From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 1 19:22:45 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 1 Sep 2008 19:22:45 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_DOSSI=CA_VIRTUAL_=3A_Anistia_e_Cr?= =?iso-8859-1?q?imes_de_Lesa_Humanidade?= Message-ID: <133a01c90c81$420a8530$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Marcelo 1ª visita ao site, por favor baixe o plugin -- .: clique aqui para baixar o plugin :. -------------------------------------------------------------------------- DOSSIÊ VIRTUAL: ANISTIA E OS CRIMES DE LESA HUMANIDADE -------------------------------------------------------------------------- CAMPANHA DE ESCLARECIMENTO SOBRE A DISCUSSÃO DA LEI DA ANISTIA FAÇA UM LINK EM SUA PÁGINA PARA O DOSSIÊ VIRTUAL. (use a img anexa) ACESSE A VIDEOTECA DIGITAL DO ARMAZÉM MEMÓRIA E FIQUE POR DENTRO DA DISCUSSÃO SOBRE A PUNIÇÃO AOS TORTURADORES DO REGIME MILITAR E SAIBA O QUE ESTE ASSUNTO TEM A VER COM O NOSSO PRESENTE. ABRA O LINK ABAIXO, SALVE EM SEUS FAVORITOS E ASSISTA AOS POUCOS A ÍNTEGRA DE VÁRIOS EVENTOS QUE TEM RELAÇÃO COM O TEMA. DIVULGUE EM SUAS LISTAS CONTRA A IMPUNIDADE! clique aqui para abrir o Dossiê Virtual Anistia e Crimes de Lesa Humanidade Se você não deseja mais receber os Informativos do Armazém Memoria, clique aqui. -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- Internal Virus Database is out-of-date. Checked by AVG. Version: 7.5.524 / Virus Database: 270.6.7/1631 - Release Date: 24/8/2008 12:15 -------------------------------------------------------------------------------- Internal Virus Database is out-of-date. Checked by AVG. Version: 7.5.524 / Virus Database: 270.6.7/1631 - Release Date: 24/8/2008 12:15 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080901/173d87b4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 17045 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080901/173d87b4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 134212 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080901/173d87b4/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 2 16:32:37 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 2 Sep 2008 16:32:37 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_MANUAL_M=C9DICO_DE_SA=DADE?= Message-ID: <029301c90d32$a85a35e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: João Carlos MANUAL MÉDICO EXCELENTE!!! Para quem ainda não o tem... colocar nos Favoritos MANUAL MÉDICO A 'Merck Sharp & Dohme' tem traduzidas em 18 línguas diferentes a sua obra 'Saúde para a Família'. Graças às suas características de texto conciso, de rigor, e de facilidade de consulta, obteve o status de obra de referência. Agora, já acessível em português (de Portugal) e gratuitamente (Manual Merck de Saúde) no site: (clique no site abaixo) http://www.manualmerck.net/ O Manual demorou 5 anos para ser escrito e contou com o concurso de 200 especialistas. PROLOGO De há uns anos a esta parte tem-se observado um interesse crescente pelos assuntos relacionados com a saúde e é cada vez maior a procura de publicações de divulgação médica por parte de um amplo sector da sociedade. Por isso o aparecimento do Manual Merck. Saúde para a família representa a consecução de um objectivo editorial importante: facilitar pela primeira vez a todos os leitores a compreensão plena destas matérias. Em 1899 foi publicado O Manual Merck de diagnóstico e terapêutica; a esta primeira edição seguiram-se muitas outras e hoje em dia é o livro de referência médica mais utilizado pelos profissionais de todo o mundo. Com a mesma exigência de qualidade e rigor, duzentos especialistas de prestígio reconhecido dedicaram cinco longos anos de trabalho à criação do Manual Merck. Saúde para a família. Alcançaram sem dúvida os seus propósitos, porque o livro que o leitor tem hoje nas suas mãos torna inteligível para todos o que anteriormente só estava ao alcance do médico. Por tudo isto, o Editor sente-se orgulhoso de apresentar a primeira edição na nossa língua do Manual Merck. Saúde para a família. É um duplo motivo de satisfação se se tiver em conta que este facto significa igualmente um marco na história das publicações médicas em língua portuguesa. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080902/c44fd7b7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1806 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080902/c44fd7b7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 2 16:37:07 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 2 Sep 2008 16:37:07 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Entrevista_com_a_primeira_=EDndia?= =?iso-8859-1?q?_advogada_do_Brasil=2E_Muito_esclarecedor_sobre_a_R?= =?iso-8859-1?q?eserva_Raposa_Serra_do_Sol_=2C_em_Roraima=2E?= Message-ID: <02a601c90d33$49061b80$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Fernando Rossas Freire Entrevista maravilhosa com a índia Joênia Programa Espaço Aberto da Globo News Entrevistador - Alexandre Garcia A advogada Jôenia Batista de Carvalho é a primeira índia a se pronunciar no plenário do STF durante o julgamento da legalidade da ocupação dos índios da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. Clique aqui: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM875375-7823-ENTREVISTA+COM+A+INDIA+JOENIA+BATISTA+DE+CARVALHO,00.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080902/8739ff93/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 16590 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080902/8739ff93/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 3 19:38:41 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 3 Sep 2008 19:38:41 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Am=E9rica_do_Sul_poder=E1_ajuda?= =?windows-1252?q?r_a_extrair_o_petr=F3leo_do_pr=E9-sal?= Message-ID: <05d801c90e15$d0d51f60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. SETEMBRO DE 2008 - 11h45 América do Sul poderá ajudar a extrair o petróleo do pré-sal Os países da América do Sul poderão cooperar com o complexo industrial destinado à produção do petróleo do pré-sal, dentro de uma estratégia de integração das cadeias produtivas na região. Essa é a visão do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Garcia: governo aposta na integração regional Na exploração das reservas de petróleo do pré-sal e outros poços em exploração, a Petrobrás prevê uma expansão da sua frota de navios em mais 200 novas embarcações. Trata-se de uma demanda capaz de sustentar um ciclo de industrialização complementar com diferentes parceiros da região, estreitando os laços na formação de um sistema econômico integrado que não se limite a conectar atividades já existentes, mas também a criar novas dinâmicas inteiramente ancoradas numa complementariedade sul-americana. Em entrevista à Agência Brasil, Garcia também fala sobre as atuais assimetrias comerciais do continente e quais alternativas podem ser tomadas para equacioná-las. Leia abaixo os principais trechos: A descoberta do pré-sal vai implicar alguma mudança nesse processo de integração industrial com os nossos vizinhos. Como o senhor está vendo este processo? Só para citar um número, a Petrobras terá que encomendar 200 navios. Hoje não há capacidade de produção de 200 navios no mundo, então, o presidente Lula tem enfatizado que quer prioridade para a produção disso e de outros componentes ligados a essa gigantesca indústria. Ele quer dar prioridade para o Brasil e para a América do Sul. Então, temos que começar a repertoriar completamente o estado da arte da indústria naval argentina, uruguaia, venezuelana, colombiana. Temos interesse em que essa demanda estimule completamente o processo de industrialização ou reindustrialização da América do Sul. Quando começou o governo Lula, a indústria naval estava muito fragilizada. Houve, então, um salto, a partir também das estatais que começaram produzir as plataformas aqui. Um modelo desse pressupõe estabilidade econômica, fiscal, ter a regulamentação das legislações? A supranacionalidade é uma coisa que normalmente vai sendo aceita, aí é sempre um problema de sensibilidade, e eu acho que sua aceitação maior ou menor está sempre ligada à capacidade que ela tem de resolver os problemas substantivos. Se houver base de supranacionalidade que resolva os problemas das assimetrias, os problemas sociais, que fortaleça a democracia, ela será aceita. Se não for assim, não será aceita. No caso europeu, onde é que esbarraram os mecanismos supranacionais que a União Européia criou? Esbarraram no fato de que alguns países acreditaram que não era uma Europa social, não estavam sendo resolvidos problemas cruciais, estava-se tentando montar uma institucionalidade, uma burocracia. Não sei se é esse, ou não, não quero entrar na discussão dos europeus, mas o que digo é que, de qualquer maneira, quando as populações de alguns países ou de todos não se reconhecem mais nas instituições, isso vale tanto para o ponto de vista nacional como regional. Então quer dizer que, do ponto de vista industrial, o Brasil vai ter uma demanda de submarinos, navios, equipamentos etc? Nós temos interesse de que essa demanda possa estimular, concretamente, o processo de industrialização e de reindustrialização da América do Sul. Do Brasil, evidentemente. Então no fundo, você observa o seguinte: quando começou o governo Lula, o estado em que se encontrava a indústria naval era muito fragilizado. Hoje, houve um salto. A partir de quê? Também das estatais. Com essa disponibilidade de energia, a matriz energética também começa a ser revista... Eu acho que o tema energético tem que ser pensado de forma mais abrangente. Nós vivemos um grande paradoxo na região. A região tem as maiores reservas energéticas do mundo, se você somar o potencial hidroelétrico, petróleo, gás, biocombustíveis, sol, vento, e até nuclear. Então nós temos, sem dúvida, a maior reserva energética do mundo e muito diversificada. Qual é o paradoxo que nós temos aqui? Temos gigantesco potencial energético e temos crise de energia em vários países. Uruguai, que vive sempre no limite, Argentina, no limite, o Chile, o Paraguai, que vivem essa coisa surrealista de ter Itaipu e ter apagão em Assunção, e assim vamos. Então uma das coisas que vamos ter que fazer é buscar soluções coletivas para isso. Coletivas e diferenciadas. Evidentemente o país que tem o maior potencial hidroelétrico do mundo, e isso é seguro, talvez não tenha o maior potencial de combustíveis fósseis, se formos comparar com o que é o Oriente Médio, com o que é a Rússia. Ainda que as descobertas de gás sejam sensacionais, a expansão das reservas venezuelanas e brasileiras também é muito expressiva. Tirando isso, que poderia ser objeto de discussão, do ponto de vista de hidroeletricidade, que é energia renovável, não poluente e barata, nós temos o maior potencial do mundo. No entanto, nós ainda não temos resolvidos os nossos problemas energéticos. Tomemos o exemplo do Brasil. Aqui no Brasil, uma das razões do apagão que houve era a ausência de redes de conexão. Quando as zonas de interconexão se estabeleceram, o governo fez um investimento que praticamente dobrou as ligações de redes no Brasil. Apesar de que aumentou muito o consumo, com o crescimento da economia, que provocou o crescimento do consumo doméstico, cerca de 7 milhões de pessoas que receberam o Luz Para Todos. Mas quando essa rede se estabeleceu, os riscos do desabastecimento diminuíram. Estamos fazendo novos investimentos, que nos garantem elevação do teto de proteção. A mesma situação se coloca para a América do Sul. Se, quando construirmos as hidroelétricas de Madeira [do Rio Madeira: Jirau e Santo Antônio] e outras que venham, se formos fazer uma binacional com os bolivianos e com os argentinos, a de Garabi, tudo isso vai ter uma utilização multinacional. Estamos diante de uma perspectiva de consolidação, de uma espécie de divisão do potencial energético do continente, quer dizer, que cada país tem, como a Bolívia, que tem gás - mas se quiser, pode ter eletricidade - e o Brasil, que não tem tanto, mas tem petróleo suficiente, tem biocombustíveis - o Uruguai está começando a investir em biocombustíveis e agora eles descobriram petróleo. Até porque eu acho que uma das coisas que é interessante é: você veja o tipo de discussão que o pré-sal está produzindo no Brasil. Não é uma discussão ligada, fundamentalmente, à relação de sustentabilidade energética. Não é isso? O que está se discutindo no Brasil exatamente é 'o que é que nós vamos fazer com os excedentes, qual será a utilização do excedente petrolífero que vai se produzir no Brasil?' Nós não queremos exportar petróleo bruto. Por isso decidimos construir duas grandes refinarias, uma no Maranhão e outra, no Ceará. que vão se dedicar a exportar gasolina premium para o mundo, para agregar valor. É evidente que nós vamos querer compartilhar com os outros países os investimentos necessários para a produção da exploração do pré-sal, o impacto que isso terá sobre a economia brasileira é gigantesco. E aí o senhor acha que fortalece o Mercosul, a visão econômica de região, o senhor acha que isso será um mote para consolidar? Acho que isso ajudará muito. Não vai nos dispensar de tomar outras medidas, que são claras hoje. Precisamos reforçar a estrutura física, a conectividade entre os países, precisamos reforçar a infra-estrutura energética, porque ela independe do programa do pré-sal. Em terceiro lugar, precisamos fortalecer os mecanismos financeiros, a questão do bloco sul é importante, a quantidade de obras que precisam ser feitas aqui. Precisamos também reforçar as políticas sociais, sobretudo uma série de programas de fronteira que são muito importantes, que beneficiam as populações dos países vizinhos e a nossa também. Vamos ter que pensar, também, em outros mecanismos financeiros, quer dizer, essa experiência que estamos iniciando com a Argentina de comércio em moeda nacional pode se generalizar para os outros países. Há ganhos muito fortes. Por outro lado, precisamos agilizar certos mecanismos de garantia na região. Hoje em dia o problema não é tanto emprestarmos para o país A, B ou C, uma certa quantia para ele realizar uma obra. A negociação das condições, em geral, é um trabalho de engenharia financeira que se resolve rapidamente. O grande problema, muitas vezes, são as garantias. Então como é que se faz. Convênio de crédito recíproco é um mecanismo, conta-petróleo, conta-gás, conta-isso, conta-aquilo. Esse é um problema que nós também precisamos sofisticar mais. Eu diria que, finalmente, haverá, tudo isso, associado a outra coisa, também importante, que é criar mecanismos de compensação das assimetrias. Como isso é possível? Essa institucionalidade se reforça reforçando mecanismos já existentes e criando outros. No caso do Mercosul, nós temos uma estrutura em Montevidéu que é muito frágil. Então ela precisaria ser reforçada, mas consideravelmente, para que pudesse haver, por parte do Mercosul, uma capacidade de iniciativa maior. Agora nós vamos ter um parlamento, que pode ser um elemento importante. Uma particularidade que os países menores, muitas vezes, ficam preocupados, é que o parlamento pode significar uma hegemonia brasileira. Isso é uma bobagem. O Parlamento Europeu não está dominado pela Alemanha, França, Reino Unido ou Polônia, mas em partes e tendências que são partidárias. O senhor acha que vamos caminhar por esse modelo? Eu espero que sim. O debate interno da Bolívia sobre a condução da sua política econômica e social pelo presidente Evo Morales, inclusive levando ao referendo, preocupa? Acho que preocupa fundamentalmente aos bolivianos e a todos nós, porque a Bolívia é um país que tem uma localização específica no continente. Então, tudo que ocorre [ali] reverbera na América do Sul de maneira geral. Temos uma percepção muito positiva da evolução da região nos últimos anos - todos os presidentes da região foram eleitos em pleitos massivos. A América do Sul está vivendo uma situação nova. O que tenho dito é que não adianta ficarmos incomodados com processos políticos que podem não ser exatamente dentro do figurino que é nosso e de outros países da região. Em alguns países, as instituições estavam muito cristalizadas - 'esclerosadas' talvez seja o termo melhor - e elas não davam conta de novas dinâmicas sociais. Então, lá pelas tantas, se um rio caudaloso vai passar por um canal muito estreito, esse canal é afetado, e eu chamo a atenção para três países onde houve esse problema - Venezuela, Bolívia e Equador - e a solução encontrada foi mais ou menos a mesma: constituinte, isto é, uma espécie de refundação institucional do país. As pessoas dizem:'mas tem muita agitação'. É evidente. Quando há um redesenho do equilíbrio de forças políticas, é normal que isso aconteça. Tem gente que quer avaliar a América do Sul a partir dos textos de teoria política do Século 19. Do ponto de vista de nossas relações econômicas com a Bolívia, há espaço para avançarmos? A Bolívia tem um problema crucial hoje, do ponto de vista econômico. É um país com um potencial gigantesco de expansão: produz hoje quase 50 milhões de metros cúbicos de gás por dia, e só para o Brasil, exporta 30 bilhões. A Bolívia, cujo consumo interno se expandiu bastante, tinha compromissos importantes de venda para a Argentina, que está renegociando. Ela tem a seu lado um país com uma demanda gigantesca, o Chile. Seria uma demanda de 30, 40 milhões, sem falar que, se as negociações com o Chile progredirem como estão progredindo, para se encontrar uma solução de saída para o mar etc, a Bolívia poderia se transformar também em uma grande exportadora para outros mercados: Ásia, Estados Unidos, México. Calculo que ela teria uma demanda potencial de 100 milhões de metros cúbicos, se não mais. O problema é que tem que expandir a produção. Tomamos a decisão de investir porque acreditávamos que não só tínhamos que assegurar a produção para o consumo brasileiro, como também tínhamos que assegurar condições melhores para o funcionamento econômico da Bolívia. Além disso, há toda uma idéia de que a Bolívia possa agregar valor ao seu gás. A Braskem [empresa do setor petroquímico] quer montar uma grande fábrica lá, mas só pode fazer isso se houver oferta de gás. Precisa ampliar a produção. Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez estatizou uma empresa de cimento. Esse tipo de atitude estatizante, pode ter algum reflexo do ponto de vista da disposição dos investidores em continuar aplicando no continente? Acho que não. Alguns investidores podem ficar assustados, mas não acho que seja problema. Em primeiro lugar, porque acredito que a decisão de estatizar determinado setor está ligada a um determinado modelo de desenvolvimento da economia venezuelana. No passado, sofremos a praga das privatizações - no Brasil, não atingiu tanto assim, mas estou me divertindo muito vendo agora aqueles que estavam querendo privatizar a Petrobras, agora a defendem com unhas e dentes. O problema que se coloca sempre é que os investimentos demandam certas garantias. O bom investidor, o que sabe das coisas, vai além das aparências. A Venezuela é um país que, finalmente, decidiu industrializar-se, sair da 'maldição do petróleo'. Portanto, é um campo importante. Os interesses do Brasil estão associados a uma integração produtiva da América do Sul. O Brasil fez essa opção, tem quem não goste, que pense que devemos nos integrar aos Estados Unidos, à Europa. Temos relações muito boas com os dois, mas resolvemos por um processo de integração sul-americana, que consideramos melhor para o Brasil e para a América do Sul. Com o fortalecimento da economia e da moeda brasileiras, nossas empresas estão expandindo seus negócios para países da América do Sul e expandindo suas indústrias em novos mercados. Como o senhor vê esse processo? Vejo como um fato positivo, até porque temos dois problemas aqui. Temos hoje uma relação comercial muito desequilibrada em favor do Brasil. Temos um superávit de balança comercial com todos os países da região, menos com a Bolívia, em função das importações de gás. Isso demonstra que a relação comercial muitas vezes não resolve as assimetrias existentes entre as economias sul-americanas, pelo contrário, até agrava. Uma das formas pelas quais podemos compensar isso - além dos mecanismos multilaterais, como fundos, programas de infra-estrutura e financiamentos que o Brasil tem propiciado para construção de obras nesses países - é justamente por intermédio de investimentos. E o Brasil tem sido demandado, em grande medida, a estimular os países que precisam de investimentos. Há áreas específicas pelas quais o Brasil e os parceiros têm preferência? Depende muito do país. Há investimentos na área petrolífera, de gás e de minérios. A Petrobras está presente hoje na Argentina, na Colômbia, no Peru. Temos mineradoras, como a Vale, e temos presença forte na área industrial, o que nos interessa, porque uma das formas de estabelecer uma relação mais equilibrada com os países da região é ajudá-los a levar adiante um processo de industrialização - seja ele complementar às nossas indústrias, às indústrias argentinas, seja um processo autônomo. O Brasil tem estimulado muito o desenvolvimento industrial e agrícola da Venezuela. O desenho que está sendo pensado pelo governo brasileiro é de uma integração econômica maior? Esse pelo menos é o movimento que temos tentado impulsionar. Agora, nossa economia é uma economia de mercado, temos possibilidade de estimular investimentos, direcionar, mas não de dizer para onde uma fábrica vai. Mas as políticas governamentais são fundamentais nesse particular. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 12343 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080903/13b3a703/attachment-0005.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 4 19:26:36 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 4 Sep 2008 19:26:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?PARAGUAI=3A_um_pa=EDs_em_disputa!?= Message-ID: <00f501c90edd$4ce18860$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Jacob Blinder PARAGUAI: um país em disputa! Ivan Pinheiro (*) Na abertura da cerimônia de posse de Fernando Lugo, ouviu-se duas vezes seguidas o Hino Nacional. Na primeira, cantada em espanhol, os comandantes militares encheram o peito, perfilaram-se e colocaram a mão direita em continência. Na segunda, em guarani, eles se descontraíram e arriaram os braços. Em seguida, ouviram inertes o novo Presidente anunciar, entre outras intenções, que acabará com a corrupção e que as Forças Armadas terão que passar ao povo segurança e respeito, ao invés de medo. A posse foi marcada pela esperança popular, após sessenta anos do mesmo partido conservador no poder. 96% dos paraguaios confiam que haverá mudanças positivas. Houve simbolismo até no tratamento aos chefes de Estado da América do Sul. Foram marcantes as ausências de Alan Garcia, do Peru, e Álvaro Uribe, da Colômbia. Foi impressionante o recado do povo paraguaio, ao aplaudir os presentes exatamente na proporção das mudanças que promovem em seus países, na seguinte ordem crescente: Tabaré Vasquez, Bachelet, Lula, Cristina Kirchner, Rafael Correa, Evo Morales e Hugo Chávez. Uma semana depois da posse, a primeira providência de Lugo foi substituir os comandantes militares. A segunda foi decretar o início da reforma agrária, exatamente em terras onde o ditador Strossner expulsou guaranis para doá-las ilegalmente a aliados, incluindo alguns colegas de farda. Mas apesar da manifesta vontade política do novo Presidente e de seus compromissos com os movimentos sociais, sobretudo indígenas e camponeses, serão enormes as dificuldades para levar adiante seu programa de mudanças democráticas, populares e nacionais: - o Paraguai se ressente até hoje do massacre levado a efeito pela chamada Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) - lá chamada de "Tríplice Infâmia" - que dizimou quase toda a população, especialmente a masculina. As tropas brasileiras, ao se retirarem, saquearam o país, inclusive o Arquivo Nacional paraguaio, absurdamente ainda não devolvido pelo nosso governo. - o país conta com menos de seis milhões de habitantes, cuja maioria vive na pobreza e no analfabetismo. A população é submetida a uma alienação profunda. O país é satélite econômico e cultural dos Estados Unidos e "sócio de luxo" de Taiwan: à falta de indústrias, exporta matérias-primas e importa quase tudo, inclusive bugigangas para intermediar. - a frente que elegeu Lugo é heterogênea: - APC (Alianza Patriótica para el Cambio) - Partido Liberal e Tekojoja; - APS (Alianza Patriótica Socialista) - Partido Comunista Paraguaio, Partido Convergência Popular Socialista, Partido da Unidade Popular, Plenária Política Campesina e Indígena etc; - PMAS (Partido do Movimento ao Socialismo). - o Vice-Presidente é do Partido Liberal, um partido social-liberal. É o partido mais forte dos que apoiaram Lugo e o único deles que elegeu representantes: quase um terço dos Deputados e Senadores, além de alguns governadores e prefeitos. - os Colorados (há 60 anos no poder) têm as maiores bancadas no Congresso Nacional (Câmara e Senado), além do maior número de Governadores e Prefeitos; em aliança com o partido de Lino Oviedo, a oposição de direita tem dois terços das duas casas legislativas. O outro terço é de liberais. - os partidos de esquerda estão em reconstrução. Nenhum deles elegeu parlamentares ao Congresso Nacional, nem governadores e prefeitos. Só o Tekejoja elegeu um deputado, mas específico para o Parlatino. O novo Presidente é filiado a esse partido, criado por movimentos sociais antes das eleições. - Fernando Lugo terá que conviver com uma cúpula burocrática corrupta e reacionária: colorados ocupam os principais cargos na Justiça, no Corpo Diplomático, nas Forças Armadas, nos Ministérios, no Congresso Nacional e até na Presidência da República e no Palácio de Governo. Uma das maiores fontes de corrupção é Itaipu Binacional. - a classe operária e os sindicatos têm pouco peso político. Com o avanço avassalador do agronegócio (o país é o quarto produtor mundial de soja), o papel do campesinato também diminuiu. - os jornais diários e canais de televisão são todos burgueses. A fronteira e a identidade cultural com a Bolívia podem ajudar na consolidação do processo de mudança, ainda que os povos originários no Paraguai não tenham o peso quantitativo e qualitativo que têm naquele país vizinho. No entanto, a necessidade de saída para o mar e de renegociação dos acordos energéticos com Brasil e Argentina podem levar Lugo a gravitar em torno dos governos desses dois países, exatamente dos mais moderados, do ponto de vista de mudanças. Lula e a nossa esperta diplomacia podem se valer da situação para fortalecer no Paraguai os interesses da burguesia brasileira, integrada ao capital internacional. Ao invés de territórios, como no passado, agora conquistamos mercados. O Presidente está sendo obrigado a compor o governo com a velha fórmula de destinar os ministérios econômicos para conservadores (como o Ministério da Fazenda, entregue a um ex-ministro de Nicanor Duarte, afinado com as políticas do FMI) e os ministérios políticos e sociais para progressistas. Se resolver ser fiel às promessas de mudanças, Lugo terá que adotar no curto prazo ações emergenciais destinadas a mitigar alguns problemas sociais, para não perder a credibilidade popular, criando condições para uma governabilidade social, já que não disporá de governabilidade institucional, salvo se trair seu programa. Essas ações servem também para evitar um golpe da direita, que começou a ser costurado quinze dias após a posse, conforme Lugo denunciou publicamente. Afinal, a direita paraguaia é articulada com o imperialismo norte-americano, que mantém, perto do aeroporto de Assunção, uma base de espionagem para todo o Cone Sul. O Paraguai tem uma das maiores reservas de água potável do mundo, o Aqüífero Guarani. A convocação de uma Assembléia Constituinte específica, com composição distinta do Congresso Nacional e aberta a candidaturas de partidos e movimentos sociais, pode ser uma alternativa para mudar a correlação de forças, desde que precedida de medidas sociais efetivas e de grandes mobilizações populares. Talvez o melhor modelo ainda seja o que está dando certo na Venezuela, no Equador e na Bolívia, cujos Presidentes se elegeram sem maioria no parlamento ou sem nenhum parlamentar, como foi também o caso de Rafael Correa. O Presidente convoca uma consulta popular, através de plebiscito, para o povo decidir se quer convocar uma Constituinte específica. Mas para começar a enfrentar alguns problemas sociais o Presidente só dispõe de uma fonte: a água, que pode representar para ele o que o petróleo representa para Hugo Chávez e o gás para Evo Morales. Mas isso dependerá de uma melhor remuneração do excedente de energia elétrica que o país vende, sobretudo para o Brasil, pois não consome mais do que 5% da produção. Daí a necessidade de renegociar com o Brasil o acordo de Itaipu Binacional, assinado por ditaduras nos dois países, em 1973, pelo prazo de 50 anos! Temos com o Paraguai uma dívida humanitária. O Brasil é co-responsável pela situação de miséria em que vive a maioria do povo paraguaio. Portanto, cabe-nos pressionar o governo brasileiro a renegociar os termos do acordo de Itaipu, como uma reparação histórica, não como uma oportunidade de negócios. Não há um país na América do Sul em que nossa solidariedade pode ajudar tão concretamente um povo irmão e vizinho a viver melhor. (*) - Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro) Acessem meu fotoblog: http://www.venezuelabolivariana.nafoto.net e vejam belas imagens da Venezuela dos tempos atuais. Jacob David Blinder -------------------------------------------------------------------------------- Novos endereços, o Yahoo! que você conhece. Crie um email novo com a sua cara @ymail.com ou @rocketmail.com. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080904/e3070054/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 5 19:14:24 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Sep 2008 19:14:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_P=F3s-neoliberalismo_na_Am=E9ri?= =?windows-1252?q?ca_Latina_por_Emir_Sader?= Message-ID: <04ef01c90fa4$c13f15c0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Sexta-Feira, 05 de Setembro de 2008 DEBATE ABERTO Pós-neoliberalismo na América Latina A luta contra o neoliberalismo na América Latina depende de que os governos atuais consigam eleger seus sucessores, mas, principalmente, que dêem passos efetivos para sair do modelo neoliberal, promovendo a prioridade do social contra a do ajuste financeiro e consolidando os avanços dos processos de integração continental. Emir Sader A luta contra o neoliberalismo já tem história na América Latina. No mesmo ano, 1994, em que os EUA, o Canadá e o México assinavam o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e FHC ganhava as eleições no Brasil, os zapatistas faziam sua rebelião em Chiapas e lançavam um grito pela luta contra o neoliberalismo, a economia mexicana sofria a primeira crise do novo modelo, tendo que ser imediatamente atendida por um empréstimo gigante por parte de Washington. Já se podia ver que o novo modelo tinha fôlego curto. Quatro anos depois, Hugo Chávez era eleito presidente da Venezuela, prometendo combater o modelo dominante, em Seattle explodiria um ano depois a rebelião popular contra a OMC e dois anos mais se organizaria o primeiro Fórum Social Mundial. A série de eleições de presidentes latino-americanos eleitos como rejeição dos governos ortodoxamente neoliberais - casos de Menem, FHC, Lacalle, Sanchez de Losada, Lucio Gutierrez, entre outros - mudou a fisionomia política da região, gerando a maior quantidade simultânea de presidentes progressistas que o continente havia conhecido. Processos novos de integração surgiram e antigos foram retomadas e ampliados, gerando o único espaço mundial de integração relativamente autônomo em relação aos EUA, enquanto governos davam passos claros de construção de modelos pos-neoliberais e outros flexibilizavam o modelo herdado. Pega de surpresa pela tônica nas políticas sociais - vítimas privilegiadas dos governos neoliberais - que os novos líderes acenavam, a direita passou à defensiva. Órfã de um poder imperial, carente de políticas para o continente, retrocedeu para reagrupar-se na defesa de seus espaços estratégicos. Defesa da imprensa privada como seu espaço estratégico, porque dali poderiam dirigir política e ideologicamente as forças opositoras, bancos centrais independentes, defesa contra reforma agrária que afeta o poder sobre a terra, luta contra políticas tributárias que recortem seus lucros com ações redistributivas, resistência contra qualquer forma de regulação estatal, contra qualquer forma de fortalecimento do Estado - tais pontos passaram a ser a plataforma da direita, uma plataforma basicamente defensiva das imensas conquistas que havia logrado com os governos neoliberais. Como não constitui um projeto alternativo de governo - a campanha de Alckmin demonstrou como sua proposta é de restauração da ortodoxia neoliberal apenas -, não aparece como inovação, apenas tenta bloquear a capacidade de governar dos presidentes atuais e diminuir os efeitos altamente populares das políticas sociais. Depois da derrota de Chávez no referendo de novembro passado, e da derrota de Cristina Kirchner na tentativa de elevar os impostos sobre exportação agrícola neste ano, o triunfo espetacular de Evo Morales no referendo boliviano, a vitória eleitoral de Fernando Lugo, a perspectiva de triunfo de Maurício Funes, da Frente Farabundo Marti nas eleições presidenciais de março em El Salvador, o apoio popular acima de 70% de Lula, os avanços da nova constituinte no Equador, com perspectivas de alta aprovação no referendo popular, abrem nova etapa na luta contra o neoliberalismo no continente. Essa luta dependerá de que os governos atuais consigam eleger seus sucessores, mas, principalmente, que dêem passos efetivos para sair do modelo neoliberal - promovendo a prioridade do social contra a do ajuste financeiro - e consolidando os avanços dos processos de integração continental. Disso depende o futuro do continente ao longo de toda a primeira metade do novo século - um futuro pós-neoliberal, baseado na solidariedade e no humanismo, superando as políticas fundadas no dinheiro, nas armas e no monopólio da palavra. Artigo publicado originalmente no Correio Braziliense Emir Sader é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de ?A vingança da História". -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/1159d140/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/1159d140/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5067 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/1159d140/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 5 19:14:53 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 5 Sep 2008 19:14:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Justi=E7a_para_Luiz_Eduardo_Mer?= =?windows-1252?q?lino=2E=2E=2E=2E_ASSASSINADO_PELA_DITADURA?= Message-ID: <04f901c90fa4$d2811d60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Sexta-Feira, 05 de Setembro de 2008 ASSASSINADO PELA DITADURA Justiça para Luiz Eduardo Merlino No dia 19 de julho de 1971, o jornalista Luiz Eduardo Merlino foi assassinado após uma sessão de torturas na sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Brilhante Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o ?major Tibiriçá? para não ser identificado. Antônio Augusto* Nesta terça, 19 de agosto, o desembargador Hamilton Elliot Akel, do Tribunal de Justiça de São Paulo, se pronuncia sobre o recurso dos advogados do coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi paulista, contra a ação que visa responsabilizar o militar pelas torturas e assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino, ocorrido em 19 de julho de 1971. Os outros dois desembargadores afeitos ao caso já externaram suas decisões: Luiz Antonio de Godoy manifestou-se favorável a Ustra e Carlos Augusto de Santi Ribeiro, contra. Antes, ao acolher a ação movida por Regina Merlino e a historiadora Ângela Mendes de Almeida, respectivamente, irmã e ex-companheira do jornalista, o juiz Carlos Henrique Abrão considerou que "o assunto não trata de privilégio decorrente da lei de anistia, mas disciplina ação de natureza imprescritível". Ao morrer, Merlino tinha 23 anos incompletos. Apesar da juventude, devido ao seu talento, já era muito conhecido no meio jornalístico de São Paulo. Trabalhou na Folha da Tarde, no Jornal da Tarde, esteve entre os fundadores do Amanhã, um dos criativos e democráticos jornais dirigidos por Raimundo Rodrigues Pereira. Luiz Eduardo, quando ainda secundarista, já começara a se interessar por política e participara do Centro Popular de Cultura (CPC) animado pela UNE. Ao ser preso, era militante do Partido Operário Comunista (POC), um pequeno agrupamento integrante da resistência democrática ao regime ditatorial. O massacre de Merlino: ?Ou cortavam suas pernas ou morria. Deixa morrer? Merlino foi capturado sem ordem judicial - claro, na ditadura inexistiam quaisquer garantias individuais e legais, ainda mais nos anos de chumbo de Médici - na casa de sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971, quando já passava das 21h. A mãe, a irmã Regina e uma tia assistiram à prisão. Dali foi levado para a capital do estado, rumo ao inferno da Rua Tutóia, sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o ?major Tibiriçá? para não ser identificado. Segundo o registro do livro ?Direito à Memória e à Verdade?, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, Merlino recebeu logo o tratamento.habitual do DOI-Codi: ?foi barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero?. Havia três turmas de tortura na rotina do DOI-Codi, elas se revezavam a cada 8 horas para garantir a permanência das torturas durante todo o dia.e toda a noite. Guido Rocha, um preso político também estraçalhado fisicamente pelas torturas, já se encontrava na ?cela forte? quando jogaram Merlino lá. Uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, Guido deu depoimento gravado ao jornalista Bernardo Kucinski a respeito do que presenciou: ?Eu também estava arrebentado, então eles não se importaram comigo e trouxeram ele para minha cela para fazer o teste de reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e não tinha resposta nenhuma.? ?Depois que fecharam a porta Merlino começou a piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava bem pior. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou que estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele pediu que eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o primeiro dia. Para ir a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda. Bem, eu tentei acalmá-lo, comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer a respiração de ioga, manter um pouco de calma. Mas ele ficou muito nervoso e falou: ?chama o enfermeiro rápido que eu estou muito mal, a dormência está subindo, está nas duas pernas e nos braços também?. Aí eu bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e alguns torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado a ele também. Vieram e o levaram?. ?Nunca mais eu vi ele?. Guido Rocha tempos depois iria para o Presídio de Linhares. ?Eu dei o nome a minha cela de Luiz Eduardo Merlino; era hábito nosso, os presos políticos, dar o nome à sua cela de um companheiro que tinha sido assassinado pela repressão?, ele conta. A herança de Merlino O escritor, historiador e professor Joel Rufino dos Santos, ex-preso político, amigo de Merlino, relata outro fato terrível: ?1973. Um torturador da Operação Bandeirante [organismo da repressão que antecedeu o DOI-Codi, também comandado por Brilhante Ustra], Oberdan, cismou de falar comigo sobre Merlino. Não morreu como vocês pensam. Foi para o hospital passando mal. Telefonaram de lá para dizer que ou cortavam suas pernas ou morria. Fizemos uma votação. Ganhou deixar morrer. Eu era contra. Estou contando porque sei que vocês eram amigos?. Um dos livros de Joel Rufino é dedicado à memória de Merlino. O escritor e jornalista Renato Pompeu recorda, além da inteligência, a ?inusitada? maturidade política de Merlino para alguém tão jovem. Michael Löwy, um intelectual de grande reconhecimento internacional, foi companheiro de Merlino. Dá um testemunho emocionado sobre ele: ?É destas pessoas que ficam para sempre gravadas na memória de quem as conheceu, por mais que passem os anos. O que o levou a tomar a decisão que tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente um sentimento de dever, uma ética, um compromisso com os companheiros de luta. É por isto que a memória dele continua tão viva e presente, não só no Brasil, mas também na França e em outros países em que se conheceu sua história. A herança que ele nos deixa é a de seguir lutando, para que nunca mais o Brasil conheça a opressão, a violência policial, a tortura?. A crueldade contra Merlino se estendeu à sua família. O DOI-Codi inventou um suicídio fantasioso, historinha costumeira dos torturadores, relatado à sua mãe, Iracema. O prisioneiro teria se jogado embaixo de um carro, na BR-116, em Jacupiranga. Dois médicos legistas a serviço da ditadura, Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, assinaram o laudo para tentar justificar a farsa. A família não acreditou em nenhum momento. A sobrinha de Merlino, a jornalista Tatiana Merlino, descreveu em artigo recente, no Brasil de Fato, como os fatos se passaram: ?Como o corpo não foi entregue, dois tios e o cunhado de Merlino, Adalberto Dias de Almeida, então delegado de polícia, foram ao IML de São Paulo. O diretor do Instituto negou que o corpo estivesse ali, mas usando do fato de ser delegado, o cunhado burlou a vigilância e foi em busca do corpo de Merlino. Encontrou-o com marcas de tortura em uma gaveta sem identificação. O corpo do jornalista foi entregue à família num caixão fechado". Jornalistas amigos de Merlino foram até Jacupiranga e não encontraram nenhum sinal do suposto atropelamento ou outro acidente de trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o teria atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do fato. Reparação é para o Brasil Impedida de noticiar a morte de Merlino, somente mais de um mês depois, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um anúncio fúnebre: ?Os amigos e parentes do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se sábado próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São Paulo?. Cerca de 770 jornalistas compareceram à missa. Na cerimônia, os mesmos três homens que buscaram Merlino, em Santos, compareceram para dar ?os pêsames? à sua mãe e irmã?. Brilhante Ustra, o ?major Tibiriçá?, com o mesmo cinismo que diz não passarem de ?lorotas? as denúncias de tortura no DOI-Codi da Rua Tutóia, afirma na sua defesa que o laudo ?foi firmado por dois legistas, tem fé pública?. Quanto à ficção de suicídio, os advogados da família Merlino, Fábio Konder Comparato e Aníbal Castro de Sousa, declaram: ?o réu não inovou, pois já há muito tempo é de conhecimento público que, infelizmente, os órgãos de repressão detinham absoluto controle do IML (Instituto Médico Legal) e ?construíam? versões absurdas para a causa mortis de suas vítimas. A história está a confirmar que a alegação de suicídio era a farsa preferida pela repressão, vide o caso emblemático do jornalista Vladimir Herzog?. A necessidade de que se faça justiça não é só da família de Merlino. Corresponde aos interesses dos brasileiros e do fortalecimento da democracia. Tatiana Merlino, na sua matéria já citada, mostrou o que está em jogo: ? ?O objetivo da iniciativa é o reconhecimento por parte da Justiça da responsabilidade de Ustra na tortura e morte de meu irmão?, afirma Regina. ?Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu, em 1995, sem que a verdade viesse à tona?, explica. De acordo com Angela, ?o fim da impunidade começa com a memória e o restabelecimento da verdade. A tortura na ditadura era uma política do Estado brasileiro, mas seus executores têm nome?, salienta?. * Antônio Augusto é jornalista -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/062489ed/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Este é o filme da manifestação em frente ao ex-DOI/CODI-SP -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/a7826b46/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 8927 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080905/a7826b46/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 6 17:39:18 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 6 Sep 2008 17:39:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Os_senhores_reais_da_droga=2E__No?= =?iso-8859-1?q?tas_sobre_o_envolvimento_da_CIA_no_com=E9rcio_de_es?= =?iso-8859-1?q?tupefacientes_=2E?= Message-ID: <0b4501c91060$a2aab0d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Beatrice Os senhores reais da droga Notas sobre o envolvimento da CIA no comércio de estupefacientes Por William Blum* 1947 a 1951, França Segundo Alfred W. McCoy, autor de The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade e The Politics of Heroin: CIA Complicity in the Global Drug Trade, as armas, o dinheiro e a desinformação da CIA permitiram aos sindicatos do crime corsos em Marselha arrebataram o controle de sindicatos de trabalhadores ao Partido Comunista. Os corsos ganharam influência política e controle sobre as docas - condições ideais para consolidarem uma parceria a longo prazo com distribuidores da máfia da droga, os quais transformaram Marselha na capital da heroína do mundo ocidental. Os primeiros laboratórios de heroína de Marselha foram abertos em 1951, poucos meses depois de os corsos tomarem conta da zona portuária. Início da década de 50, sudeste asiático O exército nacionalista chinês, organizado pela CIA para travar guerra conta a China Comunista, tornou-se o barão do ópio do Triângulo Dourado (partes da Birmânia, Tailândia e Laos), a maior forte de ópio e heroína do mundo. A Air America, a principal companhia aérea de propriedade da CIA, transportava as drogas para toda a parte do Sudeste Asiático. (Ver Christopher Robbins, Air America , 1985, capítulo 9) Da década de 50 ao início da década de 70, Indochina Durante o envolvimento militar dos EUA no Laos e em outras partes da Indochina, a Air America transportava ópio e heroína por toda a parte. Muitos soldados americanos (GIs) no Vietname ficaram viciados. Era utilizado um laboratório construído no centro de comando da CIA no Laos para refinar heroína. Após uma década de intervenção militar americana, o Sudeste da Ásia tornou-se a fonte de 70 por cento do ópio ilícito do mundo e o principal fornecedor de matérias-primas para o mercado de heroína em explosão dos EUA. 1973-80, Austrália O Nugan Hand Bank de Sydney era um banco da CIA em tudo, excepto no nome. Entre os seus responsáveis estava uma rede de generais e almirantes dos EUA e homens da CIA, incluindo o antigo director ciático William Colby, que era também um dos seus advogados. Com agências na Arábia Saudita, Europa, Sudeste da Ásia, América do Sul e nos EUA, o Nugan Hand Bank financiou o tráfico de droga, lavagem de dinheiro e negócios internacionais de armas. Em 1980, em meio a várias mortes misteriosas, o banco entrou em colapso com uma dívida de US$50 milhoes. (Ver Jonathan Kwitny, The Crimes of Patriots: A True Tale of Dope, Dirty Money, and the CIA ) Décadas de 70 e 80, Panamá Durante mais de uma década, o homem forte do Panamá, Manuel Noriega, foi um ativo e colaborador da CIA muito bem pago, apesar de as autoridades estado-unidenses da droga saberem desde 1971 que o general estava pesadamente envolvido no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Noriega facilitou voos "armas-por-drogas" para os contras, proporcionando protecção e pilotos, bem como abrigos seguros para responsáveis pelo cartel da droga, e discretas facilidades bancárias. Responsáveis dos EUA, incluindo o então director da CIA William Webster e vários responsáveis do DEA, enviaram a Noriega cartas de agradecimento pelos esforços para impedir o tráfico de droga (embora só contra competidores do seus patrões do Cartel de Medellin). O governo dos EUA só se voltou contra Noriega, invadindo o Panamá em Dezembro de 1989 e sequestrando o general depois de descobrir que ele fornecia informações e serviços aos cubanos e sandinistas. Ironicamente, o tráfico de droga através do Panamá aumentou após a invasão dos EUA. (John Dinges, Our Man in Panama ; National Security Archive Documentation Packet The Contras, Cocaine, and Covert Operations.) Década de 80, América Central Séries de artigos no San Jose Mercury News documentam um aspecto das operações entremeadas que ligam a CIA, os contras e os carteis da cocaína. Obcecada em derrubar o governo sandinista na Nicarágua, responsáveis da administração Reagan toleraram o tráfico de droga desde que os traficantes dessem apoio aos contras. Em 1989, o Subcomité do Senado sobre Terrorismo, Narcóticos e Operações Internacionais (o comité Kerry) concluiu uma investigação de três anos com declarando: "Houve prova substancial de contrabando de droga através de zonas de guerra da parte de contras individuais, fornecedores dos contra, pilotos mercenários que trabalhavam com os contras, e apoiantes dos contra por toda a região... Responsáveis dos EUA envolvidos na América Central deixaram de tratar da questão da droga por receio de por em risco os esforços de guerra contra a Nicarágua... Em cada caso, um ou outra agência do governo dos EUA tinha informação respeitante ao envolvimento enquanto o mesmo se verificava, ou imediatamente depois... Decisores políticos sénior dos EUA não foram imunes à ideia de que o dinheiro da droga era uma solução perfeita para os problemas de financiamento dos contra". (Drugs, Law Enforcement and Foreign Policy, a Report of the Senate Committee on Foreign Relations, Subcommittee on Terrorism, Narcotics and Intemational Operations, 1989) Na Costa Rica, que serviu como "Frente Sul" para os contras (Honduras sendo a Frente Norte), havia várias diferentes redes CIA-contra envolvidas no tráfico de droga. Além daqueles que prestavam serviço à operação Meneses-Blandon pormenorizada pelo Mercury News, e da operação de Noriega, houve o operacional da CIA John Hull, cujas fazendas ao longo da fronteira da Costa Rica com a Nicarágua foram a principal área de treino para os contras. Hull e outros apoiantes dos contra conectados com a CIA trabalhavam em conjunto com George Morales, um grande traficante de droga colombiano com base em Miami que posteriormente admitiu dar US$3 milhões em cash e vários aviões aos líderes contra. Em 1989, depois de o governo da Costa Rica processar Hull por tráfico de droga, a DEA contratou, clandestinamente e ilegalmente, um avião para transportar o operacional da CIA para Miami, via Haiti. Os EUA repetidamente obstruíram os esforços da Costa Rica para extraditar Hull de volta ao país a fim de ser julgado. Um outro grupo com base na Costa Rica envolvia um grupo de cubano-americanos a quem a CIA havia contratado como treinadores militares para os contras. Muitos deles estavam há muito envolvidos com a CIA e o tráfico de droga. Eles utilizaram aviões contra e um companhia com sede na Costa Rica, a qual lavava dinheiro para a CIA, para transportar cocaína para os EUA. A Costa Rica não era a única rota. A Guatemala, cujo serviço de inteligência militar -- estreitamente associado com a CIA -- abrigava muitos traficantes de droga, segundo a DEA era outra estação ao longo da rota da cocaína. Além disso, o contabilista de Miami do Cartel de Medellin, Ramon Milian Rodriguez, testemunhou ter canalizado cerca de US$10 milhões para os contras da Nicarágua através do antigo operacional da CIA Felix Rodriguez, o qual actuava na Base da Força Aérea de Ilopango, em El Salvador. Os contras proporcionavam tanto protecção como infraestrutura (aviões, pilotos, pistas de decolagem, companhias de fachada e bancos) a estas redes de droga ligadas à CIA. Pelo menos quatro companhias de transporte sob investigação para tráfico de droga receberam contratos do governo dos EUA para transportarem abastecimentos não letais para os contras. A Southern Air Transport, "antigamente" de propriedade da CIA, e depois sob contrato do Pentágono, também estava envolvida no transporte de droga. Aviões carregados de cocaína voaram para a Flórida, Texas, Lousiana e outros locais, incluindo várias bases militares designadas como "Contra Craft". Estes carregamentos não eram inspeccionados. Quando alguma autoridade não estava ciente e fazia uma prisão, influências poderosas eram postas em marcha a fim de abafar o caso, libertar, reduzir a sentença ou a deportação. Da década de 80 ao princípio da década de 90, Afeganistão A CIA apoiou os Moujahedeen pesadamente ligados ao tráfico de droga enquanto combatiam o governo apoiado pelos soviéticos e os seus planos para reformar a muito atrasada sociedade afegã. O principal cliente da agência era Gulbuddin Hekmatyar, um dos principais senhores da droga e o principal refinador de heroína. A CIA forneceu camiões e mulas, as quais tendo carregdo armas para dentro do Afeganistão, eram utilizadas para transportar ópio para laboratórios ao longo da fronteira afegã-paquistanesa. A produção abastecia a metade da heroína usada anualmente nos Estados Unidos e três quartos daquela usada na Europa Ocidental. Responsáveis dos EUA admitiram em 1990 que não haviam investigado ou actuado contra a operação da droga pelo desejo de não ofenderem seus aliados paquistaneses e afegãos. Em 1993, um responsável da DEA denominou o Afeganistão como a nova Colômbia do mundo da droga. De meados da década de 80 ao princípio da década de 80, Haiti Enquanto trabalhava para manter no poder líderes políticos e militares haitianos, a CIA fechava os olhos ao tráfico de droga dos seus clientes. Em 1986, a agência acrescentou mais alguns nomes à sua folha de pagamentos ao criar uma nova organização haitiana, o National Intelligence Service (SIN). O SIN foi criado alegadamente para combater o comércio de cocaína, embora os próprios responsáveis do SIN empenharem-se no tráfico, um comércio com a cumplicidade de alguns dos líderes militares e políticos haitianos. *Autor de Killing Hope: U.S. Military and CIA Interventions Since World War II , Les Guerres scélérates e L'Etat voyou O original encontra-se em http://revolutionradio.org/2008/08/30/the-real-drug-lords/ Este artigo foi copiado do http://resistir.info Escrito por Osvaldo Bertolino http://osvaldo-bertolino.zip.net/index.html -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080906/4260a26a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 51 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080906/4260a26a/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 7 13:07:54 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 7 Sep 2008 13:07:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Espa=E7o_Acad=EAmico_n=BA_88__se?= =?windows-1252?q?tembro_2008?= Message-ID: <106001c91103$e2da9640$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.................................................repassem Revista Espaço Acadêmico Mensal - Nº 88 - Setembro de 2008 - ANO VIII - ISSN: 1519.6186 colunistas_ Ensaio sobre a cegueira: a cegueira como metáfora no livro de José Saramago Walter Praxedes Somos todos delinqüentes acadêmicos? Antonio Ozaí da Silva O que há de novo no front Eva Paulino Bueno Limites do Crescimento ? último alerta Henrique Rattner As relações de produção na Inglaterra criaram Thomas Cook - Parte II João dos Santos Filho Falácias acadêmicas, 2: o mito do Consenso de Washington Paulo Roberto de Almeida A primazia da pesquisa e seu efeito colateral na universidade Raymundo de Lima Escolas sindicais da CUT: uma obra inacabada Rudá Ricci Os efeitos dos transgênicos sobre a saúde ? Parte 2 Auswirkungen der Gentechnik auf die Gesundheit ? Teil 2 Antônio Inácio Andrioli Mundo virtual requer inclusão digital Antonio Mendes da Silva Filho colaboradores antropologia X-Men: retratos de como conviver e tolerar pode ser possível Iuri Andréas Reblin O futuro da Antropologia Marina Félix de Melo cinema economia A volta do Morto Vivo ? 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Cardoso (N. em 1942) Leandro Konder lingüística política Nietzsche, Marx e a questão da linguagem: uma abordagem introdutória Newton Ferreira da Silva Como está o regime democrático nos países da América do Sul? As opiniões dos parlamentares sul-americanos Riberti de Almeida Felisbino temas em debate teoria política A herança de 68: os movimentos divididos e as ilusões mescladas José de Souza Martins Participação e associações livres: os fundamentos da democracia em Tocqueville Dejalma Cremonese & Ricardo Correa edição 87 parando de fumar... acesse a página do ohi >>> clique para ampliar a imagem resenhas & livros Uma história em linhas curvas Fábio Viana Ribeiro [STEINKE, Rosana. Ruas Curvas versus Ruas Retas: a trajetória do urbanista Jorge de Macedo Vieira. Maringá: EDUEM, 2007.] Novo livro de Altamiro Borges ajuda na construção da CTB João Batista Lemos [BORGES, Altamiro. Sindicalismo, resistência e alternativas. São Paulo: Editora Anita Garibaldi, 2008, 192p.] Daniel Bensaïd Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente São Paulo: Editora Boitempo, 2008 Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira Fórmula para o Caos - A Derrubada de Salvador Allende (1970-1973) Rio de Janeiro: Record/Civilização Brasileira, 2008 Fórmula para el caos: la caída de Salvador Allende (1970-1973). Santiago (Chile): Random House Mondadori, 2008 Nicolas Tertulian Georg Lukács: etapas de seu pensamento estético São Paulo: Editora da Unesp, 2008 Sergio Lessa & Ivo Tonet Introdução à filosofia de Marx São Paulo: Expressão Popular, 2008 Relação de todos os autores e autoras (todas as edições) BLOG DO EDITOR Cadastre-se para receber os informes mensais Indique um amigo (a) para receber a REA Se você deseja CANCELAR este serviço clique e envie a mensagem Dicas para bloquear emails indesejáveis e aprimorar a comunicação Comunidade da Revista Espaço Acadêmico: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3527787 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080907/72160dcb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Nunca antes os 90% da base estiveram tão altamente endividados aos ricos". por Michael Hudson [*] entrevistado por Mike Whitney [**] Mike Whitney: O défice de transacções correntes dos Estados Unidos é de aproximadamente US$700 mil milhões. Isto é capital "emprestado" suficiente para pagar o custo anual da guerra no Iraque de US$120 mil milhões, a totalidade do US$450 mil milhões do orçamento do Pentágono, e as isenções fiscais de Bush para os ricos. Por que é que o resto do mundo continua a financiar o militarismo da América através do défice de transacções correntes? Ou será apenas a consequência inevitável da desregulação da divisa, da "hegemonia do dólar" e da globalização? Michael Hudson: Como expliquei em Super Imperialism , os bancos centrais em outros países compram dólares não por pensarem que activos em dólares sejam uma "boa compra", e sim porque se eles não reciclarem os seus excedentes comerciais e os gastos de consumo e militares dos EUA com a compra de títulos emitidos pelo Tesouro estado-unidense, pela Farrnie Mae e outros, suas divisas valorizariam em relação ao dólar. Isto colocaria o preço das suas exportações fora dos mercados mundiais dolarizados. Assim os EUA podem gastar dinheiro e conseguir almoços gratuitos. A solução é (1) controles de capital a fim de bloquear novas entradas de dólares; (2) tarifas flutuantes contra importações provenientes de economias dolarizadas; (3) compras de investimentos estado-unidenses em países receptores de dólares (de modo que a Europa e a Ásia utilizariam seus dólares no banco central para comprar investimentos privados dos EUA ao valor contabilístico); (4) exportações subsidiadas para economias dolarizadas com divisa em depreciação, e respostas semelhantes àquelas que os EUA adoptariam se estivessem na posição um país com excedente de pagamentos. Por outras palavras, a Europa e a Ásia tratariam os EUA como os seus rapazes do Consenso de Washington tratam os devedores do Terceiro Mundo: comprando as suas matérias-primas e outras indústrias, suas plantações para exportação, e os seus governos. MW: O economista Henry Liu disse num artigo seu que "A hegemonia do dólar permite aos EUA possuir indirectamente mas essencialmente toda a economia global através da exigência de que a sua riqueza seja denominada em dólares fiduciários (fiat dollars) de valor de troca incerto e de valor intrínseco zero, e o resto do mundo produz bens e serviços que dólares fiduciários podem comprar a 'preços de mercado' cotados em dólares". Será que Liu está a exagerar o caso ou a Reserva Federal e as elites da banca ocidental realmente compreenderam como manter o controle imperial sobre a economia global simplesmente assegurando que a maior parte da energia, commodities e bens manufacturados são denominados em dólares? Se isto for o caso, então pareceria que o "valor facial" real do dólar não importa muito desde que ele continue a ser utilizado na compra de commodities. Será que isto está certo? Michael Hudson: Henry Liu e eu temos discutido isto desde há muitos anos. Nós estamos de pleno acordo. O parágrafo que citou está perfeitamente certo. Os seus artigos no Asia Times apresentam uma análise contínua da hegemonia do dólar. MW: Como é o relacionamento entre salários estagnados para os trabalhadores e a actual crise do crédito? Se os salários dos trabalhadores se tivessem mantido com a taxa de produção, não é menos provável que estaríamos na enrascada em que estamos hoje? E, se isto for verdade, não deveríamos nós estarmos mais concentrados em re-sindicalizar a força de trabalho ao invés de procurar soluções junto ao patético Partido Democrata? Michael Hudson: A crise do crédito deriva da "mágica do juro composto", isto é, da tendência das dívidas a manterem-se a duplicar e a reduplicar. Toda taxa de juro implica uma duplicação. Nenhuma produção e excedente económico da economia "real" pode manter o passo com esta tendência de a dívida crescer mais depressa. Assim, a crise financeira teria ocorrido mesmo sem levar em conta os níveis salariais. Muito simplesmente, o preço da propriedade habitacional tende a absorver todo o rendimento pessoal disponível do comprador. Assim, se os salários tivessem ascendido mais rapidamente, o preço da habitação simplesmente teria subido mais depressa pois os empregados comprometeriam mais salário líquido para suportar maiores hipotecas. Salários estagnados ajudam a manter baixos o preço de casas em níveis meramente estratosféricos e não ionosféricos. No que se refere aos sindicatos, eles não foram de qualquer ajuda para a resolução da crise da habitação. Na Alemanha, onde estou agora, os sindicatos patrocinaram cooperativas, como costumavam fazer na Cidade de Nova York, a baixos custos para os seus membros. Assim, os custos com habitação absorvem apenas cerca de 20% dos orçamentos das famílias alemãs, a metade do esforço efectuado pelas famílias dos Estados Unidos. Imagine o que poderia ter sido feito se os fundos de pensão tivessem colocado o seu dinheiro na habitação para os seus contribuintes, ao invés de aplicá-lo no mercado de acções para comprar e licitar acções que os presidentes de conselhos de administração e outros iniciados estavam a vender. MW: Quando políticos ou membros do establishment da política externa falam acerca de "integrar" a Rússia e a China no "sistema internacional", o que significa isso exactamente? Querem eles dizer que o sistema denominado em dólar o qual é governado pelo Fed, Banco Mundial, FMI e OMC? Será que os países comprometem a sua soberania nacional quando participam no sistema económico conduzido pelos EUA? Michael Hudson: Por "integrar" eles querem dizer absorver, algo como um parasita a integrar um hospedeiro dentro do seu próprio sistema de controle. Eles querem dizer que outros países serão proibidos pelas regras da OMC e do FMI de ficarem ricos do modo que os Estados Unidos ficaram ricos nos séculos XIX e XX. Só aos Estados Unidos será permitido subsidiar sua agricultura, graças ao seu direito único de apadrinhar seus preços de apoio. Apenas os Estados Unidos serão livres de terem de elevar taxas de juro para estabilizar sua balança de pagamentos, e somente eles podem dedicar a sua política monetária à promoção do crédito fácil e à inflação dos preços dos activos. E apenas os Estados Unidos podem incidir num défice militar, obrigando bancos centrais estrangeiros em países receptadores de dólares a dar-lhes um almoço gratuito. Por outras palavras, não há almoço gratuito para outros países, só para os Estados Unidos. O que outros países fazem na verdade é abandonar a sua soberania nacional. Os Estados Unidos nunca ajustaram a sua economia para a criação de um equilíbrio com outros países. Mas para ser correcto, em relação a isto apenas os Estados Unidos estão a actuar plenamente de acordo com o seu próprio interesse. O problema é em grande medida que outros países não estão a "jogar o jogo". Eles não estão a actuar como governos reais. São precisos dois parceiros para o tango quando um deles consegue um almoço gratuito. Os seus governos tornaram-se "possibilitadores" da agressão económica dos EUA. MW: O que pensa que seria a reacção da administração Bush se um país mais pequeno, como a Suíça, houvesse vendido centenas de milhares de milhões de dólares títulos apoiados por hipotecas sem qualquer valor a bancos de investimento, companhias de seguros e investidores nos Estados Unidos? Não haveria litigações e um processo em que as partes responsáveis teriam de prestar contas? Assim, como explica o facto de que a China e os países da UE, que foram as vítimas desta trapaça gigantesca, não tenham boicotado produtos financeiros dos EUA ou clamado por reparações? Michael Hudson: O direito internacional não é claro acerca de fraudes financeiras. A regra é o caveat emptor . Os investidores estrangeiros assumiram um risco. Eles confiaram num desregulamentado mercado financeiro estado-unidense que tornou mais fácil fazer dinheiro através da fraude financeira. Em última análise, eles depositaram a sua fé numa desregulamentação neoliberal - tanto internamente como nos Estados Unidos. A Inglaterra está agora nos mesmos apuros. A "responsabilidade" era suposta situar-se nas firmas de contabilidade dos EUA e nas agências de classificação do crédito. Os investidores estrangeiros estavam tão ideologicamente cegos com a retórica do mercado livre que eles realmente acreditaram nas fantasias acerca da "auto-regulação" e que mercados auto-regulados tendiam para o equilíbrio ao invés da tendência do mundo real em direcção à polarização financeira e económica. Por outras palavras, à maior parte dos investidores estrangeiros falta um corpo realista de teoria económica. Os Estados Unidos poderiam simplesmente argumentar que eles deveriam assumir a responsabilidade pelos seus maus investimentos, assim como dizem isso aos fundos de pensão e outros investidores dos EUA. MW: O Congresso aprovou recentemente uma lei que dá ao secretário do Tesouro Henry Paulson autoridade sem precedentes para utilizar tanto dinheiro quanto precise a fim de manter solventes a Fannie Mae e o Freddie Mac. Paulson assegurou ao Congresso de que não precisaria mais do que US$25 mil milhões, mas as 400 páginas da lei permitem-lhe aumentar a dívida nacional até US$800 mil milhões. Como a salvação da Fannie e do Freddie afectarão o dólar e o défice orçamental? Será provável que as taxas de juro disparem devido a esta acção? Michael Hudson: O Fed pode inundar a economia com dinheiro, estilo Alan Greenspan, para impedir as taxas de juro de dispararem. Ninguém realmente sabe o que acontecerá à FNMA e ao Freddie Mac, mas a aparência disto é que a crise hipotecária e financeira ficará muito, muito pior ao longo do próximo ano. Estamos exactamente a dirigir-nos para a tempestade em que hipotecas com taxa ajustável (adjustable-rate mortgages, ARMs) estão programadas para redefinirem-se a taxas mais altas, e em que os bancos dos EUA têm de refinanciar (roll over) suas dívidas existentes num mercado em que os investidores estrangeiros temem que estes bancos já não tenham qualquer valor líquido restante. De modo que os princípio aqui é "Peixe grande come peixe pequeno". A Wall Street será salva, e aos bancos será permitido "fazerem o seu caminho para fora da dívida" tal como o fizeram após 1980, explorando clientes do retalho, acima de tudo clientes de cartões de crédito e tomadores de empréstimos individuais. Haverá um bocado de bancarrotas, e o povo sofrerá mais do que nunca antes devido à dura lei da bancarrota favorável ao credor que o Congresso aprovou sob o comando dos lobbyistas dos bancos. MW: Uns poucos meses atrás, o Wall Street Journal publicou um editorial em que dizia poderem imaginar dois cenários de pesadelo se a actual crise de crédito não fosse tratada adequadamente. Tanto poderia ser uma corrida sobre o dólar provocando um mergulho súbito do seu valor, ou a falência inesperada de uma grande instituição financeira que poderia remeter o mercado de acções para o crash. Na semana passada, o antigo chefe do FMI, Kenneth Rogoff, disparou uma liquidação na Wall Street ao dizer: "Estamos a ver não apenas bancos de tamanho médio a irem abaixo nos próximos poucos meses, nós estamos em vias de ver a queda de um colosso; vamos ver um muito grande - um dos grandes bancos de investimento ou um dos grandes bancos". O que acontece se Rogoff estiver certo e a Merrill, o Citi ou o Lehman falirem? Será isto suficiente para lançar o mercado de acções numa queda livre? Michael Hudson: Não necessariamente. O Citibank seria nacionalizado, e então vendido. O princípio deveria ser que se um banco é "demasiado grande para falir", ele deveria ser desmanchado. Isto deveria começar com uma revogação da revogação feita pela administração Clinton da lei Glass-Steagall. Quanto ao Lehman, ser-lhe-ia dado o tratamento do Bear Stearns, e também vendido - provavelmente a um hedge fund. O Merril é muito maior, mas ele também poderia ser dividido, suponho. O índice do mercado das acções financeiras mergulharia, mas não necessariamente o das acções industriais. MW: Segundo o MarketWatch, "Em três meses, de Abril a Junho, os bancos registaram os seus segundos piores desempenhos de rendimento desde 1881... Os rendimentos do trimestre totalizaram apenas US$5 mil milhões, em comparação com os US$36,8 mil milhões de um ano atrás, um declínio de 86,5%". Além disso, de acordo com um artigo de primeira página do Wall Street Journal, "as instituições financeiras terão de pagar pelo menos US$787 mil milhões em obrigações de taxa flutuante e outras a médio prazo antes do fim de 2009". Como é que os bancos irão pagar cerca de US$800 mil milhões (US$200 mil milhões já em Dezembro!) quando eles ganharam apenas uns magros US$5 mil milhões no trimestre!?! E como raios é que o Federal Reserve irá manter o sistema bancário a funcionar quando os rendimentos não podem cobrir nem mesmo os passivos actuais? Será que os bancos têm alguma fonte secreta de rendimentos que nós não conhecemos ou o sistema está fadado ao desastre? Michel Hudson: O meio tradicional de pagar dívida é com ainda mais dívida. O juro devido é simplesmente adicionado ao principal, de modo que a dívida cresce exponencialmente. Este é o significado real da "mágica do juro composto". Ela significa não só que poupanças deixadas a acumular juros mantêm-se a duplicar e reduplicar, a dívidas também o fazem, porque as poupanças que são emprestadas no lado do "activo" do balanço dos credores (nos EUA de hoje, aqueles 10% mais ricos) tornam-se dívidas no lado dos "passivos" dos balanços dos 90% da população da base. Os bancos não têm uma fonte secreta de rendimento. Ela é evidente. Eles levarão as suas hipotecas lixo ao Federal Reserve e tomarão emprestado o dinheiro ao seu pleno valor facial. O governo ficará com o lixo. O Fed tanto pode tomar o banco, como o fez o Banco da Inglaterra com o Northern Rock quando este entrou em bancarrota no princípio deste ano, ou poder deixar o banco "ganhar" dinheiro enganando os seus clientes um pouco mais. MW: De 2000 a 2006, o valor total da habitação vendida ao público nos Estados Unidos duplicou, indo de aproximadamente US$11 milhões de milhões (trillion) para US$22 milhões de milhões em apenas seis anos. Durante os últimos 200 anos, a habitação mal manteve o ritmo com a taxa de inflação, geralmente aumentando 2 a 3 por cento ao ano. As baixas taxas de juro do Federal Reserve foram a causa principal desta bolha habitacional sem precedentes. Contudo,o ex-chefe do Fed, Alan Greenspan, ainda nega qualquer responsabilidade por aquilo que The Economist denomina "a maior bolha na história". Será que Greenspan entendeu os problemas que estava a criar com as suas políticas monetárias "frouxas" ou havia algum motivos ocultos para as suas acções? Michael Hudson: Ele simplesmente não se importou com o problema. Ele encara a sua tarefa como a de um animador de pessoas que foram capazes de ficar ricas rapidamente. Estes sempre foram os seus principais clientes nos seus anos na Wall Street, e ele via-se como o seu servidor - uma espécie de peixe piloto para tubarões. A ideia do sr. Greenspan de "criação de riqueza" era tomar a linha de menor resistência e inflacionar preços de activos. Ele pensava que o meio de permitir a economia carregar a sua sobrecarga de dívida era inflacionar preços de activos de modo que os devedores pudessem tomar emprestados os juros cadentes devidos através do comprometimento do colateral (imobiliário, acções e títulos) que estava a ascender em preço de mercado. Para a sua visão Ayn-Rand do mundo, um meio de fazer dinheiro era tão economicamente e socialmente produtivo quando qualquer outro. Comprar uma propriedade e esperar que o seu preço inchasse era considerado tão produtivo quanto investir em novos meios de produção. Desde os seus dias como co-fundador do NABE (a National Association of Business Economists), Greenspan tem olhado só para indicadores "livres de juízos de valor" como o PNB e a contabilidade nacional. Esta é a sua limitação intelectual e conceptual. Ele queria proporcionar um meio para investidores experimentes ficarem ricos, e o caminho mais fácil para ficar rico é ser passivo e obter um almoço gratuito. Sua ideologia levou-o a acreditar na ideologia do "mercado livre", segundo a qual o sector financeiro seria auto-regulador e portanto actuaria honestamente. Mas ele abriu as comportas aos vigaristas financeiros. Suas medidas não distinguiam entre o Countrywide Financial a ficar rico, a Enron a ficar rica, ou a General Motors ou companhias industriais a expandirem seus meios de produção. De modo que a economia estava a ser esburacada, mas isto não aparecia em qualquer das medidas que ele olhava do alto do seu poleiro no Federal Reserve. Tal como jornalistas e os mass media proclamam toda queda de mercado como "surpreendente" e "inesperada", ele estava tão despistado quanto uma toupeira a correr impetuosamente