From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 1 19:05:47 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 1 Jun 2009 19:05:47 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Convite_S=E1bado_Resistente_-__?= =?windows-1252?q?_=22A_LUTA_CONTRA_A_TORTURA_E_OS_DIREITOS_HUMANOS?= =?windows-1252?q?_=96_ONTEM_E_HOJE=22___-___dia_13_de_junho?= Message-ID: <069701c9e305$1f4e5a20$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: rosenm Sábado Resistente Data: 13 de junho de 2009, das 14h às 17h30 Local: Memorial da Resistência - Largo General Osório, 66 ? Luz -São Paulo -SP- A LUTA CONTRA A TORTURA E OS DIREITOS HUMANOS ? ONTEM E HOJE No mês de Junho se celebra o Dia Internacional Contra a Tortura. A adesão da luta contra a tortura é um compromisso não só do Estado brasileiro, signatário da Convenção Internacional Contra a Tortura, mas um dever ético e moral de toda a sociedade civil. A erradicação desta prática hedionda torna-se um imperativo constante na medida em que se percebe que é uma prática ainda corrente no país, acreditando que flagelar é um dos meios de combate à violência, quando na realidade é apenas uma de suas faces. Em homenagem a este dia, o Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum Permanente de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate sobre visão de setores da sociedade que ainda resistem em acreditar que essa prática é um mal do qual os brasileiros não se podem livrar. Programa: 14h ? 14h15: Apresentação/Coordenação: Katia Felipini Neves ? Museóloga ? Memorial da Resistência. Maurice Politi ? Ex-preso político ? Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política 14h15 ?15h45: Palestras Moderador: Raphael Martinelli Advogado. Líder sindical ferroviário e ex-dirigente do CGT (Comando Geral dos Trabalhadores). Presidente do Fórum Permanente dos Ex-presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Ex-preso político. Debatedores: Dr. José Henrique Rodrigues Torres Juiz de Direito da Vara do Júri de Campinas e professor de Direito Penal da PUC-Campinas. Secretário-Executivo da AJD (Associação dos Juízes para a Democracia). Ivan Seixas Jornalista. Presidente do CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana). Ex-preso político. Gorete Marques Socióloga. Coordenadora da ACAT-Brasil (Associação de Cristãos contra a Tortura). Pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP e colaboradora da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos. Associada da Associação Nacional de Direitos Humanos - Pesquisa e Pós-Graduação (ANDHEP). 15h45 ?16h40: debate 16h45 ?17h30: visita ao Memorial da Resistência O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, amigos, estudiosos, estudantes e visitantes do Memorial da Resistência para o debate sobre temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090601/2f4b5bc2/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 2 18:40:18 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 2 Jun 2009 18:40:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Da_aliena=E7=E3o_=E0_depress?= =?windows-1252?q?=E3o=3A_caminhos_capitalistas_da_explora=E7=E3o_d?= =?windows-1252?q?o_sofrimento____________/O_trabalho_entre_prazer_?= =?windows-1252?q?e_sofrimento=2E_____________________-_PARTE__IV_-?= Message-ID: <09d001c9e3ca$b92c0aa0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem. Este é um dos trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história. Escolhemos esse texto, embora longo, mas que será apresentado todas as terças-feira, por parte. Trata-se de uma análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade, tratando-a mais como doença do que um problema que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as suas ilusões e mesmo do relacionamento humano. As leis do capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se reproduz perversamente na vida em sociedade. O nome dado a este trabalho, "Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento". Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem essa sociedade. Imprima as partes que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para entendê-la e, para a desalienação. Um abraço. Vanderley ps.agradecemos a professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari por permitir a divulgação pela Carta O Berro. Parte 4 Emilio Gennari professor Emílio Gennari atua como Educador popular e é Monitor de Formação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio (NEP-13). É autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e História. 4. Os mortos-vivos do trabalho. - ?Aposto que isso tem a ver com o assédio moral!?, afirma o ajudante ao tentar demonstrar que está aprendendo a lição. - ?Sim e não?, responde enigmática a coruja. - ?Mas, Nádia, este é um tema tão atual que não há quem não fale dele! E depois há milhares de processos judiciais contra as empresas que não só condenam esta prática como cobram compensações em dinheiro pelos estragos!?, insiste o homem ao não se dar por vencido. - ?O seu problema, querido bípede de óculos, é que o ângulo a partir do qual você enxerga a realidade continua fechado demais. É verdade que sair do umbigo para ver o pé já é um avanço, mas ainda não basta para perceber o que está em jogo e, muito menos, para criar condições capazes de reverter os processos que descrevemos acima. Para início de conversa, fique sabendo que não mais do que 10% dos que sofrem alguma injustiça no trabalho recorrem a um processo judicial e, destes, 6 fecham acordos bem inferiores aos próprios direitos, o que deixa os patrões numa situação extremamente confortável e com a clara sensação de que as vantagens da exploração do sofrimento vão propiciar aumentos consideráveis da eficiência e dos lucros ainda por muito tempo. Além disso, vale lembrar que a prática do assédio moral em suas mais variadas modalidades não é nova, mas tem sim a mesma idade do trabalho realizado para outrem em troca de pagamentos que possibilitem a própria sobrevivência. Chefes e patrões sempre perseguiram trabalhadores e trabalhadoras ora de forma aberta, ora disfarçada, com medidas autoritárias ou com tapinhas nas costas, gritarias ou repreensões paternalistas. Em todos os casos, o objetivo dos constrangimentos criados era sempre o mesmo: extrair mais trabalho, mais produção, mais lucro, enfim, melhorar as possibilidades e os ritmos da acumulação. O que é novo, portanto, não é o assédio moral, mas a realidade que abre as portas a distúrbios psíquicos, físicos e psicossomáticos cuja ocorrência cresce dia-após-dia até mesmo em profissões nas quais o dispêndio de esforço físico ainda é superior ao grau de tensão nervosa que acompanha o desempenho individual das tarefas. Nas páginas anteriores, vimos como as formas de solidariedade e companheirismo foram sendo desestruturadas em suas bases humanas fundamentais pelo aperfeiçoamento dos mecanismos que levam a considerar o outro como um concorrente a ser derrotado. Ao ocultar a injustiça e inibir a capacidade de indignação o indivíduo não só passa a considerar natural e inevitável o que não é, como assimila as vivências propostas a ponto de aderir a uma servidão voluntária que vai levá-lo à sua destruição. A condição para que estas pressões realizem o que o capital deseja é que o sujeito esteja só, abandonado pelos demais, enfraquecido em sua capacidade de ver e resistir à injustiça, incapaz de pronunciar o famoso você me paga ou você não perde por esperar com o qual a dignidade ferida dificulta a resignação, pressiona por algum tipo de reação e, ao reafirmar sua participação no grupo dos que não aceitam baixar a cabeça, renova os vínculos e a revolta dos demais que são vítimas da mesma situação. Por isso, mais que à fragilidade das pessoas, o avanço do assédio moral e das patologias a ele relacionadas é proporcional ao recuo da solidariedade e, com ele, da possibilidade de uma resposta que procure atingir diretamente as causas do sofrimento. Mas isso não é tudo. Para que as pessoas falem de si mesmas, de seus anseios, angústias ou temores e para que se sintam livres de colocar em palavras seus sucessos, seus sonhos e frustrações de forma aberta e duradoura é necessário que haja um vínculo de confiança no seio do trabalhador coletivo. Sem este laço de reciprocidade é quase impossível se submeter à apreciação e ao julgamento do outro, vencer o medo de ser ignorado ou censurado, alimentar com idéias, valores e formas de comportamento a identidade coletiva de resistência, enfim consolidar o chão sobre o qual se constrói a percepção comum da realidade e dos sentimentos de revolta perante a injustiça. Sozinho e sem uma autêntica comunicação com os colegas, o sujeito torna-se alvo fácil das manobras de assédio que o desestabilizam cada vez mais na medida em que aumentam nele o medo de ser visto como fraco, frouxo, incompetente ou imprestável pela chefia e desacreditado pelos colegas. A partir disso, ele consente em calar, duvida da validade de sua experiência e percepção toda vez que esta se choca com a visão dominante, sente pesar ainda mais em suas costas os efeitos deletérios do trabalho e, sem perceber, começa a andar de ré em direção ao abismo. Ele dá início ao processo que o transforma em morto-vivo no dia em que os vínculos com os demais se desgastam a tal ponto de impossibilitar o compartilhamento real da experiência que o sujeito tem da realidade vivenciada por todos. Este vazio passa a ser preenchido pelo medo, pelo retraimento, pela necessidade de sustentar a suposta eficiência das barreiras que cada funcionário ergue para se defender, pelos ressentimentos em relação aos demais, pela sensação de aridez oriunda da falta de convívio com os colegas e pela agressividade com a qual ataca quem atua no sentido de acordá-lo da anestesia que melhora sua capacidade de tolerar o sofrimento?. - ?E o resultado disso??. - ?Resultado: distúrbios do sono, gastrites, úlcera, problemas cardíacos, hipertensão, doenças de origem psicossomática e, o que mais assusta, burn out, síndrome do pânico, depressão e até mesmo o suicídio?. - ?Burn... o que...?!??, pede o secretário intrigado. - ?Facilmente confundido com o estresse, o burn out é algo bem mais insidioso. Pressionado pelo trabalho, o indivíduo experimenta uma sensação de exaustão física e emocional, eleva sua irritação e agressividade diante de situações corriqueiras até perceber que seu corpo e sua capacidade de reação estão entrando em pane. Como o próprio termo inglês indica, o sujeito se sente como uma terra totalmente queimada, um solo sobre o qual passou um fogo abrasador que transformou em cinzas todas suas energias físicas e psíquicas abrindo caminhos para a ocorrência de distúrbios bem mais graves. Freqüentemente registrado entre professores, bancários, agentes penitenciários, executivos e trabalhadores que lidam diretamente com o público em geral, este distúrbio revela uma ligação direta com uma tensão emocional crônica que nasce do contato excessivo com os outros e, particularmente, dos que dependem ou exigem seus cuidados. As primeiras manifestações costumam se disfarçar de insônia, hipertensão, úlceras digestivas, lapsos de memória, impaciência com colegas e familiares, sensação de fadiga crônica e frustração, vontade de largar tudo, de se mandar ou de sentimentos de onipotência acompanhados de traços típicos do comportamento paranóico. Estes sintomas, via de regra, acabam sendo tratados por si só e raramente são vistos como sinais de algo profundo e devastador a ser corrigido com práticas que busquem restabelecer o equilíbrio entre a vida no trabalho e a vida pessoal, ética e familiar?. - ?E, quanto à síndrome do pânico? Será que o trabalho chega a ser tão assustador a ponto de provocá-la??, pergunta o homem entre a ironia e a desconfiança. - ?Dos estudos consultados, aprendi que o trabalho não é a única causa deste distúrbio, mas sempre que a vida profissional é a base do pânico, nos deparamos com antecedentes de situações de muito estresse, metas elevadas, prazos apertados, responsabilidades excessivas, longos períodos de trabalho sem intervalos suficientes para repor as energias, tédio, a presença de uma atmosfera ruim na empresa, relações pessoais desgastadas, fracasso em obter promoções, medo da demissão ou uma profunda sensação de frustração em relação ao acerto de contas imposto pela realidade entre a idealização do próprio trabalho (ou de seu papel, como é o caso, por exemplo, dos trabalhadores na educação e do judiciário) e os magros resultados obtidos apesar do elevado dispêndio de energias. Associada aos elementos descritos nas páginas anteriores, a presença desses fatores pode levar a um descontrole do sistema de alarme do nosso corpo. Não sei se você sabe, mas toda vez que o cérebro detecta algum perigo, dispara uma série de reações químicas que nos deixam prontos para uma reação imediata. Nosso coração bate mais rápido e mais forte, a respiração se intensifica, os músculos se tendem, a temperatura do corpo sobe e a pele fica suada. Trata-se de algo normal que, ao ocorrer, prepara o organismo a enfrentar um perigo real. Nos portadores da síndrome do pânico, este mecanismo está desregulado e desencadeia falsos alarmes diante de situações corriqueiras que não representam qualquer tipo de ameaça. É como se uma sirene disparasse sem razão aparente, sem que haja uma ameaça real. Isso não significa que o sentimento de pavor e de pânico dos portadores desta síndrome não sejam reais e que seus corpos não passem pela mesma sensação física experimentada por qualquer pessoa diante de um perigo iminente. Simplesmente, o que acontece é que o gatilho destinado a detonar a reação química funciona na hora errada, quando não há motivo para isso. Ao experimentar um sentimento de súbito terror e uma sensação de morte, a mente das vítimas do pânico dispara, o coração parece sair pela boca, o suor molha a roupa, dores no peito, falta de ar, tontura e a clara impressão de que todo o controle sobre as próprias ações será paralisado ou perdido leva-as ao desespero. Sem terem consciência disso, a crise de pânico instala nelas o medo do medo. Ou seja, começam a temer que novos ataques possam acontecer e passam a evitar pessoas, lugares e situações que, em sua concepção, podem desencadear o pânico. Inevitavelmente, as atitudes defensivas adotadas para fugir de um novo ataque acabam provocando sérios transtornos em todos os aspectos da vida profissional e social dos que são atingidos por esta síndrome. Assim como o primeiro beijo a gente nunca esquece, o primeiro ataque de pânico marca profundamente a memória com uma sensação de ruína iminente que se auto-alimenta na medida em que suas vítimas deixam de prestar atenção naquilo que está em volta delas e passam a se concentrar diretamente sobre o que está dentro delas. Sentimentos, dores, sensações ou qualquer mudança nas reações do corpo, por simples que sejam, são percebidas como sinal de que algo pior está a caminho. Do medo de um infarto ao de estar enlouquecendo, da insegurança mais simples ao temor de certos pensamentos e sentimentos, o pânico provoca um círculo vicioso do qual é difícil sair sozinhos. Ainda que o primeiro ataque tenha durado poucos minutos, a sensação é tão devastadora que sua recuperação não vai ocorrer da noite para o dia, mas sim num lento processo no qual é essencial que o portador da síndrome aprenda a não fugir diante do que teme, não procure expedientes para tentar evitar, prevenir ou reduzir o pânico, mas comece a enfrentar o medo e os ataques para perceber que ele consegue sobreviver a seus efeitos, que é mais forte do que eles e que o próprio ataque é totalmente seguro. Entre os principais problemas para dar início a esta empreitada está a incapacidade do indivíduo perceber a relação que existe entre os ataques de pânico e as situações estressantes que foram se acumulando nos últimos doze meses e deixaram marcas profundas tornadas invisíveis pela sobreposição das terríveis sensações produzidas pela crise de pânico. Em geral, as pessoas acham que o primeiro ataque se deu em função de algo imediato, quando, na verdade, este é apenas o resultado visível de um descontrole ocorrido meses antes e que pode vir a se manifestar pela primeira vez em situações banais ou até mesmo no gozo de um período de férias, quando o afastamento do trabalho parece motivo suficiente para não procurar nele as causas da síndrome. A sobrecarga acumulada não tem hora marcada para disparar a sensação de terror que se experimenta e sua concretização se afasta no tempo. Com o ritmo lento das gotas que vão enchendo o pote, situações estressantes vivenciadas no trabalho estão entre os fatores que preparam silenciosamente o seu futuro transbordamento. Por esta razão, o que confunde ainda mais as pessoas que sofrem deste distúrbio é o fato delas se fixarem na gota d?água que fez o vaso derramar sem se dar conta de que isso só ocorreu porque ele estava cheio. Diante da ausência de fatos imediatamente visíveis, elas passam a acreditar que os distúrbios se devem a alguma doença grave do cérebro cujo ponto final é a morte ou a loucura. O problema é que o medo do pânico mantém o pânico vivo e deturpa em suas vítimas a interpretação de tudo o que acontece em volta delas. Dias bons ou ruins são comuns à toda a humanidade, e para a maior parte da população até mesmo as situações desagradáveis acabarão ficando para trás na medida em que as pessoas deixam de pensar nelas. Para as vítimas do pânico, porém, um dia ruim é sinônimo de que tudo dá errado, por isso, elas ficam tensas o dia inteiro, sentem-se pesarosas, incomodadas e acabam alimentando o pavor de ter mais um ataque de pânico?. - ?Mas isso é complicado demais para que um colega de trabalho possa ser de alguma ajuda!?, afirma o secretário ao apoiar o queixo na palma da mão esquerda. Alfinetada por esta conclusão, Nádia fixa o olhar no rosto do seu ajudante, cruza as asas na altura do peito e, batendo a pata direita na mesa, lança uma expressão de reprovação que sublinha o ?Será mesmo?!?? que acaba de se espalhar pela sala em alto e bom som. Com a cabeça dobrada sobre os papéis, os ouvidos humanos parecem se abrir humildemente ao inesperado. Mais alguns instantes de silêncio e, em tom sério, a coruja diz: - ?A primeira coisa que qualquer colega pode fazer é não piorar o que já está difícil, mas, para isso, ele precisa entender como os portadores deste distúrbio vêem o mundo. Ou seja, é necessário olhar para a realidade não com os próprios óculos, mas pelas lentes através das quais eles enxergam o que está em volta deles. O problema maior é que, aliada ao individualismo e à competição que marcam presença nos locais de trabalho, a falta de informação sobre estes distúrbios costuma ampliar os estragos existentes toda vez que as pessoas tentam ajudar à sua maneira, ou seja, pelas lentes através das quais elas vêem a vida e buscam lhe dar um sentido. Pra início de conversa, ajudaria bastante se, na dúvida sobre o que fazer, quem convive com as vítimas do pânico parasse de considerar como frescura, falta de caráter, parafuso solto ou sinal de miolo mole as expressões que os portadores da síndrome deixam transparecer em meio a mil constrangimentos e temores. Gozações, brincadeiras, frases preconceituosas ou apelos a sanções disciplinares por parte da chefia servem apenas para alimentar o medo de ver a própria vida ir por água abaixo, abundantemente presente nas pessoas atingidas por esse distúrbio. O que mais assusta é perceber como gente instruída ou considerada de bem procura tirar proveito dos distúrbios alheios para afastar o colega e ter assim a chance inesperada de subir na carreira. Aparentemente inofensivos e lógicos, seus comentários contribuem para que o outro que sofre se torne invisível perante os demais (e só volte a aparecer na hora do escárnio) e mostram-se incapazes de perceber que a situação vivenciada pelo colega é, na verdade, um sinal de alerta em relação à possibilidade do trabalho vir a danificar do mesmo modo sua própria integridade física e mental. O irônico disso tudo é que exatamente estas pessoas são as primeiras e mais agitadas na hora de dizer que aqui ninguém ajuda, ninguém dá uma chance quando seus projetos de ascensão são borrados ou obstaculizados por situações simples e corriqueiras. Cegos de amor pelo capital e pela ética que este viabiliza, são incapazes de perceber que não são os outros a se afastarem deles, mas, sim, são eles que atuam prioritariamente no sentido de desqualificar, derrotar e, portanto, colocar o outro bem longe de suas vidas e preocupações, impedindo assim um mínimo de vivência coletiva. Segundo, mas não menos importante, seria bom se, na tentativa de ajudar, não empurrássemos o colega para mecanismos que atrasam e dificultam sua recuperação. Estou me referindo, por exemplo, aos convites à resignação, a se conformar com a própria sorte como se a síndrome do pânico fosse uma sina ou, pior ainda, um castigo de Deus. Na mesma linha, não é para oferecer remédios que ajudem a acalmar nem para confirmar as atitudes que levam a evitar as situações nas quais a vítima do pânico acredita vir a ter um novo ataque e nem mesmo convidar a tomar uma branquinha pra esquecer. Por melhores que sejam as intenções, é muito bom que a solidariedade não se expresse no levantar o tapete debaixo do qual o portador da síndrome pretende esconder exatamente o que precisa enfrentar para trilhar o caminho da cura. Ao lado do que não é bom praticar, vale a pena esboçar algumas atitudes simples que podem fazer a diferença. No lugar de ridicularizar ou menosprezar a sensação de terror, procure estar com o colega nos momentos em que a insegurança e o pânico começam a se manifestar. Não precisa ser psicólogo ou psiquiatra, mas apenas gente que mereça este nome, para sustentá-lo na hora em que sua leitura dos dias ruins tende a alimentar a convicção de que não vai conseguir sair dessa ou está voltando à estaca zero. Parece paradoxal, mas na medida em que o atingido pela síndrome vai tendo melhoras, o medo de perder a sensação renovada de que a vida vale a pena ser vivida faz ele notar mais os dias ruins do que os bons. A memória do sofrimento padecido nos ataques passados age como um carrasco que, com sorriso maldoso, lembra que tudo volta à estaca zero, insinua que a recuperação nunca vai acontecer e que o pânico irá sempre mergulhá-lo na terrível espiral do medo. Nestes casos, agir positivamente não é apelar para o pensamento positivo, tão abstrato e irreal para o portador da síndrome a ponto de receber o convite como uma desconsideração de seus sofrimentos. Trata-se, isso sim, de ajudar a memória a agir no sentido inverso, ou seja, de resgatar as situações e as dificuldades já superadas, de recuperar os progressos já conseguidos, de cutucar a situação de choque e abalo temporário com a percepção de que não há cura milagrosa que faça o pânico desaparecer da noite pro dia, mas sim um caminho gradual no qual as crises se tornam mais espaçadas no tempo e menos intensas. Enfim, ajude a lembrar das pequenas melhoras conseguidas como prova material de que épocas boas são novamente possíveis, de que se continuar observando e fazendo o que já deu algum resultado ele poderá atravessar esta fase e consolidar sua recuperação que, no momento, parece colocada em dúvida por uma recaída temporária. As palavras terão efeito multiplicado quando blindadas por atitudes concretas que procuram transformar em gesto de solidariedade a presença amiga revelada pelo que dizemos. Basta pouco: ajude o colega a evitar algumas situações que acirram a tensão no trabalho ao mesmo tempo em que apontam que não é ele que está ficando louco, mas é o trabalho que serve a todos doses diárias de veneno que, em vez de ajudar a reagir, mergulham as pessoas no isolamento, no sentimento de culpa, na insegurança causada pela ameaça de ser o próximo a dançar, enfim numa ansiedade desgastante e desesperadora. Se não dá pra transformar um portador da síndrome do pânico em militante sindical, é possível agir no sentido de deixar marcos que, individual ou coletivamente, podem vir a questionar as certezas do senso comum e visualizar na prática que as coisas podem e devem ser diferentes. Não se trata de algo extraordinário, mas sim de atitudes simples, simplesmente humanas, que ao ampliar a percepção da realidade ajudam a visualizar possíveis caminhos de mudança e, sobretudo, a colocar na ordem do dia a necessidade do envolvimento e da responsabilidade individual na solução dos problemas coletivos?. - ?Agora, com a depressão as coisas devem ser mais complexas...?, comenta o homem em tom de desculpa. - ?É verdade ? reconhece a ave em meio a um longo suspiro. Mas o tamanho do problema e o grau de dificuldade que impõe não são razões suficientes para desistirmos de buscar respostas. Ainda que não haja uma depressão igual à outra, que esta tenha origens diferenciadas ou se manifeste em graus e profundidades que variam de pessoa a pessoa, que vitime o trabalhador e o arraste por caminhos tortuosos cuja superação envolve uma releitura do passado e do presente que só um especialista pode ajudar a realizar, quem procura organizar o local de trabalho não pode se limitar a constatar ou denunciar os possíveis vínculos desse transtorno com as relações de produção. Ele precisa entender seus mecanismos e efeitos sobre as pessoas atingidas para que suas ações o aproximem de quem retorna ao posto após passar por abalos depressivos e sua conduta sirva de crítica real (atenção: eu disse real, não verbal) dos elementos que fazem do sofrimento humano um dos combustíveis destinados a aumentar a produtividade e os lucros?. - ?Mas será que dá mesmo para percebermos como o deprimido vê o mundo??. - ?A sua pergunta faz sentido não só em relação ao debate sobre os elementos que permitem enfrentar os novos desafios da atuação na base, mas também pelo fato da própria Organização Mundial da Saúde apontar os distúrbios depressivos como responsáveis pela quarta causa de morte e incapacidade em escala mundial com uma clara tendência a ocuparem o segundo lugar até 2020 logo atrás das doenças do coração.[1] Em breves palavras, as depressões não são uma realidade passageira, mas sim algo que as mudanças em andamento dentro e fora das empresas tendem a tornar cada vez mais presente no cotidiano da história, na medida em que o enfraquecimento dos laços sociais apaga as dimensões essenciais da vida coletiva e fortalece o isolamento do indivíduo. Chamado a enfrentar sozinhos os traumas, as alegrias, as angústias, os sucessos e os fracassos de sua tensão para o reconhecimento, sem vivências coletivas que permitam sustentar e dar sentido ao sofrimento que é chamado a enfrentar, constantemente pressionado pelas ameaça de vir a ser um sem futuro e pelos seus próprios sonhos de consumo, o sujeito tende a se aniquilar na exata medida em que a busca do ter para compensar a falta de ser o transforma numa ilha sacudida pela tempestade. Viver o individualismo dos novos tempos, como dizia Einstein, é estar trabalhando sob o delírio apático pelo qual cada um é separado do outro, do resto do mundo material, do universo, quando na verdade somos todos partes inteiramente conectadas do próprio universo.[2] O impacto destes mecanismos nas vítimas da depressão leva-as a experimentarem uma perda de energia, de interesse e de satisfação na rotina do cotidiano acompanhada, em geral, por sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, sentimentos de impotência e de fracasso, incapacidade de experimentar prazer (intelectual, estético, alimentar e sexual), irritabilidade, uma profunda sensação de que a existência deixou de ter sentido e pensamentos de morte ou de suicídio. Esta situação de abatimento pode se expressar através de frases que apontam a ausência de qualquer perspectiva futura e de força para reagir ou pelo reconhecimento explícito de que não se tem mais valor algum. A percepção negativa que o depressivo tem da própria vida se reforça diariamente com as distorções que acompanham sua leitura da realidade. No ambíguo turbilhão da cotidianidade onde se confundem sentimentos e sensações opostas, as vítimas deste transtorno extraem lições negativas de situações que, numa condição de equilíbrio emocional, não apontariam neste sentido; retiram detalhes de seu contexto, superestimam sua importância e interpretam unilateralmente toda a sua experiência à luz do fragmento escolhido; generalizam facilmente conclusões precipitadas a partir de casos específicos e isolados; tendem ora a supervalorizar, ora a subestimar ou minimizar atributos pessoais, acontecimentos ou possibilidades futuras; relacionam consigo mesmos fatos ou reações alheias mesmo quando não há elementos para isso e colocam suas vivências em categorias opostas, o que faz com que tudo vire oito ou oitenta. A soma desses mecanismos faz com que a depressão degrade o eu da pessoa, eclipse sua capacidade de dar ou receber afeição, destrua a conexão com os demais, aniquile a capacidade de estar apaziguadamente apenas consigo mesmo e faz com que tudo o que está acontecendo no presente não passe de uma antecipação da dor futura, tão forte e tão intensa a ponto de apagar o passado e o presente. Tornar-se deprimido é como ficar cego, a escuridão no início gradual acaba englobando tudo; é como ficar surdo, ouvindo cada vez menos até que um silêncio terrível o envolve, até que você mesmo não pode fazer qualquer som para penetrar o silêncio. É como sentir sua roupa se transformando lentamente em madeira, uma rigidez nos cotovelos e joelhos progredindo para um terrível peso e uma isolante imobilidade que o atrofiará e, dentro de algum tempo, o destruirá.[3] Na depressão, as coisas mais simples exigem um dispêndio colossal de energia. Atender ao telefone pede um esforço sobre-humano, pois o braço pesa tanto quanto um elefante. Descer da cama, trocar de roupa, tomar banho, raspar a barba são atividades impossíveis para quem sente estar precisando de um guincho só para levantar a perna e fazê-la tocar o piso. Além disso, quando você está deprimido, precisa do amor de outras pessoas e, no entanto, a depressão provoca ações que destroem esse amor. Os deprimidos, geralmente enfiam alfinetes em seus botes salva-vidas.[4] Pouco a pouco, eles se tornam invisíveis porque sua própria doença faz com que cortem os contatos e as ligações humanas. A reação das pessoas ao encontrar alguém que sofre desse distúrbio é de rejeição e desconforto. Os que não estão afligidos pela doença não gostam de vê-la porque a visão do que ela produz os enche de insegurança e provoca ansiedade.[5] Nos casos mais graves, a existência se torna um inferno tão insuportável que o temor da vida pode superar em peso o temor da morte e abrir as portas para o suicídio.[6] Ou seja, se o comum é as pessoas não conseguirem pensar o mundo sem a sua presença, o deprimido pode chegar à conclusão de que o mundo seria um lugar melhor sem ele?. - ?O que ainda não consigo entender ? diz o ajudante ao coçar a cabeça ? é como alguém pode chegar a esse ponto sem se dar conta do que está acontecendo...?. - ?Simples, querido bípede de óculos. Via de regra, qualquer um de nós se comporta como uma castanheira centenária que, do alto de sua copa viçosa vê brotar uma pequena trepadeira na base do seu tronco. Para quem já enfrentou ventos, tempestades, frio, calor, secas e enchentes, o pequeno parasita parece algo totalmente insignificante ou que, com certeza, não pode ser visto como uma ameaça a quem, do alto de sua força e solidez, já atravessou os séculos. O problema é que aquele broto vai crescendo, não com uma velocidade assustadora ou efeitos imediatamente devastadores, mas sim devagarzinho, como quem busca um simples abrigo, uma chance para crescer ou um ponto de apoio para sair do chão e conquistar novas alturas. Trata-se de um processo lento, feito de idas e vindas, aparentemente inofensivo e perante o qual a castanheira sempre se ressegura com a certeza de que ela é maior, de que, afinal, o incômodo gerado pelo parasita não é tão grande e que os braços que agarram seu tronco dão até um colorido diferente que a distingue das demais árvores da floresta. Estação após estação, a trepadeira cresce a tal ponto que a árvore se sente sufocada, perde sua capacidade de respirar e articular as funções que proporcionam sua estabilidade e crescimento. Mas agora é tarde. A experiente castanheira mergulha de cabeça no pior dos mundos, ou seja, tem a morte como única perspectiva concreta de futuro imediato. Neste momento, ela lança um grito de dor que, não poucas vezes, ganha a forma de um profundo silêncio ou da mais terrível solidão diante das árvores que, a um passo dela, continuam povoando a floresta. Sozinha ela não pode fazer nada. Faz-se necessária e urgente a intervenção de uma ajuda especializada que desbaste a trepadeira e envenene suas raízes. A terapia e os antidepressivos são a foice e o veneno que serão usados na árdua tarefa de matar o parasita e salvar a castanheira. Como ela, o deprimido sente quando a trepadeira murcha e cai, mas, ao mesmo tempo, percebe que lhe restam poucas folhas para apostar na recuperação e que suas raízes estão ainda muito frágeis. O que é necessário para a estrita sobrevivência continua presente, mas não é nada agradável viver assim. Não é possível a castanheira se sentir forte, bela, sólida e resistente desta maneira. Qualquer brisa torna-se uma ameaça às poucas folhas que restam e, agora mais do que nunca, ela precisa se concentrar sobre si própria e poder contar com o apoio e a presença desinteressada das demais árvores da floresta, cujos troncos, ramos e folhas podem reduzir o impacto das intempéries e facilitar sua recuperação. Se é verdade que cabe à castanheira reunir as lembranças que a depressão afasta e protegê-las para o futuro, assimilar o alimento mesmo quando causa repugnância, movimentar seus ramos até quando cada folha parece pesar uma tonelada, bloquear os terríveis pensamentos que lhe inundam a mente, ter a coragem de superar a vergonha de continuar tomando os remédios, ouvir as árvores que torcem por sua recuperação e acreditar que vale a pena viver por elas mesmo quando, no fundo, não acredita nisso, é verdade que também a floresta tem que fazer a sua parte?. - ?Por exemplo...?? - ?Ora, um bom começo seria se as manifestações de abatimento próprias da depressão não fossem recebidas com ações que tendem a agravá-las. Refiro-me, por exemplo, às advertências da chefia, sanções disciplinares, ridicularização dos colegas, acusações gratuitas de falta de motivação, insinuações de que o cara é experto e está fazendo corpo mole para os outros se ferrarem, marginalização ou exclusão do grupo, avaliações de desempenho ou julgamentos éticos pelos quais o colega deprimido sente estar cedendo em sua fragilidade diante do que os demais parecem suportar sem grandes problemas. Se para a empresa só vale quem produz e dá o sangue para o lucro, para quem busca reconstruir vínculos de amizade e confiança capazes de alterar a percepção do trabalhador coletivo sobre o sentido do trabalho, as atenções devem ser centradas em comportamentos que revelam traços de autêntica humanidade, inteligência, lealdade e coragem para dar o nome aos bois ou colocar o dedo nas feridas. Trocado em miúdos, isso significa que devemos evitar, por exemplo, constatações tais como ele está pra baixo porque não tem Deus no coração. Algumas concepções e seitas religiosas tornam muita gente incapaz de ver que, como doença, a depressão, e não a falta de religião (que, por sinal, costuma ser prática corrente de um bom número de deprimidos), faz com que os olhos sejam cobertos por um véu cinzento através do qual o mundo e a vida passam a não ter cor. Isso significa que, como doença, a depressão se deposita esmagadoramente por cima da personalidade. Quanto mais o deprimido procura juntar os cacos dele mesmo, mais esse transtorno se encarrega de mostrar-lhe que ele vai continuar desmoronando e se fragmentando cada vez mais. Por isso, além de não ter nenhum contato privilegiado com o céu, quem julga um doente com base na fé é tão cego que sequer consegue perceber que está condenando alguém que já vive o inferno na terra em nome do mesmo Deus em quem diz acreditar e que, por sinal, ordena a qualquer homem de fé que ele deveria ser o primeiro a estender gratuita e desinteressadamente a mão a quem está se esforçando para sair do abismo. O preconceito baseado numa errônea interpretação religiosa da vida e dos acontecimentos faz com que algumas pessoas sintam a sensação do dever cumprindo mesmo quando acabam de jogar uma bigorna de ferreiro para alguém que, ao estar se afogando, pede uma mão, um galho, um pedaço de corda, enfim algo ao qual se agarrar para não afundar de vez. Um segundo elemento, tão prejudicial quanto o anterior, se expressa através de um convite nefasto que ganha as feições de um conselho de amigo: no seu lugar, eu jogaria fora esses remédios. São eles que te deixam lerdo e bobo. As pessoas não percebem que esta amostra típica do senso comum não só aumenta a vergonha do deprimido de ter que depender de uma medicação forte para manter um equilíbrio emocional que, às vezes, permanece instável por anos a fio, como é tão absurda quanto aconselhar alguém que está no meio de um tiroteio a se livrar do colete à prova de bala pelo simples fato de que este o faz suar ou está completamente fora de moda. Mas há algo aparentemente inofensivo que é igualmente prejudicial. Se, normalmente, um bom café ajuda a pegar no tranco, no deprimido, aquela xícara fumegante de líquido preto serve apenas para devorar as poucas energias com as quais conta e estimula respostas que tem a ansiedade como fator predominante. Algo bem parecido ocorre com o guaraná em pó ou com bebidas estimulantes que acabam jogando gasolina no fogo das sensações que o ajudam o deprimido a mergulhar mais em seus piores sentimentos. As coisas não são diferentes em relação ao álcool e às drogas. Além de cortar o efeito da medicação e desgastar ainda mais o organismo debilitado, deixam o portador desse transtorno com dois problemas: a depressão e as drogas. Não é difícil que haja também situações nas quais, sem perceber, corremos o risco de transformar no seu contrário uma atitude honesta de sincero companheirismo. Sensibilizadas com a situação dos colegas, há pessoas que passam a tratá-los como se fossem totalmente incapacitados sem perceber que a depressão pode agir exatamente no sentido da vítima do distúrbio se achar realmente incapacitada, talvez até mais do que normalmente seria. Na mesma linha, podemos ler a insistência de alguns convites a fazer, a se mexer, a se levantar ou a participar de algo que force o deprimido a sair do seu isolamento. O problema é que quando a doença é mais forte do que sua vontade, a capacidade de reação positiva cai abaixo de zero e, ao perceber que não consegue dar a volta por cima, o doente mergulha ainda mais nas malhas da depressão?. - ?Agora é que fiquei mais confuso ainda!?, prorrompe o secretário ao balançar a cabeça e empurrar os óculos contra a testa. - ?A depressão, meu caro, prende as pessoas nas armadilhas da própria mente ? diz a coruja ao apoiar a asa no peito do ajudante. Por isso, ajudar um deprimido é bem mais complexo do que aparenta ser. Às vezes, a única maneira que temos de fazer isso é ficando por perto, compartilhando com ele o seu silêncio, uma xícara de chá, uma música, respeitando seu momento e até mesmo sua vontade de ser deixado em paz. Em breves palavras trata-se de fazer com que nossas atitudes, por simples e singelas que sejam, lhe façam sentir a presença de uma mão amiga, de alguém disposto a ouvir e dialogar com seus momentos, de um olhar que torce por sua recuperação, de um coração que comemora de pé qualquer pequeno sinal com o qual o colega consegue romper o seu silêncio e a sua solidão. Mais do que servir para dar conselhos (que, em geral, não passam de um pé no saco[7]), as palavras, os gestos ou a presença silenciosa devem ser discretos, desinteressados e, por isso mesmo, fortes quanto basta para que o deprimido perceba que a vida dele é importante para os seus colegas de trabalho. Parece incrível, mas o simples fato de saber que outras pessoas se preocupam com o que lhe acontece é, em si, suficiente para afetar profunda e positivamente as ações e o espírito de quem sofre desse transtorno. O estabelecimento de relações mínimas de confiança não se dá por decreto ou por um ato unilateral da própria vontade, mas em práticas que, ao respeitar a situação do outro, não o tratam como criança, incapacitado ou coitadinho, mas apenas como amigo que precisa de ajuda e compreensão. Por este caminho, tanto o deprimido, como quem vive no isolamento ou na solidão proporcionadas por atitudes individualistas, pode recuperar aos poucos o interesse pela fala, ou seja, para colocar em palavras o que sente, sofre e faz ele se desequilibrar. Às vezes, o prelúdio desse momento vem através do choro que, freqüentemente, indica a entrada da pessoa nos compartimentos mais profundos da emoção. Expressões como Seja homem! Pare de chorar!, força, força, isso já vai passar, ou segure as lágrimas! Anime-se!, não ajudam a fazer com que quem está chorando possa dar voz ao que está mais no fundo dele, a expressá-lo, e, via de regra, deixam claro que não estamos dispostos a ouvir. Como conversar sobre si mesmo é colocar a própria mente diante do julgamento do outro, é necessário que quem chora, e sobretudo ele, sinta que está sendo entendido em seu drama e não condenado, desqualificado ou reprovado pelo que está vivenciando. Por isso, uma frase como se as suas lágrimas tivessem voz, o que estariam dizendo? ajudaria bem mais a vencer a dura tarefa de romper a barreira do silêncio. Ao colocar em palavras o que sente, até a vítima da depressão tem uma boa chance de melhorar o seu estado de espírito, de, ao falar, começar a dar o justo valor às coisas, a continuar articulando seus sentimentos. Se discursos sobre acontecimentos negativos são dolorosos, falar sobre o sofrimento concreto ajuda a aliviá-lo. Passo a passo, a abertura que se estabelece com o deprimido deixa livre acesso a colocar em dúvida suas expressões categóricas como sei que as coisas nunca vão mudar, não tem mais jeito de eu ficar bom ou é sempre assim, hoje estou um pouco melhor, mas já sei que amanhã vai ser pior. Se a confiança já abriu a porta da comunicação, o seu convite a dar um passo de cada vez, a resistir dando tempo ao tempo e o resgate das melhoras alcançadas pode ajudar a questionar o falso senso de desamparo, a dar o justo valor aos acontecimentos, a perceber que as coisas estão assim neste momento, mas não vai ser sempre assim, ou, ainda, a fazer a pessoa perceber que é a depressão que está falando através dela. Como não há palavras mágicas que proporcionem o fim imediato dos pesados efeitos deste distúrbio, faz-se necessária a construção de uma relação adulta, capaz de perceber e valorizar, inclusive, o olhar mais aguçado que o deprimido tem da realidade, sua velocidade e essencialidade na hora de ir direto ao ponto, sem rodeios, sem meias palavras, sem ocultar aspectos verdadeiros que costumam ferir a sensibilidade alheia. Rejeitada pelo senso comum como ameaça à sua busca de segurança, esta visão pode ajudar a descobrir os caminhos pelos quais, ao apostar no companheirismo sincero podemos descobrir os elos perdidos de uma relação humana que sirva de base à reconstrução do sentimento de indignação com o qual o trabalhador coletivo pode reavivar sua rebeldia?. - ?E eu que acreditava que a depressão fosse frescura de rico, ou que desse pra resolver com algum texto de auto-ajuda...?. - ?Esse erro comum é parte do que continua levando colegas de trabalho a se afastarem um do outro por acreditarem que os transtornos depressivos não passam de fragilidade pessoal típica de quem não tem o que fazer e no que pensar. A realidade, porém, é bem diferente. A depressão atravessa as barreiras das classes sociais, mas o seu tratamento não. Isso significa que a maioria dos deprimidos pobres continua pobre e deprimida; na verdade, quanto mais tempo permanecem pobres e deprimidos, mais pobres e deprimidos se tornam. A pobreza é deprimente e a depressão é empobrecedora, levando à disfunção e ao isolamento. A humildade da pobreza marca uma relação passiva com o destino, uma condição que nas pessoas de maior poder econômico denuncia a necessidade de tratamento imediato. Os pobres deprimidos se percebem como extremamente desamparados, tão desamparados que não buscam nem aceitam apoio. È relativamente fácil de reconhecer a depressão que atinge alguém de classe média. Você vive sua vida essencialmente boa e de repente começa a se sentir mal o tempo todo. Não tem vontade de ir trabalhar; não tem nenhuma sensação de controle sobre sua vida; tem a impressão de que jamais realizará algo e que a própria experiência é destituída de significado. À medida que você se torna crescentemente retraído, começa a atrair a atenção de amigos, colegas de trabalho e família, que não conseguem entender porque você esta desistindo tanto de tudo que sempre lhe deu prazer. Sua depressão é inconsistente com sua realidade pessoal e inexplicável com sua realidade pública. No entanto, se você está no último degrau da escada social, os sinais podem ser menos imediatamente visíveis. Para os miseráveis e oprimidos, a vida sempre foi péssima, e eles jamais se sentiram ótimos; nunca conseguiram manter um emprego decente; nunca tiveram expectativa de realizar muita coisa; e certamente nunca lhes passou pela cabeça terem controle sobre o que lhes acontecia. A condição normal dessas pessoas é muito semelhante à depressão, sendo assim difícil de identificar seus sintomas. O que é sintomático? O que é racional e não sintomático? Há uma vasta diferença entre simplesmente ter uma vida difícil e ter uma alteração de humor, e embora seja comum pressupor que a depressão é o resultado natural de uma vida assim, a realidade é freqüentemente o inverso. Afligido pela depressão incapacitante, você deixa de fazer algo com sua vida e permanece ancorado no escalão mais baixo, esmagado pela própria idéia de se ajudar.