[Carta O BERRO] DO GENOCÍDIO FASCISTA ISRAELENSE À HERÓICA SAGA PALESTINA (*) poe Miguel Urbano Rodrigues

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Quarta Fevereiro 4 20:10:37 BRST 2009


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CARTA O BERRO. ..........repassem.




----- Original Message ----- 
From: DELTA - JC Macluf 


  DO GENOC̈́IO FASCISTA ISRAELENSE 
  ?HERӉCA SAGA PALESTINA (*) 
  Miguel Urbano Rodrigues 

  O genoc�o que atinge o povo da Palestina serᠲecordado pelo tempo adiante como uma mancha repugnante na historia da humanidade. 

  Menos transparente 頯utra realidade. A cria磯 do Estado de Israel, responsᶥl pela trag餩a que nos re?esta Conferencia, assenta sobre mitos que deturpam a historia. 

  A acumula磯 e difus㯠desses mitos estᠮa origem de situa絥s, actos pol�cos e crimes que tornaram poss�l a repeti磯 no inicio do s飵lo XXI de uma monstruosidade civilizacional. Apoiado pelos EUA o Estado constru� por vitimas do holocausto nazi concebe e executa um moderno holocausto. 

  Uma pir⭩de de falsidades e mentiras sinaliza a estrada do tempo que conduziu a chacinas como as de Sabra, Shatila e Jenin. 

  Na base delas estᠯ mito bᳩco, o mais trabalhado de todos, aquele que desencadeou o movimento do regresso dos judeus ࠫTerra Santa dos antepassados?. 

  A esmagadora maioria dos israelenses que vivem no Estado de Israel e se assumem como judeus n㯠descendem do povo que invocam. A saga da diᳰora judaica, alavanca das teses de Theodor Herzl que promoveram a ?volta ࠰ᴲia perdida?, foi edificada sobre uma inverdade hist��a. 

  Jerusal魠era uma cidade pequena quando, por duas vezes, a sua popula磯, maioritariamente de judeus, foi expulsa pelos Romanos. N㯠eram mais do que alguns milhares os que dela sa�m ap�� revolta esmagada por Tito, no ano 70. Adriano, no s飵lo II, arrasou totalmente Jerusal魠como castigo de nova insurrei磯. Os judeus deportados ap�� mortandade foram tamb魠poucos. 

  N㯠ha milagres na multiplica磯 dos seres humanos. Olhamos hoje para os askenazis, vindos da Alemanha, da Pol��, da Europa Ocidental e para os sefarditas, chegados de pa�s mu絬manos, e tudo nos seus tra篳 fision��os difere, a denunciar origens 鴮icas diferent�imas. Nuns e noutros, a percentagem de sangue judaico, ap��ruzamentos processados ao longo dos s飵los, 頭�ma. Os primeiros tratam ali᳠os segundos com sobranceria, considerando-os cidad㯳 inferiores. E os judeus negros da Eti�� e de outros pa�s africanos? 

  ɠa religi㯠e n㯠o sangue que estabelece a ponte do juda�o entre essas comunidades e a suposta pᴲia de origem. 

  Mas, porventura, ser᠍ hoje a religi㯠o denominador comum aglutinador da na磯 que se diz descendente de Abraham? A resposta 頮egativa. Muitos judeus israelenses n㯠 praticam actualmente a religi㯠hebraica e as suas convic絥s religiosas s㯬 pelo menos, d颥is. 

  A tradi磯, o culto dos antepassados, o acervo de uma cultura defendida com tenacidade e condensada na B�ia (o Antigo testamento) a�st㯠as ra�s do sionismo e a explica磯 da especificidade contradit�� de um estado confessional cujos filhos duvidam (uma percentagem considerᶥl) da existꮣia de Deus. 

  ɠinquestionᶥl que os antepassados dos palestinos Სbes chegaram ࠐalestina hᠵns 5000 anos, subindo da Pen�ula Arᢩca, muito antes das primeiras comunidades hebraicas. Eram aparentados, como povos semitas vindos de um tronco comum. Uns e outros assumiam-se como descendentes de Sem e falavam idiomas muito parecidos que ainda hoje apresentam grandes afinidades. 

  Os primeiros fundiram-se rapidamente com algumas das tribos que povoavam a regi㯻 os segundos muito menos. 

  O processo de miscigena磯 dos antigos palestinos foi t㯠 complexo que a pr��a palavra Palestina deriva dos Filisteus, descendentes dos chamados Povos do Mar, invasores arianos e n㯠semitas. 

