From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Feb 4 20:10:23 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 4 Feb 2009 20:10:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Brasil_-_Centen=E1rio_de_Dom_He?= =?windows-1252?q?lder_por_Dom_Demetrio_Valentini____/_e_Mensagem_d?= =?windows-1252?q?e_Dom_Helder_Camara__por_Frei_Betto?= Message-ID: <012f01c98715$66a80480$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 04-02-2009 Brasil - Centenário de Dom Helder Dom Demétrio Valentini * Adital - Nesta semana temos uma data especial a agendar. No dia 07 de fevereiro se completam cem anos do nascimento de D. Helder Camara. Para personagens com dimensão histórica, a roupagem adequada é a dos séculos. De fato, o arco de um século situa melhor a importância e a grandeza de D. Helder. É muito acertada a iniciativa de se promover um "ano centenário", para recolher a grande herança deixada por ele. A iniciativa parte de diversas instituições, a começar pela CNBB, com a presença do seu atual Presidente, D. Lyrio Rocha, na missa de abertura do "ano centenário", em Recife, defronte à Igreja das Fronteiras. A Cáritas Brasileira se sente particularmente ligada à pessoa de D. Helder, que foi o seu fundador, no ano de 1956. Por isto, ela se antecipa, e promove uma homenagem especial ao seu primeiro secretário geral e presidente no dia 06 à noite. Quando a liturgia tem uma data especial a celebrar, ela começa no dia anterior, com as "primeiras vésperas". A Cáritas se incumbe de entoar os primeiros louvores, sinalizando que a celebração é de "primeira classe"! Entre tantos predicados, D. Helder foi indiscutivelmente um grande profeta e um sonhador das grandes utopias humanas e cristãs. Para descortinar os amplos horizontes suscitados pelo centenário do seu nascimento, podemos lembrar os dois grandes sonhos de D. Helder. Ambos em vista da passagem do milênio, que ele nem pôde ver. Como Moisés que não chegou a pisar a terra prometida, só a enxergando do alto do Monte Nebo, assim D. Helder deixou este mundo em 1999, antes da chegada do novo milênio, que ele sonhou com a generosidade de suas grandes utopias. Pois bem, para o mundo, D. Helder sonhou o fim da miséria e da fome. Um mundo justo, em paz, reconciliado e fraterno, onde ninguém precisasse viver na miséria e passando fome. Este o mundo que D. Helder sonhou para o milênio que já estamos vivendo! Para a Igreja, D. Helder sonhou, e divulgou, sua grande utopia, carregada de profundo simbolismo: a convocação do Segundo Concílio de Jerusalém! Para entender a força deste sonho, é preciso saber o que foi o primeiro concílio, descrito na Bíblia e realizado no começo da Igreja. Os apóstolos se congregaram em Jerusalém e perceberam a universalidade do Evangelho de Cristo, que precisava romper os limites estreitos do judaísmo e de quaisquer outras amarras culturais e religiosas, para ser levado a toda a humanidade, que o aguardava como terra sedenta de verdade e de amor, pronta para produzir os frutos do Reino de Deus. Agora, um segundo "concílio de Jerusalém" implicaria a predisposição da Igreja em rever sua caminhada, e o convite ao mundo para se abrir ao Evangelho de Cristo, superando preconceitos e confrontos inúteis, e abrindo caminho para um novo tempo de reconciliação e de paz mundial. Assim sonhava D. Helder. Ele vinculava seus sonhos a uma data, carregada de simbolismo, para dizer que estes sonhos ultrapassam as possibilidades concretas do nosso dia a dia, mas ao mesmo tempo começam a acontecer se lhes damos abrigo em nossas mentes e em nossos corações. Ele insistia na dimensão comunitária das utopias, alertando que um sonho que se sonha só, fica na ilusão, mas um sonho que sonhamos juntos, começa sua encarnação. O "Ano centenário" é para voltarmos a sonhar como D. Helder, para nos comprometer com a realização concreta de suas grandes utopias. Apesar das nuvens carregadas de pessimismo que se abateram sobre o mundo no alvorecer deste novo milênio. Em temos de borrascas os profetas precisam anunciar a bonança! * Bispo de Jales ================================================================================================================== Mensagem de Dom Helder Camara Escrito por Frei Betto 03-Fev-2009 De: HelderCamara at ceu.com Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Para: amigos e amigas Queridos: estivesse entre vocês, a 7 de fevereiro comemoraria 100 anos de idade. Quis o bom Deus, entretanto, antecipar-me a glória de desfrutar Sua visão beatífica. Aliás, o Céu nada tem daquela imagem idílica que se faz na Terra. Nada de anjos harpistas e nuvens cor-de-rosa, embora a música de Bach tenha muita audiência. Entrar na intimidade das três Pessoas divinas é viver em estado permanente de paixão. Arrebatado por tanto amor, o coração experimenta uma felicidade indescritível. A propósito, outro dia, Buda, de quem sou vizinho, me contou esta parábola que bem traduz o caminho da felicidade: numa feira da Índia, entre tantos restos de frutas e legumes, uma mulher fitava detidamente o chão. Viram que procurava algo. Um e outro perguntaram o quê. "Uma agulha". Não deram importância. Porém, quando ela acrescentou que se tratava de uma agulha de ouro, multiplicou o número dos que a auxiliavam na busca. Súbito, um deles perguntou: "A senhora não tem idéia de que lado da feira a perdeu?" "Não foi aqui na feira", respondeu a mulher, "perdi-a em casa". Todos a olharam indignados. "Em casa?! E vem procurar aqui fora?" A mulher fitou-os e retrucou: "Sim, como vocês procuram a felicidade nas coisas exteriores, mesmo sabendo que ela se encontra na vida interior". O Céu é terno, o que não impede que experimentemos indignações. Jesus não fez a fome e a sede de justiça figurar entre as bem-aventuranças? Quando olho daqui para a Igreja Católica confesso que sinto, não frustração, mas uma ponta de tristeza. O papa Bento XVI não transmite alegria e esperança. Faltam-lhe o profetismo de João XXIII e a empatia de João Paulo II. Padres cantores atraem mais discípulos do que aqueles que se dedicam aos pobres, aos lavradores sem-terra, às crianças de rua, aos dependentes químicos. Nas showmissas os templos ficam superlotados, enquanto nos seminários o ensino de filosofia e teologia costuma ser superficial. A vida de oração não é estimulada, muitos buscam o sacerdócio para obter prestígio social e, por vezes, o moralismo predomina sobre a tolerância, o triunfalismo supera o espírito ecumênico. Até quando homossexuais serão discriminados por quem se considera discípulo de Jesus? Alegra-me, porém, saber que as Comunidades Eclesiais de Base estão vivas e se preparam para realizar o seu 12º encontro inter-eclesial, em Rondônia, no próximo julho. Dou graças a Deus ao constatar que o CEBI ? Centro de Estudos Bíblicos ? conta com mais de 100 mil núcleos espalhados pelo Brasil, integrados por gente simples interessada em ler a Bíblia pela ótica libertadora. Preocupa-me, entretanto, a polêmica entre os irmãos Boff. Tanto Leonardo quanto Clodovis são teólogos de sólida formação. Não considero justa a acusação feita por Clodovis de que a Teologia da Libertação teria priorizado o pobre no lugar do Cristo. O próprio Evangelho nos mostra Cristo identificado com os pobres, como ocorre na metáfora da salvação em Mateus 25, 31-46. Francisco de Assis, com quem sempre me entretenho em bons papos, lembra que sem referência ao pobre, sacramento vivo de Deus, Cristo corre o risco de virar um mero conceito devocional legitimador de um clericalismo que nada tem de evangélico ou profético. Tenho dito a são Pedro que sonho com uma Igreja em que o celibato seja facultativo para os sacerdotes e as mulheres possam celebrar missa. Uma Igreja livre das amarras do capitalismo, e na qual os oprimidos se sintam em casa, alentados na busca de justiça e paz. Quanto ao mundo, lamento que a fome, por cuja erradicação tanto lutei, ainda perdure, ameaçando a vida de 950 milhões de pessoas e causando a morte de cerca de 23 mil pessoas por dia, a maioria crianças. Por que tantos gastos em formas de ceifar vidas, como armamentos, e investimentos que degradam o meio ambiente, como pesticidas, desmatamentos irresponsáveis e cultivo de transgênicos? Por que tão poucos recursos para tornar o alimento ? dom de Deus ? acessível à mesa de todos os humanos? Ao comemorarem meu centenário, lembrem-se dos princípios e objetivos que nortearam a minha vida. Malgrado calúnias e perseguições, vivi 91 anos felizes, pois jamais esqueci do que disse meu pai quando comuniquei a ele minha opção pela vida sacerdotal: "Filho, egoísmo e sacerdócio não podem andar juntos". Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Leonardo Boff, de "Mística e Espiritualidade" (Garamond), entre outros livros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090204/763e7cb8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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A cria? do Estado de Israel, respons?l pela trag?a que nos re?esta Conferencia, assenta sobre mitos que deturpam a historia. A acumula? e difus?desses mitos est?a origem de situa?s, actos pol?cos e crimes que tornaram poss?l a repeti? no inicio do s?lo XXI de uma monstruosidade civilizacional. Apoiado pelos EUA o Estado constru? por vitimas do holocausto nazi concebe e executa um moderno holocausto. Uma pir?de de falsidades e mentiras sinaliza a estrada do tempo que conduziu a chacinas como as de Sabra, Shatila e Jenin. Na base delas est? mito b?co, o mais trabalhado de todos, aquele que desencadeou o movimento do regresso dos judeus ?Terra Santa dos antepassados?. A esmagadora maioria dos israelenses que vivem no Estado de Israel e se assumem como judeus n?descendem do povo que invocam. A saga da di?ora judaica, alavanca das teses de Theodor Herzl que promoveram a ?volta ??ia perdida?, foi edificada sobre uma inverdade hist??a. Jerusal?era uma cidade pequena quando, por duas vezes, a sua popula?, maioritariamente de judeus, foi expulsa pelos Romanos. N?eram mais do que alguns milhares os que dela sa?m ap?? revolta esmagada por Tito, no ano 70. Adriano, no s?lo II, arrasou totalmente Jerusal?como castigo de nova insurrei?. Os judeus deportados ap?? mortandade foram tamb?poucos. N?ha milagres na multiplica? dos seres humanos. Olhamos hoje para os askenazis, vindos da Alemanha, da Pol??, da Europa Ocidental e para os sefarditas, chegados de pa?s mu?manos, e tudo nos seus tra? fision??os difere, a denunciar origens ?icas diferent?imas. Nuns e noutros, a percentagem de sangue judaico, ap??ruzamentos processados ao longo dos s?los, ??ma. Os primeiros tratam ali?os segundos com sobranceria, considerando-os cidad? inferiores. E os judeus negros da Eti?? e de outros pa?s africanos? ?a religi?e n?o sangue que estabelece a ponte do juda?o entre essas comunidades e a suposta p?ia de origem. Mas, porventura, ser? hoje a religi?o denominador comum aglutinador da na? que se diz descendente de Abraham? A resposta ?egativa. Muitos judeus israelenses n? praticam actualmente a religi?hebraica e as suas convic?s religiosas s? pelo menos, d?is. A tradi?, o culto dos antepassados, o acervo de uma cultura defendida com tenacidade e condensada na B?ia (o Antigo testamento) a?st?as ra?s do sionismo e a explica? da especificidade contradit?? de um estado confessional cujos filhos duvidam (uma percentagem consider?l) da exist?ia de Deus. ?inquestion?l que os antepassados dos palestinos ?bes chegaram ?alestina h?ns 5000 anos, subindo da Pen?ula Ar?ca, muito antes das primeiras comunidades hebraicas. Eram aparentados, como povos semitas vindos de um tronco comum. Uns e outros assumiam-se como descendentes de Sem e falavam idiomas muito parecidos que ainda hoje apresentam grandes afinidades. Os primeiros fundiram-se rapidamente com algumas das tribos que povoavam a regi? os segundos muito menos. O processo de miscigena? dos antigos palestinos foi t? complexo que a pr??a palavra Palestina deriva dos Filisteus, descendentes dos chamados Povos do Mar, invasores arianos e n?semitas. N?cabe aqui acompanhar a hist?? dos primitivos hebreus e as suas aventuras desde o Nilo ao Eufrates, com passagem pelo vale do Jord? Encontramos uma s?ese muito interessante no livro de Ernesto Gomez Abascal ,que foi embaixador de Cuba na S?a e na Jord?a (1). O que me parece ?recordar ?ue a agressividade genocida do estado de Israel tem um precedente na agressividade expansionista dos judeus vindos do Egipto. Actuavam ent?por mandato divino, como ?povo especial?. Segundo o Antigo Testamento, Jeov?nformou Mois?de que seria dos hebreus todo o territ?? desde o deserto at?o mar e ao Eufrates, isto ?a Palestina, o L?no, a S?a e parte do Iraque, isto ?o hoje chamado Crescente F?il. Como tentaram apossar-se de t?vasta e povoada Regi? O livro de Josu?luminou-lhes o caminho: ?Quando tiverdes atravessado o Jord?entrando pela terra de Cana?afastareis do vosso caminho todos os moradores do pa?e destruireis todos os seus ?los de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu ?povo santo para Jeov?o teu deus. Jeov?o teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que est?sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destru?m a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, mo? e velhos, at?s bois, as ovelhas e os burros.? (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josu? todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...)matou tudo o que tinha vida, como Jeov?deus de Israel, lhe tinha ordenado.(cap. 10, vers 34 e 40). N?faltam a Ariel Sharon, como se verifica, fontes b?icas de inspira?. Jeov?ada tinha de humanista, era um deus violento, racista, que fazia da guerra e das chacinas alavanca da historia. A agressividade actual dos dirigentes israelenses n??portanto, um fen??o circunstancial. Tem ra?s antiqu?imas. O movimento sionista nasceu agressivo numa ?ca em que contou com a simpatia da intelligentsia europeia, justamente indignada com o anti-semitismo que se manifestava nos repugnantes pogroms da Pol?? e da R?. Nos finais do s?lo XIX, na Palestina, ent?submetida ao dom?o turco, 91% da popula? eram ?bes palestinianos. Os judeus, de imigra? recente, n?ultrapassavam 50 mil. Quase 99 % das terras pertenciam aos camponeses ?bes. Mas os pioneiros do sionismo j?rojectavam o futuro Israel. Theodor Herzl no seu livro ?O Estado Judaico?, de 1896, escreveu: ?em Basileia fundei o estado judaico (se hoje dissesse isso em voz alta todos me responderiam com uma gargalhada). Talvez dentro de cinco anos, mas certamente dentro de cinquenta toda a gente o saber? Em 1914, Chaim Weizman, que seria o primeiro presidente de Israel, escreveu nas suas Mem??s: ?Na actualidade somos um ?mo mas ?azo?l afirmar que se a Palestina cair na esfera da influencia brit?ca, e se a Gr?retanha incentivar o estabelecimento de um estado judaico, ent?como depend?ia brit?ca, podemos esperar ter ali dentro de 25 a 30 anos, um milh?de judeus, pelo menos, e eles se encarregar?de constituir uma guarda eficaz para o Canal de Suez?. Weizman tinha os dons dos antigos profetas. O que n?previu foi que ao decadente imp?o brit?co sucederia o vigoroso imp?o norte-americano e que o Estado de Israel, imaginado por ele, se transformaria no seu c?de guarda para todo o M?o Oriente. Israel, gerado por decis?do imperialismo brit?co ao criar o chamado Lar Nacional Judaico, nasceu, n?se pode negar a evidencia, de um facto colonial. Entretanto, transcorrido mais de meio s?lo sobre a partilha da Palestina aprovada pelas Na?s Unidas, Israel ?ma realidade. Os pr??os revolucion?os palestinos reconhecem essa evidencia. Os mais de cinco milh? de israelenses que vivem hoje no Estado judaico ali implantado n?s? colectivamente respons?is pelas pol?cas que tornaram poss?l a sua forma?. Israel n?pode ser apagado do mapa, por mais monstruosos que sejam os crimes dos seus actuais dirigentes. Mas a solidariedade com a Palestina ?be exige a desmontagem do edif?o de mentiras hist??as montado pelo imperialismo e pelo sionismo na tentativa de justificar o injustific?l. Genoc?os como os de Sabia e Shatila e o recent?imo de Jenin n? foram trag?as ocasionais. Nos ?os anos do mandato brit?co as organiza?s terroristas israelenses Haganah, Irgun e Stern cometeram incont?is crimes numa escalada de viol?ia dirigida contra os ?bes palestinos, ent?amplamente majorit?as. Segundo o censo de 46, os ?bes palestinos residentes eram 1 237 000 e os judeus apenas 608 mil. E somente 8% das terras pertenciam aos segundos. O Plano de Partilha aprovado pela ONU atribuiu entretanto ao futuro estado judaico 56% da superf?e da Palestina. E que aconteceu? Os israelenses ocuparam 75% do territ??, inviabilizando a cria? do Estado Palestino. Quando a ONU tentou fiscalizar o cessar fogo, o bando terrorista Stern assassinou em Jerusal?o conde Bernardotte, secretario geral da organiza?. Em tempo brev?imo 400 mil palestinos foram expulsos das suas terras. Quase 500 aldeias foram arrasadas numa orgia de barb?e. Em poucas horas a Irgun massacrou 254 palestinos na aldeia de Deir Yassin. Aterrorizar as popula?s, esvaziar a Palestina de ?bes era o objectivo dessas ac?s de terror. Mais tarde, Menahem Beguin, que foi primeiro ministro, comentou assim a chacina por ele comandada: ?O massacre n?somente se justificou como o Estado de Israel n?existiria sem essa vitoria?.(2) Sob essa apologia do genoc?o transparece a pol?ca que Yossef Weitz, dirigente do Fundo Nacional Judaico, ondenou numa senten?monstruosa: ?Entre n??eve ficar claro que n?existe espa?para dois povos neste pa?...) n?ha outro caminho que n?seja a transferencia dos ?bes para os pa?s vizinhos, a mudan?de todos eles; nenhum deles, nenhuma tribo deve permanecer aqui(3) Tr?guerras com estados vizinhos irromperam desde a cria? de Israel. Uma Resolu? das Na?s Unidas, entre todas famosa, a 242, de 22 de Novembro de 1967, intimou Israel a devolver os territ??s ocupados pela for?das armas. Outra, fundamental tamb? determinou o regresso dos refugiados aos lugares de onde haviam sido expulsos pelo exercito de Israel. A posi? israelense sobre essas quest?cruciais encontramo-la condensada num c?co coment?o de Golda Meier: ?Como vamos devolver os territ??s ocupados? N?existe ningu?a quem devolver algo. Essa coisa a que chamam palestinos n? existe?.(4) A historia recente ?elhor conhecida. Se ha uma palavra que defina bem os acontecimentos que nas ultimas d?das tiveram por cen?o a Palestina ? palavra trag?a. O Estado comandado por Ariel Sharon n?renuncia ao cumprimento das profecias da Torah que apontam o caminho da viol?ia para a realiza? do sonho de Eretz Israel, ou seja, a Grande Israel. Em Tel Aviv as t?icas e o discurso pol?co mudaram ao sabor do ocupante da Casa Branca, sempre o grande aliado. Mas o objectivo de aniquilar a na? palestiniana manteve-se. A Primeira Intifada demonstrou claramente que o povo ?be da Palestina n?renuncia ao direito inalien?l de construir o seu pr??o futuro como na? independente, plenamente soberana, no que resta ?Cisjordania e Gaza? dos territ??s povoados pelos seus antepassados muitos s?los antes da chegada ali das primeiras tribos de judeus. Seria uma solu? aceit?l simultaneamente por palestinianos e israelenses. Mas para isso seria, obviamente, necess?o cumprir os Acordos. Ora essa nunca foi a inten? dos dirigentes israelenses. O aparecimento exibicionista, em acto de provoca?, de Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas, na velha Jerusal? assinalou o inicio da Segunda Intifada e da actual escalada genocida contra o povo ?be da Palestina. Nem a imagina? de um S??les ou de um Shakespeare concebeu trag?a compar?l ?ue se abateu sobre as cidades e aldeias dos territ??s governados pela Autoridade Nacional Palestiniana. Os bombardeamentos di?os de ?as urbanas e rurais, a destrui? das estruturas b?cas da sociedade, como escolas, hospitais, edif?os administrativos, estabelecimentos comerciais, servi? de luz, agua e comunica?s, o assass?o de mulheres e crian?, o cerco ?ede de Yasser Arafat em Ramallah, e chacinas colectivas como a de Jenin ? ser?pelo tempo afora recordados como exemplos da barb?e de um estado confessional respons?l por uma das paginas mais repugnantes da hist?? da humanidade. James Petras encontra para Jenin, como analogia, o gueto de Vars?? destru? pelas SS de Hitler. A Jos?aramago, a aldeia palestiniana eliminada traz ?em?? Auschwitz, paradigma da loucura assassina nazi. A mim faz-me recordar ambos. O buldozer Sharon, como j?he chamam, ?pelos, m?dos e pela ideologia, um disc?lo eficiente de Hitler. Creio enunciar uma evid?ia ao afirmar que em cada um de n??aqui reunidos no M?co, por iniciativa do Partido do Trabalho e da OSPAAAL, a angustia e a indigna? provocadas pelo genoc?o que atinge a na? palestiniana s?acentuados pela consci?ia de que esse crime de lesa humanidade n?seria poss?l sem a cumplicidade e o apoio ostensivo dos EUA Por si s??riel Sharon n?teria condi?s m?mas para empreender o seu plano de destrui? da Palestina. Os seus crimes contam com o respaldo de Washington, mais exactamente do sistema de poder que governa os EUA, um sistema igualmente monstruoso cuja estrat?a de domina? mundial deixa j?ransparecer o perigo de uma ditadura militar planet?a, ou seja uma amea?global ?umanidade. Os povos condenam com firmeza crescente o genoc?o palestiniano. Mas a matan?prossegue. ? financiada. Ultrapassa 3 mil milh?de d??es anuais a ajuda norte-americana ao estado assassino de Ariel Sharon. A passividade dos governos da Uni? Europeia perante o genoc?o ?utra indignidade. Afirmam lament?a, mas a sua atitude ?e submiss??strat?a dos EUA, que transformaram o Conselho de Seguran?da ONU em d?? instrumento da sua pol?ca imperial. A intima alian?entre a extrema direita israelense e o governo dos EUA contribui para evidenciar o significado internacionalista e humanista da luta her?? do povo ?be da Palestina. Essa pequena e valente na?, ao resistir com firmeza hom?ca ?entativa de holocausto contra ela comandada pelos filhos e netos das vitimas do holocausto judeu da Segunda Guerra mundial -- essa Palestina de ra?s milen?as assume na realidade a defesa de valores eternos da humanidade. A Palestina resiste. O seu povo sobrevive e multiplica-se sob o vendaval de metralha do fascismo israelense. Segundo um estudo da Universidade judaica de Haifa, no ano 2020 a popula? total de Israel ,da Cisjordania e Gaza ter?ltrapassado os 12 milh? Desse total 58% ser??bes palestinos. De maioria que s?hoje os israelenses ter?nessa ?ca passado a minoria. Represento nesta Conferencia o Partido Comunista Portugu?/A> . ?com orgulho que aqui lembro ter sido permanente, fraternal e incondicional ao longo do tempo a solidariedade dos comunistas portugueses com o povo ?co da Palestina. Ao reafirm?a calorosamente desta tribuna, expresso a nossa confian?inabal?l na vitoria final desse pequeno-grande povo que se bate hoje pela humanidade inteira. Voc?vencer? companheiros da Palestina. ________________ (1) Ernesto Gomez Abascal, Palestina ? Crucificada la Justicia, Editora Politica, Havana, Abril de 2002 (2) OB.ctda, pg 203 (3) Idem, pg 32 (4) Idem, pg 54 (*) Interven? na II Conferencia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, realizada no M?co em 15/Maio/2002. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090204/3c1160c6/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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A criação do Estado de Israel, responsável pela tragédia que nos reúne nesta Conferencia, assenta sobre mitos que deturpam a historia. A acumulação e difusão desses mitos está na origem de situações, actos políticos e crimes que tornaram possível a repetição no inicio do século XXI de uma monstruosidade civilizacional. Apoiado pelos EUA o Estado construído por vitimas do holocausto nazi concebe e executa um moderno holocausto. Uma pirâmide de falsidades e mentiras sinaliza a estrada do tempo que conduziu a chacinas como as de Sabra, Shatila e Jenin. Na base delas está o mito básico, o mais trabalhado de todos, aquele que desencadeou o movimento do regresso dos judeus à «Terra Santa dos antepassados». A esmagadora maioria dos israelenses que vivem no Estado de Israel e se assumem como judeus não descendem do povo que invocam. A saga da diáspora judaica, alavanca das teses de Theodor Herzl que promoveram a «volta à pátria perdida», foi edificada sobre uma inverdade histórica. Jerusalém era uma cidade pequena quando, por duas vezes, a sua população, maioritariamente de judeus, foi expulsa pelos Romanos. Não eram mais do que alguns milhares os que dela saíram após a revolta esmagada por Tito, no ano 70. Adriano, no século II, arrasou totalmente Jerusalém como castigo de nova insurreição. Os judeus deportados após a mortandade foram também poucos. Não ha milagres na multiplicação dos seres humanos. Olhamos hoje para os askenazis, vindos da Alemanha, da Polónia, da Europa Ocidental e para os sefarditas, chegados de países muçulmanos, e tudo nos seus traços fisionómicos difere, a denunciar origens étnicas diferentíssimas. Nuns e noutros, a percentagem de sangue judaico, após cruzamentos processados ao longo dos séculos, é mínima. Os primeiros tratam aliás os segundos com sobranceria, considerando-os cidadãos inferiores. E os judeus negros da Etiópia e de outros países africanos? É a religião e não o sangue que estabelece a ponte do judaísmo entre essas comunidades e a suposta pátria de origem. Mas, porventura, será hoje a religião o denominador comum aglutinador da nação que se diz descendente de Abraham? A resposta é negativa. Muitos judeus israelenses não praticam actualmente a religião hebraica e as suas convicções religiosas são, pelo menos, débeis. A tradição, o culto dos antepassados, o acervo de uma cultura defendida com tenacidade e condensada na Bíblia (o Antigo testamento) aí estão as raízes do sionismo e a explicação da especificidade contraditória de um estado confessional cujos filhos duvidam (uma percentagem considerável) da existência de Deus. É inquestionável que os antepassados dos palestinos árabes chegaram à Palestina há uns 5000 anos, subindo da Península Arábica, muito antes das primeiras comunidades hebraicas. Eram aparentados, como povos semitas vindos de um tronco comum. Uns e outros assumiam-se como descendentes de Sem e falavam idiomas muito parecidos que ainda hoje apresentam grandes afinidades. Os primeiros fundiram-se rapidamente com algumas das tribos que povoavam a região; os segundos muito menos. O processo de miscigenação dos antigos palestinos foi tão complexo que a própria palavra Palestina deriva dos Filisteus, descendentes dos chamados Povos do Mar, invasores arianos e não semitas. Não cabe aqui acompanhar a história dos primitivos hebreus e as suas aventuras desde o Nilo ao Eufrates, com passagem pelo vale do Jordão. Encontramos uma síntese muito interessante no livro de Ernesto Gomez Abascal ,que foi embaixador de Cuba na Síria e na Jordânia (1). O que me parece útil recordar é que a agressividade genocida do estado de Israel tem um precedente na agressividade expansionista dos judeus vindos do Egipto. Actuavam então por mandato divino, como «povo especial». Segundo o Antigo Testamento, Jeová informou Moisés de que seria dos hebreus todo o território desde o deserto até ao mar e ao Eufrates, isto é, a Palestina, o Líbano, a Síria e parte do Iraque, isto é, o hoje chamado Crescente Fértil. Como tentaram apossar-se de tão vasta e povoada Região? O livro de Josué iluminou-lhes o caminho: «Quando tiverdes atravessado o Jordão entrando pela terra de Canaã, afastareis do vosso caminho todos os moradores do país e destruireis todos os seus ídolos de pedra, e todas as suas imagens fundidas e destruireis todos os lugares elevados: e expulsareis os moradores da terra e residireis nela porque eu vo-la dei para que seja a vossa propriedade (cap. 33, vers 50 a 53 ). Porque tu és povo santo para Jeová, o teu deus. Jeová, o teu deus te escolheu como povo especial, mais do que todos os povos que estão sobre a terra (cap. 7, vers 6). E destruíram a fio de espada tudo o que havia na cidade; homens e mulheres, moços e velhos, até os bois, as ovelhas e os burros.» (cap. 8, vers 24 e 26 (...) Subiu logo Josué e todo Israel com ele de Eglon a Hebron e combateram esta (...)matou tudo o que tinha vida, como Jeová, deus de Israel, lhe tinha ordenado.