambores da guerra" na altura de uma depressão econômica mundial, para não mencionar a catástrofe ambiental mais grave na história da humanidade. Por amarga ironia, a British Petroleum, uma das maiores jogadoras do tabuleiro de xadrez geopolítico da Ásia Central no Médio Oriente, antigamente conhecida como Anglo-Persian Oil, causou a terrível catástrofe ecológica no Golfo do México. Meios de desinformação A opinião pública, influenciada pelo barulho dos meios de comunicação, oferece apoio tático, indiferente ou ignorante dos possíveis impactos daquilo que se mantém propositalmente como um fator punitivo da operação dirigida contra as instalações nucleares do Irã em lugar de uma guerra total. Os preparativos de guerra incluem o aumento da atividade dos fabricantes de armas nucleares dos EUA e de Israel. Neste contexto, as consequências devastadoras de uma guerra nuclear são banalizadas ou simplesmente não se mencionam. A crise "real" que ameaça a humanidade é o "aquecimento global" e não a guerra. A guerra contra o Irã é apresentada à opinião pública como um tema banal entre tantos outros. Não é apresentado como uma ameaça à Mãe Terra, como é o caso do aquecimento global. Não se noticia com destaque. O fato de que um ataque contra o Irã poderia levar a uma potencial escalada e o desencadear uma guerra global não é motivo de preocupação. Culto à morte e a destruição A máquina global de matar é sustentada pelo culto à morte e pela destruição que impregnam muitos dos filmes de Hollywood, e por não mencionar as guerras no horário nobre. E também pelas séries de televisão sobre delinquência. Este culto à matança está respaldado pela CIA e pelo Pentágono, que apóia, financiando, produções de Hollywood como instrumento de propaganda de guerra. O ex-agente da CIA Bob Baer disse: "Existe uma simbiose entre a CIA e Hollywood e revelou que o ex-diretor da CIA, George Tenet, se encontra atualmente em Hollywood, conversando com os estúdios. (Matthew Alford and Robie Graham, "Lights, Camera Covert Action: The Deep Politics of Hollywood", Global Research, 31 de janeiro de 2009). A máquina de matar se desenvolveu em nível global dentro do marco de estrutura de comando de combate unificado. E é mantida habitualmente por instituições de governo, meios corporativos, altos funcionários e intelectuais que se colocam à disposição de uma Nova Ordem Mundial a partir de um grupo de pensadores de Washington e dos institutos de investigação de estudos estratégicos, como instrumento indiscutível da paz e da prosperidade mundial. É a cultura da morte e da violência gravando-se na consciência humana. A guerra está amplamente aceita como parte de um projeto social: a Pátria tem que ser defendida e protegida. A violência legitimada e as execuções extrajudiciais contra os terroristas são mantidas nas democracias ocidentais como instrumentos necessários de segurança nacional. Uma "guerra humanitária" é sustentada pela chamada comunidade internacional. Não é condenada como um ato criminoso. Seus principais idealizadores são recompensados por suas contribuições à paz mundial. Em relação ao Irã, o que se está desenvolvendo é a legitimação direta de uma guerra em nome de uma idéia ilusória de segurança mundial. Um ataque aéreo "preventivo" contra o Irã levaria a uma escalada. Na atualidade existem três teatros de guerra no Oriente Médio e Ásia Central: Iraque, Afeganistão/Paquistão e Palestina. Se o Irã se tornar objeto de um ataque "preventivo" por forças aliadas, toda a região, desde o Mediterrâneo Oriental até a fronteira da China com o Afeganistão e o Paquistão poderia arder em chamas, o que nos conduz, potencialmente, a um cenário de Terceira Guerra Mundial. A guerra se estenderia ao Líbano e a Síria. É muito pouco provável que se os ataques, caso se concretizassem, ficassem circunscritos a instalações nucleares do Irã, como afirmam as declarações oficiais dos EUA e da OTAN. O mais provável será um ataque aéreo tanto a infraestruturas militares como civis, sistemas de transporte, fábricas e edifícios públicos. O Irã, com dez por cento estimados do petróleo mundial, ocupa o terceiro lugar em reservas de gás, depois da Arábia Saudita (25%) e o Iraque (11%), pelo tamanho de suas reservas. Em comparação, os EUA têm menos de 2,8% das reservas mundiais de petróleo. (Cf. Eric Waddell, The Battle for Oil, Global Research, dezembro de 2004). É de grande importância o recente descobrimento no Irã, nas regiões de Soumar e Halgan, das segundas maiores reservas mundiais conhecidas que se estimam em 12,4 bilhões de pés cúbicos. Apontar as armas ao Irã não só consiste em recuperar o controle anglo-estadunidense sobre o petróleo e a economia de gás, incluindo-se as rotas de oleodutos, mas também questiona a influência da China e da Rússia na região. O ataque planificado contra o Irã faz parte de um mapa global coordenado de orientação militar. É parte da "longa guerra do Pentágono", uma proveitosa guerra sem fronteiras, um projeto de dominação mundial, uma sequencia de operações militares. Os planificadores militares dos EUA e da OTAN têm previsto diversos cenários da escalada militar. E são também muito conscientes das implicações geopolíticas, como por exemplo, saber que a guerra poderá se estender para além da região do Oriente Médio e da Ásia Central. Os efeitos econômicos sobre os mercados do petróleo, etc. são também analisados. Enquanto o Irã, a Síria e o Líbano são os objetivos imediatos, China, Rússia, Coréia do Norte, sem contar Venezuela e Cuba, são também objeto de ameaça dos EUA. Está em jogo a estrutura das alianças militares. As atividades militares da OTAN-EUA-Israel, incluindo manobras e exercícios realizados na Rússia e suas fronteiras próximas com a China têm uma relação direta com a guerra proposta contra o Irã. Estas ameaças veladas, incluindo o seu calendário, constituem um claro aviso aos antigos poderes da época da Guerra Fria, para evitar que possam ou venham a interferir em um ataque dos EUA ao Irã. Guerra Mundial O objetivo estratégico em médio prazo é chegar ao Irã e neutralizar seus aliados, através da diplomacia dos tiros de canhão. O objetivo militar em longo prazo é dirigir-se diretamente à China e a Rússia. Ainda que o Irã seja o objetivo imediato, o desdobramento militar não se limita ao Oriente Médio e a Ásia Central. Uma agenda militar global está estabelecida. O avanço das tropas de coalizão e os sistemas de armas avançadas dos EUA, da OTAN e seus sócios, está se configurando de forma simultânea em todas as principais regiões do mundo. As recentes ações dos militares dos EUA em frente as costas da Coréia do Norte em forma de manobras são parte de um desenho global. Os exercícios militares, simulações de guerra, o deslocamento de armas, etc. dos EUA, da OTAN e seus aliados que se estão realizando simultaneamente nos principais pontos geopolíticos, visam principalmente a Rússia e a China. -A península da Coréia, o Mar do Japão, o estreito de Taiwan, o Mar Meridional da China, ameaçam a China. - O deslocamento de mísseis Patriot para Polônia, o Centro de Alerta próximo à República Checa, ameaça a Rússia. - Avanços navais na Bulgária, na Romênia e Mar Negro, ameaçam a Rússia. - Avanços de tropas da OTAN e dos EUA na Geórgia também. - Um deslocamento naval de grande dimensão no Golfo Pérsico, incluindo-se submarinos israelenses, dirigidos contra o Irã. Ao mesmo tempo, o Mediterrâneo Oriental, o Mar Negro, o Caribe, América Central e região andina da América do Sul, são as zonas de militarização em curso. Na América Latina e no Caribe, as ameaças se dirigem à Venezuela e a Cuba. "Ajuda militar" dos EUA Por sua vez, transferências de armas em grande escala foram feitas sob a bandeira norte americana como "ajuda militar" a países selecionados, incluindo-se cinco bilhões de dólares num acordo de armamento com a Índia que se destina a melhorar as capacidades bélicas da Índia contra a China. (Huge U.S - Índia Arms Deal To Contain China, Global Times, 13 de julho de 2010). "Isto (a venda de armas) significa melhorar as relações entre Washington e Nova Delhi e, de forma deliberada ou não terá o efeito de conter a influência da China na região". (Citado em Rick Rozoff, Confronting both China and Russia: U.S. Risks Military Clash With China in Yellow Sea, Global Research, 16 de julho de 2010). Os EUA conseguiram acordos de cooperação militar com alguns países do sul da Ásia Oriental, como Singapura, Vietnã e Indonésia, incluindo sua "ajuda militar", assim como a participação em manobras militares, sempre dirigidas pelos Estados Unidos, na órbita do Pacífico (julho/agosto de 2010). Esses acordos são de apoio às implementações de armas dirigidas contra a República Popular da China. (Cf. Rick Rozoff, op. Cit.) Do mesmo modo e mais diretamente relacionado ao ataque planificado contra o Irã, os EUA estão armando os Estados do Golfo (Bahrein, Kuwait, Qatar e os Emirados Árabes Unidos) com o interceptador de mísseis terra-ar Patriot Advanced Capability-3 (THAAD), assim como os baseados nos modelos de mísseis mar-3, interceptadores instalados em barcos de guerra de classe Aegis no Golfo Pérsico. (Cf. Rick Rozoff, NATO's Role in the Military Encirclement of Iran, 10 de fevereiro de 2010). Calendário de provisão e armazenamento militar No que diz respeito à transferência de armas dos EUA para sócios e aliados, o crucial é o momento da entrega e do seu desdobramento. O lançamento de uma operação militar dos EUA ocorrerá, uma vez que esses sistemas de armas estejam em seu lugar mediante o desenvolvimento efetivo da aplicação e da capacitação do pessoal preparado. (Por exemplo, a Índia) Estamos falando de um desenho militar mundial cuidadosamente coordenado e controlado pelo Pentágono, com a participação de forças armadas combinadas de mais de quarenta países. Esse desdobramento militar mundial é, com certeza, o maior desdobramento de sistema de armas avançados da história. Por sua vez, os EUA e seus aliados têm estabelecido novas bases militares em diferentes partes do mundo. "A superfície da terra está estruturada como se fosse um enorme campo de batalha" (Cf. Jules Dufour, The Worldwide Network of US Military Bases, Investigación Global, 01 de julho de 2007). O Comando Unificado da estrutura geográfica dividida em comandos de combate tem como base uma estratégia de militarização em nível global. "Os militares norte americanos têm bases em 63 países. E novas bases foram construídas a partir do 11 de setembro de 2001 em sete países. No total, existem 255.065 militares dos EUA distribuídos por todo o mundo". (Cf. Jules Dufour, op. Cit.) . O cenário da Terceira Guerra Mundial Esse desdobramento militar se produz em várias regiões e ao mesmo tempo sob a coordenação dos comandos regionais dos EUA com a participação de aliados no armazenamento de arsenais norte americanos, inclusive antigos inimigos, como o Vietnã e o Japão. O contexto atual se caracteriza por uma acumulação militar global controlada por uma superpotência mundial que está utilizando seus aliados para desencadear numerosas guerras regionais. A diferença que se estabelece com a Segunda Guerra Mundial, que foi também uma conjunção de distintas guerras regionais, é que com a tecnologia de comunicações e sistemas de armas da década de 1940, não havia estratégia em "tempo real" para coordenar as ações militares entre grandes regiões geográficas. A guerra mundial se apóia num desdobramento coordenado de uma só potência militar dominante, que supervisiona as ações de seus aliados e sócios. Com exceção de Hiroshima e Nagasak, a Segunda Guerra Mundial se caracterizou pelo uso de armas convencionais. A planificação de uma guerra mundial se baseia na militarização do espaço ultra terrestre. Se uma guerra contra o Irã se inicia, não somente o uso de armas nucleares, mas toda uma gama de novos sistemas de armas avançadas, incluindo armas eletrônicas e técnicas de modificação ambiental, seria utilizada. O Conselho de Segurança das Nações Unidas O Conselho de Segurança da ONU aprovou em princípios de junho último uma quarta rodada de sanções de grande alcance contra a República Islâmica do Irã, que incluem o embargo de armas e "controles financeiros mais estritos". Em amarga ironia, esta resolução foi aprovada poucos dias depois da negativa pura e simples do mesmo Conselho de Segurança em adotar uma moção de condenação ao Estado de Israel em seu ataque à Frota pela Liberdade em Gaza em águas internacionais. Tanto a China quanto a Rússia, pressionados pelos EUA, têm apoiado o regime de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas em seu próprio prejuízo. Suas decisões no CS contribuem para enfraquecer sua própria aliança militar, a Organização de Cooperação de Xangai (OCS), onde o Irã tem o estatuto de observador. A resolução do Conselho de Segurança congela os respectivos acordos de cooperação militar e econômica da China e da Rússia com o Irã. Isto tem graves repercussões no sistema de defesa aérea do Irã que, em parte, depende da tecnologia e da experiência russas. A Resolução do Conselho de Segurança outorga, de fato, "luz verde" para liberar uma guerra preventiva contra o Irã. A inquisição estadunidense: construção de um consenso político para a guerra Em coro, os meios de comunicação ocidentais têm qualificado o Irã como uma ameaça à segurança mundial por seu suposto (inexistente) programa de armas nucleares. Fazendo eco com as declarações oficiais, os meios de comunicação estão exigindo agora a aplicação de bombardeios punitivos dirigidos contra o Irã, a fim de salvaguardar a integridade de Israel. Esse mesmos meios de comunicação fazem soar os tambores de guerra. O propósito é incutir na mente das pessoas, a partir da repetição de notícias até a exaustão, a idéia de que a ameaça iraniana é real e que a República islâmica deve ser "banida". O processo de criação de um consenso para fazer a guerra é similar ao da Inquisição espanhola. Requer e exige submissão à idéia de que a guerra é uma tarefa humanitária. Contudo, conhecida e documentada, a verdadeira ameaça à segurança global vem da aliança EUA-OTAN-Israel; na verdade, a realidade por um ambiente inquisitorial é exatamente o seu oposto: os belicistas parecem estar comprometidos com a paz, enquanto as vítimas da guerra se apresentam como protagonistas do conflito. Considerando que em 2006 quase dois terços dos norte americanos se opunham a uma ação militar contra o Iraque, uma recente pesquisa feita em 2010 pela Reuter-Zogby, indica que 56% dos estadunidenses são favoráveis a uma ação militar da OTAN contra o Irã. A construção de um consenso político que se nutre de uma mentira não pode, contudo, confiar somente na posição oficial daqueles que são a fonte da própria mentira. Os movimentos pacifistas nos EUA, que em parte têm sido infiltrados e cooptados, assumiram uma posição fragilizada em relação ao Irã. O movimento contra a guerra está dividido. A ênfase se coloca contra as guerras que estão em andamento (Afeganistão e Iraque) ao invés de se oporem vigorosamente a guerras que estão sendo preparadas e que se encontram sobre o tabuleiro de xadrez do Pentágono. Desde a posse de Barack Obama, o movimento contra a guerra perdeu muito da sua força. Por outro lado, aqueles que se opõem ativamente às guerras no Afeganistão e no Iraque, não se opõem necessariamente à realização de "bombardeios punitivos" contra o Irã, nem consideram essas ações como atos de guerra. Guerra esta que poderia ser o prelúdio da Terceira Guerra Mundial. A escalada de protestos contra a guerra em relação ao Irã tem sido mínima em comparação com as enormes manifestações que precederam os bombardeios de 2003 e a invasão do Iraque. Mas a verdadeira ameaça à segurança do mundo vem da aliança EUA-OTAN-Israel. À operação Irã, não se opuseram, no âmbito diplomático, tanto a China quanto a Rússia, sendo que conta também com o apoio dos governos dos estados árabes de primeira linha que integram o diálogo OTAN - Mediterrâneo. Conta também com o apoio tácito da opinião pública ocidental. Fazemos aqui um apelo às pessoas de todos os países, nas Américas, Europa Ocidental, Turquia, Israel, em todo o mundo, a levantarem-se contra este projeto militar, contra os seus governos que apóiam a ação militar no Irã, a levantarem-se contra os meios de comunicação que servem para dissimular as devastadoras conseqüências de uma guerra contra o Irã. Esta guerra será uma insanidade. A Terceira Guerra Mundial é terminal. Albert Einstein sabia dos perigos da guerra nuclear e da extinção da vida na terra, que já começou com a contaminação radioativa resultante do urânio empobrecido. "Não sei com que armas se fará a luta numa III Guerra Mundial, mas na IV Guerra Mundial se lutará com paus e pedras". Os meios de comunicação, os intelectuais, os cientistas e os políticos, em coro, ofuscam a verdade não contada, ou seja, que a guerra que utiliza ogivas nucleares destrói a humanidade e que este complexo processo de destruição gradual já começou. Quando a mentira se converte em verdade, já não há volta atrás. Quando a guerra se invoca como uma "tarefa humanitária", a justiça e todo o sistema jurídico internacional são tomados ao contrário: o pacifismo e o movimento contra a guerra são criminalizados. Opor-se à guerra se converte num ato criminoso. A mentira deve ser exposta como aquilo que é e o que faz: sanciona a matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças. Destrói famílias e pessoas. Destrói o compromisso das pessoas com os seus semelhantes. Impede as pessoas de expressarem sua solidariedade pelos que sofrem. Defende a guerra e o estado policial como a única saída. Destrói o internacionalismo. Impedir a mentira significa impedir um projeto criminoso de destruição global. Nela, a busca do benefício é a força primordial. Este benefício, movendo a agenda militar, destrói os valores humanos e transforma as pessoas em zumbis inconscientes. Vamos inverter essa maré. Desafio aos criminosos de guerra em seus altos cargos e em suas poderosas corporações, bem como aos grupos de pressão que os apóiam: fim da inquisição dos Estados Unidos da América. Fim da cruzada militar EUA-OTAN-Israel.Fechem as fábricas de armas e as bases militares. Retirada das tropas dos campos de guerra. Os membros das Forças Armadas devem desobedecer às ordens e negarem-se a participar de uma guerra criminosa. (*) Michel Chossudovsky é laureado autor, professor (emérito) de Economia na Universidade de Ottawa e diretor do Centro para Investigação sobre a Globalização (CRG), Montreal. É autor de 'La Globalización de la Pobreza y el Nuevo Orden Mundial' (2003) e de 'La guerra de América contra el terrorismo' (2005). Também é colaborador da Enciclopédia Britânica. Seus escritos são publicados em mais de vinte idiomas. Tradução do espanhol de Izaías Almada. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100813/7a8f0fbe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20689 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100813/7a8f0fbe/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 13 20:32:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 13 Aug 2010 19:32:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__A_HIST=C3=93RIA_REAL_DO_BRASIL_por_La?= =?utf-8?q?erte_Braga?= Message-ID: <82EA914790F94D1499688AADAA5E176C@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................repassem A HISTÓRIA REAL DO BRASIL Laerte Braga Em pleno funcionamento do Congresso Nacional Constituinte (não tivemos Assembléia Nacional Constituinte) e ainda sob a tutela de setores das forças armadas, pior, sendo presidente da República José Sarney (aliado incondicional da ditadura militar), o trêfego Pimenta da Veiga, deputado eleito pelo PMDB de Minas, buscava assinaturas para propor emenda ao anteprojeto de Constituição que determinava a liberação de documentos secretos do governo federal após vinte e cinco anos e em casos extremos, após cinqüenta anos, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos. Um dos deputados procurados por Pimenta da Veiga foi Amaral Neto, oriundo do lacerdismo e figura fundamental para a ditadura em seus primeiros momentos. A resposta do deputado carioca foi fulminante ? ?você está louco, quer por fogo no Brasil?? Pimenta da Veiga, bem ao seu estilo tucano (é anterior à fundação do PSDB) respondeu que aquilo não era para valer, era apenas para fazer média com seu eleitorado. Não prosperou como era fácil de prever. E Amaral Neto não assinou. A candidatura do general Ernesto Geisel à presidência da República em 1974 foi imposta por seu irmão, Orlando Geisel, todo poderoso ministro do Exército, do famigerado governo de Garrastazu Medice. Geisel fora chefe do Gabinete Militar de Tancredo Neves, no breve período parlamentarista no governo de João Goulart, historicamente era ligado ao marechal Lott ? falo de Ernesto ? e tido como militar anti-americano entre seus pares. Escapou do processo de degola nas forças armadas após o golpe de 1964 por conta de dois fatores. O primeiro deles Castelo Branco. Foi o presidente que abriu a temporada de barbárie e era amigo íntimo do Geisel que viria a ser o futuro presidente. Segundo, seu próprio irmão, Orlando. De qualquer forma foi jogado em escaninhos das forças armadas. Primeiro na PETROBRAS e em seguida no STM (Superior Tribunal Militar), uma espécie de velório para militares incômodos ou então prêmio para amigos dos donos do poder. O principal mentor político de Geisel, ou oráculo do ex-presidente, era Tancredo Neves, então deputado federal do PMDB. E foi de Geisel que partiram as primeiras articulações dentro das forças armadas para levar Tancredo a ser o primeiro presidente civil no pós ditadura. Entre o golpe de 1964 e sua candidatura presidencial Ernesto Geisel dedicou-se ao exercício de não falar nada, entrar na muda como dizem em Minas, para evitar ser estraçalhado pela chamada linha dura ? extrema direita ? do Exército brasileiro. A própria escolha de Garrastazu Medice se deu após o golpe dentro do golpe em 1968, com a incapacidade do presidente Costa e Silva, num processo eleitoral interno, dentro das forças armadas. Disputou a indicação e venceu o general Afonso de Albuquerque Lima, que acabou ministro do Interior. Medice era o preferido dos grupos de repressão e as eleições nos quartéis quase que repetiram o sistema de votação anterior à revolução de 1930. Voto aberto e sob vigilância dos setores que detinham os comandos. Era uma época em que a tal hierarquia se fundava na maior vocação para a barbárie. Vale dizer que em determinados momentos sargentos mandavam mais que majores, capitães, por aí afora. Contava o número de escalpos de presos políticos torturados, presas estupradas, assassinatos, o de sempre em regimes dessa natureza e com essa característica. Sem julgamento de mérito, Ernesto Geisel equilibrou-se entre concessões à linha dura e atitudes como a mandar Delfim Neto para ser embaixador em Paris, numa espécie de exílio dourado, mas longe do Brasil, conhecida a extraordinária capacidade do ex todo poderoso ministro para articulações de bastidores (fofocas para ser mais direto). A cada passo numa direção Geisel dava outro noutra direção. O assassinato de Wladimir Herzog foi um desafio à determinação do general presidente de colocar um fim à tortura. Mas só conseguiu demitir o comandante do antigo II Exército, com a segunda morte, a do operário Manuel Fial Filho. Geisel, dentro de seu Ministério, tinha um adversário, Sílvio Frota, ministro do Exército e ligado à linha dura. A vitória final de Geisel só veio quando da indicação do general João Baptista de Oliveira Figueiredo para seu sucessor. Com apoio do chefe do Gabinete Militar Hugo de Andrade Abreu o presidente deu um contra golpe às manobras de Sílvio Frota. O ministro pretendia ser ele o indicado para concorrer à sucessão presidencial. A rigor, Frota, que tinha como certo o apoio da maioria da tropa, foi pego de surpresa e praticamente ficou detido no chamado Forte Apache ? Brasília ? enquanto Hugo Abreu anulava suas forças principalmente dentro do Exército. O golpe militar de 1964 promoveu o maior expurgo na história das forças armadas brasileiras. Mais de dois mil e quinhentos oficiais, suboficiais e sargentos foram reformados ou demitidos, muitos deles presos e assassinados, caso do capitão Lamarca e do major Cerveira, por exemplo. Ou do brigadeiro Rui Moreira Lima, de larga tradição legalista dentro da força aérea, vivo até hoje e exemplo de brasilidade em todos os sentidos. O próprio Eduardo Gomes, fundador e patrono da Aeronáutica brasileira foi colocado numa geladeira ao dar apoio ao capitão Sérgio Macaco punido por ter denunciado o plano terrorista do brigadeiro Burnier. Esse queria explodir o gasômetro no Rio de Janeiro e colocar a culpa do atentado nos comunistas, aumentando o tom da repressão. Anulando os chamados setores moderados do golpe. Há dúvidas sobre as circunstâncias da morte de Castelo Branco, como resta como última tentativa visível de sobrevivência das forças de extrema direita, o fracassado atentado do Rio Centro, no Rio, durante um show de música popular brasileira. No governo Figueiredo. A bomba explodiu no colo de um sargento que estava a bordo de um karmanghia com um capitão, ambos encarregados do atentado. Os culpados seriam os comunistas. O sargento morreu e o capitão terminou coronel. Valeu a saída de Golbery do Couto e Silva, ligado a Geisel e que defendeu a punição dos culpados com inquérito público. O processo democrático, numa boa medida, implica em reconstrução das forças armadas brasileiras. A imensa maioria dos chefes militares continua batendo continência para a bandeira e os interesses dos Estados Unidos e enxergando a presença de comunistas debaixo de cada cama de cada brasileiro. Não há um compromisso explícito dos militares brasileiros com o País, mas com empresas multinacionais, latifúndio e a política imperialista dos EUA. Vivem ainda na pré-história, no tempo da guerra fria. Uma das atitudes de Geisel quando presidente foi romper o acordo militar Brasil ? EUA. Uma das concessões mais perigosas do governo Lula na sua política de uma no cravo e outra na ferradura foi o de reatar esse acordo. Outra atitude de Geisel foi fortalecer a IMBEL (INDÚSTRIA BRASILEIRA DE MATERIAL BÉLICO) e a ENGESA (ENGENHEIROS ESPECIALIZADOS S/A). Num dado momento os veículos militares brasileiros, produzidos por essas empresas estatais, OSÓRIO e URUTU se mostraram superiores aos produzidos pela indústria bélica dos EUA, da França, da Grã Bretanha, da Bélgica e ganharam mundo afora sobretudo países árabes como a Líbia e o Iraque. A EMBRAER, ainda estatal, começou a desenvolver em parceria com setores da construção aeronáutica da Itália, um projeto de caça bombardeio com tecnologia brasileira e italiana. Quando citei acima a questão dos documentos secretos tinha em mente a história até agora secreta, das pressões e ações (de guerra inclusive) do governo dos EUA, contra a exportação de equipamentos bélicos produzidos por empresas estatais brasileiras para outros países. O sucateamento da ENGESA e da IMBEL começou no governo Figueiredo e foi acentuado nos seus sucessores civis. A EMBRAER estatal, capaz de colocar a indústria aeronáutica brasileira entre as melhores do mundo, foi privatizada no governo de FHC. Nada por acaso, tudo deliberado em Washington. Militares e governos subordinados aos interesses norte-americanos. É recente a decisão do governo do ex-presidente Bush de vetar a venda de aviões de treinamento tucano da EMBRAER para a Venezuela. Por deterem tecnologia norte-americana em determinados componentes e pela participação acionária de grupos dos EUA. Essas concessões, perigosas e que ferem a nossa soberania, plenas a absolutas no governo de FHC, cederam, por exemplo, no primeiro escândalo daquele governo (por si só um escândalo), o controle da Amazônia, no projeto SIVAM ? SISTEMA DE VIGILÂNCIA DA AMAZÔNIA ?, operado por uma ?empresa? dos EUA e militares brasileiros, ou supostamente brasileiros. FHC só não cedeu a base de Alcântara, no Maranhão, por força da pressão popular e da reação de setores nacionalistas das forças armadas. A hipótese da eleição do candidato José Arruda Serra abre a possibilidade tão sonhada pelos norte-americanos no campo militar. Bases no Brasil. Na Amazônia, no Nordeste e no Sul. Várias tentativas já foram feitas e refugadas. Como dizia Nixon, ?para onde se inclinar o Brasil, vai se inclinar a América Latina?, logo, é fundamental ter o controle do Brasil. Num momento em que os EUA assumem o controle de praticamente todo o mundo a partir de uma ?uma embriaguês pelo poder militar? (definição de Hans Blinx, inspetor da ONU no Iraque à época que precedeu a invasão - 2003 ? e constatou a mentira das armas químicas e biológicas) o Brasil ganha contornos vitais para a política capitalista e imperialista norte-americana. A presença de governos independentes e com projetos de integração latino-americana como o da Venezuela, da Bolívia, da Nicarágua, Cuba, a própria Argentina e o Brasil noutra dimensão ? uma no cravo outra na ferradura ? ou o ?capitalismo a brasileira? como bem definiu Ivan Pinheiro, secretário geral do PCB ? Partido Comunista Brasileiro ? e candidato à presidente da República, transforma o processo eleitoral brasileiro num jogo decisivo para as políticas norte-americanas. Lula reativou o acordo militar com os EUA e com isso abriu espaços para os militares que vestem fardas brasileiras e pensam e prestam obediência a Washington e em seus quase oito anos, não foi capaz de resolver o problema de novos caças bombardeios para a FAB ? FORÇA AÉREA BRASILEIRA -, tamanhas as pressões dos EUA, tanto quanto, retardou a construção de submarinos nucleares, indispensáveis à nossa soberania. A compra de dois desses submarinos à França foi paliativo, temos tecnologia nacional para construir essas belonaves. Se uma no cravo e outra na ferradura é uma forma de buscar avanços compensatórios em outros setores, é algo a se discutir. As concessões muitas vezes, ou todas as vezes, são maiores que os ganhos. A própria política de alianças é complicada quando se tem setores do latifúndio próximos do governo. O agronegócio é uma das formas de dominação econômica e estratégica. Está todo ele em mãos estrangeiras. Cria um nível de dependência absoluto na agricultura. É claro que retrocesso é José Arruda Serra. Não significa que Dilma Roussef seja avanço lato senso. Significa que uma volta aos tempos de FHC liquida qualquer perspectiva a curto e médio prazo de nos transformamos numa potência livre, soberana e justa em todos os sentidos. E isso, como disseram Ivan Pinheiro em entrevista a RECORDNEWS e Plínio de Arruda Sampaio no debate da BANDEIRANTES, vai depender basicamente dos movimentos populares. Da formação e organização. São a força motriz da real independência do Brasil. Se não temos bases militares dos EUA no Brasil, temos boa parte de nossas forças armadas colonizadas e subordinadas aos EUA. E o maior de todos os desafios em tempos atuais. O da Comunicação. A grande mídia em nosso País é tudo menos brasileira. Controlada por grupos econômicos estrangeiros, submissa a interesses de potências outras. Concentrada em poucas mãos, poucas famílias (mafiosas), tenta moldar o pensamento do brasileiro de tal forma que num dado momento, por exemplo, saci pererê some para dar lugar ao haloween. Nossas escolas, tanto privadas como públicas, já incorporaram essa data ao seu calendário. É só um exemplo. A história real do Brasil precisa ser conhecida. Precisa ser pública. E um desafio, dentre tantos para o próximo governo, o Poder Legislativo, é acabar com os segredos de Estado. Exibir a barbárie nua e crua da ditadura militar que hoje permite a torturadores como Torres de Melo se arvorarem em patriotas defensores da honra nacional. Mas pior que ele, pau mandado, na junção de grandes empresas, latifúndio, banqueiros e boa parte das nossas forças armadas, transformados em uma realidade de espetáculo, alienar o cidadão comum, as classes médias (come arroz e feijão e arrota maionese e está sempre pronta a dizer sim senhor), impedir que o movimento popular ganhe força, criminalizando-o (a recente CPI do MST não encontrou nenhuma irregularidade no uso de financiamentos para agricultores e a GLOBO sequer tocou no assunto), enfim, uma espécie de FANTÁSTICO SHOW DA VIDA, onde o principal problema do Brasil é o goleiro do Flamengo, Bruno. Não se trata só de abrir os baús da ditadura. Mostrar a face real dos governos militares. Mas colocar a nu também os que hoje se escondem sob o manto da democracia e conspiram para que sejamos apenas um sonho emasculado em colônia do capitalismo selvagem dos norte-americanos e tudo o que representam. Gente padrão Jarbas Vasconcelos, Roberto Freire, Alberto Goldman, etc, etc. Aviões militares fabricados por Israel estão, dois deles, na região de Santa Cruz do Sul, com presença de técnicos de Israel, fazendo demonstrações de vôos não tripulados e podem vir a se incorporar a FAB. São vinte toneladas de equipamentos no aeroporto Luís Beck da Silva. São dois ?HERMES 450? fabricados pela empresa israelense ELBIT SYSTEMS e perto de quarenta homens acompanham os exercícios da Base Aérea de Santa Maria, entre eles representantes da empresa fabricante e seus credenciados no Brasil, a AEROELETRÔNICA. Esses aviões são usados no Oriente Médio para monitorar o povo palestino, despejar bombas, monitorar o sul do Líbano e a eventualidade de uso deles pelo Brasil implica em dependência tecnológica ? não há transferência de tecnologia para o Brasil -, naquilo que somos capazes de fazer. Segundo o tenente coronel Paulo Ricardo Laux, gerente do grupo de trabalho os aviões vão se exibir até o dia vinte de agosto. Por coincidência ou não, a grande colônia palestina no Brasil está naquela região, no Sul do País. Onde Bush queria colocar uma base para controlar o ?terrorismo?. E também o Aquífero Guarani, a quinta maior reserva de água subterrânea do mundo. É hora de encarar o desafio de expor as histórias secretas que são, na verdade, as histórias reais dos que controlam o Brasil e querem-no colônia de interesses estrangeiros. E de enfrentar o desafio da Comunicação. Romper a barreira imposta pela grande mídia corrupta, venal e dominada igualmente por esses mesmos grupos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100813/af7fe406/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 14 17:23:24 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 14 Aug 2010 16:23:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Anistia=3A_quest=E3o_de_justi=E7?= =?iso-8859-1?q?a_/_Revis=E3o_das_indeniza=E7=F5es_a_anistiados_=E9?= =?iso-8859-1?q?_golpe_contra_democracia?= Message-ID: <2A60546683764583B0916215BE64D5C2@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Portal Vermelho Brasil, sábado,14 Agosto 2010 Editoral Anistia e reparação: questão de justiça Qual é a abrangência de uma anistia política? Ela se limita ao "esquecimento" de acontecimentos que, na ditadura, foram considerados criminais por representarem a resistência contra o arbítrio, ou envolve também a reparação material de prejuízos causados pela perseguição política? Estas são questões que voltam à pauta após a decisão do Tribunal de Contas da União de revisar pagamentos feitos a perseguidos políticos pela ditadura de 1964. A decisão envolve 9.371 benefícios já concedidos, com indenizações que atingem cerca de 4 bilhões de reais já pagos ou aprovados, entre eles a anistia a Carlos Lamarca e a reparação a seus familiares. A decisão do TCU significa uma reinterpretação da lei que determina aquelas reparações. Ela não revê a condição de anistiado, mas os valores pagos, decisão que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considera anticonstitucional, chegando inclusive a encará-la como uma ameaça à Carta Magna. É uma tentativa de colocar limites - no caso, financeiros - à aplicação da lei que define a responsabilidade do Estado pelas violações de direitos humanos ocorridas sob sua égide. As reparações são reguladas pelas leis 9140/95, que determina o reconhecimento pelo Estado por mortos e desaparecidos políticos, e 10559/02, que abrange todos os atos ditatoriais, incluindo tortura, prisão arbitrária, demissão e transferência por motivo político, sequestro, compelimento à clandestinidade e ao exílio, banimento, expurgos estudantis e vigia ilegal de adversários políticos. No caso de perseguidos políticos que perderam o emprego, a lei manda pagar os vencimentos retroativos a 1988, data em que a Constituição foi promulgada e considerada, assim, o marco final da ditadura militar de 1964. A legislação brasileira que determina as reparações representa um avanço em uma área ainda marcada por limitações importantes, como a imunidade dos torturadores e agentes da repressão da ditadura militar, e a falta de acesso a informações completas sobre o destino de muitos que, em mais de vinte anos da Constituição de 1988, ainda são dados como desaparecidos. Mas há um espírito democrático que orienta a legislação brasileira que obriga ao reconhecimento da responsabilidade do Estado e determina reparações simbólicas e materiais para as vítimas. Elas representam o ônus dos crimes cometidos por agentes da repressão e envolvem - diz o advogado Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça - um processo pedagógico de reconhecimento daquelas violações e também do direito aos povos de resistir contra a opressão, sendo por isso essencial para a democracia e sua consolidação. Nesse sentido, qualquer restrição aos direitos dos anistiados a qualquer dessas reparações (simbólica e material) só pode ser avaliada como um atentado à democracia. A questão não é financeira, mesmo porque o volume dos valores envolvidos é proporcional ao número de pessoas anistiadas e à dimensão dos crimes cometidos pela repressão política da ditadura. A questão é política e diz respeito à responsabilização do Estado e seus agentes pelos danos causados pelos crimes da repressão. É uma questão de justiça. ========================================================================= Portal Vermelho Revisão das indenizações a anistiados é golpe contra democracia "Quando o TCU se auto-concede competência que não está prevista na Constituição enfraquece a democracia". A manifestação foi feita pelo presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (12), para analisar a decisão do Tribunal de Contas da União, tomada ontem (11) de rever todas as reparações financeiras concedidas as vítimas da ditadura militar. O órgão quer revisar 9.371 benefícios já concedidos pela Comissão de Anistia, alegando que os valores são altos e que a medida representa economia para os cofres públicos. Abrão apresentou justificativas jurídicas, políticas e históricas para se opor a decisão e disse que o Ministério da Justiça pretende adotar todas medidas cabíveis para evitar que ela se efetive. "A Comissão de Anistia manifesta preocupação no sentido de que a decisão do TCU incorra em um equívoco jurídico, político e um retrocesso histórico", diz a nota da Comissão distribuída aos jornalistas Para Paulo Abrão, a proposta do TCU, baseada no argumento de que as pensões dos anistiados políticos equivalem aos benefícios pagos pela Previdência Social, vai de encontro a lei criada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional. A lei, de 2002, diferencia as pensões pagas aos anistiados ao criar o "regime jurídico do anistiado político" e estabelece que os valores pagos são de caráter indenizatório. E lembrou ainda as regras de decadência do Estado para rever atos, lembrando que se passaram 10 anos e já foram julgados 57 mil casos, faltando apenas nove mil, que devem ser concluídos no período de dois a três anos, encerrando o "projeto de reconstrução cívica entre o cidadão e o seu próprio Estado que o violou no passado". "Criar procedimento revisor, que não foi declarado às vítimas, causa incerteza e insegurança", alerta ele, enfatizando que representa uma "dupla violação" às vítimas da ditadura. Ponto positivo Segundo o Presidente da Comissão de Anistia, se existe um ponto positivo nessa proposta é permitir o debate sobre o assunto. "O ponto positivo é criar oportunidade para que as vítimas do regime usufruam de mais palanque para contar suas histórias", destaca Abrão. Ele se queixa de que todos os casos de arbitrariedade e mortes cometidos pela ditadura julgados na Comissão de Anistia não receberam a mesma atenção da imprensa como fatos como esses, quando se questiona as reparações feitas pelo Estado brasileiro às vítimas da repressão. A proposta do TCU assim como a decisão da Justiça do Rio de Janeiro de suspender o pagamento de pensão de 55 camponeses do Araguaia representam reveses na condução do processo de redemocratização do País. Segundo Abraão, "nós ainda vivemos um estado de negação. A ausência da abertura dos arquivos da ditadura mantém um estado de questionamento, que representa um prejuízo horroroso e dá espaço para essas atitudes", avalia. E acrescenta que a negação, a relativização (como a definição de 'ditabranda' pelo jornal Folha de São Paulo) ou transformação em questão contábil é justificação para as violações. A coletiva foi acompanhada por dezenas de anistiados. Após a fala de Paulo Abrão, o vice-presidente da Associação de Ex-Presos Políticos de São Paulo, Ivan Seixas, também falou. E disse que "nós enfrentamos a tortura, os assassinatos, vamos enfrentar essa medida". De Brasília Márcia Xavier -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100814/c040c68e/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 14 17:23:34 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 14 Aug 2010 16:23:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__DI=C1RIO_DA_GUERRA_AFEG=C3_-_p?= =?windows-1252?q?or_Chico_Villela?= Message-ID: <32ED7F711DD7404F82D042A7D11D4DD1@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br DIÁRIO DA GUERRA AFEGà Chico Villela Um site e um livro fazem mais que dez mil discursos para expor sem retoques o fracasso da política de guerra no Afeganistão e da política de alianças para a ?Guerra ao Terror? capitaneada pelos EUA e seguida, sem voz nem opinião, pelos aliados da OTAN. O site é http://wikileaks.org. O livro , ?Diplomacia Suja?, do ex-embaixador britânico no Uzbequistão Craig Murray, escocês beberrão, namorador e de coragem digna de monumento, será analisado em texto próximo. Pinçado de discurso de campanha de BHObama: "Eu não quero apenas pôr fim à guerra; eu quero pôr fim à atitude que nos leva à guerra em primeiro lugar". No dia 25 de julho passado, simultaneamente, os jornais The New York Times e o britânico Guardian e a revista alemã Der Spiegel dedicaram várias páginas ao tema que abala os governos aliados no momento. Fornecidos pelo coletivo de ativistas políticos conhecido pelo nome WikiLeaks, fundado em dezembro de 2006, os três meios expuseram suas leituras de cerca de 75 mil registros militares dos EUA e de países da OTAN na guerra do Afeganistão, nomeados de Diário da Guerra Afegã. Os arquivos haviam sido passados aos jornais e à revista tempos antes, com a condição de que analisassem e só iniciassem a divulgação de suas leituras no dia 25 de julho. WikiLeaks reúne um restrito grupo de jornalistas, especialistas em segurança eletrônica e analistas, apoiados por cerca de 800 voluntários em todo o mundo, que se dedicam a revelar segredos principalmente de governos, serviços de Inteligência e grandes corporações. O intuito do grupo é trazer ao debate público temas de elevada gravidade que, por isso mesmo, quase nunca chegam às fontes de divulgação. Em entrevista à Der Spiegel online, Julian Assange, 39 anos, fundador e condutor do Wikileaks, sumariza: ?Não é Wikileaks que decide revelar algo. É um ?whistleblower? ou um dissidente que decide revelar. Nosso trabalho é garantir que essas pessoas sejam protegidas, o público seja informado e o registro histórico não seja negado?. Em 2009, Wikileaks recebeu o prêmio Mídia da Anistia Internacional pela revelação das mortes extra-judiciais de responsabilidade da polícia do Kenia. Antes dessa maciça distribuição de registros secretos, o coletivo WikiLeaks havia revelado um vídeo militar gravado em Baghdad que mostra dois soldados dos EUA num helicóptero matando cerca de uma dezena de civis numa praça. Dois deles eram repórter fotográfico e auxiliar de fotógrafo da agência Reuters. O fato foi comentado em blog desta NovaE. A abertura do texto destaca os objetivos do Wikileaks. Do total de cerca de 91 mil registros, pouco mais de 15 mil foram separados para posterior análise mais aprofundada e divulgação. Os 75 mil registros abordam temas como IED (mecanismos explosivos improvisados, maior responsável por mortes de aliados); operações ofensivas; fogo inimigo; encontros com possíveis forças hostis; diálogos com velhos líderes tribais em aldeias; número de feridos, mortos e detidos, entre civis, soldados aliados, tropas afegãs e combatentes inimigos; seqüestros; informação de inteligência mais ampla e avisos explícitos de ameaças interceptadas via rádio; relatos locais da polícia e tropas afegãs; considerações sobre falta de equipamentos e suprimentos. O período coberto vai de 2004 ao fim de 2009. Encontram-se também registros de Inteligência dos marines, de embaixadas dos EUA, relatos de corrupção do governo local e trabalhos de desenvolvimento no país. Todos os 75 mil registros podem ser encontrados catalogados neste endereço, Diário da Guerra Afegã, que apresenta também, em inglês, esclarecimentos necessários à sua plena compreensão e um mapa com as locações dos fatos registrados. Uma tradução para português pode ser vista nesta edição do site resistir.info. Alguns aspectos destacados BHObama - O presidente BHObama foi praticamente forçado a vir a público dizer algumas palavras sobre o maior vazamento de informações secretas da história militar dos EUA de uma guerra em andamento. Previsivelmente, afirmou que as revelações não são originais, e que nenhum fato novo surgiu dos registros. Curiosamente, faz o percurso contrário de alguns dos seus mais altos conselheiros, que alegam ser o vazamento uma ameaça aos soldados em campo e à segurança do país. Não é bem assim. Não há fatos novos para o presidente e altos conselheiros, o que os coloca, aliás, em situação incômoda perante tantos crimes e acobertamentos. Mas há uma realidade absolutamente nova: o mundo inteiro pode ter acesso aos fatos sempre ocultos que agora podem ser vistos nos registros. Não existem ameaças, e há revelações sem conta, algumas de elevada gravidade. E há fatos que, mesmo conhecidos, como a morte de civis acima do que a grande mídia divulga, ganharam peso decisivo pela magnitude dos números e a manipulação de informações. Mortes de civis - Analistas enxergam a morte indiscriminada de civis como a grande fonte de recrutamento do Taleban: a cada aldeia atingida, mais e mais jovens aderem à guerra. E ganham para tanto, o que, num país miserável, é dado de relevância.A mídia só divulga raramente. O site destaca as vítimas civis, ?pequenas tragédias?que nunca merecem notícia pela mídia, mas que formam a maior parte das mortes e dos ferimentos e nutrem o crescente ressentimento da população contra os invasores. A análise mostrou que há gradações de ênfases e verdades conforme variam os focos dos registros. A falsificação de dados começa em campo. ?No relato de suas próprias atividades, as unidades euamericanas inclinam-se a classificar mortes de civis como morte de insurgentes, reduzir o número real de mortos ou apresentar desculpas para si mesmos.? Os relatos sobre outras unidades são mais verdadeiros, mas com raro criticismo. Já relatos sobre ações dos aliados tendem à franqueza e ao criticismo. E relatos sobre o Taleban e outros grupos de combatentes trazem detalhes e exposição de comportamentos condenáveis. Nas palavras de Assange em entrevista à ativista Amy Goodman: ?Então esse gênero de relato corrupto começa no campo e então é movido para cima através do Pentágono e do pessoal de relações com imprensa e é então colocado em uma forma politicamente digerível?. Assange reage com ironia à afirmação de Goodman de que o Pentágono empenha-se na identificação criminal das fontes: declara que, antes de preocupar-se com as fontes, o governo deveria ocupar-se em investigar os crimes de guerra relatados nos registros. Segurança pessoal - Sobre sua segurança, Assange revelou que pessoas informadas como o celebrado repórter investigativo Seymour Hersh fizeram chegar a ele recomendações para cuidar-se. Um ex-diplomata australiano e jornalista especializado em segurança nacional alertou-o de que o governo dos EUA tentou articular-se com o pessoal de Inteligência australiano (Assange é cidadão do país) para vigilância e posterior detenção do pessoal do Wikileaks na Austrália. Segundo a fonte, o governo australiano rejeitou com ênfase a colaboração, por razões políticas. Quanto à vigilância no Reino Unido, que é conhecida e permanente e foca milhares de pessoas, Assange não teme conseqüências, pelas extensas repercussões que teria qualquer ação na mídia e nos meios políticos e de governo locais. E, claro, não pretende ir aos EUA. Esquadrões da morte - Outra revelação de peso foi a confirmação do papel de grupos secretos, esquadrões da morte pesadamente armados formados por militares ou agentes das CIA, nas mortes de civis. A ação desses grupos tem origem no gabinete do ex-vice de Bush, Dick Cheney, que montou um grupo ligado ao Pentágono (as suas relações com a CIA não eram boas) dedicado a assassinatos de alvos escolhidos mundo afora, e entregou seu comando ao general Stanley McChrystal, anterior comandante das forças invasoras no Afeganistão. O tema já foi tratado em alguns artigos desta NovaE. O que se torna transparente nos registros é a falta de informação segura e de critérios para os agentes, que se deslocam pelo país, em geral em ações noturnas, para assassinar líderes insurgentes. Em centenas de casos, mulheres e crianças e outros inocentes foram vítimas desses assassinos. Como anota o NYT, a CIA pagou durante o período as despesas da agência afegã de Inteligência, e usa seus serviços como se fosse os de uma subsidiária. Um erro reconhecido dos invasores foi instituir pagamento em espécie para denúncias de presença e operações inimigas. Na impossibilidade ou lentidão de verificação sobre a veracidade da denúncia, a máquina de matar move-se mais rápido. Artigo do analista Alex Lantier no World Socialist Web Site descreve dois desses momentos colhidos nos registros. Em 11 de junho de 2007, na busca por um líder taleban próximo a Jalalabad, no leste afegão, um comando da Task Force 373 foi surpreendido pelas luzes de um holofote. Um helicóptero de combate chamado pelo comando à cena eliminou a ameaça e revelou a surpresa: sete policiais afegãos foram mortos e quatro, feridos, no que se conhece como ?fogo amigo?. Em outro evento comando da Task Force 373 aproximou-se da aldeia de Nangar Khel, província leste de Paktika, onde presumivelmente se encontrava abrigado o líder Abu Laith al-Libi. O plano previa o disparo de seis mísseis e posterior ataque por terra. Além de não encontrar o líder taleban, verificou-se que seis adultos locais e oito crianças de uma madrassa (escola muçulmana) foram mortos. Os adultos foram descritos como insurgentes do Taleban. (Dia 5 de agosto o governo afegão liberou o resultado de um inquérito sobre um raid aéreo das forças da Otan durante uma batalha na região de Sangin, província de Helmand, segundo eles, com 'insurgentes'. Uma casa foi bombardeada. Dentro da casa, morreram 39 mulheres e crianças, que haviam se abrigado ali para fugir do fogo cruzado. Nenhum adulto, nenhum insurgente. A Otan havia declarado que haviam morrido 6 pessoas, a maioria, militantes.) A voz de Julian Assange e a origem dos registros Julian Assange concedeu recentemente entrevistas após o início da divulgação pelos três meios citados. Um dos aclaramentos de Assange é que o WikiLeaks, ao contrário do que se pensa e divulga, não é um site ?colaborativo?, como a Wikipedia. Ninguém consegue postar revelações e denúncias, apenas encaminhá-las ao grupo de direção. O site só publica material inédito. Todas as informações são criteriosamente checadas. Não são aceitas, por exemplo, revelações de ordem pessoal, apenas políticas, econômicas, militares, de Inteligência, etc. O Guardian estampou artigo de Nick Davies, um dia após o início das publicações pelo jornal, reproduzido pelo site ativista Countercurrents, com a história da origem dos registros da guerra afegã. Para Davies, o receio de Washington é que WikiLeaks detenha material mais sensível ainda, algo como dezenas de milhares de mensagens de embaixadas sobre acordos de armamentos, conversações de comércio, reuniões secretas e opiniões sem censura de governos. O Wikileaks nega a afirmação, atribuída a Manning pela revista Wired, de que tenha recebido ?260 mil despachos de embaixadas? euamericanas de todo o mundo. Assange relata que foi instado pela área de investigações criminais do Pentágono a auxiliar a interromper a corrente de informações, mas recusou-se. Nos dois últimos meses, WikiLeaks recebeu muita informação, ?material de alta qualidade?, de fontes militares. Amparado por lei sueca (os provedores alojam-se em países que resguardam o sigilo das fontes, como Suécia e Noruega), Wikileaks jamais revela as suas fontes, e todo material encaminhado é cuidadosamente analisado para que eventuais pistas sobre fontes sejam eliminadas. Davies relata que o Pentágono agiu devagar. Segundo o que se divulga e que a revista Wired publicou, em novembro passado, alguém a trabalho em uma unidade de alta segurança numa base militar do Iraque iniciou há meses a cópia de materiais secretos. Em 18 de fevereiro, Wikileaks publicou documento classificado altamente comprometedor da embaixada dos EUA em Reikjavik, Islândia. Alguns colaboradores de WikiLeaks no país passaram a informar sua impressão de estarem sendo seguidos. Bradley Manning - Em maio, um hacker californiano, Adrian Lamo, amigo do editor da revista Wired, foi contatado por chat por alguém com nome Bradass87, que se abriu de imediato: ?olá... tudo bem? ... sou um analista de inteligência do exército, alojado em baghdad... se você tivesse acesso sem precedentes a redes classificadas, 14 horas por dia, 7 dias por semana por 8 meses, o que você faria?? Davies (Assange) relata que, por uma semana, Bradass87 abriu seu coração com Lamo. Tinha acesso a duas redes secretas: Secret Internet Protocol Router Network, SIPRNET, que transmite informações diplomáticas e militares classificadas como ?secretas?, e a Joint Worldwide Intelligence Communications System, que usa um sistema de segurança diferente para transmitir material classificado como ?ultra secreto?. Bradass87 declarava que via coisas terríveis, inacreditáveis, a versão não oficial de fatos e crises, e que aquilo precisava cair no domínio público. Bradass87 indicou a Lamo que ?alguém conhecido intimamente?