From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 1 21:07:59 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 1 Apr 2009 21:07:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?S=E9rie_sobre_o_golpe_militar_?= =?windows-1252?q?=28XIII=29=3A_O_que_s=E3o_45_anos_=96_O_que_foi_a?= =?windows-1252?q?quilo=3F_O_que_restou_daquilo=3F_=28Emir_Sader=29?= =?windows-1252?q?/=22=2E=2Emem=F3ria_da_luta_e_resist=EAncia_do_ca?= =?windows-1252?q?mpesinato_na_Ditadura_Militar_=22/_e_Jos=E9_Dirce?= =?windows-1252?q?u=2E=2E=2E=22n=E3o_resolvemos_a_reforma_das_FFAAs?= =?windows-1252?q?=22?= Message-ID: <016e01c9b327$1698f830$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem 1964: democratas e ditatoriais O que são 45 anos ? transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo? 30/03/2009 Emir Sader Os golpistas ? incluída toda a imprensa, menos a Última Hora ? insistiam em dizer que a data era 31 de março; nós, que era primeiro de abril. Ainda mais que eles tentavam dizer que tinha sido uma ?revolução?, confessando o prestigio da palavra revolução ? até ali identificado com a revolução cubana. O que são 45 anos ? transcorridos desde aquele primeiro de abril até hoje? O que foi aquilo? O que restou daquilo? Medido no tempo, parece algo distante. Afinal, tinham transcorridos apenas 34 anos desde a revolução de 30 - o momento de maior ruptura progressista na história brasileira. Período que incluiu os 15 anos do primeiro governo de Getúlio e os 19 de democracia liberal, incluídos os 4 do novo mandato de Getúlio e os 5 do JK. Nem é necessário discorrer muito para dizer que se tratou de um golpe militar, que introduziu uma ditadura militar. Nem a ?ditabranda? da FSP (Força Serra Presidente), nem o ?autoritarismo? de FHC ? todas tentativas de suavizar o regime. Um regime dirigido formal e realmente pela alta oficialidade das FFAA, que reorganizou o Estado em torno dessas instituições, tendo o SNI como seu instrumento de militarização das relações sociais. Um regime que atuou politicamente a favor da hegemonia do grande capital nacional e internacional. Para isso, entre suas primeiras medidas estiveram a intervenção militar em todos os sindicatos e o arrocho salarial ? a proibição de qualquer campanha salarial, sonho de todo grande empresário. Para que se criasse um clima que desembocou no golpe militar, foi montada uma campanha de desestabilização que ? hoje se sabe, pelas atas do Senado dos EUA ? tinha sua condução diretamente naquele país, com participação direta do então embaixador norte-americano e a cumplicidade ativa da grande mídia ? que até hoje não fizeram autocrítica do papel ditatorial que tiveram, nem mesmo a FSP, que emprestou seus carros para ações repressivas da Oban -, somada às mobilizações feitas pela Igreja Católica e pelos partidos de direita ? com o lacerdismo moralizante na cabeça. Nunca como naquele período as grandes empresas privadas lucraram tanto. Foram elas as maiores beneficiárias da repressão ? prisões arbitrárias, torturas, fuzilamentos, desaparições, entre outras formas de violência de um regime do terror. Foram o setor economicamente hegemônico durante a ditadura ?ao contrário da visão inconsistente de FHC, de que uma suposta ?burguesia de Estado? seria o setor hegemônico, para absolver os grandes monopólios nacionais e internacionais. O Brasil vinha vivendo um processo importante de democratização social, política e cultural. O movimento sindical se expandia, os funcionários públicos passavam a incorporar-se a ele, os militares de baixa graduação passavam a poder se organizar e se candidatar ao Parlamento, se desenvolvia a sindicalização rural, acelerava-se a criação de uma forte e diversificada cultural popular ? no cinema, no teatro, nas artes plásticas, -, um movimento editorial de esquerda se fortalecia muito. Foi para brecar a construção da democracia que o golpe foi dado. Com um caráter abertamente antidemocrático e fortemente antipopular ? como as decisões imediatas contra os sindicatos e campanhas salariais demonstram -, foi um instrumento do grande capital e da estratégia de guerra fria dos EUA na região. 1964 se constituiu em um momento de forte inflexão na história brasileira. O modelo de desenvolvimento industrial passou a se centrar na produção para a alta esfera do consumo e a para a exportação, acentuando a concentração de renda e a desigualdade social, assim como a dependência. O Brasil que saiu da ditadura, 21 anos depois, era um país diferente daquele de 1964. As organizações democráticas e populares haviam sido duramente golpeadas. A imprensa havia sido depurada dos órgãos de esquerda. (Não esquecer que a resistência na imprensa foi feita pela chamada imprensa nanica, por si só uma denúncia da imprensa tradicional.) O país havia se transformado no mais desigual do continente mais desigual do mundo. Vários dirigentes da ditadura ainda andam por aí, junto com seus filhos e netos, dando lições de democracia, sendo entrevistados e escrevendo artigos na imprensa. A imprensa não dirá nada ou tentará, uma vez mais, se passar por vítima da ditadura, escondendo o papel real que desempenhou. (Que tal republicar as manchetes de cada órgão naquele primeiro de abril de 1964?) Na resistência e na oposição à ditadura se provou quem era e é democrata no Brasil. ( O texto foi originalmente publicado no Blog do Emir) Emir Sader é filósofo, cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordena o Laboratório de Políticas Públicas. ==================================================================================================================================== ----- Original Message ----- From: Consciência.Net Abril 01, 2009 45 anos do Golpe: memória da luta e resistência do campesinato na Ditadura Militar "Agora que o País se livrou do fantasma da comunização, podemos repetir o que vínhamos dizendo exaustivamente: todo comunista é covarde e mau caráter. (...) Enfim, começa hoje uma nova era para o Brasil. Confiemos no espírito público dos homens que salvaram a democracia brasileira (...)". Foi com essas palavras que um dos jornais de maior circulação da época anunciou em seu editorial o novo regime político imposto aos brasileiros em 1964: a ditadura militar. Leia texto da Comissão Pastoral da Terra, regional Nordeste II. Ao amanhecer o dia 1° de abril daquele ano, o Brasil viveria, por um período que duraria 21 anos, um dos momentos mais nefastos na história do país. Após exatos 45 anos, setores que patrocinaram a ditadura insistem em classificá-la de "ditabranda" ou de uma época de pequenos excessos cometidos. Os movimentos sociais e as organizações populares não esquecem o horror vivido e as conseqüências políticas ocasionadas por aquele regime. Momentos de efervescência política nos anos que antecederam o Golpe "Os anos que antecederam o '64' foram de uma efervescência política muito grande no Brasil, sobretudo no Nordeste e no campesinato", comenta o Padre Hermínio Canova, da Coordenação Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e que acompanhou a resistência e luta das organizações camponesas que iam surgindo até então. Para o Padre Hermínio, aquele período anterior ao Golpe foi um marco para a luta dos trabalhadores brasileiros, um período de ascenso de massas, potencializado ainda mais pela referência à Revolução Cubana e às reformas de base anunciadas por Goulart. A mobilização do campesinato também foi um elemento fundamental para o avanço das lutas populares naquele período. No início dos anos 60, consolidavam-se organizações como as Ligas Camponesas que, sobretudo no Nordeste foram importantes instrumentos de organização e de atuação do campesinato. O golpe interrompe o processo de luta do campesinato As organizações e lideranças camponesas que faziam a defesa da Reforma Agrária e dos direitos humanos foram massacradas com a Ditadura Militar. O integrante do Núcleo de Documentação dos Movimentos Sociais da UFPE e preso político no regime, o professor de Comunicação Social, Luis Momesso, enfatiza que a ditadura teve como um dos seus principais eixos de apoio o latifúndio - que se via ameaçado pelas mobilizações populares. Lideranças como Francisco Julião e João Pedro Teixeira, das Ligas Camponesas de Pernambuco e da Paraíba foram alguns dos símbolos da resistência e luta no Nordeste e se consolidaram como "elementos perigosos" para as forças reacionárias. Ainda dois anos antes do golpe, João Pedro Teixeira foi brutalmente assassinado, enquanto Francisco Julião foi perseguido, preso e exilado nos anos da ditadura. As medidas impostas pela Ditadura para o campo foram logo postas em prática. O regime intensificou o avanço do capital no campo e o fortalecimento do latifúndio, através da entrada de maquinários modernos e agrotóxicos. Foi anulada a lei de 1962, que controlava remessas de lucros para o estrangeiro, dando força e permitindo a entrada em larga escala das multinacionais no país. "Esse é considerado um dos períodos em que latifundiários, empresários e usineiros mais expulsaram os camponeses, posseiros, indígenas e quilombolas de suas terras", afirma Hermínio. A massa de camponeses expulsa do campo, desempregada e sem nenhum direito garantido, migravam para as cidades sem perspectivas de vida e emprego. Como forma de mascarar as tensões no campo e colocar um freio nos movimentos campesinos, o governo de Castelo Branco emitiu, em 1965, o estatuto da Terra. Mesmo contendo avanços, como falar pela primeira vez da função social da propriedade e da desapropriação para fins de Reforma Agrária, o estatuto não tinha o objetivo de sair do papel e ainda conseguia acobertar o latifúndio em um único item que assegurava que "a propriedade declarada empresa rural não poderia ser desapropriada". A repressão aos que se posicionavam contra o Regime tornou-se ainda mais brutal em 1968, com o Ato Institucional n° 5 (AI 5). O decreto deu ao regime militar poder absoluto. A partir daí, as organizações de caráter político de oposição ao regime foram barbaramente massacradas e perseguidas. "Nos Sindicatos de Trabalhadores Rurais mais atuantes, a diretoria era substituída por interventores do estado, os chamados `pelegos´ e lideranças camponesas foram brutalmente assassinadas, presas e torturadas", relembra Hermínio. O campesinato seguiu resistindo ao cenário de terror e violência protagonizado pela Ditadura Militar. Segundo Hermínio "umas das áreas mais cobiçadas para o avanço do capital na ditadura era a pré-Amazônia - que compreende os estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul." Foi naquela região, em 1975, em plena ditadura militar, que surgiu a Comissão Pastoral da Terra, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, desenvolvendo um serviço pastoral e contribuindo com a luta e organização do campesinato contra a implementação do regime, que fazia o jogo dos interesses capitalistas nacionais e transnacionais. Solidariedade e resistência no campo em Pernambuco No estado, a luta dos camponeses e camponesas violentados pela ditadura militar contou com a solidariedade e a dedicação de pessoas que também seriam consideradas figuras indesejadas da Ditadura Militar Brasileira. Dom Helder Câmara, designado para ser o arcebispo de Olinda e Recife, chegou à capital pernambucana nos primeiros dias do Golpe Militar. Por sua atuação social e política de repúdio ao Regime Militar, o "Arcebispo vermelho", como era denominado na época, foi perseguido e censurado pelos militares. Dom Helder ainda conseguiu realizar várias viagens ao exterior onde denunciava as violações de direitos humanos cometidas pela ditadura brasileira. Outro lutador do povo que sempre esteve ligado às lutas do campesinato foi Gregório Bezerra. Nascido na região do Agreste do estado pernambucano, Gregório começou a trabalhar nas lavouras de cana com quatro anos para ajudar a família. Integrante do PCB, foi preso político e exilado durante o regime. Faleceu em outubro de 1983, deixando um legado de luta e resistência para Pernambuco e o Brasil. 45 anos depois: continua a perseguição política aos movimentos de luta pela terra Após 45 anos, camponeses a camponesas são insistentemente criminalizados por levantarem a bandeira da Reforma Agrária. Casos mais recentes - como o fechamento das escolas itinerantes do MST no Rio Grande do Sul, em fevereiro deste ano, e a criminalização de lideranças de organizações do campo, como o caso do advogado da CPT, José Batista Afonso, são exemplos de que a perseguição política aos movimentos de luta pela terra persiste. Para o professor Momesso, "a ditadura não existe mais enquanto regime, mas o capitalismo continua. As mesmas pessoas que patrocinavam a ditadura estão hoje no Governo, como Sarney. O capital não tem projeto para a sociedade, e nesse contexto, a tendência dele é radicalizar pela violência, sempre foi. Quando não é pela via do estado, é via milícias armadas contratadas pelos latifundiários. Nós estamos em uma democracia que é violência, é ditadura também", finaliza Momesso. ================================================================================================================================================================= "NÃO RESOLVEMOS A QUESTÃO CENTRAL DA REFORMA DO PAPEL DAS FORÇAS ARMADAS", DIZ JOSÉ DIRCEU. José Dirceu de Oliveira e Silva completava 15 dias de maioridade, mas ainda era um adolescente político. Trabalhava em um escritório na Praça da República, no centro de São Paulo, estudava no Colégio Paulistano e fazia cursinho pré-vestibular. Tinha acabado de fazer 18 anos quando viu descendo pela Rua da Consolação, vindo da Rua Maria Antônia, estudantes do Colégio Mackenzie fazendo manifestação em favor do golpe militar de 64. Contra os alunos direitistas, o jovem Zé Dirceu teve certeza de que estava do lado certo, mas jamais imaginou que poderia liderar nos anos seguintes parte da resistência à ditadura militar que vigorou por 21 anos. Passados 45 anos de sua maioridade e do golpe, José Dirceu avalia o período, refuta teses tais como ?o AI-5 foi culpa das guerrilhas urbanas? ou que ?a luta armada prolongou o regime ditatorial?. Ele reconhece o legado econômico do período, mas avalia que o país teria se saído muito melhor sob a democracia. O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), ex-ministro-chefe da Casa Civil dn primeiro mandato do presidente Lula e deputado cassado por seus pares (sob acusação de envolvimento com o mensalão) analisa que, após quase 25 anos de redemocratização, o país precisa rever o papel das Forças Armadas e passar a limpo sua história contemporânea. A seguir, os trecho principais de entrevista por telefone, concedida no dia 26 deste mês. Agência Brasil ? No momento do golpe militar, o senhor já era militante? José Dirceu ? A minha militância política e um novo mundo que descobri aconteceram quando eu entrei para a PUC [Pontifícia Universidade Católica] para fazer o curso de Direito. Ali começo a militar com amigos do Partido Comunista Brasileiro, fazer cineclube, protestar contra o autoritarismo vigente na escola, contra as anuidades, contra o fechamento dos centros acadêmicos, pela associação atlética [da faculdade], contra o recrudescimento da ditadura com a Lei Suplicy [que extinguiu a União Nacional dos Estudantes - UNE e as uniões estaduais de estudantes] e com o Ato Institucional nº 2 [escrito ?à nação? e que estabeleceu a suspensão de direitos políticos e eleição indireta para presidente, além de censura à propaganda considerada ?subversiva?, entre outras medidas]. ABr ? A esquerda fez uma leitura errada dos acontecimentos que antecederam o golpe, avaliando que poderia haver resistência? Dirceu ? O golpe era um golpe anunciado, que tem raízes na Escola Superior de Guerra. Tinha uma avaliação de que haveria tentativa de golpe, mas não houve uma preparação para resistir. Ainda que os norte-americanos estivessem preparados. Os americanos tinham mandado uma frota da Marinha para cá e estavam preparados não só para reconhecer os golpistas [como representantes legítimos do Estado brasileiro], como também para fazer uma intervenção política e militar ao lado deles. Em grande parte, o golpe foi financiado, articulado e apoiado pelos americanos. Depois disso e até o governo Geisel, toda política interna e externa refletiu essa ligação carnal com os Estados Unidos. O Juracy Magalhães [ministro das Relações Exteriores do governo Castelo Branco, 1966-1967] disse que ?o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil?. ABr ? Qual a pior conseqência do golpe? Dirceu ? Evidentemente a ditadura em si foi o pior. Há muitos aspectos da política econômica: concentração de renda, êxodo rural, empobrecimento das classes populares e endividamento. O que marca a ditadura é a repressão, as torturas, os crimes políticos, os desaparecimentos, a censura, o impedimento de que o país tivesse instituições democráticas. Até então, o Brasil em 70 anos de República viveu 35 de ditadura. Isso trouxe conseqüências graves para a formação política e cívica do país. O saldo que a ditadura deixou foi trágico: não só pelos assassinatos e torturas, mas pela cassação dos direitos políticos dos milhares que foram diretamente cassados como eu, mas de todo o povo brasileiro que não pôde exercer os direitos. ABr ? Na sua vida, a cassação e o exílio foram os piores momentos? Dirceu ? O golpe me despertou para a política, assim como aconteceu com milhões de brasileiros. O Brasil não parou de lutar. Fizemos questão de manter as ruas na mão daqueles que se opunham à ditadura. Nós mantivemos centros acadêmicos abertos e mobilizações de alguns setores contra a ditadura, como os de intelectuais, artistas, professores, jornalistas. Tentamos fazer uma ponte com o movimento sindical que se levantou em 1968, em Osasco (SP). A cassação do meu habeas corpus pelo Ato Institucional nº 5 foi o pior momento [que o impediu sair da prisão, feita durante o 30º Congresso da UNE, no interior de São Paulo]. ABr ? Por que o movimento estudantil capitaneou a resistência ao regime militar? Dirceu ? Os estudantes pertenciam a uma geração libertária que saiu de casa, foi trabalhar e estudar nas grandes cidades sem depender dos pais. Foi uma geração avessa ao conservadorismo cultural e moral e ao autoritarismo que existia no país. O movimento estudantil foi mais do que luta contra a ditadura, foi uma revolução de comportamento. Isso coincide com um momento de grandes transformações no mundo. ABr ? Olhar isso com uma certa nostalgia não esconde a dureza que foram aqueles anos? Dirceu ? Não, a vida é assim, tem muitas facetas, é um arco-íris. A luta nossa teve seus momentos de tristeza e dor pelas derrotas, mas teve seus momentos de alegria e vitória pela criação e pelos sonhos. ABr ? A luta armada levou o país ao AI-5? Dirceu ? Não. Isso é uma tese sem fundamento que até serve de justificativa para o golpe. Os atos institucionais nº 1 e nº 2 já mostram a natureza da ditadura. Todo golpe tem uma natureza violenta porque é uma solução fora da política. Dizer que a repressão teve como causa a resistência à ditadura é uma coisa simplesmente inaceitável. Então não se pode lutar pela liberdade? Esse tipo de conceito não corresponde aos fatos históricos. Ditadura era ditadura. Também foram reprimidos os partidos políticos de oposição. O Partido Comunista Brasileiro, que não participou da luta armada, também foi reprimido. Não tem sentido esse argumento. ABr ? A visão revolucionária de alguns setores estava equivocada? A visão reformista do citado ?Partidão? talvez fosse a leitura mais adequada daqueles momentos? Dirceu ? A luta armada tem, em primeiro lugar, uma justificativa pelo menos moral: é o direito à resistência, está previsto na carta das Nações Unidas, contra a opressão e um governo ilegítimo que nasceu da violência de um golpe militar inconstitucional e se impôs pela força. Evidentemente que não foi o método mais correto. Não soubemos combinar a resistência armada com a luta política e social. Porém, daí tirar a conclusão de que a luta pacífica ou que a resistência institucional poderiam ser bem-sucedidas está errado porque elas também foram derrotadas. No processo histórico todos aprendemos, não vejo por que dar toda a razão aos pacifistas ou negar toda a razão à luta armada, apesar do seu caráter militarista. ABr ? Qual foi o maior aprendizado? Dirceu ? Que não se pode fazer nenhuma luta se não tiver apoio popular e é preciso aprender com a luta. Nós aprendemos isso e exercitamos a partir de 80, muitos fundadores do PT vivemos essa experiência e soubemos aproveitá-la na vida política. ABr ? Houve acertos no regime militar? Dirceu ? Evidentemente houve acertos, não é possível governar o país por tanto tempo sem crescimento, sem realizações. O país mudou radicalmente. O Brasil de 1985 não é igual ao Brasil de 1964. É um outro país, para o bem e para o mal. Caracterizado pela pobreza, perda da soberania popular e ausência de instituições democráticas, mas também com infra-estrutura de telecomunicações, rodoviária, energia, apesar de ter abandonado as ferrovias, não ter desenvolvido a hidrovia, e de a produção de energia nuclear não ter dado certo. Teve endividamento externo, mas o país criou uma indústria petroquímica, a Petrobras sobreviveu, se constituiu a Eletrobrás, a Telebrás. Não se conseguiu criar uma indústria de TI [tecnologia da informação], mas o país avançou na indústria pesada, de máquinas e equipamentos, apesar de não ter conseguido acompanhar o desenvolvimento tecnológico mundial. O Brasil começou a criar as bases para a agricultura e a groindústria que tem hoje. O saldo absoluto negativo é no social e político. No econômico - como o país trabalhou, produziu, acumulou muito e aumentou sua população -, é inegável que houve crescimento, mas nada disso justifica a ditadura. Tudo isso poderia ter sido feito com democracia e teria sido feito melhor. Talvez, por exemplo, não teríamos visto um desenvolvimento urbano tão concentrador, tanta favelização. Talvez a participação do trabalho na renda nacional teria sido maior, feito a reforma agrária em uma época que teria outro impacto. ABr ? Que diferenças e semelhanças o senhor apontaria entre aquele projeto de desenvolvimento e o projeto atual do governo Lula? Dirceu ? Nenhuma semelhança. O país é outro, o mundo é outro, não tem nenhuma comparação. Não fazemos o crescimento com base no endividamento externo. O país já tem uma base industrial e tecnológica para dar saltos. O principal problema do país é combater a pobreza, a desigualdade, e fazer uma revolução tecnológica e educacional. Outro problema é fazer a integração da América do Sul, que não estava colocada naquela época. O discurso era chauvinista, de direita nacionalista, até de sub-imperialismo. Não vejo paralelo. Tudo agora é feito na democracia, naquela época não havia participação da sociedade. Não se pode comparar. ABr ? No governo Geisel, a abertura correu riscos? Dirceu ? Claro que correu. Só não ocorreu porque as forças que lutavam pela democracia foram se impondo. A sociedade foi se mobilizando: a Igreja teve um papel importante, o MDB [Movimento Democrático Brasileiro, partido de oposição ao regime militar que antecedeu o PMDB], os sindicalistas [que depois vão fundar o PT], os intelectuais, os jornalistas, a imprensa e as camadas populares que se levantaram por melhores condições de vida. O país caminhou para a democracia resistindo e lutando. Senão, não teria saído da ditadura. A democracia não é obra da distensão e nem dos militares, ela é obra de quem lutou. ABr ? Por que o Brasil tem tanta dificuldade de passar essa história a limpo? Dirceu ? Porque nós não resolvemos uma questão central que é a reforma e a revisão do papel das Forças Armadas no país. Foi criado o Ministério da Defesa, mas ele não está consolidado. Nunca os militares abriram mão de autodefinir as suas políticas. Nunca o Congresso Nacional avocou isso para si, o que significa que a sociedade não avocou para si. Existe um capítulo não encerrado, como acontece em outras casos. Precisamos, por exemplo, fazer uma reforma política e não deixar que o poder econômico, a cada dia, controle mais a política, e a política dependa do dinheiro. O Brasil não acertou as contas com a sua própria história. Por Gilberto Costa/Abr. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090401/b9488f79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090401/b9488f79/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 2 20:16:07 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 2 Apr 2009 20:16:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Prosa @ Poesia Message-ID: <04a801c9b3e9$0761c690$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. (clique na rosa e conheça centenas de prosas, crônicas e poesias do Prosa @ Poesia NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090402/1f53ea9a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090402/1f53ea9a/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1013 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090402/1f53ea9a/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 36012 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090402/1f53ea9a/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 3 20:33:58 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 3 Apr 2009 20:33:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Memorial Virtual sobre vida e obra de Frei Tito Message-ID: <017c01c9b4b4$af575920$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 03.04.09 Adital lança Memorial Virtual sobre vida e obra de Frei Tito A partir de hoje, está disponível no site da Adital o Memorial Virtual Frei Tito, um espaço dedicado a um dos maiores símbolos da luta pelos direitos humanos e pela democracia na América Latina e Caribe. Documentos, fotos, testemunhos e textos estarão à disposição dos leitores de Adital que poderão conhecer um pouco mais da vida de Tito de Alencar Lima, frade dominicano que colaborou com a luta armada durante a ditadura militar no Brasil. Na primeira sessão do Memorial "As próprias pedras gritarão", pode- se acessar um material produzido pelo próprio Frei Tito. Lá, o leitor encontra o relato, feito em fevereiro de 1970, sobre os momentos de tortura sofrida pelo frade: "Faço esta denúncia e este apelo a fim de que se evite amanhã a triste notícia de mais um morto pelas torturas". Nesta sessão, também ficam disponíveis poesias, cartas, posições e análises, escritas pelo frade. Personalidades que mantiveram contato com Frei Tito também colaboraram na construção do memorial. Por meio de depoimentos, artigos, entrevistas e relatos, poesias, cordel, eles comentam a história de vida do dominicano. Nesta sessão, pode-se conferir o texto completo da peça teatral "Tito", de Solange Dias. Há também uma lista de entidades que homenageiam Frei Tito, com seus respectivos contatos. Na sessão de multimídia, encontram-se livros, vídeos, áudios, fotografias e websites relacionados à temática da vida do Frei Tito. Para conhecer o Memorial Virtual, basta clicar no log abaixo =================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090403/5e537a56/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2633 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090403/5e537a56/attachment.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090403/5e537a56/attachment.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 3210 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090403/5e537a56/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 4 16:22:23 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 4 Apr 2009 16:22:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Para_onde_vai_a_crise_econ=F4mi?= =?windows-1252?q?ca_global=3F?= Message-ID: <03b601c9b55a$b1c52060$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: beatrice.lista From: Ana Santanna O anúncio de que os líderes mundiais dos países desenvolvidos e "emergentes" - o G-20 - voltam a se reunir em setembro, em Nova York, é um sinal de que a luz no fim do túnel da crise econômica mundial continua fraca. A nova reunião, segundo o porta-voz da notícia, o presidente francês Nicolas Sarkozy, coincide com a realização da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela complementa o encontro de Washington de novembro do ano passado, que estabeleceu os princípios para agir diante da crise, e a reunião da quinta-feira (2), que definiu a forma de colocá-los em prática. Em Nova York, os "progressos" serão revisados. ABRIL DE 2009 - 22h36 Para onde vai a crise econômica global? O anúncio de que os líderes mundiais dos países desenvolvidos e ?emergentes? ? o G-20 ? voltam a se reunir em setembro, em Nova York, é um sinal de que a luz no fim do túnel da crise econômica mundial continua fraca. A nova reunião, segundo o porta-voz da notícia, o presidente francês Nicolas Sarkozy, coincide com a realização da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Ela complementa o encontro de Washington de novembro do ano passado, que estabeleceu os princípios para agir diante da crise, e a reunião da quinta-feira (2), que definiu a forma de colocá-los em prática. Em Nova York, os ?progressos? serão revisados. Por Osvaldo Bertolino O ponto inicial aqui é: haverá progressos? A julgar pelos efeitos previstos da decisão de Londres de destinar US$ 1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar países com problemas decorrentes da crise econômica global a resposta dificilmente pode ser positiva. O G-20, segundo o premiê britânico Gordon Brown, também joga suas cartas na necessidade de ''trabalhar urgentemente com os líderes'' mundiais para fazer avançar a Rodada Doha de liberalização comercial, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC). O G-20 faz uma aposta alta. ?Estamos empreendendo uma expansão fiscal coordenada e sem precedentes, que salvará ou criará milhões de empregos que de outra maneira seriam destruídos, e isso somará, até o final do próximo ano, 5 trilhões de dólares, aumentará a produção mundial em até 4 por cento e acelerará a transição para uma economia verde?, disse o comunicado final da cúpula. O documento diz ainda que os bancos centrais do G-20 se comprometeram a manter políticas de expansão econômica, enquanto for necessário, e usar de todas as ferramentas e políticas disponíveis para tanto. Desafio: salvar os bancos que estão na UTI Os limites dessa política de expansão econômica estão bem à mostra na face exposta da crise, os Estados Unidos, onde o pacote anunciado pelo governo do presidente Barack Obama ? o maior da história ? gera ceticismo sobre o seu poder de fazer com que os bancos voltem a emprestar. A eficácia das medidas propostas por Tim Geithner, o secretário do Tesouro ? uma polpuda ajuda extra prevista para as instituições financeiras de cerca de US$ 1 trilhão ? já foi posta em dúvida quando, menos de uma semana depois de anunciar o plano, ele próprio teve de ir à TV para dizer que não descarta a possibilidade de os bancos precisarem de mais dinheiro. Em entrevista ao canal ABC News, Geithner disse que não descarta ir ao Congresso pedir mais recursos. ?Faremos os congressistas entenderem por que ser mais agressivo hoje é mais barato no longo prazo'', disse. Seu desafio é salvar os bancos que estão na UTI e desatar o nó da concessão de crédito necessária para oxigenar a economia. A parada é dura. A questão é saber o que fazer com os títulos imobiliários podres em poder dos bancos. Geithner pretende resolver o problema por meio de um mercado específico a fim de limpar os balanços dos bancos ? que continuam recheados de títulos imobiliários e carteiras de crédito de baixíssimo valor. Subsídios à compra de ativos ruins O plano prevê que as instituições financeiras possam vender suas carteiras de crédito imobiliário e seus títulos podres em um mercado patrocinado pelo governo que está sendo criado exclusivamente para negociá-los. Se tudo andar como o planejado, os compradores serão o próprio Tesouro e ? a grande novidade ? investidores privados, como fundos de pensão, fundos de hedge e até grandes investidores individuais, que concorreriam entre si para comprar esses ativos pelo maior preço. O baixo valor que estariam dispostos a pagar, no entanto, pouco ajudaria a resolver o buraco no balanço dos bancos. Para enfrentar a reticência dos compradores, mais uma vez a mão do Estado atua com o objetivo de estimular os negócios ? o Tesouro resolveu dar um gigantesco incentivo aos fundos que queiram pagar mais. Funciona assim: em troca de uma pequena aplicação inicial, eles ganham acesso a uma linha de financiamento praticamente sem risco para comprar as carteiras e os títulos problemáticos. Se os ativos comprados valorizarem, os compradores e o Tesouro vão dividir os ganhos. Se houver prejuízo, os compradores não precisarão devolver o financiamento. Perdem apenas o aporte inicial. Paul Krugman, prêmio Nobel de economia, esclarece que a medida ?é uma forma indireta e disfarçada de subsidiar a compra de ativos ruins?. Em um artigo no jornal The New York Times, ele argumenta que o plano não vai funcionar. ''Sim, os ativos problemáticos podem estar subavaliados. Mas o fato é que os executivos financeiros literalmente apostaram seus bancos na crença de que não havia bolha imobiliária e de que o endividamento sem precedentes das famílias não era problema. Eles perderam a aposta. E nenhuma ajuda financeira fantasiosa vai mudar isso'', diz Krugman. Nacionalização de bancos solventes Ele argumenta que o plano concede benefícios demais às operações de compra e venda dos ativos podres. Para o economista, o volume de recursos liberado (US$ 575 bilhões) é bem menor do que o necessário ? o total de ativos hipotecários podres é estimado em até US$ 7 trilhões. E lembra que é preciso resolver o problema do mutuário ? a solução da crise passa pela redução da inadimplência. Liquidar esses títulos, no entanto, será apenas o primeiro passo para enfrentar a essência da crise. Além dos bancos cambaleantes, há outros, tidos como sadios, que já se defrontam com o fantasma da insolvência ? com o desemprego em alta, até os bons pagadores se tornam inadimplentes. Há quem defenda o novo pacote, mas com ressalvas. ''O plano é um passo na direção certa porque limpa o sistema financeiro'', escreveu o economista Nouriel Roubini, conhecido pelas previsões catastrofistas, em um raro momento de otimismo. ''Mas não devemos nos iludir. Se a economia piorar, a situação pode ficar muito feia rapidamente'', disse ele. Para Roubini, a solução concebida por Geithner só funcionará no caso dos bancos solventes, isto é, com ativos suficientes para cobrir suas dívidas ? ainda que ninguém saiba dizer, hoje, quem são eles. O economista propõe uma saída diferente. ''Aqueles que se mostrarem insolventes devem ser nacionalizados, saneados e preparados para uma nova privatização'', diz ele. A preocupação é que, se o plano naufragar, sobrará pouquíssimo dinheiro para uma nova rodada de ajuda aos bancos. As dificuldades políticas também se agigantarão ? Obama teria de ir ao Congresso convencer os parlamentares a aprovar a liberação de mais recursos públicos para o sistema financeiro com a credibilidade destruída. Direito de voto da China no FMI Além da equação interna, os Estados Unidos enfrentam problemas estruturais das complexas relações da sua economia com o mundo. O ponto nevrálgico é, sem dúvida, a China. Sintomaticamente, o anfitrião da cúpula do G-20 em Londres, o premiê britânico Gordon Brown, instalou Obama à direita e o presidente da China, Hu Jintao, à sua esquerda. O gesto refletiu o reconhecimento da legitimidade dos questionamentos da China em relação ao seu papel no xadrez político mundial ? dada a relevância econômica do país. É uma queda de braços com os Estados Unidos. A economia chinesa ultrapassou a alemã, convertendo-se na terceira maior do mundo ? atrás dos Estados Unidos e do Japão. Mas o seu direito de voto no FMI representa apenas 4% do total, contra, por exemplo, 17% dos norte-americanos. Uma das causas para essa tentativa de manter a China com baixo poder de interferência nos destinos da economia mundial é o fato de o país possuir mais de US$ 2 trilhões de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outros ativos. A China com maior poder no FMI representaria uma correlação de forças mais fovorável a alterações nas regras da instituição. O presidente do Banco Popular da China, o banco central do país, Zhou Xiaochuan, defendeu a criação de uma nova moeda e um conjunto de reformas que poderia encerrar décadas de domínio do dólar no comércio e nas transações financeiras internacionais. Ele sugeriu que uma alternativa seria ampliar o uso dos Direitos Especiais de Saque (DES), uma moeda sintética criada em 1969 pelo FMI e cujo valor é calculado com base em uma cesta de moedas que inclui o dólar, o euro, o iene e a libra esterlina. Países com excesso de divisas poderiam transferir parte de suas reservas para o Fundo gerir, recebendo em troca o valor correspondente em DES. Resistência á desvalorização cambial A resistência à proposta, fora dos Estados Unidos, se deve ao perigo que a China corre diante da crise norte-americana ? com o DES, os demais membros do FMI assumiriam uma parte do risco chinês. O temor tem fundamento, evidentemente, mas ele não deve se limitar, no que que diz respeito ao potencial explosivo da crise norte-americana, à problemática chinesa. E aí as coisas deveriam ser bem pesadas ? inclusive politicamente. Os Estados Unidos optaram pela desvalorização acentuada do dólar para empurrar uma parte substancial do peso da sua crise sobre as costas do restante do mundo. E pressionam os ''emergentes'' e a União Européia (UE) para que promovam desvalorização cambial, abrindo caminhos à demanda externa. Mas a UE o os ?emergentes? ? China, Índia, Rússia e Brasil ? resistem. A China, que corre o sério risco de tornar-se refém dos Estados Unidos, é a mais interessada em resistir à proposta. E tem falado grosso com Washington, como mostram as declarações do primeiro-ministro Wen Jiabao, em meados de março, sobre o valor dos títulos norte-americanos e a postura contundente da marinha chinesa nos mares do Sul em relação à presença de navios norte-americanos supostamente em expedição científica. A dramática situação da Europa do Leste Na intrincada teia que enreda a crise global, há ainda os ausentes da cúpula do G-20 ? como lembrou o sempre arguto líder revolucionário cubano Fidel Castro. São 180 nações, entre elas os países do Leste da Europa, que caminham céleres para o desastre. Eles se endividaram em moedas estrangeiras ? principalmente em euro e franco suíço ? após a queda do socialismo e agora ameaçam mergulhar a Zona do Euro em uma crise gigantesca. Esses países são um importante ponto de apoio da economia da Europa Ocidental ? absorvem, por exemplo, 25% das exportações da Alemanha, a maior economia da Zona do Euro. A situação é dramática. ?Se as economias das europas Central e Oriental não forem salvas, a economia mundial desabará?, disse recentemente o jornal britânico The Daily Telegraph. A Europa Oriental contraiu US$ 1,7 trilhão em empréstimos do exterior, e neste ano deverá resgatar uma parcela de US$ 400 bilhões ? volume de recursos equivalente a um terço do total do Produto Interno Bruto (PIB) de todos os países da região. De acordo com o Banco Europeu de Reestruturação e Desenvolvimento, o Leste da Europa precisará dessa quantia para cobrir os serviços de suas dívidas e reativar seus sistemas de crédito. A política de sacrifícios do FMI A questão é: como conseguirá isso no momento em que as portas do crédito estão hermeticamente fechadas? A Europa Oriental contraiu quase todas as suas dívidas da Europa Ocidental ? especificamente de bancos da Áustria, Suécia, Itália, Grécia e Bélgica. A solução é recorrer ao FMI. O problema é que os volumes de recursos que a região precisa estão além dos limites do Fundo, que já tentou salvar a Hungria, a Ucrânia, a Letônia, a Bielorússia, a Islândia, o Paquistão e, em breve, terá de tentar socorrer a Turquia. Suas reservas já foram praticamente pulverizadas. Apesar dos gigantescos recursos canalizados a todos estes países, o problema não foi solucionado. A Hungria deverá declarar moratória. O Paquistão precisa de mais US$ 7,6 bilhões e a economia da Letônia já foi declarada, pelo próprio governo do país, ?clinicamente morta?. Outro agravante é a política do FMI de impor pesados sacrifícios aos povos desses países em nome do ?equilíbrio fiscal?. Os limites da instituição vão eliminando as expectativas alimentados por alguns economistas de um suposto ''FMI Obama'', presumivelmente mais amigável e mais sintonizado com os problemas reais do que o ''FMI Bush''. Mas, como sugerem os programas do Fundo para a Letônia e a Ucrânia, a principal diferença pode ser apenas um sorriso ? o diretor-geral do FMI Dominique Strauss-Kahn apelou recentemente a uma resposta orçamentária ''global'' para enfrentar o agravamento da crise. O grande dilema da crise Na Letônia, o FMI exigiu um corte de 25% nos salários do funcionalismo e nos investimentos públicos, aliado a um enorme aumento dos impostos. Na Ucrânia, as imposições incluem reduções drásticas das aposentadorias. Ambos os países já passaram por distúrbios siciais e instabilidade política. Os recentes empréstimos do Banco Mundial também estão, em parte, condicionados à ''disciplina fiscal''. É preciso considerar que o FMI e o Banco Mundial têm sido instrumentos auxiliares da política externa norte-americana. Dada a importância de ?ortodoxos? como Larry Summers e Geithner no governo dos Estados Unidos, as perspectivas de uma reforma séria dessas instituições parecem distantes. Summers foi um dos principais arquitetos das políticas neoliberais quando esteve no Banco Mundial e na Secretaria do Tesouro durante o governo do presidente Bill Clinton. E Geithner foi um alto dirigente do FMI. Eles administram a economia interna de olho no cenário mundial. A chave-mestra para se compreender o grande dilema da crise é a combinação da forma como Summers e Geithner administram a economia interna, despejando rios de dinheiro público no sistema financeiro, e o poder que eles têm, como representantes do governo dos Estados Unidos, para fazer o FMI e o Banco Mundial empurrar goela abaixo dos países pobres suas amargas e conhecidas receitas neoliberais. Resumo da ópera: com a luz no fim do túnel da crise cada vez mais fraca, os dramas econômicos começam a transitar, rapidamente, para o campo político. http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=53665 -- [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 33.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 20 operadores/repetidores e 170 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] ============================================================================================================================= NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090404/6039889c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090404/6039889c/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2208 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090404/6039889c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 4 16:22:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 4 Apr 2009 16:22:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?CAD=CA_O_JORNAL_NACIONAL?= Message-ID: <03bc01c9b55a$b96f4110$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: beatrice.lista ----- Original Message ----- From: Alexandre L Prefeitura paga R$ 71 por remédio de R$ 6 Superfaturamento levanta suspeita da participação de servidores da Secretaria da Saúde para beneficiar fornecedores Comissão da gestão Kassab vê indício de formação de cartel para fraudar licitações; em oito compras suspeitas gastos são de R$ 6 milhões JOSÉ ERNESTO CREDENDIO DA REPORTAGEM LOCAL A Prefeitura de São Paulo pagou até 994% a mais por remédios e produtos hospitalares entre 2003 e o ano passado. O esquema, que teria a participação de servidores, beneficiou ao menos três empresas, que atuariam numa espécie de cartel para fraudar licitações. As fraudes foram descobertas pela própria Secretaria Municipal da Saúde, que montou uma comissão de investigação após ser alertada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A comissão finalizou na semana passada um relatório parcial, obtido pela Folha, que apontou irregularidades em oito dos 50 processos analisados. Essas oito compras representam gastos de R$ 6 milhões. Outros 137 processos ainda estão em fase de apuração. O relatório parcial não apresenta nome de nenhum servidor porque está sob sigilo funcional. No caso mais absurdo, em 2007, a prefeitura pagou R$ 71,10 para cada caixa de Fluconazol, medicamento usado contra infecções, que era encontrado na distribuidora a R$ 6,50. Somente em fevereiro, a prefeitura comprou 1.050 cartelas do Fluconazol iguais à apresentação do contrato. Em uma única compra, o desvio de dinheiro chegaria a R$ 67 mil. As licitações sob investigação têm a participação de seis empresas -Embramed, Biodinâmica, Vida's Med, Halex Istar, Home Care Medical e Velox. Todas ficam impedidas de firmar contratos com a prefeitura até o fim da apuração. No caso da compra do medicamente Levofloxacino, fornecido pela Halex, os auditores dizem haver mais evidências de superfaturamento. Com base em pesquisa em outros órgãos, concluiu-se que a secretaria pagava bem mais, R$ 64,90 por embalagem, do que outras unidades -o Hospital Samaritano pagava R$ 25 e o Santa Catarina, R$ 49. Em outro processo de compra que evidenciaria superfaturamento, a empresa contratada havia feito oferta de R$ 3.767, mas acabou recebendo exatos R$ 15,7 mil, para surpresa da comissão. "Não [se] justifica a diferença", diz o documento da comissão da secretaria. Um dos processos, para a compra de alguns tipos de soro, também apontou que os preços eram até 46% maiores do que os praticados no mercado, inclusive em vendas para outros órgãos de governo. Esse mesmo processo de compra revelou um problema ainda mais grave -os produtos entregues eram de "qualidade duvidosa" e o pedido de substituição ainda se encontrava "em andamento", o que corrobora a tese do Ministério Público do Estado, de que as empresas sob suspeita trabalhavam com materiais de baixa qualidade. Móveis fantasmas Outro caso emblemático, conforme o relatório da comissão, ocorreu na licitação para mobiliar o Hospital Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. No valor de R$ 3,889 milhões, foi obtido em agosto de 2006 pela Home Care Medical. O relatório afirma que o edital já era irregular, porque não exigia certidão negativa de débitos públicos das empresas. Além disso, quatro empresas que disputaram a licitação "apresentaram preços praticamente iguais" nos 34 itens. Em 13 itens, os preços eram "idênticos", indício de combinação prévia entre as empresas. Um inspeção realizada pela comissão no hospital descobriu que jamais haviam sido entregues 128 armários do tipo roupeiro que já haviam sido pagos. Em outro caso, o mesmo funcionário que requisitou a contratação do serviço conduziu a licitação, o que deu margem para mais suspeitas. Esse contrato, de R$ 712 mil, para a manutenção de equipamentos cirúrgicos, foi vencido pela Biodinâmica em 20008. ========================================================================= NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090404/3af7b4c5/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10451 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090404/3af7b4c5/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 5 12:07:10 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 5 Apr 2009 12:07:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?R=E1dio_Especial=2E_____________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?___________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <016b01c9b600$398d5a30$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: SIDERAL RADIO MUSICAL Trata-se de uma Rádio Especial com milhares de musicas desde os anos cincoenta. Acresce-se que respeita o seu estado emocional (clicando no lado apropriado). Ainda o ano que queira e o idioma (inglês ou castellano) O sistema é o Jukebox (processando seguidamente as músicas) (clique) www.rockola. fm A seleção é incrível. ========================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. . __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090405/bd96e542/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090405/bd96e542/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 5 12:07:58 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 5 Apr 2009 12:07:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Morre_Marcio_Moreira_Alves_-_Leia?= =?iso-8859-1?q?_discurso_hist=F3rico_do_ex-deputado_M=E1rcio_Morei?= =?iso-8859-1?q?ra_Alves?= Message-ID: <017601c9b600$4e37e130$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: beatrice.lista From: dalva oliveira 03/04/2009 - 21h43 Corpo de Moreira Alves será velado na Assembleia Legislativa do Rio da Folha Online O corpo do jornalista e ex-deputado Márcio Moreira Alves será velado amanhã, a partir das 9h, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. De lá, o corpo será levado às 14h para o crematório do cemitério do Caju (zona norte), onde às 15h está prevista uma cerimônia. Reprodução Moreira Alves estava internado desde outubro no Rio de Janeiro após um AVC Marcito, como era chamado pelos amigos, morreu nesta sexta-feira, aos 72 anos, no Rio de Janeiro de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado desde outubro no hospital Samaritano após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro em 14 de julho de 1936 e ficou conhecido pelo discurso (*) que fez na Câmara sugerindo o boicote às comemorações do Sete de Setembro de 1968. Foi o pretexto utilizado pelo governo militar para instaurar o AI-5 (Ato Institucional número 5), que se transformou em um dos principais símbolos da ditadura (1964-1985). Moreira Alves se elegeu deputado federal em novembro de 1966 pelo MDB, representando o extinto Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro). Tomou posse em fevereiro de 1967 e sua atuação foi marcada pela luta contra o regime militar. O discurso sugerindo o boicote foi proferido no dia 2 de setembro de 1968 depois que a Universidade Federal de Minas Gerais foi fechada, e a UnB (Universidade de Brasília) foi invadida pela Polícia Militar. O pronunciamento de Moreira Alves foi considerado pelos ministros militares como ofensivo 'aos brios e à dignidade das forças armadas'. O pronunciamento resultou num pedido de cassação do mandato de Moreira Alves com o aval do STF (Supremo Tribunal Federal). O pedido de cassação foi rejeitado pelo plenário da Câmara. Exílio político Com o agravamento da crise política no país, Moreira Alves deixou o país ainda em dezembro de 1968 e foi para o Chile, onde ficou exilado até 1971, quando foi para a França para realizar doutorado na Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris. Entre novembro de 1973 e maio de 1974 viveu na cidade de Havana, onde deu aulas na Faculdade de Ciências Políticas e escreveu o livro Trabalhadores na Revolução de Cuba, baseado nos depoimentos dos membros da família com a qual se hospedou durante esta temporada cubana. Em abril de 1974 foi para Lisboa e lecionou no Instituto Superior de Economia de Lisboa. Retornou ao Brasil, em setembro de 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. Jornalista Moreira Alves começou sua carreira aos 17 anos, quando assumiu a função de repórter do jornal carioca "Correio da Manhã". Ganhou o prêmio Esso de jornalismo pela cobertura da crise política em Alagoas, em 1957, quando a Assembleia Legislativa do Estado foi invadida. Alves foi atingido por um dos tiros mas mesmo ferido conseguiu passar a reportagem por telegrama. Em 1958, entrou na Faculdade de Direito da atual UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Em 1963 se formou em ciências jurídicas e sociais. Foi colaborador dos jornais "O Globo", "O Estado de S.Paulo" e "Jornal do Brasil". Em julho de 1967, lançou o livro "Torturas e Torturados", que foi apreendido e posteriormente liberado por decisão judicial. (*) Leia abaixo a íntegra do discurso: "Senhor presidente, senhores deputados, Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta. É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile. Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas. Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia. Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores." =============================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090405/a2cadee2/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 6 11:40:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 6 Apr 2009 11:40:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_R=E1dio_Especial=2E___=28corrig?= =?windows-1252?q?ido_o_link=29____________________________________?= =?windows-1252?q?__________________________________HOJE_=C9_DOMING?= =?windows-1252?q?O!?= Message-ID: <042d01c9b6c5$ae65f5e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: SIDERAL RADIO MUSICAL Houve uma falha na hora de colar o link. Teve um espaço indevido. O correto é : www.rockola.fm ====================================================================================== Trata-se de uma Rádio Especial com milhares de musicas desde os anos cincoenta. Acresce-se que respeita o seu estado emocional (clicando no lado apropriado). Ainda o ano que queira e o idioma (inglês ou castellano) O sistema é o Jukebox (processando seguidamente as músicas) www.rockola. fm (errado) A seleção é incrível. ========================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. . __,_._,___ ---------------------------------------------------------------------------- _______________________________________________ Cartaoberro mailing list Cartaoberro at serverlinux.revistaoberro.com.br http://serverlinux.revistaoberro.com.br/mailman/listinfo/cartaoberro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090406/e8ff3783/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 6 18:24:44 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 6 Apr 2009 18:24:44 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Jo=E3o_do_Rio=2C_45?= Message-ID: <014201c9b6fe$1b209b80$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. João do Rio, 45 AUTOR: Mouzar Benedito 296 páginas R$ 32,00 ISBN 978-85-88075-41-2 Uma casa na Vila Madalena conta as aventuras e desventuras de seus moradores, nos anos antecederam a redemocratização brasileira. Sonhos, amores, ideologias, futebol e cachaça, o coti- diano sacudido por verdades e enganos, o tempo passou, as histórias ficaram. Um belo romance folhetinesco de Mouzar Benedito. Mouzar Benedito, jornalista e geógrafo, é mineiro de Nova Resende. Passou por diversas profissões, foi engraxate, aprendiz de barbeiro e de seleiro, caixeiro, calculista, técnico em contabilidade, pesquisador de cultura popular, professor, tradutor de teatro e de livros etc. Trabalhou ou colaborou em vários jornais e revistas, entre eles o jornal Versus e Em tempo. Atualmente é colunista das revistas Forum e Revista do Brasil. Tem 18 livros publicados e participou de três coletâneas. Sobre a editora: Há quase uma década no mercado, a Editora Limiar tem a característica de revelar novos talentos da literatura brasileira; lançando romances, contos e poesias de autores inéditos. Tem em seu catálogo estudos e ensaios sobre Clarice Lispector, entre outros. Assim, cumpre o seu papel de democratizar o acesso à cultura e valorizar os autores que passaram e surgem na nossa história. Projeto realizado com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo - Proac Programa de Ação Cultural ? 2008. ======================================================================================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090406/c16b956a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 22258 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090406/c16b956a/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 7 19:50:45 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 7 Apr 2009 19:50:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Frei_Betto_-_CARTAS_DA_PRIS=C3O?= =?windows-1252?q?_/_e_A_DITADURA_MILITAR_NO_BRASIL=3A_A_HIST=D3RIA?= =?windows-1252?q?_EM_CIMA_DOS_FATOS?= Message-ID: <007f01c9b7d3$4ee9fdf0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Clique aqui para visualizar esse e-mail no seu navegador! LIVRARIA CASA VERMELHA Livraria Casa Vermelha - Divulgando a produção intelectual comprometida com a democracia e os movimentos sociais, contribuindo para a pluralidade de opiniões e o desenvolvimento de alternativas sociais e políticas para o Brasil. Conheça nosso acervo! ______________________________________________________________________________________ CARTAS DO CÁRCERE - Frei Betto Renato Pompeu Frei Betto, como outros estudantes dominicanos de São Paulo, esteve preso dos 25 aos 29 anos de idade, de 1969 a 1973, condenado pela Justiça Militar como colaborador de opositores armados ao regime discricionário de então. Cartas que escreveu do cárcere a familiares, amigos e outros dominicanos foram publicadas em dois livros nos anos 1970, em pleno regime militar, Das catacumbas e Cartas da prisão. Agora, todas as cartas das duas obras foram reunidas num volume só, intitulado Cartas da prisão ? 1969- 1973, recém-lançado pela Agir. Os jovens de hoje necessitam, imprescindivelmente, conhecer como se vivia naqueles tempos. Os que passaram por aquela época também enriquecerão suas experiências se a relembrarem. Para todos, se recomenda a leitura dessas cartas. Eis a primeira carta, de 7 de dezembro de 1969, um domingo, escrita no Presídio Tiradentes, em São Paulo: ?A novidade é a própria vida na prisão. Cheguei há uma semana, tudo é novo. Talvez eu fique longo tempo neste presídio. Somos quase 200 presos políticos, entre rapazes e moças. Ocupamos uma cela grande, espaçosa, ventilada, equipada com dois banheiros, chuveiro, tanque de lavar roupa, cozinha e fogão. Somos 32, quase todos jovens. Há dois feridos: Carlos Lichtsztejn levou quatro tiros da polícia ao ser preso; Antenor Meyer se atirou do quarto andar de um edifício ao tentar fugir. Estão em fase de recuperação. O coletivo é dividido em equipes. Cada dia uma se encarrega do serviço geral. Ontem foi a minha: levantamos cedo, varremos a cela, preparamos o café. Enquanto uns cuidavam da limpeza e dos feridos, outros cozinhavam. Consegui fazer um arroz soltinho... Ocupações: aulas de francês, ginástica, ioga, teologia, conversas. Quando o espírito é forte, a prisão é suportável. Ninguém se mostra abatido ou chateado. Todos demonstram bom estado de espírito. Felizmente, cessaram os interrogatórios. Agora é saber aproveitar o tempo. Esse período não é um hiato em minha vida, é o seu prosseguimento normal; sei que passo por uma importante experiência?, Isso já deve bastar para interessar os leitores e leitoras a lerem o restante das cartas. Renato Pompeu é jornalista e escritor, autor do romance-ensaio O Mundo como Obra de Arte Criada pelo Brasil, Editora Casa Amarela, e editor-especial de Caros Amigos. Artigo publicado na revista Caros Amigos edição 145/abril de 2009 Livro disponível na Livraria Casa Vermelha. Clique aqui para comprar _______________________________________________________________________________________ Sobre o período da Ditadura Militar no Brasil veja também: Coleções Caros Amigos A Ditadura Militar no Brasil: A história em cima dos fatos. Coleção encadernada que descreve em detalhes as diversas fases daquele governo de exceção, a partir da noite de 31 de março de 1964 até a entrega da faixa presidencial a José Sarney, em 15 de março de 1985, após tumultuado processo que culminaria com a volta do Estado de direito. 384 páginas coloridas Clique aqui e conheça o Plano da Obra Disponível na Livraria Casa Vermelha, clique aqui para comprar Não quer receber mais? Clique Aqui! ===================================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090407/bcca9a48/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6685 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090407/bcca9a48/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 49502 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090407/bcca9a48/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 289 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090407/bcca9a48/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 8 18:43:50 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 8 Apr 2009 18:43:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Convite_para_o_dia_sabado_18_de_Ab?= =?iso-8859-1?q?ril_no_Memorial_da_Resistencia__=3A_O_PAPEL_DA_M=CD?= =?iso-8859-1?q?DIA_NA_DEMOCRACIA_E_DURANTE_A_DITADURA_MILITAR_-_DE?= =?iso-8859-1?q?BATE_E_LAN=C7AMENTO_DE_LIVROS_SOBRE_O_TEMA?= Message-ID: <03f301c9b893$1b1da240$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ---- Original Message ----- From: Maurice Politi -------------------------------------------------------------------------------- Sábado Resistente Data: 18 de abril de 2009 Horário: das 14h às 17h30 Local: Memorial da Resistência - Largo General Osório, 66 - Luz O PAPEL DA MÍDIA NA DEMOCRACIA E DURANTE A DITADURA MILITAR O recente debate levantado pelo jornal Folha de São Paulo, que tentava relativizar a importância da Ditadura Militar ao dizer que no Brasil houve uma Ditabranda, reacendeu a antiga questão sobre o papel da mídia na derrubada do Governo Constitucional de João Goulart e a sua colaboração na destruição do processo democrático de então. O apoio ao Golpe de 1964 acabou por defender o regime de Terrorismo de Estado e alguns órgãos de comunicação passaram a ser coniventes com as torturas e os assassinatos. Com que direito a mídia pode ajudar na derrubada de governos? Quais seus interesses? Quais os meios para conter esse poder devastador da mídia? Qual deve ser a relação da Sociedade Civil com a mídia? O Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate sério sobre este importante assunto. Coordenação: Alípio Freire Jornalista, ex-preso político e membro do Núcleo de Preservação da Memória Política Debatedores: Rodrigo Vianna Jornalista e editor do site O Escrivinhador Trabalhou na Rede Globo e rompeu publicamente com a empresa por discordar da cobertura tendenciosa das últimas eleições presidenciais. Hoje trabalha na Rede Record. Beatriz Kushnir Historiadora e autora do livro Os Cães de Guarda, que tem como foco central o papel do Grupo Folha durante a ditadura e sua colaboração com a repressão política, principalmente com o DOI/CODI-SP. Na ocasião, haverá o re-lançamento dos livros: No corpo e na alma (autobiográfico) de autoria de Derlei De Lucca, ex presa política catarinense, e Os Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir. O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, amigos, estudiosos, estudantes e visitantes do Memorial da Resistência para o debate de temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. ================================================================================================================ NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/8b0841cf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2409 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/8b0841cf/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7283 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/8b0841cf/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 8 18:44:04 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 8 Apr 2009 18:44:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Em_fevereiro_fez_quatro_anos_q?= =?windows-1252?q?ue_a_irm=E3_Dorothy_Stang=2C_73=2C_mission=E1ria_?= =?windows-1252?q?da_congrega=E7=E3o_de_Notre_Dame=2C_foi_assassina?= =?windows-1252?q?da_com_seis_tiros_=E0_queima-roupa=2C_em_Anapu_?= =?windows-1252?q?=28PA=29=2E_FREI_BETTO?= Message-ID: <03f901c9b893$2394d6f0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Dorothy Stang Escrito por Frei Betto Abr-2009 Em fevereiro fez quatro anos que a irmã Dorothy Stang, 73, missionária da congregação de Notre Dame, foi assassinada com seis tiros à queima-roupa, em Anapu (PA). Conheci-a em meados dos anos 1970, quando preguei retiro espiritual no Maranhão, do qual ela participou. A inserção de Dorothy no conflito fundiário na Amazônia teve início em 1982, quando o bispo Dom Erwin Krautler (também ameaçado de morte), da prelazia do Xingu, a indicou para trabalhar na pequena localidade de Anapu, cortada pela rodovia Transamazônica, na qual o fracasso dos projetos mirabolantes da ditadura militar deixou um rastro de miséria e conflitos. "Ela queria dedicar a vida às famílias isoladas que estão na miséria. Daí eu indiquei a Transamazônica leste, o trecho entre Altamira e Marabá. E para lá ela foi", conta o bispo. Com área de 11.895 km² e cerca de 8 mil habitantes, Anapu é marcada por conflitos decorrentes de disputas de terras. Desde os anos 80 intensificaram-se, naquela região, o desmatamento da floresta, sobretudo na área conhecida como Terra do Meio, agravando a disputa entre grileiros, madeireiros, posseiros e pequenos agricultores. Inspirada em Chico Mendes, Dorothy empenhou-se na criação de reservas extrativistas. "Os moradores que estavam nesses lugares sempre eram retirados porque chegava alguém e dizia que já era dono daquela terra", lembra Toinha (Antônia Melo), do Grupo de Trabalho Amazônico em Altamira (PA), amiga da religiosa assassinada. Dorothy lutava por projetos de desenvolvimento sustentável e pelo direito de os pequenos produtores terem acesso à posse da terra. Em junho de 2004, em Brasília, Dorothy depôs na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Violência no Campo, quando denunciou a impunidade como fator de agravamento dos conflitos. Toinha afirma que Dorothy era "uma mulher comprometida com a justiça, com as causas sociais, com o meio ambiente e o desenvolvimento responsável". Dorothy nasceu a 7 de junho de 1931, em Dayton (Ohio), nos EUA. Veio para o Brasil em 1966. Em Coroatá (MA), trabalhou com as Comunidades Eclesiais de Base integradas por pequenos agricultores. Devido ao avanço do latifúndio, muitas famílias abandonaram suas terras e migraram para o Pará. Dorothy as acompanhou. Seu apoio aos assentamentos baseados na agricultura familiar, voltados às atividades extrativistas de subsistência e reduzido impacto ambiental, provocou a ira de grileiros e latifundiários da região. Quando uma área de Anapu foi destinada ao projeto conhecido como PDS (Pólos de Desenvolvimento Sustentável), os grileiros a invadiram e ameaçaram as famílias, obrigando-as a se retirar. O promotor do Ministério Público do Pará, Lauro Freitas Júnior, declarou não ter dúvidas de que o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, e o pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, fizeram um consórcio para financiar o assassinato da missionária Dorothy Stang. "É necessário ir além da morte. O que está por trás não é só o mandante, mas toda uma estrutura que não envolve só o estado do Pará, mas todo o Brasil", disse dom Tomás Balduíno, um dos fundadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e seu presidente até 1999. As duas principais causas de crimes na zona rural, como o assassinato da irmã Dorothy Stang, são a tradicional impunidade dos latifundiários e a falta de regularização da posse da terra. Uma das grandes dívidas do governo Lula é a tão esperada e prometida reforma agrária! Em maio de 2008, o fazendeiro Vitalmiro Moura, o Bida, levado a júri pela segunda vez, foi absolvido. A sentença não é definitiva, permite recursos. No primeiro julgamento, ele havia sido condenado a 30 anos de prisão. O pistoleiro Rayfran das Neves Sales, réu confesso, foi condenado a 28 anos de reclusão. Confirmou-se, mais uma vez, uma característica perversa do sistema judiciário brasileiro: neste país quem não é pobre goza de plena imunidade e impunidade. Rayfran das Neves mudou seu depoimento 14 vezes! A demora em processar os responsáveis foi fundamental na construção da impunidade. O resultado do júri demonstra a importância de se federalizar casos emblemáticos de violação dos direitos humanos, como quer a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Assim, seria possível evitar que autoridades judiciárias e o júri fiquem vulneráveis às pressões locais. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) negou o pedido de federalização do caso Dorothy Stang. O pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, passou um ano e três meses na prisão e fugiu após ser beneficiado com habeas corpus concedido pela STF (Supremo Tribunal Federal). Felizmente foi preso no dia 29 de dezembro de 2008, quando, de novo, tentava se apropriar ilegalmente de terras em Anapu. Segundo a CPT, 819 pessoas, entre 1971 e 2007, morreram vítimas de conflitos agrários no Pará. Desses crimes, apenas 92 resultaram em processos. Desses processos, 22 foram ao Tribunal do Júri: só seis mandantes foram condenados. Apenas Taradão está preso. Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de O amor fecunda o Universo ? ecologia e espiritualidade, que a editora Agir faz chegar esta semana às livrarias. ================================================================================================================= Absolvição de envolvido na morte de Dorothy Stang é anulada (1'50'' / 328 Kb) - O Tribunal de Justiça do Pará anulou, nesta terça-feira (07), o julgamento que absolveu o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida. Ele é acusado pelo Ministério Público do estado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang. Os desembargadores do tribunal determinaram a prisão imediata do fazendeiro até o novo julgamento, que ainda será marcado. A Justiça entendeu que o julgamento deveria ser anulado, porque a defesa usou uma prova ilegal ao exibir um vídeo com o depoimento de outro participante do crime para inocentar o fazendeiro. O coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e advogado da família de Dorothy Stang, João Batista Afonso, destacou a importância da decisão do tribunal: ?Segundo dados da CPT, são mais de 800 assassinatos aqui no Pará, nos últimos trinta anos, sem que um mandante esteja cumprindo pena atrás das grades. A absolvição do Vitalmiro Bastos era um resultado mais do que escandaloso. Então, a anulação do julgamento é um passo importante nessa luta contra a impunidade dos mandantes de assassinatos no campo do Pará.? A defesa do fazendeiro informou que vai recorrer da anulação do julgamento e que vai pedir habeas corpus. Na mesma sessão, os desembargadores anularam também o julgamento de Rayfran das Neves, que foi condenado a 27 anos de prisão como executor de Dorothy. Para os desembargadores, os jurados não consideraram que Neves praticou o crime visando a promessa de recompensa. Se isso tivesse ocorrido, a pena de Rayfran poderia ser maior. A missionária americana foi executada em fevereiro de 2005, no município de Anapu, no estado do Pará. De São Paulo, da Radioagência NP, Desirèe Luíse. ==================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0005.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3546 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0006.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3548 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0007.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2780 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 467 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0008.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 454 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0009.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22388 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 85 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090408/c1c81bd4/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 9 19:22:42 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 9 Apr 2009 19:22:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_MEM=D3RIA_=3A_Hist=F3ria_da_gue?= =?windows-1252?q?rra_suja_-_Aut=F3psia_da_sombra?= Message-ID: <07f001c9b961$b61474d0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro....................................................................repassem ----- Original Message ----- From: carceroni48 veja.COM 18 de novembro de 1992 O depoimento terrível de um ex-sargento que transitava no mundo clandestino da repressão militar resgata parte da história de uma guerra suja Marival Dias Chaves do Canto tem 45 anos, é moreno, musculoso e está bem conservado para a idade. Nascido na Bahia, morou muitos anos em São Paulo e hoje é dono de um modesto negócio em Vitória, no Espírito Santo. Visto à distância, é um cidadão como qualquer outro. De perto, tem algumas peculiaridades. Chaves, como é conhecido, é um homem tenso, habituado a represar suas emoções. Usa um linguajar que mistura termos policiais e políticos. No seu vocabulário, aparecem com freqüência palavras como "subversivos", para designar os militantes de organizações de esquerda, ou "elemento", quando se refere a uma pessoa qualquer. Na semana passada, Chaves encerrou uma longa série de depoimentos a VEJA e, nas páginas do seu relato, constata-se que Chaves está mesmo longe de ser um cidadão tranqüilo. Ele é o primeiro ex-agente dos órgãos de informação do Exército a contar tudo o que sabe, com os terríveis e esclarecedores detalhes sobre a barbárie dos porões dos anos de chumbo da ditadura militar. Há mais de uma década, o ex-sargento Chaves vem amadurecendo sua decisão de falar. Quando ainda transitava pelo ventre da besta, entrando e saindo das masmorras de tortura e gastando horas lendo depoimentos de presos políticos. Chaves preocupava-se em memorizar e anotar detalhes. No mês passado, entendeu que a decretação do impeachment do presidente Fernando Collor mudara o país e, em especial, as Forças Armadas, que se mantiveram na legalidade de meras espectadoras da crise. Resolveu contar tudo. Há duas semanas, chamou a mulher e as duas filhas, de 16 e 18 anos, para dizer pela primeira vez que atuava na repressão militar. No início, elas reagiram assustadas. Mais adiante, emocionadas, acabaram estimulando sua decisão de falar. Uma de suas filhas havia saído às ruas para pedir o afastamento de Collor, engrossando o movimento dos caras-pintadas e relembrando os anos rebeldes, e só depois soube que o pai participara ativamente daquele período. "Elas acharam que era importante contar tudo para passar essa parte da História a limpo", afirma Chaves. Tinham razão. VISITA À PONTE - O dramático relato do ex-sargento sobre a vida e morte nos porões não tem a abrangência cronológica dos vinte anos de ditadura, muito menos o peso do relato de alguém que coordenou as ações e, portanto, contava uma visão global do assunto. A partir da derrubada do presidente João Goulart em 1964, começou a ser deflagrada uma guerra suja e surda no Brasil. Foi menos violenta do que na Argentina, onde houve quase 10.000 desaparecidos. Mas o ciclo da ditadura no Brasil colocou em ação 13.000 militantes de esquerda, distribuídos em 29 organizações que pegaram em armas e outras 22 que optaram pela chamada resistência pacífica. Do outro lado da trincheira, havia pelo menos 400 militares envolvidos diretamente em operações clandestinas. Nesse embate, terroristas assaltaram bancos, seqüestraram e assassinaram. Do outro lado, prenderam pessoas ilegalmente, torturaram e mataram. No total, mais de 4.600 pessoas tiveram seus direitos políticos cassados, cerca de 10.000 foram exiladas e, na lista dos desaparecidos, existem 144 nomes. O depoimento de Chaves é um relato parcial. Sua importância reside em mostrar por dentro, e pela primeira vez, a rotina da repressão política. Cuidadoso, o ex-sargento falou apenas do que tem certeza e calou sobre as dúvidas. Na tarde de sexta-feira da semana passada, chegou a tomar um avião para São Paulo e ir à Rodovia SP-255, que dá acesso à cidade de Avaré, no interior do Estado. Ali, há duas pontes. Chaves queria vê-las para saber de qual delas eram jogados os corpos de presos assassinados. Estava satisfeito com seu desabafo. "Foi a cúpula militar que se beneficiou com cargos e funções na época da repressão", afirma. "A grande maioria silenciosa queria o Exército profissional, como ele é hoje." Nos porões, Chaves garante que nunca torturou nem teve envolvimento direto com assassinatos ou ocultação de cadáveres. "Se tivesse feito isso, não estaria dando esse depoimento", diz. Sua missão era avaliar os depoimentos dos presos e cruzá-los com as informações repassadas ao Exército pelos militantes de esquerda que haviam se convertido em informantes. Em 1965, entrou para o Exército, servindo no Arsenal de Guerra em São Paulo. Três anos mais tarde, já sargento, teve o primeiro contato com atividades de informação. "Ficamos sabendo que a vanguarda Pós-Revolucionária, do capitão Carlos Lamarca, estava pintando um canhão com as cores das Forças Armadas para usar numa ação terrorista", relembra Chaves. Depois de fazer cursos de operação na selva, Chaves foi para o Destacamento de Operações de Informações, o DOI, chefiado pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Começava seu convívio com o porão. PEDIDO DE DEMISSÃO - O ex-sargento Chaves trabalhou no DOI paulista até 1976. Dali, mudou-se para Imperatriz, no Maranhão, onde servia num Batalhão de Infantaria da Selva. De Imperatriz, passou por Manaus, até ser destacado para servir em Brasília, no Comando Militar do Planalto, em 1980. No ano seguinte, Chaves, passou para o Centro de Informações do Exército, que comandava as operações do porão. Nessa época, chegou a ser destacado para fazer a segurança do então ditador da Argentina, Leopoldo Galtieri, durante uma visita ao Brasil. Em 1985, tomou uma decisão rara na caserna. Pelos trâmites burocráticos normais, encaminhou uma correspondência pedindo sua demissão do Exército. "Foi duro. Perdi noites de sono, caminhando pela casa, até resolver que não era mais possível suportar aquela pressão", conta. Com sua demissão, Chaves renunciou a mais de vinte anos de sua carreira militar e perdeu todos os benefícios que recebem os militares quando passam para a reserva. Se tivesse permanecido, seria capitão. Hoje, Chaves é um ex-sargento, com a vantagem de que não pode ser punido pelas suas revelações. A lei da barbárie Num relato sobre a selvageria do porão, o ex-sargento conta como eram mutilados, esquartejados e ocultados os corpos de presos políticos Há um ano, o editor Expedito Filho conversou pela primeira vez com o ex-sargento Marival Dias Chaves do Canto, que trabalhou dezessete anos como agente do Destacamento de Operações Internas, o DOI-Codi, em São Paulo, e do Centro de Informações do Exército, em Brasília. Há três semanas, Chaves, especializado em análise de informações, decidiu enfim revelar tudo o que sabe sobre prisão, tortura, assassinato e desaparecimento de cadáveres de presos políticos. Foram mais de vinte horas de entrevista, cujos principais trechos são publicados a seguir: VEJA - Como eram mortos os presos políticos? CHAVES - Sei que em São Paulo alguns morriam na tortura. Os que resistiam eram liquidados pelos agentes da repressão política com uma injeção usada para matar cavalos de até 500 quilos. A injeção era aplicada na veia do preso político, que morria na hora. Quem já assistiu a uma cena dessas sabe que é uma das coisas mais grotescas e repugnantes que se pode fazer a um ser humano. Eles matavam e esquartejavam. Agentes que estiveram numa casa mantida pelo Centro de Informações do Exército em Petrópolis, no Rio de Janeiro, me contaram que os cadáveres eram esquartejados, às vezes até em catorze pedaços, como se faz com boi num matadouro. Era um negócio terrível. Eles faziam isso para dificultar a descoberta e a identificação do morto. Cada membro decepado era colocado num saco e enterrado em local diferente. A casa de Petrópolis foi onde o Centro de Informações do Exército mais matou presos e ocultou cadáveres. Os militantes detidos em diversas regiões do país eram enviados dos Estados diretamente para Petrópolis. VEJA - Quantas casas de tortura e morte eram mantidas pelo Centro de Informações do Exército? CHAVES - Do final da década de 60 até o início dos anos 70, havia uma casa no bairro de São Conrado, no Rio. Depois, por razões de segurança, mudou-se o centro de tortura e morte para Petrópolis. Eram levados para lá os presos condenados à morte, mas alguns conseguiram sobreviver. Em 1972, o II Exército, em São Paulo, montou os seus centros clandestinos de tortura e assassinatos. Durante um curto período, o Destacamento de Operações de Informações, o DOI, utilizou um sítio na região sul de São Paulo. Ali foram assassinados Antônio Bicalho Lana e a sua companheira Sônia Moraes, ambos da Ação Libertadora Nacional, a ALN. VEJA - Mas a versão oficial é de que Lana e Sônia teriam morrido durante um tiroteio... CHAVES - É mentira. Eles foram torturados e assassinados com tiros no tórax, cabeça e ouvido. Os cadáveres foram colocados no porta-malas de um carro e levados até o bairro de Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. Ali, encenou-se a farsa do tiroteio para simular a morte deles. VEJA - Depois de abandonar esse sítio, o Destacamento de Operações de Informações abriu outro em São Paulo? CHAVES - Sim. Era uma época de matança febril. No final de 1973, o DOI usou uma casa no bairro do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo. Nesse período montou outro centro clandestino na estrada de Itapevi. Entre 1965 e 1966, funcionou ali uma boate chamada Querosene, que pertencia ao irmão do então subtenente Carlos, fundador da Operação Bandeirantes, a Oban. Só em 1975, por questões de segurança, o cárcere de Itapevi foi substituído por uma fazenda, na beira da Rodovia Castello Branco, a 30 quilômetros de São Paulo. A fazenda era de um amigo do major do exército André Leite Pereira Filho. VEJA - Como eram equipados os centros de matança? CHAVES - Eles tinham as coisas de uma casa normal, além dos aparatos de repressão. Nas casas do Ipiranga e da estrada de Itapevi, havia até grilhões para acorrentar os pés e as mãos dos presos às camas e a blocos de cimento. VEJA - A ocultação dos cadáveres era uma operação improvisada ou havia algum plano? CHAVES - Matar subversivos era uma atividade altamente profissional. Nas casas de São Paulo, havia uma equipe especializada na ocultação dos cadáveres. Os agentes sabiam exatamente o que fazer. Primeiro, amputavam as falangetas dos dedos, para evitar que os mortos fossem reconhecidos através das impressões digitais. Depois, amarravam as pernas para trás, de que forma que o corpo ficasse reduzido à metade, e esfaqueavam a barriga. O esfaqueamento era para evitar que o corpo, se jogado num rio, viesse à tona algum tempo depois. Eles também colocavam o corpo dentro de um saco e amarravam-no num concreto, de 40 a 50 quilos, para garantir que o corpo ficaria no fundo do rio. VEJA - Há dezenas de famílias que até hoje não sabem onde encontrar os corpos dos seus parentes. O senhor tem idéia de onde eram enterrados? CHAVES - Tenho. Boa parte dos mortos não está sob a terra mas sob a água. Se alguém fizer uma busca no rio debaixo de uma ponte que fica na estrada que liga a cidade de Avaré, no interior de São Paulo, à Rodovia Castello Branco, poderá achar muitos corpos. Existe ali um cemitério debaixo d'água. VEJA - O senhor sabe identificar alguns esaparecidos que estejam no rio de Avaré? CHAVES - Conheço a identidade de oito deles, todos do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro - o antigo PCB. Boa parte deles caiu nas mãos da repressão durante a Operação Radar. VEJA - O que foi essa Operação Radar? CHAVES - Foi uma grande ofensiva do Exército, iniciada em 1973, para dizimar o PCB. A Operação Radar culminou com a apreensão da gráfica do jornal Voz Operária, do PCB. VEJA - Foi nessa operação que parte do Comitê Central do PCB foi capturada? CHAVES - Sim, e depois jogada no rio de Avaré. É o caso de Hiram de Lima Pereira, interrogado em Itapevi, e de Luís Inácio Maranhão Filho, preso em São Paulo em 1974. Levado para Itapevi, Maranhão Filho morreu com a injeção para matar cavalo. João Massena Melo é outro. Também está no rio e morreu com a injeção para cavalo. Orlando Bonfim Júnior, da cúpula do PCB, está no rio de Avaré. Bonfim foi preso no Rio pelo Destacamento de Operações de Informações de São Paulo e levado para o cárcere na Rodovia Castello Branco. Outro que está no rio é Elson Costa, assassinado em 1975. Ele era o encarregado da seção de agitação e propaganda do partido. Na casa de Itapevi, foi interrogado durante vinte dias e submetido a todo tipo de tortura e barbaridade. Seu corpo foi queimado. Banharam-no com álcool e tocaram fogo. Depois, Elson ainda recebeu a injeção para matar cavalo. O corpo de Itair José Veloso também foi jogado da ponte. Ele foi preso no Rio, pelo DOI de São Paulo. Era o inverno de 1975 e o que o levou à morte foi banho de água gelada. Morreu de choque térmico. VEJA - Por que o DOI de São Paulo fazia prisões no Rio? CHAVES - Durante a Operação Radar, o DOI de São Paulo passou a fazer uma série de operações no Rio de forma absolutamente clandestina e ilegal. O Rio não era área de jurisdição do DOI de São Paulo. VEJA - Como era a rivalidade entre os órgãos de informação do Exército, da Marinha e da Aeronáutica? CHAVES - Existia uma rivalidade grande entre o Centro de Informações do Exército e o Centro de Informações da Marinha, o Cenimar. O Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica, o Cisa, chegou a juntar-se ao Exército numa campanha contra os arapongas da Marinha. Era uma confusão. VEJA - Voltando ao rio de Avaré. O senhor falou em oito nomes, mas contou só seis. CHAVES - Um é Jayme Amorim de Miranda, também preso na Operação Radar, numa das incursões do DOI de São Paulo ao Rio. Foi transferido para Itapevi. Seu irmão Nilson Miranda, que era secretário-geral do PCB de Porto Alegre, estava preso no Ipiranga. Um não sabia onde estava o outro. O Nilson sobreviveu. O último corpo que sei ter sido jogado da ponte é o de José Montenegro de Lima. Mas esse é um caso especial. VEJA - Especial por quê? CHAVES - Porque mostra que dentro dos órgãos de repressão também havia uma quadrilha de ladrões. Logo depois da invasão da gráfica do Voz Operária, Montenegro recebeu do partido 60.000 dólares para recuperar uma estrutura de impressão do jornal. Uma equipe do DOI prendeu Montenegro, matou-o com a injeção, e depois foi na sua casa pegar os 60.000 dólares. O dinheiro foi rateado na cúpula do DOI. VEJA - Até agora o senhor falou de gente presa no Rio e levada para São Paulo. E no sentido inverso? CHAVES - Também havia. É o caso de Issami Okano, da ALN, e de Walter de Souza Ribeiro, do PCB. Também morreram em Petrópolis David Capistrano (pai do candidato à prefeitura de Santos pelo PT, David Capistrano Filho) e José Romam, ambos do PCB. O major Brand chefiava a equipe que os prendeu. Capistrano foi levado para o Rio. Ambos foram mortos em Petrópolis, onde a prática de ocultação dos corpos era através do esquartejamento. Foi o caso também de Ana Rosa Kucinski e seu marido, Wilson Silva. Foram delatados por um cachorro, presos em São Paulo e levados para a casa de Petrópolis. Acredito que seus corpos também foram despedaçados. VEJA - O que eram os "cachorros"? CHAVES - Era assim que chamávamos os infiltrados. Os militantes de grupos. de esquerda que colaboravam com a repressão, contando os planos das suas organizações e delatando seus companheiros. VEJA - O senhor coordenava os cachorros? CHAVES - Não. Meu trabalho consistia em fazer a análise de informações. Eu lia os depoimentos de presos políticos tomados sob tortura e examinava as informações enviadas pelos nossos infiltrados no PCB, na ALN, no PC do B e na VAR-Palmares. Também fazia coleta de dados, investigações, vigilância e escuta telefônica. Quem coordenava os cachorros era um oficial. Tivemos o doutor Patrício e o doutor Jairo, que conheço só pelos codinomes. VEJA - O senhor conheceu algum infiltrado? CHAVES - Conheci vários. Severino Teodoro de Mello, do PCB, João Henrique Ferreira de Carvalho, o "Jota", da ALN. Sabia também de três infiltrados do PC do B. Eram o Luciano Rosa de Siqueira, o advogado Hamilton de França e o médico Fiúza de Mello. Todos trabalhavam para o Exército. VEJA - Como se convencia esses militantes a fazerem espionagem para o Exército? CHAVES - Não havia um modelo. Teodoro de Mello, por exemplo, foi preso em 1974 e levado para Itapevi. De lá, foi transferido para outro cárcere, na cidade de São Paulo. Depois de interrogado, ele assinou um contrato de trabalho e recebeu uma importância em dinheiro. Não me lembro quanto. VEJA - Como foi a cooptação de Luciano de Siqueira, do PC do B? CHAVES - Luciano virou cachorro numa operação do Centro de Informações do Exército em Pernambuco, que visava desmantelar a Ação Popular, a AP, e o próprio PC do B. Nessa operação, ele foi preso, torturado e virou infiltrado. Em 1977, quando o general Sylvio Frota foi demitido do Ministério do Exército, o Centro de Informações do Exército abandonou todos os cachorros e só restabeleceu contato com eles em 1982. Participei desse recontato, que foi chefiado pelo Paulo Malhães. Não estive pessoalmente com Luciano, mas sei que ele morava no bairro Janga, próximo a Olinda, Pernambuco. VEJA - Que tipo de informação os cachorros passavam? CHAVES - O Luciano Siqueira fez várias tarefas. Foi ele quem permitiu a prisão de muita gente da AP e do PC do B no Nordeste. Em 1982, quando o PC do B estava lançando candidatos a deputados pelo PMDB, ele fez relatos detalhados sobre essas reuniões. Quando estava em São Paulo, participando de reuniões do partido, ele em coordenado pelo coronel Ênio da Silveira. Já o Teodoro de Mello, do PCB, foi quem elucidou uma série de dúvidas durante a Operação Radar. Ele ajudou a identificar muita gente que só conhecíamos pelo nome de guerra. Com isso, descobrimos que era gente graúda, da direção do partido. Mello foi um divisor de águas. A partir de suas informações, foi possível prender, torturar e assassinar vários comunistas. VEJA - O CIE dava algum tipo de proteção aos cachorros? CHAVES - Claro. Às vezes até os companheiros dos cachorros se beneficiavam disso. Dou um exemplo. O Alanir Cardoso, ex-preso político, até hoje diz que Luciano Siqueira não era infiltrado porque não contou que tinha um encontro com Alanir marcado para o dia seguinte à sua prisão. Só que se prendêssemos Alanir ficaria evidente que Luciano era um infiltrado. VEJA - Mas não havia segurança direta para os cachorros? CHAVES - Havia. Em 1975, Teodoro de Mello viajou acompanhado por uma equipe de agentes do Destacamento de Operações de Informações, chefiada pelo coronel Ênio da Silveira, até Rivera, no Uruguai. Fiz contato pessoal com Mello durante o trajeto. Sozinho, ele poderia ter problemas com autoridades no sul, já que era procurado por toda parte. VEJA - Não seria mais prático deixar Mello no Brasil? CHAVES - Ele tinha de sair do país porque nessa fase o PCB estava sofrendo muitas baixas em função da repressão. Era perigoso que ele continuasse no Brasil. Ele era infiltrado do Destacamento de Operações de Informações e poderia ser preso por um outro órgão, como o Cenimar da Marinha, ou o Dops. Na Argentina, ele se encontraria com o dirigente comunista Armando Ziller e depois iria para a União Soviética. Em Moscou, trabalhou como secretário de Luís Carlos Prestes, secretário-geral do partido, e chegou a mandar de lá cartas para o coronel Ênio da Silveira, relatando os planos dos dirigentes comunistas brasileiros. VEJA - Havia algum cachorro que trabalhasse tão bem a ponto de servir como modelo? CHAVES - Sim, o João Henrique de Carvalho, o "Jota". Ele deu o tiro de misericórdia na ALN e em outras organizações que tinham ligações com a ALN. Por seu trabalho, Jota era citado pela antiga Escola Nacional de Informações como modelo de infiltrado. VEJA - Jota contribuía diretamente para a morte de alguns de seus companheiros? CHAVES - Sem dúvida. A delação dele permitiu a eliminação de pelo menos umas vinte pessoas. Ele é responsável pela morte de Antônio Bicalho Lana e sua mulher, Sônia Moraes. Também delatou Issami Okano, de ALN. A partir de 1973, Jota delatou todos os comandos da ALN. Foi por causa do seu trabalho que Wilson Silva e sua mulher, Ana Rosa Kucinscki, foram presos, torturados e mortos. VEJA - O senhor tem alguma informação sobre a morte do jornalista Wladimir Herzog, em 1975? CHAVES - Quem pode esclarecer tudo sobre a morte de Herzog é o major André Leite Pereira Filho. Ele era o chefe das equipes de interrogatório, inclusive da que matou Herzog. VEJA - O senhor sabe o paradeiro do ex-deputado Rubens Paiva? CHAVES - Ele foi levado por um destacamento do I Exército para a casa de Petrópolis, onde o mataram. Usaram o método de cortar o corpo aos pedaços e enterrar em locais diferentes. VEJA - Mas Amilcar Lobo, o médico do Exército que costumava tratar dos torturados, garante que atendeu Rubens Paiva no quartel da Polícia do Exército do Rio de Janeiro... CHAVES - A ex-guerrilheira Inês Etienne já desmentiu Amilcar Lobo. Ele pode ter visto Rubens Paiva vivo na Polícia do Exército, mas ele morreu em Petrópolis. Todo mundo sabe que Amilcar Lobo atendia os torturados na casa de Petrópolis. Além disso, duas pessoas participaram do episódio Rubens Paiva: os irmãos Jacy e Jurandyr Ochsendorf e Souza. VEJA - É verdade que alguns desaparecidos foram enterrados numa fazenda em Rio Verde, no interior de Goiás? CHAVES - Márcio Beck Machado e Maria Augusta Thomaz, ambos do Movimento da Libertação Popular, o Molipo, foram mortos e enterrados numa fazenda de Rio Verde. Grupos de direitos humanos estavam próximos de chegar ao local onde eles estavam enterrados. Mas o Centro de Informações do Exército soube da atividade dos grupos de direitos humanos e, através do major Leite Pereira, montou uma equipe para desenterrar os cadáveres e sumir com os corpos. Só o major pode dizer onde os dois estão hoje. VEJA - Há muita mentira sobre o destino de presos políticos? CHAVES - Acho que nunca se mentiu tanto nem se cometeu tanta atrocidade. Há inúmeros exemplos. A repressão fez noticiar que João Batista Franco Drummond, do PC do B, morrera num atropelamento. Mentira. Ele morreu no Departamento de Operações de Informações do II Exército. Foi torturado, escapou da segurança, subiu numa torre de transmissão e de lá voou para a morte. Eduardo Leite, da Ação Libertadora Nacional, foi preso em 1970 pela equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury e ficou na casa da morte de São Conrado. Depois, foi transferido para São Paulo e assassinado. Para despistar, fizeram um teatrinho. VEJA - O que eram esses teatrinhos? CHAVES - O preso morto era levado para um local público, onde equipes do DOI simulavam um tiroteio com mortes. Na hora de levar o "corpo" para o IML, faziam-se substituições. O agente que se fingiu de morto era substituído pelo corpo do preso. No IML o legista Harry Shibata e outros legalizavam a morte em combate. VEJA - Não havia entre os agentes algum comentário de repúdio a essa matança, alguma indignação? CHAVES - Pelo contrário. Os comentários eram ufanistas. No caso da prisão de Antônio Bicalho Lana houve vibração. Na repressão existiam dois tipos de pessoa. O primeiro, com vocação para matar, inspirado pelo ódio. O outro, não tinha vocação para o crime, mas estava impregnado pela doutrina da segurança nacional. Esses matavam por achar que estavam salvando o país do comunismo. VEJA - Como o senhor se sentia diante disso? CHAVES - Muito mal. Cheguei a passar muitas noites sem dormir. Mas procurava levar uma vida normal. Anotava alguns relatos em folhas de papel e ficava pensando no dia em que contaria tudo. Eu era um homem acuado. Não tinha amigos e não podia desabafar sequer com minha mulher. Ao acordar, enfrentava a mesma rotina. Era um horror. VEJA - Como se comportavam os que comandavam a repressão? Eram pessoas violentas no dia-a-dia? CHAVES - O coronel Ênio da Silveira era extremamente violento. Para ele, a doutrina de segurança nacional estava acima de qualquer coisa. Ele tinha curso de todos os níveis na área de informação. Com os comandados, era até gentil. Mas quando queria, era duro e enérgico. Suicidou-se em 1986. O coronel Paulo Malhães, que chefiava contatos com os infiltrados, rezava pela mesma cartilha. Ele esteve no Chile, onde interrogou e torturou brasileiros e chilenos. Já o coronel Fred Perdigão, que pertencia ao Centro de Informações do Exército desde a sua época de capitão, tinha influência suficiente no porão para viver levando presos de São Paulo para Petrópolis. Ele participou do desaparecimento de Ana Kucinski e Wilson Silva. VEJA - Havia um pacto de silêncio entre matadores e torturadores? CHAVES - Depois de cada caso, na hora do almoço, e durante viagens em quartos de hotel, os agentes comentavam o que tinha ocorrido. As conversas eram simuladas e ninguém dizia claramente: eu matei. VEJA - Nenhum agente ameaçou sair do Exército e contar tudo? CHAVES - O sujeito que durante a repressão tentasse se afastar corria o risco de ser justiçado. Um agente, que conheço só pelo codinome de "Júnior", foi afastado da seção de investigações por tentar extorquir dinheiro do jornalista Bernardo Kucinski, irmão de Ana, em troca de informações sobre o paradeiro dela. A seção de investigação pensou em justiçá-lo porque ele disse que iria procurar a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo para denunciar fatos sobre a subversão. VEJA - Por que o senhor resolveu falar? CHAVES - As atividades de combate à subversão aos poucos foram me dando nojo, enjôo, náuseas, vômitos, tudo que você pode imaginar. Eu via as coisas acontecerem, discordava e não podia me manifestar. O regulamento disciplinar do Exército era muito rígido. Existia ainda a norma geral de ação, que impedia o integrante do órgão de informação de se manifestar ou discutir uma ordem. Se deixasse de cumprir, ocorriam punições e, em seguida, a pecha de contrário à Revolução de 64. Não fui formado para esse tipo de atividade. Fui cooptado e quando acordei estava envolvido. O próprio sistema procurava comprometer os envolvidos. O medo da repressão era muito grande. Eles criavam símbolos na própria força para mostrar que ninguém poderia reagir. Matar o capitão Carlos Lamarca, por exemplo, foi questão de honra. Por isso, da mesma forma que eu, muita gente acabou ficando, apesar de discordar. Em 1985, senti que era hora de me afastar porque os governos militares tinham chegado ao fim. Era a hora de me afastar sem me comprometer. VEJA - O senhor acha que não se comprometeu? CHAVES - Se tivesse matado alguém não faria este depoimento. É claro que meu trabalho, e aí faço mea-culpa, contribuiu muito para causar esses males. Há pessoas honestas que participaram da repressão e não concordavam com aquela violência insana. Mas até hoje não têm coragem de contar o que sabem, que a única lei do porão era a barbárie. VEJA - O senhor se considera um democrata? CHAVES - Nosso país só será grande vivendo uma profunda democracia. Eu estive dentro dos porões da repressão e sei o que uma ditadura sangrenta significa. E espero que esse depoimento contribua para o aprimoramento da democracia. VEJA - Se uma entidade de defesa dos direitos humanos o procurar para falar sobre desaparecidos, o senhor irá colaborar? CHAVES - Estou disposto a ajudar em todos os sentidos. Quero prestar um serviço ao país. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090409/4f2cfb20/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 9 19:22:55 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 9 Apr 2009 19:22:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_para_lan=E7amento_revista?= =?iso-8859-1?q?_ADUSP__44__-_dia_16_de_abril_-_=E0s_18=2C00_horas?= Message-ID: <07f401c9b961$bb33a4e0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro....................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Maurice Politi ADUSP / convite LANÇAMENTO DA REVISTA ADUSP 44 DEDICADA À DISCUSSÃO SOBRE A DITADURA MILITAR 16 DE ABRIL, QUINTA-FEIRA ÀS 18 H ANFITEATRO ABRÃAO DE MORAES INSTITUTO DE FÍSICA / CIDADE UNIVERSITÁRIA - SP DEBATEDORES: FÁBIO KONDER COMPARATO GERARD MALNIC MARIA VICTORIA BENEVIDES MODERADOR: JOÃO ZANETIC APÓS O DEBATE, SERÁ SERVIDO COQUETEL -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090409/f5a71232/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 10 11:34:52 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 10 Apr 2009 11:34:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Noticias sobre o arroz trasngenico da Bayer, que quer implanta rno Brasil. - leiam duas importantes entrevistas Message-ID: <0b7301c9b9e9$82ed2d30$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...........................