(cap. 10, vers 34 e 40). Não faltam a Ariel Sharon, como se verifica, fontes bíblicas de inspiração. Jeová nada tinha de humanista, era um deus violento, racista, que fazia da guerra e das chacinas alavanca da historia. A agressividade actual dos dirigentes israelenses não é, portanto, um fenómeno circunstancial. Tem raízes antiquíssimas. O movimento sionista nasceu agressivo numa época em que contou com a simpatia da intelligentsia europeia, justamente indignada com o anti-semitismo que se manifestava nos repugnantes pogroms da Polónia e da Rússia. Nos finais do século XIX, na Palestina, então submetida ao domínio turco, 91% da população eram árabes palestinianos. Os judeus, de imigração recente, não ultrapassavam 50 mil. Quase 99 % das terras pertenciam aos camponeses árabes. Mas os pioneiros do sionismo já projectavam o futuro Israel. Theodor Herzl no seu livro «O Estado Judaico», de 1896, escreveu: «em Basileia fundei o estado judaico (se hoje dissesse isso em voz alta todos me responderiam com uma gargalhada). Talvez dentro de cinco anos, mas certamente dentro de cinquenta toda a gente o saberá.» Em 1914, Chaim Weizman, que seria o primeiro presidente de Israel, escreveu nas suas Memórias: «Na actualidade somos um átomo mas é razoável afirmar que se a Palestina cair na esfera da influencia britânica, e se a Grâ Bretanha incentivar o estabelecimento de um estado judaico, então como dependência britânica, podemos esperar ter ali dentro de 25 a 30 anos, um milhão de judeus, pelo menos, e eles se encarregarão de constituir uma guarda eficaz para o Canal de Suez». Weizman tinha os dons dos antigos profetas. O que não previu foi que ao decadente império britânico sucederia o vigoroso império norte-americano e que o Estado de Israel, imaginado por ele, se transformaria no seu cão de guarda para todo o Médio Oriente. Israel, gerado por decisão do imperialismo britânico ao criar o chamado Lar Nacional Judaico, nasceu, não se pode negar a evidencia, de um facto colonial. Entretanto, transcorrido mais de meio século sobre a partilha da Palestina aprovada pelas Nações Unidas, Israel é uma realidade. Os próprios revolucionários palestinos reconhecem essa evidencia. Os mais de cinco milhões de israelenses que vivem hoje no Estado judaico ali implantado não são colectivamente responsáveis pelas políticas que tornaram possível a sua formação. Israel não pode ser apagado do mapa, por mais monstruosos que sejam os crimes dos seus actuais dirigentes. Mas a solidariedade com a Palestina árabe exige a desmontagem do edifício de mentiras históricas montado pelo imperialismo e pelo sionismo na tentativa de justificar o injustificável. Genocídios como os de Sabia e Shatila e o recentíssimo de Jenin não foram tragédias ocasionais. Nos últimos anos do mandato britânico as organizações terroristas israelenses Haganah, Irgun e Stern cometeram incontáveis crimes numa escalada de violência dirigida contra os árabes palestinos, então amplamente majoritárias. Segundo o censo de 46, os árabes palestinos residentes eram 1 237 000 e os judeus apenas 608 mil. E somente 8% das terras pertenciam aos segundos. O Plano de Partilha aprovado pela ONU atribuiu entretanto ao futuro estado judaico 56% da superfície da Palestina. E que aconteceu? Os israelenses ocuparam 75% do território, inviabilizando a criação do Estado Palestino. Quando a ONU tentou fiscalizar o cessar fogo, o bando terrorista Stern assassinou em Jerusalém o conde Bernardotte, secretario geral da organização. Em tempo brevíssimo 400 mil palestinos foram expulsos das suas terras. Quase 500 aldeias foram arrasadas numa orgia de barbárie. Em poucas horas a Irgun massacrou 254 palestinos na aldeia de Deir Yassin. Aterrorizar as populações, esvaziar a Palestina de árabes era o objectivo dessas acções de terror. Mais tarde, Menahem Beguin, que foi primeiro ministro, comentou assim a chacina por ele comandada: «O massacre não somente se justificou como o Estado de Israel não existiria sem essa vitoria».(2) Sob essa apologia do genocídio transparece a política que Yossef Weitz, dirigente do Fundo Nacional Judaico, ondenou numa sentença monstruosa: «Entre nós deve ficar claro que não existe espaço para dois povos neste país(...) não ha outro caminho que não seja a transferencia dos árabes para os países vizinhos, a mudança de todos eles; nenhum deles, nenhuma tribo deve permanecer aqui(3) Três guerras com estados vizinhos irromperam desde a criação de Israel. Uma Resolução das Nações Unidas, entre todas famosa, a 242, de 22 de Novembro de 1967, intimou Israel a devolver os territórios ocupados pela força das armas. Outra, fundamental também, determinou o regresso dos refugiados aos lugares de onde haviam sido expulsos pelo exercito de Israel. A posição israelense sobre essas questões cruciais encontramo-la condensada num cínico comentário de Golda Meier: «Como vamos devolver os territórios ocupados? Não existe ninguém a quem devolver algo. Essa coisa a que chamam palestinos não existe».(4) A historia recente é melhor conhecida. Se ha uma palavra que defina bem os acontecimentos que nas ultimas décadas tiveram por cenário a Palestina é a palavra tragédia. O Estado comandado por Ariel Sharon não renuncia ao cumprimento das profecias da Torah que apontam o caminho da violência para a realização do sonho de Eretz Israel, ou seja, a Grande Israel. Em Tel Aviv as tácticas e o discurso político mudaram ao sabor do ocupante da Casa Branca, sempre o grande aliado. Mas o objectivo de aniquilar a nação palestiniana manteve-se. A Primeira Intifada demonstrou claramente que o povo árabe da Palestina não renuncia ao direito inalienável de construir o seu próprio futuro como nação independente, plenamente soberana, no que resta ?Cisjordania e Gaza? dos territórios povoados pelos seus antepassados muitos séculos antes da chegada ali das primeiras tribos de judeus. Seria uma solução aceitável simultaneamente por palestinianos e israelenses. Mas para isso seria, obviamente, necessário cumprir os Acordos. Ora essa nunca foi a intenção dos dirigentes israelenses. O aparecimento exibicionista, em acto de provocaçao, de Ariel Sharon na Esplanada das Mesquitas, na velha Jerusalém, assinalou o inicio da Segunda Intifada e da actual escalada genocida contra o povo árabe da Palestina. Nem a imaginação de um Sófocles ou de um Shakespeare concebeu tragédia comparável à que se abateu sobre as cidades e aldeias dos territórios governados pela Autoridade Nacional Palestiniana. Os bombardeamentos diários de áreas urbanas e rurais, a destruição das estruturas básicas da sociedade, como escolas, hospitais, edifícios administrativos, estabelecimentos comerciais, serviços de luz, agua e comunicações, o assassínio de mulheres e crianças, o cerco à sede de Yasser Arafat em Ramallah, e chacinas colectivas como a de Jenin ? serão pelo tempo afora recordados como exemplos da barbárie de um estado confessional responsável por uma das paginas mais repugnantes da história da humanidade. James Petras encontra para Jenin, como analogia, o gueto de Varsóvia destruído pelas SS de Hitler. A José Saramago, a aldeia palestiniana eliminada traz à memória Auschwitz, paradigma da loucura assassina nazi. A mim faz-me recordar ambos. O buldozer Sharon, como já lhe chamam, é, pelos, métodos e pela ideologia, um discípulo eficiente de Hitler. Creio enunciar uma evidência ao afirmar que em cada um de nós, aqui reunidos no México, por iniciativa do Partido do Trabalho e da OSPAAAL, a angustia e a indignação provocadas pelo genocídio que atinge a nação palestiniana são acentuados pela consciência de que esse crime de lesa humanidade não seria possível sem a cumplicidade e o apoio ostensivo dos EUA Por si só, Ariel Sharon não teria condições mínimas para empreender o seu plano de destruição da Palestina. Os seus crimes contam com o respaldo de Washington, mais exactamente do sistema de poder que governa os EUA, um sistema igualmente monstruoso cuja estratégia de dominação mundial deixa já transparecer o perigo de uma ditadura militar planetária, ou seja uma ameaça global á humanidade. Os povos condenam com firmeza crescente o genocídio palestiniano. Mas a matança prossegue. É financiada. Ultrapassa 3 mil milhões de dólares anuais a ajuda norte-americana ao estado assassino de Ariel Sharon. A passividade dos governos da União Europeia perante o genocídio é outra indignidade. Afirmam lamentá-la, mas a sua atitude é de submissão à estratégia dos EUA, que transformaram o Conselho de Segurança da ONU em dócil instrumento da sua política imperial. A intima aliança entre a extrema direita israelense e o governo dos EUA contribui para evidenciar o significado internacionalista e humanista da luta heróica do povo árabe da Palestina. Essa pequena e valente nação, ao resistir com firmeza homérica à tentativa de holocausto contra ela comandada pelos filhos e netos das vitimas do holocausto judeu da Segunda Guerra mundial -- essa Palestina de raízes milenárias assume na realidade a defesa de valores eternos da humanidade. A Palestina resiste. O seu povo sobrevive e multiplica-se sob o vendaval de metralha do fascismo israelense. Segundo um estudo da Universidade judaica de Haifa, no ano 2020 a população total de Israel ,da Cisjordania e Gaza terá ultrapassado os 12 milhões. Desse total 58% serão árabes palestinos. De maioria que são hoje os israelenses terão nessa época passado a minoria. Represento nesta Conferencia o Partido Comunista Português . É com orgulho que aqui lembro ter sido permanente, fraternal e incondicional ao longo do tempo a solidariedade dos comunistas portugueses com o povo épico da Palestina. Ao reafirmá-la calorosamente desta tribuna, expresso a nossa confiança inabalável na vitoria final desse pequeno-grande povo que se bate hoje pela humanidade inteira. Vocês vencerão, companheiros da Palestina. ________________ (1) Ernesto Gomez Abascal, Palestina ? Crucificada la Justicia, Editora Politica, Havana, Abril de 2002 (2) OB.ctda, pg 203 (3) Idem, pg 32 (4) Idem, pg 54 (*) Intervenção na II Conferencia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestiniano, realizada no México em 15/Maio/2002. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/a55f884e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22021 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/a55f884e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 5 20:37:23 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 5 Feb 2009 20:37:23 -0200 Subject: [Carta O BERRO] Apelo por Cesare Battisti pelo Grupo Tortura Nunca Mais-RJ Message-ID: <030401c987e2$522365e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Grupo Tortura Nunca Mais-RJ Apelo por Cesare Battisti Intelectuais progressistas de todo o mundo juntam suas vozes e, em coro, clamam pela "imediata libertação do preso político italiano Cesare Battisti". O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, mais uma vez, vem a público reiterar sua luta pela imediata libertação do preso político, o escritor italiano Cesare Battisti, preso em Brasília, na Penitênciária da Papuda desde 18 de março de 2007. Cesare Battisti se refugiou, por conta própria no nosso país, onde vivia pacificamente, após o governo francês, em 2004, haver suspendido o asilo político que tinha na França, onde morava com esposa e duas filhas, atuando como escritor. É acusado por crimes supostamente praticados nos anos de 1970 na Itália. Segundo afirmou a escritora francesa Fred Vargas, que veio ao Brasil especialmente para visitar Battisti, "o primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, persegue seu amigo em busca de dividendos políticos". Diz ela: "Ele lidera uma reação histérica, movida pelo ódio. Quer transformar Battisti num monstro e apresentá-lo como símbolo dos anos de chumbo, o que não é verdade". (O Globo, 28/01/09). Os anos de chumbo a que se refere a escritora lembra-nos, em muito, o período que passamos em nosso país (1964-1985) onde cotidianamente ocorriam perseguições políticas, censura, prisões arbitrárias, torturas e mortes. Em final de 1969 o Estado italiano deu início a uma feroz e sangrenta perseguição aos seus opositores políticos que propugnavam o caminho da luta armada contra o regime. Cesare Battisti é um desses opositores políticos que, como todos os demais militantes daquele período, vem sendo caçado como um animal - apresentado como feroz e violento - por todo o mundo. Os grandes meios de comunicação brasileiros dentro de uma lógica fascista, histérica e, mesmo, terrorista vem apresentando Battisti como esse monstro perigoso. Por isto, aplaudimos e apoiamos integralmente a decisão do Exmo. Ministro da Justiça, Dr. Tarso Genro, por reconhecer oficialmente Battisti como refugiado político sob a proteção do Estado brasileiro. Um militante que, como afirma o Movimento Nacional de Direitos Humanos, "por mais de 30 anos foi perseguido em seu país e no exterior". Continuando, o Movimento informa que: "Cesare Battisti foi condenado pela Justiça de seu país, em julgamento sumário, sem direito a plena defesa e por sentença baseada unicamente em informação obtida por declaração premiada". (O Globo, 22/01/09). Os diferentes governos brasileiros pós-ditadura civil-militar têm dado, sistematicamente, asilo político a militantes perseguidos de vários países, dentre eles a Itália que, até hoje, não anistiou os opositores políticos dos anos de 1960 e 1970. O Ministro Tarso Genro teve a honradez e a ética de cumprir na prática a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados da ONU de 1951 e o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados da ONU de 1967, dos quais o Brasil é signatário. Por isto, o governo brasileiro já havia aprovado a Lei nº 9474, de 22 de julho de 1997 que define mecanismos para a implementação do Estatuto dos Refugiados. O jurista Dalmo de Abreu Dallari alerta que: "Se respeitar a Constituição e as leis, o Supremo Tribunal Federal deverá, pura e simplesmente, declarar extinto o processo de extradição que há contra Cesare Battisti". (Jornal do Brasil, 26/01/09). Por tudo isto, o GTNM/RJ vem conclamar a todos aqueles que lutam e acreditam na possibilidade de produção de outros mundos plurais, livres e fraternos que se uma ao "Movimento Cesare Battisti Livre" e clame: Pela extinção do Processo de Extradição pelo STF. Pela imediata libertação de Cesare Battisti. Pela Vida, Pela Paz! Tortura Nunca Mais! Rio de Janeiro, 05 de fevereiro de 2009 ======================================================================================================== Solidariedade à Cesare Battisti O Grupo Tortura Nunca Mais/RJ vem publicamente solidarizar-se com o militante político e escritor italiano Cesare Battisti, preso em 18 de março último no Rio de Janeiro. Battisti é acusado por crimes supostamente praticados nos anos de 1970 na Itália. Repudiamos tal prisão e, em nome dos direitos humanos, entendemos que: 1 - combater o chamado terrorismo com mais terrorismo e violência é adubar a posição daqueles que hoje, internacionalmente e de forma arrogante, invadem países, legalizam a tortura e cinicamente pregam a morte em nome da vida; 2 - Battisti, intelectual respeitado internacionalmente, segundo o editorial do jornal francês Liberation, é em realidade bode expiatório da "guerra eleitoral" que ocorre hoje na França. Este periódico afirma que: "... o ministro do Interior investiu muito em homens e equipamentos para capturar um exilado que não ameaçava mais ninguém há quase 30 anos, com o objetivo de relançar sua campanha eleitoral" (O Globo, 20/03/07, p.23). 3 - As leis brasileiras não reconhecem sentenças proferidas em julgamentos sem a presença do réu, o que aconteceu com Battisti que se encontrava como asilado político na frança à época. Até quando se continuará alimentando a política terrorista e genocida capitaneada pelos Estados Unidos e seus aliados? Não aceitamos que o governo brasileiro compactue com tal política. Por isso, em nome da Vida e contra a lógica mortífera que vem sendo implantada internacionalmente, lutamos para que o governo brasileiro não aceite a extradição de Battisti e que lhe seja concedido asilo político. Solicitamos que mensagens com este teor sejam enviadas para: Exmo. Sr. Presidente da República do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva Palácio do Planalto, 3º andar 70150-900 - Brasília - DF e-mail: pr at plalnalto.gov.br Exmo. Sr. Ministro das Relações Exteriores Embaixador Celso Luiz Nunes Amorim Esplanada dos Ministérios - Palácio Itamarati - Gabinete 70170-900 - Brasília - DF Fale conosco: www.mre.gov.br Exma. Sra. Presidente do STF Ministro Gilmar Mendes Danta 70175-900 - Praça Três Poderes - Brasília - DF Fale conosco: www.stf.gov.br Pela Vida, Pela Paz, Tortura Nunca Mais! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/bbc908c4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 435 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/bbc908c4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 521 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/bbc908c4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 5 20:37:48 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 5 Feb 2009 20:37:48 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__Morre_em_Porto_Alegre_o_deputado?= =?iso-8859-1?q?Ad=E3o_Prietto_=28fundador_do_MST=29?= Message-ID: <030b01c987e2$62616b00$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Morre em Porto Alegre o deputado Adão Pretto O deputado federal Adão Pretto (PT-RS), 63 anos, morreu hoje às 7h50 em Porto Alegre. O deputado estava internado em estado grave no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, onde se submeteu a uma cirurgia para retirada do pâncreas. O velório está sendo realizado na Assembléia Legislativa. O corpo será sepultado nesta sexta-feira (6), às 10 horas, no Cemitério Jardim da Paz. O deputado Ivan Valente destacou, da tribuna da Câmara, a importante trajetória de luta e de vida de Adão Pretto e seu compromisso com a reforma agrária e a defesa do socialismo. Inicial | Nossa História | Biblioteca | Audiovisual | Mural | Campanhas | Indicamos | Loja da Reforma Agrária | Fale Conosco | Última atualização: 05/Fevereiro/2009 - 10h35 Pesquise no MST: MST está de LUTO 05/02/2009 Nota de Solidariedade e Pesar O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) manifesta publicamente seu pesar pelo falecimento do companheiro deputado federal Adão Pretto, soma-se e se solidariza com a família neste momento de perda para a sociedade brasileira. Desde o início de sua militância social nas Comunidades Eclesiais de Base e no Sindicalismo Rural, Adão Pretto caracterizou-se pela defesa intransigente da reforma agrária, tendo papel destacado na articulação das famílias de trabalhadores sem terras e de apoiadores desde as primeiras ocupações de terra no Rio Grande do Sul, ainda durante o Regime Militar. Esteve presente na organização e fundação do MST, do Partido dos Trabalhadores e do Departamento Rural da Central Única dos Trabalhadores. No Congresso Nacional, denunciou e combateu as ações da bancada ruralista, e tornou-se um dos pilares do Núcleo Agrário do Partidos dos Trabalhadores. Apresentou Projetos de Lei que buscavam acelerar o processo de reforma agrária, permitir o acesso à educação para os camponeses e melhorar a qualidade de vida no campo. No último ano, esteve empenhado em denunciar a alteração da faixa de fronteira para beneficiar a instalação de empresas transnacionais da celulose no Rio Grande do Sul. Mais que um parlamentar, Adão sempre foi um camponês, com seu jeito simples, honesto e contundente, mas acima de tudo um lutador. Sempre presente nas lutas dos movimentos sociais, sempre levando as reivindicações e bandeiras populares para o parlamento, denunciando a criminalização e a repressão da luta do povo. No ano em que completamos 25 anos, perdemos um de nossos fundadores e um de nossos mais valorosos companheiros. Em sua homenagem, seguiremos fazendo aquilo que Adão Pretto sempre fez em vida: lutar sempre. Coordenação Nacional do MST a.. Leia também as manifestações de outras organizações e autoridades. Clique aqui e recomende esta página. © 2009 MST - Todos os direitos reservados Desenvolvido por ibBrasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090205/953e7a9d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Trata-se de importânte contribuição de intelectuais que organizaram a Revista Eletrônica Arma da Critica para aprofundar os estudos e o pensamento nesse momento significativo da sociedade capitalista. Revista Eletrônica Arma da Crítica está inserida no âmbito do termo de cooperação acadêmica intermediado pelo Instituto de Estudos e Pesquisa do Movimento Operário da Universidade Estadual do Ceará (IMO/UECE) Leia e contribua. (clique abaixo) Revista Eletrônica Arma da Critica http://www.armadacritica.ufc.br/ APRESENTAÇÃO Na sua Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel de 1844, Marx afirma que ?a arma da crítica não pode substituir a crítica das armas?. Com isso, esclarecia que a atividade intelectual, por si mesma, não pode superar o domínio do capital. Por conseguinte, defendeu até seus últimos dias a necessidade de a reflexão teórica fundar-se numa ?força material? contraposta efetivamente à ?força material? da burguesia. Isso ocorreu de inúmeras maneiras no Século XX. Os trabalhadores, da cidade e do campo, realizaram a ?crítica das armas? ao capitalismo e a sua barbárie, em particular na Revolução Russa de Outubro, onde foi demonstrado de maneira vitoriosa, pela primeira vez na história, que as classes subalternas detêm a possibilidade de gerir a sociedade de acordo com os interesses da maioria. É distante da perspectiva fundada por Marx qualquer desprezo pela teoria, enquanto explicitação do movimento do real, com suas contradições e possibilidades. Marx sabia, mais do que ninguém, que qualquer rebaixamento ou anulação da teoria a favor de um praticismo autocentrado favorece, em última instância, as tendências burocráticas e pró-burguesas presentes no movimento dos trabalhadores. Nesse sentido, no mesmo texto citado acima, Marx explicita que ?a teoria em si torna-se também uma força material quando se apodera das massas?. Mas, não qualquer teoria, porque a ?teoria só se realiza num povo na medida em que é a realização das suas necessidades?. É essa a orientação da Revista Eletrônica Arma da Crítica, que, ao se organizar sob as coordenadas teóricas do marxismo ontológico, pretende ?agarrar as coisas pela raiz?. E no radicalismo da teoria, exercer a crítica aos limites do mundo regido pelo capital, apresentando as possibilidades da emancipação humana. A constituição da Revista Eletrônica Arma da Crítica, antes de ser uma decisão acadêmica, é uma exigência do próprio mundo dos homens na atual conjuntura de crise do capital. Apesar dos discursos e ações a favor de uma ?nova ordem mundial?, da ?globalização? e da ?cidadania planetária?, aprofundam-se cada vez mais as feições mais grotescas do capitalismo, da fome e violência extremas a um cotidiano cada vez mais ausente de sentido. Diante disso, as diversas matizes do irracionalismo pós-moderno e da razão instrumental-manipulatória, refrações ideais do mundo burguês, emudecem quanto às possibilidades de superação do horizonte da crise do capital. Ao mesmo tempo, as forças materiais do trabalho resistem de variadas maneiras à barbárie e reorganizam-se em ritmos diferenciados, o que, por inúmeras mediações, se expressa no plano da produção teórica, no aumento de publicações, linhas de pesquisas, centros de estudos e grupos referenciados no marxismo. Exemplo particular do interesse crescente pela orientação marxista revela-se, dentre nós, nos quinze anos de atuação do Instituto de Estudos e Pesquisas do Movimento Operário ? IMO da Universidade Estadual do Ceará ? UECE e na Linha Marxismo, Educação e Luta de Classes, efetivada em fevereiro de 2008, no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Ceará ? UFC. Entendemos, porém, que tais tendências não são arbitrárias. Lembrando novamente Marx: ?Não basta que o pensamento procure realizar-se; a realidade deve igualmente compelir ao pensamento?. Por esse prisma, a Revista Eletrônica Arma da Crítica pretende contribuir para o fortalecimento do debate marxista, veiculando a pesquisa produzida no contexto do IMO, da Linha Marxismo, Educação e Luta de Classes e dos Grupos de Pesquisas Trabalho, Educação e Luta de Classes e Ontologia Marxiana e Educação, bem como, favorecendo a interlocução com pesquisadores de outros grupos ou regiões, maiormente afinados com as premissas aqui esboçadas. ===================================================================================================================== POLÍTICA EDITORIAL A Revista Arma da Crítica é um periódico anual eletrônico organizado sob as coordenadas teóricas do marxismo ontológico, aberto à colaboração de intelectuais e militantes comprometidos com a luta pelo socialismo. Propõe articular as produções dos diversos grupos do pensamento marxiano que atuam na comunidade acadêmica brasileira e estrangeira, dando preferência a artigos originais, resultados de estudos e pesquisas concluídas ou em andamento, na forma de números temáticos (dossiês) e/ou ou não temáticos. A revista privilegia os temas vinculados às seguintes linhas de pesquisa: Ontologia, método e a perspectiva da emancipação; A relação teoria e prática e o problema da transição socialista; Marxismo e movimento operário; Ontologia marxiana, educação e formação do educador; A educação, a crise do capital e o avanço da luta ideológica; A reforma da educação brasileira sob o signo do mercado; O Movimento de Educação para Todos e a crítica marxista; Política educacional, financiamento da educação e reprodução do capital. A Revista promove a publicação de resenhas de livros e procura debater temas de interesse geral através de entrevistas e/ou relatos de experiências. Publica também resumos de teses de doutorado e dissertações de mestrado, valorizando e estimulando a participação de autores pertencentes a duas ou mais instituições, aceitando, ainda, artigos em língua estrangeira. Nesse sentido, está aberta a colaborações, reservando-se o direito de publicar ou não os textos enviados espontaneamente à redação. Todos os artigos são submetidos à avaliação de dois pareceristas. É importante destacar que a Revista Eletrônica Arma da Crítica está inserida no âmbito do termo de cooperação acadêmica intermediado pelo Instituto de Estudos e Pesquisa do Movimento Operário da Universidade Estadual do Ceará (IMO/UECE) entre o Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará - Linha de Pesquisa Marxismo, Educação e Luta de Classes (E-Luta) e o Curso de Mestrado Acadêmico em Educação do Centro de Educação da UECE (CMAE/UECE). ================================================================================== EXPEDIENTE Editores Susana Jimenez Jackline Rabelo Maria das Dores Mendes Segundo Frederico Jorge Ferreira Costa Coordenação editorial Jackline Rabelo Comitê editorial Susana Jimenez (susana_jimenez at uol.com.br) Jackline Rabelo (jacklinerabelo at uol.com.br) José Ferreira de Alencar (in memoriam) Frederico Jorge Ferreira Costa (frederico1917 at yahoo.com.br) Maria das Dores Mendes Segundo (mendesegundo at uol.com.br) Betânia Moraes (betania.moraes at uol.com.br) Ruth de Paula Gonçalves (ruthm at secrel.com.br) Edna Bertoldo (edna_bertoldo at hotmail.com) Conselho Editorial Betânia Moraes (UECE) Cleide Quixadá (UnB) Cristiane Porfírio do Rio (UFC) Edna Bertoldo (UFAL) Eduardo Chagas (UFC) Frederico Jorge Ferreira Costa (UECE) George Mészáros (Warwick University, Coventry, UK) Gilmaísa Macedo da Costa (UFAL) Hermínio Borges Neto (UFC) Helena Freres (IMO/UECE) Ivo Tonet (UFAL) Jackline Rabelo (UFC) José Álbio Moreira Sales (UECE) Liana Brito de Castro Araújo (UECE) Luís Távora Furtado Ribeiro (UFC) Luzia Siqueira Vasconcelos (PUC/Campinas) Lúcia Aparecida Valadares Sartório (Centro Educacional São Camilo/ SP) Marcos Del Roio (UNESP/Campus de Marília) Manoel Fernandes de Sousa Neto (USP) Maria das Dores Mendes Segundo (UECE) Maria do Socorro Lucena Lima (UECE) Maurilene do Carmo (UECE) Maria Isabel Batista Serrão (UFSC) Osterne Maia (UECE) Paulo Tumolo (UFSC) Raquel Dias Araújo (UECE) Ruth de Paula Gonçalves (UECE) Sérgio Lessa (UFAL) Sueli Terezinha Ferreira Martins (UNESP/Campus de São José do Rio Preto) Susana Jimenez (UECE) Waldemarin Coelho Gomes (UFPB) Revisão Helena Freres Frederico Costa Fortaleza, janeiro de 2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090206/7b039b18/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090206/7b039b18/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 6 20:00:28 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 6 Feb 2009 20:00:28 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Altamiro_Borges=3A_Cesare_Batti?