From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 5 19:42:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 5 May 2009 19:42:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__AUGUSTO_BOAL__=28textos_sobre_?= =?windows-1252?q?a_sua_vida_e_a_sua_morte=29da_Carta_Maior__e_uma_?= =?windows-1252?q?entrevista=3A_No_palco=2C_solu=E7=F5es_para_a_vid?= =?windows-1252?q?a_real_do_Brasil_de_Fato?= Message-ID: <029601c9cdd2$d03bdc60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Numa quinta-feira de 1971 o carcereiro com aquelas chaves de motorneiro abria a porta de ferro da Cela 3 do Presídio Tiradentes para "depositar" mais um preso político que fazia a Ditadura tremer de ódio. Desta vez entrava na nossa cela, Augusto Boal. Camisa xadrez, cabelo esvoaçante, simples e simpático. Foi logo recebendo as boas vindas dos companheiros e a injeção de moral alta. Eram sete beliches. Cedi a minha cama e subi para o beliche de cima para ele não ter que escalar aquela escadinha estreita. Demos tempo para ele descançar e chamamos para o jantar em volta da nossa mesa redonda. Construçãodo companheiro Flávio. Ali fazíamos as nossas refeições,todos juntos. Ali era, também o lugar onde todos se reunião para a leitura resumida dos jornais, as palestras do companheiros da nossa cela ou de outras, inclusive para as críticas e auto-críticas necessárias. Eram sete celas no Pavilhão um do Presídio Tiradentes. Boal logo se enturmou ao coletivo e propós falar às sextas-feiras sobre o teatro, sobretudo do Opinião. Ganhou , no curto espaço que lá permaneceu, a simpatia de todos. Alípio Freire, Mosca, Flávio, Gorender, Silvio, Vicente, Buda e outros. Quando saiu deixou um monte de revista e livros para a biblioteca coletiva. Era o que todos faziam. Meses depois é entregue clandestinamente para os companheiros da cela o seu livro relatando aquela experiência fora e no convívio conosco. (com pseudônimo de cada um) parecia que era um esboço de uma futura peça. Vim vê-lo muitos anos depois, aqui em Ribeirão Preto-SP, numa encenação-ensaio do Teatro do Oprimido. Foi uma alegria inimaginável e com direito a autógrafo no "Cela 3". E depois um chopp gelado no Pingüim. A nossa homenagem ao companheiro Augusto Boal. Leitor e incentivador da Carta O Berro, até o fim. Agradecemos a sua luta e a tudo que nos deixou. Vanderley Caixe ================================================================================================================================== DEBATE ABERTO Boal está vivo! Boal detestava a mediocridade, o servilismo e o silêncio dos que fingem que não vêem o que se passa. Era um homem direto e franco, sem jamais perder a ternura dos bons. Certamente, depois de morto, será ainda mais reconhecido, na nossa trágica tradição de valorizar mais os mortos do que os vivos. Luís Carlos Lopes Canalhas de todo o mundo não fiquem alegres. Boal está vivo! Vocês que torturaram o seu corpo, que infamaram seu trabalho, jamais venceram ou vencerão. Podem causar danos, adiar projetos, mas não conseguirão impedir que exista espaço para gente talentosa e com forte postura ética. Pobres de vocês, que jamais serão conhecidos pela honestidade e pela solidariedade com os demais membros da espécie humana. É verdade que ele se foi, que não mais o veremos no plano físico, entretanto, ele jamais morrerá no coração de todos os oprimidos da face da Terra. Os seus 78 anos bem vividos foram suficientes para ele dizer a que veio e deixar um legado imortal de um brasileiro, carioca, suburbano, revolucionário e doce como goiabada. Vocês que nunca o compreenderam e nem fizeram questão de melhor conhecê-lo, não sabem o que perderam. Pessoas como ele não existem em cada esquina. Simples, profundo e companheiro de todos que possuem o espírito livre e a consciência no lugar. Boal jamais foi arrogante como vocês. Nunca disse que sabia mais do que ninguém. Não precisava de marketing pessoal e nem de tietagem comercial. Sua presença bastava e se impunha por si só, em tudo o que fazia no Brasil e no exterior. Deixou uma legião de admiradores e formou gerações de pessoas interessadas em contribuir para a construção de sociedades mais justas. Sua fama correu mundo, bem como o respeito pelo seu trabalho. Nada pedia pelo que fazia. Recebeu até poucas homenagens, considerando a grandeza de sua intervenção no mundo da vida. Certamente, depois de morto, será ainda mais reconhecido, na nossa trágica tradição de valorizar mais os mortos do que os vivos. Não importa. Ele era o próprio teatro, e ele continuará a usar suas peças e, sobretudo, seu método e seus infindáveis ensinamentos. Estes retiravam material da alegria de estar vivo e de olhos abertos. É verdade, Boal detestava a mediocridade, o servilismo e o silêncio dos que fingem que não vêem o que se passa. Era um homem direto e franco, sem jamais perder a ternura dos bons. Luís Carlos Lopes é professor. ========================================================================================== O filho do padeiro e a revolução Em uma época na qual a arte se identifica e se organiza em tendências de temporada, será cada vez mais raro encontrar um artista cuja tendência radical na direção da justiça é obra de uma vida inteira. Augusto Boal construiu uma carreira pontuada muitas vezes por lances decisivos, não apenas pessoalmente, mas para a história do teatro brasileiro. Por meio de sua obra, o andar de baixo finalmente vem à luz e personagens como operários, cangaceiros e jogadores de times de várzea ganham o palco. O artigo é de Kil Abreu. Kil Abreu (*) Filho de um padeiro português que chegou ao Rio de Janeiro por se recusar a servir como soldado em uma guerra com a qual não concordava e de uma certa senhora que abandonara o primeiro noivo praticamente no altar para casar, por decisão e gosto, com um ?aventureiro?, Augusto Boal aprendeu desde logo que o mundo pode ser mudado, bastando para isso decisão e coragem. Toda a sua invenção no teatro parece se basear nesta fé sobre o efeito da ação do homem no mundo, que não é apenas um lance retórico, como no teatro burguês, e deve ser encontrada nos motivos da vida ordinária. Foi assim que ele construiu uma carreira pontuada muitas vezes por lances decisivos, não apenas pessoalmente, mas para a história do teatro brasileiro. Convidado ao então promissor Teatro de Arena, em 1956, empresta ao grupo os conhecimentos aprendidos, de encenação e dramaturgia, em uma recente temporada nos Estados Unidos. Principal ideólogo nos caminhos de uma cena preocupada em com as contradições da sociedade, é Boal quem intui que um teatro novo, com assuntos ainda não levados ao palco, pede também uma cena nova, com dramaturgia própria e um repertório técnico e artístico que dê conta de suportar a representação da realidade em chave crítica. Introduz o método de Stanislávski, que havia estudado no Actor's Studio, com vistas ao naturalismo que seria de grande valia para a primeira fase de renovação da cena que o Arena promoveria. O andar de baixo finalmente vem à luz e personagens como operários, cangaceiros e jogadores de times de várzea ganham o palco. Era a hora da representação dos temas nacionais, quando dirigiu, entre outros, Chapetuba Futebol Clube, de Oduvaldo Viana Filho (1959), espetáculo que dá seguimento a Eles não usam Black-tie, peça de Guarnieri (1958) dirigida por José Renato. Ainda em 1960, de mãos dadas com os ensinamentos vindos de Brecht e o seu teatro épico, Boal escreve Revolução na América do Sul , uma mistura de teatro de agitação, tradições populares e revista musical. O espetáculo tem direção de José Renato e afirma com grande inventividade as marcas que pautariam toda a sua produção posterior: de um lado, o espírito criativo iconoclasta, experimental e, de outro, a certeza de que a experiência estética não é mero formalismo, é meio para a discussão urgente de algum aspecto da vida em sociedade. O período que vai de 64 a 71, contabilizada a grande sede de justiça social provocada pelo golpe, é o período da resistência que inclui ações em várias frentes: alinhado ao CPC da UNE, já na ilegalidade, Boal dirige, no Rio, o Show Opinião, com Zé Ketti, João do Vale e Nara Leão. Em São Paulo cria, com Guarnieri e Edu Lobo, o musical Arena Conta Zumbi, cuja estrutura modelar seria aproveitada em outras montagens (Arena conta Bahia, Arena conta Tiradentes, Arena conta Bolívar). O propósito é evidente: fazer, através de personagens históricos ligados às lutas populares, o cotejamento com a realidade atual do país, apontando a necessidade de mobilização e de mudança. Mas não é só. Para que o efeito crítico seja efetivo os espetáculos trazem, entre outras inovações, o ?sistema coringa?, uma técnica através da qual todos os atores interpretam todos os personagens e a fábula é conduzida por um narrador, que à maneira brechtiana faz a mediação crítica e chama a platéia a acompanhar as cenas à luz da razão. É ao fim deste duro período, quando finalmente será exilado depois de passar por tortura e de ver suas montagens censuradas, que está o nascedouro da experiência que consagraria Boal como um dos artistas brasileiros mais importantes do mundo. É quando surgem os princípios que vão orientar as técnicas que mais adiante serão aplicadas ao seu Teatro do Oprimido. É criado o Núcleo Independente, oriundo do Arena, que teria ação importante na periferia de São Paulo nos anos 70. O primeiro espetáculo chama-se Teatro Jornal 1a. edição e inspira-se no trabalho de um grupo de agit-prop americano dos anos 30, o Living Newspaper. O procedimento fundamental está próximo do que mais tarde seria o Teatro Fórum: os atores lêem as notícias do dia e criam situações cênicas para debater pontos de vista e lançar novos olhares sobre o noticiado. Expulso do seu país, Boal prossegue com seu trabalho no exterior, primeiro na Argentina, onde desenvolve a estrutura teórica dos procedimentos do teatro do oprimido. É quando passa a sistematizar e a praticar uma revolução verdadeira. Simples como o são as coisas necessárias e urgentes, o Teatro do Oprimido tem como palco qualquer lugar onde um grupo de cidadãos possa se reunir e tem como fiinalidade dar voz, através da representação simbólica do mundo, aos que em geral permanecem calados. Com uma técnica engenhosa, que leva aquele que seria o espectador do teatro burguês ao lugar de atuante no curso dos acontecimentos, é uma forma teatral que desmistifica a coisa estética para ver a beleza no exercício de autonomia do sujeito, quando este é chamado a intervir no andamento da ação e a dar sentido político à sua própria existência. Recentemente o Teatro Legislativo, gênero derivado do TO e surgido durante o mandato de Boal como vereador no Rio de Janeiro, foi responsável pela criação de treze Leis municipais, todas nascidas da discussão comunitária, em encontros nos quais a população apresentou, através do teatro, as suas demandas. Nomeado pela Unesco Embaixador Mundial do Teatro em março deste ano, Boal deixa seus livros traduzidos em vinte idiomas e centros de teatro do oprimido espalhados por mais de setenta países. Nesta semana de homenagens póstumas não será demais lembrar uma fala, na apresentação da sua autobiografia, em que ele dizia que a idéia de se autobiografar é algo quase imoral, pois que o importante é a obra, não o homem. Mas o fato é que seu gênio artístico fará falta, sim, e tende a parecer cada vez mais uma anomalia, um idealismo ingênuo ? como, aliás, está tratado já subliminarmente, nas falas de despedida, pela grande mídia e por vários dos seus companheiros de jornada, hoje rendidos ao mercado do entretenimento. Em uma época na qual a arte se identifica e se organiza em tendências de temporada, será cada vez mais raro encontrar um artista cuja tendência radical na direção da justiça é obra de uma vida inteira. (*) Kil Abreu é jornalista, crítico e pesquisador do teatro. É curador do Festival Recife do Teatro nacional e coordena o Núcleo de Estudos do teatro contemporâneo da Escola Livre de Santo André. ======================================================================== Carta do MST a Augusto Boal "O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo", diz carta do Movimento dos Sem Terra em homenagem a Augusto Boal. "Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política. Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se vendeu, não se calou". Redação O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou a seguinte carta escrita em homenagem a Augusto Boal, falecido neste sábado, 2 de maio: Companheiro Boal, A ti sempre estimaremos por nos ter ensinado que só aprende quem ensina. Tua luta, tua consciência política, tua solidariedade com a classe trabalhadora é mais que exemplo para nós, companheiro, é uma obra didática, como tantas que escreveu. Aprendemos contigo que os bons combatentes se forjam na luta. Quando ingressou no coletivo do Teatro de Arena, soube dar expressão combativa ao anseio daqueles que queriam dar a ver o Brasil popular, o povo brasileiro. Sem temor, nacionalizou obras universais, formou dramaturgos e atores, e escreveu algumas das peças mais críticas de nosso teatro, como Revolução na América do Sul (1961). Colaborou com a criação e expansão pelo Brasil dos Centros Populares de Cultura (CPC), e as ações do Movimento de Cultura Popular (MCP), em Pernambuco. Mostrou para a classe trabalhadora que o teatro pode ser uma arma revolucionária a serviço da emancipação humana. Aprendeu, no contato direto com os combatentes das Ligas Camponesas, que só o teatro não faz revolução,. Quantas vezes contou nos teus livros e em nossos encontros de teu aprendizado com Virgílio, o líder camponês que te fez observar que na luta de classes todos tem que correr o mesmo risco. Generoso, expôs sempre por meio dos relatos de suas histórias, seu método de aprendizado: aprender com os obstáculos, criar na dificuldade, sem jamais parar a luta. Na ditadura, foi preso, torturado e exilado. No contra-ataque, desenvolveu o Teatro do Oprimido, com diversas táticas de combate e educação por meio do teatro, que hoje fazemos uso em nossas escolas do campo, em nossos acampamentos e assentamentos, e no trabalho de formação política que desenvolvemos com as comunidades de periferia urbana. Poucas pessoas no Brasil atravessaram décadas a fio sem mudar de posição política, sem abrandar o discurso, sem fazer concessões, sem jogar na lata de lixo da história a experiência revolucionária que se forjou no teatro brasileiro até seu esmagamento pela burguesia nacional e os militares, com o golpe militar de 1964. Aprendemos contigo que podemos nos divertir e aprender ao mesmo tempo, que podemos fazer política enquanto fazemos teatro, e fazer teatro enquanto fazemos política. Poucos artistas souberam evitar o poder sedutor dos monopólios da mídia, mesmo quando passaram por dificuldades financeiras. Você, companheiro, não se vergou, não se vendeu, não se calou. Aprendemos contigo que um revolucionário deve lutar contra todas, absolutamente todas as formas de opressão. Contemporâneo de Che Guevara, soube como ninguém multiplicar o legado de que é preciso se indignar contra todo tipo de injustiça. Poucos atacaram com tanta radicalidade as criminosas leis de incentivo fiscal para o financiamento da cultura brasileira. Você, companheiro, não se deixou seduzir pelos privilégios dos artistas renomados. Nos ensinou a mirar nos alvos certeiros. Incansável, meio século depois de teus primeiros combates, propôs ao MST a formação de multiplicadores teatrais em nosso meio. Em 2001 criamos contigo, e com os demais companheiros e companheiras do Centro do Teatro do Oprimido, a Brigada Nacional de Teatro do MST Patativa do Assaré. Você que na década de 1960 aprendeu com Virgílio que não basta o teatro dizer ao povo o que fazer, soube transferir os meios de produção da linguagem teatral para que nós, camponeses, façamos nosso próprio teatro, e por meio dele discutir nossos problemas e formular estratégias coletivas para a transformação social. Nós, trabalhadoras e trabalhadores rurais sem terra de todo o Brasil, como parte dos seres humanos oprimidos pelo sistema que você e nós tanto combatemos, lhes rendemos homenagem, e reforçamos o compromisso de seguir combatendo em todas as trincheiras. No que depender de nós, tua vida e tua luta não será esquecida e transformada em mercadoria. O teatro mundial perde um mestre, o Brasil perde um lutador, e o MST um companheiro. Nos solidarizamos com a família nesse momento difícil, e com todos e todas praticantes de Teatro do Oprimido no mundo. Dos companheiros e companheiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ================================================================================= Entrevista: No palco, soluções para a vida real por cristiano última modificação 05/05/2009 13:51 Entrevista publicada em novembro de 2005 na edição 141 do Brasil de Fato ?Augusto Boal inovou e reinventou o teatro?, já disse sobre ele o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Mais importante do que assistir a um filme, diz o dramaturgo, é que as pessoas pensem também ser capazes de fazer filmes. Ou que as pessoas que recebam um livro para ler sejam também incentivadas a escrever livros elas mesmas. Essas afirmações definem não apenas Boal como todo o seu trabalho, mais que conhecido ? praticado nos cinco continentes. Criador do Teatro do Oprimido, ele foi o diretor artístico do Festival Nacional do Teatro Legislativo, que aconteceu entre os dias 25 e 30 de outubro, no Rio de Janeiro. Nesta entrevista ao Brasil de Fato, Boal fala de seu trabalho e conta que a primeira lei brasileira de proteção às testemunhas de crimes importantes surgiu a partir de um projeto do Centro do Teatro do Oprimido, no qual os grupos populares apresentavam espetáculos em que o público é convidado a entrar em cena, substituir o protagonista e buscar alternativas para o problema encenado. Brasil de Fato ? O que é o Teatro Legislativo? Augusto Boal ? O Teatro Legislativo foi a necessidade que nós sentíamos, antes de eu ser vereador, de transformar em lei aquilo que era um desejo manifestado pela população do Teatro Fórum. Neste, você apresenta o problema, e não as soluções possíveis. Por exemplo, o Shakespeare tem uma peça, Hamlet, em que ele fala que o texto deve ser um espelho, e esse espelho deve refletir a realidade como ela é: com nossos vícios e nossas virtudes. Isso é a opinião dele, o teatro é um espelho. Eu acho isso bonito e tudo. Mas ao mesmo tempo acho que a gente não tem que pensar só em compreender a realidade. Tem que procurar transformar a realidade. Esta sempre deve ser passível de uma transformação e vai necessitar sempre da transformação. Então, eu gostaria que o teatro fosse um espelho mágico, no qual você penetra e, não gostando da imagem que ele reflete, você vai lá dentro e lá modifica essa imagem. A gente sentiu que estava tendo idéias muito boas e tudo isso, mas na realidade a gente precisava de alguma lei. Mesmo que a gente saiba que as leis não são respeitadas no Brasil, é melhor tê-las ao nosso lado do que contra, contra nós. Então a gente começou a pensar na idéia de transformar em lei, entrando para a Câmara dos Vereadores. E eu fui candidato, fui eleito, por quatro anos. BF ? Por qual partido? Boal ? Pelo Partido dos Trabalhadores. Durante quatro anos a gente criou quase 20 grupos, no Rio de Janeiro inteiro, fazendo o Teatro Fórum. De 1993 a 1996. Chegamos a produzir quase 50 projetos de lei. Desses, 13 foram aprovados e hoje são leis. Algumas foram leis bastante localizadas. BF ? Projetos de lei surgiram dessas encenações? Boal ? Sim, com a platéia entrando em cena, havendo a discussão contraditória. Quer dizer, a peça trazia um problema, mas o primeiro espectador não achou uma solução boa, contra o segundo, o terceiro, o quinto. Então, fazendo muito o Teatro Fórum, a gente chegou a poder dizer: bom, o que eles estão querendo é uma lei nesse sentido. E eu apresentava essa lei. Entre elas, a primeira lei brasileira de proteção às testemunhas de crimes. Não havia nenhuma lei que protegesse as testemunhas. Nós fizemos durante meio ano, nas ruas, nas igrejas, nos sindicatos, nas escolas, em toda parte a gente ia, levava as peças e depois fazia a discussão teatral, com o espectador entrando em cena e dando sugestões. E aí, essa foi a primeira lei brasileira, que depois se transformou em uma lei estadual no Espírito Santo. E passou também a ser a base da lei federal. BF ? Fruto de uma encenação do Teatro do Oprimido? Boal ? Sim, de vários grupos, sobre o mesmo tema. Claro que depois o tema foi para Brasília, se ampliou enormemente, porque as possibilidades federais são bem maiores que as municipais. Quando eu saí (da Câmara de Vereadores) a gente continuou fazendo isso. Tem agora três ou quatro leis aprovadas depois que eu saí, porque é muito mais difícil manter a lei, sem ter um vereador ou deputado, assim totalmente empenhado. BF ? Como nasceu o Teatro do Oprimido? Boal ? Em 1970, quando eu trabalhei uma forma chamada Teatro Jornal, eram doze técnicas para ajudar as pessoas a transformarem notícias de jornal em cena teatral. Foi aí a semente do Teatro do Oprimido. O que aconteceu é que a gente não podia mais fazer teatro, tinha censura, invasão da polícia, prisões e tudo. Aí a gente falou: em vez de dar o produto acabado, vamos dar os meios de produção, a platéia produz o seu teatro. BF ? Um meio de produção cultural? Boal ? Sim, e teatral. Depois eu fui exilado, em 1971. Antes fui preso, torturado, aquela coisa ?normal? da época. Fui banido, expulso do país. Na Argentina, comecei a desenvolver formas de teatro, como, por exemplo, o Teatro Invisível, em que a gente vai para a rua e faz uma cena, e não revela que é teatro, para que todo mundo participe. Depois, no Peru, é que eu comecei com o Teatro Fórum, em que a gente apresenta o problema, o espectador entra em cena e mostra alternativas. Então fui para Portugal, de lá passei a trabalhar em quase todos os países da Europa. BF ? E nesses países ficaram frutos de seu trabalho? Boal ? Sim, até hoje e cada vez mais. Na internet existe um página internacional do Teatro do Oprimido. BF ? Qual o endereço? Boal ? O nome é em inglês, porque a página é holandesa: www.theatreoftheoppressed.org/en. Então, você acessando aí vê que tem um mapa-mundi e aí você clica em qualquer continente e aparecem todos os países onde se pratica o Teatro do Oprimido. São, setenta, oitenta países. É o primeiro método da América Latina, de um continente do Hemisfério Sul, que é praticado no mundo inteiro. BF ? Por que você e o Teatro do Oprimido são excluídos da grande mídia? Boal ? Eu acho que todos aqueles artistas que fazem alguma coisa que é extremamente útil para a população e tudo, mas que não tem um gancho, como por exemplo um ator de televisão conhecido, ou algum outro evento que individualize as pessoas, esses são excluídos. Não é o Teatro do Oprimido, nem eu. É qualquer artista que não fizer assim. É excluído mesmo. Em geral, a mídia se interessa pela individualidade, só. E o que nós estamos tentando é fazer com que o Teatro do Oprimido seja usado em todo o tecido social. Não é ver, por exemplo, onde estão os talentos da favela da Maré. Nós não queremos transformá-los em atores de televisão, não é isso. Agora estamos lançando um projeto novo, que é a Estética do Oprimido. Nosso objetivo não é descobrir qual é o melhor poeta de Jacarepaguá, ou qual é o melhor pintor de tal lugar. BF ? Então, o que vocês querem não é o produto final, mas o processo de elaboração. Boal ? Sim, o processo estético é mais importante que o produto artístico. Agora, para quê a gente quer isso, não é um capricho, não é? É que a gente vive na Terceira Guerra Mundial, clara, e estamos perdendo. E essa guerra mundial que estamos perdendo é a guerra da informação. Liga a televisão, hoje, e você vai ver somente filmes estadunidenses, e só de violência. Você nota se o filme é estadunidense ou não, de inspiração em Hollywood ou não, se em cada cinco minutos tem um soco, um tiro, ou uma explosão. Aí isso é estadunidense. O filme europeu raramente tem isso. BF ? E o Teatro do Oprimido, também por não fazer isso não sai na mídia? Boal ? Não sai. Porque a gente quer é o contrário, quer que as pessoas em vez de ficar assimilando, produzam, produzam. Então elas vão questionar, inclusive, as informações recebidas. Se você é obrigado a escrever um poema, depois você se anima, porque os poetas se animam. Entre as domésticas, tem uma que não pára de escrever. Atola a gente de poemas. BF ? Essa é a Estética do Oprimido? Boal ? É isso, é fazer com que as pessoas se apropriem da arte. Não sejam massacradas pela informação. BF ? E como é o seu trabalho com os movimentos sociais? Boal ? Com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o trabalho é muito bom, mas seria melhor se a gente tivesse meios para isso. Há alguns anos, eles começaram a vir ao Rio de Janeiro, do Brasil inteiro. Trabalharam com a gente durante algum tempo, e passamos para eles o que podemos. Depois eles voltaram para seus Estados, Rio Grande do Sul, Pará, Pernambuco etc., e lá eles começaram a desenvolver o Teatro o Oprimido. BF ? São dificuldades logísticas? Boal ? E econômicas. Mas a gente trabalha com eles. E também com os sindicatos dos bancários, dos professores. E estamos trabalhando com dez grupos da periferia. Nas prisões, em seis ou sete Estados brasileiros. Com um projeto de um ano e meio, com o Ministério da Justiça apoiando. E sai caro, porque você imagina ir daqui para Recife e voltar. BF ? Trabalho com os prisioneiros? Boal ? Fazemos as duas coisas. Desta vez tentamos fazer com os funcionários, para que se sintam também participantes desse processo. Quer dizer, que eles entendam que são oprimidos também, e que não resolvem a opressão deles oprimindo outros. BF ? E o que é para o senhor a democratização da cultura e meios de produção cultural? Boal ? Democratização da cultura é uma expressão que está sendo muito usada, mas num sentido que não me agrada. Porque é como se dissessem assim: existem algumas pessoas excepcionais, que são os produtores de cultura. Então, esses produtores de cultura vão democratizá-la levando a um maior número de pessoas. Mas o maior número é entendido como de consumidores, e não como de produtores de cultura. Acho mais importante ainda que as pessoas que recebem o filme sejam também capazes de poder pensar em fazer filme. Ou as pessoas que recebem um livro para ler sejam também incentivadas a escrever elas mesmas. BF ? É o que acontece com a democratização da comunicação, também queremos democratizar os meios de fabricar o jornal. Boal ? É, se você só democratizar a leitura, a exibição e tal, e transformar os outros somente em consumidores, é ruim. Mas tem que ser complementado com dizer: bom, nós viemos mostrar a vocês esses poemas. Agora escrevam vocês mesmos, vocês têm que escrever também. Democratizar a cultura é permitir que as pessoas criem cultura. É democratizar os produtores de cultura e não apenas da produção terminada. Senão se está criando mercados, e criar mercados não é o objetivo da cultura. E na informação é a mesma coisa, a gente tem que criar meios de informar, de contra-informar, de se opor informações para que dessa confrontação, para que dessas dúvidas, inclusive, nasçam certezas. E é isso o que a gente está tentando fazer. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090505/2bba5a06/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15297 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090505/2bba5a06/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22736 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090505/2bba5a06/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11788 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090505/2bba5a06/attachment-0005.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090505/2bba5a06/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 6 19:39:32 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 6 May 2009 19:39:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Vida=2C_luta_e_mart=EDrio_do_sa?= =?windows-1252?q?rgento_Manoel_Raimundo_Soares_=282_=29?= Message-ID: <00c901c9ce9b$867224d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Esta é a segunda parte, de quatro série,de um dos primeiros casos de tortura e assassinato pela Ditadura. Se aguém perder a parte anterior, ao final poderá recuperar clicando no item. Todas foram publicadas no Correio da Cidadania. Um abraço. Vanderley Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares (2) Escrito por Mario Maestri e Helen Ortiz A sub-oficialidade nacionalista A frustração ensejada pela derrota sem resistência e o crescente descontentamento popular levaram a que suboficiais nacionalistas de esquerda das forças armadas, em especial do Exército e da Marinha, presos e reformados em grande número, tenham sido o setor social que se disponibilizou prontamente para a luta antiditatorial direta, no contexto prático e político próprio ao mundo castrense, organizando-se em torno de Leonel Brizola, que seguia no Uruguai disposto a lutar pelas forças das armas pelo fim da ditadura. Manoel Raimundo teve a prisão decretada em abril, e foi expulso do Exército em junho de 1964. Para não ser preso e poder integrar-se à luta antiditatorial, apenas estourou o golpe, desertou de seu quartel em Campo Grande, junto ao sargento Araken Galvão, também destacado no Mato Grosso. Manoel Raimundo e Araken viajaram para Juiz de Fora e, a seguir, para o Rio de Janeiro, de onde partiram, mais tarde, para o Rio Grande do Sul. Manoel Raimundo teria declarado à polícia que viajou para Porto Alegre em 26 de janeiro de 1965 à procura de emprego, retornando ao Rio de Janeiro em 6 de março. Em 29 de setembro teria voltado ao Sul, sob promessa de trabalho feita pelo suboficial Leony Lopes, que lhe teria igualmente apresentado Edu Rodrigues, civil pretensamente oposicionista, mas nos fatos informante da polícia, como veremos. Mais de 20 sargentos teriam viajado, como Manoel Raimundo, do Rio de Janeiro a Porto Alegre para integrar-se à resistência. Uma transferência mais do que compreensível, pois desde 1964 o Rio Grande do Sul tornara-se a principal via para alcançar ou manter contatos com o Uruguai, então centro anti-ditatorial. Em 1965, haveria mais de 2.000 brasileiros refugiados naquele país. De 1964 a 1966, o ex-governador Leonel Brizola depositou grande esperança na possibilidade de sublevar Porto Alegre e o Rio Grande do Sul apoiado em oficiais e suboficiais constitucionalistas, nacionalistas e de esquerda ainda em serviço. A primeira resposta armada à ditadura Foi precisamente do Uruguai, em 20 de março de 1965, que o coronel do Exército Jéferson Cardin de Alencar Osório e o sargento da Brigada Militar Alberi Vieira dos Santos ingressaram no Rio Grande do Sul para organizar coluna de pouco mais de 20 homens. O grupo armado, após tomar a cidade sulina de Três Passos, em 25 de março, dirigiu-se ao oeste do Paraná, onde no dia 27 foi dispersado após combate desigual com as forças da ditadura. No combate morreu um sargento das forças repressivas. O objetivo da coluna do Movimento Nacionalista Revolucionário, ligado a Leonel Brizola, era sublevar militares oposicionistas no Rio Grande do Sul e a seguir no Brasil. Em Porto Alegre, desde começos de 1965, como assinalado, o sargento Manoel Raimundo, companheiros seus do Comando Geral dos Sargentos e outros resistentes locais participaram ativamente da organização de dois levantes de quartéis da Brigada e do Exército da capital. O primeiro contaria com "entre 40 e 70 pessoas prontas para fazer a insurreição", "espalhadas por aparelhos em Porto Alegre", e mais outros suboficiais que chegariam do Rio de Janeiro. O plano teria desandado devido à prisão de Araken Vaz Galvão. Em fevereiro-março de 1966, após o fracasso da chamada "Guerrilha de Três Passos", um segundo projeto de levante em Porto Alegre não prosperou, devido à denúncia do plano ao comandante Osvino Ferreira Alves, um dia antes da sua eclosão por capitão da Brigada Militar envolvido no movimento, com a prisão de oficiais, suboficiais, trabalhadores, estudantes etc. O fracasso do segundo levante fortaleceu a proposta da organização da luta antiditatorial através de focos armados rurais, desejada pelos suboficiais do Exército e Marinha, e à qual Leonel Brizola resistia. A queda de Manoel Raimundo Às 17h35 da tarde de 11 de março, Manoel Raimundo foi preso ao entregar entre 500 e 2.000 panfletos, possivelmente por ele escritos, com os dizeres "Abaixo a ditadura militar", contra a chegada naquele dia a Porto Alegre do general-ditador Castelo Branco, e a Edu Rodrigues, um civil alcagüete, em frente ao auditório Araújo Viana. Na distribuição dos manifestos estariam envolvidos funcionários da Carris, empresa pública com antiga tradição de luta sindical e política. Conhecido pelo serviço de informação do Exército como uma das principais lideranças do movimento dos sargentos e, possivelmente, por seu envolvimento nos movimentos de resistência em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, Manoel Raimundo era uma presa valiosa para a repressão, já que, se vergado, causaria baixas duríssimas entre seus companheiros de luta e no movimento de resistência à ditadura. A documentação conhecida assinala que, quando da sua prisão, Manoel Raimundo militava em pequeno grupo reunindo, principalmente, remanescentes da "Guerrilha de Três Passos", denominado Movimento Revolucionário 26 de Março (MR-26). A denominação seria uma homenagem ao primeiro combate armado com a ditadura, quando da chamada "Guerrilha de Três Passos". Praticamente toda a escassa informação disponível publicada sobre Manoel Raimundo reafirma essa militância. Jelsi Rodrigues, companheiro de Manoel Raimundo no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, lembra que, naquele então, os suboficiais resistentes reconheciam-se como membros do Comando Geral dos Sargentos. Quando muito, Manoel Raimundo se compreenderia como parte do Movimento Nacionalista Revolucionário, organizado pelos suboficiais do Exército e da Marinha, em associação com Leonel Brizola e seguidores. Jelsi Rodrigues sequer tem conhecimento do MR-26. Araken Galvão, com participação destacada na primeira tentativa de levante em Porto Alegre e um dos companheiros mais próximos de Manoel Raimundo, declarou: "Ao que eu saiba, Soares nunca militou no MR-26. Aliás, nem sei que movimento foi esse (...)". Companheiros de farda Manoel Raimundo foi preso no dia 11 de março por dois militares à paisana, da 6ª Companhia da Polícia do Exército, Carlos Otto Bock e Nilton Aguiadas, sem qualquer determinação judiciária, ao arrepio das próprias leis então reconhecidas pela ditadura, devido à denúncia do informante Edu Rodrigues, como visto. A ordem de prisão teria partido de Darci Gomes Prange, capitão da referida companhia. Era o início do longo calvário do jovem paraense, nas mãos dos torcionários do Exército e da Polícia Política. Manoel Raimundo foi levado em um táxi DKV verde à sede da Polícia do Exército, onde, sem delongas, sofreu as primeiras sevícias infligidas por ex-colegas de farda, o sargento Pedroso e os tenentes Nunes e Glênio Carvalho de Sousa. A seguir, foi transferido para o mais experiente Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Palácio de Polícia na avenida João Pessoa, para ser duramente torturado e espancado, por longos dias, agora pelos delegados Enir Barcelos da Silva, Itamar Fernandes de Souza, José Morsch, entre outros. Na época, especialmente no Rio Grande, a tortura não se transformara ainda em prática institucionalizada, sobretudo nas forças militares. O ódio acumulado por oficiais golpistas e direitistas contra o destacado líder do Comando dos Sargentos e sua importância na resistência antiditatorial talvez expliquem a violência com que foi interrogado. Sem qualquer resultado. Ainda hoje, os companheiros de Manoel Raimundo lembram-se emocionados da decisão com que o jovem enfrentou o interrogatório, não raro cantando o Hino Nacional e a Marselhesa, sem jamais se dobrar, não revelando sequer um nome de companheiros e depósitos de armamentos, prontamente transferidos após a sua queda. Depoimentos incontornáveis Possivelmente a improvisação da repressão na época e a importância e galhardia de Manoel Raimundo ao enfrentar seus algozes tenham ensejado a paradoxal exposição pública das duras torturas a que foi submetido, realidade que se procurou manter sob sigilo, mesmo quando do fechamento do regime, após o Ato Institucional n.º 5, em fins de 1968. São precisas, abundantes e concordantes as declarações de outros presos políticos sobre os maus-tratos sofridos pelo jovem paraense na semana em que permaneceu no DOPS. Em depoimento publicado no jornal gaúcho Zero Hora, de 17 de setembro de 1966, Antônio Giudice, detido no DOPS, de 10 a 15 de março de 1966, relatou "que conversou com Manoel Raimundo, vendo "os hematomas e cicatrizes das torturas que vinha sofrendo", pois "era diariamente, torturado, colocado várias vezes no pau-de-arara, sofrendo choques elétricos, espancado e queimado por pontas de cigarros". O pau-de-arara é haste de pau ou ferro, para suspender o prisioneiro durante a tortura, com os pés e as mãos amarrados para trás, de cabeça para baixo. Aldo Alves Oliveira, funcionário da Companhia Carris, preso na DOPS desde 10 de março, testemunhou ter conhecido Manoel Raimundo, que "mostrava vários sinais de sevícias". Na ocasião, viu, quando o ex-sargento "estava sentado no corredor" de "acesso à cela", "sem camisa", "as marcas de queimaduras" e sinais de violência. Tão forte fora o espancamento que ele "não podia engolir alimentos sólidos, razão pela qual" Aldo e outros presos forneciam-lhe "alguma porção" do "leite que lhes era enviado por familiares". As noites e os dias Aldo Alves relatou igualmente que, durante o tempo que esteve preso, "percebia que, quase todas as noites, pela madrugada, o ex-sargento Manoel Raimundo Soares era torturado, o que podia ser comprovado pelos gritos da vítima e também pelo aspecto físico que apresentava quando era trazido de volta a sua cela e passava defronte a porta em que se encontrava o depoente [...]". Também presa no DOPS em março de 1966, a advogada Élida Costa afirmou que, ao ouvir "gritos, urros de dor e ruídos de coisas que caíam", um "agente policial" lhe explicara que "se tratava de uma festa em [um] outro andar". Ao deparar-se com "uns seis ou oito presos, todos da Carris", quando ia ao banheiro, ela contou-lhes o que passava, "e o risco que todos (eles) corriam". Élida passou a noite temendo "que o mesmo poderia lhe suceder". Temor acrescido quando, de madrugada, "viu, com os próprios olhos, um rapaz que, pelo estado de seu corpo, que estava inclinado para frente, ia sendo carregado por dois homens". Na ocasião, "ouviu dizer" que o preso estava ferido, sangrava e se encontrava em "coma" e que "fora recolhido a uma cela fechada à chave". Mais tarde, o ex-sargento "foi levado", com dificuldades, "pelos presos", até a advogada, que ouviu do mesmo se chamar Soares. Na ilha do Presídio Por não se dobrar às exigências dos algozes, Manoel Raimundo foi torturado em forma incessante, por mais de uma semana pelos torcionários à procura de informação sobre seus companheiros de luta e de ideal, sendo recolhido apenas em 19 de março de 1966, nove dias após sua prisão, à ilha do Presídio, no rio Guaíba, destinada desde o golpe militar também ao encarceramento de presos políticos. A ilha contaria com guarnição de mais de 30 policiais. A pequenina ilha do Presídio, com uns 150 metros de comprimento por 30 a 80 de largura, destaca-se por suas grandes pedras de granito, a pouco mais de dois quilômetros da costa de Guaíba. Conhecida inicialmente como ilha das Pedras Brancas, fora ponto estratégico de ataque-defesa de Porto Alegre na Guerra dos Farrapos. Passara a ser denominada de ilha da Pólvora, ao receber duas construções para armazenar munição, em 1857. De 1956 a 1973 e de 1980 a 1983 funcionara como presídio, o que lhe assegurou sua última denominação. A ilha do Presídio, caracterizada pela forte umidade, era local onde os prisioneiros políticos encontravam-se relativamente protegidos das torturas policiais, devido à estreiteza das instalações, ao elevado número de detidos, às dificuldades dos inquisidores de se deslocarem até ela. Para serem interrogados, os prisioneiros eram habitualmente levados de volta a Porto Alegre, onde ficavam entregues à violência e ao arbítrio dos militares e policiais torturadores. Hoje, as instalações da ilha encontram-se abandonadas e depredadas. Em 1966, o guarda civil Selço José Muller dos Santos permaneceu encarcerado na ilha por dez dias. Mais tarde, declarou que, na ocasião, auxiliou Manoel Raimundo a se mover "até sua cela", pois se encontrava "bastante ferido", com "dificuldade para locomover-se". À noite, Selço preparava "salmoura para passar nas costas e pernas de Manoel", partes do corpo muito feridas devido aos espancamentos, segundo relatou o próprio Manoel. Selço teria aconselhado ao sargento que "pusesse água com açúcar" em "uma espécie de hematoma" que tinha no olho. Devido a ferimento propiciado pelo tenente Nunes durante a tortura, Manoel Raimundo perdera parcialmente a visão de um olho. Para ler a primeira parte do artigo, clique aqui. Mário Maestri, historiador, é doutor em História pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. E-mail: maestri at via-rs.net Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Helen Ortiz, historiadora, é mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Publicado em: O direito na história: o caso das mãos amarradas. Porto Alegre: Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, 2008. pp. 177-200. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090506/30e829bd/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 7 18:23:36 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 7 May 2009 18:23:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__ALCANORTE_DA_FARSA_=C1S_CINZAS?= =?windows-1252?q?__de___Claudio_Guerra?= Message-ID: <033801c9cf5a$15fabd10$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Livro: ALCANORTE, da farsa às cinzas Autor: Claudio Guerra Editora: Sebo Vermelho, Natal[RN] A maioria das pessoas só conhece a barrilha [álcalis] na sua forma mais singular: sua utilização em piscinas. Pouca gente sabe que o produto é matéria prima básica da indústria vidreira e utilizada em grande escala na indústria química, têxtil, metalúrgica e siderúrgica. O produto é tão importante que no Brasil, desde 1917, o governo discutia a implantação de uma fábrica de barrilha, só concretizada na década de 60 [Cia Nacional de Álcalis no RJ], em razão do secular ?dumping? que impede o surgimento de outras fábricas no mundo. Hoje, quem domina o mercado é a ANSAC, empresa localizada nos EUA, cuja história o jornalista Luiz Nassif contou na Folha de São Paulo em 1994. A segunda fábrica de barrilha do país, a Alcanorte, no Rio Grande do Norte, ainda não decolou e a CNA fechou suas portas agora em 2006. Hoje a barrilha é totalmente importada. O livro ?ALCANORTE, da farsa às cinzas?, de Claudio Guerra, fala dessa história. Ele mostra como foi gasto cerca de R$500 milhões de reais do dinheiro do povo para não produzir nada. A fábrica, criada em 1974 pelos militares que controlavam a empresa, uma vez que a barrilha era considerada um produto de ?segurança nacional? [fabricação de explosivos] deveria funcionar em 1980. Apesar de nunca ter produzido 1 quilo de barrilha, consumiu recursos do erário e serviu como moeda de troca dos militares com os ?coronéis? do nordeste, como foi o caso de Tarcísio Maia, pai do senador José Agripino [DEM-RN], presidente da empresa por muitos anos. Depois veio Collor e a privatização. Essa história da privatização da CNA e Alcanorte foi contada pela jornalista Helio Fernandes da Tribuna da Imprensa, que mostrou como um patrimônio do povo brasileiro foi parar nas mãos do empresário Fragoso Pires {Jóquei Club do Rio], por obra e graça de PC Farias. Por último, as empresas foram ?doadas? aos empregados em troca do passivo trabalhista. A doação é irregular segundo o BNDES, credor do grupo Fragoso Pires. Para completar o enredo trágico, hoje dois grupos de empregados disputam o controle das empresas. O livro fala sobre tudo isso. O livro da Alcanorte é vendido no Sebo Vermelho aqui em Natal cujo e-mail é sebovermelho at yahoo.com.br. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090507/bb8e91b2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 83681 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090507/bb8e91b2/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 7 18:23:49 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 7 May 2009 18:23:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Sem_Terra_permanecem_presos_e_c?= =?windows-1252?q?onflitos_intensificam_na_Para=EDba_/__Sem_Terra_p?= =?windows-1252?q?restam_depoimento_a_Ouvidoria_de_Policia_da_Para?= =?windows-1252?q?=EDba?= Message-ID: <033d01c9cf5a$1d8a9f00$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Setor de Comunicação MST/PB Sem Terra permanecem presos e conflitos intensificam na Paraíba Na tarde de hoje (05/05), os dois Trabalhadores Rurais Sem Terra presos e torturados durante despejo ilegal ocorrido na madrugada do último sábado, foram transferidos para o Presídio Monte Santo em Campina Grande. A juíza Adriana Maranhão Silva, do Fórum de Poçinhos, enviou oficio para o Fórum de Campina Grande transferindo o caso. Na segunda-feira, os advogados do MST solicitaram a Juíza Adriana Maranhão a liberdade provisória dos Sem Terra, mas até o momento ela e nem a promotora da cidade se pronunciaram sobre o pedido. As 150 famílias acampadas em frente à delegacia de Poçinhos, seguiram em marcha, no inicio da tarde de hoje, para a praça central da cidade. Policiais armados realizam constantes ameaças e intimidações aos Sem Terra mobilizados. Em entrevista a imprensa o secretaria de Segurança e Defesa Social da Paraíba, Gustavo Ferraz Gominho, declarou que o despejo foi realizado dentro da legalidade e a PM ?nada fez além de cumprir o seu dever?.. Mas questionamos qual legalidade é está, que realiza despejo as três da madrugada do sábado, sem autorização judicial e realizando tortura sobre os trabalhadores que lutam por um pedaço de terra, no qual a mando da proprietária fogo é colocado sobre os barracos e tiros são lançados sobre a famílias. Será dever da PM torturar e violentar trabalhadores? A Fazenda Cabeça de Boi, já foi declarada para fins de Reforma Agrária através do decreto presidencial de 4 de dezembro de 2008. Diferente do alegado pela proprietária, a fazenda não é reserva ambiental e segundo vistoria do Incra é totalmente improdutiva. Esclarecimentos sobre os fatos ocorridos na madrugada de sábado (02/05) 1 - Na sexta-feira (01/05) 60 famílias ocuparam a Fazenda Cabeça de Boi no município de Poçinhos, área com 700 hectares improdutivos e de propriedade de Maria do Rosário Rocha. Essa propriedade já foi declarada apta para a desapropriação, mas a proprietária não aceita o valor da indenização. 2 - No momento em que as famílias estavam montando os barracos, pistoleiros e possíveis policiais sem farda começaram a rondar o acampamento e lançar tiro contra as famílias. Nesse momento o carro Fiat Palio, ano 2003, que servia de apoio ao movimento foi queimado pelos pistoleiros. Diferente do publicado pela imprensa, o carro não foi incendiado pelos acampados, mas pelos pistoleiros. O fogo colocado pelos pistoleiros feriu varias pessoas que estavam construindo seus barracos. 3 ? Por volta das 3 horas da madrugada do sábado, a polícia militar fardada, sob o comando do Tenente Jonat Midore Ysak, cerca o acampamento e exige que os Sem Terra desocupem a propriedade. Além de o horário ser indevido para a realização de despejo, os policiais não levou mandado de reintegração de posse, assim sendo um despejo ilegal e sem autorização judicial. 4 - Durante o despejo das famílias, sete acampados são presos e levados para uma casa onde são violentados. Dentro dessa casa, querosene é colocado sob os sete Sem Terra, um deles encontrasse com uma queimadura de terceiro grau no braço. 5 - Depois os trabalhadores presos são levados para a delegacia de Poçinhos, onde dois ainda permanecem presos e cinco foram liberados após muitas agressões. No sábado por volta das 22 horas, os dois presos realizaram corpo de delito apresentando varias marcas no corpo, um deles apresenta fratura na costela. Os outros cinco irão fazer corpo de delito nessa segunda-feira, eles apresentam vários indícios de agressões físicas. 6 - Cinco Sem Terra ainda encontram-se desaparecidos. Os conflitos no campo intensificaram nesse ano de 2009, onde varias ações de pistoleiros contratados pelos fazendeiros vem ameaçando as famílias Sem Terra que vivem embaixo da lona preta lutando por um pedaço de terra para produzir alimentos. Movimento dos Sem Terra ? MST/PB ============================================================================= Sem Terra prestam depoimento a Ouvidoria de Policia da Paraíba Por volta das 9 h da manhã de hoje (07/05), os cinco Trabalhadores Rurais Sem Terra presos e violentados no ultimo sábado e soltos no mesmo dia prestarão depoimento ao ouvidor Mario G. de Araújo Junior. A Ouvidoria de Policia da Paraíba localiza-se na Av. Tabajara, 847, em João Pessoa. No fim da tarde de ontem (06/05), as entidades de Defesa dos Direitos Humanos encaminharam ao Ministério Publico uma denuncia contra a ação da Policia Militar e da proprietária da Fazenda Cabeça de Boi, Maria do Rosário Rocha. O documento foi recebido pelo procurador regional dos direitos do cidadão Duciram Van Mansen Farena. Assinaram a denuncia: Comissão de Direitos Humanos da OAB-PB, Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Oscar Romero, Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves, Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Universidade Federal da Paraíba, Conselho Estadual de Defesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, Assembléia Popular . Os outros dois trabalhadores ainda encontram-se presos no Presídio Monte Santo, localizada em Campina Grande. Contato: Paulo Sergio (83) 91588821 ? Coordenação do MST ______________________ Neto Barbosa Setor de Comunicação do MST/PB Email: netopb at mst.org.br Fone: (83) 91354356 REFORMA AGRÁRIA: POR JUSTIÇA SOCIAL E SOBERANIA POPULAR! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090507/70d9a979/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090507/70d9a979/attachment.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 8 13:41:34 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 8 May 2009 13:41:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Rua_que_homenageia_torturador_de?= =?windows-1252?q?ve_mudar_de_nome_em_S=E3o_Carlos_/=2E=2E=2Edeve_t?= =?windows-1252?q?er_o_nome_trocado_para_rua_dom_H=E9lder_Pessoa_C?= =?windows-1252?q?=E2mara_at=E9_junho=2E?= Message-ID: <064801c9cffb$da3001d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Rua que homenageia torturador deve mudar de nome em São Carlos ROBERTO MADUREIRA DA FOLHA RIBEIRÃO Um ano e três meses após o início de uma polêmica, a rua que leva o nome do delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, considerado um dos principais torturadores do regime militar (1964-85), em São Carlos, deve ter o nome trocado para rua dom Hélder Pessoa Câmara até junho. A sugestão do nome de dom Hélder, que defendeu os direitos humanos nos "anos de chumbo" e foi indicado duas vezes ao prêmio Nobel da Paz, foi aceita por 75% dos moradores da rua, requisito obrigatório para a substituição, segundo lei municipal. O projeto de lei deve ser votado em caráter de urgência e aprovado na sessão da próxima terça na Câmara. Depois disso, o prefeito tem 15 dias para sancioná-lo. "Demorou, mas conseguimos corrigir o equívoco que era manter uma homenagem a um torturador", disse o presidente da Câmara, Lineu Navarro (PT), autor da lei. A campanha para alteração foi iniciada em fevereiro do ano passado, com apoio do grupo Tortura Nunca Mais. E da Carta O Berro, Forum dos Ex-presos políticos, Vereador Leopoldo Paulino, M.Politi entre outros companheiros. Fleury era acusado de chefiar grupos de extermínio em São Paulo. Foi o responsável pelo fuzilamento do guerrilheiro Carlos Marighella, líder da ALN (Ação Libertadora Nacional), em 1969. A rua Sérgio Fleury foi batizada em 1980, um ano após a morte do delegado. Ela passa ao lado de uma delegacia e é caminho para a UFSCar. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090508/55366932/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 83269 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090508/55366932/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 8 20:03:44 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 8 May 2009 20:03:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Evento_Ditadura_Militar_no_Brasil?= =?iso-8859-1?q?__-__dia_22_de_maio_de_2009__=E0s_19=2C00__-_Audit?= =?iso-8859-1?q?=F3rio_do_Instituto_Sedes_Sapientiae_-_rua_Ministro?= =?iso-8859-1?q?_Godoy_1484_-_bairro_Perdizes_-_SP?= Message-ID: <08af01c9d031$3d4a6370$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Carlos Lichtsztejn -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090508/0e16db58/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 77412 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090508/0e16db58/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 9 16:36:58 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 9 May 2009 16:36:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?o_v=F4o_da_morte__por__Adolfo_P?= =?windows-1252?q?=E9rez_Esquivel___=28_uma_mem=F3ria_que_n=E3o_dev?= =?windows-1252?q?e_ser_esquecida=29?