(logo após, contou que ele mesmo fazia o serviço) estava baixando, comprimindo e criptografando o material e enviando a alguém chamado Julian Assange. Em 23 de maio, Lamo (anteriormente condenado por invasão do site do NYT) contatou autoridades militares nos EUA; dia 25, encontrou-se com oficiais do Pentágono numa lanchonete e forneceu as pistas de Bradass87. No dia seguinte, 26, um jovem de 22 anos, Bradley Manning, analista de Inteligência numa base próxima a Baghdad, foi preso e enviado a uma prisão militar no Kwait. Solidariedade - Manning acha-se hoje preso numa base nos EUA, em Virginia, e deverá enfrentar corte marcial. Pesam contra ele oito acusações que podem somar 52 anos de prisão. Seu nome já foi incluído em vários sites de ativistas militares (veja um exemplo de site) entre os perseguidos que necessitam defesa perante acusações como traição, deserção etc. Um trecho da carta enviada aos assinantes do site afirma: ?Agora, o analista de Inteligência Bradley Manning está na berlinda e pode passar décadas na prisão por liberar um vídeo de um massacre em Baghdad?. A corrente se amplia, como se vê nesse movimento do site Courage to Resist. Outra iniciativa é o blog criado pelo radialista Mike Gogulski, de Los Angeles, dedicado à defesa de Bradley Manning. Notícia da página do blog informa sobre um show promovido pela rádio KPFK com apoio de Scott Horton, titular do site Antiwar.com. O programa anunciou entrevistas com Daniel Ellsberg e Julian Assange. O site de Ellberg traz entrevista sobre os registros da Wikileaks. O Pentágono ainda não sabe se há mais envolvidos, e quantos seriam, e o único acusado por enquanto é Manning. O analista do Pentágono que revelou nos anos 1970 os famosos ?Papéis do Pentágono?, Daniel Ellsberg, anunciou que Assange corria risco físico, e que as agências de Inteligência euamericanas fariam tudo para tornar o caso exemplar. Por cautela, Assange cancelou uma viagem programada a Las Vegas e permaneceu na Europa. Acerto - A estratégia de oferecer os dados aos dois jornais e à revista, com data marcada para o início do noticiário, mostrou-se acertada e segura, e garantiu divulgação mundial aos registros da guerra afegã. Agora, Assange confirmou ao Guardian que está de posse de milhões de registros de operações dos EUA pelo mundo, e que em breve irá publicar. Alega possuir informações de todos os países acima de 1 milhão de habitantes. Fica evidente que a estratégia da Wikileaks é condicionada e tornada possível pela existência e abrangência democrática da internet. Assange manifesta receio de ver o site crescer e não poder honrar os materiais que, pensa, vão fluir cada vez mais ao WikiLeaks. Conta que, após revelar a morte de 51 civis num incidente no Afeganistão, houve aumento substancial de ofertas. Nas suas palavras, ?a coragem é contagiosa?. E não vê diferenças entre os fatos do período dos registros e a situação atual sob BHObama: ?As forças armadas dos EUA são um barco grande demais para fazer meia-volta?. Mistério ? Uma semana após a liberação do Diário da Guerra Afegã, o site do WikiLeaks passou a exibir um ?arquivo de segurança?, de 1,4 gigabytes. Muitas especulações vêm sendo levantadas sobre o fato. Alguns imaginam que seja algo que possa ser aberto mediante senha em caso de ocorrer algo a Assange ou seus colaboradores. Nesse caso, constituiria uma medida preventiva, e a senha seria fornecida por alguém já designado. Outros imaginam que sejam os 15 mil registros que ainda não foram divulgados, ou mesmo os tais 260 mil memorandos e despachos de embaixadas citados como de Manning pela revista Wired e negados pelo WikiLeaks. Paquistão e Inter-Services Intelligence ? ISI Uma das revelações, ou reforço de conhecimento, mais explosiva dos registros refere-se ao papel do ISI, agência de Inteligência paquistanesa, perante as forças combatentes no Afeganistão, em especial o Taleban. Durante a invasão soviética, entre 1980 e 1989, os combatentes muçulmanos foram armados e treinados por agentes do ISI, que intermediava verbas, armamento e orientações da CIA, e não raro os próprios agentes da CIA assumiam a frente dos eventos. O ISI fortaleceu-se sob as benesses da CIA e a colaboração com o Taleban. Afastado o ditador Pervez Musharraf, e após a morte de Benazir Bhuto em atentado, seu viúvo Azif Ali Zardari assumiu a Presidência. Havia sido ministro voltado para indústrias e empresas, em governo anterior de Bhuto, ocasião em que ficou conhecido pela vasta corrupção. O Paquistão é uma sociedade dominada por poucas famílias com fortunas, também grandes proprietárias de terras, que residem nos EUA, em Dubai e no Reino Unido. Recente pesquisa mostrou que 6 em cada 10 paquistaneses consideram-se inimigos dos EUA e querem os invasores fora do Afeganistão. Boa parte do ISI é formada por profissionais, e são esses profissionais que emergem dos registros como apoiadores, orientadores e fornecedores de armamento para o Taleban. Criado em 1947 pelos britânicos, como solução para alojar a parcela muçulmana da região, o Paquistão tem fronteira artificial com o Afeganistão, e a maior parte dessa fronteira, a Linha Durand, montanhosa e inóspita, é habitada dos dois lados pelos mais de 20 milhões da milenar etnia pashtun, base social do Taleban. Ajuda - A colaboração do ISI com o Taleban coloca problemas de difícil solução para o governo dos EUA. Bilhões fluem todo ano para os cofres do governo, e sem dúvida para bolsos também, em nome da ?ajuda? dos EUA ao país, e seus atuais governantes e chefes militares são beneficiários dessas verbas. O Paquistão detém armas nucleares, e é um assunto delicado manter a fidelidade dos seus mandantes aos combalidos princípios da ?Guerra ao Terror?, cada vez de mais difícil defesa. A citada ajuda é sempre basicamente militar. Em entrevista há uns meses ao londrino The Times, o ex-ditador Musharraf declarou que boa parte das verbas para ações anti-terrorismo sempre foi empregada em compra e desenvolvimento de armamento. O analista Gulam Mitha sintetiza o significado da ajuda para a população: ?a) inflação crescente; b) carência de alimentos; c) aumento de ataques terroristas; d) instabilidade em ascensão; e) pouca energia e combustíveis; f) mais pretextos de assassinatos de civis pelos drones?. O jornal paquistanês Dawn informa que a proporção que reflete a ineficiência desses bombardeios por drones é avassaladora: para cada 1 insurgente morto, morrem 140 civis. Como no Afeganistão, isso alimenta a oposição e o ódio da população aos EUA. Amigos e pressões - Entre 17 e 24 de julho ocorreu na região intensa movimentação de autoridades aliadas. Mitha cita: enviado especial Richard Holbrooke, conhecido como ?Bulldozer?, dia 17, um dia após os primeiros-ministros da Índia e do Paquistão se encontrarem / Hillary Clinton chegou dia 18, e ambos se encontraram com o presidente Zardari, o primeiro-ministro Gilani, o ministro do Exterior Qureshi e o chefe militar Kayani / O secretário da OTAN, general Anders Rasmussen, chegou dia 21 / O comandante geral euamericano Mike Mullen veio dia 24, após dois dias de visita à Índia. A movimentação pode ter relação com os rumores de ataques ao Irã e a ?um país árabe?, talvez a Síria. Pouco antes, o primeiro-ministro britânico David Cameron havia cumprido visita oficial à Índia. O combate das forças armadas paquistanesas aos insurgentes Taleban que se alojam do lado paquistanês da fronteira tem sido inconvincente aos olhos de planejadores da guerra euamericanos e aliados, e o fato de o ISI agir contra as diretrizes do governo-cliente dos EUA gera graves dúvidas sobre o desenrolar dos acontecimentos. As revelações dos registros sem dúvida reforçam a posição dos falcões que desejam ampliar a guerra sem fronteiras, incluindo até mesmo o Irã. Mas, ao mesmo tempo, abalam e relativizam os planos e jogam sombras densas sobre as certezas de quem é ?amigo? e quem é ?inimigo?, dado que nem mesmo no Afeganistão ocupado é claro. A rede de comunicação árabe Al JAzeera analisou a questão em artigo recente. Apoiada na análise do NYT, Al Jazeera afirma que os documentos mostram que o Paquistão (leia-se áreas do ISI) ?estimula representantes de seu serviço de Inteligência a contato direto com o Taleban em sessões estratégicas secretas para organizar redes de grupos militantes para lutar contra os soldados americanos no Afeganistão, e até mesmo empreender complôs para assassinar líderes afegãos?. O embaixador paquistanês nos EUA reagiu como se esperava: ?Estados Unidos, Afeganistão e Paquistão são parceiros estratégicos e acham-se juntos dedicados a derrotar Al Qaeda e seus aliados Taleban militar e politicamente?. A revelação de que o Taleban tem derrubado aviões e helicópteros com mísseis terra-ar surpreendeu os meios leigos que acompanham a guerra e levantou interrogações sobre a procedência do armamento, pela qual são acusados o Paquistão-ISI e o Irã, talvez para não se perder esta chance de demonizar o Irã mais uma vez. O ISI também é associado nos registros à formação e treinamento, a partir de 2006, da rede de combatentes suicidas que se explodem para eliminar tropas e outros alvos. O ex-chefe do ISI entre 1987 e 1989, general da reserva Hamid Gul, periodicamente é acusado, como neste momento, de manter laços com o Taleban. Complicantes - Outros fatores complicantes são, além da citada presença de armas nucleares em mãos militares, o uso do território paquistanês como forte pólo de apoio logístico para abastecimento das tropas no Afeganistão e os citados bombardeios de partes do território paquistanês com aviões sem pilotos (drones), para "desalojar fortalezas da Al Qaeda e do Taleban". No panorama desvendado pelos registros, as resistências no governo e no país podem vir a afetar o desempenho das tropas aliadas nos combates. Morrem sempre mais civis inocentes que combatentes em qualquer bombardeio, principalmente nesses bombardeios pretensamente ?cirúrgicos?, em todo o mundo. Atores - Mas acima dos complicantes paira a situação estratégica do Paquistão e das forças apoiadas e as opostas ao seu papel regional. As facções afegãs armadas dos wardruglords Gulbuddin Kekmatyar e Jalaluddin Haqqani recebem apoio paquistanês, mas as forças da Aliança do Norte, basicamente compostas por tadjiques e uzbeques, que perfilam com o governo de Karzai e os aliados, são apoiadas pela Índia, adversária do Paquistão, com o qual já entrou em guerra três vezes desde 1947, e gozam da simpatia da Rússia. O imbroglio completa-se com o fato de o maior aliado do Paquistão ser a China. Um ataque às forças paquistanesas arrastaria toda a região para uma perigosa e incerta situação de confronto generalizado. Para o analista indiano Aurobinda Mahapatra, em artigo no site russo Strategic Culture Foundation, pode ser que o recado principal das revelações dos registros seja indicar a necessidade inevitável de ações conjuntas regionais, acima da ação isolada dos EUA, para que a situação possa ter possibilidade de desenlace. Mahapatra cita também a essencial participação de Rússia, Índia e China numa aproximação multilateral para solucionar a complexa equação chamada Afeganistão. Choques - Ao tratar do tema num dos artigos de lançamento mundial dos registros do dia 25 de julho, com a manchete ?Paquistão ajuda insurgentes no Afeganistão, afirmam registros?, o NYT anota: ?Os registros sugerem, no entanto, que os militares paquistaneses têm agido duplamente como aliados e inimigos, já que sua agência de espionagem age como o que oficiais americanos há tempos suspeitam ser um jogo duplo ? concordando com certas demandas para cooperação enquanto se esforçam para exercer influência no Afeganistão por meio das mesmas redes de insurgentes que os americanos tentam eliminar?. Na semana passada, agências noticiaram que o chefe do ISI, general Ahmed Shujaa Pasha, cancelou visita que faria a Londres acompanhado de experts seniores para discutir cooperação e segurança. A medida decorreu de declarações do primeiro-ministro britânico, David Cameron, em visita a Bangalore, Índia, de que o Paquistão exporta terroristas e faz ?jogo duplo?. A declaração enfureceu os meios militares e de governo paquistaneses, não tanto pelo seu teor, sem novidade, mas pelo fato de ter sido feita durante visita oficial à arquiinimiga Índia. As acusações vêm sendo estendidas também aos agentes espiões do Afeganistão, já que há registros com informações de que alguns deles também colaboram com o Taleban. Ocorrem também deserções de tropas afegãs treinadas e armadas pelos invasores, com freqüência acompanhadas de armamento pesado a até mesmo veículos. O atual comandante das forças armadas paquistanesas, autoridade suprema sobre as ações de combate à Al Qaeda e ao Taleban e homem forte do regime, general Parvez Ashfaq Kayani, dirigiu o ISI entre 2004 e 2007, período ao qual se referem muitos dos registros de cumplicidade da organização com o Taleban. Tudo indica que atualmente há satisfação da parte dos EUA com as medidas de ?depuração de colaboradores do Taleban? dos quadros do ISI pelo general, o que confirma, aliás, a participação de áreas do ISI contra os aliados. A face real da guerra O que se destaca das análises paralelas e das leituras empreendidas por especialistas, jornalistas e estudiosos é uma seqüência de eventos de inexcedível violência e brutalidade repleta dos classificados ?crimes de guerra?, com erros elementares de estratégia e operação, e com repetição de velhos comportamentos como o assassinato indiscriminado de civis, dado que já havia contribuído enfaticamente para afundar as forças armadas euamericanas no pesadelo do Vietnã. O que se situa no foco central não é mais a guerra apenas, é todo o sistema organizado que há décadas vem criando situações similares e movimentando sua economia em torno da guerra e seus desdobramentos. Discursos - Uma constatação fundamental domina as análises: após a mais longa guerra externa da história dos EUA, que já acumula 9 anos, o inimigo nunca foi tão forte, nem mesmo quando enfrentou os invasores em 2001 e foi deposto do governo. Nesse cenário, falar em ?vencer? a guerra é mero discurso para arrancar mais recursos do Congresso. Na última votação, e de modo surpreendente, os republicanos, menos 12, aprovaram mais algumas dezenas de bilhões de dólares para as tropas, e mais de uma centena de democratas, do partido do presidente, votaram contra. A aparente contradição sinaliza que os democratas acham-se apreensivos com as derrotas que têm sofrido em eleições parciais e de olho nas próximas eleições de 2012, ocasião em que, espera-se, BHObama pleiteará reeleição. Se não se pode vencer, resta sair, e aí reside o dilema avassalador: sair como? O Great Game (Grande Jogo) que há séculos desenrola-se em torno da Ásia Central e adjacências não admite lances desse gênero. Corrupção - Outra face é a da oceânica corrupção, campo no qual os contratados particulares euamericanos e aliados para trabalhos de toda ordem, civis e militares, e fornecedores de quase todos os insumos usados pelas tropas competem com o inacreditavelmente corrupto governo do fantoche Hamid Karzai. O próprio vazamento de documentos sensíveis e de registros parece ser tendência inevitável, já que a atividade de Inteligência do governo e das forças armadas euamericanas vem sendo apoiada, segundo pesquisas do jornal Washington Post, por 854.000 contratados com acesso a informações de segurança. O preço de cada litro de combustível, trazido por terra e ar, colocado em campo no Afeganistão, somadas todas as despesas das fontes ao destino, anda pela casa dos 400 dólares. O custo da guerra na região já ultrapassou 1 trilhão de dólares (hoje, US$ 1,022,919,408,133). Drogas - Após cair a quase zero durante o odioso regime do Taleban, a produção de ópio voltou com força total após a invasão em 2001. Hoje o Afeganistão responde novamente por mais de 90% da produção mundial. Os senhores da guerra, warlords, que são os mesmos senhores das drogas, druglords, deixam crescentemente de exportar ópio e, agregando valor ao seu produto, vêm refinando no país mesmo e exportando heroína. Gozam de facilidades imensas para importar os produtos químicos usados no processo. Um dos donos do tráfico é Ahmed Karzai, irmão do presidente, que governa uma província e colabora com a CIA. São estimados cerca de 1 milhão de consumidores apenas no Afeganistão, e 15 milhões em todo o mundo, dos quais morrem uns 100 mil todo ano. Os invasores, como precisam de muitos dos seus serviços e colaboração, além de seus exércitos bem armados, fazem vista grossa. Ultimamente, vem aumentando de forma veloz a produção de haxixe, conforme depoimento de Antonio Maria Costa, chefe do serviço da ONU dedicado ao combate a drogas e crime. A heroína afegã escoa para Rússia e Irã e para a Europa, onde o narco-Estado balcânico de Kosovo é o maior distribuidor mundial da droga. Kosovo foi criado pelos EUA-OTAN, e desde então é dirigido pelos chefes do tráfico. O tema, considerado pela Rússia e outros países ameaça mundial, nunca foi sequer discutido no Conselho de Segurança da ONU. Ao mesmo tempo, cerca de 8% do comércio mundial, ou 600 bilhões de dólares, envolvem drogas. Segundo o chefe russo do combate ao tráfico de drogas, Viktor Ivanov: ?A declaração antidrogas da ONU não tem efeito. A OTAN nunca agiu para combater o tráfico afegão de droga e não parece interessada em fazer algo a respeito?. Divergências - Um dos aspectos que se destacam nos registros e nas análises é a constatação da ausência de diretrizes firmes e políticas sólidas. O ex-analista da CIA Ray McGovern, em artigo recente, descreve as opiniões do ex-embaixador no Afeganistão, general da reserva Karl Eikenberry, sobre o pedido de mais tropas pelo então comandante local, general Stanley McChrystal. Eikenberry anota em despachos enviados à Casa Branca, que fazem parte dos registros revelados: ?Mais tropas não vão pôr fim à insurgência enquanto os santuários paquistaneses continuarem ? e o Paquistão enxerga seus interesses estratégicos mais bem servidos com um vizinho fraco?. E ainda: ?[...] nós nos tornaremos mais profundamente envolvidos aqui sem meios de escaparmos?. Ao mesmo tempo, escrevia: ?Não é um parceiro estratégico adequado?, referindo-se ao presidente Karzai. Veja aqui os dois originais dos memorandos de Eikenberry. Logo após, o Der Spiegel publicou, em novembro de 2009, uma entrevista com o conselheiro de Segurança Nacional do governo BHObama, general da reserva da Marinha James Jones. À pergunta sobre o pedido de mais tropas de McChrystal, Jones respondeu: ?Generais sempre pedem mais tropas; eu penso que não vamos resolver o problema com mais tropas apenas. Você pode colocar tropas, e você poderia ter 200 mil tropas lá, e o Afeganistão irá deglutir (swallow) eles, como tem feito no passado?. BHObama acabou concedendo mais 30 mil tropas. Números - O objetivo de um comando de tropas que sai a campo hoje no Afeganistão não é mais ganhar a guerra: é não perder e, ao mesmo tempo, tentar realizar o discurso de ?proteger os civis?, que morrem às pencas pelas suas próprias mãos. Apenas na semana passada, 50 civis foram mortos de uma vez num ataque da OTAN. Morrem também pelas mãos do governo, que abafa com massacres manifestações de protesto e resistência popular. Há 237 registros de manifestações populares contrárias aos invasores e ao governo, muitas delas reprimidas e com dezenas, às vezes centenas, de mortos. Firma-se entre todos os níveis das tropas a certeza de que a guerra afegã não pode ser ganha, inda mais num país que tem longa tradição de derrotar todos os seus invasores desde Alexandre, o Grande, três séculos antes de Cristo, e cujos povos se enraízam em seus territórios. Isso pode ser lido com clareza nos próprios registros: são 13.734 de ?ação amiga? (EUA-OTAN), contra 27.078 de ?ação inimiga? e 23.082 de ?eventos com explosivos?, principais responsáveis pelas mortes de tropas. Salta aos olhos a mentira oficial de atribuir a maior parte dessas dezenas de milhares de ações à minúscula Al Qaeda. Nem mesmo unidade existe entre os aliados da OTAN e os EUA sobre os objetivos comuns. Um ex-comandante das forças britânicas retirou-se do comando no Afeganistão disparando severas críticas contra o governo britânico e o então primeiro-ministro Tony Blair. Recentemente, o presidente alemão foi forçado a renunciar por declarações feitas durante visita ao Afeganistão. O Atlantic Council, site ligado à OTAN, publicou dia 7 de julho declarações polêmicas do general francês Vincent Desportes sobre as operações afegãs. A repórter do jornal Le Monde, Desportes declarou que a situação da guerra ?nunca havia sido pior?. Afirmou: ?É uma guerra americana?. ?Os aliados não têm voz na estratégia.? Desportes serápunido pelas declarações. Para quê? - Em recente ensaio, em que analisa as guerras hoje e seus impasses, o professor de História da Universidade de Boston e militar da reserva Andrew Bacevich lembra pergunta famosa da ex-secretária de Estado Madeleine Albright sobre a inutilidade do arsenal nuclear, gigantesco, que nunca poderia ser usado. E apresenta a pergunta: de que adianta usar constantemente nossos soberbos recursos militares se isso hoje não funciona mais? E complementa: ?A recusa de Washington em encarar essa questão fornece uma medida da corrupção e desonestidade que permeia nossos políticos?. extraído do sítio NovaE http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/08/diario-da-guerra-afega.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Quando sentimos uma dor seja ela qual for, a última coisa que pensamos é que ela é um aviso de nosso corpo nos alertando que em algum setor de nossa vida existe alguma coisa errada. Mas é isso, toda e qualquer dor ou alteração no nosso organismo, tenha ela surgido naturalmente ou em decorrência de acidentes, têm como origem um desajuste no campo emocional. Existem situações na vida com as quais dizemos, aprendemos a conviver, porém são situações que nos incomodam, que não resolvemos nem aceitamos. A convivência inadequada com tais situações, mais dias menos dias, vai alterando o estado emocional da pessoa e essas alterações vão pouco a pouco refletindo no seu estado psicológico, apresentando sintomas de depressão, síndrome do pânico, etc.. Outra forma de manifestação desses desequilíbrios é a somatização no corpo físico em forms de dores e outros desajustes orgânicos. Por isso é muito importante aprendermos a conhecer bem nosso corpo, estando atentos às alterações que ele apresenta, pois ele nos diz exatamente onde estamos falhando e em que precisamos mudar. Como diz o título da matéria o corpo fala, e não mente. Vamos então conhecer com maiores detalhes um pouco da linguagem do corpo. Hérnia de disco: significa que a pessoa está profundamente indecisa quanto à sua vida. Sente-se totalmente desamparada e seus pensamentos a deprimem, pois não possibilitam que ele encontre saída param essa situação. A hérnia de disco é a forma de impedir a articulação da coluna. Ela mostra , simbolicamente o quanto a pessoa se sente amarrada, o quanto os movimentos estão presos e essa dificuldade é gerada porque o apoio necessário para a movimentação não é encontrado. Então, simbolicamente, isso ocorre quando a pessoa não recebe apoio de alguém, no momento em que mais precisa. Enxaqueca e dor de cabeça: As pessoas que sofrem de enxaqueca têm um orgulho muito forte e não permitem que pessoas autoritárias mandem em sua vida ou controlem seus passos. Resistem a tudo e a todos que, conforme elas acreditam, queiram invadir seu espaço vital. São pessoas que não se entregam aos prazeres, pois receiam serem dominados de alguma forma. Normalmente têm medo do sexo ou de suas conseqüências, devido à limitações morais, religiosas, familiares, etc. Se você se identifica nesta situação, solte-se e deixe seu coração falar. Não use a razão somente, pois devemos equilibrar os dois hemisférios (razão e emoção), para evitarmos esses conflitos internos e suas somatizações. Suavize seus pensamentos, amenize seus sentimentos, permita-se sentir alegria. Alergia na pele: significa que a pessoa está vivendo momentos de irritação com as pessoas próximas e que atrasam seu desenvolvimento pessoal e profissional. Quando ela se vê obrigada a fazer o que não gosta, persuadida por pessoas de quem depende de alguma forma, surgirá, com certeza, coceira incessante significando o desejo inconsciente de arrancar aquilo que incomoda profundamente. Pare de se sentir contrariado. Se você está passando por isso é porque, de alguma forma, procurou. Saia dessa sem ressentimentos, pois ninguém sabe quando está causando alergia em alguém. Passe a se expressar melhor. Seja objetivo e tire a culpa do seu coração. Eduque-se a não deixar que seu espaço seja ameaçado. Diga abertamente tudo que o incomoda pois tudo pode ser falado desde que seja com respeito e determinação. Analise-se e perceba se você consegue, humildemente, mudar um pouco mais o seu jeito de falar com as pessoas e o trato consigo mesmo. O mundo à sua volta só ira mudar se você mudar primeiro. Labirintite: Significa pensamentos atrapalhados, nervosismo reprimido, o efeito de um golpe emocional, a necessidade de liberdade para pensar e agir, a sensação de falta de amor, sentimentos de solidão, dificuldade para expressar-se, e estar tonto com tantos problemas emocionais, e sentir-se desamparado e teimar em continuar tentando pelos velhos caminhos que nunca deram certo. Pare de tentar achar uma saída. Pare de fazer de conta liberte-se das amarras que o sufocam colocando seus sentimentos em primeiro lugar. Pare de se anular, aja com humildade mas seja firme em suas decisões. Artrite: Representa um coração cheio de críticas e ressentimentos por pessoas que não valorizam seus esforços. Pessoas com esse tipo de inflamação são as que, às vezes, perdem tempo questionando em pensamentos os porquês das atitudes das pessoas. Não conseguem sentir que são amadas e geram conflitos de carência. Costumam culpar os outros pelo mal que as aflige. Essas pessoas precisam desligar-se do passado através do perdão. As alterações do corpo podem ainda causar desequilíbrio da condição interna do organismo. Vejamos alguns exemplos: Pele amarelada: indica possíveis disfunções do fígado e vesícula biliar, como no caso da icterícia. Pele cinza-azulada: indica fragilidade ou dificuldade do fígado e pâncreas para executarem suas funções. Pele muito vermelha: possíveis disfunções cardíacas e respiratórias como na expansão capilar nas faces, ou pressão sangüínea anormal. Mãos e pés frios: excesso de açúcar, frutas e bebidas geladas. Desordens digestivas e excretórias, bem como do sistema nervoso. Inchaço generalizado de pés e mãos: ingestão excessiva de líquido, gordura, especialmente causado por frutas, sucos, laticínios. Desordens no aparelho circulatório e reprodutor. Assim como esses muitos outros sinais podem ser dados por nosso corpo. Em alguns casos são simples sinais de alerta para pequenas alterações, em outros porém podem ser verdadeiros pedidos de socorro para desequilíbrios que não sabemos ou não admitimos ter. Por isso a necessidade de mantermos sempre a alimentação, repouso e atividades em níveis equilibrados, procurando conhecer o melhor possível nosso corpo, estando sempre atentos para o que ele possa estar querendo nos dizer. Da cabeça aos pés, tudo foi estudado, comprovando que cada parte do nosso corpo tem uma linguagem a ser entendida. A cabeça, o tronco, os membros e cada órgão interno recebem um impulso nervoso do cérebro que é comandado pelas emoções. Há uma infinidade de reações nervosas que causam doenças, sendo que uma grande parte delas a medicina não reconhece como inconscientes. Vamos mostrar alguns exemplos de como um pensamento crônico pode transformar- se em seu corpo, através das reações químicas comandadas pelo corpo. SINUSITE RINITE: Sinusite é um sinal de que seu ego está profundamente irritado com alguma pessoa que convive com você. Ë provável que esta pessoa tente constantemente invadir seu espaço vital. Sinusite é uma inflamação mental relacionada com alguém próximo; é a atitude mental rebelde ou a rebeldia nutrida contra os pais. Na verdade, o nariz representa a nossa sensibilidade quanto à aceitação ou recusa de algo ou alguém. O sentimento de gratidão destas pessoas é quase que superficial e para se obter a cura total dessa dificuldade de respirar, é necessário que se comece reconhecendo que no passado ficaram suas melhores experiências e foi lá que você aprendeu tudo o que sabe hoje. Seus pais, amigos, patrões, funcionários, etc., todos, direta ou indiretamente o ajudaram a crescer. O demérito está naqueles que não aceitam, com humildade, as diferenças de opiniões, pois consideram-se os mais inteligentes e infalíveis. Coloque em prática o que você sabe, em beneficio das outras pessoas e de si próprio. Admita humildemente os seu erros e sua ignorância em determinados assuntos, porque somente assim você descobrirá suas limitações e procurará se aperfeiçoar. CORIZA: É a inflamação catarral da membrana mucosa das fossas nasais. Ocorre em pessoas extremamente sensíveis, que acham que só se pode conseguir o que se quer se alguém permitir. Você que tem coriza, cresça e pare de sentir-se como criança chorosa e vá à luta. Com lágrimas você não vai a lugar algum. Tenha vontade de criar suas próprias coisas e sentir prazer por elas e com elas. Participe ativamente e aceite a si mesmo com amor e sabedoria. Saiba amadurecer com alegria e dinamismo, sem perder a juventude. Perca o hábito de sentir-se vítima e enxergue que você tem capacidade e argumentos para agir diferente quando sentir-se acuado. JOELHOS: Simbolizam atitudes para com você mesmo, no presente. Eles deveriam equilibrar o seu passado (coxas) e seu futuro (pernas). Pessoas que não conseguem aceitar opiniões alheias, e agem como crianças para defender seu espaço, mostram que precisam amadurecer mais para poder compreender novas formas de se defender contra aqueles que lhe opõem. Faltar com o respeito para consigo mesmo deixando de realizar seus objetivos ou suportando todas as contrariedades, domésticas ou profissionais, também não é uma maneira correta de comunicar-se. A anulação pessoal só acontece quando a pessoa não conhece outros meios de se expressar e acredita que já tentou tudo para mudar uma situação desagradável, que a aflige. Se você se sente ferido em seus sentimentos e em seu orgulho porque está fazendo coisas que contrariam seu verdadeiro modo de ser, se está se desrespeitando ao forçar uma situação por não saber como corrigi-la e vive com o coração repleto de críticas e desapontamentos, saiba que seus meniscos, ligamentos e ossos do joelho serão afetados. Eles irão inflamar e poderá até ocorrer estiramento ou rompimento dos ligamentos, mesmo que seja provocado por algum acidente. Nós somos conduzidos, cegamente, pelo nosso inconsciente, para o bem ou para o mal, conforme o que acreditamos, ou pensamos constantemente. As pessoas que não se dobram aos outros e teimam em sustentar as suas opiniões acabam somatizando um joelho que não dobra, que não flexiona e é extremamente dolorido. A análise de nossa conduta mais secreta é, realmente, um trabalho difícil que requer sinceridade e lealdade com relação a nós mesmos. Para revertermos o quadro de doenças, dores, etc. para a saúde e a felicidade, devemos reconhecer nossas emoções diárias e não somente nossos pensamentos, para que possamos trabalhar na mudança do nosso interior. PROBLEMAS NO MÚSCULO DO PESCOÇO: Dor no pescoço simboliza a inflexibilidade de seus pensamentos e a dificuldade de relaxar em relação às cobranças alheias e mesmo à auto-cobrança. A pessoa que não quer deixar de ter opiniões rígidas e recusa-se duramente a mudar seus hábitos, vai ganhar um pescoço duro, igual à sua cabeça. Pessoas perfeccionistas normalmente têm muitos torcicolos. Muitas vezes, as pessoas acordam com o pescoço doendo e nem conseguem girar a cabeça para o outro lado, reclamam: Dormi de mau jeito por isso estou assim. Tomei um golpe de vento ontem, e hoje acordei mal. E assim por diante. Acontece que estas são apenas justificativas e não explicações reais para as dores. Com estes exemplos, você pode ver como o consciente reage por não saber ou não ter se preocupado em aprender a linguagem do corpo. Enquanto não tomarmos consciência daquilo que acontece com nosso corpo, estaremos tentando eternamente achar resposta para nossos problemas, percorrendo o caminho oposto ao da verdade. Se você estiver com dor no pescoço ou torcicolo, pare e pense um pouco. Analise seus últimos atos ou pensamentos contra algo ou alguém. Lembre-se de algum episódio durante o seu dia de ontem ou anteontem. Será que você não esta sendo teimoso com alguém ou com alguma idéia fixa? Será que você não está sendo insistente demais em querer que determinada pessoa pare de agir daquele jeito que tanto desagrada você? Sempre haverá uma resposta, mas se você não souber saudavelmente voltar atrás e desistir de alguns aspectos negativos da sua conduta, seu pescoço continuará doendo e mostrando que você ainda não consegue olhar para o outro lado da questão. E literalmente, você não conseguirá olhar para o lado, a não ser que gire o corpo todo. GORDURA: A gordura é o casulo que a pessoa cria, inconscientemente, para se proteger e se esconder dos problemas externos. Pessoas muito sensíveis, que se deixam magoar com facilidade, buscam se proteger atrás da gordura, que representa a maciez de um abraço. Muitas vezes, a gordura é uma forma convenientemente usada para se conseguirem certos benefícios, como atrair a compaixão de outras pessoas, deixar de trabalhar naquilo que não gosta, escapar de certas obrigações que limitam sua liberdade e até mesmo testar o amor e a fidelidade do cônjuge ou dos pais. Mais uma vez vemos que o perigo está em nossa mente, não no mundo em que vivemos, e nem nos alimentos que comemos. Faça um "regime" nos seus pensamentos e limpe toda essa amargura. Viva tranqüilamente e sem se sentir ameaçado. Ame profundamente a todos e você perceberá que, como resposta, receberá mais amor dos outros. Saia já desse casulo e participe ativamente do mundo, de peito aberto e acreditando que você está sendo protegido pelas mãos do Grande Pai. Pare de guardar mágoas e ressentimentos. Apenas aja com docilidade e poder e não deixe que as diferenças de vida e opiniões o aflijam. Atenção: quanto mais você "engolir" e guardar mágoas, mais seu corpo engordará. Ronaldo Cardim é massoterapeuta corporal e aplica Shiatsu, Zen-Shiatsu, Alongamento, Sei-Tai (manipulação de coluna), Reiki e atende em seu consultório. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100816/0d4781c1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5757 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100816/0d4781c1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 16 20:31:32 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 16 Aug 2010 19:31:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Hoje_a_noite=2C_a_TV_Record_apres?= =?iso-8859-1?q?enta_a_mat=E9ria_inicial_de_uma_s=E9rie_de_4_mat=E9?= =?iso-8859-1?q?rias_sobre_os_s=EDtios_clandestinos_da_repress=E3o?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: Carta O Berro.......................................repassem Hoje a noite, a TV Record apresenta a matéria inicial de uma série de 4 matérias sobre os sítios clandestinos da repressão. Serão: Hoje: Sitio 31 de março e Casa da Morte de Itapevi Amanhã e quarta: Perfil do dono do sítio 31 de março e os financiadores da repressão Quinta: Operação Condor (com a denúncia da existência de um escritório da Condor em São Paulo) e Casa de Petrópolis Ivan Seixas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100816/eb953cd9/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 16 20:31:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 16 Aug 2010 19:31:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Ap=F3s_31_anos_da_Lei_de_Anistia?= =?iso-8859-1?q?=2C_economista_poder=E1_ser_punido_pelas_For=E7as_A?= =?iso-8859-1?q?rmadas_pelo_C=F3digo_da_Ditadura=2E?= Message-ID: <5484188665B14E29A1564344AB6B6E4C@vcaixe> Carta O Berro..................................................................repassem Defensor e Educador em Direitos Humanos é Processado pela Justiça Militar Federal por Crime de Opinião Editor Da Redação Defensor e Educador em Direitos Humanos é Processado pela Justiça Militar Federal por Crime de Opinião Roberto de Oliveira Monte, um reconhecido defensor e educador em direitos humanos, está sendo processado pela Justiça Militar da União por ter defendido, em 2005, em um congresso de direito militar, que as forças armadas deveriam criar unidades de direitos humanos. O Ministério Público Militar da 7a CJM o denunciou como incurso nos artigos 155 (incitamento à desobediência) e 219 (ofensa às forças armadas). Economista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1979, Roberto Monte é um dos precursores em educação em direitos humanos no Brasil. Desde 1975 trabalhou na Emissora de Educação Rural, da Comissão de Justiça e Paz. Desde 1980, trabalhou na Comissão Pontificia Justiça e Paz, da Arquidiocese de Natal. Foi fundador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos e coordenador geral do Programa Estadual (RN) de Educação em Direitos Humanos. É membro do Comitê Nacional de EDH desde a sua fundação. Também é consultor do PNUD para a implementação do Portal Nacional de Segurança Humana do Ministério da Justiça, da SENASP/MJ. Nos dias 28 e 29 de outubro de 2005, Roberto Monte foi convidado para participar do I Congresso Norte-Nordeste de Direito Militar, no auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), para discursar sobre as forças armadas e direitos humanos. Ele proferiu a palestra « Direitos Humanos - Coisa de Polícia ». Em sua palestra, Monte propôs : « A necessidade de uma forte lufada de ar: Comissões de Direitos Humanos nas organizações Militares." Roberto também expressou sua convicção íntima de que o exército brasileiro não era só o exército de Duque de Caxias, mas também o de Carlos Prestes, Nélson Werneck Sodré, Carlos Lamarca e Apolônio de Carvalho, e de muitos e muitos outros, soldados, cabos, sargentos, oficiais superiores ou não. Por proferir tal discurso, Roberto Monte foi denunciado, em 24 de janeiro do corrente ano, pelo Ministério Público Federal Militar, como incurso nas penas dos artigos 155 (incitamento à desobediência)1 e 219 (ofensa às forças armadas)2, ambos do Código Penal Militar Brasileiro. Ambos os crimes militares imputados a Roberto Monte são puníveis com pena privativa de liberdade, que vão até quatro anos de reclusão. no dia 1o de julho último, Monte foi citado para ser interrogado perante a 7a Circunscrição Judiciária Militar, em Recife, no dia 23 de julho próximo. Após quase duas décadas de ratificação dos principais tratados de direitos humanos, quase uma década após a aceitação da jurisdição contenciosa da Corte Interamericana de Direitos Humanos e após a Emenda Constitucional 45, a Justiça Militar do Brasil continua a processar e julgar civis em suas cortes. Os sistemas da ONU e Interamericano têm uma vasta jurisprudência no sentido de que as cortes militares não têm o poder de julgar civis por crimes militares, uma vez que a legislação militar serve apenas para regular a conduta de militares na condução de suas respectivas funções. Este processo penal movido contra Roberto Monte, o único civil denunciado, não se trata apenas do uso burocrático do Código Penal Militar, que foi redigido e adotado à época da ditadura, mas continua em vigor. Trata-se entretando de uma manobra cuidadosamente estruturada para criar um verdadeiro chilling effect, a fim de silenciar os demais defensores de direitos humanos que possam questionar as forças armadas no País. Como seguimento desse processo absurdo Roberto Monte foi intimado a comparecer no dia 12 de Agosto de 2010, às 08:00h, na Auditoria da Justiça Militar, situada na Av. Alfredo Lisboa, 173, Recife Antigo, em Recife-PE, onde será interrogado nos autos do processo em questão. Nesse sentido convocamos todos os humanistas, defensores e cidadãos e cidadãs comprometidas com o Estado de Direito, e a livre manifestação democrática, a realizar gestões e manifestações no sentido de conter essa contumaz fúria do entulho autoritário ainda presente em algumas pessoas e instituições. A denúncia, na íntegra, e vários documentos e manifestações de repúdio encontra-se na seguinte página: http://www.dhnet.org.br/denunciar/inqueritovil/index.htm 1 "Incitamento: Art. 155. Incitar à desobediência, à indisciplina ou à prática de crime militar: Pena - reclusão, de dois a quatro anos. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem introduz, afixa ou distribui, em lugar sujeito à administração militar, impressos, manuscritos ou material mimeografado, fotocopiado ou gravado, em que se contenha incitamento à prática dos atos previstos no artigo." 2 "Ofensa às forças armadas: Art. 219. Propalar fatos, que sabe inverídicos, capazes de ofender a dignidade ou abalar o crédito das fôrças armadas ou a confiança que estas merecem do público: Pena - detenção, de seis meses a um ano. Parágrafo único. A pena será aumentada de um têrço, se o crime é cometido pela imprensa, rádio ou televisão." Contatos CDHMP 084 3221.5932 e 084 9999.7480 cdhmp at dhnet.org.br Fonte:CDHM ===================================================================================================== Civil é julgado em tribunal militar Após 31 anos da Lei de Anistia, economista poderá ser punido pelas Forças Armadas Passados 31 anos da promulgação da Lei de Anistia, que deu início ao processo de transição da Ditadura Militar para democracia, e 22 de exercício da Constituição Federal de 1988, um civil volta a ocupar o banco dos réus em um tribunal militar. O economista Roberto de Oliveira Monte, com mais de 30 anos defensor dos Diretos Humanos, foi enquadrado no crime de opinião pela Justiça Federal Militar. Pelos delitos, o economista pode ser punido com até quatro anos de reclusão. O caso é condenado pelo Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, Organização dos Advogados do Brasil e a Comissão de Direitos Humanos da Alepe. O acusado compareceu, na última quinta-feira, à Auditoria da 7ª Circunscrição de Justiça Militar, no Recife Antigo, para ser interrogado. Ele é o único civil em um processo que inclui 14 militares. Roberto Oliveira responde a um processo militar por ter defendido a criação de Comissões de Direitos Humanos nas organizações militares e acreditar que o Exército brasileiro não deveria ser lembrado apenas por figuras como Duque de Caxias, mas também de Carlos Prestes, Carlos Lamarca e Apolônio de Carvalho, militares e políticos comunistas que lutaram contra a Ditadura Militar, de 1964. Segundo os autos, as declarações foram enquadradas nos artigos 155, de incitação à desobediência, e 219, de ofensa às Forças Armadas, do Código Penal Militar. Para o advogado Marcelo Santa Cruz, que está fazendo a defesa do acusado junto com Frederico Barbosa e Eri Varela, por indicação da OAB-PE, o caso é uma volta ao que acontecia durante o Regime Militar. "Não caberia ao Código Militar julgá-lo. Há uma contradição entre o que diz a Constituição Federal de 88 e também os tratados internacionais de Direitos Humanos e o Código Militar", pontua. O advogado Frederico Barbosa classificou o caso como "constrangedor" e ressalta que as declarações foram feitas em ambiente civil, no auditório da reitoria, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, durante o I Congresso Norte-Nordeste de Direito Militar, em 2005. O caso já tomou proporção nacional. O conselheiro da Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça, Mário Albuquerque, declarou, por telefone à reportagem da Folha, que o que aconteceu com Roberto é um resquício da não transição política do Brasil. "Envolve o processo incompleto de transição da política no Brasil. Dentro dos quatro princípios da Justiça de Transição, o Brasil só está concluindo o da reparação econômica aos presos políticos. O quarto princípio é da reforma das instituições, mas hoje, nós temos um Código Penal Militar que é o mesmo da época da Ditadura. Há uma proposta em tramitação no congresso nacional de reforma das Forças Armadas, de autoria de Mangabeira Unger, que pretende rever o papel das Forças Armadas. A própria Justiça Militar está sendo questionada pelo mundo, a Argentina acabou de extingui-la, pois é um foro privilegiado em que torna certo cidadão diferente dos outros. O militar que comete um crime é julgado pelos próprios pares e isso é um atraso". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100816/0b95c7e2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 754 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100816/0b95c7e2/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 17 20:15:34 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 17 Aug 2010 19:15:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=C0_margem_do_rio_dos_mortos__por?= =?iso-8859-1?q?_Paula_Sacchetta__-_publicado_na_Carta_Capital_=2E_?= =?iso-8859-1?q?Parte_I_=2C_II__=2C_III=2E?