= =?windows-1252?q?sti_e_a_conspira=E7=E3o_da_CIA_/_e__Mino_Carta=2C?= =?windows-1252?q?_a_italianidade_e_o_rancor_de_ocasi=E3o?= Message-ID: <01ea01c988a6$5ba10e00$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 5 DE FEVEREIRO DE 2009 - 15h55 Altamiro Borges: Cesare Battisti e a conspiração da CIA A oposição de direita e sua mídia têm aproveitado o caso Cesare Battisti para atacar o presidente Lula, que num gesto soberano e legítimo deu asilo político ao escritor italiano. Todas as noites, o casal global do Jornal Nacional apimenta as críticas, bem diferente da postura adotada quando do exílio do ditador paraguaio Alfredo Strossner. Já os jornais Folha e Estadão publicaram editoriais insinuando que o ministro da Justiça, Tarso Genro, teria simpatias por ?terroristas de esquerda?. Até a revista Carta Capital, um veículo progressista, reforçou estranhamente o coro crítico. Parlamentares tucanos e demos, estes egressos do partido da ditadura militar brasileira, fizeram questão de se solidarizar com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, o barão da mídia, que numa reação midiática retirou seu embaixador de Brasília. Caraduras, afirmam que a Itália é um exemplo de democracia para justificar o envio do escritor à prisão perpétua neste país. Nada falam sobre a trajetória ultradireitista de Berlusconi, das suas alianças com partidos neofascistas ou da recente medida do seu governo que impede que ele seja julgado por crimes de corrupção. ?Um bode expiatório conveniente? O caso Cesare Battisti é complexo, mas não justifica a gritaria da direita servil e da mídia venal. França e Japão já deram asilo político aos condenados pela justiça italiana e não houve o mesmo alarde. O bufão Berlusconi e o processo jurídico neste país não são levados muito a sério. Como apontou Maria Inês Nassif, num excelente artigo no jornal Valor, Battisti foi condenado à prisão perpétua sem qualquer direito de defesa. As testemunhas que o acusaram de quatro assassinatos gozam da delação premiada e há indícios de que uma foi torturada. Dois dos citados homicídios foram cometidos no mesmo dia 16 de fevereiro de 1979, a 500 km de distancia um do outro. ?[Battisti] nunca esteve num tribunal para defender-se das acusações e, de volta à Itália, não será ouvido por nenhum juiz?, afirma a colunista no artigo ?Um bode expiatório conveniente à Itália?. Para ela, ?diante de tantas contradições e de tantos fatos mal explicados, fica a dúvida de por que interessa tanto ao governo italiano coroar Cesare Battisti como o bode expiatório de um período negro na Itália, onde não apenas a luta armada enevoou o país, mas as instituições se ajustaram a uma guerra contra o terror usando métodos poucos afeitos à ordem democrática?. EUA subornam políticos e jornalistas O livro recém-lançado ?Legado de cinzas, uma história da CIA?, do jornalista estadunidense Tim Weiner, vencedor do prêmio Pulitzer, confirma a tese de Maria Inês Nassif de que o período em que Battisti participou da luta armada, nos anos 70, foi um dos mais tumultuados e sombrios da história recente da Itália. O clima era de guerra. Com base em inúmeros documentos oficiais, o autor demonstra que o serviço de espionagem e terrorismo dos EUA teve participação ativa no processo político italiano, financiando partidos da direita e realizando ações de sabotagem. ?A CIA gastou vinte anos e pelos menos US$ 65 milhões comprando influência em Roma, Milão e Nápoles?. McGeorge Bundy, diretor da agência, chamou o programa de ações secretas na Itália de ?a vergonha anual?. Thomas Fina, cônsul-geral dos EUA em Milão durante o governo Nixon, confessou que a CIA subsidiou o partido democrata-cristão e deu milhões de dólares para bancar ?a publicação de livros, o conteúdo de programas de rádio, subsidiando jornais e jornalistas?. Ele se jacta que ?tinha recursos financeiros, recursos políticos, amigos e habilidade para chantagear?. Nutro trecho, Tim Weiner revela que a ingerência ianque se intensificou a partir de 1970. ?Com aprovação formal da Casa Branca, houve a distribuição de US$ 25 bilhões a democratas cristãos e neofascistas italianos. O dinheiro foi dividido na ?sala dos fundos? ? o posto da CIA no interior da suntuosa embaixada americana?. Giulio Andreotti ?venceu a eleição com injeção de dinheiro da CIA. O financiamento secreto da extrema direita fomentou o fracassado golpe neofascista em 1970. O dinheiro ajudou a financiar as operações secretas da direita ? incluindo bombardeios terroristas, que a inteligência italiana atribuiu à extrema esquerda?. Como se nota, não houve inocentes neste período sombrio, nem a mídia corrompida pela CIA. Fonte: Blog do Miro ================================================================================================== Mino Carta, a italianidade e o rancor de ocasião Mauro Carrara Num eventual acróstico, combinam nossas iniciais. Assim como foram comuns algumas de nossas crenças no campo político. Como eixo de relação, compartilhamos a bela Itália. Há, porém, é evidente, o que faça prosperar entre nós a saudável divergência. Mino nasceu na Itália, em 1.933, e chegou ao Brasil em 1.946, depois da II Guerra Mundial. Sou um broto (!!), nasci em 1.939, no Brás, o mais paulistano e miscigenado dos bairros, filho de italianos que o fascismo pouco antes expulsara da terra natal. Mino chegou ao Brasil quando contava 12 anos de idade. De alguma forma, como se diz, era um homenzinho sagaz e elegante. Nessa época, tinha eu meus sete anos de idade, vividos entre o ritual católico, o aprendizado das letras em ambiente doméstico e as fugas travessas ao Gasômetro e aos campinhos que sobravam da feroz urbanização da Várzea do Carmo. Mais ou menos quando Mino dobrou de idade, no final dos anos 50, fiz o caminho contrário. Arrumei as malas e parti para a Itália. Lá, fui acolhido e também desprezado. Senti-me de todo italiano e também integralmente estrangeiro. Talvez existam elos entre a minha italianidade e aquela de Mino. No entanto, é certo que sentimos de modo distinto a cultura de nossos antepassados europeus. Em meu caso, essa paixão foi tão ardente quanto dicotômica. Amei demais a Itália dos combatentes garibaldinos, alguns também abrasileirados, cuja coragem amparou as melhores ambições dos insurretos farroupilhas. Odiei demais a Itália dos camisas negras, de Benito Mussolini, exportadores da doutrina fascista. Aprendi a admirar a Itália de Antonio Gramsci e de Ângelo Roncalli (o papa João XXIII), assim como aprendi a temer a Itália enlouquecida por Ítalo Balbo e Giovanni Gentile. Caí de amores pela Itália dos figurantes protagonistas de Pasolini, mas temi seus algozes, talvez os mesmos que, em 1.924, haviam assassinado Giacomo Matteotti. Minha Itália particular é tão santa quanto pecadora. É franciscana e mafiosa. É inteligente como Ítalo Calvino e estúpida como Silvio Berlusconi. Minha italianidade é construída sobre os pilares do antagonismo e da tentativa dialética de compreender o ethos desse povo, tão espetacular em Malatesta e tão idiota em Gianfranco Fini; tão heróica nos partigiani quanto covarde nos terroristas de direita que desenvolveram com explosivos a strategia della tensione. A verdade sobre a guerra suja italiana Aliás, uma sufocada e dolorosa guerra civil teve início na Itália em 1.969, tendo como marco a o atentado de Piazza Fontana, em Milão, que tirou a vida dos inocentes Giovanni Arnoldi, Giulio China, Eugenio Corsini, Pietro Dendena, Carlo Gaiani, Calogero Galatioto, Carlo Garavaglia, Paolo Gerli, Vittorio Mocchi, Luigi Meloni, Mario Pasi, Carlo Perego, Oreste Sangalli, Angelo Scaglia, Carlo Silvia, Attilio Valè, Gerolamo Papetti. Esse episódio inaugurou um terrível período de ação terrorista neo-fascista. A estratégia internacional, da qual participavam importantes autoridades italianas, tinha por objetivo espalhar o pânico e criar demanda popular por um governo com poderes ilimitados, num regime de exceção. A partir desse momento, o céu da Itália manteve-se escuro por muito tempo, naqueles que foram denominados "anos de chumbo". Por anos, grupos assassinos de extrema-direita, como Avanguardia Nazionale e Fronte Nazionale, levaram o terror ao povo italiano. Inúmeras dessas ações eram realizadas pela Operação Gládio, associada à Otan, cujo objetivo seria resistir a uma invasão da Europa Ocidental pela então União Soviética. Como ocorrera em outros casos semelhantes na história européia, os primeiros atentados foram atribuídos a um anarquista. O militante Pinelli foi submetido a interrogatório durante três dias. Depois disso, despencou do quarto andar do prédio do centro de investigação e morreu, num episódio que ainda não totalmente esclarecido. A polícia seguiu no encalço dos anarquistas, responsabilizados publicamente pelo terror. Os atentados promovidos pela extrema-direita, parte dela chapa branca, logo instauraram um clima de desconfiança e insegurança no país, com prisões, torturas e delações premiadas. Pessoas escolhidas pelos aparatos de repressão tinham suas casas invadidas, eram detidas e interrogadas. Em 1.970, recebi uma carta cifrada do amigo Guido Martelli. Dizia que eu, como "estrangeiro" e simpatizante das idéias libertárias, estaria na mira dos investigadores e de agentes do Estado. "Não fiz mal a uma barata", reagi, num imprudente telefonema noturno. "Mas tem o perfil do culpado clássico, além de ser brasileiro", argumentou Martelli. Três dias depois, pisávamos já território iugoslavo, iniciando um período de novas aventuras. O que vem a seguir, pelo menos em minha biografia, interessa menos que o destino na Itália, vítima do terrorismo privado e do terrorismo de Estado, operado também por setores expressivos da mídia. Nesse tempo de trevas, que invade a década de 80, a Itália converteu-se no país das negociatas, do poder paralelo da máfia, das operações criminosas de Licio Gelli e dos pecados do "Banqueiro de Deus", Monsenhor Paul Marcinkus. Essa é a realidade sombria de uma Itália que viveu longo inverno de falsa democracia. Mino Carta certamente não conhece bem a realidade italiana da época. Não sabe dos caíram nem das complexas razões de seus verdugos. E ignora os motivos da quase extinção da esquerda italiana, aos poucos enfraquecida, atemorizada e, depois, cooptada, parte dela hoje oculta sob o manto de um bizarro reformismo cínico. Olhos fechados à realidade brasileira Mino Carta tem desculpas para ignorar a história italiana. Não as tem, entretanto, para desconhecer a realidade brasileira. É espantosa sua emotiva Carta de Despedida, que por vezes resvala no preconceito e em certa arrogância de classe. Lula passa a ser o motivo de suas decepções, muitas delas talvez originadas em pequenos fracassos pessoais. Afinal, Carta acredita piamente que a honestidade e as boas intenções sejam suficientes para lhe atrair o aplauso permanente. Cabe, no entanto, uma série de reparos a sua missiva lamuriosa. Primeiramente, seria pândega imaginar que o governo Lula deveria, em 6 anos, substituir a exportação de commodities por bens manufaturados. Assim como é argumento falacioso botar na conta do presidente barbudo a inoperância das polícias, controladas basicamente pelos governadores. Depois, perverso atribuir ao Bolsa Família o papel de sistema distribuidor de "esmolas". Eitcha, Mino! Até a oposição admite o papel estratégico do programa na dinamização da economia, na geração indireta de empregos e no estabelecimento de novos empreendimentos, especialmente nas regiões tradicionalmente esquecidas pelas elites dirigentes do Centro-Sul. No que tange à distribuição de renda, valem alguns números esparsos, mas esclarecedores. Somente em 2.004, por exemplo, a renda per capita dos mais pobres engordou em 14,1%, ao passo que renda per capita média cresceu 3,6%. À parte o cenário da crise externa e o terrorismo produzido pela mídia, a economia brasileira tem crescido substanciamente e gerado inclusão. Ampliou-se tremendamente a chamada classe média. Segundo o Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (RJ), a renda per capita das pessoas de 15 a 60 anos saltou, em 6 anos, de R$ 514 para R$ 605. O índice Gini, que Mino Carta deveria estudar em seu recesso ressentido, caiu de 0,627, em abril de 2.002, para 0,584, em abril de 2.008. Para quem conhece essa Matemática, o resultado é notável. A denominada miséria trabalhista (a linha das 135 pilas), em abril de 2.004, vitimava 30,4% dos cidadãos na faixa de 15 a 60 anos, nas seis grandes regiões metropolitanas. Em 2.008, esse número havia caído a 18,3%. A classe média compunha uma fatia de 44,19% da população no último ano de governo do FHC. Em 2.008, chegou a 51,89%, segundo o CPS/FGV, com dados do PME/IBGE. Esse número é mais expressivo se levarmos em conta que indivíduos da classe C migraram para as classes A e B. Essa ponta da pirâmide, que tinha 12,99% da população, em 2.002, engordou para 15,52% em 2.008. Os estudos da FGV mostram que em 2.002, 45,72% dos jovens de 20 a 24 anos faziam parte da classe C. Em 2.008, já eram 55,75%. Entre aqueles entre 55 e 59 anos, o número saltou de 37,95% para 45,67%. O rancor é uma arma poderosa, capaz de cegar, paralisar e expor o homem ao ridículo, mesmo quando lhe conduz uma mente prodigiosa. Mino Carta é homem de talento, sábio e que muito tem a contribuir para a construção de um Brasil forte, democrático e pluralista. Que o bravo jornalista se livre do ódio e da vaidade e volte a jogar o bom jogo dos justos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090206/bf8a89a9/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Feb 19 17:51:58 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 19 Feb 2009 18:51:58 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_OCCUPATION_101__=28filme_e_come?= =?windows-1252?q?nt=E1rio=29?= Message-ID: <00e901c992d3$e7f8d950$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...............................................................repassem ----- Original Message ----- From: CARI Sei que corro o risco de estar distribuindo este link para o filme OCCUPATION 101 para muitas pessoas que já o viram, mas tenho de remeter para todos os da minha lista de endereços porque considero a não divulgação dessas informações um crime contra a humanidade. Deixar de divulgar o que contém esse vídeo é similar ao crime praticado por alguém que tivesse condições de fazer algo para evitar o Holocausto, e se negasse a essa atitude. Ninguém deve ignorar a realidade dessas imagens, depoimentos e informações: O texto abaixo é transcrito do site "Observatório da Imprensa". Assista o filme http://video.google.com/videoplay?docid=-4059024493735334793 É impressionante. Não deixe de assistir. Deixe para ler o texto depois. E mais não comento. Ah: o documentário tem quase 90 minutos. Mas deve ser visto. . ============================= MÍDIA & HISTÓRIA Gaza: as vozes silenciadas Por Victor Barone em 27/1/2009 O documentário Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada (2006) é um belíssimo trabalho jornalístico sobre as origens e conseqüências do conflito entre judeus e palestinos no Oriente Médio. Em cerca de uma hora e meia de primorosa edição, pontilhada de entrevistas, imagens perturbadoras e comentários relevantes, o filme - dirigido por Sufyan Omeish e Abdallah Omeish, e narrado por Alison Weir, fundadora da organização If Americans Knew - discute os eventos a partir do surgimento do movimento sionista até a segunda Intifada, passando pelo processo de limpeza étnica da Palestina, as relações entre Israel e Estados Unidos e as violações dos direitos humanos e abusos cometidos por colonos e soldados israelenses contra os palestinos. O documentário mostra, em primeiro lugar, que o conflito entre o Estado de Israel e os palestinos é mais um episódio no qual uma minoria étnica é levada a um estado de rebelião devido à impossibilidade de subsistir enquanto povo ou nação. "Qualquer violência por parte de uma população não ocorre porque esta população é mais violenta que outra, mas é um alarme, um aviso, um sinal de que há algo errado no tratamento dado a esta população." A frase - da jornalista israelense Amira Hass(do Ha´aretz) - com a qual o filme é iniciado e o comentário de Alison Weir, que vem em seguida, introduzem o observador a uma realidade com a qual os ocidentais não estão acostumados a serem confrontados: "A mídia ocidental retrata a violência no Oriente Médio como se fosse algo intrínseco à cultura e a região, colocando o conflito entre Israel e Palestina como se fosse um problema antigo e sem solução. Isso ocorre porque ouvimos apenas uma parte da história", afirma a ativista. Segundo Douglas Dicks, integrante da Catholic Relief Services,em Jerusalém, o principal mito que os ocidentais sustentam a respeito do conflito entre árabes e judeus é que ele teria raízes milenares e que ambos os povos continuariam lutando pelos anos vindouros por conta disso. Ex-embaixador dos Estados Unidos na Arábia Saudita (1973/1975), James E. Akins considera esta afirmação "bizarra" e reforça as afirmações de Weir e Dicks. Para ele, "basta ler um pouco de história para descobrir que isso não é verdade", e completa: "Não existe um conflito congênito histórico entre árabes e judeus." O artigo a seguir é uma compilação dos depoimentos e narrativas de Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada, acrescida de comentários e informações adicionais cujo objetivo é tornar mais claro o tema.Origens do conflito Os judeus migraram para o mundo árabe quando começaram a ser perseguidos de forma sistemática em toda a Europa, no final do século 19. "Então, judeus europeus tentaram achar uma solução para o problema. Uma minoria destes ativistas era sionista, ou seja, defensores da idéia segundo a qual o único lugar seguro para um judeu seria em um Estado Judeu", explica o professor Rashid Khalidi, da School of International and Public Affairs, da Universidade Columbia. Este Estado, segundo os projetos dos judeus sionistas, seria implantado na Palestina. Ocorre que, diferentemente do que eles apregoavam, de que Israel seria "uma terra sem povo para um povo sem terra", a Palestina não estava desocupada. "A sociedade judaico-israelense dominante acredita, pois assim ela foi educada, que a Palestina estava desocupada quando os colonos judeus vieram para cá", lembra o historiador israelense Ilan Pappé, da Universidade de Exeter. Mas, como dissemos anteriormente - e isso vale ser repetido a exaustão - a Palestina não estava desocupada. Era uma terra povoada por árabes com alto grau de cultura e educação, com fazendas e mercados, vilas e cidades, com estradas, comércio e muita interação com o resto do mundo. "Quem pagou o preço pelos colonos? É verdade que se tratava de uma terra sem povo para um povo sem terra?", questiona Phyllis Bennis, integrante do Institute for Policy Studies e membro do U.S. Campaign to End Israeli Occupation. A resposta é óbvia: o preço foi pago pelos palestinos. Em 1878 havia quase meio milhão de árabes muçulmanos e cristãos na Palestina - 96,8% da população local. Entre 1882 e 1914, seguindo o sonho sionista, 65 mil judeus europeus chegaram à região em uma movimentação populacional que cresceu depois da I Guerra Mundial, quando a região estava sob o domínio britânico. Quando os britânicos implementaram a Declaração Balfour, que prometia aos judeus uma nação na Palestina - indo contra as declarações anteriores de autodeterminação para os habitantes árabes da região - ajudaram os sionistas a estabelecerem a estrutura básica do Estado israelense e, ao mesmo tempo, negaram esta autodeterminação aos árabes que já residiam ali. Ou seja, os palestinos observaram, impotentes, um poder europeu decidir sobre o destino de um território não europeu, ignorando sua presença e interesses.Expulsão forçada sistemática Com o passar dos anos, paulatinamente, judeus de toda a Europa tomaram o rumo do Oriente Médio. Em 1922, os árabes muçulmanos e cristãos na Palestina eram 757,182 (87,6% da população) e os judeus 11%. Na década de 20, a terra começou a mudar de mãos, dando início aos primeiros conflitos entre palestinos e judeus. Entre 1920 e 1931, outros 108.825 judeus chegaram à Palestina. Em 1931, árabes, cristãos e muçulmanos eram 1.035,154 (81,6% da população), contra 17% de judeus. Com a II Guerra Mundial e o advento do nazismo, a migração tomou impulso. Entre 1932 e 1936, mais 174 mil judeus chegaram à região, dobrando a população judaica e, entre 1937 e 1945, outros 119.800 judeus desembarcaram na Palestina. Na tentativa de amenizar os crimes nazistas, a intenção de fazer da Palestina um Estado judeu se fortaleceu e encontrou apoiadores entre os países aliados. "Só que os palestinos não eram nazistas, nada tinham a ver com o holocausto. Mas foram eles que pagaram o preço", afirma Phyllis Bennis. Em 1947, o conflito entre palestinos e judeus saiu do controle e a Inglaterra - que até então dominava a região - retirou-se do cenário, passando o problema para as Nações Unidas que, sob pressão, propôs dividir o território da Palestina em dois Estados, um árabe e um judeu. Aos árabes seria dado 43% da terra, apesar de representarem 2/3 da população e possuírem 92% do território; aos judeus seria concedido 56% do território, apesar de serem 1/3 da população e possuírem menos de 8% da terra. "Os judeus não apenas ganharam a maior parte da terra, mas a maioria das terras férteis", lembra Rashid Khalidi. Os líderes sionistas, através da superioridade militar, começaram então a ocupar importantes cidades árabes na Palestina, iniciando um processo de sistemática expulsão forçada dos árabes muçulmanos e cristãos que ali residiam.Ponto de inflexão "Eu estava entre as pessoas que conquistou a cidade de Acre. Estávamos andando pela cidade e entramos em um apartamento onde havia um par de sapatos de uma criança pequena, de cerca de dois anos de idade. Eles não tiveram tempo de pegar os sapatos e os deixaram lá. Eles deixaram tudo", relembra Hava Keller, ex-soldado israelense e membro da Woman´s Organization for Political Prisoners. Neste período, as pessoas foram simplesmente expulsas de suas casas, iniciando um movimento sem precedentes de refugiados na região. A população árabe começou a ser repelida em um processo de limpeza étnica e confrontos que geraram massacres como o da vila Deria Yassin, onde mais de 100 homens, mulheres e crianças foram assassinados pelas forças israelenses. A partir daí, o pânico se instaurou e 300 mil refugiados palestinos começaram a vagar pela região antes mesmo que qualquer plano pudesse ser traçado para atenuar o drama humano inerente à divisão daquela terra milenar em dois países. Então, em 15 de maio de 1948, Estados árabes visinhos a Israel - que já não viam com bons olhos a criação de um Estado Judeu ao seu lado - intervieram, enviando 68 mil soldados contra 90 mil soldados israelenses. Como conseqüência da derrota árabe que logo se consolidaria, o exército de Israel ocupou a maior parte do que seria o Estado Palestino proposto pela ONU, dominando 78% da Palestina. A Cisjordânia ficou sob o controle da Jordânia e a Faixa de Gaza sob o domínio dos egípcios. Este é o ponto de inflexão da moderna tragédia palestina. Depois do cessar-fogo, 700 mil palestinos tornaram-se refugiados, vivendo em campos, isolados e sonhando em voltar para as suas casas, que agora estavam em território israelense.Violação de convenções e resoluções Nos meses seguintes, no entanto, a maioria das vilas palestinas localizadas em Israel e nos territórios agora ocupados foi reduzida a pó e substituída por assentamentos judeus ou terras para agricultura. Das 500 vilas palestinas dentro de Israel em 1948, 400 foram destruídas, o que foi denunciado pela ONU como flagrante violação das leis internacionais. Israel passou a incorporar os territórios ocupados, expulsando seus habitantes e desrespeitando o direito internacional que rege a relação entre exércitos invasores e povos sob ocupação. Os acontecimentos de 1948 foram definitivos para o Oriente Médio. Deste ponto em diante, a instabilidade reinou na região e levou à guerra de 1967, na qual Israel ocupou o restante da Palestina histórica, o que é conhecido hoje como Cisjordânia e Gaza. Mais 400 mil palestinos foram desalojados de suas vilas e cidades e metade dos refugiados de 1948 foram desalojados pela segunda vez em menos de 20 anos. Para os palestinos, havia ficado claro que o mundo não iria defender sua causa. Eles viviam como cidadãos de 3ª classe, em um Estado que os havia excluído pela identidade, vivendo em territórios ocupados e no estrangeiro, onde continuaram como refugiados despossuídos. A ONU emitiu diversas resoluções afirmando seus direitos, líderes árabes defenderam verbalmente sua causa, mas todos falharem em agir de forma concreta. A pouca importância atribuída por Israel à ONU é histórica. O país não segue de forma alguma a lei internacional e é sempre bom lembrar que a ocupação dos territórios palestinos é ilegal. Trata-se de uma violação da 4ª Convenção de Genebra, segundo a qual a um exército de ocupação não é permitido construir assentamentos, estradas, expropriar terras, deportar pessoas, restringir sua liberdade de movimento, arrasar a economia do país ocupado ou colocar o seu povo na pobreza e no desemprego. Israel é o país que mais violou as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos, por sua vez, usaram seu poder de veto mais de 40 vezes nas Nações Unidas para defender Israel quando este violou leis internacionais.Revolta, pedras e tanques Finalmente, em 1987, os palestinos reagiram em um levante chamado Intifada (a revolta das pedras), na qual grupos de palestinos - a maioria, muito jovem - enfrentou as forças israelenses a pedradas. Para conter as manifestações, o primeiro-ministro de Israel, Itzhak Rabin, adotou a estratégia batizada de "Quebrar Ossos", na qual soldados israelenses quebravam braços e pernas de manifestantes palestinos presos - o que foi documentado diversas vezes por jornalistas ocidentais. Durante a Primeira Intifada, entre dezembro de 1987 e dezembro de 1993, 1.100 palestinos foram mortos - entre eles, 256 crianças -, assim como 114 israelenses - entre eles cinco crianças. Milhares de palestinos foram encarcerados. Desde 1967, mais de 400 mil foram presos por Israel - muitos sem acusação formal -, sofreram abusos físicos, tortura e estupro. No final de 1993, os palestinos entraram em um processo de paz com Israel que levou à assinatura do Tratado de Oslo, onde o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, e o primeiro-ministro israelense, Isaac Rabin, apertaram as mãos diante do presidente estadunidense Bill Clinton, no dia 13 de setembro do mesmo ano. Mas o que parecia um processo de paz era, na verdade, uma fina casca a esconder a continuidade do conflito. "Há uma falsa idéia de que os tempos de Oslo foram tempos de paz", explica a jornalista Amira Hass. "Naquele período, enquanto supostamente