From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 11 19:27:17 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 11 Aug 2008 19:27:17 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Mahmoud Darwish poeta palestino Message-ID: <08c701c8fc01$6acee550$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. (Estamos voltando após um breve período de cuidados com a saúde. Queremos agradecer as amigas e amigos que nos escreveram solicitando a nossa volta com a Carta O Berro. Escolhemos para esse reinício os poemas do companheiro recém falecido Mahmoud Darwissh publicado no blog do também companheiro Bourdoukan. E, em especial, as palavras da nossa querida amiga sempre generosas com o nosso objetivo.) caro amigo o quanto vale o vale... passaporte pra vida ? vale exatamente o que vem valendo ao formador de opinião indo e indo EM GUARDA ! a brigar por ELA...inteira ! e tanto ou quanto... pela vida alheia ! ! ! presente neste já... neste aqui...neste agora... se vale ??? sempre em guarda ... com a certeza de que se mereceu o dom da vida em brigar por ela ! você tudo pode !!! !!!!!!!" H.A. Blog do Bourdoukan Enquanto houver um explorado e um oprimido não haverá paz Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008 Mahmoud Darwish Hoje, publico mais uma poesia do palestino Mahmoud Darwish, que morreu dia 9, aos 67 anos, de coração em Houston, EUA. O governo da Palestina decretou luto oficial de três dias. Confissão de um terrorista! Mahmud Darwish Ocuparam minha pátria Expulsaram meu povo Anularam minha identidade E me chamaram de terrorista Confiscaram minha propriedade Arrancaram meu pomar Demoliram minha casa E me chamaram de terrorista Legislaram leis fascistas Praticaram odiada apartheid Destruíram, dividiram, humilharam E me chamaram de terrorista Assassinaram minhas alegrias, Seqüestraram minhas esperanças, Algemaram meus sonhos, Quando recusei todas as barbáries Eles...mataram um terrorista! posted by bourdoukan at 06:28:00 2 comments links to this post Sábado, 9 de Agosto de 2008 Morre Darwish, poeta da Palestina (Al-Jazeera, 9/8/2008, em http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2008/08/200889171240520492.html Mahmoud Darwish morreu durante cirurgia cardíaca, no Hospital Memorial Hermann, no Texas. Ann Brimberry, porta-voz do hospital, informou aos jornalistas da rede Al Jazeera, que Darwish morreu às 13h35pm (18h35 GMT). Siham Daoud, poeta e amiga de Darwish, 67, informou que o poeta deixara instruções expressas para não ser ressuscitado, caso a cirurgia não fosse bem-sucedida. Contou que Darwish chegara há 10 dias aos EUA para a cirurgia, e que já passara por duas operações cardíacas anteriores. Conhecido em todo o mundo por seu empenho a favor da independência da Palestina, com longa experiência de exilado e de militante político, Darwish era crítico incansável da política de Israel e da ocupação da Palestina. Muitos de seus poemas foram musicados - o mais conhecido destes é "Rita, aves da Galiléia" e "Sonho com o pão de minha mãe", que se tornaram hinos de resistência para pelo menos duas gerações de árabes. "Ele manifestava a pulsação dos palestinenses, em bela poesia. Era um espelho da sociedade palestinense", disse Ali Qleibo, antropólogo palestinense, e conferencista de Estudos Culturais da Universidade Al Quds, em Jerusalém. Ano passado, Darwish declamou um poema de protesto contra a luta entre os grupos Hamás e Fatah. Para ele, esta disputa seria "suicídio em público, pelas ruas." Darwish nasceu na vila de Barweh, na Galiléia, uma das vilas que foi arrasada na guerra de 1948, para o estabelecimento do Estado de Israel. Alistou-se no Partido Comunista de Israel logo depois do ginásio, e começou a publicar versos em publicações políticas de esquerda. Foi preso (prisão doméstica e depois foi encarcerado) por atividades políticas; depois de libertado trabalhou como editor do jornal Ittihad, que deixou, em 1971, para estudar na União Soviética. Originalmente membro da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), Darwish desligou-se em 1993, em protesto contra os acordos de paz assinados por Arafat, com o governo de Israel. Como jornalista, trabalhou no jornal al-Ahram no Cairo; mais tarde, foi diretor do Centro de Pesquisa Palestinense. Em 2000, Yossi Sarid, ministro da Educação de Israel, sugeriu que se incluíssem alguns dos poemas de Darwish no currículo escolar das escolas secundárias israelenses. Ehud Barak, primeiro-ministro, impediu que o projeto fosse levado adiante, dizendo que Israel ainda não estaria preparada para a divulgação de tais idéias pelo sistema escolar. Em 2001, Darwish recebeu o Prêmio Lannan, por sua luta pela liberdade cultural. Leaves of Olives foi publicado em 1964; Darwish tinha 22 anos. Desde então, já se publicaram mais de vinte volumes de sua poesia. posted by bourdoukan at 21:23:00 0 comments links to this post Carteira de identidade Mahmoud Darwich Registra-me sou árabe o número de minha identidade é cinqüenta mil tenho oito filhos e o nono... virá logo depois do verão vais te irritar por acaso? Registra-me sou árabe trabalho com meus companheiros de luta em uma pedreira tenho oito filhos arranco pedras o pão, as roupas, os cadernos e não venho mendigar em tua porta e não me dobro diante das lajes de teu umbral vais te irritar por acaso? registra-me sou árabe meu nome é muito comum e sou paciente em um país que ferve de cólera minhas raízes... fixadas antes do nascimento dos tempos antes da eclosão dos séculos antes dos ciprestes e oliveiras antes do crescimento vegetal meu pai... da família do arado e não dos senhores do Nujub e meu avô era camponês sem árvore genealógica minha casa uma cabana de guarda de canas e ramagens satisfeito com minha condição meu nome é muito comum registra-me sou árabe sou árabe cabelos... negros olhos... castanhos sinais particulares um kuffiah e uma faixa na cabeça arranharam as mãos que estreitam e amo acima de tudo o azeite de oliva e o tomilho meu endereço sou de um povoado perdido... esquecido de ruas sem nome e todos os seus homens... no campo e na pedreira amam o comunismo vais te irritar por acaso? registra-me sou árabe tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados e da terra que cultivava com meus filhos e não os deixastes nem a nossos descendentes mais que estes seixos que nosso governo tomará também como se diz vamos! escreve bem no alto da primeira página que não odeio os homens que eu não agrido ninguém mas... se me esfomeiam como a carne de quem me despoja e cuidado...cuida-te de minha fome e minha cólera. De Folhas de Oliveira posted by bourdoukan at 20:31:00 0 comments links to this post -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080811/71a5f1f4/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30662 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080811/71a5f1f4/attachment-0002.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 164 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080811/71a5f1f4/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Quarta-Feira, 13 de Agosto de 2008 DEBATE ABERTO Punição aos torturadores é necessidade democrática A tortura da ditadura estabelecida em 1964 é a página mais trágica da História brasileira. Ocorreram mais de 400 assassinatos políticos cometidos pela repressão, com 128 desaparecidos políticos. Calcula-se em 20 mil os brasileiros torturados por motivos políticos. Antônio Augusto Os ministros Tarso Genro, da Justiça, e Paulo de Tarso Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, defenderam em 31 de julho, durante audiência pública no Ministério da Justiça a punição aos torturadores da ditadura. No dia seguinte, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, se contrapôs à iniciativa. Ato no Clube Militar, em 7 de agosto, com a presença de notórios torturadores como o coronel Brilhante Ustra, atacou os ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi. Está no centro do debate nacional a punição aos torturadores, medida ainda não efetuada da normalização democrática. A tortura da ditadura estabelecida em 1964 é a página mais trágica da História brasileira. Ocorreram mais de 400 assassinatos políticos cometidos pela repressão, 128 desaparecidos políticos. Calcula-se em 20 mil os brasileiros torturados por motivos políticos. Os casos citados abaixo são apenas exemplos da rotina da tortura e da repressão, não relatam nem de longe o conjunto das ocorrências. Já nos dias iniciais do golpe, sucederam-se as torturas e assassinatos, como a do dirigente sindical dos estivadores Astrogildo Pascoal Vianna, cujo corpo deu entrada no IML carioca em 8 de abril de 1964. A 17 de abril, o ferroviário José de Souza foi ?suicidado? no DOPS (a polícia política) do Rio de Janeiro. Em 15 de agosto, o ex-pracinha da FEB Dilermano Mello do Nascimento também foi ?suicidado? no intervalo dos interrogatórios de um Inquérito Policial-Militar (IPM), realizado na própria sede do Ministério da Justiça, igualmente no Rio de Janeiro. Nos anos seguintes a repressão se intensificou a níveis inimagináveis. O sargento Manoel Raimundo Soares, preso durante 152 dias em Porto Alegre, torturado diariamente, em agosto de 1966, teve seu corpo encontrado em estado de putrefação, com as mãos e os pés amarrados às costas, no Rio Jacuí. À época, o então ministro do Superior Tribunal Militar, marechal Olímpio Mourão Filho (o iniciador do golpe ao pôr em marcha a tropa em Juiz de Fora), assim se manifestou: ?Trata-se de um crime terrível e de aspecto medieval, para cujos autores o Código penal exige rigorosa punição?. Apesar disso, a impunidade foi completa, como aconteceu ao longo de toda a ditadura. Atrocidades intermináveis No reinado do terror, a morte e a tortura se tornaram regra. Vieram os casos do secundarista Edson Luiz de Lima Souto, assassinado no restaurante do Calabouço, em 1967. Do secretário do Arcebispo D. Helder Câmara, em 1969, padre Antônio Henrique Pereira Neto. Seu corpo foi encontrado em matagal existente na cidade universitária de Recife, pendurado de cabeça para baixo, em uma árvore, com marcas evidentes de tortura: espancamento, queimaduras de cigarro, cortes profundos por todo o corpo, castração, e dois ferimentos produzidos por arma de fogo. A lista só se multiplicaria. Em 1971, Stuart Angel foi assassinado, depois de massacrado, com o cano de um carro na boca, do qual escapava gás ao ser acelerado. O centro de torturas, nas dependências da Aeronáutica, tinha o macabro nome de ?Paraíso?. O chefe das torturas, o brigadeiro Burnier, um louco que quase explodiu o gasômetro do Rio de Janeiro, o que acarretaria dezenas de milhares de mortes, sendo impedido graças à coragem do capitão Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, o capitão Sérgio Macaco, comandante do Parasar (tropa de elite da Aeronáutica destinada a salvamentos). Burnier queria usar o Parasar no atentado terrorista. O capitão Sérgio foi excluído da Aeronáutica por causa do episódio. Anistiado em 1979, não assinariam sua promoção a brigadeiro a que tinha direito até praticamente a sua morte, de câncer terminal em 1994. Tal o revanchismo existente em certos meios militares. Stuart integra a lista de desaparecidos. Sua mãe, a estilista de moda Zuzu Angel, por denunciar o crime, morreu em 1976 num acidente bastante estranho. Diante das ameaças constantes que sofria, antecipou: ?Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho?. Dirigentes comunistas como David Capistrano da Costa (ex-deputado e herói da Guerra Civil Espanhola e da Resistência Francesa), Orlando Bonfim e José Montenegro de Lima, também estão entre os desaparecidos. Há indicações que estiveram em centros clandestinos da repressão e tiveram seus corpos esquartejados. Segundo denúncias, Bonfim e Montenegro acabaram de ser assassinados com injeções utilizadas para sacrificar cavalos. Mário Alves, um dirigente e intelectual comunista, morreu empalado por um cassetete dentado de aço. O ex-deputado trabalhista Rubens Paiva também é desaparecido, provavelmente esquartejado. Outros presos, como Eduardo Leite (o Bacuri) e o ex-sargento João Lucas Alves, sofreram meses de torturas diárias, tiveram os olhos vazados, antes de se libertarem dos sofrimentos após serem assassinados. Crianças eram torturadas na frente de pais, mulheres estupradas diante de companheiros. A lista de atrocidades é interminável. Por que é importante relembrá-la? Na medida em que a tragédia é conhecida, criam-se condições para que não se repita. Para demonstrar que tanta violência, a bestialidade inominável, foi política de Estado, a política da ditadura, a tortura: o pau-de-arara, os choques elétricos, afogamentos, a cadeira do dragão, a coroa de Cristo (instrumento de tortura que esmagava o crânio e perfurava o cérebro), andar sobre latas descalço, a geladeira, e ainda diversos outros modos de suplício. O símbolo da ditadura, a ocupar o lugar dos símbolos nacionais, foi o onipresente pau-de-arara. Direito à memória e à verdade O ministro Tarso Genro sustenta que a tortura é um crime contra a Humanidade, imprescritível. "Não pode haver reconciliação em torno de qualquer idéia de que não houve tortura no Brasil, de que Vladimir Herzog cometeu suicídio, de que Rubens Paiva nunca foi preso", afirma o ministro Paulo Vannuchi. O titular da pasta dos Direitos Humanos toca duas outras questões fundamentais, as ações judiciais para declarar o reconhecimento da prática de tortura por conhecidos torturadores, e a abertura dos arquivos do terror da ditadura: ?Não nos peçam para fazer reconciliação sem o direito à memória e à verdade. O tema terá que ser resolvido em algum momento. As ações estão em andamento, o Ministério Público Federal está propondo uma ação contra os comandantes dos centros de tortura. O que não se pode é querer resolver por interdição do debate um tema que o Judiciário levará adiante, as famílias continuarão trabalhando, assim como as entidades de direitos humanos?. No dia 12 de agosto, ocorre nova audiência no Tribunal de Justiça de São Paulo, sobre a ação referente às torturas e assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino. Sua ex-companheira, a historiadora Angela Mendes de Almeida, e a irmã do jornalista, Regina Merlino, buscam o reconhecimento pela Justiça brasileira de que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do DOI-Codi paulista de setembro de 1970 a janeiro de 1974, é responsável pela morte de Merlino. Durante a passagem de Brilhante Ustra pelo DOI-Codi paulista, situado na Rua Tutóia, ocorreram cerca de 40 assassinatos. Muitos dos mortos estão entre os desaparecidos. O centro de torturas por ele comandado promovia com freqüência seqüestros e ocultação de cadáveres. No seu período de comando, estima-se em mais de 500 o número de torturados na sucursal do inferno da Rua Tutóia. Atuação do Ministério Público O Ministério Público Federal em São Paulo promoveu, em maio de 2007, o Debate Sul-Americano sobre Verdade e Responsabilidade em Crimes contra os Direitos Humanos. O encontro estabeleceu a histórica Carta de São Paulo, na qual se declara: ?o crime de tortura é crime contra a Humanidade; o Estado Democrático de Direito, inaugurado no Brasil com a Constituição de 1988, é incompatível, com crimes contra a Humanidade; a Lei de Anistia não anistia crimes de torturadores?. Ao contrário do Chile, Argentina, Uruguai e Peru, que puniram torturadores, o Brasil está atrasadíssimo na questão: os torturadores gozam aqui da mais completa impunidade. Na Argentina e no Uruguai ex-ditadores foram parar na prisão. Mostra-se assim descabida a declaração do ministro Nelson Jobim de que os torturadores são abrangidos pela Lei de Anistia. Como declara o ministro Tarso Genro, ?a anistia não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida do processo de reconciliação nacional?. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, ?anistia não é amnésia. A tortura é crime de lesa-humanidade, imprescritível. A melhor forma de impedir barbáries futuras é não esquecer que no Brasil houve tortura?. O que não se pode é aceitar a apologia da tortura, como fez o deputado Jair Bolsonaro, no ato do Clube Militar: ?O grande erro foi ter torturado e não ter matado?. A liderança do PC do B ingressa no Conselho de Ética da Câmara com representação contra ele. Após os devidos trâmites, se garantida a ética, Bolsonaro merece a perda do mandato. Durante o mesmo ato pode também se avaliar o saudosismo da tortura e da ditadura no discurso do advogado Antônio José Ribas Paiva, apresentado como ?consultor jurídico da União Democrática Ruralista (UDR)?: ?Vivemos sob a ditadura do crime organizado?. Acrescentou que ?o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o ministro Paulo Vannuchi, e o assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, deveriam ser investigados por apoio ao narcotráfico?. O presidente do Clube Militar, general Gilberto Figueiredo, chamou de ?imoral? a iniciativa dos ministros Tarso Genro e Paulo Vannuchi. E que os ministros deveriam se preocupar ?com a gravíssima suspeita de envolvimento, de alguns deles, com as FARC?. Declarações desse teor não são apenas folclóricas, como se poderia pensar dado seu disparate. Presente ao ato estavam o atual comandante Militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, e os ex-ministros do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, de Sarney, e Zenildo Zoroastro de Lucena, de Collor. Ao ato se aplica o mesmo que o ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, do governo Fernando Henrique, escreveu na Folha de S. Paulo, de outro ato, realizado em 2006: ?O coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi, órgão de repressão do exército, durante os piores anos da ditadura militar, de 1971 a 1974, acaba de ser homenageado com um banquete por mais de 400 pessoas, das quais 200 oficiais de alta patente da reserva - entre eles, 70 generais. O fato é gravíssimo e alarmante?. Prosseguia o ex-ministro: ?Causou-me surpresa ter notícia de que algumas pessoas que me pareciam dissociadas dos métodos de tortura lá estavam no regabofe, a homenagear e a solidarizar-se com o herói da tortura, coronel Ustra.? E concluía: ?ele,na realidade, emporcalhou com o sangue de suas vítimas a farda que devera honrar?. Ivan Seixas era um rapaz de 16 anos, quando foi torturado junto com o pai, Joaquim Alencar de Seixas, no DOI-Codi comandado pelo coronel Brilhante Ustra. Ele presenciou o assassinato do pai, na tortura, em 16/4/1971. Hoje é ativista das entidades de Direitos Humanos. Para ele, ?o julgamento dos torturadores e assassinos é simplesmente uma questão de Justiça. O Estado de Direito democrático deve deixar sua marca na História do país e se impor ao regime de medo e terror que infelicitou o Brasil por longos 21 anos. O país merece?. Antônio Augusto é jornalista -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080813/2098a659/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080813/2098a659/attachment-0001.