= Message-ID: Carta O Berro.......................................................................repassem À margem do rio dos Mortos - PARTE 1 Paula Sacchetta 12 de agosto de 2010 às 11:42h Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos da ditadura civil-militar. A reportagem que é publicada aqui é de autoria de Paula Sacchetta, estudante do quarto ano de Jornalismo da USP. Ela será editada em quatro partes. Foto: Arquivo Público do Estado de São Paulo Na foto ao lado, protestos pelos desaparecidos da Ditadura durante seção da Lei de Anistia na Câmara dos Deputados "Queres tu, realmente, sepultá-lo, embora isso tenha sido vedado a toda a cidade?" Fala de Ismênia na tragédia Antígona Corpos à espera do sepultamento. Familiares à espera de concretizar o luto, de acabar com a incerteza. Almas à espera da travessia do Aqueronte. Cena 1: o começo ou sepultamento inusitado Segunda-feira, 18 de maio de 1992. Em Jales, a 600 quilômetros de São Paulo, um caixão fechado é velado na Câmara Municipal. Foi decretado feriado, a cidade inteira está parada. A Câmara está lotada. Presentes crianças e adolescentes, gente de todas as idades. É um dia de sol muito quente, daqueles que nem ferro de marcar. Após o velório, um cortejo segue a pé até o cemitério. Depois de anos de busca do filho desaparecido, Ruy Thales consegue enterrá-lo. O caixão é finalmente depositado no jazigo da família Berbert. Dentro dele, porém, não havia um corpo. Nem restos mortais. Apenas um terno completo e os sapatos de Ruy Carlos Vieira Berbert, desaparecido desde 1972. Objetos que haviam permanecido até então intocados em seu quarto, para "caso ele voltasse". Antes do início das cerimônias, Ruy Thales, o pai, chamou Amélia Teles em casa para tomar um café. Ela estava em Jales representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos. "Ele havia me chamado para o enterro, mas eu sabia que os restos mortais não haviam sido encontrados. Aceitei o convite e não perguntei nada. Ele também não me disse nada". Depois do café, o conteúdo do caixão foi revelado. Naquele dia, Amélia foi cúmplice de Ruy Thales. Ninguém, além dos dois, sabia que o ataúde estava praticamente vazio. O pai já estava bastante idoso, e, prevendo que morreria logo, quis enterrar o filho. Mesmo sem ter um corpo. No fim do dia, depois do ato na Câmara e do enterro, deu um jantar para 80 pessoas. "Era uma mesa enorme, parecia um banquete", conta Amélia. O pai de Berbert morreu pouco tempo depois. Mas conseguiu enterrar seu filho. Cena 2: Ruy Carlos Vieira Berbert, presente! O ritual foi a forma encontrada pela família Berbert para acabar com a espera. A maneira de encerrar o luto que já durava 20 anos. Estavam se libertando de um fantasma que, até hoje, assombra a vida de famílias inteiras: filhos, pais, mães e irmãos. Hoje, no Brasil, ainda são 144 os desaparecidos políticos. "Não pode haver aceitação da ideia de que ainda existem mais de 140 brasileiros que muitos vivos sabem onde estão seus corpos ou como seus corpos deixaram de existir", afirma Paulo Vannuchi, à frente da Secretaria Especial de Direitos Humanos desde o final de 2005. O caso de Ruy Carlos Vieira Berbert é emblemático. Nascido em Regente Feijó, no interior paulista, em 1947, veio para São Paulo tentar o vestibular da USP. Passou em letras, começou o curso e se tornou militante no movimento estudantil. Mais tarde, passou à luta armada. Em 1969, viajou, pela ALN - Ação Libertadora Nacional, organização de maior expressão no cenário da guerrilha urbana, nascida como dissidência do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e que teve Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira como dirigentes -, para Cuba, de onde retornou como militante do Molipo - Movimento de Libertação Popular, surgido a partir de um racha da própria ALN. A maioria dos que voltavam do treinamento na ilha socialista já chegava ao Brasil "queimada" e procuradíssima pela repressão. Quando os serviços de informação da ditadura souberam que os integrantes do Molipo estavam se espalhando de forma clandestina para dentro do país, o governo baixou uma ordem exigindo a prisão de todo e qualquer estranho recém-chegado às cidades do interior. O turista relâmpago Na virada de 1971 para 1972, Berbert instalou-se em Natividade (na época, em Goiás, hoje, no Tocantins), em uma pequena pensão. No dia seguinte, foi preso enquanto conversava tranquilamente na calçada com a filha do dono do estabelecimento. A delegacia da cidade era bem antiga. Suas celas possuíam amplas janelas gradeadas que davam para a praça principal. Da janela, o preso conversava com as pessoas que por ali passavam. Em algumas horas, o militante tornou-se celebridade, quase uma atração turística. Ficou conhecido. Dois ou três dias após sua prisão, baixou em Natividade "o pessoal de São Paulo", como eram chamados os agentes do DOI-Codi. Nesse mesmo dia, Berbert apareceu enforcado em sua cela. A versão oficial: suicídio. No dia seguinte, um grande proprietário de terras da região, não muito querido pela população local, também morreu. Os dois corpos partiram em cortejo rumo ao cemitério, seguidos por boa parte dos habitantes daquela cidade. Os agentes da repressão acreditavam que era por conta da morte do latifundiário, mas as pessoas estavam seguindo Berbert, o turista relâmpago, que, embora tivesse ficado tão pouco tempo na cidade, angariou simpatia e admiração, e que, do mesmo jeito que chegou, foi-se embora num piscar de olhos. Enterraram o latifundiário na ala "dos ricos" do cemitério, e o militante, numa vala comum, junto aos indigentes. A família Berbert passou a ter informações sobre o filho somente através de notícias de jornal. Em 1979, um general ligado ao aparelho repressivo admitiu sua morte em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. Na ocasião, dona Ottília, mãe de Ruy Carlos, disse ao grupo Tortura Nunca Mais que gostaria de mostrar a luta constante pela qual passaram, na busca incerta da solução de um passado certo: "Apesar dos fatos comprovarem a quase certeza de sua morte, nós vivemos mais de uma década com a esperança e o sonho de vê-lo novamente". Corpo que não era corpo Apenas em 1991 começaram a obter dados mais concretos. Um atestado de óbito com o nome de João Silvino Lopes foi entregue à Comissão 261/90 da Prefeitura de São Paulo, criada no mandato da prefeita Luiza Erundina, para acompanhar a identificação das 1.049 ossadas encontradas na vala clandestina do cemitério Dom Bosco, no bairro de Perus. Segundo a versão oficial, Lopes havia se suicidado em 2 de janeiro de 1972, em Natividade. Embora pudesse ser um militante político, seu nome não constava na lista de desaparecidos. Só um ano mais tarde, em 1992, quando os familiares dos mortos e desaparecidos tiveram acesso aos arquivos do Dops, foi encontrada uma relação elaborada a pedido de Romeu Tuma, diretor da unidade paulista do órgão entre 1977 e 1982. Nela, estava o nome de Ruy Carlos Vieira Berbert com as seguintes observações: preso em Natividade, suicidou-se na Delegacia de Polícia, em 2 de janeiro de 1972. Concluiu-se que João Silvino Lopes era o nome com que fora enterrado Ruy Carlos Vieira Berbert. Tendo-se como base esse mesmo documento, foi possível saber que seu corpo estava no cemitério de Natividade, mas não em qual local exatamente. Para exumá-lo e fazer a posterior identificação, seria preciso escavar o cemitério inteiro. Membros da Comissão 261/90 explicaram a situação à família Berbert, que, resignada, se contentou com um atestado de óbito, concordando em não fazer a exumação praticamente impossível. O corpo permaneceu no local, mas um enterro simbólico foi realizado na cidade onde seus pais moravam. Naquele dia, quem passou pela Câmara Municipal de Jales prestou homenagens frente ao caixão vazio de corpo, mas repleto de símbolos. Velaram um corpo que não era corpo, que não sabiam que não era corpo, mas que reverenciavam e o fariam ainda que o soubessem. No cemitério, colocaram a bandeira a meio-pau e cantaram o hino nacional. Tudo isso para o homem que não estava lá ================================================ À margem do rio dos Mortos - PARTE 2 Paula Sacchetta 12 de agosto de 2010 às 15:30h Nessa segunda parte da reportagem de Paula Sacchetta sobre os desaparecidos da ditadura, Paulo Vannuchi, à frente da Secretaria Especial de Direitos Humanos, enfatiza a necessidade da construção de uma narrativa oficial. Foto: Elza Fiúza/Ag. Brasil Cena 3: dona Gertrudes ou "é ele, é ele!" Quando o filho de dona Gertrudes morreu, ela começou a se interessar em saber mais sobre a sua luta. Já senhora, foi estudar direito e leu todos os livros que pôde sobre a esquerda brasileira. Saiu atrás das pessoas que conheceram seu filho e que com ele militaram. Soube da participação de Frederico Eduardo Mayr na ALN, descobriu que ele foi treinar guerrilha em Cuba e que voltou como militante do Molipo. Dona Gertrudes participou ativamente da luta dos familiares de mortos e desaparecidos. Conseguiu localizar os restos mortais de Frederico (na vala comum do cemitério Dom Bosco, no bairro paulistano de Perus), pois haviam documentos que atestavam sua morte e o local onde ele havia sido enterrado. "Dona Gertrudes era capaz de dizer quando seu filho havia sido preso, onde e quem o prendeu, sabia de tudo, mas dizia que, até o dia de enterrá-lo, toda vez que chovia à noite e uma porta ou janela batia, pulava da cama e corria para a porta dizendo 'é ele, é ele!'". Quem conta a história é o ministro Paulo Vannuchi. Mayr foi morto sob tortura no DOI-Codi em 1972. Foi enterrado, no Rio de Janeiro, somente 20 anos depois. "Esse é o tema da espera que gosto de colocar em todas as conversas que tenho, posso ter e terei ainda com o [ministro da Defesa Nelson] Jobim e com chefes militares". Vannuchi afirma que não entra na discussão da punição dos torturadores. Não diz que não, nem que sim, mas, se o pressionam muito, acaba confessando ser a favor de punir, sim. "Não que punir seja necessariamente enfiar na cadeia, porque significaria enfiar na cadeia octogenários". Mas defende que essa discussão é tema do Judiciário. O presidente Lula já avisou: o Executivo não entra no debate sobre punição. "Lula insiste em que eu coordene o trabalho de apoio às famílias, para localizar todas as informações, arquivos e, sobretudo, os corpos. Porque os corpos constituem um problema limiar de uma ideia de barbárie. Essa espera eterna se constitui numa manutenção da violação dos direitos humanos, numa manutenção do crime. A ocultação de cadáveres não está protegida por nenhuma lei de anistia", diz Vannuchi, que acrescenta: "Às vezes, as famílias se irritam e dizem: 'temos de obrigá-los a falar onde estão os corpos'.Vamos obrigar com 110 ou 220 volts? Não tem pau de arara, não tem cadeira elétrica. Não tem como obrigar ninguém, o esforço agora é de convencimento. E, nesse sentido, o convencimento é muito difícil quando a imprensa e setores conservadores não ajudam a reforçar esse consenso necessário e nacional de que não queremos discutir quem ganhou ou quem perdeu. Vamos dizer que o Brasil perdeu". Narrativa e reconstrução O regime ditatorial sufocou a cultura, a manifestação, o pensamento, a juventude. Matou e torturou. "Eles vão dizer que, se não houvesse isso, haveria uma ditadura comunista pior ainda". Para Vannuchi, esse não é o ponto. "Continuemos pensando diferente, vamos debater isso no voto, na universidade. O problema é que não dá pra dizer que o assunto terminou, que está encerrado". Segundo ele, não adianta colocar uma pedra em cima. "É preciso acabar com a ocultação de cadáveres e, se não houver cadáver, é preciso construir uma narrativa oficial, formal, com um pedido oficial de desculpas feito pelo presidente da República e pelo ministro da Defesa, ou os chefes das três armas". Vannuchi cita o caso de Ulysses Guimarães. Até hoje, não encontraram seu corpo. Porém, há uma reconstituição do acidente. Ele estava em um helicóptero, sobrevoando o mar de Angra dos Reis no dia 12 de outubro de 1992. A aeronave caiu no oceano - a hora exata do acidente pode ser informada -, foram detectados os problemas que a fizeram cair e foram encontrados os corpos de todos os outros passageiros à bordo: sua mulher, o senador Severo Gomes e esposa, e o piloto. A narrativa e a reconstrução do momento permitem afirmar que, mesmo sem terem achado o corpo, ele está morto. Sem o corpo e, pior, sem a narrativa e a certeza da morte, resta a dúvida: "e se fulano foi torturado até perder a consciência, teve uma amnésia e está encostado em um asilo ou abrigo?", indaga o ministro. "A narrativa é importante para encerrar esse processo de espera que se caracteriza como crime continuado e violação de direitos continuada. Essa incerteza, essa angústia, produz situações como a de dona Gertrudes. Tem que haver uma narrativa. Sem ela, não existe nenhuma certeza. E sem a certeza, os familiares não podem processar o luto. Isso tem que acabar, os familiares de desaparecidos não podem legar aos seus filhos essa espera". Cena 4: o ritual necessário ou a travessia de Caronte O ministro sabe o que está dizendo. Segundo Carl Gustav Jung, um dos "pais" da psicologia analítica, para lidar com o imponderável, de nada adianta ao homem seu pensamento lógico e sistematizado que explica o mundo. Em situações em que o desconhecido, o incompreensível e o inexprimível estão envolvidos (no caso, o desaparecimento de familiares), a instância simbólica se compõe como a única solução. Apenas os rituais permitem ao homem, de alguma forma, participar do fenômeno e vivenciá-lo de fato. A busca incansável dos familiares pelos corpos dos desaparecidos está ligada à instância simbólica. Racionalmente, há muito pouca diferença entre ter ou não o corpo, a prova concreta dessas perdas. Simbolicamente, no entanto, isso representa muito mais do que uma prova; o corpo sem vida é a passagem para o que Jung chamou de participação mística, que permite à pessoa enlutada transformar o momento de dor e melancolia em verbo, significá-lo, fazê-lo acontecer. Por isso, a situação dos familiares de desaparecidos políticos, de nutrir uma esperança sobre a morte, é pior do que o luto, "uma tristeza inteira". Aquilo que não pode ser definido e não pode ser falado, não se concretiza. Somente a simbolização poderia fazer essa ponte, o que, nesse caso, só poderia ocorrer com um enterro dos corpos ou restos mortais dos desaparecidos. Os familiares se certificariam de sua perda e concretizariam a morte, pondo fim à eterna angústia da incerteza. A necessidade de rituais fúnebres está tão arraigada no imaginário da humanidade que já existia na mitologia grega. O barqueiro Caronte tinha a função de atravessar as almas para a outra margem do Aqueronte, o rio dos Mortos. Porém, só transportava as dos que tinham tido seus corpos devidamente sepultados. Segundo essa lenda, as almas dos que não haviam sido sepultados não podiam atravessar o rio, e estavam condenadas a vagar pela margem do Aqueronte durante 100 anos. ======================================================== À margem do rio dos mortos - PARTE 3 Paula Sacchetta 13 de agosto de 2010 às 12:24h Na terceira parte da reportagem sobre desaparecidos da ditadura, Paula Sacchetta conta o caso emblemático dos irmãos Petit. Dos três que foram para a Guerrilha do Araguaia em 1970, até hoje apenas um foi encontrado A história dos irmãos Petit é um caso emblemático, dos três que foram para a Guerrilha do Araguaia em 1970, até hoje apenas um foi encontrado Cena 5: sobre Penélope e Antígona - Laura Petit tem 63 anos. Viu seus irmãos, pela última vez, em 1970. Viveu e vive a melancolia até hoje. Espera até hoje. Assim como Antígona, quer enterrar seus irmãos, para que eles não sejam obrigados a vagar durante um século às margens do rio dos Mortos. Como Penélope, que aguardava seu Ulisses, Laura espera a abertura dos arquivos da ditadura, espera respostas, e a punição dos responsáveis. Eram em quatro: Lúcio, o mais velho, Jaime, ela e Maria Lúcia, a mais nova. O pai deles morreu antes de Maria Lúcia nascer. Era administrador de uma fazenda de café perto de Jaú, no interior de São Paulo, quando um de seus capatazes o assassinou. A mãe, de então 28 anos, ficou viúva cedo e com quatro filhos pequenos. Permaneceram por um tempo onde viviam, na fazenda que pertencera aos parentes da escritora Hilda Hilst, numa cidade hoje chamada Itapuí. A família do pai das crianças ofereceu à mãe uma casa que havia sido do avô delas, em Amparo. E para lá se foram, os cinco. Lúcio e Jaime, os mais velhos, fizeram o primário na cidade e Laura começou a estudar por lá. Moraram ali durante quatro ou cinco anos. Era uma casa enorme, com um quintal muito grande também. Clóvis, o quinto irmão, nasceu do segundo casamento da mãe. "As lembranças são boas. Crescemos juntos, todos tínhamos quase a mesma idade. Lúcio sempre se destacava, porque era muito inteligente, e a professora lá de Amparo ficava admirada. Ele surpreendia", conta Laura. De Amparo, mudaram-se de novo, dessa vez, para Bauru, onde o avô materno administrava uma fazenda. Ali, Lúcio começou a fazer o ginásio e a mãe, sozinha e sem apoio da família do pai, começou a ter dificuldade para manter os quatro filhos estudando. Decidiu: "os meninos vão continuar estudando e as meninas vão parar". Mais tarde, escreveu para um tio das crianças que morava em São Paulo, que aceitou receber Laura e custear seus estudos. Que nem a Emília - "Nas férias, eu reencontrava meus irmãos. Eu sentia falta, porque éramos muito unidos. Nessa fase que minha mãe passou dificuldade para comprar material escolar para quatro filhos, o Lúcio a ajudava. Tinha um esquema de escolher café em casa. Era trabalho doméstico infantil". Laura ri quando conta que a mãe punha todo mundo numa mesa grande para tirar graveto e escolher o café. E recorda: "Uma coisa que foi o traço mais forte de Lúcio era o de sentir e perceber as diferenças. Um dia, estávamos na casa do meu avô em Amparo com relativo conforto, depois, estávamos passando necessidade. Ele teve que trabalhar ainda criança, ajudar a mãe a criar os irmãos. Com certeza, sentiu isso". Em Bauru, a família Petit morava perto da estação de trem, por onde passavam a pé na volta da escola. Lá, havia um armazém de cargas coberto, sob o qual paravam ciganos e "um pessoal que rodava o mundo". Um dia, Lúcio viu um homem negro e muito, muito pobre, que levou para casa. Lá chegando, deu a ele um prato de comida, mesmo diante das dificuldades da família. Depois, buscou uma caixa de ferramentas e pegou um alicate para tirar, do sapato do homem, um prego que estava machucando seu pé. "Eu era bem pequena na época, mas aquilo ficou muito marcado em mim. O Lúcio era assim, solidário e fraterno com o sofrimento alheio. Em termos de caráter, tinha essa coisa de partilhar, de ser solidário, e, por isso, dá para entender porque mais tarde lutou contra uma ditadura opressora e por um mundo melhor onde todos fossem iguais". Laura estudava em São Paulo, Lúcio em Minas Gerais e Jaime no Rio, cada um na casa de um tio ou parente que aceitara custear seus estudos. Maria Lúcia e Clóvis, os mais novos, ficaram com a mãe em Duartina, cidade para a qual haviam se mudado recentemente. Nas férias, os três primeiros se encontravam em São Paulo, na estação da Luz, e tomavam o trem até lá, onde se reuniam com os irmãos menores e a mãe durante o mês inteiro, até a volta das aulas. "Nessa época, na escola, as professoras falavam que a Maria Lúcia era muito crítica. Ela lia e discutia muito. Meus irmãos, que vinham de fora, traziam as discussões para dentro de casa. Ela leu a coleção do Monteiro Lobato inteira e era 'perguntadeira' que nem a Emília". Pela última vez - Mais tarde, com Lúcio e Jaime formados em engenharia, Laura cursando ciências sociais e Maria Lúcia tendo acabado a escola, os quatro juntaram-se outra vez em São Paulo. Mas não por muito tempo. Lúcio e Jaime tornaram-se militantes do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) em 1967. Maria Lúcia entrou para o partido ainda como estudante secundarista. Em 1968, Jaime, que havia sido preso por alguns dias por conta do 30º Congresso da UNE e fichado pelo Dops, foi chamado para depor. "Já havia muita repressão. Ele ficou com medo de ser interrogado e preso, então, a partir daí, entrou na clandestinidade. Ele não veio para nossa casa, porque podia ser procurado". Mais tarde, Laura ficaria sabendo que ele se hospedara na casa de uma tia-avó, na zona Norte paulistana. As filhas dessa tia-avó contaram que haviam sido recomendadas a não comentar com ninguém que ele estava lá. "Ele só saía à noite, para reuniões. Foi aí que o partido o mandou para o interior, mas não podia nos dizer onde por questões de segurança". Quando Jaime ia a São Paulo para reuniões, visitava a irmã. Não podiam trocar cartas, mas, mais tarde, Laura soube que ele morou em Goiás. Os três Petit foram para o Araguaia, para a região onde seria instalada a guerrilha, em princípios de 1971. Laura os viu pela última vez, em datas distintas, em fins de 1970. Maria Lúcia ainda não estava clandestina quando foi para o Araguaia. Trabalhava com Laura em uma escola municipal. "Prestamos os primeiros concursos da Prefeitura para o cargo de professora. Ela tinha acabado de sair da escola e passou. Foi efetivada e escolhemos o mesmo lugar para trabalhar. Ela queria ainda estudar medicina, tinha muitos planos, mas, depois, a vida a levou para outro lado. As coisas mudaram", conta. Cena 6: a ditadura que não era branda - Maria Lúcia deixou São Paulo no começo de 1970, e Lúcio, no final do mesmo ano. Ele tampouco estava clandestino: trabalhou como engenheiro até partir. No período de preparação da guerrilha, Maria Lúcia, frequentemente doente de amidalite, fez uma operação e se preparou como pôde. "Eu sabia que ela ia para algum lugar, mas não sabia para onde", conta Laura. Sua irmã se despediu no começo de 1970, mas voltou em dezembro, para as festas de fim de ano. "Ela ficou alguns dias na minha casa e, depois, visitou nossa mãe em Bauru. Veio para reuniões do partido. Na noite do reveillón, as irmãs se juntaram "ao pessoal da USP" e foram para o samba no Camisa Verde e Branco, na Barra Funda. "Nessa época, eu estava grávida, meu filho nasceria em fevereiro. Na hora de se despedir, Maria Lúcia disse: 'ainda bem que eu não vou conhecer meu sobrinho, seria uma pessoa a mais para sentir saudades lá'". E se foi mais uma vez. E, mais uma vez, Laura não sabia exatamente para onde. Só sabia que era um lugar quente e com muitos insetos: "quando ela veio, estava muito morena de sol e tinha picadas de pernilongo pelo corpo inteiro". A partir de então, Laura não tinha mais contato direto com os irmãos. "Um mensageiro trazia as cartas, eu respondia, e ele as levava de volta. Eu não sabia onde estavam, não tinha nenhuma dica. Esse mensageiro era da direção do partido. Eu o conhecia como Antônio". O Exército chegou ao Araguaia em abril de 1972. "Ele nos trouxe a notícia. Não era o momento exato, mas a guerrilha havia começado". Ainda estava em fase de preparação, mas fora descoberta. Antônio explicou que era difícil circular pela região. Laura ficou sem notícias dos irmãos, mas, agora, sabia onde eles estavam. "Em 73, vi em um jornal pendurado em uma banca com uma foto imensa estampada na capa: Antônio estava morto. Eram aquelas versões inventadas: tentativa de fuga, morto em confronto com a polícia ou outras alegações do gênero. Já sabíamos que não teríamos mais sequer as notícias dele. A partir daí, ficamos sabendo que Antônio era Carlos Nicolau Danielli, dirigente do PCdoB". Ele havia sido morto sob tortura, no DOI-Codi. Sofrer em silêncio - "Pegamos todos os documentos do partido, fotos dos meus irmãos, o jornal A Classe Operária e meu marido levou numa ponte do Tietê e jogou tudo rio abaixo. Como o Antônio vinha em casa, a qualquer hora poderiam aparecer. Foram livros do Marx, do Lênin e tudo que era considerado 'subversivo'". Laura ficava preocupada com a falta de notícias. "Em fins de 1968, depois de decretado o Ato Institucional número 5, o AI-5, a ditadura nunca foi 'ditabranda'. A situação estava feia. Pode ter sido branda para quem ficou assistindo televisão, que veiculava as propagandas do governo do tipo 'este país vai pra frente' ou 'Brasil, ame-o ou deixe-o'. Para quem sentiu na pele a repressão, sabe que de branda a ditadura não teve nada". Em 1973, Laura foi visitar a mãe em Bauru. Quando voltou, seu marido disse que tinha uma notícia muito ruim. Contou que havia encontrado Regilena de Aquino. Ela, que também havia participado da guerrilha, mas que estava de volta, pois havia se entregado ao Exército, fora casada com Jaime, seu irmão. Regilena havia contado com detalhes que Maria Lúcia estava morta. Ela fora à casa de um camponês do Araguaia, seu "compadre", João Coioió, que lhe havia comprado mantimentos. Maria Lúcia se tornaria madrinha de seu filho. Combinou de ir à casa logo cedo, com mais dois companheiros, Miguel Pereira dos Santos, conhecido como Cazuza, e Rosalindo de Souza, vulgo Mundico, que a ajudariam a carregar os mantimentos. Quando estava chegando, recebeu um tiro na altura da bacia e outro na cabeça. Os militares estavam na casa e a executaram assim que ela se aproximou. Seus companheiros conseguiram escapar. Laura conta que, no momento em que soube da morte da irmã, teve que ficar calada. Sofria em silêncio e chorava às escondidas. Não podia compartilhar seu luto nem contar da morte da irmã aos amigos mais próximos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100817/3a6f30ff/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23180 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100817/3a6f30ff/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22449 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100817/3a6f30ff/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 33192 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100817/3a6f30ff/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 18 21:05:06 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 18 Aug 2010 20:05:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Debate_entre_os_candidatos_a_pre?= =?iso-8859-1?q?sid=EAncia_da_rep=EDblica_=2C_promovido_pela_FSP_?= =?iso-8859-1?q?=2C_dia_18_de_agosto_de_2010_-_=E0s_11=2C00_horas__?= =?iso-8859-1?q?=28ASSISTA_AQUI=29?= Message-ID: Carta O Berro..........................................................repassem 1º bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784843-assista-ao-1-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml 2º bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784860-assista-ao-2-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml 3º bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784871-assista-ao-3-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml 4º bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784888-assista-ao-4-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml 5º bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784902-assista-ao-5-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml 6º (último) bloco. http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/784918-assista-ao-6-bloco-do-debate-folhauol-com-candidatos-a-presidencia.shtml -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100818/b902ac88/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 18 21:05:17 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 18 Aug 2010 20:05:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Homenagem_da_Comiss=E3o_dos_Dire?= =?iso-8859-1?q?itos_Humanos_da_C=E2mara_dos_Deputados_ao_Maj=2E_Br?= =?iso-8859-1?q?ig=2E_Rui_Moreira_Lima_=28discurso_do_seu_filho=29?= Message-ID: Carta O Berro...................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Eli Eliete Oi. Parabéns, Pedro! Parabéns a você, pelo discurso e, principalmente, parabéns a seu pai, pelo heroísmo! Mandamos um abração a seu pai. Desejamos muita saúde a ele. Eli. From: pedrol at mls.com.br Amigos li essse texto hoje no Seminário Latino Americano de Anistia e Direitos Humanos no Auditorio Nereu Ramos -17/08. Abraços " A todos, um bom dia. Meu nome é Pedro Luiz, estou representando meu pai o Maj. Brig. Rui Moreira Lima, nesta homenagem justa e oportuna que a Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados presta a ele, ao Capitão Brigadeiro Sergio Ribeiro de Miranda Carvalho,o Sergio Macaco e ao Cel. Av. Alfeu Alcântara Monteiro. A palavra não é antipática; pode ser dita de maneira mais suave mas, quando dita de forma forte, resoluta em defesa de vidas humanas e na preservação das Instituições Democráticas, é o não que toda a nação deseja ouvir. A palavra não, nesse sentido, foi pronunciada por vários militares. O Maj.Brig. Rui Moreira Lima, o Cap. Brig. Sergio Macaco e o Cel. Av. Alfeu Alcântara Monteiro representam todos os militares que negaram a quebra da ORDEM DEMOCRÁTICA e dos DIREITOS HUMANOS no Brasil. Foram mortos, como o Cel. Av. Alfeu, metralhado pelas costas, punidos, perdendo suas carreiras, prisões e até mesmo impedidos de exercerem suas profissões, como exemplo os militares da Força Aérea Brasileira (FAB), impedidos e proibidos de atuarem profissionalmente no meio da aviação. Foram e ainda continuam sendo punidos - a Lei 10.559 (Lei da Anistia da Constituição Federal) é ainda desrespeitada e, mesmo quando o STF a manda cumprir, os atuais e antigos chefes militares e ministros da defesa não cumprem a lei maior e agem como se ainda estivéssemos sob os Atos Institucionais da Ditadura Civil-Militar. Muitos devem se indagar surpresos "Militares homenageados por uma Comissão de Direitos Humanos"? É que confundem o papel do militar na defesa da LEGALIDADE, seu verdadeiro papel Institucional, com o papel dos militares que rasgaram a Constituição de 1946, tomaram o poder, acabaram com o Estado de Direito, implantando uma Ditadura cruel e assassina e, o pior, alguns deles se sujeitando ao papel nojento de torturadores, seqüestradores, assassinos e culminando com o desaparecimento de suas vítimas indefesas. OS DIREITOS HUMANOS para os MILITARES é um DOGMA de VIDA, tanto em tempo de guerra, como no de paz. Nos tempos de guerra, a Convenção de Genebra quem não respeitar seus regulamentos num campo de batalha, em uma ocupação militar, passa a ser um Criminoso de Guerra, nome que desonra qualquer soldado. Nos tempos de paz, a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU de 1948 define que as Instituições de um país devem cumpri-las e que as Forças Armadas, braço armado e legal do Estado, deve garantir que esses DIREITOS sejam respeitados. DIREITOS HUMANOS e MILITARES andam JUNTOS E NUNCA SEPARADOS. Nos tempos de paz, A Marinha de Guerra, a Força Aérea e o Exercito têm sido brilhantes na defesa de nossos mares, rios, territórios, fronteiras e espaço aéreo, fazendo a integração e levando saúde, vacinação e infraestrutura, e garantindo assim nossa soberania na Amazônia, como também no combate ao narcotráfico. Um dos nossos maiores vultos militares foi o Marechal João Candido Mariano Rondon, Patrono das Comunicações do Exército, integrando nosso território, do Patanal à Amazônia, com o serviço de telegrafia. Foi também um notável defensor dos índios e de sua cultura. Cercado, certa vez, por índios e ameaçado mandou seus homens baixarem suas armas e disse: Morrer se preciso for, Matar um Índio, Nunca! Criou o Serviço de Proteção ao Índio, de onde surgiram homens notáveis, como os Irmãos Villas Boas, Noel Nutels e Darcy Ribeiro. Ainda hoje heróicos sertanistas saem às matas na defesa de nossos irmãos índios. Bem diferente dos EUA, para os quais "Índio Bom é Índio Morto", e que tentam, de maneira cinicamente hipócrita, dar lições de civilidade e roubar nossa Amazônia. O Clube Militar teve uma atuação digna ao se recusar de fazer o papel de capitão do mato a serviço de fazendeiros na captura de escravos fugitivos. Esta atitude acelerou a decisão da Princesa Izabel a assinar Lei Áurea, acabando com a escravidão no Brasil. Ainda hoje, para nossa vergonha, em grandes fazendas e construções de norte a sul do Brasil, brasileiros ainda sofrem com a escravidão. O mesmo Clube Militar, na maior campanha cívica do Brasil "O Petróleo é Nosso!" se engajou lado a lado com o clamor popular até a vitória do Monopólio Nacional do Petróleo com a criação de nossa Petrobras onde traidores da Nação, quebraram seu monopólio por motivos vis, e até hoje lutam pra entrega - lá em mãos externas. Não conseguirão pois o povo brasileiro está vivo e, com exemplos como o do gen. Horta Barbosa, Brig.Francisco Teixeira, Brig.Fortunato Câmara de Oliveira, a UNE e de todos os seguimentos da população brasileira que lutaram e morreram para que essa empresa seja o que é hoje. O Marechal Lott, outro símbolo de militar legalista, impediu em 11 de novembro de 1955, que os mesmos golpistas de 1964 chegassem ao poder pela violência e garantindo que as eleições ocorressem e dando, posse ao Presidente Juscelino e ao seu Vice João Goulart. LEGALIDADE, DIREITOS HUMANOS e MILITARES ANDAM JUNTOS E NUNCA SEPARADOS! É isto que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara de Deputados está homenageando, os militares de alta e baixa patentes que sempre caminharam lado a lado com a LEGALIDADE E DIREITOS HUMANOS! Infelizmente, os crimes cometidos pela Ditadura Civil Militar ainda são guardados em porões infectos e, por mais bem guardados que estejam, os gritos dos torturados, os horrores da morte e os desaparecimentos ainda continuam sendo ouvidos pela Nação Brasileira. Qual o motivo de esconder esses crimes? Sem dúvida, um execrável comportamento vergonhoso de corporativismo! Ou pior, o envolvimento de atuais militares nesses CRIMES! O resultado desse acobertamento mancha internamente e externamente o papel nobre das Forças Armadas e também de nossas Instituições. Encerro com a carta de meu avô, Juiz de Direito e depois Desembargador Bento Moreira Lima, ao seu filho Rui Moreira Lima, quando acabava de ingressar na Escola Militar de Realengo, por coincidência datada de 31 de março de 1939. Que esta carta, que outrora inspirou o meu pai na Defesa da Soberania do Brasil numa Guerra Mundial, na DEFESA das INSTITUIÇÕES e, finalmente na LUTA pela DIGNIDADE HUMANA, sirva como exemplo para futuros CADETES, amanhã GENERAIS... de jamais abandonar o caminho da Legalidade, principal função do MILITAR. Carta do Juiz de Direito "Dr.Bento Moreira Lima ao seu filho Rui Moreira Lima entrando para Escola Militar de Realengo em 1939. Caxias, 31 de março de 1939 Rui: És cadete, amanhã, depois, mais tarde general. Agora deves dobrar teus esforços, estudar muito... Obediência aos teus superiores, lealdade aos teus companheiros, dignidade no desempenho do que te for confiado, atitudes justas e nunca arbitrarias. Sê um patriota verdadeiro e não te esqueças de que a força somente deve ser empregada ao Serviço do Direito. O povo desarmado merece o respeito das Forças Armadas. Estas não devem esquecer que é este povo que deve inspirá-las nos momentos graves e decisivos. Nos momentos de loucura coletiva, deves ser prudente, não atentando contra a vida dos teus concidadãos. O soldado não pode ser covarde nem fanfarrão. A honra é para ele um imperativo e nunca deve ser mal compreendida. O soldado não conspira contra as instituições pelas quais jurou fidelidade. Se o fizer, trai os seus companheiros e pode desgraçar a nação. O soldado nunca deve ser um delator, se não quando isso importar em salvação da Pátria. Espionar os companheiros, denunciá-los, visando interesses próprios, é infâmia e o soldado deve ser digno. Aí estão os meus pontos de vista. Deus te abençoe Bento Moreira Lima Obrigado a todos Pedro Luiz Moreira Lima ___,_.___ | -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100818/6b4d3b95/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 19 20:06:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 19 Aug 2010 19:06:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Boletim Grabois.org Message-ID: Carta O Berro............................................................................................................repassem DE 17 A 20 DE AGOSTO DE 2010 Samuel Pinheiro Guimarães, Luiz Gonzaga Belluzzo e Renato Rabelo debatem o desenvolvimento Dis 20 de agosto de 2010, às 18h30, Rua Rego Freitas, 192, sobreloja, República, São Paulo (SP) Renato Rabelo Haroldo Lima, Lula e o "fundamentalismo de mercado" saiba mais Dilma anuncia detalhes de programa para Saúde Dilma Rousseff afirmou que pretende implantar a distribuição gratuita de medicamentos de uso contínuo para o tratamento duas doenças de grande incidência no país: hipertensão e diabetes. E incentivar pesquisas de princípios ativos, vacinas, medicamentos genéricos e remédios com tecnologia aplicada em sua formulação. saiba mais Uma viagem instrutiva à China De 3 a 16 de Julho tive o privilégio de visitar algumas cidades e realidades da China, no âmbito duma delegação convidada pelo Partido Comunista chinês, delegação de que também faziam parte representantes dos partidos comunistas de Portugal, da Grécia e de França e da Linke alemã. Por Domenico Losurdo saiba mais Por que José Serra não gosta de retrovisor Serra estava grudado em Fernando Henrique Cardoso (FHC) na campanha de 1994, que brandiu a "estabilidade" como se fosse uma grande contribuição à humanidade. Serra é astuto. Em São Paulo ele foi artífice de uma arapuca cuja engenharia impressiona. Serra também é artífice do copioso capítulo de atentados à Constituição de 1988 na "era FHC". Por Osvaldo Bertolino. saiba mais Amazonas O Programa Memória Política da TV Câmara realiza a ultima entrevista de João Amazonas, em 2001. Arruda Câmara Discurso pronunciado por Elza Monnerat quando do sepultamento do camarada Diógenes Arruda Câmara, em 25 de novembro de 1979, em São Paulo. Elza Monnerat Galeria de fotos Elza Monnerat Quem via aquela velhinha de cabelos brancos, simpática e sorridente, não podia imaginar a fortaleza que abrigava. A determinação, a firmeza e a coragem se impunham no primeiro contato com Elza Monnerat. A independência, um bem conquistado e preservado, uma atitude diante da vida. Conseguir se alfabetizar e estudar, trabalhar fora, ajudar os irmãos a estudar, o esporte de escalar montanhas, o tornar-se comunista, foram decisões e compromissos que sempre colocaram Elza à frente do seu tempo. Ana Maria Rocha. Elza Monnerat Desde início uma pergunta se coloca: Por que Elza? Não foi a principal, ou uma das principais dirigentes, nem foi uma das lideranças mais populares do Partido Comunista no Brasil. Não exerceu cargos no parlamento e nem se caracterizou como grande oradora. Tímida, não gostava de falar nem mesmo em reuniões partidárias. Em situações normais o nome desta mulher extraordinária não comporia na lista de ícones da esquerda revolucionária brasileira. Então, repito, por que Elza? Augusto Buonicore, Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição neste link -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100819/a45230da/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 19 20:06:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 19 Aug 2010 19:06:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__O_mist=E9rio_da_=22fuga=22_do_?= =?windows-1252?q?Chile_e=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: <4A4FCAEABED74C7B8842408F53BE1711@vcaixe> Carta O Berro.......................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista at elo.com.br O mistério da "fuga" do Chile e a estada de Serra nos Estados Unidos e relações com Fundação Ford, CIA e CEBRAP José Serra deixou o País em julho de 1964 e passou 14 anos afastado da vida política brasileira - sendo 13 anos exilado e um outro ano entre idas e vindas clandestinas. Com a abertura política, retornou ao Brasil em 1978, mas sua vida partidária só se iniciou tempos depois (1983) no governo Franco Montoro. Nos Estados Unidos Serra teria concluido,em 1976, um mestrado na Universidade de Cornell, o doutorado em Economia na mesma instituição, em 1977, e teria trabalhado como diretor visitante do Instituto para Estudos Avançados, em Princeton, NJ, entre 1976 e 1978. Há versões dando conta de que Serra e FHC, devidamente financiados pela Fundacao Ford, que era financiada pela CIA, foram preparados para chegar ao poder no Brasil pós-ditadura e servir de anteparo a qualquer tentativa da esquerda chegar ao poder por aqui. Em 1978, Serra Coordenou a campanha a senador de FHC, que obteve apenas a suplência. Foi admitido como professor de economia na Universidade de Campinas (Unicamp), onde permaneceu até 1983. Sabe-se que, em 1982, trabalhando como pesquisador no CEBRAP, sob os auspícios da Fundação Ford, Serra coordenou a elaboração do programa de governo do candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, Franco Montoro: "Quando Franco Montoro se elegeu governador de São Paulo nas eleições de 1982, José Serra e outros deixaram o Centro (CEBRAP) para trabalhar no governo do Estado". Serra foi convidado por Montoro para assumir a Secretaria de Planejamento, tomando posse no novo governo em março de 1983. As relações entre FHC, Serra, CIA e CEBRAP são abordadas no livro "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura" - Frances Stonor Sauners. ================================= Seg, 16 de Ago de 2010 - 7:56 am - tribuna_da_internet - Chicão Dois Passos - O mistério da fuga de Serra para os Estados Unidos A biografia de José Serra (PSDB/SP) tem uns buracos difíceis de explicar. Após a implantação da ditadura no Brasil, ele fugiu para o Chile. Em 1973, quando houve o golpe de Pinochet no Chile, com apoio da CIA (Agência de Inteligência dos EUA), ele fugiu justamente para os Estados Unidos, que apoiou o golpe chileno. É preciso entender que nesta época era em pleno governo Nixon, com a política estadunidense de apoio às ditaduras militares, na época de Kissinger. Até o "beatle" John Lennon estava ameaçado de expulsão dos EUA nesta época. Como Serra conseguiu o green card nos EUA? Como ele se sustentou lá? Como ele conseguiu estudar nas caras Universidades estadunidenses? Ainda mais sem ter o diploma de Bacharel em Economia? E quem pagou essa conta, já que ele diz que o pai não era rico? É um dos mistérios mais bem guardados da política brasileira. É bastante improvável que um latino-americano exilado, realmente de esquerda, escolhesse os EUA como destino, nesta época. E se escolhesse, soa estranho encontrar facilidades de permanência, inclusive financeiras. De: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/ -- BLOG DO CHICÃO http://chicaodoispassos.blogspot.com/ De: http://br.groups.yahoo.com/group/tribuna_da_internet/message/62307 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100819/3f3487b7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 20 20:26:42 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 20 Aug 2010 19:26:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Tem_Hannah_Arendt_no_Ch=E1=2Ec?= =?windows-1252?q?om_Letras_________=28Leiam_o_texto_e_depois_assis?= =?windows-1252?q?tam_a_entrevista_em_tela_cheia=2E_E_coloquem_o_bl?= =?windows-1252?q?og_chacomletras_nos_seus_favoritos=2C_pois_haver?= =?windows-1252?q?=E1_parte_II_e_III=29?= Message-ID: Carta O Berro......................................................................repassem Caro(a) Leitor(a)? Após um tempo dedicado à Literatura, é com satisfação que o Chá.com Letras retorna à Filosofia Política, e desta feita, com Hannah Arendt. Inicialmente, apresentando um pouco de sua história de vida e de seu pensamento filosófico na voz da própria filósofa, em entrevista concedida ao jornalista alemão Günter Gaus, em 1964. Convido-o(a) a assistir o vídeo (Parte I) da entrevista intitulada: Só permanece a língua materna. As partes II e III serão disponibilizadas em sequência, com intervalo de 3 dias: http://www.chacomletras.com.br Abraço, Leila -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100820/3b256b52/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 20 20:26:53 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 20 Aug 2010 19:26:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_TV_Record_apresentou_uma_s=E9ri?= =?iso-8859-1?q?e_de_4_mat=E9rias_sobre_os_s=EDtios_clandestinos_da?= =?iso-8859-1?q?_repress=E3o=2C_financiadores=2E_A_Opera=E7=E3o_Con?= =?iso-8859-1?q?dor_e_a_Casa_da_Morte=2E__=28VEJA_TODA_A_S=C9RIE_CL?= =?iso-8859-1?q?ICANDO_NOS_LINKS_ABAIXO=29?= Message-ID: Carta O Berro.......................................repassem A TV Record apresentou uma série de 4 matérias sobre os sítios clandestinos da repressão. Dia 16 de agosto : "Sitio 31 de março e Casa da Morte de Itapevi" http://noticias.r7.com/videos/sitio-era-usado-para-torturar-esquerdistas-durante-a-ditadura-militar-/idmedia/26579db43dd7ba948a5205d1e078f8b7.html Dias 17 e 18 de agosto: "Perfil do dono do sítio 31 de março e os financiadores da repressão" http://noticias.r7.com/brasil/noticias/empresarios-bem-sucedidos-ajudavam-a-financiar-a-ditadura-militar-20100817.html e http://noticias.r7.com/videos/saiba-quem-eram-os-amigos-poderosos-de-fagundes/idmedia/c1e86d74465c42fd35230638f08599d6.html Dia 19 de agosto : "Operação Condor (com a denúncia da existência de um escritório da Condor em São Paulo) e Casa de Petrópolis" http://noticias.r7.com/videos/apenas-uma-pessoa-sobreviveu-as-torturas-sofridas-em-uma-casa-em-petropolis-nos-anos-70/idmedia/0ed74eacf43f54565ef3300bdf77a56c-1.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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O desastre dos EUA no Iraque também infectou a Jordânia com a Al Qaeda e, mais uma vez, o Líbano. De maneira que não deveríamos nos deixar enganar com as palhaçadas das últimas horas da partida na fronteira com o Kuwait, das últimas tropas de "combate" duas semanas antes do previsto. Deixam para trás 50 mil homens e mulheres - um terço do total da força de ocupação - que serão atacados e terão de lutar contra a insurgência. O artigo é de Robert Fisk. Robert Fisk - Página/12 Quando se invade um país há que se ter um primeiro soldado - da mesma maneira que um último. O primeiro homem à frente da primeira coluna do exército estadunidense de invasão que chegou à praça Fardous, no centro de Bagdá em 2003 foi o cabo David Breeze do Terceiro Batalhão, Quarto Regimento de Fuzileiros. Por esse motivo, claro que se destacou que não se tratava de um soldado. Os fuzileiros não são soldados. São fuzileiros. Mas ele não falava com sua mãe há dois meses e por isso - igualmente inevitável - lhe ofereci meu telefone de satélite para que ligasse para sua casa no Michigan. Todo jornalista sabe que se consegue uma boa história se empresta o telefone a um soldado na guerra. "Oi, pessoal", gritou o cabo Breeze. "Estou em Bagdá. Estou ligando para dizer oi, os amo, estou bem. Eu amo vocês, pessoal. A guerra terminará em poucos dias. Vamos nos ver daqui a pouco". Sim, todos diziam que a guerra terminaria logo. Não consultaram os iraquianos sobre esse passo agradável. Os primeiros terroristas suicidas - um policial em seu automóvel e depois duas mulheres num automóvel - já tinham atacado os estadunidenses numa grande rodovia que leva a Bagdá. Haveria ainda uma centena de ataques. Haverá mais centenas no Iraque no futuro. De maneira que não deveríamos nos deixar enganar com as palhaçadas das últimas horas da partida na fronteira com o Kuwait, das últimas tropas de "combate" duas semanas antes do previsto. Tampouco pelo grito infantil "Vencemos!" dos soldados adolescentes, alguns dos quais deviam ter 12 anos quando George W. Bush enviou seu exército para esta catastrófica aventura iraquiana. Deixam atrás 50 mil homens e mulheres - um terço do total da força de ocupação estadunidense - que serão atacados e terão, além disso, de lutar contra a insurgência. Sim, oficialmente eles tem de treinar homens armados e as milícias, e os mais pobres dos pobres que se uniram ao novo exército iraquiano, cujo próprio comandante não acredita que estejam prontos para defender seu país até 2020. Porém seguramente estarão ocupados - porque seguramente um dos "interesses estadunidenses" deve ser defender sua própria presença - junto aos milhares de mercenários indisciplinados e armados, ocidentais e orientais, que abrem caminho ao redor do Iraque, a tiros, para salvaguardar nossos preciosos diplomatas e empresários ocidentais, de modo que, dizendo com força, não estamos partindo! Em troca, os milhões de soldados estadunidenses que passaram pelo Iraque trouxeram aos iraquianos uma doença. Do Afeganistão - pelo qual mostraram tanto interesse depois de 2001 como o mostrarão quando começarem a "deixar" o país, no ano que vem - trouxeram a infecção da Al Qaeda. Trouxeram a enfermidade da guerra civil. Injetaram corrupção em grande escala no Iraque. Estamparam o selo de tortura em Abu Graib - um sucessor válido da mesma prisão sob o vil governo de Saddam -, depois de estampar o selo da tortura em Bagram e em prisões no Afeganistão. Tornaram sectário um país que, apesar da brutalidade e da corrupção de Sadam, até então conseguia manter juntos sunitas e xiitas. E porque os xiitas invariavelmente governariam essa nova "democracia", os soldados estadunidenses deram ao Irã a vitória que tanto buscou em vão na terrível guerra de 1980-1988 contra Saddam. Por certo os homens que atacaram a embaixada dos Estados Unidos no Kuwait nos velhos tempos maus - homens que eram aliados dos terroristas suicidas que explodiram a base da Marinha em Beirut, em 1983 -, agora ajudam a governar o Iraque. Os Dawa eram "terroristas", naqueles tempos. Agora são "democratas". É engraçado como nos esquecemos dos 241 homens do serviço estadunidense que morreram na aventura do Líbano. O cabo David Breeze provavelmente tinha dois ou três anos naquele período. Mas a enfermidade continua. O desastre dos Estados Unidos no Iraque infectou a Jordânia com a AlQeda - as bombas no hotel de Amã - e depois novamente o Líbano. A chegada dos homens armados do Fatah al Islam no campo de refugiados palestinos de Nahra-Bared, no norte do Líbano - seus 34 dias com o exército libanês -. e a quantidade de mortes civis foram um resultado direto do levante sunita no Iraque. A AlQeda tinha chegado ao Líbano. Depois do Iraque, sob a ocupação estadunidense, reinfectou o Afeganistão com o terrorismo suicida, o autoimolador que transformou os soldados estadunidenses de homens que lutam em homens que se escondem. De todas as maneiras, agora estão ocupados reescrevendo a narrativa. Um milhão de iraquianos estão mortos. A Blair eles não importam em nada - não figuram entre os beneficiários de direitos. Tampouco importa a maioria dos soldados estadunidenses. Vieram, viram, perderam. E agora dizem que ganharam. Os árabes, sobrevivendo a seis horas de eletricidade por dia em seu inóspito país, devem esperar que não haja mais vitórias como esta. Tradução: Katarina Peixoto -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100821/5c3737ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6744 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100821/5c3737ed/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 22 14:19:16 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 22 Aug 2010 13:19:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_S=E3o_duzentos_e_setenta_e_seis_C?