From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 1 11:47:04 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 1 Nov 2009 12:47:04 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_m=FAsicas_latinoamericanas___e___?= =?iso-8859-1?q?___muito_mais______________________________________?= =?iso-8859-1?q?_________________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <94E15BAB472F4B15AB4094B1DF968BB8@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Enviado pela amiga Neide Pessoa. Site com músicas latinoamericanas e muito mais. Ao clicar, o site se desdobra para outras pesquisas. http://www.latinoamericano.jor.br/ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.423 / Banco de dados de vírus: 270.14.43/2474 - Data de Lançamento: 11/01/09 07:38:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Message-ID: <7BB27775C4AC460CB397B098E586F9D6@vcaixe> Blog Marighella Vive 1969-2009 - Dia 4 de novembro, aniversario dos 40 anos de seu assassinato pela ditadura militar. clique http://marighellavive1969-2009.blogspot.com/ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091102/cf1c60b4/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091102/cf1c60b4/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 4 18:31:15 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 4 Nov 2009 19:31:15 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Resumo_de_meu_livro_=22Os_Cen=E1?= =?iso-8859-1?q?rios_Invis=EDveis_do_Caso_Battisti=22=2E?= Message-ID: <29063D65222D497599EF625BC154A44E@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. RESUMO DO LIVRO No rodapé desta página há uma copia do Resumo de meu livro "Os Cenários Invisíveis do Caso Battisti". Nele descrevo os detalhes principais das fraudes cometidas no processo contra Cesare. "Cenários Invisíveis" são aqueles que não são divulgados ao público. Está formatado em pdf, e pode ser lido pelo Acrobat ou por qualquer outro leitor deste formato. O downlaod é rápido. Você pode distribui-lo a quem quiser. Anexos (1) a.. CenarioInvisCasoBattisti.pdf - em 04/11/2009 10:28 por Carlos Lungarzo (versão 1) b.. 801 KB Visualizar Download -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.424 / Banco de dados de vírus: 270.14.49/2480 - Data de Lançamento: 11/04/09 07:37:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091104/2e8638d8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091104/2e8638d8/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Nov 4 18:35:05 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 4 Nov 2009 19:35:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Carlos_Marighella=3A_Quando_=E9_pr?= =?iso-8859-1?q?eciso_n=E3o_ter_medo=2E__por_Augusto_Buonicore?= Message-ID: <69B29D23D0FC40D2AFCBC9D4F7C6FA6C@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 4 de Novembro de 2009 - 23h06 Carlos Marighella: Quando é preciso não ter medo. Augusto Buonicore * "Ei Brasil-africano! Minha avó era negra haussá, ela veio da África, num navio negreiro. Meu pai veio da Itália, operário imigrante. O Brasil é mestiço, mistura de índio, de negro, de branco" (De Canto para Atabaque - Carlos Marighella) Carlos Marighella nasceu em 5 de novembro de 1911 na cidade de Salvador, Bahia. Seu pai era imigrante italiano, sua mãe uma bela negra, filha de escravos. Nas sua veias corria o sangue haussá, aqueles escravos islamizados que colocaram a Bahia em pé de guerra com suas inúmeras rebeliões no início do século XIX. Seguindo o espírito contestador de seus antepassados, em 1932, Carlos ingressou na juventude comunista. O Brasil estava agitado naqueles dias. A Revolução de 1930 mal completara dois anos e o descontentamento com os caminhos que ela estava tomando se espalhava por vários setores sociais. No mesmo ano em que aderiu ao comunismo foi preso e espancado pela polícia do interventor Juracy Magalhães. Seu crime: participar de uma manifestação estudantil que pedia a constitucionalização do país. Antes de terminar o curso de engenharia civil, atendendo ao pedido da direção do Partido Comunista do Brasil (PCB), mudou-se para São Paulo. Partiu sem contestação ou arrependimento. Muitos anos depois diria: "Um sentimento profundo de revolta ante a injustiça social não me permitia prosseguir em busca de um diploma (...) num país onde as crianças são obrigadas a trabalhar para comer". Marighella chegou a capital paulista numa má hora. Estava em andamento uma grande caçada aos dirigentes comunistas e, por isso, logo caiu nas garras da temida Polícia Especial, comandada por Felinto Miller. Torturado por 23 dias, nada revelou sobre o Partido. Saiu da prisão em julho de 1937, durante um breve período de liberalização do regime. Contudo, quatro meses depois, foi decretado o Estado Novo. O Brasil mergulhava numa ditadura sem máscaras. Em maio de 1939, Marighella foi preso pela terceira vez. As torturas foram ainda piores que das vezes anterior. Bravamente continuou a não dar informação alguma aos seus algozes. Ficou aprisionado cerca de seis anos. Enquanto estava no cárcere, um grupo de abnegados camaradas procurava reorganizar o Partido Comunista. À frente desse trabalho encontravam-se Maurício Grabóis, Diógenes Arruda, João Amazonas, Pedro Pomar e Amarilio Vasconcelos. Esse esforço culminou na realização da Conferência da Mantiqueira em agosto de 1943. Entre os eleitos para o novo Comitê Central estavam os nomes de dois prisioneiros, dois símbolos da resistência democrática e popular: Carlos Marighella e Luís Carlos Prestes. No início de 1945 foi decretada a anistia. Vivia-se uma nova época. O Partido Comunista do Brasil, agora na legalidade, prestigiado pela sua ação decisiva na luta contra o fascismo, crescia num ritmo acelerado, se transformando numa importante força política nacional. Seus comícios reuniam dezenas de milhares de pessoas e Prestes era um mito entre os trabalhadores. Na eleição para a Assembléia Nacional Constituinte, Marighella se candidatou pela Bahia e foi eleito. A bancada comunista era composta por 14 deputados federais e um senador. O combativo baiano esteve, ao lado de seus camaradas, na linha de frente dos grandes debates nacionais. Destaque especial merece sua corajosa defesa da separação da Igreja e do Estado e do divórcio. Enquanto ainda era deputado, se enamoraria pela jovem Clara Charf que trabalhava na assessoria da bancada comunista. Ela seria sua companheira por toda vida. A partir de 1947 a conjuntura internacional começou mudar. A grande aliança entre URSS e as potências capitalistas ocidentais, forjada durante a guerra contra o eixo nazi-fascista, desfazia-se e transformava-se num conflito aberto. Era o início da Guerra Fria. A bandeira do anticomunismo voltou a ser levantada com redobrada energia pelas classes dominantes de todo mundo. No Brasil as coisas não foram diferentes. Sintonizado com os novos interesses do imperialismo, o presidente Dutra reiniciou a dura repressão ao PC do Brasil. As manifestações públicas foram proibidas e dispersadas com violência. Os sindicatos sofreram intervenção. Jornais comunistas começaram a ser empastelados pela polícia. Preparava-se febrilmente o terreno para a cassação do registro do Partido Comunista e de seus parlamentares. O que acabou acontecendo alguns meses depois. Marighella, novamente, foi obrigado a mergulhar na clandestinidade e passou dirigir o Partido no estado de São Paulo. Nesse período os comunistas paulistas, enraizados dentro das fábricas paulistas, dirigiram importantes manifestações operárias, como a greve geral de 1953 - uma das maiores da história brasileira até então. Desde 1950 o PC do Brasil vinha defendendo a constituição de uma Frente Democrática de Libertação Nacional e a luta armada para derrubar o regime vigente - uma linha política marcada pelo sectarismo e o esquerdismo. A deposição e o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em agosto de 1954, levaram-no a mudar de posição e defender uma aliança prioritária com os trabalhistas. A vitória de JK trouxe dias mais tranqüilos para os dirigentes comunistas, que tiveram os pedidos de prisão preventiva anulados e puderam, finalmente, sair da clandestinidade. A democracia brasileira parecia começar desabrochar. Contudo, a paz interna foi abalada por notícias vindas de muito longe. Em fevereiro de 1956, numa sessão secreta do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Krushov leu seu famoso relatório no qual denunciava os crimes de Stalin. O que era para ser secreto, rapidamente, se espalhou pelo mundo, através das agências noticiosas estadunidenses. A primeira reação dos comunistas foi negar as informações dadas pela imprensa burguesa. O delegado brasileiro presente àquele congresso, e que poderia elucidar as dúvidas surgidas, demorou em voltar para o país. Mas, quando chegou, confirmou grande parte do que havia sido divulgado. Abriu-se uma profunda crise no interior do Partido Comunista. Numa das reuniões do Comitê Central, convocadas para discutir o documento soviético, Carlos Marighella não conteve as lágrimas e chorou compulsivamente. Foram dias de agonia para ele. Piores do que aqueles vividos na prisão. Afinal, Stalin era o seu grande ídolo. Aquele que, em meio a enormes dificuldades, havia comandado a construção do socialismo na URSS e derrotado as potências nazi-fascistas. Agora ele era apresentado como um monstro pelo seu próprio partido. Na verdade, por trás das denúncias ao "culto à personalidade" de Stalin estava a tentativa de mudar a linha política do PCUS e do movimento comunista internacional. Desde aquele congresso os soviéticos passaram defender a coexistência pacífica com o imperialismo estadunidense e a possibilidade de transição pacífica para um novo regime social, rumo ao socialismo, na maior parte dos países do mundo. Num primeiro momento, Marighella aliou-se à Prestes para implantar a nova política que acabou se consubstanciando na "Declaração de Março" de 1958. Com esse documento o PCB incorporou as teses do PCUS, passando defender a transição pacífica, a tendência irreversível da democracia e o caráter democrático das forças armadas no país. Essa linha, com pequenos ajustes, foi ratificada no 5º Congresso, realizado em 1960. Os principais opositores, que mais tarde reorganizariam o PCdoB, foram excluídos ou mantidos na condição de suplentes no Comitê Central. No mês de agosto de 1961 o presidente Jango renunciou abrindo uma grave crise política. Os ministros militares se recusaram dar posse ao vice-presidente João Goulart, que se encontrava em viagem oficial à China. No Rio Grande do Sul, o governador Leonel Brizola, com apoio do comandante do 3º Exército, resolveu resistir ao golpe e garantir à posse do sucessor legal. Formaram-se batalhões populares e o país chegou à beira de uma guerra civil. A saída encontrada foi aceitar a posse de Jango, mas sob um regime parlamentarista. Marighella ficou descontente com a forma encontrada para solucionar a crise. Mais alguns dias, afirmava ele, os golpistas teriam que se render sem a necessidade de concessões. O preocupou o fato do partido de sido pego completamente de surpresa e não ter conseguido elaborar uma resposta à altura, a exceção do Rio Grande do Sul. Numa conferência partidária, realizada em 1962, iriam se revelar as diferenças de opinião existentes no interior do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Marighella, por exemplo, não aceitava a via pacífica como único meio de derrotar o imperialismo e o latifúndio. Acreditava que havia possibilidade de um golpe militar e que era preciso estar preparado para resistir a ele. Não era possível depositar todas as esperanças no esquema militar de Jango nem sobre um possível papel progressista a ser desempenhado pela burguesia brasileira numa eventual crise. Ele, então, passou a compor uma espécie de ala esquerda do Partido. Contudo, a cisão ainda não estava colocada no horizonte e continuou, publicamente, defendendo as posições oficiais da direção do Partido. No entanto, o golpe militar de 1º de abril de 1964 precipitou a crise interna do PCB. Ele, novamente, havia pegado a direção comunista desprevenida. Muitas de suas teses mostraram-se equivocadas. Marighella foi o primeiro a exigir uma mudança de rumos. O imobilismo o incomodava profundamente. O conflito entre os comunistas brasileiros se agravou. No dia 9 de maio de 1964, num sábado, os órgãos de repressão tentaram prendê-lo. Ele refugiou-se num cinema, mas foi descoberto. Policiais cercaram e invadiram o prédio. Diante da resistência inusitada imposta pelo antigo líder comunista, eles atiraram. Uma bala atingiu-lhe o peito. Mesmo assim, não se entregou. Entrou num corpo a corpo renhido com os agentes da repressão. Precisou que uma coronhada na cabeça o pusesse a pique. Tudo foi documentado por um fotógrafo do "Correio da Manhã". O ato de Marighella tornou-se um dos símbolos da resistência ativa à ditadura militar. Alguns meses depois descreveria essa experiência e colocaria suas opiniões sobre a tática a ser adotada contra a ditadura no livro "Como resisti à prisão". Ali escreveu: "Os brasileiros estão diante de uma alternativa. Ou resistem à situação criada com o golpe de 1º de abril ou se conformam com ela. O conformismo é a morte". Continuou: "A grande falha deste caminho (trilhado pelo PCB) era a crença na capacidade de direção da burguesia, a dependência da liderança proletária à política efetuada pelo governo de então". O autor, pela primeira vez, advogava a necessidade de se utilizar da violência revolucionária contra os generais no poder: "A ditadura surgiu da violência empregada pelos golpistas contra a nação, e não pode esperar menos que a violência por parte do povo para enfrentar os crimes cometidos pelo governo e os militares (...)". No ano seguinte, radicalizou mais suas posições, e publicou "A crise brasileira". O proletariado, afirmou, "não tem outro recurso senão adotar uma estratégia revolucionária (...) Trata-se da revolução, da preparação da insurgência armada popular". E, concluiu, "o trabalho mais importante, aquele que tem caráter prioritário é a ação no campo, o deslocamento das lutas para o interior do país". Apesar de suas divergências públicas, em 1966, ele foi eleito secretário do Partido no estado de São Paulo. Logo depois se desligou da Comissão Executiva Nacional do PCB. "Solicitando demissão da atual Executiva, declarou, desejo tornar público que minha disposição é lutar revolucionariamente junto às massas e jamais ficar à espera das regras do jogo político, burocrático e convencional que impera na liderança". Na tradição comunista esse era um ato de insubordinação. A luta agora passou a ser pela direção central do Partido que, acreditava-se, teria como palco o VI Congresso. Na Conferência regional Marighella conseguiu 33 votos dos 36 delegados presentes. A linha política oficial também foi derrotada no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Diante da possibilidade de perder o controle partidário, a direção interveio nesses estados e iniciou o afastamento dos militantes descontentes, acusados de divisionismo. Marighella foi o único membro do PCB que participou da 1ª Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), realizada em Cuba. Nesse conclave buscou-se, contra a vontade dos soviéticos, articular uma espécie de Internacional revolucionária latino-americana. Um dos seus lemas era "Criar um, dois, três Vietnãs!". Procurando novos caminhos, ele empolgou-se com as teses pouco ortodoxas ali aprovadas. Antes de ser expulso, apresenta sua carta de afastamento do Comitê Central. Escreveu: "não tenho que pedir licença para praticar atos revolucionários". Permaneceu vários meses da ilha e foi firmando suas convicções sobre os caminhos da revolução brasileira. Redigiu "Algumas questões sobre a guerrilha no Brasil", dedicado a Che Guevara. Agora a guerrilha era reconhecida como "o caminho fundamental, e mesmo único, para expulsar o imperialismo e destruir as oligarquias". Voltando ao país, fundou o Agrupamento Comunista de São Paulo e, depois, através de uma articulação envolvendo militantes de vários estados, criou a Ação Libertadora Nacional (ALN). Uma das características dessa nova organização era subestimação - ou mesmo negação - do papel do Partido de Vanguarda (comunista) no processo revolucionário. O seu lema era "a ação faz a vanguarda". Uma posição, influenciada por Regis Debray, que não se enquadrava na tradição marxista e leninista. Esse foi um dos aspectos mais polêmicos de seu pensamento. Apesar de advogar a importância do trabalho no campo, a ALN acabou ficando presa às atividades guerrilheiras nas grandes cidades. Entre os seus primeiros atos estavam os assaltos a casas bancárias e outros estabelecimentos, visando levantar fundos para montagem da guerrilha. No começo, a ditadura não imaginava que essas ações estavam sendo praticadas por organizações da esquerda armada. O segredo apenas foi descoberto em novembro de 1968 quando da prisão de um militante. Desde então, Marighella tornou-se o inimigo público número 1. Ele, no entanto, foi pego de surpresa quando, em setembro de 1969, um comando do MR-8 e da própria ALN capturou o embaixador norte-americano e o soltou em troca da libertação de vários presos políticos. Queixou-se por não ter sido informado com antecedência de uma operação tão decisiva. Os autores do seqüestro responderam usando uma tese do próprio Marighella: "ninguém precisa pedir autorização para realizar um ato revolucionário". O experiente combatente tinha consciência que a ditadura, humilhada pelo seqüestro, partiria para o contra-ataque. Ele estava certo. Naqueles dias começou uma verdadeira operação de cerco e aniquilamento. Poucos dias depois a quase totalidade dos que haviam participado daquela ação arrojada estava presa ou morta. O Grupo Tático Armado da ALN foi praticamente desbaratado pela repressão que se seguiu. Faltava pegar Carlos Marighella. Essa passou a ser uma verdadeira obsessão dos órgãos de segurança. Através de informações extraídas de militantes barbaramente torturados, a polícia localizou-o e montou uma emboscada. No dia 4 de novembro - menos de dois meses da captura do embaixador americano - o Marighella foi executado em plena Alameda Casa Branca na cidade de São Paulo. O medo dos policiais era tanto que mesmo a vítima estando sozinha e desarmada, eles se embaralharam e acabaram matando e ferindo seus próprios comparsas. Um delegado levou um tiro na perna e uma investigadora morreu baleada na cabeça. Envergonhados, os bandidos do regime disseram que foram atacados por seguranças do líder da ALN. A farsa logo foi desmascarada. Talvez o poema Rondó da Liberdade, escrito pelo próprio Marighella, descreva com precisão o espírito libertário daquele que nunca se curvou diante às intempéries. Nas câmaras de tortura do Estado Novo, resistindo sozinho e baleado num cinema carioca ou diante de seus algozes numa alameda escura de São Paulo, ele parece sempre querer nos dizer: "É preciso não ter medo,/ é preciso ter a coragem de dizer./ Há os que têm vocação para escravo,/ mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão./ Não ficar de joelhos,/ que não é racional renunciar a ser livre./ Mesmo os escravos por vocação/ devem ser obrigados a ser livres,/quando as algemas forem quebradas". As algemas da ditadura militar já foram quebradas. Outras ainda estão aí para serem partidas e o serão pelas mãos, sem medo, de outros milhares de marighellas. Uma nota: Quando uma amiga perguntou: quem é você Marighella? Ele respondeu faceiro: "sou apenas um mulato baiano". Bibliografia Betto, Frei - Batismo de Sangue, Ed. Casa Amarela, 2000 José, Emiliano - Marighella: o inimigo público número um da ditadura militar, Ed. Sol e Chuva, 1997 Marighella, Carlos - Por que resisti à prisão, Ed. Brasiliense/Edufba, 1994 ---------------------- - Escritos de Marighella, Ed. Livramento, 1979 ---------------------- - Poemas - Rondó da Liberdade, Ed. Brasiliense, 1994 Nóvoa, Jorge (org.) - Carlos Marighella: o homem por trás do mito, Ed. Unesp, 1999 Sacchetta, V. & Camargos, M - A imagem e o gesto: fotobiografia de Carlos Marighella, Ed. Fundação Perseu Abramo, 1999. Filmografia Marighella: Retrato falado do guerrilheiro - documentário de Silvio Tendler Hercules 56 - documentário de Silvio Da-Rin. Batismo de Sangue - filme dirigido por Helvécio Ratton. 3 comentários * Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam "Nambiguá caraíba" (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária. - O senhor tem quatro medalhas por bravura, não tem? - indagou Burnier. Sérgio respondeu afirmativamente. Então o brigadeiro continuo u: - Pois a quinta, quem vai colocar no seu peito sou eu. - Fez uma pausa. - Capitão, se o gasômetro da avenida Brasil explodir às seis horas da tarde, quantas pessoas morrem? Achando que a pergunta se referia apenas à remota hipótese de um acidente na cidade do Rio de Janeiro, Sergio respondeu: - Nessa hora de movimento, umas 100 mil pessoas. Foi nesse momento que os dois brigadeiros começaram a explicar um terrível plano terrorista das Forças Armadas e qual deveria ser a participação de Sérgio. Os dois propuseram que ele, acompanhado por outros para-quedistas, colocasse bombas na porta da Sears, do Citibank, da embaixada americana, causando algumas mortes. Em seguida viria a grande carnificina: queriam que dinamitasse a Represa de Ribeirão das Lajes e, simultaneamente, explodisse o gasômetro. As cargas, de efeito retardado, seriam colocadas pelo capitão Sérgio, que depois ficaria aguardando, no Campo dos Af onsos, o surgimento duma grande claridade. Aí ele decolaria de helicóptero e aportaria no local da tragédia posando de bonzinho, prestando socorro a milhares de feridos e recolhendo mortos vítimados pela ação da própria Aeronáutica. Colocariam a culpa nos grupos esquerdistas que lutavam contra a ditadura. Sérgio seria tido como herói por salvar as supostas vítimas dos "comunistas" e receberia sua quinta medalha, enquanto a ditadura teria um pretexto para aumentar a repressão a socialistas e democratas. O capitão se negou a participar de uma ação tão vil. Declarou corajosamente aos bandidos fardados: - O que torna uma missão legal e moral não é a presença de dois oficiais-generais à frente dela, o que a torna legal é a natureza da missão. Outros em seu lugar simplesmente encolheriam os ombros e obedeceriam aos superiores, iriam se desculpar dizendo que estavam apenas "cumprindo ordens". Mas Sérgio era é tico, íntegro, não tinha obediência cega a ninguém, seguia acima de tudo sua consciência e valores. Era um homem de verdade: denunciou o plano diabólico e evitou aquela que seria a maior tragédia da nossa história. Foi perseguido pela ditadura, discriminado, removido para o Recife, reformado na marra aos 37 anos, cassado pelo AI-5 e pelo Ato Complementar 19, curtiu prisão... só não puderam quebrar-lhe integridade e honra, sua firmeza de ser humano. Sérgio se recusou a ser anistiado. "Anistia-se a quem cometeu alguma falta", costumava dizer. "Não posso ser anistiado pelo crime que evitei". Em 1970, necessitando de um tratamento de coluna, aconselharam-no a não se internar em unidade militar, pois certamente seria assassinado lá dentro. Graças ao jornalista Darwin Brandão, com auxílio do médico Sérgio Carneiro, o capitão acabou sendo tratado clandestinamente no Hospital Miguel Couto. Nos anos 90, o Supremo Tribunal Feder al determinou indenização e promoção de Sérgio a brigadeiro. Tal sentença dependia, porém, da assinatura de Itamar Franco. Itamar, como se sabe, não é nenhum modelo de virtude e, não por acaso, foi vice do corrupto Fernando Collor de Mello, que foi prefeito biônico de Maceió durante a ditadura e se criou politicamente graças ao regime militar... Por seis meses, o presidente Itamar Franco, mesmo sabendo que Sérgio estava acometido de um câncer terminal no estômago? Guardou, na gaveta, a sentença do STF favorável ao capitão. Só a assinou três dias depois da morte do herói ocorrida em 4 de fevereiro de 1994. Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (cuja história é narrada no documentário "O Homem que disse Não" do diretor francês Olivier Horn) foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier no Caju sem honras militares. É lembrado, entretanto, por todos aqueles que valorizam vida, ética, honestidade, coragem. Sérgio provou qu e, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa pode mudar a História: cada um de nós faz diferença no mundo. __._,_.___ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.424 / Banco de dados de vírus: 270.14.51/2482 - Data de Lançamento: 11/05/09 07:37:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.424 / Banco de dados de vírus: 270.14.51/2482 - Data de Lançamento: 11/05/09 07:37:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091105/98a0df7d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 5 19:00:38 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 5 Nov 2009 20:00:38 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_A_Am=E9rica_que_n=E3o_est=E1_na_M?= =?iso-8859-1?q?=EDdia_=2E_Livro_de_M=E1rio_Augusto_Jakobskind?= Message-ID: <7B202DED763C4BDBA043FD3CC723582A@vcaixe> A América que não está na Mídia Carta O Berro..................................................................repassem A AMÉRICA QUE NÃO ESTÁ NA MÍDIA Mário Augusto Jakobskind Editora Altadena -------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------- Prefácio Flávio Tavares Ao longo de anos e anos, o Brasil esteve de costas para a América Latina.Desconhecíamosos países vizinhos de língua espanhola, mesmo tendo os mesmos problemas, idênticos anseios e quase o mesmo idioma. Sabíamos que tínhamos até o mesmo inimigo, e que ele estava ao norte, poderoso e mandão, mas entre nós mesmos seguíamos distantes. Mário Augusto Jakobskind, com este livro, volta a nos integrar ao continente. Já o relato inicial leva a indagar sobre as origens do terror espalhado pela direita na América Latina. Em minhas andanças de exilado político, eu vivia na Argentina naquele 1976, quando um golpe militar lá implantou o terrorismo de Estado. Morava em Buenos Aires, era correspondente dos jornais "Excelsior", do México, e de "O Estado de S.Paulo", mas só fui saber da "Noite dos Lápis", muito tempo depois. O horror se escondia nas profundezas dos segredos e do medo da população. São essas histórias ocultas que Mário Augusto conta agora, interpretando o passado recente não apenas para conhecê-lo, mas - mais do que tudo - para nos lembrar daquilo que nãopode repetir-se jamais. Mais do que isso, porém, este livro mostra o progressivo empobrecimento dos meios de comunicação entre nós. Informar passou a ser tratado como uma dessas quinquilharias que o capitalismo predatório da sociedade de consumo nos oferece a cada dia como se fosse o paraíso. O essencial está de fora na grande imprensa, no rádio e na televisão. O assédio da ilusão e, até, da mentira nos empanturra de tolices. Os grandes meios de comunicação nos transformam em robôs obedientes. A imprensa, a TV aberta e o rádio viraram atividades comerciais, em busca de lucros. Até o golpe militar de 1964, o jornal "Última Hora", mesmo privado, representava no Brasil uma opção popular e nacionalista, na vanguarda da denúncia da ação imperialista dos Estados Unidos. Hoje, qual é o órgão da grande imprensa que se atreve a ser tão independente? Nenhum canal de TV aberta ou de rádio foi concedido pelo Estado a jornalistas aglutinados em associações ou sindicatos do setor. Enquanto persistir essa situação, persistirá também o estrabismo dos meios de comunicação. Mário Augusto tenta, neste livro, corrigir essa ilusão ótica. Clique Aqui Para Fazer o seu Pedido Pela Internet 2009 - Todos os Direitos Reservados à Altadena -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.424 / Banco de dados de vírus: 270.14.50/2481 - Data de Lançamento: 11/04/09 19:51:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.424 / Banco de dados de vírus: 270.14.51/2482 - Data de Lançamento: 11/05/09 07:37:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091105/3f3b6ba5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 40562 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091105/3f3b6ba5/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 6 18:30:02 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 6 Nov 2009 19:30:02 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__=22A_Prova_de_Fogo=22!