[Carta O BERRO] O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo . Informante infiltrado na Associação dos Marinheiros.

Vanderley Caixe vanderleycaixe em revistaoberro.com.br
Sábado Setembro 5 16:40:44 BRT 2009


Carta O Berro...................................................................................repassem


Caros amigos,
estou , hoje, repassando pela Carta O Berro, as palavras de dois amigos e, que reputo da maior responsabilidade demonstrada no tempo. Sem dúvida o cabo Anselmo foi informante do Cenimar, do DOPS e da CIA. Desde 1963
ele vinha atuando como informante e agente provocador para desestabilizar o governo de Jango Goulart. Usou a Associação dos Marinheiros com esse objetivo, o que sem dúvida, tirando os aspéctos de manipulação, a associação
foi um importante papel organizador da marujada mesmo antes desse inescrupuloso agente.
A TV Bandeirantes com a colaboração do ex-CCC (comando caça comunista) Boris Casoy deve ter programado e agendado estratégicamente a entrevista com o objetivo de descaracterizá-lo como informante antes de 1964.
Para quem assistiu o programa deve ter percebido as patetices dos entrevistadores, evitando inclusive que ele falasse a mais do que estava previsto. Boris quase se "borrou" quando foi revelado os encontros anteriores do o delator-assassino de sua própria companheira Soledad.Mas a produção soube desvirtuar o assunto.
Bem, leiam abaixo o que falam os amigos Chuahy e Argemiro e, ao final o texto que me enviou o historiador , dos mais respeitados, Moniz Bandeira.
Estou repassando para + de 700.000 leitores da Carta O Berro.
Abraço.
Vanderley

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Caro Vanderley
acompanhei o texto desde o começo. O Argemiro me procurou e eu falei c/ o Juarez que lhe deu informações mais detalhadas. E tudo verdade. Pode encaminha-lo ao Ministro e a Comissao de Anistia que o Cel Juarez Motta e eu depoeremos se necessario. No incio dde Novembro de 1963 o Cmt Corseuil me ralatou quem era o Ancelmo e seu grupo. Eu imediatamente falei ao Raul Riff. 
Acho interessante transcrever so seu site - Carta O Berro - o artigo do Argemiro. E tudo verdade.
Abracos Chuahy
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Caro Vanderley,
 
Estou certo de que vai interessar a você o post que coloquei hoje no meu blog com algumas revelações sobre o cabo Anselmo. O título é "O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo". O endereço do blog é argemiroferreira.wordpress.com
 
Se achar interessante, peço que repasse ao pessoal da sua lista.
 
Um abraço do
 
Argemiro

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Blog do Argemiro Ferreira
Mídia, jornalismo, política internacional & mais
O dia em que Jango prendeu o cabo Anselmo
A veemência com que, na entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, o notório cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), de olho numa indenização como “perseguido político”, tentou negar que já era agente infiltrado (e provocador) da direita ANTES do golpe de 1964, não consegue contestar o depoimento enfático do delegado Cecil Borer em 2001 – conforme o texto (talvez definitivo) assinado por Mário Magalhães na Folha de S.Paulo, a 31 de agosto de 2009 (leia AQUI).

Estou me metendo nessa discussão por ser assunto que me apaixona desde que participei, há pouco mais de três décadas, de uma reportagem de investigação da revista Playboy, conduzida pelo jornalista Marco Aurélio Borba, meu amigo (e editor nacional de Opinião no período em que dirigi sua redação, 1975-76), que morreria poucos anos depois, num acidente em Brasília. Ouvi depoimentos para a revista no Rio, enquanto mais jornalistas faziam o mesmo em outros estados (não tenho aquele número da revista, mas seria bom se alguém pudesse informar ao menos o mês e o ano, entre 1977 e 1979, pois ainda acho que existem ali dados relevantes).

Na época entrevistei vários militantes de partidos clandestinos e ex-presos políticos que tiveram contato com Anselmo (alguns insistem ainda hoje no detalhe de que seria apenas marinheiro de 1ª classe e não cabo). Eles relataram fatos e dúvidas. Ouvi ainda pessoas que tinham servido no coração do governo João Goulart. A começar por meu amigo pessoal Raul Ryff, ex-colega de trabalho no Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil, que tinha sido secretário de imprensa de Jango.