= =?iso-8859-1?q?Ds_para_voc=EA_baixar_=2C_ouvir_r_fazer_o_seu_pr=F3?= =?iso-8859-1?q?prio_disco_musical=2E______________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_DOMINGO!___M=DASICAS?= Message-ID: Carta O Berro...........................................................repassem São duzentos e setenta e seis CDs para você baixar , ouvir r fazer o seu próprio disco musical. clique https://spreadsheets.google.com/ccc?key=0ApCVHEDvGWo4dEVLeVltVTEtZG1CZVd3OG5fbV91TUE&hl=pt_BR#gid=0 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100822/034a86df/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1817 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100822/034a86df/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 22 14:19:41 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 22 Aug 2010 13:19:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Confiram_no_blog_diversos_assunt?= =?iso-8859-1?q?os_para_tomarmos_consci=EAncia_da_hist=F3ria_do_Bra?= =?iso-8859-1?q?sil=2E_E_pra_quem_n=E3o_assistiu=2C_os_v=EDdeos_sob?= =?iso-8859-1?q?re_a_repress=E3o_divulgado_pela_TV_Record=2E?= Message-ID: Carta O Berro...........................................................repassem Conheça o Blog da amiga Barbet. clique http://terrasemales.blogspot.com/ Confiram no blog diversos assuntos para tomarmos consciência da história do Brasil, e textos de temas atuais, políticos sociais, econômicos, vídeos , dicas úteis, etc. E pra quem não assistiu, os vídeos sobre a repressão divulgado pela TV Record. E outros. Vale conhecer. Bom Domingo! Vanderley -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100822/dd487a69/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100822/dd487a69/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 22 14:19:51 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 22 Aug 2010 13:19:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22_Brasil_e_America_do_Sul=3A_ad?= =?iso-8859-1?q?eus_=E0_condi=E7=E3o_de_quintal=22____Por_Luiz_Albe?= =?iso-8859-1?q?rto_Moniz_Bandeira*____=28_Parte_I_=29?= Message-ID: <913D061EB3014270AE7BAC1FA01057A5@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem Brasil e America do Sul: adeus à condição de quintal ( Parte I ) Por Luiz Alberto Moniz Bandeira* Extensão territorial, poder econômico e poder militar são três fatores que devem ser considerados para qualificar um país como potência e compreender sua posição na hierarquia entre Estados. Estes são os fatores que permitem a um Estado atuar independentemente e influir sobre outros Estados e, portanto, determinar em que condições ele se expressa como potência regional internacional. Um Estado, que dispõe de potencial econômico, força militar e extensão territorial (assumindo, por suposto, que sua população seja correspondente ao espaço que ocupa), pode tornar-se hegemônico, o líder e o guia de um sistema de alianças e acordos de variado alcance. Para contar com todos os fatores que garantem a segurança da vitória, tanto quanto seja possível prever-se, é necessário que o Estado tenha capacidade de exercer pressão diplomática, i. e., capacidade para obter parte do que poderia ser o resultado de uma guerra vitoriosa sem necessidade de combater realmente.[1] Mesmo assim, a paz interna, como reflexo do exercício eficiente dos grupos sociais e de sua função interna hegemônica, é indispensável, se o Estado pretende ser una potência internacional. Em outras palavras, como ponderou Kart W. Deutsch, o potencial do status de poder é uma simples estimativa dos recursos materiais e humanos que podem ser usados para prever quanto êxito poderá ter um país em uma disputa contra outro país, se usa seus recursos como vantagem. [2] De acordo com Deutsch, um país tanto mais terá condições de afirmar-se como potência quanto mais extenso for e quanto mais numerosa seja sua população e os recursos que pode mobilizar para a consecução de uma política (57). Poder, pura e simplesmente, é a habilidade de um ator de prevalecer em um conflito e superar os obstáculos, se usa com vantagem seus recursos. Com mais de 196 milhões de habitantes (em 2007), a extensão territorial de Brasil é apenas pouco menor do que a dos Estados Unidos continental, incluindo o Alaska. Soma 8.514.215 milhões de quilômetros quadrados e seu litoral se estende por 7.367 quilômetros. Tem 15.735 quilômetros (cerca de 8.000 milhas) de fronteiras, sem litígio, com todos os países da América do Sul (exceto Equador e Chile). E dentro deste vasto território, seus recursos naturais são abundantes: terras férteis para a agricultura, reservas imensas jazidas de ferro e outros minerais metálicos, urânio, biodiversidade, enormes reservas de água e recursos hidroelétricos. E, conforme a estimativa da Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP), os campos descobertos na Bacia de Santos, litoral do Estado de S. Paulo, contêm 33 bilhões de barris, o que quadruplica as reservas de petróleo do Brasil de 13 bilhões de barris (provados) para cerca de 46 bilhões de barris. Somente no campo de Tupi (litoral de Santos) há cerca de 5 a 8 bilhões de barris. Os dados são ainda muito imprecisos, mas de acordo com Stephanie Hanson, do Council on Foreign Relations, o volume de petróleo na camada pré-sal, que provavelmente se estende por 800 quilômetros, do Espírito Santo, norte do Rio de Janeiro, a Santa Catarina,[3] deve ser da ordem de 70 a 100 bilhões de barris, além de grande volume de gás.[4] O Produto Interno Bruto do Brasil (PIB) do Brasil, conforme a paridade do poder de compra, utilizado pelo Banco Mundial, era em 2007 da ordem de U$S 1,849 trilhão, mais de três vezes maior do que o da Argentina, estimado em U$S 526 bilhões (2005), maior do que o do Canadá, calculado em U$S 1,271 trilhão (est. 2007), do que o do México, U$S 1,353 trilhão (2007 est.), do que o da Espanha ( U$S 1,361 trilhão, est. 2007), igual ao da Itália (U$S $1,8 trilhão, 2007 est.), um pouco menor do que o da França (U$S 2,075 trilhões, 2007 est), que o da Rússia (U$S 2,097 trilhões, 2007 est.) e do Reino Unido (U$S 2,13 trilhão, 2007 est.).[5] Não sem razão, já em 1976, ao ser interpelado, no House Foreign Affairs Commitee, se os Estados Unidos haviam elevado o Brasil ao status de potência mundial, por terem os dois países assinado um acordo de consulta, Henry Kissinger, então secretário de Estado na administração do presidente Gerald Ford (1974-1977), replicou: "(.) This agreement does not make Brazil a world power. Brazil has a population of 100 million, vast economic resources, a very rapid rate of economic development. Brazil is becoming a world power, and it does not need our approval to become one, and it is our obligation in the conduct of foreign policy to deal with the realities that exist".[6] Segundo Kissinger, o Brasil via o seu relacionamento com os Estados Unidos como similar a dois pilares gêmeos (twin pillars), cabendo-lhe organizar a América Latina, enquanto cabia aos Estados Unidos a mesma tarefa, na América do Norte, duas empresas trabalhando em harmonia, através de freqüente intercâmbio, e articulando seus propósitos comuns".[7] A América Latina, a que Henry Kissinger se referiu, significava, em realidade, a América do Sul, como se pode claramente inferir da frase, porquanto a América do Norte, compreendida como o México e os países da América Central, era a área de responsabilidade dos Estados Unidos. E com argúcia Kissinger observou que a igualdade teórica da soberania de cada nação latino-americana, postulada pelo sistema interamericano, não fazia parte do vocabulário brasileiro.[8] Conforme ressaltou João Augusto de Araújo Castro, embaixador do Brasil em Washington (1971-1975)[9], o Brasil jamais considerou suas relações com os Estados Unidos como um capítulo das relações entre os Estados Unidos e a América Latina e deseja cooperar com todos os países do continente, mas não queria ser confundido com qualquer um deles, nem sequer admitia ser confundido com sua totalidade[10]. Com efeito, o Brasil não somente não queria ser confundido com a América Latina, em geral, como não aceitava tal conceito então generalizado e adotado pelas instituições multilaterais, para enquadrar toda uma região onde os diversos Estados apresentavam enormes disparidades e assimetrias. O Brasil não queria ser diluído em um conjunto de países, dos quais se diferenciava pela sua dimensão territorial, demográfica e econômica. Havia, concretamente, uma hierarquia de poderes, em que o Brasil se sobressaía, dado que, ao separar-se de Portugal, não se desintegrara, como aconteceu com a América espanhola, e manteve, sem ruptura da ordem política, a vasta extensão do seu território. A percepção de Kissinger quanto ao papel que o Brasil desempenhava ou pretendia desempenhar tinha fundamento histórico. Desde a segunda metade do século XIX, o Brasil configurou uma potência regional. Possuía um aparelho burocrático-militar capaz de defender e mesmo impor, tanto interna quanto externamente, os interesses de sua elite dirigente, devido ao fato de que não era um simples sucessor do Estado português. Era o próprio Estado português, que se trasladara para a América do Sul, ajustara-se às condições econômicas e amoldara-se à estrutura social da colônia, mas conservara sua contextura institucional, assentada no dogma da soberania una e indivisível da Coroa, a hierarquia, as leis civis, os métodos administrativos, o estilo político, o instrumental bélico e diplomático, com experiência internacional, e o vezo de potência. Daí porque, em 1854, o diplomata Martin Maillefer, ministro plenipotenciário da França em Montevidéu, chamou o Brasil de "Rússia tropical", que tinha "a vantagem da organização e perseverança em meio dos Estados turbulentos e mal constituídos da América do Sul" [11]. Após a Guerra da Tríplice Aliança com o Paraguai, que comprometeu gravemente as finanças do Brasil, a Argentina consolidou-se como Estado nacional e, embora as economias dos dois países não competissem e até mesmo se complementassem, suas relações caracterizaram-se cada vez mais por forte rivalidade, gerando tensões e graves crises, entremeadas com esforços de entendimento e de cooperação, ao longo de toda a primeira metade do século XX. A partir do final da Segunda Guerra Mundial, com a implantação da indústria pesada, e particularmente com a implantação da siderúrgica, o desenvolvimento do Brasil avantajou-se, enquanto a economia da Argentina, assentada sobre a agropecuária, continuou a depender das exportações de carne e cereais e importações de bens de capital, cada vez mais caras, para sustentar uma indústria com características leves, de bens de consumo. Assim, expansão econômica do Brasil, a partir dos governos dos presidentes Getúlio Vargas (1951-1954) e Juscelino Kubitschek (1956-1961), tomou enorme impulso e, após a crise na primeira metade dos anos 1960, seu PIB desde 1968 passou a crescer a taxas de 9%, 10% e 11% a.a., contrastando com a relativa estagnação da Argentina, o que aumentou o desequilíbrio de poderes cada vez mais na América do Sul. Um século depois, pôde então o Brasil restabelecer a hegemonia que mantivera na Bacia do Prata, até 1876, quando retirou as tropas do Paraguai, derrotado na Guerra da Tríplice Aliança. América do Sul como conceito geopolítico O conceito de América do Sul, como conceito geopolítico, e não o conceito de América Latina, um conceito étnico, muito genérico, e sem consistência com seus reais interesses econômicos, políticos e geopolíticos, foi que sempre pautou, objetivamente, a política exterior do Brasil, e até a metade do século XX suas atenções concentraram-se, sobretudo, na região do Rio da Prata, ou seja, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, que conformavam sua vizinhança e com os quais havia fronteiras vivas comuns, i. e, fronteiras habitadas. O entendimento do Brasil era de que havia duas Américas, distintas não tanto por suas origens étnicas ou mesmo diferença de idiomas, mas, principalmente, pela geografia, com as implicações geopolíticas, e esse foi o parâmetro pelo qual se orientou a política exterior do Brasil, que no curso do século XIX se absteve de qualquer envolvimento na América do Norte, Central e Caribe, enquanto resguardava a América do Sul como sua esfera de influência. George Hegel, nas aulas sobre a filosofia da história mundial, ditadas na década de 1820, salientou o contraste entre a América do Sul, onde o catolicismo predominava, e a América do Norte, uma terra de seitas, protestante, onde o comércio constituía o principal princípio, um princípio muito simples, ainda que não fosse tão firme como na Inglaterra[12]. E, ao dizer que a América era a terra do futuro, previu uma "contenda entre a do Norte e a América do Sul, em que a importância da História Universal deveria manifestar-se". [13] Não explicitou que tipo de contenda. Mas, na sua exposição, o México figurava como um país à parte, tanto da América do Norte, entendida como os Estados Unidos, e a América do Sul, que compreendia o Brasil e os países de língua espanhola. Também o escritor francês Michel Chevalier na introdução ao livro Lettres sur l'Amérique du Nord[14], publicado em 1837, fez uma observação semelhante à de Hegel, ao comparar a América do Sul com a Europa meridional, católica e latina, e a América do Norte, que pertencia a una população protestante e anglo-saxônica. Tudo indica, porém, que o conceito de América Latina, integrando o México e demais países da América Central, foi usado pela primeira vez pelo intelectual e político chileno Francisco Bilbao Barquín (1823-1865), em conferência pronunciada em Paris em 24 de junho de 1856. Alguns meses depois, em 2 de setembro do mesmo ano, o escritor e diplomata colombiano José María Torres Caicedo (1830-1889), em um poema intitulado "Las dos Américas", referiu-se a "la raza de la América Latina, al frente tiene la sajona raza, enemiga mortal que ya amenaza su libertad destruir y su pendón", e acrescentou que "la América del Sur está llamada a defender la libertad genuina, la nueva idea, la moral divina, la santa ley de amor y caridad", pois "el mundo yace entre tinieblas hondas:- en Europa domina el despotismo de América en el Norte, el egoismo, sed de oro e hipócrita piedad". Posteriormente, em 1861, Torres Caicedo lançou as "Bases para la formación de una Liga Latinoamericana". E, no mesmo ano, em artigo publicado pela Revue des Races Latines, L. M. Tisserand denominou como l'Amérique Latine o que até então se conhecia, na Europa, como Nouveau Monde ou Amérique du Sud ou républiques hispanoaméricaines. O abade Emmanuel Domenech (1825-1903), autor de Journal d'un Missionnaire au Texas et au Mexique 1846-1852, consolidou o conceito de América Latina, como "le Mexique, l'Amérique Centrale et l'Amérique du Sud". O conceito de América Latina, desenvolvido para demonstrar as diferenças, contrastes e mesmo antagonismos com a América do Norte, tal como Chevalier e Tisserand expressaram e difundiram, passou a integrar o pan-latinismo, ideal que encapava as pretensões imperialistas da França, sob o reinado de Louis Bonaparte, Napoleão III, e foi manipulado para legitimar a intervenção da França no México (janeiro de 1862 - março de 1867), onde fora entronizado o arquiduque Ferdinand Maximilian, irmão do imperador da Áustria. O propósito de Napoleão III era construir um Império Latino, em oposição à Grã-Bretanha, e necessitava estabelecer um elo de identidade com a Ibero-América a fim de legitimar sua pretensão. Mas aí o conceito de América Latina, integrando o pan-latinismo conforme difundiram Chevalier, então conselheiro de Estado de Napoleão III, e Tisserand, já se distanciava da formulação de Torres Caicedo, que lhe dera um caráter defensivo frente à expansão dos Estados Unidos, e de Francisco Bilbao, em cuja obra La América en Peligro, de 1862, não somente denunciou o despotismo europeu e sua política de expansão como proclamou a necessidade de defender o México contra a França. A América do Sul na política exterior do Brasil Como salientou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em sua obra "Quinhentos anos de periferia", a América do Sul é a "circunstância inevitável, histórica e geográfica do Estado e da sociedade brasileira".[15] William H. Seward, secretário de Estado do presidente Abraham Lincoln, convidou o Brasil para intervir no México, juntamente com os Estados Unidos. Dentro América do Sul, porém, o interesse fundamental do Brasil, desde os tempos da colonização, cingiu-se, particularmente, aos países da Bacia do Prata - Argentina, Uruguai, Paraguai e, de certo modo, Bolívia, e o que amplificou ainda mais a importância geopolítica da região, primeiro para Portugal, durante a colonização, e depois para o Brasil, foi o fato de que o abastecimento de Mato Grosso, Goiás e parte de S. Paulo dependia, quase que totalmente, da navegação fluvial.[16] O bloqueio da livre navegação através dos rios da Bacia do Prata configurava casus belli para o governo imperial. Com as repúblicas do Pacífico, separadas por florestas e pela cordilheira dos Andes, as relações do Brasil nunca adquiriram maior peso e densidade, até a primeira metade do século XX. O interesse primordial do Brasil consistiu em buscar solução para as questões de limites e de navegação fluvial, através do Amazonas,[17] e daí as missões de Duarte da Ponte Ribeiro (1851), Miguel Maria Lisboa (1853), João da Costa Rego Monteiro, Felipe Lopes Neto , Joaquim Maria Nascentes de Azambuja (1866-1867)[18], enviadas às repúblicas do Pacífico (Peru, Equador, Colômbia e Venezuela). A doutrina do uti possidetis serviu de base para a demarcação das fronteiras, com a prevalência da idéia da nacionalidade, que conferiu à política brasileira coerência, racionalidade e continuidade, como Amado Luiz Cervo e Clodoaldo Buenos salientaram[19]. E o que o Brasil tratou de assegurar foi sua soberania sobre a Amazônia, antes de abrir o rio à navegação internacional, e evitar que as repúblicas do Pacífico fossem induzidas pelos Estados Unidos a atacá-lo ao norte, aproveitando seu envolvimento na guerra contra o Paraguai (1864-1870).[20] José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, quando ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores (1903-1912), buscou consolidar as fronteiras do Brasil, com todos os seus vizinhos, e sua política exterior pautou-se por diretrizes similares às do tempo da monarquia (1822-1889), ao considerar o continente uma espécie de condomínio, em que o Brasil exerceria livremente sua influência sobre a América do Sul, enquanto as Américas do Norte e Central, bem como o Caribe teriam nos Estados Unidos seu centro de gravitação. Por esta razão, embora o imperador D. Pedro II não aprovasse, pessoalmente, a iniciativa de Napoleão III,[21] ocupando o México, seu governo não aceitou o convite, alegando que não tinha maior interesse na questão. [22] Essa atitude do governo de D. Pedro II deveu-se ao fato de que o Brasil considerava o México fora de sua esfera de preocupação e nunca aspirou a ter qualquer interferência nos países daquela região, considerada como pertencente à órbita dos de influência dos Estados Unidos. Ao tempo da república, quando, em 1903, Panamá se separou da Colômbia, com o apoio dos Estados Unidos, Rio Branco, não obstante lamentar o acontecimento, não protestou, e somente reconheceu a nova república de acordo com a Argentina e o Chile, a fim de manter a unidade dos três países, com os quais pretendia estabelecer um acordo diplomático, conhecido como ABC (Argentina, Brasil e Chile). Em 1908, porém, ele reagiu energicamente contra a atitude dos Estados Unidos, que estava a favorecer o Peru no litígio sobre os territórios de Purus e Juruá, afirmando o "direito nosso (brasileiro) de atuar politicamente nesta parte sem ter que pedir licença ou dar explicações" ao governo americano, que, segundo suas palavras, não devia se envolver "para ajudar nossos desafetos, nas questões em que estamos empenhados"[23]. E um ano depois, 1909, ameaçou romper as relações com os Estados Unidos, se o presidente William Howard Taft executasse o ultimatum dado ao Chile para pagar dentro de dez dias o montante de US$ 1 milhão, reclamado pela empresa norte-americana Alsop & Co.[24] Entretanto, em 1910, Rio Branco não atendeu a um apelo da Nicarágua para que a ajudasse a impedir que um barco de guerra americano continuasse a apoiar uma revolução que surgia naquele país[25]. Não tinha interesse na questão. E somente, unido à Argentina e ao Chile, configurando o bloco conhecido como ABC, atuou como mediador para evitar uma guerra entre o México e os Estados Unidos, cujos soldados haviam ocupado a cidade portuária de Vera Cruz, a pretexto de capturar um carregamento de armas alemãs, transportado pelo navio Ypiranga, da Companhia Hamburg-Süd.[26] Em 1927, no entanto, o diplomata Ronald de Carvalho, em "Relatório Reservado sobra a Política Exterior do Brasil e a dos Países da América do Sul", organizado por ordem do então chanceler Octavio Mangabeira, deixou bem clara a pretensão do Brasil, ao assinalar, após definir vários objetivos a cumprir, que "voltaremos a ocupar, em virtude do crescimento natural de nossa população e do desenvolvimento das nossas riquezas, o lugar que nos cabe na América do Sul", ou, sem outras palavras, a preeminência que tivera durante o século XIX.[27] Oswaldo Aranha, quando embaixador do Brasil em Washington, tomou em 1935 atitude semelhante à do Barão do Rio Branco, em face da intromissão dos Estados Unidos nos assuntos dos países com os países vizinhos. Advertiu o Secretário de Estado, Summer Welles, de que "nada explicava o nosso (brasileiro) apoio aos Estados Unidos em suas questões na América Central, sem atitude recíproca de apoio ao Brasil na América do Sul"[28]. E, posteriormente, na condição de ministro das Relações Exteriores do presidente Getúlio Vargas (1930-1945), assinou, com Enrique Ruiz-Guiñazú, chanceler da Argentina, o Tratado de 21 de novembro de 1941, cujo objetivo era "estabelecer, de forma progressiva, um regime de intercâmbio livre, que permitisse chegar a uma união aduaneira /./, aberta à adesão dos países limítrofes", i. e., aberta à adesão dos países da América do Sul. A Argentina configurava-se cada vez mais importante parceiro comercial do Brasil, escoadouro natural para seus produtos agrícolas e manufaturas. E o presidente Getúlio Vargas, durante a Conferência do Rio de Janeiro, após a qual rompeu as relações com os países do Eixo, não quis constrangê-la ou que o Brasil dela se afastasse, porquanto considerava a amizade entre os dois países "parte integrante de um programa de governo" . [29] O Tratado de 1941, para estabelecimento da união aduaneira, não se efetivou devido ao ataque do Japão à base americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, envolvendo diretamente o hemisfério na Segunda Guerra Mundial, após a qual começou a ganhar força o conceito de América Latina, que as organizações multilaterais passaram a utilizar, após a Segunda Guerra Mundial, para designar a região, ou seja, todos os países abaixo do Rio Grande. Entretanto, mesmo quando o Brasil se referia à América Latina, o que estava subjacente era a idéia de América do Sul, da qual assumiu abertamente a liderança, quando o presidente Juscelino Kubitschek lançou, em 1958, a Operação Pan-americana, visando a reformular os termos do relacionamento com os Estados Unidos. "Verifico que no Brasil - e creio que nos demais países do continente - amadureceu a consciência de que não convém mais formarmos um mero conjunto coral, uma retaguarda incaracterística, um simples fundo de quadro" - declarou Kubitschek.[30] Naquelas condições, o continente significava, sobretudo, o continente sul-americano. E o formidável impulso que tomara o processo de industrialização do Brasil, em conseqüência da implantação do parque siderúrgico de Volta Redonda, foi que adensou e robusteceu sua pretensão de assumir sua liderança vis-à-vis dos Estados Unidos. Seu papel revestiu-se da maior importância, na primeira metade dos anos 60, ao defender os princípios de não-intervenção e auto-determinação dos povos, concorrendo decisivamente para impedir que os Estados Unidos conseguissem o apoio da Organização dos Estados Americano (OEA) ao seu propósito de intervir militarmente em Cuba e derrocar o regime instituído por Fidel Castro. Tratava-se de uma questão fora de sua órbita, a América do Sul, mas envolvia a OEA e, conseqüentemente, todo o hemisfério. Em 1965, porém, o Brasil rompeu sua tradição de não intervir diretamente em questões da América Central e do Caribe, atendeu à solicitação de Washington e enviou um contingente militar, na condição de força interamericana de paz, para coadjuvar na ocupação da República Dominicana, após a invasão ordenada pelo presidente Lyndon Johnson. O Brasil e os países da região amazônica Com a intensificação do seu desenvolvimento industrial, o Brasil voltou-se mais e mais para os países da região amazônica, ou seja, para a Bolívia, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana, cuja massa demográfica, no conjunto, representava por volta da primeira metade dos anos 80 do século XX um mercado da ordem de 87 milhões de habitantes, o equivalente a 61% da população brasileira, espalhando-se até o Oceano Pacífico e o Caribe. Era necessário abrir mercados para as suas manufaturas e o comércio da região amazônica com as repúblicas do Pacífico saltou de US$ 173 milhões, em 1972, para US$ 2,3 bilhões em 1982.[31] E seu fomento, visando a integração e unificação da América do Sul, requeria o desenvolvimento dessa imensa região, a Amazônia, que separava os mercados às margens do Pacífico e do Caribe dos centros industriais do Brasil, situados no litoral do Atlântico. O desenvolvimento da Amazônia dependia, entretanto, da cooperação com os países vizinhos, porquanto sete das dez fronteiras internacionais do Brasil localizavam-se quase integralmente naquela região, somando 12.114 km, o que representava cerca de 80% do total de sua fronteira terrestre. Assim, com o propósito de incrementar o desenvolvimento trans-fronteiriço, o Itamaraty, durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) empreendeu as negociações, a cargo do embaixador Rubens Ricupero, para a celebração, em 3 de julho de 1978, do Tratado de Cooperação Amazônica. O que inspirou a negociação desse Tratado, com características similares ao Tratado da Bacia do Prata, foi possibilitar sua ocupação de forma racional e evitar que potências estranhas à região se introduzissem na Amazônia, sob qualquer pretexto. Essa preocupação levou o presidente João Batista Figueiredo a evitar que os Estados Unidos, em 1981, interviessem no Suriname, conforme o presidente Ronald Reagan pretendera, para depor o governo de Desiré Delano (Desi) Bouterse, sob a alegação de que ele estava a acercar-se politicamente de Cuba.[32] Assumiu a tarefa de resolver o problema. E conseguiu-o. Mercosul versus ALCA A questão Mercosul/ALCA tornou-se destarte o principal ponto das divergências entre o Brasil e os Estados Unidos, por envolver profundas contradições, nas quais interesses econômicos, políticos e estratégicos se entrelaçavam. A ALCA não convinha aos interesses do Brasil, que não se dispunha a permitir, como o fez a Argentina, que seu parque industrial se desmantelasse, se transformasse em sucata, sob nova e devastadora redução de tarifas, nem a suportar crescentes saldos negativos na balança comercial. O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que fora um dos encarregados das negociações dos acordos de integração Brasil-Argentina, em 1986/1987, quando ainda era o conselheiro e chefe da Divisão Econômica do Itamarati, denunciou a ALCA como parte da estratégia de manutenção da hegemonia política e econômica dos Estados Unidos, "que realizariam seu desígnio histórico de incorporação subordinada da América Latina a seu território econômico e a sua área de influência político-militar"[33], e insistiu em que o governo brasileiro devia abandonar os acordos para sua implementação. "A ALCA levará ao desaparecimento do Mercosul" - advertiu[34]. Grande parte do empresariado brasileiro também receava as conseqüências da ALCA, cuja implementação acarretaria sérios riscos para a indústria nacional. E o presidente Fernando Henrique Cardoso, em meio das crescentes dificuldades geradas, dentro do Mercosul, pela desvalorização, em 1999, da moeda brasileira, o real, reavivou o conceito de América do Sul, que o projeto da ALCSA consubstanciava e fora eclipsado durante seu primeiro mandato (1995-1999). A ampliação do comércio com os países da América do Sul implicava, porém, uma série de projetos e o presidente Fernando Henrique Cardoso convocou uma reunião de cúpula dos chefes de Estados da América do Sul, realizada em Brasília, durante os dias 31 de agosto e 1° de setembro de 2000, com o objetivo de discutir a integração regional, notadamente as interconexões energética e viária. O plano teria financiamento do BID e da CAF (Corporación Andina de Fomento) e México mostrou-se contrariado por não ter sido convidado, imaginando que se tratava de manobra com intenção de isolá-lo. Fernando Henrique Cardoso mandou fazer ver ao governo mexicano que o plano de interconexões não poderia chegar à América do Norte, não havia como, de modo que por esse motivo a presença do México não havia sido considerada. Para dirimir quaisquer dúvidas nesse sentido, convidou para a reunião o Ministro das Relações Exteriores do México, Jorge G. Castañeda, na qualidade de observador. Mas, evidentemente, a desculpa era apenas meia-verdade, pois não podia explicar os objetivos políticos implícitos na convocatória da cúpula Brasília. Estes objetivos se evidenciaram em artigo publicado na imprensa, na qual Fernando Henrique Cardoso, antes da reunião, definiu o acontecimento como de "reafirmação da identidade própria da América do Sul como região", onde a democracia e a paz abriam a perspectiva da integração cada vez mais intensa entre países que mantinham uma relação de vizinhança".[35] E ressaltou: "A vocação da América do Sul é a de ser um espaço econômico integrado, um mercado ampliado pela redução ou eliminação das dificuldades e obstáculos ao comércio, e pelo aperfeiçoamento das conexões físicas em transportes e comunicações" .[36] Não se tratava, portanto, de América Latina, mas da América do Sul, uma região geograficamente definida, reconhecida pelos presidentes, no Comunicado Conjunto, como uma região com características específicas que a distinguiam no cenário internacional e que as suas peculiaridades e a contigüidade geográficas criavam uma agenda comum de desafios e oportunidades. Sua coesão constituía, também, elemento essencial a uma inserção mais favorável na economia mundial, de forma que pudesse converter a globalização em meio eficaz para ampliar as oportunidades de crescimento e desenvolvimento da região e melhorar de forma sustentada e eqüitativa os seus padrões de bem-estar social, enfrentando os efeitos desiguais gerados para diferentes grupos de países, vis-à-vis sobretudo da América do Norte. A Cúpula de Brasília teve um caráter estratégico e avançou a possibilidade de integração, não apenas física, econômica e comercial, mas igualmente política, como o presidente Fernando Henrique Cardoso insinuou, ao dizer que era "o momento de reafirmação da identidade própria da América do Sul como região onde a democracia e a paz abrem a perspectiva de uma integração cada vez mais intensa entre países que convivem em um mesmo espaço de vizinhança". E a afirmação dessa "identidade própria", diferenciada, por conseguinte, da América do Norte, era o que preocupava Washington, conforme Kissinger exprimiu em sua obra Does America Need a Foreign Policy?[37] Mas a integração política passava necessariamente pela perspectiva de integração do espaço econômico da América do Sul, mediante o entendimento entre "o Mercosul ampliado e a Comunidade Andina (CAN),[38] com a aproximação crescente da Guiana e do Suriname", conforme o presidente Fernando Henrique Cardoso, apontou, salientando: "Um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina será a espinha dorsal da América do Sul como espaço econômico ampliado. Deve, portanto, ser visto como um objetivo político prioritário". [39] Por proposta do Brasil, reconheceu-se a necessidade de implementação da integração da América do Sul, a partir da formação de uma Área de Livre Comércio Sul-Americana (ALCSA), iniciada em 1993, ao tempo do governo do presidente Itamar Franco, que tinha como chanceler o embaixador Celso Amorim. E a proposta de integração regional não se limitou aos aspectos comerciais. Houve acordo sobre a necessidade de desenvolvimento de uma Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional da América do Sul (IIRSA), que modernizasse as relações e potencializasse a proximidade sul-americana, rompendo os obstáculos fronteiriços e formando um espaço ampliado através de obras e articulações nas áreas de transportes, energia e comunicações. O objetivo político prioritário, na proposta de integração do espaço econômico da América do Sul, evidenciou-se ainda mais quando Fernando Henrique Cardoso declarou que o "Mercosul é mais que um mercado, o Mercosul é, para o Brasil, um destino" - disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, acrescentando que a ALCA era "uma opção", à qual poderia aderir ou não. [40] E esta sua frase, exprimindo a continuidade essencial da política exterior do Brasil, repercutiu nos Estados Unidos [41], o que levou Henry Kissinger a constatar que o Mercosul tendia a apresentar as mesmas tendências manifestadas na União Européia, que buscava definir uma identidade política européia não apenas distinta dos Estados Unidos, mas em manifesta oposição aos Estados Unidos[42]. "Especialmente no Brasil, há lideres atraídos pela perspectiva de uma América Latina politicamente unificada confrontando os Estados Unidos e o NAFTA" - Kissinger ressaltou[43]. Segundo observou, enquanto a ALCA era concebida como simples área de livre comércio, o Mercosul era uma união aduaneira, trans-fronteiriça, que teria, por sua natureza, tarifas mais elevadas para o mundo (tarifa externa comum) que entre os estados associados, pretendendo evoluir para um mercado comum, e isto não convinha, porque, provavelmente, afirmaria a identidade latino-americana (sic) como separada e, se necessário, oposta aos Estados Unidos e à NAFTA. "(.) Tudo isso tem criado um potencial debate entre Brasil e os Estados Unidos sobre o futuro do Cone Sul" - Kissinger reconheceu[44]. Com efeito, a diplomacia brasileira tornou a integração da América do Sul, a afirmação de sua identidade própria, a condição prévia para qualquer esforço de integração hemisférica, tal como o que os Estados Unidos estavam a propor, com o projeto da ALCA.[45] Conflitos na América do Sul O Brasil estava a exercer de fato a liderança da América do Sul, aceita consensualmente pelos demais governos da região, dado seu enorme peso econômico, político e estratégico, sem pretensões de hegemonia, respeitando as particularidades de cada povo. E a Segunda Reunião de Presidentes da América do Sul realizou-se em Guayaquil, Equador, entre 26 e 27 de julho de 2002, quando foi aprovado o "Consenso de Guayaquil sobre Integração, Segurança e Infra-Estrutura para o Desenvolvimento", manifestando o propósito de construir "um futuro de convivência fecunda e pacífica, de permanente cooperação" e declarando "a América do Sul como Zona de Paz e Cooperação". A turbulência social, política e militar nos países andinos dificultava, no entanto, a consecução de tal objetivo e preocupava o Brasil. Em 26 de janeiro de 1995, o conflito armado entre tropas do Equador e do Peru, na fronteira litigiosa em torno do rio Cenepa, perturbara a paz da região. O presidente Fernando Henrique Cardoso atuou no sentido de obter o cessar-fogo, levando os dois países, depois de esporádicos combates, a firmarem um acordo, em Brasília, sob os auspícios dos quatro Estados garantes do Protocolo do Rio de Janeiro, de 1942 - Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos. O Brasil exerceu a liderança no processo de Paz entre o Equador e o Peru e o Exército brasileiro, na Missão de Observadores Militares Equador-Peru (MOMEP), fiscalizou na região do rio Cenepa, fronteira entre os dois países, o cumprimento do acordo. O Brasil também interveio, diplomaticamente, para evitar que a crise política, no Paraguai, em abril de 1996, resultasse em um golpe militar, depois que parlamentares, vinculados ao general Lino Oviedo, votaram contra o projeto de lei para construir uma segunda ponte entre o Paraguai e o Brasil, o que impediu as empresas do presidente Juan Carlos Wasmosy de obterem a concessão das obras. Wasmosy decidiu então passá-lo para a reserva e Oviedo[46], rebelado, entrincheirou-se em sua unidade, ameaçando derramar sangue se a medida não fosse revogada. A crise somente não culminou com a quebra da legalidade constitucional, devido à interferência dos embaixadores do Mercosul (Argentina, Brasil e Uruguai), dos Estados Unidos e do próprio secretário executivo da OEA, César Gaviria, que negociaram um acordo, mediante ameaças de boicote e isolamento econômico e político do Paraguai, bem como do congelamento de sua participação no Mercosul e outras sanções punitivas: Oviedo não foi preso e apresentou voluntariamente o pedido de passar para a reserva. De qualquer maneira, o Brasil não estava disposto a permitir um golpe de estado no Paraguai e contaria com o respaldo da Argentina e do Uruguai, dado que a ruptura da democracia política seria intolerável dentro do Mercosul, bem como em termos do Grupo do Rio e da nova concertação no hemisfério. O compromisso com a democracia, ou seja, a chamada "cláusula democrática" do Mercosul, estava implícito no Tratado de Assunção, tanto que Brasil e Argentina, desde a Declaração de Iguaçu, em novembro de 1985, nunca cessaram de reiterar a adesão aos princípios democráticos, como fundamento da cooperação e da integração, não apenas em termos bilaterais, mas também com respeito aos demais países da América do Sul. O Foro de Consulta e Concertação Política do Mercosul (FCCP) deu grande ênfase à implementação da chamada "cláusula democrática", o que levou à adoção do Protocolo de Ushuaia pelos países do Mercosul e Bolívia e Chile. A preservação da democracia no Paraguai continuou, porém, a constituir a grande preocupação do Brasil. Pouco depois de contornada a crise, Fernando Henrique Cardoso, em junho de 1996, visitou Assunção, com a intenção de reiterar o respaldo à ordem constitucional, e no mesmo ano os presidentes dos quatro países integrantes do Mercosul assinaram uma declaração, assumindo o compromisso de consultarem-se e aplicarem medidas punitivas, dentro do espaço normativo do bloco, em caso de ruptura ou ameaça de ruptura da ordem democrática em algum estado membro. A débil democracia instalada no Paraguai, após a queda da ditadura do general Alfredo Stroessner, em 1989, continuou, porém, sob a ameaça de colapso, ao intensificar-se a luta pelo poder dentro do próprio Partido Colorado, que ainda controlava mais de 80% do aparelho do Estado. Condenado a 10 anos de prisão, por chefiar a rebelião militar de 1996, o general Lino Oviedo não pôde concorrer à sucessão do presidente Juan Carlos Wasmosy, mas Raúl Cubas, que o substituiu como candidato do Partido Colorado, venceu a eleição, com o slogan "Cubas no governo e Oviedo no poder", e concedeu-lhe indulto, cinco dias depois de assumir o governo, em agosto de 1998. O assassinato de Luís Carlos Argaña, o principal adversário do presidente Raúl Cubas, que se opusera à libertação de Oviedo, desencadeou a grave crise política, em meio de choques de rua, e mais uma vez os chefes de governo do Brasil e da Argentina tiveram de intervir, ameaçando isolar o Paraguai econômica e politicamente e afastá-lo do Mercosul, de conformidade com a cláusula democrática do Tratado de Assunção caso um golpe de estado se consumasse. Essa advertência Raúl Cubas ouviu diretamente de Fernando Henrique Cardoso, que o aconselhou a renunciar à presidência, antes de que a crise se agravasse e produzisse a ruptura da legalidade, e percebeu que não tinha condições de resistir, dado que o Brasil absorvia cerca 30% das exportações dos produtos paraguaios, como algodão e soja, e essa dependência chegava a atingir 70%, considerando o total estimado de suas reexportações. Assim, em 28 de março de 1999, véspera da decisão do Senado sobre o impeachment, Cubas Grau renunciou à presidência do Paraguai e asilou-se no Brasil, após Oviedo partir para a Argentina, onde o presidente Carlos Ménem lhe deu refúgio. Entretanto, outro intento de golpe ocorreu, na madrugada de 18 para 19 de maio de 2000, quando integrantes do Primeiro Corpo do Exército, tendo como epicentro a Primeira Divisão de Cavalaria, e de Polícia Nacional, promoveram a Operación Aratirí (raio no idioma guarani), questionando a legitimidade do presidente Luís González Macchi e invocando o direito constitucional à rebelião. Os insurgentes, após ocupar as instalações de alguns meios de comunicação, pretenderam dirigir-se para o Congresso, porém a Marinha e a Força Aérea declararam-se leais ao governo e sufocaram o levante, sem encontrar resistência. A guerra civil na Colômbia constituía outro foco de instabilidade, a preocupar o Brasil, devido, sobretudo, à possibilidade de uma intervenção militar, efetuada ou articulada pelos Estados Unidos. O Plano Colômbia, lançado pelo presidente Bill Clinton um dia antes da Reunião dos Presidentes da América do Sul, em Brasília, preocupou o governo brasileiro, uma vez que equacionava o conflito exclusivamente em sua dimensão armada, destinando mais de US$ 1,2 bilhão - cerca de 80% dos US$ 1,3 bilhão prometidos pelos EUA - à compra de material bélico, inclusive aviões, 30 helicópteros tipo Black Hawk e 33 tipo Huey[47], pelo Exército colombiano, e apenas US$ 238 milhões à promoção dos direitos humanos e ao reforço da democracia e do sistema judicial. Ele fora concebido como uma estratégia de guerra, e tudo indicava que os Estados Unidos repetiriam a tática usada em Kosovo, bombardeando intensamente as regiões dominadas pelas Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC) e o Ejército de Libertación Nacional (ELN), juntamente com a aspersão de agentes biológicos sobre os cultivos de coca, dado que uma intervenção por terra nas províncias de Caquetá, Putumayo, na Amazônia colombiana, custaria muitas perdas de vida. O Brasil temeu o impacto que a execução do Plano Colômbia produziria sobre seu território, levando guerrilheiros ou militares colombianos a invadi-lo, e receou que fungos (Fusarium orysporum) ou outras armas químicas e biológicas, eventualmente empregadas pelos Estados Unidos, para destruir as plantações de coca, contaminassem os rios da Amazônia. No seu entendimento, não se podia vincular a necessidade de combater o negócio das drogas com o problema da insurgência, que era da competência interna da Colômbia e devia ser politicamente resolvido, embora esta posição não significasse simpatia por qualquer solução tendente a ceder às FARC e ao ELN as zonas conquistadas, por implicar uma renúncia do estado colombiano à soberania sobre seu território. Entretanto, o governo brasileiro considerava que a via militar, como os Estados Unidos propunham, não resolveria a crise e recusou-se terminantemente a permitir a utilização de qualquer base ou outras instalações militares em seu território para operações na Colômbia. A partir do final dos anos 90, as relações do Brasil com a Venezuela, onde Hugo Chávez ascendera ao governo, tenderam a estreitar-se cada vez mais. Na Cúpula das América, em Quebec entre 20 e 22 de abril, Hugo Chávez alinhou-se com Fernando Henrique Cardoso, nas críticas à ALCA, e compareceu à reunião da Cúpula do Mercosul, realizada em Assunção, em 21 e 22 de junho, quando formalizou o pedido para o ingresso da Venezuela no Mercosul e, referindo que Fernando Henrique Cardoso dissera que a "ALCA es opción y nuestro destino es el Mercosur", endossou que "este es nuestro destino, el sur, la Cruz del Sur"[48]. Nos primeiros anos da década de 2000, a situação agravou-se, no entanto, em quase todos os países da América do Sul. O processo de paz fracassou na Colômbia, onde os Estados Unidos aprofundaram sua intervenção na luta contra as FARC, não propriamente para combater o narcotráfico, mas, sobretudo, a fim de garantir o fluxo do petróleo, que saía de lá e do Equador. E, em dezembro de 2001, a Argentina entrou em colapso financeiro, bancarrota, em meio de dramática convulsão social e crise política tão profunda que levou Fernando Henrique Cardoso a advertir o presidente George W. Bush sobre o perigo de uma ruptura institucional, caso o governo de Eduardo Duhalde não recebesse ajuda internacional. Também no Equador a situação configurou-se instável e os indígenas, em fevereiro de 2002, anunciaram que realizariam novas manifestações de massa, em Quito, contra as privatizações promovidas pelo governo de Gustavo Noboa com o fito de protestar contra o não cumprimento do acordo que pôs fim ao levante, no início de 2001[49]. A Venezuela, com a qual o Brasil tratava de estreitar seu relacionamento, começou a enfrentar crescentes dificuldades políticas, fomentadas pela CIA, DIA e outros agências dos Estados Unidos. De 11 para 12 de abril de 2002, na Venezuela. três generais prenderam o presidente Hugo Chávez, levaram-no para o Forte Tiuna, e o general Lucas Rincón Romero, chefe do Estado Maior do Exército da Venezuela, anunciou sua renúncia à presidência da República. Pedro Carmona Estanca, presidente da Fedecámaras, assumiu o governo da Venezuela, com o apoio dos meios de comunicação e o respaldo não tanto encoberto da administração do presidente americano George W. Bush[50], que se dispunha a reconhecê-lo. E a fim de facilitar essa decisão, dado que a Carta Democrática Interamericana condenava qualquer ruptura da legalidade, Phillip Chicola, funcionário do Departamento de Estado, pediu, no dia 12, que a transição conservasse as formas constitucionais, ou seja, que a Assembléia Nacional e a Corte Suprema aprovassem a renúncia de Chávez[51] e novas eleições, com observadores da OEA, fossem convocadas para dentro de um prazo razoável. A manobra, no entanto, fracassou. Enquanto as camadas mais pobres da população, favoráveis a Chávez, ocupavam as ruas de Caracas, saqueando as lojas, espraiando-se a agitação pelas cidades de Guarenas, Los Teques, Coro e Maracay, a brigada de pára-quedistas, comandada pelo general Raúl Baudel, bem como outros regimentos sublevaram-se contra a presidência de facto de Pedro Carmona. Se não tinha condições internas de sustentar-se, apenas respaldado pelas classes médias e altas, o governo da coalizão empresarial-militar, emanado do golpe de 11/12 de abril, defrontou-se outrossim com enormes dificuldades externas para o seu reconhecimento. O Grupo do Rio, que realizava em Costa Rica a XVI Cimeira presidencial, reprovou prontamente a ruptura da ordem constitucional na Venezuela e solicitou ao embaixador César Gaviria, secretário-geral da OEA a convocação urgente do Conselho Permanente, de acordo com o Art. 20 da Carta Democrática Interamericana[52], aprovada na sessão plenária de 11 de setembro de 2001, incorporando a resolução AG/RES. 1080 (XXI-O/91)[53]. A questão fora levantada primeiramente pelo Brasil e os embaixadores na OEA aprovaram uma resolução, em que condenaram "a alteração da ordem constitucional na Venezuela". Somente em face da atitude de todos os demais estados da região, inclusive México e Canadá, de repudiar o golpe contra o governo de Hugo Chávez, a delegação dos EUA resignou-se a subscrever a moção da OEA. Mas só o fez no sábado, 13 de abril, quando as manifestações de massa haviam compelido Carmona a renunciar e Chávez retornou ao poder[54]. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100822/df89d1f2/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 22 14:20:01 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 22 Aug 2010 13:20:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22_Brasil_e_America_do_Sul=3A_ad?= =?iso-8859-1?q?eus_=E0_condi=E7=E3o_de_quintal_=22__Por_Luiz_Alber?= =?iso-8859-1?q?to_Moniz_Bandeira*___Parte_II?