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Neusa Paviato Botelho Lima Noticias sobre o arroz trasngenico da Bayer, que quer implanta rno Brasil. - leiam duas importantes entrevistas. -------- Interesse da Bayer não é o arroz transgênico, mas sim o agrotóxico Aumento na contaminação do meio ambiente e alimentos com mais agrotóxico na mesa do brasileiro. Estes são alguns dos prejuízos que seriam gerados pelo arroz transgênico trazido pela transnacional Bayer ao país e que teve sua primeira prova de fogo em uma audiência pública realizada no último dia 18, em Brasília. A entrevista é de Raquel Casiraghi e publicada pela Agência de Notícias Chasque, 01-04-2009. Até mesmo entidades ligadas ao agronegócio, geralmente favoráveis aos geneticamente modificados, se colocam contrárias à liberação do arroz transgênico. Na entrevista a seguir, o coordenador da Campanha de Transgênicos da organização não-governamental Greenpeace, Rafael Cruz, fala sobre os interesses econômicos que estão em jogo na não-aprovação da variedade, que não é plantada em nenhum outro país. Também questiona o real motivo que fez a Bayer levar o arroz para avaliação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Eis a entrevista. Quais são os riscos do arroz transgênico à população? Primeiro de tudo, ele aumenta o risco de resíduos de agrotóxico. Quando for plantado, a idéia é que o agricultor possa aplicar sobre ele o herbicida, fazendo com que as ervas daninhas, no caso o arroz vermelho que é considerado erva daninha do arroz branco aí no RS, morra e o arroz transgênico permaneça intacto porque ele é resistente. O agrotóxico que vai ser aplicado é o glufosinato de amônio, que é um tipo de agrotóxico cuja patente é do próprio proponente do arroz, ou seja a Bayer, e quando é aplicado tem aquela propriedade que a gente chama de sistêmica. A morte da planta, digamos assim, é de dentro pra fora e não de fora pra dentro. A planta absorve isso [o agrotóxico], joga o tóxico no sistema circulatório e morre. As plantas que não são resistentes ao herbicida morrem; as que são, ficam com resíduos de agrotóxico em seu sistema circulatório, o que significa em toda a planta, não somente na sua superfície. E para os agricultores? Outro perigo que é paralelo e potencializa esse primeiro é o fato do arroz vermelho, que é a "erva daninha" - entre aspas porque no Nordeste ele é base alimentar de muita gente, no Sul é que ele não é apreciado - tende a ganhar resistência ao agrotóxico também. Porque na primeira safra, tudo bem, mas na segunda safra já houve cruzamento do arroz branco com o vermelho. Então esse cruzamento entre espécies vai espalhar a propriedade de agrotóxico no aroz vermelho também. O que o agricultor vai acabar fazendo? Vai aplicar mais agrotóxico porque ele não vai conseguir matar aquele arroz vermelho. E aí tem o que muita gente chama de "super erva daninha", que é uma erva daninha resistente. Isso, no campo, a gente vê que não soluciona o problema do agricultor, que quer eliminar o arroz vermelho e, por outro lado, faz com que o agricultor aumente o nível de agrotóxico aplicado e, com o passar do tempo, a tecnologia tende a ser ineficiente. A exemplo do que já acontece aí no RS com o arroz mutagênico, da Basf. Resumindo essa história, são dois perigos que se complementam: aumento de agrotóxico no prato do consumidor e contaminação ou cruzamento de transgênicos com não-transgênicos o que, além de reduzir a biodiversidade, aumenta o problema para o próprio agricultor. Entidades ligadas ao agronegócio, que geralmente defendem os geneticamente modificados, são contrárias à liberação do arroz transgênico. A que tu atribui essa mudança de posicionamento? Não tem mercado para quem quer vender arroz transgênico. No Brasil o debate não está popularizado, ainda falta esse debate cair no colo do consumidor. As pessoas não sabem o que são transgênicos. Fora do Brasil, não existe mercado para o arroz transgênico. Os Estados Unidos sabem disso, os produtores norte-americanos se posicionam contrários à produção do arroz transgênico lá. Não é por questão ideológica, é porque eles acham que por não haver aceitação, e já que eles exportam 60% do arroz que produzem, eles não preferem não se arriscar a morrer com toda a produção. E o Brasil, que quer se tornar um grande exportador, tem que observar isso. Atribuo a essa questão o próprio posicionamento da Federarroz contrária ao plantio de arroz transgênico. Na tua avaliação, por que a Bayer insiste na variedade se não há apoio nem dos setores do agronegócio? É bem arriscado falar ao certo. A Bayer é a única que está propondo arroz transgênico hoje no Brasil. E a empresa está tentando crescer no mercado de transgênicos, que hoje é dominado pela Monsanto. Se ganhasse esse mercado de arroz no Brasil teria uma vitória, não somente no país, mas fora também. Acho que o que eles querem, bem no fundo, é aumentar o mercado de agrotóxico deles. A Bayer é a maior empresas de agrotóxicos no mundo. E conseguir empurrar aqui o arroz transgênico, que não é mais nutritivo, não é resistente ao estresse hídrico ou a qualquer outro tipo de problema que o agricultor enfrenta. Ele é simplesmente resistente a um herbicida que a Bayer produz. Não sei o que a Bayer quer: ou vender transgênico ou vender agrotóxico. Ou os dois. Estás satisfeito com a atuação da CTNBio? Eu acho que o governo federal deu muito poder nas mãos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança [CTNBio], principalmente depois da última reunião em junho onde saiu o posicionamento de que não mais acataria questionamentos da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente] no que diria respeito em relação às decisões da CTNBio. Com esse superpoder, além de ser um desequilíbrio inaceitável, porque além de colocar a biossegurança do país nas mãos de 14 cientistas, que é o quórum mínimo lá. São 14 pessoas que decidem o que 180 milhões de pessoas irão consumir. O debate sobre o arroz transgênico na CTNBio será longo? O que a gente está esperando é que a CTNBio decida logo sobre isso. Espero que seja analisada e uma decisão seja tomada em relação a esse transgênico. O que não dá é ficar esperando a poeira baixar e, depois, voltar com esse assunto esquecendo de todos os questionamentos que já foram feitos na audiência pública, que foi o local em que as pessoas diretamente afetadas por isso puderam falar. Para ler mais: a.. O arroz transgênico da Bayer em debate. O Brasil vetará? Entrevista especial com Gabriel Fernandes b.. CTNBio se prepara para aprovar arroz transgênico c.. Transgênicos, produção de alimentos e combate à fome d.. ?Os transgênicos são incapazes de evitar a fome?, afirma ativista indiana e.. Empresas sabotam estudo de transgênicos, dizem cientistas f.. Crise alimentar turbina transgênicos g.. Cultivo de transgênicos. 'Brasil viola tratado de biossegurança' h.. Transgênicos: prós e contras i.. ?Sem a destruição de campos transgênicos, hoje estariam sendo impostos à força pelas multinacionais?. Entrevista com José Bové j.. Uma discussão sobre os transgênicos. Entrevista especial com Luciana di Ciero e Francisco Milanez k.. Lula sanciona lei dos transgênicos, mas veta um artigo. Ambientalistas são derrotados l.. A agroecologia como alternativa aos transgênicos. Entrevista especial com o professor Hugh Lacey, do Southmore College, EUA m.. A contribuição de Lacey para a discussão sobre os transgênicos. Um depoimento do professor Ruy Braga, da USP O arroz transgênico da Bayer em debate. O Brasil vetará? Entrevista especial com Gabriel Fernandes, da campanha brasileira contra os transgenicos. Recentemente, a audiência pública encarregada de discutir a liberação do cultivo de arroz transgênico no Brasil votou a favor da população, da saúde e do meio ambiente, recusando a plantação nas lavouras brasileiras. Segundo o agrônomo Gabriel Fernandes, ?a maior parte dos membros da CTNBio é favorável à liberação dos transgênicos e defende por princípio que a engenharia genética é segura?. Apesar de manter essa posição, depois de ouvir integrantes da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Comissão rejeitou o produto. O debate representa uma vitória para os combatentes da transgenia, pois, depois de liberados no meio ambiente, não há como controlar os transgênicos. Como a soja e o milho, o arroz geneticamente modificado também pode infectar outras culturas do alimento, explica o pesquisador. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Fernandes destaca que, caso tivesse sido liberado, o arroz transgênico iria ?contaminar o arroz vermelho, tornando-o também resistente ao herbicida da Bayer?. Além disso, destaca, iria afetar ?outros parentes silvestres que ocorrem no território brasileiro?. O arroz vermelho cultivado no Rio Grande do Sul já é resistente ao herbicida Only, da Basf, e, caso fosse liberado o arroz da Bayer, corria-se o risco de ?ter arroz vermelho resistente aos dois herbicidas, o que seria um desastre para os produtores?, aponta. Para Fernandes, as técnicas de liberação dos transgênicos pela CTNBio são ineficientes, pois carecem de pesquisas independentes. Antes de autorizar a comercialização de produtos geneticamente modificados, deve-se ?alimentar animais de diferentes idades por algumas gerações e por períodos significativos. É necessário usar os grãos obtidos diretamente da planta transgênica, simulando condições reais de consumo?, aconselha. Em breve, adverte, a ?cana-de-açúcar e o eucalipto transgênicos estarão predominando a pauta de liberações da CTNBio e efetivarão a convergência dos transgênicos com os agrocombustíveis?. Ainda não houve nenhuma decisão a respeito da liberação do arroz da Bayer. A votação será na CTNBio, mas ainda não se sabe exatamente quando. A audiência serviu apenas para debater o tema e colher opiniões de diferentes setores. Gabriel Fernandes é engenheiro agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP), e desde 2000, atua como assessor técnico da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, ONG voltada para a promoção do desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira com base nos princípios da agroecologia e no fortalecimento da agricultura familiar. Tem especialização em Agroecologia e desenvolvimento rural sustentável, pelo Centro Agronómico Tropical de Investigación y Enseñanza (CATIE), e em Fundamentos holísticos para avaliação e regulamentação de organismos geneticamente modificados, pelo Instituto Norueguês para Ecologia do Gene (Genok), Universidade de Tromso, Noruega. Confira a entrevista. IHU On-Line ? Como o senhor percebe o debate em torno da liberação de arroz transgênico, principalmente a postura defendida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) nesse sentido? Gabriel Fernandes ? A maior parte dos membros da CTNBio é favorável à liberação dos transgênicos e defende por princípio que a engenharia genética é segura. Assim, seria de se esperar que o arroz transgênico também fosse liberado. Acontece que a audiência pública realizada na semana passada, em Brasília, mostrou que até a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ? que defendem os transgênicos ? se posicionaram oficialmente contrárias à liberação do arroz modificado. É de se esperar agora que a CTNBio fique menos à vontade para liberar o produto. IHU On-Line ? O arroz modificado desenvolvido pela transnacional Bayer é resistente ao glufosinato de amônio, herbicida proibido em vários países. Qual é sua opinião sobre esse tipo de arroz? A resistência ao glufosinato de amônio quer dizer que há o que inserido no genoma do produto? Gabriel Fernandes ? Se aprovado, este produto iria introduzir resíduos de mais um agrotóxico em nossa alimentação ? no caso em nosso arroz e feijão de todos os dias ?, já que o glufosinato não é aplicado na cultura do arroz. O que precisamos na verdade são de técnicas de manejo que reduzam e eliminem o uso de venenos, e não de genes que tornem as plantas resistentes aos agrotóxicos. As empresas têm nas sementes transgênicas um meio de ampliar seu mercado de venenos, tanto é que três de cada quatro hectares plantados no mundo com transgênicos são de plantas que foram geneticamente modificadas para resistir à aplicação de herbicidas. É preciso lembrar que as seis maiores multinacionais da agroquímica são também as seis maiores sementeiras do mundo e que juntas controlam metade do mercado global de sementes. No caso do arroz da Bayer, foram inseridos genes que imitam genes encontrados em uma bactéria nativa dos solos, que é tolerante ao glufosinato de amônio. IHU On-Line ? Na Europa, o glufosinato de amônio foi considerado carcinogênico, mutagênico e tóxico a reprodução. Além disso, a substância é apresentada como de risco aos mamíferos. Diante dessas informações, como compreender a aceitação do Brasil desses produtos? Gabriel Fernandes ? Há vários exemplos de produtos banidos em outros países, às vezes nas sedes das próprias empresas, mas que continuam sendo vendidos em países em desenvolvimento. As instituições alegam que fazem isso porque as legislações desses países permitem. Mas há uma diferença entre o limite ético e o limite permitido, como bem analisou o jornalista Wilson da Costa Bueno em artigo recente disponível aqui. Hoje, no Brasil, há um grande embate jurídico das empresas de agrotóxicos apoiadas pelo Ministério da Agricultura contra a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que quer reavaliar a toxicidade dos produtos que estão no mercado. Há muitos interesses em jogo. IHU On-Line ? Por que no Brasil a liberação de produtos transgênicos ocorre sem a constatação de segurança? Gabriel Fernandes ? Uma nova lei de biossegurança foi criada para que isso pudesse ocorrer. A fórmula usada foi dotar a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (Ministério de Ciência e Tecnologia) de superpoderes. Lá estão doutores que usam de sua posição acadêmica para chancelar os dados apresentados pelas empresas. Há contestação feita dentro da CTNBio, mas os argumentos técnicos são sempre vencidos no voto. Quando o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Anvisa contestaram a CTNBio, acionando os ministros do Conselho Nacional de Biossegurança, ouviram como resposta da ministra Dilma Roussef que era para não incomodarem a Comissão. A partir de então, a CTNBio vem liberando um transgênico atrás do outro. IHU On-Line ? Que informações são cruciais do ponto de vista da biossegurança? Que aspectos a CNTBio deveria considerar antes de liberar produtos transgênicos? Gabriel Fernandes ? O importante é ter estudos independentes que avaliem as plantas transgênicas nos ambientes onde elas serão cultivadas. Do ponto de vista ambiental, deve-se mapear as relações ecológicas da planta com os ecossistemas e avaliar como a modificação irá afetar essas relações. No que se refere à saúde, deve-se alimentar animais de diferentes idades por algumas gerações e por períodos significativos. É necessário usar os grãos obtidos diretamente da planta transgênica, simulando condições reais de consumo. Muitas vezes, realizam apenas ensaios de laboratório com proteínas sintéticas que se presume serem iguais as que a planta transgênica irá produzir. Esse método desconsidera a forma como a planta reage a cada ambiente, e também ignora resultados imprevisíveis resultantes da modificação genética, que podem fazer com que o resultado final seja diferente do esperado. IHU On-Line ? A soja e o milho transgênico contaminam outras lavouras. No caso do arroz geneticamente modificado, quais são os maiores riscos ambientais? Gabriel Fernandes ? A experiência mostra que não há como controlar os transgênicos depois que eles são liberados no meio ambiente. No caso do arroz, a contaminação irá afetar o arroz vermelho e potencialmente outros parentes silvestres que ocorrem no território brasileiro. A audiência pública deixou explícito que, caso liberado, o arroz transgênico irá contaminar o vermelho, tornando-o também resistente ao herbicida da Bayer. Pior, como já há muito arroz vermelho no Rio Grande do Sul resistente ao herbicida Only, da Basf (aplicado em um arroz modificado por mutação gênica), o risco é ter arroz vermelho resistente aos dois herbicidas, o que seria um desastre para os produtores, como alertou o pesquisador da Embrapa que participou da audiência. IHU On-Line ? Empresas que produzem transgênicos dizem que as plantas Bt, como o milho liberado no Brasil, são resistentes a insetos. Por outro lado, pesquisadores explicam que essas são plantas inseticidas, pois tem um inseticida inserido no seu genoma. Ao ingerir esses alimentos, quais são os riscos para a saúde humana? Gabriel Fernandes ? O argumento usado é o de que a proteína inseticida presente na bactéria é segura e, portanto, sua versão sintetizada e introduzida na planta também o será. Isso é o que mais se ouve na CTNBio. Fosse isso, não seriam necessários estudos, e nem a própria Comissão. Essa visão desconsidera as imprecisões dos métodos empregados pela transgenia e o fato de que, junto com o gene de interesse, também são inseridos na planta genes de bactérias e vírus infecciosos. Isso porque o gene de interesse sozinho não teria efeito sobre a planta hospedeira. Para funcionar, ele precisa de alguns ?aditivos?. As pesquisas independentes apontam para os potenciais impactos dessa combinação, como geração de novas proteínas alergênicas, desenvolvimento de resistência a antibióticos e, mais recentemente, de redução da fertilidade. IHU On-Line ? Apenas na primeira safra, quase 60% do milho será transgênico. Nesse ritmo, corre-se o risco de acabar com as sementes tradicionais? Gabriel Fernandes ? As estimativas não são certas e a indústria tende a exagerar nas cifras para dar a entender que a tendência é essa. De qualquer forma, a liberação do milho transgênico é alarmante e sua adoção pelos produtores está se dando de forma acelerada. O drama é que não se vê movimentos e organizações do campo mobilizados para esse enfrentamento. No caso da soja transgênica é evidente: o monopólio fala mais alto do que as vantagens tecnológicas da semente, ou seja, como não se acha mais semente convencional no mercado, prevalece a da Monsanto. Se nada for feito, acontecerá o mesmo com o milho, só que de forma mais acelerada. IHU On-Line ? Com a invasão de transgênicos, que futuro podemos vislumbrar para o Brasil nos próximos anos? Gabriel Fernandes ? A questão é saber quem controlará a produção de alimentos: meia dúzia de multinacionais ou milhões de agricultores? O desafio é político e envolve massificar a agricultura familiar e garantir seu acesso à terra, água e biodiversidade. O projeto das empresas é o oposto, de privatização e exploração monopólica dos recursos naturais. Para reverter essa tendência, as políticas púbicas deveriam ser redirecionadas para fortalecer a sustentabilidade e autonomia da produção familiar. Infelizmente não é isso o que temos visto. IHU On-Line ? Que novos produtos devem ser alvos da transgenia? Gabriel Fernandes ? Em breve, cana-de-açúcar e o eucalipto transgênicos estarão predominando a pauta de liberações da CTNBio e efetivarão a convergência dos transgênicos com os agrocombustíveis ============================================================================================= NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090410/c26b7a55/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 10 11:35:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 10 Apr 2009 11:35:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__V=EDdeo_sobre_a_ditadura_no_Br?= =?windows-1252?q?asil_e_a_participa=E7=E3o_do_Jornal_Folha_de_S=E3?= =?windows-1252?q?o__Paulo?= Message-ID: <0b7e01c9b9e9$9489b0e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: "Carlos R. S. Moreira ( Beto )" Vídeo sobre a ditadura no Brasil e a participação do Jornal Folha de São Paulo http://www.youtube.com/watch?v=1fsPfr6TvUQ ==================================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FOI SUSPENSA SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090410/648aaa2a/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090410/648aaa2a/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 11 15:12:07 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 11 Apr 2009 15:12:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_esquerda_na_Am=E9rica_Latina_?= =?windows-1252?q?com_Emir_Sader_=2C_no_pr=F3ximo_dia_16=2C_quinta-?= =?windows-1252?q?feira_ser=E1_realizado_na_rua_Rego_Freitas=2C_192?= =?windows-1252?q?=2C_centro_da_capital_paulista=2C_pr=F3ximo_ao_Me?= =?windows-1252?q?tr=F4_Rep=FAblica?= Message-ID: <01cc01c9bad1$06acaa00$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ABRIL DE 2009 - 18h02 A esquerda na América Latina é tema de 2º debate do Vermelho No próximo dia 16, quinta-feira, o portal Vermelho, em parceria com a agência Carta Maior, a Boitempo Editorial e a Fundação Maurício Grabois, realiza em São Paulo o debate ?Os caminhos das esquerdas na América Latina?. O evento terá como debatedores Emir Sader, secretário-geral do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e de José Reinaldo Carvalho, dirigente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). Sader é um dos debatedores Marcado para as 19h, o debate será seguido de coquetel de lançamento do novo livro de Sader, A nova toupeira, que retrata as mudanças em curso na América Latina e os desafios da esquerda no continente, entre eles a superação das falidas políticas do neoliberalismo. O nome do livro faz um paralelo entre a toupeira ? animal com problemas de visão, que circula embaixo da terra sem fazer alarde e surge onde menos se espera ? e o capitalismo. Segundo Sader, ''tal imagem remete às incessantes contradições intrínsecas do capitalismo, que não deixam de operar, mesmo quando a ?paz social? ? a das baionetas, a dos cemitérios ou a da alienação ? parece prevalecer''. A nova toupeira procura entender em que medida o neoliberalismo permanece hegemônico, analisando a natureza dos atuais governos latino-americanos e propondo um debate fundamental para a compreensão das questões políticas de nosso tempo. Conforme trecho do livro, ?o continente americano é o de maior grau de desigualdade no mundo ? e, portanto, de injustiça ?, situação que só se acentuou com a década neoliberal, mas os duros golpes sofridos pelo campo popular, tanto com as ditaduras quanto com as políticas neoliberais, não faziam pressagiar uma mudança tão rápida e profunda. Buscaremos compreender as condições que permitiram uma virada tão radical e transformaram o paraíso neoliberal em oásis antineoliberal num mundo ainda dominado pelo modelo neoliberal, assim como o potencial e os limites dessa virada, num marco continental e mundial?. Sobre os debatedores Emir Sader é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Entre outras publicações, organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana ? enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe, vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria livro de não-ficção e publicou o livro Contraversões ? civilização ou barbárie na virada do século, em co-autoria com Frei Betto. José Reinaldo Carvalho é jornalista, secretário de Relações Internacionais do PCdoB e dirigente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz). Entidade da sociedade civil, de caráter plural, democrático, patriótico, solidário e humanista, o Cebrapaz, criado em 2004, tem como uma de suas prioridades a defesa da paz mundial, com justiça social, distribuição de renda e de riqueza, democracia, soberania nacional e desenvolvimento. Em 2003, José Reinaldo lançou, em parceria com o sociólogo Lejeune Mato Grosso, o livro Conflitos internacionais num mundo globalizado - Palestina, Iraque, Venezuela e hegemonia americana e foi um dos responsáveis pela organização, em 2008, do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, ocorrido em São Paulo. O debate é o segundo realizado pelo Vermelho em parceria com outros veículos jornalísticos e do ramo editorial. O primeiro aconteceu dia 20 de março e contou com a presença de Marcio Pochmann, presidente do Ipea, e Renato Rabelo, presidente do PCdoB. Este segundo evento, ?Os caminhos das esquerdas na América Latina?, será realizado na rua Rego Freitas, 192, centro da capital paulista, próximo ao Metrô República. Da redação =============================================================================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FORAM SUSPENSAS SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090411/e8a8e1db/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23150 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090411/e8a8e1db/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 11 15:12:55 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 11 Apr 2009 15:12:55 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_A_Nova_Am=E9rica_do_Sul__por__I?= =?windows-1252?q?gnacio_Ramonet_*?= Message-ID: <01d701c9bad1$23279e60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. A nova América do Sul Ignacio Ramonet * Tradução: ADITAL Em El Salvador, a recente vitória de Mauricio Funes, candidato da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), tem um triplo significado. Por primeira vez, a esquerda consegue arrebatar o mandato da direita dura que sempre havia dominado esse país desigual (0,3% dos salvadorenhos abocanha 44% da riqueza), com mais de um terço dos habitantes sob o umbral de pobreza e outro terço obrigado a emigrar para os Estados Unidos. Esse êxito eleitoral demonstra também que o FMLN teve razão em abandonar, em 1992 e no contexto do fim da guerra fria, a opção guerrilheira (depois de um conflito de doze anos, que causou 75.000 mortos) e ao adotar a via do combate político e das urnas. A essas alturas, na região, um movimento guerrilheiro armado está fora de lugar. Essa é a mensagem subliminar que essa vitória do FMLN transmite particularmente às FARC, da Colômbia. Por último, confirma que os ventos favoráveis às esquerdas continuam soprando com força na América do Sul (1). Desde a histórica vitória de Hugo Chávez na Venezuela há dez anos, abrindo caminho, e apesar das campanhas de terror midiático, mais de uma dezena de Presidentes progressistas têm sido eleitos pelo voto popular com programas que anunciam transformações sociais de grande amplitude, redistribuição mais justa da riqueza e integração política dos setores sociais até então marginalizados ou excluídos. Quando no resto do mundo, e muito particularmente na Europa, as esquerdas, distanciadas das classes populares e comprometidas com o modelo neoliberal causador da crise atual, parecem esgotadas e desprovidas de ideias, na América do Sul, estimulados pela poderosa energia do movimento social, os novos socialistas do século XXI transbordam de criatividade política e social. Estamos assistindo a um renascimento, a uma verdadeira refundação desse continente e ao ato final de sua emancipação, iniciada há dois séculos por Simón Bolívar e pelos Libertadores. Apesar de que muitos europeus (até de esquerda) continuem ignorando -devido à colossal muralha que os grandes meios de comunicação edificaram para ocultá-lo-, a América do Sul tem se convertido na região mais progressista do planeta, onde mais mudanças estão acontecendo em favor das classes populares e onde mais reformas estruturais estão sendo adotadas para sair da dependência e do subdesenvolvimento. A partir da experiência da Revolução Bolivariana da Venezuela, e com o impulso dos presidentes Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador, tem se produzido um despertar dos povos indígenas. Da mesma forma, esses três Estados tem se dotado significativamente pela via de referendo e de novas Constituições. Removida em seus cimentos por ventos de esperança e de justiça, a América do Sul te4m dado também um rumo novo ao grande sonho de integração dos povos, não somente dos mercados. Além do Mercosul, que agrupa aos 260 milhões de habitantes do Brasil, da Argentina, do Paraguai, do Uruguai e da Venezuela, a realização mais inovadora para favorecer a integração é a Alternativa bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba). Seus membros (2) conseguiram uma estabilidade que tem lhes permitido consagrar-se à luta contra a pobreza, a miséria, a marginalidade, o analfabetismo, para assegurar aos cidadãos educação, saúde, habitação e emprego dignos. Tem obtido também, graças ao Projeto Petrosul, uma maior coesão energética e também um aumento significativo de sua produção agrícola para avançar em direção á soberania alimentar. Graças à criação do banco do Sul e de uma Zona Monetária Comum (ZMC), progridem igualmente para a criação de uma moeda comum, cujo nome poderia ser ?Sucre? (3). Vários governos sulamericanos (4) deram, no dia 9 de março, um passo a mais que parecia inconcebível: decidiram constituir o Conselho de Defesa Sulamericano (CDS), um organismo de cooperação militar criado através da união de Nações Sulamericanas (Unasul), organização fundada em Brasília em maio de 2008. Graças a esses recentes instrumentos de cooperação, a nova América do Sul chega mais unida do que nunca ao grande encontro com Estados Unidos na Cúpula das Américas que se realizará em Puerto España (Trinidad y Tobago), de 17 a 19 de abril de 2009. Na ocasião, os mandatários sulamericanos debaterão com o novo presidente estadunidense Barack Obama, que exporá sua visão sobre as relações com seus vizinhos do Sul. Em sua recente visita a Washington, o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu a Obama que levantasse por completo o embargo econômico contra Cuba, argumentando que é algo ao que se opõem todos os países da região (5). No passado 11 de março, Washington havia anunciado que os cubanoamericanos poderão visitar a quem desejarem na Ilha uma vez por ano e permanecer nela tanto tempo quanto queiram. Apesar de que durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu manter o embargo, parece que se está cerca uma era de aproximação entre Havana e Washington. Já era hora. Fica pendente normatizar também as relações com a Venezuela e com a Bolívia. De maneira mais ampla, Washington deve admitir que a ideia de ?pátio traseiro? passou para a história. Que os povos da América do Sul se colocaram em marcha. E que dessa vez não se deterão. Notas: (1) O conceito de América do Sul, do qual se proclama partidário o bolivarianismo venezuelano, extrapola o de ?América Latina? porque reconhece a participação das nações indígenas e dos afrodescendentes; e abarca países e territórios cuja ?latinoamericanidade? continua sendo questionada. Em outras palavras, o conceito tradicional de ?América Latina? fica limitado para definir o espaço sulamericano como conjunto de realidades, desde o Rio Grande e o Caribe até a Terra do Fogo. (2) Bolívia, Cuba, República Dominicana, Honduras, Nicarágua e Venezuela (Equador, o país observador). (3) Sistema Único de Compensação Regional. (4) Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. (5) Costa Rica e El Salvador, os dois únicos países da região que não tinham relações diplomáticas com Havana, anunciaram em março passado sua decisão de restabelecê-las. * Le Monde Diplomatique =========================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FORAM SUSPENSAS SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090411/08bf1d3c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090411/08bf1d3c/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 12 11:32:52 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 12 Apr 2009 11:32:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_SONS_DA_=C1FRICA=2E____________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?______________________________________________HOJ?= =?windows-1252?q?E_=C9_DOMINGO!_BOA_P=C1SCOA!?= Message-ID: <04a101c9bb7b$9032f540$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. São os principais nomes (novos e tradicionais) artistas da música africana - tradicionais e modernas - reunidos no blogspot abaixo. Trata-se de anos de pesquisa de Shimkovitz em váios paises da África : Gana, Chade, Mali, Nigéria, Tanzânia, Angola e outros. Constituem uma diversidade de sons e cantos que encantam com suas particularidades. Vale ouvir e desdobrar no blog outras alternativas. Bom Domingo . Boa Páscoa. Um abraço. Vanderley http://awesometapesfromafrica.blogspot.com/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090412/e3a82dd4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24442 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090412/e3a82dd4/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 12 11:33:11 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 12 Apr 2009 11:33:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Funda=E7=E3o_Ford=3A_As_ci=EAncia?= =?iso-8859-1?q?s_sociais_francesas_e_as_injec=E7=F5es_de_dinheiro_?= =?iso-8859-1?q?da_CIA?= Message-ID: <04a501c9bb7b$9b3c4680$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro....................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Heitor Reis As ciências sociais francesas e as injecções de dinheiro da CIA por Bertrand Chavaux Desde os começos da Guerra Fria, a CIA tem tido a preocupação de assumir o controle do ensino das ciências sociais em França para subtraí-lo à influência dos comunistas. Apoiando-se no físico Pierre Auger, então director do ensino superior, a Agência promoveu a criação de uma nova secção na Escola Prática de Altos Estudos, à margem do CNRS. Depois, financiou novas instalações, a Casa das Ciências do Homem, e conseguiu, em 1975, transformá-la na École des hautes études en sciences sociales (EHESS), presidida pelo historiador anticomunista François Furet. A história oficial da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS), escrita por François Furet e seus fiéis, insiste no percurso que teria permitido à instituição emancipar-se da influência dos seus mecenas estado-unidenses. A escola, resultado de meio século de ingerência cultural estado-unidense, foi criada graças a créditos distribuídos, durante a Guerra Fria, pelas fundações Ford e Rockefeller. Apesar das suas origens diplomáticas, a instituição teria sabido "ultrapassar a ideia que a criou", renovando "uma disciplina (a História) nas antigas tradições europeias" [1] e, tornando-se assim, segundo esta versão oficial, um pólo intelectual independente, liberto dos constrangimentos impostos pelos mecenas. Tal tese, destinada a fazer face a possíveis acusações [2] , encobre os objectivos políticos e culturais ligados à criação da EHESS. Este controle da escola pelos historiadores, longe de exprimir qualquer emancipação da instituição, esclarece as opções estratégicas da Fundação Rockefeller, que, a partir dos anos 50, faz da História um dos instrumentos privilegiados da diplomacia cultural estadunidense. A INSTRUMENTALIZAÇÃO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS SEGUNDO ROCKEFELLER A partir de 1901, John D. Rockefeller (1839-1937), seguindo os conselhos do seu amigo Frederik Gates, um pastor baptista, investiu uma parte da sua colossal fortuna no financiamento de projectos filantrópicos. Assim, cria em Nova Iorque, em 1901, o Rockefeller Institute of Medical Research (que se torna em 1965 a Rockefeller University), depois, em 1902, o General Education Board e, em 1909, a Rockefeller Sanitary Commission. Estas acções viradas para a medicina e a educação levam à criação da Fundação Rockefeller. A história oficial retém apenas a vontade de "promover o bem-estar da Humanidade", inspirada nas ideias de Andrew Carnegie que, em 1889, publica O Evangelho da Riqueza . Na realidade, a Fundação Rockefeller foi essencialmente um meio de contornar as leis "antitrusts". Em 1911, a Standard Oil é fragmentada em várias filiais. Supostamente, esta decisão política poria fim ao monopólio que a companhia detinha nos mercados estado-unidenses do petróleo. Desde 1910, John D. Rockefeller propõe o projecto de uma Fundação, " sob a protecção do Congresso ", que é criada em 1913. Tal cobertura permite à família Rockefeller controlar as diferentes filiais resultantes da fragmentação ordenada pelo Tribunal Supremo em 1911. A Fundação, por exemplo, possui sozinha três milhões de acções da Standard Oil de New Jersey, a primeira empresa petrolífera do mercado. As actividades filantrópicas da Fundação estão frequentemente ligadas aos interesses económicos e sociais da família Rockefeller [3] . Assim sendo, as ciências sociais são consideradas como um instrumento de controle social, uma aposta cultural na luta contra o socialismo. A finais de 1913, uma greve de vários meses numa filial da Standard Oil acabou, em 20 de Abril de 1914, no massacre de Ludlow, um dos episódios mais trágicos da repressão da classe operária estado-unidense. A Fundação havia tentado estudar o movimento no quadro de um inquérito sobre as " relações industriais " para melhor poder canalizá-lo. Fiel a esta concepção instrumentalista das ciências sociais, a Fundação favorece, nos Estados Unidos, o seu desenvolvimento em diferentes universidades (Yale, Harvard, Chicago, Columbia) e, na Europa, assegura uma grande parte do financiamento de organismos como a London School of Economics que acolhe economistas comprometidos com a Société du Mont-Pèlerin [4] (nomeadamente Fredrich von Hayek e o seu mestre Ludwig von Mises) e, em Berlim, a Deutsche Hochschule für Politik. Estes centros intelectuais servirão, na altura da Guerra Fria, de bases europeias aos ideólogos anticomunistas financiados pelos Estados Unidos (Congrès pour la Liberté de la Culture, Société du Mont-Pèlerin...). A FUNDAÇÃO ROCKEFELLER EM FRANÇA Em 1917, a Fundação Laura Spellman Rockefeller (do nome da mulher do patriarca) instala-se em Paris no quadro de um programa de luta contra a tuberculose. Nessa época, em França, o financiamento privado das ciências sociais é uma prática muito marginal. Só Ernest Lavisse, director da Escola Normal Superior (ENS) de 1906 a 1919, tenta a experiência do mecenato, criando, com a ajuda de um rico banqueiro, Albert Kahn, na rua Ulm, o Comité Nacional de Estudos Sociais e Políticos (CNESP). O CNESP, oficializado pelo sucessor de Ernest Lavisse na ENS, Gustave Lanson, torna-se o "Centro de Documentação Social", organismo dirigido por Célestin Bouglé, onde jovens investigadores iniciam a sua carreira. Em 1931, a Fundação Rockefeller responde favoravelmente aos pedidos de financiamento de Charles Rist, professor de economia, vice-governador do Banco de França, que pretende criar um Instituto Científico de Investigações Económicas e Sociais. Ao mesmo tempo, a organização filantrópica recusa-se a apoiar um projecto mais ambicioso de Marcel Mauss. Preocupada já com a situação política francesa, a Fundação Rockefeller considera Mauss, sobrinho do sociólogo Emile Durkheim, " muito à esquerda ". Em 1932, o Centro de Documentação Social consegue créditos para financiar dois postos de investigador a tempo inteiro. Raymond Aron e Georges Friedman [5] serão, durante certo tempo, titulares desses postos. De 1933 a 1940, o Instituto Científico de Investigações Económicas e Sociais, dirigido por Charles Rist, recebe 350 000 dólares; o Conselho Universitário da Investigação Social, presidido pelo reitor Charléty, 166 000 dólares; o Centro de Estudos de Política Externa, um outro organismo dirigido pelo reitor Charléty, 172 000 dólares. Durante a Segunda Guerra Mundial, membros das fundações Ford e Rockefeller organizam o exílio do sociólogo Gurvitch, do antropólogo Lévi-Strauss e do físico Auger. Georges Gurvitch cria em Nova Iorque um instituto de sociologia. Em França, nas instalações da Fundação Rockefeller, alguns investigadores, entre os quais Jean Stoetzel [6] , continuam os seus trabalhos no seio de um organismo criado pelo regime de Vichy, a Fundação Alexis Carrel (do nome de um biólogo, Pémio Nobel em 1912, reputado pelas suas teses eugenistas)[7] . DA 6ª SECÇÃO À CASA DAS CIÊNCIAS DO HOMEM Em Junho de 1948, o Conselho Nacional de Segurança formaliza a criação da rede de ingerência anticomunista dos Estados Unidos nos estados aliados, o staybehind [8] . Aquando das reuniões preparatórias, John D. Rockefeller III apresenta a sua Fundação como mais apta que a organização do Plano Marshall para intervir em certos meios universitários onde dispõe de antigos contactos e onde age de novo, não obtendo luz verde senão para determinados alvos. Ele já havia lançado na Áustria um " Plano Marshall do Espírito ", particularmente com o seminário de estudos americanos de Salzbourg, dirigido por Clemens Heller. A Fundação volta-se naturalmente para os intelectuais franceses, que há muito patrocina. Pierre Auger foi nomeado Director do Ensino Superior logo no seu regresso a França em 1945. Durante a guerra, ele tinha ensinado, primeiro, na Universidade de Chicago, onde descobrira um departamento de Ciências Sociais dinâmico que servia de base aos neoconservadores [9] . Depois, participara nos trabalhos da bomba atómica com britânicos e canadianos. Nas suas novas funções, ele enfrentou-se, no controle do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) com a obstrução do Prémio Nobel Frédéric Joliot, comunista e pacifista, que se opunha à bomba. Elaborou, então, o projecto de tirar ao CNRS, por um lado, o Centro de Energia Atómica (CEA) e, por outro lado, um pólo de Ciências Sociais, que devia ficar ligado à Escola Prática de Altos Estudos (EPHE) [10] , com o qual teria constituído a 6ª Secção. Para animar esse pólo, escolheu intelectuais do grupo dos Annales [11] (Morazé, Friedmann, Braudel, Labrousse, Le Bras...). E lá está a Fundação Rockefeller, evidentemente, para financiar esta experiência, quando em França apenas os institutos privados recorriam habitualmente ao mecenato privado. Foram estabelecidos contactos prévios por intermédio de Claude Lévi-Strauss, na altura adido cultural da embaixada de França em Washington, depois por Charles Morazé, que se encontra com John Marshall [12] na primeira conferência da UNESCO, verdadeiro espaço de recrutamento para a constituição de redes pro-Estados Unidos na Europa. Charles Morazé, professor de História, colaborador dos Annales , membro da Fundação Nacional das Ciências Políticas, dispõe de todas as características políticas e intelectuais requeridas pela Fundação Rockefeller. Ele torna-se um dos actores-chave da criação da 6ª Secção, cujo primeiro conselho teve lugar em 1948. Um quarto dos fundos provém da Fundação Rockefeller [13] . No contexto ideológico da Guerra Fria, as organizações filantrópicas servem de biombo a operações de intervenção cultural, por vezes directamente conduzidas pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Assim, em 1950, membros da CIA permitem a criação, em Berlim, do Congresso para a Liberdade da Cultura, organização que agrupa intelectuais hostis ao comunismo [14] . Durante 17 anos, a CIA mascara as origens do seu financiamento, utilizando a Fundação Ford. Em 1952, a Fundação Rockefeller entra com 4 500 000 francos para que Febvre e Morazé prossigam na organização da 6ª Secção. Em 1945, graças a Clemens Heller [15] , agora instalado em Paris, a 6ª Secção obtém novos créditos a fim de organizar um programa de estudos por " áreas culturais " [16] . Em 1959, é a Fundação Ford [17] que intervém por sua vez: financia maciçamente os trabalhos de Pierre Auger, a começar pelo Centro Europeu de Investigação Nuclear (CERN), depois entregando um milhão de dólares para a construção de uma Casa das Ciências do Homem, que possa albergar a 6ª Secção da Escola Prática de Altos Estudos e facilitar o seu desenvolvimento [18] . Acabada a construção definitiva dessa Casa, a 6ª Secção aspira a autonomizar-se definitivamente. O decreto de 23 de Janeiro de 1975 cria oficialmente a Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS), instituição à margem da universidade francesa, que vai acolher inúmeros ideólogos pró-estado-unidenses. Desde 1977, François Furet, historiador anticomunista, torna-se o seu presidente. Recruta, assim, o seu amigo Pierre Rosanvallon, com quem, anos mais tarde, lançará a Fundação Saint-Simon [19] . Em 1980, Furet cria um Centro de Estudos Norte-Americanos no seio da Escola. Resultado de um longo processo de ingerência cultural estado-unidense, a EHESS é uma instituição híbrida, financiada simultaneamente pelo Estado dos Estados Unidos (bolsas Fulbright) e pela Fundação Franco-Americana de Nova Iorque [20] , uma nova cobertura da CIA criada expressamente em 1976. NOTAS [1] Brigitte Mazon, Histoire de l'École des hautes études en sciences sociales, Le rôle du mécénat américain (1920 - 1960) , Cerf. Tese de Brigitte Mazon sob a direcção de François Furet, presidente da EHESS de 1977 a 1985. [2] « La richesse est suspecte. Et l'argent américain suscite des amalgames : on y voit la « main de l'étranger », on soupçonne l'impérialisme, on accuse la CIA ». Ibid, p. 13. [3] A Fundação Rockefeller também financia organizações, como a Population Council, encarregadas de pôr em prática políticas de limitação dos nascimentos. [4] Hayek é nomeado professor na London School of Economics em 1931. «Friedrich von Hayek, pape de l'ultra-libérisme», Voltaire , 4 de Março de 2004. [5] Georges Friedmann (1902 - 1977), professor de filosofia de origem burguesa, torna-se, a partir dos anos 20, especialista pseudo-marxista da condição operária e dos problemas ligados ao progresso técnico («a mecanização»). Contrariamente aos filósofos de entre as duas guerras (Politzer, Nizan, Aron, Lefebvre), a especulação filosófica parece-lhe insuficiente. Segundo ele, o estudo da classe operária requer um trabalho empírico (mais próximo do jornalismo do que da investigação sociológica no terreno). Em 1925, visita as fábricas da Toscânia, reunindo testemunhos de operários. A recolha de dados, em França, nos Estados Unidos e União Soviética, alimenta o seu inquérito acerca da organização do trabalho industrial, realizado no quadro do Centro de Documentação Social da Escola Normal Superior, dirigido por Célestin Bouglé. [6] Jean Stoetzel, discípulo de Lazarsfeld, é o fundador do IFOP, o primeiro instituto francês de sondagens. Ele contribuiu, ao arrepio da tradição francesa representada por Emile Durkheim, para a importação dos métodos da sociologia empírica estado-unidense. [7] Alexis Carrel foi membro da conspiração de "La Cagoule". Faz parte do comité executivo animado por Coutrot do Centro de Estudos dos Problemas Humanos, de que Georges Friedmann é um dos conselheiros. Também é membro do Conselho Geral do Centro Francês de Síntese, grupo sediado em Vichy, sob a protecção de Philippe Pétain. [8] « Stay-behind: les réseaux d'ingérence américains » por Thierry Meyssan, Voltaire , 20 de Agosto de 2001. [9] Este departamento será financiado em breve pela Fundação Olin e acolherá François Furet nos anos 80. [10] A EPHE é fundada em 1868 por Victor Duruy, então ministro da Instrução Pública. Vários projectos que visavam criar uma 6ª Secção (projecto Mauss, projecto Tabouriech) fracassam por falta de créditos suficientes. [11] A escola dos Annales designa um grupo de historiadores cujas personalidades mais célebres são Fernand Braudel, Marc Bloch, Lucien Febvre e, em menos medida, Charles Morazé. [12] John Marshall faz parte da divisão das Ciências Humanas da Fundação Rockefeller e é encarregado, com John Willits e Robert T. Crane, de encontrar em França os futuros beneficiários das subvenções. John Willits, director do departamento das Ciências Sociais da Fundação, contacta nomeadamente, por seu lado, Jacques Rueff, membro da Sociedade de Mont-Pèlerin. [13] Estes fundos permitem subvencionar o Centro de Investigação Histórica, dirigido por Braudel, e o Centro de Estudos Económicos, dirigido por Morazé. [14] « Quand la CIA finançait les intellectuels européens » por David Boneau, Voltaire , 27 de Novembro de 2003. [15] Clemens Heller (1917 - 2002), diplomado por Harvard, de origem austríaca, filho do editor de Freud em Viena, organiza o seminário de Salzbourg, depois chega a França em 1949. A sua casa, na rua Vaneau, foi lugar de encontros de intelectuais. Este salão parisiense acolheu Claude Lévi-Strauss e Margaret Mead, nomeadamente. [16] Em Outubro de 1955, Kenneth W. Thompson pede que o projecto de Angelo Tasca (conhecido por Angelo Rossi) de uma História da Internacional Comunista seja integrado no programa das «áreas culturais» da 6ª Secção. Rossi, fundador do Partido Comunista Italiano, funcionário do regime de Vichy, é o candidato apoiado por Raymond Aron para contrabalançar as teses políticas de Jean Chesneaux. É pai de Catherine Tasca, ministra da Cultura e da Comunicação do governo Jospin (2000 - 2002). Kenneth Tompson foi membro dos serviços de contra-espionagem estado-unidenses de 1944 a 1946 e participou na fuga de responsáveis nazis, depois foi professor na Universidade de Chicago em 1948, antes de fazer parte da Fundação Rockefeller em 1953. [17] «La Fondation Ford, paravent philanthropique de la CIA» e «Pourquoi la Fondation Ford subventionne la contestation», Voltaire , 5 e 19 de Abril de 2004. [18] Este projecto é apoiado por Febvre, Braudel e Gaston Berger, Director Geral do Ensino Superior. [19] « La face cachée de la Fondation Saint-Simon», Voltaire, 10 de Fevereiro de 2004. [20] De 1997 a 2001, a Fundação Franco-Americana é presidida por John Negroponte, que passa a dispor de um gabinete nas instalações da EHESS. O original encontra-se em http://www.reseauvoltaire.net/article14465.html. Tradução de MJS. Este artigo encontra-se em http://resistir.info . 17/Jul/04 ======================================================================================================================== NOTA: O yahoo PARECE QUE NÃO ENTENDEU QUE NÃO VIVEMOS MAIS NA DITADURA. EM DEZENAS DE LISTAS DE DISCUSSÃO QUE A CARTA O BERRO PARTICIPAVA FORAM SUSPENSAS SEM NENHUMA ALEGAÇÃO. ASSIM COMO O RECEBIMENTO DAS LISTAS. __._,_.___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090412/33f4425a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 13 19:08:06 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 13 Apr 2009 19:08:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Solidariedade_a_Leopoldo_Paulin?= =?windows-1252?q?o_v=EDtima_de_ataques_pela_imprensa_por_parte_do_?= =?windows-1252?q?delegado_torturador_Renato_Ribeiro_Soares=2E?= Message-ID: <092a01c9bc84$55ca8350$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.............................................................................repassem Solidariedade a Leopoldo Paulino vítima de ataques pela imprensa por parte do delegado torturador Renato Ribeiro Soares. No dia 28 de Março 2009, o Jornal ?A Cidade? de Ribeirão Preto trouxe vasta matéria com o delegado de polícia aposentado Renato Ribeiro Soares,forma que encontrou aquele periódico para relembrar o aniversário de 45 anos da ditadura militar no nosso país. O delegado Renato notabilizou-se, em 1969, por comandar as prisões políticas em Ribeirão Preto e região, época em que perto de 500 pessoas foram presas e violentamente torturadas. Renato comandou a invasão do orfanato ?Lar Santana? e prendeu pessoalmente a diretora daquele estabelecimento, Madre Maurina Borges, que foi barbaramente torturada, Renato Ribeiro Soares, juntamente com seu subordinado delegado Miguel Lamano foram, na época excomungado pela Igreja Católica, em virtude das violências praticadas contra presos políticos. Na entrevista citada ele investe contra o companheiro Leopoldo Paulino, seguramente por Leopoldo sempre relembrar esses fatos em sua militância, no livro, filme e no Projeto Cultural Tempo de Resistência, o que, certamente incomoda aquele policial. No dia 28 de Fevereiro do ano passado, o Fórum Permanente dos Ex-presos e Perseguidos Políticos de São Paulo realizou, na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, ato de desagravo com o companheiro Leopoldo, em virtude de declarações feitas contra ele pelo mesmo Renato Ribeiro Soares. Dessa forma, nós cidadãos brasileiros, que lutamos pela abertura dos arquivos da Ditadura e pelo julgamento dos torturadores e assassinos da Ditadura Militar, manifestamos nossa solidariedade ao companheiro Leopoldo Paulino, mais uma vez vítima da agressividade do delegado Renato Ribeiro Soares. Repasse você também este e mail. Especialmente para: darcy-vera at uol.com.br; gsantana at sp.gov.br; tborsato at sp.gov.br; gabinetedoministro at mj.gov.br; direitoshumanos at sedh.gov.br; marleide.rocha at mj.gov.br; franklinmartinsproducao at gmail.com; ivalente at uol.com.br; dep.ivanvalente at camara.gov.br; cgmp at mp.sp.gov.br; segurança at sp.gov.br; aloysioferreira at sp.gov.br; luciduarte at sp.gov.br; darrp at mp.sp.gov.br; magistrado at tj.sp.gov.br; colegio at mp.sp.gov.br; gtnm at alternex.com.br; condepe at mailbr.com.br; gtnm.sp at terra.com; iseixas at uol.com.br; cmiranda at atribuna.com.br; chiavenato at globo.com; reportagem at jornalcidade.com.br; zemario at enfim.com.br; e mais para os órgãos de imprensa que vcs puderem!!! Secretário da Justiça do Estado de São Paulo Dr. LUIZ ANTONIO GUIMARÃES MARREY Ministro da Justiça Ministro Tarso Genro Secretário Nacional dos Direitos Humanos Ministro Paulo Vannuchi Presidente Comissão de Anistia Dr. Paulo Abrão Ministro da Comunicação Social Ministro Franklin Martins Deputado Federal Ivan Valente Corregedor Geral do MP de SP Dr. Antônio de Pádua Bertone Pereira Secretário Segurança Pública de SP Dr. Ronaldo Augusto B. Marzagão Secretário do Estado de SP da Casa Civil Secretário Aloysio Nunes Fórum de Ribeirão Preto Promotoria de Ribeirão Preto Tribuna de Justiça de São Paulo Procuradoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo Grupo Tortura Nunca Mais CONDEPE Entrevista Renato Ribeiro Soares Sabado, 28 de Março 2009 - 16h4 Dr. Renato conta tudo sobre o auge da Ditadura em RP J.F.PIMENTA Renato Ribeiro Soares, 82 anos, filho de fazendeiros, é o caçula de uma família de 14 filhos. É também o delegado-chefe que comandou a polícia, em Ribeirão Preto, no auge da repressão política, durante o período de exceção do golpe militar. Quarenta anos depois, lembra que a pior época foi provocada pelo AI-5 e admite que houve tortura. Mas nega que tenha torturado. Afirma que ?nunca encostou o dedo? em um preso político. E garante: não se arrepende de nada. Mesmo porque, depois de ter sido excomungado pela prisão de Madre Maurina, foi reintegrado à Igreja Católica pelo ato que tornou nula a excomunhão, em 1978. Sobre a polícia de hoje, não tem papas na língua: ?