  N㯠cabe aqui acompanhar a hist�� dos primitivos hebreus e as suas aventuras desde o Nilo ao Eufrates, com passagem pelo vale do Jord㯮 Encontramos uma s�ese muito interessante no livro de Ernesto Gomez Abascal ,que foi embaixador de Cuba na S�a e na Jord⮩a (1). 

  O que me parece ?recordar 頱ue a agressividade genocida do estado de Israel tem um precedente na agressividade expansionista dos judeus vindos do Egipto. Actuavam ent㯠por mandato divino, como ?povo especial?. Segundo o Antigo Testamento, Jeovᠩnformou Mois鳠de que seria dos hebreus todo o territ�� desde o deserto at頡o mar e ao Eufrates, isto 鬠a Palestina, o L�no, a S�a e parte do Iraque, isto 鬠o hoje chamado Crescente F鲴il. 

  Como tentaram apossar-se de t㯠vasta e povoada Regi㯿 

  O livro de Josu頩luminou-lhes o caminho: ?Quando tiverdes atravessado o Jord㯠entrando pela terra de Cana㬠afastareis do vosso caminho todos os moradores do pa�e destruireis todos os seus �los de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu 鳠povo santo para Jeovᬠo teu deus. Jeovᬠo teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que est㯠sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destru�m a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, mo篳 e velhos, at頯s bois, as ovelhas e os burros.? (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josu頥 todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...)matou tudo o que tinha vida, como Jeovᬠdeus de Israel, lhe tinha ordenado.(cap. 10, vers 34 e 40). 

  N㯠faltam a Ariel Sharon, como se verifica, fontes b�icas de inspira磯. Jeovᠮada tinha de humanista, era um deus violento, racista, que fazia da guerra e das chacinas alavanca da historia. 

  A agressividade actual dos dirigentes israelenses n㯠鬠portanto, um fen��o circunstancial. Tem ra�s antiqu�imas. 

  O movimento sionista nasceu agressivo numa 鰯ca em que contou com a simpatia da intelligentsia europeia, justamente indignada com o anti-semitismo que se manifestava nos repugnantes pogroms da Pol�� e da R?. 

  Nos finais do s飵lo XIX, na Palestina, ent㯠submetida ao dom�o turco, 91% da popula磯 eram Სbes palestinianos. Os judeus, de imigra磯 recente, n㯠ultrapassavam 50 mil. Quase 99 % das terras pertenciam aos camponeses Სbes. Mas os pioneiros do sionismo jᠰrojectavam o futuro Israel. Theodor Herzl no seu livro ?O Estado Judaico?, de 1896, escreveu: ?em Basileia fundei o estado judaico (se hoje dissesse isso em voz alta todos me responderiam com uma gargalhada). Talvez dentro de cinco anos, mas certamente dentro de cinquenta toda a gente o saberᮻ 
  Em 1914, Chaim Weizman, que seria o primeiro presidente de Israel, escreveu nas suas Mem��s: ?Na actualidade somos um ᴯmo mas 頲azoᶥl afirmar que se a Palestina cair na esfera da influencia brit⮩ca, e se a Gr⠂retanha incentivar o estabelecimento de um estado judaico, ent㯠como dependꮣia brit⮩ca, podemos esperar ter ali dentro de 25 a 30 anos, um milh㯠de judeus, pelo menos, e eles se encarregar㯠de constituir uma guarda eficaz para o Canal de Suez?. 

  Weizman tinha os dons dos antigos profetas. O que n㯠previu foi que ao decadente imp鲩o brit⮩co sucederia o vigoroso imp鲩o norte-americano e que o Estado de Israel, imaginado por ele, se transformaria no seu c㯠de guarda para todo o M餩o Oriente. 

  Israel, gerado por decis㯠do imperialismo brit⮩co ao criar o chamado Lar Nacional Judaico, nasceu, n㯠se pode negar a evidencia, de um facto colonial. 

  Entretanto, transcorrido mais de meio s飵lo sobre a partilha da Palestina aprovada pelas Na絥s Unidas, Israel 頵ma realidade. Os pr��os revolucionᲩos palestinos reconhecem essa evidencia. Os mais de cinco milh? de israelenses que vivem hoje no Estado judaico ali implantado n㯠s㯠 colectivamente responsᶥis pelas pol�cas que tornaram poss�l a sua forma磯. Israel n㯠pode ser apagado do mapa, por mais monstruosos que sejam os crimes dos seus actuais dirigentes. 