= Message-ID: <441752971A54426B9D03CE50A4A74B82@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem " Brasil e America do Sul: adeus à condição de quintal " (Parte II) Por Luiz Alberto Moniz Bandeira* União de Nações Sul-Americanas A crise na Venezuela não cessou. E o Brasil teve uma atuação ainda mais decisiva, visando a assegurar a estabilidade na Venezuela, em dezembro de 2002, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso, com o endosso do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, decidiu vender ao governo do presidente Hugo Chávez um navio petroleiro com 82 milhões de litros de combustível para enfrentar o desabastecimento provocado pela greve dos trabalhadores da Petróleo de Venezuela SA (PdVSA) e evitar a sua desestabilização. Apesar das críticas, por parte da oposição na Venezuela, à qual a iniciativa do Brasil desagradara, o governo de Lula, logo que inaugurado, tentou intermediar uma solução pacífica para a crise e enviou a Caracas o professor Marco Aurélio Garcia, assessor de Assuntos Internacionais do Presidente. O Brasil tinha investimentos na Venezuela, interesses econômicos, políticos e estratégicos, e não podia permitir a desestabilização do governo de Chávez, que fora eleito duas vezes e obtivera 60% dos votos, conforme o presidente Lula salientou. E daí porque propôs a formação de um grupo dos amigos da Venezuela (não só de Chávez) com a participação dos Estados Unidos e da Espanha, coordenado pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria, com a finalidade de intermediar uma solução pacífica, legal e constitucional para o impasse que perdurava havia vários meses. O presidente Lula, desde o início do seu mandato, demonstrou que sua política exterior trataria de robustecer a parceria estratégica com a Venezuela e aprofundar os vínculos com a Argentina, seu principal sócio no Mercosul, e que a integração da América do Sul era sua prioridade número um. Ele compreendeu que a base econômica e não exclusivamente política deveria lastrear a liderança do Brasil na América do Sul e que ela exigia o aumento das trocas comerciais, no contexto de um comércio regional mais equilibrado. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob a direção do professor Carlos Lessa, desempenhou importante papel no adensamento dessa política. Foi aberta uma linha de crédito para financiar a venda ao mercado brasileiro de máquinas, componentes e peças fabricadas no Mercosul, em especial na Argentina, ao mesmo tempo em que se previa dar tratamento semelhante aos do produto nacional nos financiamentos da Finame bens de capital fabricados na Argentina, Uruguai e Paraguai. O BNDES também aprovou um crédito de US$ 200 milhões para a ampliação de um gasoduto na Argentina, com a construção e montagem da tubulação, em um trecho de 508,85 quilômetros, expandindo a capacidade de transporte de gás natural da Companhia de Investimentos de Energia (Ciesa), ligada à filial da Petrobrás (Petrobrás Energia S/A, ex-Perez Companc), através dos gasodutos General San Martín e Neuba II, e ampliando a oferta de gás natural e eletricidade na região da Grande Buenos Aires. Igualmente com a Venezuela, considerada um dos pilares da integração da América do Sul, o Brasil tratou de aprofundar a parceria principalmente na área energética. A Petrobrás e a PdVSA assinaram 15 acordo que incluíam, entre outros projetos, a exploração de gás e extração de petróleo pesado, pela indústria brasileira, na região do rio Orinoco, e a construção de uma nova refinaria no Brasil, com investimento previsto de cerca de US$ 2 bilhões, com capacidade para produção diária entre 150.000 e 220.000. A entrada de Petrobrás na exploração de gás na Venezuela rompeu o monopólio virtualmente exercido pelas empresas dos Estados Unidos e da Europa e a Companhia Vale do Rio Doce projetou constituir com a venezuelana Corpozulia uma empresa binacional, para a exploração das reservas de carvão natural de Socuy, na Venezuela. Durante sua visita a Caracas, Lula firmou com Chávez vinte acordos de cooperação e investimentos, que incluíam a venda de 20 aviões militares, modelo Tucano, e créditos para a construção do metrô da cidade, bem como na área de defesa e vigilância da Amazônia, onde se previu a possibilidade de realização de exercícios conjuntos dos exércitos do Brasil e da Venezuela. "A solução para a economia da Venezuela, do Brasil e de outros países da América do Sul não está no Norte, além do oceano, mas na nossa integração" - disse Lula. Esses entendimentos entre Brasília e Caracas causaram, decerto, a inquietação de Washington, que tentava abusivamente isolar o governo de Hugo Chávez, por não subordinar-se aos seus desígnios. O presidente Lula deu continuidade ao projeto de integração física e energética, elaborado no governo de Fernando Henrique Cardoso, ampliando-o com a participação do BNDES. Porém, explicitou e enfatizou ainda mais o projeto de formação de uma Comunidade Sul-Americana de Nações, criada na Terceira Reunião dos Presidentes da América do Sul, em 8 de dezembro de 2004, na cidade de Cuzco (Peru), quando foi assinada a Declaração de Cuzco pelos presidentes e representantes[55] dos 12 países da região, i. e., os quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), os cinco da Comunidade Andina (Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e Bolívia), bem como o Chile, Suriname e Guiana. Na ocasião o presidente Lula anunciou a construção da Rodovia Interoceânica, que o Brasil e o Peru estavam a implementar. Era muito mais do que um projeto bilateral,. Interessa a todos os países da região. E, segundo Lula declarou, mostra que a Comunidade Sul-Americana de Nações, que estavam a inaugurar, não era mero exercício de retórica, pois exprimia o empenho dos países da região em superar as distâncias que ainda os separavam. Essa obra, a Rodovia Interoceânica, com 1.100 quilômetros de extensão, ligando o estado do Acre aos portos peruanos de Matarani, Ilo e Maratani, na região de Madre de Díos, no sudeste peruano, visava a possibilitar que o Brasil alcançasse mais facilmente os mercados da Ásia, através do Pacífico, e levar mais de meio milhão de turistas ao sul do Peru, onde o império inca nasceu e estão as ruínas de Machu Picchu. Ela fora orçada US$ 700 milhões, US$ 417 milhões (60%), financiados pelo Brasil por meio do Proex (Programa de Financiamento às Exportações, administrado pelo Banco do Brasil), e pelo Peru (40%), com o apoio da Corporação Andina de Fomento (CAF). Além da construção da construção da Rodovia Interoceânica foram assinados mais 31 projetos de infra-estrutura para a região, o que significava, em princípio, consolidar a agenda estratégica da integração física e energética que, desde havia alguns anos, estava sendo definida. O chanceler Celso Amorim, em entrevista à imprensa, ressaltou que a Comunidade Sul-Americana de Nações, baseada inicialmente em uma área de livre comércio e em projetos de infra-estrutura, iria reforçar a capacidade de negociação dos países da região, aumentando seu poder de barganha vis-à-vis dos grandes blocos econômicos, e admitiu a possibilidade de que ela viesse a gerar um processo de integração semelhante ao da União Européia, objetivo estratégico do Brasil. Este projeto, porém, defrontava-se com uma situação bastante complicada em alguns países, como Equador, Bolívia e Peru, onde a turbulência social e política não cessava, além das incertezas no relacionamento entre a Colômbia, instigada pelos Estados Unidos, e a Venezuela, e entre o Chile e a Bolívia, cujo plano de exportar gás por território chileno havia gerado a crise que terminou com a renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (17/10/2003) e em face da qual o Brasil decidiu não envolver-se, diretamente, como fizera no caso do golpe na Venezuela. Essa conexão da Bolívia com o Chile não convinha virtualmente à Petrobrás, que não apenas era a sua maior compradora de gás, incorporando-o à matriz energética do Brasil e aliviando o consumo de petróleo do parque industrial, como também se dedicava à exploração, distribuição e comercialização do petróleo, através de duas subsidiárias - Empresa Boliviana de Refinamiento e Empresa Boliviana de Distribución. Seus investimentos na Bolívia somavam cerca de US$ 2 bilhões, entre 27 multinacionais que lá atuavam, com um peso equivalente a cerca de 10% do PIB boliviano. E o fracasso de Washington na tentativa de impedir a queda de Sánchez de Lozada, seu protegido, permitiu ao Brasil conquistar posição vital na região. Impedida a saída do combustível para o oeste e congelado o projeto de construção do gasoduto, que uniria Tarija ao Chile, as exportações da Bolívia deviam voltar-se para o leste, através de um gasoduto de 3.150 quilômetros, traçado pela Petrobrás desde Santa Cruz de la Sierra, com ramificações até Canoas, no Rio Grande do Sul, e capacidade para transportar 24 milhões de metros cúbicos diários, dos quais cerca de 4 milhões eram importados pela Argentina, onde a Petrobrás comprara a companhia petrolífera Pérez Companc. Quando, porém, a crise voltou a agravar-se, nos primeiros meses de 2005, o governo de Lula, temendo que o presidente Carlos Mesa fosse deposto e ocorresse uma quebra institucional, buscou intermediar o conflito entre o governo e Evo Morales, líder do Movimiento al Socialismo, ao mesmo tempo em que defendia os interesses da Petrobrás. A vitória de Tabaré Vázquez, no Uruguai, em 2004 tendeu a fortalecer a iniciativa para a consolidação da Comunidade Sul-Americana de Nações. Os acordos no setor energético, que os governos sul-americanos estavam a celebrar, cumpriam uma função estratégica para o projeto de fortalecimento da integração econômica e política no continente. Era previsto um acordo energético com a Venezuela que permitirá ao Uruguai receber petróleo a um preço mais barato, em parte pago através de uma linha especial de crédito e o restante, com o fornecimento de carnes, lãs e laticínios. O acordo de cooperação energética, firmado a 2 de março de 2005, em Montevidéu, onde a PdVSA programava a abertura de um escritório, tinha como objetivo fundamental fortalecer os mecanismos de solidariedade, complementaridade e cooperação para dar respostas aos problemas de ambas as nações, e se inseria no esforço de criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. Além dos acordos com o Brasil e o Uruguai, a Venezuela já firmou convênios com empresas petrolíferas do Paraguai e da Argentina. dando seqüência ao projeto da Venezuela de estabelecer acordos estratégicos com os países do Mercosul, e o presidente Chávez excogitava encorajar a formação de uma empresa petrolífera dos Estados sul-americanos, a Petrosur. Era de incertezas e conflitos A Venezuela, a partir do final do governo de Fernando Henrique Cardoso, passou a ocupar relevante papel na política exterior do Brasil, não apenas servindo de contrapeso para a Argentina como também conformando com ela o triângulo estratégico, no processo de integração da América do Sul, o estabelecimento de uma unidade econômica e política entre os países da região, condição necessária e indispensável a uma inserção equilibrada no cenário internacional. Entretanto, assim como a Alemanha e a França constituíram a força propulsora da União Européia, o Brasil e a Argentina, desde os primórdios, configuraram os pilares básicos do Mercosul, o núcleo da Comunidade Sul-Americana de Nações em construção. E a perspectiva era de que a Argentina executasse uma política externa coerente, constante, uma política externa de Estado, sem oscilar conforme os humores conjunturais, e funcionasse como fator de aglutinação dos países hispano-sulamericanos, o que ela teria condições de fazer, mas somente respaldada e coligada com o Brasil, o que significava unificar a América do Sul. O Brasil estava a exercer a liderança em uma era de incertezas, em uma região marcada por crescente instabilidade econômica e política e tensões militares, devido em larga medida à presença dos Estados Unidos, particularmente na Colômbia, Equador e Bolívia. O Brasil não admitia que o Estado colombiano se desintegrasse, com as FARC a controlar 40% do seu território, mas se recusava a confundir o combate ao narcotráfico com a repressão da insurgência, e via com desconfiança a presença dos Estados Unidos nas repúblicas do Pacífico, na região da Amazônia. Daí porque procurou evitar que degenerasse em conflito militar o incidente diplomático entre a Colômbia e Venezuela, por causa da violação de sua soberania com a captura ilegal, possivelmente com o auxílio da CIA, de um dirigente das FARC em Caracas. A política do Brasil vis-à-vis da Colômbia manteve a mesma diretriz, desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, consubstanciada no apoio ao processo de paz, que em verdade nunca avançou, desde a presidência de Andrés Pastrana (1998-2001), defesa da soberania nacional e repúdio à intervenção estrangeira nas questões internas do país. Outrossim o Brasil continuou a condenar o embargo a que Cuba fora submetida pelos Estados Unidos, desde 1960, em meio de pressões e ameaças contra o regime de Fidel Castro. O presidente Lula, no entanto, visitou Havana, em 2003, onde assinou 12 acordos de cooperação, inclusive para a exploração de Petróleo pela Petrobrás, e rejeitou as pressões internacionais para que intercedesse pela liberdade de presos políticos em Cuba. "Não é boa política um chefe de Estado se meter em assuntos internos de outro país. Vou tratar dos interesses do Brasil. Não vou dar palpite em política interna de outro país", afirmou Lula no México.[56] Posteriormente, ele apelou para que Castro entendesse que o "Brasil pode ajudar a construir o processo democrático em Cuba", e reiterou a condenação do embargo imposto há mais de 40 anos pelos Estados Unidos, dizendo: "Temos muito a fazer pela democracia em Cuba. Temos que ajudar na luta contra o embargo (econômico imposto pelos norte-americanos há quatro décadas). O Brasil tem uma chance de ajudar a dar normalidade nas relações de Cuba."[57] A questão do regime político em Cuba era o que mais dificultava sua aproximação, conforme desejada por Fidel Castro, devido à "cláusula democrática". Embora contrariasse a tradicional política exterior de não envolver-se militarmente em questões no Caribe e na América Central, tradição esta quebrada apenas quando o presidente, general Humberto Castelo Branco, também enviou tropa para Santo Domingo, em 1965, o governo de Lula decidiu despachar um contingente de 1.100 soldados para o Haiti, também como força internacional de paz (integrada por americanos, franceses, canadenses e dos países do Caribe), de acordo com resolução do Conselho de Segurança da ONU, com a missão de estabilizar o país após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristides, com o velado suporte dos Estados Unidos, segundo tudo indicou. Essa iniciativa controvertida provocou fortes reações internas, da esquerda do PT, da CUT e MST, por ferir o princípio de não-intervenção nos assuntos internos de outros países, consolidado pela Constituição brasileira. Segundo os críticos, o fato de o Haiti haver sofrido um golpe de Estado, apoiado pelos Estados Unidos, tornava qualquer tropa estrangeira no Haiti uma força de ocupação e não parte de uma missão de paz da ONU. Indagado sobre a razão de tal iniciativa, o chanceler Celso Amorim explicou que o Haiti era um país latino, com as mesmas raízes culturais do Brasil e não lhe interessava vê-lo tornar-se um narco-Estado. O que o Brasil procurou, no entanto, foi dar uma demonstração de que se dispunha a exercer um proeminente papel internacional, pelo menos no âmbito do hemisfério, e a vigorar sua posição de candidato a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU. Esta questão, a pretendida vaga no Conselho de Segurança da ONU, era que alimentava um clima de desconfiança e fricções entre o Brasil e a Argentina, reacendendo uma rivalidade residual que não fazia qualquer sentido. Em primeiro lugar, não havia qualquer possibilidade imediata de uma reforma da ONU, apesar de que fosse necessária, pois os cinco membros permanentes, principalmente os Estados Unidos não se dispunham certamente a dar o mesmo poder de veto a outros países. Em segundo lugar, avaliando o peso específico, tanto econômico quanto político e estratégico, se a América Latina viesse a ter dois representantes no Conselho de Segurança da ONU, um seria, forçosamente, o Brasil, dado o seu status de potência regional que continuava a insistir na obtenção de uma vaga (prometida aliás pelo presidente Franklin D. Roosevelt ao presidente Getúlio Vargas, devido à sua participação na Segunda Guerra Mundial), com o objetivo de denunciar o congelamento do poder mundial, sua estratificação, favorecendo apenas cinco potências, que detinham capacidade nuclear. A política exterior do México era conflitante com a do Brasil, país com o qual não mantinha um tratado de livre comércio. O México aceitara a subordinação aos Estados Unidos e estava a concorrer para a desarticulação política dos países do Terceiro Mundo nas negociações econômicas multilaterais e regionais, e, reforçando as pressões internas neoliberais, tratou de atraí-los para a órbita dos Estados Unidos, temendo o isolamento do resto da América Latina. As negociações sobre livre comércio ou acordos preferenciais bilaterais com alguns países latino-americanos - como Colômbia e Venezuela, para formar o então G-3 - e o amplo acordo México-Uruguai, sem resultados comerciais mas que criou sérias dificuldades para o Mercosul, foram parte de uma estratégia para preservar as preferências comerciais que o México usufruía na ALADI, e amortecer as reações à mudança radical na política externa mexicana e até para abrir caminho para as futuras negociações da ALCA.[58] O exemplo do México possibilitou que outros governos latino-americanos aceitassem a proposta dos Estados Unidos para negociar a criação da ALCA. No entanto, como o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães salientou, "a posição geográfica especial do México e o acesso (legal ou ilegal) de sua população ao mercado de trabalho dos Estados Unidos, com as conseqüentes remessas de dinheiro dos imigrantes, não são válidas para outros países latino-americanos".[59] O mesmo se podia dizer com respeito aos demais países da América Central e do Caribe, todos dependentes dos Estados Unidos, particularmente das remessas de dólares, feitas pelos seus nacionais que para lá emigraram. Em tais circunstâncias, não fazia o menor sentido pensar na unidade de uma América Latina, separada não apenas pelo Canal do Panamá, mas dividida efetivamente por interesses e vínculos econômicos e fatores geopolíticos conflitantes.. O que ao Brasil convinha, assim como à Argentina, era conduzir, de maneira realista, a consolidação do Mercosul e a formação da Comunidade Sul-Americana de Nações como um sistema econômico e político unificado, dentro de um sistema mundial, fortemente competitivo e violento, em que os Estados Unidos tratavam de concentrar e congelar o poder mundial. O processo de globalização sempre significou o crescente domínio das mega-corporações americanas, o esforço de modelar um novo tipo de Império, com a transformação dos exércitos dos países neo-colonizados em forças de polícia, para defender os interesses do capital financeiro e a dolarização de suas economias. Não obstante, o sistema mundial tendia a evoluir para a multipolaridade, apesar da preeminência conjuntural dos Estados Unidos. E nem o Brasil nem a Argentina deviam considerar essa preeminência como definitiva e aceitar o destino de províncias avançadas do grande Império. A previsão do banco Goldman Sachs era a de que, por volta do ano 2025, as economias do grupo conhecido como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China, juntas, representariam mais de metade da economia do G6, formado por Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália, tendendo a suplantá-la até o ano 2050. [60] O Brasil, ao encorajar, na reunião de Cuzco, o lançamento da União Sul-Americana de Nações, depois denominada União de Nações Sul-americanas (UNASUL), teve um objetivo estratégico, visando a tornar não propriamente a si próprio, mas o conjunto dos países do sub-continente, uma potência mundial, não só econômica, como também política. Sua dimensão ultrapassava, de longe, o caráter meramente comercial. O Brasil não abdicara do projeto de tornar-se potência mundial, porém, compreendera que a consecução de tal objetivo passava pela sua integração com a Argentina e, em uma segunda etapa, com todos os demais países da América do Sul. A união da Argentina e do Brasil não significava uma soma de dois países, mas uma multiplicação de fatores, como certa vez o presidente Arturo Frondizi (1958-1962) ressaltou.[61] E a união dos demais países da América do Sul com o Brasil e a Argentina, em uma comunidade econômica e política, conformaria uma grande potência, como enorme peso no cenário mundial. Tornava-se necessário, portanto, criar um quadro institucional, um organismo mais amplo, para abarcar e agregar todas as nações da América do Sul que não participam plenamente del Mercosul, com o objetivo de promover a realização de vários projetos de integração, não só econômica e comercial, mas também de comunicação, infra-estrutura, transporte, energética, educacional, cultural, científica e tecnológica. A celebração do Tratado Constitutivo da União de Nações Sul-americanas (UNASUL) foi um fato de grande significação histórica. A UNASUL passou a ter uma personalidade jurídica, com a forma de uma organização internacional, com um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. Constitui um avanço no sentido da coordenação de políticas. E dentro desse marco institucional deve concretizar-se o projeto do Banco do Sul e do gasoduto desde Venezuela, passando pelo Brasil, até a Argentina. Dificuldades, divergências, contradições há e sempre haverá, em virtude da enorme assimetria que existe entre os países da América do Sul, principalmente entre o Brasil e seus vizinhos. Não há, porém, qualquer perspectiva para os países pequenos se não se unirem e formarem um amplo espaço econômico comum, de modo a alcançarem melhor inserção nacional. O Brasil constituiu, por si só, um enorme espaço econômico, não obstante a assimetria existente entre os 26 Estados que o compõem. Adquire um peso internacional maior. Maior, porém, seria o peso da América do Sul integrada. Composta por doze Estados, dentro de um espaço contíguo, possuía, em 2007, uma população total de 360 milhões de habitantes, cerca de 67% de toda a América Latina e o equivalente a 6% da população mundial (6.706.993.152 - 2008 est.), com integração lingüística, pois imensa maioria falava português ou espanhol, e detinha uma das maiores reservas de água doce e biodiversidade do planeta, além de imensas riquezas em recursos minerais, pesca e agricultura. E não apenas sua população era maior que a dos Estados Unidos (303.027.571, est. 2008). Seu território, cerca de 17 milhões de quilômetros quadrados, era o dobro do território americano, com 9.631.418 quilômetros quadrados. Em tais circunstâncias, a União de Nações Sul-Americanas, uma vez politicamente unificada, com um PIB da ordem US$ 3,5 trilhões (para o qual o Brasil concorria com US$ 1,849 trilhão (est. 007)[62], pode representar extraordinária força econômica e política, como demonstrada em 2008 na crise desencadeada pela tentativa separatista de Santa Cruz de la Sierra e demais departamentos da Media Luna da Bolívia. Evidenciou-se assim sua capacidade de influenciar e obter importantes resultados no sistema internacional, em que prevalecerão os grandes blocos, constituídos pelos Estados Unidos, União Européia, Rússia, China e Índia. Também publicado em http://www.espacoacademico.com.br/091/91bandeira.htm Titulo original: O Brasil como potência regional e a importância estratégica da América do Sul na sua política exterior * Texto para o seminário sobre "A política exterior do Brasil em sua própria visão e na dos parceiros". Consulado-Geral do Brasil em Munique, 7 de novembro de 2008. * Luiz Alberto Moniz Bandeira é cientista político, professor titular de história da política exterior do Brasil, na Universidade de Brasília (aposentado) e autor de mais de 20 obras, entre as quais Formação do Império Americano (Da guerra contra a Espanha à guerra no Iraque), pela qual recebeu o Troféu Juca Pato, eleito pela União Brasileira de Escritores (UBE) Intelectual do Ano 2005. [1] GRAMSCI, Antonio - Maquiavel, a Política e o Estado Moderno, 2a. ed., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1976, p. 191. [2] DEUTSCH, Karl W. - "On the Concepts of Politics and Power", in Farrel, John C. & Smith, Asa P. (editors) - Theory and Reality in International Relations, New York - London, Columbia University Press, 1967, p. 52-54. [3] http://www2.petrobras.com.br/Petrobras/ [4] Ibid. [5] https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/uk.html [6] KISSINGER, Henry. Does America Need a Foreign Policy. Toward a Diplomacy for 21st Century. Nova York: Simon and Schuster, 2001, pp. 159-160. [7] "Brazil saw itself organizing Latin America while the United States performed the same task in the North America, the two enterprises to work in harmony through frequent exchanges aimed at articulating a common set of purposes." Id., ibid., p. 159 [8] Id., ibid., p. 159. [9] "Exposição aos estagiários da Escola Superior de Guerra". Washington, 22.06.1974; "Exposição aos estagiários da Escola Superior de Guerra". Washington, 17.06.1975, in Araújo Castro, J. A. - Araújo Castro (Coletânea de Discursos). Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1982, pp. 283-284 e 315-316.. [10] "Exposição aos estagiários da Escola Superior de Guerra". Washington, 22.06.1974; "Exposição aos estagiários da Escola Superior de Guerra". Washington, 17.06.1975, in Araújo Castro, 1982, pp. 283-284 e 315-316. [11] Despacho nº 17, M. Maillefer a Drouyn de Lhuys, Montevidéu, 05.03.1854, in Revista Histórica nº 51, 449. [12] "Amerika ist somit das Land der Zukunft, in welchem sich in vor uns liegenden Zeiten, etwa im Streite von Nord- und Südamerika, die weltgeschichtliche Wichtigkeit offenbaren soll". Hegel, Band I, 1994, p.208. [13] Id. Ibid., p.208. [14] Chevalier, Michel. Lettres sur l'Amérique du Nord. Librairie de Charles Gosselin et Cie, 1837. 2 vol. [15] PINHEIRO GUIMARÃES, Samuel. Quinhentos anos de periferia. Rio de Janeiro-Porto Alegre: Editora Contraponto - Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1ª. edição, 1999, p. 146. [16] Moniz Bandeira, 3ª. Edição, 1998, pp. 21-87. [17] Teixeira Soares, 1972, p. 213. Santos, 2002, pp. 75-86, 99-109. [18] Vide Teixeira Soares, 1971, pp. 17-21. [19] Cervo & Bueno, 2ª edição, 2002, pp. 87-107 [20] Teixeira Soares, 1971, pp. 17-21. [21] Dom Pedro II, 1956, p. 62. [22] Ofício de Miguel Maria Lisboa a Benevenuto Augusto de Magalhães Taques, Washington, 20/10/1961. Taques a Lisboa, 07/11/1861. Missões Diplomáticas Brasileiras. Legações Imperiais na Europa. Arquivo Histórico do Itamaraty 233/3/11 e 235/2/1. [23] Telegrama de Rio Branco a Joaquim Nabuco, Embajador de Brasil em Washington. 10.11.1908. Ibid. [24] Entrevista do Embaixador José Joaquim de Lima e Silva Moniz de Aragão, que foi secretário particular do Barão do Rio Branco. Rio de Janeiro, 1971. [25] Telegrama de Rio Branco a la Embajada de Brasil en Washington, 16.6.1910. Telegramas expedidos - AHI - 235/4/1. [26] Vide Moniz Bandeira, Luiz Alberto. Brasil, Argentina e Estados Unidos: conflito e integração na América do Sul. Rio de Janeiro: Editora Revan, 1993. [27] Relatório Reservado sobre a Política Exterior do Brasil e dos países da América do Sul. Organizado por ordem de Sua Excia. o senhor Ministro de Estado das Relações Exteriores pelo 1° official da Secretaria de Estados, Ronald de Carvalho (Do Gabinete do Ministro). Rio de Janeiro, 1927. Arquivo do Autor. [28] Carta de Oswaldo Aranha a Getúlio Vargas, Washington, 9.4.1935. AGV - doc.18, vol. 18. [29] Vargas, 1995, p. 454. [30] Discurso, in Correio da Manhã, 22/06/1958, última página. Vide Moniz Bandeira, 2ª. Edição, 1978, pp. 382-382 [31] Ricupero, janeiro/março, 1984, Senado Federal, p. 63. [32] Moniz Bandeira, 2003, 2ª. Edição, p. 458. Moniz Bandeira, 2004, pp. 164-165. [33] Entrevista do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães a Valor Econômico, 2.2.2001. [34] Ibid. [35] Cardoso, Fernando Henrique - "O Brasil e uma nova América do Sul", Valor Econômico, 30 de agosto de 2000. [36] Ibid. [37] Kissinger, Henry. Does America Needs a Foreign Policy? New York: Simon & Schuster, 2001, p. 152 - 163. [38] Em abril de 1998, os quatro estados do Mercosul celebraram os estados da Comunidade Andina de Nações (CAN) um acordo-quadro que previa a criação de uma zona de livre comércio entre os dois blocos a partir de janeiro de 2000. O intercâmbio com o CAN, no ano 2000, alcançou um montante da ordem de US$ 5,5 milhões, 29% maior do que em 1999, sendo os fluxos de comércio mais importantes os registrados entre Brasil e Venezuela e Brasil e Colômbia[38]. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Brasília. [39] Cardoso, Fernando Henrique - "O Brasil e uma nova América do Sul", Valor Econômico, 30 de agosto de 2000. [40] Discurso do Presidente Fernando Henrique Cardoso, na Reunido de Cúpula do MERCOSUR, na ocasião do da Reunião do Conselho do Mercado Comum, Assunção, 22 de junho de 2001. [41] Rohter, Larry - "South American Trade Bloc Called Mercosur Under Siege", in The New York Times, New York, 24.3.2001. [42] Kissinger, Henry. Does America Needs a Foreign Policy? New York: Simon & Schuster, 2001, p. 152 - 163. [43] Id., ibid., p. 152. [44] Id., ibid., p. 163. [45] Cervo, Amado Luiz & Bueno, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. Brasília: Instituto Brasileiro de Relações Internacionais-Editora da Universidade de Brasília, 2002, pp. 486-487. [46] O general Lino César Oviedo Silva fez rápida carreira no Exército, desde a queda de Stroessener em 1989. Naquela época, era simples coronel e foi ajudante do general Andrés Rodríguez, comandante do Primeiro Corpo do Exército. Em 1992, converteu-se em chefe da campanha da candidatura de Juan Carlos Wasmosy e influiu para que ele derrotasse Luiz Maria Argaña. Certa vez declarou: "Fuerzas Armadas y Partido Colorado cogobernaremos siempre, chille quien chille, llore quien llore, moleste a quien moleste". E em 1993 começou sua carreira política. [47] A United Technologies produzia o poderoso helicóptero UH-60L Black Hawk, o Falcão Negro, e a Bell Textron procurava vender helicóptero UH-1H Huey. Ambas corporações investiram nas campanhas eleitorais dos EUA. Constava que, nas campanhas de 1996 e 1998, a Bell Textron deu uma contribuição de US$ 551,816 ao Partido Republicano e US$ 364,420 ao Partido Democrata; a United Technologies contribuiu com US$ 362,340 para o Partido Republicano e US$ 347,200 dólares para o Partido Democrata. [48] La Nación, Buenos Aires, 22.6.2001. [49] El Universal, Caracas, 08.0, 2002. [50] Wayne Madsen, antigo agente do serviço de inteligência da marinha norte-americana, revelou ao jornal inglês The Guardian que, desde junho de 2001, os EUA estavam a considerar a possibilidade de derrubar Chávez, e seus navios, estacionados no Caribe, entre 11 e 12 de abril, não apenas intervieram nas comunicações das embaixadas de Cuba, Líbia, Irã e Iraque, como permaneceram em estado de alerta, com o objetivo de evacuar os cidadãos americanos, se necessário. Campbell, Duncan - "American navy 'helped Venezuelan coup'", The Guardian, Londres, 29.04.2002. O presidente Hugo Chávez revelou a uma comitiva de deputados brasileiros, chefiada pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, que o governo venezuelano tem registros da presença de oficiais do exercito americano no Forte Tiúna no dia do golpe. "Ele tem tudo anotado, a que horas os adidos militares americanos saíram dos quartéis e a que horas chegaram ao forte", disse o deputado Aldo Rebelo. "Chávez volta a acusar EUA" , Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 01.05.2002. [51] Na mesma sexta-feira, 12 de abril, os advogados do Departamento de Estado, estudando a constituição da Venezuela, notaram que a renúncia do presidente da República não era válida até que fosse aceita pela Assembléia Nacional, que tinha o poder de instalar um novo chefe de governo. [52] O Art. 20 da Carta Democrática Interamericana dispõe que, "caso num Estado membro ocorra uma alteração da ordem constitucional que afete gravemente sua ordem democrática, qualquer Estado membro ou o Secretário-Geral poderá solicitar a convocação imediata do Conselho Permanente para realizar uma avaliação coletiva da situação e adotar as decisões que julgar conveniente". [53] Consejo Permanente de la Organización de los Estados Americanos, Acta de la Sesión Extraordinaria celebrada el 21 de Enero de 2000. A OEA, mediante a resolução AG/RES. 1080 (XXI-O/91), estabelecera um mecanismo para ajudar a restabelecer a democracia representativa onde ela sofresse uma interrupção. Essa resolução foi aprovada na quinta sessão plenária da OEA, ocorrida em 5 de junho de 1991. [54] Marquis, Christopher - "U.S. Cautioned Leader of Plot Against Chávez" , The New York Times, 17.04.2002 [55] Os presidentes, Néstor Kirchner, da Argentina; Lucio Gutiérrez Equador; Nicanor Duarte, Paraguai; e Jorge Batlle, do Uruguai, não participaram da reunião por diversos motivos, mas deixaram claro seu apoio à decisão. [56] Fraga, Plínio. "Não vou palpitar na política de Cuba, diz Lula. Folha de São Paulo, 26/09/2003 [57] Gielow, Igor Lula diz que ajudará Cuba a ter democracia. Folha de S. Paulo, 09/04/2005 [58] Guimarães, Samuel Pinheiro. "O papel político internacional do Mercosul". 12 de julho de 2004. [59] Ibid. [60] The Goldman Sachs Group, Inc - Global Economics Paper No. 99: Dreaming with BRICs: The Path to 2050 [61] Entrevista ao Autor, Buenos Aires, 1975. [62] De acordo com o método da paridade do poder de compra. (Envolverde/Outras Palavras) © Copyleft - É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Se você é novo por aqui, considere se inscrever para receber nossas notícias. É lamentável saber que uma sociedade como a nossa possa criar doenças para lucrar, mas não é improvável. Saibam: A Monsanto, principal responsável pelas pesquisas de alimentos transgênicos, maior empresa do setor no mundo, antes de lidar com alimentos, era (ainda é) uma super empresa Química. Saiba mais sobre os transgênicos em: O que são alimentos transgênicos? -------------------------------------------------------------------------------- ?Morgellons disease?, nova ameaça dos transgênicos? Dr. Geraldo Deffune G. de Oliveira (Engenheiro Agrônomo, PhD) é membro da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica Uma doença que provoca rupturas na pele pela erupção de fibras desconhecidas (aparentemente constituídas de celulose contendo minerais como alumina e calcita) com desfiguração e infecções secundárias, especialmente em crianças e idosos, designada ?Morgellons disease?, se espalhou por todos os 50 estados dos EUA nos últimos 10 anos, concomitantemente à expansão dos transgênicos. Já há casos diagnosticados em países da Europa e África, no Japão, Filipinas, Indonésia e Austrália. O problema se agravou a ponto de ser instituída uma pesquisa oficial do Centers for Disease Control (CDC ? USA) para determinar as causas dessa síndrome. Há indicações científicas de que é causada por Agrobacterium tumefasciens, o organismo mais alterado e trabalhado pela engenharia genética, que ensinou ao homem essa pseudotecnologia e fornece as Ti-Plasmids (Ti = Tumor Inducing, que produzem tumores nas raízes), estruturas de transferência de material genético que são usadas para carregar e inserir os transgenes. Como os Agrobacteria são muito promíscuos na aquisição de ácidos nucleicos e estão presentes em todos os solos do mundo, é provável que tenham incorporado genes de virulência para humanos, por exemplo, dos ?promotores virais? usados na montagem de transgenes e seus mutantes, que continuamente se desprendem dos milhões de toneladas de resíduos transgênicos que se decompõem pelos campos cultivados, espalhando-se pelo ambiente. Vejam abaixo o resumo das pesquisas do Dr. Vitali Citovsky (da SUNY ? State University of New York, Stony Brook, NY) que tem muitas publicações sobre a infectividade de Agrobacteria em animais. Ele identificou a presença de genes de Agrobacterium derivados tanto de cromossomos como da Ti-plasmid, incluindo T-DNA, nos tecidos amostrados de todos os pacientes com Morgellons analisados na pesquisa. Informações em: http://www.morgellons-disease-research.com/ ;http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=9891; e http://www.morgellons.org/suny.htm Se essas suspeitas forem confirmadas, fica em aberto a possibilidade de que a ?Morgellons disease? seja apenas a ?ponta do iceberg? de inúmeras doenças novas, mas sem sintomas tão visíveis, que podem estar sendo geradas pela contaminação transgênica do ambiente e alimentos, pois os trangenes perduram nas micelas de argila do solo, na água e no trato digestivo de animais ? onde podem ser absorvidos por inúmeros micróbios benéficos ou inóquos à saúde até o momento. Dr. Geraldo Deffune G. de Oliveira (Engenheiro Agrônomo, PhD) é membro da Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica -------------------------------------------------------------------------------- Doença de Morgellons ? http://decs.bvs.br/ Vídeo interessantíssimo que liga assuntos como Conspiração, Chemtrails, SmartDust e Morgellons. http://www.youtube.com/watch?v=Ba-chPZA7UI ============================================================================================ Alimentos: El secreto más grande es expuesto UN VIDEO PARA REFLEXIONAR SOBRE LO QUE CONSUMIMOS Si usted se quiere envenenar está en su derecho, por favor no envenene los niños. Ver video: http://www.youtube.com/watch?v=wpE6097WXd0 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100823/f83bb540/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 23 20:09:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 23 Aug 2010 19:09:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Os_EUA_querem_salvar_o_mundo_do_t?= =?iso-8859-1?q?errorismo_e_quem_salvar=E1_o_mundo_dos_EUA=3F?= Message-ID: Carta O Berro..............................................repassem Os EUA querem salvar o mundo do terrorismo e quem salvará o mundo dos EUA? Izaías Almada é escritor e colunista do NR A arrogância e a prepotência com que o governo dos EUA se comporta no mundo contemporâneo, além de cansativas, estão se tornando um perigo para a sobrevivência da humanidade. Que eu saiba, à exceção dos poucos países cujos governos mantêm uma postura totalmente submissa aos interesses norte americanos (cito de cabeça a Colômbia, a Costa Rica, a Arábia Saudita e a Coréia do Sul como exemplos mais significativos), nenhum de nós, mortais, deu procuração a Washington para pensarem e agirem em nosso nome. Essa "luta contra o terrorismo", a "defesa da democracia" e o "combate ao narcotráfico" já não convencem a ninguém mais. A quem quer enganar o Tio Sam? Luta contra o terrorismo? Mas quem é que armou o Talibã? Quem criou Osama Bin Laden? Quem tortura inocentes na prisão de Guantánamo? Quem apoiou a maioria dos golpes de estado na América Latina nos anos 50, 60 e 70 e o recente golpe em Honduras? Quem apoiou a Operação Condor e praticou atentados terroristas no Cone Sul? Quem financiou terroristas como Posada Carriles e que vive exilado nos EUA? "Democracia"? Mas de qual democracia estamos falando, cara pálida? Dessa que paga salários monstruosos a executivos para fraudarem balanços e balancetes a enganarem a própria sociedade norte-americana? Essa democracia, cujos bancos, lavam dinheiro da droga? Essa democracia envia dez mil soldados em "ajuda humanitária" ao Haiti? Essa democracia que mata civis inocentes no Iraque e no Afeganistão? Essa democracia que apóia a ignomínia de Israel contra os palestinos? "Combate ao narcotráfico"? Mas qual é, segundo dados da própria ONU, o país que mais consome drogas pesadas do mundo, como o ópio e a cocaína? Cujos lucros passam já de 400 bilhões de dólares anuais, dinheiro sujo, mas legalmente lavado em alguns dos principais bancos do Tio Sam? Dinheiro, que já se suspeita, financia algumas operações da CIA "around the world"? Nesse item particular, do "combate ao narcotráfico", cabem aqui algumas perguntinhas que não querem calar: do que precisa o maior país consumidor de drogas do mundo? Da droga, é claro, responderia o conselheiro Acácio. Onde se produz mais ópio? AFEGANISTÃO. Onde se produz mais cocaína? COLÔMBIA. Muito bem. Vamos investigar mais um pouquinho. Como é que se faz para o ópio chegar aos Estados Unidos da América em grande quantidade e segurança, se há uma guerra de invasão ao Afeganistão e o país está sob o comando das Forças Armadas dos EUA? Como é que a cocaína deixa a Colômbia em quantidade e segurança, se boa parte do território está vigiada pelo exército Colombiano e por sete bases militares dos EUA com os mais sofisticados armamentos e sistemas de vigilância do mundo? Contem essas histórias para outros... Até quando o mundo será obrigado a conviver com essa hipocrisia, com tanta mentira e empulhação, como se fossemos todos uns idiotas que não sabemos o que queremos? Ou somos? O drama é real para todos, enquanto a pobre sociedade norte-americana vai se tornando cada vez mais doente, em parte alienada pela droga, em parte pela lavagem cerebral que sofrem seus cidadãos dos meios de comunicação, e em parte ainda por ter de suportar quase que em tempo integral seus jovens partirem para guerras umas atrás das outras. Só no primeiro semestre de 2010, 145 soldados americanos cometeram suicídio no Iraque e no Afeganistão. E 1713 tentaram. Quem salvará o mundo dos Estados Unidos da América? -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100823/00050248/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15942 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100823/00050248/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28229 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100823/00050248/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 24 20:01:21 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 24 Aug 2010 19:01:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Hist=F3ria_completa_da_cria=E7?= =?windows-1252?q?=E3o_do_FED=2E?= Message-ID: Carta O Berro....................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marco Aurelio Esse livro,em espanhol,narra a criação do banco central privado dos EUA.Também começou com essa história de banco central independente e acabou com a entrega da emissão de moeda dos EUA ao consórcio de 12 bancos privados que forma o FED-sendo que o FED de Nova Iorque manda em todos eles. É bom espalhar esse livro para podermos combater essa história de "banco central independente" que a mídia vem,insistentemente,propagando. Aqui vai, também, um artigo traduzido para o portugues,do mesmo livro, e o endereço do filme "Os donos do dinheiro" que explica todos os processos devastadores de privatização de bancos centrais pelo mundo afora: http://www.youtube.com/watch?v=Rcbq1dXMS6A Você pode baixá-lo aqui: http://pt.kickasstorrents.com/search/os%20mestres%20do%20dinheiro/ Mecanismo Mandrake: Como o FED cria dinheiro a partir do nada http://amigoacarlosverdadenomundo.blogspot.com/2010/08/mecanismo-mandrake-como-o-fed-cria.html Posted: 07 Aug 2010 04:12 PM PDT O Que É o Mecanismo Mandrake? Capítulo 10 do livro The Creature of Jekyll Island, de G. Edward Griffin Esta será a lição financeira mais importante de sua vida! O Mecanismo Mandrake é o método pelo qual o Sistema da Reserva Federal cria dinheiro a partir do nada; o conceito de usura como o pagamento de juros em pretensos empréstimos; a verdadeira causa do tributo oculto chamado de inflação; o modo como um banco central cria os ciclos de expansão rápida e estouro da bolha. Nos anos 1940s havia um personagem de revista em quadrinhos chamado Mandrake, o Mágico. A especialidade dele era criar coisas a partir do nada e, quando apropriado, fazê-las desaparecer. É adequado, portanto, que o processo a ser descrito nesta seção seja nomeado em sua honra. Nos capítulos anteriores, examinamos a técnica desenvolvida pelos cientistas políticos e financeiros para criar dinheiro a partir do nada para o propósito de emprestá-lo. Essa não é uma descrição totalmente exata, pois implica que o dinheiro é criado primeiro e então aguarda que alguém o tome emprestado. Por outro lado, os livros-texto sobre bancos dizem frequentemente que o dinheiro é criado a partir da dívida. Isto também é enganoso, porque implica que a dívida existe primeiro e então é convertida em dinheiro. Na verdade, o dinheiro não é criado até o instante em que é tomado emprestado. É o ato de tomar emprestado que faz o dinheiro aparecer. A propósito, o ato de pagar a dívida é que faz o dinheiro desaparecer. Não existe uma frase curta que descreva perfeitamente este processo. Portanto, até que uma frase seja inventada ao longo do caminho, continuaremos a usar a expressão ?criar dinheiro a partir do nada? e, ocasionalmente, acrescentaremos ?para o propósito de emprestá-lo?, quando for necessário clarificar melhor o significado. Assim, vamos ver agora o quão longe esse processo de dinheiro/criação de dívida foi levado ? e como ele funciona. O primeiro fato que precisa ser considerado é que nosso dinheiro hoje não tem lastro algum em ouro ou prata. A fração não é 54%, nem 15%. É 0%. Nosso dinheiro percorreu o caminho de todas as moedas fracionárias anteriores na história e já se degenerou em dinheiro totalmente fiduciário. O fato que a maior parte dele esteja na forma de saldo no talão de cheques, em vez de notas de papel, é uma mera tecnicidade; e o fato de os banqueiros falarem sobre ?coeficientes de reserva? é para esconder a situação. As assim chamadas reservas às quais eles se referem são, na verdade, títulos e outros certificados da dívida do Tesouro. Nosso dinheiro é totalmente fiduciário. O segundo fato que precisa ser claramente compreendido é que, a despeito do jargão técnico e dos procedimentos aparentemente complicados, o mecanismo real pelo qual o Sistema da Reserva Federal cria dinheiro é bastante simples. Ele faz isso exatamente do mesmo modo como os ourives do passado faziam, exceto, é claro, que estes estivessem limitados pela necessidade de guardar alguns metais preciosos em reserva, enquanto que o Fed não tem esse tipo de restrição. A Reserva Federal é cândida e incrivelmente franca com relação a esse processo. Um livreto publicado pelo Banco da Federal Reserve de Nova York diz: ?A moeda não pode ser resgatada, ou permutada, por ouro do Tesouro, ou por qualquer outro ativo usado como lastro. A questão de quais bens exatamente ?lastreiam? as notas da Federal Reserve tem pouca importância, exceto contábil.? Adiante na mesma publicação, somos informados que: ?Os bancos estão criando dinheiro com base na promessa de um tomador de empréstimos pagar (a Nota Promissória)? Os bancos criam dinheiro ?monetizando? as dívidas privadas das empresas e das pessoas físicas.?. Em um livreto intitulado Modern Money Mechanics, o Banco da Reserva Federal de Chicago diz: ?Nos Estados Unidos nem o papel-moeda nem os depósitos têm valor como commodities. Intrinsecamente, a nota de um dólar é apenas um pedaço de papel. Os depósitos são meramente informações contábeis. As moedas têm certo valor intrínseco como metal, porém geralmente muito menos do que seu valor de face.? O que, então, torna esses instrumentos ? cheques, notas e moedas ? aceitáveis em valor de face no pagamento de todas as dívidas e outros usos monetários? Principalmente, é a confiança que as pessoas têm que poderão trocar esse dinheiro por outros ativos financeiros, ou por bens e produtos reais sempre que quiserem. Isto parcialmente é uma questão de lei; a moeda foi designada ?meio legal de pagamento? pelo governo ? isto é, ela precisa ser aceita. Nas letras miúdas de uma nota de rodapé em um boletim do Banco da Federal Reserve de St. Louis, encontramos a seguinte explicação surpreendentemente cândida: ?Os sistemas monetários modernos têm uma base fiduciária ? literalmente dinheiro por decreto do governo ? com as instituições depositárias atuando como agentes fiduciários, criando obrigações contra si mesmas com a base fiduciária atuando em parte como reservas. O decreto aparece nas notas do dólar: ?Esta nota é um meio legal para pagamento de todas as dívidas públicas e privadas.?? Embora nenhum indivíduo possa se recusar a aceitar esse dinheiro para o pagamento de uma dívida, os contratos poderiam facilmente ser redigidos de forma a evitar o uso do dinheiro nas transações diárias. Entretanto, uma explicação vigorosa sobre o porquê do dinheiro ser aceito é que o governo federal o requer como pagamento dos impostos devidos. A expectativa da necessidade de zerar essa dívida cria uma demanda pelos puros dólares fiduciários. O dinheiro desapareceria sem as dívidas É difícil para as pessoas compreenderem o fato que toda a base monetária (a quantidade de dinheiro no país, tanto na forma de notas, moedas e depósitos em contas bancárias) está lastreada por nada, exceto dívidas, e causa ainda mais perplexidade visualizar que, se todos pagassem tudo o que tomaram emprestado, o dinheiro deixaria de existir. É verdade, não haveria um único centavo em circulação ? todas as moedas e todas as notas de dinheiro seriam devolvidas aos cofres dos bancos ? e não haveria um único dólar nas contas correntes nos bancos de ninguém. Em suma, todo o dinheiro desapareceria. Marriner Eccles era um governador (diretor) do Sistema da Reserva Federal em 1941. Em 30 de setembro daquele ano, ele foi convidado a dar um testemunho diante do Comitê de Bancos e Moeda da Casa dos Representantes. O propósito da oitiva era obter informações sobre o papel da Federal Reserve em criar as condições que levaram à depressão nos anos 1930. O congressista Wrigth Patman, que era o presidente do comitê, perguntou como o Fed obteve o dinheiro para adquirir dois bilhões de dólares em títulos do governo em 1933. Eis o diálogo que ocorreu: Eccles: ? Nós criamos o dinheiro. Patman: ? A partir do quê? Eccles: ? A partir do direito de emitir dinheiro para crédito. Patman: ? E não há nada por trás dele, certo? Exceto o crédito do nosso governo. Eccles: ? É assim que funciona nosso sistema monetário. Se não houvesse dívidas no nosso sistema monetário, não