[Carta O BERRO] HONDURAS : Zelaya denuncia ataque com gás tóxico na embaixada; e outras notícias da noite

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Sexta Setembro 25 20:32:34 BRT 2009


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CARTA O BERRO. ..........repassem.






25/09/2009 - 16h10 
Zelaya denuncia ataque com gás tóxico na embaixada; 
O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu nesta sexta-feira a intervenção da Cruz Vermelha Internacional para impedir os supostos ataques com um gás tóxico nos arredores da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está refugiado desde segunda-feira (21), quando voltou em segredo ao país. A informação foi negada pelo governo interino de Roberto Micheletti, que havia garantido a integridade da sede diplomática ao governo brasileiro. 
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"Pedimos a intervenção imediata dos órgãos de proteção como a Cruz Vermelha Internacional", declarou Zelaya por telefone à agência de notícias France Presse. 

     Edgard Garrido/Reuters  
     
      Presidente deposto Manuel Zelaya (com o celular) e seus apoiadores usam máscaras para se proteger  

"Um gás tóxico utilizado pelos militares para disperar as pessoas está sendo pulverizado. Há 60 pessoas aqui, e todas elas estão tentando respirar no pátio", disse Zelaya. O presidente deposto disse que, apesar de estar usando uma máscara, ficou com a garganta ressecada. 

A mulher de Zelaya, Xiomara Castro, citada pela agência Ansa, também confirmou o ataque com gases tóxicos. "Estou aqui, sobre uma escada, vendo como estão protegidos, com máscaras", afirmou. 

Castro informou que os gases provocaram "taquicardia, enjoo, náuseas, dor de cabeça e boca seca'. "Muitos estão com o nariz sangrando", complementou. 

Segundo ela, os militares têm agido como "criminosos". 

Segundo médicos presentes na embaixada, também citados pela Ansa, o gás poderia ser de pimenta ou lacrimogêneo. 

O sacerdote católico Andrés Tamayo, um dos apoiadores de Zelaya que estão na embaixada, confirmouresse o uso do gás tóxico, que estaria sendo lançado de casas vizinhas. 

"Há pessoas cuspindo sangue, outros têm dificuldade de respirar, sofrem dores no estômago, Há sintomas de pânico em algumas pessoas", disse Tamayo, que pediu um exame toxicólogico. 

A France Presse cita ainda um de seus fotográfos que está na embaixada. Ele diz tervisto inúmeras pessoas vomitando sangue. 

Gás lacrimogêneo 

O assessor de Zelaya Hugo Suazo afirmou ao canal de TV Telesur que militares e policiais hondurenhos lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra a embaixada do Brasil e que o gás fez com que as pessoas que estão dentro da embaixada começassem a sangrar pelo nariz e a urinar. 

Segundo Suazo, citado pela agência de notícias Ansa, eles estão sendo atendidos por médicos que se encontram no local. 

Suazo afirmou ainda que as autoridades locais bloquearam a entrada de mantimentos na sede da diplomacia brasileira em Tegucigalpa.


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25/09/2009 - 18h49 
Após suposto ataque com gás, médicos vão a embaixada atender Zelaya da Folha Online 

Dois médicos hondurenhos entraram nesta sexta-feira na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa para examinar o presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, e outras pessoas abrigadas no prédio que supostamente foram afetadas por um gás tóxico. 

Carlos Aguilar, Ministro da Saúde do governo de Zelaya, e Mark Rhodes, médico do presidente deposto, foram autorizados a entrar pelos militares que cercam a embaixada. 

Os médicos atenderam Zelaya, que mostrou sinais de irritação na garganta, e outras pessoas abrigadas na embaixada que disseram ter sido atingidas por um gás, que, segundo o presidente deposto, foi lançada por soldados nesta sexta-feira. Os soldados negaram a acusação. 

Zelaya disse que o gás tóxico levou muitas pessoas a vomitar sangue e apresentar outros problemas respiratórios, tonturas e problemas digestivos. 

Dois funcionários da embaixada que permanecem no prédio com o presidente deposto informaram à estatal Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que há cheiro de gás e pessoas passando mal na sede diplomática. 

Representantes da ONU (Organização das Nações Unidas) também foram ao prédio, mas os militares permitiram a entrada deles. 