[8] Inclusive, esta é uma das razões pela quais, além da leviandade e da falta de comprovação científica do que é apontado em muitos textos de auto-ajuda, quando as dicas veiculadas são apresentadas a muitos deprimidos como possível saída de sua situação, elas não se tornam incentivo a dar a volta por cima, mas se transformam na pá-de-cal que alimenta sua autodestruição?. - ?Pelo que você disse no início do capítulo, só resta falar do suicídio!?, relembra a língua num tom típico de quem teria preferido esquecer dessa parte. - ?È verdade. Mas não há muito a ser dito no âmbito deste estudo. Deixando de lado os dados de uma velha prática pela qual acidentes de trabalho com mortes de clara responsabilidade da empresa, eram apresentados como suicídios de trabalhadores perturbados por transtornos mentais [9] e os que têm sido registrados após o processo de enxugamento e privatização dos bancos públicos, a apuração dos suicídios que ocorrem durante o andamento normal do processo produtivo tem se tornado cada vez mais difícil. De um lado, é comum as empresas impedirem o acesso dos pesquisadores ao local alegando se tratar de casos em que há uma perícia e um inquérito policial em andamento, o que dificulta o acesso aos colegas e aos familiares da vítima; de outro, quem trabalhava com o suicida se nega a falar tanto por medo de represálias por parte da chefia e dos patrões como porque lembrar do acontecido é trazer à memória a possibilidade de que o desgaste provocado pelo trabalho no colega que se foi é uma ameaça real que pode levar mais alguém do grupo a percorrer o mesmo caminho; e o suicida, obviamente, não pode ser entrevistado. Estabelece-se, assim, um silêncio cúmplice no qual, por razões e interesses diferenciados, todos preferem atribuir a desajustes e fragilidades pessoais a razão de fundo que levou alguém a acabar com a própria vida. Apesar disso, vários elementos apontam uma relação direta entre as mudanças que se instalam dentro e fora dos locais de trabalho e a elevação do número de suicídios. Entre os casos mais alarmantes está o da China. Nas três últimas décadas este país da Ásia passou por reformas econômicas profundas e um acelerado processo de industrialização. As mudanças desencadeadas pelas transformações ocorridas nas cidades e no campo fizeram com que a cultura do lucro abalasse a estrutura tradicional das famílias e dos clãs, causando uma comoção na sociedade e na psique dos chineses, sobretudo os que estão submetidos a elevados níveis de estresse. A desenfreada corrida para ganhar dinheiro provocou um incremento no individualismo e no espírito de competição entre as pessoas, fortes pressões no trabalho e sobre o filho único ? cujos pais exigem que tenha êxito. Em um país onde três e até quatro gerações vivem sob o mesmo teto, os vínculos familiares estão esfacelados. Os anciãos são abandonados ? algo inconcebível anteriormente ? enquanto milhões de pais no campo deixam seus filhos para ir trabalhar nas grandes cidades, onde sentem a falta de raízes. Apesar das amplas e novas possibilidades de educação, viagens, divertimentos e, principalmente, de ascensão social, o angustiante sentimento de precariedade aumentou para muitos chineses. Anteriormente, o Partido Comunista regia suas vidas, e tudo era simples. O partido garantia um ?prato de arroz?, sinônimo de emprego vitalício, moradia, cuidados médicos e educação. Nada disso existe mais. Por essa razão, muitos chineses sentem-se perdidos. Com 250 mil a 300 mil suicídios por ano, segundo informado pelos especialistas, ou seja, um suicídio a cada dois minutos, a China representa a quarta parte dos suicídios no mundo, com aproximadamente a sexta parte da população. De acordo com Huo Datong, o primeiro psicanalista a abrir um consultório na China, ?com as reformas, a sociedade se tornou mais complicada, o individualismo mais forte, e os problemas psicóticos cada vez mais graves. (...) Nos hospitais psiquiátricos existem muitos pacientes por causa do desenvolvimento econômico que provocou uma dissolução das relações com os pais e a família, um isolamento dos outros?. A ruptura dos valores tradicionais, o acirramento do individualismo, os sonhos de consumo, a tensão e as pressões para ganhar dinheiro fragilizam sobretudo os grupos que ocupam os níveis mais baixos da pirâmide social da China capitalista. Neste país, não só o suicídio é a principal causa de morte entre os 15 e os 34 anos como o número de ocorrências nas áreas rurais é três vezes superior ao das cidades e, de acordo com as estatísticas disponíveis, esta é a única nação do planeta onde as mulheres cometem mais suicídio do que homens (58%).[10] Ainda que a situação da China não possa ser generalizada, ela representa talvez a prova mais atual e contundente dos estragos provocados na saúde mental das pessoas pelo avanço da acumulação capitalista. Do mesmo modo, ela confirma que, mais do que em fragilidades estritamente individuais, a razão pelo aumento dos distúrbios psicóticos de vária ordem e gravidade deve ser procurada no caldo de cultura proporcionado pelo desenvolvimento da globalização nos países centrais e periféricos. Para bom entendedor, meia palavra basta?. - ?Caramba! Se as coisas estão assim, quer dizer que estamos ffffffritos!?, exclama o homem perplexo e assustado. - ?Eu não teria tanta certeza ? rebate Nádia ao piscar os olhos. Ainda que nosso estudo sirva mais para definir o comportamento do vírus do que para apontar uma vacina eficiente, já é possível ao menos esboçar algumas pistas de reflexão que visualizem possíveis caminhos para o movimento sair do atoleiro em que se encontra. E como se trata de algo que não é tão simples quanto parece, é bom mesmo você se preparar para o nosso último capítulo que, longe de lapidar conclusões definitivas, se limita a rabiscar rumos e possibilidades numa pequena síntese que vamos chamar com o nome sugestivo de...? -------------------------------------------------------------------------------- [1] Dados publicados em HORNSTEIN, Luis. As depressões: afetos e humores do viver, Ed. Via Lettera/CEP, São Paulo, 2008, pág. 9. [2] A citação de Einstein encontra-se em SOLOMON, Andrew. O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2002, pág. 125. [3] Idem, pág. 48. [4] Idem, pág. 105. [5] Idem, pág. 298. [6] Idem, pág. 230. [7] Não. Não se trata de uma citação ao pé da letra, mas sim de um pedido de desculpas por este ?linguajar? impróprio às corujas das melhores famílias. O problema é que Nádia não encontrou no Aurélio uma expressão equivalente. [8] SOLOMON, Andrew. O demônio do meio-dia: uma anatomia da depressão, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 2002, pág. 312. [9] De acordo com depoimentos de dirigentes sindicais dos mineiros, em Nova Lima, região da Grande Belo Horizonte, toda vez que havia um acidente com morte nas minas da Morro Velho, a assistente social da empresa visitava a família da vítima oferecendo café e bolachas para o velório, além do caixão e uma coroa de flores. Transtornados pela perda do ente querido e confiando na boa fé da representante da empresa, os familiares acabavam assinando papéis em branco que deveriam supostamente servir para acelerar a liberação das verbas rescisórias e a eventual pensão da viúva. Tempos depois, ao receber bem menos do esperado, a esposa e os filhos da vítima acabavam descobrindo que suas assinaturas haviam sido usadas para atestar a existência de desequilíbrios mentais do falecido, apontados pela empresa como causa única do acidente. [10] A citação e os dados foram extraídos de uma matéria produzida pela agência de notícia AFP sob o título Reformas econômicas: saúde mental dos chineses expõe o elevado custo do progresso, em: Gazeta Mercantil, 17/12/2008. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090602/c32af42b/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 3 20:19:08 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 3 Jun 2009 20:19:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Hobsbawm: a Era das Incertezas Message-ID: <0e7601c9e4a1$b2a00970$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 03.06.09 - MUNDO Hobsbawm: a Era das Incertezas Por Verena Glass Em entrevista exclusiva à Revista Sem Terra, o historiador Eric Hobsbawm apresenta ao leitor sua avaliação das origens, efeitos e desdobramentos da crise mundial. Desde que sua magnitude se fez sentir, com seus capítulos ambiental, climático, energético, alimentar e, por fim, econômico, acadêmicos, sociólogos, economistas, políticos e lideranças sociais procuram entender e explicar suas causas, e analisar e prever suas conseqüências. Muitos têm buscado respostas e soluções apenas no próprio universo econômico. Outros concluíram que vivemos uma crise civilizatória, e que o capitalismo implodiu por seus próprios desmandos. Mas ninguém parece ter respostas definitivas sobre o que nos prepara o futuro. Assim também Hobsbawm, o maior historiador marxista da atualidade. Aos 92 anos, o autor de algumas das mais importantes obras acerca da história recente da humanidade, como "A Era das Revoluções" (sobre o período de 1789 a 1848), "A Era do Capital" (1848-1875), "A Era dos Impérios" (1875-1914) e "A Era dos Extremos - O Breve Século 20", lançado em 1994, não arrisca previsões sobre como será o mundo pós-crise. Nesta entrevista, concedida por e-mail de Paris, porém, Hobsbawm apresenta suas opiniões como contribuição ao debate. De certezas, apenas a de que, se a humanidade não mudar os rumos da sua convivência mútua e com o planeta, o futuro nos preserva maus agouros. Cético e ao mesmo tempo esperançoso, não acredita que uma nova ordem mundial surgirá das cinzas do pós-crise, mas acha que ainda existem forças capazes de propor novas formas de organização e cultura políticas e sociais, como o MST. Revista Sem Terra - O planeta vive hoje uma crise que abalou as estruturas do capitalismo mundial, atinge indiscriminadamente atores em nada responsáveis pela sua eclosão, e que talvez seja um dos mais importantes "feitos" da moderna globalização. Na sua avaliação, quais foram os fatores e mecanismos que levaram a esta situação? Eric Hobsbawm - Nos últimos quarenta anos, a globalização, viabilizada pela extraordinária revolução nos transportes e, sobretudo, nas comunicações, esteve combinada com a hegemonia de políticas de Estado neoliberais, favorecendo um mercado global irrestrito para o capital em busca de lucros. No setor financeiro, isto ocorreu de forma absoluta, o que explica porque a crise do desenvolvimento capitalista ocorreu ali. Apesar do fato de que o capitalismo sempre - e por natureza - opera por meio de uma sucessão de expansões geradoras de crises, isto criou uma crise maior e potencialmente ameaçadora para o sistema, comparável à Grande Depressão que se seguiu a 1929, mesmo que seja cedo para avaliarmos todo o seu impacto. Um problema maior tem sido que a tendência de declínio das margens de lucro, típico do capitalismo, tem sido particularmente dramática porque os operadores financeiros, acostumados a enormes ganhos com investimentos especulativos em épocas de crescimento econômico, têm buscado mantê-los a níveis insustentáveis, atirando-se em investimentos inseguros e de alto risco, a exemplo dos financiamentos imobiliários "subprime" nos EUA. Uma enorme dívida, pelo menos quarenta vezes maior do que a sua base econômica atual foi assim criada, e o destino disso era mesmo o colapso. RST - Como resposta à crise econômica, governos e instituições financeiras estão concentrados em salvar os sistemas bancário e financeiro, opção que tem sido considerada uma tentativa de cura do próprio vetor causador do mal. No que deve resultar este movimento? EH - Um sistema de crédito operante é essencial para qualquer país desenvolvido, e a crise atual demonstra que isso não é possível se o sistema bancário deixa de funcionar. Nesse sentido, as medidas nacionais para restaurá-lo são necessárias. Mas o que é preciso também é uma reestruturação do Estado por exemplo, através das nacionalizações, a "desfinanceirização" do sistema e a restauração de uma relação realista entre ativos e passivos econômicos. Isso não pode ser feito simplesmente combinando vastos subsídios para os bancos com uma regulação futura mais restrita. De toda forma, a depressão econômica não pode ser resolvida apenas via restauração do crédito. São essenciais medidas concretas para gerar emprego e renda para a população, de quem depende, em última instância, a prosperidade da economia global. RST - Antes de se agudizar o caos econômico, o mundo começou a sofrer uma sucessão de abalos sociais e ambientais, como a falta global de alimentos, as mudanças climáticas, a crise energética, as crises humanitárias decorrentes das guerras, entre outros. Como você avalia estes fatores na perspectiva do paradigma civilizatório e de desenvolvimento do capitalismo moderno? EH - Vivemos meio século de um crescimento exponencial da população global, e os impactos da tecnologia e do crescimento econômico no ambiente planetário estão colocando em risco o futuro da humanidade, assim como ela existe hoje. Este é o desafio central que enfrentamos no século 21. Vamos ter que abandonar a velha crença - imposta não apenas pelos capitalistas - em um futuro de crescimento econômico ilimitado na base da exaustão dos recursos do planeta. Isto significa que a fórmula da organização econômica mundial não pode ser determinada pelo capitalismo de mercado que, repito, é um sistema impulsionado pelo crescimento ilimitado. Como esta transição ocorrerá ainda não está claro, mas se não ocorrer, haverá uma catástrofe. RST - O capitalismo tem adquirido, cada vez mais, uma força hegemônica na agricultura com o crescimento do agronegócio. Muitos defendem que a Reforma Agrária não cabe mais na agenda mundial. Como vê este debate e a luta pela terra de movimentos sociais como o MST e a Via Campesina? EH - A produção agrícola necessária para alimentar os seis bilhões de seres humanos do planeta pode ser fornecida por uma pequena fração da população mundial, se compararmos com o que era no passado. Isso levou tanto a um declínio dramático das populações rurais desde 1950, quanto a uma vasta migração do campo para as cidades. Também levou a um crescente domínio da agricultura por parte não tanto do grande agronegócio, mas principalmente de empreendimentos capitalistas que hoje controlam o mercado desta produção. Da mesma forma, têm aumentado os conflitos entre agricultores e iniciativas empresariais na disputa pela terra para propósitos não agrícolas (indústrias, mineração, especulação imobiliária, transporte etc.), bem como pela sua posse e pela exploração dos recursos naturais. A Reforma Agrária sem duvida não é mais tão importante para a política como foi há 40 anos, pelo menos Insustentável: crescimento econômico e da população colocam em risco o futuro da amizade na América Latina, mas claramente permanece uma questão central em muitos outros países. Na minha opinião, a crise atual reforça a importância da luta de movimentos como o MST, que é mais social do que econômica. Em tempos de vacas gordas é muito mais fácil ganhar a vida na cidade. Em tempos de depressão, a terra, a propriedade familiar e a comunidade garantem a segurança social e a solidariedade que o capitalismo neoliberal de mercado tão claramente nega aos migrantes rurais desempregados. RST - Na virada do século, um novo movimento global de resistência social tomou corpo através do que ficou conhecido como altermundialismo. Surgiu o Fórum Social Mundial, e grandes manifestações contra a guerra e instituições multilaterais, como a OMC, o G8 e a ALCA, na América Latina, ganharam as ruas. Na sua avaliação, o que resultou destes movimentos? E hoje, como vê estas iniciativas? EH - O movimento global de resistência altermundialista merece o crédito de duas grandes conquistas: na política, ressuscitou a rejeição sistemática e a crítica ao capitalismo que os velhos partidos de esquerda deixaram atrofiar. Também foi pioneiro na criação de um modo de ação política global sem precedentes, que superou fronteiras nacionais nas manifestações de Seattle e nas que se seguiram. Grosso modo, logrou formular e mobilizar uma poderosa opinião pública que seriamente pôs em cheque a ordem mundial neoliberal, mesmo antes da implosão econômica. Seu programa propositivo, porém, tem sido menos efetivo, em função, talvez, do grande número de componentes ideologicamente e emocionalmente diversos dos movimentos, unificados apenas em aspirações muito generalistas ou ações pontuais em ocasiões específicas. RST - Principalmente na América Latina, os anos 2000 trouxeram uma série de mudanças políticas para a região com a eleição de governadores mais progressistas. A sociedade civil organizada ganhou espaço nos debates políticos, mas os avanços na garantia dos direitos sociais ainda esperam por uma maior concretização. Como analisa este fenômeno? EH - O fator mais positivo para a América Latina é a diminuição efetiva da influência política e ideológica - e, na América do Sul, também econômica - dos EUA. Um segundo fator muito importante é o surgimento de governos progressistas - novamente mais fortes na América do Sul - , inspirados pela grande tradição da igualdade, fraternidade e liberdade, que comprovadamente está mais viva aí do que em outras regiões do mundo neste momento. Estes novos regimes têm se beneficiado de um período de altos preços de seus bens de exportação. Quão profundamente serão afetados pela crise econômica, principalmente o Brasil e a Venezuela, ainda não está claro. Suas políticas têm logrado algumas melhorias sociais genuínas, mas até agora não reduziram significativamente as enormes desigualdades econômicas e sociais de seus países. Esta redução deve permanecer a maior prioridade de governos e movimentos progressistas. RST - Diante da crise civilizatória, do fracasso do capitalismo e da inoperância dos sistemas multilaterais, que não foram aptos a enfrentar as grandes questões mundiais, as esquerdas têm se debatido na busca de alternativas; mas nem consensos nem respostas parecem despontar no horizonte. Haveria, em sua opinião, a possibilidade real da construção de um novo socialismo, uma nova forma de lidar com o planeta e sua gente, capaz de enfrentar a hegemonia bélica, econômica e política do neoliberalismo? EH - Eu não acredito que exista uma oposição binária simples entre "um novo socialismo" e a "hegemonia do capitalismo". Não existe apenas uma forma de capitalismo. A tentativa de aplicar um modelo único, o "fundamentalismo de mercado" global anglo-americano, é uma aberração histórica, que potencialmente colapsou agora e não pode ser reconstruída. Por outro lado, o mesmo ocorre com a tentativa de identificar o socialismo unicamente com a economia centralizada planejada pelo Estado dos períodos soviético e maoísta. Esta também já era (exceto talvez se nosso século for reviver os períodos temporários de guerra total do século 20). Depois da atual crise, o capitalismo não vai desaparecer. Vai se ajustar a uma nova era de economias que combinarão atividades econômicas públicas e privadas. Mas o novo tipo de sistemas mistos tem que ir além das várias formas de "capitalismo de bem estar" que dominou as economias desenvolvidas nos trinta anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. Deve ser uma economia que priorize a justiça social, uma vida digna para todos e a realização do que Amaratya Sen chama de potencialidades inerentes aos seres humanos. Deve estar organizada para realizar o que está além das habilidades do mercado dos caçadores-de-lucro, principalmente para confrontar o grande desafio da humanidade neste século 21: a crise ambiental global. Se este novo sistema se comprometer com os dois objetivos, poderá ser aceitável para os socialistas, independente do nome que lhe dermos. O maior obstáculo no caminho não é a falta de clareza e concordância entre as esquerdas, mas o fato de que a crise econômica global coincide com uma situação internacional muito perigosa, instável e incerta, que provavelmente não estabelecerá uma nova estabilidade por algum tempo. Entrementes, não há consenso ou ações comuns entre os Estados, cujas políticas são dominadas por interesses nacionais possivelmente incompatíveis com os interesses globais. RST - Conceitos como solidariedade, cooperação, tolerância, justiça social, sustentabilidade ambiental, responsabilidade do consumidor, desenvolvimento sustentável, entre outros, têm encontrado eco, mesmo de forma ainda frágil, na opinião pública. Acredita que estes princípios poderão, no futuro, ganhar força e influenciar a ordem mundial? Vê algum caminho que possa aproximar a humanidade a uma coabitação harmoniosa? EH - Os conceitos listados estão mais para slogans do que para programas. Eles ou ainda precisam ser transformados em ações e agendas (como a redução de gases de efeito estufa, encorajada ou imposta pelos governos, por exemplo), ou são subprodutos de situações sociais mais complexas (como "tolerância", que existe efetivamente apenas em sociedades que a aceitam ou que estão impedidas de manter a intolerância). Eu preferiria pensar na "cooperação" não apenas como um ideal generalista, mas como uma forma de conduzir as questões humanas, como as atividades econômicas e de bem estar social. Me entristece que a cooperação e a organização mútua, que eram um elemento tão importante no socialismo do século 19, desapareceram quase que completamente do horizonte socialista do século 20 - mas felizmente não da agenda do MST. Espero que esta lista de conceitos continue conquistando o apoio e mobilize a opinião pública para pressionar efetivamente os governos. Não acredito que a humanidade alcançará um estado de "coabitação harmoniosa" num futuro próximo. Mas mesmo se nossos ideais atualmente são apenas utopias, é essencial que homens e mulheres lutem por elas. RST - O senhor, que estudou com profundidade a história do mundo e as relações humanas nos últimos séculos, o que espera do futuro? EH - Se a crise ambiental global não for controlada, e o crescimento populacional estabilizado, as perspectivas são sombrias. Mesmo se os efeitos das mudanças climáticas possam ser estabilizados, produzirão enormes problemas que já são sentidos, como a crescente competição por recursos hídricos, a desertificação nas zonas tropicais e subtropicais, e a necessidade de projetos caros de controle de inundações em regiões costeiras. Também mudarão o equilíbrio internacional em favor do hemisfério Norte, que tem largas extensões de terras árticas e subárticas passíveis de serem cultivadas e industrializadas. Do ponto de vista econômico, o centro de gravidade do mundo continuará a se mover do Oeste (América do Norte e Europa) para o Sul e o Leste asiático, mas o acúmulo de riquezas ainda possibilitará às populações das velhas regiões capitalistas um padrão de vida muito superior às dos emergentes gigantes asiáticos. A atual crise econômica global vai terminar, mas tenho dúvidas se terminará em termos sustentáveis para além de algumas décadas. Politicamente, o mundo vive uma transição desde o fim da Guerra Fria. Se tornou mais instável e perigoso, especialmente na região entre Marrocos e Índia. Um novo equilíbrio internacional entre as potências - os EUA, China, a União Européia, Índia e Brasil - presumivelmente ocorrerá, o que poderá garantir um período de relativa estabilidade econômica e política, mas isto não é para já. O que não pode ser prevista é a natureza social e política dos regimes que emergirão depois da crise. Aqui as experiências do passado não podem ser aplicadas. O historiador pode falar apenas das circunstâncias herdadas do passado. Como diz Karl Marx: a humanidade faz a sua própria história. Como a fará e com que resultados, muitas vezes inesperados, são questões que ultrapassam o poder de previsão do historiador. * Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090603/41a7dcd8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090603/41a7dcd8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 4 20:07:46 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 4 Jun 2009 20:07:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_MST_Informa_A_Revista_Sem_Terra_c?= =?iso-8859-1?q?hegou_ao_n=FAmero_50!?= Message-ID: <01b801c9e569$47439cf0$0200a8c0@vcaixe> ----- Original Message ----- From: Vanderley Caixe To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Sent: Thursday, June 04, 2009 7:53 PM Subject: Fw: MST Informa A Revista Sem Terra chegou ao número 50! Carta O Berro..................................................................................................................................repassem Ano VII - nº 166 quinta-feira, 03/06/2009 A Revista Sem Terra chegou ao número 50! Estimado amigo e amiga do MST, A Revista Sem Terra está completando 50 edições neste bimestre de maio e junho de 2009 e por isso gostaríamos de agradecer a cada leitor e leitora pelo apoio ao MST. Esta publicação é uma conquista não apenas da luta pela Reforma Agrária ou dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, mas da classe trabalhadora. São 12 anos nos desafiando a levar para a sociedade nossas lutas e conquistas. São 50 números de enfrentamento com o monopólio das informações em nosso país. O MST tem hoje duas publicações periódicas que vêm cumprindo um importante papel na democratização da comunicação, ao apresentar as vozes que não costumam falar nos meios "convencionais" de comunicação e publicar notícias e temas em uma perspectiva diferente da linha do pensamento único imposto pelos meios de comunicação de massa empresariais. O Jornal Sem Terra (JST) é uma publicação mensal que circula há 27 anos, desde antes da fundação oficial do próprio Movimento, e a Revista Sem Terra (RST) há 12 anos é publicada bimestralmente. As publicações Sem Terra são instrumentos que buscam estabelecer diálogo tanto com leitores do próprio Movimento Sem Terra quanto com leitores externos que apóiam ou mesmo buscam informações sobre as questões ligadas à luta pela terra e Reforma Agrária. As publicações também trazem informações sobre as conquistas dos trabalhadores organizados, omitidas pela imprensa, como a conquista da terra, de meios de viabilizar a produção, da cooperação, da educação, da saúde, entre outras. Para que a sociedade defenda a Reforma Agrária e apóie as mobilizações sociais e ações contra a existência e perpetuação do latifúndio, é essencial que os cidadãos das cidades compreendam tais problemas e caminhem junto com os habitantes do campo, na busca de soluções justas e legítimas. Neste aspecto, as publicações do MST são instrumentos eficazes para alcançar professores, parlamentares, lideranças, profissionais liberais, sindicatos urbanos, igrejas, organizações não-governamentais, partidos políticos, apoiadores internacionais e tantos outros. Somente os ideais de construção de uma sociedade socialista poderia nos dar forças para superar as dificuldades que enfrentamos para continuar assegurando essa conquista. Viva os 50 números da Revista Sem Terra! Viva a Luta pela Terra! Junte-se a essa luta. Faça já sua assinatura. Anual R$ 50 (6 edições) R$ 80 (12 edições). Assine também o Jornal Sem Terra R$ 25 (12 edições) R$ 45 (24 edições). Ou assine as duas publicações e ganhe desconto: ANUAL R$ 73 ou BIANUAL R$ 123. Para mais informações, acesse a página da Revista em www.mst.org.br, ligue para 0xx11- 2131 0840 ou envie e-mail para assinaturas at mst.org.br. Secretaria Nacional do MST Indique o MST Informa para um amigo ou uma amiga Indique pelo menos, mais um correio eletrônico e envie para letraviva at mst.org.br com assunto "cadastro letraviva", para continuarmos a difundir e colocar para a sociedade as análises e posições do MST. MST Informa é uma publicação quinzenal do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, enviada por correio eletrônico. Sugestões de temas, artigos, formato: letraviva at mst.org.br. Incluir ou remover correios eletrônicos no cadastro do MST Informa. O MST não modera ou coordena nenhuma comunidade no Orkut e ninguém está autorizado a fazê-lo em seu nome. Opine www.mst.org.br Recibe en Español English Svenska -------------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090604/7954845e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14843 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090604/7954845e/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24496 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090604/7954845e/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 5 20:06:25 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Jun 2009 20:06:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_1=AA_Confer=EAncia_Internaciona?= =?windows-1252?q?l_do_Teatro_do_Oprimido_Um_tributo_a_Augusto_Boal?= =?windows-1252?q?_e_=E0_continuidade_de_sua_obra_-__20_a_26_de_jul?= =?windows-1252?q?ho_de_2009=2C_no_Rio_de_Janeiro?= Message-ID: <00e601c9e632$4053b230$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Caro(a)s, Pedimos que nos auxilie na divulgação deste evento, encaminhando este e-mail para movimentos sociais, institutos, instituições, universidadese etc. Cordialmente, Ney Motta - Assessor de Comunicação / Centro de Teatro do Oprimido Av. Mem de Sá 31, Lapa/RJ - CEP 20230-150 | (21) 2539-2873 e 8718-1965 neymotta at terra.com.br | www.ctorio.org.br ---------------------------------------------------------- 1ª Conferência Internacional do Teatro do Oprimido Um tributo a Augusto Boal e à continuidade de sua obra 20 a 26 de julho de 2009, no Rio de Janeiro Com alegria e esperança renovadas, confirmamos a realização da 1ª Conferência Internacional do Teatro o Oprimido a realizar-se de 20 a 26 de julho de 2009 no Conjunto Cultural da Caixa - Teatro Nelson Rodrigues e Teatro de Arena -, na cidade do Rio de Janeiro. O evento será um tributo a Augusto Boal e sua obra, e um marco histórico para a continuidade de seu trabalho e desenvolvimento de seu Método. Informações atualizadas poderão ser lidas no site www.ctorio.org.br. Conferência Internacional do Teatro do Oprimido: A programação relacionada à Conferência será gratuita e aberta ao grande público, mediante inscrição. Os interessados devem preencher e enviar a ficha de inscrição anexa para helensarapeck at ctorio.org.br c/c geobritto at ctorio.org.br, até 20 de junho de 2009. A inscrição será confirmada através de carta-convite. 20/07 - Cerimônia de abertura com coquetel de lançamento da sexta edição da revista Metaxis, a publicação do Centro de Teatro do Oprimido, instituição da qual Augusto Boal foi o diretor artístico por vinte anos; 21 a 23/07 - Painéis de discussão sobre o impacto da aplicação do Teatro do Oprimido em diversas regiões do mundo e em diferentes áreas temáticas; 21 a 24/07 - Mostra Internacional de Vídeos; 21 a 24/07 - Apresentações de espetáculos de Teatro-Fórum com sessões de Teatro Legislativo; 21 a 26/07 - Exposição de produções da Estética do Oprimido. Encontro Internacional de Praticantes do Teatro do Oprimido: De 24 a 26 de julho, acontecerá o Encontro Internacional de Praticantes do Teatro do Oprimido, exclusivo para convidados. Grupos, projetos e instituições com reconhecida atividade com o método do Teatro do Oprimido em suas regiões e países, interessados em participar do Encontro devem preencher e enviar o questionário em anexo, em nome do representante escolhido, para barbarasantos at ctorio.org.br, até 05 de junho. Por se tratar de um Encontro Internacional haverá limite de vagas por país. A seleção dos participantes levará em conta nível de formação, tempo de experiência, relevância, dimensão e impacto das ações realizadas. A participação será confirmada através de carta-convite. Atenciosamente, Bárbara Santos, socióloga e curinga do Centro de Teatro do Oprimido www.ctorio.org.br ---------------------------------------------------------- FICHA DE INSCRIÇÃO 1.. Identificação (Nome - Idade - Endereço - Telefones - E-mail - Website): 2.. Qual a sua área de atuação? 3.. Tem ou teve alguma experiência com o Teatro do Oprimido? Em caso positivo, solicitamos um breve relato. 4.. Qual a motivação em participar desta Conferência? 5.. Teria interesse em fazer parte da mala de contatos do Centro de Teatro do Oprimido e passar a receber os informes da instituição? 6.. Gostaria de ser informado sobre oficinas e cursos de Teatro do Oprimido? Tem interesse por alguma técnica em especial? ---------------------------------------------------------- QUESTIONÁRIO 1.. Identificação (Nome - Idade - Endereço - Telefones - E-mail - Website): 2.. Qual sua qualificação em Teatro do Oprimido? Quando ocorreu? Por quanto tempo? Com quem? 3.. Qual sua experiência na Multiplicação do Teatro do Oprimido (organizações, grupos, projetos)? 4.. Qual organização, grupo ou projeto você representa no momento? 5.. O que te leva a ser um(a) praticante do Teatro do Oprimido? 6.. Descreva com qual tipo de participante você tem trabalhado e em quais condições sociais. 7.. Como pode definir a palavra opressão relacionada ao trabalho que tem sido feito por sua organização ou grupo? 8.. Que tipo de confronto tem enfrentado para realizar esse trabalho? Você encontrou algum tipo de ajuda, de quem? 9.. Pode identificar se o trabalho realizado por seu grupo ou organização tem transformado a realidade? Como? Você tem algum exemplo de transformação da realidade conquistado por outros grupos que atuam nas mesmas condições? 10.. Quais desafios práticos e teóricos, relacionados ao Teatro do Oprimido, têm sido enfrentados por sua organização ou projeto e quais as alternativas encontradas para superá-los? 11.. Quais as suas observações sobre o movimento do Teatro do Oprimido em seu país e no mundo? Qual a sua sugestão para estruturar melhor esse movimento? -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090605/314f502f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 5 20:06:40 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Jun 2009 20:06:40 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__Semana_crucial_na_Campanha_pela_Liber?= =?utf-8?q?ta=C3=A7=C3=A3o_dos_5_Patriotas?= Message-ID: <00ea01c9e632$49362bd0$0200a8c0@vcaixe> INTEGRA DA RESOLUÇÃO DA 39ª ASSEMBLÉIA GERAL DA OEA Carta O Berro..........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista To: Max Altman Sent: Thursday, June 04, 2009 12:34 PM Subject: Semana crucial na Campanha pela Libertação dos 5 Patriotas amigas e amigos, Esta é uma semana crucial na campanha pela Libertação dos 5 Patriotas cubanos. A Suprema Corte dos Estados Unidos dirá no próximo dia 15 de junho se recebe ou não a petição dos advogados para analisar o caso e determinar o cumprimento do devido processo legal. O momento é propício para imediatas e urgentes ações. A decisão histórica da Assembléia Geral da OEA cancelando o ato de expulsão de Cuba da Organização depois de 47 anos, patenteia que resistir e lutar para pôr cobro às injustiças vale a pena. E o que se comete contra os 5 lutadores anti-terroristas é uma brutal injustiça. Já estão presos há mais de 10 anos. Basta! Os 5 devem voltar imediatamente para os braços do povo cubano e para o abraço de seus entes queridos! Urgente: pedimos que leiam atentamente a mensagem do Comitê Nacional norte-americano abaixo e façam tudo o que estiver a seu alcance. individual ou coletivamente. Max Altman Comitê Brasileiro pela Libertação dos 5 Patriotas 3 de junio de 2009 Boletim do Comitê Nacional para a Libertação dos Cinco Espera-se decisão da Corte Suprema no caso dos Cinco Cubanos Queridos amigos, Espera-se que a Corte Suprema exare sua decisão em 15 de junho, informando se aceitará ou não a apelação do caso dos Cinco Cubanos. Semana pasada, em 27 de maio, a administração de Obama apresentou um expediente legal, urgindo à Corte que se negue a receber o caso dos Cinco. No dia seguinte, os advogados dos Cinco apresentaram sua resposta (ambos expedientes legais estão em nossa página web no link abaixo). É fundamental que não fiquemos a esperar pacientemente pela decisão. É urgente que a solidariedade uma vez mais se levante a nível mundial exigindo a imediata libertação dos Cinco. Os advogados dos Cinco tornam esse caso mundialmente significativo, como claramente o expressam em suas respostas: "Este é um caso significativo para a comunidade internacional, acerca do compromisso de nossa nação quanto ao princípio dos devidos processos legais. A petição solicita que a Corte Suprema revise a sentença do pleno [do Undécimo Circuito de Apelações], cujo pleno ratificou o único julgamento de tribunais estadunidenses condenado em todos os tempos pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. "O governo ignora completamente os treze expedientes amicus curiae acoplados ao processo, o de maior quantidade jamais visto em um caso criminal. Dada a atenção mundial tão particular sobre este caso, a petição apresenta perguntas importantes que deverão ser afirmadas por esta Corte." O Comitê Nacional Pela Libertação dos Cinco Cubanos estará organizando ações nos Estados Unidos. 1) nos dias anteriores à decisão; 2) no dia em que se espera a decisão (junho, 15); e 3) no dia seguinte. Conclamamos a urgência da solidariedade em todo o mundo, que se leve a cabo toda classe de ações, qualquer que seja possível, como protestar frente a consulados e embaixadas, fazer coletivas de imprensa, escrever catas aos jornais e revistas ou aos presidentes dos tribunais de justiça (é importante não escrever diretamente à Corte Suprema), qualquer coisa para fazer saber ao governo dos Estados Unidos de que todo o mundo está observando. Por favor, levar ao conhecimento imediato do Comitê norte-americano Free the Five pelo correio eletrônico abaixo dos planos de ação, das ações, fotos, manifestos, reportagens publicadas na mídia, etc. para deixar claro à opinião pública dos Estados Unidos e às suas autoridades a posição mundial quanto a decisão da Suprema Corte. Por favor, enviar também ao Free the Five os abaixo-assinados que forem recolhidos. Clique o link 'descarregue a petição' e a imprima para obter urgentemente o maior número possível de assinaturasHaga clic en el vínculo abajo para bajar la petición. a.. Leia las noticias a.. Leia os documentos legais a.. Descarregue a petição Para contactar-nos: info at freethefive.org ou chame: 415-821-6545 Web: http://www.freethefive.org Liberdade para os Cinco Já! Permitam Visitas Familiares! ¡Outorguem os vistos de entrada a Adriana Pérez e a Olga Salanueva! Envíe este correo This email was sent to maxalt at uol.com.br by info at freethefive.org. Update Profile/Email Address | Instant removal with SafeUnsubscribe? | Privacy Policy. Email Marketing by National Committee To Free The Cuban Five | 2489 Mission St. #24 | San Francisco | CA | 94110 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090605/3c51de48/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 6 16:13:20 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 6 Jun 2009 16:13:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?utf-8?q?__A_arte_nacional_pertence_ao_povo_-_Z?= =?utf-8?q?=C3=A9_de_Abreu?= Message-ID: <010801c9e6da$db4f34f0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro......................