haveria dinheiro algum. Deve-se compreender que, embora o dinheiro possa representar um patrimônio para indivíduos selecionados, quando ele é considerado como um agregado da base monetária total, ele não é um ativo de forma alguma. Uma pessoa que tome emprestado $1.000 pode pensar que aumentou sua posição financeira nessa quantia, mas na verdade isso não é verdade. O ativo de $1.000 em dinheiro está compensado por sua dívida no empréstimo de $1.000 e sua posição líquida é zero. As contas bancárias são exatamente o mesmo em uma escala muito maior. Acrescente todas as contas bancárias no país e seria fácil assumir que todo aquele dinheiro representa um gigantesco conjunto de ativos que suportam a economia. Todavia, cada fraçãozinha desse dinheiro é devida por alguém. Algumas pessoas não devem nada. Outras, devem várias vezes mais do que seu patrimônio. Quando tudo é somado, o saldo nacional é zero. O que pensamos ser dinheiro e apenas uma grande ilusão. A realidade é dívida. Robert Hemphill foi o Gerente de Crédito do Banco da Reserva Federal em Atlanta. No prefácio de um livro de Irving Fisher, intitulado 100% Money, ele escreveu o seguinte: ?Se todos os empréstimos bancários fossem pagos, ninguém poderia ter depósitos nos bancos, e não haveria um único dólar ou moedas em circulação. Esta é uma ideia chocante. Somos totalmente dependentes dos bancos comerciais. Alguém tem de tomar emprestado cada dólar que temos em circulação, em dinheiro, ou em crédito. Se os bancos criarem dinheiro sintético de forma ampla, somos prósperos; caso contrário, passamos fome. Estamos totalmente sem um sistema monetário permanente. Quando se obtém uma compreensão completa do quadro, a situação absurdamente trágica da nossa situação sem saída é quase inacreditável ? mas é assim que as coisas são.? Com o conhecimento que o dinheiro está baseado em dívidas, não deve ser surpresa saber que o Sistema da Reserva Federal não está nem um pouco interessado em ver uma redução da dívida no país, independente das declarações públicas em contrário. Aqui está a conclusão das próprias publicações do Sistema. O Banco da Reserva Federal da Filadélfia diz: ?Um grande e crescente número de analistas, por outro lado, agora considera a dívida nacional como algo útil, se não uma bênção real? Eles acreditam que a dívida pública não precisa ser reduzida em absolutamente nada.? O Banco da Reserva Federal de Chicago acrescenta: ?A dívida ? pública e privada ? está aqui para ficar. Ela exerce um papel essencial no processo econômico? O que é necessário não é a abolição da dívida, mas um uso prudente e um gerenciamento inteligente.? O que há de errado com um pouco de dívida? Há certo apelo fascinante para esta teoria. Ela dá àqueles que a expõem uma aura de intelectualidade, a aparência de serem capazes de compreender um princípio econômico complexo que está além da compreensão dos meros mortais. Para aqueles que não estão acostumados a raciocinar de forma acadêmica, oferece o conforto de pelo menos soar moderada. Afinal, o que há de errado com uma dívida pequena, usada com prudência e gerenciada de forma inteligente? A resposta é nada, desde que a dívida esteja baseada em uma transação honesta. Há muito de errado com ela se estiver baseada em uma fraude. Uma transação honesta é aquela em que um tomador de empréstimo paga uma quantia combinada pelo uso temporário do patrimônio de um emprestador. Esse patrimônio poderia ser algo com valor tangível. Se fosse um automóvel, por exemplo, então o tomador do empréstimo pagaria ?aluguel?. Se fosse dinheiro, então o aluguel é chamado de ?juros?. De ambas as formas, o conceito é o mesmo. Quando vamos até um emprestador ? seja um banco ou uma pessoa ? e pedimos um empréstimo em dinheiro, estamos dispostos a pagar juros porque reconhecemos que o dinheiro que estamos tomando emprestado é um ativo que queremos usar. Parece justo pagar um aluguel para a pessoa que é proprietária daquele ativo. Não é fácil adquirir um automóvel e não é fácil adquirir dinheiro ? dinheiro real, claro. Se o dinheiro que estamos tomando emprestado foi obtido pelo esforço e talento de alguém, essa pessoa tem todo o direito de receber juros pelo empréstimo. Mas o que devemos pensar do dinheiro que é criado por uma mera canetada ou por uma rápida digitação no teclado de computador? Por que alguém deveria receber juros pelo empréstimo desse dinheiro? Quando os bancos colocam crédito na sua conta corrente, estão meramente fingindo emprestar dinheiro a você. Na realidade, eles não têm nada a emprestar. Até mesmo o dinheiro que os depositantes com saldo positivo colocaram em suas contas foi originalmente criado a partir do nada em resposta ao empréstimo tomado por outra pessoa. Portanto, o que dá aos bancos o direito de cobrar juros sobre nada? É irrelevante que os homens em toda a parte sejam forçados pela lei a aceitar esses certificados de nada para poderem obter bens e serviços reais. Estamos falando aqui, não sobre o que é legal, mas o que é moral. Como Thomas Jefferson observou no tempo de sua batalha prolongada contra um banco central nos EUA: ?Ninguém tem o direito natural ao negócio de emprestar dinheiro, senão aquele que tem dinheiro a emprestar.?. Terceira razão para abolir o sistema Séculos atrás, a usura era definida como qualquer juro cobrado em um empréstimo. O uso moderno redefiniu como juro excessivo. Certamente, qualquer quantia de juros cobrada para um pretenso empréstimo é excessivo. Portanto, o dicionário precisa de uma nova definição: Usura: cobrança de qualquer juro sobre um empréstimo de dinheiro fiduciário. Portanto, vamos olhar para a dívida e para os juros sob essa luz. Thomas Edison resumiu a imoralidade do sistema quando disse: ?Aqueles que não lançam uma única pá de areia sobre um projeto de construção, nem contribuem com um quilograma dos materiais receberão mais dinheiro? do que aqueles que forneceram todos os materiais e fizeram todo o trabalho.? Isto é um exagero? Vamos considerar a aquisição de uma casa de $100.000 em que $30.000 representam o custo do terreno, os honorários do arquiteto, as comissões de vendas, alvará de construção, etc., e $70.000 é o custo da mão de obra e dos materiais de construção. Se o comprador fizer um pagamento de entrada de $30.000, então precisará tomar emprestado $70.000. Se um financiamento foi concedido a uma taxa anual de 11% por um período de trinta anos, a quantia de juros pagos será de $167.806. Isso significa que a quantia paga para aqueles que emprestaram o dinheiro é cerca de duas vezes e meia maior do que aquilo que foi pago àqueles que forneceram a mão de obra e todos os materiais de construção. É verdade que esse valor representa o valor-tempo daquele dinheiro ao longo de trinta anos e facilmente poderia ser justificado com base no fato que o emprestador merece ser recompensado por ceder o uso de seu capital por tanto tempo. Mas isso assume que o emprestador realmente tinha algo a entregar, que ele ganhou o capital, poupou e então o emprestou para a construção da casa de outra pessoa. Entretanto, o que devemos pensar a respeito de um emprestador que não ganhou o dinheiro, não o poupou, e, na verdade, simplesmente o criou a partir do nada? Qual é o tempo-valor de nada? Como já mostramos, cada dólar que existe hoje, seja na forma de moeda, saldo na conta bancária ou até dinheiro em cartão de crédito ? em outras palavras, toda nossa base monetária ? existe somente porque foi tomado emprestado por alguém; talvez não você, mas alguma outra pessoa. Isso significa que todos os dólares americanos em todo o mundo estão produzindo juros diariamente para os bancos que os criaram. Uma porção de todo empreendimento comercial, todo investimento, todo lucro, toda transação que envolva dinheiro ? e isso inclui até as perdas e o pagamento de impostos ? uma porção de tudo o que é caracterizado como pagamento para um banco. O que os bancos fizeram para ganhar esse rio de riqueza que flui perpetuamente? Eles emprestaram seu próprio capital obtido por meio do investimento dos acionistas? Emprestaram a poupança feita com os esforços de seus depositantes? Não, nenhuma dessas alternativas foi a principal fonte de renda deles. Eles simplesmente brandiram a varinha mágica chamada dinheiro fiduciário. O fluxo dessa riqueza não-ganha sob o disfarce de juros pode somente ser vista como usura da mais alta magnitude. Mesmo se não houvesse outras razões para abolir o Fed, o fato de ser o instrumento supremo da usura já seria mais do que suficiente. Quem cria o dinheiro para pagar os juros? Uma das questões que mais causa perplexidade associada com esse processo é: ?De onde vem o dinheiro para pagar os juros?? Se você tomar emprestado $10.000 de um banco a 9%, então você deve $10.900. Mas o banco somente fabrica $10.000 para o empréstimo. Parece, portanto, que não há um modo de você ? e de todas as outras pessoas com empréstimos similares ? poderem pagar sua dívida. A quantidade de dinheiro posta em circulação simplesmente não é suficiente para cobrir a dívida total, incluindo os juros. Isto levou alguns à conclusão que seria necessário para você tomar emprestado os $900 para os juros, porém isso, por sua vez, leva a ainda mais juros. A suposição é que, quanto mais você toma emprestado, mas precisará tomar e essa dívida baseada em dinheiro fiduciário é uma espiral infinita que leva inexoravelmente a mais e mais dívidas. Esta é uma verdade parcial. É verdade que não há dinheiro suficiente criado para incluir os juros, mas é uma falácia dizer que o único modo de pagar é tomando mais emprestado. A suposição deixa de levar em conta o valor de troca do trabalho. Vamos assumir que você pague seu empréstimo dos $10.000 com prestações de cerca de R$900 por mês e que cerca de $80 disso representem juros. Você encontra certa dificuldade para conseguir efetuar os pagamentos, de modo que decide procurar um segundo emprego, em tempo parcial. O banco, por outro lado, está agora ganhando $80 de lucro a cada mês com o empréstimo que você contraiu. Como essa quantia está classificada como ?juros?, ela não é extinta como a porção maior, que é uma devolução do empréstimo. Portanto, essa receita com juros é um dinheiro que pode ser gasto na conta do banco. O banco decide então que o piso de sua agência será encerado uma vez por semana. Você responde ao anúncio no jornal e é contratado a $80 por mês para fazer o serviço. O resultado é que você ganha o dinheiro para pagar os juros sobre o dinheiro que tomou emprestado, e ? este é o ponto ? o dinheiro que recebe é o mesmo dinheiro que você anteriormente pagou. Desde que você faça o serviço para o banco a cada mês, os mesmos dólares vão para o banco como juros, então saem como salário para você, e então voltam para o banco como pagamento pelo empréstimo. Não é necessário que você trabalhe diretamente para o banco. Independente de como você ganhe o dinheiro, sua origem foi o banco e seu destino final é um banco. O circuito pelo qual o dinheiro circula pode ser grande ou pequeno, mas o fato permanece que todo juro é pago eventualmente por esforço humano. O significado desse fato é ainda mais chocante que a suposição que dinheiro suficiente não é criado para pagar os juros. É que o total desse esforço humano no fim é para o benefício daqueles que criaram o dinheiro fiduciário. Isto é uma forma de servidão feudal, em que a grande massa da sociedade trabalha como vilões para uma classe governante de nobreza financeira. Compreendendo a Ilusão? Isto realmente é tudo o que se precisa saber sobre a operação do cartel bancário sob a proteção do Sistema da Reserva Federal. Entretanto, seria uma pena parar aqui sem examinar as roldanas, espelhos e alavancas que fazem o mecanismo mágico funcionar. É um sistema realmente fascinante de mistério e de enganação. Vamos, portanto, voltar nossa atenção para o processo real pelo qual os mágicos criam a ilusão do dinheiro moderno. Primeiro, ficaremos de longe, para termos uma visão geral das ações que acontecem. Em seguida, nos aproximaremos para examinar cada componente em detalhe. O Mecanismo Mandrake: Uma Visão Geral Toda a função desta máquina é converter dívida em dinheiro. É simples assim. Primeiro, o Fed pega todos os títulos do governo que o público não comprou e preenche um cheque ao Congresso em troca deles. (O Fed também adquire outras obrigações da dívida, mas os títulos do governo constituem a maior parte de seu inventário). Não há dinheiro para pagar esse cheque. Esses dólares fiduciários são criados neste momento para este propósito. Chamando esses títulos de ?reservas?, o Fed então os usa como base para criar nove (9) dólares adicionais para cada dólar criado para os títulos. O dinheiro criado para os títulos é gasto pelo governo, enquanto que o dinheiro criado sobre esses títulos é a fonte de todos os empréstimos bancários feitos para as empresas e pessoas físicas do país. O resultado desse processo é o mesmo que criar dinheiro nas impressoras de uma gráfica, porém a ilusão está baseada em um truque contábil, em vez de em um truque gráfico. A conclusão é que o Congresso e o cartel bancário entraram em uma parceria em que o cartel tem o privilégio de receber juros sobre o dinheiro que cria a partir do nada, uma perpétua comissão paga por cada dólar americano que existe no mundo. O Congresso, por outro lado, tem acesso a fundos ilimitados sem ter de dizer aos eleitores que seus impostos estão sendo elevados por meio de um processo inflacionário. Se você compreende este parágrafo, pode-se dizer que compreende o Sistema da Reserva Federal. Agora, uma visão mais detalhada. Existem três modos gerais em que a Reserva Federal cria dinheiro fiduciário a partir da dívida: Um é fazendo empréstimos aos bancos-membro por meio daquilo que é chamado de Janela de Desconto. O segundo é comprando títulos do Tesouro e outros certificados da dívida por meio daquilo que é chamado Comitê do Mercado Aberto. O terceiro é mudando o assim chamado coeficiente de reserva que os bancos-membro têm de manter. Cada método é meramente um caminho diferente para o mesmo objetivo: pegar as notas promissórias e convertê-las em dinheiro que possa ser gasto. A Janela de Desconto A Janela de Desconto é meramente a linguagem dos banqueiros para uma janela de empréstimo. Quando os bancos ficam com pouco dinheiro, a Reserva Federal está a postos como o ?banco dos banqueiros? para emprestar dinheiro. Existem muitas razões para os banqueiros precisarem tomar empréstimos. Como eles mantêm ?reservas? de somente 1% ou 2% de seus depósitos no cofre de dinheiro, e 8 a 9% em títulos, a margem operacional deles é extremamente estreita. É comum para eles experimentarem saldos negativos causados por demanda incomum dos clientes por dinheiro, ou um número incomum de cheques de alto valor sendo compensados por outros bancos ao mesmo tempo. Algumas vezes, eles fazem empréstimos ruins e, quando esses antigos ?ativos? são removidos de seus livros contábeis, a ?reserva? deles também decresce e pode, na verdade, se tornar negativa. Finalmente, existe o motivo do lucro. Quando os bancos tomam emprestado da Reserva Federal a uma taxa de juros e emprestam para seus clientes a uma taxa mais alta, há uma óbvia vantagem. Mas isso é meramente o início. Quando um banco toma emprestado um dólar do Fed, esse dinheiro se torna uma reserva de um dólar. Como os bancos são obrigados a manterem reservas de somente 10%, eles na verdade podem emprestar até 9 dólares para cada dólar que tomaram emprestado. Vamos examinar a matemática. Assuma que o banco receba $1 milhão do Fed a uma taxa de 8%. O custo anual, portanto, é $80.000 (0.08 x $1.000.000). O banco trata o empréstimo como um depósito em dinheiro, o que significa que ele se torna a base para fabricar $9.000.000 adicionais para emprestar a seus clientes. Se assumirmos que ele empresta esse dinheiro a uma taxa de 11%, o retorno bruto seria $990.000 (0.11 x $9.000.000). Subtraia disso o custo do banco de $80.000 mais uma porção apropriada de encargos, e você terá um retorno líquido de aproximadamente $900.000. Em outras palavras, o banco toma emprestado um milhão de dólares e pode praticamente dobrá-lo em um ano. Isto é alavancagem! Mas não esqueça a fonte dessa alavancagem: a fabricação de outros $9 milhões que são adicionados à base monetária do país. A Operação do Mercado Aberto O método mais importante usado pela Reserva Federal para a criação do dinheiro fiduciário é a compra e venda de títulos no mercado aberto. Entretanto, antes de avançarmos para isto, uma palavra de advertência. Não espere que aquilo que vem a seguir faça sentido. Apenas esteja preparado para saber que isto é como eles procedem. O truque está no uso de palavras e frases que têm significado técnico bem diferente do que aquilo que implicam para o cidadão mediano. Portanto, mantenha seus olhos nas palavras. Elas não têm o objetivo de explicar, mas de enganar. A despeito das primeiras aparências, o processo não é complicado. É apenas absurdo. O Mecanismo Mandrake: Uma Visão Detalhada Começa com? Dívida do Governo O governo federal pega uma folha de papel, desenha traços complexos em volta das laterais e chama aquilo de título, ou nota do Tesouro. O título é meramente uma promessa de pagar uma quantia especificada, a uma taxa de juros especificada, em uma data especificada. Como veremos nas etapas seguintes, essa dívida eventualmente se torna o alicerce para quase toda a base monetária do país. Na realidade, o governo criou dinheiro, mas ainda não tem a aparência de dinheiro. Converter essas notas promissórias em notas de dinheiro e saldo em contas bancárias é a função do Sistema da Reserva Federal. Para produzir essa transformação, o título é entregue ao Fed, onde então é classificado como um? Ativo em Títulos Um instrumento da dívida do governo é considerado um ativo porque se assume que o governo honrará sua promessa de pagar. Isto é baseado na capacidade do governo de obter o dinheiro que precisar por meio da tributação. Portanto, a força desse ativo é o poder de tomar de volta aquilo que ele dá. Portanto, a Reserva Federal agora tem um ?ativo? que pode ser usado para se contrapor a um passivo. Ele então cria esse passivo exigível produzindo outra folha de papel e permutando-a com o governo em troca pelo ativo. Essa segunda folha de papel é um? Cheque da Reserva Federal Não há dinheiro em conta alguma para cobrir esse cheque. Qualquer outra pessoa que fizesse isso seria mandada para a cadeia. Mas, o procedimento é legal para o Fed, pois o Congresso quer o dinheiro, e este é o modo mais fácil de obtê-lo. (Elevar os impostos seria suicídio político; depender do público para comprar todos os títulos da dívida seria irrealista, especialmente se as taxas de juros estiverem artificialmente baixas; e imprimir grandes quantidades de dinheiro na Casa da Moeda seria óbvio e controverso.). Deste modo, o processo fica misteriosamente ocultado no sistema bancário. Entretanto, o resultado final é o mesmo que colocar as impressoras da Casa da Moeda para funcionar e simplesmente fabricar dinheiro fiduciário (dinheiro criado por ordem do governo, sem qualquer valor tangível que sirva de lastro) para pagar as despesas do governo. Todavia, em termos contábeis, os livros estão ?equilibrados? porque o passivo do dinheiro é compensado pelo ?ativo? da nota promissória. O cheque da Reserva Federal recebido pelo governo é então endossado e enviado para um dos bancos da Reserva Federal, onde agora se transforma em um? Depósito do Governo Uma vez que o cheque da Reserva Federal tenha sido depositado na conta do governo, ele é usado para pagar os gastos do governo e, assim, é transformado em muitos? Cheques do Governo Esses cheques se tornam os meios pelos quais a primeira onda de dinheiro fiduciário inunda a economia. As empresas e pessoas físicas que recebem esses cheques os depositam em suas próprias contas-correntes, onde eles se transformam em? Depósitos em Bancos Comerciais Os depósitos em bancos comerciais imediatamente assumem uma personalidade dividida. Por um lado, eles são passivos para o banco, pois pertencem aos depositantes. Mas, enquanto permanecem no banco, também são considerados ativos, pois estão à disposição. Mais uma vez, os livros contábeis estão equilibrados: os ativos compensam os passivos exigíveis. Mas o processo não pára aqui. Por meio da mágica da reserva bancária fracionária, os depósitos passam a servir a um propósito adicional e mais lucrativo. Para realizar isso, os depósitos disponíveis são agora reclassificados nos livros e são chamados de? Reservas Bancárias Reservas do quê? São para pagar os depositantes se eles quiserem encerrar suas contas correntes? Não. Esta é a humilde função que elas serviram quando foram classificadas como meros ativos. Agora que receberam o nome de ?reservas?, elas se tornam a varinha mágica para materializar quantias ainda maiores de dinheiro fiduciário. É aqui que está a verdadeira ação: no nível dos bancos comerciais. Eis como funcional. Os bancos estão autorizados pelo Fed a manterem somente 10% de seus depósitos em ?reserva?. Isto significa que se receberem um depósito de $1 milhão na primeira onda de dinheiro fiduciário criado pelo Fed, eles têm $900.000 mais do que precisam manter à disposição ($1 milhão menos a reserva de 10%). No jargão dos banqueiros, esses $900.000 são chamados de? Reserva Excedente A palavra ?excedente? é uma indicação que essa assim chamada ?reserva? tem um destino especial. Agora que ela foi transformada em ?excedente?, é considerada como disponível para oferecer empréstimos. Portanto, no tempo devido, essa reserva excedente é convertida em? Empréstimos Bancários Mas espere um minuto. Como pode esse dinheiro ser emprestado quando pertence aos depositantes originais que ainda podem livremente preencher seus cheques e gastar o dinheiro como quiserem? A resposta é que, quando os novos empréstimos são feitos, eles não são feitos com o mesmo dinheiro absolutamente. Eles são feitos com dinheiro novinho em folha, criado do nada para esse propósito. A base monetária do país simplesmente aumenta na proporção de 90% dos depósitos bancários. Além disso, esse novo dinheiro é muito mais interessante para os banqueiros do que o antigo. O antigo dinheiro, que eles receberam dos depositantes, requer que os bancos paguem juros ou prestem serviços pelo privilégio de usar o dinheiro. Mas, com o novo dinheiro, os bancos recebem juros, o que não é mau, considerando-se que não custou nada para eles criar esse dinheiro. Mas este ainda não é o fim do processo. Quando essa segunda onda de dinheiro fiduciário entra na economia, vai direto para o sistema bancário, exatamente como aconteceu com a primeira onda, na forma de? Mais Depósitos em Bancos Comerciais O processo agora se repete com números ligeiramente menores a cada rodada. O que era um ?empréstimo? na sexta-feira retorna ao banco como um depósito na segunda-feira. O depósito é então reclassificado como uma ?reserva?, e 90% daquilo se torna uma reserva ?excedente? que, mais uma vez, se torna disponível para um novo ?empréstimo?. Portanto, o $1 milhão da primeira onda de dinheiro fiduciário gera $900.000 na segunda onda, e isto gera $810.000 na terceira onda ($900.000 menos a reserva de 10%). São necessários cerca de 28 passagens pela porta giratória dos depósitos se tornando empréstimos, os empréstimos se tornando depósitos, os depósitos se tornando mais empréstimos, até que o processo atinja o efeito máximo, que é? Dinheiro Bancário Fiduciário = Até 9 Vezes a Dívida do Governo A quantia de dinheiro fiduciário criado pelo cartel bancário é aproximadamente nove vezes o valor da dívida original do governo que tornou todo o processo possível. Quando a dívida original é adicionada a esse número, finalmente temos? Dinheiro Fiduciário Total = Até 10 Vezes a Dívida do Governo A quantia total de dinheiro fiduciário criado pela Reserva Federal e os bancos comerciais juntos é aproximadamente dez vezes o valor da dívida pública subjacente. À medida que esse dinheiro recém-criado inunda a economia em busca de bens e serviços, ele faz o poder de compra de todo o dinheiro, antigo e novo, declinar. Os preços sobem porque o valor relativo do dinheiro decresceu. O resultado é o mesmo que se esse poder de compra tivesse sido tirado de nós na forma de impostos. A realidade desse processo, portanto, é que ele é uma? Tributação Oculta = Até Dez Vezes a Dívida Pública Sem perceber, o povo americano pagou ao longo dos anos, além do imposto de renda e dos impostos sobre o consumo, um imposto completamente oculto igual a muitas vezes a dívida pública! E isto ainda não é o fim do processo. Como nossa base monetária é puramente uma entidade arbitrária com nada por trás dela exceto dívidas, sua quantidade pode diminuir, bem como subir. Quando as pessoas se afundam em dívidas, a base monetária do país se expande e os preços sobem, mas quando elas pagam suas dívidas e se recusam a contrair novos empréstimos, a base monetária se contrai e os preços caem. Isto é exatamente o que acontece em tempos de incerteza política e econômica. Essa alternação entre um período de expansão e um período de contração da base monetária é a causa subjacente das? Expansões Rápidas, Estouro da Bolha e Depressões Quem se beneficia com tudo isto? Certamente não o cidadão mediano. Os únicos beneficiários são os cientistas políticos no Congresso, que desfrutam o efeito da receita ilimitada para perpetuar seu poder, e os cientistas financeiros dentro do cartel bancário chamado Sistema da Reserva Federal, que têm sido capazes de colocar a população, sem que ela saiba, debaixo da canga do feudalismo moderno. Coeficientes de Reserva Os números apresentados anteriormente estão baseados em um coeficiente de ?reserva? de 10% (um coeficiente de expansão do dinheiro de 10 para 1). Entretanto, deve-se lembrar que isso é totalmente arbitrário. Como o dinheiro é fiduciário, e não tem qualquer lastro em ouro ou prata, não existe limitação real, exceto aquilo que os políticos e os administradores das finanças do país decidam que seja apropriado para o momento. Alterar esse coeficiente é o terceiro modo como a Reserva Federal pode influenciar a base monetária do país. Portanto, os números precisam ser considerados como transientes. A qualquer tempo que houver uma ?necessidade? de mais dinheiro, o coeficiente pode ser aumentado de 20 para 1, ou 50 para 1, ou até mesmo a exigência de reservas pode ser eliminada totalmente. Não há virtualmente limites para a quantidade de dinheiro fiduciário que pode ser fabricado dentro do sistema atual. A Dívida Pública Não É Necessária Para Haver Inflação Como a Reserva Federal está a postos para ?monetizar? (converter em dinheiro) virtualmente qualquer quantia da dívida pública, e como esse processo de expandir a base monetária é a causa principal para a inflação, é tentador saltar para a conclusão que a dívida pública e a inflação são apenas dois aspectos do mesmo fenômeno. Entretanto, isso não é necessariamente verdade. É totalmente possível ter uma sem a outra. O cartel bancário detém um monopólio na fabricação de dinheiro. Consequentemente, o dinheiro é criado somente quando as Notas Promissórias são ?monetizadas? pelo Fed ou pelos bancos comerciais. Quando os indivíduos particulares, empresas ou instituições adquirem os títulos do governo, precisam usar dinheiro que anteriormente ganharam e pouparam. Em outras palavras, nenhum dinheiro novo é criado, porque eles estão usando fundos que já existiam. Portanto, a venda de títulos do governo para o sistema bancário é inflacionária, mas a venda para o setor privado não é. Esta é a razão principal por que os EUA evitaram uma grande inflação durante os anos 1980, quando o governo federal aumentou a dívida pública em um ritmo maior do que nunca antes na história. Mantendo as taxas de juros elevadas, esses títulos se tornaram atraentes para os investidores privados, inclusive investidores estrangeiros. Pouco dinheiro novo foi criado, porque a maioria dos títulos foi comprada com dólares já existentes. Logicamente, este foi um ajuste temporário, no máximo. Hoje, esses títulos estão continuamente amadurecendo, atingindo o tempo de renovação, e estão sendo substituídos por outros títulos que incluem a dívida original mais os juros acumulados. Eventualmente, esse processo precisará chegar ao fim e, quando isso acontecer, o Fed não terá escolha, senão comprar de volta literalmente toda a dívida dos anos 1980 ? isto é, substituir todo o dinheiro privado investido anteriormente por dinheiro fiduciário recém-fabricado ? mais uma quantia adicional substancial para cobrir os juros. Aí então compreenderemos o significado da palavra inflação. Por outro lado, a Reserva Federal tem a opção de fabricar dinheiro mesmo se o governo federal não entrar profundamente em dívidas. Por exemplo, a tremenda expansão da base monetária que levou ao colapso da Bolsa de Valores em 1929 ocorreu em um tempo em que a dívida pública estava sendo paga. Em todos os anos de 1920 a 1930, a receita do governo federal excedeu as despesas, e havia relativamente poucos títulos do governo sendo oferecidos. O crescimento gigantesco da base monetária foi possível convertendo-se os empréstimos dos bancos comerciais em ?reservas? na janela de desconto do Fed e com a compra por parte do Fed dos aceites bancários, que são contratos comerciais para a compra de produtos. Agora, as opções são ainda maiores. A Lei do Controle Monetário de 1980 tornou possível para a Criatura da Ilha Jekyll monetizar virtualmente qualquer instrumento de dívida, inclusive Notas Promissórias de governos estrangeiros. O propósito aparente dessa legislação é tornar possível o socorro financeiro aos governos que estão tendo dificuldades em conseguir pagar os juros dos empréstimos contraídos junto a bancos americanos. Quando o Fed cria dólares fiduciários para dar aos governos estrangeiros em troca de seus títulos podres, o caminho do dinheiro é ligeiramente mais longo e mais sinuoso, mas o efeito é similar à compra de Títulos do Tesouro dos EUA. Os dólares recém-criados vão para os governos dos países estrangeiros, voltam depois para os bancos americanos, onde se transformam em reservas em dinheiro. Finalmente, eles fluem de volta para a base monetária dos EUA (multiplicados por 9) na forma de empréstimos adicionais. O custo da operação é mais uma vez suportado pelo cidadão americano por meio da perda do poder de compra. Portanto, a expansão da base monetária, e a inflação que ocorre, não mais requerem déficits federais. Enquanto alguém estiver disposto a tomar emprestados dólares americanos, o cartel terá a opção de criar esses dólares especificamente para comprar os títulos dos governos desses países estrangeiros e, fazendo isso, expandir a base monetária. Entretanto, não devemos nos esquecer que uma das razões pelas quais o Sistema da Reserva Federal foi criado originalmente, foi para possibilitar ao Congresso gastar sem que o público saiba que está sendo tributado. O povo americano tem mostrado uma incrível indiferença a essa tosquia, que somente pode ser explicada pela falta de compreensão de como o Mecanismo Mandrake funciona. Consequentemente, no tempo presente, esse contrato amigável entre o cartel bancário e os políticos corre pouco risco de ser modificado. Portanto, como uma questão prática, embora o Fed possa também criar dinheiro fiduciário em troca da dívida comercial e de títulos dos governos de países estrangeiros, sua principal preocupação continuará sendo suprir o Congresso. A implicação desse fato causa perplexidade em nossa mente. Como nossa base monetária, atualmente, pelo menos, está vinculada à dívida pública, pagar essa dívida faria o dinheiro desaparecer. Até mesmo uma redução séria da dívida paralisaria a economia. Portanto, enquanto a Reserva Federal existir, os EUA estarão, e precisarão estar, endividados. A compra de títulos dos outros governos está se acelerando no atual clima político do internacionalismo. A base monetária americana está cada vez mais baseada nas dívidas de outros países, bem como na dívida pública interna, e esses países também serão impedidos de pagarem suas dívidas, mesmo se estiverem em condições de fazer isso. A Expansão Leva à Contração Embora seja verdadeiro que o Mecanismo Mandrake seja responsável pela expansão da base monetária, o processo também funciona da forma reversa. Exatamente como o dinheiro é criado quando a Reserva Federal compra títulos ou outros instrumentos da dívida, ele é extinto pela venda desses mesmos itens. Quando eles são vendidos, o dinheiro é dado de volta para o Sistema e desaparece da memória eletrônica do computador de onde veio. Então, o mesmo efeito das ondas secundárias sucessivas que criou o dinheiro por meio do sistema dos bancos comerciais faz com que o dinheiro seja retirado da economia. Além disso, mesmo se a Reserva Federal não contrair deliberadamente a base monetária, o mesmo resultado pode, e frequentemente ocorre, quando o público decide resistir à disponibilidade de crédito e reduzir seu endividamento. As pessoas somente podem ser tentadas a tomar empréstimos; elas não podem ser forçadas a isso. Existem muitos fatores psicológicos envolvidos em uma decisão de entrar em dívidas que podem se contrapor à fácil disponibilidade de dinheiro e a uma baixa taxa de juros: uma desaceleração econômica, a ameaça de agitação civil, o temor de uma guerra iminente, um clima político instável, para citar apenas alguns. Embora o Fed possa tentar injetar dinheiro na economia para torná-lo disponível em abundância, o público pode estorvar essa ação simplesmente dizendo: ?Não, obrigado?. Quando isso acontece, as antigas dívidas que estão sendo pagas não são substituídas por novas que tomem seus lugares, e a quantia geral de dívida dos consumidores e das empresas se reduz. Isso significa que a base monetária também se reduzirá, porque, atualmente, dívida é dinheiro. E é essa exata expansão e contração da base monetária ? um fenômeno que não poderia ocorrer se estivesse baseada na lei da oferta e da procura ? que está no centro de praticamente todas as expansões rápidas e estouro da bolha que têm sido uma praga para a humanidade em toda a história. Em conclusão, pode-se dizer que o dinheiro moderno é uma grande ilusão conjurada pelos magos das finanças na política. Estamos vivendo em uma era de dinheiro fiduciário e é triste observar que todos os países na história que adotaram esse tipo de dinheiro eventualmente foram economicamente destruídos por ele. Além disso, não há nada em nossa atual estrutura monetária que ofereça alguma certeza que estaremos imunes desse mórbido destino. Correção. Existe algo. O Congresso ainda tem o poder de abolir o Sistema da Reserva Federal. Resumo O dólar americano não tem valor intrínseco algum; ele é um exemplo clássico de dinheiro fiduciário sem limites na quantidade que pode ser produzida. Seu valor reside basicamente na disposição do público de aceitá-lo e, para essa finalidade, a lei requer que ele seja aceito como meio de pagamento. É verdade que o dinheiro é criado a partir do nada, mas é mais exato dizer que ele está baseado em dívidas. Portanto, de certa forma, nosso dinheiro é criado a partir de menos do que nada. Toda a base monetária desapareceria se todas as dívidas fossem pagas. Portanto, no Sistema da Reserva Federal, nossos líderes não podem permitir uma redução drástica na dívida pública ou no endividamento dos consumidores. Cobrar juros sobre empréstimos fictícios é usura, e isso se tornou institucionalizado dentro do Sistema da Reserva Federal. O Mecanismo Mandrake, por meio do qual o Fed converte dívida em dinheiro pode parecer complicado a princípio, mas é simples se você lembrar que o processo não tem o objetivo de ser lógico, mas de confundir e de enganar. O produto final do Mecanismo é a expansão artificial da base monetária, que é a causa raiz para o tributo oculto chamado de inflação. Essa expansão então leva à contração e, juntas, produzem o ciclo destrutivo da expansão rápida e estouro da bolha, que tem sido uma praga na história da humanidade onde quer que dinheiro fiduciário tenha existido. O livro The Creature of Jekyll Island pode ser adquirido na livraria virtual da Reality Zone, FONTE http://fimdostempos.net/mecanismo-mandrake.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+fimdostempos+%28FimdosTempos.net%29 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100824/98db8897/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 25 20:16:59 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 25 Aug 2010 19:16:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Frei_Fernando_de_Brito_lan=E7a_ho?= =?iso-8859-1?q?je_=2825=29=2C_em_Fortaleza=2C_Cear=E1=2C_seu_livro?= =?iso-8859-1?q?_=22Cartas_da_Pris=E3o_e_do_S=EDtio=22=2C?= Message-ID: <01A21FD5354E4979A7A285AFAB123E38@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem 25.08.10 - BRASIL Frei Fernando de Brito: 'Justiça é parte essencial da democracia e da fé' Tatiana Félix * Adital - Frei Fernando de Brito lança hoje (25), em Fortaleza, Ceará, seu livro "Cartas da Prisão e do Sítio", dando início à série Coleção Ao Portador, do Instituto Frei Tito de Alencar. O lançamento acontecerá às 18h, no auditório Rachel de Queiroz, bloco Ícaro de Sousa, na Av. da Universidade, 2762, no bairro Benfica e encerra as atividades da I Semana Municipal de Direitos Humanos Frei Tito de Alencar, que acontece na capital cearense desde a última segunda-feira (23). A iniciativa do Instituto Frei Tito pretende resgatar as memórias do período em que os frades dominicanos, como Frei Tito e Frei Fernando, defenderem um sistema socialista, além disso, fortalece os debates sobre Lei da Anistia, novas práticas de tortura, o papel da igreja e dos Direitos Humanos. Sobre a primeira parte do livro, "Cartas da Prisão", Frei Fernando informou que o objetivo dos religiosos presos era escrever aos seus familiares e amigos denunciando o que acontecia na prisão, as injustiças cometidas e a perseguição política. "A gente estava em uma situação semelhante a dos cristãos como Paulo, que escreveram o Evangelho," comparou. Frei Fernando recordou que na época da ditadura, muitos diziam que o movimento contra a repressão era fraco e que eles não conseguiriam implantar o Socialismo. "Mas, a luta era contra a repressão, contra a tortura e pelos Direitos Humanos, e não pela implantação do socialismo", esclareceu. Ele destacou que ainda hoje existe tortura, praticada em delegacias, por policiais e por grupos de extermínio, mas, ressaltou que, apesar de precisar ainda de avanços, a democracia foi uma conquista. "Muitas conquistas vieram deste tempo. Hoje, temos os Direitos Humanos e meios de comunicação que dão espaço para esse movimento sem que haja perseguição", completou. Já a segunda parte da obra, "Cartas do Sítio", são relatos de uma época posterior, quando em 1996, ele passou a viver no Sítio do Conde, no litoral norte do estado da Bahia. "Queria manter contato com amigos de outros estados. As cartas transmitem a vivência de coisas pequenas com o povo pobre, são fatos reais relatados com sentimento, angústia, alegria, desespero, solidariedade", explicou. Frei Fernando disse que o que liga estes dois momentos tão diferentes registrados no livro, é o povo. "Dentro da prisão, era um universo político daqueles que lutaram pelo povo, e no Sítio são os relatos das necessidades e costumes vividos do povo pobre, como eles vivem o amor de Deus por eles. É outra forma de lutar pelos Direitos Humanos", afirmou. Para ele, a publicação das obras que compõem a Coleção Ao Portador e a realização da I Semana Municipal de Direitos Humanos Frei Tito, junto com outros eventos que acontecem pelo país, fortalecem toda a Rede que luta pelo fim da tortura, pela revisão da Lei da Anistia e pela implantação dos Direitos Humanos. "A gente não pode esquecer a justiça é parte essencial da democracia e da fé", finalizou. Frei Fernando Frei Fernando é um frade dominicano, nascido em Visconde do Rio Branco, em Minas Gerais. Foi preso político entre os anos de 1968 e 1974 em São Paulo e sofreu sessões de tortura por proclamar o Evangelho e lutar pelo fim da ditadura no país. Atualmente, o religioso vive na Bahia, lutando pelo fim das desigualdades sociais. Para conhecer os relatos de Frei Fernando acesse: http://frbritoop.blogspot.com/ * Jornalista da Adital -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100825/761f887a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 25 20:17:08 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Wed, 25 Aug 2010 19:17:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Memorial_da_Resist=EAncia_convid?= =?iso-8859-1?q?a=3A_S=E1bado_Resistente_dia_28_de_agosto_=E0s_14?= =?iso-8859-1?q?=2Coo_horas?= Message-ID: <0EC1FCA634CC49E2B4E23BA6B7C7C5D5@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem Se você não deseja mais receber nossos e-mails, cancele sua inscrição neste link -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100825/1a480a1c/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 26 19:27:44 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 26 Aug 2010 18:27:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Duas_trajet=F3rias_distintas___?= =?windows-1252?q?por_Emir_Sader?= Message-ID: Carta O Berro..................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Flavio Abelha Duas trajetórias distintas Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=1&alterarHomeAtual=1 *Emir Sader - Sociólogo e cientista político. Nas horas mais difíceis se revela a personalidade ? as forças e as fraquezas - de cada um. Os franceses puderam fazer esse teste quando foram invadidos e tinham que se decidir entre compactuar com o governo capitulacionsista de Vichy ou participar da resistência. Os italianos podiam optar entre participar da resistência clandestina ou aderir ao regime fascista. Os alemães perguntam a seus pais onde estavam no momento do nazismo. No Brasil também, na hora negra da ditadura militar, formos todos testados na nossa firmeza na decisão de lutar contra a ditadura, entre aderir ao regime surgido do golpe, tentar ficar alheios a todas as brutalidades que sucediam ou somar-se à resistência. Poderíamos olhar para trás, para saber onde estava cada um naquele período. Dois personagens que aparecem como pré-candidatos à presidência são casos opostos de comportamento e daí podemos julgar seu caráter, exatamente no momento mais difícil, quando não era possível esconder seus comportamentos, sua personalidade, sua coragem para enfrentar dificuldades, seus valores. José Serra era dirigente estudantil, tinha sido presidente do Grêmio Politécnico, da Escola de Engenharia da USP. Já com aquela ânsia de poder que seguiu caracterizando-o por toda a vida, brigou duramente até conseguir ser presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo e, com os mesmos meios de não se deter diante de nada, chegou a ser presidente da UNE. Com esse cargo participou do comício da Central do Brasil, em março de 1964, poucas semanas antes do golpe. Nesse evento, foi mais radical do que todos os que discursaram, não apenas de Jango, mas de Miguel Arraes e mesmo de Leonel Brizola. No dia do golpe, poucos dias depois, da mesma forma que as outras organizações de massa, a UNE, por seu presidente, decretou greve geral. Esperava-se que iria comandar o processo de resistência estudantil, a partir do cargo pelo qual havia lutado tanto e para o qual havia sido eleito. No entanto, Serra saiu do Brasil no primeiro grupo de pessoas que abandonou o país. Deixou abandonada a UNE, abandonou a luta de resistência dos estudantes contra a ditadura, abandonou o cargo para o qual tinha sido eleito pelos estudantes. Essa a atitude de Serra diante da primeira adversidade. Por isso sua biografia só menciona que foi presidente da UNE, mas nunca diz que não concluiu o mandato, abandonou a UNE e os estudantes brasileiros. Nunca se pronunciou sobre esse episódio vergonhoso da sua vida. Os estudantes brasileiros foram em frente, rapidamente se reorganizaram e protagonizaram, a parir de 1965, o primeiro grande ciclo de mobilizações populares de resistência à ditadura, enquanto Serra vivia no exílio, longe da luta dos estudantes. Ficou claro o caráter de Serra, que só voltou ao Brasil quando já havia condições de trabalho legal da oposição, sem maiores riscos. Outra personalidade que aparece como pré-candidata à presidência também teve que reagir diante das circunstâncias do golpe militar e da ditadura. Dilma Rousseff, estudante mineira, fez outra escolha. Optou por ficar no Brasil e participar ativamente da resistência à ditadura, primeiro das mobilizações estudantis, depois das organizações clandestinas, que buscavam criar as condições para uma luta armada contra a ditadura militar. No episódio da comissão do Senado em que ela foi questionada por ter assumido que tinha dito mentido durante a ditadura ? por um senador da direita, aliado dos tucanos de Serra -, Dilma mostrou todo o seu caráter, o mesmo com que tinha atuado na clandestinidade e resistido duramente às torturas. Disse que mentiu diante das torturas que sofreu, disse que o senador não tem idéia como é duro sofrer as torturas e mentir para salvar aos companheiros. Que se orgulha de ter se comportado dessa maneira, que na ditadura não há verdade, só mentira. Que ela e o senador da base tucano-demo estavam em lados opostos: ela do lado da resistência democrática, ele do lado da ditadura, do regime de terror, que seqüestrada, desaparecia, fuzilava, torturava. Dilma lutou na clandestinidade contra a ditadura, nessa luta foi presa, torturada , condenada, ficando detida quatro anos. Saiu para retomar a luta nas novas condições que a resistência à ditadura colocava. Entrou para o PDT de Brizola, mais tarde ingressou no PT, onde participou como secretária do governo do Rio Grande do Sul. Posteriormente foi Ministra de Minas e Energia e Ministra-chefe da Casa Civil. Essa trajetória, em particular aquela nas condições mais difíceis, é o grande diploma de Dilma: a dignidade, a firmeza, a coerência, para realizar os ideais que assume como seus. Quem pode revelar sua trajetória com transparência e quem tem que esconder momentos fundamentais da sua vida, porque vividos nas circunstâncias mais difíceis? *Graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política e doutor em ciência política por essa mesma instituição. Foi professor de Filosofia e Ciência Política da USP. Foi também pesquisador do Centro de Estudos Sócio Econômicos da Universidade do Chile e professor de Política na Unicamp. Atualmente, é professor aposentado da Universidade de São Paulo e dirige o Laboratório de Políticas Públicas (LPP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor de sociologia. É autor de "A Vingança da História", entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100826/6b7d4d22/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 26 19:27:51 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Thu, 26 Aug 2010 18:27:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=22COM_PEDA=C3=87OS_DE_PAU_E_PEDRAS?= =?utf-8?q?=22__por__Laerte_Braga?