estava em andamento um tratado de paz, a situação dos palestinos ficou ainda pior. Os deslocamentos entre os territórios ocupados tornaram-se ainda mais difíceis. A realidade é que esta foi uma nova forma de dominação dos israelenses sobre os palestinos", complementa Phyllis Bennis. "Direitos econômicos e sociais são os direitos de se ter saúde, trabalho, educação, etc. Estas áreas pioraram para a maioria dos palestinos", lembra Roger Normand, do Center for Economic and Social Rights. De acordo com Allegra Pacheco, advogada e ativista israelense pelos direitos humanos, "todos os indicadores econômicos palestinos caíram durante Oslo, durante os processos de paz".Uma instituição corrompida O professor Rashid Khalidi sustenta que os assentamentos judeus nas áreas ocupadas continuaram a se expandir mesmo durante as negociações, dobrando sua população de 200 para 400 mil pessoas. Enquanto o controle israelense se expandia, a Autoridade Palestina caía nas armadilhas do poder. As dificuldades para transformar o território palestino, mesclado por assentamentos israelenses, em uma nação, eram imensas. Além disso, eles não tinham autoridade alguma de fato e virtualmente poder algum. Seu poder era legitimado por Israel e podia ser cancelado a qualquer momento. O antropólogo Jeff Halper, membro do Comitê israelense contra a demolição de casas, afirma que os palestinos nas áreas ocupadas sempre estiveram totalmente alijados de meios de administrar a si mesmos: "Eles não ocupam nenhuma posição de destaque em sua própria comunidade. Não estão nos conselhos e muito menos nas administrações, seja na Cisjordânia ou em Gaza. As políticas são feitas para manter o controle israelense, é tudo muito cínico, para impedir os palestinos de crescerem e mantê-los isolados em bolsões. Assim, a maioria dos territórios ocupados está livre para a implantação de assentamentos israelenses." "É muito conveniente acreditar que não há ocupação alguma. Quantos aspectos de sua vida são determinados por outras pessoas? Isso é ocupação. Nas últimas décadas, Israel pôde determinar todos os aspectos da vida dos palestinos. E os palestinos ouviram Arafat dizer dez, 100 vezes, que Ramallah estava livre, que Gaza estava livre. Como poderiam estar livres com um exército a sua volta? Os líderes palestinos falaram muito superficialmente sobre a situação, sobre a realidade e estavam escondendo os fatos da grande maioria da população e isso foi um desastre", explica Amira Hass. Rashid Khalidi reforça: "Estes abusos, esta violação da confiança da população estavam ocorrendo regularmente desde o início do processo de Oslo. Ao invés de terem uma verdadeira Autoridade, havia esta instituição corrompida, que cumpria tarefas determinadas por Israel, policiando os palestinos, evitando que eles continuassem resistindo à ocupação."Discrepâncias de Oslo "Eles desperdiçaram muito dinheiro que a comunidade internacional doou para reconstruir as vilas e reverter a pobreza em que as massas palestinas viviam", analisa o relator especial das Nações Unidas para a situação dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel, Richard Falk. Enquanto a mídia contava ao mundo que um processo de paz estava em andamento, Israel continuava sua política de demolição de casas nos territórios ocupados. Desde 1967, cerca de 12 mil casas palestinas já haviam sido demolidas. Destas, 740 foram demolidas durante o processo de paz de Oslo, deixando claro que os palestinos jamais voltariam para suas terras. Ex-embaixador dos Estados Unidos em Israel (1997/1999), Edward Walker aponta as discrepâncias de Oslo: "O que ocorria era uma demanda justa dos palestinos durante os processos de paz, enquanto os israelenses tomavam mais territórios por meio dos assentamentos, se instalando em lugares que estavam sob negociação."Segunda Intifada Desesperados para pôr um fim à ocupação, os palestinos voltaram para a mesa de negociação em 2000, mas, novamente, os esforços pela paz não foram bem sucedidos. "Israel ofereceu 95% da Cisjordânia, mas foi repelido. A suposição é que tendo 95% da terra você tem 95% da soberania. É muito fácil comparar isso com uma prisão. Se você olhar a planta de uma prisão, parece que os prisioneiros dominam o lugar. Eles têm 95% da área: as áreas de convivência, pátio de exercício, refeitório, áreas de trabalho. Tudo que as autoridades têm é 5%. É o controle", compara Jeff Halper. "Nós não achávamos que eles iriam jogar fora esta chance, mas eles se desligaram, pois não havia nada a jogar fora. Pois há uma constante expropriação da terra, desmatamento, construção de estradas. Junto a isso há uma injusta divisão da água, deixando muitas famílias (palestinas) com apenas duas horas de água por semana no verão. Ao lado você tem um assentamento com piscinas e estufas. O que você espera que estas pessoas pensem?", questiona o rabino Arik Ascherman, do grupo israelense Rabbis for Human Rights. Esta sensação de exclusão explodiu em setembro de 2000, na segunda Intifada. "O que chamamos de segunda Intifada é essencialmente uma mobilização de resistência contra o sistema de opressão e ocupação. Israel, no início destas demonstrações, fez uso da força. Usou munição real contra manifestantes desarmados, causou muitas mortes e centenas de baixas nos primeiros dias", afirma Falk. Nos primeiros 10 dias, as forças de segurança israelenses mataram 74 palestinos e feriram cerca de 3.000. Muitas vítimas eram crianças. "Temos muitos casos documentados e evidências de que as forças israelenses dispararam contra grupos de crianças", aponta Sharon Burke, diretora de advocacia da Anistia Internacional.Uma prisão virtual Os israelenses também sofreram com ataques suicidas, emboscadas a colonos e muitos foram mortos. "Quando houve um horrível ataque suicida na Praça da Paz, em Jerusalém, eu fui visitar algumas das crianças feridas no hospital e foi horrível. Foi horrível ver o que havia acontecida àquelas crianças", desabafa Rabbi Rebecca Lillian, da organização Jewish Alliance for Justice and Peace. "Você vê sangue, vê a agonia das famílias, é isso o que o mundo vê. Mas você não pode tirar isso do contexto geral, e o contexto é o da ocupação israelense, que pode não parecer brutal, mas é, sim, muito brutal e torna a vida das pessoas impossível", afirma a jornalista Amira Hass. Para Jeff Halper, "é preciso mudar a noção sobre Israel". Segundo ele, "Israel gosta de vender a idéia de que é uma nação pacifica cercada por um mar de árabes hostis e que quer apenas a paz". Na verdade Israel é a 5ª maior potência nuclear do planeta, possui entre 200 a 300 ogivas nucleares e é uma superpotência na região. O uso da força excessiva contra a população civil pelo exército israelense é historicamente desproporcional e por isso as vítimas do confronto são, em sua maior parte, gente comum, desarmada e inofensiva. De setembro de 2000 a fevereiro de 2007, 4.009 palestinos foram mortos pelo exército israelense enquanto 1.021 israelenses pereceram por meio da ação armada dos palestinos. Entre as vítimas palestinas, 816 eram crianças. Os israelenses contabilizaram a morte de 119 crianças. Em agosto de 2005, Israel desmantelou os assentamentos e postos militares em Gaza, re-alocando os colonos em outras regiões. A mídia israelense se referiu a isso como um "sacrifício sem precedentes", mas, na verdade, foi uma simples concordância de Israel em cumprir a lei internacional. A evacuação dos colonos de Gaza atingiu apenas 2% do total da população de colonos israelenses e a cada um deles foram prometidos 270 mil dólares para se re-alocarem. Um custo total de 2 bilhões dólares, uma despesa que Israel pediu aos EUA que pagassem. A presença de Israel em Gaza ficou pouco visível, mas os israelenses mantiveram o controle sobre toda a fronteira, o litoral e o espaço aéreo, criando uma prisão virtual na qual 1,5 milhão de pessoas tentavam viver em meio à pobreza.Uma população sem opção Assim que Israel se retirou de Gaza, iniciou um processo de confisco de terras palestinas adicionais na Cisjordânia e continuou a construção de um muro de separação entre os refugiados e os assentamentos israelenses localizados nas terras palestinas. Este muro tem o dobro da altura do Muro de Berlim e é quatro vezes mais longo que este. Ele atravessa vilas, separa trabalhadores de seu trabalho, separa civis da assistência médica e da educação, separa fazendeiros de suas terras e famílias de seus amados. "Você tem este enorme muro sendo construído bem no meio da Cisjordânia, como alguém pode acreditar que haverá um estado palestino ali? É um símbolo da opressão", afirma o rabino Michael Lerner, da Tikkun Community. A intenção de negar aos palestinos uma nação fica mais clara nas palavras do major-general Ya'ir Naveh, líder das forças de ocupação de Israel na Cisjordânia: "Nós não temos intenção de deixar a Judéia e Samaria (Cisjordânia). Nós permaneceremos aqui, de uma maneira ou outra, por centenas e milhares de anos." Hoje, há aproximadamente 420 mil colonos israelenses vivendo dentro da Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Diante de tudo isso, em janeiro de 2006, insatisfeitos com os rumos da "democracia" concedida pelos israelenses, exasperados com a sua inviabilização enquanto nação, com a manutenção dos assentamentos e a corrupção interna da Autoridade Palestina, os palestinos votaram pela saída da OLP do governo dando ao Hamas os assentos necessários para obter a maioria do parlamento. "Os israelenses não vêem que é assim que se cria o terrorismo? Não entendem que sendo tão opressivos para com a população civil, fazem com que ela se veja sem opção?", questiona Kathy Kamphoefner, representante da Quaker International Affairs em Jerusalém.Terrorismo ou reação? O Hamas é uma organização extremista, baseada no fundamentalismo islâmico, que não reconhece o Estado de Israel. Dificilmente tal organização encontrará apoiadores entre a democracia ocidental ou entre os que defendem os direitos humanos. No entanto, apesar de ter eleito o Hamas nas últimas eleições, a população palestina não pode ser responsabilizada nem punida por isso, muito menos sua reação à ocupação pode ser classificada como terrorismo. O uso de homens-bomba, seja contra alvos militares ou populações civis, tem sido uma das principais críticas feitas contra os militantes do Hamas. Para Richard Falk, o uso deste tipo de estratagema retrata um ato de desespero: "É a arma dos fracos", resume. Peter Boukaert, diretor de emergências da Human Rights Watch, considera que há uma clara relação entre os abusos contra os direitos humanos cometidos por Israel na Cisjordânia e em Gaza e a resposta dos militantes palestinos a estes abusos na forma de ações extremistas. Uma reportagem que examinou os antecedentes de 87 militantes palestinos suicidas concluiu que "homens-bomba freqüentemente experimentaram traumas pessoais relacionados às forças israelenses, fazendo-os voluntários na seqüência da morte ou ferimento de um membro da família". "A violência começou com a ocupação e a oposição é a resistência a esta ocupação. Esta violência é legítima em qualquer lugar do mundo. Posso discordar de alguns atos da resistência, acho algumas táticas estúpidas, mas não posso condenar a reação em si", justifica Peretz Kidron, do grupo israelense pela paz Yesh Gvul.O paralelo sul-africano Para Rashid Khalidi, os ataques a civis israelenses "são estúpidos, imorais e improdutivos para a causa palestina". "Eles deveriam parar", opina. No mesmo tom, o dr. Iyad Sarraj, diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental da Faixa de Gaza, condena o uso do terrorismo e mesmo de qualquer tipo de violência: "Nós não deveríamos usar a violência, não importa como, pois isso destrói nossas intenções e a nossa posição, que tem um alto padrão moral. Nós somos as vitimas. E o mundo pode não entender que somos as vítimas", afirmou. Um paralelo comum entre a situação dos palestinos nos territórios ocupados por Israel é com a situação dos negros na África do Sul durante o regime do apartheid. Para Richard Falk, a situação dos palestinos é ainda pior. "Trata-se de uma comparação desagradável e incômoda, mas tendo visitado a África do Sul naquele período, devo dizer que eles (os negros) estavam bem melhor que os palestinos que vivem hoje em campos de refugiados", afirma. Um discurso de Nelson Mandela na ONU também pode ser visto como reforço para esta explicação dos motivos que levaram a deflagração da violência na Palestina, em especial a reação dos palestinos contra a ocupação israelense. "Nós fomos encarcerados porque era impossível ficar sentados e esperar enquanto a obscenidade do apartheid estava sendo imposta sobre o nosso povo", disse o líder sul-africano.Ocupação e colonização Para Phyllis Bennis "o conceito de ocupação é de difícil entendimento para os ocidentais". Ela explica: "Ocupação é quando um exército estrangeiro ocupa sua terra e controla todos os aspectos da sua vida." "Os palestinos estão sob ocupação e é por isso que há tanta violência. É o que ocorre com eles há décadas. Eles não são cidadãos, não têm direitos civis, nascem, crescem e morrem sob lei marcial", afirma Allegra Pacheco. No mesmo tom, Richard Falk destaca o caráter opressivo dos assentamentos israelenses frente aos palestinos: "Há cerca de 190 assentamentos israelenses espalhados na Cisjordânia. São colônias estratégicas construídas por Israel, conectadas por estradas, e que separam as comunidades palestinas uma das outras impedindo sua reintegração aos proprietários originais e confirmando a intenção expansionista israelense." O bispo católico da diocese Washington, Allen Bartlett Jr., reforça: "Os assentamentos israelenses são áreas palestinas, as melhores terras e recursos hídricos, que são selecionadas, destruídas e substituídas por uma nova cidade para abrigar os colonos judeus." Os assentamentos são construídos próximos as melhores terras e recursos hídricos. São cercados por arame farpado e seus moradores recebem equipamento militar, sendo defendidos externamente pelo próprio exército israelense. "O seu principal propósito é manter o controle israelense sobre o território ocupado", afirma Pacheco. Para Jeff Halper, "a finalidade é fazer com que os palestinos saiam do país". E vai além: "Sei que este é um termo duro, mas trata-se de limpeza étnica."Dois tipos de colonos "O governo e os militares israelenses não estão lidando com o povo palestino como iguais. Acho que este é o principal problema. Os israelenses não consideram os palestinos seus iguais", opina Yael Stien, do grupo israelense de direitos humanos B´Tselem. "Penso que, moralmente e praticamente, a única forma de parar toda esta violência é tratar de sua causa primária, a ocupação", sustenta Adam Keller, membro do Gush Shalom, grupo israelense que luta pela paz na região. Para a Rabbi Rebecca Lillian, os israelenses não percebem a desigualdade entre os colonos e os palestinos nas regiões ocupadas: "No lado israelense, nos assentamentos, há comida, luz, água, gás, lazer, coleta de lixo, tudo o que seus vizinhos palestinos não têm por causa da ocupação militar." Lingüista e professor do Massachusetts Institute of Technology, Noam Chomsky relata a sensação do gueto vivida pelos palestinos: "Em Hebron, por exemplo, uma cidade árabe onde há alguns judeus, os colonizadores andam com fuzis como se fossem donos da cidade. Vão às vilas palestinas, queimam suas plantações, destroem suas casas, agridem os palestinos". Kathleen Kamphoefner, afirma que é comum mulheres palestinas serem açoitadas pelos colonos nas ruas sem motivo aparente para a agressão, se é que há motivo para se açoitar uma mulher. O governo não tenta conter os colonos. De todos os casos em que estes mataram palestinos os acusados acabaram recebendo anistia ou penas curtas. Em muitos casos o exército simplesmente acoberta os abusos. "Muitos palestinos se sentem reféns dos colonos", resume Yael Stein. "A finalidade é tornar as coisas tão difíceis para os palestinos que qualquer um que queira um futuro para seus filhos, que queira viver bem, que queira viver uma vida normal será obrigado a sair", resume Jeff Halper. Segundo Adam Keller, há dois tipos de colonos: os ideológicos, que pensam que todo o território foi prometido por Deus aos judeus e que cada lugar mencionado na Bíblia pertence a eles; eles consideram que não têm apenas o direito, mas o dever de ocupar o território e acabar pela força com qualquer um que se oponha a isso; e o outro tipo, que representa a maioria dos colonos, são israelenses comuns que vêm para os assentamentos simplesmente por que o governo oferece moradia barata e vantagens financeiras, tais como a suspensão do pagamento dos empréstimos governamentais adquiridos para sua instalação nas terras aos que permanecerem na região por mais de dez anos.Estratégia de Dominação Israel estabeleceu postos de controle por toda a Cisjordânia fazendo com que os palestinos esperem horas para percorrer distâncias curtas. Nem mesmo a liberdade de ir e vir é garantida a eles. O acesso ao trabalho, a hospitais, escolas ou qualquer estrutura que compõe a vida civil de milhões de pessoas, é cerceado diariamente, violando um direito fundamental da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O maior problema são as pessoas que precisam de cuidados médicos. Há inúmeros casos documentados de pessoas que morreram nas barreiras tentando chegar a um hospital. "Registramos muitos casos de pessoas que morreram por não conseguirem ultrapassar as barreiras. O caso mais recente foi o de uma mulher grávida que estava trabalhando e não permitiram que ela fosse ao hospital. Ela e seu bebê morreram", revela Sharon Burke. A ativista expõe os riscos e situações vexatórias por que passam os palestinos que simplesmente tentam se locomover entre os territórios ocupados e os assentamentos israelenses: "Você tem jovens recrutas israelenses nestas fronteiras, que ficam ali sentados, vendo as pessoas passarem e com autoridade para prender qualquer um, por qualquer razão. Podem detê-lo por horas e constrangê-lo de todas as formas. Isso atinge violentamente a população civil e não os terroristas, atinge gente que não está envolvida em qualquer ataque a civis ou ao exército de Israel", explica Burke. "Se pessoas que realmente precisam chegar a hospitais são barradas pelo exército, imaginem o que ocorre com gente comum que quer ir trabalhar, às compras, ou simplesmente visitar amigos", exemplifica Yael Stien. Segundo ela, é em Gaza que as humilhações perpetradas aos palestinos ultrapassam todos os níveis: "Lá, os bairros foram demolidos, centenas de pessoas não têm mais casa, pois moravam próximos dos assentamentos, próximos da fronteira. Claramente é uma violação dos direitos humanos." A estratégia israelense de dificultar a vida das pessoas fez com que as famílias palestinas tivessem que encarar uma queda substancial na sua renda, já que a maioria dos palestinos trabalha em Israel. De acordo com estimativas do Banco Mundial, o desemprego atinge 53% da população palestina e 75% dos palestinos vivem em estado de pobreza, com menos de dois dólares por dia.Uma punição coletiva O sistema educacional também é afetado em todos os níveis. As universidades palestinas estão sempre sujeitas a serem fechadas pelos israelenses por tempo indeterminado. Durante a primeira Intifada, por exemplo, a Birzeit University ficou fechada por cinco anos. "Durante este tempo, organizamos o que o exército israelense chama de `células ilegais de educação´. Estávamos ensinando em apartamentos, igrejas, mesquitas, jardins, carros e mantemos esta infra-estrutura para minimizarmos os danos e darmos continuidade a universidade", revela o dr. Albert Aghazarian, da Birzeit. "Em lugares como os Estados Unidos, as pessoas não entendem o que passamos aqui, simplesmente porque essa experiência está além de sua vivência. O mais impressionante não é que existam casos de estudantes suicidas entre os palestinos, mas que alguns estudantes tentam seguir em frente em meio ao caos", opina. Campos de refugiados, mesmo sem conflitos militares, são lugares horríveis. A superlotação em Gaza, por exemplo, faz com que um cômodo seja dividido por 14 a 25 pessoas. Não há espaço para as crianças, apenas becos, não há árvores, apenas concreto. Muitos palestinos nasceram, cresceram e continuam a viver nos campos de refugiados por toda a Palestina ocupada. Em 1938 eles eram mais de 750 mil. Hoje chegam a quase 4,5 milhões. Falk relata sua experiência na região: "Uma coisa que nos foi dita em Gaza por um psicólogo palestino muito respeitado e que havia acabado de concluir um estudo com mil crianças palestinas, é que muitas destas crianças não têm mais vontade de viver. Elas estão desumanizadas, afetadas por verem seus pais serem surrados por soldados israelenses. Esta condição psicológica é uma das dimensões deste conflito que não são completamente entendidas." Isso tudo ocorre como uma punição coletiva sobre o povo palestino, uma vingança contra a ação dos extremistas e, principalmente, como estratégia para tornar insuportável a vida nos territórios ocupados. "É como viver em uma prisão gigantesca", afirma Falk. O resultado final, objetivo claro de Israel, é ocupar toda a região, não dando aos palestinos outro destino qualquer que o de deixar suas terras ancestrais.Israel e EUA Israel recebe mais assistência econômica dos Estados Unidos do que todos os demais países do mundo juntos. Do total de recursos doados pelos Estados Unidos anualmente, Israel recebe 1/3. De 1949 a 2006 a ajuda dos estadunidenses ao seu aliado chegou a 108 bilhões de dólares. Isso significa de 2 a 3 bilhões de dólares por ano, ou 6 a 8 milhões de dólares por dia. "Tudo que Israel faz nos territórios ocupados é pago com impostos americanos, cujos recursos servem para dar a eles apoio financeiro e militar", denuncia Noam Chomsky. Em março de 2003, o governo dos Estados Unidos aprovou uma ajuda de 10 bilhões de dólares para Israel. Ao mesmo tempo, negou auxílio de 3,6 bilhões para melhorar o treinamento de membros de grupos de socorro que primeiro respondem a ataques terroristas em território estadunidense. Gastando estes 10 bilhões em ações internas, o governo poderia ter provido atendimento em saúde para mais de quatro milhões de crianças que hoje não tem acesso a uma saúde adequada dentro dos Estados Unidos, ou custear as despesas para que cerca de 1,5 milhão de crianças participassem do programa Headstart, um tipo de reforço escolar, ou até mesmo ajudar estados com grandes problemas financeiros em meio a grave crise financeira e fiscal. Para Richard Falk, esta ajuda não se dá apenas devido aos bem organizados lobbies pró Israel em atuação no Congresso dos EUA, mas representa o ponto de vista do governo que vê em Israel um aliado estratégico e indispensável para controlar e exercer influência na região do Oriente Médio. "Israel não faria o que faz sem a ajuda americana", resume James Akins. "A relação entre Estados Unidos e Israel é única no Congresso. Em 22 anos que servi ali, nunca houve um momento em que se discutiu a política dos EUA no Oriente Médio. Era sempre `o que Israel quer?´ e quase sempre o Congresso deu o que eles queriam, sem qualquer debate, sem qualquer consideração. Este tipo de política existe devido a vários pontos. Um deles é lobby dos EUA para com Israel, através do Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel (Aipac, em inglês). Esta instituição tem um orçamento milionário, mantém um grupo de lobistas trabalhando no Congresso, que legisla o processo, que conhece as pessoas e atua em favor de Israel", explica o ex-congressista estadunidense (1961-1983) Paul Frindley. "Os congressistas imaginam que se você se opuser a Israel será derrotado nas próximas eleições", resume Akins. Entre 1978 e 2006, os Comitês de Ação Pró-Israel contribuíram com US 43.724.035,00 milhões para a campanha de candidatos que se comprometeram a votar de acordo com as orientações da Aipac no Congresso estadunidense. Informação manipulada Frindley cita outro aspecto interessante do apoio incondicional que os estadunidenses concedem a Israel. Trata-se de um conceito de fundo religioso: "Outro fator deste apoio é a comunidade cristã fundamentalista (como a Christian Coalition of América). Os fundamentalistas, representados por pastores de tevê, acreditam que um Israel mais forte é parte dos planos de Deus. Eles acreditam que um dia virá em que uma batalha ocorrerá no Oriente Médio, como no Armagedon, com as forças da verdade e da justiça de um lado e as forças do mal do outro lado. E nesta luta, os cristãos, liderados pelo Cristo em sua segunda vinda irão prevalecer. Todos os judeus ou serão destruídos ou imediatamente convertidos ao cristianismo. Este ponto de vista pode ser encarado de forma não convencional, mas, acredite, é amplamente apoiada por milhões de americanos." Esta visão apocalíptica é defendida, por exemplo, pelo reverendo Pat Robertson, que disse ter tido uma visão na qual os cristãos americanos deveriam ajudar Israel: "Não importa o que aconteça, não importa o que eles (os judeus) façam, esta é a vontade de Deus", afirmou. Professor de história, teólogo e membro do grupo Christians and Muslims for Peace, o dr. William Baker discorda: "Eu, como cristão e pastor, rebato esta tese, não em meu nome, mas em nome de 120 milhões de cristãos. Como ele ousa dizer que podemos apoiar injustiça e opressão? Nós não podemos!" A mídia estadunidense tem uma responsabilidade direta na manutenção do suporte a Israel, escondendo grande quantidade de informações: "É o clássico caso da mentira por omissão", afirma Alison Weir. Segundo ela, importantes declarações de diplomatas americanos, senadores e líderes militares não são reportadas ao grande público, ou são simplesmente retiradas das reportagens. "A informação está sendo manipulada", afirma. "Esta influência sobre o Congresso prejudica o direito de livre expressão e do debate aberto, o que considero muito destrutivo para as nossas instituições e para o nosso melhor interesse nas questões mundiais", conclui Frindley.Anti-semitismo? Uma das principais estratégias adotadas por Israel para desclassificar as críticas contra seus métodos de dominação sobre os palestinos e suas terras é imediatamente classificá-las como reações anti-semitas. Trata-se de um engodo, de uma manobra que tenta imprimir um caráter ilegítimo a denúncias que são confirmadas por pessoas e entidades que historicamente nunca tiveram posturas deste gênero, mas sim de luta por causas humanitárias. "Criticar as políticas israelenses de assassinar pessoas e atirar em crianças não é racismo, é afirmar a humanidade", afirma Allegra Pacheco. "Nós temos que dizer a verdade sobre o que está ocorrendo. E dizer da forma mais clara possível (aos israelenses), se vocês continuarem pactuando com isso vão destruir a si mesmos. Nenhum inimigo destruirá vocês. Vocês irão para o seu próprio fim pelo método que usam contra inocentes", conclui Adam Keller.Crimes de guerra Occupation 101: Vozes da Maioria Silenciada nos oferece uma tenebrosa idéia do que é ser um palestino em um território ocupado pelos israelenses. Talvez seus produtores tivessem, no entanto, a esperança de que, alguns anos depois de finalizarem o filme, o mundo estivesse mais consciente e propenso a exigir um basta no terrorismo de Estado promovido por Israel. Infelizmente, as forças do poder político-econômico ainda logram manter um véu de ilusão sobre a mídia internacional e boa parte da civilização ocidental. Os resultados desta cegueira e desta omissão estão refletidos no massacre de inocentes promovido nas últimas semanas na Faixa Gaza. Após mais de 20 dias de bombardeios quase ininterruptos, finalmente esta nova matança chegou ao fim (pelo menos oficialmente). A ofensiva israelense sobre a Faixa de Gaza, iniciada no dia 26 de dezembro de 2008, cujo objetivo - segundo Israel - era destruir a estrutura militar do Hamas deixou, até a última contagem, 1600 palestinos mortos e cerca de 6000 feridos. Grupos de defesa dos direitos