[Carta O BERRO] na democracia das galinhas... EUA -- O Mercado morreu. Deixou as dívidas para o Estado pagar...

Vanderley Caixe vanderleycaixe em revistaoberro.com.br
Segunda Setembro 8 19:21:27 BRT 2008


Carta O Berro.............................................repassem

----- Original Message ----- 
From: Beatrice 








Morreu nada, galinha engorda e faz crescer.
Nessas histórias de raposas e galinheiros, eu só quero saber é quem comeu as galinhas.
Ok, o mercado comeu as galinhas. Mas esse mercado não respira? Esse mercado não anda aí pelas ruas?
Esse mercado não paga imposto? Esse mercado não tem RG e CPF? Esse mercado não tem endereço?
Esse mercado não tem telefone, internet, carro? Esse mercado não faz doação de campanha???
O governo dos EUA estatizou o galinheiro sem as galinhas e não vai mostrar quem comeu as galinhas?
Essa raposa é esperta, ela vive na democracia das galinhas...  am

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----- Original Message ----- 
From: MVM<==>News 
Sent: Monday, September 08, 2008 4:57 PM


EUA -- O Mercado morreu. Deixou as dívidas para o Estado pagar...

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08/09/2008
Folha de S.Paulo 
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200807.htm

VINICIUS TORRES FREIRE

Mercado de mentiras e seqüestros 


Atendendo a pedidos do mercado, EUA estatizam quase metade do mercado de financiamento imobiliário 


O GOVERNO dos EUA estatizou quase metade do mercado de financiamento imobiliário. Não foi estatização? Hum. 
O governo americano tem agora 80% das ações preferenciais das duas maiores empresas do ramo, botou para fora seus diretores, nomeou os novos, cancelou os dividendos dos acionistas e, divertidíssimo, as proibiu de fazer lobby no Congresso. 

Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatização, certo? 

Antes de alguns detalhes, porém, algumas conclusões: 
1. O governo Bush, "antiestatista", termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lambança financeira; 

2. O governo procura evitar mais quebradeiras. Sim, este é um caso de "risco sistêmico" -o risco de a quebra de instituição financeira importante provocar um dominó de falências que prejudica até quem nada tem a ver com o pato. 
Mas o "racional" e "eficiente" mercado financeiro oligopolizado ("muito grande para quebrar") tem o monopólio da desculpa esfarrapada "técnica". Merece o privilégio sistêmico de ser socorrido quando ameaça todo o resto da economia, mas não paga por isso nos tempos de bonança. O outro nome dessa desculpa, "risco sistêmico", é seqüestro: se você não pagar o resgate, eu mato todo mundo; 

3. O mercadismo critica de boca cheia "instituições capturadas por grupos de interesse", os quais "politizam a gestão econômica em busca de rendas". Vivem a dizer que "instituições como bancos centrais e agências" têm de ser "independentes" e "técnicas", que o Estado não deve subsidiar empresas etc. Divertido é que, para essa gente, os "rent seekers", os seqüestradores das instituições públicas e devoradores de subsídios e impostos, são sempre os outros -nunca a finança. 

E agora? Ah, ah, ah. Mostrem-me um liberal. O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobiliárias do país a fim de evitar que elas "desmoronassem", como dizia ontem um ex-diretor do Banco Central americano. 


Freddie Mac e Fannie Mae, como são apelidadas, têm ou garantem US$ 5,6 trilhões do mercado de dívida imobiliária americano, de US$ 12 trilhões. Se quebrassem, poderia ocorrer um "tsunami financeiro", como dizia na quinta Bill Gross, diretor do maior gestor de fundos de renda fixa do planeta, o Pimco (US$ 850 bilhões). Gross pedia ainda que o governo dos EUA comprasse papéis imobiliários podres no mercado. Ontem, além de estatizar Freddie "Fraudy" Mac e Fannie "Phony" Mae, como eram reapelidadas as empresas, o governo anunciou que vai comprar papéis imobiliários. Gross, que tem muitos desses títulos, se dizia ontem "sorridente". 