= Message-ID: <91A1CCF4CBB745289FBE10FF57953C2A@vcaixe> Carta O Berro.......................................................repassem ?COM PEDAÇOS DE PAU E PEDRAS? Laerte Braga O presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad disse em discurso na inauguração da usina nuclear de Bushehr, em presença de autoridades russas e de seu país (a usina tem tecnologia russa e se destina à produção de energia) que a defesa da revolução islâmica no caso de um ataque norte-americano ou por parte de Israel, que ?nossas opções não terão limites, envolverão todo o planeta?. Documentos liberados pelo site WikiLeaks e criados pela unidade especial da CIA ? CENTRAL INTELIGENCY AGENCY ? apontam casos em que cidadãos norte-americanos financiaram atividades terroristas. Em documentos anteriores o mesmo site, perto de noventa e dois mil documentos sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão, mostra que o governo dos Estados Unidos exporta terrorismo na forma de seqüestros, assassinatos seletivos, prisões indiscriminadas em qualquer parte do mundo, práticas acentuadas no governo de George Bush como reação ao ataque às torres gêmeas do World Trade Center. Uma das grandes dificuldades do atual presidente dos EUA Barack Obama é desmontar esse aparato repressivo, bárbaro, que, no todo, acaba se vendo presa fácil de quadrilhas de grande porte no tráfico de drogas, de mulheres e agora tráfico de petróleo a partir do México. As políticas de terceirização de atividades de inteligência e militares postas em curso por Bush geraram distorções de tal ordem que nem a Casa Branca sabe mais a real extensão de todo o conjunto de insensatez do governo anterior. Essas dificuldades se apresentam visíveis na reação de republicanos comandados agora pelo senador John McCain, derrotado nas eleições presidenciais por Obama e deixam claros os novos contornos do que era uma nação e hoje é um conglomerado de interesses privados de bancos, corporações do petróleo, das armas, com tentáculos capazes de paralisar o Estado e transformar a maior nação do mundo numa grande empresa voltada para o terrorismo. Obama até agora não conseguiu entrar no salão oval. A guerra global é uma realidade e pode ser entendida na afirmação feita por Hans Blinx, mês passado, sobre as advertências feitas a Bush que não existiam provas da presença de armas químicas e biológicas no Iraque. Blinx fala que os norte-americanos estavam ?em estado de embriaguez pelo poder do arsenal que dispunham?. E continuam a dispor. Blinx foi um dos inspetores da ONU no Iraque à época que precedeu a invasão daquele país pelos EUA, à revelia do Conselho de Segurança da ONU. Só que agora boa parte do que se convencionou chamar de forças armadas é controlada por empresas privadas e muitas ações pertinentes àquelas forças, são executadas por essas empresas. Generais norte-americanos são fachadas para executivos de companhias que tanto operam contra os Talibãs no Afeganistão, como traficam drogas, mulheres, armas, petróleo, lavam dinheiro, toda a sorte de operações criminosas de grande porte e possíveis. A união de todas as máfias sonhada e desejada por cada chefe mafioso na história dessas organizações criminosas. Chegaram ao topo. Vendem democracia, drogas, mulheres, lavam dinheiro e têm milhares de ogivas nucleares capazes de destruir o planeta pelo menos cem vezes. A vala com corpos de cidadãos latino-americanos que foi encontrada no México exibe o estado de caos que permeia aquele país. Ou ?ex-país?. Colônia dos EUA desde a assinatura do NAFTA (tratado de livre comércio entre EUA, Canadá e México). Uma das conseqüências ou exigências para que o conglomerado terrorista formado pelos EUA e por Israel opere é a presença de governantes dóceis e isso se consegue com corrupção. Foi o caso de FHC no Brasil, Menem na Argentina, Uribe na Colômbia e é agora com Calderón no México. Para citar apenas latino-americanos. O chamado mundo institucional é a face visível em cor laranja dos operadores do terrorismo de estado. No Brasil trabalham a partir do PSDB, DEM, PPS, mídia privada (GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, RBS, VEJA, ÉPOCA, etc) e corporações de banqueiros, empresas nacionais e multinacionais e latifúndio. Se abrigam simbólica e realmente na sigla FIESP/DASLU. O golpe militar em Honduras e a farsa democrática montada com o governo terrorista de Pepe Lobo (mais um jornalista foi assassinado hoje, quinta-feira, dia 26 de agosto, o nono neste ano), não difere de ações na Colômbia a partir do governo central, ou no México, tanto quanto o massacre de palestinos por Israel e as guerras do Iraque e do Afeganistão. Despejam seus dejetos em containers democráticos no mar da Somália, ou em navios que enviam ao Brasil. São perto de quinhentas bases militares dos EUA em todo o mundo e uma série de operações em todo o planeta para manter intato o poder dos grupos que controlam a mega empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. Ahmadinejad não disse nada diferente do que acontece na prática, disfarçada de democracia cristã e ocidental. Quis apenas mostrar que seu país está pronto para reagir a esse terrorismo e tem condições militares de fazê-lo. O Irã detém a terceira maior reserva de petróleo do mundo. Ao transformar-se numa potência coloca em risco os ?negócios? das grandes corporações que detêm o controle acionário de EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A. São assassinatos de civis no México, na Colômbia, em Honduras, no Iraque, no Afeganistão, ou de líderes de movimentos de resistência por agentes de Israel com documentos oficiais, mas nomes falsos, de países controlados pelos EUA (Grã Bretanha, Itália e Alemanha) e tudo isso mostrado ao mundo em forma de torta de maçã com canela pela mídia privada e corrompida. Ou como disse a um grupo de professores e alunos de uma universidade paulista em visita à redação do JORNAL NACIONAL, o apresentador do dito cujo, sobre determinada notícia. ?Esta não, pois contraria os nossos amigos americanos?. Um dos fatos mais significativos desse estado de terrorismo oficial está no último discurso do presidente Lula ao referir-se ao diretor da FOLHA DE SÃO PAULO como alguém que queria saber se ele falava inglês. Se não fala, como vai governar o País? É que a FOLHA pensa em inglês, e empresta caminhões para que mortos por tortura sejam desovados em pontos de São Paulo. Preconceito puro, estampado em cores vivas na imbecilidade dos subordinados ávidos de poder. O que tem uma coisa a ver com a outra? O discurso de Lula, o Irã, a guerra global? Todos os fatos se encadeiam num projeto terrorista gerado em Washington desde o fim da guerra fria, para controle do resto do mundo, o que Fidel Castro chamou de ?governo mundial?. Quem acha que Hitler perdeu está equivocado. Por enquanto, em boa parte do mundo está ganhando e levando. Só mudou de bandeira. Tem as estrelas do Tio Sam e a de Davi. E de nome. Quem tiver boa memória vai se lembrar dos momentos que antecederam ao anúncio da invasão do Iraque. O terrorista George Bush apareceu em rede mundial de tevê sendo maquiado. Transformado por pós e cremes em anjo de guarda da democracia. Dias depois, quando ainda era viva a resistência iraquiana à invasão, proclamou que se necessário fosse ?para evitar a destruição em massa do planeta, os EUA usarão armas atômicas no Iraque?. Essa destruição em massa está acontecendo desde que Ronald Reagan assumiu o governo dos EUA. O papel de presidente bonzinho vivido por Jimmy Carter terminou com o próprio. No filme DOCTOR STRANGELOVE, do extraordinário cineasta Stanley Kulbrick, um general comandante de uma base nuclear norte-americana decide por conta própria atacar a ex-URSS. Afirma que o comunismo está chegando ao seu país ?pela água?. O terrorismo norte-americano/sionista chega por bases militares (a Europa Ocidental hoje é colônia dos EUA), por golpes de estado, pela mídia privada vendendo idéias e factóides montados para transformar o ser humano em mero objeto. Reduzir o Irã, a Venezuela, a Coréia do Norte, a Bolívia, Cuba, Nicarágua e alguns outros países a classificação de ?ditaduras? é parte desse jogo de dominação, é a guerra global em curso. Assassinar civis latino-americanos e jogá-los em covas rasas (México, Colômbia e Honduras) é apenas construir outras formas de muros para que o genocídio de palestinos se transforme em algo corriqueiro. E palestinos restamos sendo todos nós. Comemorar a morte de civis iraquianos com expressões como ?matamos os bastardos?, quer dizer apenas que boçais fardados tomaram o petróleo do Iraque. Que os ?negócios? vão continuar prosperando. Sustentar governos de fachada como na Colômbia, no México, em Honduras, Costa Rica (?sem a polícia, sem a milícia...? A canção cantada por Milton Nascimento já não tem mais sentido, só saudades, uma base militar dos EUA já está sendo montada em San José), Afeganistão, Iraque, etc, controlar os países europeus, avançar sobre a América Latina, matar a África de fome, isso é a guerra global. A barbárie capitalista. Tem sede em Washington e em Tel Aviv e filiais em todos os cantos do mundo. No Brasil a mídia privada vende vinte e quatro horas por dia a idéia que Hollywood é o paraíso. Se você conseguir pular o muro e escapar dos ?grupos organizados de extermínio?. A não ser que seu nome seja William Bonner, Boris Casoy, ou outros menores como Miriam Leitão, Lúcia Hipólito, Pedro Bial, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, um monte. E lógico, o tal Frias da FOLHA da ditabranda. Com sorte, consegue virar ex-BBB e escapar para as cavernas, pois a próxima guerra, a quarta, a terceira está em curso, como dizia Einstein, será travada ?com pedaços de pau e pedras?. O que Ahmadinejad disse foi apenas que seu povo resistirá. E está pronto para isso. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100826/ab3ae07f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 27 20:03:39 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 27 Aug 2010 19:03:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Empresas nacionais e estrangeiras concentram em ritmo violento a propriedade rural no Brasil Message-ID: Carta O Berro......................................................repassem ----- Original Message ----- From: Leila Brito VEM AÍ O PEBLISCITO POPULAR PELO LIMITE DA PROPRIEDADE DE TERRA VOCÊ PODERÁ VOTAR CONTRA O LATIFÚNDIO; CONTRA OS ABUSOS DE POSSE DE TERRAS BRASILEIRAS POR ESTRANGEIROS E POR BRASILEIROS CRIMINOSOS COMO DANIEL DANTAS E A SENADORA KÁTIA ABREU, QUE ATUA NO SENADO A FAVOR DOS LATIFUNDIÁRIOS - TRATA-SE DA PRESERVAÇÃO DO SOLO BRASILEIRO. VEJA A DENÚNCIA ABAIXO: 26 de agosto de 2010 Empresas nacionais e estrangeiras concentram em ritmo violento a propriedade rural no Brasil Da Página do MST O Incra acaba de revelar que, entre 1998 e 2008, o número de imóveis rurais de propriedade de empresas, tanto nacionais como estrangeiras, passou de 67 mil para 131 mil, de acordo com reportagem do Valor Econômico. Nesse período, o total de terras controlado por empresas passou de 80 milhões para 177 milhões de hectares. Esse volume de terras é espantoso se lembrarmos que o Brasil cultiva apenas 65 milhões de hectares em lavouras. Ainda mais porque o resto de nosso território é utilizado em pastagens, reserva patrimonial e especulação, além das terras públicas. Agora esperamos que os pesquisadores, a universidade e o próprio Incra ajudem explicar o seguinte: >>> Por que empresas precisam de tanta terra? >>> Quem são essas empresas? Para que usam? >>> São apenas testa de ferro do capital estrangeiro ou aplicam em terras para especulação? Os dados apresentados na discussão sobre o limite para compra de terras por estrangeiros demonstra que está em curso uma contra Reforma Agrária no Brasil, praticada pelo capital, que concentra cada vez mais as nossas terras. Abaixo, leia uma série de matérias publicadas pela imprensa burguesa na última semana. Leia também Estrangeiros usam ''laranjas'' para registrar terras no país Limite da compra de terras pelo capital internacional só vale a partir desta semana Grandes produtores de soja ampliam domínios em MT União limita compra de terras por estrangeiros Compra de terras pelo capital estrangeiro precisa ser impedida pela soberania nacional a.. Agronegócio http://redecastorphoto.blogspot.com/2010/08/empresas-nacionais-e-estrangeiras.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100827/201b0da7/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 27 20:03:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Fri, 27 Aug 2010 19:03:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Este_pa=EDs_n=E3o_era_para_n=F3s?= =?iso-8859-1?q?=2E_/____Voc=EA_sabe_falar_ingl=EAs=3F_po_Laerte_Br?= =?iso-8859-1?q?aga?= Message-ID: <849D5AC08E8D4C1DA8DE315244866777@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem clique Este país não era para nós Creio que o trecho que selecionei é um dos grandes momentos da história das lutas sociais do povo brasileiro. Curiosamente, foi pronunciado no dia de aniversário da morte de Vargas, o primeiro governante brasileiro que passou a considerar o povo brasileiro personagem de nossa História. Assista o vídeo e divulgue. É uma lição para todos nós, uma fogueira em nossos corações, um desempenar de nossas colunas vertebrais, Um levantar de rosto, confiante, seguro, daqueles que portam uma certeza invencível, uma convicção invulnerável, uma esperança que não se apagará. Viva o povo brasileiro! VOCÊ SABE FALAR INGLÊS? Laerte Braga A julgar pelo que pensa o diretor da empresa que edita o jornal FOLHA DE SÃO PAULO, Otávio não sei das quantas, para ser presidente do Brasil é indispensável saber falar inglês. Foi o que Lula revelou num discurso de campanha. O preconceito bolorento de senhores feudais em decadência plena e absoluta. O mundo FIESP/DASLU. Sem nota fiscal, sem concorrência pública, tudo no contrato de gaveta com direito a caixa dois e os caminhões a serviço da ditadura para a desova de corpos de presos por crime de opinião assassinados nos quartéis/açougues da tortura. Anos atrás a elite brasileira, notadamente a paulista, tinha mais gosto, era mais refinada. Preferia a Europa, Paris, Madri. Hoje alcançam no máximo Miami e frango sem sal, ou hambúrguer conservado com aquele aditivo que vem do petróleo e mata devagarzinho. Mas adoram charutos cubanos. O sonho é o fim da revolução e a posse dos arsenais de charutos de Fidel e dos cubanos. Celso Láfer, ex-ministro das Relações Exteriores do governo (governo?) de FHC, aquele que tirou os sapatos no aeroporto de New York para uma revista (suspeita de ações terroristas. Confundiram entreguismo com terrorismo), explicou em inglês que era ministro, aliado dos caras, aliás, subalterno, não adiantou nada. "Encosta aí na parede, tire os sapatos, e bico calado". Vai ver o inglês dele era britânico (elites adoram aquele ar Lawrence Olivier, ou Charles Laughton de falar) e preferia o seu Martini mexido e não batido. Versão colonizada de James Bond. Como não são nem Lawrence Olivier e tampouco Charles Laugthon, acabam sendo confundidos com Silvester Stallone, o bobão que liberta a América dos seus inimigos nas fantasias financiadas pela CIA, Fundação Ford, etc. Vocação de "faremos tudo o que o mestre mandar". Inclusive tirar os sapatos e cair de quatro. É o inglês do tal Otávio não sei das quantas. O primeiro ato de Bias Fortes quando tomou posse no governo de Minas (janeiro de 1956), foi mandar buscar sua vaquinha de estimação em Barbacena e colocá-la nos fundos do Palácio da Liberdade. Gostava de tomar leite fresco pela manhã. Otávio não sei das quantas imagina que falando inglês vira Roberto Marinho, na ordem hierárquica das quadrilhas da mídia privada. O trono está vago. Até que se decida o novo imperador, regentes controlam os "negócios". A propósito, as últimas pesquisas do Instituto DATA FOLHA, braço da empresa do tal Otávio você sabe falar inglês não sei das quantas, saíram assim que nem foguete supersônico, espacial, levando a candidata Dilma Roussef às alturas. Tem truta aí. Não nos números, que a vitória de Dilma é líquida e certa a não ser que sobrevenha um terremoto fabricado, lógico, lá pelos cantos da REDE GLOBO. Mas coisa assim tipo armadilha, qual não sei, mas suponho. Deve estar tudo em inglês britânico para confundir Lula. E inglês arcaico, dos tempos de João Sem Terra. Yes sir! O grande problema desses caras é que chegam no máximo a comendador. Não conseguem virar barões. Pelo menos de diploma pendurado nas paredes e corredores do poder. São barões de mentirinha na podridão da mídia privada. Barão Otávio não sei das quantas. Rui Barbosa queria ensinar inglês aos ingleses. Raimundo Magalhães Júnior deu um jeito nisso e enfureceu Luís Viana Filho. Foi Rui pra lá e Rui prá cá. Tudo entremeado por chá na Academia Brasileira de Letras (Sarney ainda não era imortal, mas Vana Verba, Austregésilo de Athaíde, era o presidente com as bênçãos de Assis Chateaubriand). Imagino que se eleito presidente da República (te esconjura Satanás!) José Arruda Serra vai mudar o idioma oficial do País. Vamos falar inglês e escrever Brazil assim, com zê.. É zebra meu! E Gentil Cardoso não tem a menor parcela de culpa nisso. A Portuguesa continua afundada lá pelas bandas de Cosmo. As recepções no palácio do vice, Índio da Costa, serão transformadas em Rave. Para qualquer emergência os caminhões da FOLHA DE SÃO PAULO estarão a postos. Só entra quem souber falar inglês. Não precisa chegar a exageros tipo citar frases inteiras de peças de Shakespeare, Otávio não sei das quantas não faz a menor idéia de quem seja esse, deve confundir com o que é isso. Basta levantar a mão direita e impávido dar a senha - anauê. No máximo Lady Chaterlley. E mesmo assim as páginas ditas picantes. A essência da obra (opa!) vai para o espaço, termina na coluna de dona Eliana ou Eliane Catanhede, figura de proa nos meios tucanos. Outro inglês, Lord Byron (que inveja Otávio não sei das quantas deve sentir desse negócio de Lord!) dizia que "o estilo é o homem". Jânio Quadros adorava citar essa frase quando lhe diziam que era um tanto aloprado. Bota tanto aí. Esse tanto, tanto vale para Oscar Wilde, quanto para Otávio não sei das quantas. Estilo quero o meu. Wilde era a integridade. Ou como diria Fellini. "Esse cara deve achar que aquele monstrengo com requeijão e frango é pizza." "Pizza meu caro é um manjar que Marco Pólo trouxe da China e no máximo a napolitana, a calabresa, com allitti, ou a marguerita, o resto é invenção de americano". Otávio, ou "Otavinho", como chamam os puxa sacos, não deve ter ouvido falar de Marlene Dietrich. "catchup é um desastre, odeio, tira o gosto de tudo". Com um detalhe, o "anjo azul" era alemã e falava inglês fluentemente. Com sotaque evidente, mas falava. Sei não sabe, Groucho Marx faz uma falta danada. Aquele negócio de "não posso ser sócio de clube que me aceita como sócio". Os tempos hoje são de Marcelo Madureira, humor tucano. É trágico. Deve escandalizar Otávio não sei das quantas. É em português, na verdade, em tucanês. Menos ruim para "Otavinho". Trate de aprender inglês meu. Do contrário você acaba presunto nos caminhões da FOLHA DE SÃO PAULO. ================================================================================== Militantes que vão à luta, que acreditam em um País de Todos Nós, que estão vendo os sonhos virarem realidade, que estão fazendo a diferença e ajudando a mudar uma vida... Vem você também fazer parte desta Nossa história!!! http://www.youtube.com/watch?v=g-phiKw_39c -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100827/ff24258e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1589 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100827/ff24258e/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1768 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100827/ff24258e/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 28 15:52:35 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 28 Aug 2010 14:52:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Recordando_=3A_=22A_maior_fraude_?= =?iso-8859-1?q?da_Hist=F3ria_=22_________________________-longo_ma?= =?iso-8859-1?q?s_esclarecedor-?= Message-ID: <12741A5F1922468289C011CAF35E4CE8@vcaixe> Carta O Berro......................................................repassem ----- Original Message ----- From: DELTA-Jc Macluf A maior fraude da História Nehemias Gueiros Jr* Jornal CORREIO DO BRASIL Online, nº 3230, de 04.11.2008 (3ª feira) 1/11/2008 17:16:23 "Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis". Mayer Amschel (Bauer) Rothschild "Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e o comércio e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão". Declaração do presidente norte-americano James Garfield, 1881 Poucas semanas após proferir estas palavras (da segunda citação), dirigidas aos moneychangers, o presidente Garfield foi assassinado. E não foi o único presidente norte-americano morto por eles, como veremos adiante. Para podermos entender melhor quem são os moneychangers (ou argentários), é necessário retornar no tempo até cerca de 200 A.C., quando pela primeira vez tem-se registro da "usura". Entre as várias definições do Aurélio para usura encontramos juro exorbitante, exagerado, lucro exagerado, mesquinharia. Dois imperadores romanos foram assassinados por terem pretendido implantar leis de reforma limitando a propriedade privada de terras ao máximo de 500 acres e liberando a cunhagem de moedas, que era feita pelos especuladores. Em 48 A.C., Júlio César recuperou o poder de emitir moeda, tornando-o disponível para qualquer um que possuísse ouro ou prata. Também acabou assassinado. Em seguida, as pessoas comuns perderam suas casas e seus bens, da mesma forma como temos assistido acontecer na crise norte-americana das hipotecas. Na época de Jesus, há 2 mil anos, o Sanhedrin (a Suprema Corte da antiga Israel) controlava o povo através da cobrança de taxas representadas pelo pagamento de meio shekel. Vários historiadores estimam que os cofres dessa corte continham vários milhões de dólares em dinheiro de hoje. O povo judeu, totalmente oprimido e controlado pelo Sanhedrin, vivia escravizado pelos dogmas da religião imposta por esses líderes. Como todos sabemos, Jesus foi o primeiro a ousar desafiar esse poder e expor a conduta sacrílega de Israel e também acabou morto na cruz. Nos séculos seguintes, os moneychangers continuaram a expandir a arte da usura em todos os segmentos da vida, criando expansões e contrações financeiras, de geração em geração enfrentando monarcas e líderes políticos que queriam erradicá-la. Sempre em vão. A cada bem-sucedida (e rara) tentativa de eliminá-la, a usura voltava com mais força ainda, respaldada pela ganância e o poder dos fortes e ricos contra os fracos e pobres. Na Idade Média, o Vaticano proibiu a cobrança de juros sobre os empréstimos, com base nos ensinamentos e na doutrina eclesiástica de Aristóteles e São Tomás de Aquino. Afirmou que "o propósito do dinheiro é servir à sociedade e facilitar a troca de bens necessária à condução da vida". De nada adiantou, eis que a própria Igreja conspirava com o Estado para acumular dinheiro e poder através dos séculos e controlar os oprimidos com os "castigos" e as "bênçãos" do Todo Poderoso. Os argentários usavam os juros para praticar a usura, que hoje é consagrada por lei através da prática bancária. Já naquela época, vários religiosos e teólogos condenavam a escravização econômica resultante da usura, mas como podemos observar a situação mudou muito pouco nos últimos 500 anos. Na medida em que a usura foi se instalando em todas as camadas sociais, os moneychangers foram ficando cada vez mais ousados em suas manipulações financeiras e foi assim que surgiu o famigerado conceito do fractional reserve lending, ou "empréstimo baseado em reserva fracional" ou "empréstimo sem cobertura ou lastro". Embora de enunciado complexo, a prática é muito simples. Significa emprestar mais dinheiro do que se tem em caixa e transformou-se na maior fraude de todos os tempos, principal responsável pela vasta pobreza que assola o mundo até hoje e pela redução sistemática do valor do dinheiro. A descrição dos economistas sobre os chamados "ciclos econômicos", nada mais é do que a identificação dos períodos de expansão e retração determinados pelos bancos em todo o mundo, através do fractional reserve lending. Eles simplesmente adotaram as regras do passado e continuaram a praticá-las até hoje. A prática do "empréstimo sem lastro" continuou se expandindo antes mesmo do surgimento dos bancos, alimentada pelos ourives e mercadores de ouro e prata, que guardavam os metais nobres da população em custódia para não serem roubados. Logo esses negociantes - na realidade meros agiotas - perceberam que a maioria das pessoas morria e não voltava para buscar seus bens, legando-os à herança familiar. Foi quando começaram a emprestar dinheiro a juros, geralmente em quantias muito superiores ao ouro e prata que possuíam guardados em custódia. O recibo da custódia foi provavelmente o primeiro embrião do dinheiro de papel que temos hoje, pois com ele, a pessoa podia adquirir mercadorias e bens no grande mercado. Com a contínua expansão desse negócio ilícito e usurário, logo os moneychangers puderam abrir lojas específicas para empréstimos, advindo daí a origem dos bancos modernos. O primeiro banco central de um país a praticar o fractional reserve lending, ou FRL foi o Bank of England (Banco da Inglaterra), constituído em 1694 e de natureza privada. Era controlado por acionistas fraudulentos e mal-intencionados que utilizaram o mote "people´s bank" (banco do povo), para praticar toda sorte de fraudes visando unicamente o lucro. As dívidas com o Banco da Inglaterra de centenas de gerações posteriores, representadas ou pela própria monarquia inglesa ou pelo governo, foram asseguradas através da criação de taxas impostas à população, que viriam a se transformar no Imposto de Renda como hoje o conhecemos. O modelo do Banco da Inglaterra rapidamente se transformou no modelo para os bancos centrais de todos os países no mundo atual. Os agiotas descobriram que é muito mais lucrativo emprestar para monarcas e governos do que para cidadãos comuns. Através da dívida, tornavam-se literalmente credores e soberanos de nações inteiras. Em suma: Os argentários colocavam um banco privado a cargo de todas as finanças e operações econômicas de um país, o que equivale a entregar a nação a uma organização mafiosa que controla a economia com a finalidade de lucro e assim mantém a população totalmente refém de suas políticas financeiras. No início do século XVIII, cerca de 50 anos depois que o Banco da Inglaterra já estava operando, um alemão chamado Amshel Moses Bauer¹, ourives e agiota que vivia em Frankfurt, na Alemanha, começou um negócio a que denominou de Rothschild, pois a insígnia na porta da loja era uma águia romana sobre um escudo vermelho. Rothschild significa "escudo vermelho" em alemão. O negócio prosperou e em 1743 ele mudou seu próprio nome para Amshel Moses Rothschild. Ele tinha cinco filhos e, ao atingirem a maioridade, ele enviou cada um a uma capital comercial da Europa para emprestar dinheiro a juros, principalmente às monarquias e reinos. O mais velho, Amshel, ficou em Frankfurt; Solomon foi para Viena; Nathan para Londres, Jacob para Paris e Carl para Nápoles. Assim foram plantadas as sementes que permitiram à mais poderosa e rica família da história do mundo reinar nos séculos seguintes da evolução da humanidade, com o único propósito de lucro e poder, seja qual fosse o custo. Gerações seguidas dos Rothschild e seus correligionários exercem - e continuam exercendo - poder sobre a sociedade mundial, utilizando-se da antiga prática da usura e do fractional reserve lending. Já donos de uma fortuna incalculável obtida com os empréstimos a todos os países europeus os Rothschild se envolveram vigorosamente nos financiamentos ao governo inglês para as colônias da América, acabando por indiretamente causar a independência norte-americana quando restringiram o crédito e aumentaram salgadamente as taxas cobradas aos pilgrims. Mesmo após a independência, logo implantaram o modelo de banco central no Novo Continente, para expandir ainda mais os seus lucros. Durante a primeira metade do século XIX nos Estados Unidos, pelo menos três vezes os opositores do sistema agiotário lograram êxito em fechar o banco, entre eles os presidentes James Madison e Andrew Jackson, mas ele sempre ressurgia. Foi durante a Guerra Civil norte-americana que os conspiradores lançaram o seu mais bem-sucedido esforço nesse sentido. Judah Benjamin, principal assessor de Jefferson Davis (na época presidente dos Estados Confederados da América), era um agente dos Rothschild. A família plantou assessores no gabinete do presidente Abraham Lincoln e tentou vender-lhe a idéia de negociar com a Casa de Rothschild. Lincoln desconfiou de suas intenções e rejeitou a oferta, tornando-se inimigo figadal da família e acabou assassinado a tiros num teatro. Investigações sobre o crime revelaram que o assassino era membro de uma sociedade secreta cujo nome jamais foi revelado pois vários altos funcionários do governo norte-americano eram membros. O fim da guerra civil abortou temporariamente as chances dos Rothschild de por as mãos no sistema monetário dos Estados Unidos, como já faziam com a Inglaterra e todos os países da Europa. Mas apenas temporariamente. Anos depois, um jovem imigrante, Jacob H. Schiff, chegou a Nova Iorque. Nascido em uma das casas dos Rothschild em Frankfurt, ele chegou à América do Norte com um objetivo definido: comprar ações de um grande banco para gradualmente adquirir o controle sobre o sistema financeiro norte-americano. Schiff comprou quotas de participação numa empresa chamada Kuhn & Loeb, uma famosa casa privada de financiamentos. Entretanto, para cumprir sua missão, ele precisaria obter a cooperação de "peixes grandes" do segmento bancário norte-americano. Tarefa difícil para o humilde jovem alemão oriundo dos subúrbios de Frankfurt. Mas Schiff tinha trunfos: Ele era enviado dos Rothschild e ofereceu ações européias de alto valor para distribuição no mercado norte-americano. Foi no período pós-guerra civil que a indústria norte-americana efetivamente começou a florescer para se transformar no colosso da atualidade. Com a decretação da paz e a expansão para o Oeste, havia estradas-de-ferro para construir, ligando as duas costas continentais do país, além da nascente prospecção petrolífera, das siderúrgicas e das empresas têxteis, para citar apenas algumas. Tudo requeria financiamento e não havia dinheiro suficiente no jovem país do Norte. A Casa de Rothschild ponteava no cenário europeu e tinha recursos abundantes, resultado da vigorosa especulação financeira empreendida em todos os centros comerciais da Europa nos 150 anos anteriores, emprestando dinheiro a monarcas, governos e parlamentares. O jovem Schiff rapidamente se tornou padrinho de homens como John D. Rockefeller, Andrew Carnegie e Edward Harriman. Com o dinheiro dos Rothschild, ele financiou a Standard Oil Company (hoje a poderosa ESSO, acrônimo das duas letras que formavam a abreviação da empresa em inglês: S.O. - leia-se ESS-O), as ferrovias Union Pacific Railroad e Southern Pacific Railroad e o império do aço de Carnegie, com sua Carnegie Steel Company, que consagrou a cidade de Pittsburgh, no Estado norte-americano da Pennsylvania como a capital mundial do aço. Foi apenas uma questão de tempo para Jacob Schiff deter o controle da comunidade bancária de Wall Street, em Nova Iorque, que já incluía os Lehman Brothers², Goldman-Sachs e outros grupos internacionais até hoje atuantes no mercado financeiro, todos eles desde àquela época controlados pelos Rothschild. É possível resumir a situação de forma bem simples: Schiff era o "chefe" do mercado financeiro de Nova Iorque e controlava o dinheiro dos Estados Unidos. Assim foi preparado o bote sobre o sistema financeiro norte-americano. Com seus cinco filhos firmemente encastelados em todos os centros financeiros da Europa, a família Rothschild logo ascendeu à posição de mais rica família do planeta. Esta situação persiste até hoje, embora eles professem uma postura de discrição, avessa à mídia e à divulgação. Nenhuma família ou grupo empresarial possui tanto poder e controle financeiro em todos os países do mundo como os Rothschild. E isto há 250 anos. Sua fabulosa fortuna foi conseguida através da prática do fractional reserve lending ("empréstimo sem lastro"), que consistia em multiplicar o dinheiro a partir das vastas somas de dinheiro depositadas pelas pessoas em suas casas de custódia (brokerage and escrow houses) espalhadas pela Europa através do empréstimo de dinheiro de papel a monarcas e governos. Uma de suas práticas mais determinadas era a de financiar os dois lados de uma guerra, garantindo assim, no mínimo, a duplicação de seus lucros com os juros cobrados, vencesse quem vencesse³. Os moneychangers não se aliavam a determinado partido ou tendência política; para eles só existia a finalidade do lucro. Em algum tempo, a família Rothschild tomou conta de todos os bancos centrais do mundo - voltados unicamente para o lucro e não para a administração da economia dos seus respectivos países - e com a inteligente operação de sua inesgotável fortuna tornaram-se agentes determinantes na criação dos Estados Unidos da América, que viria a se tornar o país mais rico e poderoso do mundo. Não se trata de mera coincidência, pois foi a opressão inglesa sobre o Novo Mundo com a cobrança de taxas pelo Banco da Inglaterra que acabou por desencadear a revolução que criou os EUA. Benjamim Franklin, inventor, cientista, político e diplomata do século XVIII, artífice da aliança com a França que auxiliou a independência norte-americana, afirmou o seguinte ao Banco da Inglaterra, que tencionava financiar a nova república norte-americana através da estratégia da usura (fractional reserve lending): "É muito simples. Aqui nas colônias nós emitimos nossa própria moeda, que se chama Colonial Script4. Emitimo-la na exata proporção das necessidades do comércio e da indústria, para tornar os produtos mais móveis entre os produtores e os consumidores. Desta forma, criando nosso próprio dinheiro de papel, controlamos o seu poder de compra e não precisamos pagar juros a ninguém". O controle do sistema monetário dos EUA está totalmente investido no Congresso Norte-americano, eis por que Jacob Schiff seduziu os parlamentares a bypassar a Carta Magna estadunidense e passar esse controle aos moneychangers. Para que essa transição fosse integralmente bem-sucedida e a população do país não pudesse fazer nada a respeito, seria necessário que o congresso norte-americano promulgasse uma peça de lei específica. Como conseguir isso? Através de um presidente sem moral e sem escrúpulos, que assinasse o projeto de lei. Nos quase 200 anos que se passaram entre a independência norte-americana e a criação do Federal Reserve Bank (Banco Central dos Estados Unidos), popularmente conhecido como "Fed", várias vezes a família Rothschild tentou controlar a emissão de moeda nos EUA. Em cada tentativa, eles procuraram estabelecer um banco central privado, operando apenas com a finalidade de lucro e não para administrar ou proteger a economia norte-americana. Cada uma dessas tentativas até 1913 foi oposicionada por políticos decentes e honestos, a maioria dos quais acabou assassinada por encomenda dos moneychangers. O Fed começou a operar com cerca de 300 pessoas e outros bancos que adquiriram quotas de US$ 100.00 (a empresa é fechada, não negocia ações em bolsa) e se tornaram proprietários do Federal Reserve System. Criaram uma mastodôntica estrutura financeira internacional com ativos incalculáveis, na casa dos trilhões de dólares. O sistema FED arrecada bilhões de dólares em juros anualmente e distribui os lucros aos seus acionistas. Some-se a isso o fato de que o congresso norte-americano concedeu ao FED o direito de emitir moeda através do Tesouro Americano (Dept. of the Treasury) sem cobrança de juros. O FED imprime dinheiro sem lastro, sem qualquer cobertura, e empresta-o a todas as pessoas através da rede de bancos afiliados, cobrando juros por isso. A instituição também compra dívidas governamentais com dinheiro impresso sem lastro e cobra juros ao governo norte-americano que acabam incidindo sobre as contas do cidadão comum pagador de impostos. O Federal Reserve Bank (Banco Central norte-americano) é, na realidade, a ponta-líder de um conglomerado de bancos internacionais e pessoas físicas unicamente dedicados a perseguir o lucro, todos a seguir identificados, o que constituiu a revelação de um dos maiores segredos dos últimos 100 anos: Rothschild Bank of London Edith Brevour Warburg Bank of Hamburg Rothschild Bank of Berlin Lehman Brothers of New York* Lazard Brothers of Paris Kuhn Loeb Bank of New York Israel Moses Seif Banks of Italy Goldman, Sachs of New York Warburg Bank of Amsterdam Chase Manhattan Bank of New York First National Bank of New York James Stillman National City Bank of New York Mary W. Harnman National Bank of Commerce, New York A.D. Jiullard Hanover National Bank, New York Jacob Schiff Chase National Bank, New York Thomas F. Ryan Paul Warburg William Rockefeller Levi P. Morton M.T. Pyne George F. Baker Percy Pyne Mrs. G.F. St. George J.W. Sterling Katherine St. George H.P. Davidson J.P. Morgan (Equitable Life/Mutual Life) T. Baker *A empresa Lehman Brothers pediu concordata em setembro de 2008, através da Seção Onze do U.S. Bankruptcy Code (Chapter Eleven) Veio o Vigésimo Século e os moneychangers, sempre representados pelos Rothschilds e seus áulicos, já estavam firmemente estabelecidos com seus bancos centrais e sua prática do fractional reserve lending (empréstimo sem lastro) em todas as grandes capitais européias. Era a hora de devotar atenção total aos Estados Unidos da América, a nova nação emergente do mundo. Ainda não existia um banco central norte-americano, pois as várias tentativas de estabelecê-lo ao longo do século XIX foram infrutíferas. Finalmente, em 23.12.1913, durante um recesso de Natal do Congresso, em que apenas três senadores retornaram à capital, Washington, para votar, foi perpetrado um dos maiores atos de vilipêndio contra o povo norte-americano de que se tem notícia. Sob a presidência de Woodrow Wilson, um democrata que chegou ao cargo alardeando a bandeira de nunca permitir a criação de um banco central, foi promulgado o Federal Reserve Act (Ato da Reserva Federal), que instituiu um banco central privado, "disfarçado", não apenas para dominar a emissão de moeda mas também para cobrar juros sobre essa emissão. Nada mais do que a milenar prática da usura. Uma verdadeira quadrilha estava em ação naquela época, dedicada a alimentar o sucesso da prática do fractional reserve lending (empréstimo sem lastro), que incluía J.P. Morgan (John Pierpont Morgan)5 e que serviria de fundamento para a passagem tranqüila da legislação que criou o Federal Reserve Bank, o banco central dos Estados Unidos. Todos foram escolhidos a dedo pelos Rothschild e preparados para esse desfecho em 1913. Já famoso e muito rico, J.P. Morgan, que circulava com desenvoltura em todos os altos escalões do governo norte-americano, começou a procurar um futuro presidente que apoiasse as idéias dos moneychangers de criar um banco central privado, com a finalidade primígena de lucro. Foi assim que conheceu Woodrow Wilson, então reitor da universidade de Princeton, no Estado de Nova Jérsei. O Federal Reserve System foi o desdobramento direto dessa aproximação de Morgan com Woodrow Wilson, mesmo diante das várias e infrutíferas tentativas de criar um banco central nos EUA ao longo do século XIX e que resultaram em pelo menos dois presidentes assassinados por oporem-se a essa idéia. O simples apoio de Wilson às idéias dos moneychangers constituiu um ato de alta traição. Um dos comentários públicos de Wilson sobre o assunto teria sido o seguinte: "Todos os nossos problemas econômicos seriam solucionados se apontássemos um comitê de seis ou sete figuras públicas e homens espirituosos como J.P. Morgan para cuidar dos assuntos de nosso país". Essa assertiva confirmou as circunstâncias da verdadeira usurpação que os moneychangers estavam prestes a praticar para adquirir o controle fiscal e monetário dos Estados Unidos. O deputado republicano Charles A. Lindbergh, do Estado de Minnesota, declarou: "Aqueles que não simpatizam com o poder financeiro dessa turma serão banidos dos negócios e a população será atemorizada com as mudanças nas leis bancárias e monetárias". Os inocentes cidadãos norte-americanos foram mais uma vez tragados para a noção da criação de um banco central e a conseqüente escravização econômica. O senador Nelson Aldrich, de Rhode Island, se tornou o líder da National Monetary Commission, composta de moneychangers fiéis a J.P. Morgan. A finalidade desta comissão era estudar e recomendar ao congresso americano mudanças no sistema bancário do país para eliminar quaisquer problemas que surgissem da oposição à intenção primordial de lucro financeiro. O senador Aldrich era o porta-voz das mais abastadas famílias da América, estabelecidas na costa leste. Sua filha casou-se com John D. Rockefeller Junior e deles nasceram cinco filhos: John, Nelson (que se tornou vice-presidente em 1974), Lawrence, Winthrop e David, depois dono e chairman do Chase Manhattan Bank. Assim que a comissão foi instalada, o senador Aldrich embarcou num tour de dois anos pela Europa, para consultas com os bancos centrais do velho continente (Inglaterra, França e Alemanha). Somente a viagem custou aos cofres públicos norte-americanos cerca de US$ 300,000.00, uma soma fabulosa para aqueles tempos. Logo após seu retorno em 1910, Aldrich reuniu-se com alguns dos mais ricos e poderosos homens norte-americanos em seu vagão ferroviário privativo e todos partiram secretamente para uma ilha na costa do Estado da Geórgia, Jekyll Island. Junto com eles viajou um certo Paul Warburg, que recebia um salário de US$ 500,000.00 anuais pago pela empresa Kuhn, Loeb & Co. para conseguir a aprovação da lei de criação do banco central norte-americano e era sócio de ninguém menos do que o alemão Jacob Schiff, neto do homem que se associou à família Rothschild em Frankfurt. Na época, Schiff estava envolvido na derrubada do czar russo, empreitada que custou uns US$ 20 milhões e iniciou a revolução bolchevique que desaguaria na União Soviética. Essas três famílias financeiras européias, os Rothschilds, os Schiffs e os Warburgs estavam todas ligadas pelo matrimônio ao longo dos anos, assim como os Rockefellers, Morgans e Aldrichs, nos EUA. O segredo desta reunião insular na Geórgia foi tão grande que os participantes foram instruídos a usar somente seus primeiros nomes para evitar que serviçais e criados descobrissem suas verdadeiras identidades. Anos depois, um dos participantes dessa secretíssima reunião, Frank Vanderlip, presidente do National City Bank of New York e representante e protegé da família Rockefeller, confirmou a realização do evento. Citado numa reportagem do jornal Saturday Evening Post de 09.02.1935 ele disse: "Eu me portei secretamente e furtivamente como qualquer conspirador. Nós sabíamos que se vazasse qualquer informação de que estávamos impondo ao congresso norte-americano uma nova legislação bancária não teríamos a menor chance de sua aprovação". A idéia principal da reunião em Jekyll Island era desdobrar a intenção principal de reintroduzir um banco central privado para controlar o dinheiro dos Estados Unidos. Não para o povo norte-americano, mas para os moneychangers da Europa e de Nova Iorque. A atração do fractional reserve lending (empréstimo sem lastro) era simplesmente irresistível para os gananciosos argentários. Essa conspiração dos banqueiros privados norte-americanos para seqüestrar a economia norte-americana se tornava cada vez mais importante diante da competição dos pequenos bancos estatais do país. Como o próprio senador Aldrich diria anos depois: "Antes da promulgação do Federal Reserve Act (em 1913) os banqueiros novaiorquinos dominavam apenas as reservas monetárias de Nova Iorque. Agora controlamos as reservas do país inteiro." John Rockefeller disse a respeito: "A competição é um pecado, temos que demovê-lo". O crescimento da economia norte-americana prosperou e as grandes corporações do país começaram a se expandir a partir de seus fabulosos lucros. Como os moneychangers não possuíam voz ativa sobre essa expansão, que se processava em nível corporativo longe de seus tentáculos pois a indústria estava se tornando independente deles, algo tinha que ser feito para mudar a situação. O nome do Banco Central americano consagrado naquela reunião secreta de Jekyll Island, na Geórgia, Federal Reserve Bank, foi escolhido para dar a impressão de que a instituição era pública, sem fins lucrativos e para administrar a economia norte-americana em nome dos cidadãos contribuintes. Ledo engano. O nome foi apenas uma cortina de fumaça para esconder a intenção monopolista e opositora à concorrência da nova instituição, que tinha a exclusividade de imprimir as cédulas do dinheiro norte-americano, criando dinheiro do nada, sem quaisquer lastro ou reservas e emprestando-o às pessoas sob juros. Mas como é mesmo que o Fed cria dinheiro do nada? Comecemos com os bonds, ou letras do tesouro. São promessas de pagamento (ou IOUs, no acrônimo em inglês, originado de I owe you, "eu devo a você"). As pessoas compram esses títulos para garantir uma taxa de juros segura no resgate futuro. Ao final do prazo do papel, o governo repaga o valor principal mais juros e o título é destruído. Atualmente existem cerca de US$ 5 trilhões desses papéis em poder do público. Agora, eis os quatro passos adotados pelo banco central norte-americano para criar dinheiro do nada: O Federal Open Market Committee (Comitê Federal do Mercado Aberto) aprova a compra de letras do Tesouro Norte-americano no mercado aberto. Esses títulos são comprados pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve Bank. O Fed paga pelos títulos com créditos eletrônicos emitidos em favor do banco vendedor. Esses créditos não têm origem, não possuem qualquer lastro. O Fed simplesmente os cria e os bancos utilizam esses depósitos como reservas. Como segundo a prática do fractional reserve lending6 ou FRB, os bancos podem emprestar dez vezes mais do que o valor efetivo de suas reservas e sempre a juros, rapidamente eles conseguem produzir dinheiro do nada quando os tomadores começam a pagar os seus empréstimos. Que por sua vez surgiram do nada. O sistema FRB permite aos bancos não ter lastro em caixa equivalente aos depósitos dos clientes, vale dizer, se todos os correntistas resolvessem sacar o seu dinheiro o banco não teria como pagá-los, como aconteceu no crash da bolsa de Wall Street em 1929, do qual os moneychangers foram os únicos beneficiários e retomaram todas as propriedades e os bens do povo norte-americano para revendê-los nos anos seguintes com grande lucro. Desta forma, se o Fed adquirir, digamos, US$ 1 milhão em títulos, este valor se transformará automaticamente em US$ 10 milhões, do nada, sem qualquer lastro ou cobertura. O Fed simplesmente aciona sua gráfica e "imprime" os outros US$ 9 milhões e começa a emprestar o dinheiro a juros no mercado, através da rede bancária comercial. Assim, o banco central norte-americano cria 10% do total desse dinheiro novo e os demais bancos criam os 90% restantes. Isto expande a quantidade de dinheiro em circulação e amplia o crédito e o consumo, levando as pessoas a comprarem mais e gastarem mais, inflando as estatísticas de crescimento nacional. Mas a verdadeira intenção desta operação é mais sinistra. Pretende o controle absoluto sobre a economia. Para reduzir a quantidade de moeda circulante e provocar uma recessão, o processo é simplesmente revertido. O Fed vende os títulos ao público e o dinheiro sai dos bancos dos adquirentes. Os empréstimos têm que ser reduzidos em dez vezes o valor da venda porque, como vimos, o Fed criou US$ 9 milhões do nada. Mas, a dúvida persiste: Como estas operações deliberadas de inflação e deflação beneficiaram os grandes banqueiros privados que se reuniram secretamente em Jekyll Island para planejar a monopolização do sistema monetário norte-americano e dominar a emissão de moeda? Simples. Modificou radicalmente a reforma bancária realmente necessária para criar um sistema de financiamento público livre de dívidas, como os greenbacks7 do presidente Abraham Lincoln, representados por papel-moeda impresso e emitido pelo governo norte-americano durante a Guerra Civil (1861-1865), um conflito entre os Estados do norte contra os do sul. Lincoln, tal como seus antecessores Jackson8 e Madison9, era radicalmente contra o estabelecimento de um banco central, pois já conhecia a estratégia dos moneychangers. Ele favorecia a emissão da moeda nacional diretamente pelo Tesouro, um departamento cuja função era exatamente essa, a de atuar como administrador da corrência do país. Quando o Tesouro emite moeda, cada dólar impresso vale exatamente isso: Um dólar, pois nasce consagrado pela confiança da população e pela certeza de que o dinheiro está sendo emitido sem especulação, sem incidência de juros. O dinheiro emitido pelo Federal Reserve, por outro lado, é exatamente o oposto. Traz embutidos juros e tem a intenção firme de lucrar ao ser "emprestado" ao governo, pois é isso o que o banco central faz: Empresta dinheiro ao governo norte-americano a juros. Em outras palavras, a tão propalada missão de "guardião da moeda", e "banco do povo", conceitos consagrados lá atrás através da criação do Banco da Inglaterra, nada mais é do que lucrar a qualquer custo e ainda controlar a emissão de moeda de um país. A estrutura do banco central favorece a centralização da oferta de moeda nas mãos de algumas poucas pessoas, com pouquíssmo controle político exercido pelo governo estabelecido. Desde a proclamação da independência norte-americana que políticos sérios e comprometidos com o desenvolvimento e o bem-estar da população da América do Norte se insurgiram contra os moneychangers. Em carta dirigida ao secretário do Tesouro, Thomas Jefferson disse em 1802: "Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que exércitos armados. Se o povo norte-americano autorizar bancos privados a controlar a emissão de sua moeda, primeiro através da inflação e depois pela deflação, os bancos e as grandes corporações que crescerão em volta deles gradualmente controlarão a vida econômica das pessoas, deprivando-as de todo o seu patrimônio até o dia em que seus filhos acordem sem-teto, no continente que seus pais e avós conquistaram". Basta examinarmos o sistema de indicação política do presidente do Fed, (atualmente Paul Bernanke). O chefe do Fed é indicado pelo presidente da República, mas tem mandato de 14 anos, separado da autoridade eleita pelo povo, muitas vezes perpetuando-se no cargo. Notórios presidentes do banco como Paul Volcker e Alan Greenspan constituem os verdadeiros "xerifes" da economia norte-americana, e, por conseguinte, exercem influência planetária. A criação do Federal Reserve Bank em 1913, consolidou definitivamente o controle dos moneychangers sobre o sistema financeiro norte-americano, impedindo o retorno de uma política monetária de financiamento público livre de dívidas como os greenbacks de Lincoln e permitindo aos banqueiros criar 90% do dinheiro dos Estados Unidos baseado apenas no conceito de fractional reserves (reservas fracionais, sem lastro que garantisse a totalidade dos recursos) e emprestá-lo a juros. Menos de duas décadas após sua criação, a grande contração de crédito realizada pelo Fed no início dos anos 30 do século XX causaria a Grande Depressão de 1929. A independência do Banco Central norte-americano só aumentou desde então, através da promulgação de inúmeras novas leis. A estratégia para enganar o público e fazê-lo pensar que o Fed era controlado pelo governo foi a criação de uma junta governante (board of governors) apontada pelo presidente do país e aprovada pelo senado. Os banqueiros tinham apenas que garantir que seus correligionários fossem os escolhidos para a junta, o que não era difícil, já que os banqueiros tinham dinheiro e dinheiro compra influência política em qualquer lugar do mundo. Logo após a reunião secreta de Jekyll Island, teve lugar uma verdadeira blitz de relações públicas. Os grandes banqueiros de Nova Iorque criaram um fundo educacional de US$ 5 milhões para financiar professores em universidades americanas importantes, em troca de apoio ao novo banco central. O primeiro a ser cooptado foi justamente Woodrow Wilson, de Princeton, que viria a ser tornar presidente dos EUA. Uma das primeiras ações legislativas dos moneychangers com o novo Fed foi uma lei conhecida como Aldrich Bill ("lei Aldrich") que logo foi apelidada