humanos em Gaza disseram que mais de 1000 dos mortos são civis, muito deles crianças. Israel perdeu dez soldados em combates e três civis mortos por foguetes. As mortes de civis desencadearam protestos públicos no exterior e levaram altos representantes da ONU a pedir investigações independentes para determinar se Israel cometeu crimes de guerra. Os palestinos há muito tempo pedem que as repressões militares israelenses sejam julgadas no âmbito internacional. Mas faltam dispositivos legais para isso.Vassalo incondicional A Corte Criminal Internacional (CCI), em Haia, não tem jurisdição para investigar na Faixa de Gaza, já que o território não é um Estado. Embora a Autoridade Palestina venha funcionando como instância soberana interina desde 1993, ela foi expulsa de Gaza pelo Hamas no ano passado, depois do grupo islâmico vencer uma eleição. Embora Israel não tenha assinado o Estatuto de Roma, que instituiu a CCI, o país pode ser investigado, mas isso exigiria um mandato do Conselho de Segurança da ONU. Qualquer proposta nesse sentido certamente seria vetada pelos EUA. Médicos e grupos de defesa dos direitos humanos também acusam Israel de uso ilegal de munições contendo fósforo branco, que pode provocar queimaduras graves. Israel não apresentou qualquer relatório sobre as munições, mas disse que todas suas armas obedecem às leis internacionais. Outra acusação feita a Israel é de violação do princípio da proporcionalidade nos ataques aos guerrilheiros palestinos, cujas forças eram muito inferiores. Israel diz que usou da força necessária para minimizar suas baixas durante a guerra urbana contra o Hamas. O fato é que, como disse João Villaverde em seu blog, "2009 começa e a Palestina continua ocupada". Talvez a melhor forma de finalizar este texto seja citando o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que em artigo publicado originalmente no site Brecha e reproduzido no RS Urgente (tradução de Katarina Peixoto), pergunta: "Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda-chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090219/3eedf56c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090219/3eedf56c/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 73 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090219/3eedf56c/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 20 18:38:36 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 20 Feb 2009 19:38:36 -0200 Subject: [Carta O BERRO] BRASIL DE FATO Message-ID: <01cd01c993a3$96815360$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.....................................................................................................................repassem DESTAQUES Referendo Na Venezuela, vitória de Chávez. Talvez do socialismo Analistas reconhecem avanços do governo, mas alertam para excesso de personalismo e centralismo estatal -> Entrevista: Referendo na Venezuela expressa quadro democrático e tendência histórica Soberania Nacional Mineradoras negociam irregularmente bilhões em ouro na Serra Pelada Dossiê denuncia que as mineradoras Phoenix Gems e Colossus Minerals estariam coordenando um golpe bilionário na região da Serra Pelada. Uma sucessão de ingerências, propinas e irregularidades que atingiriam os direitos de milhares de garimpeiros, além de lesar a União NACIONAL Criminalização Para promotor gaúcho, FSM reúne "terroristas e marginais" "Com o Fórum, para onde vieram terroristas e marginais de tudo que é espécie pagos com dinheiro público, veio também o pessoal das Farcs, da Colômbia, para mostrar aos brasileiros que a forma de reivindicação não era a que estava sendo utilizada", disse o promotor do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, Gilberto Thums -> Yeda e Ministério Público fecham escolas em acampamentos sem terra Educação Escolas itinerantes do MST. Crime é fechá-las Em entrevista especial, Altair Morback e Isabela Braga, duas pessoas que vivem a realidade das escolas itinerantes, falam sobre o tema Maranhão Em vigília, movimentos sociais defendem mandato de Jackson Lago Em São Luís, organizações e movimentos sociais manifestaram apoio ao governador maranhense na noite desta quarta-feira(18), e permanecem em frente a sede do governo até o veredicto do TSE Violência Polícia agride sem teto durante ocupação em Mauá (SP) Manifestantes sofreram forte repressão policial em ocupação do prédio da prefeitura em Mauá (SP). Cerca de 30 pessoas estão feridas e um sem teto foi ferido à bala Paraisópolis Kassab diz não ter conhecimento de denúncias contra polícia A polícia montou um esquema de revista dos moradores e muitos policiais permaneceram com as armas em punho abaixadas durante todo o evento -> Morador de Paraisópolis está desaparecido há uma semana INTERNACIONAL Israel Extrema-direita fecha apoio a Netanyahu Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita Yisrael Beitenu, afirmou nesta quinta-feira (19) que apoiará Netanyahu se o líder do Likud concordar em formar uma ampla coalizão -> Tribunal internacional declara Israel culpado por crimes de genocídio Cuba, 50 anos Quando o Exército de Brancaleone venceu a guerra Na segunda reportagem da série sobre os 50 anos da Revolução Cubana, o Brasil de Fato narra a luta dos escassos homens de Fidel Castro na Sierra Maestra contra as tropas fortemente armadas do ditador Fulgencio Batista Resistência Nasce, na França, o Novo Partido Anticapitalista Novo partido reúne maioria da Liga Comunista Revolucionária (LCR), que aprovou sua própria dissolução para criar nova organização, além de militantes comunistas, socialistas e ecologistas CULTURA Música Carmen, ópera do adeus à República Velha Colcha de retalhos de fatos relacionados às pessoas que viveram o início da década de 1930, época que marcou o início da carreira da Pequena Notável, no ano do seu centenário ANÁLISE Vitória revolucionária, democracia em excesso Editorial Brasil de Fato (ed. 312) Esse novo feito pavimenta condições políticas para o aprofundamento de um processo de transformação com ruptura gradual A barriga da Globo quase compromete o Brasil Rui Martins O Brasil viveu momentos intensos de angústia alimentados por uma imprensa irresponsável, que nos levou ao ridículo O PMDB e o Padrão de Política Léo Lince A importância do chamado "desabafo" do senador está menos no que foi dito e mais no ponto a partir do qual se origina a denúncia Lula, bem-vindo ao jornalismo! Beto Almeida Lula vai publicar regularmente em jornais espalhados por todo este país uma coluna, cujo título será "O presidente responde" Georges Labica: Sua memória será conservada em todas as lutas Virgínia Fontes Nascido em 1930, era um intelectual de primeira linha no campo do marxismo ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. Você pode pagar com cartão de crédito, cheque ou boleto bancário. Clique aqui e veja como é fácil assinar o Brasil de Fato agora mesmo, pela internet, ou então ligue para (0xx11) 2131-0800. Esse é o boletim informativo do jornal Brasil de Fato, enviado eletronicamente. Se você não quer mais recebê-lo, envie um e-mail para o endereço agencia at brasildefato.com.br e coloque no assunto: descadastramento. Para passar a receber e acompanhar as atualização da página de nosso jornal, escreva para agencia at brasildefato.com.br e coloque no assunto: cadastramento -------------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Boletim Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br Para sair da lista acesse: http://www.listasbrasil.org/mailman/options/boletimbdf -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090220/887be11d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 21 15:05:44 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 21 Feb 2009 16:05:44 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Nostagia_da_ditadura_/Em_rompante?= =?iso-8859-1?q?_de_nostalgia=2C_Folha_sa=FAda_o_regime_militar?= Message-ID: <004e01c9944f$06d6d6c0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Nossa posição e de outros companheiros: Prezados senhores da Folha de São Paulo, há dias venho lendo com certa indignação uma série de pronunciamentos e respostas dessa FSP aos leitores que repudiaram o texto editorial "ditabranda". Na edição de hoje, 20/02, a indignação foi maior em vista da resposta dessa redação aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Respostas essas, senhores, que me atrevo dizer, "argumentos de moleque", tentando justificar o injustificável. Fui uma das milhares de vítimas dessa Ditadura, preso, torturado , assim como outros que "desapareceram" ou assassinados quando a evidência era impossível de encobrir. O Brasil todo sofreu nas mãos desses vândalos. E vosso jornal sabe muito bem das viaturas dessa FSP que serviram de "cavalo de Tróia" da repressão e do DOI-CODI (o açougue da ditadura). Portanto, creio que a atitude digna desse jornal nesse momento seria dizer :ERRAMOS! Saudações! Vanderley Caixe, advogado residente e domiciliado em Ribeirão Preto, rua visconde de Inhaúma 490, conjunto 501 ========================================================================================================================= Senhores, Registro meu mais veemente protesto e repúdio à nota da redação do Jornal "Folha de S. Paulo", em sua edição desta sexta-feira, 20 de fevereiro, dirigida contra os professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. O deboche e o desrespeito ali contidos, são capazes de indignar até as pedras. Não há o que explicar ou argumentar. Os termos da nota, condenáveis por definição em qualquer circunstância (e não importa a quem se referissem), tornam-se ainda mais execráveis, pois dirigidos a duas das maiores figuras do pouco que resta de reserva moral e ética neste país. Por fim, me solidarizo incondicionalmente com os dois professores e faço minhas suas palavras a respeito da utilização da palavra "ditabranda" para nomear o regime que aqui se implantou há exatos 45 anos, com o golpe de 31 de março. Regime do qual, os professores Maria Victoria e Comparato, bem o autor desta mensagem (além de milhões de outros brasileiros), podemos dizer de cabeça eguida, jamais fomos cúmplices. Alipio Freire Jornalista e escritor From: Augusto Buonicore To: ; Subject: A FOLHA E A DITADURA MILITAR Date: Fri, 20 Feb 2009 12:00:55 -0300 Camaradas Depois de definir a ditadura militar brasileira de "ditabranda", a Folha de São Paulo ofendeu os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato, chamando-os de cínicos e mentirosos (vejam abaixo). Com isso o grupo Folha se reconcilia com o seu passado sombrio, quando dava apoio, moral e material, aos órgãos de repressão. Não podemos nos calar diante de tais agressões. Um grande abraço Augusto Buonicore ----- Original Message ----- From: caio toledo To: caio n. de toledo Sent: Friday, February 20, 2009 11:09 AM Subject: REPÚDIO Á FOLHA DE S. PAULO Car at s, carta que enviei a colegas da Unicamp. Caso concordem com seus termos, peço que a divulguem em suas listas; abs, caio ps. cartas de protesto à Folha devem ser encaminhadas a leitor at uol.com.br com cópia para ombudsman at uol.com.br Colegas, Repulsivas e agressivas duas recentes posições editoriais de Folha de S. Paulo: em `Limites a Chavez´, editorial de 17/2, o jornal apela para a ignominiosa expressão de "ditabranda" para se referir à ditadura militar brasileira que, durante vinte anos, prendeu, torturou e assassinou brasileiras e brasileiros; hoje, após publicar as cartas dos profs. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato - que contestaram o emprego da esdrúxula e falsificadora expressão -, o jornal, sem argumentos e razões, agride a atuação pública destes dois combativos intelectuais por meio de uma leviana "nota de redação". Diante de todas estas agressões ao pensamento democrático, cartas de protesto ao jornal e o cancelamento da assinatura não seriam as respostas mais consequentes ? sds, caio 20 DE FEVEREIRO DE 2009 - 21h56 Em rompante de nostalgia, Folha saúda o regime militar Faz quase um ano que o jornalista Paulo Henrique Amorim desafia a Folha de S.Paulo a "tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi 'Cão de Guarda' do regime militar" brasileiro. A julgar pelos fatos da semana, pode-se dizer o jornal da família Frias nunca esteve tão próximo da confissão. Por André Cintra A nostalgia da Folha começou a se evidenciar num editorial de 425 palavras sobre o presidente venezuelano, Hugo Chávez. O texto, publicado na última terça-feira (17), chega a comparar a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ditadura brasileira. Diz o jornal: "Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo". Em meio a essas teorizações enviesadas, o editorial não esconde a opinião da Folha e sua larga simpatia pelo regime militar brasileiro: "As chamadas 'ditabrandas' - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça". É muito curioso que a Folha destaque tais "formas controladas de disputa política" justamente em contraste com Chávez - o único presidente do mundo que chamou seu povo às urnas nada menos que 15 vezes nos últimos dez anos, em eleições, referendos e plebiscitos. Quando foi que os brasileiros puderam exercer esse direito durante os 21 anos de regime militar? A Folha seria capaz de lembrar uma única experiência do gênero? De forma cristalina, o editorial de terça-feira alardeia que Chávez - ou melhor, "o caudilho venezuelano", com seu "rolo compressor do bonapartismo" - tem muito a aprender com os generais-presidentes do Brasil. Aprender o quê? A cassar direitos de lideranças políticas e sociais à moda Castello Branco? A levar para a Venezuela a experiência do AI-5 - "forma controlada" de "acesso à Justiça" no Brasil de Costa e Silva e Médici? A seguir o exemplo da dupla Geisel-Figueiredo e falar em distensão do regime, em abertura "lenta, gradual e segura" - mas ainda promover mais mártires como Vladimir Herzog, novas chacinas como a da Lapa e outros atentados como os do Riocentro? Repercussão à altura Cartas e e-mails de repúdio à Folha choveram a cântaros após a publicação do editorial. Um dos leitores mais indignados era Sergio Pinheiro Lopes, que classificou a opinião da Folha como "lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo. É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário". As ponderações essenciais do leitor não foram suficientes para dissuadir a Folha. Uma "nota da redação" do jornal enunciava: "Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional". Para a Folha, ditadura só é ditadura pra valer se estiver na ponta do ranking do totalitarismo e empilhar mortos aos milhares. Como se antevisse a resposta do jornal, Sergio fez em sua carta um questionamento inapelável: "Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma 'ditabranda' ser chamada de ditadura?". Dois intelectuais de respeito - os professores universitários Fábio Konder Comparato (aposentado) e Maria Victoria de Mesquita Benevides, da USP - saíram em defesa das vítimas da ditadura esculhambadas pelo editorial da Folha. "Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de 'ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas", escreveu Maria Benevides. "Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi 'doce' se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala - que horror!". Já Comparato, ao sustentar que "o leitor Sergio Pinheiro Lopes tem carradas de razão", cobrou a Folha: "O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana". Como a Folha está convicta das benesses da ditadura brasileira e não reconhece discordâncias, o jeito foi desqualificar seus missivistas: "Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa". A arrogância da Folha segue rendendo contestações, como a do professor Caio Toledo, que escreveu a seus colegas de Unicamp. O texto de Toledo tacha de "repulsivas e agressivas" as "posições editoriais de Folha" e se solidariza com Maria Benevides e Comparato. "O jornal, sem argumentos e razões, agride a atuação pública destes dois combativos intelectuais por meio de uma leviana 'nota de redação'. Diante de todas estas agressões ao pensamento democrático, cartas de protesto ao jornal e o cancelamento da assinatura não seriam as respostas mais consequentes?". Em entrevista ao Comunique-se, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, não poupou a Folha. "É lamentável que se proceda a uma revisão histórica dessa natureza. O que era negativo passa a ser positivo, dando absolvição àqueles que violaram os direitos constitucionais e cometeram crimes, como o assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do Doi-Codi", afirma Azedo. "Dizer que houve acesso à Justiça é uma falsidade de caráter histórico que deveria causar vergonha à Folha de S. Paulo." Um veículo pró-regime Não é de estranhar a defesa que a família Frias faz dos militares. Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), o patriarca do clã, adquiriu em 1962 a Folha de S.Paulo - um jornal enforcado em dívidas, que demorou cerca de 15 anos para se tornar um investimento rentável. Uma das razões pelas quais a Folha se salvou financeiramente foi o laço íntimo com todos os generais-presidentes da ditadura. Numa de suas raríssimas entrevistas, concedida em 2003, Frias-pai comentou sobre esses relacionamentos com o poder - e mentiu. "Eu sempre me mantive afastado do poder. Para ser independente você tem que estar um pouco distante porque senão entra numa situação moral difícil", disse o ex-publisher da Folha. "Não tenho histórias para contar a este respeito porque sempre procurei manter uma distância entre a posição do jornal, a minha pessoal e os dirigentes do país". Mais adiante, na mesma entrevista, Frias se contradiz: "Na época da ditadura, acho que no governo Médici, o chefe da Casa Militar, com quem eu tinha certa relação, não me lembro o nome dele, me telefona e diz: 'Ô Frias aqui quem fala não é o seu amigo não, é o chefe da Casa Militar Ou você muda esse jornal aí ou nós vamos fechar'. Eu mudei". O relato de Frias, ainda assim, não entrega tudo o que a Folha fez na conta do regime, como o odioso empréstimo de peruas C-14 do jornal ao DOI-Codi, para o transporte de presos políticos rumo ao encarceramento, à tortura e, não raro, à morte na Operação Bandeirantes (Oban). Na época, manifestantes chegaram a queimar veículos da Folha em protesto contra a morte de seus companheiros de luta. No livro Cães de Guarda - Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988, Beatriz Kushnir dá mais detalhes da promiscuidade. A Folha da Tarde, especialmente, contou com uma matilha de jornalistas colaboracionistas - os "cães de guarda" - e era conhecido como "o jornal de maior tiragem" - ou seja, com mais tiras na redação. No combate aos "subversivos", a FT se antecipava ao regime e fazia o papel de porta-voz. Chegou a divulgar a morte do metalúrgico Joaquim Seixas, o Roque, antes mesmo de ele ser assassinado nos porões da ditadura - mas sonegou informações sobre a prisão de Frei Betto (como o fato de o frade ser repórter do jornal) e não noticiou a heróica missa ecumênica a Vladimir Herzog na Catedral da Sé. Frias-pai não está mais vivo, mas dois de seus filhos continuam à frente da Folha de S.Paulo - Luís Frias como presidente do grupo Folha e Otavio Frias Filho, o Otavinho, como diretor de redação do jornal. Parece caber a eles, de forma progressiva, restabelecer e edulcorar as mais sombrias memórias da família Frias e da Folha. Memórias de um tempo em que a concessão da "ditabranda" era garantida aos fantoches das elites e da grande mídia - não ao Brasil, nem aos brasileiros. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090221/55a0131d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090221/55a0131d/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 21 15:30:54 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 21 Feb 2009 16:30:54 -0200 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?rep=FAdio_e_solidariedade_-_assine?= =?iso-8859-1?q?m_e_divulguem!?= Message-ID: <007901c99452$881f46b0$0200a8c0@vcaixe> CARTA O BERRO.........................................................................................REPASSEM Colegas, Está na internet (ipetitions) um manifesto que repudia o odioso editorial da Folha de S. Paulo sobre o período pós-1964 e manifesta solidariedade à insólita agressão feita pelo jornal aos profs. Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Pede-se o apoio e a mais ampla divulgação do endereço abaixo por meio do qual se tem acesso ao texto e a lista de assinatura. Leiam, assinem e divulguem este manifesto. REPÚDIO E SOLIDARIEDADE Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009. Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do pais. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história polí­tica brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda e, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pos-1964. Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota de redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta as cartas enviadas a Painel do Leitor pelos professores Maria Victória de Mesquita Benevides e Fabio Konder Comparato. Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis a atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal. Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro. Assinam: Antonio Candido, professor aposentado da USP Margarida Genevois. Fundadora da Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos Goffredo da Silva Telles Júnior, professor emérito da USP Maria Eugenia Raposo da Silva Telles, advogada Andréia Galvão, professora da Unifesp Antonio Carlos Mazzeo, professor da Unesp Augusto Buonicore, doutorando da Unicamp Caio N. de Toledo, professor da Unicamp Cláudio Batalha, professor da Unicamp Eleonora Albano, professora do IEL, Unicamp Emir Sader, professor da USP Fernando Ponte de Souza, professor da UFSC Heloisa Fernandes, socióloga Ivana Jinkings, editora Marcos Silva professor titular da USP, Sérgio Silva, professor da Unicamp Patricia Vieira Tropia, Universidade Federal de Uberlandia Paulo Silveira, sociólogo Vanderley Caixe - advogado - ex-preso político Para assinar cliquem no link abaixo: http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html Depois de clicar e assinar, não é preciso levar em conta a solicitação de R$ para o financiamento do serviço. Sugere-se que seja feita apenas uma assinatura.. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090221/4287605e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 22 11:00:06 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 22 Feb 2009 11:00:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=FAsicas_de_Carnaval__=28march?= =?windows-1252?q?as=2C_samba=2C_samba-enredo=2C_etc=29____________?= =?windows-1252?q?____________________________________HOJE_=C9_DOMI?= =?windows-1252?q?NGO_DE_CARNAVAL!?= Message-ID: <008a01c994f5$de04e190$0200a8c0@vcaixe> CARTA O BERRO.................................................................................................................REPASSEM Seguem abaixo centenas de marchinhas, sambas, samba-enredo, etc., de carnavais de todos os tempos. Desde 1870. Graças ao apoio de amigas e amigos da Carta O Berro, repasso para vocês essa coletânea maravilhosa de vários sites, para ouvir e copiar.Basta clicar. Bom Carnaval mas não se esqueçam dos que lutam por um mundo melhor e da Folha de São Paulo, dos Frias - que fria - sempre namorando a Ditadura. A Ditadura para a FSP chama-se Ditabranda. Isto porque não matou milhões de pessoas, somente centenas, prendeu milhares, torturou e exilou outro tanto. Mesmo com o Carnaval a luta continua contra essa sordidêz. Bom Domingo. Vanderley ================================================================================================================================= umnovoencontromusical. Acadêmicos da Rocinha - RJ Samba-Enredo 2006 Acadêmicos do Salgueiro - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Explode Coração Acadêmicos do Tucuruvi - SP Samba-Enredo 2006 Beija-Flor - RJ Samba-Enredo 2008 Áfricas: Do Berço Real À Corte Brasileira Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Beija-Flor - RJ Samba-Enredo 2008 Caprichosos De Pilares RJ Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Estação Primeira De Mangueira RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Estácio de Sá - RJ Samba-Enredo 2006 Grande Rio - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Gaviões da Fiel - SP Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Samba-Enredo 2004 Samba-Enredo 2002 Imperatriz Leopoldinense - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Império Serrano - RJ Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Samba-Enredo 1982 Mocidade Independente De Padre Miguel - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 União Da Ilha Do Governador - RJ Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Portela - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Mocidade Alegre-SP Samba-Enredo 2007 São Clemente - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Unidos Da Tijuca - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Unidos De Vila Izabel - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 Unidos Do Porto Da Pedra - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Unidos Do Viradouro - RJ Samba-Enredo 2008 Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 X9 - SP Samba-Enredo 2006 Rosa De Ouro - SP Samba-Enredo 2006 União Da Ilha Do Governador - RJ Samba-Enredo 2006 Samba-Enredo 2005 MARCHINHAS A Praça Allah la ô Ana Paula Félix & Durval Lelys Só Tá Valendo Amor Asa De Águia Swing da Timbalada Até Quarta-Feira Banda Cheiro De Amor Eu Vou Pra Maracangalha Pot-Pourri-Frevo Banda Gol Marchinhas Diversas Bandeira Branca Barril de Chopp (Instrumental) Beth Carvalho Carnaval de Salão (Marchas) Bola Preta Cabeleira do Zezé Carrapicho Tic, Tic Tac Chacrinha Bota A Camisinha Maria Sapatão Gal Costa Balancê Índio Quer Apito Bum Bum Paticundum Prugurundum A Lenda das Sereias, Rainha Do Mar Ivete Sangalo & Timbalada Batuque Timbaleiro Jardineira Linda Morena Mamãe Eu Quero Máscara Negra Clara, Claridade, Um Canto De Luz No Ylê Da Mocidade Mulata, lê, lê Nós Os Carecas Oba ( Bafo da Onça ) Olodum Avisa Lá Pastorinhas (Noel Rosa) Piada De Salão Pierrô Apaixonado Pout-Pourri-Marchinhas Recordar É Viver Reveillon Rita Lee Sassaricando Saca-Rolha Timbalada Água Mineral Turma do Funil Trem das Onze Aroldo Melodia - 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1964) A jardineira (Orlando Silva - 1939) A lua é dos Namorados (Ângela Maria - 1961) A mulher do leiteiro (Aracy de Almeida - 1942) A Mulher do Padeiro (Joel e Gaúcho - 1942) A Praça (Ronnie Von - 1967) Ai, Morena (Nelson Gonçalves e o Trio de Ouro - 1951) Aladim (Isaurinha Garcia - 1951) alá-lá-ô (Carlos Galhardo - 1941) Alibabá (Odete Amaral - 1938) Alô, Xerife (Bob Nelson - 1947) anda-luzia (Sílvio Caldas - 1947) Andorinha (Dalva de oliveira - 1941) atrás da banda (terezinha sodré - 1973) Aurora (Joel e gaucho 1941) Balance (Carmen Miranda - 1937) balzaquiana (Jorge Goulart 1950) Boa Bola (Lamartine Babo - 1933) Boi da Cara preta (Jackson do Pandeiro - 1959) Cabeleira do Ze Zé (Jorge Goulart - 1964) barril de chope (altamiro carrilho e bandinha -1937) Cacareco é o maior ( risadinha - 1960) cachaça (carmen costa e colé - 1953) Cadê zazá (Carlos Galhardo - 1948) can-can no carnaval (emilinha borba - 1966) Cidade Mulher (orlando silva - 1937) clube dos barrigudos( linda batista - 1944 ) Cordão dos puxa-sacos (anjos do inferno - 1946) ========================================================================================================================= -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090222/c500dfcb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090222/c500dfcb/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 38337 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090222/c500dfcb/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Feb 22 11:02:26 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 22 Feb 2009 11:02:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_-__De_rabo_preso_com_quem=3F_ar?