= Message-ID: <0d5e01c9d0dd$84af7190$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Urda Alice Klueger ALAI, América Latina en Movimiento 2009-05-05 Argentina Memoria del 5 de mayo de 1977 Vuelo de la muerte Adolfo Pérez Esquivel -------------------------------------------------------------------------------- Cada persona guarda en su memoria hechos, acontecimientos, que marcan su vida y que no son aislados en la vida del pueblo y la situación del país y en la comunidad de pertenencia de cada uno. Había estado en Ecuador participando en el encuentro de Obispos Latinoamericanos que se realizó en la Casa de Santa Cruz, en Riobamba en la Diócesis del Obispos Leonidas Proaño y donde supimos del asesinato de Monseñor Angelelli en la Argentina. Era uno de los obispos invitados que no pudo llegar al encuentro. Estuvo el Arzobispo de Santa Fe, Monseñor Vicente Zaspe. La represión militar ecuatoriana invadió la casa de retiro y reprimió a los 17 obispos, religiosos y laicos, que fuimos detenidos y llevados al cuartel militar en Quito, a unos 300 Kms. Fue un operativo continental del Plan Cóndor, impuesto a través de la Doctrina de Seguridad Nacional, promovido bajo la dirección de los EE.UU en los regímenes dictatoriales imperantes. Al regresar a la Argentina después de mi liberación en el Ecuador, fui detenido en el Departamento Central de la Policía Federal el día 4 de abril, aniversario del asesinato de Luther King y el primer día de la Semana Santa. Son momentos de fuerte tensión y de resistencia espiritual. Fui llevado a la Superintendencia de Seguridad Federal, un centro de torturas y encerrado en un tubo, calabozo pequeño y maloliente con restos dejados por otros prisioneros, por ese lugar pasaron los Graiver, el director del Buenos Aires Herald, Robert Cox, entre otros. Lugar donde pasaban prisioneras que las transladaban a otras prisiones. con la promesa que las liberarían. Cuando salían a la calle y con el Estado de Sitio, volvían a secuestrarlas. El día 5 de mayo del año 1977, a la madrugada, la guardia abre el tubo y me sacan, llevándome a una oficina donde me informan que sería trasladado. No dan otra información. Hay un oficial quien es el encargado de entregarme, dos oficiales y dos suboficiales, quienes me ponen las esposas y trasladan a un carro celular y soy encerrado en un compartimiento donde únicamente podía estar de pié. Aproximadamente luego de hora y media de recorrido, se detiene y veo que es el aeródromo de San Justo, había un letrero que lo identificaba; está cerca de un hangar de donde sale carreteando un pequeño avión. Me suben encadenándome al asiento trasero. Están el piloto, el co-piloto los oficiales y suboficiales que me buscaron en la Superintendencia de Seguridad Federal, armados con ametralladoras y el avión tomó pista y se elevó dirigiendo su rumbo hacia el Río de la Plata. Pregunté dónde me llevaban, pero el silencio era absoluto. Conozco perfectamente la zona sobre la que volábamos por haber navegado durante varios años la región. Pude ver los ríos Paraná de las Palmas, el Paraná Mini y el Paraná Guazú, la Barra de San Juan, Colonia y las luces de Montevideo. Era inexplicable ese recorrido y el tiempo transcurrido en el aire dando vueltas sin destino alguno. Los guardias hablaban entre si en voz baja, uno de ellos se acercó para ver como estaban las cadenas que me ataban al asiento y sujetaba el candado, lo sentía muy nervioso y alterado, pero silencioso, no se atrevía a mirarme. Algo estaba por suceder; yo no lo sabía, aunque presentía lo que podía ser. Los militares esperaban una orden y saber qué hacer conmigo. El piloto llama al oficial y hablan en voz baja. Siento que le dice ?estamos esperando la orden?. Muchos recuerdo se agolpaban en mi mente y corazón, sin embargo estaba sereno y mi fuerza nacía de la oración , de la fe y el compromiso asumido junto a los pueblos de América Latina y la Argentina, de la pertenencia, valores y lucha por la vida frente a la dictaduras militares. Recordaba a los seres queridos, a mi esposa e hijos y que el día 7 de mayo es el cumpleaños de Ernesto y el dolor de no poder estar junto a la familia para celebrar y compartir. La incertidumbre de no saber si estaría vivo. Tenía información de prisioneros que la dictadura militar ordenó arrojar desde los aviones al Río de la Plata y al mar. En Ginebra, en la Asociación Internacional de Juristas pude ver algunos micro-films de cuerpos de prisioneros que la corriente del río había arrastrado a la costa uruguaya; El avión continuaba dando vueltas hacia la costa y el río. Hacía mucho frío y el tiempo inmenso transcurría en una espera incierta, cargada de tensiones y olor a muerte de un vuelo hacia ningún lado. La madrugada y sol comenzaban a despertar de una noche llena de presagios e incertidumbres. Permanecía encadenado en el avión, sin capacidad de cualquier movimiento, sin respuesta a mis preguntas; sólo miradas furtivas y el susurro de sus conversaciones y las armas sobre sus rodillas. Me preguntaba si había llegado al límite de la vida; si todo eso era el fin, sólo trataba de aspirar el aire como si fuera la última bocanada de vida. Recordaba a los compañeros y compañeras del Serpaj, a mi hijo mayor, Leonardo en su resistencia y trabajo en defensa del derecho de los pueblos; era muy joven con mucho entusiasmo y compromiso acompañando a organizaciones emergentes del drama que vivía el pueblo. Recordaba a quienes dieron su vida, para dar vida, desde su lugar resistían con dignidad, como ese grupo de mujeres con las que compartimos el dolor, la resistencia, la esperanza y la fuerza de la oración ecuménica, superando barreras culturales, ideológicas y políticas, unidas para saber a donde llevaron a sus hijos e hijas. Fuimos aprendiendo a tejer redes solidarias. El tiempo sin tiempo, sin dimensión continuaba el vuelo de la muerte, hasta que el piloto dice en voz alta: ?tengo la orden de ir a la Base Aérea de Morón, con el prisionero?. Así el avión recorre la costa y se dirige a la base del Palomar. Un edificio pintado de amarillo ya un poco desgastado por el tiempo, el avión aterriza en la pista y estaciona cerca del edificio. Quedo con la guardia armada. El piloto, junto con los oficiales se dirigen al edificio. No sé el tiempo transcurrido, tal vez más de dos horas, creo que ahí se decidió qué hacer conmigo. La presión internacional era intensa, de las iglesias, gobiernos, organizaciones sociales y culturales, de organismos internacionales. Cuando regresan el piloto y los oficiales dicen: ?póngase contento, lo llevamos a la U9, la Unidad Nueve, creo que hasta me puse contento que me lleven a la cárcel. Lo otro era la muerte. El día 5 de mayo del año 1977, di gracias a Dios y la vida poder continuar la lucha y la resistencia en la esperanza. Sé que esa lucha y resistencia no finalizó, que hay que continuar a pesar de tantas claudicaciones, entrega del patrimonio del pueblo a la voracidad de empresas transnacionales y traiciones de quienes vendieron el país. Hay que recuperar valores, identidad, sentido de vida y dignidad de nuestro pueblo. Que la lucha, esperanzas de aquellos que dieron su vida para dar vida no haya sido inútil. A 32 años hay que continuar construyendo en la esperanza. A pesar de todo. - Adolfo Pérez Esquivel es Premio Nóbel de la Paz 1980. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/8aa19c76/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 9 16:37:20 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 9 May 2009 16:37:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Vida=2C_luta_e_mart=EDrio_do_sa?= =?windows-1252?q?rgento_Manoel_Raimundo_Soares___-__parte_3_-?= Message-ID: <0d6501c9d0dd$9230a0a0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Esta é a terceira parte de quatro séries,de um dos primeiros casos de tortura e assassinato pela Ditadura. Se aguém perder a parte anterior, poderá recuperar clicando no item no final do texto. Todas foram publicadas no Correio da Cidadania. Um abraço. Vanderley Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares (3) Escrito por Mario Maestri e Helen Ortiz Cartas do cárcere Elizabeth, esposa de Manoel Raimundo, vivera com ele por algum tempo em Porto Alegre, abandonando a seguir a capital rio-grandense para retornar a Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Logo que pôde, Manoel Raimundo arranjou-se para retomar contato com ela através de correspondência. Em 15 de abril de 1966, em carta que chegou às mãos de sua esposa, relatava que fora preso para "averiguações": "Finalmente acabei sendo preso. Caí em uma cilada de um 'dedo-duro' chamado Edu e vim parar nessa ilha-presídio. Fui preso às 16:50 do dia 11 de março, sexta-feira, em frente ao Auditório Araújo Viana. Fui levado para o quartel da PE (Polícia do Exército), onde fui 'interrogado' durante duas horas e depois fui levado para o DOPS. Estou bem. Nesta ilha (do Presídio) me recuperei do 'tratamento' policial. Até o dia em que fui preso estava dormindo em hotéis e pensões variadas". Manoel Raimundo seguia: "Não sei como vou me arranjar no dia em que eu for solto, pois o Leo (possivelmente o já citado sargento Leony Lopes), único amigo que eu tinha em Porto Alegre, perdi o contato com ele e eu não sei o endereço. Espero que você esteja bem e que se mantenha em calma. Isto passa. Nos dias seguintes ao que eu for solto, teremos uma nova lua de mel em uma cidade bonita qualquer". No inverno, sem sapatos Manoel Raimundo pedia à esposa que enviasse, se pudesse, "algum dinheiro" através da agência de Porto Alegre do Banco Nacional de Minas Gerais, onde tinha conta, pois precisava de coisas como "aparelho de barba, um sapato 38, escova de dentes, roupa de frio e coisas de comer". O prisioneiro lembrava ter deixado "na gaveta da mesa de cabeceira do Hotel onde dormi a última noite antes da prisão todo o dinheiro que tinha". O fato de ser filho de família humilde, sem relações no Sul, dificultava a já difícil situação do prisioneiro, preocupado igualmente com a sorte de sua esposa. Na mesma carta, Manoel Raimundo avançava sugestão para a esposa: "Você NÃO precisa vir aqui. Isto não ajudará NADA e você não conseguirá ver-me. Não permitirão". Possivelmente temia envolvimento da esposa com a repressão. Pedia também para que ela mantivesse a "calma", "pois, nestas horas só a calma ajuda". Sobretudo, instruía a esposa a procurar "o Dr. Sobral Pinto, à rua Debret nº. 39", no Rio de Janeiro, para providenciar "pedido de habeas no Superior Tribunal Militar". Em 5 de maio de 1966, em um momento em que o verão já se despedia do Sul, fazendo a temperatura cair rapidamente, Manoel Raimundo escreveu a quinta carta à esposa, a segunda que ela recebia. Na correspondência, refere-se às suas condições de aprisionamento e às torturas que recebera. "Em meu corpo ficaram gravadas algumas das medalhas com que me agraciaram. Aqui estou sem sapatos, sem roupas de frio, sem cobertas, usando unicamente uma camisa de Nylon e uma calça de lã preta. [...] Não sei bem, mas creio que estou preso à disposição do III Exército. Por isto, só um 'habeas-corpus' do Superior Tribunal Militar poderá libertar-me". Sentimento e esperança A carta era igualmente momento de tentar estreitar sentimentos pela esposa fortalecidos pelo sofrimento: "Como vês o papel está acabando, por isto aproveito para lembrar-te que meu pensamento é só para ti; durante todas as horas destes últimos dias não sais do meu pensamento. O banquinho da cozinha, os beijos nos olhos, tudo aquilo que liga meu corpo a tua alma (ou espírito que é mais certo). Recebe mil beijos e um caminhão de abraços do teu Manoel". Manoel Raimundo permaneceu durante cinco meses na ilha do Presídio, incomunicável, privado de notícias da família e do mundo, passou fome e certamente muito frio, ao qual estaria pouco habituado. Nas suas primeiras cartas conhecidas, dos primeiros meses de cárcere, registra sua calma e esperanças. Pensava no futuro, fazia planos de viagem com a mulher amada. Intensificando-se o martírio e a solidão, tentou fortalecer-se, centrando-se também no sentimento que nutria pela esposa. O ex-sargento acreditava que seria posto em liberdade em pouco tempo. Na época, a instituição do habeas corpus ainda vigia. Não sabia que dois pedidos de libertação impetrados junto ao Superior Tribunal Militar (STM) haviam sido negados, já que, em falsas declarações, as autoridades militares e policiais afirmavam que não estava preso. Mais tarde, o Exército tentaria negar sua responsabilidade na prisão ilegal e assassinato de Manoel Raimundo, afirmando que respondera ao STM que não tinha Manoel em seu poder, sem informar, logicamente, que ele fora entregue pela Polícia do Exército ao DOPS. Quando o terceiro habeas corpus estava para ser julgado, os torturadores já haviam dado fim a sua vida. "Ainda estou vivo" As duas últimas cartas que Elisabeth recebeu do marido foram escritas em 10 de julho de 1966. Na primeira, afirmava: "Ainda estou vivo. Espero de todo o coração que você tenha recebido as cartas que remeti anteriormente. Esta é a oitava. Nunca pensei que o sentimento que me une a você chegasse aos limites de uma necessidade. Nestes últimos dias, tenho sido torturado pela idéia de que estou impedido de ver teu rosto ou de beijar teus lábios. Todas as torturas físicas a que fui submetido na PE e no DOPS não me abateram. No entanto, como verdadeiras punhaladas, tortura-me, machuca, amarga, este impedimento ilegal de receber uma carta, da mulher, que hoje, mais do que nunca, é a única razão de minha vida". Manoel Raimundo contava: "(...) já tenho escova de dente, sabonete e até roupas e sapatos fizeram chegar até aqui. Mas, nada disso pode aliviar a dor que me causa o fato de não poder receber cartas de minha Beta. Acredito que minha situação ainda não mudou muito. Até hoje (amanhã completam-se quatro meses), não fui ouvido em IPMs (Inquéritos Policial-Militares) e desde que mandaram-me para esta ilha não mais saí". Portanto, após os duros primeiros tempos de tortura na Polícia do Exército e no DOPS, o prisioneiro conhecera tranqüilidade relativa na ilha. Mais adiante, insistia com a esposa na necessidade do pedido de habeas corpus perante o Superior Tribunal Militar para libertá-lo e desabafava: "Apesar do sofrimento espiritual a que estou submetido, ainda assim recomendo que você mantenha a calma. (...) Acredito que agora, você já poderia tentar visitar-me aqui em Porto Alegre. O que você acha disto? Espero que você não tenha estado em dificuldades em matéria de dinheiro. Isto seria para mim pior do que a pior coisa que pudesse me acontecer. Não podendo abraçá-la com a força do bem que te desejo, deixa que em forma espiritual, te beije ardentemente, este que é até morrer, o teu Manoel." Última carta A segunda das duas cartas escritas por Manoel Raimundo, em 10 de julho, foi a quarta e última que a esposa recebeu. Ele iniciou com a mesma afirmação, que à leitora deveria causar alívio e esperança, mas que parece registrar a consciência do prisioneiro da ameaça sob a qual vivia: "Ainda estou vivo". Em seguida, relatava: "A saúde que havia chegado ao meu corpo, partiu, deixando a normalidade que você tão bem conhece. Fígado, intestinos e estômago. Espero de todo o coração que você tenha recebido as cartas anteriores. Esta é a de número nove. Penso que a estas horas você deve estar chorando. Não quero isso. A jovem senhora, valente, das respostas desconcertantes, deve agora substituir a moça ingênua e humilde com quem tive a felicidade de casar.". Manoel Raimundo seguiu falando de seu amor: "Nestes últimos dias tenho sido torturado pela realidade de estar impedido de ver o rosto da mulher que amo. Eu trocaria se possível fosse, a comida de oito dias, por oito minutos junto ao meu amor, ainda que fosse só para ver. Tenho uma fé inabalável de que, os adversários não conseguirão destruir nosso amor. Sei hoje que você tinha razão em muitas de nossas discussões sobre nosso tipo de vida". Manoel Raimundo retomava temas passados, em seu dilacerante diálogo com a esposa distante: "Você ganhou. (...) Tudo passará. A política, a cadeia, os amigos; só uma coisa irá durar até a morte: o amor que tenho por essa mulherzinha que é hoje a única razão de querer viver deste presidiário (...) Só agora avalio o que é estar junto da mulher amada. Com a tranqüilidade da certeza de que apesar de tudo ainda mereço o teu amor remeto um caminhão de beijos, com o calor dos dias mais felizes de nossa vida. Do sempre teu Manoel". Novo interrogatório Em 13 de agosto de 1966, pouco mais de um mês depois de escrever a última carta recebida pela esposa, Manoel Raimundo foi retirado da ilha do Presídio para ser levado outra vez ao DOPS, para novo interrogatório e tortura, agora sob as ordens dos tenentes-coronéis Átila Rochester e Luiz Carlos Menna Barreto, chefe do DOPS. Não sabemos as razões precisas para o novo e violento inquisitório de Manoel Raimundo, após longos meses na prisão. Em depoimentos concedidos recentemente, seus companheiros de luta relatam que ele teria escrito clandestinamente também para o Superior Tribunal Militar sobre sua detenção e torturas em Porto Alegre e, com a concessão de habeas corpus, fora subtraído da prisão para revelar, sob tortura, os carcereiros que eventualmente teriam facilitado a correspondência clandestina. Em agosto de 1966, prosseguiam febrilmente os preparativos do MNR para implantar colunas combatentes em Goiás-Maranhão, no Mato Grosso, e em Caparaó, entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Um quarto foco armado deveria nascer no norte do Rio Grande do Sul e sudoeste de Santa Catarina. Nos fatos, tratava-se de ambiciosa articulação anti-ditatorial, envolvendo argentinos, paraguaios e bolivianos. Quando a pequena coluna do MNR instalou-se no alto da serra de Caparaó, em fins de 1966, Che Guevara e seus companheiros organizavam-se também na selva da Bolívia. Manoel Raimundo participara ativamente da preparação desses movimentos, após o fracasso do segundo levante em Porto Alegre. Teria escrito até mesmo um "decálogo do guerrilheiro" para as operações. Há alguma divergência sobre as razões do abandono da frente armada no Brasil meridional. Flávio Tavares propõe que a desistência deveu-se à prisão, "no inverno de 1965", do "seu subcomandante, o ex-sargento Manoel Raimundo Soares". Segundo a informação confirmada por Jelsi Rodrigues Correa, envolvido diretamente na iniciativa, apesar da notícia da queda, continuaram os planos para o estabelecimento do núcleo armado na serra do Mar, em Santa Catarina, inclusive com a compra de propriedade e transporte de armas. A desconfiança de camponeses com a perambulação de estranhos na região e a prisão de dois militantes, sob suspeita de assalto a banco, teriam levado ao abandono da proposta. Dos quatro núcleos guerrilheiros planejados pelo MNR, em associação com outras organizações clandestinas nacionais e internacionais, prosperou apenas o de Caparaó, instalado em outubro de 1966 e desbaratado em inícios de 1967, ensejando com esse tropeço o abandono de Leonel Brizola do projeto de resistência militar à ditadura, insurrecional ou guerrilheira. A seguir, o MNR dividir-se-ia, confluindo seus militantes em outras organizações armadas, como a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), a VAR-Palmares etc., nas quais os ex-suboficiais desempenharam papel fundamental. Mãos amarradas Talvez a vontade de arrancar rapidamente informações de Manoel Raimundo sobre apoios na ilha do Presídio ou sobre os atos em cursos de seus companheiros tenha levado seus torturadores a transportá-lo, na mesma noite de 13 de agosto, em um jipe do Exército, até ao rio Jacuí, para ser submetido a falsos afogamentos. Essa é uma tortura sobremaneira aterrorizadora, especialmente quando praticada em um rio isolado, de águas revoltas e geladas, sob a ameaça de afogamento definitivo. Nos últimos anos, tal forma de tortura conheceu destaque na imprensa mundial ao ser legalizada pelas autoridades estadunidenses como recurso a ser usado pela CIA nos interrogatórios de prisioneiros políticos. Possivelmente jamais saberemos se Manoel Raimundo escapou inadvertidamente das mãos dos seus torcionários ou foi abandonado às águas do Jacuí para morrer. Era habitual militares e policiais torturarem alcoolizados e drogados seus prisioneiros políticos. Até agora, o que sabemos de certo é que, 11 dias mais tarde, Manoel Raimundo foi encontrado, morto, boiando no rio, com os pés atados e as mãos atadas. O corpo de Manoel Raimundo Soares foi descoberto, por volta das 17 horas do dia 24 de agosto de 1966, boiando entre algumas taquareiras, por dois moradores da ilha das Flores, próxima a Porto Alegre, que informaram rapidamente as autoridades policiais. À noite, um guarda civil compareceu ao local para recuperar o cadáver, que foi amarrado com uma corda e rebocado até a ilha da Pintada. Morte por afogamento O policial responsável pela operação de resgate declararia que o cadáver tinha "as mãos amarradas às costas pela própria camisa que vestia, sendo as ataduras cobertas por um suéter banlon que a vítima trajava; os bolsos laterais das calças completamente repuxados para fora [...]; calças de cor escura; um pé calçado com um sapato marrom e outro descalço". Na madrugada do dia 25, peritos do Instituto de Criminalística analisaram o corpo, determinando que a morte se dera por afogamento, devido à "ausência de lesões traumáticas", "aliada à conclusão do exame histopatológico, acusando a presença de elementos característicos do plâncton mineral no interior dos bronquíolos e raros elementos isolados nos alvéolos pulmonares", o que permitia "afirmar que a vítima respirou dentro da água e que, portanto, a causa imediata da morte foi afogamento". Apesar da situação do cadáver, os peritos concluíram que a vítima estaria embriagada. Destaque-se que Manoel Raimundo era abstêmio, entre outras razões, por problemas com o fígado. Entretanto, mesmo que ele se encontrasse embriagado, quando de sua morte, não significa que se houvesse alcoolizado. Anos após o homicídio, em processo movido pela viúva, os defensores da União alegaram o estado de embriaguez do ex-sargento. Defesa rejeitada pelo juiz, que, irônico, lembrou que "seria realmente uma façanha de Manoel Raimundo Soares: amarrar as mãos às costas, e então embriagar-se. Ou então embriagar-se e amarrar suas mãos às costas". Para ler a primeira parte do artigo, clique aqui. Para ler a segunda parte do artigo, clique aqui. Mário Maestri é historiador, é doutor em História pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. E-mail: maestri at via-rs.net Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Helen Ortiz, historiadora, é mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Publicado em: O direito na história: o caso das mãos amarradas. Porto Alegre: Tribunal Regional Federal da 4ª Região, 2008. pp. 177-200. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/a95cf1fe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/a95cf1fe/attachment-0003.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3546 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/a95cf1fe/attachment-0004.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3548 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/a95cf1fe/attachment-0005.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 9 16:37:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 9 May 2009 16:37:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_programa=E7=F5es_de_debates_e_d?= =?windows-1252?q?e_cinema_sobre_os_30_Anos_de_Luta_pela_Anistia=2C?= =?windows-1252?q?_que_ocorrer=E3o_na_pr=F3xima_semana_em_S=E3o_Pau?= =?windows-1252?q?lo=2E?= Message-ID: <0d6901c9d0dd$9e938e70$0200a8c0@vcaixe> Carta o Berro....................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Alipio Freire Camaradas, programações de debates e de cinema sobre os 30 Anos de Luta pela Anistia, que ocorrerão na próxima semana em São Paulo. O Arquivo Público do Estado de São Paulo e seus parceiros realizam o Seminário Internacional "A luta pela Anistia: 30 anos", nos próximos dias 11 a 15 de maio no auditório do Memorial da Resistência, Largo General Osório, 66, Luz, São Paulo - SP. Abaixo a programação e as justificativas do importante evento. O evento tem o apoio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça; do Ministério Público Federal - 3ª Região; do Fórum Permanente de Ex Presos e Perseguidos Politicos do Estado de São Paulo; da Associação Nacional dos Procuradores da República e da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Trinta anos se passaram após a decretação da Lei de Anistia, assinada em 28 de agosto de 1979. As marcas da repressão e suas conseqüências, bem como a luta pela democracia, têm acalentado sucessivos debates, seja nas universidades, nos meios de comunicação, nos tribunais, nos centros culturais e em outras instituições. A punição aos torturadores e as reparações aos anistiados políticos estão no centro do debate, seus múltiplos significados representam um diálogo importante entre passado e presente. Afinal, é possível anistiar os crimes de lesa-humanidade? Outras questões, como a abertura dos arquivos da repressão e o acesso às suas informações, que atualmente esbarram nas leis de sigilos e classificação dos documentos, são fundamentais para a construção da chamada "justiça de transição", ou seja, para o ritual de passagem à ordem democrática. Pouco ainda se conhece sobre a campanha da anistia e, menos ainda, sobre a experiência das mulheres e o papel desempenhado por elas no processo de democratização. O que dizer então das experiências semelhantes que ocorreram nos países vizinhos? Nesse sentido, é preciso observar os processos de construção da memória coletiva, elaborada e re-elaborada constantemente pelos sujeitos que fizeram parte dessa história. Memórias essas tantas vezes silenciadas, esquecidas, marginalizadas. De igual importância são as pesquisas acadêmicas que abordam essas temáticas, nas quais autores contribuem com novos olhares e ferramentas metodológicas que nos permitem analisar melhor o processo de anistia. Por todas essas questões, faz-se necessário repensar a Lei da Anistia e refletir o legado que os anos da ditadura militar e suas práticas deixaram para o presente. É nesse contexto que o Arquivo Público do Estado de São Paulo e seus parceiros realizam o Seminário Internacional "A luta pela Anistia: 30 anos", visando aprofundar os temas explicitados. Não obstante, buscamos incentivar a realização de novos trabalhos de pesquisa nesse campo de estudo por meio de debates e da presença dos militantes que lutaram durante o regime militar. Segunda-feira , dia 11.05.09 9h30 ? ABERTURA 11h00 - CONFERÊNCIA A Convenção Americana sobre Direitos Humanos frente a impunidade dos regimes ditatoriais Pedro Nikken ex-Presidente da Corte Interamericana de Direito Humanos 13h00 ? LANÇAMENTO Revista CADERNOS AEL, v. 13, n. 24/25 - Anistia e Direitos Humanos. O periódico é organizado pelos professores Sérgio Silva e Maria Lygia Quartim de Moraes, publicado pelo Arquivo Edgard Leuenroth-UNICAMP. Presença do Dr. Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia, e outras autoridades. 14h00 ? MESA 1 Anistia e direito à verdade Coordenador Eugênio Aragão Subprocurador-geral da República Expositores Viviana Krsticevic Diretora Executiva do CEJIL ? Centro pela Justiça e o Direito Internacional Paulo de Tarso Vannuchi Secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República Marlon Alberto Weichert Procurador Regional da República 13/05 - QUARTA-FEIRA Terça-feira , dia 12.05.09 10h00 ? MESA 2 Comissões de verdade e processos de reconciliação Coordenador Ivan Cláudio Marx Procurador da República em Uruguaiana-RS Expositores Javier Ciurlizza Ex-Secretário Executivo da Comissão de Verdade e Reconciliação do Peru, Diretor em Bogotá do ICTJ ? International Center for Transicional Justice e Consultor da chancelaria peruana para o processo de extradição do ex-Presidente Alberto Fujimori Yasmin Sooka Ex-membro da Comissão de Verdade e Reconciliação da África do Sul, Diretora da Fundação pelos Direitos Humanos, indicada pela ONU para integrar a Comissão de Verdade e Reconciliação de Serra Leoa Paulo Abrão Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça 14h00 ? MESA 3 A resistência armada nos tempos de repressão Coordenador Maurice Politi Administrador de empresas; ex-preso político, militante da ALN. Expositores Alípio Freire Jornalista e escritor; ex-preso político, militante da Ala Vermelha Ivan Seixas Jornalista; ex-preso político, militante do MRT ? Movimento Revolucionário Tiradentes Manoel Cyrillo de Oliveira Netto Publicitário - Comunicação Institucional da Petrobrás; ex-preso político, militante da ALN. André de Carvalho Ramos Professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP e Procurador Regional da República 11/05 - SEGUNDA-FEIRA Quarta-feira, dia 13.05.09 10h00 ? MESA 4 As mulheres na luta pela Anistia Coordenadora Rose Nogueira Jornalista; ex- Presidente do Condepe e do Grupo Tortura Nunca Mais, e ex-presa política. Expositoras Rosalina Santa Cruz Assistente Social e professora universitária; ex-presa política e militante, familiar de desaparecido. Maria Auxiliadora Cunha Arantes Psiquiatra e professora universitária; co-fundadora e dirigente do Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo ? CBA-SP, e do Movimento Nacional pela Anistia; ex-presa política e militante. Vânya Santana Atriz e co-fundadora e dirigente do Comitê pela Anistia de São Paulo ? CBA-SP. Zilah Abramo Socióloga, Presidente do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo e co-fundadora e dirigente do Comitê Brasileiro pela Anistia de São Paulo ? CBA-SP. 14h00 ? MESA 5 Anistia: memória e história Coordenador Raphael Martinelli Advogado, líder sindical, ex-dirigente da Federação Nacional dos Ferroviários de São Paulo, integrou a direção do Comando Geral dos Trabalhadores ? CGT; ex-preso político, e militante da ALN. Expositores Waldemar Rossi Metalúrgico, militante da Pastoral Operária e ex-membro da Comissão de Justiça e Paz. Flávio Tavares Jornalista e escritor, professor da Universidade de Brasília, e ex-preso político. Airton Soares Advogado, ex-advogado de presos políticos e Deputado Federal. 14/05 - QUINTA-FEIRA Quinta-feira, dia 14.05.09 10h00 ? MESA 6 A campanha pela Anistia: o processo Coordenador Fernando Teixeira Professor do Depto. de História da Unicamp e Diretor do Arquivo Edgard Leuenroth-Unicamp Expositores Heloísa Amélia Greco Historiadora, coordenadora do Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania - Belo Horizonte-MG James Green Pesquisador e professor da Brown University-EUA Jean Rodrigues Sales Historiador e professor Adjunto da Unicentro 14h00 ? MESA 7 A repressão articulada no Cone Sul: resistência e memória Coordenadora Yara Aun Khoury Professora da PUC-SP; coordenadora do CEDIC Expositores Jair Krischker Ativista dos Direitos Humanos Martín Almada Advogado, doutor em Ciências da Educação, vítima da Operação Condor, Prêmio Nobel Alternativo da Paz /2002 Patricia Valdez Diretora do grupo Memoria Abierta - Argentina 15/05 - SEXTA-FEIRA Sexta-feira, dia 15/5 10h00 ? MESA 8 A campanha pela Anistia: a luta pela reparação Coordenadora Célia Reis Camargo Professora da UNESP; coordenadora do CEDEM Expositoras Glenda Mezarobba Cientista política e pesquisadora do IFCH ? Unicamp Larissa Brisola Brito Prado Advogada e mestra em Ciência Política pela Unicamp Fabíola Brigante del Porto Doutoranda do Programa de Ciência Política da Unicamp e Editora Assistente da Revista Opinião Pública ? CESOP-Unicamp 14h00 ? MESA 9 A liberdade de informação: o acesso aos documentos dos órgãos de repressão Coordenadora Maria Luiza Tucci Carneiro Historiadora, professora da USO, e Coordenadora do PROIN ? Laboratório de Estudos da Memória Política Brasileira Jaime Antunes Diretor do Arquivo Nacional Idibal Piveta Advogado; ex-advogado de presos políticos; ex-preso político; teatrólogo e fundador do Grupo de Teatro Amador ? GTA, União e Olho Vivo, usa o pseudônimo de César Vieira Larissa Rosa Corrêa Historiadora, coordenadora do Projeto Memórias Reveladas no Arquivo Público do Estado de São Paulo e doutoranda em História Social na Unicamp. Eugênia Augusta Gonzaga Fávero Procuradora da República ---------------------------------------------- ANISTIA 30 ANOS Ciclo de Cinema de 12 a 17 de maio de 2009 Neste ano, comemoram-se os trinta anos da decretação da Lei de Anistia, assinada em 28 de agosto de 1979. A ocasião oferece uma boa oportunidade para refletir sobre o legado que os anos da ditadura militar e suas práticas deixaram para o presente. As marcas da repressão e suas conseqüências, bem como a luta pela democracia, têm acalentado sucessivos debates nas universidades, nos meios de comunicação, nos tribunais, nos centros culturais e em outras instituições. É nesse contexto que o Arquivo Público do Estado de São Paulo, a Pinacoteca do Estado e a Associação de Amigos do Arquivo realizam o seminário A luta pela Anistia: 30 anos entre os dias 11 e 15 de maio, no auditório da Estação Pinacoteca. Complementando a programação de debates do evento, a Cinemateca Brasileira apresenta uma pequena seleção de filmes que abordam o impacto dos anos de chumbo sobre a realidade nacional, visando ampliar o questionamento dos temas abordados. Confira a programação do seminário no site www.arquivoestado.sp.gov.br Classificação indicativa: 16 anos CINEMATECA BRASILEIRA Largo Senador Raul Cardoso, 207 próximo ao Metrô Vila Mariana Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215) www.cinemateca.gov.br Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada) Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha. PROGRAMAÇÃO 12.05 - TERÇA SALA CINEMATECA BNDES 19h00 VALA COMUM | VOCÊ TAMBÉM PODE DAR UM PRESUNTO LEGAL 21h00 EM NOME DA SEGURANÇA NACIONAL 13.05 - QUARTA SALA CINEMATECA PETROBRAS 18h00 EM NOME DA SEGURANÇA NACIONAL 20h00 15 FILHOS | NO OLHO DO FURACÃO 14.05 - QUINTA SALA CINEMATECA PETROBRAS 18h00 JARDIM DE GUERRA 20h00 VALA COMUM | VOCÊ TAMBÉM PODE DAR UM PRESUNTO LEGAL 15.05 - SEXTA SALA CINEMATECA PETROBRAS 18h30 15 FILHOS | NO OLHO DO FURACÃO 20h00 JARDIM DE GUERRA 16.05 - SÁBADO SALA CINEMATECA PETROBRAS 18h30 VALA COMUM | VOCÊ TAMBÉM PODE DAR UM PRESUNTO LEGAL 20h00 JARDIM DE GUERRA 17.05 - DOMINGO SALA CINEMATECA PETROBRAS 19h00 EM NOME DA SEGURANÇA NACIONAL 20h00 15 FILHOS | NO OLHO DO FURACÃO FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES Em nome da segurança nacional, de Renato Tapajós, São Paulo, 1984, 16mm, cor/pb, 48? A prestação de contas com os anos de chumbo é o tema do documentário, que registra o Tribunal Tiradentes, evento sem valor jurídico realizado no Teatro Municipal de São Paulo para "julgar" a Lei de Segurança Nacional. Intercaladas a cartelas contendo os artigos desta lei, encenações ficcionais ilustram acontecimentos comuns durante a ditadura. ter 12 21h00 | qua 13 18h00 | dom 17 19h00 Jardim de guerra, de Neville d?Almeida Rio de Janeiro, 1968, 35mm, pb, 90? Joel Barcellos, Maria do Rosário Nascimento Silva, Vera Brahim, Ezequiel Neves. 16 anos. Um jovem amargurado e sem perspectivas apaixona-se por uma cineasta e é injustamente acusado de terrorista por uma organização de direita que o prende, interroga e tortura. qui 14 18h00 | sex 15 20h00 | sáb 16 20h00 No olho do furacão, de Toni Venturi e Renato Tapajós São Paulo, 2003, 35mm, cor, 52? | Exibição em DVD ou DV Cam A vida na clandestinidade dos militantes da guerrilha urbana contra a ditadura militar que dominava o país no final dos anos 60 e começo dos anos 70. qua 13 20h00 | sex 15 18h30 | dom 17 20h00 15 filhos, de Maria Oliveira e Marta Nehring São Paulo, 1996, vídeo, cor/pb, 20? | Exibição em DVD Os horrores cometidos durante a ditadura militar narrados por filhos dos presos políticos, que contam traumas nunca superados. qua 13 20h00 | sex 15 18h30 | dom 17 20h00 Vala comum, de João Godoy São Paulo, 1994, 16mm, cor, 32? | Exibição em DVD A triste história da repressão vivida no país após o golpe militar de 1964, tendo como ponto de partida a localização de uma vala clandestina com mais de mil ossadas em Perús (SP). ter 12 19h00 | qui 14 20h00 | sáb 16 18h30 Você também pode dar um presunto legal, de Sérgio Muniz São Paulo, 1971-2006, 35mm, 39? | Exibição em DVD Um retrato do Esquadrão da Morte em São Paulo, visto como um ensaio para a repressão política que veio a seguir, baseada na tortura e no extermínio. ter 12 19h00 | qui 14 20h00 | sáb 16 18h30 A Cinemateca Brasileira respeita a sua privacidade e é contra o spam. Também não vende ou distribui o seu cadastro a terceiros, pois faz parte de nossa política de respeito aos amigos e visitantes. Se não desejar mais receber e-mails da Cinemateca Brasileira, envie um e-mail para salacinemateca at cinesac.org..br com o assunto Remover. Para retornar este e-mail envie mensagem para sala at cinemateca.org.br. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090509/5d8c07cb/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 10 12:39:32 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 10 May 2009 12:39:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Dia_10_de_maio=3A_tr=EAs_homenage?= =?iso-8859-1?q?m_=E0s_m=E3es=2E_Olga_Ben=E1rio_Prestes=3B_Henfil_?= =?iso-8859-1?q?=E0_sua_m=E3e_=3B_e_as_m=E2es_da_Pra=E7a_de_maio=2E?= Message-ID: <015a01c9d185$84090910$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Hoje, dia 10 de maio, comemora-se comercialmente o dia das Mães. Há, entretanto, muitos sentimentos envolvidos com as nossas mães ternas, mães guerreiras ou simplesmente e significativamente Mãe. Quero homenagea-las com as palavras de três pessoas que marcaram essa relação mãe-filhos: Primeiro, Olga Benário Prestes, mãe-revolucionária que foi sacrificada nos crematórios da Alemanha-nazista e, mesmo sabendo do seu fim próximo não deixou de escrever essa maravilhosa carta a sua filha Anita e ao seu companheiro Luiz Carlos Prestes. A segundo foi reproduzida dentro do programa Curtas da Petrobrás. São as cartas do Henfil à sua mãe.É emocionante, carinhoso e cheio de mensagens. O outro, é um vídeo das mães da praça de maio sempre em busca de seus filhos desaparecidos pela ditadura. Há um final com um lindíssimo poema de Mario Benedetti, recitado por ele. Essa é a nossa homenagem da Carta O Berro para todas as mães. Um abraço. Vanderley ----- Original Message ----- From: "Augusto Buonicore" Camaradas Vejam a comovente carta de Olga para sua filha e companheiro. http://www.youtube.com/watch?v=AxJrS6OuPgY&feature=related Segue abaixo mensagem recebida de maestro Jorge Antunes. Hoje, domingo, dia 10 de maio, todos comemoraremos o "Dia das Mães". Lembrando a importante data, quero homenagear todas as mães. Para tanto, coloco à disposição, para escuta, a "Ária Anita Livre" de minha ópera Olga. Essa ária é cantada por Olga, na prisão de mulheres de Barnmistrasse, em Berlin, em 1936, quando a prisioneira dos nazistas recebe a notícia de que sua filha Anita, nascida na prisão de Berlim, está em liberdade sob os cuidados da avó Leocádia. A pequena Anita fora arrancada dos braços de Olga pelos nazistas. Olga Benario não sabia, até então, do paradeiro da menina. Ouça em : http://www.americasnet.com.br/antunes/aria_anita_livre_de_Olga Solista; Martha Herr Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo Regente: Maestro José Maria Florêncio ============================================================================================================================================= » Não perca a estréia da semana vanderleycaixe assistiu ao filme curto abaixo e acha que você vai gostar também: mãe do henfil Clique e veja: » Cartas da Mãe Documentário | De Fernando Kinas, Marina Willer | 28 min A exibição deste filme via internet é um oferecimento da PETROBRAS Não deixe de espiar! A redação » Se você tem um site, clique aqui para se cadastrar e exibir curtas gratuitamente! ============================================================================================== Esse vídeo simboliza a luta de todas as mães em defesa dos seus filhos e por isso eu as homenageio nesse dia que é dedicado a elas. Jacob David Blinder http://bloguerosrevolucion.ning.com/profiles/blogs/para-las-madres =============================================================================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0007.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0008.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 4584 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0009.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0010.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1926 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0011.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 404 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0012.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090510/f39f43f3/attachment-0013.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 11 20:05:25 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 11 May 2009 20:05:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Vida=2C_luta_e_mart=EDrio_do_sa?= =?windows-1252?q?rgento_Manoel_Raimundo_Soares_=284=29____-=FAltim?= =?windows-1252?q?a_parte-?= Message-ID: <004801c9d28c$f82be350$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Esta é a quarta parte de quatro séries de um dos primeiros casos de tortura e assassinato pela Ditadura. Se alguém perder a parte anterior, poderá recuperar clicando no item ao final do texto. Todas foram publicadas no Correio da Cidadania. Um abraço. Vanderley Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares (4) Escrito por Mario Maestri e Helen Ortiz Acidente de trabalho Após acompanhar as investigações sobre o homicídio, o promotor Paulo Cláudio Tovo propôs uma provável sequência para os fatos: "[...] a vítima teria sido passível de ?banho? ou ?caldo?, por parte dos agentes do DOPS [...], processo despótico que consiste em mergulhar o paciente nas águas do rio, quase até a asfixia, para dele extorquir a confissão [...]. Nesse ?trabalho? [...] realizado dentro de uma lancha ? pois na época fazia frio ? com a vítima segura pelos pés e o restante do corpo mergulhado na água, seus torturadores teriam lhe deixado escapar, por [...] ?acidente de trabalho? não conseguindo mais encontrá-la [...]." Não é de se afastar igualmente a hipótese de uma execução do prisioneiro, devido a sua negativa em fornecer as informações exigidas, para aterrorizar seus companheiros ou por qualquer outra razão desconhecida. É também possível que Manoel Raimundo tenha morrido afogado inadvertidamente durante a tortura, sendo após lançado ao rio. O fato que os responsáveis pelos atos não tenham jamais sido levados a julgamento impede a possível elucidação da seqüência precisa do assassinato. Não há sequer informação precisa sobre o dia da morte de Manoel Raimundo, ocorrida entre os dias 13 e 20 de agosto. Em data de 19 daquele mês, telegrama do STM, encaminhado primeiramente ao diretor da ilha do Presídio e, no dia seguinte, ao DOPS, pedia informações urgentes sobre Manoel Raimundo para fins de habeas corpus. Enquanto o DOPS permanecia em silêncio, em 20 de agosto, com outros dois indivíduos, o delegado e diretor da Divisão de Segurança Política e Social, José Morsch, entrou no necrotério do Instituto Médico Legal, à procura de cadáver de identidade ignorada. Mascarando os fatos Foi em vão a tentativa do delegado José Morsch de localizar o corpo de Manoel Raimundo, pois, como referido, só seria encontrado no dia 24, por moradores da ilha das Flores. Entretanto, o ato registrou o conhecimento anterior ao achado, pelas autoridades, da morte do prisioneiro político. Mesmo após o corpo ser encontrado e identificado como sendo de Manoel Raimundo, os agentes do DOPS seguiram teimando que nada sabiam sobre os acontecimentos. Na época, havia ainda liberdade de informação relativa. Nas páginas de Zero Hora, de 2 de setembro de 1966, o jornalista e humorista Carlos Nobre comentava irônico e indignado: "O troféu bolha da semana é para o DOPS porque, segundo o delegado Delmar Kuhn, os agentes levaram o sargento Manoel Raimundo Soares para a Ilha do Presídio, dias depois ele aparece morto, boiando no rio Jacuí com as mãos atadas e o DOPS diz ignorar qualquer violência na vítima [...]". Os assassinos de Manoel Raimundo tentaram mascarar os fatos, com a ajuda de alguns jornalistas de grandes meios de comunicação. Foi longamente divulgado que a morte do sargento faria parte de "trama subversiva diabólica" "para fins de propaganda anti-revolucionária", ou seja, contra o governo ditatorial. A versão oficial dizia que ele fora posto em liberdade em 13 de agosto, apoiada em documento de soltura pretensamente assinado pelo sargento. No livro de registros de presos da Ilha, constava que Manoel Raimundo fora retirado de lá naquele dia. No livro de ocorrências do DOPS podia-se ler: "Às 13:30 horas foi liberado por este DOPS, o detido MANOEL RAIMUNDO SOARES." A seguir, o documento discriminava os poucos bens pessoais devolvidos ao libertado. Acidente ou execução? Na época, a proposta de libertação, em 13 de agosto, de Manoel Raimundo, foi defendida para negar a responsabilidade do Exército e da Polícia. O que sugere que a assinatura tenha sido forjada pelas autoridades, preventivamente, após o "acidente de trabalho" no rio Jacuí, talvez sob a injunção dos pedidos prementes de informação determinados pelos habeas corpus impetrados em favor do prisioneiro. Entretanto, a assinatura foi autenticada pela perícia. Caso ela realmente pertencesse ao prisioneiro, se fortalece a hipótese de execução através de afogamento, realizada, talvez, após o ministro forçado de bebida alcoólica. Araken Galvão, ex-sargento e seu companheiros de luta, subscreve a tese do assassinato. "Aplicaram-lhe injeções de álcool nas veias para embriagá-lo ? ele que nunca colocara na boca uma taça de vinho sequer ? quando viram que ele não delataria ninguém [...] jogaram, depois de uma terrível sessão de torturas, ainda vivo no Rio Guaíba [...]. "Nesse caso, o único acidente teria sido o lançamento de Manoel Raimundo com os pés e as mãos amarrados, o que tirava credibilidade à tese de suicídio ou acidente devido à embriaguez. O registro da libertação teria sido medida preparatória à execução". Manoel Raimundo não foi positivamente libertado às 13h30. Em depoimento de 3 de novembro de 1966, o guarda civil Gabriel Medeiros de Albuquerque Filho afirmou que viu o ex-sargento em uma das celas do DOPS, na noite de 13 de agosto, quando prestava serviço naquele local. Esta informação foi também confirmada pelo então estudante Luis Renato Pires de Almeida, detido à mesma época naquela prisão. Um último encontro Araken Vaz Galvão relata sobre a viagem de Elizabeth a Porto Alegre, onde chegou em 30 de agosto de 1966: "Quando a notícia de sua morte chegou ao Rio [de Janeiro] eu recebia de Amadeu Felipe a missão de acompanhar Betinha até Porto Alegre e, durante a viagem, já ir preparando o seu espírito para amortecer o impacto da tragédia. Foi a mais ingrata tarefa que recebi na minha vida. Não sei, acho que só me saí bem em parte, pois a deixei, já informada, em mãos seguras na capital gaúcha." No necrotério, Elizabeth fez o reconhecimento do cadáver. De pequena estatura, acabrunhada pela morte, a jovem mostrou grande decisão e coragem na defesa da memória de seu esposo e na exigência do castigo dos culpados. Em entrevista à jornalista Tânia Faillace, em 2 de setembro de 1966, em Porto Alegre, falou do companheiro desaparecido, da vida simples e feliz que conheceram após o rápido namoro e casamento. Ao registrar a ida quase diária ao cinema, lembrou como haviam gostado do filme italiano ?Os companheiros?, de Mario Monicelli. Recordou o apreço de Manoel Raimundo pela música clássica, com destaque para Mozart e Bach. Araken Galvão relata que, anos antes do golpe, procurando-o introduzir no gosto pela música clássica, Manoel Raimundo convidara-o "a sua casa" para que ouvisse o Bolero de Ravel, "o que ele chamou de ?uma peça bastante simples" que o amigo compreenderia "perfeitamente". Em 2 de setembro, o enterro de Manoel Raimundo foi acompanhado por pequena multidão. Por onde passava o cortejo triste, as lojas fechavam em sinal de homenagem ao combatente caído. Trabalhadores da Carris tomaram o caixão pela alça e o carregaram até a Pira da Pátria, no Parque Farroupilha, onde foi exposto, por alguns momentos, ao lado da bandeira nacional, símbolo do país poderoso, justo e solidário com que o sargento sonhava. Já no cemitério, um estudante gritou para policial que vigiava à paisana o ato fúnebre: "Assassinos!" O cadáver de Raimundo Soares foi depositado, finalmente, no Cemitério São Miguel e Almas. Presente à última despedida, a jovem Elizabeth Challup Soares não teve forças para acompanhar a longa marcha fúnebre, pois há "três dias não comia e quase não dormia". Uma semana depois, também não compareceu à missa de sétimo dia de falecimento. Por outra razão, desta vez. Em ato de vilania inusitada, após vitimarem o jovem suboficial, os esbirros da ditadura voltavam-se agora contra sua esposa, golpeada pela perda irreparável. Elisabeth fora convocada para depor na Secretaria de Segurança naquela data, sendo interrogada por cinco horas pelo comissário Vargas. Total impunidade A Procuradoria Geral do Estado designou o promotor Paulo Cláudio Tovo para acompanhar as investigações sobre o crime. Mesmo pressionado pelo Secretário de Segurança, ele concluiu relatório em inícios de 1967, produzindo provas fundamentais. A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul instaurou também comissão parlamentar de inquérito para averiguar as circunstâncias da morte e a forma como eram tratados os presos políticos, que resultou em valioso relatório publicado no Diário da Assembléia, em junho de 1967. Divulgado amplamente por dias pelos meios de comunicação, o homicídio de Manoel Raimundo chocou profundamente a sociedade sulina e brasileira da época. A ilegalidade do ato, as torturas praticadas, a violência com que fora tratado anunciavam, porém, as práticas e as armas que o governo militar empregaria nos anos seguintes contra seus opositores, agora sob a proteção do amordaçamento absoluto da imprensa. Até hoje, não houve elucidação precisa da execução de Manoel Raimundo Soares. Os responsáveis denunciados jamais foram punidos, seguindo suas carreiras encobertados e protegidos pelas autoridades civis e militares superiores, sob as ordens das quais cometeram aquelas e tantas outras violências. Sequer após a redemocratização do país, em 1985, seriam levados à Justiça. Impunidade Em agosto de 1973, a viúva Elizabeth Chalupp Soares ajuizou ação indenizatória pelo assassinato de seu esposo contra a União, o Estado do Rio Grande do Sul e alguns militares do Exército Brasileiro. Transferido da Justiça estadual para a federal, o processo tramitou por mais de 30 anos! Quando, em dezembro de 2000, a autora conseguiu sentença favorável, a União recorreu da decisão. Somente em setembro de 2005, a ação foi julgada procedente pelo Tribunal Federal Regional da 4ª Região. À Elizabeth foi garantido pela Justiça o direito à pensão mensal vitalícia (retroativa a 13 de agosto de 1966, relativa à remuneração integral de segundo-sargento) e ressarcimento por gastos à época com viagem, hospedagem, alimentação, funeral e luto de família. Foi-lhe determinado pagamento de indenização por dano moral. Porém, o processo criminal ajuizado foi arquivado por caducidade, garantindo a impunidade dos torcionários e executores de Manoel Raimundo. Na obra ?Segurança Nacional?, ao enumerar medidas necessárias para reduzir o poderio e privilégio dos militares na Nova República, Roberto Martins alerta para que "sejam desvendados os crimes contra os direitos humanos. Se a impunidade for mantida, muito fácil será no futuro repetir os mesmos crimes. Sem justiça, será falsa qualquer democracia implantada". Para ler a primeira parte do artigo, clique aqui. Para ler a segunda parte do artigo, clique aqui. Para ler a terceira parte do artigo, clique aqui. Mário Maestri, 60, historiador, é doutor em História pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. E-mail: maestri at via-rs.net Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Helen Ortiz, historiadora, é mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Publicado em: O direito na história: o caso das mãos amarradas. Porto Alegre: Tribunal Regional Federal da 4 Região, 2008. pp. 177-200. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090511/70e6149a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090511/70e6149a/attachment-0003.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3546 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090511/70e6149a/attachment-0004.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3548 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090511/70e6149a/attachment-0005.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 12 20:00:31 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 12 May 2009 20:00:31 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Da_aliena=E7=E3o_=E0_depress=E3?= =?windows-1252?q?o=3A_caminhos_capitalistas_da_explora=E7=E3o_do_s?= =?windows-1252?q?ofrimento____________/__1=2E_____O_fim_dos_projet?= =?windows-1252?q?os_e_o_fortalecimento_das_ilus=F5es=2E___/___prim?= =?windows-1252?q?eira_parte_/?= Message-ID: <04b201c9d355$73d99510$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem. Este é um dos trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história. Escolhemos esse texto, embora longo, mas que será apresentado todas as terças-feira, por parte. Trata-se de uma análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade, tratando-a mais como doença do que um problema que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as suas ilusões e mesmo do relacionamento humano. As leis do capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se reproduz perversamente na vida em sociedade. O nome dado a este trabalho, "Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento". Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem essa sociedade. Imprima as partes que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para entendê-la e, para a desalienação. Um abraço. Vanderley ps.agradecemos a professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari por permitir a divulgação pela Carta O Berro. Emilio Gennari professor Emílio Gennari atua como Educador popular e é Monitor de Formação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio (NEP-13). É autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e História. Da alienação à depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento Apresentação. É bastante comum ouvir quem atua nos movimentos sociais se queixar da dificuldade de envolver as pessoas que, por sua situação, deveriam ser as primeiras interessadas em aderir às lutas propostas. Frases como: ?o povo não se mexe? ou ?o pessoal não quer saber de nada?, são parte de um cotidiano no qual, via de regra, quem se revoltou diante das contradições do presente não consegue despertar qualquer reação individual ou coletiva à altura das necessidades. A explicação pode ser encontrada sem maiores problemas no sentido da palavra ?alienação? que, de acordo com o dicionário Houaiss, é definida como o ?processo em que o ser humano se afasta de sua real natureza, torna-se estranho a si mesmo na medida em que já não controla a sua atividade essencial (o trabalho), pois os objetos que produz, as mercadorias, passam a adquirir existência independente do seu poder e antagônica aos seus interesses?. Dito isso, parece óbvio que o povo simples não consiga compreender os fatores sociais, políticos e culturais que condicionam sua vida e nem possa decifrar os impulsos que o levam a agir numa determinada maneira. Pela definição de alienação, podemos dizer que as relações do dia-a-dia chegam aos nossos olhos como a imagem refletida no espelho. Aparentemente, o que se vê parece ser a fiel reprodução do cotidiano vivido, quando, na verdade, tudo não passa de um reflexo que inverte as relações sociais. Na ilusão de estar enxergando a realidade como ela é, o homem-massa não capta o que se esconde por trás das aparências e sequer desconfia de que pode estar diante de uma miragem enganadora. O problema é que esta constatação pouco ajuda quem se dedica a organizar a classe trabalhadora. Para que sindicatos, partidos e movimentos sociais possam romper as barreiras da alienação é necessário compreender que elementos, ao atualizá-la, contribuem para garantir que suas bases continuem dóceis às exigências do capital. Ou seja, precisamos delinear claramente a forma pela qual os fatores internos e externos às empresas se articulam para introduzir tensões desagregadoras no seio do trabalhador coletivo e realizar a façanha de levá-lo a aumentar a produtividade e os lucros mesmo quando a adesão ativa à lógica e aos projetos capitalistas é paga com a perda da integridade física e mental. O estudo que segue propõe algumas respostas. Ao tentar explicar porque é cada vez mais difícil organizar os locais de trabalho, nenhum capítulo vai abrigar dissertações sobre o papel manipulador da mídia e, menos ainda, se preocupará em reafirmar o que já delineamos em trabalhos anteriores sobre os caminhos da reestruturação produtiva e os rumos do movimento operário-sindical no Brasil. As análises aqui desenvolvidas têm o objetivo de esboçar alguns dos mecanismos materiais e psicológicos pelos quais a exploração do sofrimento psíquico se torna um fator determinante para elevar a produtividade e os lucros empresariais e de mostrar como a própria ação sindical traz em si aspectos que contribuem para fortalecer estes mecanismos. Se você espera encontrar aqui um texto definitivo ou uma solução mágica para a agitação e a organização, pode tirar seu cavalinho da chuva agora mesmo. As páginas que seguem buscam apenas compor a figura inicial de um grande quebra-cabeça cujas peças vieram de leituras, observações, constatações intrigantes recolhidas em centenas de atividades de formação, relatos de trabalhadores e trabalhadoras vítimas de distúrbios depressivos e inúmeras conversas informais com integrantes das mais diversas categorias. Trata-se, portanto, de um pontapé inicial rumo a uma análise mais profunda que seja capaz de compreender melhor a realidade e auxiliar os homens e mulheres que procuram organizar a classe a intervir nela de forma mais eficiente ou menos frustrante. Para facilitar a leitura, evitamos ao máximo o uso de notas de rodapé e de citações teóricas, sem contar que, mais uma vez, lançamos mão da presença intrigante e provocadora da coruja Nádia. Suas intervenções querem transformar as páginas que seguem em convite aberto a entrar neste debate, a ajudar na reflexão sobre o presente e a aprimorar a ação de quem se esforça em construir um mundo do qual seja banida toda exploração do homem pelo homem. São Paulo, 1º de Maio de 2009. Introdução. Final de tarde. O pôr-do-sol pinta o céu com uma alegria de cores que contrasta com o cinza opaco da cidade. Na volta do trabalho, as calçadas lotam de seres que, apressados, nem percebem este espetáculo gratuito da natureza. O brilho apagado de seus olhos torna invisível o que está a seu redor. O cansaço, a correria e o desejo de voltar ao aconchego do lar transformam o trajeto costumeiro numa corrida de obstáculos cujo prêmio é o merecido descanso. Neste cenário, só as vitrines das lojas atraem olhares, despertam sonhos, reavivam invejas, antigas frustrações ou desejos cuja marcha frenética rumo ao amanhã renova o esforço cotidiano de preencher aquele vazio de ser que nenhuma mercadoria consegue satisfazer. O nervosismo, a ansiedade, o estresse e o afã dessa busca transformam a vida numa luta de todos contra todos. A disputa vai do assento no trem ao palmo de asfalto no cruzamento, da vaga no estacionamento do shopping à roupa da moda em liquidação, da promoção no trabalho à não-inclusão na lista de demitidos, da atenção dos presentes na balada às centenas de instantes nos quais entrevemos a possibilidade de garantir as migalhas de afirmação pessoal que nos permitem sair do anonimato e saborear centelhas de poder. Esse estado de espírito não admite pensamentos negativos, mede criteriosamente cada miligrama de solidariedade, faz do vencer na vida o objetivo prioritário da dedicação ao trabalho, condena como indolentes as vítimas da miséria e não titubeia em apoiar a repressão pura e simples diante da violência que ameaça suas posses. Focados em objetivos individuais, os olhos já não conseguem ver a injustiça, o coração não se indigna diante da seqüência de acontecimentos que marcam a realidade e a cabeça simplesmente faz o corpo ir do outro lado da rua para não ver o homem que escreveu no abrigo de papelão o seu apelo desesperado: Preciso de emprego urgente. Mas a realidade nua e crua teima em trazer de volta os fantasmas que procuramos afastar e cujas simples lembranças projetam sombras de incerteza sobre o futuro que sonhamos. Diante dela, o jeito é não ver, se convencer de que isso não acontecerá com a gente e, se possível, procurar até mesmo não nomear as desgraças, pois, afinal, estamos convencidos de que essas coisas pegam. Preso neste turbilhão de pensamentos e sensações, um homem se aproxima cabisbaixo da porta de casa, leva as chaves até a fechadura e com gestos frenéticos vence o último obstáculo que separa o seu sossego do mundo circunstante. O desejo de esquecer a luta diária entre a ansiedade e o temor da frustração leva o corpo até o sofá enquanto o lento pestanejar dos olhos busca entregar ao sono a longa lista de desejos, esperanças e razões de sofrimento. Apoiada na janela da sala, uma coruja acompanha cada gesto sem que o humano perceba sua presença. Um rápido piscar de olhos e um longo suspiro preparam o caminho às palavras com as quais rompe o silencio que embala o torpor de quem parece partilhar com ela momentos de vivência diária: - ?Hoje você demorou...?, diz em tom de quem busca puxar conversa. - ?Hoje...ontem...e a semana toda!?, retruca o homem ao virar-se de costas como quem não quer ser incomodado. ?A cidade está cada dia pior. É coisa de louco?, arremata sem abrir os olhos. - ?As pessoas não sabem que estão doentes?, sussurra a coruja ao não se dar por vencida. - ?Já sei, Nádia, é poluição...muito trabalho...aborrecimentos...correria e por aí vai...?. - ?Engano seu, querido secretário. A loucura que toma conta de cada um vem de um vírus que se chama solidão e pode ser transmitido em qualquer momento da vida diária?, rebate a ave sem alterar o tom de voz. - ?Solidão!?! Em meio a milhares de criaturas nas quais você tromba sem querer?!? Você só pode estar louca!?, afirma o homem em tom visivelmente irritado. - ?A solidão à qual estou me referindo não é um sentimento passageiro que atravessa a vida deste ou daquele indivíduo. Longe de ser um estado de espírito casual ? esclarece a coruja ao espetar o ar com a ponta da asa -, a solidão é o resultado de uma longa série de ações, situações e realidades, paciente e sistematicamente criadas pelos donos do poder. Ao multiplicar-se e entrelaçar-se dentro e fora dos locais de trabalho, elas proporcionam o aumento da exploração e a redução das possibilidades de resposta individual e coletiva de quem está sendo sugado, ao mesmo tempo em que lhe dão a sensação de trilhar o caminho certo de sua realização pessoal?. Intrigado, o homem senta, coça a cabeça e, ao bocejar, deixa os lábios soltarem um ?Quer dizer que...?, tão inesperado quanto comprometedor. - ?Quer dizer que posso explicar à sua cabeça de vento o que a ela passa desapercebido apesar de estar diariamente debaixo das grossas lentes de seus óculos!?, afirma Nádia sem fazer cerimônias. Entre a curiosidade e o desconcerto, o secretário levanta e senta à mesa com ar de quem desafia seu oponente a convencê-lo de algo insólito e inusitado. Instantes depois, arruma as folhas de rascunho e emite sinais típicos de quem, apesar de contrariado, se dispõe a ouvir. Com as asas cruzadas atrás das costas, Nádia se movimenta entre os livros e revistas que forram o lugar onde suas palavras ganharão cor e forma acessíveis aos humanos. Ao perceber que já pode dar início ao relato, pára e, com voz decidida, assinala: - ?O melhor caminho é começar pelas mudanças que cercam até mesmo quem, no início dos anos 90, tem a sorte de continuar empregado. Por isso, nosso primeiro capítulo vai abordar os aspectos que marcam a passagem entre...? 1. O fim dos projetos e o fortalecimento das ilusões. - ?O capitalismo dos anos 90 ? diz a coruja ao apoiar o queixo na ponta da asa ? ganha um precioso aliado na queda do Muro de Berlim, ocorrida em 1989. Fruto do avolumar-se dos problemas econômicos, políticos e sociais alimentados pela corrida armamentista dos anos da Guerra Fria e pelas contradições que se desenvolvem em seu interior, a derrocada dos países do chamado ?socialismo real? abre as portas de um novo período da história mundial. Diante dos escombros da antiga União Soviética, os Estados Unidos começam a trabalhar a idéia de que o ?Império do Bem? foi capaz de vencer as forças contrárias à democracia, à abertura dos mercados, à competição sem fronteiras e ao progresso baseado na livre iniciativa, tidas como alicerces do desenvolvimento e do bem-estar do primeiro mundo?. - ?Mas, como é possível afirmar isso quando a própria realidade estadunidense se revela incapaz de resolver o desemprego, a miséria, a falta de assistência social e a discriminação que marcam presença em seu território??, questiona o secretário ao interromper bruscamente o relato. - ?Simples!?, responde a ave sem alterar o tom de voz. ?Ao ter no Leste Europeu, na China e em Cuba os pontos de referência sobre os quais travar o debate das idéias, a maioria dos grupos da esquerda mundial vê a queda do Muro de Berlim como o atestado de óbito dos pais que, em épocas e formas diferentes, traçaram, corrigiram e orientaram seus planos de ação. Transformados em órfãos, setores consideráveis que, até ontem, haviam defendido a luta pelo socialismo em suas plataformas políticas, começam agora a renegá-lo, a se desfazer dos teóricos que haviam inspirado suas intervenções anteriores e a abandonar a luta ideológica contra o sistema capitalista. A chamada ?esquerda madura? que nasce deste processo não é a que aponta os problemas e as contradições do capital enquanto aprimora as formulações de um novo projeto de mudança, mas sim a que aceita as regras do livre mercado como limite natural no qual pensar e desenvolver sua ação garantindo apenas um cuidado maior na sugestão das medidas que podem amenizar as conseqüências sociais do capitalismo. Ao tirar o time de campo, a grande maioria dos ex defensores do socialismo deixa que a elite ocupe todos os espaços e faça de sua interpretação dos acontecimentos a única explicação racional das mudanças em curso. Economistas, sociólogos e intelectuais a serviço dos poderosos têm assim todo o espaço possível para mostrar que a derrota do ?socialismo real? é a prova cabal de que só no sistema capitalista podemos ter o melhor dos mundos possíveis e que, portanto, no lugar de ficar criticando o sistema, trata-se de aproveitar plenamente as possibilidades que este oferece. Neste contexto, o indivíduo ganha uma posição de destaque maior da que tinha antes, é apresentado como responsável exclusivo pelo seu sucesso e vê o esforço pessoal como a única arma capaz de assegurar sua empregabilidade e afugentar o medo de concorrer com os demais. Sem pudor algum, o ?eu? toma o lugar do ?nós? na vida diária e começa a derreter o sentido das preocupações coletivas que haviam sustentado longos processos de luta nas décadas anteriores. O clima no qual ocorrem as mudanças é ditado pela intensa disputa dos mercados mundiais tanto no que diz respeito à produção de bens e serviços, como à sua comercialização. Longe de colocar a vida da humanidade no centro das preocupações coletivas, a busca do lucro sem limites se credencia como o norte exclusivo que orienta todas as bússolas num cenário de guerra econômica que vai da estrutura do Estado à organização do trabalho. Vencer esta guerra com as armas da eficiência e da competitividade é apresentando ao povo simples como o objetivo central, como a meta capaz de garantir à nação um lugar no mundo desenvolvido, de proporcionar a multiplicação dos investimentos e, com ela, a geração de empregos e rendas crescentes. No vórtice criado pela nova ordem mundial, políticos e intelectuais de todas as tendências não se cansam de repetir que ninguém pode titubear diante das medidas que se fazem necessárias. O Estado tem que ficar enxuto, privatizar suas atividades e abrir caminhos para que antigos benefícios sociais sejam progressivamente reduzidos ou eliminados. Jovens mal-preparados, idosos, trabalhadores experientes que conheceram os enfrentamentos do passado, e são portadores de uma tradição de luta, devem ser demitidos das empresas para deixar o lugar aos que são considerados aptos para os combates dos novos tempos: os que, querendo ser vencedores, não poupam sacrifícios para melhorar seu desempenho profissional com disciplina e abnegação. O sofrimento humano causado pelas demissões é encoberto por expressões que apresentam as medidas implementadas como algo saudável. Ninguém admite estar jogando no olho da rua pais e mães de família que precisam do emprego para sobreviver, mas sim de promover um asséptico enxugamento dos quadros, uma eliminação dos excedentes, uma remoção dos excessos de gordura, uma arrumação da casa, uma revisão das qualificações, um processo que garanta a saúde das empresas, um balanço de competências capaz de eliminar empregados desmotivados e improdutivos ou, ainda, uma requalificação profissional que proporcione produtividade e satisfação aos colaboradores. Aparentemente, trata-se de uma causa justa na medida em que os esforços coletivos destinam-se a resistir aos ataques dos concorrentes e a garantir os lucros necessários para investir, distribuir dividendos e manter o maior nível de emprego possível. Uma situação, portanto, na qual os fins justificam os meios. A linguagem do capital transforma o trabalho sujo de demitir gente em algo sadio, desejável e aceito pelas ?pessoas de bem? que até ontem se revoltariam diante de uma lista de demissões. A percepção das conseqüências reais da nova ordem econômica se turva, se apaga, fica anestesiada entre o que os olhos já não vêem e o sonho de sucesso projetado para um futuro sem data marcada. Os novos empregados sentem orgulho de terem sido escolhidos entre milhares, de pertencer aos quadros de uma empresa que lhes promete salário, carreira e realização pessoal vinculados a regras claras que só dependem de seu compromisso com os projetos empresariais. Ainda que em graus, formas e ritmos diferenciados, estas idéias começam a se generalizar, a ganhar espaço na mídia, a usar a palavra dos próprios trabalhadores para negar manifestações contrárias ou simplesmente para reafirmar o acerto das novas orientações. A democracia e o diálogo são bem-vindos somente quando suas expressões levam água ao moinho que vai triturar as manifestações da subjetividade e da identidade coletiva que, até ontem, haviam proporcionado níveis de dignidade suficientes para rejeitar abusos e desmandos. No silêncio dos que se levantavam para protestar, a elite molda o seu novo consenso social. Tudo parece tão limpo, bem-intencionado e natural que se opor a estas mudanças soa tão absurdo quanto pedir a revogação da lei da gravidade. Pouco a pouco, a consciência começa a ignorar a extensão dos problemas, a receber com incredulidade as denúncias que buscam desvendá-la, a não perceber que o mal se banaliza e a chamar de loucura a simples possibilidade de pensar uma sociedade diferente da atual. Aliados ao silêncio e à inércia da esquerda, a resignação de uns e o sucesso de outros fazem com que os olhos se acostumem a ver com naturalidade o crescente número de indigentes, moradores de rua, crianças abandonadas e ambulantes que disputam as calçadas onde antes só circulavam pedestres. Neste cenário, a cabeça apóia que a violência seja combatida apenas com a violência, pois esta é vista prioritariamente como fruto da maldade individual que, longe de batalhar o seu suando a camisa, opta por ameaçar o que os demais conseguiram juntar. E o coração, ao condenar sumariamente a miséria como resultado da indolência e da acomodação, deixa de se indignar diante do sofrimento alheio. Quando uma tragédia se encarrega de desmascarar a mentira que permeia o cotidiano e sacudir as novas convicções, o senso comum das maiorias se defende dizendo que se trata de uma fatalidade, de um acidente, do resultado de causas externas imprevisíveis ou, mais simplesmente, se esconde por trás de um ?eu não sabia que era assim? tão ingênuo quanto desolador. Enfim, ao se fecharem em si mesmas, as pessoas não vêem que estão deixando de fazer história, que a injustiça contra o mais pequeno é uma ameaça que paira sobre as cabeças de todos e, sem perceber, embarcam alegremente na viagem cujo destino final é o matadouro...?, conclui Nádia em tom nada animador. - ?E, no Brasil, as coisas andam pelo mesmo caminho??, cutuca o homem entretido em escrever as últimas palavras do relato. - ?Mergulhado nas mudanças que tomam conta do planeta, o nosso país começa a década de 90 com um plano de combate à inflação que tem na abertura do mercado, no confisco do dinheiro e no arrocho salarial as armas com as quais o governo entra na guerra econômica e promete que os sacrifícios resultantes vão levar a nação ao primeiro mundo. As medidas implementadas por Fernando Collor de Mello paralisam a produção e introduzem a classe trabalhadora no cenário sombrio da precarização do trabalho e do desemprego de longa duração. Com pequenas variações, esta situação se mantém inalterada até 2004. Ainda que a inflação fique mais comportada, o baixo crescimento da economia é incapaz de gerar vagas suficientes até mesmo para os jovens que ingressam oficialmente na População Economicamente Ativa e a luta por um ganha-pão força um número crescente de trabalhadores e trabalhadoras a abrir mão de direitos básicos para ter acesso a condições mínimas de sobrevivência. Entre 1984 e 2004, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) calcula que na região metropolitana de São Paulo, a mais industrializada do país, o contingente de desempregados aumenta 135% e, no fim deste período, o salário médio equivale a 52% do valor que tinha em 1985.[1] Nas demais capitais as coisas não são diferentes e os institutos de pesquisa se vêem obrigados a alterar seus critérios para esconder os números reais do amplo contingente que alimenta o que, em seguida, será assepticamente chamada de informalidade. - ?Isso deve ter deixado todo mundo com medo!?, conclui o secretário na tentativa de apressar os tempos. - ?Pode apostar que sim?, confirma a ave calma e pausadamente. ?Mas esta situação apavorante não é o único aspecto que vai atormentar a classe trabalhadora. Acontece que, devido à sua extensão, não há família que consiga escapar de um contato direto ou indireto com o desemprego. Através de amigos, vizinhos, parentes ou na própria pele, as pessoas constatam não só a elevação da angústia e do medo do futuro como tocam os próprios efeitos que a falta de trabalho provoca nas pessoas. Em grau maior ou menor, trabalhadores e trabalhadoras percebem que o desemprego vai tirando do indivíduo o controle sobre a vida, as decisões e os planos para o futuro. A ausência de perspectivas se soma à perda dos pontos de referência que, até ontem, disciplinavam a vida cotidiana. Na dificuldade de pilotar a própria existência em meio à insegurança, tudo parece dar errado ou não levar a nada. Aos poucos, os sentimentos de frustração, de falta de proteção e de desconfiança tomam conta dos desempregados, começam a afastá-los da convivência com os demais e apagam a capacidade de discernir até a que ponto as causas da situação atual devem ser atribuídas às relações sociais existentes e não à incapacidade individual. Mas isso não é tudo. Ao perceber a diferença entre sua realidade e os casos de pessoas bem-sucedidas à sua volta, quem perdeu o emprego começa a se ver como alguém cujo espaço no convívio social vai se fechando de forma inexorável. A falta de dinheiro lhe impede de pertencer ao grupo com o qual se relacionava. O progressivo isolamento que se instala aumenta o seu sofrimento toda vez em que ele compara o que era com o que é, a imagem ideal que tinha de si mesmo com sua condição real, e isso reforça sentimentos de inferioridade, abandono, marginalização e solidão. Degrau a degrau, as dificuldades econômicas atingem a dignidade, minam os antigos valores, levam a atitudes agressivas e ao desejo de esquecer a realidade, de fugir dela, ora através da bebida, ora das drogas, como caminho rápido para sair da angústia e do sofrimento. Mesmo quando o desempregado não percorre as vias do alcoolismo ou do consumo de narcóticos, o seu desgaste como ser humano aumenta na exata medida em que a falta de trabalho altera o sentido e o significado do tempo. Para ele não há mais diferença entre dias de trabalho e de descanso, dias de labuta e de festa, mas o tempo inteiro se apresenta a ele como um enorme vazio no qual só lhe resta repetir de forma desorganizada algumas atitudes, gestos, condutas que, em geral, levam a idealizar o passado, reduzem o presente a uma desgraça sem fim e elevam o medo do futuro. A sensação de frustração e fracasso que toma conta da sua vida costuma ter como meta intermediária a resignação, a apatia e a inibição. De tanto apanhar da vida, já não tenta nada e, quando pensa em fazer algo, dá por pressuposto que tudo dará errado e passa a aceitar como uma sina o que antes era inaceitável. Diante do espírito competitivo que permeia cada instante da vida em sociedade, o desemprego prolongado leva a pessoa a se convencer de que mais do que uma vítima da realidade econômica e política do país, a sua situação é o resultado do fracasso pessoal. Expressões como não soube ficar no emprego, não sirvo nem para achar trabalho, sou mesmo um inútil, nem consigo dar conta de comprar um brinquedo para meus filhos, revelam de forma simples e direta que o sentimento de culpa e de autodesvalorização estão ocupando o lugar de qualquer avaliação mais serena da situação real?. - ?Bom, Nádia, mas, como eu dizia, isso joga lenha na fogueira do medo de perder o emprego!?, conclui o homem com um gesto que sublinha o acerto de sua intervenção anterior. - ?Aparentemente, sim - retruca a ave ao sentar na beira de um livro que sai da pilha no centro da mesa. Mas, se olhamos com mais atenção, percebemos que a elevação do desemprego prolongado ao longo dos anos 90 faz o sistema capitalista se beneficiar de comportamentos que, aos poucos, irão ganhando corpo e forma?. - ?Já sei: mais desempregados é igual a mais precarização do trabalho, maior ritmo de produção para quem fica nas empresas, menos salário e assim por diante...?. - ?Estas são as conseqüências mais visíveis, mas há outras que passam desapercebidas apesar de serem tão insidiosas quanto as primeiras. Como já vimos, na medida em que longos períodos sem emprego se tornam cada vez mais comuns, o isolamento em relação aos demais e a frustração que marcam as tentativas de voltar à ativa levam centenas de milhares a se culparem pelo próprio desemprego. Ou seja, além de pressionar trabalhadores e trabalhadoras a se esfolar cada vez mais para garantir sua vaga na empresa, a leitura que o indivíduo faz do desemprego o induz a absolver a organização da sociedade de suas culpas e a se ver como único responsável de sua empregabilidade. Por outro lado, na medida em que as dificuldades econômicas tiram das vítimas do desemprego qualquer chance real de reconhecimento social e a vivenciar a terrível sensação de não ter futuro, quem continua empregado agarra-se ao que pode para se sentir gente e ter algo que lhe ofereça a possibilidade de se sobressair entre as pessoas com as quais convive?. - ?Mas como isso é possível se a piora da situação econômica leva a vislumbrar a chance de subir na vida como algo bem mais difícil e distante??, rebate o secretário ao não se dar por vencido. - ?O que seu cérebro avantajado não entende é que o sistema capitalista é capaz de desenvolver meios para suprir momentaneamente esta falta e até mesmo para acirrar o desejo numa situação que inibe objetivamente a capacidade de consumo?. - ?Você poderia ser um pouco mais clara...?!?? - ?Ninguém duvida que, diante dos seguidos cortes de funcionários e de uma rotatividade que, a cada ano, atinge no Brasil cerca da metade da força de trabalho empregada, a primeira reação de quem se mantém no posto já conquistado pode ser resumida na expressão antes pingar do que secar. Em outras palavras, as pessoas têm a percepção de que estão sendo exploradas e o serão ainda mais, mas por ruim que seja, preferem isso ao pesadelo de vir a ser um sem futuro através do desemprego. Ganha-se pouco, é verdade, mas ainda dá pro gasto. Vive-se no aperto, porém é ainda possível se conceder pequenas coisas que diferenciam o sujeito dos demais. A situação tá difícil, mas, de prestação em prestação, dá pra ter as coisas. Come-se o pão que o diabo amassou com o rabo, mas come-se. Neste processo, o desemprego alheio fortalece a percepção de que se o indivíduo quer ser reconhecido e respeitado é necessário que ele se torne alguém ou tenha algo capaz de fazê-lo sair do anonimato, de lhe dar status tanto quanto basta para as pessoas o reconhecerem como o tal. Quando as condições de vida impedem de ser famoso, de ter uma profissão à altura dos próprios sonhos ou de ser alguém respeitado no próprio meio pelos valores e a ética que acompanham o envolvimento com os demais, é sempre possível buscar um mínimo de reconhecimento através do que se tem ou se pode consumir. Daí o tênis e a camiseta de grife (ainda que falsificados), aquele celular incrementado, a televisão que desperta a inveja da vizinhança e a longa lista de pequenas e grandes coisas que têm o poder mágico de atrair sobre o indivíduo as reações que o identificam como ?alguém que conseguiu?, que o diferenciam dos demais, que dão o gostinho de ser mais pelo fato de ter mais. Transformar o sonho em consumo realizado vira uma espécie de prótese do prazer, que ajuda a ser o que as condições reais negam, que levanta a auto-estima, muda relações e sentimentos, realiza fantasias, fortalece a vaidade, faz sofrer e se regozijar ao ampliar ainda mais os sonhos e a própria imaginação. Enfim, ao adquirir o objeto dos desejos, é como se o sujeito estivesse comprando um pedacinho de sua personalidade, a parte de algo que o faz parecer o que não é, mas que, através do reconhecimento alheio, proporciona instantes da gostosa sensação de poder. Contudo, o desejo de continuar sendo objeto de admiração depende diretamente do próprio trabalho. A mercadoria que faz esse sonho se tornar realidade precisa do salário e a possibilidade de comprar novas e mais sofisticadas próteses do prazer é marcada pela necessidade de manter o emprego a qualquer preço. Sob o duplo estímulo do medo e do sonho, o empregado vai se concentrar cada vez mais na execução das tarefas, evitar erros, apontar falhas dos demais, acelerar o ritmo para mostrar que ele merece o posto que ocupa, fugir de tudo que pode colocar em risco a realização de seus desejos e se dedicar ao trabalho em tempo integral. Para ficar na firma, vale qualquer coisa: fazer horas extras, disputar prêmios de produção, engolir sapos cada vez mais gordos, prejudicar colegas, ser conivente com as injustiças e as arbitrariedades, ficar na sua mesmo quando está preste a explodir e se dispor a anestesiar seguidamente a própria indignação e os sentimentos de justiça. Se o que importa é o emprego, o negócio é lutar até o fim, não contra os patrões, mas sim contra os colegas cujos desempenhos, idéias ou pretensões ameaçam a estabilidade do sujeito e podem reduzir ao pó seus sonhos e aspirações. Pouco a pouco, a simples presença do dirigente sindical na portaria da empresa torna-se um incômodo. Seus convites a aderir à campanha salarial ganham as feições de uma ameaça indireta ao que se procura preservar e seus apelos ao sentimento de coletividade passam a ser percebidos como algo do qual vale a pena desconfiar. Na cabeça do senso comum, um salário maior proporciona sim sonhos mais altos, mas este teria que vir pela empresa, como reconhecimento da dedicação pessoal e não por um processo de enfrentamento com ela cujo desfecho é crivado de incertezas. A ausência de envolvimento com o coletivo faz o indivíduo se dobrar cada vez mais sobre si mesmo. Um após o outro, os laços de confiança recíproca se rompem deixando campo aberto para que a competição ocupe o lugar que era da cooperação. Ao transformar o outro em concorrente, o sujeito começa a se familiarizar com a idéia de que sua permanência na empresa depende da sua capacidade de vencer desafios, de ser sempre o melhor, de fazer mais, ou, pelo menos, tanto quanto basta para não ficar para trás e derrotar assim os competidores mais fracos. À diferença do passado recente em que a batalha de idéias e projetos no seio da classe trabalhadora deixava a entender que as necessidades pessoais só encontrariam uma resposta plena na superação coletiva das injustiças e na criação de uma nova sociedade, os anos 90 vão esmigalhando esta percepção a ponto de banalizar as pequenas afrontas do cotidiano em nome da esperteza e da afirmação do indivíduo, mesmo quando isso implica em prejudicar e marginalizar quem o coração reconhecia, até ontem, como colegas e companheiros. Além da propaganda, das formas de comportamento e das idéias reafirmadas exaustivamente pela mídia, do progressivo barateamento das mercadorias que alimentam novos sonhos de consumos e do culto à exterioridade promovido nos mais variados aspectos da vida em sociedade, a possibilidade do desejo não virar frustração tem no crédito pessoal um poderoso aliado. Compre hoje e comece a pagar daqui a dois meses! Tudo em 20 prestações sem entrada! Pegue dinheiro sem comprovação de renda! ?Você já tem o cartão da nossa loja? E mais, crédito consignado, pré-aprovado, cartão de crédito e as demais formas de empréstimo fazem com que, apesar do arrocho, o trabalhador tenha ao seu alcance um arsenal de possibilidades imediatas que lhe permite realizar do sonho de consumo ao impulso do desejo ao mesmo tempo em que amarra o próprio pescoço à pesada corda das dívidas contraídas, cujo aperto o obriga a trabalhar cada vez mais. Cria-se assim uma espiral vertiginosa que engole a base da pirâmide social num processo pelo qual ela se esfola o dia inteiro só para pagar o fruto de sua tentativa de ser o que não é?. - ?O que você acaba de descrever não deixa de gerar novas situações de sofrimento na vida das pessoas. Então, por que elas não reagem??, questionam os lábios ao procurar entender um comportamento aparentemente contraditório. - ?Elementar, querido humano de olhos pequenos e vista curta - responde a coruja ao levantar a asa esquerda. De imediato, você não pode esquecer que as mudanças em curso na sociedade negam o coletivo, que na fase anterior apontava para a necessidade de romper a ordem social existente, e apresentam o individuo como sujeito e construtor exclusivo das condições do próprio reconhecimento social. Há, porém, um outro aspecto igualmente importante. Trata-se do papel contraditório que o sofrimento assume já no início dos anos 90. Em primeiro lugar, as pessoas comuns começam a experimentar um sentimento de vergonha que nasce espontaneamente diante do crescente número de desempregados. Colocado frente a frente com o agravar-se da pobreza e da miséria, quem tem emprego e salário sente-se e passa a ser visto como um privilegiado. Não é que agora a empresa deixou de sugar o seu sangue, mas é que se fortalece no sujeito a estranha satisfação de saber que ele serve ao menos para ser explorado. Espremido entre o medo de perder o emprego e a vergonha de queixar-se diante de quem está pior, o trabalhador coletivo começa a reduzir a discussão sobre o que lhe causa sofrimento no ambiente de trabalho e se predispõe a agüentar mais e a se queixar menos diante das mudanças que começam a se instalar nos processos produtivos. Esta atitude ganha um poderoso aliado no risco de demissão que ronda todos os setores da economia com boatos, planos de demissões voluntárias ou listas de dispensas do dia. A vergonha de revelar o próprio sofrimento no trabalho soma-se, então, ao medo de que as expressões verbais deste mesmo sofrimento sejam interpretadas como sinal de exaustão e sirvam para as chefias indicarem os próximos a serem despedidos. Nesta primeira fase do processo que leva trabalhadores e trabalhadoras a se policiarem diante da verbalização do seu sofrimento e a aumentarem o nível de tolerância ao mesmo, registramos uma quase completa ausência do movimento sindical no tratamento desta atitude contraditória. De um lado, a não inserção nos locais de trabalho e, de outro, a histórica não priorização das agressões à saúde como um dos caminhos pelos quais a exploração se manifesta através da relação doença-trabalho, impedem de perceber os mecanismos subjetivos que tendem a ampliar o distanciamento entre as direções e as bases que estas dizem representar. Mas isso não é tudo. Na medida em que o trabalhador coletivo vê os crescentes níveis de informalidade e desemprego como ameaça constante, quem tem carteira assinada passa para um novo patamar. Além de lutar contra a expressão pública do seu sofrimento, cada funcionário tende a reduzir sua disponibilidade e tolerância diante das emoções e sentimentos nele despertados pela simples percepção do sofrimento alheio. Mais do que de uma falta de sensibilidade, trata-se aqui de uma forma de defesa pessoal. O que acontece com os demais pode acontecer com ele. Se eles não agüentam, ele também pode sucumbir. E como isso representaria o fim de todos os sonhos, o senso comum prefere escolher o esquecimento no lugar de enfrentar a realidade que teima em elevar a sua angústia diante do futuro. A amnésia voluntária diante dos acidentes, da estafa, e dos distúrbios psicossomáticos que vitimam os colegas funciona como uma espécie de vacina diante da possibilidade da dor alheia vir a elevar a sensação de insegurança já presente no indivíduo em função da percepção do próprio sofrimento. Pior, a indiferença que aos poucos vai ganhando corpo não se limita a servir de barreira destinada a conter este âmbito de emoções e de reações, mas se estende aos elementos que estão na origem do próprio sofrimento dentro e fora dos locais de trabalho?. - ?Você não está querendo dizer que, além de começar a ver com naturalidade o desemprego e a informalidade, trabalhadores e trabalhadoras perdem a capacidade de se indignar diante do ritmo exigido e das mudanças nos processos produtivos que prometem levá-los ao seu futuro esgotamento?!??, prorrompe o secretário assustado diante desta possibilidade inesperada. Ciente de que suas palavras têm o efeito de uma bordoada numa caixa de marimbondos, Nádia deixa que instantes de silêncio fortaleçam o ambiente de reflexão mantido até o momento. Vagarosamente, deixa o assento improvisado e se aproxima do homem que permanece imóvel à sua frente. Ao apoiar a asa no seu ombro direito, diz: - ?Acalme-se e trate de registrar com cuidado as passagens que estamos elaborando. Em primeiro lugar, vale a pena resgatar o fato de que a indignação e a revolta não são reações automáticas diante da miséria e do sofrimento. Elas não costumam se manifestar, por exemplo, diante de um terremoto, de uma doença incurável ou de condições sociais que pareçam impossíveis de serem modificadas. Mas é inegável que começamos a sentir um fogo ardendo no peito e ficamos furiosos quando percebemos que estas mesmas condições poderiam ser mudadas e não o são. Ou seja, só reagimos com indignação quando percebemos, ou alguém nos faz perceber, que nosso mais elementar sentimento de justiça foi pisoteado, enfim, quando o que acontece ao nosso redor é lido como uma injustiça que fere a dignidade e exige uma atitude de rejeição. O problema é que não basta sermos pessoalmente vítimas da injustiça para ter reações desse tipo. Nos anos 90, as pressões e o ritmo de trabalho tornam-se literalmente infernais, mas poucos se revoltam, menos ainda são os que adotam ações prolongadas de resistência, ao passo que a grande maioria procura agüentar. A diferença com as épocas anteriores está num elemento do qual já falamos: o individualismo exacerbado nas próprias relações entre os colegas. No passado, as manifestações de descontentamento (pouco importa se abertas ou vivenciadas ?na moita?), gestavam a consolidação de uma identidade coletiva baseada em idéias, valores e atitudes que, aliada à percepção da injustiça, constituíam o motor de toda resposta ao avanço da exploração do trabalho. A maior parte destas reações não estava baseada na consciência de classe, mas sim na convicção de que a exploração havia passado dos limites e a dignidade ferida levava a práticas de resistência que costumavam parar quando as coisas voltavam ?ao normal?. Apesar de limitadas, estas posturas contribuíam à construção de um espírito de coletividade e de sentimentos de indignação que a ação da militância de base fazia evoluir para algo mais consistente em termos de organização, ação e percepção da realidade. Mas, com o indivíduo em primeiro plano, qualquer adesão mínima às propostas coletivas passa pelo rígido crivo do atendimento prioritário das demandas do sujeito que, diante da insegurança na manutenção do emprego, prefere responder às conseqüências nefastas do sistema com sentimentos de piedade e comiseração do que com uma participação efetiva na rejeição da injustiça que está debaixo de seus olhos. Estas breves reflexões permitem visualizar apenas parte dos mecanismos pelos quais o sofrimento no trabalho começa a levar um número significativo de empregados a considerar natural, normal e ético não só o afastar-se do sofrimento alheio como até mesmo o infligir ou aumentar a dor dos próprios colegas. Diante das ameaças de marginalização que permeiam os ambientes em que vivem, o jeito não é enfrentar, mas sim afastar de si todo elemento que venha despertar a consciência dolorosa de que a própria falta de reação tem certo grau de colaboração e responsabilidade no agravamento das adversidades e dos problemas coletivos. Na medida em que esta atitude alimenta o conformismo, a resignação ou o consentimento em aderir ao sistema de exploração, e em que a inserção no local de trabalho e a organização de base deixam de ser a preocupação real dos sindicatos, trabalhadores e trabalhadoras se fecham em si mesmos, vão perdendo sua confiança nas possibilidades da luta, buscam com afinco o que pode dar respostas imediatas aos seus desejos de consumo e se contentam em conseguir algo que, ao proporcionar algum reconhecimento social, acabe ajudando a tolerar o intolerável. Este percurso tortuoso ganha dois aliados. O primeiro deita raízes na ação capilar dos meios de comunicação. Para manter a situação sob controle e canalizar o descontentamento social para o que favorece a reestruturação e o aprimoramento do sistema, rádio, tv, jornais e revistas se encarregam de reafirmar que as medidas econômicas implementadas pelo governo são necessárias para evitar que a situação fique ainda pior e que a globalização impõe desafios perante os quais o país não pode seguir outro rumo a não ser o de nadar de acordo com a correnteza. Tudo é apresentado como obra do acaso ou de relações que não dependem da vontade das pessoas. Não há culpados pelos estragos e suas vítimas, além de não conhecer o rosto dos responsáveis, acabam no banco dos réus por suas atitudes e sentimentos de revolta. O segundo aliado é totalmente inesperado. Incapazes de esboçar respostas consistentes, inúmeros sindicatos apresentam as mudanças em curso como algo natural, inevitável, já aplicado no primeiro mundo, enfim, como medidas perante as quais não há o que fazer, como reagir, mas, no máximo, buscar o mal menor. As poucas e honrosas exceções que ferem o consenso das maiorias apresentam suas reflexões com uma linguagem incompreensível ao trabalhador coletivo, atordoado entre os sonhos e a dura realidade. Isso ocorre porque, de um lado, a denúncia é feita com expressões que podem ser entendidas somente pelos que convivem com aquelas organizações políticas e, de outro, porque não há ações conseqüentes e capazes de reverter as mudanças em curso. O resultado é que a forma com a qual se tenta agitar e mobilizar o local de trabalho contribui mais para elevar o medo do desemprego e acelerar os mecanismos de defesa que levam à ausência de reação do que para colocar as pessoas em movimento. No fim, a luta pelo posto de trabalho passa a ocupar um lugar de destaque tanto para os trabalhadores quanto para os sindicalistas?. - ?Agora só falta dizer que até os jovens recém ingressados nas empresas passam por isso?!??. - ?Na mosca! Além deste setor da população não ser alheio ao impacto dos mecanismos já descritos e raramente ter experiência de luta e organização, o jovem só entra com carteira assinada depois de passar por momentos terríveis. Horas de pé numa fila que dá a volta ao quarteirão, uma seleção rigorosa do currículo pela gerência e uma entrevista com psicólogos cujas perguntas traiçoeiras medem o grau de motivação, a disposição para um compromisso sério com a empresa e o gosto pelo esforço, pela superação e pela disciplina são apenas as etapas iniciais que levam à possível admissão do candidato. Superada esta barreira, é a vez dos testes que avaliam a competência profissional. Uma vez admitido à fase de experiência, o sujeito passa pelo treinamento que, nas médias e grandes empresas, não é mais proporcionado pelos trabalhadores mais experientes, mas sim pelos que já exercem algum cargo de chefia. Longe de ter acesso a macetes, dicas de comportamento defensivo e transmissão inicial da identidade coletiva de resistência, o novato depara-se agora com a comunicação e a prática dos procedimentos prescritos, com posturas que reafirmam o fato dele ter sido escolhido por ser um dos melhores e com um tratamento que procura transformá-lo em militante do capital. Cabe a ele não decepcionar as expectativas daqueles que lhe concedem o privilégio de acolhê-lo entre seus membros e assegurar sua permanência na empresa com toda a sua garra, seu anseio de realização pessoal e sua dedicação no cumprimento das metas desejadas. Após esse calvário de ansiedades, dúvidas, incertezas e tensões de todos tipos, começa o primeiro dia de trabalho. Desejoso de mostrar serviço, nosso jovem aceita tudo sem regatear. Ao mesmo tempo, porém, começa a ser perseguido por uma angústia inquietante: ele entrou para substituir quem foi demitido, logo, se fraquejar, a próxima cabeça a rolar será a sua. Entre o desejo de assegurar algo mais do que a sobrevivência e o pesadelo da demissão, não lhe restam mais do que três opções: 1. Recusar a se submeter, fazer corpo mole e, de conseqüência, ser despedido; 2. Superar as expectativas (que, além do esforço para atingir as metas exige espírito de liderança e capacidade de passar por cima dos próprios princípios éticos) na secreta esperança de vir a ocupar cargos de chefia que deixem para trás o posto ocupado quando do ingresso na empresa; 3. Manter um autocontrole sobre o corpo e as emoções capaz de garantir o equilíbrio possível entre os sonhos de reconhecimento social e a execução das tarefas estafantes que são exigidas. Some agora estas reflexões à realidade que apresentamos anteriormente e verá que, como os demais empregados, os novatos se deparam com a repetição exaustiva deste mantra: Você é o único capaz de garantir sua empregabilidade!. Sendo assim, a causa do desemprego é vista e incorporada cada vez mais como responsabilidade do indivíduo (que não tem atitude ou não se esforça o suficiente) e não como peça essencial de um sistema que almeja lucros cada vez maiores e tem nela um aliado imprescindível. Novamente, o sofrimento gerado nas relações que se estabelecem dentro e fora dos locais de trabalho tende a ocultar os mecanismos que, em grau maior ou menor, irão encurralar o indivíduo entre a submissão e a adesão ativa à lógica de exploração presente na sociedade. - ?Então, se não entendi errado, é com esse tipo de atitudes que a classe trabalhadora passa a fazer a leitura das mudanças que ocorrem nas empresas??. - ?Exatamente, meu caro! Mas este é um assunto que exige uma reflexão maior. Por isso, vou tratá-lo no próximo capítulo ao falar justamente de...? -------------------------------------------------------------------------------- [1] Dados publicados em GANZ, Lúcio Clemente. Desemprego à vista, em: Le Monde Diplomatique Brasil, Ano 2, Nº 17, dezembro de 2008, pg. 10. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090512/b2ca1029/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 13 20:03:01 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 13 May 2009 20:03:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_MULHER_E_A_POL=CDTICA?= Message-ID: <00da01c9d41e$f782ed70$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Marcos Del Roio A MULHER E A POLÍTICA A mulher é parte do gênero humano, que como mamífero é um ser biologicamente dimórfico, cuja característica essencial é ser social. A divisão sexual do trabalho se origina da natureza. A política, no entanto, tem como condição a existência de uma divisão social do trabalho e a existência do Estado. A divisão sexual do trabalho passa a ser subsumida pela divisão social do trabalho e a mulher que colaborava como homem na reprodução social, passa a ser explorada e oprimida. Isso se passa quando os cultos da fertilidade e da mãe terra são substituídos pelo domínio das divindades masculinas e celestiais. É como ser oprimido e explorado que a mulher faz política, do lugar a que foi relegada e com os meios que lhe é próprio, como ser dotado de sensibilidade especifica, como ser mulher enfim. Nas formas sociais escravistas o poder se organizava a partir do homem que defendia o espaço comunitário, como guerreiro, agricultor, varão, em torno do qual se formava uma família grande, que nem sempre considerava os laços de sangue efetivos. A mulher não participava nos assuntos da comunidade, seu lugar era o lar e o mundo das sombras. Assim, a forma de resistir à marginalização da vida pública era a perfídia ou a capacidade de influenciar o homem de poder. Não era muito diferente a condição feminina na época feudal e mesmo em lugares, como o Brasil, nos quais as condições escravistas e feudais foram reinventadas, o lugar da mulher permanece nessa situação, sempre justificada pela ideologia religiosa, que a rebeldia contra a opressão criava justificativas pra a punição, como a identificação com a bruxaria. O surgimento do capitalismo, a menos de três séculos, gerou uma mudança na condição feminina, possivelmente para pior. A mulher, assim como seus filhos, passou a ser propriedade privada do homem, cerne do poder na família nuclear e fiador da permanência da propriedade privada por meio da herança. Essa situação passou a valer tanto na família dos proprietários como dos proletários, pois esses, apesar de não terem posses, contavam com os filhos e com sua força de trabalho. O capitalismo criou também a necessidade da representação política dos homens proprietários. Exatamente por serem proprietários somente homens participavam da representação política, somente os homens viviam a esfera pública e as mulheres eram apenas uma parte da esfera privada do homem, da esfera da sua propriedade privada. A secular luta da mulher pelo direito de sufrágio e de participação na esfera da representação política foi o enorme esforço para participar no mundo dos homens, no mundo da cidadania capitalista. Mas o próprio capitalismo precisou da mulher fora do mundo privativo do homem, pois houve a necessidade da força de trabalho da mulher e da mulher como consumidora de mercadorias. Essa necessidade do capitalismo deu novo ímpeto a luta das mulheres por direitos universais e específicos e, portanto, pela participação maior na vida pública e política, esfera masculina por excelência. Qual a conclusão dessa sintética exposição? Muito simples: a libertação da mulher só pode ocorre no processo de emancipação do gênero humano como um todo de todas as formas de alienação, que tem seu fundamento na exploração do trabalho, mas se expressam como política, representação, esfera ?pública?. A mulher pode até vir a conseguir espaços significativos na esfera pública e da representação política, mas não é esse o caminho da sua emancipação, que só pode ser alcançada com o fim das relações de apropriação privada da riqueza social, com o fim do capitalismo. Marcos Del Roio Prof. de Ciências Políticas da UNESP - FFC __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090513/10ad2e5b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 13 20:03:24 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 13 May 2009 20:03:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_S=E9rgio_Lessa=3A_Para_entender?= =?windows-1252?q?_a_ess=EAncia_do_capitalismo_/_com_o_apoio_do_jor?= =?windows-1252?q?nal_Brasil_de_Fato_e_da_editora_Express=E3o_Popul?= =?windows-1252?q?ar=2E?