From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Fri May 25 07:17:04 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Fri, 25 May 2007 10:17:04 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?Centenas_de_m=FAsicas_para_ouvir?= =?windows-1252?q?_e_gravar_=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E?= =?windows-1252?q?=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E=2E/HOJE_=C9_DOMING?= =?windows-1252?q?O/?= Message-ID: <008201c97f2e$ea4148e0$0200a8c0@vcaixe> ««?öñ|hö_Mµ§¡¢ä£»» - ««Å®¡äñä»» Carta O Berro Sonho Musical 500 CLASSIC ROCK CINEMA COLABORAÇÃO DE AMIGOS DANCE FLASHBACK ICONES ESPECIAIS INSTRUMENTAIS INTERNACIONAIS ITALIANAS & FRANCESAS JAZZ & BLUES LATINAS & PORTUGUESAS NACIONAIS NEW AGE POWER METAL PRÊMIOS REGGAE ROCK INSTRUMENTAL ROCK INTERNACIONAL ROCK NACIONAL ROCK PROGRESSIVO ATENÇÃO As músicas contidas neste site destinam-se exclusivamente para execução em salas de bate-papo e estão em formato MIDI, sendo expressamente proibido o download parcial ou total do material aqui contido, bem como sua reprodução para outros fins. Home Dominio Registrado Sonho Musical - 2007/09 - Ä®!äñä -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070525/ebfd1e2e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 1328 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070525/ebfd1e2e/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sat May 26 08:27:48 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sat, 26 May 2007 11:27:48 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?_Discurso_de_Ivan_Seixas_na_inau?= =?windows-1252?q?gura=E7=E3o_do_Memorial_da_Resist=EAncia_=28no_an?= =?windows-1252?q?tigo_DEOPS=29_em_24_de_janeiro_d_2009?= Message-ID: <005701c98001$f58bc3f0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro........................repassem (fotos do Memorial da Resistência) Discurso de Ivan Seixas: Este Memorial destaca o papel da Resistência na defesa dos valores democráticos. Por isso foi reformado e devolvido ao povo brasileiro. Só quem tem sensibilidade política e histórica pode dar ouvidos ao reclamo das pessoas que por aqui passaram. Esta reforma resgatou o importante documento histórico que é este prédio. Podemos bradar bem alto que nosso esforço de reconstruir a história é vitorioso, como vitoriosas são as pessoas que lutaram por Democracia e Liberdade. Outra vez vencemos. Mais uma vez as forças da escuridão, que tentaram apagar as pistas dos crimes cometidos contra o povo brasileiro, foram derrotadas. A abertura deste monumento histórico mostra isso. É sempre bom lembrar que desde o primeiro momento, quando as luzes se apagaram, as vozes da resistência começaram a gritar contra a ditadura mais sanguinária que o país conheceu. Alguns foram gritos de indignação, outros foram gritos organizados. Nunca foram calados. Mesmo quando alguns foram transformados em gritos de torturados, ainda assim denunciavam a ditadura e lutavam por Justiça, Liberdade e Democracia. Há quarenta anos atrás, neste mesmo dia 24 de janeiro, a ditadura foi desmascarada por um militar. Neste dia, o Capitão Carlos Lamarca denunciou a ilegalidade do regime de terror e os crimes de seus colegas de farda e se juntou à luta das Organizações revolucionárias clandestinas. Os golpistas e torturadores nunca o perdoaram por esse ato, do mesmo modo que nunca perdoaram o ex-deputado Rubens Paiva que denunciou o IPES como um antro de golpistas, que havia criado um serviço secreto particular para perseguir as pessoas fiéis à Democracia e contrárias ao golpe. Ambos foram perseguidos e assassinados pelos carrascos da ditadura em 1971. A atitude de resgatar este velho prédio e transformá-lo num símbolo de resistência é a manifestação de quem luta pela Democracia e não quer esconder nossa história. E nem apagar as pistas de sangue deixadas por carrascos impunes até os dias de hoje. Não há como negar que o Memorial da Resistência é mérito das lutas insistentes do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos e das várias entidades, que rejeitaram o estranho Memorial da Liberdade e defenderam o conceito de Memorial da Resistência. Mais lógico e mais sensato. Por justiça, fazemos questão de salientar que o atual Governo do Estado mostrou seu compromisso democrático e a determinação de revelar esse prédio como centro de torturas e assassinatos, sem esconder a verdade e sem mascarar a realidade. Nisso o secretário João Sayad e o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, tiveram papel decisivo e fundamental. Para cumprir seu papel histórico e didático, no entanto, o Memorial da Resistência deve ter um destino militante. Projetos e programações a devem sensibilizar a sociedade sobre a importância da luta pela Anistia, a Justiça de Transição e os Direitos Humanos para a Democracia. Para nós do Fórum dos ex-Presos e Perseguidos Políticos, o objetivo maior é completar a transição democrática, consolidar e aprofundar a Democracia. Devemos usar os danos causados pela ditadura como instrumentos para fortalecer nossas instituições. Que eles ajudem o Estado Brasileiro a ter vontade política e ações na defesa do direito à Memória, Verdade, Justiça e Reparação. E que sirvam de base para a construção de uma verdadeira Democracia, que garanta os direitos fundamentais e uma vida digna ao povo de nosso país. No ano de 2008 houve a união de entidades, personalidades e autoridades na luta comum pelos Direitos Humanos em defesa da Democracia. Fizemos nossa parte ao criar uma articulação nacional das entidades dos atingidos, em defesa da transição completa para a democracia. A CBA-Brasil, Coordenação Brasileira pela Anistia, reúne entidades dos atingidos e de defesa dos direitos humanos de todo o país, com a preocupação de participar do grande debate que se trava sobre os Direitos Humanos. Queremos também fazer frente à investida da direita mais retrógrada de nosso país, que não dorme e não se cansa de procurar as trevas como cenário para seus atos. Mais que isso, apoiamos as iniciativas em defesa do povo e da democracia. Vemos com preocupação o presidente do Supremo Tribunal Federal se transformar no porta-voz das forças do atraso e da defesa dos torturadores dos tempos da ditadura. Por outro lado, aplaudimos a ação dos Procuradores Federais Marlon Weichert e Eugênia Fávero na luta incansável pela responsabilização dos torturadores. Do mesmo modo, apoiamos os ministros Paulo Vannuchi e Tarso Genro que iniciaram o debate sobre a punição aos torturadores. Este último deu ainda uma demonstração de grandeza e soberania nacional ao dar asilo político a um militante de esquerda ameaçado de retaliação pelos neofascistas italianos. O ano de 2009 é rico em simbolismos para a recuperação de nossa História. Em agosto, comemoraremos os 30 anos da Lei de Anistia, que não foi ampla, geral e irrestrita como queríamos e o país necessitava, mas foi uma importante derrota do regime de terror, que teve de ceder os anéis para não perder os dedos. Temos muito o que comemorar nessa data. No entanto, lembraremos os 45 anos do golpe de 64 contra a democracia e os quarenta anos da criação da famigerada e infame Operação Bandeirante. Lembraremos que há quarenta anos João Cândido, o Almirante negro, morria na miséria e a ditadura assassinava Carlos Marighella. E que a repressão política executou o operário Santo Dias da Silva há 30 anos. Nunca esqueceremos disso. Nosso compromisso de não esquecer e cobrar punição para os torturadores dos tempos da ditadura tem um motivo muito claro. A impunidade desses agentes do Estado é um incentivo a prática de torturas e assassinatos pelos agentes atuais. A tortura em órgãos policiais e instituições militares, o assassinato e a violência contra pessoas pobres, principalmente jovens, são uma triste realidade da atualidade. A sociedade brasileira, as instituições democráticas e o Estado brasileiro, precisam sinalizar com clareza que não aceitam esses crimes de lesa-humanidade, apurando a Verdade histórica, única garantia da consolidação da Democracia e de construção de um futuro melhor. Temos como tarefa a realização, neste ano, de nosso Congresso Nacional dos Atingidos para que os perseguidos falem por suas próprias vozes. Será um encontro para mostrar todos os crimes da ditadura, os traumas, as seqüelas sociais e denunciar as práticas autoritárias que perduram até hoje. Acreditamos que o governo estadual e o governo federal se juntarão para dar apoio e suporte a essa nossa iniciativa, pois esse assunto está acima de disputas partidárias. A ditadura atingiu a todos nós brasileiros e democratas. A transição democrática incompleta exige o esforço de todos comprometidos com a Democracia e os Direitos Humanos. Não há partidos nessa luta. Não há argumento ou desculpa para quem se coloca contra ou sabota essa luta. Nunca é demais lembrar que acreditamos na democracia e no futuro de nosso país. E nossa aposta é na juventude. Ela, que foi muito maltratada pela ditadura, que perdeu sua liberdade de participação, organização e manifestação, ainda é maltratada hoje. O flagelo das drogas, a violência contra crianças e jovens, a despolitização da vida brasileira, o ensino precário e alienante completam o serviço iniciado pela ditadura anti-nacional e anti-povo. O compromisso dos atuais governos e governantes com o projeto democrático deve ser o resgate da força da juventude e o incentivo do pleno direito de organização, participação e manifestação dos jovens. O Fórum faz sua parte. Em 2008, realizamos várias palestras e visitas guiadas pelas celas e corredores deste prédio, com estudantes de todos os níveis. Em todas essas ocasiões, incentivamos a reflexão sobre os fatos e a conclusão de que é possível a construção de um mundo melhor. Queremos fazer dessa experiência um sucesso e uma referência nacional, com a participação de mais adolescentes, jovens secundaristas e universitários, da capital e do interior do estado. Convidamos as autoridades do Estado e da União a formarmos uma frente em defesa de uma juventude lúcida, consciente e pronta para o exercício da cidadania. Precisamos que as duas esferas de governo deixem claro seu apoio e participem de nosso Projeto para os jovens no Memorial da Resistência. Para que muitas outras palestras, debates e atos em defesa da vida aconteçam neste espaço ora inaugurado. Queremos também o apoio e suporte de todos os presentes e de todas as esferas de governo para a realização de nosso Congresso Nacional dos Atingidos pela ditadura. Por último, queremos expressar nosso agradecimento ao pessoal que se empenhou na realização e execução das obras de reforma desse espaço, criando um centro de referência sem igual no país. Nossas amigas professoras Maria Luiza Tucci Carneiro e Cristina Bruno, a museóloga Katia Filipini, a historiadora Caroline Grassi, os muitos operários dedicados ao projeto e o diretor da Pinacoteca, Marcelo Araújo, que acompanhou todos os passos da reforma de perto e pessoalmente. Nós, lutadores da liberdade, temos um compromisso com a História, um compromisso que não se finda. Nossa preocupação com os pobres de nossa terra, com a soberania nacional e com nossa juventude nos fez enfrentar o dissabor de voltar a este espaço, onde sofremos torturas de toda ordem, para cumprirmos nossa obrigação com o país, com a história e com o futuro. Estamos todos de parabéns. Cumprimos nossa tarefa revolucionária e nosso papel solidário. Para que nunca mais aconteçam as ditaduras e que o futuro seja melhor para nosso sofrido povo. PELO FIM DAS TORTURAS! DITADURA NUNCA MAIS! VIVA A DEMOCRACIA! -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070526/2b46af99/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 30036 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070526/2b46af99/attachment.