para o precipício. Trata-se de um instinto inerente ao rapazes do mercado livre. MW: O mercado habitacional está em queda livre, batendo novos recordes todos os dias em arrestos, stocks não vendidos e preços em declínio. O sistema bancário está em condições ainda piores, subcapitalizado e enterrado sob uma montanha de activos degradados. Parece haver um consenso crescente em que estes problemas não são apenas parte de uma quebra económica normal, mas o resultado directo das políticas monetárias do Fed. Estamos nós a assistir ao colapso do modelo do banco central como meio regulador dos mercados? Pensa que a actual crise fortalecerá o sistema existente ou tornará mais fácil para o povo americano ganhar maior controle sobre a política monetária? Michael Hudson: O que quer dizer com "fracasso"? A sua perspectiva é alguém em baixo a olhar para cima. Mas o modelo financeiro tem sido um grande êxito do ponto de vista vantajoso dos que estão no topo da pirâmide económica e a olhar para baixo. A economia polarizou-se ao ponto de os 10% mais ricos agora possuírem 85% da riqueza do país. Nunca antes os 90% da base estiveram tão altamente endividados aos ricos. Do seu ponto de vista, o seu poder hoje excedeu aquele verificado em qualquer tempo em que tenha havido estatísticas económicas. Você tem de perceber que o que eles estão a tentar fazer é revogar o Iluminismo, revogar a filosofia moral e os valores sociais da economia política clássica e a sua culminação na legislação da Era Progressista, bem como nas instituições do New Deal. Eles não tencionam fazer a economia mais igualitária, e não tencionam partilhar poder. A sua cobiça é (como observou Aristóteles) infinita. De modo que o que você considera ser uma violação dos valores tradicionais é na verdade uma reafirmação dos valores pré-industriais, feudais. A economia está a retroceder no caminho que leva à escravidão pela dívida. O Caminho da Servidão não é o governo patrocinar o progresso económico e a elevação dos padrões de vida; é o desmantelamento do governo, a dissolução de agências regulamentadoras, a fim de criar uma nova elite do tipo feudal. A antiga União Soviética apresentou um modelo do que os neoliberais gostariam de criar. Não só a Rússia como também os Estados Bálticos e outras antigas repúblicas soviéticas, eles criaram cleptocracias locais, estilo Pinochet. Na Rússia, os cleptocratas fundaram um partido explicitamente pinochetista, o Partido das Forças da Direita. A fim de o povo americano ou qualquer outro povo ganhar maior controle sobre a política monetária, ele precisa ter uma doutrina de exactamente o que seria uma boa política monetária. No princípio do século XIX os seguidores de St. Simon, em França, começaram a desenvolver uma tal política. No fim do século, a Europa Central implementou esta política, mobilizando o sistema bancário e financeiro para promover a industrialização, após consulta prévia ao governo (e catalizado por gastos militares e navais, certamente). Mas tudo isto desapareceu da história do pensamento económico, o qual já não é sequer ensinado aos estudantes de Ciências Económicas. Os Chicago Boys tiveram êxito em censurar qualquer alternativa à sua racionalização do mercado livre com o despojamento dos activos e a polarização económica. O meu próprio modelo seria tornar os bancos centrais parte do Tesouro, não simplesmente o conselho de directores do voraz sistema da banca comercial. Você mencionou anteriormente os escritos de Henry Liu, e eu penso que ele chegou à mesma conclusão nos seus artigos no Asia Times. MW: Encara você o Federal Reserve como uma organização económica destinada primariamente a manter a ordem nos mercados através das taxas de juros e da regulação ou uma instituição política cujos objectivos são impor um modelo de capitalismo dominado pela América ao resto do mundo? Michael Hudson: Certamente está a brincar! O Fed transformou a "manutenção da ordem" num eufemismo para consolidar o poder do sector financeiro e em geral do sector FIRE (Finanças, Seguros e Imobiliário) sobre a economia "real" da produção e do consumo. Seus líderes encaram a sua tarefa como sendo a de actuar em nome do sistema bancário comercial para permitir-lhes que façam dinheiro a partir do resto da economia. Ele actua como Conselho de Directores para combater a regulação, para apoiar a Wall Street, para bloquear qualquer ressurreição de leis anti-usura, para promover "mercados livres" quase indistinguíveis da fraude financeira directa, para descriminalizar o mau comportamento - e acima de tudo para inflacionar o preço da propriedade em relação aos salários dos trabalhadores e mesmo em relação aos lucros da indústria. A tarefa do Fed não é realmente impor o Consenso de Washington ao resto do mundo. Essa é a tarefa do Banco Mundial e do FMI, coordenada através do Tesouro (veja-se, de modo mais flagrante, Robert Rubin sob a administração Clinton) e AID, juntamente com acções encobertas da CIA e do National Endowment for Democracy. Você não precisa de política monetária para fazer isso - só subornos maciços. Basta chamar a isto "lobbying" e "promoção de valores democráticos" - valores para combater o poder do governo para regular ou controlar as finanças por todo o mundo. O poder financeiro é inerentemente cosmopolita e, como tal, antagonista do poder de governos nacionais. O Fed e outras agências governamentais, a Wall Street e o resto da economia fazem parte de um sistema global. Cada agência deve ser encarada no contexto deste sistema e da sua dinâmica - e estas dinâmicas são polarizadoras, acima de tudo a partir de mecanismos financeiros. Assim, estamos de volta à "mágica do juro composto", agora expandida a fim de incluir a "livre" criação de crédito e a "livre" arbitragem. O problema é que nada disto aparece no curriculum académico. E o silêncio dos media principais quanto ao tratamento do problema ou mesmo o seu reconhecimento significa que ele é invisível, excepto para os beneficiários que manobram o sistema. Textos de Michael Hudson em resistir.info: · Salvar o Freddie Mac e a Fanny Mae é má política económica · Super-capitalismo, super-imperialismo e imperialismo monetário · Greenspan, o grande inflacionador de activos · A pirâmide dos US$ 4,7 milhões de milhões: a Segurança Social dos EUA & a Wall Street · Irá a Europa sofrer da síndroma suíça? · Um grande especialista revela segredos dos centros bancários offshore · Salvar a economia, desmantelar o império · US$ 1012 de resgate para os jogadores da Wall Street · O jogo acabou. Não haverá retomada. · Como deveria o Médio Oriente investir o seu excedente comercial? [*] Michael Hudson: mh at michael-hudson.com [**] Mike Whitney: fergiewhitney at msn.com O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/whitney08292008.html . Tradução de JF. Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/png Size: 166 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080908/25be949b/attachment-0003.png From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 8 19:21:27 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 8 Sep 2008 19:21:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?na_democracia_das_galinhas=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E__EUA_--_O_Mercado_morreu=2E_Deixou_as_d=EDvid?= =?windows-1252?q?as_para_o_Estado_pagar=2E=2E=2E?= Message-ID: <025001c91201$3ce94e80$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.............................................repassem ----- Original Message ----- From: Beatrice Morreu nada, galinha engorda e faz crescer. Nessas histórias de raposas e galinheiros, eu só quero saber é quem comeu as galinhas. Ok, o mercado comeu as galinhas. Mas esse mercado não respira? Esse mercado não anda aí pelas ruas? Esse mercado não paga imposto? Esse mercado não tem RG e CPF? Esse mercado não tem endereço? Esse mercado não tem telefone, internet, carro? Esse mercado não faz doação de campanha??? O governo dos EUA estatizou o galinheiro sem as galinhas e não vai mostrar quem comeu as galinhas? Essa raposa é esperta, ela vive na democracia das galinhas... am __________________________________________________________________________________________________ ----- Original Message ----- From: MVM<==>News Sent: Monday, September 08, 2008 4:57 PM EUA -- O Mercado morreu. Deixou as dívidas para o Estado pagar... ___________________________________________________ 08/09/2008 Folha de S.Paulo http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200807.htm VINICIUS TORRES FREIRE Mercado de mentiras e seqüestros Atendendo a pedidos do mercado, EUA estatizam quase metade do mercado de financiamento imobiliário O GOVERNO dos EUA estatizou quase metade do mercado de financiamento imobiliário. Não foi estatização? Hum. O governo americano tem agora 80% das ações preferenciais das duas maiores empresas do ramo, botou para fora seus diretores, nomeou os novos, cancelou os dividendos dos acionistas e, divertidíssimo, as proibiu de fazer lobby no Congresso. Qual o nome disso? Se fosse na Venezuela, seria estatização, certo? Antes de alguns detalhes, porém, algumas conclusões: 1. O governo Bush, "antiestatista", termina com a maior intervenção do Estado na economia americana desde a Grande Depressão dos anos 30. Mas os lucros ficaram com quem criou a lambança financeira; 2. O governo procura evitar mais quebradeiras. Sim, este é um caso de "risco sistêmico" -o risco de a quebra de instituição financeira importante provocar um dominó de falências que prejudica até quem nada tem a ver com o pato. Mas o "racional" e "eficiente" mercado financeiro oligopolizado ("muito grande para quebrar") tem o monopólio da desculpa esfarrapada "técnica". Merece o privilégio sistêmico de ser socorrido quando ameaça todo o resto da economia, mas não paga por isso nos tempos de bonança. O outro nome dessa desculpa, "risco sistêmico", é seqüestro: se você não pagar o resgate, eu mato todo mundo; 3. O mercadismo critica de boca cheia "instituições capturadas por grupos de interesse", os quais "politizam a gestão econômica em busca de rendas". Vivem a dizer que "instituições como bancos centrais e agências" têm de ser "independentes" e "técnicas", que o Estado não deve subsidiar empresas etc. Divertido é que, para essa gente, os "rent seekers", os seqüestradores das instituições públicas e devoradores de subsídios e impostos, são sempre os outros -nunca a finança. E agora? Ah, ah, ah. Mostrem-me um liberal. O governo americano estatizou as duas maiores financiadoras imobiliárias do país a fim de evitar que elas "desmoronassem", como dizia ontem um ex-diretor do Banco Central americano. Freddie Mac e Fannie Mae, como são apelidadas, têm ou garantem US$ 5,6 trilhões do mercado de dívida imobiliária americano, de US$ 12 trilhões. Se quebrassem, poderia ocorrer um "tsunami financeiro", como dizia na quinta Bill Gross, diretor do maior gestor de fundos de renda fixa do planeta, o Pimco (US$ 850 bilhões). Gross pedia ainda que o governo dos EUA comprasse papéis imobiliários podres no mercado. Ontem, além de estatizar Freddie "Fraudy" Mac e Fannie "Phony" Mae, como eram reapelidadas as empresas, o governo anunciou que vai comprar papéis imobiliários. Gross, que tem muitos desses títulos, se dizia ontem "sorridente". O que fazem Freddie e Fannie? Grosso modo, concedem, compram e revendem financiamentos imobiliários. Isto é, negociam títulos de investimento que têm como fonte de renda a prestação da casa própria (títulos lastreados em hipotecas, "mortgage backed securities", ou MBS). Os calotes na prestação da casa própria e a perda de valor de tais títulos estão na origem da crise financeira e bancária que jogou areia nas rodas da economia mundial. Se Freddie e Fannie fossem à breca, a economia iria ao brejo. O que pode acontecer? Quem entende muito disso dizia ontem que pode tanto haver festa no mercado como mais medo. Bancos, fundos, hedge funds, BCs pelo planeta e outros detentores e/ou inventores da complexa dívida imobiliária americana podem respirar um pouco. Por ora, ao menos, o círculo vicioso de desvalorização pode ser atenuado. O fato de o governo ter ordenado que as empresas financiem mais hipotecas pode ajudar a derrubar os juros da prestação, que não caíram com a crise e os cortes do Fed. Mas muita ente acha que a crise não vai parar enquanto os compradores de casas endividados não receberem ajuda direta. Outros lembram que muito banco tinha ações de Freddie e Fannie, que nesta segunda devem valer menos do que pó-de-traque queimado. Mas o mais importante de tudo é: o governo americano diz e repete que não vai deixar a peteca cair. +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ 08/09/2008 A vingança dos heterodoxos www.valoronline.com.br/ http://blogln.ning.com/forum/topic/show?id=2189391%3ATopic%3A20863 Analistas como Martin Wolff, do "Financial Times", já registraram, no início do ano, a morte do sonho liberal de um capitalismo global regido pelo livre mercado. Faltava um documento oficial para decretar o óbito. Essa certidão acaba de ser lavrada - pela mais heterodoxa das organizações econômicas multilaterais, a Unctad, sigla em inglês da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento. Críticas como a da Unctad contra o sonho liberal alimentam-se do socorro desesperado do governo dos EUA a bancos e às instituições hipotecárias Fanny Mae e Freddy Mac; da nascente recessão na Europa que se debate entre combater a inflação ou baixar juros; e da emergência das economia asiáticas fortemente impregnadas pelas digitais do Estado. Os economistas da ONU tiraram do limbo peritos de linha heterodoxa, como o neokeynesiano Nicholas Kaldor, para decretar o que chamam de "fracasso do modelo neoclássico", predominante no Ocidente. "Embora a maioria dos economistas concorde que os pressupostos do modelo neoclássico estão longe da realidade, este modelo continua a servir de base para as prescrições de política econômica", acusa a agência da ONU, no seu recém-lançado Informe de Comércio e Desenvolvimento 2008. O documento combate prescrições do modelo neoclássico que considera baseadas em premissas equivocadas e potencialmente danosas. Entre as premissas, está a de que os preços são sinais claros do mercado para corrigir distorções de oferta e demanda. A Unctad também combate a idéia de que o investimento para aumentar a produção tem de ser precedido pelo acúmulo de poupança. Contra a teoria tradicional, por exemplo, os países em desenvolvimento com mais investimentos são os que enviam ao exterior mais poupança do que recebem, nota o Informe. Ao lado de questionamentos teóricos sobre a teoria neoclássica de formação preços, o documento menciona os problemas criados com a influência das expectativas nos mercados financeiro sobre os mercados de mercadorias e a produção real. Os economistas da Unctad não sabem dizer o quanto a especulação influencia a atual alta de preços de mercadorias, mas comentam que a lógica de uma parte substancial dos mercados de futuros e hedge hoje descolou do terreno produtivo e atende a decisões de "diversificação de portfólios de investidores". Unctad vê fracasso do modelo neoclássico Em linguagem um pouco mais simples (só um pouco; nada no mundo atual é simples como se gostaria): ao notarem riscos maiores nos mercados de títulos, ou de ações, por exemplo, uma parte crescente de investidores do mercado financeiro tem diversificado aplicações comprando contratos de mercadorias no mercado futuro. Esses operadores não mudam de posições (comprando contratos ou vendendo os que têm) em função apenas da expectativa de mudança nos preços das mercadorias; só mexem em suas carteiras com base no que acontece nos outros mercados. A alteração no humor de investidores ganha efeito desproporcional no mercado de commodities. "Em vez de reduzir riscos, os complexos instrumentos financeiros desenvolvidos recentemente têm servido para espalhar o impacto de investimentos arriscados através de continentes, instituições e mercados", alerta a Unctad. A interpenetração dos mercados financeiro e de mercadorias e a arbitragem com juros e taxas de câmbio provocam movimentos que contrariam o saber convencional: países com grandes déficits nas contas externas no Leste Europeu vêem suas moedas se valorizarem e países com grandes superávits em conta corrente, como Japão e Suíça sofrem desvalorizações. Políticas baseadas nos pressupostos tradicionais podem exacerbar a crise, acreditam os economistas da ONU. "Seguindo a agenda do Consenso de Washington, que visava 'obter os preços corretos', muitos países mantém errados dois dos mais importantes preços - as taxas de câmbio e de juros", diz a Unctad. "Isso pode explicar por que o Consenso de Washington não se aplica em Washington: os EUA, depois de flertar brevemente com a ortodoxia monetária no começo dos anos 80, voltaram à sintonia fina da taxa de juros e a uma política monetária extraordinariamente complacente nas últimas duas décadas." É o tipo de leitura que, se não for descartada imediatamente com risinhos de desdém, poderia animar as reuniões do presidente Lula com seus conselheiros econômicos e o presidente do Banco Central. Mas engana-se quem quiser usar o documento da Unctad para encurralar o ortodoxo presidente Henrique Meirelles: embora condenem o aumento de juros como arma contra as atuais pressões inflacionárias, os autores reconhecem a utilidade da medida onde haja risco de uma espiral de aumentos de preços e salários - e listam o Brasil entre os países em que essa mexida nos juros pode, talvez, se justificar. Já os nacionalistas encontrarão, no documento, argumentos empíricos para bradar que o petróleo do pré-sal é nosso. Os ganhos adicionais com o abrupto crescimento de preços internacionais de petróleo e minerais chegaram a representar entre 4% a 7,5% dos Produto Interno Bruto dos países exportadores dessas commodities, mas parte dessas receitas adicionais geraram apenas maiores remessas de lucros feitas pelas empresas transnacionais envolvidas na exploração de recursos naturais, afirma a Unctad. Em países como Chile, Peru e Zâmbia, cerca de 60% ou mais dos ganhos com os aumentos de preços foram convertidos em remessas de lucros ao exterior. O Informe dá argumentos em defesa do crédito dirigido para investimentos, e cita o BNDES brasileiro como bom exemplo. No capítulo de propostas para lidar com a crise mundial, porém, apela para uma utópica coordenação multilateral para criar, nos mercados financeiros e na administração das taxas de câmbio, regras e códigos de conduta como os que a desmoralizada OMC aplica ao comércio internacional. O relatório completo, em inglês ou espanhol, está no portal www.unctad.org . Sergio Leo é repórter especial em Brasília e escreve às segundas-feiras +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++ 08/09/2008 FSP http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0809200802.htm Crise EUA criam ajuda de US$ 200 bi a imobiliárias Governo anuncia pacote para salvar as duas empresas que dominam o setor de crédito destinado à compra de imóveis Gigantes do mercado estão sob intervenção federal, por tempo indeterminado, e já funcionam como se fossem duas estatais FERNANDO RODRIGUES ENVIADO ESPECIAL A NOVA YORK O governo dos Estados Unidos anunciou ontem um pacote de salvamento de até US$ 200 bilhões para as duas empresas que dominam o setor de crédito imobiliário do país, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Esse valor será usado para eventualmente comprar ações preferenciais das gigantes do mercado, que estão desde ontem sob intervenção federal e já funcionando como se fossem duas estatais. Ficarão nessa situação por tempo indeterminado. Depois de concluída, essa operação de resgate deve ser a maior da história dos Estados Unidos. No primeiro semestre, o recorde já tinha sido estabelecido com a participação do Federal Reserve (BC dos EUA) bancando uma operação de venda do banco de investimento Bear Stearns para o JPMorgan. Nessa ocasião, o Fed teve de empenhar US$ 29 bilhões. Ainda não está claro o custo final, para os contribuintes, do salvamento da Fannie Mae e da Freddie Mac. Pelo tamanho das empresas, estima-se que o valor final passará com folga a marca do socorro usado no caso do Bear Stearns. A Fannie Mae e a Freddie Mac são empresas que trabalham no mercado de compra e venda de títulos baseados nos empréstimos imobiliários oferecidos por todo o sistema financeiro dos Estados Unidos. Nos últimos dois anos, esse mercado começou a esfriar, com toda a economia do país. A inadimplência atingiu 9,2% dos empréstimos, segundo a Mortgage Bankers Association. Esse é o maior percentual dos últimos 39 anos, desde que o levantamento começou a ser realizado. Juntas, tiveram prejuízo de US$ 14 bilhões nos últimos 12 meses. Evitar crise maior As duas empresas entraram em parafuso por causa da alta concentração dos negócios dentro de suas carteiras, sendo muitos dos papéis de má qualidade. Em 2005, ambas respondiam por 38% do mercado de compra e venda de títulos de empréstimos imobiliários. Conforme o setor foi se desfazendo dos ativos podres, elas foram absorvendo-os -segundo informações iniciais disponíveis, de maneira imprudente. Ontem, o jornal "The New York Times" publicou reportagem afirmando que as empresas maquiaram seus balanços inflando artificialmente o valor das reservas que teriam para cobrir perdas por inadimplência. Essa contabilidade problemática acabou sendo um dos fatores principais para que o governo decidisse intervir de uma vez para evitar uma crise generalizada no mercado. De 2005 para cá, a Fannie Mae e a Freddie Mac aumentaram seu domínio do mercado de 38% para 68%, o que equivale a US$ 5,3 trilhões em garantias a empréstimos ou empréstimos concedidos. Como comparação, o PIB do Brasil foi estimado em 2007 em US$ 1,31 trilhão (as duas empresas equivalem a mais de quatro "brasis"). Se ficassem apenas à mercê do mercado, haveria risco real de crise sistêmica, foi o argumento do governo. "Um fracasso de uma das duas poderia causar grande desarranjo nos nossos mercados financeiros e no mundo todo", disse Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA (equivalente ao ministro da Fazenda no Brasil). A decisão de fazer uma intervenção federal foi tomada nos últimos dias e foi apenas comunicada ao público ontem para evitar turbulência maior nos mercados acionários. O anúncio também foi feito logo cedo nos EUA para que as Bolsas de Valores na Ásia tivessem tempo de digerir todos os detalhes. O comunicado oficial foi feito por Paulson e por James Lockhart, diretor da agência federal que supervisiona empréstimos imobiliários, a FHFA (do nome em inglês "Federal Housing Finance Agency"). Caberá a este a responsabilidade pelas empresas enquanto elas estiverem sob o comando de interventores. Em resumo, o pacote tem os seguintes itens principais: 1) intervenção: desde ontem as duas empresas estão sob o controle de dois interventores federais por tempo indeterminado. Herb Allison responderá pela Fannie Mae e David Moffett pela Freddie Mac; 2) demissão: foram afastados os executivos Richard Syron e Daniel Mudd, da Freddie Mac e da Fannie Mae, respectivamente. Eles aceitaram colaborar com a transição e devem, em tese, ajudar os interventores na fase inicial do processo de saneamento. Ambos receberão normalmente as indenizações previstas em seus contratos (Syron deve embolsar até US$ 15 milhões; Mudd, cerca de US$ 14 milhões); 3) funcionamento: as duas empresas abrem hoje normalmente; 4) dividendos: serão suspensos os pagamentos de dividendos para todas as ações preferenciais e ordinárias. Essa medida deve dar uma economia de US$ 2 bilhões por ano para as duas empresas; 5) saneamento: para assegurar que as empresas não fiquem sem dinheiro na fase inicial, o Tesouro comprará US$ 1 bilhão de ações preferenciais de cada uma delas, imediatamente; 6) novo modelo: o secretário Paulson deseja remodelar o sistema de títulos do setor imobiliário. O objetivo será evitar a concentração que ocorreu nos últimos dois anos. Durante a intervenção, deve ser reduzida à força a hegemonia das empresas, fator apontado como um dos principais para o descontrole do mercado. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080908/a982fba7/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30280 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080908/a982fba7/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 9 19:23:43 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 9 Sep 2008 19:23:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O PETROLEO TEM QUE SER DO POVO BRASILEIRO Message-ID: <0a2301c912ca$b7d8c3e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. O PETROLEO DEVE SER DO POVO BRASILEIRO, VAMOS NOS ORGANIZAR ! Editorial jornal especial do Petroleo 7 de setembro de 2008. 1.O Brasil esta diante de uma encruzilhada histórica. A opção do caminho a tomar na questão do petróleo pode levar a um processo mais rápido de solução dos problemas do povo, ou pode condena-lo a uma dependência ainda maior do capital estrangeiro. A nova descoberta de petróleo no mar, no chamado pré-sal de bilhões de barris, que ninguém sabe ainda certo quanto é pode ser rendição ou maldição. 2.O Presidente Lula foi corajoso, tem se manifestado publicamente, e causando surpresa ate a seus críticos, defendendo de que essa riqueza deve ser usada para ajudar o povo a se livrar da pobreza e aplicar em educação. Conclamou os estudantes a se mexerem. Mas infelizmente até agora, poucas forças populares entenderam, e estão dispostas a se mexer. É verdade que a maioria das forças de esquerda, estão priorizando as eleições. Mas estranhamente, poderiam usar inclusive a campanha para desencadear uma grande mobilização em defesa da riqueza do petróleo para o povo. 3.A tese do Presidente de que as riquezas naturais são do povo, alem de correta e constitucional, pode armar os movimentos sociais para ampliar sua mobilização e lutar também para que os minérios ora utilizados apenas pela Vale, a energia elétrica, etc. sejam também usados para todo povo. 4.No caso do petróleo, existe muitas dúvidas sobre o valor da riqueza. E existe já muita polêmica, sobre qual a melhor forma de garantir o direito do povo sobre ela. Mas isso é salutar e natural de uma democracia. Na ultima pagina desse jornal estamos apresentando uma serie de pontos, que consideramos fundamental garantir o direito do povo sobre o petróleo. Pode ser um bom roteiro para o debate. 5.O que precisamos fazer agora, é desencadear uma ampla campanha nacional, motivando a todas as forças populares. Motivando a sindicato,s igrejas, movimentos sociais, associações, partidos, etc.. para que formem comitês em defesa do petróleo para o povo brasileiro. E a tarefa de cada comitê é justamente levar as informações para o povo. E fazer o mais amplo debate possível, sobre qual é a melhor solução. Fazer debates nos sindicatos, igrejas, rádios comunitárias, rádios, e televisões. Usar nossos boletins e jornais. 6. Precisamos acelerar o passo, para que o povo se aproprie das informações e reivindique o direito de decidir. 7.Não podemos deixar para que os empresários e a sua mídia burguesa, acabem influenciando o povo e o governo sobre qual ?a melhor solução?. Que será sempre uma solução boa para os interesses deles, não do povo. Não podemos deixar que apenas a comissão de ministros nomeada pelo Lula, seja a detentora da verdade dos fatos e das soluções. 8. Devemos construir os comitês, promover grandes mobilizações de massa, e exigir o direito de decidir através de um plebiscito nacional, aonde todo povo deve votar, e decidir sobre as alternativas. Não perca tempo. Trate de ajudar a organizar o comitê na sua área de atuação, seja bairro, escola, sindicato ou igreja. O Brasil de fato, sempre colado aos interesses dos movimentos sociais, está lançando esse primeiro jornal especial, para contribuir com o debate e a mobilização. Planejamos seguir editando outros jornais especiais. Escreva-nos dê sugestões. PS.. Após a constituição do comitê, envie a informação e o contacto por correio eletrônico para a secretaria da assembléia popular jubileubrasil at terra.com.br, Para construirmos uma rede de todos comitês. O PETROLEO TEM QUE SER DO POVO BRASILEIRO Medidas necessárias que defendemos para que isso aconteça: 1 Suspender imediatamente todos os leilões de áreas de prospecção de petróleo. 2. Mudar a atual lei do petróleo, aprovada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, e retirar os poderes e autonomia da Agencia Nacional do Petróleo- ANP em relação a prospeção do petroleo. A ANP atua contra os interesses do povo brasileiro, e inclusive tem todo seu arquivo histórico de dados sobre petróleo sob controle dos serviços contratos da empresa americana Halliburth. Que a ANP se destine apenas para fiscalizar a distribuição, adulteração dos combustíveis, gasolina e controlar formação de cartel de postos de abastecimento para controlar preços ao consumidor.. 3 Suspender imediatamente os contratos da ANP com a empresa Halliburth e convocar uma comissão de investigação para analisar as responsáveis e grau de vazamento pro exterior de informações estratégicas do petróleo brasileiro. 4. Garantir que todas as reservas detectadas no chamado campo do Pré-sal, sejam explorados unicamente em favor do povo Brasileiro. Como fazer isso? Devemos fazer um grande debate nacional, entre todos os movimentos, entidades e a população em geral, para encontrar a melhor forma jurídica para garantir esse direito. Há ainda muita divergência entre as forças populares sobre a melhor forma de garantir esse direito. Alguns querem que seja criada uma nova empresa publica, que seria dona e repassaria o petróleo para a Petrobras explorar. Outros dizem, que não precisa empresa, mas se poderia ter um sistema jurídico em que a união, repassa para a Petrobras e aufere os valores do petróleo. Outros defendem a transformação da Petrobras em empresa pública, e com isso passaria a ter de novo o monopólio de exploração do petróleo nas áreas do pré-sal A polemica que existe é apenas sobre a melhor forma jurídica. Mas todas as forças defendem que o petróleo do Pré-sal deve ser do povo brasileiro, inclusive o Presidente Lula. E a melhor solução, não vamos encontrar nos Gabinetes, mas com amplo debate entre as organizações populares e a população em geral. 5. O Brasil não poderá exportará mais nenhum barril de petróleo cru. Todo petróleo encontrado deve ser para as necessidades internas e as exportações serem apenas de derivados de petroleo beneficiado. Os atuais contratos que a ANP fez com empresas estrangeiras e que concederam 40% da exploração do petróleo em alto mar devem ser modificados, para impedir que essas empresas estrangeiras levem o petróleo extraído das plataformas diretamente para seus países. Operação que é inclusive de difícil fiscalização e controle. 6. Mudar a atual composição acionaria da Petrobras. Atualmente o governo tem 51% do poder de mando, e por isso indica o Presidente e a maioria dos membros do conselho administrativo e os diretores da Petrobrás. Mas 60% do capital com direito ao lucro, pertence ao capital privado. Estima-se que dos 60%, 40 sejam de capitalistas estrangeiros e 20 de capitalistas brasileiros. Como aumentar a participação da União no capital social? Poderíamos recomprar na bolsa de valores ações da Petrobras, embora agora estejam muito caras. E podemos também, aumentar o capital total da empresa, com o governo entrando com petróleo. E como os acionistas privados não vão querer colocar capital novo, (pois eles querem apenas auferir lucro) a composição do capital da Petrobras, poderia ter um peso maior do governo. 7. A Petrobras deveria ser a única empresa autorizada a explorar as reservas do Pré-sal, ora descobertas 8.. Garantir ampliação da renda para o estado brasileiro na mudança da lei de petróleo. Atualmente as empresas Petrobras e as demais que ganharam leiloes pagam ao redor de 8% de royalties para o governo. E no caso das empresas estrangeiras passam a ser proprietárias do petróleo extraído e fazem o que querem. E como levam a maior parte pro exterior, não pagam mais de impostos. No caso da Petrobras, a divisão da renda do petróleo, no final de todo processo, representa uma transferência média para o estado brasileiro (entre royalties, impostos municipais, estaduais e federais, que representam 60% do total da renda. Nos paises petroleiros, os estados recebem em media 80% do total da renda do petróleo, de diversas formas jurídicas e fiscais. Por tanto, na mudança da lei brasileira, é necessário mudar a lei de Royalties, para que aumente o percentual, e haja uma distribuição dos royalties para todos os municípios, como alias tem defendido o Presidente Lula. E alterar a carga fiscal, para que se chegue a media dos 80% da renda, como acontece nos paises petrolíferos. 9. Criar um Fundo social com os recursos do petróleo que seriam destinados apenas para investimento em educação, moradia, saúde e reforma agrária. Esse fundo deveria ser administrado pelo governo, mas com participação de representações dos trabalhadores e da sociedade. (Os empresários também já estão de olho nesse dinheiro e pressionam o governo para que o dinheiro seja para um fundo de investimento tipo PAC do petróleo, e gastos em industria e infra-estrutura... ou seja, para que eles se apropriem..) 10. A Petrobrás deveria aumentar seu quadro de funcionários, parar de contratar empresas terceirizadas. E todos os trabalhadores que trabalham ao redor do petróleo fossem funcionários da Petrobras, com todos direitos. Internal Virus Database is out of date. Checked by AVG - http://www.avg.com Version: 8.0.138 / Virus Database: 270.6.9/1635 - Release Date: 26/8/2008 07:29 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080909/ae051cf3/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 10 19:11:18 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 10 Sep 2008 19:11:18 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_11_de_Setembro_=2C_recordar_e_a?= =?windows-1252?q?prender_s=F4bre_o_golpe_do_imperialismo_norte-ame?= =?windows-1252?q?ricano_e_as_elites_entreguistas_/_______Salvador_?= =?windows-1252?q?Allende=2C_um_exemplo_que_perdura?