Com a ajuda de Ryff, cheguei a outros nomes de pessoas que tinham servido no Palácio durante o governo Jango. Eduardo Chuahy, amigo dele, capitão do Exército até ser cassado em 1964, servira como ajudante de ordens no gabinete militar da presidência, então chefiado pelo general Assis Brasil, reconstituiu com riqueza de detalhes o clima existente no setor militar do Palácio e as muitas trapalhadas de Assis Brasil, que garantia existir o célebre – e ilusório – “dispositivo militar” capaz de impedir um golpe.

O aviso de Corseuil: “ele é espião”
Eu estava particularmente interessado em falar com o comandante Ivo Acioly Corseuil, o que foi possível na época graças ao aval de Ryff e Chuahy, que o conheciam bem. De fato, Corseuil contou muita coisa, aprofundando relatos já conhecidos. Mas o núcleo central do depoimento dele a mim foi a ratificação do que já dissera a Moniz Bandeira e estava no livro (publicado em 1977) O Governo João Goulart – as lutas sociais no Brasil, 1961-1964 (capa na parte inferior deste texto), sobre o qual escrevi minuciosa resenha para IstoÉ, infelizmente publicada na época com alguns cortes.

Ele explicou que no governo de Jango o chefe da Casa Militar (Assis Brasil) era também secretário do Conselho de Segurança Nacional. Segundo a entrevista que Corseuil me deu, em 1962 ele era chefe de gabinete do CSN e em 1963 passou a sub-chefe da Casa Militar. Entendi então que era de 1962, no tempo em que estava no CSN, o informe (ele não lembrava a data precisa) avisando que Anselmo era agente infiltrado, provocador e trabalhava para a CIA.

Corseuil me disse que tinha informações de várias fontes, segundo as quais havia gente infiltrada entre os marinheiros. Até pessoas vestidas de marinheiros que, na verdade, não eram marinheiros. Uma das fontes que lhe passaram tais informações era “um rapaz da turma de Carlos Lacerda”, então governador da Guanabara. Julgou confiável o dado porque o rapaz, que conhecia há algum tempo, ex-funcionário do ministério da Marinha, trabalhava para Lacerda junto aos marinheiros (lacerdista, tinha saído do emprego para trabalhar no Palácio Guanabara).

A informação de que Anselmo (que aparece acima, à direita, numa foto de 1964, e aqui ao lado, à esquerda, em foto recente, de óculos escuros e sob o logotipo da Globo) era agente da CIA não viera desse agente (identificado apenas como “Tanahy”) e sim de um correspondente de jornal norte-americano – “pessoa com muitos contatos, que falava com muita gente”. Ele sempre telefonava para dar informações. Por exemplo, tinha passado imediatamente a informação sobre uma reunião de Lacerda com correspondentes norte-americanos para conclamar os EUA a derrubar Jango.

Para a CIA, “útil por liderar”
Para Corseuil, Anselmo não era o único agente infiltrado, mas pode ter sido escolhido pela CIA onde era visto como capaz de liderar. Perguntado por que nada foi feito pelo governo de Jango, apesar das muitas informações e avisos feitos, respondeu que as providências não cabiam ao CSN. A Marinha é que teria de se aprofundar no caso, por estar na sua área. A tarefa teria de ser especificamente do Cenimar, que era sempre avisado. Corseuil enfatizou que também tomara a iniciativa de avisar pessoalmente o Cenimar. “Aquela gente do Cenimar era toda do Lacerda. E o Lacerda fomentava a rebelião”, disse-me ele.

Corseuil também explicou que nenhuma providência foi tomada desde 1962, apesar de tantos avisos e informes, em parte por causa do próprio temperamento de Jango, que “tinha um coração grande demais”. Lembrou o episódio da revolta dos marinheiros, no Sindicato dos Metalúrgicos, quando o presidente foi especificamente alertado para o papel de Anselmo e nada fez – embora outras pessoas do governo também tenham alertado na época para a necessidade de ação vigorosa para deter a conspiração.