____-____O?= =?iso-8859-1?q?nde=3A_Sesc_Casa_da_G=E1vea/Quando=3A_11=2C_18_e_25?= =?iso-8859-1?q?_de_novembro_e_02_de_dezembro_=28Todas_as_quartas-f?= =?iso-8859-1?q?eiras=29/Hor=E1rio=3A_21horas?= Message-ID: <5F91542A1B314DA09C5B81993A481227@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Amigos queridos, Anuncio mais uma peça teatral que participarei, "A Prova de Fogo" e, portanto, gostaria muito que vocês pudessem prestigia-la. Onde: Sesc Casa da Gávea Quando: 11, 18 e 25 de novembro e 02 de dezembro (Todas as quartas-feiras) Quanto: R$ 15,00 (inteira) Horário: 21horas Esta montagem é baseada no brilhante texto da Escritora, Consuelo de Castro, que expressou em palavras o que viu, viveu e, assim, testemunhou em Outubro de 1968: a ocupação dos estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, na Rua Maria Antônia; os confrontos e as passeatas; os bastidores e, finalmente, a invasão da polícia golpista e a prisão de vários estudantes. Muito deles, os que não morreram no cárcere e tortura da ditadura ou desapareceram, continuam fazendo história e militam para um mundo mais justo! Seguem alguns comentários sobre "A Prova de Fogo": www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6033&Itemid=37, http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=7475&Itemid=37 Recomendo, portanto, aos que não viveram e gostariam de "viver" um período importante e impactante da nossa história ditatorial, bem como a heroica resistência e coragem dos estudantes daquela época. Recomendo, finalmente, aos que protagonizaram ou, simplesmente, vivenciaram de longe aquele período intenso e marcante da história brasileira. Vamos viajar, juntos, no tempo! Eis a maravilhosa possibilidade que a linguagem da imagem nos proporciona. "Uma civilização democrática só se salvará se fizer da linguagem da imagem um estímulo à reflexão crítica, não um convite à hipnose" Umberto Eco: Apocalíptico e Integrados Um beijo, Maria Ana. PS: Os ingressos da estreia, dia 11 de novembro, já estão esgotados! -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091106/aabba7ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 83499 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091106/aabba7ed/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 7 15:41:24 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 7 Nov 2009 16:41:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?10=AA_Anistia_Cultural=3A_Literatu?= =?iso-8859-1?q?ra_e_Mem=F3ria__-_dia_16_de_novembro_de_2009__-_no_?= =?iso-8859-1?q?Sal=E3o_Negro_do_Minist=E9rio_da_Justi=E7a_-_in=EDc?= =?iso-8859-1?q?io_15_hs__-__Bras=EDlia_-_DF?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Alipio Freire --~--~---------~--~----~------------~-------~--~----~ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091107/8dac07ba/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 42441 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091107/8dac07ba/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 7 15:41:31 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 7 Nov 2009 16:41:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_REFLEX=D5ES/FIDEL=3A_A_ANEXA=C7?= =?iso-8859-1?q?=C3O_DA_COLOMBIA_AOS_ESTADOS_UNIDOS?= Message-ID: <00AE0CCF96964C708B1E592E12714615@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Tirso W Sanches Estimado Vanderley: Considero que estas reflexões do Fidel sobre o acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia são de grande interesse e importância para os leitores brasileiros da sua publicação. Um abraço. Tirso A ANEXAÇÃO DA COLOMBIA AOS ESTADOS UNIDOS Reflexões do Fidel Castro Qualquer pessoa medianamente informada compreende de imediato que o adoçado "Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos", assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 de novembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos. O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagarto captura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma. Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar. Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista Jorge Eliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daquele dirigente e desatou a luta armada nesse país. O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à "uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos", assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um país de 1 141 748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país. Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldados colombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA para destruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961. Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela. Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dos Estados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul. É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potência mais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana. A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população. A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana. As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais. Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí no Parque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões. O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantes recebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos? Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo e transcendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos. Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia! O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde. Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática. Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio do planeta. Fidel Castro Ruz 6 de novembro de 2009 10h39 Agência Cubana de Notícias www.cubanoticias.ain.cu ainportugues at ain.cu -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091107/72e5fa18/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 8 11:48:47 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 8 Nov 2009 12:48:47 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ou=E7am_algumas_m=FAsicas_de__Xav?= =?iso-8859-1?q?ier_Cugat__=28clique_no_nome_da_m=FAsica=29?= Message-ID: <1E5E244A632541FDB2340C72486B4114@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: neide_pessoa Xavier Cugat -------------------------------------------------------------------------------- Costas Brasil Amapola Tequila Cuban Mambo O Vendedor de amendoim Malaguena Besame Mucho Beguine the Beguine Andaluzia Miami Beach Rumba Siboney Talvez Talvez Talvez -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Segunda-Feira, 09 de Novembro de 2009 Carlos: mulato, baiano, comunista, brasileiro Os 40 anos passados desde sua morte na luta revolucionária de resistência à ditadura, só multiplicaram a imagem de Carlos Marighella, como dirigente revolucionário brasileiro e latinoamericano. Identificado com os projetos revolucionários de libertação da América Latina desde a década de 30, teve um protagonismo central nos momentos mais difíceis vividos pelo PCB depois do golpe de 1964, quando debateu as razões do golpe e os novos horizontes de luta da esquerda brasileira. O artigo é de Emir Sader. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Carlos Marighella, 90 anos Devemos dar a Marighella o que é de Marighella: poucos homens demonstraram tamanha bravura e destemor na árdua luta pelo progresso social e pela emancipação econômica deste país. Ele nunca tergiversou no que é essencial: foi solidário aos oprimidos e aos excluídos, empenhando-se, até o último instante de vida, por um Brasil mais justo e digno. Esse Marighella que aprendemos a medir pela firmeza na práxis política era, segundo Paulo Mercadante, um dos raros dirigentes comunistas de sua geração com preocupações intelectuais. O artigo é de Dênis de Moraes. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 A Crise Brasileira, de Carlos Marighella Em "A Crise Brasileira", obra de 1966, Marighella analisa a realidade do Brasil e evidencia suas divergências em relação às teses que vinham sendo adotadas pelo Partido Comunista Brasileiro. Essas divergências levariam ao seu rompimento com o partido no ano seguinte e a sua opção pela luta armada contra a ditadura. Para Marighella, as elites brasileiras já tinham mostrado seu fracasso e uma estratégia revolucionária deveria levar em conta a separação entre o partido do proletariado e os partidos da burguesia. O artigo é de Edileuza Pimenta de Lima. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Camarada Marighella! Marighella não pertence apenas ao PCB nem à ALN. Pertence a todos os revolucionários e se inscreve na galeria de heróis que, em todo o mundo, lutaram e lutam contra a opressão e a exploração, por uma sociedade em que todos nos possamos chamar de companheiros. Quarenta anos depois de seu covarde assassinato, são justas e necessárias todas as iniciativas para homenagear este herói. O artigo é de Ivan Pinheiro. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 A morte de Carlos Marighella, 40 anos depois Neste 2009, 40 anos depois de sua morte, Carlos Marighella vai receber o título de cidadão da cidade em que foi assassinado. Tais paradoxos da história mostram que, afinal, no fim daquela escuridão do túnel em que se viaja no tempo para diante e para trás, havia, de fato,alguma luz, nem que fosse apenas a de um clarão, uma chama de vela, um piscar de olhos, aqueles olhos que ficaram para trás, mas cuja presença não podemos esquecer. O artigo é de Flávio Aguiar. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 A atualidade de Carlos Marighella Estivesse entre nós Carlos Marighella ele diria que o principal inimigo continua sendo o imperialismo, agora travestido de globalização; o capital especulativo que está transformando o mundo num grande cassino; os burocratas incrustados na administração pública trabalhando em favor dos interesses imperiais; os oligarcas e burgueses responsáveis e co-responsáveis pelo desmanche do Estado e da Nação. O artigo é de Paulo Cannabrava. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Marighella, herói do povo Ele não partiria para o exílio. Tinha responsabilidades, noção do seu papel dirigente da revolução brasileira. Quem samba fica, quem não samba vai embora. Gostava de repetir isso. Ficava, apesar de tudo. Sentia o cheiro dos cães farejadores, seus dentes afiados, a baba raivosa de cada um deles. Cães como Fleury. Ouviu tiros na noite escura, muitos. Caiu. Ainda pensou nela, na musa, Revolução. Era o dia 4 de novembro de 1969. Carlos Marighella, inimigo número um da ditadura militar tornava-se imortal. Herói do povo brasileiro. O artigo é de Emiliano José. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 O ressurgir dos espíritos livres: uma homenagem a Marighella A grande maioria daqueles que nos insurgimos, que buscamos nos anos sessenta destruir os grilhões que aprisionavam os espíritos, fomos cruelmente esmagados pela reação. Formou-se, de todo modo, uma geração de perseguidos, torturados, aprisionados, os melhores dentre nós, assassinados. E então, os esbirros dos porões da ditadura entoaram seus gritos de vitória. Mas, idiotas, enganaram-se a cada alma nobre que julgavam assassinar. Porque, os espíritos livres de toda uma época, podem ser trucidados, mas não derrotados. O artigo é de Carlos Russo Junior. > LEIA MAIS | Política | 02/11/2009 Marighella e os dilemas da revolução brasileira Marighella participou da I Conferência da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), realizada em Cuba em 1967. Nesse conclave buscou-se, contra a vontade dos soviéticos, articular uma espécie de Internacional revolucionária latino-americana. Na ilha firmou convicções sobre os caminhos da revolução brasileira. A guerrilha agora era reconhecida como "o caminho fundamental, e mesmo único, para expulsar o imperialismo e destruir as oligarquias". O artigo é de Augusto Buonicore. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Marighella e os desafios da revolução socialista no século XXI A maior homenagem que esse revolucionário de ação poderia receber é uma avaliação acerca da atualidade de seu exemplo e contribuições frente aos desafios impostos à revolução socialista neste Brasil de início de século XXI. Inúmeras são as possibilidade de avançarmos nessa direção. Escolhi uma delas: a de buscar em Marighella correspondências entre o contexto e os desafios dos anos 1960 e os dos dias de hoje. O artigo é de Carlos Henrique Metidieri Menegozzo. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Relato de uma conversa com Marighella Como o Partido, em Ribeirão Preto, se conduzia pela luta pacífica, falei com o Indio e fui fazer um contato com Marighela. No encontro fiz as exposições da opção de muitos quadro do PCB pela luta armada. Ele perguntou se o Índio estava conosco. Eu disse que sim. Daí me respondeu que ainda não era hora de rachar o Partido e que deveríamos ganhá-lo como um todo para a posição armada. Perguntei sobre as armas. Ele disse: estão nos quartéis. É lá que iremos buscar. Isso encerrou a conversa. O artigo é de Vanderley Caixe. > LEIA MAIS | Política | 04/11/2009 Marighella receberá título de cidadão paulistano No dia 4 de novembro, completam-se 40 anos do assassinato de Marighella, em uma emboscada armada pela polícia política comandada pelo delegado Fleury, no centro da cidade de São Paulo. Nesse dia, Marighella tinha um encontro marcado com frades dominicanos. Acabou sendo emboscado e fuzilado, sem chance de defesa. A data será motivo de várias homenagens. Entre elas, a entrega do título de Cidadão Paulistano "in memorian", às 19h, no salão nobre da Câmara de Vereadores de São Paulo. > LEIA MAIS | Política | 29/10/2009 -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091109/0a93f77c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091109/0a93f77c/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 13216 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091109/0a93f77c/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7757 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091109/0a93f77c/attachment-0006.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 9221 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091109/0a93f77c/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 10 17:51:56 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 10 Nov 2009 18:51:56 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_para_10=AA_Anistia_Cultur?= =?iso-8859-1?q?al=3A_Literatura_e_Mem=F3ria?= Message-ID: <837B4A1A829F4727B29120193EEC68E7@vcaixe> ----- Original Message ----- From: Vanderley Caixe To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Sent: Tuesday, November 10, 2009 6:49 PM Subject: Convite para 10ª Anistia Cultural: Literatura e Memória Carta O Berro...........................................................................repassem (a Carta o Berro somente voltará cirular no dia 16 - 11 -2009) ----- Original Message ----- From: Eli Eliete __._,_.___ __,_._,___ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091110/ce73b274/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 16 17:56:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 16 Nov 2009 18:56:22 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_RESIST=CANCIA_ATR=C1S_DAS_GRADES_?= =?iso-8859-1?q?_-_Lan=E7amento_do_livro_de_Maurice_Politi_e_uma_co?= =?iso-8859-1?q?nversa_com_o_autor_e_Ivan_Seixas_-_Em_RIBEIR=C3O_PR?= =?iso-8859-1?q?ETO__-_dia_24_de_novembro_=E0s_19=2C3o_horas?= Message-ID: <2FE555C84F9E484AA03E2642D2875D7B@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Que não perdoou e segue sem perdoar os líderes populares latinoamericanos que lhes arrebataram o Estado de suas mãos e impuseram lideranças nacionais com amplo apoio popular. Os três ? Perón, Getúlio e Lula ? têm em comum a personificação de projetos nacionais, articulados em torno do Estado, com ideologia nacional, desenvolvendo o mercado interno de consumo popular, as empresas estatais, realizando políticas sociais de reconhecimento de direitos básicos da massa da população, fortalecendo o peso dos países que governaram ou governam no cenário internacional. Foi o suficiente para que se tornassem os diabos para as oligarquias tradicionais ? brancas, ligadas aos grandes monopólios privados familiares da mídia, aos setores exportadores, discriminando o povo e excluindo-o dos benefícios das políticas estatais. Apesar das políticas de desenvolvimento econômico, especialmente industrial, foram atacados e criminalizados como se tivessem instaurados regimes anticapitalistas, contra os intereses do grande capital. Quando até mesmo os interesses dos grandes proprietários rurais ? nos governos dos três líderes mencionados ? foram contemplados de maneira significativa. Perón e Getúlio dirigiram a construção dos Estados nacionais dos nossos dois países, como reações à crise dos modelos primário-exportadores. Fizeram-no, diante da ausência de forças políticas que os assumissem ? seja da direita tradicional, seja da esquerda tradicional. Eles compreenderam o caráter do período que viviam, se valeram do refluxo das economias centrais, pelos efeitos da crise de 1929, posteriormente pela concentração de suas economías na II Guerra Mundial, tempo estendido pela guerra da Coréia. A colocação em prática das chamadas políticas de substituição de importações permitiram a nossos países dar os saltos até aqui mais importantes de nossas histórias, desenvolvendo o mais longo e profundo ciclo expansivo das nossas economias, paralelamente ao mais extenso processo de conquisas de direitos por parte da massa da população, particularmente os trabalhadores urbanos. Se tornaram os objetos privilegiados do ódio da direita local, dos seus órgãos de imprensa e dos governos imperiais dos EUA. Dos jornais oligárquicos ? La Nación, La Prensa, La Razón, na Argentina, ao que se somou depois o Clarin; o Estadao, O Globo, no Brasil, a que se somaram depois os ódios da FSP e da Editora Abril. Os documentos do Senado dos EUA confirmam as articulações entre esses órgãos da imprensa, as FFAA, os partidos tradicionais e o governo dos EUA nas tentativas de golpe, que percorreram todos os governos de Perón e de Getúlio. Não por acaso bastou terminar aquele longo parêntese da crise de 1929, passando pela Segunda Guerra e pela guerra da Coréia, com o retorno maciço dos investimentos estrangeiros ? particularmente norteamericanos, com a indústria automobilística em primeiro lugar -, para que fossem derrubados Getúlio, em 1954, e Perón, em 1955. Mas os fantasmas continuaram a asombrar os oligarcas brancos, que sentiam que aqueles líderes plebeus ? tinham desprezo pelos líderes militares, que deveriam, na opinião deles, limitar-se à repressão dos movimentos populares e aos golpes que lhes restabeleceriam o poder ? lhes tinham roubado o Estado e, de alguma forma, o Brasil. O golpe militar argentino de 1955 inaugurou a expressão ?gorila? para designar o que mais tarde o ditador brasileiro Costa e Silva chamaria, de ?vacas fardadas?. A direita apelava aos quartéis, porque não conseguia ganhar eleições dos líderes populares. Durante os anos 50, no Brasil, fizeram articulações golpistas o tempo todo contra Getúlio, até que o levaram ao suicídio. Tentaram impedir a posse de JK, alegando que tinha ganho as eleições de maneira fraudulenta. JK teve que enfrentar duas tentativas de levantes militares de setores da Aeronáutica contra seu governo, legitimamente eleito, tentativas sempre apoiadas pela oposição da época, em conivência com os governos dos EUA. O peronismo esteve proscrito políticamente de 1955 a 1973. Até o nome de Perón era proibido de ser mencionado na imprensa. (Os opositores usavam Juan para designá-lo ou alguns de seus apelidos.) Quando foram feitas eleições com um candidato peronista concorrendo ? Hector Campora -, ele triunfou amplamente e ? ao contrário de Sarney no Brasil ? convocou novas eleições, truiunfando Perón, que governou um ano, até que foi dado o golpe de 1976, pelas mesmas forças gorilas. No Brasil, o governo João Goulart foi vítima do mesmo tipo de campanha lacerdista, golpista, articulada com organismos da ?sociedade civil? financiados pelos EUA, articulados com a imprensa privada, convocando as FFAA para um golpe, que acabou sendo dado em 1964. Perón, Getúlio e, agora, Lula, tem em comum a liderança popular, projetos de desenolvimento nacional, políticas de redistribuição de renda, papel central do Estado, apoio popular, discurso popular. E o ódio da direita. Que usou todos os ?palavrões?: populista, carismático, autoritário, líder dos ?cabecitas negras?, dos ?descamisados? (na Argentina). A classe média e o grande empresariado da capital argentina, assim como a clase média (de São Paulo e de Minas, especialmente) e o grande empresariado, sempre a imprensa das rançosas famílias donas de jornais, rádios e televisões. É o ódio de classe a tudo o que é popular, a tudo o que é nacional, a tudo o que cheira povo, mobilizações populares, sindicatos, movimentos populares, direitos sociais, distribuição de renda, nação, nacional, soberania. FHC se faz herdeiro do que há de mais retrógado na direita latinoamericana ? da UDN de Lacerda, passando pelos gorilas do golpe argentino de 1955, pelos golpistas brasileiros de 1964, pelo anti-peronismo e o anti-getulismo, que agora desemboca no anti-lulismo. Ao chamar Lula de neo-peronista, quer usar a o termo como um palavrão, como acontece no vocabulário gorila, mas veste definitivamente a roupa da oligarquia latinoamericana, decrépita, odiosa, antinacional, antipopular. Um fim político coerente com seu governo e com seus amigos aliados. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091117/b5e47624/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091117/b5e47624/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35896 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091117/b5e47624/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Nov 17 19:12:00 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 17 Nov 2009 19:12:00 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Carta_de_Anita_Leoc=E1dia_Prestes?= =?iso-8859-1?q?_a_Lula_e_o_texto_de_Carlos_Alberto_Lungarzo_-_da_A?= =?iso-8859-1?q?nistia_Internacional?= Message-ID: <144103B9632745AA937C7594D0D9885D@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Carta de Anita Leocádia Prestes a Lula Exmo. Sr. Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. Na qualidade de filha de Olga Benário Prestes, extraditada pelo Governo Vargas para a Alemanha nazista, para ser sacrificada numa câmera de gás, sinto-me no dever de subscrever a carta escrita pelo Sr. Carlos Lungarzo da Anistia Internacional (em anexo), na certeza de que seu compromisso com a defesa dos direitos humanos não permitirá que seja cometido pelo Brasil o crime de entregar Cesare Battisti a um destino semelhante ao vivido por minha mãe e minha família. Atenciosamente, Anita Leocádia Prestes --------------------------------------------------------------------------------------------- Que Acontece nas Prisões Italianas? Carlos Alberto Lungarzo Anistia Internacional (USA) MI 2152711 Aproveito para agradecer a Susanna Marietti, da Sociedade Italiana Antígone, por seu assessoramento na redação desta matéria. Se Cesare Battisti fosse finalmente extraditado, ele seria destinado, com certeza, a uma prisão de alta segurança pelo resto de sua vida. A cínica condição colocada por alguns dos juízes que votaram em favor da extradição, lembrando orgulhosamente que as tradições brasileiras não permitem recolher um prisioneiro por mais de 30 anos, será, para as autoridades italianas, algo menos que papel higiênico de baixa qualidade. O ex ministro Mastella, o ministro La Russa e outros, já disseram aos familiares de supostas vítimas do condenado que "aquele palhaço passará a vida toda na cárcere". Isto pode ser uma questão puramente formal, porque, se tudo desse errado, na pior das alternativas (que eu não ouso nem pensar neste momento), Battisti teria a têmpera de não dar aos abutres daqui o prazer de entregá-lo vivo nem aos urubus da lá o prazer de caçá-lo. De qualquer maneira, é importante que todos saibam como são as condições de um preso na Itália atual. Prisão Perpétua O nome ergástolo, que é dado na Itália à punição por reclusão até o fim da vida, não foi adotado por acaso. É o mesmo nome que usaram os medievais, quando a língua oficial da nobreza era o latim, que por sua vez tirou esta palavra do grego: "ergástolo" quer dizer trabalho forçado, que era o castigo ao qual estavam submetidos, até pouco tempo atrás, os presos por vida. Note-se que na Itália é frequente usar nomes medievais e não modernos para os fatos relativos à vida prisional: a própria prisão é chamada "galere" inclusive em linguagem culta, não apenas como gíria, em homenagem aos tempos em que os presos morriam remando nos barcos (galere) sob as chicotadas dos mestres. Este homenagem à Idade Média nas prisões italianas poderia ser apenas um anacronismo de linguagem, mas não é: pelo contrário, é um sintoma de que o sentimento em relação com os internos é o mesmo, e de que as condições sob as quais vivem são quase iguais. De fato, são um pouco menos horríveis porque um choque elétrico é menos doloroso e mais reversível que um esquartejamento. Não é verdade que a condena por vida repugne os sentimentos humanitários unicamente nos países mais avançados. Inclusive sociedades com longa tradição de violência e intolerância têm abolido esta macabra filha doentia da pena de morte. É verdade que países laicos humanistas, com extremo liberalismo e naturalismo, como Noruega, a máxima pena por qualquer crime não pode passar de 21 anos. No entanto, mesmo em estados que foram muito diferentes, e praticaram até épocas recentes grandes genocídios, como a Croácia, a Espanha e a Servia, os movimentos humanitários conseguiram colocar as penas de prisão por baixo de um limite de 30 ou ainda 25 anos, como em Portugal. As autoridades italianas costumam dizer que a prisão por vida é apenas "virtual", porque um prisioneiro que tenha cumprido 26 anos de prisão com boa conduta pode ganhar a liberdade. Mas, isso é falso. Existe uma eventualidade de que isso aconteça, mas os próprios advogados de prisioneiros desconhecem casos concretos em que tenha sido aplicado este benefício, e apenas podem dizer que ouviram falar. De maneira nenhuma consiste numa regra, e segundo os boatos, aos duas ou três vezes em que esta cláusula foi aplicada, foram necessários complexos trâmites e enormes esperas, desde que, obviamente, os casos de liberação aos 26 anos tenham realmente existido. Por exemplo, Antonino Marano, internado na Carcere dell'Ucciardone, em Palermo, Sicília, já cumpriu 43 anos de prisão sem qualquer esperança de ver-se livre algum dia. Casos que excedem os 30 anos são muito comuns, e estão relatados numa carta que os condenados a prisão perpétua enviaram a Lula depois da outorga de refúgio a Battisti. O Regime 41 bis Itália é muito diferente do resto dos países formalmente democráticos no tratamento do crime político. Em todos esses estados, o crime político (mesmo que sua definição ofereça sempre algumas dificuldades sutis) é aquele que se faz por alguma convicção e não por interesse pessoal e, portanto, é tratado com certa maior gentileza que o crime comum. Até no Brasil, com sua tradição de barões, militares e escravocratas, o crime político merece algum trato diferencial, como se deriva da lei 9474/97, tão debatida nestes dias. Na Itália é exatamente o contrário. Os mafiosos, salvo quando perdem a amizade com as autoridades, podem sair livres logo. Para um ladrão comum é mais difícil. Já um preso político pode passar anos num sistema brutal pelo mesmo crime. O regime 41 bis tomou seu nome do artigo 41-bis do Ato Administrativo Prisional 354 (AAP354), que permite aplicar ao Ministro de Justiça ou do Interior uma forma de disciplina prisional que deixaria maravilhado a Meister Eymerich, o famoso inquisidor alemão do século 15. Antes de exagerar em nossa indignação, pensemos, porém, que uma selvagem e sádica forma de prisão semelhante ao 41 bis se aplica no Brasil com o nome de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), que foi calorosamente defendida pelo críptico advogado Thomas Bastos (o primeiro ministro de justiça do presidente Lula) e resistiu todas as críticas de organizações de Direitos Humanos. Talvez seja justo dizer que este RDD é mais parecido ao americano e, na prática, menos brutal que o italiano, e se aplica com menos freqüência. O AAP354 foi publicado no 26 de julho de 1975, uma época em que as Brigadas Vermelhas já eram ativas, mas ainda não tinham cometido os atos tipicamente terroristas de 1978, já sobre uma nova liderança da que se sempre se supus que tinha sido infiltrada pela polícia. Nessa data, a primeira fase das BV estava quase acabada, pois seus principais núcleos tinham sido desmontados, e ainda não tinha surgido Prima Linea (o que aconteceria no ano seguinte), que foi novo pesadelo da repressão. O grande terrorismo (os stragi) produzido pelo operativo Gladio já existia desde 1969. Não é necessário dizer que o 41-bis não visava punir este tipo de terrorismo, pois seus realizadores não foram nem mesmo submetidos à justiça comum, salvo, nos últimos anos, alguns poucos que foram judicialmente poupados (salvo Vincenzo Vinciguerra, um terrorista fascista que assassinou três policiais e ganhou o ódio da corporação). Outro detalhe interessante é que desde 1975 até 1992, um período relativamente longo, nunca as autoridades italianas se interessaram por aplicar este sistema á Máfia. Só em junho desse ano, quando foi assassinado o juiz Giovanni Falcone, o establishment entendeu que as sociedades criminosas tinham saído de sua habitual função história de ser parte complementar do sistema, e o sistema prisional do 41-bis foi aplicado a eles. Portanto, quando o sistema foi inventado, em 1975, o objetivo não era combater nem a máfia, nem o terrorismo fascista, mesmo que fosse parcialmente. O sistema estava dedicado exclusivamente aos grupos revolucionários e aos movimentos sociais, que no ano de 1974 tinham estado enormemente ativos. É fácil descrever o sistema 41-bis. Ele mantém o preso numa cela estreita, na qual pode ser sempre vigiado desde fora, sem absolutamente nenhum direito de praticar qualquer forma de recreação, atividade cultural, comunicar-se com outras pessoas mesmo por carta, telefone ou qualquer outro meio. Seu único "privilégio" é receber alimentação, atenção médica (se o prisioneiro morrer logo acaba a diversão de juízes, policiais e carcereiros), e uma visita por mês que pode variar de 10 a 30 minutos, através de um intercomunicador e vários painéis de vidro, de um familiar de primeiro grau. Seria ridículo dizer que este sistema e desumano, porque animal nenhum vive nessas condições. O sistema é infrabiológico, um invento de mentes sádicas e maniqueístas que reproduzem as torturas medievais. Repúdio do 41 bis Em Novembro de 2007, a Corte Européia de Direitos Humanos condenou a Itália pelas condições brutais de prisão sob o sistema 41-bis. Este fato é notável, pois sendo Itália principal base da NATO, os organismos europeus tendem a preservá-la de críticas. Por unanimidade, a corte decidiu que o 41-bis violava os artigos 6 e 8 de Convenção Européia dos DH (o direito a ter um julgamento limpo e o direito à vida familiar e privada). Entretanto, a condenação não fala em torturas. Pela data da manifestação da Corte é quase certo que Itália estaria executando ações de tortura proxy em benefício da "guerra ao terror", e o organismo europeu evitou levantar problemas políticos. Entretanto, mesmo nos Estados Unidos, onde o tratamento de imigrantes ilegais é muito duro, alguns juízes das barras (equivalentes da OAB) de Califórnia e Texas se recusaram a entregar a Itália criminosos de alta periculosidade. Uma juíza de Los Angeles, que firma com a sigla D. D. Sitgraves, considerou que o tratamento do sistema 41-bis é uma forma sistemática e contínua de tortura. Tortura Em tempos recentes, a tortura tem sido associada com personalidades patológicas, e especialmente com sujeitos afetados de transtornos sexuais. No documentário experimental La Torture feito por um grupo de jovens franceses em 1972, para resumir informações sobre os torturadores de Argélia, se destaca este aspecto: O torturador é quase sempre místico, identifica o sexo com a maldade, e sua forma mais comum de relacionamento sexual é o estupro, pois isso lhe permite satisfazer-se fingindo de está "punindo" a sexualidade. O fato encontrou confirmação em algumas poucas pesquisas que puderam fazer-se com os torturadores da ditadura argentina. A personalidade do moderno torturador é compatível com a do torturador inquisitorial: seu maior objeto de ódio são pessoas fracas, mulheres, crianças, gays e membros de outras raças. Apesar disso, mesmo nos países católicos como França, Espanha e Portugal, a tortura tem sido colocada no código penal. Na Europa, em diversas datas, a tortura foi considerada crime específico (independente de lesões, morte ou estupro) nos pequenos estados balcânicos, na Austria, Bélgica, Dinamarca, Estônia, Islândia, Letônia, Eslovênia, Eslováquia, todos os países escandinavos, a totalidade do Reino Unido, Holanda, Polônia, Alemanha, Suíça, Suécia, Hungria e Turquia. Também nos pequenos estados como Luxemburg. Itália, como todos os países europeus assinou a convenção de Estrasburgo de 1987 sobre prevenção da tortura. Entretanto, ao ser um dos poucos países da região que não a considera crime, punir diretamente os torturadores não é possível. Em 2008, os lugares onde se comprovaram mais frequentes atos de tortura aplicados contra detentos provisórios (pessoas detidas por falta de documentos, vadiagem ou pequenos furtos) são Gênova, Turim, Treviso, Velletri, Florença, Forli, Frosinone (a prisão onde esteve Battisti), Lecce, Livorno, Milano, Padua e Peruggia. Raramente se relatou o uso de instrumentos especiais de tortura. Em geral, os tormentos aplicados são afogamento, chutes, pancadas e impactos com objetos quaisquer (panelas, garrafas, etc.) Os casos que conduzem a morte são investigados. Atualmente não há, porém, nenhum incriminado. Segundo o informativo, "Horizontes restritos", mesmo entre os que não estão sujeitos ao sistema 41-bis, o índice de suicídios é alto. De janeiro de 2000 a março de 2009, houve 501 suicídios entre internos de todo o país. Não se sabe que proporção corresponde a presos políticos. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.69/2508 - Data de Lançamento: 11/17/09 07:40:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091117/03f66848/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 19 19:59:05 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 19 Nov 2009 19:59:05 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22Berlusconi_transformou_Battist?= =?iso-8859-1?q?i_em_um_trof=E9u_pol=EDtico=22__e_=22Legisla=E7=E3o?= =?iso-8859-1?q?_d=E1_a_Lula_poder_de_negar_extradi=E7=E3o_de_Batti?= =?iso-8859-1?q?sti=2E=22?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. "Berlusconi transformou Battisti em um troféu político" Em entrevista à Carta Maior, o advogado de Cesare Battisti, Luis Roberto Barroso, manifesta confiança na decisão do presidente da República contra a extradição de seu cliente. Na sua avaliação, o presidente tem bons fundamentos jurídicos para negar a extradição, entre eles, a existência de um ambiente político fortemente desfavorável a Battisti na Itália. Barroso critica a transformação de Battisti, pelo governo Berlusconi, em um troféu político. "No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer", afirma o advogado. Marco Aurélio Weissheimer O advogado de Cesare Battisti, Luis Roberto Barroso, acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidirá pela não extradição de seu cliente para a Itália. Professor de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Barroso diz que o presidente tem bons fundamentos jurídicos para negar a extradição, entre eles, a existência de um ambiente político fortemente desfavorável a Battisti na Itália. Em entrevista à Carta Maior o advogado afirma que o governo Berlusconi transformou Battisti em um troféu político. "No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer. É quase inacreditável a quantidade de energia política que a Itália tem investido nisso, contratando advogados e ex-ministros do Supremo e obtendo imensos espaços na mídia. Está na hora de viverem a vida olhando de frente". Carta Maior: Qual a sua avaliação sobre o resultado do julgamento do Supremo Tribunal Federal? Luis Roberto Barroso: No julgamento retomado ontem (18), quando a votação estava 4 a 4, a defesa postulou que o presidente do STF proclamasse o empate como resultado final. Mas o presidente decidiu proclamar seu voto no sentido de que, embora a motivação dos crimes atribuídos a Battisti fosse política, haveria uma predominância dos aspectos de crime comum, votando assim pela extradição. Na minha opinião, foi um atípico voto de minerva que, tradicionalmente, é favorável à defesa. Em seguida, houve uma discussão sobre se a palavra final deveria ser do próprio STF ou do presidente da República. Aí, novamente o tribunal se dividiu, vencendo por 5 a 4 a tese de que a decisão final cabe ao chefe do Executivo. Cabe observar que o tratado existente entre o Brasil e a Itália em matéria de extradição permite que o presidente da República decida pela não extradição por uma série de fundamentos, incluindo aí a existência de um ambiente político fortemente desfavorável. Portanto, existem mecanismos jurídicos próprios para o presidente da República ratificar a decisão de seu governo e não entregar Battisti a Itália. A tese moral central da defesa é que Cesare Battisti não participou de nenhum daqueles homicídios de que é acusado e que ele havia sido julgado e absolvido em um primeiro julgamento. Somente em um segundo julgamento, quando se evadiu da Itália, ele foi condenado, sem defesa, com base na delação premiada feita com acusados pelos crimes. O que mais impressiona um observador atento e imparcial é que, passados mais de 30 anos, a Itália não consegue fazer o acerto de contas com seu passado e olhar para a frente. É quase inacreditável a quantidade de energia política que a Itália tem investido nisso, contratando advogados e ex-ministros do Supremo e obtendo imensos espaços na mídia. Está na hora de viverem a vida olhando de frente. Carta Maior: Na sua avaliação, a que se deve essa dificuldade de fazer um acerto de contas com o passado? Luis Roberto Barroso: O governo Berlusconi transformou Battisti em um troféu político. No momento em que esse governo vive um grande desgaste interno, essa é a vitória que Berlusconi tem a oferecer. O que mais impressiona, mas nem tanto, é a posição da esquerda italiana. Esses movimentos armados atrasaram a chegada da esquerda tradicional ao poder. E ela não perdoa isso. Battisti viveu quase 14 anos na França, com uma vida produtiva como escritor publicado pelas principais editoras. Ele recebeu abrigo político com base na Doutrina Miterrand, que acolhia ativistas de esquerda que tivessem abandonado a luta armada. Em 1991, a França recusou um pedido de extradição. Somente em 2004, com a chegada de Chirac ao poder, é que o pedido de extradição foi renovado e Berlusconi transformou o caso em uma bandeira política. No Brasil já se concedeu anistia de longa data a militantes de um lado e de outro do espectro político. Estamos vivendo a vida numa sociedade pacificada e que olha para o futuro. É muito ruim viver a vida com rancor do passado. Tudo o que disse, no entanto, abre exceção para respeitar, de maneira muito sincera e solidária, aqueles que sofreram perdas ou que foram vítimas da violência. A violência é sempre um mau momento no processo civilizatório. Mas não se deve vive a vida em busca de uma vingança da história. Carta Maior: Qual sua expectativa sobre a decisão que deverá ser tomada pelo presidente da República? Há um prazo determinado para essa decisão? Luis Roberto Barroso: O presidente da República não tem um prazo legal definido. A expectativa da defesa é que o presidente Lula, a quem foi atribuído o papel de fazer uma valoração política da questão, reitere a decisão de Estado que tomou. Há inúmeros fundamentos jurídicos que podem embasar a decisão do presidente. Quem conhece a trajetória do presidente Lula dificilmente verá nela o perfil para "entregar alguém". Carta Maior: Como Battisti recebeu a decisão do STF? Ele pretende continuar a greve de fome? Luis Roberto Barroso: Vou visitá-lo agora e ainda não sei. A greve de fome foi uma decisão pessoal dele, da qual não fui consultado ou comunicado. Se tivesse me ouvido, teria dito para não fazer. Mas respeito as condições psicológicas adversas de um homem que está sendo perseguido politicamente há muitos anos e que, neste momento, está preso no país que o acolheu. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Legislação dá a Lula poder de negar extradição de Battisti. Comentário de Giovanni : Diante das afirmações do ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, em relação à pessoa de Cesare Battisti, como confiarmos em um tratamento justo, imparcial e humano a ser dispensado ao preso político italiano Cesare Battisti, caso venha a ser extraditado para a Itália??? Outro detalhe: Quando as autoridades brasileiras solicitaram a extradição do quadrilheiro e mafioso italiano Cacciola, qual foi a reação do governo italiano? Simplesmente negou-a! Não interessa se ele é italiano ou não. O fato é que Cacciola e seus comparsas como Daniel Dantas , estes sim, são delinquentes comuns, causaram grandes prejuizos ao Brasil. Outro detalhe: Cesare Battisti tem filhos brasileiros. Além disso, Cesare Battisti é preso político, como o reconheceram 4 ministros do SupremoTribunal Federal do Brasil. Quanto à Cacciola e seu bando, incluindo o bandido brasileiro Daniel Dantas, a única política que conhecem e sabem praticar com maestria é de roubar e praticar outros atos de vigarice e trampolinagem contra o país. A título de refrescar a memória da direita tupiniquim, o Brasil concedeu asilo político aos ditadores torturadores e assassinos, general Strossner( Paraguai) e general Oviedo ( Bolívia). Portanto,liberdade para o preso político italiano Cesare Battisti, JÁ!!! Ciao, Giovanni --------------------------------X------------------------------------ O tratado de extradição entre Brasil e Itália permite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva negar a entrega do ex-ativista italiano Cesare Battisti ao seu país de origem, basta demonstrar que ele poderá correr o risco de ser submetido a "atos de perseguição e discriminação por motivo de opinião política", o que de fato acontece. O tratado foi assinado em Roma em 1989 e ratificado pelo Congresso em 1993. O entendimento representa uma derrota do relator do caso, ministro Cezar Peluso, do presidente do tribunal, Gilmar Mendes, e de Ricardo Lewandowski e Ellen Gracie, para os quais o tratado obrigaria Lula a respeitar a decisão do STF. Eles argumentaram que nunca na história do Brasil um presidente da República deixou de extraditar alguém após decisão neste sentido do Supremo Tribunal Federal. Mas também não mostraram em quais circunstâncias isso aconteceu. Por 5 votos a 4, porém, o STF afirmou que cabe a Lula a decisão final do caso. Como existe um tratado bilateral sobre processo de extradição assinado com a Itália ele deverá ser observado, segundo afirmaram alguns ministros ontem. Esse tratado afirma que o presidente pode "recusar" a entrega de um extraditando, mas essa recusa deve ser "motivada", ou seja, justificada. Em seu artigo 3º, o tratado aponta sete opções para "casos de recusa de extradição". Apenas uma delas cabe ao caso de Cesare Battisti, que diz: "se a parte requerida tiver razões ponderáveis para supor que a pessoa reclamada será submetida a atos de perseguição e discriminação por motivo de raça, religião, sexo, nacionalidade, língua, opinião política, condição social ou pessoal; ou que sua situação possa ser agravada por um dos elementos antes mencionados". Concordância A discussão sobre o tema esquentou ao final da sessão de ontem, que terminou depois das 20h. Os ministros que optaram por deixar o presidente Lula livre para decidir foram Cármen Lúcia, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio Mello. Eles argumentaram que a competência de manter as relações internacionais entre os países, segundo a Constituição Federal, é do presidente da República e não do STF e por isso, Lula pode fazer o que bem entender, até mesmo desrespeitar o tratado. A discussão ocorreu porque os ministros vencidos argumentaram que o Supremo deveria já na decisão de ontem afirmar que Lula precisa necessariamente cumprir o tratado e as leis que tratam sobre o tema. Os cinco ministros que saíram vencedores, porém, argumentavam que não cabe ao tribunal dizer isso neste momento a Lula. "O Judiciário aparece como um rito de passagem, uma passagem necessária como um rito. O processo extraditório começa e termina no Executivo", disse Carlos Ayres Britto. Segundo Cármen Lúcia, o presidente da República tem respaldo constitucional para fechar a questão. "O governo poderá entregar o extraditando e o governo não é o Supremo. Ainda que o extraditando responda a outro processo ou esteja condenado por outra infração, a competência da entrega, em última instancia, é do presidente da República", disse. A decisão dos ministros do STF segue a posição do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que defendeu que Lula, como chefe de Estado e de governo, seria responsável pela condução das relações internacionais brasileiras e, portanto, teria o direito de escolher se envia ou não Battisti para a Itália. "Eu não posso prever se o presidente vai ou não vai cumprir o tratado, porque isso não está em jogo", afirmou Eros Grau. "O que estamos dizendo é que Lula não precisa seguir o que disse o Supremo", disse Marco Aurélio Mello. Até mesmo a ministra Ellen Gracie, que votou pela imediata extradição, argumentou a favor do presidente. "É criar uma polêmica onde ela não há. O que se procura agora é criar uma situação de constrangimento de ordem política ao presidente da República", afirmou Ellen Gracie. Defesa espera apoio de Lula A defesa de Battisti espera que o presidente Lula mantenha o italiano no Brasil. Segundo o advogado Luís Roberto Barroso, o presidente não deve seguir o entendimento do STF devido ao tratamento que o ex-ativista deve ser submetido na Itália. "Acho que diante de um tribunal dividido, diante das circunstâncias pessoais pelas quais esse homem [Battisti] vai ser submetido na Itália onde o ministro da Defesa [Ignazio La Russa] declarou sem reservas que se pudesse iria torturá-lo, quero confiar que o presidente da República vai decidir no sentido de não entregar Cesare [Battisti]. Não corresponde ao perfil do presidente Lula entregar uma pessoa a outro país para cumprir pena nessas condições, depois de um julgamento à revelia", afirmou Barroso. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.73/2513 - Data de Lançamento: 11/19/09 07:51:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091119/a0e02b3d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091119/a0e02b3d/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 20 15:37:48 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 20 Nov 2009 15:37:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_S=E1bados_Resistentes_-_Memorial_?= =?iso-8859-1?q?da_Resist=EAncia_de_S=E3o_Paulo_-_Largo_General_Os?= =?iso-8859-1?q?=F3rio=2C_66_-_Luz__/_DEBATE=3A_=22OS_MILITARES_NA_?= =?iso-8859-1?q?RESIST=CANCIA_=C0_DITADURA=22_e__HOMENAGEM_A_EDUARD?= =?iso-8859-1?q?O_LEITE?= Message-ID: <30067F36360243F2AFB7C40E108CE5A3@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Alipio Freire O Memorial da Resistência de São Paulo vem convidá-los para os dois últimos Sábados Resistentes do ano, a serem realizados nos dias 28 de novembro e 05 de dezembro, conforme programação abaixo. Será uma satisfação contar com a sua presença. Atenciosamente Memorial da Resistência Pinacoteca do Estado de São Paulo www.pinacoteca.org.br Largo General Osório, 66 - Luz CEP 01213-010 - São Paulo, SP Telefone: 55 11 3335 4996 Sábados Resistentes Memorial da Resistência de São Paulo - Largo General Osório, 66 - Luz DEBATE: "OS MILITARES NA RESISTÊNCIA À DITADURA" 28 de novembro de 2009, no Auditório Vitae - 14 horas Coordenador: Raphael Martinelli Presidente do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos Apresentador: Ivan Seixas Jornalista, ex-preso político - Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política e do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo Debatedores: Darcy Rodrigues Ex- sargento do Exército e companheiro do Capitão Carlos Lamarca no quartel de Quitaúna José Araújo da Nóbrega Ex- sargento do exercito e companheiro de Carlos Lamarca no quartel de Quitaúna Pedro Lobo de Oliveira Ex - sargento da Guarda Civil Os três debatedores foram militantes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e banidos do território no ano de 1971 Lançamento do livro: "Pedro e os lobos, os anos de chumbo na trajetória de um guerrilheiro" de autoria de João Roberto Laque HOMENAGEM A EDUARDO LEITE 05 de dezembro de 2009, no Café - 14 horas Ato Político-Cultural em Homenagem a Eduardo Leite (Comandante Bacuri) por ocasião do 39º aniversário de seu assassinato. Leitura de poesias, música e lançamento de livro "Bacuri" O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência de São Paulo. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, pesquisadores, estudantes e interessados para o debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.74/2515 - Data de Lançamento: 11/20/09 08:02:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Realizado em 1981, o filme acompanha, em retrospecto, as greves dos metal?rgicos, comandadas pelo ent?o l?der sindical Luis In?cio Lula da Silva. Teaser Linha de Montagem 1 http://www.youtube.com/watch?v=B3bl4bzhQ5w Teaser Linha de Montagem 2 http://www.youtube.com/watch?v=6mWf8RDQlgw&feature=related Teaser Linha de Montagem 3 http://www.youtube.com/watch?v=ijSYK9AXsZs&feature=related Chico Buarque - Linha de Montagem http://www.youtube.com/watch?v=9dSARyggu5E __________________________________________________________ Do Lula oper?rio ao Lula presidente Aborda o personagem Lula em dois momentos distintos: o passado retirante, oper?rio, sindical, de lideran?a grevista e o pol?tico maduro prestes a se tornar presidente. Do Lula oper?rio ao Lula presidente http://www.youtube.com/watch?v=gR2FTYeGJvw&feature=related __________________________________________________________ Entreatos http://www.youtube.com/watch?v=CvYn0825pc8&feature=rec-LGOUT-exp_fresh+div-HM "Entreatos" retrata Lula durante o m?s que antecedeu sua vit?ria na campanha eleitoral de 2002. Para realiz?-lo, o diretor reuniu 240 horas de grava??o. O filme de Salles mostra Lula em situa??es cotidianas -em casa, no barbeiro etc.-, e tamb?m em momentos decisivos da campanha -antes do primeiro e do segundo turnos e no momento em que ele ? avisado da vit?ria. __________________________________________________________ 36? Presidente, ? um document?rio que mostra as estrat?gias de marketing utilizadas pelo Partido dos Trabalhadores na campanha presidencial do candidato Lu?s In?cio Lula da Silva no ano de 2002. Essa interessante hist?ria ? contada por grandes nomes da pol?tica brasileira, s?o eles Duda Mendon?a, Eduardo Suplicy, Ricardo Kotscho, Jos? Dirceu, Antonio Palocci, Chico Malfitani, Gaud?ncio Torquatto, Carlos Manhanelli e Adolpho Queiroz. Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #1 http://www.youtube.com/watch?v=-632Dj6GSz4 Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #2 http://www.youtube.com/watch?v=BiMMkbiH644&feature=related Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #3 http://www.youtube.com/watch?v=C5c2Fy_jpVA&feature=related Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #4 http://www.youtube.com/watch?v=HUigx8Djxak&feature=related __________________________________________________________ [As partes desta mensagem que n?o continham texto foram removidas] __._,_.___ | atrav?s de email Mensagens neste t?pico (1) Atividade nos ?ltimos dias: a.. Novos usu?rios 6 Visite seu Grupo Adicionar um novo t?pico <*> Para visitar o site do seu grupo na web, acesse: http://br.groups.yahoo.com/group/cidadania_Brasil/ <*> Para sair deste grupo, envie um e-mail para: cidadania_Brasil-unsubscribe at yahoogrupos.com.br <*> O uso que voc? faz do Yahoo! Grupos est? sujeito aos: http://br.yahoo.com/info/utos.html Casas Bahia. Ofertas em at? 10x s/ juros no cart?o. -------------------------------------------------------------------------------- Desconto de 50% na 1? mensalidade com cart?o de cr?dito. -------------------------------------------------------------------------------- Quer ganhar um MacBook Air + iPhone? Cadastre-se e Concorra! Trocar para: Só Texto, Resenha Diária ? Sair do grupo ? Termos de uso. __,_._,___ -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum v?rus encontrado nessa mensagem recebida. 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Realizado em 1981, o filme acompanha, em retrospecto, as greves dos metal?rgicos, comandadas pelo ent?o l?der sindical Luis In?cio Lula da Silva. Teaser Linha de Montagem 1 http://www.youtube.com/watch?v=B3bl4bzhQ5w Teaser Linha de Montagem 2 http://www.youtube.com/watch?v=6mWf8RDQlgw&feature=related Teaser Linha de Montagem 3 http://www.youtube.com/watch?v=ijSYK9AXsZs&feature=related Chico Buarque - Linha de Montagem http://www.youtube.com/watch?v=9dSARyggu5E __________________________________________________________ Do Lula oper?rio ao Lula presidente Aborda o personagem Lula em dois momentos distintos: o passado retirante, oper?rio, sindical, de lideran?a grevista e o pol?tico maduro prestes a se tornar presidente. Do Lula oper?rio ao Lula presidente http://www.youtube.com/watch?v=gR2FTYeGJvw&feature=related __________________________________________________________ Entreatos http://www.youtube.com/watch?v=CvYn0825pc8&feature=rec-LGOUT-exp_fresh+div-HM "Entreatos" retrata Lula durante o m?s que antecedeu sua vit?ria na campanha eleitoral de 2002. Para realiz?-lo, o diretor reuniu 240 horas de grava??o. O filme de Salles mostra Lula em situa??es cotidianas -em casa, no barbeiro etc.-, e tamb?m em momentos decisivos da campanha -antes do primeiro e do segundo turnos e no momento em que ele ? avisado da vit?ria. __________________________________________________________ 36? Presidente, ? um document?rio que mostra as estrat?gias de marketing utilizadas pelo Partido dos Trabalhadores na campanha presidencial do candidato Lu?s In?cio Lula da Silva no ano de 2002. Essa interessante hist?ria ? contada por grandes nomes da pol?tica brasileira, s?o eles Duda Mendon?a, Eduardo Suplicy, Ricardo Kotscho, Jos? Dirceu, Antonio Palocci, Chico Malfitani, Gaud?ncio Torquatto, Carlos Manhanelli e Adolpho Queiroz. Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #1 http://www.youtube.com/watch?v=-632Dj6GSz4 Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #2 http://www.youtube.com/watch?v=BiMMkbiH644&feature=related Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #3 http://www.youtube.com/watch?v=C5c2Fy_jpVA&feature=related Lula, 36? Presidente do Brasil_Part #4 http://www.youtube.com/watch?v=HUigx8Djxak&feature=related __________________________________________________________ [As partes desta mensagem que n?o continham texto foram removidas] __._,_.___ | atrav?s de email Mensagens neste t?pico (1) Atividade nos ?ltimos dias: a.. 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Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091120/d01bbbc5/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 21 17:19:08 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 21 Nov 2009 17:19:08 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Extradi=E7=E3o=3A_ato_de_soberan?= =?iso-8859-1?q?ia__por_Dalmo_Dallari__/_e_A_CABE=C7A_DE_BATTISTI_-?= =?iso-8859-1?q?_ARTIGO_DE_SEBASTI=C3O_NERY?= Message-ID: <48C5163762E448F09D1EB378350E122D@vcaixe> CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Alyda [yahoo] Extradição: ato de soberania Autor(es): Dalmo Dallari Jornal do Brasil - 20/11/2009 RIO - A concessão da extradição de um estrangeiro que se encontre no território brasileiro, para atender a um pedido formulado pelo governo de um Estado estrangeiro, é um ato de soberania do Estado brasileiro, que deve ser praticado com absoluta independência e tendo por base jurídica superior às disposições da Constituição brasileira. Evidentemente, devem ser levados em conta, na decisão do pedido, os compromissos assumidos pelo Brasil, tanto por meio de adesão a documentos internacionais como pela assinatura de tratados, mas o atendimento de tais compromissos não tem prioridade sobre a obrigação jurídica de respeitar e aplicar a Constituição brasileira. Agradar ou desagradar ao governo solicitante da extradição é um dado secundário no exame das disposições constitucionais, não devendo ter qualquer peso na decisão de conceder ou não a extradição. Tudo isso deve ser levado em conta na decisão que será tomada pelo presidente da República relativamente ao pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, formulado pelo governo da Itália. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal, que tratou da questão, foram tomadas duas decisões fundamentais. A primeira reconhecendo a legalidade formal do pedido de extradição, ficando assim afastada a hipótese da existência de alguma ilegalidade que impedisse a apreciação do pedido. A Lei número 6.815, de 1980, que dispõe sobre a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, diz no artigo 83 que nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do pedido. Como bem assinalou a eminente ministra Carmen Lúcia, o pedido de extradição começa e termina no Poder Executivo mas passa obrigatoriamente pelo Supremo Tribunal Federal, que, no desempenho de sua função precípua, que é a guarda da Constituição, verifica previamente se estão satisfeitos os requisitos legais. Essa decisão não é terminativa, não resolve se o pedido de extradição será ou não atendido, mas é de extrema importância para salvaguarda da Constituição e dos direitos que ela assegura. A segunda decisão do Supremo Tribunal Federal foi no sentido de reconhecer que a palavra final sobre o pedido de extradição cabe ao presidente da República. É importante assinalar que o Supremo Tribunal Federal não determinou, nem poderia fazê-lo, que o presidente conceda ou não a extradição. Em termos constitucionais, a decisão sobre essa matéria enquadra-se no âmbito das relações internacionais do Brasil. E a Constituição é bem clara e objetiva quando estabelece, no artigo 84, que "compete privativamente ao presidente da República manter relações com Estados estrangeiros". Diariamente os jornais brasileiros dão notícia de encontros, negociações e decisões no âmbito internacional, nas mais diversas áreas de atividades, como a economia, o meio ambiente, a proteção da saúde, o respeito aos direitos humanos e muitas outras questões que se colocam no relacionamento entre os Estados. E em todos esses casos o Brasil é representado pelo Poder Executivo, que tem na chefia suprema o presidente da República, a quem compete, privativamente, manter relações com Estados estrangeiros. Assim, pois, já tendo o reconhecimento da inexistência de ilegalidades, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal, cabe ao presidente da República fazer a avaliação do conjunto de circunstâncias que cercam o pedido de extradição, levando em conta, sobretudo, as disposições da Constituição brasileira. No caso em questão, em que o governo italiano pede a extradição de Cesare Batistti, existe um ponto essencial: os crimes de que Battisti foi acusado já foram qualificados anteriormente, pelo governo italiano, como crimes políticos. Com efeito, numa das ações do grupo a que pertencia Battisti foi morto um homem, Torregianni, e seu filho, que se achava no local, foi gravemente ferido, sendo obrigado, desde então, a locomover-se em cadeira de rodas. Um dado fundamental é que, desde então, o governo italiano vem pagando pensão mensal ao jovem Torregianni, por reconhecer que ele foi vítima de crime político. A legislação italiana prevê esse pensionamento somente para vítimas de crime político, excluídas as vítimas de crime comum. E nos termos expressos do artigo 5º, inciso 52, da Constituição, "não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião". Como fica evidente, o Presidente da República deverá decidir se concede ou não a extradição de Cesare Battisti, mas sua decisão não poderá ser arbitrária, devendo ser consideradas, obrigatoriamente, as disposições da Constituição brasileira. O fato de existir um tratado de extradição assinado pelos governos do Brasil e da Itália não se sobrepõe à Constituição, não tendo qualquer fundamento jurídico uma eventual pretensão do governo italiano de fazer prevalescer o tratado sobre a Constituição. Ao que tudo indica, deverá ser essa a decisão do presidente da República, que terá perfeito embasamento constitucional. Obviamente, essa decisão irá desagradar ao governo italiano, podendo-se esperar uma enxurrada de ofensas grosseiras ao Brasil e ao seu governo, como já ocorreu anteriormente, quando se anunciou que o pedido de extradição dependia de exame do Supremo Tribunal Federal e de posterior decisão do chefe do Executivo. Mas a decisão de negar a extradição não terá qualquer consequência jurídica negativa para o Brasil, que, pura e simplesmente, terá tomado uma decisão soberana, no quadro normal das nações civilizadas, regidas pelo direito. Dalmo Dallari é professor e jurista. ===================================================================================================== ----- Original Message ----- From: neide_pessoa -------------------------------------------------------------------------------- A CABEÇA DE BATTISTI - ARTIGO DE SEBASTIÃO NERY NO JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO A CABEÇA DE BATTISTI A CABEÇA DE BATTISTI RIO - Em junho de 1982, foi encontrado estrangulado em Londres, embaixo da "Blackfriars Bridge" ("a Ponte dos Irmãos Negros"), o banqueiro italiano Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que acabava de quebrar, e tinha como diretores o cardeal Marcinkus, o conde Umberto Ortolani e o chefe da P-2 italiana (maçonaria), Licio Gelli. Nos dias seguintes, na Itália e na Inglaterra, apareceram assassinados varios outros ligados a Calvi. Não é só na Santo André paulista que se limpa a área. No meio da confusão estava o conde papal Umberto Ortolani, um dos quatro "Cavaleiros do Apocalipse". Quando, a partir de 90, a "Operação Mãos Limpas" chegou perto deles, o conde, banqueiro do Vaticano e diretor do jornal "Corriere de La Sera", depois de mais um magnífico almoço com Brunello di Montalcino, mostrava-me Roma lá de cima de sua mansão no Gianiccolo e me dizia : - Isso não vai acabar bem. MAFIA Depende o que é acabar bem. O Ministério Publico e a Justiça enfrentaram a aliança satânica, que vinha desde 1945, no fim da guerra, entre a Democracia Cristã e aliados e a máfia italiana. Houve centenas de prisões, suicídios. Nunca antes a máfia tinha sido tão encurralada e atingida. Responderam com atentados e bombas, detonando carros e assassinando procuradores, juízes e a esquerda radical. Os grandes partidos (a Democracia Cristã, o Socialista e o Liberal) explodiram. O Partido Comunista, conivente, desintegrou-se. E meu amigo conde, condenado a 19 anos, morreu em 2002, aos 90 anos. 'FORTES PODERES" O banqueiro, o maçon, o cardeal e o conde eram uma historia exemplar do satânico poder dos banqueiros, mesmo quando, como ele, um banqueiro de Deus, vice-presidente do banco Ambrosiano do cardeal Marcinkus, que fugiu para os Estados Unidos e nunca saiu de lá. Os que criticam, sem razão alguma, o ministro Tarso Genro, por ter dado asilo político ao italiano Cesare Battisti, deviam ler um livro imperdível : "Poteri Forti" ("Fortes Poderes, o Escândalo do Banco Ambrosiano"), do jornalista italiano Ferruccio Pinotti, abrindo as entranhas do poder de corrupção do sistema financeiro, de braços dados com governos, partidos, empresários, maçonaria e mafia. 'MÃOS LIMPAS" A "Operação Mãos Limpas" não teria havido se um punhado de bravos jovens, valentes e alucinados, das "Brigadas Vermelhas" e dos "Proletarios Armados pelo Comunismo" (PAC), não tivesse enfrentado o Estado mafioso, naquela época totalmente comandado pela máfia. O governo, desmoralizado, usava a máfia para elimina-los. Eles reagiam, houve mortos de lado a lado e prisões dos principais lideres intelectuais, como o filósofo De Negri (asilado na França) e o romancista Cesare Battisti, tambem exilado na França e agora preso no Brasil. Eu estava lá, vi tudo, escrevi. Quando cheguei a Roma em 90 como Adido Cultural, a luta ainda continuava, sangrenta, devastadora. Foram eles, os jovens rebeldes das décadas de 70 e 80, que começaram a salvar a Italia. Se não se levantassem de armas na mão, a aliança Democracia Cristã, Partido Socialista, Liberais e Máfia estaria lá até hoje. Berlusconi é o feto podre que restou e um dia será extirpado.. BERLUSCONI O ex-presidente da França, Jacques Chirac, corrupto com atestado publico, a pedido de Berlusconi retirou o asílo politico de Battisti e o Brasil lhe deu. Tarso Genro está certo. O problema foi, era, continua político. O fascista Berlusconi (primeiro-ministro) é apoiado pelos desfrutaveis ex-comunistas Giorgio Napolitano e Massimo d`Alema, que se esconderam quando o juiz Falcone foi assassinado e o procurador Pietro, hoje no Parlamento, comandou a "Operação Mãos Limpas" Não têm autoridade nenhuma. Por que não devolveram Caciolla, o batedor de carteira do Banco Central, quando o Brasil pediu? As Salomés de lá e de cá querem entregar à máfia a cabeça de Battisti. www.sebastiaonery.com.br -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.76/2517 - Data de Lançamento: 11/21/09 07:47:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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A África é uma dívida histórica Por Elaine Tavares ? jornalista no IELA Fazia um calor sufocante no solar onde viviam Jorge, os pais e quatro irmãos - outros três já tinham morrido de doenças infantis hoje já desaparecidas em Cuba e perfeitamente curáveis - em Havana. A grande casa tinha 24 quartos e em cada um deles, sem banheiro, vivia uma família. Era gente demais, todos muito pobres, a maioria trabalhadores de diversos ofícios, alguns informais. O pai de Jorge trabalhava numa ?tabaquera?, empresa de fabricação do charuto cubano. Mas foi essa babel que possibilitou ao menino de 11 anos começar a vida de professor, ganhando, inclusive, o suficiente para pagar o quarto onde morava a família toda. ?Nós estávamos sempre nos mudando porque meus pais não conseguiam pagar os aluguéis?. Então, para ajudar nas despesas Jorge e a irmã improvisaram uma lousa no pequeno quarto onde viviam e ensinavam os demais garotos do solar que não podiam ir à escola, porque era longe e eles não tinha sequer um sapato para usar. Cobravam alguns trocados, mas com isso garantiam o aluguel. O menino era Jorge Risquet Valdés, que mais tarde veio a ser um dos organizadores da educação na guerrilha cubana e um dos comandantes da campanha de Cuba na África, nos anos 60. Naqueles dias, ele, que era um dos melhores alunos da escola fundamental, já estava apto para passar ao ensino médio. Mas, para estudar na Cuba pré-revolucionária, era preciso ter dinheiro. Sem chance, ele, então com 13 anos, foi buscar os cursos oferecidos gratuitamente pela Juventude Revolucionária Cubana. Apesar da pouca idade Jorge não era um analfabeto político. Os pais, trabalhadores do tabaco, tinham profunda consciência de classe. É que em Cuba, na produção de charuto era assim: as pessoas ficavam ali, enrolando as folhas, no mais completo silêncio. Por conta disso, os trabalhadores inventaram um bom jeito de se instruir e ficar por dentro da literatura revolucionária. Faziam uma ?vaquinha? e contratavam um leitor, alguém que ficava ali, lendo, enquanto todos trabalhavam. ?O leitor trazia uma lista de títulos e os trabalhadores escolhiam. Liam Gorki, Vitor Hugo, Cervantes Martí, Tolstoi e muitos outros?. Pois foi por conta destas leituras que a família Risquet sempre esteve em dia com os temas do mundo. O irmão mais velho de Jorge, inclusive, alistou-se para ir à Espanha lutar contra a ditadura de Franco. Cerca de mil cubanos foram. Então, durante a segunda guerra e o horror nazista, Jorge já estava envolvido até os dentes na organização da juventude revolucionária. Quando em 1944 funda-se em Cuba a Juventude Socialista, Jorge está lá e toma para si a tarefa de organizar os jovens num grande bairro de Havana. No ano seguinte, durante o Congresso Nacional Constituinte da Juventude, ele, com 15 anos, é eleito membro do Comitê Central. Aos 16 anos de idade Jorge comanda o jornal quinzenal ?Mella?, que levava o nome de um grande comunista cubano, e ali ficou até os 20 anos. ?Os trabalhadores cubanos sempre foram muito politizados. Para se ter uma idéia, quando Lênin morreu, as tabaqueiras pararam em sua homenagem, e nas guerras de independência do século XIX entregavam dinheiro ? um dia de salário por semana ? para comprar armas, tarefa que realizava o partido Revolucionário Cubano, fundado por José Martí, para preparar a terceira e última guerra de independência de Cuba. Em 1951, quando acontece o golpe de estado que eleva Batista ao poder, Jorge é um dos que se manifesta contra pelo rádio, na região de Matanzas onde encabeçava a Juventude Socialista e a polícia o persegue. Meses mais tarde vai para o exterior como representante da Juventude Socialista cubana na Federação Mundial da Juventude Democrática. Nesta função ele circula pela América Latina, Europa central e Leste europeu. É em 1952, em Viena, na Conferência Mundial pelos Direitos da Juventude que Jorge conhece o jovem Raul Castro, então com 21 anos e representando a delegação cubana no evento. Dali eles atravessam a cortina de ferro e seguem para Bucareste, onde iriam organizar o Comitê Preparatório do Festival Mundial da Juventude. Lá ficam de dezembro de 52 a abril de 53. Raul segue para Paris de onde embarca para Cuba com dois guatemaltecos. Mas, o fato de os dois companheiros terem desembarcado cheios de livros ?subversivos? fez com todos acabassem presos. Os guatemaltecos logo saíram por intervenção da embaixada do seu país, ainda sob o comando de Jacob Arbenz. Mas Raul ficou. Foi um brilhante jovem advogado quem entrou com um habeas corpus que tirou Raul da cadeia pouco menos de um mês do ataque ao quartel Moncada, que desataria a revolução cubana. O advogado bom de conversa era Fidel Castro. ?Por pouco Raul não perde a ação de Moncada?. Quando acontece Moncada Risquet está Bucareste, justamente nos dias do IV Festival Mundial e já começa a articular uma campanha internacional pela libertação dos prisioneiros, afinal Raul era um membro da juventude e organizador do festival. Foi por aqueles dias de organização de campanhas e festivais que Jorge conhece, em Bucareste, o jovem estudante de medicina Agostinho Neto que mais tarde viria a ser uma das mais importantes lideranças de libertação da África negra. Junto com ele, freqüentando os alojamentos latino-americanos ? embora representassem Portugal ? iam também a Marcelino dos Santos. Em 1954 Jorge embarca para Guatemala, onde ia organizar um festival regional de apoio ao processo revolucionário, mas o golpe e a queda de Jacob Arbenz, impede que o mesmo aconteça. É naqueles dias que Risquet conhece Che Guevara, então vivendo no país. ?A ditadura na Guatemala foi uma das mais ferozes. Foram 30 anos matando gente, mais de duzentos mil mortos?. Risquet logo sai da Guatemala em setembro de volta para Europa e Che segue para o México, onde encontraria Fidel. Nos primeiros meses de 1955 Jorge veio para o Brasil, onde tentou organizar um encontro de estudantes no Rio de Janeiro, mas foi espinafrado por Carlos Lacerda. Foi Jânio Quadro, então governador de São Paulo, quem permitiu o festival, que acabou sendo bem pequeno, mas cumprindo com os objetivos. A guerrilha em Cuba Todo este trabalho organizativo na juventude comunista desde os 13 anos de idade acabou sendo a porta de entrada de Jorge Risquet para a atuação na luta que se forjava em Cuba. No ano de 1955 ele volta para a ilha clandestinamente e passa a comandar a Juventude de Havana. Por conta de sua atuação acaba preso em dezembro de 56 e chega a ser dado como desaparecido. Nestes dias é brutalmente torturado, tendo as unhas arrancadas, mas não lhe arrancam qualquer informação. Quando consegue sair, volta a atuar clandestinamente organizando a juventude. Depois sai de Cuba, disfarçado, para organizar reuniões com os partidos comunistas no México, Caribe e Venezuela. ?A idéia era dar a conhecer sobre Fidel, quem ele era, o que pretendia, e buscar apoio para a luta em Cuba?. Quando a guerrilha é instalada na Sierra Maestra, logo começa a expandir-se para outras regiões do país. Raul funda então a ?segunda frente? e manda buscar Risquet para coordenar a criação de uma Escola de formação. A proposta era tornar os rebeldes sujeitos conscientes sobre contra o quê estavam lutando. ?A gente trabalhava no sentido de fazer compreender que o combate era contra o imperialismo. E, naqueles dias, sob o comando da ?segunda frente? tínhamos mais de 11 mil quilômetros quadrados de território liberado. As escolas proliferaram?.. Jorge Risquet fez-se então o primeiro formador político do exército rebelde no Oriente e quando a revolução triunfou ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura do Exército do Oriente publicando revistas e preparando quadros para o governo revolucionário. E assim foi até 1965, organizando, na região oriental, o novo Partido Unido da Revolução, hoje chamado Partido Comunista. Mas, no mês de junho, ele recebe um chamado de Fidel. Diz o comandante que Che Guevara está no Congo, ajudando na luta por libertação, e que precisa de mais uma coluna de combatentes por lá. É quando começa a se formar o batalhão Patrício Lumumba, que seria comandado por Risquet. A gesta africana Enquanto Cuba encerrava a luta heróica contra a ditadura de Batista, lá do outro lado do mundo outro povo vivia a tarefa de se libertar das colônias européias. Em 1960, o Congo belga logrou sua independência sob o comando de um jovem negro, Patrice Lumumba. Mas, pouco depois de ser eleito primeiro-ministro e iniciar uma mudança radical no país em busca de melhorias para o povo, Lumumba foi preso, torturado e assassinado depois de um golpe de estado promovido com a ajuda da CIA, dos Estados Unidos. Também em 60 a França concede a independência ao outro lado do Congo, chamado de Congo francês. Mas quem fica na presidência é um vassalo, Folbert Youlou, que governa com mão de ferro até 1963, quando com revolta popular, o governo cai e acontecem eleições. Massemba Debat é eleito presidente. No lado belga, os partidários de Lumumba seguiam lutando contra a ditadura e os acontecimentos na parte francesa acendem esperanças de verdadeira libertação, até então não acontecida. Em 1964, a região era um caldeirão explosivo. Mercenários brancos chegavam ao Congo belga com o apoio dos Estados Unidos e regressa ao poder Moises Tshombe, um conhecido anticomunista que ajudara na captura e no assassinato de Patrice Lumumba. É quando o governo do Congo francês pede ajuda a Cuba para que mande alguém capaz de treinar o exército local, uma vez que se aproximava a possibilidade de uma guerra entre os dois Congos. Quem vai à África, em janeiro de 1965 é o próprio Che Guevara, que se encontra com Debat e com o então presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, Agostinho Neto, para ouvir dos dois comandantes como estava a situação. Assim, em abril do mesmo ano, Che retorna com um pelotão de 14 soldados cubanos ? que semanas depois seriam 120 - chamado de Coluna Um, e entra na África pela Tanzânia. A proposta é treinar os lumumbistas e também os combatentes da Frente de Libertação de Moçambique. Meses depois, era a vez de embarcar para África a Coluna Dois, esta dirigida por Jorge Risquet, com mais 250 homens. ?Nós fomos ajudar militarmente na integridade territorial, na luta contra o colonialismo, contra o racismo, contra o apartheid. Era uma obrigação histórica visto que daquele continente saíram mais de um milhão e 300 mil homens e mulheres, levados para Cuba como escravos. Em Cuba, estávamos começando a organizar nossa própria casa, mas não podíamos deixar de ajudar?. Poucos anos depois da vitória cubana, o internacionalismo já aparecia como uma marca do novo governo. E foi muito em função desta participação de Cuba nas lutas de libertação africana que o processo revolucionário naquele continente cresceu.. Desde aqueles dias dos anos 60, 380 mil soldados cubanos passaram pela África, além de 100 mil outros colaboradores nas áreas da saúde e educação e outras. Dois mil e setenta e sete cubanos caíram em combate no solo africano e são considerados heróis nacionais. ?Nós, em Cuba, não damos o que nos sobra. Compartilhamos o que temos, e assim foi com a África.? Também neste período, mais de 35 mil jovens africanos foram a Cuba estudar, sem qualquer custo. ?Nossa contribuição também se dá na formação e assim vamos caminhando junto com a África que está a 10 mil quilômetros de Cuba, mas também está no nosso sangue?. Jorge Risquet lembra que o internacionalismo é algo que faz parte da consciência do cubano, e não é coisa que ocorre só depois da revolução dos anos 50. Martí já ensinara que ?pátria es humanidad?. Por conta disso vão-se encontrar cubanos lutando com Lincoln, pela libertação dos Estados Unidos, com Benito Juarez, pela libertação do México, com Simón Bolívar. ?Na guerra do Vietnã mais de 400 mil cubanos se inscreveram, por livre vontade, para lutar junto ao povo daquele país. Só não foram porque os vietnamitas não quiseram. O internacionalismo é uma razão ética e política. Se nós em Cuba logramos ter assistência médica perfeita e educação de altíssima qualidade, por exemplo, é nosso dever levar isso aos irmãos que ainda não têm?. A participação cubana na África se estendeu do Congo para Angola, onde também foram treinar jovens soldados e ajudar Agostinho Neto na luta contra o domínio português e os mercenários. Depois, nos anos 70, lá estavam outra vez os cubanos, sob o comando de Risquet, com instrutores militares, médicos e professores. ?Passado meio século, a gente vê que Cuba esteve esse tempo todo na solidariedade com a África, desde o golpe contra Argélia em 1963, quando mandamos para lá todas as armas apreendida dos estadunidenses durante a fracassada invasão de Playa Girón, e retornamos com 100 crianças órfãs de guerra. Estivemos peleando com o fuzil na mão, mas também com a presença civil de médicos, professores e engenheiros?. A Cuba de hoje O povo cubano segue fielmente a lição de Martí, e considera toda humanidade como pátria. Por isso se desdobra em levar seus avanços na ciência e na educação para aqueles que ainda não lograram as vitórias que Cuba já conquistou. Atualmente existem 27 mil cubanos na Venezuela, e outros milhares espalhados por vários países, principalmente no campo da saúde. Seguem três mil em Angola, sendo que 900 são médicos, fazendo a diferença. Não foi à toa que Jorge Risquet recebeu a grata surpresa de ouvir, no auditório da Universidade Federal em Santa Catarina, o depoimento de dois angolanos sobre como haviam sido operados por médicos cubanos e alfabetizados por professores, também de Cuba. Desde a revolução de 59, mais de 100 mil estudantes de vários países de África, América Latina e Ásia fizeram sua graduação em Cuba, todos com bolsa integral. ?Quando tivemos um tempo bem ruim (a partir de 1991 com o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista da Europa) nós perguntamos a eles se queriam ficar e dividir a pobreza conosco. Nunca os abandonamos?. Risquet conta que dos 55 países africanos, 54 têm relações com Cuba. Em Havana existem 20 embaixadas de países africanos e Cuba está em 30 deles. Todos estes países sempre votaram contra o bloqueio criminoso que os Estados Unidos tem contra Cuba e há comitês de apoio a Cuba em quase todos os países africanos. A Namíbia, recentemente, enviou dois milhões de dólares em ajuda a Cuba e até o Timor Leste ajudou, depois da passagem de um furacão. ?A África sabe o tanto que Cuba lutou pela sua libertação e reconhece isso. Na Etiópia existe um monumento ao soldado cubano e na África do Sul, num outro monumento que recorda os mortos das lutas libertadoras, estão gravados os nomes dos 2.077 cubanos que deram seu sangue pela pátria africana. Outro dia, na Namíbia, o presidente Raul Castro foi recebido pelo povo, que cantava Guantamera (em espanhol). Isso mostra o quanto África ama Cuba?. Jorge Risquet, que foi o homem de Cuba em toda a campanha militar africana tem agora 79 anos de idade. Desde aqueles dias em que dava aula para os meninos pobres do solar, onde vivia em um quarto apertado, já se vão 68 anos. É tempo demais. Mas, o garoto que correu o mundo a organizar a juventude comunista, que comandou batalhões na grande África, que fundou escolas e jornais, que foi Ministro do Trabalho, Deputado e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, (desde sua criação há 44 anos) segue tão animado quanto naqueles dias gloriosos dos anos 60. Diariamente ele sai cedinho de casa e vai para o trabalho, no gabinete do presidente Raul Castro. É que há tantas coisas ainda para conquistar. Ele olha para a América Latina e vê tantas mudanças, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, os povos em luta. E se emociona. ?Cuba esteve um tempo sozinha por aqui, mas resistiu. Cuba resistiu a Bush. E vamos seguir acreditando na capacidade do povo de se organizar e conquistar sua liberdade. Veja a América Latina agora, nunca se viu um movimento como este. Mas, sabemos que o inimigo atua, o imperialismo tem planos e pode haver retrocesso. Aí está Honduras, a IV Frota, as sete bases militares ianques na Colômbia. Há que ver o perigo, mas há também que ser otimistas. Cada país, com seu povo, há de encontrar o rumo seguro para uma vida soberana?. Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com América Latina Livre - www.iela.ufsc.br Desacato - www.desacato.info Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br -------------------------------------------------------------------------------- Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.409 / Banco de dados de vírus: 270.13.83/2353 - Data de Lançamento: 09/08/09 06:48:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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Mas foi essa babel que possibilitou ao menino de 11 anos começar a vida de professor, ganhando, inclusive, o suficiente para pagar o quarto onde morava a família toda. ?Nós estávamos sempre nos mudando porque meus pais não conseguiam pagar os aluguéis?. Então, para ajudar nas despesas Jorge e a irmã improvisaram uma lousa no pequeno quarto onde viviam e ensinavam os demais garotos do solar que não podiam ir à escola, porque era longe e eles não tinha sequer um sapato para usar. Cobravam alguns trocados, mas com isso garantiam o aluguel. O menino era Jorge Risquet Valdés, que mais tarde veio a ser um dos organizadores da educação na guerrilha cubana e um dos comandantes da campanha de Cuba na África, nos anos 60. Naqueles dias, ele, que era um dos melhores alunos da escola fundamental, já estava apto para passar ao ensino médio. Mas, para estudar na Cuba pré-revolucionária, era preciso ter dinheiro. Sem chance, ele, então com 13 anos, foi buscar os cursos oferecidos gratuitamente pela Juventude Revolucionária Cubana. Apesar da pouca idade Jorge não era um analfabeto político. Os pais, trabalhadores do tabaco, tinham profunda consciência de classe. É que em Cuba, na produção de charuto era assim: as pessoas ficavam ali, enrolando as folhas, no mais completo silêncio. Por conta disso, os trabalhadores inventaram um bom jeito de se instruir e ficar por dentro da literatura revolucionária. Faziam uma ?vaquinha? e contratavam um leitor, alguém que ficava ali, lendo, enquanto todos trabalhavam. ?O leitor trazia uma lista de títulos e os trabalhadores escolhiam. Liam Gorki, Vitor Hugo, Cervantes Martí, Tolstoi e muitos outros?. Pois foi por conta destas leituras que a família Risquet sempre esteve em dia com os temas do mundo. O irmão mais velho de Jorge, inclusive, alistou-se para ir à Espanha lutar contra a ditadura de Franco. Cerca de mil cubanos foram. Então, durante a segunda guerra e o horror nazista, Jorge já estava envolvido até os dentes na organização da juventude revolucionária. Quando em 1944 funda-se em Cuba a Juventude Socialista, Jorge está lá e toma para si a tarefa de organizar os jovens num grande bairro de Havana. No ano seguinte, durante o Congresso Nacional Constituinte da Juventude, ele, com 15 anos, é eleito membro do Comitê Central. Aos 16 anos de idade Jorge comanda o jornal quinzenal ?Mella?, que levava o nome de um grande comunista cubano, e ali ficou até os 20 anos. ?Os trabalhadores cubanos sempre foram muito politizados. Para se ter uma idéia, quando Lênin morreu, as tabaqueiras pararam em sua homenagem, e nas guerras de independência do século XIX entregavam dinheiro ? um dia de salário por semana ? para comprar armas, tarefa que realizava o partido Revolucionário Cubano, fundado por José Martí, para preparar a terceira e última guerra de independência de Cuba. Em 1951, quando acontece o golpe de estado que eleva Batista ao poder, Jorge é um dos que se manifesta contra pelo rádio, na região de Matanzas onde encabeçava a Juventude Socialista e a polícia o persegue. Meses mais tarde vai para o exterior como representante da Juventude Socialista cubana na Federação Mundial da Juventude Democrática. Nesta função ele circula pela América Latina, Europa central e Leste europeu. É em 1952, em Viena, na Conferência Mundial pelos Direitos da Juventude que Jorge conhece o jovem Raul Castro, então com 21 anos e representando a delegação cubana no evento. Dali eles atravessam a cortina de ferro e seguem para Bucareste, onde iriam organizar o Comitê Preparatório do Festival Mundial da Juventude. Lá ficam de dezembro de 52 a abril de 53. Raul segue para Paris de onde embarca para Cuba com dois guatemaltecos. Mas, o fato de os dois companheiros terem desembarcado cheios de livros ?subversivos? fez com todos acabassem presos. Os guatemaltecos logo saíram por intervenção da embaixada do seu país, ainda sob o comando de Jacob Arbenz. Mas Raul ficou. Foi um brilhante jovem advogado quem entrou com um habeas corpus que tirou Raul da cadeia pouco menos de um mês do ataque ao quartel Moncada, que desataria a revolução cubana. O advogado bom de conversa era Fidel Castro. ?Por pouco Raul não perde a ação de Moncada?. Quando acontece Moncada Risquet está Bucareste, justamente nos dias do IV Festival Mundial e já começa a articular uma campanha internacional pela libertação dos prisioneiros, afinal Raul era um membro da juventude e organizador do festival. Foi por aqueles dias de organização de campanhas e festivais que Jorge conhece, em Bucareste, o jovem estudante de medicina Agostinho Neto que mais tarde viria a ser uma das mais importantes lideranças de libertação da África negra. Junto com ele, freqüentando os alojamentos latino-americanos ? embora representassem Portugal ? iam também a Marcelino dos Santos. Em 1954 Jorge embarca para Guatemala, onde ia organizar um festival regional de apoio ao processo revolucionário, mas o golpe e a queda de Jacob Arbenz, impede que o mesmo aconteça. É naqueles dias que Risquet conhece Che Guevara, então vivendo no país. ?A ditadura na Guatemala foi uma das mais ferozes. Foram 30 anos matando gente, mais de duzentos mil mortos?. Risquet logo sai da Guatemala em setembro de volta para Europa e Che segue para o México, onde encontraria Fidel. Nos primeiros meses de 1955 Jorge veio para o Brasil, onde tentou organizar um encontro de estudantes no Rio de Janeiro, mas foi espinafrado por Carlos Lacerda. Foi Jânio Quadro, então governador de São Paulo, quem permitiu o festival, que acabou sendo bem pequeno, mas cumprindo com os objetivos. A guerrilha em Cuba Todo este trabalho organizativo na juventude comunista desde os 13 anos de idade acabou sendo a porta de entrada de Jorge Risquet para a atuação na luta que se forjava em Cuba. No ano de 1955 ele volta para a ilha clandestinamente e passa a comandar a Juventude de Havana. Por conta de sua atuação acaba preso em dezembro de 56 e chega a ser dado como desaparecido. Nestes dias é brutalmente torturado, tendo as unhas arrancadas, mas não lhe arrancam qualquer informação. Quando consegue sair, volta a atuar clandestinamente organizando a juventude. Depois sai de Cuba, disfarçado, para organizar reuniões com os partidos comunistas no México, Caribe e Venezuela. ?A idéia era dar a conhecer sobre Fidel, quem ele era, o que pretendia, e buscar apoio para a luta em Cuba?. Quando a guerrilha é instalada na Sierra Maestra, logo começa a expandir-se para outras regiões do país. Raul funda então a ?segunda frente? e manda buscar Risquet para coordenar a criação de uma Escola de formação. A proposta era tornar os rebeldes sujeitos conscientes sobre contra o quê estavam lutando. ?A gente trabalhava no sentido de fazer compreender que o combate era contra o imperialismo. E, naqueles dias, sob o comando da ?segunda frente? tínhamos mais de 11 mil quilômetros quadrados de território liberado. As escolas proliferaram?.. Jorge Risquet fez-se então o primeiro formador político do exército rebelde no Oriente e quando a revolução triunfou ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura do Exército do Oriente publicando revistas e preparando quadros para o governo revolucionário. E assim foi até 1965, organizando, na região oriental, o novo Partido Unido da Revolução, hoje chamado Partido Comunista. Mas, no mês de junho, ele recebe um chamado de Fidel. Diz o comandante que Che Guevara está no Congo, ajudando na luta por libertação, e que precisa de mais uma coluna de combatentes por lá. É quando começa a se formar o batalhão Patrício Lumumba, que seria comandado por Risquet. A gesta africana Enquanto Cuba encerrava a luta heróica contra a ditadura de Batista, lá do outro lado do mundo outro povo vivia a tarefa de se libertar das colônias européias. Em 1960, o Congo belga logrou sua independência sob o comando de um jovem negro, Patrice Lumumba. Mas, pouco depois de ser eleito primeiro-ministro e iniciar uma mudança radical no país em busca de melhorias para o povo, Lumumba foi preso, torturado e assassinado depois de um golpe de estado promovido com a ajuda da CIA, dos Estados Unidos. Também em 60 a França concede a independência ao outro lado do Congo, chamado de Congo francês. Mas quem fica na presidência é um vassalo, Folbert Youlou, que governa com mão de ferro até 1963, quando com revolta popular, o governo cai e acontecem eleições. Massemba Debat é eleito presidente. No lado belga, os partidários de Lumumba seguiam lutando contra a ditadura e os acontecimentos na parte francesa acendem esperanças de verdadeira libertação, até então não acontecida. Em 1964, a região era um caldeirão explosivo. Mercenários brancos chegavam ao Congo belga com o apoio dos Estados Unidos e regressa ao poder Moises Tshombe, um conhecido anticomunista que ajudara na captura e no assassinato de Patrice Lumumba. É quando o governo do Congo francês pede ajuda a Cuba para que mande alguém capaz de treinar o exército local, uma vez que se aproximava a possibilidade de uma guerra entre os dois Congos. Quem vai à África, em janeiro de 1965 é o próprio Che Guevara, que se encontra com Debat e com o então presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, Agostinho Neto, para ouvir dos dois comandantes como estava a situação. Assim, em abril do mesmo ano, Che retorna com um pelotão de 14 soldados cubanos ? que semanas depois seriam 120 - chamado de Coluna Um, e entra na África pela Tanzânia. A proposta é treinar os lumumbistas e também os combatentes da Frente de Libertação de Moçambique. Meses depois, era a vez de embarcar para África a Coluna Dois, esta dirigida por Jorge Risquet, com mais 250 homens. ?Nós fomos ajudar militarmente na integridade territorial, na luta contra o colonialismo, contra o racismo, contra o apartheid. Era uma obrigação histórica visto que daquele continente saíram mais de um milhão e 300 mil homens e mulheres, levados para Cuba como escravos. Em Cuba, estávamos começando a organizar nossa própria casa, mas não podíamos deixar de ajudar?. Poucos anos depois da vitória cubana, o internacionalismo já aparecia como uma marca do novo governo. E foi muito em função desta participação de Cuba nas lutas de libertação africana que o processo revolucionário naquele continente cresceu.. Desde aqueles dias dos anos 60, 380 mil soldados cubanos passaram pela África, além de 100 mil outros colaboradores nas áreas da saúde e educação e outras. Dois mil e setenta e sete cubanos caíram em combate no solo africano e são considerados heróis nacionais. ?Nós, em Cuba, não damos o que nos sobra. Compartilhamos o que temos, e assim foi com a África.? Também neste período, mais de 35 mil jovens africanos foram a Cuba estudar, sem qualquer custo. ?Nossa contribuição também se dá na formação e assim vamos caminhando junto com a África que está a 10 mil quilômetros de Cuba, mas também está no nosso sangue?. Jorge Risquet lembra que o internacionalismo é algo que faz parte da consciência do cubano, e não é coisa que ocorre só depois da revolução dos anos 50. Martí já ensinara que ?pátria es humanidad?. Por conta disso vão-se encontrar cubanos lutando com Lincoln, pela libertação dos Estados Unidos, com Benito Juarez, pela libertação do México, com Simón Bolívar. ?Na guerra do Vietnã mais de 400 mil cubanos se inscreveram, por livre vontade, para lutar junto ao povo daquele país. Só não foram porque os vietnamitas não quiseram. O internacionalismo é uma razão ética e política. Se nós em Cuba logramos ter assistência médica perfeita e educação de altíssima qualidade, por exemplo, é nosso dever levar isso aos irmãos que ainda não têm?. A participação cubana na África se estendeu do Congo para Angola, onde também foram treinar jovens soldados e ajudar Agostinho Neto na luta contra o domínio português e os mercenários. Depois, nos anos 70, lá estavam outra vez os cubanos, sob o comando de Risquet, com instrutores militares, médicos e professores. ?Passado meio século, a gente vê que Cuba esteve esse tempo todo na solidariedade com a África, desde o golpe contra Argélia em 1963, quando mandamos para lá todas as armas apreendida dos estadunidenses durante a fracassada invasão de Playa Girón, e retornamos com 100 crianças órfãs de guerra. Estivemos peleando com o fuzil na mão, mas também com a presença civil de médicos, professores e engenheiros?. A Cuba de hoje O povo cubano segue fielmente a lição de Martí, e considera toda humanidade como pátria. Por isso se desdobra em levar seus avanços na ciência e na educação para aqueles que ainda não lograram as vitórias que Cuba já conquistou. Atualmente existem 27 mil cubanos na Venezuela, e outros milhares espalhados por vários países, principalmente no campo da saúde. Seguem três mil em Angola, sendo que 900 são médicos, fazendo a diferença. Não foi à toa que Jorge Risquet recebeu a grata surpresa de ouvir, no auditório da Universidade Federal em Santa Catarina, o depoimento de dois angolanos sobre como haviam sido operados por médicos cubanos e alfabetizados por professores, também de Cuba. Desde a revolução de 59, mais de 100 mil estudantes de vários países de África, América Latina e Ásia fizeram sua graduação em Cuba, todos com bolsa integral. ?Quando tivemos um tempo bem ruim (a partir de 1991 com o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista da Europa) nós perguntamos a eles se queriam ficar e dividir a pobreza conosco. Nunca os abandonamos?. Risquet conta que dos 55 países africanos, 54 têm relações com Cuba. Em Havana existem 20 embaixadas de países africanos e Cuba está em 30 deles. Todos estes países sempre votaram contra o bloqueio criminoso que os Estados Unidos tem contra Cuba e há comitês de apoio a Cuba em quase todos os países africanos. A Namíbia, recentemente, enviou dois milhões de dólares em ajuda a Cuba e até o Timor Leste ajudou, depois da passagem de um furacão. ?A África sabe o tanto que Cuba lutou pela sua libertação e reconhece isso. Na Etiópia existe um monumento ao soldado cubano e na África do Sul, num outro monumento que recorda os mortos das lutas libertadoras, estão gravados os nomes dos 2.077 cubanos que deram seu sangue pela pátria africana. Outro dia, na Namíbia, o presidente Raul Castro foi recebido pelo povo, que cantava Guantamera (em espanhol). Isso mostra o quanto África ama Cuba?. Jorge Risquet, que foi o homem de Cuba em toda a campanha militar africana tem agora 79 anos de idade. Desde aqueles dias em que dava aula para os meninos pobres do solar, onde vivia em um quarto apertado, já se vão 68 anos. É tempo demais. Mas, o garoto que correu o mundo a organizar a juventude comunista, que comandou batalhões na grande África, que fundou escolas e jornais, que foi Ministro do Trabalho, Deputado e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, (desde sua criação há 44 anos) segue tão animado quanto naqueles dias gloriosos dos anos 60. Diariamente ele sai cedinho de casa e vai para o trabalho, no gabinete do presidente Raul Castro. É que há tantas coisas ainda para conquistar. Ele olha para a América Latina e vê tantas mudanças, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, os povos em luta. E se emociona. ?Cuba esteve um tempo sozinha por aqui, mas resistiu. Cuba resistiu a Bush. E vamos seguir acreditando na capacidade do povo de se organizar e conquistar sua liberdade. Veja a América Latina agora, nunca se viu um movimento como este. Mas, sabemos que o inimigo atua, o imperialismo tem planos e pode haver retrocesso. Aí está Honduras, a IV Frota, as sete bases militares ianques na Colômbia. Há que ver o perigo, mas há também que ser otimistas. Cada país, com seu povo, há de encontrar o rumo seguro para uma vida soberana?. Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com América Latina Livre - www.iela.ufsc.br Desacato - www.desacato.info Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com Agencia Contestado de Noticias Populares - www.agecon.org.br -------------------------------------------------------------------------------- Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.409 / Banco de dados de vírus: 270.13.83/2353 - Data de Lançamento: 09/08/09 06:48:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091121/7035cec8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 22 12:26:57 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 22 Nov 2009 12:26:57 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dia_24_de_novembro_=E0s_19=2C30_n?= =?iso-8859-1?q?o_Espa=E7o_Meira_Junior_-_Caf=E9_Filos=F3fico_=2ERI?= =?iso-8859-1?q?BEIR=C3O_PRETO_=2E_Lan=E7amento_do_livro_=22Resist?= =?iso-8859-1?q?=EAncia_atr=E1s_das_grades=22_e_exposi=E7=E3o_de_M?= =?iso-8859-1?q?=2EPoliti_e_Ivan_Seixas?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Caros companheiros, no dia 24 de novembro às 19,30 horas, no Café Filosófico do auditório Meira Junior, o nosso companheiro Maurici Politi estará lançando o livro "Resistência atrás das grades" e palestrando junto com Ivan Seixas o período da Ditadura e a resistência mesmo nas prisões. A presença de vocês é muito importante. Abraço. Vanderley -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091122/00b4b7bd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 66976 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091122/00b4b7bd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 22 12:27:09 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 22 Nov 2009 12:27:09 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Rockola=2Efm_estr=E9ia_a_sua_nova?= =?iso-8859-1?q?_vers=E3o=2E_______________________________________?= =?iso-8859-1?q?_______________HOJ=C9_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <91BEFE0F983F4D5AAD20E6EBC58D1175@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. QUALQUER MÚSICA, QUALQUER CANTANTE, QUALQUER EMOÇÃO. MÚSICAS PARA TODOS OS GOSTOS E SENTIMENTOS. Caros amigos, (clique) Tengo algo importante que contarte. ¿Estás preparado? Rockola.fm ha estrenado su nueva versión, http://www.rockola.fm Ya puedes navegar por la nueva home page, una web más intuitiva, práctica y completa, en la que hemos tenido en cuenta sobre todo vuestras opiniones. ¿Te contamos cuáles son las novedades? Como sabrás Rockola.fm es un lugar donde puedes hacer muchas cosas: escuchar y descubrir música, crear y compartir emisoras, estar al tanto de la actualidad musical, ver entrevistas y conciertos, hacer sonar las canciones de tu grupo, crear tu red de amigos y participar, escribiendo sobre tus grupos favoritos o subiendo fotos y videos. Nuevo diseño Rockola.fm tiene nueva cara. Aparte de renovar la imagen hemos introducido cambios para mejorar la navegación. Una vez más, vosotros sois nos habéis marcado el camino. Nos encantará seguir recibiendo vuestras opiniones. Nuevas secciones En cuanto navegues un poco, descubrirás la pestaña "El backstage", una sección en la que podrás asomarte para ver qué ocurre alrededor de Rockola.fm. Paulatinamente se irá nutriendo de las cosas que suceden con tus amigos, sus comentarios, las canciones que escuchan, tus emisoras preferidas, los grupos que te gustan, noticias relacionadas con tus artistas favoritos, entrevistas y conciertos. Si has leído hasta aquí, enhorabuena! Aún tenemos muchos secretos por descubrirte, pero lo haremos más adelante. Esperamos que te guste la nueva versión de Rockola.fm. Te invitamos a contárselo a todo el mundo, en Facebook, Tuenti, Twitter, MySpace, en tu blog! Gracias por ayudarnos a seguir creciendo, El equipo de Rockola.fm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091122/ff05baba/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 23 13:29:03 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 23 Nov 2009 13:29:03 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Sobre_Resist=EAncia_e_Grades?