[Carta O BERRO] Ao meu irmão Frei Tito (peça de teatro)

Vanderley Caixe vanderleycaixe em revistaoberro.com.br
Terça Outubro 13 19:57:57 BRT 2009


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CARTA O BERRO. ..........repassem.




Ao meu irmão Frei Tito

Colaboração de amigos
PEÇA DE TEATRO
"TITO", de Solange Dias
Dezembro de 2005/Janeiro de 2006
[ DOWNLOAD DA PEÇA COMPLETA EM ARQUIVO PDF ] 



PERSONAGENS

  a.. Tito 
  b.. Fleury 
  c.. Coro de Fleurys 
  d.. Dr. Rolland 
  e.. Rabotti 
  f.. Companheiros do Presídio 
  g.. Carcereiro 
  h.. Anjo da Morte 
  i.. Médico – Hospital Militar 
  j.. Dominicano 
  k.. Frei Oswaldo 
  l.. Passageiros do Metrô e Passantes nas ruas de Paris 
  m.. Xavier 
  n.. Enfermeira 
  o.. Médico – Paris 
  p.. Nildes 


Cena 1 – O Início no Fim

Tito ao pé de uma árvore. Parece lúcido. Ao seu lado está Dr. Rolland, seu médico.

TITO – Quando cheguei a São Paulo, chovia, chovia. O mundo parecia que estava desabando. Imagina, um cearense como eu... sabia o quanto a chuva é abençoada. A chuva... coisa rara na minha terra.. Não vivi na seca, mas aprendi a amar a chuva. Não me deixei molhar nela de vergonha. Bobo! Perdi a oportunidade de ficar com alma lavada e o coração em paz na minha chegada. Seria uma espécie de batismo. Pensei... é um sinal de que estou no caminho certo. A chuva ia limpar meu chão para começar a semear. Semear a justiça e a paz que faltavam no meu país. Vim pra São Paulo por que o preceito dos dominicanos é dar abrigo, é ajudar ao próximo, é sair dos conventos e ir à rua ajudar o irmão. A cidade fervilhava. Em 67, a ditadura militar endurecia cada vez mais, e eu um dominicano, estudante de Filosofia, no meio daquela multidão, passeatas, correria, palavras de ordem. Ah! Liberdade! Liberdade! Liberdade! Era o lugar onde eu precisava estar! Precisavam de mim! Eu adorava aquilo, eu fervilhava também. Cada grito de luta, cada brado exigindo liberdade e justiça, era envolto de uma energia, de uma luz. Me sentia inteiro, íntegro, completo. Sabia o que dizer, sabia o que ser, sabia procurar pessoas que me ajudassem a ajudar outras pessoas. O sítio para reunião clandestina da UNE? Eu fui atrás e consegui. Quando todos fomos presos, íamos de cabeça erguida. Íamos seguros de que estávamos certos. Aquela era minha vida, era aquilo o que eu queria... A cidade de São Paulo era tão grande, tão vasta. Assim como esse campo em Villefranchesur-Saône... A diferença é que quando cheguei a São Paulo, eu ainda não estava preso dentro de mim... 

[ DOWNLOAD DA PEÇA COMPLETA EM ARQUIVO PDF ] 
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