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 3378 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080813/2098a659/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 13 18:45:54 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 13 Aug 2008 18:45:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Cabo_Anselmo=3A_aut=F3psia_de_u?= =?windows-1252?q?ma_trai=E7=E3o?= Message-ID: <03e101c8fd8d$f6b87940$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 13 DE AGOSTO DE 2008 - 20h03 Cabo Anselmo: autópsia de uma traição por Augusto Buonicore* À Soledad Barret Viedma ?Era, acima de tudo um idealista? - ?podem falar o diabo de seus métodos. Ele contribuiu para frear a insanidade, utilizando, muitas vezes, a lei de Talião. Era uma pessoa fascinante. Um lado profissional duro, utilizando o que estivesse ao seu alcance para fazer a faxina que lhe fora confiada pela história?. Depoimentos do cabo Anselmo sobre o delegado Fleury Anselmo Está prestes a ser votado na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça o pedido de indenização de José Anselmo dos Santos, o famigerado cabo Anselmo. A solicitação é um ato de provocação à própria comissão e, principalmente, à consciência democrática do povo brasileiro. Anistiar o ?anjo da morte? é, indiretamente, premiar um dos maiores torturadores e assassinos que o Brasil já teve: o delegado Sérgio Paranhos Fleury. Quem ajudou Anselmo com seu pedido de anistia foi, justamente, o delegado Carlos Alberto Augusto, um dos responsáveis pelo massacre dos militantes da Vanguarda Popular Revolucionária e homem ligado intimamente ao chefe da repressão paulista. Herói ou farsante No dia 25 de março de 1964 centenas de marinheiros e fuzileiros lotaram a sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Guanabara para comemorar o segundo aniversário de sua Associação. Um jovem e simpático marinheiro, presidente da entidade, faria um contundente discurso naquele dia. O Ministro da Marinha, Almirante Silvio Mota, enviou uma tropa de fuzileiros navais para prender os marinheiros insubordinados. O resultado não poderia ser mais desastroso. Os fuzileiros enviados se recusaram a prender os seus companheiros de farda e aderiram ao protesto. O exército foi mobilizado para por fim a rebelião. Abria-se uma séria crise militar. Depois de muita negociação, a saída encontrada foi que os marinheiros se entregariam, seriam presos e logo em seguida anistiados. A solução de compromisso com os subalternos irritou a cúpula militar e a indispôs definitivamente contra o governo Jango. Este, afirmavam, estaria compactuando com a ?anarquia militar?. Anselmo se transformaria da noite para o dia numa personalidade nacional. Era assediado por correntes de esquerda, como a POLOP e a AP. Na verdade ele ainda não era cabo e sim marinheiro de primeira classe. Antes de assumir a direção da Associação não havia demonstrado nenhuma propensão política de esquerda. Pelo contrário, possuía boas relações com a alta oficialidade. Cabo Anselmo quando ainda era líder dos marinheiros em 1964 Na época o líder dos marinheiros já atraia a desconfiança de outros setores, especialmente os mais ligados a Jango. Várias pessoas suspeitavam que ele fosse um agente provocador infiltrado no seio do movimento. No final da década de 1970, o comandante Ivo Acioly Corseuil, que havia sido sub-chefe da Casa Militar da Presidência da República, declarou: ?Eu tinha informações seguras de que elementos ligados ao governador da Guanabara, Carlos Lacerda, principal líder da oposição, estavam infiltrados no movimento dos marinheiros?. Afirmou também que um jornalista norte-americano havia-lhe confidenciado que Anselmo era um agente da CIA. Alguns fatos ocorridos logo após o golpe parece darem vazão às suspeitas contra Anselmo. Era de se esperar que ele, o principal líder do levante dos marinheiros, fosse um dos alvos principais da fúria dos golpistas. Mas, estranhamente, não foi bem isso o que aconteceu. Apenas em nove de abril ? vários dias depois do golpe ? Anselmo resolveu se refugiar na embaixada do México para, duas semanas depois, deixar calmamente este refúgio e ser preso. Seus companheiros, agora, esperavam pelo pior. Anselmo, aparentemente, caíra nas mãos dos seus piores inimigos. Que suplícios o aguardavam? Para surpresa geral, ele apareceu na TV comendo uma maçã, bem disposto e dizendo que estava sendo bem tratado pelos policiais. Não ficou em nenhuma penitenciária e sim numa delegacia. Ali chegou a trabalhar como escrivão e atendia aos telefones da prisão. Decerto ele não era o único preso a usufruir de tal liberalidade, no entanto nenhum outro tinha a sua reputação. É o próprio Anselmo que nos conta com foi sua passagem pela prisão: ?fiz conhecimento com todos os investigadores e policiais. Havia quase que uma convivência naquele ambiente. Me deixavam ir ao pátio (...) sem nenhuma vigilância e a própria chave da cela ficava nas minhas mãos. Entrava e saia na hora que queria?. Uma noite, afirmou ele, disse ao carcereiro que ?ia dar uma saída para encontrar uma mulher e que voltaria antes da cinco horas (...) Eu sabia que ele estava em dificuldades econômicas e dei-lhe algum dinheiro. Sai tranquilamente, pela porta da frente?. Saiu e não mais voltou. Era 1º de abril de 1966. Em dezembro deste mesmo ano foi ao Uruguai e manteve contato com Brizola e militares exilados. No ano seguinte foi a Cuba para participar da primeira conferência da Organização Latino Americana de Solidariedade (OLAS). Ali deu declarações à imprensa mundial se colocando como uma liderança da revolução em curso no Brasil. No mês de outubro de 1970, depois de fazer um curso de guerrilha, voltou ao país. Estava agora integrado à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Ao chegar foi conduzido ao comandante Carlos Lamarca, líder da organização. Este era um dos poucos que conhecia a sua verdadeira identidade. A maioria dos membros da VPR só tinha ouvido falar no cabo que havia dirigido o levante da marinha em 1964. Seu nome era ainda respeitado entre os militantes da esquerda armada. Lamarca não concordou com a proposta de cooptá-lo para o núcleo dirigente da organização, pois havia ficado tempo demais longe do país. Se o seu objetivo era destroçar as organizações armadas, a decisão do comandante guerrilheiro foi um verdadeiro banho de água fria em suas pretensões. Começa o massacre Anselmo foi enviado para São Paulo indo residir com o ex-marinheiro Edgard de Aquino Duarte. Este havia abandonado a militância clandestina e mantinha sua antiga amizade com Anselmo. O principal dirigente da VPR no Estado era Yoshitane Fujimore. Providencialmente, no dia 5 de dezembro de 1970, Yoshitane e o ex-marinheiro Edson Quaresma foram metralhados pela polícia política. Essas mortes abriram o caminho de Anselmo para a direção regional e nacional da organização. Um posto estratégico para missão que deveria cumprir. Logo em seguida, a VPR seqüestrou o embaixador da Suíça. Em troca exigiu a libertação de 70 presos políticos e distribuição de passagens gratuitas nos trens no Rio de Janeiro, além de divulgação de um manifesto. As negociações com a ditadura foram difíceis e duraram vários dias. A lista de nomes foi alterada inúmeras vezes. Diante do impasse, Anselmo passou a defender a execução do embaixador. Graças à intervenção de Lamarca o ato não foi consumado. A morte do embaixador repercutiria muito mal na opinião pública internacional e brasileira. Este, por sinal, foi um dos últimos atos de Lamarca como comandante da VPR. Ele defendia um recuso nas ações armadas urbanas e concentrar esforços na montagem da guerrilha rural. Em fevereiro de 1971, Lamarca e outros companheiros abandonaram a VPR e se integraram ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Um novo obstáculo era eliminado do caminho de Anselmo. Durante a luta interna escreveu o documento ?Quem samba fica, quem não samba vai embora?. O texto dirigia-se contra aqueles que defendiam recuar da luta armada nas cidades. Estas atitudes não parecem típicas de um homem que estava começando se arrepender de sua opção política. Esta foi a justificativa que ele deu para a sua traição. Em maio de 1971, outro dirigente da VPR, Aluísio Palhano, foi preso e brutalmente torturado pelo delegado Fleury. Depois foi entregue ao Centro de Informação do Exército onde, possivelmente, foi assassinado. Quaresma e Palhano eram amigos de Anselmo e haviam treinado com ele em Cuba. Aqui a história se complica. Anselmo, em momentos diferentes, dá versões conflitantes sobre a sua mudança de posição: de guerrilheiro a alcagüete da polícia. Num depoimento ele diz que, após a morte do Fujimori, Quaresma e Palhano, decidiu espontaneamente entregar-se ao delegado Fleury. Levado ao DOPS paulista, aceitou, sem nenhuma coação, a condição de informante e depois infiltrado nas organizações revolucionárias. Foi o que ele disse ao jornalista Marco Aurélio Barbosa em 1979. Existe também uma outra versão. No dia 29 de maio ele fora entregar um embrulho a capitã do time de basquete feminino. No saguão do hotel, a vista de todos, fez questão de declarar: ?Entregue isso ao companheiro Fidel. Ele saberá quem o enviou?. Um ato surrealista numa situação em que os dirigentes da VPR estavam sendo sistematicamente presos e mortos. Era óbvio que a delegação cubana devia ser vigiada permanentemente pelos órgãos de repressão. Em razão disso Anselmo e Edgar, seu companheiro de moradia, foram presos. Edgar passaria por diversas prisões até, finalmente, ingressar na lista dos desaparecidos políticos. Pouco tempo depois Anselmo já estava de volta às ruas e tinha um apartamento ? montado pelo DOPS. Este era uma verdadeira arapuca para os revolucionários que se encontravam com Anselmo. Em julho um grupo a Ação Libertadora Nacional (ALN) havia sido emboscado pela polícia após terem tido uma reunião com ele. José Raimundo da Costa, dirigente da VPR, foi preso e assassinado sob torturas em 5 de agosto de 1971. Ainda neste mês desapareceram Paulo de Tarso Celestino e sua companheira Eleni Guariba. O primeiro pertencia à ALN e a segunda à VPR. Todos havia tido encontros recentes com Anselmo. Dormindo com o inimigo A militante Inês Etienni Romeu conseguiu enviar uma mensagem ao Chile, onde se encontrava parte da direção da VPR, com as informações sobre Anselmo recebidas na prisão. Alertava que ele havia sido preso e, possivelmente, estaria colaborando com a repressão. Esta mesma advertência foi feita pela direção da ANL. A cúpula da VPR já estava muito dividida e alguns achavam que esta seria mais uma manobra usada na luta interna. Declarou Anselmo: ?Chegamos a um momento em que os ?cabeças? (...) haviam saído para o Chile (...) Fiz a proposta: olha eu vou para o Chile e entro em contato com Onofre Pinto. Lá vou ter informação do que vem por aí. O Fleury concordou e a operação foi feita?. Em outubro, Anselmo apareceu no Chile. Já sob suspeição, ele foi defendido por Onofre Pinto, líder da VPR, que buscou colocar uma pá de cal no caso e chegou mesmo a enviá-lo de volta ao país para preparar uma base guerrilheira no nordeste. Para ali seriam enviados novos militantes que faziam curso em Cuba. Preparava, assim, o último ato da tragédia. Ao voltar ao Brasil encontrou-se com Fleury na fronteira com o Brasil. Ali mesmo passou todos os planos da VPR. Tempos depois afirmou Anselmo: ?Abriu-se uma das páginas finais do movimento guerrilheiro no Brasil. Eu estava no comando. Fleury podia acompanhar passo a passo uma das últimas tentativas de exacerbação da violência guerrilheira?. Com Anselmo havia um outro agente infiltrado que era conhecido pelos guerrilheiros como César. Na verdade César era o policial Carlos Alberto Augusto, mais tarde promovido a delegado. O pessoal da VPR foi voltando do treinamento em Cuba e se integrando à região. Entre seus membros estavam a paraguaia Soledad Barret Viedma, Eudaldo Gomes da Silva, Jarbas Pereira Marques, Evaldo Luís Ferreira de Souza e a tcheca Pauline Reichstul. Soledad era companheira de Anselmo e passaram a viver juntos em Recife. Em setembro de 1972 chegou ao Chile o dirigente histórico do PCdoB, Diógenes Arruda Câmara. Ele estivera preso e havia sido barbaramente torturado. Trazia consigo diversos relatórios sobre a prisão de Anselmo, confirmando o que já se suspeitava. Arruda insistiu em falar pessoalmente com Onofre Pinto. Depois de uma reunião tensa, o líder da VPR resolveu determinar o julgamento de Anselmo. Onofre mandou a decisão ? através de mensagem codificada - para o comando da VPR no nordeste. Infelizmente coube ao próprio Anselmo ajudar decifrá-la. Antes que o grupo pudesse julgá-lo por traição, os órgãos de repressão entraram em ação para proteger seu agente. A partir daí todos os militantes da VPR foram presos e chacinados. Soledad e Pauline foram presas em janeiro de 1973 numa butique no bairro de Boa Viagem. As duas, especialmente Pauline, foram barbaramente espancadas às vistas de todos e levadas presas. Quando de sua morte Soledad estava grávida de quatro meses. O crápula Anselmo não vacilara entregar à morte sua mulher e seu filho. No dia seguinte ao massacre dos militantes da VPR, os jornais publicavam a versão oficial: ?Equipes especiais dos órgãos de segurança, em diligência efetuada na chácara São Bento, no município de Paulista, encontraram um centro de treinamento de guerrilhas da VPR, que realizava um congresso no local. Foi dada ordem de prisão aos terroristas (...) e a reação foi violenta. Na ocasião alguns terroristas foram mortos e outros gravemente feridos. Estes não resistindo à prisão vieram a falecer?. Soledad Barret Viedma, vítima de Anselmo Escreveu Élio Gaspari: ?A última operação de Anselmo (...) resultou numa das maiores e mais cruéis chacinas da ditadura. Um combinado de oficiais do GTE e do DOPS paulista matou, no Recife, seis quadros da VPR. Capturados em pelo menos quatro lugares diferentes, apareceram numa pobre chácara da periferia. Lá, segundo a versão oficial, deu-se um tiroteio (...). Os mortos da VPR teriam disparado dezoito tiros, sem acertar um só. Receberam 26, catorze na cabeça?. Este episódio entrou para história como o ?massacre da chácara São Bento?. Depois da chacina no Recife, Anselmo passou para clandestinidade. Desta vez para proteger-se daqueles companheiros que havia traído. Nos porões do regime militar prestou serviço como analista de documentos e de interrogatórios de militantes presos. Deu palestras em vários estados para agentes dos órgãos de segurança. Fez operação plástica, mudou de identidade e passou a ser protegido por elementos vinculados à repressão política. Segundo o próprio Anselmo a sua ação teria acarretado o assassinato de mais de 100 pessoas. Conclusão Como era de se esperar, a esdrúxula solicitação da anistia para Anselmo fez renascer a velha polêmica sobre o momento no qual ele teria se vendido aos órgãos de repressão. Uns afirmam que ele era uma agente infiltrado desde antes do golpe militar. Outros acreditam que a traição só teria ocorrido após sua prisão em 1971. Os antigos - e honrados - líderes da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais tendem a condenar a primeira tese, pois ela levaria a considerar o seu movimento como uma grande provocação contra Jango, incentivado pela CIA. Ou seja, a AMFB teria servido aos interesses dos golpistas e não teria representado os legítimos ''interesses da classe'' dos marinheiros. Não creio que esta relação deva ser automática. A criação da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros foi um dos resultados do alto grau de politização que vivia a sociedade brasileira durante o governo Jango. Traduzia, também, o descontentamento das baixas patentes em relação a sua situação de sub-cidadania. Os marinheiros não podiam votar nem ser votado, não podiam casar, não podiam andar sem farda e viviam sob um regime muito autoritário dentro dos navios e quartéis. Portanto, a entidade refletia os interesses legítimos daqueles homens e não foi obra de nenhuma conspiração quer de direita quer de esquerda. O fato de Anselmo ser um infiltrado não retira da Associação os méritos de ter organizado os marinheiros e os integrados à frente democrática e popular que se formava no período. Não macula, de forma alguma, a imagem das dezenas de ex-marinheiros que tombaram na luta contra a ditadura. Estes já se integraram ao panteão dos heróis do nosso povo. Aqueles que negam a sua passagem abrupta em 1971, acham que a tese anterior acaba minimizando as responsabilidades do próprio Anselmo. Fica parecendo que, antes de 1971, ele era um revolucionário sincero e dedicado, que também foi prejudicado pela ditadura militar. Ele, assim, teria sido mais uma das vítimas daqueles ''anos turbulentos''. (A própria ''traição'' foi fruto da existência de uma ditadura). De fato, é difícil ser categórico na afirmação de qualquer uma dessas teses. Isto mudaria de figura se alguma informação liberada dos arquivos dos EUA (ou por alguém ligado aos golpistas brasileiros) confirmasse que ele já era realmente um agente em 1964. Não tenho esperanças que isso venha a ocorrer tão cedo. Por enquanto compartilho da opinião de Uriano Mota: ?Indivíduos, por certo, ao longo da vida, mudam de opinião. Indivíduos, é claro, sob extremo sofrimento, entregam e delatam e levam outros à morte (...) Mas, indivíduos não passam com tamanha alegria, satisfação e competência para um papel exemplar de infiltração em menos de uma semana?. De fato, existem coisas bastante estranhas nas histórias contadas pelo cabo Anselmo. Bibliografia Veja a biografia de Soledad escrita pelo seu irmão e a música em sua homenagem feita pelo compositor uruguaio Daniel Viglietti: http://memoriaviva5.blogspot.com/2008/05/soledad-barrett-viedma.html Borba, Marco Aurélio ? Cabo Anselmo: a luta armada ferida por dentro, Ed. Global, 1981 Campos, Fernando Soares ? Cabo Anselmo e os neo-golpistas, La Insígnia, julho, 2007 Gaspari, Elio ? Ditadura Escancarada, Companhia das Letras Gorender, Jacob ? Combate nas Trevas, ed. Atica Mota, Uriano ? Cabo Anselmo, 34 anos, La Insígnia, julho de 2007 Ribeiro, Octavio ? Por que eu traí: confissão de Cabo Anselmo, Ed. Global, 1984 Rodrigues, Flávio Luís ? Vozes do Mar, Ed. Cortez. Souza, Percival ? Eu, Cabo Anselmo, Ed. Globo, 1999. -------------------------------------------------------------------------------- *Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080813/95326946/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 1877 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080813/95326946/attachment-0009.