O Conselho de Segurança da ONU exigiu nesta sexta-feira que o governo interino de Roberto Micheletti encerrasse o cerco à embaixada brasileira, onde Zelaya permanece desde segunda-feira (21), quando retornou clandestinamente ao país, três meses depois de ter sido expulso do país. O Conselho também exigiu que se libere a entrada de suprimentos básicos como água, eletricidade e alimentos e que se encerre a interrupção nas comunicações. 

O assessor de Zelaya Hugo Suazo afirmou ao canal de TV Telesur que militares e policiais hondurenhos lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra a embaixada do Brasil e que o gás fez com que as pessoas que estão dentro da embaixada começassem a sangrar pelo nariz e a urinar. 

Segundo Suazo, citado pela agência de notícias Ansa, eles estão sendo atendidos por médicos que se encontram no local. 

Suazo afirmou ainda que as autoridades locais bloquearam a entrada de mantimentos na sede da diplomacia brasileira em Tegucigalpa. 

O governo interino de Honduras negou como "totalmente falso" o ataque, segundo fonte citada pela agência Efe. 

Um porta-voz da polícia, citado pela France Presse, também negou os ataques e diz que são mensagens falsas para incitar a comunidade internacional contra o governo interino --principalmente no momento em que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) reúne-se para discutir a crise. 

No âmbito das negociações, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), o chileno José Miguel Insulza, confirmou nesta sexta-feira que mantém "para os próximos dias" a missão de mediação para a crise política em Honduras, apesar da resistência do governo interino de Micheletti, que o acusa de ser parcial. Já o mediador designado para a crise, o presidente costa-riquenho, Oscar Arias, afirmou nesta sexta-feira que não vai viajar ao país "por enquanto", como proposto pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e aceito pelo governo Micheletti. 

Com France Presse Efe e Agência Brasil 

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25/09/2009 - 18h49 

Chanceler Amorim defende embaixada na ONU; leia íntegra 

da Folha Online 
O chanceler Celso Amorim pediu o fim do cerco militar à embaixada brasileira em Tegucigalpa (Honduras) nesta sexta-feira, em seu pronunciamento no Conselho de Segurança da ONU, na sede de Nova York. "A embaixada está virtualmente sitiada", disse Amorim. 

O chanceler chamou de "acossamento" os cortes de luz e água realizados segunda-feira (21) e a restrição à circulação feita por integrantes das forças de segurança hondurenhas e pelos próprios toques de recolher impostos no país. 

Mais tarde, a instituição reconheceria a queixa do chanceler e pediria ao governo interno de Honduras o fim do cerco à embaixada. 

       
     
      O chanceler Celso Amorim concede entrevista após pedir condenação da ONU para cerco em Honduras 


Leia a íntegra do discurso de Amorim: 

"Senhora Presidente, 

Eu gostaria de agradecer a pronta decisão do Conselho de Segurança de aceitar o pedido do governo brasileiro para que essa reunião fosse convocada urgentemente. 

Como sabem os membros do Conselho de Segurança, o Presidente José Manuel Zelaya abriga-se, juntamente com familiares e colaboradores mais próximos, na chancelaria da embaixada brasileira em Tegucigalpa desde segunda-feira, 21 de setembro de 2009. 

O Presidente Zelaya chegou à embaixada de maneira pacífica e por seus próprios meios. Foi recebido em sua legítima qualidade de presidente constitucional de Honduras e permanece sob a proteção da embaixada. 

Tão logo soube da chegada do presidente Zelaya à embaixada, telefonei para ele. Ele me disse que retornou ao seu país com o objetivo de voltar ao poder por meios pacíficos, através do diálogo. Não tenho motivo para colocar em dúvida as suas palavras. 

Desde o dia em que abrigou o Presidente Zelaya em suas instalações, a embaixada brasileira tem estado cercada. Tem sido submetida a atos de assédio e intimidação pelas autoridades de facto. O fornecimento de água e eletricidade foi interrompido e as linhas de telefone foram cortadas. As comunicações por meio de telefones celulares foram bloqueadas. Equipamentos que emitem sons perturbadores foram instalados em frente à embaixada. 