= Message-ID: <2F8D1E47BAAC4D079E5D93816DE2B268@vcaixe> dia 24 de novembro às 19,30 hs no auditório Meira junior - Teatro Pedro II - Ribeirão Preto Sobre Resistência e Grades Livro de Maurice Politi conta a história da greve de fome realizada pelos presos políticos em 1972 Por Rui Veiga A violência de Estado contra o cidadão brasileiro, preconizada dentro do espírito da Doutrina de Segurança Nacional, constituiu-se em prática cotidiana dos Governos Ditatoriais Cívis-Militares instalados no Brasil em 1964, processo aprofundado após a promulgação do AI - 5 em dezembro de 1968. Mais que isso, pôs nua a falácia dos principais argumentos de que em nosso país as questões políticas sempre se resolveram através do diálogo. Uma das facetas repressoras do mencionado estado ditatorial, que sempre tratou questões políticas e sociais lançando mão do polinômio: forças armadas, polícia, aparatos paramilitares e burocracia, está representada no agora lançado livro de Maurice Politi: "Resistência Atrás das Grades" (publicação conjunta do Núcleo de Preservação da Memória Política - Núcleo Memória) e da Editora Plena, São Paulo, 208 páginas + capas, R$ 25,00). Esse livro conta um episódio pouco conhecido da resistência à ditadura militar, fato este ocorrido no ano de 1972. Apesar do longo tempo decorrido desde então, a obra de Politi está muito distante de ser uma peça meramente histórica e conivente com o senso comum da índole pacífica da luta política neste país. E, muito menos se coloca como um mosaico de reflexões revanchistas ou saudosista sobre aquele passado. Principalmente, porque este texto revela ao leitor uma forma de luta sucedida dentro das prisões do regime militar, que tinha como foco a contestação a repressão política do estado ditatorial. O episódio - reitera-se - é praticamente desconhecido para a maioria do público. Trata-se de uma batalha política contra um Estado, cujos alicerces se assentavam na tortura, na prisão e na morte de cidadãos, que se recusavam a compartilhar com a natureza violenta e ditatorial e se calar diante da opressão. Sistema que se implantara em nosso país em 1964 e aprofundou-se (expressão cunhada pelo então ministro da fazenda senhor Delfim Netto em seu voto a favor da implantação do AI - 5 em 13 de dezembro de 1968). A greve de fome, peça central deste livro, deflagrou-se de surpresa nos idos de 72 entre os presos políticos de São Paulo, de forma muito bem organizada. Inclusive, talvez seja a primeira forma de luta conjunta utilizada contra a ditadura nas prisões naqueles tempos. Essa ação foi fruto da ação de um grupo grande de presos políticos condenados a longas penas, que estiveram até então confinados no Presídio Tiradentes em São Paulo (uma das muitas masmorras da Ditadura Militar) e foram transferidos para outra prisão. O gesto extremo de protesto se deu em função da política consciente do regime militar em separar os presos considerados "recuperáveis" daqueles que a ditadura achava que eram "terroristas e sem perspectiva de recuperação para a "sociedade" a terem sua transferência à Penitenciária Regional de Presidente Venceslau, situada no extremo oeste do Estado, a 700 km da capital. Alguns dos seis presos transladados* permaneceram em Presidente Venceslau até 1976. "Resistência Atrás das Grades" resgata com precisão de um arqueólogo, fatos históricos que, embora presentes nas mentes de muitos brasileiros, sistematicamente foram varridos e esquecidos nestes quase 40 anos transcorridos desde 1972. Período no qual a pasteurização cultural trazida pela onda da modernidade conservadora produto da globalização tentou - sem sucesso - apagar todos os sinais das lutas de resistência aos governos militares do conhecimento das gerações posteriores, que não viveram aqueles tempos. À época dos fatos narrados no livro, o autor, um jovem militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que havia sido torturado no Dops e na OBAN em São Paulo, estava preso e condenado a dez anos de prisão. O texto construído na obra é uma peça de história viva e supera e muito a grande maioria dos escritos, que abordam a temática sobre o período pós AI - 5. Essa superação se dá em conseqüência da forma da narrativa e de seu conteúdo, que combina o lado político e os vieses emocional e humano de uma luta contra a repressão ditatorial vigente durante o Governo Médici (1969-1974). O livro não possui um texto rebuscado, repleto de figuras de linguagem e, tampouco, estará ao gosto de alguns críticos literários (ditos isentos!!??), que em sua sanha diária de apagar as memórias políticas dos anos de então, prestam notórios serviços à desinformação e à alienação deste público brasileiro, ansioso em conhecer sua história política recente. "Resistência Atrás das Grades" está escrito em um texto direto, totalmente baseado no depoimento direto de um jovem militante prisioneiro e, igualmente, se baseia solidamente sobre documentos da época - alguns destes inéditos e preciosos para a reconstituição daquele momento - recolhidos em diversos arquivos históricos consultados pelo autor. A estrutura narrativa é retirada do próprio manuscrito redigido por Maurice Politi ainda no calor do embate e abrange o período, que se inicia com a eclosão do movimento grevista: 12 de maio de 1972 até seu encerramento em 11 de julho do mesmo ano. Em 9 de junho, os seis presos foram transferidos presídios indo de São Paulo para o Interior. Contém também algumas páginas complementares de escritos da época, porém já quando a greve se encerrara, após os presos que lá se encontravam haverem sido integrados à população carcerária comum. O que apaixona em "Resistência Atrás das Grades" é seu caráter documental elaborado sem preocupações com estilo e linguagem, mas preocupado primordialmente em registrar o momento da luta, seu calor e os fatos que se sucediam. Consiste em um texto sem qualquer outra preocupação que não a de deixar um testemunho dos acontecimentos dentro dos cárceres paulistas durante a ditadura militar. Inclusive, pelo fato do autor (e os demais participantes do movimento) naquele período não ter qualquer certeza sobre seu futuro e sua própria vida, porque a contestação ao governo militar em muitas outras ocasiões assassinara e torturara centenas de brasileiros. Desse modo, temos na obra muito mais que uma preocupação literária ou historicista. No contexto desenvolvido, sente-se uma narrativa, que procura testemunhar na voz de um ator, o próprio Politi, em primeira pessoa, os passos de uma luta política, que apesar de todas as condições desfavoráveis a seus participantes, resultou felizmente vitoriosa. A escrita do autor naquele período, talvez em uma mescla de impulsividade com a necessidade do registro momentâneo revela-se igualmente um documento histórico imprescindível para pesquisadores, estudiosos e cidadãos, que queiram conhecer as entranhas de uma ditadura, que se julgou por um tempo onipresente e onisciente. O texto reflete os sentimentos fortes, as emoções e os naturais receios sobre as conseqüências que os presos rebelados poderiam sofrer nas mãos dos seus carcereiros: juízes militares (como o sinistro Nelson Machado Guimarães); militares e policiais torturadores; guardas de prisão e médicos coniventes com o sistema carcerário vigente. Não se pode esquecer a presença de uma imprensa praticamente cúmplice da Ditadura. Aliás, esta em seu afã de defender a opressão instaurada reproduzia periodicamente em suas páginas, matérias, informes publicitários e artigos criminalizando os revoltosos e os opositores ao regime. Neste último aspecto, o livro de Politi apresenta também um caráter testemunhal da sociedade política (no sentido a esta oferecido por Antonio Gramsci em seu renomado escrito intitulado "Cadernos do Cárcere"). A versão e a óptica áulica sobre a ditadura por parte da imprensa pode ser constatada em edito reproduzido e estampado integralmente no livro de Políti à página 181, em editorial do jornal da Ditabranda (perdão leitores, quero dizer da Folha de S. Paulo), que "demonstrava" a inexistência de presos políticos no país de Médici, de Delfim Netto, do banqueiro Gastão Bueno Vidigal, de Fleury, de Ustra** e outros do mesmo nível. Escrevia assim àquela época (30 de junho de 1972) o jornal dos senhores Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho (também dois dos aliados de primeira hora do Golpe Militar de 1964): "Ninguém neste país ignora também haver, ainda que tão minoritário, que inexpressivo, um pensamento contrário ao Governo e à Revolução...". Os termos governo e revolução eram eufemismos pelos quais os adeptos da ditadura camuflavam o caráter repressivo do Governo Médici. Felizmente a bem da verdade, da história e para os nossos tempos, o livro de Politi desmente na prática tal assertiva tão conforme com os paradigmas dos arautos daquele Poder. * Os sete presos que seriam transferidos eram: Frei Fernando de Britto, Frei Yves do Amaral Lesbaupin, Frei Carlos Alberto Libânio (o Frei Betto), Mário Bugliani, Vanderlei Caixe, Manoel Porfírio de Souza e Maurice Politi. A ordem de transferência foi assinada pelo juiz Nelson da Silva Machado Guimarães da II Auditoria Militar de São Paulo em 7 de junho de 1972. Mário Bugliani por estar muito doente teve sua transferência comutada. **Refere-se ao militar comandante da Operação Bandeirante em São Paulo, Major Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais torturadores do período repressivo. Rui Veiga é jornalista e crítico literário -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. 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(Diógenes Arruda quando dirigente na Bahia) Era 25 de novembro de 1979, o aeroporto de Congonhas estava cheio de pessoas vindas de todas as partes do Estado de São Paulo. O clima era de festa. Dentro de alguns minutos desembarcaria ali o principal dirigente do PC do Brasil, João Amazonas, que acabava de voltar do exílio. À frente da comissão de recepção estavam duas históricas lideranças comunistas, José Duarte e Diógenes Arruda. Contudo, a alegria logo se transformaria em tristeza. A emoção do reencontro com velhos amigos abalou o fraco coração do bravo guerreiro pernambucano. Ainda no carro que o levaria ao ato político em homenagem ao camarada João Amazonas, Arruda começou a passar mal e faleceu. O enterro acabou se transformando na primeira manifestação pública realizada pelo PCdoB. O caixão foi coberto por uma bandeira vermelha estampada com a foice e o martelo. Na beira do túmulo, Elza Monnerat - recém libertada da prisão - falou em nome dos comunistas brasileiros. "Juntamente com as flores da nossa saudade, declarou ela, deixamos o nosso adeus de despedida. Mas um adeus que é também um compromisso de honra. O compromisso de que, quaisquer que sejam as vicissitudes, levaremos adiante a bandeira que ele sempre defendeu. A bandeira do Partido, a bandeira do socialismo". Pernambuco, Bahia Diógenes Alves de Arruda Câmara nasceu em 23 de dezembro de 1914 no pequeno município de Afogados de Ingazeira, sertão de Pernambuco. Um lugar marcado pela pobreza e pela violência. Era neto de um dos coronéis da região e os primeiros presentes que lembrava ter ganhado do seu pai eram um revolver e um punhal. Com eles deveria defender sua vida e a honra da família. Afirmou Arruda: "Eu vivia na minha infância aquelas histórias de cangaceiros, aquelas lutas no sertão. E, assim, eu me criei sem ter medo de polícia, sem ter medo da luta". O comunista Arruda Câmara continuou sendo a vida toda aquele menino sertanejo, com suas virtudes e vicissitudes. Em 1930 mudou-se para Recife e ingressou no curso de Engenharia. Um primo, que estudava medicina, o introduziu na literatura socialista. Leu, entre outras coisas, "Um engenheiro Brasileiro na Rússia" e se tornou simpatizante do comunismo. Alguns anos mais tarde, em 1934, ingressou no Partido Comunista do Brasil (PCB). No final desse mesmo ano mudou-se para a Bahia. Em Salvador matriculou-se no curso de Engenharia Agronômica. Entre 1936 e 1938 foi um atuante líder estudantil, participando do Diretório Acadêmico da Faculdade de Engenharia e da União dos Estudantes da Bahia (UEB). Teve um papel destacado na campanha em defesa da siderurgia nacional. Segundo João Falcão, ele "foi a mola mestra da semana (em defesa da siderurgia nacional), coordenando os trabalhos das diversas comissões selecionando os oradores. Arruda mobilizou o diretório da Escola de Agronomia, da qual era aluno, para se colocar à frente da organização do evento". Esse foi "o maior trabalho de massa realizado até então pela frente legal". Quando o mesmo João Falcão teve a idéia de criar uma revista político-cultural, Arruda foi um dos seus principais incentivadores. Foi ele quem sugeriu que ela se chamasse Seiva. A publicação expressaria o pensamento da corrente democrática e antifascista da Bahia. Para burlar a censura, deveria ser dirigida por pessoas que não fossem identificadas com o Partido. Mas, atrás dos panos, Arruda ajudava na coleta e seleção dos artigos. Seiva foi a primeira revista legal dirigida pelos comunistas durante o Estado Novo e ajudou divulgar suas idéias entre setores mais amplos da sociedade. Transformou-se num importante instrumento na luta contra o fascismo. Logo após o golpe do Estado Novo, ocorrido em novembro de 1937, Arruda foi preso. Ficou cerca de três meses na cadeia e não prestou nenhuma informação aos seus algozes. Assim, a polícia não conseguiu nenhuma prova de suas ligações com o Partido Comunista. Devido a sua combatividade e grande capacidade de organização, passou a compor o secretariado regional do PCB, chegando a ser indicado para sua secretaria-geral. Nessa época se enamorou - e, depois, casou - com a estudante de direito Aldeir (Déa) Paraguassú. Sob a direção enérgica de Arruda, os comunistas da Bahia se tornaram os mais organizados do país. Nas vésperas do Primeiro de Maio de 1940, eles inundaram Salvador com faixas vermelhas dizendo "Abaixo o Estado Novo!", "Abaixo a guerra e o fascismo!" e "Liberdade para Prestes!". A ousadia daqueles jovens, que embaraçou o interventor e o chefe da polícia, custaria bastante caro. Poucos dias depois Arruda foi preso novamente. Desta vez as coisas foram mais complicadas. Ele foi torturado por dois longos meses e passou mais oito meses incomunicável. Muitos temeram por sua vida. Graças ao seu comportamento exemplar, não houve nenhuma queda importante no estado. O partido praticamente se manteve intacto. Após sair da prisão, seguindo orientação da direção nacional, transferiu-se para São Paulo. O objetivo era ajudar na reorganização do Partido que fora desbaratado pela polícia. Naquele momento Domingos Brás era o único membro do Comitê Central em liberdade. Mesmo ele seria preso pouco tempo depois. O fascista Felinto Miller gabava-se de ter eliminado o Partido Comunista do Brasil. Os últimos acontecimentos pareciam dar-lhes razão. Mas ... Reconstruindo o Partido Comunista Como podemos suspeitar, a tarefa de Arruda não seria nada fácil. "Eu era um pau-de-arara, afirmou Arruda, vinha com uma roupazinha de brim, no mês de abril, um frio que até minhas rótulas tremiam". Continuou ele: "nós comíamos chuchu de manhã, chuchu à noite, chuchu a semana inteira, chuchu o mês inteiro. Não tínhamos outra coisa para comer senão chuchu com arroz e sal". Além do mais, ele não tinha contatos com os comunistas paulistas. O clima era de muita desconfiança diante de tantas prisões inexplicáveis. Suspeitava-se que havia infiltração policial no interior do Partido. Numa entrevista, dada poucos meses antes de morrer, Arruda contou como foi o início da reorganização partidária em São Paulo: "Depois de 1935, todo Comitê Regional caiu. Parece que o inimigo cortava a cabeça do Partido (...) e deixava algumas pontas para que eles pudessem acompanhar e golpear o Comitê Regional. Era assim todo ano - 1936, 37, 38, 39, 40, 41. Que fazer? Eu tracei um plano: botar de lado o velho partido, que a polícia tinha indicação, e fazer um Partido novo. Não tinha outra maneira. Então, tive que me apoiar nos baianos. Fui chamando baianos para São Paulo". Já na viagem havia trazido consigo o amigo Armênio Guedes. Depois chamou um camarada ligado ao trabalho junto à comunidade judaica visando estabelecer contatos nessa frente. Arruda tinha constatado que nessa colônia as quedas haviam sido pequenas. Uma prova que não havia infiltração policial. A mesma coisa acontecia com os imigrantes lituanos, compostos basicamente de operários. Justamente por ali deveria começar o trabalho. Outro baiano que viria para São Paulo era o médico Milton Caires de Brito, que mais tarde comporia o secretariado do Comitê Central. No início de 1942, junto com João Falcão, viajou à Argentina para restabelecer contatos com o Secretariado Sul-Americano da Internacional Comunista (IC). Em Buenos Aires se encontraram com Rodolfo Ghioldi e Victório Codovilla. Várias reuniões ocorreram entre os dirigentes da Internacional e os comunistas brasileiros. Quando estavam ali receberam a notícia que o governo brasileiro tinha rompido relações diplomáticas com a Alemanha nazista e havia se iniciado uma grande campanha popular exigindo a declaração imediata de guerra às potências do Eixo. A linha política aprovada em Buenos Aires era a de construir uma União Nacional, ao lado do governo Vargas, contra as potências nazi-fascistas e seus aliados internos (quinta-coluna). Arruda, rapidamente, voltou ao país com essa diretiva e a tarefa de apressar a reorganização do PC do Brasil. Como membro da direção paulista, procurou contatar com um ativo grupo de comunistas cariocas, comandado por Maurício Grabóis e Amarilio Vasconcelos. A relação foi estabelecida com a ajuda de Leôncio Basbaum. Constituiu-se, a partir de então, a Comissão Nacional de Organização do Partido (CNOP). A ela se agregaram dois jovens comunistas, fugitivos das prisões paraenses, João Amazonas e Pedro Pomar. Estava formado o núcleo principal de dirigentes que reorganizaria e, ao lado de Prestes, dirigiria o Partido até meados da década de 1950. A principal tarefa dessa comissão era a organizar da 3ª Conferência Nacional do PC do Brasil, que foi realizada clandestinamente em 1943. Arruda foi eleito secretário nacional de organização, tornando-se, nesse período, o primeiro homem da hierarquia partidária. Sinal da importância que tinha tido naquele difícil processo. Com a conquista da anistia e o fim do Estado Novo, o Partido Comunista emergiu como uma poderosa força política nacional, conquistando cerca de 10% dos votos nas eleições de 1945. Elegeu um senador e mais 14 deputados federais. Arruda candidatou-se pela Bahia e não conseguiu eleger-se. Contudo, nas eleições complementares de 1947, ele e Pedro Pomar elegeram-se deputados federais por São Paulo. Os dois foram candidatos pela legenda do Partido Social Progressista (PSP) de Ademar de Barros. Nessa época, o Partido Comunista já estava ameaçado de perder o seu registro. Após a cassação dos seus parlamentares, os comunistas foram obrigados a entrar na clandestinidade. Arruda e Pomar, embora tolhidos em sua ação, continuaram exercendo seus mandatos até o final de 1950. O impacto das medidas repressivas do governo Dutra e o desencantamento com a tática de viés reformista adotada anteriormente - que teria conduzido a uma séria derrota -, levou os comunistas a adotar uma linha política esquerdista. A principal expressão disso foi o "Manifesto de Agosto" de 1950. Nele Prestes defendia que a única alternativa para o povo era a constituição de uma Frente Democrática de Libertação Nacional e o desencadeamento imediato da luta armada contra o governo de plantão, Dutra e depois Vargas. A estratégia era, nitidamente, inspirada no processo da revolução chinesa que acabava de ser vitoriosa. Arruda esteve ainda à frente da organização do 4º Congresso do PCB em 1954. Foi ele que apresentou o informe mais importante que tratava do novo programa - o primeiro desde a sua fundação. Até 1943 o programa dos Partidos Comunistas era o da Internacional Comunista. Só com a dissolução deste órgão foi que começaram a surgir os programas nacionais. As concepções voluntaristas e esquerdistas, especialmente entre 1949 e 1954, conduziram a posições sectárias e métodos autoritários no relacionamento com as outras forças políticas, inclusive às do campo democrático, nacional e popular. Os trabalhistas e socialistas independentes foram tratados como agentes do imperialismo norte-americanos e como forças a serem combatidas. Diante da ausência de Prestes, recolhido à clandestinidade e fora da direção cotidiana, coube a Arruda impor essa linha ao conjunto do Partido. Por isso mesmo, acabou se transformando na "bete noir" do comunismo brasileiro. Exemplo do autoritarismo no tratamento das divergências internas e mesmo na condução do trabalho de direção. Foi denominado, pejorativamente, de "Stalin brasileiro" ou "pequeno Stalin". Anos terríveis Podemos dizer que, no início da década de 1950, Arruda vivia o auge do seu prestígio enquanto dirigente nacional do Partido Comunista. O escritor Jorge Amado dedicou-lhe "Subterrâneos da Liberdade", trilogia na qual ele era um dos personagens mais significativos, o camarada André. Contudo, as coisas estavam prestes a mudar drasticamente para ele e o Partido que ajudara a organizar. As origens dessa reviravolta estariam no próprio interior do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), considerado a vanguarda da revolução mundial. O 20º Congresso do PCUS, realizado em fevereiro de 1956, teve muita importância para o movimento comunista internacional e brasileiro. Ele mudou a linha política predominante até então, passando advogar a transição pacífica ao socialismo e apostar num longo período de coexistência e competição pacífica entre o bloco socialista, capitaneado pela URSS, e o imperialismo estadunidense. Numa sessão secreta daquele Congresso, o secretário-geral Nikita Krushov apresentou um polêmico relatório no qual denunciava os erros e os crimes cometidos por Stalin. Estranhamente, o conteúdo que era para ser sigiloso vazou para as agências noticiosas internacionais e a informação chegou antes mesmo que os delegados estrangeiros pudessem voltar aos seus países e comunicar Para suas direções o que havia ocorrido. No caso brasileiro as coisas foram ainda mais graves. Arruda - que era o representante brasileiro naquele congresso - acabou viajando para China antes de retornar ao Brasil. A viagem, que durou vários meses, fazia parte de uma programação oficial. Contudo, a gravidade do momento exigia sua volta imediata. Quando, finalmente, ele chegou os jornais burgueses já haviam publicado o relatório "secreto" e a direção do PCB negado categoricamente sua autenticidade. Abriu-se então uma grande crise no interior do movimento comunista brasileiro, a maior de sua história. O núcleo dirigente - composto por Prestes, Arruda, Grabóis, Amazonas e Marighella - foi duramente criticado em artigos publicados na própria imprensa partidária e nas primeiras reuniões do Comitê Central convocadas para tratar do 20º Congresso. O principal alvo dos ataques foi o secretário nacional de organização. Em 1957 Arruda, Grabóis e Amazonas foram destituídos da Comissão Executiva, acusados de resistirem à nova linha expressa na resolução do 20º congresso e se recusarem a fazer autocrítica de sua atuação à frente do Partido. No entanto, não era correta essa idéia que Arruda tenha se recusado aderir às novas teses soviéticas e reconhecer os erros cometidos. Pelo contrário, num artigo publicado na Voz Operária, ele fez uma humilhante autocrítica de todas suas atitudes anteriores. Escreveu: "é muito grande e grave a minha responsabilidade pessoal nas violações dos princípios do marxismo-leninismo de organização e de direção, nas debilidades e falhas ideológicas do Presidium e do secretariado, na condução do Partido, nos erros de direção e nos reveses do Partido, de 1942 até hoje. Lutei, cometi erros e revelei debilidades e, por isso, devo ser criticado e preciso autocriticar-me. Estou disposto a me livrar das idéias incorretas e dos maus hábitos, a transformar-me e renovar-me, pois será assim - e somente assim - poderei servir bem ao Partido". Por isso, num primeiro momento, não deu seu apoio ao grupo, encabeçado por Amazonas e Grabóis, que denunciava a nova política partidária, acusando-a de reformista. Ainda, durante os debates do 5º Congresso do PCB, realizado em 1960, somou-se à maioria do Comitê Central na defesa das teses oficiais e na condenação aos seus críticos. Escreveu na Tribuna de Debates um duro artigo intitulado "Estertores e mimetismo de tradição sectária". Nele criticava as posições defendidas por Grabóis, Amazonas e Pomar, embora não citasse os nomes dos seus velhos camaradas. Sem dúvida, isso lhe causava profundo desconforto. A dura autocrítica e o alinhamento político com Prestes, que ele admirava muito, não garantiram sua recondução ao Comitê Central. E mais: Arruda não foi eleito para nenhum outro posto de direção - nem regional nem municipal - e se tornou um simples militante de base. Mesmo quando, entre 1961 e 1962, a crise interna agravou-se e ocorreu a cisão dando origem a dois partidos comunistas, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB), Arruda manteve-se eqüidistante daquele conflito. Essa neutralidade, no entanto, não duraria muito tempo. 25 de Novembro de 2009 - 0h02 Diógenes Arruda Câmara: O guerreiro sem repouso (2) Augusto Buonicore * "Certa vez, quando estávamos na China em pleno inverno, um fio de lascar, 39º abaixo de zero, olhávamos pela janela e tudo lá fora estava completamente branco, coberto de neve. Foi aí que vi Diógenes à beira da janela com lágrimas escorrendo pelo rosto. Como poucas vezes o vi chorar, perguntei: O que foi meu nego? Ai ele me disse: - Tereza, será que está chovendo no sertão?" Depoimento de Tereza da Costa Rego, companheira de Arruda. Retomando os laços perdidos Após sair do Comitê Central no V Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCB), Diógenes Arruda começou a trabalhar num escritório de planejamento na cidade de São Paulo. Em 1963, voltou a Pernambuco para assessorar o governador Miguel Arraes e realizar alguns projetos junto a SUDENE. Ainda existem dúvidas sobre quando ele reingressou no PC do Brasil. João Amazonas, numa entrevista, descreveu a retomada dos contatos com o velho amigo: "Arruda ainda não tinha conseguido compreender a reorganização do Partido. Então, eu e Maurício Grabóis, passado algum tempo (...) fomos a casa dele e tivemos uma longa conversa. E o Arruda de cara fechada com a gente. Então, eu disse: 'Você tem importância para o Partido. (...) O teu lugar é aqui e não fora daqui'. O Arruda conversou, conversou e foi mudando sua fisionomia. Na hora que saímos, lá vem ele andando conosco; uma distância grande até que nós pegássemos o ônibus. Então, o Arruda tinha reencontrado o seu partido". Por outro lado, o líder do PC brasileiro, Gregório Bezerra, falou de um fato ocorrido no dia do golpe militar de 1964: "Fui até a redação da Folha do Povo, mas não encontrei nenhum camarada. (...). Quando vou saindo, dou de cara com o camarada Diógenes Arruda Câmara, que diz: 'Vim apresentar-me para a luta. Cumprirei qualquer tarefa que o partido me confiar. Disponham de mim para tudo'. Eu tinha um pé atrás com esse companheiro (...) mas, diante de sua atitude de homem de partido, passei a respeitá-lo como verdadeiro revolucionário comunista". Contudo, não houve resistência popular à altura da necessidade. Arruda deve ter se perguntado: qual teria sido a razão daquela derrota? Sendo uma figura de esquerda, odiada pelas forças conservadoras, Arruda teve que se esconder. Primeiro refugiou-se no litoral norte de Pernambuco; depois, no Mosteiro de São Bento em Olinda. O local foi conseguido por Tereza Costa Rego, uma amiga que logo se tornou sua companheira. Eles se conheceram em 1962 e dizem que foi amor à primeira vista. O problema é que ela era casada e tinha duas filhas. Pertencia a uma tradicional família pernambucana. Isso fez cair sobre ela todos os preconceitos de uma sociedade patriarcal e conservadora. Foi deserdada e perdeu a guarda das filhas. Como o amor que sentiam era maior, mandaram tudo para os ares. Tiveram que atravessar a via crucis da incompreensão familiar e o terror ditatorial. Arruda e Tereza se mudaram para São Paulo. Foi uma verdadeira revolução na vida dela. Afirmou ela: "fui morar com ele, saindo de uma casa com 11 empregados, para um apartamento que tinha 4 por 6 metros, uma mini-cozinha e um banheiro. O apartamento tinha um monte de livros até o teto, um colchão no chão e um ramo de rosas sobre ele". Agora em situação legal, Arruda passou a trabalhar num escritório de planejamento urbano. De novo com os estudantes Muito provavelmente, ele já tivesse reatado os contactos com aqueles que reorganizaram o PCdoB, embora ainda não tivesse se decidido pela reintegração àquela organização. Isso explicaria o fato de ter procurado Gregório Bezerra e se colocado à disposição para resistir ao golpe militar em Recife. Também podemos supor que a gravidade da derrota sofrida naquele primeiro de abril de 1964 - uma derrota sem luta - tenha o levado a se decidir pelo reingresso no PC do Brasil. Afinal, este havia sido o Partido que mais criticara as ilusões reformistas predominantes na esquerda brasileira. As teses em voga que apregoavam a transição e a coexistência pacíficas sofreram um forte desgaste. A chamada burguesia nacional, tida