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 35088 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070526/2b46af99/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 24378 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070526/2b46af99/attachment-0002.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Sun May 27 08:49:02 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Sun, 27 May 2007 11:49:02 -0000 Subject: [Carta O BERRO] Solidariedade a LEOPOLDO PAULINO Message-ID: <00b701c980ce$17a5cd10$0200a8c0@vcaixe> Nova pagina 1 CARTA O BERRO. ..........repassem. ----- Original Message ----- From: Gabriela Maria Karmina To: vanderleycaixe at revistaoberro.com.br Solidariedade a Leopoldo Paulino O conhecido ex-vereador Fernando Chiarelli cassado por ofender o decôro parlamentar , apresentou no dia 04/12/2007 ao Ministério Público, representação criminal contra o companheiro Leopoldo Paulino, à época vereador à Câmara Municipal de Ribeirão Preto, pretendendo acusá-lo de "apologia pública ao crime e ao criminoso". Baseou-se o denunciante em requerimento apresentado por Leopoldo Paulino à Câmara Municipal de Ribeirão Preto em 27/03/2007, aprovado pelo plenário da edilidade. Requerimento este, ora referendado pelo governo brasileiro.Trata-se do caso Cesare Battisti, cujo texto recente do jornalista Ruy Martins segue abaixo. " o caso Cesare Battisti Por Rui Martins - de Berna O caso Cesare Battisti está praticamente resolvido. Na sua resposta à carta do presidente italiano, nosso presidente colocou tudo nos eixos, deixando bem claro ao insistente colega ser uma questão pertencente à esfera da justiça brasileira e ter sido soberana e definitiva a digna decisão tomada pelo ministro Tarso Genro. Não haverá, portanto, nenhuma crise mesmo porque Lula não acredita haver motivo para perturbar a amizade existente entre os dois países. Embora muita gente goste de criticar nosso presidente, é forçoso reconhecer seu tato e sua educação ao tratar com o governo italiano. Manda a regra diplomática que cartas entre presidentes sejam cercadas de sigilo. Ora, o presidente italiano, para forçar uma resposta de Lula, divulgou sua carta para a imprensa italiana antes de enviá-la a Lula via Itamaraty. Ou seja, nosso presidente recebeu a carta depois de ter sido comentada pelos jornais. Lula não gostou, é claro, mas manteve a calma, quando qualquer um de nós teria reagido com mau humor. Talvez seja por isso que o jornal El País, na semana passada, fez rasgados elogios ao presidente Lula por sua popularidade, apesar de tantos anos no poder e em plena crise mundial. O caso Cesare Battisti provocou um correio fora do habitual. Muitos leitores, baseados em conclusões apressadas de certa imprensa, tomaram as dores dos italianos. Assim, sem disporem de maiores informações, concluíram pela culpa e pela extradição de Battisti com uma lógica digna de jardim de infância. E sequer lhes passou pela cabeça o risco de se condenar um inocente a morrer na prisão. Algumas constatações estranhas também ocorreram. A revista Carta Capital, considerada por tantos como de centro-esquerda, assumiu uma postura francamente italiana e uma reportagem publicada, em julho, impediu muitas pessoas de serem contra a extradição de Battisti. A chamada ala esquerda do PT só aderiu no fim do ano, por volta da decisão do Conare favorável à extradição. Ao contrário, a revista Época publicou uma reportagem correta e imparcial sobre Battisti, enquanto Veja e Isto É publicaram textos objetivos. A mídia brasileira pouco falou de Fred Vargas, mas sem ela não teria havido a próxima libertação de Battisti. Incansável combatente, foi ela quem criou o primeiro comitê de defesa, na França, e buscou o apoio de políticos, intelectuais e da imprensa francesa para Cesare Battisti. A missão não foi fácil - a maioria dos líderes do Partido Socialista, envolvidos numa séria luta interna preferiu se manter à distância, com receio de ser negativa do ponto de vista eleitoral; o jornal Le Monde, logo depois de alguns artigos favoráveis, deu marcha-à-ré, como a revista Nouvel Observateur. Mas Fred pôde contar com o apoio do cotidiano Libération, do jornal l´Humanité, do filósofo Bernard-Henri Levy e da ex-candidata à presidência da França, Segolène Royal. Embora pouco conhecida no Brasil, Fred Vargas, é escritora do gênero policial, bastante conhecida entre os franceses. Seus livros estão entre os dez mais vendidos na França, com mais de um milhão de exemplares, a maioria deles premiados e transformados em roteiros de filmes. Cientista, arqueóloga do prestigioso Centro Nacional de Pesquisas Científicas, CNRS, seu nome verdadeiro é Frédérique Audouin-Rouzeau, e foi por acaso que começou a escrever romances policiais. Foi assim que conheceu Cesare Battisti que, nas horas vagas de zelador de um prédio em Paris, escrevia também romances policiais, atividade que já começara quando clandestino no México, depois de ter fugido da Itália. Ser minuciosa, ela aprendeu com a Arqueologia. Assim, quando a Itália pediu a extradição de Battisti, em 2004, Fred se interessou pelo caso, estudou o processo, foi às fontes e concluiu serem verdadeiras as declarações de inocência de Battisti. Fazia onze anos que Battisti vivia modestamente em Paris e temia, já naquela época, por sua vida, caso fosse extraditado. Além disso, Battisti constituíra família, e já era pai de duas filhas. O presidente François Mitterrand tinha dado asilo a todos os italianos, antigos extremistas dos anos 1960-1970, que tivessem abandonado a luta armada e se integrado na sociedade. Para Battisti, sua participação durante dois anos no movimento Proletários Armados pelo Comunismo, era coisa passada, da qual se desligara havia tempo. Mas sua fuga e ausência, deixando folhas em branco assinadas com o advogado, tiveram um preço - um dos dirigentes do movimento lançou sobre ele (ausente) a responsabilidade e a autoria de quatro crimes. Em conseqüência, julgado à revelia, foi condenado à prisão perpétua. Com base nessa condenação, o governo Jacques Chirac ignorou a proteção dada por Mitterrand, e iniciou o processo de extradição. Faltavam apenas dois meses para Battisti ter adquirido a nacionalidade francesa, pois havia iniciado um processo de naturalização. Battisti foi obrigado a fugir pouco antes de ser extraditado, e desapareceu. Para Fred Vargas, que se tornara líder do movimento em favor de Battisti, começou um longo período de tortura psicológica. Sua casa foi visitada diversas vezes por agentes secretos franceses para instalação de microfones, seus telefones e computadores foram grampeados. Como suspeitasse de um carro sempre parado na sua rua, Fred mudou de apartamento, mas logo reapareceu, no seu novo endereço, o mesmo furgão de antes, provavelmente equipado para todo tipo de escuta. O que antes escrevia enquanto tramas de ficção, passava a se concretizar enquanto vida: a polícia achava que Fred sabia onde se escondia Battisti, e fazia de tudo para encontrar uma pista. Até a prisão de Battisti no Rio de Janeiro, foram três anos sentindo-se todo tempo seguida e vigiada o que só agora, com o estatuto de refugiado a Battisti, deve terminar. Fred esteve cinco vezes no Brasil, entre março 2007 e dezembro 2008, quando constituiu Luiz Eduardo Greenhalgh como seu advogado, encontrando-se com políticos, juristas e procurando sensibilizar a mídia para o caso. Se o senador Eduardo Suplicy, o deputado Fernando Gabeira e o jurista Dalmo Dallari lhe deram apoio desde o primeiro momento, novas adesões à causa foram muito difíceis de conseguir. Apoiar Battisti - e o ministro Tarso Genro experimenta hoje essa incômoda situação -, poderia ter como conseqüência se tornar impopular, visto as acusações feitas pela Itália, facilmente exploradas pela mídia comercial e de direita. Fred Vargas se encontrou, no Brasil, com Clara Bruni, a esposa do presidente francês, em visita oficial ao país em companhia do marido. Fred pediu a ela para interceder junto ao marido em favor de Battisti, do mesmo modo como fizera com Marina Petrella, a brigadista perdoada in extremis pelo presidente francês. Com efeito, Sarkozy transmitiu a Lula a mensagem de que a França se desinteressava do caso Battisti, colocando-o no mesmo plano que Marina Petrella, assegurando que o governo francês não reagiria se o Brasil acolhesse Battisti. Do lado italiano, a pressão era forte. O embaixador em Brasília pediu e obteve seis audiências com o ministro Tarso Genro, e não baixava guarda ao perceber que a ala esquerda do PT abandonava a indecisão e começava a a assumir uma posição firme no sentido de garantir refúgio para Battisti. Um argumento era forte em favor de Battisti: a Itália não reagiu quando a França de Sarkozy perdoou a brigadista Petrella e, por certo, não iria agir diferente com Battisti, que pertencera a um grupo pequeno, não envolvido em mortes de personalidades. Esperava-se uma decisão de Tarso Genro durante as Festas do Natal e Fim de Ano. Como nada foi anunciado, pensou-se o pior. Foi quando Fred recebeu um e-mail de Marco Aurélio Garcia, secretario especial da Presidência para Assuntos Internacionais, informando que o ministro ia lhe comunicar sua decisão no dia 15 de janeiro, mas a decisão acabou sendo tomada no dia 13 à noite. Quando Fred Vargas soube da boa notícia, do refúgio concedido pelo ministro Tarso Genro a Battisti, já era madrugada em Paris." No dia 20 de Janeiro de 2009, compareceu o companheiro Leopoldo à delegacia seccional e prestou depoimento. Leopoldo sofre manifesto constrangimento ilegal, já que é investigado por haver apresentado à Câmara Municipal de Ribeirão Preto, na condição de vereador, um requerimento que foi aprovado pela Casa de Leis, manifestando um posicionamento político que a democracia que nosso país permite. Mais grave, a Constituição Federal Artigo 29 inciso VIII e Lei Orgânica do Município de Ribeirão Preto art. 10 parágrafo único, garantem a inviolabilidade do vereador, que no caso está sendo pisoteada por todas as autoridades que insistem em prosseguir com o malsinado procedimento criminal, para dar atendimento a um cidadão que conforme a certidão exarada pelo investigador de polícia, oculta às autoridades seu próprio domicílio. O promotor Carlos Alberto Goulart Ferreira, então Secretário da Promotoria de Justiça Criminal, determinou a distribuição do feito, que, segundo ele, "configura, em tese, infração Penal". Encarregado do caso, o promotor Paulo José Freire Teotônio solicitou fossem os autos enviados à polícia civil para a oitiva de Leopoldo. Distribuindo à 1ª vara do JECRIM, o juiz determinou fossem os autos enviados à polícia civil "para apurar fatos relativos a crime contra a Paz Pública". Assim, manifestamos solidariedade ao companheiro Leopoldo Paulino, pleiteando ainda o imediato arquivamento do feito, para que o companheiro Leopoldo deixe de ser vítima do constrangimento ilegal. Sugerimos ainda que sejam enviadas cópias de nota aos seguintes endereços: Secretário da Justiça do Estado de São Paulo Dr. LUIZ ANTONIO GUIMARÃES MARREY A/C: gsantana at sp.gov.br A/C: tborsato at sp.gov.br Ministro da Justiça Ministro Tarso Genro gabinetedoministro at mj.gov.br Secretário Nacional dos Direitos Humanos Ministro Paulo Vannuchi direitoshumanos at sedh.gov.br Presidente Comissão de Anistia Dr. Paulo Abrão A/C: marleide.rocha at mj.gov.br A/C: kelen.meregati at mj.com.br Ministro da Comunicação Social Ministro Franklin Martins franklinmartinsproducao at gmail.com Deputado Federal Ivan Valente ivalente at uol.com.br dep.ivanvalente at camara.gov.br Corregedor Geral do MP de SP Dr. Antônio de Pádua Bertone Pereira cgmp at mp.sp.gov.br Secretário Segurança Pública de SP Dr. Ronaldo Augusto B. Marzagão segurança at sp.gov.br Ouvidor Geral da Polícia de SP Dr. Antônio Funari Filho www.ouvidoria.policia.sp.gov.br Secretário do Estado de SP da Casa Civil Secretário Aloysio Nunes aloysioferreira at sp.gov.br Fórum de Ribeirão Preto luciduarte at sp.gov.br Promotoria de Ribeirão Preto darrp at mp.sp.gov.br Tribuna de Justiça de São Paulo magistrado at tj.sp.gov.br Procuradoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo Dr. Fernando Grella Vieira colegio at mp.sp.gov.br Delegado Seccional de Ribeirão Preto rafarabi at uol.com.br -------------------------------------------------------------------------------- Notícias direto do New York Times, gols do Lance, videocassetadas e muitos outros vídeos no MSN Videos! Confira já! -------------------------------------------------------------------------------- Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você estiver offline. Conheça o MSN Mobile! 