Mas pelo menos dois oficiais que serviam no Palácio recordam ainda hoje um episódio no qual Jango, pessoalmente, agiu com firmeza, mostrando estar consciente do papel de Anselmo como provocador e agente infiltrado. Chuahy, então capitão, pediu que Ryff alertasse Jango e mostrasse ao presidente como a mídia, desde que começara o problema dos sargentos, superdimensionava a questão (em busca de reações contra a indisciplina), apostando ainda numa ação potencial de Anselmo que agravasse o quadro e empurrasse até os moderados das Forças Armadas para o lado do complô golpista em marcha.

O episódio citado foi o da prisão de Anselmo em março de 1964, quando tentava penetrar – e falar – na reunião do Automóvel Clube. Tem sido praticamente ignorado até hoje, pois nunca interessou à mídia, cúmplice do processo golpista desde o início. Quem me reviveu o episódio agora, com detalhes preciosos que expõem o repúdio de Jango à indisiciplina que enfraquecia o governo na área militar e encantava os golpistas e a mídia, foi o coronel Juarez Mota – à época capitão e ajudante de ordens (além de amigo) do presidente, hoje aposentado, com 75 anos, e vivendo em Porto Alegre.

“Preso por ordem do presidente”
Estava em andamento, claro, a operação destinada a desestabilizar o governo, como parte do esforço para superdimensionar os movimentos dos sargentos e dos marinheiros (ainda que muitos, obviamente, tenham deles participado por desinformação ou ingenuidade). Conforme o relato do coronel Juarez, o presidente não sabia que Anselmo planejava falar no Automóvel Clube, mas tinha consciência de que ele era agente infiltrado na esquerda.

“Quem o viu chegar foi o coronel Carlos Vilela, da Casa Militar”, conta o militar aposentado. “Como eu estava mais à frente, acompanhando o presidente, ele me chamou: ‘Está chegando o cabo Anselmo, o que faço?’ O próprio Jango antecipou-se e deu a ordem: ‘Prende!’ Quando Anselmo começava a entrar, voltei com Vilela, que o segurou pelo ombro, enquanto eu punha a mão no pescoço. Os dois desviamos o cabo à força para outra sala, onde havia um sofá de dois lugares. Vilela mandou que ele sentasse e comunicou: ‘Por ordem do presidente, o senhor está preso’. Em seguida Vilela foi chamar o coronel (Domingos) Ventura, comandante da Polícia do Exército. Ventura veio com a escolta e levou Anselmo preso para o quartel da PE.”

Para Juarez, aquela ordem firme de Jango deixou claro que não tinha dúvida sobre quem era Anselmo. Podemos concluir que a avaliação coincidia com a descrição de Cecil Borer, delegado e torturador que o usava no DOPS como informante (conforme contou à Folha em 2001) juntamente com “a Marinha e os americanos”. O relato de Juarez é reforçado por Chuahy, que à época já era veemente também na crítica aos movimentos de sargentos e marinheiros, devido á manipulação oculta da oposição direitista com apoio da mídia. Vilela morreu no ano passado (2008). Tinha sido ajudante de ordens do general Zenóbio da Costa na II Guerra Mundial.

Juarez Mota continuou no Exército (aposentou-se como tenente-coronel) e nunca deixou de ser amigo de Jango, que conhecia praticamente desde criança. Natural de São Borja, também era parente do presidente Getúlio Vargas: seu avô era primo-irmão de Getúlio e a bisavó Zulmira Dorneles Mota era irmã de dona Cândida Dorneles Mota, mãe do presidente que se matou em 1954.

No papel de ajudante de ordens do presidente, o capitão Juarez aparece na capa do livro de Moniz Bandeira, do lado direito da foto. É o militar uniformizado, em destaque logo atrás de Jango. Ele próprio me confirmou essa identificação. E creio que é também o que aparece na primeira foto, na abertura deste post, entre o presidente e a primeira dama Maria Tereza Goulart.

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Prezado,

 

Pode repassar a informação para o pessoal que quer evitar a anistia do Anselmo. 