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista ----- Original Message ----- From: valerio SANTIAGO A arte nacional pertence ao povo A conclusão é de Zé de Abreu que nesta entrevista analisa as propostas de mudanças na Lei Rouanet, seu ofício de ator e as dificuldades de se fazer arte neste país. Também fala de política, mídia e conta seus projetos futuros. A arte nacional pertence ao povo A conclusão é do ator José de Abreu, com a bagagem de quem possui mais de 40 anos dedicados à dramaturgia brasileira. Nascido em Santa Rita do Passa Quatro (SP), foi na capital paulista que o estudante de Direito da PUC-SP estreou nos palcos com Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, em 1967. Militante do movimento estudantil, lutou contra a ditadura militar e teve sua carreira interrompida após ser preso no Congresso de Ibiúna. Exilado em 68, retornou ao país em 1974, passando a morar, inicialmente, em Pelotas (RS). Nesta entrevista, o ator de cinema, teatro e televisão explica o seu ofício e como se prepara na construção de seus personagens. Também aponta as dificuldades que cerceiam a produção artística hoje no país e garante, com a experiência de suas viagens, que um expressivo número de cidades brasileiras já contam com pelo menos um teatro. Sobre as mudanças propostas à Lei Rouanet, Abreu critica a atual forma de captação de recursos e afirma que "na prática, 80% ou mais dos projetos, embora aprovados e com autorização, não conseguem captar um tostão. Quem consegue captar é gente famosa ou amigos dos empresários". O guerrilheiro das artes neste país também fala - e gosta - de política. Apóia a candidatura da ministra Dilma Rousseff, critica a polarização da mídia e nos conta sobre a experiência de vivenciar personagens históricos como seu recente papel de Juscelino Kubistcheck no filme "Bela Noite para Voar". [ Zé Dirceu ] Você que tem como um de seus últimos filmes o "Bela Noite para Voar", em que faz o papel do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, que análise faz sobre o cinema brasileiro hoje? [ Zé de Abreu ] O cinema brasileiro é o único no mundo que vive da produção e não da exibição. A captação de recursos pela Lei do Audiovisual (de isenção fiscal), funciona no mesmo sistema da Lei Rouanet, ou seja, você tem que pagar tudo e todos os que trabalham no filme - equipe técnica, aluguel do equipamento, negativo, fitas de vídeo, diretor, produtor, roteirista, atores, enfim, tudo. Depois você capta recursos junto às distribuidoras que normalmente são norte-americanas e seguem outro mecanismo fiscal. Para que possam mandar para fora o lucro que tem com o blockbuster americano, elas são obrigadas a aplicar uma parte no país de destino dos filmes - por exemplo, o Brasil - também em incentivo fiscal. É desta forma que o filme é lançado e distribuído. Se o filme atingir até 1 milhão de espectadores, empatou. Ninguém ganha nada, entra em cartaz e vai embora. Ninguém recebeu o dinheiro da bilheteria. Se o filme tiver de 2 mi a 3 milhões de espectadores começa a haver um retorno de bilheteria para o dono do filme. Agora, veja, isso não interessa à distribuidora americana. Óbvio que se o filme fizer um baita sucesso, der 6 milhões de espectadores... Mas a grana mesmo, ela já ganhou no momento em que aplicou o dinheiro no Brasil. Então, é uma coisa insólita. Você fez um filme que demora em média dois anos - se for muito rápido, geralmente uma produção independente leva de dois a quatro anos - teu filme fica uma semana em cartaz e acabou! Há filmes que nem chegam a ser lançados, só em festivais porque o cara não consegue uma distribuidora. Imagine, não é lançado! E você não vê a pessoa reclamar disso, porque ele é pago na produção e não na bilheteria. O filme é do governo brasileiro [ Zé Dirceu ] Qual o papel da televisão nisso? Qual o papel que o Canal Brasil, por exemplo, pode desempenhar? [ Zé de Abreu ] O Canal Brasil ficou muito sólido de uns cinco anos pra cá, mudou a direção. O Paulo Mendonça está fazendo um trabalho muito intenso, mas não tem dinheiro para comprar. Eles pagam pouco para exibir o filme. O que faz um filme brasileiro normal, onde o diretor e o produtor tem certa presença? Vai para o cinema, deste vai para o DVD, depois para o canal fechado, para o canal aberto (da Globo ou Canal Brasil) e acabou. Normalmente, prefere-se a Globo porque ela passa mais e dá uma baita visibilidade. O Canal Brasil ainda é muito incipiente e embora tenha melhorado muito, ainda tem pouco público. Hoje, eu estou numa batalha para produzir um longa. Penso sempre: será que não tem outra maneira de distribuir cinema no Brasil que não seja essa maneira convencional? Já que o filme é pago com o dinheiro do povo, não tem uma maneira de fazer esse filme chegar até os verdadeiros donos? Esse filme não é do produtor, é do governo brasileiro. É por isso que o Juca [Ferreira, ministro da Cultura) está dizendo que quer pelo menos pedaços dos direitos na nova regulamentação da Lei Rouanet. Ou seja, o ministro da Cultura quer que o governo federal fique com algum direito sobre a obra patrocinada. Tem muita lógica. Ando pensando no exemplo da Carla Camurati que faz no cinema, o que faço muito com o teatro: sair viajando. Com o cinema é muito mais fácil porque você pode montar uma equipe de 50 pessoas e sair pelo Brasil distribuindo os filmes. [ Zé Dirceu ] Você está dizendo que faz uma verdadeira guerrilha. [ Zé de Abreu ] É uma guerrilha. [ Zé Dirceu ] Guerra mesmo é a industrialização do cinema. [ Zé de Abreu ] Mas aí, você corre o risco de ter seu filme cinco dias em cartaz e acabou. Ele nunca mais entra. Depois que foi, queimou. [ Zé Dirceu ] E o DVD? [ Zé de Abreu ] É muito importante. [ Zé Dirceu ] Você não pode vender um milhão de cópias do filme? [ Zé de Abreu ] Existe o problema da pirataria. No momento em que você coloca o DVD na rua, no dia seguinte eles estão vendendo a R$10. Você pode, talvez, segurar um filme sem pirataria, se tiver muito controle, no máximo até o dia da estréia, porque aí o cara entra com uma camerazinha e no dia seguinte, a fita pirata está à venda. Não sei como ainda, mas o futuro será através da Internet para você atingir todos os rincões do país. Recentemente, saiu uma pesquisa sobre o que é a aceitação das lan house. O brasileiro gosta de comunicação e internet é a comunicação. [ Zé Dirceu ] Mas não encontramos ainda uma forma de pagar (aos autores e donos) pelos direitos na internet. [ Zé de Abreu ] Ainda não, mas para a música já. Ontem a Macintosh estava comemorando 1 bi de downloads de programas, músicas e jogos do mundo Mac. Tudo pago. Evidente que eles dão muitas coisas. Os joguinhos para telefone, por exemplo. 80% são pagos e 20% gratuito. Mas... [ Zé Dirceu ] Você falou sobre alterações na Lei Rouanet. Qual a sua opinião sobre as propostas e as mudanças em estudos? Quais os pontos positivos e os inconvenientes? Como o mundo da cultura está recebendo isso? [ Zé de Abreu ] É muito difícil. Veja só a história da regionalização da cultura. Quando fugi da ditadura, fui parar em Pelotas. Eu produzi teatro no Rio Grande do Sul durante dez anos e vou te dizer: você pode fazer o melhor produto cultural no RS, e vem o pior do Rio e de São Paulo, e você perde a concorrência. Você pode montar uma peça com 20 atores, passar um ano ensaiando, belos músicos e cenógrafos, um texto de peso, um Brecht, uma baita produção e estrear num teatro em Porto Alegre, com um grupo gaúcho. Vem uma pessoa qualquer da Globo com um monólogo vagabundo, e aí não tenha dúvidas, vai lotar o teatro com o monólogo vagabundo. O que acontece na Lei Rouanet? O que se diz é que Rio e São Paulo pegam de 80% a 90% do incentivo fiscal. Agora, o desconhecido do Rio e de São Paulo continua não pegando, assim como o desconhecido do Piauí. Mas o conhecido do Piauí pega porque um bom cineasta, um bom escritor, um bom pintor do Piauí vão conseguir patrocínio nas empresas do Piauí. Mas o desconhecido de São Paulo e o do Piauí não vão. Essa é a questão do regionalismo. Outra história é a seguinte: a Lei Rouanet deu para o diretor de marketing da empresa o direito de escolher o que ele vai patrocinar. O governo quer ter uma parte nessa escolha através do Fundo Nacional de Cultura. Esse Fundo é o restolho, o que sobrou do patrocínio, mais o dinheiro que o governo federal bota nele. Por exemplo, eu consigo um patrocínio de R$ 500 mil para fazer um filme e gasto R$ 400 mil - R$ 100 mil vão para o Fundo Nacional de Cultura. Eu captei pra mim, não precisei, então devolvo e é esse dinheiro que vai para o Fundo. O que o ministro Juca está propondo é um critério artístico para patrocinar. Por exemplo, um critério óbvio é que o Cirque de Soleil não precisa de R$12 milhões do Bradesco. Isso é óbvio. E custa caro! Mas aí, (a analisar por aí) você vai chegar nas estatais de São Paulo que captam 80% da Lei Rouanet - vide Orquestra Sinfônica e várias entidades que entram na Lei Rouanet, embora o Estado tenha uma lei própria e possa bancar a Orquestra. Mas, captam pela lei federal. Devíamos ter duas maneiras de fazer a captação. Do jeito que está é impossível. A FUNARTE gasta tudo o que ganha enxugando gelo. Se o prefeito da minha terra, ou o de Santa Rita do Passa Quatro resolver fazer uma biblioteca ou o cara da banda resolver comprar instrumentos, ele faz uma Lei Rounet. E pensa que uma vez aprovado (enquadrado) na Lei, o governo já vai dar dinheiro para ele. A maioria dos caras não sabem que é depois da aprovação (enquadramento) na Lei Rouanet que ele tem que captar o dinheiro. Na prática, 80% ou mais dos projetos, embora aprovados e com autorização, não conseguem captar um tostão. Quem consegue captar é gente famosa ou amigos dos empresários. A FUNARTE gasta quase toda a verba analisando projetos. Contrata técnicos que fazem a análise de cada projeto, um por um e de todas as especializações. Eles analisam projetos que sabem que não vão captar, mas é uma democracia. Se estiver dentro da Lei, direitinho na planinha... Se a análise técnica for aprovada, volta para o Ministério que publica no Diário Oficial ? e o Ministério é obrigado a aprovar todos os que cumpram as exigências da lei. Aí o cara vai captar e descobre que vai começar o seu trabalho. Frente a isso, e porque o Ministério sabe quem capta, fizemos um banco de produtores para ver se conseguirmos passar isso à frente. No ano passado houve um tráfico tão grande de projetos que o Ministério não tinha capacidade para liberar. Como fazer? Você vai proibir que as pessoas façam projetos? Claro que não. Agora, o Juca [Ferreira] além da análise técnica, quer fazer a avaliação artística, no sentido do artístico-cultural - ou seja, decidir, ?esse projeto interessa ao povo brasileiro? Esse projeto merece ter dinheiro do povo?? Empresários e governos tem pontos de vista diferentes [ Zé Dirceu ] O mesmo critério que deveriam ter as empresas que tomam as decisões (de patrocinar o projeto). [ Zé de Abreu ] Não. Na verdade, as empresas que tomam a decisão querem o contrário do que quer o governo. O governo quer que o não famoso e o regional tenham condições de captar; e ao conseguir, que faça o ingresso a R$ 10,00 e não a R$ 50. Já o empresário, pelo contrário, seu interesse é a visibilidade que ele terá com a marca. Esse é o seu retorno. Normalmente, se o projeto é bom, se ele está bem estruturado em termos da produção em relação à divulgação, se o elenco é bom, se o livro é bem escrito, se o músico for competente, se o artista tem tradição e não vai dar mancada, o empresário patrocina. O ponto de vista do empresário é muito diferente do ponto de vista do governo. O empresário quer botar a sua marca no jornal e na cabeça das pessoas que vão ver a peça, compram o livro ou ouvem a música. Já o governo quer que esse dinheiro volte para o povo de alguma maneira. [ Zé Dirceu ] Qual balanço você faz desses seis anos de governo Lula na área da cultura? [ Zé de Abreu ] O Gilberto Gil conseguiu dar uma dimensão muito maior para o Ministério da Cultura, pela sua presença pessoal. Sem falar que era um ministro artista. Ele cantava nas manifestações políticas. Agora, uma das falhas do PT (e isso desde o começo do partido) é que a questão cultural não é uma coisa... Lembro-me que teve um ano em que o PT ganhou muitas prefeituras. O [Paulo] Betti, o [Sérgio] Mamberti e o Wagner Tiso fizeram um documento a todos os prefeitos do país, para organizar secretarias de cultura e tal... E não tiveram retorno. Agora, o acerto foi ter botado o Gil (no ministério) e agora o Juca, que está fazendo um trabalho muito bom de discussão da Lei Rouanet. Há muito tempo não se discute a Lei. Não tem mais reunião de classe. [ Zé Dirceu ] No começo do governo houve a tentativa de mudar os critérios e inventaram aquela história do ?stalinismo? (acusação), mas antes que deixassem o debate evoluir, o governo recuou. E só depois descobriram que estava bem dividido. Essa discussão foi logo no começo da gestão Lula, pegava pontos como critérios da publicidade para distribuir patrocínio. Esse debate que o Juca está fazendo foi cortado lá no começo, com a pressão da mídia. [ Zé de Abreu ] Sim. Teatro é presença ao vivo [ Zé Dirceu ] Você exercita o ofício de ator em diversos campos da arte: cinema, teatro, televisão. Quais as diferenças e o que pode ser melhorado em cada um desses meios para o trabalho do ator, e para estimular o público a ir ao teatro e a ver filmes brasileiros, por exemplo? [ Zé de Abreu ] O teatro é a presença ao vivo. Eu decoro uma cena de televisão em cinco minutos, mas uma cena de teatro, eu demoro um mês. Não sei o porquê. Medo de errar? No teatro, tem peça que eu lembro até hoje; já na televisão, você acabou de fazer a cena, vai trocar de roupa e se o cara disser ?tem um problema?, você tem que responder ?me dá o texto de novo porque apagou?. Gravou, apaga. É memória volátil. No teatro, você demora muito para decorar e nunca mais esquece. [ Zé Dirceu ] Mas você tem que incorporar o personagem na televisão, no teatro e no cinema. [ Zé de Abreu ] Isso é a mesma coisa. A diferença é que no teatro a última pessoa no fundo tem que ver o que você está fazendo. Então, é tudo mais exagerado, o volume de voz, o gestual. Na televisão e no cinema, se você está no plano aberto, pode exagerar um pouco, mas conforme a câmera vai fechando na tua cara, menos você representa. No primeiro filme que fiz, eu mexi a sobrancelha. A câmara estava aqui e o diretor cortou e disse: ?se você fizer esse barulho terá que botar áudio, porque tua sobrancelha estará com 4 metros?. Então, você não pode fazer nada. Essa relação se aprende com o tempo, mas quanto maior a lente, menos você faz. Se o cara falou ?bota uma 50?, você já começa a ficar preocupado; se for 75, 100 e 120, não faz nada; 40, 32, 20, você pode fazer caras e bocas. No teatro não tem nada disso, é você e o público. No cinema, a câmera faz coisas para você. Um close maior aumenta a força do seu personagem. Não é preciso fazer na cara e na voz, como requer o teatro. Agora, o método de interpretação é o mesmo: arar a terra de forma que isso vá germinando. Você faz uma vida que não existe. Existe uma ciência que estuda isso inventada pelo Constantin Stanislavski, que tem um método racional para você melhorar como ator. Por exemplo, fui fazer o Juscelino Kubitscheck, um papel de época. Estudei toda a época do JK, sua vida; a da mãe e do pai, fotos daquele tempo. Fui para Diamantina (MG), conversei com a dona Sarah Kubitscheck, com suas filhas, netas e genros. Esta é a terra que você vai plantando para ver ser nasce alguma coisa dali. Mas existe o método objetivo, não tem essa de ?inspiração?. Isso é piada. Na hora da estréia não tem um ator de teatro que não sente vontade de sair correndo e ir embora. É desesperador e quanto mais difícil a peça, mais desesperado você fica. Isso não existe nem na TV, nem no cinema. Público: qual química é essa? Ninguém sabe. [ Zé Dirceu ] O que no Brasil tem melhorado para o ator? O que tem sido feito para estimular o público a ir ao cinema e ao teatro? [ Zé de Abreu ] No teatro brasileiro, com raríssimas exceções, só faz sucesso comédia. Virou uma loucura. O preço é caro, mas se fosse comparar com o preço de quando eu comecei a minha carreira, hoje custaria R$300. Na realidade, o preço caiu. Não há como comparar com o cinema, em que você pode pegar um filme e colocar em 300 salas. Teatro tem que fazer uma sessão por dia, no máximo duas, mas não há público para isso. Veja, o público caiu tanto que quando comecei a minha carreira, eu fazia peças na 3ª, 4ª, duas sessões na 5ª sábado e domingo. Hoje, você só faz 6ª, sábado e domingo em São Paulo. No Rio é de 5ª a domingo. Hoje, em São Paulo, três dias da semana. Antes nós fazíamos oito sessões, era o exigido nos contratos que assinávamos nas décadas de 60 a 80. Teatro virou uma arte muito específica. Dentro dessa especificidade, só faz sucesso um Shakespeare, um Brecht, ou uma superprodução com atores muito bons - como está fazendo sucesso o Wagner Moura - ou essas 300 peças de comédia. Hoje em dia, você pega o pessoal que faz o Zorra Total, eles estão com peças lotadas em todas as cidades no interior de São Paulo. O cinema é uma incógnita maior do que o teatro. O que faz (filme) "O Menino da Porteira" colocar um milhão com 300 cinemas, e "Se Eu Fosse Você 2" colocar 6 milhões? "Se Eu Fosse Você 1" não teve nem um milhão e pouco de espectadores... O que faz? Pode ser o Tony Ramos na novela das oito? O Tony é engraçado? Agora, exatamente saber o que é, qual química é essa, ninguém sabe. [ Zé Dirceu ] "Dois Filhos de Francisco"... [ Zé de Abreu ] O que fez "Dois Filhos de Francisco" ter 5 milhões? Ninguém sabe! O Daniel Filho chegou para o Breno [Silveira] e disse: ?você está frito, nunca mais fará um sucesso desses, sua carreira só pode cair?. Foi o primeiro filme do Breno e já teve esse sucesso! [ Zé Dirceu ] Milhões de brasileiros tem uma história parecida com esta. O filme trouxe de volta (a história) uma geração que há 20 ou 30 anos saiu do interior e passou a vida toda... [ Zé de Abreu ] Foi o primeiro filme que quebrou o preconceito contra o caipira. [ Zé Dirceu ] Trouxe a vida dessa gente. [ Zé de Abreu ] Quando lançaram aqui no Rio, inclusive, para tirar o preconceito, eles pediram aos críticos que não vissem o filme como se fosse um filme de cantor brega. [ Zé Dirceu ] Mas não é de cantor brega. [ Zé de Abreu ] Esse filme ultrapassou tudo isso. Já "O Menino da Porteira" não aconteceu. Jogaram tudo muito em cima do Daniel. Hoje, está com 1 milhão de espectadores e esperava-se 4 a 5 milhões. [ Zé Dirceu ] O brasileiro gosta de arte? [ Zé de Abreu ] O brasileiro gosta muito de arte. O brasileiro não é conservador de jeito nenhum [ Zé Dirceu ] Qual a sua avaliação do público brasileiro? Ele está preparado para a inovação? É conservador? [ Zé de Abreu ] Não é conservador de jeito nenhum. Eu viajo muito pelo Brasil e muitas vezes, você liga para o prefeito e ele diz ?o povo da minha cidade não gosta de teatro!? ?Quantas peças o Sr. teve aí, prefeito?? ?Que eu saiba nenhuma...? ?Então, como o Sr. sabe que o povo não gosta? Deixa eu ir aí, é barato...? Como eu não tenho patrocínio, vou por conta do hotel, alimentação e um tanque de diesel - toda prefeitura tem uma bomba de diesel por conta do caminhão de lixo. Aí, você vai, o prefeito leva a família e quando vê, todo mundo bate palma. As pessoas querem ver, gostam mesmo. Agora, você tem que ir atrás. [ Zé Dirceu ] Tem crescido o número de municípios com política cultural? [ Zé de Abreu ] Muito, demais. Uma revolução. Toda cidade tem teatro. Acho que chegou a um ponto que os prefeitos não tinham o que fazer - fizeram as praças, o coreto, o clube - e veio a pergunta: ?O que eu faço?? ?Faz um teatro, bota o nome da sua mãe e pronto!? Brincadeiras à parte, teatro é um negócio que fica, mesmo que não tenha muito ator. Em 1994, um ano que eu rodei muito, não tinha teatro. Hoje em dia... Na sua região (Passa Quatro-MG), por exemplo, toda cidade tem teatro. [ Zé Dirceu ] Mas a minha região é muito desenvolvida! [ Zé de Abreu ] Santa Rita do Passa Quatro (a minha terra) tem teatro também. O prefeito conseguiu reformar o cinema velho e a prefeitura conseguiu aprovar. Em Poços de Caldas tem, inclusive, o Luis Nassiff é de lá. Agora, é importante dizer que como a TV Globo, não existe em nenhum país do mundo. Talvez a Índia com o cinema... Ao mesmo tempo em que a Globo faz com que fiquemos extremamente conhecidos, há um lado inverso: ela dá muito para o povo brasileiro em termos de novela, minissérie, humorismo. É muita oferta de graça, sem sair de casa. Você vê na televisão os mesmos bons atores que você vê no cinema. Nos Estados Unidos só agora a televisão está botando bons atores. Antes, eles só faziam cinema. Na Índia, a comunicação de massa é o cinema. Quando tem, por exemplo, um ator conhecido de um filme badalado, são filas de duas a três horas. Todo mundo quer ir à estréia. A Globo dá o arroz com feijão, a alimentação cultural que você precisa de ficção, de ver ator, cenógrafo, diretor. Esses elementos da arte teatral e cinematográfica, ela dá isso de graça ao povo brasileiro. [ Zé Dirceu ] Como é representar personalidades históricas, como o presidente Juscelino em "Bela Noite para Voar", ou mesmo, em "Fala Zé!" que você tem levado e que no fundo é um pouco de cada um de nós da geração de 68. [ Zé de Abreu ] Sobre o Juscelino, tem um negócio interessante. Meu pai, que era goiano, em 05 de outubro de 1955, enquanto ouvia a apuração da eleição (a votação foi no dia 03) passou mal. Cinco dias depois, ele morreu. Minha mãe contava que ele era juscelinista. Eu era muito novo, tinha 9 anos. Mas ela falava que como ele era goiano, e Juscelino tinha falado de Brasília (prometido construir a capital num comício nesse Estado), todos os goianos estavam torcendo para que ele fosse eleito. Essa história do Juscelino caiu nas minhas mãos novamente quando eu fiz Anos Dourados. Eu fazia um militar juscelinista. Era um major da Aeronáutica, algo raro na época. Tanto que o sogro dele fazia um brigadeiro lacerdista, o Zélio Góis. E a dona Sarah Kubistchek, quando uma produtora de Minas quis fazer a vida do Juscelino no teatro, mandou me chamar. Acredito que por conta desse personagem. Aí, eu fui estudar a vida do Juscelino. E digo a você: se eu tenho alguma cultura, 80% dela vem desse estudo que faço para compor meus personagens. Agora mesmo, para a novela das oito, eu fui para a Índia, fiquei lá (na novela que vai até 11 de setembro, Zé de Abreu faz Pandit, um sacerdote indiano). E estou estudando sânscrito, mantra, canto. Então, comecei a estudar sobre o JK. Falei com a dona Sarah, li os livros do Juscelino, fiquei amigo do [Carlos Heitor] Cony. Esse livro Bela Noite para Voar é do Pedro Rogério Moreira. Tem muito material para estudar. Conversei com muita gente. O Cony sabe muita coisa sobre o Juscelino.Também o Cel. Afonso Heliodoro que era amigo pessoal do Juscelino, o Carlos Murilo Felício dos Santos, líder dele na Câmara. Fazer o Juscelino foi muito legal. Pena que a peça que montamos em Brasília e em Belo Horizonte, chegou no Rio no final de 1989. Era a disputa presidencial de Collor e Lula. Então, não dava, ninguém ia ao teatro. Nós íamos nas manifestações. Lembra-se da manifestação na Cinelândia? [ Zé Dirceu ] E o "Fala Zé"? [ Zé de Abreu ] Foi uma coisa de idade. Aos 60 anos dá vontade de falar do passado. A gente começou a produzir a peça antes do estouro da boiada, escrita por um gaúcho fundador do PT do Rio Grande do Sul. Na realidade, a peça falaria sobre um monte de Zés. Eu ia começar com o Zé Bonifácio e chegaria até o Zé Dirceu. Eu iria costurar essa história, mas no fim, ela ficou uma biografia minha, na qual passo por você, pelo Zé Mentor, e pelo tempo que nós passamos juntos. Já percorri mais de 200 cidades com esta peça. Nela, nós falamos muito sobre a ditadura. A gente mostra, ridiculariza e brinca com esse período, inclusive, com a tortura, as cenas na cadeia, a barra pesada. Primeiro fazemos rir, mas de repente, puxamos a cordinha. Tem momentos em que o público está rindo e de repente, você fala uma coisa extremamente grave, como Matta Machado, por exemplo. Você se lembra? Ele roncava muito, nós ficamos presos uns cinco dias juntos - eu, você o Matta Machado, o Arantes, Zé Roberto. Na peça eu digo que ele roncava muito e no meio do papo conto: Matta Machado veio de uma família de políticos mineiros, o pai dele era deputado federal e foi morto na tortura. Se o cara era filho de deputado federal e foi morto na tortura, imaginem o que eles não faziam com quem não era filho de deputado federal! Então, são essas coisas. [ Zé Dirceu ] Tem muito público? [ Zé de Abreu ] Tem muito público. Mas, eu tenho que chegar na cidade antes do jornal do almoço. Esse jornal é fundamental para o pessoal saber da peça. Se você vai em cidade muito insólita, que ninguém vai, eles só acreditam quando veem o artista e você anda pela cidade. [ Zé Dirceu ] Você está muito conhecido. [ Zé de Abreu ] Sim, às vezes, as pessoas não sabem bem o meu nome. Lembram mais o nome do personagem. [ Zé Dirceu ] Inclusive, eu montei uma tenda para você ler a mão do pessoal. [ Zé de Abreu ] Vou comprar uma salinha em Copacabana. Estamos tendo um problema sério com a mídia [ Zé Dirceu ] Zé, quais suas expectativas profissionais e como você está vendo o Brasil politicamente? [ Zé de Abreu ] Profissionalmente, estou contratado até 2014. Minha posição na Globo é muito sólida. Eu posso fazer cinema e teatro, só não posso fazer televisão (em outras emissoras). Agora, o negócio é ter tempo. Até outubro gravo a novela. Ela estreou em janeiro ? o Boni nunca deixava novela estrear em janeiro, tinha que ser sempre em abril, pelo menos a das oito, que é quando o país volta... Politicamente vamos ver. Acredito que estamos tendo um problema sério com a mídia. Hoje, a Internet e os blogs independentes, apesar de terem menos força, estão conseguindo (se impor). Eu freqüento muito blogs, até abri mão do meu. Escrevo muito para o Nassif. Na verdade, eu gosto de falar sobre política. Agora, eu vou produzir meu longa e começa a filmar no ano que vem, em abri, no Rio Grande do Sul. É uma história sobre a imigração judaica. [ Zé Dirceu ] E politicamente, a gente avança? [ Zé de Abreu ] Avança! Vou fazer campanha para a Dilma. A próxima eleição vai ser uma guerra. A vida é dura. Nunca o Brasil esteve tão dividido. Em blog a gente briga muito. Eu criei um personagem (um codinome) e às vezes, entro nos blogs. O meu personagem entra e começa com aquela história do paulista que reclama do trânsito: ?esse Lula fica aí e agora qualquer pobre pode ter carro! Por isso que o trânsito não anda! Outro dia, eu estava no avião e o cara perguntou quanto ia demorar para baixar porque estava com vontade de fazer xixi! Nem sabe que tem banheiro no avião, e como é que anda de avião? Isso é culpa de quem? De quem? Do Lula! É óbvio.? Vocês não tem idéia de como tem gente que vai na minha, ou melhor, na do personagem. Está tudo muito dividido. Os blogs são uma coisa impressionante. E garanto que estou muito mais radical do que você quanto à mídia. Nós nunca tivemos uma imprensa tão raivosa e a campanha no ano que vem vai dividir muito o Brasil. Antes um cara para escrever uma carta no jornal era uma coisa... Hoje, para escrever e publicar na internet é muito mais rápido. E ainda dá para ser anônimo. Às vezes, você coloca uma defesa e vai levar cacetada. Acho que nem pode falar teu nome no blog do Reinaldo Azevedo. [ Zé Dirceu ] A imprensa está partidarizada, o jornal editorializado. Criaram o jornalismo de escândalo e não tem mais do que tratar. O assunto deles era a crise... Agora, a crise está acabando e o país vai crescer 3%. [ Zé de Abreu ] Totalmente. O que foi essa história da ficha da Dilma Rousseff? (na Folha de S.Paulo, uma ficha forjada). Pára com isso! Por que não assumem como os jornais americanos o lado em que estão e ponto final? (Veja mais vídeos e participe da Comunidade Site Zé Dirceu no BCyou -------------------------------------------------------------------------------- Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090606/a591be9c/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 6 16:13:37 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 6 Jun 2009 16:13:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ind=FAstria_farmac=EAutica_incent?= =?iso-8859-1?q?iva_=22mem=F3ria_fraca=22_no_jornalismo_brasileiro?= Message-ID: <010e01c9e6da$e4e6f4d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Maio 30, 2009 Indústria farmacêutica incentiva "memória fraca" no jornalismo brasileiro Por Gustavo Barreto (*), da redação O jornal Folha de S. Paulo está selecionando projetos de pesquisa sobre a história do jornalismo brasileiro. O programa "Folha Memória" selecionará três projetos de pesquisa e premiará seus autores com uma bolsa de R$ 2.300 mensais. "Nos seis meses em que receberão essa ajuda de custo, os candidatos selecionados deverão conduzir sua pesquisa com rigor acadêmico e transformá-la em um texto de interesse geral e caráter jornalístico. Eles serão orientados por um jornalista da Folha. O melhor dos três trabalhos será publicado em livro editado pela Publifolha, e seu autor ganhará um laptop." (Anúncio em uma escola de comunicação no Rio) O curioso é que o patrocínio é da maior transnacional farmacêutica do planeta, a Pfizer. A participação também se dá na avaliação de conteúdo: sempre que há alguma, também está presente um representente da "Comunicação Corporativa da Pfizer". Para avaliar, lembremos, projetos sobre... a história do jornalismo. Imagino que a Folha entenda haver um campo integrado de estudo entre comunicação corporativa e história do jornalismo. Ou se venderam mesmo. Imagina se o projeto em análise for sobre jornalismo científico e os malefícios dos laboratórios privados para o sistema de saúde global? A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em pé de guerra com os laboratórios privados há um tempo, pois estes não compartilham informações básicas sobre o desenvolvimento de vacinas ou medicamentos. Isso prejudica centenas de países que precisam destes dados para resolver problemas fundamentais, já superados pelos países desenvolvidos. É a velha questão da troca que benefício todos versus o conhecimento proprietário. Na outra ponta, dos doentes "ricos", produzem remédios que "viciam" o organismo, de modo que a cada dois anos os remédios de ponta precisam ser refeitos. Fui a um evento sobre antimicrobianos, em 2008, em que uma pesquisadora da UERJ comentava que uma bactéria estava tão dependente de um determinado antibiótico que, sem o uso deste, acabava morrendo (!). Em 2007, já havia comentado que os programas de treinamento em jornalismo dos dois maiores jornais de São Paulo - Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo - eram patrocinados pela indústria do tabaco (e ainda são), e como isso influenciava na hora de decidir o que é notícia ou não, ou o que ganhará destaque ou não. Lembre-se que esta é a mesma indústria que, segundo a OMS, "continua a colocar os lucros à frente da vida; sua própria expansão antes da saúde das futuras gerações; seus ganhos econômicos à frente do desenvolvimento sustentável dos países". (Leia aqui o artigo, republicado pela Associação Mundial Antitabagismo) O jornal Estadão, além de ter apoio da gigante do tabaco Philip Morris, também é apoiado financeiramente neste programa pela Vivo, uma das teles que sofre centenas de ações civis públicas no Ministério Público por não atender minimamente seus clientes, a ponto de todo mundo (mesmo) já ter passado, com uma ou mais operadoras, por problemas absolutamente ridículos de falta de respeito e completo desprezo pelo consumidor. No meu caso, já tive cancelamento indevido, tributação inexistente e até mesmo o Ministério Público Federal de Minas Gerais já entrou com uma Ação Civil Pública a partir de uma carta aberta que escrevi em 2004 (aqui e aqui), conforme me informou a assessoria do MPF em Minas. Será que se eu usar o "rigor acadêmico" para elaborar um projeto de memória do jornalismo independente, nesse caso, eles me aprovam? Isso é grande imprensa, vendida pra quem puder pagar mais. No caso "Folha Memória", sugiro aos candidatos investigar denúncias de cobaias humanas na África, que de vez em quando vazam na mídia global (como no caso das mais de 100 crianças mortas na Nigéria, leia aqui), fato que originou o filme "O Jardineiro Fiel" (The Constant Gardener, 2005), baseado em fatos documentados amplamente pela organização Médicos Sem Fronteiras à época. Empresa responsável pelos "testes em humanos": Pfizer. Será que a Folha acompanha o caso? E sobre a atuação dos laboratórios na África? Infelizmente, mais uma vez, comprovamos que, em termos de grande mídia, o patrocínio se torna promiscuidade de interesses. Em abril deste ano (de 2009 mesmo, acredite), saiu uma indenização (ou seja, 13 anos depois) do caso e a briga não acabou nos EUA. O The Independent da Inglaterra deu (leia aqui, em inglês, ou num jornal de Portugal, aqui), mas como nós não temos um jornal ou telejornal chamado "O Independente" e nem algo parecido - apenas a dependente Folha, a dependente Globo, o dependente Estadão etc -, ninguém fica sabendo disso. Não é manchete. A matéria do diário britânico é de 6 de abril, sendo que no dia 10 de abril (4 dias depois), a única citação que há na Folha para a palavra "Pfizer" é sobre o mercado de medicamentos genéricos: 3. Folha de S.Paulo - Sanofi compra Medley e vira líder no país - 10/04/2009 ... doenças que afetam a maior parte da população. Um deles é o Liptor, da Pfizer, que combate o colesterol. "O mercado de genéricos deve sofrer um aquecimento com o vencimento ... http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1004200922.htm Nem a Folha Online nem o jornal Folha de S. Paulo deram a notícia. Matar crianças na África não deve ser, mesmo, de interesse público, na cabeça dos ilustres editores. E os demais membros do corpo editorial da Folha devem estar se perguntando por que esse assunto não foi pauta por lá. Um mistério editorial. O "rigor acadêmico" do edital de apoio à "memória do jornalismo" da FSP/Pfizer depende, ao que se vê, de uma seleção rigorosa pra escolher estudantes que não questionem essas bobagens, como fazer de crianças africanas no norte da Nigéria cobaias humanas. Ou selecionar quem tem memória fraca. (*) Gustavo Barreto é pós-graduando na UFRJ, foi repórter na Fiocruz e é assessor de imprensa na área de Saúde Pública. Editor de meios alternativos na mídia livre. Marcadores: africa, jornalismo, midia, nigeria, saude, trans_pfizer, transnacionais Disponível online em http://www.consciencia.net/ -~----------~----~----~----~------~----~------~--~--- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 2032 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090606/5d47717e/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 7 13:28:23 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 7 Jun 2009 13:28:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_m=FAsicas_=3A_centenas_de_CDs_i?= =?windows-1252?q?nteiros_para_copiar______________________________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <040801c9e78c$fa6e9a80$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. músicas : centenas de CDs inteiros para copiar (clique) http://flanshup.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: audio/mid Size: 34516 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090607/0a58b9a6/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 7 13:28:43 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 7 Jun 2009 13:28:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Morre Paula Beiguelman Message-ID: <040d01c9e78d$069f7bd0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Morte de Paula Beiguelman enlutece mundo acadêmico e político Faleceu nesta sexta-feira (5), em São Paulo, a professora universitária e pensadora de esquerda Paula Beiguelman, aos 83 anos, vítima de câncer. O mundo acadêmico e político progressista perdem uma colaboradora de primeira linha, que nunca abandonou ou traiu seus ideais e suas bandeiras. Que sua trajetória sirva de exemplo para as novas gerações de acadêmicos e militantes de esquerda. PAULA BEIGUELMAN (1926-2009) Paula Beiguelman licenciou-se em Ciências sociais pela Faculdade de filosofia, Letras e ciências Humanas, da Universidade de São Paulo. Doutorou-se em Política com a tese ''Teoria e ação no Pensamento Abolicionista''. Tornou-se livre-docente do Departamento de Ciências Sociais defendendo a tese ''Contribuição à teoria da organização política brasileira''. Obteve nova livre-docência com a aprovação da tese ''A Formação do povo no complexo cafeeiro; aspectos políticos''. Colaboradora do saudoso professor Lourival Gomes Machado, dirigiu a cadeira de Política por alguns anos, tempo em que o titular se encontrava na Europa, a serviço da Unesco. Além de ocupar-se dos cursos regulares de graduação, orientou vários outros de pós-graduação. A professora foi uma das 219 acadêmicas que tiveram aposentadoria forçada pelo regime militar. Como tantos outros professores -a lista incluía nomes como Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso-, Paula se viu afastada da vida universitária naquele abril de 1969, devido a um ato institucional. Quando os anos de chumbo se foram, voltou a dar aulas na USP. Atualmente, era professora emérita da USP, título que lhe foi concedido recentemente pela congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) daquela universidade. ''A vida dela era a universidade'', lembra o irmão, o geneticista Bernardo Beiguelman. Paula também exercia o cargo de vice-presidente do Sindicato de Escritores do Estado de SP. Dona de um texto ''enxutíssimo'', como lembra o irmão, publicou várias obras. ''Ela sempre foi do essencial. Enquanto os outros escreviam em três, quatro volumes, ela fazia em um só.'' É autora, entre outros, de ''A Formação do Povo no Complexo Cafeeiro: Aspectos Políticos'', ''Os Companheiros de São Paulo: Ontem e Hoje'' e ''O Pingo de Azeite: A Instauração da Ditadura''. Natural de Santos, começou cedo a colaborar com a seção literária do jornal ''A Tribuna''. Também exerceu crítica literária nos livros ''Viagem Sentimental a Dona Guidinha do Poço'' e ''Por que Lima Barreto?''. Colaboradora do Vermelho Desde 2006, a professora Paula Beiguelman colaborava assiduamente com textos para o Vermelho, do qual era colunista. Seus últimos textos versavam sobre temas diversos da conjuntura econômica e política do Brasil. Também colaborou com diversos artigos para publicações marxistas como a revista Princípios. Defensora incansável das causas justas e internacionalistas, Paula integrava ainda o Conselho Consultivo do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz). Neste sábado, durante reunião do Comitê Central do PCdoB, o secretário nacional de Organização do partido, Walter Sorrentino, manifestou pesar pelo falecimento da eminente companheira e intelectual Paula Beiguelman. "Ela soube aliar, em toda sua atuação, o rigor acadêmico com sólidos compromissos com os trabalhadores, a nação e a luta pelo socialismo. Foi, além disso, um exemplo de pessoa simples e honrada, dedicada e leal, pelo que seus companheiros do PCdoB a terão sempre na memória", afirmou o dirigente comunista. Paula era viúva e não deixa filhos. O enterro foi ontem, no cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090607/3dd0b95c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 14430 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090607/3dd0b95c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 9 19:15:04 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 9 Jun 2009 19:15:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__=22Da_aliena=E7=E3o_=E0_depres?= =?windows-1252?q?s=E3o=3A_caminhos_capitalistas_da_explora=E7=E3o_?= =?windows-1252?q?do_sofrimento__=22__________/Entre_o_prego_e_o_ma?= =?windows-1252?q?rtelo=2E_____________________-_PARTE__V_-_=28FINA?= =?windows-1252?q?L=29?= Message-ID: <056701c9e94f$bd8f67b0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem. Este é um dos trabalhos do professor Emílio Gennari, estudioso em sociologia e história. Escolhemos esse texto, embora longo, apresentado todas as terças-feira, por parte, tem ,hoje, na parte v o seu final. Trata-se de uma análise de leve leitura que permite ir ao fundo dos problemas que as pessoas enfrentam e que o sistema capitalista na sua ilógica reproduz na sociedade, tratando-a mais como doença do que um problema que advém do modo em que estão estabelecidas as relações de produção, e se projetam na conduta das pessoas em sociedade: os seus desejos, as suas ilusões e mesmo do relacionamento humano. As leis do capitalismo não somente mantém o indivíduo em alienação permanente mas se reproduz perversamente na vida em sociedade. O nome dado a este trabalho, "Da Alienação à Depressão: caminhos capitalistas da exploração do sofrimento". Diz o que vamos conhecer, conhecendo os meandros que nos impõem essa sociedade. Imprima as partes que vamos lhe enviando e estude. Um mundo novo vai lhe clarear com pistas para entendê-la e, para a desalienação. Um abraço. Vanderley ps.agradecemos a professora Urda Alice Klueger , a professora Nádia e ao professor Emílio Gennari por permitir a divulgação pela Carta O Berro. Parte 5 (final) Emilio Gennari professor Emílio Gennari atua como Educador popular e é Monitor de Formação Política do Núcleo de Educação Popular 13 de Maio (NEP-13). É autor de vários livros nas áreas de Educação, Sociologia e História. 5. Entre o prego e o martelo. - ?