[Carta O BERRO] Faixa de Gaza: a irracional lógica da Guerra
Vanderley Caixe
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Domingo Dezembro 28 13:15:18 BRST 2008
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CARTA O BERRO. ..........repassem.
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From: Maria Cristina Obredor
Faixa de Gaza: a irracional lógica da Guerra
27 de dezembro de 2008
Por Guillermo Sullings
Porta voz do
Humanismo na Argentina
Os
recentes bombardeios por parte de Israel à faixa de Gaza estão comovendo ao
mundo inteiro. Em primeiro lugar pela quantidade de vítimas, e em segundo
lugar pelas conseqüências que pode ter uma escalada bélica em um mundo que
se encontra à beira de um desastre nuclear.
A pretensão, por parte de Israel, de
justificar este sangrento bombardeio, como parte da luta contra os ataques de
Hamas, não é mais do que um novo intento de validar um massacre através de hipócritas
e irracionais argumentos com os quais os prepotentes belicistas estão levando
ao mundo para uma hecatombe.
Deve-se lembrar mais uma vez que o
crescimento do terrorismo nos últimos tempos tem sido em boa medida uma conseqüência
e uma resposta, violenta e irracional também, no marco da escalada de atropelos
por parte das potências bélicas para com as nações mais débeis. Neste contexto,
pretender diferenciar a violência dos exércitos formais, que oprimem e
massacram povos inteiros, da violência terrorista, que semeia morte e espanto,
como se a primeira fosse legal e admissível e a segunda ilegal e reprovável,
faz parte da grande hipocrisia da política internacional.
No minúsculo território da Faixa de Gaza
vivem, ou tentam sobreviver, mais de um milhão e meio de palestinos, que
procuram trabalhar como podem no próprio Israel, subsistindo graças à “ajuda
humanitária” da ONU. O recente bloqueio por parte de Israel, com o pretexto de
considerá-lo território hostil por albergar também o território de Hamas,
mostrou até que ponto se tenta manter esta população sob uma permanente
chantagem de prêmios e castigos. Nesta situação, não é para se surpreender então
do apoio popular que os violentos podem ter dentro da população.
É bom lembrar também que a Faixa de Gaza é
um território que pertencia ao Egito e que Israel ocupou 40 anos atrás, até que
recentemente ele passou a fazer parte do território controlado pela Autoridade
Nacional Palestina. Esta maneira de proceder, invadindo territórios, seja para
se instalar definitivamente, ou para depois negociar lentas retiradas a troco
de manter o controle e o poder de algum jeito, é a mesma que os EUA e seus
aliados usaram para disciplinar o mundo e manejar seus recursos naturais.
Não resulta estranho então, que perante tão
prepotente acionar surjam a cada vez reações mais monstruosas, nas quais os
poderosos por sua vez tentam justificar o aumento de sua prepotência alimentando
o círculo vicioso da violência que pode nos levar rapidamente para uma catástrofe
nuclear. Haja vista que a maior parte dos atores dos conflitos vigentes no
mundo são potências nucleares. E não se deve esquecer que a crise econômica internacional
atual torna os prepotentes ainda mais perigosos, os quais podem buscar na
guerra uma ‘saída política’ para a situação que lhes foi colocada nas mãos.
É claro que todos os conflitos do mundo
poderiam ser resolvidos pacificamente desde que avançáramos para uma concepção
de uma Nação Humana Universal. Uma Nação na qual todos os países se ocupem de garantir
que cada povo possa se desenvolver e tenha um território onde trabalhar em paz,
sem pressões nem chantagens. Deve-se compreender também que a intolerância cultural
e religiosa são formas da violência desde as que costumam se justificar, com irracional
lógica, as escaladas de violência física. Muito deverá ser feito para que os povos
tomem consciência de que em um mundo de intolerância e de injustiça, ninguém poderá
viver em paz. Mas ,
nesta forma de consciência, deve-se começar pelo mais urgente: descomprimir as situações
de tensão extrema e desarticular os fatores de pressão e chantagem.
Para isso, é fundamental e prioritário que,
no mundo todo, as forças invasoras se retirem dos territórios ocupados e que
agora mesmo seja iniciado o desarme nuclear.
E, neste caso em particular, Israel não só
deveria deixar de atacar imediatamente o povo de Gaza, como também deveria rever
sua política intransigente e opressiva para com o povo palestino. E, o povo
palestino, por sua vez, deveria tomar consciência de que é necessário buscar
uma saída através de alianças de paz com outros povos do mundo e deixar de
acreditar na obstinação suicida dos violentos.
Guillermo Sullings
Porta-voz do Humanismo na Argentina
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