= Message-ID: <00df01c9d41f$051bea40$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Sérgio Lessa: Para entender a essência do capitalismo por Michelle Amaral da Silva última modificação 11/05/2009 17:03 Eduardo Sales de Lima ?Se o István Mészáros estiver certo, e se o Georg Lukács também estiver, a gente vive o desdobramento final de todas as determinações essenciais do modo de produção capitalista?, defende Sérgio Lessa, professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e membro da comissão editorial da revista Crítica Marxista, no seminário ?O referencial teórico para entender a crise?, ocorrido no Instituto Sedes Sapientiae, na cidade de São Paulo, no dia 29 de abril. Otimista, Lessa acredita nas novas possibilidades que a atual crise do capitalismo propiciou aos trabalhadores. ?A crise é uma relação social?, por isso, segundo ele, o que determina o percurso de uma crise será como a humanidade vai reagir à crise. Abaixo, alguns trechos do seminário, promovido pela Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), Departamento de Jornalismo da PUC-SP e pelo CEPIS-Instituto Sedes Sapientiae, com o apoio do jornal Brasil de Fato e da editora Expressão Popular. Primórdios Primeiramente, a gente tem que ir para a revolução neolítica, há 14 mil atrás. Nessa época, quando a humanidade descobre a agricultura, temos uma profunda transformação no trabalho. Com o aparecimento da agricultura, pela primeira vez, o indivíduo produz mais do que precisa. É o chamado trabalho excedente. Todavia, nesse longo período histórico, que vai de 14 mil anos atrás até a revolução industrial, que começa em 1776 e termina em 1830, o trabalho excedente ainda não é suficiente para atender a todas as necessidades de todos os indivíduos do planeta Terra. Ou seja, não sobra para investir no desenvolvimento das forças produtivas. E o resultado disso é que o único desenvolvimento das forças produtivas possível nessa circunstância é o aumento populacional, aumento a força de trabalho; mas isso é um processo muito lento do ponto de vista histórico. Sociedade de classes A sociedade de classes entra nesse longo processo histórico como a forma mais eficiente que a humanidade encontrou para desenvolver as forças produtivas. A sociedade se organiza de tal forma que a maioria da população vai ter o seu trabalho excedente expropriado, roubado pela minoria. O resultado é que essa minoria arrecada tanto recurso, tanta riqueza, que ela não consegue consumir a riqueza que arrecada e, portanto sobra para ela desenvolver os seus negócios. Mediação O desenvolvimento das forças produtivas nas sociedades de classes, em linhas gerais, a procura é maior que a oferta. Assim, a tendência é que o preço de determinado produto fique acima do preço de custo, proporcionando o lucro. Essa mediação do mercado (relação mercantil), é historicamente muito adequada para que o período de carência seja superada; não o de miséria. Pela primeira vez a humanidade produz mais do que ela precisa, de uma forma plena, e sobra para desenvolver as forças produtivas. Pela primeira vez a oferta fica muito maior que a procura. O mercado vai se tornando um mercado saturado, com uma produção maior que a necessidade. E o resultado disso é que pela primeira vez, ao longo da história da humanidade, o mercado não funciona mais como uma mediação adequada para desenvolver as forças produtivas. A mediação do mercado faz com que de tempo em tempo haja uma baita crise que trava a produção. Chega um determinado momento em que a produção não pode continuar aumentando porque os preços não compensam mais. Saímos de um longo período histórico em que as relações mercantis levavam a produção para frente, mas que depois passa a ser travada por crises sucessivas. É o que Marx vai chamar de crises cíclicas. Revolução industrial Há evolução histórica que muda de patamar quando se passa pela revolução industrial, ou seja, quando a gente entra no capitalismo industrial, no capitalismo maduro. Antes desse momento histórico, as relações mercantis tinham uma mediação adequada para levar as forças produtivas para frente. Portanto, produzir por lucro e não para atender as necessidades humanas, ou produzir para reproduzir de uma forma ampliada a propriedade privada da classe dominante era o meio mais adequado do ponto de vista histórico para desenvolver as forças produtivas. Pela primeira vez na humanidade a produção para o lucro passa a ser um entrave às forças produtivas. E só dá para superar esse modo de produção antagônico se o modo de produção capitalista for superado. Entre o final da revolução industrial (1830) e a grande crise de 1870-71, Karl Marx percebe que o modo de produção capitalista do século 19 só pode se reproduzir aumentando a produção cada vez mais. Ao mesmo tempo, para gerar essa produção cada vez maior tem que desenvolver tecnologia, desenvolver novos métodos de gerência, é necessário fazer cada vez mais investimento para aumentar o lucro de uma forma cada vez menor. A relação entre o que se tira da mais-valia e o que é investido vai fazer com que o investimento vai se tornando cada vez mais pesado. Isso faz com que o lucro da empresa aumente, mas a lucratividade, ou seja, a relação entre o lucro e o investimento vai diminuindo . Isso vai fazer com as empresas tenham uma margem de manobra cada vez menor. Elas vão tendo cada vez menos gordura para queimar e quando chega a crise, essa bate nelas de uma forma muito mais violenta. Então Marx vai mostrando que o capitalismo do século 19 é composto de crise repetidamente. E essas crises aparecem entre 8 e 12 anos. Quando Marx está dizendo que o capitalismo não pode mais desenvolver as forças produtivas, ele não está dizendo que o capitalismo não pode desenvolver a produção ou a tecnologia. O que são as forças produtivas para o Marx? É a capacidade humana de tirar da natureza aquilo que a humanidade precisa para se reproduzir e quanto maior for essa capacidade significa que menos tempo a gente tem que gastar transformando a natureza e mais tempo a gente pode ser livre dessa relação com a natureza. Portanto, mais tempo a gente pode ser humano. A relação do capital com a humanidade não é uma relação de identidade, é uma relação de alienação. Se Marx está dizendo que existe uma contradição antagônica entre o desenvolvimento das forças produtivas e o modo de produção capitalista, ele está dizendo que o capital é capaz de controlar a humanidade. Enquanto existir capital, todos nós seremos personificações do capital. Isso está no livro primeira d'O Capital. Imperialismo Chegando nos anos de 1870-71, o capitalismo começa a passar por uma transformação importantíssima. Saímos do período do capitalismo concorrencial e entramos para o capitalismo monopolista. São duas diferenças fundamentais. Em primeiro lugar, os grandes monopólios passam a ter uma interferência sobre o Estado qualitativamente diferente do que se tinha antes. Houve uma concentração do capital na esfera econômica que mudou as relações de poder no interior da classe dominante, portanto, as relações da classe dominante com o Estado também se alteram. Por causa disso começa o ?imperialismo?. Claro que o capital já era imperialista antes. Mas a partir de 1870, a política externa dos grandes estados capitalistas está diretamente ditada pelos grandes monopólios e grandes cartéis. Nos poucos países capitalistas centrais acontece um fenômeno curioso. A generalização da produção industrial vai fazer com que fique mais barato comprar a roupa, o feijão, industrializado, do que ele fazer isso na casa dele. A partir dessa industrialização dos meios de subsistência a burguesia começa a ter lucro por causa do consumo operário. A burguesia passa a ter lucro porque está vendendo os produtos industrializados e porque como a reprodução da vida do trabalhador se torna mais barata, ela pode pagar um salário menor, e com isso aumenta a mais-valia. Aproximação Pela primeira vez no modo de produção capitalista passa a ser possível a um setor importante a classe operária negociar com a burguesia um aumento de sua capacidade de consumo e passa a haver, dentro de limites muito estreitos, a possibilidade de uma convergência entre setores da classe operária com a burguesia. Isso possibilita o racha a classe operária nos países capitalistas avançados e com os trabalhadores do resto do mundo. Estados Unidos Lentamente o aumento do consumo dos trabalhadores aparece como um fator de crescimento econômico importante nos países capitalistas mais avançados, e o resultado disso é que a gente deixa de ter aquelas crises cíclicas como ocorriam no século 19. Agora, a primeira grande crise do século 20 vai ser administrada com a Primeira Guerra Mundial. A segunda grande crise, que vai acontecer em 1929, vai ser administrada com a ascensão do nazi-fascismo. Quando está terminando a Segunda Guerra Mundial, a economia capitalista está numa situação dificílima. O grosso da principal economia capitalista mundial está destruída pela guerra. Japão, completamente arrasado. Todos os grandes pólos industriais da Europa, arrasados. Mas os Estados Unidos terminam a Segunda Guerra Mundial produzindo mais da metade da produção industrial do mundo. Com 6% da população mundial, consomem 30% da energia que o mundo consome. Produzem um navio de guerra por dia, um tanque a cada sete minutos. Era uma produção gigantesca. E do dia pra noite a guerra termina em ao tem onde escoar essa produção. Bem-estar social Em 1943, depois de Batalha de Stalingrado, quando ficou claro que a Alemanha iria perder a guerra, o governo estadunidense reúne um grupo de pensadores para pensar o que iria ser a economia mundial no período pós-guerra e deste grupo, um cara que vai se tornar chave, o Dan Bright, um liberal clássico, portanto um serviçal do imperialismo. E ele vai dizer o que o Keynes disse na crise de 1929; que no curto prazo o jeito de superar a crise não era como se fez em 1929, quando as indústrias cortaram a produção e demitiram. Com isso, segundo ele, restringiram o mercado consumidor, gerando mais desemprego, quebrando a indústria, a agricultura,os bancos. Ele vai dizer que tem que se fazer o inverso. Temos que fazer uma política econômica através da qual o Estado intervenha na economia para aumentar o consumo e a gente vai sair da crise de superprodução com a intervenção do Estado para ampliar o consumo. Isso era politicamente possível porque existia um classe operária dos países capitalistas centrais que desde 1915 vinham desenvolvendo essa política, não mais de confronto, mas de negociação com a burguesia para aumentar o seu poder aquisitivo, é o Estado de bem-estar social. Do outro lado havia a União Soviética. O projeto bolchevique de uma revolução internacional não dá certo por infinitas razões históricas, não apenas ideológicas. O fato é que, com o passar do tempo, a política externa da União Soviética passa a ser cada vez mais a defesa do Estado soviético. I Após a Segunda Guerra Mundial passa-se a haver uma negociação cada vez mais intensa entre a União Soviética e os grandes países capitalistas, a política dos partidos comunistas ligados à União Soviética no resto do mundo transformou-se em uma política de negociação e pressão junto aos governos capitalistas e não de confronto para derrubar o capitalismo. Nesse momento, a social-democracia e o estalinismo, para simplificar, eles convergem no mesmo sentido. O que vai subexistindo é um processo de máquina partidária, de máquina sindical, e um processo de educação do trabalhador durante décadas, na qual a negociação é o principal instrumento dos trabalhadores, e o confronto é sempre parcial, pontual, se tornando, de fato, um acessório da negociação. Novo Patamar Quando o estado de bem-estar social, já no final da década de 1960, não consegue consumir a abundância da produção, a crise do modo de produção capitalista entra num novo patamar. A crise não tem fim. Ela se transformou na única forma que o modo de produção capitalista tem de se reproduzir. Num primeiro momento, ela se apropria da riqueza capitalista acumulada sob a forma da propriedade estatal capitalista burguesa; pega essa riqueza e privatiza, ou seja, queima essa riqueza para financiar a crise que está girando, que foi a primeira fase do neoliberalismo. Depois, quando não dá mais conta, a economia começa a viver, de um lado, da especulação financeira, e do outro lado, de bolhas. Na medida em que a especulação financeira deixa de ser uma prática pontual e passa a ser a prática cotidiana de vários grupos capitalistas, um começa a apostar no outro. Neoliberalismo Quando da crise do estado de bem-estar social se passou para a crise estrutural, era o momento para a classe operária se lançar às lutas. Defender as suas conquistas, defender o Estado de bem-estar social. Mas por que não fez isso? Porque no período do Estado de bem-estar social não era dela. Nem projeto social democrata e nem o projeto democrático estalinista. Deu no que deu. Os sindicatos sociais democratas viraram as costas. Como o CUT fez aqui quando os petroleiros fizeram a greve contra o governo FHC, em 1995. Ali era o momento de quebrar o (governo) Fernando Henrique. A CUT jogou o papel do neoliberalismo. Por que? Porque é uma estratégia de negociação democrática. Não é um confronto. No momento de crise estamos todos juntos. Quando vem o neoliberalismo, quando se instala a crise estrutural, a classe operária tem atrás de si uma enorme derrota histórica, porque ela não tem mais nem a ideologia do confronto e nem as organizações que poderiam leva-la ao confronto. A burguesia consegue, nesse momento de crise estrutural, fazer com a classe operária o que ela quis fazer. Fez a reestruturação produtiva, aumentou barbaramente o desemprego, intensificou a jornada de trabalho. A burguesia voltou a ter em plena crise estrutural uma lucratividade maior que a lucratividade durante o período do bem-estar social. O estudo dele indica que no apogeu do neoliberalismo a lucratividade foi maior que sob o Estado do bem estar social. Foi uma das maiores que a burguesia teve ao longo da sua história. Não há mais riqueza sob a forma estatal para ser privatizada, para financiar a crise. Jogou a África na miséria, criou pólos de miséria nos próprios países capitalistas centrais, e mais sério que isso: intensificou ainda mais a exploração sobre os países capitalistas periféricos e o resultado disso é que o mercado consumidor desses países se contraiu também. Isso vai fazer com que a gente chegue a um determinado momento que nem as bolhas conseguem mais sobreviver. Aí começa a crise de outubro do ano passado. Caminhos Desde a década de 1970, o Istvan Mesários vem dizendo que a humanidade passou para um outro patamar da crise; que esta crise é estrutural e isso significa que a gente já está vivendo um período de transição. Para a burguesia, a crise é algo inevitável, é como se fosse um temporal. Mas a crise é uma relação social. Portanto, quem determina para onde a crise vai é como a humanidade vai reagir à crise. A saída da crise está na luta de classes. Se o proletariado se mexer e entrar na História como o antagonista do capital, que, de fato é o capitalismo, vai prolongar essa crise ?ad infinitum?. Destrói a humanidade. Mas qual o problema do capitalismo, ele não vive de humanidade, ele vive de mais-valia. Não há política nacional que dê conta do desemprego, não há política nacional que supere o desequilíbrio ecológico, que supere os problemas as desigualdades históricas entre homens e mulheres, que seja capaz de fazer qualquer distribuição de renda, seja ela qual for. Não há o que fazer, a não ser a revolução. A gente vive um momento histórico que aparentemente é muito fechado, sem perspectivas, mas é o contrário, as possibilidades são infinitas. O proletário tem que assumir a luta aberta contra o capital e portanto, pelo comunismo. Não dá mais para a gente enfrentar esse momento histórico do modo como a gente fazia há dez, vinte anos atrás; ampliar direitos, democratizar o Estado, a sociedade, isso não funciona. A experiência histórica nos demonstra isso. Mas os revolucionários têm que se reciclar, tem que voltar ao Marx, não ficar mais nessa política de curto prazo, de médio prazo. Tem que pensar grande, porque se um revolucionário não pensar grande, quem é que vai pensar? -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090513/cd00fbbb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090513/cd00fbbb/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 14 19:11:17 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 14 May 2009 19:11:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_Am=E9rica_pelo_fim_da_escola_?= =?windows-1252?q?de_assassinos_/_Resist=EAncia_dentro_do_Imp=E9rio?= Message-ID: <01a901c9d4e0$e7d07150$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. A América pelo fim da escola de assassinos por Michelle Amaral da Silva última modificação 14/05/2009 16:40 Formadora de torturadores das ditaduras que se espalharam há décadas pelo continente, Escola das Américas mudou de nome, mas continua existindo 14/05/2009 Cristiano Navarro da Redação No dia 25 de fevereiro de 1982, o povo chileno recebeu a notícia de um dos mais brutais crimes cometidos pelo Estado. Tucapel Jiménez, dirigente sindical e militante do Partido Radical, foi barbaramente assassinado, com cinco tiros na cabeça e três cortes na garganta, por membros da Central Nacional de Informação (serviço policial de inteligência durante a ditadura do General Augusto Pinochet). O impacto do crime expôs a crueldade do regime e forçou o debate sobre a redemocratização do país. Em outubro de 2000 ? dez anos depois do fim da ditadura ?, Carlos Herrera Jiménez, então major do exército, confessou, em júri, ser o comandante da operação que levou ao assassinato do sindicalista. As técnicas aplicadas por ele lhes haviam sido ensinadas no Panamá durante sua formação na Escola das Américas. O treinamento do militar e o contexto em que ocorreu a trágica morte do militante não era exclusividade do Chile. A ditadura no país fez parte de uma aliança político-militar entre regimes militares de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai que recebeu o nome de Operação Condor e que, segundo historiadores, vitimou cerca de 50 mil pessoas. Com outro nome. Em outro país. Sob outra conjuntura histórica, mas não tão distante no tempo para que as feridas históricas já estivessem cicatrizadas, a escola que ensinou Herrera e outros torturadores, assassinos e ditadores de toda América Latina segue recebendo e formando militares de diversos países. Os atuais pupilos de Pinochet Com o nome de Instituto de Segurança e Cooperação do Hemisfério Ocidental (Whinsec, na sigla em inglês), a escola se encontra hoje em Fort Benning, na Geórgia, Estados Unidos, e recebe do Chile o maior número de militares, 208 no ano passado. Atualmente, Tucapel Jiminez Hijo, filho do sindicalista assassinado, é deputado membro da comissão de direitos humanos da câmara no Chile. Em sua função, o deputado tem pressionado o governo de Michelle Bachelet para que deixe de enviar militares para a Escola das Américas. ?Nunca houve, nem há porque encaminhar nossos militares para esta escola que historicamente trouxe tanta tristeza a todo continente?, contesta Tucapel. Se a participação de militares chilenos não é compreendida pelo deputado, o próprio governo do país parece não ter justificava. Há pelo menos cinco anos, a advogada de organizações de direitos humanos, Alejandra Arriaza, questiona, por meio de cartas, o Estado chileno e o governo estadunidense, através do Pentágono, sobre quais as formações recebidas pelos alunos da atual Escola das Américas. Depois da insistência da advogada, no ano passado, o governo do Chile respondeu que seus militares iam aos Estados Unidos para formarem-se em ?cursos especiais para sargentos e suboficiais?. Já o Pentágono respondeu que eles recebiam formação em cursos na área de direitos humanos e saúde, e que os mais procurados eram as aulas de liderança. Viagem cancelada Com o impasse de informações entre o governo chileno e o Pentágono, uma comitiva formada por seis congressistas (três governistas e três da oposição), quatro representantes da sociedade civil e representantes do governo agendou viagem para abril deste ano à Escola das Américas. No entanto, uma semana antes, o governo chileno cancelou a viagem sem dar justificativa. ?Não houve sequer comunicado para os representantes da sociedade civil, nem para os deputados que eram parte da delegação?, reclama a advogada. ?Não entendemos a posição do governo de Bachelet, que também sofreu com a Escola das Américas. Esse tema, como o da reparação das famílias e o da busca por desaparecidos, é muito importante para nossa democracia?, cobra Tucapel, que participaria da delegação. A Escola dos Horrores Fundada em 1946, em Fuente Amador, Panamá, com o nome de Centro de Adestramento Latinoamericano do Exército dos Estados Unidos, a base de formação de militares foi criada pelo governo estadunidense para influir na política militar dos demais países do continente. A partir de 1963, o centro passou a ser chamado de Escola das Américas. Em 1984, depois de uma acordo entre Estados Unidos e Panamá, a instituição se mudou para Fort Benning, na Geórgia, no país da América do Norte. Depois de mobilizações pelo seu fechamento, em 2001 a Escola das Américas mudou de nome, passando a se chamar Instituto de Segurança e Cooperação do Hemisfério Ocidental (Whinsec). Apesar de o Brasil não enviar mais militares para o local, as Forças Armadas brasileiras seguem recebendo cursos ministrados por seus oficiais. =================================================================== Resistência dentro do Império por Michelle Amaral da Silva última modificação 14/05/2009 16:38 Há dez anos, no mês de novembro, milhares de pessoas marcham em frente à Escola das Américas e exigem seu fechamento 14/05/2009 da Redação No continente americano, a pressão pelo fechamento da Escola das Américas não vem só do sul. Há mais de dez anos, no mês de novembro, milhares de pessoas marcham pelas ruas da base militar de Fort Benning em protesto pelo fim da instituição. Todos os anos, após a manifestação, é feita uma vigília que celebra a memória das vítimas dos formandos. Em 2008, a marcha contou com cerca de 20 mil pessoas. Ali, durante horas, os nomes de centenas de vítimas são chamados. Após cada um deles, os manifestantes respondem: Presente! Segundo Charity Ryerson, militante do movimento School of the Americas Watch (SOAW ? Observatório da Escola das Américas), ?a vigília serve para aprofundar o entendimento da crise provocada pelo governo estadunidense em toda a América?. Participam das manifestações organizações de direitos humanos, defensores do comércio justo, religiosos, universidades e colégios, grupos anti-capitalistas, indígenas, sindicalistas, imigrantes. Até 2001, os manifestantes costumavam ocupar a parte de dentro da escola. Hoje, isso já não acontece mais. Charity explica que, depois dos ataques de 11 de setembro, o exército aumentou a repressão construindo uma cerca que impede a entrada das pessoas. Repressão contra manifestantes Com a proibição, mais de 200 pessoas foram presas de 2001 até o ano passado, e quase todas por ?cruzar a linha?, ou seja, entrar na base sem autorização. Em novembro de 2002, junto com outras 85 pessoas, Charity cruzou a linha. Por essa desobediência civil, a militante foi condenada judicialmente por um ano e meio ? tendo que cumprir seis meses de reclusão em uma prisão federal e um ano cumprindo pena em liberdade. ?Usamos essa forma de resistência para denunciar a urgência do assunto, e mostrar que existe gente comprometida, como dizemos por aqui, dentro da barriga da besta?, declara. Apesar da repressão, o movimento nos Estados Unidos pelo fechamento da Escola das Américas cresce, e sua pressão começa a fazer efeito. Em 2008, o projeto de lei nesse sentido, proposto pelo congressista estadunidense James P. McGovern, não foi aprovado por seis votos. No entanto, com a nova configuração do Congresso, agora com maioria democrata, a proposta deve entrar em votação no final deste ano com maior chance de aprovação. Confiante no novo quadro, Charity aposta: ?podemos ver um progresso claro. Temos certeza do fechamento, e depois dele, iniciaremos campanhas contra os outros campos de treinamento militar, tanto nos Estados Unidos como na América Latina, até que o último seja fechado?. Dentro da sociedade e do Congresso estadunidense, os defensores da escola alegam que ela deve ser mantida porque cria vínculos estratégicos entre o exército do país e os das outras nações; além disso, alguns conservadores acreditam que a instituição de ensino não existe mais: o que há, agora, é o Instituto de Segurança e Cooperação do Hemisfério Ocidental, que deve ser mantido. Uma herança maldita Desde o fim da década de 1980, o Brasil não envia militares para a Escola das Américas. Em suas campanhas, o movimento SOAW conseguiu convencer os governos da Argentina, Uruguai, Venezuela e ? em 2008 ? da Bolívia, a seguir o exemplo. Além do Chile, México e Colômbia são países que seguem enviando militares à instituição. No entanto, fechar a Escola das Américas ou parar de enviar militares a ela não significa cessar sua influência geopolítica na Americana Latina. Dados levantados pelo SOAW indicam que, ao longo de seus 63 anos, cerca de 64 mil militares graduaram-se em seus cursos. Na opinião do padre jesuíta estadunidense José Mulligan, membro do SOAW, os cursos da Escola das Américas miram interesses econômicos privados. Em entrevista coletiva em Santiago, ele afirmou à imprensa que as aulas têm o intuito de ?proteger os interesses econômicos das grandes corporações dos Estados Unidos, como aconteceu no tempo de [Salvador] Allende, quando se utilizou as Forças Armadas para dar o golpe em 1973, e como também aconteceu com o presidente Hugo Chávez, na tentativa de derrubá-lo [em abril de 2002]. Em ambos os golpes, seus promotores eram graduados nas Escolas das Américas?. O SOAW aponta, ainda, a presença de lideranças formadas pela Escola das Américas nas violentas repressões dos movimentos de populares de Chiapas e Oxaca, no México, bem como na frente da guerra do governo colombiano contra as Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc). (CN) ========================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090514/ef87d327/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9702 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090514/ef87d327/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090514/ef87d327/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 14 19:11:52 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 14 May 2009 19:11:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_S=C3O_CARLOS=3A_RETIRADA_DO_NOM?= =?windows-1252?q?E_S=C9RGIO_FLEURY_DE_RUA_=C9_APROVADA?= Message-ID: <01ad01c9d4e0$fd0c62e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. SÃO CARLOS: RETIRADA DO NOME SÉRGIO FLEURY DE RUA É APROVADA A Câmara de São Carlos aprovou por unanimidade anteontem a troca do nome de uma rua, de Sérgio Fernando Paranhos Fleury, considerado um dos principais torturadores do regime militar, para Dom Hélder Pessoa Câmara. A mudança ocorre 15 meses após o início da polêmica. Agora, a lei deve ser sancionada em 15 dias pelo prefeito. No dia da troca, lideranças de esquerda farão uma solenidade. A rua Sérgio Fleury foi batizada em 1980, um ano após a morte do delegado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090514/c23b0b3d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 15 19:04:13 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 15 May 2009 19:04:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=93DOM_H=C9LDER_E_O_VIGOR_DA_IG?= =?windows-1252?q?REJA_DOS_POBRES=94=2E?= Message-ID: <01de01c9d5a9$1521dd60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. SIMPÓSIO TEOLÓGICO ?DOM HÉLDER E O VIGOR DA IGREJA DOS POBRES?. PROGRAMAÇÃO: 19h30-min às 21h30min DIA 19: DOM HÉLDER E A IGREJA DOS POBRES Exibição do Filme ?O Santo Rebelde? Comentário: Pe Josenildo F. de Lima, Me. Teologia Dogmática DIA 20: DOM HÉLDER E A OPÇÃO PELOS POBRES Expositor: Prof. Dr. Gilbraz Aragão, UNICAP ? Recife, PE DIA 21: DOM HÉLDER E O PROFETISMO NA IGREJA Expositor: Pe. José Comblin, teólogo CAPELA DE SÃO VICENTE DE PAULO 19-21 DE MAIO DE 2009 JOÃO PESSOA, PB. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/ae604e06/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17334 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/ae604e06/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 15 19:04:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 15 May 2009 19:04:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Carta de Luiz Roberto Marcondes de Oliveira e a resposta de Leopoldo Paulino a respeito do delegado torturador. Message-ID: <01e201c9d5a9$1a4f6550$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Resposta de Leopoldo Paulino a respeito do delegado torturador a carta de Luiz Roberto Marcondes de Oliveira. Quinta-Feira, 14 de Maio 2009 - 23h17 Dos Leitores Ainda Renato Lamentável o posicionamento do senhor Luiz Roberto Marcondes de Oliveira, sobretudo quando cita princípios maçônicos libertários e até pensamento de André Luiz para defender torturador, que entre outras proezas é réu confesso de haver invadido o Lar Santana e prendido a Madre Maurina Borges. Em um país sério, o delegado aposentado Renato Ribeiro Soares estaria na cadeia pelos crimes praticados contra a humanidade, e não recebendo sugestões de homenagens como pretende o senhor Marcondes. Triste a postura dele, que poderia bem encerrar sua passagem pela vida terrena sem a nódoa de haver publicamente elogiado a sinistra figura do delegado Renato. Leopoldo Paulino, advogado ================================================================================================================== Sabado, 9 de Maio 2009 - 0h41 Dos Leitores Entrevista Até que enfim se faz Justiça a um cidadão, a quem Ribeirão deve: o delegado aposentado Renato Ribeiro Soares. Eu o conheci em Presidente Prudente quando, como Delegado Regional da Fazenda, acompanhei a assunção àquela regional. Organizado, metodicamente disposto, mudou o ritmo de trabalho, imprimindo precisão e agilidade. Ali deixou legião de admiradores ao modernizar a Regional. Em seguida o vi sendo transferido para a regional de São Carlos, onde repetiu o mesmo êxito. É transferido para esta cidade em que atuou num período de turbulência política e social. Sem perder sua linha de fidelidade a democracia. Mesmo no período de pressão ditatorial, fiel ao princípio da liberdade, da igualdade e fraternidade se impôs pelo respeito humano como autoridade. Foi injuriado, caluniado e injustamente chamado de torturador, tendo até sido excomungado por sua religião. Doutor Renato, entretanto, nunca se incomodou, pois sempre acompanhou o pensamento de André Luiz, ao dizer: Não lhe fira a calúnia, viva de tal modo que ninguém possa acreditar no caluniador. Com certeza se apoiou na filosofia oriental ao setenciar que ?os cães ladram e caravana passa?. Pelo serviços prestados e filiação às entidades assistenciais seria da nossa edilidade prestar-lhe um tributo, até da cidadania. Luiz Roberto Marcondes de Oliveira -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/ccbad88b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 15 19:04:33 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 15 May 2009 19:04:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Saudosistas_da_ditadura_e_pat=E9ti?= =?iso-8859-1?q?cos?= Message-ID: <01e901c9d5a9$214466d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Saudosistas da ditadura No início desta semana, o Palácio Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, foi palco de mais um ataque verborrágico dos saudosistas da ditadura militar, protagonizado desta vez pelo general-de-exército Paulo César de Castro, 64, que em cerimônia para oficializar sua substituição na chefia do Departamento de Educação e Cultura do Exército e passagem à reserva, fez um seu discurso de despedida em que exaltou o golpe militar de 1964. Ele elogiou o ditador Garrastazú Medici como ''exemplo de honestidade, coragem moral e audácia''; disse que o golpe militar foi uma ''revolução democrática'' e chamou os que resistiram à ditadura de ''arautos da sarna marxista'', inimigos ''astutos e insidiosos''. Por fim, disse que estava orgulhoso por ter ''participado do movimento de descomunização do Brasil'' e analteceu a patrulha para que a ''lepra ideológica'' (da esquerda) fosse mantida bem afastada dos currículos, salas de aula e locais de instrução. Não satisfeito com os ataques à democracia, o general também aproveitou a platéia de amigos de farda para ironizar as políticas de cotas raciais na educação. Pobre alma doentia. É o mínimo que se pode dizer deste general que, para espanto geral dos verdadeiros democratas era, até março deste ano, responsável pela educação no Exército. Passados 25 anos desde o fim da ditadura, é incrível que existam nas Forças Armadas comandantes que não assimilaram até hoje a redemocratização do país. Redemocratização que, é bom lembrar, está cada vez mais consolidada justamente pela ação daqueles que o general qualificou jocosamente como os ''arautos da sarna marxista''. Graças a esta redemocratização que o general pode falar o que pensa sem ser repreendido. Cabe destacar que o comandante do Exército, general Enzo Peri, estava na cerimônia e ao ser questionado pela imprensa sobre o discurso de Paulo César de Castro, se absteve de criticar o colega de farda. Disse apenas que ''cada um tem o direito de ter sua opinião''. Mas a liberdade de opinião não pode ser confundida com amnésia e impunidade. É bom que os saudosistas da ditadura não se esqueçam que a extensão da Lei da Anistia para aqueles que cometeram crimes de perseguição, tortura e assassinato a serviço do regime militar ainda é um assunto em debate no país. Nações vizinhas como Argentina, Uruguai e Chile já avançaram no sentido de punir os crimes da ditadura, e espera-se que o Brasil siga a mesma linha. A sorte dos brasileiros é que esta camarilha anticomunista que ainda existe nas Forças Armadas está quase toda aposentada, na reserva, tendo cada vez menos palanques e oportunidades de manifestar sua opinião preconceituosa e historicamente falsa. Apenas meia dúzia de sites e publicações ultradireitistas, frequentadas por neonazistas, fascistas, skinheads, seguidores de seitas extremistas católicas e ex-militares ainda dão ouvidos e publicam o que esta gente pensa. Mas independentemente do isolamento destas opiniões, cabe a pergunta: quanta verborragia anticomunista não foi despejada sobre a cabeça da nova geração de oficiais militares, que não têm em seus currículos a prestação de serviços para a ditadura? E quantos ainda existem na ativa repetindo o mesmo discurso? Diante desta incógnita, é preciso que as forças democráticas e progressistas mantenham-se vigilantes e repudiem toda e qualquer exaltação do sujo e repugnante período da ditadura. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/b7015f95/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/b7015f95/attachment.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1560 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090515/b7015f95/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 16 13:37:30 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 16 May 2009 13:37:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__O_Falecimento_da_Companheira_G?= =?windows-1252?q?uta_no_dia_15_de_maio_de_2009=2E_A_nossa_homenage?= =?windows-1252?q?m_a_essa_companheira_lutadora_at=E9_o_fim=2E?= Message-ID: <016701c9d644$9e5dd700$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: beatrice.lista From: Alyda [yahoo] 15 de maio de 2009 MEMÓRIA Falecimento da Companheira Guta (Maria Augusta Carneiro Ribeiro) Aos 62 anos, morreu ontem de manhã no Rio de Janeiro Maria Augusta Carneiro Ribeiro, a única mulher entre os treze presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado em 1969 pelo MR-8. Ela está na célebre foto em que o grupo - que incluía José Dirceu, Vladmir Palmeira e Flávio Tavares - aparece em frente ao avião da FAB que o levou para o México. Dez anos depois, com a anistia, voltou ao Brasil. Desde 2003, trabalhava como Ouvidora da Petrobras. Guta, como era conhecida, sofreu um acidente em Búzios (RJ) há cerca de um mês e desde então estava internada no hospital Copa d'Or. Numa foto que correu mundo em setembro de 1969, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, então com 22 anos, era a única mulher entre o grupo de guerrilheiros trocados pelo embaixador americano Charles Elbrick, que incluía o deputado José Dirceu (na foto à esquerda, o segundo em pé a partir da esquerda). Na imagem histórica, Guta, como prefere ser chamada, não esboçava uma de suas marcas mais fortes: o sorriso franco e aberto. O momento era de extrema tensão. Naquela altura, a polícia política já havia localizado o cativeiro no qual um comando do Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, mantinha o embaixador, no Rio de Janeiro. Corriam rumores de que, se conseguisse resgatar o americano antes de os prisioneiros políticos chegarem ao exílio, no México, eles seriam atirados do avião em alto-mar. Outro detalhe crucial é que os belos dentes de Guta haviam sido quebrados a murros por um torturador. Guta, 58 anos, prefere não lembrar esses detalhes. Mas se emociona até as lágrimas ao contar os reflexos de seu trabalho nos grotões do País. No comando da Ouvidoria da Petrobras, ela colocou em prática uma política que prioriza os direitos humanos. ?Embora com armas diferentes, continuo fazendo a mesma coisa, lutando por um Brasil melhor?, compara. A reviravolta começou na própria empresa, onde, durante 49 anos, as mulheres eram identificadas no masculino. As geólogas assinavam, portanto, como geólogos. As secretárias exibiam crachá como secretários e por aí afora. As mudanças mais emblemáticas, porém, acontecem nas comunidades nas quais a Petrobras atua, numa perspectiva de empresa extratora que assume responsabilidades. Tudo sob o olhar atento de Guta e o apoio de um voluntariado corporativo que reúne mais de 1.200 pessoas e envolve 66 municípios. E ela ainda encontra energia e tempo para se dedicar aos três filhos, o mais velho, 28 anos, nascido com uma lesão cerebral grave, na Suécia, nos tempos de exilada. *** -original mensagem- Carlos R. S. Moreira ( Beto ) 16/05/09 Obituário - Maria Augusta Carneiro, a Guta, aos 62 Filha de um engenheiro e uma dona de casa, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, a Guta, dizia brincando que nascera à beira da estrada, em 25 de fevereiro de 1947, mais precisamente em Montes Claros (MG). Ali, o pai construía a estrada de ferro Minas-Bahia. De família baiana, a convivência com a política já era forte desde a infância, pois a bisavó e o avô foram militantes de causas sociais. O pai, Raimundo Carneiro Ribeiro, comunista quando estudante, deixou a militância ao se casar. Já o envolvimento de Guta com a militância política começou no secundário, quando veio com a família da Bahia para o Rio, no fim dos anos 50, e foi matriculada no Colégio Anglo-Brasileiro. Guta achava a rotina escolar uma chatice, como contou em entrevista ao Projeto Memória do Movimento Estudantil, em 2005. Os pais descobriram que ela não estava se esforçando nos estudos e a transferiram para a Santa Úrsula. No novo colégio, ela foi eleita para o grêmio. Passou a fazer parte da Juventude Estudantil Católica. Em 1964, com o golpe, Guta conta ter sido "mandada embora" pelas freiras, por ser considerada comunista. Foi enviada pelos pais aos Estados Unidos, onde ficou um ano. De volta, entrou para a Dissidência Comunista. Levou a militância para a Faculdade de Direito, da UFRJ, onde foi estudar e assumiu o posto de presidente do centro acadêmico. Acabou presa durante o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1968, em Ibiúna (São Paulo). Guta esteve duas vezes na cadeia. Sofreu torturas aos 22 anos e foi banida do país pela ditadura militar, com outras 14 pessoas, em 1969, em troca da libertação do embaixador americano Charles Elbrick. Ela aparece na foto histórica, algemada, ao lado, entre outros, do ex-ministro José Dirceu, de Vladimir Palmeira e Flávio Tavares. Passou pelo México e vivou dois anos em Cuba, onde fez treinamento militar - a ideia era retornar ao Brasil para continuar o combate. Não conseguiu e rumou para o exílio no Chile. Guta voltou ao Brasil com a anistia, em 1979, e custou a arrumar emprego. Segundo ela, era vetada por causa do passado. Até que conseguiu ingressar na Vale do Rio Doce, por concurso, onde montou o trabalho de comunicação interna da empresa. Em fevereiro de 2003, assumiu o cargo de ouvidorageral da Petrobras. A atuação dela como guerrilheira na luta contra o regime militar está contada no livro "Exílio, entre raízes e radares", de Denise Rollemberg. Guta, de 62 anos, sofreu um acidente de carro em 25 de abril, em Búzios. Morreu ontem, de infecção sistêmica, no Hospital Copa D'Or. A Petrobras divulgou ontem nota lamentando a morte da ouvidorageral: "Maria Augusta transformou a Ouvidoria Geral numa importante ferramenta para a garantia da transparência, valorização dos princípios éticos e respeito aos direitos humanos e ao Pacto Global da ONU". O presidente Lula divulgou a seguinte nota: "Maria Augusta dedicou sua vida à luta pela justiça social e a democracia. Foi um símbolo de bravura na resistência à ditadura. Nos últimos anos, como ouvidora da Petrobrás, teve uma atuação reconhecidamente inovadora, empenhandose em construir na empresa um espaço de transparência e diálogo. A seus familiares e amigos, minhas mais sinceras condolências". O velório acontece hoje na capela 7 do Cemitério São João Batista, das 9h às 15h. O corpo será cremado, mas ainda sem horário marcado. Guta morava no Flamengo e deixa três filhos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/f2c2946c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12221 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/f2c2946c/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30358 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/f2c2946c/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 12336 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/f2c2946c/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 16 13:37:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 16 May 2009 13:37:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] PALESTINA: 61 ANOS DE SEGUIDAS NAKBAS Message-ID: <017201c9d644$a7dda210$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: beatrice.lista From: Editores RECOs From: Alayyan PALESTINA: 61 ANOS DE SEGUIDAS NAKBAS (TRAGÉDIAS) Neste 15 de maio o mundo lembra, pela 61ª. vez consecutiva, como a Palestina foi riscada do mapa e seu povo massacrado por imigrantes judeus de diversas partes do planeta que para lá acorreram, sob o manto do colonialismo imperialista britânico, muitos deles fugitivos de perseguições sofridas na Europa e outras nações ocidentais. Tudo aconteceu num período que se estende de 1946 a 1948, culminando com a declaração unilateral e ilegal de um estado judaico sobre terras e cadáveres de milhares de palestinos mortos e perto de 800 mil expulsos, mais da metade da população palestina da época, tornada refugiada e hoje contada em mais de 4 milhões, a maior população refugiada do mundo nos dias de hoje e a que mais tempo assim permaneceu em toda a história humana. Esta catástrofe ? este é o significado da palavra árabe Nakba ? se deu poucos meses, a considerar o início de seu recrudescimento, em 1946, da descoberta pelo mundo incrédulo das múltiplas tragédias provocadas na Europa pela 2ª. Guerra Mundial, dentre as quais a assombrosa perseguição e matança dos europeus de fé judaica. Como se não bastasse, a humanidade presencia nova tragédia, desta vez contra os palestinos, perpetrada justamente pelas maiores vítimas da tragédia européia, os judeus, que promovem a maior e mais rápida limpeza étnica de que se tem notícia, marcada pela barbárie e crueldade premeditadas muitos anos antes. Não há como entender a catástrofe do povo palestino sem entender o nascimento de seu algoz, que vem à luz por meio de uma agressividade genocida promovida por um conjunto de homens e mulheres que até hoje se julgam um povo especial, que atua por mandato divino. Olhando para trás, remontando aos finais do século retrasado e início do passado, passando pelas décadas que antecederam o triênio da catástrofe palestina, de 46 a 48, e neste pontuando as quase mil povoações, aldeias e cidades palestinas varridas do mapa, destacando-se os massacres sem precedentes promovidos em Deir Yassin, Kibya, Lod, Ramleh, Samouh, Kafr Kasem, e chegando às últimas duas décadas e meia, manchadas pelos massacres de crianças, mulheres e velhos desarmados e indefesos em Sabra e Shatila, Jenin e Gaza, parece nada ter mudado nas mentes daqueles que se acreditam eleitos pelo divino. Aos que viram tanques e toda maquinaria de guerra sitiando e matando em Gaza, há poucos meses, com soldados israelenses ? homens e mulheres ? de quipá e Tora, o livro sagrado dos judeus, rezando diante do banho de sangue, não pareceria tão distante a seguinte passagem bíblica velho-testamentária: "Quando tiverdes atravessado o Jordão entrando pela terra de Canaã, afastareis do vosso caminho todos os moradores do país e destruireis todos os seus ídolos de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu és povo santo para Jeová, o teu deus. Jeová, o teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que estão sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destruíram a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, moços e velhos, até os bois, as ovelhas e os burros." (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josué e todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...)matou tudo o que tinha vida, como Jeová, deus de Israel, lhe tinha ordenado.(cap. 10, vers 34 e 40). Israel nasce do escárnio sionista, aliado do imperialismo britânico. Do lado sionista a liderança e limpeza étnica eram promovidas pelos grupos terroristas Haganah, Irgun e Stern, cumprindo aos britânicos desarmar os palestinos, prende-los e tortura-los e impedir que se organizassem. Além de assassinar milhares de palestinos, as organizações terroristas sionistas perpetraram crimes contra as próprias autoridades mandatárias britânicas, culminando com o grotesco assassinato, promovido pela banda terrorista Stern, do secretário geral da ONU, conde Folke Bernadotte. E é da estrutura organizacional destes grupos terroristas que nasce o futuro estado judaico e seu exército. Todos os seus dirigentes e comandantes militaram nestes grupos terroristas e atuaram nos massacres de palestinos. E como que dando seqüência ao mandato divido velho-testamentário, a escolha da dirigência israelense segue a trilha de sangue palestino. O comandante direto de grande parte dessa barbárie na Palestina neste período, inclusive do massacre sem precedentes de 254 moradores, quase todos mulheres e crianças, em Deir Yassin, Menahem Béguin, por exemplo, tornou-se primeiro ministro de Israel. E todos os que governaram o estado judaico desde então tomaram parte, direta ou indiretamente ? quase todos diretamente ? destes massacres e dos que vieram a seguir: Chaim Weizman, Ben Gurion, Moshe Sharett, Levi Eshkol, Yiagal Allon, Golda Meir (arrecadou fundos para as bandas terroristas e comparou os palestinos e árabes em geral a baratas), Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Menahem Begin, Benjamin Netanyahu, Ariel Sharon (massacrou no Líbano, em 1982, tendo ganho notoriedade e cassado pelo mundo todo devido aos massacres de Sabra e Shatila) e Ehud Olmert. Rigorosamente todos cometeram crimes contra os palestinos e de lesa humanidade, todos foram acusados em cortes internacionais, inclusive na ONU, e sempre foram eleitos e reeleitos dirigentes de Israel. Ou seja, Israel, de fascista após fascista eleito, crime após crime contra o povo palestino, superou o embrião das bandas terroristas que era e tornou-se o que é hoje: um estado pária, ilegal e delinqüente, em que a dirigência sanguinária e degenerada é sistematicamente eleita e reeleita à medida que se mostra mais ensandecida e mais capaz de matar e matar palestinos, roubar suas terras, destruir seus lares e produção. Pode-se dizer que os último e penúltimo banhos de sangue promovidos em Gaza são a maioridade de Israel rumo ao fascismo, coroada com a recondução de Netanyahu ao poder por este advogar simplesmente varrer os palestinos do mapa, objetivo de que dá provas ao formar o gabinete mais abertamente fascista ? não o mais fascista, mas o mais declaradamente fascista ? da história do estado judaico. Esta maioridade rumo ao estado mais fascista e racista da história humana vem sendo atingida sob os olhares cúmplices de grande parte do Ocidente. Cumplicidade é o mínimo que se pode dizer frente à ausência de reação não apenas quando dos contínuos massacres, mas também frente ao fato de os mesmos sempre serem anunciados com muita antecedência. Os últimos acontecimentos havidos em Gaza, por exemplo, foram anunciados já em 2004, quando o professor israelense Arnon Soffrer, presidente do Instituto Nacional de Defesa das Forças Armadas de Israel e um dos principais conselheiros do à época primeiro ministro Ariel Sharon, ao falar acerca da retirada militar de Gaza, assim se manifestou ao Jerusalém Post: ?... quando um milhão e meio de pessoas vivam encarceradas, isto vai ser uma catástrofe humana. Estas pessoas se converterão em animais, ainda mais do que o são hoje... A pressão na fronteira será espantosa. Vai ser uma guerra terrível. Assim, se quisermos seguir vivos, teremos que matar e matar. Todos os dias, cada dia... Se não matarmos, deixaremos de existir... A separação unilateral não garante a ?paz?, garante um estado sionista com esmagadora maioria de judeus...?. A seguir veio o massacre de 2006 e o isolamento de toda a Faixa de Gaza, com impedimento do movimento de pessoas e do ingresso de alimentos, medicamentos e todos os demais itens mínimos à sobrevivência humana. E logo em seguida, em fins de fevereiro e março de 2008, quando Israel atacou o norte de Gaza, o então vice-ministro da guerra Matan Vilnaii ameaçou os palestinos com uma ?shoah (holocausto em hebraico) ainda maior?. E o que foi que aconteceu em finais do mesmo 2008 e início de 2009 em Gaza? Simples: a concretização do que a dirigência sanguinária e degenerada do estado judaico já havia anunciado aos palestinos e ao mundo. Portanto, Israel, que já anunciou em mais de uma ocasião utilizar armas nucleares contra o Irã ? é a primeira vez na história humana de um país ou dirigentes isolados assumem um holocausto nuclear ?, que bombardeia populações indefesas na Palestina ocupada e no Líbano, que encarcera 11 mil palestinos ? maior população carcerária do mundo em termos proporcionais, com centenas de mulheres e crianças maiores de 11 anos ?, que tortura com amparo legal e da Suprema Corte do país, que constrói um muro de concreto de oito metros que corta cidades palestinas ao meio e anexa terras cultiváveis e fontes de água, que promove assassinatos seletivos de dirigentes palestinos, que não cumpriu nem uma única resolução da ONU até hoje, que mantém vínculos com todos os regimes sanguinários do planeta ? foi a única nação a não romper relações com o regime racista da África do Sul, com o qual chegou a pesquisar uma ?bomba étnica? que matasse apenas negros e árabes ? e cujos dirigentes são cassados mundo afora por crimes cometidos contra a humanidade não é mais um perigo apenas para os palestinos e vizinhos, mas para o mundo inteiro. Não por acaso, em recente sondagem promovida pela União Européia em diversos países europeus, 59% dos entrevistados apontaram Israel como a maior ameaça à paz e à segurança mundiais. É isto também o que pensa o povo brasileiro, razão pela qual o Brasil deve também aderir à campanha mundial de boicote, desinvestimento e sanções, inclusive culturais, esportivas e acadêmicas contra Israel, bem como não receber, em nenhuma hipótese, o fascista e declaradamente racista Avigdor Liberman, atual chanceler israelense que promete visitar o País em poucas semanas. E as comunidades palestinas em todo o mundo, especialmente a brasileira, precisam se mobilizar por todos os meios possíveis, neste dia 15 de maio, com vistas a denunciar o estado criminoso e de apartheid de Israel, seus crimes contra nosso povo e contra a humanidade, bem como desde já organizar a mobilização com vistas a evitar a visita do assassino Avigdor Liberman ao Brasil. O fim do genocídio israelense contra nosso povo depende de nossa mobilização mundo afora, constante e consciente, sem o que desapareceremos como nação e como povo, pois este é o objetivo da dirigência judaica de Israel, pronta a perpetrar a prometida Shoah contra nosso povo, com o que coroariam a Nakba que iniciaram há mais de seis décadas. FEDERAÇÃO ÁRABE PALESTINA DO BRASIL - FEPAL -------------------------------------------------------------------------------- A Rede para Difusão da Cultura Árabe-Brasileira Samba do Ventre tem como missão incentivar e promover pesquisas da agregação de valor da cultura árabe à cultura brasileira, e proporcionar a integração com diversas comunidades na busca "Pela Paz no Oriente Médio e pela valorização da auto-estima do povo árabe e seus descendentes através da música, da dança oriental e todas as manifestações sócio-culturais que derivaram deste caldeirão étnico chamado BRASIL." Para retirar seu e-mail desta lista responder em branco com assunto REMOVER -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/d4e7c98b/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 62860 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090516/d4e7c98b/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 17 19:07:28 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 17 May 2009 19:07:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?M=FAsicas_de__Billy_Vaughan_____?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?_____________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <054a01c9d73b$de5f9c60$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...................................................................repassem Clique com o botão esquerdo na letra da música para ouvir e no direito no nome da música para salvar BILLY VAUGHAN A Swing In Safari Aloha Oe Always On My Mind Amazing Grace Auld Lang Syne Besame Mucho Blue Spanish Eyes Bridge Over Troubled Water Cherish Come September El Choclo El Condor Pasa Estrelita Fascination Fernando Girl >From Ipanema Greensleaves Harbor Lights Hawaian Paradise Hawaian Wedding Song Hello Mary Lou Hotel California In The Mood Indian Love Call Isle Of Capri Jealous Heart La Bamba La Cumparsita La Isla Bonita La Paloma Let Me Call You Sweetheart Look For A Star Love Letters In The Sand Mack The Knife Magic Moments Melody Of Love Mexicali Rose Never On Sunday O Sole Mio Patricia Perfidia Petite Fleur Quen Sera Red Roses For A Blue Lady Rhythm Of The Rain Runaway Sail Allong Silvery Moon Say You Say Me Sentimental Journey Solitaire Somewhere My Love Sophistica Ted Hula Spanish Eyes Stranger On The Shore Sukiyaki Sunrise Serenade Sweet Caroline Tammy Tequila The Windmills Of Your Minds Theme >From Moulin Rouge Tiny Bubbles Twilight Time Una Paloma Blanca Under The Double Eagle Unchained Melody Weels When Winchester Cathedral Wonderland By Night Yesterday Yesterday Once More -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090517/64f23410/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 17 19:07:39 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 17 May 2009 19:07:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] FALTAM EXTRAS EM HOLLYWOOOD Message-ID: <054e01c9d73b$e4be7860$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. FALTAM EXTRAS EM HOLLYWOOD Laerte Braga A criação de uma CPI para investigar as ações da PETROBRAS é típico procedimento de tucanos diante da perspectiva de uma disputa eleitoral em 2010, na qual estarão em jogo além da presidência da República, os governos estaduais de todo o País, dois terços das vagas do Senado Federal, a totalidade da Câmara dos Deputados e das assembléias legislativas. Tucanos são como esses alienígenas de filmes de terror e ficção, que sugam o sangue dos mortais comuns e "realiza" os lucros em fortunas nos bancos e negócios que caracterizaram o governo FHC. Por que não uma CPI das privatizações? Saber como foram feitas ou como o governo de Fernando Henrique conduziu o processo? Numa democracia, em tese, o que essa gente chama de povo, deve, também em tese, ter conhecimento das ações de governo e participação no processo de construção do Brasil. O desprezo e o asco que FHC revelava e revela por pessoas comuns são repugnantes. É só olhar o seu programa de candidato em 1998, os tais cinco dedos e perceber que na prática, quando presidente, cinco dedos era dez para a rapinagem do tucanato e entrega do patrimônio público. Não tem diferença nenhuma de José Serra e muito menos de um tresloucado como Aécio Neves, incapaz de dar dois passos e falar alguma coisa conseqüente, exceto nos momentos de lucidez que são cada vez menores. "Piirlimpimpim" não deixa. O dele não tem nada a ver como o de Monteiro Lobato. Habla outra língua. É essa gente que governar o Brasil. CPI da PETROBRAS num momento de crise internacional de suma gravidade, em que a empresa apresenta um desempenho acima da média, dispõe de um quadro de extraordinários servidores e na perspectiva do pré-sal, tudo depois do decreto de FHC que acabou com o monopólio estatal do petróleo, tem um único objetivo. Jogo de cena para as eleições de 2010 e preparativos para entrega definitiva, privatização, da empresa caso a quadrilha tucana vença as eleições. Aqueles antigos faroestes em que a cavalaria norte-americana atacava os índios e prometia mundos e fundos se deixassem suas terras e fossem para as reservas onde morreriam de fome, frio e doenças, na tal ordem natural do progresso da "grande nação", volta e meia envolviam batalhas em campo aberto com mais de três mil índios e no máximo 500 soldados do general Custer - para mostrar a valentia dos guerreiros norte-americanos -. Dizia-se que nesses momentos faltavam extras em Hollywood, paravam todos os outros filmes até que o general Custer eliminasse os índios. Nesse jogo tucano o cidadão comum brasileiro é o extra. Mas não falta. Some na esteira de uma mídia perversa e podre que vende a idéia que é preciso moralizar por moralizar, o estilo udenista, enquanto preparam as reservas semelhantes àqueles onde americanos abrigavam sioux, chyennes e outros, depois da farsa eleitoral. Serra com pose de sério - o que nunca foi - e Aécio aparentando ser um sujeito equilibrado, o que definitivamente não é. Ao contrário dos estúdios de Hollywood que saiam contratando extras para o papel de índio e treinavam os caras para morrer ao primeiro estampido dos rifles das tropas de Custer - muitos dos extras criavam um estilo pessoal de morrer ao serem "atingidos" na esperança do diretor perceber e imaginar que ali estivesse um Marlon Brando em potencial - os tucanos ludibriam os extras via GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, ESTADO DE SÃO PAULO, a mídia regional, cada qual cumprindo sua parte dentro do amplo espectro de extras. Os que querem morrer de forma diferente imaginando uma grande chance, os que morrem resignados e se plantam diante do BBB com o celular à mão para decidir, imaginando que decidem alguma coisa, quem vai ser eliminado. Daí a aceitar e adorar Pedro Bial e seus heróis, William Bonner e suas mentiras, no histerismo econômico da vetusta anciã Miriam Leitão, ou seguir os passos da setentona Susana Vieira ao lado da cobaia - para plásticas - Ana Maria Braga, é um passo mínimo. Ou achar que FOLHA DE SÃO PAULO é um jornal que por ser capaz de explicar tudo por infográfico, mostra e fala a verdade. É a "verdade" deles, FIESP/DASLU. Por que não uma CPI sobre o caso da entrega da VALE? Ou dos desmandos do governo Serra em São Paulo? As questões relativas à segurança pública, obras públicas, saúde pública, educação pública? Ou sobre as "viagens interplanetárias" do governador de Minas, que nem em Minas mora e ainda de quebra é parceiro de Gérson Camata em cavernas úmidas, hoje abertas à visitação geral, e com algumas teias de aranhas venenosas e morcegos perigosos? A PETROBRAS malgrado os governos sucessivos e empenhados no processo de entrega do petróleo brasileiro, é um exemplo da capacidade do povo brasileiro de dar uma cara brasileira ao País, como era a VALE, antes de um presidente corrupto e venal como FHC doar a um grupo de bandidos/empresários internacionais. Tucanos são assim em qualquer lugar. Espécie de praga devastadora. Seja no governador Serra, seja no "governador" Aécio Neves, na governadora Yeda Crusius, no deputado fulano, ou beltrano, o senador Artur Virgílio ou até num simples prefeito banana, corrupto e venal como o da cidade mineira de Juiz de Fora, Custódio Matos, o homem que buscava a mala do mensalão do banana, corrupto e venal Eduardo Azeredo. Os crimes que cometem contra o Brasil e os brasileiros podem ser sintetizados na forma de ser de Fernando Henrique Cardoso, o principal gangster do grupo. Arrogante, por isso repugnante. Desumano, por isso não reconhece o filho com a jornalista Miriam Dutra e compra o silêncio com o dinheiro público como o fez. Corrupto, venal no processo de entrega/doação do patrimônio público e com pretensões a faraó com direito a pirâmide e outras coisas mais, naquilo que o jornalista Millôr Fernandes definiu com perfeição - "FHC pensa que é superlativo de PhD". É só um bandido sem caráter ou entranhas a guiar todo esse processo do alto de seu trono. O alvo da CPI? Preparar o caminho para o caso de vencendo as eleições chegar aos brasileiros e dizer que a PETROBRAS é um incômodo e deve ser entregue aos donos do mundo. É assim que agem. Os extras aqui, o povo, só é chamado para depositar o voto nas urnas criadas por Jobim e sujeitas a fraudes absolutas - não dá para recontar se necessidade houver - e depois pagar as contas. Não adiante nem querer morrer de jeito especial tentando chamar a atenção do diretor. É um clube fechado. Para entrar ali é preciso no mínimo ter vendido a mãe antes e exibir o comprovante. Tucano é isso - não há exceção -. Nem nos que ainda estão por nascer. Exagero? Um servidor da Prefeitura de Juiz de Fora permaneceu internado num hospital da cidade em estado de coma durante vários dias. Para sobreviver, entre outros procedimentos foi submetido a uma traqueotomia. Dias depois, liberado pelos médicos e com um laudo indicando a necessidade de aposentadoria, foi intimado a apresentar-se no trabalho e assumir suas funções caso contrário seria demitido. O laudo foi recusado e segundo a corrupta e venal secretária Suely Reis, são medidas para equilibrar as contas e poupar despesas desnecessárias. A despesa necessária para ela deve ser a vida humana. É só multiplicar esse tipo de monstro devorador de dinheiro público pelo número de tucanos no Brasil inteiro e imaginar o que querem com a CPI da PETROBRAS. Querem passar a escritura definitiva do Brasil. ===================================================================================== Confira abaixo a lista dos parlamentares que assinaram o requerimento para abertura da CPI da Petrobras no Senado: 1) Álvaro Dias (PSDB-PR) 2) Sérgio Guerra (PSDB-PE) 3) Marco Maciel (DEM-PE) 4) Lúcia Vânia (PSDB-GO) 5) Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) 6) José Agripino (DEM-RN) 7) Raimundo Colombro (DEM-SC) 8) Efraim Moraes (DEM-PB) 9) Pedro Simon (PMDB-RS) 10) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) 11) Cícero Lucena (PSDB-PB) 12) Demóstenes Torres (DEM-GO) 13) Jayme Campos (DEM-MT) 14) Heraclito Fortes (DEM-PI) 15) Mário Couto (PSDB-PA) 16) Eduardo Azeredo (PSDB-MG) 17) Flexa Ribeiro (PSDB-PA) 18) Kátia Abreu (DEM-TO) 19) Romeu Tuma (PTB-SP) 20) Arthur Virgílio (PSDB-AM) 21) Mão Santa (PMDB-PI) 22) João Tenório (PSDB-AL) 23) Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) 24) Papaleo Paes (PSDB-AP) 25) Tasso Jereissati (PSDB-CE) 26) Geraldo Mesquita (PMDB-AC) 27) Maria do Carmo (DEM-SE) 28) Marisa Serrano (PSDB-MS) 29) Gilberto Goellner (DEM-MT) 30) Marconi Perillo (PSDB-GO) * Cristovam Buarque (PDT-DF) e Adelmir Santana (DEM-DF) retiraram suas assinaturas do requerimento -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090517/d2ad8980/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 18 20:55:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 18 May 2009 20:55:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Mario_Benedetti_O_poeta_e_dirige?