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 16 16:25:34 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 16 Aug 2008 16:25:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?Os_vendedores_de_doen=E7as?= Message-ID: <002501c8ffd5$db505110$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Os vendedores de doenças ------------------------------------------------------------------------------- Ray Moynihan, Alan Cassels As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa "síndrome" que exige tratamento.Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinadosomente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley's - fabricante e distribuidor de gomas de mascar -, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de "vender para todo mundo". Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade. As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença - mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes. A fabricação das "síndromes" A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um "problema de ansiedade social", e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada "problema disfórico pré-menstrual". O simples fato de ser um sujeito "predisposto" a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si. O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos - e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais. De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado "A arte de catalogar um estado de saúde", Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para "favorecer a criação" dos problemas médicos [1]. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova "disfunção". Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual - uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe. Médicos orientados por marqueteiros Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos. Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para "criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde". O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, "de uma nova maneira de pensar nessas coisas". O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas. Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de "criar mercados de novas doenças"traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser "convencidas" de que "problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição" são "dignos de uma intervenção médica". Comemorando o sucesso do desenvolvimentode mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: "Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa". Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o "normal" do "anormal" são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas. Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado "hipertensão arterial"; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas paracompreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos. Quanto mais alienados, mais consumistas A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos. As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensasdisfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas dabacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no célebro. O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podemser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar. A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar. O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado amorte de "pacientes". Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública. A "medicalização" interesseira da vida A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a "toda e qualquer pessoa do mundo". O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares. Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a "medicalizar" a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, "que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias [2] ". Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou "a venda de doenças": ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos [3]. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugidodo marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde. (Tradução: Wanda Caldeira Brant) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080816/a8c959db/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 17 13:04:04 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 17 Aug 2008 13:04:04 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Dorival Caymmi (30/4/1914-16/8/2008) Message-ID: <049c01c90082$df62c370$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Beatrice Dorival Caymmi (30/4/1914-16/8/2008) Aqui, cantando com malícia e alegria A vizinha do lado, em dueto com Chico Buarque. clique Viva Caymmi! Walter Rodrigues http://www.walter-rodrigues.jor.br/default.asp -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080817/692b78e9/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 18 19:26:21 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 18 Aug 2008 19:26:21 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Sem medo de fantasmas Message-ID: <005601c90181$71230820$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Maurice Politi Sem medo de fantasmas Chico Silva O ex- juiz argentino Gabriel Cavallo foi um dos principais responsáveis pela incorporação de um novo traje ao figurino dos militares argentinos envolvidos com a prática de crimes cometidos pela ditadura militar do país vizinho. Depois da farda do quartel e do pijama da reserva, ele inovou ao fazê-los vestir o uniforme de presidiários. Em 2001, Cavallo tornou inconstitucionais as leis Obediência Devida e Ponto Final, semelhantes à nossa Lei da Anistia, e os indultos concedidos pelo ex-presidente Carlos Menem. Era o começo do fim da impunidade para militares de alta e baixa patente e colaboradores da junta responsável pelo assassinato de mais de 30 mil militantes políticos durante a chamada "guerra suja". Em 2005, a Corte Suprema ratificou a decisão do juiz. A partir daí centenas de criminosos tiveram de responder por crimes contra a humanidade, como assassinatos em massa, tortura e seqüestros ocorridos durante os sete anos do regime. Graças à iniciativa do juiz, torturadores e comandantes militares têm sido julgados na Argentina. No mês passado, o general Luciano Menéndez, acusado de quatro assassinatos durante a ditadura, foi condenado a prisão perpétua. Hoje aposentado dos tribunais, Cavallo descobriu uma nova vocação. Tornou-se editor e sócio do controverso jornalista Jorge Lanata, um dos fundadores do Pagina/12, no diário La Crítica Argentina. Cavallo defende a necessidade de um país não deixar impunes aqueles que sob a sombra do Estado cometeram crimes contra sua própria sociedade. Confira, abaixo, a íntegra da entrevista. CartaCapital: A exemplo do Brasil, a Argentina tinha leis e indultos que não permitiam o julgamento de crimes praticados por militares e altos funcionários da ditadura argentina. Como foi o processo que derrubou essas garantias e permitiu a detenção de centenas de acusados por assassinatos, torturas e seqüestros durante a chamada "guerra suja"? Gabriel Cavallo: Tudo começou no governo de Raul Alfonsín, quando acontecem os primeiros julgamentos dos crimes cometidos pelos militares da Junta. Porém, a promulgação das leis Obediência Devida e Ponto Final paralisa o processo. Posteriormente, o presidente Carlos Menem completa o marco de impunidade com a concessão de indultos aos comandantes condenados. Da canetada de Menem ao momento do decreto que torna essas leis inconstitucionais passam-se 12 anos. Durante esse período houve grande pressão de governos estrangeiros, principalmente europeus, para que os autores desses delitos fossem julgados. Toda vez que um presidente argentino viajava ao exterior enfrentava manifestações de ativistas e organismos de defesa dos direitos humanos pedindo a abertura de processos contra os torturadores. Isso provocava um problema político internacional imenso para o governo. Ao mesmo tempo, havia uma série de mandatos de prisão expedidos por cortes internacionais contra militares do Cone Sul, como o caso clássico da prisão do Pinochet na Inglaterra. Havia então um ambiente favorável para a derrubada dessas leis. CC: Qual o argumento jurídico utilizada pelo senhor para torná-las inconstitucionais? GC: Acompanhei as sentenças judiciais expedidas pelos juízes europeus. Essas decisões eram baseadas na legislação internacional para crimes contra a humanidade e direitos humanos. Esse tipo de doutrina se aplica, por exemplo, aos criminosos nazistas da Segunda Guerra Mundial. Realizei um estudo de tudo que estava se passando no direito internacional e comecei a projetar como isso poderia ser adaptado na Argentina. Fiz isso em 2001. Quatro anos depois a Suprema Corte ratificou meu despacho e permitiu a reabertura desses processos. CC: No Brasil há uma discussão sobre a abertura de processos contra os acusados de prática de crimes durante a ditadura. O ministro da Justiça, Tarso Genro, defende que os delitos cometidos durante o período sejam julgados como crimes comuns. Como o senhor analisa essa proposta? GC: Na minha avaliação é um erro. Se você julga um crime contra a humanidade como crime comum você permite ao acusado todas as prerrogativas de defesa garantidas por lei para esse tipo de delito. A primeira coisa que irá se alegar é que muitos desses crimes já prescreveram. Um crime previsto pelo direito internacional, por exemplo, nunca prescreve. Por isso até hoje se persegue os criminosos nazistas pelo mundo. Outro fato importante é que os condenados nessa categoria não têm direito a indulto, anistia, nada. O que não aconteceria no caso de um julgamento comum. Por isso é importante que esses julgamentos sejam regidos pelas leis do direito internacional. CC: O senhor tem acompanhado os debates sobre a possível mudança da Lei da Anistia no Brasil? GC: Acompanho esporadicamente. Estou informado que há movimentos nesse sentido. Mas é sempre uma questão delicada, complexa, que demanda tempo e habilidade para ser discutida. Aqui na América do Sul tivemos grandes progressos no Chile, que viveu uma situação muito parecida com a da Argentina. Mas esse tema não avançou no Uruguai. Lá foi realizado um plebiscito para referendar a lei que anistiava os militares suspeitos de crimes durante o regime militar. O povo uruguaio achou por bem não levar adiante essa questão. É uma decisão soberana. Eu particularmente acredito que nenhum país deveria deixar impunes seus criminosos. Mas respeito outros pensamentos. CC: Na América Latina, Forças Armadas e governos democráticos vivem em delicado equilíbrio. No Brasil há pressão de setores militares para que não se abram processos contra àqueles que praticaram crimes durante a ditadura. Um governo deve dar respaldo institucional para que estes sejam julgados ou deve deixar a questão apenas para o Poder Judiciário? GC: Na Argentina o contexto político e histórico levou os governos a adotarem posições distintas. No começo do governo Menem a pressão do Exército era muito grande. O país tinha uma democracia jovem, precária. Menem preferiu preservá-la a seguir adiante com os julgamentos. O passar dos anos e a troca de presidentes criaram um clima oportuno para a retomada desses processos. O governo Kirchner adotou a questão dos direitos humanos como política de estado, coisa que não ocorria desde os anos Alfonsín. E isso acabou ajudando. Nessa matéria é essencial que o governo acompanhe e dê respaldo para as decisões judiciais, pois no fundo trata-se de um tema político. No exterior, salvo algumas exceções, não há muito interesse de se julgar crimes fora da jurisdição de cada estado. Por isso o governo de cada país tem papel fundamental nesse processo. CC: Há quem defenda que tanto agentes do regime quanto integrantes de organizações que combateram a repressão sejam julgados pelos mesmos crimes. O que pensa sobre a questão? GC: Nesse aspecto só posso afirmar que um crime cometido por uma organização terrorista ou de esquerda não pode ser tratado na mesma forma que um delito cometido por um Estado. Um crime contra a humanidade é regido por três preceitos. Ele tem que ser autorizado por posições oficiais de poder; ser praticado e motivado por questões políticas, religiosas ou raciais e por último tem que ser sistemático contra uma determinada parte da população civil. Quando o estado toma a decisão de atacar um grupo da população com o objetivo de exterminá-lo aí temos um crime contra a humanidade. Foi o que aconteceu na Argentina e no Brasil. No caso contrário isso não se configura. CC: Como o senhor avalia os argumentos de que eventuais excessos foram cometidos em nome da defesa da Pátria, pois se vivia uma guerra entre terroristas e as forças que atuavam para defender o Estado? GC: Esse argumento não procede, pois havia uma diferença extraordinária de forças. Imagine um Estado que conta com a Polícia, Exército, Marinha e Aeronáutica lutando contra um grupo. É impossível que uma organização terrorista tenha condição de enfrentar, em condições de igualdade, o poderio de um governo. A disparidade de meios é enorme. E o número de vítimas desse enfrentamento comprova isso. Na Argentina cerca de 800 militares morreram durante a ditadura. Do outro lado mais de 30 mil foram assassinados ou desapareceram entre os anos de 1976 e 1983. Isso sem falar em outros delitos praticados pelo governo de então, como seqüestro de menores, roubo de propriedade privada e uma série de violações que mostram o imenso poder do Estado na repressão de seus opositores. CC: Decisões como a tomada pelo senhor costumam vir acompanhadas de aborrecimentos e pressões. O senhor recebeu algum tipo de ameaça? GC: Sim. Sofri ameaças, perseguições políticas e operações difamatórias de pessoas alinhadas ao pensamento de extrema direita. Recebi telefonemas, cartas e e-mails com ameaças de morte dirigidas a mim e à minha família. Em um determinado momento cheguei a ter quatro seguranças, dia e noite, postados na porta da minha casa. Há três anos, inclusive, um destes guardas foi assassinado. Até hoje a polícia não esclareceu esse crime. Não se apurou se foi roubo ou atentado. Além disso, tentaram me tirar do cargo. Mas hoje abandonei a magistratura. Deixei de ser um inimigo. CC: Que métodos usaram para lhe difamar? GC: Fui atacado no Conselho da Magistratura. Tentaram me afastar do cargo denunciando coisas que posteriormente se provaram falsas. A mais grave delas era de que eu teria enriquecido ilicitamente. Quiseram mostrar também que eu havia oferecido propinas para conseguir uma promoção ao Tribunal Superior. A idéia era me desprestigiar e ao trabalho que vinha realizando. Mas nunca conseguiram provar nada contra mim. Segui adiante. CC: De onde partiam essas tentativas de intimidação? GC: Na verdade eu não tenho nenhuma suspeita determinada. Até porque há muitas motivações. Não acredito que somente militares estejam envolvidos. Houve civis que participaram da Junta Militar e integrantes de organizações terroristas que por temor à vida ou à integridade da família colaboraram com o governo, delatando companheiros. É gente que tem posição de vítima e passaria pela vergonha de ser reconhecido como o alcagüete que entregou seus colegas. Isso provoca temores e reações imprevisíveis. Quando se mexe em uma ferida como essa tudo vem à tona. CC: Por falar em feridas, a Argentina convive com o drama dos filhos e netos seqüestrados pela ditadura. Hoje, muitos desses jovens adotivos não querem contato com as famílias de seus verdadeiros pais e se revoltam contra as decisões judiciais que condenam seus pais adotivos. Como lidar com essa situação? GC: Todas as famílias que receberam essas crianças sabiam que eles eram filhos e filhas de militantes mortos ou desaparecidos. Portanto, todos são cúmplices desses crimes. A reação desses jovens, que foram criados por essas pessoas, é até aceitável. Mas é preciso ficar claro que os pais apropriadores não foram vítimas da pressão política para assumi-los. Inclusive, o caso que motivou a inconstitucionalidade das leis do Ponto Final e da Obediência Devida foi o de um seqüestro de menores. Uma moça, chamada Cláudia Poblete, não sabia que era filha de desaparecidos políticos. Ao tomar conhecimento de sua verdadeira identidade, até defendeu os país apropriadores. Mas estes foram condenados. Essas leis permitiam uma barbárie. Eu tinha instrumentos para prender um sargento ou um cabo pelo seqüestro de uma criança, mas não para levá-lo ao cárcere pela tortura ou assassinato dos pais dessa criança. Não havia a mínima lógica. CC: O senhor acredita que um País possa seguir seu caminho sem enfrentar os seus fantasmas do passado, mesmo que para isso pague um preço político por isso? GC: Nenhuma sociedade pode crescer sem reconhecer os erros do passado. É óbvio que você não vai dar solução ao sofrimento. Não vai se devolver o filho à mãe e ao pai; o pai e a mãe ao filho e o neto para a avó. Mas você precisa dar uma resposta institucional, até para colocar sua democracia à altura dos sistemas mais avançados do mundo. Quando você caminha nessa direção sua democracia amadurece e ganha um status superior ao que tinha antes. Além disso, o país dá uma resposta moral à sua sociedade. Como você pode cobrar que o seu governo afaste um funcionário corrupto sabendo que a legislação do seu país permite que um genocida seja seu vizinho ou colega de trabalho? A impunidade dissemina um germe que contamina toda a sociedade. O país que não revisa seu passado corre o risco de vivê-lo de novo. texto da Carta Capital desta semana -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080818/14966ff8/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 19 19:19:33 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 19 Aug 2008 19:19:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?__www=2Everbolutar=2Ecom_-_JORNAL_?= =?iso-8859-1?q?DE_OPINI=C3O?= Message-ID: <02c701c90249$a836c680$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. NOVO JORNAL. UM JORNAL DE OPINIÃO.PARTICIPE! www.verbolutar.com - edição de 18 de agosto de 2008 __._,_.