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E já que estou sonhando, eu gostaria de ganhar uma Honda, no Natal. Não sei por que, mas as coisas hoje andam devagar demais. Nem sei se quero ver o Caio, à noite. Ando meio sem paciência pra escutar debate na USP. O Flávio tem mais imaginação. Ruim eu ter deixado o Flávio, enquanto ainda gostava dele. Mas não agüento gente que fala e não realiza (que não me quer). A Mara. Ir pra casa dela. Mara é força e brilho, como o Caetano e o Gil. Ou a Clarice Lispector. Mas se ela fuma, ou bebe, fica meio estranha (começa a chegar muito perto). Por que uma pessoa descontrola, perde o eixo de repente? Eu não sei (não gosto). Bem diz o Nick, ?quem queima fumo perde o rumo?. Detesto o ato de fumar. De fumar qualquer coisa, mesmo cigarro. Adoro o Nick... Quem será ele, por trás da cortina esfumaçada do Marlboro? CAIO: Acho ruim ser magro. Acho horrível esse nariz. Mas se tem um quesito em que eu sempre ganho é nesse ar de peixe-fora-d?água, de marciano despencado da nave. E na inteligência, ufa. PAULA: O jeito que eu mais me gosto é bronzeada, de camiseta e calcinha. Tenho umas pernas lindas. A primeira coisa que vou fazer, na casa da Mara: contar pra ela e Nick a briga com Dona Vera. Adivinho que vai ser a maior encrenca pra sair de casa, hoje. No livro do Maurois tem uma personagem (Claire?) que apelidou a mãe de ?Clitemnestra?. Achei perfeito e comprei a estória. Mas Dona Verusca pensou que fosse algum palavrão novo. Imagine se alguma vez ela ouviu falar de Clitemnestra? E Agamenon? Porra, onde é que foi parar minha boina azul? CAIO: Acho que vou pra casa da Mara. Minha avó pensa que eu tenho ?um caso? com ela. E vou tentar explicar? Não vale a pena. Às vezes eu gosto de falar ?não vale a pena?, porque dá um alívio. PAULA: Quem é que resolve entrar no banheiro justamente agora? Parece de propósito, só pra me atrasar. Essa estória de ser a maldita da família já está enchendo. Take it easy, enquanto isso procuro a boina mais um pouco? Não. Melhor ficar lendo no corredor, de olho na porta. CAIO: Comentar com Paula o ?Retrato do Artista Quando Jovem?. Ela gostou, será? Eu, mais ou menos. Achei um pouco devagar. É claro que Paula vai estar na casa de Mara e Nick. Onde mais? PAULA: Então Clitemnestra vai sair para fazer comprinhas, que ótimo. Finjo que estou no quarto estudando e depois deixo recado com a empregada. Melhor assim. E Agamenon, o que vou dizer a ele? Paizinho querido, me conte uma daquelas estórias cabulosas do Hospital. E agora uma graninha, um beijo. Mas, antes, um banho. CAIO: ?Você sabia que o Joyce foi excomungado pelo Vaticano? Minha irmã tem o Ulisses, você querendo eu empresto.? Paulita, meu amor para sempre, tudo isso vou dizer pra você, quando a Mara fechar a porta do quarto pra gente ficar, sem pressa... Sem pressa, Paulita, e nada de luz acesa, como nos interrogatórios. PAULA: Às vezes eu me pego achando o Caio muito lindo. Agora: do que adianta escolher uma calcinha bonita, se ele não perdoa nem a luz do abajur? CAIO: Sei muito bem como Paula é gostosa. Tenho mãos para quê? PAULA: ?Os olhos são as únicas mãos que vão ficando a alguns de nós?, é o texto que mais gosto de falar, no espetáculo. É também uma das coisas mais bonitas que o Cortázar já escreveu. Mas eu diria a Caito: com as mãos no escuro, meu lindo, tanto faz se a calcinha é azul ou cor-de-laranja-furada-nos-fundilhos, como as de Clitemnestra. CAIO: Sair logo, antes do Velho chegar. O Velho. É um cara que (desprezo?) não deu certo. É um cara compactuante. PAULA: Acabou. Dona Vera já percebeu que estou armando pra sair. Vai me chamar daqui a pouquinho, pronta pra dar o bote. Tomar um banho bem demorado. Enquanto isso Agamenon fala com ela: porque os jovens precisam de liberdade, etc. etc., estão na idade de se divertir, pá pá pá, como sempre. Esse brilho sabor tutti-frutti deixa os lábios bem delicados... O Caio vai gostar, será? CAIO: Em que boa hora resolvi voltar e trocar de camisa. Agora não tenho como fugir do Velho. Por que ele não ficou mais dois minutos, only, no bar? Parece destino, mesmo. A eterna briga de todos os sábados. Lá vou eu. SEGUNDO MOVIMENTO PAULA: ? Mamãe, por favor, eu já disse que tenho ensaio. Você não pediu pra falar a verdade? Pois aí está, é toda sua. ? ... ? Então: eu bem que poderia mentir, dizer que ia pra Faculdade, mas prefiro jogar limpo. ? ... ? Escute aqui: esse... ?teatrinho?, como você chama, é problema meu. ? ... ? Pois eu não passei no vestibular, como você queria? Então... ? ... ? Ao menos lá no grupo de Teatro as pessoas me tratam como gente, coisa que não acontece aqui em casa. ? ... ? Eu não estou falando do Agamenon; não começa a jogar cortina de fumaça pra cima de mim. CAIO: ? Pai, eu não posso conversar agora. A mamãe conta pra você, tá bom? Vou usar o carro. Dá licença pra eu manobrar? ? ... ? A Mara pagou a gasolina. ? ... ? Não, é que eu levei o gato dela no veterinário. Porra, pai, é claro que ela foi junto. ? ... ? Eu sei, mas depois nós fomos tomar um chope, eu, a Mara, o Nick e o veterinário, que é amigo deles. ? ... ? Só nós quatro. Com o Poncho, cinco. ? ... ? É o gato, ora. PAULA: ? Quem mandou você ligar pra Mara? ? ... ? E daí que ela é casada? Você só pensa nessas coisas? ? ... ? Não dá pra fazer um esforço, não dá pra perceber que algumas pessoas vivem longe desses preconceitos sujos? ? ... ? Isso! Bate mesmo! A violência é uma arma desprezível, própria dos fracóides de merda. A verdadeira força não precisa de porrada pra se firmar. Agamenon nunca me bateu. ? ... ? Eu sei que ele é meu pai, e daí? Chamo do jeito que eu quiser. Há meses, num delírio de febre, Paula sonhou-se Ifigênia. Agamenon tomava sua temperatura, ouvia o coração levantando-lhe a blusa, espetava a agulha na veia. Ifigênia voltava o rosto, com a dor que era a morte em um segundo, enquanto ele murmurava desculpas, Paula, Paulita, amor meu. Agamenon era lindo e fraco, também ele sucumbindo às teias da megera-mãe. Conseguiriam um dia expulsar Clitemnestra e tomar posse, só Ifigênia e Agamenon, do duplex? Ou os deuses exigiriam que Agamenon sacrificasse a filha...? Sonhei tanta bobagem, dissera Paula, ao acordar. Agora, sim, tinha um motivo a mais para adotar os nomes gregos, que caíam como uma luva. Dona Vera não suportava ouvi-los; mais uma razão, portanto, para continuar com o jogo. Por isso: ? A-g-a-m-e-n-o-n. Digo e repito Agamenon quantas vezes quiser. Afinal, ele é meu pai. Não sei como o coitado consegue te agüentar. ? ... ? Ele é muito melhor que você, Clitemnestra... Mas nem tudo está perdido. Sempre é tempo de crescer. E se você quiser mesmo começar, sugiro ?Hair.? ? ... ? ?Hair?, Clitemnestra. Let the sunshine in. CAIO: ? Pai, eu não quero discutir. ? ... ? Então vou a pé. Mas pensei que esse carro fosse meu, também. ? ... ? Pelo menos nunca me meti num poste. ? ... ? Não adianta. Eu vou mesmo pra casa da Mara. Dá licença? PAULA: ? Quer dizer: deixe o sol entrar... Sabe como? Ah, claro que não, claro que não. ? ... ? Então, adeus. Mas não espere que eu volte, como da outra vez. ? ... ? Era isso que você queria, não...? Me pôr pra fora de casa. ? ... ? Por que você não assume sua covardia? Assim, ficaria mais fácil encarar essa máscara horrível no espelho. Já pensou nisso? ? ... ? Não adianta, agora eu vou mesmo. É tudo tão inútil. CAIO: ? Imagine, pai! A Mara nunca entrou pra nenhum partido. ? ... ? E daí? O que ela pensa ou deixa de pensar não é da conta de ninguém. ? ... ? Eu nem sei; a gente não conversa sobre essas coisas. ? ... ? Ora, do que, porra. De livros, do ensaio, do espetáculo... O que mais? Não, de jeito nenhum. Eu até acho a Mara e o Nick um pouco... Um pouco desligados demais para o meu gosto, sabe? ? ... ? Tá, tá, tá bom. PAULA: ? Já chega, Dona Vera. Eu não caio mais na sua teia de aranha (Será que vou pra casa da Mara, de vez? Mas pra dormir onde? Na sala? Por que não?). Quer soltar a porta do elevador, please? Estão chamando, no andar de baixo. ? ... ? E daí, eu não me importo com escândalos. Oh, sim, um condomínio familiar, isso aqui? É um cortiço muito mal transado, bem no estilo da classe média-medíocre. Ai, solta logo essa merda... Ufa. CAIO: ? ... ? Não me venha com essa. Achei tremendamente sujo o que vocês fizeram no CRUSP. ? ...? ? É, vocês, mesmo. Nesses tempos de obscurantismo, quem não reage compactua. A estória só tem dois lados e eu sei muito bem qual é o seu. ? ... ? Ah, agora fui eu quem provocou? Por mim, já teria ido embora. Tchau. TERCEIRO MOVIMENTO CAIO finalmente o carro, trânsito de sábado à noite, irritação que desaparece à lembrança de uma outra noite, de estréia, um mês atrás, quando foi tomar vinho com Paula: ? Meu Deus, Paulita, pena que acabou. ? Nada, bobo. Agora é que a coisa começa. ? Mas aquela beleza que correu entre todo mundo, na hora do espetáculo, será que repete na próxima vez? ? Diz a Mara que sim, só que de um jeito diferente. ? Tomara. Quer mais vinho, minha linda? ? Não. Tenho de ir pra casa, Caito. ? O que será que a Mara está fazendo agora? ? Dormindo, acho. ? Ou então comemorando, com Nick. ? Pode ser. ? Porra... Tanto tempo de ensaio e então a estréia, uma hora de espetáculo e kaputt, acabou, the end. ? Pois a Arte é assim mesmo, Caito... Escuta, você viu a Clitemnestra morrendo de orgulho, na platéia? Pois ela vai acabar comigo, quando eu chegar em casa. ? Não acredito. É capaz de hoje ela dar uma trégua. ? Sei! E o seu pessoal, não foi por quê? ? Nem convidei. Eles não entenderiam, mesmo. ? Hum, que amargura, garoto. ? Não me chama de garoto. Não gosto. ? Mara e Nick te chamam assim. ? Mas é diferente. É carinho e não gozação. ? Desculpa, Caito. Claro que desculpava, claro que tudo naquela primeira noite de Paula e delírios rabiscados em guardanapos, Paula de repente já não precisava ir para casa, era só telefonar dizendo que não tinha mais ônibus, e que tal se visitassem Mara e Nick? ? Mas e se eles já estiverem dormindo? ? A gente dorme também. Vamos? A Avenida Paulista deserta, o vento gelado nos cabelos, Paula encolhendo-se como um papelzinho de seda amassado. ? Veste a minha jaqueta. ? E você? Ah, que bom caminhar assim até a Vila Madalena, bom encontrar a luz acesa, Mara e Nick ainda acordados, tomando vinho branco (que nem a gente fez agora há pouquinho, Paulita), o gato Poncho no colo de Mara aconchegada em Nick, a noite e o fogo na lareira, Paula