= =?iso-8859-1?q?nte_pol=EDtico_uruguaio_Mario_Benedetti_despediu-se?= =?iso-8859-1?q?_da_vida_neste_domingo=2E_Perde_a_literatura=2C=22_?= =?iso-8859-1?q?_publica=E7=F5es_do_Vermelho_e_de_El_Pa=EDs?= Message-ID: <01fb01c9d814$1b86bb90$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 18 DE MAIO DE 2009 - 18h28 José Carlos Ruy: Lá se vai Benedetti, boa praça, boa gente O poeta e dirigente político uruguaio Mario Benedetti despediu-se da vida neste domingo. Perde a literatura, perde a humanidade, mas seu humor tranquilo e muitas vezes mordaz permanece na herança de seus escritos, expressão sensível e eloquente da consciência avançada da América Latina. Por José Carlos Ruy ''Que a morte perca sua asquerosa e brutal pontalidade'' A literatura ficou de luto neste domingo (17): o grande poeta uruguaio Mario Benedetti deixou de viver. Ele tinha 88 anos de idade e deixa um legado de mais de 80 romances, ensarios, contos e principalmente poemas que fazem parte da mais elevada expressão do sentimento humano nesta parte do mundo e que registram a crença, como ele dizia, ''na vida e no amor, na ética e em todas essas coisas tão fora de moda''. Mario Benedetti referiu-se a seu pai, na dedicatória do romance Primavera num espelho partido, que ele fora ''boa gente''. Os poemas de Benedetti dão ao leitor a impressão de que ele próprio podia ser definido assim, como ''boa gente''. Militante e dirigente de esquerda (em 1971 ele foi um dos fundadores do Movimento 26 de Março, marxista leninista, expressão política do Movimento de Libertação Nacional - Tupamaros), seus escritos oscilaram sempre entre um lirismo tocante e um compromisso social permanentemente reafirmado; muitas vezes, conseguiu a habilidade de unir estas duas dimensões, a lírica e a social, em poemas como este, escrito quando Che Guevara foi morto na Bolívia: donde estés se es que estás si estás llegando será una pena que no exista Dios mas habrá otros claro que habrá otros dignos de recibirte comandante (do poema Consternados, rabiosos, 1967) ou Quizá mi única noción de patria sea esta urgencia de decir Nosotros quizá mi única noción de patria sea este regreso al própro desconcierto (do poema Noción de patria) ou los obreros no estaban en los poemas pero a menudo estavan en las calles con su rojo proyecto y con su puño sus alpargatas e su humor de lija y su beligerancia su paz y su paciencia sus cojones de clase qué clase de cojones sus ollas populares su modestia e sy orgullo que son casi lo mismo (do poema Los espejos las sombras, 1976) ou Compañera usted sabe que pude contar conmigo no hasta dos o hasta diez sino contar conmigo (do poema Hagamos un trato) São textos que exprimem uma experiência de vida intensa e rica, que se desdobrou em inúmeras atividades para ganhar a vida (empregado de uma oficina, taquígrafo, caixa, vendedor, contador, funcionário público, tradutor e jornalista, antes viver somente de literatura), e muitas vezes a amarga paciência do exílio. Seus poemas, disse o escritor argentino Pedro Orgambide na introdução a uma antologia, ''são o inventário de um homem de aparência simples, de gesto e voz medida, de um próximo, um 'fulano' que fala de amor'', de ''mulheres nuas, e leva às pessoas sua palavra despojada de solenidade'', perseverando em ''seu ofício de poeta que não é outra coisa senão seu ofício de viver.'' Militante desde a década de 1940 da luta pela paz, foi um incansável crítico do imperialismo dos EUA. Foi um dos fundadores e diretor, entre 1968 e 1971, do Centro de Pesquisas Literárias da Casa de las Américas, em Havana (Cuba). Em 1971, ano de fundação do Movimento 26 de Março, foi nomeado diretor do Departamento de Literatura Hispanoamericana na Faculdade de Humanidades e Ciencias da Universidade da República, de Montevidéu, cargo que manteve até 27 de Junho de 1973, quando um golpe de estado iniciou a ditadura militar no Uruguai. Em consequência, Benedetti renunciou ao cargo na Universidade. Exilou-se na Argentina, Peru e, em 1976, em Cuba. Só voltou ao Uruguai em 1983, depois do fim da ditadura. No poema Digamos, ele escreveu 1. Ayer fue yesterday para buenos colonos mas por fortuna nuestro mañana no es tomorrow 2. Tengo un mañana que es mio y un mañana que es de todos el mio acaba mañana pero sobrevive el otro No último domingo, o amanhã de Benedetti acabou, mas - como ele sempre soube - sobrevive em todos nós, os outros. * José Carlos Ruy é jornalista e editor do jornal A Classe Operária. ================================================================================================================================== El poeta del compromiso Muere Mario Benedetti después de una larga vida de lucha contra la adversidad y en defensa de la alegría JUAN CRUZ - Madrid - 17/05/2009 Murió Mario Benedetti. El poeta resistente, que vivió el exilio y la enfermedad (un asma pertinaz, obsesiva) le fueron rompiendo, pero él se mantuvo siempre "en defensa de la alegría". Finalmente, una agonía causada por un fallo intestinal, que hizo deprimentes sus últimos días, le rompieron del todo, y murió ayer a los 88 años, en su tierra, Montevideo. Nació en Paso de los Toros, pero esta urbe que parece un microcosmos literario fue el lugar al que volvió siempre, de todos los exilios. Era al final (y esta expresión la acuñó él) un desexiliado. Pero su alma sufrió las heridas de todos los exilios. Su muerte se produjo semanas después de su última hospitalización por fallos multiorgánicos que al final le cegaron el humor y la vida; pero había empezado a morir mucho antes; hace tres años falleció su mujer, Luz, con la que vivió toda la vida, en la libertad y en el destierro; él creyó siempre que la enfermedad de Luz, que se olvidaba de apagar las luces de la casa, en Madrid, era una simple distracción, e incluso le compró artilugios con los que dominar las consecuencias de su sordera. El poeta del compromiso, del amor y de la alegría, sintió luego que, en efecto, esas ausencias eran debidas a un alzheimer que inundó la casa de desolación y de huida. Se fue con ella, de nuevo, a Montevideo, y allí la cuidó hasta que finalmente le dejó del todo. Y le dejó malherido. Benedetti tuvo algunos momentos de alegría después, como cuando Hortensia Campanella, su biógrafa última, le entregó el manuscrito en el que se condensa la vida entera del escritor que nos ha dejado. Él ironizó ante tanto papel, y delante de Ariel, su fiel ayudante, dijo: "¿Tanto he hecho?" Pero su alma estaba herida; seguía escribiendo, poemas, haikus, animado por su editor de poemas, Chus Visor; tenía la casa llena de literatura; en un tiempo él fue política, enteramente, sus poemas estaban al servicio de la rabia que le produjeron las dictaduras del sur, la suya, la uruguaya, que le persiguió a muerte, y la argentina, que fue cómplice de aquella y también quiso matarle. Mató a un amigo suyo, el líder político Zelmar Michelini, y esta muerte fue un símbolo de las muertes que hubo antes y después en la vida acosada de hombres como él. Luz fue su bastón. Y Palma y Cuba y Lima sus lugares de exilio; a los tres les guardó siempre gratitud; fue un gran defensor de la Cuba de Fidel, por eso mismo, pero jamás utilizó esa afinidad para discutir, en los últimos tiempos sobre todo, lo que en esa revolución que él quiso se fue torciendo. Era un hombre cordial, enteramente, pero era un tímido absoluto. Los que le conocieron en España le recuerda, por ejemplo, en la Feria del Libro de Madrid, puntilloso, anotando con palotes los libros que firmaba; y le recuerdan rechazando el pescado con espinas y en general las tonterías; era un conversador tranquilo; llegaba a los sitios con su maletita marrón gastada, y dentro llevaba siempre poemas o cartas, en esos momentos en que cumplía compromisos parecía a la vez el escolar que fue y también el oficinista. Su apariencia era la de un juez de paz, pero nunca hubo paz dentro de su alma, ni siquiera cuando se le vio feliz, con sus manos a la espalda, con su mirada desvaída por las lentillas, con su bigote largo e invariable a lo largo de una vida en la tantos se enamoraron al tiempo que recitaban sus poemas o escuchaban las canciones que hicieron con sus versos su paisano Daniel Viglietti y el catalán Joan Manuel Serrat. Con Viglietti tiene una anécdota que se parece a algunas de las que le convertían también en un escolar huidizo al que le asustaba la fama, al tiempo que le agradaba que algunos, ante sus recitales multitudinarios, le dijeran que parecía una estrella de rock. Hubiera sido incapaz de cantar, pero un día se encontró con Viglietti en París, en un aeropuerto, y Daniel le dijo a Mario: "Estoy haciendo música para sus poemas". "Y yo estoy haciendo poemas". Entonces el poeta se quedó pensando, y añadió, riendo como reía, como para no molestar: "Tenemos que hacer algo con esta casualidad". De esa casualidad nacieron conciertos, libros; eran como dos en la carretera; cuando vimos a Viglietti en Montevideo, en el entierro de Idea Vilariño, a mediados de abril, la gran amiga generacional de Mario, el cantante nos dijo: "Y lo de Mario. Estamos tan mal, y vamos aún a lo peor". Se apaga la voz de su compañero, pero quedan la voz de las canciones. Montevideo fue su último sitio, y fue casi el primero. Su largo recorrido por la vida conoció una interrupción terrible, cuando los médicos le detectaron tumores que aconsejaron operación, en el Hospital XII de Octubre de Madrid. Allí le atendió, entre otros, el doctor José Toledo, que le conocía, y todo el mundo se desvivió por él como si no fuera tan solo un enfermo sino un padre, o un hermano, el hombre que había iluminado con sus versos (de amor, de política, de tierra, de aire) la vida de cualquiera. Un día, poseído por el dramatismo al que a veces lo llevó su pesimismo, el que también está en sus poemas, y en sus narraciones, Mario decidió abandonarse. Como hubiera dicho Idea, que le precedió en la muerte, empezó a decir para qué. Detrás de esa decisión de no seguir hay algunos versos, como estos: "Me he ido quedando sin mis escogidos/ los me dieron vida/aliento/paso/ de soledad con su llamita tenue/ y el olfato para reconocer/ cuánta poesía era de madera/ y crecía en nosotros sin saberlo/ Me he quedado sin proust y sin vallejo/ sin quiroga ni onetti ni pessoa/ ni pavese ni walsh ni paco urondo/ sin eliseo diego sin alberti/ sin felisberto hernández sin neruda/ se fueron despacito en fila india". En ese clima de desolación en el que lo pusieron la enfermedad y su porvenir Mario descuidó su aspecto, dejó de afeitarse, y alguien le dijo, una madrugada: "Así no puedes estar. Tú eres guapo, un hombre así parece enfermo. Ya no lo estás". Le bastó. Al día siguiente se rasuró del todo, se puso de limpio, y cuando este amigo le visitó otra vez y se hizo el distraído sobre su nuevo aspecto, el viejo poeta revivido le llamó la atención y le dijo: -¿No te has fijado que hoy sí me afeité? Era un hombre insobornable, el más comprometido de su tiempo. Su muerte deja en silencio mustio su época, su ejemplo y la raíz de sus versos. Pero los muchos que le cantan no lo dejarán, como él decía del verdadero amor, en lo oscuro. http://www.elpais.com/articulo/cultura/poeta/compromiso/elpepucul/20090517elpepucul_6/Tes Anterior Siguiente Otras... Benedetti, una vida en imágenes FOTOS - CONSUELO BAUTISTA - 18-05-2009 Mario Benedetti, durante una visita a Barcelona en 1999.- CONSUELO BAUTISTA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0004.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 964 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0005.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0006.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15185 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 302 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090518/d8d217cd/attachment-0007.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 19 19:47:51 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 19 May 2009 19:47:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Da_aliena=E7=E3o_=E0_depress=E3?= =?windows-1252?q?o=3A_caminhos_capitalistas_da_explora=E7=E3o_do_s?= =?windows-1252?q?ofrimento____________/_A_reestrutura=E7=E3o_produ?= =?windows-1252?q?tiva_e_seus_reflexos_no_trabalhador_coletivo=2E__?= =?windows-1252?q?___________________-_PARTE_II_-?= Message-ID: <02be01c9d8d3$d7621c00$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem. Este é um dos trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história. Escolhemos esse texto, embora longo, mas que será apresentado todas as terças-feira, por parte. Trata-se de uma análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade, tratando-a mais como doença do que um problema que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as suas ilusões e mesmo do relacionamento humano. As leis do capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se reproduz perversamente na vida em sociedade. O nome dado a este trabalho, "Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento". Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem essa sociedade. Imprima as partes que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para entendê-la e, para a desalienação. Um abraço. Vanderley ps.agradecemos a professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari por permitir a divulgação pela Carta O Berro. Parte 2 Emilio Gennari 1. A reestruturação produtiva e seus reflexos no trabalhador coletivo. Pronta a dar continuidade ao relato, Nádia aguarda que o secretário arrume papel e fôlego suficientes para mais uma etapa da viagem às transformações que ocorrem no mundo do trabalho. Após breves instantes de espera silenciosa, a coruja desenha círculos no ar com a ponta da asa esquerda e, assumindo o controle da situação, diz: - ?Entre as medidas trazidas pelos anos 90, a terceirização é, sem dúvida, a que atinge o maior número de empresas e evidencia uma rápida e profunda precarização das relações de trabalho. Bancos, fábricas, fazendas, escritórios, transportadoras, comércios de todos os tipos e tamanhos se apressam a eliminar de seus quadros um grande contingente de funcionários que antes integrava, com plenitude de direitos, as categorias profissionais nas quais estava inserido. Em menos de dois anos, o país assiste a uma verdadeira febre pela qual centenas de milhares de trabalhadores e trabalhadoras são demitidos para serem contratados por prestadoras de serviços. Apesar de, às vezes, ocuparem o mesmo posto, o salário sofre uma redução média de 30%, desaparecem benefícios como plano de saúde, auxílio creche, vale refeição, complementação de renda quando do adoecimento prolongado, etc. Estas medidas instalam uma clara sensação de insegurança tanto entre os que acabam de passar por este processo, como no quadro de funcionários que mantém os vínculos normais com a empresa. A disciplina do desemprego e a precarização das já difíceis condições de vida são a peça-chave que faz a classe se submeter sem grandes resistências às novas exigências do capital. A alta rotatividade dos terceirizados e o fato de pertencerem frequentemente a categorias profissionais cujo sindicato é bem menos combativo, quando não totalmente ineficiente, dificulta ainda mais o trabalho de organização e mobilização. O problema é que apesar de verem suas fileiras encolherem, os dirigentes continuam centrando sua atuação nos aspectos econômico-corporativos e ora se negam, ora se revelam incapazes de envolver este setor do trabalhador coletivo que atua lado a lado com os funcionários por eles representados. O progressivo distanciamento que vai se consolidando não leva só ao completo abandono dos terceirizados diante das injustiças e dos riscos aos quais estão submetidos como permite às empresas aprofundarem atritos entre colegas e dificultar ainda mais a resistência coletiva e o sentimento de indignação. Agora são os próprios operários a impedir, por exemplo, que os prestadores de serviço tomem o seu café, pois este é o café dos que são da nossa empresa; a distribuir com ar de superioridade ordens de serviço para a realização de trabalhos sujos e perigosos que antes a chefia dirigia a eles; a acusar os terceirizados (e não a empresa) de contribuírem para a perda de seus antigos direitos; ou, ainda, sem levar em consideração o treinamento e as precárias condições que lhes são oferecidas, a rebaixar estes colegas por eles não darem conta do que é pedido com a qualidade e a presteza dos tempos antigos. Em graus que diferem de uma empresa pra outra, entre terceirizados e diretamente contratados se instalam situações que levam a desagregar os elementos de solidariedade e confiança que constituem os pilares de toda organização de base. É como se agora o salário reduzido pelo qual os primeiros aceitaram trabalhar e o nariz empinado que os segundos mostram em suas relações corriqueiras fossem problemas maiores do que a necessidade de dar vida a uma luta conjunta contra a exploração de ambos os grupos. Mas isso não é tudo. Em constante mudança entre as empresas e sem uma representação sindical consistente, as vítimas da terceirização experimentam na própria pele os crescentes efeitos desta dispersão. Sem proteção, dependendo exclusivamente do seu esforço e desempenho pessoal, vivenciando a insegurança quanto ao recebimento regular de seus vencimentos e sem nenhum tipo de orientação, elas vêem o amanhã com incerteza e o presente com resignação ao sacrifício necessário para poder sobreviver. Se, por um lado, o fato de não estarem desempregados é um consolo, de outro, o sofrimento diário é o pão amargo que acompanha cada hora dentro e fora do ambiente de trabalho. Na ausência de perspectivas de mudança, só resta a este contingente a possibilidade de ir se acostumando com a dor que acaba sendo incorporada como uma sina da profissão exercida. Pouco a pouco, as marcas deixadas no corpo pelas tarefas desempenhadas na empresa não são vistas como fruto da exploração do trabalho, mas sim da fragilidade pessoal, de algo, portanto, que é parte de constituição física e mental de cada indivíduo. O conjunto desses mecanismos permite ocultar a evolução das doenças profissionais, sua gravidade e seu grau de incidência nos setores mais insalubres e perigosos, e apagam a relação doença-trabalho como caminho pelo qual é possível perceber a exploração e tomar consciência da necessidade de uma reação. Consciente ou inconscientemente, três silêncios são cúmplices do capital: o dos sindicatos, que na melhor das hipóteses, limitam-se a denunciar os acidentes com morte que vitimam os que não pertencem à sua categoria; o dos trabalhadores diretamente contratados, para os quais cabe sempre aos outros alertar e denunciar as situações de risco nos quais os terceirizados são colocados, via de regra, sem o treinamento e os equipamentos necessários; e o dos próprios funcionários das prestadoras de serviços cujo medo do desemprego sufoca o que resta das manifestações de sofrimento ou revolta pelas condições a que estão submetidos?. - ?Ao começar pelo pior entre as mudanças nos locais de trabalho você me deixou assustado ? afirma o homem ao deixar cair a caneta. Mas, por outro lado, é inegável que a chegada da automação em vários setores reduziu o esforço físico, eliminou riscos que antes causavam inúmeros acidentes, tornou mais limpos os setores produtivos e facilitou a execução de tarefas pelas quais muito se exigia dos operários nelas envolvidos...? - ?Quanto a isso, você tem razão ? concorda a ave ao apoiar o queixo na ponta da asa. O problema é que ao mesmo tempo em que ocorriam estes que poderíamos chamar de efeitos positivos da automação, novas situações já apontavam que o futuro supostamente brilhante a ser trazido pela tecnologia seria mais para as empresas do que para a classe trabalhadora. Entre os primeiros elementos, é impossível não ver a flexibilização das tarefas e das funções, mais conhecida pelo nome de polivalência. Ao se tornar pau-pra-toda-obra, o funcionário se vê diante da elevação do número de tarefas a serem executadas em curtos espaços de tempo. Se, de um lado, a variação rompe a monotonia, de outro, o ritmo se torna alucinante. Se isso não bastasse, a execução de uma seqüência de operações não implica em maior qualificação profissional (pois, em geral, o saber-fazer aprendido no setor só vale naquele âmbito), mas sim no aumento da produtividade do trabalho e na redução significativa das resistências individuais. De fato, ao dizer isso não é da minha função, cada empregado procurava se proteger contra qualquer aumento da carga de trabalho por saber que, no dia seguinte, novas demandas seriam acrescentadas às que vinham sendo exigidas. A introdução da polivalência elimina assim a maior parte das barreiras que criavam empecilhos à plena utilização da força de trabalho e, ao mesmo tempo, introduz uma realidade intrigante: se antes um bom número de funcionários em greve era suficiente para paralisar as atividades, agora basta pouca gente para conseguir manter as funções essenciais e pôr as máquinas pra trabalhar no ritmo permitido pelos empregados que furaram os bloqueios do sindicato. Na medida em que todos aprenderam a realizar várias tarefas, sua substituição momentânea ou definitiva não é um problema, mas algo que se torna facilmente realizável e que, de conseqüência, vai agravar o medo do desemprego. A aceleração do ritmo e das cadências se dá também através de elementos que não são imediatamente visíveis. Além de reduzir os tempos de parada para manutenção e os contatos informais entre os empregados, as novas tecnologias introduzem o que é conhecido como controle em tempo real. Ou seja, os sistemas informatizados permitem verificar instantaneamente o desempenho de cada empregado, suas médias por hora, os tempos em que se ausenta do processo de trabalho e, graças ao auxílio das câmaras de vídeo, como trabalha, com quem se relaciona e em que medida sua atuação pode provocar a paralisação ou algum atraso na produção. Ainda que as novas máquinas ajudem a reduzir o cansaço físico, é inegável que elas elevam o grau de atenção exigido e, de conseqüência, a tensão nervosa e a fadiga mental dos operadores. Estes fatores de desgaste crescem na medida em que, além de trabalhar mais depressa, com um contingente de pessoas reduzido ao mínimo, em constante sobrecarga e sem poder tomar as precauções necessárias, é necessário supervisionar um número maior de dispositivos cujo mau desempenho pode ocasionar acidentes graves ou fatais. Neste contexto, o espaço de ação do indivíduo fica cada vez mais apertado. Assustado pelo fantasma do desemprego e da possível demissão, coagido pelos controles sobre os quais não exerce nenhuma influência, empurrado pelos seus próprios sonhos e isolado pelo encolhimento dos âmbitos de cooperação, solidariedade e amizade sobre os quais se forjava a resistência coletiva, o sujeito acaba mobilizando toda a sua inteligência e energia para cumprir as metas exigidas. Esta realidade não se altera nem mesmo quando o trabalho é organizado em células ou equipes. A necessidade de ?dar conta do recado? a qualquer preço acirra os mecanismos de controle implícito dos próprios colegas que se encarregam de coibir as idas ao banheiro, o tempo do cafezinho, do cigarro e de fiscalizar o próprio ritmo de cada membro sem precisar da chefia. Além disso, todos sabem que o desempenho de cada grupo é constantemente medido e comparado com os demais numa competição dirigida pela gerência e na qual o fato de chegar seguidamente nos últimos lugares é, no mínimo, sinônimo de chantagens, gozações e ameaças de demissão disfarçadas de conselhos paternalistas. Seja qual for a forma pela qual se viabiliza a mudança dos processos produtivos, trabalhadores e trabalhadoras têm clareza de que ou se rendem ao jogo da empresa ou correm o risco de conhecer pessoalmente o duro caminho do desemprego. Não há meio termo possível, pois a reestruturação só consegue vingar em sua plenitude na medida em que são varridas do local de trabalho as pessoas e as lembranças que podem trazer de volta a resistência do passado. A sujeição à qual a classe é forçada a se submeter anda de mãos dadas com as diferentes práticas disciplinares e regulamentos internos que não só buscam inibir toda reação contrária ao sistema, como tendem a canalizar para o aperfeiçoamento deste as reivindicações, observações e formas de descontentamento que, de tempos em tempos, se manifestam entre os funcionários. Ou seja, a empresa moderna não se preocupa apenas em punir, mas intimida ao mesmo tempo em que deixa espaços para a apresentação de demandas que ajudam a aperfeiçoar os modos operatórios. Ao blindar o convencimento com as regras da coerção, o atendimento de reivindicações pontuais pela empresa é usado como um sinal pelo qual basta a presença de um canal de comunicação entre a hierarquia e o quadro de funcionários para que a primeira possa atendê-las de acordo com as possibilidades e, obviamente, capitalizar o mérito das benesses proporcionadas. O resultado é simples: a satisfação das pequenas necessidades diárias diminui o descontentamento, reduz o peso da atividade sindical, evita os conflitos, estimula a obediência, incentiva novos patamares de intervenção criativa, alimentando a produtividade e o sentimento de auto-realização. Graças à constante superação das metas pré-fixadas, é possível colocar em andamento uma lenta, porém sistemática, redução do quadro de funcionários. Ainda que isso implique em colocar o processo em ponto de ruptura pela elevação dos riscos implícitos na aceleração do ritmo, o sofrimento introduzido pelas novas metas a serem atingidas é compensado por prêmios em dinheiro ou em viagens, reconhecimentos simbólicos, fotografias que atestam o esforço do ?funcionário do mês? e elogios que custam pouco e valem menos ainda. Mas isso não é tudo. Ao aderir a esta realidade, o funcionário começa a abrir mão de sua ética profissional e a fazer, literalmente, de tudo para chegar nos primeiros lugares. Pouco importa se para conseguir este objetivo ele precisa enganar alguém, mentir para outros ou prejudicar o colega ao lado. Ao atuar na direção indicada pela empresa, tudo parece legitimar suas atitudes e o sofrimento alheio que nasce desta adesão começa a ser justificado com a alegação cínica de que se eu não fizer, outro vai fazer. Desta forma, o próprio erro é automaticamente justificado com a suposição de que alguém pode vir a fazer o mesmo e acabar se beneficiando do que é oferecido?. - ?O que ainda não ficou claro é como as empresas conseguem conciliar coerção e convencimento a ponto de seduzirem o trabalhador coletivo a percorrer os caminhos que aumentam o seu sofrimento e a exploração que pesa sobre suas costas...?, pede o secretário intrigado com a longa fala da coruja. - ?Bom, vamos por partes ? afirma Nádia com uma expressão típica de quem pretende iluminar os recantos mais escuros da organização do trabalho. Os anos 90 conhecem o aperfeiçoamento de três importantes instrumentos com os quais os patrões procuram realizar esta façanha: a avaliação individualizada de desempenho, os programas de qualidade total e o desenvolvimento de planos de cargos, carreiras e salários. No que diz respeito à primeira questão, é bom lembrar que ela se torna possível pelo acompanhamento informatizado do desempenho de cada trabalhador, o tal controle em tempo real do qual falávamos acima. Associada a um programa de metas e encouraçada pela ameaça de demissão, a avaliação individualizada escancara a porta do cada um por si Deus por todos e, via de regra, leva as pessoas a comportamentos desleais em relação aos próprios colegas, à uma queda nos níveis de confiança recíproca e, após algum tempo, à ruptura dos laços de solidariedade e do que faz o viver-juntos de todos os dias. Mas isso é só o começo das dores. Entre os elementos que saltam aos olhos está o fato de que, na avaliação do desempenho individual, a ênfase cai exclusivamente sobre os dados quantitativos que não consideram as condições reais em que as tarefas são realizadas. Diante dos gráficos, a chefia não quer saber se naquele dia os computadores estavam mais lentos do que de costume, se o funcionário tinha que lidar com processos cabeludos ou situações de difícil solução, se o trânsito particularmente engarrafado dificultava as entregas, se parte das peças a serem montadas estava fora de especificação e precisava de ajuste ou se a má qualidade da matéria-prima exigia um trabalho adicional não previsto pelo setor de engenharia. O que importa é o número final que indica o quanto foi feito e não os esforços qualitativos que se fizeram necessários para dar conta do que, para a supervisão, não passa de algo que é sempre simples e rápido. Em breves palavras, a aparente objetividade da avaliação quantitativa oculta o fato bastante corriqueiro de que raramente as coisas saem do jeito que foram planejadas exatamente porque há sempre certo volume de imprevistos que escapam dos cálculos empresariais. Ao estar com a cabeça no forno e os pés no congelador, na média, o seu corpo pode até alcançar a temperatura ideal, apesar de você passar mal de ponta a ponta. Do mesmo modo, a avaliação de desempenho só utiliza como parâmetro as metas designadas para cada empregado sem perguntar se, no processo de trabalho, ele teve um dia de mais congelador ou de mais forno...?. - ?E as empresas não sabem disso?!??. - ?Sabem, mas admitir esta realidade significa reconhecer a necessidade de adaptar o trabalho ao ser humano que o desempenha e, portanto, a necessidade de não forçá-lo a se submeter ao ritmo dos equipamentos e à imposição arbitrária de níveis de produtividade cada vez mais elevados. Por isso, no lugar de reconhecer a distância entre o trabalho prescrito e o real, as gerências preferem bater na necessidade de aprender a superar os próprios limites num processo pelo qual é sempre possível melhorar e nenhum obstáculo pode ser considerado intransponível. Inserida nos elementos que já descrevemos, esta lógica seduz o indivíduo para a que podemos chamar de ditadura do sucesso. Desistir, não aceitar ou simplesmente resistir a ela implica em se submeter à desqualificação e ao julgamento negativo das chefias e dos próprios colegas para os quais vencer é o único meio de ser reconhecido, valorizado e mantido na organização. Isso implica em reproduzir discursos, seguir regras, apresentar resultados, ser dócil e obediente a ponto de ganhar os tão almejados elogios à competência que levam o sujeito a acreditar que a empresa exige dele porque está convencida de que é capaz de dar conta do recado, de atingir objetivos desafiadores, de mostrar a si mesmo que pode fazer mais. O processo pelo qual trabalhadores e trabalhadoras chegam a assumir demandas empresariais como se fossem metas pessoais conduz a uma inversão de valores extremamente sutil e bem articulada. O primeiro aspecto a ser virado de cabeça pra baixo é o significado da palavra competência no exercício da própria função. Nos moldes da avaliação individualizada, pouco importa a quantos anos você está no setor, que abacaxis sua experiência ajudou a descascar ou até mesmo as centenas de ocasiões em que o saber prático acumulado na execução do trabalho foi indispensável para tirar a chefia do sufoco. Como nem esse esforço nem o sofrimento que ele gera podem ser medidos quantitativamente, o que conta agora é somente o desempenho que vira número. A aparente objetividade dos cálculos que medem o trabalho realizado faz com que possa ser chamado de competente apenas quem consegue cumprir ou superar as expectativas da empresa. O sucesso e o fracasso são assim desvinculados do trabalho real desenvolvido, das atitudes desonestas de colegas que usam sua posição para executarem o que é mais simples (e, portanto, permite atingir com facilidade as metas estabelecidas), da situação do maquinário e dos demais ?detalhes? do processo de trabalho. O que importa é apenas o quanto, o número, a porcentagem atingida. A segunda inversão de valores está na postura dos colegas diante de quem não alcança a produtividade esperada. Longe de ganhar a solidariedade coletiva, os portadores de resultados negativos são vistos como merecedores de humilhação e constrangimento na medida em que seu desempenho rompe o espírito de competição e compromisso que o grupo acredita ter assumido natural e espontaneamente diante da realidade do trabalho. Em práticas que variam de setor a setor, de empresa a empresa, o apontar e reprovar publicamente quem não conseguiu atingir as metas costuma levantar dúvidas quanto à capacidade do indivíduo e do seu compromisso com a organização, o que, via de regra, desperta um profundo sentimento de vergonha que se torna um poderoso elemento disciplinador. Para evitar situações constrangedoras e o cumprimento da ameaça de demissão, as pessoas sentem-se empurradas a dedicar-se mais ao trabalho e começam a se policiar, a não se conceder nenhum instante de folga, a fazer tudo como manda o figurino?. - ?Pelo que você disse, a avaliação individualizada de desempenho tem como pontos de referência os objetivos estabelecidos pela empresa. Pelo que sei, os programas de qualidade total demandam a participação dos funcionários e quem participa destes programas parece gostar do que faz. Será que aí também vamos encontrar conseqüências perversas??. - ?O que as grossas lentes de seus óculos ainda não lhe permitem enxergar é o efeito sombra que toda novidade projeta sobre a realidade conhecida. Nos dias em que falta energia elétrica, ter uma vela ao alcance da mão produz uma grande sensação de alívio. É pouco, mas o simples fato de conseguir se mexer na escuridão sem trombar em nada é, sem dúvida, algo que traz segurança e conforto. O problema é que a pequena luz destinada a clarear o ambiente projeta sombras tenebrosas em tudo o que está atrás de quem a carrega. Ou seja, ao mesmo tempo em que as novas políticas de recursos humanos trazem esperança de alívio, sua aplicação não deixa de alimentar os passos necessários para aumentar a eficiência dos equipamentos existentes, reduzir o número de empregados e viabilizar formas de controle bem mais sutis e aprimoradas. De mãos dadas com a avaliação de desempenho, os programas de qualidade total se apresentam como uma espécie de solução definitiva para a busca da eficiência e da excelência, apesar de qualquer gerente saber que há sempre uma distância irredutível entre os métodos implementados e o trabalho real de todos os dias. No ?vale tudo? para levar os funcionários a ceder o saber prático acumulado (e que, no passado, servia também para desenvolver formas de resistência) os envolvidos nestes programas acabam entrando numa verdadeira sinuca de bico. De um lado, a possibilidade de participar faz eles experimentarem uma valorização pessoal, mas, de outro, vêem-se forçados a mentir, antes pelo temor de desagradar quem dirige tais programas e vir a sofrer punições, e, depois, na hora da empresa obter os certificados ISO, pois as auditorias não podem perceber a diferença que existe entre o que é dito e o que realmente ocorre no cotidiano do trabalho. Para muitos profissionais, esta obrigação de mentir somada ao aumento das tarefas proporcionado pela eficiência alcançada com suas próprias idéias, dá origem a uma sensação de desorientação, de confusão, de perda de confiança em si mesmos e nos demais que produz um profundo sofrimento psíquico. Em breves palavras, um profissional de mão cheia sabe que aquilo não é assim, que está errado, que o seu silêncio e a colaboração com a empresa podem inclusive levar a acidentes graves ou a doenças profissionais mais agudas. Ele tem consciência de que está fazendo algo que vai recair sobre ele mesmo e que normalmente condenaria ou reprovaria, mas, diante da afirmação pela qual ou a empresa age desse jeito ou pode não ser competitiva e ter que cortar postos de trabalho, ele mergulha num turbilhão de sentimentos contraditórios. De um lado, sente que parte da responsabilidade pelo que faz sai do seu controle, mas, de outro, sabe que a maioria dos colegas irá olhá-lo com reprovação e que a própria chefia o punirá se algo der errado em função do que a empresa o levou a omitir ou a falsear. Para vencer as resistências individuais, fruto da ética pessoal, o capital não esquece de blindar suas ações de convencimento com a coerção da sobrevivência. Frases como lembre que pagamos um dos melhores salários da região, é com o que ganha aqui que você já realizou parte dos seus sonhos e pode ter ainda mais ou uma mão lava a outra, por isso se você nos ajuda a alcançar novas metas você também cresce junto e pode se firmar na empresa são parte de um arsenal de pressões psicológicas que flutua entre a sedução e a coerção pura e simples. Ao vincular a realização pessoal aos objetivos empresariais, o capital oculta os interesses e a responsabilidade real de quem dirige este processo nas altas esferas da empresa e apresenta as medidas demandadas como algo imprescindível para fazer frente aos fatores incontroláveis que cercam e ameaçam a vida da organização. Quem já não ouviu os patrões falarem na necessidade de atender às exigências do mercado como condição para manter os empreendimentos? Ou ainda, que o lucro é o prêmio com o qual o cliente retribui os serviços prestados e a partir do qual é possível investir para ampliar a qualidade, o tipo e a quantidade de atendimentos, proporcionando assim mais empregos e renda aos próprios colaboradores? Pouco a pouco, lucrar e acumular deixam de ser partes constitutivas da vocação do capital que, para se realizar, deve impor mais trabalho, mais exploração e, obviamente, mais sofrimento à coletividade, e passa a ser desejado por todos exatamente porque o mundo em volta da empresa parece depender de figuras incontroláveis como o cliente e o mercado. Este aspecto é parte essencial das novas formas de gestão na medida em que ajuda as pessoas a retirar da realidade toda sensação de culpa e responsabilidade pessoal em relação às conseqüências que serão produzidas ao mesmo tempo em que leva os empregados a se focarem nas metas empresariais com a maior dedicação possível e a esquecerem que, ao aumentar a produtividade ou reduzir custos essenciais, suas próprias idéias contribuem para o aprofundamento da exploração e do sofrimento. Convencidas de que é assim simplesmente porque todos fazem isso e repetem a papagaio os dogmas popularizados da acumulação, as pessoas não ficam intrigadas ou magoadas nem mesmo quando percebem que a democracia empresarial só é desejável e viável nos aspectos que alimentam os interesses patronais. O mesmo ocorre nos casos em que dois gramas de reflexão coletiva levam trabalhadores e trabalhadoras a se dar conta de que sua participação ativa nos planos da firma visa apenas legitimar o que foi previamente estabelecido pelos gerentes que, por sua vez, manipulam a verdadeira palavra dos subordinados para depurá-la das dissonâncias com os processos implementados e anular qualquer elemento que possa colocá-los sob suspeita. E tem mais. Mobilizado para os objetivos da produção, o indivíduo assume o controle do desempenho do colega que o antecede no processo de trabalho ao mesmo tempo em que sua atuação também é avaliada pelo que recebe o resultado do seu esforço. As resistências de cunho ético são vencidas antes pelo conformismo com a realidade imposta e, em seguida, pela prática automática das novas relações, pela naturalidade com a qual esta leva a pensar no trabalho 24 horas por dia ou pelos novos sonhos que a submissão às regras permite acalentar. Passo a passo, o sujeito cai numa armadilha mortal: não pode manifestar abertamente seu descontentamento e suas reservas para não se tornar estranho ao contexto em que está inserido, deixa de perceber a verdadeira razão de seu sofrimento psíquico e passa de uma atitude de submissão forçada a uma de satisfação na própria submissão por acreditar que vinculando o seu destino ao da empresa ele pode realmente concretizar seus desejos e realizar a si próprio. Sem perceber, ele adere a uma espécie de servidão voluntária. Ou seja, no lugar de ser um bom escravo justamente porque se rebela, reduz o ritmo de trabalho, poupa o seu corpo de desgastes adicionais e aposta suas fichas em tudo o que pode romper suas correntes, ele se transforma num escravo que é feliz de ser escravo, teme a liberdade porque representa o novo, foge de tudo o que projeta incertezas nas sobras às quais tem direito e ajuda o capataz a identificar os rebeldes. Isso ocorre porque ele assumiu como próprias as formas de comportamento e os valores da organização para a qual trabalha. Os concorrentes da empresa chegam a ser descritos como inimigos pessoais (quem já não ouviu operários das fábricas de calçados amaldiçoarem esses filhos das p... de chineses que ameaçam os nossos empregos). As atitudes nas quais foi instruído tornam-se caminho seguro para o seu reconhecimento e afirmação. E as idéias incorporadas viram critério a partir do qual são julgados os comportamentos a serem mantidos com quem está ao seu redor. O novo funcionário se sente assim feliz e protegido. Agora, ele pode olhar pra cima sem ouvir a dor daqueles nos quais está pisando, recusar o contato com quem lhe lembra das responsabilidades com os demais e não ser atrapalhado na hora em que se sente projetado para o que considera ser o ?seu? sucesso. O problema está justamente no fato de que, em geral, o ponto mais alto de seu sentimento de realização pessoal coincide com o início de sua descida ao inferno da solidão. No exato momento em que o sujeito parece tocar o céu com os dedos por ter realizado metas que não são suas e ter se envolvido corpo e alma em satisfazer interesses econômicos empresariais sobre os quais não detém o menor controle, ele começa a se tornar estranho e estrangeiro em relação a si próprio. Este processo ganha velocidade na medida em que, para se sentir e se achar cada vez mais, ele se isola, se fecha, e veste espontaneamente uma camisa de força com a mesma convicção de quem acredita que vai arrasar ao usar a roupa da moda. O capital assiste rindo de camarote ao progressivo desgaste físico e mental que levará à expulsão futura deste fiel serviçal e à sua substituição por outro alguém que, da amargura do desemprego, torce para ser chamado a substituir as peças gastas?. - ?Nesta altura, estou até com medo de ouvir o que vai dizer em relação aos planos de carreira...?, sussurra o homem sem levantar a cabeça. - ?No que diz respeito a esta questão, vale a pena resgatar o fato de que, em geral, os planos de carreira são produzidos por iniciativa patronal frente à qual a intervenção dos sindicatos limita-se a batalhar regras que proporcionem maior transparência nas promoções, evitem abusos ou apadrinhamentos e fixem as condições que, para cada degrau da carreira, definem uma remuneração adequada à formação escolar, à experiência profissional e à responsabilidade exigida pelo cargo. Ninguém duvida que, sob vários aspectos, estamos falando de algo que pode beneficiar os trabalhadores e recompensar seus sofrimentos. Mas é fato que nada disso vem de graça?. - ?Ora, Nádia, os próprios funcionários pressionam para ter um plano desse como forma de ter acesso a uma tabela salarial mais consistente, portanto, não há como ser diferente...!?, conclui apressada a língua sem medir as conseqüências de sua intervenção. - ?O problema, querido humano, não está apenas no que se diz, mas, sobretudo, no que as posturas afirmam até mesmo contra os discursos e as posições veiculadas pelos informativos dirigidos à categoria. Apesar de ser um instrumento de educação da classe, o sindicato freqüentemente não cumpre este papel e se deixa levar pelo senso comum. Até o momento, nenhuma entidade se debruçou sobre uma questão intrigante: se o sofrimento na adaptação dos novatos às tarefas exigidas é muito maior do que é oriundo da execução corriqueira do trabalho por um empregado experiente, porque aceitamos que esse esforço não ganhe o reconhecimento devido na tabela salarial? Por que a angústia do contrato de experiência só é paga com a admissão? Trata-se de uma prova de fogo pela qual o indivíduo atesta sua disposição a ser esfolado? Enfim, por que os limites do sistema a este respeito não são sequer questionados através da mesma lógica que, em seguida, vai permitir ocultar o sofrimento do trabalho e explorá-lo para elevar os lucros empresariais? Por que além da transparência, da necessidade de criar regras claras, de evitar mutretas e favorecimentos ilícitos, de compensar a antiguidade e estimular a continuidade dos estudos, as preocupações sindicais não se debruçam sobre o sofrimento no trabalho??. - ?Sinceramente, não consigo entender onde quer chegar...?. - ?Vamos por partes ? convida a ave ao cruzar a ponta das asas atrás das costas. Se, de um lado, os sindicatos não podem deixar de debater a formatação dos planos de carreira (pois, do contrário, a única palavra a ser ouvida seria a da empresa), de outro, faz-se necessária uma intervenção qualificada para resgatar os elementos que pontuamos acima e desmascarar o objetivo implícito a estas medidas gerenciais. Se é verdade que as questões apresentadas nas páginas anteriores, ainda que em graus diferentes, são parte da realidade vivenciada nos locais de trabalho, um plano de carreira minimamente estruturado e coerente faz a submissão ainda mais apetitosa. Graças aos mecanismos próprios de cada carreira, a organização formaliza e torna homogêneos padrões de condutas, reduz ao máximo o espaço para a transgressão, estabelece uma parceria pela qual o sucesso e o reconhecimento do indivíduo passam pelo espírito de sacrifício com o qual este se dedica e se insere na vida da organização disposto a oferecer o melhor de si. Por sua vez, o funcionário vê no plano de carreira a possibilidade de estruturar a própria existência de forma mais consistente e segura tanto no que diz respeito à manutenção do nível de vida já alcançado, como à mais rápida realização de seus sonhos de consumo e afirmação pessoal. Ou seja, o trabalhador não é um elemento passivo dessa relação. Ele quer participar do jogo exatamente porque vê nele a chance de subir na vida, de estufar o peito após superar objetivos desafiadores e de alcançar níveis maiores de reconhecimento social. Neste sentido, o plano fornece uma espécie de disciplina para o sucesso na qual o autocontrole e a autoconfiança são o cimento que fixa os ladrilhos do caminho para os sonhos. Progredir na hierarquia ou, simplesmente, subir um nível após o outro aumenta a ambição e chega a ser uma obsessão quando a tensão permanente de conseguir se superar para ser um vencedor alimenta o prazer de quem pretende olhar o mundo de um degrau mais alto. Mas nem tudo o que brilha é ouro. Num aparente paradoxo, o ponto mais alto em que cada trabalhador pode chegar, em geral, coincide também com seu maior nível de servidão voluntária. Isso é possível na medida em que, ao aderir aos desígnios da organização, o empregado se torna psicologicamente dependente da satisfação dos próprios desejos que já deixaram de ser uma possibilidade para se tornar uma necessidade vital e, portanto, imprescindível. Como um dependente químico, ao absorver a substância almejada ele alcança certo grau de satisfação, mas isso não lhe basta. Ele precisa de novas doses e de doses mais fortes para continuar sentindo os mesmos efeitos experimentados no início de sua trajetória. Ele deseja o que o mata aos pouquinhos. E quem lhe oferece da substância não tem pressa que ele morra, mas faz o impossível para lhe fornecer quantidades que o destroem como ser humano na mesma proporção em que oferecem centelhas de prazer e viabilizam aumentos da produtividade. No âmbito das relações de trabalho, o preço mais barato a ser pago é constituído por uma ansiedade crescente, um isolamento intrigante e uma solidão que demanda compensações materiais incessantes na esperança de que estas ocultem de si próprio a progressiva sensação de esgotamento. Cabe ressaltar que este efeito tão desejado pelo capital não costuma ser produzido por um único dispositivo destinado a disciplinar e a dirigir as melhores energias da classe trabalhadora. A submissão, obediência e adesão ativa à lógica empresarial só podem ser obtidas graças à articulação de diversos fatores que, a depender da situação, da dificuldade de repor determinado profissional, do nível salarial, etc., ganhará formas e profundidades diferenciadas. Para cada patamar de renda, o sistema oferece um sonho apropriado, uma meta cuja consecução possibilita certo grau de afirmação social e, sobretudo, deixa na boca um gostinho de quero mais. Envolvido nas artimanhas que mobilizam necessidades reais e desejos, esperanças e receios, o sujeito não percebe que cada prática disciplinar é alimentada por outra, que o conjunto delas garante a eficiência do sistema e que o próprio sofrimento deixa de ser o combustível da rebeldia para se tornar conseqüência natural da progressiva adequação aos elementos que, dia-após-dia, extraem dele mais trabalho e mais vida?. - ?Parece um pesadelo sem fim...!?, conclui o secretário ao romper o interminável instante de silêncio que estava para tomar conta da sala. - ?Se fosse, seria ótimo ? rebate a ave num longo suspiro. De fato, bastaria abrir os olhos para espantar os fantasmas que atormentam a mente e experimentar uma sensação de alívio. O problema é que estamos diante de uma fortificação cujos tijolos foram empilhados pela coordenação dos elementos que se projetaram dentro e fora dos ambientes de trabalho e se fixaram no indivíduo a ponto de se tornar parte dele mesmo tornando-o pesado, frio, insensível, calculista, cada vez mais imediatista e incapaz de se indignar diante da injustiça até nas situações em que ele é a vítima a ser sacrificada no altar dos lucros. Num rápido balanço do que afirmamos até o momento, é inegável que a precarização do trabalho ao longo dos anos 90 tenha levado a uma intensificação do mesmo, à elevação do sofrimento de quem continua empregado, à neutralização da mobilização coletiva em grande escala e ao fortalecimento das formas de alienação que mantêm o sujeito dobrado sobre si próprio a ponto de se distanciar progressivamente dos demais. A leitura mais comum desta situação diz que, afinal, não há nada ou bem pouco que se possa fazer para mudar o rumo dos acontecimentos e aponta, de início, para a resignação e, em seguida, para uma adesão ativa à lógica do sistema na medida em que as pessoas acreditam que é natural que as coisas sejam assim. Logo, o importante não é reagir, mas agüentar, encontrar razões, sentidos, formas de auto-ajuda e motivações que dêem ao sujeito a energia suficiente para segurar a barra no dia seguinte e alimentar novos sonhos com a manutenção do próprio emprego. Nesta perspectiva, a situação de quem continua desempregado ou experimenta as incertezas da informalidade é, ao mesmo tempo, fonte de ansiedade e preocupação, incentivo a resistir à dor física e psíquica provocada pelo trabalho, motivo para fechar olhos e ouvidos diante das injustiças, estímulo a negar o sofrimento alheio e o próprio. Por outro lado, longe de unir as pessoas fora dos locais de trabalho, a miséria e a marginalização levam a uma piora sensível dos que estão submetidos à sua ação, ao progressivo embrutecimento das relações com os demais e a condições de vida tão degradantes a ponto de possibilitar somente reações pontuais de curta duração e facilmente recuperáveis pela repressão ou a assistência social pública e privada. Assim, a violência explode nas periferias com requintes de crueldade. Crimes e assassinatos se multiplicam em várias camadas da sociedade em formas jamais imaginadas. O tráfico, auxiliado pela conivência de parcelas significativas das forças de segurança, impõe sua dominação. E a realidade parece desandar a ponto de levar não poucos intelectuais a acreditar que o país caminha para a barbárie. O pior disso tudo é que a soma destes sofrimentos gera a progressiva destruição dos laços de reciprocidade no seio da própria classe trabalhadora e, graças a esta, o desligamento do empregado do sofrimento de quem trabalha ao seu lado, de quem não goza do privilégio de ter carteira assinada e dos que a ampliação da acumulação e da injustiça levou à beira da desumanização. A necessidade de afastar-se do outro é traduzida e reafirmada pelo senso comum com uma expressão que marca presença crescente até nos lábios das pessoas de bem: E eu com isso? Como a vida imita a arte, o isolamento do sujeito ganha novas verbalizações. Entre as mais reafirmadas pelo mundo da música passamos do Tou nem aí, aplicado exaustiva e amplamente a contextos que extrapolam aquele ao qual esta letra se refere, até os mais recentes gritos de guerra: ema, ema, ema, cada um com seus problemas! e ado, ado, ado, cada um no seu quadrado! A falta de compromisso com o viver-juntos e com o sofrimento de quem está ao nosso lado, já não precisa da mídia para ser ampliada, pois encontra no povo simples milhões de bocas dispostas a reafirmá-la. Desta forma, a banalização da injustiça, pode caminhar lado a lado com um sentimento de indignação cada vez mais anestesiado, com a instauração progressiva da servidão voluntária que eleva a indiferença e impede a construção de um sentimento de coletividade dentro e fora dos locais de trabalho. Paradoxalmente, este processo leva a acreditar que as leis de mercado, a iniciativa privada, a globalização e os demais elementos que se beneficiam dos estragos produzidos pela incapacidade de se revoltar contra o que fere a dignidade humana são capazes de trazer a solução para os problemas sociais que eles próprios criaram. Se, de um lado, as ações assistenciais do estado e os programas de responsabilidade social promovidos pelos patrões seduzem as comunidades carentes e projetam uma áurea de santidade em volta deles, de outro, o culto ao deus capital tem no trabalhador o seu mais fiel militante. Como é na empresa que o indivíduo sonha e busca concretizar seus sonhos, ele tende a fazer da organização e de tudo o que esta pode oferecer, concretamente ou na sua imaginação, o núcleo central de sua vida, a sua razão de viver, o seu principal ponto de referência. O processo de identificação com os objetivos empresariais leva o trabalhador a idealizar as qualidades do local de trabalho, tanto em função da dissolução do seu espírito crítico, como de sua representação imaginária das relações e possibilidades de reconhecimento social que estas podem lhe oferecer?. - ?