  Mas a solidariedade com a Palestina Სbe exige a desmontagem do edif�o de mentiras hist��as montado pelo imperialismo e pelo sionismo na tentativa de justificar o injustificᶥl. 

  Genoc�os como os de Sabia e Shatila e o recent�imo de Jenin n㯠 foram trag餩as ocasionais. 

  Nos ?os anos do mandato brit⮩co as organiza絥s terroristas israelenses Haganah, Irgun e Stern cometeram incontᶥis crimes numa escalada de violꮣia dirigida contra os Სbes palestinos, ent㯠amplamente majoritᲩas. Segundo o censo de 46, os Სbes palestinos residentes eram 1 237 000 e os judeus apenas 608 mil. E somente 8% das terras pertenciam aos segundos. O Plano de Partilha aprovado pela ONU atribuiu entretanto ao futuro estado judaico 56% da superf�e da Palestina. 

  E que aconteceu? Os israelenses ocuparam 75% do territ��, inviabilizando a cria磯 do Estado Palestino. Quando a ONU tentou fiscalizar o cessar fogo, o bando terrorista Stern assassinou em Jerusal魠o conde Bernardotte, secretario geral da organiza磯. Em tempo brev�imo 400 mil palestinos foram expulsos das suas terras. Quase 500 aldeias foram arrasadas numa orgia de barbᲩe. Em poucas horas a Irgun massacrou 254 palestinos na aldeia de Deir Yassin. Aterrorizar as popula絥s, esvaziar a Palestina de Სbes era o objectivo dessas ac絥s de terror. Mais tarde, Menahem Beguin, que foi primeiro ministro, comentou assim a chacina por ele comandada: ?O massacre n㯠somente se justificou como o Estado de Israel n㯠existiria sem essa vitoria?.(2) 

  Sob essa apologia do genoc�o transparece a pol�ca que Yossef Weitz, dirigente do Fundo Nacional Judaico, ondenou numa senten硠monstruosa: ?Entre n��eve ficar claro que n㯠existe espa篠para dois povos neste pa�...) n㯠ha outro caminho que n㯠seja a transferencia dos Სbes para os pa�s vizinhos, a mudan硠de todos eles; nenhum deles, nenhuma tribo deve permanecer aqui(3) 

  Tr고guerras com estados vizinhos irromperam desde a cria磯 de Israel. 

  Uma Resolu磯 das Na絥s Unidas, entre todas famosa, a 242, de 22 de Novembro de 1967, intimou Israel a devolver os territ��s ocupados pela for硠das armas. Outra, fundamental tamb魬 determinou o regresso dos refugiados aos lugares de onde haviam sido expulsos pelo exercito de Israel. 

  A posi磯 israelense sobre essas quest?cruciais encontramo-la condensada num c�co comentᲩo de Golda Meier: ?Como vamos devolver os territ��s ocupados? N㯠existe ningu魠a quem devolver algo. Essa coisa a que chamam palestinos n㯠 existe?.(4) 

  A historia recente 頭elhor conhecida. 

  Se ha uma palavra que defina bem os acontecimentos que nas ultimas d飡das tiveram por cenᲩo a Palestina 頡 palavra trag餩a. 

  O Estado comandado por Ariel Sharon n㯠renuncia ao cumprimento das profecias da Torah que apontam o caminho da violꮣia para a realiza磯 do sonho de Eretz Israel, ou seja, a Grande Israel. 

  Em Tel Aviv as tᣴicas e o discurso pol�co mudaram ao sabor do ocupante da Casa Branca, sempre o grande aliado. Mas o objectivo de aniquilar a na磯 palestiniana manteve-se. 

  A Primeira Intifada demonstrou claramente que o povo Სbe da Palestina n㯠renuncia ao direito inalienᶥl de construir o seu pr��o futuro como na磯 independente, plenamente soberana, no que resta ?Cisjordania e Gaza? dos territ��s povoados pelos seus antepassados muitos s飵los antes da chegada ali das primeiras tribos de judeus. 

  Seria uma solu磯 aceitᶥl simultaneamente por palestinianos e israelenses. Mas para isso seria, obviamente, necessᲩo cumprir os Acordos. Ora essa nunca foi a inten磯 dos dirigentes israelenses. 

  O aparecimento exibicionista, em acto de provoca硯, de Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas, na velha Jerusal魬 assinalou o inicio da Segunda Intifada e da actual escalada genocida contra o povo Სbe da Palestina. 