recolhendo os copos para lavá-los na cozinha, tudo ali, tanta magia espalhada, era estender as mãos e pegar. Tudo tão inteiro. Caio e a primeira vez com Paula, medo que alguma coisa desse errado, mas como poderia, já que Mara e Nick haviam saído de mansinho, a porta fechada suave e só Paula devagar e nua contra o fogo, as sombras, escuros flashes pelo teto e paredes, Poncho dando tapinhas nos cordões dos tênis jogados no tapete, tudo bonito e assustador num tempo único. ? Tá bêbado, corno? ? grita o motorista do ônibus que Caio acaba de fechar, com seu pobre fusquinha azul. ? Porra, desculpa. ? E Caio ri, presa da memória apaixonada que o roubou da hora presente, que por pouco não o matou, com essa molecagem. Era bom lembrar aquela noite e melhor ainda chegar à casa de Mara e Nick, uma vez mais. PAULA, andar de robozinho pela calçada, o sapato novo incomodando, mas ficava tão chique. O pensamento na palavrinha pu-bli-ci-da-de, idade, cida, idadecida, ida, lida, dia, cidade, ade, um H e eu teria o inferno, inferno lembra Dona Vera, era, cera, dera, fera, gera, hera, lera, mera, Nera, um abecedário inteiro de nada, essa minha mãe é mesmo um karma. Clitemnestra é a própria mãe desnaturada. Olha que menino bonito. Eu adoro gente bonita e limpa. Ah, se o Caio me pega pensando assim, agora que anda metido até a alma (o rabo) nas reuniões da Faculdade, resolvendo os problemas do povo brasileiro. Bom, eu até respeito, mas não ponho fé. O Caio é um idealista. É bonito ser i-d-e-a-l-i-s-t-a, se bem que inútil. Às vezes eu me preocupo com o Caio. Se bem que os caras do Movimento não vão dar nada perigoso pra ele fazer; já perceberam que ele fala demais, será? Ou Caito não me conta tudo (será?). Caito. Ao menos ele não me olha como os outros, como se fosse devorar uma lasanha. Ah, que bom chegar à Rua Harmonia. O fusca do Caio está na porta, melhor ainda. Mara já me viu, da janela, enquanto abro o portão. QUARTO MOVIMENTO A casa de Mara e Nick era sempre o aconchego. Noite de lua cheia e alguma nuvem embaçando, panquecas-vinho-fumo-cigarros, Paula e Caio pela primeira vez um banho comprido e promessas de gozo, a cama já pronta na sala, o gato Poncho na lareira, pequeno-novelo-amarelo-claro, como a calcinha de Paula no varal do banheiro. Paula: ? Que horas são? Quase duas? Que bom não ter que ir pra casa, pra lugar nenhum. Desta vez saí mesmo. É sério, agora não volto mais. E a Paula, para quem tudo ali era harmonia, ocorreu pintar uma aquarela com aquele cenário que a seus olhos ganhava em magia e dimensão, embora a sala comum, os objetos de cena baratos, o vinho razoável. (Perto de Mara, até a vulgaridade ganha um toque original. E perto de Nick? Se Nick quisesse, eu... Acho que Mara não se importaria... Não sei.) Caio: ? Gente, e uma fumadinha? Paula: ? Quem queima fumo perde o rumo. Caio: ? Às vezes sim, às vezes não... Pois eu quero mais é me soltar. Paula nem ouve a resposta e teimosia de Caio, mas ouvirá Mara dali a pouco, dizendo a Nick que alguém chamado Horácio já deveria ter chegado. Paula: ? Quem é Horácio? Eu conheço? Não, Horácio era um amigo, que estava a caminho. Paula: ? E ele vai dormir aqui? Claro, que pergunta, a minha. Já é de madrugada e... Ele vai passar alguns dias? Ah. Então, posso ir pra casa da minha irmã. Acho que não vai ter acomodação pra todo mundo, não? Mas Mara sorria, dizendo que ficasse, que tudo se ajeitaria. Então Paula, em pleno alívio: ? Obrigada, mas eu não quero atrapalhar, tá? E teve a impressão que Nick se aborrecia... Com sua presença ali? Com Mara, que achava melhor telefonar para saber de Horácio, que estava tão atrasado? E Nick meio ríspido dizendo que não, o jeito era esperar, não se podia fazer muito mais que isso.Então Paula ganhou a certeza de que entre Nick e Mara corria algo incompreensível, mas não era a primeira vez que os ouvia conversar assim, numa espécie de código indecifrável, embora usassem palavras comuns como ?você há de ser sempre a...? Sempre o quê? Por que Caio resolvia falar justamente agora? ? Quer fumar, Paulita? ? Não. ? E você, Mara... Nick? Então, pito sozinho. Paula e a tentativa de um olhar cúmplice com Mara. Claro que o garoto ia também recitar, sozinho, o discurso anárquico-romântico de sempre, repetir pela enésima vez a estória da invasão do CRUSP pelos gorilas, os detalhes absurdos: ? Paulita? ? Hum? ? Eu já te contei que na invasão do CRUSP os homens apreenderam um livro sobre Cubismo, pensando que tivesse a ver com Fidel? ? Já, Caito. Você já me contou. Mara levantando-se, pondo uma fita de flamenco no velho aparelho de som e voltando para junto de Nick. Caio, a corda toda: ? Mara, você gosta do Brecht? E se a gente montasse alguma coisa dele, depois da temporada? Paula: ? Ele está engavetado, Caito, proibido. Caio: ? Eu sei, mas mesmo assim, Paulita. Seria um ato revolucionário. Paula adiantando-se, precisava mesmo salvar a pátria, mudar o rumo da conversa. Detestava quando Caio, divagando, fazia papel de besta, mesmo na frente de Mara e Nick, que sabiam que ele era um menino de muito valor, não? (Ai, ai, ai, lá vai o garoto despejar as doutrinas, com casca e tudo.) Paula: ? Caito, por que a gente não muda de assunto? A Mara e o Nick não são ligados a... como se diz? A essas... coisas. Caio: ? Ao Movimento. Paula: ? Isso. Caio: ? E você, por que não se engajou em nada, Paulita? Paula incomodada, a noite começa a fugir do roteiro imaginado. E essa conversa do Caito... (Mas nem Mara nem Nick parecem atentos ao meu garotinho que, aliás, está ridículo. Droga, por que Caito não é como Nick? Por que não se recosta na almofada, com os olhos semicerrados, cara serena-madura-bonita, ouvindo Paco de Lucia? Por que eu mesma não faço isso?) Caio: ? Tem uns lá que não são de nada, sabe? Paula: ? (forçado ar distante) Quem? Caio: ? Uns caras da Sociologia. Não agüentam uma porrada. Um bando de cagões. Paula: ? Mas você não disse que todos eles eram incríveis? Caio: ? Errei. Agora já abri os olhos. Claro que muitos se salvam. São puro cerne, como se diz por aí. Com esses, eu pulo de cabeça em qualquer onda. Paula: ? Sei (é engraçado, mas também angustiante, ficar ouvindo Caio e ao mesmo tempo observar a sombra de Mara e Nick na parede, no canto oposto da sala, enquanto ambos falam de um tal Cinci e Pirandello. Mas é como se falassem de outra coisa, porque se olham de um jeito e comentam de repente que o tempo está passando). E como para Paula o tempo é um pássaro apenas esboçado, sem endereço nem rota, ela desiste da carona e volta a ouvir Caio. ? Você leu a carta da Dilma Alves, no Le Monde, Paulita? Um amigo meu conseguiu uma cópia, você querendo eu empresto. Porra, você nem está me ouvindo. E Caio, olhar teatral de criança incompreendida, reacende o diminuto cigarro. O velho aparelho de som desliga sozinho no final da fita. Um grupo chega pelo portão e Mara abre a cortina: ? Mas Horácio não vinha sozinho? QUINTO MOVIMENTO Nos segundos de infinito horror, no momento em que tudo fica suspenso e as linhas finalmente se enroscam para compor a malha de simultâneos hiatos, um imaturo escritor fotografa os flashes que passam num instante interminável pelos olhos dos personagens. NICK olha Mara com uma já inútil reprovação: por que não havia ela concordado em dispensar aquelas duas crianças, antes que a coisa ficasse perigosa demais? Já não tinham recebido tantos telefonemas da chorosa-furiosa Dona Vera, ordenando que parassem de receber Paula? Por que Mara, conhecendo muito bem o Q.G. onde Paula vivia, tinha ignorado o risco, os avisos? MARA responde com um também inútil olhar de perdão, mas isso não importa nem adianta, agora. PAULA não pensa em nada. Apenas tenta sufocar uma voz que de longe sopra, talvez, a explicação de tudo. Mas Paula consegue, ao menos por enquanto, obliterar o que não quer ver. Nem ouvir. CAIO se lembra por um instante do Encouraçado Potenkim, a seqüência da escadaria de Odessa e o carrinho de bebê que deslancha pelos degraus, como acontece agora com a bicicleta de Nick, que um dos homens tira do caminho com um pontapé. Então Caio recorda um trecho lido já-não-sabe-onde sobre Danton, uma crônica que falava de Sandino, Sacco e Vanzetti e uma cena de Roda Viva. Caito quase se sentiria um herói, mas não sabe ao certo como agir ou pensar. O medo lhe rouba todo o espaço. Se pudesse acordar, se ao menos e mais pudesse acordar, ele se diz, infinitamente, piscando os olhos míopes para aquele quadro que não vai mudar. Num apartamento duplex, os que Paula chama de AGAMENON e CLITEMNESTRA discutem: A solução encontrada não teria sido um tanto, digamos, excessiva? Talvez, mas já se sabe... Não há mais como deter os fatos, pensam, eufemisticamente. A essa altura a coisa deve estar a pleno vapor, por assim dizer. A moça, a tal Mara, já não fora advertida antes, e tantas vezes? ? comenta Do­na Vera com o marido, que responde com um ?sim? e um olhar cansado onde uma dúvida, quase uma culpa, tenta se instalar. Mas enfim era preciso pôr um paradeiro naquela fase de Paula. Era preciso livrá-la o quanto antes da influência daquele casal, que ameaçava não apenas a inexperiente-ingênua Paulita, mas todos os jovens cheirando-a-cueiro que freqüentavam a casa e o tal grupo de Teatro. Apenas, ficava a dúvida: a moça, a tal Mara, não era contratada da Secretaria de Cultura? Sim, claro ? confirma Dona Vera. Aliás, é nesses Órgãos do Governo que eles se infiltram. O marido acaso não se lembra daquele jornalista que trabalhava na Prefeitura? Pois é assim que estamos, já não se pode confiar em ninguém. Sem dúvida ? o marido concorda, recordando-se vagamente de uma tal Sara, que atendera num porão, há dias. Sim, qualquer jogo para salvar Paula dessa horrível probabilidade. Qualquer ato, sacrifício ou pessoa. Mesmo a tal Mara, que vira uma vez, na estréia da pecinha de Teatro. Bonitinha, ela. SEXTO MOVIMENTO Paula olhos arregalados, os homens revirando armários, Caio um gesto trêmulo, o baseado jogado às pressas na lareira que ele mesmo ajudara Nick a construir, meses atrás. Nick e Mara, por enquanto, mais surpresos que assustados. Nick se adiantando e o primeiro tapa. Sthendal-Cortázar-Nietzche arrancados da estante e Caio: ? Por favor, senhores ? numa voz que parece a de um homenzinho valente. ? Você cala a boca, moleque; o nosso caso é com eles. Três horas da madrugada, um vizinho que acende a luz, o primeiro grito sufocado de Mara, o carro que parte silencioso como chegou, levando mais dois passageiros. Paula quase à histeria, olhando a casa já vazia de Nick-Mara-os homens. Dona Vera que telefona: ? Filhinha, você está bem? Caio engolindo um riso nervoso, cãibras: ? Vai ficar tudo bem com eles, Paulita. A Mara e o Nick não são ligados a nada. A nada mesmo. E a lucidez, num segundo: Paula a mão nos olhos à chegada da compreensão que ainda tenta evitar. Mas agora não há como deter a voz, que já se insinuou em sua distraída inteligência. É algo que dói e que a faz tão perto daqueles homens e quase inimiga de Mara. É como se sua presença ali fosse um pouco o carro que chega e parte na madrugada. Mas, então... A briga daquela tarde, a vingança de Clitemnestra, a traição de Agamenon... Compreende que estava enganada, que é Mara a Ifigênia, é ela que Agamenon sacrifica para que os ventos soprem e levem Paulita de volta a seus braços, tudo se entrelaçando como se num mesmo bloco, na mesma roda que gira e emplaca os inseparáveis atos isolados. De novo o telefone e Caio se adianta para atender, pensando que se for alguém perguntando por Horácio, ele dirá que não: ? Não tem ninguém aqui com esse nome... Quem está falando é o Caio. Espere aí. Escute, acho que Horácio não virá. Levaram Mara e Nick. Não sei, eu não sei mesmo. De nada. ? Nada ? Paula repete, só para si, pensando que pode ser aí que Mara e Nick estejam, agora. Num infinito nada. É esta a imagem mais próxima que consegue para a palavra que não ousa pronunciar. fim [Este conto de Yara Camillo faz parte de seu livro, ?Volições? (Massao Ohno Editor, 2007), e também de ?Hiatos? (RG-Editores, 2004), ambos ilustrados por Wilson Neves.] Contato com a autora: ymcamillo at uol.com.br *** -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070528/66bcf88e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 9085 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070528/66bcf88e/attachment.