é uma vergonha?, resume. Hélio Pellissari ? O senhor está com quantos anos? Renato Ribeiro Soares ? Vou fechar 83 anos agora em junho. Hélio ? O senhor é da região. Nasceu onde? Renato ? Em Igarapava. Aliás, estou querendo renunciar à minha cidadania de Igarapava em razão da vergonha de cinco vereadores presos agora. Aí eu ficaria com o título só de cidadão ituveravense. Sidnei Quartier ? Se o senhor fosse o delegado do caso, o que o senhor faria? Renato ? Com esses vereadores, eu confesso, evidentemente teria de apurar rigorosamente e processá-los. Eu nunca dei moleza em lugar nenhum. Hélio ? O senhor se formou onde? Renato ? Eu me formei na Universidade do Paraná, em Curitiba. A gente se preparou para o vestibular, porque a nossa intenção era prestar na São Francisco (Faculdade de Direito do Largo São Francisco) em São Paulo, mas acontece o seguinte, na São Francisco tinha um examinador que só conversava em latim. A vida era muito difícil naquela época. Nós éramos sete elementos de Ribeirão Preto, para onde vim em 1943, e prestamos em Curitiba e passamos nos sete primeiros lugares. Eu me formei em 1950, logo depois eu estava advogando lá em Igarapava. Sidnei ? O senhor voltou para lá? Renato ? Voltei. Meu pai me pediu que eu ficasse em Igarapava, porque ele estava muito doente. Isto foi em dezembro de 1950. Seis meses depois, ele faleceu. Eu comecei advogando lá em Igarapava, tanto é que a minha inscrição na OAB (hoje a inscrição na OAB passa dos 300 e tantos mil) é 6.877. Sidnei ? O senhor se tornou delegado quando? Renato ? Em Igarapava, fiquei conhecendo dois excelentes delegados. Um de Igarapava e um de Batatais, duas figuras extraordinárias. E eles acabaram me botando isso na cabeça, de ser delegado de polícia. Minha primeira delegacia em 52 foi Rifaina, de Rifaina eu vim para Guará, de Guará eu fui para Pedregulho, de Pedregulho para Ituverava, de Ituverava, em dezembro de 63, eu fui comissionado em classe superior em Ribeirão. Porque em Ituverava eu era 4ª classe. Assumi no dia 26 de dezembro de 63 como diretor do Cadeião, na Duque de Caxias, em Ribeirão, e era diretor da Rádio Patrulha. Sidnei ? Tinha o jipinho preto e branco ainda? Renato ? Exatamente. E o regime de trabalho [no cadeião] era duro, não tinha esse negócio de queimou o colchão dá outro. Eram tratados com rigor. Tanto é que quando eu tive a primeira rebelião na Duque de Caxias, eu fui buscar o juiz e o promotor. ?Mas, doutor, o senhor nos buscou para quê??, me perguntaram? Busquei para vocês verem como está isto aqui, depois vocês vão ver como é que fica. Acabou a rebelião, acabou a bagunça. Eu permaneci em Ribeirão até final de 66, quando eu fui promovido à segunda classe. Porque naquela época as delegacias regionais era todas de segunda classe, com exceção de Ribeirão e Campinas, que eram de primeira. Mas em dezembro de 66, princípio de 67, fui promovido à segunda classe e fui ser regional de Presidente Prudente. Alias foi a cidade que eu trabalhei menos tempo e a que eu mais gostei, eu recebi apoio da população! Eu levei uma experiência de três anos de Ribeirão. Me mudei de Ribeirão para Prudente, acertei a situação dos meus filhos, de minha esposa que era professora, mas seis meses depois fui chamado em São Paulo pelo secretário da Segurança. Sidnei ? Quem era o secretário? Renato ? Sebastião Ferreira Chaves, coronel Sebastião Ferreira Chaves, que era do corpo permanente da ESG ? Escola Superior de Guerra. Ele disse: ?vou transferi-lo?. Eu perguntei, o senhor pode me dizer o que há? ?Não há nada, é que foi criada a regional de São Carlos. E estou trazendo o senhor para São Carlos porque eu não atendo político e em São Carlos tem pedido do presidente da Câmara Federal, deputado Pereira Lopes, do deputado Antonio Donato, do deputado Vicente Bota e do prefeito. Cada um tem um candidato a regional e eu não atendo político. Então é o senhor que vai para lá?. Então eu falei: vou enfrentar uma parada dura! E ele: ?o senhor prepare um discurso curto e grosso. O senhor dá o recado de como vai ser a administração e eu vou lá lhe dar a posse?. Foi a primeira vez que um secretário de Segurança saiu de São Paulo para dar posse a um delegado no Interior. E assim foi, até que assumiu como secretário da Segurança o professor Hely Lopes Meirelles [1917-1990], que era o homem mais entendido em direito administrativo. Aí ele me chamou um dia: ?o senhor vai perder São Carlos?. E eu: o senhor pode me dizer se houve algum problema? ?Não houve problema nenhum, o senhor é segunda classe aqui, mas eu vou mandar o senhor para Ribeirão Preto, comissionado em primeira, porque eu preciso atender o pedido de uma pessoa que o senhor nem conhece. Eu sou sobrinho do Gutemberg Meirelles, e ele me pediu a volta do senhor para Ribeirão Preto?. Aí ele me mandou para cá. E logo em seguida estoura o problema de terrorismo e subversão em Ribeirão! Sidnei ? Em 68 saiu o Ato Institucional número cinco, não é? Renato ? É. Foram extintas as delegacias regionais e transformadas em seccionais. O professor Hely me promoveu à primeira classe e eu fui o primeiro delegado seccional de Ribeirão. Hélio ? Isto no final de 68? Renato ? Final de 68, começo de 69. E fui seccional de 69 até 74 , quando foram criadas as regionais novamente e eu fui para classe especial e fui para a Regional. Sidnei ? E neste período o senhor enfrentou muita turbulência aqui? Renato ? O meu delegado de Ordem Política e Social, chamava-se Salim Nicolau Mina. Um homem de uma honradez! E particular amigo daquele espírita de Uberaba, Chico Xavier. Nós tivemos que fazer a prisão da madre [Madre Maurina, acusada de subversão pelos militares]. Naquele dia, este delegado [Salim Mina] falou: ?nós vamos lá na faculdade prender o Leopoldo Paulino?, que era o homem das bombas incendiárias, na Coca-Cola, Correios e Telégrafos, as últimas foram as [bombas] incendiárias nas Lojas Americanas. Falei para ele: lá na faculdade não, você pode prender na casa dele, você pode prender na rua, mas lá dentro da faculdade não. Você esqueceu que nós fizemos um curso de Direito? Mas a notícia da prisão dele vazou, por um elemento da Polícia Militar, que eu não vou declinar o nome e que era colega de faculdade dele. Então vazou e o senhor Leopoldo Paulino fugiu para o Chile e lá permaneceu até que Figueiredo desse a anistia geral e ele voltasse para cá. Sidnei ? Mas voltando àquela época, a madre Maurina ficou presa? Renato ? Ficou, ficou. Ficou presa lá em Cravinhos. Hélio ? E por que ela foi presa, de onde veio a ordem? Renato ? O problema é o seguinte. Eu acho que o único erro que Madre Maurina cometeu, ela não era subversiva nada, foi um grupo de esquerda que começou a frequentar e a usar o colégio lá [Lar Santana], e quando a coisa estourou, ela deveria ter entregue as coisas e ela resolveu queimar as coisas, então prejudicou a apuração da verdade, certo? Te falei do delegado Nicolau Mina, porque este famigerado vereador, que nem se reelegeu, que se chama Leopoldo Paulino, quando este homem [foi escolhido] como presidente da Câmara, tinha sido dado para uma rua o nome dr. Salim Nicolau Mina. Ele [Paulino]assumiu como presidente da câmara, retirou uma coisa que tinha sido votada, fazendo a alegação mais absurda do mundo. Que se tratava de um delegado torturador! E foi feita uma reunião e [Paulino]trouxe uma série de desagravos. Muito bem, no ?desagravo? só tinha um elemento que foi preso em Ribeirão Preto, o resto era tudo gente de fora. E este elemento de Ribeirão Preto que foi preso esteve lá e não se manifestou, é um advogado etc. Sidnei ? A prisão da madre Maurina deu problemas para o senhor? Renato ? Deu. Tanto que eu fui excomungado. Quando o arcebispo era dom Frei Felício César da Cunha Vasconcelos, eu fui convidado para uma missa na igreja na Prudente de Morais. Como chama aquela igreja? Sidnei ? São Benedito. Renato ? Fui eu e um dos meus filhos, o Júnior, e foi um outro colega, com a esposa e duas filhas. Eu tinha recebido um convite por ofício e lá compareci. Aí eles começaram a protelar o início da missa. Quando foi na hora do sermão, o padre leu a bula da excomunhão. Eu assisti de pé junto com meu filho e o colega que estava com a esposa e as duas filhas também assistiu de pé. Devem ter sentido que fizeram a coisa errada, tanto é que retiraram a minha excomunhão depois. Hélio ? Quantos anos depois foi retirada sua excomunhão? Renato ? Alguns anos depois. Sidnei ? Entre o senhor e a madre Maurina houve alguma coisa? Renato ? Não. Nunca pus um dedo em um preso político, certo? Nunca. Um elemento de Ribeirão Preto, o senhor deve conhecer de nome, Luciano Lepera. Sidnei ? Jornalista Luciano Lepera, ex-deputado, ex-vereador. Renato - A última vez que veio uma ordem do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) eu, quase em frente ao jornal A Cidade eu ali estava, e vi o Lepera com um garotão [filho dele]. Encostei e falei com ele, que tinha a ordem de prisão. Ele falou: daqui meia-hora eu posso me apresentar na delegacia? Perfeitamente. Depois fiquei sabendo que estava com aquele garoto, quase mocinho, que ia ser aniversário e ele ia comprar um presente. Eu resolvi, eu não tinha nada contra o Lepera, absolutamente nada! Eu fui levar o Lepera em São Paulo, lá no DOPS. E disse [para os policiais do DOPS]: qual é o problema? Ele é comunista. Há comunistas, vocês estão cansados de saber que ele é, ele foi até cassado. Agora se vocês estão procurando qualquer ato que ele venha praticando na comunidade de Ribeirão Preto, ou na área toda por ali, eu sou o delegado e não sei de nada. O senhor dá [essa declaração] por escrito?, me perguntaram. Já pode pôr o papel na máquina!, respondi. Eu ditei, assinei, e trouxe o Lepera de volta comigo. Eu sempre procurei fazer as coisas da melhor maneira possível. Se não fiz melhor, foi porque não fui capaz. Sidnei ? E havia pressão sobre os delegados naquela época para se ?pegar firme?? Renato ? Quem comandava tudo isto era a Oban ? Operação Bandeirantes, era a Oban. Ora, houve tortura na época, houve, mas eu não presenciei e nunca pus a mão em um preso político! Sidnei ? Então o senhor desmente a notícia de que a [enfermeira] Áurea Moretti estava sendo torturada, o senhor foi convidado, o senhor entrou e até desmaiou? Renato ? Não houve nada disso de desmaio, de coisa nenhuma. Eu sei que ela foi torturada. Mas não por mim, nem por nenhum agente direto meu! Eu sei. A Áurea Moretti é uma mulher correta, ela tem o seu valor e um grande valor até. E ela efetivamente foi torturada, esta é a realidade. E nós fomos postos nisto. Eu, por exemplo, antes disso, na noite do dia 31 de março para 1º de abril, quando estourou a revolução. Eu era delegado comissionado em 3ª classe, mas diretor da Radiopatrulha, diretor do cadeião, certo. A campainha tocou na minha casa, eu fui atender, era um motorista da [delegacia] regional: ?o regional está convocando-o?. Eu disse: perfeitamente. Fui botar a roupa, desci e recebi a seguinte ordem: ?estou designando-o para fazer o setor de ordem política e social?. Hélio ? Aqui em Ribeirão Preto em 64? Renato ? 31 de março para 1º de abril. Sidnei ? Quem disse isto para o senhor? Renato ? O regional. Sidnei ? Que eram quem? Renato ? Não vou citar nome, certo? Na hora falei: é verdade isto? E o regional: ?algum dia eu brinquei com você?? Sidnei ? O senhor era seccional? Renato ? Não. Depois que a coisa correu. Era do cadeião, Radiopatrulha, plantão, certo? Com quem eu me ligo?, eu perguntei. A resposta: ?O senhor se liga com o comandante da 5ª CSM (Circunscrição do Comando Militar)?. Sidnei ? Que era o coronel Charmillot? Renato ? Não, o Charmillot foi muito depois. Não sei se eu tenho certeza, era um coronel que foi comandante do grupo Obúsios de Fortaleza e punido pelo presidente João Goulart, foi mandado para um comando sem tropa. Porque a CSM não tem tropa. Todo o serviço de ordem política que ele foi passando eu fui executando, certo. Até que setenta e poucos dias depois ele foi convocado pelo presidente Castelo Branco, para assumir o SNI [Serviço Nacional de Informação]. Hélio ? Qual o nome dele? Renato ? Eu não vou citar nome, certo? Aí ele disse assim para mim: ?estou indo embora para Brasília, convocado pelo Presidente da República, estou convidando-o para ir para Brasília comigo?. Respondi: Coronel, o senhor me honra muito com o seu convite, mas eu sou da esfera estadual, o senhor é da esfera federal, e eu tenho filhos, tenho mulher tudo por aqui. E não fui. Hélio ? O senhor lembra de quantas pessoas foram consideradas subversivas? Segundo o senhor em 69 teve uma série de problemas em Ribeirão? Renato ? Isso. Foi em 69 que teve o problema de terrorismo e subversão. Sidnei ? Depois do AI-5? Renato ? Exato, até então, pelo comando da CSM, que era era um homem muito culto e equilibrado. E alguns serviços que se mandou fazer, inclusive, eu fiz uma prisão na época de um advogado e de um médico, por determinação de lá, mas em seguida eu informei ao coronel de quem se tratava. E ele: ?Pode liberá-los?. Então ele era um homem assim, determinado. Agora, em 69 a coisa foi feia. Aí foram bombas incendiárias nos Correios e Telégrafos, na Coca-Cola. Sidnei ? Em Ribeirão Preto foram presos quantos, em 69 e 70, pela acusação de subversão? Renato ? Não foi muita gente não. Sidnei ? E eles eram encaminhados ao DOPS em São Paulo? Renato ? Depois é que iam para o DOPS, é isso aí. Sidnei ? O senhor disse que não prendeu o Leopoldo Paulino porque não quis invadir a Faculdade. Mas a madre Maurina foi presa no convento, na escola? Renato ? Foi. Mas lá não era convento. Era uma escola. Não era convento. Sidnei ? O senhor acha que fez a coisa certa? Renato ? Eu acho. O que eu tive de fazer eu fiz. Posso até ter errado, mas involuntariamente, porque ninguém é perfeito. Sidnei ? O senhor conheceu o delegado Sérgio Paranhos Fleury? Renato ? Conheci, ele veio aqui em Ribeirão Preto. Ele é que chefiava a coisa toda na época da Oban. Sidnei ? E o senhor também mantinha relação próxima com o coronel Erasmo Dias? Renato ? Mantive, aliás tenho relacionamento com ele até hoje, um dos secretários de Segurança que me prestigiaram muito. A tal ponto que vou dizer, que se eu tive algum sucesso na polícia de Ribeirão Preto eu devo isto, principalmente, ao relacionamento com o coronel Erasmo, porque a Polícia Civil sempre teve falta de pessoal, a tal ponto que eu cheguei a ter 20 homens da PM à paisana trabalhando comigo, pela ajuda do coronel Spanó, que era uma figura extraordinária, de grande valor. Sidnei ? O coronel Erasmo Dias era linha dura? Renato ? Linha dura. Eu descobria um delegado bom em um lugar, que eu sabia qual era a linha de conduta e tal. Pedia consulta para ver se ele quer vir para Ribeirão. Coronel Erasmo: ?ele aceita?. E eu consegui fazer uma equipe. Não sei se o senhor conheceu o Cocito Hipólito. Sidnei ? O delegado Spadafora trabalhou com o senhor? Renato ? Trabalhou, ele foi delegado nas cidades que eu trabalhei. Sidnei ? Quem mais trabalhou com o senhor naquela época aqui? Renato ? O doutor Anivaldo Registro também trabalhou comigo. Sidnei ? Hoje se o senhor pudesse encontrar uma pessoa que o senhor prendeu naquela época e pudesse se desculpar por algum excesso, o senhor faria? Renato ? Como não? Aliás, este advogado, que eu não citei o nome e que eu prendi, é meu particular amigo hoje. Esta é a realidade. Hélio ? O senhor disse que na época não torturou ninguém e não participou de nenhuma tortura. Como então surgiu esta imagem que o senhor tem de torturador? Renato ? Não ficou esta imagem de que eu torturei não. Não ficou nem através dos inimigos como o Leopoldo Paulino. O problema é o seguinte, você exerce uma chefia num período difícil e tudo o que vai acontecendo de bom ou de ruim vão debitando na sua conta. Esta é a realidade. Eu, por exemplo, um militar falou para mim: ?o arcebispo gostaria de falar com o senhor?. Era o dom Frei Felício. Mas eu não vou lá no palácio Episcopal, respondi. A pessoa falou: ?o senhor também não vai querer que ele venha na delegacia? (risos). Tudo bem, mas o militar perguntou, se na minha casa for marcado um encontro com ele o senhor vai? Perfeitamente, não tem problema nenhum. Sidnei ? E onde entra o Coronel Charmillot [Décio Luiz Fleury Charmillot] no seu relacionamento aqui em Ribeirão Preto, ele era linha dura também? Renato ? Era. O Charmillot, teve um irmão que veio ser meu delegado aqui em Ribeirão, veio ser meu seccional, Edson Vinícius Charmillot, que depois saiu e foi para São Paulo. Em abril de 83, eu tinha que enfrentar uma briga política em Ribeirão Preto [com o prefeito João Gilberto], mas eu sabia que eu ia apanhar. Para o senhor entrar em uma briga sabendo que vai apanhar, é melhor não entrar. Mas eu estava procurando uma maneira honrosa para não entrar. Foi exatamente no mês de abril de 83. Estava havendo um problema na rua, ali perto do Pinguim, em consequência de coisas que estavam havendo em São Paulo. Então a turma estava com preocupação. Meu delegado de ordem política na época era Ademar Birches Lopes. Padrão de decência e honradez. Ele estava na rua e me mantinha informado. Eu fui convidado pelo secretário do governo da época... Hélio e Sidnei ? João Gilberto Sampaio... Renato ? Eu fui convidado pelo secretário do prefeito, se eu podia ir até a prefeitura, porque o João Gilberto precisava falar comigo, mas ele não podia ir à regional. E eu disse: perfeitamente. Que horas? Às 15 horas. Quinze minutos antes eu subi a escada, me mandaram entrar. Nisto chegou um coronel do exército que era da CSM, certo. E falei: eu fui convidado para vir aqui, ele disse ?eu também?. Nisto entrou o prefeito e disse assim: ?o comandante da PM chega já, já. Eu os convoquei aqui?. Quando ele falou eu os convoquei, eu levantei do sofá: O senhor está enganado, porque eu fui convidado para vir aqui, mesmo porque não recebo convocação de prefeito! Aí ele disse: ?é porque está havendo isto, está havendo aquilo?. Eu disse: o senhor está mal informado. Isto não é verdade e a ?sua? verdade não me interessa. Interessa a minha verdade, do meu delegado. Mas o senhor pode ficar tranquilo que o senhor não vai ter dor de cabeça comigo, porque amanhã peço a minha saída daqui. E fui para São Paulo e deixei o cargo de regional. Na época eu tirei de Ribeirão, o dr. Spadafora, porque eu sabia que ia ser perseguido. Tirei o dr. Anivaldo, porque eu sabia que também ia ser perseguido, sabe. Eu fiz polícia desta maneira. Sidnei ? Foi em 83 que o senhor se desligou de Ribeirão? Renato ? Salvo engano até, deve ter sido no dia 11 de abril de 1983. Foi a maneira honrosa até de sair. Hélio ? Voltando ao caso da irmã Maurina, o senhor disse que ela ficou presa em Cravinhos. O senhor ficou sabendo o que tinha acontecido com ela, da denúncia de tortura e estupro? Renato ? No duro, no duro, a madre nunca foi engravidada não. Ela foi para o México e não queria ir, eu sei disso. Mas esta história de filho, não tem história nenhuma de filho da madre não. Isso tudo é mentira. Aqui em Ribeirão Preto, por exemplo, Dom Frei Felício era firme, mas ele foi pressionado... Sidnei ? Por quem? Renato ? Pelos padres, inclusive um hoje que é bispo lá em Santa Catarina. Hélio ? Que se aposentou, dom Angélico Sandro Bernardino. Renato - Deixa eu pedir para a minha mulher o papel cancelando a excomunhão, é de 78. (ele se levanta e vai buscar o documento e mostra o documento). Hélio ? Foi cancelada em 27 de novembro de 1978. Renato ? Foi. Sidnei ? E o que o senhor sentiu quando foi cancelada a excomunhão, qual foi a sua sensação? Renato ? Eu confesso para o senhor, que foi a mesma coisa de quando eu fui excomungado. O meu Deus não mudou. Sidnei ? Mas abalou a família do senhor? Renato ? (Em tom emocionado) A minha mãe sim. Minha família é muito católica. Hélio - Nestes nove anos, até o cancelamento da excomunhão, o senhor continuou frequentando a igreja? Renato ? Não mudou nada. Sidnei ? O senhor podia entrar na Igreja? Renato ? Quando Frei Felício César da Cunha Vasconcelos morreu, e ele está sepultado na Catedral, eu fui lá. Sidnei ? Mesmo excomungado? Renato ? (faz silêncio por alguns segundos) Minha linha de conduta, eu vou dizer para o senhor, eu não vim aprender na polícia. A minha formação é formação de família, vou mostrar uma foto. (Ele vai até a parede onde estão as fotos de família). São 14 irmãos, mas a minha irmã mais velha eu não conheci. Hélio ? O pai do senhor fazia o quê? Renato ? Meu pai era um trabalhador. Que criou 14 filhos e eu tive sete irmãos pretos, que ele criou de um empregado. Sempre na lavoura, sítio e depois fazenda. Sempre no trabalho. Hélio ? O senhor está com 82 anos. Tem alguma coisa nestes 82 anos de vida que o senhor tenha feito ou deixado de fazer que o senhor se arrepende? Renato ? (Emocionado, ficou em silêncio por cerca de 40 segundos). Eu não tenho nada para me arrepender. A única coisa que eu posso dizer é que eu poderia ter feito mais. Mas se não fiz mais foi porque não fui capaz. Sidnei ? O senhor não se arrepende nem a mais, nem a menos, acha que cumpriu apenas a lei? Renato ? Eu acho que sim. E digo mais para o senhor, é muito fácil. Se o dr. Renato tivesse tido alguma conduta irregular chefiando a polícia, o senhor não tenha dúvida de que eu estaria sendo bombardeado. E digo mais: só não escrevo um livro, publicando todas as verdades, porque eu não tenho condições econômicas, não para publicar o livro. Eu não tenho condições econômicas para continuar a briga com a esquerda. Sidnei ? Qual a sua opinião hoje sobre a Polícia? Renato ? Uma vergonha. Dos Leitores Sabado, 4 de Abril 2009 - 21h54 Resposta ao delegado A edição de 29 de março estampou entrevista do delegado aposentado Renato Ribeiro Soares sobre a ditadura militar. Quero manifestar minha satisfação pessoal em ler que aquele policial declarou ser meu inimigo. Preocupado ficaria se dissesse que faz parte do meu rol de amizades. Na verdade, o delegado foi responsável pelas prisões ilegais e torturas em Ribeirão em 1969. Torturador não é somente aquele que espanca, estupra, pendura no pau-de-arara ou gira a máquina de choque elétrico. Também é co-autor de tortura aquele que invade domicílios, dirige os interrogatórios, assiste às sessões de tortura e efetua prisões para entregar suas vítimas aos algozes. Escrevo para restabelecer a verdade escamoteada pelo delegado, muito embora entenda os que, como ele, mentem para encobrir sua verdadeira participação naquele período, pois sentem vergonha do passado. Como tenho orgulho de meu passado, escrevi o livro Tempo de Resistência, narrando o que se passou na época. Assim, não é verdade que o então delegado tenha impedido a invasão da Faculdade de Direito para me prender, até porque, dias antes, comandados seus invadiram aquele estabelecimento e retiraram da sala, à força, o estudante Rubens Rabello. Não é verdade que alguém da PM tenha me avisado do ?vazamento? de minha iminente prisão. Os fatos se deram conforme meu relato na obra citada. Não é verdade que eu tenha permanecido no Chile até a anistia. Regressei ao Brasil em julho de 1974 e a Ribeirão em outubro de 1977. A certidão do serviço de inteligência do governo confirma minhas afirmações. Não é verdade que o delegado tenha solicitado sua transferência de Ribeirão. Ocorre que o governador Franco Montoro, em 1983, assim que tomou posse, extinguiu o Deops e transferiu para a capital, para serviços burocráticos, os policiais envolvidos em tortura. Resta lembrar que o delegado Renato, com seus comandados, invadiu pessoalmente o orfanato Lar Santana, na Vila Tibério, e prendeu a Madre Maurina, que foi submetida a torturas. Leopoldo Paulino, diretor do Fórum dos Ex-presos e Perseguidos Políticos de São Paulo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090413/26f96e01/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7554 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090413/26f96e01/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 14 19:27:07 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 14 Apr 2009 19:27:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=E1rcio_Moreira_Alves=3A_mem?= =?windows-1252?q?=F3ria_hist=F3rica_contra_1964?= Message-ID: <0c5601c9bd50$28b650c0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................................................................repassem 14 DE ABRIL DE 2009 - 17h15 Márcio Moreira Alves: memória histórica contra 1964 por Diorge Alceno Konrad* Passados pouco mais de 40 anos, o 13 de dezembro de 1968 continua a travar sua luta histórica contra certa memória. Naquela fatídica data, a Ditadura Civil-Militar, instaurada pelo Golpe de 1964, aprofundava a repressão do seu regime. Se em quatro anos e meio, os golpistas não conseguiram impedir a resistência ao modelo associado e dependente que reinseriu o Brasil na divisão internacional capitalista do trabalho, o AI-5 foi derradeiro para concluir o processo iniciado em 31 de março. Porém, o estopim tinha que ser aceso, justificado por um motivo. E ele logo apareceu: o discurso no Congresso do então deputado do MDB, Márcio Moreira Alves, em 1968. Na História, a causa imediata e aparente pouco tem a ver com as causas profundas e essenciais. Assim como o assassinato de Fernando não explica a I Guerra Mundial, mas tem relação com ela, sendo o pretexto para acioná-la,[1] o discurso de Márcio Moreira Alves é a ponta do iceberg para entendermos o AI-5. Segundo a irmã de Márcio, Maria Helena Moreira Alves, ''embora o discurso passasse desapercebido na imprensa, os militares escolheram-no como pretexto para provocar uma grande crise política''. Segundo a autora, o discurso foi ''particularmente útil aos seus propósitos', pois tocou em ''um ponto sensível na estratégia geral de controle social do Estado''. Ai mesmo tempo, ia ao encontro de um planejamento em andamento de um segundo golpe de Estado, o qual já vinha sendo preparado, que daria ''mais liberdade na defesa da Segurança Interna''.[2] Daniel Aarão Reis Filho explica que a Ditadura, em um processo de perda de popularidade e legitimidade, oriunda de dificuldades econômicas (geradas por uma rígida política monetarista) e políticas (problemas decorrentes de gerenciar múltiplas forças que haviam participado do Golpe e que desgastavam o poder), recorreu à força bruta. Sobretudo em finais de 1968, quando ocorria uma erosão política ainda maior de sua capacidade de direção política, pois o que de fato a preocupava era a questão das dissidências no próprio interior das direitas.[3] Logo que tomaram o poder, depondo o governo legítimo de Jango e rompendo com a legalidade constitucional, os reacionários asseclas do Tio Sam na América Latina procuraram demover a organização dos movimentos sociais e políticos construídos no período democrático, entre 1945 a 1964. Os primeiros alvos foram os movimentos sociais do campo (como as Ligas Camponesas), as organizações sindicais (como o Comando Geral dos Trabalhadores - CGT) e as instituições partidárias do campo popular, trabalhista, democrático e socialista. Seus líderes foram colocados na lista dos ''inimigos da pátria'', tudo para que se consolidasse a ''redentora'', autodenominada de ''revolução'', cuja função era varrer do Brasil qualquer símbolo de transformação e progresso social, proclamadas pelas ''Reformas de Base'', como a reforma agrária, a reforma urbana, a reforma universitária, a reforma administrativa, a reforma tributária, etc. Não é verdade que o Brasil estava ameaçado por dois projetos golpistas, um de esquerda e outro de direita, como reivindica certa revisão historiográfica recente. As reformas propostas pelo governo de João Goulart, todas elas nada socializantes, muito menos comunistas, procuravam arredondar o ''círculo quadrado'' de uma revolução burguesa incompleta, cuja direção de classe sempre propensa a tomar posição de ''sócia menor'' do capital estrangeiro. Assim, defendendo o latifúndio monocultor e exportador e o imperialismo ávido em manter estruturas colonialistas de dominação, no lugar de estimular o mercado interno, tirar milhões de miséria social e realmente repartir as riquezas do País, o Golpe de 1964 reinseriu o Brasil sob tutela política norte-americana. As medidas autoritárias, e não foram poucas, através de quatro Atos Institucionais e outras mais, no entanto, foram insuficientes para ''pacificar'' uma população talhada nas tradições das resistências indígenas, quilombolas e anti-escravistas, nos símbolos de Palmares, Guararapes, conjurações mineira e baiana, Revolução Pernambucana e Confederação dos Tamoios, Balaiada, Sabinada, Malês, Farroupilhas, Abolição, Canudos, Contestado, Insurreição Nacional-Libertadora e vários outros marcos da luta popular de brasileiros que não se acomodaram diante da opressão. Se operários e sem-terra foram reprimidos ao nascer do Golpe, restavam outros mais, além dos intelectuais, dos artistas, dos estudantes, dos militantes clandestinos e daqueles que não se intimidaram, denunciando a Ditadura aqui e no exterior. Foi contra essa resistência que se deu o que se convencionou chamar de ''Golpe dentro do Golpe''. O que determinada historiografia e a parte majoritária da memória midiática tenta mascarar, depois de 45 anos, foi a participação e o apoio político-econômico de grandes corporações nacionais e multinacionais que financiaram o regime para que seus interesses se consolidassem. Apenas em ''contos da carochinha'' ainda se acredita que os militares da ''linha dura'' foram os únicos protagonistas do ''fechamento'' do regime. Apenas em visões justificadoras e coniventes com o terrorismo de Estado, implantado em 1964 e reforçado com o AI-5, que matou, que torturou, que exilou, que reprimiu, que escorraçou de cargos públicos seus ''inimigos'', pode se encontrar o argumento extemporâneo e a-histórico de que o fim do habeas-corpus, a instituição da pena de morte, a criação dos decretos-secretos (tão execráveis como a retroativade da lei dos tempos nazistas) e tantas outras anomalias jurídicas, foram construídas como consequência da luta armada e de esquerda. Na verdade, o AI-5 foi a alternativa mais despótica ainda que civis e militares da Ditadura encontraram para aprofundar o projeto de entreguismo que assolou o país a partir de 1964, o qual enfrentava grande resistência ainda em 1968. A partir dali, sobretudo com a eliminação direta dos oponentes e com o ''milagre econômico'', sustentado na poupança externa, a Ditadura consolidou seu projeto. E, em 21 anos de duração, elevou nossa dívida externa de 4 para 100 bilhões de dólares, massacrou uma geração e impediu que o desenvolvimento do país encontrasse a maioria de seu povo. Passados os 40 anos do AI-5 ainda disputamos essa memória. Falta a abertura de muitos arquivos para que se complete o resgate desta história, sempre em consonância com o lema anti-ditadura: ''para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça''.[4] Pois, foi nestas trágicas coincidências da História, quando ainda rememoramos criticamente o AI-5, que o Brasil perdeu Márcio Moreira Alves. Apontado ainda por certos livros didáticos de História e por certa memória efêmera como o responsável direto pela edição do Ato Institucional que aprofundou a Ditadura, em 1968, Marcito se tornou um dos símbolos mais significativos daquele contexto. Isso significa afirmar de antemão que seu papel não foi nada significativo na conjuntura do AI-5 e da luta contra a Ditadura? De maneira alguma. Denunciando o regime de arbítrio, repressão e censura, como tantos, acabou sendo personagem importantes da luta pela democracia em nosso país. Lembro dele, sereno e atento, fazendo a cobertura da Conferência do PCdoB, em 1995, em Brasília, quando o Partido consolidou o Programa Estratégico para o Socialismo em nosso País. Ali estava um personagem que cedo viu o que representava para o cerceamento da democracia o governo da Ditadura Civil-Militar pós-1964.[5] Márcio Emmanuel Moreira Alves nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em 14 de julho de 1936, pouco menos de um ano antes da Ditadura do Estado Novo. Filho e neto de importantes famílias de políticos mineiros e cariocas, iniciou profissionalmente aos 17 anos, como repórter do Correio da Manhã, jornal carioca, sendo correspondente de guerra do jornal, em 1956, no conflito anglo-egípcio, resultante da nacionalização do canal de Suez pelo presidente do Egito, Gamal Nasser. No ano seguinte, em setembro, cobriu uma crise política em Alagoas, quando a Assembléia Legislativa se reunia para decretar o impeachment do então governador Muniz Falcão, acusado do assassinato do deputado oposicionista Marques da Silva, morto em Arapiraca. Durante a sessão, a Assembléia alagoana foi invadida, travando-se um tiroteio entre os deputados, ocasião em que ex-deputado estadual Humberto Mendes - sogro do então governador Muniz Falcão - foi assassinado. Neste mesmo episódio, Márcio Moreira Alves foi baleado, e mesmo ferido enviou a matéria, ganhando com essa cobertura o prêmio Esso de reportagem de 1958. Em fevereiro de 1960 participou da comitiva do então candidato à presidência da República, Jânio Quadros, na visita que fez a Cuba, a convite de Fidel Castro. Antes do Golpe de 1964, assessorou o ministro Francisco San Tiago Dantas, durante suas gestões nas Relações Exteriores (1961-1962) e no Ministério da Fazenda (1963). Em 1963 bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais, iniciado na UERJ, cinco anos antes. Voltou-se contra os golpistas de 1964, a partir da edição, ainda em abril, do Ato Institucional nº 1 (AI-1), sendo um dos primeiros opositores. No mesmo ano, juntamente com Hermano Alves, Carlos Heitor Cony , Oto Maria Carpeaux e Edmundo Muniz, comandou a campanha em defesa dos presos políticos, denunciando a prática de torturas em prisões brasileiras, uma marca de uma memória apagada, pois muitos ainda afirmam que as primeiras denúncias de tortura só vieram a público após o AI-5. Além da luta política, como articulista e repórter político do Correio da Manhã, esteve na linha de frente no combate à política econômica e financeira do ministro do Planejamento, Roberto Campos (1964-1967), o Bob Fields, a quem acusava, justamente, de entreguismo das riquezas do país aos estrangeiros. Em novembro de 1966, foi eleito deputado federal pela antiga Guanabara, já na legenda do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Após o início do mandato, em fevereiro de 1967, se tornou um dos mais destacados parlamentares da oposição à Ditadura na Câmara. Além disso, em julho de 1967, após o lançamento, teve apreendido seu livro-denúncia Torturas e torturados,[6] liberado em seguida por decisão judicial. No livro, para o autor, ''a exposição da onda de crimes oficiais que varreu o Brasil nos primeiros meses do golpe militar de 1964 (...) foi feita com objetividade e com o propósito de deixar estes crimes documentados para o julgamento do futuro''. Esta obra é fundamentalmente um documento que desmente as apressadas versões históricas e jornalísticas que remetem aos anos de chumbo como a época em que a Ditadura torturou e censurou, entre 1968 e 1973. Estabelece, equivocadamente, a divisão da Ditadura em três fases e consolida a noção discutível de linha dura como sinônimo dos tempos do general Emílio Garrastazu Médici na presidência da República e como uma tendência política apenas de uma minoria de militares radicais sem relação alguma com o poder civil.[7] Outro livro seu, O Cristo do povo (1967), foi apreendido por determinação do ministro da Justiça, Luis Antônio da Gama e Silva (1967-1969), segundo o governo porque ''ofendia a dignidade das forças armadas''. Na obra, a partir de pesquisa de campo, o autor procurou compreender porque as classes dominantes do Brasil, ao retomarem o poder pelo Golpe de Estado de 1964, proclamavam-se anticomunistas e, ao mesmo tempo, perseguiam organizações e pessoas reconhecidamente cristãs. Ali, de forma pioneira, estudou a posição e a divisão da Igreja Católica no Brasil, em decorrência das posições assumidas pelos Papas João XXIII e Paulo VI, a partir das recomendações do Concílio Vaticano II, pesquisando suas relações com organizações como a Juventude Operária Católica, a Juventude Universitária Católica e o Movimento de Educação de Base, bem como as dificuldades que tiveram de enfrentar durante o governo de Castelo Branco. Em 1968, participou da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a venda de terras brasileiras a estrangeiros, ao mesmo tempo em que apoiou as manifestações estudantis que exigiam o retorno da democracia, condenando s repressão do governo Artur da Costa e Silva (1967-1969). Assim, aos poucos, se tornava uma dos maiores opositores públicos dos militares e do alicerce civil da Ditadura Pós-1964. Com a intensificação das manifestações, o governo aumentou a repressão institucional e policial, como no fechamento da Universidade Federal de Minas Gerais e a invasão da Universidade de Brasília (UnB). Esta última repercutiu no Congresso. Em protesto contra a invasão da UnB, em 2 de setembro, Marcio Moreira Alves pronunciou seu famoso discurso, conclamando os brasileiros a realizar um ''boicote ao militarismo'', não participando da comemoração da Independência do Brasil cinco dias depois.[8] O pronunciamento foi considerado pelos ministros militares como ofensivo ''aos brios e à dignidade das forças armadas''. Diante dele, o procurador-geral da República Décio Meireles Miranda, deu entrada junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 12 de outubro, ao pedido de cassação do mandato de Marcito, além seu enquadramento no artigo 151 da Constituição: por ''uso abusivo do direito de livre manifestação e pensamento e injúria e difamação das forças armadas, com a intenção de combater o regime vigente e a ordem democrática [sic] instituída pela Constituição''.[9] Em 18 de novembro, o deputado apresentou a sua defesa.[10] No dia 11 de dezembro, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara concedeu licença para processar Marcio Moreira Alves, pedido recusado pelo plenário (216 votos contra e 141 a favor) no dia seguinte, quando ao final, os deputados cantaram o hino nacional. Em sua defesa, Marcito proferiu uma das mais célebres frases da luta política contra a Ditadura: ''que o Poder Legislativo se recuse a entregar a um pequeno grupo de extremistas o cutelo da sua degola. Volta-se o Brasil para a decisão que tomaremos. Mas só a História nos julgará''.[11] No dia seguinte, no fatídico13 de dezembro, o presidente Costa e Silva editou o AI-5, cujas medidas já vinham sendo defendidas pelos reacionários desde julho. Com este Ato Institucional, além da decretação do recesso do Congresso Nacional (medida que vigorou até outubro de 1969), foi dada legalidade ao aprofundamento da repressão, nas quais, entre outras medidas, ficou permitido ao presidente da República: decretar o recesso do Congresso Nacional e de outros órgãos legislativos, independentemente de qualquer apreciação judicial; a cassar mandatos eletivos e suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadã; decretar o confisco de bens de ''todos quantos tenham enriquecido ilicitamente''; suspender a garantia do habeas-corpus; intervir nos estados e municípios sem as limitações previstas na Constituição.[12] Em 30 de dezembro foi divulgada a primeira lista de cassações do AI-5. A lista, encabeçada por Marcio Moreira Alves, caçava 11 deputados federais. Antes do final do ano, Marcito deixou clandestinamente o país, rumo ao Chile (ficou lá até 1971, viajando para a Venezuela, a Colômbia, o Equador, o Peru, a Argentina, a Bolívia, o México e os Estados Unidos, em conferências em mais de 40 universidades). Depois, seguiu para a França, onde se doutorou pela Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris. Entre finais de 1973 e início de 1974 viveu em Havana, dando aulas na Faculdade de Ciências Políticas, ocasião em que escreveu Trabalhadores na Revolução de Cuba, a partir de depoimentos da família na qual se hospedou durante esta temporada cubana.[13] Em abril de 1974 foi para Lisboa, onde lecionou no Instituto Superior de Economia de Lisboa (hoje o Instituto Superior de Economia e Gestão). Com a Lei da Anistia, retornou ao Brasil em setembro de 1979. Depois disso, com a extinção do bipartidarismo, em 29 de novembro do mesmo ano, e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Na legenda, em 1982 e 1986, concorreu à Câmara dos Deputados pelo Rio de Janeiro, mas não conseguiu se eleger, apesar de expressivas votações. Nessa década esteve em cargos políticos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, até 1990, quando pediu desligamento do PMDB a fim de reiniciar sua atuação na imprensa, tornando-se colaborador do Jornal do Brasil, de O Estado de São Paulo e de O Globo. Ali, passou a cobrir, em Brasília, os trabalhos da revisão constitucional, tornando-se colunista diário, encarregado de assuntos de política nacional.[14] Foi nessa condição que testemunhou a 8ª Conferência do PCdoB, em 1995, quando o Partido definiu seu Programa Socialista, um dos marcos na história recente da esquerda no Brasil.[15] Na ocasião, o jornalista e a política se (re)encontraram, pois estavam frente a frente dois importantes combatentes que, por armas diversas, porém igualmente legítimas, combateram a Ditadura. Em 3 de abril de 2009, dois dias depois dos 45 anos do Golpe Civil-Militar, Márcio Moreira Alves se foi. Mas a memória de todos os que ousaram lutar pela democracia, reconhecerão em Marcito, entre tantos outros, umas de suas trincheiras históricas. Sobretudo, para continuarmos lutando. Notas [1] Francisco Fernando da Áustria, foi assassinado pelo estudante servo-bósnio Gavrilo Princip, em 28 de Junho de 1914, quando se encontrava em Sarajevo (capital da então província austro-húngara da Bósnia) para comandar manobras militares. Os austríacos culparam a Sérvia pela morte e exigiram desta a repressão e a autorização para que policiais austríacos participassem na investigação do atentado e a punição dos responsáveis. A contrariedade da Sérvia em defesa de sua soberania, estourou a guerra interimperialista de 1914 a 1918, aliando alemães com a Áustria-Hungria, enquanto que em apoio aos sérvios estavam a França, a Rússia e a Grã-Bretanha, entre outros que se somaram mais tarde. [2] Cf. ALVES, Maria Helena Moreira. Estado e oposição no Brasil (1964-1984). 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1984, p. 129. [3] Ver REIS FILHO, Daniel Aarão. ''Ditadura e sociedade: as reconstruções da memória''. In. REIS FILHO, Daniel Aarão; RIDENTI, Marcelo; MOTTA, Rodrigo Patto Sá (orgs.). O Golpe e a Ditadura Militar. 40 anos depois (1964-2004), p. 41. [4] Estas considerações iniciais já foram apresentadas, de forma mais resumida, coincidentemente pouco antes da morte de Márcio Moreira Alves, no artigo ''40 anos depois do AI-5'', publicado no Jornal da SEDUFSM - Seção Sindical dos Docentes da UFSM, Santa Maria, edição de fevereiro de 2009, p. 12. [5] Márcio Moreira Alves, que passou a denunciar e se opor à Ditadura após a edição do AI-1. Antes disso, como outros personagens importantes que se arrependeram mais ou menos tarde (Teotônio Vilela, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Ivo Lorscheiter, etc), emblematicamente, havia apoiado o Golpe. [6] Com prefácio de Alceu Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde, o livro, com documentos e testemunhos, foi escrito ao longo de uma árdua campanha de imprensa. Suas denúncias chegaram a sensibilizar o marechal, Castelo Branco, sob cujo governo as torturas ocorreram e os torturadores continuaram impunes. O presidente- ditador mandou ao Nordeste, o general Ernesto Geisel, chefe da Casa Militar, cuja missão teve como resultado a permissão para que Marcito entrasse nas prisões do Recife e confirmasse as denúncias recebidas. [7] Ver esta versão em BORGES, Nilson. ''A Doutrina de Segurança Nacional e os governos militares''. In. FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida Neves (orgs.). O Brasil Republicano. O tempo da ditadura. Regime militar e movimentos sociais em fins do século XX. Livro 4. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p. 15-42, especialmente p. 22. [8] No discurso, o deputado afirmou: ''Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta. É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, (...) o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro. As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe , se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile''. Disponível na íntegra em http://www.marciomoreiraalves.com/discurso2968.htm. Acesso em 12 abr. 2009. Grifos nossos. [9] Grifos nossos. [10] Ver a defesa em http://www.marciomoreiraalves.com/defesa.htm. Acesso em 12 abr. 2009. [11] Disponível na íntegra em http://www.marciomoreiraalves.com/discurso12.68.htm. Acesso em 12 abr. 2009. [12] Ver a íntegra do AI-5 em http://www.unificado.com.br/calendario/12/ai5.htm. Acesso em 12 abr. 2009. [13] No livro é revelada a visão que os Gutierrez (nome fictício dado à família) têm do processo revolucionário cubano. Ali, se fala da ''desorganização das primeiras milícias revolucionárias, das dificuldades de abastecimento que atravessaram durante os piores anos do bloqueio comercial, da escassez de gêneros alimentícios, dos erros cometidos pelos dirigentes sindicais, do absenteísmo operário, das vicissitudes do serviço militar, das deficiências do transporte coletivo interprovincial'' e, ''sobretudo, do que devem à Revolução e do que representa ser cubano no período pós revolucionário''. Ver estas indicações em http://www.marciomoreiraalves.com/livro.1979.2.htm. Acesso em 12 abr. 2009. [14] As referências fundamentais deste artigo sobre Márcio Moreira Alves se encontram em ABREU, Alzira Alves de (Coord.). Dicionário histórico-biográfico brasileiro pós-1930. Rio de Janeiro: Editora CPDOC/FGV, 2001. Também reproduzidas em http://www.marciomoreiraalves.com/quem.htm#. [15] Ver a íntegra do Programa em http://www.vermelho.org.br/pcdob/programa/. -------------------------------------------------------------------------------- *Diorge Alceno Konrad, Doutor em História Social do Trabalho pela UNICAMP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090414/15724bcd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090414/15724bcd/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1372 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090414/15724bcd/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 15 20:08:11 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 15 Apr 2009 20:08:11 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Destaques do Vermelho de quarta-feira Message-ID: <010901c9be1f$0dbc07e0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem DESTAQUES DA EDIÇÃO DE HOJE DO PORTAL VERMELHO Se você não conseguir visualizar corretamente esse e-mail, clique aqui O latifúndio por LatuffCNA "pé no freio" Oligarquias rurais: a ideologia do atraso No Brasil, tudo o que parecer estapafúrdio pode estar contaminado por algum viés político. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, presidida pela senadora, pecuarista e potencial candidata ao governo de Tocantins, Kátia Abreu (DEM-TO), está orientando os produtores "a botarem o pé no freio do plantio e do uso de tecnologia na safra 2009/10". Por Rui Daher. Municípios Lula acata proposta do PCdoB e deixa oposição sem discurso Prefeituras terão em 2009 os mesmos repasses de 2008 do Fundo de Participação dos Municípios; e que o 'Minha Casa, Minha Vida' será para todas as cidades, disse Lula. Altamiro Borges Serra compra 220 mil assinaturas da Editora Abril A milionária aquisição do governo tucano foi realizada sem licitação pública, e o Serra ainda passou à Abril os endereços dos professores, sem comunicado ou pedido de autorização. Trabalho Emprego tem segundo aumento no ano Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostra que foram criados em março 34.818 novos postos de trabalho com carteira assinada. O aumento foi de 0,11% em relação a fevereiro. Obama e Cuba: a contagotas a.. Fatima Oliveira As comidas dos ''Dias Grandes'' no sertão e queimação do Judas a.. Eron Bezerra É preciso desmascarar a direita a.. Gilson Reis Servidor público, contratar e valorizar a.. Diorge Alceno Konrad Márcio Moreira Alves: memória histórica contra 1964 a.. Moises Diniz A luta contra uma palavra Esta é uma mensagem automática, favor não responder Destaques do Vermelho é um serviço diário gratuito do www.vermelho.org.br Para cancelar Alterar seus dados Encaminhar a um amigo -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090415/cf5e45fb/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 16 18:23:42 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 16 Apr 2009 18:23:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Finalizar_cabalmente_bloqueio_a_?= =?windows-1252?q?Cuba_=E9_a_prova_de_fogo_de_Obama_para_as_Am=E9ri?= =?windows-1252?q?cas?