= Message-ID: <0db101c91392$29666860$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ALAI, América Latina en Movimiento Chile Salvador Allende, um exemplo que perdura Fidel Castro -------------------------------------------------------------------------------- Nasceu há cem anos em Valparaíso, no sul do Chile, em 26 de junho de 1908. Seu pai, de classe média, advogado e notário, militava no Partido Radical chileno. Quando eu nasci, Allende tinha 18 anos. Realiza seus estudos médios em um liceu da cidade natal. Em seus anos de estudante pré-universitário, um velho anarquista italiano, Juan Demarchi, o põe em contato com os livros de Marx. Gradua-se como aluno excelente. Gosta de esporte e o pratica. Entra como voluntário no serviço militar no Regimento Coraceros de Viña del Mar. Solicita translado ao Regimento Lanceros de Tacna, um enclave chileno no norte seco e semi-desértico, posteriormente devolvido ao Peru. Egressa como oficial de reserva do Exército. Já o faz como homem de idéias socialistas e marxistas. Não se tratava de um jovem mole e sem caráter. Era como se adivinhasse que um dia combateria até a morte defendendo as convicções que já começavam a se formar em sua mente. Decide estudar a nobre carreira de Medicina na Universidade do Chile. Organiza um grupo de colegas que se reúnem periodicamente para ler e discutir sobre o marxismo. Funda o Grupo Avance em 1929. É eleito vice-presidente da Federação de Estudantes do Chile em 1930 e participa ativamente na luta contra a ditadura de Carlos Ibáñez. A grande depressão econômica nos Estados Unidos já havia se desatado com a crise da Bolsa de Valores que estalou em 1929. Cuba entrava na luta contra a tirania machadista. Mella tinha sido assassinado. Os operários e os estudantes cubanos enfrentavam a repressão. Os comunistas, com Martínez Villena à frente, desatavam a greve geral. "Faz falta carga para matar safados, para terminar a obra das revoluções..." â?" tinha proclamado em vibrante poema. Guiteras, de profunda raiz antiimperialista, tenta derrocar a tirania com as armas. Cai Machado, que não pôde resistir ao empurre da nação, e surge uma revolução que os Estados Unidos em poucos meses, com luvas de pelica e mão de ferro, esmaga, e seu domínio absoluto perdura até 1959. Durante esse período Salvador Allende, em um país onde a dominação imperialista se exercia brutalmente sobre seus trabalhadores, sua cultura e suas riquezas naturais, realiza uma luta conseqüente que nunca o afastou de sua irrepreensível conduta revolucionária. Em 1933 forma-se como médico. Participa na fundação do Partido Socialista do Chile. É já dirigente em 1935 da Associação Médica Chilena. É preso durante quase meio ano. Impulsiona o esforço para criar a Frente Popular, e o elegem subsecretário geral do Partido Socialista em 1936. Em setembro de 1939 assume a pasta de Salubridade no governo da Frente Popular. Publica um livro seu sobre medicina social. Organiza a primeira Exposição da Moradia. Participa no ano 1941 na reunião anual da Associação Médica Americana nos Estados Unidos. Ascende em 1942 a Secretário Geral do Partido Socialista do Chile. Vota no Senado, no ano 1947, contra a Lei de Defesa Permanente da Democracia, conhecida como "Lei Maldita" por seu caráter repressivo. Ascende em 1949 a Presidente do Colégio Médico. Em 1952 a Frente do Povo o postula para Presidente. Tinha então 44 anos. Perde. Apresenta no Senado um projeto de lei para a nacionalização do cobre. Viaja à França, Itália, União Soviética e a República Popular da China em 1954. Quatro anos depois, em 1958, é proclamado candidato à Presidência da República pela Frente de Ação Popular, constituída pela União Socialista Popular, o Partido Socialista do Chile e o Partido Comunista. Perde a eleição para o conservador Jorge Alessandri. Assiste em 1959 à tomada de posse de Rómulo Betancourt como Presidente da Venezuela, considerado até então como uma figura revolucionária de esquerda. Viaja nesse mesmo ano a Havana e se entrevista com o Che e comigo. Respalda em 1960 aos mineiros do carvão, que paralisam seu trabalho durante mais de três meses. Denuncia junto ao Che em 1961 o caráter demagógico da Aliança para o Progresso na reunião da OEA que aconteceu em Punta del Este, Uruguai. Designado de novo candidato à Presidência, é derrotado em 1964 por Eduardo Frei Montalva, democrata-cristão que contou com todos os recursos das classes dominantes e que, segundo dados revelados em documentos tornados públicos do Senado dos Estados Unidos, recebeu dinheiro da CIA para apoiar sua campanha. Em seu governo, o imperialismo tratou de desenhar o que se chamou a "Revolução em Liberdade", como resposta ideológica à Revolução Cubana. O que a engendrou foram os fundamentos da tirania fascista. Nessa eleição, Allende obtém, no entanto, mais de um milhão de votos. Encabeça em 1966 a delegação que assiste à Conferência Tricontinental de Havana. Visita a União Soviética no 50°Aniversário da Revolução de Outubro. No ano seguinte, 1968, visita a República Democrática da Coréia, a República Democrática do Vietnã, onde tem a satisfação de conhecer e conversar com o extraordinário dirigente desse país, Ho Chi Minh. Inclui nesse mesmo percurso o Camboja e Laos, em plena efervescência revolucionária. Depois da morte do Che, acompanha pessoalmente até o Taiti três cubanos da guerrilha na Bolívia, que sobreviveram à queda do Guerrilheiro Heróico e se encontravam já em território chileno. A Unidade Popular, coalizão política integrada por comunistas, socialistas, radicais, MAPU, PADENA e Ação Popular Independente, proclama-o seu candidato em 22 de janeiro de 1970, e triunfa em 4 de setembro nas eleições desse ano. É um exemplo verdadeiramente clássico da luta por vias pacíficas para estabelecer o socialismo. O governo dos Estados Unidos, presidido por Richard Nixon, após o triunfo eleitoral entra de imediato em ação. O Comandante em Chefe do Exército chileno, general René Schneider, é vítima de um atentado em 22 de outubro e falece três dias depois porque não se submetia à demanda imperialista de um golpe de Estado. Fracassa a tentativa de impedir a chegada da Unidade Popular ao governo. Allende assume legalmente com toda dignidade o cargo de Presidente do Chile em 3 de novembro de 1970. Começa do governo sua heróica batalha pelas mudanças, enfrentando ao fascismo. Tinha já 62 anos de idade. Coube-me a honra de ter compartilhado com ele 14 anos de luta antiimperialista desde o triunfo da Revolução Cubana. Nas eleições municipais de março do ano 1971, a Unidade Popular obtém maioria absoluta dos votos com 50,86 por cento. Em 11 de julho o presidente Allende promulga a Lei de Nacionalização do Cobre, uma idéia que tinha proposto ao Senado 19 anos antes. Foi aprovada no Congresso por unanimidade. Ninguém se atrevia a objetá-la. Em 1972 denuncia na Assembléia Geral das Nações Unidas a agressão internacional da qual é vítima seu país. É ovacionado em pé durante longos minutos. Visita nesse mesmo ano a União Soviética, México, Colômbia e Cuba. Em 1973, ao se realizarem as eleições parlamentares de março, a Unidade Popular obtém 45 por cento dos votos e aumenta sua representação parlamentar. Não podem prosperar as medidas promovidas pelos ianques nas duas Câmaras para destituir ao Presidente. O imperialismo e a direita agravam uma luta sem quartel contra o governo da Unidade Popular e desatam o terrorismo no país. Escrevi-lhe seis cartas confidenciais à mão, com letra pequenina e uma caneta de ponta fina entre os anos 1971 e 1973, nas quais lhe abordava temas de interesse com a maior discrição. Em 21 de maio de 1971 dizia-lhe: "... Estamos maravilhados com seu extraordinário esforço e suas energias sem limites para sustentar e consolidar o triunfo. "Daqui pode-se apreciar que o poder popular ganha espaço apesar de sua difícil e complexa missão. "As eleições de 4 de Abril constituíram uma esplêndida e alentadora vitória. "Foram fundamentais seu valor e decisão, sua energia mental e física para levar adiante o processo revolucionário. "Seguramente esperam por vocês grandes e variadas dificuldades a serem enfrentadas em condições que não são precisamente ideais, mas uma política justa, apoiada nas massas e aplicada com decisão não pode ser vencida..." Em 11 de setembro de 1971, escrevi-lhe: "O portador viaja para tratar contigo os detalhes da visita. "Inicialmente, considerando um possível vôo direto em avião da Cubana, analisamos a conveniência de aterrissar em Arica e iniciar o percurso pelo norte. Surgem logo duas coisas novas: interesse expressado a você por Velazco Alvarado de um possível contato em minha viagem para essa; possibilidade de contar com um avião soviético IL-62 com maior rádio. Este último permite, se desejarmos, chegar em vôo direto a Santiago. "Vai um esquema de percurso e atividades para que você acrescente, tire e introduza as modificações que estime pertinente. "Tentei pensar exclusivamente no que possa ser de interesse político sem me preocupar muito com o ritmo ou a intensidade do trabalho, mas tudo em absoluto fica submetido aos seus critérios e considerações. "Desfrutamos muito os sucessos extraordinários de sua viagem ao Equador, Colômbia e Peru. Quando teremos em Cuba a oportunidade de emular com equatorianos, colombianos e peruanos o enorme carinho e calor com que te receberam?" Naquela viagem, cujo esquema transmiti ao presidente Allende, salvei milagrosamente a vida. Percorri dezenas de quilômetros diante de uma multidão enorme, situada ao longo do caminho. A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos organizou três ações para assegurar meu assassinato durante essa viagem. Numa entrevista de imprensa anunciada com antecipação, havia uma câmera fornecida por uma emissora televisiva da Venezuela equipada com armas automáticas, manejada por mercenários cubanos que com documentos desse país tinham entrado ao Chile. A valentia falhou aos que apenas tinham que apertar o gatilho durante o longo tempo que durou a entrevista e as câmeras me enfocaram. Não queriam correr o risco de morrer. Tinham me perseguido, ademais, por todo o Chile, onde não me voltaram a ter tão perto e vulnerável. Só pude conhecer os detalhes da covarde ação anos mais tarde. Os serviços especiais dos Estados Unidos haviam chegado mais longe do que podíamos imaginar. Em 4 de fevereiro de 1972 escrevi a Salvador: "A delegação militar foi recebida com o maior esmero por todos aqui. As Forças Armadas Revolucionárias dedicaram praticamente todo seu tempo durante esses dias a atendê-la. Os encontros foram amistosos e humanos. O programa intenso e variado. Minha impressão é que a viagem foi positiva e útil, que existe a possibilidade e é conveniente continuar desenvolvendo estes intercâmbios. "Com Ariel falei sobre a idéia de sua viagem. Compreendo perfeitamente que o trabalho intenso e o tom da contenda política nas últimas semanas não tenham te permitido considerá-la para a data aproximada que mencionamos nessa. É indubitável que não tínhamos levado em consideração estas eventualidades. Por minha parte, naquele dia, vésperas de meu regresso, quando jantávamos já de madrugada em sua casa, ante a falta de tempo e a urgência das horas, tranqüilizava-me pensar que relativamente logo voltaríamos a nos encontrar em Cuba onde íamos dispor da possibilidade de conversar extensamente. Tenho, não obstante, a esperança de que você possa levar em consideração a visita antes de maio. Menciono este mês, porque no mais tardar, desde meados do mesmo, tenho que realizar a viagem, já impostergável, à Argélia, Guiné, Bulgária, outros países e a URSS. Esta ampla visita me tomará considerável tempo. "Agradeço-lhe muito as impressões que me dá sobre a situação. Aqui, a cada dia todos estamos mais familiarizados, interessados e afetados emotivamente com o processo chileno, seguimos com grande atenção as notícias que chegam de lá. Agora podemos compreender melhor o calor e a paixão que suscitou a revolução cubana nos primeiros tempos. Poderia dizer-se que estamos vivendo nossa própria experiência ao inverso. "Em sua carta posso apreciar a magnífica disposição de ânimo, serenidade e valor com que está disposto a enfrentar as dificuldades. E isso é fundamental em qualquer processo revolucionário, especialmente quando se desenvolve nas condições sumamente complexas e difíceis do Chile. Eu voltei com uma extraordinária impressão da qualidade moral, cultural e humana do Povo Chileno e de sua notável vocação patriótica e revolucionária. A você te correspondeu o singular privilégio de ser seu condutor neste momento decisivo da história do Chile e da América, como culminação de toda uma vida de luta, como o disse no estádio, consagrada à causa da revolução e do socialismo. Nenhum obstáculo pode ser invencível. Alguém disse que em uma revolução se marcha adiante com â??audácia, audácia e mais audáciaâ??. Eu estou convencido da profunda verdade que encerra este axioma." Escrevi-lhe de novo ao presidente Allende em 6 de setembro de 1972: "Com Beatriz lhe mandei mensagem sobre diferentes tópicos. Depois que ela partiu e com motivo das notícias que estiveram chegando na semana passada, decidimos enviar o companheiro Osmany para ratificar nossa disposição de colaborar em qualquer sentido, e ao mesmo tempo para que você possa nos comunicar através dele sua apreciação da situação e suas idéias com relação à viagem projetada a este e outros países. O pretexto da viagem de Osmany será inspecionar a Embaixada cubana, ainda que não se lhe dará publicidade alguma. Queremos que sua estadia nessa seja muito breve e discreta. "Os pontos propostos por você através de Beatriz já estão sendo cumpridos... "Ainda que compreendemos as atuais dificuldades do processo chileno, confiamos que vocês acharão o modo de vencê-las. "Pode contar inteiramente com nossa cooperação. Receba uma saudação fraternal e revolucionária de todos nós." Em 30 de junho de 1973 enviamos um convite oficial ao presidente Salvador Allende e aos partidos da Unidade Popular para comemoração do 20° Aniversário do ataque ao Quartel Moncada. Em carta aparte, digo-lhe: "Salvador: "O anterior é o convite oficial, formal, para a comemoração do 20° Aniversário. O formidável seria que você pudesse dar um pulo em Cuba nessa data. Você pode imaginar o que significaria isso de alegria, satisfação e honra para os cubanos. Sei que isso, no entanto, depende mais que nada dos seus trabalhos e da situação nesse. Deixamos, portanto, para sua consideração. "Ainda estamos sob o impacto da grande vitória revolucionária do dia 29 e do seu brilhante papel pessoal nos acontecimentos. É natural que muitas dificuldades e obstáculos subsistirão, mas estou certo de que esta primeira prova exitosa lhes dará grande fôlego e consolidará a confiança do povo. Internacionalmente deu-se grande destaque aos acontecimentos e aprecia-se como um grande triunfo. "Atuando como o fez em 29, a revolução chilena sairá vitoriosa de qualquer prova por difícil que seja. Reitero-te que os cubanos estão ao seu lado e que você pode contar com seus fiéis amigos de sempre." Em 29 de julho de 1973 envio-lhe a última carta: "Querido Salvador: "Com o pretexto de discutir contigo qüestões referentes à reunião de países não alinhados, Carlos e Piñeiro realizam uma viagem a essa. O objetivo real é de se informar sobre a situação e oferecer-lhe como sempre nossa disposição a cooperar frente às dificuldades e perigos que obstaculizam e ameaçam o processo. A estadia deles será muito breve porque têm aqui muitas obrigações pendentes e, não sem sacrifício de suas atividades, decidimos que fizessem a viagem. "Vejo que estão agora na delicada qüestão do diálogo com a D.C. no meio de acontecimentos graves como o brutal assassinato do seu assessor naval e a nova greve dos donos de caminhões. Imagino por isso a grande tensão existente e seus desejos de ganhar tempo, melhorar a correlação de forças para no caso de que estale a luta e, ser for possível, achar um caminho que permita seguir adiante o processo revolucionário sem contenda civil, ao mesmo tempo que salvar sua responsabilidade histórica pelo que possa ocorrer. Estes são propósitos louváveis. Mas no caso que a outra parte, cujas intenções reais não estamos em condições de avaliar daqui, empenhasse-se em uma política pérfida e irresponsável exigindo um preço impossível de ser pago pela Unidade Popular e a Revolução, o que é, inclusive, bastante provável, não esqueça por um segundo a formidável força da classe operária chilena e o respaldo enérgico que te ofereceu em todos os momentos difíceis; ela pode, ao seu chamado ante a Revolução em perigo, paralisar aos golpistas, manter a adesão dos vacilantes, impor suas condições e decidir de uma vez, se é preciso, o destino do Chile. O inimigo deve saber que está alerta e pronta para entrar em ação. Sua força e sua combatividade podem inclinar a balança na capital ao seu favor ainda que outras circunstâncias sejam desfavoráveis. "Sua decisão de defender o processo com firmeza e com honra até o preço de sua própria vida, que todos sabem que você é capaz de cumprir, arrastarão para seu lado todas as forças capazes de combater e todos os homens e mulheres dignos do Chile. Seu valor, sua serenidade e sua audácia nesta hora histórica de sua pátria e, sobretudo, sua chefatura firme, resolvida e heroicamente exercida, constituem a chave da situação. "Faça com que Carlos e a Manuel saibam como podem cooperar seus leais amigos cubanos. "Reitero-te o carinho e a ilimitada confiança do nosso povo." Isto o escrevi um mês e meio antes do golpe. Os emissários eram Carlos Rafael Rodríguez e Manuel Piñeiro. Pinochet havia conversado com Carlos Rafael. Tinha-lhe simulado uma lealdade e firmeza similares às do general Carlos Pratts, Comandante em Chefe do Exército durante parte do governo da Unidade Popular, um militar digno que a oligarquia e o imperialismo puseram em total crise, o que o obrigou a renunciar ao comando, e foi mais tarde assassinado na Argentina pelos esbirros da DINA, após o golpe fascista de 1973. Eu desconfiava de Pinochet desde que li os livros de geopolítica que me obsequiou durante minha visita ao Chile e observei seu estilo, suas declarações e os métodos que como Chefe do Exército aplicava quando as provocações da direita obrigavam ao presidente Allende a decretar estado de sítio em Santiago do Chile. Recordava o que advertiu Marx no 18 Brumário. Muitos chefes militares do exército nas regiões e seus estados maiores queriam conversar comigo onde quer que chegasse, e mostravam notável interesse pelos temas de nossa guerra de libertação e as experiências da Crise de Outubro de 1962. As reuniões duravam horas nas madrugadas, que era o único tempo livre para mim. Eu acedia por ajudar a Allende, inculcando-lhes a idéia de que o socialismo não era inimigo dos institutos armados. Pinochet, como chefe militar, não foi uma exceção. Allende considerava úteis estes encontros. Em 11 de setembro de 1973 morre heroicamente defendendo o Palácio de la Moneda. Combateu como um leão até o último suspiro. Os revolucionários que resistiram ali à investida fascista contaram coisas fabulosas sobre os momentos finais. As versões nem sempre coincidiam, porque lutavam de diferentes pontos do Palácio. Ademais, alguns de seus mais próximos colaboradores morreram, ou foram assassinados após o duro e desigual combate. A diferença dos depoimentos consistia em que uns afirmavam que os últimos disparos os fez contra si próprio para não cair prisioneiro, e outros que sua morte se deu por fogo inimigo. O Palácio ardia atacado por tanques e aviões para consumar um golpe que consideravam trâmite fácil e sem resistência. Não há contradição alguma entre ambas as formas de cumprir o dever. Em nossas guerras de independência houve mais de um exemplo de combatentes ilustres que, quando já não havia defesa possível, privaram-se da vida antes de cair prisioneiros. Há muito que dizer ainda sobre o que estivemos dispostos a fazer por Allende, alguns o escreveram. Não é o objetivo destas linhas. Hoje se cumpre um século de seu nascimento. Seu exemplo perdurará. Fidel Castro Ruz Junho 27 de 2008 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080910/30cc1e4d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 3208 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080910/30cc1e4d/attachment-0011.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 11 19:26:42 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 11 Sep 2008 19:26:42 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_O_que_resta_da_ditadura=3A_a_ex?= =?windows-1252?q?ce=E7=E3o_brasileira__/__e___CAMPANHA_CONTRA_A_IM?= =?windows-1252?q?PUNIDADE_E_PELA_PUNI=C7=C3O_AOS_TORTURADORES_DA_D?= =?windows-1252?q?ITADURA_MILITAR?= Message-ID: <110701c9145d$77ae8590$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Seminário O que resta da ditadura: a exceção brasileira 23, 24 e 25 de setembro - São Paulo / SP FFLCH / Universidade de São Paulo Sala 08 - Conjunto de Filosofia e Ciências Sociais Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 - Cidade Universitária SP O que resta do passado no presente? O que se mantém como legado na democracia? O que esta memória mobiliza? Estas são algumas das questões quehoje nos são impostas pela herança da ditadura militar no Brasil (1964-1985). As questões sobre o que resta do passado violento no presente é o tema que nos mobiliza a promover o seminário* O que resta da ditadura: a exceção brasileira*. As relações entre a democracia e sua herança autoritária constituem temas fundamentais para a compreensão do presente. Pensar a catástrofe coletiva dos anos de ditadura leva-nos à reflexão acerca da política e da democracia, sob o olhar crítico da filosofia, percorrendo as questões conceituais em seus vínculos com a dimensão do agir. *PROGRAMAÇÃO* *Dia 23* 15:30 Abertura: Gabriel Cohn (diretor da FFLCH) 16:00 Mesa "O preço de uma reconciliação extorquida" - Jeanne Marie Gagnebin (Unicamp) - Maria Rita Kehl (Psicanalista) - Tales Ab'Saber (Sedes sapientiae) 19:30 Mesa "Do uso da violência contra o Estado ilegal" - Paulo Arantes (USP) - Marilena Chauí (USP) - Vladimir Safatle (USP) *Dia 24* 16:00 Mesa "Como a mídia e a cultura confrontam-se com o direito à memória" - Eugênio Bucci (USP) - Ricardo Lisias (escritor) - Jayme Ginzburg (USP) 19:30 Mesa "A anomalia brasileira diante do direito internacional" - Marlon Weichert (Procurador da República) - Flavia Piovesan (PUC-SP) - Edson Teles (Uniban) *Dia 25* Exibição de filmes 14:00 "15 filhos", com a presença da diretora Marta Nehring 17:00 "Corpo", com a presença dos diretores Rubens Rewald e Rossana Foglia ============================================================================================================================================= CAMPANHA CONTRA A IMPUNIDADE E PELA PUNIÇÃO AOS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR VEJA O ATO DE LANÇAMENTO DO MANIFESTO DOS JURISTAS ASSINADO POR MAIS DE 350 PERSONALIDADES LIGADAS À ÁREA JURÍDICA E EDUCACIONAL EM DIREITO. PARA ASSISTIR CLIQUE AQUI VOCE PODERÁ VER SÓ O MANIFESTO OU A ÍNTEGRA DO ATO. DIVULGUE ESTE E-MAIL FAÇA-O CHEGAR A PROCURADORES DO MPF, ASSOCIAÇÕES DE ADOVOGADOS, ENTIDADES DE JUÍZES, DE PROFESSORES EM DIREITO, DE ESTUDANTES, DE FUNCIONÁRIOS DO JUDICIÁRIO. EM UMA SEMANA SÃO MAIS DE 3.000 ACESSOS AOS VÍDEOS DOS EVENTOS QUE ESTÃO DISPONÍVEIS NO DOSSIÊ: ANISTIA E CRIMES DE LESA HUMANIDADE . PARA VER A POSIÇÃO DO SUB-PROCURADOR GERAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DR. WAGNER GONÇALVES CLIQUE AQUI ADICIONE O BANNER EM SUA PÁGINA DA INTERNET E NOS COMUNIQUE SUA ADESÃO À CAMPANHA IMAGEM ANEXA E LINK ABAIXO http://www.armazemmemoria.com.br/cdroms/videotecas/bnm/dossies%20virtuais/Anistia/19DossieAnistia.htm A CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE ESSE TEMA É FUNDAMENTAL NA LUTA CONTRA O ESQUECIMENTO E A IMPUNIDADE. AMPLIE ESTA REDE COM SEU MAILING ATENCIOSAMENTE MARCELO ZELIC DIRETOR DO GRUPO TORTURA NUNCA MAIS-SP E MEMBRO DA COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ DA ARQUIDIOCESE DE SP COORDENADOR DO PROJETO ARMAZÉM MEMÓRIA -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080911/887808fe/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 20943 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080911/887808fe/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 12 19:19:29 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 12 Sep 2008 19:19:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Allende=3A_=22A_Hist=F3ria_=E9_?= =?windows-1252?q?nossa_e_a_fazem_os_povos=22__=28A_hist=F3ria_pode?= =?windows-1252?q?_se_repetir_na_Bol=EDvia=29?= Message-ID: <143901c91525$a01e66d0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 11 DE SETEMBRO DE 1973 Allende: "A História é nossa e a fazem os povos" No dia 11 de setembro de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, foi assassinado na sede do governo, durante o golpe de Estado liderado pelo general Augusto Pinochet, com apoio declarado do governo dos Estados Unidos. Em seu discurso derradeiro, Allende pede ao povo chileno que aproveite a lição: "o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição". Redação - Carta Maior Discurso do Presidente Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo da Unidade Popular e implantou a sanguinária ditadura militar comandada pelo general Pinochet: (o discurso) http://www.youtube.com/v/xZeEfXjTNu4&hl=pt-br&fs=1&rel=0&color1=0x5d1719&color2=0xcd311b&border=1"> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 11 de setembro: sete anos depois por José Farhat A opinião corrente, no Mundo Árabe, é que o atentado contra as Torres Gêmeas, o Pentágono e um terceiro possível que se fracassou, em 11 de Setembro de 2001, foi cometido por estadunidenses e israelenses. Todos os árabes com os quais conversei durante minhas passagens por lá ou através de contatos à distância, e falo com muitos, têm plena convicção disto. Também de que o atentado contra o falecido ex-presidente do Conselho de Ministros libanês, Rafiq Al-Hariri (1944-2005), foi obra deles. A respeito deste último, discutindo com um interlocutor israelense, concluímos que a CIA seria muito incompetente e confiou ao Mossad a tarefa de eliminar o reconstrutor de Beirute, num atentado perfeito. Já lá se vão sete anos desde os atentados em New York e Washington e, apesar de não existirem provas concludentes, uma enquete entre árabes que estiverem jogando gamão ou papeando em cafés de qualquer cidade ou vilarejo das arábias, ansiosamente aguardando a hora do desjejum deste Ramadã, resultará na resposta de sempre: ?Foram eles, do início ao fim?! Pensando bem, a suspeita é possível de ser real, pois a camarilha que cercava o recém-eleito presidente da República George W. Bush já havia decidido invadir o Iraque, faltando-lhe apenas uma justificativa, ou arremedo desta, se possível estrondosa, como foi o atentado, exibido para que fosse testemunhado pelo mundo inteiro. Dizer ?invadir o Iraque? significa se apoderar de seu petróleo e, para o império estadunidense ávido do combustível fóssil, os fins justificam os meios. A incompetência da CIA é pública, notória e mais de uma vez comprovada e este é o tipo de serviço que não precisa ser solicitado a Israel, este até mesmo o oferece. Alguém tem dúvidas de que, se a oportunidade se apresentar, será Israel quem atacará as instalações nucleares iranianas? Nesta mesma linha de pensamento, ninguém também deve duvidar que os atentados contra a Embaixada de Israel (em 1992) e contra o imóvel pertencente à comunidade judaica AMIA (em 1994), ambas em Buenos Aires, não teriam também sido um conluio desta associação gringo-sionista, para criar uma justificativa para o estabelecimento de uma base militar estadunidense na tríplice fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Esta hipótese é mais crível do que a de ter sido instigada pelo Irã, governo e inteligência, encarregando o Hizbullah de executá-los. E, no Líbano, o assassinato de Hariri valeu a pena para os associados, pois acusou-se a Síria, forçando-a a retirar suas forças militares do território libanês, abrindo caminho para o ataque israelense do verão de 2006. Só não se contava com o eficiente revide do Hizbullah encabeçando a resistência libanesa. É tudo carta de um baralho só. Tratando deste mesmo assunto, em artigo recente que publicou no The New York Times, o jornalista Michael Slackman, que também andou pesquisando o assunto no Oriente Médio, faz uma colocação digna de nota quando diz: ?É fácil para os americanos tratar com desprezo, mas isto seria não levar em consideração um elemento que as pessoas aqui [no Oriente Médio] pensam que os líderes ocidentais, notadamente em Washington, deveriam compreender: o fato de estas idéias [de o atentado ter sido cometido por Estados Unidos e Israel] terem vida longa representa o primeiro fracasso na luta contra o terrorismo, a incapacidade de convencer as populações árabes que os Estados Unidos empreendem verdadeiramente uma guerra contra o terrorismo e não uma cruzada contra os muçulmanos?. Os árabes estarem convencidos de que os atentados de 11 de Setembro constituem uma armação contra os muçulmanos não se deve somente à política dos países ocidentais, a favor de Israel e contra eles, mas também pela falta de capacidade de qualquer grupo árabe de executar uma operação de tal envergadura. Podem até ter ficado a cargo da execução, porém a organização e tudo o mais só pode ter vindo de outros e a unanimidade entre os árabes recai sempre sobre a associação Estados Unidos e Israel. Os Estados Unidos e seus aliados, dois meses após o atentado de 11 de Setembro, atacaram o Afeganistão e desalojaram os Talibãs do poder por não conseguirem convencê-los a entregar Osama Bin-Laden. Eles também, com todo seu poderio e com o estabelecimento de um estado títere, não chegaram nunca perto de Bin-Laden. Muito pelo contrário, o governo que lá colocaram não manda além da porta do palácio presidencial e os Talibãs já estão adiantados em sua reconquista dos territórios perdidos e no estabelecimento de alianças com as tribos afegãs, descontentes com a falta de cumprimento das promessas estadunidenses. Não demorará muito e reconquistarão o poder. Se Bin-Laden não lhes foi entregue pelo Afeganistão, também não o foi por seus aliados paquistaneses, encabeçados pelo lacaio Pervez Musharraf, recém-apeado do poder para não ser preso. No Iraque, alvo principal da política estadunidense de dominação das terras produtoras de petróleo, é evidente que tudo fracassou e estão sendo abandonados por seus aliados desiludidos e desdenhados por todos as facções que constituem o Iraque. Os problemas do Iraque terminarão quando for posto um fim à ocupação. Não há outra saída. Junte-se a este fracasso o malogro da tentativa de colocar o Líbano a serviço de Estados Unidos e Israel e teremos mais uma prova de que neste sétimo aniversário dos ataques de 11 de Setembro, independentemente de quem tenha organizado ou executado o ato, não há o que comemorar no lado de lá. Do lado de cá, no entanto, há muito que comemorar: o povo árabe se conscientizou de quem está a favor e quem está contra ele e, fato mais importante ainda, despertou para a verdade de que a maioria de seus governantes, alinhados direta ou indiretamente a Estados Unidos e Israel, ?subiram no telhado? como a avó da historinha que por aí se conta. José Farhat, cientista político AGENDA Fim de semana de encerramento da Mostra Até 14 de setembro, domingo A 3ª Mostra Mundo Árabe tem o seu encerramento no domingo, mas ainda tem programação recheada com filmes que retratam a riqueza e as contradições das sociedades árabes. Entre os destaques, ?Caramel?, ?Barakat!?, ?Littoral? e ?Filmes Ruins, Árabes Malvados?. Na sexta, Otávio Cury, um dos diretores do documentário ?Cosmópolis?, participa de conversa com a platéia após a exibição do filme, às 20h. Confira a programação da Mostra, com locais de exibição e horários no site especial da Mostra. Dança, música e poesia Espetáculo Estrela D´Água Dia 21 de setembro, domingo, às 17h O espetáculo tem como tema a água e mescla dança e poesia de inspiração em diversas culturas do Oriente Médio, explorando a diferença entre as abordagens tradicionais da dança do ventre desenvolvidas pelo grupo Âmar em contraste e combinação com a proposta contemporânea do Entreventres. O repertório varia de músicas raras gravadas que serão dançadas no primeiro bloco da apresentação, e no segundo execuções ao vivo por reconhecidos talentos da música árabe em São Paulo. Clique aqui e veja o programa completo do espetáculo Estrela D´Água. Cultura Árabe Semana de Estudos Árabes do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Árabe De 22 a 26 de setembro O Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo promove no final de setembro a Semana de Estudos Árabes, com sessões de comunicação dos pós-graduandos do departamento. Além disso, ocorrerão palestras abordando assuntos como a língua, a literatura e a filosofia árabe. Veja a programação completa no site do Departamento de Letras Orientais da USP. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080912/5c412a18/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16166 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080912/5c412a18/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 10500 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080912/5c412a18/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080912/5c412a18/attachment-0003.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6298 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080912/5c412a18/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 13 15:35:17 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 13 Sep 2008 15:35:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Agora_=E9_preciso_mais_do_que_?= =?windows-1252?q?nunca_retomar_a_luta_de_Euz=E9bio_Rocha_-autor_do?= =?windows-1252?q?_substitutivo_que_instituiu_o_monop=F3lio_estatal?= =?windows-1252?q?_do_petr=F3leo_-_e_dos_brasileiros_patriotas_rest?= =?windows-1252?q?abelecendo_o_monop=F3lio_da_explora=E7=E3o=2C_pro?= =?windows-1252?q?du=E7=E3o_inclusive_do_pr=E9-sal=2C_retirando_da_?= =?windows-1252?q?ANP?= Message-ID: <00a301c915cf$7839fe90$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Afinal, qual obra precisa ser completada: a de Getúlio Vargas ou a de FHC? ; pergunta com razão o editorial da Hora do Povo (abaixo transcrito). Se for a de Getúlio, a Petrobrás deverá ser significativamente desprivatizada, nacionalizada e re-estatizada, única maneira de fazer a empresa estar a serviço do interesse nacional do brasileiros. Se for a de FHC a empresa deverá se voltar cada vez mais aos interesses multinacionais e permitir que esses explorem grande parte dos reservatórios petrolíferos da camada do pré-sal. O governo federal deverá dar a palavra final, mas demonstra que tem agido nesses últimos tempos de boa fé, pois conseguiu frear o desmonte da Petrobrás e suspender leilões previamente marcados que de fato entregariam a riqueza para grupos de estrangeiros e de aventureiros; necessitando agora realizar mais alguns esforços como por exemplo: restabelecer o monopólio estatal na exploração do petróleo e construir um novo marco regulatório para o produto. É preciso que entidades mais representativas dos trabalhadores brasileiros se manifestem sobre o assunto - pois isso ajudará no processo de tomada de decisão. Jacob David Blinder GOVERNO DETEVE DESMONTE DA PETROBRÁS De 1953 a 1995, o Brasil, como resultado da campanha do `Petróleo é Nosso`, teve o monopólio estatal da exploração e produção do petróleo - também do refino, fornecimento de derivados às distribuidoras, importação e exportação. Foi esse monopólio exercido pela Petrobrás que nos permitiu descobrir petróleo e formar um corpo técnico capaz de desenvolver a tecnologia para explorar essa riqueza, primeiro em terra, depois em águas rasas e em seguida em águas profundas. O país fez bem em não dar ouvidos aos representantes das multinacionais que repetiam à exaustão: `o Brasil não tem petróleo`. Tanto empenho da parte de corporações pouco dadas à filantropia em nos poupar de um esforço inútil dava para desconfiar. E só os analfabetos políticos não perceberam que por trás do jargão estava o interesse do cartel das Sete Irmãs em manter o nosso petróleo debaixo da terra, como reserva estratégica sua, já que dispunha de outras áreas mais lucrativas para pintar e bordar. Em 1995, no auge da nefasta onda neoliberal, o governo FH conseguiu quebrar o monopólio estatal e impor, em 1997, a lei 9.478. A alegação era a de que a Petrobrás não tinha recursos para pesquisar, descobrir e explorar o petróleo no ritmo que o país necessitava. Foi criada a famigerada Agência Nacional do Petróleo, cujo primeiro diretor-geral proclamou às multinacionais presentes à sua posse, para que não pairasse nenhuma dúvida: `O Petróleo é Vosso!`. A Petrobrás foi transformada numa qualquer, que deveria disputar com as multinacionais, em leilões organizados pela Agência, o direito de pesquisar e explorar as áreas oferecidas. Mais. Foi canibalizada, enfraquecida e desfigurada, como preparação para sua privatização. Até outro nome lhe tentaram imputar: Petrobrax. Mas a Petrobrás resistiu a tudo. E foi arrematando a quase totalidade das áreas apresentadas nos leilões. Em diversos casos, menos pelo interesse imediato despertado por elas e mais pelo objetivo deliberado de evitar que nossas reservas passassem às mãos dos capitais externos. Graças a esse esforço e ao apetite ainda mediano das multinacionais em relação ao nosso petróleo, a Petrobrás levou o Brasil a manter seu controle sobre as reservas, a conquistar a auto-suficiência e a iniciar, em 2005, a perfuração do pré-sal. As multinacionais, também durante este período, não realizaram uma única descoberta notável de petróleo no Brasil. O governo Lula, muito acertadamente, deteve o processo de desmonte da empresa. Porém, foi surpreendido pelo punhal de Brutus sacado pela ANP, na 8ª rodada de leilões, realizada em 2006. Ao nomear o sr. Haroldo Lima para a direção-geral da Agência, o governo esperava estar colocando no posto um velho nacionalista e não aquilo em que ele se tornou. Engrossada por um diretor da Halliburton, que outra coisa não fez na vida além de sabujar patrões estrangeiros, a ANP estabeleceu no edital do leilão que nenhuma empresa - leia-se, a Petrobrás - poderia arrematar mais do que 11% das áreas oferecidas. E no pacote foram incluídos dez lotes da borda do pré-sal. O corpo técnico da Petrobrás recorreu ao Clube de Engenharia, que conseguiu suspender o leilão na Justiça. A ANP voltou à carga. Na 9ª rodada, em 2007, enfiou dezenas de lotes do pré-sal no edital. Os lotes foram retirados do leilão por determinação do próprio presidente Lula, após uma operação que precipitou a revelação pública da descoberta das gigantescas jazidas do pré-sal. É evidente que depois desta descoberta o apetite das multinacionais, por um petróleo fino e sem risco exploratório, passou a ser outro. Diante disso, o que se espera de um governo comprometido com o Brasil é que restabeleça o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo, pelo menos do pré-sal, devolvendo-o à Petrobrás e retirando da ANP o direito de transferi-lo a terceiros. O governo tem base parlamentar para dar este passo, mudando a atual lei do petróleo. As quatro irmãs que restaram no comando do cartel, e seus acólitos, dirão o mesmo que disseram para obter a quebra do monopólio: os investimentos são muito altos e a Petrobrás não tem como arcar com as despesas. Mas se teve, antes de presentear o Brasil com esta espetacular descoberta, por que deixará de tê-lo agora? O fato é que a Petrobrás tem todas as condições de dar conta da exploração do pré-sal em perfeita sintonia com os interesses nacionais, como já demonstrou ao longo de sua história. Já as multinacionais não têm a mínima condição de fazer o mesmo. Se o pré-sal lhes for franqueado, seja através do absurdo regime de concessões, ou dos contratos de serviço, vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para expulsar a Petrobrás de lá, porque é da natureza desses tipos de monopólios privados agir assim - como aliás já mostraram ao manipular a ANP à luz do dia. Há quem creia que a melhor solução para o pré-sal seja a criação de uma nova empresa 100% estatal. Se fosse para que essa empresa contratasse a Petrobrás para realizar a exploração e produção, ela seria apenas um estorvo. Se fosse para contratar outras empresas para fazer o trabalho da Petrobrás, seria uma nova ANP. Mas a Petrobrás tem muitas ações na Bolsa de Nova Iorque, dizem os nacionalistas de última hora. É verdade, mas por que eles querem nos fazer crer que um governo que não se furtou a deter o desmonte da Petrobrás iria se negar a fortalecer gradualmente o papel do Estado brasileiro dentro de sua maior empresa, quando estão em jogo tantos interesses estratégicos? Afinal, qual obra precisa ser completada: a de Getúlio ou a de FH? Fonte: Editorial: Hora do Povo (05-08/09/08) Foto: Ricardo Stuckert - PR -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080913/aab87738/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 31329 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080913/aab87738/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 18934 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080913/aab87738/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 14 13:10:03 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 14 Sep 2008 13:10:03 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_TEXTOS_DE_HIST=D3RIA_DO__BRASIL?