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 7091 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070528/66bcf88e/attachment-0001.jpe -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... 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Name: not available Type: image/jpeg Size: 9773 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070528/66bcf88e/attachment-0004.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 29 08:24:16 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 29 May 2007 11:24:16 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?iso-8859-1?q?_EXCLUSIVO=3A_BATTISTI_FALA_=28mat?= =?iso-8859-1?q?=E9ria_de_capa_da_Isto=C9_2047=2C_de_04/02/2009?= Message-ID: <01f101c9825c$f8319190$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro.........................................................repassem Cesare Battisti - "Por que tudo isso comigo?" Em entrevista à ISTOÉ, Cesare Battisti fala de comunismo, guerrilha, arrependimento, inimigos, erros, perseguições e fugas Por Luiza Villaméa ISTOÉ - Como é ser o pivô de uma crise entre o Brasil e a Itália? Cesare Battisti - Eu, sinceramente, não acredito que tudo isso esteja acontecendo.É enorme, é exagerado. Eu não sou essa pessoa tão importante. Sou um dos milhares de militantes italianos dos anos 1970. Sou um das centenas de militantes que se refugiaram no mundo inteiro, fugindo dos anos de chumbo da Itália. Por que tudo isso comigo? ISTOÉ -O sr. teme que o Brasil volte atrás, por causa da reação forte da Itália? Battisti - Não. A decisão do ministro Tarso Genro é bem fundamentada. Ele analisou todos os documentos. Não foi uma leitura superficial. E a perseguição política está provada nos documentos.Acho que o gesto do ministro Genro foi de coragem e de humanidade. A decisão é muito importante não só para mim, Cesare Battisti, mas para a humanidade. A Itália precisa reler a própria história. Nós estamos dando à nação italiana a possibilidade de reler sua história com serenidade, humanamente. ISTOÉ - Junto com a reação italiana, reapareceu um antigo companheiro seu, Pietro Mutti, dizendo que o sr. participou da morte de um joalheiro e de um policial. O sr. matou estas pessoas? Battisti - De jeito nenhum. Está muito longe da realidade. Na época desses assassinatos eu nem fazia mais parte dos PAC. ISTOÉ - O sr. matou alguém? Battisti - Eu nunca matei ninguém. Eu nunca fui um militante militar em nenhuma organização. Nem na Frente Ampla nem nos PAC, onde fiquei dois anos, entre 1976 e 1978. Saí dos PAC em maio de 1978, depois da morte de Aldo Moro (o ex-primeiro-ministro da Itália sequestrado e morto pelas Brigadas Vermelhas). Na época, milhares de militantes abandonaram os movimentos de luta armada. Foi um momento de debate muito importante na Itália. ISTOÉ - O sr. repetiria que não matou ninguém na frente de Alberto, o filho do joalheiro Pierluigi Torregiani, que está na cadeira de rodas em consequência de um atentados dos PAC? Ele faz parte da campanha contra o sr. na Itália. Battisti - É lamentável o que está fazendo o Alberto Torregiani. Ele sabe que eu não tenho nada a ver com isso. Porque eu já troquei muitas cartas com ele. Uma correspondência de amizade, de sinceridade e de respeito. Mas o Alberto Torregiani sofre pressão por parte do governo italiano porque ele, depois de tantos anos de luta, coitado, conseguiu uma aposentadoria como vítima do terrorismo. Desde 2004, tem uma pensão como vítima dos anos de chumbo na Itália. Eles estão fazendo pressão, já que podem tirar a pensão dele. ISTOÉ - Por que o sr. entrou em contato com Alberto Torregiani? Battisti - Sempre me sensibilizei com a situação do Alberto. Ele era um adolescente na época do atentado. Ao reagir ao ataque, o pai acabou acertando o filho, que ficou paraplégico. ISTOÉ - E o Pietro Mutti, como o sr. entende a manifestação dele, depois de anos de silêncio? Battisti - Ele repetiu, palavra por palavra, o que falou para o procurador Armando Spataro, em 1981. E, como outros "arrependidos", ele havia falado sob tortura. Agora, não posso afirmar que ele não foi ressuscitado pela máquina do governo italiano. Mas, mesmo se ele tiver reaparecido de verdade, ele não poderia fazer outra coisa senão repetir exatamente o que exige o procurador conhecido por ter chefiado o esquema de tortura na região de Milão. Naquela época, a tortura fazia parte do cotidiano da Itália. A Itália tem de reconhecer isso. Mas não pode. Porque a Itália é Europa. E a Itália não pode admitir que nos anos 1970 viveu uma guerra civil. ISTOÉ - Mas era uma democracia. Não era uma ditadura. Battisti - Havia uma democracia na qual a máfia estava no poder. Nós temos um primeiro-ministro que ficou décadas no poder e foi condenado por ser mafioso. Estou falando de Giulio Andreotti (líder do Partido Democrata-Cristão italiano, primeiro-ministro nos períodos de 1972-1973, 1976-1979 e 1989-1992). Havia também os fascistas, que nunca foram afastados do poder. E hoje, infelizmente, voltaram. ISTOÉ - Na semana passada, uma mulher identificada como sua ex-namorada Maria Cecília B. disse na mídia italiana que o sr. confessou a ela o assassinato de um agente penitenciário. Battisti - Maria Cecília Barbeta, que nunca foi minha namorada, foi uma colaboradora da Justiça. Era o que chamavam de colaboradora secundária, que confirmava detalhes para sustentar uma acusação. ISTOÉ - E ela pertencia aos PAC? Battisti - Eu nunca tive conhecimento disso. Acho que não. Era da Frente Ampla, na região de Veneza. Devem ter pedido a ela que confirmasse um detalhe. Aí, ela disse que numa noite eu confessei ser o assassino do agente penitenciário. ISTOÉ - Quantos integrantes tinham os PAC? Battisti - Na época em que fiquei nos PAC, entre 1976 e 1978, eu não conhecia todo o grupo, em nível nacional. Mas acho que tinha pelo menos umas 200 pessoas ativas, mas os PAC existiram até 1979. Tinha também grupos de apoio. ISTOÉ - Qual era o seu papel nos PAC? Battisti - Os PAC tinham um jornal, Senza galera. Significava "sem cadeias". Cadeias no sentido mais amplo, de Michel Foucault, a favela, o gueto. Eu entrei para colaborar com este jornal. Mas comecei a fazer política ilegal muito jovem, com 15, 16 anos. Participei de todas as lutas. Na época tinha luta para o divórcio, o aborto, para a redução das tarifas de eletricidade. Tinha também a luta pela legalização da maconha. Era uma época especial. E comecei a me interessar por política dentro de casa. ISTOÉ - Como? Battisti - Eu sou filho e neto de comunistas. Quando tinha dez anos, andava com meu irmão, com toda a família, com um cravo vermelho na roupa. Era uma enfermidade em toda a casa. Ser comunista naquela época não era tão fácil. Na escola, quando criança, eu tinha problemas com isso, porque a Igreja Católica não era muito tolerante com os comunistas. ISTOÉ - E sua família? Battisti - Minha mãe era católica, muito crente. Meu pai, não, mas era tolerante em relação à Igreja. E tínhamos muitos santos em casa. E havia também um quadro de Stálin. Quando eu era criança, com sete, oito anos, eu achava que Stálin era santo também. Um pouco estranho, por causa do bigode, mas eu era uma criança. Entrei cedo na juventude comunista. Depois, saí do partido comunista e entrei no que era o movimento de extrema esquerda da época. ISTOÉ - E, pouco depois, o sr. foi preso pela primeira vez. Battisti - Nessa época, nós financiávamos os movimentos com furtos, pequenos assaltos. ISTOÉ - O sr. chegou a ser condenado por assalto à mão armada? Battisti - Fui, por assalto a uma mansão, na região de Roma. Era na Frente Ampla. Todo mundo praticava ilegalidades nesta época. Chamávamos de expropriações proletárias. Não eram, claro, furtos contra pobres. Eram alvos escolhidos. Era uma prática generalizada. Servia para financiar nossos cartazes, jornais e pequenas revistas. As primeiras rádios livres, por exemplo, foram financiadas por atividades ilegais. ISTOÉ - E por que o sr. resolveu vir para o Brasil? Battisti - Eu morei dez anos no México. Fui fundador de uma revista e de uma bienal de artes gráficas. Sabia que no Brasil existiam muitos refugiados italianos. Eu tinha contato com alguns deles. Eles passavam muito bem. Tinham família, tinham trabalho. Estavam integrados. O povo brasileiro é parecido com o italiano. ISTOÉ - Mas por que o Brasil em 2004? Battisti - Não foi uma fuga, não foi uma escolha de verdade. ISTOÉ - O sr. tinha apoio no Brasil? Battisti - Tinha o contato do Fernando Gabeira. Não o conhecia pessoalmente, mas tínhamos amigos em comum. Tinha também outros endereços que nunca usei, como o do Ziraldo, o escritor. Gabeira foi muito receptivo comigo. Eu não falava português, mas ele falava francês e italiano. Foi uma grande ajuda para mim, psicologicamente. ISTOÉ - Financeiramente também? Battisti - Não, ele me deu ajuda psicológica. Eu vivia dos direitos autorais dos livros que tenho publicado na França. E, desde que cheguei ao Brasil, já escrevi outros três livros. O último, eu preciso revisar para entregar para a editora. É uma continuação de Minha luta sem fim, que foi publicado no Brasil. ISTOÉ - Como foi a sua vinda para o Brasil? Operacionalmente, como se deu? Battisti - Uma parte da França me ajudava. Havia um grande movimento popular, intelectual, que se manifestou a meu favor. E neste momento existiam também alguns membros do governo, que não posso citar os nomes, que haviam se comprometido conosco, refugiados italianos. Eles estavam com dificuldade de aceitar que a França renunciara à palavra dada. ISTOÉ - Eles integravam os serviços de segurança da França? Battisti - Eram pessoas do serviço secreto. Deste pessoal chegou a orientação para eu abandonar a França. A ideia de minha fuga para o Brasil foi de um integrante do serviço secreto da França. No escritório de meus advogados franceses, um deles me disse que a Itália estava pressionando, por causa das denúncias que eu fazia em meus livros. E ele me falou do Brasil, lembrou que havia muitos refugiados italianos no Brasil. Eu, por minha vez, me lembrei de tudo que tinha ouvido falar sobre o Brasil quando vivi no México. ISTOÉ - E como essa saída se concretizou? Battisti - Uma semana depois, ele mandou outra pessoa me entregar um passaporte, italiano, com minha foto e meus dados. ISTOÉ - E foram eles que organizaram sua vinda para o Brasil? Battisti - Não. Eu fui de carro da França para a Espanha e Portugal. De Lisboa, fui para a Ilha da Madeira. De lá, fui de barco até as Ilhas Canárias. Nas Canárias, peguei um avião para Cabo Verde e, em seguida, para Fortaleza. ISTOÉ - O sr. tinha algum contato em Fortaleza? Battisti - Não, mas lá aumentaram as minhas suspeitas de que havia uma informação cifrada no código de barra do meu passaporte. Em todos os lugares, alguém sabia que eu estava chegando. Em Fortaleza, foi na fila do controle de passaporte. Faltava pouco para a minha