[Carta O BERRO] Continuam investimentos estrangeiros no campo brasileiro. Jornal valor economico 24 a 29 dez 09

Vanderley Caixe vanderleycaixe em revistaoberro.com.br
Terça Dezembro 29 18:35:47 FNT 2009


Carta O Berro..............................................................repassem





Jornal valor economico 24 dez 09

BUNGUE ADQUIRE CINCO USINAS DO GRUPO MOEMA

A multinacional  Bungue fechou ontem , em São paulo, um dos maiores acordos do setor sucroalcooleiro do país, ao adquirir cinco das seis usinas do Grupo Moema, com sede em Orinduva-SP.
O negocio calculado em 1,5 bilhões de dolares  nem sequer envolveu dinheiro, apenas foi entregue açoes da empresa da bolsa de Nova Iorque aos vendedores brasileiros.
As cinco usinas vem processando ao redor de 13,5 milhões de toneladas de cana por ano.
As Usinas estao localizadas  em Orindiuva-SP; Frutal-MG; Ourooeste-SP; Pontes Gestal-SP e Itagagipe-MG.
O grupo paulista era controlado pelas tradicionais familias Maurilio Biaggi e Eduardo Diniz Junqueira que agora saem do ramo.

Ja a empresa transnacional norte-americana amplia seus negocios na cana,  pois ela ja controlava a Usina Santa Juliana, no Triangulo mineiro aonde processava 2,5 milhões de toneladas de cana.
E estão em construção outros dois projetos de Usinas de etanol, a Usina Pedro afonso, no estado do Tocantins, que vai começar a operar em 2010, e  a Usina mote Verde, em Ponta Porã, Mato grosso do sul, fornteira seca com Paraguai.  Essa ultima tera capacidade de 1,4 milhões de toneladas de cana e deve entrar em operação em 2012.

CAMPO ATRAI UM TERÇO DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO 
      ESTRANGEIROS ACELERAM APORTES NO CAMPO  
      Autor(es): Mauro Zanatta 
      Valor Econômico - 29/12/2009 
        

      O agronegócio brasileiro tem passado por um profundo processo de "estrangeirização" nos últimos sete anos. De 2002 a 2008, as atividades ligadas ao campo receberam US$ 46,9 bilhões em investimentos diretos estrangeiros (IED), revela um estudo inédito do Banco Central. O valor equivale a 29,5% do IED total líquido ingressado no país no período, e a maior parte foi empregada na ampliação das operações da agroindústria fornecedora de insumos agropecuários.

      O movimento de "internacionalização" das cadeias produtivas nacionais tem respaldo no avanço da concentração da posse da terra em mãos de poucos brasileiros e a atração cada vez maior de estrangeiros para esse tipo de investimento. Nos 11 Estados responsáveis por 90% desses registros, há 1.396 municípios com comunicado oficial de terras compradas por estrangeiros, segundo cadastro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) - 124 desses municípios têm metade das áreas de médias e grandes propriedades em nome de estrangeiros. No total, há 3,6 milhões de hectares em mãos estrangeiras nas regiões Sul e Centro-Oeste, além de São Paulo, Minas, Bahia, Pará, Tocantins e Amazonas.

      O capital internacional tem buscado, no Brasil, o alto potencial das terras locais para produzir commodities e matérias-primas para biocombustíveis. Mas o dinheiro estrangeiro também mira a valorização dessas terras. As recentes incorporações das usinas da Santelisa Vale pela francesa Louis Dreyfus e do grupo Moema pela americana Bunge reforçam a tendência de consolidação da presença estrangeira (ver matérias abaixo). No ano passado, mesmo com a crise financeira global e a queda dos preços das commodities em relação às máximas pré-debacle, o agronegócio recebeu 20% de todos os IEDs no Brasil. Em 2009, o BC projeta US$ 25 bilhões de investimentos estrangeiros no país - e o campo deverá absorver entre US$ 5 bilhões e US$ 7,5 bilhões do total.

      O Incra, responsável pelo controle das informações da posse da terra no país, está preocupado com o avanço estrangeiro. "A terra é um meio de produção finito. Há uma forte disputa pela terra, que foi acirrada pelas crises mundiais de energia e de alimentos", avalia o presidente do Incra, Rolf Hackbart. O estudo do BC aponta que o movimento de "internacionalização" ajudou a elevar a produção doméstica no curto prazo, mas aumentou a concentração agroindustrial e reduziu o valor da produção agrícola no período. "A concentração elevada está associada aos investimentos estrangeiros", diz Hackbart. A solução, segundo ele, seria aprovar regras mais duras de controle sobre a posse dessas terras. "É preciso corrigir a legislação para termos regras para aquisição de terras por estrangeiros. Não é xenofobia, mas a defesa da nossa soberania sobre o uso dessas terras".

      O Palácio do Planalto avalia, desde 1997, alterar as regras para restringir o capital estrangeiro na compra de terras. A Advocacia-Geral da União (AGU) deve apresentar nova norma para equiparar empresas nacionais com capital estrangeiro às companhias controladas por acionistas não-residentes no país ou com sede no exterior. Em áreas situadas ao longo da faixa de 150 quilômetros das fronteiras continuará necessária autorização do Conselho de Defesa Nacional para aquisição e arrendamento.

      O estudo do Banco Central alerta, ainda, que o processo de concentração da produção e das exportações do agronegócio tem contribuído para elevar as diferenças regionais na geração de riqueza. Além disso, o BC afirma que a indústria de insumos tem pressionado para baixo os preços ao produtor. Quanto maior o IED na agroindústria, menor o valor da produção agropecuária. A cada aumento de 1% no IED no segmento, haveria redução de 0,22% na produção, diz o estudo. Isso porque, explica o BC, a concentração agroindustrial, via fusões ou aquisições, eleva o poder das empresas e reduz os ganhos dos produtores.

      Na análise do setor, o BC constata que os IEDs direcionam aportes para um grupo reduzido de produtos, como algodão, carnes, soja, óleo, etanol, açúcar e sucos de frutas, cuja participação no comércio internacional é relevante. A avaliação do BC também aponta que o setor ainda é bastante dependente da importação de insumos, como matérias-primas para adubos. Fatores como abundância de terras, competitividade e produtividade do agronegócio nacional têm atraído cada vez mais investimentos estrangeiros ao país.

      Um impacto positivo desse movimento é o desempenho das exportações. O BC calcula que a cada 1% de aumento nas exportações do setor, a produção agrícola cresceria 0,35%. A cada dólar investido na agropecuária, a produção aumenta R$ 18,90. E a cada dólar exportado, esse valor quase dobra para R$ 1,80. "Mas isso fortalece a dependência dos produtores brasileiros da produção de commodities para exportação e as estratégias das empresas globais", diz o estudo.




     

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