= =?windows-1252?q?tigo_de_Al=EDpio_Freire?= Message-ID: <009501c994f6$318a4260$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ARTIGO BRASIL DE FATO Edição 313 20.02.2009 De rabo preso com quem? Alípio Freire (*) A criação pelo jornal Folha de S. Paulo (FSP), da expressão ?ditabranda? em seu editorial de 17 de fevereiro, para nomear a ditadura imposta com o golpe de 1964 e, em seguida, a agressão aos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato, expressa em nota na seção de cartas da edição de 20 de fevereiro, não podem ser atribuídas apenas aos ?maus bofes? de um jovem (?) herdeiro rico, mimado, que se supõe gênio (o que diariamente lhe repete sua corte), que não conhece limites e, portanto, afeito a chiliques. Embora seja também isso, é muito mais, e só pode ser entendido a partir da história daquele jornal, e no quadro mais amplo do avanço (em nível internacional) das idéias, valores e políticas nazi-fascistas. Sobre a trajetória do pasquim da Barão de Limeira, vejamos alguns depoimentos: ?Abandono do emprego? A jornalista Rose Nogueira, presa pelos órgãos de repressão da ditadura no dia 4 de novembro de 1969, quando estava de licença maternidade da FSP, onde trabalhava, conta: ?Vinte e sete anos depois [19997], descubro que fui punida não apenas pela polícia toda-poderosa (...), pela justiça militar (...). Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no Deops, incomunicável, ?abandonei? meu emprego de repórter do jornal. Escrito a mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 ? letra ?i? da CLT abandono de emprego?. Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me ?esqueceram´por um mês na cela?. (...) Todos sabiam que eu estava lá (...) Isso era ? e continua sendo ? ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, se estivesse trabalhando, eu estaria em licença maternidade?. (Rose Nogueira, ?Em corte seco?, in ?Tiradentes um presídio da ditadura?, Coord. Alípio Freire, Izaías Almada e J.A. de Granville-Ponce ? Scipione Cultural - 1997). Palafreneiros da ditadura O jornalista Mino Carta, em entrevista à AOL, em 2004, quando se completavam 40 anos do golpe, comenta as relações da FSP com a ditadura: ?A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]. Isso está mais do que provado. É uma das obras-primas da Folha, porque o senhor Caldeira [Carlos Caldeira Filho], que era sócio do senhor Frias [Octavio Frias de Oliveira], tinha relações muito íntimas com os militares. E hoje você vê esses anúncios da Folha - o jornal desse menino idiota chamado Otavinho [Otavio Frias Filho] - esses anúncios contam de um jeito que parece que a Folha, nos anos de chumbo, sofreu muito, mas não sofreu nada. Quando houve uma mínima pressão, o sr. Frias afastou o Cláudio Abramo da direção do jornal. Digo que foi a "mínima pressão" porque o sr. Frias estava envolvido na pior das candidaturas possíveis, na sucessão do general Geisel. A Folha estava envolvida com o pior, apoiava o Frota [general Sílvio Frota, ministro do Exército no governo Geisel]. O Claudio Abramo foi afastado por isso.?("A mídia implorava pela intervenção militar" Entrevista com Mino Carta. Por Adriana Souza Silva, da Redação AOL, abril de 2004) O testemunho da pesquisadora A historiadora e pesquisadora carioca, doutora Beatriz Kushnir, autora do mais completo trabalho sobre o comportamento da grande mídia comercial durante a ditadura, ?Cães de Guarda?, é lembrada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em sua ?Conversa Afiada? de 20 de fevereiro, a propósito da FSP: ?Como demonstrou Beatriz Kushnir (...) a Folha cedia as vans para o Doi-Codi fazer diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um carro de reportagem em atividade jornalística?. (?Cães de Guarda? ? jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989?, de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial). Em sua coluna, Amorim reitera ainda a denúncia feita por Mino Carta a respeito do afastamento do jornalista Cláudio Abramo do comando do jornal. Quanto ao episódio da utilização dos carros da FSP para fins repressivos ? como apontam Mino Carta e Paulo Henrique ? é fato que consta de diversas publicações e depoimentos. A revista ?Teoria & Debate? ? da Fundação Perseu Abramo ? nos anos 1990, publicou uma carta do ex-preso político e hoje advogado de movimentos populares e causas ligadas aos direitos humanos, Aton Fon Filho, que denuncia exaustivamente essa ligação criminosa. Um diário oficial da repressão Mas, não pensem os leitores que a história da empresa Folha da Manhã (propriedade da família Frias), da qual a ?Folha de S. Paulo? nos anos da ditadura era apenas um título (ainda que o carro chefe), num conjunto que somava mais de meia dúzia de outros, como os jornais ?Última Hora?, ?Noticias Populares?, ?Folha de Santos?, etc., sem esquecermos, é claro, a menina-dos-olhos da repressão, a ?Folha da Tarde?. A ?Folha da Tarde? (FT) é um capítulo à parte. Algo assim, como se a FSP coubesse em ?obras escolhidas? e ela, a FT, merecesse ?obras completas?. Até 1968 esse jornal cobria de forma razoavelmente decente o movimento estudantil, e outras manifestações de oposição à ditadura. Contava com uma equipe formada, em sua maioria esmagadora, de bons e sérios profissionais ? muitos dos quais acabariam posteriormente presos, como o caso da jornalista Rose Nogueira. Na ocasião, o logotipo do jornal era vermelho. Passados alguns meses da decretação do Ato Institucional Número 5, de repente, não apenas o logotipo foi mudado para preto, como sua direção passou a ser composta de pessoas ligadas aos órgãos de repressão, inclusive à famosa Escuderie Le Coc (nome fantasia do Esquadrão da Morte) ? o que facilmente qualquer neófito é capaz de perceber, folheando a coleção desse jornal. Também a essa questão se refere, com detalhes, a historiadora Beatriz Kushnir em seu livro ?Cães de Guarda?. Uma ameaça a todos os brasileiros Dadas essas breves pinceladas sobre a trajetória da Ilustre Folha, cabe chamar a atenção para um importante aspecto que é o verdadeiro significado da nota e da agressão contra os professores Maria Victoria e Comparato: ao atacar tão virulenta e desrespeitosamente essas duas figuras que merecem toda a admiração do nosso povo e de todos os homens e mulheres que lutam por uma sociedade democrática e justa, onde os direitos humanos e todos os direitos dos cidadãos sejam respeitados, o que pretende a Folha de S. Paulo, sua direção, é ameaçar todos os que se oponham à sua visão de mundo e aos seus objetivos. Aliás, entendemos que caberia ao governador José Serra, seu partido e seus aliados do DEM ? de quem a FSP é deslavado cabo eleitoral, transgredindo todas as normas éticas e legislação eleitoral ? manifestarem-se publicamente a respeito desse episódio que, sem dúvida alguma, os compromete. ------------------- BOX Reproduzo aqui as cartas enviadas à Folha de S. Paulo, pelos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Comparato, que faço questão de subscrever publicamente. E no pé, para conhecimento dos leitores, a nota da redação da Folha de São Paulo. Maria Victoria de Mesquita Benevides, professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP): "Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!" Alipio Freire Fábio Konder Comparato, professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP): "O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana." Alípio Freire Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa. Alípio Freire, jornalista e escritor, foi presidente da Associação Brasileira de Imprensa ? Seção São Paulo (1978-1979), e editor de Política Internacional da Folha de S. Paulo (1977-1979). Preso político (1969-1974), pertence hoje aos conselhos editoriais do jornal Brasil de Fato, da Editora Expressão Popular e da Revista Fórum, além de integrar o Conselho Político da revista Teoria & Debate. Colabora ainda com diversas publicações populares e de esquerda. ------------------------------------------------------------------------ Diversão em dobro: compartilhe fotos enquanto conversa usando o Windows Live Messenger. -------------------------------------------------------------------------------- Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes -------------------------------------------------------------------------------- Veja mapas e encontre as melhores rotas para fugir do trânsito com o Live Search Maps! Experimente já! -------------------------------------------------------------------------------- No virus found in this incoming message. Checked by AVG - www.avg.com Version: 8.0.237 / Virus Database: 270.11.2/1963 - Release Date: 02/20/09 19:22:00 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090222/56251d25/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Feb 23 19:40:21 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 23 Feb 2009 19:40:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_DITADURA_=26_COLABORACIONISMO__?= =?windows-1252?q?e_/Entrevista_com_Beatriz_Kushnir_autora_do_livro?= =?windows-1252?q?=28tese=29_=22C=E3es_de_Guarda=22_-_editora_Boite?= =?windows-1252?q?mpo?= Message-ID: <028101c99607$b62ab740$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...................................................................................................................................repassem BEATRIZ KUSHNIR: A FAMÍLIA FRIAS E A DITADURA MILITAR No blog do Azenha Beatriz Kushnir escreveu um livro "incômodo" para a mídia brasileira. É "Cães de Guarda - Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988", que conta histórias interessantes sobre os bastidores de jornais e emissoras de televisão durante o regime militar. Fala do funcionário que Victor Civita despachou para "treinar" censores em Brasília. Fala dos censores que foram trabalhar dentro da TV Globo. Fala dos policiais que se tornaram "jornalistas" e dos jornalistas que fizeram papel de policiais. Fala dos bastidores da "Folha da Tarde", o jornal do grupo Folha que prestou serviços à repressão. Está explicado, portanto, o motivo pelo qual esse livro quase não foi resenhado. Beatriz hoje é diretora do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, que tem um dos maiores acervos da imprensa alternativa que floresceu durante o regime militar. CAES DE GUARDA - JORNALISTAS E CENSORES DO AI-5 À CONSTITUIÇÃO DE 1988 Autor: KUSHNIR, BEATRIZ Editora: BOITEMPO EDITORIAL Assunto: COMUNICAÇAO-JORNALISMO ----- Original Message ----- From: Revista O BERRO To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Sent: Monday, February 23, 2009 1:15 PM Subject: DITADURA & COLABORACIONISMO e /Entrevista com Beatriz Kushnir autora do livro(tese) "Cães de Guarda" - editora Boitempo Domingo, 20 de Janeiro de 2008 "Os amigos da censura", copyright No. (www.no.com.br), 10/12/01 DITADURA & COLABORACIONISMO Paulo Vasconcellos "Trata-se de ?Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988?.(*) A tese de doutorado da historiadora carioca Beatriz Kushnir, 35 anos, aprovada com louvor em outubro no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), lança suspeitas sobre um dos mitos cultuados pela imprensa brasileira: o de que jornais e jornalistas foram quixotes na luta contra o regime militar. O trabalho tem 473 páginas e é resultado de cinco anos de pesquisas. Beatriz mirou no que viu e acertou no que não viu. Começou como um estudo da censura à imprensa alternativa e acabou desvendando o grau de colaboracionismo com a ditadura incrustado em algumas redações. ?Assim como nem todas as redações eram de esquerda, nem todos os jornalistas fizeram do ofício um ato de resistência ao arbítrio?, diz Beatriz Kushnir. ?Há um desconforto diante da desmistificação generalizante de que os jornalistas combateram a ditadura.? O trabalho demonstra que os jornais que tiveram um censor na redação não foram tantos assim, que a primeira profissão de parte dos censores era o jornalismo e, pior, que havia um elevado grau de promiscuidade nas relações entre alguns jornalistas e os órgãos de repressão. Beatriz não foge à polêmica. Para a tese de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF) ela escolheu a história das prostitutas judias que se organizaram em associações de ajuda mútua e ficaram conhecidas como polacas, citadas nos versos de Aldir Blanc para a música ?O mestre-sala dos mares? - não por acaso uma das vítimas da censura, que vetou o título original: ?O almirante negro?. A historiadora começou a derrubar as ilusões da imprensa brasileira ao pesquisar os documentos do Departamento de Censura de Diversões Públicas da Polícia Federal no Arquivo Nacional, em Brasília, entrevistando 11 censores - exceção para Solange Hernandes, a popular Solange Tesourinha, que mandava cortar tudo o que é filme, livro, texto de teatro e versos de músicas - e uma penca de jornalistas. O porão que escondia os instrumentos legais da censura abrigava também jornalistas de formação. ?Foi tentando perceber quem eram os censores que me surpreendi ao encontrar já no primeiro grupo deles dez jornalistas.? Descobriu ainda policiais de carreira que atuaram como jornalistas colaborando com a repressão. Os três primeiros capítulos mostram a evolução da censura desde a Proclamação da República. É iguaria rara, mas o melhor vem depois. Da posição cínica defendida por um jornal do Rio, em 1976, em defesa de uma ?censura inteligente? - feita por pessoal mais bem preparado política e intelectualmente - à constatação de que, na prática, os jornais optaram preferencialmente pela autocensura ao encampar as notas da Polícia Federal transmitidas pelo Serviço de Informação do Gabinete (Sibag), vinculado ao gabinete do ministro da Justiça, mas sem registro no organograma dos órgãos federais - portanto, clandestino. A alternativa era a censura prévia. Os censores estiveram nas redações para cortar os ?excessos? em poucos periódicos. No ?O Estado de S. Paulo?, do AI-5 a janeiro de 1975, e na ?Tribuna da Imprensa?, em um período não contínuo, de 1968 a 1978. Na imprensa alternativa freqüentaram ?O Pasquim?, de novembro de 1970 a março de 1975, ?O São Paulo?, de junho de 1973 a junho de 1978, ?Opinião?, de janeiro de 1973 a abril de 1977, e ?Movimento?, de abril de 1975 a junho de 1978. Na Veja, de 1974 a junho de 1976. A revista foi censurada ainda no berço, logo no número 5, em 1968. Durante todo o governo do general Emílio Garrastazu Médici seria uma das vítimas favoritas do regime. A edição com a capa ?O presidente não admite torturas? foi proibida de chegar às bancas. ?Oliveiros, hoje nós não vamos aí.? O governo do general Ernesto Geisel, com a promessa de abertura, ainda que lenta, gradual e segura, não deixou de estabelecer os parâmetros do que considerava permitido - mesmo que nos bastidores os ministros Golbery do Couto e Silva, da Casa Civil, e Armando Falcão, da Justiça, mantivessem diálogos com jornalistas anunciando a retirada da censura das redações. As notas proibitivas continuaram a ser transmitidas até fins de 1975. Nos primeiros dias de abril, o número 300 de ?O Pasquim? trazia o editorial intitulado ?Sem Censura?, escrito por Millôr Fernandes, notificando ao leitor que desde 24 de março o tablóide se encontrava livre da censura prévia. Depois de um telefonema do Dr. Romão, o último dos quase 30 censores que o jornal teve em cinco anos, estava decretado que a responsabilidade passava a ser da redação. Sentença semelhante recebeu o então secretário de redação de ?O Estado de S. Paulo?, Oliveiros S. Ferreira. ?Eles ficaram do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, até 3 de janeiro de 1975, um dia antes do centenário do jornal?, relembra Ferreira. Foi quando ele recebeu um telefonema do chefe dos censores: - Oliveiros, hoje nós não vamos aí. Oliveiros: - Mas, então, quem responde pelo jornal? - Ah, isso é problema seu. Até logo! Um ano antes, o humorista Ziraldo, do ?Pasquim?, havia escrito uma carta ao ministro da Justiça, Armando Falcão, pedindo a volta da censura do jornal para o Rio, que havia seis meses, em represália, era feita em Brasília para atrasar propositadamente o fechamento das edições. Ao fim da carta, além da assinatura, um desenho: a mão de um homem que se afogava e a palavra ?help?. ?Millôr Fernandes já havia advertido em seu editorial que o rompimento repentino da censura embutia a noção de que deixar de intervir era uma concessão que deveria ser paga com responsabilidade?, lembra Beatriz. ?Sem censura não quer dizer com liberdade?, terminava o texto de Millôr. A censura espalhou vítimas para todos os lados. O cineasta francês Jean Luc Godard foi uma delas. No regime militar teve proibido o filme ?A chinesa?. Em 1984, a censura a outro de seus filmes, ?Je vous salue, Marie?, geraria protestos calorosos, a demissão do ministro da Justiça, na época o deputado federal pernambucano Fernando Lyra, e a exposição da permanência de atos censórios em um período de suposta redemocratização. Alguns jornais e jornalistas que não aderiram à resistência se bandearam para o outro lado. ?Cães de guarda? revela o papel duplo de uns e outros. Jornalistas que foram censores federais - e também policiais - e vice-versa dividiam as redações com as chamadas bases esquerdistas que, segundo o regime militar, sempre as dominaram. ?No Brasil da censura existiam também os jornalistas colaboracionistas?, afirma Beatriz. ?Eles foram verdadeiros cães de guarda.? Um deles, segundo a tese, tomou conta do jornal ?Folha da Tarde?, do Grupo Folha da Manhã, de 1967 a 1984. Todo o quarto capítulo narra a trajetória do jornal nos seus dois períodos: do renascimento, em 1967, até o AI-5. Beatriz Kushnir investigou a redação da ?Folha da Tarde? de 1967, que estava vinculada à cobertura dos movimentos políticos da época e tinha em seus quadros militantes de esquerda, até ser conhecida como ?Diário Oficial da Oban? (Operação Bandeirantes). ?Cheguei à história da ?Folha da Tarde? por acaso?, conta. A historiadora tentava uma entrevista com o senador Romeu Tuma (PFL-SP), diretor do Departamento de Polícia Federal que rompeu com a tradição de militares no cargo desde a sua criação, em 1964. Chegou a entrar em contato com o seu assessor de Imprensa, em São Paulo, mas não conseguiu agendar um encontro. Ao entrevistar o jornalista Boris Casoy, âncora do Jornal da Record, para compreender os reflexos da censura na redação da ?Folha de S. Paulo?, que ele dirigia na época, ficou sabendo quem era o assessor do senador e o significado da frase ?o jornal de maior tiragem?. Nos dois casos bateu na figura de Antonio Aggio Jr. A queda com o AI-5 do jornalista Jorge Miranda Jordão, hoje em ?O Dia?, da direção de redação da ?Folha da Tarde?, abriu espaço para outro grupo de profissionais. Antonio Pimenta Neves, que mais de 30 anos depois responde a processo pelo assassinato da namorada, era um deles. Aggio, ex-editor do jornal ?Cidade de Santos?, viria depois. ?Sob o comando dele o jornal deu uma guinada à direita?, diz Beatriz. ?O clima de delegacia policial resistiu 15 anos e o jornal ganhou o apelido de ser o de ?maior tiragem? em São Paulo, não por causa da circulação, mas pelo número de tiras (policiais) que empregava.? Acusado de colaborar, Aggio diz que também foi parar na Oban Aggio rebate. ?Essa tese é um negócio tortuoso para garantir o título de doutora à historiadora.? Segundo o assessor do senador Tuma, a reformulação da ?Folha da Tarde? e o Projeto Folha, de 1984, quando o jornal passaria por nova mudança, nada teve a ver com ideologia, mas com mercado. ?Nunca houve uma redação mais democrática que a da Folha da Tarde. Nunca se perguntou a coloração ideológica de ninguém por lá. Muitos esquerdistas trabalham no jornal até hoje?, afirma o jornalista. Aggio diz que todo o noticiário policial e militar tinha como fonte a Agência Folha e era publicado por todos os jornais do grupo. ?Uma vez houve um incidente com o pessoal da luta armada em Osasco e como a ?Folha da Tarde? deu a notícia fui parar na Oban e no II Exército. Se fosse ligado à repressão não teriam me chamado para prestar esclarecimentos.? ?Havia pressão psicológica e armada, além de econômica, mas nunca a família Frias me pediu para mudar a linha do jornal para aderir ao regime. Obedecíamos ao que a censura impunha porque não havia saída. Depois que deixei a direção do jornal, ele mudou de linha editorial?, diz Jorge Miranda Jordão, antecessor de Antonio Aggio na ?Folha da Tarde?. ?A imprensa nunca foi quixote, mas também não chegou a ser um Exército de Brancaleone. Talvez uns dez por cento das redações apoiassem o regime até por convicção política.? ?Cães de guarda? remexe em histórias nada edificantes. É o caso de uma manchete estampada pela ?Folha da Tarde? em abril de 1971 anunciando a morte do guerrilheiro Roque em confronto com a polícia paulistana. Roque era o codinome do metalúrgico Joaquim Seixas, preso com o filho Ivan, então com 16 anos. Militantes do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), os dois tinham sido presos acusados pelo assassinato do industrial Enning Boilesen, um dos financiadores da Operação Bandeirantes, apenas um dia depois do crime, e foram torturados na Oban. Ivan leu a manchete sobre a morte do pai em uma banca de jornal ao ser levado pelos policiais para um ?passeio?. Na volta ainda encontrou Joaquim vivo. Ele seria morto, de fato, horas depois. Os jornais do dia seguinte se limitariam a reproduzir a nota oficial dos órgãos de repressão com a notícia que a ?Folha da Tarde? havia estampado na véspera com detalhes, segundo a tese, como se tivesse repórter no local. ?Toda a caçada ao capitão Carlos Lamarca, que havia desertado do Exército levando armas e munições do quartel de Quintaúna, em São Paulo, comandado pelo coronel Antônio Lapiane, tio de Ággio, que até hoje é vinculado à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, vinha carregada de tintas fortes e se referia ao guerrilheiro como ?louco?, afirma Beatriz. ?A esquerda atribui à ?Folha da Tarde? a legalização de muitas mortes em tortura e `assassinatos acidentais´ de militantes em confronto com a polícia. Se sumissem todos os jornais que circularam um dia depois da missa ecumênica pela morte do jornalista Wladimir Herzog e só restasse a ?Folha da Tarde?, não se saberia de nada. A cerimônia parou São Paulo, mas a FT não deu uma linha.? A relação entre jornalistas e policiais já tinha sido exposta por Percival de Souza, repórter setorista de Polícia de ?O Estado de S. Paulo? e do ?Jornal da Tarde? e autor de biografias de figuras sombrias da ditadura, como o delegado Sérgio Paranhos Fleury, o temido e sanguinário torturador do Deops do Largo General Osório, em São Paulo, desenhado por ele como um amante adolescente. ?Cães de guarda? vai além. Esmiúça até à sarjeta o papel da imprensa na ditadura. Para se adaptar à autocensura não faltaram estratégias peculiares. A editora de uma revista de circulação nacional preparou um funcionário para dar curso aos censores de como realizar a tarefa. Uma rede de televisão contratou ex-censores para delimitar o permitido. Por abrigar jornalistas colaboracionistas algumas redações ficaram conhecidas como ?ninho de gansos?. Era assim que eles eram tratados nos órgãos de repressão. Os jornalistas da ?casa? que cobriam o Deops não passavam pela revista a que eram submetidos os colegas com menos intimidade com os porões da ditadura - seguiam direto por uma entrada lateral, reservada aos policiais, apelidada de ?passagem dos gansos?. ?Muitos jornalistas trocaram a narrativa de um acontecimento pela publicação de versões que corroborassem o ideário repressivo?, diz Beatriz. ?Fiéis aos seus donos, os cães de guarda farejaram uma brecha e, ao defender o castelo, nos venderam uma imagem errada. Quando o tabuleiro do poder mudou, muitos desses servidores foram aposentados, outros construíram para si uma imagem positiva e até mesmo heróica, distanciando-se do que haviam feito. Outros tantos se readaptaram e estão na mídia como sempre.? Talvez alguns jornais brasileiros nunca tenham se aproximado tanto da imagem de papel de embrulhar peixe. ========================================================================================================================= "CÃES DE GUARDA" FALA DA MÍDIA E DE JORNALISTAS QUE COLABORARAM COM A DITADURA MILITAR Atualizado em 15 de fevereiro de 2008 às 19:07 Publicado em 15 de fevereiro de 2008 às 14:30 DO JORNAL UNIDADE, DO SINDICATO DOS JORNALISTAS DE SÃO PAULO No blog do Azenha "Lançado pela editora Boitempo o livro que, certamente, tomará de assalto as rodas de discussão dentro das redações. É a edição da tese de doutorado da historiadora Beatriz Kushnir, ?Cães de Guarda: Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988?.