[Carta O BERRO] CARTA AOS JUDEUS por Frei Betto

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Quinta Janeiro 15 20:23:34 BRST 2009


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CARTA O BERRO. ..........repassem.




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Carta aos judeus 

Há mais de 60 anos seu povo clamou ao mundo por
solidariedade. Chegou o momento de retribuir, de mostrar que a solidariedade
é um sentimento universal

*13/01/2009*

*Frei Betto*

"*Por mais que o governo de Israel e todos os que o apóiam tentem, não irei
odiar a vocês, irmãos judeus. Ainda que as tropas israelenses matem centenas
de crianças e pessoas inocentes, não irei desejar a morte de suas crianças
nem jogar a culpa na totalidade de seu povo.*

*Mesmo que manchem a Faixa de Gaza com o sangue de um povo, que também corre
em minhas veias, metade árabe, não irei revoltar-me contra nenhuma etnia nem
julgar que há raças melhores ou com mais direitos que outras, como quer nos
fazer acreditar o governo israelense.*

*Embora eu também queira ouvir as vozes judaicas de protesto contra o
massacre dos palestinos, não deixarei de condenar os que se calaram diante
do holocausto judeu. E mesmo que tomem à força a terra do povo árabe, não
irei jamais apoiar o confisco dos bens do povo judaico, praticado há tempos
pelo governo nazista.*

*Por mais que o governo de Israel e todos que o apóiam traiam a tradição
hebraica dos grandes profetas que clamaram por justiça e paz, ainda quero
manter viva a esperança que eles anunciaram. Mesmo que joguem sua memória na
lata de lixo, faço dos profetas do antigo Israel os meus profetas, pois o
anúncio da justiça não distingue credos, nações ou etnias.*

*Sei que muitos de vocês condenam a violência, não apóiam o massacre dos
árabes palestinos, e gostariam que o governo de Israel respeitasse as
decisões da ONU e o clamor da comunidade internacional pelo cessar-fogo
imediato. Mas, gritem! Se sua voz não for ouvida, acreditar-se-ã o com razão
aqueles que ainda falam mal de seu povo.*

*Mesmo que sejam deploráveis todos os anti-semitas, o silêncio dos judeus
diante do massacre perpetrado pelo país que ostenta a estrela de Davi na
bandeira pode ser usado como reforço para os argumentos torpes da
superioridade racial.*

*Há mais de 60 anos seu povo clamou ao mundo por solidariedade. Chegou o
momento de retribuir, de mostrar que a solidariedade é um sentimento
universal e não restrito a uma etnia. Não deixem o governo de Israel fazer
esquecer o quanto vocês sofreram como vítimas, só porque agora ele é algoz e
está protegido pela maior potência mundial, os EUA.*

*Não permitam que a ação de Israel faça parecer que, apesar das
manifestações mundiais de condenação, seu Estado se acredita o único que
possui razão, pois era assim que o governo alemão pensava no tempo do
nazismo.*

*Estejam certos de uma coisa: independentemente do resultado da absurda
campanha israelense ou qualquer que seja a posição de seu povo diante da
violência e injustiça cometida por aquele país, não irei ceder à tentação do
pensamento racista; não irei apagar da minha memória a catástrofe do nazismo
e o sofrimento do povo judeu; não irei pensar que há povos que não merecem
nação e que devem ser eliminados; não deixarei de condenar o anti-semitismo
ou qualquer tipo de preconceito étnico. *

*Continuarei defendendo a idéia de que todos, sem distinção, somos iguais, e
temos os mesmos direitos: judeus, negros, árabes, índios, asiáticos etc.
Manter-me-ei firme em minhas convicções, pois jamais quero me igualar aos
governantes de Israel e àqueles que o apóiam".*

Faço minhas as palavras de meu querido amigo Maurício Abdalla, companheiro
no Movimento Fé e Política, professor de filosofia da Universidade Federal
do Espírito Santo e autor de reconhecida qualidade, como o comprova o texto
acima, que tão bem traduz a indignação e a dor de tantos que testemunhamos a
guerra do Oriente Médio.

Vários intelectuais judeus têm manifestado indignação frente às operações do
Estado de Israel. Tom Segev, historiador e cientista político, escreveu no
"Haaretz" que "Israel sempre acreditou que causar sofrimento a civis
palestinos os faria rebelarem-se contra seus líderes nacionais, o que se
mostrou errado várias vezes". O escritor Amos Oz sublinhou: "chegou o tempo
de buscar um cessar-fogo" , com o que concorda o escritor David Grossman e o
ex-chanceler israelense Shlomo Ben-Ami.

*Frei Betto é autor de "A mosca azul - reflexão sobre o poder" (Rocco),
entre outros livros.*
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