como aliada preferencial na primeira etapa da revolução, mostrou toda sua pusilanimidade. O esquema militar de Jango, que muitos se fiavam, demonstrou-se ilusório. A estratégia política defendida pelo PCB, aos olhos de vários setores de esquerda, havia fracassado. Por isso, vários militantes abandonaram o PC Brasileiro e aderiram ao PC do Brasil. Comitês inteiros trocaram de Partido, como aconteceu no Ceará e Maranhão. Um pouco mais tarde ingressou o pessoal do Comitê Marítimo e a Maioria Revolucionária do Comitê Regional da Guanabara, ambos ligados ao PCB. O pequeno PCdoB começava a ganhar musculatura. A entrada de Arruda, no entanto, seria o pivô de mais uma polêmica. O pessoal que estava formando a Ala Vermelha acusava a direção de querer mudar o estatuto na VI Conferência (1966) para permitir o ingresso de Arruda diretamente no Comitê Central, sem precisar ter militado em uma organização de base. As acusações não tinham fundamento: 1º Arruda era um veterano comunista, que teve uma ação importante nas bases partidárias; 2º Ele não passou compor a direção nacional logo após a conferência. Isso só viria acontecer muitos anos depois. Portanto, o que sabemos é que Arruda já estava de volta em 1966 e colaborava com a direção regional de São Paulo. Ficou responsável por dar assistência às bases estudantis. Assumiu a nova tarefa num momento bastante difícil. A Ala Vermelha - que havia sido expulsa do PCdoB - tinha causado grande estrago ao levar consigo parte da militância nessa frente. Tratava-se, então, de reorganizar o trabalho. Era quase um recomeço para um homem que já tinha 54 anos dos quais 33 dedicados à construção do Partido Comunista. Um jovem que conviveu com ele naqueles dias foi Dalmo Ribas. O Arruda, afirmou ele, "começou dar assistência ao movimento estudantil em 1967. Nessa ocasião nós estávamos bastante desgastados com o 'racha' (da Ala Vermelha). Minha lembrança mais antiga me reporta à reunião em que fomos apresentados pelo jornalista e dirigente regional Armando Gimenez. Nessa ocasião era totalmente vedado ao militante especular quem era quem. Se alguém ousasse perguntar, isso valeria uma admoestação: 'curiosidade é coisa de policial'. Arruda trazia para as reuniões, muita história do Partido. Somente após sua prisão é que soubemos de quem se tratava". Prisão, tortura e resistência Com a promulgação do AI-5, em dezembro de 1968, o regime se tornou ainda mais ditatorial. As prisões, torturas e assassinatos passaram a compor o cotidiano dos militantes de oposição. Fechava-se o cerco sobre as organizações de esquerda. O destino de Arruda começou a ser decidido quando um casal de militantes esqueceu uma pasta de documentos partidários dentro de um táxi. Através deles descobriu-se a casa na qual se reunia o pessoal do PCdoB. Os policiais ocuparam a residência, prenderam a moradora e montaram uma tocaia. Em 11 de novembro, quando Arruda bateu na porta foi cercado por quase uma dezena de policiais fortemente armados. Eram agentes da temida Operação Bandeirantes (OBAN). Arruda foi barbaramente seviciado nos porões do DOPS e do CENIMAR. Durante as sessões de tortura teve duas paradas cardíacas, perdeu uma das vistas e seus dedos foram quebrados. Ficou tuberculoso e perdeu mais da metade de sua capacidade pulmonar. Mesmo assim não se rendeu. Não disse uma palavra que pudesse comprometer seus camaradas ou o Partido. Teve um comportamento exemplar e transformou-se num símbolo da resistência contra a ditadura. Na sua defesa diante da auditoria militar declarou: "Sou dirigente comunista. Não presto contas senão ao meu partido e ao povo. Minhas idéias marxistas e minha honra têm maior valor que minha vida (...). Acredito que um dirigente comunista não se deixa abalar pelo suplício e tudo pode suportar por suas idéias, pois está plantando uma seara que irá frutificar (...) um mundo de pães e rosas". Apesar de tudo que diziam dele, Arruda se tornou uma pessoa muito querida entre jovens de todas as correntes políticas. É consenso entre aqueles que o conheceram que, apesar do jeito às vezes grosseiro, tinha um grande coração. Descrevo uma cena narrada por um de seus companheiros de cárcere. Numa noite muito fria, o jovem preso tentava dormir quando sentiu algo e, discretamente, abriu os olhos. Era Arruda que, silenciosamente, o tinha coberto com seu único cobertor. Nada de estranho se aquele garoto não fosse um militante da Ala Vermelha, um racha do PCdoB. O nome dele era Alípio Freire. Arruda foi libertado em 21 de março de 1972. Diante do seu estado físico, foi solto na certeza que morreria em breve. Novamente, os esbirros da repressão erraram. Arruda sobreviveu e continuou o seu combate. Contudo, uma nova prisão lhe seria fatal. Então, a direção solicitou que ele deixasse o país e fosse ajudar no setor de relações internacionais, colaborando na divulgação da Guerrilha do Araguaia que havia se iniciado. Santiago, Buenos Aires e Paris Arruda, Tereza e filhos atravessaram a fronteira da Argentina como se fosse uma família abastada. Em seguida foram para o Chile, presidido pelo socialista Salvador Allende. O pessoal do PCdoB articulou com outros exilados a construção de um comitê de solidariedade à luta do povo brasileiro. Criaram o boletim "Jornadas da Luta Popular", que se transformou num instrumento de divulgação da resistência armada no sul do Pará. Arruda e Dynéas Aguiar eram os principais animadores dessa iniciativa. Quando houve o golpe militar no Chile, em 11 de setembro de 1973, Arruda se refugiou na embaixada da Argentina. Este era um dos únicos países democráticos ainda existentes no Cone Sul. Entre os refugiados brasileiros estava Amarilio Vasconcelos, reorganizador do Partido Comunista em 1943, e um jovem militante comunista chamado Raul Carrion. Eles teriam que esperar mais de um mês até que o asilo lhes fosse concedido. Mesmo na Argentina a situação estava mudando para pior. Em julho de 1974, o presidente Perón morreu e em seu lugar assumiu Isabelita. Este foi um governo fraco que permitiu o crescimento das ações terroristas, promovidas por grupos paramilitares. A situação exigiu que Arruda fosse rapidamente retirado dali. Depois de muita negociação ele conseguiu novo asilo na França. Houve, então, uma espécie de divisão das tarefas. Arruda cuidaria das relações com os países da Europa e Dynéas com os da América Latina. Nessa condição visitou a Albânia, Itália, Suécia e Portugal - e, também, a China. Nos países socialistas Arruda era tratado como verdadeiro chefe de Estado. Em Portugal deu grande contribuição na organização do Partido Comunista Português Reconstruído (PCP-R) e da União Democrática e Popular (UDP). Brasil as coisas haviam ficado muito difíceis para o PCdoB. Entre 1972 e 1973 foi destroçada a comissão nacional de organização. Tombaram assassinados os dirigentes Carlos Danielli, Lincoln Oest, Luis Guilhardini e Lincoln Bicalho Roque. A ação repressiva tinha por objetivo cortar ligações entre o partido e os guerrilheiros no Araguaia. Foi nessa época que, visando preencher os vazios deixados na direção, Arruda ingressou no Comitê Central. A situação se agravaria ainda mais com a derrota da Guerrilha e o assassinato da maioria dos seus combatentes, inclusive do comandante Maurício Grabóis. Pouco tempo depois, em dezembro de 1976, caiu nas mãos da repressão uma reunião do Comitê Central. Foram assassinados três dirigentes - Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drummond - e quase uma dezena foi presa e torturada. A grande imprensa chegou anunciar o fim do PCdoB. Como ocorreu no início da década de 1940, o Partido Comunista do Brasil deveria passar por um uma nova reorganização. Os dirigentes que estavam no exterior - Amazonas, Arruda, Dynéas e Renato Rabelo - começaram a restabelecer os contactos com os militantes e os comitês regionais que ainda resistiam no interior do país. Em pouco tempo esse trabalho estava, no fundamental, concluído. Para Arruda era preciso coroar esse esforço com a realização de uma conferência nacional. A 7ª Conferência reuniu-se na Albânia entre 1978 e 1979. O PC do Brasil, como a Fênix da mitologia parecia renascer das cinzas. Após a Chacina da Lapa, Arruda escreveu uma série de artigos sobre os deveres da militância comunista. Esses artigos, posteriormente, foram publicados em "A educação revolucionária do comunista" e cumpriram um grande papel na formação ideológica dos comunistas nos estertores da ditadura militar. Uma de suas frases que ficou famosa era: "Primeiro o partido. Depois a vida, se possível!". Consigna que os comunistas levaram muito a sério naqueles anos de chumbo. Outra característica de Arruda era a sua grande preocupação com a formação teórica dos militantes comunistas. Sobre isso anos disse Amazonas: "Onde Arruda chegava já estava pensando em fazer algumas palestras sobre problemas teóricos e, em pouco tempo, organizava um curso (...) Foi o camarada Arruda que iniciou os cursos Stalin. (...) Eles jogaram um papel importante na formação dos quadros do nosso Partido (...). Depois, conseguiu que, na escola Superior do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, se realizassem cursos para os comunistas brasileiros. (...) Esse capital teórico que adquirimos foi fruto da atividade do camarada Arruda". Muitas pessoas testemunharam que ele adorava organizar cursos e dar aulas para os jovens estudantes na década de 1960. Mesmo no breve período que esteve na embaixada da Argentina não deixou de dar suas palestras. Também deu aula de marxismo-leninismo no presídio Tiradentes. Loreta Valadares, no seu livro autobiográfico, comentou sobre os cursos que Arruda organizou em Buenos Aires e na Albânia, para os exilados na Europa. A volta do guerreiro O general Figueiredo, depois de resistir muito, anunciou uma anistia parcial que excluía os autores dos chamados "crimes de sangue". O povo nas ruas protestou contra tal limitação e exigiu que ela fosse "ampla, geral e irrestrita". Os exilados se esforçaram para repercutir ao máximo a campanha no exterior e isolar o regime. Arruda participou desse processo. Esteve presente e falou no Congresso Internacional pela Anistia Ampla Geral e Irrestrita, realizado em Roma em junho de 1979. Em setembro daquele ano, logo após a decretação da anistia, retornou ao Brasil e envolveu-se numa pesada agenda política. Ele percorreu vários estados defendendo a ampliação da anistia e a unidade da oposição contra a ditadura militar. No II Encontro pela Anistia, realizado na Bahia, ocorreu um encontro simbólico. Na mesa de abertura reuniram-se, pela primeira vez desde a divisão do movimento comunista brasileiro, os camaradas Arruda, Prestes e Apolônio de Carvalho. No dia 25 de novembro, Arruda estava muito ansioso, dormira mal a noite toda. Uma coisa o preocupa: o regresso do principal dirigente do PCdoB, João Amazonas. Nada poderia dar errado naquele dia. Chovia muito e uma multidão tomava conta do aeroporto de Congonhas. Arruda logo se colocou ao lado do amigo que acabava de chegar. Amazonas tinha uma aparência frágil e Arruda se preocupava muito com sua segurança. A emoção e a tensão eram grandes naquele local. As fotos tiradas naquele dia demonstram isso. Ainda dentro do carro que o levaria ao ato público, começou a passar mal. O coração sertanejo marcado pelas torturas não resistiu e, pela primeira vez, entregou os pontos. Arruda não viveria para ver as bandeiras vermelhas tomarem as praças na memorável campanha das diretas, nem a derrota definitiva da ditadura militar, nem a conquista da legalidade de seu partido. Contudo, nenhuma dessas vitórias seria possível sem homens e mulheres como ele. Quando estava preso redigiu uma declaração ao tribunal militar. Ela resumiria, de maneira exemplar, sua maneira revolucionária de encarar a vida: "Não me norteia a vida um viver tranqüilo e pacato, um viver de aconchegos e comodidades, encerrado no círculo estreito de interesses individuais. Meu caráter, meu temperamento, minhas idéias, meus critérios de valor, meu senso político, tudo me preserva da reflexão egoísta, do acomodamento circunstancial, do silêncio velhaco, do servilismo oportunista, da sonegação da verdade. É difícil viver com dignidade, mas somente assim vale a pena viver". E, por esses critérios, viveu e morreu o sertanejo comunista Diógenes Arruda Câmara. Bibliografia Arruda, Diógenes - A educação revolucionária do comunista, Ed. Anita Garibaldi, 1982 Bezerra, Gregório - Memórias (2ª parte) Ed. Civilização Brasileira, 1979. Câmara, Cristina Arruda - Um comunista em família: biografia de Diógenes da Arruda Câmara, Monografia de conclusão de curso na faculdade de Comunicação da UFRJ, 1997. Falcão, João - O Partido Comunista que eu conheci. Ed. Civilização Brasileira, 1988. Bertolino, Osvaldo - Maurício Grabóis: uma vida de combates, Ed. Anita Garibaldi, 2004 Souza, Cícero M & Andrade, Antonio R. - "Comunismo a brasileira: a trajetória da utopia revolucionária de Diógenes Arruda Câmara" In Universidade & Sociedade, nº19, maio/agosto de 1999. UNB Valadares, Loreta - Estilhaços, Sec. Cultura e Turismo de Salvador, 2005 Documento Declaração de Diógenes de Arruda Câmara ao Conselho de Justiça da II Auditoria da II Circunscrição Jurídica Militar, s/d Entrevistas Diógenes Arruda - Entrevista realizada pelos jornalistas Albino Castro e Iza Freaza - Não chegou a ser publicada na época. Descoberta por Osvaldo Bertolino foi publicada no sítio Vermelho. Tereza da Costa Rego - Entrevistas realizadas por Olívia Rangel (s/d) e por Olivia Rangel e Osvaldo Bertolino em 25/05/2005 João Amazonas - Entrevistas realizadas pela Comissão Especial sobre a história do PC do Brasil - 2001 Agradecemos também as informações prestadas por Dyneas Aguiar, Alípio Freire, Dalmo Ribas e Raul Carrion. Zé Duarte, João Amazonas e Arruda quando Amazonas volta do exílio -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- * Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.82/2525 - Data de Lançamento: 11/25/09 07:31:00 -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.425 / Banco de dados de vírus: 270.14.82/2525 - Data de Lançamento: 11/25/09 07:31:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1877 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091125/0007ab09/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Nov 26 20:02:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 26 Nov 2009 20:02:41 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Procuradoria_ajuiza_a=E7=E3o_cont?= =?iso-8859-1?q?ra_Tuma_e_Maluf_por_oculta=E7=E3o_de_cad=E1veres_na?= =?iso-8859-1?q?_ditadura_____=28Veja_a_ac=E3o_na_=EDntegra_=29?= Message-ID: <3294A4768FDB48CC86CC45940CF7FD5F@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. http://media.folha.uol.com.br/brasil/2009/11/26/acao_civil_publica-1.pdf 26/11/2009 - 13h39 Procuradoria ajuiza ação contra Tuma e Maluf por ocultação de cadáveres na ditadura da Folha Online O Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou hoje duas ações na Justiça Federal pedindo a responsabilização do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e do senador Romeu Tuma (PTB-SP) pela ocultação de cadáveres de desaparecidos políticos no período da ditadura, nos cemitérios de Perus e Vila Formosa. Veja íntegra da ação De acordo com a Procuradoria, a ação inclui autoridades e agentes públicos civis e da União, Estado e município de São Paulo. Maluf, por exemplo, foi prefeito de São Paulo de 1969 a 1971. Tuma foi chefe do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social) entre 1966 e 1983. A ação também pede a responsabilização pessoal do ex-prefeito de São Paulo Miguel Colasuonno (1973-1975), do ex-chefe do necrotério do IML (Instituto Médico Legal) Harry Shibata e do ex-diretor do serviço funerário municipal Fabio Barreto (1970-1974). Na ação, a Procuradoria pede que os cinco sejam punidos com a perda das funções públicas ou das aposentadorias. Pede ainda que eles sejam condenados a pagar uma indenização de 10% do patrimônio pessoal para reparação de danos morais coletivos. De acordo com o Ministério Público, desaparecidos políticos foram sepultados nos cemitérios de Perus e Vila Formosa de forma totalmente ilegal e clandestina, com a participação do IML, do Dops e da prefeitura. Identificação Na segunda ação civil (leia íntegra) proposta hoje, o Ministério Público Federal pede a responsabilização das pessoas físicas e jurídicas que contribuíram para que as ossadas de mortos e desaparecidos políticos localizadas no cemitério de Perus permanecessem sem identificação. São demandados na ação a União, o Estado, a Unicamp, a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de São Paulo e mais cinco pessoas, a maioria legistas. -------------------------------------------------------------------------------- O Ministério Público Federal em São Paulo ingressou nesta quinta-feira na Justiça Federal com duas ações civis públicas para que sejam responsabilizados agentes públicos da União, Estado e prefeitura por ocultação de cadáveres nos cemitérios de Perus e Vila Formosa. Os cadáveres seriam de opositores do regime militar instaurado no País a partir de 1964. Entre as autoridades, o MPF recomenda a responsabilização do delegado e hoje senador Romeu Tuma e do ex-prefeito da capital paulista Paulo Maluf. Além deles, do médico legista Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do Instituto Médico Legal de São Paulo; , atualmente deputado federal, e Miguel Colasuonno (gestão 1973-1975), e de Fábio Pereira Bueno, diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974. A pena recomendada pelo MPF é de perda de suas funções públicas e/ou aposentadorias. Caso sentenciados, os mandatos atuais de Tuma e Maluf não seriam afetados, pois a Constituição impede a perda de mandato em ações civis públicas. Além das medidas administrativas, o MPF pede a indenização de, no mínimo, 10% do patrimônio pessoal de cada um, revertidos em medidas de memória sobre as violações aos Direitos Humanos ocorridos na Ditadura. Procurada, a assessoria do deputado Paulo Maluf afirmou que consultaria seus advogados antes de se pronunciar. O gabinete do senador Romeu Tuma afirmou ainda não ter sido comunicado da ação. Segundo o MPF, desaparecidos políticos foram sepultados nos cemitérios de Perus e Vila Formosa em São Paulo, de forma totalmente ilegal e clandestina, com a participação do Instituto Médico Legal, do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) e da Prefeitura. Responsabilidades Como diretor do Dops, o senador Tuma formalizou prisões feitas ilegalmente pelo Exército brasileiro e fazia inquéritos policiais. No Dops, ocorriam novos interrogatórios, segundo a ação, "em regra sob tortura". Haveria registros de que pelo menos 36 presos passaram pelo DOPS e há documentos que mostram que Tuma tinha conhecimento de várias mortes ocorridas sob a tutela de policiais, mas não a comunicou a familiares dos mortos, o caso, por exemplo, de Flávio Molina, morto em 1971. O legista Harry Shibata, por sua vez, teria assinado inúmeros laudos necroscópicos, atestando falsamente causa mortis incompatíveis com os reais motivos dos óbitos de inúmeros militantes políticos, ignorando, muitas vezes, lesões de tortura, casos, por exemplo, dos desaparecidos Vladimir Herzog e Sônia Angel Jones. A maioria dos laudos de Shibata era feita no nome de guerra dos militantes, apesar de o aparato estatal conhecer suas reais identidades. O legista chegou a ter o registro de médico cassado pelo Conselho Federal de Medicina. Paulo Maluf foi prefeito de São Paulo durante a fase mais grave da repressão, tendo ordenado a construção do cemitério de Perus, projetado especialmente para indigentes e que tinha quadras marcadas especificamente para "terroristas". Sob a gestão de Colasuonno, o cemitério de Vila Formosa em 1975 foi reurbanizado, destruindo a quadra de indigentes e "terroristas", o que praticamente impossibilita qualquer identificação de militantes naquele local -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.426 / Banco de dados de vírus: 270.14.83/2528 - Data de Lançamento: 11/26/09 09:10:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091126/315222b8/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 27 19:24:17 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 27 Nov 2009 19:24:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] AI-5 Message-ID: <0783BE9C692746A5B12BC77D7ED4124C@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. From: povolerida at gmail.com Pessoal, Sobre a reunião que decretou o AI-5. Muito legal e um grande documento histórico, (clique) http://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/index_ppal.html?var=site ------------------------------------------------------------------------------ -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091127/c59dca91/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Nov 27 19:24:29 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 27 Nov 2009 19:24:29 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?_Lan=C3=A7amento_Filme_=22Cidad=C3=A3o_?= =?utf-8?q?Boilesen=22=2E_em_S=C3=A3o_Paulo_e_Bras=C3=ADlia?= Message-ID: <732A03F1C11748789812D58D75469F03@vcaixe> CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Flávia Carlet Pessoal, Hoje, dia 27, chega aos cinemas de São Paulo e Brasília o documentário "Cidadão Boilesen". Semana que vem, o filme entra em cartaz no Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte Dêem uma olhada: http://www.youtube.com/cidadaoboilesen SERVIÇO: SÃO PAULO - RESERVA CULTURAL: 14h, 15h45, 17h30, 19h25, 21h15, 23h30 (somente aos sábados) BRASÍLIA - ACADÊMIA DE TÊNIS: 16h30 Cidadão Boilesen Um filme de Chaim Litewski Estréia 27 de Novembro * Melhor filme no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade 2009 * * Prêmio de público de melhor documentário no Cinesul 2009 * * Prêmio de melhor direção no RECINE 2009 * * Hors Concours do Festival do Rio 2009 * Vencedor do mais importante festival de documentários da América Latina, É Tudo Verdade 2009, Cidadão Boilesen revela como o empresariado brasileiro financiou a tortura durante o regime militar. Através da surpreendente vida de Henning Boilesen, o documentário revela a ligação política e econômica entre civis e militares no combate à luta armada durante o regime militar. Cidadão Boilesen na imprensa ?Bastante explosivo o conteúdo de Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski (...) recomendo, em especial a quem se interessa pelo período da ditadura militar brasileira.? Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S Paulo, 24.03.2009 ?Queria rever 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, documentário do qual gosto muito e foi ótimo. É impressionante como esse filme dialoga com a plateia?. Luiz Carlos Merten, blog Luiz Carlos Merten ? O Estado de S Paulo, 01.10.2009 ?Bastante ponderada, a produção alcança a proeza de retratar esse personagem peculiar no contexto de tensão social e política da época.? Sylvia Colombo, Folha de S Paulo, 30.03.2009 ?O documentário sobre Boilesen é uma etapa num caminho de sensibilização histórica.? Marcelo Coelho, Folha de S Paulo, 01.04.2009 ??Boilesen contribui enormemente para ampliar o debate a respeito da repressão política no Brasil da ditadura militar de 1964.? Amir Labaki, coluna É Tudo Verdade / Valor Econômico, ?Sob o Fogo do Cinema?, 09.04.2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091127/36086955/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 28 16:15:24 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 28 Nov 2009 16:15:24 -0200 Subject: [Carta O BERRO] MORRER PARA VIVER - FREI TITO DE ALENCAR Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. "Morrer para Viver", Este é o título do livro de Bernard (Ben) Strik sobre a Luta do Frei TITO DE ALENCAR contra a ditadura militar. O Prefácio é do Frei Betto, companheiro do Frei Tito na mesma luta. Ben Strik foi missionário no Brasil durante 20 anos, realizando trabalhos de apoio ao movimento popular no nordeste, no sudeste e na Amazônia. De retorno à sua pátria (Holanda), criou o "Brasil op Weg" (Brasil caminhando), uma ONG formada para levar o conhecimento do que se pasava no Brasil , naqueles anos de chumbo, às comunidades católicas e protestantes holandesas. Traduzia canções brasileiras - cerca de 150 - para sua lingua pátria e as cantava nas comunidades. Com isso, tornou conhecido o Brasil, a ditadura e seus crimes e conseguia ajuda financeira para dezenas de trabalhos de base por ele apoiado. Sabendo da morte do Frei Tito, e conhecendo sua vida através da família Alencar e de muitas e incansáveis pesquisas, dedicou-se a escrever o livo, tendo como pano de fundo a história da colonização do Brasil, as lutas do povo e os crimes da ditadura. Foram vários anos de trabalho árduo. O livro está à venda no Brasil em várias cidades. Em São Paulo, está sob os cuidados da Pastoral Operária da arquidiocese (11) 3106-5531 (com Lucas o Cidinha), assim como deste que vos escreve. Seu preço? R$ 40,00. Pagas as despesas com a edição do livro, o demais Ben Strik está destinando à compra da casa onde Frei Tito nasceu, que será o museu sobre sua vida, luta e morte. Se alguém quiser adquirir o livro entre em contato. Abraços Waldemar Rossi -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091128/7d6f162f/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Nov 28 16:15:31 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 28 Nov 2009 16:15:31 -0200 Subject: [Carta O BERRO] ADITAL Message-ID: <8F2B6C0962F94F068FA3CF06FD954A31@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Clique no logo da ADITAL e leias notícias atualizadas do Brasil, A.Latina, Caribe e do Mundo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091128/5a82fad5/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6564 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091128/5a82fad5/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Nov 29 13:02:53 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 29 Nov 2009 13:02:53 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22EARTH_SONG=22_cantado_por_Mich?= =?iso-8859-1?q?ael_Jackson=2E_Um_clipe_valioso=2C_uma_li=E7=E3o_em?= =?iso-8859-1?q?_defesa_do_nosso_planeta=2E________________HOJE_=C9?= =?iso-8859-1?q?_DOMINGO!?