(*) Até agora, a imprensa ignorou por completo o trabalho, fruto de tese já defendida com sucesso no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Beatriz é mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e sua tese pesquisou a postura colaboracionista de jornalistas e órgãos de imprensa durante a ditadura militar pós-68. Em sua tese, Beatriz mostra a estreita relação que houve naquele período entre jornalistas e policiais, como também investiga os estratagemas da direção das empresas de comunicação, ao aceitarem praticar a autocensura, como ?sugeria? o governo militar. O estudo focaliza a relação dos jornalistas com os censores no Brasil de 1968 a 1988. Ela demonstra, com todas as tintas, a existência de jornalistas que foram censores federais, e que também foram policiais enquanto jornalistas nas redações. Escrevendo nos jornais, ou riscando o que não poderia ser dito ou impresso, colaboraram com o sistema autoritário daquele período. Ela relata: ?Assim como nem todas as redações eram de esquerda, nem todos os jornalistas fizeram do ofício um ato de resistência ao arbítrio?. Para realizar seu trabalho acadêmico, privilegiou o período do AI-5 à Constituição de 1988. Recuou a março de 64 e à legislação censória no período republicano. Ela focou sua pesquisa nos jornalistas de formação e atuação, que trocaram as redações pela burocracia e fizeram parte do DCDP (Departamento de Censura de Diversões Públicas), órgão subordinado ao Ministério da Justiça, cargo de Técnicos de Censura. Outro foco da pesquisa foram os policiais de carreira que atuaram como jornalistas, colaborando com o sistema repressivo e censor do pós-64. Para encontrar esse grupo, Beatriz pesquisou a trajetória do jornal Folha da Tarde, do Grupo Folha da Manhã, de 1967 a 1984. Ela teve acesso ao Banco de Dados da Folha, ao DEDOC da Editora Abril, aos arquivos pessoais do jornalista José Silveira (Jornal do Brasil) e da jornalista Ana Maria Machado (Rádio JB). Entrevistou 19 jornalistas que passaram pela FT, onze censores - só dois autorizaram a divulgação de seus nomes, e um grupo de 26 jornalistas, entre eles Bernardo Kucinski, Mino Carta e Jorge Miranda Jordão. Dez jornalistas, dez censores A historiadora conta, em uma passagem da tese, que os dez primeiros censores que estiveram em Brasília, quando da mudança da Capital, eram jornalistas. Eram profissionais que foram transferidos para as redações de Brasília e lá acumularam cargos na burocracia do Estado, situação comum à época. Mas eles preferiram ficar com apenas uma atividade. Dez jornalistas optaram pelo trabalho no Departamento de Censura, onde se ganhava mais. Dois deles escreveram um livro explicando aos censores como se deve censurar e quais os artigos que se deve cortar. O caso Folha da Tarde Um dos episódios destacados pela tese de Beatriz Kushnir narra a trajetória da Folha da Tarde. Segundo a tese, o jornal foi o reduto, entre 1967 e 1984, de um grupo de jornalistas colaboracionistas, os chamados ?cães de guarda?, que dirigiram a redação como uma delegacia de polícia. Na epóca, a FT era chamada no meio jornalístico como o jornal de maior ?tiragem?, uma ironia à grande presença de ?tiras? na redação. Em 1967, a FT renasce sob o comando de Miranda Jordão - que hoje dirige a redação de O Dia, no Rio de Janeiro - para fazer frente ao Jornal da Tarde. Sua redação se caracteriza por abrigar bons jornalistas, muitos deles simpatizantes da esquerda. Essa fase não foi longa. Finalmente, com o AI-5, Miranda Jordão é demitido e assume a redação Antonio Pimenta Neves e, posteriormente, Antonio Aggio Jr., hoje assessor de imprensa do senador Romeu Tuma. Aggio vinha do jornal Cidade de Santos. Segundo a tese, durante uma década e meia o jornal ficou sob o comando da direita e muitos dos seus jornalistas tinham cargos na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Durante esse período, alguns fatos marcaram a redação. A prisão de Frei Betto, em 11 de novembro de 1969, foi minimizada pelo jornal, que não citou uma importante passagem em sua biografia: Frei Betto foi chefe de reportagem da Folha da Tarde. No episódio Vladimir Herzog, assassinado nos porões da OBAN (Operação Bandeirante) em 25 de outubro de 1975, a FT ignorou por completo a missa ecumênica realizada na Catedral da Sé, alguns dias depois da sua morte. Outra prática, que se estendeu a outros órgãos de imprensa, mas foi exemplar na FT, foi a de transmitir integralmente a versão do Estado para desaparecimentos e assassinatos, como no caso de uma manchete de abril de 1971 que anunciava a morte do guerrilheiro Roque, em confronto com a polícia de São Paulo. Roque era o codinome do metalúrgico Joaquim Seixas, que havia sido preso com o filho Ivan Seixas, hoje jornalista. Os dois eram militantes do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes), e tinham sido acusados de matar o industrial Enning Boilesen, um dos financiadores da OBAN. Foram presos e torturados. Num certo dia, Ivan foi levado pelos policiais para um ?passeio? fora da OBAN e leu em uma banca de jornal a notícia da morte do pai. Quando voltou do ?passeio? ainda encontrou seu pai vivo. Joaquim Seixas viria a morrer horas depois. Os jornais do dia seguinte reproduziram friamente a nota oficial dos órgãos de repressão, mas a FT havia publicado a notícia um dia antes, com detalhes. Muitos atribuem à FT a legalização de mortes em tortura. Além do caso FT, a tese mostra como redações, entre 1972 e 1975, ?acatavam? os bilhetinhos do Sigab (Serviço de Informação do Gabinete), que notificavam diariamente os jornais sobre o que se podia e o que não se podia publicar. Beatriz cita o professor Bernardo Kucinski, que lembra: ?A maior parte da grande imprensa brasileira aceitou, ou se submeteu a esse pacto. Para Médici, era melhor que o próprio jornalista se autocensurasse?. As empresas escolheram então os seus ?quadros de confiança?. Por abrigar jornalistas colaboracionistas algumas redações ficaram conhecidas como ?ninhos de gansos?. Os jornalistas de confinça que cobriam o Deops, por exemplo, não passavam pela revista e seguiam direto por uma entrada lateral, reservada aos policiais, apelidada ?passagem dos gansos?. ?A censura para mim é sempre política? UNIDADE - Qual a intenção inicial de sua pesquisa? Beatriz - Eu tinha planejado fazer uma tese sobre a apreensão de imprensa clandestina pelo aparelho do DOPS. Comecei a trabalhar com essa documentação em Brasília, há toda a documentação do Departamento de Censura de Diversões Públicas. Mas a partir daí, percebi que eu podia pensar a censura diferentemente do que havia sido trabalhado. Não como os jornalistas receberam os censores na redação, mas quem eram esses censores, que tipo de trabalho eles faziam, ou seja, a censura contando a sua própria história. É o que faço nos três primeiros capítulos da tese. UNIDADE - Como surgiu o interesse pelo caso Folha da Tarde? Beatriz - Num determinado momento Maurício Maia, filho do Carlito, me contou como os órgãos de imprensa publicavam notícias falsas de mortes de militantes, e me chegou a história do Ivan Seixas, que era um militante político do MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes), um braço da ALN (Aliança Libertadora Nacional). Ele é preso com o pai, são levados para a OBAN (Operação Bandeirante) e são torturados. O Ivan é levado para dar ?uma volta? e fora da prisão recebe uma informação de que o pai morreu, noticiada pela Folha da Tarde. Quando ele volta à OBAN o pai ainda está vivo, só morreria horas depois. A FT foi considerada o diário oficial da OBAN. A Folha da Tarde é um jornal que renasce em 1967, com o Miranda Jordão, para ser um jornal de oposição ao Jornal da Tarde. Depois do AI-5, ela se torna cada vez mais à direita. O Miranda foge pela fronteira, o Frei Betto, que integrava a equipe do jornal, também sai. Aí assume Antonio Ággio Jr. Tento mostrar como é falsa essa imagem de que a imprensa combateu arduamente a censura. Isso é uma coisa muito delicada para os jornalistas. É delicado perceber que havia autocensura nas redações. A Folha da Tarde se prestava muito para se perceber isso. Se você perceber realmente quando os jornais tiveram censores dentro da redação, então você nota que a autocensura funcionou muito mais do que o censor. Você tem poucos censores nas redações da grande imprensa. Eles estavam na imprensa alternativa. Gosto muito de uma matéria do Jânio de Freitas, sobre os 30 anos do AI-5, quando ele diz que 30 anos depois são de novo os mesmos jornalistas que estão contando a sua história, e 30 anos depois eles contam a história que eles querem. UNIDADE - Você quantificou o número de jornalistas que poderiam ter se envolvido com o colaboracionismo? Ou se deteve mais no caso da FT? Beatriz - Eu não tive essa preocupação de quantificar. A Folha da Tarde é um estudo de caso nos dois últimos capítulos da tese. Mas o que acontece naquela redação? Durante um ano e pouco ela é uma redação de esquerda e durante quinze anos ela vai se tornar uma redação extremamente de direita. Existiam nos anos 70 uns casos que se chamavam desbundes, que eram presos políticos que são presos e depois colocados na televisão para fazer um mea culpa. Alguns desses mea culpa vão se tornar jornalistas da Folha da Tarde, mostrando um pouco dessa relação tão permissiva. UNIDADE - Conte o que aconteceu com a Folha de S. Paulo e Frias em 1977. Beatriz - Em 1977, o Boris Casoy assume a redação da Folha. São tirados todos os nomes dos Frias do expediente, que só vão ser recolocados no jornal em 1984, na época das Diretas. É toda uma jogada de marketing da Folha. Se você repensar hoje o Projeto Folha, ele está muito longe de qualquer análise que diga: ali tínhamos uma redação neutra. Mas as pessoas continuam lendo o projeto Folha como isso. Como um momento em que a Folha vai sair de tudo isso como se nada desse passado tivesse a ver com a família Frias, e vai entrar limpa para a história, nesse momento redemocrático do País (as Diretas), o que não é verdade. UNIDADE - Como os jornalistas que já leram a sua tese a receberam? Beatriz - A tese fez muita gente pular. Muitos jornalistas não aguentam ver. Por mais que sejam críticos, preferem dizer: o historiador errou na sua análise. UNIDADE - Durante a elaboração da tese, foi difícil a relação historiadora-jornalistas? Beatriz - Num primeiro capítulo eu faço uma longa discussão entre jornalistas e historiadores. Como nós dois estamos fazendo uma história do tempo presente. Só que às vezes o jornalista não percebe que ele é nossa fonte, ele não faz uma reflexão. Vocês fazem a história do imediato e a gente faz o que se chama uma história do tempo presente, que é uma reflexão do tempo presente. O que o jornal faz é uma história do instantâneo, e o historiador vai usar aquilo como fonte. Muito pouco da imprensa você tem como espaço de reflexão. Você não tem mais isso hoje em dia. No momento as revistas falam em comportamento, há muito pouca reflexão. UNIDADE - Ao escrever a tese você se desiludiu com a imprensa e com os jornalistas? Beatriz - O momento dessa tese é um momento de desilusões. Não existe esse jornalista quixotesco. Ou melhor, não que ele não exista. Ele existe pontualmente, mas não é o que paira na maioria da imprensa. UNIDADE - Você encontrou dificuldades para editar a tese? Beatriz - Várias editoras top de linha a pegaram e disseram: você não entrevistou a família Frias. (Os Frias se negaram a falar com Beatriz) A Boitempo foi muito legal. Aceitou dividir a tese em dois livros. Queria escrever mais um capítulo com as 60 horas que eu tenho de entrevista com os censores e não cabia na tese, e ela topou. UNIDADE - Você fez uma divulgação grande da tese e deu várias entrevistas que não saíram na grande imprensa. Isso é censura? Beatriz - É uma censura. É mais fácil denegrir um trabalho do que você tentar dialogar com ele. UNIDADE - No momento do assassinato Herzog como se comportou a imprensa? Beatriz - A Veja foi proibida de falar sobre o Herzog. Tem um editorial do Mino no qual ele escreve, em dois parágrafos, que ele tem uma dívida com a população naquele momento, porque não está podendo contar uma coisa, e ele espera que a visita do Geisel a São Paulo possibilite que um dia a Veja possa resgatar aquela não-fala, naquele momento. Não-fala é não poder dizer que o Herzog havia sido assassinado. O ano de 75 é o momento em que Geisel vem com o discurso da abertura. Naquele momento os jornais continuam sendo censurados, a autocensura continua presente nas redações. É uma falsa idéia que a censura está acabando naquele período, não é verdade. UNIDADE - Quando falamos de censura devemos falar dos jornalistas ou dos donos dos jornais? Beatriz - Não dá pra se eximir. Quem tem mais culpa? É o dono do jornal, é o jornalista? São circunstâncias que se dialogam. Não estou dizendo que todo jornalista exerceu um papel de colaboração, nem que todas as empresas de jornalismo foram colaboracionistas. Eu analisei o caso específico de um grande jornal, mas que você pode estender para outros casos. Esse termo do colaboracionismo é um termo que doi de ouvir. Isso reflete muito do país, da formação, dos processos econômicos. UNIDADE - Muita gente preferiu não dar depoimento para a tese, não foi? Beatriz - Com os Frias eu fiz várias investidas. Alegaram que não podiam, não tinham tempo. Como um empresário que vende esse tipo de serviço se recusa a conversar sobre isso? A minha negociação com o Ággio levou meses e meses, e depois que ele me deu uma longa entrevista, se sentiu tão mal que me mandou um fax, no dia seguinte, sobre o que ele entendia de política. É aquela contradição da contradição. UNIDADE - A censura está presente em toda a trajetória republicana brasileira? Beatriz - Eu tento mapear a censura na República, mostrando que ela não é exclusiva de momentos de exceção. No Brasil, mesmo em momentos democráticos ela existiu. UNIDADE - Qual é a cara dessa censura? Beatriz - Ela tem uma capa de moral e bons costumes, que em períodos de exceção se divide em política. Mas para mim a censura é sempre política, porque ela está sempre querendo regular o ato político do cidadão." PS: O livro e a matéria são antigos. Trouxe de volta o assunto para mostrar que mídia ruim, de fato, "mata" -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090223/f36bc8b1/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7040 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090223/f36bc8b1/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 27 19:45:50 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 27 Feb 2009 19:45:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Entrevista_com_Paulo_Abr=E3o_P?= =?windows-1252?q?ires_Junior_=2E_presidente_da_Comiss=E3o_de_Anist?= =?windows-1252?q?ia_=2C_para_a_reda=E7=E3o_do_jornal_Enfim?= Message-ID: <052601c9992d$26c5b900$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. redacao at enfim.com.br Ribeirão Preto, 20 de fevereiro 2009 ENTREVISTA Abrão Pires Junior Heranças da ditadura Presidente da Comissão de Anistia acredita que o ministro da Justiça, Tarso Genro, agiu corretamente no caso de Cesare Battisti Da redação O Jornal Enfim entrevistou com exclusividade o presidente da Comissão de Anistia, órgão ligado ao Ministério da Justiça, Paulo Abrão Pires Júnior, durantesua visita a Ribeirão Preto no dia 13 último. A Comissão de Anistia foi criada através da Medida Provisória nº 2.151, no dia 28 de agosto de 2001. O principal objetivo da Comissão é, segundo site da própria Comissão, ?analisar pedidos de indenização formulados pelas pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até cinco de outubro de 1988?. Mas o presidente da Comissão foi mais longe: ?Esse é o ato formal no qual o Estado brasileiro pede desculpas ao perseguido político pelos erros que cometeu contra ele?, disse Paulo Abrão que ainda comentou, entre outras coisas, a respeito da importância da anistia e sobre o caso do italiano Cesare Battisti. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia, mestre em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos e doutorando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Paulo Abrão que, além de presidir a Comissão, ainda é professor de Direito da Pontifícia Universidade Católicado Rio Grande do Sul. Enfim - Qual o seu papel dentro da Comissão? Paulo Abrão Pires Junior- Eu presido a Comissão de Anistia, que é um órgão de assessoria do Ministro da Justiça que é responsável pela análise dos requerimentos relativos aos perseguidos políticos entre os anos de 1946 a 1988. Atuamos com vista à aplicação da Lei 10.559 (a atual lei de anistia), que estabelece o direito de reparação econômica para aqueles que foram perseguidos entre 46 e 88. Essa lei extrapola o período de ditadura militar e reconhece - também - a situação de perseguidos políticos em alguns momentos da nossa democracia. Enfim - E há casos recentes? Paulo Abrão - Há casos. Por vezes percebemos situações específicas de perseguidos, perseguições cujos fatos ocorreram antes da ditadura militar. Umcaso claro mesmo é o da Clara Charf, que é uma perseguida desde 1936. Em outras situações, a Elza Monnerat como exemplo, é uma mulher que vinha sendo perseguida ao longo dos anos por participar dos quadros do Partido Comunista no Brasil. São situações que não são maioria, mas são situações que por vezes são recorrentes. Enfim - Dos casos de anistia, o senhor acredita que exista algum caso que ainda não tenha aparecido? Paulo Abrão - Nós temos no protocolo da comissão 63 mil pedidos. Destes 63 mil pedidos, 38 mil já foram apreciados, dosquais 25 mil foram deferidos, dez mil deles com alguma reparação econômica, e 13 mil indeferidos. Então nós temos pela frente mais uns 25 mil pedidos que ainda deverão ser apreciados. Enfim - Quando o senhor fala: ?deferidos?, significa necessariamente que houve reparação econômica? Paulo Abrão - Nem sempre. O deferimento implica na declaração de anistiado político. Esse é o ato formal no qual o Estado brasileiro pede desculpas ao perseguido político pelos erros que cometeu contra ele. A reparação econômica apenas se dá se houver enquadramento em algumas das 17 situações que a lei prevê para fins de fixação de reparação econômica. Em alguns casos a Comissão de Anistia declara a pessoa como anistiado político, ou seja, ela reconhece que aquela pessoa foi perseguida política, porém não reconhece que haja algum dano material a ser ressarcido. Pode ser também um caso onde o perseguido político obteve - em outros momentos - essa reparação por forçado Artigo 8º, pela via judicial ou pela via administrativa. Enfim - O que é o Artigo 8º? Paulo Abrão - O Artigo 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, é o artigo na constituição que estabelece o direito a reparação econômica para os perseguidos políticos. Então desde 88 algumas pessoas já ingressaram com ações judiciais e já tiveram as suas reparações. Então quando ela vai até a Comissão de Anistia, ela apenas ratifica a condição de anistiado político, mas não existe o direito de reparação econômica porque o mesmo já houve. Ou naquelas circunstâncias onde a lei não prevê a possibilidade de reparação econômica, como nos casos em que o perseguido político já faleceu e que não exista nenhum dependente econômico. Enfim - No caso do Marighella houve algo parecido? Paulo Abrão - Esse caso não foi avaliado na minha gestão. Na minha gestão analisamos o caso do Lamarca. Nesse caso, nós concedemos a viúva dele a reparação econômica, fazendo a progressão dele até o posto de coronel, que é o posto que ele estaria hoje se não tivesse sido obrigado a se afastar das Forças Armadas, tal como ele foi. A justiça brasileira reconheceu que quando ele saiu do quartel, inclusive dizem que com uma carga de armamentos, ele não tinha outra atitude a tomar diante de um sistema que oprimia. Portanto, ele foi obrigado a se afastar das Forças em razão de sua ideologia, e a comissão assim o declarou como anistiado político e fixou uma reparação econômica para sua viúva. Enfim - E quando isso aconteceu? Paulo Abrão - No dia 13 de junho de 2007. Enfim - Ela já começou a receber essa reparação? Paulo Abrão - Já começou. Houve uma ação judicial por parte do Clube Militar contrária a anistia ao Lamarca. Eles na verdade não aceitam a anistia ao Lamarca porque consideram que ele foi um desertor das Forças Armadas. Nós sustentamos que na verdade ele foi compelido a se afastar e que outra atitude não era esperada dele. Enfim - E essa ação suspendeu por algum tempo a decisão? Paulo Abrão - Essa ação suspendeu os efeitos para fins de pagamento do retroativo da indenização, mas manteve o pagamento das prestações mensais. Enfim - Mas suspendeu apenas até o julgamento? Paulo Abrão - Apenas até o julgamento do mérito. Enfim - Existem muitos casos que são considerados ?gritantes? de tortura? Paulo Abrão - São muitos casos de tortura nos processos de anistia. Presos políticos foram torturados, foram submetidos as piores espécies de mecanismos de interrogatório. Tortura não só física como também psicológica. Existem relatos dramáticos de mães cujos filhos eram presos ou ameaçados, utilizando-se como meio de tortura os próprios filhos; casos de muitas mulheres que foram torturadas nos porões da ditadura, sem considerar outros métodos que já foram descritos em vários livros, em especial o ?Brasil Nunca Mais?. Enfim - Os torturadores estão por aí. Alguns deles, inclusive, de vez em quando aparecem na mídia se manifestando contra o processo de anistia. O senhor acredita que eles devam ser esquecidos ou é o caso de uma punição? Paulo Abrão - Nós defendemos que o Estado brasileiro tem a obrigação de processar esses criminosos. Pois eles são criminosos comuns. São pessoas que a despeito da legalidade do próprio sistema autoritário, que proibia a prática da tortura como método interrogatório, mesmo assim eles o fizeram. Então estas pessoas não estão enquadradas na lei de anistia de 1979, pois o que eles cometeram não foram crimes políticos, foram crimes comuns que são qualificados como crimes contra a humanidade. A melhor tradução jurídica - segundo os tratados de direitos humanos e convenções internacionais que o Brasil é signatário - estabelece que esses crimes contra a humanidade são imprescritíveis e impassíveis de anistia. Portanto nós temos obrigação perante a sociedade brasileira, como também perante as Organizações Internacionais de Direitos Humanos, de levar adiante a responsabilização desses agentes torturadores. É isso que essa ação recente que a OAB ingressou no STF questiona para que o supremo agora possa decidir se a lei de 1979 também perdoou os crimes realizados pelos agentes torturadores, ou se ela não perdoou. Enfim - Já houve caso de algum torturador pedir anistia? Paulo Abrão - Não. Não porque a lei de anistia é muito clara, ela é a favor dos perseguidos políticos e não aos perseguidores. Isso é explícito. Enfim - Com relação aos 25 mil casos que ainda serão apreciados, esse é um procedimento demorado? Paulo Abrão - Cada processo possui a sua própria velocidade. Depende muito do grau de instrução e da acessibilidade de meios comprobatórios as alegações que estão sendo colocadas. Então um requerimento que é posto com toda a documentação cabal de que aquele é um caso de perseguição política, ele certamente tramitara com maior velocidade dentro da comissão. Os casos mais difíceis - onde precisamos buscar os documentos relativos àquilo que está sendo alegado no requerimento, buscando no arquivo nacional entreoutras coisas - possuem tramitação peculiar dentro da Comissão. Enfim - Há casos de pedidos completamente sem fundamento? Paulo Abrão - Já foram 13 mil indeferimentos. Eles podem ser divididos em dois casos: aqueles que mesmo comprovando um tipo de perseguição política, nãoestão enquadrados no período temporal de 1946 a 1988; mas existem casos onde há litigância de má fé, onde a pessoa até reivindica, mas depois fica comprovado que não houve perseguição política. Enfim - No caso dos já anistiados, houve algum caso que demorou a ser confirmado? Paulo Abrão - Existem muitos casos que foram protocolados recentemente porque as pessoas tiveram, somente agora, acesso a documentos que comprovem perseguição política. São situações específicas onde havia perseguição pelas polícias estaduais, pelos aparatos policiais estaduais. Atualmente alguns arquivos públicos estaduais estão disponibilizando as documentações e assim os brasileiros têm condições de pegar essa documentação e comprovar que foi perseguido e ingressar com seu pedido junto a Comissão de Anistia. Enfim - Na época que começou a aparecer na imprensa essa questão da anistia, foi mostrado que o valor necessário para indenizações seria exorbitante, e que isso oneraria a União. Isso de fato atrapalhou o procedimento da anistia? Paulo Abrão - A pergunta fundamental que deveria ser feita não é o quanto hoje o Brasil gasta para se reparar os erros que o próprio Estado cometeu contra os brasileiros, mas sim quanto o Brasil gastou para instituir esse sistema de repressão e aparatos de tortura por 21 anos contra brasileiros e brasileiras que resistiram ao regime autoritário. Qual foi o custo da ditadura militar? Essa era a pergunta fundamental para aqueles que argumentam através do viés econômico poderem se questionar. Mas tratando especificamente a essa pergunta, não há dinheiro algum que pague a dor e o sofrimento dos brasileiros que vivenciaram a perseguição política. De fato o nosso legislador optou por uma fórmula que, ao meu juízo, não era a fórmula mais eqüitativa para tratar esse assunto. Nós temos algumas distorções na legislação que podem nos provocar as seguintes situações: pessoas que tiveram grau de perseguição muito mais intenso, mas que não tinham vínculo de trabalho (estudantes, entre outros), hoje eles possuem uma reparação econômica menor que aqueles que possuíam vínculo laboral. Por vezes esses cidadãos - os que trabalhavam, por exemplo - nem sempre são aqueles que eram os mais perseguidos. Podem ter sido perseguidos pontualmente perdendo o seu trabalho, mas que hoje possui uma indenização maior que aquele outro militante sistemático que não tinha vínculo laboral. Enfim - Então a lei não é tão democrática. Paulo Abrão - A lei é imperfeita nesse aspecto de se fixar com justeza às reparações a quem se deve. Mas no estado de direito é preferível aplicar uma legislação de reparação que foi elaborada em um Congresso democraticamente eleito pelo povo, do que se respeitar leis vigentes sobre um regime autoritário. Enfim - No Brasil ainda há um grupo de pessoas que gostariam de ver os documentos dos porões da ditadura e de outros momentos de perseguição. O senhor acredita que ainda exista muita coisa escondida dessa época? Paulo Abrão - Existem duas fontes documentais que nós precisamos ter acesso, a primeira e mais significativa delas são os documentos dos centros de inteligência da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, que eram os centros onde se promovia a perseguição aos brasileiros resistentes. Esses arquivos nunca foram entregues para o Arquivo Público Nacional alegando-se que eles foram incinerados. A legislação estabelece que todo e qualquer documento público incinerado deve, por obrigação do agente público, possuir um termo de incineração. Hoje valeria a pena ir atrás desses termos de incineração para se responsabilizar os administradores que incineraram documentos tão importantes. Mas as forças armadas alegam que os termos de incineração também foram queimados. Isso é uma alegação oficial já entregue para o poder judiciário brasileiro. Uma segunda gama de documentos muito importantes, ao qual nós ainda não temos a atenção devida, são documentos que hoje estão junto ao Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Os Estados Unidos, a pedido da Argentina e do Chile, disponibilizou - para esses respectivos países - toda a documentação relativa às ditaduras militares desses países. Isso aconteceu ainda dentro do Governo Clinton. E o Brasil ainda não fez formalmente essa solicitação para os Estados Unidos. A lei de acesso à informação norte-americana permitiria que esses documentos pudessem ser desclassificados e disponibilizados para a nossa nação. Enfim - Teria que ser um pedido do presidente? Paulo Abrão - Seria um pedido formulado por parte de uma autoridade brasileira competente para tanto. No meu ponto de vista, ou o presidente da república deveria pedir ou a ministra- chefe da Casa Civil, que atualmente é a responsável pelo Arquivo Público Nacional. Enfim - Aqui em Ribeirão Preto houve muitas perseguições políticas: o caso da Madre Maurina, Áurea Moretti, Vanderley Caixe, entre outros, inclusive do Leopoldo Paulino. O senhor acredita que aqui na região esses casos de anistia já foram devidamente resolvidos? Paulo Abrão - Eu não tenho levantamento dos casos pendentes na região, mas acredito que não. A própria Irmã Maurina é uma brasileira que tem direito em pedir anistia política, mas que ainda não exerceu esse direito. Seria necessário que um grupo de pessoas pudesse ir até ela e sensibilizasse-a quanto à importância de entrar com o requerimento de anistia, mesmo que ela abra mão da reparação econômica - desde que isso não seja significativo para ela - mas para o Estado brasileiro é importante que o país peça perdão a cada um dos brasileiros que ele submeteu ao regime de opressão e de perseguição. Então a partir desse exemplo, acredito que ainda temos muitos casos a serem resolvidos, mas eu não tenho especificamente essa relação. Enfim - O que o senhor acha do caso Cesare Battisti? Paulo Abrão - O caso Battisti é uma situação típica de uma perseguição política reconhecida pelo governo italiano nas sentenças judiciais que foram dadas e o Brasil - no exercício de sua soberania e a luz de nossa legislação, em razão que diz especificamente que é possível conceder refúgio diante de situações de fundado temor de perseguição - ele assim o concedeu. Essa decisão do ministro da justiça, a meu ver, é uma decisão correta. A nossa melhor tradição é a de dar abrigo a essas pessoas, é uma questão humanitária mesmo no plano internacional, que padecem de algum perigo nas suas respectivas vidas. Enfim - Então o Tarso Genro, apesar de tudo o que vemaparecendo, agiu corretamente? Paulo Abrão - Eu li o parecer do Ministro Tarso Genro que fundamenta a decisão de conceder o refúgio ao Battisti. Eu nunca vi nenhum outro ato administrativo no Brasil com uma fundamentação tão bem desenvolvida do ponto de vista jurídico e histórico. É por isso que tenho a convicção que, do ponto de vista da nossa ordemjurídica, a decisão é mais que correta. Agora cabe ao Supremo Tribunal Federal resolver a partir dessas recentes ações que o Estado italiano tem promovido. É inadmissível que nós assistamos passivamente a manifestações de parlamentares italianos que desqualificam a soberania brasileira e, aonde um deles inclusive, chegou a fazer referência de que, ao juízo dele, o Brasil é um país de grandes dançarinas e não de grandes juristas. Então isso chega a um grau inadmissível de ofensa aos brasileiros. Eu espero que isso não abale - e tenho certeza que não abalará - as relações diplomáticas entre os dois países. ?O caso Battisti é uma situação típica de uma perseguição política reconhecida pelo governo italiano nas sentenças judiciais?... -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090227/fbb76e06/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 2086 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090227/fbb76e06/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 38095 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090227/fbb76e06/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Feb 27 19:46:04 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 27 Feb 2009 19:46:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_FORUM_NACIONAL_PELA_REFORMA_AGR?