= Message-ID: <00b201c9bed9$a1547fe0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Finalizar cabalmente bloqueio a Cuba é a prova de fogo de Obama para as Américas por Michelle Amaral da Silva última modificação 16/04/2009 15:56 Colaboradores: Atilio A. Boron Se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, o primeiro passo inevitável é levantar totalmente o bloqueio a Cuba 16/04/2009 Atilio A. Boron A iminente cúpula das Américas colocará à prova a seriedade das palavras pronunciadas por Joseph Biden na "Cúpula do Progressismo", sediada em Viña del Mar, em finais de março. Nesta oportunidade, o vice-presidente dos Estados Unidos disse que "acabou a época em que dávamos ordens". O curioso é que, em que pese as tão promissoras palavras, Biden foi muito enfático ao afirmar que continuaria o bloqueio contra Cuba, próximo de cumprir meio século de vida. Como conciliar ambas as colocações? A Casa Branca diz, por meio de seu qualificado porta-voz, que deseja instalar na região um clima de diálogo, respeito e compreensão; mas, simultaneamente, revela que não está disposta a pôr fim a um bloqueio criminoso e ilegal que recebeu o repúdio universal há décadas. Qual dessas duas afirmações representa a política de Barack Obama para nossa região? Com sua enigmática declaração, Biden fortalece a impressão de que a administração Obama não parece muito preocupada em se diferenciar de seu antecessor. As grandes orientações da política externa de George W. Bush gozam de muito boa saúde nas duas áreas estratégicas da Casa Branca: guerra e economia. Na primeira, tendo não só ratificado em seu cargo o falcão Robert Gates como secretário de Defesa, mas também reforçando a presença militar estadunidense no Afeganistão e Paquistão, enquanto que a prolongada estadia de suas tropas no Iraque parece destinada a converter esse sofrido país num eterno enclave neocolonial norte-americano. No tocante à economia, a equipe de assessores e especialistas selecionada por Obama reúne os cérebros que conceberam e levaram à prática a radical desregulamentação do sistema financeiro dos anos 90, causadora da fenomenal explosão da bolha especulativa no verão boreal de 2008. O que se sabe de gente como Robert Rubin, Lawrence Summers, Timothy Geithner e Paul Volcker é que lhes caracteriza uma irredutível fidelidade ao neoliberalismo e aos interesses que este representa: o capital financeiro e os gigantescos oligopólios norte-americanos. Sua presença na nova administração dos democratas manifesta seu pertinaz empenho em restaurar a situação existente antes do estouro da crise, aplicando o mesmo remédio que resultou na atual débâcle. Havia outros economistas que, desde uma perspectiva crítica e ao mesmo tempo realista, poderiam ter assessorado muito melhor Obama: mencionemos apenas dois, Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia em 2008, e Joseph Stiglitz, que obteve o mesmo galardão em 2001. Porém, Obama preferiu depositar confiança nos desgastados gurus do neoliberalismo, com o que se esvaem as esperanças de uma saída razoavelmente civilizada para a crise atual. O show midiático montado dias atrás pelo G-20 em Londres não permite pensar em outra coisa. Sob tais condições, as declarações do novo governo estadunidense no sentido de flexibilizar algumas restrições em matéria de viagens e visitas de familiares a Cuba merecem um aplauso, mas a manutenção do bloqueio econômico à Ilha é absolutamente inaceitável e deve ser condenada sem atenuantes. Isso assinala, inequivocamente, a magnitude do hiato que separa o Obama da campanha eleitoral do Obama ocupante da Casa Branca. Agregamos também o abismo que separa as ilusões dos cultores da "obamania" em muitos países da região e fora dela, principalmente na Europa, das políticas que aquele está levando a cabo em sua inescapável condição de chefe do império. Suas promessas de revisar a política anticubana que os sucessivos governos da Casa Branca instalaram desde os próprios inícios da Revolução parecem destinadas a serem levadas pelo vento. Até agora, o que se notam são gestos dirigidos a maquiar o bloqueio, mas nada mais. Um bloqueio que, convém lembrar, é econômico, comercial, financeiro, migratório (pela canalhesca "Lei de Ajuste Cubano") e informático, impedindo a Ilha de acessar bandas de internet de alta velocidade. A obstinada manutenção dessa situação é um sintoma revelador de surpreendentes patologias políticas que entorpecerão a gestão inovadora que deveria ter um presidente estadunidense enfrentado com uma crise como a atual. Quais patologias? Vejamos: em primeiro lugar, a de uma superpotência imperialista que, no lugar de definir sua política externa em função de interesses nacionais e critérios globais, mantém uma agressiva política contra um país, Cuba, que de maneira alguma ameaça sua segurança nacional. O resultado foi um aprofundamento do descrédito dos EUA na arena internacional, a irritação dos governos e populações do hemisfério e uma sensível perda de influência na região, posta em evidência pelo espetacular fracasso da ALCA, ignominiosamente sepultada na cúpula anterior de presidentes, que se deu em Mar del Plata, em 2005. Qual foi o pecado de Cuba? Algo imperdoável para os amos do império: ter lutado exitosamente pela sua autodeterminação e por sua dignidade, livrando-se das cadeias que a jogaram primeiro no colonialismo espanhol e depois no imperialismo norte-americano. Por isso se castiga a Ilha brutalmente, como uma punição diante de sua ousadia e como uma lição a quem sonhar imitá-la. No entanto, o tempo se encarregou de demonstrar que tal política só conseguiu alimentar o sentimento anti-imperialista das massas e criar as condições para o surgimento de uma série de governos de esquerda e centro-esquerda que, por distintas razões, frustraram o sonho americano de uma América Latina submetida aos desígnios da ALCA. Em segundo lugar, os EUA se apresentam como um curioso país que, pelo dito mais acima, não tem uma, mas duas políticas externas: uma para Cuba e outra para o resto do mundo. Em matéria migratória, a "Lei de Ajuste Cubano" concede o Green Card a qualquer cidadão cubano que pise solo norte-americano; para o resto do mundo, no entanto, existem complicadíssimos trâmites de imigração. O migrante haitiano ou dominicano que arrisca sua vida atravessando o Caribe em frágeis embarcações será preso e devolvido ao seu país de origem em caso de ser pego; o cubano, por sua vez, uma vez que pisa o solo estadunidense automaticamente passa a desfrutar de todos os benefícios que se concedem aos imigrantes legais. No caso da fronteira sul dos EUA, a perseguição aos mexicanos ou centro-americanos sem documentos é implacável: não só se levantou um infame muro na fronteira asteca-estadunidense, como também estão à vista a caça a "la migra" e os massacres dos vigilantes das fronteiras, tudo contrastando odiosamente com o trato privilegiado que se dá aos imigrantes cubanos. Outro exemplo de patologia política: o Departamento de Estado condena incansavelmente o regime de partido único de Cuba, denuncia os supostos déficits de sua "qualidade institucional" e proclama abertamente a necessidade de produzir uma "mudança de regime", eufemismo para se referir à concretização da contra-revolução. Porém, essa política, com sua definição de princípios, contrasta chamativamente com as fraternais relações que Washington cultiva com a Arábia Saudita, país no qual os partidos políticos são proibidos, o despotismo monárquico é absoluto e a democracia uma quimera; contrasta também com as intensas relações econômicas forjadas com países como China e Vietnã, cujos sistemas de partidos são muito similares ao que existe em Cuba. Qual a razão de tamanha discriminação, de colossal inconsistência da política exterior norte-americana? Não há razão alguma, só a chantagem de um lobby mafioso, ante o qual Washington se prostra desonrosamente. Terceira patologia: o bloqueio revela que Cuba ocupa um lugar especialíssimo no imaginário da classe dominante estadunidense. Apesar do tempo transcorrido, seus integrantes e seus representantes políticos não se conformam por ter perdido Cuba e insistem em recuperá-la, em se apropriar dela apelando a qualquer recurso. Cuba é sua doentia obsessão, sentem-na como um troféu de guerra ? de uma guerra em que os patriotas cubanos haviam derrotado o poder colonial espanhol e que depois os EUA, com sujas artimanhas, arrebatou-lhes a vitória ? e em nome dele são capazes de qualquer coisa. Quase meio século de bloqueio é um fenômeno que não tem paralelo na história do imperialismo. Impérios anteriores, desde Esparta e Roma até hoje, sitiaram por um tempo algumas cidades. Mas sustentar um bloqueio integral como o de que padece Cuba é algo sem precedentes na história da humanidade. Constitui uma monstruosidade, uma verdadeira aberração e uma imperdoável imoralidade. A manutenção de uma política que fracassou ostensivamente, que terminou por ilhar os EUA, só pode ser compreendida como sinal da decadência da classe política norte-americana. Com a iminente reabertura das relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, os EUA serão o único país do sistema interamericano que não tem relações com Cuba. Como sustentar uma política que não só fracassou em promover a tão desejada "mudança de regime" como também converteu os EUA em um tipo de pária do sistema internacional, quando, na última votação da Assembléia Geral da ONU, o bloqueio foi condenado por 185 dos 192 países membros da organização? Consequentemente, se Obama quer dar um novo começo à relação com a América Latina e o Caribe, há um primeiro passo inevitável: levantar total e incondicionalmente o bloqueio e iniciar de imediato conversas para normalizar a relação com Havana. Deve reconhecer que Cuba não está isolada e que quem o está são os EUA. Com o transcorrer dos anos o prestígio de Cuba se agigantou, porque, sendo um país pequeno, demonstrou uma notável coerência e fortaleza em sua política externa. Cuba ajuda mais que os EUA aos povos de nossa América e, em geral, do terceiro mundo; e o faz com seus médicos, seus alfabetizadores, seus técnicos, seus treinadores esportivos e seu amplíssimo programa de cooperação científica e técnica, com cerca de 100 países. Cuba dá, enquanto os EUA tiram. E a exemplar resistência cubana granjeou o respeito da comunidade internacional, e muito especialmente dos povos e governos da América Latina e Caribe, quaisquer sejam suas orientações políticas. Os governantes que acudirão ao encontro de Trinidad e Tobago não poderão aprofundar as relações de cooperação com a Casa Branca em matérias como a migração, o narcotráfico, o terrorismo e tantas outras, a menos que se remova pela raiz o obstáculo da retirada do bloqueio a Cuba. Do contrário, pagarão um enorme custo político e poderão ser desalojados do governo mais cedo que tarde. Há vários exemplos recentes que ilustram a afirmação. Demorar no cancelamento do bloqueio só servirá para prejudicar o interesse nacional dos EUA e dos numerosos indivíduos e empresas deste país, sacrificados em aras de um lobby como o aglutinado pela Fundação Nacional Cubano-americana, que é uma verdadeira vergonha para a política norte-americana. Isso está se tornando cada vez mais óbvio para uma parte crescente da dirigência política local. A carta que o senador Richard Lugar enviara ao presidente Barack Obama em 30 de março deste ano é bastante eloqüente. Nela, o senador de Indiana diz que a política dos EUA em relação a Cuba fracassou e que, devido a isso, "nossos interesses políticos e de segurança mais globais" estão sendo socavados, o que requer uma "transição nas relações cubano-estadunidenses". E o momento seria agora mesmo: a Cúpula das Américas. Richard Lugar agrega que a política seguida pela Casa Branca contrasta gritantemente com o amadurecido relacionamento dos países da América Latina e Caribe com a ilha. As recentes declarações anunciando planos de restabelecer as relações diplomáticas com a Costa Rica e El Salvador, a série de visitas a Havana dos presidentes de Equador, Bolívia, Venezuela, Chile, Argentina, Brasil, Haiti, República Dominicana, Guatemala, Nicarágua e Honduras, e vários mais da região caribenha, e a incorporação de Cuba ao Grupo do Rio demonstram, em seu juízo, a solidão em que caíram os EUA e a União Européia, assim como a ONU, que aprovou uma resolução muito amplamente referendada pelos demais países condenando o embargo dos EUA durante os últimos 17 anos. "Para o resto do mundo", continua Lugar, "nosso atual enfoque desafia toda a lógica: ainda durante os mais ásperos momentos da Guerra Fria, os canais diplomáticos diretos com a ex-União Soviética jamais foram cortados". Agregaríamos: como é possível que os EUA mantenham conversas com países como Irã e Coréia do Norte e se neguem terminantemente a fazê-lo com Cuba? Como justificar tão doentia fixação? A mensagem de Lugar é suficientemente clara: em uma época de crise como esta a Casa Branca não pode se dar o luxo de seguir sendo vista com enorme receio por povos e governos da região. Sua credibilidade internacional como uma potência que se arrogou a missão de promover a paz, a liberdade e a democracia se desvanece irreparavelmente pela sua política anticubana, à parte de tantas outras. A intenção de Obama de ser visto como uma radical na renovação da política estadunidense ficaria em palavras vazias de conteúdo se seu governo não produzir, agora mesmo, uma radical retificação de sua política com a ilha, cujo primeiro passo é o imediato encerramento do bloqueio (que nos EUA preferem denominá-lo, espertamente, de embargo, conscientes do repúdio universal que concita tal política). Por outro lado, não deveria escapar da atenção dos estrategistas norte-americanos que a imprescindível melhora nas relações entre os EUA e os países da América Latina ? imprescindível, digamos, dada a inédita debilidade da superpotência, diante das aventuras militares sem rumo no Iraque e Afeganistão e brutalmente golpeada pela crise econômica ? se veria negativamente influenciada pela manutenção do bloqueio. Todos os países da região, mesmo aqueles governados por partidos ou coalizões de direita, se manifestaram contra o bloqueio e, para Washington, seria impossível conferir credibilidade à sua promessa de fundar um novo padrão de relações interamericanas se, ao mesmo tempo, preserva uma retórica e uma política inspiradas no apogeu da Guerra Fria. Não só se prejudicam os interesses econômicos ianques como também se atenta contra a credibilidade global de sua política exterior. Em outras palavras, as boas relações no âmbito interamericano deverão se construir sobre a base de gestos e iniciativas concretos que demonstrem a seriedade das intenções da Casa Branca, sua capacidade real para produzir políticas inovadoras e os alcances de seu apregoado compromisso com a ordem hemisférica baseada no diálogo e o respeito mútuo. Os governos da América Latina e Caribe que comparecerão à Cúpula de Trindad e Tobago sabem que, sem acabar com o bloqueio, a nova ordem que Washington pretende construir será inviável, estará morta antes de nascer. Apesar de sua ausência, Cuba terá um papel estelar nesta reunião e nossos governos deverão atuar com grande firmeza e coordenadamente para exigir o fim do bloqueio; caso contrário, serão co-participantes do fracasso, pagando um alto preço em seus respectivos países. Em Port of Spain Obama se defrontará com a hora da verdade. Sua conduta neste conclave será a prova de fogo que colocará a nu se está ou não à altura dos desafios que lhe impõe a história. E isso não só em relação à questão cubana, mas também diante dos gravíssimos obstáculos que brotam da crise geral do capitalismo. Atílio Boron é doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro "Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri", publicado pela editora CLACSO em 2002. Website: http://www.atilioboron.com Trazido por Gabriel Brito, jornalista. Publicado originalmente no Correio da Cidadania. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090416/18fbd3f4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090416/18fbd3f4/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 16 18:23:48 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 16 Apr 2009 18:23:48 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_ASSINE_A_PETI=C7=C3O_PELO_FIM_D?= =?windows-1252?q?O_EMBARGO_A_CUBA?= Message-ID: <00b301c9bed9$a1f8fd40$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Luis Morago - Avaaz.org Caros amigos, Peça para o governo americano abrir o diálogo e retirar o embargo econômico a Cuba. Nossa mensagem será levada à Cúpula das América no mastro de um barco para chamar a atenção da mídia e lideranças presentes: Assine a petição! Esta semana na Cúpula das Américas o Presidente Obama terá uma oportunidade única de rever a relação dos EUA com Cuba, virando a página em quase meio século de um embargo econômico falido. Líderes latino-americanos, a ONU e até senadores e deputados dos EUA estão questionando o embargo que, por décadas, apenas prejudicou a população cubana. O Obama já anunciou que vai aliviar as restrições de viagem e facilitar o envio de dinheiro, porém é preciso fazer muito mais. Este é o momento certo para fazermos pressão, levando uma mensagem clara para a mídia internacional e os políticos americanos de que é preciso dialogar com o governo cubano e acabar com as políticas falidas do passado. Nossa mensagem será levada a Trinidad e Tobago de uma forma que não poderá ser ignorada: em um gigantesco banner nos mastros de um barco. Assine a petição pedindo o fim do embargo, o número de assinaturas será colocado no barco, chamando a atenção de repórteres e líderes presentes na Cúpula. Clique abaixo para assinar: http://www.avaaz.org/po/lift_cuba_embargo Quando os EUA colocaram o embargo a Cuba em 1962 a justificativa era forçar a pequena ilha a se submeter ao capital norte-americano. Quase meio século depois, este argumento se provou falho mostrando que o único prejudicado com o embargo é o povo cubano que está sendo privado de suprimentos agrícolas, medicamentos, tecnologias novas. Hoje vemos um sinal de esperança inédito, há realmente chances das relações EUA-Cuba mudarem. Por toda a América Latina, nossos líderes estão pedindo para o Presidente Obama abrir o diálogo com a ilha. Nos EUA, pesquisas recentes revelam que três quartos da população querem uma mudança na política de isolamento, até mesmo grupos conservadores de exilados cubanos nos EUA apóiam a mudança. Agora que o Obama tomou o primeiro passo, é fundamental manifestarmos a opinião da sociedade civil. Se nós nos mantivermos calados o debate poderá ser ganho pelos demagogos que se beneficiam da polarização. Uma manifestação positiva e encorajadora da sociedade civil irá chamar a atenção da mídia, focando o debate na necessidade de uma nova era de relações justas e responsáveis entre Cuba, EUA e toda a América Latina. Assine a petição agora e encaminhe este email para seus amigos, e fique de olho no nosso barco este fim de semana em Trinidad e Tobago! http://www.avaaz.org/po/lift_cuba_embargo Com esperança, Luis, Alice, Paula, Graziela, Ben, Raj, Iain, Ricken, Brett, Paul, Margaret, Pascal, Taren e toda a equipe Avaaz Leia mais sobre o assunto: Cuba deve ser destaque na 1ª Cúpula das Américas de Obama: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,cuba-deve-ser-destaque-na-1-cupula-das-americas-de-obama,355205,0.htm Maioria dos americanos é a favor de mudança nas relações com Cuba: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/15/maioria-dos-americanos-a-favor-de-mudanca-nas-relacoes-com-cuba-755282790.asp Obama aproxima-se de Castro: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/508569 EUA devem abrandar restrições a Cuba, mas querem mudanças: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/04/06/eua-devem-abrandar-restricoes-cuba-mas-querem-mudancas-755169439.asp ------------------------------------------------ SOBRE A AVAAZ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090416/f2e71c06/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 133743 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090416/f2e71c06/attachment-0001.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090416/f2e71c06/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 17 19:16:23 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 17 Apr 2009 19:16:23 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_=C0_procura_de_acad=E9micos_par?= =?windows-1252?q?a_o_Imp=E9rio=3A_Iniciativa_de_investiga=E7=E3o_M?= =?windows-1252?q?inerva_do_Pent=E1gono=2E?= Message-ID: <02f001c9bfaa$24988290$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro...............................................................................repassem ----- Original Message ----- From: luiz carlos manhães de carvalho À procura de académicos para o Império: A "Iniciativa de Investigação Minerva" do Pentágono por James Petras Os estrategas militares do Pentágono reconheceram que sofreram derrotas políticas, com consequências estratégicas nas suas recentes invasões militares do Iraque e do Afeganistão. O apoio militar dos EUA à invasões israelenses do Líbano e de Gaza, a ocupação etíope da Somália, apoiada pelos EUA, as tentativas de golpes na Venezuela (2002) e na Bolívia (2008) também não conseguiram derrotar os regimes populares no poder. Pior ainda, as redes nacionais civis, familiares, comunitárias e nacionais reforçaram os movimentos anti-colonialistas fornecendo apoio logístico essencial, informações, recrutamento e legitimidade. Os estrategas do Pentágono, reconhecendo as bases sociopolíticas dos seus fracassos, viraram-se para cúmplices voluntários no mundo académico para fornecerem informações, sob a forma de relatórios etnográficos, de povos seleccionados, e tácticas e estratégias a fim de dividir e destruir fidelidades locais e nacionais. O Pentágono está a contratar cientistas sociais para traçarem 'mapas sociais' a fim de identificar líderes e grupos susceptíveis de serem recrutados para o serviço do império. Por exemplo, a 'pesquisa de terreno' académica contratada pelo Pentágono pretende demonstrar os modos como as práticas e os rituais religiosos tradicionais podem ser manipulados para facilitar a conquista imperial através da guerra cultural que desencoraje os povos subjugados de apoiarem os movimentos de libertação nacional. Em vez de confrontar o ocupante imperial com o objectivo de restabelecer a soberania nacional, as estratégias de 'guerra cultural' orientam a população para se concentrarem em ?problemas locais'. Estes são alguns dos 'projectos de investigação' financiados pelo Pentágono a que se dedicam os 'académicos de uniforme'. O Pentágono está profundamente empenhado nesta estratégia militar-académica de construção do império, atribuindo-lhe verbas de quase 100 milhões de dólares para a contratação de colaboradores académicos e para o financiamento de múltiplos projectos de 'investigação' em todo o mundo contra estados, movimentos e comunidades seleccionados. A 'Iniciativa de Investigação Minerva' (MRI) O maior, embora não seja o único, dos programas de investigação para a construção do império, financiados pelo Pentágono, nas ciências sociais, tem o nome de código de Iniciativa de Investigação Minerva (MRI). A MRI contrata grande número de académicos nos seus habituais bordéis académicos prestigiados, incluindo os chulos académicos veteranos e neófitos ambiciosos entre os assistentes pós-graduação e graduados. Estes 'estudiosos para o império' estão actualmente empenhados em pelo menos catorze projectos O dinheiro da MRI foi buscar às universidades um amplo sortido de psicólogos, cientistas políticos, antropólogos, economistas, professores de estudos religiosos, especialistas de relações públicas, economistas do trabalho, e até mesmo físicos nucleares do MIT, Princeton, Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade Estadual do Arizona, entre outras. Esta generosidade do Pentágono constitui o que a Science (30/Jan/2009, p. 576) (revista oficial da Associação Americana para o Progresso da Ciência) chama 'um banquete para uma área habituada a viver de migalhas?. Todas as regiões e grupos especificamente seleccionados para a investigação 'académica do Pentágono' estão presentemente em conflito com o império dos EUA ou com o seu aliado israelense e incluem o sudoeste asiático, a África ocidental, Gaza, a Indonésia, o Médio Oriente. O parâmetro ideológico do Pentágono, que define a MRI, é a "guerra contra o terrorismo" ou as suas 'Operações de Contingência Ultramarina', o novo fac-simile com o Presidente Obama. A MRI tem um interesse especial em académicos que podem visar a área das organizações e actividades muçulmano-árabes, a fim de estudar e desenvolver métodos para "difundir e influenciar o discurso muçulmano contra-radical". Por outras palavras, a MRI está a contratar investigação académica, que irá permitir que o Pentágono penetre nas comunidades muçulmanas, co-opte os líderes e os transforme em colaboradores imperialistas. A MRI não é um mero mecanismo de "poder ligeiro" ? uma batalha de ideias ? envolve académicos americanos nalguns dos aspectos mais brutais de guerra colonial. Por exemplo, as Equipas de Terreno Humano, financiadas pelo Pentágono, que operam no Afeganistão, estão profundamente mergulhadas na identificação e interrogatório/tortura de suspeitos combatentes da resistência, simpatizantes civis e membros de grandes famílias e clãs. Um professor de psicologia contratado pela MRI com antigas ligações às operações contra-insurreição do Pentágono, está profundamente envolvido no "estudo de emoções em alimentar ou reprimir movimentos motivados ideologicamente". Operações de ocupação dos serviços secretos têm estado profundamente envolvidas em "fomentar" a hostilidade entre as comunidades xiitas e sunitas no Iraque, no Líbano, no Irão e no Afeganistão. As torturas e as técnicas de interrogatórios duros, utilizadas no Médio Oriente e no Afeganistão, baseiam-se em estudos académicos e vulnerabilidades culturais e emocionais dos muçulmanos e são utilizadas pelos interrogadores militares americanos e israelenses para "quebrar" ou provocar profundos esgotamentos mentais nos activistas anti-ocupação ("repressão de movimentos ideológicos). Esta versão contemporânea do Dr. Strangelove com a sua versão de fórmulas contra-insurreição imediatas cozinhadas por uma rede mundial de académicos de uniforme pode envenenar o ambiente académico ? de modo muito semelhante ao que o Professor 'Bermans' no estado do Michigan, MIT, Harvard, e noutros locais desenvolveu técnicas para investigar e destruir missões contra movimentos de base durante a Guerra do Vietname. O perigo e a atracção para os académicos do financiamento do Pentágono é especialmente agudo actualmente, dada a depressão económica e a imagem pseudo-progressista do regime Obama. As operações de salvamento da Wall Street e a queda do mercado de acções dos EUA têm reduzido as dotações às universidades o que provoca fortes reduções nos orçamentos académicos, salários e fundos para investigação, especialmente na investigação não relacionada com os militares ou com os negócios. O discurso duplo do regime de Obama que fala de paz e aumenta os orçamentos militares, reforçando as tropas no sudoeste da Ásia e alargando as sanções ao Irão, pode levar os académicos a justificar estas últimas citando as primeiras. Para arranjar recrutas académicos para o estábulo da MRI, o Pentágono organizou um seminário em Agosto de 2008, sob a fachada ideológica de "total abertura e estrita adesão à liberdade e integridade académica". Subsequentemente o Pentágono afirmou ter recebido 211 pedidos de académicos procurando um lugar na gamela imperialista. Apesar da afirmação do Pentágono sobre o êxito da contratação de académicos, há sinais contrários que aparecem no mundo académico, principalmente à luz dos altamente publicitados raptos, tortura e interrogatórios de milhares de muçulmanos e activistas em todo o mundo inclusive nos Estados Unidos, feitos por Forças Especiais. Fora da extrema-direita tem havido uma ampla relutância entre académicos em se associarem a um governo identificado com os abusos nas prisões de Abu Grahib e de Guantanamo, a destruição das protecções constitucionais dos EUA e as guerras coloniais de ocupação. Mesmo no caso em que poderosos académicos pró-Israel e grupos de pressão tiveram êxito em conseguir a demissão de professores muito conhecidos por serem críticos do estado hebreu, estas purgas vingativas foram contestadas abertamente por muitos professores em todo o país, incluindo várias dezenas de académicos judeus. Mais recentemente, centenas de intelectuais e investigadores nos EUA, no Reino Unido e no Canadá, horrorizados com os crimes israelenses em Gaza, apelaram às universidades para boicotar as instituições académicas e os indivíduos israelenses que colaborem com as Forças de Defesa de Israel e com o Mossad para a destruição das instituições palestinas, e em especial o bombardeamento de universidades em Gaza. Intimidação O grupo de académicos com princípios, críticos da política de Israel e dos EUA, académicos distintos que desafiaram substancialmente o império através da sua investigação e publicações, não está livre da retaliação destinada a desencorajar outros intelectuais. Um caso recente é a suspensão do epidemiologista médico, o académico Dr. Gilbert Burnham da Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade John Hopkins. O Dr. Burnham foi repreendido publicamente e suspenso da direcção de qualquer investigação envolvendo 'pessoas humanas' por cinco anos por causa de 'quebras éticas de confidencialidade' ( Science, 06/Março/2009, vol. 323, p. 1278). Estas 'violações éticas' referiam-se à sua co-autoria do primeiro estudo epidemiológico rigoroso de larga escala sobre a mortalidade no Iraque durante a invasão e ocupação americana. Estudos locais exaustivos em todo o Iraque chegaram à conclusão de que morreram mais de 600 mil civis iraquianos de morte violenta entre a altura da invasão americana em Março de 2003 e o verão de 2006. Os resultados deste estudo sobre a morte e destruição induzidas pela guerra, publicados na prestigiada revista médica Lancet em Outubro de 2006, foram desmentidos por um Pentágono furioso mas confirmados por estudos subsequentes. As chamadas 'violações éticas' referiam-se a uma questão técnica menor: a codificação incompleta de alguns dos nomes das famílias iraquianas entrevistadas nas folhas de inquérito de língua árabe. Para instituições imperialistas, como a Universidade John Hopkins, a utilização do falso pretexto de 'protecção da privacidade' de centenas de milhares de mortos sem nome numa guerra americana de agressão para punir um distinto epidemiologista, é o mesmo que enviar uma mensagem de intimidação a intelectuais para que se abstenham de documentar as consequência genocidas de guerras imperialistas sobre um povo colonizado. Ao punir publicamente o Dr. Burnham com base nestas acusações idiotas, o Pentágono-Universidade John Hopkins estão a enviar uma clara mensagem aos académicos para não investigarem e revelarem os reais custos humanos da construção do império militar. Uma coisa é certa, as identidades dos que foram torturados ou expropriados com base nas políticas desenvolvidas pelos 'académicos' Minerva patrocinados pelo Pentágono, vão manter-se certamente 'confidenciais' ? e muito provavelmente escondidas nas sepulturas em massa. O facto de a Escola de Saúde Pública Bloomberg ter imposto um castigo tão extraordinariamente pesado sobre um dos epidemiologistas da sua própria faculdade, por causa de um erro técnico metodológico (o procedimento habitual é uma repreensão em privado), e o facto de as sanções terem merecido a maior divulgação pública, indica a natureza fortemente política de todo o processo. O que não é claro é se os apoiantes financeiros da Escola Bloomberg (juntamente com a sua Agenda do Médio Oriente) tiveram uma palavra a dizer nesta decisão punitiva. Podemos esperar que o regime Obama, com a sua retórica 'mísseis para a paz' e imagens populistas, proporcione uma cobertura para o recrutamento do Pentágono de académicos liberais para 'trabalhar para uma mudança a partir de dentro'. Desmascarar o papel da Iniciativa de Investigação Minerva do Pentágono como parte integrante da escalada militar de Obama é uma missão para todos os académicos que se opõem à construção do império e que apoiam a reconstrução duma república americana que apoia os direitos internacionais da auto-determinação. O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=12990 Tradução de Margarida Ferreira. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . -- Abraço Luiz -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090417/434700b1/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 17 19:16:38 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 17 Apr 2009 19:16:38 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_Dia_Mundial_do_Livro_no_c?= =?iso-8859-1?q?al=E7ad=E3o_daPra=E7a_XV_de_novembro_-_em_Ribeir=E3?= =?iso-8859-1?q?o_Preto_-_SP?= Message-ID: <02f601c9bfaa$2dd0e460$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Instituto do Livro Compareçam!! Participem com alguma ação em prol da leitura!! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090417/0cfca9e4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 54331 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090417/0cfca9e4/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 18 14:54:05 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 18 Apr 2009 14:54:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Convite_Lan=E7amento_do_livro_=3A?= =?iso-8859-1?q?_Dossie_Ditadura_=3A_Mortos_e_Desaparecidos_Pol=EDt?= =?iso-8859-1?q?icos_no_Brasil_=281964_-_1985=29?= Message-ID: <031601c9c04e$aae2eb70$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Maurice Politi LANÇAMENTO DOSSIÊ DITADURA MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS NO BRASIL (1964-1985) 25 DE ABRIL, ÀS 10,30 ESTAÇÃO PINACOTECA - MEMORIAL DA RESISTÊNCIA -------------------------------------------------------------------------------- Lançamento do livro : DOSSIÊ DITADURA :Mortos e desaparecidos Políticosno Brasil (1964 - 1985) Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (org.) Local : Estação Pinacotéca - Memorial da Resistência Largo General Osório , 66 - 5º andar Bairro da Lúz - São Paulo - Capital Debate : Mortos e Desaparecidos Políticos: Luta pela Verdade e Justiça no Brasil. Participantes : Fábio Konder Comparato - jurista Márcio Seligman-Silva - professor Janaína de Almeida Teles - historiadora -------------------------------------------------------------------------------------- Para não esquecer o torturador comandante do DOI-CODI Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra . Antes que a Folha de S.Paulo resolva reescrever a História à sua maneira, convém relembrar que, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, Ustra comandou o DOI-CODI de São Paulo, central de torturas precedida pela OBAN - Operação Bandeirante, que utilizava em sua logística veículos gentilmente cedidos pela famiglia Frias. Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra . Antes que a Folha de S.Paulo resolva reescrever a História à sua maneira, convém relembrar que, entre setembro de 1970 e janeiro de 1974, Ustra comandou o DOI-CODI de São Paulo, central de torturas precedida pela OBAN - Operação Bandeirante, que utilizava em sua logística veículos gentilmente cedidos pela famiglia Frias. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/bcd48c19/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 23561 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/bcd48c19/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17033 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/bcd48c19/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 18 14:54:15 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 18 Apr 2009 14:54:15 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_DIREITOS_ECON=D4MICOS_E_PERPLEX?= =?windows-1252?q?IDADES__por__S=E9rgio_Muylaert*?= Message-ID: <031a01c9c04e$b05cbea0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. DIREITOS ECONÔMICOS E PERPLEXIDADES Sérgio Muylaert* Em boa medida, para que o planeta se reconstitua e estabeleça a sua coerência, as oportunidades devem prosperar a partir da ação efetiva de seus governantes e líderes máximos. Como se supõe, a menos que as propostas sejam movidas por alguma utopia ou rematada má-fé há limites naturais. A ascensão de um negro a presidente nos Estados Unidos é um forte apelo; contudo, não se deve exacerbar no pensamento salvacionista. O modelo predominante autoriza o avassalamento dos mecanismos que promovem a completa apropriação de bens e meios de produção como foi a perversidade da ciranda de especulação financeira sem qualquer controle, suportada por todos indistintamente. Trata-se, portanto, de cobrar dos altos representantes (G-20, inclusive) um fim para as perplexidades. No momento de cuja prática se deu o apogeu da concentração de grandes empresas, herdeiras da linha direta de uma ordem feudal, a total revisão das etapas do sistema mundial é plenamente cabível. No centro das perplexidades o Protocolo de Kyoto é uma referência exemplar sobre o qual alguns estados e governos reiteradamente se sobrepõem ao princípio da precaução. Os grupos econômicos privados e suas práticas executivas, de ?governos paralelos?, tendem a rechaçar o sentido obrigatório daquelas normas internacionais e se unem, em seus conglomerados, para descumpri-las, cabal e frontalmente, por seguirem a mesma ordem da concentração dos capitais. Algumas das práticas no sentido de socavar políticas públicas dos países periféricos privilegiam formas abusivas e, portanto, ilegais. No usual se dispõem adotar suas próprias regras, mediante preceitos voluntários de ética e boa conduta, inclusas para combaterem a corrupção. Diante da regulação de validade obrigatória dos princípios e regras firmadas pelos Estados Partes o intento de grupos econômicos multinacionais se contrapõe no demonstrativo claro de um desalinhamento diante destes objetivos agendados, a frustrar as perspectivas da paz duradoura. O suporte lógico e jurídico constituinte dessa premissa ordena o respeito e o reconhecimento pleno destas normas públicas. Esta é uma regra geral para o cumprimento eficaz na democracia que se propõe para o desenvolvimento social e econômico de todos os povos e países. Ante os paradoxos e perplexidades, cabe ao Direito presidir e equacionar no sentido harmonioso, pelo qual, regras do equilíbrio e da irreversibilidade dos efeitos das políticas econômicas presidam os interesses superiores das coletividades, sem a exclusão dos particulares individualmente tratados. Sérgio Muylaert ? Advogado em Brasília; membro efetivo do IAB; Presidente da AAJ (linha fundadora no Brasil ? DF); autor de Estado empresa pública mercado. Porto Alegre, SAFe, 1999 . DIREITOS ECONÔMICOS E PERPLEXIDADES (PARTE II) Durante as quatro últimas décadas do século XX e início deste, o movimento tem sido unidirecional a partir das regiões periféricas para os países centrais com a transferência econômica de patrimônio além dos limites do imaginário, como lembram Gunnar Myrdall e François Perroux, apenas para referir dois nomes. Sem embargo dos avanços nos direitos humanos os dados estatísticos onde se põe como grande responsável fiscal e promotora a ONU são perplexidades. Os discursos oscilam ao redor das vantagens comparativas e das extremas assimetrias, a se registrarem as marcas da desilusão no rosto de cada relatório apresentado. O desenvolvimento econômico está anelado com o tema da fome no mundo, como lembrou Josué de Castro, e ainda presente se faz. No espólio do colonialismo, remanescem suas mazelas como são as ?barreiras? e os embargos econômicos, a serem definitivamente removidos, e que em nada diferenciam dos jogos e corridas de obstáculos. Por atentarem contra os quatro princípios da liberdade de circulação estas práticas funcionam como antolhos, ou anteparos, contra uma ordem jurídica internacional justa que proclama a harmonia entre os povos e nações, segundo a doutrina do liberalismo. Ao se constituírem práticas denegatórias da liberdade de iniciativa e de concorrência, a partir do fenômeno jurídico da ?concentração?, os números acusam efeitos exterminadores sobre a economia global. Com efeito, o neoliberalismo econômico, recentemente desarticulado, nos aprisiona, a todos, no fundo poço das perplexidades e das águas lamacentas do infortúnio. Deste câncer irreversível e silencioso que tem assombrado a economia se pode afirmar seja ele mesmo o super conspirador do mercado. A partir da crença no esforço operoso das Nações Unidas e seus organismos regionais, o grande combate, sobretudo, para os países periféricos, deve ser travado contra a virtual fuga delinqüente de divisas e capitais nacionais auxiliada por sofisticados recursos da informatização no rumo dos paraísos fiscais. Sem isso, no momento em que perde espaço e altitude o fenômeno da unipolaridade, a ninguém servirá cada um intento de propostas para o ordenamento internacional multicultural e multirracial, multipolar. Ao pressupor soluções objetivas e bem assentadas o Direito deve contemplar entre suas regras básicas os interesses recíprocos e sem escusas. Diante dos novos padrões de entendimento e aproximação, as perplexidades estão a recomendar pronto reexame dos processos com a adoção de métodos inovadores nas técnicas decisórias para situações e realidades absolutamente díspares, no interesse do bem comum. *Sérgio Muylaert ? Advogado em Brasília; membro efetivo do IAB; Presidente da AAJ (linha fundadora no Brasil ? DF); autor de Estado empresa pública mercado. Porto Alegre, SAFe, 1999. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/fb2dee01/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 18 14:54:22 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 18 Apr 2009 14:54:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_I_Sarau_das_Po=E9ticas_Ind=EDgena?= =?iso-8859-1?q?s?= Message-ID: <032101c9c04e$b4d52760$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro............................................................repassem -------------------------------------------------------------------------------- REDE GRUMIN DE MULHERES INDÍGENAS informa: I Sarau das Poéticas Indígenas Promoção: CASA DAS ROSAS Dia 19 de abril, das 15 às 21 horas A idéia do I Sarau das Poéticas Indígenas é reunir índios, escritores indígenas e de outras origens, clássicos e contemporâneos, cuja obra tenha inspiração indígena de alguma região do Brasil. Poéticas, pois aqui não cabe apenas uma única poética, a ocidental ou aristóteleana, mas sua diversidade que vive nos cânticos, na história oral, no ritual indígena, tendo em comum a inventividade e o encantamento com a palavra e suas possibilidades. Essa reunião de poetas e poéticas pretende dar projeção e ânimo a este ainda singelo movimento intercultural e literário que é o da literatura indígena. Curadoria: Deborah Goldemberg http://ressurgenciaicamiaba.blogspot.com/2009/04/convite-i-sarau-das-poeticas-indigenas.html REGIÃO NORDESTE 1. Apresentação dos índios Pataxó do Sul da Bahia Manoel Santana e Zé Fragoso. Sobre o povo Pataxó: Os Pataxó são o povo que travou o primeiro contato com os portugueses na região de Porto Seguro há 509 anos. Sua trajetória é admirável e demonstra grande adaptabilidade frente às adversidades, capacidade de união em prol de seus direitos e resistência cultural. Hoje, com parte de suas terras reconquistadas, fala-se de uma ressurgência Pataxó, na qual índios idosos e jovens buscam resgatar sua cultura ancestral e reviver sua língua nativa. Sobre os índios que se apresentam: Manoel Santana é um contador de histórias Pataxó da Aldeia Boca da Mata, próximo à cidade de Itamarajú no Sul da Bahia. Segundo o antropólogo Guga Sampaio é "um proseador desinibido, eloqüente e imaginativo". Zé Fragoso é cacique da aldeia e escritor indígena da Aldeia Tibá, no Prado, Sul da Bahia. 2. Apresentação do índio Pankararu de São Paulo Bino Pankararu Sobre o índio: Bino Pankararu é uma liderança dos índios Pankararu que vivem no Real Parque, São Paulo, e cumpre função religiosa em sua cultura. Nascido na Aldeia Brejo dos Padres em Pernambuco, ele é um dos muitos índios imigrantes que vieram para a metrópole num pau de arara fugindo da seca, das invasões de suas terras, em busca de novas alternativas de vida. 3. Apresentação e leitura da escritora indígena Eliane Potiguara* Sobre a escritora: Indicada em 2005 para o Prêmio Nobel da Paz (Projeto Mil Mulheres do Mundo), Eliane é escritora, autora de METADE CARA, METADE MÁSCARA (Global Editora), professora e ativista indígena. É remanescente Potiguara, coordenadora e fundadora da Rede Grumin de Mulheres Indígenas / Rede de Comunicação Indígena,organização que ganhou o Prêmio Cidadania Internacional da Comunidade Bahai/IRÃ e diretora do INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual). Sites: www.elianepotiguara.org.br e www.grumin.org.br. 4. Leitura da poeta Graça Graúna, de Pernambuco Sobre a poeta: Graça é descendente dos índios Potiguara do Rio Grande do Norte e escritora de ensaios, crônicas e poemas. Atualmente, reside em dois lugares: no litoral e no agreste pernambucano. É graduada, tem especialização, mestrado e doutorado em Letras, tendo dedicado-se aos temas de mitos indígenas na literatura infantil e literatura indígena contemporânea no Brasil. Tem vários livros publicados, o mais recente chama-se Tear da Palavra, de 2007. Mantém um blogue. REGIÃO NORTE 1. Apresentação do antropólogo Pedro Cesarino sobre os índios Marubo Sobre os índios Marubo: Os Maurbo vivem no Vale do Rio Javari, próximos à fronteira do Amazonas com o Peru. Algumas de suas aldeias são ainda isoladas, enquanto outras vêm sofrendo interferência da população regional. Têm uma vasta tradição oral identificada por antropólogos. Seus "saitis", narrativas míticas cantadas, que tratam da formação do cosmos, chamam a atenção pelo seu valor poético. Sobre o antropólogo: Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ). Especialista em etnologia e tradições orais ameríndias, vem realizando pesquisas junto aos Marubo do Vale do Javari (AM) desde 2004. É também co-editor da revista literária Azougue e colaborador da Companhia Livre da Cooperativa Paulista de Teatro. Atualmente, é pós-doutorando no Departamento de Letras da Universidade de São Paulo. 2. Apresentação dos índios Eurico Baniwa e Juju Murá de São Paulo Sobre os índios Baniwa: Os Baniwa são índios do Amazonas que vivem no Alto Rio Negro, tendo como ponto de apoio a cidade de São Gabriel da Cachoeira, cidade brasileira com maior população indígena. A arte Baniwa, particularmente sua cestaria, é conhecida internacionalmente. Sobre o índio que se apresenta: Eurico Baniwa nasceu na aldeia Baniwa do Rio Içna, do Alto Rio Negro. Formou-se em Filosofia em Manaus, trabalhou com saúde e educação entre os índios Ianomami. Desde 2004 está em SP, aonde estuda Direito e atua no IDET (Instituto das Tradições Indígenas). Sobre os índios Mura: Os Mura são índios do Amazonas. Contatados nos Século XVIII por uma missão jesuítica que visava se assentar às margens do Rio Madeira e pelo sistema colonial do Grão Pará, os Mura registram longa convivência com a sociedade nacional, história marcada pela escravidão no período colonial e o trabalho semi-escravo para os patrões que monopolizavam o extrativismo da castanha-do-pará na área indígena. Em 1996 a FUNAI deu início à demarcação de suas terras. O povo Mura vive hoje em fraternidade, na margem do Rio Madeira, em harmonia com a mãe terra, cultivando a tradição milenar. Sobre a índia que se apresenta: Juju Mura nasceu no Amazonas, na comunidade Manaquiri, e veio para São Paulo em 2001 para realizar seus estudos. Formou-se em pedagogia na FAAC, fez docência de ensino superior, é professora e divulga a cultura indígena em Cotia-SP. 3. A declamadora Tatiana Fraga lê obras dos poetas Joaquim Sousândrade e Raul Bopp Sobre o poeta Joaquim Sousândrade: Joaquim Sousândrade foi um poeta maranhense que viveu no Século XIX que recorreu ao multilinguismo para incorporar o elemento indígena amazônico ao seu poema épico O Guesa Errante (1874). Morreu em São Luis, na miséria e sendo considerado louco. Sua obra veio ser reconhecida por Haroldo de Campos na década de 60. Sobre o poeta Raul Bopp: Raul Bopp, nasceu no Rio Grande do Sul viveu no início do Século XX. Formado em direito, viajou o Brasil e escreveu sua obra prima, Cobra Norato, sobre a Amazônia. Integrou o grupo paulista do modernismo, cujas correntes verde-amarelas (Pau Brasil) e antropofágicas fez parte. Sobre a declamadora: Tatiana Fraga é poeta e coordenadora de arte da Casa das Rosas. 4. Leitura da escritora Deborah Goldemberg Sobre a escritora: Deborah Goldemberg, paulistana, é formada em antropologia e é escritora. Tem diversas publicações de crônicas, poemas e artigos em coletâneas e jornais. É atuante no movimento literário paulistano e curadora do I Sarau das Poéticas Indígenas da Casa das Rosas. Seu primeiro livro, Ressurgência Icamiaba, é uma novela baseada na lenda amazônica das guerreiras Icamiabas, uma neo-lenda multiétnica e transbrasileira. Mantém o blog literário ressurgenciaicamiaba.blogspot.com SUL E SUDESTE DO PAÍS Introdução geral aos índios do Sul/Sudeste: Os índios Guarani são naturais do Sul e Sudeste do Brasil, vivendo ao longo do litoral desde o Sul de São Paulo até Santa Catarina. Havia um caminho chamado Pearibu, que os ligava ao Paraguai, aonde viviam seus parentes. Com o avanço da escravidão portuguesa, eles recuaram mais para o Oeste, concentrando-se no Paraguai (Benedito Prezia, 2001). A experiência das Missões Jesuíticas do Século XVII, reduções cristãs criadas nas fronteiras do Brasil com a Argentina e Paraguai, deram margem à uma troca cultural inusitada, pois a arte e a música eram ali altamente valorizadas. Após a destruição das missões, muitos índios foram trazidos para São Paulo como escravos, influindo na cultura mestiça. No início do Século XIX, famílias Guarani começaram a voltar para São Paulo e hoje há três comunidades estabelecidas com cerca de 800 índios vivendo nelas. O Guarani é a língua indígena mais falada no Brasil, com 50 mil falantes. Há 4 dialetos: kaiowá, nhandeva, m'bya e tupi-guarani. No Paraguai, cerca de 3 milhões de pessoas falam o guarani paraguaio. 1. Apresentação dos índios Guarani Nhandeva Sobre a índia: Poty Porã é professora indígena, estudou na PUC e na Universidade de São Paulo. Sobre o índio: William Macena é uma liderança indígena e monitor do CECI, Centro Educacional de Cultura Indígena de São Paulo. 2. Leitura do escritor indígena Olivio Jekupe Sobre o escritor: Olívio Jekupe escreve poesia desde os 15 anos, cursou filosofia na PUC Paraná e na USP. É escritor de diversos livros indígenas e é muito requisitado para palestras sobre a temática, inclusive fora do Brasil. Atualmente vive na Aldeia Krukutu, em Parelheiros, São Paulo, com sua esposa e quatro filhos. 3. A declamadora Nicole Cristófalo lê o escritor José de Alencar e o poeta Gonçalves Dias. Sobre o poeta: Gonçalves Dias, 1823-1864 é considerado o poeta nacional por excelência, tendo conseguido dar vida ao tema do índio na poesia brasileira. Sobre o escritor: José de Alencar, nascido em Fortaleza, viveu o Brasil Imperial do Século XIX no Rio de Janeiro e é o grande nome da prosa romântica brasileira. Sua obra tem uma forte linha indigenista que inclui alguns de seus romances mais famosos, tal como O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1870). Sobre a declamadora: Nicole Cristofalo é poeta, estudante de Letras da Universidade de São Paulo e colaboradora da revista literária Zunái. Desenvolve uma pesquisa sobre o poeta argentino Oliverio Girondo. 4. O declamador João Pedro Ribeiro relembra o modernismo brasileiro, em parceria com os poetas maloqueiristas Caco Pontes e Berimba de Jesus. Sobre o poeta modernista: Oswald de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. É de sua autoria o Manifesto Antropofágico de 1928, que criticava o academicismo da arte brasileira e buscava valorizar a cultura brasileira. Sobre o poeta modernista: Mário de Andrade, paulistano, foi líder do movimento modernista brasileiro e promotor da Semana de Arte Moderna em 1922. Pesquisador de etnografia e folclore, seu romance Macunaíma reelabora temas da mitologia indígena com visões folclóricas da Amazônia e do resto do Brasil; é considerado uma das obras capitais da narrativa brasileira no Século XX e o fundamento de uma nova linguagem literária. Sobre o declamador: João Pedro Ribeiro é descendente de índios Kaingang do Rio Grande do Sul e italianos. Atualmente, cursa lingüística na Faculdade de Letras da USP, escreve e é um grande entusiasta da literatura indígena. Os poetas Caco Pontes e Berimba de Jesus do movimento maloqueirista participarão da declamação. 