É pra ter... medo... ou... esperança?!??, indaga desconfiado o homem ao apoiar o rosto na palma da mão. - ?Nem uma coisa nem outra ? responde imediatamente a coruja. De início, trata-se de entender e trabalhar os estreitos espaços deixados vazios pela lógica dominante na medida em que o mundo por ela projetado entra em contradição com a realidade do trabalhador, com suas expectativas, suas razões de sofrimento, enfim, com tudo aquilo que aumenta nele a sensação de incerteza. Exatamente por isso, não podemos esperar grandes aberturas para a agitação e a mobilização, mas apenas a chance apertada de ocupar o incômodo espaço entre o prego das idéias e o duro martelo de um sistema explorador. Neste sentido, somos chamados a transformar a esperança em projeto concreto, em instrumento de intervenção cotidiana, em tentativas que podem abrir brechas na mata fechada da realidade que o capitalismo contemporâneo entrega à história. Só assim a esperança não se transforma em ilusão e começa a ganhar cor e forma?. - ?Então, que instrumentos você apontaria para começar a alterar os rumos dos acontecimentos??, insiste o secretário ao não se dar por vencido. Passo a passo, Nádia se aproxima do seu ajudante, envolve seu ombro esquerdo com o calor da asa e, com voz pausada, sugere: - ?Aos homens e mulheres que buscam organizar o local de trabalho como base fundamental de um processo de mudança social podemos dar apenas algumas dicas vindas ora de reflexões, ora de experiências que tentam reverter o clima de servidão coletiva no âmbito do qual se dá o aniquilamento do indivíduo como ser humano. Como quem procura uma vacina capaz de neutralizar as investidas de um vírus poderoso, a fase em que nos encontramos como movimento não permite sugerir fórmulas testadas, mas somente indicações de por onde é possível criar e alimentar dúvidas nas certezas do senso comum. Entre os primeiros passos, está a necessidade de desenvolvermos nossa capacidade de ouvir os sons do silêncio e captar a carga de sofrimento que eles expressam através das posturas, dos gestos e das expressões dos colegas. Trata-se, por exemplo, de mapear os momentos em que nos deparamos mais freqüentemente com atitudes agressivas ou com a ansiedade acentuada por situações de espera prolongada, as respostas individuais diante de tarefas particularmente penosas ou perigosas, o desaparecimento das ocasiões informais de confraternização ou de sua utilização e desvirtuamento pela empresa a ponto de alterar o sentido e o clima das relações entre as pessoas. Além disso, precisamos detectar e detalhar os fatores que introduzem ou alimentam o medo, a desconfiança recíproca, o desânimo e a resignação ao lado dos que provocam reações instintivas e adversas quando do não-reconhecimento dos próprios méritos ou dos esforços despendidos, as razões de tensão e conflito entre indivíduo e equipes, o que destrói o sentimento de confiança recíproca e a capacidade de se indignar diante da injustiça. Se a análise do individualismo e do isolamento do sujeito no âmbito do trabalhador coletivo que apresentamos acima como elementos que levam a um fechamento de cada um em sua esfera privada pode oferecer um ponto de partida suficiente, a possibilidade de mudar a realidade vai depender da sensibilidade com a qual fazemos a leitura do que é próprio de cada ambiente de trabalho, de como cada patrão (público ou privado, pouco importa) desorganiza o nosso time e leva cada empregado a procurar suas válvulas de segurança diante do sofrimento físico e psíquico ao qual está sendo submetido. Trata-se, enfim, de conhecer profundamente a cobra para poder desenvolver um soro apropriado. Colocar-se em posição de ouvir, porém, não significa apenas mapear silenciosamente os sinais com os quais os colegas expressam suas sensações, medos e expectativas, mas também se preparar para um longo processo de reconstrução das relações de amizade, confiança e solidariedade sem as quais será impossível consolidar um mínimo de identidade coletiva capaz de criar vínculos, fortalecer cumplicidades e preparar o terreno para a vivência de novos valores, idéias e formas de comportamentos com as quais estimular o sentimento de indignação e rebeldia. Ouvir o sofrimento com esta postura é ter consciência de que quem o expressa nutre a expectativa de um alívio ou, pelo menos, de uma mudança ainda que inicialmente confusa, incipiente e contraditória. Isso exige desprendimento, paciência, capacidade de penetrar na visão de mundo do outro sem julgamentos pré-concebidos, mas com a acuidade de quem procura abrir canais de comunicação que permitam entrar em sintonia e se fazer entender pelo colega, ganhar sua confiança e, em seguida, levá-lo a refletir sobre suas percepções e vivências, a questionar o que havia sido interiorizado como normal ou natural e a adotar novas atitudes e novos valores. Paralelamente a isso, sempre e quando a situação o tornar oportuno, a militância deve começar a dar voz ao silêncio, ou seja, a colocar em palavras o que o conjunto das pressões dentro e fora dos locais de trabalho procura calar. Longe de fazer discursos, assumir posturas radicais (que se revelam tão ridículas quanto incapazes de esconder a falta de meios para serem transformadas em realidade) ou até mesmo de expressar o que seria imediatamente necessário sem que haja a menor condição para implementá-lo (o que faz as pessoas se retraírem como ouriços ou concordarem com o que é dito só para serem deixadas em paz), a palavra tem que expressar prioritariamente o longo e silencioso trabalho pelo qual a nova interpretação do cotidiano abre seu caminho entre as resistências do senso comum. A fala tem que ser tão sincera e aberta quanto basta para sugerir, alertar, questionar compreensões não como quem ensina de cima pra baixo, mas como quem também está procurando, e, na medida do possível, deve introduzir o colega na possibilidade de olhar para o próprio sofrimento, de se reconhecer no que está sendo dito; e tão respeitosa da individualidade do outro e da insegurança que nasce nele ao se ver descoberto no que cobria com seu silêncio a ponto deste não fugir diante dela, não se esconder automaticamente em suas formas de defesa, mas de começar a ouvir o que soa incomum num ambiente no qual toda manifestação de sofrimento tende a ser recebida como estranha, indesejada, símbolo de fraqueza ou de falta de vontade de se superar?. - ?E que aspectos você acha que podem ser trabalhados com a postura que está sugerindo??, pergunta o secretário entre a incerteza e a desconfiança. Apoiado o queixo na ponta da asa, a ave permanece pensativa por alguns instantes. Em seguida, emite um longo suspiro e, sem alterar o tom de voz, responde: - ?Talvez, a primeira coisa a fazer seja a de proceder de forma sistemática e rigorosa à desconstrução do discurso da empresa e das formas pelas quais esta se aproveita das percepções do senso comum para afirmar como natural e verdadeiro algo que não o é. Mais do que costurar longas e detalhadas intervenções, é bom que organizadores e organizadoras se capacitem a captar a realidade que é dissimulada e a devolvê-la aos colegas através de perguntas simples e diretas. Isso significa que se faz necessário tanto um aprofundamento da análise e um levantamento dos métodos utilizados na distorção da comunicação interna, como a coleta de testemunhos e acontecimentos que, ao serem lembrados na forma de indagações levam a colocar sob suspeita a visão de mundo com a qual os demais interpretam a realidade. Na mesma linha, faz-se necessário ajudar as pessoas a tocarem a inversão de valores da qual falamos nas páginas anteriores, a constatarem a que interesses reais ela responde e como estes se escondem nas atitudes que a introduzem no trabalhador coletivo. Neste âmbito, não só é possível mostrar a diferença entre a coragem e a virilidade, mas como a segunda é irmã gêmea da covardia para consigo próprio e com os demais. Ao resgatar que a coragem se dispõe a lutar contra a correnteza e que a virilidade é uma artimanha sutil para levar as pessoas à servidão coletiva, não vai ser difícil colocar em evidência que só crescemos como seres humanos quando ao menos tentamos enfrentar o nosso medo. Por esse caminho, precisamos construir não só relações de amizade e confiança que reabilitem a reflexão aberta sobre o medo e o sofrimento no trabalho, mas podemos fazer com que nossa ação comece a combater o cinismo e as expressões pelas quais a inversão de valores e posturas éticas permite a banalização do mal, o adormecimento do sentimento de indignação e a desmobilização da ação política. Além de dar o nome aos bois e de evidenciar as conseqüências reais da aceleração dos ritmos, das demissões, do envolvimento nas metas, da assimilação dos supostos processos de auto-realização oferecidos pelas empresas, trata-se de levar as pessoas a vivenciarem pequenos gestos de coragem destituídos de virilidade, ou seja, de assumir pequenas rebeldias que, ao serem praticadas, começam a resgatar condutas que, sem alarde, introduzem questionamentos reais no ambiente de normalidade servil instalado nos locais de trabalho. Neste contexto, até mesmo as expressões com as quais os colegas sublinham seus anseios de um trabalho melhor, menos penoso, não-repetitivo, do qual seja afastada toda insalubridade e periculosidade podem começar a ser tratadas apontando que toda mudança no sentido de atender a estes anseios depende de uma conquista coletiva a ser viabilizada e não de uma dádiva que, um dia, virá pela compreensão amistosa dos patrões. Por progressista e modernizante que seja, toda medida empresarial tem por objetivo aumentar o controle do capital sobre o trabalho, elevar a produtividade e reestruturar as relações tanto quanto basta para garantir a continuidade e o aprofundamento da exploração. Neste processo, empregado ou parceiro, peão ou colaborador, pouco importa qual é o nome pelo qual são chamados os trabalhadores, eles vão continuar sendo um prolongamento da máquina que, por mais forte, criativo e servilmente dedicado que seja, não deixará de ter sua criatividade sugada, sua energia dilapidada e seu corpo danificado até ser definitivamente afastado do processo produtivo para o qual acreditava ser um elemento insubstituível. Um trabalho de base que acompanhe as formas sugeridas tem boas chances de questionar também as razões pelas quais as pessoas adotam a servidão voluntária como caminho para o reconhecimento social. Sem ter a pretensão de dar lições de moral, é possível mostrar como a lógica que orienta as posturas adotadas na empresa torna-se base para fortalecer o cotidiano fora dela numa reação em cadeia que alimenta a submissão na mesma medida em que o desejo de reconhecimento alheio, via realização de sonhos de consumo, é tida como etapa fundamental na construção da própria identidade e realização pessoal. A busca incessante das que chamamos de ?próteses do prazer? inverte nossa relação com as coisas que nos rodeiam. Na medida em que a identidade do indivíduo, e, portanto, o seu equilíbrio mental, deita raízes no ter o maior número de coisas possíveis, não é o sujeito a possuir as coisas, mas sim são elas que o possuem e o transformam em objeto que destina a vida inteira a seu serviço. Sempre que as mercadorias são parte do seu ser a ponto de ?não poder mais viver sem isso?, a possibilidade de perder o que foi adquirido leva o indivíduo a se tornar prisioneiro da preocupação de não vir a ter o que possui, a se cercar do desnecessário para se sentir mais protegido contra a frustração e a reafirmar inconscientemente os fatores que reforçam sua servidão voluntária ao que a sociedade capitalista oferece como vacina contra a solidão e caminho para o sucesso. A percepção dessa realidade pode deixar um gosto amargo na boca, a sensação de ver desmoronar os castelos de areia pacientemente construídos ou até mesmo uma profunda insegurança oriunda do vazio que fica quando as convicções anteriores desabam diante das contradições em que estão inseridas. O problema está no fato de que é quase impossível alterar o rumo geral dos acontecimentos se a luta pelas questões específicas do trabalho não se aliar e se inserir no esforço para questionar e equilibrar o peso das relações entre as coisas e as pessoas pelo menos na vida daqueles que partilham momentos prolongados e preciosos de um mesmo cotidiano. Do contrário, será sempre necessário trabalhar mais para ter mais. Será impossível manter vínculos que não impliquem em ganhos imediatos. E ninguém vai ser capaz de renunciar a nada pessoal para vivenciar com gratuidade momentos coletivos por simples e abertos que sejam?. - ?Puxa... Isso é bem complicado!?, afirma o secretário ao adiantar a justificativa de sua possível falta de envolvimento. - ?Você não deixa de ter razão ? reconhece a coruja ao balançar a cabeça. E o problema aqui não está no fato de que, para nós trabalhadores, nada é fácil e tudo deve ser pacientemente construído e conquistado. As relações que o capital foi construindo são de tamanha profundidade que, em plena crise econômica, a confiança das pessoas nas grandes empresas e na possibilidade destas atenderem às demandas sociais, aos sonhos de consumo e realização, passou de 61%, em 2008, para 67%, em janeiro de 2009.[1] Parece um paradoxo, mas tudo não passa de uma amostra bem simples de que quando as mudanças necessárias para garantir a vida coletiva são tão profundas a ponto de fazerem os indivíduos suspeitarem que o nível de satisfação já alcançado pode sofrer algum desgaste, o homem-massa costuma preferir a catástrofe futura aos sacrifícios imediatos para conseguir viabilizá-las. A insegurança da crise acaba alimentando o medo do desconhecido que, por sua vez, se transforma em carrasco do novo, de tudo aquilo que sugere algo diferente em relação ao patamar consolidado, por baixo e precário que seja. Em breves palavras, é como se além da dificuldade de vencer a inércia na hora de empurrar o carro, tivéssemos que lidar com um motorista que, inseguro e desconfiado, pisasse seguidamente no freio desgastando assim as energias de quem procura tirá-lo do sufoco. Por isso, além de muita paciência, insistência, transparência, honestidade e autenticidade, a ação da militância não pode se restringir à denúncia de algumas peças soltas do mundo do trabalho, mas deve, na medida do possível, conectar sua crítica real aos aspectos da totalidade nos quais o trabalhador coletivo precisa visualizar a possibilidade de buscar sua nova identidade, de exercer sua capacidade de indignação e de construir novas perspectivas de futuro?. - ?Mas será que o aprofundamento da exploração não vai ajudar nem um pouquinho a acordar as pessoas e a facilitar a ação dos sindicatos??. - ?Seria bom se fosse, mas infelizmente, as respostas à altura de uma crise econômica não podem ser improvisadas, nem aparecem espontaneamente nas inquietações da massa ou no súbito emergir de uma suposta consciência de classe que tenha como ponto de partida apenas a piora das condições de vida e de trabalho. De imediato, um maior grau de exploração tende a fazer com que as pessoas se dobrem ainda mais sobre si próprias, embarquem no salve-se-quem-puder, se agarrem a todas as possibilidades individuais de manter o próprio nível de vida e nem o embrutecimento dos setores mais empobrecidos, nem uma atuação mais contundente do crime organizado são, por si só, suficientes para fazê-las sair do marasmo e iniciar um processo de profundas mudanças sociais. Se na fase de crescimento da economia há um renovar-se da confiança nas possibilidades do sistema, o pipocar das contradições no bojo da crise precisa de um longo trabalho de organização já acumulado para tornar-se o momento-chave de uma ruptura. No final deste primeiro semestre de 2009, já é possível vislumbrar a eclosão de espasmos de dor, ou seja, de momentos em que o sofrimento atinge um grau tão levado que a sobrevivência pode levar a efetuar saques, protestos, movimentos no sentido de garantir maior atendimento social por parte do Estado, mas nada que o próprio sistema não consiga incorporar e superar. A falta de inserção e organização de base, aliada à ação centrada em aspectos econômico-corporativos têm gerado tamanho atraso em relação às possibilidades abertas pela conjuntura a ponto de não ver colocado sequer um questionamento sério aos lucros consolidados pelas empresas ou à suposta função social por elas desempenhada e à qual sempre se alude toda vez que os patrões procuram extrair do Estado novas benesses e novas possibilidades de acumulação. Longe de questionar os lucros no exato momento em que estes condenam ao desemprego centenas de milhares de trabalhadores, o centro das preocupações é a manutenção do posto em nome da qual se cede bem mais do que pode ser garantido pelos patrões. A esperança de que as coisas não piorem ainda mais, típica desta postura, não deixa sequer perceber que a elevação da produtividade sob o impacto do medo da demissão, que atormenta os que continuam empregados, vai proporcionar novos cortes e fazer com que a crise seja vista como algo do qual precisa se proteger e não como algo que precisamos pilotar para virar o jogo. Para que a dor e o sofrimento se tornem base de uma nova resposta coletiva eles precisam ser conhecidos e organizados, e isso não ocorre por decreto ou pela ação de forças estranhas à história. Ainda que estejamos em atraso nesta corrida contra o tempo, há espaços de sobra para que os sindicatos fortaleçam a percepção da injustiça que ameaça a vida em sociedade com força redobrada. Mas, para mobilizar uma ação coletiva contra ela, não basta que as pessoas compreendam as situações dramáticas nas quais milhões de famílias vão mergulhar. É necessário que esta percepção atinja a compreensão de quem ainda trabalha despertando nele sentimentos de compaixão (ou seja, de sofrer com, de sentir na própria pele a dor da injustiça infligida ao outro), não de comiseração que, via de regra, deixam a consciência em paz com pequenos gestos de solidariedade ou frases que resumem no ?coitadinho dele? o máximo de participação no sofrimento alheio. Apesar de aparentemente pequenos, estes são elementos essenciais para levar as pessoas a agir e não apenas a se comoverem. E para atingir a sensibilidade de quem tem um sentimento de indignação anestesiado não basta uma exposição racional da situação e de suas causas. Este caminho costuma ser brecado pelo senso comum cujas mudanças ocorrem antes pela via do sentimento do que da razão. Por isso, mais do que repetir chavões aparentemente auto-explicativos, trata-se de encontrar uma linguagem que seja capaz de falar ao coração as idéias que se destinam à cabeça. Longe de apostar no sentimentalismo barato, faz-se necessária a utilização de meios que sejam capazes de furar a barreira da racionalidade capitalista, amplamente assumida até mesmo nas relações afetivas vivenciadas no âmbito familiar, entrando pelo único caminho que, a meu ver, ainda permanece aberto: o dos sentimentos contraditórios com os quais o sujeito se depara em sua vida cotidiana e onde se vê constantemente preso na tensão entre os sonhos de afirmação e as frustrações que a eles se seguem, entre o medo e a busca de segurança, entre o desejo de realização pessoal e a realidade material que derrete sob os seus pés o que considerava sólido e inabalável. Nada impede que a nova linguagem lance mão do teatro, da encenação, da poesia, de testemunhos, do vídeo, do cinema, da internet e dos recursos que a modernidade coloca ao nosso alcance. O importante é que faça as pessoas se reconhecerem no drama do outro, perceberem que as coisas são o que são porque deixamos de agir ou porque só atuamos numa determinada direção, que a sociedade não é uma nau sem rumo, mas sim um transatlântico com comandantes, oficiais, tripulação, passageiros. Nele, trabalhadores e trabalhadoras são mantidos no porão da casa de máquinas, alegrados com pequenos prazeres pelos quais acreditam estar desfrutando do que a vida pode oferecer, mas que impedem ao seu descontentamento de se transformar em vontade de assumir o controle do navio e dirigir a proa rumo a uma sociedade onde haja tudo para todos. Nada está perdido. O sofrimento, a depressão, a angústia, a solidão em suas mais variadas formas e graus são apenas a renovação de um apelo a resgatarmos o que de mais autenticamente humano ficou esquecido nas asas do tempo?. - ?Eu ainda acho que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!?, reafirma o secretário incrédulo. - ?Mas se juntar o bicho foge!?, arremata Nádia antes de mergulhar na escuridão da noite. Sem palavras diante do tamanho da tarefa que se faz necessária para vencer a alienação, o secretário tira os óculos e arruma os papéis do relato que transformam a mesa em berço de idéias e debates. Lá fora, a cidade dorme na esperança de que alguém faça o que só a classe trabalhadora pode fazer. Na parede da sala, o relógio marca os primeiros minutos do novo dia. É 1º de maio de 2009, dia que convida à reflexão e à ação, a construir nas trevas da noite os passos de um novo amanhecer... Bibliografia: 1.. Baker, Roger. Ataques de pânico e medo ? mitos, verdades e tratamento, Ed. 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As metamorfoses da consciência de classe ? o PT entre a negação e o consentimento, Ed. Expressão Popular, São Paulo, 2006; 17.. LANCMAN, Selma e Sznelwar, Laerte Idal. Cristophe Dejours: da psicopatologia à psicodinâmica do trabalho, Ed. Fiocruz/Paralelo 15, Rio de Janeiro e Brasília, 2008, 2ª Edição; 18.. LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero, Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 2006; 19.. MENDES, Ana Magnólia, LIMA, Suzana Canez da Cruz e FOCAS, Emilio Peres (Org.), Diálogos em psicodinâmica do trabalho, Ed. Paralelo 15, Brasília, 2007; 20.. SILVA, Ana Beatriz Barbosa da. Mentes com medo ? da compreensão à superação, Ed. Integrare, São Paulo, 2006, 9ª Edição; 21.. SILVA, Edith Seligmann, STEINER, Maria Helena C. de Figueiredo e SILVA, Moacir Carlos da. Crise, trabalho e saúde mental no Brasil, Ed. Traço, São Paulo, 1986; 22.. SIQUEIRA, Marcus. Gestão de pessoas e discurso organizacional. Ed. UCG, Goiânia, 2006; 23.. SOLOMON, Andrew. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090609/34499a32/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 9 19:15:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 9 Jun 2009 19:15:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pronunciamento_dos_Povos_Ind=EDge?= =?iso-8859-1?q?nas_da_selva_central__CONTRA___O_MASSACRE_DE_BAGU?= =?iso-8859-1?q?=C1?= Message-ID: <056d01c9e94f$c86b4050$0200a8c0@vcaixe> CARTA O BERRO......................................................................repassem ----- Original Message ----- From: vera vassouras JUNHO/2009 Pronunciamento dos Povos Indígenas da selva central COMUNICADO Os povos indígenas da Selva Central: Ashaninka, Asheninak, Yine, Yanesha, kakinte, Nomatsiguenza e Marsiguencia e os Povos Andinos e Organizações Sociais da Selva Central, colocam, para conhecimento da opinião pública o seguinte: 1. Condenamos energeticamente a repressão sangrenta contra nossos irmãos indígenas na província de Bagua e a morte, até esta data, de aproximadamente 32 irmãos indígenas e 12 policiais, e um número maior de feridos e desaparecidos. 2. Declaramos a absoluta responsabilidade deste governo de Alan García Pérez sobre estes fatos, de acordo com suas seguintes atuações: - Vulnerou a ordem constitucional ao aprovar uma série de normas violadoras da Constituição e dos Tratados Internacionais com o claro fim de despojar-nos de nossos territórios ancestrais e entregar os recursos naturais às transnacionais. - Silencio através dos meios de comunicação, à voz indígena expressando-se em defesa de nossos territórios e dos recursos naturais como os bosques e as águas. A vida. - Negou, de fato, o diálogo expressa e largamente esperado por nossa organização representativa AIDESEP e, pelo contrário, declarou o estado de emergência suspendendo as liberdades pessoais e os direitos políticos nas regiões nas quais ocorriam os protestos indígenas. -Pretendeu, diante da persistência indígena na digna reclamação por nossos direitos, intimidas a nossa diligência nacional denunciando-nos por sedição, rebelião e conspiração. - Como ainda assim a reclamação indígena não parou, organizou um diálogo dilatador, falso e perverso. Falso, porque ali mostrou sua invariável negativa a derrogar as normas anticonstitucionais, e perverso, porque o fez com as denúncias penais pendendo sobre os dirigentes, os quais, por suposto, não se acovardaram. - Rejeitou os informes, opiniões e solicitações da Comissão Multipartidária da Defensoria do Povo, do Comitê de Expertos da OIT, da Presidenta do Foro Permanente das Nações Unidas sobre as Questões Indígenas e de experientes constitucionalistas, que de uma outra maneira demonstraram a legitimidade da demanda indígena para a derrogação dos decretos. - Desafiou os chamados de instituições da sociedade civil, organizações sociais, Igreja, que sugeriram ao governo abrir um diálogo autêntico e respeitoso com os representantes indígenas. O que fez evidente ao longo desses 55 dias de greve amazônica é que sua opção é pela defesa dos interesses petrolíferos e mineração transnacional contra os nacionais e os direitos de nossos povos, provocando o massacre com o derramamento de sangue inocente e as mortes de policiais e de irmãos indígenas que não faziam nada mais do que defender heróica e pacificamente a vida de nossos povos diante aos atentados contidos nas normas inconstitucionais desse governo que hoje se converteu em assassino. 3. O que ocorreu em Bagua, nos remete ao presente os casos que se produziram durante o primeiro governo de Alan García: o caso Accomarca, em 1985, no qual a CVR estabeleceu o assassinato de 62 comunheiros, entre mulheres, anciães e crianças por uma patrulha do exército; o caso Cavara em q988, no que a CVR corroborou com que cometessem graves violações dos direitos humanos sob uma operação militar; e o caso das execuções extrajudiciais dos prisioneiros de EL Frontón e Lurigancho no qual a CVR declarou estar em condições de afirmar que mais de duzentos internos perderam a vida durante os motins do mês de junho de 1986, pelo uso deliberado e excessivo da força contra os reclusos que, uma vez rendidos, foram executados extrajudicialmente por agentes do Estado. 4. Expressamos que a aprovação de normas inconstitucionais que atentam contra a vida dos povos indígenas, junto aos fatos ocorridos em Bagua, nos faz pensar que no Estado está incorrendo em práticas e políticas sistemáticas, cometendo o delito de lesa-humanidade, pelo que fazemos um chamado a todos os peruanos e peruanas a se manterem alertas para acionar este governo. 5. Reiteramos que os únicos responsáveis das lamentáveis mortes são o Executivo e o Congresso. Pedimos que o Presidente da República Alan García Pérez seja julgado por isso. Pedimos a renúncia imediata do Presidente do Conselho de Ministros Yehude Simon e das Ministras do Interior e da Justiça, Mercedes Cabanillas e Rosário del Pilar Fernández, porque têm mostrado sua incapacidade para atender a justa demanda indígena e solucionar o conflito sem arriscar os direitos fundamentais. São co-autoras, compartilhando a responsabilidade nos fatos produzidos. 6. Exigimos a extinção imediata dos processos penais de todos os integrantes da AIDESEP. Eles somente canalizam as demandas de suas bases e o faz com conhecimento público. Não aceitamos nenhuma detenção contra o Presidente da AIDESEP nem contra nenhum dos líderes nacionais, regionais, locais, nem comunheiros indígenas. Assim, exigimos a interrupção imediata da campanha, por parte do governo e alguns meios de comunicação, os quais nos identificam como terroristas. Assinalamos que nossas ações são em defesa de nossa vida e nossa dignidade como povos. 7. Exigimos a imediata revogação dos Decretos Legislativos 1090, 1064, 1089 e 1020. A Defensoria do Povo já se pronunciou sobre o Decreto 1064 e expôs as razões pelas quais é inconstitucional, sendo estas razões aplicáveis a todos os decretos. Hoje por hoje, é evidente que tanto o Executivo como o Congresso tem pretendido levar-nos a "passear" em mesas de debates que não resolvem nada. LOS POVOS INDÍGENAS NÃO ACEITAM MAIS ESTES ENGANOS. A única coisa que logrará este governo com suas medidas repressivas e seus assassinatos é multiplicar nossa luta. 8. Comunicamos que os povos indígenas da selva central, iniciarão uma jornada de resistência permanente pela defesa de nosso território ancestral. 9. Agradecemos a solidariedade de todas as organizações sociais e personalidades que rechaçam este modelo neoliberal e lhes pedimos que se unam a esta luta. Alan García não recebeu os votos do povo para governar vulnerando a Constituição, nem para ser empregado das transnacionais, nem para violar os direitos humanos dos povos indígenas. Satipo, 06 de Junho 2009. www.aporrea.org - trad. Vera Vassouras música - CD Madregaia - Dani Lasalvia - Kikiô (Geraldo Espíndola) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090609/38fd45f9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28066 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090609/38fd45f9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 10 19:57:17 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 10 Jun 2009 19:57:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__PM_transforma_USP_em_pra=E7a_d?= =?windows-1252?q?e_guerra=2E_Professores_decidem=3A_pela_ren=FAnci?= =?windows-1252?q?a_imediata_da_professora_Suely_Vilela_como_reitor?= =?windows-1252?q?a_da_Universidade__e__a_retirada_imediata_da_Pol?= =?windows-1252?q?=EDcia_Militar_do_campus=3B?= Message-ID: <023e01c9ea1e$ce55fcb0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro..................................................................repassem PM transforma USP em praça de guerra Por Lúcia Rodrigues A USP foi transformada em uma verdadeira praça de guerra pela Polícia Militar, no final da tarde de ontem, dia 09. Policiais da Força Tática, munidos de armas do choque, partiram para cima de estudantes e funcionários que retornavam da manifestação realizada em frente ao portão central da universidade, em protesto contra a presença da PM na universidade. Os manifestantes foram perseguidos pelos policiais a partir da Faculdade de Educação. A rua lateral à reitoria e o gramado que dá acesso aos prédios da História e Ciências Sociais viraram palco de um bombardeio. O som das bombas de efeito moral, dos tiros de borracha e dos helicópteros que sobrevoavam o campus era ensurdecedor. O cheiro do gás lacrimogêneo e spray de pimenta, insuportável. Ninguém estava a salvo no território do medo. Os policiais arremessaram granadas de efeito moral, inclusive, sobre um grupo de professores, que tentava dialogar com o comandante da operação, tenente-coronel Claudio Miguel Marques Longo, para evitar mais violência. A imprensa também foi alvo da repressão policial. O fotógrafo da Folha de São Paulo Danilo Verpa foi atingido por cassetetes quando registrava o ataque da PM. A reportagem da Caros Amigos e um fotógrafo do Estadão ficaram sob a mira de escopetas. Diretora critica A diretora da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Sandra Margarida Nitrini, também tentou intermediar uma negociação com o comandante Longo. ?Essa é uma medida da reitoria, eu respondo pela FFLCH.? Ela conta que disse ao tenente-coronel que a situação estava se acirrando, com a iniciativa dos policiais avançarem em direção à Faculdade. ?Queremos impedir que isso ocorra em nossa unidade, queremos garantir a integridade?, frisa. No momento em que a diretora conversava com o comandante, bombas explodiam em frente à reitoria. A justificativa apresentada pelo tenente-coronel Longo foi a de que se tratava de explosivos lançados, mas que não haviam sido detonados. ?Algumas bombas ficaram com os pinos soltos e estamos explodindo agora.? Pelo menos um estudante foi atendido no Hospital Universitário. O aluno, que não teve o nome revelado, foi atingindo na perna por um tiro de borracha. ?Eu nunca vi a polícia entrar desse jeito no campus. Isto aqui virou uma guerra campal. Atacaram, inclusive, os professores que tentavam negociar?, protestou a funcionária Rosana Bullara. Prisões A PM prendeu dois trabalhadores e um estudante no campus. Os três tiveram as mãos algemadas para trás e foram conduzidos ao 93 DP. Permaneceram no local por volta de duas horas e meia. Após lavrar um termo circunstanciado, um espécie de boletim de ocorrência mais elaborado, o delegado de plantão Percival de Moura Alcântara Jr. liberou os presos. ?É um crime de menor potencial ofensivo. Não tem flagrante nesse caso?, explica o delegado. Segundo Alcântara Jr., o termo será enviado para a justiça criminal e os três serão julgados pelos crimes de desacato a autoridade, resistência a prisão e danos ao patrimônio. Ele acredita que o julgamento ocorra no prazo de 30 dias. O diretor do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), Claudionor Brandão, um dos detidos, recebeu a informação de que dois diretores do sindicato haviam sido presos. Como ele não participou do protesto em frente ao portão central, tentou obter informações sobre os colegas. ?Eu estava ligando para a Adusp (Associação dos Professores da USP) para pedir ajuda quando vi o Celso (Luciano Alves da Silva), do comando de greve e funcionário do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros) ser preso.? Brandão tentou convencer os policiais a soltarem o companheiro. Além de não conseguir demovê-los da ação, acabou sendo preso pelo comandante da operação, Cláudio Longo. Segundo Brandão, as algemas que foram colocadas em seus braços foram posicionadas de uma forma que apertavam seus pulsos. ?Eles (policiais) retorceram as algemas e prenderam minhas mãos para trás, isso fez com que pressionasse ainda mais?, ressalta ao exibir os pulsos com marcas profundas na pele. O estudante de história José Ailton Dutra Junior, outro preso, estudava em seu apartamento no Crusp (Conjunto Residencial da USP), quando recebeu um telefonema informando que a PM estava atacando funcionários e alunos em frente à reitoria. ?Fui ver o que estava acontecendo e me prenderam. Os policiais vieram para cima, me arrastaram, jogaram spray de pimenta (nos olhos) e deram várias cassetadas?, frisa. Abaixo a repressão Para o presidente da Adusp, Otaviano Helene, o ataque da PM à comunidade acadêmica é gravíssimo. ?Infelizmente chegamos a esse ponto. Isso (ataque policial) é responsabilidade da administração da USP e do governo do Estado. Não se toma uma atitude desse tipo sem o conhecimento do governador?, ressalta o dirigente dos professores. Greve continua Professores, funcionários e estudantes permanecem em greve. A Adusp realiza assembléia pela manhã. Ontem, a reunião dos professores foi interrompida no momento em que a tropa deflagrou o ataque. Os estudantes realizam passeata no início da tarde até a avenida Paulista, para protestar contra a violência policial no campus. Um grupo de aproximadamente 50 estudantes permaneceu em vigília em frente ao prédio da História durante a madrugada. Pela manhã dois helicópteros da polícia faziam vôos rasantes no campus. As viaturas da PM continuam perfiladas nos fundos da reitoria. Os funcionários também realizam assembléia hoje. Eles reivindicam 16% de reajuste, incorporação de R$ 200 ao salário, a reintegração de Brandão , demitido em dezembro pela reitora, em função da atuação destacada à frente do Sintusp, (click aqui e leia a notícia da demissão), além da retirada dos processos contra dirigentes sindicais e estudantis. ======================================================================================================================================================== a.. Veja imagens da USP nesta manhã de quarta a.. Estudantes marcam ato para esta quarta a.. Polícia e estudantes entram em confronto no campus da USP a.. Veja imagens do conflito a.. Em nota oficial, reitoria da USP "lamenta o confronto" a.. Vice-reitor garante à comissão que PM vai sair do campus a.. Manifestantes detidos querem exame de corpo de delito a.. "Não há outra alternativa a não ser manter a PM lá", diz Serra a.. Entenda as manifestações na USP e a presença da PM no campus ==================================================================================================================================== Em assembléia, professores da USP pedem renúncia da reitora DECLARAÇÃO DA ASSEMBLÉIA DA ADUSP DE 10/06/2009 A Universidade de São Paulo tem desrespeitado, há anos, no seu cotidiano e nas suas instâncias de decisão, o Artigo 206 da Constituição Federal que define o princípio da gestão democrática do ensino público. O desrespeito fica evidenciado pela ausência de diálogo sempre que deliberações de Conselhos de Departamentos, Congregações e do Conselho Universitário acontecem sem a devida participação de alunos, docentes e funcionários. Nos últimos meses testemunhamos algumas dessas deliberações que, no lugar do diálogo, impõem de maneira autoritária suas decisões, gerando conflitos e desgastes desnecessários entre as partes envolvidas: demissão política de um dirigente sindical, o ingresso da USP na Univesp, a reforma estatutária da carreira, as mudanças no exame vestibular, entre outras. As três últimas, aliás, foram tomadas sem razões acadêmicas que as sustentem. A crise atual vivenciada pela USP, originada pela negociação de data-base, como vem acontecendo nas negociações dos últimos anos, a ausência de diálogo exacerbada pela ruptura por parte do Cruesp da continuidade da negociação, culminou com a solicitação, por parte da reitoria da USP, da presença da Polícia Militar, provocando a violenta repressão que vivenciamos na tarde de ontem no campus Butantã da USP. Em função dessa sucessão de acontecimentos: ?Os professores da Universidade de São Paulo, reunidos em Assembléia no dia 10 de junho de 2009, em face dos graves acontecimentos envolvendo a ação violenta da Polícia Militar no campus Butantã, vêm a público exigir: 1. a renúncia imediata da professora Suely Vilela como reitora da Universidade de São Paulo; 2. a retirada imediata da Polícia Militar do campus; 3. que a nova administração adote uma medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes; 4. que se inicie também imediatamente um processo estatuinte democrático. São Paulo, 10 de junho de 2.009. Adusp-S.Sind. Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo ================================================================ Boletim Eletrônico ? 10 de junho de 2009 ? Nº 137 Deliberações da Assembléia da Adusp de 10/06 1- Pela continuidade da greve, tendo como pauta: a.. Imediata retirada da Polícia Militar da USP; b.. Renúncia da reitora Suely Vilela - ?Fora Suely?; c.. Reabertura imediata de negociações entre o Cruesp e o Fórum das Seis ? mantida a pauta de reivindicação inicial; d.. Anulação da resolução do Conselho Universitária que autoriza a reitoria a solicitar a entrada da PM no campus; e.. Estatuinte Livre, Democrática e Soberana; f.. Eleições diretas para Reitor. 2- Protocolar uma manifestação na reitoria incluindo os 4 pontos abaixo(*): a.. exigência da imediata renúncia da professora Suely Vilela como reitora da USP; b.. saída imediata da polícia militar do campus; c.. que seja adotada medida firme para impedir que as chefias e direções assediem moralmente os funcionários que exercem o direito de greve, de modo a criar condições objetivas para que os funcionários possam suspender os piquetes; d.. que se inicie, também imediatamente, um processo estatuinte democrático. 3- Ato público em defesa da universidade livre e democrática a ser realizado no Largo São Francisco, conjunto com o Fórum das Seis, a ser organizado para a próxima semana, com a presença de representantes de partidos políticos, centrais sindicais e personalidades; 4- Próxima assembléia, 15/6, 2a-feira, 16h, no anfiteatro da Geografia, recomendando que haja assembléias ou reuniões conjuntas nas unidades pela manhã. (Fiquem atentos, pois pode haver mudança de dia e hora da assembléia em função de eventos inesperados. Acompanhem no site www.adusp.org.br.) Colegas, indignação não basta, resistir é preciso. Venham ajudar na panfletagem nessa segunda-feira, 15/6, a partir das 7h00, nos portões 1 e 3. ========================================================================================================================= Moção de Repúdio dos professores da USP campus de Ribeirão Preto à Entrada da PM na USP Nós, professores da USP-RP, reunidos em assembleia no dia 09 de junho de 2009, aprovamos a presente moção de repúdio contra a entrada da Tropa de Choque na USP, a pedido da Reitora Suely Vilela. Com o uso da força, a Reitora tenta cercear manifestações pacíficas e legítimas, colocando em risco o maior patrimônio da universidade, qual seja, seus alunos, funcionários e professores. Atitudes como esta, que remetem à ditadura militar, não serão aceitas, pois violam o direito à livre expressão, entre outros tão duramente conquistados. Assembleia Geral dos Docentes Campus da USP de Ribeirão Preto 9/junho/2009 Os professores pretendem, ainda na tarde de hoje, entregar as deliberações da assembléia à reitoria da USP. De acordo com Otaviano Helene, presidente da Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), a mobilização cresceu após os conflitos de ontem entre PMs, professores, alunos e funcionários. "Assinaram hoje presença na nossa assembléia, mais de 200 professores, o que não ocorria aqui há muito tempo. Estamos indignados com o que houve ontem. É intolerável", afirmou o presidente da Adusp. Otaviano afirmou ainda que para a abertura das negociações é indispensável vontade política. "A polícia não entrou aqui sem autorização da reitora, assim como do governador. A nossa situação hoje é inaceitável. Nos reuniremos novamente na próxima segunda e esperamos que até lá exista alguma abertura para diálogo", completou. A nova assembléia dos professores está marcada para segunda-feira, dia 15, às 16 horas. Em função da chuva forte que cai na capital paulista desde as 10 horas desta quarta-feira, a manifestação que estava marcada para a tarde foi transferida para a próxima semana. Funcionários da instituição permaneciam em assembléia paralela à dos professores, às 14 horas. ==================================================================================================================================== Sindicato dos Trabalhadores da USP Boletim nº 64 (37º dia em greve) - SP 10/06/2009 - USP 16% Já UM CAMPO DE GUERRA É difícil de acreditar no que ocorreu ontem na Universidade de São Paulo. A partir das 12 horas, houve o Ato do Fórum das Seis, com mais de 2.000 funcionários, estudantes e professores da USP, Unesp e Unicamp, em frente à reitoria da USP, exigindo a retirada da PM do campus e abertura de negociação com o Cruesp. Em seguida, funcionários e estudantes da USP, convocados pelo Comando de Greve Unifcado (funcionários e estudantes), dirigiram-se, em passeata, ao portão 1 da Universidade. A tropa de choque tentou impedir a saída da passeata da universidade, mas em virtude do grande número de manifestantes foi obrigada a recuar até fora da Universidade. Houve então um grande Ato, denominado de trancaço, que ocorreu sob muita tensão, pois os manifestantes ficaram por mais de 2 horas frente à frente com a tropa de choque. Ao término do Ato, quando manifestantes voltavam rumo à reitoria, ao passar em frente de alguns PMs que provocaram 3 companheiras, todos começaram a gritar: FORA PM! Um dos policiais, nesse momento, requisitou reforços através do rádio. Logo, um enorme contingente da tropa de choque entra na Universidade atirando bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, tiros de escopeta calibre 12 com balas de borracha. Houve uma grande perseguição e ataques a todos os manifestantes, por mais de 1 hora, dentro da USP. Mais de 1.000 manifestantes recuaram até a FFLCH, onde foram isolados pela tropa de choque. Uma comissão de professores da Adusp acorreu ao local, com objetivo de negociar com o Comando da Tropa a suspensão da violência e, foi atacada com várias bombas. Muitos companheiros foram feridos, inclusive alguns hospitalizados. O comandante da PM, Cláudio Longo, em entrevista à CBN, declarou haver mandato de prisão para Claudionor Brandão, Magno de Carvalho e o estudante Caio, por incitar os manifestantes ao confronto. Em seguida, Brandão, Caio e Celso (funcionário do IEB) são presos e condizidos à 93ª DP, sendo liberados horas depois. O companheiro Zelito também chegou a ser detido. Entretanto, conseguiu escapar. Os estudantes, que já tinham assembleia marcada para as 18 horas, em frente à reitoria, acabaram realizando uma grande assembleia na Av. Prof. Luciano Gualberto, onde estavam sendo discutidas as ações em resposta à bárbarie que houve na USP. A responsabilidade do confronto ocorrido na USP é da reitora Suely. Entretanto, sabemos que uma ação como essa não ocorre sem ordem do Secretário de Segurança Pública e o aval do governador José Serra. Muitos professores, dentre os quais alguns diretores de unidade acorreram ao local, comentando que depois do que houve a reitora Suely não tem mais condições morais de permancer no cargo. ======================================================================================================================================================================== Nota pública da Associação dos Pós-Graduandos da Usp (campus da Capital). A Universidade de São Paulo, campus Butantã, desde o início desta semana, vem servindo de cenário para insólitas operações da Polícia Militar. Por pelo menos três dias, contingentes de policiais armados, colocaram-se a entrada de prédios de seus órgãos administrativos, faculdades, institutos, museus e bibliotecas. Essas operações seguem a execução de um pedido de reintegração de posse por parte da Reitoria da USP. Em nota, a medida é justificada sob o argumento de que o ?funcionamento da universidade? teria sido transtornado por ações ?isoladas?, ?tumultuosas? e ?violentas? de obstrução do acesso a prédios da universidade por ?piquetes?, atribuídas a um ?grupo de servidores?. A Reitoria, então, reivindica a sua responsabilidade em manter a regularidade do funcionamento da universidade. O Sindicato dos Trabalhadores da USP, em comunicado publicado no mesmo dia, respondeu à nota da Reitoria contestando as descrições e qualificações dadas às manifestações de seu movimento que, atualmente, encontra-se em greve, conjuntamente com os funcionários da