= =?windows-1252?q?=C1RIA__repudia_as_declara=E7=F5es_do_ministro_do?= =?windows-1252?q?_STF_/_veja_mais_=3A_a_=E9tica_do_Instituto_do_mi?= =?windows-1252?q?nistro?= Message-ID: <052a01c9992d$2ed8d4b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 27.02.09 - BRASIL Brasil - Repúdio às declarações do Ministro do STF FNRA * Adital - Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo - FNRA Repudia declarações do Ministro Gilmar Mendes. O Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo - FNRA, vem contestar as declarações carregadas de preconceito e rancor de classe do presidente do Supremo Tribunal Federal - STF, Gilmar Mendes, e apoiadas pelos Presidentes do Senado Federal, e da Câmara dos Deputados, contra os movimentos sociais e sindicais do campo. Ao longo da historia da luta pela terra no Brasil, a atuação dos movimentos tem sido inspirada pela garantia dos direitos humanos, em especial o direito à vida, à dignidade dos homens e mulheres do campo e o direito e a necessidade de realização de uma reforma agrária massiva, que contemple uma ampla e justa distribuição de terras. Lastimamos que o Presidente do STF, que é o guardião da Constituição Federal, não tenha incorporado à história de luta das classes populares nacionais. Em declaração recente a imprensa, o Ministro, em uma atitude revoltosa, coloca no mesmo patamar diferentes situações como as ocupações de terras, convênios e contratos assinados entre organizações e governo, questiona as autoridades responsáveis pelo repasse de verbas e pede a punição por crime de responsabilidade. Nunca a sociedade brasileira ouviu do Ministro uma condenação aos grupos de latifundiários armados no campo ou a concessão de financiamentos públicos aos grandes grupos econômicos, que tem provocado o trabalho escravo, chacinas contra populações tradicionais e crimes ambientais. Dessa forma, o senhor Ministro Gilmar Mendes, estimula o processo de criminalização dos movimentos sociais e sindicais, unindo e fortalecendo politicamente os setores que atuam no sentido contrario à consolidação de uma sociedade livre, organizada e democrática. A luta pela reforma agrária não vai recuar diante de declarações imponderadas como esta do ministro Gilmar Mendes. Ao contrario, fortalece a luta do FNRA contra as legislações que institucionalizam a criminalização das organizações, contra as leis que impedem as legitimas ocupações e A FAVOR da emenda constitucional que limita o tamanho da propriedade rural e pela assinatura da Portaria que atualiza os índices de produtividade. Atualmente existem cerca de 250 mil famílias de sem-terras acampadas nas beiras das estradas. Os recursos orçamentários da União destinados para a reforma agrária não dão conta desta demanda, apesar de estar comprovado que o Estado possui recursos suficientes para realizar a reforma agrária em menos de três anos. Adiar este processo significa promover e estimular a violência no campo, colocando em risco a vida de milhares de famílias brasileiras. E lamentável quando lemos e ouvimos o Presidente do Supremo Tribunal Federal apelar para Medidas Provisórias e legislações recentes sobre a reforma agrária, quando a Constituição Federal assegura aos cidadãos e cidadãs o direito à terra aos que nela trabalham, a moradia e a uma vida digna. O papel do FNRA é exigir do Estado o efetivo cumprimento da função social da propriedade da terra, para que dela os brasileiros e brasileiras tirem seu sustento. As lideranças dos diferentes movimentos reunidos em Salvador durante o Seminário Nacional pela Campanha do Limite da Propriedade da Terra não se sentem ameaçadas pelas palavras do Ministro Gilmar Mendes. Pelo contrario, se sentem desafiadas e estimuladas a renovar suas alianças e dar continuidade à luta histórica em nome dos companheiros e companheiras que tombaram nesta caminhada. Pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, já! ENTIDADES QUE COMPÕEM O FNRA: CONTAG - MST - FETRAF Brasil - CUT - CPT - CÁRITAS BRASILEIRA - MMC - MPA - MAB - CMP - CONIC - CONDSEF - Pastorais Sociais da CNBB - MNDH - MTL - ABRA - ABONG - APR - ASPTA - ANDES - Centro de Justiça Global - CESE - CIMI - CNASI - DESER - ESPLAR - FASE - FASER - FEAB - FIAN-Brasil - FISENGE - IBASE - IBRADES - IDACO - IECLB - IFAS - INESC - MLST - PJR - REDE BRASIL sobre Instituições Financeiras Multilaterais - Rede Social de Justiça e Direitos Humanos - RENAP - SINPAF - TERRA DE DIREITOS - EMPÓRIO DO CERRADO - COIABE - ABRANDH - ABEEF - Comissão de Justiça e PAZ - Grito dos Excluídos - Jubileu Sul/Brasil - Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome. * Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo =================================================================================================================================================================================== Conflito ético Embora a Lei Orgânica da Magistratura não proíba expressamente a participação societária de magistrados em empresas privadas, a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, no controle acionário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), abala a imagem do Judiciário e coloca novamente a Justiça brasileira em delicada situação junto à opinião pública. A situação se agrava ainda mais quando o presidente da maior Corte de Justiça do país ? aliando a atividade de magistrado a de empresário da educação ? compra terrenos de R$ 2 milhões por um quinto do valor e fecha contratos sem licitação para cursos diversos com entidades estatais ? desde a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional até o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, conforme informações da revista Carta Capital, em reportagem do jornalista Leandro Fortes. Criado em 1998, o Instituto de Gilmar Mendes faturou, entre 2000 e 2008, cerca de R$ 2,4 milhões em contratos com órgãos ligados ao governo federal ? todos firmados sem licitação. Depois que Gilmar Mendes assumiu o cargo de presidente do STF o faturamento em contratos com a União cresceu. De 2003 para cá, o valor somou R$ 1,6 milhão, segundo dados disponíveis no site Contas Abertas. Só no mês passado, o IDP recebeu R$ 350 mil com a celebração de convênios. No site da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU) verifica-se que nas guias de pagamento aparece um acordo do IDP com a Receita Federal até para trabalho aduaneiro. O Ministério da Defesa ? de Nelson Jobim ? pagou R$ 55 mil ao Instituto, e a CGU, R$ 15 mil. O IDP tem contrato, sem licitação, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e até com a Força Aérea Brasileira (FAB). De acordo com a revista Carta Capital, os valores recebidos da União pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, em 2008, devem-se, sobretudo, a três contratos firmados com o Senado Federal, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Receita Federal. Do Senado, o instituto recebeu R$ 125 mil, do STJ R$ 88,2 mil e da Receita Federal R$ 117,9 mil. Os cursos oferecidos pelo IDP também foram contratados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, que pagou R$ 690 mil. Assim como nos outros contratos, a licitação foi considerada ?inexigível?. No período em que Nelson Jobim presidiu o STF ? entre 2005 e 2006 ? aquele tribunal gastou quase R$ 50 mil em cursos e eventos oferecidos pelo Instituto de Gilmar Mendes. Em 2006, o jornal O Globo denunciou relações estranhas entre o IDP e o STF. Então presidente interino do Supremo ? a titular Ellen Gracie Northfleet, estava de licença médica ? Gilmar Mendes transformou em ?bolsa de estudos? um empenho de R$ 3,6 mil referente a um curso de Mestrado em Ações Constitucionais, ministrado pelo IDP a três funcionários do STF. Todas as tentativas do Ministério Publico Federal para impedir Gilmar Mendes de usar de influência para conseguir contratos no governo foram em vão. A primeira delas ocorreu em abril de 2002, pouco antes de ele ser nomeado para o STF. Na época, o Ministério Público chegou a instaurar uma ação de improbidade administrativa por Gilmar Mendes ter contratado o IDP para dar cursos no órgão do qual era o principal dirigente ? a Advocacia-Geral da União. A construção da sede do IDP ? um amplo prédio de quatro andares ? foi financiada com recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste ? R$ 3 milhões ? dinheiro gerenciado pelo Banco do Brasil. Quando começou a funcionar, em 1998, o IDP comprou um terreno por R$ 2,2 milhões, com recursos do Programa de Promoção do Desenvolvimento Econômico Integrado e Sustentável, que ilegalmente o enquadrou com a rubrica de ?setor produtivo?, garantindo-lhe um desconto de 80% na aquisição da área. Gravitam ao redor do IDP nomes de peso como o de Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Hage (CGU). Entre os professores incluem-se Carlos Alberto Direito, Carlos Ayres Britto, Eros Grau e Marco Aurélio Mello ? todos do STF. ================================================================================================================== -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090227/5b8de2ff/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Feb 28 15:14:44 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 28 Feb 2009 15:14:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Carta_enviada_=E0_Folha_SP_por_Jan?= =?iso-8859-1?q?ne_Calhau_Mour=E3o=2C_do_Tortura_Nunca_Mais_do_RJ_e?= =?iso-8859-1?q?____/O_JORNAL_=22FOLHA_DE_S=C3O_PAULO=22_SA=DADA_O_?= =?iso-8859-1?q?__REGIME_MILITAR_=281964/1985=29=2E/_Ato_na_Folha_?= =?iso-8859-1?q?=22ditabranda=22_dia_7_=E0s_10_horas_da_manh=E3?= Message-ID: <014c01c999d0$6ef5ce60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: john kennedy ferreira Carta enviada à Folha SP por Janne Calhau Mourão, do Tortura Nunca Mais do RJ NOTA REVOLTANTE É revoltante a nota da redação da FSP (19/02/09), em resposta a uma das cartas de repúdio ao editorial "Limites a Chávez" (17/02/09), onde a alcunha de "ditabranda" é atribuída ao regime militar imposto à força no Brasil, no período de 1964 a 1985. Na nota de três linhas, demonstrando total desconhecimento histórico, o jornalista apresenta de forma linear os 21 anos da ditadura militar brasileira, reafirmando que, comparada às demais ditaduras latinoamericanas do mesmo período, a brasileira foi mais branda e apresentou níveis baixos de violência política e institucional. Primeiramente, o jornalista incorre no erro de querer classificar o dano causado pela violação dos direitos humanos pelo Estado. Tal dano é sempre inclassificável, assim como não se pode dizer que a dor de alguém é maior ou menor do que a de um outro, já que a dor é uma realidade de intensidade, não de extensividade, e não podemos medi-la a metro. Se as ditaduras da Argentina e do Chile cometeram um número maior de assassinatos tal distinção numérica, no entanto, não nos pode levar à leviandade de querer classificar uma ditadura como menos ou mais violadora que outra. Nos crimes de lesa-humanidade somos todos atingidos em um só ato. Por outro lado, ficamos sem saber o que o redator da nota considera como "níveis baixos de violência política e institucional", já que parece não relacionar os fatos acontecidos ao conceito. Contudo, indubitavelmente, o jornalista, em sua resposta apressada e inconsequente, oferece-nos um panorama claro dos efeitos até hoje nefastos do silenciamento que ainda paira sobre o período da ditadura militar brasileira. Na ditadura, todas as garantias constitucionais foram suspensas e, além das pessoas que foram presas, torturadas, mortas ou desaparecidas, todos os partidos e muitos políticos foram cassados; os meios de comunicação foram censurados; jornais foram empastelados e fechados; o direito de ir e vir foi cerceado; associações e reuniões foram proibidas; correspondências foram violadas; escutas telefônicas foram implantadas; peças de teatro, livros e filmes foram proibidos (Sófocles teve a sua prisão decretada); currículos foram reformulados retirando-se disciplinas consideradas "perigosas"; professores foram presos (inclusive um ex-presidente da república); inúmeros artistas, cientistas e intelectuais tiveram que fugir do país e muitos foram presos. Podia-se ser preso e "sumido" ao bel prazer dos militares, em singelos namoros noturnos em locais considerados "suspeitos", em passeios bucólicos pela ainda silvestre Barra da Tijuca, como também apenas por se possuir livros "proibidos", por dar aulas consideradas "subversivas", por ouvir músicas "renegadas" pela ditadura, ou simplesmente por expressar opiniões dissonantes do regime vigente. Parte de nossa história foi subtraída da história oficial, os arquivos da ditadura nunca foram abertos, os torturadores não foram apontados, responsabilizados e muito menos punidos (alguns foram até laureados), ao contrário do que está sendo feito em outros países da AL. Sem se aperceber, o jornalista revela-se ele próprio como um dos afetados pela tal "ditabranda": um profissional formado na ignorância da história de seu próprio país e, portanto, desconhecedor do que seja efetivamente violência política e institucional. Para os chamados "cidadãos comuns" - todos também afetados, mesmo desconhecendo tais efeitos - isso poderia ser apenas chamado de alienação política, fato historicamente comum na sociedade brasileira. Para um jornalista é uma falha grave em sua formação profissional (meramente tecnicista?), a menos que se considere um pós-moderno e tenha decretado o fim da história. Em caso contrário, deve aprender que o acobertamento dos crimes de lesa-humanidade da ditadura, o silenciamento sobre tal período histórico, e a impunidade dos crimes e dos criminosos produziram e continuam produzindo efeitos que estão entranhados nas instituições do país e arraigados nos "corações e mentes" dos brasileiros. Por exemplo, na própria Folha on line de 26 de fevereiro, lemos que a impunidade envolvendo casos de abuso de poder cometidos por policiais federais, estaduais e militares foi ressaltada pelo Departamento de Estado americano em seu relatório anual. O documento aponta que esse é um dos maiores problemas enfrentados em direitos humanos no Brasil. A violência policial foi um dos destaques no estudo do Governo americano, que denuncia "mortes ilegais, força excessiva, agressões, abusos e torturas de detidos e reclusos por parte de policiais e forças de segurança de prisões". Destaca ainda que muitos assassinatos foram cometidos por esquadrões da morte ligados às forças de segurança, "em alguns casos com a participação policial". Essa é também uma das heranças do silenciamento sobre os crimes da ditadura militar brasileira e se estende até os dias atuais: o esquema dos porões ainda não foi desmontado; ontem, os "inimigos perigosos" confinados nos porões eram os ditos "subversivos", em uma política repressora de "segurança nacional"; hoje, na reinante política repressora de "segurança pública", dentro do modelo neoliberal, quem são os "perigosos inimigos" sujeitados aos porões ainda não desativados? Se for capaz, e não tiver medo de perder o emprego, cabe ao jornalista pesquisar a resposta. Janne Calhau Mourão - Psicóloga - CRP-05/1608 - R. Barão de Mesquita, 950/805 - CEP 20540-004 - Rio de Janeiro (jannecalhau at uol.com.br) =========================================================================================================================================================== ----- Original Message ----- From: Pedro Castilho FEVEREIRO DE 2009 - Em rompante de nostalgia, Folha saúda o regime militar Faz quase um ano que o jornalista Paulo Henrique Amorim desafia a Folha de S.Paulo a "tirar os cães de guarda do armário e confessar que foi 'Cão de Guarda' do regime militar" brasileiro. A julgar pelos fatos da semana, pode-se dizer o jornal da família Frias nunca esteve tão próximo da confissão. Por André Cintra A nostalgia da Folha começou a se evidenciar num editorial de 425 palavras sobre o presidente venezuelano, Hugo Chávez. O texto, publicado na última terça-feira (17), chega a comparar a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ditadura brasileira. Diz o jornal: "Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo". Em meio a essas teorizações enviesadas, o editorial não esconde a opinião da Folha e sua larga simpatia pelo regime militar brasileiro: "As chamadas 'ditabrandas' - caso do Brasil entre 1964 e 1985 - partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça". É muito curioso que a Folha destaque tais "formas controladas de disputa política" justamente em contraste com Chávez - o único presidente do mundo que chamou seu povo às urnas nada menos que 15 vezes nos últimos dez anos, em eleições, referendos e plebiscitos. Quando foi que os brasileiros puderam exercer esse direito durante os 21 anos de regime militar? A Folha seria capaz de lembrar uma única experiência do gênero? De forma cristalina, o editorial de terça-feira alardeia que Chávez - ou melhor, "o caudilho venezuelano", com seu "rolo compressor do bonapartismo" - tem muito a aprender com os generais-presidentes do Brasil. Aprender o quê? A cassar direitos de lideranças políticas e sociais à moda Castello Branco? A levar para a Venezuela a experiência do AI-5 - "forma controlada" de "acesso à Justiça" no Brasil de Costa e Silva e Médici? A seguir o exemplo da dupla Geisel-Figueiredo e falar em distensão do regime, em abertura "lenta, gradual e segura" - mas ainda promover mais mártires como Vladimir Herzog, novas chacinas como a da Lapa e outros atentados como os do Riocentro? Repercussão à altura Cartas e e-mails de repúdio à Folha choveram a cântaros após a publicação do editorial. Um dos leitores mais indignados era Sergio Pinheiro Lopes, que classificou a opinião da Folha como "lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo. É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário". As ponderações essenciais do leitor não foram suficientes para dissuadir a Folha. Uma "nota da redação" do jornal enunciava: "Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional". Para a Folha, ditadura só é ditadura pra valer se estiver na ponta do ranking do totalitarismo e empilhar mortos aos milhares. Como se antevisse a resposta do jornal, Sergio fez em sua carta um questionamento inapelável: "Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma 'ditabranda' ser chamada de ditadura?". Dois intelectuais de respeito - os professores universitários Fábio Konder Comparato (aposentado) e Maria Victoria de Mesquita Benevides, da USP - saíram em defesa das vítimas da ditadura esculhambadas pelo editorial da Folha. "Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de 'ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas", escreveu Maria Benevides. "Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi 'doce' se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala - que horror!". Já Comparato, ao sustentar que "o leitor Sergio Pinheiro Lopes tem carradas de razão", cobrou a Folha: "O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana". Como a Folha está convicta das benesses da ditadura brasileira e não reconhece discordâncias, o jeito foi desqualificar seus missivistas: "Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua 'indignação' é obviamente cínica e mentirosa". A arrogância da Folha segue rendendo contestações, como a do professor Caio Toledo, que escreveu a seus colegas de Unicamp. O texto de Toledo tacha de "repulsivas e agressivas" as "posições editoriais de Folha" e se solidariza com Maria Benevides e Comparato. "O jornal, sem argumentos e razões, agride a atuação pública destes dois combativos intelectuais por meio de uma leviana 'nota de redação'. Diante de todas estas agressões ao pensamento democrático, cartas de protesto ao jornal e o cancelamento da assinatura não seriam as respostas mais consequentes?". Em entrevista ao Comunique-se, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo, não poupou a Folha. "É lamentável que se proceda a uma revisão histórica dessa natureza. O que era negativo passa a ser positivo, dando absolvição àqueles que violaram os direitos constitucionais e cometeram crimes, como o assassinato do jornalista Vladimir Herzog nos porões do Doi-Codi", afirma Azedo. "Dizer que houve acesso à Justiça é uma falsidade de caráter histórico que deveria causar vergonha à Folha de S. Paulo." Um veículo pró-regime Não é de estranhar a defesa que a família Frias faz dos militares. Octavio Frias de Oliveira (1912-2007), o patriarca do clã, adquiriu em 1962 a Folha de S.Paulo - um jornal enforcado em dívidas, que demorou cerca de 15 anos para se tornar um investimento rentável. Uma das razões pelas quais a Folha se salvou financeiramente foi o laço íntimo com todos os generais-presidentes da ditadura. Numa de suas raríssimas entrevistas, concedida em 2003, Frias-pai comentou sobre esses relacionamentos com o poder - e mentiu. "Eu sempre me mantive afastado do poder. Para ser independente você tem que estar um pouco distante porque senão entra numa situação moral difícil", disse o ex-publisher da Folha. "Não tenho histórias para contar a este respeito porque sempre procurei manter uma distância entre a posição do jornal, a minha pessoal e os dirigentes do país". Mais adiante, na mesma entrevista, Frias se contradiz: "Na época da ditadura, acho que no governo Médici, o chefe da Casa Militar, com quem eu tinha certa relação, não me lembro o nome dele, me telefona e diz: 'Ô Frias aqui quem fala não é o seu amigo não, é o chefe da Casa Militar Ou você muda esse jornal aí ou nós vamos fechar'. Eu mudei". O relato de Frias, ainda assim, não entrega tudo o que a Folha fez na conta do regime, como o odioso empréstimo de peruas C-14 do jornal ao DOI-Codi, para o transporte de presos políticos rumo ao encarceramento, à tortura e, não raro, à morte na Operação Bandeirantes (Oban). Na época, manifestantes chegaram a queimar veículos da Folha em protesto contra a morte de seus companheiros de luta. No livro Cães de Guarda - Jornalistas e Censores do AI-5 à Constituição de 1988, Beatriz Kushnir dá mais detalhes da promiscuidade. A Folha da Tarde, especialmente, contou com uma matilha de jornalistas colaboracionistas - os "cães de guarda" - e era conhecido como "o jornal de maior tiragem" - ou seja, com mais tiras na redação. No combate aos "subversivos", a FT se antecipava ao regime e fazia o papel de porta-voz. Chegou a divulgar a morte do metalúrgico Joaquim Seixas, o Roque, antes mesmo de ele ser assassinado nos porões da ditadura - mas sonegou informações sobre a prisão de Frei Betto (como o fato de o frade ser repórter do jornal) e não noticiou a heróica missa ecumênica a Vladimir Herzog na Catedral da Sé. Frias-pai não está mais vivo, mas dois de seus filhos continuam à frente da Folha de S.Paulo - Luís Frias como presidente do grupo Folha e Otavio Frias Filho, o Otavinho, como diretor de redação do jornal. Parece caber a eles, de forma progressiva, restabelecer e edulcorar as mais sombrias memórias da família Frias e da Folha. Memórias de um tempo em que a concessão da "ditabranda" era garantida aos fantoches das elites e da grande mídia - não ao Brasil, nem aos brasileiros. ============================================================================================================================================================ ----- Original Message ----- From: Marco Aurelio Data do protesto contra a Folha de São Paulo http://edu.guim.blog.uol.com.br/ Protesto contra ditabranda Charge de Carlos Latuff Diante do resultado do post anterior, acredito que já temos um bom número de pessoas dispostas a participar do ato público diante do jornal Folha de São Paulo para protestar contra a difusão daquele veículo do absurdo de que a ditadura militar que vigeu no Brasil entre 1964 e 1985 teria sido uma "ditabranda". Antes de prosseguir no anúncio do dia e da hora em que ocorrerá o ato de protesto, porém, desejo fazer algumas considerações. Esta é uma iniciativa que não pretende nem precisa reunir uma grande multidão para protestar contra essa perniciosa revisão histórica de um fato que, a meu juízo, deveria equiparar-se ao Holocausto nazista, o qual, em vários países do mundo, não pode ser negado por força de lei, sob pena de o autor da negativa ser enquadrado em acusação criminal. Ainda assim, entre o número dos que confirmaram que participarão do ato e dos acompanhantes que pretendem levar consigo, já temos perto de 40 pessoas. Contudo, acabamos de receber um comentário de leitor aqui no blog que promete ser importante para o número de manifestantes. Vejam: Pode contar com a adesão do Fórum Permanente de Ex Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo ao ato em repúdio à Folha e em solidariedade aos professores. É só comunicar a data e hora. Abs. Maurice Politi | Sao Paulo, SP, Brasil | Administrador | 25/02/2009 15:26 Também já temos notícias de que professores da USP e da Unicamp estariam se mobilizando para aderir. Além disso, há menção ao protesto em texto de Altamiro Borges, no site Vermelho, e, segundo informações do Altamiro por telefone, o site irá publicar uma chamada em destaque nesta quinta-feira. E, finalmente, o site do jornalista Luiz Carlos Azenha também deverá divulgar. O que importa, entretanto, nem é quantos seremos. O importante é deixar claro que não se aceitará nunca mais silenciar ou aceitar revisões históricas sobre os anos de chumbo. Há que exigir respeito às vítimas da ditadura. Na falta do ideal, que seria reabrir processos e punir torturadores, estupradores e assassinos do regime militar, ao menos o país tem que reconhecer essa chaga em nossa história incontestavelmente, visando que, através do conhecimento dos horrores pretéritos, estes nunca mais aconteçam. Dia e hora do ato público na Folha de São Paulo Com base nas manifestações dos leitores e de outras sondagens que fiz, acredito que o dia mais cômodo para a maioria dos manifestantes será sábado, dia 7 de março, às 10 horas da manhã. O local será diante da Sede do jornal Folha de São Paulo, na rua Barão de Limeira, no centro de São Paulo, região servida por linhas de metrô, de ônibus e, portanto, de fácil acesso. Informo, ainda, que todos os leitores que se manifestaram aqui dispondo-se a participar do protesto receberão e-mail meu confirmando dia, hora e colocando-me à disposição para maiores informações. Comentários de adesão ao ato público Algumas pessoas de São Paulo que comentaram o post anterior, que propôs a realização do protesto, não foram consideradas porque, apesar de se manifestarem favoravelmente, não deixaram claro se pretendem participar ou não. Só serão considerados os que deixarem claro que virão ou que pretendem vir. Estou elaborando algum material para os manifestantes e farei isso com base nos apoios decididos e explícitos. Peço, pois, a todos os que decidirem apoiar esta iniciativa que sejam claros e sucintos, na medida do possível, ao manifestarem seu apoio e sua intenção de engrossar a manifestação com sua presença. Este post será eventualmente atualizado com novas informações assim que eu as tiver. A partir de sábado, retomarei postagens de outros temas, mas sem esquecer do protesto do próximo dia 7. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090228/629c1a89/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 32318 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090228/629c1a89/attachment-0001.jpe