vez. Chegaram três pessoas. Uma delas, uma mulher, falava francês perfeitamente. Falou que precisava ativar o código de barras de meu passaporte. Me levaram para uma sala, me convidaram para um cafezinho e, depois de dez minutos, me devolveram o passaporte. ISTOÉ - O sr. acredita então que foi monitorado no Brasil? Battisti - Durante dois anos e meio, fui constantemente monitorado. ISTOÉ - Por quem? Battisti - Por brasileiros e pelos franceses. Sempre. Acho que em algum momento entraram também os italianos. ISTOÉ - Mas, se o sr. não tem importância, como disse, por que esse monitoramento? Battisti - Não sei. Fico me perguntando o porquê e os custos. Quem estava financiando isso aí? ISTOÉ - O que sobrou da militância? Battisti - Eu continuo sendo um comunista de verdade, não no sentido partidário. As minhas ideias não mudaram. Continuo pensando que tem muita injustiça social, que a humanidade tem ainda muito a fazer para se desenvolver. Minha maneira de intervir nisso é através da escrita, do voluntariado. Na França, dei cursos de escrita para presos, ajudei a montar bibliotecas em comunidades carentes. Por meio dessas atividades, eu continuo minha militância. ISTOÉ - E como o sr. avalia a luta armada? Battisti - A luta armada foi um erro. Agora não acredito que se possa fazer uma revolução pelas armas. Eu nunca atirei em ninguém, mas usei armas em operações para o financiamento das organizações. ISTOÉ - Se o sr. olhasse para trás e pudesse alterar algo em sua vida, o que mudaria? Battisti - Eu não mudaria minhas ideias, mudaria os meios para alcançar os resultados. Nunca acreditei que se podia mudar o mundo matando pessoas. Nem quando entrei nos PAC, porque a organização não incluía a morte de pessoas em suas diretrizes. Os PAC se diferenciavam das Brigadas Vermelhas e de outras organizações por esta razão. E foi este o motivo de minha ruptura com os PAC depois da morte de Aldo Moro. Os PAC defenderam a morte de Aldo Moro. ISTOÉ - O sr. se lembra da última vez que se encontrou com Pietro Mutti? Battisti - Foi horrível. Porque eu saí da prisão em um momento de derrota total. Estávamos em 1981. Só alguns fanáticos acreditavam ainda que se podia fazer algo com as armas na Itália. Quase todos os chefes de organizações - na Itália eram mais de 100 grupos armados - estavam presos. Na cadeia, nos reuníamos. Para nós, a ofensiva armada tinha acabado. ISTOÉ - Mas o sr. não foi resgatado desta prisão por uma operação armada? Battisti - É. Eu não saí sozinho. Fui escolhido para ser libertado por meio de uma ação pesada, durante a qual não se usou violência física contra ninguém, com uma missão. Falar com Pietro Mutti e outros chefes de organizações para deixar a iniciativa armada, fazer uma retirada estratégica, me reintegrar na Frente Ampla e continuar as ações de financiamento para sustentar os que estavam na clandestinidade e também os que estavam presos. ISTOÉ - E como se saiu nesta missão? Battisti - Esta missão foi um desastre. O Pietro Mutti estava sob uma pressão terrível, tinha sob suas ordens jovens de 18, 20 anos, pelos quais ele se sentia responsável. Brigamos. Esse último encontro foi uma grande briga durante a qual eu joguei um cinzeiro na cara de uma militante que me chamou de traidor. Porque eles acharam que eu sairia da cadeia falando em Che Guevara e na luta pelas armas. E eu cheguei dizendo que tudo estava acabado. ISTOÉ - O sr. desenvolve algum trabalho na cadeia? Battisti - Eu estou acabando meu terceiro livro. O segundo, que está no computador, é Ser Bambu. O terceiro se chama Ao Pé do Muro. É uma trilogia, uma continuação. ISTOÉ - Então é autobiográfico? Battisti - É autobiográfico, mas é um pouco diferente do primeiro. Agora já retomei um pouco meu estilo de romance. ISTOÉ - O sr. escreve à mão ou no computador? Battisti - À mão. ISTOÉ - Como reage à repercussão internacional de seu caso? É mais difícil lidar com o cotidiano da cadeia? Battisti - Agora tenho assistência psiquiátrica e estou tomando antidepressivo. ISTOÉ - Mas o sr. parece animado. É a perspectiva de ser libertado? Battisti - Um pouco e fiquei animado com sua entrevista. Mas a pressão é enorme. Cada vez que penso nisso, não acredito que esteja acontecendo comigo. ISTOÉ - Vê as notícias a seu respeito na TV? Battisti - Fala-se muito sobre meu caso. E os outros presos têm muita solidariedade. Nunca tive problemas nem com os presos, nem com os agentes. ISTOÉ - Há uma acusação de que o sr. matou o comandante de uma cadeia, os agentes penitenciários aqui sabem disso? Battisti - Acho que sim. Mas atualmente estou sendo tratado muito bem, com respeito. E os agentes me tratam como qualquer outro preso. ISTOÉ - Como encara a decisão final que está para sair do Supremo? Battisti - O Brasil me concedeu meu refúgio político. O procurador-geral da República deu parecer favorável ao refúgio. Acho que o Supremo irá na mesma direção, que já tomou em outros casos. ISTOÉ - O sr. está tranquilo ou ansioso? Battisti - Não estou tranquilo porque a pressão é enorme. Está arrebentando comigo. As notícias, a mídia, eu não estou preparado para isso. Agora, uma coisa me surpreende de um lado: porque essa mídia que está fazendo todo esse barulho não se pergunta por que há essa reação exagerada da Itália. Essa histeria da Itália. Por que está acontecendo comigo? Por que o presidente e os ministros italianos estão reagindo dessa maneira pessoal? ISTOÉ - A primeira-dama da França, Carla Bruni, interveio a seu favor? Battisti - Eu acho isso uma mentira. E acho que a Carla Bruni não teria porque intervir a meu favor. ISTOÉ - Mas nos documentos encaminhados ao Conare, consta que a irmã dela, Valerie, interveio no passado. Battisti - Não sei. Ela declarou isso oficialmente? ISTOÉ - O sr. conversa sobre sua situação com suas filhas? Battisti - Sim. Sim. ISTOÉ - É difícil para elas? Battisti - Não. Porque nunca escondi minha vida. Desde criança, cresceram, conhecendo tudo pouco a pouco. ISTOÉ - Mas na imprensa internacional o sr. é um terrorista, assassino. Battisti - Na Itália, não estão todos contra mim, na França, muitas pessoas estão a meu favor. Muita gente não acredita que sou terrorista ou assassino. ISTOÉ - A Fred Vargas abre a lista dessas pessoas? Battisti - Uma pessoa que conhece profundamente meu processo. Acho que ela conhece mais que eu. Foi a única pessoa no mundo que leu essas duas malas de processos. ISTOÉ - Em quem o sr. se apega para continuar tocando em frente, para ter força, diante dessa pressão? O sr. tem fé em Deus? Battisti - Sim. ISTOÉ - Com sua formação, o sr. acredita em Deus? Battisti - Acredito numa força superior. Na lei superior universal. Sempre. Misturo isso com minha vida e meu pensamento político. Acho que estou agindo na direção dessa força superior. Mesmo quando errei. Por exemplo, usei armas, mesmo não matando ninguém, estava num processo de violência. Mas sempre acreditei. ISTOÉ - A que o senhor se apega nesses momentos difíceis? Battisti - Às pessoas, às milhares de cartas que chegam para mim. ISTOÉ - Que pessoas? Battisti - Pessoas que não me conhecem. Muitas cartas de pessoas que eu nem imaginava que gostassem de mim, do mundo inteiro. De pessoas que conheci nos anos 70, que conheço, que sabem porque está acontecendo isso comigo. ISTOÉ - O sr. acha que seus livros influenciam? Battisti - Com certeza. ISTOÉ - Livros denunciando a tortura nos anos 70? Battisti - Denunciando o que a Itália nunca quis assumir. Na Itália existiu na guerra civil, como denunciamos para o orquestrador da repressão na época, o ex-presidente da República italiana Francesco Cossiga. Ele mandou uma carta pessoal para mim, me reconhecendo como militante político. A senhora pode ter acesso a essa carta. Ele diz que éramos um grupo revolucionário que queria tomar o poder pela via das armas num projeto socialista. Palavras do Francesco Cossiga. Será que Berlusconi, o grande mafioso, tem mais crédito do que Cossiga? ISTOÉ - O que o sr. gostaria de fazer depois de sair da prisão? Battisti - Neste período na cadeia, li muito, aprofundei muito o conhecimento do país, historicamente, socialmente, culturalmente. Para mim o Brasil é um país muito interessante do ponto de vista humano, do ponto de vista também profissional. Eu posso fazer muito aqui, exatamente o que fazia na França, ter muita iniciativa cultural, continuar a escrever, reunir aqui a minha família. ISTOÉ - O sr. quer trazer a Valentina e a Charlène? Battisti - Eu quero trazer as minhas filhas. Não estou casado. Quero trazer a mãe de minhas filhas também. A Valentina cursou biogenética. Tem projeto para ela aqui no Brasil, há muito que fazer nessa área. A biogenétia aqui no Brasil é um assunto muito importante, o mundo inteiro está olhando para o Brasil. Eu estou sonhando com isso. ISTOÉ - O sr. tem algum lugar de preferência? Battisti - Eu gosto muito do Rio de Janeiro. É um paraíso. É uma maravilha. Mas na verdade não sei onde vou viver. Acho que minha família vai adorar o Rio de Janeiro. ISTOÉ - Por que o sr. demorou 16 anos para falar que não matou ninguém? Battisti - Porque os outros que confessaram, disseram que tinham matado de verdade. Se eu me defendesse, me diferenciaria e abriria uma brecha na doutrina Mitterrand, que impunha a mesma defesa para todos. Nada de sustentações individuais, como inocência, revelia, como alegações pessoais. Eu obedeço a essa norma de conduta. Em nenhuma das etapas desse processo reivindico a inocência. Fiz um documentário sobre os anos de chumbo na Itália e essa é a causa da vingança dos poderosos políticos italianos. Eu não posso me separar. Para dizer que sou inocente, tenho que renunciar a defesa dos advogados. Fiz procuração para outro advogado, que está me defendendo na França, para poder dizer, agora alto, que não matei ninguém e fui condenado à revelia. Para isso, tive de sair da defesa coletiva. ISTOÉ - E por isso não foi feita essa defesa pontual? Battisti - Exato. Acho que a Itália mente. O governo italiano está mentindo. A mídia italiana, em sua maioria, pertence ao Berlusconi. Estão mentindo. Pessoas estão manipulando, ou estão deixando manipular. Nunca fui ouvido pela Justiça italiana sobre esses quatro homicídios. Nunca. Não existe. Não fui ouvido nenhuma vez num inquérito, na fase de instrução. ISTOÉ - A França se recusou a extraditar Marina Petrella, que era da Brigada. Battisti - Sim. A situação penal dela é muito mais pesada que a minha. Por que não fazem todo esse barulho, por que não fazem nada? Essa pessoa está sendo acusada de coisas muito mais pesadas do que eu. Porque não fazem nada? A pergunta que faço é esta: estaria disposta a Justiça italiana hoje a me ouvir pela primeira vez sobre esses quatro homicídios, antes de me enterrar vivo? A Itália estaria disposta a me ouvir uma só vez sobre esses quatro homicídios antes de me condenar, como condena a Petrella, à privação da luz solar? Privar um homem da luz solar é um homicídio. ISTOÉ - Como é o seu cotidiano aqui? Battisti - De manhã tem café. Os agentes passam o café às 7h10. Neste momento a gente tem que estar acordado e responder à conferência. Fico dentro da cela. Dorme-se com cela trancada. A cela é aberta para o café da manhã. A gente toma um copo de leite de soja. Tem café, mas tem que comprar na cantina. A gente passeia no pátio. Cada um se liga nas suas atividades. ISTOÉ - E você escreve? Battisti - Quando volto para a cela começo a preparar a cabeça para escrever. Mas, nesses últimos dias, não consigo. Há muito pressão, não consigo me concentrar. ISTOÉ - Você tem amigos aqui? Battisti - Somos umas 50 pessoas. Somos todos amigos. Um precisa