= Message-ID: <03a801c91684$58ae6c90$0200a8c0@vcaixe> Grupos.com.br Carta O Berro...................................................................................repassem ----- Original Message ----- From: Hildebrando Barbosa de Carvalho Estação História : Todos os textos 1 Cresce o clamor pela anistia ampla, geral e irrestrita (1978) Novembro/1978 2 Baioneta não é voto, e cachorro não é urna de Ùlysses Guimarães (1978) 13.05.1978 3 Navegar é preciso, viver não é preciso (1973) 22.08.1973 4 Manifesto do seqüestro do embaixador americano. Rio (1969) 04.09.1969 5 Ato Institucional nº 5 (AI-5). Íntegra (1968) 13.12.1968 6 Manifesto da Frente Ampla. Íntegra (1966) 27.10.1966 7 Marinha americana deu força ao golpe - Operação Brother Sam 31.03.1964 8 Basta e Fora - dois editoriais do Correio da Manhã 31/03/1964 9 O incendiário discurso do cabo Anselmo (1964) 25/03/1964 10 À beira do confronto militar. Telegrama do general Cordeiro de Farias (1961) 04/09/1961 11 O Brasil à beira da guerra civil (1961) 25/08/1961 12 Renúncia de Jânio. Íntegra do manifesto (1961) 25/08/1961 13 Brizola convoca a resistência ao golpe. Discurso no rádio. Porto Alegre (1961) 21/08/1961 14 Ordem de ataque contra a resistência no Sul. General Orlando Geisel (1961) 1961 15 Discurso de JK na inauguração de Brasília (1960) 21/04/1960 16 Carta-testamento de Getúlio Vargas 25/08/1954 17 Arinos, da tribuna, pede renúncia de Getúlio (1954) 09/08/1954 18 A entrevista que acabou com a censura à imprensa (1945) 24/02/1945 19 Manifesto dos mineiros - uma virada na luta contra Getúlio (1943) 24/10/1943 20 O Estado Novo - Discurso-manifesto de Getúlio Vargas à Nação. Rio (1937) 10/11/1937 21 Pior é morrer de fome em Canaã, de José Américo de Almeida 31/07/1937 22 Comunistas tomam poder em Natal e resistem 4 dias (1935) 23/11/1935 23 Manifesto da ANL pede fim da dívida externa e reforma agrária (1935) 1935 24 Getúlio toma posse e bota abaixo a República Velha (1930) 11/11/1930 25 Aos revolucionários do Brasil 06/11/1930 26 Militares dão ultimato a Washington Luiz (1930) 24/10/1930 27 Começou a Revolução de 30 (1930) 04.10.1930 28 Coronel x Governador. A revolta da Princesa 09/06/1930 29 Manifesto da Coluna Prestes. Íntegra. Porto Nacional (1925) 19/10/1925 30 Governo assina acordo de paz com coronéis da Bahia (1920) 03/03/1920 31 'Um por todos, todos por um' (1911) 24.10.1911 32 Revolta da Chibata: carta dos marinheiros ( 1910) 22.11.1910 33 Vai comecar a campanha civilista. Rui Barbosa (1909) 19.05.1909 34 Lei Adolfo Gordo. Íntegra (1907) 07.01.1907 35 'Os sertões', de Euclides da Cunha. Últimos capítulos. (1901) 16.07.2008 36 Carta de despedida de D. Pedro II (1889) 16/11/1889 37 O povo assistiu àquilo bestializado - artigo de Aristides Lobo (1889) 16.07.2008 38 A República se explica (1889) 15/11/1889 39 Isabel conta como foi a festa da Abolição (1888) 13/05/1888 40 Lei Áurea. Íntegra. Rio (1888) 13/05/1888 41 Patrocínio: "O trono do imperador tem fundamento na escravidão" (1882) 1882/1888 42 Republicanos lançam manifesto no Rio (1870) 1870 43 Navio Negreiro - Tragédia no mar, de Castro Alves (1868). 1868 44 Tratado da Tríplice Aliança -Guerra do Paraguai. (1865) 01/05/1865 45 Manifesto da Praia incitando o povo às armas. Recife (1848) 1848 46 Bill Aberdeen. Íntegra. Londres (1845) 08/08/1845 47 Farrapos proclamam República no Sul (1836) 06/11/1836 48 Quixeramobim resiste (1824) 09/01/1824 49 Manifesto do Frei Caneca, Recife (1824) 1824 50 Sobre a escravidão. Texto à Constituinte. José Bonifácio (1823) 1823 51 Caráter geral dos brasileiros - José Bonifácio ( Entre 1823 e 1829) 1823/1829 52 Conselho de D. João VI a D. Pedro - íntegra da carta (1822) 26/08/1822 53 O termo do Fico (1822) 09/01/1822 54 Revolução pernambucana (1817) 1817 55 Devassa da Inconfidência - Vila Rica (1792) 18/04/1792 56 Delator avisa autoridades. Começa a repressão em Vila Rica (1789) 11/04/1789 57 Cartas Chilenas (8ª carta) - Tomás Antônio Gonzaga. Vila Rica( 1786) 1786 58 Nem mulas, nem fábricas (1761 e 1785) 1761/1785 59 O embaixador do rei de Angome chega à Bahia (1750) 29/09/1750 60 Bandeirante conta como destruiu Palmares ( 1694) 1694 61 Cinco poemas de Gregório de Matos, o Boca do Inferno (Bahia ,1682) 1682 62 Vieira justifica a escravidão (1633) 1633 63 Um alemão nas mãos dos devoradores de homens (1556) 01/01/1556 64 Carta de Pero Vaz de Caminha (1º de maio de 1500) 01/05/1500 FONTE: http://www.franklinm\rtins.com.br/estacao_historia_ -------------------------------------------------------------------------------- -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080914/3227c48c/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 50 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080914/3227c48c/attachment-0002.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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(click sobre cada corazoncito) La Barca Amor Amor Amaneci en Tus Brazos Amor Perdido El Reloj Contigo En La Distancia En La Orillla Del Mar Sin Ti Te Extraño Inolvidable Maria Bonita Jurame Palabras de Mujer Pecadora Esperame en el cielo Tu me Acostumbraste Noche de Ronda Historia de un Amor Voy Apagar La Luz Esta Tarde Vi Llover Sabor a Mí Aquellos Ojos Verdes Usted Sabrá Dios Nosotros La Puerta Besame Mucho Contigo Aprendi Hipócrita No me platiques más Vereda Tropical Solamente Una Vez -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080914/dae059b2/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: audio/mid Size: 27268 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080914/dae059b2/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 15 19:38:04 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 15 Sep 2008 19:38:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?A_POL=CDTICA_DOS_EUA_NA_BOL=CDVIA?= Message-ID: <078301c91783$b800bae0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro................................................................................repassem Venezuela reitera oferta de apoio militar a Morales Claudia Jardim De Caracas para a BBC Brasil Chávez insiste em ajuda militar que Morales rejeita O governo da Venezuela exercerá seu "direito à rebelião" para restituir o governo legítimo de Evo Morales em caso de um golpe de Estado na Bolívia - apesar da rejeição das Forças Armadas bolivianas à idéia -, disse o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro. "O direito internacional estaria sendo violado e teríamos não só o direito, mas o dever de atuar para preservar o respeito às regras internacionais", afirmou Maduro. Em entrevista à BBC Brasil, o chanceler venezuelano afirmou que as Forças Armadas bolivianas não souberam interpretar a oferta de apoio armado do presidente Hugo Chávez, principal aliado de Morales na região, ao país vizinho. Ele acrescentou que a América Latina não ficaria de braços cruzados se Morales fosse derrubado. "Já foi o tempo em que os EUA promoviam golpes e os demais países assistiam sem reagir." Leia a seguir os principais trechos da entrevista de Nicolás Maduro à BBC Brasil: BBC Brasil - O comandante-chefe das Forças Armadas da Bolívia, Luis Trigo, rejeitou a oferta do presidente Hugo Chávez de intervir militarmente no país no caso de um golpe de Estado. Qual a opinião do governo venezuelano a respeito? Nicolás Maduro- Que bom seria se esse militar se pronunciasse contra a ingerência histórica e atual dos EUA na Bolívia e acompanhasse com lealdade o presidente Evo Morales. Estamos em um contexto histórico de união e de afronta a qualquer perigo que coloque em risco nossas Repúblicas. Considero que foi um erro de interpretação deste general, que não entendeu o chamado solidário do presidente Chávez em apoio à Bolívia. BBC Brasil - Qual seria a reação do governo venezuelano se Evo Morales fosse derrubado? Maduro - Evo Morales foi eleito democraticamente e há um mês foi ratificado com mais de 67% dos votos em um referendo. Não toleraríamos um golpe de Estado contra esse governo. Toda a América Latina sairia a defender o povo da Bolívia, assim como no século 19, quando nossos heróis libertaram nosso continente do domínio espanhol. BBC Brasil - Mas estamos no século 21 e a legislação internacional prevê a inviolabilidade territorial dos Estados. Uma ação do governo não poderia ser interpretada como ingerência? Maduro - Se Evo Morales fosse derrubado por esses grupos violentos apoiados pelos EUA, o direito internacional estaria sendo violado e teríamos não só o direito, mas o dever de atuar para preservar o respeito às regras internacionais, aos governos legítimos e ao direito à vida de nossos povos. Não ficaremos de braços cruzados. Já foi o tempo em que os EUA promoviam golpes e os demais países assistiam sem reagir. A oligarquia boliviana que não se equivoque: se tentarem um golpe, exerceremos nosso direito à rebelião. Somos o mesmo povo. BBC Brasil - O senhor acredita que há uma possibilidade real de golpe de Estado na Bolívia? Maduro- Está a caminho um plano de golpe parecido com o que promoveram contra Jean Bertrand Aristide, no Haiti, ou Juan Domingo Perón, na Argentina, que eram governos essencialmente populares. Mas o governo dos EUA conseguiu incorporar cenários de violência, de racismo, para logo derrubá-los. BBC Brasil- Na Bolívia as organizações separatistas que se opõem a Evo Morales estão à frente das manifestações. Maduro - Obviamente a oligarquia racista boliviana é o principal fator nesse cenário de desestabilização. Mas nenhum desses grupos moveria um dedo contra um governo com tamanho apoio popular como o de Evo se não tivessem o apoio político, financeiro e de planejamento do governo dos EUA. Disso não há que duvidar. BBC Brasil - Depois da expulsão do embaixador dos EUA em Caracas e da idêntica resposta do governo dos EUA, qual é a situação política e diplomática neste momento entre os dois países. Há possibilidade de ruptura das relações? Maduro - Estamos revendo as relações e reagiremos de acordo com a atuação do governo dos EUA. Estamos vivendo o pior momento das relações dos EUA com a América Latina e o Caribe. Esperamos em algum momento que os EUA façam uma retificação histórica, recomponha sua política e respeite os países da região. BBC Brasil- O que levou o governo a expulsar o embaixador dos EUA Patrick Duddy? Maduro - Tivemos que atuar com firmeza frente às tentativas descaradas de desestabilização e de violência que o governo dos EUA apóia na Bolívia e frente à participação de representantes do governo dos EUA na conspiração contra o presidente Chávez ao longo desta década, particularmente em uma tentativa de golpe e magnicídio (assassinato de pessoa ilustre) que recentemente estava sendo planejada por militares venezuelanos e que tornamos pública. BBC Brasil - O governo venezuelano tem provas disso? Maduro - (Em situações como essa) sempre está as mãos do embaixador dos EUA. Sabemos que funcionários (da embaixada) se reuniram com as pessoas que pretendiam realizar o complô, eles viajam permanentemente aos EUA. Nas próximas semanas serão reveladas essas provas, assim como aconteceu no golpe de 2002 contra o presidente Chávez. Denunciamos antes e durante o golpe, e ao final, nos documentos desclassificados do governo dos EUA, apareceram as provas que nós haviamos denunciado. BBC Brasil - Em consequência da escalada da crise entre Venezuela e EUA, haveria alguma possibilidade de que os EUA, que é o principal comprador do petróleo venezuelano, deixasse de comprar o produto de seu país? Quais seriam as consequências? Maduro - Isso para eles é impossível, eles não têm como fazer isso. Se fizessem, nós tranqüilamente colocaríamos nosso petróleo no mercado internacional. Sobra mercado no mundo para colocar o petróleo venezuelano. BBC Brasil - As relações entre EUA e Venezuela chegaram a seu pior momento, ao mesmo tempo em que o governo venezuelano estreita a cooperação militar com a Rússia. O senhor considera que está ocorrendo uma reedição da Guerra Fria? Maduro - A Guerra Fria correspondia a um mundo bipolar. Hoje estamos frente a um mundo multipolar, que quer paz, soberania e respeito do direito ao desenvolvimento econômico autônomo e livre. Uma pequena parte do mundo, que é a elite que governa aos EUA, é que quer manter um sistema unipolar de dominação. Não há nenhuma Guerra Fria, há uma grande luta quente por nascer e viver em um mundo multipolar, sem impérios. BBC Brasil - Qual é a mensagem que o governo pretende enviar aos EUA ao aceitar a realização de uma manobra naval conjunta com a Rússia no Caribe? Maduro - Estamos mostrando que a América Latina e o Caribe deixaram de ser o quintal dos EUA. Antes somente os EUA podiam realizar manobras militares na região. Agora isso acabou. Somos independentes e podemos estabelecer cooperação com qualquer país, para compartilhar tecnologia. Os EUA tentaram nos bloquear militarmente quando decidiram não vender-nos armas, mas nós fomos capazes de superar este bloqueio tecnológico e hoje temos cooperação com outros países. BBC Brasil - O presidente Hugo Chávez reitera que os EUA poderiam agredir a Venezuela para tentar derrubá-lo e controlar o petróleo venezuelano. Se essa incursão militar ocorresse, seu governo pensa em contar com ajuda militar da Rússia? Maduro - Para defender nosso território basta o nosso povo. BBC Brasil - Qual a relação das manobras navais que serão realizadas pelo governo venezuelano e russo no Caribe, em novembro, com a crise no Caucaso e a presença da frota naval norte-americana no mar Negro, fronteira sul da Rússia? Maduro - Não há relação direta. Um exercício conjunto deste tipo não se resolve do dia para a noite e o exercício militar já havia sido discutido há meses, antes mesmo do conflito no Cáucaso. Além disso, há alguns anos já vínhamos fortalecendo a cooperação com a Rússia na área militar. BBC Brasil - E indiretamente os fatos estão relacionados? Maduro - Indiretamente... eu deixo aberto à interpretação. Bolívia: A Guerra do Gás Continua Dr. Carlos Walter Porto-Gonçalves[1] Ms. Marcelo Câmara[2] Em outubro de 2003 a Bolívia se via diante de amplas mobilizações callejeras que se aglutinaram em função da manifesta vontade do governo de então - Gonzalo Sánchez de Lozada - de exportar o gás boliviano pelo Chile, episódio que ficou conhecido como Guerra del Gás. Somente um homem que fala um espanhol com forte sotaque inglês, ou melhor, norte-americanizado, como o Sr. Goni de Lozada, seria capaz de fazer uma proposta daquele teor, ignorando não só o tempo de longa duração da história do povo boliviano que remete à perda de território para aquele país vizinho, como mostrava completa ignorância com o tempo de curta duração que, em 2000, mobilizara amplas camadas do país contra a privatização da água em Cochabamba, na chamada Guerra del Água. A ignorância, misto de soberba e onipotência, que tão bem caracteriza a tradicional classe/etnia dominante criollo/mestiza boliviana não se apercebia que o conjunto de políticas iniciado pelo mesmo Goni de Lozada, em 1985, no perfeito receituário recomendado pelo Banco Mundial e o FMI, estava desabando. A quebra do setor mineral do país com o desmonte das empresas estatais fragilizaria um dos principais pólos de resistência popular no país, a histórica COB - Central Obrera Boliviana - mas engendraria um dos fenômenos de novo tipo que vem marcando o país, e para o qual as ciências sociais não têm um nome para caracterizar o processo, qual seja, a recampenização desse proletariado mineiro que agora se dispersava. Trata-se, na verdade, da reterritorialização camponesa desse proletariado em dispersão, sobretudo pelos vales do Chapare, quando passam a se dedicar em grande parte ao cultivo de coca. E na Bolívia, assim como no Equador, Peru, México, Guatemala, Paraguai e sul do Chile, o conceito proposto por Darci Ribeiro de indigenato, qual seja, um campesinato etnicamente diferenciado, tem enormes implicações sociais e culturais e, cada vez mais, políticas. A geografia social boliviana, assim como a equatoriana, nos ajuda a entender a força do indigenato insurgente, conforme nos ensina o antropólogo Xavier Albó, na medida em que ao mesmo tempo em que parte dos antigos mineiros que se reterritorializam enquanto camponeses seguem mantendo importantes relações com as matrizes culturais dos povos originários e com as populações urbanas em função das relações socioespaciais mantidas entre as cidades com o altiplano. O melhor exemplo disso é a população de El Alto, cidade onde está localizado o aeroporto que dá acesso à capital La Paz, que dos seus 90 mil habitantes, em 1976, tem, hoje, aproximadamente 900 mil habitantes, em sua grande maioria indígena, que mantêm fortes vínculos com o vasto altiplano boliviano onde os ayllus, unidades territorial tradicional, mantém-se enquanto propriedade familiar-comunitária e estrutura sócio-política vigente (binômio tupus-ayllus). Na própria cidade de El Alto é marcante a reinvenção de instituições dos povos originários como é o caso das Juntas Vecinales, estruturas de perfil organizativo onde são nítidas as memórias dessa cultura organizacional. Um hibridismo explosivo então se configura quando uma cultura político-sindical operária - como a rica tradição dos mineiros bolivianos - se encontra com a coca e, assim, com uma história de longuíssima duração que remete à ancestralidade indígena atualizada por meio desse campesinato cocalero que, por sua vez, está frente a frente com a intervenção imperialista estadunidense que, desde os anos oitenta, tenta impor a erradicação da coca. Uma declaração do então embaixador estadunidense Manuel Rocha, em abril de 2001, dá o tom da intervenção: "Bolívia es el país em la región (andina) que mejor cumplió en la lucha contra el narcotráfico; (en Washington) están admirados de lo que pasó em estos tres años en Bolívia" (La Razón, 18/04/2001, p.Política, 3-A). Admiracion esta que não só ignora as relações ancestrais dos povos andinos com a folha de coca, como se mostra especialmente insensível às dramáticas conseqüências dos programas de erradicação para o campesinato chapareño. A exigência estadunidense por "Coca Cero", negando a reivindicação do indigenato cocalero que exigia a legalidade de parte do cultivo de coca que alegava não se vincular aos circuitos da narcoburguesia boliviano-estadunidense, mas sim à cultura ancestral quéchua/aymara e aos hábitos tradicionais de consumo, ensejará uma resposta de Evo Morales que afirmará que "cuando hablan de Coca Cero es como si estuvieran hablando de cero de quechuas-aymaras. Es el genocídio!". Num país em que mais de 60% da população é indígena pode-se dizer que a arrogante declaração do embaixador dos EEUU adicionava um elemento imperialista a um movimento já em si contundente, e começava-se, aí, a construir uma liderança nacional em torno do indígena na Bolívia com forte caráter anti-imperialista. Acompanhando um processo em curso em toda a América Latina onde a resistência contra as políticas neoliberais acabou por derrubar cerca de 20 governos desde 1989, a Bolívia terá num original movimento indígena o eixo em torno do qual um longo e exitoso processo de resistência se ensejará. O movimento indígena boliviano é original na medida em que se mostra visível antes do grande 1° de janeiro Zapatista de 1994, pois já em 1990 organiza, desde as Terras Baixas do Oriente, a Marcha pela Dignidade e pelo Território. É interessante notar que até mesmo a palavra dignidade que terá grande força no ideário zapatista constava explicitamente nos cartazes do movimento indígena boliviano, aliás mesmo título dado pelos indígenas equatorianos que também organizam sua Marcha pela Dignidade e pelo Território em 1990. O movimento indígena boliviano não só foi o primeiro a se manifestar, tornando-se nacionalmente visível, como será o primeiro a dar forma nacional às suas lutas elegendo Evo Morales em 2005. A truculência histórica da classe/etnia dominante na Bolívia se encarregaria de oferecer os ingredientes de sofrimento com os massacres que se seguiram às mobilizações callejeras pela reapropriação social do gás em 2003 com dezenas de bolivianos sendo assassinados pelas forças militares a mando do então Presidente Goni de Lozada. Desde 2006, quando Evo Morales tomou posse e, sobretudo depois que o amplo movimento social conseguiu maioria na Constituinte através de seu "Instrumento para la Soberanía de los Pueblos" - que é o MAS - Movimento Al Socialismo - que os setores retrógrados das classes/etnias dominantes bolivianas vêm fazendo de tudo para inviabilizar o processo democrático de mudança em curso no país, seja por meio de autonomias separatistas, seja com questões como a mudança da capital e a conseqüente inviabilização dos trabalhos da Constituinte, mas também, sobretudo, com o maciço uso da máquina midiática que desqualifica todos os dias, o dia todo, toda e qualquer medida governamental. Cabe aqui recordar o fato de que um dos impasses cruciais nas discussões na Assembléia Constituinte foi a exigência, pela oposição, da necessidade de um mínimo de 2/3 dos votos dos constituintes para a aprovação da Carta Magna, como requisito supostamente essencial para um resultado democrático que contemplasse a vontade das minorias e aprovasse a nova constituição amplamente discutida. Essa mesma oposição, em um passado não muito distante no qual o papel oposição não lhes cabia, se regozijava no parlamento aplicando aquilo que ficou conhecido como "rodillo parlamentário", um sistema de composição de alianças esdrúxulas e/ou improváveis para a composição de 50% mais um dos votos das câmaras no parlamento, aprovando o que lhes fosse de interesse. Num interessante sinal dos tempos, hoje, quando já não são mais capazes de compor uma maioria simples que lhes atenda os desejos, tornaram-se ardorosos defensores da democracia das minorias. Porém, mesmo com todo o apoio da mídia para tentar desestabilizar o governo durante o referendum revocatório, Evo Morales conseguiu ampliar seu apoio popular tendo passado de 53% dos votos com que se elegeu, em dezembro de 2005, para 67%, em agosto de 2008! Mesmo assim, e tendo convidado os seus oponentes ao diálogo, no que foi contestado por parte de algumas lideranças populares que exigiam mano dura, as classes/etnias dominantes acantonadas na Meia Lua, agora Minguante com a derrota em Chuquisaca, resistem e exigem que o Presidente abra mão de uma gestão nacional dos recursos originários - justamente dos hidrocarbunetos - tendo inclusive desencadeado ações terroristas contra instalações da empresa que com tanto sacrifício foi nacionalizada pelas lutas e mortes recentes de bolivianos e bolivianas no ainda vivo Outubro Sangrento da Guerra do Gás de 2003. O interessante é que as classes/etnias dominantes capitaneadas por Santa Cruz tentam se reapropriar do gás, o elemento de uma unidade nacional que vem se constituindo a partir do indígena num país profundamente fragmentado social e territorialmente, parte do caráter abigarrado da sociedade boliviana, como nos ensina René Zabaleta Mercado: um "Estado aparente", incapaz de articular as diferentes temporalidades/territorialidades existentes no país. A unidade nacional que se tenta construir a partir da reapropriação do gás natural, fruto das lutas e do sangue derramado nas ruas de El Alto, tem sua lógica subvertida pela elite lunática ao definir os hidrocarbonetos como recurso praticamente exclusivo daqueles departamentos de onde é extraído, discurso que logra obter um nítido apoio popular nessas regiões, sem que se apercebam de uma lógica inerente a esse processo, qual seja, a de um saudosismo pela ingerência estrangeira na administração desse recurso, afora seu anti-indigenismo histórico. A postura de não-enfrentamento direto com que o comandante em chefe das Forças Armadas vem conduzindo o processo, abdicando de prerrogativas legais diante de uma clara tentativa de secessão, deve ser entendida como parte do profundo aprendizado político democrático que o movimento indígena-camponês boliviano experimentou, onde 1952 não é uma data qualquer. A recusa a aplicar as mesmas medidas de força com as quais foram sucessivamente reprimidos ao longo da história boliviana tem seu fundamento na compreensão da importância da construção de um núcleo comum, apropriando-nos aqui da formulação do politólogo Luis Tapia, que seja resultado do diálogo entre os diferentes setores. Que não se confunda a disposição incessante ao diálogo com fraqueza. Este governo é herdeiro e tributário de uma luta que bem começou há alguns séculos, quando as botas dos irmãos Cortés tocaram estas terras pela primeira vez. É essa memória radicalizada - não o radicalismo midiáticamente condenado, extremista e inconseqüente - mas o de uma luta que tem raízes profundas, que se expressam na defesa firme que o governo Evo Morales faz daqueles que tiveram sua história negada. E que o exemplo de El Alto insiste teimosamente em não nos deixar esquecer. Jallalla Bolivia! -------------------------------------------------------------------------- [1] Professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal Fluminense e Pesquisador do LEMTO - Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades. [2] Mestre em Geografia pela UFRGS e Pesquisador do LEMTO - Laboratório de Estudos de Movimentos Sociais e Territorialidades. 15/09/2008 A POLÍTICA DOS EUA NA BOLÍVIA Os movimentos de um embaixador especialista em conflitos separatistas Deputados bolivianos divulgam documento denunciando as articulações promovidas pelo embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, contra o governo de Evo Morales. Considerado um especialista em conflitos separatistas, Goldberg foi enviado a La Paz depois de chefiar a missão dos EUA no Kosovo, onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, depois da Guerra dos Balcãs. Marco Aurélio Weissheimer Data: 12/09/2008 Quatro deputados do Movimento ao Socialismo, partido do presidente da Bolívia, Evo Morales, divulgaram um comunicado denunciando ações do governo dos Estados Unidos, por meio de seu embaixador em La Paz, Philip Goldberg, para derrubar o governo eleito do país. César Navarro, Gustavo Torrico, Gabriel Herbas e René Martinez relacionam um conjunto de fatos ocorridos nos departamentos da região leste do país que obedeceriam a uma estratégia fixada pela oposição em conjunto com o embaixador Goldberg. Os fatos apontados pelos parlamentares bolivianos são os seguintes: No dia 13 de outubro de 2006, os Estados Unidos enviam a Bolívia, como embaixador, Philip Goldberg, um especialista em fomentar conflitos separatistas. Entre 1994 e 1996, foi chefe da secretaria do Departamento de Estado para assuntos da Bósnia (durante a guerra separatista dos Bálcãs). Entre 2004 e 2006, Goldberg foi chefe da missão dos EUA em Pristina (Kosovo), onde trabalhou para consolidar a separação e a independência dessa região, marcada por uma luta que deixou milhares de mortos. Segundo os deputados, Philip Goldberg foi enviado a Bolívia com a missão de desestabilizar o governo de Evo Morales, principalmente incentivando o separatismo das regiões orientais. Na Bolívia, depois do triunfo de Evo Morales na eleição de 18 de dezembro de 2005, os partidos tradicionais e as elites sofreram um duro golpe, Goldberg se encarregou de reorganizá-los e de construir um caminho conspirativo para desgastar o novo governo. Plano midiático de desinformação Goldberg organizou uma grande coordenação com empresários do leste, com donos de meios de comunicação e políticos do movimento Podemos para colocar em marcha um grande plano de desinformação com respeito à gestão de Evo Morales, tudo isso dentro do marco de uma intensificação das lutas regionais contra o Estado boliviano. Esse plano de desinformação era constituído pelos seguintes passos: a) Mostrar que o narcotráfico estava crescendo na Bolívia; b) Os meios de comunicação precisavam mostrar que Evo estava governando mal e que a inflação, a corrupção e o desgoverno estavam crescendo; c) Os meios de comunicação também deviam imputar ao governo a responsabilidade pela violência no país. Começou a ser difundido aí o conceito de que "Evo dividia a Bolívia". Consolidados esses passos, Goldberg reúne-se, na primeira semana de maio, com Jorge Quiroga e acertam a aprovação, no Senado, do referendo revogatório. Eles estavam convencidos que Evo Morales não conseguiria obter mais de 50% dos votos e, uma vez deslegitimado nas urnas, a oposição e os prefeitos da chamada "Meia Lua" pediriam a renúncia do presidente por "ilegítimo, mau governante e por dividir a Bolívia". No entanto, os prefeitos dos departamentos (equivalentes a governadores) não foram consultados sobre este plano e acabaram se opondo a ele, por achar que não daria certo. No dia 23 de junho, reúnem-se em Tarija e elaboram um pronunciamento escrito para rechaçar o referendo revogatório. Dias antes, em 17 de junho, Philip Goldberg viajou para os EUA, alegando uma suposta crise diplomática. O objetivo real de sua viagem, dizem os deputados, foi definir um plano, junto a agências publicitárias, para desenvolver uma guerra suja que pudesse causar a derrota de Evo no referendo. No dia 2 de julho, Goldberg regressou a La Paz e, imediatamente, reuniu-se com cada um dos prefeitos opositores para convencê-los a aceitar o referendo. No dia 5 de julho, os prefeitos opositores anunciam que aceitam disputar o referendo. Os donos das grandes empresas de comunicação também participaram deste plano, denunciam os parlamentares. Isso explicaria, por exemplo, porque nos principais programas políticos destes meios as pesquisas sempre apontavam Evo Morales com cerca de 49% dos votos. A tentativa de derrubada do governo pelo voto estava em marcha. Além desta campanha nos programas políticos, também foi executada uma outra no terreno da publicidade. A oposição contratou uma agência de publicidade para elaborar os primeiros spots contra Evo Morales. Ao dar-se conta que os roteiros e o dinheiro vinham dos EUA, esta agência decidiu não produzir mais os comerciais. O Plano B do embaixador O plano para tirar Evo do governo acabou sendo frustrado pelo resultado do referendo. O presidente se legitimou com mais de 67% dos votos e Goldberg passou então a colocar em marcha um Plano B, que incluem greves, bloqueios e ações violentas que buscariam dois resultados alternativos. 1) O conflito se generaliza e obre o leste e parte do oeste do país. A população começa a se cansar, as forças da ordem entram em ação, com muitas mortes. Neste caso, Evo teria que convocar eleições ou deixar o governo depois dos conflitos com mortes. A insistente provocação para que as forças policiais e as forças armadas atuem se encaixa neste plano. 2) Caso não ocorra o cenário anterior, a oposição contaria ainda com uma segunda possibilidade: uma vez desalojada a polícia e o Estado Nacional das regiões, em meio à violência, Goldberg oferece aos prefeitos opositores a vinda de mediadores internacionais, inclusive tropas da ONU para concretizar o separatismo dos quatro departamentos rebeldes, como fez no Kosovo. Seguindo esse plano, Goldberg viajou a Sucre e se reuniu com a prefeita Savina Cuellar, que pediu a renúncia do presidente. No dia 21 de agosto, o embaixador encontrou-se clandestinamente com o prefeito de Santa Cruz, Rubén Costas, e com quatro congressistas norte-americanos. No dia 25 de agosto, mais uma reunião com Rubén Costas. Paralelamente, a oposição rejeitou o chamado de diálogo feito pelo governo e, no dia 24 de agosto, convocou uma greve geral. Seguindo a linha proposta por Goldberg, denunciam ainda os parlamentares do MAS, os prefeitos impuseram um plano de desgaste de médio prazo, incluindo destruição de instituições públicas e provocações à polícia e às forças armadas. Na mesma linha golpista, em Santa Cruz e em Tarija começou-se a falar de federalismo e até de independência. Como o empresariado cruceño estava mais interessado na Feira de Santa Cruz (que deve iniciar no dia 19 de setembro) que nas greves e bloqueios, o Departamento de Estado convocou Branco Marinkovic para uma conversa nos EUA. No dia 1° de setembro, em um pequeno avião Beechcraft, matrícula C-90A, Marinkovic viajou aos Estados Unidos onde o convenceram de que o plano estava em sua trama final e que era preciso jogar-se todo nele. No dia 9 de setembro, horas depois do regresso de Marinkovic a Santa Cruz, iniciam protestos violentos, com invasão e queima de instituições públicas e novas agressões às forças armadas e à polícia. Este é o plano golpista que está em marcha com o apoio da embaixada dos EUA, dizem os deputados. Foram essas razões, asseguram, que levaram o governo boliviano a pedir sua saída do país. Eles manifestam confiança que esse plano fracassará porque o governo de Evo Morales segue controlando o conflito, com paciência e dentro da legalidade, mantendo-o em sua dimensão regional. "A violência gerada por grupos impulsionados por este plano golpista é a forma pela qual os setores conservadores mostram sua decisão de acabar com a democracia, já que ela não serve mais aos seus interesses", concluem. ----- Original Message ----- From: Boletim Brasil de Fato To: boletimbdf at listasbrasil.org Sent: Monday, September 15, 2008 3:30 PM Subject: [Brasil de Fato] Boletim Especial: Crise na Bolívia DESTAQUES Fragmentação "A Bolívia corre um risco grave de iugoslavização" Para sociólogo, a elite do oriente, apoiada pela embaixada dos EUA e contando com grupos armados contratados por latifundiários bolivianos, brasileiros e estadunidenses, está agindo para promover a divisão do país Escreve Igor Ojeda, correspondente do Brasil de Fato em La Paz Processo Justiça processa governador de Pando por genocídio Promotor geral abriu processo contra Leopoldo Fernández, acusando-o de promover massacre de camponeses, no dia 11 Massacre Governador boliviano acusado de chacinar 30 camponeses O massacre camponês mais mortífero da história da Bolívia desde a democratização de 1980 teria sido obra de pistoleiros a soldo de Leopoldo Fernández. Para o governo de Evo Morales, o governador colocou-se ''à margem da lei'' Testemunhos "Dispararam contra as crianças" Vítimas do massacre ocorrido no departamento amazônico de Pando, dia11, relatam violência cometida por grupos armados contra camponeses Análise Bolívia: A Guerra do Gás Continua Carlos W.Porto-Gonçalves e Marcelo Câmara O interessante é que as classes/etnias tentam se reapropriar do gás, o elemento de uma unidade nacional que vem se constituindo a partir do indígena CHARGE ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. Você pode pagar com cartão de crédito, cheque ou boleto bancário. Clique aqui e veja como é fácil assinar o Brasil de Fato agora mesmo, pela internet, ou então ligue para (0xx11) 2131-0800. Esse é o boletim informativo do jornal Brasil de Fato, enviado eletronicamente. 