O que fazem Freddie e Fannie? Grosso modo, concedem, compram e revendem financiamentos imobiliários. Isto é, negociam títulos de investimento que têm como fonte de renda a prestação da casa própria (títulos lastreados em hipotecas, "mortgage backed securities", ou MBS). Os calotes na prestação da casa própria e a perda de valor de tais títulos estão na origem da crise financeira e bancária que jogou areia nas rodas da economia mundial. Se Freddie e Fannie fossem à breca, a economia iria ao brejo. 

O que pode acontecer? Quem entende muito disso dizia ontem que pode tanto haver festa no mercado como mais medo. Bancos, fundos, hedge funds, BCs pelo planeta e outros detentores e/ou inventores da complexa dívida imobiliária americana podem respirar um pouco. Por ora, ao menos, o círculo vicioso de desvalorização pode ser atenuado. O fato de o governo ter ordenado que as empresas financiem mais hipotecas pode ajudar a derrubar os juros da prestação, que não caíram com a crise e os cortes do Fed. Mas muita ente acha que a crise não vai parar enquanto os compradores de casas endividados não receberem ajuda direta. Outros lembram que muito banco tinha ações de Freddie e Fannie, que nesta segunda devem valer menos do que pó-de-traque queimado. Mas o mais importante de tudo é: o governo americano diz e repete que não vai deixar a peteca cair. 


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08/09/2008


A vingança dos heterodoxos
www.valoronline.com.br/
http://blogln.ning.com/forum/topic/show?id=2189391%3ATopic%3A20863



Analistas como Martin Wolff, do "Financial Times", já registraram, no início do ano, a morte do sonho liberal de um capitalismo global regido pelo livre mercado. Faltava um documento oficial para decretar o óbito. Essa certidão acaba de ser lavrada - pela mais heterodoxa das organizações econômicas multilaterais, a Unctad, sigla em inglês da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. 


Críticas como a da Unctad contra o sonho liberal alimentam-se do socorro desesperado do governo dos EUA a bancos e às instituições hipotecárias Fanny Mae e Freddy Mac; da nascente recessão na Europa que se debate entre combater a inflação ou baixar juros; e da emergência das economia asiáticas fortemente impregnadas pelas digitais do Estado. Os economistas da ONU tiraram do limbo peritos de linha heterodoxa, como o neokeynesiano Nicholas Kaldor, para decretar o que chamam de "fracasso do modelo neoclássico", predominante no Ocidente. 


"Embora a maioria dos economistas concorde que os pressupostos do modelo neoclássico estão longe da realidade, este modelo continua a servir de base para as prescrições de política econômica", acusa a agência da ONU, no seu recém-lançado Informe de Comércio e Desenvolvimento 2008. O documento combate prescrições do modelo neoclássico que considera baseadas em premissas equivocadas e potencialmente danosas. 


Entre as premissas, está a de que os preços são sinais claros do mercado para corrigir distorções de oferta e demanda. A Unctad também combate a idéia de que o investimento para aumentar a produção tem de ser precedido pelo acúmulo de poupança. Contra a teoria tradicional, por exemplo, os países em desenvolvimento com mais investimentos são os que enviam ao exterior mais poupança do que recebem, nota o Informe. 


Ao lado de questionamentos teóricos sobre a teoria neoclássica de formação preços, o documento menciona os problemas criados com a influência das expectativas nos mercados financeiro sobre os mercados de mercadorias e a produção real. Os economistas da Unctad não sabem dizer o quanto a especulação influencia a atual alta de preços de mercadorias, mas comentam que a lógica de uma parte substancial dos mercados de futuros e hedge hoje descolou do terreno produtivo e atende a decisões de "diversificação de portfólios de investidores". 



Unctad vê fracasso do modelo neoclássico 


Em linguagem um pouco mais simples (só um pouco; nada no mundo atual é simples como se gostaria): ao notarem riscos maiores nos mercados de títulos, ou de ações, por exemplo, uma parte crescente de investidores do mercado financeiro tem diversificado aplicações comprando contratos de mercadorias no mercado futuro. Esses operadores não mudam de posições (comprando contratos ou vendendo os que têm) em função apenas da expectativa de mudança nos preços das mercadorias; só mexem em suas carteiras com base no que acontece nos outros mercados. A alteração no humor de investidores ganha efeito desproporcional no mercado de commodities. 