5. Leitura do escritor Douglas Diegues, de Assunción Sobre o escritor: Douglas Diegues é escritor, vive na fronteira do Brasil com o Paraguai e escreve numa linguagem que ele auto-denominou como Portunhol Selvagem, misto de português, espanhol e Guarani, inspirada na linguagem que é de fato falada no contexto intercultural do território em que vive. Tem diversos livros publicados, inclusive uma coletânea de poesias Guarani M'Bya, e mantém um blog. 6. Leitura do poeta Pedro Tostes Sobre o poeta: Pedro Tostes nasceu no Rio de Janeiro e é poeta do movimento paulistano de "Poesia Maloqueirista" Segundo Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, professor da FFLCH-USP, "Os maloqueristas são originais assim: um negro, um branco e um índio; mas não são as três raças tristes, nem pretendem afastar as contribuições da cultura Holandesa no Brasil." Mantém um blog. 7. O declamador indígena Emerson de Oliveira Souza lê um texto do Pajé Florêncio Portillo de 1993. Sobre o declamador indígena: Emerson de Oliveira Souza é um índio Guarani Nhandeva, residente em São Paulo. Sobre o pajé: Pajé Florêncio Portillo é do povo Avá Guarani, ou Guarani Nhandeva. O texto Para Deus somos Todos Iguais foi uma apresentação oral dele para os participantes fizeram no Encontro Nacional de Lideranças Indígenas, em Benjamin Aceval, Paraguai. Diante da diversidade étnica, havida naquele encontro, o pajé Florencio fez uma reflexão sobre a diversidade, que deve encontrar uma unidade em Deus, pai de todos. Sobre o texto: A tradução do guarani para o espanhol foi feita pelo paraguaio Eri Daniel Rojas e a versão portuguesa foi feita por Benedito Prezia, antropólogo e escritor de diversos livros sobre povos indígenas. Crédito das fotos: Dede Fedrizzi, fotógrafo, e Alikrim Pataxó, modelo. Sobre o fotógrafo: Dede Fedrizzi já viveu na Espanha, Grécia, Suiça, Alemanha e os Estados Unidos. Hoje, passa a maior parte do tempo em São Paulo, Brasil. É mestre em Artes Plásticas, pela Universidade de Nova Iorque e tem fotografado publicidade e moda em todo o planeta. www.dedefedrizzi.com Sobre o modelo: Alikrim Pataxó, reside na Aldeia Olho do Boi, Caraíva, Bahia. -------------------------------------------------------------------------------- * Escritora, professora e ativista indígena coordenadora do GRUMIN e Diretora do INBRAPI · www.grumin.org.br · www.elianepotiguara.org.br · www.inbrapi.org.br -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/a43e8fe9/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9269 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/a43e8fe9/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 18097 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090418/a43e8fe9/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 19 12:42:25 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 19 Apr 2009 12:42:25 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Discos_Para_Ouvir=2C_Gravar_e_fa?= =?windows-1252?q?zer_seu_pr=F3prio_CD_=2E_Mais_de_1000_CD=B4s_____?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?________________________________HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <080501c9c105$70778c90$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 ----- Original Message ----- From: Vanderley Caixe To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Sent: Sunday, April 19, 2009 11:16 AM Subject: Discos Para Ouvir, Gravar e fazer seu próprio CD . Mais de 1000 CD´s HOJE É DOMINGO! CARTA O BERRO. ..........repassem. Faz parte da coleção 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer Download da coleção de CD´s do livro 1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer Depois de clicar acima faça o download preferindo o programa FREE que aparece ao lado do PREMIUM. Em 1001 discos para ouvir, gravar e fazer seu próprio CD antes de morrer, 90 jornalistas e críticos de música internacionalmente reconhecidos apresentam uma rica seleção dos álbuns mais inesquecíveis de todos os tempos. Abrangendo desde as origens do rock ?n? roll nos anos 50 aos mais recentes sucessos, este livro vai guiar você por diferentes tendências sonoras e mostrar o poder que a música tem de representar as aspirações e os sentimentos de toda uma geração. Embora grande parte do livro seja dedicada ao rock e ao pop, há também dezenas de boas indicações de jazz, blues, punk, heavy metal, disco, soul, hip-hop, música experimental, world music, dance e muitos outros estilos. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090419/2d270675/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 25637 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090419/2d270675/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27826 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090419/2d270675/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090419/2d270675/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 19 12:42:56 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 19 Apr 2009 12:42:56 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_SOBRE_A_PERIGOSA_ESTRAT=C9GIA_D?= =?windows-1252?q?O_PRESIDENTE_OBAMA__por___Miguel_Urbano_Rodrigues?= Message-ID: <080f01c9c105$82dc6950$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. SOBRE A PERIGOSA ESTRATÉGIA DO PRESIDENTE OBAMA Miguel Urbano Rodrigues Cumpridos os primeiros três meses na Casa Branca, Barack Obama continua em estado de graça. Sobre o jovem presidente negro chovem elogios. Uma máquina de propaganda bem concebida conseguiu que a promoção do sucessor de George Bush adquirisse características inéditas. Não somente assumiu proporções mundiais como a maioria dos epígonos é sincera na apologia do novo herói americano, não se apercebendo de que o coro dos elogios é estimulado por uma engrenagem made in USA. No auge de uma gigantesca crise do capitalismo, inseparável de uma crise de civilização, Obama é apresentado como o sucessor dos pais da Pátria do final do século XVIII, o líder providencial sobre cujos ombros caiu a missão de salvar a humanidade dos perigos que a ameaçam, tarefa que somente o seu país, os EUA, poderá liderar e concluir com êxito. O quase endeusamento do salvador é acompanhado por uma ofensiva mediática paralela sobre as virtudes do exemplar chefe de família. A esposa e as filhas tornaram-se tema de reportagens apologéticas na TV, na Internet e na grande imprensa. Até o cão das meninas inspirou artigos que correm pelo mundo. Essa poderosa orquestração promocional empurra o cidadão comum, de Washington a Tóquio, de Brasília ao Cairo para a conclusão de que, afinal, o destino da humanidade depende hoje muito mais da grandeza de um homem excepcional que do quefazer dos povos. Desmontar essa campanha e chamar à realidade centenas de milhões de pessoas que por ela são confundidas é, creio, um dever dos intelectuais progressistas. DO MITO À REALIDADE Barack Obama é um homem inteligente, mais honesto e bem intencionado do que a quase totalidade dos presidentes que o precederam. Acredito que há meia dúzia de anos não lhe passaria pela cabeça a ambição de chegar à Casa Branca. Foram as circunstâncias e o seu grande talento oratório na comunicação com as massas que contribuíram decisivamente para que esse mestiço, filho de um imigrante de Quénia, fosse eleito presidente dos EUA. Um factor importante pesou na vitória tida por impossível quando nas primárias disputou a candidatura pelo Partido Democrata: a sua experiência como senador proporcionara-lhe um conhecimento aprofundado da sociedade estadunidense e do sentimento de aversão do americano médio pelas engrenagens apodrecidas do Poder, em Washington. Esses trunfos, muito importantes, não bastam, porem para transformar quase de um dia para outro o ex ? senador pelo Illinois num estadista super dotado. O apoio ostensivo do grande capital foi determinante para a eleição de Obama no contexto de uma crise do sistema mais complexa e profunda do que a iniciada com o crash de Wall Street em 1929.O mundo da Finança preferiu o politico que prometia mudar tudo ao republicano McCain, comprometido com a herança de Bush. Os sacerdotes do dinheiro não são ingénuos. Transcorridos três meses, o Presidente que popularizou os slogans «Sim, nós podemos!» e «Sim, é possível!», mudou muito pouca coisa. Obama cultiva um populismo sem precedentes na Casa Branca. O esboço de um grande futuro que ele ajudará a construir é uma constante no discurso retórico em que a ambição do projecto ganha credibilidade pelo tom humanizado do estadista pessoalmente desambicioso, inconformado com o sofrimento dos seus compatriotas pobres e decidido a materializar o velho sonho de uma paz perpetua na Terra, erradicando dela os flagelos do terrorismo e da guerra. Mas, em vésperas de festejar os 100 dias, os actos do Presidente não correspondem às promessas e à esperança que suscitou. No plano interno, na área estratégica da Economia, Obama formou um gabinete com alguns dos mais destacados cérebros que conceberam a desregulação do sistema financeiro dos anos 90, estopim da borbulha especulativa cujo estouro gerou o pânico no mundo do capital. Três dos colaboradores a quem tinha confiado postos-chave da Administração tiveram de renunciar por estarem envolvidos em escândalos. Outros, como Paul Volcker, Lawrence Summers e Timothy Geithner, não escondem uma fidelidade granítica ao neoliberalismo e às grandes transnacionais e bancos que o Estado se esforça por salvar da falência. Afirmando que comparecia na Cimeira do G-20 sobretudo para ouvir e recuperar a confiança de velhos aliados, o Presidente Obama fez aprovar em Londres, no fundamental, a estratégia que a maioria dos Europeus, sobretudo Sarkozy e a chanceler Merkel recusavam. Os 750 mil milhões atribuídos ao FMI e os 250 mil milhões de apoio a direitos especiais de saque, bem como os 100 mil milhões destinados ao Banco Mundial e a outros bancos confirmaram que a politica de socorro aos bancos e banqueiros corruptos, responsáveis pela crise, vai prosseguir, nela cabendo um papel importantíssimo à instituição financeira que comandou a imposição do neoliberalismo em escala mundial. No tocante à política internacional, Obama, longe de trabalhar pela paz, não se desviou até agora da linha belicista da Administração anterior, traçada pelos neoconservadores bushianos. Hillary Clinton, à frente do Departamento de Estado, está a desempenhar o papel que dela se poderia esperar. O seu sorriso permanente e o discurso recheado de promessas ocultam mal as suas posições de conservadora empenhada em aplicar com firmeza o conselho de Lampedusa no Il Gatopardo: mudar na aparência alguma coisa para que tudo fique, afinal, na mesma. Não parece dar-se conta de que num mundo em crise nada hoje é estático e tudo está em movimento. A política em relação à Palestina é, com retoques cosméticos, a mesma. As declarações de Obama quando, antes da eleição, visitou e elogiou Israel, não justificam a esperança de uma revisão profunda da aliança com o sionismo, não obstante o novo governo israelense, de extrema-direita, se negar a admitir a criação de um Estado Palestino. É inquietante que o seu chefe de Gabinete na Casa Branca, um dos chamados homens do Presidente mais influentes, seja Rahme Emanuel, um sionista fanático. Quanto ao Iraque, Obama retoma a tese de Bush sobre o êxito da pacificação do país, situação que permitiria o regresso aos EUA de dezenas de milhares de soldados, de acordo com o calendário estabelecido. Sabe que mente e todas as semanas dezenas de pessoas morrem ali em acções de violência atribuídas sempre a organizações terroristas e à Al Qaeda, como se a Resistência não existisse. No Norte, em Mossul, a tendência é, aliás, para um agravamento da contestação. Washington recusa-se a reconhecer que o Iraque é um país ocupado e vandalizado, com um governo fantoche. Relativamente ao Irão, o discurso agressivo de Bush foi substituído por outro, de abertura ao diálogo. Mas o Presidente norte-americano defende a aplicação de novas sanções se o governo de Ahmadinejad não se submeter às suas exigências, isto é, a renunciar a um projecto que Teerão garante estar orientado para o aproveitamento da energia nuclear com fins exclusivamente pacíficos. AFEGANISTAO: ESTRATEGIA PERIGOSA NUMA GUERRA PERDIDA Na sua campanha para a Casa Branca, Obama já havia feito afirmações irresponsáveis sobre a guerra no Afeganistão. Eleito, retomou o tema com insistência, afirmando que vencer essa guerra seria um objectivo prioritário na sua politica internacional. Não disponho de informações sobre qual dos conselheiros do Presidente é responsável pela sua obsessão afegã. Mas a adesão ao projecto de transformar em pólo estratégico na luta contra o terrorismo a guerra de agressão ao povo afegão, iniciada por Bush como represália absurda pelos atentados do 11 de Setembro, é reveladora das lacunas culturais de Obama. Há poucos dias, o Presidente advertiu os europeus -ao pedir-lhes um maior envolvimento militar no Afeganistão, nomeadamente através do reforço das tropas de combate integradas na força da NATO ? que a luta contra o terrorismo era inseparável de um desfecho vitorioso naquela guerra distante num pais em que identificava, pela presença activa da Al Qaeda, a maior ameaça ao Ocidente civilizado, particularmente à Europa. A resposta ao apelo não parece tê-lo satisfeito, por insuficiente. Na sua opinião, Bin Laden, oculto algures nas áreas tribais do Paquistão, dirige do seu refúgio os talibans que controlam hoje extensas regiões no país. Acontece que os EUA não se limitam já a combater os chamados «rebeldes» no território afegão. Os bombardeamentos de aldeias paquistanesas por aviões da USAF não tripulados tornaram-se rotineiros em operações responsáveis pela morte de muitos civis ali residentes. O general Petraeus, comandante-chefe para toda a Região do Médio Oriente e Ásia Central, chegou, entretanto, algo tardiamente, à conclusão de que a guerra não pode ser vencida por meios exclusivamente militares. O Pentágono e o Presidente foram informados de que a solução do problema passa pela abertura de negociações com um sector do inimigo terrorista. O general identifica três grupos diferenciados entre os talibans. Um de fanáticos islamistas, minúsculo, talvez uns 10%, irredutível na sua decisão de combater os invasores; um segundo, maioritário, de gente que apoia a insurreição por ódio aos estrangeiros, mas neutralizável; um terceiro, a terça parte, recuperável. Petraeus sugere a abertura de negociações com essa facção, admitindo que, tal como ocorreu no Iraque com milhares de sunitas, esses talibans possam tornar-se futuros aliados. Essa tese conta com o apoio do presidente Karzai, ex-funcionário subalterno de uma companhia petrolífera norte-americana. O objectivo de estabilizar o país - da sua «democratização» já não se fala - exige o estimulo ao desenvolvimento económico, a reconstrução de cidades destruídas, o combate vitorioso à produção e exportação de ópio. Tais metas são inatingíveis. Em primeiro lugar porque o dinheiro da ajuda internacional tem sido embolsado pela gente de Karzai. É esclarecedor que a produção da papoila do ópio tenha aumentado extraordinariamente a partir da ocupação americana. Petraeus terá sido influenciado por um ex-oficial do exército australiano, hoje seu assessor influente. Esse obscuro militar, definido já por alguns media estadunidenses como um estratego genial, defende uma acção psicológica junto das populações para reconquistar a sua confiança. Quanto aos talibans vacilantes, sugere a sua compra para os fazer mudar de campo, transformando-os de de inimigos em aliados. Li algures que Petraeus tem paixão pela História, mas não demonstra ter percebido que o ambicioso projecto de «pacificação» do seu colaborador australiano é afinal uma repetição daqueles que os generais Westmoreland, Challe e Spinola idearam para o Vietname, a Argélia e a Guine Bissau. Acontece que todos fracassaram. Mas os factos confirmam que o Presidente identifica na escalada no Afeganistão um pilar da sua estratégia de combate mundial ao terrorismo. Segundo as agências noticiosas, aproximadamente 21 000 soldados vão ser transferidos do Iraque para o Afeganistão e o Presidente vai pedir ao Congresso mais 98 mil milhões de dólares para fin anciar e «vencer» a guerra Obama não terá disposto de tempo para estudar a história do país que foi alias berço de grandes civilizações cuja memória é transmitida por ruínas belíssimas que fazem do país um dos maiores museus arqueológicos naturais da humanidade. O Presidente certamente desconhece que ao longo de 23 séculos, desde a chegada de Alexandre da Macedónia, todos os invasores do actual território do Afeganistão foram enfrentados com extraordinária coragem pelos habitantes, nomeadamente os antepassados dos pashtuns, a minoria mais numerosa num pais que continua a ser um mosaico de nacionalidades. Os mongóis de Gengis Khan renunciaram a conquistar a Índia depois de sofrerem enormes perdas na travessia da cordilheira do Hindu Kush. A Inglaterra imperial invadiu três vezes o país. Na primeira, em 1848, um exército de 14 000 homens foi totalmente destruído na retirada de Cabul para a fronteira. O único oficial sobrevivente, o Dr. Brydon, médico da expedição, chegou a Jalalabad montado numa mula para anunciar a catástrofe. Na segunda guerra, em 1878, uma brigada britânica de 4000 homens foi aniquilada pelo príncipe Ayub Khan na batalha de Maiwand, às portas de Kandahar. A terceira, em 1919, iniciada com um ataque afegão a guarnições da fronteira, findou quando Londres reconheceu a plena independência do país, submetido a um regime de protectorado. Transcorrido mais de meio século, milhares de soldados soviéticos morreram em combate nas montanhas afegãs, na década de 80, durante o conflito que opôs a Revolução afegã às organizações de mujahedines, armadas e financiadas pelos EUA. Uma constante na torrencial desinformaçao sobre a guerra no Afeganistão é a insistência em atribuir à Al Qaeda o comando da insurreição na qual os talibans do mullah Omar seriam a única organização guerrilheira que enfrenta as tropas de ocupação (da NATO e dos EUA). Ora no Afeganistão o árabe, língua de Bin Laden e da maioria dos dirigentes da Al Qaeda, é praticamente desconhecido. Os dois idiomas oficiais são o dari (variedade do persa) e o pashto, ambos indo-europeus. É falso também atribuir aos talibans todas as acções de combate aos ocupantes. Muitas tribos da fronteira, sobretudo os waziris, os momand, os shinwar, e outras, lutam por ódio ao invasor e não sob comando taliban. Nos confrontos com as tropas estrangeiras participam inclusive ? segundo notícias divulgadas na Suécia ? ex-dirigentes do Partido Democrático do Povo, na clandestinidade desde o fim da Revolução Afegã. A DERROTA SERÁ O DESFECHO O republicano Robert Gates, mantido por Obama à frente do Pentágono aprova obviamente com entusiasmo a escalada prevista para o Afeganistão. Hillary Clinton também. Não surpreende que em Portugal, o ministro da Defesa, com o aval de Sócrates, tenha anunciado o reforço da participação militar portuguesa nas forças da NATO, afirmando com orgulho que ela serve os interesses do Estado. À ignorância soma-se a irresponsabilidade socratiana. Uma derrota humilhante espera os EUA no Afeganistão. O desfecho dessa guerra antecipadamente perdida será talvez, pelas suas consequências, mais grave do que a retirada do Vietname. Semana a semana mais envolvido nas malhas da engrenagem que nos EUA controla o Poder sob o manto da Finança, o Presidente avança em múltiplas frentes para fracassos que tornarão cada vez mais distante o seu grande objectivo: superar a crise em que o capitalismo está atolado, meta imprescindível à manutenção da hegemonia mundial exercida pelo país. Não ponho em causa o homem. Mas é inquietante que o Obama que anuncia romanticamente para um futuro remoto um planeta desnuclearizado, em paz perpétua, não se aperceba de que no exercício da Presidência está a negar, de concessão em concessão ao establishment, os compromissos assumidos com o seu povo e a dar continuidade a uma estratégia imperialista de dominação universal. A decisão, tomada na semana passada, de arquivar os processos instaurados aos torcionários das Forças Armadas que no Iraque cometeram crimes hediondos, expressa uma nova e alarmante capitulação. Argumenta que esses militares agiram de «boa fé», cumprindo ordens superiores, na convicção de que serviam a Pátria. Cabe recordar que o Tribunal de Nuremberga condenou à pena máxima oficiais generais nazis que em sua defesa invocaram precisamente esse argumento. A apologia irracional do novo presidente dos EUA não pode apagar a realidade: a estratégia que desenvolve, longe de remover a ameaça à humanidade que o imperialismo estadunidense configura, dá-lhe continuidade. Vila Nova de Gaia, 18 de Abril de 2009 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090419/d30d0cc2/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 20 19:40:49 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 20 Apr 2009 19:40:49 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Crise geral do capitalismo por Carlos A.G.Gomes (*) Message-ID: <001801c9c209$227f92d0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: luiz carlos manhães de carvalho Crise geral do capitalismo ? Análise e sugestões por Carlos A. G. Gomes [*] I ? Crise de 1974 II ? A crise de 1974 e o 25 de Abril III ? Economia mundial entre as crises de 1974 e 2008 IV ? Crise de 2008 V ? Medidas para ultrapassar esta crise I - CRISE DE 1974 O ano de 1973 marca o fim brusco do processo de crescimento que se desenvolveu desde o fim da segunda guerra mundial. O ano seguinte constituiu um ponto de viragem no funcionamento da economia capitalista mundial. Como em todas as crises anteriores do capitalismo, a crise de 1974 consistiu no aparecimento dum período histórico em que se acentuam as contradições do sistema, neste caso agravadas por algumas características específicas. Nomeadamente, foi a primeira recessão generalizada que atingiu simultaneamente todas as grandes potências capitalistas, especialmente EUA, Japão e Reino Unido. Assumiu inicialmente as características duma crise clássica de sobreprodução, com a produção acumulada durante os anos de prosperidade a exceder o que os mercados podiam consumir. São sinais reveladores deste facto a capacidade de produção excedentária num número crescente de ramos industriais importantes, tais como, construção, matérias-primas, bens intermediários, de equipamento e de consumo. Surge uma ruptura brutal do equilíbrio já instável entre a oferta e a procura de mercadorias. Bruscamente a oferta ultrapassa a procura solvível ao ponto de provocar um recuo das encomendas e uma redução importante da produção corrente. À venda ao desbarato, com prejuízo, segue-se a diminuição dos estoques e da produção corrente, fenómenos que conduzem ao movimento cumulativo da crise. Verifica-se, então, a redução em espiral: do emprego, dos rendimentos, dos investimentos, da produção, das encomendas. Ao não venderem as suas mercadorias, os produtores e comerciantes vêem-se incapacitados de pagar as suas dívidas. Os lucros param ou diminuem, não podendo continuar a ser reinvestidos. Uma das causas das crises é explicada pelo subconsumo das massas a contrapor-se à sobreprodução. À pobreza e limitação do consumo das populações opõe-se a persistente tendência da produção capitalista em continuar a desenvolver as forças produtivas. O incremento da ganância empresarial contradiz com a possibilidade de acesso da população aos produtos necessários à manutenção do nível de vida, ou seja, da sua capacidade de compra, do que resulta uma redução paulatina do consumo. A produção capitalista implica a interacção entre mercadoria e dinheiro. A obtenção de lucro não se realiza automaticamente, mas sim quando as mercadorias são vendidas. O desequilíbrio desta ligação entre mercadoria e dinheiro é uma primeira possibilidade de crise de superprodução ou de subconsumo. Mesmo em ambiente já denunciador da iminência de crise, verifica-se uma redução do poder aquisitivo dos trabalhadores resultante da política de travagem ou redução de salários e do desemprego em crescimento massivo. É de salientar que, mesmo na fase posterior de recuperação, o desemprego não deixou de aumentar adquirindo características crónicas, fenómeno que se mantém na actualidade. Na fase de actividade febril, que precede a explosão da crise, há em geral um acréscimo e não redução dos investimentos, como geralmente há um aumento e não redução dos salários. Investimentos, emprego e produtividade não aumentam em proporção suficiente para sustentar por si próprios a expansão habitual. Quando o mercado está em expansão as empresas procuram obter uma parte deste bolo em crescimento, precipitando assim o sobreinvestimento e a capacidade excedentária. Logo que surge uma venda ao desbarato é absurdo aumentar a capacidade de produção de cada empresa. Pelo contrário, torna-se necessário reduzir as perdas e baixar os preços ou seja reduzir a produção, do que resulta um subinvestimento cumulativo ao nível macroeconómico. O investimento empresarial regista então uma queda acentuada na generalidade dos países capitalistas. Em 1973, os preços dos principais produtos eram determinados pelo mercado mundial e não pelo mercado nacional. A alta de preços do petróleo deteriorou a relação de forças à escala mundial e obrigou a conceder às classes dominantes dos países da OPEP uma brusca e enorme parcela do rendimento petrolífero. A inflação manteve-se e acentuou-se na generalidade dos produtos industriais. No final de 1974 não havia ainda qualquer sinal de redução da pressão inflacionista. O processo inflacionário empobreceu os níveis de vida da classe trabalhadora e reduziu o poder aquisitivo. A crise de superprodução amplia por sua vez a queda da taxa média de lucro, o que desencadeia o recurso acrescido ao crédito, o agravamento do endividamento das empresas e acentua a concorrência entre os capitalistas. As empresas, mais fortes sob o ponto de vista tecnológico e as mais poderosas sob o ponto de vista da dimensão dos seus capitais, dispõem de vantagens evidentes em relação às empresas mais retardatárias ou mais fracas. Como dominam o mercado tentam manter pelo máximo de tempo possível o anterior lucro médio. São diversas as formas de aparecimento do acontecimento detonador que precipita as crises. Pode ser um escândalo financeiro, um brusco pânico bancário, a bancarrota duma grande empresa ou simplesmente a queda dum sector fundamental do mercado mundial. Pode ser mesmo uma brusca escassez de uma matéria-prima ou energética essencial. Mas a existência dum detonador não é a causa da crise. Para desencadear a crise é necessário que coincidam uma série de pré-condições que não derivam do detonador. Os elementos conducentes a uma próxima crise estavam já reunidos e apenas aguardavam por um elemento catalisador para se manifestar. A crise revela-se primeiramente sob a forma de uma fracção do capital acumulado que, não podendo ser investida produtivamente em condições de rentabilidade habituais, é encaminhada para actividades especulativas e mais arriscadas. Esta acumulação de capital não permite aos capitalistas o usufruto imediato dos altos ganhos que procuram. Daí uma tendência dominante para um acréscimo de dificuldades financeiras difíceis de ultrapassar a curto prazo. A crise de 1974 caracterizou-se também por uma sobreacumulação de capital, a avançar com uma rapidez sempre crescente que ultrapassa o ritmo de extensão da produção. As incoerências consequentes desta sobreacumulação introduzem na produção distorções múltiplas: incertezas nos mercados, perdas devido à anarquia da concorrência, desordem na execução de meios técnicos, agravamento das tensões sociais, da luta ideológica e política. Tudo isto constitui um labirinto que os Estados procuram permanentemente desenredar em conluio com a burguesia e em particular os seus grupos monopolistas. O desenvolvimento de grupos financeiros está estreitamente ligado a esta sobreacumulação, à sua internacionalização e à capacidade de mobilizar créditos. Os capitais excedentes, não aplicáveis na produção ou em novos investimentos nos sectores de actividade económica, tendem a procurar uma valorização com carácter especulativo que se desenvolve com todos os riscos que comporta. Os bancos atingidos pela crise estavam ligados, duma maneira ou de outra, aos grupos monopolistas. A dilatação do crédito, além de contribuir para uma alta de preços e das taxas de juro, provocou um avolumar considerável de créditos incobráveis. A utilização de capitais no curto prazo no financiamento de operações a longo prazo a elevadas taxas de juro ocasionou situações em que os bancos já não podiam fazer face aos seus compromissos para com os depositantes. No sistema monetário registou-se um desvio de sustentação com o abandono da convertibilidade do dólar com o ouro, ocorrida em 1971 por decisão do governo americano, incapaz de resistir ao ataque especulativo contra o dólar. Reconstruiu-se então um novo sistema baseado na livre flutuação das taxas de câmbio, deixando a cargo de cada governo a adopção do regime cambial que preferisse. Os défices nas balanças de pagamentos cresceram bruscamente para além da média normal. O receituário do economista Keynes, em defesa duma política de intervencionismo do Estado com o objectivo de suavizar os efeitos adversos dos períodos de regressão e das flutuações cíclicas, foi posto em causa. Em consequência disso, verificou-se uma viragem na prática de regulação estatal da actividade económica e financeira e defendido o mecanismo de mercado e a sua liberalização. As sociedades multinacionais, surgidas após a Segunda Guerra Mundial, empenharam-se na criação de alicerces para a integração global dos ramos de actividade com maior relevância no comércio internacional. Em 1975, destacavam-se entre as grandes sociedades multinacionais a Exxon no ramo petrolífero, a General Motors como primeiro construtor de automóveis e, entre os fabricantes de aço, o grupo japonês Nippon Steel e o grupo americano US Steel. II ? A CRISE DE 1974 E O 25 DE ABRIL Em 1973, e nos anos seguintes, a economia portuguesa esteve exposta ao impacto do rápido aumento, a nível mundial, dos preços dos produtos alimentares, das matérias-primas importadas, principalmente do petróleo, e dos produtos industriais. A aceleração, em 1974, da subida dos preços mundiais chegou a atingir a média de 25 a 30 %. No final do ano ainda não havia qualquer sintoma de redução da pressão inflacionista mundial. As exportações de bens e serviços registaram um fraco movimento explicado pelas condições externas tendo em conta as tendências de recessão dos outros países. (Relatório duma missão do FMI em 06/12/74) "No período imediatamente anterior à revolução ocorreu ainda, por acréscimo, mas de modo sincronizado relativamente à crise internacional, uma situação de importante crise conjuntural: a taxa de inflação aproximava-se dos 30%; após tempos de intensa especulação, era já evidente a quebra nos mercados de títulos e de valores imobiliários; o défice da balança cambial de Janeiro a Abril de 1973 atingia cerca de 7 milhões de contos; e o sistema bancário debatia-se cada vez mais com graves problemas de liquidez. Entretanto a baixa económica internacional ? com a crise do petróleo e a instabilidade monetária, combinando inflação com estagnação ("estagflação") em termos que se não podem analisar mais aprofundadamente ? marcou decisivamente esta fase anterior a 25 de Abril (recordem-se as primeiras altas de preços de gasolina no último trimestre de 1973, como situação emblemática do que iria ser a nova conjuntura), em termos que, aliás, iriam continuar, agravados, durante os anos de 1974 e 1975. Pode, assim, sublinhar-se que o 25 de Abril de 1974 ocorreu num momento em que a economia portuguesa combinava diversos dos factores de deterioração que resultavam, por um lado, da situação interna, e, por outro, da crise económica internacional, que se agravara sobretudo a partir do último trimestre de 1973." (História de Portugal ? 20 Anos de Democracia, Coordenação de António Reis, pág.175. Ed. "Círculo de Leitores, Lisboa 1993) Em Abril de 1974, todos os bancos privados estavam ligados a grandes empresas industriais, comerciais e alguns a latifúndios. Grupos dispondo de meios financeiros poderosos, utilizando abusivamente as poupanças dos depositantes, dirigiam e controlavam os sectores básicos da economia: produção de aço, transportes, construção naval, indústria química, etc. Os fundos depositados nos bancos resultavam: das poupanças dos cidadãos residentes ou emigrados; dos excedentes de tesouraria das empresas, instituições ou serviços públicos: da acumulação de capital destinada a compensar os accionistas a investir nas próprias empresas ou em operações especulativas. As taxas de juro eram legalmente fixadas. Porém, os grandes depositantes, empresas e pessoas ligadas aos bancos, ou os seus intermediários, beneficiavam de taxas mais elevadas, sendo os respectivos montantes retirados dos famosos "sacos azuis". As pessoas ou sociedades relacionadas com os bancos pagavam pelo crédito obtido, sem limite e sem garantias, taxas inferiores ao mínimo legal ou até nulas. Em contrapartida, aos pequenos e médios comerciantes, agricultores e industriais, eram exigidos juros "por fora", debitadas comissões, muitas vezes irregulares, e exigidas hipotecas, penhoras ou avales, como garantias nem sempre justificáveis. Os juros cobrados acima dos máximos legais constituíam receita dos "sacos azuis". Milhões de contos estavam envolvidas em meras operações especulativas, compra e venda de títulos, contribuindo para a espiral das cotações da Bolsa. Pequenas economias individuais foram absorvidas pela avidez de obtenção de fáceis mas falsos lucros. Compete ao sistema bancário proceder a uma correcta aplicação dos seus recursos que se traduza na sua contribuição para o desenvolvimento económico e social do País. É da competência do Estado e do Banco Central estabelecer regras, norma técnicas e éticas, que devem ser respeitadas pelos bancos. Porém, a concessão de crédito não correspondia ao interesse nacional, mas sim aos interesses dos grupos monopolistas, em que os bancos se inseriam, e á realização de elevados lucros. Muitas das empresas mais rentáveis acabavam por ficar tuteladas através do crédito ou das garantias prestadas. Em anos anteriores a 1974, foram constituídas, por intermédio de um dos principais bancos nacionais, perto de uma centena de firmas com o capital mínimo de 50 contos, quase todas domiciliadas na mesma morada, sem qualquer actividade económica, mas dispondo cada uma dum crédito avultado que chegava a atingir cerca de 150 mil contos. Tais sociedades "fantasmas" pertenciam aos administradores, accionistas, colaboradores ou suas famílias. A principal filial deste Banco chegou a absorver mais de 70% dos seus depósitos locais na concessão de crédito às próprias sociedades do grupo em que estava inserido. Os lucros apresentados nos balanços dos bancos eram previamente fixados pelas respectivas administrações segundo critérios da sua conveniência, tais como: influência na cotação das acções na Bolsa; melhoria dos dividendos a pagar aos accionistas; aumento dos vencimentos ou gratificações aos administradores ou directores. No final do ano de 1973, os resultados dos bancos comerciais, expurgados dos lucros obtidos em aplicações financeiras, em valores mobiliários ou em actividades especulativas, eram negativos. Em 13 de Setembro foram nacionalizados os Bancos Emissores: Banco de Portugal, Banco Nacional Ultramarino e Banco de Angola. No mês seguinte, o Governo determinou a intervenção estatal no BIP - Banco Intercontinental Português, suspendendo os administradores em exercício e nomeando dois administradores por parte do Estado. Este banco foi posteriormente extinto, em Abril de 1977, absorvido pelo BPSM. Em 29 de Novembro de 1974, o Governo nomeou delegados em instituições de crédito com funções de exame e apreciação da sua actuação nomeadamente no domínio da política de distribuição de crédito. A nacionalização bancária, determinada em Março de 1975, travou a anarquia existente no funcionamento e o comportamento dos banqueiros que, uma vez perdido o poder político, enveredaram pela utilização das instituições financeiras como meio de contrariarem a política seguida pelos governos provisórios. Os critérios de concessão de crédito foram então alterados e baseados fundamentalmente: na finalidade do crédito, segurança, liquidez e rentabilidade. Os sectores, que não podiam prescindir do crédito, foram os mais beneficiados tendo em atenção a sua maior utilidade económica e social. Predominou, como objectivos principais, a estabilização, o relançamento da conjuntura económica, a criação de empregos, a atenuação dos efeitos da crise reflectidos no comércio externo. Algumas decisões relevantes merecem ser referidas. Em Maio de 1975 foi instituído a CAE ? Crédito Agrícola de Emergência, destinado a beneficiar os pequenos e médios agricultores, com o objectivo a apoiar as preparação das culturas, o pagamento dos salários, a aquisição de sementes, rações, fertilizantes, combustíveis, pequenos equipamentos e outros produtos indispensáveis ao bom aproveitamento das explorações agrícolas. A formação no Norte dum grupo de intervenção no sector têxtil ? GIEST ? que acompanhou algumas empresas têxteis, devedoras à banca de quantias volumosas, manteve as unidades fabris em actividade, evitando o seu encerramento, com todas as suas gravosas consequências, como o desemprego de famílias inteiras, a redução das exportações e prejuízos para os bancos. Em relação às PME's, ainda antes da nacionalização bancária, o Banco Emissor passou a enquadrar um modelo de apoio financeiro destinado a facilitar a compra de matérias-primas, o financiamento de campanhas de produção, a cobertura de necessidades permanentes de tesouraria. Em Dezembro de 1975, estes benefícios começaram a ser restringidos e as taxas preferenciais praticamente banidas três meses depois. Foi sol de pouca dura! O Banco de Portugal criou uma nova tabela de taxas de juros que vieram beneficiar os grandes agrários. Mês após mês, o CAE foi sistematicamente combatido de forma a perder todo o seu significado, o GIEST rapidamente extinto. Todas estas medidas tiveram um efeito de contenção das graves consequências da crise de 1974 que afectaram o funcionamento da economia a nível mundial, mas que Portugal conseguiu em certa medida escapar III ? ECONOMIA MUNDIAL ENTRE AS CRISES DE 1974 E 2008 Durante mais de trinta anos, ocorreram mudanças que alterarem substancialmente a fisionomia do sistema capitalista e se reflectiram nas características específicas da actual crise. O avanço da tecnologia conduziu a novas formas de produzir: - a maquinaria requeria maiores investimentos e uma força de trabalho preparada para operar em sistemas integrados de automação; - o aparecimento de computadores e a sua aplicação nas esferas da produção, da distribuição, dos serviços ou da investigação, revolucionou os processos de trabalho e as relações económicas e sociais existentes; - a produção de matérias-primas sintéticas, a custo menor do que as naturais, afectou grandes áreas de produção tradicionais, relações entre os povos e suscitou questões ambientais de alguma gravidade; - a adopção de meios de informação e de telecomunicações mais eficazes, velozes e seguras permitiu a realização de transacções económicas e financeiras com grande rapidez e extensivas a todos os continentes. O desenvolvimento acelerado das técnicas colocou ao sistema capitalista novos problemas: necessidade de manter, com o auxílio do Estado, importantes actividades científicas, técnicas, de formação, não imediatamente rentáveis; necessidade de pagar a trabalhadores qualificados salários mais elevados, em contradição com a tendência para limitar o valor da força de trabalho. O aumento da produtividade acentuou o obstáculo resultante das restrições ao livre funcionamento dos mercados, acentuou a escalada do desemprego e a diversificação das suas formas, os riscos de movimentações políticas e sociais. Com a redução do emprego, a massa total da mais-valia produzida reduz-se em relação ao nível atingido no final do período de expansão, isto apesar do aumento sem cessar da taxa de exploração dos trabalhadores ainda empregados. A luta de classes intensifica-se em todos os planos, na luta quotidiana pelas suas condições de trabalho e de reacção contra as medidas que tendem a agravar a sua exploração. Por estes e outros motivos, novas camadas de assalariados (investigadores, professores, quadros) entram igualmente em luta. Ao mesmo tempo, grandes camadas sociais não monopolistas, incluindo urbanas, põem-se em movimento. Tanto os países ricos como os pobres, os regimes autoritários ou as democracias, enfrentam a instabilidade social, ante a massiva perda de postos de trabalho e a falta duma adequada rede de segurança social e a sua ineficácia, a pobreza e a fome. Durante este período, floresceu a empresa multinacional como instituição fundamental da produção e distribuição das mercadorias que já não podiam ser conseguidas num só país. A elaboração e junção de componentes e o acabamento final passaram a realizar-se por várias empresas em geral agrupadas ou dependentes a funcionar em diferentes regiões. São exemplo disso: automóveis, computadores, electrodomésticos, etc. A expansão do capital a nível mundial implicou o rompimento das barreiras nacionais ao livre fluxo de exportação de capitais, tanto na forma mercantil como financeira. Estes fenómenos conduziram ao liberalismo económico e financeiro. A fractura do mundo socialista, o colapso da URSS e do chamado euro-comunismo, facilitou a consolidação da hegemonia dos EUA como centro do imperialismo, criou condições para atingir uma nova fase de mundialização ou globalização, isto é, deu lugar a um novo facto económico e social da Humanidade, de que resultou uma nova repartição duma fracção importante do planeta entre as grandes potências. Os países que compõem o Sudeste da Ásia constituíram, no período de 1990-96, o grupo de maior crescimento económico do mundo. O mercado global de capitais dirigiu os investimentos dos países ricos para a periferia emergente. O manancial destes capitais impulsionou a expansão das economias daqueles países mas também absorveu grande parte do mercado externo, originando um rápido aprofundamento da divisão de trabalho entre os países desenvolvidos e a periferia do Sudeste Asiático. Os primeiros exportavam produtos que incorporam tecnologia de ponta, os últimos vendiam produtos industriais em que o uso de mão-de-obra ainda intensivo lhes oferecia uma vantagem comparativa. O crescimento económico ocorrido no Sudeste Asiático, que atingiu três ou quatro vezes mais do que no resto da economia mundial, provocou uma euforia que caracterizou a maioria dos mercados financeiros. Um vasto excedente de capitais dirigiu-se para esta parte do mundo atraído por um crescimento económico vigoroso. Com a globalização, as fronteiras nacionais tornaram-se permeáveis à passagem dos fluxos financeiros, o que provocou a unificação dos mercados de capitais e de moedas. A possibilidade duma crise financeira global é dada pela própria globalização. As bolsas de todo o mundo, onde grande parte das transacções é feita com acções e títulos das empresas e governos, entraram em fase crítica. A crise monetária, persiste à escala nacional e internacional. As massas monetárias em circulação são multiplicadas pelo crédito entre bancos, o crédito internacional organizado pelos Estados. As deslocações de capitais flutuantes provocam a instabilidade monetária à escala mundial. Para escapar à insolvência e reforçar momentaneamente a sua posição, os Estados desvalorizam mais frequentemente a sua moeda. Mas estas desvalorizações não resolvem os desequilíbrios das balanças de pagamentos. No âmbito da circulação do capital, a super-acumulação financeira ultrapassa uma possível absorção pelo investimento produtivo, daí resultando aplicações de carácter especulativo com tendência crescente. A centralização do capital já não se concretiza apenas entre empresas ou grupos de empresas, mas passa a envolver os próprios países formando-se blocos económicos. A super-disponibilidade de capital pressionou as barreiras legais que impediam a sua mobilidade e, portanto, as barreiras à especulação financeira e à procura de aplicações em transacções altamente rentáveis. Um punhado de gigantes financeiros pode diversificar a actividades especulativa, controlar o mercado financeiro e imobiliário a nível mundial e as bolsas de valores. Os grandes aglomerados capitalistas passaram a determinar a estrutura dos preços e das taxas de juros, a penetrar nos mercados dos países em desenvolvimento, a consolidar uma posição hegemónica na banca mundial. A capacidade reguladora e a supervisão desvaneceram-se. O sector comercial associou-se com os banqueiros com o fim de tornar mais acessível o crédito ao consumo. Isto encareceu as mercadorias porque os consumidores tinham de pagar os produtos e os custos do crédito, mas permitiu o pagamento parcelar e a manutenção temporária da capacidade de consumo. Este entendimento entre os sectores comerciais e financeiros, com o apoio dos Estados, permitiu ocultar a progressiva contracção do mercado adiando o estalar da crise. As cadeias produtivas tentaram colocar parte dos seus excedentes de capital nas bolsas de valores ou em instituições financeiras, bancárias, seguradoras e outras, em vez de os investirem na produção. Assim, cresceu o montante dos capitais flutuantes que procuravam lucros sem se inserirem nos processos produtivos. Os empresários conseguiram assim aplicar os seus capitais em condições altamente rentáveis. As fronteiras que se tinham estabelecido nos anos trinta entre a banca de investimento e a banca comercial foram eliminadas no final do século XX e, posteriormente, liberalizados os requisitos de capital das instituições bancárias. Libertados dos impedimentos legais, os bancos multiplicaram os negócios financeiros, converteram as dívidas em títulos comercializáveis, posteriormente vendidos a outras entidades financeiras, como fundos de investimento, confiados numa valorização contínua. A crise financeira transmite-se à economia real através da insolvência do sistema bancário. Os bancos não conseguem recuperar os créditos de mutuários arruinados pelos craques e portanto não podem honrar suas obrigações para com os seus depositantes. Se houver bancarrotas em grande escala, muitas das empresas produtivas inevitavelmente são atingidas. A incapacidade do sector financeiro contamina o sector real, causando a falência de uma série de empresas, desemprego em massa, queda vertical da procura, etc. Por isso, os governos não deixam os bancos falir. Os governos que constituíram a Comunidade Europeia resolveram manter paridades cambiais relativamente fixas entre as suas moedas, o que acabou por desembocar na unificação monetária do continente. A moeda que cobria as funções de dinheiro mundial era o dólar e, parcialmente, a libra. A formação do bloco económico europeu consolidou o euro como medida de valor e meio de pagamento e circulação, gerando um novo equivalente como dinheiro mundial. Grandes quantidades de dinheiro proveniente da delinquência organizada (narcotráfico, prostituição, pornografia, tráfico de pessoas, fraudes fiscais, contrabando, sequestros, etc.) passam pelos estabelecimentos domiciliados nos paraísos fiscais onde procuraram conseguir a lavagem para entrar no mercado financeiro legal e aí poderem ser desfrutado pelos seus possuidores. A desregulamentação financeira só se tornou política explícita dos principais governos capitalistas na década de 80. Os governos ficaram descomprometidos de controlar os fluxos internacionais de valores e revogaram as sanções fiscais adoptadas com a finalidade de coibir a exportação de capitais. Uma vez posta em prática a desregulamentação do movimento internacional de capitais, tornou-se ineficaz e insustentável a regulamentação financeira dentro de cada país. Pouco a pouco processou-se uma verdadeira regressão institucional. Os bancos centrais foram desprovidos dos instrumentos de controlo da oferta monetária e limitados a administrar a oferta de liquidez, a dívida pública e a respectiva taxa de juros básica. A desregulamentação do mercado financeiro ocasionou um movimento cíclico de euforia prolongada, periodicamente interrompida por pânicos. Os capitais disponíveis são, pela sua natureza, financeiros e portanto susceptíveis de se valorizarem na esfera das aplicações, em que dinheiro se troca por dinheiro diferente, tendo em vista as expectativas. Na esperança de que se valorizem, os capitais dirigem-se em bando mais ou menos às mesmas aplicações. Fluem à esfera da produção e vice-versa, podem escolher uma imensa lista de investimentos produtivos, aplicações em empréstimos de diferentes espécies, opções por operações a prazo, etc. IV ? CRISE DE 2008 Em 2001, após os atentados terroristas nos EUA, criaram-se condições para uma economia de guerra com o objectivo de animar e impulsionar a produção mundial. Como segunda medida, o Governo dos Estados Unidos fixou uma política de baixas taxas de juro para permitir a recuperação da economia americana, oferecendo dinheiro barato tanto a capitalistas como à população em geral, ampliando a quantidade de clientes devedores, animando a gestão dos empréstimos e, com ele, o consumo massivo. Novas linhas de crédito foram difundidas, em especial as relativas às hipotecas. Os bancos, incluindo os comerciais, começaram a outorgar créditos a longo prazo para a compra de apartamentos ou vivendas com facilidades excessivas sem cuidar da capacidade de pagamento por parte dos compradores. Conjuntos de dívidas eram posteriormente vendidos a instituições especializadas com base em pagamentos futuros e na valorização sistemática dos próprios imóveis. Este auge de hipotecas denominou-se "subprime". A política seguida beneficiou dum êxito inicial porque se ampliou o mercado imobiliário, mantendo-se uma forte procura de casas cujos preços não paravam de subir. Em vários países, incluindo Portugal, tornou-se viável obter novos empréstimos pela diferença entre o valor actualizado da casa e o valor que faltava pagar da hipoteca, através do refinanciamento da dívida, o que permitia obter empréstimos destinados a outros usos. Este mecanismo baseado no incremento do valor da casa entra em rotura se o valor das casas deixa de subir e começa a descer. Foi o que começou a acontecer nos começos de 2006. Nessa altura a Reserva Federal Americana voltou a subir as taxas de juro para evitar um aumento da inflação e para de algum modo reter este mecanismo, pois já se começava a notar a formação duma bolha especulativa. Esta bolha forma-se quando muitos investidores compram qualquer coisa na perspectiva de uma subida de preço e a mudança dessa tendência gera uma explosão. A forte procura pelos mesmos activos não pode deixar de elevar as cotações, de modo que se afigura muito fácil ganhar dinheiro especulando com acções, títulos de crédito, divisas, contratos futuros, etc. Assim se alimenta a auto-euforia. Como a economia está sempre a mudar, espera-se que algumas empresas sejam favorecidas pelas transformações e que, em compensação, outras sejam desfavorecidas. Por consequência, é de esperar uma maior procura pelas acções das primeiras e menor pelas últimas, daí resultando a subida da cotação daquelas e a queda da cotação destas. O efeito líquido das subidas e descidas de cotações deveria aproximar-se do zero. Mas não é isso o que se observa, devido às frequentes manobras especulativas que visam o controlo das grandes empresas, inclusive as multinacionais. Em 2007, regista-se uma desaceleração dos indicadores de produção mundial nos níveis de custos laborais, produtividade do trabalho e receitas. O colapso financeiro mundial iniciou-se um ano antes da data em que se desencadeou na fatídica semana iniciada em 14 de Setembro de 2008 com a falência de um dos cinco grandes bancos de investimento norte-americanos, a que se seguiu o resgate da principal empresa de seguros (AIG), a venda forçada dos activos do principal banco de aforro e crédito (Washington Mutual), dum dos maiores bancos comerciais (Wachovia). Já nos meses anteriores, outros bancos mais pequenos tinham falido. Desencadeou-se igualmente a falência de bancos europeus. Nessa semana, o sistema financeiro dos Estados Unidos esteve à beira dum colapso total; desencadeou-se uma virtual paralisação do crédito interbancário e da emissão de papeis comerciais de curto prazo. Os preços das matérias-primas começaram a subir devido à expansão desordenada do sector da construção e à alteração sistemática das cotações do petróleo. Tanto as matérias-primas fundamentais derivadas da agricultura como as relativas à indústria energética em geral, deram lugar ao aumento dos custos de produção e à redução dos lucros. Cada promessa de pagamento ou letra tem um prazo de vencimento mas, com a redução de recursos e perda de liquidez, as exigências de pagamento multiplicam-se e os devedores declaram falência. Muitas empresas quebram ou reduzem o seu nível de operações, despedem trabalhadores, aumentando o desemprego. Como ficam endividadas, compram menos a outras empresas, o mercado contrai-se e surge a aceleração do desemprego, a redução de salários, a contracção do mercado consumidor. As empresas tentam adaptar-se às flutuações do mercado. Entendem que a etapa fundamental do ciclo económico é o mercado e não a produção, e assim procuram pôr em prática um sistema de trabalho adequado à pretensão de produzir apenas o que é possível vender. Procuram seguir uma política de diminuição sensível das existências em armazém, ou seja, adoptar o princípio "zero de inventário" através duma produção cingida à procura, encomendas ou consumo corrente. Neste quadro se insere a política de flexibilização do trabalho imposta pelos governos, em colaboração com as empresas capitalistas, que tem como consequências: o embaratecimento da força de trabalho, a redução de salários, o aumento da intensidade do trabalho, a manutenção ou o aumento dos lucros. Trata-se de concretizar o objectivo de fugir aos efeitos das crises transferindo-os para o mundo do trabalho. As bolhas especulativas estalam quando a economia enfrenta o embargo produtivo e a queda estrondosa da taxa de lucro. Quando a bolha da especulação rebenta todos os capitalistas acham que foram vítimas de circunstâncias marginais e exigem dos governos o apoio financeiro que permita manter os seus rendimentos. A realidade revela que os governos correm a salvar os detentores do capital outorgando o dinheiro do erário público aos bancos e outras instituições financeiras, à custa dos contribuintes. As soluções esboçadas concentraram-se num dos problemas específicos, a provisão da liquidez. Só depois se concentraram num segundo problema, facilitar a venda de activos arriscados (denominados tóxicos) e só em terceiro lugar, de facto o mais importante, a recapitalização das entidades financeiras, sem o que não pode haver uma recuperação do crédito. A compra de activos "tóxicos" evita que se depreciem mas não soluciona o problema principal que é a falta de capital das entidades. Por fim, é considerada a possibilidade legal dos governos adquirirem acções das entidades financeiras. O mundo enfrenta uma insolvência generalizada que afecta, em primeiro lugar, os países e organizações, públicas e privadas, sobre-endividados e/ou muito dependentes dos serviços financeiros. A situação que prevalece nos princípios do ano 2009 no sistema financeiro mundial é que uma parte importante dos agentes económicos, incluindo os Estados, baseou o seu crescimento nestes últimos anos no endividamento, o que reflecte e amplia o problema da solvência global. As receitas fiscais dos Estados já estão em queda o que poderá conduzir a um agravamento do défice. O problema da insolvência coloca-se igualmente em relação aos fundos de pensões. As baixas das taxas de juro podem ser ineficazes em caso de crises de solvência, pois não produzem qualquer estímulo e incitam ao endividamento. O recurso dos bancos centrais ao Banco Central Europeu é uma forma de aumentar a quantidade de moeda em circulação correndo-se o risco do regresso da inflação. A emissão de novos títulos do tesouro traduz-se numa criação monetária pura e simples. V ? MEDIDAS PARA ULTRAPASSAR ESTA CRISE A convicção dos adeptos do liberalismo económico, segundo a qual o interesse geral é perfeitamente assegurado se cada um prosseguir com o seu interesse particular, revela-se manifestamente ilusória perante as evoluções decisivas do ciclo, além do facto de esta posição mascarar a oposição de interesses entre capitalistas e entre estes e os assalariados. Os sistemas financeiros são incapazes de se auto-regularem e, por conseguinte, as medidas de liberalização financeira contêm o germe das crises. À medida que crescem as fortunas aumenta a confiança e os investidores tomam posições cada vez mais arriscadas, intercalando maior endividamento em relação ao capital que possuem. A lógica deste modo de operar permite conseguir grandes lucros com pouco capital, graças à inflação dos preços dos activos que se auto-engendra. O auge termina com os níveis de endividamento excessivo de todos os agentes e a escassa capitalização das entidades financeiras, facto que lança a semente das falências dos devedores e dos intermediários financeiros. Todas as políticas do neo-liberalismo têm como efeitos, directos ou indirectos, centrais ou laterais, enriquecer os mais ricos e poderosos à custa do empobrecimento e a opressão da maioria da humanidade. Todas tendem a escravizar e sujeitar os povos que despojaram dos seus rendimentos e dos seus recursos. Entre todas as políticas destaca-se a injusta dívida externa que pesa sobre os países periféricos. Peritos e não peritos demonstram que os países endividados reembolsam cada ano mais do que recebem como empréstimo, que com o seu endividamento perdem a sua liberdade política e que os seus governantes se convertem nos intermediários dos grandes usurários para colocar no mercado a soberania dos seus povos, malbaratada, nula de todo o direito. O liberalismo tem sido a arma principal dos ganhos dos super-ricos e das grandes potências em prejuízo dos povos e dos cidadãos. Todos os estudos sérios levam à certeza de que com a continuação desta política o futuro da humanidade está gravemente ameaçado. No decurso dos períodos de depressão, a interactividade entre monopólios e Estado assume formas bem conhecidas. Em todas crises financeiras o Estado aparece sempre como o único agente capaz de garantir a confiança e de injectar capital. Por isso, as nacionalizações temporais de entidades financeiras são comuns, às quais se agrega agora a possibilidade de comprar acções preferenciais. Esta solução permite ao Estado recuperar parte ou a totalidade dos recursos adiantados, vendendo as suas participações accionistas quando a situação melhorar. A gravidade dos efeitos desta crise exige a tomada de rigorosas medidas, umas de possível aplicação imediata ou a curto prazo, outras exigindo uma mudança mais longa envolvendo o próprio sistema. O que se revela, em primeiro lugar, necessário é uma democratização do Estado que empreenda a modificação das relações sociais de produção. É urgente substituir a intervenção do Estado em proveito dos monopólios privados por uma nacionalização progressiva dos sectores-chave da actividade económica, planificando a orientação da produção e distribuição em função das necessidades dos cidadãos e do país. Só assim podem ser suspensos os obstáculos postos pelo capitalismo monopolista à via duma sociedade tendente à satisfação das necessidades dos homens, à supressão das desigualdades sociais e à eliminação do carácter constrangedor do trabalho. No caso do nosso País, permito-me sugerir algumas medidas que considero susceptíveis a implementar pelo Governo a curto prazo, tais como: 1- O Estado intervir no processo de encerramento de empresas, de redução da sua actividade ou de despedimentos colectivos, com a participação dos trabalhadores ou dos seus representantes, de forma a acautelar a continuidade da produção e do emprego. 