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Boletim Carta Maior - 16 de Setembro de 2008 DEBATE ABERTO A moeda, o crédito e o capital financeiro Ao estatizar duas de suas maiores empresas de financiamento hipotecário, os EUA deram uma aula, curta, sintética e brilhante, sobre a natureza do capitalismo, e sobre o funcionamento dos seus mercados. Neste sistema, não existe um "conflito perene" entre a política e o mercado, mas uma sólida aliança entre o poder e a finança. José Luís Fiori ?Todas as moedas são símbolos, e o seu peso ou composição não tem maior importância. O que de fato importa é o nome ou o poder de quem a emite?. Mitchell Innes, What is money, Banking Law Journal 1913, May, p: 382 Para surpresa dos ideólogos, os Estados Unidos acabam de dar uma aula, curta, sintética e brilhante, sobre a natureza do capitalismo, e sobre o funcionamento dos seus mercados. Com poucas palavras, o governo americano anunciou, nesta última semana, a estatização das duas maiores empresas de financiamento hipotecário dos EUA - a Fannie Mae, e a Freddie Mac ? criadas pelo estado americano, em 1938 e 1970, e depois privatizadas, com o objetivo de diminuir os gastos públicos e aumentar a concorrência setorial. Ao anunciar sua decisão, o secretário do Tesouro americano prometeu injetar até U$ 200 bilhões dos contribuintes, nas duas empresas que controlam metade do mercado de hipotecas dos EUA, estimado em 12 trilhões de dólares. Mas não é só isto: nos últimos meses, o Fed financiou a aquisição do Bear Stearns pelo J.P. Morgan; criou uma nova linha de financiamento para firmas externas ao setor bancário; e colocou seus ?inspetores? para controlar os bancos de investimento. Enquanto o Congresso americano aprovava, no último dia 30 de julho, a Lei para a Recuperação da Economia e do Setor Imobiliário, e discutia uma nova regulamentação rigorosa e detalhada do mercado financeiro americano. E agora, mais recentemente, o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, propôs diretamente a criação de uma nova Agencia Estatal de análise de risco das empresas privadas. Ou seja, de todos os lados está vindo o mesmo sinal: como diz o jornal Financial Times, ?no conflito perene entre a política e o mercado, não há duvida, que neste momento, a política está por cima? . Enquanto isto, os analistas econômicos batem cabeça, há mais de um ano, sem conseguir explicar a natureza, a extensão e o futuro da crise hipotecária americana. Talvez, porque todos compartilham, de uma forma ou outra, a mesma tese do Financial Times: a idéia equivocada de que existe um ?conflito perene?, entre a Política e o Mercado. Apesar de que a história da formação dos mercados e do capitalismo, aponte na direção oposta, de uma solidariedade essencial e originária entre o poder, o mercado e os capitais privados. Uma história que começa, por volta do século XIV, com o poder arbitrário dos príncipes que definiam de forma soberana, o valor dos tributos que deviam ser pagos pelos seus súditos, e ao mesmo tempo, definiam o valor da moeda que cunhavam para pagamento dos seus próprios tributos. E mesmo quando circulavam outra moedas e títulos privados, dentro do seu ?principado?, eles sempre eram referidos, em última instancia, ao valor da moeda soberana. Este ?circuito? inicial se complicou com a expansão das guerras e a necessidade dos príncipes recorrerem ao endividamento, criando a dívida publica negociada pelos comerciantes-banqueiros, num mercado cada vez mais extenso de títulos e moedas. Foi assim que nasceu o capital financeiro através da senhoriagem entre as moedas e títulos das unidades soberanas do mundo Medieval. O passo seguinte desta história aconteceu nos séculos XVII e XVIII, com o nascimento dos primeiros estados nacionais, e com a ?revolução financeira? que mudou a face do capitalismo europeu. Esta revolução começou na Holanda, no século XVII e se completou na Inglaterra, no século XVIII. Os dois países centralizaram seus sistemas de tributação e criaram bancos públicos responsáveis pela administração conjunta, da dívida soberana, na forma de bônus do estado, e da dívida privada, na forma de letras de cambio, que se transformam na base de um sistema de credito cada vez mais elástico, criativo e diversificado, mas sempre referido, em última instancia, à moeda de conta nacional. E não há duvida que a fusão entre esta nova finança holandesa e inglesa, a partir de 1689, teve um papel decisivo no fortalecimento e na vitória colonial da Inglaterra, e na projeção internacional da moeda inglesa, a Libra, que foi hegemônica em todo o mundo até sua ?quase-fusão? com o Dólar norte-americano, durante o século XX. Numa espécie de sucessão ?hereditária?, que partiu da Holanda e da Inglaterra, e se prolongou nos Estados Unidos, mantendo a supremacia monetário-financeria anglo-saxônica, inquestionável durante os quatro séculos de história deste sistema mundial que foi criado a partir da expansão política e econômica da Europa. Durante o período em que a ?moeda internacional? teve uma base metálica, a Libra e o Dólar também tiveram uma restrição financeira intransponível, imposta pela necessidade de equilíbrio do Balanço de Pagamentos do país emissor da moeda de referência. Mas depois do fim do Sistema de Bretton Woods, em 1973, esta restrição desapareceu, com o novo sistema monetário internacional ?dólar-flexível? que não tem nenhum tipo de padrão metálico de referencia. Neste sentido, se pode dizer que houve uma nova ?revolução financeira?- na década de 1980 -, que provocou uma espécie de retorno às origens da relação entre o poder, a moeda e o crédito. Os EUA voltaram a definir, de forma soberana e isolada, o valor da sua moeda, apesar de que ela já fosse a moeda internacional, e também o valor dos seus títulos da dívida pública, apesar de que eles se tenham se transformado na base de referencia da própria moeda. Além disto, o governo americano desregulou seus mercados financeiros, e com isto liberou a expansão quase infinitamente elástica do crédito, longe do mundo das mercadorias e do ?valor-trabalho?, e limitado apenas pela capacidade de tributação e endividamento do próprio estado americano, que ainda é um poder em expansão, e que ganha mais poder, com o fortalecimento do seu crédito internacional, e do seu capital financeiro. Neste sistema, portanto, não existe um ?conflito perene? entre a política e o mercado, como pensa a teoria econômica convencional. O que existe e sempre existiu, é uma ?memorável aliança?, entre o poder e a finança, que esteve na origem do capitalismo, e do ?milagre europeu?, segundo Max Weber, e que segue movendo a fronteira expansiva do sistema inter-estatal capitalista, neste início do século XXI.. José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080917/d6c8a502/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080917/d6c8a502/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4058 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080917/d6c8a502/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 18 19:13:36 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 18 Sep 2008 19:13:36 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Desequil=EDbrios_estruturais_do?= =?windows-1252?q?_capitalismo_atual__por__Emir_Sader?= Message-ID: <00fa01c919db$cc1fd420$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 18.09.08 - MUNDO Desequilíbrios estruturais do capitalismo atual Letra A- A+ Emir Sader * Adital - Os ciclos e as crises O capitalismo vive, pela própria natureza do seu processo de reprodução, articulado por ciclos, curtos e longos. Estes coordenam os ciclos curtos, numa perspectiva expansiva, se a curva das subidas e descidas das oscilações curtas apontam para cima, recessiva, se para baixo, conforme a teoria do economista russo Kondratieff, retomada teórica e historicamente por Ernst Mandel. No segundo pós-guerra, o capitalismo viveu sua "idade de ouro", segundo Eric Hobsbawn, em que coincidiram virtuosamente a maior expansão concomitante das grandes economias capitalistas - Estados Unidos, Alemanha, Japão -, do chamado "campo socialista", dirigido pela União Soviética, e por economias periféricas, como o México, a Argentina, o Brasil, com seus processos de industrialização dependente. A economia capitalista não deixou de apresentar seus ciclos curtos de crise, mas cada novo ciclo retomada a expansão e empurrava a economia para patamares cada vez mais altos. Foi um ciclo longo expansivo comandado por grandes corporações internacionais de caráter industrial e comercial, apoiada por um sistema financeiro em expansão e por grandes transformações na produção agrícola. Um modelo hegemônico regulador - ou keynesiano ou de bem-estar, conforme se queira chamá-lo - incentivava os investimentos produtivos, tendia a fortalecer a demanda interna de consumo, promovia o fortalecimento dos Estados nacionais e a proteção de suas economias. As crises, como é típico no capitalismo, expressavam processos de super-produção ou de sub-consumo - conforme se queira chamá-las -, refletindo o desequilíbrio estrutural desse sistema entre sua - reconhecida já por Marx no Manifesto Comunista - enorme capacidade de expansão das forças produtivas, mas que se chocam constantemente com sua incapacidade de distribuir renda na mesma medida daquela expansão. Na sua fase final, o ciclo longo expansivo do segundo pós-guerra viu esse excedente, resultado acumulado da defasagem entre produção e consumo se transformar em capital financeiro - os chamados euro-dólares, que foi aproveitado por países como o Brasil, para reciclar seu modelo econômico, diversificando sua dependência externa e favorecendo a retomada da expansão econômica interna, ainda antes do final do ciclo longo expansivo. Este fator - o golpe militar ainda no ciclo expansivo - diferenciou o cenário econômico brasileiro do dos outros países da região, em que as ditaduras coincidiram com recessão, por já se darem no ciclo longo recessivo do capitalismo internacional. Que características teve o final desse ciclo e o inicio do novo, de caráter recessivo? Tendo triunfado o diagnóstico de que a estagnação econômica se devia ao excesso de regulamentações, o novo modelo se centrou na desregulamentação, de que as privatizações, as aberturas para o mercado externo, as políticas de "flexibilização laboral", de ajuste fiscal, foram expressões. Duas conseqüências mais importantes dever ser recordadas aqui, para entendermos o caráter da crise atual e seus efeitos para os países latino-americanos. A primeira, o gigantesco processo de transferência de capitais do setor produtivo para o especulativo que a desregulamentação promoveu em escala nacional e internacional. Livre de travas, o capital migrou maciçamente para o setor financeiro e, em particular, para o setor especulativo, onde obtêm muito mais lucros, com muito maior liquidez e com menos ou nenhuma tributação para circular. Configurou-se assim, no modelo neoliberal, a hegemonia do capital financeiro, sob a forma do capital especulativo, fazendo com que mais de 90% dos movimentos econômicos se dêem não na esfera da produção ou do comércio de bens, mas na compra e venda de papéis, nas Bolsas de Valores ou de papéis das dívidas públicas dos governos. Promoveu-se a financeirização das economias, o que significa, em primeiro lugar, a financeirização dos Estados, cujo primeiro e maior compromisso passa a ser o pagamento das dívidas, isto é, a reserva de recursos mediante o chamado "superávit primário" e a transferência maciça e sistemática de recursos do setor produtivo para o capital financeiro. Grandes grupos econômicos têm à sua cabeça, um banco uma instituição financeira, costumam ganhar mais nos investimentos financeiros que naqueles que deram origem às empresas que os compõem. Grande quantidade de pequenas e médias empresas entraram em processos de endividamento, dos quais não conseguem sair. Outras, assim como consumidores, não se atrevem a buscar empréstimos, pelo medo ao endividamento, com as altas taxas de juros. O capital financeiro passou a ser o sangue que corre pelas economias dos países, definindo o metabolismo que as preside. Um capital que tem na volatilidade, na sua extrema liquidez, um elemento essencial, inerente, aquele que permite deslocar-se rapidamente para onde pode ter maiores vantagens e, ao mesmo tempo, lhe atribui um grande poder de pressão, diante da fragilidade das economias que dependem estruturalmente dele. As crises na fase neoliberal Dessas características decorre o caráter centralmente financeiro das crises no período neoliberal, como ficou evidenciado nas crises mexicana, asiática, russa, brasileira e argentina, entre outras. O setor financeiro canaliza para si os excedentes de capital, produto da defasagem estrutural entre produção e consumo, agudizada na fase atual do capitalismo, em que a elevação da produtividade e a criatividade tecnológica seguiram se aprofundando, ao mesmo tempo que se deram processos de concentração de renda entre as classes sociais, entre países e regiões do mundo. O poder devastador dessas crises e o potencial de contágio se revelaram da mesma dimensão do tamanho da abertura das economias ao mercado internacional e ao peso que o capital financeiro passou a desempenhar em escala nacional e mundial. O México seguiu sofrendo os impactos da crise de 1994 por muitos anos. O mesmo ocorreu com países do sudeste asiático. No Brasil, a crise de 1999 significou a passagem a anos de recessão, que só recentemente foram superados. Na Argentina a crise teve conseqüências devastadoras do ponto de vista econômico, financeiro, político e social. São crises que se desatam a partir do elo mais frágil, mais sensível, do processo de reprodução - o setor financeiro -, mas que rapidamente se propagam pelo restante da economia, pelo papel central que esse setor passou a ter e pelos aspectos psicológicos em que se assenta. Não por acaso o segundo livro de Francis Fukuyama se chamou "Confiança", para denotar como as expectativas, positivas ou negativas, assumem força material no jogo especulativo. A América Latina foi assim vítima privilegiada dessas crises, que não por acaso atingiram justamente suas três economias mais fortes, que haviam sido exibidas como modelares - a mexicana, a brasileira e a argentina. Nos três casos a crise assumiu a forma de ataque especulativo, de crise financeira, que se alastra para o conjunto da economia. Os capitais especulativos se valem do peso desestabilizador que tem na economia, para fazer valer essa posição, pressionando com uma saída brusca e maciça de capitais, ações governamentais ou simplesmente o jogo do mercado, lucrando enormemente com essas operações. As crises anteriores tinham como cenários países da periferia, com efeitos que intensificaram a tendência ao enfraquecimento dos paises globalizados e a intensificação da concentração de renda e de poder dos países globalizadores. Mesmo a crise na Rússia poderia ser caracdterizada como a de uma economia tornada periférica, especialmente em meados da década de 1990. A exceção foi a ataque do megaespeculador Georges Soros à libra esterlina inglesa, mas acabou sendo um caso pontual, que não altera a regra general de ocorrência das crises nas periferias. No seu conjunto, como crises neoliberais, provocaram demandas de remédios neoliberais: mais abertura das economias - como passou fortemente nos países do sudeste asiático -, maior empréstimos do FMI e as correspondentes Cartas de intenção, com aumento dos ajustes fiscais. A economia mexicana recebeu um empréstimo gigante dos Estados Unidos no momento da crise de 1994, inclusive porque se dava no próprio momento em que se assinava o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e do surgimento da rebelião dos zapatistas em Chiapas. Como compromisso, o México usou esses recursos para pagar os empréstimos dos bancos norte-americanos e seguiu aprofundando o modelo neoliberal. O governo brasileiro de FHC, frente à crise de 1999, elevou a taxa de juros a 49% e assinou a terceira Carta de intenções com o FMI, cujas conseqüências estenderam a recessão por vários anos. Na Argentina, a crise de explosão do modelo de paridade do peso com o dólar, produziu a maior regressão econômica e social que o país conheceu em toda a sua história. O governo de Fernando de la Rua tentou manter o modelo herdado de Carlos Menem e com isso caiu com poços meses do seu mandato presidencial. A crise atual e suas conseqüências A crise anterior da economia norte-americano se deu em 2000, quando se desvanecia a ilusão de que a "nova economia" permitiria que o capitalismo não sofresse mais suas crises cíclicas, seja porque a informática permitira prevê-las e permitir que foram evitadas, seja porque novas demandas, como as de computadores, gerariam, da mesma forma que no caso dos automóveis, o lançamento anual de novos modelos, que estenderiam cada vez mais a demanda. Naquele momento, o papel do mercado norte-americano no mundo seguia sendo determinante no mundo, transferindo os efeitos da sua recessão para o resto da economia mundial. Desta vez a crise norte-americana se dá em um cenário internacional modificado. A continua expansão de países emergentes - entre eles, sobretudo, a China e a Índia, mas também países latino-americanos, que mantêm ritmos constantes de crescimento, entre os quais particularmente o Brasil e a Argentina - amortece a diminuição da demanda dos EUA e, pela primeira vez, a recessão da economia norte-americana não tem efeitos diretos e devastadores sobre a economia mundial. Porém, como essa crise se vê agravada com o aumento dos preços dos produtos agrícolas e a continuada crise do petróleo, constituindo-se, na verdade em uma tripla crise, seus efeitos são mais profundos e extensos do que apenas uma crise cíclica da economia norte-americana. São afetadas então não apenas as exportações para os Estados Unidos, mas também os importadores de energia e de produtos agrícolas, lista que, em uma ou outra proporção, afeta a todos os países do mundo. No entanto, como todo fenômeno de um sistema marcado pela extrema desigualdade de riqueza e de poder entre regiões e países e dentro de cada país, os efeitos das crises não são igualmente repartidos entre todos. Há ganhadores e perdedores, algozes e vítimas. Como a crise está em pleno desenvolvimento, seus alcances não podem ainda ser julgados em toda sua plenitude e se dão pugnas para ver quem consegue extrair vantagens, quem trata de perder menos, ainda não é possível saber com precisão os danos em toda sua extensão e quem arcará com eles. É certo que o mundo sairá modificado desta crise até mesmo porque toca em três pontos nodais das relações econômicas e de poder atuais: dinheiro, energia e comida. No entanto, as estruturas de poder, de produção e de distribuição de riqueza reinantes, garantem resultados absolutamente diferenciados para distintas regiões e países como efeito das crises. Na combinação entre aumento dos preços do petróleo, dos produtos agrícolas e diminuição da demanda dos EUA e da Europa, os países mais pobres, que somam a grande maioria da África, da Ásia e da América Latina, perderão claramente, com fortes pressões recessivas, déficit na balança comercial e aumento do endividamento. Os países exportadores de petróleo e de produtos agrícolas com altas mais significativas, terão suas situações minoradas, mas as pressões inflacionárias não poupam a nenhum país e, com elas, as políticas recessivas voltam a ganhar peso. Para a América Latina, os efeitos são mais pesados e diretos para os países que seguem dependendo mais fortemente do comércio com os Estados Unidos, o México, a América Central e o Caribe, em primeiro lugar. Em segundo lugar, os países com pautas exportadoras menos valorizadas ou aqueles que tiveram seu ciclo de expansão econômica excessivamente voltada para as exportações, em particular as economias mais abertas, entre elas as que têm tratados de livre comércio com os Estados Unidos, como o Chile, o Peru, além dos já mencionados México, Costa Rica e outros países centro-americanos e caribenhos. Relativamente menos afetados devem ser os países com pautas exportadoras mais diversificadas - seja nos produtos, seja nos mercados -, como o Brasil, em parte a Argentina, e os que participam dos processos de integração regional - seja o Mercosul, seja a Alba. Para estes, as crises são uma oportunidade especial para acelerar e intensificar os processos de integração, de comércio, assim como nos planos financeiro e energético. Seja pela combinação das crises, seja porque afeta profundamente os Estados Unidos, no momento em que, pela primeira vez, seu peso na economia mundial decresce, o mundo e a América Latina em particular, terão fisionomias distintas, seja acelerando transformações já em andamento, seja dando inicio a novas dinâmicas, passadas as crises - cujas durações e profundidades, ainda não podem ser medidas com toda precisão. Ecologia, infância e imigração Está bem que se leve um acompanhamento rigoroso do ritmo do desmatamento da Amazônia. E que se controle e se tome medidas para contorná-lo e contê-lo. Mas quem controla o número de crianças que morrem diariamente de fome ou de doenças curáveis? De malária na África? Sabe-se que a cada 5 segundos morre uma criança de menos de 10 anos por fome. Isto é, 1.824 por dia, 668 mil por ano. Que medidas se tomam para impedir esse massacre de crianças pobres? Semanalmente morrem dezenas de africanos nas costas da Espanha, tentando chegar para obter uma forma qualquer de sobrevivência. Alguns chegam mortos, os outros são devolvidos para seus países de origem. Não há estatística de quanto já morreram na travessia este ano ou desde que começaram a tentar cruzar o Mediterrâneo. São todos anônimos, da mesma forma que os mortos palestinos - enquanto os israelenses, cem vezes menos, têm todos identificação, família, biografia. Se há um tema que segue diferenciando direita e esquerda, é o de imigração. E, tristemente, é preciso dizer que, se esse critério tem validade, restam muitos poucos esquerdistas na Europa, poucas vozes atenderam ao apelo de Evo Morales para que não fosse aprovada a vergonhosa lei de imigração pela União Européia. Uma voz destoante é a da editora de economia do novo diário espanhol - El Público -, Amparo Estrada. Ela recorda aos espanhóis que os seus conterrâneos judeus foram obrigados a imigrar em 1492, os mouriscos, em 1609, os afrancesados, em 1814, as liberais, a partir dre 1823, republicanos, a partir de 1936, os pobres, a partir dos anos 60. Recorda ela que nos tempos da dominação colonial espanhola, era exílio econômico, buscando vida melhor, que se prolongou depois da independência, prolongando-se por todos o século XIX. Foi tão intensa que chegou a haver um decreto proibindo a imigração para a América em 1853. Seguiu-se por muito tempo a imigração, política e econômica, para a França. No segundo pós-guerra, a Espanha, ainda um país pobre, viu saírem do pais mais de um milhão de pessoas. Nunca, nenhum país, criou uma cota, impôs um limite ao ingresso de espanhóis. A América Latina é um caso claro de recepção fraternal de todos os espanhóis que por aqui chegaram para tentar melhorar suas condições de vida. As estatísticas apontam pouco mais de um milhão de espanhóis vivendo fora, porque todos os outros adotaram a nacionalidade do país para o qual imigraram, tão bem foram recebidos e tanto se adaptaram. Quando a economia espanhola entrou em recessão, uma das primeiras medidas do governo foi limitar o ingresso de imigrantes. Já não se trata dos provenientes da África, que nunca tiveram acolhida, mas dos latino-americanos. Em condições que demograficamente a Espanha - assim como toda a Europa ocidental - só na diminui sua população em termos absolutos, pela imigração. Ao mesmo tempo que, grande quantidade de empregos desqualificados ou de baixa qualificação - entre eles a construção civil, de que o boom imobiliário foi a alavanca do ciclo expansivo da economia que agora termina, e as empregadas domésticos, são os casos mais evidentes. Segundo Amparo, a imigração permitiu diminuir a taxa de desemprego estrutural em dois pontos porcentuais na ultima década. Um terço do aumento do nível de emprego se deve ao emprego doméstico. O raciocínio mesquinho das autoridades espanholas revela a insensibilidade com os trabalhadores imigrantes, com suas necessidades e sonhos. A lei contra a imigração da União Européia atinge direitos humanos elementares. A globalização neoliberal promove a livre circulação de capitais e de mercadorias, mas fecha as fronteiras para a força de trabalho, para os seres humanos, revelando como o capitalismo se choca frontalmente com o humanismo e a solidariedade. * Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080918/250bf6cc/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080918/250bf6cc/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 312 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080918/250bf6cc/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 475 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080918/250bf6cc/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 19 19:19:05 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 19 Sep 2008 19:19:05 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Crimes_sem_castigo__por__F=C1BIO?= =?windows-1252?q?_KONDER_COMPARATO?= Message-ID: <03fe01c91aa5$ba9e43b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Folha de São Paulo, sexta-feira, 19 de setembro de 2008 TENDÊNCIAS/DEBATES Crimes sem castigo FÁBIO KONDER COMPARATO -------------------------------------------------------------------------------- A facilidade com que nos dispensamos de ajustar contas com o passado é dos aspectos menos louváveis do caráter nacional Em homenagem a todos os que tiveram suas vidas ceifadas e suas almas dilaceradas pelo poder militar -------------------------------------------------------------------------------- UM DOS aspectos menos louváveis do caráter nacional é a leviana facilidade com que nos dispensamos de ajustar contas com o passado. Desde o inicio da colonização e até hoje, múltiplas etnias indígenas foram vítimas de genocídio e de desculturação forçada. Durante quase quatro séculos, a escravatura legal de africanos e afrodescendentes destruiu e aviltou milhões de seres humanos, deformando os nossos costumes e a nossa mentalidade. Em relação a ambos esses crimes coletivos, as gerações atuais não se sentem minimamente interessadas. Pior: é geral a ignorância a esse respeito, sobretudo entre os jovens, provocada pela intencional omissão de tais fatos históricos nos currículos escolares. Reproduzimos agora, com relação aos horrores do regime militar, a mesma atitude vergonhosa de virar as costas ao passado: "não tenho nada a ver com isso"; "não quero saber, pois não havia nascido"; "vamos nos ocupar do futuro do país, não de fatos pretéritos". Pois bem, sustento e sustentarei, até o último sopro de vida, que interpretar a lei nº 6.683, de 28/8/1979, como tendo produzido a anistia dos agentes públicos que, entre outros abusos, mataram, torturaram e violentaram sexualmente presos políticos é juridicamente inepto, moralmente escandaloso e politicamente subversivo. Sob o aspecto técnico-jurídico, a citada lei não estendeu a anistia criminal aos carrascos do regime militar. Só há conexão entre crimes políticos e crimes comuns quando a lei expressamente o declara, como sucedeu com a Lei de Anistia promulgada por Getúlio Vargas em abril de 1945, em preparação ao fim do Estado Novo. Mas, mesmo quando a lei o declara, a conexão criminal supõe que o autor ou os autores de tais crimes perseguiram o mesmo objetivo e não estavam em situação de confronto. Admitir a conexão entre crimes cometidos com objetivos totalmente adversos é um despropósito. Isso sem falar na violação flagrante, no caso, de preceitos consagrados internacionalmente em matéria de direitos humanos e que não comportam anistia. Sob o aspecto moral, impedir oficialmente que sejam apuradas e reveladas ao público práticas infames e aviltantes de abuso de autoridade é inculcar, para todos os efeitos, a vantagem final da injustiça sobre a decência; ou seja, afirmar que a imoralidade compensa. Falar, a respeito da citada lei, em reconciliação nacional é um cínico abuso de linguagem. Moralmente, só pode haver reconciliação quando pactuada entre as partes envolvidas no litígio e perfeitamente cientes dos fatos ocorridos. O que não ocorreu no caso: uma das partes, justamente o conjunto das vítimas das atrocidades cometidas, não foi chamada a dizer se aceitava ou não essa forma de apaziguamento, nem foi informada sobre a identidade dos executores e de seus mandantes. Politicamente, admitir que agentes do Estado, que exerciam funções oficiais e eram remunerados com recursos públicos, isto é, dinheiro do povo, possam gozar de imunidade penal por meio de simples lei, votada sem consulta prévia nem referendo popular, representa clamoroso atentado contra o princípio republicano e democrático. O Congresso Nacional, ao assim proceder, usurpou a soberania popular e subordinou o bem comum do povo ("res publica") ao interesse particular de um punhado de facínoras e de seus comanditários, dentro e fora do governo. Qual a solução? É pedir à mais alta corte de Justiça do país que julgue, definitivamente, se a Lei de Anistia deve ou não ser interpretada à luz dos princípios fundamentais que esteiam todo o nosso sistema jurídico. Nesse sentido, é confortador saber que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil já decidiu propor, no Supremo Tribunal Federal, uma argüição de descumprimento de preceito fundamental no tocante à interpretação desviante da Justiça e da decência dada por certos setores à lei nº 6.683, de 1979. FÁBIO KONDER COMPARATO, 71, é professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno" (Companhia das Letras). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080919/e561d37e/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 20 16:12:27 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 20 Sep 2008 16:12:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Convido_a_todos_para_o_lan=E7a?= =?windows-1252?q?mento_de_meu_livro=22_HABITANTES_DE_MIM=22?= Message-ID: <070b01c91b54$d2394060$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Queridos amigos e amigas Convido a todos para o lançamento de meu livro Habitantes de mim, conforme convite abaixo. Sua presença é minha alegria Maria José Lindgren Alves Pseudônimo: Maria Lindgren Lançamento HABITANTES DE MIM A editora MEMVAVMEM convida para o lançamento do livro HABITANTES DE MIM, crônicas e contos da escritora MARIA LINDGREN Local: Livraria da Travessa, de Ipanema, rua Visconde de Pirajá, 572 Ipanema, Rio de Janeiro/RJ Data: dia 03 de outubro de 2008 ? quinta-feira Horário: a partir de 18 horas __._,_. . __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080920/f8444f9a/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080920/f8444f9a/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 23571 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080920/f8444f9a/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 21 13:01:09 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 21 Sep 2008 13:01:09 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Ex-militar divulga fotos novas de guerrilheiros do Araguaia Message-ID: <095001c91c03$437c50b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Urda Alice Kluger 16 DE SETEMBRO DE 2008 - 14h06 Ex-militar divulga novas fotos de guerrilheiros do Araguaia Jamais encontrados, os corpos de dois guerrilheiros do Araguaia estiveram em poder de militares, revela uma seqüência de fotos cujos negativos foram obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo e publicadas na edição desta terça-feira (16). As fotografias mostram três homens do Exército junto aos cadáveres. Elas exibem ainda a chegada do helicóptero militar que os tirou da selva, a arrumação dos cadáveres em lonas e a partida do helicóptero. As fotos são mais uma prova de que o Exército praticou assassinatos, torturas e ocultamento de cadáveres contra dezenas de militantes de esquerda no início da década de 70. Um dos corpos seria do médico João Carlos Haas Sobrinho, um dos líderes da guerrilha do PCdoB. O outro cadáver não está identificado. É possível que seja do guerrilheiro Ciro Flávio Salazar de Oliveira, morto no mesmo combate que vitimou Haas, em 30 de setembro de 1972. Parte das fotos não é inédita. Algumas já foram publicadas em livros e na imprensa nos últimos 20 anos, mas de forma isolada, sem o encadeamento proporcionado pelos negativos. Agora é possível saber a cronologia dos fatos. Os negativos estão há 36 anos com o ex-sargento do Exército José Antônio de Souza Perez, 60, que mora em Patrocínio, cidade com cerca de 85 mil habitantes no Triângulo Mineiro. Ele diz tê-los recebido de um colega soldado, do qual não lembra mais o nome. Conta que as fotografias foram batidas no Pará, na margem esquerda do rio Araguaia, em um acampamento improvisado na selva amazônica, onde os dois trabalharam ao longo de 1972. Procurados pela Folha, o Ministério da Defesa e o Exército informaram que não se pronunciariam sobre as fotos. A guerrilha rural na região do Bico do Papagaio (sudeste do Pará, sul do Maranhão e norte do então Estado de Goiás, hoje Tocantins) foi organizada pelo então clandestino PCdoB, a partir da segunda metade dos anos 60. Iniciada em 1972, a repressão militar terminou três anos depois. Houve poucos sobreviventes. Os historiadores estimam que cerca de 60 guerrilheiros foram mortos pelos militares. Apenas um corpo foi identificado, o de Maria Lúcia Petit, assim mesmo passadas duas décadas da morte. O recolhimento O ex-sargento Perez lembra que estava no acampamento quando a equipe que comandava recebeu uma mensagem por rádio. A informação passada era de que em breve seriam levados até o local corpos de guerrilheiros mortos há pouco em confronto. Os dois cadáveres chegaram ao local conduzidos por fuzileiros navais amarrados pelos pés e mãos em ripas de madeira. Juca foi logo identificado, por causa do diário que carregava. A outra vítima do confronto não tinha qualquer indicação de identidade. Perez nunca soube de quem se tratava. Para remover os corpos, aterrissou no acampamento um helicóptero militar. Fuzileiros e militares do grupo de Perez trabalharam na preparação dos cadáveres, envoltos em lonas listradas e colocados no aparelho, que decolou em seguida. Na opinião do ex-sargento, o helicóptero seguiu possivelmente rumo à base militar instalada no campo de pouso de Xambioá, cidade na margem direita do Araguaia, em então área de Goiás. Ele afirma que nunca mais soube dos corpos. A publicação das fotos ao longo dos anos é um mistério para Perez. Ele imagina que a origem pode ter sido o soldado que bateu as fotografias e era o dono da câmera, levada de modo clandestino para o Araguaia, pois os praças eram proibidos pelo oficialato de registrar cenas de combate. Ele também presume que, em algum momento, as fotos podem ter sido apreendidas por algum oficial, que, anos depois, as teria divulgado de maneira anônima. Perez ficou com os negativos para tirar cópias de fotos em que posava. Ele conta que, por causa de circunstâncias do trabalho na mata, jamais teve a chance de devolvê-los ao dono. Xambioá O cadáver de João Carlos Haas Sobrinho, o dr. Juca, foi visto em Xambioá depois de trazido da selva pelo helicóptero militar, conta a jornalista e pesquisadora Myrian Luiz Alves. Moradores da pequena cidade na margem direita do rio Araguaia -hoje Estado do Tocantins- mostraram a ela até o local do sepultamento. Em 1972, os militares conseguiram matar oito guerrilheiros, três deles no dia 30 de setembro. Eram Juca, Ciro Flávio Salazar de Oliveira, o Flávio, e Manoel José Nurchis, o Gil. A revelação dos negativos obtidos pela Folha mostra o corpo que seria de Juca ao lado de um outro, de estatura menor. Dados corporais em poder da pesquisadora indicam que Juca media, quando tinha 18 anos, 1,82 m de altura. Gil media cerca de 1,75 m; Flávio, já adulto, media de 1,65 m a 1,70 m. De acordo essa medição, o mais provável é que a outra vítima mostrada na foto tenha sido Flávio, mineiro de Araguari, ex-líder estudantil e aluno da da Faculdade de Arquitetura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tinha 28 anos quando foi morto. Nos anos 90 e no início desta década, expedições de parentes e pesquisadores a Xambioá encontraram o local onde Juca teria sido enterrado. Uma ossada chegou a ser retirada da suposta sepultura de Juca em 1996, mas nunca houve conclusão a respeito da identificação desses restos mortais. Autor de ''A Guerrilha do Araguaia: a Esquerda em Armas'' (editora UFG, 1997), o historiador Romualdo Pessoa Campos Filho disse à Folha que a descoberta dos negativos que mostram integrantes das Forças Armadas ao lado de dois cadáveres ''é um prova contundente de que os militares'' estiveram ''com os corpos dos guerrilheiros''. Direito ao sepultamento A reportagem da Folha soma-se a uma série de outras evidências que comprovam que os militares que comandaram a operação de cerco e aniquilamento da Guerrilha do Araguaia, além de promoverem assassinatos covardes e torturas, ocultaram e deram sumiço aos corpos dos guerrilheiros que tomabaram em combate. Entidades de direitos humanos e a própria Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República tem cobrado do governo e sugerido aos poderes legislativo e judiciário que tomem providências para que os arquivos da ditadura sejam abertos para que se possa buscar informações que permitam localizar os restos mortais das vítimas da ditadura e, assim, permitir às famílias dos mortos que sepultem seus entes de forma digna e honrosa. Clique aqui para saber mais sobre João Carlos Haas Sobrinho Com informações da Folha de S. Paulo -- "Se você quer falar comigo, defina suas palavras" (Voltaire). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/3737b311/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 216070 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/3737b311/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 21 13:02:00 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 21 Sep 2008 13:02:00 -0300 Subject: [Carta O BERRO] CENAS QUE A DITADURA PROIBIU Message-ID: <095d01c91c03$618ed500$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Nelson Pompeu CENAS QUE A DITADURA PROIBIU LIBERADO !!! O "site" memória Cine Br é obrigatório para quem pesquisa, estuda e gosta de cinema. Ali são revelados os fatos que envolvem a censura no cinema brasileiro no período da ditadura, mais especificamente de 1964 a 1988, quando a Constituição a aboliu! A autora, Leonor Souza Pinto, transformou sua tese de doutorado em informações para o grande público e colocou todos os aspectos mais importantes dos processos de censura, os pareceres dos censores e outros detalhes on-line. Vale uma visita: www.memoriacinebr.com.br . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/e48743a0/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/e48743a0/attachment.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 50 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/e48743a0/attachment.obj -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 35 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/e48743a0/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 21 13:09:50 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 21 Sep 2008 13:09:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_PRECIOSA_COLE=C7=C3O_DE_V=CDDEO?= =?windows-1252?q?S!_MARAVILHOSO!!_PRA_SE_GUARDAR!!?