  Nem a imagina磯 de um S��les ou de um Shakespeare concebeu trag餩a comparᶥl ࠱ue se abateu sobre as cidades e aldeias dos territ��s governados pela Autoridade Nacional Palestiniana. Os bombardeamentos diᲩos de Ქas urbanas e rurais, a destrui磯 das estruturas bᳩcas da sociedade, como escolas, hospitais, edif�os administrativos, estabelecimentos comerciais, servi篳 de luz, agua e comunica絥s, o assass�o de mulheres e crian硳, o cerco ࠳ede de Yasser Arafat em Ramallah, e chacinas colectivas como a de Jenin ? ser㯠pelo tempo afora recordados como exemplos da barbᲩe de um estado confessional responsᶥl por uma das paginas mais repugnantes da hist�� da humanidade. 

  James Petras encontra para Jenin, como analogia, o gueto de Vars�� destru� pelas SS de Hitler. A Jos頓aramago, a aldeia palestiniana eliminada traz ࠭em�� Auschwitz, paradigma da loucura assassina nazi. 
  A mim faz-me recordar ambos. O buldozer Sharon, como jᠬhe chamam, 鬠pelos, m鴯dos e pela ideologia, um disc�lo eficiente de Hitler. Creio enunciar uma evidꮣia ao afirmar que em cada um de n��aqui reunidos no M鸩co, por iniciativa do Partido do Trabalho e da OSPAAAL, a angustia e a indigna磯 provocadas pelo genoc�o que atinge a na磯 palestiniana s㯠acentuados pela consciꮣia de que esse crime de lesa humanidade n㯠seria poss�l sem a cumplicidade e o apoio ostensivo dos EUA 

  Por si s��riel Sharon n㯠teria condi絥s m�mas para empreender o seu plano de destrui磯 da Palestina. Os seus crimes contam com o respaldo de Washington, mais exactamente do sistema de poder que governa os EUA, um sistema igualmente monstruoso cuja estrat駩a de domina磯 mundial deixa jᠴransparecer o perigo de uma ditadura militar planetᲩa, ou seja uma amea硠global ᠨumanidade. 

  Os povos condenam com firmeza crescente o genoc�o palestiniano. Mas a matan硠prossegue. 

  ɠ financiada. Ultrapassa 3 mil milh?de d��es anuais a ajuda norte-americana ao estado assassino de Ariel Sharon. A passividade dos governos da Uni㯠 Europeia perante o genoc�o 頯utra indignidade. Afirmam lament᭬a, mas a sua atitude 頤e submiss㯠ࠥstrat駩a dos EUA, que transformaram o Conselho de Seguran硠da ONU em d�� instrumento da sua pol�ca imperial. 

  A intima alian硠entre a extrema direita israelense e o governo dos EUA contribui para evidenciar o significado internacionalista e humanista da luta her�� do povo Სbe da Palestina. Essa pequena e valente na磯, ao resistir com firmeza hom鲩ca ࠴entativa de holocausto contra ela comandada pelos filhos e netos das vitimas do holocausto judeu da Segunda Guerra mundial -- essa Palestina de ra�s milenᲩas assume na realidade a defesa de valores eternos da humanidade. 

  A Palestina resiste. O seu povo sobrevive e multiplica-se sob o vendaval de metralha do fascismo israelense. Segundo um estudo da Universidade judaica de Haifa, no ano 2020 a popula磯 total de Israel ,da Cisjordania e Gaza terᠵltrapassado os 12 milh? Desse total 58% ser㯠Სbes palestinos. De maioria que s㯠hoje os israelenses ter㯠nessa 鰯ca passado a minoria. 

  Represento nesta Conferencia o Partido Comunista Portugu과/A> . ɠcom orgulho que aqui lembro ter sido permanente, fraternal e incondicional ao longo do tempo a solidariedade dos comunistas portugueses com o povo 鰩co da Palestina. Ao reafirm᭬a calorosamente desta tribuna, expresso a nossa confian硠inabalᶥl na vitoria final desse pequeno-grande povo que se bate hoje pela humanidade inteira. 
  Voc고vencer㯬 companheiros da Palestina. 
  ________________
  (1) Ernesto Gomez Abascal, Palestina ? Crucificada la Justicia, Editora Politica, Havana, Abril de 2002 
  (2) OB.ctda, pg 203 
  (3) Idem, pg 32 
  (4) Idem, pg 54 

  (*) Interven磯 na II Conferencia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, realizada no M鸩co em 15/Maio/2002. 

   
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