O acesso a alimentos foi severamente restringido. A circulação de veículos oficiais da embaixada foi impedida. 

O encarregado de negócios do Brasil tem estado, na prática, proibido de deslocar-se da Chancelaria para sua residência, uma vez que a polícia informou que qualquer pessoa que deixar as instalações da embaixada a ela não poderá retornar. Foi o que aconteceu com a esposa do encarregado de negócios do Brasil, que deixou o prédio da embaixada e não foi autorizada a voltar. 

Essas medidas tomadas pelas autoridades de facto claramente violam as obrigações decorrentes da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. 

Recordo que a Corte Internacional de Justiça estabeleceu a inviolabilidade das missões diplomáticas como princípio basilar das relações internacionais, a ser respeitado em todas as circunstâncias, mesmo em caso de rompimento de relações diplomáticas ou de guerra. Eu gostaria de agradecer os governos, organismos e grupos que contribuíram para aliviar o cerco à embaixada, ou que condenaram as ações tomadas contra a embaixada. 

Senhora Presidente, 

O governo brasileiro está profundamente preocupado com a possibilidade de que os mesmos indivíduos que perpetraram o golpe de Estado em Honduras venham a ameaçar a inviolabilidade da embaixada para prender o presidente Zelaya a força. Isso não é uma mera suspeita. Recebemos indícios concretos sobre essa possibilidade. 

Primeiro a decisão de enviar à embaixada um oficial de justiça munido de um mandado de busca. Evidentemente, os funcionários brasileiros recusaram-se a receber o mandado e não permitiram a entrada do oficial de justiça na embaixada. 

O regime também mudou o tratamento formal concedido à embaixada, o qual parece implicar que esta teria deixado de gozar do status diplomático. 

Além de declarações públicas de igual teor, o Governo de facto enviou uma comunicação diretamente ao Ministério das Relações Exteriores na qual se refere à embaixada como "uma das instalações que o Governo brasileiro ainda mantém em Tegucigalpa". Tudo isso parece um prelúdio para outras ações. 

Num comunicado público, tentam até negar a responsabilidade pela segurança do presidente Zelaya e por danos a propriedades no bairro em que se encontra a embaixada. 

Tais atos violam totalmente a Convenção de Viena e, mais imediatamente, a recente decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos pela qual o governo de facto de Honduras não poderá ameaçar a segurança do Presidente Zelaya e de todos aqueles abrigados na embaixada do Brasil. 

Senhora Presidente, 

É imperativo que o governo de facto de Honduras respeite e cumpra plenamente a Convenção de Viena no que se refere à embaixada do Brasil, em particular sua inviolabilidade e a segurança de seu pessoal e das pessoas que se encontrem nas instalações daquela embaixada. 

O Brasil rejeita categoricamente todas as ameaças contra nossa embaixada e a segurança do presidente Zelaya e aqueles sob sua proteção. Entendo que, ao convocar esta sessão, o Conselho de Segurança reconhece que a situação da embaixada do Brasil em Honduras constitui uma ameaça à paz e à segurança de nossa região. 

Qualquer ação contra a embaixada do Brasil, seu pessoal ou as pessoas sob sua proteção será considerada uma violação flagrante da segurança. 

Senhora Presidente, 

Meu país apoia o diálogo baseado na Resolução pertinente da OEA e nos esforços conduzidos pelo Presidente Oscar Arias da Costa Rica. O Brasil apoia firmemente a Carta das Nações Unidas. Apoia firmemente também a democracia e a solução pacífica das controvérsias. 

Como tal, não poderia negar proteção a um presidente democraticamente eleito e reconhecido por toda a comunidade internacional como o único Governante legítimo de Honduras. 

Um pronunciamento claro deste Conselho servirá certamente como um fator de dissuasão contra o agravamento dessa crise. Também constituirá sinal de apoio aos esforços diplomáticos da comunidade internacional em favor da restauração pronta e pacífica do Presidente Zelaya ao poder. 

Esperamos sinceramente que a sessão de hoje seja devidamente entendida em Honduras como um sinal de que atos de desrespeito contra a embaixada do Brasil devem cessar imediatamente. 

O Brasil entende que o Conselho deve manter-se ocupado do assunto até que isso não aconteça. 

Obrigado." 
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