= Message-ID: <097a01c91c04$7a3636b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Ela completa você encontra em: http://www.almacarioca.com.br/arte.htm#o -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/4f9497e7/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080921/4f9497e7/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 22 19:17:26 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 22 Sep 2008 19:17:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] A crise do capitalismo e a esquerda por Emir Sader Message-ID: <016f01c91d00$ff5b9f90$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. A crise do capitalismo e a esquerda por Emir Sader Nova crise do capitalismo, ao estilo da de 1929, as teses do capitalismo de cassino se confirmam, o Estado norte-americano se contradiz uma vez mais e intervêm pesadamente, demonstrando que sua confiança no mercado não era tão grande como sua propaganda exibia. O capitalismo neoliberalismo mostra suas vísceras, as teses da esquerda se confirmam, de critica ? keynesiana ou anticapitalista ? ao neoliberalismo. Os esquerdistas damos risada, confirmadas as nossas teses sobre o caráter anti-social e talvez terminal do capitalismo, esfregamos as mãos ansiosos pela conseqüências sociais e políticas da crises. Deveríamos? Ou talvez devêssemos perguntar-nos quão preparados estamos para enfrentar essa nova crise com alternativas de esquerda? Não apenas teses, mas força social, política, ideológica, para disputar a hegemonia em crise. Para perguntar-nos se as medidas que os governos tomarão representarão mais sofrimento para os povos, mais desespero, abandono, desemprego, informalidade, sem que possam ver que haveria alternativas? Se nos limitamos a um papel intelectual, a ser críticos do capitalismo, a nova crise é um prato cheio. Podemos regozijar-nos e despejar todos os dias e semanas novos textos que prevêem ? ?como já havíamos escrito? ? o fim do capitalismo para daqui a pouco tempo. Mas todo catastrofismo se equivoca. Nos anos 30, a Internacional Comunista aderiu às teses do economista Emilio Varga, que retomava as teses de Lênin par diagnosticar que a crise de 1929 levava o capitalismo, finalmente, à sua etapa final. Conforme o New Deal resgatou o capitalismo de si mesmo, foi introduzida a categoria ?segunda fase da etapa final do capitalismo?. Já deveríamos estar na quinta ou sexta fase atualmente. Giovanni Arrighi recorda como, nos anos 70, a discussão não era sobre o fim do capitalismo, mas quando, onde e como terminaria o capitalismo ? tema que aparentemente era assumido até mesmo pelos teóricos do capitalismo. No entanto, como o próprio Lênin nos recorda, o capitalismo não cai, nem cairá, se não for derrubado ? como demonstraram os processos revolucionários que terminaram com o capitalismo, temporal ou definitivamente. Não cai por si mesmo e até mesmo demonstra capacidade de recuperação. Quem diria que a pátria de Lênin, da primeira revolução operário-camponesa da história da humanidade, veria restaurado o capitalismo, numa versão mafiosa? Quem diria que os Estados Unidos, ?feridos de morte? pela crise de 1929, comandariam o maior e mais profundo ciclo longo expansivo do capitalismo da sua história ? sua ?era de ouro?, segundo Hobsbawn ? no segundo pós-guerra, pressionando a URSS e derrotando-a tecnológica e economicamente, antes de favorecer sua implosão política? Não digo isto para ser caracterizado como disseminador de visões apologéticas do capitalismo ou para alentar o desânimo, mas para cumprir a saudável afirmação de Brecht, de que ?devemos tomar o inimigo pelo seu lado mais forte?, para não nos enganarmos sobre as condições reais de luta contra ele, para não subestimar suas forças e, principalmente, não superestimarmos as nossas forças. A cada crise que a esquerda enfrenta dando risadas e esfregando as mãos, entra e sai mais derrotada ainda, porque se contenta com a contemplação dos últimos dias de uma Pompéia capitalista, que insiste em sobreviver, graças à falta de alternativas ? teóricas e políticas ? da esquerda. Dessa mesma esquerda que parece acreditar que, finalmente, um dia, não muito longínquo, os povos do mundo se convencerão de suas teses apocalípticas, sem ter construído-as como força econômica, social, política e ideológica. Por enquanto ? como dizia Marx da pequena burguesia -, parece que o povo ainda não está maduro para entender as teses de uma esquerda que se contenta consigo mesma, com nossas maravilhosas teses que nos dizem que a longo, médio ou curto prazo, inevitavelmente a história revelará que caminha para o socialismo. Pouco terão aprendido das viradas ? revolucionárias e contrarevolucionárias ? do século XX, seguem esperando passar o cadáver do nosso inimigo, em lugar de preparar meticulosamente a realização dos nossos sonhos e das nossas utopias, como recomendava o realismo revolucionário de Lênin. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080922/65c4210d/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 23 17:33:16 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 23 Sep 2008 17:33:16 -0300 Subject: [Carta O BERRO] PALESTINA LIVRE- 22 de Septiembre de 2008 Message-ID: <039201c91dbb$9bb04480$0200a8c0@vcaixe> Boletín de Noticias- Palestina Libre.org Carta O Berro.........................................................................................repassem Militares y colonos israelíes destruyen cultivos palestinos Agencia Prensa Rural Desde el domingo 14 de septiembre, las fuerzas israelíes están excavando vastas áreas de la Cisjordania para construir caminos de tanques y campos de entrenamiento militar. Cientos de hectáreas se han perdido para la agricultura y la ganadería. Además, colonos del asentamiento de Itamar, cerca a la ciudad palestina de Awarta, en Nablus, quemaron y destruyeron siete hectáreas de tierra (cerca del 10% de su cosecha), con unos 400 olivos, vitales para la economía local. Por otra parte, el lunes 15 de septiembre, las fuerzas israelíes confiscaron un hato de vacas en la Cisjordania, bajo el pretexto de que estaban cerca a un campamento militar. 22/09/2008 Destacados de la Semana Sabra y Chatila: Para Unos un Acto de Independencia, para Otros un Acto de Barbarie ¿Quién Tiene VERDAD? Inmersos en una sociedad internacional relativista que nos persuade de que todo se debe valorar dependiendo del punto de vista en que se mire, como nos podría intentar persuadir modernistas o post modernistas como Foucault, Heidegger, Satre, entre otros valorados libre pensadores. Así la pregunta realizada en el título pudiera ser considerada como "razonable" en un mundo de verdades subjetivas que se sustentan en imposibilitadas de captar la esencia de las cosas, por tanto de la dignidad humana o de toda persona humana sin importar color, etnia, religión, etc. Un millar de palestinos y libaneses conmemoraron el 26 aniversario de la Masacre de Sabra y Chatila Un millar de palestinos y libaneses conmemoraron hoy el 26 aniversario de las matanzas de los campos de refugiados palestinos de Sabra y Chatila, situados a las afueras de Beirut, según emisoras locales. Supervivientes, familias de las víctimas, dirigentes políticos y representantes de grupos y facciones libanesas y palestinas tomaron parte en una marcha que recorrió varias calles de estos campamentos contiguos, en los murieron entre 1.500 y 2.500 personas entre los días 16 y 18 de septiembre de 1982. En la marcha también participó un grupo de italianos residentes en el país que portaba una pancarta en la que se leía 'no hay que olvidar Sabra ni Chatila'. Cámaras de vídeo contra 'pogroms' de colonos Cuando Nahla Mahmud se percató del tropel de colonos de Yitzhar que corrían colina abajo en dirección de la aldea clausuró las puertas y colocó la cámara de vídeo tras una de las rejas que protegen su ventana. Encerrada tras los barrotes pudo grabar los desmanes de los fundamentalistas judíos, mientras estos apedreaban al vecindario palestino ante la mirada impasible de los soldados israelíes. Los alrededores de Yitzhar están dominados por colinas ennegrecidas. Testimonio de los arrebatos de los habitantes de este emplazamiento. "Llevan varios meses así. Cortando árboles, atacando las casas, quemando los campos. El sábado llegaron un poco antes de las 8 de la mañana. Aumentan los progromos de colonos contra poblaciones palestinas Los incendios de campos, los actos de vandalismo y agresiones físicas y armadas de colonos contra palestinos se han incrementado en las últimas semanas ante la indiferencia del Ejército israelí, según testigos. La última incursión se ha cobrado la vida de un palestino. «Es obvio que los colonos no desaprovechan ninguna oportunidad de causar daño a los palestinos y de poner en peligro vidas humanas», según constató el secretario del grupo israelí Peace Now, Yariv Oppenheimer, al valorar la incursión de colonos fuertemente armados en Nablús el sábado Sigue represión israelí contra palestinos tras informe Beit Hanoun Grupos humanitarios de la Autoridad Nacional Palestina (ANP) y la Franja de Gaza afirmaron este viernes que Israel mantuvo la represión contra la población de estos territorios, aún después del bombardeo de Beit Hanoun, en 2006. Según el Centro Palestino para los Derechos Humanos (PCHR, en inglés), las tropas israelíes "continuaron sus ataques sistemáticos" contra civiles y propiedades en los territorios palestinos ocupados. El PCHR denunció que en las últimas semanas un niño palestino murió y 22 civiles, incluidos otros cuatro menores, resultaron heridos por agresiones de los uniformados al servicio de Tel Aviv Pogromo en Nablus Con el consentimiento, ostensiblemente tácito, del ejército ocupante israelí, bandas de terroristas judíos, conocidos también como colonos, han venido asaltando a indefensos civiles palestinos y arrasando sus propiedades en muchos lugares de Cisjordania. El incidente más grave tuvo lugar esta semana en el pueblo de Asira Al-Qibliya, situado al sur de Nablus, cuando docenas de colonos-terroristas fuertemente armados empezaron a atacar a la pacífica comunidad árabe, disparando indiscriminadamente contra los aterrados palestinos y destrozando sus hogares y vehículos. Sabra y Chatila, los Recuerdos de la Muerte de ayer y de hoy Con la invasión de Israel el 6 de junio de 1982, conocida como "Paz para Galilea". El Líbano, se transformó en una verdadera caldera, donde niños, mujeres y ancianos quedaron calcinados al paso de la soldadesca del premier Menahem Beguin y del ministro de Defensa Ariel Sharon. Durante 88 días, el Líbano y los campos de refugiados palestinos fueron sumergidos en un caos total , ceñidos en muertes, dolor y destrucción. La noche del 16 de septiembre y, hasta el 18 de septiembre de 1982, los campamentos de refugiados palestinos de Sabra y Chatila en Beirut, fueron rodeados por el ejército de Ariel Sharon. Aislándolos del mundo La UE condena los actos violentos perpetrados por colonos israelíes en Nablús La Unión Europea (UE) condenó hoy 'firmemente' los actos violentos perpetrados por colonos israelíes en Cisjordania contra la población palestina que tuvieron lugar el pasado sábado en las proximidades de la localidad de Nablús. 'Estos actos de violencia indiscriminados no serán tolerados', aseguró en un comunicado la Presidencia de la UE, que ejerce Francia este semestre. El pasado sábado, ocho palestinos fueron heridos por colonos israelíes que entraron en dos pueblos cisjordanos cercanos a Nablús Tutu denuncia silencio internacional ante sufrimiento de palestino El arzobispo sudafricano Desmond Tutu dijo hoy estar horrorizado ante el silencio internacional frente al sufrimiento de la población palestina en Gaza y consideró que esta actitud estriba en la "complicidad". Tutu presentó ante el Consejo de Derechos Humanos de Ginebra el informe de la misión de expertos que indagó el bombardeo israelí de la ciudad de Beit Hanoun, en noviembre de 2006 que costó la vida de 19 civiles. Afirmó que el secreto que rodea la investigación efectuada por el ejército israelí es inaceptable desde el punto de vista legal y moral. Una analogía depravada Esta semana el primer ministro israelí saliente, Ehud Olmert, trató de reescribir la historia equiparando el violento desarraigo y dispersión por los cuatro rincones del mundo de la comunidad nativa palestina a manos de los sionistas judíos con el emigración motivada ideológicamente de judíos de Oriente Próximo a Palestina. La muy inoportuna declaración de Olmert coincide con las muy controvertidas declaraciones del presidente de la Autoridad Palestina Mahmoud Abbas acerca del delicado tema del derecho al retorno de los refugiados palestinos desarraigados de su país hace más de sesenta años. Una mujer palestina muere a causa de los golpes de un terrorista israelí Una mujer palestina de unos sesenta años fue golpeada hasta morir durante una incursión del ejército terrorista israelí cerca de la Jerusalén Ocupada. El director de la clínica donde Mariam Ayyad fue llevada declaró que llegó muerta, con una fractura de cráneo y posible hemorragia interna. Sus familiares dijeron que la mujer intentó impedir, cuando asaltaron su hogar, que un terrorista israelí arrestara a los estudiantes que se alojaban en una casa de su propiedad en el pueblo de Abu Dis. Declararon que el terrorista israelí la golpeó y la empujó, haciéndola caer por las escaleras. Miles de niños palestinos refugiados estudian en las escuelas de las Naciones Unidas en Siria Los niños y niñas palestinos que viven en el campamento de Husseiniyeh se ven obligados a estudiar en condiciones de hacinamiento en escuelas de turno doble. Esos niños, que también confrontan desafíos apabullantes fuera de la escuela, corren ahora peligro de perder su derecho a la educación de buena calidad. Casi un 80% de los 81.000 alumnos y alumnas palestinos en edad escolar primaria asisten a establecimientos de enseñanza que dependen del Organismo de Obras Públicas y Socorro de las Naciones Unidas (OOPS), mientras que el 20% restante cursa sus estudios en escuelas gubernamentales o privadas. Palestina, refugiados y derecho al retorno Este año 2008 es el número sesenta del problema de los refugiados palestinos. Un pueblo, el palestino, es desplazado de sus lugares de origen, violentamente, porque se quiere ocupar su territorio por parte de un movimiento excluyente, el movimiento sionista. Éste cuenta con atractivo cultural y religioso, pero sobretodo con aliados gubernamentales y logra confundir moralmente a la opinión pública porque el objeto de su misión, 'los judíos' han tenido en Europa una persecución asesina, omitiendo la existencia de un pueblo palestino al que se quiere desplazar. Los niños primero. en la lista de víctimas Los niños de Palestina son víctimas de violencia indiscriminada a manos de las fuerzas israelíes y como consecuencia de los combates entre facciones internas, advirtió la ONU (Organización de las Naciones Unidas). En su informe de agosto, la Oficina de la ONU (Organización de las Naciones Unidas) para la Coordinación de Asuntos Humanitarios expresó su preocupación por la inadecuada protección que reciben. En lo que va del año, "el número de niños muertos es de 95 palestinos y cuatro israelíes, y hubo 386 heridos palestinos y ocho israelíes", señaló el estudio. Israel niega una educación a sus víctimas: un politicidio en toda regla El amiguete favorito de EEUU en Oriente Medio, financiado con 6 mil millones de dólares al año, dispone de un sólido historial de operaciones de limpieza étnica. Descontando unas pocas universidades, este hecho aquí es mayoritariamente ignorado por razones políticas, pero los propios historiadores de Israel han rastreado minuciosamente los archivos nacionales y militares sacando a la luz la expulsión de Israel de cientos de miles de palestinos durante la guerra de 1948. El resultado de esa desposesión se puede observar todavía hoy. Cuatro millones de palestinos viven y mueren enjaulados en guetos totalmente controlados En Egipto representantes de Al-Fatah para diálogo interpalestino Representantes de Al-Fatah, movimiento que lidera el presidente palestino, Mahmoud Abbas, llegaron ayer a Egipto para conversar con las autoridades que median para la próxima realización de un diálogo reconciliador con otros grupos rivales. La delegación de Al-Fatah, encabezada por el consejero de Abbas, Nabil Shaath, tenía previsto reunirse el martes con el jefe de la inteligencia egipcia y jefe negociador, Omar Suleiman, indicó un reporte de la agencia oficial MENA. El encuentro es parte de la serie de conversaciones bilaterales entre Egipto y las diversas facciones palestinas Después de Annapolis, continúa la estrategia y acciones diletantes sionistas Este año 2008, según la Conferencia de Annapolis, tendría que ser el que culminase las negociaciones entre los palestinos e israelíes para constituir dos estados en la Palestina histórica. Es preciso 'dramatizar' los últimos pasos de una obra ya repetida. Avanzar la estrategia sionista y mantener el guiñol del Proceso de Paz. Y para eso hacen falta dos actores y que el público sea cómplice de la repetición enésima de la obra. Los obstáculos:, la propia ocupación y avance de la misma por parte israelí, la falta de respuesta palestina (y su división) y la normalización ideológica del sionismo en los Gobiernos occidentales. Liga Árabe: La colonización israelí "imposibilita un Estado palestino" El secretario general de la Liga Árabe, el egipcio Amr Musa, denunció el miércoles que la colonización israelí prosigue en los territorios palestinos y esto hace "imposible la creación de un Estado palestino", informó la agencia oficial egipcia MENA. "La colonización (israelí), no sólo cambia la composición demográfica y geográfica de los territorios ocupados, sino que hace que resulte imposible la creación de un Estado palestino", declaró en una conferencia de prensa en la sede de la Liga Arabe en el Cairo. Banco Mundial: Los palestinos cada vez más dependen de la ayuda extranjera Los palestinos cada vez más dependen de la ayuda extranjera, principalmente debido a una lenta economía asfixiada por la continuación de las restricciones israelíes sobre el comercio y la circulación, destacó el Banco Mundial en un informe. El informe del Banco fue preparado para una reunión de los principales representantes de los países donantes durante la Asamblea General de Naciones Unidas en Nueva York este mes. La actual y masiva ayuda a los palestinos debería estimular su economía para hacerlos cada vez menos dependientes del dinero extranjero en el futuro. Atletas palestinos sueñan con dejar de ver los Paralímpicos por televisión Las condiciones políticas de la región y los problemas financieros de la Autoridad Nacional Palestina (ANP) impiden, una vez tras otra, la participación de los centenares de deportistas paralímpicos de Gaza y Cisjordania en esta cita estrella. A un respiro de que acaben los Juegos Paralímpicos de Pekín, los atletas palestinos con minusvalías sueñan ya con hacer ondear en Londres dentro de cuatro años su bandera, ausente hasta ahora en la historia de esta competición. Los atletas palestinos se preparan en condiciones difíciles porque la promoción del deporte dista de ser una prioridad en un territorio ocupado por Israel ¿Explotación o colonialismo? A lo largo de todo el territorio de Cisjordania, Israel ha implantado varias zonas industriales. En estas empresas, los trabajadores palestinos no tienen otra elección que aceptar las condiciones inhumanas a las que les someten sus patrones. En el parque tecnológico de Nitzanei Ha' Shalom, cerca de la ciudad palestina de Tulkarem, en el norte de Cisjordania, las fábricas israelíes emplean aproximadamente unos 700 trabajadores palestinos. Pero si indagamos un poco más, nos damos cuenta de que estos palestinos trabajan en condiciones inhumanas: la mayoría de las empresas son subcontratas israelíes, muchas veces sin nombre y sin registro. Comunicado de prensa de la Campaña Palestina por el Boicot Cultural y Académico a Israel: Paul McCartney abraza el apartheid israelí La PACBI lamenta la insistencia de Paul McCartney en seguir adelante con el concierto que tiene planeado dar en Israel a pesar de los muchos llamamientos que le hemos hechos a que lo cancele debido a los crímenes de Israel contra los palestinos, particularmente el actual asedio, brutalmente devastador e ilegal, a un millón y medio de personas en la ocupada Gaza. Este concierto no sólo viola el boicot cultural palestino contra Israel, sino que además transmite el mensaje de que o bien McCartney aprueba o bien ignora apáticamente la realidad de Israel como una potencia colonial Estudiar en el extranjero, el sueño imposible de la juventud de Gaza Tienen el dinero y el visto bueno de las universidades de Washington, Londres o París, pero les falta lo más importante: el "sí" de Israel para abandonar Gaza; son los cientos de estudiantes palestinos que sueñan con formarse en el extranjero. Según datos del Centro Palestino por los Derechos Humanos, unos 700 estudiantes de Gaza aguardan una autorización israelí para partir a estudiar al extranjero. "Muchos estudiantes no han podido lograr estos permisos antes del inicio del año académico", explica Jalil Shahin, investigador de Centro Palestino por los Derechos Humanos, con sede en Gaza. Abu Mazen: ¡ni se le ocurra tocar el derecho al retorno! En los últimos días el presidente de la Autoridad Palestina (AP), Mahmoud Abbas, ha hecho dos declaraciones extremadamente preocupantes en relación a la fundamental cuestión del derecho al retorno. La semana pasada declaró la cadena de televisión Al-Arabiya que no podía pedir que se permitiera a todos los palestinos refugiados volver a sus hogares y a sus ciudades de las que fueron desarraigados cuando se creó Israel en Palestina hace más de sesenta años. Esta semana, el presidente de la AP expresó unas observaciones aún más temerarias en una entrevista para el diario israelí Ha'aretz, publicada el domingo 14 de septiembre. Llaman a Israel a detener acciones que perturben proceso de paz Rusia y Jordania pidieron hoy a Israel detener todas las acciones que perturben el proceso de paz entre palestinos e israelíes, entre ellas la expansión de nuevos asentamientos. El ministro jordano de Relaciones Exteriores, Salah Bashir, se entrevistó este lunes con el representante ruso para el Oriente Medio, Alexander Saltánov, con quien tuvo puntos comunes sobre la solicitud a Tel Aviv. Ambas partes expresaron el sentir en un texto entregado a los medios de comunicación, en el cual exigen a las autoridades israelíes dar pasos para aliviar el sufrimiento del pueblo palestino Ir a sección de Caricaturas Palestinalibre.org es un sitio del Comite Democrático Palestino - Chile. Para contacto, suscribirse o removerse de nuestro newsletter, escríbanos a info at palestinalibre.org -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080923/097b9cee/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 24 17:05:59 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 24 Sep 2008 17:05:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Linha_de_Montagem=2E/O_relan=E7am?= =?iso-8859-1?q?ento=2C_em_c=F3pia_restaurada=2C_do_document=E1rio_?= =?iso-8859-1?q?=22Linha_de_Montagem=22=2C_de_Renato_Tapaj=F3s=2C_r?= =?iso-8859-1?q?epresenta_uma_fa=E7anha=2E_Por_muito_pouco=2C_o_fil?= =?iso-8859-1?q?me_realizado_entre_1979_e_1981_e_lan=E7ado_em_1982_?= =?iso-8859-1?q?n=E3o_foi_apreendido_pela_pol=EDcia_e_depois_dest?= Message-ID: <060101c91e80$f6f10e90$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 20 DE SETEMBRO DE 2008 - 23h09 "Linha de Montagem" recupera lutas operárias O relançamento, em cópia restaurada, do documentário "Linha de Montagem", de Renato Tapajós, representa uma façanha. Por muito pouco, o filme realizado entre 1979 e 1981 e lançado em 1982 não foi apreendido pela polícia e depois destruído pelo bolor. O filme retrata o surgimento das maciças greves dos metalúrgicos no ABC paulista O tema do filme, que entrou em cartaz nesta sexta (19) em São Paulo, Campinas e Brasília, é o surgimento das maciças greves dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, no final dos anos 70, de onde surgiria um novo líder, Luiz Inácio da Silva, ainda sem ter incorporado ao próprio nome o "Lula", que era o seu apelido na fábrica e no sindicato de São Bernardo, que ele presidiu. Por esse motivo, o documentário que chega às telas é uma rara oportunidade de analisar o surgimento de um movimento social, que contribuiu para o fim da ditadura e deu origem a um novo partido, o dos Trabalhadores. Imagens das assembléias do estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, às vezes lotadas com cerca de 100.000 operários, são uma prova da força das manifestações. Isso num momento em que ainda estava em vigor a ditadura militar, que usava contra os líderes grevistas instrumentos como a Lei de Segurança Nacional, que levou o próprio Lula à prisão. A cópia que deu origem às que chegam às telas, restaurada por uma verba de 860 mil reais da Petrobras, aliás, quase se perdeu. Ficou por quase 20 anos, a partir de 1984, depositada na Cinemateca Brasileira. Sem condições ideais de conservação, quase foi consumida pelo bolor. A restauração exigiu que fossem tratados um a um cerca de 98.000 quadros, além de um trabalho de transferência para película. Lançado pela primeira vez em 1982, época em que ainda havia censura prévia, o documentário foi exibido publicamente pela primeira vez na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, onde cabiam cerca de 2.000 pessoas. No meio da sessão, chegaram agentes da Polícia Federal, com ordens de apreender o filme -- que não tinha certificado de censura. Depois de uma negociação entre os policiais, Lula, Chico Buarque de Hollanda (autor da trilha do filme) e o então prefeito de São Bernardo, Tito Costa, decidiu-se que o filme seria entregue, rolo a rolo, às autoridades. Ao invés disso, saiu pela janela diretamente para a sacola de uma faxineira, Maria Elicélia Feitosa da Silva, a Zelinha, que o encaminhou para outras mãos. Esta história, porém, não está em "Linha de Montagem" e sim em outro documentário, "Peões", de Eduardo Coutinho. O filme de Coutinho, aliás, complementa este trabalho, por abordar igualmente o universo operário. Trailler do documentário "Linha de Montagem" pode ser assistido no Youtube, no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=B3bl4bzhQ5w -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080924/3070ea41/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1310 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080924/3070ea41/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 34502 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080924/3070ea41/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Sep 24 17:14:26 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 24 Sep 2008 17:14:26 -0300 Subject: [Carta O BERRO] CAROS AMIGOS Message-ID: <062101c91e82$257b5030$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Original Message ----- From: "CAROS AMIGOS" carosamigos at activemailpro.com.br Contamos com você, conte com a gente ?... muitos talentos e inteligências, brasileiros e estrangeiros, irão desfilar nas páginas futuras de Caros Amigos ? a lista é enorme e cada um, como nós, tem absoluta certeza da existência de um largo contingente de leitores, mulheres e homens, jovens e maduros, ávidos por uma publicação que lide com idéias, que seja crítica, que leve à reflexão.? Este é um trecho do editorial da edição número 1 de Caros Amigos, lançada em abril de 1997. Nesses quase doze anos, é este o jornalismo que temos feito, com muita luta, contando com o inestimável apoio dos colaboradores, colunistas e nossa equipe fixa ? mas principalmente dos nossos leitores. Fazer este jornalismo que teima em manter sua posição independente, de crítica à mídia gorda e aos interesses que tornam nosso Brasil um dos países mais injustos do mundo é nossa missão. Queremos que você faça parte desse projeto. Queremos que você seja um de nossos assinantes.Se você já é um, que nos indique para um amigo ou uma amiga, se já fez parte de nosso grupo de assinantes, então queremos você de volta. Clique no link abaixo e lute conosco. www.carosamigos.com.br Um abraço e até breve. Cordialmente, Equipe Caros Amigos -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080924/edae8321/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Sep 25 18:52:52 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 25 Sep 2008 18:52:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_PORTAL_MILITANTE_-_O_PORTAL_REV?= =?windows-1252?q?OLUCION=C1RIO_BRASILEIRO_=28_poemas/poesia/fatos_?= =?windows-1252?q?hist=F3ricos/fotos_/textos/_pesquisas/etc=29?= Message-ID: <033b01c91f59$0f3fa730$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. MILITANTE - O PORTAL REVOLUCIONÁRIO BRASILEIRO - POEMAS POEMAS E POESIAS Vários Poemas Autor: Bertolt Brecht Poema Che Guevara Autor: Nicolás Guillén Vários Poemas Autor: Che Guevara Vários Poemas Autor: Pablo Neruda Poemas de Angola Autor: Agostinho Neto 10 Poemas para Che Guevara Autores: Vários autores portugueses Vários Poemas Autor: Carlos Marighella Poema Che Guevara Autora:Sophia de Mello Breyner Poema Não Traio Autor: José Gomes Ferreira Portal Militante - O Portal Revolucionário Brasileiro -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080925/5e747afb/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 27609 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080925/5e747afb/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 5519 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080925/5e747afb/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1451 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080925/5e747afb/attachment-0001.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Sep 26 19:42:10 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 26 Sep 2008 19:42:10 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?O_Estado_deixou_de_ser_o_problem?= =?windows-1252?q?a_para_voltar_a_ser_a_solu=E7=E3o__por__Boaventur?= =?windows-1252?q?a_de_Sousa_Santos?= Message-ID: <027301c92029$1cc46230$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. DEBATE ABERTO O impensável aconteceu O Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição. Boaventura de Sousa Santos A palavra não aparece na mídia norte-americana, mas é disso que se trata: nacionalização. Perante as falências ocorridas, anunciadas ou iminentes de importantes bancos de investimento, das duas maiores sociedades hipotecárias do país e da maior seguradora do mundo, o governo dos EUA decidiu assumir o controle direto de uma parte importante do sistema financeiro. A medida não é inédita pois o Governo interveio em outros momentos de crise profunda: em 1792 (no mandato do primeiro presidente do país), em 1907 (neste caso, o papel central na resolução da crise coube ao grande banco de então, J.P. Morgan, hoje, Morgan Stanley, também em risco), em 1929 (a grande depressão que durou até à Segunda Guerra Mundial: em 1933, 1000 norteamericanos por dia perdiam as suas casas a favor dos bancos) e 1985 (a crise das sociedades de poupança). O que é novo na intervenção em curso é a sua magnitude e o fato de ela ocorrer ao fim de trinta anos de evangelização neoliberal conduzida com mão de ferro a nível global pelos EUA e pelas instituições financeiras por eles controladas, FMI e o Banco Mundial: mercados livres e, porque livres, eficientes; privatizações; desregulamentação; Estado fora da economia porque inerentemente corrupto e ineficiente; eliminação de restrições à acumulação de riqueza e à correspondente produção de miséria social. Foi com estas receitas que se ?resolveram? as crises financeiras da América Latina e da Ásia e que se impuseram ajustamentos estruturais em dezenas de países. Foi também com elas que milhões de pessoas foram lançadas no desemprego, perderam as suas terras ou os seus direitos laborais, tiveram de emigrar. À luz disto, o impensável aconteceu: o Estado deixou de ser o problema para voltar a ser a solução; cada país tem o direito de fazer prevalecer o que entende ser o interesse nacional contra os ditames da globalização; o mercado não é, por si, racional e eficiente, apenas sabe racionalizar a sua irracionalidade e ineficiência enquanto estas não atingirem o nível de auto-destruição; o capital tem sempre o Estado à sua disposição e, consoante os ciclos, ora por via da regulação ora por via da desregulação. Esta não é a crise final do capitalismo e, mesmo se fosse, talvez a esquerda não soubesse o que fazer dela, tão generalizada foi a sua conversão ao evangelho neoliberal. Muito continuará como dantes: o espiríto individualista, egoísta e anti-social que anima o capitalismo; o fato de que a fatura das crises é sempre paga por quem nada contribuiu para elas, a esmagadora maioria dos cidadãos, já que é com seu dinheiro que o Estado intervém e muitos perdem o emprego, a casa e a pensão. Mas muito mais mudará. Primeiro, o declínio dos EUA como potência mundial atinge um novo patamar. Este país acaba de ser vítima das armas de destruição financeira massiça com que agrediu tantos países nas últimas décadas e a decisão ?soberana? de se defender foi afinal induzida pela pressão dos seus credores estrangeiros (sobretudo chineses) que ameaçaram com uma fuga que seria devastadora para o actual american way of life. Segundo, o FMI e o Banco Mundial deixaram de ter qualquer autoridade para impor as suas receitas, pois sempre usaram como bitola uma economia que se revela agora fantasma. A hipocrisia dos critérios duplos (uns válidos para os países do Norte global e outros válidos para os países do Sul global) está exposta com uma crueza chocante. Daqui em diante, a primazia do interesse nacional pode ditar, não só proteção e regulação específicas, como também taxas de juro subsidiadas para apoiar indústrias em perigo (como as que o Congresso dos EUA acaba de aprovar para o setor automóvel). Não estamos perante uma desglobalização mas estamos certamente perante uma nova globalização pós-neoliberal internamente muito mais diversificada. Emergem novos regionalismos, já hoje presentes na África e na Ásia mas sobretudo importantes na América Latina, como o agora consolidado com a criação da União das Nações Sul-Americanas e do Banco do Sul. Por sua vez, a União Européia, o regionalismo mais avançado, terá que mudar o curso neoliberal da atual Comissão sob pena de ter o mesmo destino dos EUA. Terceiro, as políticas de privatização da segurança social ficam desacreditadas: é eticamente monstruoso que seja possível acumular lucros fabulosos com o dinheiro de milhões trabalhadores humildes e abandonar estes à sua sorte quando a especulação dá errado. Quarto, o Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção. Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução. Quinto, as mudanças na globalização hegemônica vão provocar mudanças na globalização dos movimentos sociais que vão certamente se refletir no Fórum Social Mundial: a nova centralidade das lutas nacionais e regionais; as relações com Estados e partidos progressistas e as lutas pela refundação democrática do Estado; contradições entre classes nacionais e transnacionais e as políticas de alianças. Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080926/ce4845c7/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4707 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080926/ce4845c7/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Sep 27 15:44:28 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 27 Sep 2008 15:44:28 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Portal de Arquivos (dezenas de biografias / obras de autores/ textos diversos) / Carlos Marighella 1911 - 1969 Message-ID: <017201c920d1$12c69e30$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 ----- Original Message ----- From: Beatrice ----- Original Message ----- From: Castor Filho enviado por Caia CARTA O BERRO. ..........repassem. MIA > Biblioteca > Novidades Carlos Marighella 1911-1969 Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e tornou-se militante do Partido Comunista. Conheceu a prisão pela primeira vez em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor da Bahia. Em 1932 muda-se para o Rio de Janeiro. Em 1o de maio de 1936 Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, as terríveis torturas da polícia. Permaneceu encarcerado por um ano sendo solto pela "macedada" - nome da medida que libertou os presos políticos sem condenação. Transferindo-se para São Paulo, Marighella passou a agir em torno de dois eixos: a reorganização dos revolucionários comunistas, duramente atingidos pela repressão, e o combate ao terror imposto pela ditadura de Getúlio Vargas. Voltaria aos cárceres em 1939, sendo mais uma vez torturado de forma brutal na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mas se negando a fornecer qualquer informação à polícia. Recolhido aos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, ele dirigiria sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia. Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Com o mandato cassado pela repressão que o governo Dutra desencadeou contra o comunistas, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato. Nos anos 50, exercendo novamente a militância em São Paulo, tomaria parte ativa nas lutas populares do período, em defesa do monopólio estatal do petróleo e contra o envio de soldados brasileiros à Coréia e a desnacionalização da economia. Cada vez mais, Carlos Marighella voltaria suas reflexões em direção do problema agrário, redigindo, em 1958, o ensaio "Alguns aspectos da renda da terra no Brasil", o primeiro de uma série de análises teórico-políticas que elaborou até 1969. Após o golpe militar de 1964, Marighella foi novamente preso. Repetindo a postura de altivez das prisões anteriores, Marighella fez de sua defesa um ataque aos crimes e ao obscurantismo que imperava desde 1º de abril. Conseguiu, com isso, catalisar um movimento de solidariedade que forçou os militares a aceitar um habeas-corpus e sua libertação imediata. Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura utilizando todos os meios de luta na tentativa de impedir a consolidação de um regime ilegal e ilegítimo. Na ocasião, Carlos Marighella aprofundou as divergências com o Partido Comunista, criticando seu imobilismo. Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, requereu seu desligamento da mesma, explicitando a disposição de lutar revolucionariamente junto às massas, em vez de ficar à espera das regras do jogo político e burocrático convencional que, segundo entendia, imperava na liderança. E quando já não havia outra solução, conforme suas próprias palavras, fundou a ALN - Ação Libertadora Nacional para, de armas em punho, enfrentar a ditadura. Na noite de 4 de novembro de 1969, surpreendido por uma emboscada, Carlos Marighella tombou varado pelas balas dos agentes da repressão. Atualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras: 1946 - jul A Religião, o Estado, a Família 1947 - dez Nossa Política (Editorial Problemas nº 5) 1948 - jan Nossa Política (Editorial Problemas nº 6) 1948 - fev Nossa Política (Editorial Problemas nº 7) 1948 - jul Nossa Política (Editorial Problemas nº 12) 1948 - set Nossa Política (Editorial Problemas nº 13) 1948 - out Nossa Política (Editorial Problemas nº 14) 1949 - Mar Nossa Política (Editorial Problemas nº 17) 1954 - nov O Programa do Partido, As Experiências das Eleições de 3 de Outubro e As Nossas Tarefas para a Campanha Eleitoral de 1955 1958 - jun Alguns Aspectos da Renda da Terra no Brasil 1967 - out Algumas Questões Sobre as Guerrilhas no Brasil 1968 - dez Chamamento ao Povo Brasileiro 1969 - jun Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano Seja um Voluntário! Se você deseja colaborar com a construção desta biblioteca, ou deseja iniciar uma nova biblioteca para um autor cujo trabalho contribui de alguma maneira para a compreensão do Marxismo, entre em contato conosco. Outros links: Non-English section - Obras em outras línguas Início da página -------------------------------------------------------------------------------- -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080927/fa02fa8f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 1647 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080927/fa02fa8f/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24463 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080927/fa02fa8f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 6347 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080927/fa02fa8f/attachment-0003.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Sep 28 12:58:13 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 28 Sep 2008 12:58:13 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_m=FAsicas_de_alta_sensibilidade?= =?windows-1252?q?_=2E_HOJE_=C9_DOMINGO!?= Message-ID: <03c501c92183$037c4d00$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro..................................................................................................repassem Músicas Revolucionárias -------------------------------------------------------------------------- Canções: A Internacional letra | mp3(pt) | mp3(ru) | mp3(fr) | ram | midi | partitura (pdf) Letra: Eugène Pottier (1816-1887), Paris, Junho 1871; música: Pierre Degeyter (1848-1932), 1888. A Internacional foi composta para celebrar a Comuna de Paris (Março - Maio 1871). Música Soviética Música Internacional The Red Flag Jim Connell, 1889 mp3; mp3 Labour's Call Peadar Kearney, 1918 rm; mp3 Casey Jones - The Union Scab Joe Hill, 1911 ram Where The Fraser River Flows Joe Hill, 1912 ram Talk to me of freedom Martin Whelan rm; mp3 Bread and Roses Martin Whelan rm; mp3 Arbetets söner (Filhos dos Trabalhadores) Hino da Social-Democracia Suiça, letra: Henrik Menander, música: Nils P. Möller midi La Varsovienne / ?????????? Canção polonesa, composta no fim do século XIX; muito popular na Rússia durante as Revoluções de 1905 e de 1917. mp3[fr] mp3[ru] mp3[ru] L'appel du Komintern Canção escrita para o 10º aniversário da Internacional Comunista, letra: Franz Jahnke, música: Hans Eisler, 1929 mp3 ?? ??????? ? ?? ???????? / Les partisans T. Aturov / S. Alimov mp3[ru] mp3[fr] Bandiera rossa Cançao Revolucionária Italiana, letra: Carlo Tuzzi mp3 Bella ciao Canção dos Partisans italianos, 1943 mp3 Fischia il vento Canção dos Partisans italianos, música: M. Blanter ("Katyusha"), letra: Felice Cascione, 1944 mp3 A las barricadas Canção da Revolução Espanhola, música de "Varshavianka", letra: Valeriano Orobón Fernández, 1936 mp3 Die Einheitsfront Hans Eisler / Bertold Brecht mp3 Joe Hill Joe Hill, organizador do Industrial Workers of the World, executada em Utah, USA, em 1915; música: Earl Robinson mp3 Avante Camarada Luís Cília, 1967, Portugal mp3 El pueblo unido jamás será vencido Quilapayún / Sergio Ortega, 1970, Chile mp3 Venceremos Letra: Claudio Iturra, música: Sergio Ortega, 1970, Chile mp3 ??????? (Navear os Mares depende do Timoneiro) Canção Revolucionária Chinesa mp3 ?? (A Longa Marcha) Canção Revolucionária Chinesa au Músicas sobre Che Guevara Hasta siempre Comandante Carlos Puebla, 1965 (Cuba) mp3; rm Lo eterno Carlos Puebla (Cuba) mp3 Que pare el son Carlos Puebla (Cuba) mp3 Un nombre Carlos Puebla (Cuba) mp3 Guitarra en duelo mayor Ángel Parra (Chile), Nicolás Guillen (letra) (Cuba) mp3 Fusil contra fusil Silvio Rodríguez, 1968 (Cuba) mp3 América, te habló de Ernesto Silvio Rodríguez, 1972 (Cuba) mp3 Ay, Che camino Matio (France) mp3 Zamba al "Che" Víctor Jara (Chile), Rubén Ortiz mp3 Andes lo que andes Sara González; Amaury Pérez (letra/música) (Cuba) mp3 Nada más Atahualpa Yupanqui (Argentina) mp3 Su nombre ardió como un pajar Patricio Manns, 1969 (Chile) mp3 Cancion del hombre nuevo Daniel Viglietti, 1965 (Uruguay) mp3 Che esperanza Egon y Los Arachanes mp3 Una canción necesaria Vicente Feliú (Cuba) mp3 Canción fúnebre para el Che Guevara Quilapayún (Chile), Juan Capra mp3 Alma Morena Miguel Ángel Filipini (Argentina) mp3 Siembra tu luz Miguel Ángel Filipini (Argentina) mp3 Carta al Che Inti-Illimani (Chile); Carlos Puebla (letra/música) (Cuba), 1969 mp3 El Aparecido Inti-Illimani (Chile); Víctor Jara (letra/música) (Chile), 1971 mp3 -------------------------------------------------------------------------- Veja também: Música Chinesa Música Romana Música Iugoslava Sítios Relacionados: The Red Flag (letra, audio) Union Songs (letra) SovMusic (letra, audio) Chants révolutionnaires (letra, audio) Altavoz del Frente - Canciones (letra, audio) COMAC (audio) Drapeau rouge (letra) Chants de luttes (letra) La Merle Rouge (letra) Cantilotta (letra) Canciones y poesías (letra, audio) -------------------------------------------------------------------------- Arquivo Marxista na Internet Temas -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080928/5da2d56f/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 8886 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080928/5da2d56f/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 505 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080928/5da2d56f/attachment-0003.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 26614 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080928/5da2d56f/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 29 19:35:54 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 29 Sep 2008 19:35:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] O fascismo? Pode, sim, acontecer em Israel.* por Uri Avnery Message-ID: <01af01c92283$bedb40f0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Blog do Bourdoukan Enquanto houver um explorado e um oprimido não haverá paz Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008 "O fascismo israelense está vivo e esperneia. Cresce no mesmo canteiro que já gerou vários grupos religiosos-nacionalistas clandestinos: o grupo que tentou explodir os locais sagrados para os muçulmanos, no Monte do Templo; os que tentaram assassinar prefeitos palestinos, a gang ?Kach?; os autores do massacre em Hebron; Baruch Goldstein, assassino do ativista pela paz Emil Gruenzweig; o assassino de Yitzhak Rabin; e todos os grupos clandestinos que foram descobertos em estágio inicial de organização, antes de chegarem ao conhecimento público". "O sistema de justiça interno do Exército de Israel é monstruoso: não se pode dizer menos. O comandante que deteve uma mulher palestina em trabalho de parto e com sangramento, num posto de fronteira, causando a morte do bebê, recebeu, como pena, duas semanas de detenção. O comandante que ordenou que um soldado atirasse na perna de um palestino algemado foi ?transferido? ? o que significa que esse criminoso de guerra pode continuar servindo em outra unidade do Exército". O fascismo? Pode, sim, acontecer em Israel.* Uri Avnery O SOBRENOME ALEMÃO Sternhell significa ?brilhante como as estrelas?. É nome adequado: as posições do Professor Ze'ev Sternhell destacam-se, brilhantes, contra a escuridão do céu. Sempre denunciou o fascismo israelense. Essa semana, os fascistas israelenses jogaram uma bomba de fabricação caseira (um cano selado, com pregos e explosivos) na entrada de seu apartamento, e ele sofreu ferimentos leves. À primeira vista, a escolha da vítima parece estranha. Mas os autores do atentado sabiam o que faziam. Não atacaram os ativistas que, todas as semanas, fazem manifestações contra o Muro da Separação em Bilin e Naalin. Não atacaram os grupos de esquerda que, ano após ano ? e em 2008 também ? mobilizam-se para ajudar os palestinenses a colher suas azeitonas nos pontos mais perigosos, nas vilas mais próximas das colônias israelenses. Não atacaram as ?Mulheres de preto? que se reúnem todas as 6ªs-feiras, nem as mulheres do movimento ?Machsom Watch? que vigiam os postos de controle, para registrar e denunciar as violências praticadas por soldados israelenses. Atacaram alguém que só faz trabalho intelectual. As lutas de campo são essenciais. Mas elas só visam influenciar a opinião pública. A principal batalha é a batalha de idéias. E é aí que os intelectuais têm papel tão importante a desempenhar. No plano das idéias, há duas visões em confronto, em Israel, dois modos de ver, tão distantes um do outro quanto o Oriente é distante do Ocidente. Por um lado, há uma Israel culta, moderna, secular, liberal e democrática, que vive em paz e em parceria com a Palestina, vendo-a como parte integrante e integral da Região. Por outro lado, há uma Israel fanática, religiosa, fascista, que se auto-exclui, tanto quanto se auto-exclui da humanidade civilizada, gente que ?duela sozinha e não será reconhecida entre as nações? (Números, 23:9), onde a ?espada devorará para sempre? (2, Samuel 2:26). Ze'ev Sternhell é um dos guias mais brilhantes da visão mais iluminada, mais lúcida. Suas posições brilham como estrelas, resolutas e incisivas. Não surpreende que tenha sido escolhido como alvo para os neo-nazistas que há em Israel e suas bombas neo-nazistas. Sternhell é intelectual especialista nas origens do fascismo, um tema ao qual também me dedico, ao longo de toda a minha vida. Ele e eu somos movidos por interesses semelhantes: o nazismo deixou marca indelével na nossa infância e no nosso destino. Criança, testemunhei o nascimento do nazismo na Alemanha. Criança, Sternhell viu o nazismo nascer na Polônia, quando, depois da morte do pai, perdeu a mãe e a irmã no Holocausto. ?Quem conhece água fervente, tem medo até de água fria?, diz um velho provérbio judeu. Quem tenha conhecido o fascismo atacar a própria vida, na infância, é e para sempre será excepcionalmente sensível ao primeiro sintoma de recaída da mesma doença. Em 1961 escrevi um livro com o título de ?A suástica? (que só existe em hebraico), no qual tentei decifrar o código das raízes do nazismo. Ao final do livro, pergunto: ?Poderá acontecer em Israel?? Minha resposta bem clara: Sim, pode. Pode acontecer em Israel. Sou sensível a qualquer sinal daquela doença na nossa sociedade israelense atual. Como jornalista e editor de uma revista, usei minha lanterna para iluminar melhor cada sinal que vi ou pressenti. Como ativista político, combato-os todos os dias, seja no Parlamento seja nas ruas. Sternhell, por sua vez, depois de uma carreira militar, passou a dedicar-se integralmente à vida acadêmica. E usa os instrumentos da academia: pesquisa, aulas e publicações. Luta para encontrar as melhores definições, as mais precisas, sem buscar popularidade e fugindo às provocações. Em um de seus artigos, há anos, escreveu que a resposta violenta dos palestinenses contra a ocupação é resposta esperável, natural. Por isso, atraiu sobre si a eterna ira dos moradores das colônias e da extrema direita, que trabalharam muito para impedir que Sternhell recebesse o ?Prêmio Israel? ? a mais importante láurea que há entre nós. Agora, recorreram às bombas de fabricação caseira. QUEM PÔS lá aquela bomba? Um único indivíduo? Um grupo? Algum novo grupo clandestino? Os terroristas das colônias? Cabe à Polícia e ao Shin-Bet descobrir. Do ponto de vista do público, o assunto é mais simples: vê-se facilmente em que canteiro florescem essas sementes daninhas, que ideologia lhes serve de adubo, e quem as semeia por aí. O fascismo israelense está vivo e esperneia. Cresce no mesmo canteiro que já gerou vários grupos religiosos-nacionalistas clandestinos: o grupo que tentou explodir os locais sagrados para os muçulmanos, no Monte do Templo; os que tentaram assassinar prefeitos palestinenses, a gang ?Kach?; os autores do massacre em Hebron; Baruch Goldstein, assassino do ativista pela paz Emil Gruenzweig; o assassino de Yitzhak Rabin; e todos os grupos clandestinos que foram descobertos em estágio inicial de organização, antes de chegarem ao conhecimento público. São ações que não podem ser atribuídas a indivíduos ou a rogue groups, a rebeldes ou a ?grupos do mal?. Há, bem evidente, uma franja fascista na sociedade política em Israel. Em termos ideológicos, são nacionalistas religiosos; têm líderes espirituais, ?rabinos? que formulam essa específica visão de mundo e seu respectivo modo de agir. Esses judeus não trabalham em segredo. Ao contrário, oferecem seus serviços na feira, no mercado. O setor está concentrado nas colônias ?ideologizadas?. Não significa que todos os colonos judeus sejam fascistas. Mas quase todos os fascistas são colonos judeus. Concentram-se em colônias bem conhecidas. Por acaso ou não por acaso, todas essas colônias ideologizadas estão situadas no coração da Cisjordânia, nas cercanias do Muro de Separação. A primeira delas, na área de Hebron, foi instalada pelo líder ?esquerdista? Yigal Allon; outra, próxima de Náblus, pelo líder ?esquerdista? Shimon Peres. DURANTE os últimos meses, aumentou muitíssimo o número de incidentes nos quais colonos atacam soldados, policiais e ?esquerdistas? palestinenses. São atos cometidos abertamente, para aterrorizar e intimidar. Colonos vandalizam as vilas palestinas cujas terras cobiçam ou invadem; ou agem por vingança. São pogroms no sentido clássico da palavra: atos de vandalismo, executados por grupos armados, intoxicados de ódio contra população civil desarmada; e o exército e a polícia apenas observam. Os Pogromchiks destroem, ferem e matam. Nos últimos tempos, tem acontecido cada vez mais freqüentemente. Nos raros casos em que o exército ou a polícia intervêm, não tomam conhecimento da ação dos colonos; atacam os ativistas israelenses dos grupos pró-paz que acorrem para ajudar os agricultores palestinenses agredidos. O porta-voz dos serviços de segurança de Israel e os comentaristas que ainda tentam aparentar alguma isenção falam de ?agitadores da Esquerda e da Direita?. Nada mais falso que essa aparente isenção ? a qual, ela também, é parte do arsenal de truques que os fascistas sempre usaram. Os pogroms organizados pelos colonos judeus são violentos por sua própria natureza, tanto na intenção quanto na ação; e os ativistas do campo da paz são não-violentos por princípio. Sempre que há violência, começa nos movimentos do exército e da polícia de fronteira, sob o pretexto de que, antes, foram agredidos por meninos locais que lhes atiraram pedras. O que ninguém diz é que soldados e policiais de fronteira, super-armados e super-blindados, perseguem os manifestantes pelas ruas e vielas das cidades. A violência e a agressividade dos musculosos militantes da extrema direita ? ?ativistas da Direita?, como a mídia insiste em dizer, com cortesia máxima ? estão aumentando dia a dia. Fazem o que querem, quando querem, porque sabem perfeitamente que nada e ninguém os punirá. Sabem que a polícia mantém-se distante e não interfere; e sabem também que, ainda que a polícia interfira, os tribunais não os condenarão a qualquer tipo de pena mais severa. TODOS que conheçam a história do nazismo conhecem bem o vergonhoso papel que tiveram os tribunais e demais agentes da lei, na República de Weimar, em relação aos criminosos cujo único objetivo era atacar o próprio sistema democrático. Os agitadores nazistas recebiam penas leves, porque os juízes os declaravam ?patriotas equivocados?; e os agitadores comunistas eram tratados como agentes e espiões estrangeiros. Atualmente, Israel está vivendo o mesmo fenômeno. Os colonos israelenses que infringem a lei recebem condenações simbólicas; os palestinos, mesmo quando acusados por infrações muito mais leves, recebem penas duríssimas. Hoje, um colono que atice seus cães contra um comandante de batalhão é absolvido; exatamente como acontece, também, mesmo que ele quebre os ossos de um chefe de destacamento. O sistema de justiça interno do Exército de Israel é monstruoso: não se pode dizer menos. O comandante que deteve uma mulher palestina em trabalho de parto e com sangramento, num posto de fronteira, causando a morte do bebê, recebeu, como pena, duas semanas de detenção. O comandante que ordenou que um soldado atirasse na perna de um palestino algemado foi ?transferido? ? o que significa que esse criminoso de guerra pode continuar servindo em outra unidade do Exército. O aumento no número e na gravidade de incidentes desse tipo prova que está aumentando o poder do fascismo israelense? À primeira vista, sim, pode-se ter essa impressão. Mas, se se pensa melhor, creio que a verdade é o contrário disso. Os colonos fanáticos sabem que perderam o apoio da opinião pública em Israel, e que os cidadãos comuns os vêem como bandidos perigosos. Seus movimentos, expostos pela televisão, são criticadas, muitas vezes com indignação e horror. A visão do ?Tudo por Israel? não apenas perdeu altitude. Pode-se dizer que já se esborrachou no chão da realidade. Os zelotes[1] agem como agem porque estão fracos e frustrados. Como os nazistas odiavam a República alemã, assim esses fanáticos estão começando a odiar o Estado de Israel. E têm boas razões. Estão vendo que não há lugar para eles no consenso nacional que vai ganhando corpo em torno da idéia de ?Dois Estados para dois povos? ? seja por razões negativas, como os medos demográficos que nascem da ocupação; seja quando prospera por razões positivas: pela esperança de alcançarmos paz e prosperidade, depois de Israel retirar-se dos Territórios Ocupados. Prossegue a discussão sobre as fronteiras, mas a maioria já vê o Muro de Separação como a fronteira futura. (Como sempre repetimos, desde o início, o muro não foi construído, de fato, para impedir a aproximação de homens-bomba, como dizem as autoridades israelenses; foi construído para demarcar a futura fronteira entre os dois Estados). O establishment israelense deseja anexar as terras que ficam entre o muro e a Linha Verde; e está preparado para oferecer terras de Israel aos palestinenses, em troca. Como os colonos interpretam essa evidência? A maioria dos colonos vivem em colônias próximas da Linha Verde que, por esse conceito, serão anexadas a Israel. Esses colonos, não por acaso, são colonos ?não-ideológicos?, que buscam apartamentos baratos e ?qualidade de vida?, em área próxima de Telavive ou Jerusalém. Esses colonos aceitarão, muito provavelmente, qualquer acordo de paz que os mantenha em território de Israel. Os colonos extremistas, os que são motivados por idéias fascistas-religiosas, vivem em pequenas colônias a leste do muro, que serão desmanteladas tão logo a paz seja assinada. São pequena minoria, mesmo entre os colonos, apoiados por uma minoria radical da extrema direita. Aí, exatamente, é que está vicejando o violento fascismo israelense. Era uma vez? mas, sim, já houve tempo em que uma Linha Vermelha corria paralela à Linha Verde; quando se pensava que o terrorismo religioso-nacionalista feriria ?apenas? os palestinos e não atingiria israelenses. Até o rabino Meir Kahane, fascista nato, dizia isso. Essa ilusão desmanchou-se no ar, com o assassinato de Yitzhak Rabin. Então se viu que o fascismo israelense é igual ao fascismo clássico, que troveja contra ?o inimigo estrangeiro?, mas dirige seu terrorismo contra ?o inimigo interno?. A bomba de fabricação caseira que explodiu à porta da casa de Sternhell deve fazer acender todas as luzes vermelhas, porque se soma ao assassinato de Emil Gruenzweig e às ameaças à vida de outros conhecidos ativistas da paz. A batalha decisiva, a batalha pela sobrevivência de Israel, está entrando em nova fase ? muito mais violenta, muito mais perigosa. Mas mais grave que o perigo que ameaça as pessoas é o perigo que ameaça toda a sociedade israelense. Sobretudo se não mobilizar todos os seus recursos ? governo, polícia, Serviço de Segurança, lei, tribunais, a mídia e o sistema educacional ? para enfrentar esse perigo. Não creio que o fascismo derrotará a sociedade israelense. Creio na força da democracia em Israel. Mas se eu for encurralado e me perguntarem: ?Pode acontecer em Israel??, serei obrigado a responder: ?Sim, o fascismo pode acontecer em Israel.? * URI AVNERY, 27/9/2008, ?It Can Happen Here!?, em Gush Shalom [Grupo da Paz], em http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1222552857/. Tradução de Caia Fittipaldi. Reprodução por internet autorizada pelo autor e pela tradutora, desde que citada a fonte. Copyleft. [1] Membros da seita e partido político judaico que desencadeou a revolta da Judéia à época de Tito (imperador romano, regn. 79-81); zelador [Os zelotes constituíam a ala radical dos fariseus e preconizavam Deus como o único dirigente, o soberano da nação judaica, opondo-se à dominação romana.] (De Dicionário Houaiss, em http://houaiss.uol.com.br/busca.jhtm?verbete=zelote+&stype=k) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080929/f6752f26/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Sep 29 19:39:59 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 29 Sep 2008 19:39:59 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Mais_uma_barrigada_ideol=F3gica_da?= =?iso-8859-1?q?_=22Veja=22?= Message-ID: <01b801c92284$4df43fd0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem ----- Original Message ----- From: fernandespt13 at bol.com.br 27 DE SETEMBRO DE 2008 - 18h58 Mais uma barrigada ideológica da "Veja" por Umberto Martins* A revista "Veja", porta voz radical da direita neoliberal no Brasil, tornou-se pródiga em barrigadas. A capa de sua última edição é um exemplo clássico, embora um tanto patético, de barrigada ideológica (1). Nela aparece um Tio Sam com um olhar ameaçador, a mão direita cheia de dólares e um dedo acusador a justificar uma manchete mentirosa "Eu salvei você!". "Veja" sugere que "o mundo" foi "salvo pela ação do governo americano". O panfleto semanal da família Civita ficou deslumbrado com a euforia que animou os mercados de capitais no final de semana, após a notícia de que o governo Bush tinha um plano miraculoso, orçado em 700 bilhões de dólares, para debelar a crise do capitalismo parasitário dos EUA. A verdade está na capa da última edição de "Carta Capital", que estampa o mesmo Tio Sam segurando dólares em chamas sob o justo título "Ele não salva ninguém". A vida já desmentiu "Veja". O otimismo não durou muito. As bolsas voltaram a desabar e fecharam a semana (26-9) em forte queda no Brasil e no mundo, perturbadas pela quebra do sexto maior banco americano, Washington Mutual, e os impasses no Congresso em torno do plano Bush. Mais uma vez os editores foram traídos pelo dia de fechamento (sexta-feira) e a vulgaridade ideológica. Vulgaridades O texto da reportagem de capa é um primor de superficialidade e vulgaridades. Tece loas ao sistema financeiro, enaltece a farra especulativa que precedeu e preparou a crise e chega a lamentar o estouro da bolha financeira. Reproduzo, para seu julgamento caro leitor (ou leitora), o seguinte e ilustrativo trecho: "Graças ao sistema financeiro, quase meia centena de países antes estagnados hoje cresce a taxas de 7% ou mais ao ano. O aumento do nível e da qualidade de consumo no Brasil, a economia pujante do país e, por conseqüência, a popularidade recorde do presidente Lula se devem a cabeças brilhantes e maquiavélicas de Wall Street que inventaram esses gigantescos instrumentos de liquidez mundial. Por esse prisma, é uma pena que a bolha tenha estourado." Quanta lorota! Falsa consciência Trata-se de uma visão adocicada e fraudulenta da realidade. Marx já notava que a ideologia dominante, burguesa, forja uma representação invertida dos fatos, disseminando o que ele classificava de "falsa consciência", muito útil à preservação do sistema capitalista. O trecho acima é uma prova de que esta observação filosófica do grande pensador alemão ainda não perdeu atualidade. A verdade, nua e crua, é que o sistema financeiro internacional, dominado pela especulação e ávido por lucros fáceis, é uma fonte intermitente de crises e foi também a causa de 25 anos de estagnação da renda per capita no Brasil e em vários países da América Latina, vítimas da crise da dívida externa. A suposição de que o crescimento das economias ditas "emergentes" se deve aos exóticos "instrumentos de liquidez mundial" criados por mentes "maquiavélicas de Wall Street" é cínica e falaz - um exemplo de representação invertida da realidade. Realidade invertida Ocorre precisamente o contrário. Em seu livro sobre "Os malefícios da globalização", uma análise séria e profunda sobre as intervenções do FMI nos países mais pobres, o Prêmio Nobel de Economia Josefh E. Stigritz demonstrou que a raiz da chamada "crise asiática" residia basicamente na liberalização do câmbio e dos fluxos de capitais estrangeiros, adotadas a pretexto de melhor aproveitar o excesso de "liquidez mundial". Os investimentos especulativos acabaram provocando crises cambiais em vários países. As medidas foram impostas pelo FMI e o Banco Mundial, mas nem todo mundo adotou a cartilha do Fundo. A China nunca foi liberal com o câmbio ou o movimento de capitais, que até hoje mantém sob rigoroso controle. Por esta razão, conforme anotou Stigritz, ficou à margem da crise. A Malásia também se protegeu. Na seqüência de uma falsa exuberância, a celebrada liquidez mundial (disponibilidade de crédito e capitais estrangeiros) promoveu recessão e não desenvolvimento. O que dizer do robusto crescimento do PIB de países rebeldes, como a Venezuela e a Argentina (que deu um belo calote na banca internacional em 2001)? Pela lógica de "Veja", o fenômeno talvez deva ser atribuído à generosidade do sistema financeiro internacional. O crescimento da produção é e sempre será fruto do trabalho, dos investimentos produtivos e do emprego, jamais da especulação financeira. Quem paga pela crise? A idéia de que a conta da crise (estimada oficialmente em 700 bilhões de dólares) será paga pelo contribuinte estadunidense é outra inverdade vomitada na reportagem especial da revista. Já faz certo tempo que os Estados Unidos não dispõem de poupança própria. A taxa de poupança interna é "chocantemente baixa", nas palavras de Joseph Stigritz. Isto significa que Tio Sam tem de recorrer à poupança alheia para sustentar seu padrão de consumo parasitário. Os 700 bilhões de dólares serão acrescentados à dívida pública dos Estados Unidos. Conforme já notaram vários economistas, há um entrelaçamento entre o déficit público e o déficit externo cultivados pelo império, explicado pela carência de poupança interna, que obviamente transforma boa parte da dívida governamental em dívida externa. Por esta razão é que se fala em déficits gêmeos (déficit público, déficit comercial e déficit em conta corrente). A rigor são os investidores estrangeiros, públicos e privados, que estão financiando as dispendiosas aventuras do imperialismo ianque no Iraque e no Afeganistão. Não será diferente com o pacote da crise. Os EUA não dispõem de recursos próprios para arcar com os custos de sua falência financeira e tentarão jogar o ônus sobre o resto do mundo, ampliando o volume de remessas lucros de suas multinacionais no exterior e atraindo investimentos estrangeiros. O tempo dirá se terão sucesso nesta empreitada. Dois pesos e duas medidas Impressiona, ainda, a hipocrisia com que a revista corteja o uso da mão forte do Estado, olvidando a concepção neoliberal de Estado mínimo, que tanto defendeu até hoje. "A intervenção sem prece dentes do governo americano no mercado foi crucial e necessária para sanear o capitalismo financeiro", decreta (página 133). Ao mesmo tempo, "Veja" critica a suposta "gastança" promovida pelo governo Lula e sugere, para o pobre Brasil, corte nas despesas públicas e aumento do superávit primário. "A reação correta" em relação à crise, apregoa, "seria que o governo anunciasse, a partir de já, uma reprogramação de suas despesas correntes e poupasse recursos" (página 137). Haverá, amigo (a) leitor (a), exemplo mais deplorável do uso de dois pesos e duas medidas? Os EUA podem torrar 700 bilhões de dólares (ou bem mais, segundo os críticos) para "salvar o capitalismo financeiro", ao passo que o Brasil deve cortar gastos (modestíssimos, que em si constituem uma fração irrisória dos recursos que serão consumidos no socorro às instituições financeiras falidas) que têm um impacto social e de classe distinto, "entre eles o pagamento do funcionalismo e de aposentadorias", conforme lembra e lamenta a revista. Cortar na carne do povo em benefício da banca. O panfleto semanal dos Civitas também acusou o presidente Lula de "ingratidão" por ter culpado o império pela crise. "A imprensa vive perguntando sobre a crise americana", declarou Lula. "Eu digo: pergunte ao Bush. A crise é dele, e não minha". Ele está coberto de razão, mas não é esta a opinião de "Veja". "Para um país cuja economia já foi salva mais de uma vez por pacotes de ajuda do Tesouro americano, o desdém soa a ingratidão", observa a revista, em artigo assinado por Giuliano Guandalini, que revela um pensamento medíocre e subalterno ao chamado "Consenso de Washington". Os "pacotes de ajuda ao Tesouro americano" foram feitos sob medida para salvar os bancos e não o Brasil. A Argentina se saiu melhor ao decretar moratória. Como diria o saudoso Cazuza, que por sinal foi vilipendiado por "Veja", as idéias da direita neoliberal já "não correspondem aos fatos". A crise está aí, ainda longe do fundo do poço, e o mundo não foi salvo pelo decadente Tio Sam, muito pelo contrário. Entretanto, a caravana da história passa enquanto os cães ladram. Nota 1- No jargão jornalístico barrigada significa informação inverídica ou, numa leitura mais ampla, interpretação equivocada dos fatos, como foi o caso em tela, provocada por uma representação ideológica da realidade, que ensejou uma abordagem superficial e vulgar da crise que assola o capitalismo americano. A barrigada mais famosa de "Veja" ocorreu em 27 de abril de 1983, com o bizarro caso do Boimate, quando a revista da família Civita publicou que um suposto cientista, Dr. McDonalds, da universidade de Hamburgo, misturou os genes do boi com os do tomate e produziu um fruto exótico com gosto de carne e molho de tomate. Dois meses depois, os editores do semanário foram constrangidos a confessar que tinham caído num conto de 1º de abril da revista inglesa New Science. Outra barrigada ideológica da revista ficou registrada na capa da edição número 1.747 fechada numa noite de sexta-feira, 12 de abril, quando o presidente Hugo Chávez foi vítima de um golpe militar fortemente repudiado pelo povo, a oficialidade média e os soldados das Forças Armadas, abortado em menos de 48 horas. "Veja" comemorou o golpe fascista contra a democracia venezuelana, exaltando "A queda do presidente fanfarrão", que teria sido recebido "como boa notícia no mundo" e no interior do próprio país, de acordo com as informações levianas da publicação direitista, que confunde suas representações ideológicas e os interesses das classes dominantes com a realidade e os interesses da maioria da sociedade. 2- "Quem vai pagar?", pergunta a revista (página 131), para responder, peremptória: "O contribuinte americano". Ignora-se que o cidadão citado já está excessivamente endividado (não economizou para queimar dinheiro na crise) e as renúncias fiscais do governo Bush a favor dos mais ricos só deixam o caminho do endividamento para cobrir o buraco da crise financeira. -------------------------------------------------------------------------- *Umberto Martins, Jornalista, membro da Secretaria Sindical Nacional do PCdoB. ------------------------------------------------------------------------------ avast! Antivirus: Outbound message clean. Virus Database (VPS): 080929-0, 29/09/2008 Tested on: 9/29/aaaa 15:11:11 avast! - copyright (c) 1988-2008 ALWIL Software. __._,_.___ Mensagens neste tópico (1) Responder (através da web) | Adicionar um novo tópico Mensagens | Enquetes | Associados | Agenda Convide seus amigos a declararem apoio ao Zé Dirceu. 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URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080929/7fdeef34/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Sep 30 19:21:58 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 30 Sep 2008 19:21:58 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Ensaio_sobre_a_Cegueira_=28Blindne?= =?iso-8859-1?q?ss=29_-_do_livro_de_Jos=E9_Saramago_-_filme_de_Fern?= =?iso-8859-1?q?ando_Meireles?= Message-ID: <020901c9234a$f413a510$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Beatrice A música do filme é linda, é do grupo mineiro UAKTI. Composição do Marco Antônio Guimarães, principal compositor e fundador do grupo... am _________________________________________________________________________________ De: Abnel Assunto: Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) Olá meus amigos, Aja emoção ao assistirem os vídeos logo abaixo (02 vídeos). José Saramago se emociona ao assistir a 'Ensaio Sobre a Cegueira'"Estou tão feliz por ter visto este filme como estava quando acabei de escrever o livro", diz o escritor português ganhador do premio Nobel da Literatura em 1998. Um dos maiores escritores vivos da atualidade que nos enche de orgulho por sua lucidez, serenidade e solidariedade. "Ensaio Sobre a Cegueira" foi dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meireles. Blindness como é chamado o filme abriu o Festival Internacional de Cinema em Cannes, no dia 14. Após a estréia, Meirelles exibiu o filme para Saramago, em Lisboa. Gente, vale a pena ver a apresentação do filme, o trailer e o vídeo abaixo onde aparecem o escritor José Saramago e o cineasta Fernando Meireles em Lisboa, apresentando o filme a Saramago. Uma emoção só. E mais, não percam a estréia no dia 12/09 nos cinemas brasileiros. Um grande abraço a todos, Abnel / Campinas ___________________________________________________ Ensaio sobre a Cegueira (Blindness) "Ensaio sobre a Cegueira", o longa de Fernando Meirelles que estréia no próximo dia 12. Elenco: Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Martha Burns. Direção: Fernando MeirellesGênero: DramaDuração: ---Distribuidora: Fox FilmesEstréia: 12 de Setembro de 2008 Sinopse: ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA conta a história de uma inédita epidemia de cegueira, inexplicável, que se abate sobre uma cidade não identificada. Tal "cegueira branca" - assim chamada, pois as pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa - manifesta-se primeiramente em um homem no trânsito e, lentamente, espalha-se pelo país. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. À medida que os afetados pela epidemia são colocados em quarentena e os serviços do Estado começam a falhar, a trama segue a mulher de um médico, a única pessoa que não é afetada pela doença. O foco do filme, no entanto, não é desvendar a causa da doença ou sua cura, mas mostrar o desmoronar completo da sociedade que, perde tudo aquilo que considera civilizado. Ao mesmo tempo em que vemos o colapso da civilização, um grupo de internos tenta reencontrar a humanidade perdida. O brilho branco da cegueira ilumina as percepções das personagens principais, e a história torna-se não só um registro da sobrevivência física das multidões cegas, mas, também, dos seus mundos emocionais e da dignidade que tentam manter. Mais do que olhar, importa reparar no outro. Só dessa forma o homem se humaniza novamente. Curiosidades: » Gael García Bernal ('Babel'), Danny Glover ('Máquina Mortífera 3') e Alice Braga ('Eu Sou a Lenda') também estão no elenco. Meirelles já havia trabalhado com Alice Braga anteriormente em 'Cidade de Deus'. » 'Ensaio sobre a Cegueira' é do escritor português José Saramago, vencedor do prêmio Nobel. O roteiro ficou a cargo de Don Mckellar, de 'O Violino Vermelho'. Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=12zOOaLBlnE&eurl=http://www.cinepop.com.br/filmes/ensaiosobrecegueira.htm José Saramago se emociona ao assistir a 'Ensaio Sobre a Cegueira'"Estou tão feliz por ter visto este filme como estava quando acabei de escrever o livro", diz o escritor português http://br.youtube.com/watch?v=Y1hzDzAvJOY Fotos: -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080930/7d9fada8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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