___ Mensagens neste tópico (1) Responder (através da web) | Adicionar um novo tópico Mensagens | Arquivos | Fotos | Links | Banco de dados | Enquetes | Associados | Agenda Alterar configurações via web (Requer Yahoo! ID) Alterar configurações via e-mail: Alterar recebimento para lista diária de mensagens | Alterar formato para o tradicional Visite seu Grupo | Termos de uso do Yahoo! 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Name: not available Type: image/gif Size: 1552 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080819/d42858d2/attachment-0005.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 20 19:52:24 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 20 Aug 2008 19:52:24 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_DO_PARAISO_AO_MATADOURO_-_DIA_2?= =?windows-1252?q?4_DE_AGOSTO_=C0S_14_HORAS_-_ATO_P=DABLICO?= Message-ID: <054e01c90317$69df41e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ATO DO PARAÍSO AO MATADOURO - DOI-CODI NUNCA MAIS! 24 de agosto, domingo, às 14 hs Concentração da Praça Santíssimo Sacramento, na rua do antigo DOI-CODI (R. Tutóia), na altura do nº 1100. Chegou o momento para um ato público forte de contestação deste passado podre do Brasil, escamoteado debaixo do tapete. É hora da nova geração levantar a poeira contra a tortura. A de ontem e a de hoje. Vamos fruir a liberdade que a Ditadura tentou calar brutalmente e nos manifestar por um outro Brasil. DO PARAISO AO MATADOURO - DIA 24 DE AGOSTO ÀS 14 HORAS - ATO PÚBLICO -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080820/2360c9bf/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 84801 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080820/2360c9bf/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: audio/mid Size: 57353 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080820/2360c9bf/attachment-0001.bin From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 21 19:08:29 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 21 Aug 2008 19:08:29 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_ASSASSINADO_PELA_DITADURA__-_?= =?windows-1252?q?=93A_=FAnica_luta_que_se_perde_=E9_aquela_que_se_?= =?windows-1252?q?abandona=94_=28Madres_de_la_Plaza_de_Mayo=29?= Message-ID: <00b901c903da$715b9130$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Fábio Chagas ASSASSINADO PELA DITADURA Justiça para Luiz Eduardo Merlino No dia 19 de julho de 1971, o jornalista Luiz Eduardo Merlino foi assassinado após uma sessão de torturas na sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Brilhante Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o ?major Tibiriçá? para não ser identificado. Antônio Augusto* Nesta terça, 19 de agosto, o desembargador Hamilton Elliot Akel, do Tribunal de Justiça de São Paulo, se pronuncia sobre o recurso dos advogados do coronel Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-Codi paulista, contra a ação que visa responsabilizar o militar pelas torturas e assassinato do jornalista Luiz Eduardo Merlino, ocorrido em 19 de julho de 1971. Os outros dois desembargadores afeitos ao caso já externaram suas decisões: Luiz Antonio de Godoy manifestou-se favorável a Ustra e Carlos Augusto de Santi Ribeiro, contra. Antes, ao acolher a ação movida por Regina Merlino e a historiadora Ângela Mendes de Almeida, respectivamente, irmã e ex-companheira do jornalista, o juiz Carlos Henrique Abrão considerou que "o assunto não trata de privilégio decorrente da lei de anistia, mas disciplina ação de natureza imprescritível". Ao morrer, Merlino tinha 23 anos incompletos. Apesar da juventude, devido ao seu talento, já era muito conhecido no meio jornalístico de São Paulo. Trabalhou na Folha da Tarde, no Jornal da Tarde, esteve entre os fundadores do Amanhã, um dos criativos e democráticos jornais dirigidos por Raimundo Rodrigues Pereira. Luiz Eduardo, quando ainda secundarista, já começara a se interessar por política e participara do Centro Popular de Cultura (CPC) animado pela UNE. Ao ser preso, era militante do Partido Operário Comunista (POC), um pequeno agrupamento integrante da resistência democrática ao regime ditatorial. O massacre de Merlino: ?Ou cortavam suas pernas ou morria. Deixa morrer? Merlino foi capturado sem ordem judicial - claro, na ditadura inexistiam quaisquer garantias individuais e legais, ainda mais nos anos de chumbo de Médici - na casa de sua mãe, em Santos, no dia 15 de julho de 1971, quando já passava das 21h. A mãe, a irmã Regina e uma tia assistiram à prisão. Dali foi levado para a capital do estado, rumo ao inferno da Rua Tutóia, sede do DOI-Codi paulista, comandado pelo então major Ustra, que escondia sua identidade dos prisioneiros e se apresentava como o ?major Tibiriçá? para não ser identificado. Segundo o registro do livro ?Direito à Memória e à Verdade?, editado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, ligada à Secretaria Especial de Direitos Humanos, da Presidência da República, Merlino recebeu logo o tratamento.habitual do DOI-Codi: ?foi barbaramente torturado por 24 horas ininterruptas e abandonado numa solitária, a chamada cela forte, ou xis-zero?. Havia três turmas de tortura na rotina do DOI-Codi, elas se revezavam a cada 8 horas para garantir a permanência das torturas durante todo o dia.e toda a noite. Guido Rocha, um preso político também estraçalhado fisicamente pelas torturas, já se encontrava na ?cela forte? quando jogaram Merlino lá. Uma das últimas pessoas a vê-lo com vida, Guido deu depoimento gravado ao jornalista Bernardo Kucinski a respeito do que presenciou: ?Eu também estava arrebentado, então eles não se importaram comigo e trouxeram ele para minha cela para fazer o teste de reflexo. Vieram, fizeram o teste de reflexo no joelho e não tinha resposta nenhuma.? ?Depois que fecharam a porta Merlino começou a piorar muito, logo em seguida. À noite começou a se sentir mal, estava bem pior. Eu não me lembro dele ter comido nem uma vez... porque ele tentava comer e vomitava sangue. Aí ele começou a mudar, a ficar nervoso, falou que estava piorando... vomitou sangue outra vez. Eu tentei acalmá-lo. Ele pediu que eu o colocasse sentado. Merlino nunca ficou em pé desde o primeiro dia. Para ir a privada precisava carregar ele. Eu e um guarda. Bem, eu tentei acalmá-lo, comecei a dizer a ele para respirar fundo, fazer a respiração de ioga, manter um pouco de calma. Mas ele ficou muito nervoso e falou: ?chama o enfermeiro rápido que eu estou muito mal, a dormência está subindo, está nas duas pernas e nos braços também?. Aí eu bati na porta com força e gritei e vieram o enfermeiro e alguns torturadores, policiais, os mesmos que já haviam me torturado e torturado a ele também. Vieram e o levaram?. ?Nunca mais eu vi ele?. Guido Rocha tempos depois iria para o Presídio de Linhares. ?Eu dei o nome a minha cela de Luiz Eduardo Merlino; era hábito nosso, os presos políticos, dar o nome à sua cela de um companheiro que tinha sido assassinado pela repressão?, ele conta. A herança de Merlino O escritor, historiador e professor Joel Rufino dos Santos, ex-preso político, amigo de Merlino, relata outro fato terrível: ?1973. Um torturador da Operação Bandeirante [organismo da repressão que antecedeu o DOI-Codi, também comandado por Brilhante Ustra], Oberdan, cismou de falar comigo sobre Merlino. Não morreu como vocês pensam. Foi para o hospital passando mal. Telefonaram de lá para dizer que ou cortavam suas pernas ou morria. Fizemos uma votação. Ganhou deixar morrer. Eu era contra. Estou contando porque sei que vocês eram amigos?. Um dos livros de Joel Rufino é dedicado à memória de Merlino. O escritor e jornalista Renato Pompeu recorda, além da inteligência, a ?inusitada? maturidade política de Merlino para alguém tão jovem. Michael Löwy, um intelectual de grande reconhecimento internacional, foi companheiro de Merlino. Dá um testemunho emocionado sobre ele: ?É destas pessoas que ficam para sempre gravadas na memória de quem as conheceu, por mais que passem os anos. O que o levou a tomar a decisão que tomou, e lhe custou a vida, foi simplesmente um sentimento de dever, uma ética, um compromisso com os companheiros de luta. É por isto que a memória dele continua tão viva e presente, não só no Brasil, mas também na França e em outros países em que se conheceu sua história. A herança que ele nos deixa é a de seguir lutando, para que nunca mais o Brasil conheça a opressão, a violência policial, a tortura?. A crueldade contra Merlino se estendeu à sua família. O DOI-Codi inventou um suicídio fantasioso, historinha costumeira dos torturadores, relatado à sua mãe, Iracema. O prisioneiro teria se jogado embaixo de um carro, na BR-116, em Jacupiranga. Dois médicos legistas a serviço da ditadura, Isaac Abramovitc e Abeylard Orsini, assinaram o laudo para tentar justificar a farsa. A família não acreditou em nenhum momento. A sobrinha de Merlino, a jornalista Tatiana Merlino, descreveu em artigo recente, no Brasil de Fato, como os fatos se passaram: ?Como o corpo não foi entregue, dois tios e o cunhado de Merlino, Adalberto Dias de Almeida, então delegado de polícia, foram ao IML de São Paulo. O diretor do Instituto negou que o corpo estivesse ali, mas usando do fato de ser delegado, o cunhado burlou a vigilância e foi em busca do corpo de Merlino. Encontrou-o com marcas de tortura em uma gaveta sem identificação. O corpo do jornalista foi entregue à família num caixão fechado". Jornalistas amigos de Merlino foram até Jacupiranga e não encontraram nenhum sinal do suposto atropelamento ou outro acidente de trânsito ocorrido naquele ponto, no dia indicado. O veículo que o teria atropelado nunca foi identificado nem foi feita ocorrência no local do fato. Reparação é para o Brasil Impedida de noticiar a morte de Merlino, somente mais de um mês depois, o jornal O Estado de S.Paulo publicou um anúncio fúnebre: ?Os amigos e parentes do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino convidam os jornalistas brasileiros e o povo em geral para a missa de trigésimo dia de seu falecimento a realizar-se sábado próximo, 28 de agosto, às 18:30 horas, na Catedral da Sé, em São Paulo?. Cerca de 770 jornalistas compareceram à missa. Na cerimônia, os mesmos três homens que buscaram Merlino, em Santos, compareceram para dar ?os pêsames? à sua mãe e irmã?. Brilhante Ustra, o ?major Tibiriçá?, com o mesmo cinismo que diz não passarem de ?lorotas? as denúncias de tortura no DOI-Codi da Rua Tutóia, afirma na sua defesa que o laudo ?foi firmado por dois legistas, tem fé pública?. Quanto à ficção de suicídio, os advogados da família Merlino, Fábio Konder Comparato e Aníbal Castro de Sousa, declaram: ?o réu não inovou, pois já há muito tempo é de conhecimento público que, infelizmente, os órgãos de repressão detinham absoluto controle do IML (Instituto Médico Legal) e ?construíam? versões absurdas para a causa mortis de suas vítimas. A história está a confirmar que a alegação de suicídio era a farsa preferida pela repressão, vide o caso emblemático do jornalista Vladimir Herzog?. A necessidade de que se faça justiça não é só da família de Merlino. Corresponde aos interesses dos brasileiros e do fortalecimento da democracia. Tatiana Merlino, na sua matéria já citada, mostrou o que está em jogo: ? ?O objetivo da iniciativa é o reconhecimento por parte da Justiça da responsabilidade de Ustra na tortura e morte de meu irmão?, afirma Regina. ?Estou movendo essa ação por mim e pela minha mãe, que faleceu, em 1995, sem que a verdade viesse à tona?, explica. De acordo com Angela, ?o fim da impunidade começa com a memória e o restabelecimento da verdade. A tortura na ditadura era uma política do Estado brasileiro, mas seus executores têm nome?, salienta?. * Antônio Augusto é jornalista ?A única luta que se perde é aquela que se abandona? (Madres de la Plaza de Mayo) . __,_._,___ -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080821/6259df23/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 43 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080821/6259df23/attachment.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 22 18:05:54 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 22 Aug 2008 18:05:54 -0300 Subject: [Carta O BERRO] PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA MILITAR Message-ID: <03fc01c9049a$dd838af0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. PASSAR A LIMPO O PASSADO É PRECISO! - o - Movimento Desarquivando o Brasil www.desaparecidospoliticos.org..br APOIO Associação Pernambucana de Anistiados Políticos ? APAP apap.aanistiape at bol.com.br ===================================================================================================================== Pelo direito à História! No período de 25 a 29/08, o Fórum Permanente da Anistia em Pernambuco e a Associação Pernambucana de Anistiados Político ? APAP estarão promovendo encontros e debates sobre ?a abertura dos arquivos da ditadura militar e a punição pública dos agentes torturadores?, temas recorrentes que estão relacionados com as questões da Anistia Política de 1979 e o processo de redemocratização do país a partir de 1985. Além do apoio da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB/PE, essas atividades contarão também com o apoio e participação do Movimento Tortura Nunca Mais - MTNM, do Centro Cultural Manoel Lisboa - CCML e do Movimento dos Trabalhadores Cristãos - MTC. Em todos esses eventos estará presente Criméia Alice de Almeida, principal coordenadora do Movimento Desarquivando o Brasil, sediado em São Paulo (SP), que vem mantendo a firme determinação de lutar pela abertura dos arquivos da ditadura e pela busca dos restos mortais dos desaparecidos políticos. Criméia é uma dos sobreviventes da Guerrilha do Araguaia, que após conseguir escapar do cerco do exército naquela região foi, posteriormente, presa em São Paulo, junto com a irmã, o cunhado e mais dois sobrinhos. Na época, teve ela a triste experiência de ser barbaramente ?seviciada? quando ainda grávida, nas dependências do DOPS/SP, onde o Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra era o comandante das operações do DOI/CODI e o principal responsável pelas torturas infligidas aos presos políticos, que por ali passaram. Em Novembro de 2006, essa família encaminhou à Justiça Federal em São Paulo, ação cível, solicitando uma Declaração de Responsabilidade em desfavor do Ustra, com o apoio do escritório do jurista e advogado Fábio Konder Comparato, por ?seqüestro e tortura? no período de 1972/73. Fábio Comparato é um dos poucos juristas que afirmam, categoricamente, que a Lei da Anistia Política de 1979 não dá nenhuma cobertura e/ou proteção aos agentes torturadores, tal como tem sido alardeado desde o início do processo de redemocratização do país. Todavia, mesmo que seja considerado culpado ao final do processo, ele não será preso e nem pagará qualquer tipo de indenização. Esse é o caráter desse tipo de ação cível. No momento, a citada ação continua pendente de julgamento definitivo. PROGRAMAÇÃO Dia 25/08 14h - Debate na CFCH/UFPE Sala de Vídeo ? 2º andar Campus Universitário 18h - Debate na CFCH/UFPE Sala de Vídeo ? 2º andar Campus Universitário Dia 26/08 09h - Comemoração 15 anos do monumento Praça. Pe. Henrique / Memorial Tortura Nunca Mais Rua da Aurora ? Santo Amaro 14h - Aula debate no CAC/ UFPE Comissão de Direitos Humanos ? CDH Sala no térreo / Próximo à Secretaria 19h - Debate na OAB Rua do Imperador Pedro II 235 ? 2º andar Santo Antônio Dia 28/08 16h - Em memória da Anistia Política Praça Pe. Henrique / Memorial Tortura Nunca Mais Rua da Aurora ? Santo Amaro Dia 29/08 18h - Debate no MTC Sede do Movimento dos Trabalhadores Cristãos Rua Gervásio Pires 404 - Boa Vista Recife (PE), Agosto de 2008 Assessoria de Comunicação / APAP Contatos: 9624-0219 (Elvira), 9932-9172 (Campos) e 8629-6885 (Lourdes). -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080822/70c1074d/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: application/octet-stream Size: 58113 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080822/70c1074d/attachment-0001.obj From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 23 15:17:57 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 23 Aug 2008 15:17:57 -0300 Subject: [Carta O BERRO] boletim da agencia [Brasil de Fato] ajude a difundir.....e se cadastre direto na agencia.. Message-ID: <032a01c9054c$92151b80$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. DESTAQUES Meio Ambiente Veracel compra servidores na Bahia para plantio irregular de eucalipto Promotor acusa a empresa de celulose de praticar corrupção para obter licenciamento ambiental sem estudo obrigatório -> A Veracel Celulose e o BNDES -> Empresa é condenada por desmatar Mata Atlântica -> Condenada, Veracel diz respeitar a lei Paraguai Fernando Lugo anuncia reforma agrária A medida visa consertar um erro histórico cometido pelo ex-ditador Alfredo Stroessner, que simplesmente doou estas terras aos seus amigos -> Ex-bispo assume presidência do Paraguai -> Camponeses paraguaios querem expulsar brasileiros cultivadores de soja Campo e Cidade Juventude de 24 movimentos procura enfrentar a fragmentação da esquerda Transformação social e ações políticas marcam encontro entre campo e cidade realizado em Niterói com 1.200 jovens NACIONAL Espaço Público Ex-deputado constrói casa em terreno de escola Para coordenadora do Sintese, a situação ilustra o esvaziamento da responsabilidade do Estado do Sergipe em relação ao espaço público Denúncia MPF irá investigar contrato da Halliburton com ANP Aepet aciona Ministério Público Federal para questionar a atuação da transnacional estadunidense no gerenciamento de dados da ANP Disputa Petroleiros querem reestatização da Petrobras para gerir pré-sal Sindicatos dos servidores da Petrobras alertam que tentativa do governo em criar uma nova estatal para gerir os megacampos de pré-sal não resolve os problemas do petróleo brasileiro. Eles exigem a reestatização da Petrobras e mudanças na Lei do Petróleo para reduzir a participação das transnacionais INTERNACIONAL Bolívia Oposição corta fornecimento de carne para o ocidente Criadores de gado dos departamentos opositores de Beni e Santa Cruz tomaram decisão em apoio às medidas de pressão oposicionistas iniciadas depois do referendo revogatório -> Evo é ratificado por dois terços dos bolivianos Venezuela Chávez inicia nacionalização de fábricas de cimento Medida anunciada pelo presidente venezuelano atinge cimenteiras transnacionais Cemex, Lafarge e Holcim México Oposição prepara última fase de referendo petroleiro Esta será a terceira e última fase de uma consulta orientada a se conhecer o sentimento popular em torno da proposta do Executivo mexicano para transformar a PEMEX CULTURA Política Cultural Fim de partida na cultura. Ou não? "Politicamente, os tropicalistas venceram o jogo. Sua posição política se casa perfeitamente com o desprezo pela política da cultura contemporânea" Cinema Há 40 Anos, 'Memórias do Subdesenvolvimento' tinha sua primeira exibição À época de seu lançamento, o filme causou polêmica ao distanciar-se totalmente dos traços que definiam o então chamado "realismo socialista" ANÁLISE Quem foi, quem foi, que falou do boi voador?