UNICAMP, em prol de uma lista de reivindicações que eles não julgam contempladas pelas propostas do Cruesp. O SINTUSP afirma que nos acessos aos prédios citados só havia faixas com os dizeres ?Estamos em Greve? e, em algum deles, encontravam- se também ?Comissões de Orientação e Esclarecimentos?, compostas por funcionários das respectivas unidades que lá estavam por deliberação da assembléia dos funcionários da USP. As ações do movimento teriam sido todas baseadas em ?decisões legitimadas em reuniões de unidades e assembléias gerais da categoria?. Fotos de batalhões policiais armados na USP colocam, agora, de maneira emblemática e à vista de todos, a cultura política vigente na atual estrutura de poder da USP diante das reivindicações da comunidade acadêmica. Emblemáticas porque condensam em imagem uma série de outras medidas que compõem um movimento mais amplo de avanço de forças reacionárias às demandas de democratização da universidade. Nesse sentido, basta lembrar que das últimas nove reuniões do Conselho Universitário (Co), cinco foram realizadas em área militar (IPEN), sob forte esquema de segurança. Some-se a isso, que tais reuniões foram marcadas por graves problemas na convocação da representação discente e de servidores, além de violações a normas regimentais, principalmente no tocante ao procedimento das votações. A recorrência desses fatos e as suas conseqüências extremamente anti-democráticas levaram a APG-USP/Capital a recorrer à Justiça, impetrando um mandado de segurança pedindo a anulação da reunião em que foi aprovado o orçamento da universidade para 2009. Há ainda de se elencar o novo plano de segurança da USP, orçado em mais de 2,5 milhões de reais, tocado pelo ex-prefeito do campus, prof. Adilson Carvalho. Em reportagem de uma revista semanal, em que é fotografado ao lado de uma central de monitores de televisão com imagens da universidade e apelidado de o ?xerifão do campus?, ele declara: "Apesar de muitos estudantes afirmarem o contrário, a polícia entra na USP sempre que é chamada". Em outra reportagem, esta publicada no Jornal do Campus, instado a comentar a suspeita de um estudante de que o sistema de câmeras de segurança pudesse se reverter em ?uma forma de vigiar o movimento estudantil", o Prefeito nega, mas relativiza: "Elas vão ser usadas, claro; para identificação quando houver excessos." As recentes políticas de segurança da USP precisavam de um esclarecimento: a presença da polícia no campus são necessários diante dos problemas enfrentados pelos freqüentadores da Cidade Universitária ou são instrumento de investigação e perseguição política? Contudo, infelizmente, não foi nos dada a oportunidade de ouvir as razões da Prefeitura do Campus, que negou o pedido de audiência pública feito formalmente pela APG-USP/Capital, em Conselho Universitário realizado no dia 30 de setembro de 2008. Podemos ressaltar, ainda, as sindicâncias sofridas por alunos que participaram da ocupação da reitoria de 2007; as diversas restrições, por parte dos órgãos administrativos da universidade, ao uso dos espaços do campus pelos estudantes e suas diversas entidades; a invasão da Faculdade de Direito do Largo São Francisco pela Tropa de Choque em agosto de 2007; a implantação de catracas; a censura realizada diretamente pela reitoria ao STOA (fórum digital da USP); as demissões sumárias de servidores e diretores de sindicato dentro da universidade. Poderíamos continuar listando inúmeras outras manifestações da atual política vigente na USP, porém preferimos voltar nossa atenção ao movimento mais amplo a que todas elas remetem. Em 2007, começou a transcorrer nos Conselhos Centrais da USP a discussão sobre a reforma do Estatuto da USP. As forças do movimento pela democratização da universidade ?representadas pelo movimento de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos? encontrava-se, então, completamente alijado do processo de discussão da reforma do Estatuto. A principal conquista do movimento de ocupação da reitoria de 2007 foi o compromisso, por parte da reitoria, de realização do V Congresso da USP, que acabou sendo agendado para maio de 2008. Esse movimento voltou para o V Congresso as suas esperanças de se articular em torno de um projeto concebido democraticamente por todos os segmentos da universidade, conseguindo, assim, disputar o processo de reforma do estatuto da USP, já em curso naquele momento. Na melhor das hipóteses, ganharia força o projeto de uma estatuinte democrática. Como bem se sabe, o V Congresso não se realizou porque a reitoria não liberou, em sua totalidade, o segmento dos funcionários. A não-realização do V Congresso foi a senha para que os grupos descontentes com as conquistas do movimento de ocupação da reitoria e, mais particularmente, com a idéia de se ampliar a discussão da reforma do estatuto, avançasse para estabelecer a sua hegemonia política dentro da universidade. O marco ?não só simbólico, mas também jurídico? desse acontecimento foi o Conselho Universitário extraordinário do dia 28.05.08, o primeiro a ser realizado no IPEN, com graves problemas na convocação da representação discente e dos funcionários. A pauta se resumia à discussão de um parecer elaborado pela Comissão de Legislação e Recursos (CLR) do Co respondendo a uma consulta, a posteriori, sobre um pedido da Reitoria da USP pela entrada da polícia militar no campus. O prédio da reitoria encontrava-se, naquele momento, obstruída por manifestantes que reivindicavam o agendamento de uma nova data para a realização do V Congresso, desta vez, com a previsão expressa de liberação dos funcionários. A relatoria do parecer foi feita pelo presidente da CLR, prof. João Grandino Rodas. O parecer não só respaldava a medida da Reitoria, como insinuava que houve etapas desnecessárias para se chegar a ela, como a do diálogo: ?...houve um pedido escrito e oficial de desobstrução, entretanto, essa desobstrução (acredito que aqui a referência seja na verdade ao pedido de desobstrução) não se fez antes de possibilitar o diálogo, coisa que nem seria necessária ? um diálogo nas circunstâncias, justamente porque a obstrução não tem fundamento, em absoluto, ela é ilegal por natureza?. Havia também o diagnóstico de que vigeria na universidade uma ?tradição de uma benevolência exagerada?, remontando talvez ?algumas décadas?, que comprometia o funcionamento da universidade. Na parcela mais jurídica do parecer, ponderava-se que a necessidade da constância no funcionamento da universidade estava prevista em lei e que a prerrogativa de assegurá-la era função da reitora. O argumento chega a soar, ao menos para quem lê a ata da reunião, quase como uma ameaça: ?deve existir, sob forma de responsabilização, um rigor no cumprimento do calendário, ou seja, da não obstrução dos órgãos centrais da Universidade?. A responsável, neste caso, seria a Reitora que por ser ?a autoridade administrativa máxima... é responsável legalmente pelo que faz e pelo que deixa de fazer....?.. Mesmo professores com uma história recente de fortes atritos com o movimento estudantil e dos servidores, mas minimamente zelosos pela tradição democrática dentro da universidade, diante do precedente que estava prestes a ser a aberto ? cuja conseqüência não era outra que a legitimação da entrada da polícia no campus ? fizeram falas no sentido de tentar adiar a votação do parecer da CLR. No entanto, o parecer foi colocado em votação e aprovado por ampla vantagem. Desde então, a cultura universitária do diálogo, da crítica, da manifestação e da discussão está em xeque, podendo ser suspensa quando, oportunamente, forem verificados ?excessos?, bastando um chamado para o uso da força e da intimidação armadas. Os episódios desta semana são prova disso. Na já mencionada nota da reitoria a respeito da ocupação militar desta segunda, a referência ao parecer de março do ano passado da CLR é patente, ao invocar a ?responsabilidade de garantir o funcionamento da universidade?. Queremos deixar claro que não estamos fazendo, aqui, a insinuação de que a reitora esteja agindo como está agindo por estar sendo pressionada a tomar esta atitude. Afinal, se o constrangimento for efetivo há sempre a possibilidade de se renunciar ao cargo. Contudo, a forma como a reitora rifou as forças mais democráticas que lhe ajudaram na eleição, depois de se julgar assegurada no cargo, apontam que dificilmente há qualquer crise de consciência nas medidas que vêm sendo tomadas. Para nós da APG-USP/Capital, somente uma idéia bastante prejudicada de universidade pode levar a acreditar que seja possível assegurar o seu ?funcionamento? através do medo e do constrangimento, físico ou moral, imposto por uma força policial armada nas suas dependências. Um juízo desses chega ao mínimo possível da escalada em que foi reduzindo vertiginosamente o âmbito do que é o ?funcionamento da universidade?. Essa idéia é a expressão mais dramática do patamar medíocre em que se encontra, para alguns, a discussão sobre o que significa o ?funcionamento da universidade?. Para os que prezavam o sentido de uma cultura universitária, está claro que nos últimos anos abriu-se mão da interação com a comunidade a sua volta, da convivência em seus espaços, , do seu lugar como espaço público e cultural da cidade em nome do ?funcionamento da universidade?. No momento, vemos aonde chega esta concepção: o ?funcionamento da universidade? seria a mera conservação vegetativa de seu metabolismo burocrático; uma estrutura de poder que só se mantém em pé porque se assenta sobre um pesado jogo de interesses, que se fosse minimamente legitimado pela comunidade uspiana não precisaria fazer a USP amanhecer tomada, em seus diferentes institutos, por centenas de policiais armados. Também é nossa convicção que a principal carência para garantir o funcionamento da nossa Universidade ? pensado aqui em uma chave que faça jus à pluralidade de manifestações políticas, artísticas e culturais que, aliada à prática científica, deve definir uma instituição universitária ? não é a tropa de choque, mas uma radicalização da democracia na sua estrutura de poder. Coordenadoria da APG-USP/Capital, 4 de junho de 2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090610/a35d5713/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24887 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090610/a35d5713/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 80 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090610/a35d5713/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 11 15:51:39 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 11 Jun 2009 15:51:39 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Armazemmem=F3ria=2C_Mem=F3rias_Re?= =?iso-8859-1?q?veladas_e_S=E9rie_Documentos_Hist=F3ricos=2E_S=E3o_?= =?iso-8859-1?q?s=EDtios_onde_est=E3o_arquivados_depoimentos=2C_doc?= =?iso-8859-1?q?umentos=2C_filmes=2C_fotos=2C_etc=2E=2C_da_Resist?= =?iso-8859-1?q?=EAncia_e_das_demais_lutas_sociais=2E?= Message-ID: <064301c9eac5$a7e1a690$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. São três paginas que se desdobram em muitas outras: Armazémmemória ,Memórias Reveladas e Série Documentos Históricos. São sítios onde estão arquivados depoimentos, documentos, filmes, fotos, etc., da nossa história de luta e resistência a Ditadura Militar, além de outras informações sobre a luta de setores sociais pela terra, educação , etc. Há também todo o trabalho de pesquisa que resultou no projeto "Brasil: Nunca Mais" (veja na ´serie documentos históricos) Esses sítios devem ser guardados e verificados sempre, pois são repositários de informações e dados atualizados périodicamente. Repassem aos amigos(as) e companheiros(as). Ao dizer de D.Paulo Evaristo Arns : "Para que nunca se esqueça, que nunca mais aconteça." Ujm abraço. Vanderley Caixe ----- Original Message ----- From: Marcelo Neste informativo sugerimos o acesso ao projeto Memórias Reveladas no intuito de divulgar e apresentar esta iniciativa organizada pelo Arquivo Nacional visando fortalecer esta política pública de acesso à história recente de nosso país, que ao iniciar a integração dos arquivos já disponíveis em instituições públicas e privadas sobre o período da ditadura militar de 1964-1985, contribuirá para a luta pela construção do Nunca Mais em nossa sociedade. Convidamos também a conhecer o primeiro volume da Série Documentos Históricos organizada pelo Armazém Memória, como contribuição ao Memórias Reveladas, que através de uma proposta multimídia, disponibiliza a 1ª etapa do projeto de digitalização da documentação do projeto Brasil Nunca Mais. O Direito à Memória e à Verdade se fortalece com estas iniciativas de integração e acesso universal à nossa história recente, porém se faz necessário o cumprimento da sentença já julgada pela justiça referente ao Araguaia, que determinou às Forças Armadas a abertura dos arquivos do CIE, CENIMAR e CISA sobre o período, para que se esclareçam os fatos dos assassinatos e desaparecimentos forçados em nosso país. Divulgue este email em suas redes e colabore na constução do Memórias Reveladas, mapeando acervos e indicando sua localização, bem como levando esta iniciativa para as salas de aula em qualquer dos níveis de ensino a que tenha acesso. A construção do Nunca Mais se dará com a consciência de todos. Marcelo Zelic Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo. Coordenador do Projeto Armazém Memória. -------------------------------------------------------------------------- MEMÓRIAS REVELADAS Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil 1964-1985 -------------------------------------------------------------------------- clique aqui para conhecer o sitio O Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil, denominado "Memórias Reveladas", foi institucionalizado pela Casa Civil da Presidência da República e implantado no Arquivo Nacional com a finalidade de reunir informações sobre os fatos da história política recente do País. -------------------------------------------------------------------------- APRESENTAÇÃO OBJETIVOS ENTIDADES PARCEIRAS DOAÇÕES DE ACERVOS -------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------- SÉRIE DOCUMENTOS HISTÓRICOS RELATÓRIO BRASIL NUNCA MAIS -------------------------------------------------------------------------- clique aqui para conhecer o sitio O Projeto "Brasil: Nunca Mais" desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Pastor Jaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar, gerou uma importante documentação sobre a história de nosso país. -------------------------------------------------------------------------- Divulgue o Relatório Brasil Nunca Mais através de link em sua página na Internet. -------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------- CONTAMOS COM SEU ENGAJAMENTO NA CONSTRUÇÃO DO NUNCA MAIS BOA NAVEGAÇÃO -------------------------------------------------------------------------- 1ª visita ao site, por favor baixe o plugin -- .: clique aqui para baixar o plugin :. -------------------------------------------------------------------------- Se você não deseja mais receber os Informativos do Armazém Memoria, clique aqui. -------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090611/bc18e017/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17045 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090611/bc18e017/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 26176 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090611/bc18e017/attachment-0004.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37598 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090611/bc18e017/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 12 19:36:33 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 12 Jun 2009 19:36:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Nara_=3A_o_p=E1ssaro_e_o_le=E3o?= =?windows-1252?q?___por__Augusto_Buonicore?= Message-ID: <014401c9ebae$3d09a950$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. JUNHO DE 2009 - 20h51 Nara: o pássaro e o leão por Augusto Buonicore* No último dia 7 de junho completaram-se vinte anos da morte da cantora Nara Leão. Ela foi uma das pessoas mais importantes na configuração do que conhecemos hoje como Música Popular Brasileira (MPB). Participou da criação da Bossa Nova, da ?música de protesto?, do tropicalismo etc. Foi também uma artista engajada nas lutas do seu tempo pela liberdade e pelos direitos do povo. Era um bichinho estranho: meio pássaro e meio leão. Capa do disco do Show Opinião (1965) Chico e Nara cantam Dueto DUETO http://www.youtube.com/watch?v=6Fx5CHMwWDU Nara nasceu no Espírito Santo em 19 de janeiro de 1942, mas com apenas um ano de idade mudou-se para o Rio de Janeiro. Era filha de uma família relativamente avançada para época. ?Não havia em nossa casa os valores tradicionais da classe média nem normas de conduta. Não comemorávamos natal, nem aniversários, nem réveillon?, afirmou ela. Menina extremamente tímida e insegura quanto a sua beleza e possíveis talentos. Aos 12 anos começou a aprender tocar violão com Patrício Teixeira. Cantor e instrumentista, companheiro de Pixinguinha, havia criado um novo método que, ironicamente, batizou ?O Capadócio?. Esse era o nome ofensivo dado aos tocadores de violão no início do século 20. Patrício, como negro capadócio, havia sentido na carne o preconceito da sociedade carioca de sua época. Amiga e namorada de Roberto Menescal, e depois de Ronaldo Bôscoli, teve o seu apartamento em Copacabana transformado num dos pontos de encontro dos jovens músicos que criariam um novo estilo musical: a Bossa Nova. Lá se reuniam Carlos Lyra, João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Silvia Telles etc. Nara não era somente uma anfitriã amável ? ou a musa daqueles rapazes talentosos ? mas também uma das cabeças daquele movimento cultural que surgia. Em 1958 o grupo foi convidado para cantar no Clube Universitário Hebraico. Como a única figura de certa expressão era Silvia Telles, o funcionário colocou um cartaz ?Silvia Telles e um grupo bossa nova?. Sem planejar, o movimento já tinha conseguido um nome. O poeta Manoel Bandeira se referiu a ele como ?uma música intimista mais apropriada para apartamentos?. Era isso e um pouco mais. Nara subiu ao palco pela primeira vez em 13 de dezembro de 1959. Em pânico, cantou quase de costa para o público as músicas ?Se é tarde, me perdoa? e ?Fim de Noite?. Nascia, assim, uma estrela ainda que um pouco gauche. Nara se politiza A primeira experiência de Nara com uma grande gravadora ? a Columbia - não foi das mais felizes. No teste cantou ?Insensatez? de Vinícius e Tom. Acharam a música chata e longa demais. Sugeriram que cantasse boleros. Ela não gostou da proposta, pegou seu violão e foi embora. Estranhamente, a ?musa da bossa nova? não estrearia em disco cantando o estilo que havia contribuído para criar. Naqueles anos o Brasil estava mudando e Nara também. Separada de Bôscoli, começou um namoro com o cineasta Cacá Diegues. Através dele se aproximou do pessoal do Cinema Novo e dos intelectuais que organizavam o Centro Popular de Cultura da UNE. Naquele ambiente efervescente ela foi se politizando e aderindo às idéias da esquerda e ao projeto cultural nacional-popular. Saíamos dos ?anos JK? e entravamos na ?era Jango?. A grande bandeira do momento eram as reformas de base. Além de Cacá, Carlos Lyra também influenciou Nara. Ele, ao lado de Sérgio Ricardo e Geraldo Vandré, propunham uma mudança de rumo na Bossa Nova. Uma das características desse grupo era a busca de uma aproximação maior com os compositores de extração popular, como Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, João do Valle etc. Buscava uma fusão entre a moderna música urbana ? produzida pelas camadas médias ? e a música de morro e do sertão. O movimento da Bossa Nova acabou rachando em duas partes: uma chamada de ?alienada? e outra mais politizada. O conflito foi bastante acirrado. Nara entrou na briga ao lado da arte engajada contra a alienação bossanovista. Numa entrevista à revista ?O Cruzeiro? afirmou: ?A bossa nova, que se apresentava como um movimento renovador ? e foi até determinado momento ? tornou-se caduca e acadêmica?. Um pouco antes do golpe militar ela ainda afirmaria: ?os letristas da bossa nova escreveram letras sem o menor sentido. Então fui procurar os compositores que dizem o que querem e encontrei o samba tradicional, que contém a verdadeira essência da música popular brasileira?. Foi dentro desse espírito que gravou o seu primeiro disco. Houve muita resistência quanto ao repertório sugerido pela garota. Dele constavam nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Ketti. Onde já se viu, mocinha de Copacabana cantando música de morro? Depois de muita luta convenceu os produtores que aquele era o caminho certo. Além dos compositores populares havia Carlos Lyra, Vinícius de Moraes, Gianfracesco Guarnieri, Baden Powell, Ruy Guerra. Muitos afirmam que esse disco iria cimentar o caminho daquilo que seria chamado de MPB. O disco se destacava pela forte presença da crítica social. Muitas das canções poderiam ser enquadradas na rubrica de ?música de protesto?. Um estilo que vinha ganhando força em todo mundo, inclusive nos Estados Unidos. Destacava-se no LP as músicas ?O morro (feio não é bonito)?, ?Canção da terra?, ?Berimbau?, ?Maria Moita? e ?Marcha da quarta-feira de cinzas?. Definitivamente, Nara era a nossa Joan Baez. Em 1963 ela aderiu ao Comando dos Trabalhadores Intelectuais (CTI), uma versão artístico-intelectual do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Os seus membros pretendiam ?participar da formação de uma frente única nacionalista e democrática com as demais forças populares arregimentadas na marcha por uma estruturação melhor da sociedade brasileira?. O golpe militar de março de 1964 iria obstaculizar as mudanças que já se anunciavam nas ruas. A música lançada alguns meses antes ?Marcha de quarta-feira de cinzas? se tornou uma profecia realizada e uma conclamação à luta pela liberdade: ?Acabou nosso carnaval/ Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz/ E nos corações/ Saudades e cinzas foi o que restou / .../ E, no entanto, é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade?. Foi o primeiro hino da resistência democrática no país. Provocada por um jornalista que perguntou se ela era ?subversiva?, respondeu: ?Se cantar músicas que falam dos dramas do povo, dos seus problemas e das suas tristezas, angústias e alegrias é ser subversiva, acho que não escapo dessa classificação primária. Prefiro, porém, ser chamada de apaixonada pela alma brasileira, de procurar as raízes da verdadeira música do Brasil?. Com esse objetivo, viajou por todo país. Pesquisou culturas populares regionais em busca de novos repertórios. Na Bahia conheceu Gil, Caetano, Maria Bethânia. Esse encontro teria conseqüências para a música brasileira alguns anos depois. Nara também esteve por trás da primeira resposta do mundo artístico ao golpe militar. Em novembro de 1964 lançou o LP ?Opinião de Nara?. A música que dava título ao disco havia sido escrita por Zé Ketti e começava assim: ?Pode me prender, pode me bater que eu não mudo de opinião?. Uma clara referência ao difícil momento no qual o Brasil estava vivendo. O disco seguia o mesmo esquema do disco anterior, articulando o moderno e estilos de raiz. Trazia músicas de Zé Ketti, João do Valle, Edu Lobo, Baden Powell, Sérgio Ricardo, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ruy Guerra. Sua marca era a crítica ao regime militar e às injustiças sociais. O LP chegou ao segundo lugar nas paradas de sucesso e empolgou alguns artistas que vinham do CPC, destruído pela ditadura, e procuravam outros caminhos. Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha) propôs transformar o disco num show. O elenco escolhido procurava traduzir a necessária aliança entre os operários favelados, representado por Zé Ketti, os camponeses nordestinos, representado por João do Valle, e as classes média urbanas, espelhada em Nara Leão. A frente popular sonhada pela esquerda nacional. O texto foi escrito por Vianinha, Armando Costa e Paulo Pontes. A direção ficou por conta de Augusto Boal. O show Opinião estreou em dezembro e obteve um estrondoso sucesso de público e crítica. A reação não tardou. Grupos de direita picharam a fachada do Teatro de Arena com slogans anticomunistas. Durante o show, Nara era obrigada a bater boca com provocadores infiltrados na platéia. O ritmo extenuante acabou sendo demais para ela. Tendo que se afastar, indicou para substituí-la uma menina que conhecera na Bahia de nome Maria Bethânia. A garota estrearia fazendo um grande sucesso, especialmente pela sua performance em ?Carcará? de João do Valle. Nara voltaria ao palco no espetáculo ?Liberdade, liberdade?, escrito por Flávio Rangel e Millôr Fernandes. Mais uma resposta dos artistas ao arbítrio que se implantara no país. O texto era uma coletânea de citações de inúmeras personalidades defendendo a liberdade em todos os campos de atuação humana. Como a ditadura poderia censurar as palavras de Cristo, Lincoln, Kennedy ou mesmo trecho da Declaração de Independência dos Estados Unidos? Simbolicamente, estreou no dia 21 de abril de 1965. Um novo sucesso de público e uma nova derrota da ditadura. A direita realizou novas provocações, ameaçando a integridade física e moral dos atores. As coisas ficaram ainda mais quentes quando Nara, numa entrevista ao ?Diário de Notícias?, defendeu a saída dos militares do poder, pois eles ?podiam entender de canhão ou de metralhadoras, mas nada pescavam de política?. Advogou o retorno de um governo civil que ?nacionaliza-se as empresas e possibilita-se (...) a melhora do nível de vida do operariado e o desenvolvimento econômico do país?. Empolgada, foi ainda mais longe afirmando que ?numa guerrilha moderna, o nosso exército não serviria para nada? e, concluiu, ?quem está mandando é que deveria ser cassado?. O título provocativo da matéria era ?Nara é de opinião: Esse Exército não vale nada?. A direita militar enfurecida pediu a cassação e prisão da cantora. Os intelectuais e artistas se organizaram para defendê-la e elaboraram um abaixo-assinado endereçado ao marechal-presidente Castelo Branco. Em sua defesa o poeta Carlos Drummond de Andrade publicou um poema-manifesto: ?Meu honrado marechal/ dirigente da nação,/ venho fazer-lhe um apelo: /não prenda Nara Leão (...)/ A menina disse coisas/ de causar estremeção?/ Pois a voz de uma garota/ abala a Revolução?/ / Será que ela tem na fala,/ mais do que charme, canhão?/ Ou pensam que, pelo nome,/ em vez de Nara, é leão? (...)/ Que disse a mocinha, enfim,/ De inspirado pelo Cão? (...)/ Deu seu palpite em política,/ favorável à eleição/ de um bom paisano ? isso é crime,/ acaso, de alta traição?/ (...)/ Nara é pássaro, sabia?/ E nem adianta prisão/ para a voz que, pelos ares,/ espalha sua canção./ Meu ilustre marechal/ dirigente da nação,/ não deixe, nem de brinquedo,/ que prendam Nara Leão.? Nara e os festivais O auge do prestigio de Nara ainda estaria por vir. Em 1966 foi convidada para defender a música ?A Banda? de Chico Buarque de Holanda no II Festival da Música Popular da TV Record. Curiosamente, sem planejar, ele concorreria com ?Disparada? de Vandré e Téo de Barros. Um dos melhores exemplares da música engajada. A Banda venceu, mas por exigência de Chico, o prêmio foi dividido. A marchinha foi um fenômeno musical. Chico e Nara foram, subitamente, lançados ao estrelado. As solicitações de shows multiplicavam e eles não podiam mais sair nas ruas. Era um verdadeiro tormento para a introvertida Nara. A TV Record chegou a criar um programa especial: ?Pra ver a banda passar?. A dupla de apresentadores foi chamada jocosamente de ?desanimadores de auditório? por sua timidez e constrangimento diante das câmeras. Para alívio dos dois, o programa teve curta duração. Em 1967 interpretaria, ao lado de Sidney Miller, a bela canção ?A estrada e o violeiro?. Defensora da música popular não assumiu posições nacionalistas estreitas. Ela e Chico, por exemplo, se recusaram a participar da passeata realizada em julho de 1967 contra a introdução das guitarras elétricas na música brasileira. Aquela era uma jogada de marketing muito perigosa. Nara teria dito ?Isso mete medo. Parece uma passeata do Partido Integralista?. Não chegava a tanto. A maioria dos artistas se arrependeria daquela atitude. Dentro do seu espírito desbravador, Nara causaria mais uma polêmica. Rompendo com as barreiras existentes entre o pessoal da MPB tradicional e a nova onda tropicalista, chegou a participar do disco ?Tropicália? cantando ?Lindonéia? de Caetano e Gil. Isso causou indignação dos seus camaradas da música engajada e de raiz. Ela apoiou, mas não podia ser definida como uma tropicalista, pois jamais se rendeu aos seus arroubos mais radicais daquele movimento cultural. Quando do assassinato do estudante Edson Luís, em março de 1968, ela escreveu um longo texto de protesto intitulado ?É preciso não cantar?: ?Um estudante de 16 anos morreu porque queria instalações sanitárias e comida para melhor cumprir sua função de estudante. (...) Fizemos uma greve de teatro contra a censura. E voltamos a cantar. Mas é impossível cantar, sabendo que os estudantes estão sendo assassinados nas ruas (...) Por isso, é preciso não cantar. Participou, ao lado de outros artistas, da Passeata dos 100 mil. A decretação do AI-5, em dezembro de 1968, iria eliminar o pouco espaço que ainda havia para expressão político-cultural. Iniciava-se o período mais sombrio da ditadura. Prisões, torturas e exílio se multiplicavam. Em agosto de 1969, ela declarou ao Pasquim: ?No Brasil, no momento, não há condições de trabalho, não há estímulo, não dá vontade de cantar. Acho que se não houver liberdade de criação, vai acabar tudo?. Chico Buarque, no exílio, disse a Cacá Diegues que ?Nara era um dos nomes mais citados pelos militares durante vários interrogatórios a que era submetido?. As ameaças sobre o casal aumentaram e ele teve que seguir o triste caminho do exílio. Na Europa, saudosa do Brasil, ela fez as pazes com a Bossa Nova e, pela primeira vez, gravou um disco somente com músicas de seus ex-companheiros. Nascia assim o LP ?Dez anos depois?. Esse seria um reencontro definitivo com suas origens musicais. Em 1971, voltou ao Brasil. No ano seguinte foi indicada para presidir o júri da etapa nacional do 7º Festival Internacional da Canção da rede Globo. Pressionada pelo regime, a direção da emissora destituiu todo o júri brasileiro e o substituiu pelo júri da fase internacional. Nara protestou e o psicanalista Roberto Freire tentou fazer um protesto em pleno festival, mas foi espancado e preso por agentes da repressão. Era o fim definitivo da ?era dos festivais?. Como alternativa ao fechamento dos espaços para divulgação da cultura nacional e popular foi criado o Circuito Universitário. Os artistas passariam a se apresentar em universidades de todo o país. Nara, Chico, Toquinho, Vinícius, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, MPB-4, Sérgio Ricardo, Paulo César Pinheiro, Paulinho Tapajós entre outros entrariam nessa aventura cultural. As condições, muitas vezes, eram precárias, mas isso era amplamente compensado pelo calor das platéias estudantis. Se apresentar e assistir esses shows eram formas de participar da resistência democrática naqueles anos de chumbo. Uma tragédia se imporia na vida da artista. Em 1979 Nara desmaiou e foi levada ao hospital. Constatou-se que tinha um tumor no cérebro numa área de difícil acesso. A partir daí iniciou-se uma luta titânica da vida contra a morte. Uma luta desigual que ela conseguiu muitas vezes vencer. Apesar da doença, continuou sua atividade política a favor da democratização do país. Envolveu-se na campanha dos candidatos da oposição em 1982. Assinou manifesto contra as prisões e desaparecimentos de presos políticos na Argentina. Participou ativamente da Campanha das Diretas em 1984. Até o fim defendeu as causas mais sentidas do nosso povo. As perdas de memória eram mais constantes. Shows tiveram que ser interrompidos e cancelados. Ela lutava minuto a minuto contra a doença. Nos dez últimos anos de sua vida trabalhou incansavelmente e produziu quase uma dezena de discos. Nara morreu em 7 de junho de 1989. Mas, o seu canto de ave pequena e o seu rugido de leão continuam ecoando através das obras que nos legou. Nota As principais referências para esse artigo foram extraídas do livro Nara Leão: uma biografia de Sérgio Cabral, publicado pelas editoras Companhia Editora Nacional e Lazul. Mais no Youtube: Trechos do DVD Ensaio Nara Leão http://www.youtube.com/watch?v=d6So1y6AluM&feature=related Musica do espetáculo Opinião. http://www.youtube.com/watch?v=sRpcc65lQZE Nara e Sidney Miller cantam Estrada e o violeiro no 3º Festival da Record (1967) http://www.youtube.com/watch?v=MsY0QsgTQyQ Chico, Nara e MPB-4 cantam Noite dos mascarados ? Record (1967) http://www.youtube.com/watch?v=n72vD9Wtt8Y&feature=related -------------------------------------------------------------------------------- *Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp -------------------------------------------------------------------------------- * Opiniões aqui expressas não refletem, necessariamente, a opinião do site. -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1877 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090612/cd2fd5e0/attachment-0007.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 13 16:40:19 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 13 Jun 2009 16:40:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Di=E1rio_de_Fernando_=3A_Nos_c?= =?windows-1252?q?=E1rceres_da_ditadura_militar_brasileira__-__no_R?= =?windows-1252?q?io_de_Janeiro_dia_15_de_junho_-_em_Belo_Horizonte?= =?windows-1252?q?_dia_17_de_jujho__-__em_S=E3o_Paulo_dia_18_de_jun?= =?windows-1252?q?ho?= Message-ID: <041501c9ec5e$ca4573c0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Valéria de Brito Mello Diário de Fernando Nos cárceres da ditadura militar brasileira por Frei Betto Eis um documento histórico, inédito, que esperou 36 anos para vir a público: trata-se do diário de prisão do frade dominicano Fernando de Brito, prisioneiro da ditadura militar brasileira, ao longo dos quatro anos (1969-1973) em que foi submetido a torturas e removido para diferentes cadeias. Fernando, em companhia de outros frades dominicanos, vivenciou algo inusitado em se tratando de presos políticos do Brasil: foi obrigado a conviver, durante quase dois anos, com presos comuns, em penitenciárias de São Paulo. Assim como o "Diário de Anne Frank" nos revela a natureza cruel do nazismo, Diário de Fernando retrata o verdadeiro caráter do regime militar que governou o Brasil entre 1964 e 1985. Não se conhece similar entre as obras publicadas sobre o período. Em papel de seda, em letras microscópicas, e sob risco de punição, Fernando anotava, dia a dia, o que via e vivia. Em seguida, desmontava uma caneta Bic opaca, cortava ao meio o canudinho da carga, ajustava ali o diário minuciosamente enrolado e remontava-a. No dia de visita, trocava a caneta portadora do diário com outra idêntica, levada por um dos frades do convento. O medo de ser flagrado pelos carcereiros e o risco permanente de revistas, fizeram com que Fernando muitas vezes se visse obrigado a destruir as memórias registradas em papel. No entanto, o que vivenciou jamais se esvaneceu, e ultrapassou os muros das prisões. Frei Betto, seu companheiro de cárcere, resgatou as anotações, deu- lhes tratamento literário e as reuniu neste livro que se constitui num documento de inestimável valor histórico. Nos episódios relatados, a trajetória dos frades se mescla à de personagens que são, hoje, figura de destaque na história brasileira, como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Caio Prado Jr., Apolônio de Carvalho, Paulo Vannuchi, Franklin Martins e Dilma Rousseff, para citar apenas alguns. Para quem se interessa em conhecer a verdadeira face do regime militar e o Brasil dos "anos de chumbo". Diário de Fernando é um testemunho vivo, comovente, de uma de suas vítimas. Não se trata de investigação jornalística, nem resulta da pesquisa de historiador, mas sim de um sincero, emocionante e visceral relato de quem teve a ousadia de registrar, dia a dia, as entranhas de um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil. Está tudo ali: as torturas, os desaparecimentos, o sequestro de diplomatas, as guerrilhas urbana e rural, a greve de fome de quase 40 dias, e também a convivência dos prisioneiros marcada por momentos de inusitada beleza: as festas de Natal, as noites de cantoria, a solidariedade inquebrantável entre eles. Diário de Fernando traduz a saga de uma geração que não se dobrou à ditadura e a qual o Brasil deve, hoje, a sua redemocratização. Eis uma obra que enaltece a dignidade humana, a capacidade de resistência frente à opressão e a vivencia da fé cristã como nas antigas catacumbas do Império Romano. Lançamentos: No Rio de Janeiro: 15 de junho, segunda, no Esch Café - Rua Dias Ferreira 78, loja A - tel: 25125651. A partir de 19h30. Em Belo Horizonte: 17 de junho, quarta, no auditório da CEMIG - Av. Barbacena 1.200. A partir de 19h30. Em São Paulo: 18 de junho, quinta, no SESC Vila Mariana - Rua Pelotas, 141. A partir de 19h30. . . __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090613/4e6c5526/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 13 16:40:26 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 13 Jun 2009 16:40:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_sangue_fui_na_Amaz=F4nia__por?= =?windows-1252?q?_James_Petras?= Message-ID: <041b01c9ec5e$d3829080$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Perú: la sangre fluye en el Amazonas James Petras junio de 2009 A principios de junio el presidente peruano Alan García, aliado de Barack Obama presidente de EEUU, envió blindados de transporte, helicópteros con artillería, cientos de buques fuertemente armados, y tropas de asalto para dispersar una manifestación pacífica y legal, una protesta organizada por los miembros de las comunidades indígenas de la Amazonía del Perú que rechazaban la entrada de multinacionales mineras en sus tierras tradicionales. Decenas de indígenas fueron asesinados o están desaparecidos, decenas han sido heridos y detenidos por la policía peruana, mantenidos como rehenes. El presidente García declaró la ley marcial en la región a fin de hacer cumplir su mandato unilateral e inconstitucional de concesión de derechos de explotación de la minería a empresas extranjeras, lo que viola la integridad de las tierras comunales de los indígenas amazónicos. Alan García no es extraño a las matanzas patrocinadas por el gobierno. En junio de 1986, ordenó a los militares bombardear a los prisioneros hacinados en las cárceles de la capital con cientos de presos políticos que protestaban contra las condiciones de su encierro , resultando más de 400 las víctimas conocidas. Más tarde, la existencia de siniestras fosas comunes reveló decenas más. Esta notoria masacre tuvo lugar mientras García era el anfitrión de una reunión en Lima de la denominada "Internacional Socialista Internacional?. Su partido político, el APRA (Alianza Popular Revolucionaria Americana), un miembro de la «Internacional», se vio ante la vergüenza de la exhibición pública de sus tendencias "nacional-socialistas", ante cientos de funcionarios del Partido Socialdemócrata Europeo. Acusado en 1990 de apropiación indebida de fondos del gobierno y dejar su cargo con una tasa de inflación de casi 8.000%, acepto apoyar a candidato presidencial Alberto Fujimori a cambio de una amnistía. Cuando Fujimori impuso una dictadura de en 1992, García se auto-exilió en Colombia y más tarde en Francia. Regresó en 2001, cuando los cargos en su contra habían prescripto y Fujimori se vio obligado a renunciar en medio de acusaciones de crear escuadrones de la muerte y espionaje contra sus adversarios. García ganó las elecciones presidenciales de 2006 en una segunda vuelta contra el candidato indigenista y nacionalista ex oficial del Ejército Ollanta Humala, gracias al apoyo financiero y a los medios de comunicación de la derecha de Lima, los oligarcas descendientes de europeos, y las agencias de ?ayuda? de EE.UU. Ya en el poder, García no dejó dudas acerca de su programa político y económico. En octubre de 2007 anunció su estrategia de colocar a las multinacionales mineras en el centro de su programa económico de "desarrollo", mientras justificaba el brutal desplazamiento de los pequeños productores de las tierras comunales y pueblos indígenas en el nombre de "modernización". García presionó al Congreso para aceptar el ALCA promovido por EEUU. Perú fue uno de tres únicos países de América Latina en apoyar esa propuesta de los EE.UU., y se abrió al saqueo sin precedentes de recursos, mano de obra, tierra y mercados por las multinacionales. A finales de 2007, García empezó a conceder enormes extensiones de tierras tradicionales de los indígenas en la región del Amazonas para la explotación de la minería y la energía a multinacionales extranjeras. Esto fue una violación del acuerdo de la OIT de 1969 que obliga al gobierno peruano a consultar y negociar con los indígenas lo que tenga que ver con la explotación de sus tierras y ríos. Bajo su política de "puertas abiertas", el sector de la minería de la economía se expandió rápidamente y obtuvo enormes ganancias a partir del récord mundial de precios de productos básicos y aumento de la demanda de materias primas por parte de Asia (China). Las empresas multinacionales fueron atraídas por la baja de impuestos y un prácticamente libre acceso al agua con cánones baratos y la subvención del gobierno a las tarifas de electricidad. La suspensión de los reglamentos ambientales en estas regiones ecológicamente frágiles, aumenta la contaminación de los ríos, aguas subterráneas, el aire y el suelo en los alrededores de las comunidades indígenas. El envenenamiento provocado por las operaciones mineras, llevó a la muerte en masa de peces y hacen que el agua no sea apta para beber. El diezmado de bosques tropicales socava el sustento de decenas de miles de pobladores que participan en el trabajo artesanal tradicional de subsistencia, en la recolección forestal y las actividades agrícolas. Los beneficios de la bonanza de la minería van principalmente a las empresas extranjeras. El régimen de García distribuye los ingresos del Estado a sus partidarios financieros y especuladores inmobiliarios, los importadores de artículos de lujo y la camarilla política en la Lima fuertemente custodiada de barrios residenciales y clubes exclusivos. Mientras los márgenes de beneficio de las multinacionales llegan a un increíble 50% y los ingresos del gobierno superan los mil millones de dólares, las comunidades indígenas carecen de caminos pavimentados, agua potable, servicios básicos de salud y escuelas. Peor aún, han experimentado un rápido deterioro de su vida cotidiana porque la afluencia de capital minero provocó un aumento de los precios de los alimentos básicos y medicinas. Incluso el Banco Mundial en su Informe Anual para 2008 y el Financial Times de Londres, instaron al régimen de García a hacer frente a la crisis y el descontento creciente entre las comunidades indígenas. Delegaciones de las comunidades indígenas habían viajado a la ciudad de Lima para tratar de establecer un diálogo con el Presidente a fin de evitar la degradación de sus tierras y comunidades. Los delegados se encontraron con las puertas cerradas. García sostuvo que "el progreso y la modernidad proviene de las grandes inversiones realizadas por las multinacionales ..., (y no) los pobres campesinos que no tienen un centavo para invertir ?. Interpretó los llamamientos al diálogo pacífico como un signo de debilidad de los habitantes indígenas de la Amazonia y aumentó las sus concesiones de explotación a las multinacionales extranjeras, incluso más adentro en el Amazonas. Cortó prácticamente toda posibilidad de diálogo y compromiso con las comunidades indígenas. La respuesta de las comunidades indígenas amazónicos fue la formación de la Asociación Inter-étnica para el Desarrollo de la Selva Peruana (AIDESEP). Se celebraron protestas públicas por más de 7 semanas que culminaron en el bloqueo de dos carreteras transnacionales. Esto enfureció a García, quien se refirió a los manifestantes como "salvajes y bárbaros" y envió unidades policiales y militares para reprimir la acción de masas. Lo que García no tuvo en cuenta fue el hecho de que una proporción significativa de los hombres indígenas en esas aldeas se había desempeñado como conscriptos en el ejército que peleó en la guerra de 1995 contra Ecuador, mientras que otros habían sido entrenados en la defensa de la autonomía local por las organizaciones de la comunidad. Estos veteranos combatientes no se dejaron intimidar por el terror del Estado y su resistencia ante los primeros ataques de la policía resultó en bajas de ambos bandos, la policía y los indígenas. García declaró "la guerra a los salvajes" y envió una gran fuerza militar con helicópteros, blindados y tropas con órdenes de "tirar a matar". Los activistas de la AIDESEP cuentan más de un centenar de muertos entre los manifestantes indígenas y de sus familias: los indios fueron asesinados en las calles, en sus hogares y lugares de trabajo. Se cree que los restos de muchas víctimas han sido arrojados en las quebradas y ríos. Conclusión Como era previsible el régimen de Obama no emitió ni una sola palabra de preocupación o de protesta ante una de las peores masacres de civiles en esta década perpetrada por uno de sus más cercanos aliados en América Latina. García, tomando su libreto de una conversación con el Embajador de los EE.UU., acusó a Venezuela y Bolivia de haber instigado el "levantamiento indígena", citando como ?prueba? una carta de apoyo que el presidente de Bolivia Evo Morales envió a una conferencia intercontinental de las comunidades indígenas celebrada en Lima en mayo. Se impuso la ley marcial y toda la región amazónica del Perú está siendo militarizada. Están prohibidas las reuniones y los miembros de las familias tienen prohibida hasta la búsqueda de sus parientes desaparecidos. A lo largo de América Latina, las principales organizaciones indígenas han expresado su solidaridad con los movimientos indígenas del Perú. En ese país, los movimientos sociales, sindicatos y grupos de derechos humanos han organizado una huelga general para el 11 de junio. Temiendo la propagación de las protestas masivas, El Comercio, el diario conservador de Lima, aconsejó a García adoptar algunas medidas de conciliación para evitar un levantamiento urbano generalizado. Un día antes, el 10 de junio, se declaró una tregua, pero las organizaciones indígenas se negaron a poner fin al bloqueo de las carreteras a menos que el gobierno derogue su decreto de concesión ilegal de tierras. En el ínterin, un extraño silencio se cierne sobre la Casa Blanca. Nuestro Presidente, el habitualmente bullanguero Obama, experto en recitados acerca de la diversidad y la tolerancia y alabar la paz y la justicia, no puede encontrar en su secuencia de frases preparadas, una sola para condenar la matanza de decenas de habitantes indígenas de la Amazonía peruana. Cuando se cometen graves violaciones a los derechos humanos en América Latina, EE.UU. respalda a un presidente- cliente que sigue las fórmulas de Washington de "libre comercio", desregulación de la protección del medio ambiente y hostilidad hacia los países anti-imperialistas (Venezuela, Bolivia y Ecuador). Obama está a favor de la complicidad, no de la condena. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090613/2f1562ab/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 14 13:18:27 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 14 Jun 2009 13:18:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_musica_-_Os_10_Melhores_Cds_da_?= =?windows-1252?q?MPB______________________________________________?= =?windows-1252?q?________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <00d601c9ed0b$bff44650$0200a8c0@vcaixe> CARTA O BERRO..........................................................................REPASSEM ----- Original Message ----- From: Kachorrão Os 10 Melhores Cds da MPB musica - Os 10 Melhores Cds da MPB * Bebadosamba - Paulinho da Viola http://rapidshare.com/files/231086306/Bebadosamba_-_Paulinho_da_Viola__1996_.rar.html * * Cartola - Cartola http://rapidshare.com/files/231086236/Cartola_-_Cartola__1974_s.rar.html * * Clube da Esquina - Milton Nascimento and Lô Borges http://rapidshare.com/files/231121067/Clube_da_Esquina_-_Milton_Nascimento_-_Lo_Borges__1972_.rar.html * * Elis & Tom - Elis Regina and Tom Jobim http://rapidshare.com/files/231124441/Elis_-_Tom_Jobim__1974__.rar.html * * O Grande Circo Místico - Chico Buarque, Edu Lobo and special guests http://rapidshare.com/files/231086268/Chico_Buarque_-_O_grande_Circo_Mistico_-_Edu_Lobo_e_Chico_Buarque_-_1983.rar.html * * O Mito - João Gilberto http://rapidshare.com/files/231086528/O_Mito_The_Legendary_Joao_Gilberto_-_1993.part2.rar.html * * Paratodos - Chico Buarque http://rapidshare.com/files/231128589/Paratodos_-_Chico_Buarque__1993__.rar.html * * Rosa de Ouro - Clementina de Jesus, Aracy Cortes and the Conjunto Rosa de Ouro http://rapidshare.com/files/231137658/Rosa_de_Ouro_-_Aracy_C__Clementina_de_J__e_Conj__Rosa_de_Ouro__1965_.rar.html * * Tropicália - Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé and Os Mutantes http://rapidshare.com/files/231148003/Tropicalia_-_Caetano__Gil__Gal__Tom_Ze_e_Os_Mutantes__1968_.rar.html * * Urubu - Tom Jobim http://rapidshare.com/files/231107246/Urubu_-_Tom_Jobim__1975__.rar.html __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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É sobre o nosso acampamento Alexandra Kollontai na região de Ribeirão Preto. No dia 11 de junho, ocupamos as terras da Usina Nova União pela quarta vez em menos de um ano e os jagunços do agronegócio estão tentando amedrontar as famílias e impedir a Reforma Agrária naquela área que tem dívida com o Estado, superior ao que vale terra, cana e usina (com tudo o que tem dentro). A pistolagem do agronegócio chegou a atirar no nosso Acampamento. PRECISAMOS NOS MOBILIZAR! Um grande abraço. Kelli p/ Direção Regional do MST Ribeirão Preto, 13 de junho de 2009. Amigos e Amigas do MST da região de Ribeirão Preto No último dia 11, na madrugada, reocupamos pela quarta vez, em um ano, as terras da Usina Nova União ? Fazenda Martinópolis, em Serrana, na região de Ribeirão Preto. A Fazenda é toda plantada com cana, e está arrendada para outra usina da região. Corre um processo na Justiça por parte do Governo do Estado, para arrecadação da mesma por dívidas de ICMS. Segundo o procurador do estado em Ribeirão Preto ? Dr. Paulo Neme, as terras e a usina, com tudo o que tem dentro (incluindo obras de arte), não pagam a dívida com o Estado. A ocupação foi feita por cerca de 80 membros do MST. A maioria faz parte do Acampamento Alexandra Kollontai, que é fruto de um trabalho de base permanente realizado nas cidades de Serrana, Serra Azul e Cajuru. A demora e a falta de prioridade do Governo para a Reforma Agrária, causam uma desmobilização no número de famílias nos acampamentos. Violência e criminalização Desde o período da primeira ocupação, começou a funcionar na Fazenda e na Usina um esquema de segurança, que compreende: empresa de segurança privada, armada (a noite) e seguranças particulares (durante o dia), aparentemente desarmados. Os próprios seguranças afirmam que o esquema de segurança é chefiado por Paulo Junqueira, proprietário de outra Fazenda já ocupada na região em 2006, que é a Santa Maria. Paulo Junqueira foi premiado pela BUNGE em 2005, na modalidade produtividade. Existe um processo contra militantes do MST em curso sobre esse caso. A imprensa tem sido pautada pela Usina que vende uma imagem violenta do MST, com acusação de que fizemos os seguranças reféns etc. Numa clara intenção de criminalização e isolamento da sociedade. Logo pela manhã do último dia 11, dois carros com seguranças armados se aproximaram do acampamento, chamando para uma conversa ?com o líder? e exibindo duas armas, identificadas como ?765 cromada?. E no dia 12, por volta das 19h, um carro se aproximou novamente do acampamento e disparou um tiro. E depois disso, fizeram mais algumas ?visitas? mostrando as armas, causando um clima de medo entre as famílias, com a intenção de que desistam da luta. Essa situação traz uma possibilidade de desgastarmos ainda mais a imagem do agronegócio, que em sua dita capital, usa de métodos da pistolagem e evitar que a violência avance. Necessidade de apoio político dos amigos e amigas do MST e solidariedade às famílias acampadas Estamos organizando uma atividade para o próximo sábado (dia 20/06/2009). A princípio em caráter de almoço, nos esforçando pra trazer aliados locais. Estamos fazendo os contatos, e caso haja adesão, isso pode crescer para um ato. A idéia é nos reunirmos por volta das 11h30 no próprio Acampamento. Caso haja dificuldade de ir até lá, podemos organizar um esquema de caronas ou irmos em comboio pra ninguém se perder no canavial. Sabemos da enorme dificuldade de articulação da esquerda e dos setores populares, mas é fundamental nos organizarmos para esta e outras lutas. Caso alguém já tenha compromisso nesta data, seria importante se esforçar para fazer uma visita em outra data e também enviar mensagens de apoio que podem ser lidas durante a atividade do dia 20/06. POR FAVOR, DEÊM UM RETORNO SOBRE A PARTICIPAÇÃO PARA NOS ORGANIZARMOS! Há uma grande possibilidade de sofrermos uma reintegração de posse, antes desta data, mas garantiremos a atividade. Outra questão, é que está fazendo muito frio. Portanto uma arrecadação de agasalhos e cobertores, bem como alimentos, será muito bem vinda. Histórico do Acampamento Alexandra Kollontai: no mês de abril, o MST realizou em nível nacional sua Jornada de Lutas. No estado de São Paulo, foram mobilizadas cerca de 1000 famílias, e na região de Ribeirão Preto, ocorreu a mobilização na Procuradoria do Estado e na Prefeitura de Ribeirão Pretoo. No 1° de Maio, reocupamos a Fazenda Martinópolis, no município de Serrana e após 25 dias, sofremos uma reintegração de posse e saímos da área. Temos a certeza que nossa insistência e apoio da sociedade são fundamentais para a conquista desta área. O acampamento Alexandra Kolontai completou no dia 22 de maio, uma ano de luta e persistência. A primeira ocupação foi na antiga Fazenda Bocaina, no município de Serra Azul. Neste período de um ano, esta comunidade já enfrentou 5 mudanças na luta pela tão sonhada Reforma Agrária. Somente na Fazenda Martinópolis, essa já é a 4ª ocupação. A Fazenda foi arrematada pelo Governo do Estado por adjudicação fiscal durante o período de 1991 a 2002 e não foi destinada para a Reforma Agrária, conforme o processo 7863/86 que se encontra na 1° Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ribeirão Preto. Portanto a área esteve nas mãos do Governo do Estado como parte do pagamento de dívidas, que não executou nenhum projeto para o benefício da população e até hoje esta dívida com o povo brasileiro não foi paga. Local do Acampamento: Rodovia Abraão Assed, acesso pelo Km 31, à esquerda (sentido Cajuru), atrás do Assentamento Sepé Tiarajú, municípios de Serrana e Serra Azul ? SP. Direção Regional do MST Contatos: (16) 9238 6951 Veríssimo, (16) 9231 7866 Frei, (16) 9231 6280 Kelli ou (16) 9245 8115 Glaucia. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090614/c14bb904/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1256 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090614/c14bb904/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 16 19:56:24 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 16 Jun 2009 19:56:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Dia Internacional de Luta Contra a Tortura Message-ID: <014c01c9eed5$acaca490$0200a8c0@vcaixe> ----- Original Message ----- From: Revista O BERRO To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Sent: Tuesday, June 16, 2009 7:50 PM Subject: Dia Internacional de Luta Contra a Tortura Carta O Berro.........................................................................................repassem Grupo Tortura Nunca Mais-RJ Clique aqui para ser excluído desta mala direta -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090616/265f63a4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 16 19:56:34 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 16 Jun 2009 19:56:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Convite_para_a_Programa=E7=E3o_?= =?windows-1252?q?completa_da_9a_Feira_Nacional_do_Livro_de_Ribeir?= =?windows-1252?q?=E3o_Preto___de_18_de_junho_at=E9__28_de_junho_de?= =?windows-1252?q?_2009?= Message-ID: <015301c9eed5$b2d24820$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. (clique) Programação completa da 9ª Feira Nacional do Livro (www.feiradolivroribeirao.com.br) de 18 de junho até 28 de junho de 2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090616/11384b68/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090616/11384b68/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 57376 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090616/11384b68/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 18 19:07:12 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 18 Jun 2009 19:07:12 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_ASSISTAM_NESTE_FIM_DE_SEMANA=3A_?= =?iso-8859-1?q?=22TEMPO_DE_RESIST=CANCIA=22_na_TV!?= Message-ID: <001c01c9f061$222ae420$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.................................................................................................................repassem ASSISTAM NESTE FIM DE SEMANA: "TEMPO DE RESISTÊNCIA" na TV! SÁBADO: 20 de Junho - 21 horas DOMINGO: 21 de Junho - 14 horas No Programa "É Tudo Verdade" do Canal Brasil. Net / canal 66 TVA / canal 79 O filme "Tempo de Resistência" tem a direção de André Ristum. É baseado no livro homônimo de Leopoldo Paulino e o mais completo relato sobre a luta contra a ditadura militar no Brasil. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090618/262bed7a/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 18 19:07:35 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 18 Jun 2009 19:07:35 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Correio Caros Amigos 17/06/2009 Message-ID: <002501c9f061$2fc874d0$0200a8c0@vcaixe> Untitled Document Carta O Berro....................................................................................................................................................repassem (clique no título Caros Amigos e veja todas as matérias) Clique aqui para visualizar esse e-mail no seu navegador! Antes tarde do que nunca Ministério da Justiça, enfim, começará a divulgar os resultados dos processos de anístia política para os envolvidos na Guerrilha do Araguaia. O episódio da Guerrilha do Araguaia é uma daquelas passagens históricas que conseguem nos constranger por diversos aspectos. Violência militar contra população local, tortura, assassinato, estupro, ocultação de cadáveres, a lista é longa, mas o que mais impressiona é a desfassatez de quem tentou, anos a fio, negar a existência de tudo isso. Mas enfim ocorrerá ao menos alguma reparação histórica. Nesta quinta-feira (18). A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vai a São Domingos do Araguaia, no sul do Pará, para anunciar, em ato público, o resultado do julgamento de 91 processos de anistia política. Todos de camponeses da região. Será realizada uma solenidade em homenagem aos moradores da região que sofreram com a violência do Estado, em seguida serão anunciados os resultados dos julgamentos. Mas ainda restarão outros 191 processos aguardando decisão. A principal dificuldade apontada para a finalização dos processos é a falta de provas documentais, já que os documentos referentes à guerrilha, e à ação militar, simplesmente desapareceram dos arquivos oficiais. Para ajudar a elucidar o caso, o órgão do Ministério da Justiça criou um grupo de trabalho, que atua no caso há mais de dois anos. Após duas visitas da Comissão à região do Araguaia, em 2007 e 2008, foram colhidos 287 depoimentos de moradores. Esses relatos foram cruzados com documentos da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e do Ministério Público, além de registros bibliográficos existentes sobre a guerrilha. O resultado será divulgado no dia 18, na presença dos camponeses que sofreram com uma guerra da qual não queriam fazer parte. Será o primeiro ato público de reparação coletiva da Comissão. Por conta dessa situação absurda da Guerrilha do Araguaia, o Brasil é réu na Corte Interamericana de Direitos Humanos, órgão judicial autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA) com sede na Costa Rica. E esse é o primeiro caso relacionado à ditadura que se transforma em processo contra o país na Corte. O Estado brasileiro está sendo processado pela detenção arbitrária, tortura e desaparecimento de cerca de 70 pessoas, entre militantes do PCdoB e camponeses, pela não punição dos responsáveis e pela ?falta de acesso à justiça, à verdade e à informação?. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sediada em Washington (EUA), entrou com o processo na Corte em 26 de março deste ano. No documento, o órgão pede que a Corte ordene ao Brasil medidas como a determinação da responsabilidade penal pelo desaparecimento das vítimas da guerrilha e a reparação aos familiares dos mortos e desaparecidos. da Redação Click aqui e comente o texto no site da Caros Amigos Ou click aqui e aproveite a promoção de assinaturas com 6 meses de revistas grátis!!! Não quer receber mais? Clique Aqui! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090618/b0e1cf35/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 19 16:24:19 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 19 Jun 2009 16:24:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_S=F3_a_luta_faz_a_lei___por___E?= =?windows-1252?q?laine_Tavares?= Message-ID: <016f01c9f113$8fe12760$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................................................repassem ALAI, America Latina em Movimento Brasil Só a luta faz a lei Elaine Tavares -------------------------------------------------------------------------------- Paulo Freire, o grande educador brasileiro que é praticamente desconhecido no Brasil, sempre foi enfático com relação à alfabetização. ?Não basta saber ler, é preciso saber ler o mundo?. Queria dizer com isso que aprender era coisa que ia muito além da compreensão sobre como se juntavam as letras. Era necessário estar capacitado também para uma leitura crítica do mundo. E como é que se consegue isso? Não basta unicamente estudar, ler, ter acesso a múltiplas fontes de informação, múltiplos pontos de vista. É preciso fundamentalmente saber de onde se é. E o que isso quer dizer? Que a pessoa precisa ter bem claro o lugar que ocupa no mundo, o que, no mundo capitalista, nos leva a uma compreensão da nossa posição de classe. A votação sobre a não exigência do diploma para a profissão de jornalista, que aconteceu no STF brasileiro, diz bem desta questão. Ali estavam os senhores togados, representantes da classe dominante. São homens nomeados pelos presidentes de plantão para defender os interesses dos que mandam. Nada mais que isso. Vez ou outra acontece uma decisão com base na lei, mas sempre é coisa pequena, que não mexe nas estruturas, porque como bem diz o professor Nildo Ouriques, da UFSC, a democracia liberal é um regime sem lei. Neste modo de governo, as leis são mudadas ao bel prazer da minoria que tem o comando. Vejamos os argumentos do ministro Gilmar Mendes para que a profissão prescinda de uma formação universitária: ?Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até a saúde e à vida dos consumidores. Logo, um jornalista não precisa de formação para fazer bom jornalismo.? Alguém entendeu? Pois claro. Vamos supor que o que tivesse em questão fosse a necessidade de uma faculdade de Direito para que o juiz pudesse julgar a vida de outras pessoas. Poderíamos, qualquer um, argumentar o seguinte: ?Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional registrado mediante diploma de curso superior nessa área. O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à saúde e à vida dos consumidores. Logo um juiz não precisa de formação para ser um bom juiz. Basta que ele tenha um bom senso de justiça e estude muito. ? Simples não? Num país onde a maioria da população, desprovida do acesso à cultura e a educação, que se informa pela Globo, este simplório argumento representa uma vergonha. E nos causa profundo pesar ouvir isso de alguém que está acima de praticamente todos os habitantes da nação, o presidente do STF. É um argumento anti-intelectual, anti-cultural, anti-vida. Minha mãe era uma grande cozinheira, mas sua comida divina nos era servida em casa, para a família. Não estava ela inserida no sistema de super-exploração capitalista, atuando numa empresa transnacional, na qual imperam os conceitos de competição, baixos salários e disputas intestinas. Não estava ela submetida a patrões, organogramas e metas de produtividade. Não estava também integrada num regime de divisão do trabalho aos moldes de garantir maiores lucros aos patrões. Logo, a decisão tomada nesta quarta-feira pelo STF foi uma decisão de classe. A defesa intransigente dos donos de jornais e empresários da comunicação que querem apenas gente minimamente capacitada para ler, não para ler o mundo. Porque o ser crítico, desejado por Paulo Freire, é um indivíduo perigoso demais. Ele reclama, ele reivindica, ele luta e ele ensina. A elite brasileira não quer isso para o seu povo. Há que mantê-lo sempre atado ao cabresto da ignorância, ao entretenimento, a mais-valia ideológica promovida pelos meios de comunicação de massa. Dá-lhe Big Brother, a Fazenda e outros quetais. Voltando aos tempos do início do capitalismo Quando a Idade Média terminou, foi-se chegando um jeito de organizar a vida que mais tarde viria a ser chamado de capitalismo. É o supra-sumo da liberdade, dizem os seus defensores. Nele, o trabalhador tem escolhas. Como era naqueles dias em que as fábricas passaram a dominar a vida. O povo empobrecido dos burgos tinha como escolher: ou se submetia a trabalhar vinte horas em condições insalubres e de quase escravidão, ou estava morto. Grande escolha. Agora, no mundo capitalista da mídia selvagem e cortesã estamos no mesmo patamar. Os profissionais não precisam de formação específica, só vocação. Depois, uma vez dentro da empresa terão escolhas. Ou se submetem a salários mais baixos, condições precárias, opressão, assédio moral e tudo o que vem de lambuja no processo de super-exploração, ou não entram nesta profissão tão simples quanto fritar um bife. Bueno, e não é por acaso que o futuro esteja praticamente na mão da empresas de mídia, visto que hoje em dia a produção de informação é o xodó do planeta. Logo, aquilo que é a coisa mais importante para um povo, o conhecimento das coisas da vida, ficará entregue a sanha do capital. Aos trabalhadores restará a opção democrática: aceitar ou cair fora. Não precisa ser vidente para prever o futuro: profissionais capacitados serão substituídos por quem aceitar submeter-se a salários menores. Será o ?lindo? mundo habermasiano do consenso. A livre negociação entre empresários e trabalhadores. O tubarão dialogando com a sardinha. Alternativas Quem acompanha a vida cotidiana dos jornalistas nos locais de trabalho sabe que as coisas vão piorar muito. Até agora ainda havia um mínimo de regulação, uma pequena fatia de direitos com a qual o sindicato podia mover-se. Era possível fazer a luta através da Justiça ou da delegacia do trabalho. Havia um amparo mínimo. Agora não há mais. Os trabalhadores estão entregues a sua sorte, porque até que se crie uma nova lei com algum tipo de regulamentação a vida seguirá seu curso inexorável. Mas, como dizem os cubanos ? acostumados a bloqueios e vicissitudes ? às vezes o horror pode servir para o passo adiante. Nos últimos tempos estávamos entregues a um trabalho sindical burocratizado, limitado às ações na Justiça. Havia uma apatia dos trabalhadores frente às lutas, uma espécie de ?deixa que o sindicato resolva?. E os sindicatos, esvaziados de vida, iam arrastando-se, ganhando uma coisinha aqui e outra ali, amansando o monstro. Agora estamos no chão. Os empresários ganharam esta batalha. Desregulamentados totalmente, estamos entregues aos desejos dos patrões. Sem medidas compensatórias via Justiça só cabe uma ação: a luta mesma, renhida e dura. Voltarmos aos tempos em que os trabalhadores se reuniam nos sindicatos para conspirar e organizar batalhas contra o capital. Então, é chegada a hora. De volta às ruas, de volta à organização, de volta a vida! Foi só uma batalha...Outras virão. Por isso, agora, estamos num momento de viragem. Ou inventamos ou morremos, como dizia Simón Rodrigues. Para novas liras, novas canções. Nada de soluções atrasadas como a do Conselho Federal de Jornalismo que só engessa e institucionaliza a luta. Nada temos a perder, apenas nossos corpos nus, como dizia Marcos Faermann. Só os trabalhadores unidos e organizados podem mudar o seu destino. Por isso, vamos à luta. Refazer os mapas, reorientar rumos, mas organizados no sindicato. Os patrões talvez não tenham se dado conta, mas ao nos tirarem tudo podem estar criando ?cuervos?. Nada mais perigoso que um homem sem esperança! Elaine Tavares - jornalista Existe vida no Jornalismo Blog da Elaine: www.eteia.blogspot.com América Latina Livre - www.iela.ufsc.br Desacato - www.desacato.info Pobres & Nojentas - www.pobresenojentas.blogspot.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090619/c48039c4/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 20 17:18:51 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 20 Jun 2009 17:18:51 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Autoritarismo_e_aliena=E7=E3o?= Message-ID: <01c901c9f1e4$61592740$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. DEBATE ABERTO Autoritarismo e alienação O que assusta no episódio da USP é que isto possa prenunciar o que poderá vir depois das próximas eleições presidenciais. A lógica do porrete aproxima-se velozmente do cenário nacional. Estão de parabéns os estudantes, funcionários e professores que se solidarizaram. Luís Carlos Lopes O que ocorreu nos últimos dias na Universidade de São Paulo demonstra, mais uma vez, a permanência do entulho autoritário na vida política e social brasileira. Estudantes, professores e funcionários públicos continuam sendo considerados inimigos do Estado e da ordem. Não podem discordar. Devem aceitar os ditames do poder. Não podem se manifestar, nem mesmo dentro da instituição de que são parte legítima e inquestionável. Se insistem, a polícia substitui a política, a violência fica no lugar do diálogo e da intercompreensão. Nestes episódios, como em muitos outros, fica patente que ainda não encerramos completamente o velho ciclo da ditadura militar. Ela continua aí, pronta para atacar, logo que chamada a agir. Seus esbirros, mantidos pelo Estado, já não podem metralhar com balas de aço e chumbo, mas podem usar da borracha, do gás e de outras formas de intimidar. Não podem mais torturar - como gostariam - mas continuam a impor a "ordem", dentro da Universidade, bem como nas comunidades pobres, por meio da força militar. Ainda têm a coragem de reclamar de meia dúzia de pedras arremessadas pelo ódio que plantam e colhem. O que assusta é que isto possa prenunciar o que poderá vir depois das próximas eleições presidenciais. A lógica do porrete aproxima-se velozmente do cenário nacional. Estão de parabéns os estudantes, funcionários e professores que se solidarizaram. São fascistas ou covardes os que se calaram ou tiveram a coragem de dizer que o movimento não tinha legitimidade. Dentre outras barbaridades, chegou-se a dizer que os alunos da USP eram privilegiados frente aos das escolas privadas. Aliás, onde estes estão? Será que não dá tempo de pensar, tendo que pagar grandes mensalidades para obter um diploma e um título formal, isto é, daqueles que são para agradar a família e fazer de conta que se aprendeu algo? Não se sabe o que se passa na cabeça de tanta gente. O que é estranho é que hoje, diferentemente, dos anos sessenta e oitenta, é impressionante o grau de apatia, de consumismo e de anestesia mental dos jovens e de muitos adultos. Nada mais importa do que o último modelo de celular, a roupa de grife e o faz-de-conta da vida. Afinal, eles também estão na "fauculdade", mesmo que não saibam escrever nada e irão ser, certamente, ?"deplomados". Se alguém duvidar, basta consultar bobagens similares na Internet, um canal de comunicação também fortemente usado na barbárie do tempo presente. O problema não é somente que se assassine a língua. O mais grave é o desinteresse por tudo que é realmente importante na vida deles. Imagina-se, no que se refere à vida dos outros. Está-se longe da época onde o "coração de estudante" era também o dos operários e camponeses. Bater ou matar um bastava para atingir a todos. A rebeldia vinha em um átimo, logo que a notícia corria. Hoje, ao contrário, grande parte dos estudantes foi anestesiada ao nascer. Poucos se importam ou mesmo pensam que são parte da mesma comunidade. Para manter a imunidade de acesso ao "deserto do real", basta que vejam TV, ou que usem de modo pouco inteligente as demais mídias etc. A sociedade em que estes jovens vivem é igualmente anestesiada, dar-lhe-á todo o apoio de que precisam. Nas mídias convencionais e em parte das alternativas encontrarão o mesmo conforto. Por causa disto tudo, se têm que saudar os que sobraram. Os que não se dobram e continuam a insistir na pureza do "coração de estudante", aqueles que nunca esqueceram independentemente da idade que hoje tenham. Os que acreditam no sonho e na poesia da vida e não a pensam como algo insosso e difícil de engolir. Que venham bombas, balas de borracha, discursos mentirosos, autoridades sem respeito. Que venham todos. Eles não poderão jamais nos destruir. Luís Carlos Lopes é professor, sempre estudou na escola pública e fez seu doutorado na Universidade de São Paulo, no mesmo prédio bombardeado pela polícia nos recentes acontecimentos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090620/6fba0fd9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090620/6fba0fd9/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5776 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090620/6fba0fd9/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 21 13:42:15 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 21 Jun 2009 13:42:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=FAsica_Instrumental__________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?____________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <014b01c9f28f$4176ce40$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Música Instrumental (parte 1) Caio Mesquita A Viagem Abandonada Arrastão As Rosas Não Falam Ave Maria De Gonoud Carinhoso Feelings Flor de Lis I Have Noting Nascente Nuvem de Lágrimas Papel Machê Ronda Sonhos de Um Palhaço Sozinha Tema da Vitória Wave We are the world -------------------------------------------------------------------------------- Calchaquis Musica Folklorica Peruana - Flautas Acuarela de Sikus (Bolivia) Aires de Mi Tierra (Equador) Amankay (Bolivia) América insurrecta Blanca Palomita (Bolivia) Casi Me Quisiste (Argentine) Coplas de Marzo (Bolivia) Crepusculo Costeño (Pèrou) Cuculi (Argentina) El americano El Centinela (Argentine) El Colibri (Equador) El Pasotor (Argentine) El Sacha Puma (Argentine) El Sanjuanero (Colombie) Himno Al Sol (Pèrou) Hugo Jesusana (Peru) Kacharpari (Pèrou) Kapullay (Pèrou) Kena y Siku (Equador) Kurikinga (Equateur) La Bocina (Equateur) La Maye (Colombie) La Pastora (Bolivie) Lejana Purmamarca (Argentine) Libertadores (1) Libertadores (2) Lima Morena (Peru) Linda Cambita (Bolivia) Paola, 11099 Presencia Lejana (Equador) Pueblo en lucha Recuerdo Azul (Bolivia) Requiem para un Afilador (Argentina) Reservista Purajhey (Paraguay) Selvas y Valles (Bolivie) Sikus del Titicaca (Bolivia) Sol de Vilcabamba (Equateur) Sol Nocturno (Argentina) Sonkoy (Pèrou) Soplo de Oriente (Bolivie) Tiempo de Paz (Argentina) Triste Tondero (Peru) Tuntuneando (Bolivie) Tupamaros - Libertadores Tupamaros Urpillay (Equador) Uskil (Peru) -------------------------------------------------------------------------------- Carlos Paredes A montanha e a planicíe Acção Canto de amor Canto de embalar Canto de rua Canto de trabalho Canto do amanhecer Canto do Rio Dança dos camponeses Dança palaciana Danças portuguesas nº1 Despertar Festas da primavera Frustração In memoriam Raiz Sede Serenata Variações em Lá menor Variações em Si menor Variações -------------------------------------------------------------------------------- Carmen Cavallaro Aquarela do Brasil Chopsticks Dizzy Fingers La Vie En Rose Melodia Imortal Noturno Em Lá Bemol De Chopin To Love Again To Love Again Whispering -------------------------------------------------------------------------------- Cavaquinho De Ouro A Volta Do Boêmio Aquarela Brasileira Atire A Primeira Pedra Bicho Feroz Brasileirinho Carinhoso Casa De Bamba Chão De Estrelas Delicado Flor Amorosa Os Meninos Da Mangueira Palpite Infeliz Pequeno Burguês Pra Que Dinheiro Quantas Lagrimas Tico Tico No Fubá Um Cavaquinho no Frevo Vamos Dançar Cavaquinho -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090621/26c433d8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 21 13:42:30 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 21 Jun 2009 13:42:30 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Curi=F3_abre_arquivo_e_revela_qu?= =?windows-1252?q?e_Ex=E9rcito_executou_41_no_Araguaia?= Message-ID: <015101c9f28f$4ab17a00$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro..........................................................................................................repassem a.. Domingo, 21 de Junho de 2009 | Versão Impressa Curió abre arquivo e revela que Exército executou 41 no Araguaia Até hoje eram conhecidos 25 casos de guerrilheiros mortos; relato do oficial confirma e dá detalhes da perseguição EXCLUSIVO - Leonencio Nossa, XAMBIOÁ (TO) Tamanho do texto? A A A A Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o major Curió, o oficial vivo mais conhecido do regime militar (1964-1985), abriu ao Estado o seu lendário arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas. Leia a cobertura completa e a lista inédita dos guerrilheiros mortos no Araguaia em O Estado de S. Paulo deste domingo. Assinante: Saiba agora, clique aqui Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira. Uma série de documentos, muitos manuscritos do próprio punho de Curió, feitos durante e depois da guerrilha, contraria a versão militar de que os mortos estavam de armas na mão na hora em que tombaram. Muitos se entregaram nas casas de moradores da região ou foram rendidos em situações em que não ocorreram disparos. Os papéis esclarecem passo a passo a terceira e decisiva campanha militar contra os comunistas do PC do B - a Operação Marajoara, vencida pelas Forças Armadas, de outubro de 1973 a janeiro de 1975. O arquivo deixa claro que as bases de Bacaba, Marabá e Xambioá, no sul do Pará e norte do Estado do Tocantins, foram o centro da repressão militar. DESCRIÇÕES O guerrilheiro paulista Antônio Guilherme Ribas, o Zé Ferreira, teve um final trágico, descrito assim no arquivo de Curió: ?Morto em 12/1973. Sua cabeça foi levada para Xambioá?. O piauiense Antonio de Pádua Costa morreu diante de um pelotão de fuzilamento em 5 de março de 1974, às margens da antiga PA-70. O gaúcho Silon da Cunha Brum, o Cumprido, entrou nessa lista. ?Capturado? em janeiro de 1974, morreu em seguida. Daniel Ribeiro Calado, o Doca, é outro da lista: ?Em jul/74 furtou uma canoa próximo ao Caianos e atravessou o Rio Araguaia, sendo capturado no Estado de Goiás?. Só adolescentes que integravam a guerrilha foram poupados, como Jonas, codinome de Josias, de 17 anos, que ficou detido na base da Bacaba, no quilômetro 68 da Transamazônica. Documento datilografado do Comando Militar da Amazônia, de 3 de outubro de 1975, assinado pelo capitão Sérgio Renk, destaca que Jonas ficou três meses na mata com a guerrilha, ?sendo posteriormente preso pelo mateiro Constâncio e ?poupado? pela FORÇA FEDERAL devido à pouca idade?. Curió permitiu o acesso do Estado ao arquivo sem exigir uma avaliação prévia da síntese, das conclusões e análises dos documentos. Ele disse que essa foi uma promessa que fez para si próprio. Passadas mais de três décadas, a história da terceira campanha ainda assusta as Forças Armadas: foi o momento em que os militares retomaram as estratégias de uma guerra de guerrilha, abandonadas havia mais de cem anos. ?Até o meio da terceira campanha houve combates. Mas, a partir do meio da terceira campanha para frente, houve uma perseguição atrás de rastros. Seguíamos esse rastro duas, três semanas?, relata. ?A terceira campanha é que teve o efeito que o regime desejava.? Um dos algozes do movimento armado na Amazônia, ele mantém um costume da época: não se refere aos guerrilheiros como terroristas, como outros militares. ?Em hipótese alguma procuro denegrir a imagem dos integrantes da coluna guerrilheira, daquela juventude?, diz. ?O inimigo, por ser inimigo, tem de ser respeitado.? Ele ressalta que, como um jovem capitão na selva, tinha ideal: ?Queria ser militar porque queria defender a pátria, achava bonito. Alguns guerrilheiros tinham os mesmos ideais que nós. Mas nossos caminhos eram diferentes. Eu achava que o meu caminho era o correto. Eles achavam que o deles era o correto. Não eram bandidos, eram jovens idealistas?. No livro A Ditadura Escancarada, o jornalista Elio Gaspari diz que ?a reconstrução do que sucedeu na floresta a partir do Natal de 1973 é um exercício de exposição de versões prejudicadas pelo tempo, pelas lendas e até mesmo pela conveniência das narrativas?. E emenda: ?Delas, a mais embusteira é a dos comandantes que se recusam a admitir a existência da guerrilha e a política de extermínio que contra ela foi praticada?. MOTIM Essa política de extermínio fica um pouco mais clara com a abertura do arquivo de Curió. Pela primeira vez, a versão militar da terceira e decisiva campanha é apresentada sem retoques por um participante direto das ações no Araguaia. Curió esteve envolvido no motim contra o presidente Geisel (1977), no comando do garimpo de Serra Pelada (1980-1983), na repressão ao incipiente Movimento dos Sem-Terra no Rio Grande do Sul (1981) e à frente de uma denúncia decisiva no processo de impeachment de Fernando Collor (1992). O arquivo dá indicações sobre a política de extermínio comandada durante os governos de Emílio Garrastazu Medici e Ernesto Geisel por um triunvirato de peso. Na ponta das ordens estiveram os generais Orlando Geisel (ministro do Exército de Medici), Milton Tavares (chefe do Centro de Inteligência do Exército) e Antonio Bandeira (chefe das operações no Araguaia). Curió lembra que a ordem dos escalões superiores era tirar de combate todos os guerrilheiros. ?A ordem de cima era que só sairíamos quando pegássemos o último.? ?Se tivesse de combater novamente a guerrilha, eu combateria, porque estava erguendo um fuzil no cumprimento do dever, cumprindo uma missão das Forças Armadas, para assegurar a soberania e a integridade da pátria.? O QUE FOI A GUERRILHA Em 1966, integrantes do PC do B começaram a se instalar em três áreas do Bico do Papagaio, região que abrange o sul do Pará e o norte do atual Estado do Tocantins. A Guerrilha do Araguaia era composta por uma comissão militar e pelos destacamentos A, B e C. Da força guerrilheira, 98 pessoas pegaram em armas ou atuaram em trabalhos de logística. Deste total, 78 foram recrutadas pelo partido nas grandes metrópoles brasileiras e 20 na própria região do conflito. Entre 1972 e 1974, as Forças Armadas promoveram três campanhas na tentativa de eliminar a guerrilha - só venceu na última. A repressão contou com cerca de 5 mil agentes, incluindo homens das polícias Federal, Rodoviária Federal, Militar e Civil. O conflito deixou um saldo de 84 mortos, sendo 69 guerrilheiros ou apoios da guerrilha, 11 militares e 4 camponeses sem vínculos com o partido ou o Exército. Vinte e nove guerrilheiros sobreviveram às três campanhas. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090621/272f15b9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2422 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090621/272f15b9/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 59 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090621/272f15b9/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 22 20:17:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 22 Jun 2009 20:17:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=E1rcio_Moraes=2C_desembargado?= =?windows-1252?q?r_do_Tribunal_Federal_da_3=AA_Regi=E3o=3B_Juiz_do?= =?windows-1252?q?_caso_Herzog_rompe_o_sil=EAncio_e_conta_como_escr?= =?windows-1252?q?eveu_a_senten=E7a_que_abalou_a_ditadura?