pelo público como Banker´s Bill, pois beneficiava apenas as grandes instituições financeiras. O congressista Lindbergh, pai do famoso aviador Charles Lindbergh que pela primeira vez cruzou o Atlântico sem escalas em 1927 voando num monomotor, disse: "O plano de Aldrich é o plano de Wall Street. Significa novo pânico financeiro, se necessário, para intimidar a população. O político Aldrich, pago pelo governo norte-americano para representar o povo no Congresso, em vez disso, está propondo um plano para o grande capital". A lei não foi aprovada. Os moneychangers então, através dos banqueiros novaiorquinos, financiaram Woodrow Wilson como o candidato democrata à presidência dos EUA. Coube ao filantropo e financista Bernard Baruch a tarefa de "doutrinar" Wilson nesse sentido, em 1912. Tudo estava pronto para o ataque final dos moneychangers europeus ao sistema financeiro do Novo Mundo. Essa luta já vinha desde os tempos da presidência de Andrew Jackson, ferrenho opositor da idéia de um banco central privado. Mas a capacidade de manobra do dinheiro logo se revelaria determinante, quando William Jennings Bryan, assessor de Jackson e vigoroso obstáculo entre os moneychangers e seu objetivo, sem saber da doutrinação empreendida por Baruch, apoiou a candidatura democrata de Wilson. Logo seriam traídos. Durante a campanha presidencial, os democratas tiveram o cuidado de "fingir" que oposicionavam a lei Aldrich. Vinte anos depois, o congressista Louis McFadden, democrata da Pennsylvania, diria: "A lei Aldrich foi abandonada no nascedouro quando Woodrow Wilson foi nomeado candidato à presidência norte-americana. Os líderes democratas prometeram à população que se fossem guindados ao poder não estabeleceriam um banco central para controlar as finanças da nação. Treze meses depois esta promessa foi quebrada e a nova administração do presidente eleito Wilson, sob a égide das sinistras figuras de Wall Street, estabeleceu a monárquica instituição do "banco do rei", nos mesmos moldes do Banco da Inglaterra, para controlar integralmente o sistema monetário dos Estados Unidos da América. Após a eleição de Wilson, os magnatas J.P. Morgan, Warburg e Baruch apresentaram um novo projeto de lei, que Warburg denominou de Federal Reserve System. O partido democrata ovacionou o projeto, apontando-o como radicalmente diferente da lei Aldrich. Na realidade, a lei era praticamente idêntica em quase todos os seus aspectos. E foi assim que, no dia 22 de dezembro de 1913, às 11h da manhã, com um quórum ínfimo de apenas três senadores e apoiada pelo próprio presidente Woodrow Wilson, o Federal Reserve Act foi aprovado sem dissidências. Naquele mesmo dia, o congressista Lindbergh alertara: "Essa lei estabelece um mastodôntico feudo monetário (money trust) na Terra. Quando o presidente assiná-la, um governo invisível representado pelo poder monetário será legalizado em nosso país. As pessoas podem não perceber imediatamente, mas a verdade virá à tona no futuro. O pior crime legislativo da História está sendo perpetrado por essa lei dos banqueiros". Esse verdadeiro ato de ganância e traição ao povo norte-americano foi o resultado de uma longa batalha entre os moneychangers da Europa e os políticos norte-americanos honestos. O sistema de fractional reserve lending (empréstimo sem lastro) seria para sempre o desejo dos mercadores, agiotas e usurários e efetivamente nunca mudou desde o início do Renascimento quando começou a ser praticado. Outro ingrediente fundamental dessa equação era a taxação do povo e que foi consagrada na nova lei. A constituição norte-americana, tal como foi redigida, não apenas precluía o governo de editar quaisquer leis (essa prerrogativa cabia somente ao Congresso) como também vetava a imposição de quaisquer taxas sobre a população. Apenas os Estados podiam criar taxas e emolumentos, como fora o desejo dos founding fathers. A curiosa coincidência é que apenas semanas antes da promulgação do Federal Reserve Act, o Congresso havia aprovado uma lei criando o imposto de renda. Até hoje historiadores e estudiosos têm dúvidas se esta lei foi adequadamente ratificada antes de entrar em vigor. O modelo de banco central criado pelos moneychangers nos Estados Unidos, com fundamento no pioneiro Bank of England, ganharia o mundo no século XX e hoje todos os países do planeta possuem um banco central igual ou similar, baseado num sistema de impostos como garantia do dinheiro que emprestam, a juros, aos governos de seus próprios países, literalmente mantendo esses governos e a população reféns de suas gananciosas políticas monetárias, expandindo e contraindo o crédito como melhor lhes apraz. O líder inconteste dessa atividade é o Fed norte-americano, que "dita as regras" para seus congêneres em redor do mundo, mas o mecanismo é exatamente esse. Como o Fed é um banco privado, sua intenção primordial é criar grandes dívidas junto ao governo e aplicar juros sobre elas e, como garantia de pagamento, precisa de um sistema de impostos à prova de erros. Desde os primórdios das atividades da família Rothschild na Europa que os moneychangers sabiam que a única garantia real de recuperar os seus empréstimos a reis, monarcas e governos era o direito do devedor de taxar a população. Em 1895 a Suprema Corte norte-americana considerou inconstitucional uma forma similar de taxação do público. Mais uma vez o senador Aldrich veio em socorro dos moneychangers e empreendeu vigoroso lobby no Congresso para provar que a nova taxação era necessária. E sucedeu. Seus colegas congressistas acederam, sem se dar conta de que haviam votado o "elo perdido" do tabuleiro de xadrez dos moneychangers em sua jornada para dominar os Estados Unidos da América no século seguinte, bem como o resto do mundo com seu conceito de "bancos centrais privados". Em outubro de 1913 o senador Aldrich apresentou novo projeto de lei fiscal no congresso, dando ao governo federal o direito de cobrar impostos, o que era apenas permitido aos Estados da união. Para os moneychangers era essencial que o governo federal pudesse taxar a população, sob pena de não conseguirem dar seguimento à estratégia de criação de dívidas crescentes com aplicação de juros. Essa estratégia foi repetida em todos os países do mundo durante o século XX até que todos se tornassem devedores de seus bancos centrais e garantissem os empréstimos através da cobrança de impostos ao público. Revendo a história do Vigésimo Século e a dos Estados Unidos em particular, podemos observar claramente como a sombra gananciosa e sinistra dos poderosos moneychangers manipula a agenda planetária até hoje. A prática de financiar os dois lados de um conflito, por exemplo, tornou-se uma de suas atividades regulares, opondo o capitalismo ao comunismo e este ao socialismo, religiões contra religiões e raças contra raças. Durante todo o século passado, os moneychangers, que não têm país, bandeira, hino ou deus, tiveram o controle em suas mãos. Eles financiavam um dos lados até que estivesse suficientemente forte e pronto para uma guerra, depois financiavam o lado oposto e deixavam ambos se destruírem até ficarem sem recursos. A solução para ambos os oponentes saírem do fundo do poço em que se haviam atirado era criar mais e mais impostos para satisfazer à ganância e à usura dos argentários10. Não é difícil pintar o quadro real desta fraude. O risco que os moneychangers corriam era mínimo, pois os empréstimos que faziam eram apenas constituídos de cédulas de papel criadas do nada, através do sistema do fractional reserve lending (empréstimo sem lastro). A prática se tornou até mais fácil com o advento dos computadores, que simplesmente adicionaram mais zeros às operações. Os cidadãos dos países devedores eram a garantia dos empréstimos enquanto continuavam a pagar seus impostos e estavam submetidos às diretrizes de seus governos estabelecidos. Foi assim que os moneychangers europeus ganharam controle sobre as inocentes massas da civilização do planeta e continuam a detê-lo na atualidade. Para termos uma idéia da ativa participação dos moneychangers na Primeira Grande Guerra (1914-1918) é preciso entender que o conflito era essencialmente entre a Rússia e a Alemanha. A França e a Inglaterra foram partícipes involuntários. Entretanto, ambos os países tinham membros da família Rothschild no controle de seus bancos centrais, mantendo-os reféns econômicos juntamente com suas colônias ultramarinas. Os moneychangers insuflaram a guerra sob o pretexto da defesa nacional, financiando todos os lados envolvidos até a exaustão física e material. Depois de quatro anos de derramamento de sangue, os argentários reuniram-se com todos os envolvidos e desenvolveram um sistema de taxação para pagar as dívidas de guerra, que acabaria por desencadear o surgimento do nazismo e a eclosão da II Guerra Mundial, que funcionou da mesma forma. A grande restrição creditícia imposta pelo Fed no início dos anos 30 causou a quebra da bolsa novaiorquina de 1929, com impacto em todo o mundo. O presidente Roosevelt acabou por falir a economia norte-americana ao ceder a todos os mandamentos dos moneychangers, inclusive confiscando todo o ouro em poder do público e aplicando severas sanções a quem não o entregasse. Foi assim que surgiu Fort Knox, um dos grandes embustes norte-americanos, famoso na literatura e no cinema por guardar uma imensa fortuna em barras de ouro, mas, que, na realidade, nunca foi auditado desde sua criação há mais de seis décadas e suspeita-se que tenha pouco ou nenhum ouro guardado atualmente, que teria sido enviado aos bancos europeus como garantia de empréstimos feitos pelos argentários ao governo dos EUA. Dez anos depois do crash, em 1939, todos os players de um lado e de outro do Atlântico estavam tão depauperados que uma nova guerra tornou-se iminente. Os moneychangers, principalmente através do Fed norte-americano, financiaram todos os lados e aguardaram a eclosão do conflito. Até os nazistas receberam dinheiro deles. O projeto Manhattan, que deu aos Estados Unidos a bomba atômica, foi o coup de gras dos especuladores, viabilizando a emergência dos norte-americanos como primeira potência mundial mas também criou as condições essenciais para a Guerra Fria entre os norte-americanos e a União Soviética, mais um projeto de alta lucratividade para os moneychangers nas décadas seguintes com a corrida armamentista bipolar. A Guerra da Coréia (1950-1953) e do Vietnam (1959-1975) são exemplos das práticas do fractional reserve lending praticada pelos bancos centrais para prover os governos de recursos para custear os conflitos, então já sob controle global dos moneychangers. O assassinato do presidente Kennedy em Dallas, Texas, em 1963, é uma repetição das circunstâncias envolvendo a era de Jesus há 2.000 anos. No dia 30.06.1963, Kennedy promulgou a Ordem Executiva número 11.110, retirando do Fed o poder de emprestar dinheiro a juros ao governo federal norte-americano. Com uma canetada, o presidente Kennedy criou as condições para encerrar as atividades do Banco Central norte-americano. Essa ordem restaurou ao Departamento do Tesouro o poder de emitir dinheiro sem passar pelo Fed e, portanto, sem cobrança de juros. O dólar deixou de ser nomeado Federal Reserve Note e passou a ser emitido como United States Note e não seria mais emprestado ao governo, seria impresso por ele, sem juros. Essa lei foi sua sentença de morte. Cinco meses depois, em 22.11.63, Kennedy foi assassinado em Dallas por Lee Oswald, que por sua vez foi morto a tiros por Jack Ruby no dia em que daria seu primeiro depoimento público sobre o caso. Jesus também confrontou os moneychangers e o tribunal Sanhedrin do templo judeu revelando sua ganância monetária e acabou morto. Diante da possibilidade de perder o controle das massas e o direito de cobrar taxas e impostos, os moneychangers agem rápida e violentamente. Alguém ainda tem dúvida sobre a origem da atual crise econômica que assola o planeta, iniciada com a retomada dos imóveis da categoria subprime e depois com o desmantelamento da "bolha" de investimentos de Wall Street, cujos efeitos irão impactar severamente todos os países do mundo, lamentavelmente os mais pobres com mais crueldade? Fica fácil compreender o papel dos bancos centrais mundiais, liderados pelo Fed em todas essas crises. Quem é mesmo que está emprestando cerca de US$ 850 bilhões ao mercado nos EUA, injetando dinheiro nas empresas e nos bancos? Ele mesmo, o Fed. Desta forma, expandindo e contraindo o dinheiro em circulação no mercado, os bancos maiores retomam ativos e o patrimônio das pessoas por uma bagatela e os revendem a preços usurários. Milhões de pessoas e negócios vão à falência, perdem suas casas e até a roupa do corpo, enquanto os moneychangers continuam sua opulenta trajetória de acumulação de dinheiro e poder. Desconhecidas pela grande maioria das pessoas no planeta, essas informações estão a clamar uma decisão séria e definitiva da população diante desse cruel sistema de ganância e poder exercido por um pequeno grupo há mais de 300 anos, em contrapartida aos ensinamentos de amor ao próximo, irmandade e temor a Deus professados pela religião. Será que somos suficientemente civilizados para tomar esta decisão de forma adequada, quer individual ou coletivamente, para as futuras gerações? Ou também nós, diante do dinheiro e de todas as oportunidades e do poder que ele oferece, seremos tomados pela ganância e pela usura? Uma coisa é certa. A civilização contemporânea, tal como está estabelecida, não subsistirá por muito mais tempo. Os problemas gerados pela cultura do dinheiro, do lucro, da ganância e do individualismo já estão destruindo a natureza do planeta de forma irreversível para os nossos descendentes. Aí reside o cerne da delicada decisão que nossa civilização terá que adotar, mais cedo ou mais tarde. Se não enfrentarmos vigorosamente o embate milenar entre fortes x fracos e ricos x pobres, buscando ascender a uma consciência coletiva mais humana e amorosa e suprimindo os valores argentários, estaremos certamente acelerando nosso caminho para o fim. É preciso que alcancemos sabedoria através de um renascimento espiritual, se quisermos deitar o pavimento para a sobrevivência das gerações futuras. Todas as citações deste artigo, quer no texto principal, quer nos rodapés, podem ser conferidas em livros e matérias atuais e da época ou diretamente pela Internet, através de ferramentas de busca como o Google e outros. Notas de rodapé e referências 1 Pai de Mayer Amschel (Bauer) Rothschild, autor da afirmação que abre o texto (acima). 2 Pela primeira vez em sua história, a empresa Lehman Brothers viu-se enredada em problemas especulativos e pediu concordata no início de setembro/2008 para evitar a falência. 3 A respeito, veja a história do conflito de Waterloo no Google, utilizando as palavras chave "Waterloo" + "Nathan Rothschild". É importante realizar a pesquisa com as aspas e o sinal de mais para atingir o resultado esperado. 4 Veja no Google, sempre entre aspas para "focar" a pesquisa. 5 Banqueiro, financista e colecionador de arte americano que dominou o financiamento corporativo e a consolidação industrial no século XIX, ele articulou a fusão das empresas Edison General Electric e Thompson-Houston Electric Company que se transformou na General Electric, a conhecida GE. Também participou ativamente da criação da United States Steel Corporation, fruto da união da Federal Steel Company com a Carnegie Steel Company, que se tornou uma das grandes siderúrgicas americanas. Doou grande parte de sua fabulosa coleção de arte ao Metropolitan Museum of Art em Nova Iorque. 6 Fractional Reserve Banking = Sistema Bancário de Reserva Fracional, em que apenas uma pequena fração (às vezes até nenhuma, zero) dos depósitos bancários tem lastro em moeda corrente disponível para saque dos depositantes. 7 Greenback = verso verde. Os dólares impressos por determinação do presidente Abraham Lincoln tinham o verso em cor verde, para diferenciá-los das demais cédulas da moeda norte-americana. 8 Do presidente Andrew Jackson, ao expulsar uma delegação de banqueiros internacionais do Salão Oval da Casa Branca: "Vocês são um ninho de vespas e ladrões cuja única intenção é acampar em torno da administração federal norte-americana com sua aristocracia monetária perigosa para as liberdades do país". 9 Do presidente James Madison (quarto presidente norte-americano): "A história registra que os moneychangers se utilizaram de toda sorte de abusos, intrigas e de todos os meios violentos possíveis para manter o controle sobre governos através da emissão de moeda". 10 A propósito, leia sobre "A República de Weimar", período de inflação galopante na Alemanha entre a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, em que o poder de compra do marco alemão foi completamente pulverizado pela altas taxas cobradas dos países aliados vencedores do conflito. *Nehemias Gueiros, Jr. é advogado especializado em Direito Autoral e CyberLaw. Prof. da Fundação Getúlio Vargas/RJ. Prof. da pós-graduação da Escola Superior de Advocacia da OAB/RJ Consultor Jurídico do site CONJUR (www.conjur.com.br) Rio de Janeiro - Brasil. Postado por Pedro Porfirio às 12:52 AM -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100828/bed5295d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100828/bed5295d/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100828/bed5295d/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 28 17:44:28 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sat, 28 Aug 2010 16:44:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__E_agora=2CJos=E9=3F=3F=3F_/A_n?= =?windows-1252?q?oite_esfriou/=2E=2E=2ECuspir_j=E1_n=E3o_pode/=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2EQuer_ir_pra_Minas/Minas_j=E1_n=E3o_h=E1/=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2ESeu_terno_de_vidro/=2E=2E=2ESua_incoer=EAnc?= =?windows-1252?q?ia=2E=2E=2E=2E?= Message-ID: Carta O Berro...................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Marco Aurelio http://www.tijolaco.com/?p=24325 Os gráficos da derrocada de Serra Como prometi mais cedo, posto os gráficos da pesquisa Ibope/Estadão, já que o jornal paulista não os colocou na sua edição online e quero dar minha modesta ajudinha para que o Jornal Nacional também os mostre na televisão, hoje à noite. A simples visão das linhas de desempenho dos candidatos mostra que, sem fatos poderosíssimos ? e não apenas com umas armaçõezinhas de mídia ? há uma tendência irresistível a que a diferença se amplie ainda mais. Se o argumento é o de que a TV e a identificação de Dilma como a candidata de Lula são as razões da subida, sabendo que 43% ainda não viram os programas eleitorais e ainda 12% não a identificam como a candidata de Lula, que não venham com ?jeitinhos? para segurar o despencar do Serra Ibope: "O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff" Há exatamente um ano, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, declarou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não faria o sucessor, apesar da alta popularidade. Na ocasião, o responsável por um dos mais tradicionais institutos de pesquisas do País assegurava que o presidente não conseguiria transferir seu prestígio pessoal para um ?poste?, como tratava a ex-ministra Dilma Rousseff. Agora, a um mês das eleições e respaldado por números apresentados em pesquisas diárias, Montenegro faz um mea-culpa. ?Errei e peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana?, afirmou, em entrevista aos repórteres Octávio Costa e Sérgio Pardellas, da IstoÉ. ?O Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff.? Segundo Montenegro, a ex-ministra da Casa Civil vem se conduzindo de forma convincente e confirma, na prática, o que o presidente disse sobre ela na entrevista concedida à IstoÉ na primeira semana de agosto: ?Lula acertou. Dilma é um animal político. Está mostrando muito mais capacidade do que os adversários.? O tucano José Serra, na opinião do presidente do Ibope, faz uma campanha sem novidade, velha e antiga. ?O PSDB está perdido?, assegura. Neste fim de semana, o Ibope vai divulgar uma nova pesquisa, que confirmará a categórica vantagem da petista. ?Fazemos pesquisas diárias. E Dilma não para de crescer. Abriu 20 pontos em Minas, onde Serra já esteve na frente. Empatou em São Paulo, mas ali também vai passar. Essa eleição acabou?, conclui Montenegro. Confira trechos de sua entrevista. IstoÉ: O sr. disse que o presidente Lula não conseguiria transferir seu prestígio para a ex-ministra Dilma Rousseff, mas as pesquisas mostram o contrário. O sr. ainda sustenta que o presidente não fará o sucessor? Carlos Augusto Montenegro: Eu nunca vi, em quase 40 anos de Ibope, uma mudança na curva, como aconteceu nesta eleição, reverter de novo. Por mais que ainda faltem 30 e poucos dias para a eleição, o Brasil já tem uma presidente. É Dilma Rousseff. Ela tem 80% de chances de resolver a eleição no primeiro turno. Mas, se não for eleita agora, será no segundo turno. IstoÉ: A que o sr. atribui essa virada? Montenegro: Houve uma série de fatores. Primeiro a transferência do Lula, que realmente vai sair como o melhor presidente do Brasil. Um pouco acima até do patamar de Getúlio Vargas e de Juscelino Kubitschek. O segundo ponto é o preparo da candidata Dilma. Ela tem mostrado capacidade de gestão, equilíbrio, tranquilidade e firmeza. A terceira razão é seu bom desempenho na televisão, inclusive nos debates e entrevistas. Lula acertou ao dizer, em entrevista à IstoÉ, que ela era um animal político. Está mostrando muito mais capacidade que os adversários e mostra que tem preparo para ser presidente. IstoÉ: Mas há um ano o sr. declarou que Lula dificilmente faria o sucessor. Montenegro: Errei. Eu dizia de uma forma clara que, apesar de o Lula estar bem, ele não elegeria um poste. Foi uma declaração extemporânea, descuidada e muito mais fundamentada num pensamento político do que com base em pesquisas. Foi um pensamento meu. Acho que eu tinha o direito de pensar daquela forma, mas não tinha o direito de tornar público. Peço desculpas. Na vida, às vezes, você se engana. IstoÉ: O que mais o surpreendeu desde o momento do lançamento das candidaturas? Montenegro: A oposição errou e essa é a quarta razão para o sucesso de Dilma. A campanha do Serra está velha e antiga. Não tem novidade. O PSDB repete 2002 e 2006. Está transmitindo para o eleitor uma coisa envelhecida. Vejo um despreparo total. O PSDB está perdido, da mesma forma que o Lula ficou nas eleições de 1994 e 1998 contra o Plano Real. Na ocasião, ele não sabia se criticava ou se apoiava e perdeu duas eleições. IstoÉ: O bom momento da economia, a geração de empregos e o consumo em alta não fazem do governo Lula um cabo eleitoral imbatível? Montenegro: Essa, para mim, é a razão principal. O Brasil nunca viveu um momento tão bom. E as pessoas estão com medo de perder esse momento. O Plano Real acabou derrotando o Lula duas vezes. Mas o Lula, com o governo dele, sem querer ou por querer, acabou criando um plano que eu chamo de imperial. É o império do bem, em que cerca de 80% a 90% das pessoas pelo menos subiram um degrau. Quem não comia passou a comer uma refeição por dia, quem comia uma refeição passou a fazer duas, quem nunca teve crédito passou a ter crédito, quem andava a pé passou a andar de bicicleta ou moto, quem tinha carro comprou um mais novo e quem nunca viajou de avião passou a viajar. Os industriais também estão felizes, vendendo o que nunca venderam. Os banqueiros idem. IstoÉ: Mas esse fator não pesou logo de início, quando os candidatos lançaram os seus nomes e Serra permaneceu vários meses na frente. Montenegro: No início, houve transferência do Lula. Mas, de uns três meses para cá, o Lula está associando o êxito dele ao êxito do governo como um todo. E está mostrando que Dilma é a gestora desse governo. O braço direito dele. E as pessoas estão confiantes nisso e não estão querendo perder o que ganharam. IstoÉ: É possível dizer então que o programa de TV do PT é mais eficiente do que o da oposição? Montenegro: A TV ajudou na consolidação. Mas a virada de Dilma Rousseff na corrida para presidente da República se deu antes da TV. Pelo menos antes do horário eleitoral gratuito. IstoÉ: Isso derruba o mito de que o programa eleitoral é capaz de virar a eleição? Montenegro: Quando a eleição é disputada por candidatos pouco conhecidos, ele pode ser decisivo, sim. Por exemplo, a televisão está ajudando a eleição de Minas Gerais a se tornar mais dura. O Aécio está entrando agora, o Anastasia é o governador e eles estão mostrando as realizações do governo. Por isso, o Anastasia está crescendo. O Hélio Costa largou na frente porque já era uma pessoa muito mais conhecida do que o Anastasia. Mas, quando você pega uma eleição em que todos os candidatos são bem conhecidos, o uso da TV é muito mais de manutenção e preenchimento do que para proporcionar uma virada. IstoÉ: E os debates? Eles podem mudar a eleição? Montenegro: Só se houvesse um desastre. Cada eleitor acha que o seu candidato teve desempenho melhor. Vai ouvir o que está querendo ouvir. Já conhece as propostas anunciadas durante a propaganda eleitoral. Falando especificamente dessa eleição presidencial, repito que a população está de bem com a vida. Quer continuar esse bom momento. O Brasil quer Dilma presidente. IstoÉ: A candidatura de Marina Silva não tem força para levar a eleição até o segundo turno? Montenegro: Cada vez mais a vitória de Dilma no primeiro turno fica cristalizada. Temos pesquisas diárias que mostram que essa eleição presidencial acabou. IstoÉ: O fato de Dilma nunca ter disputado uma eleição não deveria pesar a favor de José Serra? Montenegro: No Chile, Michele Bachelet tinha 80% de aprovação, mas não conseguiu fazer o sucessor. Por quê? Porque ele tinha passado. Já tinha concorrido. Quando você concorre, você pega experiência por um lado, mas a pessoa deixa de ser virgem, politicamente falando. Sempre há brigas que você tem que comprar e vem a rejeição. No caso da Dilma, o fato de ela nunca ter concorrido, ter sido sempre uma gestora, uma técnica, precisando só exercitar o seu lado político, ajudou muito. IstoÉ: Em que medida o fato de Dilma ser mulher a ajudou nessas eleições? Montenegro: Acho que não ajudou muito. Mas é algo diferente. O Brasil já tem implementado coisas novas na política, como foi a eleição de um sindicalista. É um fato interessante, mas a competência do Lula e da Dilma ajudaram muito mais. IstoÉ: O atabalhoado processo de escolha do vice na chapa do PSDB prejudicou a candidatura de José Serra? Montenegro: Não. Nunca vi vice ganhar eleição. Nem perder. IstoÉ: O sr. acredita que Lula possa puxar votos para candidatos do PT nos estados, como em São Paulo, por exemplo? Montenegro: Acho muito difícil. O Lula tinha toda essa popularidade em 2008, apoiou a Marta e ela perdeu do Gilberto Kassab, que estava fazendo uma boa administração. Fonte: IstoÉ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100828/830b18cc/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 29 14:12:49 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 29 Aug 2010 13:12:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_1420_M=DASICAS_ITALIANAS=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2EPRESENT=C3O___________________________________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?_HOJE_=C9_DOMINGO!_M=DASICAS?= Message-ID: Carta O Berro..............................................repassem (repeteco). Agora com mais músicas. Coloque no Jukebox e passe um bom Domingo. ----- Original Message ----- From: Flavio Abelha http://italiasempre.com/verpor/mp32.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100829/f9f4a3c8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2235 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100829/f9f4a3c8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 29 14:12:59 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 29 Aug 2010 13:12:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] DESTAQUES Vermelho Message-ID: DESTAQUES Vermelho ::Oposição insiste em teses furadas para atacar DilmaCarta O Berro..........................................repassem Este e-mail contém Gráficos, se você não consegue visualiza-los, Click e veja-os no Navegador. Click aqui e acesse, caso você não queira receber mais esse tipo de mensagem DESTAQUES DA EDIÇÃO DE HOJE DO PORTAL VERMELHO Produção das comunidades é a novidade do cinema no Brasil Plebiscito pelo Limite da Propriedade da Terra lança vídeo Comício de Dilma anima militância de Salvador a.. Flávio Dino diz que caminho para o MA é romper com oligarquia b.. Bomfim quer defender no Senado que programas sociais virem lei Oposição sonha repetir o "escândalo" de 2006 "Dossiês" e "garupa" Oposição insiste em teses furadas para atacar Dilma É deplorável a maneira equivocada e amadora como a oposição tenta sustentar seu candidato e atacar a favorita nas pesquisas, Dilma Rousseff. Ao insistir nas teses furadas dos "dossiês", "aloprados" e "garupa", eles não só ficam falando no vazio como dão tiros no próprio pé. Lá e cá Para Chávez, oposição venezuelana está desesperada Datafolha Mercadante avança; Cabral (RJ) e Costa (MG) venceriam no 1º turno Opera Mundi Breno Altman: Qual seria a política externa de José Serra? Conservadorismo Os acadêmicos tucanos, quem diria, retrocederam 300 anos Regra para estrangeiros na terra é fim de entulho neoliberal Manuela DÁvila A vida digital Venicio A. de Lima É imperioso A mídia e o "novo analfabetismo" João Guilherme Vargas Netto A boca do jacaré Cloves Geraldo "Brilho de Uma Paixão": Impossibilidades do amor Luciano Siqueira O improvável "fato novo" Messias Pontes É imperioso derrotar as forças do atraso -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100829/ca5c328e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 29 14:28:19 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Sun, 29 Aug 2010 13:28:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Consolidar_a_ruptura_hist=F3rica?= =?iso-8859-1?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E_Texto_de_Leonardo_Boff__________?= =?iso-8859-1?q?______________________=28a_lucidez_do_L=2EBoff=29?= Message-ID: Lboff/ derrotr as elitesCarta O Berro...........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger Leonardo Boff Teólogo Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu,"capado e recapado, sangrado e ressangrado". Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de toda a riqueza nacional, sendo que 1% delas possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os paises mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta. Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fôra construida com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam:"façamos nós a revolução antes que o povo a faça". E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de um outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se canalizou em poder político até conquistar o poder de Estado. Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde "a coisa pública", o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: "não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido". Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. A "Fome Zero", depois a "Bolsa Família", o "Crédito consignado", o "Luz para todos", a "Minha Casa, minha Vida, a "Agricultura familiar, o "Prouni", as "Escolas profissionais", entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor. Mas essa derrota inflingida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer. Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses "descobrindo/encobrindo" o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituirem índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores. Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos. Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Ceslo Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida(1993):"Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromer o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação"(p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso. Leonardo Boff autor de Depois de 500 anos: que Brasil queremos, Vozes (2000). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100829/31249beb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 30 20:46:37 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 30 Aug 2010 19:46:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__=5Bxamanismo=5D_O_MEL_COMO_ATIVADOR_D?= =?utf-8?q?OS_CHACRAS______________________________________________?= =?utf-8?q?____________HOJE_=C3=89_2=C2=BAFEIRA__-_MEDICINA=2C_SA?= =?utf-8?b?w5pERSBFIEFMSU1FTlRBw4fDg08u?= Message-ID: <58CE8FE6D1F54AA189DFE50D9289C69C@vcaixe> Carta O Berro............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Miriam Brandão ----- Mensagem encaminhada ---- De: Marta Carvalho O MEL COMO ATIVADOR DOS CHACRAS Amplamente indicado como alimento do corpo físico, o mel age também sobre os corpos sutis do homem. O mel está para o adulto assim como o leite materno está para a criança; é um alimento de alto valor energético e propriedades medicinais. O mel vivifica, acalma, tem acção antibió tica, é cicatrizante, previne doenças e pode ser usado até como cosmético. Se os benefícios desse alimento/remé dio para o corpo físico já são mais do que conhecidos, pouco se sabe sobre os efeitos nos corpos sutis do homem. Mas, se levarmos em conta esses dois factores acerca da produção do mel, podemos ter uma ideia de o quanto essa substância é especial: - suas produtoras, as abelhas, são seres de Vénus. Ao promover a vinda dessas maravilhosas criaturinhas para a Terra, a civilização do mais adiantado planeta do sistema solar presenteou nossa humanidade com um poderoso recurso energético e de sutilização; - sua matéria-prima é o néctar de criaturas também especiais, as flores. Sabe-se que a essência das flores tem propriedades sutilizantes, e parte dessa energia é transferida para o mel. Há quem inclusive considere o mel como um floral natural. Na visão de Shoma-Or, de Orion, essa correlação não é de todo adequada porque a essência floral atua de uma forma diferente nos corpos extrafísicos do homem. Já o mel, "como floral, age no corpo metabólico sutil, ou seja, no duplo etérico ou corpo etéreo, bem próximo do corpo físico", diz ele. "O mel mexe no metabolismo de vocês, terráqueos, esquentando o corpo etérico e, conseqüentemente também o físico, pois tudo que se passa no corpo etérico reproduz-se no físico." Seguem-se as informações dadas por Shoma-Or sobre os tipos de mel e suas propriedades como ativadores dos chacras. Mel de eucalipto - reconhecidamente, é benéfico para a parte respiratória do corpo físico e favorece o chacra laríngeo. Mas, considerando- se que as raízes do eucalipto penetram profundamente na terra, o mel a partir dele produzido é recomendado também para activar o chacra básico. Mel de flores - como criaturas sutis que são, as flores dão um mel muito indicado para os chacras superiores, que estão relacionados com a parte espiritual do homem: cardíaco, frontal e coronário. Mel de frutas - estimula as áreas vitais e relacionadas com as funções digestivas, sendo indicado para os chacras esplénico e do plexo solar. Mel de jataí - trata-se de um mel seleccionado e de poderes mais concentrados, pois é produzido por uma espécie de abelha aperfeiçoada e trazida para a Terra bem depois das primeiras espécies. É indicado para os chacras básico e frontal. Modos de usar Ingerir uma ou duas colheres de chá por dia é o suficiente para os adultos. O mel também pode ser passado no corpo, na região do chacra que se quer estimular. Recomenda-se massagear o local com mel e deixá-lo agir por um período de 30 minutos a 1 hora. Concomitantemente com a massagem, deve-se também ingerir uma colher de chá para promover a acção externa e interna da substância. Mel "solarizado" Para potencializar o efeito do mel, Shoma-Ol recomenda energizá-lo com a vibração das cores correspondentes a cada chacra. Para isso, basta colocar a substância num frasco de vidro da cor desejada e deixá-lo sob o sol por 15 minutos. Depois disso, o frasco pode ser guardado. O mel assim preparado deve ser usado apenas uma vez por semana para ingestão e massagem, conforme o processo já explicado. Enquanto você aguarda o tempo de acção da substância sobre a pele, Shoma-Ol recomenda fazer uma mentalização para o chacra que se está tratando. Só para lembrar, a correspondência entre chacras e cores é a seguinte: básico - vermelho Sexual - laranja Plexo solar - amarelo cardíaco - verde laríngeo - azul celeste Frontal - azul índigo coronário - violeta Autor: Shoma-Or, de Orion Canal: Maria Sílvia Dias Correia http://www.social7. com.br/index. asp?upline= 515 CONTRIBUIÇÃO DO Prof. Fernando Lo Iacono -- "Nenhum caminho é longo demais quando um amigo nos acompanha." MITAKUE OYASSIN : "Por todas as nossas relações" ou "estamos todos ligados", ?SAWABONA? é um cumprimento usado no sul da África e quer dizer... "EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM". Em resposta as pessoas dizem ?SHIKOBA? que é... "ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ" __._,_.___ __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100830/4b5d109c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 30 20:46:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Mon, 30 Aug 2010 19:46:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_=5BHISTEDBR=5D_Lan=C3=A7amento_Revista?= =?utf-8?q?_Germinal=3A_Marxismo_e_Educa=C3=A7=C3=A3o_em_Debate_-_F?= =?utf-8?q?avor_Divulgar_Amplamente?= Message-ID: <90358FBC6F454533A74935E389DDD231@vcaixe> Grupos.com.brCarta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Camaradas Divulgo abaixo uma importante iniciativa Augusto Prezados, Com a esperança dos que plantam sementes, comunicamos o lançamento do Volume 2, Número 2, de Agosto de 2010 da Revista Germinal: Marxismo e Educação em Debate, com a temática Projeto Histórico Comunista e Educação. Na Seção Debate Quartim de Moraes, José Claudinei Lombardi, Ivo Tonet, Lizia Helena Nagel, Irene Viparelli e Celi Taffarel discutem as demandas e desafios para a instalação do Projeto Histórico Comunista. A Entrevista é com Luiz Carlos de Freitas. Na Seção Documento uma homenagem aos 162 anos do Manifesto do Partido Comunista. Na Seção Artigos, a colaboração do italiano Fabrizio Carlino; e dos brasileiros Cyntia de Oliveira e Silva e Paulo Sergio Tumolo; Antonio Leonan Alves Ferreira; Giovani Frizzo; Ana Carolina Galvão Marsiglia e Newton Duarte; Francisco Máuri de Carvalho Freitas e Igor Fernandes Oliveira. Trazemos ainda a Resenha do livro de Luca Basso Socialità e isolamento, la singularidade in Marx, elaborada pelo italiano Roberto Evangelista e traduzida pelo Prof. Edmundo Fernands Dias. Encerra o número os Resumos de Teses e Dissertações de Nair Casagrande e Cezar Ricardo Freitas. A Revista pode ser acessada pelo link: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/germinal/index Os Editores -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100830/9d24d4b6/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 31 21:01:48 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 31 Aug 2010 20:01:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?b?IFNlbWluw6FyaW8gZSBFeHBvc2nDp8OjbyBQ?= =?utf-8?q?restes__13_a_17_de_setembro__-_Praia_Vermelha_-_RJ?= Message-ID: Carta O Berro.........................................................repassem 20 ano sem o Cavaleiro da Esperança Programação 13 a 17 de setembro Praia Vemelha Dia 13/09 14:30h ? Auditório Manoel Maurício/CFCH Conferência de Abertura "Luiz Carlos Prestes: 70 anos de história do Brasil" Anita Leocádia Prestes 16:00h ? Fórum de Ciência e Cultura - FCC Abertura da Exposição ?20 anos sem o Cavaleiro da Esperança? Lançamento do livro de Anita Leocádia Prestes: Os comunistas brasileiros (1945-1956/58 begin_of_the_skype_highlighting 1945-1956/58 end_of_the_skype_highlighting): Luiz Carlos Prestes e a política do PCB 17:30h ? Teatro de Arena Show ? Monarco da Portela Dia 14/09 10h ? Auditório Manoel Maurício/CFCH Mesa de Debate "20 anos sem o Cavaleiro da Esperança" José Paulo Netto, Lincoln de Abreu Penna e José Jonas Duarte da Costa 15h ? Auditório Manoel Maurício/CFCH Espetáculo teatral "Limites do Impossível" Realização: Cia. Ensaio Aberto A exposição permacerá até 17 de setembro no átrio do Fórum de Ciência e Cultura - FCC 20 a 24 de setembro Cidade Universitária Dia 20/09 11h ? Auditório G2 ? Faculdade de Letras Mesa de Debate "O legado de Luiz Carlos Prestes para a política nacional" Aloiso Teixeira, Anita Leocádia Prestes e Sérgio Soares Braga 13h ? Abertura da Exposição no hall da Reitoria Lançamento do CD Multimídia "20 anos sem o Cavaleiro da Esperança" 14h ? Hall da Reitoria Show ? Monarco da Portela Dia 21/09 14h ? Sala João do Rio ? Faculdade de Letras Espetáculo teatral "Limites do Impossível" Realização: Cia. Ensaio Aberto __._,_.___ | -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100831/42afb6f9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 19471 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100831/42afb6f9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 31 21:01:57 2010 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley - Revista) Date: Tue, 31 Aug 2010 20:01:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_MPF_move_a=C3=A7=C3=A3o_para_que_tr?= =?utf-8?q?=C3=AAs_policiais_civis_que_torturaram_e_mataram_percam_?= =?utf-8?q?cargo_e_aposentadorias_-_com_links_para_documentos?= Message-ID: <46B42605AB7C4A6090AF1C0E98B44F17@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem ----- Original Message ----- From: Rose Nogueira Mensagem originalDe: maria carolina bissoto MPF move ação para que três policiais civis que torturaram e mataram percam cargo e aposentadorias Reconhecidos em imagens de jornais, revistas e Tvs, delegados do Dops Calandra, Gravina e Araújo torturaram e mataram, a serviço do Exército, presos políticos no Doi-Codi O Ministério Público Federal ingressou hoje com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias de três delegados da polícia civil paulista que participaram diretamente de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios, em serviço e nas dependências de órgãos da União, durante o regime militar (1964 ? 1985). A ação pede a responsabilização pessoal de Aparecido Laertes Calandra, David dos Santos Araujo e Dirceu Gravina, os dois primeiros aposentados e o terceiro ainda na ativa, além da condenação a reparação por danos morais coletivos e restituição das indenizações pagas pela União. Capitão Ubirajara, capitão Lisboa e JC, codinomes utilizados, respectivamente, pelos três policiais enquanto atuaram no Doi/Codi, foram reconhecidos por várias vítimas ou familiares em imagens de reportagens veiculadas em jornais, revistas e na televisão. Os procuradores da República que propuseram a ação colheram relatos de ex-presos políticos e de seus familiares vitimados pelos atos dos três policiais, além de reunir depoimentos retirados de documentos como processos de auditorias militares, arquivos do Dops e livros, entre eles ?Brasil: Nunca Mais? e ?Direito à Memória e à Verdade?. Os relatos são chocantes e podem ser lidos na íntegra na inicial (clique aqui para ler o documento). UBIRAJARA, LISBOA E JESUS CRISTO - Pela documentação e depoimentos colhidos pelo MPF, os procuradores relatam na ação que, sob a alcunha de capitão Ubirajara, o delegado Aparecido Laertes Calandra participou da tortura e desaparecimento de Hiroaki Torigoe, da tortura, morte e da falsa versão de que Carlos Nicolau Danielli fora morto em um tiroteio, da tortura do casal César e Maria Amélia Telles, além de participar da montagem da versão fantasiosa de que o jornalista Vladimir Herzog teria cometido suicídio na cadeia. Reportagens dão conta de que Calandra teria participado também de torturas contra Paulo Vannuchi e Nilmário Miranda. O depoimento de Maria Amélia Telles ao MPF mostra métodos de tortura física e psicológica aplicados por Calandra e outros agentes a serviço do Doi-Codi, como o uso de seus filhos visando constranger os depoentes em busca de ?confissões?. Maria Amélia relata que, numa oportunidade, após terem sido barbaramente torturados, ela e o marido foram expostos nus, marcados pelas agressões, aos filhos, então com cinco e quatro anos de idade, trazidos especialmente para o local como forma de pressioná-los. Ao ver os pais, a filha perguntou: ?mãe por que você está roxa e o pai, verde??. O atual presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa, Ivan Seixas, preso aos 16 anos, junto com o pai, Joaquim Alencar de Seixas, torturado e morto pela equipe do Doi-Codi da qual participava David dos Santos Araújo, o ?capitão Lisboa?, relata que este era o que mais lhe batia. Como forma de pressão sobre ele, os policiais o levaram para uma área próxima ao Parque do Estado, então deserta, e simularam seu fuzilamento. Depois, o colocaram em uma viatura e foi apresentada a ele a edição da Folha da Tarde em que a manchete anunciava que seu pai fora morto pelas forças repressivas. Ao chegar no Doi, seu pai ainda estava vivo. Depois da prisão de Ivan Seixas e de seu pai, sua casa fora saqueada e sua mãe e irmãs testemunharam, com ele, as torturas a que seu pai foi submetido. Uma de suas irmãs relatou ao MPF ter sido abusada sexualmente por Araújo. O pai acabou morrendo naquele dia nas dependências da prisão. O mais jovem dos três policiais e até hoje no cargo de delegado da Polícia Civil, em Presidente Prudente, Dirceu Gravina era chamado pelos colegas de JC ? uma alusão à Jesus Cristo por, à época, com pouco mais de 20 anos, manter os cabelos compridos e lisos e usar crucifixo ? e é lembrado nos relatos por sua violência e sadismo. Avesso à imprensa, Gravina foi reconhecido em 2008 por Lenira Machado uma de suas vítimas após aparecer em reportagem sobre investigação que o delegado conduzia acerca de ?um suposto vampiro que agia na cidade de Presidente Prudente e mordia o pescoço de adolescentes?. Presa por três dias no DOPS, Lenira teve toda a roupa rasgada por Gravina e outros dois policiais quando foi transferida ao Doi/Codi, ficando por 45 dias apenas com um casaco e lenço. Em seu primeiro interrogatório no Doi/Codi, Lenira foi pendurada no pau de arara e submetida a choques elétricos. Nesta sessão de tortura, conseguiu soltar uma de suas mãos e, combalida, acabou por abraçar Gravina ? que estava postado a sua frente, jogando água e sal na boca e nariz da presa. O contato fez com que o delegado sentisse o choque, caindo sobre Lenira e, em seguida, batendo o rosto, na altura do nariz, em um cavalete. Após algumas horas, Gravina voltou do Hospital Militar, onde levou pontos no rosto, e retomou a tortura, a ponto de provocar uma grave lesão na coluna de Lenira, e, mesmo assim, não suspender a sevícia. A tortura contra ela era tão intensa que, em um determinado dia, teve que ser levada ao hospital, onde lhe foi aplicado morfina para poder voltar às dependências da prisão. Gravina ainda é apontado como o último a torturar o preso político Aluízio Palhano Pedreira Ferreira, dizendo a outro preso, após Palhano parar de gritar de dor, que sua equipe tinha acabado de matar o colega, ameaçando-o na sequência. ?Agora vai ser você!? Desde então, nunca mais se teve notícias de Aluízio, desaparecido até hoje. Também foram vítimas de Gravina os presos políticos Manoel Henrique Ferreira e Artur Scavone. RECONHECIMENTO - Apesar do uso de apelidos (Calandra, por exemplo, não admite ter sido o capitão Ubirajara), os ex-policiais foram reconhecidos, em diversas oportunidades, em entrevistas à imprensa e em depoimentos ao MPF, pelos presos políticos. Ivan Seixas relata também que, durante as torturas, ao se referirem uns aos outros, os policiais se traiam, chamando os colegas pelo prenome. Algumas vezes, chegavam a se identificar. Em uma ocasião, ao transportar Seixas numa viatura, Araújo voltou-se para ele, mostrou a carteira funcional e disse: ?sou o delegado David dos Santos Araújo e não tenho medo de você?. MEMÓRIA E VERDADE ? Esta nova ação é mais uma das iniciativas do Ministério Público Federal em relação às violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar no Brasil. Essa atuação teve início em 1999 por meio da tarefa humanitária de buscar e identificar restos mortais de desaparecidos políticos para entrega às respectivas famílias. clique Conheça as iniciativas do MPF com relação ao tema aqui. Com o desenvolvimento das investigações, o MPF identificou que o processo de consolidação da democracia e reafirmação dos direitos e garantias fundamentais suprimidos pela ditadura requer do Estado brasileiro a implantação de medidas de Justiça Transicional: (a) esclarecimento da verdade; (b) realização da justiça, mediante a responsabilização dos violadores de direitos humanos; (c) reparação dos danos às vítimas; (d) reforma institucional dos serviços de segurança, para que respeitem direitos fundamentais; e (e) promoção da memória, para que as gerações futuras possam conhecer e compreender a gravidade dos fatos. O objetivo dessas medidas é evitar que atos tão desumanos se repitam. Assinam a ação o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, os procuradores da República Eugênia Augusta Gonzaga, Luiz Costa, Sergio Gardenghi Suiama, Adriana da Silva Fernandes, e o Procurador Regional dos Diretos do Cidadão em São Paulo, Jefferson Aparecido Dias. ACP nº 0018372-59.2010.4.03.6100 Assessoria de Comunicação Social Procuradoria Regional da República da 3ª Região ascom at prr3.mpf.gov.br www.prr3.mpf.gov.br www.twitter.com/mpf_prr3 -- __._,_.___ | através de email | Responder através da web | Adicionar um novo tópico Mensagens neste tópico (1) Atividade nos últimos dias: Visite seu Grupo Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100831/f613f19c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1179 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20100831/f613f19c/attachment-0001.jpe