(*) Editorial ed. 286 Quais as questões centrais que deveriam animar o atual debate eleitoral? Entendemos que sejam: a questão da propriedade, e a da natureza do Estado As Farc e as ligações com o Brasil Elaine Tavares Para melhor compreender o que são as Farc é preciso voltar no tempo e estudar a história da Colômbia. Um país que entrou em convulsão social no ano de 1948 Bolívia ? onde a geografia se faz história através da política Carlos Walter Porto Gonçalves O que está em curso na Bolívia ganha maior significado ainda quando se sabe que o país é o recordista de golpes de Estado na América Latina Massacre no centro de São Paulo: 4 anos de impunidade Hamilton Octavio de Souza É claro que boa parte da sociedade paulistana ? e brasileira ? prefere esquecer o que aconteceu a expor a tragédia em toda a sua brutalidade Bolívia: à esquerda, não basta ganhar eleições! Ivan Pinheiro Pelo que senti pessoalmente na Bolívia, isso é o que as massas populares esperam de Evo Morales: um governo para chamar de seu CHARGE ASSINATURAS Assine o BRASIL DE FATO impresso e receba todas as semanas, em sua casa, um jornal comprometido com uma visão popular dos fatos do Brasil e do mundo. Você pode pagar com cartão de crédito, cheque ou boleto bancário. 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Checked by AVG - http://www.avg.com Version: 8.0.138 / Virus Database: 270.6.1/1605 - Release Date: 11/8/2008 16:59 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080823/b57a0822/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9702 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080823/b57a0822/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 24466 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080823/b57a0822/attachment-0002.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 33033 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080823/b57a0822/attachment-0003.gif From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 24 13:01:33 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 24 Aug 2008 13:01:33 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_M=FAsica_de_Portugal_=2E_Bom_Do?= =?windows-1252?q?mingo!?= Message-ID: <06b801c90602$ae0a9480$0200a8c0@vcaixe> Nacional ----- Original Message ----- From: José-Augusto de Carvalho Carta O Berro.............repassem Os mais belos sites com as mais belas musicas portuguesas. Bom Domingo! 1 Adelaide Ferreira Papel Principal Adiafa As Meninas da Ribeira do Sado André Sardet O Azul do Céu ? Quando Eu te Falei de Amor Foi Feitiço Afonsinhos do Condado Leva-me Contigo ? Salsa das Amoreiras António Pedro Braga Página especial António Variações Página Especial Brigada Victor Jara Página especial Cantares Alentejanos Página Especial Canto da Terra Página especial Carlos Paião Página especial Conjunto António Mafra Página especial Conjunto Típico Ala-Arriba Página especial Fados e Baladas de Coimbra Página especial Fados, Marchas e Canções Página especial Fausto Página especial Francisco Fanhais Página especial Fúria do Açucar Eu Gosto É do Verão G.A.C. - Vozes na Luta Página especial Galandum Galundaina Chin Glin Din Se Tou Pai Me Dera Nós Tenemos Muitos Nabos João Maria Tudela Página especial João Villaret Página especial José Afonso Página especial José Cid Na Cabana Junto à Praia José Mário Branco Página especial Júlio Pereira Cantar Galego Fala-me da Era Laurindinha Miradouro O Meu Bandolim S. Gonçalo de Amarante Vira Minhoto Luís Cília Página especial Luís Represas Página especial Mandrágora Galandum Maio Moço Página especial Música Popular Portuguesa Festa na Aldeia Música Tradicional Portuguesa Página especial Paco Bandeira Página especial Paulo Gonzo Sei-te de Cor ? Jardins Proibidos Pedro Barroso Página especial Quarteto 1111 Página especial Rao Kyao Página especial Sport Lisboa e Benfica Página Especial Sérgio Godinho Página especial Terra A Terra Mirandum Se Fui A La Guerra Tino Flores Página Especial Tony de Matos Página Especial Trio Odemira Página Especial Tunas Universitárias Página Especial Vitorino Página especial Home Nacional Internacional Brasileira Roberto Carlos Instrumental Memories Música Dança Cantores de Intervenção Reflexões Meus Links Links Amigos 1 No virus found in this incoming message. Checked by AVG - http://www.avg.com Version: 8.0.138 / Virus Database: 270.5.12/1597 - Release Date: 07-08-2008 5:54 No virus found in this incoming message. Checked by AVG - http://www.avg.com Version: 8.0.138 / Virus Database: 270.5.12/1597 - Release Date: 07-08-2008 5:54 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080824/70a6c90a/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Mon Aug 25 19:05:32 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Mon, 25 Aug 2008 19:05:32 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_RIBEIR=C3O_PRETO=3A_UM_PEQUENO_?= =?windows-1252?q?RELATO_DO_TRABALHO_ESCRAVO_=22BOIA_FRIA=22_ESCOND?= =?windows-1252?q?IDO_NA_OPUL=CANCIA_DOS_GRANDES_CANAVIEIROS=3A_A_C?= =?windows-1252?q?HAMADA_=22CALIFORNIA_BRASILEIRA=22?= Message-ID: <0be401c906fe$b4ebec70$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. A morte cansada Com produção em alta e salários em queda, excesso de trabalho ronda canaviais Joel Silva/Folha Imagem Cortador de cana trabalha em canavial em Charqueada DOS ENVIADOS AO INTERIOR DE SP S e dinheiro chama dinheiro, como dizem, então pobreza chama pobreza -e tragédia agoura tragédia. Procurada em Guariba para conversar sobre o marido, morto após passar mal no canavial em 2005, Maildes de Araújo se põe a falar do morto de duas semanas antes: o cunhado, também cortador de cana. José Pindobeira Santos tinha 65 anos. Colheu cana até o ano retrasado. "Ele reclamava da barriga, de cólicas", diz a filha Ivanir, faxineira. Voltava da lavoura com dor na virilha. Nunca se tratou ou foi tratado. Pindobeira morreu de obstrução intestinal e broncoaspiração. Não se sabe até que ponto a lida na roça baqueou sua saúde. Nos anos 1960 já cortava cana nos arredores de Guariba. Seu concunhado Antonio Ribeiro Lopes, o marido da baiana Maildes, veio ao mundo em julho de 1950, três dias antes do fracasso supremo do futebol pátrio, a final da Copa. Migrou de Berilo (MG), município da paupérrima região do Vale do Jequitinhonha. Em acidentes registrados -a subnotificação é considerável-, o facão rasgou-lhe perna e joelho. Dores no ombro direito o afastaram da roça. Penava com dor de cabeça. O empenho no trabalho desencadeava cãibras na barriga, nas pernas e nos braços. Sofria da doença de Chagas, mas não o licenciaram. Era funcionário da usina Moreno. Sucumbiu no campo e o levaram para o hospital. Causa da morte: "cardiopatia chagásica descompensada". Lopes integra a relação de duas dezenas de canavieiros mortos no interior paulista de 2004 a 2007, o caçula com 20 anos. A lista foi elaborada pela Pastoral do Migrante -há mais mortes, não contabilizadas. Dela não constam acidentes de trabalho -em 2005, de cada mil trabalhadores no cultivo da cana, 48 sofreram acidente ocupacional, registraram as pesquisadoras da USP Márcia Azanha Ferraz Dias de Moraes e Andrea R. Ferro. Naquele ano, segundo o Ministério do Trabalho, morreram de acidentes 84 pessoas no setor sucroalcooleiro, incluindo lavoura e indústria (3,1% das mortes por acidentes de trabalho no Brasil). O Ministério Público do Trabalho investiga a razão dos óbitos e sua associação com o caráter exaustivo do corte manual. Relatório de 2006 da Secretaria de Inspeção do Ministério do Trabalho enumera dezenas de irregularidades em empresas nas quais trabalhavam os lavradores que morreram. Uma é o não-cumprimento do descanso de uma hora para o almoço. Os cortadores comem em dez, 20 minutos, para logo empunhar de novo o facão. Eles ganham por produção. Nenhum laudo atesta que a atividade foi decisiva para os óbitos. Seria difícil: dos oito esquadrinhados pelo ministério, só em dois houve necropsia. O texto da Secretaria de Inspeção afirma: "As causas de mal súbito, parada cardiorrespiratória e AVC [acidente vascular cerebral], descritas nas certidões de óbito, não são elementos de convicção que justifiquem a morte natural, como alegam as empresas". Há indícios sobre por que morrem os canavieiros. Em 1985, os cortadores do Estado produziam em média 5 toneladas diárias de cana. Em 2008, são 9,3 toneladas, 86% a mais. Há 23 anos, um lavrador recebia R$ 6,55 por tonelada e R$ 32,70 por jornada. Em 2007, 1.000 kg valeram R$ 3,29. A remuneração por dia, R$ 28,90 (menos 12%). A produtividade disparou e o salário caiu. Com a mecanização acelerada do corte e a expansão do desemprego, ficam os mais eficientes. O homem compete com a colheitadeira. Os números de 1985 e 2007 são do Instituto de Economia Agrícola. Atualizados para reais de agosto de 2007, encontram-se em artigo dos pesquisadores Rodolfo Hoffmann (Unicamp) e Fabíola C.R. de Oliveira (USP). "Penoso" e "desumano" José Mário Gomes morreu em 2005 aos 44 anos. Era empregado da usina Santa Helena, do grupo Cosan, líder da produção de cana no planeta. "O óbito ocorreu nos períodos de maior produtividade, com picos alternados", informa o Ministério do Trabalho. Valdecy de Lima trabalhava na usina Moreno, como Antonio Ribeiro Lopes. Em 7 de julho de 2005, desabou na roça. Morreu aos 38 anos, de acidente vascular cerebral. Em 17 de junho, decepara 16,5 toneladas. A Moreno alega que as mortes de Antonio e Valdecy "não ocorreram em decorrência do esforço do trabalho". A Cosan diz que as causas do óbito de José Mário "ainda estão sendo investigadas pelos órgãos competentes. A empresa prestou todos os atendimentos necessários e colocou seu departamento de serviço social à disposição da família do colaborador. A Cosan cumpre rigorosamente a legislação trabalhista". O Ministério Público do Trabalho relaciona as mortes à rotina "penosa" e "desumana" e prepara ação contra o pagamento por produção, quando o grosso da remuneração depende do desempenho. É preciso acumular em oito meses, a duração da safra, o suficiente para 12 -a maioria é dispensada na entressafra. Usineiros e segmento expressivo dos trabalhadores desejam manter o sistema. O afinco para cortar mais e mais provoca situações como uma acontecida em 2007. Sob o sol, em dia de temperatura máxima de 37ºC à sombra, nove trabalhadores foram hospitalizados após se sentirem mal em uma fazenda de Ibirarema. Reclamavam de cãibras e vomitavam. Algumas usinas fornecem no campo bebidas reidratantes para a mão-de-obra suportar o desgaste. Em áreas de corte manual, os canaviais costumam ser queimados antes da colheita. O fogo queima a palha da cana, e restam apenas as varas, o que facilita o trabalho. Quando o facão golpeia as varas com fuligem, o pó se espalha, entra pelo nariz e gruda na pele. A plantação recebe agrotóxicos. O lavrador não costuma receber máscara. Em tese de doutorado na Unesp, a bióloga Rosa Bosso constatou que o nível de HPAs, substâncias cancerígenas, expelidos na urina de quatro dezenas de trabalhadores era nove vezes maior na safra do que na entressafra. Em temporada sem colheita, Antonio Lopes sobreviveu como carregador de sacas de açúcar. Maildes o conheceu na lavoura da cana, onde o namoro engatou. Ainda hoje a viúva se orgulha: "Ele não era de enjeitar serviço". O submundo da cana Estado que detém 60% da produção nacional de cana-de-açúcar, São Paulo não divide a riqueza derivada do boom de etanol com seus 135 mil cortadores, que vivem muitas vezes em situações precárias MÁRIO MAGALHÃES JOEL SILVA ENVIADOS ESPECIAIS AO INTERIOR DE SP P ontualmente às 4h42, a canavieira Ilma Francisca de Souza parte para o trabalho com sua marmita fornida de arroz coberto por uma lingüiça cortadinha. Em outro bairro de Serrana, ainda antes de o sol nascer, Rosimira Lopes sai para o canavial levando arroz com um só acompanhamento: feijão. Durante o dia, elas vão dar conta da comida, que já terá esfriado. A despeito do notável progresso que ergue usinas de etanol com tecnologia assombrosa, o Brasil segue sem servir refeições quentes aos lavradores da cana-de-açúcar. A bóia continua fria. Durante dois meses, a Folha investigou as condições de vida e trabalho dos cortadores de cana no Estado que detém 60% da produção do país que é o principal produtor do planeta. Gente como Ilma e Rosimira. Em uma das etapas de apuração da reportagem, por 15 dias percorreram-se 3.810 quilômetros de carro, o equivalente a nove trajetos São Paulo-Rio de Janeiro. Um mapa [veja na pág. 6] mostra onde ficam as cidades visitadas. Pela primeira vez em cinco séculos, desde que as mudas pioneiras foram trazidas pelos portugueses, em 2008 ao menos metade da cana de São Paulo não será colhida por mãos, mas por máquinas. É o que anunciam os usineiros. Como na virada do século 16 para o 17, quando o país era o líder do fabrico de açúcar, a cana oferece imensas oportunidades ao Brasil, em torno do álcool combustível do qual ela é matéria-prima. O etanol pode se transformar em commodity, com cotação no mercado internacional. As usinas geram energia elétrica. A riqueza do setor sucroalcooleiro, que movimentará neste ano R$ 40 bilhões, não atingiu os lavradores. Em 1985, um cortador em São Paulo ganhava em média R$ 32,70 por dia (valor atualizado). Em 2007, recebeu R$ 28,90. A remuneração caiu, mas as exigências no trabalho aumentaram. Em 1985, o trabalhador cortava 5 toneladas diárias de cana. Na safra atual, 9,3. Em 19 cidades do interior -na capital foi ouvido um representante dos empresários- , os repórteres procuraram entender por que, entre nove culturas agrícolas, a da cana reúne os trabalhadores mais jovens. Exige alto esforço físico uma atividade em que é preciso dar 3.792 golpes com o facão e fazer 3.994 flexões de coluna para colher 11,5 toneladas no dia. Nos últimos anos, mortes de canavieiros foram associadas ao excesso de trabalho. Conta-se a seguir o caso de um bóia-fria que morreu semanas após colher 16,5 toneladas. Não há paralelo em qualquer região com tamanho rendimento. Na estrada, flagraram-se ônibus deteriorados, ausência de equipamentos de segurança no campo, moradias sem higiene e pagamento de salário inferior ao mínimo. Conheceram-se comunidades de canavieiros que dependem do Bolsa Família, migrantes que tentam a sorte e lavradores que querem se livrar do crack e de outras drogas. Descobriram-se documentos que comprovam a existência de fraudes no peso da cana, lesando os lavradores. Escravidão No auge e na decadência do ciclo da cana-de-açúcar, os escravos cuidaram da lavoura e puseram os engenhos para funcionar. A arrancada do etanol brasileiro foi dada por lavradores na maioria negros. Assim como os escravos sumiram de certa historiografia, os cortadores são uma espécie invisível nas publicações do setor. Exibem-se usinas high-tech, mas oculta-se a mão-de-obra da roça. Impressiona na viagem ao mundo e ao submundo da cana a semelhança de símbolos da lavoura atual com a era pré-Abolição. O fiscal das usinas é chamado de feitor. Acumulam-se denúncias de trabalho escravo. É um erro supor que as acusações de degradação passem longe do Estado mais rico do país e se limitem ao "Brasil profundo". Uma delas é narrada adiante. Em São Paulo, localiza-se Ribeirão Preto, centro canavieiro tratado como a nossa "Califórnia". O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem minimizado os relatos sobre trabalho penoso nos canaviais. No ano passado, ele disse que os usineiros "estão virando heróis nacionais e mundiais porque todo mundo está de olho no álcool". O medo de retaliações é grande entre os canavieiros. Nenhum nome foi mudado nos textos, mas algumas pessoas, a pedido, são identificadas apenas pelo prenome ou nem isso. As entrevistas foram gravadas com consentimento. São muitos esses anti-heróis: segundo os usineiros, há 335 mil cortadores de cana no Brasil, incluindo os 135 mil de São Paulo. No Estado, prevê-se a extinção do corte manual para 2015, junto com as queimadas que facilitam a colheita. Ilma e Rosimira compõem uma espécie em extinção. Por meio milênio, os cortadores, escravos ou assalariados, viveram tempos difíceis. Nos próximos anos, não será diferente: com baixa qualificação, eles terão de procurar outros meios de sobrevivência. Não há sindicato que não constate queda nas contratações. O canavial não está tão longe quanto parece: ao encher o tanque com 49 litros de álcool, consome-se uma tonelada de cana; quando se adoça com açúcar o café da manhã, milhares de brasileiros já estão na lavoura de facão na mão. ============================================================================================= FSP 25/8/2008 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080825/6c7c7db0/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 48633 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080825/6c7c7db0/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue Aug 26 19:16:14 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 26 Aug 2008 19:16:14 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?SEMIN=C1RIO=3A_29_ANOS_DA_LEI_DE_A?= =?iso-8859-1?q?NISTIA_-_VERDADES_E_MENTIRAS_=2E____quinta_feira_di?= =?iso-8859-1?q?a_28_a_partir_das_13=3A30_h-_COMPARE=C7AM!!!?