fazer pelo outro. ISTOÉ - À noite, vocês vão dormir a que horas? Battisti - O banho de sol, de segunda a sexta, termina às 4 da tarde. Todo mundo volta para a cela, onde cada um faz o que quiser. Lê, vê televisão. Antes das 7h30 eu não ligo a televisão. A televisão é do preso. Meu companheiro de cela também não gosta de televisão o dia todo. Isso é bom para mim, que gosto de ler e escrever. O jornal a gente vê, às 8. ISTOÉ - No dia 18 de dezembro você comemorou seu aniversário aqui na cadeia? Battisti - Sim. Aqui na cadeia. Com bolo e tudo. ISTOÉ - Quem fez o bolo? Battisti - Não sei. ISTOÉ - Quem fez? Battisti - Não sei. Chegaram 10 pessoas. Foi a ex-prefeita de Fortaleza que chegou. A Maria Luiza Fontenelle. Ela e outras pessoas. ======================================================================================================================================================== O Estado de S. Paulo - 29/01/2009: Entrevista com Cocco [ por telefone ] -- em http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/1/29/governo-seguiu-a-jurisprudencia-do-stf Giuseppe Cocco: "Governo seguiu a jurisprudência do STF'' Há 14 anos no Brasil, o italiano Giuseppe Cocco, doutor em história social pela Universidade Paris I e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, aplaudiu a concessão do refúgio político a Cesare Battisti. A seguir, trechos de entrevista concedida por telefone: O Brasil agiu corretamente ao conceder o refúgio político a Battisti? O governo brasileiro fez bem, na medida em que confirmou a jurisprudência do STF em relação a outros italianos (ligados à luta armada). Battisti foi condenado à revelia, então não teve direito a ampla defesa. A decisão brasileira é técnica e, ao mesmo tempo, tem a dimensão do reconhecimento político de que Battisti fez parte de um movimento nos anos 70 e que a repressão daquele movimento passou por uma dinâmica específica, com leis especiais. A grande imprensa se refere ao ?terrorista Battisti? como se tivesse agido ontem, mas estamos falando de coisas acontecidas entre 30 e 40 anos atrás. O ministro Tarso Genro tem razão ao dizer que a imprensa teve comportamento diferente quando ele propôs a rediscussão da punição aos torturadores. Aí disseram que era coisa do passado. Como o sr. vê a reação da Itália? O governo italiano e o conjunto da classe política estão protestando com uma dupla postura. Eles nunca convocaram seu embaixador em Paris quando a França deu abrigo não a um ou dois, mas a centenas de italianos. Com o Brasil a atitude é neocolonial. Segundo, quando falam das vítimas, por um lado têm razão: é um período triste, duro, e as famílias não entendem a posição brasileira. Mas os mesmos que falam da dor das vítimas não veem problema no fato de que leis da própria Itália premiaram um monte de assassinos, que circulam livremente no país, com períodos curtíssimos de prisão. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070529/559bac22/attachment.html From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Tue May 29 08:24:24 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Tue, 29 May 2007 11:24:24 -0000 Subject: [Carta O BERRO] =?windows-1252?q?__A_vis=E3o_sagrada_de_Israel_po?= =?windows-1252?q?r_Jos=E9_Lu=EDs_Fiori?= Message-ID: <01f201c9825c$fc7a5ed0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro..............................................................repassem DEBATE ABERTO A visão sagrada de Israel Duas coisas chamam a atenção nesta ultima guerra: a inclemência de Israel, e sua indiferença com relação à comunidade internacional. Mas existe um aspecto desta história que quase não se menciona, como se as ?visões sagradas? do mundo e da história fossem uma característica exclusiva dos países islâmicos. José Luís Fiori ?Se o Hamas quer acabar com Israel, Israel tem que acabar com o Hamas antes?. (Efraim, 23 anos, estudante de uma escola religiosa de Jerusalem, FSP 24/01/2009) Durante vinte e um dias de bombardeio contínuo, Israel lançou 2500 bombas sobre a Faixa de Gaza ? um território de 380 km2 e 1.500 milhão de habitantes - deixando 1300 mortos e 5500 feridos, do lado palestino, e 15 mortos, do lado militar israelita. A infra-estrutura do território foi destruída completamente, junto com milhares de casas e centenas de construções civis. E é provável que Israel tenha utilizado bombas de ?fósforo branco? - proibidas pela legislação internacional com conseqüências imprevisíveis, no longo prazo, sobre a população civil, em particular a população infantil. Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, se declarou ?horrorizado?, depois de visitar o território bombardeado, e considerou ?escandalosos e inaceitáveis? os ataques israelitas contra escolas e refúgios mantidos em Gaza, pelas Nações Unidas. Richard Falk, relator especial da ONU sobre a situação dos Direitos Humanos em Gaza, também declarou que, ?depois de 18 meses de bloqueio ilegal de alimentos, remédios e combustível, Israel cometeu crimes de guerra, e contra a humanidade, na sua última ofensiva contra os territórios palestinos. Crimes ainda mais graves porque 70% da população de Gaza tem menos de 18 anos? . Dentro de Israel, entretanto - com raras exceções - a população apoiou a operação militar do governo israelita. Mais do que isto, as pesquisas de opinião constataram que o apoio da população foi aumentando, na medida em que avançavam os bombardeios, até chegar a índices de 90%. E no final, na hora do cessar-fogo, metade desta população era favorável à continuação da ofensiva, até a reocupação de Gaza e a destruição do Hamas. (FSP, 24/01/09). Seja como for, duas coisas chamam a atenção ? de forma especial - nesta ultima guerra: a inclemência de Israel, e sua indiferença com relação às leis e às críticas da comunidade internacional. Duas posições tradicionais da política externa israelita, que têm se radicalizado cada vez mais, e são quase sempre explicadas ?escalada aos extremos? do próprio conflito. Mas existe um aspecto desta história que quase não se menciona, ou então é colocado num segundo plano, como se as ?visões sagradas? do mundo e da história fossem uma característica exclusiva dos países islâmicos. Desde sua criação, em 1948, Israel se mantém sem uma constituição escrita, mas possui um sistema político com partidos competitivos e eleições periódicas, tem um sistema de governo parlamentarista segundo o modelo britânico, e mantém um poder judiciário autônomo. Mas ao mesmo tempo, paradoxalmente, Israel é um estado religioso, e uma grande parte da sua população e dos seus governantes, tem uma visão teológica do seu passado, e do seu lugar dentro da história da humanidade. Israel não tem uma religião oficial, mas é o único estado judeu do mundo, e os judeus se consideram um só povo, e uma só religião que nasce da revelação divina direta, e não depende de uma decisão, ou de uma conversão individual: ?se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis uma propriedade peculiar entre todos os povos. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa? (Êxodo, 19, 5-6). Alem disto, o judaísmo estabelece normas e regras específicas e inquestionáveis que definem a vida quotidiana e comunitária do seu povo, que deve se manter fiel e seguir de forma incondicional as palavras do seu Deus, mantendo-se puros, isolados e distantes com relação aos demais povos e religiões: ?não seguireis os estatutos das nações que eu expulso de diante de vós...Eu Javé, vosso Deus, vos separei desses povos. Fareis distinção entre o animal puro e o impuro..não vos torneis vós mesmos imundos como animais, aves e tudo o que rasteja sobre a terra? (Levítico, 20, 23-25). Para os judeus, Israel é a continuação direta da história deste ?povo escolhido?, e por isto, a sua verdadeira legislação ou constituição são os próprios ensinamentos bíblicos. O Torá conta a história do povo judeu e é a lei divina, por isto não pode haver lei ou norma humana que seja superior ao que está dito e determinado nos textos bíblico, onde também estão definidos os princípios que devem reger as relações de Israel com seus vizinhos e/ou com seus adversários. Em Israel não existe casamento civil, só a cerimônia rabínica, e os soldados israelenses prestam juramento com a Bíblia sobre o peito e com a arma na mão: ?Javé ferirá todos os povos que combateram contra Jerusalém: ele fará apodrecer sua carne, enquanto estão ainda de pé, os seus olhos apodrecerão em suas órbitas, e a sua língua apodrecerá em sua boca.? (Zacarias, 14, 12-15) As idéias religiosas dos povos não são responsáveis nem explicam necessariamente as instituições de um país e as decisões dos seus governantes. Mas neste caso, pelo menos, parece existir um fosso quase intransponível entre os princípios, instituições e objetivos da filosofia política democrática das cidades gregas, e os preceitos da filosofia religiosa monoteísta que nasceu nos desertos da Ásia Menor. Mas o que talvez seja mais importante do ponto de vista imediato do conflito entre judeus e palestinos, e do próprio sistema mundial, é que Israel - ao contrário dos palestinos ? junto com sua visão sagrada de si mesmo, dispõe de armas atômicas, e de acesso quase ilimitado a recursos financeiros e militares externos. Com estas idéias e condições econômicas e militares, Israel seria considerado ? normalmente - um estado perigoso e desestabilizador do sistema internacional, pela régua liberal-democrática dos países anglo-saxônicos. Mas isto não acontece porque no mundo dos mortais, de fato, Israel foi uma criação e segue sendo um protetorado anglo-saxônico, que opera desde 1948, como instrumento ativo de defesa dos interesses estratégicos anglo-americanos, no Oriente Médio. Enquanto os anglo-americanos operam como a âncora passiva do ?autismo internacional? e da ?inclemência sagrada? de Israel. José Luís Fiori, cientista político, é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070529/b81700ab/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/gif Size: 16664 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070529/b81700ab/attachment.gif -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 4058 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070529/b81700ab/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Wed May 30 08:06:46 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Wed, 30 May 2007 11:06:46 -0000 Subject: [Carta O BERRO] FSMundial - Presidentes reafirmam compromissos com os movimentos sociais Message-ID: <003d01c98323$b05934a0$0200a8c0@vcaixe> Carta O Berro............................repassem 30.01.09 - AMÉRICA DO SUL Presidentes reafirmam compromissos com movimentos sociais O ginásio de esporte da Universidade Estadual do Pará (UEPA), em Belém, foi palco na tarde de ontem (29) de um encontro memorável. Pela primeira vez, um Fórum Social Mundial reuniu num mesmo espaço, numa mesma mesa, representantes de movimentos sociais e os mandatários dos quatros países que atualmente estão na linha de frente do que podemos chamar de governos progressistas, ou indo mais além, com processos revolucionários em curso. Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) dividiram a mesa com Nalu Farias (Marcha das Mulheres, do Brasil), João Pedro Stedile (MST, Brasil), Pablo Reyner (Central de Trabalhadores Argentina), entre outros (as) representantes. O evento, convocado pelos movimentos sociais como a Via Campesina, que agrega os principais movimentos agrários, Jubileu Sul, CAOI, Aliança Social Continental, teve como objetivo realizar um diálogo para a "Integração Popular de Nossa América". Segundo a Via Campesina, "infelizmente", o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, não foi convidado para a mesa, "sabemos claramente quais são os governos que hoje estão mais compromissados com as demandas populares". Rafael Correa, com nova Constituição e adotando medidas há tempos cobradas pelos movimentos sociais, como a não renovação do contrato que permite a permanência da Base de Manta; Evo Morales, que enfrentou recente levante da minoria economicamente rica da Bolívia, e saiu vitorioso de um referendo no último dia 25; Fernando Lugo, que trabalha para cumprir uma de suas promessas de campanha, pedindo a renegociação do Tratado de Itaipu; e Hugo Chávez, com uma tentativa de golpe de estado e vitória em vários referendos, foram ovacionados por cerca de 600 pessoas de diversos organizações e entidades que estavam no local. Em comum, os quatro têm claro o projeto de soberania plena que buscam para seus povos e para a integração latinoamericana. Fazendo referência à atuação da região, o representante da CTA afirmou que a América Latina é a única região que passa de um processo de resistência para políticas concretas de alternativas. E citou exemplos dos países convidados para a mesa. "Somos parte da mesma vontade de mudança. Esse espaço inaugura uma forma inédita de diálogo com nossos governos", afirmou. Rafael Correa ressaltou a oportunidade de um evento poder reunir quatro governos e movimentos sociais que têm o objetivo comum de construção de uma América Latina mais justa e digna. Enfatizou o socialismo, a integração e criticou o modelo neoliberal. "Nós estamos vivendo uma crise que não foi criada por nós. E a saída para ela é a integração. Nós não podemos aderir aos interesses do capitalismo", disse, com a propriedade de quem peitou a negociação da dívida externa de seu país e abriu antecedentes para um debate mais amplo sobre o tema na região. Já o presidente paraguaio Fernando Lugo, disse que é nos movimentos sociais, na luta das mulheres, dos camponeses, na questão indígena que seu governo busca inspiração para seguir em frente e que as mudanças só foram possíveis por conta da atuação deste setor. "É a luta dos grupos sociais que mudam o cenário da América Latina". Mas ainda há muito por fazer. "O que conseguimos mudar foi suficiente para derrotar os conservadores, mas ainda não é suficiente para garantir a sociedade que os latinoamericanos merecem", falou. Elencou ainda alguns pontos necessários para uma mudança mais ampla: defesa do Aquífero Guarani ("Enquanto não conseguirmos, não descansaremos"); devolução de Guantânamo a Cuba ("as fronteiras não podem ser mais fortes que as integrações") e preço justo para a energia que busca o Paraguai, em referência à negociação do Tratado de Itaipu, que tem com o Brasil. O coro orquestrado pelos militantes de "Evo, Amigo. O povo está contigo" ecoou pelo ginásio quando o presidente boliviano pegou o microfone. "Não quero que me convidem, quero que me convoquem", falou sobre o encontro com os movimentos sociais. "Vejo muitos movimentos sociais e só foi através deles que eu consegui chegar à presidência. E se hoje este fórum conseguiu reunir quatro presidentes é graças à luta de vocês", disse para o público. Evo fez um breve histórico das lutas e conquistas do povo boliviano nos últimos anos e reafirmou seu compromisso com a soberania para o país, ressaltando sempre que sem os movimentos sociais não será possível realizar um processo realmente democrático. Hugo Chávez, comandante e presidente da Venezuela, bem à vontade, foi o último a falar. Brincadeiras com o público, menção aos amigos na platéia (Aleida Guevara, filha de Che Guevara), reverência à luta feminista e muitas mensagens sobre a "revolução bolivariana" que, afirma, já se instalou na América Latina, assim como buscaram tantos líderes, Bolívar, Martí, Guevara e o "companheiro Fidel" - frequentemente citado por todos os participantes - fizeram parte de seu repertório. Mais incisivo que os demais quando o assunto é combater o imperialismo, sobretudo o estadunidense, Chávez não poupou críticas e disse não ter muitas expectativas com a eleição de Obama nos Estados Unidos. "Estamos dispostos a resistir a qualquer opressão imperialista". E continuou: "A FAO disse que 800 milhões de pessoas passam fome no mundo. A culpa é do capitalismo e da política irresponsável dos Estados Unidos". Fez menção aos 50 anos da Revolução Cubana, ícone de resistência, sobre os avanços sociais dos países ("Venezuela, como Bolívia e Cuba são territórios livre do analfabetismo"), e sobre as respostas que se tem dado como a Alternativa Bolivariana para as Américas à Alca, e a Unasul. "Vamos em busca de um tratado de comércio dos povos, pela integração e cooperação", falou. Em seguida, João Pedro Stedile reuniu vários pontos colocados pelos movimentos sociais. O encontro foi encerrado com os presidentes cantando, juntos, a canção "Hasta Siempre Comandante Che Guevara". À noite O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com os quatro presidentes no início da noite para tratar de assuntos de cooperação latina. Mais tarde, um evento oficial organizado pelo Governo Federal e local, reuniu os cinco presidentes no Centro de Convenções de Belém. O evento foi aberto ao público do Fórum Social Mundial, mas não comportou boa parte dos (das) participantes. As matérias do projeto "Ações pela Vida" são feitos com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF2008. Ana Rogéria, editora de Adital, de Belém (PA) -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070530/459ec11e/attachment.html -------------- next part -------------- A non-text attachment was scrubbed... Name: not available Type: image/jpeg Size: 44063 bytes Desc: not available Url : http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070530/459ec11e/attachment.jpe From vanderleycaixe em revistaoberro.com.br Thu May 31 06:00:13 2007 From: vanderleycaixe em revistaoberro.com.br (Vanderley Caixe) Date: Thu, 31 May 2007 09:00:13 -0000 Subject: [Carta O BERRO] Boletim Carta Maior - 30/01/2009 Message-ID: <029101c983db$2dcce910$0200a8c0@vcaixe> Visualização do Boletim Eletrônico - Agência Carta MaiorCarta O Berro.........................................................................................................repassem Boletim Carta Maior - 30 de Janeiro de 2009 Ir para o site Por que os presidentes vieram ao Fórum? O encontro de cinco presidentes marca um dos pontos mais altos de todas as edições do FSM. Todos se legitimam e legitimam o evento, que torna-se definitivamente parte da agenda política mundial. Lula, que esteve duas vezes em Davos, decidiu não subir aos alpes suíços neste ano. > LEIA MAIS | Internacional | 30/01/2009 Movimentos cobram programa mínimo e mais ação contra a crise "Esperamos mais de vocês, queremos mudanças estruturais, não remédios para o capital", disse João Pedro Stedile, dirigente do MST e o principal articulador do encontro dos movimentos sociais com presidentes da Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador. Movimentos defendem programa mínimo para derrotar a crise, com medidas como o rompimento com a dependência externa, a nacionalização dios bancos e uma moeda regional própria. > LEIA MAIS | Internacional | 30/01/2009 "O Consenso de Washington foi uma experiência desastrosa" Em ato organizado pela Fundação Perseu Abramo, no FSM 2009, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, teve seu nome cantado como candidata à presidência da República. Na manifestação, Dilma (na foto, ao lado da governadora do Pará, Ana Júlia Carepa) criticou o receituário aplicado pelo chamado Consenso de Washington, que pregava a submissão do Estado ao mercado. "Essa crise é também a crise de um pensamento que defendeu que o Estado devia ser curvar ao mercado, e que o mercado era perfeito. Pois eu quero dizer a vocês que o mercado tem de ser controlado, sim", defendeu. > LEIA MAIS | Política | 29/01/2009 PERGUNTA A GOVERNANTES E AO FSM Quem faria hoje o que Roosevelt fez em 1933? Uma crise tem um tempo certo para ser derrotada, ou derrotará quem vacilar diante de seus desafios. Nisso, Roosevelt revelou-se o estadista cuja habilidade ainda tem lições a oferecer aos seus contemporâneos, inclusive no Brasil. O paradigma do desassombro associado ao realismo não convoca apenas lideranças individuais. Lições históricas dos anos 30 argüem também sujeitos coletivos, como o Fórum Social Mundial. Deles se espera respostas a salvo da dispersão em relação às urgências da população neste divisor da história. A análise é de Saul Leblon. > LEIA MAIS | Economia | 29/01/2009 Centrais sindicais pregam a unidade na luta contra a crise Durante o debate, que reuniu dirigentes de algumas das principais centrais sindicais brasileiras e internacionais, a luta contra a crise financeira global e a preservação dos direitos dos trabalhadores foi o tema predominante. "Temos a necessidade de unificar a luta das centrais sindicais e do movimento sindical, não somente no Brasil como também no movimento sindical internacional, para questionar o modelo de desenvolvimento no Brasil e no mundo", defendeu Arthur Henrique (foto), presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). > LEIA MAIS | Economia | 29/01/2009 . Fórum Social Mundial, crise e emprego . Os fantasmas da crise assombram Davos . Chico de Oliveira: a primeira grande crise da globalização capitalista . Maria da Conceição: governo deve investir pesado no gasto social . Francisco Carlos Teixeira: Aviso urgente, cai a bilheteria de Davos! TV Carta Maior Colunistas Francisco Carlos Teixeira Integração sulamericana: para além de um mercado! Conforme Lula disse aqui em Belém: "...vivemos o fim da época do Deus-Mercado!". Neste sentido é fundamental transformar o Mercosul numa ampla aliança política, social, cultural dos povos das Américas e além-oceano. - 30/01/2009 Edson Teles O sigilo eterno da história brasileira Ao inverter a prioridade do poder do cidadão de acesso às informações públicas contida na Constituição em proveito do direito de censura por parte do Estado, a lei de "sigilo eterno" imprime à democracia uma continuidade do estado de exceção. - 30/01/2009 Enio Squeff O mundo que temos e o mundo possível É interessante que as ficções que tratam de temas históricos, persigam sempre as utopias. Há uma afirmação constante numa esperança não importa qual, e não obstante também a realidade ser sempre a negação do sonho. - 30/01/2009 Marcos Dantas Comunicações democráticas A Conferência Nacional de Comunicação será realizada este ano, anunciou, em Belém, o ministro Luiz Dulci. Convocada a Conferência, a luta pela democratização das Comunicações passa a um outro patamar. Já não se trata mais de gerar críticas e denúncias, mas sim de produzir propostas. - 30/01/2009 Boaventura de Sousa Santos FSM: O Ano do Futuro Os acontecimentos que marcam o início de 2009 são de tal modo importantes que se o mundo não puder conhecer a posição do Fórum Social Mundial sobre eles é possível prever que o FSM corre o risco de se tornar irrelevante. - 29/01/2009 Edson Teles Direitos humanos na proteção dos excluídos A criminalidade de meninos e meninas envolvidos em crimes tem recebido destaque nos últimos anos, no Brasil e no mundo, como um problema social que desafia o esforço de compreensão e de renovadas políticas de enfrentamento do problema. - 29/01/2009 Caso deseje cancelar o recebimento, clique aqui. -------------- next part -------------- An HTML attachment was scrubbed... URL: http://serverlinux.revistaoberro.com.br/pipermail/cartaoberro/attachments/20070531/cd0ab3a3/attachment.html