"Em vez de reduzir riscos, os complexos instrumentos financeiros desenvolvidos recentemente têm servido para espalhar o impacto de investimentos arriscados através de continentes, instituições e mercados", alerta a Unctad. A interpenetração dos mercados financeiro e de mercadorias e a arbitragem com juros e taxas de câmbio provocam movimentos que contrariam o saber convencional: países com grandes déficits nas contas externas no Leste Europeu vêem suas moedas se valorizarem e países com grandes superávits em conta corrente, como Japão e Suíça sofrem desvalorizações. Políticas baseadas nos pressupostos tradicionais podem exacerbar a crise, acreditam os economistas da ONU. 


"Seguindo a agenda do Consenso de Washington, que visava 'obter os preços corretos', muitos países mantém errados dois dos mais importantes preços - as taxas de câmbio e de juros", diz a Unctad. "Isso pode explicar por que o Consenso de Washington não se aplica em Washington: os EUA, depois de flertar brevemente com a ortodoxia monetária no começo dos anos 80, voltaram à sintonia fina da taxa de juros e a uma política monetária extraordinariamente complacente nas últimas duas décadas." 


É o tipo de leitura que, se não for descartada imediatamente com risinhos de desdém, poderia animar as reuniões do presidente Lula com seus conselheiros econômicos e o presidente do Banco Central. Mas engana-se quem quiser usar o documento da Unctad para encurralar o ortodoxo presidente Henrique Meirelles: embora condenem o aumento de juros como arma contra as atuais pressões inflacionárias, os autores reconhecem a utilidade da medida onde haja risco de uma espiral de aumentos de preços e salários - e listam o Brasil entre os países em que essa mexida nos juros pode, talvez, se justificar. 


Já os nacionalistas encontrarão, no documento, argumentos empíricos para bradar que o petróleo do pré-sal é nosso. Os ganhos adicionais com o abrupto crescimento de preços internacionais de petróleo e minerais chegaram a representar entre 4% a 7,5% dos Produto Interno Bruto dos países exportadores dessas commodities, mas parte dessas receitas adicionais geraram apenas maiores remessas de lucros feitas pelas empresas transnacionais envolvidas na exploração de recursos naturais, afirma a Unctad. Em países como Chile, Peru e Zâmbia, cerca de 60% ou mais dos ganhos com os aumentos de preços foram convertidos em remessas de lucros ao exterior. 


O Informe dá argumentos em defesa do crédito dirigido para investimentos, e cita o BNDES brasileiro como bom exemplo. No capítulo de propostas para lidar com a crise mundial, porém, apela para uma utópica coordenação multilateral para criar, nos mercados financeiros e na administração das taxas de câmbio, regras e códigos de conduta como os que a desmoralizada OMC aplica ao comércio internacional. O relatório completo, em inglês ou espanhol, está no portal www.unctad.org . 


Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras 


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08/09/2008
FSP
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200802.htm

Crise


EUA criam ajuda de US$ 200 bi a imobiliárias 


Governo anuncia pacote para salvar as duas empresas que dominam o setor de crédito destinado à compra de imóveis

Gigantes do mercado estão sob intervenção federal, por tempo indeterminado, e já funcionam como se fossem duas estatais



FERNANDO RODRIGUES
ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK


O governo dos Estados Unidos anunciou ontem um pacote de salvamento de até US$ 200 bilhões para as duas empresas que dominam o setor de crédito imobiliário do país, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Esse valor será usado para eventualmente comprar ações preferenciais das gigantes do mercado, que estão desde ontem sob intervenção federal e já funcionando como se fossem duas estatais. Ficarão nessa situação por tempo indeterminado.

Depois de concluída, essa operação de resgate deve ser a maior da história dos Estados Unidos. No primeiro semestre, o recorde já tinha sido estabelecido com a participação do Federal Reserve (BC dos EUA) bancando uma operação de venda do banco de investimento Bear Stearns para o JPMorgan. Nessa ocasião, o Fed teve de empenhar US$ 29 bilhões.