É por isso que eu acho que os sindicatos deveriam fazer mais agitação, mais informativos, mais discursos inflamados, mais denúncias em carros de som!?, afirma categórica a língua ao acreditar ter encontrado a solução mágica para um problema complexo. - ?E, ao fazer isso, talvez consigam exatamente o contrário do que pretendem ? rebate inesperadamente a coruja. O que acabamos de constatar acima explica em grande parte porque o discurso agitativo é freqüentemente ignorado, recebido com aversão ou, na melhor das hipóteses, com o silêncio de quem não nega que há algo errado, ma se recusa a agir por sentir que, ao ir contra a empresa, pode frear a mão que embala seus sonhos ou, mais simplesmente, que o faz se sentir gente. Até sabe que o que recebe não compensa o aumento da exploração do trabalho, mas, no mínimo, o homem-massa está convencido de que é com o seu salário que ele conseguiu reformar a casa, comprar um carrinho, pagar os estudos dos filhos, adquirir o celular, o som incrementado e assim por diante. No extremo oposto, ele está tão convencido de que tudo o que pode ser na vida depende somente do que consegue ter que e já criou barreiras intransponíveis aos que, com sua racionalidade, procuram ameaçar estas convicções, despertar sentimentos de indignação que trazem de volta o medo, a insegurança e a indesejável sensação de responsabilidade pessoal na reprodução da injustiça que está sob os seus olhos. Ao insistir na agitação e na informação nos moldes em que vêm sendo realizadas, a linguagem dura do sindicato ainda aposta em convencer a cabeça do peão esquecendo que o coração e a mente deste já são da empresa. O que os diretores dizem, denunciam, tornam público e pedem para ser revertido é verdadeiro, realmente acontece, é assim mesmo, confirma grande parte do trabalhador coletivo. Mas ao ver seus temores aumentados pela ação sindical, este mesmo trabalhador coletivo tende a se afastar cada vez mais na medida em que seus sentimentos mais íntimos entram em choque com o que vem sendo colocado, em que sua ansiedade aumenta a sensação de insegurança, em que seu coração está profundamente convencido de que assim tá ruim, mas ta bom. Além disso, dificilmente o indivíduo consegue ver nas falações os caminhos viáveis que permitem superar a injustiça denunciada e, via de regra, fica com a impressão de que, para além dos discursos inflamados, não há nem time capacitado, nem nada concreto que permita acreditar na possibilidade de além das palavras e reverter a realidade. Não por acaso, cresce a olhos vistos o número das pessoas que até param para ouvir os dirigentes discursarem, mas saem se queixando de ter perdido o próprio tempo?. - ?Pior é impossível!?, afirma o ajudante categórico. - ?Eu não diria isso, pois não há nada tão ruim que ainda não possa piorar...?, retruca enigmática a coruja ao ajeitar as plumas do peito. - ?Isso significa...? - ?Que precisamos mergulhar um pouco mais nas relações do cotidiano do trabalho para visualizar o tamanho dos desafios que estas colocam aos que procuram mudar a realidade. Por isso, trate de acordar de seu espanto porque agora vamos analisar...?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090519/8530ca33/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 20 19:30:55 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 20 May 2009 19:30:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__ATAQUES_SISTEM=C1TICOS_CONTRA_?= =?windows-1252?q?A_PETROBR=C1S_OCULTAM_OUTROS_OBJETIVOS__-___Manif?= =?windows-1252?q?esto_do_MODECON__-_Movimento_em_Defesa_da_Economi?= =?windows-1252?q?a_Nacional_________________/_e__A_CPI_da_Petrobra?= =?windows-1252?q?x_e_a_tucanalhada___/e_mais___=22O_PSDB_n=E3o_gos?= =?windows-1252?q?ta_da_PETROBR=C1S=2E__Nem_do_BRASIL=2E?= Message-ID: <006e01c9d99a$a3eeffb0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. MODECON - Movimento em Defesa da Economia Nacional Rio de Janeiro, 18 de maio de 2009 ATAQUES SISTEMÁTICOS CONTRA A PETROBRÁS OCULTAM OUTROS OBJETIVOS Em cumprimento aos princípios programáticos que regem sua atuação, o MODECON, em conjunto com entidades várias, como AEPET e SINDIPETROS, vem defendendo o nosso petróleo e a PETROBRÁS, nossa maior empresa, justo motivo de orgulho para todos. Dentro desta linha de atuação, temos combatido, entre outras coisas, as licitações das bacias sedimentares de petróleo e gás e estamos lutando pela revisão da injusta Lei Eliseu Rezende (lei 9478/97), que extinguiu o monopólio estatal do petróleo consagrado na lei 2004/53, conquista maior do povo brasileiro. Vemos, por isto, com preocupação e desconfiança a atual campanha pela instauração da chamada CPI da PETROBRÁS, tendo como pretexto um possível erro no recolhimento de tributos por essa empresa. A própria lei faculta às empresas planejarem suas atividades de forma a pagarem menos impostos. É perfeitamente legal. Um simples erro, se comprovado, não justifica uma CPI. Ao longo de sua história, a PETROBRÁS nunca se envolveu em sonegação fiscal e tem sido, ano após ano, a maior recolhedora de tributos ao Erário Público. Não será agora que cometerá falcatruas, ainda mais sendo alvo permanente de intensa vigilância da mídia, da opinião pública e de seus obstinados adversários. Se a PETROBRÁS errou, estamos certos de que ela própria corrigirá seu erro, espontaneamente ou intimada pela Receita Federal. Quem age corretamente ou de boa-fé, sem dúvida, nada tem a temer de CPIs ou outras investigações. A questão, porém, é que as CPIs costumam ampliar em muito seus objetivos iniciais. Já se fala em investigar suposto indício de corrupção de parente de ministro na ANP. Nada a ver com questões contábeis na PETROBRÁS. O fato de que os principais defensores da CPI sejam os mesmos que se empenharam ativamente na derrubada da lei 2004 só contribui para aumentar nossas desconfianças quanto à seriedade da iniciativa, talvez mera jogada no xadrez político das eleições de 2010. O que todos os patriotas têm a fazer é cerrar fileiras em torno da defesa da camada de Pré-Sal por brasileiros e em benefício do país. Não é à toa que a IV Frota Naval norte-americana para a América Latina foi reativada depois da descoberta desta promissora riqueza em nossa plataforma continental. Lembramos a lição de Barbosa Lima Sobrinho, defendendo o patrimônio público nacional. Pensar o Brasil significa pensar grande, acima de injunções político-partidárias. Pensar no povo brasileiro é patriótico e indispensável. Maria Augusta Tibiriçá Miranda Presidente ====================================================================================================================== ----- Original Message ----- From: "Vanderley Caixe Filho" http://200.169.228.51/arquivosCartaMaior/FOTO/17/banner_11362.jpg maio/2009 A CPI da Petrobrax e a tucanalhada Os tucanos queriam privatizar a Petrobrás, como parte dos acordos assinados com o FMI, trocaram o nome da empresa - orgulho e patrimônio nacional - para Petrobrax, para tirar essa marca de "Brasil", negativa para eles, e torná-la uma "empresa global", a ser submetida a leilão no mercado internacional. Não conseguiram. Seu ímpeto entreguista durou menos de 24 horas diante do clamor nacional. Se deram conta que naquele momento tinham avaliado mal os sentimentos do povo brasileiro, que tinham ido longe demais no seu ardor privatizante e entreguista. Tiveram que recuar, mas nunca abandonaram seu projeto, tanto assim que venderam 1/3 das ações da Petrobras na Bolsa de Valores de Nova York, como primeiro passo para a privatização da empresa. Tinham colocado em prática o programa econômico mais antinacional, de maior abertura ao capital estrangeiro, que o Brasil conheceu, sob o mando de FHC e seus ministros econômicos - Pedro Malan e Jose Serra. Quebraram o país três vezes e correram pedir mais há empréstimos ao FMI, assinando com presteza as Cartas de Intenção, de submissão aos organismos financeiros internacionais. Na crise de 1999, subiram as taxas de juros a 49%, para tentar segurar o capital especulativo e impuseram uma recessão de que a economia só voltou a se recuperar no governo Lula. Entre as cláusulas secretas da Carta de intenções assinadas nesse momento, a imprensa revelou que constava a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Foram rejeitados pelo povo. Quando Lula, no sexto ano do seu governo, tem o apoio de 80% da população e a rejeição de apenas 5%, FHC tinha o apoio de apenas 18%, mesmo contanto com o apoio total da totalidade da grande mídia, essa mesma que rejeita a Lula. Viram, com frustração, a Petrobrás se transformar na maior empresa brasileira e em uma das maiores do mundo, conseguir a auto suficiência em petróleo para o Brasil, descobrir o pré-sal, entre tantas outras conquistas, afirmando seu caráter nacional e de identificação com a construção de um Brasil forte. Mas não se conformaram. Na calada da noite organizaram uma CPI sobre a Petrobrás. Enquanto o povo quer uma CPI sobre a Petrobrax. Tratam de impor os danos que consigam à maior empresa brasileira, tentam impedir que a exploração do pré-sal fique nas mãos do Estado brasileiro, querem afetar o valor das ações da empresa, obstaculizar seus planos de expansão e de crescimento. Porque lhes dói tudo que seja nacional, tudo que represente fortalecimento do Brasil como nação. São os corvos do século XXI, os novos lacerdistas, os novos udenistas, a direita branca e elitista, antinacional, antipopular, que sente asco pelo povo e pelo Brasil. FHC espumava de raiva ao ver que para tentar ter alguma chance de disputar o segundo turno com Lula, o candidato do seu partido rejeitou as privatizações do seu governo, comprometeu-se a não tocá-las pra frente, sabendo que se chocam frontalmemente com os sentimentos do povo brasileiro. Querem prejudicar a imagem da Petrobrás, a fortaleza da empresa de que se orgulham os brasileiros, que a querem cada vez mais forte e mais brasileira. Acenam para as grandes empresas estrangeiras de petróleo com a possibilidade de dar-lhes o controle do pré-sal, como presente de ouro, caso consigam retomar o governo no ano que vem, garantindo-se ao mesmo tempo polpudos financiamentos eleitorais. Não hesitam em sacrificar tudo o que seja nacional e popular, contanto que possam voltar ao governo e seguir dilapidando o patrimônio publico. São definitivamente uma tucanalhada, que precisa ser repudiada e rejeitada pelo povo brasileiro, para que não possam seguir tentando causar danos ao Brasil. Tirem suas patas entreguistas de cima da Petrobrás, do pré-sal e do Brasil, tucanalhada antinacional, antipopular e antidemocrática. O Brasil é maior que vocês, os rejeitou tantas vezes e vai rejeitá-los de novo. É Monteiro Lobato contra Carlos Lacerda, Getúlio contra Rockfeller, o povo brasileiro contra a tucanalhada de FHC. Que se instaure a CPI que o povo quer - a CPI da Petrobráx, onde estão as digitais dessa corja de odeia o povo e o Brasil. Postado por Emir Sader - 16.05.2009, às 07:13 =============================================================================================================== "O PSDB não gosta da Petrobras. Nem do Brasil" Em entrevista concedida ao Correio da Cidadania, em janeiro deste no, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, alertava para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público. Entre outras coisas, ele recorda que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Para Siqueira, o governo depende da participação popular para defender o nosso petróleo. Gabriel Brito e Valéria Nader - Correio da Cidadania Data: 16/05/2009 Maior e talvez mais emblemática empresa brasileira, a Petrobrás começa 2009 da mesma maneira que terminara 2008, isto é, no centro dos mais importantes, e acalorados, debates nacionais. Acusações de má gestão, empréstimos questionados, pesadíssimo jogo de influência nos corredores políticos em torno do marco regulatório petroleiro foram todos pontos respondidos por Fernando Siqueira, novo presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), em entrevista concedida ao Correio da Cidadania. Explicando serem de rotina os empréstimos tomados no final do ano passado, Siqueira alerta para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público, o que seria estratégico para os setores interessados na manutenção do atual marco regulatório do petróleo. No entanto, não referenda completamente a gestão da empresa, como, por exemplo, no que se refere à situação de alguns funcionários, especialmente terceirizados, que trabalham sob condições precárias (foram 15 mortes em 2008). Tal deterioração de sua infraestrutura, aliás, poderia não ser mera coincidência em meio às descobertas do pré-sal e à grande interrogação nacional sobre quem exercerá o controle dessa fortuna não renovável. Correio da Cidadania: No último mês de 2008, vieram a público informações a respeito de empréstimos que a Petrobrás vem tomando da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Os comentários acerca do tema são exageros e tais operações podem ser consideradas rotina de uma empresa de tal porte. Ou será que há sinais de que a estatal estaria passando por dificuldades em suas contas? Fernando Siqueira: A meu ver, todo este estardalhaço do noticiário faz parte de uma nova campanha de descrédito da Petrobrás perante a opinião pública, visando a desacreditá-la como capaz de desenvolver a produção do pré-sal, uma descoberta monumental, que tem reservas seis vezes maiores que as existentes até hoje. Já vimos esse filme... Em 1995, houve forte participação da mídia na defesa da quebra do Monopólio Estatal do Petróleo. Foi montada uma campanha sórdida na mídia contra as estatais em geral e a Petrobrás em especial. A Veja, por exemplo, na ocasião fez uma matéria de dez páginas atacando a empresa com informações absurdamente falaciosas e não respeitou o direito de resposta nem mesmo como matéria paga, desrespeitando o artigo 5º da Constituição. No caso presente, essas operações financeiras são feitas como de rotina, mas receberam um destaque na mídia muito maior do que, por exemplo, o caso da americana AES, que na privatização adquiriu a Eletropaulo com dinheiro do BNDES, remeteu lucro para o exterior e não pagou a dívida com o Banco. Portanto, é uma operação de rotina da Petrobrás usada como pretexto para uma nova campanha da grande mídia que faz o jogo dos seus anunciantes, ou seja, as corporações multinacionais. Outro fato: em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobrás no Conselho de Administração (CA) por seis conselheiros do setor privado, alguns representantes do sistema financeiro internacional, ficando o CA com nove membros externos. Este CA decidiu por uma economia forçada na empresa, cortando promoções e até despesas com papel higiênico. Objetivo: tentar mostrar ao povo que a empresa está com dificuldades financeiras e não pode conduzir o pré-sal. CC: A partir dos empréstimos, começou a se aventar que na verdade o problema da Petrobrás é administrativo, pois foram anos colhendo grandes lucros, com importantes negócios inclusive fora do país. Esse raciocínio pode ser considerado válido? FS: Eu não diria que a atual administração tem a competência ideal, pois além da permanência da maioria do segundo escalão do governo FHC, há alguns gerentes nomeados mais por militância do que por competência. Mas, ainda assim, ela consegue ser muito melhor do que as administrações de Reichstul e Francisco Gros. Durante a gestão Reichstul, a Petrobrás teve 62 acidentes sérios em dois anos, contra uma série histórica de menos de um acidente grave por ano de 1975 a 1998. Este fato, inclusive, nos levou a suspeitar de sabotagem para jogar a opinião pública contra a Petrobrás. E, a partir de nossas denúncias, os acidentes cessaram. O objetivo era desmoralizar a empresa para desnacionalizá-la. Reichstul chegou a mudar seu nome para Petrobrax com esse objetivo. Ele também desmontou a equipe de planejamento estratégico da Petrobrás, entregando-o à empresa americana Arthur De Little, presidida por seu amigo Paulo Absten. E esta fez um planejamento catastrófico. Definiu a ida para o exterior e a compra de ativos podres na Bolívia, Argentina e Equador como problemas. Ele dividiu a Petrobrás em 40 unidades de negócio para desnacionalizá-la, conforme preconizado pelo Credit Suisse First Boston. Francisco Gros, segundo sua biografia publicada em revista da Fundação Getulio Vargas, voltou ao Brasil como diretor do banco Morgan Stanley com a missão de assessorar as empresas americanas no processo de privatização brasileiro. Gros foi para a diretoria do BNDES (que comandou o processo) e acumulava a direção daquele banco com o Conselho de Administração da Petrobrás. Com a saída de Reichstul, ele assumiu a presidência da empresa e, em discurso em Houston (EUA), logo após a posse, declarou que a Petrobrás passaria de empresa estatal para empresa privada de capital internacional. Nós barramos esse seu intento. Mas outro grande estrago foi feito. CC: Quanto aos acidentes, o ano começou com o surgimento de outro tema preocupante: a morte de um funcionário, terceirizado, na Bacia de Campos. Desde 95, são 273 mortes, sendo 220 de pessoas ligadas a empresas prestadoras de serviços; em 2008, foram 15 os acidentes fatais. O que pode ser dito desses números e das condições de trabalho dos funcionários, especialmente daqueles que realizam as tarefas de maior margem de risco? FS: A terceirização é outro problema sério. Faz parte do plano de ataque à integridade da Petrobrás. Além disto, é uma exploração da mão-de-obra de pessoas que, em sua maioria, são usadas para dar lucro a gigolôs de mão-de-obra. Essas pessoas não têm a menor garantia, como encargos sociais, treinamento ou planos de saúde. De modo geral, são contratados via cooperativa ou são obrigados a criar uma empresa para que os encargos sociais e impostos sejam reduzidos. Lembro que quando o Credit Suisse First Boston coordenou a venda da YPF argentina para a Repsol, antes da privatização, a YPF passou de 37.000 para 7.000 empregados, contratando os demitidos como terceirizados. O mesmo banco entregou ao governo Collor um plano de privatização da Petrobrás. Consistia em vender as subsidiárias e dividir a holding em novas subsidiárias para privatização. Terceirizar era parte do plano. Collor começou o processo. Itamar Franco, nacionalista, o interrompeu, mas FHC o retomou, tendo elaborado projeto de lei que cria subsidiárias sem ouvir o Congresso e dividido a Petrobrás em 40 unidades de negócio para transformá-las em subsidiárias e privatizá-las. Começou com a Refap do Rio Grande do Sul e pretendia fazer o mesmo com as demais 39 unidades. Parou porque, junto com os dirigentes do Sindipetro-RS, ganhamos uma liminar que suspendeu o processo. CC: O desligamento do instituto Ethos, pedido pela Petrobrás no final do ano passado, acabou gerando muitas críticas à empresa, que por sua vez também saiu disparando contra os governos de São Paulo e Minas, acusando-os de conspirar contra a imagem da estatal. Ter adiado a adequação do combustível aos padrões ambientais exigidos não consiste em uma atitude negativa para a imagem da empresa? FS: Há informações da própria Petrobrás de que o Instituto Ethos fazia uma campanha insidiosa contra a empresa. Dizia, por exemplo, que a poluição da cidade de São Paulo era devida ao teor de enxofre no diesel, o que não procede. A poluição é formada por poeira, ozônio e outras partículas. Muito pouco tem a ver com enxofre. Diz a empresa: `O diretor da Petrobrás classificou de `desinformada e irreal` a crítica de que a empresa não teria se preparado para fornecer o diesel S-50`. Ele destacou os investimentos realizados nas refinarias, no total de US$ 4 bilhões, que permitirão à empresa produzir o diesel. Atualmente, o produto está sendo importado. O diretor ressaltou que somente o fornecimento de um diesel menos poluente não será suficiente para resolver os problemas de qualidade do ar das grandes cidades. Ele chamou atenção para a presença de veículos antigos na frota brasileira, além do tráfego elevado nas grandes cidades, como elementos que devem ser levados em conta. `Não basta só o combustível`, afirmou. Outra questão é que o Instituto alegava que a Petrobrás não cumpria a resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulava o teor de enxofre; segundo a empresa, não existe uma resolução do Conama que regule o índice de enxofre no diesel. `A Procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Ana Cristina Bandeira Lins, destacou a iniciativa da Petrobrás em cumprir o acordo com o MPF. Ela esclareceu que a resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente regulamentava as emissões nos veículos com tecnologia P-6, que não estarão disponíveis no mercado brasileiro`. Lembro que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Elaborou o projeto de lei e fez com que o Congresso aprovasse a famigerada lei do petróleo (a Lei 9478/97) que contraria a Constituição, dando a propriedade do petróleo a quem o produz. Além disto, fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10 e 40%, quando no mundo os países exportadores recebem a média de 84% de participação e os da OPEP, 90%. O governo do PSDB vendeu a Vale do Rio Doce por valor menor do que um milésimo do valor dos ativos e direitos minerários que ela detinha. Ou seja, o PSDB não gosta da Petrobrás. Nem do Brasil. CC: Quais são as projeções de investimento para 2009, em meio à queda do preço do petróleo e às expectativas quanto ao pré-sal? FS: Segundo o presidente Gabrielli, em entrevista ao portal G1, de 22/12/2008, os investimentos de 2009 crescerão de R$ 50 bilhões para R$ 72 bilhões. Entretanto, o planejamento estratégico da empresa, que inclui o pré-sal, ainda não foi fechado, tendo sido adiado para o final de janeiro. A queda atual do petróleo é temporária. O viés é de alta, em face de estarmos atingindo o pico de produção mundial. Acho até que a atual crise mundial foi triplamente oportuna para os EUA: 1) o dólar estava despencando mundialmente, pois todos os países descobriram que, após a decisão unilateral de Nixon em 71, desobrigando o lastro-ouro para cada dólar emitido, havia US$ 3 trilhões emitidos; e foram emitidos mais 45 trilhões após 71, sem qualquer garantia. A débâcle do dólar quebraria o país (os emitentes de dólar são o Banco Central americano - o FED - e suas 12 filiais ? todas privadas). A crise levou os investidores para os títulos do tesouro americano, ressuscitando o dólar; 2) Os EUA importam cerca de 5 bilhões de barris de petróleo por ano. A crise derrubou o preço do barril dando um enorme alívio à sua economia; 3) Os EUA estão montando um esquema de pressão e lobby para obter o pré-sal, tendo até reativado a 4ª frota. Com a queda brutal dos preços esse trabalho fica mais fácil, porque os brasileiros passam a achar o pré-sal inviável e reduzem o interesse e a mobilização em defesa dessa imensa riqueza, cada vez mais estratégica e mais escassa. CC: Um assunto que parece ainda inevitável para este ano é o que se refere ao atual marco regulatório do petróleo. Será necessária a mobilização popular contra o lobby em favor dos estrangeiros ou o governo poderá dar conta de realizar as alterações desejadas pelos setores mais nacionalistas e prometidas pelo próprio Lula sem essa mobilização? FS: O governo precisa muito da participação popular na defesa do nosso petróleo. Ele vem sofrendo pressões terríveis contra a mudança do marco regulatório, altamente pernicioso para o país. Há duas fontes poderosíssimas comandando esse lobby: 1) Os Estados Unidos, que consomem cerca de 10 bilhões de barris por ano e só têm 29 bilhões de reservas. O pré-sal representa para eles cerca de 9 anos de consumo; 2) O cartel internacional do petróleo, formado pelas sete irmãs, e que domina o setor há 150 anos com todo tipo de ações pouco recomendáveis, como suborno, deposição e assassinato. Agora esse cartel está vendo ameaçada sua sobrevivência pelo fato de suas reservas minguarem para apenas 3% das reservas mundiais, contra 65% em poder das 8 `irmãs` estatais: Saudi Aramco (Arábia Saudita), INOC (Irã), Petrochina, Petronas (Malásia), Gazprom (Rússia ? renacionalizada), Petrobrás, PDVSA (Venezuela) e Pemex (México). O Financial Times publicou matéria que prevê menos de 5 anos de vida ao cartel se a situação de suas reservas permanecer assim. Eles não vão aceitar esta morte facilmente. Há, portanto, um lobby pesado pela manutenção do marco regulatório, que favorece muito os EUA e o cartel das irmãs. Ocorreram quatro audiências públicas e seminários no Senado Federal em 2008. Cada um com cerca de cinco mesas. Cada mesa com pelo menos dois lobistas. Estavam lá nomes como: João Carlos de Luca, presidente da Repsol (empresa espanhola adquirida pelo banco Santander - braço do Scotland National Bank Corporation, de capital Anglo-Saxão); David Zilberstajn - ex-diretor da ANP, que iniciou os leilões dotando os blocos de áreas 220 vezes maiores que os blocos licitados no Golfo do México; Eloi Fernandes, idem a Zilberstajn; Adriano Pires, lobista do Instituto Liberal, criado pela Shell para ajudar a derrubar o monopólio do petróleo; Jean Paul Prates, idem a Adriano. E muitos outros. Nós enviamos uma carta ao Senado reclamando nossa participação como contraditório. Numa das audiências nos concederam cinco minutos para falar. O lobby é poderoso. Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania. Publicado originalmente: (Correio da Cidadania - 20-Jan-2009) http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15988&boletim_id=554&componente_id=9542 ==================================================================================================================================== O Petróleo tem quer ser nosso! Por uma nova lei do petróleo, retomada do monopólio e em defesa da Petrobrás pública e com compromisso social. Concentração: quinta-feira, 21/5, às 9h, na Candelária. A descoberta do petróleo na camada do pré-sal pode mudar a nossa história, abrindo uma oportunidade para resolver os problemas do povo, com a utilização desses recursos em educação, saúde, trabalho, moradia e reforma agrária. O controle do nosso petróleo depende antes de tudo da luta do povo brasileiro contra os interesses poderosos, das grandes empresas e do imperialismo dos Estados Unidos. Nós, centrais sindicais, movimentos populares, entidades estudantis e demais organizações da sociedade civil, estamos fazendo a campanha O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! em defesa de um recurso natural estratégico, que deve ficar sob controle público e sua renda deve ser revertida em investimentos sociais. Vamos fazer um grande mutirão nacional para debater a necessidade de controlarmos o nosso petróleo e gás para melhorar a vida do povo brasileiro. Estamos coletando assinaturas para abaixo-assinado de iniciativa popular de projeto de lei para o Congresso, que pretende ?assegurar a consolidação do monopólio estatal do petróleo, a reestatização da Petrobrás, o fim das concessões brasileiras de petróleo e gás, garantindo a destinação social dos recursos gerados?. As assinaturas serão encaminhadas também ao presidente da República. Temos propostas para mudanças nesse setor: - Mudança na Lei do Petróleo, restabelecendo o monopólio estatal e fim dos leilões. - Fim da exportação do petróleo cru e investimento na indústria. - Fazer a mensuração do tamanho da riqueza do pré-sal com a conclusão do processo exploratório. Precisamos ter um inventário de onde está, qual a quantidade e quem ?ganhou? nos leilões. - Fundo Social Soberano de Investimento, voltado para as necessidades do povo brasileiro. - As populações impactadas devem ser respeitadas, defesa da produção nacional e internacio­nal solidária e integradora. - Redução do uso do petróleo e avançar nas pesquisas de nova matriz energética, limpa e renovável. - Que a exploração, produção e transporte sejam realizados pela Petrobrás 100% Estatal. - Apoio às campanhas contra privatizações e contra a criminalização dos movimentos sociais. Tivemos um grande retrocesso nos últimos 10 anos na área do petróleo. As políticas neoliberais dos tucanos/demos, durante do governo FHC, comprometeram a soberania nacional e entregaram o petróleo a empresas privadas. Tentaram também entregar a Petrobrás para o capital financeiro internacional, mas não conseguiram integralmente. De forma irresponsável e oportunista, a direita tenta mais uma vez atacar a Petrobrás para atender seus interesses políticos e econômicos, beneficiando a classe dominante brasileira, grandes empresas estrangeiras e o Imperialismo. O petróleo tem que ser nosso! Contra a privatização da Petrobrás! Em defesa de uma Petrobrás 100% pública, transparente e democrática! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090520/30b54336/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 21 19:12:32 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 21 May 2009 19:12:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Di=E1rio_de_Fernando_=22Nos_c?= =?windows-1252?q?=E1rceres_da_ditadura_militar_brasileira=22_-_Fre?= =?windows-1252?q?i_Betto______________________/_Lan=E7amentos_em_B?= =?windows-1252?q?elo_Horizonte_em_17_de_junho_e__S=E3o_Paulo_em_18?= =?windows-1252?q?_de_junho?= Message-ID: <04c401c9da61$3ce12240$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Diário de Fernando Nos cárceres da ditadura militar brasileira Frei Betto Eis um documento histórico, inédito, que esperou 36 anos para vir a público: trata-se do diário de prisão do frade dominicano Fernando de Brito, prisioneiro da ditadura militar brasileira, ao longo dos quatro anos (1969-1973) em que foi submetido a torturas e removido para diferentes cadeias. Fernando, em companhia de outros frades dominicanos, vivenciou algo inusitado em se tratando de presos políticos do Brasil: foi obrigado a conviver, durante quase dois anos, com presos comuns, em penitenciárias de São Paulo. Assim como o ?Diário de Anne Frank? nos revela a natureza cruel do nazismo, Diário de Fernando retrata o verdadeiro caráter do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Não se conhece similar entre as obras publicadas sobre o período. Em papel de seda, em letras microscópicas, e sob risco de punição, Fernando anotava, dia a dia, o que via e vivia. Em seguida, desmontava uma caneta Bic opaca, cortava ao meio o canudinho da carga, ajustava ali o diário minuciosamente enrolado e remontava-a. No dia de visita, trocava a caneta portadora do diário com outra idêntica, levada por um dos frades do convento. O medo de ser flagrado pelos carcereiros e o risco permanente de revistas, fizeram com que Fernando muitas vezes se visse obrigado a destruir as memórias registradas em papel. No entanto, o que vivenciou jamais se esvaneceu, e ultrapassou os muros das prisões. Frei Betto, seu companheiro de cárcere, resgatou as anotações, deu-lhes tratamento literário e as reuniu neste livro que se constitui num documento de inestimável valor histórico. Nos episódios relatados, a trajetória dos frades se mescla à de personagens que são, hoje, figura de destaque na história brasileira, como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Caio Prado Jr., Apolônio de Carvalho, Paulo Vannuchi, Franklin Martins e Dilma Rousseff, para citar apenas alguns. Para quem se interessa em conhecer a verdadeira face do regime militar e o Brasil dos ?anos de chumbo?, Diário de Fernando é um testemunho vivo, comovente, de uma de suas vítimas. Não se trata de investigação jornalística, nem resulta da pesquisa de historiador, mas sim de um sincero, emocionante e visceral relato de quem teve a ousadia de registrar, dia a dia, as entranhas de um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil. Está tudo ali: as torturas, os desaparecimentos, o sequestro de diplomatas, as guerrilhas urbana e rural, a greve de fome de quase 40 dias, e também a convivência dos prisioneiros marcada por momentos de inusitada beleza: as festas de Natal, as noites de cantoria, a solidariedade inquebrantável entre eles. Diário de Fernando traduz a saga de uma geração que não se dobrou à ditadura e a qual o Brasil deve, hoje, a sua redemocratização. Eis uma obra que enaltece a dignidade humana, a capacidade de resistência frente à opressão e a vivencia da fé cristã como nas antigas catacumbas do Império Romano. Lançamentos: Em Belo Horizonte: 17 de junho, quarta, no auditório da CEMIG ? Av. Barbacena 1.200. A partir de 19h30. Em São Paulo: 18 de junho, quinta, no SESC Vila Mariana ? Rua Pelotas, 141. A partir de 19h30. O autor: Frei Betto é considerado uma das vozes mais ativas na luta pela justiça social na América Latina. Escritor consagrado, vencedor de dois prêmios Jabuti, tem mais de 50 livros publicados no Brasil e no exterior, que refletem sua trajetória como militante político e talentoso ficcionista. Este é o quinto livro do autor publicado pela Rocco, que também editou Batismo de sangue, A mosca azul, Calendário do poder e A arte de semear estrelas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090521/19703702/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2529 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090521/19703702/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 21 19:12:46 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 21 May 2009 19:12:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ditadura_Militar_no_Brasil__-__di?= =?iso-8859-1?q?a_22_de_maio_de_2009__=E0s_19=2C00__-_Audit=F3rio_d?= =?iso-8859-1?q?o_Instituto_Sedes_Sapientiae_-_rua_Ministro_Godoy_1?= =?iso-8859-1?q?484_-_bairro_Perdizes_-_SP?= Message-ID: <04ca01c9da61$45918f60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Carlos Lichtsztejn -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090521/2d087bea/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 77412 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090521/2d087bea/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 22 20:03:44 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 22 May 2009 20:03:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Curso_Am=E9rica_Latina_hoje?= Message-ID: <009601c9db31$8e7a4cf0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Carlos Lichtsztejn Curso América Latina Hoje PROGRAMAÇÃO: As lutas e o pensamento crítico na América Latina: o olhar do Cone Sul 4 de junho (quinta-feira) às 19h Cláudia Korol (Argentina) As lutas e o pensamento crítico na América Latina: o olhar da América Central 9 de junho (terça-feira) às 19h Santiago Flores Alfaro (El Salvador) 50 anos da Revolução Cubana 17 de junho (quarta-feira) às 19h Felipe Jesus de Perez Cruz (Cuba) O pensamento revolucionário na América Latina 24 de junho (quarta-feira) às 19h Fernando Martinez Heredia (Cuba) Reflexões sobre os processos latino-americanos contemporâneos 02 de julho (quinta-feira) às 19h João Pedro Stedile (Brasil) Marcelo Buzetto (Brasil) HORÁRIO: 19:00 às 22:00. LOCAL: Auditório do Instituto Sedes Sapientiae R. Ministro Godoy, 1484 - (próximo a PUC-SP e Av. Sumaré) INSCRIÇÕES: 18 de maio a 1º de junho Vagas limitadas. VALOR: R$ 200,00 (poderá ser pago em 2x via depósito, ou em 4x em Cheque ou Cartão de Crédito Mastercard ou Visa). · Cada inscrito receberá uma assinatura ou renovação anual do Jornal Brasil de Fato gratuitamente. Descontos especiais para inscritos em cursos anteriores CONTATOS: ? Correio eletrônico: cursosbrasildefato at gmail.com ? Blog: http://cursosbrasildefato.blogspot.com ? Telefone: (11) 3104-6746 · CERTIFICADO: 20 horas de atividade para os participantes. PROMOÇÃO: ENFF ? Escola Nacional Florestan Fernandes CEPIS ? Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae Departamento de Jornalismo da PUC-SP Apoio: Brasil de Fato Expressão Popular -- Cursos do Jornal Brasil de Fato blog: http://cursosbrasildefato.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090522/1023df26/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 23 15:25:34 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 23 May 2009 15:25:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Com Fernanda Montenegro Message-ID: <01c001c9dbd3$e0038800$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: MArco Antonio da Silva maio de 2009 - 02h31 Entrevista com Fernanda Montenegro LUCAS NEVES da Folha de S.Paulo "O ator é o demônio que dá passagem a outra entidade esquizofrênica dentro dele", costuma dizer Fernanda Montenegro, 79, aos jovens intérpretes que lhe perguntam como se constrói um personagem. Quem a vê em cena, no monólogo "Viver sem Tempos Mortos", na pele da porta-voz do feminismo, Simone de Beauvoir (1908-1986), e depois conversa com ela "à paisana" sobre a peça que estreia em São Paulo nesta quinta entende perfeitamente a descrição. Sob o sol forte da tarde de outono, há em Fernanda um rastro palpável da filósofa francesa. Leia texto sobre a participação da atriz no cinema e na TV Luiz Fernando Ramos comenta as principais peças da atriz A ternura com que, no palco, Beauvoir recorda os primeiros encontros com o futuro companheiro Jean-Paul Sartre é análoga à de Fernanda ao falar, num sorriso saudoso, do começo do casamento com Fernando Torres, morto em 2008. Daryan Dornelles/Folha Imagem Fernanda Montenegro estreia o monólogo "Viver sem Tempos Mortos" em SP "Numa pensão na rua Rui Barbosa [em São Paulo], em 54, comendo bife estorricado com folha de alface e vinagre, a gente sonhava com uma companhia de teatro", lembra a atriz. As percepções da maturidade também são espelhadas. Em cena, Beauvoir se surpreende com a impressão de não ter envelhecido, embora se sinta "instalada na velhice". Com maquiagem sóbria, Fernanda observa que "seria mentiroso dizer que me sinto melhor do que quando tinha 20 anos", mas "os anos dão uma consciência que não tem preço". Na entrevista a seguir, ela defende a atualidade do discurso de Beauvoir. Na política, acha que o Brasil está pronto para ter uma mulher na Presidência --sem endossar a candidatura de Dilma Rousseff. E afirma que se faz hoje no país apenas o "teatro possível", por conta das dificuldades de financiamento. Veja a íntegra. * Folha - Oito anos separam sua última peça, "Alta Sociedade" (2001), de "Viver sem Tempos Mortos". A que se deve esse longo hiato? Fernanda Montenegro - Há dez anos, "Central do Brasil" estourou. Não tinha como ficar pensando em projeto. Depois, seguiram-se quatro filmes. Mas nunca deixei de vê-los como trabalhos teatrais, com origem no que vivi em cena. E também passei a gostar de cinema. Mas ainda não sei fazer. Folha - Como o projeto de montar, com o ator Sergio Britto, uma peça sobre Anton Tchecov (1860-1904) se transformou em um monólogo sobre Simone de Beauvoir? Fernanda - Fomos pelos caminhos mais malucos. Queríamos primeiro fazer um texto sobre as cartas do Tchecov para a [atriz] Olga Knipper [mulher do autor]. Soubemos que havia dois textos, ambos na mão de alguém. Aí o Sergio se lembrou do Sartre e da Simone, porque tinha saído o livro "Tête-à-Tête" [biografia do casal]. E são duas personalidades ligadas à nossa memória mais jovem. Comecei a organizar esse material, e o tempo correu: Sergio estreou com sucesso "A Última Gravação de Krapp/Ato sem Palavras 1", de Beckett. De repente, nos separamos. Fiquei com a Simone, ele com o Beckett. Folha - Em que momento entrou o diretor Felipe Hirsch? Fernanda - Tenho um papo com ele de dez anos para fazermos algo juntos. Já passamos pela Hannah Arendt, pela Clarice Lispector. Achei que era o momento de chamá-lo para me conduzir. Trouxe sua gloriosa equipe [Daniela Thomas na cenografia e Beto Bruel na iluminação]. O problema maior era se ele via possibilidade naquele texto, porque era uma compilação de uma compilação, sem nenhuma ambição de esgotar o assunto ou academizar o processo. Era um pequeno trabalho de uma loja da esquina. Quando ele disse que o texto daria não um espetáculo, mas uma encenação sensibilizada --que era por onde eu tinha ido quando "compilei a compilação"--, vi que estávamos harmonizados. Aí veio o processo de achar a encenação. Pusemos mesas, máquinas, cigarro, uísque, remédio... Esperei a intuição do Felipe. E ele foi dizendo: "Olha, acho que isso está sobrando...". Um dia, ele chegou: "Vou radicalizar, vou tirar tudo". [A montagem] É mais uma voz, um roçar, um arranhar a vida intensa e inesgotável que foi a dessa mulher. Folha - Muito se fala hoje em pós-feminismo, em conquistas femininas consolidadas, espaços sociais e profissionais ganhos. O discurso de Beauvoir sobre a igualdade entre os sexos não parece anacrônico? Fernanda - Acho que não, porque o discurso da liberdade e do autoconhecimento nunca será algo fora de cogitação. Esse conceito de liberdade, que é complexo --até onde você se aprisiona na sua consciência ou na sua neurose?--, traz um mistério que uma teoria radicalizada muitas vezes não quer ver. Folha - Em Beauvoir, por trás do discurso emancipacionista e da defesa do amor livre, parece haver traços de romantismo. Digo isso porque, em "Viver sem Tempos Mortos", a personagem comenta a relação com Jean-Paul Sartre desta maneira: "Nossa vida não tinha sentido para além do nosso amor". Fernanda - Mas será que é romântico? Ela diz uma coisa que eles cumpriram: o amor estava acima das vidas, e nada modificaria isso, nem uma possível separação, nem futuras paixões, nem a guerra. Portanto, não acho que seja uma visão romântica. A não ser que, toda vez que se fale de amor, a gente vá lá e o derrube com esse rótulo. Ela estava falando de um amor acima de futura separação, de futuras paixões e mesmo de uma guerra. E isso eles cumpriram, mesmo sem mais nenhum interesse sexual. Acima da relação sexual. Só se for uma visão romântica à la Schiller, Goethe, lá nos primórdios da conceituaçao do romantismo. Folha - Beauvoir defende que a mulher seja entendida segundo parâmetros próprios, e não masculinos. Num país como o Brasil, em que ainda resiste o machismo, é possível pensar em uma mulher presidente? Fernanda - Ah, completamente. Não que eu esteja endossando ou não a [candidatura da ministra da Casa Civil] Dilma [Rousseff]. É interessante não quando a mulher vem para o poder no velho esquema, de substituir o homem no seu temperamento de agir. A gente está esperando que as mulheres que chegarem ao poder tenham pelo menos o sentimento do feminino à frente de qualquer outra coisa, e não que sejam imitações acentuadas, mais contundentes do homem. Folha - E qual seria essa marca do feminino no poder? Fernanda - É um sentimento. Tem algo na mulher que é o seu olhar para as entranhas. O homem é um pau levantado para o horizonte. A mulher, não. Ela é incubada, obrigada a entrar em contato com o interior do seu sexo todo mês, tem esse ventre. Isso não quer dizer que vá ser mole, que a delicadeza não possa ser absolutamente poderosa. Folha - O compêndio sobre Beauvoir e Sartre feito pela sra. recebeu algum verniz dramatúrgico antes de ir à cena? Fernanda - Não. Tenho uma longa experiência de lidar com textos de alta dramaturgia. Fiz por dez anos um teleteatro em que todos do grupo cortavam, dinamizavam os roteiros. No rádio, redigi um programa literário, adaptando contos, romances, crônicas. Mas, talvez por uma fidelidade ao palco, nunca quis me dispersar em algo que não fosse a interpretação mesma. O único momento em que saio disso é nas oficinas de leitura dramática [que conduz em várias partes do país]. Penso em um dia talvez dirigir alguma coisa com qualidade literária. Mas não tenho ambições de montagem, por exemplo. Sempre acho que, em teatro, menos é mais. O excesso, o ruído cenográfico só perturba. Folha - A sra. acompanha o trabalho de novos autores? Fernanda - Na medida do possível, porque o Brasil todo produz teatro, o país todo tem grupos, alguns de excelente qualidade, como o Galpão (MG), o Piollin (PB), o Ponto de Partida (MG). Sei da voltagem teatral que o Brasil tem, sem nenhuma demagogia. É interessante que já houve época em que [os grupos] tentavam vir mais para o eixo Rio-São Paulo. Hoje, querem ficar nas suas cidades e de lá se projetarem por meio dos festivais. Folha - O que mudou no ofício de ator desde que a sra. começou no radioteatro (em meados dos anos 40)? Fernanda - Sou do tempo do ensaiador português, cujo primeiro conselho é: o ator tem de começar aprendendo a ouvir o ponto [o auxiliar de cena que, escondido do público, lembra aos atores suas falas]. A fase áurea foi a chegada à América do Sul de encenadores europeus que tinham boa formação acadêmica, como Zbigniew Ziembinski, Eugenio Kusnet, Gianni Ratto e Maurice Vaneau. Eles nos transmitiam uma logística de como se aproximar de um texto dramático. Todos tiveram assistentes brasileiros, como o Antunes Filho. Formaram uma frente de encenadores com capacidade de ir a uma outra geração além deles. Nos ensinaram a ler textos do ponto de vista social, existencial. Somos essa geração que tem por volta de 80 anos. Os encenadores que foram assistentes estão passando adiante o que eles trouxeram. É claro que, a partir de uma hora, com a contracultura e o domínio de uma segunda geração, aquela disciplina de corpo de balé, de companhias ensaiando 12 horas por dia, repetindo até morrer foi perdendo força. Havia grupos falando de si mesmos, uma criatividade mais comunal, um jogo menos acadêmico. E aí começou a haver uma mescla de experiências. Hoje, por causa do processo econômico do teatro, temos o teatro que se pode fazer. Alguns grupos corajosamente são grandes, mas vão buscar seus recursos de sobrevivência em outros trabalhos, pois ali é apenas o prazer do jogo teatral. Para se concretizar o processo de presença artística, vamos para os monólogos. Não se faz isso porque a gente queira estar sozinho em cena. Faz-se isso porque esse é o teatro possível. Folha - Os atores Rodrigo Santoro e Alice Braga estão em ascensão em Hollywood, cenário em que a sra. transitou na esteira do sucesso de "Central do Brasil". Que caminho eles devem buscar ali? Fernanda - São dois atores com muito bom senso. Somos sul-americanos contaminados pela visão mexicana que o americano tem de toda a América Latina. Lá fora, não saímos disso. É importante ter essa consciência. Inventaram a raça latina: agora tem branco, amarelo, negro e latino. É isso que nos cabe ali. O que puderem aproveitar desse espaço, ótimo. São jovens talentosos já com excelentes resultados em seus papeis, maiores ou menores. Mas há um destino cravado, que é a latinidade. Não adianta se iludir. Folha - A sra. recebeu vários convites para papéis desse tipo, não foi? Fernanda - Sim. Salvadorenhas, chilenas, madrilenas, até uma iraniana. Onde é que isso vai me levar? Não tenho mais 20 anos para ter ilusão hollywoodiana. E Hollywood já não é o espaço mítico que foi nos anos 30 e 40. Folha - Com que diretores estrangeiros gostaria de trabalhar? Fernanda - Nos EUA, queria ter trabalhado com o [Robert] Altman e o [Stanley] Kubrick. Na Europa, com [Ingmar] Bergman, um monstro que mexia com os atores de forma absoluta, os levava a instantes de dimensão interpretativa inalcançável. Sobrou só Pedro Almodóvar, um criador imenso. Folha - E brasileiros? Fernanda - Beto Brant. Os filmes dele têm nervo, inteligência, clareza. Folha - No cinema brasileiro, o ano tem sido marcado pelas ótimas bilheterias de comédias rasgadas, como "Se eu Fosse Você 2" e "Divã". Como vê o sucesso desse gênero? Fernanda - Acho fundamental. Precisamos ter uma diversificação de programação no nosso cinema. Eles [os filmes] podem ser crucificados por uma crítica mais purista, mas qualquer cinema do mundo se fez mesclando gêneros, propostas, genialidades e banalidades. É a história do cinema americano, francês, italiano. Não há uma indústria cinematográfica feita só de criadores exponenciais. Folha - A sra. disse certa vez que o salário da televisão lhe havia permitido voos cegos no teatro. Foi possível em algum momento fazer esses voos cegos na própria TV? Fernanda - Arriscamos na novela "Guerra dos Sexos" (1983). Achavam que aquele humor daria só para um mês, que era preciso haver uma história melodramática, séria para servir de porto seguro quando a graça afundasse. E foi o que não funcionou durante seis meses, ou funcionou só como espaço de passagem: "Vamos dar uma passadinha ali e vamos já cair na farsa". E com o Luiz Fernando Carvalho [com quem trabalhou em "Renascer" e "Hoje É Dia de Maria"], é sempre um salutar voo cego, altamente produtivo e comovente. Folha - O que pensa das telenovelas de hoje? Há quem veja um esgotamento do gênero. Fernanda - Acompanho, na medida do possível, "Caminho das Índias". É tão kitsch que vejo. É um pulo no abismo, sem rede. Vejo que os atores começaram estranhando as roupas, os cenários. Mas, meses depois, já não têm mais problema, aceitaram um tipo de jogo. Estão plenos. Vejo o trabalho do Tony Ramos, por exemplo, que, como um danado de um ator que é, está pleno. E os moços estão lá, dando conta e aprendendo o seu ofício. Nas outras novelas, às vezes, eu acho que tem um pouco de clipe demais. Mas vejo que uma pessoa como o João Emanuel Carneiro [roteirista de "A Favorita"] tem tutano, coragem. Daryan Dornelles/Folha Imagem "Acompanho, na medida do possível, 'Caminho das Índias', diz Fernanda Montenegro sobre novela Folha - Por que, nos últimos 20 anos, os produtores culturais brasileiros passaram a depender tanto de patrocínios e leis de renúncia fiscal? Fernanda - No início, era possível ir ao banco, contrair uma dívida --fosse um espetáculo contestador ou de consumo--, e a bilheteria era nosso aval. Assim se viveu por 30 anos. Veio a mudança da capital, uma grande inflação, a impossibilidade de se manter elencos fixos por ano. Houve renúncias. É impressionante como não se estuda isso no Brasil: o que todo esse movimento que vem desde a morte de Getúlio até agora --esse mundo político inseguro, com jogadas de sobrevivência ideológica, censura e perseguições-- custou para a cultura brasileira, principalmente as artes cênicas. Porque você pode tocar sua clarineta que está tudo bem, pode dar 10 mil passos de balé que tudo bem. Agora vá para a cena e fale um texto que o militar lá acha que é contra o regime. Falou o que não tinha de ser falado, está cassado. Diante de um Brasil que se industrializou, essas companhias com agrupamentos à la século 19, de 20, 30 pessoas em torno de um espetáculo foram sobrevivendo amadoristicamente. Ou então se fazia o teatro de produções certas, por um período curto, que é o modelo que vigora até hoje. Isso foi industrializando o produto teatral. Isso e a censura nos levou para o atendimento cultural governamental. A primeira Lei Sarney [de 1986, que implantava o sistema de renúncia fiscal no patrocínio à cultura] precisava de apenas algumas tarrachas. Mas aí resolveram acabar com a lei e fizeram uma outra, a Rouanet [1991]. E essa era tão fiscalizante que não funcionava. E veio o Collor, que acabou com todo o processo cultural do país. Tudo cada vez mais indo para o colo do governo. Hoje, estamos, talvez envergonhadamente, estatizados. Alegam que os que têm nome vão e recebem os patrocínios. A maior parte das empresas que você visita diz que não têm lucro. Não se sabe direito os critérios das comissões que selecionam projetos. Acho justíssimo que se faça prestação de contas de uma agulha, uma caixa de fósforos. Só gostaria que todos os ministérios tivessem o grau de exigência que o Ministério da Cultura tem com o ato cultural brasileiro, quando este passa por uma lei do governo. Que todos tivessem o mesmo pente fino, a mesma acuidade com o dinheiro público que o MinC exige de quem leva dinheiro público. Folha - Não é verdade que os nomes consagrados recebem mais patrocínios? Fernanda - Não necessariamente. Porque as verbas são entregues ao diretor do setor de marketing. Tanto o consagrado quanto o alternativo recebem um "não". Para dividir e poder reinar, criou-se a expectativa de que o consagrado chega e abre todas as portas. Isso não é verdade. Falo por experiência própria. Folha - Os artistas consagrados levam tantos "nãos" quanto os grupos de pesquisa? Fernanda - O diretor do grupo experimental não vai ser alugado como o nome dito consagrado, que tem de dar autógrafo para todo o sistema de atendimento daquele andar [da gerência de marketing da empresa], para o presidente da organização, para a mãe, a mulher. Folha - E como vê o debate atual sobre a reforma da Lei Rouanet? Fernanda - É uma reforma que não precisa existir. A lei tem de ter um apuro, ajuste. O Fundo Nacional de Cultura é fundamental, assim como é deixar uma brecha para quem queira atender por fora dele [por renúncia fiscal]. Por que confinar todos num só guichê? É preciso ter mais portas, porque, se todos vão ao fundo, aí é estatizar, por mais que se queira defender o não-dirigismo. Aí toda a cultura brasileira será entregue a uma comissão. Quem são essas pessoas? Que cabeça elas terão no tempo? Você está confinado a uma chancela que pode ter apenas uma visão ideológica, apenas uma visão estética, apenas uma visão existencial. É poder demais. O que se pode fazer para evitar abusos é botar lá um parágrafo dizendo que não pode trazer estrangeiros patrocinados por leis de incentivo à cultura. São esses apuros que já deveriam ter sido feitos desde a Lei Sarney. Folha - Os epítetos que lhe foram dados pela mídia, como grande dama do teatro brasileiro, alguma vez interferiram na sua decisão de fazer algum projeto? Já hesitou diante de um convite por medo de comprometer sua reputação, imagem? Fernanda - Em primeiro lugar, não fui eu que criei isso. Não tenho nada a ver com isso. Nasceu de fora para dentro. Não tenho nada com essa fantasia. Tenho uma vida de trabalho, ofício. O que possa ter da chamada "boa imagem" [aspas da atriz] não é para ser uma imagem, é resultado de uma consciência. Não sei por que só fazem isso com as atrizes. Há um certo debique quando falam em "grande dama". Isso pode corresponder a uma saudação até honesta, mas também a um certo humor, sarcasmo. Não tenho uma imagem que criei para me defender de algo que eu não sou. Ninguém me faz propostas que me agridam, que seja obrigada a recusar para guardar uma imagem. Folha - No fim de "Viver sem Tempos Mortos", a personagem de Simone de Beauvoir diz: "Meu passado é a referência que me projeta e que devo ultrapassar". Com que projetos a sra. pretende ultrapassar o que fez até aqui? Fernanda - Olha, se disser a você que não tenho projeto nenhum... É que já vivi mais do que possa viver. Quando você tem muito a viver, naturalmente tem projetos. Mas chega uma hora em que o meu projeto primeiro é estar inteira. Para o futuro, tenho uma novela do Silvio de Abreu, um convite do Teatro do Porto (Portugal) para atuar em "A Amante Inglesa", de Marguerite Duras. E o sonho de 50 anos de fazer alguma coisa da Clarice Lispector. Mas sempre tem tantas Clarices sendo feitas que deixo para daqui a pouco. Mas não tenho mais tempo de experimentar o que experimentei, de passar por mais 50 personagens. Então não é uma visão festiva. Folha - Isso lhe traz angústia? Fernanda - Seria idiota se dissesse que não. Seria mentiroso dizer que me sinto melhor do que quando tinha 20 anos. Isso não existe. Os anos dão uma consciência que não tem preço, ou que tem o preço da sua juventude. Mas não sei se trocaria a minha vivência de 80 anos pelo tempo não vivido quando a gente tem 20. Nessa idade, a gente nem se vê vivendo. Especial a.. Veja o que já foi publicado sobre Fernanda Montenegro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090523/5a6d21c7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10365 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090523/5a6d21c7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 23 15:25:48 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 23 May 2009 15:25:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Agora=2C_os_mesmos_tucanos_que_?