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. "EARTH SONG" cantado por Michael Jackson. Um clipe valioso, uma lição em defesa do nosso planeta. No momento em que em Copenhagen se discute o Meio Ambiente, o texto (legendado em português) de M.J. é uma recomendação para viver em nosso planeta. Hoje é Domingo, assista com carinho essa mensagem. (clique apenas uma vez para assistir em tela cheia) Abraço. Vanderley ps. Depois da campanha pelos povos africanos de M.J., essa é mais contribuição à vida. (clique) http://www.youtube.com/v/oJEqJ9yALx8&hl=pt_BR&fs=1&"> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=5573 CARTA CAPITAL Os vencidos não se entregam 27/11/2009 15:16:03 Luana Lila, de Iaras No acampamento Rosa Luxemburgo, como em tantos outros ligados ao MST, as condições de vida são precárias. As lonas esquentam em demasia durante o dia, falta água e energia elétrica. Mas o que mais incomoda as 180 famílias acampadas nos arredores de Iaras, no sudoeste de São Paulo, são as tempestades. "Você nunca sabe se vai deitar e amanhecer em pé ou não. Tudo sai voando, eu tenho um medo terrível. Se cai granizo é pior ainda, porque você vê que a lona não vai resistir. Depois que passa, a gente sai para ver o que sobrou, todo mundo tem de se ajudar para reconstruir", afirma Rosalina Beatriz de Oliveira, acampada há cerca de um ano. A fazenda Agrocentro, que dá lugar ao acampamento, foi declarada improdutiva pelo Incra e aguarda a conclusão do processo de desapropriação. Para chegar lá, depois de três horas pelas modernas estradas do estado, o progresso do agronegócio se faz mais tímido e grandes buracos no asfalto dificultam a circulação dos veículos. Em seguida, o carro segue derrapando na areia grossa, ao longo de 32 quilômetros de estrada de terra cercada de plantações de eucalipto e cana. Na fazenda o pasto deu lugar aos barracos de lona que surgem no horizonte. Com o sol forte na cabeça e a terra fervendo sob os pés, o olhar insiste na busca por um abrigo, mas são poucas as árvores que sobraram. No interior dos barracos a temperatura é insuportável. Na varanda improvisada com um puxadinho de lona está Marta Pereira da Silva, que mora há oito meses no acampamento. Marta parece ter bem menos idade do que os 40 anos que sua certidão de nascimento aponta, mas está doente. Tem pressão alta e diabetes e toma mais de vinte comprimidos por dia. Quando vai ao pronto-socorro, em Bauru, sempre ouve que a primeira coisa a fazer, se quiser continuar viva, é deixar o acampamento o mais rápido possível. Os médicos sabem que, da próxima vez que passar mal, ela pode não chegar a tempo ao hospital. Dependerá da boa vontade de um companheiro de carro ou da polícia, que já foi acionada em momentos de emergência e não apareceu. Marta prefere correr o risco: "Os médicos falam para eu sair daqui, mas e a minha terra, e a minha luta? " O acampamento Rosa Luxemburgo não está ali por acaso. Na região existem 50 mil hectares de terras públicas indevidamente ocupados por particulares. A história começou em 1920, quando a União adquiriu a área, que abrange os municípios de Águas de Santa Bárbara, Iaras, Borebi, Lençóis Paulista e Agudos, para a colonização de famílias de imigrantes. O problema é que as terras não foram discriminadas regularmente e, com o passar do tempo, particulares começaram a tomar conta e registrar as áreas em cartório. Foi só a partir de 1994 que o Incra começou a fazer um levantamento da área pública total, conhecida como Núcleo Colonial Monção. Em 2002, o Instituto passou a identificar os ocupantes irregulares, concluindo que os atuais proprietários não são os mesmos que tomaram as terras originalmente, pois, ao longo dos anos, elas foram vendidas diversas vezes. Isso acaba dando bases para longas disputas judiciais, enquanto o Incra solicita a devolução das terras à União, mediante indenização. Ele se baseia em artigo da Constituição que determina que as terras públicas devem ser prioritariamente direcionadas à reforma agrária. Para complicar ainda mais, além das terras públicas, existem na região onze fazendas, cerca de 15 mil hectares, que já foram vistoriadas e consideradas improdutivas pelo Incra, mas aguardam uma certidão de uso e ocupação do solo da prefeitura de Agudos para que o processo de desapropriação tenha início. Mas o prefeito Everton Octaviani, que por enquanto concedeu o documento apenas para a fazenda Agrocentro, afirma que, dos onze imóveis, ao menos quatro proprietários entraram com ações na Justiça contra o laudo de improdutividade. Quanto aos outros, o prefeito explica a demora na emissão do documento: "Eu ainda não emiti porque não quero que venham para o município essas famílias de outras localidades, que são do MST. Eu tenho negociado com o Incra e exijo que sejam colocadas ali famílias da minha cidade, famílias de trabalhadores que vão fazer um bom uso da terra, que vão produzir. Eu não posso dizer que só quero agudenses, mas preferencialmente de Agudos, e que não sejam do MST". No meio desse entroncamento de interesses estão centenas de pessoas que, após uma história de despejos violentos e promessas não cumpridas, aguardam um lote para se estabelecer. Rosalina é uma delas. Aposentada, ela trabalhou em Bauru durante muitos anos como atendente de enfermagem. Sua experiência é útil ao acampamento, assim como os ensinamentos familiares sobre o uso de ervas medicinais. "O tradicional do hospital não serve para nada aqui." Enquanto as famílias vivem no acampamento, as pequenas hortas pipocam lá e cá, fartas. São plantações de mandioca, abóbora, chuchu, almeirão e alface. Mesmo com a situação indefinida, eles já podem se alimentar do que plantaram, mas não expandem o cultivo por medo de ser expulsos a qualquer momento, como aconteceu diversas vezes com Francisca Ângela dos Santos: "Quando acontece o despejo, a gente tem de levar a casa inteira nas costas. A minha casa está toda aqui, você já pensou se for para sair dentro de 24 horas, o que vou fazer com isso? Eu tenho de levar os animais, o que não puder ir fica". As primeiras ocupações do MST na região datam de 1995, quando o movimento percebeu a complexidade agrária do local e vislumbrou uma possibilidade para o assentamento de suas famílias. Desde então, a disputa judicial entre o Incra e os fazendeiros rendeu alguns frutos aos trabalhadores. Segundo o superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, entre Iaras e Bauru existem cerca de mil famílias assentadas. Algumas empresas preferiram fazer acordos de permuta nos quais cedem à União uma área equivalente à que ocupam, mas em outro local, para não perder as benfeitorias já instaladas. O mesmo tipo de acordo foi discutido durante seis meses com a Cutrale, mas ela decidiu continuar o processo judicial. Para Paulo Beraldo, dirigente regional do MST, isso explica a ação do movimento na fazenda Santo Henrique, no início de outubro: "Ocupamos em 2008 em busca de um acordo para passar uma área equivalente para que a Cutrale não tivesse de mexer nas laranjas. Tendo o acordo, a gente respeitava aquela área como deles, só queríamos saber onde seria a nossa". O MST alega ainda que as acusações de depredação das benfeitorias da empresa e o roubo de funcionários não foram ações efetuadas por eles, e, sim, nas palavras de Paulo, por "alguém que se aproveitou da situação e, como estava lá, saiu na conta do movimento". Segundo ele, alguns tratores destruídos estavam danificados na própria oficina da fazenda. Enquanto as investigações sobre o caso não são concluídas, o superintendente do Incra critica a ação do MST na fazenda da Cutrale: "A reforma agrária não é um processo de revolução para fazer o socialismo. A reforma agrária implica um debate sobre a nossa dívida social. Estamos empregando uma família, dando condições de vida, de cidadania". -------------------------------------------------------------------------------- Por Frei Henri Burin des Roziers COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DO SUL E SUDESTE DO PARÁ. Segundo os relatos de trabalhadores rurais cerca de 200 policiais civis e militares, vários deles embriagados, realizaram operações nessas ultimas semanas nos acampamentos da Fazenda Rio Vermelho, Castanhais e Espírito Santo, todas na região de Xinguara. Espancaram, torturaram até mulher grávida, humilharam, ameaçaram de prisão e de morte, apontaram armas para os trabalhadores, apreenderam pertences das famílias e destruíram suas roças. Apenas para os 2 primeiros acampamentos existia ordem judicial de busca e apreensão de armas e munições e ainda assim a policia agiu com violência e arbitrariedade, extrapolando totalmente os limites da legalidade e ferindo a dignidade e os direitos humanos dos trabalhadores e trabalhadoras acampadas. No dia 12.11.09, no Acampamento Alto Bonito, na Fazenda Castanhais, chegaram cerca de 50 policiais, dentre os quais, membros da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Policiais Militares e integrantes da Tropa de Choque. Os acampados relatam que homens e mulheres foram constantemente humilhados e até ameaçados de morte pela policia durante a operação. Sofreram muita violência psicológica, a fim de que identificassem pelo nome todos os lavradores, bem como os coordenadores. Destaca-se em particular a arbitrariedade e violência da policia com relação à lavradora Neidiane Rodrigues Resplandes, que mesmo estando grávida de poucos meses, foi obrigada a caminhar cerca de meio quilômetro, debaixo de ofensas e xingamentos. Após uma sequência de tortura psicológica para que dissesse os nomes dos coordenadores e onde estavam as armas, a mulher passou mal e teve sangramento ali mesmo na frente dos policiais, que ao perceberem o estado da lavradora, colocaram-na no carro e a deixaram no Acampamento. Segundo os acampados, nenhuma arma de fogo foi apreendida, mas a policia levou muitas ferramentas de trabalho, tais como: facões, facas de cozinha, machados, bomba costal, uma antena de celular, alguns quilos de arroz, feijão, documentos pessoais, 06 motocicletas e até os galões de pegar água no córrego. Nenhuma família sabe para onde foram levados os seus pertences. Dois dias depois, em 14.11.09, foi a vez do Acampamento João Canuto, na Fazenda Rio Vermelho, aonde chegaram cerca de 200 policiais, incluindo aproximadamente 15 militares da cavalaria. Esses cavaleiros adentraram as roças dos lavradores e destruíram parcialmente as plantações de milho, mandioca e feijão. Durante a revista, os policiais levaram também vários objetos pessoais das famílias, inclusive 02 bandeiras do MST e 04 facões. Contudo a maior demonstração de vandalismo e brutalidade da policia ocorreu no Acampamento Vladimir Maiakovisk, na Fazenda Espírito Santo. Na noite de 22.11.09, por volta das 19:00 horas, chegaram cerca de 30 policiais militares do GOE (Grupo de Operações Especiais) e passaram a agredir os acampados. Eles desceram do ônibus trajando shorts e camisas tipo regata, todos armados com pistolas, rifles e espingardas calibre 12, gritavam xingamentos e palavras de baixo calão. Um dos policiais fez a lavradora Rita de Cássia deitar no chão e apontou uma espingarda calibre 12 para a sua cabeça. Outro militar ameaçou de morte o acampado Weston Gomes e lhe deu um soco, na altura da costela. Outro policial apontou a arma para a agricultora Elione, abriu e chutou a sua bolsa. Conforme as declarações dos acampados, a maioria dos policiais demonstrava visíveis sinais de embriaguez alcoólica e em nenhum momento apresentaram qualquer ordem judicial para adentrar e revistar o acampamento. Lembramos que no IV Seminário Nacional da Proteção de Defensores de Direitos Humanos, estava presente a Comissária da ONU para assuntos de Direitos Humanos, Navy Pillay, que advertiu sobre excessos cometidos por policiais: "Agentes policiais tem que saber que não podem abusar de seu exercício profissional". Parece que essa advertência não significa nada para esses policiais e seus superiores, pois o que se observa é a repetição das praticas violentas e de banditismo que caracterizaram a "Operação Paz no Campo" ocorrida no Sul do Pará em novembro de 2007 e que ficou conhecida pelos movimentos sociais como o "Terror no Campo". Até quando isso vai continuar? Xinguara-PA, 25 de novembro de 2009. -------------------------------------------------------------------------------- CARTA O BERRO. ..........repassem. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=5573 CARTA CAPITAL Os vencidos não se entregam 27/11/2009 15:16:03 Luana Lila, de Iaras No acampamento Rosa Luxemburgo, como em tantos outros ligados ao MST, as condições de vida são precárias. As lonas esquentam em demasia durante o dia, falta água e energia elétrica. Mas o que mais incomoda as 180 famílias acampadas nos arredores de Iaras, no sudoeste de São Paulo, são as tempestades. "Você nunca sabe se vai deitar e amanhecer em pé ou não. Tudo sai voando, eu tenho um medo terrível. Se cai granizo é pior ainda, porque você vê que a lona não vai resistir. Depois que passa, a gente sai para ver o que sobrou, todo mundo tem de se ajudar para reconstruir", afirma Rosalina Beatriz de Oliveira, acampada há cerca de um ano. A fazenda Agrocentro, que dá lugar ao acampamento, foi declarada improdutiva pelo Incra e aguarda a conclusão do processo de desapropriação. Para chegar lá, depois de três horas pelas modernas estradas do estado, o progresso do agronegócio se faz mais tímido e grandes buracos no asfalto dificultam a circulação dos veículos. Em seguida, o carro segue derrapando na areia grossa, ao longo de 32 quilômetros de estrada de terra cercada de plantações de eucalipto e cana. Na fazenda o pasto deu lugar aos barracos de lona que surgem no horizonte. Com o sol forte na cabeça e a terra fervendo sob os pés, o olhar insiste na busca por um abrigo, mas são poucas as árvores que sobraram. No interior dos barracos a temperatura é insuportável. Na varanda improvisada com um puxadinho de lona está Marta Pereira da Silva, que mora há oito meses no acampamento. Marta parece ter bem menos idade do que os 40 anos que sua certidão de nascimento aponta, mas está doente. Tem pressão alta e diabetes e toma mais de vinte comprimidos por dia. Quando vai ao pronto-socorro, em Bauru, sempre ouve que a primeira coisa a fazer, se quiser continuar viva, é deixar o acampamento o mais rápido possível. Os médicos sabem que, da próxima vez que passar mal, ela pode não chegar a tempo ao hospital. Dependerá da boa vontade de um companheiro de carro ou da polícia, que já foi acionada em momentos de emergência e não apareceu. Marta prefere correr o risco: "Os médicos falam para eu sair daqui, mas e a minha terra, e a minha luta? " O acampamento Rosa Luxemburgo não está ali por acaso. Na região existem 50 mil hectares de terras públicas indevidamente ocupados por particulares. A história começou em 1920, quando a União adquiriu a área, que abrange os municípios de Águas de Santa Bárbara, Iaras, Borebi, Lençóis Paulista e Agudos, para a colonização de famílias de imigrantes. O problema é que as terras não foram discriminadas regularmente e, com o passar do tempo, particulares começaram a tomar conta e registrar as áreas em cartório. Foi só a partir de 1994 que o Incra começou a fazer um levantamento da área pública total, conhecida como Núcleo Colonial Monção. Em 2002, o Instituto passou a identificar os ocupantes irregulares, concluindo que os atuais proprietários não são os mesmos que tomaram as terras originalmente, pois, ao longo dos anos, elas foram vendidas diversas vezes. Isso acaba dando bases para longas disputas judiciais, enquanto o Incra solicita a devolução das terras à União, mediante indenização. Ele se baseia em artigo da Constituição que determina que as terras públicas devem ser prioritariamente direcionadas à reforma agrária. Para complicar ainda mais, além das terras públicas, existem na região onze fazendas, cerca de 15 mil hectares, que já foram vistoriadas e consideradas improdutivas pelo Incra, mas aguardam uma certidão de uso e ocupação do solo da prefeitura de Agudos para que o processo de desapropriação tenha início. Mas o prefeito Everton Octaviani, que por enquanto concedeu o documento apenas para a fazenda Agrocentro, afirma que, dos onze imóveis, ao menos quatro proprietários entraram com ações na Justiça contra o laudo de improdutividade. Quanto aos outros, o prefeito explica a demora na emissão do documento: "Eu ainda não emiti porque não quero que venham para o município essas famílias de outras localidades, que são do MST. Eu tenho negociado com o Incra e exijo que sejam colocadas ali famílias da minha cidade, famílias de trabalhadores que vão fazer um bom uso da terra, que vão produzir. Eu não posso dizer que só quero agudenses, mas preferencialmente de Agudos, e que não sejam do MST". No meio desse entroncamento de interesses estão centenas de pessoas que, após uma história de despejos violentos e promessas não cumpridas, aguardam um lote para se estabelecer. Rosalina é uma delas. Aposentada, ela trabalhou em Bauru durante muitos anos como atendente de enfermagem. Sua experiência é útil ao acampamento, assim como os ensinamentos familiares sobre o uso de ervas medicinais. "O tradicional do hospital não serve para nada aqui." Enquanto as famílias vivem no acampamento, as pequenas hortas pipocam lá e cá, fartas. São plantações de mandioca, abóbora, chuchu, almeirão e alface. Mesmo com a situação indefinida, eles já podem se alimentar do que plantaram, mas não expandem o cultivo por medo de ser expulsos a qualquer momento, como aconteceu diversas vezes com Francisca Ângela dos Santos: "Quando acontece o despejo, a gente tem de levar a casa inteira nas costas. A minha casa está toda aqui, você já pensou se for para sair dentro de 24 horas, o que vou fazer com isso? Eu tenho de levar os animais, o que não puder ir fica". As primeiras ocupações do MST na região datam de 1995, quando o movimento percebeu a complexidade agrária do local e vislumbrou uma possibilidade para o assentamento de suas famílias. Desde então, a disputa judicial entre o Incra e os fazendeiros rendeu alguns frutos aos trabalhadores. Segundo o superintendente do Incra em São Paulo, Raimundo Pires Silva, entre Iaras e Bauru existem cerca de mil famílias assentadas. Algumas empresas preferiram fazer acordos de permuta nos quais cedem à União uma área equivalente à que ocupam, mas em outro local, para não perder as benfeitorias já instaladas. O mesmo tipo de acordo foi discutido durante seis meses com a Cutrale, mas ela decidiu continuar o processo judicial. Para Paulo Beraldo, dirigente regional do MST, isso explica a ação do movimento na fazenda Santo Henrique, no início de outubro: "Ocupamos em 2008 em busca de um acordo para passar uma área equivalente para que a Cutrale não tivesse de mexer nas laranjas. Tendo o acordo, a gente respeitava aquela área como deles, só queríamos saber onde seria a nossa". O MST alega ainda que as acusações de depredação das benfeitorias da empresa e o roubo de funcionários não foram ações efetuadas por eles, e, sim, nas palavras de Paulo, por "alguém que se aproveitou da situação e, como estava lá, saiu na conta do movimento". Segundo ele, alguns tratores destruídos estavam danificados na própria oficina da fazenda. Enquanto as investigações sobre o caso não são concluídas, o superintendente do Incra critica a ação do MST na fazenda da Cutrale: "A reforma agrária não é um processo de revolução para fazer o socialismo. A reforma agrária implica um debate sobre a nossa dívida social. Estamos empregando uma família, dando condições de vida, de cidadania". -------------------------------------------------------------------------------- Por Frei Henri Burin des Roziers COMISSÃO PASTORAL DA TERRA DO SUL E SUDESTE DO PARÁ. Segundo os relatos de trabalhadores rurais cerca de 200 policiais civis e militares, vários deles embriagados, realizaram operações nessas ultimas semanas nos acampamentos da Fazenda Rio Vermelho, Castanhais e Espírito Santo, todas na região de Xinguara. Espancaram, torturaram até mulher grávida, humilharam, ameaçaram de prisão e de morte, apontaram armas para os trabalhadores, apreenderam pertences das famílias e destruíram suas roças. Apenas para os 2 primeiros acampamentos existia ordem judicial de busca e apreensão de armas e munições e ainda assim a policia agiu com violência e arbitrariedade, extrapolando totalmente os limites da legalidade e ferindo a dignidade e os direitos humanos dos trabalhadores e trabalhadoras acampadas. No dia 12.11.09, no Acampamento Alto Bonito, na Fazenda Castanhais, chegaram cerca de 50 policiais, dentre os quais, membros da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA), Policiais Militares e integrantes da Tropa de Choque. Os acampados relatam que homens e mulheres foram constantemente humilhados e até ameaçados de morte pela policia durante a operação. Sofreram muita violência psicológica, a fim de que identificassem pelo nome todos os lavradores, bem como os coordenadores. Destaca-se em particular a arbitrariedade e violência da policia com relação à lavradora Neidiane Rodrigues Resplandes, que mesmo estando grávida de poucos meses, foi obrigada a caminhar cerca de meio quilômetro, debaixo de ofensas e xingamentos. Após uma sequência de tortura psicológica para que dissesse os nomes dos coordenadores e onde estavam as armas, a mulher passou mal e teve sangramento ali mesmo na frente dos policiais, que ao perceberem o estado da lavradora, colocaram-na no carro e a deixaram no Acampamento. Segundo os acampados, nenhuma arma de fogo foi apreendida, mas a policia levou muitas ferramentas de trabalho, tais como: facões, facas de cozinha, machados, bomba costal, uma antena de celular, alguns quilos de arroz, feijão, documentos pessoais, 06 motocicletas e até os galões de pegar água no córrego. Nenhuma família sabe para onde foram levados os seus pertences. Dois dias depois, em 14.11.09, foi a vez do Acampamento João Canuto, na Fazenda Rio Vermelho, aonde chegaram cerca de 200 policiais, incluindo aproximadamente 15 militares da cavalaria. Esses cavaleiros adentraram as roças dos lavradores e destruíram parcialmente as plantações de milho, mandioca e feijão. Durante a revista, os policiais levaram também vários objetos pessoais das famílias, inclusive 02 bandeiras do MST e 04 facões. Contudo a maior demonstração de vandalismo e brutalidade da policia ocorreu no Acampamento Vladimir Maiakovisk, na Fazenda Espírito Santo. Na noite de 22.11.09, por volta das 19:00 horas, chegaram cerca de 30 policiais militares do GOE (Grupo de Operações Especiais) e passaram a agredir os acampados. Eles desceram do ônibus trajando shorts e camisas tipo regata, todos armados com pistolas, rifles e espingardas calibre 12, gritavam xingamentos e palavras de baixo calão. Um dos policiais fez a lavradora Rita de Cássia deitar no chão e apontou uma espingarda calibre 12 para a sua cabeça. Outro militar ameaçou de morte o acampado Weston Gomes e lhe deu um soco, na altura da costela. Outro policial apontou a arma para a agricultora Elione, abriu e chutou a sua bolsa. Conforme as declarações dos acampados, a maioria dos policiais demonstrava visíveis sinais de embriaguez alcoólica e em nenhum momento apresentaram qualquer ordem judicial para adentrar e revistar o acampamento. Lembramos que no IV Seminário Nacional da Proteção de Defensores de Direitos Humanos, estava presente a Comissária da ONU para assuntos de Direitos Humanos, Navy Pillay, que advertiu sobre excessos cometidos por policiais: "Agentes policiais tem que saber que não podem abusar de seu exercício profissional". Parece que essa advertência não significa nada para esses policiais e seus superiores, pois o que se observa é a repetição das praticas violentas e de banditismo que caracterizaram a "Operação Paz no Campo" ocorrida no Sul do Pará em novembro de 2007 e que ficou conhecida pelos movimentos sociais como o "Terror no Campo". Até quando isso vai continuar? Xinguara-PA, 25 de novembro de 2009. -------------------------------------------------------------------------------- Nenhum vírus encontrado nessa mensagem recebida. Verificado por AVG - www.avgbrasil.com.br Versão: 8.5.426 / Banco de dados de vírus: 270.14.86/2533 - Data de Lançamento: 11/28/09 19:34:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091129/9f36e378/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Nov 30 19:50:17 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 30 Nov 2009 19:50:17 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_desespero_da_Folha_=E9_pior_d?= =?windows-1252?q?o_que_a_mente_de_Benjamim?= Message-ID: Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Flavio Abelha -----Mensagem Original----- De: Ana Santanna O desespero da Folha é pior do que a mente de Benjamim Cesar Benjamim é uma mente doentia. Alguém que inventa histórias e constrói tramas para desqualificar aqueles com os quais por muitas vezes teve longo relacionamento. Para quem não se lembra, esse é o sujeito que ?denunciou? Emir Sader quando a editora dele não foi escolhida para fazer um trabalho que o sociólogo coordenava. Era amigo de Sader por muito tempo, mas como seus interesses comerciais não foram atingidos, decidiu acusá-lo publicamente de corrupto. Este Cesar Benjamim também é o mesmo que trabalhou no programa de governo de Garotinho quando imaginava que aquele poderia ser o candidato do PMDB à presidência da República. Era um dos ?cérebros? do ex-governador na construção de um programa nacionalista. Mas como a candidatura do ex-governador não emplacou pelo PMDB, este mesmo Cesar Benjamim se filiou ao PSol e saiu candidato à vice-presidência da República na chapa de Heloísa Helena. Provavelmente porque passou a achar que Garotinho não era mais o caminho a verdade e a vida. Mas sim HH. Não foi só do PT, partido ao qual foi filiado, que saiu atirando. Também tretou com Garotinho e com o PSol. Benjamim não é só craque em produzir inimigos. É especialista em delação pública sem provas. Se alguém com um currículo desses procurasse seu jornal para denunciar o presidente da República de ter tentado enrabar (vamos usar o português claro) um jovem nos dias em que era preso político, o que você faria? Publicaria o artigo? E se essa mente doentia ainda citasse nominalmente uma única pessoa como testemunha, o que você faria? Não ouviria a testemunha e publicaria o artigo? Cesar Benjamim é uma pessoa sem caráter, um psicopata da política. Pessoas assim existem. E vivem buscando jornais para acusar seus adversários. Jornais, em geral, as ignoram. Por isso, neste episódio, o que mais me assusta é ver a Folha valer-se de uma mente insana para tentar atingir a reputação de alguém a quem se contrapõe politicamente. Se a direção deste jornal considera isso válido para atingir seus objetivos, por que não sustentaria um golpe para derrotar esses mesmos adversários políticos? A iminente derrota da oposição em 2010 e a falta de perspectiva política desse grupo nos próximos anos estão levando a uma radicalização midiática que não é só nojenta. É preocupante. É bom os partidos da base do governo ficarem atentos a isso. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091130/68fcd8ec/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4228 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20091130/68fcd8ec/attachment.gif