Ainda não está claro o custo final, para os contribuintes, do salvamento da Fannie Mae e da Freddie Mac. Pelo tamanho das empresas, estima-se que o valor final passará com folga a marca do socorro usado no caso do Bear Stearns.
A Fannie Mae e a Freddie Mac são empresas que trabalham no mercado de compra e venda de títulos baseados nos empréstimos imobiliários oferecidos por todo o sistema financeiro dos Estados Unidos. Nos últimos dois anos, esse mercado começou a esfriar, com toda a economia do país.
A inadimplência atingiu 9,2% dos empréstimos, segundo a Mortgage Bankers Association. Esse é o maior percentual dos últimos 39 anos, desde que o levantamento começou a ser realizado. Juntas, tiveram prejuízo de US$ 14 bilhões nos últimos 12 meses.


Evitar crise maior
As duas empresas entraram em parafuso por causa da alta concentração dos negócios dentro de suas carteiras, sendo muitos dos papéis de má qualidade. Em 2005, ambas respondiam por 38% do mercado de compra e venda de títulos de empréstimos imobiliários.

Conforme o setor foi se desfazendo dos ativos podres, elas foram absorvendo-os -segundo informações iniciais disponíveis, de maneira imprudente.

Ontem, o jornal "The New York Times" publicou reportagem afirmando que as empresas maquiaram seus balanços inflando artificialmente o valor das reservas que teriam para cobrir perdas por inadimplência. Essa contabilidade problemática acabou sendo um dos fatores principais para que o governo decidisse intervir de uma vez para evitar uma crise generalizada no mercado.

De 2005 para cá, a Fannie Mae e a Freddie Mac aumentaram seu domínio do mercado de 38% para 68%, o que equivale a US$ 5,3 trilhões em garantias a empréstimos ou empréstimos concedidos. Como comparação, o PIB do Brasil foi estimado em 2007 em US$ 1,31 trilhão (as duas empresas equivalem a mais de quatro "brasis").

Se ficassem apenas à mercê do mercado, haveria risco real de crise sistêmica, foi o argumento do governo. "Um fracasso de uma das duas poderia causar grande desarranjo nos nossos mercados financeiros e no mundo todo", disse Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA (equivalente ao ministro da Fazenda no Brasil).

A decisão de fazer uma intervenção federal foi tomada nos últimos dias e foi apenas comunicada ao público ontem para evitar turbulência maior nos mercados acionários. O anúncio também foi feito logo cedo nos EUA para que as Bolsas de Valores na Ásia tivessem tempo de digerir todos os detalhes.

O comunicado oficial foi feito por Paulson e por James Lockhart, diretor da agência federal que supervisiona empréstimos imobiliários, a FHFA (do nome em inglês "Federal Housing Finance Agency"). Caberá a este a responsabilidade pelas empresas enquanto elas estiverem sob o comando de interventores.


Em resumo, o pacote tem os seguintes itens principais:
1) intervenção: desde ontem as duas empresas estão sob o controle de dois interventores federais por tempo indeterminado. Herb Allison responderá pela Fannie Mae e David Moffett pela Freddie Mac;

2) demissão: foram afastados os executivos Richard Syron e Daniel Mudd, da Freddie Mac e da Fannie Mae, respectivamente. Eles aceitaram colaborar com a transição e devem, em tese, ajudar os interventores na fase inicial do processo de saneamento. Ambos receberão normalmente as indenizações previstas em seus contratos (Syron deve embolsar até US$ 15 milhões; Mudd, cerca de US$ 14 milhões);

3) funcionamento: as duas empresas abrem hoje normalmente;

4) dividendos: serão suspensos os pagamentos de dividendos para todas as ações preferenciais e ordinárias. Essa medida deve dar uma economia de US$ 2 bilhões por ano para as duas empresas;

5) saneamento: para assegurar que as empresas não fiquem sem dinheiro na fase inicial, o Tesouro comprará US$ 1 bilhão de ações preferenciais de cada uma delas, imediatamente;

6) novo modelo: o secretário Paulson deseja remodelar o sistema de títulos do setor imobiliário. O objetivo será evitar a concentração que ocorreu nos últimos dois anos. Durante a intervenção, deve ser reduzida à força a hegemonia das empresas, fator apontado como um dos principais para o descontrole do mercado.


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