 

A entrevista de Borer, publicada na Folha, confirma o que demonstrei em meu livro O Governo João Goulart – As lutas sociais no Brasil (1961-1967), que foi best seller, lançado no Brasil, em 1977, quando eu estava em Paris e muitas vezes nos encontramos. A primeira edição esgotou em 48 e a obra ficou seis meses no primeiro lugar na lista de best sellers da Veja. Mais de 40.000 exemplares foram vendidos e a 8ª edição revista e ampliada pretendo lançar em março de 2010.

Nessa obra, demonstrei, com base em diversas informações de militares, e outras evidências, que o Cabo Anselmo era um agente provocador, infiltrado pelo CENIMAR/CIA. Isto tudo me foi contado pelos comandantes Paulo Werneck  e Ivo Acioly Corseuil, assim como coronel Pinto Guedes. Eram todos do serviço de inteligencia - Serviço de Informações e Contra-Informações (SFICI), então dirigido  por oficiais nacionalistas, que rechaçaram a colaboração da CIA, aceita pelo CENIMAR.

 

Aí está o que escrevi no livro, documentadamente. i. e., citando as respectivas fontes, como faço em todos os meus livros.. 

 

“O drama estava preparado. Naturalmente, com a exaltação da marujada e a intransigência do Almirantado, a radicaalização política propiciava a eclosão de atos de rebeldia daaquele tipo, insuflados, em grande parte, por agentes provocadores, com o objetivo de polarizar a oficialidade das Forças Armadas contra o governo.

O comandante Ivo Acioly Corseuil, subchefe da Casa Militar da presidência da República avisou a Goulart e ao almirante Sílvio Mota que o líder do movimento José Anselmo dos Santos, marinheiro de 1a classe e não cabo como se celebrizou, era agente do serviço secreto, provocador, trabalhando para a CIA. Não se tratava de conjectura e sim de informação, oriunda da própria Marinha. E Goulart, ao receber essa denúncia, preveniu as lideranças sindicais contra a infiltração de elementos da direita e provocadores existente na Associação dos Marinheiros . Os  acontecimentos posteriores iriam  confirmá-la. Não era de estranhar, aliás, que Anselmo estivesse a promover uma provocação contra o governo. A CIA, já àquele tempo, dava assistência ao Centro de Informações da Marinha (CENIMAR) e à policia de Carlos Lacerda, cujos elementos também se infiltraram entre os marinheiros, usando uniformes, para fazer badernas, conforme o SFICI comprovara. Por outro lado, muitos almirantes, em franca agitação contra o governo, desejavam alimentar um motivo para o golpe de estado. O almirante Sílvio Mota, deliberadamente ou não, contribuiu para que isto ocorresse, ao criar o caso com a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, e exonerou-se do cargo em meio da crise”.

 

Talvez, encomendando em uma livraria, você possa encontrar um exemplar da 7ª edição. Ou solicitar a Renato Guimarães, diretor da Revan, que lançou a 7ª edição.

 

Mas há muitos fatos que talvez você desconheça. Paulo Schilling, assessor de Brizola, tinha uma secretária, Marlene, muito ligada ao sargento Prestes de Paula, que liderou a revolta dos sargentos em 1963 (e ninguém ouviu falar nele), confessou à revista Veja, faz alguns passados, que trabalhava para o Centro de Informações do Exército (CIE) e o SNI. Chama-se Marlene. Sempre desconfiei dessa mulher, que depois do golpe apareceu no Uruguai, que me procurou em S. Paulo em 1974, quando em saí da prisão, e posteriormente a vi  em Portugal. 

Aliás, nos documentos da CIA desclassificados e que pesquisei para meu livro, aparecem informes sobre conversas reservadas de Paulo Schilling, que podiam ser transmitidas por quem estava ao seu lado.

O sargento Guerra, muito radical antes do golpe de 1964, depois apareceu no Uruguai, quando lá estávamos exilados, e por volta de 1972 procurou entrar em contacto com o ALN. Foi morto a tiros e o militante que o matou disse-me que encontrou em seu bolso carteiras do SNI e do CIE.

Abaixo você pode ver o que Argemiro publicou no blog que ele mantém. É mais amplo que o texto publicado no blog de Nassif.

 

Com um abraço, Moniz


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