2- Acabar com a flexibilização do trabalho, suspender o actual Código do Trabalho e fomentar a criação de novos empregos directamente por parte do Estado e das autarquias. 3- Promover um aumento salarial de emergência beneficiando trabalhadores com menores rendimentos e alargar o subsídio do Fundo de Desemprego. 4- Planificar e incrementar a produção nacional em conjunto com as organizações representativas dos sectores produtivos, as pequenas e médias empresas e produtores e comerciantes individuais e familiares, as autarquias e instituições defensoras dos interesses locais ou regionais. 5- Reduzir as importações, sobretudo de mercadorias que são ou podem ser produzidas no País, numa óptica de defesa dos interesses nacionais e não das multinacionais. 6- Apoiar as PMEs no incremento da sua actividade, organização e gestão, política de crédito e criação de novas actividades. 7- Proceder ao controlo efectivo dos preços, evitando a tendência especulativa frequente em tempos de crise. 8- Acabar com a privatização de actividades públicas rentáveis ou de exploração de recursos naturais e serviços das comunidades, 9- Acabar com a utilização de meios financeiros do Estado ou de instituições públicas para salvar os investidores financeiros ou especuladores, compensar as descidas de lucros das grandes empresas nacionais ou multinacionais. 10- Regulamentar e supervisionar as instituições financeiras, incluindo fundos de pensões, impedir os empréstimos bancários destinados a especulações financeiras, extinguir o "offshore" da Madeira. 11- Definir uma política de concessão de crédito, de curto e longo prazo, que contribua para o desenvolvimento económico e assegure o interesse e a defesa dos cidadãos. Outras medidas, não imediatas, são susceptíveis de virem a ser implementadas com o apoio indispensável dos cidadãos: 1- Combater o liberalismo económico e financeiro. 2- Alterar o sentido da globalização, como meio de domínio das multinacionais à escala mundial, substituindo-o por uma campanha de solidariedade entre os povos que elimine as diferenças entre os países ricos e os economicamente subordinados. 3- Promover a nacionalização da banca, dos seguros e doutras instituições financeiras. 4- Reduzir o consumo petrolífero do País, o mais cedo possível, e congelar de imediato os megas projectos do governo. 5- Eliminar o ascendente do poder económico sobre o poder político. 6- Acabar com a democracia formal e instituir um regime democrático, a nível político, social e económico, que salvaguarde os iguais direitos de todos os cidadãos. Almada/18/Março/2009 [*] Economista, autor de Economia do sistema comunitário , caggomes at clix.pt Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 01/Abr/09 -- Abraço Luiz -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090420/8bb27afc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 21 12:31:37 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 21 Apr 2009 12:31:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Rede_Globo_e_Daniel_Dantas=3A_u?= =?windows-1252?q?m_caso_de_pol=EDcia_e_/_ESCLARECIMENTOS_SOBRE_ACO?= =?windows-1252?q?NTECIMENTOS_NO_PAR=C1?= Message-ID: <039701c9c296$42d41cd0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Rede Globo e Daniel Dantas: um caso de polícia Não se trata de cobertura dos fatos, se trata de um ataque à consciência dos telespectadores Na noite de 19 de abril o programa de variedades Fantástico, da Rede Globo, apresentou uma suposta reportagem sobre um conflito ocorrido numa fazenda do Pará, envolvendo "seguranças" (o termo procura revestir de legalidade a ação de jagunços) da fazenda do banqueiro Daniel Dantas e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Só pude descobrir que se tratava de propriedade do banqueiro processado por inúmeros crimes e protegido por Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, após ter vasculhado algumas páginas na internet em busca de meu direito de escutar o outro lado da notícia, a versão dos fatos dos sem terra, pois na reportagem eles aparecem como invasores, baderneiros, seqüestradores da equipe de reportagem da Rede Globo, assassinos em potencial, e ao final, corpos de militantes aparecem baleados no chão, agonizantes, sangrando, sem nenhum socorro, e a reportagem não fornece nenhuma informação sobre o estado de saúde das vítimas. Sem ter acesso às causas do conflito, e a nenhum dos dois lados envolvidos, o telespectador se vê impelido a acompanhar o julgamento que o narrador da reportagem e a câmera nos sugere. No caso, tendemos a concordar com a punição dada aos desordeiros: ?que sangrem até morrer!?, ou ?quem mandou brincar com fogo?!? podem ser algumas das bárbaras conclusões inevitáveis a que os telespectadores serão levados à chegar. Nós, em nossas casas, consumidores do que a televisão aberta nos apresenta, não temos direito ao juízo crítico, porque o protocolo básico das regras do jornalismo não é mais cumprido. Nós somos atacados em nosso direito de receber informações e emitir julgamentos, nós somos saqueados por emissoras privadas que mobilizam nosso sentimento de medo, ódio e desprezo, para em seguida nos exigir sorrisos com a próxima reportagem. Como um exercício de manutenção da capacidade de reflexão, precisamos nominar esse tipo de ataque fascista com os termos que ele exige. A ilusão de verdade deve ser desmontada, a suposta neutralidade deve ser desmascarada, caso a caso, na medida de nossas forças. Seguem questionamentos à reportagem, com o intuito de expor o arbítrio de classe da Rede Globo, para que esse texto possa endossar a documentação que denuncia a irregularidade das emissoras privadas e protesta contra a manutenção de concessões públicas para empresas que não cumprem com as leis do setor. 1º) Por que a Globo protege Dantas? Por que a emissora não tornou evidente que as terras pleiteadas pelo MST para Reforma Agrária são de Daniel Dantas? Qual o grau de envolvimento da emissora nas manobras ilícitas do banqueiro? 2°) Por que o MST não foi escutado na reportagem? Quais os motivos do movimento para decidir ocupar aquela fazenda? 3°) As imagens contradizem os fatos. A câmera da equipe de reportagem aparece sempre posicionada atrás dos seguranças da fazenda, e nunca à frente dos sem terra. E vejam informação da Agência Estado: ?A polícia de Redenção informou a Puty [Cláudio Puty, chefe da Casa Civil do governo do Pará] não ter havido cárcere privado de jornalistas e funcionários da Agropecuária Santa Bárbara, pertencente ao grupo do banqueiro Daniel Dantas e que tem 13 fazendas invadidas e ocupadas pelo MST. Os jornalistas, porém, negam a versão da polícia e garantem que ficaram no meio do tiroteio entre o MST e seguranças da fazenda? (http://br.noticias.yahoo.com/s/19042009/25/manchetes-pm-desarmar-mst-segurancas-no.html). Quer dizer, nem mesmo os grandes jornais conservadores estão fazendo coro com a cobertura extremamente parcial da Rede Globo. 4°) Ocorreu um tiroteio mesmo? Só aparecem os jagunços da fazenda atirando, e com armas de calibre pesado. E a imagem dos feridos mostra os sem terra baleados e um jagunço de pé, com pano na cabeça, possivelmente contendo sangramento de ferimento não causado por arma de fogo, dado o estado de saúde do homem. 5º) Por que os feridos não são tratados com o mesmo direito à humanidade que as vítimas de classe média da violência urbana? Eles não têm nomes? O que aconteceu com eles? Algum morreu? Quem prestou socorro? Em que hospital estão? Por que essas informações básicas foram omitidas? 6°) Por que mostrar como um troféu a agonia de seres humanos sangrando no chão, sem nenhum socorro? Osvaldo da Costa osvaldodacosta at gmail.com ================================================================================================= 20 de abril de 2009 ----- Original Message ----- From: Castor Filho Última atualização: 20/Abril/2009 - 16h28 ESCLARECIMENTOS SOBRE ACONTECIMENTOS NO PARÁ 20/04/2009 Em relação ao episódio na região de Xinguara e Eldorado de Carajás, no sul do Pará, o MST esclarece que os trabalhadores rurais acampados foram vítimas da violência da segurança da Agropecuária Santa Bárbara. Os sem-terra não pretendiam fazer a ocupação da sede da fazenda nem fizeram reféns. Nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, que apenas fecharam a PA-150 em protestos pela liberação de três trabalhadores rurais detidos pelos seguranças. Os jornalistas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria, como sustenta a Polícia Militar. Esclarecemos também que: 1- No sábado (18/4) pela manhã, 20 trabalhadores sem-terra entraram na mata para pegar lenha e palha para reforçar os barracos do acampamento em parte da Fazenda Espírito Santo, que estão danificados por conta das chuvas que assolam a região. A fazenda, que pertence à Agropecuária Santa Bárbara, do Banco Opportunity, está ocupada desde fevereiro, em protesto que denuncia que a área é devoluta. Depois de recolherem os materiais, passou um funcionário da fazenda com um caminhão. Os sem-terra o pararam na entrada da fazenda e falaram que precisavam buscar as palhas. O motorista disse que poderia dar uma carona e mandou a turma subir, se disponibilizando a levar a palha e a lenha até o acampamento. 2- O motorista avisou os seguranças da fazenda, que chegaram quando os trabalhadores rurais estavam carregando o caminhão. Os seguranças chegaram armados e passaram a ameaçar os sem-terra. O trabalhador rural Djalme Ferreira Silva foi obrigado a deitar no chão, enquanto os outros conseguiram fugir. O sem-terra foi preso, humilhado e espancado pelos seguranças da fazenda de Daniel Dantas. 3- Os trabalhadores sem-terra que conseguiram fugir voltaram para o acampamento, que tem 120 famílias, sem o companheiro Djalme. Avisaram os companheiros do acampamento, que resolveram ir até o local da guarita dos seguranças para resgatar o trabalhador rural detido. Logo depois, receberam a informação de que o companheiro tinha sido liberado. No período em que ficou detido, os seguranças mostraram uma lista de militantes do MST e mandaram-no indicar onde estavam. Depois, os seguranças mandaram uma ameaça por Djalme: vão matar todas as lideranças do acampamento. 4- Sem a palha e a lenha, os trabalhadores sem-terra precisavam voltar à outra parte da fazenda para pegar os materiais que já estavam separados. Por isso, organizaram uma marcha e voltaram para retirar a palha e lenha, para demonstrar que não iam aceitar as ameaças. Os jornalistas, que estavam na sede da Agropecuária Santa Bárbara, acompanharam o final da caminhada dos marchantes, que pediram para eles ficarem à frente para não atrapalhar a marcha. Não havia a intenção de fazer os jornalistas de ?escudo humano?, até porque os trabalhadores não sabiam como seriam recebidos pelos seguranças. Aliás, os jornalistas que estavam no local foram levados de avião pela Agropecuária Santa Bárbara, o que demonstra que tinham tramado uma emboscada. 5- Os trabalhadores do MST não estavam armados e levavam apenas instrumentos de trabalho e bandeiras do movimento. Apenas um posseiro, que vive em outro acampamento na região, estava com uma espingarda. Quando a marcha chegou à guarita dos seguranças, os trabalhadores sem-terra foram recebidos a bala e saíram correndo ? como mostram as imagens veiculadas pela TV Globo. Não houve um tiroteio, mas uma tentativa de massacre dos sem-terra pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. 6- Nove trabalhadores rurais ficaram feridos pelos seguranças da Agropecuária Santa Bárbara. O sem-terra Valdecir Nunes Castro, conhecido como Índio, está em estado grave. Ele levou quatro tiros, no estômago, pulmão, intestino e tem uma bala alojada no coração. Depois de atirar contra os sem-terra, os seguranças fizeram três reféns. Foram presos José Leal da Luz, Jerônimo Ribeiro e Índio. 7- Sem ter informações dos três companheiros que estavam sob o poder dos seguranças, os trabalhadores acampados informaram a Polícia Militar. Em torno das 19h30, os acampados fecharam a rodovia PA 150, na frente do acampamento, em protesto pela liberação dos três companheiros que foram feitos reféns. Repetimos: nenhum jornalista nem a advogada do grupo foram feitos reféns pelos acampados, mas permaneceram dentro da sede fazenda por vontade própria. Os sem-terra apenas fecharam a rodovia em protesto pela liberação dos três trabalhadores rurais feridos, como sustenta a Polícia Militar. MOVIMENTOS DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA - PARÁ Clique aqui e recomende esta página. Páginas Relacionadas 20/04/09 18h02 Rede Globo e Daniel Dantas: um caso de polícia 20/04/09 11h02 Senador defende infra-estrutura para assentamentos 20/04/09 10h54 Assentados comemoram 13 anos de conquista no Paraná 18/04/09 22h39 Pistoleiros de Dantas baleiam 9 Sem Terra no Pará http://www.mst.org.br/mst/pagina.php?cd=6660 -- [A rede castorphoto é uma rede independente tem perto de 33.000 correspondentes no Brasil e no exterior. Estão divididos em 20 operadores/repetidores e 170 distribuidores; não está vinculada a nenhum portal nem a nenhum blog ou sítio. Os operadores recolhem ou recebem material de diversos blogs, sítios, agências, jornais e revistas eletrônicos, articulistas e outras fontes no Brasil e no exterior para distribuição na rede] Caso não queira mais receber nossas mensagens clique em RESPONDER e escreva REMOVER na barra ASSUNTO -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/4f145823/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 5161 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/4f145823/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 50 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/4f145823/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 21 12:32:26 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 21 Apr 2009 12:32:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] 21 de abril TIRADENTES Message-ID: <03a501c9c296$604e0aa0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: AntonioC Inconfidência Mineira A Inconfidência Mineira foi uma conspiração que ocorreu em 1789 em Vila Rica, hoje Ouro Preto. Entre os fatores que determinaram o movimento destacam-se: Os excessos cometidos pelas autoridades escolhidas pelo governo português para administrar a região das minas. A decadência da produção de ouro, que se acentuou a partir dos meados do século XVIII, e o sistema de cobrança dos quintos devido à Coroa. Quando o ouro entregue não perfazia 100 arrobas (cerca de 1500 quilos), era decretada a derrama, ou seja, o que faltasse seria cobrado de toda a população, pela força das armas. Os excessos cometidos pelas autoridades por ocasião da derrama levaram o povo ao desespero. As idéias de liberdade trazidas por estudantes brasileiros que tinham realizado cursos superiores na Europa. O conhecimento da independência dos Estados Unidos, cujos colonos, revoltados também contra o sistema fiscal de sua metrópole, tinham se libertado da Inglaterra. Entre os inconfidentes, destacaram-se os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José de Oliveira Rolim e Manuel Rodrigues da Costa; o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, os coronéis Domingos de Abreu e Joaquim Silvério dos Reis (um dos delatores do movimento); os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, era provavelmente o participante da conspiração de menor posição social (era alferes e dentista prático). No entanto, foi o único a assumir a responsabilidade pelo movimento. Negando a princípio sua participação, Tiradentes assumiu posteriormente toda a responsabilidade pela Inconfidência, inocentando seus companheiros. Os planos dos inconfidentes eram: estabelecer um governo independente de Portugal; criar uma universidade em Vila Rica; criar indústrias fazer de São João del-Rei a nova sede da capitania. Os conspiradores haviam planejado adotar uma bandeira, que conteria a frase latina Libertas quae sera tamen (Liberdade ainda que tardia) e que inspirou a bandeira do Estado de Minas Gerais. A revolta deveria iniciar-se no dia a derrama, que o governo programava para 1788 e acabou suspendendo quando soube da conjuração. Os Inconfidentes pensaram ainda em conseguir auxílio estrangeiro para garantir o sucesso do levante. Em 1786, o estudante José Joaquim da Maia teve um encontro na França com o ministro americano Thomas Jefferson, com essa finalidade. O estudante não chegou a retornar ao Brasil, falecendo na Europa. Os planos dos inconfidentes foram frustrados porque três participantes da conspiração procuraram o governador, Visconde de Barbacena, para delatar o movimento. Foram eles: o coronel Joaquim Silvério dos Reis, o tenente-coronel Basílio de Brito Malheiro do Lago e o mestre-de-campo Inácio Correia Pamplota. Tão logo ficou ciente da revolta que estava para eclodir, o Visconde de Barbacena suspendeu a derrama e expediu ordens de prisão contra os inconfidentes. Tiradentes, que viajara para o Rio de Janeiro com o objetivo de adquirir armas, foi preso naquela cidade. O Processo contra os inconfidentes arrastou-se durante dois anos. A sentença inicial condenou à morte vários destes e ao degredo outros. Posteriormente, a Rainha Dona Maria I comutou todas as sentenças de morte, modificando-as para degredo, com exceção da sentença de Tiradentes. Fonte:www.brasilescola.com -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/3f265884/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 28203 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/3f265884/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 18651 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/3f265884/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5648 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/3f265884/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 41081 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090421/3f265884/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 22 19:03:14 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 22 Apr 2009 19:03:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__ATOS_EM_DEFESA_DA_VERDADE_E_JUST?= =?iso-8859-1?q?I=C7A_NO_BRASIL_dias_24=2C_25_e_27_de_abril_/__+_um?= =?iso-8859-1?q?_v=EDdeo_sobre_a_Inaugura=E7=E3o_do_Memorial_da_Res?= =?iso-8859-1?q?ist=EAncia?= Message-ID: <050701c9c396$226a43b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Ivan - UOL Nos próximos dias teremos uma série importante de eventos, que merecem nossa adesão e nossa divulgação entusiasmada. São eventos que mostram o caminho a seguir para a construção de uma verdadeira Democracia em nosso país e que há muito ainda por fazer. Nosso dever é apoiar, divulgar e participar desses atos. Só assim mostraremos que a Sociedade Civil brasileira exige o esclarecimento de todos os fatos e crimes praticados pela ditadura militar brasileira e a punição de todos os responsáveis e mandantes desses crimes. Ivan Seixas -------------------------------------------------------------------------------- 24 de abril (14 horas) Apresentação do Relatório do Tribunal Internacional de Justiça Restaurativa de El Salvador, realizado em San Salvador, com o apoio e participação de movimentos sociais e entidades militantes dos Direitos Humanos, sobre a situação de El Salvador após os anos de massacres, assassinatosa e desaparecimentos de camponeses, operários, estudantes, intelectuais e participantes da luta contra a ditadura daquele país. O Tribunal Internacional, que pretende revelar os crimes e a identidade dos autores de torturas e assassinatos de opositores das ditaduras, divulgará seu Relatório simultaneamente em San Salvador (El Salvador) e Valencia (Espanha). Os juristas brasileiros Belisário dos Santos Júnior, ex-Secretário de Justiça de São Paulo, e Paulos Abrão Pires Júnior , Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça brasileiro, fazem parte do Tribunal Internacional de Justiça Restaurativa. O evento tem o apoio do CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana) de São Paulo, do Fórum dos ex-Presos Políticos de São Paulo, do Grupo Tortura Nunca Mais/SP e Comissão de Justiça e Paz de São Paulo. Local: Memorial da Resistência (Largo General Osório, 66 5º andar - Luz - São Paulo) -------------------------------------------------------------------------------- 25 de abril (10:30 horas) Lançamento do novo Dossiê dos Mortos e Desaparecidos, elaborado pela Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos do Brasil. O ato terá o debate Mortos e Desaparecidos Políticos, a luta por verdade e justiça no Brasil com a participação do jurista Fábio Konder Comparato, do professor Márcio Seligman Silva e da historiadora Janaina Almeida Teles. Local: Memorial da Resistência (Largo General Osório, 66 5º andar - Luz - São Paulo) -------------------------------------------------------------------------------- 27 de abril (19 horas) Instalação da sub-Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de São Paulo, com a reabertura do acervo de documentos da CPI que investigou a Vala Clandestina do Cemitério, com as ossadas de desaparecidos políticos. O ato tem o apoio do CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana) de São Paulo, do Fórum dos ex-Presos Políticos de São Paulo e do Grupo Tortura Nunca Mais/SP. Local: Câmara de Vereadores de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100 - Bela Vista) ==================================================================================================================== Vídeo da inauguração do Memorial da Resistência Para quem ainda não viu, o vídeo completo do Memorial da Resistência já está no youtube no endereço seguinte: (clique) http://www.youtube.com/watch?v=fkLXh_5rLmw -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090422/2b2fb13f/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090422/2b2fb13f/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 22 19:03:19 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 22 Apr 2009 19:03:19 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Convite_lan=E7amento_Princ=EDpi?= =?windows-1252?q?os_100?= Message-ID: <050d01c9c396$269fd710$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Princípios celebra número 100 com festa e edição comemorativa Na imprensa brasileira, sobretudo do campo popular e de esquerda, não são muitos os exemplos de publicações que conseguiram resistir ao tempo, às crises, às ditaduras, aos poucos recursos e à chegada da internet. Pensar numa revista marxista que, além do mais, sobreviveu à queda da experiência soviética e à hegemonia do neoliberalismo parece uma tarefa ainda mais complicada. Mas, Princípios conseguiu e chega neste mês à sua 100ª edição. Para comemorar, dia 24 haverá o primeiro ato em São Paulo. Segundo Adalberto Monteiro, editor da revista, ?o sucesso se deve ao fato de Princípios sempre ter enfrentado os principais problemas de cada quadra histórica apontando saídas e caminhos?. Em São Paulo, o local escolhido para celebrar a data é o Sesc Paulista, numa das avenidas mais famosas do país. O ato, marcado para às 19h30, contará com as presenças de intelectuais, jornalistas e colaboradores da revista, em nome dos quais falará o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Entre outras personalidades estarão presentes, Renato Rabelo, presidente do PCdoB; Aldo Rebelo, deputado federal pelo PCdoB-SP, Orlando Silva, ministro do Esporte, além de Adalberto Monteiro, editor da revista. A comemoração seguirá com coquetel e exposição de cartazes com os principais momentos da história da publicação. Cem edições em um DVD Para celebrar esta marca histórica, a edição número 100 ? cujo tema central é a análise da crise e de seus impactos no Brasil e no mundo ? terá 130 páginas com artigos de nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o presidente cubano Raul Castro; o ministro Roberto Mangabeira Unger; o escritor Ariano Suassuna; o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann; o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Marco Antonio Raupp; o economista Luiz Gonzaga Belluzzo; o reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira; o cientista político César Benjamin; o professor de Filosofia da Unicamp, João Quartim de Moraes; o diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, João Sicsú; o presidente do PCdoB, Renato Rabelo e o deputado federal Aldo Rebelo, entre outros. Além disso, a Princípios especial circulará com DVD comemorativo em que constarão todas as edições da revista, desde a número 1 até a 100. O acervo conta com 1.584 textos, produzidos por 455 colaboradores. ?Percorrer perto de 7.500 páginas de sua coleção é fazer uma viagem ao itinerário da elaboração teórica e política de uma destacada corrente do movimento marxista brasileiro?, destacou o editorial dessa edição, assinado por Adalberto Monteiro. No mesmo editorial, Monteiro destacou que a longevidade da publicação ?vem de sua fidelidade àqueles propósitos que a fizeram nascer e, obviamente, da fertilidade das ideias que propaga?. Outra razão, segundo ele é o fato de a revista ser uma obra coletiva a qual se dedicaram, ao longo do tempo, várias equipes de trabalho e centenas de colaboradores. Criada em março de 1981, num momento de efervescência política, quando o país começava a sentir os primeiros ares do processo que levaria à redemocratização, Princípios nasceu com o propósito de levantar e aprofundar temas de interesse nacional sob a ótica das forças marxistas e progressistas. Por isso, o editorial da centésima edição faz uma homenagem ao fundador da revista, João Amazonas, ex-deputado constituinte de 1946 e uma das mais destacadas lideranças dos comunistas brasileiros. Segundo Monteiro, Amazonas, ao criar Princípios, o fez sob a convicção de que a jornada transformadora precisava e ? precisa ? de uma revista que à luz do marxismo perscrute os dilemas da luta presente, investigue a realidade brasileira e internacional e fundamente o futuro do movimento. Princípios 100, coloca Monteiro, é ?uma conquista da corrente marxista e progressista do nosso país?. A primeira comemoração, aberta ao público, acontece dia 24 de abril, sexta-feira, às 19h30, no Sesc Paulista (Avenida Paulista,119, Paraíso). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090422/1c10fb79/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 34437 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090422/1c10fb79/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Apr 23 19:50:20 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 23 Apr 2009 19:50:20 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Dallari=3A_Gilmar_Mendes_pratic?= =?windows-1252?q?a_=27coronelismo=27_no_Supremo__/_e_Ministro_acus?= =?windows-1252?q?a_Mendes_de_destruir_a_credibilidade_da_Justi=E7a?= Message-ID: <00f201c9c465$e1aca9a0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 23 DE ABRIL DE 2009 - 13h25 Dallari: Gilmar Mendes pratica 'coronelismo' no Supremo O jurista Dalmo Dallari compara a uma "briga de moleques de rua" a atuação dos ministros do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa. Mas analisa que "naturalmente", a responsabilidade maior é do presidente Gilmar Mendes: "A culpa é grande do presidente Gilmar Mendes, é um exibicionismo exagerado, a busca dos holofotes, a busca da imprensa. Além da vocação autoritária do ministro Gilmar Mendes, que não é novidade. Ele realmente pratica no Supremo o coronelismo e isso é absolutamente errado. Mas o erro maior está neste excesso de vedetismo, excesso de publicidade". Os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa protagonizaram na sessão plenária desta quarta-feira, 22, um bate-boca. Barbosa criticou Mendes por "destruir a imagem do Judiciário no País". Mendes pediu respeito, e Barbosa exigiu o mesmo, dizendo não ser um de seus "capangas no Mato Grosso". Dallari conhece pessoalmente muitos ministros do STF. Foi professor de Ricardo Lewandowski, deu aulas a Carmen Lúcia Antunes Rocha e orientou Eros Grau. É "muito ligado por atividades jurídicas ao ministro Carlos Ayres Britto", como conta nesta entrevista a seguir. Como o senhor analisa as desavenças entre o ministro Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes? Acho aquilo deprimente. É péssimo para a imagem de todo o Judiciário. Acho que no caso os dois estão errados, deveriam tomar consciência da responsabilidade que têm. Naturalmente, o ministro Gilmar Mendes é mais responsável porque ele tem usado e abusado de declarações inconvenientes à imprensa. Há um movimento de descrédito em relação ao Supremo Tribunal Federal? Acho que isso desmoraliza o Judiciário, além do STF. É fundamental que sejam instituições respeitadas, o povo precisa de instituições respeitadas. Eles (ministros) estão esquecendo da sua responsabilidade pública. Falta ao ministro Gilmar Mendes "ir à rua", como sugeriu o ministro Barbosa? Os dois estão esquecendo que são juízes. Aquilo não é comportamento de juiz, parece moleque de rua brigando. Naturalmente há uma responsabilidade maior do presidente Gilmar Mendes. O presidente realmente é muito arbitrário, não respeita a instituição e assume atitudes agressivas. No caso, em parte foi isso. O começo foi uma atitude muito agressiva dele em relação ao ministro Joaquim Barbosa. Mas foi errado o ministro Barbosa responder no mesmo nível. O ministro Barbosa deveria ter aproveitado a oportunidade para lembrar ao Ministro Gilmar Mendes da sua responsabilidade pública e a falta de compostura. Mas os dois, enfim, estão errados. Ministros apontam que o Supremo está pressionado pela imprensa. O senhor concorda? Não, pressionados por eles próprios. O ministro não é pressionado por ninguém. É uma pessoa que tem absoluta independência, inclusive garantia constitucional da independência. Será pressionado se quiser. O que está acontecendo, e aí a culpa é grande do presidente Gilmar Mendes, é um exibicionismo exagerado, a busca dos holofotes, a busca da imprensa. Além da vocação autoritária do ministro Gilmar Mendes, que não é novidade. Ele realmente pratica no Supremo o coronelismo e isso é absolutamente errado. Mas o erro maior está neste excesso de vedetismo, excesso de publicidade. Caso outros ministros endossem a posição do minsitro Gilmar Mendes, o caso pode levar ao impeachment do ministro Barbosa, ou a alguma punição? Não há condições, porque mesmo a previsão legal de impeachment é muito vaga. É praticamente impossível o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal. O que se deve fazer é a mídia de maneira geral se pronunciar criticando os dois e cobrando um comportamento adequado à sua responsabilidade pública. Dar uma lição de moral nos dois. O senhor foi professor do ministro Ricardo Lewandowski... Fui professor do ministro (Ricardo) Lewandowski, dei aulas para a ministra Carmen Lúcia (Antunes Rocha), também tive um relacionamento de orientador com o ministro Eros Grau, tenho um bom relacionamento com vários ministros, e sou muito ligado por atividades jurídicas ao ministro Carlos (Ayres) Britto. Conhecendo-os, acredita que o Supremo conseguirá se recuperar? Eu acho que nós precisamos repensar inclusive o papel do STF e a maneira de escolha dos juízes. Eu tenho um livro, que se chama O poder dos juízes, em que já faço propostas assim. Eu acho que o Supremo deveria ficar só Tribunal Constitucional e que os juízes deveriam ter mandato com prazo fixo, de no máximo dez anos, e não vitalícios. E a maneira de escolha, eles deveriam ser escolhidos por votação nacional, e não pelo presidente da República. É necessário repensar totalmente o Supremo. Tem caminhos abertos? Não! Está muito difícil, porque isso dependeria muito do Congrresso nacional que neste momento está muito desmoralizado. Estamos numa crise institucional muito séria. Vamos ver se a imprensa cobrando, eles mudam de atitude. Fonte: Terra Magazine ========================================================================================= 22 DE ABRIL DE 2009 - 19h45 Ministro acusa Mendes de destruir a credibilidade da Justiça O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca em sessão plenária durante um julgamento nesta quarta-feira (22). O ministro Joaquim Barbosa acusou o presidente do STF de estar ''destruindo a credibilidade da Justiça brasileira''. Durante uma discussão na sessão de hoje (22) do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa criticou o presidente do STF, Gilmar Mendes, responsabilizando-o por supostamente contribuir para uma imagem negativa do Poder Judiciário perante a população. O bate-boca ficou mais ríspido quando Mendes reagiu à discordância de Barbosa com o encaminhamento dado a uma matéria. Os ministros analisavam recursos contra duas leis julgadas inconstitucionais pelo STF. Uma, tratava da criação de um sistema de seguridade do estado do Paraná, e outra, da permanência de processos de autoridades no tribunal, ainda que os réus perdessem cargos políticos. ?Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém?, afirmou Mendes. Barbosa respondeu: ?Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faça o que eu faço?. A discussão entre os ministros foi gravada pela TV Justiça e está disponível na internet. O ministro Ayres Britto tentou colocar panos quentes na discussão, ao lembrar que já havia pedido vista da matéria. Mas não conseguiu. Quando Mendes respondeu a Barbosa, dizendo que já estava na rua, ouviu do colega o seguinte: ?Vossa excelência [Gilmar Mendes] não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite?. Após novas trocas de acusações, o Ministro Marco Aurélio sugeriu que a sessão fosse encerrada e foi atendido por Mendes. Em seguida, o presidente do STF e alguns ministros iniciaram uma reunião fechada em seu gabinete. Reputação ruim Não é a primeira vez que Gilmar Mendes é confrontado por colegas do juidiciário. No início deste mês, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, disse que o Ministério Público, órgão do qual é chefe, exerce muito bem a atividade de controlar eventuais excessos cometidos por policiais. A afirmação foi em resposta a uma provocação feita um dia antes pelo presidente do STF, que chamou de ''lítero-poético-recreativo'' o controle externo exercido pelo Ministério Público. ''Quem avalia o Ministério Público é a sociedade e ela avalia bem, de modo que ironia, retórica em nada desqualifica o trabalho do Ministério Público'', disse o procurador-geral. Antonio Fernando aproveitou para provocar Gilmar, dizendo que o Judiciário deve cumprir apenas as tarefas que lhe são atribuídas: ''Ao Judiciário deve ficar reservada a questão de julgar com imparcialidade. Se o Judiciário desempenhar bem a sua função, já presta à sociedade um relevante serviço'', disse. Em 2002, quando foi indicado para o STF pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, Mendes já era apontado como prejudicial à imagem da justiça brasileira. Naquele ano, o renomado jurista Dalmo Dallari, advogado e professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP), publicou um artigo na Folha de São Paulo criticando duramente a indicação de Gilmar Mendes. ''Degradação do Judiciário'' Sob o título de ''Degradação do Judiciário'', Dallari registrou em seu artigo: ''(...) O presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica. Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional''. ''O nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país'', disse Dallari na ocasião. Em novembro de 2008, a revista Carta Capital -- incomodada com o evidente protecionismo que Mendes estendeu a Daniel Dantas ao conceder dois habeas corpus para livrar o banqueiro da cadeia -- publicou um perfil nada lisongeiro do presidente do STF. A reportagem resgata as relações da família de Mendes com as várias esferas de poder. A revista de Mino Carta revela como o ministro atua politicamente para reforçar o naco de poder do irmão, prefeito de Diamantino (MT), cidade da família Mendes. A reportagem mostra um homem muito diferente da face pública. Escreve Leandro Fortes: ?Em Diamantino, a 208 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, o ministro é a parte mais visível de uma oligarquia nascida à sombra da ditadura militar (1964-1985), mas derrotada, nas eleições passadas, depois de mais de duas décadas de dominação política?. A reportagem aponta que o irmão de Gilmar, o atual prefeito Francisco Mendes Júnior, vinha conseguindo se manter no cargo graças à influência política do presidente do STF. ?Nas campanhas de 2000 e 2004, Gilmar Mendes, primeiro como advogado-geral da União do governo Fernando Henrique Cardoso e, depois, como ministro do STF, atuou ostensivamente para eleger o irmão. Para tal, levou a Diamantino ministros para inaugurar obras e lançar programas, além de circular pelos bairros da cidade, cercado de seguranças, a pedir votos para o irmão-candidato e, eventualmente, bater boca com a oposição''. Conhecendo este perfil, não surpreende que o ministro Joaquim Barbosa tenha alertado Gilmar Mendes de que ele não estava falando com seus ''capangas do Mato Grosso''. Da redação, com informações da Agência Brasil -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090423/08e01a1e/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 15621 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090423/08e01a1e/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 24 18:47:37 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 24 Apr 2009 18:47:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] STF DANTAS INCORPORATION LTD por Laerte Braga Message-ID: <014001c9c526$48e36120$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. STF DANTAS INCORPORATION LTD Laerte Braga As provas de corrupção ativa e passiva praticadas pelo ministro presidente do STF DANTAS INCORPORATION LTD são públicas, notórias e remontam ao tempo que Gilmar Mendes exercia as funções de Advogado Geral da União no descalabro chamado governo de Fernando Henrique Cardoso. A reação do ministro Joaquim Barbosa à forma atrabiliária e desmoralizante como Gilmar conduz a suposta suprema corte foi a explosão de quem sentiu na pele, tem sentido, as ações criminosas e o comprometimento de Gilmar Mendes com a corrupção. "Vossa excelência não está falando com seus capangas no Mato Grosso". A nota subscrita por oito ministros em apoio ao modo como Gilmar Mendes conduz a empresa de Daniel Dantas no poder dito judiciário é um exercício maior que a simples subserviência, ou a preocupação de envolver a tal suprema corte num escândalo que implique em desacreditar de vez o desacreditado poder judiciário. O ministro Erros Grau, por exemplo, quando advogado em Porto Alegre, uma semana antes de ter seu nome indicado para o supremo pelo atual presidente, emitiu um parecer público e cuidadosamente elaborado definindo como inconstitucional o desconto previdenciário dos salários de aposentados e pensionistas. Virou ministro e ao votar a matéria votou contra seu próprio parecer. Parece ter sido, parece não, foi a condição imposta pelo governo para indicar seu nome. É fato ilustrativo do seu caráter. Foi um dos que assinou a nota de "solidariedade" ao truculento e corrupto Gilmar Mendes. O ministro Marco Aurélio Mello, sem favor algum um dos juristas da tal suprema corte, é autor da sentença que absolveu um latifundiário por prática de sexo com menor de 12 anos sob alegação que a menina tinha conhecimento e consciência do fato e além do mais sua mãe havia sido a intermediária na "negociação" com o fazendeiro. Marco Aurélio Mello é vizinho do banqueiro Salvatore Cacciolla no Rio de Janeiro e foi quem deu ao banqueiro o habeas corpus que lhe permitiu fugir para a Itália (o banqueiro tem dupla nacionalidade e foi preso por um descuido, pois saiu da Itália para ir jogar nos cassinos de Mônaco). Significa que aquele dispositivo da Constituição que fala que os ministros do STF devem ser "maiores de trinta e cinco anos e ter reputação ilibada e notável saber jurídico" foi para as calendas. Marco Aurélio tem notável saber jurídico, mas a reputação... A história do STF não registra um momento tão negativo e tão pobre como o atual. É o cúmulo da esculhambação uma figura desprovida de respeito pelo quer que seja, corrupto e venal como Gilmar Mendes presidir aquilo que chamam de corte suprema. Tem razão o ministro Joaquim Barbosa quando afirma que Gilmar "está destruindo a credibilidade da justiça". A nota de solidariedade dos oito ministros a Gilmar Mendes deve ter passado pelo crivo do espelho - é claro que cada um deve ter seu espelho - e os rabos não são suficientemente livres. Ou nem são livres como o de Gilmar. É preciso entender que o papel cumprido por Gilmar Mendes transcende à corrupção, à forma truculenta com que age e conduz o STF. A corrupção aí é conseqüência do modelo e não é causa. E tampouco Gilmar Mendes, como anteriormente Nelson Jobim, foram indicados ministros do STF por reputação ilibada e notável saber jurídico. O foram exatamente por não terem esses preceitos parte de um ou de outro em suas atividades públicas. Dalmo Dallari de Abreu, jurista de nomeada e respeitado em todo o País, à época da indicação do nome de Gilmar Mendes (governo FHC) afirmou claramente que estavam achincalhando a corte dita suprema. A descaracterização do STF começa na ditadura militar. Era preciso dobrar a corte ao arbítrio e à barbárie do regime dos generais. Quatro ministros reagiam à violência do regime. Ribeiro Costa, Hermes Lima, Evandro Lins e Silva e Vítor Nunes Leal. Ribeiro da Costa aposentou-se normalmente os outros três foram cassados pelo AI-5. Era fundamental tornar a tal suprema corte dócil à ditadura. E mesmo assim os generais tiveram problemas e dificuldades com ministros íntegros como Adauto Lúcio Cardoso e Bilac Pinto. O conceito de ministros técnicos, sem compromisso político no sentido amplo da palavra apenas serviu para esconder ministros sem personalidade, prontos a atender à qualquer ordem de sentido, ordinário e marche dos militares. O tempo da tortura, dos assassinatos, seqüestros, estupros com aval da justiça em sua instância máxima. A chamada redemocratização não mudou a natureza do STF. A nova ordem econômica trouxe a necessidade de manter ministros "técnicos" ou políticos como Jobim, que se constituíssem em instrumentos do processo de privatização do patrimônio público e das chamadas reformas neoliberais, dentre elas o desconto previdenciário nos contracheques de aposentados e pensionistas. O tal que Eros Grau achava inconstitucional e assim que virou ministro passou a achar constitucional. Um dos maiores escândalos, pouco divulgado pela grande mídia, podre, corrompida e parte do modelo, foi o discurso de posse de Nelson Jobim. "Vim a esta corte para ser aqui o líder do governo". Foi lá, explicitamente, para barrar toda e qualquer tentativa de anular as ilicitudes do processo de privatização posto em prática no governo FHC. Juízes de instâncias inferiores como Salete Macalóes foram trucidadas - resistiu e resiste com bravura até hoje - por não se curvarem ao regime das propinas para a venda do Brasil. Toda a teia neoliberal montada no governo FHC necessitava de "garantias" já que em 2000 o governo dispunha de informações que dificilmente o então candidato do PT, o atual presidente Luís Inácio Lula da Silva, seria vencido e um eventual governo Lula colocava em risco a estrutura neoliberal e a adesão do País ao modelo em crise a tal globalização. Essa teia estendeu-se a todo o aparelho institucional. Desde o Congresso e até ao Judiciário, como, na criação de agências autônomas em setores estratégicos para os donos do Brasil. Empresários, latifundiários e banqueiros. E Gilmar Mendes foi indicado para cumprir o papel de garantir que nada mudasse, que o modelo permanecesse em sua essência. Na prática a transformação do STF em STF DANTAS INCORPORATION LTD. Basta entender Daniel Dantas como símbolo e síntese do modelo político e econômico. Quando a revista VEJA - a editora ABRIL que edita a publicação foi beneficiada por José Serra com um contrato milionário de assinaturas de revistas para garantir o apoio eleitoral em 2010. O jornalista Luís Nassif em seu blog denuncia: "As bondades para 2010" (20/4). O texto afirma que foi dada a largada para o "pacote de bondades que já vinha ajudando o caixa da Abril. Agora é a vez da Folha e do Estado. Os jornalões paulistas vão ganhar cabeças e corações em todas as escolas paulistas já que a Secretaria [estadual da Educação] vai fazer 5.449 assinaturas dos dois periódicos". Registre-se que o secretário de Educação de Serra é o ex-ministro de FHC Paulo Renato e uma de suas "missões" é privatizar as universidades públicas estaduais em São Paulo. Gilmar Mendes se insere aí. Em todo esse arcabouço legal/imoral que busca manter o modelo político e econômico. A corrupção e a impunidade é como que "prêmio" pela capacidade de bem servir aos donos do País. Cinco ministros do STF DANTAS INCORPORATION LTD trabalham para Gilmar Mendes no Instituto de Direito Público, sediado em Brasília, que mantém convênios ilegais com o governo federal, com o governo da cidade de Diamantino onde Gilmar tem negócios e seu irmão foi prefeito (recentemente Gilmar Mendes esteve na cidade para "convencer" os vereadores a cassar o atual prefeito e foi cassado, por contrariar os interesses de seu grupo e seus negócios). Os ministros Eros Grau, Marco Aurélio Mello, Carlos Ayres Brito, Menezes Direito e Carmem Lúcia são funcionários do Instituto de Direito Público propriedade de Gilmar Mendes, portanto, assalariados do presidente da STF DANTAS INCORPORATION LTD. A nota de solidariedade a Gilmar já nasce desqualificada por aí. Prestam serviços ao ministro presidente. O que o ministro Joaquim Barbosa fez foi tocar o dedo na ferida, a credibilidade da Justiça, abalada e em processo de absoluta e total desmoralização desde que Gilmar resolveu assumir seu lado bandido no caso Daniel Dantas. Falou-se numa gravação feita pela equipe do delegado Protógenes Queiroz no gabinete do presidente da "empresa" dita corte suprema. VEJA fez um escândalo em torno do assunto e hoje se sabe que a tal gravação é uma farsa, não existe, a revista apenas cumpriu seu papel em todo esse cipoal neoliberal montado no governo FHC e com o objetivo de desqualificar o delegado e o juiz De Sanctis. Por ironia os processados são os dois e por terem a mania de exercer suas funções com dignidade. Gilmar não sabe o que é isso. Em linguagem de advogados seria chamado tranquilamente de chicaneiro. Aquele advogado de porta de cadeia que fica à espera dos infelizes presos e aceita relógios, sapatos, cordões, como pagamento para defesas fajutas. O ministro Joaquim Barbosa recebeu, é fácil constatar isso, solidariedade da imensa e esmagadora maioria dos brasileiros, fato que pode ser visto nos comentários em vários portais e sites da rede mundial de computadores. Uma explosão de apoio que reflete a indignação diante da ação predadora e corrupta de Gilmar Mendes. Há que se fazer mais. Bem mais que ser solidário a Joaquim Barbosa. Há que se representar contra Gilmar Mendes e forçar a apuração de suas atividades e dos seus negócios. Isso não vai significar abalo nenhum para o processo democrático. Pelo contrário. Vai abrir perspectivas para que o STF DANTAS INCORPORATION LTD volte a ser SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Essa rede não vai ser mostrada no JORNAL NACIONAL, nem em VEJA, nem em FOLHA DE SÃO PAULO, pelo contrário. Joaquim Barbosa corre o risco de vir a ser crucificado, ou pressionado a aceitar as "regras" do jogo. O jogo é sórdido e a corrupção, por mais incrível que possa parecer, é detalhe. Por detrás de tudo isso, Gilmar Mendes, passagens de deputados e senadores utilizadas por parentes, amigos, namoradas, etc, toda essa podridão é apenas um disfarce que permite que o modelo FIESP/DASLU seja mantido. E o esforço dessa gente é um só. Contam com a mídia. Desde Arnaldo Jabor e seus comentários remunerados - a mulher é funcionária do tucanato -, a Miriam Leitão - bancária (rs) - recebe de banqueiros (deixe os bancários saber disso), às mentiras de William Bonner, a todo o conjunto da grande mídia, mesmo os pequenos da grande, caso da REDE BANDEIRANTES. O institucional está falido. Não é só a justiça. E os "lutadores do povo", expressão de César Benjamin, têm a tarefa da resistência do contrário daqui a pouco vão estar dizendo que jacaré é tartaruga e passando a escritura definitiva do Brasil na hipótese de um deles, José Serra vir a ser o presidente da República. Gilmar é o cara da hora na bandidagem. E foi isso que a reação indignada do ministro Joaquim Barbosa mostrou. A nota de solidariedade ao presidente da STF DANTAS INCORPORATION veio dos seus empregados. Aí não vale, é coação. ========================================================================================================= ----- Original Message ----- From: deda_e_ze Mário de Oliveira: Cinco juízes do STF trabalham para Gilmar Atualizado em 23 de abril de 2009 às 21:47 | Publicado em 23 de abril de 2009 às 21:41 Mário de Oliveira (23/04/2009 - 21:04) Você já entrou no site do IDP - Instituto Brasiliense de Direito Público, que é de propriedade do Ministro Gilmar Mendes? Entre os professores desse instituto estão os senhores Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha (cinco Ministros do Supremo). Ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente, a relação deles com o IDP do Presidente do Supremo. Também está na relação o Ministro Nelson Jobim. Será que não estariam ética e moralmente impedidos de se manifestarem acerca do entrevero Joaquim Barbosa X Gilmar Mendes? Nesse caso, não há conflito de interesses já que de alguma maneira os citados têm relação com Presidente do Supremo que envolve remuneração? TEXTO ORIGINAL NO ENDEREÇO: http://www.viomundo.com.br/denuncias/mario-de-oliveira-cinco-juizes-do-stf-trabalham-para-gilmar/ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090424/b0aa60f8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 22997 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090424/b0aa60f8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Apr 24 18:48:45 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 24 Apr 2009 18:48:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?As_veias_abertas_da_Am=E9rica_La?= =?windows-1252?q?tina_=96_aqui_na_=EDntegra___________Leia=2C_rele?= =?windows-1252?q?ia=2C_incentive_a_leitura?= Message-ID: <014b01c9c526$7198acb0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Marucia cabral As veias abertas ? aqui na íntegra Leia, releia, incentive a leitura Dias atrás o presidente Hugo Chávez deu um mimo ao presidente Barack Obama. A obra ?As veias abertas da América Latina?, editado na década de 70, e um clássico da literatura política de denúncia das mazelas do então chamado Terceiro Mundo. Hoje, essa expressão está em desuso, porque o Terceiro Mundo penetrou Nova York, em Londres, em Paris e Tóquio, ao mesmo tempo que temos Primeiro Mundo em Santiago, Rio de Janeiro, Joannesburgo ou Lima. O livro de Galeano começa assim: Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. [...] Um texto excelente do grande escritor Eduardo Galeano, outro uruguaio genial. Capture, leia, releia, guarde e divulgue as 201 páginas da obra de Eduardo Galeano, aqui na íntegra (em pdf). Redator: Cristóvão Feil -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090424/ce3b2849/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 19776 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090424/ce3b2849/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090424/ce3b2849/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Apr 25 17:09:46 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 25 Apr 2009 17:09:46 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Vida=2C_luta_e_mart=EDrio_do_sa?= =?windows-1252?q?rgento_Manoel_Raimundo_Soares_=281=29?= Message-ID: <04a101c9c5e1$c82ebef0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. A Carta O Berro publica à partir de hoje, o primeiro de quatro séries do texto produzido por dois historiadores, Mário Maestri e Helin Ortiz, sobre Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares . Vocês vão conhecer, na história do Brasil, a experiência de vida e de luta, assim como o mártírio do sargento Manoel Raimundo Soares, com a instalação da ditadura, suas práticas, seus métodos e a maneira de silenciar seus opositores. Uma história fantástica com toda a dimensão do que foi 1964. São quatro séries - publicados inicialmente no Correio da Cidadania. Este é o primeiro texto. Aguarde os demais nos sábados seguintes. Vanderley Vida, luta e martírio do sargento Manoel Raimundo Soares (1) Escrito por Mário Maestri e Helen Ortiz -Abr-2009 Fundada há quase 400 anos na boca do Amazonas, a cidade de Belém domina o norte brasileiro. Hoje, sua região metropolitana supera os dois milhões de habitantes, vivendo em condições que lembram as que ensejaram, há mais de 160 anos, a luminar revolta social cabana. Em fins dos anos 1930, Belém mantinha seu perfil colonial, com seus suntuosos casarões e as mangueiras que, ao longo das ruas centrais, esforçavam-se para amainar o calor equatorial opressivo. Na época, possuiria pouco mais de cem mil moradores, em geral de pele morena, herdada dos antigos senhores dessas regiões. Em 15 de março de 1936, Etelvina Soares dos Santos pariu Manoel Raimundo, possivelmente em sua residência humilde. Como tantas outras mulheres paraenses fortes, criou o menino e seus dois irmãos desejando-lhes um futuro melhor como trabalhadores dignos. Manoel Raimundo mostrou-se logo menino muito inteligente e de fibra. Após concluir o primário no Grupo Escolar Paulino de Brito, cursou estudos técnicos no Instituto Lauro Sodré, enquanto trabalhava em oficina mecânica. Em 1953, com apenas 17 anos, Manoel Raimundo abandonou a pacata Belém para morar com conhecidos na capital federal, então grande palco dos fortes confrontos políticos e sociais que dilaceravam o Brasil. Por se envolver neles, mais e mais, com a galhardia dos velhos guerreiros cabanos, o menino de dona Etelvina conheceria a morte, na luta por seus ideais, aos trinta anos, distante de sua terra natal, nas águas geladas do rio-estuário da capital do Brasil meridional. A crise do nacional-desenvolvimentismo Em 1950, três anos antes de Manoel Raimundo chegar ao Rio de Janeiro, o rio-grandense Getúlio Vargas elegera-se presidente da República, com 48,7% dos votos, pelo PSD, PTB e PSB, propondo continuar a industrialização nacional autônoma, apoiada no mercado interno. Durante a campanha eleitoral, atacara a "velha democracia liberal e capitalista" e defendera o "industrialismo" e os "direitos trabalhistas". Seu governo seria varado por graves conflitos e contradições. A valorização do cruzeiro e a desvalorização do preço das matérias-primas no mercado internacional deprimiam o valor das exportações, exigindo o controle governamental das remessas de lucros e de dividendos, necessário à compra de tecnologia, de equipamentos, de petróleo etc. Como no Estado Novo, o getulismo expressava, sobretudo, a burguesia industrial e os proprietários agropastoris voltados para o mercado interno, e, agora, secundariamente, o operariado fabril, mantido na subordinação social, política e ideológica. O governo Vargas iniciou-se com orientação nacional-desenvolvimentista moderada, oferecendo abertura aos capitalistas estrangeiros, desde que associados aos nacionais e respeitosos aos "interesses do país". Então, o Brasil tinha 52 milhões de habitantes. As classes industriais, médias e operárias haviam se fortalecido grandemente em relação ao Estado Novo, enquanto decrescera o poder dos exportadores, organizados, sobretudo, na UDN, que expressava igualmente o imperialismo e o capital financeiro. Nova relação de forças O novo governo Vargas ampliou a intervenção do Estado na economia que levara, no Estado Novo, à criação da Companhia Siderúrgica Nacional e da Companhia Hidroelétrica do Vale do São Francisco. Foram fundados os bancos da Amazônia e do Nordeste; o BNDE e a Eletrobrás. Em 1951, ditou-se o monopólio estatal sobre o petróleo e minerais radioativos. Em 1953, a fundação da Petrobrás galvanizou os sentimentos nacionalistas da população e, a seguir, restringiu a hemorragia das contas públicas com as importações do petróleo. A estreiteza do mercado interno e da poupança nacional emperrava o nacional-desenvolvimentismo. O mercado urbano era limitado e o rural, menor. Os salários fabris aproximavam-se ao mínimo necessário à subsistência. O prosseguimento do padrão nacional-desenvolvimentista burguês exigia maiores investimentos e maior consumo, através do fim do latifúndio (sem indenização), da generalização das leis trabalhistas, da elevação dos salários, de maior participação estatal na economia etc. Essas medidas democrático-burguesas sequer interessavam aos industrialistas ligados ao governo, pois fortaleceriam o mundo do trabalho e quebrariam o pacto agrário-industrial, que assegurava a manutenção do latifúndio. Em agosto de 1954, o suicídio de Vargas assinalou o fim da capacidade e disposição do capital industrial nacional de garantir ao país desenvolvimento capitalista tendencialmente autônomo. Nesse momento, ele já abandonara maciçamente a política populista, com a qual subordinara os trabalhadores industriais urbanos aos seus interesses. Rápida progressão Em 1955, meses após a comoção nacional causada pelo suicídio de Getúlio Vargas, Manoel Raimundo Soares, com 19 anos, alistou-se no Exército, alcançando o posto de segundo sargento, após quatro promoções. Em 20 de setembro do mesmo ano, após namoro de apenas três meses, casou-se com a jovem Elisabeth Chalupp, mineira de origem humilde, criada por família estranha, trabalhando no Rio de Janeiro como operária industrial. Manoel Raimundo gostava de chamar a esposa de Betinha e Beta. Falta-nos ainda informação mais precisa sobre a precoce e destacada participação do jovem sargento paraense nos conflitos vividos pela sociedade e, junto com ela, pelas Forças Armadas, nesses anos em que o país foi fortemente tensionado por iniciativas golpistas conservadoras, com destaque para a tentativa de deposição de Goulart, em 1961. Ensaio golpista derrotado que transformou o jovem governador sulino Leonel Brizola no principal líder popular-nacionalista e grande referência para o movimento dos suboficiais do Exército, Marinha e Aeronáutica. Desde o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), Manoel Raimundo começara a despontar como militante de vanguarda da luta pela organização sindical e política dos suboficiais do Exército. Araken Vaz Galvão, seu companheiro de farda e de luta, assinala que, por volta de 1958, ele vivia em Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e servia, como escrevente, no Batalhão Escola de Saúde, em Magalhães Bastos. Nesse então, Manoel Raimundo exercia o que Araken definiu como "liderança suave, relacionada com os problemas" dos sargentos discutidos no Clube da classe, transformando-se, logo, em um dos "principais fundadores" do "Movimento dos Sargentos", assim batizado por ele. Além de outras reivindicações sindicais e democráticas, os suboficiais do Exército mobilizavam-se pelo direito de progressão ao oficialato; pelo direito de casamento civil, sem autorização do Exército; pela estabilidade após cinco anos de serviço; pela elegibilidade ao parlamento dos suboficiais. Por sua cultura, inteligência e decisão, Manoel Raimundo era referência para seus companheiros de farda. O ex-subtenente pára-quedista do Exército Jelsi Rodrigues descreve-o como homem de estatura baixa e corpo franzino, "cabeçudo", de "bigodinho", de pele levemente morena, habitual do paraense, muito culto e sobremaneira corajoso. O ex-sargento Araken Galvão, seu particular amigo, lembra que era um "grande orador" e "neurótico por cultura", tendo procurado intelectuais como o sociólogo Vinícius Caldeira Brant, o filósofo Álvaro Vieira Pinto, entre outros, para ampliar os horizontes do movimento dos sargentos. Antes mesmo do golpe, Manoel Raimundo interessava-se pela literatura marxista, lendo e divulgando Marx, Engels, Lênin. Na ante-sala do golpe No mínimo desde 1963, Manoel Raimundo preocupava-se com a necessidade de organizar resistência ao golpe militar, que se aproximava, tendo procurado preparar as condições para resistência, na Serra do Mar, nas proximidades do Rio de Janeiro, possivelmente inspirado na experiência cubana. O que lhe ensejou inquérito no Exército, por desvio de armas e cooptação de sargentos. Devido à manifestação de sargentos do Exército, em 11 de maio de 1963, no Sindicato dos Comerciários, no centro do Rio de Janeiro, Manoel Raimundo sofreu pena disciplinar e foi transferido, do Rio de Janeiro para Campo Grande, no Mato Grosso, o mesmo ocorrendo com seus companheiros, promotores da reunião, do Comando Geral dos Sargentos, enviados para o mesmo estado e para outras destinações. Do manifesto de posições muito duras lido quando da manifestação, faria parte frase de autoria de Manoel Raimundo que dizia: "O martelar das oficinas, o ribombar dos tambores confundir-se-ão com o choro das crianças famintas. O instrumento de trabalho dos sargentos é o fuzil". A repressão afastou da capital da República grande parte do núcleo central do Comando Geral dos Sargentos. O golpe de Estado de 1964 Em 1964, as burguesias industrial e financeira nacionais romperam com o projeto nacional-desenvolvimentista autônomo, para impor padrão de acumulação de capitais através de maior integração ao capital mundial; super-exploração do trabalho; orientação do consumo aos segmentos ricos nacionais e ao comércio mundial etc. O golpe iniciou em Minas Gerais, em 31 de março, chefiado por militar ex-integralista, com o apoio dos EUA, que preparou intervenção no Brasil, caso houvesse resistência ? Operação Brother Sam. Em Porto Alegre, Leonel Brizola tentou reviver a Legalidade, apoiado pelo comandante do 3º Exército, pela Brigada, pelos suboficiais do Exército e da Aeronáutica, por populares. Em 2 de abril, já na capital sulina, João Goulart negou-se a chefiar a resistência, permitindo que o golpismo se instalasse praticamente sem oposição. João Goulart viajou para uma sua estância em São Borja e, dali, para o Uruguai. O PCB, única organização de esquerda com força sindical e popular, subordinara a oposição ao golpismo à direção de Goulart e ao esquema militar organizado em torno de altos membros das forças golpistas. Políticos e historiadores defenderam e defendem a negativa de João Goulart de opor-se ao golpe como ato que impediu "derramamento de sangue" no Brasil, tese proposta pelo próprio ex-presidente. A imposição da ditadura sem resistência ensejou a maior derrota histórica que o mundo do trabalho e da democracia jamais viveu no Brasil, com gravíssimas conseqüências para o país, para a América Latina e para o mundo, que se mantêm até hoje. Golpismo em marcha Após o golpe e o "Ato Institucional" n.º1, de 9 de abril, ao qual seguiriam outros, a alta oficialidade militar interveio nas associações sindicais e profissionais, no legislativo, no executivo e no judiciário; expurgaram, prenderam, torturaram opositores, que abandonaram comumente o país, quando puderam, sobretudo pelo Uruguai, onde se encontravam João Goulart e Leonel Brizola, com as relações políticas e pessoais cortadas. O golpe militar, apoiado pelas classes proprietárias do Brasil, objetivava relançar o padrão de acumulação de capital, a partir de bases distintas das nacional-desenvolvimentistas, que exigiam, como visto, reformas estruturais não aceitas mesmo pelo capital industrial nacional. A ditadura militar expressava também a necessidade dos capitais externos, sobretudo estadunidenses, de intervenção mais direta no país, onde haviam conquistado maiores posições. Sob a direção do general Castelo Branco, expressão do capital financeiro e imperialista, o governo implementou política liberal e recessiva, que estendeu a seguir o descontentamento até mesmo a setores que haviam apoiado o golpe, com destaque para as classes médias, ensejando a primeira tentativa de reunificação de oposição anti-ditatorial política superestrutural, a fracassada Frente Ampla, de 1966, promovida sobretudo por Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek e João Goulart. Mário Maestri, historiador, é doutor em História pela UCL, Bélgica, e professor do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. E-mail: maestri at via-rs.net Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email Helen Ortiz, historiadora, é mestre em História pela Universidade de Passo Fundo (UPF), no Rio Grande do Sul. Publicado em: O direito na história: o caso das mãos amarradas. Porto Alegre: Tribunal Regional Federal da 4ª. Região, 2008. pp. 177-200. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090425/1256ac75/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3525 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090425/1256ac75/attachment-0003.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3546 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090425/1256ac75/attachment-0004.png -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/png Size: 3548 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090425/1256ac75/attachment-0005.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 26 12:48:37 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 26 Apr 2009 12:48:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_m=FAsicas_selecionadas_________?= =?windows-1252?q?_________________________________________________?= =?windows-1252?q?___________________________________HOJE_=C9_DOMIN?= =?windows-1252?q?GO!?= Message-ID: <027e01c9c686$7690fae0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Jorge Pavão Internacionais Brasileiras a.. Don Friedman - Invitation b.. Nulle and Verdensorkestre - Stardust c.. New York Voices - Early Autumn d.. Diana Krall - Cry me a River e.. Four Freshmen - I´m getting sentimental over you f.. Bill Evans - Autumn in New York - How about You g.. Susannah McCorkle - Love is here to stay h.. George Benson - This is all I ask i.. Monica Mancini - Mr Lucky j.. Michel Legrand - Summer of 42 k.. Johnny Mathis - Misty l.. Frank Sinatra - What are you doing the rest of your life m.. Thelma Houston - Don´t Misunderstand n.. Susanah McCorkle - Nuages o.. Carol Sloane - Makin´ Whoopee p.. Don Stiernberg - Easy Living q.. Chris Connor - Drinking Again r.. Maxine Sullivan - How about You? s.. The Airmen of Note - Sophisticated Lady t.. Count Basie - Katy a.. Zélia Duncan - Sábado em Copacabana b.. Paulo Bellinati - Duas Contas c.. Ed Motta - Outono no Rio d.. Leny Andrade - A volta e.. Martinália - Meiga Presença f.. Gal Costa - As time goes by g.. Baden Powell - Violão Vagabundo h.. Eliana Elias - Vivo Sonhando i.. Fátima Guedes - Dancing Cassino j.. Hamilton de Holanda - Isto Aqui o que É k.. João Bosco - Não me arrependo de Nada l.. Maria Rita - Menininha do Portão m.. Menescal,Miele e Wanda - Copacabana de Sempre n.. Nana Caymmi - Resposta ao Tempo o.. Os Cariocas - Prêt à Porter de Tafetá p.. Paulinho da Viola - Coisas do Mundo, minha Nega q.. Simone - É Festa r.. Taiguara - Gente Humilde s.. Os Cariocas - Sampa t.. Emílio Santiago - E muito mais -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090426/2e4f1848/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Apr 26 12:52:41 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 26 Apr 2009 12:52:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Convite para o debate do Sabado Resistente no dia 2 de Maio 2009 no Memorial da Resistencia O PAPEL DA RESISTENCIA DA CLASSE TRABALHADORA DURANTE A DITADURA MILITAR E NOS DIAS DE HOJE Message-ID: <029201c9c687$09557590$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Sábado Resistente Data: 02 de maio de 2009, das 14h às 17h30 Local: Memorial da Resistência - Largo General Osório, 66 - Luz O PAPEL DA RESISTENCIA DA CLASSE TRABALHADORA DURANTE A DITADURA MILITAR E NOS DIAS DE HOJE Em homenagem ao Primeiro de Maio, Dia Internacional dos Trabalhadores, o Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum de Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e o Memorial da Resistência convidam para um debate sobre a importância da classe operária e demais trabalhadores na resistência ao regime militar e, também, o papel atual da organização dos trabalhadores na luta pela democratização da sociedade brasileira e o significado da estrutura sindical brasileira. Neste marco, lembraremos a trajetória de 4 companheiros operários que, assassinados pela repressão política da ditadura, deram a vida pela conquista das liberdades e da Justiça Social. São eles: OLAVO HANSEN, LUIZ HIRATA, MANOEL FIEL FILHO e SANTO DIAS Programa: 14h - 14h15: Apresentação/Coordenação: Katia Felipini Neves - Museóloga - Memorial da Resistência. Ivan Seixas - Jornalista - Ex-preso político - Diretor do Núcleo de Preservação da Memória Política 14h15 -15h45: Palestras Moderador: Raphael Martinelli Advogado. Líder sindical ferroviário e ex- dirigente do CGT - Comando Geral dos Trabalhadores, ex-preso político. Presidente do Fórum Permanente dos Ex-presos e Perseguidos Políticos de São Paulo Debatedores: Waldemar Rossi Metalúrgico aposentado, coordenador da Pastoral Operária da Arquidiocese de São Paulo. Fundador da Oposição Metalúrgica de São Paulo - MOMSP Iram Jácome Rodrigues Sociólogo e professor da Faculdade de Economia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade de São Paulo 14h15 -16h40: debate 16h45 -17h30: visita ao Memorial da Resistência O Sábado Resistente é promovido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política do Fórum dos Ex- Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo e pelo Memorial da Resistência. É o espaço de discussão entre companheiros combatentes de ontem e de hoje, amigos, estudiosos, estudantes e visitantes do Memorial da Resistência para o debate de temas ligados às lutas contra a repressão, em especial à resistência ao regime militar, implantado com o golpe de Estado de 1964. Nossa preocupação é estimular a discussão e o aprofundamento dos conceitos de Liberdade, Igualdade e Democracia, fundamentais ao Ser Humano em busca de sua libertação. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090426/48a28998/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 2409 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090426/48a28998/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 27 19:56:02 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 27 Apr 2009 19:56:02 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_COMUNICADO_AOS_MEUS_CAROS_AMIGOS_?= =?iso-8859-1?q?/_e_DIA_1=BA_DE_MAIO_GUIMAR=C3ES_ROSA__no_Ribeir=E3?= =?iso-8859-1?q?o_Em_Cena_-_Rua_Lafaiete=2C_1084_-_Centro_-_Ribeir?= =?iso-8859-1?q?=E3o_Preto_-_SP?= Message-ID: <02d301c9c78b$571cb310$0200a8c0@vcaixe> CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Ribeirao Em Cena Espaço Santelisa ATORES VÃO TRABALHAR GUIMARÃES ROSA NO 1º DE MAIO O elenco do Núcleo de Investigação Teatral (NIT), formado por bolsistas da ONG Ribeirão Em Cena, não vai ter folga no feriado de 1º de maio. O grupo viaja para Jacuí, sul de Minas Gerais, onde o professor e diretor José Maurício Cagno fará um trabalho de pesquisa e experimentações na natureza, apoiado no texto 'Grande Sertão: Veredas', de Guimarães Rosa. Os atores que vão ficar três dias no retiro artístico, são os mesmos que fugiram do carnaval pra participar da primeira etapa do trabalho. "Foi bastante proveitoso trabalhar nossos textos em contato com a natureza. O ator quando sai do caos urbano consegue vivenciar coisas diferentes, aprimorando e aflorando o processo de criação de personagens e cenas", comentou Cagno. A relação direta com o ambiente natural faz parte das pesquisas dos elementos terra, água, fogo, ar, luz, humano e divino - conhecidos na Yoga e no Tai Chi Chuan. Segundo Cagno, a segunda etapa da viagem vai possibilitar aos atores um laboratório ainda mais rico. "Agora vamos trabalhar textos que eles mesmos criaram, poesias e ainda com o texto do Guimarães Rosa. Vamos trabalhar o ar em um lugar aberto, perto de montanhas. Temos um rio à nossa disposição para trabalharmos com o elemento água", comentou Cagno. Para o ator Joubert Oliveira, que está indo pela segunda vez, a viagem provoca e sensibiliza o ator a pensar de formas diferentes. "Nós vivemos em uma floresta de cimento. Barulhos de carros e máquinas contrastando com o barulho do vento, o ar puro. Viajar pra um lugar distante, faz com que os elementos fiquem ainda mais aflorados", declarou Oliveira. Vivências com Eugênio Barba O ator José Maurício Cagno participou de um workshop de quatro dias com o diretor Eugênio Barba, nos moldes da viagem programada pelo Núcleo de Investigação Teatral. "A experiência de conviver em grupo é muito importante. Tive essa oportunidade quando participei do workshop com o Eugênio Barba. O relacionamento é inevitável e a gente acaba conhecendo melhor uns aos outros", lembrou Cagno, que ficou em uma chácara com outros 17 atores, mais o fundador do Odin Teatret - Cia. formada em Oslo, Noruega. Legenda Foto: Professor José Maurício e bolsistas do NIT no Débora Duboc. -- ONG Ribeirão Em Cena Rua Lafaiete, 1084 - Centro Site: www.ribeiraoemcena.org.br Telefone: (16) 3610-7770 ================================================================================================================================================================ ----- Original Message ----- From: Antonio Gilson Brigaghao Meus caros amigos, há um ano e meio, minha filha, adquiriu a Rose Ballet School, tradicional escola de ballet de Ribeirão Preto. De lá prá cá, Flávia trabalhou duro para implantar um programa de qualidade total administrativa e pedagógica. Este programa está atingindo agora a primeira fase. Hoje, completamente reestruturada, a Rose Ballet School tem em seu corpo docente professores de altíssimo nível a exemplo de Márcio de Oliveira, Carlos Fonseca, Débora Silva, Fernanda Antolini, Márcia Delmondes, Fernanda Monteiro ,Lizandra Costa e grandes projetos para executar. Oficializada pelo MEC a Rose Ballet oferece ensino do Clássico desde o Baby Class, Contemporâneo, Jazz, Sapateado, Ballet Adulto Para Iniciantes,Flamenco,Danças Urbanas,Folclóricas e entre outras atividades produziu recentemente dois belíssimos espetáculos: O Mágico de Oz e Sylvia A Ninfa de Diana, ambos apresentados com muito sucesso no Teatro Municipal. Bem, mas para encurtar a conversa, estou comunicando que também vou entrar nesta dança. Atendendo um apelo da Flávia, a partir de agora vou dividir o tempo entre o Ribeirão Em Cena e a Rose. Estou assumindo de corpo e alma a direção de Novos Projetos da Escola. Espero poder contar com todos vocês na condução deste novo desafio. Mais que isso, vou precisar muito de vocês. De idéias, participação,recomendações... Sei que posso contar com o apoio. Recebam um abraço do Gilson Filho Foto: Melissa Penteado aluna Rose Wynn Ballet School -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090427/8e041620/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Apr 27 19:56:37 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 27 Apr 2009 19:56:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Poemas_em_v=EDdeo_de_Marcos_d?= =?windows-1252?q?=B4=C1vila_Nunes?= Message-ID: <02de01c9c78b$6ccfd070$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Poemas em vídeo com os sentimentos do professor Marcos d´Ávila Nunes . Quem quiser comentar basta clicar no nome acima. POEMA: PORTAS FECHADAS... (Atual) http://www.youtube.com/watch?v=97cG7Dvl0Do POEMA: NOBRE_GUERREIRO http://www.youtube.com/watch?v=oFeaR_5iZAo MENSAGEM: O HOMEM TEM QUE TER FÉ... http://www.youtube.com/watch?v=WdjFk8jN3KI -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090427/068a8a36/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090427/068a8a36/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 28 10:17:17 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 28 Apr 2009 10:17:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_HOJE_!_C=EDrculo_Gramsciano_convi?= =?iso-8859-1?q?da__ciclo_de_depoimentos_sobre_a_hist=F3ria_da_orga?= =?iso-8859-1?q?niza=E7=E3o_dos_trabalhadores_na_regi=E3o_de_Ribeir?= =?iso-8859-1?q?=E3o_Preto__com_Patroc=EDnio_Henrique_dos_Santos?= Message-ID: <05f701c9c803$a74a6ee0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Marcelo Pedroso Goulart -------------------------------------------------------------------------------- Círculo Gramsciano ciclo de depoimentos sobre a história da organização dos trabalhadores na região de Ribeirão Preto -------------------------------------------------------------------------------- PATROCÍNIO HENRIQUE DOS SANTOS, ex-diretor da UGT-União Geral dos Trabalhadores de Ribeirão Preto (década de 1960), militante das causas populares (O Petróleo É Nosso, conflito Posseiros X Grileiros em Goías - anos 1950), membro ativo do PCB, é o nosso convidado da próxima terça-feira -------------------------------------------------------------------------------- Dia: terça-feira, 28.4.2009, às 19h30 Local: MCO-UGT, rua José Bonifácio, 59, centro, Ribeirão Preto -------------------------------------------------------------------------------- Não perca!!! Entrada franca -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090428/cea84c0a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Apr 28 19:09:24 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 28 Apr 2009 19:09:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_=22EL_DERECHO_AL_DELIRIO=22_de___?= =?iso-8859-1?q?Eduardo_Galeano__-_em_espanh=F3l_-_VALE_LER!!!?= Message-ID: <095001c9c84d$fd9c3680$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Rosa Maria -------Original Message------- From: Luis E. Aguilera EL DERECHO AL DELIRIO" Eduardo Galeano VIRTIN RED INFORMATIVA El derecho al delirio Eduardo Galeano El derecho al delirio Ya está naciendo el nuevo milenio. No da para tomarse el asuntodemasiado en serio: al fin y al cabo, el año 2001 de los cristianos esel año 1379 de los musulmanes, el 5114 de los mayas y el 5762 de losjudíos. El nuevo milenio nace un primero de enero por obra y gracia deun capricho de los senadores del imperio romano, que un buen díadecidieron romper la tradición que mandaba celebrar el año nuevo en elcomienzo de la primavera. Y la cuenta de los años de la era cristianaproviene de otro capricho: un buen día, el papa de Roma decidió ponerfecha al nacimiento de Jesús, aunque nadie sabe cuando nació.El tiempo se burla de los límites que le inventamos para creernos elcuento de que él nos obedece; pero el mundo entero celebra y teme estafrontera.Una invitación al vuelo Milenio va, milenio viene, la ocasión es propicia para que losoradores de inflamada verba peroren sobre el destino de la humanidad,y para que los voceros de la ira de Dios anuncien el fin del mundo yla reventazón general, mientras el tiempo continúa, calladito la boca,su caminata a lo largo de la eternidad y del misterio. La verdad sea dicha, no hay quien resista: en una fecha así, porarbitraria que sea, cualquiera siente la tentación de preguntarse cómoserá el tiempo que será. Y vaya uno a saber cómo será. Tenemos unaúnica certeza: en el siglo veintiuno, si todavía estamos aquí, todosnosotros seremos gente del siglo pasado y, peor todavía, seremos gentedel pasado milenio. Aunque no podemos adivinar el tiempo que será, sí que tenemos, almenos, el derecho de imaginar el que queremos que sea. En 1948 y en1976, las Naciones Unidas proclamaron extensas listas de derechoshumanos; pero la inmensa mayoría de la humanidad no tiene más que elderecho de ver, oír y callar. ¿Qué tal si empezamos a ejercer el jamás proclamado derecho de soñar? ¿Qué tal si deliramos, por un ratito? Vamos a clavar los ojos más allá de la infamia, para adivinar otromundo posible: el aire estará limpio de todo veneno que no venga de los miedos humanos y de las humanas pasiones; en las calles, los automóviles serán aplastados por los perros; la gente no será manejada por el automóvil, ni será programada por la computadora, ni será comprada por el supermercado, ni será mirada por el televisor; el televisor dejará de ser el miembro más importante de la familia, y será tratado como la plancha o el lavarropas; la gente trabajará para vivir, en lugar de vivir para trabajar; se incorporará a los códigos penales el delito de estupidez, que cometen quienes viven por tener o por ganar, en vez de vivir por vivir nomás, como canta el pájaro sin saber que canta y como juega el niño sin saber que juega; en ningún país irán presos los muchachos que se nieguen a cumplir el servicio militar, sino los que quieran cumplirlo; los economistas no llamarán nivel de vida al nivel de consumo, ni llamarán calidad de vida a la cantidad de cosas; los cocineros no creerán que a las langostas les encanta que las hiervan vivas; los historiadores no creerán que a los países les encanta ser invadidos; los políticos no creerán que a los pobres les encanta comer promesas; la solemnidad se dejará de creer que es una virtud, y nadie tomará enserio a nadie que no sea capaz de tomarse el pelo;la muerte y el dinero perderán sus mágicos poderes, y ni por defunciónni por fortuna se convertirá el canalla en virtuoso caballero;nadie será considerado héroe ni tonto por hacer lo que cree justo enlugar de hacer lo que más le conviene; el mundo ya no estará en guerra contra los pobres, sino contra la pobreza, y la industria militar no tendrá más remedio que declararse en quiebra; la comida no será una mercancía, ni la comunicación un negocio, porque la comida y la comunicación son derechos humanos; nadie morirá de hambre, porque nadie morirá de indigestión; los niños de la calle no serán tratados como si fueran basura, porque no habrá niños de la calle; los niños ricos no serán tratados como si fueran dinero, porque no habrá niños ricos; la educación no será el privilegio de quienes puedan pagarla; la policía no será la maldición de quienes no puedan comprarla; la justicia y la libertad, hermanas siamesas condenadas a vivir separadas, volverán a juntarse, bien pegaditas, espalda contra espalda; una mujer, negra, será presidenta de Brasil y otra mujer, negra, será presidenta de los Estados Unidos de América; una mujer india gobernará Guatemala y otra, Perú; en Argentina, las locas de Plaza de Mayo serán un ejemplo de salud mental, porque ellas se negaron a olvidar en los tiempos de la amnesia obligatoria; la Santa Madre Iglesia corregirá las erratas de las tablas de Moisés, y el sexto mandamiento ordenará festejar el cuerpo; la Iglesia también dictará otro mandamiento, que se le había olvidado a Dios: «Amarás a la naturaleza, de la que formas parte»;serán reforestados los desiertos del mundo y los desiertos del alma;los desesperados serán esperados y los perdidos serán encontrados,porque ellos son los que se desesperaron de tanto esperar y los que seperdieron de tanto buscar; seremos compatriotas y contemporáneos de todos los que tengan voluntad de justicia y voluntad de belleza, hayan nacido donde hayan nacido y hayan vivido cuando hayan vivido, sin que importen ni un poquito las fronteras del mapa o del tiempo;la perfección seguirá siendo el aburrido privilegio de los dioses;pero en este mundo chambón y jodido, cada noche será vivida como sifuera la última. Fraces para recordar: "Solo los obreros y los campesinos Irán hasta el fin, solo la fuerza organizada lograra el triunfo." General Augusto C. Sandino "de todas las clases que hoy se enfrentan con la burguesía, solo el proletariado es una clase verdaderamente revolucionaria" Carlos Marx y Federico Engels, Manifiesto del Partido Comunista. "Cada ama de casa tiene que estar preparada para dirigir el Estado" V.I.Lenin"... "Esta es la Revolución socialista y democrática de los humildes, con los humildes y para los humildes. Y por esta Revolución de los humildes, por los humildes y para los humildes, estamos dispuestos a dar la vida... " Comandante en Jefe Fidel Castro Ruz 16 de abril de 1961 "Tenemos que hacer una lucha revolucionaria, y eso pasa, por forjar conciencia de clase. No basta el ser obrero, y eso lo decían los clásicos del marxismo, lo decía Marx... no basta ser obrero para ser revolucionario. Se necesita ¡la conciencia de clase! para ser revolucionario; para no convertirse en un instrumento de la contrarrevolución" Daniel Ortega S. Plaza de la Revolución 30 de abril de 2008 "que no se reblandezcan con los cantos de sirena del enemigo y tengan conciencia de que por su esencia, nunca dejará de ser agresivo, dominante y traicionero; que no se aparten jamás de nuestros obreros, campesinos y el resto del pueblo; que la militancia impida que destruyan al Partido" Raúl Castro Ruz Publicado por Luis E. Aguilera en 2:08 0 comentarios -- Luis E. Aguilera Director Nacional Sociedad de Escritores de Chile Presidente Sociedad de Escritores de Chile (SECH), Filial Región de Gabriela Mistral-Coquimbo Fonos (56-51) 227275 (56-51) 243198 Celular 90157729 luiseaguilera.57 at gmail.com luiseaguilera02 at gmail.com www.luiseaguilera.blogspot.com La Serena - Chile -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090428/1035cd46/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3232 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090428/1035cd46/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 41807 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090428/1035cd46/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 29 18:46:33 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 29 Apr 2009 18:46:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_O_direito_ao_delirio_-_Galeano__?= =?iso-8859-1?q?=28tradu=E7=E3o_do_texto__=22EL_DERECHO_AL_DELIRIO?= =?iso-8859-1?q?=22_=29=2E_Bel=EDssimo!?= Message-ID: <008401c9c913$f71d1650$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. From: Celeste O direito ao delírio Eduardo Galeano Tradução: Celeste Marcondes Já está nascendo o novo milênio. Não dá para levar muito a sério este assunto: afinal de contas o ano de 2001 dos cristãos é o ano 1379 dos muçulmanos, o 5114 dos maias e o 5762 dos judeus. O novo milênio nasce em primeiro de janeiro por obra e graça de um capricho dos senadores do Império Romano que um belo dia decidiu romper a tradição que mandava celebrar o Ano Novo no começo da primavera. E a contagem dos anos da era cristã é outro capricho: um belo dia o Papa decidiu ... Milênio vai, milênio vem, a ocasião é propicia para os oradores de inflamada verve perorar sobre o destino da humanidade e para os porta-vozes da ira de Deus anunciem o fim do mundo e a destruição geral, enquanto o tempo continua de boca calada, sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério. Verdade seja dita, não há quem resista: em uma data assim, por mais arbitrária que seja qualquer um sente a tentação de se perguntar como será o tempo que virá. E vai saber como será... Temos uma única certeza: no século 21, se ainda estivermos aqui, todos nós seremos gente do século passado e, pior ainda, seremos gente do passado milênio. Mesmo que não possamos adivinhar o tempo que será, temos sim, pelo menos, o direito de imaginar o que queremos que seja. Em 1948 e em 1976 a ONU proclamou extensas listas de direitos humanos; porém, a imensa maioria da humanidade não tem nada mais que o direito de ver, ouvir e se calar. Que tal se começarmos a exercer o jamais proclamado direito de sonhar? Que tal poder delirar, mesmo que seja um ratito no más? Vamos cravar nosso olhar mais além da infâmia, para antever outro mundo possível: o ar está limpo de todo o veneno dos medos humanos e das humanas paixões; nas ruas, os automóveis serão destruídos pelos cães; o povo não será manejado pelo automóvel nem programado pelo computador, nem será comprado pelo supermercado, nem será olhado pela televisão; o aparelho da TV deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de passar ou a máquina de lavar roupas; o povo trabalhará para viver em vez de viver para trabalhar; será incluído nos códigos penais o delito da estupidez, que cometem quem vive para ter ou para ganhar, em vez de viver para viver simplesmente, como canta o pássaro sem sabe que canta e como brinca a criança sem saber que brinca; em nenhum país serão presos os jovens que se negam a servir o exército, se não querem fazê-lo; os economistas não chamarão nível de vida o nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida a quantidade de coisas; cozinheiros não acreditarão que as langostas gostam de ser fervidas ainda vivas; os historiadores não acreditarão que os países ficam encantados quando são invadidos; os políticos não acreditarão que os pobres ficam encantados ao comer promessas; a solenidade deixará de ser tida como uma virtude e ninguém levará a sério a quem não seja capaz de não se levar a sério; a morte e o dinheiro perderão seus mágicos poderes e nem por falecimento ou por fortuna o canalha será convertido em virtuoso cavalheiro; ninguém será considerado herói ou idiota por fazer aquilo que acredita justo em lugar de fazer o que mais lhe convém; o mundo já não estará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza e a indústria militar não terá outra remédio do que declarar falência; a comida não será uma mercadoria nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos; ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão; as crianças das ruas não serão tratadas como lixo porque não haverá crianças de rua; as crianças ricas não serão tratadas como se fosse dinheiro porque não haverá crianças ricas; a educação não será um privilégio de quem pode pagá-la; a policia não será a maldição de quem não pode comprá-la; a justiça e a liberdade irmãs siamesas condenadas a viver separadas, voltarão a viver juntas, bem juntinhas, ombro a ombro; uma mulher negra será presidente do Brasil e outra mulher negra será presidente dos Estados Unidos, uma mulher índia governará a Guatemala e outra o Peru; na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão exemplos de saúde mental porque elas se negaram a esquecer os tempos de amnésia obrigatória; a Santa Madre Igreja irá corrigir as erratas das Tábuas de Moisés e o sexto mandamento ordenará que se festeje o corpo; a Igreja também ditará outro mandamento que Deus esqueceu: "Amarás a natureza, da qual fazes parte"; serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma; os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados porque eles são os que se desesperarão de tanto esperar e os que se perderão de tanto procurar; seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que têm vontade de justiça e vontade de beleza, tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido sem que se considerar nem um pouquinho as fronteiras do mapa ou do tempo; a perfeição continuará sendo o chato privilégio dos Deuses; porém, nesse mundo desajeitado e fudido, cada noite será vivida como se fora a última. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090429/308152e0/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Apr 29 18:47:01 2009 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 29 Apr 2009 18:47:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Livro desevenda a atualidade do pensamento de Karl Marx Message-ID: <008e01c9c914$079935e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Augusto Buonicore Livro desevenda a atualidade do pensamento de Karl Marx Em novembro de 2006, o Centro de Estudos Marxistas (Cemarx) da Universidade do Estado da Bahia realizou seu segundo seminário com o tema "Marx: intérprete da modernidade". O evento reuniu uma série de pesquisadores e estudiosos da obra de Karl Marx e buscou examinar seu pensamento de forma multilateral. Com a contribuição de Mauro Castelo Branco de Moura, Carlos Zacarias F. de Sena Jr, Muniz Ferreira, José Carlos Ruy, Ricardo Moreno, Eurelino Coelho, Sérgio Lessa, Antonio Carlos Mazzeo, Milton B. de Almeida Jr e Milton Coelho,o debate foi reunido e publicado no livro Marx: intérprete da contemporaneidade, publicado pela Quarterto Editorial, de Salvador e que será lançado no próximo dia 30, às 19 horas, na Livraria Cortez, em São Paulo. Capa do livro a ser lançado em SP Karl Marx foi eleito o maior filósofo de todos os tempos em uma pesquisa da emissora de rádio e televisão BBC, de Londres, entre os internautas. A emissora britânica anunciou, no dia 16 de julho de 2005, o resultado final da pesquisa realizada por um dos seus sítios, denonimana In our time´s greatest philosopher, para eleger o maior filósofo da humanidade. Na enquete, o resultado final colocou Marx em primeiro lugar, com 27,93% dos votos. Isto é, quase um de cada três participantes escolheru Marx como o maior filósofo de todos os tempos. Em segundo lugar, com 12,7%, menos da metade dos votos recebidos por Marx, aparece David Hume, o candidato da The Economist. Ludwig Wittgenstein, o candidato do jornal The Independent, aponta em terceiro lugar, com 6,8% e o quarto lugar é ocupado por Nietszche, com 6,49% dos votos. Platão recebeu 5,65% dos votos e ficou em quinto lugar. Depois, pela ordem Kant (candidato do diário britânico The Guardian), São Tomás de Aquino, Sócrates, Aristóteles e, finalmente, Karl Popper. Marx formulou as teorias que basearam o socialismo moderno. O seu método de análise da sociedade e da natureza influenciou ramos do conhecimento como a história, a sociologia, a economia e a ciência política. Marx deu forma às suas idéias em livros como O manifesto comunista, O capital, A ideologia alemã, A miséria da filosofia, entre outros. Influenciado pela dialética hegeliana rejeitou seus componentes idealistas e a reelaborou sobre novas bases filosóficas materialistas. Dessa forma, a dialética materialista de Marx se diferenciou tanto dos materialistas metafísicos e/ou mecanicistas do seu tempo, quanto dos dialéticos idealistas da própria escola hegeliana na qual se formou filosoficamente. Seu método investigativo buscava compreender a realidade concreta a partir da totalidade de fatores e a diversidade de relações entre estes, sendo, no entanto, o econômico determinante em última instância. A apropriação política das idéias de Marx norteou os chamados movimentos revolucionários do século 20, tornando-o o pensador mais influente de todo aquele século. A sua obra segue sendo um instrumento fundamental para a compreensão do mundo contemporâneo. Em função disso a articulação acadêmica Cemarx resolveu realizar o seminário ''Karl Marx: intérprete da contemporaneidade'', visando trazer reflexões e debates acerca da contribuição marxiana e marxista para a produção acadêmica. O produto do seminário é o debate que está publicado no livro. O seminário teve a presença massiva dos nossos estudantes, funcionários, colegas professores, militantes dos movimentos sociais e partidos da esquerda crítica do capitalismo. O evento contou também com o apoio da universidade, do Departamento de Educação do campus 2 e da participação (na coordenação) do professor Ricardo Moreno, também da Uneb (representanto o Instituto Maurício Grabois), além da presença, também na coordenação, do professor Muniz Ferreira, do programa de pós-graduação em história da UFBA. As refexões contidas no amplo debate realizado publicadas nos artigos dos conferencistas contribuem para fazer avançar as lutas sociais que estão construindo no processo histórico a emancipação humana. Serviço: Lançamento Marx: intérprete da contemporaneidade 30 de abril, às 19 horas Livraria Cortez Rua Bartira, 317 - Perdizes - São Paulo (ao lado da PUC/SP) Da redação -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090429/695dd8dd/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090429/695dd8dd/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 50445 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20090429/695dd8dd/attachment-0001.jpe