= Message-ID: <0f6c01c907c9$5d916380$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Maurice Politi SEMINÁRIO : 29 ANOS DA LEI DE ANISTIA - VERDADES E MENTIRAS Dia 28 de agosto de 2008, quinta-feira, das 13h30 às 19h30 E s t a ç ã o P i n a c o t e c a Largo General Osório, 66 - fone 11 3337 0185 Democratização e abertura dos arquivos políticos Dando continuidade à agenda regular do projeto Memorial da Resistência e da exposição "Direito à Memória e a Verdade", será realizado o Seminário: 29 anos da Lei da Anistia - Verdades e Mentiras. Organizado pelo Fórum dos Ex-presos e perseguidos políticos do Estado de São Paulo, com apoio do Arquivo Público do Estado e da Pinacoteca do Estado , o evento discutirá temas como: A impunidade dos que perpetraram crimes de lesa-humanidade no Brasil; a promulgação da Lei de Anistia em 1979; a experiência da abertura dos arquivos do DEOPS no Estado de São Paulo, entre outros. O Seminário contará com participação de eminentes figuras públicas e privadas e tem o apoio do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, e da Comissão de Familiares de Presos Políticos Mortos e Desaparecidos. A inauguração do Memorial da Resistência marcou o início da parceria do Fórum dos ex-presos e Perseguidos de São Paulo com a Pinacoteca do Estado, que gerencia o espaço onde funcionava o antigo DEOPS/São Paulo, agora transformado em sede do Memorial, além de abrigar a Estação Pinacoteca. PROGRAMA 13h30 - Abertura e coordenação da mesa - Rafael Martinelli - Presidente Fórum 13h40 - Palavras do Diretor da Pinacoteca - Marcelo Mattos Araújo 13h50 - Palavras do Secretário Adjunto da Secretaria da Cultura - Dr. Ronaldo Bianchi 14h10 - Palavras do Secretário da Justiça - Dr. Luiz Antônio Marrey 14h30 - Exposição da Dra. Eugenia Augusta Fávero - Procuradora da Republica. "Crimes da Ditadura - Ainda é possível punir?" 15h00 - Exposição do Dr. Airton Soares - Ex Deputado Federal e advogado. "A verdadeira história da aprovação da Lei de Anistia" 15h30 - Palavras do Dr. Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. "Lei de Anistia: a aplicação da Lei 10.559/02" 16h30 - Exposição do Dr. Carlos de Almeida Prado Bacellar, coordenador do Arquivo Público do Estado de São Paulo. "O Arquivo Público do Estado e o acervo DEOPS/SP: A liberação da memória política, uma experiência democrática". 17h00 - Exposição da Profa. Maria Luiza Tucci Carneiro, coordenadora do Projeto Integrado Arquivo Publico do Estado/USP- PROIN. "Desarquivando a Anistia: Arquivo DEOPS" 17h30 - Exposição de Ema Franzoni, socióloga, equipe técnica. "O acervo documental do projeto Brasil Nunca Mais, depositado no Arquivo Edgard Leuenroth". 18h00 - Exposição da Profª. Cristina Bruno, vice-diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. "O novo projeto do Memorial da Resistência" 18h30 - Sessão de perguntas e respostas 19h30- Encerramento Dia 28 de agosto de 2008, quinta-feira, das 13h30 às 19h30 E s t a ç ã o P i n a c o t e c a Largo General Osório, 66 - fone 11 3337 0185 Realização FORUM EX PRESOS E PERSEGUIDOS POLITICOS DE SÃO PAULO PINACOTECA UNICAMP PROIN/USP - Arquivo Público do Estado de São Paulo Apoio Grupo Tortura Nunca Mais SP Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Associação dos Aposentados Pensionistas Anistiados Políticos de SP ACIMANISTIA - Entidade Nacional dos Civis e Militares Aposentados Anistiados -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080826/2fe7527b/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 27 19:24:06 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 27 Aug 2008 19:24:06 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Ades=E3o_ao_Manifesto_da_Sociedad?= =?iso-8859-1?q?e_Civil_e_Convite_para_Ato_de_Lan=E7amento_do_Manif?= =?iso-8859-1?q?esto_dos_Juristas?= Message-ID: <003601c90893$9e6195e0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. De: Carlos Lichtsztejn carloslicht at gmail.com Prezados(as), Recentemente pudemos ver a comunidade jurídica brasileira manifestar-se contra aqueles que querem impor o silêncio e uma falsa memória, forçando o esquecimento e pregando a impunidade dos bárbaros crimes que alguns membros das forças armadas perpetraram durante a ditadura militar. É hora da sociedade civil manifestar-se, mostrando que não apenas aos juristas interessa esse debate, mas sim a todos os brasileiros que prezam o Estado Democrático de Direito. É neste sentido que a União Nacional dos Estudantes, a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Imprensa formulam e assinam o manifesto abaixo, rogando a TODOS que somem sua assinatura, agregando força a este movimento contra a impunidade e o esquecimento. Referido manifesto será lançado publicamente em conjunto com o Manifesto dos Juristas, em ato a ser realizado no dia 28 de agosto (aniversário da Lei de Anistia), as 11h30, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco da Universidade de São Paulo. Convidamos a todos para que assinem, remetendo seu nome, estado de residência e organização em que trabalham/militam para o e-mail manifestodasociedadecivil at hotmail.com, até o dia 27/08. A presença de todos no ato do dia 28 é fundamental! Tortura não é crime político: pela verdade e reconciliação! - Manifesto em favor do debate e contra a impunidade e a tentativa de imposição do esquecimento - Um debate fundamental para a democracia brasileira, há muito tempo sufocado, finalmente se estabelece de forma republicana junto à opinião pública: a questão da responsabilização jurídica dos agentes torturadores durante a ditadura militar. Causa espécie e estranhamento o fato de que, em plena democracia, tal assunto provoque reações contrárias que rejeitam até mesmo o próprio debate público do assunto. Sob os argumentos de que o tema é inoportuno, intempestivo, e até mesmo que significa "um desfavor para a democracia" ou que "não mais interessa a sociedade', percebe-se explicitamente um movimento, certamente motivado por interesses específicos mas nem sempre explícitos, que procura abafar as vozes daqueles que há mais de três décadas clamam e esperam por justiça. O fato concreto é que existem no Brasil mais de 100 associações de ex-perseguidos políticos e familiares de mortos e desaparecidos políticos. Mais de 62 mil brasileiros ingressaram com pedidos de reparação na Comissão de Anistia nos últimos sete anos, restando quase 25 mil por apreciar. A União apreciou mais de 500 processos movidos por famílias que tiveram familiares mortos ou desaparecidos durante a ditadura militar. Diversos particulares têm ingressado com ações no Poder Judiciário pedindo a responsabilização jurídica de quem os torturou ou levou à morte dos seus familiares. O Ministério Público Federal promove, atualmente, Ação Civil Pública contra agentes públicos que chefiaram o DOI-CODI de São Paulo. Milhares de brasileiros aguardam reparação, centenas aguardam o direito de enterrar seus entes próximos ou de conhecer a verdade histórica sobre seus paradeiros. Não se pode falar em reabrir feridas que nunca se estancaram. Estudos internacionais recentes revelam que a impunidade aos crimes (ressalta-se sempre, atos praticados na ilegalidade do próprio regime ditatorial) é fator de piora dos índices de violência e de abuso aos direitos humanos, servindo como uma forma de legitimação da violência praticada hoje no Brasil. Não há de se falar, portanto, de que se trata de um assunto do passado. É mais do que presente. O debate que está posto não é a alteração ou revisão da lei de anistia, mas sim o cumprimento da mesma. O debate que está posto não significa afronta às Forças Armadas enquanto instituição nacional, mas sim o prestígio de sua corporação frente àqueles que não respeitaram nem ao menos as regras do próprio regime ditatorial que proibia a prática da tortura e comprometeram a sua imagem. A questão jurídica central é: se a lei de anistia abrangeu ou não os crimes de tortura enquanto como crimes políticos. O certo é que não há manifestação do Poder Judiciário sobre a questão e, por isso, a importância do debate público. Enquanto este momento não ocorrer o debate permanecerá em pauta junto à sociedade civil. Questões fundamentais ainda não foram respondidas: Se a anistia foi ampla, geral e irrestrita, porque a anistia a Carlos Lamarca foi questionada por setores militares da reserva na Justiça? Existe correlação moral e ética entre aqueles que usurparam da estrutura estatal do monopólio da violência para torturar com aqueles brasileiros que exerceram a resistência contra uma ordem injusta que os perseguia? Que democracia é essa, incapaz de enfrentar o seu passado? A quem interessa que o debate não seja realizado e os fatos não sejam revelados? Os perseguidos foram processados e julgados e hoje são anistiados à luz da Lei n.º 10.559/02, os torturadores nem ao menos reconheceram seus atos. Como anistiar em abstrato crimes que não foram elucidados e julgados? As organizações da sociedade civil abaixo assinadas vêm por meio desta mensagem apoiar e somar-se às iniciativas do Ministério da Justiça e do Ministério Público Federal em discutir a validade e alcance da Lei de Anistia de 1979 e os caminhos jurídicos para que, sem alteração das leis que permitiram a redemocratização do Brasil, a questão seja apropriadamente tratada no Poder Judiciário. É dever do Estado, no mínimo, promover o debate sobre as garantias fundamentais dos seus cidadãos, entre elas o direito à verdade, à memória e à justiça. Cremos, em consonância com diversos tribunais internacionais, e com diversas cortes superiores da América Latina, que os crimes contra a humanidade não são prescritíveis, portanto, não passíveis de anistia, e que aqueles que os cometeram, fora da própria legalidade do regime de exceção, devem ser julgados e responsabilizados. Apenas com o devido processamento e esclarecimento de todos os fatos que envolveram esses crimes é que será efetivamente possível falar em anistia, permitindo que a reconciliação nacional se consolide, desbancando a tese degenerativa da democracia de que a única solução possível para lidar com as abomináveis violações de direitos humanos perpetradas por agentes públicos é a impunidade e a imposição do esquecimento. Assinam este manifesto: -------------------------------------------------------------------------------- Novos endereços, o Yahoo! que você conhece. Crie um email novo com a sua cara @ymail.com ou @rocketmail.com. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080827/158b48dc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed Aug 27 19:24:52 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 27 Aug 2008 19:24:52 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Direito_=E0_mem=F3ria_e_Anisti?= =?windows-1252?q?a_pol=EDtica__por_S=E9rgio_Muylaert?= Message-ID: <004101c90893$b9fead60$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Direito à memória e Anistia política Sérgio Muylaert* O dever elementar que se põe em respeito a lei de anistia de 1979 é lembrar o que ela teria representado nesses 29 anos de vigência. Os avanços não contemplados no texto de 1979 seriam reconhecidos com a Emenda Constitucional nº 26 de 1985 e no passo seguinte a Constituição Federal, de 1988, afirma o estado democrático de direito ao colocar no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - artigos 8º e parágrafos 1ª a 5º, e art. 9º -, o marco definitivo à anistia política. Sem óbice do reconhecimento das falhas e deficiências interpretativas que lhe possam ser atribuídas, a atual lei de anistia de novembro de 2002 cumpre a sua histórica função no ordenamento do país. A lógica em torno da qual podem ser questionadas a alteração do texto e a revisão de suas linhas mestras deve ter por meta inafastável o efetivo cumprimento das políticas públicas de direitos humanos. Não significa negar validade da norma jurídica sobre o que já está, efetivamente, concluído a custa de tormentoso caminho. No entanto, para lá do que representam valores indenizatórios a quem diretamente atingido, a memória nacional se ressente dos efeitos da repressão política. Quando este assunto é posto em debate um amplo espectro da sociedade brasileira se atém aos preconceitos de várias ordens que não cabe avaliar. Basta lembrar o recente fórum sobre a lei da anistia, no início de agosto, na sede do Ministério da Justiça, em Brasília, onde estiveram dois Ministros do atual governo. O comparecimento do presidente da OAB não só para prestigiar a iniciativa como para frisar que a sociedade brasileira tem direito à memória em face das violações de direitos humanos durante o período do regime militar em nome do Estado Brasileiro. A República Federativa do Brasil não desconsidera as orientações do Direito Internacional Público e do Direito Humanitário. O que pode significar avanço no reconhecimento formal para aperfeiçoar o estado democrático de direito deve permanecer sob qualquer hipótese de alteração da própria lei de anistia. Há quem lhe refute o ganho político. Mesmo assim não se contabiliza em dinheiro o pagamento de vidas humanas sem outra compreensão após o padecimento das perseguições efetuadas por agentes públicos que as vitimaram. A mobilização da sociedade brasileira pela democratização do país evidenciou, tardiamente, a perspectiva desta reconstrução. A quebra da tradição jurídica de orientação liberal que obriga à reparação econômica, no caso dos perseguidos políticos após o golpe armado que em 1964 derrubou o governo republicano eleito pelo povo, veio a se restabelecer gradualmente ao amparo da lei, de agosto de 1979, com imensas ressalvas. Sob este visor não se deve menosprezar a visita ao país do Juiz espanhol Baltasar Garzón a convite de um representante do governo federal. Com as devidas cautelas o registro se pautou em fatos que envolvem, necessariamente, as apurações sobre desaparecimentos forçados e mortes de pessoas no Cone Sul com a chancela da Operação Condor e à sombra dos regimes ditatoriais. Para tanto, é intuitivo lembrar, conforme entendem as modernas doutrinas, a imprescritibilidade dos atos praticados, pois, expressam formas de genocídio, etnocídio ou ainda de ecocídio, crimes hediondos contra a humanidade. Somente a construção de uma ordem jurídica de proteção efetiva pode reparar e preservar a história dessa mácula de padecimento. A par destas questões, que não se resolvem somente no âmbito da lei de anistia, urge serem desvendados o uso indevido dos bens pertencentes às Forças Armadas e as formas pelas quais esses mesmos bens teriam sido empregados para convalidar a atuação em nome do estado brasileiro, a desafiar sucessivas proibições impostas em normas internacionais de caráter obrigatório. Vê-se por um lado que, se formas existem de se conceber na anistia política um fenômeno social, apto e disponível para a serenização dos espíritos no cumprimento da desejada "paz perpétua" conforme imaginado pelo filósofo alemão, por outro lado, o aperfeiçoamento das instituições públicas, no atual estágio civilizatório parece situar-se mais próximo à linha do horizonte. Ainda se abate o clamor entre os familiares dos mortos e desaparecidos políticos, por uma busca do direito à verdade, subjacente aos fenômenos do ?ocultismo? e do anonimato, ambos, incompatíveis com a prosperidade da democracia. A efetividade desses direitos humanos, em que se inclui o direito à memória, deve recair sobre toda a sociedade brasileira, de forma a que o mais brando aperfeiçoamento das instituições pátrias corresponda e se harmonize aos preceitos da ordem internacional de que o Brasil é signatário. Sérgio Muylaert é da OAB, membro Instituto dos Advogados Brasileiros e Vice-Presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça (2004-fev. 2008) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080827/5527211d/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu Aug 28 19:13:27 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 28 Aug 2008 19:13:27 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Pr=E9-Sal_=2E=2E=2E=2E=2EPRELIMIN?= =?iso-8859-1?q?ARES_REVELADORAS?= Message-ID: <032001c9095b$4bd89990$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Preliminares reveladoras Paulo Metri A Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br) divulgou a seguinte notícia: "A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal realizará, em setembro, uma Audiência Pública para discutir as novas tecnologias de prospecção de petróleo nas camadas de pré-sal. (...) A convocação da Audiência atende ao requerimento dos senadores Gim Argello (PTB/DF), Wellington Salgado (PMDB/MG), Antônio Carlos Júnior (DEM/BA) e Flexa Ribeiro (PSDB/PA). (...) Os convidados para participar da Audiência da CFT são: Edison Lobão, ministro de Minas e Energia (MME); Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobrás; Haroldo Lima, presidente da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP; Jean Paul Prates, secretário de Energia e Assuntos Internacionais do Rio Grande do Norte; Luis Carlos Costa Milan, presidente da BG - Bristol (empresa parceira da Petrobrás); Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Eike Batista, presidente do Grupo EBX e da MMX; German Efromovich, empresário; Eloy Fernandes, presidente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo; e João Carlos França de Lucca, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)." Nesta audiência pública, apesar de ter sido declarado que irão ser discutidas "as novas tecnologias de prospecção de petróleo nas camadas de pré-sal", na verdade, serão discutidos temas diversos com relação ao pré-sal, pelo simples fato que a lista dos convocados não contém um único especialista em tecnologias relativas ao pré-sal. Mas, este fato é até louvável, pois o pré-sal é extremamente importante para nossa sociedade e o fato de existirem senadores preocupados com o tema é meritório. O que é triste é a composição da lista de convocados. Ela é reveladora, pois os senhores senadores já mostraram como pretendem se posicionar com relação ao pré-sal. Na lista, existem quatro representantes do governo federal que não poderiam deixar de ser convocados, pelo cargo que ocupam, mesmo que algum seja dispensável por sua figura simplória. A única sugestão que faço com relação a esta parte da lista é que o presidente do BNDES deveria ser convocado, também, por razões óbvias. A seguir vemos quatro representantes da classe empresarial, dois dos quais são representantes de empresas estrangeiras (o senhor De Lucca é presidente da Repsol, alem do IBP). Dentro dos princípios de uma convocação idelogicamente ampla, eles merecem estar presentes, também. Os senhores David Zylberstajn e Elói Fernandes são ex-diretores da ANP, reconhecidos pela visão neoliberal, incluindo a defesa da imutabilidade do modelo existente, que foi por eles implantado. O senhor Jean Paul Prates, antes de ser secretário de um governo estadual, era bastante conhecido como consultor de visão liberal, muito atuante na fase de implantação do modelo vigente. Se retirarmos da análise os representantes do governo federal e a menos dos dois empresários nacionais, cujas posições desconheço, todos os demais convocados se posicionam a favor da não mudança do marco regulatório e não têm posições nacionalistas. É com estes nomes que os senhores senadores querem obter informações para se posicionarem? E os representantes dos sindicatos (CUT, CONLUTAS, Sindipetros, FUP, FNP, FISENGE, FNE e outras entidades)? E os representantes das associações de classe (Ordem dos Advogados do Brasil, Clube de Engenharia, Federação Brasileira de Associações de Engenheiros, Associação Brasileira de Geólogos e muitas outras)? E os de outras entidades da sociedade civil (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Clube Militar, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra e tantas outras), pois o pré-sal é de interesse de toda a sociedade brasileira? Por que os senhores senadores não consideram a opinião desta parcela majoritária do povo? Será que é porque estas entidades excluídas não contribuem financeiramente nas suas campanhas? Certamente, os senhores acham que estas entidades não têm capacidade de mobilização da sociedade, uma vez que políticos não rasgam votos. Resta aos trabalhadores, aos brasileiros dignos não importando suas tendências políticas, aos verdadeiros democratas e à sociedade, como um todo, repudiar a ação destes que não têm intenções benéficas em relação a esta sociedade, pelo menos, na questão do pré-sal. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080828/ff932b97/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 29 18:52:01 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 Aug 2008 18:52:01 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_Exposi=E7=E3o_Fotogr=E1fica/_Dire?= =?iso-8859-1?q?ito_=E0_mem=F3ria_e_=E0_verdade_-_A_ditadura_no_Bra?= =?iso-8859-1?q?sil=3A_1964_a_1985=5C=27/Ser=E1_realizada_de_1=BA_a?= =?iso-8859-1?q?_28_de_Setembro_pr=F3ximo=2C_no_Novo_Shopping=2C_em?= =?iso-8859-1?q?_Ribeir=E3o_Preto=2C_a_exposi=E7=E3o_que_lembra_29_?= =?iso-8859-1?q?anos_da_Lei_da_Anistia=2E?= Message-ID: <061301c90a21$77f9fc00$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Leopoldo Paulino Exposição Fotográfica Direito à memória e à verdade - A ditadura no Brasil: 1964 a 1985\' Será realizada de 1º a 28 de Setembro próximo, no Novo Shopping, em Ribeirão Preto, a exposição que lembra 29 anos da Lei da Anistia. A exposição recupera a memória do golpe que mergulhou o país numa ditadura de 21 anos. Com imagens que vão do culto ecumênico realizado na Catedral da Sé pela morte do jornalista Wladimir Herzog (considerado a primeira mobilização pública contra o AI-5) ao comício da campanha "Diretas Já" na mesma praça. Quando a Lei da Anistia foi promulgada, em 28 de junho de 1979, cerca de 15 mil brasileiros haviam perdido seus empregos por perseguição política, outros 15 mil tinham sido expulsos ou exilados do país, 774 parlamentares tiveram os mandatos cassados e um número até hoje controverso de pessoas tinha morrido por ação direta ou indireta da ditadura. São ao todo cerca de 160 imagens, organizadas cronologicamente em painéis de 2 metros de altura. Aberta pela primeira vez na Câmara dos Deputados, "Direto à Memória e à Verdade..." já passou pelo Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Goiânia, Salvador, Belém, Recife, Porto Alegre, Florianópolis, Santa Maria, Brasília e Argentina. Maiores Informações: (16) 3607 4024 -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080829/515e3bb8/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 67715 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080829/515e3bb8/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri Aug 29 18:52:34 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 29 Aug 2008 18:52:34 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__Manifesto_Anistia_e_Justi=E7a_?= =?windows-1252?q?da_Associa=E7=E3o_Ju=EDzes_para_a_Democracia_/_N?= =?windows-1252?q?=E3o_se_pode_jogar_a_tortura_debaixo_do_tapete?= Message-ID: <061e01c90a21$8b94c0b0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. Manifesto Anistia e Justiça da Associação Juízes para a Democracia Manifesto Anistia e Justiça NOTA PÚBLICA ANISTIA E JUSTIÇA O povo brasileiro tem o direito de conhecer a sua história, obrigação da qual os Poderes Judiciário, Executivo e Legislativo, não podem lavar as mãos. É imperativa a abertura dos arquivos, que devem fazer parte do acervo nacional, para preencher a lacuna existente no período da ditadura militar. O Legislativo aprovou a lei de reparações, mas retrocedeu com a lei do sigilo de documentos. O Judiciário, há trinta anos atrás, compareceu no paradigmático caso de Vladimir Herzog; determinou a abertura do arquivo do caso do Araguaia (decisão ainda não cumprida); tem ações em curso na esfera civil; há pedidos de extradições referentes ao desaparecimento de pessoas, na ?Operação Condor?; o Ministério Público inicia neste ano as requisições de instauração de inquéritos criminais. Em breve o Judiciário deverá dizer o direito no tocante à Lei de Anistia, nos crimes contra a humanidade perpetrados pelos agentes do Estado. O Brasil tem uma dívida com o seu povo e com a ordem internacional. Está submetido à jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos, cujos precedentes consideram inadmissíveis as excludentes de responsabilidade que pretendam impedir a investigação e sanção dos responsáveis pelas violações de direitos humanos (como a tortura, execuções sumárias, desaparições forçadas) e que as leis de anistia carecem de efeitos jurídicos e não podem ser obstáculo para a investigação dos fatos violadores de diretos humanos, identificação e punição dos responsáveis. Se o Estado Brasileiro não exercer a jurisdição, certamente a ordem internacional o fará aplicando o princípio do direito universal. Precisamos resgatar a memória e a verdade, sobretudo é necessário que haja Justiça para consolidar a democracia. Dora Aparecida Martins, presidente do conselho executivo da Associação Juizes para a Democracia; e-mail: juizes at ajd.org.br ; fone: (11) 3105-36-11, cel: (11) 8421-02-03. Associação Juízes para a Democracia é uma organização não governamental, sem fins corporativos, fundada em 1991, em ato público na Universidade de São Paulo, reúne Juizes de todo o Brasil. Tem dentre as suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito e à defesa dos direitos na perspectiva de emancipação social dos desfavorecidos. www.ajd.org.br Agosto de 2008. ========================================================================================================== Colunista: Antônio Augusto 29/08/2008 DEBATE ABERTO Não se pode jogar a tortura debaixo do tapete As Forças Armadas não têm nenhum motivo, ao contrário, para se identificarem à tragédia da tortura. Para bem cumprir suas funções constitucionais podem se guiar por militares e brasileiros exemplares, como o Marechal Rondon, o Marechal Henrique Lott ou o capitão Sérgio Macaco. Data: 17/08/2008 As reações de militares ao atacar o debate sobre a tortura praticada durante a ditadura não estão em sintonia com o regime democrático vigente no país nem com o sentimento do povo brasileiro. Após afirmar ao sair de ato no Clube Militar, no último dia 7, que "o único erro foi torturar e não matar", além de agredir manifestantes com palavrões, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), na sessão da Câmara no dia 12, voltou a cometer xingamentos e ofensas, contra ministros do governo Lula. O fato irritou o presidente da sessão, deputado José Inocêncio (PR-PE), a ponto dele determinar ao Serviço de Taquigrafia o corte das indevidas expressões proferidas pelo defensor da tortura e do assassinato. O deputado Bolsonaro responderá a processo regimental e poderá perder o mandato pela permanente quebra do decoro parlamentar. Nota conjunta dos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica, classificou como "imoral e fora de propósito" a iniciativa dos titulares da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, e da Justiça, Tarso Genro, de defender o direito à memória e à verdade, bem como a apuração de responsabilidade de torturadores, pois, enfatizaram os ministros, a tortura é crime de lesa-humanidade e imprescritível. A mídia dominante de direita procurou desinformar a população. Embora ambos os ministros sublinhassem não estar em jogo a revisão da Lei de Anistia, de 1979, o assunto assim foi apresentado. O Globo, por exemplo, se superou, chegou a apontar os insatisfeitos com a discussão sobre a tortura como os grandes defensores da anistia. A vitoriosa luta democrática e popular da anistia, em nenhum momento, se propôs a "anistiar" torturadores. Eles continuaram a desfrutar de impunidade por conta de um "pequeno detalhe", a ditadura, na ocasião, continuava a existir no país e ainda nos infelicitaria por quase cinco anos. "Olha que eu chamo o Pires" O inesquecível general Figueiredo, o último dos ditadores do regime de 1964, diante do avanço da luta democrática e popular, vez ou outra ameaçava: "Olha que eu chamo o Pires", numa referência ao então ministro do Exército, o general Walter Pires. Hoje, com a democracia existente no país, ao se entrar no "site" do Comando Militar do Leste, ainda se depara com a mesma retórica da ditadura, e aparece imediatamente em destaque uma citação do general Walter Pires, de 1983: "Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas de armas na mão para que a nação não fosse levada à anarquia". O atual comandante militar do Leste, general Luiz Cesário da Silveira, participou, com traje civil, da reunião do Clube Militar, no último dia 7, em que um dos presentes foi o torturador Brilhante Ustra, o tenebroso Dr. Tibiriçá, ex-comandante do terrorista DOI-Codi paulista. Quanto a terrorismo, o general Walter Pires, e seu superior hierárquico imediato, o inesquecível general Figueiredo, apesar de terem todas as armas à mão, não se contrapuseram aos terroristas do Riocentro, os mesmos que cometeram diversos atentados, incendiaram bancas de jornais, atacaram com bombas jornais de esquerda, assassinaram D. Lyda Monteiro da Silva no atentado à OAB, mutilaram e cegaram o funcionário José Ribamar de Freitas no atentado ao gabinete do vereador Antonio Carlos Carvalho e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Note-se, tudo isso em 1980, após a anistia, inconformados com ela e os rumos democráticos para os quais o país se encaminhava. Note-se também que, hoje, o plenário da Câmara carioca, reflexo da democracia, se chama Plenário Vereador Antonio Carlos Carvalho. "Anistia não é amnésia" É o que diz o presidente da OAB, Cezar Britto. Da mesma opinião é Augustino Veit, que foi presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça: "A Lei de Anistia não abrange atrocidades cometidas por agentes de Estado contra brasileiros. Os atos a que me refiro são a tortura, o desaparecimento e a morte, que foram perpetrados por agentes do Estado brasileiro em decorrência de uma decisão política do governo militar na época da ditadura". Para ele, "se nós não reconhecermos que o Estado brasileiro efetivamente praticou essas atrocidades, corremos o risco de retornar ao Estado ditatorial. Precisamos tomar essas atitudes como fortalecimento e consagração da nossa ainda jovem democracia. É necessário avançar e discutir para acharmos a melhor forma de alcançar isso. Esquecer é um péssimo caminho e não o aceitaremos. A sociedade precisa se manifestar em favor da posição de Tarso Genro e Paulo Vannuchi, ou seja, contra os setores de direita e conservadores, que não querem abrir os arquivos e punir os torturadores e assassinos da ditadura". Há diferença profunda entre os que lutaram contra a ditadura e seus algozes, segundo Veit: "Aqueles que lutaram eram cidadãos que defendiam liberdade, igualdade e eram contra a ditadura". Já os defensores da ditadura "praticaram atrocidades da tortura, da morte, do desaparecimento em nome do Estado. Aí está a diferença". O ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos chega a uma importante conclusão: "Nunca se discutiu o papel das Forças Armadas no Brasil. Conseguimos avançar apenas quando se criou o Ministério da Defesa. As Forças Armadas estão acostumadas a não se integrar nos passos democráticos que o país está dando. Até agora, elas querem trilhar caminhos paralelos ao Estado Civil brasileiro, o que é inconcebível. Não podem operar paralelamente, pretendendo posições não democráticas. Daí ser preciso derrubar esse tabu, o que demanda rever diversas funções que são do Estado brasileiro. Em suma, as Forças Armadas precisam estar em sintonia com o avanço democrático do país". Luta democrática Durante ato no dia 13, na Praia do Flamengo, 132, endereço histórico da sede da UNE, o presidente Lula assinou mensagem, encaminhada ao Congresso, na qual reconhece a responsabilidade do Estado pela destruição da sede da União Nacional dos Estudante (UNE) e propõe indenização à entidade. A UNE, permanente alvo da sanha dos golpistas de 1964, teve sua sede incendiada a primeiro de abril de 1964. Em 1980, a ditadura demoliu o próprio prédio da UNE para substituí-lo por um estacionamento. Na solenidade, o presidente Lula se referiu aos heróis do povo brasileiro: "A gente só lembra de Tiradentes. O Brasil tem muitas lutas importantes, mas nós não os cultuamos para dar valor ao que essas pessoas fizeram". Entre esses heróis, Honestino Guimarães, ex-presidente da UNE, um dos desaparecidos da ditadura. Para reverenciar os heróis do nosso povo, como Honestino e tantos outros, é indispensável se saber a verdade acerca do seu desaparecimento, o que pressupõe a abertura dos arquivos de terror da ditadura. A luta democrática cabe a todos os brasileiros, a todos os poderes, executivo, legislativo e judiciário. "Crimes semelhantes aos dos nazistas" Os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero movem ação em São Paulo contra os ex-comandante e subcomandante do DOI-Codi paulista, respectivamente coronéis Brilhante Ustra e Aldir Maciel. A ação dos procuradores visa impedir que todos os torturadores da ditadura ocupem cargos públicos, como é o caso do ex-torturador do mesmo DOI-Codi paulista, Dirceu Gravina, delegado em Presidente Prudente, como atestou recente denúncia da revista Carta Capital. Segundo o procurador Marlon Weichert, "há uma decisão importantíssima da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de 2006, que apreciou os crimes cometidos pela ditadura chilena. Essa decisão classificou os crimes cometidos pelas várias ditaduras do Cone Sul, inclui-se aí Chile, Argentina e Brasil, como crimes contra a humanidade, chamados também de crimes de lesa-humanidade. Esses crimes são semelhantes aos dos nazistas". E a procuradora Eugênia Fávero completa: "Esses crimes não prescrevem. não se sujeitam a nenhuma medida que libere a responsabilização desses autores". As Forças Armadas, como uma das instituições básicas nacionais, não têm nenhum motivo, ao contrário, para se identificarem à tragédia da tortura. Para bem cumprir suas funções constitucionais podem se guiar por militares e brasileiros exemplares, como o Marechal Rondon ("Morrer se preciso for, matar um índio nunca".); o grande soldado da legalidade democrática, o Marechal Henrique Lott; ou, mais proximamente, um honrado militar democrata, herói na luta contra o terrorismo, o Capitão Sérgio Macaco, do Parasar. http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3960&boletim_id=451&componente_id=8108 . -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080829/c508afcc/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 30 13:51:53 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 30 Aug 2008 13:51:53 -0300 Subject: [Carta O BERRO] Neoliberalismo e cultura por FREI BETTO Message-ID: <0a1901c90ac0$b49ce6f0$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. sábado, 30 de agosto de 2008 Neoliberalismo e cultura Frei Betto * O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera como mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Um dos avanços da modernidade foi, com o advento da democracia, reconhecer a pessoa como sujeito político. Este passou a ter, além de deveres, direitos. Dotado de consciência crítica, livrou-se da condição de servo cego e dócil às ordens de seu senhor, consciente de que autoridade não é sinônimo de verdade, nem poder de razão. Agora, busca-se destituir a pessoa de sua condição de sujeito. O protótipo do cidadão neoliberal é o que se demite de qualquer pensamento crítico e, sobretudo, de participar de instâncias comunitárias. E para essa cultura da demissão voluntária contribui, de modo especial, a TV. Em si, a TV é poderoso instrumento de formação e informação. Mas pode facilmente ser convertido em mecanismo de deformação e desinformação, sobretudo se atrelada à máquina publicitária que rege o mercado. Assim, a própria TV torna-se um produto a ser consumido e, portanto, centrado no aumento dos índices de audiência. Para isso, recorre-se a todo tipo de apelação, desde que os telespectadores sintam-se hipnotizados pelas imagens. O problema é que a janela eletrônica está aberta para dentro do núcleo familiar. É ali que ela despeja a profusão de imagens e atinge indistintamente adultos e crianças, sem o menor escrúpulo quanto ao universo de valores da família. Se a TV transmitisse cultura - tudo aquilo que aprimora a nossa consciência e o nosso espírito -, ela seria o mais poderoso veículo de educação. É verdade, não deixa de fazê-lo, mas a regra geral não são os programas de densidade cultural, e sim o mero entretenimento - distrai, diverte e, sobretudo, abre a caixa de Pandora de nossos desejos inconfessáveis. A imagem que "diz" o que não ousamos pronunciar. Ao superar o diálogo entre pais e filhos e impor-se como interlocutora hegemônica dentro do núcleo familiar, a TV altera as referências simbólicas fundamentais do psiquismo infantil. É pelo falar que uma geração transmite a outra crenças, valores, nomes próprios, mega-relatos, genealogias, ritos, relações sociais etc. Transmite a própria aptidão humana de uso da palavra, através do qual se tece a nossa subjetividade e a nossa identidade. É essa interação, propiciada pelo diálogo oral, cara a cara, que nos educa às relações de alteridade, faz-nos reconhecer o eu diante do Outro, bem como as múltiplas conexões que ligam um ao outro, como emoções, imagens provocadas por gestos, expressões faciais carregadas de sentimentos etc. A fala ou o diálogo demarcam referências fundamentais ao nosso equilíbrio psíquico, como a identificação do tempo (agora) e do espaço (aqui), e dos limites do meu ser em relação aos demais. Se a fala reduz-se a uma enxurrada de imagens que visam a exacerbar os sentidos, as referências simbólicas da criança correm perigo. Ela tende à dificuldade de construir seu universo simbólico, não adquirindo sensos de temporalidade e historicidade. Tudo se reduz ao "aqui e agora", à simultaneidade. A própria tecnologia que abrange distâncias em tempo real - Internet, telefone celular etc. - favorece uma sensação de ubiqüidade: "eu não estou em nenhum lugar porque estou em todos". Muitos professores se queixam de que os alunos não são tão atentos às aulas. Claro, o sonho deles seria poder mudar o professor de canal... Muitas crianças e jovens demonstram dificuldade de se expressar porque não sabem ouvir. Possuem raciocínio confuso, no qual a lógica derrapa frequentemente no aluvião de sentimentos contraditórios. Acreditam, sobretudo, que são inventores da roda e, portanto, pouco interessa o patrimônio cultural das gerações anteriores (o financeiro sim, sem dúvida). Assim, a cultura perde refinamento e profundidade, confina-se aos simulacros de talk-show, onde cada um opina segundo sua reação imediata, sem reconhecimento da competência do Outro. No caso da escola, este Outro é o professor, visto não só como destituído de autoridade, mas sobretudo como quem abusa de seu poder e não admite que os alunos o tratem de igual para igual... Ora, já que o professor não "escuta", então só há um meio de fazê-lo ouvir: a violência. Pois foram educados pela TV, onde não há o exercício da argumentação paciente, da construção elucidativa, do aprimoramento do senso crítico. É o perde ou ganha incessante, e quase sempre à base da coação. Assim, cai-se numa educação qualificada por Jean-Claude Michéa de "dissolução da lógica". Deixa-se de distinguir o prioritário do secundário, de perceber o texto em seu contexto, de abranger o particular no pano de fundo do geral, para acatar passivamente as pressões de consumo que buscam transformar valores éticos em meros valores pecuniários, ou seja, tudo é mercadoria, e é o seu preço que imprime, a quem a possui, determinado valor social, ainda que destituído de caráter. Demite-se do ato de pensar, refletir, criticar e, sobretudo, participar do projeto de transformar a realidade. Tudo passa a uma questão de conveniência, gosto pessoal, simpatia. Também são considerados comercializáveis a biodiversidade, a defesa do meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc. É o apogeu do capitalismo total, capaz de mercantilizar até mesmo o nosso imaginário. * Frei dominicano. Escritor -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080830/34367924/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080830/34367924/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat Aug 30 13:52:22 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 30 Aug 2008 13:52:22 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Torturadores_s=E3o_condenados_?