= Message-ID: <013901c9f38f$a44b9720$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Márcio Moraes, desembargador do Tribunal Federal da 3ª Região; Juiz do caso Herzog rompe o silêncio e conta como escreveu a sentença que abalou a ditadura O Estado de S.Paulo - Ivan Marsiglia Ação Declaratória nº 136/76. Autores: Clarice Herzog, Ivo Herzog e André Herzog. Ré: União Federal. Clarice Herzog, brasileira, viúva, publicitária, Ivo Herzog e André Herzog, brasileiros, menores absolutamente incapazes, representados por sua mãe, a primeira suplicante, todos residentes e domiciliados nesta Capital, propuseram a presente Ação Declaratória contra a União Federal para o fim de verem declarada a responsabilidade da Ré pela prisão arbitrária, torturas e morte do marido da primeira suplicante e pai dos dois outros, Vladimir Herzog, brasileiro naturalizado, jornalista e professor, pedindo consequentemente a declaração da existência de relação jurídica obrigacional indenizatória entre eles e a União Federal. Aduzem que Vladimir Herzog, no exercício da profissão de jornalista, trabalhava na TV Cultura, quando na noite de 24 de outubro de 1975 foi procurado nas dependências daquela empresa por agentes do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna do II Exército (DOI-Codi). No dia 25 de outubro de 1975, por volta das 8 horas da manhã, Vladimir Herzog, cumprindo a determinação que lhe fora feita na noite anterior, compareceu à sede do DOI-Codi, situada à Rua Tomas Carvalhal, nº 1030 e, ao fim da tarde do mesmo dia, o Comando do II Exército fez distribuir uma nota que, amplamente divulgada pela imprensa, comunicava sua morte. Tal nota afirmava que: (...) Por volta das 15 horas, deixado sozinho em sala, redigiu declaração dando conta de sua militância no Partido Comunista; aproximadamente às 16 horas, ao ser procurado na sala onde ficara, foi encontrado morto, enforcado com uma tira de pano. Assim começa o documento de 56 páginas datilografadas em Olivetti Lettera 22, repleto de anotações feitas de próprio punho pelo autor. A sentença, proferida pelo juiz federal Márcio José de Moraes exatos três anos após o suplício e morte de "Vlado" nos porões da ditadura, marca o ponto de inflexão em que a sociedade despertou da letargia e passou a cobrar a redemocratização. Também foi responsável, na visão de especialistas, pela emergência do discurso dos Direitos Humanos no País. Garimpados pelo historiador Mário Sérgio de Moraes, irmão mais novo do juiz, os originais da sentença foram entregues esta semana ao filho mais velho de Vlado, Ivo, e farão parte do acervo do Instituto Vladimir Herzog - que será lançado quinta-feira na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. O veredicto, assinado em 25 de outubro de 1978, em plena vigência do Ato Institucional nº 5, mudou a vida do jovem juiz que o proferiu - que tinha à época 33 anos e apenas 2 de magistratura. Hoje, aos 64, o desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, corte que chegou a presidir em 2001, define o caso como "uma encruzilhada pessoal, em que tive de ser digno da situação que o destino me colocou ou não poderia mais me olhar no espelho". Primogênito de uma família de classe média de Jacareí, no interior paulista, Márcio teve uma formação católica e nunca se interessou por política. Com a ajuda financeira de um tio, os pais, donos de uma modesta loja de ferragens na cidade, conseguiram mandá-lo a São Paulo para prestar Direito na USP. Aplicado nos estudos e pouco atento aos percalços da vida nacional, formou-se em 1968 ignorando solenemente a efervescência do movimento estudantil. "Eu achava que o regime militar podia até perseguir opositores. Mas não acreditava que houvesse tortura e morte." Foi um choque quando leu na imprensa a notícia da morte de Herzog, profissional que acompanhava nos telejornais da TV Cultura. Na semana seguinte, ainda perplexo, saiu da pequena banca de advocacia onde trabalhava, na Rua José Bonifácio, e caminhou até a Praça da Sé, onde cerca de 8 mil pessoas se acotovelavam para participar do culto ecumênico em memória de Vlado. Preferiu a observação discreta numa pastelaria ao lado da catedral. "Se a cavalaria da Polícia Militar invadisse a praça, eu diria que estava ali apenas comendo um pastel. Foi pura covardia." O que o assustado bacharel não poderia imaginar era que, três anos mais tarde, seria aprovado em um concurso para magistratura e veria cair em suas mãos o processo da família Herzog. Literalmente: em uma manobra do regime militar, o Ministério Público entrou com um mandado de segurança e impediu que o juiz titular, João Gomes Martins, da 7ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, prolatasse a sentença. O raciocínio dos militares era de que Martins, às vésperas de completar 70 anos e se aposentar compulsoriamente, teria menos a perder condenando a União do que um jovem juiz substituto, com toda a carreira pela frente. Nos meses que se seguiram, a tarefa de concluir o processo colocaria seus nervos à prova e representaria um processo pessoal de "tomada de consciência" sobre a situação do País. Para se dedicar em tempo integral, solicitou um mês de férias e refugiou-se na casa em que morava com a mulher e duas filhas pequenas, no bairro da Aclimação. Durante o período, a pressão foi intensa. Ele recebeu uma carta anônima e dezenas de telefonemas ameaçadores. Em um deles, uma voz furiosa avisou: "Eu te pego, cabeludo". O casal nada disse às filhas, mas a menor teve uma febre longa e inexplicável, talvez por causa do clima pesado da casa. Aconselhado por colegas a adiar a decisão até a queda do AI-5, já prevista para o início de 1979, dessa vez Márcio decidiu não ficar comendo pastel. O veredicto, tecnicamente irretocável, concluiu que a prisão de Vlado havia sido feita de modo ilegal, sem ordem expedida por autoridade competente. Anulou o laudo que atestava a morte por suicídio, do legista Harry Shibata, feito sem a presença de dois peritos, como era exigido. E deu realce aos depoimentos de testemunhas presentes no DOI-Codi quando Vlado foi torturado, como os jornalistas Rodolfo Konder e George Duque Estrada. Ao final, bateu o martelo pela responsabilização objetiva do Estado, fixando indenização por danos materiais e morais à família Herzog. A reação foi imediata. Márcio confessa que temeu por sua vida e pela de sua família. Soube que sua cassação chegou a ser discutida em uma reunião da qual participaram o presidente Ernesto Geisel, o ministro da Justiça, Armando Falcão, e o procurador-geral da República, Henrique Fonseca de Araújo. Na ocasião, Geisel teria se negado: "Eu não casso mais ninguém no Judiciário". "A sentença do juiz Márcio Moraes é desses momentos de resgate da dignidade do Poder Judiciário brasileiro", disse ao Aliás o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos. "A condenação incentivou familiares de outras vítimas a ingressar com ações semelhantes", afirma a cientista política Glenda Mezarobba, pesquisadora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. "O processo e suas possibilidades deveriam ser matéria obrigatória nos cursos de Direito do País." O que torna a peça jurídica de 1978 especialmente corajosa é o trecho que Márcio acrescentou à caneta, após uma análise detida dos fatos da sentença. No final da página 56, ele determina a abertura de um Inquérito Policial Militar para punir as autoridades militares e policiais responsáveis pelas torturas. "Até onde eu sei, esse inquérito nunca foi aberto. É grave. Configura desobediência de uma ordem judicial", revelou em seu gabinete no TRF. Mais de 30 anos depois, fala-se em direito à memória e à verdade sobre o destino das vítimas, mas a punição aos torturadores continua interditada no debate público sobre os crimes da ditadura. No último dia 11, o ministro da Defesa, Nelson Jobim - que organiza um grupo de trabalho para localizar os mortos durante a guerrilha do Araguaia -, classificou de "revanchismo" a ideia de punir militares que torturaram durante a ditadura. Enquanto isso, uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Supremo Tribunal Federal (STF) questiona a prescrição de tais crimes, com base no direito internacional. O próprio presidente do STF, Gilmar Mendes, porém, já fala em "virar a página" e em evitar o risco de "instabilidade institucional". "Lamento quando leio autoridades do governo e do Judiciário dizendo que a Lei de Anistia é um pano de esquecimento sobre tudo", diz Moraes, que não tem dúvida de que a tortura é crime de lesa-humanidade, imprescritível. E analisa: "Assim como uma pessoa não pode se organizar psicologicamente se não lidar com seus dramas e perdas, como pode a vida nacional se afirmar com todo o vigor democrático sem esse acerto de contas?" O discurso "psi" não é por acaso. Há alguns anos, Márcio Moraes faz formação no Instituto Sedes Sapientiae e pretende se dedicar à psicanálise quando se aposentar dos tribunais, em 2016. Foi a própria magistratura, uma carreira "cheia de paixões e dramas", que despertou seu interesse pelos domínios de Freud. E, se por muito tempo Márcio se furtou a falar do caso Herzog, por entender que "a força da minha sentença está na ausência da minha pessoa", hoje ele admite, com um sorriso, que "foi por medo também". Entre a razão e a emoção, o juiz fica com as duas. Fonte : http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-letra-da-lei,390661,0.htm -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090622/18046777/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 23 19:32:21 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 23 Jun 2009 19:32:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Mem=F3rias_reveladas__por_Frei_?= =?windows-1252?q?Betto?= Message-ID: <004d01c9f452$797d7310$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ALAI, América Latina en Movimiento Brasil Memórias reveladas Frei Betto -------------------------------------------------------------------------------- Na data simbólica de 13 de maio ? comemoração da libertação oficial dos escravos ?, o presidente Lula tomou uma decisão de inestimável relevância em prol da liberdade de informação e da verdade histórica: enviou ao Congresso projeto de lei para que se tornem públicos todos os documentos e informações concernentes ao período da ditadura militar (1964-1985). A decisão resulta do meritório empenho do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, e a cerimônia contou com a significativa presença do ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do governador de São Paulo, José Serra. Ela, ex-presa política, com quem convivi no Presídio Tiradentes, na década de 1970; ele, ex-exilado político. Os dois, virtuais candidatos à presidência da República em 2010. Na solenidade, Vannuchi frisou que a presença de Dilma e Serra chancelou o acesso à verdade histórica como política de Estado - e não apenas de governo, sujeita a alternâncias eleitorais. Lula caracterizou o ato como ?mudança de página na história do Brasil, não para esconder o que está no verso da página, mas para que a história seja contada como ela é ou foi.? A aprovação do Congresso permitirá que se fomente um portal na internet, e qualquer pessoa poderá acessar os documentos disponíveis, o que já ocorre com os arquivos do SNI, do CSN (Conselho de Segurança Nacional) e da maioria dos DOPS estaduais. O cidadão poderá ainda encaminhar ao governo documentos e informações referentes ao período. Assim, se fará luz sobre os anos de trevas que vitimaram milhares de brasileiros(as) com perseguições, prisões, torturas, exílio e banimento, dos quais mais de 500 assassinados e/ou desaparecidos. Falta as Forças Armadas quebrarem o silêncio quanto à sua atuação nos anos de chumbo. Não é justo que a ação criminosa de militares nos DOI-CODI, nos porões dos quartéis e no combate à guerrilha do Araguaia, seja confundida, hoje, com o conjunto da corporação. Nossas Forças Armadas precisam seguir o exemplo do Chile, da Argentina, do Uruguai e de El Salvador, governados por ditaduras na década de 1970, e que não temeram revelar e apurar as graves violações dos direitos humanos cometidas por oficiais, contribuindo assim para o fortalecimento da democracia. A verdade liberta, diz o Evangelho. A presidência da República faz a sua parte. Espera-se que o Legislativo e o Judiciário façam a que lhes concerne. Ao Congresso, transformar em lei, o quanto antes, o projeto encaminhado pelo presidente Lula. Ao Supremo Tribunal Federal, julgar se a lei de anistia, de 1979, torna ou não inimputáveis os crimes cometidos, em nome do Estado, pelos algozes do regime militar. O Brasil inventou uma aberração jurídica: tentar apagar, por um decreto de ?anistia recíproca?, o período da ditadura. Como se a memória nacional pudesse eclipsar-se por milagre. Os algozes permanecem impunes, enquanto as vítimas carregam o doloroso peso de, até hoje, conviver com danos morais e físicos, ignorar o paradeiro dos desaparecidos e ver seus torturadores debochadamente orgulharem-se dos males causados. Ainda que setores das Forças Armadas insistam em tapar o sol com a peneira, a memória das vítimas, como frisou Walter Benjamin, é inapagável. Passados 60 anos, as atrocidades do nazismo continuam a vir à tona. No Brasil, cada vítima tem procurado dar a sua contribuição: eventos, mobilizações, efemérides, filmes, minisséries, palestras etc. Incluo-me entre os que fazem da literatura a guardiã da memória. Neste mês de junho chegará às livrarias um documento histórico, inédito, que esperou 36 anos para vir a público: ?Diário de Fernando ? nos cárceres da ditadura militar brasileira? (Rocco). Trata-se do diário do frade dominicano Fernando de Brito, redigido ao longo dos quatro anos (1969-1973) em que foi submetido a torturas e removido para diferentes cadeias. Não se conhece similar entre as obras publicadas sobre o período. Em papel de seda, em letras microscópicas, e sob risco de punição, Fernando anotava, dia a dia, o que via e vivia. Em seguida, desmontava uma caneta Bic opaca, cortava ao meio o canudinho da carga, ajustava ali o diário minuciosamente enrolado e remontava-a. No dia de visita, trocava a caneta portadora do diário por outra idêntica, levada por um dos frades do convento. Nos últimos três anos, cuidei de dar às anotações tratamento literário. Nos episódios relatados, a trajetória dos frades encarcerados se mescla à de personagens que são, hoje, figuras de destaque na história brasileira, como Carlos Marighella, Carlos Lamarca, Caio Prado Jr., Apolônio de Carvalho, Paulo Vannuchi, Franklin Martins e Dilma Rousseff, para citar apenas alguns. Está tudo ali: as torturas, os desaparecimentos, a greve de fome de quase 40 dias, e também a convivência dos prisioneiros marcada por momentos de inusitada beleza: as festas de Natal, as noites de cantoria, a solidariedade inquebrantável entre eles. ?Diário de Fernando? revela a saga de uma geração que não se dobrou à ditadura e à qual o Brasil deve, hoje, a sua redemocratização. - Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor de ?Batismo de Sangue? (Rocco), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090623/b2b44265/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 23 19:41:36 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 23 Jun 2009 19:41:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_ESCRITORES_DEL_PER=DA_Y_DEL_MUN?= =?windows-1252?q?DO_SOBRE_MASACRE_EN_LA_AMAZON=CDA_PERUANA?= Message-ID: <007201c9f453$c41e6900$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................................................repassem MANIFIESTO DE ESCRITORES DEL PERÚ Y DEL MUNDO SOBRE MASACRE EN LA AMAZONÍA PERUANA PERÚ: Nuevamente el rostro lívido de la Bestia, el fascismo, último recurso del capitalismo asesino, desesperado por mantener sus privilegios seculares, masacra impunemente al pueblo peruano. Los señores del caucho se han reencarnado horrorosamente en los gobernantes de una república bananera: Alan García Pérez, el genocida de los penales, el Gabinete Ministerial en pleno, compinches de la masacre, los congresistas del APRA, Unidad Nacional y el fujimorismo, mienten todos al pueblo peruano, insistiendo en que la población amazónica y sus dirigentes son los culpables de la masacre desatada con exclusiva responsabilidad de Alan García Pérez. El silencio tanto como la desidia nos vuelven cómplices del crimen y nosotros, un puñado de escritores asqueados del circo mediático racista que falsea la verdad de la matanza ordenada por Alan García Pérez, no queremos frenar nuestra lengua. Hemos visto ?no por los canales de televisión? cómo cientos de policías de la DINOES armados cual rambos cholos provocaron al pueblo amazónico. Hemos visto cómo decenas de francotiradores apostados en las azoteas de las casas tiraban a matar con fusiles de guerra iniciando así la carnicería, hemos visto y recibido informes de cómo helicópteros artillados bombardeaban al pueblo inerme, protegido tan sólo con lanzas y flechas [claro, son unos salvajes y feroces chunchos reducidores de cabezas] y si ese pueblo alzado, harto de mentiras y negociaciones estériles y mañosas, ha conseguido armas de fuego es porque en su arrojo se las arrebataron a brazo partido a policías protegidos por chalecos antibalas, expertos en debelar levantamientos, ¿o qué quiere la señora Cabanillas, que el pueblo se deje matar poniendo el pecho abierto como en tantos otros degolladeros realizados en contra de peruanos desarmados? Encender la televisión o escuchar RPP en estos instantes provoca intensas arcadas. El cerco mediático racista tergiversa los hechos y se empeña brutalmente en demostrar que solamente son policías quienes han muerto en el genocidio. Lamentamos la muerte de esos policías manipulados por el poder corrupto. Pero, ¿quién en su sano juicio osaría defender un orden democrático pútrido en donde un policía o un maestro ganan menos de ochocientos soles y un congresista o ministro se embolsica veinte mil soles mensuales? ¿quién en su sano juicio puede creer que lanzas y flechas pueden más que fusiles de guerra, pueden más que helicópteros artillados, pueden más que granadas y bombas lacrimógenas? Voluntarios belgas [http://catapa.be/en/north-peru-killings] y amigos presentes en el lugar de la masacre, nos envían fotos, vídeos y testimonios de la cacería desatada por el gobierno en contra de nuestros hermanos amazónicos. En emisoras de Loreto se habla de 150 pobladores asesinados y de la deserción de decenas de soldados, hijos de nativos masacrados. En estos momentos sabemos de buena fuente que las fuerzas del desorden están carbonizando los cadáveres con lanzallamas, están arrojando los cadáveres ?que se niegan a devolver a los deudos? a los ríos y quebradas, están fusilando a los líderes indígenas capturados, están deteniendo a todo aquél que tenga ?cara de indígena?, están amenazando a periodistas locales y regionales para que no difundan la espantosa verdad del genocidio. Luego el cerco mediático racista dirá que estos indígenas desaparecidos fueron delincuentes terroristas que se hicieron al monte, coronando así esa asociación funcional para el Estado criollo: indio, terrorista y delincuente. Es el propio Estado criollo-burgués quien le ha declarado la guerra al pueblo alzado que reclama por el respeto de esa institucionalidad jurídica que el propio Estado dice defender cuando le conviene. El mentado DL 1090 es ANTICONSTITUCIONAL, no contempló jamás el mecanismo de consulta que manda el Convenio OIT 169 suscrito por el Estado criollo y que ahora desconoce. La tenebrosa jactancia de Yehude Simon Munaro no debería sorprendernos: ?es el peor de los traidores?, dijo de él alguna vez el finado Alfonso Barrantes Lingán y muchos recuerdan su actitud servil frente al delincuente Kenya Fujimori para lograr prebendas cuando estaba preso por terrorismo. El absoluto cinismo de Alan García Pérez, Yehude Simon Munaro, Mercedes Cabanillas, Ántero Florez-Araoz, Javier Velásquez Quesquén, Rosario Fernández y el hipócrita oxapampino Antonio Brack Egg, causaría envidia a Diógenes llamado el Perro. El Estado criollo encarnado en estos miserables derrama nuevamente sangre inocente de los que sólo tienen su tierra y sus selvas y sus ríos y ni eso quieren dejar estos miserables porque todo se compra y todo se vende en esta democracia de chiquero, porque así lo demandan las transnacionales norteamericanas y chilenas, porque así queda tranquilo San Dionisio Romero Seminario, el izquierdista del Opus Dei, porque si el perro del hortelano jode, entonces Alan García ordena matar al perro del hortelano. Hace pocos días el escritor admirador de Sancho Panza [?un ciudadano mucho más respetuoso de la ley y del prójimo que su amo?, ha dicho del buen Sancho el entrometido novelista en Venezuela], Mario Vargas Llosa, garrapateó un artículo para rechazar una expresión [?el Perú no necesita Museos de la Memoria?] de Antero Florez-Araoz, Ministro de Defensa del régimen aprista, ex-funcionario del fujimorato y conocido ultraderechista del Partido Popular Cristiano. Pues bien, las ociosas palabras de Vargas Llosa no sirvieron de nada, pues como diría cualquier muchacho listo, Alan García se caga en la memoria, la reconciliación y cualquier concepto que remita a la paz nacional. En su ordinariez Florez-Araoz dijo algo que Vargas Llosa no acepta racionalmente, pero cala en lo más profundo de su ser, como lo demuestra el Informe Uchuraccay, en el cual el novelista tipifica a los uchuraccainos de bárbaros, primitivos, violentos y tutelables. Hace pocos días Vargas Llosa apareció por televisión abrazando al genocida Alan García Pérez, a quien antes despreciaba. Al parecer fue Vargas quien convenció a García de la conveniencia ante los ojos de la comunidad internacional de aceptar la creación del Museo de la Memoria. Con esta nueva matanza, Alan García le demuestra a Mario Vargas Llosa el gran interés que le anima por un Museo de la Memoria. Deseamos dejar patente nuestra más enérgica repulsa por este orden injusto que se ha impuesto en nuestra patria desde el fujimorato. La imposición a sangre y fuego del MODELO ECONÓMICO NEOLIBERAL ?ese que defiende Mario Vargas Llosa? ha causado la masacre de cientos de peruanos humildes de la Amazonía, una masacre que pudo ser evitada por los ?señores autoridades?, quienes tan sólo han ratificado que la agresión, el desprecio y el olvido hacia las comunidades nativas amazónicas continúa como hace 500 años. Demandamos que el Estado criollo, corrupto y genocida, derogue los decretos de la muerte y demandamos la vacancia de la Presidencia de la República así como un juicio internacional por delito de genocidio contra Alan García Pérez y sus compinches del Gabinete Ministerial. Si Julio Ramón Ribeyro fue lo suficientemente diplomático para amarrar su lengua cuando la matanza de los penales en el 1986 y no devolver la Orden del Sol impuesta por el genocida durante su primer gobierno, ¿Vargas Llosa se hará de los cojones necesarios para enfrentar públicamente a su nuevo amigo, el genocida Alan García, y exigir la vacancia inmediata de la Presidencia de la República? Esta vez ya no bastarán cartitas porque ?la manera como se ha reprimido estos motines sugiere ?por segunda vez?más un arreglo de cuentas con el enemigo que una operación cuyo objetivo era restablecer el orden?. Un gran brujo amazónico, Ino Moxo, dijo hace mucho tiempo, ?cuando pienso en Fitzcarrald y en sus mercenarios, cuando pienso que esos genocidas eran hombres, me dan ganas de nacionalizarme culebra?. Dudamos que el Vargas Llosa amigo de Aznar, Bush y Tatcher demuestre su pregonado humanismo y renuncie al encargo del genocida. Dudamos que el novelista desista a presidir la Comisión de Alto Nivel que desarrollará el proyecto del Museo de la Memoria: persistirá en el empeño, persistirá en la afrenta contra los cientos de pobladores masacrados por las balas asesinas del Estado criollo. A fin de cuentas ambos, García y Vargas, pertenecen al bando neoliberal y nosotros terminaremos con Ino Moxo nacionalizándonos culebra. junio del 2009 Adherentes: Peruanos Feliciano Mejía Hidalgo? Escritor ? Embajador de Poetas del Mundo ? Perú. Julio Carmona. Poeta, ensayista-Piura Antenor Maravi Izarra, poeta-Ica Gorki Tapia [UNMSM] Atilio Bonilla [UNMSM] César Kruger[UNMSM] Bruno Portugués, pintor Fanny Palacios, pintora Manuel Cabanillas, fotógrafo José Luis Ayala, poeta Luis Yáñez, poeta Reynaldo Naranjo, poeta Winston Orrillo, poeta Federico García, cineasta Rafael Inocente, novelista Willy Gómez Migliaro, poeta Dante Castro, narrador, periodista, Premio Casa de las Américas Ricardo Letts Colmenares, luchador social, periodista Delfina Paredes, actriz nacional Pilar Roca, cineasta Yury Castro Romero, promotor cultural Eduardo Arroyo, poeta y ensayista Luis Benavente, poeta Javier Garvich Rebatta [Novelista, poeta, ensayista] Julio Durán [Novelista] DNI 06804548 Roger Santiváñez [Poeta] Gloria Dávila Espinoza [Poeta]DNI 22402262 Juan Cristóbal, poeta DNI 08705429 Rodolfo Ybarra, poeta y ensayista Arturo Delgado Galimberti, novelista Vladimiro del Prado, político Gerardo Benavides, político Yasmin Diaz, periodista política. F. Fernández, político Yasser Gómez, periodista Katy La Pooint, médico Alvaro Vidal, médico Pedro Lovatón antropólogo, comunicador social Dandira Picasso, fotógrafa Carlín Shapiama, educador Gustravo Rojas, maestro Violeta Carnero de Valcárcel Carlos Augusto Rivas Piero Bustos [Músico, cantautor] Teófilo Gutiérrez, escritor y editor Aquiles García-Godos, biólogo, investigador Salvador Mendoza Machiavello, profesor. Trujillo-Perú Lucas Cachay Huamán [Familia Manguaré], desde Canadá Jesús William Yupanqui Franco, sociólogo Daniel Vecco Giove. Ingeniero agrónomo, investigador de la Amazonía Ariel Pascielli, DNI 4135080 Armando Arteaga, arquitecto y poeta del Perú Manuel Mosquera, antropólogo y periodista del Perú Ernesto Toledo Bruckmann, periodista y ensayista del Perú Fernando González, por las casas mariateguistas del Perú Jimmy Calla, dirigente magisterial de El Callao, poeta Dennis Merino, periodista, luchadora social Pilar del Castillo, traductora, docente José Beltrán Peña, poeta José Ramos Bosmediano, ex dirigenrte del SUTEP Claudio Velando G. desde España, ingeniero peruano. Carlos Garrido Chalén, poeta peruano, candidato al Premio Cervantes Kenneth Delgado, educador, profeso principal de San Marcos Óscar Baltodano, especialista en medicina social alternativa, Manuel Moncada, periodista y luchador social Gustavo Adolfo Benites, catedrático, desde Trujillo Alfredo Berrios r. catedrático, artista, luchador social Dr. J.A. Saona, matemático, luchador social Angélica Aranguren, profesora de San Marcos, destacada an tropóloga Carlos Angulo, desde Canadá, poeta, periodista, luchador social Mary Soto, poeta y luchador a social Jacinto Irala, escritor, luchador social Manolo Castillo, dirigente politico del PCP Alberto Moreno Secret ario General del PC del Perú Vladimiro del Prado, sub secretario General del PCP Víctor Antay, luchador social Manuel Gòngora Prado, filósofo, catedrático principal de San Marcos Felipe Pérez, desde Cuba, Historiador, ensayista Víctor Alvarado S. periodista, luchador social Máximo Damián Huamaní, arpista, músico del pueblo Genaro Ledesma, presidente del FOCEP Elfi Detan, antropóloga, especialista en temas selváticos Róger Rumrril, antropólogo vernáculo de la selva Walter Palacios V. luchador social, escritor Igor Calvo, poeta, luchador social Emeterio Tacuri, luchador social Giuliano Vecco F., antropólogo [Junín] Juan Tutuy, docente y autoridad universitaria Daniel Matttheus, poeta, docente universitario Aldo Gil Crisóstomo. Ingeniero-Escritor Marcos Edery. Asesor de empresas. Lima ?Perú Juan Víctor Alfaro, desde el Perú. Diego Libertad, poeta, Lima ? Perú Víctor Castro Reyna DNI 17998872 Basilio Auqui Salvatierra, ingeniero agrícola José Carlos Vértiz, ex presidente de la FUSM, dirigente político. Abraham Huamán Almirón Igor Calvo.Escritor, sociólogo. DNI.05294696 Linda Lema Tucker. DNI 08666258. Socióloga y escritora. Lima, Perú Pascual E. ALEJO RETTIZ. Periodista, Poeta, Escritor. Huánuco - Perú Francisco Marín Polo, dibujante y diseñador. Narrador. Desde el extranjero: Luis Arias Manzo [Escritor, Fundador-Secretario General del Movimiento Poetas del Mundo] Chile, desde Moguer, España. Olivier Herrera Marín [Poeta, Embajador en España del Movimiento Poetas del Mundo], desde Castellón, España Christina Castello, argentina, desde París Rosa Báez, desde Cuba Manuel Ruana desde Argentina Francisco Serrepe, desde París Ricardo Melgar, desde México Jorge Aliaga, desde Escocia Sylvia Vidalón, desde España Raúl Isman, desde Bs. As-Argentina Jean Dornac Auteur Grasse ? France Martín Guédez, historiador, escritor y conductor de Radio Nacional de Venezuela Ramiro Lagos - Escritor colombiano Zakad Abderrahmane. Urbaniste, écrivain. Algérie Sandrine Féraud. Poète. Fréjus. France Denise Bernhardt. Poète, déléguée pour Haïti de la Société des Poètes Français Montmorency - France Marco Minguillo [Perú-Suecia] Gustavo Robles [Argentina] María Elena Foronda Farro Instituto Natura [Argentina] Escritores y Trabajadores del Arte Colombianos, asilados y refugiados en Alemania Red de Información Alternativa, Simón Bolívar - [650 miembros entre intelectuales, artistas y comunicadores] - Caracas ? Venezuela Maria Elena Alejandra Sancho. Artista visual [Argentina] Mónica Oporto, DNI 11888031. Profesora de Historia [Argentina] Thiago de Mello, poeta brasilero, hijo de la floresta amazónica. Pedro Vianna, poeta. París ?Francia Éric Meyleuc. Poeta, Paris ?Francia Patrick Brousse de Laborde. Poète en sommeil- Nointel ?France André Chenet- Jardinier ? Antibes ? France Pavel Uranga, mejicano, desde Tegucigalpa-Honduras Luis Fuenmayor Toro. Médico-cirujano, Profesor Titular, Investigador científico, Universidad Central de Venezuela, Caracas. Juan Francisco Rojas Penso. Economista. República Bolivariana de Venezuela François Honoré- Poète. Paris ?France Oscar Quintanilla. Escritor y poeta. Francia Carlos Prada Hernández. Escritor. Venezuela Marcelo Arbit. Médico. Argentina Nelly Prigorian, Venezuela William Castillo Pérez, comerciante y escritor aficionado. Barquisimeto-Venezuela Roberto Carrasquero, electricista, Valencia, Carabobo,Venezuela,CI 4569486 Oscar Oriolo, Trabajador [de las letras]. Banfield,Argentina Facundo Solanas, Investigador CONICET.Buenos Aires, Argentina Celia CorinaMarechal.Docente.Buenos Aires,Argentina Román Chalbaud. Cineasta y dramaturgo.Caracas. Venezuela. C.I. 901770 Aída Santana Nazca. Universidad Central de Venezuela.Caracas, Venezuela Augusto Al Q'adi Alcalde Red de Solidaridades Rebeldes [www.solidaridadesrebeldes.kolgados.com.ar] Mercedes Aguilar, Periodista Carcasas, Venezuela Olivia Miranda, desde Cuba, filósofa Francisco Javier Velasco Páez, antropólogo, ecologista, articulista y ensayista. Venezuela Ingrid Storgen: Comunicadora social, Amigos de la PAZ en COLOMBIA y el MUNDO José Bustos, Saint-Egrève ? Francia Andrés Aldao. periodista, escritor, editor. DNI: 16316754. Maalot-Israel Alberto Nadra, periodista y docente, Presidente Izquierda Democrática, Argentina Lauro Lustosa Neto, Movimiento Los Sin Tierra, Salvador-Bahía-Brasil María Eugenia Villalonga, periodista diario Perfil. Bs. As.-Argentina Albert Anor. Enseignant, poète, syndicaliste. Genève -Suisse Victor Varjac. Poète Dramaturge conférencier. Antibes ?France Yves Romel Toussaint. Poète, Ass. Resp. à l'Organisation de la Chambre de Commerce et de l'Industrie. Hinche ?Haiti Jean-Louis Latsague. Poète et informaticien. Peron ?France Abdelmajid Benjelloun. Universitaire. Rabat. Maroc Athanase Vantchev de Thracy. Poète. Paris ?France Francisco Alberto Álvarez. Periodista. C.A.B.A. Argentina Victor Petrucci. Militante Ambientalista. Campinas ? Brasil Deisa Grimau M. Periodista. Caracas-Venezuela Aurora Tumanischwili, periodista, profesora argentina Marta Speroni, docente y periodista argentina, luchadora social Guillermo López, epistemólogo, argentino Martín Almada, periodista y luchador social de Paraguay Gabriel Impaglione, escritor y ensayista, Argentina Moravia Ochoa, premio nacional de poesía, desde Panamá Teresinkha Pereira, poeta brasileña, desde USA Ana Diglio, traductora argentina Adriana Vega, docente, novelista, luchadora social de Argentina Vicente Rodríguez Nietzsche, poeta, premio nacional de cultura de Puerto Rico Juan Carlos Sánchez, Director Editorial de Argentina Wálter Garib, novelista, premio n acional de cultura de Ch ile Asociación de Amistad José Martí, desde Argentina Arturo Volantines, poeta, desde Arica, Chile Raúl Ernesto de la Tierra, poeta ecuménico Enrique Cirules, novelista cubano Rodolfo Magallanes. Docente/Investigador Director adjunto del Instituto de Estudios Políticos. Coordinador del Programa de Especialización en Gobierno y Política Pública. UNIVERSIDAD CENTRAL DE VENEZUELA-Caracas Francisco Alberto Álvarez.Periodista. Argentina Maritza Jiménez. Periodista.Venezuela Norma Mogrovejo Aquise. Universidad Autónoma de México Miriam Buges. Abogado.Brasil Maggy De Coster. Journaliste, écrivain, poète. Montmagny ?France Osvaldo Bocero. Periodista. Mar del Plata ?Argentina Ramon Garcia Rodriguez. DNI 06446440.Cundinamarca, Colombia Alba Luz Castillo, Presidenta del Partido Social de Mujeres Campesinas, Santiago del Estero, Argentina Bartolomé Clavero, jurista e historiador español, catedrático de la Universidad de Sevilla, miembro del Foro Permanente de la ONU para las Cuestiones Indígenas en representación de la Unión Europea. Rosa Cristina Baez, bibliotecaria y periodista digital,Cuba Augusto Alcalde. Poeta. Córdoba ?Argentina Alfredo Grande. Médico Psiquiatra. DNI 7866247. Psicoanalista, escritor. Argentina Ramiro Lagos. Escritor colombiano residente en Norteamérica Oscar Castelnovo. CI 7.757.222, Periodista. Buenos Aires ?Argentina Francesca Gargallo. Escritora y feminista. Ciudad de México José Rosario.Periodista, Historiador.Venezuela Kelly Valecillos de Rosario. Lic. en Ciencias Políticas y Escritora.Venezuela Roberto Perdía. Dni 4379488. Argentina.Coordinador Organizaciones Libres del Pueblo [OLP] Carlos D. PÉREZ Coordinador de REDH - Red Solidaria por los Derechos Humanos Defensor de DDHH. Ciudadano Argentino, residente en Montevideo ? Uruguay Dra. Marta Raquel Zabaleta D.Phil. IDS-Sussex.Escritora y poeta. Chile-Argentina-Reino Unido. Lindolfo L.Bertinat.L.E. 5849272. Abogado.DDHH.Rosario, Argentina Lauro Natalino Lustosa de Aragao Neto. Los Sin Tierra, Salvador de Bahía-Brasil Marly Zavar. Artista ?coreógrafa. Sao Paulo ?Brasil Marie Jeanne Nom Nguyen. Brétigny sur orge 91220 ?France Norma Mogrovejo Aquise. Universidad Autónoma de la Ciudad de México. Académica, escritora. Peruana Mexicana. Carmen Borda. Uruguay. Carlos D. Pérez, Adhiero al presente comunicado en todos sus términos, a nombre de REDH - Red Solidaria por los Derechos Humanos.Uruguay. Salvador Tió Fernández. Jurista, Poeta. Caguas ? Puerto Rico Elías du Halde. Director de Dialéctica2época. Suecia Elías Capriles, profesor y autor en las áreas de filosofía, política, psicología y budismo, CI 3.711.063, Universidad de Los Andes, Mérida,Venezuela Mariángeles Yiguerimian. Empleada Administrativa. Argentina. Latinoamérica-La Patria Grande DMITRI PRIETO SAMSONOV. ANTROPOLOGO, PROFESOR Y PROMOTOR CULTURAL. SANTA CRUZ DEL NORTE, CUBA MARCELO CENA. PERIODISTA. AGENCIA TELAM.-DNI 17 097 425. ARGENTINA Vanderley Caixe - advogado e Consul dos Poetas do Mundo em Ribeirão Preto-SP - Brasil Adhesiones: hernaninno at gmail.com Publicado: 23-06-2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090623/2675ddf3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Jun 24 19:58:42 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 24 Jun 2009 19:58:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Emir_Sader__-_DI=C1RIO_DA_PALES?= =?windows-1252?q?TINA_-___parte_1__e__2?= Message-ID: <05cd01c9f51f$521810f0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Diario da Palestina (1) A RESISTENCIA CULTURAL PALESTINA Uma ocupação colonial não é apenas uma ocupação militar. Ela precisa tentar impedir a sobrevivência da cultura, da memória do povo ocupado. Mais ainda se se trata da ocupação de um povo com uma das mais antigas histórias e mais ricas culturas. Como era impossível que a Capital da Cultura Árabe pudesse ser Bagdá, pela ocupação das tropas norte-americanas, foi decidido que Jerusalem (que eles chamam de Al-Quds) fosse a Capital da Cultura Árabe de 2009. As comemorações tem sido vitimas das mais violentas e odiosas repressões das tropas israelenses de ocupação. Organizar lindas atividades em torno da cultura árabe passaram a ser um imenso desafio para o Comitê Palestino de Organização, por dificuldades de recursos, de convidar pessoas ? poetas, músicos, cantores, artistas do mundo árabe e de outras regiões do mundo - para vir a uma região cercada e ocupada, que deveriam realizar-se nas ruas e praças de Jerusalém. O ato de apresentação do logotipo dos eventos, programada para ser dar no Teatro Nacional de Jerusalém, em abril do ano passado, foi proibida por Israel, declarado ilegal e reprimido brutalmente por forças militares para tentar impedir sua realização. Foram três dos membros do grupo organizador. Apesar de todas as dificuldades, deu-se inicio às comemorações no dia 21 de março deste ano, com atividades populares nas ruas de Jerusalém, que terminaram com uma noite de fala em Bethlehem. Israel enviou tropas contra crianças que carregavam balões com as cores da bandeira palestina ? vermelhas, brancas, verdes e pretas. As tropas de ocupação atacaram os jovens que iam realizar danças tradicionais palestinas, com suas roupas típicas, produzindo cenas de pânico e desespero. Como reação, todas as escolas, universidades, centros culturais, prefeituras de dentro ou de fora da Palestina, decidiram assumir a celebração organizando atividades sobre a bandeira e o logotipo de Jerusalém Capital da Cultura Árabe de 2009. Centenas de eventos aconteceram em muitos países como mostra de solidariedade e de protesto contra a repressão israelense. Fica claro, cada vez mais, que não se trata da ocupação e da ação militar contra ?forças terroristas?, como alegam os ocupantes, mas contra a resistência da cultura palestina. Os palestinos adotaram o lema: ?Jerusalém nos une e não deve dividir-nos?, reforçando a necessidade de união de todos os palestinos para derrotar a ocupação e pela conquista do direito de um Estado palestino, reconhecido pelas Nações Unidas, mas impedida pelos EUA e por Israel. ?Uma vez liberada, Jerusalém não será apenas a inquestionável capital da cultura árabe, mas será a cidade da diversidade cultural e religiosa, da tolerância e do respeito pelos outros. Uma cidade aberta para a paz cujos tesouros históricos e religiosos serão desfrutados por todos, do leste e do oeste. O único muro que a cercará será o muro histórico de sua Cidade Velha e suas 12 portas, incluindo a Porta de Ouro, que uma vez aberta, levará todos os povos do bem para o céu.? As palavras são de Ragiq Husseini, presidente do Conselho Administrativo do Comitê Nacional pela Celebração de Jerusalém como Capital da Cultura Arabe em 2009. Estar aqui, chegar a Ramallah revela, com toda força, como este é um território ocupado, cruzado por muros que dividem aos próprios palestinos, povoado de tropas e de carros militares, submetendo a este heróico povo à ocupação, à opressão, à humilhação, na mais grave situação de violação dos direitos humanos ? políticos, sociais, econômicos, culturais ? no mundo de hoje. ======================================================================================================== 24/06/2009 Diário da Palestina (2) Ocupação, colonialismo e apartheid Direto de Ramallah, Palestina Uma coisa é ouvir falar, ler, falar de ocupação. Outra é ver o que significa. Ramallah, uma cidade pacífica, sem violência, sem problemas de segurança, onde se pode andar por qualquer bairro a qualquer hora do dia ou da noite, uma cidade sem população de rua, sem crianças abandonadas. A ocupação israelense significa a brutalidade de cortar a cidade com muros, que separam palestinos de palestinos. Há uma grande avenida que o muro corta um lado do outro da rua. Os muros separam, segregam, colocam entre palestinos e palestinos os controles, comandados por soldados israelenses armados até os dentes, que exercem sistematicamente seu poder armado, com arbitrariedade e discriminação. Não na lógica nos muros, é um exercício conscientemente arbitrário, para demonstrar ? como faz o torturador diante da sua vitima ? que o ocupante pode fazer o que bem entender, sem qualquer lógica, só como exercício do poder armado de que dispõe. Muros para lacerar na carne o orgulho, a auto-estima, para tentar desmoralizar aos palestinos, levá-los ao dilema entre a passividade, a resignação, ou o desespero das ações armadas. Esta seria a atitude espontânea de qualquer ser humano, diante das humilhações a que são submetidos os palestinos, diante da demonstração brutal de força. Parece que os ocupantes querem provocar reações violentas, que justificariam novas ofensivas violentas. Os palestinos gastam várias horas por dia nas filas dos controles. Para ir de Ramallah a Jerusalém pode-se tomar 10 minutos ou três horas, na dependência do arbítrio das tropas de ocupação. Os palestinos tem que elaborar guias de sobrevivência para sobreviver com os 630 pontos de controle na Palestina atualmente. Trata-se de uma ocupação ilegal, injusta, de discriminação racial, do tipo do apartheid sul-africano. Os israelenses querem impedir aos palestinos de ter um Estado como foi reconhecido a Israel no fim da Segunda Guerra Mundial. Julgar-se um ?povo escolhido? ? também isto eles tem em comum com os norte-americanos. Como disse Edward Said, os palestinos são as ?as vítimas das vítimas?. Os israelenses se consideram vitimas, mas passaram a ser verdugos, colonialistas, imperialistas, racistas. Ver os muros, sua violência, sua brutalidade, a frieza da sua desumanidade, diante das casas humildes, das oliveiras ? tantas casas e oliveiras destruídas para a construção dos muros ? dos palestinos, permite sentir no mais profundo de cada um os dois mundos que se contrapõe aqui. A neutralidade, a passividade, se tornam impossíveis, cúmplices, diante de tanta injustiça e violência. Um Estado terrorista, um Exército do terror, tropas de ocupação coloniais, ações imperiais ? essa a ocupação israelense do que deveria ser território palestino. Do que deverá ser território de uma Palestina livre, democrática e soberna. ====================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090624/4c6047fe/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Jun 25 19:47:13 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 25 Jun 2009 19:47:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_ORA=C7=D5ES__de_Frei_Betto?= Message-ID: <0a0401c9f5e6$e4c3cc10$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ORAÇÕES Frei Betto * Pai-Nosso Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim, Santificado seja o vosso nome gravado nos girassóis de imensos olhos de ouro, no enlaço do abraço e no sorriso cúmplice, nas partículas elementares e na candura da avó ao servir sopa, Venha a nós o vosso Reino para saciar-nos a fome de beleza e semear partilha onde há acúmulo, alegria onde irrompeu a dor, gosto de festa onde campeia desolação, Seja feita a vossa vontade nas sendas desgovernadas de nossos passos, nos rios profundos de nossas intuições, no voo suave das garças e no beijo voraz dos amantes, na respiração ofegante dos aflitos e na fúria dos ventos subvertidos em furacões, Assim na Terra como no céu, e também no âmago da matéria escura e na garganta abissal dos buracos negros, no grito inaudível da mulher aguilhoada e no próximo encarado como dessemelhante, nos arsenais da hipocrisia e nos cárceres que congelam vidas. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, e também o vinho inebriante da mística alucinada, a coragem de dizer não ao próprio ego, o domínio vagabundo do tempo, o cuidado dos deserdados e o destemor dos profetas, Perdoai as nossas ofensas e dívidas, a altivez da razão e a acidez da língua, a cobiça desmesurada e a máscara a encobrir-nos a identidade, a indiferença ofensiva e a reverencial bajulação, a cegueira perante o horizonte despido de futuro e a inércia que nos impede fazê-lo melhor, Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e aos nossos devedores, aos que nos esgarçam o orgulho e imprimem inveja em nossa tristeza de não possuir o bem alheio, e a quem, alheio à nossa suposta importância, fecha-se à inconveniente intromissão, E não nos deixeis cair em tentação frente ao porte suntuoso dos tigres de nossas cavernas interiores, às serpentes atentas às nossas indecisões, aos abutres predadores da ética, Mas livrai-nos do mal, do desalento, da desesperança, do ego inflado e da vanglória insensata, da dessolidariedade e da flacidez do caráter, da noite desenluada de sonhos e da obesidade de convicções inconsúteis, Amemos. Ave Maria latino-americana Ave Maria / grávida das aspirações de nossos pobres, / o Senhor é convosco / bendita sois vós entre os oprimidos, / benditos os frutos de libertação / do vosso ventre. Santa Maria, mãe latino-americana / rogai por nós / para que confiemos no Espírito de Deus, / agora que o nosso povo assume a luta por justiça / e na hora de realizá-la em liberdade, / para um tempo de paz. / Amém! Oração do pássaro Senhor, tornai-me louco, irremediavelmente louco Como os poetas sem palavras para os seus poemas, As mulheres possuídas pelo amor proibido, Os suicidas repletos de coragem perante o medo de viver, Os amantes que fazem do corpo a explosão da alma. Dai-me, Senhor, o dom fascinante da loucura Impregnado na face miserável do pobre de Assis, Contido nos filmes dionisíacos de Fellini, Resplandecente nas telas policrômicas de Van Gogh, Presente na luta inglória de Lampião. Quero a loucura explosiva, sem a amargura Da razão ética das pessoas saciadas à noite pela TV, Da satisfação dos funcionários fabricantes de relatórios, Dos deveres dos padres vazios de amor, Dos discursos políticos cegos ao futuro. Fazei de mim, Senhor, um louco Embriagado pelo vosso amor, Marginalizado do rol dos homens sérios, Para poder aprender a ciência do povo Em núpcias com a Cruz que só a Fé entende Como um louco a outro louco. [Autor de "Diário de Fernando - Nos cárceres da ditadura militar brasileira", que a editora Rocco faz chegar às livrarias na próxima semana]. * Escritor e assessor de movimentos sociais -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090625/152d1c7a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090625/152d1c7a/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Jun 26 19:58:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 26 Jun 2009 19:58:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Di=E1rio_da_Palestina_=283=29?= =?windows-1252?q?=3A__Por_que_Israel_n=E3o_aceita_um_Estado_palest?= =?windows-1252?q?ino____por_Emir_Sader?= Message-ID: <00a301c9f6b1$a68ea3e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 26/06/2009 Diário da Palestina (3): Por que Israel não aceita um Estado palestino por Emir Sader Israel e EUA vão em direções opostas? Enquanto Obama tenta resgatar uma imagem internacional muito desgastada, de que faz parte a retomada de negociações sobre a Palestina, Netanyahu vai na direção oposta. Enquanto seu partido não reconhece, nem formalmente, o direito ao Estado palestino, pressionado por Obama, apresentou uma impossível proposta, mais uma armadilha do que algo que apontasse para a retomada de negociações com os palestinos. Para quem constata, aqui, na Palestina, a ocupação militar, os muros, os assentamentos, protegidos militarmente, é ridícula a proposta do primeiro ministro de Israel de um Estado Palestino desmilitarizado. Porque trazer a paz à Palestina é, antes de tudo, a retirada imediata e incondicional, das tropas israelenses de ocupação dos territórios palestinos. Isso é desmilitarizar. Por outro lado, não apenas não desmontar, como seguir instalando assentamentos judeus no coração da Palestina ? não apenas no campo, mas no centro de cidades como Ramallah -, é sabotar concretamente qualquer solução política pacífica à questão palestina. Dizer que deseja negociações com a Palestina, mas ao mesmo tempo afirmar e seguir instalando assentamentos, é dizer, pela via dos fatos, que Israel quer perpetuar a ocupação genocida dos territórios palestinos. Israel nega à Palestina o mesmo direito que ele tem: o de ter um Estado soberano, apesar das decisões reiteradas da ONU, que garantem a a existência de dois Estados, um israelense, o outro palestino, com os mesmos direitos. Com territórios contínuos, com soberania, com direito de regresso dos imigrantes. Por que Israel não aceita a existência de um Estado Palestino? Por que Israel passou de vítima a verdugo? O argumento usual era o de que os palestinos eram uma ameaça para a sobrevivência de Israel. Mas desde que a Autoridade Palestina, através de Arafath, passou a reconhecer o direito à existência do Estado de Israel, esse argumento desapareceu. Alega Israel que os palestinos são ?terroristas?, mas todas as reações à ocupação militar, às agressões cotidianas e as humilhações cotidianas contra os palestinos, em seus próprios territórios, configuram, claramente, um regime de terror contra o povo palestino. Nestes dias aqui, na Palestina, pudemos constatar a queima de plantações de trigo dos palestinos, feitas por colonos judeus dos assentamentos. A aprovação de mais 250 milhões de dólares por parte do governo israelense, para seguir os assentamentos. Casas palestinas continuam a ser derrubadas, para a construção de novos assentamentos. A expulsão arbitrária de palestinos de Jerusalém, a derrubada de casas e oliveiras, o assedio constante, para incitar o abandono da cidade santa. Mas, além disso, ao inviabilizar ? pelo cerco militar, pela ocupação, pelas incursões genocidas das suas tropas, por ataques genocidas, como o realizado recentemente contra Gaza ? o desenvolvimento econômico, Israel estabelece uma situação de super-exploração dos palestinos. Incita os palestinos ou a emigrar para outros países ou a submeter-se a ser superexplorados pelos israelenses. Os absurdos muros tem menos uma lógica de defesa militar e muito mais de inviabilização econômica da Palestina. Além de que a ocupação militar serve também para a apropriação dos recursos naturais da Palestina. Como exemplo, Israel utiliza 6 vezes mais água do que os palestinos, embora explore os mananciais situados na Palestina. Mas o objetivo maior da ocupação é a tentativa de assassinar a identidade do povo palestino, de liquidar sua memória histórica, de liquidar a auto-estima dos palestinos, de desmoralizá-los, de dispersá-los pelo mundo afora, fomentando a diáspora e bloqueando o retorno dos palestinos aos seus territórios. Se Obama quer, de fato, pressionar Israel para que reabra negociações reais, o primeiro que deveria fazer seria não mais exercer o direito de veto na ONU em todas as resoluções de condenação de Israel. Além de ameaçar e verdadeiramente suspender o imenso apoio militar que seu país dá a Israel, para que seu país ocupe os territórios dos palestinos. Quando Israel possui um governo que nega o direito dos palestinos disporem de um Estado, aprovado pelas Nações Unidas, possui um ministro de relações exteriores que deseja a expulsão dos palestinos de Israel, até mesmo o ataque nuclear para destruir aos palestinos ? fica claro que a solução política da questão palestina tem que apontar para Telaviv e não para os palestinos. Postado por Emir Sader às 06:06 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090626/f48a36d9/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Jun 27 16:13:20 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 27 Jun 2009 16:13:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Soledad_no_Recife_em_julho_=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2Etorturada_e_morta_no_Recife_em_1973=2C_g?= =?windows-1252?q?r=E1vida=2C_depois_de_ser_entregue_ao_delegado_S?= =?windows-1252?q?=EDlvio_Paranhos_Fleury=2C_tra=EDda_pelo_cabo_Ans?= =?windows-1252?q?elmo_=2C_de_quem_trazia_um_filho_na_barriga=2E?= Message-ID: <03da01c9f75b$55ad5fc0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Soledad no Recife em julho Atualizado em 27 de junho de 2009 às 14:56 | Publicado em 27 de junho de 2009 às 14:37 por Conceição Lemes Soledad Barret Viedma. Eu a ?conheci?, ao ler uma coluna do jornalista e escritor pernambucano Urariano Mota, em Direto da Redação. Fascinou-me na hora. Uma jovem idealista, corajosa e linda, muito linda.Foi torturada e morta no Recife em 1973, grávida, depois de ser entregue ao delegado Sílvio Paranhos Fleury, traída pelo cabo Anselmo , de quem trazia um filho na barriga. O texto era tão terno, tão carinhoso, confesso, me passou pela cabeça os dois terem sido namorados. Daí nasceu esta nossa conversa. Urariano lança em julho o livro ?Soledad no Recife? pela editora Boitempo. Ele é autor do romance ?Os Corações Futuristas?, cuja paisagem é a ditadura Médici. Viomundo -- Por que Soledad? Na sua coluna, você diz que só agora teve condições de mergulhar nas entranhas daquele momento. Por quê? Urariano Mota -- Há temas que nos perseguem, embora nem sempre a gente perceba. No meu primeiro livro, o romance ?Os corações futuristas?, houve Cíntia, uma brava socialista. Já no destino trágico de Cíntia havia um destino de Soledad. A "diferença" é que Cíntia se apoiava em outra pessoa, em outra militante. Enquanto Soledad, pelo menos quero crer e me empenhei muito por isso, Soledad é a pessoa. É a própria pessoa, pelo menos desejo ter realizado isso. Por que só agora, 36 anos depois? De um ponto de vista pessoal, estou mais apto e cônscio de minhas fronteiras. De um ponto de vista mais geral, digamos, objetivo, o crime contra Soledad é o caso mais eloqüente da guerra suja da ditadura no Brasil. A traição que ela sofreu expressa, com vigor, a traição contra jovens do sentimento mais generoso, que é o sentimento de humanidade, do mundo. Viomundo -- Era tua amiga? Como ela era? Urariano Mota -- Eu sou fundamentalmente um escritor. Isso quer dizer, expresso minha experiência vivida, sempre. Ou em fatos biográficos, testemunhados e sofridos, ou em fatos imaginados, recompostos, ressurgidos, que são também, para a literatura, para o artista, fatos testemunhados e sofridos. Soledad não era, ela é minha amiga. Mas não trocamos palavras em sua curta vida. Este livro diz a ela, fala as palavras que não podemos trocar, no Recife da ditadura Médici. Mais de uma pessoa, para não dizer quase todas as pessoas, pensam que Soledad foi minha namorada, que eu a conheci pessoalmente. Isso vem da narração e da forma apaixonada do relato. Essa impressão surge, veio e vem do livro. Mais de um leitor já recebeu essa impressão. Isso se deve à mistura, em um só corpo, de pessoas e fatos absolutamente reais, documentados, sabidos, ao sentimento que tenho daqueles dias. O documento vivido pela segunda vez. Então, é claro, o elemento "ficcional" virou factual. Como ela era, como ela é, o livro dirá. Viomundo -- É citado o massacre da chácara São Bento. Que lembrança isso traz? Urariano Mota -- As notícias, publicadas em todo o Brasil em janeiro de 1973, dos seis "terroristas? mortos no aparelho da São Bento, são absolutamente falsas. As "notícias" de terroristas mortos, naquele tempo, eram reproduzidas com a mesma redação e teor em toda a imprensa brasileira. Vinham da agência de segurança nacional. Jamais houve o ?massacre da chácara São Bento?. Houve a execução fria, planejada, de seis bravos militantes. A chácara foi o teatrinho criado para a execução de seis bravos. Soledad Barret Viedma e Pauline Reichstul ? há testemunho público disso - foram assaltadas em uma butique no Recife, de surpresa espancadas sob pistolas e seqüestradas. Em uma mangueira, por trás da butique, a proprietária notou depois sangue, vômito e urina. Isso de modo público, à vista de todos. Jarbas Pereira Marques, outro militante, que aparece entre os terroristas da chácara, foi retirado da livraria onde trabalhava, à luz do dia. Digo isso no livro, e repito aqui: em uma ditadura, até as datas dos jornais são falsas. Viomundo -- Soledad foi traída pelo cabo Anselmo, que a delatou ao delegado Fleury. Você conheceu o cabo Anselmo? O que sente por ele? Urariano Mota -- Eu estudo o seu caráter há muitos e muitos anos. Ele é objeto de minha permanente observação e pesquisa. No entanto, jamais vi na rua o cabo Anselmo. Eu o conheço por seus cadáveres, que ele arrasta como uma cauda. Fui, sou amigo de quem ele perseguiu, traiu e matou. Ninguém podia imaginar que ele fosse uma infiltração. Anselmo pertence à família dos agentes duplos, dos instrumentos de política que se chamam espiões. Isso quer dizer: ele é um mundo de mentiras. Ele era e é um sistema em que mentiras armam mentiras, que constroem mentiras, sempre. Isso quer dizer, enfim, que tudo quanto esse instrumento dizia e disser, falar, deve ser posto sob absoluta desconfiança, porque ele mente por sistema, por hábito, por defesa, por ataque e natureza. Não se pode acreditar em uma só das suas palavras. Quando ele diz eu amo, eu respeito, o bom senso deve traduzir de imediato, ele odeia e despreza. Sou de opinião que não importa o seu último nome. Porque ele não tem outro nome nem outra face. Jonas, Daniel, José, com barba, sem barba, magro, gordo, com novos olhos, novas orelhas, novo nariz, nova boca, não importa. Ele será sempre, para onde for, cabo Anselmo, aquele que gerou a morte da sua companheira, que trazia um filho no ventre. Viomundo -- Soledad morreu jovem, linda. Se ela vivesse no Brasil de hoje, o que estaria fazendo Soledad, em quem votaria, o que a preocuparia? Urariano Mota -- É a pergunta mais difícil. Mas sei, ou posso ter a esperança de que ela estaria no movimento socialista, com um apoio crítico ao governo Lula. Continuaria linda, pelo fogo que tomava o seu corpo e sua vida, que não se apaga, não arrefece, apenas fica mais maturado. Como um vinho decantado que embriaga melhor. Para ela, viva neste 2009, digo o que escrevi no livro: Soledad não é só a mulher bonita, de um ponto de vista físico, cuja fotografia revela apenas uma estação do seu ser. Uma estação imóvel do seu peito dinâmico, e de tal modo que dará ao fotógrafo o que se diz de um mau desenhista, ?isto não se parece com ela, não saiu parecido?. E se pedirá então ao fotógrafo o absurdo, a saber, que a máquina, a mecânica, reproduza um ser, a textura, cor e delicadeza da orquídea, da pessoa mesma. Como se fosse possível da flor um close que a isolasse do ar que ela respira, do campo em torno, do cheiro que exala, em resumo, como se fosse possível reproduzir o complexo, a conspiração de sentidos que se dirigem para um único fim, a pessoa, o ser vivo, poderoso em nos despertar amor, afeição, paixão, tar a e paz, que buscamos como a uma miragem. Ainda assim, se sabemos que na flor há um ser inalcançado na fotografia, se comparamos, se transpomos mal, imagine-se então Soledad no lugar dessa flor do campo. Imaginamos mal e mau, já vêem. Flor não se rebela nem canta. Flor nos desperta canção e rebeldia, quando machucada. Mas a pessoa de Soledad, ainda que lembre essa flor - e é irrecusável não lhe ver a pele como o tecido de uma pétala -, e assim a lembraremos pelo vento forte e traiçoeiro que se prepara para a muchucar e destruir, ainda assim, como a superar tal associação, ainda que nos persiga como só uma idéia é capaz de perseguir, hoje, neste dia do seu aniversário, ela está mais bela que antes. ¡ Arriba, Sol! Como aperitivo, deleite-se com mais estes dois momentos de"Soledad no Recife" Primeira vez em que Urariano fala de Soledad no livro Eu a vi primeiro numa noite de sexta-feira de carnaval. Fossem outras circunstâncias, diria que a visão de Soledad, naquela sexta-feira de 1972, dava na gente a vontade de cantar. Mas eu a vi, como se fosse a primeira vez, quando saíamos do Coliseu, o cinema de arte daqueles tempos no Recife. Vi-a, olhei-a e voltei a olhá-la por impulso, porque a sua pessoa assim exigia, mas logo depois tornei a mim mesmo, tonto que eu estava ainda com as imagens do filme. Num lago que já não estava tranquilo, perturbado a sua visão me deixou. Assim como muitos anos depois, quando saí de uma exposição de gravuras de Goya, quando saí daqueles desenhos, daquele homem metade tronco de árvore, metade gente, eu me encontrava com dificuldade de voltar ao cotidiano, ao mundo normal, ?alienado?, como dizíamos então. Saíamos do cinema eu e Ivan, ao fim do mal digerido O anjo exterminador. Imagens estranhas e invasoras assaltavam a gente. A vontade que dava de cantar retornou adiante, naquela mesma noite. No Bar de Aroeira, no pátio de São Pedro, naquela sexta-feira gorda. Como são pequenas as cidades para os que têm convicções semelhantes! Estávamos eu e Ivan sentados em bancos rústicos de madeira, na segunda batida de limão, quando irromperam Júlio, ela e um terceiro, que eu não conhecia. Ela veio, Júlio veio, o terceiro veio, mas foi como se ela se distanciasse à frente ? diria mesmo, como se existisse só ela, e de tal modo que eu baixei os olhos. ?Como é bela?, eu me disse, quando na verdade eu traduzi para beleza o que era graça, graça e terna feminilidade. A morte de Soledad Chegamos agora mais perto de Soledad Barret Viedma. Excluo-me, na medida do possível, da qualidade daquele que a amou em silêncio. Há quem considere que a morte de Soledad, nas circunstâncias que conhecemos mais tarde, deu-se em razão de sua ternura. Isso é mais que um namoro, um interlúdio, para dizer que ela esculpiu a própria sorte, porque, diabo, era terna e verdadeira. Com a evidência de um escândalo. Prenhe de ternura até as raias do suicídio. Esse elogio torto, digno da reen¬carnação e pele de um Anselmo 2, é como um açúcar no sal de sua execução. Um doce, um mel, a lhe correr sobre os lábios entre coices, descargas elétricas e afogamentos. Conviria melhor ser dito que ela, por suas qualidades raras de pessoa, estava condenada. Vá ao blog de Urariano Mota -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090627/21f2c899/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 37105 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090627/21f2c899/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 28 12:55:08 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 28 Jun 2009 12:55:08 -0300 Subject: [Carta O BERRO] GOLPE DE ESTADO MILITAR em HONDURAS Message-ID: <030b01c9f808$d0153f50$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- Mompox Berta H. Joubert-Ceci _______________________________________________ ? ¡¡ ALERTA DE HONDURAS !! CONFIRMADO : GOLPE DE ESTADO MILITAR www.alternativabolivariana.org www.alternativabolivariana.org www.alternativabolivariana.org Militares encapuchados secuestran al presidente Manuel Zelaya Por: TeleSUR Fecha de publicación: 28/06/09 Tropas del Ejército sitiaron la casa del presidente, según la información de dirigentes sindicales ofrecidas a teleSUR. Lor grupos sociales hacen un llamado a las organismos internacionales para que intervengan frente a la acción de estos militares. Tegucigalpa, junio 28 de 2009.- Militares encapuchados tomaron desde primeras horas de la mañana de este domingo la residencia del presidente Manuel Zelaya. Según información de la enviada especial de teleSUR en el país los militares se encuentran armados y presuntamente habrían trasladado al primer mandatario a la sede de la base aérea, sin embargo, se desconoce la ubicación exacta del jefe de Estado. La Canciller Patricia Rodas dijo a teleSUR que en este momento se desconoce la ubicación del presidente "fue secuestrado por militares" denunció. Informó que los militares están rodeando su lugar de habitación y que han tomado la sede del canal 8. "Los militares están rodeando mi casa incluso hay francotiradores", insitió. "Lo han secuestrado no sabemos su paradero". "Nuestas casas estan militarmente rodeadas no sabemos cuánto tiempo más tendremos derecho a hablar", alertó la Canciller. "La enviada especial de teleSUR, Madelein García, presente en el sitio, detalló que los militares están encapuchados y se niegan a prestar declaración alguna. Informó que los militares han tenido una postura hostil contra la prensa apostada en el lugar. Según la información que se tiene hasta el momento estos militares habrían presuntamente trasladado al presidente Manuel Zelaya a la sede de la base aérea en la que el pasado jueves estuvo retenido el material electoral para el proceso de este domingo. "Se desconoce la ubicación del presidente Zelaya", insistó la enviada especial de teleSUR. Representantes de los movimientos sociales hacen un llamado a los organismos internacionales para que intervengan ante esta situación. Denuncian el silencio cómplice de algunos medios de comunicación que no les han dado apertura para denunciar la situación que se presenta en Honduras. Hacen un llamado a los movimientos sociales para que se concentren en las afueras del Palacio de Gobierno y expliquen la situación que se presenta en el país. Catalogan como "golpe de Estado" la acción militar de este domingo y exigen respeto e integridad física para Manuel Zelaya. "El presidente fue secuestrado" denunció ante teleSUR Luther Castillo. Pidió a la sociedad en general que permanezca en los puntos de votación y que se movilicen en defensa del sistema democrático. "Pedimos la liberación los más pronto posible del presidente, este es un secuestro y este pueblo no se quedará con los brazos cruzados", insistió Castillo. Informaron que además de la toma militar del Canal 8 se suspendió el servició de luz, "Honduras está a oscuras" denuncian los movimientos sociales. La consulta popular, para determinar si se convoca a una Asamblea Nacional Constituyente, debía iniciarse este domingo en Honduras con la apertura de los centros de votación que fueron habilitados en los parque de las principales ciudades de ese país centroamericano. La consulta, convocada a partir de la firma de más de 400 mil ciudadanos hondureños, ha sido objeto de rechazo por parte de ciertos sectores políticos y sociales de Honduras, lo que les ha llevado incluso a intentar un golpe de Estado contra el presidente de ese país, Manuel Zelaya. El día sábado fueron instaladas en todo el país las 15 mil urnas que contenían el material que se empleará durante la jornada de consulta popular. Dos millones de boletas se emitieron para la encuesta donde la ciudadanía deberá pronunciarse sobre si está de acuerdo en que en los comicios de noviembre se coloque una cuarta urna para convocar a la Constituyente que deberá redactar una nueva Constitución. El presidente Manuel Zelaya, denunció el pasado jueves que se había desencadenado un "proceso de golpe de Estado" en su contra, por lo que hizo un llamado al pueblo para que no se preste al juego de las oligarquías y para que defiendan, a su lado, el estado de derecho. En declaraciones exclusivas a teleSUR señaló que recurrió al pueblo "para que me defienda, para que defiendan los derechos constitucionales del país, el estado de derecho". Las declaraciones del primer mandatario se produjeron minutos después de que la Corte Suprema de Justicia ordenara la restitución en su cargo del Jefe del Estado Mayor Conjunto de la Fuerza Armada, Romeo Vásquez, removido por desobedecer las órdenes del presidente Manuel Zelaya. El pleno del Tribunal Supremo Electoral (TSE) interpuso en horas del mediodía de este jueves en el Ministerio Público una denuncia para que esta institución proceda de inmediato a decomisar toda la logística referente a la celebración de la encuesta de opinión que el Poder Ejecutivo planear realizar el próximo domingo. Tras la denuncia, el fiscal general Jorge Alberto Rubí ordenó la integración de un equipo de fiscales encabezado por Henry Salgado, titular de la Fiscalía Contra la Corrupción para que en conjunto con el TSE procediera a la incautación del material. Ante esta medida miles de hondureños se movilizaron junto a Zelaya para rescatar el material que permaneció secuestrado en la sede de las Fuerza Aérea del país. Ante la negativa de los entes castrenses para la repartición del material electoral, el mismo fue distribuido por unos 45 mil ciudadanos de la sociedad civil hondureña. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090628/88e06801/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Jun 28 12:59:13 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 28 Jun 2009 12:59:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O GOLPE EM HONDURAS - E AGORA OBAMA? A DEMOCRACIA COMO FICA? Message-ID: <031b01c9f809$621865d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. O GOLPE EM HONDURAS - E AGORA OBAMA? A DEMOCRACIA COMO FICA? Laerte Braga Militares se atribuem o monopólio do "patriotismo". De um modo geral transformam as forças armadas em estamento, ou seja, uma "instituição" à parte do todo. Julgam-se com o direito de definir o destino de seus países - a maioria esmagadora - Estabelecem limites para governo, enchem-se de privilégios e subordinam-se a interesses de grupos econômicos. Esse o xis da questão. O golpe de 1964 no Brasil não foi diferente. Um grupo de militares de extrema-direita apossou-se do poder, violou todas as normas constitucionais, chamou a aventura de "revolução", prendeu, torturou, matou e exilou milhares de brasileiros, inclusive militares legalistas comprometidos com a Nação e não com empresas ou bancos, ou ltifundiários. O presidente de Honduras Manuel Zelaya foi preso por volta das nove horas da manhã, hora de Brasília, por militares de seu país e levado para uma base da força aérea - eles têm essa mania, dividem a quadrilha em setores -. Os militares cumprem o que lhe foi determinado pelo capital. Empresas nacionais, internacionais - principalmente -, bancos e latifundiários. Não concordaram com a realização de um referendo popular para decidir sobre a necessidade, o desejo ou não de reformas constitucionais no país. O presidente queria ouvir a opinião dos hondurenhos. Empresários, latifundiários, banqueiros, sob a batuta do embaixador dos Estados Unidos e um congresso e uma corte suprema padrão Gilmar Mendes/José Sarney não aceitaram. Honduras é um pequeno país da América Central governado historicamente pelas elites e por militares (que as representam) e sob absoluto domínio econômico e político dos interesses dos EUA. Zelaya, eleito pelo voto popular, decidira promover reformas na constituição, ouvir o povo para isso e aderiu a Aliança Bolivariana - ALBA - proposta pelo presidente da Venezuela Hugo Chávez. E agora Obama? É show de democracia, efeitos especiais ou é para valer? A soma de países como Honduras sustenta as grandes potências do mundo e especificamente na América Latina os Estados Unidos. O império se mantém na exploração de riquezas e povos dos países latino americanos. Presidentes que possam vir a contrariar esses interesses são vítimas de golpe. Foi assim com João Goulart no Brasil, com Salvador Allende no Chile, como está sendo agora com Zelaya em Honduras, como tentaram fazer com Chávez e Evo Morales e como tentam fazer com Fernando Lugo e Daniel Ortega. Não é de graça que o NEW YORK TIMES noticia que o presidente do Equador, Rafel Corrêa, está ligado às FARCs. Acusa o presidente do Equador de financiar as FARCs. Ignora a barbárie do dia a dia do presidente/traficante Álvaro Uribe, mas dócil aos EUA e seus interesses, de suas empresas. Os militares prenderam Zelaya, cortaram o sinal dos canais de tevê do governo, censuraram os meios independentes de imprensa - a grande imprensa é deles e fomentou o golpe - e reprimem de forma brutal e violenta os protestos contra o golpe. São patriotas. É por isso que Samuel Johnson, pensador e deputado no parlamento da Grã Bretanha, afirmou há mais de cem anos, que "o patriotismo é o último refúgio dos canalhas". Democracia como a concebem os donos do mundo é um exercício hipócrita de respeito à vontade popular - manipulada e manietada pela mídia - em função dos donos. Como no Brasil. Não é diferente. O governo pode "ousar" até determinada linha, depois, se contrariar a VALE por exemplo, vai para o brejo. Há uma nova realidade em curso na América Latina. A eleição de Hugo Chávez na Venezuela trouxe governos populares em vários países da região. Essa realidade provoca imediata reação das elites e com elas os militares, uma espécie de segurança de luxo de banqueiros, empresários e latifundiários. Se a situação foge do controle fazem como Haiti. Retiram o presidente do país, enviam tropas para "restabelecer e garantir a ordem e a democracia" e continuam a explorar os povos latino-americanos. Não difere na África e na Ásia. A globalização é só a ressurreição do colonialismo sob nova roupagem. A doutrina de segurança nacional que inspirou os golpes na década de 60 se constituiu exatamente em cima de uma chamada Comissão Tri-lateral AAA - AMÉRICA, ÁSIA e ÁFRICA -. O Consenso de Washington foi o passo seguinte no processo demolidor e predador do capitalismo. É ali que fomentam e criam monstros como FHC, Serra, que tentam golpes contra presidentes eleitos, mas contrários ao modelo de colonização imposto no processo neoliberal e ali é que prendem presidentes como Zelaya que busca apenas ouvir a vontade de seu povo para executá-la. Como é que fica a democracia agora Obama? Farsa? Não foi para isso que invadiram e ocupam o Iraque? Que ao longo dos séculos desde a independência norte-americanos têm se metido em todos os cantos do mundo para manter intocados privilégios de seus grandes grupos em parceria com elites podres, padrão FIESP/DASLU, como no Brasil? Zelaya talvez não tenha entendido que povo no conceito dos donos são apenas eles, os donos. É aceitar o estupro ou reagir. Em Honduras e em toda a América Latina, do contrário não há futuro só um imenso deserto de exploração e barbárie partes intrínsecas do capitalismo. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090628/bbf2490f/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Jun 29 16:25:28 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 29 Jun 2009 16:25:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O POVO DE HONDURAS E O MUNDO REAGE CONTRA OS FASCISTAS E GOLPISTAS DE HONDURAS Message-ID: <004c01c9f8ef$6230b040$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: Anuar Ide MAS O POVO DE HONDURAS E O MUNDO REAGE CONTRA OS FASCISTAS E GOLPISTAS DE HONDURAS. 29 de junio de 2009 10:06 horas CaracasVersión Sólo texto por exceso de tráfico Canciller hondureña partió a Nicaragua junto a Calderón La canciller hondureña, Patricia Rodas, viajó a Nicaragua junto al presidente mexicano, Felipe Calderón.(Foto:teleSUR). La canciller Rodas se encontraba desaparecida, al igual que otro miembros del gabinete hondureño, luego de un golpe de Estado militar que incluyó el secuestro del presidente Zelaya y su posterior traslado a Costa Rica. Lea también Paro general en Honduras exige retorno de Zelaya ALBA, SICA y Grupo de Río defienden democracia hondureña Zelaya: Gobierno de facto limitará derecho a la participación de hondureños Fidel: Hay que exigir la renuncia de alto mando golpista en Honduras TeleSUR 29/06/09 La canciller de Honduras, Patricia Rodas, quien fuera secuestrada por las fuerzas militares de ese país y sacada hacia México después del golpe de Estado contra el presidente Zelaya, partió este lunes hacia Nicaragua junto al presidente mexicano, Felipe Calderón, para participar en la reunión del Sistema de Integración Centroamericana (SICA), en donde se discutirá la ruptura del hilo constitucional en esa nación centroamericana. Luego de llegar esta madrugada a México, donde fue recibida por representantes del gobierno de esa nación y al presidente, Felipe Calderón, Rodas abordó el avión presidencial mexicano junto a Calderón hace unas horas rumbo a Nicaragua. Así lo confirmó la corresponsal de teleSUR en México, Aissa García, quien detalló que Rodas asistirá a las reuniones del Sistema de Integración Centroamericana (SICA), la Alianza Bolivariana para los Pueblos de América (ALBA) y el Grupo de Río. Rodas se encontraba desaparecida, al igual que otro miembros del gabinete hondureño, luego de un golpe de Estado militar que incluyó el secuestro del presidente Zelaya y su posterior traslado a Costa Rica. Cuando recibía la visita de embajadores de Cuba, Venezuela y Nicaragua en su residencia, Rodas fue secuestrada por comandos militares encapuchados ejecutores del Golpe de Estado, momento a partir del cual fue desconocido su paradero. De igual manera, el mandatario hondureño también fue obligado a abandonar el país, poco antes de que comenzara una consulta popular para determinar si se convocaba a una Asamblea Nacional Constituyente, la cual había sido rechazada por el Parlamento y el Tribunal Supremo. Militares con antifaces sometieron a Zelaya dentro de su residencia, llevándolo posteriormente a una base aérea en Tegucigalpa, la capital hondureña, desde donde fue trasladado más tarde a Costa Rica, donde fue recibido como jefe de Estado constitucional por parte del presidente de ese país, Óscar Arias. Ante el golpe de Estado, luego del que se instaló un gobierno de facto en Honduras, el presidente de Nicaragua, Daniel Ortega, convocó a una reunión extraordinaria del SICA en su país para consensuar acciones que se tomarán en respaldo a Zelaya. De igual forma, el presidente venezolano, Hugo Chávez, también convocó a realizar el Managua, la capital nicaragüense, un encuentro de emergencia de los jefes de Estado de las naciones que integran el ALBA, para activar un mecanismo político que permita promover el retorno de Zelaya al frente del Gobierno de Honduras. Por su parte, el mandatario ecuatoriano, Rafael Correa, viajó a Managua la noche del pasado domingo ante la convocatoria de Chávez, desde donde consideró necesario que también se reuniera en esa ciudad los representantes de los países que forman parte del Grupo de Río, para también fijar postura ante el quebrantamiento del orden democrático en Honduras. De forma unánime, gobiernos del mundo y organismos internacionales, entre ellos la Organización de Estados Americanos (OEA) y la Organización de las Naciones Unidas (ONU), han rechazado el gobierno de facto hondureño, que encabeza el presidente del Parlamento de esa nación centroamericana, Roberto Micheletti. teleSUR/md-/IM Paro general en Honduras exige retorno de Zelaya El pueblo hondureño se encuentra en las calles en defensa de la democracia de su país desde el pasado domingo. (Foto: YVKE) La colaboradora de teleSUR desde Tegucigalpa, Adriana Sívori, informó que manifestantes en apoyo al presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, han hecho una vigilia por toda la noche pese al toque de queda anunciado por el presidente de facto, Roberto Michelleti. Lea también Canciller hondureña partió a Nicaragua junto a Calderón Paro general en Honduras exige retorno de Zelaya ALBA, SICA y Grupo de Río defienden democracia hondureña Zelaya: Gobierno de facto limitará derecho a la participación de hondureños TeleSUR 29/06/09 Cientos de hondureños continúan en las calles este lunes, pese al toque de queda de 48 horas decretado el pasado domingo por el presidente de facto Roberto Micheletti, exigiendo el regreso del presidente constitucional de la nación centroamericana, Manuel Zelaya. Además, en medio de un paro general convocado por diversos sectores sociales del país. Así lo aseguró la colaboradora de teleSUR desde Tegucigalpa, Adriana Sívori, al declarar que manifestantes en apoyo al presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, han hecho una vigilia por toda la noche pese al toque de queda anunciado por el presidente de facto, Roberto Michelleti. Igualmente, el grupo -cada vez mayor- intenta dialogar con los militares que se encuentran en las afueras de la Casa Presidencial armados y apuntando hacia ellos, según declaró Sívori, al decirles que no traicionen a su patria. A pesar de la lluvia, los militares se mantienen armados en los tanques militares frente a un pueblo que lucha por la democracia de su país y el retorno del presidente elegido democráticamente. Sívori aseguró que se evidencian movimientos militares, que tienen cercado el lugar con autos y tanques. Además, según declaró Sívori varios extranjeros tratan de tomar vuelos para salir del país ante la militarización del mismo. Esto, mientras se acata un paro general en Honduras convocado por diversos sectores sociales del país. Los manifestantes se encuentran ubicados en la Casa Presidencial, al pie de lucha para repudiar el golpe de Estado de las Fuerzas militares contra el presidente Zelaya, que ha dejado una situación tensa en el país por la medida de excepción aplicada por los golpistas. Se mantiene una fogata activa a unos 500 metros del palacio de gobierno, en tanto jóvenes del Partido Unificación Democrática y de otras organizaciones opuestas al golpe levantaron barricadas en los principales accesos al área de las protestas. "Queremos a Mel", "No al golpe de Estado", son algunas de las frases que brotan de los parlantes y llegan hasta la casa de gobierno, ocupada por los golpistas. Este domingo, organizaciones políticas y sociales crearon el Frente de Resistencia Popular, el cual convocó a la ciudadanía a un paro cívico, en el cual participarán desde este lunes centrales sindicales, organizaciones campesinas y estudiantiles. Latinoamérica se suma a las protestas Mientras, países latinoamericanos se suman a las exigencias del retorno del presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya. Por ello, la Central Obrera de Bolivia (COB) se reunirá este lunes en La Paz para organizar movilizaciones en diversas ciudades del país en repudio al golpe de estado en el país centroamericano en defensa de la democracia en ese país. Según el secretario general de esa entidad, Pedro Montes, en el encuentro acordarán detalles sobre la marcha que se llevará a cabo a nivel nacional. Montes resaltó la víspera que los dirigentes y trabajadores bolivianos repudiaron el golpe fascista de origen imperialista, al tiempo que informó que mantuvo comunicación con obreros de Honduras, quienes demandan cambios profundos de orden estructural en bien de la sociedad, pero que son rechazados por un grupo opuesto al desarrollo del país. Igualmente, Panamá se adhiere a las manifestaciones en contra al golpe de Estado perpetrado contra el presidente Zelaya, y programó actividades en solidaridad al país, que se ejecutarán en la capital. El Partido Alternativa Popular (PAP) y la Unión de Lucha Integral del Pueblo (ULIP) realizarán este lunes una concentración frente a la embajada de Honduras, en muestra de apoyo al pueblo y a favor de la restitución de la democracia en ese país. Asimismo, el Frente Nacional por la Defensa de los Derechos Económicos y Sociales (FRENADESO) adelantará una medida de protesta en Plaza Catedral, además de anunciar otras acciones de solidaridad. Como elemento de coincidencia, todas las organizaciones condenaron el golpe de estado y el secuestro del presidente legítimo y constitucional Manuel Zelaya. Mientras, FRENADESO sostiene que las personas que apoyan el golpe militar no le perdonan a Zelaya ser parte de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra Américas (ALBA), así como su descontento por la iniciativa del presidente de acercarse al movimiento social hondureño y haberle dado la oportunidad al pueblo de ser protagonista de su propia historia. Desde el gobierno, un reporte de la Secretaría de Comunicación del Estado reflejó el rechazo a la acción contra Zelaya y recordó que el golpe militar en Honduras pone a prueba el sistema interamericano al cual pertenece Panamá. Mientras, el presidente Martin Torrijos, en su condición de titular del Comité de la Internacional Socialista de América Latina y el Caribe, se pronunció contra la acción golpista. Asimismo, exhortó a las instituciones, partidos políticos y organizaciones ciudadanas de Honduras a proceder "a la más rápida normalización del orden democrático". Para ello se debe cumplir "con la inmediata reinstalación del presidente Zelaya en el pleno ejercicio de sus funciones, como condición básica para este fin". TeleSUR - PL / in -/IM -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090629/27f11721/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090629/27f11721/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 11938 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090629/27f11721/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 20898 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090629/27f11721/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Jun 30 20:06:43 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 30 Jun 2009 20:06:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Ministro_confirma_regresso_de_p?= =?windows-1252?q?residente_Zelaya_a_Honduras_na_pr=F3xima_quinta-f?= =?windows-1252?q?eira?= Message-ID: <05b501c9f9d7$705c45b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. DESTAQUES América Central Ministro confirma regresso de presidente Zelaya a Honduras na próxima quinta-feira Centrais Sindicais mantém paralisação pela volta de presidente constitucional a 2 dias Raimundo Lopez -> Total isolamento internacional a golpistas em Honduras -> Povo hondurenho esperará nas ruas ao presidente Zelaya -> Comunidade internacional repudia golpe em Honduras -> ?O povo hondurenho está saindo massivamente às ruas contra o golpe" NACIONAL Ambiental Frigoríficos recusam acordo proposto pelo MPF para combater desmatamento As ações pedem indenização por danos ambientais contra criadores e frigoríficos Ministério Público Federal Sindical Servidores do INSS mantêm greve e cobram diálogo Patrícia Benvenuti -> Ministério Público RS: Em greve, servidores do INSS querem CPI da Previdência Congresso Segunda representação contra Sarney é apresentada no Senado da Redação Resistência indígena O resgate das línguas maternas J. Rosha -> Reaprendendo e ensinando a falar INTERNACIONAL Eleições Depois de derrota, Kirchner deixa presidência de seu partido Os resultados são considerados a mais dura derrota para o governo dos Kirchner que desde 2003 contava com a maioria no Congresso da Redação Argentina Sete anos de impunidade da Redação CULTURA Funk Som de preto, de favelado, e criminalizado Vítima de preconceito histórico, o funk carioca sofre com a repressão policial e com uma imposição temática por parte de empresários Leandro Uchoas Resenha Mészáros: Crise e Revolução Plínio de Arruda Sampaio Jr. ANÁLISE MP 458: Antes de começar a ler, respire profundamente Plínio Teodoro Se destruída, a floresta liberaria o equivalente a 50 vezes as emissões anuais de gases do efeito-estufa produzidas pelos EUA, sufocando, de vez, o planeta Separar o joio do trigo Ricardo Verdum A volta das camisas negras Kostis Damianakis EDIÇÃO 330 ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. 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Rosha -> Reaprendendo e ensinando a falar INTERNACIONAL Eleições Depois de derrota, Kirchner deixa presidência de seu partido Os resultados são considerados a mais dura derrota para o governo dos Kirchner que desde 2003 contava com a maioria no Congresso da Redação Argentina Sete anos de impunidade da Redação CULTURA Funk Som de preto, de favelado, e criminalizado Vítima de preconceito histórico, o funk carioca sofre com a repressão policial e com uma imposição temática por parte de empresários Leandro Uchoas Resenha Mészáros: Crise e Revolução Plínio de Arruda Sampaio Jr. ANÁLISE MP 458: Antes de começar a ler, respire profundamente Plínio Teodoro Se destruída, a floresta liberaria o equivalente a 50 vezes as emissões anuais de gases do efeito-estufa produzidas pelos EUA, sufocando, de vez, o planeta Separar o joio do trigo Ricardo Verdum A volta das camisas negras Kostis Damianakis EDIÇÃO 330 ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. 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