= =?windows-1252?q?foram_respons=E1veis_pelas_entregas_da_Embraer=2C?= =?windows-1252?q?_da_Vale=2C_da_Petrobras=2E=2E=2E_nova_ofensiva_d?= =?windows-1252?q?a_direita?= Message-ID: <01c501c9dbd3$e5823d30$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. CPI da Petrobras, nova ofensiva da direita por cristiano última modificação 22/05/2009 14:09 Colaboradores: Editorial ed.325 Agora, os mesmos tucanos que foram responsáveis pelas entregas da Embraer, da Vale, da Petrobras... nova ofensiva da direita Editorial ? Brasil de Fato - edição 325 - de 21 a 27 de maio de 2009 NOS ÚLTIMOS DIAS, a sociedade brasileira foi surpreendida por uma enxurrada de notícias dando conta de que a direita estava se articulando no Congresso para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras. Todo mundo ficou estupefato, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, e os senadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Afinal, por obra e graça do presidente do Senado, José Sarney, o requerimento foi lido e a comissão, instalada. Aquele mesmo Sarney que prometera fidelidade total ao governo, em troca da presidência do Senado e da recondução de sua filha ao governo do Maranhão, através de um golpe sujo articulado no servil Judiciário. Mas lá está a filhinha governando e mantendo o poder da oligarquia nos últimos 40 anos. Afinal, há algum fato novo relacionado com a Petrobras? Não. Há alguma denúncia de corrupção grave? Não. Então por que expor a empresa ao vexame de uma CPI, que tudo pode? Caberia sim uma CPI da Petrobras lá nos idos do governo de FHC para investigar quem articulou a quebra do monopólio do petróleo, que entregou nossas reservas para exploração de diversas empresas transnacionais. Uma CPI para investigar quantos altos diretores da estatal mudaram de lado e se transformaram em funcionários dessas empresas. Investigar como a Agência Nacional do Petróleo (ANP) funcionava nos tempos em que o genro do presidente FHC presidia a agência. Investigar quantas falcatruas a empresa fez no Equador e na Bolívia, corrompendo funcionários dos governos direitistas daqueles países. Investigar por que 62% das ações da companhia foram vendidas na bolsa de Nova York a preço de banana, repetindo-se a mesma maracutaia da privatização da Companhia Vale do Rio Doce, em que patrimônios avaliados ao redor de 100 bilhões de dólares foram vendidos a 3 bilhões ? recuperados já nos primeiros anos de altos lucros da empresa. Investigar por que a Petrobras fazia encomendas de plataformas e navios apenas no exterior. Investigar por que não houve nenhum concurso para novas contratações de trabalhadores na Petrobras durante os oito anos de FHC, enquanto se propagavam centenas de empresas terceirizadas, com trabalho precarizado, que tiveram como resultado salários médios mais baixos e a multiplicação de acidentes de trabalho. Agora, os mesmos tucanos que foram responsáveis pelas entregas da Embraer, da Vale, da Petrobras... têm a coragem de convocar uma CPI para investigar a gestão atual da empresa! Esperamos que pelo menos o governo federal, o PT e os senadores petistas tirem suas lições. Passaram seis anos adocicando a burguesia encrustada no poder Judiciário e no parlamento, entregaram a eles os ministérios com maior volume de recursos e obras, aceitaram a parceria para reconduzir Michel Temer e Sarney ao comando do Congresso e permitiram a transformação do poder Judiciário em um palanque da direita, contra os direitos sociais conquistados na constituinte. Esperamos que os membros da base do governo na CPI pelo menos coloquem em pauta a investigação dos responsáveis pelas falcatruas na Petrobras durante o governo FHC. A CPI da Petrobras é apenas uma das respostas que as elites estão dando, através de seus partidos, para garantir as reservas do pré-sal para suas empresas. Suas, porque estão totalmente subordinados aos interesses do capital estrangeiro, que mormente financia suas campanhas eleitorais. Que a derrota sirva como lição para que o governo federal saia do casulo e leve para a população brasileira o debate sobre o que fazer com as reservas do pré-sal. Ou vamos esperar que o jornalista Edison Lobão, ex- presidente da Arena, ex-assessor do general Geisel, ex-PDS, ex-PFL, ex-DEM, ex-tudo... e agora paladino do PMDB e ministro das Minas e Energia, vá propor mudanças nos marcos regulatórios do petróleo que beneficiem ao povo? É urgente que o tema do petróleo, do gás e das reservas do pré-sal sejam amplamente debatidos na sociedade. Os movimentos sociais, as centrais e os sindicatos dos petroleiros vão fazer a sua parte. (Leia reportagem na pág. 3 sobre a campanha ?O petróleo tem que ser nosso?). Mas está na hora do governo federal dizer de que lado está. É preciso suspender imediatamente todos os leilões, tomar medidas que levem à reestatização do capital da Petrobras e implementar um amplo debate com toda a população e suas formas de organização sobre o destino das reservas do pré-sal, para que essa riqueza não sirva para enriquecer, de novo, meia dúzia de capitalistas, estrangeiros; mas sim para resolver os graves problemas do povo brasileiro, como desemprego, educação, moradia e acesso à terra. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090523/376f123a/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090523/376f123a/attachment.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 24 14:49:09 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 May 2009 14:49:09 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_CLIQUE_NA_LETRA=2C_ABRIR=C1_O_NOM?= =?iso-8859-1?q?E=2C_VIDEO_E_A_LETRA_DA_M=DASICA=22________________?= =?iso-8859-1?q?___________________________________________________?= =?iso-8859-1?q?_HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <04e101c9dc97$f0d7d9a0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: naturamal57 at gmail.com ACERVO MUSICAL Clique na letra - vai abrir nomes de cantores vc clicando no que preferir - abrirá o video e tem a letra ao lado. A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z 0...9 ------------------------------------------------------------------------ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090524/6bd982aa/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 24 14:49:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 May 2009 14:49:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] POR ONDE ANDAM OS TUCANOS? OS CAMINHOS DA ENTREGA Message-ID: <04e501c9dc97$f8d57180$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. POR ONDE ANDAM OS TUCANOS? OS CAMINHOS DA ENTREGA Laerte Braga Torcedores de futebol costumam cismar com determinados jogadores e atribuir-lhes um papel que não têm, transformando-os em ídolos sem que se consiga perceber a razão consciente disso. É o caso de Obina no Flamengo, de Tartá no Fluminense, como foi o caso do jogador Fio que Jorge Ben Jor um dia chamou de "maravilha" e acabou trazendo-lhe uma baita dor de cabeça. Fio acreditou que fosse "maravilha" mesmo. Foi para os Estados Unidos, onde em matéria de futebol quem tem um olho é rei e terminou entregador de pizzas, por sinal profissão rentável por lá. Delivery. Entrega. O deputado Paulo Renato, ex-ministro da Educação do governo de Fernando Henrique Cardoso é um dos mais importantes entregadores do esquema tucano. Ocupa hoje a Secretaria da Educação do governo de São Paulo - José Serra - e sua missão é exatamente privatizar as universidades estaduais. Vale dizer, o serviço de delivery. Paulo Renato, como todo o comando tucano, agitado com a perspectiva de voltar ao poder em 2010, começou também a pensar o processo de entrega da PETROBRAS. A CPI da PETROBRAS é o primeiro passo para a retomada do processo de privatização caso consigam eleger Serra ou Aécio para a presidência da República. O deputado e secretário considera que há uma ilegalidade na permanência da PETROBRAS como estatal e nos supostos privilégios que dispõe se levarmos em conta o mercado e as empresas privadas do setor. O deputado afirma que a PETROBRAS "ofende o plano nacional de desestatização". Cínico e sem o menor respeito por nada que não seja ele próprio e sua conta bancária o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chegou à época, em seu governo, cogitar da mudança do nome da empresa para PETROBRAX, dissociando sua imagem de petróleo do Brasil para "universalizá-la" e vendeu 13% de suas ações na Bolsa de Valores de New York, a célebre Wall Street. A delivery só não se consumou com por conta da reação popular. Foi no governo de FHC que o monopólio estatal do petróleo foi extinto, no ápice de um processo que começou no governo Geisel - Mário Henrique Simonsen - com os chamados contratos de risco. E foi FHC que baixou o decreto permitindo à empresa celebrar contratos sem licitação em determinadas circunstâncias, visando agilizar e compatibilizar a PETROBRAS com as regras do mercado. Uma das formas usadas pelos tucanos para consumar o processo de entrega do País ao capital estrangeiro, acelerar sua transformação em colônia de Wall Street, banqueiros, etc, é o controle da mídia, dos meios de informação. A palavra monopólio transformou-se em sinônimo de maldição, de atraso. A entronização do deus mercado sinalizou no caminho de novos tempos, segundo FHC, mais dinheiro para a saúde, educação, etc, etc. Ficou tudo um caos. Privatizado. Investir no SUS, segundo o ex-presidente "é cuidar da hipocondria dos brasileiros". O negócio é investir em planos privados de saúde. Qual é a cara dos EUA? São muitas. Desde empresas falidas como a GM, a FORD, a CHRYSLER, até a casa de sanduíches McDonalds. Como a cara da França é o Louvre, mas é a Citroen - empresa associada a grupos de Israel - e a cara da Inglaterra é o Big Ben, a rainha, ou o Rolls Royce, embora James Bond nos últimos filmes estivesse pilotando milagrosos BMW. Com a entrega da VALE - cortou seus investimentos em 37%, está transferindo sua sede para a Suíça e teve dez vezes mais em lucro o que os caras pagaram para "comprar" - do setor de telefonia, de energia, toda a farra privatista de FHC, sobraram PETROBRAS, BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL e BANCO NACIONAL DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES). O filé num mercado ávido de fontes de energia é o petróleo. A PETROBRAS é uma das poucas caras que o Brasil tem como nação soberana e senhora dos seus destinos. José Serra está com a camionete à porta pronta para a entrega aos compradores caso venha a ser o próximo presidente. Ele, ou Aécio Neves. A CPI é um atalho na tentativa de desmoralizar a empresa, de criar a sensação que precisamos entrar no século XXII já no início do século XXI e marchar impávidos para a condição de norte-americanos de segunda categoria. Como dizia a canção do "Subdesenvolvido". "Você pensa como americano, mas não vive como americano, não come como americano." Tucanos não têm escrúpulos. Nem eles e nem seus aliados DEMocratas. São corruptos e venais na genética. Agora mesmo, logo após o escândalo das diretorias no Senado, dos cargos de confiança - a filha de FHC morando em São Paulo e trabalhando em Brasília com direito a horas extras no gabinete de Heráclito Fortes -, das passagens, do castelo do sonegador e torturador Edmar Moreira, sabe-se que o senador Efraim Araújo construiu uma casa de praia e ocupou boa parte de um terreno público na obra. Está tendo que explicar à Justiça. Toda essa intrincada rede de corrupção é apenas conseqüência do projeto maior. O da entrega. É preciso ter esse tipo de gente no bolso e é isso que fazem. Os restos do banquete aos Efraims da vida. O grosso para eles e o Brasil para as grandes empresas falidas na esteira da sonegação, da farsa do mercado movido a dinheiro público. É por aí que os tucanos andam. É esse o caminho da entrega. Não é por outra que nesses grandes golpes do tucanato são escalados jogadores do primeiro time como o pilantra Tasso Jereissati, ou o responsável pela privatização e mediocrização do ensino superior Paulo Renato. E todo o processo montado desde a aposta em Collor e concretizada no Collor II, FHC. A PETROBRAS é hoje uma das maiores empresas petrolíferas do mundo. Dispõe de tecnologias desenvolvidas a partir de técnicos brasileiros é objeto de cobiça de empresas e países outros. As descobertas das reservas petrolíferas do chamado pré-sal aumentaram essa cobiça dos estrangeiros sobre a empresa. Aos tucanos está conferido o papel e o emprego de entregadores. São como corretores do "negócio". A CPI cumpre essa finalidade. Tentar criar uma rede de mentiras e farsas que envolva a cidadão comum - Miriam Leitão está aí a soldo deles para isso, vender mentiras - e transforme, mais uma vez, o Brasil num país sem cara. Um México da vida, grande depósito de lixo dos EUA. Todo esse esquema se assemelha àqueles filmes de terror em que plantas que devoram seres humanos vão deitando raízes por todos os cantos e trazendo desde pigmeus DEMocratas a monstros tucanos. Raízes que controlam significativa parte do Judiciário. Os juízes, desembargadores e ministros que freqüentam os resorts em "congressos" financiados pela FEBRABAN - FEDERAÇÃO BRASILEIRA DOS BANCOS -. No Legislativo, onde espalham o veneno - são raízes traiçoeiras e venenosas a despeito de buscarem mostrar flores perfumadas e coloridas - em deputados e senadores padrão Jereissati, Artur Virgílio, Heráclito Fortes, Efraim Araújo, ou em governadores como Serra, Aécio, Yeda Crusius, enfim, toda a podridão imaginável e inimaginável no simples papel que de delivery de um País, uma Nação inteira. O controle da mídia é simples. Remuneram jornalistas venais, redes de tevê, jornais, revistas e rádios com fortes verbas publicitárias. Caso do contrato de Serra com A editora ABRIL, que edita VEJA, ou com Gilmar Mendes, presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD empregando em suas faculdades jornalistas globais, falo de Heraldo Pereira, um dos âncoras de tele jornais da GLOBO. É "funcionário" do esquema. Aparece na tevê com cara de sério e "informando verdades" do patrão. Por trás de toda essa manobra para a CPI da PETROBRAS o que existe é só isso. Os caminhos da entrega do Brasil, da transformação do País em colônia de um modelo falido. São os caminhos tucanos, os caminhos por onde andam os tucanos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090524/b6d09679/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon May 25 19:11:26 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 25 May 2009 19:11:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Os dez estragos de FHC na Petrobras - www.aepet.org.br - Message-ID: <099c01c9dd85$bf9a2930$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Os dez estragos de FHC na Petrobras Atualizado em 24 de maio de 2009 às 11:56 | Publicado em 24 de maio de 2009 às 11:27 do site da Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) www.aepet.org.br/ Para refrescar a memória do senador Sérgio Guerra (PE) e demais entusiastas da CPI da Petrobrás, o presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobras), Fernando Leite Siqueira, selecionou dez estragos produzidos pelo Governo FHC no Sistema Petrobrás, que seguem: 1993 - Como ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso fez um corte de 52% no orçamento da Petrobrás previsto para o ano de 1994, sem nenhuma fundamentação ou justificativa técnica. Ele teria inviabilizado a empresa se não tivesse estourado o escândalo do orçamento, envolvendo vários parlamentares apelidados de `anões do orçamento`, no Congresso Nacional, assunto que desviou a atenção do País, fazendo com que se esquecessem da Petrobrás. Todavia, isto causou um atraso de cerca de 6 meses na programação da empresa, que teve de mobilizar as suas melhores equipes para rever e repriorizar os projetos integrantes daquele orçamento; 1994 - ainda como ministro da Fazenda, com a ajuda do diretor do Departamento Nacional dos Combustíveis, manipulou a estrutura de preços dos derivados do petróleo, de forma que, nos 6 últimos meses que antecederam o Plano Real, a Petrobrás teve aumentos mensais na sua parcela dos combustíveis em valores 8% abaixo da inflação. Por outro lado, o cartel internacional das distribuidoras derivados teve aumentos de 32%, acima da inflação, nas suas parcelas. Isto significou uma transferência anual, permanente, de cerca de US$ 3 bilhões do faturamento da Petrobrás, para o cartel dessas distribuidoras. A forma de fazer isto foi através dos 2 aumentos mensais que eram concedidos aos derivados, pelo fato de a Petrobrás comprar o petróleo em dólares, no exterior, e vender no mercado em moeda nacional. Havia uma inflação alta e uma desvalorização diária da nossa moeda. Os dois aumentos repunham parte das perdas que a Petrobrás sofria devido a essa desvalorização. Mais incrível: a Petrobrás vendia os derivados para o cartel e este, além de pagá-la só 30 a 50 dias depois, ainda aplicava esses valores e o valor dos tributos retidos para posterior repasse ao tesouro no mercado financeiro, obtendo daí vultosos ganhos financeiros em face da inflação galopante então presente. Quando o plano Real começou a ser implantado com o objetivo de acabar com a inflação, o cartel reivindicou uma parcela maior nos aumentos porque iria perder aquele duplo e absurdo lucro. 1995 - Em fevereiro, já como presidente, FHC proibiu a ida de funcionários de estatais ao Congresso Nacional para prestar informações aos parlamentares e ajudá-los a exercer seus mandatos com respaldo de informações corretas. Assim, os parlamentares ficaram reféns das manipulações da imprensa comprometida. As informações dadas aos parlamentares no governo de Itamar Franco, como dito acima, haviam impedido a revisão com um claro viés neoliberal da Constituição Federal. Emitiu um decreto, 1403/95 que instituía um órgão de inteligência, o SIAL, Serviço de Informação e apoio Legislativo, com o objetivo de espionar os funcionários de estatais que fossem a Brasília falar com parlamentares. Se descobertos, seriam demitidos. Assim, tendo tempo para me aposentar, solicitei a aposentadoria e fui para Brasília por conta da Associação. Tendo recursos bem menores que a Petrobrás (que, no governo Itamar Franco enviava 15 empregados semanalmente ao Congresso), eu só podia levar mais um aposentado para ajudar no contato com os parlamentares. Um dos nossos dirigentes, Argemiro Pertence, mudou-se para Brasília, às suas expensas, para ajudar nesse trabalho; Também em 1995, FHC deflagrou o contrato e a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que foi o pior contrato que a Petrobrás assinou em sua história. FHC, como ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, funcionou como lobista em favor do gasoduto. Como presidente, suspendeu 15 projetos de hidrelétricas em diversas fases, para tornar o gasoduto irreversível. Este fato, mais tarde, acarretaria o `apagão` no setor elétrico brasileiro. As empresas estrangeiras, comandadas pela Enron e Repsol, donas das reservas de gás naquele país só tinham como mercado o Brasil. Mas a construção do gasoduto era economicamente inviável. A taxa de retorno era de 10% ao ano, enquanto o custo financeiro era de 12% ao ano. Por isto pressionaram o Governo a determinar que Petrobrás assumisse a construção. A empresa foi obrigada a destinar recursos da Bacia de Campos, onde a Taxa de Retorno era de 80%, para investir nesse empreendimento. O contrato foi ruim para o Brasil pelas seguintes razões: mudança da matriz energética para pior, mais suja, ficar dependente de insumo externo dominado por corporações internacionais, com o preço atrelado ao do petróleo e valorada em moeda forte; foi ruim para a Bolívia que só recebia 18% pela entrega de uma de suas últimas riquezas, a mais significativa. Evo Morales elevou essa participação para 80% (a média mundial de participação dos países exportadores é de 84%) e todas as empresas aceitaram de bom grado. E foi péssimo para a Petrobrás que, além de tudo, foi obrigada a assinar uma cláusula de `Take or Pay`, ou seja, comprando ou não a quantidade contratada, ela pagaria por ela. Assim, por mais de 10 anos, pagou por cerca de 10 milhões de metros cúbicos sem conseguir vender o gás no mercado nacional. Em 1995, o governo, faltando com o compromisso assinado com a categoria, levou os petroleiros à greve, com o firme propósito de fragilizar o sindicalismo brasileiro e a sua resistência às privatizações que pretendia fazer. Havia sido assinado um acordo de aumento de salário de 13%, que foi cancelado sob a alegação de que o presidente da Petrobrás não o havia assinado. Mas o acordo foi assinado pelo então Ministro das Minas e Energia, Delcídio Amaral, pelo representante do presidente da Petrobrás e pelo Ministro da Fazenda, Ciro Gomes. Além disto, o acordo foi assinado a partir de uma proposta apresentada pelo presidente da Petrobrás. Enfim, foi deflagrada a greve, após muita provocação, inclusive do Ministro do TST, Almir Pazzianoto, que disse que os petroleiros estavam sendo feitos de palhaços. FHC reprimiu a greve fortemente, com tropas do exercito nas refinarias, para acirrar os ânimos. Mas deixou as distribuidoras multinacionais de gás e combustíveis sonegarem os produtos, pondo a culpa da escassez deles nos petroleiros. No fim, elas levaram 28% de aumento, enquanto os petroleiros perderam até o aumento de 13% já pactuado e assinado. Durante a greve, uma viatura da Rede Globo de Televisão foi apreendida nas proximidades de uma refinaria, com explosivos. Provavelmente, pretendendo uma ação sabotagem que objetivava incriminar os petroleiros. No balanço final da greve, que durou mais de 30 dias, o TST estabeleceu uma multa pesada que inviabilizou a luta dos sindicatos. Por ser o segundo maior e mais forte sindicato de trabalhadores brasileiros, esse desfecho arrasador inibiu todos os demais sindicatos do país a lutar por seus direitos. E muito menos por qualquer causa em defesa da Soberania Nacional. Era a estratégia de Fernando Henrique para obter caminho livre e sangrar gravemente o patrimônio brasileiro. 1995 ? O mesmo Fernando Henrique comandou o processo de mudança constitucional para efetivar cinco alterações profundas na Constituição Federal de 1988, na sua Ordem Econômica, incluindo a quebra do monopólio Estatal do Petróleo, através de pressões, liberação de emendas dos parlamentares, barganhas e chantagens com os parlamentares (o começo do `mensalão` ? compra de votos de parlamentares com dinheiro desviado do erário público). Manteve o presidente da Petrobrás, Joel Rennó que, no governo Itamar Franco, chegou a fazer carta ao Congresso Nacional defendendo a manutenção do monopólio estatal do petróleo, mas que, no governo FHC, passou a defensor empedernido da sua quebra. AS CINCO MUDANÇAS CONSTITUCIONAIS PROMOVIDAS POR FHC: 1) Mudou o conceito de empresa nacional. A Constituição de 1988 havia estabelecido uma distinção entre empresa brasileira de capital nacional e empresa brasileira de capital estrangeiro. As empresas de capital estrangeiro só poderiam explorar o subsolo brasileiro (minérios) com até 49% das ações das companhias mineradoras. A mudança enquadrou todas as empresas como brasileiras. A partir dessa mudança, as estrangeiras passaram a poder possuir 100% das ações. Ou seja, foi escancarado o subsolo brasileiro para as multinacionais, muito mais poderosas financeiramente do que as empresas nacionais. A Companhia Brasileira de Recursos Minerais havia estimado o patrimônio de minérios estratégicos brasileiros em US$ 13 trilhões. Apenas a companhia Vale do Rio Doce detinha direitos minerários de US$ 3 trilhões. FHC vendeu essa companhia por um valor inferior a que um milésimo do valor real estimado. 2) Quebrou o monopólio da navegação de cabotagem, permitindo que navios estrangeiros navegassem pelos rios brasileiros, transportando os minérios sem qualquer controle; 3) Quebrou o monopólio das telecomunicações, para privatizar a Telebrás por um preço abaixo da metade do que havia gastado na sua melhoria nos últimos 3 anos, ao prepará-la para ser desnacionalizada. Recebeu pagamento em títulos podres e privatizou um sistema estratégico de transmissão de informações. Desmontou o Centro de Pesquisas da empresa e abortou vários projetos estratégicos em andamento como capacitor ótico, fibra ótica e TV digital; 4) Quebrou o monopólio do gás canalizado e entregou a distribuição a empresas estrangeiras. Um exemplo é a estratégica Companhia de Gás de São Paulo, a COMGÁS, que foi vendida a preço vil para a British Gas e para a Shell. Não deixou a Petrobrás participar do leilão através da sua empresa distribuidora. Mais tarde, abriu parte do gasoduto Bolívia-Brasil para essa empresa e para a Enron, com ambas pagando menos da metade da tarifa paga pela Petrobrás, uma tarifa baseada na construção do Gasoduto, enquanto que as outras pagam uma tarifa baseada na taxa de ampliação. 5) Quebrou o Monopólio Estatal do Petróleo, através de uma emenda à Constituição de 1988, retirando o parágrafo primeiro, elaborado pelo diretor da AEPET, Guaracy Correa Porto, que estudava direito e contou com a ajuda de seus professores na elaboração. O parágrafo extinto era um salvaguarda que impedia que o governo cedesse o petróleo como garantia da dívida externa do Brasil. FHC substituiu esse parágrafo por outro, permitindo que as atividades de exploração, produção, transporte, refino e importação fossem feitas por empresas estatais ou privadas. Ou seja, o monopólio poderia ser executado por várias empresas, mormente pelo cartel internacional; 1996 - Fernando Henrique enviou o Projeto de Lei que, sob as mesmas manobras citadas, se transformou na Lei 9478/97. Esta Lei contem artigos conflitantes entre si e com a Constituição Brasileira. Os artigos 3º, 4º e 21, seguindo a Constituição, estabelecem que as jazidas de petróleo e o produto da sua lavra, em todo o território Nacional (parte terrestre e marítima, incluído o mar territorial de 200 milhas e a zona economicamente exclusiva) pertencem à União Federal. Ocorre que, pelo seu artigo 26 -- fruto da atuação do lobbysobre uma brecha deixada pelo Projeto de Lei de FHC -- efetivou a quebra do Monopólio, ferindo os artigos acima citados, além do artigo 177 da Constituição Federal que, embora alterada, manteve o monopólio da União sobre o petróleo. Esse artigo 26 confere a propriedade do petróleo a quem o produzir. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090525/ecb0c02c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35365 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090525/ecb0c02c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 26 19:23:30 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 26 May 2009 19:23:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Da_aliena=E7=E3o_=E0_depress=E3?= =?windows-1252?q?o=3A_caminhos_capitalistas_da_explora=E7=E3o_do_s?= =?windows-1252?q?ofrimento____________/O_trabalho_entre_prazer_e_s?= =?windows-1252?q?ofrimento=2E_____________________-_PARTE_III_-?= Message-ID: <00c101c9de50$aae2a5a0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem. Este é um dos trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história. Escolhemos esse texto, embora longo, mas que será apresentado todas as terças-feira, por parte. Trata-se de uma análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade, tratando-a mais como doença do que um problema que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as suas ilusões e mesmo do relacionamento humano. As leis do capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se reproduz perversamente na vida em sociedade. O nome dado a este trabalho, "Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento". Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem essa sociedade. Imprima as partes que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para entendê-la e, para a desalienação. Um abraço. Vanderley ps.agradecemos a professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari por permitir a divulgação pela Carta O Berro. Parte 3 Emilio Gennari professor Emílio Gennari atua como Educador popular e é Monitor de Formação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio (NEP-13). É autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e História. 3. O trabalho entre prazer e sofrimento. Aproveitando do instante em que Nádia permanece silenciosamente pensativa, o secretário levanta e dá uma gostosa espreguiçada. Entre o incômodo da tendinite, a tensão provocada pelas descrições do relato e a curiosidade em relação a seu possível desfecho, o corpo parece se recusar a continuar o trabalho. Para quem já estava acostumado com a escuridão do não-saber, qualquer raio de sol ganha as feições de uma arma que, ao ferir a cegueira antiga, provoca a desagradável sensação de que tudo o que parecia sólido começa a derreter sob os próprios pés. Ao perceber a tentação do seu ajudante, a coruja limpa a garganta para atrair a atenção e, ao dirigir para si os olhares titubeantes do homem corpulento que está diante dela, aponta a asa para os papéis e, com voz firme, ordena: - ?Já pra mesa!?. Intimidadas, as mãos puxam a cadeira e as pernas se dobram para que o corpo possa se apoiar no desconfortável assento de madeira, cujo único mérito é o de evitar qualquer cochilo do seu usuário. Em seguida, a ave faz um sinal de aprovação com a cabeça e, ao piscar os olhos, diz: - ?Por incrível que pareça, é no trabalho que os seres humanos passam os melhores anos de suas vidas envolvidos por sentimentos contrastantes que misturam angústia, felicidade, medo, sofrimento, esperanças e ilusões. É neste turbilhão de sensações que cada pessoa pensa a sua relação com o trabalho, interpreta as condições de sobrevivência que esta lhe proporciona, socializa sua leitura da realidade, reage ao que percebe como ameaça, organiza-se mental e fisicamente para dar conta do que lhe é exigido e intervém no processo de produção com formas de comportamento que retratam o sentido dado aos vínculos que estabelece com os colegas. Este sentido é fortemente influenciado pela forma na qual a rotina do trabalho se encaixa e entra em sintonia com as experiências passadas, com as expectativas atuais ou, ao contrário, representa algo tão novo e inédito que questiona suas percepções anteriores e projeta para o futuro novos sonhos e anseios de afirmação pessoal. Lidando, ou não, com tarefas que proporcionam um sentimento de auto-realização, o sujeito tem no trabalho um elemento essencial na construção de sua personalidade e da identidade social na qual se insere pelas condições de vida possibilitadas pelo salário recebido. Além da resposta à luta pela sobrevivência, do medo de vir a integrar as estatísticas do desemprego, da pressão da chefia, da convivência com os colegas e da realização dos próprios sonhos, trabalhar implica sempre em assumir responsabilidades não-previstas, em tomar decisões que, independentemente do cargo, são fonte de sofrimento pelas incertezas que projetam em cada empregado. Isso se deve ao fato de que há sempre certa distância entre o trabalho prescrito e o real. Ou seja, uma coisa são as seqüências, as tarefas e as normas ditadas pela empresa e outra, bem diferente, é a forma pela qual são praticadas, moldadas, adaptadas ou negadas no cotidiano dos processos produtivos para que os funcionários possam dar conta das metas exigidas. A condição para que o empregado realize o seu trabalho envolve quase sempre a transgressão das prescrições e das instruções recebidas dos superiores hierárquicos. Prova disso é que, em praticamente todas as categorias profissionais, uma das formas de manifestar o próprio descontentamento é cumprindo à risca o que foi ordenado pela empresa. Em várias cidades do Brasil, por exemplo, já conhecemos protestos de motoristas de ônibus que foram realizados tendo como base apenas a não-violação do Código de Trânsito e até mesmo manifestações de descontentamento da polícia federal através da operação padrão aplicada aos procedimentos de averiguação de passageiros no desembarque dos aeroportos. A paralisação das atividades, os atrasos e as situações de caos que resultaram do estrito respeito às normas prescritas são mais que suficientes para comprovar que ou o trabalhador coletivo usa as artimanhas, truques, macetes e quebra-galhos acumulados no exercício das tarefas e na lida diária com problemas inesperados ou o serviço pára, entra em pane, se torna inviável?. - ?Se é assim, quer dizer que a inteligência e a criatividade individuais e coletivas são mobilizadas a cada instante e isso pode até proporcionar um sentimento de satisfação e realização pessoal. Enfim, não vejo o que há de tão ruim nisso a ponto de causar sofrimento!?, afirma categórico o secretário ao fixar o olhar no rosto da coruja. Ouvida a questão, Nádia se aproxima vagarosamente do seu ajudante, aponta a asa direita para os óculos e assumindo feições que mesclam provocação e reprovação retruca em tom irônico: - ?Se os cinco graus das lentes que cobrem seus olhos não servissem apenas para disfarçar sua feiúra, você já teria conseguido enxergar além do umbigo. De fato, é inegável que, sob a influência do medo da demissão e das demais pressões que tomam conta do local de trabalho, a maior parte das pessoas se revela capaz de mobilizar um verdadeiro arsenal de inventividade ora para cumprir as metas, ora para ficar em posição mais vantajosa em relação aos colegas. O problema, porém, é que, ao agir desta forma, o indivíduo não só pode criar situações constrangedoras para os demais, como se coloca à margem dos procedimentos oficiais e infringe os regulamentos e as ordens da empresa. Em outras palavras, usar a própria inteligência para lidar com o imprevisto, com o inusitado, com o que ainda não foi assimilado oficialmente como método leva o sujeito a uma ação semiclandestina pela qual a norma desrespeitada o coloca na incômoda posição de transgressor da lei. Até que nada acontece, a chefia faz vista grossa, pois tem plena consciência de que sem isso o trabalho não anda. Mas quando a apuração de falhas, erros, incidentes e acidentes são atribuídos a procedimentos espúrios e indesejados, os superiores hierárquicos não hesitam em denunciar o trabalhador envolvido como incompetente, desleixado, nada sério e incapaz. Sem medo de errar, podemos afirmar que, de um lado, o quebra-galho é tolerado por qualquer patrão na medida em que contribui para atingir as metas estabelecidas, mas, de outro, a sua prática é uma ameaça que pende sobre a cabeça de cada empregado e pode cortá-la como uma guilhotina sempre e quando sua descoberta oficial permite eximir a empresa de suas responsabilidades concretas em relação às condições reais nas quais o trabalho é realizado. Resumindo, podemos dizer que a prática do quebra-galho e do macete levam o sujeito a correr dois riscos. O primeiro é o de ser apontado como único culpado quando de conseqüências nocivas para a segurança das instalações e dos demais funcionários. E, o segundo, é de assumir a incômoda condição de fora-da-lei, o que gera um estado de angústia permanente até mesmo quando o processo de trabalho flui sem problemas aparentes. A situação que acabamos de descrever coloca o indivíduo num beco sem saída: se ele quebra as normas, corre o risco de ser punido; mas se não o faz, é acusado de falta de iniciativa, de fazer corpo mole, de ser incapaz de atingir metas que os demais costumam cumprir. Preso nesta engrenagem, o sujeito vivencia momentos de ansiedade, abre espaço a mal-entendidos, sonega informações, fecha-se sobre si mesmo e escancara a porta da desconfiança em relação à eficiência real de sua criatividade e à dos colegas. Esta postura acaba alimentando antagonismos e conflitos com outros profissionais ou equipes que desempenham tarefas parecidas e leva a vivenciar um sentimento de injustiça que nasce do não-reconhecimento aberto do próprio esforço e dos méritos pessoais por parte dos demais funcionários e da empresa. A adoção de programas participativos de qualidade total ou das chamadas novas formas de gestão do capital humano não altera significativamente esta realidade. Em grau maior ou menor, há sempre certo período de tempo entre a descoberta do quebra-galho ou do macete e sua aprovação pela empresa. Isso se deve ao fato de que a aceitação das idéias apresentadas depende da comprovação de sua viabilidade e eficiência e, portanto, precisa de resultados concretos vindos da experimentação empírica que antecede a sua apresentação e na qual o funcionário acaba assumindo a responsabilidade de testar se o fruto de sua criatividade pode dar certo ou não. A esta realidade corriqueira soma-se outra que costuma ser silenciada tanto pelos patrões como pelos sindicatos, mas que, nem por isso, deixa de ter um impacto profundo na carga de tensão que acompanha as horas despendidas na empresa. Ainda que haja uma percepção e um reconhecimento oficial dos riscos e dos fatores estressantes relacionados ao ambiente de trabalho, o discurso empresarial e sindical costuma não mencionar o perigo. A omissão dos efeitos que os riscos podem produzir no corpo do trabalhador é justificada pela suposta necessidade de não atemorizar desnecessariamente as pessoas ou é desprezada como algo distante, insólito e improvável de acontecer. Se, de um lado, isso reduz o estado de alerta do coletivo, de outro, esta opção é um dos elementos pelos quais a empresa escolhe que aspectos e que percepção do perigo pode ser descrita ou silenciada e que tipo de apresentação asséptica dos problemas relativos à saúde do trabalhador contribui para esconder ou minimizar a relação entre o risco e o perigo. O fato de a hierarquia dificultar a reconstrução da relação doença-trabalho pela omissão de informações essenciais sobre os processos produtivos ou pelo menosprezo de seus perigos não implica na incapacidade do empregado perceber na saúde dos demais e na própria as marcas da dor deixada pelo desempenho diário de suas tarefas. Apesar de não saber expressar em palavras o que está acontecendo ou de não ter uma visão de conjunto unitária e coerente, a quase totalidade dos empregados deixa a entender que há algo errado ao reconhecer, por exemplo, que aqui o sistema é bruto, naquele setor é jogo duro ou, ainda, trabalhar nesta máquina é bicho feio. O que parece normal, superficial e simplório encerra uma carga de angústia que, dia-após-dia, torna-se mais pesada e esmagadora na medida em que o aumento das exigências empresariais não é acompanhado pela melhora das condições em que estas vão se tornar realidade?. - ?Então, estamos diante de um sofrimento perante o qual trabalhadores e trabalhadoras devem se defender para continuar dando conta das tarefas exigidas e das metas impostas...?, balbuciam os lábios ao temer um desfecho inesperado. - ?Exatamente! Entre as formas de defesa mais comuns estão os comportamentos que levam o sujeito a se desvencilhar das responsabilidades, a se recusar a tomar qualquer iniciativa, a remeter toda decisão a uma posição oficial da chefia ou a se ater às normas que constam do regulamento. Neste caso, o funcionário viabiliza uma espécie de operação padrão solitária e intermitente na medida em que o fantasma da demissão ganha corpo diante das acusações de implicância e falta de compromisso com a empresa, o que desgasta sistematicamente a proteção com a qual procurava se cercar em caso de dificuldade. Em sentido oposto, encontramos atitudes de fechamento numa autonomia máxima, de segredo, de silêncio diante dos superiores e dos próprios colegas. Apesar do caráter intrinsecamente coletivo do trabalho, nos deparamos aqui com empregados que fazem o impossível para evitar qualquer situação de confronto, de conversa, de discussão, de conflito, de envolvimento, a ponto de se recusar a cumprimentar os colegas. No lugar de almejar o encontro, o sujeito faz o impossível para privilegiar os momentos em que este é materialmente impossível e, no lugar de se confrontar com os demais, prefere se isolar num canto do refeitório, tomar café antes ou depois da turma, entrar e sair do vestiário quando este está mais vazio, se envolver em trabalhos que exigem esforço redobrado e tamanho grau de concentração que pensar em trocar idéias é algo simplesmente fora de lugar. Ao optar pelo ?cada um por si? (que não poucas vezes descamba para o ?deixa correr frouxo para ver no que vai dar?), o indivíduo acaba dando sopa ao azar. Estou me referindo, por exemplo, à ocorrência de tonturas ou desmaios provocados por produtos químicos (e que acometem o empregado em lugares onde ele não pode contar com a ajuda de ninguém), ou ao não apontar o desgaste de ferramentas e de peças do maquinário onde trabalha e cuja ruptura pode se reverter contra ele mesmo já que é praticamente impossível controlar a priori o momento exato em que tais incidentes podem ocorrer. Além disso, esta orientação tende a bloquear a construção de qualquer sentimento de coletividade na medida em que leva a desconfiar seguidamente da postura e das afirmações dos próprios colegas ou a interpretar suas respostas como expressão de hostilidade contra o próprio jeito de trabalhar. Outra forma de defesa bastante comum consiste em passar por cima do chefe imediato para se dirigir diretamente ao superior deste. O problema é que, ao ser deixado deliberadamente de lado e ao ser colocado, assim, numa posição desconfortável, o primeiro pode reagir de forma a colocar em maus lençóis o trabalhador que menosprezou o seu papel. Ao perceber esta possibilidade, a maior parte dos colegas prefere enfrentar em silêncio o próprio sofrimento ou expressá-lo só no consultório médico, quando já não dá mais para agüentar os efeitos desse desgaste. Infelizmente, porém, são bem poucas as chances que os trabalhadores têm de encontrar profissionais que vão às causas remotas dos sintomas físicos que apresentam ou que, ao menos, se dão ao trabalho de perguntar, por exemplo: onde é que você trabalha? O que te deixa mais estressado na rotina das tarefas que você executa? Que produtos você manipula? Ou, ainda, se esta dor tivesse voz, que aspectos do seu trabalho apontaria como responsáveis? Isso significa que, longe de poder contar com uma ajuda mais abrangente, a individualização do sofrimento e a leitura asséptica que dispensa a compreensão do contexto em que o sofrimento se manifesta, oferecem como resposta a absurda recomendação de se acalmar, não ficar nervoso, procurar dormir oito horas de sono restaurador, comer na hora certa, como se isso dependesse unicamente da vontade do sujeito. No máximo, para mostrar que a consulta valeu a pena, o consolo vem através de uma receita cujo conteúdo, na melhor das hipóteses visa reduzir a dor física e estabilizar a capacidade de segurar o tranco. E aqui quando não há despreparo dos médicos há, pelo menos, certa dose de conivência com uma realidade que se prefere desconhecer ou que, ao ser revelada nas consultas, não passa do segredo entre médico e paciente sem ter assim a menor chance de virar base para um diagnóstico mais completo até mesmo nos casos que teimam em se repetir com freqüência assustadora. Outra reação igualmente comum entre os empregados consiste em se desfazer de trabalhos particularmente penosos repassando-os para os novatos ou para os terceirizados cuja inexperiência ou rotatividade facilitam à empresa a tarefa de apagar os vestígios das doenças profissionais ou dos acidentes mais graves. A esperteza de alguns, passa a ser paga por todos na medida em que o sistema de comunicação empresarial não enfrenta críticas consistentes na hora de falsear os dados sobre as ocorrências e o perigo representado pelo desempenho de determinadas tarefas nas condições próprias do processo de trabalho. A soma destes elementos aponta a normalidade do aparecimento de atitudes defensivas que ganham formas diferenciadas a depender da personalidade e do histórico profissional de cada funcionário e que, não poucas vezes, resvalam em acusações gratuitas de incompetência ou em expressões de agressividade próprias de inimigos jurados e não de colegas de trabalho. Em geral, o sofrimento experimentado na hora de preencher a distância entre o trabalho prescrito e o real, quando respondido pelas formas de defesa que apresentamos acima, leva as pessoas a mergulharem num ativismo tanto mais intenso quanto mais este permite deixar de pensar, de refletir sobre a realidade e de fazer passar desapercebido o próprio sofrimento. Trata-se de vencer a ansiedade e a tensão com a fadiga física. Quanto mais horas e mais rápido se trabalha, mais o tempo passa depressa, mais se garante a aproximação dos próprios sonhos, menos se discute, menos se lembra do perigo existente, menor o esforço para esquecer dos desgostos e das situações desgastantes que permeiam o cotidiano?. - ?Mas além de alivio, isso pode vir a ser um tiro no pé?, prorrompe o homem ao perceber a ambigüidade das formas pelas quais trabalhadores e trabalhadoras buscam se proteger do sofrimento. - ?Na mosca!?, confirma Nádia com um gesto que parece unir as peças do quebra-cabeça num conjunto que esboça uma imagem ainda fragmentada e nebulosa. ?De fato, ao mesmo tempo em que as estratégias defensivas buscam fortalecer as condições que permitem a um indivíduo ou grupo de resistir aos efeitos prejudiciais do sofrimento sobre o seu equilíbrio mental, ela pode funcionar como uma armadilha na qual as pessoas são anestesiadas e se tornam insensíveis a tudo aquilo que as faz sofrer. Ao proporcionar certo grau de adaptação ás pressões que vêm de todos os lados e estabilizar a relação entre o empregado e a organização do trabalho, as estratégias de defesa acabam alimentando uma resistência à mudança tanto maior quanto mais delicada, difícil e psicologicamente sofrida foi a construção destas mesmas estratégias. Ou seja, quando trabalhadores e trabalhadoras conseguem estruturar e sustentar suas formas de reação ao sofrimento, eles e elas não só hesitam em questioná-las como buscam transformar sua manutenção em objetivo a ser conquistado a qualquer preço e não titubeiam em direcionar seus esforços para afastar quem ameaça desestabilizá-las. Mas isso não é tudo. Ao aplanar o caminho para que o sujeito se acostume aos desafios do trabalho, as reações que descrevemos acima o levam a se adaptar aos riscos, a deixar de perceber a gravidade dos perigos que o cercam e a impedir, ao menos parcialmente, que ele tome consciência da exploração. Neste contexto, as denúncias sindicais produzidas sem o devido conhecimento da realidade e de como esta é apropriada pelos empregados, com uma linguagem agressiva ou incompreensível a quem não integra qualquer organização e com baixíssimo envolvimento da base diretamente interessada, pode produzir o efeito oposto ao desejado ou, quando isso não acontece, um fortalecimento dos próprios mecanismos de defesa. Esta reação aparentemente contraditória dos empregados torna-se compreensível na medida em que sua postura defensiva leva-os a interpretar o sofrimento não mais como fruto da exploração do trabalho, mas sim como resultado do enfraquecimento das estratégias com as quais pretendem enfrentá-lo. Na medida em que vai se apagando a percepção desta relação com o processo produtivo, cresce, contraditoriamente, a defesa dos mecanismos de proteção contra o sofrimento que passam a ser vistos como promessa de alívio imediato e seguro. Dobrado sobre si mesmo, o empregado experimenta uma gostosa sensação de afastamento da realidade e de relaxamento tão sensivelmente eficaz que o faz se sentir bem consigo mesmo. Em função disso, ele passa a estruturar suas ações, sonhos e desejos em volta de algo que nasceu para defendê-lo de uma realidade que precisa ser eliminada e não para que cessem as ameaças, os desconfortos, as dores e as frustrações que vem dela e lhe proporcionam uma constante sensação de insegurança. Ao servir-se dos mecanismos de defesa para se adaptarem às pressões do trabalho e ao defendê-los de espada na mão, homens e mulheres desqualificam, afastam e até mesmo agridem aqueles que questionam estes mecanismos ou se mostram reticentes em adotar as posturas assumidas pelos demais. Neutralizados os elementos contrastantes, as estratégias de defesa deixam aberto o caminho para a auto-aceleração do ritmo de trabalho por parte dos indivíduos e das equipes envolvidas (o que favorece as políticas de produtividade das empresas), para a elevação das pressões de cumprimento das metas e, por sua vez, para um ulterior fortalecimento dos mecanismos de defesa como forma de suportar o peso das novas demandas. Trocado em miúdos, podemos afirmar que esta forma de reação espontânea diante do sofrimento leva pessoas e equipes a levantar uma barreira protetora. Esta cerca, porém, ao proporcionar uma aparente defesa individual ou coletiva conduz a uma adaptação às ameaças e aos desafios do trabalho. Graças aos mecanismos e às relações que se desenvolvem, trabalhadores e trabalhadoras começam a não ver claramente a exploração que pesa em seus ombros e a gravidade das formas pelas quais esta se manifesta. Anestesiados por suas reações espontâneas, chegam a acreditar piamente que o jeito é reforçar a cerca e não lutar contra a realidade em função da qual foi erguida. Esta é a razão pela qual entram em choque com quem questiona e enfraquece a impressão de alívio e segurança que os mecanismos de defesa proporcionam. Empenhados nesta tarefa de exorcizar o retorno da ansiedade e da insegurança, os empregados não percebem que o patamar de adaptação ao trabalho assim atingido torna-se ponto de partida de um novo aperto por parte da empresa cujas relações aprimorarão as possibilidades de explorar em benefício próprio o que os empregados construíram para se proteger do sofrimento vivenciado no cotidiano do trabalho?. - ?O que não consigo entender ? diz o ajudante ao coçar a cabeça ? é porque as pessoas não conseguem se dar conta disso...?. - ?Pela mesma razão pela qual o burro, após apanhar do dono, olha para a cenoura e apressa o passo toda vez que este faz o chicote assobiar no ar. Para evitar a dor no seu lombo, ele acelera o seu caminhar, ainda que esteja estafado. Isso não quer dizer que ele pode continuar assim indefinidamente. Mas o próprio dono sabe que, esgotado