= =?windows-1252?q?=E0_pris=E3o_perp=E9tua?= Message-ID: <0a2401c90ac0$c60e6300$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. 29 de agosto de 2008 Torturadores são condenados à prisão perpétua. Ontem (28), dois ex-generais argentinos, Antônio Bussi e Luciano Menéndez, foram condenados à prisão perpétua pelo seqüestro, tortura e desaparecimento de um ex-senador durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). A notícia foi recebida com satisfação pela Anistia Internacional, que declarou que a tortura e o desaparecimento forçado não possuem mais lugar no mundo de hoje. A diretora do Programa Regional para América da Anistia Internacional, Susan Lee, afirmou que as penas impostas a esses ex-generais são provas dos passos que a Argentina está começando a dar para enfrentar seu passado. A AI exige ainda que as autoridades argentinas tomem medidas mais efetivas para proteger as testemunhas.A entidade quer também que as autoridades estabeleçam os recursos necessários para a investigação sobre o destino de Jorge Julio López, desaparecido em 17 de setembro de 2006, após se declarar testemunha de acusação no julgamento contra o ex-diretor de Investigações da polícia da província de Buenos Aires, Miguel Etchecolatz. O Tribunal Oral Criminal Federal de Tucumán concedeu o benefício da prisão domiciliar a Bussi, atualmente com 82 anos, que havia sido governador da província de Tucumán durante o regime militar e entre os anos 1995 e 1999. A defesa de Bussi alegou "precário estado de saúde" para conseguir o benefício. A decisão provocou choques entre membros das forças de segurança e de organizações humanitárias e partidos de esquerda, em frente ao Tribunal. Os dois foram sentenciados por homicídio com agravantes por aleivosia, privação ilegítima da liberdade, violação de domicílio e imposição de tormentos agravados. Menéndez, seis oficiais das Forças Armadas e um civil haviam sido condenados em julho, em Córdoba, por seqüestro, tortura e execução extrajudicial de outras quatro pessoas, crimes cometidos em 1977. Segundo a Anistia, Córdoba e Tucumán estiveram entre as áreas mais afetadas pelas violações de direitos humanos cometidos durante o regime militar. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080830/4b24c4ba/attachment-0001.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080830/4b24c4ba/attachment-0001.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 31 13:11:43 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 31 Aug 2008 13:11:43 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_V=EDdeos_dos_cantores=2E_Muito_?= =?windows-1252?q?lindo=2E_Hoje_=E9_domingo?= Message-ID: <0ef801c90b84$43fcf650$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro..........................................repassem Adoniran Barbosa e Elis Regina, em 1978, no Bexiga Al Pacino - 'Profumo di Donna' Al Pacino - 'Scent of woman' Amália Rodrigues - 'Zanguei-me com meu amor' Andre Rieu - 'Once Upon a Time in the West' Andre Rieu - 'Air on the G String' - Bach Andre Rieu - 'Plaisir D'Amour' Andre Rieu - 'Hava Nagila' Andre Rieu - 'Somewhere Over The Rainbow' Andre Rieu and Bond Girls - 'Victory' Andrea Bocelli - 'Somos novios' Andrea Bocelli - 'Les Feuilles Mortes' Andrea Bocelli - 'Torna a Surriento' Andrea Bocelli e Christina Aguilera - 'Somos Novios' Andrea Bocelli - 'Caruso' Andrea Bocelli - 'La Donna e Mobile' Andy Williams and Henry Mancini - 'Moon River' Ângela Maria - 'Tango pra Tereza' Anne-Sophie Mutter/Hebert von Karajan -'Spring' Artur Rubinstein - 'Polonaise' - Chopin B Banda Eva - 'Pra lá e pra cá' Banda Eva e Ivete Sangalo - 'Eva' , 'Alo Paixão' , 'Beleza Rara' Banda Eva e Ivete Sangalo - 'Beleza Rara' Banda Eva e Ivete Sangalo - 'Eva' Barbra Streisand - 'What are you doing the rest of your life?' Barbra Streisand - 'The way we were' Barry White - 'Just the way you are' Benny Goodman & Carmen Miranda Benny Goodman - 'All the Cats Join In' Benkó Dixieland Band & Myrtill Micheller - 'Misty' Benkó Dixieland Band - 'Yours Is My Heart Alone' Bert Kaempfert - 'Jumpin at the woodside' Bert Kaempfert - 'Chanson D'Amour' Bert Kaempfert - 'Sweet Caroline' Bert Kaempfert - Medley Bert Kaempfert - 'That Happy Feeling' Bert Kaempfert - 'Tuxedo Junction' Bert Kaempfert & Sylvia Vrethammar - 'Strangers in the Night' Bert Kaempfert & Sylvia Vrethammar - 'Spanish Eyes' Bert Kaempfert & Sylvia Vrethammar - 'L.O.V.E' Bert Kaempfert & Sylvia Vrethammar - 'Remember When' Bert Kaempfert - 'The way we were' Bert Kaempfert - 'Medley - ' - live on German TV - 26th August 1967 Bert Kaempfert - 'Strangers in the Night' (documentário) Bert Kaempfert - 'The Beatles' (documentário) Bert Kaempfert - 'The last year' (documentário) Beth Carvalho - 'As rosas não falam' Beto Guedes e Jota Quest - 'Sal da Terra' Beto Guedes e Flávio Venturini - 'Espanhola' Beto Guedes - 'Sol de Primavera' Beto Guedes - 'Quando te vi (Till there was you)' Billy Preston - 'My Sweet Lord' Bing Crosby & Grace Kelly - 'True Love' Bing Crosby, Fred Astaire, and Virginia Dale Billie Holiday - 'The Blues Are Brewin' Bolshoi Ballet - 'The Nutcracker - Snowflakes' Buster Keaton - 'Neighbors' - Filme completo Buster Keaton - 'The Scarecrow' - Filme completo Buster Keaton - 'Cops' - Filme completo C Caetano Veloso - 'Eu sei que vou te amar' Caetano Veloso e Chico Buarque - 'Anos Dourados' Caetano Veloso - 'Mimar Você' Caetano Veloso - 'Chega de Saudade' Caetano Veloso e Lulu Santos - 'Como uma onda' Caetano Veloso e João Gilberto - 'Garota de Ipanema' Carlos Barbosa Lima - 'Odeon' Carlos Barbosa Lima - 'Sons de Carrilhões' Carlos Barbosa Lima - 'I got Rhythm' Carlos Gardel - 'Volver' Carlos Gardel - 'Mano a mano' Carlos Gardel - 'Yira Yira' Carlos Kleiber - Johann Strauss Jr. 'Fledermaus Overture' Carmen Miranda - 'O que é que a baiana tem?' Carole King - 'You've got a friend' Cartola - 'Peito Vazio' Cartola - 'Alvorada' Cat Stevens - 'Father and Son' Charles Aznavour - 'La Boheme' (1) Charles Aznavour - 'La Boheme' (2) Charles Aznavour - 'Paris au mois d'août' Charles Aznavour - 'Sa jeunesse' e 'Hier encore' Chiclete com Banana - '100% Você' Chiclete com Banana - 'Não vou chorar' Chico Buarque e Nara Leão - 'Com Açúcar, Com Afeto' Chico Buarque e Nara Leão - 'A Banda' - Festival 1966 Chico Buarque e Caetano Veloso - 'Tatuagem / Esse Cara' Chico Buarque e Gilberto Gil - 'Cálice' Chico Buarque e Milton Nascimento - 'Cálice' Chico Buarque - 'Trocando em Miúdos' Chico Buarque - 'Olhos nos Olhos' Chico Buarque e amigos - 'Paratodos' Chico Buarque e Dorival Caymmi - 'A vizinha do lado' Chico Buarque e Dorival Caymmi - 'Maricotinha' Chico Buarque - 'Como se fosse a primavera' Chico Buarque e Edu Lobo - 'Chega de Saudade' Chico Buarque e Tom Jobim - 'Sem Compromisso' Chico Buarque e Zizi Possi - 'Anema e Core' Chico Buarque - 'Conversa de Botequim' Chinese Dance (1) Chinese Dance (2) - By Sichuang Dance Academy Chinese Dance (3) - 'Yellow River Piano Concerto' Chinese Dance (4) - 'Yue Yin Ni Shang' Chinese Dance (5) - 'Nan - Mulan' Chinese Dance (6) - 'Tao Yao' Chinese Dance (7) - 'Chu Yao' Chubby Checker - 'Let's Twist Again' Claudette Soares - 'Vivo Sonhando' Claudette Soares - 'Da cor do pecado' Claudio Abbado-Wiener Philharmoniker-Johann Strauss-'Radetzky March' Claudio Arrau 'Beethoven - Piano Concerto no. 5' Claudio Arrau 'Beethoven - Waldstein Sonata' Claudio Arrau 'Brahms - Concerto Dm 3° mov' Classical 78 rpm's & Lp's from Rolf den Otter's collection (Netherlands) D Dalida - 'Salma Ya Salama' David Oistrakh - 'Clair de Lune' - Debussy Dean Martin and Gene Kelly - 'Bye Bye Blue' Dean Martin & Tony Bennett Dinah Shore e Maurice Chevalier - 1958 Dinah Washington - 'All of me' Newport Jazz Festival Diana Krall - 'Fly me to the moon' Diana Krall - 'Just the way you are' Dick Farney - 'Copacabana' Dick Farney - 'Alguém como tu' Djavan e Barbara Mendes - 'Meu bem querer' Domenico Modugno - 'Nel blu di pinto di blu' - Volare Domenico Modugno - 'La Lontananza' Dominguinhos e Luiz Gonzaga - 'Sete Meninas' Dominguinhos, Luiz Gonzaga e Elba Ramalho - 'Sanfoninha Choradeira' Don McLean - 'Vincent' Dooley Wilson - 'It Had To Be You & Knock on Wood' Dooley Wilson (Sam) - 'As time goes by' Dóris Monteiro - 'Mudando de Conversa' Dorival Caymmi e Chico Buarque - 'A vizinha do lado' Dorival Caymmi e Chico Buarque - 'Maricotinha' Durval Ferreira e Leny Andrade 'Batida Diferente' E Ed Motta, Miltinho e Rildo Hora - 'Meu nome é ninguém' Ed Motta - 'Colombina' Ed Motta - 'Caso Sério' Ed Motta - 'Solução' Ed Motta - 'Manuel' Edith Piaf & Charles Dumont - 'Non, je ne regrette rien' Edith Piaf - 'Padam, Padam' Edith Piaf - 'Hymne à l´Amour' Edith Piaf - 'La Vie En Rose' - 1954 Edith Piaf - 'Milord' Edith Piaf - 'Sous le Ciel de Paris' Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Dominguinhos - 'Sanfoninha Choradeira' Elis Regina - 'Ilusão à toa' Elis Regina - 'O Bêbado e a Equilibrista' Elis Regina e Adoniran Barbosa, em 1978, no Bexiga Elis Regina e Tom Jobim - 'Águas de Março' Elis Regina e Tom Jobim - 'Céu e Mar' Elis Regina e Tom Jobim - 'Na Batucada da Vida' Elis Regina - 'É com esse que eu vou' Ennio Morricone - 'Gabriel's Oboe - The Mission' Ennio Morricone - 'The Ecstasy of Gold' Ennio Morricone - 'The Good, The Bad and The Ugly' Ennio Morricone - 'Cinema Paradiso' Eric Clapton - 'Tears in Heaven' Erroll Garner - 'For once in my life' (Rome - 1972) Erroll Garner - 'I get a kick out of you' Erroll Garner - 'One note samba' F Fafá de Belém - 'Só Nós Dois' Fafá de Belém - 'Fado Tropical' Francoise Hardy - 'Mon ami la rose' Fred Astaire & Ginger Rogers - 'Cheek to Cheek' Fred Astaire & Ginger Rogers - 'Smoke Gets in Your Eyes' Fred Astaire & Ginger Rogers - A Tribute Fred Astaire e Eleonor Powel - 'Beguin the beguine' Fred Astaire & Cyd Charisse - 'Dancing in the dark' Fred Astaire & Ginger Rogers - 'Night and Day' G Gal Costa - 'Eu vim da Bahia' Gal Costa - 'Brigas nunca mais / Discussão' Gali Atari - 'Shemesh Aduma' Gali Atari and Milk & Honey - 'Hallelujah' Gene Kelly & Leslie Caron - 'Love is here to stay' Gene Kelly - Making of from 'An American in Paris' Gene Kelly and Georges Guetary - 'S'Wonderful' Gheorghe Zamfir - 'Lonely Sheferd' Gheorghe Zamfir - 'Einsamer Hirte' Gilbert Becaud - 'L'important c'est la rose' Gilbert Becaud - 'Et maintenant' Gino Paoli - 'Sapore di sale' 2006 Gino Paoli - 'Canzoni da Ricordare' Gino Paoli - 'La donna che amo' Glenn Miller - 'Chattanooga Choo Choo' Glenn Miller - 'In the Mood' Gigliola Cinquetti - 'Anema e Core' Gonzaguinha - 'E vamos à luta' Gonzaguinha - 'É' - 'O que é, o que é' Gonzaguinha - 'Ponto de Interrogação' Gonzaguinha e Maria Bethânia - 'Explode Coração' Guilherme Arantes - 'Cheia de Charme' Gustavo Naveira y Giselle Anne - 'La Cumparsita' H Haim Moshe - 'Toda' Haim Moshe - 'Habayta' Haim Moshe - 'Ten Lazman Lalechet' Haim Moshe - 'Ha Kolot Shel Pireus' Haim Moshe - 'Min Ha'Kolot' Haim Moshe - 'Ze Siman' Haim Moshe - 'Kol Nedarai' Henry Mancini and Andy Williams - 'Moon River' Herbert von Karajan - 'The Blue Danube Waltz' Hildegard Knef - 'Eins und Eins das macht Zwei' Hildegard Knef - 'Für mich solls rote Rosen regnen' Hildegard Knef - 'Von nun an gings bergab' Hildegard Knef - Last tour 1 - 'In dieser Stadt' Hildegard Knef - Last tour 2 - 'Die Welt war jung' Hildegard Knef - Last tour 3 - 'Ich brauch´Tapetenwechsel' Hildegard Knef - Last tour 4 - 'Berlin, dein Gesicht hat Sommersprossen' Hildegard Knef - Last tour 5 - 'Eins und Eins das macht Zwei' Hildegard Knef - 6 Minutes About Her Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 1 Hildegard Knef - Best of/Greatest hits 2 I Ivan Lins - 'Bilhete' Ivan Lins e Toquinho - 'Amor em Paz' Ivete Sangalo - 'Eva' , 'Alo Paixão' , 'Beleza Rara' Ivete Sangalo - 'Beleza Rara' Ivete Sangalo - 'Eva' Ivete Sangalo e Rosa Passos - 'Dunas' Ivon Curi - 'Delicadeza' J Jacques Brel - 'Ne me quitte pas' James Last - 'Medley I James Last - 'Medley II (Romance in F - Beethoven...) James Last live in Berlin 1982 - 'Medley III' James Last - 'The Lonely Shephard' James Taylor - 'Carolina in My Mind' James Taylor - 'Help From My Friends' James Taylor - 'Long Ago And Far Away' James Taylor & Carole King - 'You've got a friend' Janine Jansen - 'Thais Meditation' - Massenet João Bosco - 'Memória da Pele' João Bosco - 'Jade' João Bosco & Yamandu Costa - 'Benzetacil' João Bosco - 'Caminhos Cruzados' João Bosco - 'Papel Machê' João Donato - 'Minha saudade' João Gilberto - 'Chega de Saudade' João Gilberto - 'Morena Boca de Ouro' João Gilberto - 'Canta Brasil' João Gilberto e Caetano Veloso - 'Garota de Ipanema' João Gilberto e Tom Jobim - 'Garota de Ipanema' João Gilberto e Tom Jobim - 'Desafinado' John Lennon - 'Woman' John Lennon - 'Imagine' John Lennon - 'Give Peace a Chance' Johnny Alf - 'Rapaz de bem' Johnny Alf - 'The girl from Ipanema' Johnny Mathis - 'Misty' Johnny Mathis - 'A certain smile' Jorge Aragão e Jorge Vercilo - 'Encontro das Águas' Jorge Aragão e Fundo de Quintal - 'Lucidez' Jorge Ben - 'País Tropical' José Carreras - 'Torna a Surriento' José Carreras - 'Granada' José Carreras - 'Una furtiva lagrima' José Carreras - 'Core 'ngrato' Joyce - 'Feminina' Judy Garland - 'Somewhere Over The Rainbow' Julio Jaramillo - 'Nuestro Juramento' Julio Jaramillo - 'La Mexicanita' Julio Jaramillo - 'Iluminas mi alma' K Kaoma - 'Dançando Lambada ' Kid Abelha - 'Pintura Íntima ' L Lara Fabian - 'Adagio' Lara Fabian - 'I Will Love Again' Lara Fabian & March Labreche - 'Cheek To Cheek' Lara Fabian - 'Je t'aime' Lara Fabian - 'Tango' Lara Fabian - 'Caruso' Leila Pinheiro e Rui Veloso - 'Eu não existo sem você' Leny Andrade e Durval Ferreira - 'Batida Diferente' Leny Andrade e Pery Ribeiro - 'Gemini V' Liza Minelly & Joel Grey - 'Money' from 'Cabaret' Liza Minelly - 'Life is a Cabaret' from 'Cabaret' Liza Minelly - 'Mein Herr' from 'Cabaret' Liza Minelly - 'New York, New York' Lorin Maazel - Wiener Philharmoniker - Blue Danube Waltz Louis Armstrong - 'What a Wonderful World' Luciano Pavarotti - 'Torna a Surriento' Luciano Pavarotti - 'Caruso' Luciano Pavarotti - 'Ave Maria' de Schubert Luciano Pavarotti - 'Nessun Dorma' Luciano Pavarotti & Bryan Adams - 'O sole mio' Luciano Pavarotti e Roberto Carlos - 'Ave Maria' de Schubert Luciano Pavarotti e Liza Minelli - 'New York, New York' Luis Miguel - 'Contigo en la distancia' Luis Miguel - 'La Barca' Luis Miguel - 'No se tu' Luis Miguel - 'Sabor a mi' Luis Miguel - 'Palavra de Honor' Luis Miguel - 'Sueña' Luiz Gonzaga e Dominguinhos - 'Sete Meninas' Luiz Gonzaga - 'Boiadeiro' Luiz Gonzaga, Elba Ramalho e Dominguinhos - 'Sanfoninha Choradeira' Lulu Santos - 'Como uma onda' Lulu Santos e Caetano Veloso - 'Como uma onda' Lulu Santos - 'Sereia - De repente, Califórnia' M Maria Bethânia e Gonzaguinha - 'Explode Coração' Maria Bethânia - 'Um jeito estúpido de te amar' Maria Bethânia - 'O doce mistério da vida' Mariza - 'Meu Fado Meu' Mariza - 'Oh Gente da Minha Terra' Marisa Monte e Paulinho da Viola - 'Carinhoso' Marisa Monte e Paulinho da Viola - 'Dança da Solidão' Martinho da Vila - 'Mulheres' Maurice Ja -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20080831/90efea97/attachment-0001.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun Aug 31 13:12:50 2008 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 31 Aug 2008 13:12:50 -0300 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_VAMOS_VIAJAR=3F_HOJE_=C9_DOMINGO?= =?iso-8859-1?q?=2E?= Message-ID: <0f0101c90b84$6a892050$0200a8c0@vcaixe> Carta o Berro.........................repassem ----- Original Message ----- From: Fernando Rossas Freire VAMOS VIAJAR? Veja lugares que ainda não conhece e relembre os bons momentos de lugares que você já esteve. Comece por "Home" para se inteirar das informações preliminares. Ligue o som e viaje pelo mundo. Aguarde um momento enquanto as fotos são carregadas em seu computador. Colocando o mouse sobre as fotos você verá um texto adicional. 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