[Carta O BERRO] Mahmoud Darwish poeta palestino

Vanderley Caixe vanderleycaixe em revistaoberro.com.br
Segunda Agosto 11 19:27:17 BRT 2008


Nova pagina 1
CARTA O BERRO. ..........repassem.



(Estamos voltando após um breve período de cuidados com a saúde.
 Queremos agradecer as amigas e amigos que nos escreveram solicitando a nossa volta com a Carta O Berro.
 Escolhemos para esse reinício os poemas do companheiro recém falecido Mahmoud Darwissh publicado no blog do também companheiro Bourdoukan.
 E, em especial, as palavras da nossa querida amiga sempre generosas com o nosso objetivo.)
 
caro amigo

o quanto vale o vale... passaporte pra vida ?
vale  exatamente o que vem valendo
ao formador de opinião indo e indo
EM GUARDA ! a brigar por ELA...inteira !
e tanto ou quanto... pela vida alheia ! ! !

presente  neste já... neste aqui...neste agora...
se vale ???
sempre  em guarda ...
com a  certeza de que  se mereceu o dom da vida
em  brigar por ela ! você tudo pode !!!
 !!!!!!!"
H.A.


Blog do Bourdoukan 
Enquanto houver um explorado e um oprimido não haverá paz

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Mahmoud Darwish 


Hoje, publico mais uma poesia do palestino Mahmoud Darwish, que morreu dia 9, aos 67 anos, de coração em Houston, EUA. O governo da Palestina decretou luto oficial de três dias.

Confissão de um terrorista!
Mahmud Darwish


Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista


Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista


Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista


Assassinaram minhas alegrias,
Seqüestraram minhas esperanças, 
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries


Eles...mataram um terrorista! 
posted by bourdoukan at 06:28:00 2 comments links to this post  

Sábado, 9 de Agosto de 2008


Morre Darwish, poeta da Palestina 

(Al-Jazeera, 9/8/2008, em http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2008/08/200889171240520492.html 

Mahmoud Darwish morreu durante cirurgia cardíaca, no Hospital Memorial Hermann, no Texas. Ann Brimberry, porta-voz do hospital, informou aos jornalistas da rede Al Jazeera, que Darwish morreu às 13h35pm (18h35 GMT).

Siham Daoud, poeta e amiga de Darwish, 67, informou que o poeta deixara instruções expressas para não ser ressuscitado, caso a cirurgia não fosse bem-sucedida. Contou que Darwish chegara há 10 dias aos EUA para a cirurgia, e que já passara por duas operações cardíacas anteriores.
Conhecido em todo o mundo por seu empenho a favor da independência da Palestina, com longa experiência de exilado e de militante político, Darwish era crítico incansável da política de Israel e da ocupação da Palestina.

Muitos de seus poemas foram musicados - o mais conhecido destes é "Rita, aves da Galiléia" e "Sonho com o pão de minha mãe", que se tornaram hinos de resistência para pelo menos duas gerações de árabes. 

"Ele manifestava a pulsação dos palestinenses, em bela poesia. Era um espelho da sociedade palestinense", disse Ali Qleibo, antropólogo palestinense, e conferencista de Estudos Culturais da Universidade Al Quds, em Jerusalém.

Ano passado, Darwish declamou um poema de protesto contra a luta entre os grupos Hamás e Fatah. Para ele, esta disputa seria "suicídio em público, pelas ruas."

Darwish nasceu na vila de Barweh, na Galiléia, uma das vilas que foi arrasada na guerra de 1948, para o estabelecimento do Estado de Israel. Alistou-se no Partido Comunista de Israel logo depois do ginásio, e começou a publicar versos em publicações políticas de esquerda.

Foi preso (prisão doméstica e depois foi encarcerado) por atividades políticas; depois de libertado trabalhou como editor do jornal Ittihad, que deixou, em 1971, para estudar na União Soviética.

Originalmente membro da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Darwish desligou-se em 1993, em protesto contra os acordos de paz assinados por Arafat, com o governo de Israel.
Como jornalista, trabalhou no jornal al-Ahram no Cairo; mais tarde, foi diretor do Centro de Pesquisa Palestinense. 

Em 2000, Yossi Sarid, ministro da Educação de Israel, sugeriu que se incluíssem alguns dos poemas de Darwish no currículo escolar das escolas secundárias israelenses. Ehud Barak, primeiro-ministro, impediu que o projeto fosse levado adiante, dizendo que Israel ainda não estaria preparada para a divulgação de tais idéias pelo sistema escolar. 

Em 2001, Darwish recebeu o Prêmio Lannan, por sua luta pela liberdade cultural.
Leaves of Olives foi publicado em 1964; Darwish tinha 22 anos. Desde então, já se publicaram mais de vinte volumes de sua poesia. 
posted by bourdoukan at 21:23:00 0 comments links to this post  

Carteira de identidade

Mahmoud Darwich

Registra-me 
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono... virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?

Registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?

registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes...
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai... da família do arado
e não dos senhores do Nujub
e meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum 

registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos... negros
olhos... castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido... esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens... no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?

registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixastes
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas... se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado...cuida-te
de minha fome
e minha cólera.
De Folhas de Oliveira 
posted by bourdoukan at 20:31:00 0 comments links to this post  
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