um burro, é sempre possível substituí-lo por outro sem grandes dificuldades?. - ?E a cenoura?!??. - ?Ora! A cenoura é dada por outro mecanismo tão importante neste processo quanto a presença do chicote: o reconhecimento. Nas páginas anteriores, vimos como este fator põe em movimento atitudes e formas de comportamento do indivíduo perante a sociedade. Na empresa, porém, as relações que se gestam ao redor deste elemento ganham características diferenciadas e, às vezes, opostas. Em primeiro lugar, podemos dizer que é no reconhecimento da qualidade do seu trabalho que o funcionário não encontra apenas um sentido para seus esforços, suas angústias, dúvidas, sucessos ou decepções, como é através dele que se torna capaz de estabilizar e estruturar sua identidade e personalidade. Quando isso ocorre, o sujeito não ganha somente momentos de alívio para o seu sofrimento, mas sim uma mola propulsora que leva a transformar este mesmo sofrimento em estímulo para a contínua busca de soluções capazes de responder ao desafio de aproximar o trabalho prescrito do real e em prazer de usar o próprio talento nesta empreitada. O médico que no meio de uma cirurgia se vê obrigado a usar um procedimento não-convencional para salvar o paciente vivencia profundos momentos de angústia e de tensão. Se o doente se salva, o assumir os riscos daquela decisão tende a ganhar o sorriso, a aprovação e a admiração não só do paciente, como de seus familiares e da própria equipe de trabalho. Mas, se o resultado for outro, o cirurgião, provavelmente, será processado, recriminado pelos colegas, julgado incompetente pela direção do hospital, podendo vir a perder o emprego e o registro de médico. Ele fez o impossível para salvar uma vida, mas fracassou. A falta de reconhecimento do seu esforço tende a transformar o seu sofrimento em algo absurdo e alimenta um círculo vicioso de sensações que podem desestruturá-lo. Do mesmo modo, por exemplo, inúmeros mecânicos de manutenção vivenciam diariamente uma situação parecida. Na falta de peças de reposição, são obrigados pelas pressões da chefia a ?dar um jeito?, a ajustar o impossível para prolongar a vida útil daquele mecanismo, mas, ao fazer isso, sabem estar se colocando na corda bamba. Como no caso do médico, seu esforço e sua criatividade serão reconhecidos se tudo der certo, mas eles mesmos acabarão execrados e desqualificados perante todos se algum acidente vier a ocorrer em função do mau funcionamento do equipamento em questão. Em graus e formas que diferem a depender da função e da responsabilidade do cargo, podemos dizer que quem trabalha é chamado a tolerar este sofrimento até que o caminho encontrado para superar os obstáculos tenha sido analisado, aceito e incorporado como prática corrente pelos setores responsáveis. Neste processo, o reconhecimento torna-se peça-chave para que o indivíduo continue tentando, experimentando, mantendo seu talento voltado à busca constante de novas saídas para a plena realização das tarefas exigidas. Ao vencer este desafio, o sujeito se transforma e, de certa forma, torna-se alguém mais inteligente, mais hábil e mais competente do que era antes. Ou seja, trabalhar não é apenas produzir e ganhar a vida, mas sim entrar de corpo e alma num processo que vai construindo a própria personalidade. Nele, a identidade do indivíduo não se ergue apenas a partir de sua relação com o trabalho, mas da confirmação e da aprovação que vêm do olhar do outro pelo reconhecimento do esforço despendido na solução dos problemas deixados em aberto pela organização dos processos produtivos. Nas empresas, esta aprovação se expressa ora através de prêmios em dinheiro, viagens, elogios públicos à utilidade social, econômica ou técnica do trabalho realizado, exposição da foto do funcionário do mês, ora através de simples expressões informais tais como você fez um belo trabalho, o que você conseguiu fazer vai fazer a diferença aqui dentro e assim por diante, mas sempre focalizada ao que foi realizado e não ao seu autor para que os colegas de profissão não recebam o julgamento positivo de alguém que conhecem como uma injustiça contra si próprios, sentindo-se menosprezados em seu próprio esforço. Além de manter elevado o entusiasmo pessoal na cooperação com a empresa, o reconhecimento que vem das chefias estimula o orgulho de pertencer à organização, fortalece a auto-estima, eleva a capacidade de tolerar o sofrimento, reforça os vínculos com uma cultura ou filosofia gerencial que, pouco a pouco, passa a guiar o indivíduo até nos projetos e momentos fora do ambiente de trabalho, alterando substancialmente as convicções e os critérios de análise a partir dos quais realiza sua inserção na sociedade e faz a leitura de tudo o que está em volta dele. Ou seja, apesar de ter sua raiz no âmbito dos processos produtivos, os efeitos do reconhecimento invadem os demais espaços de vivência diária e levam o sujeito a se entregar corpo e alma a quem deu sentido a seu sofrimento, apostou em sua capacidade e reconheceu suas realizações. Quando concretizado com coerência e sutileza, este investimento empresarial tende a moldar um funcionário mais confiável, disposto a dar sua contribuição pessoal não apenas suando a camisa, mas sim lutando ao lado da empresa como um verdadeiro militante do capital?. - ?Mas não há nada que possa azedar isso tudo??, pergunta incomodado o homem ao mexer nervosamente o corpo na cadeira. - ?Sim, querido secretário. Esta possibilidade existe, mas para se concretizar precisa de um elemento que anda escasso no seio do trabalhador coletivo: a cooperação. O entendimento do trabalho e de suas relações nunca pode ser limitado ao vínculo que se estabelece entre o indivíduo e as tarefas que lhe são designadas. Mesmo sem sair do perímetro da empresa, trabalha-se sempre para alguém, com alguém ou subordinado a alguém. Por isso, o sofrimento só pode ser rejeitado ou enfrentado coletivamente quando há confiança e cooperação entre as pessoas que passam a desenvolver seus macetes e quebra-galhos numa ótica diferente daquela que, via de regra, é assumida por quem embarcou na lógica da competição individual e vê o outro como concorrente que precisa ser derrotado em nome dos próprios sonhos, necessidades e aspirações. No passado, o caminho das lutas que se desenvolveram no interior dos locais de trabalho não foi construído apenas aproximando um ladrilho de dignidade a outro de rebeldia, mas cada uma dessas peças só dava liga na medida em que relações de confiança, de amizade e de solidariedade constituíam a base sobre a qual assentar o descontentamento e a revolta coletiva. Neste contexto, o macete, o quebra-galho, enfim, o fruto do saber prático, não serviam apenas para uma eventual promoção, para não ter problemas com as metas ou para ganhar momentos de descanso no ritmo frenético da linha de produção, mas para se tornar a base concreta capaz de dar cor e forma a expressões do tipo esse chefe vai me pagar ou nosso patrão não perde por esperar que, ao externar a revolta diante do sofrimento diário, revelavam a ebulição da indignação diante da percepção da injustiça. O problema é que esse tipo de cooperação não cai do céu. Ele é sempre uma construção difícil e precária na medida em que supõe boas doses de compromisso com o coletivo, desprendimento, gratuidade, disponibilidade para atender às necessidades do outro, confiança, cumplicidade e coragem para assumir com os demais os riscos de enfrentar o que gera sofrimento e nega a vida coletiva. Nestas condições, o sofrimento não é negado, mas sim afirmado e denunciado e o silêncio que marca longos períodos de calmaria nada mais é a não ser o tempo de gestação de uma resposta que busca frear o avanço da exploração. Assim como num coral não é fácil harmonizar as vozes e transformá-las num único som, pois isso exige que cada componente controle seu poder vocal, a construção do sentimento de coletividade no interior do local de trabalho demanda uma disponibilidade igualmente complexa. Além da rotatividade dos funcionários que, sem pedir licença, altera a identidade que se estabelece em seu meio, e da complexa relação entre experientes e novatos, quem se dispõe a organizar a base precisa ter paciência e jogo de cintura suficientes para ouvir, para dialogar com as mais diferentes posições, para ajudar a evidenciar até a que ponto sonhos e desejos não passam de ilusões e em que medida aquilo que o indivíduo considera um valor não passa de algo que atende interesses de classes bem distantes dos seus. Para que a relação dê os frutos desejados, não basta ter idéias, a disposição de não julgar como fútil o que, no momento, faz a vida do colega, mas é preciso também ter capacidade e preparo para inserir as demandas individuais num contexto mais amplo, coerência de vida e de princípios, sensibilidade para saber escolher o momento certo de intervir, tato para manter sempre aberto um canal de comunicação com os colegas de trabalho, coragem para mostrar abertamente possibilidades, limites e conseqüências de cada escolha, maturidade para saber apostar no envolvimento do coletivo e uma honestidade de fundo que os demais vão reconhecer não nas palavras, mas sim nas ações. Agora, este conjunto de atitudes, mesmo quando presente nos organizadores, tem cada vez mais dificuldades de penetrar no indivíduo se este, como já vimos, optar por vencer sozinho, se realizar sozinho, enfim, tiver as pupilas grudadas no próprio umbigo, pois sua resistência a se deixar questionar, seus sonhos de consumo e seu espírito de adaptação às exigências da empresa tendem a mantê-lo isolado e a mergulhá-lo numa espiral que o sufoca na exata medida com a qual se entrega a ela em busca do que chama de ?aproveitar a vida?ou de auto-realização?. - ?Se é assim, quais são os mecanismos que permitem explorar o sofrimento e as defesas individuais para elevar a produtividade e, de conseqüência, os lucros??. Satisfeita com o interesse do seu ajudante, Nádia franze as plumas do rosto e, ao balançar o corpo, se prepara a responder com a atitude de quem está disposto a ampliar a visão do ouvinte e a torná-lo atento à manifestação de processos tão simples e corriqueiros quanto carregados de novos desafios. Sem pressa, apóia as costas na pilha de livro e após, alguns instantes de silêncio, diz: - ?Além de todos os aspectos levantados nas páginas anteriores há um que costuma passar desapercebido aos olhos pouco atentos dos humanos, mas que, somado ao medo do desemprego e da frustração dos próprios sonhos, constitui uma forma de coação tão sutil e eficiente que o indivíduo passa a usá-la como parâmetro para medir a si próprio: a inversão de valores pela qual a virilidade é transformada em coragem, a submissão em virtude e a cegueira em capacidade única de enxergar a realidade?. - ?Você poderia ser um pouco mais clara...??, pede o homem ao empurrar os óculos contra a testa. - ?Então vamos por partes ? sugere a coruja ao espetar o ar à sua frente com a ponta da asa esquerda. Para que pessoas de bem, dotadas de senso moral aceitem fazer algo sujo ou assumam uma ativa servidão voluntária diante das demandas da empresa não é suficiente que haja pressões externas via medo do desemprego ou a simples possibilidade de ver seus sonhos pessoais irem por água abaixo. É necessário, isso sim, que elas acreditem estar fazendo o que é melhor tendo como base alguns valores, pouco importa se próprios ou adquiridos, em função dos quais se dispõem a controlar não só as respostas às solicitações do trabalho, mas também as próprias emoções e reações corporais que passam a ser submetidas a uma disciplina férrea que o sujeito impõe a si mesmo. Um exemplo vai ajudar a entender melhor o funcionamento deste mecanismo. Imagine uma situação na qual um exército tenha invadido o território de um país vizinho. Em sua marcha rumo à capital, colheitas foram destruídas, pessoas foram massacradas pelos soldados e parte considerável do que antes servia à sobrevivência da população ou foi confiscado pelas tropas de ocupação ou acabou perdido nos bombardeios. A fome reina soberana e, com ela, o desespero de milhares de seres humanos, todos eles civis desarmados. Ao saber que o sentimento de revolta contra os abusos sofridos está empurrando o povo a reagir contra o vencedor, o general reúne seus homens. Saudados os soldados com discursos patrióticos que enaltecem a coragem e a bravura demonstradas nos combates, ele usa seu prestígio para dizer: Está na hora de prestarmos mais um serviço à pátria, de realizarmos mais um ato de coragem que freie com nossas armas as forças que ameaçam a implantação dos valores que abriram caminho nas linhas inimigas e aqui nos trouxeram para realizar o destino histórico da nossa nação. Qualquer soldado que ouve este discurso com dois gramas de cérebro funcionando tem consciência de que o alto graduado do seu exército lhe pede para atirar em homens, mulheres, crianças e anciãos desarmados e inocentes que, por sinal, têm toda razão de se revoltar. Ao saber disso, você, como soldado, pediria para ser dispensado da chacina anunciada ou participaria dela controlando todas suas reações físicas e emocionais para executar de maneira eficiente a missão que lhe foi entregue atribuindo ao general toda responsabilidade pelos seus atos??. - ?Bom, numa situação como esta não é fácil decidir.... Mas, com certeza, seria quase impossível dar pra trás diante dos colegas de armas. Deixar as fileiras significaria abandoná-los, confessar-se fraco ou covarde... Enfim, enfrentar a atitude de apoio da maioria com um não, implicaria em desmoralizar-se diante de todos e, com certeza, virar objeto de chacota, gozação e execração pública... Acho que seria difícil não ir com os demais...?. - ?Veja bem. Ainda que cenas como esta se repitam em, praticamente, todas as guerras, o exemplo terrível que apresentei retrata justamente a inversão de valores da qual estava falando. O medo de ser desprezado e de perder a sensação de pertencer àquele coletivo, as preocupações relativas ao sofrimento de uma condenação pública e à aparente perda da própria identidade de soldado a serviço da nação levariam a maioria a participar da chacina, não a se recusar e, menos ainda, a usar a própria arma para atirar num sujeito que apela a valores patrióticos para justificar a participação coletiva num ato ignóbil e desprezível. O que seria um gesto de coragem (a recusa ou o tiro disparado contra o oficial) é visto como o seu oposto, ou seja, como uma postura covarde, no exato momento em que covardia é empunhar as armas e atirar contra gente indefesa e inocente cheia de razão em suas manifestações de descontentamento. Ao participar do massacre, o soldado comete o mal por motivos estritamente pessoais (não quer parecer frouxo ou covarde), mas, ao cometê-lo em nome do seu trabalho, faz esta atitude passar por desprendimento em relação a si próprio ou, até mesmo, por dedicação á causa, à nação, a um suposto bem-comum. O ingrediente principal que possibilita esta opção não é a coragem, mas sim algo bem mais simples e nefasto: a virilidade. É ela a fazer com que a pessoa não hesite em infligir dor e sofrimento aos demais em nome do exercício, da demonstração ou do restabelecimento do seu domínio sobre todos os valores éticos. Ao contrário da coragem (que não precisa de demonstrações espalhafatosas e pode ser até mesmo realizada no silêncio, na discrição e tem a própria consciência como único juiz), a virilidade demanda do indivíduo seguidas provas de visibilidade, de seu compromisso com o ambiente circunstante, precisa do reconhecimento alheio e está sempre disposta a chamar de fraco, frouxo, florzinha, bunda mole, mulherzinha, ruim de serviço, boiola, incompetente, covarde, medroso e assim por diante todos aqueles que resistem às suas exigências. E, como você sabe, ninguém gosta de ser visto como incapaz e sem coragem, ou seja, sem aquela que, por sinal, é considerada a virtude por excelência. Para o senso comum, a virilidade torna-se um valor na medida em que as pessoas a associam erroneamente a uma imagem de solidez, de sucesso, de capacidade de expressar e fazer valer a própria posição de poder, sem perceber que ela está essencialmente associada ao medo e à luta do indivíduo contra o seu medo. É por esta razão que o sujeito não hesita em lançar mão, inclusive, do exercício da força, da agressividade, da violência gratuita, cujas manifestações, ao serem analisadas detalhadamente pelo próprio indivíduo, se apresentam a ele como sinal patente de covardia, de algo repugnante, hediondo, diante do qual dá vontade de se afastar. Mas, ao se dar conta disso, o desejo de responder com a recusa ou a fuga diante do que é assumido coletivamente traz de volta a sensação de covardia, de falta de coragem. Neste emaranhado de percepções e sentimentos, o sujeito dificilmente percebe o erro grosseiro no qual está caindo: ele pode fugir de uma situação que considera odiosa e insuportável sem sentir nenhum medo pela punição ou pela própria vida. O problema é que a equação recusa-fuga-por-medo igual à falta de virilidade (ou de coragem, de acordo com as expressões corriqueiras do homem-massa) está tão arraigada em nossa cultura que as pessoas chegam a condenar sistemática e serenamente todos aqueles que fogem da raia. Por isso, não são poucos os que, ao dizer não, e, de conseqüência, se auto-excluírem do grupo ou acabarem marginalizados pelos demais, sentem-se tão humilhados e fracassados a ponto de caminharem em direção a atitudes de autodestruição. A inversão de valores faz com que o aplaudido e homenageado seja aquele que faz o mal sem sentimentos de culpa, sem perder a virilidade e o reconhecimento que esta lhe promete. No ambiente de trabalho, longe de atacar a causa do sofrimento, este mesmo mecanismo leva o melhor das energias físicas e psíquicas a ser usado, como já vimos, para fortalecer as defesas individuais e coletivas contra o sofrimento e não a lutar pela sua eliminação. Passo a passo, as pessoas se convencem de que, no fundo, trata-se de um trabalho como qualquer outro, que precisam se focar nele, que devem controlar o próprio corpo, silenciar suas emoções, aprender a correr riscos, a serem ousadas, a suportar a dor sem se queixar, a agüentar o tranco, a se superar, enfim, a fazer o que ouvimos todos os dias: a ter, veja só, coragem pra trabalhar. Via de regra, elas tendem a fazer estas afirmações mais com orgulho do que com pesar ou com sentimentos explícitos de resignação. De um lado, isso se deve à necessidade de exorcizar toda atitude e pensamento que representem uma crítica ao núcleo de convicções e vivências que construíram para si próprias e uma ameaça a trazer de volta o sentimento de culpa quanto à sua responsabilidade individual na manutenção do sofrimento coletivo. De outro, porém, não são poucos os funcionários para os quais um bom trabalhador é como um combatente destemido, aquele cuja conduta mostra ter assimilado as qualidades e os valores da organização e, portanto, é capaz de mobilizar todo o seu saber e criatividade para alcançar as metas propostas que, não poucas vezes, chega a ver como estímulo ao aperfeiçoamento pessoal e à superação de seus limites. Em breves palavras, a virilidade é assumida como virtude, no lugar da coragem, em nome das necessidades inerentes ao trabalho. Esta não é fruto de um processo espontâneo ou natural, mas sim da sucessão de elementos que permitem banalizar a injustiça e apresentar como normal e saudável toda justificação dos meios pelos fins proposta pelo capital?. - ?Mas isso é demoníaco!?, explode o secretário num átimo de fúria. - ?Nada disso ? rebate a ave ao balançar a cabeça. O que acabo de apresentar não passa de uma abundante colher de queijo na macarronada fumegante que acompanha o frango domingueiro: realça o sabor e estimula o apetite. Mas este mesmo queijo não faz sentido sem o macarrão e o frango que já estão prontos, ou seja, sem as demais condições que empurram o trabalhador coletivo a caminhar em direção ao matadouro justo quando acredita estar sendo convidado a um banquete?. - ?Então...?. - ?Então isso quer dizer que, contraditoriamente, ao buscar sua realização pela adesão ativa à lógica da empresa o sujeito eleva o grau de risco contra si próprio e contra os demais, corrói sua identidade, desgasta os valores coletivos que dão sentido à vida em sociedade e caminha, passo a passo, em direção à sua destruição. Ainda que haja situações diferenciadas de empresa a empresa, de setor a setor, ou formas e complexidades que variam a depender da categoria, da dificuldade de reposição da força de trabalho, do grau de estudo e da função exercida, este processo percorre etapas quase simultâneas que impedem às pessoas de saírem do círculo vicioso no qual mergulharam. O envolvimento com as metas traçadas pela organização leva o empregado a se dedicar corpo e alma ao seu trabalho. O fato de ele compensar parcialmente o esforço físico e mental despendido com o reconhecimento dos colegas e superiores, ou com a realização de sonhos de consumo, não neutraliza os efeitos do progressivo isolamento em relação aos demais, nem o sofrimento que, com o tempo, o alerta quanto ao seu próprio processo de adoecimento. Ao perceber esta realidade nua e crua, e temendo se tornar um elemento dissonante com o contexto da produção, o sujeito começa a travar uma luta ferrenha contra tudo o que o coloca frente a frente com as marcas que o trabalho deixa no seu corpo. Aceitar que está adoecendo é reconhecer a possibilidade de ser o próximo a ser posto para fora da empresa, ou seja, de vir a integrar o grupo dos sem futuro ou de ser forçado a reduzir o nível de vida conseguido até o momento. Longe de enfrentar a causa, via de regra, as pessoas se concentram no sintoma e em tudo o que teima em fazê-lo aparecer. Se o refletir sobre a própria condição eleva ainda mais a sensação de insegurança, o jeito, então, é anestesiar o pensar e o sentir, pois, de um lado, há um rechaço da realidade e, de outro, em direção oposta, há a percepção do perigo que esta representa. O indivíduo sabe, mas prefere não saber. Por isso, uma das saídas iniciais diante dos primeiros sinais de alerta do corpo e de sua estrutura psíquica é a de não dar bola a eles apelando para a capacidade de segurar o rojão comprovada nas situações vivenciadas no passado e fantasiada de maneira excessiva justo na hora em que alarmes evidentes indicam um nível de desgaste preocupante. O esforço de esconder o próprio sofrimento e a crença do sujeito de que, à diferença dos demais, nada ruim vai acontecer com ele se ele não deixar a peteca cair passam a ser sustentados pelo aumento voluntário do ritmo de trabalho. Produzir mais não é apenas uma forma de pensar menos nos sofrimentos já experimentados, mas a pedra angular com a qual o trabalhador procura demonstrar a si próprio que ele não é um fraco, que não vai ficar chorando pelos cantos e que a dor não vai derrubá-lo. Do mesmo modo em que, ao superar o exame de direção, o motorista novato acelera para provar que se sente seguro em relação à sua capacidade de guiar o carro, e depois acaba batendo exatamente por não conseguir controlar sua potência e reações na estrada, a elevação do ritmo agrava as condições de saúde física e mental na exata proporção em que o sujeito se esforça para exorcizar esta possibilidade. Isso ocorre porque, no lugar de pisar no freio após chegar aos 80 por hora, ele bota os dois pés no acelerador. O ronco do motor avisa que ele está preste a passar dos limites, mas quanto mais o barulho fica estranho, mais o empregado se convence da necessidade de não recuar, de continuar negando que as coisas estão se tornando insustentáveis. Ao perceber que os novos patamares de produção, tão caros e desejados pelos lucros empresariais, não bastam para vencer o sentimento de insegurança que volta a ameaçar o frágil equilíbrio de corpo e mente, o trabalhador não apenas silencia o que está sentindo, como passa a negar o sofrimento manifestado pelos colegas. Ele não tolera quem rompe a barreira do silêncio para expressar o que sente justamente porque vê em suas palavras e gestos o convite a reconhecer e partilhar uma realidade que aumenta a sensação de ameaça de aniquilamento, de angústia, de desintegração dos próprios sonhos e da sua personalidade. Por isso, não hesita em chamar estes colegas de frouxos, a se isolar, a negar o que está sentindo, a atribuir o sofrimento dos demais a fragilidades estritamente pessoais das quais ele não partilha por ser forte, capaz de se superar e, obviamente, por não lhe faltar coragem pra trabalhar. Ao mobilizar nesta direção todos os recursos disponíveis, o empregado torna-se literalmente incapaz de recusar-se a submeter sua vida a um trabalho que o destrói ao mesmo tempo em que continua vendo a empresa como âncora de salvação, como porto seguro diante da tempestade que se aproxima. A situação precipita quando a doença chega com tamanha força que impossibilita a realização das tarefas que faziam e davam sentido aos melhores anos de sua existência como ser humano. O trabalho que amava e ao qual sacrificava todas as energias na certeza de que lhe daria sempre o reconhecimento almejado, a proteção desejada, a sua realização profissional e humana, além da possibilidade de fazer seus sonhos virarem realidade acaba de decretar que ele já não serve aos seus propósitos. Seus atestados são visto como algo que prejudica o desempenho financeiro da instituição, seu pouco interesse e baixo ritmo de produção como frescura a ser punida com medidas disciplinares. A carta de demissão ou as pressões para pedir a conta são justificadas perante os demais funcionários como a necessidade de se livrar de um peso, de uma carga inútil que estorva o sucesso dos colegas e impede que a organização atinja seus objetivos. O sofrimento físico e mental que, por semanas, meses e anos, havia garantido à empresa a possibilidade de ampliar as metas, elevar a produtividade e o lucro, acaba de se transformar no seu contrário e, por isso mesmo, a peça estragada precisa ser colocada de lado com a mesma naturalidade com a qual parece justo, lógico, normal e inteligente se livrar de uma mala sem alças. Posto de lado como um pneu careca, o sujeito percebe que o nós pronunciado pelos superiores hierárquicos toda vez que o coletivo precisava assumir as demandas vindas de cima não existe mais. Em seu lugar, para ele, sobra apenas um refugo de eu à beira da desintegração. A sensação de morte, de fim de linha, de ponto final para todos os sonhos de afirmação pessoal abre as portas para o que os especialistas chamam de ?doenças da solidão? em função da causa que está na sua origem?. - ?Doenças da solidão...?!??, repete o homem entre a pergunta e a afirmação. - ?Exatamente, querido secretário. Trata-se de um conjunto de distúrbios que, no local de trabalho, ganha corpo e se agrava na medida em que o capital vem implementado as idéias e as práticas que analisamos desde o início deste trabalho. Diante delas, as empresas revelam alguma preocupação somente quando as vítimas fazem elas registrarem perdas financeiras ou prejuízos em termos de imagem pública. Por se tratar de um tema complexo, vou delineá-lo com mais calma no próximo capítulo ao tratar de...?. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090526/02a3ba7d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 26 19:24:06 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 26 May 2009 19:24:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_40_anos_do_assassinato_de_Pe=2E?= =?windows-1252?q?_Ant=F4nio_Henrique_Pereira?= Message-ID: <00cc01c9de50$bfa28960$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: apap.anistiape at bol.com.br APAP 10 anos (1998 / 2008) -"Preservar a memória é uma forma de se construir a história!" Caros (as) amigos (as) Estão programadas duas atividade para lembrarmos os 40 anos do assassinato de Pe. Antônio Henrique Pereira. Ele foi seqüestrado na noite do dia 26/05/1969 e levado para o Campus da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde foi barbaramente torturado, durante toda a madrugada do dia 27/05. Ali, agonizou horas sob tortura e depois foi executado. Seu corpo foi deixado alí mesmo, naquele local, sendo encontrado de manhã. Seu enterro aconteceu no dia seguinte, acompanhado por milhares de pessoas e vários sacerdotes da igreja católica, incluindo Dom Helder Camara. Em sua memória, teremos um ato no dia 27, nesta quarta-feira, das 15h as 17h, no local onde foi encontrado o corpo de Pe. Henrique, no Campus da UFPE, com assentamento da pedra fundamental da Praça da Liberdade - Padre Antônio Henrique Pereira, num área em frente ao Restaurante Universitário. No dia 28, quinta-feira, das 9h30min às 11h30m, no auditório do Centro de Educação da UFPE, haverá uma mesa redonda, com familiares de Pe. Henrique, um dos seus amigos, anistiados políticos e estudiosos do marxismo e da história. "Embora todos os responsáveis pelo bárbaro assassinato tenham ficado impunes até hoje, nunca foi possível esconder a verdade e negar os fatos. E, por isso mesmo, vítima dessa atrocidade, padre Henrique estará sempre presente em nossa memória. Em nossos corações, em nossas mentes, em nossas lutas". Viva padre Antônio Henrique! Presente Ontem, Hoje e Sempre! convite. PELO DIREITO À VERDADE, À HISTÓRIA E À MEMÓRIA! 28/Maio/2009 9h30 (início) Mesa Redonda ?Em memória de padre Antônio Henrique, no 40º ano de sua morte? Com a participação dos professores Isaíras Padovan, Lurildo Saraiva, Socorro Abreu, e do economista Antônio De Campos Coordenação do professor Daniel Rodrigues Auditório do Centro de Educação (CE) Campus Universitário / UFPE PROMOÇÂO Depto. de Fundamentos Filosóficos ? CE/UFPE Associação Pernambucana de Anistiados Políticos - APAP Grupo de Estudos e Pesquisas Marxistas - GEMA APOIO Fórum de Ações Populares - FAP Unidade Coletivo Sindical e Social - UCS -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090526/a77f2481/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 28 20:10:46 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 28 May 2009 20:10:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=22A_Casa_de_Heron=22__livro_de?= =?windows-1252?q?_Jos=E9_Fernando_Chiavenato__-_lan=E7amento_dia_2?= =?windows-1252?q?9_de_maio_=E0s_19=2C00_hs_no_Caf=E9_do_Theatro_Pe?= =?windows-1252?q?dro_II__-_em_Ribeir=E3o_Preto-SP?= Message-ID: <043d01c9dfe9$8abb6240$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090528/d054ff02/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 67595 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090528/d054ff02/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 29 18:18:15 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 May 2009 18:18:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_V_SEMANA_GRAMSCIANA____de____20_a?= =?iso-8859-1?q?_26_de_junho___em_Ribeir=E3o_Preto-SP___-____Local?= =?iso-8859-1?q?=3A_Memorial_da_Classe_Oper=E1ria-UGT_-_Rua_Jos=E9_?= =?iso-8859-1?q?Bonif=E1cio_n=BA_59_-_Centro?= Message-ID: <00b001c9e0a2$fb001460$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...........................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- V Semana Gramsciana -------------------------------------------------------------------------------- 20 a 26 de junho de 2009 Ribeirão Preto - Brasil -------------------------------------------------------------------------------- DESAFIOS PARA A ORGANIZAÇÃO DA CULTURA NA SOCIEDADE BRASILEIRA -------------------------------------------------------------------------------- PROGRAMAÇÃO -------------------------------------------------------------------------------- Sábado, 20 de Junho - 15h00-17h30 Conferência de abertura Cultura e Hegemonia: A Construção do Debate Cultural em Gramsci e os Desafios Contemporâneos Conferencista Cristina Simões Bezerra Docente da Faculdade de Serviço Social da UFJF Coordenação Marcelo Pedroso Goulart Promotor de Justiça e membro do Seminário Gramsci Local: Auditório do Espaço Palace de Cultura (ao lado do Teatro Pedro II) -------------------------------------------------------------------------------- Domingo, 21 de Junho - 16h00 Tema O direito à memória na América Latina Exibição de filme Chove sobre Santiago (Chile) Diretor: Helvio Soto Sinopse: Filme sobre o golpe militar no Chile em 1973. O filme retrata a preparação e o momento do golpe de Estado, no momento em que o governo de Salvador Allende é derrubado. (110 minutos / legendado) Debatedores Alberto Aggio Docente da Faculdade de História, Direito e Serviço Social da UNESP Sérgio Muniz Cineasta e ex-diretor da Escuela Internacional de Cine y TV San Antonio de los Baños Coordenação Paulo Piu Merli Franco Advogado e membro do Seminário Gramsci Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- Segunda-feira, 22 de Junho - 19h00 Painel Arte e Organização da Cultura Expositores Anita Simis Docente da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara da UNESP José Antonio Segatto Docente da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara da UNESP Coordenação Luciana Rodrigues psicóloga e membra do Seminário Gramsci Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- Terça-feira, 23 de Junho - 19h00 Painel Saúde, Serviço Social e a Organização da Cultura Expositores Marina Maciel Abreu Docente do Departamento de Serviço Social da UFMA Maria do Carmo Gullaci Guimarães Caccia-Bava Docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Coordenação Sitiane Monção Enfermeira e membra do Seminário Gramsci Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- Quarta-feira, 24 de Junho - 19h00 Painel O papel dos meios de comunicação na organização da cultura Expositores Alípio Freire Jornalista, Poeta e Artista Plástico Edmundo Fernandes Dias Docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp Coordenação Augusto Caccia-Bava Docente da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara-UNESP e membro do Seminário Gramsci Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- Quinta-feira, 25 de Junho - 19h00 Painel Educação e organização da cultura Expositores Rosemary Dore Heijmans Docente da Faculdade de Educação da UFMG Carmen Lúcia Bezerra Machado Docente da Faculdade de Educação da UFRGS Coordenação Ana Paula Soares-Silva Docente da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Ribeirão Preto da USP e membra do Seminário Gramsci Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- Sexta-feira, 26 de Junho - 19h00 Painel de Encerramento Desafios para a organização da cultura: uma abordagem regional Expositores Augusto Caccia-Bava Docente da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara da UNESP e membro do Seminário Gramsci Ana Paula Soares-Silva Docente da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP e membra do Seminário Gramsci Luciana Rodrigues Psicóloga e membra do Seminário Gramsci Marcelo Pedroso Goulart Promotor de Justiça e membro do Seminário Gramsci Coordenação Maria Aparecida dos Santos Pesquisadora do Seminário Gramsci e do Memorial da Classe Operária Local: Memorial da Classe Operária-UGT - Rua José Bonifácio nº 59 - Centro -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090529/7725dbef/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 30 19:41:06 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 30 May 2009 19:41:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Am=E9rica_Latina=2C_um_continen?= =?windows-1252?q?te_sem_teoria=3F?= Message-ID: <006701c9e177$b893edb0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. América Latina, um continente sem teoria? O professor Nildo Ouriques, da UFSC, contesta artigo de José Luís Fiori, publicado nesta página: "No Brasil, o debate acerca da dependência sempre foi mal compreendido. Contudo, este desconhecimento não é resultado do acaso, pois tem sido construído como um instrumento de dominação política e de legitimação do capitalismo dependente no país". Nildo Ouriques Em recente artigo ? Um continente sem teoria ? José Luis Fiori nos oferece uma brevíssima e curiosa história das idéias na América Latina destinada a espetar o liberalismo que sempre se contentou em repetir nos trópicos as teorias ?cosmopolitas? que com freqüência colonial aqui se reproduzem. Contudo, neste breve artigo, Fiori adere ao esporte nacional preferido pela intelectualidade paulista: a crítica à interpretação marxista da dependência e o elogio velado ?a escola paulista de sociologia?, especialmente aquela vinculada ao nome de Fernando Henrique Cardoso. No Brasil, o debate acerca da dependência sempre foi mal compreendido. Na verdade, é quase que desconhecido entre nós. Contudo, este desconhecimento não é resultado do acaso, pois tem sido construído como um instrumento de dominação política e de legitimação do capitalismo dependente no país. As ciências sociais paulistas ? USP e UNICAMP especialmente, mas não exclusivamente ? manufaturaram um consenso sobre a teoria da dependência que rendeu prestígio acadêmico e posições no aparelho de estado para alguns professores, mas é rigorosamente falso. O principal ?argumento? para a manufatura do consenso é agora repetido por Fiori, para quem a vertente marxista da dependência considerava ?o desenvolvimento dos países centrais e o imperialismo um obstáculo intransponível para o desenvolvimento capitalista periférico. Por isto, falavam do ?desenvolvimento do subdesenvolvimento? e defendiam a necessidade da revolução socialista imediata, inclusive como estratégia de desenvolvimento econômico?. (Cursiva nossa, NDO) Sabemos que a fórmula ?desenvolvimento do subdesenvolvimento? é uma criação do genial André Gunder Frank. O mineiro Ruy Mauro Marini, quem defendeu a necessidade de uma teoria marxista da dependência e deu importante contribuição nesta direção com seu magistral Dialética da dependência, escreveu que a formula frankiana era mesmo ?impecável?. Portanto, posso concluir sem medo de errar que a crítica de Fiori ? repetindo agora Fernando Henrique Cardoso, Guido Mantega e José Serra ?esta dirigida basicamente contra Frank e Marini. Mas esta crítica é essencialmente injusta e não corresponde a história do debate. André Gunder Frank (1929-2005) jamais disse a asneira de que o capitalismo era inviável na periferia do sistema mundial. Ao contrário, Frank, que pode ser considerado sem dúvida o precursor do debate marxista acerca da dependência, não somente desbancou as teses sobre a feudalidade na América Latina, como foi o principal crítico do capitalismo dependente que se desenvolvia aos olhos de todos. Neste contexto, a crítica recente é injusta porque o próprio Fiori teve o privilégio de assistir aos seminários de Frank no Chile e certamente ouviu não poucas vezes do próprio sua crítica tanto ao reformismo comunista quanto ao estagnacionismo que de certa forma seduziu muita gente antes do chamado ?milagre brasileiro?. Mas nao era necessário participar das aulas de Gunder Frank para saber o óbvio sobre sua longa e ainda desconhecida obra; bastaria (re)ler Capitalism and underdevelopment in Latin América. Historical studies of Chile and Brazil para entender a posição de Frank e sua notável contribuição ao debate das idéias latino-americanas. É correto afirmar que em épocas passadas existiam aqueles que defendiam ? reciclando idéias cepalinas tingidas de marxismo do Partidão (PCB) ? que os ?obstáculos externos? ao desenvolvimento representavam uma estratégia imperialista. Postulavam, portanto, que a ?nação? deveria se opor ao ?imperialismo? o que, obviamente, implicava em uma aliança de classe no interior do país dependente entre o proletariado e a burguesia considerada ?nacional?. Mas precisamente contra estes, André Gunder Frank dirigiu suas baterias, destruindo a numa só vez o ?mito do feudalismo na agricultura brasileira? e os ?obstáculos externos? ao desenvolvimento. Foi uma crítica devastadora e ainda insuperável ao dualismo estruturalista da CEPAL e aliados. A fórmula ?desenvolvimento do subdesenvolvimento? capta com precisão esta dinâmica. Ao contrário daqueles que afirmavam os ?obstáculos? e/ou o ?estagnacionismo? ? presentes nos escritos de Furtado em 1965, por exemplo ? Gunder Frank e Ruy Mauro Marini afirmavam que o desenvolvimento capitalista efetivamente ocorreria, mas sob a forma do subdesenvolvimento. Na breve historia narrada por Fiori, existiria uma vertente da teoria da dependência ? de filiação a um só tempo marxista e cepalina (!?) ? que teve vida mais longa e logrou resultados melhores, num surpreendente e discreto elogio ? tanto tardio quanto surrado ? à FHC. Contudo, a tipologia construída por este e Enzo Faletto no Dependência e desenvolvimento na América Latina é obviamente de inspiração weberiana e o reconhecimento do conflito de classes no interior da nação que despertou tanta simpatia nos intelectuais progressistas não é, como sabemos, exclusividade de marxistas, porque também existem liberais que valoram a luta de classes sem vacilação, ainda que não tirem as mesmas conclusões que os marxistas. O ?apagão mental? mencionado por Fiori foi produto de uma derrota política que, no Brasil, se consolidou com o golpe militar de 1964. No interior da luta pela democratização, os liberais progressistas fizeram sua parte, caluniando e falsificando a história do pensamento crítico, especialmente da versão marxista da dependência, sem recorrer aos textos de Frank e Marini, muitos ainda sem tradução ao português. O CEBRAP foi um instrumento valioso nesta operação ideológica, mas ?respeitáveis figuras? do mundo acadêmico paulista ? especialmente nas escolas de economia e sociologia da USP e UNICAMP ? aproveitaram a correlação de forças permitida pela ditadura para extirpar a principal contribuição marxista sobre o capitalismo latino-americano da vida intelectual e universitária brasileira. Frank e Marini não foram apenas proscritos: foram também falsificados! Outro tanto ocorreu também com Theotonio dos Santos, autor do imperdível ?Socialismo ou fascismo: o dilema latino-americano?, lamentavelmente ainda não traduzido ao português. Parte daquele ?apagão mental? é produto da outrora útil distinção partidária entre tucanos e petistas que sempre ocultou algo importante, cada dia mais difícil de disfarçar: no terreno teórico, tanto uns quanto outros se alinhavam na manufaturação do consenso em favor da versão palatável dos estudos acerca da dependência, representada por Cardoso e Faletto. Não é apenas uma coincidência que a tese doutoral de Guido Mantega, finalmente vertida no livro que adultera completamente as teses de Frank e Marini, foi orientada por Fernando Henrique Cardoso. Finalmente a questão central. Vivemos num continente sem teoria? É pouco provável. O programa de pesquisa lançado por Frank e Marini não foi superado teoricamente, ainda que sofreu uma derrota política a partir de 1964 pela força do terror de estado. Mas as condições mudaram radicalmente no cenário latino-americano e aquela vertente crítica da dependência, de extração marxista, esta sendo resgatada com muita força em toda a América Latina impulsionada pelos governos do nacionalismo revolucionário existentes na Venezuela, Equador e Bolívia. Mas também no Brasil o interesse pela teoria marxista da dependência voltou e não é mais possível reforçar o coro dominante que anestesiou algumas gerações de estudantes e militantes socialistas. Enfim, se efetivamente queremos construir um projeto nacional-popular para o Brasil ? que eu defendo socialista ? a tarefa intelectual decisiva é a superação do ?apagão mental? que tantas limitações impôs ao ambiente universitário e político brasileiro. Neste contexto, podemos ou nao compartilhar o ceticismo em relação as insuficiências teóricas nos programas destinados a superar a dependência e o subdesenvolvimento, mas não temos o direito de esquecer e menos ainda alterar os termos do debate de décadas passadas. Daí o caráter surpreendente do artigo de Fiori, pois ele reforça velhos preconceitos e não capta a nova correlação de forças que já esta criando uma nova América Latina sob o lema do ?socialismo do século XXI?. Afinal, diante do ?desenvolvimento do subdesenvolvimento?, não era o socialismo a única alternativa indicada por Frank e Marini? Professor do Departamento de Economia e presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos da UFSC. (www.iela.ufsc.br ) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090530/2bd5d990/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090530/2bd5d990/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 30 19:41:32 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 30 May 2009 19:41:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_La_tortura_en_EEUU_divide_a_la_?= =?windows-1252?q?clase_pol=EDtica?= Message-ID: <006f01c9e177$c7dce470$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. La tortura en EEUU divide a la clase política Marco A. Gandásegui, h. -------------------------------------------------------------------------------- En toda sociedad de clase quien tiene el poder tiende a abusar de él en algún momento. Para ello, quienes ocupan las posiciones de poder definen qué se considera un abuso y cómo se debe castigar al responsable. En el caso de EEUU, se ha abierto un debate en torno a la tortura. La pregunta es sencilla: ¿debe el gobierno utilizar la tortura para extraerle información a las personas que tiene bajo su control? A pesar de la sencillez de la pregunta, las implicaciones son muy complejas y deben ser cuidadosamente evaluadas. La idea de un debate sobre esta materia constituye, en sí, un paso atrás de siglos. Quienes participan del debate borran, de una vez, toda noción sobre los derechos humanos. No sólo en EEUU, practicante confeso de torturas a detenidos, sino del resto del mundo que lo tolera sin protestar. En el debate se plantean cuatro niveles: el legal, el político, el utilitario y el moral. Aunque parezca absurdo, una de las partes asegura que la legislación norteamericana permite la tortura. Además, argumenta con pasión que la tortura es una herramienta política válida para la seguridad nacional. La otra parte, alega que la tortura debe abandonarse porque no arroja resultados útiles. Por último, se asegura que la víctima no tiene moral, es mala y perversa, por lo tanto es legítimo cualquier abuso, incluyendo la tortura. En América latina, cuando los regímenes militares torturaban a los enemigos del orden establecido, lo hacían en forma secreta. No decían que era legal y menos que era políticamente correcto. Tampoco lo relacionaban con una moral justificadora. En su momento, la mayoría de los militares que abusaron del poder fue condenada por no respetar la ley, por sus errores políticos y por la inmoralidad de su actos. En EEUU, el presidente Barack Obama quiere abordar los abusos y las torturas que cometió el expresidente George Bush en su ?guerra contra el terrorismo? con guantes de seda y sin ensuciarse las manos. No lo podrá hacer debido a lo complicado del asunto. Si no logra extirpar a los torturadores de los ?terroristas islámicos?, como llaman a los detenidos en sus campos de concentración, mañana justificarán la tortura de los traficantes de drogas y otros ?enemigos?. Seguirán en la lista de torturados los inmigrantes ilegales y los partidarios del desarrollo en los países pobres. En esta misma lógica, seguirían los propios norteamericanos que serían llevados a cámaras de tortura especialmente concebidos para extraerles información. En la década de 1950, para destruir el movimiento obrero norteamericano se creó la gran ?cacería de brujas? encabezada por el Senado de aquel entonces. Fueron electrocutados varios ?brujos? comunistas, otros fueron encarcelados y miles perdieron su empleo. Cuando comenzaron a buscar ?comunistas? en las Fuerzas Armadas el presidente Eisenhower puso fin a las aventuras del Senado. ¿Podrá Obama poner fin a las torturas y controlar a los agentes que se alimentan de los temores ajenos? En Panamá y en América latina hay una historia larga de abusos por parte de quienes detentan el poder y explotan el entorno natural y social. Los debates han sido álgidos entre quienes luchan por descubrir los atropellos y aquellos que hacen todo lo posible por encubrirlos. En estos momentos, en Panamá, se denuncian los casos de las muertes de obreros de la construcción y de pescadores por parte de fuerzas del orden. Igualmente, las actividades mineras, energéticas, turísticas y de comunicación están acabando con comunidades enteras en toda la geografía del país. En el pasado reciente se luchaba contra los regímenes militares y sus abusos de los derechos humanos. En muchos de los casos ? Panamá, Chile, Guatemala, Brasil y los demás ? los responsables han sido llamados a capítulo y han tenido que responder por sus actos. En la actualidad, este debate ? con ribetes políticos y éticos - en torno a los abusos, y concretamente sobre las torturas, se ha trasladado a los pasillos del poder en EEUU así como a sus medios de comunicación. El presidente Barack Obama desde la Casa Blanca ha lanzado una ofensiva contra las prácticas de las distintas instancias norteamericanas que utilizan la tortura como forma de humillar y deshumanizar a los individuos que son identificados como amenazas a la seguridad nacional de EEUU. Obama plantea que la ?técnica? asociada con la tortura produce muy pocos resultados y, más bien, ha desprestigiado a EEUU en la comunidad internacional. Según el escritor mexicano Carlos Fuentes, el ex-vice-presidente de EEUU, Dick Cheney (2001-2009), se ha levantado como moderno Torquemada, para defender la nueva fe reciclada del ?American Century? en el hemiciclo del Congreso norteamericano. Cheney admitió ante los senadores que los torturados, ?combatientes ilegales? en el lenguaje del gobierno de EEUU, eran vestidos con "chalecos explosivos, sus heridas escarbadas con un pie, sus dolores aumentados por pentotal sódico (y recibían) la amenaza de cortarles los ojos". Cuando el senador John McCain le hizo una pregunta, Cheney le dijo: "Cierra la boca. Todos estamos aburridos de tus apologías contra la tortura. ¿Por qué no te unes al marica Specter (también senador) y te vas del otro lado? Cheney calificó a Obama, como "la delicada orquídea de Harvard" y lo acusó de "arrimarse a dictadores grasosos, dándoles besos a esos comadrejas europeos a los que nuestros militares liberaron". Cheney declaró en la audiencia que entre los métodos de tortura autorizados por la Casa Blanca de George Bush se encontraban retirarle medicinas a los detenidos, simular que se les ahogaba, el uso de serruchos para intimidar e informes falsos sobre la muerte de un hijo del detenido. Según The New York Times, la Casa Blanca aprobó a principios de la gestión de Bush el uso extremo y secreto de la tortura, e incluso la "desaparición" de los torturados. Cheney, en aquel entonces, insistió en su política de brutalidad y tortura y logró una orden ejecutiva autorizando los actos de coerción (los mismos que el ex vicepresidente defendió en el comité senatorial). Condoleezza Rice fue la que recomendó el reconocimiento público de que EEUU tenía detenidos sospechosos de ser terroristas. Cuando este procedimiento fue aprobado en la Casa Blanca, Alberto Gonzales, el procurador general de Bush, propuso la teoría de la "inmaculada concepción": llevar los prisioneros a Guantánamo, sin admitir que antes estuvieron secretamente detenidos. John Yoo, abogado del gobierno y co-autor de los ?memorandos sobre la tortura?, sentó doctrina al señalar que ?la víctima debe experimentar dolor o sufrimiento intenso, del tipo equivalente al dolor asociado a una herida física de gravedad, tan grave que provocaría la muerte, la falla de un órgano, o un daño permanente que provoque la pérdida de una función corporal importante?. El Juez Baltasar Garzón, de la Audiencia Nacional de España, está procediendo con una investigación contra los llamados ?Seis de Bush?, que incluye a Yoo y al ex procurador, Alberto Gonzáles. Carlos Fuentes quien destapó las declaraciones de Cheney es más optimista en relación con Obama. Señala que ?Obama trae una experiencia legal y una cultura jurídica que vienen a llenar el inmenso vacío dejado por la era Bush-Cheney. Al alegato de Cheney (la tortura era necesaria para la seguridad) Obama da a entender que la información obtenida bajo tortura suele o puede ser falsa, como lo demuestra la experiencia a posteriori de la era Bush-Cheney?. Además, agrega, que según Obama ?la seguridad nacional no implica la violación de la juridicidad nacional o internacional. Al contrario, el apego al derecho desarma al enemigo y la violación del derecho nos asimila a él?. En la década de 1950 el presidente Eisenhower logró poner fin a la ?cacería de brujas? cuando logró destruir el movimiento sindical y, de paso, acabar con los militantes comunistas en EEUU sospechosos de desleales. ¿Podrá poner Obama fin a la ?guerra contra el terrorismo? y a los abusos que desarrollaron sus promotores en las posiciones más elevadas del gobierno del presidente Bush? - Marco A. Gandásegui, hijo, es docente de la Universidad de Panamá e investigador asociado del Centro de Estudios Latinoamericanos (CELA) Justo Arosemena. http://marcoagandasegui.blogspot.com http://alainet.org/active/30581&lang=pt -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090530/4c5d0c72/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8738 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090530/4c5d0c72/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 31 15:03:11 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 31 May 2009 15:03:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__TERRA_DO_NUNCA________________-_?= =?iso-8859-1?q?M=DASICAS_EM_V=C1RIOS_IDIOMAS_/_Espanhol_/_Franc=EA?= =?iso-8859-1?q?s_/_Alem=E3o_/_Italiano_/_Ingl=EAs_/_Portuguesas=2E?= =?iso-8859-1?q?_________________________________________________HO?= =?iso-8859-1?q?JE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <02e301c9e21a$100a5730$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Kachorrão TERRA DO NUNCA Vou fazer uma curta descrição sobre as músicas, porque elas são o meu Hobby, mas a Terra do Nunca, é um verdadeiro sonho. Músicas em vários idiomas / Espanhol / Francês / Alemão / Italiano / Inglês / Portuguesas, Álbuns Completos de músicas de Filmes celebres, Músicas Infantis, Clássicas etc. Conta no momento com 1.200 músicas com letra e voz. Tudo isso com gravações originais e letras para cópia. São tantas as maravilhas mostradas nesse suntuoso Portal que só quero pedir que o visitem, Obrigado http://www.magossi3.hpg.com.br/index.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090531/554fb9c5/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090531/554fb9c5/attachment-0001.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24442 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090531/554fb9c5/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 20731 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090531/554fb9c5/attachment-0001.bin